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sábado, 21 de maio de 2011

Os ajutes de South Beach


Chegou a arma secreta do Miami Heat

O playoff da NBA, disputado em séries de melhores de sete jogos (O da MLB também é, mas tem uma de melhor de cinco), tem o seu charme. Tudo bem, o formato da NCAA e da NFL, um jogo apenas, ganhar ou ir pra casa, mata mata, é muito emocionante, cada jogo é uma final e proporciona um número maior de zebras. Mas por outro lado, os playoffs da NBA e suas longas séries também tem um outro atrativo. A cada jogo, os times tem que fazer ajustes pra encontrar uma forma melhor de defender seu adversário, de pontuar, de abrir espaço no garrafão e tudo mais, e quando você joga com seu adversário sabendo que daqui a dois dias vai jogar de novo, você não tem escolha senão ir pra casa assistir aos vídeos da partida e pensar num contra-ataque, especialmente se você perdeu. Entre cada jogo -brigado, corrido, disputado - tem uma outra batalha, uma tática, pra ver quem consegue conduzir a série em seu favor no próximo jogo.

E ainda não entendi se foi um ajuste do técnico (Eu não sou o maior fã do Eric Spolestra), se foi apenas um teste que deu cinquenta vezes mais certo ou se foi apenas sorte, mas um fator no jogo 2 que não esteve presente no jogo 1 para o Miami Heat determinou a vitória e a quebra de mando no jogo 2.

No jogo 1, o jogo estava até equilibrado no intervalo, mas o segundo tempo foi um massacre por parte do Bulls por uma série de fatores. Mas no geral, aquele jogo foi vencido em três fatores: Rebotes ofensivos, bolas de três pontos e defesa. Começando pelas bolas de três, o Bulls acertou 10 de 21 tentativas, sendo três do Derrick Rose e quatro do Luol Deng. O Bulls não tem no seu time grandes chutadores de três, o melhor é o Kyle Korver no banco de reservas que é um cone defensivamente e portanto tem minutos limitados num time com mentalidade defensiva. O Deng e o Rose volta e meia tem boas noites e acertam seus arremessos de longe, mas não é o forte do jogo deles. Mas nesse jogo, tudo parecia cair, e cair na hora certa: Sempre que o Heat apertava, lá vinha uma bola de três. Quando o Heat parava uma boa posse de bola, um rebote ofensivo caia nas mãos de alguém livre que colocava lá dentro pra mais três. Até o CJ Watson acertou uma bola de três com direito a passo pra trás no estouro do cronômetro achando que era o Reggie Miller! Não é algo que o Bulls costuma fazer, mas que dessa vez deu certo e serviu pra ajudar e muito o time a abrir o placar. Pra comparar, no jogo dois o Bulls acertou apenas três de 20 arremessos de longe.

Mas o mais importante foram os rebotes de ataque e a defesa. Cada vez que a bola do Bulls não caia tava lá o Joakim Noah e mais quem quer que estivesse por perto pra brigar, dar tapinhas, e fazer o máximo possível pra conseguir mais uma posse de bola, e isso fez com que só o Joakim Noah saíssem com 8 rebotes ofensivos e o time como um todo com 19, gerando 31 second chance points. No total, o Bulls pegou 12 rebotes a mais que o Heat mesmo com um menor aproveitamento dos arremessos. O Heat acertou 4% a mais dos seus arremessos e teve quase o mesmo número de lances livres, e ainda perdeu por 20, simplesmente porque o Bulls acertou sete bolas de três pontos a mais e arremessou muito mais bolas por conta dos rebotes de ataque e de alguns turnovers a menos. A defesa do time também foi importante pra segurar a dupla Lebron James e Dwyane Wade, mantê-lo fora do garrafão e obrigar a dupla a arremessar para pontuar, arremessos sempre contestados. E, de certa forma, a defesa do Bulls e os rebotes ofensivos podem ser resumidos em uma outra categoria: Energia.

Nenhum time consegue uma defesa como a do Bulls só por ter energia, podiam ligar o Timberwolves inteiro na tomada que eles ainda iam levar 120 pontos toda noite, exige muito mais talento individual e uma defesa muito bem montada pra isso, mas também é fato que nenhum time vai defender Wade e Lebron tão bem sem superar o adversário em intensidade e energia. Essa energia que fez o time correr o jogo todo, brigar por cada rebote, por cada bola solta e defender o garrafão como se a vida dependesse disso - muito superior a qualquer energia que o Heat tivesse naquele jogo - foi o que fez toda a diferença na partida. E o Bulls, que tem um garrafão mais alto e mais forte que o Heat, criou um problema para o Eric Spolestra, que chegou a usar o Jamal Magloire durante a partida pra tentar aumentar o garrafão, mas ele errou uma enterrada sozinho no garrafão e... bem, não vamos falar sobre isso, me deprime só de lembrar daquela jogada.

No jogo 2, o time do Heat já entrou com uma orientação inteligente do Spolestra pra evitar essa dominação nos rebotes: Correr pro ataque assim que pegar a bola na defesa e não deixar a defesa se reorientar, o que fazia com que a correria do Heat pegasse uma defesa do Bulls completamente desmontada em sem o Noah, que ficariam brigando pelos rebotes ofensivos e forçava Chicago a não ser tão intenso nesses rebotes para não ceder cestas fáceis. Pra um exemplo, o Celtics é um time que não pegava rebotes ofensivos. Se tivesse alguém onde o rebote caisse, ótimo, mas caso contrário ninguém ia la ficar brigando até a morte por eles (Tirando, as vezes, o Rajon Rondo), o time preferia voltar rapidamente pra defesa para se montar e desafiar o adversário a pontuar por cima dela, era uma ótima defesa de transição. O Bulls é um time que prefere ficar brigando usando a energia e o tamanho dos seus homens de frente pra pegar rebotes e criar novas chances, mas a defesa de transição deles é só a 10ª melhor da NBA já que quando o rebote ofensivo não acontece o adversário enfrenta uma defesa desmontada. Correndo pro ataque mais rapidamente ao pegar os rebotes com seu ataque de transição imparável e eventualmente pontuando feito uns malucos, o Bulls não pode brincar embaixo do aro como fez no jogo 1 pra criar trocentas novas oportunidades, ao invés disso o time teve que correr para a defesa com maior frequência.

Mas o que determinou de vez a virada do Miami no jogo 2 não foi a correria. Foi um jogador que só tinha jogado sete minutos nos playoffs até aquele momento, Udonis Haslem. O Haslem teve uma atuação fundamental pra vitória do Heat mesmo sem ritmo e as vezes cometendo erros bobos. O capitão do Heat é um ala-pivô que não tem muitos recursos ofensivos, não é o melhor defensor do mundo mas que é um reboteiro excepcional e joga com muita garra, além de acertar arremessos de meia distância até de olhos fechados. O Haslem foi fundamental na partida porque ele brigou por todos os rebotes, mergulhou em simplesmente TODAS as bolas perdidas e correu feito um condenado. Se no jogo 1 o Bulls ganhou porque jogou com mais energia do que o Heat e isso determinou sua vantagem na defesa e nos rebotes, dessa vez a energia do Haslem fez exatamente o contrário. A cada erro de arremesso do Bulls e quando o Noah ia pra lá brigar pelo rebote, aparecia o Haslem pra empurrar o pivô, pra dar uns tapas na bola, pra fazer o box out ou pra simplesmente ir lá e pegar o rebote. Ele tava brigando por todos os rebotes e todas as sobras de bola pra não deixar o Noah ter vantagem, e era capaz de brigar pelo rebote na defesa e sair correndo pro ataque e ainda pegar um passe do Wade e dar uma enterrada monstruosa (ele fez isso... duas vezes). Era impressionante como cada vez que o Haslem entrava o Heat parava de ceder rebotes ofensivos (até pegava alguns) e de repente começava a ceder novamente quando o ala-pivô saia. Ele não é alto como o Noah pra jogar de pivô, mas ele tem a mesma energia do branquelo que decidiu o jogo 1 - dessa vez, essa energia foi fundamental para o Heat sair com a vitória.

Se o Eric Spolestra já imaginava que isso fosse acontecer ou só colocou o Haslem por ser um bom reboteiro durante alguns instantes e o plano deu tão certo que ele acabou ganhando mais e mais tempo em quadra, eu não sei. Mas a presença do Haslem, a energia que ele trouxe pro time e a maior variedade de jogadas combinadas do Wade e do Lebron foram os diferenciais nessa partida. Por outro lado, o Bulls decaiu muito depois de um ótimo jogo 1, ninguém realmente jogou bem na segunda partida, o Derrick Rose arremessou demais e infiltrou de menos, o time não conseguiu criar jogadas no ataque e deixou o Heat correr demais por cometer muitos turnovers. É a vez do Bulls fazer seus ajustes pra tentar recuperar o mando de quadra no jogo 3, em Miami. Um bom começo seria arrumar uma forma do Rose jogar mais perto do aro e o Carlos Boozer voltar a aparecer pro jogo, ele tem dois jogos bons na pós temporada e o resto todo foi horrível a ponto dele ter passado todo o quarto período do jogo 2 no banco. Ai é com voce, Tom Thibodeau. Como você vai reagir a isso?