Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 22 de maio de 2012

Primeira fase dos playoffs: As pedreiras

Antes de anunciar um novo parceiro para o TW Warning, vamos correr pra recuperar o que ficou pra trás no assunto playoffs da NBA, e passar de uma vez por todas pras Finais de Conferencia, quando a coisa começa a ficar realmente interessante. Portanto, depois de falar das mamatas da primeira rodada dos playoffs, falaremos das pedreiras... E, infelizmente, das lesōes.

Infelizmente, essa imagem vai marcar os playoffs de 2012 pra sempre



Lakers vs Nuggets (4-3)
Odeio me gabar quando eu acerto alguma coisa (mentira, eu adoro), mas eu avisei que essa série tinha tudo pra ser muito emocionante e decidida em sete jogos. Veja só como meus poderes proféticos andam afiados:


Apesar de parecer um absurdo a primeira vista, pra mim esse confronto tem tudo pra ser um duelo muito interessante. O Nuggets tem três coisas que incomodam muito o Lakers: Um armador muito rápido no Ty Lawson, um jogador de garrafão extremamente energético e que defende muito bem, e tem um excelente defensor de periímetro pra colar no Kobe (Aaron Afflalo). Somando essas três coisas com a depth de Denver e um dia onde as bolas de três estejam caindo, e de repente podemos ter uma série



Pois é, foi exatamente isso que deu o tom da série, em especial o primeiro item. Depois de usar sua força e seu garrafão pra abrir logo uma vantagem de 2 a 0 na série, o Lakers passou a ter muito trabalho pra segurar o Ty Lawson. O armador deu um baile no Ramon Sessions e no Steve Blake, costurou a defesa do Lakers e achou seus companheiros. O Lakers tem problemas com armadores velozes desde... O que, a década de 80 (Sleepy Floyd, alguém?)? Bom, o Lawson não foi exceção, ele pintou o diabo com o Lakers quando o Nuggets encostou na série.

Isso também teve uma ajuda do garrafão do Nuggets, que com energia e atleticismo conseguiu se impor pra cima do garrafão forte de Los Angeles. O que, Kenneth Faried? Um pouco, mas nem tanto. Quem realmente fez a diferença no garrafão do Nuggets (Além da depth e versatilidade geral dos big man de Denver) foi o JaValle McGee. Durmam com essa, o mesmo McGee que não sabe qual é o lado que ataca e defende. Mas a verdade é que a energia e atleticismo do McGee e do Faried serviu muito bem pra incomodar os pivôs de LA, evitar que eles controlassem o jogo na área pintada e forçar o Lakers a rodar mais a bola e confiar nos chutes de três. O que foi importantíssimo pra Denver, porque as bolas de três do Lakers não estavam caindo e isso impediu que o Lakers conseguisse desacelerar em muito o ritmo do jogo. Isso favoreceu o Lawson e o ataque mais rápido do Denver, tirou o Lakers da sua zona de conforto e colocou o time de LA contra a parede com um jogo 7.

No entanto, no Jogo 7 aconteceram duas coisas muito importantes pro Lakers, que não tinham acontecido até ali. Primeiro, as bolas de três de Metta World Peace e Steve Blake começaram a cair, o que abriu demais o jogo para o Lakers, deu espaço para Andrew Bynum e Pau Gasol trabalharem no garrafão (especialmente nos rebotes) e, principalmente, serviu para desacelerar o jogo. O jogo mais lento era tudo que o Lakers queria pra evitar que o Nuggets saisse correndo e pontuando na transição, como fez a série toda, mas isso só foi possível porque as bolas de três caíram e o garrafão se aproveitou disso pra funcionar. Além disso, no segundo tempo do jogo 7, Kobe pediu pessoalmente pra marcar o Ty Lawson. Lawson não fez mais nada, foi engolido pelo camisa 24 e isso tirou demais o poder de fogo de Denver, que não conseguiu acompanhar o Lakers. Ainda assim, uma boa performance do Nuggets com seu elenco ainda muito jovem (e sem Wilson Chandler).


Clippers vs Grizzlies (4-3)
Ok, essa é complicada. Juro que não sei realmente explicar o que aconteceu nessa série. Mas eu tenho CERTEZA que fomos eu e o Zeca que zicamos o Grizzlies no nosso podcast (Pros preguiçosos, a gente apontou o Grizzlies como nosso candidato ao tiítulo. Eu sou um homem de honra, também lembro meus erros grosseiros). Aos torcedores do Grizzlies, sentimos muito. Se eu soubesse que era tão fácil assim tinha aproveitado pra secar também o Heat e o Lakers. 

Ok, vamos ver o que a gente tem... Primeiro, o Grizzlies tava dominando o jogo, abriu 27 pontos de vantagem, e entregou tudo no segundo tempo. Claro que o Clippers tem mérito, mas o Grizzlies simplesmente dormiu na partida: Parou de correr pra defender contra ataques, nao rodou a marcação direito, ficou preguiçoso no ataque... Em resumo, achou que o jogo tava ganho, naão se esforçou pra manter o placar, e ai quando o Clippers veio pra cima o time não teve capacidade de se recuperar e reagir. O Clippers abriu o placar da série e tirou todo e qualquer momento que o Grizzlies tivesse.

O problema do Grizzlies foi a dificuldade que o time teve em envolver no jogo seus dois jogadores de garrafão, Marc Gasol e Zach Randolph. Ao invés disso, o time insistiu com o Rudy Gay no perímetro, que teve médias muito ruins de 19 pontos e 42%, o que não seria tããão ruim se, sabe, ele não estivesse sendo marcado pelo Caron Butler, que tava com uma fucking mão quebrada! Quando o Grizzlies finalmente usou seu garrafão do jeito certo, Marc Gasol engoliu o Clippers com farinha e finalmente explorou o garrafão fraco e vulnerável do seu adversário, ganhando os jogos 5 e 6 (Esse ultimo em Los Angeles). Mas ai chegamos ao jogo 7, que fo bizarro: Gasol foi muito bem, mas Zach Randolph acertou apenas 3 de 12 arremessos, ningueém além de Gasol e Gay (que desapareceu no quarto periodo, com um turnover e nenhum Field Goal) anotou mais de 10 pontos, e o Chris Paul fez o seu papel para o Clippers fechar a série num jogo marcado por muito nervosismos e ataques muito ruins: 82 a 72 pro Clippers, que chutou 38% no jogo. O Grizzlies? 32%. Ta explicado?


Celtics vs Hawks (4-2)
Uma série bizarra, e eu nem sei por onde começar. Primeiro, no jogo 1, Joe Johnson e Josh Smith jogam muito bem, Rajon Rondo tromba de proposito em um juiz e é expulso (e suspenso), e o Hawks não só ganha o jogo 1 como sabia que ia jogar o jogo 2 contra um Celtics sem seu melhor jogador. No jogo 2, no entanto, o Celtics venceu mesmo sem Rondo, graças a um jogo histórico do Paul Pierce (jogando com uma perna só): 36-14-4 e todas as cestas importantes do time no segundo tempo pra tirar a diferença de 12 pontos, naqueles jogos onde ele parece imparável e acerta todo tipo de arremesso. Isso também com a pequena ajuda do Josh Smith ter se machucado perto do final do jogo (embora duvido que isso fosse mudar o jogo com o Pierce nesse estado). 

O jogo 3, sem Smith, foi mais difícil do que todo mundo esperava, mas o Celtics ganhou com um triple double do Rondo. O jogo 4, mesmo com as voltas de Smith e Al Horford, foi uma lavada do Celtics que parecia que ia empolgar nos playoffs, que tava achando seu melhor jogo, com Rondo voando, Pierce e Ray Allen afiados de longe, e Kevin Garnett voltando uns anos no tempo. Parecia então que o Celtics ia jogar essa série pras mamatas.

Mas não, no jogo 5 o Hawks assumiu o controle e chegou a abrir vantagem de dois dígitos no final do terceiro período, só pra ver o Celtics anotar 10 seguidos antes do fim do terceiro quarto. Ai o Al Horford esqueceu que tinha ficado quatro meses parado, tomou conta do jogo e abriu 4 pontos de vantagem... Pra ver o Pierce acertar uma bola ninja de três e o Rondo roubar o inbound pass faltando 10 segundos. Ai o Rondo, famoso por passar bolas ate quando tem caminho livre pra cesta, esqueceu de passar a bola, quis resolver sozinho, errou o drible e nem arremessou antes do tempo acabar. E claro que no jogo 6 o Hawks jogou melhor, abriu boa vantagem, viu o Garnett meter um 28-14 e o Celtics virar o jogo nos segundos finais, dai o Horford errar um lance livre decisivo (depois de ter dominado o periodo todo) e o Celtics sair com uma vitória bizarra. Ufa.

Ou seja, foi muito esquisito, e o pior: Eu assisti a todos os jogos dessa série, e não consigo explicar quase nada do que aconteceu. Foi aleatorio demais, os jogadores foram de lua demais e foi justamente isso que determinou cada jogo. Ou seja, imprevisível. O melhor time venceu, mas suou demais e não convenceu. E o saldo de baixas do Celtics acabou sendo o mais importante dessa rodada: Pierce sem uma perna indo pra Philadelphia, Avery Bradley sem um braço (O que claramente ta limitando o garoto e fazendo ele perder importantes jogos) e o Ray Allen incapaz de correr normalmente. Esse Celtics provavelmente é, quando consideramos as lesōes do Chris Wilcox e do Jeff Green, o time do Celtics mais zicado de lesōes desde 1987 (quando tinha Robert Parish e Danny Ainge com lesōes sérias na perna - especialmente Parish - e seu segundo melhor jogador, Kevin McHale, jogando com um fucking pé quebrado... E mesmo assim levou a série contra o Lakers a seis jogos. E sim, o McHale daria o toco no baby hook do Magic Johnson no jogo 4 se estivesse saudável. Vamos em frente antes que eu jogue o notebook pela janela). Uma pena, porque era o time mais embalado do Leste antes do fim da temporada e das lesōes. Espero que consiga se reencontrar caso passe pelo Sixers a tempo de enfrentar Heat ou Pacers. E por falar em lesōes...


Sixers vs Bulls (4-2)
Sinto muito, não tem o que falar dessa série a não ser a lesão que tirou o Derrick Rose dos playoffs, das olimpíadas e, talvez, até mesmo da temporada do ano que vem. Se era necessário ou não manter o Rose naquele momento de um jogo já ganho de playoffs, não é a questão: Ao mesmo tempo que o Rose voltava de uma lesão séria e seria melhor poupá-lo com o jogo já ganho, também era fato de que o armador estava sem ritmo de jogo e precisava jogar para poder voltar a estar entrosado com a equipe e o jogo em si. Nao vou entrar nessa questão.

A questão que importa é que isso tirou de cena o melhor time do Leste ao longo de toda a temporada regular, com uma defesa forte, um superstar pra controlar o jogo e, mais importante, uma identidade. O Bulls tinha falhas, podia não dar em nada, mas o fato é que tirar dos playoffs o time de melhor campanha de uma conferência sempre vai causar um desequilibrio importante, o que o Bill Simmons chamou de "Título com uma nota de rodapé", um título legítimo mas influenciado por algo que sempre vai fazer as pessoas falarem "Ah, mas naquele ano teve...", como por exemplo o título do Lakers de 87 (Veja acima), do Rockets de 94 (Aposentadoria de Michael Jordan no auge dos seus poderes), do Spurs de 1999 (Lockout que fez mais de metade da liga chegar totalmente despreparada na temporada, o que levou o Knicks a chegar às Finais graças a uma jogada duvidosa e sem seu melhor jogador no Patrick Ewing, machucado, que definitivamente teve importancia quando seu time foi massacrado por Tim Duncan - David Robinson), Hawks em 1958 (perna quebrada do Bill Russell), Lakers em 1988 (Isiah Thomas machucando seriamente o pé no jogo 6 das Finais com Detroit liderando 3-2 e indo fechar a série)... E por ai vai. Voces entendem a idéia, uma nota de rodapé indicando que o tiítulo foi legiítimo, mas teve ajuda de um fator de sorte que não pode ser deixado de lado. Diferente de um asterisco, que indicaria algo claramente falso e ilegítimo, como os Home Runs do Barry Bonds (socado até o pescoço de esteroides), o final da carreira do Roger Clemens (idem), e por ai vai.

A lesão do Rose faz do título de 2012 um título assim? Sim, com certeza. Nao significa que o Bulls ia ganhar e deixou de ganhar por causa disso, mas indica que, quem quer que tenha ganho o título, teve caminho facilitado por uma lesão que tirou da briga um dos times mais fortes do ano. Ninguém garante que o Spurs não ia ser campeão em 2005, mas ele teve caminho muito facilitado pelas lesōes de Joe Johnson (Suns), Dwyane Wade (Heat) e a confusão do Ron Artest (Pacers) no Palace of Auburn Hills terem tirado do páreo três dos cinco melhores times do ano. O mesmo vai acontecer esse ano. Seja Heat, Celtics (Amem!), Spurs ou Thunder a ganhar o título, todo mundo vai lembrar que o Bulls não disputou o título porque o Rose machucou. É cruel, mas é assim que funcionam os esportes, todo mundo pensa demais no "E se...". E afinal de contas, o Rose PODIA levar o Bulls ao título. A gente não sabe. E nunca vai saber. Só sabemos que os playoffs perderam um dos seus jogadores mais interessantes, um dos melhores times e a chance de sete jogos de Heat e Bulls se matando depois de tanta animosidade na temporada regular. O Bulls jogou a temporada regular muito bem sem Rose porque jogou confiante, sabendo que quando importasse, o camisa 1 estaria la dentro com eles. Nos playoffs, quando a lesão do Rose deixou claro que ele NAO ia voltar mais e que o Bulls estava sozinho até o final, o time desanimou (especialmente quando o Joakim Noah também machucou). O time foi capaz de jogar com intensidade quando Rose estava fora quando sabiam que ele voltaria, mas sem a esperança de uma volta, o Bulls simplesmente não teve forças pra continuar, e o Sixers passou por cima. Uma pena imensa...

domingo, 29 de maio de 2011

Os eliminados


Pela cara do Durant, tudo que ele quer é quebrar esse pescoço..

Ok, Bulls e Thunder são bons. São muito bons. E também são muito parecidos. Os dois possuem uma superestrela que está sem dúvida na elite da Liga. Os dois possuem uma defesa forte, um bom banco mas as vezes apresentam alguma dificuldade no ataque e em se controlar nos momentos decisivos da partida, mas também são capazes de ganhar jogos sozinhos em noites inspiradas de Derrick Rose e Kevin Durant. E esses dois times muito bons e parecidos foram eliminados nas finais de conferência da NBA principalmente porque tropeçaram nas próprias pernas.

Claro, Mavericks e Heat eram times excelentes. Dirk Nowitzki, Dwyane Wade e Lebron James fizeram chover em vários momentos da série e mostraram que, pelo menos por enquanto, eram os melhores jogadores em quadra nas respectivas séries. Mas se você fizer agora uma retrospectiva das duas séries, Bulls e Thunder tiveram muitas oportunidades de vencer jogos e abrir vantagem que permitiria pelo menos que a série durasse mais e deixaram escapar, em parte porque foram superados em termos de execução mas também porque, quando o jogo chegou nos instantes finais, tanto Thunder como Bulls sofreram com um ataque estagnado, incapaz de criar jogadas e viu o adversário acertar tudo.

Eu cometei aqui nesse post sobre como o Russell Westbrook e o Kevin Durant não estavam acertando nos momentos finais do jogo, como o Westbrook, quando precisva controlar o ritmo de jogo, segurar a bola e acionar jogadas com bom aproveitamento, abaixava a cabeça e batia pra dentro onde o Tyson Chandler estava esperando pra dar o toco enquanto o Durant assistia passivamente a isso tudo sem reclamar, sem pedir a bola e sem tentar decidir sozinho, em contraste com o Jason Kidd, que quando o jogo aperta a calma e o QI dele fazem dele um jogador muito mais perigoso que o apressado e sem cérebro Westbrook,  e o Nowitzki, que mesmo jogando mal o jogo quatro todo, chamou o jogo e acertou três cestas nos minutos decisivos pra vencer a partida. Também falei em outro post sobre a sucessão de erros que o Bulls cometeu no jogo quatro, quando tiveram a chance de empatar a série mas tropeçaram demais nos próprios erros e limitações e viram o Heat abrir fatais 3-1, a incapacidade de chamar jogadas, a falta de um elenco que possa segurar a bola quando o Heat pressionou o Rose a soltar a bola e a incapacidade de executar duas jogadas nos segundos finais que gerassem arremessos melhores do que bolas longas do Rose defendido (muito bem) pelo Lebron James. E tudo isso que a gente viu, que os gringos viram, que os quatro times vivos na NBA viram, se repetiu mais uma vez no jogo cinco de ambas as séries e que decretou que a final da NBA vai ser uma revanche da final de 2006, quando o Heat venceu o Mavs por 4 a 2.

Se eu for comentar extensivamente cada um dos jogos cinco, isso aqui vai ficar repetitivo e longo demais. Mas mais uma vez, o Thunder chegou no final com a vantagem, não soube o que fazer, viu o Westbrook e o Eric Maynor incapazes de manterem a calma e erraram tudo que tentou, e aí o Nowitzki acertou tudo pra fechar a série, em mais um exemplo de como isso foi repetitivo em pelo menos três jogos da série. E no jogo cinco, tivemos ao mesmo tempo um jogo simplesmente histórico do Miami Heat e uma demonstração patética do Bulls de como entregar um jogo. Não da pra falar que foi só uma das duas coisas, nenhum time no universo perde uma vantagem de 13 pontos em dois minutos e meio só por causa de uma delas. Quando o Ronnie Brewer acertou duas bolas que ele geralmente erra pra colocar o Bulls com essa vantagem, o que aconteceu daí em diante tem que ser separado em dois vídeos diferentes: Um só com as jogadas do Miami Heat pra quem gosta do basquete bem jogado e de ver dois gênios em ação, e outro com os ataques do Bulls pros masoquistas. O Wade simplesmente colocou a bola embaixo do braço, fez uma cesta, depois uma four point play, depois outra cesta de três, depois o Lebron acertou mais duas bolas ninjas de três pontos e o game winner pra dois da cabeça do garrafão. Todas cestas impossíveis, mas é por isso que eles são o que são. Do outro lado, o Bulls conseguiu apenas UMA cesta nesse tempo todo, uma bola forçadíssima do Rose numa infiltração que deu errado. Fora isso, foram arremessos contestados, infiltrações disperdiçadas e turnovers, tudo que o Bulls fez nos jogos três e quatro que tornaram a vida do Heat muito mais fácil e foi incapaz de corrigir nesse jogo cinco, quando tinha tudo pra forçar um jogo seis de vida ou morte em Miami. O Heat foi fantástico, mas o Bulls deixou o jogo escapar por incompetência também.

Ou seja, a inexperiência e o excesso de erros e decisões ruins nos minutos finais foram fatais para esses dois times jovens. São times muito bons por 44 minutos mas que parecem não saber o que fazer, em quem confiar, como jogar, nos quatro minutos finais (E prorrogações). O que, de certa forma, não é de se estranhar: O Thunder é um time extremamente jovem, que vem evoluindo a passos largos mas que nunca tinha sequer passado da primeira rodada dos playoffs, não tem um jogador mais experiente para ser um líder maduro dentro de quadra nessas horas e que não tem um técnico que seja velho, calejado e experiente. E o Bulls foi um time que acabou de ser montado, com um técnico novato, e que claramente se montou para daqui a algum tempo, eles não esperavam (Sinceramente, quem esperava?) que o Derrick Rose desse esse salto de produtividade tão cedo. O Bulls montou um time pra ir sendo construido com calma, mas quando o Rose de repente acordou jogando como um MVP, o time fez a unica coisa que podia, pensou em título. Mas agora com a derrota, o Bulls vai ter que ir com calma arrumar as falhas do seu elenco pra tentar novamente.

Pra mim, a maior coisa que esses times tem que levar dessa derrota é a experiencia. Um time tem mais a aprender nas derrotas do que nas vitórias, porque é nelas que fica exposto o que tem de errado e não o que tem de certo. E foram duas eliminações que, embora tenhamos visto os melhores times classificando, não foram tão dominantes como o resultado final (4-1) indica. Vários jogos foram decididos apenas nos instantes finais e porque um time não soube o que fazer e o outro soube. O talento está lá, são dois ótimos times que tem muitos anos pela frente pra tentarem uma final. Agora não vai adiantar chorar a eliminação nem achar culpados, mas os times tem que extrair o melhor disso. O Russell Westbrook foi muito questionado por agir mais como pontuador e menos como armador, mas as vezes isso é importante pro time. O moleque tem 21 anos, ainda precisa evoluir e amadurecer pra conseguir fazer melhor a distinção entre pontuar e armar - não tem nada de errado em um armador pontuador, ele só tem que saber quando é melhor ele fazer isso e quando é melhor cadenciar o jogo. Ao invés de crucificarem o moleque como ele está fazendo, vamos esperar pra ver o efeito que essa derrota vai ter nele. Times aprendem perdendo, jogadores crescem superando dificuldades - o Phil Jackson ganhou 11 títulos com essa postura, quem vai criticar??

E se o Thunder tem um time perfeitamente montado mas que precisa de muita experiência e até de um pouco mais de arrogância, o Bulls ainda precisa concluir seu projeto que já está bem avançado. A necessidade do time que foi mais explorada pelo Heat foi a falta de outro jogador além do Rose pra segurar a bola e criar o próprio arremesso. Quando temos essa necessidade e olhamos pro Keith Bogans de titular, a gente soma 2+2 e chega à conclusão de que o time precisa urgente de um ala-armador. O nome mais cotado é o do Rip Hamilton, que ainda tem um contrato longo com o Pistons mas que está envolvido em muitos boatos de troca para liberar salário (Existe até um boato forte de que o Cavaliers estaria interessado numa troca envolvendo ele pra ficar com a segunda escolha do Draft e que terminaria com o Hamilton sendo dispensado) e poderia ficar sem salário podendo assinar com o Bulls a um salário baixo. O Hamilton arremessa bem de três, cria seu arremesso, é ótimo saindo de screens e defende bem, seria uma ótima adição. Eu também defendo o Aaron Afflalo, acho um jogador excelente, sabe segurar a bola, ótimo defensor e arremessador de três e que tem evoluido seu jogo, principalmente no quesito pontuação. Qualquer um deles já seria uma ótima adição, e com mais um ano pro time crescer e se entrosar, esse time pode estar pronto pra desafiar o Heat em 2012. Ah sim, alguns querem trocar o Carlos Boozer, mas eu acho cedo pra isso...

Enquanto isso, os experientes Mavericks (Time de vovôs) e o Heat (Um time bem mais jovem, mas muito rodado: Wade já foi campeão e MVP das Finais em 2006 e o Lebron foi finalista em 2007, além de ser duas vezes MVP e ter levado o Cavaliers nas costas anos a fio nos playoffs) estão na final. Ambos fizeram valer sua experiência e o crescimento que tiveram como times ao longo da série (Ah, aquelas derrotas...) e chegaram à Final. Mas esse preview vai ficar pra amanhã. Não deixem de conferir.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Jogo dos mil erros

Derrick Rose tenta morder o queixo do Joakim Noah


Ao longo das finais do Leste, também no jogo vencido pelo Bulls mas principalmente nos vencidos pelo Miami Heat, alguma coisa estava me incomodando. Eu não sabia explicar exatamente, mas alguma coisa na forma como os times estavam jogando estava me deixando inquieto, como se o jogo estivesse sendo desagradável. Até que nesse jogo quatro, essa coisa que tanto me incomodava foi totalmente escancarada por ambos os times, e a única forma como eu consigo descrever isso é usando a expressão que meu amigo uma vez usou: Um jogo dos mil erros.

Não, é sério, o jogo consistiu basicamente em erros, de ambos os lados. A gente comentou, quando a série começou, que essa série provavalmente seria uma série de placares baixos, com defesas superando os ataques, onde os turnovers iam gerar contra ataque e pontos fáceis que os times iriam querer evitar e portanto deveriam jogar um basquete mais lento e de meia quadra. O problema é que nenhum desses dois times joga um basquete eficiente de meia quadra, o que gera rebotes, turnovers e contra ataques, vindo dos erros dos mais variados, principalmente turnovers e posses de bola... digamos... deficientes. Esse jogo quatro elevou isso a um novo nível, porque o momento do jogo foi controlado por quem estava sendo capaz de aproveitar isso pra transformar em mais posses de bola e principalmente contra ataques.

Claro que a gente não pode falar que esse show de erros foi porque os times são ruins, estão jogando mal, etc. Tanto o Heat como o Bulls tem uma defesa fortíssima que tem feito um bom trabalho evitando as principais armas do seu adversário, o que faz com que nenhum dos dois consiga jogar confortavelmente um basquete de meia quadra e force turnovers, principalmente o Miami Heat. O Heat escancarou totalmente o maior defeito do Bulls, que é a falta de ter algum jogador pra segurar a bola além do Derrick Rose (Piorado pelo fato do Rose ser ainda mais um pontuador do que um ball handler) e tem colocado dois e até três jogadores em cima do Rose pra forçar o MVP a soltar a bola e aí eles aproveitam da falta de um jogador pra ficar com ela pra gerar turnovers e impedir que o Rose receba de volta. As vezes o Rose simplesmente tenta passar por cima da marcação, as vezes funciona, as vezes gera turnovers custosos pros contra ataques. O Bulls até teve algum sucesso fazendo o Rose jogar sem a bola e recebendo para finalizar, mas no geral isso rendeu turnovers e posses de bola disperdiçadas com arremessos forçados, o que impediu que o Bulls estabelecesse seu jogo.

Do outro lado, o Bulls também fez um ótimo trabalho mantendo o Heat fora do garrafão. Foram apenas 24 pontos na área pintada para o time de Miami (sem contar, claro, os trocentos lances livres), fazendo o que o Sixers e o Celtics foram incapazes de fazer. O Miami joga muito bem quando seus três craques ficam se movimentando em direção à cesta, mas o Bulls conseguiu evitar que eles fizessem isso o jogo todo, ou pelo menos sem tomar uma castanhada.

Essa situação criadas pelas fortes defesas forçou os ataques a não conseguirem pontuar e com isso o jogo passou a ser dominado por quem dominou o contra aataque. Foram 26 pontos de contra ataque para o Bulls e 15 para o Heat, mas se contassem os trocentos lances livres que os contra ataques geraram, esses números iam aumentar bastante. No começo do jogo, quando o Bulls aproveitou os erros do Heat pra correr com a bola, ele abriu vantagem. Quando o Bulls parou de correr, foi a vez do Heat abrir o placar. Chegou numa hora no terceiro periodo quando o Heat tava aproveitando o ataque de meia quadra mal executado do Bulls pra correr e fazer a cesta. Quando o jogo parou e o Heat que teve que executar o ataque de meia quadra, foi o Bulls que aproveitou de um turnover e dois rebotes longos pra voltar ao jogo. Em resumo, o jogo quatro praticamente todo - bem como vários momentos chave ao longo da série - foi decidido por quem errou menos e soube aproveitar melhor os erros do adversário pra furar as defesas.

E foi isso que decidiu o jogo também nos seus instantes finais. Com o placar empatado em 85, o Bulls tinha a bola e tinha tempo para dar um arremesso, esperar a jogada do Heat e ainda ter a bola final nas mãos. Mas o Bulls só tinha um tempo pra pedir quando teve a sua primeira chance, e por isso não teve como o téncico passar instruções para o time nem colocar o Kyle Korver (Argh!) em quadra pra um eventual pick and pop. O Bulls, pra essa jogada tão importante, escolheu isolar o Derrick Rose na cabeça do garrafão marcado pelo Lebron James, o que resultou num arremesso longe da cesta e que deveria ter sido por cima de um jogador bem mais alto. Não preciso falar que deu errado. Mas depois que o Lebron fez outra jogada tosca e cometeu uma falta de ataque desnecessária (e questionável), o Bulls pediu seu tempo e teve tempo suficiente pra montar uma jogada para os segundos finais. Mas nessa jogada tão decisiva, depois do tempo, o Bulls voltou com... uma isolação para o Derrick Rose na cabeça do garrafão, claro!! Que também acabou num arremesso longo e forçado que não entrou. O Bulls teve duas vezes a chance de vencer o jogo e ao invés de executar alguma jogada para facilitar a cesta, preferiu isolar o Rose marcado pelo Lebron para dois arremessos idiotas. Se alguma dessas bolas entra - principalmente a segunda - ia significar a vitória, mas qual a chance do Rose acertar esses arremessos por cima de alguém tão mais alto e bom defensor?

Na prorrogação, a história se repetiu. O Heat usou Lebron, Chris Bosh e o Dwyane Wade, que ressurgiu das cinzas depois de um jogo apagadíssimo, pra variar as jogadas, rodar a bola e conseguir boas cestas (algumas forçadas, ok). Quando foi a vez do Bulls ir pro ataque, era o Rose com a bola na mão o tempo todo, passes errados, turnovers em infiltrações, arremessos forçados que acabaram bloqueados (Só o Wade teve dois tocos na prorrogação) ou cedendo rebotes longos, e até um passe do Luol Deng ao repor a bola em jogo que foi patético, a bola saiu sem passar perto de ninguém, e o Heat aproveitou tudo isso pra responder com contra ataques que terminavam em pontos fáceis, sem precisar passar pela forte defesa de Chicago. Esses erros entregaram o jogo nas mãos do Heat, porque se é dificílimo até pra Miami pontuar contra a defesa de Chicago, esses pontos de transição aconteceram facilmente, sem ninguém pra fechar o caminho até a cesta.

Claro que o Heat não ganhou só porque o Bulls errou. A gente tem que destacar a energia (da qual já falamos antes) do Udonis Haslem, do Wade entrando na prorrogação pra acertar tudo e definir o jogo pro Heat e principalmente da ótima partida do Mike Miller, que finalmente justificou o fato de Miami ter destruido sua folha salarial pra contratar o ala-armador, além da ótima defesa da qual já falamos que manteve o Rose desconfortável, longe do garrafão e explorou os pontos fracos do Bulls. Mas o Bulls também teve seus acertos, conseguiu bons pontos, fez uma boa defesa e soube, em alguns momentos do jogo, aproveitar os erros do Miami Heat com bons contra ataques. O Bulls teve a chance de ganhar os jogos, mas deixou escapar tanto pelos méritos do Heat como por tropeçar nas próprias pernas com o excesso de turnovers nas horas erradas. Dos dois, esse segundo é mais dolorido porque o Heat é bom, tem craques e vai achar um jeito de jogar bem, mas os erros - ainda que muitas vezes consequencia da forte defesa e bom plano de jogo do Heat - são evitáveis, algo que sai das suas próprias mãos (literalmente). O Heat comete turnovers, erros bestas e as vezes bate cabeça, mas na hora que conta eles sabem o que fazer, mesmo se eles errarem. O Bulls ainda parece as vezes confuso, e aí a falta de ter o que fazer não resulta só num erro, resulta num contra ataque pro adversário. Um turnover não é custoso (principalmente contra Wade e Lebron) só porque você perde a posse de bola, e sim porque voce oferece ao adversário uma chance de fazer pontos fáceis na transição. Foi aí que o Bulls perdeu o jogo (e a série até aqui) e foi isso que o Heat soube tão bem aproveitar.

Apesar disso, a série ainda não acabou. O Bulls tem o MVP da temporada, tem uma boa defesa e joga em casa. Se ganhar o jogo cinco em casa, vai jogar a vida contra o Heat em Miami no jogo seis, porque se vencer, aí teremos um jogo 7 numa situação totalmente tensa, onde ninguém é favorito. Mas pra isso, precisam fazer o que ninguém fez até aqui, ganhar do Heat em Miami. Mas mesmo assim, ainda precisam ganhar o jogo cinco em casa. E pra isso, precisam parar com esses erros bestas. E caso perca mesmo, pelo amor de Deus, que alguém vá no mesmo instante até Denver para oferecer uma escolha de primeira rodada e mais algum restolho do elenco pelo Aaron Afflalo!!

sábado, 21 de maio de 2011

Os ajutes de South Beach


Chegou a arma secreta do Miami Heat

O playoff da NBA, disputado em séries de melhores de sete jogos (O da MLB também é, mas tem uma de melhor de cinco), tem o seu charme. Tudo bem, o formato da NCAA e da NFL, um jogo apenas, ganhar ou ir pra casa, mata mata, é muito emocionante, cada jogo é uma final e proporciona um número maior de zebras. Mas por outro lado, os playoffs da NBA e suas longas séries também tem um outro atrativo. A cada jogo, os times tem que fazer ajustes pra encontrar uma forma melhor de defender seu adversário, de pontuar, de abrir espaço no garrafão e tudo mais, e quando você joga com seu adversário sabendo que daqui a dois dias vai jogar de novo, você não tem escolha senão ir pra casa assistir aos vídeos da partida e pensar num contra-ataque, especialmente se você perdeu. Entre cada jogo -brigado, corrido, disputado - tem uma outra batalha, uma tática, pra ver quem consegue conduzir a série em seu favor no próximo jogo.

E ainda não entendi se foi um ajuste do técnico (Eu não sou o maior fã do Eric Spolestra), se foi apenas um teste que deu cinquenta vezes mais certo ou se foi apenas sorte, mas um fator no jogo 2 que não esteve presente no jogo 1 para o Miami Heat determinou a vitória e a quebra de mando no jogo 2.

No jogo 1, o jogo estava até equilibrado no intervalo, mas o segundo tempo foi um massacre por parte do Bulls por uma série de fatores. Mas no geral, aquele jogo foi vencido em três fatores: Rebotes ofensivos, bolas de três pontos e defesa. Começando pelas bolas de três, o Bulls acertou 10 de 21 tentativas, sendo três do Derrick Rose e quatro do Luol Deng. O Bulls não tem no seu time grandes chutadores de três, o melhor é o Kyle Korver no banco de reservas que é um cone defensivamente e portanto tem minutos limitados num time com mentalidade defensiva. O Deng e o Rose volta e meia tem boas noites e acertam seus arremessos de longe, mas não é o forte do jogo deles. Mas nesse jogo, tudo parecia cair, e cair na hora certa: Sempre que o Heat apertava, lá vinha uma bola de três. Quando o Heat parava uma boa posse de bola, um rebote ofensivo caia nas mãos de alguém livre que colocava lá dentro pra mais três. Até o CJ Watson acertou uma bola de três com direito a passo pra trás no estouro do cronômetro achando que era o Reggie Miller! Não é algo que o Bulls costuma fazer, mas que dessa vez deu certo e serviu pra ajudar e muito o time a abrir o placar. Pra comparar, no jogo dois o Bulls acertou apenas três de 20 arremessos de longe.

Mas o mais importante foram os rebotes de ataque e a defesa. Cada vez que a bola do Bulls não caia tava lá o Joakim Noah e mais quem quer que estivesse por perto pra brigar, dar tapinhas, e fazer o máximo possível pra conseguir mais uma posse de bola, e isso fez com que só o Joakim Noah saíssem com 8 rebotes ofensivos e o time como um todo com 19, gerando 31 second chance points. No total, o Bulls pegou 12 rebotes a mais que o Heat mesmo com um menor aproveitamento dos arremessos. O Heat acertou 4% a mais dos seus arremessos e teve quase o mesmo número de lances livres, e ainda perdeu por 20, simplesmente porque o Bulls acertou sete bolas de três pontos a mais e arremessou muito mais bolas por conta dos rebotes de ataque e de alguns turnovers a menos. A defesa do time também foi importante pra segurar a dupla Lebron James e Dwyane Wade, mantê-lo fora do garrafão e obrigar a dupla a arremessar para pontuar, arremessos sempre contestados. E, de certa forma, a defesa do Bulls e os rebotes ofensivos podem ser resumidos em uma outra categoria: Energia.

Nenhum time consegue uma defesa como a do Bulls só por ter energia, podiam ligar o Timberwolves inteiro na tomada que eles ainda iam levar 120 pontos toda noite, exige muito mais talento individual e uma defesa muito bem montada pra isso, mas também é fato que nenhum time vai defender Wade e Lebron tão bem sem superar o adversário em intensidade e energia. Essa energia que fez o time correr o jogo todo, brigar por cada rebote, por cada bola solta e defender o garrafão como se a vida dependesse disso - muito superior a qualquer energia que o Heat tivesse naquele jogo - foi o que fez toda a diferença na partida. E o Bulls, que tem um garrafão mais alto e mais forte que o Heat, criou um problema para o Eric Spolestra, que chegou a usar o Jamal Magloire durante a partida pra tentar aumentar o garrafão, mas ele errou uma enterrada sozinho no garrafão e... bem, não vamos falar sobre isso, me deprime só de lembrar daquela jogada.

No jogo 2, o time do Heat já entrou com uma orientação inteligente do Spolestra pra evitar essa dominação nos rebotes: Correr pro ataque assim que pegar a bola na defesa e não deixar a defesa se reorientar, o que fazia com que a correria do Heat pegasse uma defesa do Bulls completamente desmontada em sem o Noah, que ficariam brigando pelos rebotes ofensivos e forçava Chicago a não ser tão intenso nesses rebotes para não ceder cestas fáceis. Pra um exemplo, o Celtics é um time que não pegava rebotes ofensivos. Se tivesse alguém onde o rebote caisse, ótimo, mas caso contrário ninguém ia la ficar brigando até a morte por eles (Tirando, as vezes, o Rajon Rondo), o time preferia voltar rapidamente pra defesa para se montar e desafiar o adversário a pontuar por cima dela, era uma ótima defesa de transição. O Bulls é um time que prefere ficar brigando usando a energia e o tamanho dos seus homens de frente pra pegar rebotes e criar novas chances, mas a defesa de transição deles é só a 10ª melhor da NBA já que quando o rebote ofensivo não acontece o adversário enfrenta uma defesa desmontada. Correndo pro ataque mais rapidamente ao pegar os rebotes com seu ataque de transição imparável e eventualmente pontuando feito uns malucos, o Bulls não pode brincar embaixo do aro como fez no jogo 1 pra criar trocentas novas oportunidades, ao invés disso o time teve que correr para a defesa com maior frequência.

Mas o que determinou de vez a virada do Miami no jogo 2 não foi a correria. Foi um jogador que só tinha jogado sete minutos nos playoffs até aquele momento, Udonis Haslem. O Haslem teve uma atuação fundamental pra vitória do Heat mesmo sem ritmo e as vezes cometendo erros bobos. O capitão do Heat é um ala-pivô que não tem muitos recursos ofensivos, não é o melhor defensor do mundo mas que é um reboteiro excepcional e joga com muita garra, além de acertar arremessos de meia distância até de olhos fechados. O Haslem foi fundamental na partida porque ele brigou por todos os rebotes, mergulhou em simplesmente TODAS as bolas perdidas e correu feito um condenado. Se no jogo 1 o Bulls ganhou porque jogou com mais energia do que o Heat e isso determinou sua vantagem na defesa e nos rebotes, dessa vez a energia do Haslem fez exatamente o contrário. A cada erro de arremesso do Bulls e quando o Noah ia pra lá brigar pelo rebote, aparecia o Haslem pra empurrar o pivô, pra dar uns tapas na bola, pra fazer o box out ou pra simplesmente ir lá e pegar o rebote. Ele tava brigando por todos os rebotes e todas as sobras de bola pra não deixar o Noah ter vantagem, e era capaz de brigar pelo rebote na defesa e sair correndo pro ataque e ainda pegar um passe do Wade e dar uma enterrada monstruosa (ele fez isso... duas vezes). Era impressionante como cada vez que o Haslem entrava o Heat parava de ceder rebotes ofensivos (até pegava alguns) e de repente começava a ceder novamente quando o ala-pivô saia. Ele não é alto como o Noah pra jogar de pivô, mas ele tem a mesma energia do branquelo que decidiu o jogo 1 - dessa vez, essa energia foi fundamental para o Heat sair com a vitória.

Se o Eric Spolestra já imaginava que isso fosse acontecer ou só colocou o Haslem por ser um bom reboteiro durante alguns instantes e o plano deu tão certo que ele acabou ganhando mais e mais tempo em quadra, eu não sei. Mas a presença do Haslem, a energia que ele trouxe pro time e a maior variedade de jogadas combinadas do Wade e do Lebron foram os diferenciais nessa partida. Por outro lado, o Bulls decaiu muito depois de um ótimo jogo 1, ninguém realmente jogou bem na segunda partida, o Derrick Rose arremessou demais e infiltrou de menos, o time não conseguiu criar jogadas no ataque e deixou o Heat correr demais por cometer muitos turnovers. É a vez do Bulls fazer seus ajustes pra tentar recuperar o mando de quadra no jogo 3, em Miami. Um bom começo seria arrumar uma forma do Rose jogar mais perto do aro e o Carlos Boozer voltar a aparecer pro jogo, ele tem dois jogos bons na pós temporada e o resto todo foi horrível a ponto dele ter passado todo o quarto período do jogo 2 no banco. Ai é com voce, Tom Thibodeau. Como você vai reagir a isso?

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Preview - Chicago Bulls vs Miami Heat


Lebron está querendo vingança pelo atropelo até hoje

Ontem, de uma vez por todas, o Chicago Bulls terminou de despachar o Atlanta Hawks em seis jogos. E apesar do Bulls ser mais time do que o Hawks, eles tiveram muitos problemas pra fechar a série - assim como tiveram contra o Pacers. E por mais que o Hawks tenha feito um bom playoff e não seja um time horrível, Atlanta não era um time pra ter dado toda essa canseira no Bulls, nem o Hawks, nem o Pacers e nem nenhum time do Leste não chamado 'Heat' ou 'Celtics'.

Mas então, porque diabos essa série foi tão difícil e disputada?

Bom, primeiro porque o Bulls não foi o Bulls a temporada toda. O time da temporada regular era um time com um garrafão muito forte, defesa sufocante, com o Derrick Rose infiltrando e pontuando feito um maluco pra abrir tudo pros chutes de meia distância de Luol Deng e Carlos Boozer e eventuais bolas de três do Kyle Korver ou até mesmo do Keith Bogans (toc toc toc!). Mas nessa série o Bulls não foi o Bulls defensivamente falando. Não é coincidência que as duas únicas vezes que o Hawks venceu foi quando passou dos 100 pontos, nas quatro derrotas o maior placar foi 83 pontos no jogo 5, que sim, foi um massacre. O Bulls foi inconsistente demais, em alguns jogos tomava um sufoco do Josh Smith indo pra cima do Boozer, que aliás jogou muito mal os cinco primeiros jogos, e no outro não deixava o Hawks respirar, forçava turnovers e mantinha o adversário abaixo dos 80 pontos.

Segundo, por questões individuais imprevisíveis e inexplicáveis, leia-se Boozer e Jeff Teague. O Boozer jogou muito mal, não fez nada no ataque, foi um cone na defesa e chegou a perder minutos em quartos períodos para o Taj Gibson, que defende bem melhor e faz o trabalho sujo embaixo da cesta. Ele só jogou bem no jogo seis, quando reboteou muito bem, acertou seus arremessos altíssimos de meia distância, pontuou no garrafão e fez a vida do Derrick Rose muito mais fácil - e vice versa. Mas nos outro cinco jogos, o Boozer foi um peso morto em quadra, não serviu pra tirar a necessidade de pontuar das costas do Rose e foi um buraco na defesa do time, e o Joakim Noah nem sempre foi capaz de cobrir o buraco, já que também teve uma série bem inconstante. E também o Hawks ganhou uma bela adição com o Teague, que só jogou pela lesão do Kirk Hinrich mas foi um dos melhores jogadores de Atlanta na série, jogou bem no ataque, infiltrou, e foi responsável direto pela vitória do Hawks no jogo quatro depois de acabar com o Rose.

E por fim, o maior problema do Bulls: Nenhum dos jogadores - em especial o Boozer - apareceu pro jogo pra aliviar o Rose de forma consistente, e o Rose não é o melhor armador do mundo quando a questão é envolver seus companheiros. Isso forçou o Rose a ficar mais com a bola do que deveria, o que as vezes gerava 44 pontos e outras gerava 8 turnovers. Mas no final, o maior talento do Bulls prevaleceu, o Rose era o melhor jogador da série, e o Bulls jogou seu melhor jogo na pós temporada até o momento pra fechar no jogo seis: Defesa muito forte, Boozer e Deng aliviando a vida do Rose, que pontuou e distribuiu como quis, desmontou a defesa e dominou o jogo. Esse é o Bulls da temporada regular que a gente tava esperando.

Dito isso, eu meu principal palpite para essa série é simples: Vai ser uma série de placares baixos, não nos moldes de Pistons vs Pacers do começo da década passada, mas não espero times frequentemente passando dos 95 pontos. São dois times de defesa muito truncada, e a série vai ser decidida nos detalhes. O Heat tem que explorar as falhas que Hawks e Pacers expuseram para o mundo, algumas delas eu citei acima, para tirar o Bulls do seu jogo, e isso pode ser feito de duas formas: Parando o Derrick Rose ou parando todo o resto.

Lembro que num post do Bill Simmons ele comenta sobre a Lei dos Caras em Excesso (Law of Too Many Guys, a tradução tosca é de minha autoria). Resumidissimamente, e tendo em mente que isso é uma situação genérica e hipotética, ela diz que um time deve ser composto de cinco jogadores: Um jogador pra controlar a bola (ball handler), dois pontuadores, um defensor de perímetro e um reboteiro. O exemplo que ele usa é o Rockets que ganhou 22 jogos seguidos: Rafer Alston era o ball handler, Tracy McGrady e Luis Scola os pontuadores, Shane Battier o defensor de perímetro e Dikembe Mutombo o reboteiro. O que à primeira vista pode parecer bom para o Bulls, já que eles teriam um ball handler no Rose, pontuadores no Boozer e no Deng, um defensor de perímetro no Bogans e um reboteiro no Noah, na verdade engana: O Rose não é um ball handler, ele é um pontuador, e pra isso funcionar melhor o time precisaria de outro jogador que assumisse o papel de ball handler quando o Rose fosse fazer mais o papel de pontuador, mais ou menos como o Brandon Roy volta e meia fazia no Blazers. E essa falta - a maior fraqueza do Bulls - é o que o Heat tem que explorar. Ou você tira a bola das mãos do Rose, ou voce deixa com ele o tempo todo. Ele vai fazer 40 pontos, mas se ele não tiver pra quem passar ele também vai cometer muitos turnovers e o Heat vai ter o controle do jogo.

Já o Bulls tem uma vantagem que nenhum adversário do Heat teve nos playoffs até aqui, que é um garrafão forte. A principal forma de pontuação do Heat ao longo dos playoffs são os pontos no garrafão com Dwyane Wade e Lebron James, e a incapacidade de Boston e Sixers em parar esse tipo de jogada foi o que os levou à derrota. Quando um time congestiona o garrafão com força bruta e boa defesa (por zona, por exemplo, funciona muito bem) e força o Miami Heat a chutar de fora, ele ainda é perigoso, mas muito menos do que se o Wade e o Lebron tiverem caminho livre até a cesta o dia todo. Na temporada regular, isso funcionou e muito bem pro Bulls, que ganhou os três confrontos, mas por outro lado o Heat é um time que cresceu nos playoffs e o Bulls não, então não da pra garantir que o Bulls consiga fechar o garrafão daquela forma novamente.

No final, o Bulls parece ter uma leve vantagem se conseguir jogar seu melhor basquete: Tem um garrafão forte e um armador, pra tirar vantagem da falta de um jogador da posição em Miami. Provavelmente o Wade vai ser encarregado de marcar o Rose, mas isso pode ter outro efeito, se o Wade se cansar demais ele pode perder eficiência no ataque e o Miami está dependendo absurdamente da sua dupla de ouro, então isso pode comprometer o ataque do Miami. Por outro lado, se o Mike Bibby for encarregado de marcar o armador do Bulls, a chance dele dominar a série é enorme, até porque o Heat não tem uma grande presença no garrafão pra parar o Rose quando ele chegar lá dentro, o Joel Anthony tem jogado bem, mas... é o Joel Anthony. Vamos ver o que o Eric Spolestra vai tentar aqui, eu começaria com o Mario Chalmers.

Ou seja, vai ser uma série parelha, de muita defesa, com três dos melhores jogadores do mundo em quadra com dois times jovens que estão tentando começar sua história. Foram os dois melhores times do Leste durante a temporada regular, e vale vaga na final. Precisa de mais alguma coisa?? Série imperdível, sem palpite pra ela, apenas assistam a todos os jogos que puderem e torçam para sete jogos e 14 prorrogações!!

domingo, 1 de maio de 2011

Preview - Chicago Bulls vs Atlanta Hawks


Marcação apertada no Derrick Rose: Hinrich sabe fazer

E não é que o Atlanta Hawks, o time que sofreu ao longo de toda a temporada regular, conseguiu passar pelo time que tem o melhor pivô da NBA na atualidade no que pode ter marcado os últimos jogos do Super Mario (conhecido em alguns lugares por Stan Van Gundy) no comando do Magic? Eu confesso que estava esperando que o Magic conseguisse vencer essa série, ainda que com alguma dificuldade, mas Orlando estava perdido ao longo de toda a série: O time começou concentrando demais o ataque no Dwight Howard (Comentei sobre isso nesse post), que teve uma média incrível de mais de cinco turnovers por jogo na série, o que fez com que o resto do time - em especial os jogadores que chutam de três no perímetro - ficassem totalmente fora do jogo e incapazes de aparecer no final da partida, quando ninguém tem culhões pra acionar o Dwight, o que resultou na maior parte das vitórias do Hawks, que por sua vez contou com as jogadas individuais do Joe Johnson e principalmente das bolas longas do Jamal Crawford pra evitar o garrafão o máximo possível e deixar o Magic se afundar tentando fazer o Dwight responder sozinho no ataque. Não é coincidência, portanto, que as duas vitórias do Magic vieram justamente no jogo 2, quando as bolas de longe do Hawks não caíram, e no jogo cinco, onde o Dwight foi muito menos acionado (8 pts, 8 rebotes) e os jogadores de perímetro do time entraram num bom ritmo desde o começo do jogo. O Van Gundy não soube adequar seu time, e agora o Hawks conseguiu sua vingança e avançou.

Mas outro fato que contribuiu - e muito - para o resultado dessa série foi o fator psicológico. O Hawks entrou na série mordido, com sede de vingança, porque depois da varrida do ano passado o Magic tratou essa primeira rodada contra o Hawks como uma série fácil e garantida, o Jameer Nelson chegou a falar que iria encontrar o Bulls na segunda rodada dos playoffs, e o Hawks entrou em quadra com muito mais vontade que o Magic.

Mas agora eles vão ter que se superar, e é bom que consigam tirar muita motivação daquele massacre por 33 pontos que eles sofreram nas mãos de Chicago no final da temporada regular, porque o Chicago tem tudo pra ter vida fácil nessa série de playoffs, porque pra vencer o Chicago um time precisa de pelo menos fazer bem feita uma dessas duas coisas: Parar o Derrick Rose ou vencer a defesa sufocante do Bulls. E a verdade é que o Hawks não parece pronto pra fazer nenhuma dessas duas nem em um milhão de anos.

O Hawks tem, pra fazer o matchup com o Rose, o Kirk Hinrich, antigo companheiro de time do provável MVP da temporada e que sempre se destacou pela sua defesa. O Hinrich está mais velho, não é mais o defensor que já foi e é bem mais lento que o Rose para os contra ataques, então ele vai ter que se limitar a dificultar a vida do armador quando estiver no jogo de meia quadra. O problema é que por melhor que o Hinrich seja, ele não vai conseguir parar o Derrick Rose muitas vezes e pro trabalho do Hinrich ser melhor aproveitado o Hawks tem que contar com uma boa rotação defensiva pra fazer a cobertura, mas a defesa do Hawks é muito fraca quando tem que fazer esse tipo de coisa, o Josh Smith é capaz de dar uns tocos sensacionais mas compensa isso errando a maioria das vezes que tem que trocar o marcador. Além disso, os jogadores de garrafão liderados pelo Jason Collins que tanto encheram o saco do Dwight Howard podem ser bons em marcarem pivôs de força no homem a homem e não deixarem eles pontuarem fazendo faltas, mas se você for contar com eles para desafiar o Rose quando ele chegar perto da cesta, você está condenado.

Por outro lado, o Hawks é um time que tem problemas de criar jogadas no ataque e muitas vezes recorre a isolações do Joe Johnson ou do Jamal Crawford, o que é tudo que o Bulls mais quer que eles façam. Eles não vão conseguir vencer isolando o JJ a toda posse de bola, isso só vai gerar mais rebotes longos e turnovers que o Rose vai enfiar garganta abaixo de Atlanta, é tudo que eles menos querem. Eles vão ter que rodar a bola com mais freqüência, acionar o Johnson mais em situações de pontuar do que de armar e explorar o matchup que estiver no Carlos Boozer, mas não vai ser fácil superar a defesa do Bulls e a rotação de bola do Hawks não tem sido o ponto forte do time até aqui. A rotação defensiva e a marcação de perímetro do Bulls é muito melhor que a do Magic e o time vai ter que atacar bem mais a cesta pra conseguir cavar faltas e tentar algum resultado. Talvez uma boa forma de jogar seja voltar para o small ball com o Al Horford de pivô e o Marvin Williams de ala, já que o Bulls mostrou alguns problemas com times mais baixos e rápidos, mas ainda não vai ser fácil de entrar na defesa de Chicago e isso pode deixar o time ainda mais vulnerável às infiltrações do Rose, principalmente se o Boozer resolver jogar.

O Boozer, aliás, é um jogador que precisa entrar na pós-temporada o quanto antes. Ele teve uma série contra Indiana muito fraca, foi explorado extensivamente pelo garrafão mais alto do adversário e ficou com problemas de faltas demais, o que acabou fazendo com que ele ficasse demais no banco de reservas e foi muito mais importante na série pela sua deficiência defensiva do que pelo seu poderoso ataque. O ala de força do Bulls precisa achar um jeito (E o Tom Thibodeau, Coach of the Year, tem que ajudar) de se envolver mais no ataque, ser mais eficiente na hora de se posicionar e receber mais bolas em condições de usar seu ótimo arremesso de meia distância. Se o Joakim Noah continuar com seu bom aproveitamento embaixo da cesta (conhece suas limitações, o que é importante) e usando sua altura pra pegar vários rebotes de ataque, e o Boozer conseguir retomar um pouco da sua forma do Jazz, o garrafão do Bulls tem tudo pra dar uma surra no garrafão do Hawks, e aí o Bulls vai ter não só uma vida mais fácil como também já vai se preparando para a Final de Conferência.

Palpite: Me segurei pra não chamar uma varrida do Bulls, mas ainda acredito que o Bulls leva fácil. Chicago em cinco jogos.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Duas séries chegam ao fim

Reggie Miller não aguentou ver seu time eliminado dos playoffs


Se tivessem me falado, antes dos playoffs, que das séries Celtics vs Knicks e Bulls vs Pacers, uma seria uma varrida com alguns massacres e que fosse dar uma falsa sensação de confiança ao vencedor, e a outra seria uma vitória confortável mas com alguns sustos e mostrando as fraquezas do time que levasse a série, eu com certeza teria imaginado exatamente o contrário: O Bulls varreria o Pacers sem dificuldade, e eles poderiam ser levados a achar que tudo estava ótimo pela facilidade, e que o Celtics seria o time que sofreria mais pra fechar sua série. Mas quem teve o 4 a 0 contra um time frágil e cheio de desfalques foi o Boston e o 4 a 1 com alguns sustos contra um adversário bem mais fraco foi do Chicago.

Eu falei no preview da série entre Celtics e Knicks que o Celtics teria problemas, porque mesmo que fosse o melhor time disparado, tinha dois problemas: Sem o Shaq saudável o time não teria um garrafão apelativo e que pudesse esmagar os adversários como fez ao longo de boa parte da temporada para tirar vantagem da falta de garrafão do Knicks, e que o melhor jogador estava do outro lado, porque o Carmelo Anthony estava em ótima fase e o melhor jogador do Boston, o Rajon Rondo, não. E se o resultado final foi uma varrida, o começo foi bem difícil para o Celtics justamente por causa dessas duas coisas.

Os jogos 1 e 2 dessa série foram muito mais difíceis do que o Boston gostaria. No primeiro jogo, o Amare Stoudamire fez o que quis no garrafão, pontuou, pegou rebotes, e o time sentiu falta de um pivozão pra trombar com ele. Quem fez melhor esse papel no jogo foi, acreditem, o Jermaine O'Neal, que defendeu bem demais e ainda foi muito útil no ataque, mas o O'Neal estava sem ritmo e sem fôlego e não conseguiu ficar tempo demais em quadra, e quando ele saia o garrafão do Boston virava uma mistura de Jeff Green, Nenad Krstic e Glen Davis, o que me dava vontade de chorar e o Knicks aproveitou pra pontar la dentro o tempo todo, e como vocês lembram o jogo só foi decidido por uma falta de ataque duvidosa do Carmelo e uma bola de três sensacional do Ray Allen nos últimos segundos. E no segundo jogo, o Carmelo igualou a sua melhor marca da carreira em playoffs, acertou tudo, levou o time nas costas e o Boston também só conseguiu a vitória com uma cesta e um roubo de bola do Kevin Garnett no último minuto. Os jogos três e quatro, por outro lado, foram massacres. O Knicks apertou, chegou a dar um calor no Celtics, mas o Boston sempre soube reagir na hora certa, colocar as mãos na bola do Rondo e abrir a vantagem na hora certa.

Mas essa vitória não pode amolecer o Celtics, porque esse resultado final é enganador. O Chauncey Billups (que vai voltar para a próxima temporada no Knicks por 14 milhões de patacas) não jogou os três últimos jogos por estar machucado, Stoudamire foi bastante limitado por uma lesão nas costas e tirando esses dois mais o Melo, o Knicks não é realmente um time de verdade, o Ronny Turiaf e o Toney Douglas (e no jogo quatro ainda teve atuação surpresa do Anthony Carter) tiveram seus bons momentos, mas nem de longe são confiáveis para uma série dessas no lugar dos astros do time. O Celtics sofreu sem conseguir tirar vantagem de um garrafão alto, tomou porrada do Amare quando ele estava saudável no jogo 1, depois teve que contar com 30 pontos do Rondo pra ganhar o jogo dois. O Celtics melhorou muito nos jogos 3 e 4, mas isso também foi quando o Knicks caiu de produção pela falta do Billups e a lesão do Amare, então os resultados podem ser enganosos.

O que não foi enganoso, e que é ótimo para o Celtics, foi o jogo do Rajon Rondo. O Rondo estava numa péssima fase no final da temporada e, por mais que esteja cercado por quatro futuros Hall of Famers, ele é fácil o melhor jogador do Celtics hoje. Ele é o cérebro do ataque, ele quem coloca ordem e o time é infinitamente mais eficiente quando ele está ligado e comandando o ataque do que quando o Paul Pierce coloca a bola embaixo do braço pra imitar o Kobe Bryant. Tá bom, ele não acerta nem bola de papel no lixo quando tenta arremessar, mas ele é ingeligente com a bola, bate pra dentro muito bem, finaliza próximo ao aro e é muito difícil saber o que ele vai fazer, não só porque ele consegue fazer todos os tipos de passe mas também porque ele está cercado por vários ótimos finalizadores. E o Rondo foi o responsável pelo Boston ter vencido essa série dessa forma: 30 pontos no jogo 2, triple double de 15 pontos, 20 assistências e 11 rebotes (existe um triple double mais Rondo do que esse?) no jogo 3 e fechou com 20 pontos e 12 assistências no jogo 4. Ele foi o responsável por achar Ray Allen, por acionar o Jermaine O'Neal e o Kevin Garnett na melhor hora de finalizar e por fazer o ataque funcionar. E quando o Rondo está jogando assim, atacando o aro e distribuindo o jogo, o Boston é um time mil vezes melhor.

O problema, no entanto, ainda continua. Se a gente viu que o Boston está totalmente diferente na pós temporada, mais focado, mais brigador e com o Rondo jogando demais, o garrafão do Boston ainda mostrou que depende demais de um pivô. O Celtics marcou 118,1 pontos a cada 100 posses de bola quando o Jermaine estava em quadra e quase 30 pontos a menos com ele no banco, 91,6, além do impacto na defesa principalmente marcando o Amare Stoudamire. O banco do Boston sofreu demais no garrafão, não tinha presença perto da cesta e o Boston realmente precisa da volta do Shaq para encarar o Heat. A vantagem é que o time foi capaz de fechar a série logo e ganhou uma semana de descanso antes da série contra Miami, que deve ser usada pra recuperar o Shaq e descansar seus vovôs.

Já o Bulls teve mais dificuldade do que o esperado. Perdeu apenas um jogo, é verdade, mas esteve atrás no quarto período dos três primeiros jogos que venceu e só virou porque o Derrick Rose é um apelão de último nível que botou o time nas costas nos quartos períodos e pontuou feito maluco, mas o fato é que o time suou muito mais que o esperado. O Pacers explorou o máximo que pode todos os defeitos do time do Bulls e conseguiu apertar muito a série: Usou o Tyler Hansbrough o máximo que pode em cima do fraco defensor Carlos Boozer, que ficou muito no banco por faltas, forçou ao máximo a bola nas mãos do Derrick Rose pela falta de um outro jogador pra controlar a bola e congestionou o garrafão pra forçar o armador a chutar de três pontos, e o técnico interino Frank Vogel usou muitos esquemas pra dificultar os passes do Rose, usando o calouro Paul George e uma série de coberturas a essa marcação pra impedir que o Bulls entrasse num ritmo. O fato do Rose ter tido mais de 35 pontos nos dois primeiros jogos não é coincidência, o Rose foi o único do time que conseguia ir pra cima e criar um arremesso. O Pacers jogou muito bem, teve suas dificuldades naturais, mas eu pelo menos vejo futuro na base jovem que o time tem e eu acho que o Vogel devia ser efetivado para a próxima temporada, tem feito um bom trabalho.

Já o Bulls tem que aprender as lições que o Pacers ensinou com tanto carinho. O Bulls sempre soube que a falta de um jogador pra segurar a bola além do Rose era o maior ponto fraco da equipe, mas o time ainda não conseguiu achar uma forma de contornar isso e o Pacers conseguiu explorar muito essa falha da equipe. O outro lado da moeda é que manter a bola o tempo todo nas mãos do Rose vai fazer com que ele faça 36 pontos por jogo várias vezes, as vezes funciona e as vezes não, mas é bom que o Bulls tenha um plano B pra quando funciona.

O Bulls também precisa resolver dois problemas que, aliás, podem ser resolvidos da mesma forma: Arrumar mais opções ofensivas e fazer o Carlos Boozer render mais. O Boozer é fraco na defesa, mas ele sempre compensou isso sendo bom reboteiro e ótima opção ofensiva, mas ele tem sido muito pouco acionado no ataque e aí ele é só um peso na defesa pro seu time, sua habilidade ofensiva é pouco aproveitada. O Bulls tem que usar mais o pick and roll e o pick and pop com o Boozer pra conseguir mais pontos perto do garrafão, o Rose pontua lá dentro mas as vezes os adversários vão cercar o Rose pra obrigar o armador a ficar no perímetro, e aí ele tem que acionar o ex-jogador do Jazz pra pontuar perto do garrafão, seja ele ou seja o Joakim Noah fazendo esse papel. Se o Tom Thibodeau conseguir fazer o Boozer se envolver ofensivamente, isso vai ser uma ótima adição não só pra próxima série mas também pro resto dos playoffs.



Lembrando que ontem saiu uma ordem judicial levantando o lockout da NFL. Pra quem quiser conferir, só ler o post imediatamente abaixo deste.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Preview - Chicago Bulls vs Indiana Pacers


Um excelente resumo do que eu espero para essa série

Agora que nós já demos o nosso palpite pros principais prêmios da temporada e pro MVP, e agora está na hora de falar sobre os oito confrontos das oitavas de final, um por um, e a gente vai começar com a série mais chata porque a gente prefere começar pelo pior e ir melhorando aos poucos. E acho que o fato do Pacers ter classificado (nada contra o TIME do Pacers, mas o time tem menos de 40 vitórias, o Leste é uma droga!) é uma das coisas mais bizarras desses playoffs. Mas enfim, vamos à série entre Bulls e Pacers antes que eu me arrependa, e fiquem ligados que provavelmente ainda hoje sai mais um preview.

Essa é, provavelmente, a série mais fácil, previsível e inútil de toda a primeira rodada. De um lado o Bulls, melhor record da NBA, com o provável MVP, a melhor defesa da Liga e embaladíssimos pelo final de temporada de outro mundo do time e do Derrick Rose. Do outro, um time que perdeu oito jogos a mais do que ganhou, que teve uma troca de técnicos no meio da temporada e que em nenhum momento apresentou um basquete consistente. O esporte é imprevisível, claro, mas acho que a chance de uma grande zebra aqui é tão pequena como a do JR Smith ser o jogador de defesa do ano. O Pacers tem um elenco jovem e talentoso, não tem motivos pra ficar triste com uma uma eliminação aqui, tem é que pensar no futuro e em continuar construindo em torno dessa base.

Eu realmente acho que essa série, além de a mais fácil e previsível, vai ser também a melhor chance do Bulls de entrar no clima de pós temporada. O time do Bulls é jovem, se montou praticamente essa temporada, e tirando o Carlos Boozer ninguém no time titular está muito acostumado a jogar playoffs. Essa série é uma ótima chance do time começar a se aclimatar com os playoffs, sentir a torcida, e jogar uma série mais pegada e com defesa mais forte como é comum nos playoffs. Se o Bulls conseguir usar isso pra ficar ligadão, é muito mais importante do que uma vitória por 4-0, por exemplo. Um ou dois jogos mais difíceis, como aquele jogo que o Pacers ganhou em OT que o Rose levou o time nas costas e só não fez chover (Se tivesse feito, teriam ganho), também podem ser bons pro time perceber os ajustes que tem que fazer para os playoffs, e pra isso eu confio no gênio do Tom Thibodeau.

A série também vai ser boa pro garrafão do Bulls ter a chance de se entrosar um pouco mais, ele sofreu demais com lesões e as vezes parece sem ritmo. Boa chance do Rose trabalhar mais com o Carlos Boozer em pick and rolls como o Deron Williams fazia no Jazz. TA bom, não é exatamente o estilo do Rose nem como ele rende mais, mas é um tipo de jogada que é importante desenvolver nos playoffs e o time, mais pra frente, vai precisar de um bom ataque de garrafão. A defesa do Pacers não é das melhores da Liga, mas melhorou recentemente e pode ser um bom teste pro que bom pro Bulls se esquentar pro que vai enfrentar pela frente (Celtics, Heat, Magic). Mas não vejo o Bulls se desdobrando muito pra precisar vencer a série.

Já o Pacers não tem muito a perder, mas também não vai querer cair fora de graça. O mais importante pra eles é parar o Derrick Rose, mas nem uma parede de concreto consegue fazer isso atualmente, então a melhor chance deles é colocar o máximo de gente possível na frente do Rose pra evitar que ele fique com a bola nas mãos muito tempo e explore a falta de outro jogador pra segurar a bola além dele no Bulls. O time não pode dar espaço pra ele arremessar e forçar ele a partir pra cima, e aí o Roy Hibbert vai ter que jogar que nem no começo da temporada e evitar que o Rose consiga jogar perto do aro com seu tamanho e braços longos. Não vai parar o Rose por muito tempo, ele já é versátil e simplesmente bom demais pra isso, mas limitando o Rose é uma boa forma de começar a limitar o Bulls.

Além disso, o time vai precisar conseguir superar a defesa do Chicago de alguma forma. Nos confrontos entre esses times na temporada regular, o Pacers acertou apenas 38% dos seus arremessos, e não deve esperar vida fácil de um time que está com sangue nos olhos e tem por definição uma defesa doentia. O Danny Granger, que foi tudo menos constante na temporada regular, vai precisar jogar bem e acertar seus arremessos de longe pra abrir a defesa pras infiltrações do Darren Collison e do Paul George, além de ter que contar com o Tyler Hansbrough e o Hibbert dentro do garrafão. Eu normalmente falaria que o Hansbrough tem o matchup mais fácil porque o Boozer não defende grandes coisas, mas contra o Bulls isso não funciona porque a defesa do Bulls é montada de forma muito mais coletiva do que individual. A forma de superar isso é rodando bem a bola, de preferência com velocidade (O que deixa seu ataque, por outro lado, mais vulnerável a turnovers)  e atacar a cesta sempre que achar uma abertura para tentar cavar faltas, que rendem pontos bem mais fáceis. Mesmo assim, não da pra cobrar muito do Pacers.

Palpite: O Bulls tem defesa demais, talento demais e o Derrick Rose. O Pacers não tem a menor chance, no máximo consegue roubar uma partida em casa, mas nada além disso. Bulls em cinco jogos.

terça-feira, 12 de abril de 2011

E o MVP vai para...

O Troféu Maurice Podoloff é muito melhor que o Oscar


Chegou a hora de finalmente falar do prêmio individual mais importante e mais polêmico de toda a NBA, o troféu Maurice Podoloff para o MVP da temporada regular. Eu sei, eu sei, de certa forma discutir esse prêmio é uma idiotice, mas eu já falei no post logo antes desse onde eu dou meus candidatos aos cinco outros prêmios da NBA (Técnico do ano, calouro do ano, sexto homem do ano, jogador que mais evoluiu e jogador defensivo do ano) que eu já mandei o bom senso pro inferno e tou agora só fazendo isso por diversão. Se bem que, pra falar a verdade, eu acho o troféu desse ano um assunto mais interessante do que nos últimos anos. E já aviso que ficou um dos maiores posts que a gente já fez, mas... bom, eu já desisti de me preocupar com isso. Eu recomendo e acho que vale muito a pena, e fiquem a vontade (Na verdade, sintam-se convidados) a comentar e dar a opinião de vocês.

O prêmio de MVP, assim como todos os outros da NBA, é muito subjetivo. Ele não apresenta um critério definido. Ele é um prêmio para o 'jogador mais valioso', mas o que isso significa? É o jogador mais valioso pra Liga? Pro seu time? Individualmente? E o que qualifica um jogador como 'mais valioso'? O melhor jogador? Mais valioso para o seu time? Bom, a gente pode ficar com essas perguntas inuteis até amanhã ou ir direto ao assunto, e pra surpresa de todo mundo eu vou direto ao assunto.

Como tudo nesse universo dos prêmios, ele se baseia em critérios pessoais e subjetivos de avaliação. Por isso, os meus critérios pra nomear o MVP são os meus critérios, não algum critério pré-estabelecido ou 'correto' pra isso. A prova é que até agora eu estou tentando me afogar na pia por não ter nomeado o Kevin Love o jogador que mais evoluiu na temporada. Mas tudo bem, isso acontece. Primeiro, o basquete é um esporte coletivo e o objetivo é que o time seja campeão, não que o jogador seja o MVP (Existem alguns dissidentes, pergunte pro Andray Blatche o que ele acha). Então por 'jogador mais valioso' eu prefiro entender como sendo o jogador mais valioso para o seu time. Ok, isso nos leva a mais 400 perguntas sobre o que é o jogador mais valioso para o time. É o que faz mais com menos? O que é o melhor jogador do melhor time? É o que tem melhor números individuais? Ou a gente deve usar um critério totalmente subjetivo?

O mais legal do basquete é que ele é um esporte que envolve uma parte objetiva, numérica, e outra parte subjetiva. Uma parte do basquete envolve estatísticas, pontos por jogo, PER (Player Efficiecy Rating) e tudo que pode ser mensurado por todo tipo de fórmula. Mas também tem outra que é muito mais subjetiva, que envolve análises, e a gente tem que confiar no que a gente vê mais no que pode ser medido. E pra se poder analisar um prêmio tão complexo como o MVP, a gente tem que considerar os dois lados, objetivo e subjetivo, pra tentar chegar a algum lugar.

E quando a gente fala em números, o candidato que vem à cabeça é o Lebron James, que tem números muito sólidos pra sustentar esse tipo de candidatura: Segundo da Liga em pontuação (26.7 ppg), 13º em assistências (7 apg), além dos 7.5 rebotes por jogo e de ser o primeiro da Liga em PER, com 28.6. Os números do Lebron são muto sólidos, ele joga num dos melhores times da Liga e é um dos melhores jogadores do planeta, e esses são os principais argumentos usados por quem coloca o Lebron como o MVP dessa temporada, e são argumentos inegáveis. Mas eu assisti muitos jogos do Miami Heat (alguns pra secar, alguns porque eram os melhores jogos da noite e muitos outros porque eu tinha muito interesse em ver o Big Three jogando) e, depois de tantos jogos, simplesmente não da pra falar que o Lebron é mais valioso para o Miami Heat do que o Dwyane Wade. Tudo bem, o Lebron é o jogador mais consistente do time, tem os melhores números e talvez seja até o melhor jogador no time, mas quem viu o Miami Heat jogar por um longo período de tempo - em especial os períodos conturbados - sabe que quem é o verdadeiro dono, o verdadeiro líder do time de Miami é o Wade. Quando o Eric Spolestra tentou mudar o estilo de jogo do Lebron e do Wade pra melhor combinarem em quadra, quem conseguiu fazer isso foi o Wade, ele quem começou a jogar mais sem a bola, finalizar de formas diferentes e se tornou um jogador de equipe muito mais importante do que o Lebron. E o Miami só começou a decidir jogos no final da partida quando quem começou a ter o papel de closer do time foi o Wade, antes o time sempre sentia medo quando chegava ano final de um jogo difícil. É o tipo de coisa que não aparece nas estatísticas mas que está dentro de quadra, toda noite, fazendo a diferença. É o intangível, o subjetivo, que é tão difícil de mensurar e analisar mas que é de extrema importância.

Outro candidato que tem sua sustentação em números mas também possui uma boa dose do resto é o Dwight Howard. Ele é o 10º cestinha da Liga com 23 ppg, o segundo em rebotes com 14.1 rpg e é o segundo colocado em PER com 28.4, só 0.2 a menos que o Lebron. Mas tem mais do que só números pro Dwight Howard: Ele é uma parede defensiva, eu mesmo disse ontem que votaria nele pra jogador de defesa da temporada, e ele é o principal responsável pela defesa do Magic estar entre as melhores da Liga mesmo com tanto jogador fraco defensivamente em volta. Ele é importantíssimo pra defesa do Magic, e além disso ele teve uma melhora assustadora no seu jogo ofensivo, que antes consistia apenas de pura força física mas que agora parece estar muito mais elaborada depois de um período de treinamentos com o Hakeem Olajuwon nas férias. Tudo bem, ele ainda não é tão confiável ofensivamente se não tiver a bola longe da cesta, mas já melhorou bastante em relação ao ano passado e está até acertando mais lances livres. O Dwight tem números, um impacto muito grande no seu time e é um jogador que evoluiu seu jogo. O que está faltando pra ele?

Pra mim o problema dele é simples, e é a forma como ele afeta o seu time, mais uma das "chatices" subjetivas que são tão importantes pro basquete. Cada jogador que está dentro de quadra afeta todos os outros jogadores do seu time de alguma forma, nem que seja matando eles de riso como o Brian Scalabrine. E o melhor jogador de um time - no caso do Orlando, Dwight - é o jogador que deve assumir o papel do líder, tem que exercer esse papel de liderança e ditar o ritmo do seu time. O melhor jogador de um time, que deveria ser o mais valioso pro seu time em toda a Liga, tem que fazer o possível - objetiva e subjetivamente - para que seu time seja melhor. E eu simplesmente não consigo falar disso de um jogador como o Dwight Howard, que as vezes parece que entra em quadra desinteressado, que toma faltas técnicas a torto e a direito, e principalmente que some nos momentos decisivos das partidas. O Dwight revoluciona defensivamente o Magic quando pisa na quadra, melhorou muito o seu jogo e é muito eficiente jogando, isso tudo afeta positivamente o Magic e faz sua campanha pra MVP, mas ao mesmo tempo a sua absoluta incapacidade de decidir jogos no final (Jameer Nelson é o closer do Magic, meu Deus, Jameer Nelson!) , o tipo de falta que ele costuma cometer de forma desnecessária e prejudicial ao time (Incluindo as técnicas) e principalmente o fato de ele não ter uma mentalidade que busca a vitória a todo custo para passar para seus companheiros como o líder do time são coisas que prejudicam e muito o time de Orlando! O Howard é um ótimo jogador, e é isso que ele é. Ele ainda não assumiu o papel de líder dos companheiros. O Lebron não é o líder do Heat, é o Wade, mas isso não quer dizer que ele não entre com sangue nos olhos todo jogo querendo vencer a todo custo. E o Wade é assim num nível ainda maior que ele. E essa marca dos grandes jogadores e líderes, o Howard não tem, e isso afeta diretamente o rendimento do seu time ao longo do campeonato.


A verdade dessa temporada é que ela não teve um jogador que realmente jogou num nível acima dos demais. Não é sempre que temos isso, é verdade, mas sempre existe algum jogador que está claramente se destacando, como era o caso do Lebron ano passado, por exemplo. Ele tinha os números, a liderança, os intangíveis e fez o seu time ganhar tudo na temporada regular mesmo jogando em um time apenas mediano. A gente não tem um jogador desses nessa temporada, e por isso a gente fica achando tantos defeitos nos jogadores pra tentar achar um jogador lapidado no formato que a gente espera. Não tivemos um jogador assim. Mas isso não quer dizer, pelo menos pra mim, que não tivemos um MVP.


Eu falei ontem, quando comentei que o Tom Thibodeau era o meu técnico do ano, que fiquei bem chateado (talvez 'puto' seja a palavra mais adequada) quando soube que ele estava saindo do Boston Celtics e indo pro Chicago Bulls, já que eu gostava muito dele e achava ele genial. Mas isso também fez com que eu me identificasse mais com o Bulls e começasse a assistir cada vez mais jogos do time. O que foi ótimo, porque eu pude acompanhar, desde o começo da temporada, a ascenção do Derrick Rose. O Bulls começou o ano como um bom time mas em formação, que supostamente iria brigar com o Hawks pelo quarto lugar do Leste. Eu queria fazer um post sobre o Bulls faz muito tempo, mas nunca conseguia porque o Bulls nunca ficava saudável: Uma hora era o Carlos Boozer, outra o Joakim Noah, mas o Bulls nunca emendava uma sequência grande de jogos com o time titular pra que a gente pudesse analisar. Mas o Bulls continuou ganhando, ganhando, até que hoje é o campeão do Leste e um dos times mais temidos da NBA. E essa ascenção absurda tem dois nomes: Tom Thibodeau e Derrick Rose.

O ponto forte do time do Bulls - e também um dos argumentos mais usados por aqueles que não veem o Rose como o MVP da temporada - é, indicustivelmente, a defesa. O Thibodeau implementou sua mentalidade doentia e defensiva no time desde cedo, o Chicago começou a defender feito louco e o time tem a segunda melhor defesa da Liga em pontos por jogo e a melhor em Effective FG % dos oponentes e em pontos cedidos a cada 100 posses de bola. O time não é dos maiores pontuadores da Liga, tem apenas o 19º melhor ataque (11º se ajustado a cada 100 posses de bola), mas vence principalmente por causa da sua defesa sufocante. E isso é um mérito, como eu disse ontem, do Tom Thibodeau, porque o time não conta com grandes defensores individuais (só o Ronnie Brewer, no banco, e o Noah) e o próprio Rose, embora tenha melhorado e não seja um queijo suiço como o Steve Nash quando defende,  não é um defensor excepcional, e por isso muita gente diz que ele não é tão valioso assim porque o que ganha jogos é a defesa e o Rose não é um grande defensor.

Isso é muito verdade, e é inegável que o Bulls chegou ao topo do Leste por causa da sua defesa. E os números do Derrick Rose, embora bons o suficiente para um jogador estar na elite da Liga (24 ppg, sétimo da Liga, 7.8 assistências por jogo, 10º da Liga), não são também os melhores da Liga, estão abaixo de jogadores como Lebron, Howard e até o Kevin Durant, se contada a eficiência. Isso também é verdade. Mas eu já falei que números contam apenas parte da história quando a gente fala de basquete. E se por um lado o Bulls chegou aonde está em parte por causa do Thibodeau e sua defesa, também foi por causa do Rose.

O Thibodeau é um técnico novato. Tem muita experiência na Liga, mas como técnico, ele está começando agora. E ele chegou num time recém montado, onde começou a implementar seu estilo, tanto dentro como fora de quadra. Esse tipo de coisa nunca é fácil, jogadores nem sempre confiam em técnicos estreantes e geralmente demora para um time desses conseguir totalmente estar sob controle do técnico, algo muito importante quando seu técnico é tão bom e, como já dissemos, um dos grandes responsáveis pelo sucesso do time. O que aconteceu para o Thibodeau, no entanto, foi o Derrick Rose. O Rose assumiu tudo que seu técnico chegou pregando, tomou pra si a responsabilidade de liderar o time e começou a ser dentro de campo tudo que o Thibodeau pregava fora dele: ele joga com vontade do primeiro ao último minuto, não liga pros números, e se importa com a vitória mais do que qualquer coisa. Sem falar nada, sem fazer farol, o Rose cresceu pra se tornar o líder e a voz do técnico dentro do time, e foi o responsável pela mudança de postura do Chicago Bulls. O Bulls assumiu a personalidade do seu líder e melhor jogador dentro de quadra, o que acontece com os grandes craques nos grandes times. A vontade de o esforço que o Rose coloca a cada jogo e a cada treino é algo que motivou seus companheiros o ano todo a vencer, vencer e vencer. E é esse o tipo de líder que você quer para o seu time. Ele se importa, ele faz o que é necessário e joga com vontade o tempo todo. Mesmo que não afete a defesa do seu time com o seu jogo, ele afeta a defesa e todo o resto do seu time com a mentalidade e o compromisso que ele, como o líder e melhor jogador, fez o time assumir. Isso não pode ser medido, não pode ser contabilizado, mas isso é o tipo de coisa que faz os times vencerem!

Além disso, mesmo com uma defesa que toma apenas 90 pontos por jogo, você ainda precisa de um ataque que marque 91. E o Rose é o responsável por esse ataque estar funcionando. Ele é o único jogador do Bulls que sabe jogar com a bola na mão, o único que é um passador capaz de abrir espaços junto com o Noah, e o único capaz de criar o próprio arremesso. Seus companheiros - Boozer, Luol Deng, Kyle Korver - são ótimos pra finalizar as jogadas, mas precisam de alguem que fique com a bola e os ache em situações propícias, e o Rose é quem faz isso 90% do tempo. Ele tem, talvez, mais responsabilidades ofensivas do que qualquer outro jogador da Liga (tirando talvez o Steve Nash e o Chris Paul) e mesmo assim continua competindo, dando o sangue e ganhando jogos para o Bulls. Ele não cansa de treinar e evoluir seu jogo, melhorou sua distribuição de jogo e seu arremesso de três, e isso também foi responsável pela melhora do time, porque abre espaço para os outros jogadores. E foi ele que de repente virou um dos melhores closers de toda a NBA e liderou o time mesmo sem Noah e sem Boozer durante a maior parte da temporada, e fez o seu time ganhar. Isso, repito, não se mede nem se calcula, mas é o que faz a diferença a cada segundo de uma partida.

E por trazer tudo isso para seu time, e tornar esse time sem nenhuma outra estrela o melhor time da NBA, o Derrick Rose é meu MVP para a temporada 2011 da NBA, e se juntar a Magic Johnson, Oscar Robertson, Bob Cousy e Nash como os únicos armadores a terem ganho o prêmio.

E se você ainda não está convencido da história dos números, vou apresentar o problema que o Bill Simmons apresentou na sua coluna (genial, diga-se de passagem) para fazer o mesmo ponto.

"Te apresento dois jogadores:

Player A: 27.2 PPG, 10.1 RPG, 4.2 APG, 54% FG, 76% FT, 28.4 PER, 16.6 WS, 60% TS%, 1st-team All-Defense.


Player B: 29.2 PPG, 5.9 RPG, 3.8 APG, 48% FG, 81% FT, 26.3 PER, 17.1 WS, 55% TS%, 1st-team All-Defense.


Quem era melhor? É apertado, mas você escolheu o jogador A, certo?? Bom, esses são os números combinados de Karl Malone e Michael Jordan para as temporadas 1997 e 1998 da NBA. Você acabou de escolher Malone. Obrigado e dirija com cuidado." - Bill Simmons em "NBA Power Poll: The contenders"

sábado, 18 de dezembro de 2010

A maravilha que é a seleção americana de basquete

Coach K vai receber flores de Bulls e Thunder muito em breve

A seleção americana de basquete é uma coisa incrivel. E eu nao me refiro ao título mundial e nem ao mundial espetacular do Kevin Durant, que foi uma coisa de outro mundo, e sim ao que esse mundial trouxe pros jogadores que participaram dele. O que mais me impressiona é a mágica que essa seleção faz com os jogadores jovens que dela participam, principalmente no que diz respeito a arremessos de meia e longa distancia.

No mundial, as regras seguidas são as da FIBA, que são um pouco diferentes das da NBA. Tem varias mudanças, como por exemplo a linha dos tres pontos ficar mais proxima da cesta e o garrafão em formato de trapézio, mas de forma geral, o importante é que as regras da FIBA favorecem o arremesso de fora à infiltração. Na NBA, as regras favorecem muito mais quem infiltra e fazem esses jogadores cobrarem mais lances livres, o que por exemplo rendeu ao Heat o titulo de 2006 (E ao Dwyane Wade o apelido de D-Whistle). E como o basquete FIBA favorece o arremesso de longa distancia, se aproveitando que as regras nao favorecem quem infiltra e da linha de tres mais proxima, e a defesa de garrafão é mais forte com a marcação por zona que se costuma usar lá e tambem porque la nao existe a falta de tres segundos defensivos, o que permite que o pivô fique tomando suco embaixo do aro. Por tudo isso, é normal ver as seleções formadas principalmente de arremessadores. Tanto que o principal jogador do mundial foi o Durant, um excelente arremessador. Mas nem sempre os jogadores que vão pra lá são grandes arremessadores - mas em geral, eles acabam virando bons arremessadores.

Por causa disso, muitas vezes a gente ve jogadores que acabam selecionados pra seleção dos EUA voltarem arremessando muito melhor. Um exemplo bom é o próprio Lebron James, que foi quando esteve treinando com o Coach K, Mike Krzyzewski (uma paçoca pra quem repetir esse nome trez vezes rapido), voltou com o seu jumper bem mais desenvolvido. Wade é outro exemplo bom. De tanto treinar arremessos, os jogadores que vao pra la acabam voltando arremessando bem melhor e, como muitas vezes os jogadores que vão são bons jogadores, importantes e jovens, isso tme um impacto muito grande nos seus times. E esse mundial nao foi excessão, varios jogadores jovens que foram pra la voltaram arremessando muito bem. Não caiam no conto de que só de treinar voce pode passar de TJ Ford a Ray Allen, tem uma boa dose de talento ai, mas se voce treinar, voce vai inevitavelmente melhorar bastante. Se voce pegar bolas de basquete, for pra uma quadra e ficara arremessando 200 bolas de tres por dia, voce nao vai chegar a Ray Allen, mas com certeza vai ter um ótimo arremesso de tres pontos, um Kyle Korver da vida. Se nao acredita, é só ver nos jogos jogadores como Josh Smith e Richard Jefferson (Esse ja sabia, mas involuiu temporada passada) arremessando de tres como se fossem especialistas nisso, sendo que ano passado ninguem acertava nada.

Mas isso ja acontece a algum tempo, com a seleção de basquete dos EUA formando suas seleções basicamente com jogadores jovens e tudo mais e com os jogadores voltando tendo seus arremessos bem melhorados. Essa temporada não foi diferente. Acontece que varios jogadores que foram pra seleção americana de basquete estão jogando pra cacete! Uma melhora absurda em relação ao ano passado. Pra mim, o jogador que mais melhorou em relação à temporada passada foi o Kevin Love, que esteve no Mundial mas jogou pouco. Love passou de 14 pra 20 pontos por jogo e de 11 pra 15.6 (lidera NBA)! Alem disso, teve varios jogos com 20 pontos e 20 rebotes e varios jogos com mais de 30 pontos. Mas essa melhora pouco teve a ver com o Mundial. O Kevin Love ja era um excelente jogador ano passado, excelente reboteiro, ótimo arremessador de qualquer ponto da quadra, e extremamente inteligente dentro de quadra. O problema é que ano passado ele jogava menos (7 minutios por jogo a menos) e de forma muito mais secundaria no time por causa da presença do Al Jefferson. Apesar do Big Al ter jogado muito de C, pra mim a posição que ele mais rende é PF, e nisso ele tromba com o Love. Alem disso, o técnico Kurt Rambis nao botava os dois em quadra juntos por causa das deficiencias defensivas que isso trazia ao time (Mas nao ligava de jogar com dois armadores puros em quadra, vai entender esse cara). Sem o Jefferson e sem nenhum compromisso porque o time era pra ser uma porcaria homérica (O time ainda é uma droga, mas ta muito melhor do que todo mundo esperava), o Love teve espaço pra ser o astro do time e agora ta mostrando todo seu talento.

No entanto, tem outros casos que tem uma relação mais direta, e apesar disso um tanto diferente. Pra ver um deles com calma, vamos olhar de perto um dos times mais baladados do final da temporada passada, o Oklahoma City Thunder. No começo da temporada, as pesquisas sobre quem seria o MVP aconteceram dentro e fora da Liga. E alem dos nomes de costume, como Kobe Bryant e Lebron James, quem mais foi citado foi o Kevin Durant. É facil de entender. Durant, com 21 anos, foi o segundo mais votado pra MVP na temporada passada e tambem o mais jovem campeão de pontuação de uma temporada da NBA. Foi um monstro e MVP do Mundial na Turquia, e o Thunder quase derrotou os campeões Lakers nos playoffs. Virou o time queridinho de todo mundo e era esperada uma evolução ainda maior do Durant pra essa temporada e, com o Lebron brincando de Wii Sports com seus coleguinhas em Miami, parecia que era hora do Durant assumir o posto de MVP da Liga. Mas alem das lesões que tem tirado o astro de varias partidas, o ala não tem tido uma temporada tão boa quanto o esperado: seu arremesso está mais inconstante e ele parece não estar tao a vontade quanto estava num quase anonimato na temporada passada. E quem está assumindo o papel de estrela do time - ou pelo menos é quem melhor vinha jogando em Oklahoma City - é o Russell Westbrook.

Westbrook está com medias de 23.6 ppg(11º da Liga), 8.8 apg (8º) e 5.3 rpg, e era quem vinha levando o time nas costas no começo da temporada (agora o Durant está entrando de volta num ritmo bom). O que se destaca ao Westbrook no que diz respeito a numeros (A liderança dele essa temporada está bem melhor, mas nao tou falando aqui de intangiveis) é a melhora na pontuação, onde teve 16.1 ppg na temporada passada, uma melhora de mais de 7 pontos por jogo. Suas assistencias subiram em 0.8 tambem, mas o que se destaca mesmo é a pontuação. E mais que isso, a forma como ele vem pontuando. Seu aproveitamento tambem subiu em relação à temporada passada - 41.8 pra 44.6%- mas mais que isso, segundo o site HoopData, Westbrook tem tentado mais arremessos de meia distancia - e tambem tem acertado mais. Ano passado, ele chutava em media 5,7 bolas de meia distancia - entre 10 e 23 pés de distancia pra cesta - e acertava 36.8%. Essa temporada, ele tem chutado 7,4 por jogo e acertado 37,8%. E embora o numero de chutes pra três esteja igual ao da temporada passada, seu aproveitamento neles subiu pra 29% (22 ano passado). Ou seja, o Westbrook aprendeu a arremessar! Ano passado o Westbrook ja era um ótimo armador, defendia muito bem e era muito veloz indo pra cesta, mas essa era a limitação do seu jogo: a falta de arremesso. Ele arremessava geralmente porque estava livre. Agora não, o arremesso de meia distancia dele não é o do Kobe, mas ja é capaz de ser uma arma pra ser usada em varias jogadas, o que tem forçado a defesa a marcá-lo mais de perto e ele tem espaço pra infiltrar e terminar a jogada proxima à cesta (Tem tido 1 arremesso por jogo a mais desse tipo e tem acertado 55% deles, 3% a mais que ano passado). E esse arremesso de meia distancia ele adquiriu treinando com nosso querido Coach K.

Outro jogador que tem colhido os frutos dessa ida à seleção, mas de forma ligeiramente diferente, é o Derrick Rose. O Rose é o nono em assistencias da Liga com 8.4, e o oitavo em pontuação com 23.9 ppg. Sua evolução chamou a atenção não só pelo grande crescimento em relação ao ano passado (20.8 ppg, 6 apg) como por causa do seu arremesso que está muito melhor. Os arremessos de meia distancia do Rose cairam em numero (1,5 menores) e em aproveitamento (37,3%), embora o aproveitamento ainda seja um numero alto, e fica ainda mais impressionante quando se pega apenas os arremessos entre 15 e 23 pés de distancia pra cesta, um aproveitamento de 41%, altissimo apesar de ligeiramente menor que temporada passada. Mas o que torna a evolução do arremesso do Rose muito mais impressionante são os numeros nos seus arremessos de tres pontos. Onde ano passado ele chutava apenas 0.8 bolas por jogo pra acertar 26,7% apenas, agora ele chuta 4,3 com um aproveitamento de 42%! Uma melhora absurda e que torna o Rose um jogador ainda mais impressionante. Outra coisa interessante destacar sobre os numeros que aparentemente cairam do Rose é o fato de agora ele chamar muito mais atenção com esse jumper, o que tem aberto muito mais seu caminho pra cesta e, principalmente, pro passe, só ver o grande aumento no numero de assistencias do Rose, 2,4 por jogo. Antes ele arremessava muito mais bolas livre porque muitas vezes marcavam ele à distancia, como que o desafiando a arremessar. Agora tem que marcar em cima, o que ele aproveita pra partir pra dentro com sua velocidade. Se antes o Rose fazia 0,6 pontos por jogo em arremessos de tres, agora ele faz 5,4 - uma diferença enorme na pontuação, que atrai muito mais a marcação tambem. O Rose tem chamado tanta atenção que agora ele da muito mais assistencias pra jogadores embaixo da cesta ou bem proximos a ela, o que mostra que a atenção que ele chama nao é só proximo à cesta, mas tambem no perimetro. Outro que aprendeu a arremessar na temporada com Coach K e que ta colhendo os louros - levou nas costas o Bulls sem Carlos Boozer e agora torna o Bulls num time a ser temido por enquanto.

Rose e Westbrook são dois armadores que estão jogando muito bem e atraindo muita atenção, até conversa de MVP em alguns casos. E uma parte desse sucesso se deve ao jumper que ambos desenvolveram nas ferias: no caso do Rose, de tres pontos, e pro Westbrook de meia distancia. E como ambos ja eram excelentes atacando a cesta, isso cria novos espaços pra eles infiltrarem e distribuirem a bola. Sera que o Boston agora se arrepende do Rajon Rondo nao ter ido pra seleção dos EUA? Esse cara arremessando ia ser assustador pra Liga... E o Mike Krzyzewski ja tem um historico invejavel de jogadores que aprenderam a arremessar nas mãos dele.
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Galera, lembrando que ai do lado tem uma enquete sobre NHL, quem puder por favor responda, mas uma vez só! Obrigado e até amanha!