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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Pontos de destaque dos times da NBA, parte II - O otimista

Hora de agradecer por tudo que está dando certo - especialmente o joelho do Embiid


Para quem não sabe, alguns anos atrás eu sofri um sério acidente envolvendo um DeLorean, um cavaleiro medieval, uma cruz de maçaranduba (o relatório da polícia diz mogno, mas eu discordo) e uma jacuzzi. O trauma me deixou com sérios problemas psicológicos, e entre eles está o surgimento de duas novas personalidades alternativas: Jean, a otimista; e Javert, a pessimista. 

Normalmente as duas ficam controladas, mas como na quinta feira passada foi o Thanksgiving americano e não tivemos nenhum jogo de NBA sequer, meu sistema nervoso central decidiu se desligar por algumas horas e deixar os dois tomarem conta. Então eu fiz um pedido para cada um dos dois: para que escrevessem uma coluna cada um destacando algum ponto específico de cada um dos 30 times da NBA nesse começo de ano. Então Javert escreveu uma coluna destacando um ponto negativo ou de preocupação para cada time; enquanto Jean escreveu uma coluna destacando um ponto positivo de cada um.

Semana passada publicamos a coluna pessimista com os pontos negativos de cada time escrita pelo Javert; então agora é a vez da coluna a coluna otimista, com os pontos positivos, escrita pelo Jean.

(Nota: A coluna foi escrita ao longo de vários dias, então algumas estatísticas podem estar desatualizadas).

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Eu não sei vocês, mas eu adoro o caos que é o primeiro mês da temporada regular.

Simplesmente é aquele momento em que nós não sabemos e temos certeza de nada, então tudo é possível. Talvez aquele time surpreendente vá cair por terra ao longo do tempo, mas isso ainda não aconteceu, e até acontecer esse time é uma ótima surpresa, divertida, envolvente. E aquele time que deveria ser bom mas está começando mal ainda tem muito tempo para se reerguer e voltar a disputar os playoffs, mas até acontecer fica pairando aquele mistério do que vai acontecer SE continuar mal... é uma época ótima tanto pra quem gosta de otimismo como para quem gosta de caos. As possibilidades são ilimitadas.

É claro, também é preciso ter cuidado quando tratamos de amostras pequenas. A narrativa é uma coisa, os sinais podem ser olhados, pequenas tendências analisadas, mas a 20 jogos ainda tem muito ruído estatistico, e muitas mudanças por acontecer. Quase nenhum time é o mesmo em Abril que éem Fevereiro, e não é em Fevereiro o time que é em Novembro. Nós demos apenas os primeiros passos, mais nada.

Ainda assim, é interessante e instrutivo olhar mais de perto para alguns fatores dentro de cada franquia. Pequenas tendências, mudanças, novidades, pontos de esperança. Então vamos passar rapidamente pelos 32 times da NBA e ver quais foram pontos que se destacaram nesses primeiros 40 dias de basquete.


Atlanta Hawks

Taurean Prince
foi provavelmente o melhor calouro sobre o qual ninguém falou a respeito de 2017, mas o ex-jogador de Baylor terminou muito bem o ano passado e tinha grande esperanças para esse ano. A presença de jogadores como Dennis Schroeder e Kent Bazemore significa que Prince não precisa assumir o centro dos holofotes e carregar um time como outros jovens jogadores em processo de tanking, mas o segundo-anista tem sido impressionante mesmo assim.

Prince parece muito mais confortável em um papel maior esse ano. Se em 2017 parecia ser só um futuro 3-and-D, Prince está mostrando mais capacidade e versatilidade acertando a cesta, e seu arremesso continua se desenvolvendo. Está dando mais assistências, conduzindo mais pick and rolls (que já compõem 16% do seu ataque) e mostrando uma noção surpreendente de quadra tanto para criar o próprio arremesso como para achar seus companheiros. Atlanta tem sido cuidadosa para não expor demais seus jogadores novos, o que parece uma tática certa nesse caso, mas ainda assim vai ser difícil manter Prince fora dos holofotes por muito tempo.


Boston Celtics

Existe na NBA uma série de pequenos axiomas que costumam servir de "guias" na hora de calibrar as expectativas de um time no começo da temporada. "Jogadores jovens costumam ser ruins e times que se fiam demais neles, também"; "Continuidade importa, e times com muitas mudanças demoram para engrenar"; "Você vai ter problemas defensivos  se troca dois titulares (Avery Bradley e Jae Crowder) que são conhecidos por serem bons defensores"; e principalmente, "Um time vai sofrer se perder seu jogador mais caro e aquisição mais importante da offseason".

Mas depois de 21 jogos, Boston pegou todos esses axiomas e jogou pela janela, rumo a ter a melhor campanha da NBA. Gordon Hayward, o grande free agent trazido por Boston essa offseason, machucou com 5 minutos na temporada e deve ficar fora o ano todo; o Celtics emendou uma sequência de 16 vitórias seguidas mesmo assim, distribuindo sua carga para Jayson Tatum (19 anos) e Jaylen Brown (21) anos, que responderam mais do que à altura, lideram o time em minutos e tendo participação crucial do sucesso da franquia. Depois de retornar apenas QUATRO jogadores do time do ano passado, perder Avery Bradley e Crowder, e ter SEIS jogadores em contrato de calouro na rotação principal, o Celtics tem a melhor defesa da NBA (ajustando pelo ambiente de crescente foco ofensivo, uma das melhores dos últimos 30 anos), a melhor campanha, melhor RPI, e está chutando bundas a torto e a direito.

Nenhum time que perdeu um All-Star, vários bons defensores, mudou o elenco inteiro e está dependendo tanto de jovens para produzir deveria ser tão bom, mas aqui estamos. Kyrie Irving está cada vez mais confortável no sistema de Brad Stevens, e sua química com Al Horford faz parecer que jogam juntos há anos. Jaylen Brown tem sido uma das revelações do ano, e Jayson Tatum joga com um veterano de 6 anos de NBA. Horford está jogando o melhor basquete da carreira. Aaron Baynes, Daniel Theis, Semi Ojeleye até Shane Larkin, Boston simplesmente acertou todas as transações que fez nessa offseason. E seu novo elenco - cheio de jogadores altos e versáteis, que consegue cobrir muito da quadra e trocar a marcação à vontade - está mostrando em quadra exatamente a visão que Danny Ainge tinha quando trocou Bradley e montou esse time. Boston pode ser o time do futuro no Leste, mas eles já chegaram no presente muito mais cedo - e mais forte - do que se esperaria.


Brooklyn Nets

O Nets é um time ruim com uma perspectiva de futuro complicada devido à falta de escolhas de Draft (a sua desse ano ainda está em Cleveland) e de jovens de grande potencial no elenco (deve doer assistir Jaylen Brown e Jayson Tatum em Boston), mas eles tem algo a seu favor: eles estão cientes disso e planejando de acordo. Não existe (e a diretoria do Nets sabe disso) uma saída milagrosa para essa situação, então Brooklyn inteligentemente está olhando na outra direção: ao invés de ir atrás dos jogadores que não tem, e não tem condição de adquirir, o Nets está preocupado em criar uma base, uma cultura e um esquema tático que façam sentido, para depois preenchê-lo com as peças certas com o tempo.

E Kenny Atkinson, o técnico que o Nets escolheu para comandar esse processo, está conseguindo com muito sucesso fazer seu time jogar do jeito certo. Claro que o Nets ainda é ruim, mas assistindo os jogos fica claro que existe algo de funcional por trás. O time simplesmente joga o basquete que deveria jogar: o time faz boas movimentações, os jogadores consistentemente fazem as leituras certas, os passes certos, sabem quais os arremessos deveriam conseguir. Eles são o 5º time na NBA em drives por jogo, 13º em passes por jogo, o 2º time que mais chuta de 3, E o 2º time que mais bate lances livres - eles sabem o que estão fazendo em quadra.

O problema é que os jogadores que estão lá não são bons o suficiente para executar tudo isso em alto nível, mas esse é o próximo passo. Brooklyn encheu seu time de veteranos (Allen Crabbe, DeMarre Carroll) que fazem sentido para ajudar esse esquema a se desenvolver, enquanto apostam em jogadores talentoso (Spencer Dinwiddie, Joe Harris) que fazem sentido dentro dessa forma de se jogar. É muito mais fácil achar uma escolha na segunda rodada ou uma barganha na free agency se você sabe exatamente o que espera para o jogador que vai ser encaixado no seu time (como San Antonio, Golden State e Boston estão nos lembrando constantemente). E essa é a vantagem de se ter já esse sistema e essa cultura no lugar, e isso que o ótimo Atkinson e a boa diretoria encabeçada por Sean Marks estão implementando com sucesso. O processo ainda é longo e as vitórias demorarão a vir, mas existe algo de encorajador acontecendo no Brooklyn.


Charlotte Hornets

Uma das minhas histórias favoritas desse começo de ano tem sido o crescimento de Jeremy Lamb em Charlotte. Depois de passar praticamente toda sua carreira como um reserva de pouca expressão, Lamb enfim explodiu esse ano em um papel maior, iniciando boa parte do ano como titular na ausência de Nicolas Batum e mostrando um jogo bem mais avançado do que antes.

Lamb tem média de 16 pontos em 29 minutos por jogo, a segunda melhor marca no Hornets depois de Kemba Walker. Mas o mais interessante é o quanto Lamb tem mostrado em áreas que antes não eram uma força: o ala do Hornets está chutando sólidos 37,3% de três pontos no ano (32,4% na carreira) em um número alto de tentativas (4 por jogo), está atacando a cesta e cavando faltas com mais frequência do que nunca (3.8 FTs por jogo, quase o dobro de 2017) e, mais importante, tem mostrado um novo nível conduzindo pick and rolls e atacando a partir do drible que tem sido crucial para o Hornets tentando sobreviver sem Batum: Lamb tem média de 0.93 pontos por posse de bola conduzindo um pick and roll (72nd percentil da NBA) e dando 3.4 assistências por jogo, mais do que triplicando sua média da carreira (1.1).

Essa melhora em todas as áreas do jogo de Lamb fez dele um reserva pouco utilizado para um jogador crucial para Charlotte: Depois de ser apenas 8th em minutos por jogo no time em 2017, Lamb agora é o terceiro atrás de Dwight e Kemba Walker, e o Hornets tem destroçados adversários quando Lamb e Kemba jogam juntos ao tom de + 10.5 de Net Rating, que seria equivalente à segunda marca da NBA (Rockets). Lamb foi para o banco depois da volta de Batum, mas ainda tem jogado minutos de titular, e o Hornets sabe o quão importante é o bicampeão universitário para suas pretensões na temporada. Muito legal ver um dos meus jogadores universitários favoritos enfim ganhando seu espaço na NBA.


Chicago Bulls

Trocar seu melhor jogador por pouco, como fez o Bulls, sempre vai gerar muitas derrotas e descontentamento de curto prazo. É inevitável. Jimmy Butler foi o que manteve o Bulls vivo em 2017, e sua saída - previsivelmente - transformou Chicago no pior time da NBA em 2018. Mas um dos motivos pelos quais esse cavalo morto não tem sido mais tão chutado é a performance do calouro Lauri Markkanen, que também foi bastante criticado quando foi escolhido no #7.

Os números do finlandês não saltam tanto aos olhos - 14 pontos, 8 rebotes, 40 FG%, 35 3PT% - mas é óbvio que o Bulls não está jogando pelo hoje, e sim pelo futuro, e o que Lauri tem mostrado nesse sentido tem sido bastante encorajador. O arremesso de fora já era conhecido, mas Markkanen tem mostrado mais em quase todas as outras áreas: seu arremesso tem enorme versatilidade (pull ups, vindo de screens, etc), seus rebotes estão melhores do que o esperado, e Lauri está mostrado bem mais habilidade botando a bola no chão e criando arremessos do que parecia ter. Até sua tão criticada defesa parece melhor na NBA: Markkanen não é (e provavelmente não será) um protetor de aro, mas tem mostrado pés ágeis quando precisa trocar a marcação e acompanhar jogadores menores no perímetro. Não é Ben Simmons, mas sem dúvida é um raio de esperança no que promete ser uma difícil reconstrução para o Bulls.


Cleveland Cavaliers

As vezes eu sinto que não estamos falando de LeBron James tanto quanto deveríamos. Eu sei que LeBron já está naquele nível que tomamos sua grandeza por garantida e por isso ela para de nos impressionar, mas não deveria. Esse é o ano 15 para LeBron na NBA. Ele tem 33 anos, 1300 jogos e 51.000 minutos (contando playoffs) nas costas. Qualquer ser humano normal estaria começando a olhar para a descendente.

Mas LeBron? Ele está anotando 28.5 pontos, 8.6 rebotes, 7,5 assistências por jogo enquanto arremessa 58% de quadra e 42% de três pontos, e fazendo tudo isso enquanto é segundo na NBA em PER e segundo em minutos por jogo atrás de Giannis (o que, diga-se de passagem, é absurdamente irresponsável por parte do time). Ele está carregando nas costas um Cavs desfigurado que perdeu seu segundo melhor jogador (Kyrie), viu Jae Crowder voltar a ser uma abóbora, perdeu Tristan Thompson por lesão, e esteve contando com minutos de Rose, Wade, Jeff Green e Jose Calderon para ter uma rotação. É uma temporada fantástica de um dos melhores jogadores de basquete que jamais pisaram sobre essa Terra sob qualquer ótica possível. Apreciem LeBron James enquanto é tempo.


Dallas Mavericks

No último sábado, dia 25/11, o Mavericks enfrentou o Thunder em Dallas, e fomos brindados com uma performance quase vintage de Dirk Nowitzki: uma série de bolas longas, fakes, giros, fadeaways, e é claro, um dos arremessos mais bonitos da história da NBA. Foi lindo de se ver, um lembrete sobre como era e as vezes ainda é fantástico assistir a um dos melhores e mais únicos jogadores da história da NBA.

Então ao invés de falar sobre a temporada do Mavericks, vou simplesmente deixar vocês com esse mix do Dirk para lembrarmos enquanto é tempo.

Sentiremos muito sua falta, Dirk.





Denver Nuggets

Múltiplas lesões, dispensas, movimentações, excesso de jogadores em uma mesma posição, e por ai vai - todos esses fatores tornaram quase impossível para o Denver ter uma rotação estável. Apenas UMA lineup do time jogou mais do que 150 minutos junta no ano inteiro. Ou mais do que 120 minutos o ano inteiro. Ou 100 minutos o ano inteiro. Ou CINQUENTA minutos junto o ano inteiro. É isso ai, a segunda lineup mais usada pelo Denver jogou junto apenas QUARANTA E QUATRO minutos TOTAIS ao longo do ano. Você vai ter muita dificuldade para montar um time quando isso acontecer.

A boa notícia é que essa lineup que é exceção - a titular do time antes da lesão de Millsap e que jogou junta por 224 minutos - tem sido realmente uma das mais divertidas de se assistir da NBA, e uma das mais dominantes. Muitas vezes nos jogos do Nuggets o time tem problemas com a armação de jogadas, com falta de espaçamento, com a falta de entrosamento... mas quando esses cinco - Murray, Harris, Chandler, Jokic e Millsap - jogam juntos é como se um raio luminoso viesse e focasse no Pepsi Center. Essa lineup não tem praticamente nenhuma das falhas que as outras apresentam: eles NUNCA cometem turnovers (o que é significativo, considerando que Denver é o segundo time com mais turnovers na NBA), passam a bola com facilidade (seriam #4 em AST% na NBA), pegam rebotes feito maníacos (53,5% em % de rebotes, que seria a melhor marca da liga) e parecem que jogam juntos faz cinco anos. Eles bombardeiam bolas de três livres, rodam a bola, sabem quando cortar e quando sair para o perímetro, se movimentam sem a bola, e destroem times dos dois lados da quadra: esses cinco juntos tem um Offensive Rating de 112.5 (seria #2 na NBA, à frente de Houston) e 100.5 de Defensive Rating (seria #4 na NBA logo atrás de Utah), o que da um Net Rating de 12,0 equivalente ao Golden State Warriors como time.

O Nuggets tem problemas quando esse quinteto (e em especial o trio Murray-Jokic-Millsap) se separa, e com a lesão de Millsap deve demorar um pouco para voltarem a jogar juntos. Isso vai significar mais mudanças, mais experimentos, e mais lineups que não funcionam tão bem - o que deve render sofrimento no curto prazo, mas vai ajudar esse time a encontrar as "outras lineups" para funcionar em torno dessa principal. Ainda assim, é uma lineup que nos da um gostinho do quão bom esse time pode ser quando tudo está encaixando, e um enorme prazer de ver jogar.


Detroit Pistons

Se eu tivesse um voto para o Most Improved Player - o jogador que mais evoluiu na temporada - certamente ele iria hoje para Andre Drummond. Imagino que hoje Porzingis seja o favorito ao prêmio, mas meu voto seria para o pivô do Pistons. Depois de ano sendo um jogador talentoso mas que nunca tinha realmente juntado isso em uma atuação consistente e dominante (e inclusive ser nomeado pelo chefe o Jogador Menos Valioso de 2017), Drummond melhorou quase todos os aspectos do seu jogo e enfim está parecendo a estrela que prometia desde que chegou à NBA.

O que chama a atenção é o aproveitamento nos lances livres, que passou de patéticos 38,6% para decentes 61,8% esse ano. Isso permite a Drummond ficar mais tempo em quadra (especialmente no final de jogos) e igualmente mais tempo com a bola nas mãos, sem precisar ter medo de sofrer uma falta intencional. Ao invés de precisar se livrar rápido da bola e definir a jogada com pressa, Drummond agora pode tomar seu tempo e fazer as jogadas pensadas, o que liberou todo seu jogo.

Drummond esse ano mais do que triplicou (de 4,7% para 16,1%) seu AST% e viu suas assistências por jogo subirem para impressionantes 3,5. Ano passado Drummond não era remotamente capaz de dar passes com esse aos 14 segundos do vídeo abaixo...




... mas agora eles fazem parte da sua rotina em quadra e da forma do Pistons de atacar. Drummond também trocou muitos de seus horríveis lances de costa para a cesta (post ups compunham 27% das suas posses totais em 2017 e caíram para apenas 10% esse ano) por jogadas mais eficientes e que não precisam congelar todo o ritmo ofensivo do time, e principalmente por mais toques na cabeça do garrafão, que ajudam a abrir espaço para o resto da equipe e estão abrindo sua habilidade nos passes. Defensivamente, Drummond ainda consegue usar seu tamanho e atleticismo para causar estrago com tocos e roubos, mas ele está muito mais inteligente esse ano em como se posicionar, ignorando os "disfarces" das jogadas adversárias e se concentrando na ação que realmente importa, e que ele realmente precisa defender. Drummond tem sido uma revelação em tantos aspectos esse ano que chega a parecer outro jogador, e tem sido uma parte crucial do sucesso do Pistons em 2017/18.

(Para mais detalhes, recomendo esse texto do ótimo Scott Rafferty -> https://t.co/cK2WSWeaQd)


Golden State Warriors

Vamos contar:

- #1 em ataque
- #5 em defesa
- #1 em Net Rating
- #2 em RPI
- #1 em AST%
- #1 em TS%
- #1 em eFG%
- Tudo isso com o calendário mais difícil do Oeste até aqui.

Eu sei que é tentador olhar o Warriors em uma noite preguiçosa de temporada regular e tentar achar que estão em decadência ou em crise, mas seus dados avançados estão quase no nível que estavam ano passado, e saudável esse ainda é o time a ser batido na NBA.


Houston Rockets

Houston
é uma maiores surpresas do começo de temporada, com o segundo melhor Net Rating, segunda melhor campanha e segundo melhor ataque da NBA. Harden está jogando em nível MVP, e Chris Paul parece totalmente confortável em quadra. Não poderiam pedir um começo melhor.

E um aspecto específico que tem sido bem interessante nesse início do Rockets é o uso das suas lineups de small ball. E eu não digo small ball no sentido antigo de "sem um ala de força ou pivô de origem", embora essas também tenham sido ótimas para Houston - o time do Texas tem um Net Rating de +13.1 quando Ryan Anderson está em quadra sem Clint Capela.

Mas as que mais me interessaram são aquelas que são REALMENTE small ball, com Mbah a Moute ou PJ Tucker jogando de pivô e um exército de arremessadores ao redor. Houston ainda não está usando essas lineups com muita frequência - apenas 16 minutos até aqui - mas nesses minutos elas tem destruídos times durante curtas sequências, com um Net Rating de +16,4 nesses minutos. São em geral lineups capazes de trocar a marcação entre 4 ou 5 posições, e com Tucker e Mbah a Moute bombardeando bolas de longa distância com sólido aproveitamento fica dificílimo marcar essas unidades. Elas lembram, na verdade, a lineup da Morte do Warriors à sua própria maneira. Vai ser interessante acompanhar se Houston continua usando esses grupos, e se vai ser uma arma a ser usada contra Golden State caso os dois favoritos do Oeste venham a se cruzar nos playoffs.

Indiana Pacers

A troca de Paul George por parte do Indiana Pacers está parecendo muito melhor hoje em dia, não?

Alguns meses depois do dia que Kevin Pritchard quase explodiu a internet, eu tenho 100% de certeza que OKC ainda faria essa troca 10 de 10 vezes, mas a impressão cada vez mais é que o Pacers não foi roubado como pareceu à primeira vista. E isso porque as duas aquisições do time na troca estão jogando melhor do que jamais jogaram em OKC ou Orlando.

Victor Oladipo em particular tem sido uma revelação. Jogando no ritmo de jogo veloz desse ano Oladipo enfim está conseguindo mostrar toda sua agilidade e velocidade, e tem sido imparável na quadra aberta. Com 23 pontos, 5 rebotes e 4 assistências de média e 54 eFG%, Oladipo está tendo de longe a melhor temporada da carreira dos dois lados da quadra, e deve receber alguma atenção na hora de definir os participantes do Leste no All Star Game.

Domatas Sabonis também está mostrando em Indiana uma promessa que não mostrou quando era refém de Russell Westbrook em OKC. Sabonis chegou à NBA com seus maiores atrativos sendo seu jogo no garrafão, os passes e os rebotes, o tipo de jogador que foi feito para jogar de pivô na NBA moderna. E seu primeiro ano em OKC foi basicamente ficar na zona morta esperando um passe e arremessando de três - não a toa não conseguiu mostrar todo seu talento por lá.

Em Indiana - e especialmente sem Myles Turner, o que permitiu a Sabonis jogar de pivô - o filho da lenda do basquete soviético tem mostrado seu jogo completo, dominando o garrafão com seu jogo de pernas, inteligência nos passes, e dominação nos rebotes. Sabonis tem esse ano médias de 13-9-2,5 com 55 FG%, depois de ter 6-4-1 e 40 FG%. E seus números são aida melhores considerando quando jogou sem Myles Turner, como pivô titular do time: 14-11-3 com 60 FG% durante 9 jogos, e em geral o ex-astro de Gonzaga tem médias de 18 pontos, 13 rebotes e 4 assistências por 36 minutos quando joga sem Turner. Nesses minutos, o Pacers tem um Net Rating de +5.8, que seria a quinta melhor marca da NBA. Um jogador muito melhor e mais promissor do que sua avaliação quando foi adquirido de OKC.

Nem Oladipo nem Sabonis parece ser o tipo de estrela em torno do qual você constrói uma franquia, mas considerando o papo de que o Pacers não tinha conseguido nada de valor pela sua estrela, o começo de ano da dupla é encorajador, e estão ajudando o Pacers a se manter competitivo num surpreendente Leste. O próximo desafio: achar uma forma de fazer Sabonis e Turner jogarem juntos em quadra.


Los Angeles Clippers

É impossível achar um ponto positivo na temporada do Clippers, um time sólido e divertido no papel que viu sua temporada acabar cedo com lesão atrás de lesão para seus principais jogadores. O Clippers agora está 8-12 e lidando com mais uma lesão no joelho de Blake Griffin, o ano parece perdido, e o futuro cada vez mais duvidoso.

Então... hm... e ai pessoal, já viram o novo trailer de Guerra Infinita?! Parece fantástico!!


Los Angeles Lakers

A defesa de Los Angeles caiu para #8 na NBA recentemente depois de chegar a ser a terceira melhor da liga em certo ponto, mas ainda assim é de se impressionar com a eficiência do Lakers do lado defensivo da quadra. Esse é o mesmo Lakers que foi a PIOR defesa da NBA um ano atrás! Ter uma defesa Top10 para começar o ano é um grande passo à frente - e um bastante inesperado.

E mais impressionante ainda é o Lakers conseguir isso com praticamente só dois bons defensores no seu elenco (três se contar Julius Randle motivado, o que tem acontecido mais do que o normal esse ano) em KCP e Brandon Ingram. Essa sólida defesa para começar o ano tem vindo não do talento individual dos seus defensores mas sim do seu esforço coletivo, o que é sempre um bom lembrete de que defender na NBA moderna NUNCA é apenas individual. Esse time, pura e simplesmente, sabe o que está fazendo na defesa: os jogadores são capazes de trocar marcação entre várias posições, são bastante ativos nas linhas de passe e nas rotações, jogam duro e com vontade, lutam contra pick and rolls, e mostram uma noção geral boa do que devem fazer. Essa defesa ser #8 não é por acaso.

Parte disso não é sustentável, e alguma regressão já começou: O Lakers tem muita dificuldade em conter penetração a partir do drible (especialmente na posição de armador); eles enfrentaram um calendário bem fácil (7th mais fácil da liga); seu perfil de arremessos não é o ideal (só Milwaukee cede mais arremessos perto do aro); e seus adversários ainda estão acertando um percentual abaixo do normal de arremessos livres, o que é geralmente insustentável. Tudo indica que esse número ainda deve cair do oitavo lugar.

Mas ainda assim, esse time não chegou ao #8 por acaso. Ninguém chega. Esse número e as boas performances defensivas são um testamento não só ao trabalho de Luke Walton, mas também ao quão duro e investido esse elenco está jogando esse ano.


Memphis Grizzlies

Em meio a um desastroso início de temporada, um ponto positivo é que Memphis achou mais um jogador decadente e não desejado para reviver a carreira e mostrar pro mundo que consegue reabilitar QUALQUER jogador do planeta: Tyreke Evans.

Engraçado pensar hoje que Tyreke foi Calouro do Ano sobre Steph Curry e James Harden em 2009, e considerado uma grande estrela do futuro. Mas a cada ano que passava Harden parecia piorar um pouco, as lesões continuavam se sucedendo, e sua falta de arremesso e estilo de jogo individualista começaram a se destacar negativamente cada vez mais em uma NBA que caminhava na direção oposta. Seu espaço foi minguando, e chegou ao ponto que Tyreke teve que assinar um contrato de 1 ano, 3 milhões para tentar reconstruir seu valor na NBA.

Mas Reke parece ter escolhido o lugar certo para isso. Em 20 partidas, Evans vem tendo talvez o melhor ano da sua carreira. São 18 pontos, 5 rebotes e 3.5 assistências por jogo em apenas 28 minutos vindos do banco de reservas, e tem sido crucial para ancorar as rotações vindas do banco de reservas, especialmente com Mike Conley machucado. E, talvez mais importante, Evans parece ter se reinventado como um bom arremessador: está acertando 42% das suas bolas de longa distância em um alto número de tentativas (4.3 por jogo). Não é a estrela que parecia ser quando calouro, mas sem dúvida o Tyreke Evans desse ano é um sólido jogador de NBA. Uma evolução e volta por cima que fazem dele hoje o provável líder na corrida pelo prêmio de Sexto Homem do Ano.


Miami Heat

Discretamente, Kelly Olynyk está se provando uma das mais interessantes contratações da última janela de transferências, e já é hora do pivô ganhar mais minutos em quadra. Ele é apenas o oitavo jogador com mais minutos no time do Miami Heat (em parte porque divide a posição com Hassan Whiteside e quase não tem sido usado de ala de força), mas ele é o jogador que tem sido o diferencial para Miami quando está em quadra, especialmente comandando lineups vindas do banco.

Miami tem uma defesa decente, um time que sabe onde estar e o que fazer desse lado da bola, mas o ataque tem sido uma desgraça (quinto pior da NBA) e parece só encontrar vida quando Olynyk está em quadra provendo espaçamento com suas bolas longas (47 3PT% na temporada, o que deve cair um pouco ainda). Ainda que a maioria disso seja contra reservas, quando o pivô está em quadra o jogo fica mais aberto, os armadores de Miami conseguem realizar suas infiltrações e fazer a bola rodar até o lugar certo, e Miami pontua no nível de um ataque Top8 da NBA. Quando vai pro banco? O ataque de Miami vira basicamente o ataque do Kings, segunda pior marca da NBA, com 96.6 pontos por 100 posses de bola anotado. Miami tem muitos outros problemas para resolver, mas começar a dar mais minutos para Olynyk pode ser um ponto de partida.


Milwaukee Bucks

A impressão é que esse é um assunto todo ano, mas um inevitável simplesmente porque Giannis Antetokounmpo continua evoluindo. O grego deu um salto de qualidade me 2016... depois outro em 2017, quando foi 2nd Team All NBA e ganhou o prêmio de MIP... e agora em 2018 parece ter dado mais um salto de qualidade que nos faz o quão bom Giannis - que tem apenas VINTE E DOIS ANOS de idade - vai realmente ser algum dia.

Esse ano Giannis simplesmente atingiu um novo nível, principalmente como pontuador. Se não tinha dúvidas de que Giannis já era uma superestrela, agora Antetokounmpo já está sendo discutindo entre os 10, talvez 5 melhores da NBA, e com razão. Giannis ainda não tem um bom arremesso, mas a verdade é que isso simplesmente não importa: ele consegue chegar até o aro quando quer graças a seus braços gigantes e seu controle do corpo, e quando Giannis consegue espaço ele é imparável: o grego tem média de 30 pontos por jogo em incríveis 56 FG% e está cavando faltas no melhor ritmo da carreira. Seus rebotes também estão no melhor nível da vida (10.2 por jogo), sua defesa continua excelente e destrutiva, e atualmente ninguém na liga inteira tem PER melhor que os 31.7 de Giannis.

E o Bucks ainda é extremamente dependente da sua grande estrela. Com Giannis em quadra, o Bucks tem basicamente uma defesa média e um ataque equivalente ao sexto melhor da NBA, o que da um Net Rating de +3.3 - marca que seria a sétima melhor da NBA. Mas quando Antetokounmpo senta, Milwaukee despenca para o terceiro pior ataque da NBA, a pior defesa da liga, e um Net Rating de -11.4. Apesar de todo o talento em Milwaukee, existe uma falta de padrão para ser bem usado,e  muito do que esse time ainda faz é confiar no talento descomunal de sua estrela para carregar o piano dos dois lados da quadra - e é um testamento para o quão bom Giannis já é o fato de que ele está conseguindo.


Minnesota Timberwolves

Para um time cujas peças não se encaixavam muito bem, que poderia ter problemas de espaçamento e muitos jogadores que seguram demais a bola e gostam de centralizar o jogo, Minnesota começou muito bem a temporada ado lado ofensivo da bola, tendo o quinto melhor ataque da liga rumo a uma campanha de 13-9 até aqui.

O mais engraçado é que Minnesota AINDA tem problemas de espaçamento e não arremessa bolas de três pontos - é o segundo time com menos bolas longas na temporada - e é abaixo da média em quesitos como % de assistências e passes por jogo, que são indicadores de jogo coletivo. Minny está basicamente tendo sucesso com a tática Toronto Raptors: diminua o ritmo de jogo, não sofra turnovers, aproveite cada posse de bola, consiga um monte de lances livres e aproveite o talento individual de suas estrelas ao máximo (e como bônus adicional também estão dominando os rebotes ofensivos, pegando 26% dos seus próprios erros, quarta melhor marca da liga).

Por um lado, é encorajador ver que Minny está conseguindo ter um excelente ataque mesmo com todos os problemas que se esperava que tivesse nessa adaptação, e da esperança para o que esse time virá a ser desse lado da quadra quado conseguir integrar todo seu talento. Por outro, precisam trabalhar agora até o final do ano para capitalizar em cima disso e continuar desenvolvendo um ataque mais fluido e diversificado, para não chegar em Abril e acontecer o que todo ano acontece com o ataque de Toronto nos playoffs.


New Orleans Pelicans

Uma das grandes perguntas que ficou na NBA ao final do ano passado dizia respeito ao Pelicans e sua dupla de estrelas, Davis e Cousins: é possível um time da NBA render em alto nível no basquete moderno com um time construído ao redor de dois jogadores de garrafão, nesse momento em que todo mundo está tentando jogar mais baixo e focando no perímetro. E até aqui, a resposta parece ser que sim.

No agregado, o Pelicans está 11-10 na temporada com Net Rating de -0.2 (17th no ano) - bem médio. Mas isso diz mais sobre a falta de talento e a montagem irregular desse elenco do que sobre a capacidade do time jogar com dois jogadores de garrafão. Na verdade, quando Davis e Cousins estão juntos em quadra, o Pelicans tem um Net Rating de +4.3, marca que colocaria New Orleans como o sexto melhor time da NBA. O principal problema é realmente quando Davis senta e Cousins comanda as lineups vindas do banco: -10.5 por 100 posses de ola quando Cousins joga sem Anthony Davis.

Esse sucesso com dois pivôs vem não só do enorme nível de talento de Cousins e Davis, mas sim pelo fato dos dois serem jogadores com características bastante modernas: Cousins evoluiu em um arremessador de três pontos respeitável, e Davis também tem boa eficiência no seu arremesso, ainda que ele ainda não se estenda tanto até a linha de 3, o que abre espaço em quadra. Ambos são muito bons batendo bola e podem fazer tanto o papel do ball handler como o do screener em um pick and roll, muitas vezes juntos (Cousins anota 0,9 PPP quando conduz um pick and roll, marca no 70th percentil dos jogadores da NBA), e são capazes de destruir qualquer defensor menor que acabe por defendê-los, o que impede trocas de marcação.

Isso tudo permitiu que a comissão técnica do Pelicans ficasse bastante criativa com a forma de usar seus jogadores. É muito comum ver o Pelicans usando jogadas normalmente desenhadas para liberar os armadores, vindo de corta-luz fora da bola por exemplo... só que New Orleans inverte essas jogadas e usa seus PIVÔS para receber essas jogadas, o que confunde totalmente a marcação e, quando bem executado, torna o time praticamente impossível de defender. Davis e Cousins tem as habilidades de perímetro para fazer funcionar e dar continuidade a essas jogadas; times não estão acostumados a defender essas jogadas com as pessoas que normalmente marcariam esses dois jogadores; e tanto Davis como Cousins vai punir qualquer troca de marcação. Não funciona sempre, mas quando funciona, é realmente muito legal de se ver - eu pessoalmente adoro esses times e jogadas que fogem do padrão que estamos acostumados, e nos mostram novas possibilidades.

New Orleans não tem talento e arremessadores suficientes no time para maximizar Davis e Cousins ainda, mas o time parece ter provado uma coisa: de que ambos podem funcionar jogando juntos. Com Cousins perto de se tornar agente livre, essa é uma informação preciosa para se ter e que pode definir o futuro da franquia.


New York Knicks

Todo mundo sabia que Kristaps Porzingis era bom, mas escondido atrás de Carmelo Anthony em um desastroso esquema era difícil saber exatamente o quanto.

Mas agora como indiscutível foco do time finalmente estamos conseguindo ver o letão atingindo seu potencial, e é glorioso. Porzingis está tendo média de quase 26 pontos por jogo com excelentes níveis de eficiência (46,7 FG%, 39,8 3PT%, 84,1 FT%) e sendo alvo frequente de marcações duplas e triplas. Sério, como você marca Porzingis? Ele tem excelente domínio de bola para um grandalhão e é mais do que capaz de colocar a bola no chão e dar um ou dois dribles para abrir espaço; ele é muito ágil e atlético, com um pouco de espaço para engatar a marcha ele consegue atingir o aro e finalizar com muita facilidade; seu jogo de costas para a cesta continua se desenvolvendo (Porzingis está com média de 1,06 PPP em jogadas de post up, no 78th percentil da NBA); e se nada disso der certo, ele pode simplesmente arremessar por cima de você. Porzingis tem 2m21 (7'4) com um excelente arremesso que se estende até a linha dos 3 pontos e tem um alto ponto de lançamento - nenhum jogador na NBA vai bloquear isso.

Porzingis está maturando em uma das maiores armas da NBA, um pivô e extremamente atlético alto capaz de proteger o aro (lidera a NBA pelo segundo ano seguido em aproveitamento dos adversários perto do aro) e ser uma força imparável no ataque, capaz de espaçar a quadra (39,8 3PT%), atacar a cesta, punir trocas e basicamente pontuar como quiser. Ele manteve praticamente sozinho o que deveria ser um péssimo time do Knicks vivo no Leste e sonhando com playoffs. O Knicks tem o Net Rating do quinto melhor time da NBA (+4.7) quando Porzingis está em quadra e do quinto pior (-6.6) quando ele está no banco. Tire Porzingis desse time e eles estão brigando pela primeira escolha do Draft. Com o letão, não é absurdo imaginar esse time jogando na pós-temporada quando Abril chegar.


Oklahoma City Thunder

O Thunder tem sido uma das maiores decepções do começo de ano, com uma campanha de 8-12 e três derrotas seguidas desde sua convincente vitória sobre Golden State. O novo Big Three de OKC não começou bem sua trajetória em Oklahoma.

No entanto, os números pintam uma história diferente. É há muito tempo conhecido que vitórias e derrotas não são a melhor maneira de se avaliar o nível de performance de um time. Uma melhor, por exemplo, é ver qual o saldo de pontos (ou o famoso Net Rating, saldo de pontos por 100 posses de bola) do time. Outra é avaliar o perfil das vitórias e derrotas - jogos decididos por menos posses de bola tendem a ser mais aleatórios e dizer menos sobre o nível de jogo dos times, enquanto vitórias ou derrotas por margens largas tendem a indicar uma diferença de nível maior.

Então a boa notícia é que esse dois fatores são bem favoráveis ao Thunder. Em 20 jogos, OKC tem um Net Rating +2,4, que seria a oitava melhor marca da NBA. Analisando o perfil de jogos do Thunder, isso fica ainda mais claro: das suas 12 derrotas, 10 delas foram por 8 pontos ou menos, e cinco delas por 4 pontos ou menos. Das 8 vitórias, nenhuma por menos de 9 pontos, e 7 delas por pelo menos 13 pontos. Em outras palavras, OKC está ganhando seus jogos por muito e perdendo por pouco - em teoria, ao longo do tempo a variância nas derrotas apertadas tende a nivelar, e esses jogos (especialmente os decididos por 4 pontos ou menos) tendem a ser quase 50% de vitórias. Esse perfil indica que OKC está jogando acima do nível do seu total de vitórias, e com o tempo isso deve melhorar.

(Javert me pediu para incluir essa observação: Vale citar que OKC teve a sexta tabela mais fácil da NBA e que seus números gerais de saldo de pontos estão distorcidos por causa de alguns massacres sobre os piores times da NBA, em especial o Bulls)

Também vale observar que, apesar do seu Big Three estar encontrando dificuldades para render como esperado junto, eles não estão de forma alguma mal: o Thunder tem um Net Rating de +4.7 quando suas três estrelas estão juntas em quadra, baixo para um Big Three com aspirações ao título, mas ainda um número muito sólido. É cedo demais para descartar esse time e esse nível de talento.


Orlando Magic

É muito bom ver Orlando - que durante tanto tempo permaneceu como um reduto do basquete arcaico, ao ponto de jogar com Aaron Gordon de SF durante grande parte de 2017 para acomodar Jeff Green e um exército de jogadores de garrafão - finalmente abraçando um basquete mais moderno, e mais importante, uma identidade.

Orlando chegou como uma das grandes surpresas do ano graças às suas bolas de três pontos, o que é incrível quando lembramos que em 2017 o Magic foi o quinto time com menos bolas de três pontos, e o time de segundo pior aproveitamento. E ainda assim esse ano - com Aaron Gordon jogando quase exclusivamente na posição 4 e mostrando um muito evoluído arremesso - Orlando é o terceiro time que mais fez cestas de três pontos no ano, atrás apenas de Houston e Golden State, e é o quarto time de melhor aproveitamento. O ataque, claro, reagiu de acordo: depois de ser o segundo pior da NBA em 2017, agora é um respeitável 12th lugar.

Parte dessa melhora vem da evolução individual de alguns jogadores: Aaron Gordon está chutando um career-high 5.3 bolas de três por jogo com aproveitamento (talvez insustentável) de 43%, enquanto o pivô Nikola Vucevic estendeu seu alcance nos arremessos para a linha de três, chutando sólidos 36% em 4 chutes por jogo. Essas melhoras podem não ser sustentáveis no médio prazo (ainda é difícil dizer), mas elas também estão ligadas a uma mudança de postura e esquema tático em Orlando. Os pivôs atrás de Vucevic estão praticamente todos afundados no banco, o time está jogando com muito mais velocidade (#6 na NBA) e é fácil ver uma mudança de postura dos jogadores no ataque, buscando sempre a opção da bola longa nos passes, e uma movimentação dos jogadores voltada para conseguir esses arremessos longos. Orlando enfim chegou no século 21, e pode ser o primeiro (e importante) passo rumo a estabelecer uma identidade que não existia sob o ex-GM Rob Hennigan.


Philadelphia 76ers

Philadelphia era para ser o time do futuro, mas - assim com aconteceu com Boston - parece que esse futuro está chegando muito mais cedo do que o antecipado. Em outras palavras, o futuro ainda é brilhante, mas está ficando claro que esse time já é muito bom nesse momento. Nos seus últimos 9 jogos, Philly está 6-3 com três vitórias por 20+ pontos, e as três únicas derrotas vindo nas mãos dos grandes favoritos Warriors e Cavaliers, mais o Boston Celtics (sem Embiid). Até aqui, Philadelphia enfrentou o calendário mais difícil de toda  NBA.

E parte desse sucesso de Philly vem da dominação da sua nova lineup titular. O Sixers finalmente colocou Ben Simmons como PG nominal da equipe e cercou ele e Embiid de arremessadores em JJ Redick, Robert Covington e Dario Saric (cuja bola de 3 está mostrando evolução esse ano) - em teoria a formação certa para maximizar seu fantástico calouro.

E essa lineup foi um ENORME sucesso. Philly tem destruído adversários nos 154 minutos que essa formação jogou junta: seu Net Rating de +20,6 não só lideraria a liga por quilômetros como é a terceira melhor lineup de TODA a NBA entre grupos que jogaram 100 minutos juntos. Ela é uma lineup impressionante que ao mesmo tempo é alta e baixa: ela tem três arremessadores (quatro se contar Embiid) e não tem um ala de força tradicional, jogando com seus alas bem abertos; e ao mesmo tempo tem QUATRO jogadores com 6'6 ou acima e todos capazes de trocar a marcação em jogadores menores. Ela consegue ao mesmo tempo te superar com velocidade e versatilidade como é capaz de te esmagar com tamanho e força física. Tem sido glorioso ver essa formação jogando junta (diga-se de passagens, as lineups com Ben Simmons e Embiid jogando juntos tem Net Rating de +9,9).

Vai ser interessante ver como Philly vai reintegrar Fultz à rotação quando voltar e como esse grupo continua evoluindo, mas por enquanto o Sixers parece ter encontrado sua melhor lineup, e ela deixa bem claro que Philly é um time para se respeitar já em 2018.



Phoenix Suns

Em meio ao que tem sido uma temporada ruim no Arizona, o crescimento de Devin Booker continua ser o principal foco de otimismo. Booker ainda tem apenas 21 anos, mas seu crescimento contínuo tem mostrado que o Suns realmente pode ter achado ouro com o ex-jogador de Kentucky.

A produção bruta de Booker não mudou muito em relação ao ano passado: 23 pontos e 4 assistências por jogo, contra 22 pontos e 3.4 assistências em virtualmente a mesma USG%. Mas olhando de perto, você percebe que seu PER saltou de 14.6 para 18.1, seus Win Shares por 48 minutos mais que dobraram (de 0.035 para 0.081) e que basicamente todas suas estatísticas avançadas indicam que Booker está sendo muito melhor esse ano. Por que isso acontece, então?

Porque se Booker não aumentou sua produção, ele aumentou grosseiramente sua eficiência. Seu True Shooting% saltou quase 40 pontos (de .531 para .568) e seu eFG% também (de .475 para .513). E isso acontece simplesmente porque Booker está melhor na hora de arremessar a bola (em termos de jump shot mesmo): ano passado, Booker converteu 36% das suas bolas de três e 38,7% das bolas de meia distância, enquanto esse ano esses números estão em 38% e 48%, respectivamente. Ajuda que Booker trocou alguns arremessos de meia distância (que hoje constituem 32% de seus arremessos, menos que os 36% do ano passado) por bolas de três (subiram de 28% para 35% esse ano) e se tornado mais seletivo de modo geral com os arremessos, trocando arremessos contestados por chutes com mais espaço (59% dos seus arremessos em 2017 era contestados, contra 51% em 2018).

Ainda tem pontos para Booker evoluir - seus arremessos no aro caíram em 2018, sua defesa ainda é fraca, e ainda depende demais das bolas de meia distância apesar da queda. Mas ele está jogando com mais vontade na defesa, sua capacidade como criador e passador continua melhorando, e o jogo parece que está vindo cada vez naturalmente para ele. Sinais encorajadores do jogador chave para o futuro dessa franquia.


Portland Trail Blazers

Alguém esperava o Blazers tendo uma grande defesa esse ano? Eu com certeza não, mas aqui estão eles com a segunda melhor defesa da temporada nesse começo de ano apesar do começo um pouco lento de Nurkic e ainda usar McCollum e Lillard como seus principais jogadores. Portland está cedendo 99,5 pontos por 100 posses de bola no ano. Isso é realmente muito bom.

Parte disso, já aviso, não vai se sustentar. Com a amostra pequena nessa altura do ano, muito da flutuação nessas estatísticas se da por coisas que o time tem pouco controle, como por exemplo quão bem o adversário vai arremessar suas bolas livres ou seus lances livres. Portland tem sido o terceiro time com mais "sorte" nas bolas de três pontos, por exemplo - uma hora essas bolas vão começar a cair por simples questão de variância, e a defesa vai cair de acordo (Blazers também enfrentou o calendário mais fácil da NBA inteira, vale citar).

Mas Portland está bem defensivamente também por outro motivo: está forçando os adversários a darem os arremessos que o Blazers quer. Ao invés de contestar todos os arremessos, Portland está focado em proteger o garrafão e se manter próximo dos arremessadores que estão atrás da linha dos três pontos, forçando os adversários a chutar daquela indesejável área de meia distância. Portland é o sétimo time que cede menos arremessos perto do aro, e NENHUM time é melhor evitando os arremessos de três pontos do que o Blazers. O time sabe exatamente o que quer fazer na defesa, qual o plano, e os jogadores estão executando como podem: recuar no pick and roll, não trazer ajuda de fora ou rotações longas, e forçar os adversários a vencer a partir do drible. É obviamente mais fácil fazer isso contra um calendário favorável, e essa defesa ainda deve ser testada contra adversários melhores, mas ter um plano bem definido e jogadores que sabem como executá-lo já é um bom começo.


Sacramento Kings

Nota: A exigência para essa coluna ser escrita foi de que não precisaria achar nada de positivo para falar sobre o Sacramento Kings. Agradecemos a compreensão.


San Antonio Spurs

Todo mundo continua esperando a volta de Kawhi Leonard - que enfim voltou a treinar em quadra! - para prestar mais atenção ao Spurs. E por causa disso a excelente temporada de LaMarcus Aldridge está passando despercebida, e injustamente.

Aldridge teve um começo difícil no Spurs e estava reconhecidamente infeliz ano passado em San Antonio, foi muito mal na pós-temporada, e parecia improvável que a parceria entre Aldridge e o Spurs continuasse por muito tempo. Mas Pop e Aldridge aproveitaram a offseason para lavar a roupa suja, e o Spurs deu ao seu ala de força um novo e caro contrato que chegou a levantar muitas sobrancelhas ao redor da liga.

Até aqui, parece ter sido o movimento certo, e Aldridge parece um jogador totalmente renovado. Parte disso ainda será testada, já que a ausência de Kawhi Leonard empurrou Aldridge de volta para ser o foco ofensivo da equipe (como ele queria), o que possivelmente não vai continuar quando Kawhi voltar de lesão. Mas nesses 21 jogos Aldridge vem tendo uma das melhores temporadas da carreira e parece cada centímetro daquele jogador que era tão cobiçado em Portland. Ele está abusando jogadores melhores no garrafão, e voltou a ter um maior percentual dos seus arremessos perto do aro. Seus arremessos continuam excelentes, mas agora Aldridge deu um passo a mais para trás e está arremessando mais bolas de três com um respeitável 36 3PT%. Está mais envolvido no ataque e respondendo isso com mais vontade, movimentação, melhores corta-luz, e simplesmente jogando no nível que San Antonio esperava desde o começo.

Junte tudo isso e Aldridge está arremessando mais bolas de três (e com melhor aproveitamento) do que nunca na carreira, batendo mais lances livres, tendo sua melhor marca de pontos por minuto (25 por 36 minutos), e defendendo em alto nível mais uma vez. E embora sua linha estatística estatística seja excelente - 23 pontos, 8 rebotes por jogo, com 52 FG%, 36 3PT%, 83 FT% - o maior testamento ao quão boa vem sendo sua temporada provavelmente é o quanto o Spurs depende dele. San Antonio, normalmente famoso por seus ótimos bancos e por não depender de um único jogador, simplesmente afunda quando Aldridge não está em quadra - nesses minutos o time é um -4.1 por 100 posses de Net Rating, mais do que o dobro do que o jogador mais próximo. Parte disso não vai se manter quando Kawhi voltar e retomarem a distribuição de arremessos, mas é muito encorajador para o Spurs a forma que Aldridge vem mostrando para começar essa temporada.


Toronto Raptors

Não é nenhuma novidade o Toronto Raptors ter um bom ataque na temporada regular da NBA. Eles tiveram o terceiro melhor ataque em 2015, o quinto em 2016, e sexto em 2017. Então Toronto ter o terceiro melhor ataque da liga até o momento não surpreende ninguém.

O problema do Raptors sempre foi que seu estilo ofensivo - baseado em cuidar bem das posses de bola para não cometer turnovers, arremessos de meia distância contestados, e muitos lances livres - chegava nos playoffs e simplesmente implodia: Toronto teve o segundo pior ataque dos playoffs em 2015, o terceiro pior em 2017, e o quinto pior em 2016. Nos playoffs, os lances livres não vem com tanta facilidade, os espaços para esses arremessos contestados de meia distância fica ainda menor, e fica muito difícil conseguir achar os mesmos pontos que na temporada regular sem conseguir aquelas bolas suculentas em transição, sem o espaçamento e pontos extras gerados pelas bolas de três pontos, e sem o tipo de criatividade e versatilidade que torna um ataque mais difícil de ser defendido.

Por esse motivo Toronto entrou em 2017/18 com o objetivo de mudar sua forma de jogar no ataque para que isso não se repetisse quando chegasse nos playoffs. E, até aqui, os primeiros resultados são positivos: estão jogando num ritmo mais rápido (de 22nd para 14th em pace) e arremessando muito mais bolas de três (37,7% de seus arremessos vem de trás da linha dos três pontos, contra 28% ano passado) esse ano. Estão rodando mais a bola (16th em passes por jogo depois de terminarem 27th ano passado) e buscando mais os passes para os companheiros livres

Isso ainda não está tão natural para o Raptors - Javert escreveu semana passada sobre como Toronto ainda está revertendo para seus velhos hábitos nos finais de jogos, o que levanta questionamentos sobre o quão sustentável isso será em uma situação mais difícil como pós temporada. Mas por enquanto é encorajador ver que Toronto está se esforçando para caminhar na direção de tentar algo novo e diferente, e os primeiros resultados tem sido positivos.


Utah Jazz

É sempre um erro querer avaliar jogadores jovens (em especial calouros) depois de apenas 20 jogos. Muitos grandes jogadores tiveram começos ruins, e jogadores ruins tiveram começos ótimos. Então leve tudo nesse sentido com um grão de sal. Mas olha, parece cada vez mais que o Jazz achou ouro em Donavan Mitchell nesse Draft.

Mitchell nem deveria ser do Jazz - a escolha #13 veio em uma troca com o Nuggets, que estupidamente trocou essa escolha por um ala de força mediano (Trey Lyles) e a escolha #24, na qual escolheram outro ala de força mediano (Tyler Lydon), sendo que ala de força já é a opção mais atulhada do time. As vezes você precisa dar sorte com essas coisas, e o Jazz deu com essa sequela maluca de Denver.

E Mitchell tem sido uma revelação. Seu tempo de jogo acabou aumentando com as lesões de Rodney Hood e Dante Exum perdendo a temporada, mas o ex-armador de Louisville correspondeu mais do que à altura. Até aqui são 15 pontos, 3 rebotes e 3 assistências por jogo com boa defesa e 35,6 3PT%, e os números são ainda melhores considerando os 11 jogos desde que Mitchell recuperou a titularidade no time: 18-4-4, 43,6 FG%, 39 3PT%, 78 FT%. Mitchell está mostrando ser capaz de fazer um pouco de tudo (e bem) em quadra, seja armar um pouco o jogo, seja buscar seus próprios pontos, arremessar de fora, ou usar sua explosão e habilidade atlética para atacar o aro. Mitchell defende em alto nível, está desenvolvendo um jogo ofensivo cada vez mais refinado, e desenvolvendo rapidamente. E cada vez mais está parecendo um dos grandes acertos desse Draft.

O calouro, claro, ainda tem chão. Sua seleção de arremessos pode ser questionável, e ficar focado demais em arremessar e esquecer de passar a bola. Ainda não está claro se Mitchell tem a visão e capacidade nos passes para ser um armador principal, ou se seu tamanho vai permitir que defenda jogadores da posição 2 com facilidade (pense nos tipos DeMar DeRozan). Mas ele é talentoso, muito atlético e explosivo, e está se desenvolvendo a uma velocidade impressionante. Sua defesa já é refinada, e sua capacidade de fazer arremessos difíceis também. Tem certas coisas que não se pode ensinar, e Mitchell mostra muita delas - e uma vontade singular em aprender as demais. Desse time de Utah, ele é quem tem mais chances de se tornar uma estrela algum dia (além, claro, de Rudy Gobert, que já o é), e talvez essa não seja uma aposta tão improvável assim.

Mitchell também precisa aprender melhor a respeitar as leis. Como por exemplo a lei da gravidade.





Washington Wizards

Como um time sem acesso a boas escolhas de Draft ou espaço salarial e que ainda não está no nível dos candidatos ao título, Washington é o tipo de franquia que para dar os próximos passos depende muito do desenvolvimento interno dos seus jogadores. Ao invés de achar novos grandes jogadores, precisa acertar nas margens essa contratação (e principalmente reforçar o banco) enquanto os bons jogadores que já estão lá dão novos passos rumo a se tornarem estrelas (ou próximo disso).

E por isso é tão importante a contínua evolução de Otto Porter para esse time. Depois do milionário contrato que recebeu na offseason algumas pessoas esperavam que Porter caísse um pouco de produção, mas na verdade o contrário aconteceu: com Markieff Morris machucado durante um bom tempo e as lesões que tem mantido John Wall fora das quadras, Washington precisou que Porter assumisse um maior papel na equipe, e o quinto-anista está aceitando a incumbência e correspondendo mais do que à altura.

Porter viu sua carga subir para novos níveis - seu USG% está em 18,3% e sua média de arremessos por jogo em 12,1, ambos as marcas mais altas da sua carreira - mas de alguma forma sua eficiência conseguiu aumentar ainda mais. Apesar do maior volume e de estar tentando arremessos cada vez mais difíceis, Porter está arremessando 52,1% de quadra e 47,5% de três pontos, as melhores marcas da carreira. E seja por necessidade ou evolução natural, o role player Porter agora está assumindo a responsabilidade e sendo o protagonista quando necessário, como fez na vitória sobre o Wolves na terça feira dia 28. Porter está mais confortável criando o próprio arremesso, não apenas finalizando o que era criado por outros (em geral Wall), e isso tem sido ingrediente crucial para manter o Wizards vivo com o tempo perdido pela sua estrela. Apenas Wall tem um Net Rating maior que Porter entre os jogadores de rotação do Wizards, e a defesa despenca quando Porter vai para o banco. Entre a evolução de Porter e a de Bradley Beal (mais confortável do que nunca armando o jogo e atacando a cesta) Washington está vendo a tão esperada evolução de seus jovens jogadores acontecendo.



quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Pensamentos sobre Kyrie Irving e Isaiah Thomas


Obrigado por tudo, Isaiah


Caso vocês morem em uma bolha, terça feira Cleveland Cavaliers e Boston Celtics ontem acertaram uma troca bombástica envolvendo Kyrie Irving, Isaiah Thomas, Jae Crowder, Ante Zizic e a escolha de 2018 desprotegida do Brooklyn Nets.

Eu ainda estou em choque demais para escrever um texto coerente, mas queria discutir rapidamente alguns pontos sobre a troca que acho que merecem destaque, ou então que não tem recebido o suficiente.

(Nota: Um número surpreendentemente alto de pessoas não entendeu o objetivo da coluna, então deixa eu deixar mais claro ainda. A ideia NÃO é analisar a troca, apenas passar por alguns pontos que a meu ver não receberam a atenção devida, ou que eu gostaria de expandir!)

- Lealdade

Toda vez que um jogador importante muda de time os torcedores trazem a questão da lealdade à tona. Gordon Hayward foi para Boston, e torcedores queimaram a sua camisa. Por algum motivo, as pessoas são muito, muito fanáticas quando se trata desse conceito esquisito.

E o problema é que, quando os papeis estão invertidos, os times são elogiados por deixar de lado o subjetivo e tomar as melhores decisões racionais, a melhor decisão "para a franquia". É uma questão de dois pesos, duas medidas, nas quais os jogadores sempre saem perdendo. Hayward é um traidor ingrato por ter saído do time que apostou e investiu nele em Utah. Mas quando Hayward virou free agent em 2014, o Jazz não ofereceu ao ala um contrato máximo - ao invés disso o Jazz deixou Hayward livre para negociar com outros times um contrato que Utah poderia igualar, na esperança de economizar. O Jazz fez o que era melhor para si próprio, no que estava certo, mas o mesmo fez Hayward quando foi para Boston. Um é elogiado, o outro tem sua camisa queimada.

E a troca de Isaiah é mais um exemplo do quão idiotas somos de ficar chorando sobre a falta de lealdade dos jogadores. Isaiah sempre foi um jogador menosprezado por causa do tamanho, e que enfim tinha encontrado seu lugar em Boston. Isaiah logo vestiu a camisa da franquia, assumiu a identidade da cidade, e se tornou um embaixador do Celtics. Esteve envolvido no recrutamento de Durant e Gordon Hayward, escreveu um texto para o Player Tribune sobre o quanto amava Boston e o quão bom era enfim ter achado um lugar onde era valorizado, jogou nos playoffs pelo Celtics em meio a uma situação extremamente emotiva da morte da sua irmã... e foi trocado dois meses depois do final da temporada.

Da próxima vez que for reclamar da falta de lealdade de um jogador, lembre-se de Isaiah Thomas.


- Subjetividade

Objetivamente, foi uma boa troca para Boston. O time ficou mais jovem, mais alto (mais nisso daqui a pouco), trouxe uma opção de mais alto potencial, e evitou o problema de pagar um contrato máximo a um PG de 5-9 de 29 anos vindo de uma cirurgia grave no quadril daqui a um ano. Você pode argumentar que o custo foi muito alto (e foi), e quanto à forma como o time maximizou seus ativos (hold that thought), mas foi uma troca que fez bastante sentido e tornou Boston um time melhor.

Isso do ponto de vista de basquete. Do pessoal? Eu confesso que estou muito triste. Isaiah não merecia isso depois de tudo que fez pela franquia, e do o time e a torcida significavam para ele. Boston perdeu seu jogador mais amado, e três jogadores (Isaiah, Crowder, e o anteriormente trocado Bradley) que constituíam boa parte da identidade da franquia. O time de 2018 pode ser melhor que antes, mas não tem mais o sentimento familiar daquele grupo de jogadores que você se apegou e viu crescer.

Talvez mude de ideia com o tempo, mas mais do que gostar ou não da troca, eu admito que hoje estou triste.


- LeBron James

Um dos pontos mais crítcos da temporada 2017/18 do Cleveland Cavaliers é a permanência ou não de LeBron James mais um ano. E embora seja impossível dizer, a impressão é que essa troca aumenta as chances de LeBron ficar em Cleveland pelo menos mais um ano - o que já seria uma grande vitória do Cavs.

Um dos pontos de preocupação de LeBron supostamente seria a saída de David Griffin, GM do Cavs. Mas o novo GM, Koby Altman, se saiu muito bem em uma situação extremamente difícil com Kyrie Irving, e agora pode ser um novo foco de estabilidade na franquia. E em um bom cenário, o Cavs pode estar adicionando um role player perfeito para LeBron (Crowder), um PG semelhante a Kyrie para substituí-lo (Isaiah) e AINDA tem a chance de adquirir uma nova estrela para seu futuro dependendo de onde a escolha do Nets cair.

Claro, ainda tem muita coisa que poderia dar errado para o Cavs (mais daqui a pouco). Mas em um cenário onde parecia cada vez mais provável uma saída do King James, uma boa troca dessas pode dar vida nova para Cleveland com o melhor jogador da sua história.


- Golden State Warriors

Deixando de lado a questão do futuro por um momento, e pensando apenas em 2018, eu acho que para o Cavs existe apenas uma pergunta que importa: como essa troca me ajuda a enfrentar o Golden State Warriors?

E a resposta me parece ter duas faces. Por um lado, Jae Crowder é exatamente o tipo de jogador que você quer ao seu lado (e ao lado de LeBron) se você vai enfrentar o Warriors. Apesar da inconsistência, Crowder é um ala capaz de defender três posições, trocar a marcação e espaçar a quadra com seus arremessos. É alguém que te ajuda a enfrentar a altura e versatilidade de Golden State, oferece uma opção para tentar defender Durant sem sobrecarregar LeBron, e pode fazer tudo isso ainda ajudando do lado ofensivo da quadra. No papel, é o jogador que você quer do seu lado.

Mas por outro lado, Isaiah no lugar de Kyrie é uma considerável piora. É possível argumentar que, se Isaiah estiver saudável e conseguir reproduzir seu nível de 2017 (ambas dúvidas razoáveis), a diferença entre os dois jogadores é pequena, se existir. Mas basquete não se joga no papel, se joga em um contexto, e no contexto de enfrentar Golden State ter Kyrie é uma grande vantagem sobre Isaiah por dois motivos.

O primeiro é que Irving é um pesadelo de matchup para a defesa de Golden State. A defesa do Warriors é uma das melhores da história do jogo, e sua principal força vem do quão bem a defesa trabalha em conjunto, trocando marcação, fechando espaços coletivamente, negando a formação da jogada adversária. É talvez o ápice do que uma defesa moderna de basquete deveria ser. No entanto, o jogo mano-a-mano de Irving é quase uma kriptonita para essa defesa, pois ela tira o coletivo da equação e coloca apenas um defensor individual no confronto, que Irving é capaz de fazer valer por conta da sua habilidade surreal de criar arremessos. Isaiah é um bom pontuador em isolação, mas não está no nível de Kyrie (em parte porque talvez ninguém na NBA está) nesse quesito, e essa é uma jogada que realmente precisa ser de outro nível de eficiência para fazer valer. Isaiah dificilmente seria capaz de reproduzir esse nível de produção no mano a mano, e com isso Cleveland perde uma arma de extrema importância e que, repito, Golden State simplesmente não consegue marcar durante alguns momentos.

E segundo pela questão defensiva. Tanto Irving como Isaiah são péssimos defensores, mas esconder o primeiro na defesa é muito mais fácil. Kyrie é um defensor até decente no mano a mano, e muito ruim defendendo fora da bola, se perdendo com facilidade, mas isso em geral é mais fácil de se esconder em um bom time em um bom esquema - para atacá-lo você precisa envolver ele na jogada, e envolver outros jogadores. Kyrie vai errar bastante, claro, mas é mais difícil atacar um jogador assim. Você vai atacá-lo dentro do seu ataque, mas não vai ser um alvo a ser atacado individualmente de novo e de novo.

Isaiah é diferente. Além dos problemas fora da bola (E em screens), a falta de altura de Isaiah faz dele praticamente um missmatch ambulante para o adversário atacar, especialmente um time com tantas armas como o Warriors. Ele pode ser atacado de várias maneiras simplesmente pela sua limitação física que um jogador mais atlético e alto como Kyrie, por pior defensor que seja, não sofre tanto. Isso obriga seu time a se desdobrar muito mais para escondê-lo defensivamente, e não precisa voltar muito no tempo para lembrar o quanto Boston sofreu com suas lineups e formações para escondê-lo contra times como Bulls e Wizards.

Em geral, claro, Isaiah compensa isso com seu ataque fabuloso. Mas dentro do contexto desse duelo, o ataque de Isaiah é uma piora para o Cavs, e sua defesa também, fazendo dele um jogador muito menos efetivo do que Kyrie seria contra o adversário mais importante do ano.

Entre a piora (relativa!) com Isaiah e a melhora com Crowder, como o Cavs fica no matchup é difícil dizer. Em geral, eu diria que o Cavs se torna um time mais estável e com melhor piso na hora de enfrentar Golden State, mas com um teto menor, e contra um time superior esse teto pode fazer mais falta.


- Altura

Querendo ou não, altura importa - e muito - no basquete. E um dos pontos chave que não tem sido levantado o suficiente quando discutindo o Celtics de 2017 e sua projeção para 2018 é como a altura dos jogadores impactou o coletivo do time.

Em especial, o fato de que Boston jogou 2017 com Isaiah Thomas (5-9, jogador mais baixo da NBA) e Avery Bradley (6-2, baixo para um SG) cobrou mais do time do que se imaginaria. Eu já falei sobre como é difícil esconder as limitações defensivas de Isaiah por causa do tamanho, mas esse foi um problema que acabou composto com as limitações de altura de Bradley: um dos melhores defensores mano a mano da NBA, a falta de altura limita não só sua capacidade de ajudar na defesa trocando a marcação e cobrindo os demais companheiros, mas o fato de que ele já tem que fazer isso enquanto cobre a defesa de Isaiah - que não pode ser movido ao redor do alinhamento adversário por causa da altura - limita muito o que Bradley pode contribuir do lado defensivo, e força o time inteiro a ter que compensar por isso.

Esse déficit de altura foi um dos problemas por trás da defesa do Celtics ano passado, e também dos rebotes. A série contra o Bulls quando Rondo estava saudável: Chicago atacava Isaiah individualmente na defesa e nos rebotes, isso gerava uma quebra coletiva para ajudar, e Chicago conseguia mais rebotes de ataque em cima de jogadores fora de posição ou cestas fáceis. E, acima de tudo, um dos fatores que motivou algumas das trocas de Boston, em especial a de Avery Bradley por Marcus Morris, que tinha um objetivo claro de cercar Isaiah (na época) com tamanho para que esse problema ficasse muito menos evidente, e mais fácil de ser coberto. A montagem atual do time teve o foco de aumentar seu tamanho mantendo a flexibilidade e mobilidade de jogadores menores, e é um aspecto subestimado da evolução do time entre 2017 e 2018 e da chegada de Kyrie. Apesar de perder dois dos seus principais defensores, a defesa do time para 2018 pode ter uma evolução devido a ter resolvido aquele que foi secretamente um dos seus principais problemas do ano passado.


- Custo de oportunidade

Eu acho que foi uma troca boa para Boston. O Celtics (corretamente) estava bastante receoso de pagar um contrato máximo ano que vem para um Isaiah Thomas de 29 anos após uma lesão séria no quadril, e Crowder era mais dispensável após as aquisições de Tatum e Morris. A troca por Kyrie da ao time um jogador de maior potencial, mais jovem, e cuja linha do tempo encaixa melhor com o resto desse ainda bem jovem elenco. Você pode argumentar que o preço foi muito alto por causa da escolha desprotegida do Nets, e sem dúvida foi - dado o mercado frio, eu não sei com quem Boston estava competindo por essa troca de forma que o preço tenha subido tanto assim. Mas tornou Boston um time melhor no curto prazo, e manteve a perspectiva ainda mais favorável no médio/longo prazo.

O que eu acho que é um motivo mais complicado, e que merecem mais críticas, foi a forma como o time lidou com seus (muitos) ativos na busca de uma troca. O que é irônico, já que a grande crítica ao Danny Ainge é que ele era apegado demais aos seus ativos na hora de acordar trocas. Mas se era a hora de trocar a escolha do Nets, não poderia ter dado a ela um uso melhor, quando jogadores como Jimmy Butler e Paul George foram trocados por retornos muito menores? Irving é um upgrade sobre Isaiah, mas trocando por esses jogadores você manteria Isaiah, Hayward, Horford e adicionaria mais uma estrela.

Para mim essa é a grande crítica à forma como Boston conduziu sua offseason, e uma bastante válida. É possível que isso tenha sido mais relacionado à avaliação pessoal dos jogadores em questão por parte de Ainge, que é alguém muito confiante em sua avaliação de talentos. Mas de todo modo, não me parece que todo o processo dos últimos meses extraiu o máximo dos ativos que Boston tinha (por sorte eram, e ainda são, muitos), e com a chance de refazer essa offseason, Boston possivelmente teria como sair ainda melhor. E, justo ou não, fica a sensação de que o time pagou caro demais agora depois de se arrepender dos acordos que perdeu mais cedo na offseason. 

Dito isso...


- Big picture

É possível criticar o preço pago por Kyrie Irving. É ainda mais válido criticar a forma como Boston lidou com seus ativos, como descrito acima, e o custo de oportunidade que a franquia incorreu ao usar sua escolha mais valiosa em Irving quando outros jogadores talvez melhores poderiam ter sido adquiridos pela mesma escolha, sem perder Isaiah.

Mas a questão que também não pode ser perdida de vista é a seguinte: nessa offseason, Boston trouxe duas estrelas legítimas, montando assim um trio de All Stars em Kyrie, Hayward e Horford, mantendo também junto um excelente promissor núcleo jovem (Smart, Jaylen Brown, Jayson Tatum) E com ainda mais uma escolha valiosíssima do Draft de 2018 nas mangas para adquirir outro jovem talento. O resultado, sem a menor dúvida, ainda é excelente: Boston saiu dessa offseason melhor no presente, e melhor posicionado para o futuro. Esse é um excelente resultado para qualquer offseason.

E parte do motivo pelo qual Ainge pode pagar a mais por Irving é porque os passo anteriores permitiram. Trocar a escolha #1 foi criticada, mas gerou uma escolha Top5 extra, que por sua vez permitiu trocar a escolha do Nets e adquiri uma estrela na posição de PG para o futuro. Perder Crowder não vai doer tanto por causa das aquisições de Brown, Morris e Hayward. Boston passou um bom tempo valorizando os ganhos marginais de cada negociação e cada troca justamente para chegar no ponto onde poderia fazer uma troca podendo pagar a mais sem grandes perdas, e foi o que aconteceu aqui.

Se Boston estava certo em usar essa abertura com Kyrie Irving e não com jogadores com Butler ou George é questionável, mas não muda o fato de que Boston se reconstruiu com uma rapidez única na história da NBA, se estabelecendo como legítima força no Leste, enquanto ainda se mantém muitíssimo bem preparado para o futuro. Na big picture, a trajetória de Boston não é nada além de um grande sucesso.


- Riscos

Desnecessário dizer, essa foi uma troca excelente para Cleveland. Em uma situação difícil com a demanda de troca de Kyrie, em um momento onde o mercado da offseason já estava se fechando e os times estavam com os elencos quase prontos - e com a free agency de LeBron como uma sombra por cima de tudo isso - o novo GM Koby Altman conseguiu uma proeza de primeira ordem. O retorno que conseguiram de Boston é de longe o melhor que conseguiriam no mercado a esse ponto, e atinge três pontos importantes: Conseguem um PG pontuador All Star (e 2nd Team All-NBA) para o lugar de Kyrie, bem como um role player de alto nível, para ajudar a repor sua perda e continuar sendo um forte candidato ao título no curto prazo; adicionaram um jovem talento (Ante Zizic, não esqueçam dele) que teria sido uma escolha de loteria se estivesse nesse draft e mais uma escolha de Draft bastante valiosa, como base para seu futuro; e ainda impressionaram LeBron com essa troca. Cleveland saiu MUITO bem.

Mas o que me incomoda é que toda troca tem prós e contras, ganhos e riscos... mas de modo geral ninguém está comentando dos riscos que essa troca envolve para o Cavs. Todo mundo está assumindo o melhor cenário e avaliando a troca de acordo, esquecendo os pontos que ainda podem agir contra Cleveland na troca.

O primeiro e mais significativo é a saúde de Isaiah Thomas. Isaiah está vindo de uma lesão séria no quadril, e seu jogo depende muito do físico e da sua capacidade de explosão e agilidade. Qualquer lesão que tenha consequências pode afetar bastante seu jogo daqui para frente, e supostamente a lesão foi um dos motivos que levou Boston a fazer essa troca. Pode ser que não seja nada sério, mas com um PG de 5-9 vindo de uma lesão dessas e a um ano de um contrato milionário, a margem para erro é bem menor.

Outro risco é a escolha de Draft do Nets. Embora seja ainda uma escolha bastante valiosa, ela também carrega algum risco. Em um Draft que é considerado muito forte no topo (top4-5) e com uma grande queda depois, o Nets talvez não seja tão ruim quanto em 2017, e quanto se espera. O time foi surpreendentemente competitivo ano passado quando Jeremy Lin esteve saudável, e Brooklyn conseguiu bons reforços que não só melhoram o nível de talento da equipe, mas que encaixam bem no esquema que o seu bom técnico (Kenny Atkinson) quer implementar. Ano passado, o Nets jogou com um estilo divertido e veloz que gerou uma tonelada de boas bolas de três pontos, só não tinha quem as acertasse. Agora com DeMarree Carroll (37% 3PT  nos últimos 3 anos), D'Angelo Russell (35%) e Allen Crabbe (41%) a bordo, essas bolas de três vão começar a cair mais, e isso pode tornar esse time razoavelmente perigoso. É um time reforçado, com um bom técnico, e mais importante um que não tem qualquer incentivo para tankar em meio a uma queda no nível geral da NBA e do Leste. O time ainda vai ser ruim, mas isso pode ser a diferença entre uma escolha #3 e uma #6, e nesse Draft essa é uma diferença enorme.

É claro que a troca ainda é ótima, e a melhor que o Cavs poderia conseguir. Conseguiram um All-Star, um bom role player, um jovem jogador com potencial e uma escolha valiosa. Existe um cenário possível onde o time consegue se reforçar contra GSW, vence um título, o time ganha a escolha #1 (de novo!) e LeBron decide ficar em Cleveland. Mais realista, também existe um cenário possível onde o time se mantém bom o suficiente para desafiar GSW de novo esse ano, sem grandes perdas no curto prazo, e mesmo com a saída de LeBron o time se reconstrói em torno de uma escolha Top5 (Bagley, Bamba, Doncic, Ayton ou Michael Porter) de Draft e mais talentos sob contrato.

Mas também existe um cenário onde as lesões de Isaiah prejudicam seu futuro e a temporada 2017 do Cavs, LeBron sai, e a escolha do Nets não rende um dos cinco grandes nomes desse Draft, deixando o time pior no curto prazo e sem uma grande fundação para uma reconstrução. É uma possibilidade real.

Ainda vale a pena? Sem a menor dúvida - a recompensa supera os riscos, e é um excelente retorno mesmo por um jogador do nível de Kyrie. Mas os riscos existem, e não podemos ignorá-los quando discutimos a troca.


- Técnicos importam

Trocas não acontecem no vácuo. Novos jogadores precisam ser incorporados a novos esquemas táticos, e novas funções. Trocas são feitas pensando não no que jogadores fizeram, mas no que farão no futuro para seus novos times, e isso passa sempre por um contexto e uma adaptação difícil de antecipar. Por exemplo, Isaiah Thomas foi melhor que Kyrie em 2017, mas fez isso em um esquema tático montado ao seu redor, tendo como objetivo maximizar suas forças, enquanto Kyrie era  segunda opção em um sistema montado ao redor de LeBron James. Em 2018, as funções serão opostas: Kyrie será o foco do ataque, enquanto Isaiah precisará se adaptar a um jogador que gosta de segura a bola. Como cada um será nesse contexto, e quem será melhor? Não sabemos, e isso faz com que analisar trocas seja uma ciência bastante inexata.

Essa adaptação é um trabalho difícil e que muitas vezes vai depender do técnico em questão, o que é uma coisa boa para Boston: o Celtics tem Brad Stevens, um dos melhores técnicos da NBA e um mestre estrategista. E, por acaso, o esquema ofensivo que ele implementa é perfeito para Kyrie Irving: a movimentação de bola e a presença de playmakers como Hayward e Horford vai tira de Irving a necessidade de jogar tanto como criador de jogadas (o que não faz tão bem), e as movimentações usadas para abrir espaços para Isaiah funcionariam ainda melhor para liberar Kyrie para pontuar. Ainda é incerto se Kyrie - alguém que gosta de segurar a bola, jogar em isolação, e que supostamente quer ser a estrela do time - vai aceitar ou conseguir se adaptar ao esquema mais coletivo e a jogar sem a bola como Boston requer, mas sem dúvida jogar com um técnico criativo e um elenco versátil ajuda as chances de sucesso.

Do outro lado, isso é algo que me preocupa um pouco em Cleveland. Isaiah atingiu seu potencial em Boston através de um esquema voltado para sua movimentação sem bola, corta luzes para abri caminho, e uma série de jogadas desenhadas como hand-off. Dificilmente terá a mesma liberdade e atenção do ataque em Cleveland, onde LeBron controla muito mais o jogo. Integrar Isaiah e sua movimentação fora da bola ao ataque que costuma ficar concentrado nas mãos de um jogador só será um desafio, especialmente por causa dos problemas defensivos que Isaiah causa do outro lado.

A troca, em geral, foi boa para ambos os times, mas com isso se refletirá na corrida pelo Leste em 2018 vai depender do quão bem e quão rápido os times conseguem incorporar suas novas aquisições na sua rotação. Tanto Isaiah como Kyrie são jogadores com forças e deficiências bastante específicas, que não são fáceis de se maximizar, especialmente com pouco tempo. E aqui a falta de um grande técnico pode pesar para o Cavs, e Boston pode colher mais um benefício de ter começado sua reconstrução com Brad Stevens.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Prêmios da Temporada 2016/17 da NBA - Parte I

Um resumo das redes sociais nas últimas semanas


Se você está chegando agora: sim, o Two-Minute Warning está de volta!!

E como prometido na coluna da semana passada, chegou a hora de falar de basquete. E bastante. A temporada terminou essa quarta feira, os playoffs começam sábado, e temos muito a tratar antes de atingirmos a parte realmente crítica da temporada da NBA.

Mas como de modo geral a primeira rodada dos playoffs é principalmente burocrática, com só algumas poucas séries realmente sendo divertidas e oferecendo potencial de surpresas, tem algo mais urgente para falarmos: os prêmios da temporada.

Eu não lembro de uma temporada mais polarizadora nesse sentido, liderada por uma discussão para MVP que atingiu proporções que eu não lembro de ter visto antes na minha vida. Para onde quer que você vire, as pessoas estão falando a respeito da corrida pelo prêmio, e atrasando em uns 20 anos a parte analítica do basquete no processo: alguns estão buscando se aprofundar cada vez mais nas análises, nas comparações, e tentando atingir um critério cada vez mais racional para separar os candidatos... enquanto que a grande maioria só está preocupada em gritar mais alto e usar parâmetros arbitrários para discutir.

Então como alguém que sempre tenta trazer essa visão mais analítica e crítica, eu não poderia deixar de passar a chance de dar minhas opiniões e trazer minhas visões para a mesa. Além disso, eu gosto de discutir esses prêmios individuais, e a chance que eles nos oferecem para discutir pontos específicos e interessantes da temporada.

E essa na verdade é uma coluna gigante que foi separada em três partes. Essa é a Parte I, que trata dos prêmios individuais da temporada: MVP, Defensive Player of the Year, Rookie of the Year, Coach of the Year, 6th Man of the Year, e Most Improved Player.

A Parte II e a Parte III virão semana que vem, com meus palpites para os times da temporada (All NBA, All Rookie, All Defense) na Parte II, e os Prêmios Alternativos na Parte III.

Parte I: Prêmios individuais da temporada
Parte II: Times ideais da temporada
Parte III: Prêmios alternativos

Vamos ao que importa.


Most Improved Player



Então vamos começar pelo prêmio que eu mais detesto: Most Improved Player, ou o jogador que mais evoluiu na temporada.

O principal motivo para eu detestar esse prêmio é que, embora todos os prêmios da NBA carreguem consigo um bom nível de subjetividades e tenham critérios muito pouco definidos, esse prêmio é de longe o que existe as piores interpretações. O prêmio é para o jogador que "Mais evoluiu", o que indicaria um jogador que fez grandes evoluções no seu jogo e atingiu um nível novo do que o esperado. Mas na grande maioria do tempo, esse prêmio é dado para algum jogador talentoso que por algum motivo viu um aumento de minutos e/ou de papel e viu seus números aumentarem... mesmo que isso tenha acontecido com o jogador fazendo exatamente o que sempre fez antes. Não acredita? Olhe os números abaixo:

A: 17.2 PPG, 9.0 RPG, 1.3 APG, 1.0 BPG, 43.0 FG%, 39.3 3PT%, 21.2 PER
B: 18.0 PPG, 8.3 RPG, 1.0 APG, 0.5 BPG, 43.3 FG%, 39.3 3PT%, 18.1 PER

Esses são os números por 36 minutos de Ryan Anderson nas temporadas 2011 e 2012 da NBA. Anderson venceu o prêmio de MIP em 2012 com números de produção virtualmente idênticos aos da temporada anterior. Então o que aconteceu? Mudanças no elenco do Orlando Magic resultaram em um aumento de minutos para Anderson, que passou de 22 minutos por jogo para 33 minutos por jogo em 2012. Esse aumento em minutos levou a um aumento proporcional na produção bruta de Anderson, e foi isso que os votantes viram e acabaram por elegê-lo o jogador que mais evoluiu de 2012... embora Anderson fosse basicamente o mesmo jogador de um ano antes, fazendo as mesmas coisas, mas só com mais minutos. Para mim isso não é evoluir. Anderson merece crédito por manter a produtividade com uma maior carga, sem dúvida, mas não houve realmente uma mudança no jogador que ele era.

Dito isso, a verdade é que temos bons candidatos a esse prêmio na temporada 2016/17 quando focamos em jogadores realmente mudando seus jogos. E de uma variedade bastante impressionante: temos veteranos que adicionaram algo ao seu repertório para tornar seus times mais eficientes (como Marc Gasol, que se tornou um letal arremessador de 3 pontos da noite para o dia); temos jovens jogadores finalmente colocando seus talentos no lugar e atingindo um novo nível de jogo (como Otto Porter e Bradley Beal); e até veteranos dando passos lentos na direção de um nível maior (Gordon Hayward).

Mas passando por todos os candidatos, esse prêmio para mim ficou entre 5 jogadores, que já é um número muito maior do que o normal, e uma mudança muito bem vinda.

Entre os cinco, talvez o caso mais interessante seja o de James Johnson. Um veterano de menor expressão, Johnson passou sete anos na NBA vagando de time em time, sem nunca achar seu lugar ou seu nicho dentro da NBA. Até que em 2017, no seu quinto time e oitavo ano de NBA, Johnson perdeu 18 quilos e se reinventou como um point-center, capaz de jogar em cinco posições, tapar todo tipo de buraco, e marcar todos tipos de jogadores. Sua versatilidade e energia se tornou uma parte chave de um surpreendente time do Miami Heat, alguém que funciona como um canivete suíço que permite a Miami usar todo tipo de formação e maximizar seu talento. Johnson só não está mais alto na minha lista por um motivo: foi menos uma questão de Johnson desenvolver habilidades novas, e mais de achar um time e um papel que maximizasse as habilidades que ele já possuía. Ainda assim, existe valor e dificuldade de sobra nesse tipo de transformação que JJ fez, e a forma como adaptou-se a essa função precisa ser reconhecida.

(Em tempo: a emergência de Johnson como uma das personalidades mais divertidas da NBA - um faixa preta em kickboxing, lutador invicto de MMA (7-0) e kickboxer (18-0) que enterra na cabeça de todo mundo, da passes insanos ( no bom e no mau sentido) o tempo todo e joga em sexta marcha o jogo inteiro não afetou nesse ranking).

Harrison Barnes é outro exemplo bom, um jogador que veio para a NBA e cresceu em meio a um esquema extremamente favorável, sendo sempre a terceira ou quarta opção de um time que prezava pelo espaçamento e movimentação de bola, e que de repente recebeu uma bolada na free agency para ser o foco de um time muito menos talentoso. Embora uma parte seja a questão de um jogador com um papel menor vendo seus números aumentarem em uma nova situação, a adaptação de Barnes em Dallas foi muito maior do que apenas isso, mostrando grande evolução com pontuador em isolações e com a bola nas mãos de modo geral - e, mais importante, se adaptou de forma impressionante a um novo papel como small ball PF, jogando sem a bola e marcando jogadores maiores em tempo quase integral. Pouca gente apostou nisso, mas Barnes está valendo cada centavo do contrato que recebeu.

Um candidato mais falado e cotado ao prêmio é Nikola Jokic, o fantástico pivô passador de Denver. Esse, na verdade, é um candidato que eu não gosto tanto quanto outros: É o caso onde me parece mais Jokic recebendo uma atribuição maior e um esquema mais focado nas suas habilidades já existentes. Mas ainda assim, a forma como Jokic cresceu e expandiu seu jogo dentro do que já fazia esse ano foi espetacular, e cada passe sem olhar nas costas da defesa foi um dos pontos altos da temporada. Mesmo que as habilidades sejam as mesmas, o nível delas sendo posto em prática é muito maior, e fazer isso mantendo a eficiência merece sua indicação ao prêmio.

Já um nome muito menos falado, mas mais merecedor, é Rudy Gobert. Gobert sempre foi conhecido por sua fantástica defesa, graças à sua enorme envergadura, mas seu desafio sempre foi conseguir fazer o suficiente no resto do jogo para justificar os minutos e o espaço em quadra. E foi o que fez essa temporada: Gobert sempre foi um jogador feroz e atlético cortando para a cesta, mas parece muito mais confortável do que nunca nessa função. O francês desenvolveu uma série de movimentos para se reposicionar ou melhorar o timing dos arremessos quando recebe a bola, e está muito mais inteligente na hora de saber quando fazer um corte mais curto, e quando cortar com força para receber um lobby. Sua média subiu para 14 pontos por jogo, de longe a maior marca da carreira, e está arremessando 66.6%. E como se não fosse suficiente, Gobert está ainda melhor defensivamente essa temporada... mas falamos disso daqui a pouco. Como o forte de Gobert sempre será sua defesa, acabamos notando menos as evoluções que fez no resto do seu jogo, mas essa evolução foi o que transformou Gobert de um ótimo defensor em um dos melhores - talvez O melhor - pivô da NBA. Aliás, vale citar que Gobert é #2 na NBA INTEIRA em Win Shares. Isso me parece significante.

Mas eu não consigo não dar esse prêmio para Giannis Antetokounmpo. Apesar da pouca idade de Giannis, o salto de "bom jogador" para "estrela" é o mais difícil de fazer, e é exatamente o que ele fez: Giannis está dominando jogos rotineiramente, e mais do que nunca o grego capitalizou na sua versatilidade pra se tornar o unicórnio mais versátil e dominante da NBA. E não só ofensivamente, onde Giannis agora rotineiramente tem jogos de 25 pontos e funciona quase como armador, mas principalmente sua enorme evolução defensiva foi o que destravou uma nova dimensão para todo o time do Bucks: Antetokounmpo tem média de 1.9 tocos e 1.7 roubos por jogo, mas mais importante, Giannis é o QUINTO melhor jogador da NBA protegendo o aro, segurando oponentes a 46.3 FG% perto do aro. O grego se tornou essa temporada o primeiro da história a ficar entre os 20 melhores jogadores da temporada em pontos, rebotes, assistências, roubos E tocos. Isso é surreal.

Quantos jogadores são capazes de funcionar como protetor de aro na defesa E armador principal no ataque? Sua capacidade de fazer qualquer função ofensiva E defensiva fazem dele um legítimo coringa, capaz de destravar qualquer lineup para Milwaukee e funcionando como um missmatch ambulante dos dois lados da quadra. E não é como se o valor de Giannis viesse só de sua versatilidade: ele é um dos pontuadores mais dominantes da NBA, com média de 23 ppg em 52.2 FG%, além de 5.4 de assistências por jogo. E acima de qualquer outra, a evolução absurda de Giannis em 2017 como um dos 12 melhores jogadores da NBA é a que mais pode afetar o balanço de poder da liga nos próximos anos.

(Minhas mais sinceras desculpas a Isaiah Thomas, que eu decidi por não incluir na votação simplesmente porque não acho que ele esteja fazendo nada de muito diferente do de sempre, exceto a parte de acertar sempre. Um dos momentos mais difíceis da coluna)

Ballot final: 1. Giannis Antetokounmpo; 2. Rudy Gobert; 3. Harrison Barnes; 4. Nikola Jokic; 5. James Johnson.


Coach of the Year





Para quem não conhece, a minha postura sobre esse prêmio é a seguinte: Greg Popovich é o melhor técnico da (história da) NBA e deveria ganhar esse prêmio todo ano. Simples assim. Então, por esse motivo, eu NÃO coloco Popovich no meu ballot anual, para dar mais debate e graça para o prêmio. Ele é o vencedor honorário, e esse ano não é diferente: o que fez para remontar seu time sem Duncan, transformando o elenco e o banco, transformando David Lee em um bom defensor, e mantendo seu time como o segundo melhor da NBA foi digno das lendas... e é só mais um dia no escritório para Popovich.

Então isso posto, a disputa desse ano de CoY me parece estar aberta entre dois nomes: Eric Spolestra e Mike D'Anthony.

Se for para dar um palpite, eu acho que D'Anthony vai ganhar. Ele é a história "sexy" do ano, o técnico rejeitado que foi piada ao redor de toda a NBA quando foi contratado e levou o desacreditado Rockets a um terceiro lugar no fortíssimo Oeste, bem como o segundo melhor ataque da liga. Esse é o tipo de coisa que acabamos esquecendo ao longo de uma temporada bem sucedida, mas a offseason do Rockets foi ridicularizada ao redor da NBA: a projeção de Vegas para o time era de vencer 41 jogos, e todo mundo deu risada do absurdo que parecia na época juntar Mike D'Anthony com James Harden e seus vines defensivos, mais as contratações de Eric Gordon e Ryan Anderson. A defesa desse time, a narrativa dizia, seria uma piada que impediria o time de ser competitivo.

Engraçado como as coisas mudam, não é mesmo? Hoje em dia todo mundo fala do ótimo encaixe que foi Harden e suas habilidades sobrenaturais de criação com o esquema aberto e veloz de D'Anthony, sobre o "ótimo" elenco de apoio do Rockets, e por ai vai... sendo que foram as mesmas coisas que todo mundo criticou seis meses atrás.

E D'Anthony tem bastante mérito nessa mudança. Seu Rockets sem nenhum All-Star ao redor de James Harden ainda não tem uma boa defesa, só 17th na NBA, mas sem dúvida já é muito melhor do que esperavam, e mais do que suficiente para se vencer se associado a um ataque devastador... o que o Rockets tem de sobra. Tirando apenas a Máquina da Morte que é o ataque de Golden State (surreais 113.3 pontos por 100 posses de bola), Houston tem o melhor ataque da NBA (111.7) e terminará a temporada com a terceira melhor campanha da liga. E isso aconteceu principalmente porque cada uma das peças falhadas que compunham esse elenco foram colocadas no lugar certo, na hora certa, para fazer o time como um todo funcionar. E, talvez ainda mais importante, seu gênio ofensivo foi exatamente o que o time precisava para enfim liberar todo o enorme potencial de James Harden, alguém que não só é um gênio em termos individuais como é alguém que torna todos os seus companheiros melhores em quadra. Existe um equilíbrio difícil entre maximizar o jogador e maximizar o elenco, mas o Rockets encontrou muito bem esse balanço em 2017, e D'Anthony merece os créditos.

Mas com todo o respeito ao ótimo trabalho de D'Anthony, o meu voto vai para Spolestra porque eu acho que o que ele fez em Miami é o mais "puro" que se pode chegar que coloca em evidência o trabalho de um grande técnico. Não existe um sistema, não existe uma estrela: Spolestra simplesmente pegou um elenco muito fraco, com peças muito díspares e que não apresentavam nenhum tipo de coesão, e fez um trabalho absolutamente fantástico em montar uma forma de jogar que encaixa todas essas peças no lugar certo, colocando cada jogador em posição de maximizar suas forças e minimizar suas fraquezas, e montou esse complicadíssimo quebra cabeça em um time coeso e eficiente que está buscando uma das maiores reviravoltas dentro de uma mesma temporada que eu lembro de ter visto.

Mesmo depois de perder Justise Winslow, as coisas encaixaram em Miami: Dragic voltou a jogar em nível All-NBA, Dion Waiters pareceu uma estrela as vezes, James Johnson (que ainda não apareceu pela última vez nessa coluna) e Wayne Ellington estão jogando o melhor nível de basquete da vida, Tyler Johnson de repente não tem um contrato tão absurdo assim... existe simplesmente um número enorme de coisas dando certo para Miami, onde deveriam estar dando errado. O time pode não chegar aos playoffs por conta de um começo ruim e da lesão de Waiters, mas é muito raro ver um time com tão pouco talento jogando tão bem e colocando tanto medo no resto da NBA dessa maneira, um testamento ao trabalho de um dos melhores e mais subestimados técnicos da NBA.

Também queria deixar uma menção honrosa para Scott Brooks, muito criticado em Oklahoma City mas que deu vida nova a John Wall e o Wizards fazendo o que faz de melhor: desenvolver jogadores. Bradley Beal está jogando melhor do que nunca e merecia consideração séria para ser um All-Star, Otto Porter enfim se desenvolveu em um jogador completo e com um dos arremessadores mais certeiros da NBA de bônus, Kelly Oubre virou um jogador muito versátil e valioso... e claro, John Wall saltou um nível e estaria na conversa para MVP se essa temporada não tivesse quatro aliens disputando. E quando você pensa a respeito, para um time sem grandes ativos ou espaço salarial, a forma de evoluir é através da evolução dos talentos jovens que já estão no elenco. Foi o que aconteceu com Washington, e embora parte possa ser só o efeito de substituir um técnico péssimo, Scott Brooks merece mutos créditos pela ótima temporada do Wizards.

Ballot final: 1. Eric Spolestra; 2. Mike D'Anthony; 3. Scott Brooks; 4. Brad Stevens; 5. Quin Snyder.
Coach of the Year Emérito: Greg Popovich.


6th Man of the Year





Outro prêmio que eu não gosto por causa do critério utilizado pelos votantes. Em geral, esse prêmio é dado para aquele jogador que vem do banco e anota o maior número de pontos, como ilustrado pelo fato do Jamal Crawford ter vencido esse prêmio três vezes. Eu acho um critério muito pobre: claro que existe valor em alguém para pontuar vindo do banco quando seus titulares estão descansando, mas existe muito mais coisas que um 6th Man pode fazer e que acabam esquecidas por quem vota nesse prêmio. Existe muito valor em ter, por exemplo, um sexto homem capaz de jogar em mais de uma posição e mais de um estilo de jogo, porque isso oferece bastante flexibilidade sobre com quem ele vai jogar, e permite mais opções ao técnico. Sua capacidade de encaixar com os titulares para gerar lineups ainda melhores, ao invés de só jogar com os reservas. Ou talvez ele tenha alguma qualidade específica que seja crucial para destravar alguma característica que o time precisa, como por exemplo James Johnson (três vezes!) esse ano com sua capacidade de jogar quase de armador no ataque e de pivô na defesa.

Para mim, pessoalmente, é isso que faz os melhores sextos homens da NBA: jogadores cuja sua função vinda do banco não é apenas manter o time flutuando sem os titulares, mas transforma a própria forma do time jogar, funcionando como um sexto titular de fato, alguém integral à identidade e ao sistema da própria equipe. Mas jogadores assim são raros, e a exceção à regra. A grande maioria dos bons reservas são reservas por um motivo. Mesmo com times ficando cada vez mais inteligentes e atento ao encaixe entre seus jogadores, o que deixa mais bons jogadores vindo do banco, ainda não é comum ver aqueles reservas tipo Manu Ginobili que estão no banco porque sua presença lá abre uma nova dimensão inteiramente diferente para a equipe.

Mas também é por esse motivo que meu voto vai para Andre Iguodala. Iggy não seria titular no Warriors de qualquer maneira por causa da presença de Kevin Durant, mas de certa forma, ele é a personificação de tudo que faz do Warriors tão bom: sua capacidade de jogar múltiplas posições , que permite qualquer tipo de lineup; sua versatilidade defensiva e capacidade de trocar marcações, núcleo da defesa #2 do Warriors; seu altíssimo QI de basquete e habilidade de passar a bola tomando boas decisões; e o fato de ser um jogador extremamente coletivo e que não liga a mínima para estatísticas. Sua presença em quadra destrava a possibilidade do Warriors jogar qualquer estilo e com qualquer formação, e muitas vezes é a entrada de Iggy que injeta a energia e vontade que as vezes falta a Golden State.

E em particular foi sua atuação após a lesão de Durant que garantiu esse prêmio para mim. Não só Iggy não entrou na formação titular do time - o que seria o movimento óbvio - como foi quando Iguodala elevou seu jogo um novo nível, retomou o auge da sua intensidade defensiva, e foi um monstro fazendo tudo o que o Warriors precisava, quando precisava, e assumindo os bastidores quando não era mais necessário. Iggy é peça crucial da identidade e do estilo de jogo do melhor time da NBA, e isso vale alguma coisa para mim. Embora não atrapalhe que Iguodala lidere todos os candidatos ao prêmio em Win Shares, com 6.9.

Aliás, junto dos meus votos a esse prêmio deixo minhas melhores desculpas aos reservas do Spurs, que infelizmente ficaram de fora do Top5. O banco de San Antonio é o melhor da NBA e chave para seu sucesso, mas é difícil demais escolher um jogador mais importante em meio a um grupo cujo sucesso depende da coletividade. Então entre David Lee, Dewayne Dedmon, Manu e Patty Mills, eu simplesmente não achei que um deles deveria entrar acima de outros candidatos ao prêmio, mas fica o registro da força desse coletivo.

Por fim, minha decisão final ficou entre 5 jogadores para as últimas 4 vagas: Tyler Johnson (14-4-3, 37 3PT% para Miami), James Johnson (já citado), Enes Kanter (14-7, 57 FG% e um papel crucial em OKC mesmo jogando um pouco fora do seu estilo), Greg Monroe (mais daqui a pouco) e Lou Williams (18-3-2). Eu acabei deixando Lou Will de fora por dois motivos simples: seus números são ótimos, mas isso foi principalmente como foco do ataque de um time péssimo (Lakers) - ao contrário dos outros, que tiveram que fazer sua contribuição de forma muito mais balanceada para times que dependiam disso para brigar por playoffs - bem como sua queda de produção desde a troca para Houston. Não foi uma decisão fácil.

Queria também aproveitar para destacar Greg Monroe pela reviravolta que foi sua temporada, mudando totalmente sua performance defensiva para se tornar um jogador mais balanceado e fundamental para a temporada do Bucks. Seus passes são ótimos, sua defesa melhorou muito, ele ainda é alguém capaz de cavar alguns pontos quando o ataque fica estagnado, e não é a toa que as melhores lineups do Bucks esse ano tem Monroe envolvido.

Com minhas melhores desculpas a Williams, Zach Randolph, Eric Gordon, Kelly Oubre e o banco inteiro do Spurs.

Ballot final: 1. Andre Iguodala; 2. Greg Monroe; 3. James Johnson; 4. Tyler Johnson; 5. Enes Kanter.


Rookie of the Year




Esse não foi um bom ano para os calouros da classe 2016 da NBA. Na verdade, em termos de produção imediata, foi a pior produção de uma classe de calouros desde a 2000, amplamente considerada uma das piores (talvez A pior) classe de Draft da história da NBA. Isso não quer dizer, é claro, que a classe seja ruim, não tenha futuro, ou esteja fadada ao fracasso. Um ano é pouquíssimo para julgar algo assim, e muito ainda vai acontecer daqui para frente. É sempre importante lembrar de ter paciência. Não vamos poder realmente julgar o que essa classe de calouros foi até daqui a pelo menos três anos.

Isso posto, HOLY CRAP, esse primeiro ano foi péssimo. A primeira escolha do Draft, Ben Simmons, não jogou um minuto sequer e perdeu a temporada com uma lesão no pé, em meio a mais um show de incompetência dos médicos e da nova diretoria da Philadelphia. Brandon Ingram, a #2, tinha literalmente o pior WS da NBA inteira até semana passada. Dragan Bender, #4, teve média de 13 minutos por jogo antes de perder o resto da temporada com uma lesão no pé. O #5, Kris Dunn, um calouro de 23 anos, teve média de 3.7 pontos por jogo, arremessando 37.7% de quadra e 29.6% de 3PTs. Você entendeu a ideia.

O melhor calouro dessa classe em 2016 foi, adequadamente, Malcolm Brogdon, uma escolha de segunda rodada (#36 geral). Brogdon já tem 24 anos, então seu potencial não é muito grande, mas o que ele já tem no momento é mais do que suficiente para fazer dele um bom jogador de NBA. O jogo de Brogdon não é chamativo ou particularmente explosivo - embora suas belas cravadas sobre LeBron e Kyrie não tenham sido nada más - mas ele é extremamente valioso por causa de duas coisas: ele faz tudo bem, e ele não faz nada mal.

Parece besteira, mas no basquete de hoje isso é mais valioso do que se pensa: ofensiva e defensivamente, o foco dos times é atacar qualquer fraqueza ou ponto vulnerável do adversário, e jogadores que não oferecem isso são extremamente valiosos na NBA moderna. Essa capacidade de fazer tudo também permite a Brogdon jogar em várias posições e em qualquer função: armar o time, jogar sem a bola quando Giannis está de armador, defender armadores, defender alas, espaçar a quadra... Brogdon faz tudo, e seu altíssimo QI de basquete faz com que ele sempre tome a decisão certa na hora certa. É o tipo de jogador que faz o time melhor, e todo mundo precisa na NBA moderna. Alguém capaz de armar o jogo até certo ponto, chutar 40% de três, defender em alto nível e não ter nenhum defeito no seu jogo é muito valioso, e é o que faz Brogdon liderar a NBA com folga entre calouros em Win Shares (4.1).

Mas essa falta de bons jogadores da classe de 2016 acabou sendo ao mesmo tempo aumentada e ofuscada por causa de dois calouros que não eram desse Draft: Joel Embiid e Dario Saric, ambos escolhidos em 2014 por Sam Hinkie e que só foram estrear na NBA esse ano.

Acho que antes de mais nada podemos concordar que Joel Embiid foi DE LONGE o melhor jogador dessa classe de calouros quando esteve em quadra. Esqueça calouro: Embiid foi um dos melhores JOGADORES da NBA em um nível por-minutos, com médias de 29-11-3 e 3.5 tocos por 36 minutos. Além de ser um monstro ofensivamente, uma combinação de atleticismo explosivo, habilidade para finalizar, ótimo domínio de bola e alcance de 25-ft, Embiid também foi um dos defensores mais dominantes da temporada, liderando toda a NBA em proteção de aro - adversários chutaram 41% perto do aro contra Embiid, 2.5 pontos melhor que o segundo lugar - e transformando o Sixers na MELHOR defesa da NBA nos minutos que esteve em quadra: o time teve 99.1 de  Defensive Rating com Embiid em quadra. San Antonio lidera a NBA com 100.9. O Sixers alias teve +3.2 de saldo por 100 posses de bola com Embiid em quadra, equivalente à 7th melhor marca de toda a NBA.

Então Embiid como jogador esteve em outra estratosfera em relação ao resto da NBA, e se ficar saudável, será um dos jogadores mais dominantes da liga e que pode mudar o jogo. Mas não é o caso ainda: Embiid jogou apenas 31 jogos, com minutos restritos em todos eles, totalizando 768 minutos em quadra apenas. Eu não consigo dar o prêmio para alguém que jogou tão pouco... mas ao mesmo tempo não consigo deixar Embiid abaixo de ninguém na minha lista, porque ninguém chega nem perto dele (nas palavras do grande Tim Bontemps, "Ou Embiid não é elegível, ou o prêmio é dele"). Então optei por deixar o camaronês de fora do meu ballot e dar para ele o prêmio de ROY Moral de 2017. Me processem.

O outro calouro de 2014 desse ano foi Dario Saric, um dos jogadores que eu mais gostei de assistir na reta final dessa temporada. O croata é um ala de 2 metros e 8 que tem um ritmo próprio, pode jogar de armador, e da alguns dos passes mais legais da NBA. Saric começou o ano devagar e teve seus altos e baixos, não sendo dos jogadores mais consistentes e sofrendo um pouco com sua adaptação à NBA, mas desde que Embiid machucou e Saric recebeu as chaves do carro, o croata tem mostrado todo seu repertório e produzido em altíssimo nível: entre 08/02 e 24/03, Saric teve média de 20 pontos, 8 rebotes, 3.5 assistências e arremessou 48% de quadra e 33% de 3PTs em 21 jogos. Esses pontos são arbitrários na temporada, claro, mas mostram um pouco do potencial enorme de Saric. Jogadores com sua combinação de altura, passe, arremesso e QI de basquete são raros - e valiosos.

Então a decisão final acabou sendo entre Saric e Brogdon. Ao longo da temporada, os números dos dois não chamam tanto a atenção: 10-3-4 com 46-40-86 arremessando para Brogdon; 13-2-6 com 41-31-78 para Saric. Saric produziu mais, mas Brogdon foi mais eficiente e é um defensor melhor. Brogdon foi mais consistente ao longo do ano, mas por outro lado não teve um período de dominância como Saric teve naqueles 21 jogos.

No final, a decisão se resumiu ao seguinte: eu acredito que Saric tem um potencial maior, consegue atingir um nível maior, e é o que 90% dos times escolheriam o croata se pudessem escolher um dos dois para seu futuro... mas fazer o que Brogdon fez em um time que briga pelos playoffs e foi dado como morto em diferentes momentos da temporada com as lesões de Middleton e Jabari Parker é especial. Brogdon encaixou de forma muito impressionante nesse time, e sua capacidade de fazer um pouco de tudo e se adaptar a qualquer função foi um fator fundamental para consolidar um elenco talentoso, mas com partes que não se encaixam da forma mais limpa dentro de quadra. Ele pode espaçar a quadra, lidar com a bola, defender... e mais importante, ele pode fazer cada uma dessas coisas quando o time mais precisa de cada uma delas. Fazer o que Brogdon fez em um time que briga por playoffs, se adaptar e tirar ao máximo de suas oportunidades, e mais importante ainda, ser parte fundamental desse crescimento e desse sucesso, é o que fez dele meu calouro do ano.

Ballot final: 1. Malcolm Brogdon; 2. Dario Saric; 3. Jaylen Brown; 4. Jamal Murray; 5. Buddy Hield.
Rookie of the Year Moral: Joel Embiid.


Defensive Player of the Year




Não vou mentir: eu tive Rudy Gobert como meu voto nesse prêmio durante a maior parte do ano. Em um momento onde a NBA está valorizando (e sabendo como medir) cada vez mais proteção de aro, Gobert reina supremo como o rei desse quesito, de longe o melhor protetor de aro da NBA. Com suas gigantescas proporções, surpreendente agilidade e ótimo posicionamento, Gobert contesta mais arremessos perto do aro do que qualquer outro jogador da liga (10.3 por jogo) e segura os adversários a 43,3% nesses arremessos, a segunda maior marca da liga entre jogadores qualificados - e isso sem contar os incontáveis arremessos que Gobert altera antes mesmo de chegarem no garrafão, de jogadores que não querem ter que enfrentar o francês e seus braços gigantes.

Mas duas coisas colocaram Gobert um nível acima defensivamente esse ano, o centro de uma das melhores defesas da NBA. O primeiro foi sua evolução defendendo lances mais longe do aro - sua especialidade - em especial pick and rolls. Com sua agilidade e envergadura, Gobert é capaz de marcar o pick and roll cobrindo os dois jogadores envolvidos, com o ballhandler sabendo que se atacar a cesta vai ter que lidar com os braços gigantes do francês, e ao mesmo tempo usando essa envergadura para cobrir uma linha de passe para o pivô que corre para a cesta. Em outras palavras, Gobert consegue defender o pick and roll praticamente sozinho, sem precisar de ajuda, o que faz dele imensamente valioso em uma liga que vive praticamente dessas duas coisas para iniciar seus ataques: atacar a cesta, e pick and roll.

A segunda coisa é o que foi dito na parte sobre MIP: Gobert melhorou muito seu jogo em outras áreas além da defesa, se tornando especialmente um sólido jogador ofensivo. Isso pode parecer que não influencia no prêmio de melhor defensor, mas indiretamente, existe um efeito: como Gobert faz mais coisas e não tem mais alguns problemas, o técnico pode usá-lo mais tempo em quadra e especialmente em situações de fim de jogo, o que significa mais minutos, mais responsabilidades, e mais oportunidades para Gobert colocar sua defesa em uso - e por sua vez, mais impacto defensivo total (recomendo fortemente esse vídeo do ótimo Mike Prada para quem quer um exemplo visual do que eu falei sobre Gobert).

Mas na reta final da temporada, nos últimos 20 jogos, o jogador que estava logo atrás de Gobert durante todo o ano na minha lista de defensores assumiu o primeiro lugar. E não é que Draymond Green não estivesse jogando excepcional defesa durante todo o ano - afinal, ele ERA o #2 da lista - mas depois da lesão de Durant, Green teve a chance de mostrar os limites da sua capacidade defensiva, e o que ele fez no período foi realmente fantástico.

O Warriors, apesar das críticas que sofreu ao longo do ano, tem a segunda melhor defesa da NBA na temporada, atrás apenas do eterno Spurs. E o que é mais impressionante dessa defesa, e foi um ponto interessante ao longo de todo o ano, foi sua capacidade de proteger o aro mesmo jogando com um pivô em Zaza Pachulia que não é bom nessa função e foi uma grande piora no quesito em relação a Andrew Bogut. Durante boa parte do ano, Golden State superou esse problema graças a seus dois melhores defensores: Green e Kevin Durant, que combinaram para uma proteção de aro fora do padrão, mas igualmente eficiente. Mas quando Durant se machucou, com a sua ausência e a falta de um substituto à altura dos seus braços gigantes, todo mundo esperava que a defesa de Golden State, mais do que o ataque, fosse a grande prejudicada por essa lesão.

Mas isso não aconteceu, e o principal motivo disso foi que Draymond Green aumentou sua defesa ainda mais um nível e compensou a ausência de KD. E isso acontece por um motivo simples: você não pode finalizar perto do aro, se você não chegar até o aro. E não existe hoje um jogador melhor fazendo essa contenção do que Draymond: se Kawhi Leonard é o defensor mano-a-mano mais dominante da NBA, Green é o mais versátil, capaz de marcar o maior número diferentes de jogadores e cumprir mais funções defensivas... e mais importante, Dray é capaz de mudar de forma absolutamente perfeita de função e marcador durante cada jogada, sabendo a hora de trocar, sabendo a hora de ir para a ajuda na defesa só para dar um toco ou para assumir um novo marcador. Durante uma mesma posse de bola, Draymond Green vai defender um pivô no garrafão, trocar em um armador durante um pick and roll, mudar para um ala para aliviar o missmatch, defender o ataque deste à cesta, e acabar a posse com um roubo de bola. É impressionante.

Essa versatilidade e capacidade de fazer tudo em altíssimo nível do lado defensivo é a base da ótima defesa de Golden State, uma máquina de trocar a marcação de altíssimo QI de basquete que é possível graças a essa versatilidade, intensidade, e dominação de Green. E quando Durant foi para a lista dos machucados, Green fez de sua missão pessoal manter a defesa no mesmo nível, e foi o que ele fez, destruindo no processo alguns dos maiores candidatos a MVP do ano como Westbrook, Kawhi e Harden (2x). Esse nível superior, para mim, foi o que definiu meu voto a favor do ala do Warriors.

E embora seja estranho ver Kawhi entrando em terceiro em um prêmio que ele ganhou dois anos seguidos, a impressão que eu tive é que Leonard teve uma ligeira queda desse lado da quadra esse ano - em parte pelo aumento de responsabilidades ofensivas, em parte porque times estão mais espertos em como diminuir seu impacto defensivo - mas ainda é um monstro e não deve nada a ninguém defensivamente. Ele ainda é um dos melhores defensores da liga, se não da história da NBA.

Andre Robertson é mais um dos muito subestimados jogadores de Oklahoma City, mas que teve uma ótima atuação e é um pilar central em uma defesa que tem discretamente jogado muito bem. E por fim, Giannis é um caso engraçado: o grego ainda tem seus problemas defensivos e não é tão dominante no mano a mano como outros jogadores, mas sua enorme versatilidade, capacidade de proteger o aro em altíssimo nível E marcar 5 posições faz dele um dos defensores de maior impacto da liga. Então Giannis talvez não seja um dos 5 melhores defensores da NBA, mas é difícil encontrar 5 jogadores que tiveram maior impacto defensivo na temporada. Faz sentido?

Ballot final: 1. Draymond Green; 2. Rudy Gobert; 3. Kawhi Leonard; 4. Andre Roberson; 5. Giannis Antetokounmpo.


Most Valuable Player


É isso ai. Chegamos no grande momento. MVP - o jogador mais valioso da temporada.

Na história da NBA, já tivemos discussões de MVP extremamente acirradas (87' e 93' vem à mente), mas desde que comecei a assistir basquete eu não lembro de ter visto nada igual a esse ano, tanto no nível dos competidores pelo prêmio, no nível de paridade entre as principais escolhas, e no nível de polarização que o debate assumiu. Todo mundo parece ter seu candidato, e passa um enorme volume de tempo discutindo por que esse jogador merece ser o MVP - ou, muito pior, discutindo porque os outros NÃO podem ser o MVP.

E acho que a coisa MAIS importante sobre a disputa pelo MVP de 2016/17 que você pode saber, e que eu me sinto na obrigação de escrever, é essa (vou até colocar em negrito e itálico para ajudar):

NÃO EXISTE SÓ UM JOGADOR MERECEDOR DO PRÊMIO ESSE ANO!

Recentemente, especialmente nas redes sociais, eu vejo uma quantidade ENORME de pessoas falando que "Não existe outra escolha válida pro MVP a não ser X", ou "Se qualquer um além do jogador Y ganhar vai ser um absurdo"... e isso é ridículo. Essa temporada tem não um, não dois, mas QUATRO jogadores tendo temporadas históricas, cada um no seu próprio mérito, e existe um argumento muito forte a ser feito para cada um deles ganhar o prêmio: Russell Westbrook, James Harden, LeBron James e Kawhi Leonard. Se qualquer um deles ganhar terá feito por merecer e será muito válido, e embora podemos sempre escolher por um deles (eu fiz minha escolha para essa coluna), a pior coisa que podemos fazer é falar ou deixar alguém nos convencer de que só existe uma escolha possível para o prêmio.

Isto posto, vamos ao que interessa: quem é minha escolha para o MVP de 2017?

Nos círculos de debate, os grandes favoritos são Westbrook e Harden, com o armador de Oklahoma City parecendo levar uma certa vantagem. O que, aliás, levou àquele que ao meu ver é o pior argumento dessa corrida: o de que Westbrook merece ganhar o prêmio porque tem média de triple double. Hmm... e dai? A marca de Westbrook é muito divertida, sem dúvida, como qualquer recorde, mas triplos duplos não significam absolutamente nada de concreto - é uma marca arbitrária criada pelo departamento de marketing do Lakers nos anos 80 para exaltar algo que Magic Johnson fazia com frequência no começo de sua carreira. Por mais que seja divertido acompanhar TDs e torcer pela média de West, não existe nada de real que diga que uma média de TD seja mais valiosa do que qualquer outra. E se o argumento for "Westbrook fez algo que ninguém fazia desde os anos 60", pois bem, nenhum outro jogador na história da NBA teve os números que Harden teve esse ano. Ou LeBron. Ou Giannis. Por que devemos valorizar mais os números de Westbrook só por eles atingirem um parâmetro arbitrário mais famoso? Não podemos confundir isso com uma análise real.

E isso é uma pena, porque existe um EXCELENTE caso a ser feito para Russ sem precisar usar esse ponto arbitrário. Deixando de lado o fato dos seus números formarem um triplo duplo ou não, Russel É o líder da NBA com quase 32 pontos por jogo, é terceiro em assistências com 10.4 por jogo, E décimo em rebotes com 10.7 por jogo. Westbrook está tendo que segurar uma carga de trabalho imensa (West tem a maior USG%, que mede quantas posses de bola do time o jogador finaliza através de arremesso, turnover ou falta cavada, da história da NBA) e não desacelerou um minuto sequer, jogando todos os jogos em quinta marcha e ainda sobrando gasolina no tanque para os jogos apertados, um dos feitos atléticos mais impressionantes que eu já vi na minha vida. Russ também foi o jogador mais devastador da liga essa temporada nos finais de jogos, mesmo que fazendo isso principalmente contra times mais fracos, e não foram poucos os jogos que ele decidiu no final por conta própria. E talvez mais importante de tudo, Westbrook manteve o Thunder relevante e nos playoffs mesmo depois da equipe ter perdido um dos 3 melhores jogadores da liga essa offseason.

Do outro lado, James Harden não tem o apelo do triplo duplo de Westbrook, mas seu caso estatístico não é muito mais fraco. Harden está com médias de 29.1 pontos, 11.2 assistências e 8.1 rebotes enquanto manteve sua impressionante eficiência. Sabe quando foi que um jogador da história da NBA teve 29 pontos, 11 assistências e mais de 50% de eFG%? Nunca. Harden é o primeiro. E faz isso do jeito de sempre: cavando uma tonelada de faltas (lidera a NBA em lances livres), moldando seu jogo em um estilo de arremessos muito eficiente (focando seus arremessos perto do aro e na linha de três), manipulando defesas e encontrando passes que apenas outros três ou quatro jogadores no mundo seriam capazes de enxergar e executar.

Além disso, Harden tem uma vantagem quando se trata da performance coletiva. Se a temporada histórica de Westbrook rendeu a Oklahoma City a décima melhor campanha e o 17th melhor ataque da NBA, Harden levou o Rockets à terceira melhor campanha e segundo melhor ataque da liga (e um dos melhores da história da NBA), o que é significativo considerando que antes da temporada muita gente tinha dado o time por morto, e as projeções tinham Houston vencendo apenas 41 jogos esse ano - e isso tudo tendo a terceira maior USG% da temporada.

Então é inegável que as temporadas de Harden e Westbrook renderam o maior foco, e merecidamente. Mas esse foco parece ter desviado a atenção de outras temporadas, igualmente históricas, e que não encontram espaço suficiente nas discussões para serem devidamente valorizadas.

Tomemos LeBron James, por exemplo, alguém que é amplamente considerado o melhor jogador da NBA. Tudo que LeBron fez esse ano foi ter médias de 26.4 pontos, 8.7 assistências e 8.6 rebotes enquanto foi o foco de tudo que o Cavs fez nos dois lados da quadra, um mestre em manipular a quadra e cobrir as fraquezas de todos seus companheiros, enquanto maximiza suas forças. E se isso não parece tão impressionante quanto a produção de West e Harden, vale citar que LeBron é um jogador muito mais eficiente: o King James está arremessando 54% de quadra, 36.3% de 3 pontos e tem eFG% de 59.3, enquanto que Russ tem 42.6 FG%, 34.4 3PT% e 47.7 eFG% e Harden tem 43.8 FG%, 34.5 3PT% e 52.3 eFG%. E para tudo que se fala sobre LeBron ter os melhores companheiros, a verdade é que o time do Cavs despenca sem ele em quadra: +7.7 de Net Rating com ele em quadra, e -8.6 com ele fora (um dado que precisa ser levado com um grão de sal, mas ainda é impressionante). É um absurdo que LeBron esteja tendo uma temporada dessas e esteja atraindo zero respeito como possível MVP.

E é claro, existe um outro ponto a ser considerado e que sempre acaba ficando esquecido quando avaliamos jogadores. No basquete, existe DUAS funções: anotar pontos, e impedir que o outro time faça o mesmo. Ainda assim, nós quase nunca trazemos a defesa à tona quando discutimos o prêmio de MVP ou quem é o melhor jogador, em parte por defesa ser muito mais difícil de se medir ou avaliar.

E se você não me ouviu falar de defesa antes nessa seção do texto, é por um motivo simples: nenhum desses três jogadores citados realmente trouxe algo para a mesa desse lado da bola na temporada. A defesa deles vai desde "irregular" (LeBron) a "consideravelmente abaixo da média" (Westbrook), e suas contribuições se dão - ou se deram, porque sabemos que LeBron é capaz de defender em alto nível quando engajado - no lado ofensivo da quadra. Mas defesa ainda é metade do jogo, e é ai que entra o caso de Kawhi Leonard.

Nenhum dos candidatos a MVP desse ano consegue chegar remotamente perto do impacto defensivo que Leonard tem. O atual bicampeão do prêmio de defensor da temporada é, simplesmente, um dos melhores defensores de perímetro da história da NBA, um pesadelo ambulante capaz de destruir até mesmo os melhores jogadores ofensivos da liga, e é um dos 3 melhores defensores da temporada. Para toda a dominação ofensiva de LeBron, West e Harden, Leonard entrega o mesmo tipo de produção do outro lado.

E não é como se Leonard fosse um jogador defensivo sem jogo no ataque: Leonard tem média de 25.7 pontos por jogo, o sétimo maior USG% da NBA, e é um jogador hipereficiente em todos os tipos diferentes de jogada no ataque, seja conduzindo a bola, seja no pick and roll, seja cortando para a cesta, seja pegando e arremessando... você decide. A linha de Leonard é um excelente 48.6-38-88 com 54.3 eFG%, e essa capacidade de arremessar de forma eficiente em qualquer tipo de jogada é o fato em torno do qual é montado todo o ataque do Spurs, atualmente #7 da NBA. Leonard é um excelente jogador ofensivo.

E na verdade, se fosse escolher quem foi o MELHOR jogador da temporada 2017 da NBA, esse foi provavelmente Kawhi Leonard. Kawhi não tem a produção ofensiva dos demais por não ser tanto um iniciador de jogadas que cria para os companheiros (3.8 assistências por jogo apenas), mas também não está tão distante assim com sua combinação de volume, eficiência, pontuação e versatilidade ofensiva, a ponto de ser um dos 8, 10 melhores jogadores de ataque da temporada... e sua defesa não tem nem comparação com nenhum dos outros três jogadores, estando em um nível completamente superior. E quando juntamos sua contribuição ofensiva (Top10) com sua contribuição defensiva (Top3), nenhum outro jogador da NBA conseguiu ser tão dominante em termos totais: nem Westbrook, nem LeBron, nem James Harden. E Leonard merece crédito de sobra por ser o pilar em torno do qual está montado o ataque E a defesa do segundo melhor time da NBA, que ostenta o sétimo melhor ataque E a melhor defesa da competição.

Mas quanto mais eu esmiuçava, estudava e pensava para tentar decidir qual seria meu voto, mais eu voltava para duas palavras: Mais valioso.  É algo totalmente subjetivo, e a NBA propositalmente não vai nunca esclarecer o que significa para incentivar mais debates e discussões... mas ainda assim, não é o prêmio do melhor jogador. É o prêmio do jogador mais valioso, e foi para esse critério que eu acabava voltando. É, como eu disse, uma questão de CRITÉRIO acima de tudo, mas foi para essa direção que eu acabei seguindo na hora de tomar a minha decisão.

Então por mais que Cleveland e San Antonio sejam totalmente montados em torno de LeBron e Kawhi, respectivamente, nenhum deles é tão profundamente dependente de sua estrela quanto Thunder e Rockets. Leonard e LeBron são ambos o pilar em torno do qual seu time é montado, com sua excelência, versatilidade e consistência, mas esses times podem por vezes se manter com "apenas" boas performances complementares desses jogadores, fazendo o time funcionar sem precisar assumir o protagonismo... enquanto que Rockets e Thunder dependiam mais profundamente não só do jogo de Harden e Westbrook, mas da dominação desses jogadores para fazer seus times funcionar. Então na minha busca pelo MVP da temporada, eu acabei restringindo a discussão aos mesmos dois jogadores que começaram a conversa: Westbrook e Harden.

E boa sorte tentando decidir entre os dois! É extremamente difícil separar esses dois grandes craques em duas temporadas tão históricas. Ambos tiveram papeis absurdamente importantes para seus times, e tiveram temporadas estatisticamente históricas. Westbrook teve a maior produção entre os dois, por pouco; Harden teve sua produção de maneira consideravelmente mais eficiente, mas também teve uma USG% menor. Westbrook foi melhor nos momentos finais das partidas, mas também viu seu time precisar de mais jogos apertados. Westbrook foi mais explosivo e teve jogos mais espetaculares; Harden foi mais consistente e raramente tirava seu time dos jogos com uma má atuação.

No final, se resumiu ao seguinte para mim: eu achei que Harden, isoladamente, teve uma temporada um pouco melhor do que Westbrook. Westbrook teve uma produção maior, mas Harden foi o mais eficiente dos dois por uma boa margem, e ele fez mais com o talento que tinha nas mãos: se considerarmos que ambos foram defensores abaixo da média esse ano (Harden foi um pouco melhor) e que suas contribuições se deram principalmente ofensivamente, a diferença é ainda mais impressionante do que a diferença de campanha entre os dois times, com o ataque liderado por Harden sendo o segundo melhor da NBA e o por Westbrook o décimo sétimo.

Parte disso se da, inclusive, pela diferença de estilo entre os dois jogadores: as assistências de Harden são mais (na falta de um termo melhor) mais "valiosas" do que as de Westbrook porque levam a mais arremessos de três pontos, enquanto as de Westbrook levam a mais arremessos de dois. Além disso, o estilo de passe de Harden é mais baseado em ler a defesa, manipulá-la, e criar espaços - espaços estes que não levam apenas a assistências, mas a novas chances que seus companheiros podem criar com esses espaços, como evidenciado por Harden ser 3rd na NBA inteira em "assistências secundárias", a assistência para a assistência. Westbrook não tem esse lado tão cerebral e de manipular as defesas para sua vantagem - o que ele faz é simplesmente bater quem quer que esteja na sua frente, forçar uma mudança na defesa, e dai usar essa mudança para achar um companheiro livre. Isso é extremamente valioso por conta própria - afinal, Westbrook gera uma penca de cestas fáceis com isso - mas ele também leva a uma estagnação caso a assistência não se concretize, não abrindo tantos espaços para continuar a jogada, e por isso Westbrook é apenas 28th na NBA nessas assistências secundárias, um número muito baixo para alguém que da tantas assistências e joga tanto com a bola nas mãos.

O problema, claro, é que isso se tomados isoladamente. Mas em contexto, Harden tem uma vantagem sobre Westbrook pela situação em que se encontra. Embora eu não engula - e você também não deveria - essa história de que Westbrook tem um péssimo elenco de apoio e muito inferior ao de Harden, o que simplesmente não é verdade, o que acontece é que as peças ao redor de Harden encaixam de forma melhor ao redor de Harden no sistema implementado pelo técnico Mike D'Anthony, enquanto que embora Westbrook tenha companheiros de time tão bons quanto, eles não possuem um encaixe tão natural uns com os outros (e com Russ), o que torna mais difícil jogar de forma a extrair o máximo de todos eles. Então embora eu ache que Harden foi melhor do que Westbrook, ele também joga em um sistema e um coletivo que favorece seu jogo mais do que o ex-colega. Como avaliar isso?

E foi enquanto eu sofria com essa questão e com esse dilema que eu achei minha resposta. E quem me ajudou a chegar nela foi um jogador que atende pelo nome de Nikola Jokic.

Jokic é um excelente jogador e uma das mais jovens estrelas da NBA, um pivô passador de excelente qualidade ao ponto de que Denver abandonou toda sua forma de jogo durante a temporada para se reconstruir ao redor das suas habilidades únicas de passe. Desse momento em diante, Jokic teve médias de 20 pontos, 11 rebotes e 6 assistências por jogo com 58 FG%, e Denver teve o melhor ataque da NBA inteira, na frente até mesmo da imbatível máquina da morte de Golden State, marcando 113.2 pontos por 100 posses de bola.

O que eu percebi então foi o seguinte: se você tirasse Jokic desse sistema construído especificamente em torno dele e de suas habilidades de passe, com 100% de certeza o sérvio não teria o mesmo desempenho e não acumularia esses números absurdos... mas ao mesmo tempo, é impossível que Denver jogasse de forma a extrair o máximo desse elenco se não fosse POR CAUSA desse sistema, que por sua vez só é possível por causa das habilidades únicas e excepcionais de Jokic. Ele é beneficiado individualmente pelo sistema, mas o sistema também depende dele para ser possível... e se esse sistema torna o time como um todo melhor e mais dominante, então Jokic deve receber créditos por tornar isso possível, e não o contrário.

E foi por isso que eu tomei minha decisão de que James Harden é o meu MVP da temporada 2017 da NBA. Sim, é verdade que o sistema do time maximiza as habilidades de James Harden e aumenta seu impacto, mas também são as habilidades de Harden que maximizam e tornam possível o funcionamento do sistema ofensivo do Rockets, e essa combinação que elevou o time inteiro do Rockets a um novo patamar... e quando você pensa a respeito, é a forma mais importante que se pode afetar um time de basquete. O elenco inteiro do Rockets só encaixa tão bem entre si, e com o sistema de D'Anthony, por causa de James Harden, e se isso faz o Rockets ser o ataque #2 e time #3 da NBA... então sim, Harden merece os créditos por fazer isso acontecer.

E embora Westbrook também tenha um sistema desenhado ao seu redor para tirar o máximo de suas habilidades (e sim, ajudá-lo a ter média de triple double), o encaixe desse time é mais difícil em parte porque o encaixe com Westbrook é mais difícil. Você precisa tirar jogadores da sua zona de conforto, adaptar mais suas habilidades para sair do caminho de Westbrook (o melhor exemplo sendo o calouro Domatas Sabonis), e isso acaba limitando mais o teto do time... que, sem a menor dúvida, só é alto como é devido ao próprio Westbrook. Boa parte disso não é culpa de Russ, é questão de montagem de elenco... mas também não é justo ignorar a importância de Harden para fazer o tão falado "sistema" funcionar em um nível tão alto.

Por isso que, no fim do dia, faz sentido que o Rockets seja um time melhor do que o Thunder. Talvez Harden estivesse em uma situação mais favorável para brilhar em um nível mais alto, mas ele FEZ acontecer e levou seu time com ele, e isso é que realmente diferenciou os dois para mim.

Então James Harden é meu MVP. Se você tem uma opinião diferente, ótimo: não existe só um critério, e muito menos só uma linha de raciocínio para se chegar em uma conclusão. Caso se de ao trabalho de procurar, vai encontrar MUITOS artigos bons e inteligentes defendendo escolhas de MVP que serão diferentes da minha (e outros que defendem a mesma). Não existe uma verdade sobre quem deva ganhar o prêmio. A única verdade que eu defendo é que não podemos limitar essa fantástica disputa a uma opinião absoluta que aponte um único jogador como merecedor.

O resto é história.

Ballot final: 1. James Harden; 2. Russell Westbrook; 3. Kawhi Leonard; 4. LeBron James; 5. Stephen Curry; 6. Giannis Antetokounmpo; 7. John Wall; 8. Isaiah Thomas; 9. Anthony Davis; 10. Rudy Gobert.

Fontes: Synergy Sports; NBA.com/stats; Basketball-Reference; NBA Stats & Info; e uma tonelada de horas no NBA League Pass.