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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Sete Segundos ou Menos - 08/12

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Are you not entertained?!


Testando um novo formato de coluna essa semana, que eu chamei de Sete Segundos ou Menos - homenagem ao famoso Seven Seconds or Less, o estilo de jogo do Phoenix Suns sob o comando de Mike D'Antoni nos anos 2000 que revolucionou para a sempre a NBA - e nos deu alguns dos mais divertidos times de todos os tempos.

A ideia da coluna Seven Seconds or Less - em teoria - é ao invés de tratar de um único assunto extensivo, tratar de vários assuntos menores, assuntos que não valem uma coluna sozinhos mas que ainda assim são pontos que eu gostaria de discutir. É uma versão basicamente com mini-colunas, condensada em uma só. Vamos ver se o formato funciona.

E se você não acha que essa só é uma desculpa para postar alguns vídeos do meu jogador favorito de todos os tempos (como esse passe mágico para o Grant Hill)... você não me conhece o suficiente.




Vamos a isto.

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1. Philadelphia 76ers, dividindo minutos entre suas estrelas.

Quinta feira à noite, o Philadelphia 76ers foi surpreendido em casa e derrotado por um fraco time do Lakers. No entanto, seria difícil para você adivinhar isso se eu te falasse do quão dominantes foram suas duas estrelas: Joel Embiid anotou 33 pontos, pegou 7 rebotes e deu 6 assistências (e mais 5 tocos), enquanto Ben Simmons teve um Triple Double com 12 pontos, 13 rebotes e 15 assistências. Ambos foram fantásticos na partida e é difícil acreditar que Philly perderia com ambos tão bem.

O problema é que Philly apanhou quando esteve sem suas estrelas. Nos 36 minutos que Embiid esteve em quadra, Philadelphia foi +14 em quadra. E nos 12 que descansou, Philly perdeu para o Lakers por 17 pontos (!!!!). Com Simmons talvez seja ainda pior: +9 quando esteve em quadra, e nos 6 minutos que descansou, o Sixers perdeu por 12 pontos. Philly passou apenas um minuto e meio com ambas as suas estrelas no banco, mas foram minutos desastroso: o Lakers ganhou a "parcial" (ou as parciais) por 11 a 2.

Essa derrota foi um microcosmos de um problema que tem certamente tirado noites de sono do técnico Brett Brown, e de muitos outros técnicos ao longo do tempo na NBA: Qual é a melhor forma de distribuir os minutos das suas estrelas? Em outras palavras, o melhor é usar as duas junto o máximo de tempo possível junto, maximizar a combinação, mas passar mais tempo com apenas os reservas jogando? Ou então distribuir ao máximo os minutos das estrelas para que o banco nunca precise jogar sem nenhuma delas em quadra?

Foi uma questão que durante muito tempo incomodou (e ainda incomoda) times como Clippers (na época de CP3/Blake) ou Wizards, e não existe uma resposta certa. Durante anos o Wizards optou por juntar Wall e Beal, e foi massacrado quando os dois sentavam. O Clippers teve um problema semelhante com Paul e Blake Griffin. E agora chegou a vez do Sixers tomar algumas decisões.

Até aqui, o Sixers tem optado por jogar as suas estrelas juntas o máximo de tempo possível. Dos 605 minutos que Embiid jogou em jogos que Simmons também atuou, 78% deles (472) vieram jogando junto do calouro, e apenas 133 foram como única estrela em quadra - o que da pouco mais de seis minutos por jogo. Simmons jogou mais tempo sem Embiid (mesmo desconsiderando os jogos com Embiid inativo), 250 minutos, mas também é praticamente metade do tempo que passou ao lado do pivô camaronês.

Isso faz algum sentido. Simmons ainda não tem um arremesso fora do garrafão, e jogar ao lado de Embiid - cujo alcance se estica até a linha dos 3 pontos e sempre comanda uma marcação apertada - abre os espaços que Simmons precisa para chegar até o garrafão e aproveitar linhas de passe. Philadelphia tem destruído times quando os dois estão juntos em quadra: nos 472 que Simmons e Embiid jogaram juntos, Philly está +99, com um Net Rating de +9,9.

O outro lado da moeda, entretanto, são os 164 minutos que o Sixers passou em quadra sem Embiid nem Simmons, e esses minutos Philly está com horríveis -52, ou -12,8 Net Rating. Ontem foi um exemplo (até extremo) desse fenômeno, mas a verdade é que Philly simplesmente não tem a criatividade e o playmaking vindo do banco para aguentar muitos minutos sem uma das suas estrelas em quadra. Talvez isso mude com a volta de Markelle Fultz, mas a essa altura parece um long shot confiar na produção imediata da escolha #1 do Draft. E a margem de erro do Sixers não é grande suficiente para sobreviver a minutos dessas unidades.

Talvez seja hora do Sixers começar a usar suas estrelas de forma mais separada. Exceto quando não há alternativa - jogos que Simmons ou Embiid estiverem fora - esses alinhamentos simplesmente não deveriam passar um minuto sequer em quadra para um time que sonha com a pós temporada. Embora o time caia bastante (previsivelmente) com apenas uma das duas estrelas em quadra, não é para níveis tão desastrosos quanto naqueles momentos sem nenhum dos dois: lineups com apenas Embiid tem enfrentado adversários basicamente em um empate (-2 em 162 minutos), e embora as lineups com apenas Simmons tenham números mais problemáticos (-46 em 358 minutos, -5,2 Net Rating), esses números estão "poluídos" pelos 108 minutos que Simmons jogou com Embiid inativo, enfrentando diretamente unidades titulares que não enfrentaria em situações "normais" de rotação. Pegando apenas os minutos que Simmons jogou sem Embiid em jogos que ambos participaram os números não são tão problemáticos, -18 em 250 minutos de quadra. Nenhuma das duas é perfeita, mas é uma maneira de evitar esses minutos desastrosos sem as estrelas em quadra, quando o time se coloca em buracos com muito mais rapidez relativa do que os dois jogadores juntos "tiram".

Um argumento contrário a essa distribuição de minutos seria que, pensando no futuro, é importante dar a Embiid e Simmons o máximo de minutos possíveis juntos para desenvolver o entrosamento, mas é um argumento que não faz sentido considerando que Simmons (que perdeu o ano de calouro com uma lesão no pé) jogou 42 minutos nesse jogo, e Embiid 36. O Sixers está forçando para chegar nos playoffs agora, e pensando nesse sentido, é crucial eliminar esses minutos sem ambos em quadra. Ontem, custou uma vitória ao Lakers. Não foi a primeira vez. E, se continuar acontecendo, não vai ser a última. E, se o Sixers quer mesmo chegar aos playoffs e talvez surpreender alguém, essas são vitórias que podem fazer falta.


2. Giannis Antetokounmpo, pivô

É difícil realmente classificar Giannis Antetokounmpo com uma posição. Ele é um jogador de 2m11 que arma o jogo, protege o aro, e defende 5 posições. Que seja, ele JOGA nas 5 posições! Essa flexibilidade maluca é parte do que faz de Giannis um jogador tão bom, e tão importante para o Bucks. Que posição Giannis é, ou joga, depende muito mais das peças ao seu redor do que de quem ele realmente é, e podem ter certeza que isso vai gerar discussão na hora de votar o All-Star Game ou até os times All-NBA ao final do ano.

Mas a posição que Giannis mais me intriga é jogando como pivô. Não da nem para chamar essas lineups de baixas - Giannis é mais alto do que vários dos pivôs da NBA, tem alcance maior que praticamente todos, e já se mostrou excelente protegendo o aro - mas as formações sem Maker, Henson ou Monroe que Giannis joga como pivô nominal, em geral cercado por arremessadores. O Bucks tem sido, naturalmente, cauteloso com essas formações, especialmente na temporada regular - você não quer expor Giannis a trombadas constantes no garrafão e taxar o físico da sua superestrela sem necessidade. Ao todo, Giannis jogou com pivô apenas 45 minutos na temporada.

Ainda assim, é difícil não ver o que essas lineups tem de atraente. Giannis tem o tamanho e capacidade defensiva para executar o papel de um (bom) pivô do lado defensivo da quadra, então você não precisa sacrificar tanto nesse sentido. E ofensivamente essas lineups com Giannis e arremessadores são impossíveis de se defenderem normalmente: você pode ficar preso mantendo um pivô ou ala de força mais lento em cima de Giannis, o que é a receita para o desastre, ou então tentar esconder isso em um arremessador e tirar o protetor de aro de dentro do garrafão, onde Antetokounmpo faz a grande maioria dos seus pontos - e isso sem entrar no mérito do caos que um time assim cria em situações de transição, quando o adversário precisa em velocidade achar a marcação certa, abrindo assim espaços e criando missmatches que esse time pode explorar. Milwaukee não é um time grande nas alas, então essas formações não teriam muito tamanho, mas compensariam isso com versatilidade e velocidade. No papel, pode ser a base para um ataque extremamente explosivo.

E a boa notícia é que, desde a chegada de Eric Bledsoe (e a partida de Greg Monroe) o Bucks tem dado mais espaço para essas formações com Giannis na posição 5 - dos 45 minutos que Giannis jogou na posição, 21 vieram desde a troca. A lineup com Bledsoe-Brogdon-Snell-Middleton-Giannis já jogou 16 minutos junta, e com bons resultados, incluindo um Net Rating de 3,5 e um Offensive Rating de 121,8 que destruiria o melhor ataque da liga (Golden State) por muito. A mesma formação, mas com Dellavedova no lugar de Bledsoe (a segunda mais usada), também tem igualmente destruído adversários do lado ofensivo da quadra. No jogo recente contra Boston foram essas lineups que colocaram o Bucks de volta no jogo, antes de Boston enfim abrir uma vantagem definitiva no final.

Claro, a amostra ainda é muito pequena, e essas lineups também sofreram bastante defensivamente nesses minutos limitados (a defesa do Bucks é assunto para outro post). Mas é uma formação bastante interessante e promissora, e é muito bom ver Milwaukee começando a ficar mais confortável com essas lineups - e devem ficar ainda mais quando Jabari Parker voltar. Algo para se monitorar ao longo do ano.


3. Houston Rockets destruindo tudo pelo seu caminho

O Rockets deveria ser uma história maior nesse início de temporada, e por algum motivo está escapando ao grande público. Esse time está FANTÁSTICO até aqui: Apenas Boston tem uma melhor campanha (e o mesmo número de derrotas); apenas Golden State tem melhor Net Rating e melhor ataque; apenas Boston e GSW tem melhor RPI. Seu Net Rating é um historicamente excelente 11,3. Eles estão destruindo times a torto e a direito. E, mais assustador, Chris Paul e James Harden estão mostrando um entrosamento excelente ainda muito cedo.

Mas o que é realmente interessante é o quão bom o Rockets tem sido desde a volta de Chris Paul. Foram 8 jogos desde então, e 8 vitórias do Rockets com um net Rating insano de +20.0 por 100 posses de bola. Para referência, o Warriors lidera a NBA com +13.1, que já é um excelente número. Nesse tempo, o Rockets tem a melhor defesa E o melhor ataque da NBA, e suas duas estrelas estão jogando um basquete de outro nível: Chris Paul tem 14 pontos e 10 assistências de média, com 46 FG%, 46 3PT%, e menos de 2 turnovers por jogo. James Harden - que deveria ser hoje o favorito na briga pelo MVP - teve 33 pontos, 8 assistências e 48-43-93 nos arremessos. Claro, é uma amostra pequena e contra um calendário favorável, mas também uma mostra do quão assustador esse time pode ser.

E o que faz de Houston tão bom e tão assustador é sua capacidade de manter o poder de fogo funcionado por 48 minutos sem interrupção. A dupla Harden-Paul dentro de quadra tem sido sólida jogando junta - +6.8 de Net Rating em 173 minutos com ambos em quadra. Uma marca boa, mas não espetacular dado que o Rockets como time tem +11.2 de Net Rating.

No entanto, esse não é o ponto. Ao contrário do Sixers, Mike D'Antoni tem buscado separar mais suas estrelas. Quando elas estão juntas, ótimo: o Houston ainda está chutando bundas. Mas a mágica do Rockets é que, quando um deles sai, o time ainda tem um armador de nível MVP para comandar seu ataque. A gente sabe repetidamente o que Harden é capaz de fazer conduzindo esse ataque do Rockets, especialmente agora que tem mais armas de bom nível (dos dois lados da quadra) do que nunca: O Rockets tem Net Rating de +14,7 quando James Harden está em quadra sem Chris Paul, um número que engloba os jogos que Paul ficou inativo.

Mas esse não é o pulo do gato. O problema é que quando James Harden sai e Paul entra para comandar o ataque no seu lugar, o Rockets tem um Net Rating de... erm... de +32.1. Yep, 32,1. +66 de +/- em 94 minutos. Sim, esse é um número real. Claro que é um subproduto insustentável de uma amostra pequena contra um calendário fraco, mas é só assistir o jogo que é fácil de perceber o quão devastadora é a segunda unidade do Rockets com Paul no comando. Depois de anos jogando seu estilo favorito - ritmo lento, arremessos de meia distância, controle do jogo  - é surreal o quão rápido Paul se adaptou ao ataque de D'Antoni e já tem total controle do jogo por lá. O pace do time com Paul é um dos mais rápidos da NBA, e CP3 está conduzindo esse ataque com perfeição mesmo sendo apenas seu nono (!!!) jogo em Houston. Paul enxerga todos os passes, todas as movimentações, e sabe exatamente o que fazer em todas as situações. Cerque isso com o esquema certo, as movimentações certas, e os jogadores certos, e você vai certamente ter um ataque infernal.

E, acima de tudo, é isso que faz do Rockets tão bom: 48 minutos de inferno ininterruptos (exceto, bem, garbage time... que tem, alias, acontecido bastante), 48 minutos de um armador nível Hall da Fama (e nível alto mesmo dentro do Hall da Fama) comandando um ataque devastador famoso por destruir adversários. Você não vai ter um minuto para descansar até que a vantagem passe dos 20 pontos. Boa sorte tentando acompanhar essa dupla.

Não da, nessa temporada, para falar de Golden State - o time está claramente jogando em terceira marcha e se poupando para os playoffs (existe algum potencial de 2001 Lakers aqui, diga-se de passagem). Nada que virmos até Abril indicará nada do seu nível real. Mas com o Rockets jogando nesse nível, não é absurdo sugerir que esse seja o time mais dominante da liga que vimos até aqui, com a volta de Chris Paul.

Para a pós-temporada, os minutos dos reservas tende a diminuir, e fica mais fácil desmontar um ataque que depende de um jogador só - Houston vai precisar da combinação entre Harden e Paul mais do que dos minutos que as estrelas jogam separadamente. Até lá, é importante que as formações com CP3 e Harden estejam no seu melhor nível. Mas por enquanto, esse time é forte o suficiente, e tem talento suficiente, para varrer a temporada regular sem deixar vestígios, enquanto nós apreciamos um dos times mais divertidos e interessante dos últimos anos.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Pontos de destaque dos times da NBA, parte II - O otimista

Hora de agradecer por tudo que está dando certo - especialmente o joelho do Embiid


Para quem não sabe, alguns anos atrás eu sofri um sério acidente envolvendo um DeLorean, um cavaleiro medieval, uma cruz de maçaranduba (o relatório da polícia diz mogno, mas eu discordo) e uma jacuzzi. O trauma me deixou com sérios problemas psicológicos, e entre eles está o surgimento de duas novas personalidades alternativas: Jean, a otimista; e Javert, a pessimista. 

Normalmente as duas ficam controladas, mas como na quinta feira passada foi o Thanksgiving americano e não tivemos nenhum jogo de NBA sequer, meu sistema nervoso central decidiu se desligar por algumas horas e deixar os dois tomarem conta. Então eu fiz um pedido para cada um dos dois: para que escrevessem uma coluna cada um destacando algum ponto específico de cada um dos 30 times da NBA nesse começo de ano. Então Javert escreveu uma coluna destacando um ponto negativo ou de preocupação para cada time; enquanto Jean escreveu uma coluna destacando um ponto positivo de cada um.

Semana passada publicamos a coluna pessimista com os pontos negativos de cada time escrita pelo Javert; então agora é a vez da coluna a coluna otimista, com os pontos positivos, escrita pelo Jean.

(Nota: A coluna foi escrita ao longo de vários dias, então algumas estatísticas podem estar desatualizadas).

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Eu não sei vocês, mas eu adoro o caos que é o primeiro mês da temporada regular.

Simplesmente é aquele momento em que nós não sabemos e temos certeza de nada, então tudo é possível. Talvez aquele time surpreendente vá cair por terra ao longo do tempo, mas isso ainda não aconteceu, e até acontecer esse time é uma ótima surpresa, divertida, envolvente. E aquele time que deveria ser bom mas está começando mal ainda tem muito tempo para se reerguer e voltar a disputar os playoffs, mas até acontecer fica pairando aquele mistério do que vai acontecer SE continuar mal... é uma época ótima tanto pra quem gosta de otimismo como para quem gosta de caos. As possibilidades são ilimitadas.

É claro, também é preciso ter cuidado quando tratamos de amostras pequenas. A narrativa é uma coisa, os sinais podem ser olhados, pequenas tendências analisadas, mas a 20 jogos ainda tem muito ruído estatistico, e muitas mudanças por acontecer. Quase nenhum time é o mesmo em Abril que éem Fevereiro, e não é em Fevereiro o time que é em Novembro. Nós demos apenas os primeiros passos, mais nada.

Ainda assim, é interessante e instrutivo olhar mais de perto para alguns fatores dentro de cada franquia. Pequenas tendências, mudanças, novidades, pontos de esperança. Então vamos passar rapidamente pelos 32 times da NBA e ver quais foram pontos que se destacaram nesses primeiros 40 dias de basquete.


Atlanta Hawks

Taurean Prince
foi provavelmente o melhor calouro sobre o qual ninguém falou a respeito de 2017, mas o ex-jogador de Baylor terminou muito bem o ano passado e tinha grande esperanças para esse ano. A presença de jogadores como Dennis Schroeder e Kent Bazemore significa que Prince não precisa assumir o centro dos holofotes e carregar um time como outros jovens jogadores em processo de tanking, mas o segundo-anista tem sido impressionante mesmo assim.

Prince parece muito mais confortável em um papel maior esse ano. Se em 2017 parecia ser só um futuro 3-and-D, Prince está mostrando mais capacidade e versatilidade acertando a cesta, e seu arremesso continua se desenvolvendo. Está dando mais assistências, conduzindo mais pick and rolls (que já compõem 16% do seu ataque) e mostrando uma noção surpreendente de quadra tanto para criar o próprio arremesso como para achar seus companheiros. Atlanta tem sido cuidadosa para não expor demais seus jogadores novos, o que parece uma tática certa nesse caso, mas ainda assim vai ser difícil manter Prince fora dos holofotes por muito tempo.


Boston Celtics

Existe na NBA uma série de pequenos axiomas que costumam servir de "guias" na hora de calibrar as expectativas de um time no começo da temporada. "Jogadores jovens costumam ser ruins e times que se fiam demais neles, também"; "Continuidade importa, e times com muitas mudanças demoram para engrenar"; "Você vai ter problemas defensivos  se troca dois titulares (Avery Bradley e Jae Crowder) que são conhecidos por serem bons defensores"; e principalmente, "Um time vai sofrer se perder seu jogador mais caro e aquisição mais importante da offseason".

Mas depois de 21 jogos, Boston pegou todos esses axiomas e jogou pela janela, rumo a ter a melhor campanha da NBA. Gordon Hayward, o grande free agent trazido por Boston essa offseason, machucou com 5 minutos na temporada e deve ficar fora o ano todo; o Celtics emendou uma sequência de 16 vitórias seguidas mesmo assim, distribuindo sua carga para Jayson Tatum (19 anos) e Jaylen Brown (21) anos, que responderam mais do que à altura, lideram o time em minutos e tendo participação crucial do sucesso da franquia. Depois de retornar apenas QUATRO jogadores do time do ano passado, perder Avery Bradley e Crowder, e ter SEIS jogadores em contrato de calouro na rotação principal, o Celtics tem a melhor defesa da NBA (ajustando pelo ambiente de crescente foco ofensivo, uma das melhores dos últimos 30 anos), a melhor campanha, melhor RPI, e está chutando bundas a torto e a direito.

Nenhum time que perdeu um All-Star, vários bons defensores, mudou o elenco inteiro e está dependendo tanto de jovens para produzir deveria ser tão bom, mas aqui estamos. Kyrie Irving está cada vez mais confortável no sistema de Brad Stevens, e sua química com Al Horford faz parecer que jogam juntos há anos. Jaylen Brown tem sido uma das revelações do ano, e Jayson Tatum joga com um veterano de 6 anos de NBA. Horford está jogando o melhor basquete da carreira. Aaron Baynes, Daniel Theis, Semi Ojeleye até Shane Larkin, Boston simplesmente acertou todas as transações que fez nessa offseason. E seu novo elenco - cheio de jogadores altos e versáteis, que consegue cobrir muito da quadra e trocar a marcação à vontade - está mostrando em quadra exatamente a visão que Danny Ainge tinha quando trocou Bradley e montou esse time. Boston pode ser o time do futuro no Leste, mas eles já chegaram no presente muito mais cedo - e mais forte - do que se esperaria.


Brooklyn Nets

O Nets é um time ruim com uma perspectiva de futuro complicada devido à falta de escolhas de Draft (a sua desse ano ainda está em Cleveland) e de jovens de grande potencial no elenco (deve doer assistir Jaylen Brown e Jayson Tatum em Boston), mas eles tem algo a seu favor: eles estão cientes disso e planejando de acordo. Não existe (e a diretoria do Nets sabe disso) uma saída milagrosa para essa situação, então Brooklyn inteligentemente está olhando na outra direção: ao invés de ir atrás dos jogadores que não tem, e não tem condição de adquirir, o Nets está preocupado em criar uma base, uma cultura e um esquema tático que façam sentido, para depois preenchê-lo com as peças certas com o tempo.

E Kenny Atkinson, o técnico que o Nets escolheu para comandar esse processo, está conseguindo com muito sucesso fazer seu time jogar do jeito certo. Claro que o Nets ainda é ruim, mas assistindo os jogos fica claro que existe algo de funcional por trás. O time simplesmente joga o basquete que deveria jogar: o time faz boas movimentações, os jogadores consistentemente fazem as leituras certas, os passes certos, sabem quais os arremessos deveriam conseguir. Eles são o 5º time na NBA em drives por jogo, 13º em passes por jogo, o 2º time que mais chuta de 3, E o 2º time que mais bate lances livres - eles sabem o que estão fazendo em quadra.

O problema é que os jogadores que estão lá não são bons o suficiente para executar tudo isso em alto nível, mas esse é o próximo passo. Brooklyn encheu seu time de veteranos (Allen Crabbe, DeMarre Carroll) que fazem sentido para ajudar esse esquema a se desenvolver, enquanto apostam em jogadores talentoso (Spencer Dinwiddie, Joe Harris) que fazem sentido dentro dessa forma de se jogar. É muito mais fácil achar uma escolha na segunda rodada ou uma barganha na free agency se você sabe exatamente o que espera para o jogador que vai ser encaixado no seu time (como San Antonio, Golden State e Boston estão nos lembrando constantemente). E essa é a vantagem de se ter já esse sistema e essa cultura no lugar, e isso que o ótimo Atkinson e a boa diretoria encabeçada por Sean Marks estão implementando com sucesso. O processo ainda é longo e as vitórias demorarão a vir, mas existe algo de encorajador acontecendo no Brooklyn.


Charlotte Hornets

Uma das minhas histórias favoritas desse começo de ano tem sido o crescimento de Jeremy Lamb em Charlotte. Depois de passar praticamente toda sua carreira como um reserva de pouca expressão, Lamb enfim explodiu esse ano em um papel maior, iniciando boa parte do ano como titular na ausência de Nicolas Batum e mostrando um jogo bem mais avançado do que antes.

Lamb tem média de 16 pontos em 29 minutos por jogo, a segunda melhor marca no Hornets depois de Kemba Walker. Mas o mais interessante é o quanto Lamb tem mostrado em áreas que antes não eram uma força: o ala do Hornets está chutando sólidos 37,3% de três pontos no ano (32,4% na carreira) em um número alto de tentativas (4 por jogo), está atacando a cesta e cavando faltas com mais frequência do que nunca (3.8 FTs por jogo, quase o dobro de 2017) e, mais importante, tem mostrado um novo nível conduzindo pick and rolls e atacando a partir do drible que tem sido crucial para o Hornets tentando sobreviver sem Batum: Lamb tem média de 0.93 pontos por posse de bola conduzindo um pick and roll (72nd percentil da NBA) e dando 3.4 assistências por jogo, mais do que triplicando sua média da carreira (1.1).

Essa melhora em todas as áreas do jogo de Lamb fez dele um reserva pouco utilizado para um jogador crucial para Charlotte: Depois de ser apenas 8th em minutos por jogo no time em 2017, Lamb agora é o terceiro atrás de Dwight e Kemba Walker, e o Hornets tem destroçados adversários quando Lamb e Kemba jogam juntos ao tom de + 10.5 de Net Rating, que seria equivalente à segunda marca da NBA (Rockets). Lamb foi para o banco depois da volta de Batum, mas ainda tem jogado minutos de titular, e o Hornets sabe o quão importante é o bicampeão universitário para suas pretensões na temporada. Muito legal ver um dos meus jogadores universitários favoritos enfim ganhando seu espaço na NBA.


Chicago Bulls

Trocar seu melhor jogador por pouco, como fez o Bulls, sempre vai gerar muitas derrotas e descontentamento de curto prazo. É inevitável. Jimmy Butler foi o que manteve o Bulls vivo em 2017, e sua saída - previsivelmente - transformou Chicago no pior time da NBA em 2018. Mas um dos motivos pelos quais esse cavalo morto não tem sido mais tão chutado é a performance do calouro Lauri Markkanen, que também foi bastante criticado quando foi escolhido no #7.

Os números do finlandês não saltam tanto aos olhos - 14 pontos, 8 rebotes, 40 FG%, 35 3PT% - mas é óbvio que o Bulls não está jogando pelo hoje, e sim pelo futuro, e o que Lauri tem mostrado nesse sentido tem sido bastante encorajador. O arremesso de fora já era conhecido, mas Markkanen tem mostrado mais em quase todas as outras áreas: seu arremesso tem enorme versatilidade (pull ups, vindo de screens, etc), seus rebotes estão melhores do que o esperado, e Lauri está mostrado bem mais habilidade botando a bola no chão e criando arremessos do que parecia ter. Até sua tão criticada defesa parece melhor na NBA: Markkanen não é (e provavelmente não será) um protetor de aro, mas tem mostrado pés ágeis quando precisa trocar a marcação e acompanhar jogadores menores no perímetro. Não é Ben Simmons, mas sem dúvida é um raio de esperança no que promete ser uma difícil reconstrução para o Bulls.


Cleveland Cavaliers

As vezes eu sinto que não estamos falando de LeBron James tanto quanto deveríamos. Eu sei que LeBron já está naquele nível que tomamos sua grandeza por garantida e por isso ela para de nos impressionar, mas não deveria. Esse é o ano 15 para LeBron na NBA. Ele tem 33 anos, 1300 jogos e 51.000 minutos (contando playoffs) nas costas. Qualquer ser humano normal estaria começando a olhar para a descendente.

Mas LeBron? Ele está anotando 28.5 pontos, 8.6 rebotes, 7,5 assistências por jogo enquanto arremessa 58% de quadra e 42% de três pontos, e fazendo tudo isso enquanto é segundo na NBA em PER e segundo em minutos por jogo atrás de Giannis (o que, diga-se de passagem, é absurdamente irresponsável por parte do time). Ele está carregando nas costas um Cavs desfigurado que perdeu seu segundo melhor jogador (Kyrie), viu Jae Crowder voltar a ser uma abóbora, perdeu Tristan Thompson por lesão, e esteve contando com minutos de Rose, Wade, Jeff Green e Jose Calderon para ter uma rotação. É uma temporada fantástica de um dos melhores jogadores de basquete que jamais pisaram sobre essa Terra sob qualquer ótica possível. Apreciem LeBron James enquanto é tempo.


Dallas Mavericks

No último sábado, dia 25/11, o Mavericks enfrentou o Thunder em Dallas, e fomos brindados com uma performance quase vintage de Dirk Nowitzki: uma série de bolas longas, fakes, giros, fadeaways, e é claro, um dos arremessos mais bonitos da história da NBA. Foi lindo de se ver, um lembrete sobre como era e as vezes ainda é fantástico assistir a um dos melhores e mais únicos jogadores da história da NBA.

Então ao invés de falar sobre a temporada do Mavericks, vou simplesmente deixar vocês com esse mix do Dirk para lembrarmos enquanto é tempo.

Sentiremos muito sua falta, Dirk.





Denver Nuggets

Múltiplas lesões, dispensas, movimentações, excesso de jogadores em uma mesma posição, e por ai vai - todos esses fatores tornaram quase impossível para o Denver ter uma rotação estável. Apenas UMA lineup do time jogou mais do que 150 minutos junta no ano inteiro. Ou mais do que 120 minutos o ano inteiro. Ou 100 minutos o ano inteiro. Ou CINQUENTA minutos junto o ano inteiro. É isso ai, a segunda lineup mais usada pelo Denver jogou junto apenas QUARANTA E QUATRO minutos TOTAIS ao longo do ano. Você vai ter muita dificuldade para montar um time quando isso acontecer.

A boa notícia é que essa lineup que é exceção - a titular do time antes da lesão de Millsap e que jogou junta por 224 minutos - tem sido realmente uma das mais divertidas de se assistir da NBA, e uma das mais dominantes. Muitas vezes nos jogos do Nuggets o time tem problemas com a armação de jogadas, com falta de espaçamento, com a falta de entrosamento... mas quando esses cinco - Murray, Harris, Chandler, Jokic e Millsap - jogam juntos é como se um raio luminoso viesse e focasse no Pepsi Center. Essa lineup não tem praticamente nenhuma das falhas que as outras apresentam: eles NUNCA cometem turnovers (o que é significativo, considerando que Denver é o segundo time com mais turnovers na NBA), passam a bola com facilidade (seriam #4 em AST% na NBA), pegam rebotes feito maníacos (53,5% em % de rebotes, que seria a melhor marca da liga) e parecem que jogam juntos faz cinco anos. Eles bombardeiam bolas de três livres, rodam a bola, sabem quando cortar e quando sair para o perímetro, se movimentam sem a bola, e destroem times dos dois lados da quadra: esses cinco juntos tem um Offensive Rating de 112.5 (seria #2 na NBA, à frente de Houston) e 100.5 de Defensive Rating (seria #4 na NBA logo atrás de Utah), o que da um Net Rating de 12,0 equivalente ao Golden State Warriors como time.

O Nuggets tem problemas quando esse quinteto (e em especial o trio Murray-Jokic-Millsap) se separa, e com a lesão de Millsap deve demorar um pouco para voltarem a jogar juntos. Isso vai significar mais mudanças, mais experimentos, e mais lineups que não funcionam tão bem - o que deve render sofrimento no curto prazo, mas vai ajudar esse time a encontrar as "outras lineups" para funcionar em torno dessa principal. Ainda assim, é uma lineup que nos da um gostinho do quão bom esse time pode ser quando tudo está encaixando, e um enorme prazer de ver jogar.


Detroit Pistons

Se eu tivesse um voto para o Most Improved Player - o jogador que mais evoluiu na temporada - certamente ele iria hoje para Andre Drummond. Imagino que hoje Porzingis seja o favorito ao prêmio, mas meu voto seria para o pivô do Pistons. Depois de ano sendo um jogador talentoso mas que nunca tinha realmente juntado isso em uma atuação consistente e dominante (e inclusive ser nomeado pelo chefe o Jogador Menos Valioso de 2017), Drummond melhorou quase todos os aspectos do seu jogo e enfim está parecendo a estrela que prometia desde que chegou à NBA.

O que chama a atenção é o aproveitamento nos lances livres, que passou de patéticos 38,6% para decentes 61,8% esse ano. Isso permite a Drummond ficar mais tempo em quadra (especialmente no final de jogos) e igualmente mais tempo com a bola nas mãos, sem precisar ter medo de sofrer uma falta intencional. Ao invés de precisar se livrar rápido da bola e definir a jogada com pressa, Drummond agora pode tomar seu tempo e fazer as jogadas pensadas, o que liberou todo seu jogo.

Drummond esse ano mais do que triplicou (de 4,7% para 16,1%) seu AST% e viu suas assistências por jogo subirem para impressionantes 3,5. Ano passado Drummond não era remotamente capaz de dar passes com esse aos 14 segundos do vídeo abaixo...




... mas agora eles fazem parte da sua rotina em quadra e da forma do Pistons de atacar. Drummond também trocou muitos de seus horríveis lances de costa para a cesta (post ups compunham 27% das suas posses totais em 2017 e caíram para apenas 10% esse ano) por jogadas mais eficientes e que não precisam congelar todo o ritmo ofensivo do time, e principalmente por mais toques na cabeça do garrafão, que ajudam a abrir espaço para o resto da equipe e estão abrindo sua habilidade nos passes. Defensivamente, Drummond ainda consegue usar seu tamanho e atleticismo para causar estrago com tocos e roubos, mas ele está muito mais inteligente esse ano em como se posicionar, ignorando os "disfarces" das jogadas adversárias e se concentrando na ação que realmente importa, e que ele realmente precisa defender. Drummond tem sido uma revelação em tantos aspectos esse ano que chega a parecer outro jogador, e tem sido uma parte crucial do sucesso do Pistons em 2017/18.

(Para mais detalhes, recomendo esse texto do ótimo Scott Rafferty -> https://t.co/cK2WSWeaQd)


Golden State Warriors

Vamos contar:

- #1 em ataque
- #5 em defesa
- #1 em Net Rating
- #2 em RPI
- #1 em AST%
- #1 em TS%
- #1 em eFG%
- Tudo isso com o calendário mais difícil do Oeste até aqui.

Eu sei que é tentador olhar o Warriors em uma noite preguiçosa de temporada regular e tentar achar que estão em decadência ou em crise, mas seus dados avançados estão quase no nível que estavam ano passado, e saudável esse ainda é o time a ser batido na NBA.


Houston Rockets

Houston
é uma maiores surpresas do começo de temporada, com o segundo melhor Net Rating, segunda melhor campanha e segundo melhor ataque da NBA. Harden está jogando em nível MVP, e Chris Paul parece totalmente confortável em quadra. Não poderiam pedir um começo melhor.

E um aspecto específico que tem sido bem interessante nesse início do Rockets é o uso das suas lineups de small ball. E eu não digo small ball no sentido antigo de "sem um ala de força ou pivô de origem", embora essas também tenham sido ótimas para Houston - o time do Texas tem um Net Rating de +13.1 quando Ryan Anderson está em quadra sem Clint Capela.

Mas as que mais me interessaram são aquelas que são REALMENTE small ball, com Mbah a Moute ou PJ Tucker jogando de pivô e um exército de arremessadores ao redor. Houston ainda não está usando essas lineups com muita frequência - apenas 16 minutos até aqui - mas nesses minutos elas tem destruídos times durante curtas sequências, com um Net Rating de +16,4 nesses minutos. São em geral lineups capazes de trocar a marcação entre 4 ou 5 posições, e com Tucker e Mbah a Moute bombardeando bolas de longa distância com sólido aproveitamento fica dificílimo marcar essas unidades. Elas lembram, na verdade, a lineup da Morte do Warriors à sua própria maneira. Vai ser interessante acompanhar se Houston continua usando esses grupos, e se vai ser uma arma a ser usada contra Golden State caso os dois favoritos do Oeste venham a se cruzar nos playoffs.

Indiana Pacers

A troca de Paul George por parte do Indiana Pacers está parecendo muito melhor hoje em dia, não?

Alguns meses depois do dia que Kevin Pritchard quase explodiu a internet, eu tenho 100% de certeza que OKC ainda faria essa troca 10 de 10 vezes, mas a impressão cada vez mais é que o Pacers não foi roubado como pareceu à primeira vista. E isso porque as duas aquisições do time na troca estão jogando melhor do que jamais jogaram em OKC ou Orlando.

Victor Oladipo em particular tem sido uma revelação. Jogando no ritmo de jogo veloz desse ano Oladipo enfim está conseguindo mostrar toda sua agilidade e velocidade, e tem sido imparável na quadra aberta. Com 23 pontos, 5 rebotes e 4 assistências de média e 54 eFG%, Oladipo está tendo de longe a melhor temporada da carreira dos dois lados da quadra, e deve receber alguma atenção na hora de definir os participantes do Leste no All Star Game.

Domatas Sabonis também está mostrando em Indiana uma promessa que não mostrou quando era refém de Russell Westbrook em OKC. Sabonis chegou à NBA com seus maiores atrativos sendo seu jogo no garrafão, os passes e os rebotes, o tipo de jogador que foi feito para jogar de pivô na NBA moderna. E seu primeiro ano em OKC foi basicamente ficar na zona morta esperando um passe e arremessando de três - não a toa não conseguiu mostrar todo seu talento por lá.

Em Indiana - e especialmente sem Myles Turner, o que permitiu a Sabonis jogar de pivô - o filho da lenda do basquete soviético tem mostrado seu jogo completo, dominando o garrafão com seu jogo de pernas, inteligência nos passes, e dominação nos rebotes. Sabonis tem esse ano médias de 13-9-2,5 com 55 FG%, depois de ter 6-4-1 e 40 FG%. E seus números são aida melhores considerando quando jogou sem Myles Turner, como pivô titular do time: 14-11-3 com 60 FG% durante 9 jogos, e em geral o ex-astro de Gonzaga tem médias de 18 pontos, 13 rebotes e 4 assistências por 36 minutos quando joga sem Turner. Nesses minutos, o Pacers tem um Net Rating de +5.8, que seria a quinta melhor marca da NBA. Um jogador muito melhor e mais promissor do que sua avaliação quando foi adquirido de OKC.

Nem Oladipo nem Sabonis parece ser o tipo de estrela em torno do qual você constrói uma franquia, mas considerando o papo de que o Pacers não tinha conseguido nada de valor pela sua estrela, o começo de ano da dupla é encorajador, e estão ajudando o Pacers a se manter competitivo num surpreendente Leste. O próximo desafio: achar uma forma de fazer Sabonis e Turner jogarem juntos em quadra.


Los Angeles Clippers

É impossível achar um ponto positivo na temporada do Clippers, um time sólido e divertido no papel que viu sua temporada acabar cedo com lesão atrás de lesão para seus principais jogadores. O Clippers agora está 8-12 e lidando com mais uma lesão no joelho de Blake Griffin, o ano parece perdido, e o futuro cada vez mais duvidoso.

Então... hm... e ai pessoal, já viram o novo trailer de Guerra Infinita?! Parece fantástico!!


Los Angeles Lakers

A defesa de Los Angeles caiu para #8 na NBA recentemente depois de chegar a ser a terceira melhor da liga em certo ponto, mas ainda assim é de se impressionar com a eficiência do Lakers do lado defensivo da quadra. Esse é o mesmo Lakers que foi a PIOR defesa da NBA um ano atrás! Ter uma defesa Top10 para começar o ano é um grande passo à frente - e um bastante inesperado.

E mais impressionante ainda é o Lakers conseguir isso com praticamente só dois bons defensores no seu elenco (três se contar Julius Randle motivado, o que tem acontecido mais do que o normal esse ano) em KCP e Brandon Ingram. Essa sólida defesa para começar o ano tem vindo não do talento individual dos seus defensores mas sim do seu esforço coletivo, o que é sempre um bom lembrete de que defender na NBA moderna NUNCA é apenas individual. Esse time, pura e simplesmente, sabe o que está fazendo na defesa: os jogadores são capazes de trocar marcação entre várias posições, são bastante ativos nas linhas de passe e nas rotações, jogam duro e com vontade, lutam contra pick and rolls, e mostram uma noção geral boa do que devem fazer. Essa defesa ser #8 não é por acaso.

Parte disso não é sustentável, e alguma regressão já começou: O Lakers tem muita dificuldade em conter penetração a partir do drible (especialmente na posição de armador); eles enfrentaram um calendário bem fácil (7th mais fácil da liga); seu perfil de arremessos não é o ideal (só Milwaukee cede mais arremessos perto do aro); e seus adversários ainda estão acertando um percentual abaixo do normal de arremessos livres, o que é geralmente insustentável. Tudo indica que esse número ainda deve cair do oitavo lugar.

Mas ainda assim, esse time não chegou ao #8 por acaso. Ninguém chega. Esse número e as boas performances defensivas são um testamento não só ao trabalho de Luke Walton, mas também ao quão duro e investido esse elenco está jogando esse ano.


Memphis Grizzlies

Em meio a um desastroso início de temporada, um ponto positivo é que Memphis achou mais um jogador decadente e não desejado para reviver a carreira e mostrar pro mundo que consegue reabilitar QUALQUER jogador do planeta: Tyreke Evans.

Engraçado pensar hoje que Tyreke foi Calouro do Ano sobre Steph Curry e James Harden em 2009, e considerado uma grande estrela do futuro. Mas a cada ano que passava Harden parecia piorar um pouco, as lesões continuavam se sucedendo, e sua falta de arremesso e estilo de jogo individualista começaram a se destacar negativamente cada vez mais em uma NBA que caminhava na direção oposta. Seu espaço foi minguando, e chegou ao ponto que Tyreke teve que assinar um contrato de 1 ano, 3 milhões para tentar reconstruir seu valor na NBA.

Mas Reke parece ter escolhido o lugar certo para isso. Em 20 partidas, Evans vem tendo talvez o melhor ano da sua carreira. São 18 pontos, 5 rebotes e 3.5 assistências por jogo em apenas 28 minutos vindos do banco de reservas, e tem sido crucial para ancorar as rotações vindas do banco de reservas, especialmente com Mike Conley machucado. E, talvez mais importante, Evans parece ter se reinventado como um bom arremessador: está acertando 42% das suas bolas de longa distância em um alto número de tentativas (4.3 por jogo). Não é a estrela que parecia ser quando calouro, mas sem dúvida o Tyreke Evans desse ano é um sólido jogador de NBA. Uma evolução e volta por cima que fazem dele hoje o provável líder na corrida pelo prêmio de Sexto Homem do Ano.


Miami Heat

Discretamente, Kelly Olynyk está se provando uma das mais interessantes contratações da última janela de transferências, e já é hora do pivô ganhar mais minutos em quadra. Ele é apenas o oitavo jogador com mais minutos no time do Miami Heat (em parte porque divide a posição com Hassan Whiteside e quase não tem sido usado de ala de força), mas ele é o jogador que tem sido o diferencial para Miami quando está em quadra, especialmente comandando lineups vindas do banco.

Miami tem uma defesa decente, um time que sabe onde estar e o que fazer desse lado da bola, mas o ataque tem sido uma desgraça (quinto pior da NBA) e parece só encontrar vida quando Olynyk está em quadra provendo espaçamento com suas bolas longas (47 3PT% na temporada, o que deve cair um pouco ainda). Ainda que a maioria disso seja contra reservas, quando o pivô está em quadra o jogo fica mais aberto, os armadores de Miami conseguem realizar suas infiltrações e fazer a bola rodar até o lugar certo, e Miami pontua no nível de um ataque Top8 da NBA. Quando vai pro banco? O ataque de Miami vira basicamente o ataque do Kings, segunda pior marca da NBA, com 96.6 pontos por 100 posses de bola anotado. Miami tem muitos outros problemas para resolver, mas começar a dar mais minutos para Olynyk pode ser um ponto de partida.


Milwaukee Bucks

A impressão é que esse é um assunto todo ano, mas um inevitável simplesmente porque Giannis Antetokounmpo continua evoluindo. O grego deu um salto de qualidade me 2016... depois outro em 2017, quando foi 2nd Team All NBA e ganhou o prêmio de MIP... e agora em 2018 parece ter dado mais um salto de qualidade que nos faz o quão bom Giannis - que tem apenas VINTE E DOIS ANOS de idade - vai realmente ser algum dia.

Esse ano Giannis simplesmente atingiu um novo nível, principalmente como pontuador. Se não tinha dúvidas de que Giannis já era uma superestrela, agora Antetokounmpo já está sendo discutindo entre os 10, talvez 5 melhores da NBA, e com razão. Giannis ainda não tem um bom arremesso, mas a verdade é que isso simplesmente não importa: ele consegue chegar até o aro quando quer graças a seus braços gigantes e seu controle do corpo, e quando Giannis consegue espaço ele é imparável: o grego tem média de 30 pontos por jogo em incríveis 56 FG% e está cavando faltas no melhor ritmo da carreira. Seus rebotes também estão no melhor nível da vida (10.2 por jogo), sua defesa continua excelente e destrutiva, e atualmente ninguém na liga inteira tem PER melhor que os 31.7 de Giannis.

E o Bucks ainda é extremamente dependente da sua grande estrela. Com Giannis em quadra, o Bucks tem basicamente uma defesa média e um ataque equivalente ao sexto melhor da NBA, o que da um Net Rating de +3.3 - marca que seria a sétima melhor da NBA. Mas quando Antetokounmpo senta, Milwaukee despenca para o terceiro pior ataque da NBA, a pior defesa da liga, e um Net Rating de -11.4. Apesar de todo o talento em Milwaukee, existe uma falta de padrão para ser bem usado,e  muito do que esse time ainda faz é confiar no talento descomunal de sua estrela para carregar o piano dos dois lados da quadra - e é um testamento para o quão bom Giannis já é o fato de que ele está conseguindo.


Minnesota Timberwolves

Para um time cujas peças não se encaixavam muito bem, que poderia ter problemas de espaçamento e muitos jogadores que seguram demais a bola e gostam de centralizar o jogo, Minnesota começou muito bem a temporada ado lado ofensivo da bola, tendo o quinto melhor ataque da liga rumo a uma campanha de 13-9 até aqui.

O mais engraçado é que Minnesota AINDA tem problemas de espaçamento e não arremessa bolas de três pontos - é o segundo time com menos bolas longas na temporada - e é abaixo da média em quesitos como % de assistências e passes por jogo, que são indicadores de jogo coletivo. Minny está basicamente tendo sucesso com a tática Toronto Raptors: diminua o ritmo de jogo, não sofra turnovers, aproveite cada posse de bola, consiga um monte de lances livres e aproveite o talento individual de suas estrelas ao máximo (e como bônus adicional também estão dominando os rebotes ofensivos, pegando 26% dos seus próprios erros, quarta melhor marca da liga).

Por um lado, é encorajador ver que Minny está conseguindo ter um excelente ataque mesmo com todos os problemas que se esperava que tivesse nessa adaptação, e da esperança para o que esse time virá a ser desse lado da quadra quado conseguir integrar todo seu talento. Por outro, precisam trabalhar agora até o final do ano para capitalizar em cima disso e continuar desenvolvendo um ataque mais fluido e diversificado, para não chegar em Abril e acontecer o que todo ano acontece com o ataque de Toronto nos playoffs.


New Orleans Pelicans

Uma das grandes perguntas que ficou na NBA ao final do ano passado dizia respeito ao Pelicans e sua dupla de estrelas, Davis e Cousins: é possível um time da NBA render em alto nível no basquete moderno com um time construído ao redor de dois jogadores de garrafão, nesse momento em que todo mundo está tentando jogar mais baixo e focando no perímetro. E até aqui, a resposta parece ser que sim.

No agregado, o Pelicans está 11-10 na temporada com Net Rating de -0.2 (17th no ano) - bem médio. Mas isso diz mais sobre a falta de talento e a montagem irregular desse elenco do que sobre a capacidade do time jogar com dois jogadores de garrafão. Na verdade, quando Davis e Cousins estão juntos em quadra, o Pelicans tem um Net Rating de +4.3, marca que colocaria New Orleans como o sexto melhor time da NBA. O principal problema é realmente quando Davis senta e Cousins comanda as lineups vindas do banco: -10.5 por 100 posses de ola quando Cousins joga sem Anthony Davis.

Esse sucesso com dois pivôs vem não só do enorme nível de talento de Cousins e Davis, mas sim pelo fato dos dois serem jogadores com características bastante modernas: Cousins evoluiu em um arremessador de três pontos respeitável, e Davis também tem boa eficiência no seu arremesso, ainda que ele ainda não se estenda tanto até a linha de 3, o que abre espaço em quadra. Ambos são muito bons batendo bola e podem fazer tanto o papel do ball handler como o do screener em um pick and roll, muitas vezes juntos (Cousins anota 0,9 PPP quando conduz um pick and roll, marca no 70th percentil dos jogadores da NBA), e são capazes de destruir qualquer defensor menor que acabe por defendê-los, o que impede trocas de marcação.

Isso tudo permitiu que a comissão técnica do Pelicans ficasse bastante criativa com a forma de usar seus jogadores. É muito comum ver o Pelicans usando jogadas normalmente desenhadas para liberar os armadores, vindo de corta-luz fora da bola por exemplo... só que New Orleans inverte essas jogadas e usa seus PIVÔS para receber essas jogadas, o que confunde totalmente a marcação e, quando bem executado, torna o time praticamente impossível de defender. Davis e Cousins tem as habilidades de perímetro para fazer funcionar e dar continuidade a essas jogadas; times não estão acostumados a defender essas jogadas com as pessoas que normalmente marcariam esses dois jogadores; e tanto Davis como Cousins vai punir qualquer troca de marcação. Não funciona sempre, mas quando funciona, é realmente muito legal de se ver - eu pessoalmente adoro esses times e jogadas que fogem do padrão que estamos acostumados, e nos mostram novas possibilidades.

New Orleans não tem talento e arremessadores suficientes no time para maximizar Davis e Cousins ainda, mas o time parece ter provado uma coisa: de que ambos podem funcionar jogando juntos. Com Cousins perto de se tornar agente livre, essa é uma informação preciosa para se ter e que pode definir o futuro da franquia.


New York Knicks

Todo mundo sabia que Kristaps Porzingis era bom, mas escondido atrás de Carmelo Anthony em um desastroso esquema era difícil saber exatamente o quanto.

Mas agora como indiscutível foco do time finalmente estamos conseguindo ver o letão atingindo seu potencial, e é glorioso. Porzingis está tendo média de quase 26 pontos por jogo com excelentes níveis de eficiência (46,7 FG%, 39,8 3PT%, 84,1 FT%) e sendo alvo frequente de marcações duplas e triplas. Sério, como você marca Porzingis? Ele tem excelente domínio de bola para um grandalhão e é mais do que capaz de colocar a bola no chão e dar um ou dois dribles para abrir espaço; ele é muito ágil e atlético, com um pouco de espaço para engatar a marcha ele consegue atingir o aro e finalizar com muita facilidade; seu jogo de costas para a cesta continua se desenvolvendo (Porzingis está com média de 1,06 PPP em jogadas de post up, no 78th percentil da NBA); e se nada disso der certo, ele pode simplesmente arremessar por cima de você. Porzingis tem 2m21 (7'4) com um excelente arremesso que se estende até a linha dos 3 pontos e tem um alto ponto de lançamento - nenhum jogador na NBA vai bloquear isso.

Porzingis está maturando em uma das maiores armas da NBA, um pivô e extremamente atlético alto capaz de proteger o aro (lidera a NBA pelo segundo ano seguido em aproveitamento dos adversários perto do aro) e ser uma força imparável no ataque, capaz de espaçar a quadra (39,8 3PT%), atacar a cesta, punir trocas e basicamente pontuar como quiser. Ele manteve praticamente sozinho o que deveria ser um péssimo time do Knicks vivo no Leste e sonhando com playoffs. O Knicks tem o Net Rating do quinto melhor time da NBA (+4.7) quando Porzingis está em quadra e do quinto pior (-6.6) quando ele está no banco. Tire Porzingis desse time e eles estão brigando pela primeira escolha do Draft. Com o letão, não é absurdo imaginar esse time jogando na pós-temporada quando Abril chegar.


Oklahoma City Thunder

O Thunder tem sido uma das maiores decepções do começo de ano, com uma campanha de 8-12 e três derrotas seguidas desde sua convincente vitória sobre Golden State. O novo Big Three de OKC não começou bem sua trajetória em Oklahoma.

No entanto, os números pintam uma história diferente. É há muito tempo conhecido que vitórias e derrotas não são a melhor maneira de se avaliar o nível de performance de um time. Uma melhor, por exemplo, é ver qual o saldo de pontos (ou o famoso Net Rating, saldo de pontos por 100 posses de bola) do time. Outra é avaliar o perfil das vitórias e derrotas - jogos decididos por menos posses de bola tendem a ser mais aleatórios e dizer menos sobre o nível de jogo dos times, enquanto vitórias ou derrotas por margens largas tendem a indicar uma diferença de nível maior.

Então a boa notícia é que esse dois fatores são bem favoráveis ao Thunder. Em 20 jogos, OKC tem um Net Rating +2,4, que seria a oitava melhor marca da NBA. Analisando o perfil de jogos do Thunder, isso fica ainda mais claro: das suas 12 derrotas, 10 delas foram por 8 pontos ou menos, e cinco delas por 4 pontos ou menos. Das 8 vitórias, nenhuma por menos de 9 pontos, e 7 delas por pelo menos 13 pontos. Em outras palavras, OKC está ganhando seus jogos por muito e perdendo por pouco - em teoria, ao longo do tempo a variância nas derrotas apertadas tende a nivelar, e esses jogos (especialmente os decididos por 4 pontos ou menos) tendem a ser quase 50% de vitórias. Esse perfil indica que OKC está jogando acima do nível do seu total de vitórias, e com o tempo isso deve melhorar.

(Javert me pediu para incluir essa observação: Vale citar que OKC teve a sexta tabela mais fácil da NBA e que seus números gerais de saldo de pontos estão distorcidos por causa de alguns massacres sobre os piores times da NBA, em especial o Bulls)

Também vale observar que, apesar do seu Big Three estar encontrando dificuldades para render como esperado junto, eles não estão de forma alguma mal: o Thunder tem um Net Rating de +4.7 quando suas três estrelas estão juntas em quadra, baixo para um Big Three com aspirações ao título, mas ainda um número muito sólido. É cedo demais para descartar esse time e esse nível de talento.


Orlando Magic

É muito bom ver Orlando - que durante tanto tempo permaneceu como um reduto do basquete arcaico, ao ponto de jogar com Aaron Gordon de SF durante grande parte de 2017 para acomodar Jeff Green e um exército de jogadores de garrafão - finalmente abraçando um basquete mais moderno, e mais importante, uma identidade.

Orlando chegou como uma das grandes surpresas do ano graças às suas bolas de três pontos, o que é incrível quando lembramos que em 2017 o Magic foi o quinto time com menos bolas de três pontos, e o time de segundo pior aproveitamento. E ainda assim esse ano - com Aaron Gordon jogando quase exclusivamente na posição 4 e mostrando um muito evoluído arremesso - Orlando é o terceiro time que mais fez cestas de três pontos no ano, atrás apenas de Houston e Golden State, e é o quarto time de melhor aproveitamento. O ataque, claro, reagiu de acordo: depois de ser o segundo pior da NBA em 2017, agora é um respeitável 12th lugar.

Parte dessa melhora vem da evolução individual de alguns jogadores: Aaron Gordon está chutando um career-high 5.3 bolas de três por jogo com aproveitamento (talvez insustentável) de 43%, enquanto o pivô Nikola Vucevic estendeu seu alcance nos arremessos para a linha de três, chutando sólidos 36% em 4 chutes por jogo. Essas melhoras podem não ser sustentáveis no médio prazo (ainda é difícil dizer), mas elas também estão ligadas a uma mudança de postura e esquema tático em Orlando. Os pivôs atrás de Vucevic estão praticamente todos afundados no banco, o time está jogando com muito mais velocidade (#6 na NBA) e é fácil ver uma mudança de postura dos jogadores no ataque, buscando sempre a opção da bola longa nos passes, e uma movimentação dos jogadores voltada para conseguir esses arremessos longos. Orlando enfim chegou no século 21, e pode ser o primeiro (e importante) passo rumo a estabelecer uma identidade que não existia sob o ex-GM Rob Hennigan.


Philadelphia 76ers

Philadelphia era para ser o time do futuro, mas - assim com aconteceu com Boston - parece que esse futuro está chegando muito mais cedo do que o antecipado. Em outras palavras, o futuro ainda é brilhante, mas está ficando claro que esse time já é muito bom nesse momento. Nos seus últimos 9 jogos, Philly está 6-3 com três vitórias por 20+ pontos, e as três únicas derrotas vindo nas mãos dos grandes favoritos Warriors e Cavaliers, mais o Boston Celtics (sem Embiid). Até aqui, Philadelphia enfrentou o calendário mais difícil de toda  NBA.

E parte desse sucesso de Philly vem da dominação da sua nova lineup titular. O Sixers finalmente colocou Ben Simmons como PG nominal da equipe e cercou ele e Embiid de arremessadores em JJ Redick, Robert Covington e Dario Saric (cuja bola de 3 está mostrando evolução esse ano) - em teoria a formação certa para maximizar seu fantástico calouro.

E essa lineup foi um ENORME sucesso. Philly tem destruído adversários nos 154 minutos que essa formação jogou junta: seu Net Rating de +20,6 não só lideraria a liga por quilômetros como é a terceira melhor lineup de TODA a NBA entre grupos que jogaram 100 minutos juntos. Ela é uma lineup impressionante que ao mesmo tempo é alta e baixa: ela tem três arremessadores (quatro se contar Embiid) e não tem um ala de força tradicional, jogando com seus alas bem abertos; e ao mesmo tempo tem QUATRO jogadores com 6'6 ou acima e todos capazes de trocar a marcação em jogadores menores. Ela consegue ao mesmo tempo te superar com velocidade e versatilidade como é capaz de te esmagar com tamanho e força física. Tem sido glorioso ver essa formação jogando junta (diga-se de passagens, as lineups com Ben Simmons e Embiid jogando juntos tem Net Rating de +9,9).

Vai ser interessante ver como Philly vai reintegrar Fultz à rotação quando voltar e como esse grupo continua evoluindo, mas por enquanto o Sixers parece ter encontrado sua melhor lineup, e ela deixa bem claro que Philly é um time para se respeitar já em 2018.



Phoenix Suns

Em meio ao que tem sido uma temporada ruim no Arizona, o crescimento de Devin Booker continua ser o principal foco de otimismo. Booker ainda tem apenas 21 anos, mas seu crescimento contínuo tem mostrado que o Suns realmente pode ter achado ouro com o ex-jogador de Kentucky.

A produção bruta de Booker não mudou muito em relação ao ano passado: 23 pontos e 4 assistências por jogo, contra 22 pontos e 3.4 assistências em virtualmente a mesma USG%. Mas olhando de perto, você percebe que seu PER saltou de 14.6 para 18.1, seus Win Shares por 48 minutos mais que dobraram (de 0.035 para 0.081) e que basicamente todas suas estatísticas avançadas indicam que Booker está sendo muito melhor esse ano. Por que isso acontece, então?

Porque se Booker não aumentou sua produção, ele aumentou grosseiramente sua eficiência. Seu True Shooting% saltou quase 40 pontos (de .531 para .568) e seu eFG% também (de .475 para .513). E isso acontece simplesmente porque Booker está melhor na hora de arremessar a bola (em termos de jump shot mesmo): ano passado, Booker converteu 36% das suas bolas de três e 38,7% das bolas de meia distância, enquanto esse ano esses números estão em 38% e 48%, respectivamente. Ajuda que Booker trocou alguns arremessos de meia distância (que hoje constituem 32% de seus arremessos, menos que os 36% do ano passado) por bolas de três (subiram de 28% para 35% esse ano) e se tornado mais seletivo de modo geral com os arremessos, trocando arremessos contestados por chutes com mais espaço (59% dos seus arremessos em 2017 era contestados, contra 51% em 2018).

Ainda tem pontos para Booker evoluir - seus arremessos no aro caíram em 2018, sua defesa ainda é fraca, e ainda depende demais das bolas de meia distância apesar da queda. Mas ele está jogando com mais vontade na defesa, sua capacidade como criador e passador continua melhorando, e o jogo parece que está vindo cada vez naturalmente para ele. Sinais encorajadores do jogador chave para o futuro dessa franquia.


Portland Trail Blazers

Alguém esperava o Blazers tendo uma grande defesa esse ano? Eu com certeza não, mas aqui estão eles com a segunda melhor defesa da temporada nesse começo de ano apesar do começo um pouco lento de Nurkic e ainda usar McCollum e Lillard como seus principais jogadores. Portland está cedendo 99,5 pontos por 100 posses de bola no ano. Isso é realmente muito bom.

Parte disso, já aviso, não vai se sustentar. Com a amostra pequena nessa altura do ano, muito da flutuação nessas estatísticas se da por coisas que o time tem pouco controle, como por exemplo quão bem o adversário vai arremessar suas bolas livres ou seus lances livres. Portland tem sido o terceiro time com mais "sorte" nas bolas de três pontos, por exemplo - uma hora essas bolas vão começar a cair por simples questão de variância, e a defesa vai cair de acordo (Blazers também enfrentou o calendário mais fácil da NBA inteira, vale citar).

Mas Portland está bem defensivamente também por outro motivo: está forçando os adversários a darem os arremessos que o Blazers quer. Ao invés de contestar todos os arremessos, Portland está focado em proteger o garrafão e se manter próximo dos arremessadores que estão atrás da linha dos três pontos, forçando os adversários a chutar daquela indesejável área de meia distância. Portland é o sétimo time que cede menos arremessos perto do aro, e NENHUM time é melhor evitando os arremessos de três pontos do que o Blazers. O time sabe exatamente o que quer fazer na defesa, qual o plano, e os jogadores estão executando como podem: recuar no pick and roll, não trazer ajuda de fora ou rotações longas, e forçar os adversários a vencer a partir do drible. É obviamente mais fácil fazer isso contra um calendário favorável, e essa defesa ainda deve ser testada contra adversários melhores, mas ter um plano bem definido e jogadores que sabem como executá-lo já é um bom começo.


Sacramento Kings

Nota: A exigência para essa coluna ser escrita foi de que não precisaria achar nada de positivo para falar sobre o Sacramento Kings. Agradecemos a compreensão.


San Antonio Spurs

Todo mundo continua esperando a volta de Kawhi Leonard - que enfim voltou a treinar em quadra! - para prestar mais atenção ao Spurs. E por causa disso a excelente temporada de LaMarcus Aldridge está passando despercebida, e injustamente.

Aldridge teve um começo difícil no Spurs e estava reconhecidamente infeliz ano passado em San Antonio, foi muito mal na pós-temporada, e parecia improvável que a parceria entre Aldridge e o Spurs continuasse por muito tempo. Mas Pop e Aldridge aproveitaram a offseason para lavar a roupa suja, e o Spurs deu ao seu ala de força um novo e caro contrato que chegou a levantar muitas sobrancelhas ao redor da liga.

Até aqui, parece ter sido o movimento certo, e Aldridge parece um jogador totalmente renovado. Parte disso ainda será testada, já que a ausência de Kawhi Leonard empurrou Aldridge de volta para ser o foco ofensivo da equipe (como ele queria), o que possivelmente não vai continuar quando Kawhi voltar de lesão. Mas nesses 21 jogos Aldridge vem tendo uma das melhores temporadas da carreira e parece cada centímetro daquele jogador que era tão cobiçado em Portland. Ele está abusando jogadores melhores no garrafão, e voltou a ter um maior percentual dos seus arremessos perto do aro. Seus arremessos continuam excelentes, mas agora Aldridge deu um passo a mais para trás e está arremessando mais bolas de três com um respeitável 36 3PT%. Está mais envolvido no ataque e respondendo isso com mais vontade, movimentação, melhores corta-luz, e simplesmente jogando no nível que San Antonio esperava desde o começo.

Junte tudo isso e Aldridge está arremessando mais bolas de três (e com melhor aproveitamento) do que nunca na carreira, batendo mais lances livres, tendo sua melhor marca de pontos por minuto (25 por 36 minutos), e defendendo em alto nível mais uma vez. E embora sua linha estatística estatística seja excelente - 23 pontos, 8 rebotes por jogo, com 52 FG%, 36 3PT%, 83 FT% - o maior testamento ao quão boa vem sendo sua temporada provavelmente é o quanto o Spurs depende dele. San Antonio, normalmente famoso por seus ótimos bancos e por não depender de um único jogador, simplesmente afunda quando Aldridge não está em quadra - nesses minutos o time é um -4.1 por 100 posses de Net Rating, mais do que o dobro do que o jogador mais próximo. Parte disso não vai se manter quando Kawhi voltar e retomarem a distribuição de arremessos, mas é muito encorajador para o Spurs a forma que Aldridge vem mostrando para começar essa temporada.


Toronto Raptors

Não é nenhuma novidade o Toronto Raptors ter um bom ataque na temporada regular da NBA. Eles tiveram o terceiro melhor ataque em 2015, o quinto em 2016, e sexto em 2017. Então Toronto ter o terceiro melhor ataque da liga até o momento não surpreende ninguém.

O problema do Raptors sempre foi que seu estilo ofensivo - baseado em cuidar bem das posses de bola para não cometer turnovers, arremessos de meia distância contestados, e muitos lances livres - chegava nos playoffs e simplesmente implodia: Toronto teve o segundo pior ataque dos playoffs em 2015, o terceiro pior em 2017, e o quinto pior em 2016. Nos playoffs, os lances livres não vem com tanta facilidade, os espaços para esses arremessos contestados de meia distância fica ainda menor, e fica muito difícil conseguir achar os mesmos pontos que na temporada regular sem conseguir aquelas bolas suculentas em transição, sem o espaçamento e pontos extras gerados pelas bolas de três pontos, e sem o tipo de criatividade e versatilidade que torna um ataque mais difícil de ser defendido.

Por esse motivo Toronto entrou em 2017/18 com o objetivo de mudar sua forma de jogar no ataque para que isso não se repetisse quando chegasse nos playoffs. E, até aqui, os primeiros resultados são positivos: estão jogando num ritmo mais rápido (de 22nd para 14th em pace) e arremessando muito mais bolas de três (37,7% de seus arremessos vem de trás da linha dos três pontos, contra 28% ano passado) esse ano. Estão rodando mais a bola (16th em passes por jogo depois de terminarem 27th ano passado) e buscando mais os passes para os companheiros livres

Isso ainda não está tão natural para o Raptors - Javert escreveu semana passada sobre como Toronto ainda está revertendo para seus velhos hábitos nos finais de jogos, o que levanta questionamentos sobre o quão sustentável isso será em uma situação mais difícil como pós temporada. Mas por enquanto é encorajador ver que Toronto está se esforçando para caminhar na direção de tentar algo novo e diferente, e os primeiros resultados tem sido positivos.


Utah Jazz

É sempre um erro querer avaliar jogadores jovens (em especial calouros) depois de apenas 20 jogos. Muitos grandes jogadores tiveram começos ruins, e jogadores ruins tiveram começos ótimos. Então leve tudo nesse sentido com um grão de sal. Mas olha, parece cada vez mais que o Jazz achou ouro em Donavan Mitchell nesse Draft.

Mitchell nem deveria ser do Jazz - a escolha #13 veio em uma troca com o Nuggets, que estupidamente trocou essa escolha por um ala de força mediano (Trey Lyles) e a escolha #24, na qual escolheram outro ala de força mediano (Tyler Lydon), sendo que ala de força já é a opção mais atulhada do time. As vezes você precisa dar sorte com essas coisas, e o Jazz deu com essa sequela maluca de Denver.

E Mitchell tem sido uma revelação. Seu tempo de jogo acabou aumentando com as lesões de Rodney Hood e Dante Exum perdendo a temporada, mas o ex-armador de Louisville correspondeu mais do que à altura. Até aqui são 15 pontos, 3 rebotes e 3 assistências por jogo com boa defesa e 35,6 3PT%, e os números são ainda melhores considerando os 11 jogos desde que Mitchell recuperou a titularidade no time: 18-4-4, 43,6 FG%, 39 3PT%, 78 FT%. Mitchell está mostrando ser capaz de fazer um pouco de tudo (e bem) em quadra, seja armar um pouco o jogo, seja buscar seus próprios pontos, arremessar de fora, ou usar sua explosão e habilidade atlética para atacar o aro. Mitchell defende em alto nível, está desenvolvendo um jogo ofensivo cada vez mais refinado, e desenvolvendo rapidamente. E cada vez mais está parecendo um dos grandes acertos desse Draft.

O calouro, claro, ainda tem chão. Sua seleção de arremessos pode ser questionável, e ficar focado demais em arremessar e esquecer de passar a bola. Ainda não está claro se Mitchell tem a visão e capacidade nos passes para ser um armador principal, ou se seu tamanho vai permitir que defenda jogadores da posição 2 com facilidade (pense nos tipos DeMar DeRozan). Mas ele é talentoso, muito atlético e explosivo, e está se desenvolvendo a uma velocidade impressionante. Sua defesa já é refinada, e sua capacidade de fazer arremessos difíceis também. Tem certas coisas que não se pode ensinar, e Mitchell mostra muita delas - e uma vontade singular em aprender as demais. Desse time de Utah, ele é quem tem mais chances de se tornar uma estrela algum dia (além, claro, de Rudy Gobert, que já o é), e talvez essa não seja uma aposta tão improvável assim.

Mitchell também precisa aprender melhor a respeitar as leis. Como por exemplo a lei da gravidade.





Washington Wizards

Como um time sem acesso a boas escolhas de Draft ou espaço salarial e que ainda não está no nível dos candidatos ao título, Washington é o tipo de franquia que para dar os próximos passos depende muito do desenvolvimento interno dos seus jogadores. Ao invés de achar novos grandes jogadores, precisa acertar nas margens essa contratação (e principalmente reforçar o banco) enquanto os bons jogadores que já estão lá dão novos passos rumo a se tornarem estrelas (ou próximo disso).

E por isso é tão importante a contínua evolução de Otto Porter para esse time. Depois do milionário contrato que recebeu na offseason algumas pessoas esperavam que Porter caísse um pouco de produção, mas na verdade o contrário aconteceu: com Markieff Morris machucado durante um bom tempo e as lesões que tem mantido John Wall fora das quadras, Washington precisou que Porter assumisse um maior papel na equipe, e o quinto-anista está aceitando a incumbência e correspondendo mais do que à altura.

Porter viu sua carga subir para novos níveis - seu USG% está em 18,3% e sua média de arremessos por jogo em 12,1, ambos as marcas mais altas da sua carreira - mas de alguma forma sua eficiência conseguiu aumentar ainda mais. Apesar do maior volume e de estar tentando arremessos cada vez mais difíceis, Porter está arremessando 52,1% de quadra e 47,5% de três pontos, as melhores marcas da carreira. E seja por necessidade ou evolução natural, o role player Porter agora está assumindo a responsabilidade e sendo o protagonista quando necessário, como fez na vitória sobre o Wolves na terça feira dia 28. Porter está mais confortável criando o próprio arremesso, não apenas finalizando o que era criado por outros (em geral Wall), e isso tem sido ingrediente crucial para manter o Wizards vivo com o tempo perdido pela sua estrela. Apenas Wall tem um Net Rating maior que Porter entre os jogadores de rotação do Wizards, e a defesa despenca quando Porter vai para o banco. Entre a evolução de Porter e a de Bradley Beal (mais confortável do que nunca armando o jogo e atacando a cesta) Washington está vendo a tão esperada evolução de seus jovens jogadores acontecendo.



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Hack a Cast 2016 #3 - Knicks, Pacers, Warriors e mais!




Novo Hack-A-Cast no ar!!!

Dessa vez, eu e o Vinicius Veiga discutimos sobre Warriors, Knicks, Magic, Warriors, Kings, Pacers, Rockets, e Warriors mais uma vez.

Não perca!!


Planilha dos assuntos (a partir do):
Minuto 3: New York Knicks e Kristaps Porzingis
Minuto 21: Orlando Magic
Minuto 33: Indiana Pacers e Paul George
Minuto 46: Sacramento Kings e DeMarcus Cousins
1h1: Houston Rockets e a má fase
1h15: Golden State Warriors e a invencibilidade


terça-feira, 17 de junho de 2014

As estrelas da offseason, parte II - Carmelo Anthony

"Renovar com o Knicks?! Ta maluco?!"


(Essa é a segunda parte da coluna que começou sábado, quando falei de Kevin Love. A introdução é a mesma, então se já tiver lido, pode ir direto aos finalmentes).

Com o Miami Heat chegando na sua quarta final de NBA consecutiva (primeiro time a fazer isso em 25 anos) e dois títulos na estante, tem ganhado cada vez mais força a narrativa de que, para vencer um título na NBA, você precisa de uma superestrela, um dos 10 ou 15 melhores jogadores da Liga, capaz de vencer jogos sozinhos e desequilibrar uma série. É uma teoria que sempre foi repetida nos círculos da NBA, e que ganhou ainda mais força dada a dominação do Miami Heat nos últimos anos e a ascensão de times como Thunder e Clippers.

E certamente existe muito que sustenta essa teoria ao longo da história da NBA, tanto mais antiga como recente. É DIFICÍLIMO vencer um título na NBA sem uma grande estrela, quase impossível. Desde que Magic e Bird entraram na NBA em 1980, com apenas UMA exceção, os times campeões contavam sempre com uma grande estrela: Kareem, Bird, Moses Malone, Magic, Isiah ThomasJordan, Hakeem, Duncan, Shaq, Wade, Garnett, Kobe, Nowitzki e LeBron James - todos jogadores que estariam alto em uma lista dos maiores de todos os tempos. A exceção é o Pistons de 2004, um time sem estrelas que é praticamente a exceção para tudo na história da NBA, uma equipe que se aproveitou de uma época onde as regras ficaram excessivamente a favor de times ultra-defensivos e de um Leste bastante fraco. Ainda assim, fato é que a história nos mostra diversas vezes que sim, você realmente precisa de um jogador Top10 ou Top15 para ter chance de vencer um título.

O problema é que cada vez mais parece que só uma estrela não basta, e que você também precisa de uma segunda estrela - ou talvez até uma terceira - se quiser ser campeão. Não é essencial como sua primeira estrela, mas sem dúvida aumenta muito suas chances. LeBron só foi vencer um título em Miami cercado por Wade e BoshKevin Garnett aceitou ir para o Celtics porque lá tinha Ray Allen e Paul Pierce, que tirariam a responsabilidade da pontuação das suas mãos; Kobe foi as Finais como coadjuvante de Shaquille O'Neal, e só voltou lá cinco anos depois quando lhe deram Pau Gasol embrulhado em papel de presente; Duncan teve primeiro David Robinson, depois Parker e Manu, e sempre teve talvez a mais importante delas fora de quadra, Popovich. Mesmo Kareem precisou de Magic Johnson, e Jordan de Scottie Pippen. E mesmo entre os não-campeões da atualidade, OKC tem Durant, Westbrook e Ibaka, e o Clippers tem Chris Paul e Blake Griffin - junto de Spurs e Heat, esses são os quatro melhores times da NBA (o quinto, pelo menos em eficiência total? O Rockets de Harden e Dwight Howard).

Você provavelmente já entendeu o ponto: a NBA é uma Liga de estrelas, onde as estrelas são as maiores comodidades que você pode ter na sua equipe. Se você não tem, você está em um patamar muito abaixo dos times que as possuem, e quanto mais você tiver, melhor. O óbvio problema aqui é que existe um número limitados de jogadores assim na NBA. Então, é claro, não é nada fácil ter a sua estrela, e todos os times que não tem estão desesperadamente a procura de uma, seja por Draft, seja pela Free Agency, seja por trocas. 

Portanto, não é de se surpreender o enorme interesse que é gerado toda vez que uma estrela fica disponível para mudar de time. É a chance de vários times que não tem estrelas adquirirem uma, ou então de times que já tem uma base adicionarem o talento excepcional em busca do próximo passo (ver: Rockets, Houston). E por esse motivo, parece que dois jogadores - duas estrelas - dominarão a mídia na NBA quando as Finais acabarem: Kevin Love, e Carmelo Anthony, duas estrelas que podem mudar de time nessa offseason.

A situação dos dois, claro, é diferente. Carmelo Anthony é um Free Agent, cujo contrato com o Knicks vai expirar e que está livre para ir aonde bem entender. Kevin Love, por outro lado, ainda tem mais um ano no seu contrato (e uma opção para 2015/16 se quiser), mas joga para um time de mercado pequeno com o qual ele está bastante insatisfeito, e podendo sair depois de 2015, e criou uma situação na qual o Wolves se arrisca a perder o jogador por nada caso não se antecipe e troque seu craque. Então Carmelo e Love tem isso em comum: ambos são estrelas, e ambos estão disponíveis a ir para o seu time nessa offseason. Isso é, se você puder pagar.

Com a offseason se aproximando, previsivelmente, as histórias e os boatos em torno de Melo e Love já começaram a aparecer. Então eu estou aqui para analisar exatamente a situação de cada um, quais são os potenciais interessados (e destinos factíveis), quais as opções dos jogadores, e o que os seus times atuais podem fazer para manter suas estrelas. Lembrando que estou analisando principalmente as possibilidades e probabilidades de cada evento acontecer, não levando em conta os rumores e boatos que surgem por ai.

Sábado, falamos sobre a situação de Kevin Love. Hoje é hora de falar das questões envolvendo Carmelo Anthony.


Carmelo Anthony


Ao contrário de Kevin Love, um jogador mais jovem com uma ascensão relativamente recente e menor rodagem na NBA, Carmelo Anthony já é uma estrela antiga e consagrada. Melo tem 11 anos de NBA no currículo, 6 All-NBA Teams (dois 2nd Team, quatro 3rd Team) e uma merecida fama como um dos melhores pontuadores da NBA nesse período: 21 ppg como calouro pelo Nuggets e nunca abaixo de 20, atingindo seu auge em 2007 (29-6-4) e 2010 (28-7-3 para um bom time de Denver que foi para as Finais de Conferência) e liderando a NBA em pontos em 2013. No entanto, esse sucesso individual nunca se transferiu para sucessos coletivos: Melo chegou apenas uma vez nas Finais de conferência (2010) por Denver antes de forçar uma troca para New York, um mercado maior que já tinha uma primeira "estrela" no lugar e aparentava estar em boa situação para atrair uma terceira (lembrem-se que CP3 e Deron Williams estavam para se tornar free agents).

O motivo para forçar essa troca nunca foi bem esclarecido, mas pareceu uma mistura de três coisas: um entendimento do valor que um mercado grande como NY poderia ter sobre uma superestrela como Melo (e para sua mulher, claro); uma componente pessoal (Melo simplesmente queria o glamour de jogar no Knicks); e por fim, uma decisão de basquete em busca de um título. Sobre esse último, é simples: o Big Three de Miami tinha acabado de se juntar e tinha lançado as bases para os times de muitas estrelas construídos via free agency, e com Deron Williams e CP3 prestes a se tornarem free agents, a idéia era de que Melo, Amare e um dos dois poderiam se juntar no seu próprio Big Three em New York. Claro, nunca aconteceu: CP3 foi para Los Angeles, Deron para o rival Brooklyn, os joelhos de Amare foram para o saco, e o Knicks ganhou apenas uma série de playoffs em quatro anos mesmo jogando no Leste. E um abraço para a melhor chance de vencer um título.

Agora o contrato de Melo vai chegando ao fim, e sua situação é muito mais simples que a de Love: não tem nenhuma troca para forçar, nenhuma complicação quanto a extensão a ser assinada nem nada. Melo tem uma opção para 2015 que ele ainda pode exercer, mas também pode encerrar seu contrato agora e entrar para a free agency. Por alguns motivos, eu acredito que ele vai preferir encerrar seu contrato agora: tem algumas opções interessantes para ele se transferir se seu objetivo é realmente vencer, e sair agora lhe da a opção de assinar talvez seu último contrato máximo da carreira o quanto antes - chegando perto dos 30, você vai querer garantir o máximo de dinheiro possível enquanto pode.

Então assumindo que Melo opte por terminar seu contrato e virar Free Agent, quais são as opções realistas que Melo tem nessa free agent, como cada uma pode atrair Melo, e qual a vantagem para ele em cada uma delas?


Quais as chances dele continuar no New York Knicks?

O caso a favor do Melo continuar no Knicks é bem simples: pelo novo CBA da NBA, o Knicks pode oferecer um ano a mais de contrato e mais dinheiro do que qualquer outro time da liga - NYK pode lhe oferecer um contrato máximo de aproximadamente 5 anos, 130M (26M por ano), enquanto que no mercado ele não poderia ganhar mais do que 4 anos, 96M (24M por ano). Isso é motivo suficiente para convencer muita gente, não só pelo dinheiro extra como pela garantia de um ano a mais de salário - lembrando que Melo já tem 30 anos, então dificilmente vai ter um próximo contrato máximo e é uma diferença considerável ganhar um contrato máximo por um ano extra (só pra constar, esses valores podem variar conforme o salary cap para o ano que vem mudar).

Claro, não é só isso que vai pesar na hora da decisão. New York ainda é o maior mercado dos EUA, e Melo sabe perfeitamente o valor de jogar nele - aumenta o valor da sua "marca" (e, vale ser dito, é onde sua mulher que adora os holofotes quer morar), por exemplo, algo que é cada vez mais importante para atletas hoje em dia. Morar em New York por si só já é um atrativo imenso, uma cidade onde você pode agir como uma celebridade perto de outras celebridades e desfrutar de um certo status.

Além disso, tem outro motivo que certamente Melo sabe: jogar no Knicks tem um peso que nenhuma outra franquia trás. Os torcedores do Knicks são os mais refinados e fanáticos dos EUA (acredite, eu conheço uma família deles) e acompanham uma das franquias mais tradicionais da liga, mas não tem a história de sucesso como os do Lakers ou Celtics e em geral estão "carentes" por uma estrela, alguém para conectar e acompanhar com paixão como faziam com Bernard King, Clyde Frazier e tantos outros. Enquanto ele for o franchise player do Knicks, ele sabe que suas ações em quadra terão um peso maior, que o impacto dos seus jogos de 60 pontos serão ainda maiores, e que sempre terá uma torcida inteira lotando a Meca do basquete (MSG) para gritar o seu nome. A importância que vem em jogar para o Knicks é ímpar, e algumas pessoas valorizam muito isso. E vale citar que, embora o impacto ainda seja muito difícil de dizer a essa altura, o Knicks acabou de fazer uma oferta monstruosa para Phil Jackson assumir o comando da equipe na esperança de que o carisma o currículo de Phil mudem o rumo da franquia e exerçam uma forte influença sobre Melo. É possível que a idéia de jogar para o maior vencedor da história recente dos esportes americanos seja a carta na manga do Knicks.

O caso a favor de Carmelo deixar o Knicks é ainda mais simples: no século 21, você vai ter trabalho para achar uma franquia mais consistentemente fracassada e incompetente do que o Knicks, um time que gastou os últimos 14 anos em trocas péssimas, elencos caros e muitas derrotas. Um dos motivos por trás da vontade de Melo ir para o Knicks era achar uma situação com boa chance de vencer, em parte porque acreditavam poder montar um novo Big Three por lá, mas essa esperança já acabou faz muito tempo. Amare não é nem sombra do que já foi um dia, CP3 foi para o Clippers, e as esperanças de atrair mais uma estrela ficam menores a cada dia. Esse sonho acabou.

Além disso, Melo sabe que ficar no Knicks é praticamente desistir da idéia de competir por um título no futuro próximo. O time é muito fraco para 2015 - a mesma base que sequer conseguiu ir aos playoffs em 2014 no fraquíssimo Leste e muito acima do salary cap - e, embora em 2016 quase todos os salários saiam da folha da equipe dando possivelmente lugar a um contrato máximo, é uma aposta distante demais e arriscada demais que o Knicks possa atrair alguma outra estrela para se aliar a Melo. New York não oferece uma situação de briga por título imediata, e nenhum plano para o futuro além de "teremos cap space para 2016 se não estragarmos tudo antes e TALVEZ possamos trazer alguns bons jogadores!" pela falta de ativos. E além disso, vale lembrar que o Knicks tem um dos piores donos de todos os esportes americanos (James Dolan) e uma diretoria que tem sido horrível por anos a fio (a esperança é que Phil mude isso, mas o histórico é bem negativo). Ficar no Knicks praticamente significa diminuir drasticamente as perspectivas de título que, supostamente, era algo importante para ele em 2011.

Qual dos dois casos é mais forte? Hmm... eu realmente não sei dizer. Depende muito do quanto valor Carmelo atribui (e atribuirá) a diferentes fatores: dinheiro, estabilidade, vencer títulos, glamour, etc. Ficar no Knicks significa ganhar mais dinheiro (por um ano a mais), continuar sendo um ícone de New York e jogar para Phil Jackson, mas também significa que as chances dele ganhar um título caem drasticamente. Sair pode colocá-lo em uma situação melhor, desde que esteja disposto a abrir mão do dinheiro e das vantagens de jogar em NY. E isso depende MUITO da ordem de prioridades para Carmelo, algo que nem eu nem você podemos dizer no momento. Mas a situação é muito menos confortável do que parecia em 2011.


Los Angeles Lakers

Porque aparentemente existe uma lei na liga que diz que o Lakers tem que estar envolvido em todos os rumores de troca ou free agent da NBA.

Em termos salariáis, é possível: o Lakers tem só 37M de salário para 2015, e isso considerando as propostas qualificatórias de Bazemore e Ryan Kelly e o contrato não garantido de Kendall Marshall. Recusando as propostas, todos os direitos sobre free agents (gente a beça - o total dos cap holds do Lakers chega a 56M) e dispensando Marshall, o Lakers tem apenas 33M garantido para 2015, bem abaixo do projetado teto salarial de 63M e com espaço para dar um contrato máximo a Melo. Então certamente é possível que Carmelo vá para o Lakers.

A questão aqui é, porque ele o faria? Porque deixaria na mesa mais dinheiro e mais um ano de contrato para trocar o Knicks pelo Lakers? O Lakers também não oferece a ele uma situação para vencer logo, com o contrato mastodôntico de Kobe tapando quase toda a folha salarial da equipe e impedindo a contratação de outros bons jogadores (e lembrem-se, eles não podem reassinar seus free agents usando Bird Rights se renunciarem a seus direitos para abrir espaço na folha salarial anteriormente). Porque ir de uma situação onde ele não vai vencer no curto prazo para outra, sendo que a atual oferece mais dinheiro, uma relação mais próxima com a torcida, mais status como "jogador leal e salvador" com a torcida mais fanática do planeta, e que é um mercado ainda maior que Los Angeles, sendo que na segunda ele ainda teria que aguentar Kobe por dois anos? Não faz nenhum sentido. E se você quer usar a carta do "o contrato do Kobe expira em dois anos e o Lakers terá espaço máximo para atrair outras estrelas!", lembre que no Knicks isso acontece um ano antes, e que agora que Jerry Buss morreu, o Lakers tem um dono tão incompetente quanto Dolan. Não tem vantagem alguma em Melo ir para o Lakers. Não vai acontecer.


Houston Rockets

Indo para um terreno mais realista, o Rockets é um time que desde o começo chamou alguma atenção por sua abordagem recente de ir atrás de estrelas e da sua compreensão do valor desse tipo de jogadores. Primeiro eles trocaram por James Harden, depois usaram sua presença para atrair Dwight Howard na free agency e montar um time bem competitivo que terminou 2014 quinto em eficiência total. Então entre sua atratividade para estrelas e a presença de outras duas, o fato de que em Houston não tem impostos sobre o salário (o que diminui o impacto econômico de sair do Knicks) e sua boa posição para competir por títulos no futuro próximo, é fácil de ver porque o Rockets é considerado um destino possível para Carmelo.

A logística, no entanto, é um pouco mais complicada. Mesmo recusando os direitos sobre seus FAs, dispensando Covington e Casspi e recusando as ofertas qualificatórias de todos os jogadores que não sejam Chandler Parsons, o Rockets ainda vai ter bem pouco espaço salarial nessa offseason, algo como 1 ou 2 milhões abaixo do salary cap apenas. Considerando que precisariam abrir mais de 20M para encaixar um contrato máximo para Carmelo (sim, ele poderia optar por ganhar menos, mas vamos trabalhar com os cenários extremos aqui), isso exigiria alguma criatividade por parte da equipe - especialmente quando você lembra que o time já tem quase 39M comprometidos com apenas Harden e Dwight.

Os dois maiores candidatos a trocas para liberar o teto salarial seriam, é claro, Omer Asik e Jeremy Lin. Cada um conta como 8.4M na folha salarial, então se o time conseguisse se livrar de ambos liberaria algo como 18M totais na folha salarial. Trocar Asik e Lin não deve ser tão difícil se o time precisar - ambos são jogadores úteis, em contratos expirantes, e que possuem um bom valor de troca e que muitos times estariam dispostos a aceitar de bom grado, tanto um time que tenha toneladas de salary cap para aceitar ambos (Sixers?), um time que possa mandar de volta um contrato não garantido (Cavs com Varejão?), ou mesmo trocas separadas. Mesmo que o seu salário nominal de 11M seja um problema, não é algo que o Rockets não possa contornar com uma ou outra escolha futura bem protegida. Muitos times estariam dispostos a aceitar Asik e/ou Lin em contratos expirantes. Mas isso liberaria ainda apenas 18M de espaço salarial, então a não ser que Melo aceite um desconto para se juntar ao Rockets (lembrando que ele já estará deixando dinheiro na mesa por sair do Knicks), o time ainda terá que trocar algumas peças como Motiejunas, Terrence Jones ou Isiah Canaan (3.9M somados) ou mesmo dispensar o contrato não-garantido de Patrick Beverley (900k) para chegar perto dos 22M de folha salarial (e isso sem contar os cap holds dos outros lugares do time). Com alguma criatividade, o Rockets pode chegar no espaço para um contrato máximo para Melo, mas vai ser muito difícil e vai exigir uma eliminação total do seu elenco.

No entanto, isso exigiria que o Rockets dispensasse quase seu time inteiro que não fosse Harden e Howard, e Melo sabe muito bem as consequências desse tipo de all-in porque foi o que o Knicks fez para adquiri-lo. Mas Houston abriu uma outra opção possível. Algum tempo atrás, o time declinou a opção que tinha para 2015 no contrato de Chandler Parsons, tornando-o um free agent restrito imediatamente. Muita gente atribuiu isso a uma tentativa de controlar o destino do jogador (Houston poderá igualar qualquer oferta por ele, sendo que ele seria um free agent irrestrito em 2015) caso um acordo com Melo saísse pela janela, e certamente é um fator importante. Mas tem outra coisa a ser levada em conta: a possibilidade de usar Parsons em um sign-and-trade por Carmelo. Essa possibilidade não faz sentido para Minnesota porque Parsons nunca iria querer ir para Minesota, mas New York?! É outra história. O seu status restrito facilita para o Houston, que poderia fazer um sign-and-trade (Parsons e Linsanity de volta a NY por Melo?) ou, caso perca a chance de sair com o All-Star, pode simplesmente renovar com Parsons e usá-lo futuramente como moeda de troca ou mesmo continuar com a mesma base dos últimos anos.

São duas possibilidades um pouco complicadas que exigirão algumas manobras, mas ainda são possibilidades reais. E como já foi dito, se Melo decidir deixar o dinheiro na mesa para sair do Knicks, é porque ele quer uma opção para vencer imediatamente e mais ajuda, e vai encontrar uma ótima opção dessas em Houston: Dwight Howard para proteger suas costas, James Harden para ficar com a bola nas mãos a maior parte do tempo, e muito menos defesas com dois ou três jogadores designados para pará-lo - sem falar, claro, que é um time que briga imediatamente por títulos com a formação do seu Big Three. E se Melo aceitar ganhar menos dinheiro para assinar (algo na casa dos 18M) com Houston, eles podem conseguir esse dinheiro trocando apenas Lin e Asik e ainda podem manter Chandler Parsons (já que não precisariam desistir de seus direitos). Seria um time incrível. Se a opção é vencer um título, essa é uma das duas melhores opções para Carmelo.


Chicago Bulls

Já escrevemos muito sobre a necessidade do Bulls por uma nova estrela na parte sobre Kevin Love. Se você está com preguiça, um rápido resumo:

"Chicago está desesperado atrás de uma nova estrela (tanto que aparecerão duas vezes nessas colunas), em parte para colocar junto de Derrick Rose e Joakim Noah, e em ainda maior parte para assumir o controle da equipe de Rose caso ele não volte o mesmo (ou até para diminuir as responsabilidades de Rose quando voltar)"

As vantagens e possibilidades (e dificuldades) de uma troca por Kevin Love já foram exploradas. Mas no caso de Melo, é mais simples: liberar espaço salarial o suficiente, porque o encaixe também faz muito sentido. Melo é um pontuador nato que é criticado por não defender bem, que tem bom alcance na linha de três pontos, bom jogo no garrafão e que é capaz de criar seu próprio arremesso. Coloque ele no Bulls e de repente Melo tem um Defensive Player of the Year e um dos melhores técnicos defensivos da NBA para protegê-lo na defesa, um pivô que é um exímio passador e gosta de jogar na cabeça do garrafão que vai fornecer muitas boas oportunidades de pontuação perto do aro, e possivelmente uma outra estrela (Rose) para assumir um pouco das responsabilidades de pontuação/ball handle e tirar aqueles double e até triple-teams de Melo. Ao mesmo tempo, o Bulls ganha alguém capaz de atrair defesas e abrir a quadra, um ótimo pontuador inside-out que pode jogar de SF ou de PF, aliviar a carga de Rose conforme ele se recupera, e criar arremessos do nada quando o ataque fica estagnado. Junte a isso o terceiro maior mercado dos EUA e um Leste historicamente fraco, e essa opção fica ainda mais interessante para uma mudança.

Em termos práticos, vai exigir alguns malabarismos por parte do Bulls, mas é muito factível. O Bulls estaria mais ou menos na linha do salary cap de 2015 recusando seus cap holds (menos DJ Augustin e Nikola Mirotic), não fazendo oferta qualificatória a Shengeila e dispensando Troy Murphy e seu contrato não-garantido (em torno de 63M). Mas eles tem ainda sua anistia por usar, e Carlos Boozer é um enorme candidato - usar a anistia no PF significa liberar 16.8M de dólares de uma tacada só do espaço salarial da equipe.

Claro, 16.8M não seria suficiente para assinar Melo a não ser que ele aceite um grande desconto, e isso dificilmente vai acontecer considerando que a) ele já deixou dinheiro para sair do Knicks e b) esse é provavelmente sua última chance de contrato máximo. Nesse caso, o Bulls também teria que mover Taj Gibson e seus 8M para algum time com muito cap space. Não acho que será tão fácil mover esse contrato já que ele se estende até 2017, mas Gibson é um excelente jogador e um dos melhores defensores da NBA, alguém que se desenvolveu muito bem essa temporada, e certamente terá algum interesse - e se o contrato for demais para alguns times, o Bulls tem duas escolhas de primeira rodada para tornar a troca mais "atraente". De um jeito de outro é factível. Se o Bulls fizer essas duas coisas - anistiar Boozer e trocar Gibson sem receber salários garantidos de volta - então estamos olhando para 25M de espaço salarial, espaço de sobra para assinar uma ou duas escolhas de Draft e oferecer o contrato máximo que Melo tanto quer.

O saldo: um núcleo Rose/Noah/Melo com bons role players como Jimmy Butler, Mike Dunleavy, Tony Snell; a chance de trazer de volta DJ Augustin ou Jimmer Fredette; Thibodeau; uma ou duas escolhas de primeira rodada... e talvez mais importante, ainda tem condições de trazer Mirotic para a NBA se os fortes rumores de que ele quer vir se comprovem. Você pode montar então um time Rose/Butler/Melo/Mirotic/Noah, ou até mesmo Rose/Butler/Dunleavy/Melo/Noah com Mirotic vindo do banco. Esse é um núcleo muito bom - a defesa deve continuar boa, tem mais opções no ataque e para espaçar a quadra, tem habilidade atlética, profundidade, pode jogar alto ou baixo, versatilidade... é um time fantástico, e se Rose conseguir se manter minimamente saudável, é um time para brigar com títulos desde o primeiro minuto em uma conferência fraca.

É uma ótima possibilidade para Melo. Por um lado, é uma oferta mais arriscada que a de Houston já que depende da saúde de Derrick Rose para funcionar direito, mas por outro é muito mais fácil de ser realizada (não depende de grandes movimentações menores ou de um sign and trade incerto) e, se Rose ficar saudável, oferece um caminho muito mais fácil para as Finais em um Leste fraco (e com um Miami Heat com futuro incerto) do que em um Oeste com San Antonio, Clippers e Oklahoma City - sem falar em Portland, Dallas, Golden State e todos os times que sempre geram problemas por lá. Também oferece um time muito mais profundo do que Houston, em parte porque Mirotic ainda não está na NBA ganhando milhões e Noah não está em um contrato máximo. É uma opção mais arriscada, mas entre probabilidade de acontecer, o mercado maior e o time mais profundo, me parece a melhor situação para Carmelo.

O que nos leva a uma pergunta muito interessante: se Chicago tiver condições de trazer tanto Love (por troca) como Melo (por free agency), qual dos dois o Bulls deveria ir atrás?? É uma pergunta muito difícil. Em um vácuo, seria preferível Love a Melo - ele é bem mais jovem, em um contrato menor que atulha menos a folha salarial (e o Bulls, por algum motivo, é bem avesso a gastar dinheiro), e trás talvez a habilidade mais valiosa da NBA na atualidade (um big man capaz de chutar de três). Mas por outro lado, trocar por Love significaria perder ativos valiosos - Butler, Mirotic e suas escolhas de Draft - deixando um time com menos recursos e tendo que completar o resto do seu time com jogadores inferiores, enquanto que Melo viria de graça (e 95M, mas isso é irrelevante) e portanto o Bulls poderia manter sua profundidade e jovens talentos. É uma escolha bem difícil, mas acho que se chegar a isso e Chicago tiver de escolher, eles não estarão muito chateados. Na verdade, tenho quase certeza de que os cartolas estariam assim:





Miami Heat

Uma opção um tanto quanto irreal que ganhou surpreendente força nas últimas semanas, quando alguns boatos começaram a surgir de que LeBron e Carmelo (que são bons amigos e já jogaram juntos na seleção americana) gostariam de unir forças na NBA, e que ganhou ainda mais quando Miami começou a levar a surra da sua vida contra San Antonio e ficou claro que eles precisavam de ajuda para 2015 (embora como exatamente Melo ajude a defender o ataque de San Antonio não está claro). Então precisa ser incluída pelo potencial e pelo impacto que causou nas redes sociais - em pleno dia de G4 das Finais estava todo mundo discutindo sobre como seria esse time com Melo (o coitado do salary cap foi ignorado 95% do tempo).

O problema dessa situação é que é muito difícil saber exatamente em que patamar o Miami Heat vai se encontrar, porque é um cenário que envolve muitas variáveis e decisões difíceis de se prever. Explicar exatamente a situação na qual Miami se encontra iria exigir muita linguagem técnica de salary cap, então vou dar uma versão resumida e o mais direta possível.

Basicamente, Miami tem só um salário garantido para um jogador em 2015 (Norris Cole, 2M), além de duas opções de jogadores (4.6M do Haslem, 1.3M do Birdman). Todo o Big Three tem a opção de terminar mais cedo seu contrato e virar free agent, senão receberão 20M em 2015. E basicamente todo o resto do time é free agent ou vai aposentar.

A primeira vista, parece que o Heat então tem cap space quase máximo para 2015, mas não é bem o caso, porque free agents carregam uma coisa chamada "cap hold", que é um certo valor que eles comem do seu salary cap enquanto você mantiver os direitos deles como free agents (como Bird Rights). Então considerando que Haslem deve aceitar sua opção para 2015 (ele já aceitou menos dinheiro para ficar em Miami em 2011, e não vai mais ter nenhuma oferta tão boa quanto essa na carreira) e Anderson deve recusar (ele já disse que vai), isso da 6.6M em salários para 2015. No entanto, mesmo que Miami renuncie aos direitos sobre todos seus free agents menos o Big Three, o cap hold dos três totaliza 59.5M... o que significa que só com Haslem, Cole e o cap hold de Wade, LeBron e Bosh o time do Heat já está 3M aproximadamente acima do salary cap. Boa sorte encaixando Melo ai. Claro que Miami pode renunciar aos direitos sobre algum dos três, mas isso significa que depois não pode reassinar o mesmo jogador depois usando seus Bird Rights (ou seja, passando do salary cap).

O argumento, claro, é que o Big Three iria aceitar contratos menores para continuar juntos e assinar Melo. Isso já passa, antes de mais nada, pela idéia de que todos os jogadores iriam abdicar do resto de seus contratos, o que não me parece garantido. Wade, por exemplo, tem 41.6M restantes no seu contrato (dois anos), não vem jogando bem e tem tido repetidos problemas físicos... não valeria mais a pena financeiramente jogar até o final desse contrato já que não deve ganhar esses 42M no mercado? Não me parece claro para ele, embora para LeBron e Bosh faça mais sentido terminar o contrato agora e assinar o próximo.

Supondo que todos optem para encerrar seu contrato, que tipo de mágica tornaria possível assinar Melo? Bom, antes de mais nada, todos os três teriam que aceitar enormes descontos para isso, ou assinando antes de Melo ou com Miami renunciando aos Bird Rights. Não vou entrar tanto no mérito de se eles vão ou não aceitar descontos - lembrando que para Wade e Bosh essa é provavelmente sua última chance de garantir um contrato máximo e que eles já diminuíram o salário em 2010 para jogarem juntos - porque é simples, se eles não aceitarem, não tem como assinar Melo e ponto. O que eu quero ver agora é o quanto teria que ser feito para trazer Melo a bordo.

Primeiro, Miami já tem 6.6M garantidos para Cole/Haslem (de novo, acho extremamente improvável que Haslem recuse sua opção). Esses dois mais o Big Three formam apenas 6 jogadores de 12 obrigatórios, então temos que incluir mais 3M pelos outros seis lugares no time, ou seja, 9.6M garantidos (isso considerando que Miami não use sua escolha de primeira rodada, senão são mais 2M em salários garantidos). Então sobra 53.4M para distribuir entre Bosh, LeBron, Wade e Melo, lembrando que sob hipótese alguma o Heat pode passar do salary cap para reassinar algum deles por causa do cap hold. Isso da 13.3M para cada um dos jogadores (supondo que eles ganhem igualmente).

Hmm eu poderia ver Wade aceitando isso em troca de um contrato longo (cujo valor total superaria os 42M que restam no seu contrato), mas será que LeBron, Bosh e Melo topam esse tipo de valor (especialmente sabendo que o resto do time teria que ser composto de jogadores em salários mínimos)? Eu não vejo acontecendo especialmente para Bosh (que não vai querer perder tanto dinheiro na sua última chance de assinar um contrato máximo) e Melo (que tem outras ótimas chances de ganhar em outros lugares COM um contrato máximo ou quase máximo, já deixou de ganhar dinheiro saindo de NY, e também está entrando no seu último contrato máximo). Miami poderia usar sua 1st round pick para mandar o salário de Haslem para algum outro time, mas ainda assim não poderia dar mais do que 14M para cada um dos quatro. Me parece muito exagerado, e isso antes de entrar no mérito se isso é de fato o que daria a Miami a maior chance de voltar ao título, adicionando mais um pontuador de perímetro que tem dificuldade na defesa e cercando-o de jogadores em contratos mínimos.

Além disso, como Melo tornaria Miami melhor? Eles já tem um alpha dog para jogar com a bola nas mãos no perímetro, e Melo não é um jogador que se encaixe bem na defesa attack-and-recover de Miami nem um jogador que se adapte bem ao estilo de movimentação ofensiva rápida da equipe. E os maiores problemas da equipe tem sido ball handling, defesa inside-out, e falta de proteção ao aro. Hmm em qual desses Melo ajuda? Em nenhum deles. Adicionar Melo seria muito mais um capricho do que uma solução real para os problemas da equipe.

Não vou falar que é impossível, mas me parece uma sequência bastante improvável de acontecimentos, que passa por diversas fases de altruísmo diferentes: Wade desistindo do resto do contrato (difícil), QUATRO jogadores diferentes aceitando ganhar algo como 8M a menos do que poderiam (ainda mais difícil), LeBron não desistindo de Miami depois de ver a péssima ajuda que recebeu nas Finais... etc. Não me surpreenderia se o Big Three aceitasse um pequeno desconto nos contratos para manter parte do salary cap em aberto para reforçar a equipe (Miller saiu, Birdman vai sair, Battier aposentando, Allen deve sair...) ou mesmo um free agent de nível médio como Kyle Lowry (um encaixe muito melhor que Melo, by the way), mas não para liberar o suficiente para Melo e nem que ele aceite. Nunca duvido de nada em South Beach, mas não me parece realista.

(By the way, isso não tem nada a ver com a decisão de Miami, mas é preciso ser dito: se Melo for para Miami formar um Big Four tem 100% de chance de termos um novo lockout em 2017. Garantido.)


Veredito

Francamente, não vejo o menor motivo para Melo ir para Los Angeles ganhar menos dinheiro, jogar em um mercado menor, jogar a lealdade de NY no lixo e ter chances igualmente fracas de ganhar um título. Miami também não me parece uma opção realista por todos os motivos que eu citei, e porque não me parece que Melo é o tipo de jogador que encaixaria tão bem na equipe. Então a decisão me parece entre ficar em New York, ou ir para Houston ou Chicago.

Como já disse, a decisão sair ou ficar depende principalmente de lealdade + dinheiro vs chance de título, embora tenha outros fatores no meio, claro. Ninguém pode dizer isso por ele com certeza. Mas na minha opinião - e isso, repito, é apenas a minha opinião - Melo vai virar FA e deixar o Knicks se receber uma oferta tentadora o suficiente, o lugar com melhor chance de atraí-lo é Chicago, um mercado maior que vai precisar ir a menos extremos para abrir cap space, oferece um time mais profundo e faz mais sentido do ponto de vista de encaixe em termos de basquete. Melo já ganhou bastante dinheiro na carreira e ainda assinaria um contrato máximo com Chicago, e ele sabe que precisa de um anel - ou pelo menos de uma Final - para completar seu currículo. E eu acho que Chicago oferece a ele a melhor chance de vencer nesse momento. Então acho que ele deve testar o mercado e, se Houston e principalmente Chicago jogarem pesado atrás dele, ele muda de time nessa offseason.


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