Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Hack a Cast #6 - Free Agency, Parte II




O Two-Minute Warning vai sortear dois exemplares da recém-lançada versão brasileira do livro Moneyball!! Conheça nossa promoção e concorra você também a dois exemplares de um dos livros esportivos mais importantes dos últimos anos!!

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E ta saindo do forno mais um Hack a Cast!!

Nessa nova edição, eu e o Vinicius falamos sobre o que sobrou da Free Agency: LaMarcus Aldridge no Spurs, a novela envolvendo DeAndre Jordan, a recuperação do Mavericks, o contrato absurdo do Enes Kanter, as mais recentes contratações da offseason, os melhores e piores contratos, e respondemos às perguntas dos ouvintes. Confiram!!



segunda-feira, 30 de junho de 2014

Um Mock Draft retroativo

Vamos brincar de "Descubra qual deles é um pivô"??


Se quer conhecer melhor os prospects desse Draft, suas forças e fraquezas, e minha opinião sobre eles, recomendo fortemente esse artigo que escrevi para o Bola Presa

Infelizmente, esse ano não foi possível fazer o tradicional Running Diary do Draft da NBA. Todo mundo que le o TMW com freqüência sabe o quanto eu amo Drafts em geral, especialmente da NFL e da NBA, então o Running Diary foi uma forma diferente que eu achei para analisar Drafts sem cair na mesmice de "dar uma nota para cada time" ou fazer a famosa coluna "vencedores ou perdedores do Draft". Eu sempre gostei de colunas que fogem do lugar-comum, e essa era uma forma divertida de fazer isso e ainda oferecer uma boa e divertida cobertura, com muitas das minhas reações instantâneas a cada acontecimento. Mas como esse ano não foi possível, por uma série de recursos, fazer a coluna tradicional, a coluna sobre o Draft da NBA vai ser um pouco diferente: um Mock Draft retroativo.

Eu gosto, em geral, de Mock Drafts - uma forma interessante e dinâmica de falar sobre os jogadores e sobre as necessidades de cada time, ao mesmo tempo, montando encaixes que fazem sentido (ou não) e são interessantes de se imaginar. O problema é que Mock Drafts não tem um padrão claro: o que você está tentando fazer com ele, prever o futuro, fazer os encaixes que você julga melhor, antecipar as tendências de algumas franquias, ou o que? Em geral, as pessoas usam esse formato de coluna para tentar "adivinhar" o que vai acontecer na noite do Draft e se gabar pelos acertos, mas isso para mim faz muito pouco sentido. Faz sentido quando olhamos para o MD de pessoas como Jonathan Givony (do ótimo Draft Express) ou Chad Ford, pessoas que estão por dentro dos procedimentos do Draft e incorporam nas suas projeções informações internas sobre as escolhas - seu objetivo é informar o que está acontecendo lá dentro. Mas 80% dos Mock Drafts não são assim, são pessoas externas que avaliam os jogadores do seu ponto de vista e tentam adivinhar onde cada jogador vai sair e o que cada time fará. 

Não que tenha algo errado nisso, claro, mas não é o meu tipo favorito de Mock Draft. Eu gosto mais daqueles que não tentam adivinhar nada, e ao invés ignoram os acertos ou erros e focam em fazer uma análise sobre cada escolha, olhando para a conjuntura do time e do Draft, para os talentos disponíveis, e diz o que a pessoa acha que é a melhor coisa a se fazer com aquela escolha. É mais subjetivo e muito menos preciso, mas do ponto de vista analítico, eu acho muito mais profundo e preciso. 

Então é isso que eu me proponho fazer hoje: um Mock Draft da NBA sob essa ótica. Com a diferença, é claro, que o Draft em si já aconteceu. A idéia é voltar em cada uma das 30 escolhas da primeira rodada, ver o que cada time fez, e o que cada time deveria ter feito no seu lugar. Não é para refazer o Draft inteiro, e sim refazer todas as escolhas individualmente considerando que tudo antes dela aconteceu exatamente igual. E claro, isso segue a minha opinião individual sobre o que cada time deveria ter feito, não necessariamente a verdade, mas é minha forma de analisar o que cada time fez ou deveria ter feito.

Antes de começarmos, três rápidos esclarecimentos...

1) No caso de trocas envolvendo escolhas de Draft, vou analisar a escolha sob a ótica do time que trocou POR aquela escolha, aproveitando a situação para falar um pouco sobre a troca em si, se necessário. Então se o Sixers tinha a escolha #10 e trocou com o Magic pela #12, no lugar da #10 eu vou olhar a partir do ponto de vista de Orlando, e na #12 do 76ers.

2) Para cada escolha, eu vou colocar qual foi a escolha real, e qual a escolha que cada time "deveria" ter feito - lembrando que esse "deveria" é subjetivo e reflete apenas o meu ponto de vista. Caso as duas sejam iguais, vou explicar porque foi a escolha certa, e caso contrário, vou explicar porque eu acho que o time deveria ter feito outra coisa.

3) Só porque eu coloquei que um time deveria ter feito uma escolha diferente da que ele fez não significa que a escolha real tenha sido ruim, só quer dizer que é diferente do que a que eu teria feito ou a que eu via como a melhor opção naquele momento. Eu vou esclarecer nos comentários de cada escolha, dizendo o que achei da escolha em si e porque eu preferiria outro jogador, mas é bom deixar isso claro para o pessoal que só vai olhar a parte em negrito e ignorar o resto.

Tudo claro? Não? Bom, vocês pegam o jeito conforme formos avançando. Eu espero.

Lembrando que se vocês quiserem ler mais sobre esse Draft, eu e o Zeca escrevemos uma coluna com nossos emails tratando sobre o tema, e que se vocês querem conhecer melhor os jogadores dessa primeira rodada e o que eles tem a oferecer, vocês DEVEM ler a coluna que eu escrevi para o Bola Presa sobre o assunto.


Mock Draft Retroativo NBA 2014


Escolha #1 - Cleveland Cavaliers
Quem escolheu: Andrew Wiggins
Quem deveria ter escolhido: Andrew Wiggins

Desde a lesão de Joel Embiid, a discussão era se o Cavs pegaria Andrew Wiggins ou Jabari Parker na primeira escolha (supondo que mantivessem a escolha). Supostamente, Dan Gilbert (dono do time) queria Wiggins e o resto da diretoria queria Parker. O time mandou 5000 sinais de fumaça e aparentemente entrou em muitas discussões de troca com a #1, selecionando enfim Andrew Wiggins.

Por incrível que pareça, essa foi a decisão correta. Jabari Parker é um jogador mais pronto, mas ele era um encaixe horrível em Cleveland, mais um pontuador que gosta de jogar com a bola nas mãos e não defende e que iria bater cabeça com metade do time do Cavs. Por outro lado, Wiggins logo cobre a área mais carente da equipe (o perímetro), é um excelente defensor capaz de defender quatro posições (algo que o Cavs precisa urgente) e um atleta excepcional para jogar em contra ataques. Ele é exatamente o que Cleveland precisa: alguém para dar flexibilidade a equipe, fazer o trabalho sujo na defesa, e não precisar da bola nas mãos para produzir no ataque. Ele é perfeito para o time. Junte a isso o fato de Wiggins tem um dos maiores potenciais desse draft, e não sei como alguém teve alguma dúvida sobre essa escolha.

O maior perdedor dessa escolha provavelmente é Wiggins, que vai para um time péssimo desenvolvendo jogadores onde ele vai ter que entrar e contribuir de cara em um time disfuncional, sem ter tempo e espaço para desenvolver seu enorme potencial. Mas eu confio no talento do garoto - acho que Cleveland acertou em cheio aqui.


Escolha #2 - Milwaukee Bucks
Quem escolheu: Jabari Parker
Quem deveria ter escolhido: Jabari Parker

Milwaukee teria escolhido Jabari Parker mesmo se tivesse a primeira escolha, então ótimo para eles que tenham conseguido pegar o jogador que queriam no #2. Eu poderia falar sobre porque essa escolha é boa em termos de basquete - Jabari oferece um pontuador que o time precisa urgente, alguém que pode jogar na 3 e na 4 e combina muito bem com Giannis Antetokounmpo - mas tem um motivo mais importante em jogo: Jabari QUERIA jogar pelo Bucks. Esse é um dos problemas eternos da franquia: quem diabos quer jogar em Milwaukee? Mas quando você tem um jogador como Parker que quer jogar lá - ele mesmo disse, ele supostamente foi mal nos treinos em Cleveland para cair até a #2, e Milwaukee é perto de Chicago, onde ele cresceu - é uma coisa excelente. É um bom exemplo para os jogadores, e você fica mais tranquilo que ele não vai forçar uma troca. Muito bom para eles ter um jogador assim.

E claro, isso é ótimo para Parker. Além de jogar pelo time que ele queria desde o começo, ele vai ser o centro do time, jogar com a bola nas mãos e ter liberdade para jogar como quer. Ao invés de ter que se adaptar a uma posição (SF ou PF) para encaixar na equipe, o time vai se encaixar em torno dele. Excelente para ambos.


Escolha #3 - Philadelphia 76ers
Quem escolheu: Joel Embiid
Quem deveria ter escolhido: Joel Embiid

O Sixers poderia ter ido em diversas direções aqui e não sei se alguma delas estaria errada. Joel Embiid era claramente o melhor jogador disponível na escolha (e no Draft), mas vinha com riscos por causa das lesões nas costas e no pé, e provavelmente não poderá jogar em 2015. Então não da para dizer se Embiid valia essa escolha ou não sem saber mais sobre seu estado de saúde - algo sobre o qual sabemos muito pouco - fazendo dele o prospecto mais difícil de compreender desse draft.

Mas para o Sixers, a escolha faz sentido. A proposta atual do time da Philadelphia é a de adquirir os melhores ativos possíveis, sem se preocupar com vitórias ou produção imediata. Então a escolha de Embiid faz sentido: eles adquirem o melhor valor do Draft, e podem continuar sendo ruins em 2015 rumo a mais uma escolha Top5. É um risco, mas um risco que eles estão dispostos a assumir por um talento como Joel Embiid. Se saudável, ele vai ser o melhor pivô da NBA em poucos anos, e é nisso que o Sixers está apostando.


Escolha #4 - Orlando Magic
Quem escolheu: Aaron Gordon
Quem deveria ter escolhido: Dante Exum

Eu sou um dos maiores fãs de Aaron Gordon que eu conheço, e tinha ele como o quinto melhor jogador desse Draft antes de começar... mas mesmo assim, eu não gostei dessa escolha. Gordon é um excelente SF/PF, mas um SF/PF híbrido que não arremessa de fora não é exatamente o que o time já tem em Tobias Harris e Moe Harkless? Porque pegar um jogador semelhante aos que você já tem se tem um prospecto mais bem cotado disponível, e pior, que é exatamente da posição que você urgentemente precisa?!

Isso depois de ter trocado Aaron Afflalo - um dos melhores SGs da NBA - antes do Draft por Evan Fournier e uma escolha futura de segunda rodada. E essa não foi nem a pior coisa que Orlando fez no Draft!! Esperem a escolha #10 para os detalhes macabros...


Escolha #5 - Utah Jazz
Quem escolheu: Dante Exum
Quem deveria ter escolhido: Dante Exum

O Jazz que aproveitou a burrice de Orlando e ficou com Dante Exum. Eles já pegaram Trey Burke, mas Burke é um PG baixo que não necessariamente é a solução a longo prazo na posição. Então tiveram a chance de pegar Exum, um jogador muito interessante e promissor que é o PG alto que estavam procurando desde o começo. Ele pode jogar de SG ao lado de Burke ou assumir o ataque quando necessário, formando uma boa dupla com a ex-estrela de Michigan, Exum atacando o aro e Burke jogando de fora. Sem falar que pegaram o melhor jogador disponível, e um dos jogadores que tem potencial para ser uma grande estrela algum dia. Tiveram a chance com Exum caindo no seu colo, e aproveitaram. Excelente escolha de Utah.


Escolha #6 - Boston Celtics
Quem escolheu: Marcus Smart
Quem deveria ter escolhido: Marcus Smart

A esperança de Boston era de que Embiid caisse até aqui, e provavelmente teria caído se Philly tivesse passado na #3. Mas sem um dos jogadores do Top4 caindo, e sem Aaron Gordon, Marcus Smart era o melhor encaixe mesmo, um jogador físico e muito inteligente capaz de jogar de SG junto de Rajon Rondo - uma versatilidade que encaixa muito bem no esquema tático de Brad Stevens. Um excelente encaixe e o tipo de valor que o Celtics gosta.

Além disso, Smart oferece proteção para o Celtics no médio prazo: Rondo está envolvido em muitos boatos de troca, e parece ser uma questão de tempo para que o PG seja trocado para continuar o processo de reconstrução de Boston, especialmente porque ele vira free agent ao final do ano. Assim Smart é uma opção de segurança que pode assumir a armação da equipe se isso acontecer. Eu adoro Smart e adorei essa escolha, era a melhor opção disponível.


Escolha #7 - Los Angeles Lakers
Quem escolheu: Julius Randle
Quem deveria ter escolhido: Julius Randle

Eu confesso que Randle era o prospecto que eu menos gostava do suposto Top8, mas fazia sentido para o Lakers aqui. Eles querem e precisam de jogadores capazes de contribuir imediatamente junto de Kobe (até porque não tem ninguém para jogar em 2015, ao ponto que Mike D'Anthony pode ter que ser o armador), e Randle era o mais "pronto" que tinha sobrado disponível. Além disso, Randle é um nome muito maior e mais famoso, e isso faz diferença para um time de Los Angeles que perdeu seu "status" nos últimos anos e ainda busca um grande free agent para os próximos anos. E dentro de campo, o Lakers precisa de todo tipo de ajuda que puder sendo que nem tem um time para 2014, então só de ser alguém capaz de jogar, pegar rebotes e fazer cestas, Randle já é um bom encaixe!


Escolha #8 - Sacramento Kings
Quem escolheu: Nik Stauskas
Quem deveria ter escolhido: Noah Vonleh

Eu sou presidente do fã clube do Nik Stauskas, um excelente arremessador com um jogo ofensivo muito variado, e alguém que ainda tem espaço para evoluir tanto física como tecnicamente. Mas nem eu consigo entender essa escolha. Sacramento já tem Ben McLemore, escolha #7 do ano passado jogando de SG, e um SF de 20M de salário como titular. A última coisa que Sacramento precisava era um SG, por mais que precise de arremessos de três. É possível também que Ben McLemore esteja saindo em uma troca, o que faria dessa escolha mais sentido.

Ainda assim, o Kings tinha uma necessidade muito maior, que era a de um PF. Idealmente um PF mais atlético, capaz de proteger o aro e espaçar a quadra no ataque ao lado de DeMarcus Cousins... e era exatamente um jogador assim que ainda estava disponível em Noah Vonleh, e ainda pior, Vonleh era um valor muito melhor na #8 que Stauskas, um jogador que muitos viam saindo no #4 para Orlando. Ainda que trocassem McLemore, porque não ir no melhor jogador disponível e que, por acaso, é exatamente o jogador que vocês mais precisam? Eu adoro Stauskas, mas me parece o jogador errado indo para o time errado. Uma pena.


Escolha #9 - Charlotte Hornets
Quem escolheu: Noah Vonleh
Quem deveria ter escolhido: Noah Vonleh

E o Hornets foi o grande vencedor desse topo de Draft, o time que parecia a uma escolha de entrar em um claro topo de oito jogadores... e que não só viu um deles caindo no seu colo, como era ainda o mais perfeito para eles: o PF capaz de jogar ao lado de Al Jefferson, espaçar a quadra ofensivamente (eles foram letais em 2013 com Josh McRoberts espaçando ao lado de Big Al), defender e proteger o aro (o que Al não consegue) e ainda pegar uns rebotes. Vonleh era de longe o jogador que mais fazia sentido nesse time, e cair até aqui deve ter feito alguém na mesa do Hornets desmaiar. Ele não é um jogador tão pronto, cru e ainda precisa se desenvolver, mas é um excelente valor no #9 e feito sob medida para um time que tem Al Jefferson.


Escolha #10 - Orlando Magic (Via Philadelphia 76ers)
Quem escolheu: Elfrid Payton
Quem deveria ter escolhido: James Young, Zach LaVine

E aqui está o grande problema do Orlando Magic em um dia cheio deles. Eles perderam a chance de pegar Dante Exum na #4 para trocar com o Sixers pela escolha #10 e pegar Elfrid Payton. O preço? A #12, uma escolha de segunda rodada, e uma escolha futura de primeira rodada (!!!). Em outras palavras, eles pagaram muito mais para subir DUAS posições no Draft do que receberam por trocar Aaron Afflalo, um dos melhores SGs da NBA. Tudo isso porque o time estava desesperado por um PG. Hmm... Porque não pegar Dante freaking Exum na escolha #4 então?! Você já garantia seu PG, que por sinal é um jogador melhor e com mais potencial do que Payton, e estava livre para usar a #12 da melhor forma possível, talvez no próprio Dario Saric ou em um arremessador com potencial como James Young ou Zach LaVine.

Mas fica pior. Deixando de lado o valor enorme que tiveram que pagar por essa escolha, eis o núcleo que o Orlando Magic montou ao escolher Gordon e Payton: Payton, Oladipo, Gordon, Tobias Harris, Moe Harkless, Nik Vucevic, Andrew Harrison. Isso da exatamente ZERO jogadores capazes de arremessar uma bola. Marcar o Orlando é a coisa mais fácil do mundo, é só todo o time dar as mãos ao redor do garrafão e brincar de roda, enquanto Payton e Harris amassam o aro com 20-footers. Payton e Gordon seguem a lógica do Magic de pegar jogadores físicos e atléticos com mentalidade defensiva, é verdade, mas desde quando isso é mais importante do que montar um time de basquete de verdade? Porque não pegar Exum (um jogador que tem potencial de superestrela, algo que nenhum no time atual tem) de cara para ser PG e investir em um jogador que fosse um melhor encaixe na equipe, um jogador atlético capaz de arremessar de fora como LaVine ou Young? Boa pergunta. Mas entre a péssima troca de Afflalo, a péssima troca pela #10 pick e duas escolhas questionáveis, uma noite para esquecer em Orlando, talvez o grande perdedor do dia.


Escolha #11 - Chicago Bulls (Via Denver Nuggets)
Quem escolheu: Doug McDermott
Quem deveria ter escolhido: Gary Harris

Chicago
trocou suas duas escolhas (#16 e #19) pela #11 do Nuggets, Doug McDermott. Muita gente achava que era uma troca para economizar dinheiro pela diferença no salário garantido entre duas escolhas para uma, mas como eles recearem também o contrato de Anthony Randolph, essa diferença não existe mais e portanto a troca passa a ser vista como ela de fato foi: uma tentativa do Bulls de garantir um jogador que achava que não iria conseguir na sua escolha #16 e que via como sendo crucial, e esse jogador era Doug McDermott (mais sobre a troca daqui a pouco).

McDermott no Bulls faz algum sentido: ele é um bom pontuador e excelente arremessador de três, alguém capaz de esticar defesas e abrir espaço no garrafão - algo que Chicago não tem e procura desesperadamente já faz algum tempo. Ele é um mau defensor, mas o Bulls tem condições de esconder sua defesa com um ótimo esquema tático e um pivô DPOY. Então McDermott é o arremessador (e McBuckets é o segundo melhor nisso do Draft) que eles querem para chutar de fora, aproveitar dos espaços que Rose e - quem sabe? - Melo criam na defesa, e espaçar a quadra. Eles não tem esse jogador, e viram em McDermott um jogador capaz de fazer isso em alto nível, trocando altos valores para adquirí-lo.

Meu único problema: porque pegar McDermott e não Gary Harris? Verdade, McDermott é um arremessador automático e melhor nisso que Harris, mas é um defensor muito pior e joga entre a posição de SF (onde eles querem Melo) e PF (onde já tem Taj Gibson e Nikola Mirotic vindo da Europa). Enquanto isso, Harris é um bom arremessador que é capaz de criar seu arremesso e jogar com a bola nas mãos quando necessário (uma habilidade que Chicago sente muita falta), ocupa uma posição de necessidade (SG) e é capaz de jogar de PG se necessário. Eu entendo a opção de Chicago pelo melhor arremessador e não acho que McDermott foi uma escolha ruim de forma alguma, mas eu acho que Harris teria mais a oferecer para Chicago e que teria sido a escolha certa nesse lugar. Hold that thought.


Escolha #12 - Philadelphia 76ers (Via Orlando Magic)
Quem escolheu: Dario Saric
Quem deveria ter escolhido: Dario Saric

A escolha era de Orlando e foi para Philadelphia naquela troca por Elfrid Payton citada anteriormente. E foi, repito, um assalto para Philadelphia, que conseguiu uma escolha de primeira rodada e ainda pegou o jogador que queria o tempo todo em Dario Saric. Como já disse, o Philadelphia quer saber de acumular ativos e os melhores talentos possíveis, sem se preocupar com a ajuda imediata que eles podem oferecer. Sendo assim, Saric faz mais sentido para Philly do que qualquer outro: ele é um talento especial muito interessante que deve ter feito Sam Hinkie salivar, e ao mesmo tempo o Sixers não liga se ele só vier para a NBA daqui a dois anos. Seguiu o padrão recente da franquia e saiu com um ótimo jogador.

Tangente rápida: o quão engraçado é ver o Sixers tankando de forma descarada? Depois de doar o time inteiro em 2014 e montar uma máquina das desgraças que perdeu 30 jogos seguidos, o Sixers conseguiu seu objetivo de ter uma escolha alta no Draft, com uma extra do Pelicans ainda por cima. Agora que tinham a chance de melhorar a equipe, eles usam essas escolhas em um pivô vindo de lesão que não deve jogar em 2015, e um ala croata que não vem para a NBA antes de 2016 - nenhuma ajuda para 2015. Eu não estou condenando o Sixers por isso, eles estão apenas usando as regras da NBA em seu favor, ainda que desgraçando a liga e o esporte no processo e ofendendo seus fãs e season-ticket holders. Mas para a NBA, é um problema que precisa ser adereçado, e logo.


Escolha #13 - Minnesota Timberwolves
Quem escolheu: Zach LaVine
Quem deveria ter escolhido: Gary Harris, James Young, Adreian Payne

Essa foi uma escolha estranha. É difícil saber exatamente o que esperar do Wolves por causa de Kevin Love, então o objetivo final dessa escolha ainda é incerta. Mas considerando que Love ainda não foi trocado, a idéia do Timberwolves deveria ser de usar essa escolha para melhorar o time para agora da melhor forma possível, de forma a ter um bom 2014 e convencer Kevin Love a renovar (ou pelo menos ficar no time até o final de seu contrato). LaVine, apesar de excelente atleta, não serve a esse propósito - ele é um dos jogadores mais crus desse Draft, alguém cujo valor vem do seu enorme potencial mas que dificilmente vá fazer muita diferença no curto prazo. Essa é uma escolha que faria sentido se o Wolves tivesse aceitado uma oferta como a do Celtics e fosse reconstruir com jogadores jovens, mas atualmente não parecem estar seguindo por esse caminho.

Se o objetivo era conseguir ajuda imediata, Gary Harris ou Adreian Payne (jogadores muito mais prontos para a NBA) fariam muito mais sentido aqui. Se o objetivo do Wolves quando trocarem Love for continuar se mantendo competitivos - como tudo que vem de lá parece indicar - esses dois jogadores também fariam mais sentido a esse plano, ou mesmo James Young, um jogador que também tem ótimo potencial mas é uma realidade muito maior que LaVine no curto prazo. Uma escolha curiosa que vai fazer mais ou menos sentido dependendo do caminho que a franquia for seguir de agora em diante.



Escolha #14 - Phoenix Suns
Quem escolheu: TJ Warren
Quem deveria ter escolhido: James Young

Eu discordo da escolha de Warren por um simples motivo: eu não acho que ele seja um prospecto tão bom para justificar essa escolha no #14 e na frente de outros prospectos que eu achava melhores. Eu acho que o jogo dele, pouco atlético, que não se estende até a linha dos três pontos e que se baseia principalmente de floaters, ganchos e jogadas de meia e curta distância, não se traduziria bem para a NBA. Para mim faria muito mais sentido ir atrás de James Young, um ótimo encaixe para Phoenix, atlético para acompanhar a correria do time, com arremesso promissor para continuar espaçando a quadra como o Suns gosta, e ainda um jogador com potencial altíssimo para desenvolver para o futuro. 

Mas em termos de basquete apenas, Warren para o Suns é um encaixe muito bom. Warren é um pontuador de alto volume que é letal quando tem espaço, e isso ele vai ter muito no esquema de Phoenix que adora espaçar a quadra com um stretch-4. Ele também é um jogador mortal em transição, e portanto encaixa perfeitamente no esquema de alta velocidade da equipe. É um encaixe ótimo em termos de basquete, para o Suns e para TJ. Eu só acho que ele não valia a escolha #14 e que James Young deveria ter sido a escolha, mas isso não faz dela uma escolha ruim.


Escolha #15 - Atlanta Hawks
Quem escolheu: Adreian Payne
Quem deveria ter escolhido: Adreian Payne

O técnico do Hawks, Mike Budenholzer, tem uma paixão que beira a fixação por arremessos de três. Em 2014, não era raro ver o time usando uma formação com cinco arremessadores (inclusive Millsap e Pero Antic, os pivôs) espaçados no perímetro, criando espaço para depois atacar por dentro. Ele já disse muitas vezes que o foco do seu time são os arremessos do perímetro, da primeira a ultima posição da equipe. Portanto não foi nenhuma surpresa quando o Hawks pegou Adreian Payne na primeira rodada, um dos encaixes mais legais de todo esse Draft.

O garrafão do Hawks é forte com Millsap e Horford, mas Sap está no último ano de seu contrato e é um jogador que é uma excelente moeda de troca. Se Sap for trocado, Payne pode imediatamente entrar na equipe como um PF capaz de espaçar a quadra, ou mesmo se Millsap ficar, Payne pode jogar tanto de PF como de C e da a esse time grande flexibilidade de posição sem precisar mudar seu esquema de jogo. Ele era o jogador mais "Hawks" desse Draft e foi draftado pelo time certo.


Escolha #15.5 - National Basketball Association
Quem escolheu: Isaiah Austin
Quem deveria ter escolhido:  Isaiah Austin

A melhor escolha da noite. Ponto.


Escolha #16 - Denver Nuggets (Via Chicago Bulls)
Quem escolheu: Jusuf Nurkic
Quem deveria ter escolhido: Jusuf Nurkic

Eu adorei a troca do Nuggets com o Bulls (#11 e o contrato de Anthony Randolph pelas #16 e #19) por diversos motivos. Mas o mais importante talvez tenha sido que o Denver Nuggets é um time que, no momento, não faz idéia do que quer fazer da vida. Reconstruir depois da queda de 2013 para 2014? Continuar investindo em bons jogadores para formar times sólidos, mas não espetaculares, apostar na "classe média" da NBA para ir aos playoffs e contar com um ou outro golpe de sorte para tentar ir longe (como fez com George Karl)? O Nuggets não sabe ao certo, está indo com o fluxo, e portanto acho que faz bastante sentido para eles trocar uma escolha alta (na qual não tinham uma escolha clara) em troca de duas escolhas em um Draft muito profundo, e portanto duas chances de conseguir algo que lhes permita seguir em alguma direção (seja ela qual).

A primeira escolha foi ótima para eles, que selecionaram o pivô Jusuf Nurkic. Desde que Brian Shaw assumiu a equipe e implementou seu esquema de jogo de meia quadra, o time estava procurando desesperadamente por um homem de garrafão capaz de pontuar de costas para a cesta e próximo do aro, mas o time não tinha ninguém assim. Então Nurkic faz muito sentido, que tem tido números impressionantes por minuto na Europa e é um jogador muito forte (nos moldes de Nikola Pekovic) que se especializa em finalizar pick and rolls e tem um promissor jogo de costas para a cesta. É incerto se ele virá para a NBA imediatamente, mas ele oferece uma opção com bastante potencial para Denver conseguir o jogador que eles precisam. Ótima troca, e boa escolha.


Escolha #17 - Boston Celtics
Quem escolheu: James Young
Quem deveria ter escolhido: James Young

Outra excelente escolha do Celtics, que aproveitou essa queda maluca de James Young para pegá-lo na #17. O Celtics poderia ter pego Gary Harris aqui e faria muito sentido, mas já tinha pego o jogador mais realizado e pronto na #6 com Marcus Smart, então a meu ver a escolha do mais explosivo, atlético e com mais potencial James Young foi correta.

O Celtics deve ter ficado em êxtase por Young ter caído até aqui. Boston tem uma base interessante, mas faltava um jogador mais explosivo, de alto potencial capaz de criar seu arremesso. Especialmente se Rondo for trocado e o Celtics entrar em modo total de reconstrução, Young vai ter um excelente técnico e muito espaço para desenvolver no grande jogador que pode ser, um jogador versátil e um bom parceiro para Smart. Ótima escolha, e um grande Draft de Boston.


Escolha #18 - Phoenix Suns
Quem escolheu: Tyler Ennis
Quem deveria ter escolhido:  Rodney Hood

Antes desse Draft, o Suns tinha excesso de dois tipos de jogadores: armadores (com Bledsoe e Dragic) e SF/PFs híbridos (gêmeos Morris). Então o que o Suns faz no Draft? Pegar mais um armador e mais um SF/PF híbrido, é claro!

Não que eu tenha achado Tyler Ennis uma escolha ruim - o Suns criou uma identidade veloz com base nos seus armadores, e tanto Bledsoe como Dragic podem jogar de SG para acomodar Ennis. O canadense pode funcionar como um ótimo reserva para ambos, mantendo o time funcionando em alta velocidade e tomando boas decisões. Eu gosto do encaixe, e também do valor que Ennis pode ter em um repasse para um time como Toronto que busca um PG. Mas de novo, o Suns já não tinha dois PGs que eram a base do seu time? Porque pegar mais um, ainda que um bom reserva? Eu acho que Phoenix teria se saído melhor escolhendo um jogador de uma posição mais carente (como Rodney Hood, um SF) capaz de espaçar a quadra e manter o esquema tático do time funcionando. Assim como TJ Warren, não é uma escolha ruim, e é uma escolha que faz sentido... mas não é a que eu achava a melhor opção disponível.


Escolha #19 - Denver Nuggets (Via Chicago Bulls)
Quem escolheu: Gary Harris
Quem deveria ter escolhido:  Gary Harris

O Nuggets trocou sua escolha por duas na tentativa, entre outros, de maximizar os valores que poderia tirar desse draft... e ao ver Gary Harris caindo na escolha #19, eu só posso imaginar que alguém deva ter desmaiado na sala do Nuggets, e que outro tenha abandonado o esporte para virar pastor. Porque foi realmente o maior golpe de sorte que o time poderia ter pedido.

Harris era desde o começo um dos melhores jogadores dessa classe, um legítimo two-way player capaz de defender em altíssimo nível, arremessar bem, e jogar com a bola na mão quando necessário. Ele caiu por questões sobre sua habilidade atlética e potencial limitado, mas é um ótimo talento e um valor fantástico no #19. Verdade que o Nuggets já pegou um SG em Afflalo no assalto na troca com o Magic mais cedo, mas não vejo um problema nisso - você sempre quer acumular o máximo de talento possível, e Gary Harris era de longe o melhor disponível. Um excelente dia do Nuggets.

Btw, vou ser um pouco injusto com Chicago aqui, porque era impossível para o Bulls saber como o resto do Draft deveria se desenrolar. Mas quem vocês prefeririam ter, Doug McDermott e o contrato de Anthony Randolph, ou Gary Harris e quem quer que o Bulls pudesse ter pego na #16 no lugar de Nurkic (meu palpite: James Young). Harris era um encaixe perfeito para Chicago (tanto que achei que deveriam tê-lo pego no #11 antes de McBuckets) e Young um ala com potencial capaz de espaçar a quadra. Verdade que Chicago não tinha como saber que Harris ia cair até a #16, mas em retrospecto, Denver saiu como um grande vencedor nessa troca.


Escolha #20 - Toronto Raptors
Quem escolheu: Bruno Caboclo
Quem deveria ter escolhido: Shabazz Napier

Vamos deixar uma coisa bem clara: eu estou muito feliz por Bruno Caboclo, torço para que tenha muito sucesso na NBA, quero que ele seja um ótimo jogador. Mas esse não é o meu trabalho aqui - meu trabalho é avaliar de forma imparcial as decisões tomadas por cada time. E por essa ótica, o Toronto fez uma grande besteira.

Me deixe colocar da seguinte maneira: nos últimos três meses, eu li pelo menos uns 30 Mock Drafts. Provavelmente mais. E Bruno Caboclo estava presente em exatos ZERO deles. Zero. Isso quer dizer que, entre especialistas e pessoas dentro da NBA, ninguém via o garoto como um talento para ser escolhido no Draft inteiro, muito menos na escolha #20. A história que consta é que o Raptors queria pegar Tyler Ennis na escolha #20 e Caboclo com a #37 na segunda rodada, mas quando Ennis saiu antes Toronto antecipou e pegou o brasileiro. Bom, isso é extremamente estúpido - cada escolha que você tem é um ativo, e é seu trabalho maximizar o valor que você recebe em troca de cada uma delas. Toronto usou a sua escolha de primeira rodada em um dos melhores Drafts dos últimos 20 anos em um jogador que os especialistas acharam que não deveria sequer ser draftado. Pense nisso.

Eu confesso que conheço muito pouco do Bruno como jogador, e não o conhecia at all antes do Draft. Desde então tentei ver o máximo possível de jogos e vídeos nos quais ele aparece, o que me apresentou um pouco e me permitiu tirar algumas conclusões (embora não possa falar com nenhuma certeza). Pelo pouco que vi, entendo o que o Raptors viu nele (corpo impressionante, envergadura monstruosa, muito atlético)... e entendo o que os críticos acham de tão absurdo na escolha do Raptors (não consegue driblar, passar ou criar seu arremesso, e não parece em nenhum momento conseguir jogar em um nível próximo da NBA). As pessoas o comparam a Giannis pelo físico, mas Giannis era um jogador muito mais avançado, especialmente como ball handler e passador, quando foi escolhido.

Se Toronto perdeu o jogador que queria em Ennis, deveria ter ido atrás ou do melhor PG disponível (Shabazz Napier) ou então do melhor valor (Hood, Capela, Hairston ou Napier) e esperado para pegar Bruno na segunda rodada. Foi um grande erro de um time que parece estar preso entre "podemos competir em um Leste muito fraco" e "queremos reconstruir". Mas ei, toda vez que você pode gastar a escolha #20 de um Draft fortíssimo em um jogador que teve menos de 5 pontos por jogo de média em uma das piores ligas profissionais do mundo, você tem que fazê-lo!!


Escolha #21 - Oklahoma City Thunder
Quem escolheu: Mitch McGary
Quem deveria ter escolhido: PJ Hairston

O Thunder usou sua escolha de primeira rodada para escolher um PF/C branco que não consegue criar seu próprio arremesso ou chutar de fora, mas um jogador grande e trombador, com bom motor e energia e que vive de rebotes ofensivos, pontos fáceis perto da cesta, faz o trabalho sujo e pronto. Ou seja, exatamente a mesma coisa que fizeram ano passado ao escolher Steven Adams. Agora eles tem um Steven Adams, um Nick Colison, e acabaram de selecionar um clone misto dos dois primeiros, sendo que nenhum dos três é titular.

Enquanto isso, o Thunder em 2014 teve um jogador horrível que chutou 39% na temporada regular e 31% nos playoffs, enquanto oferecia defesa horrível e uma avenida a ser atacada (de fato, foi em cima dele que o Spurs atacou todas as jogadas possíveis)... só que esse jogador ficou em quadra 18 minutos por jogo (!!!!!!) simplesmente porque Scott Brooks precisava de uma opção nas bolas de longe e um ballhandler secundário (Derek Fisher). Você está me dizendo que esse time NÃO teria se beneficiado mais de escolher PJ Hairston, um jogador atlético e excelente arremessador capaz de ficar com a bola nas mãos quando necessário? Claro que sim. Uma escolha bem duvidosa com uma opção claramente muito melhor disponível.


Escolha #22 - Memphis Grizzlies
Quem escolheu: Jordan Adams
Quem deveria ter escolhido: Rodney Hood 

Muita gente gosta de Jordan Adams e da sua habilidade de pontuar, mas eu não sou um desses. Vejo ele como uma versão piorada de TJ Warren, um jogador ainda menos atlético (acho que eu sou mais que ele) que não espaça a quadra e vive da pontuação bem dentro da linha de três - basicamente uma versão menos atlética, menos destrutiva na transição e sem a quantidade de recursos do novo jogador do Suns. No time e no esquema certo, Adams pode ser útil. Mas no Memphis, um time que se concentra no jogo de garrafão, lento, e tem dificuldade para espaçar a quadra? Adams é um PESSIMO encaixe, e isso antes de falar que eles já tem Courtney Lee, Tony Allen e Mike Miller (que é free agent) para jogar na posição.

Eles deveriam ter ido de Rodney Hood. Memphis tem dificuldade para espaçar a quadra e precisa do máximo de arremessadores que puder, e Hood é um ótimo pontuador (16 ppg, 42 3PT%) que também joga de SF, a posição mais carente da equipe e atualmente ocupada por Tyshaun Prince - um dos piores titulares da NBA. Hood era um jogador para entrar e contribuir imediatamente na pior posição e com a habilidade mais carente da equipe (3PT). Não sei mais do que o Grizzlies precisava para fazer a escolha certa.


Escolha #23 - Utah Jazz
Quem escolheu: Rodney Hood
Quem deveria ter escolhido: Rodney Hood

As vezes, no Draft, ter sorte é mais importante do que outra coisa. E para o Utah Jazz, esse foi o caso.  Primeiro, o PG grande que eles tanto queriam inexplicavelmente caiu para o #5, um excelente valor sendo que Dante Exum era cotado para sair até na #2. Eles imediatamente o pegaram. Depois, viram Rodney Hood escorregar até a escolha 23 quando três ou quatro times antes deveriam te-lo escolhido.  E de novo, aproveitaram para sair com ótimo valor e um jogador que faz muito sentido. No final, Jazz saiu com dois ótimos jogadores e como um dos maiores vencedores da noite, e isso principalmente porque tiveram a sorte de ver vários times na sua frente passar esses jogadores.

Hood faz sentido para Utah porque ele é um jogador de perímetro, o ponto fraco do Jazz, capaz de arremessar de fora. Jazz só tem Alec Burks e Gordon Heyward, mas Burks é melhor vindo do banco e Heyward é free agent, ninguém sabe se vai ficar. Mesmo se Utah for jogar com Trey Burke e Dante Exum juntos, eles ainda precisam de um SF,  encontraram esse jogador em Hood, alguém para espaçar a quadra, acompanhar contra ataques e que pode até jogar de PF em formações baixas. E mesmo se Heyward voltar, eles podem jogar juntos (com Heyward de SG) e no mínimo oferecem opções versáteis ao técnico. Sem falar, claro, que ele era o melhor jogador disponível. Ótima escolha, ótimo Draft de Utah.


Escolha #24 - Miami Heat (via Charlotte Hornets)
Quem escolheu: Shabazz Napier
Quem deveria ter escolhido: Shabazz Napier

O Hornets trocou Shabazz Napier para o Heat, e eu odiei essa troca para eles por três motivos: primeiro, porque eu achei que Napier era uma excelente escolha para o Hornets, alguém que ajudaria muito a equipe e era um bom valor a essa altura; segundo, porque o Hornets não recebeu nada relevante em troca, desceu duas escolhas em troca da #55 (que vendeu para OKC) e uma escolha futura de segunda rodada; e terceiro e talvez mais importante, porque diabos o Hornets - um time que está montado para vencer o quanto antes em um Leste cada vez mais aberto - está ajudando justamente o time que eles tem como objetivo superar?!

Miami, que não tem nada a ver com isso, fez seu trabalho e conseguiu um Home Run. Napier faz sentido em todos os quesitos, mas principalmente porque Miami precisa muito de um armador (Chalmers é free agent e Norris Cole não é confiável), e Napier tem todas as características que eles precisam no seu novo PG: alguém capaz de entrar e jogar logo de cara, um jogador inteligente que se encaixa no esquema de Miami, que tem bom 3PT range para espaçar a quadra, e um vencedor experiente que não tem medo de chamar a responsabilidade. Em termos de basquete Napier sempre foi um excelente encaixe. E ah sim, ele era o jogador favorito de LeBron James nesse Draft, e se free agent LeBron James manda você pular, você pergunta de onde. Assim você reforça seu time com o jogador ideal e ainda agrada sua superestrela. Ponto para Miami.


Escolha #25 - Houston Rockets
Quem escolheu: Clint Capela
Quem deveria ter escolhido: Clint Capela

Essa escolha é bem simples: Capela é um PF suíço com grande potencial como reboteiro e protetor de aro, mas muito cru, que deve continuar na Europa por mais algum tempo se desenvolvendo. Isso é ótimo para o Rockets, um time que quer fazer estrago entre os free agents esse ano e para isso precisa de muito espaço salarial. Portanto um jogador que não vem para a NBA agora - e portanto não ocupa espaço no salary cap - era a melhor coisa que eles fariam nesse momento. Capela ficará na Europa servindo de ativo para o futuro, enquanto Houston mantém a folha salarial limpa para tentar Melo e/ou LeBron.


Escolha #26 - Charlotte Hornets (via Miami Heat)
Quem escolheu: PJ Hairston
Quem deveria ter escolhido: PJ Hairston

Apesar de eu preferir Napier, Hairston foi uma ótima escolha também que o Hornets viu caindo no seu colo. Charlotte precisava de arremessadores capazes de fazer estrago do perímetro para abrir o garrafão para Al Jefferson, e depois de conseguir um stretch-4 ideal para seu sistema em Vonleh, o Hornets selecionou um dos melhores arremessadores de perímetro do Draft em PJ Hairston. Hairston é uma excelente opção aqui, um arremessador espetacular que no mínimo vai abrir a quadra e criar seu próprio arremesso quando o ataque fica estagnado.

Ele tem problemas extra-quadra e não tem um jogo muito inteligente dentro dela, muitas vezes força demais e quer fazer o que não sabe. Mas o Hornets coloca ênfase em um bom ambiente, e se o bom Steve Clifford conseguir fazer Hairston focar nas coisas que ele sabe fazer e não nas que ele quer fazer, ele pode ser um belo steal no #26. Duas ótimas escolhas do Hornets.


Escolha #27 - Phoenix Suns
Quem escolheu: Bogdan Bogdanovic
Quem deveria ter escolhido: Bogdan Bogdanovic

O Suns tinha três escolhas de primeira rodada, e de forma alguma eles iriam trazer três novos calouros para competir por minutos no que já era um time jovem e promissor. Então era lógico que usassem sua terceira escolha em um prospecto draft-and-stash, alguém para ficar na Europa por algum tempo antes de vir para a NBA. Foi o que fizeram com Bogdanovic, o melhor prospecto internacional restante, um excelente pontuador com um jogo que deve traduzir bem para a NBA. Uma boa aposta a essa altura que faz sentido dada a situação da equipe, e que deve vir da Europa só daqui a alguns anos.


Escolha #28 - Los Angeles Clippers
Quem escolheu: CJ Wilcox
Quem deveria ter escolhido: Jarnell Stokes

Eu gosto de CJ Wilcox, um sólido veterano capaz de arremessar de fora e um razoável atleta. Mas não é exatamente o tipo de jogador que pegaram ano passado em Reggie Bullock? E o Clippers sabe que seus únicos big men sob contrato para 2015 são Blake Griffin e DeAndre Jordan e que o time já está 8M acima do salary cap, certo? Ao invés de pegar um cara que é igual ao que pegaram um ano atrás e para uma posição razoavelmente lotada no elenco (nenhum é um grande titular, mas até ai Wilcox também não), porque não ir atrás do melhor pivô/PF disponível e usá-lo como um reserva de Griffin e Jordan, alguém capaz de fazer o trabalho sujo dos dois lados da quadra, controlar os rebotes e dar algum descanso aos titulares? Jarnell Stokes e Johnny O'Bryant estavam disponíveis e ambos teriam sido uma escolha melhor. Clippers perdeu uma importante chance de reforçar o garrafão, uma que eles lamentarão ano que vem quando estiverem desesperadamente atrás de um reserva na trade deadline.


Escolha #29 - Oklahoma City Thunder
Quem escolheu: Josh Husties
Quem deveria ter escolhido: KJ McDaniels

Depois de pegar um PF/C branquelo e trombador, o Thunder pegou um jogador de perímetro baixo, mas famoso pelos rebotes e pela defesa. Em outras palavras, eles acabaram de repetir em 2014 o Draft que tiveram em 2013 ao pegar Adams e Robertson. Porque? Eu não sei.

Huestis era inclusive um dos favoritos a steal do Zeca, então é um prospecto interessante para OKC. Mas eis a questão: se o Thunder queria pegar um defensor físico, porque não pegar KJ McDaniels, um jogador com as mesmas características, só que melhor e muito mais bem avaliado ao redor da liga? Huestis era considerado um jogador de meio de segunda rodada, enquanto muitos (inclusive eu) viam McDaniels como um talento de primeira, alguém pronto para entrar e jogar. Se era o conjunto de habilidade de Huestis que OKC queria, McDaniels faz as mesmas coisas mas melhor. Escolha esquisita.

(Eu achei engraçada a sugestão, depois do Draft, que OKC gostou de Huestis porque ele falava bem e passava liderança. Não era esse o argumento usado para jogar Derek Fisher 18 minutos por jogo quando ele não conseguia defender, passar ou arremessar?! A gente viu o quão certo isso deu!)


Escolha #30 - San Antonio Spurs
Quem escolheu: Kyle Anderson
Quem deveria ter escolhido: Kyle Anderson

Se fosse para achar uma comparação na NBA para os talentos de Kyle Anderson, seria Boris Diaw: tamanho de PF, mas habilidades como ballhandler e passador dignas de um armador, lento mas extremamente efetivo graças a boa habilidade nos rebotes, bom arremesso de fora e versatilidade com a bola nas mãos. Então é adequado que Anderson vai para o time que acabou de ter o próprio Boris Diaw como um dos melhores jogadores de um time campeão.

Se Boris Diaw (free agent) deixar o time, Anderson pode entrar e assumir seu papel vindo do banco, e se ele não sair (btw, ele não vai. Ele ama o Spurs) Anderson pode ficar um pouco no banco aprendendo com Diaw para assumir a função no futuro. Suas habilidades são perfeitas para o Spurs, um daqueles encaixes jogador-time simplesmente perfeitos para ambas as partes. O jogador mais Spurs desse Draft caiu para San Antonio na escolha #30 - o que mais eu posso dizer?

terça-feira, 17 de junho de 2014

As estrelas da offseason, parte II - Carmelo Anthony

"Renovar com o Knicks?! Ta maluco?!"


(Essa é a segunda parte da coluna que começou sábado, quando falei de Kevin Love. A introdução é a mesma, então se já tiver lido, pode ir direto aos finalmentes).

Com o Miami Heat chegando na sua quarta final de NBA consecutiva (primeiro time a fazer isso em 25 anos) e dois títulos na estante, tem ganhado cada vez mais força a narrativa de que, para vencer um título na NBA, você precisa de uma superestrela, um dos 10 ou 15 melhores jogadores da Liga, capaz de vencer jogos sozinhos e desequilibrar uma série. É uma teoria que sempre foi repetida nos círculos da NBA, e que ganhou ainda mais força dada a dominação do Miami Heat nos últimos anos e a ascensão de times como Thunder e Clippers.

E certamente existe muito que sustenta essa teoria ao longo da história da NBA, tanto mais antiga como recente. É DIFICÍLIMO vencer um título na NBA sem uma grande estrela, quase impossível. Desde que Magic e Bird entraram na NBA em 1980, com apenas UMA exceção, os times campeões contavam sempre com uma grande estrela: Kareem, Bird, Moses Malone, Magic, Isiah ThomasJordan, Hakeem, Duncan, Shaq, Wade, Garnett, Kobe, Nowitzki e LeBron James - todos jogadores que estariam alto em uma lista dos maiores de todos os tempos. A exceção é o Pistons de 2004, um time sem estrelas que é praticamente a exceção para tudo na história da NBA, uma equipe que se aproveitou de uma época onde as regras ficaram excessivamente a favor de times ultra-defensivos e de um Leste bastante fraco. Ainda assim, fato é que a história nos mostra diversas vezes que sim, você realmente precisa de um jogador Top10 ou Top15 para ter chance de vencer um título.

O problema é que cada vez mais parece que só uma estrela não basta, e que você também precisa de uma segunda estrela - ou talvez até uma terceira - se quiser ser campeão. Não é essencial como sua primeira estrela, mas sem dúvida aumenta muito suas chances. LeBron só foi vencer um título em Miami cercado por Wade e BoshKevin Garnett aceitou ir para o Celtics porque lá tinha Ray Allen e Paul Pierce, que tirariam a responsabilidade da pontuação das suas mãos; Kobe foi as Finais como coadjuvante de Shaquille O'Neal, e só voltou lá cinco anos depois quando lhe deram Pau Gasol embrulhado em papel de presente; Duncan teve primeiro David Robinson, depois Parker e Manu, e sempre teve talvez a mais importante delas fora de quadra, Popovich. Mesmo Kareem precisou de Magic Johnson, e Jordan de Scottie Pippen. E mesmo entre os não-campeões da atualidade, OKC tem Durant, Westbrook e Ibaka, e o Clippers tem Chris Paul e Blake Griffin - junto de Spurs e Heat, esses são os quatro melhores times da NBA (o quinto, pelo menos em eficiência total? O Rockets de Harden e Dwight Howard).

Você provavelmente já entendeu o ponto: a NBA é uma Liga de estrelas, onde as estrelas são as maiores comodidades que você pode ter na sua equipe. Se você não tem, você está em um patamar muito abaixo dos times que as possuem, e quanto mais você tiver, melhor. O óbvio problema aqui é que existe um número limitados de jogadores assim na NBA. Então, é claro, não é nada fácil ter a sua estrela, e todos os times que não tem estão desesperadamente a procura de uma, seja por Draft, seja pela Free Agency, seja por trocas. 

Portanto, não é de se surpreender o enorme interesse que é gerado toda vez que uma estrela fica disponível para mudar de time. É a chance de vários times que não tem estrelas adquirirem uma, ou então de times que já tem uma base adicionarem o talento excepcional em busca do próximo passo (ver: Rockets, Houston). E por esse motivo, parece que dois jogadores - duas estrelas - dominarão a mídia na NBA quando as Finais acabarem: Kevin Love, e Carmelo Anthony, duas estrelas que podem mudar de time nessa offseason.

A situação dos dois, claro, é diferente. Carmelo Anthony é um Free Agent, cujo contrato com o Knicks vai expirar e que está livre para ir aonde bem entender. Kevin Love, por outro lado, ainda tem mais um ano no seu contrato (e uma opção para 2015/16 se quiser), mas joga para um time de mercado pequeno com o qual ele está bastante insatisfeito, e podendo sair depois de 2015, e criou uma situação na qual o Wolves se arrisca a perder o jogador por nada caso não se antecipe e troque seu craque. Então Carmelo e Love tem isso em comum: ambos são estrelas, e ambos estão disponíveis a ir para o seu time nessa offseason. Isso é, se você puder pagar.

Com a offseason se aproximando, previsivelmente, as histórias e os boatos em torno de Melo e Love já começaram a aparecer. Então eu estou aqui para analisar exatamente a situação de cada um, quais são os potenciais interessados (e destinos factíveis), quais as opções dos jogadores, e o que os seus times atuais podem fazer para manter suas estrelas. Lembrando que estou analisando principalmente as possibilidades e probabilidades de cada evento acontecer, não levando em conta os rumores e boatos que surgem por ai.

Sábado, falamos sobre a situação de Kevin Love. Hoje é hora de falar das questões envolvendo Carmelo Anthony.


Carmelo Anthony


Ao contrário de Kevin Love, um jogador mais jovem com uma ascensão relativamente recente e menor rodagem na NBA, Carmelo Anthony já é uma estrela antiga e consagrada. Melo tem 11 anos de NBA no currículo, 6 All-NBA Teams (dois 2nd Team, quatro 3rd Team) e uma merecida fama como um dos melhores pontuadores da NBA nesse período: 21 ppg como calouro pelo Nuggets e nunca abaixo de 20, atingindo seu auge em 2007 (29-6-4) e 2010 (28-7-3 para um bom time de Denver que foi para as Finais de Conferência) e liderando a NBA em pontos em 2013. No entanto, esse sucesso individual nunca se transferiu para sucessos coletivos: Melo chegou apenas uma vez nas Finais de conferência (2010) por Denver antes de forçar uma troca para New York, um mercado maior que já tinha uma primeira "estrela" no lugar e aparentava estar em boa situação para atrair uma terceira (lembrem-se que CP3 e Deron Williams estavam para se tornar free agents).

O motivo para forçar essa troca nunca foi bem esclarecido, mas pareceu uma mistura de três coisas: um entendimento do valor que um mercado grande como NY poderia ter sobre uma superestrela como Melo (e para sua mulher, claro); uma componente pessoal (Melo simplesmente queria o glamour de jogar no Knicks); e por fim, uma decisão de basquete em busca de um título. Sobre esse último, é simples: o Big Three de Miami tinha acabado de se juntar e tinha lançado as bases para os times de muitas estrelas construídos via free agency, e com Deron Williams e CP3 prestes a se tornarem free agents, a idéia era de que Melo, Amare e um dos dois poderiam se juntar no seu próprio Big Three em New York. Claro, nunca aconteceu: CP3 foi para Los Angeles, Deron para o rival Brooklyn, os joelhos de Amare foram para o saco, e o Knicks ganhou apenas uma série de playoffs em quatro anos mesmo jogando no Leste. E um abraço para a melhor chance de vencer um título.

Agora o contrato de Melo vai chegando ao fim, e sua situação é muito mais simples que a de Love: não tem nenhuma troca para forçar, nenhuma complicação quanto a extensão a ser assinada nem nada. Melo tem uma opção para 2015 que ele ainda pode exercer, mas também pode encerrar seu contrato agora e entrar para a free agency. Por alguns motivos, eu acredito que ele vai preferir encerrar seu contrato agora: tem algumas opções interessantes para ele se transferir se seu objetivo é realmente vencer, e sair agora lhe da a opção de assinar talvez seu último contrato máximo da carreira o quanto antes - chegando perto dos 30, você vai querer garantir o máximo de dinheiro possível enquanto pode.

Então assumindo que Melo opte por terminar seu contrato e virar Free Agent, quais são as opções realistas que Melo tem nessa free agent, como cada uma pode atrair Melo, e qual a vantagem para ele em cada uma delas?


Quais as chances dele continuar no New York Knicks?

O caso a favor do Melo continuar no Knicks é bem simples: pelo novo CBA da NBA, o Knicks pode oferecer um ano a mais de contrato e mais dinheiro do que qualquer outro time da liga - NYK pode lhe oferecer um contrato máximo de aproximadamente 5 anos, 130M (26M por ano), enquanto que no mercado ele não poderia ganhar mais do que 4 anos, 96M (24M por ano). Isso é motivo suficiente para convencer muita gente, não só pelo dinheiro extra como pela garantia de um ano a mais de salário - lembrando que Melo já tem 30 anos, então dificilmente vai ter um próximo contrato máximo e é uma diferença considerável ganhar um contrato máximo por um ano extra (só pra constar, esses valores podem variar conforme o salary cap para o ano que vem mudar).

Claro, não é só isso que vai pesar na hora da decisão. New York ainda é o maior mercado dos EUA, e Melo sabe perfeitamente o valor de jogar nele - aumenta o valor da sua "marca" (e, vale ser dito, é onde sua mulher que adora os holofotes quer morar), por exemplo, algo que é cada vez mais importante para atletas hoje em dia. Morar em New York por si só já é um atrativo imenso, uma cidade onde você pode agir como uma celebridade perto de outras celebridades e desfrutar de um certo status.

Além disso, tem outro motivo que certamente Melo sabe: jogar no Knicks tem um peso que nenhuma outra franquia trás. Os torcedores do Knicks são os mais refinados e fanáticos dos EUA (acredite, eu conheço uma família deles) e acompanham uma das franquias mais tradicionais da liga, mas não tem a história de sucesso como os do Lakers ou Celtics e em geral estão "carentes" por uma estrela, alguém para conectar e acompanhar com paixão como faziam com Bernard King, Clyde Frazier e tantos outros. Enquanto ele for o franchise player do Knicks, ele sabe que suas ações em quadra terão um peso maior, que o impacto dos seus jogos de 60 pontos serão ainda maiores, e que sempre terá uma torcida inteira lotando a Meca do basquete (MSG) para gritar o seu nome. A importância que vem em jogar para o Knicks é ímpar, e algumas pessoas valorizam muito isso. E vale citar que, embora o impacto ainda seja muito difícil de dizer a essa altura, o Knicks acabou de fazer uma oferta monstruosa para Phil Jackson assumir o comando da equipe na esperança de que o carisma o currículo de Phil mudem o rumo da franquia e exerçam uma forte influença sobre Melo. É possível que a idéia de jogar para o maior vencedor da história recente dos esportes americanos seja a carta na manga do Knicks.

O caso a favor de Carmelo deixar o Knicks é ainda mais simples: no século 21, você vai ter trabalho para achar uma franquia mais consistentemente fracassada e incompetente do que o Knicks, um time que gastou os últimos 14 anos em trocas péssimas, elencos caros e muitas derrotas. Um dos motivos por trás da vontade de Melo ir para o Knicks era achar uma situação com boa chance de vencer, em parte porque acreditavam poder montar um novo Big Three por lá, mas essa esperança já acabou faz muito tempo. Amare não é nem sombra do que já foi um dia, CP3 foi para o Clippers, e as esperanças de atrair mais uma estrela ficam menores a cada dia. Esse sonho acabou.

Além disso, Melo sabe que ficar no Knicks é praticamente desistir da idéia de competir por um título no futuro próximo. O time é muito fraco para 2015 - a mesma base que sequer conseguiu ir aos playoffs em 2014 no fraquíssimo Leste e muito acima do salary cap - e, embora em 2016 quase todos os salários saiam da folha da equipe dando possivelmente lugar a um contrato máximo, é uma aposta distante demais e arriscada demais que o Knicks possa atrair alguma outra estrela para se aliar a Melo. New York não oferece uma situação de briga por título imediata, e nenhum plano para o futuro além de "teremos cap space para 2016 se não estragarmos tudo antes e TALVEZ possamos trazer alguns bons jogadores!" pela falta de ativos. E além disso, vale lembrar que o Knicks tem um dos piores donos de todos os esportes americanos (James Dolan) e uma diretoria que tem sido horrível por anos a fio (a esperança é que Phil mude isso, mas o histórico é bem negativo). Ficar no Knicks praticamente significa diminuir drasticamente as perspectivas de título que, supostamente, era algo importante para ele em 2011.

Qual dos dois casos é mais forte? Hmm... eu realmente não sei dizer. Depende muito do quanto valor Carmelo atribui (e atribuirá) a diferentes fatores: dinheiro, estabilidade, vencer títulos, glamour, etc. Ficar no Knicks significa ganhar mais dinheiro (por um ano a mais), continuar sendo um ícone de New York e jogar para Phil Jackson, mas também significa que as chances dele ganhar um título caem drasticamente. Sair pode colocá-lo em uma situação melhor, desde que esteja disposto a abrir mão do dinheiro e das vantagens de jogar em NY. E isso depende MUITO da ordem de prioridades para Carmelo, algo que nem eu nem você podemos dizer no momento. Mas a situação é muito menos confortável do que parecia em 2011.


Los Angeles Lakers

Porque aparentemente existe uma lei na liga que diz que o Lakers tem que estar envolvido em todos os rumores de troca ou free agent da NBA.

Em termos salariáis, é possível: o Lakers tem só 37M de salário para 2015, e isso considerando as propostas qualificatórias de Bazemore e Ryan Kelly e o contrato não garantido de Kendall Marshall. Recusando as propostas, todos os direitos sobre free agents (gente a beça - o total dos cap holds do Lakers chega a 56M) e dispensando Marshall, o Lakers tem apenas 33M garantido para 2015, bem abaixo do projetado teto salarial de 63M e com espaço para dar um contrato máximo a Melo. Então certamente é possível que Carmelo vá para o Lakers.

A questão aqui é, porque ele o faria? Porque deixaria na mesa mais dinheiro e mais um ano de contrato para trocar o Knicks pelo Lakers? O Lakers também não oferece a ele uma situação para vencer logo, com o contrato mastodôntico de Kobe tapando quase toda a folha salarial da equipe e impedindo a contratação de outros bons jogadores (e lembrem-se, eles não podem reassinar seus free agents usando Bird Rights se renunciarem a seus direitos para abrir espaço na folha salarial anteriormente). Porque ir de uma situação onde ele não vai vencer no curto prazo para outra, sendo que a atual oferece mais dinheiro, uma relação mais próxima com a torcida, mais status como "jogador leal e salvador" com a torcida mais fanática do planeta, e que é um mercado ainda maior que Los Angeles, sendo que na segunda ele ainda teria que aguentar Kobe por dois anos? Não faz nenhum sentido. E se você quer usar a carta do "o contrato do Kobe expira em dois anos e o Lakers terá espaço máximo para atrair outras estrelas!", lembre que no Knicks isso acontece um ano antes, e que agora que Jerry Buss morreu, o Lakers tem um dono tão incompetente quanto Dolan. Não tem vantagem alguma em Melo ir para o Lakers. Não vai acontecer.


Houston Rockets

Indo para um terreno mais realista, o Rockets é um time que desde o começo chamou alguma atenção por sua abordagem recente de ir atrás de estrelas e da sua compreensão do valor desse tipo de jogadores. Primeiro eles trocaram por James Harden, depois usaram sua presença para atrair Dwight Howard na free agency e montar um time bem competitivo que terminou 2014 quinto em eficiência total. Então entre sua atratividade para estrelas e a presença de outras duas, o fato de que em Houston não tem impostos sobre o salário (o que diminui o impacto econômico de sair do Knicks) e sua boa posição para competir por títulos no futuro próximo, é fácil de ver porque o Rockets é considerado um destino possível para Carmelo.

A logística, no entanto, é um pouco mais complicada. Mesmo recusando os direitos sobre seus FAs, dispensando Covington e Casspi e recusando as ofertas qualificatórias de todos os jogadores que não sejam Chandler Parsons, o Rockets ainda vai ter bem pouco espaço salarial nessa offseason, algo como 1 ou 2 milhões abaixo do salary cap apenas. Considerando que precisariam abrir mais de 20M para encaixar um contrato máximo para Carmelo (sim, ele poderia optar por ganhar menos, mas vamos trabalhar com os cenários extremos aqui), isso exigiria alguma criatividade por parte da equipe - especialmente quando você lembra que o time já tem quase 39M comprometidos com apenas Harden e Dwight.

Os dois maiores candidatos a trocas para liberar o teto salarial seriam, é claro, Omer Asik e Jeremy Lin. Cada um conta como 8.4M na folha salarial, então se o time conseguisse se livrar de ambos liberaria algo como 18M totais na folha salarial. Trocar Asik e Lin não deve ser tão difícil se o time precisar - ambos são jogadores úteis, em contratos expirantes, e que possuem um bom valor de troca e que muitos times estariam dispostos a aceitar de bom grado, tanto um time que tenha toneladas de salary cap para aceitar ambos (Sixers?), um time que possa mandar de volta um contrato não garantido (Cavs com Varejão?), ou mesmo trocas separadas. Mesmo que o seu salário nominal de 11M seja um problema, não é algo que o Rockets não possa contornar com uma ou outra escolha futura bem protegida. Muitos times estariam dispostos a aceitar Asik e/ou Lin em contratos expirantes. Mas isso liberaria ainda apenas 18M de espaço salarial, então a não ser que Melo aceite um desconto para se juntar ao Rockets (lembrando que ele já estará deixando dinheiro na mesa por sair do Knicks), o time ainda terá que trocar algumas peças como Motiejunas, Terrence Jones ou Isiah Canaan (3.9M somados) ou mesmo dispensar o contrato não-garantido de Patrick Beverley (900k) para chegar perto dos 22M de folha salarial (e isso sem contar os cap holds dos outros lugares do time). Com alguma criatividade, o Rockets pode chegar no espaço para um contrato máximo para Melo, mas vai ser muito difícil e vai exigir uma eliminação total do seu elenco.

No entanto, isso exigiria que o Rockets dispensasse quase seu time inteiro que não fosse Harden e Howard, e Melo sabe muito bem as consequências desse tipo de all-in porque foi o que o Knicks fez para adquiri-lo. Mas Houston abriu uma outra opção possível. Algum tempo atrás, o time declinou a opção que tinha para 2015 no contrato de Chandler Parsons, tornando-o um free agent restrito imediatamente. Muita gente atribuiu isso a uma tentativa de controlar o destino do jogador (Houston poderá igualar qualquer oferta por ele, sendo que ele seria um free agent irrestrito em 2015) caso um acordo com Melo saísse pela janela, e certamente é um fator importante. Mas tem outra coisa a ser levada em conta: a possibilidade de usar Parsons em um sign-and-trade por Carmelo. Essa possibilidade não faz sentido para Minnesota porque Parsons nunca iria querer ir para Minesota, mas New York?! É outra história. O seu status restrito facilita para o Houston, que poderia fazer um sign-and-trade (Parsons e Linsanity de volta a NY por Melo?) ou, caso perca a chance de sair com o All-Star, pode simplesmente renovar com Parsons e usá-lo futuramente como moeda de troca ou mesmo continuar com a mesma base dos últimos anos.

São duas possibilidades um pouco complicadas que exigirão algumas manobras, mas ainda são possibilidades reais. E como já foi dito, se Melo decidir deixar o dinheiro na mesa para sair do Knicks, é porque ele quer uma opção para vencer imediatamente e mais ajuda, e vai encontrar uma ótima opção dessas em Houston: Dwight Howard para proteger suas costas, James Harden para ficar com a bola nas mãos a maior parte do tempo, e muito menos defesas com dois ou três jogadores designados para pará-lo - sem falar, claro, que é um time que briga imediatamente por títulos com a formação do seu Big Three. E se Melo aceitar ganhar menos dinheiro para assinar (algo na casa dos 18M) com Houston, eles podem conseguir esse dinheiro trocando apenas Lin e Asik e ainda podem manter Chandler Parsons (já que não precisariam desistir de seus direitos). Seria um time incrível. Se a opção é vencer um título, essa é uma das duas melhores opções para Carmelo.


Chicago Bulls

Já escrevemos muito sobre a necessidade do Bulls por uma nova estrela na parte sobre Kevin Love. Se você está com preguiça, um rápido resumo:

"Chicago está desesperado atrás de uma nova estrela (tanto que aparecerão duas vezes nessas colunas), em parte para colocar junto de Derrick Rose e Joakim Noah, e em ainda maior parte para assumir o controle da equipe de Rose caso ele não volte o mesmo (ou até para diminuir as responsabilidades de Rose quando voltar)"

As vantagens e possibilidades (e dificuldades) de uma troca por Kevin Love já foram exploradas. Mas no caso de Melo, é mais simples: liberar espaço salarial o suficiente, porque o encaixe também faz muito sentido. Melo é um pontuador nato que é criticado por não defender bem, que tem bom alcance na linha de três pontos, bom jogo no garrafão e que é capaz de criar seu próprio arremesso. Coloque ele no Bulls e de repente Melo tem um Defensive Player of the Year e um dos melhores técnicos defensivos da NBA para protegê-lo na defesa, um pivô que é um exímio passador e gosta de jogar na cabeça do garrafão que vai fornecer muitas boas oportunidades de pontuação perto do aro, e possivelmente uma outra estrela (Rose) para assumir um pouco das responsabilidades de pontuação/ball handle e tirar aqueles double e até triple-teams de Melo. Ao mesmo tempo, o Bulls ganha alguém capaz de atrair defesas e abrir a quadra, um ótimo pontuador inside-out que pode jogar de SF ou de PF, aliviar a carga de Rose conforme ele se recupera, e criar arremessos do nada quando o ataque fica estagnado. Junte a isso o terceiro maior mercado dos EUA e um Leste historicamente fraco, e essa opção fica ainda mais interessante para uma mudança.

Em termos práticos, vai exigir alguns malabarismos por parte do Bulls, mas é muito factível. O Bulls estaria mais ou menos na linha do salary cap de 2015 recusando seus cap holds (menos DJ Augustin e Nikola Mirotic), não fazendo oferta qualificatória a Shengeila e dispensando Troy Murphy e seu contrato não-garantido (em torno de 63M). Mas eles tem ainda sua anistia por usar, e Carlos Boozer é um enorme candidato - usar a anistia no PF significa liberar 16.8M de dólares de uma tacada só do espaço salarial da equipe.

Claro, 16.8M não seria suficiente para assinar Melo a não ser que ele aceite um grande desconto, e isso dificilmente vai acontecer considerando que a) ele já deixou dinheiro para sair do Knicks e b) esse é provavelmente sua última chance de contrato máximo. Nesse caso, o Bulls também teria que mover Taj Gibson e seus 8M para algum time com muito cap space. Não acho que será tão fácil mover esse contrato já que ele se estende até 2017, mas Gibson é um excelente jogador e um dos melhores defensores da NBA, alguém que se desenvolveu muito bem essa temporada, e certamente terá algum interesse - e se o contrato for demais para alguns times, o Bulls tem duas escolhas de primeira rodada para tornar a troca mais "atraente". De um jeito de outro é factível. Se o Bulls fizer essas duas coisas - anistiar Boozer e trocar Gibson sem receber salários garantidos de volta - então estamos olhando para 25M de espaço salarial, espaço de sobra para assinar uma ou duas escolhas de Draft e oferecer o contrato máximo que Melo tanto quer.

O saldo: um núcleo Rose/Noah/Melo com bons role players como Jimmy Butler, Mike Dunleavy, Tony Snell; a chance de trazer de volta DJ Augustin ou Jimmer Fredette; Thibodeau; uma ou duas escolhas de primeira rodada... e talvez mais importante, ainda tem condições de trazer Mirotic para a NBA se os fortes rumores de que ele quer vir se comprovem. Você pode montar então um time Rose/Butler/Melo/Mirotic/Noah, ou até mesmo Rose/Butler/Dunleavy/Melo/Noah com Mirotic vindo do banco. Esse é um núcleo muito bom - a defesa deve continuar boa, tem mais opções no ataque e para espaçar a quadra, tem habilidade atlética, profundidade, pode jogar alto ou baixo, versatilidade... é um time fantástico, e se Rose conseguir se manter minimamente saudável, é um time para brigar com títulos desde o primeiro minuto em uma conferência fraca.

É uma ótima possibilidade para Melo. Por um lado, é uma oferta mais arriscada que a de Houston já que depende da saúde de Derrick Rose para funcionar direito, mas por outro é muito mais fácil de ser realizada (não depende de grandes movimentações menores ou de um sign and trade incerto) e, se Rose ficar saudável, oferece um caminho muito mais fácil para as Finais em um Leste fraco (e com um Miami Heat com futuro incerto) do que em um Oeste com San Antonio, Clippers e Oklahoma City - sem falar em Portland, Dallas, Golden State e todos os times que sempre geram problemas por lá. Também oferece um time muito mais profundo do que Houston, em parte porque Mirotic ainda não está na NBA ganhando milhões e Noah não está em um contrato máximo. É uma opção mais arriscada, mas entre probabilidade de acontecer, o mercado maior e o time mais profundo, me parece a melhor situação para Carmelo.

O que nos leva a uma pergunta muito interessante: se Chicago tiver condições de trazer tanto Love (por troca) como Melo (por free agency), qual dos dois o Bulls deveria ir atrás?? É uma pergunta muito difícil. Em um vácuo, seria preferível Love a Melo - ele é bem mais jovem, em um contrato menor que atulha menos a folha salarial (e o Bulls, por algum motivo, é bem avesso a gastar dinheiro), e trás talvez a habilidade mais valiosa da NBA na atualidade (um big man capaz de chutar de três). Mas por outro lado, trocar por Love significaria perder ativos valiosos - Butler, Mirotic e suas escolhas de Draft - deixando um time com menos recursos e tendo que completar o resto do seu time com jogadores inferiores, enquanto que Melo viria de graça (e 95M, mas isso é irrelevante) e portanto o Bulls poderia manter sua profundidade e jovens talentos. É uma escolha bem difícil, mas acho que se chegar a isso e Chicago tiver de escolher, eles não estarão muito chateados. Na verdade, tenho quase certeza de que os cartolas estariam assim:





Miami Heat

Uma opção um tanto quanto irreal que ganhou surpreendente força nas últimas semanas, quando alguns boatos começaram a surgir de que LeBron e Carmelo (que são bons amigos e já jogaram juntos na seleção americana) gostariam de unir forças na NBA, e que ganhou ainda mais quando Miami começou a levar a surra da sua vida contra San Antonio e ficou claro que eles precisavam de ajuda para 2015 (embora como exatamente Melo ajude a defender o ataque de San Antonio não está claro). Então precisa ser incluída pelo potencial e pelo impacto que causou nas redes sociais - em pleno dia de G4 das Finais estava todo mundo discutindo sobre como seria esse time com Melo (o coitado do salary cap foi ignorado 95% do tempo).

O problema dessa situação é que é muito difícil saber exatamente em que patamar o Miami Heat vai se encontrar, porque é um cenário que envolve muitas variáveis e decisões difíceis de se prever. Explicar exatamente a situação na qual Miami se encontra iria exigir muita linguagem técnica de salary cap, então vou dar uma versão resumida e o mais direta possível.

Basicamente, Miami tem só um salário garantido para um jogador em 2015 (Norris Cole, 2M), além de duas opções de jogadores (4.6M do Haslem, 1.3M do Birdman). Todo o Big Three tem a opção de terminar mais cedo seu contrato e virar free agent, senão receberão 20M em 2015. E basicamente todo o resto do time é free agent ou vai aposentar.

A primeira vista, parece que o Heat então tem cap space quase máximo para 2015, mas não é bem o caso, porque free agents carregam uma coisa chamada "cap hold", que é um certo valor que eles comem do seu salary cap enquanto você mantiver os direitos deles como free agents (como Bird Rights). Então considerando que Haslem deve aceitar sua opção para 2015 (ele já aceitou menos dinheiro para ficar em Miami em 2011, e não vai mais ter nenhuma oferta tão boa quanto essa na carreira) e Anderson deve recusar (ele já disse que vai), isso da 6.6M em salários para 2015. No entanto, mesmo que Miami renuncie aos direitos sobre todos seus free agents menos o Big Three, o cap hold dos três totaliza 59.5M... o que significa que só com Haslem, Cole e o cap hold de Wade, LeBron e Bosh o time do Heat já está 3M aproximadamente acima do salary cap. Boa sorte encaixando Melo ai. Claro que Miami pode renunciar aos direitos sobre algum dos três, mas isso significa que depois não pode reassinar o mesmo jogador depois usando seus Bird Rights (ou seja, passando do salary cap).

O argumento, claro, é que o Big Three iria aceitar contratos menores para continuar juntos e assinar Melo. Isso já passa, antes de mais nada, pela idéia de que todos os jogadores iriam abdicar do resto de seus contratos, o que não me parece garantido. Wade, por exemplo, tem 41.6M restantes no seu contrato (dois anos), não vem jogando bem e tem tido repetidos problemas físicos... não valeria mais a pena financeiramente jogar até o final desse contrato já que não deve ganhar esses 42M no mercado? Não me parece claro para ele, embora para LeBron e Bosh faça mais sentido terminar o contrato agora e assinar o próximo.

Supondo que todos optem para encerrar seu contrato, que tipo de mágica tornaria possível assinar Melo? Bom, antes de mais nada, todos os três teriam que aceitar enormes descontos para isso, ou assinando antes de Melo ou com Miami renunciando aos Bird Rights. Não vou entrar tanto no mérito de se eles vão ou não aceitar descontos - lembrando que para Wade e Bosh essa é provavelmente sua última chance de garantir um contrato máximo e que eles já diminuíram o salário em 2010 para jogarem juntos - porque é simples, se eles não aceitarem, não tem como assinar Melo e ponto. O que eu quero ver agora é o quanto teria que ser feito para trazer Melo a bordo.

Primeiro, Miami já tem 6.6M garantidos para Cole/Haslem (de novo, acho extremamente improvável que Haslem recuse sua opção). Esses dois mais o Big Three formam apenas 6 jogadores de 12 obrigatórios, então temos que incluir mais 3M pelos outros seis lugares no time, ou seja, 9.6M garantidos (isso considerando que Miami não use sua escolha de primeira rodada, senão são mais 2M em salários garantidos). Então sobra 53.4M para distribuir entre Bosh, LeBron, Wade e Melo, lembrando que sob hipótese alguma o Heat pode passar do salary cap para reassinar algum deles por causa do cap hold. Isso da 13.3M para cada um dos jogadores (supondo que eles ganhem igualmente).

Hmm eu poderia ver Wade aceitando isso em troca de um contrato longo (cujo valor total superaria os 42M que restam no seu contrato), mas será que LeBron, Bosh e Melo topam esse tipo de valor (especialmente sabendo que o resto do time teria que ser composto de jogadores em salários mínimos)? Eu não vejo acontecendo especialmente para Bosh (que não vai querer perder tanto dinheiro na sua última chance de assinar um contrato máximo) e Melo (que tem outras ótimas chances de ganhar em outros lugares COM um contrato máximo ou quase máximo, já deixou de ganhar dinheiro saindo de NY, e também está entrando no seu último contrato máximo). Miami poderia usar sua 1st round pick para mandar o salário de Haslem para algum outro time, mas ainda assim não poderia dar mais do que 14M para cada um dos quatro. Me parece muito exagerado, e isso antes de entrar no mérito se isso é de fato o que daria a Miami a maior chance de voltar ao título, adicionando mais um pontuador de perímetro que tem dificuldade na defesa e cercando-o de jogadores em contratos mínimos.

Além disso, como Melo tornaria Miami melhor? Eles já tem um alpha dog para jogar com a bola nas mãos no perímetro, e Melo não é um jogador que se encaixe bem na defesa attack-and-recover de Miami nem um jogador que se adapte bem ao estilo de movimentação ofensiva rápida da equipe. E os maiores problemas da equipe tem sido ball handling, defesa inside-out, e falta de proteção ao aro. Hmm em qual desses Melo ajuda? Em nenhum deles. Adicionar Melo seria muito mais um capricho do que uma solução real para os problemas da equipe.

Não vou falar que é impossível, mas me parece uma sequência bastante improvável de acontecimentos, que passa por diversas fases de altruísmo diferentes: Wade desistindo do resto do contrato (difícil), QUATRO jogadores diferentes aceitando ganhar algo como 8M a menos do que poderiam (ainda mais difícil), LeBron não desistindo de Miami depois de ver a péssima ajuda que recebeu nas Finais... etc. Não me surpreenderia se o Big Three aceitasse um pequeno desconto nos contratos para manter parte do salary cap em aberto para reforçar a equipe (Miller saiu, Birdman vai sair, Battier aposentando, Allen deve sair...) ou mesmo um free agent de nível médio como Kyle Lowry (um encaixe muito melhor que Melo, by the way), mas não para liberar o suficiente para Melo e nem que ele aceite. Nunca duvido de nada em South Beach, mas não me parece realista.

(By the way, isso não tem nada a ver com a decisão de Miami, mas é preciso ser dito: se Melo for para Miami formar um Big Four tem 100% de chance de termos um novo lockout em 2017. Garantido.)


Veredito

Francamente, não vejo o menor motivo para Melo ir para Los Angeles ganhar menos dinheiro, jogar em um mercado menor, jogar a lealdade de NY no lixo e ter chances igualmente fracas de ganhar um título. Miami também não me parece uma opção realista por todos os motivos que eu citei, e porque não me parece que Melo é o tipo de jogador que encaixaria tão bem na equipe. Então a decisão me parece entre ficar em New York, ou ir para Houston ou Chicago.

Como já disse, a decisão sair ou ficar depende principalmente de lealdade + dinheiro vs chance de título, embora tenha outros fatores no meio, claro. Ninguém pode dizer isso por ele com certeza. Mas na minha opinião - e isso, repito, é apenas a minha opinião - Melo vai virar FA e deixar o Knicks se receber uma oferta tentadora o suficiente, o lugar com melhor chance de atraí-lo é Chicago, um mercado maior que vai precisar ir a menos extremos para abrir cap space, oferece um time mais profundo e faz mais sentido do ponto de vista de encaixe em termos de basquete. Melo já ganhou bastante dinheiro na carreira e ainda assinaria um contrato máximo com Chicago, e ele sabe que precisa de um anel - ou pelo menos de uma Final - para completar seu currículo. E eu acho que Chicago oferece a ele a melhor chance de vencer nesse momento. Então acho que ele deve testar o mercado e, se Houston e principalmente Chicago jogarem pesado atrás dele, ele muda de time nessa offseason.


Para ler sobre a situação e as possíveis trocas envolvendo Kevin Love, clique aqui para ir para a Parte I

sábado, 14 de junho de 2014

As estrelas da offseason, parte I - Kevin Love

"Eu fui trocado pra QUEM?!?!?!"


Com o Miami Heat em sua quarta final de NBA consecutiva, e talvez a alguns jogos de se tornar o primeiro time da NBA a conseguir três títulos seguidos nos últimos 12 anos, ganha cada vez mais força a narrativa de que, para vencer um título na NBA, você precisa de uma superestrela, um dos 10 ou 15 melhores jogadores da Liga, capaz de vencer jogos sozinhos e desequilibrar uma série. É uma teoria que sempre foi repetida nos círculos da NBA, e que ganhou ainda mais força dada a dominação do Miami Heat nos últimos anos e a ascensão de times como Thunder e Clippers.

E certamente existe muito que sustenta essa teoria ao longo da história da NBA, tanto mais antiga como recente. É DIFICÍLIMO vencer um título na NBA sem uma grande estrela, quase impossível. Desde que Magic e Bird entraram na NBA em 1980, com apenas UMA exceção, os times campeões contavam sempre com uma grande estrela: Kareem, Bird, Moses Malone, Magic, Isiah Thomas, Jordan, Hakeem, Duncan, Shaq, Wade, Garnett, Kobe, Nowitzki e LeBron James - todos jogadores que estariam alto em uma lista dos maiores de todos os tempos. A exceção é o Pistons de 2004, um time sem estrelas que é praticamente a exceção para tudo na história da NBA, uma equipe que se aproveitou de uma época onde as regras ficaram excessivamente a favor de times ultra-defensivos e de um Leste bastante fraco. Ainda assim, fato é que a história nos mostra diversas vezes que sim, você realmente precisa de um jogador Top10 ou Top15 para ter chance de vencer um título.

O problema é que cada vez mais parece que só uma estrela não basta, e que você também precisa de uma segunda estrela - ou talvez até uma terceira - se quiser ser campeão. Não é essencial como sua primeira estrela, mas sem dúvida aumenta muito suas chances. LeBron só foi vencer um título em Miami cercado por Wade e Bosh; Kevin Garnett aceitou ir para o Celtics porque lá tinha Ray Allen e Paul Pierce, que tirariam a responsabilidade da pontuação das suas mãos; Kobe foi as Finais como coadjuvante de Shaquille O'Neal, e só voltou lá cinco anos depois quando lhe deram Pau Gasol embrulhado em papel de presente; Duncan teve primeiro David Robinson, depois Parker e Manu, e sempre teve talvez a mais importante delas fora de quadra, Popovich. Mesmo Kareem precisou de Magic Johnson, e Jordan de Scottie Pippen. E mesmo entre os não-campeões da atualidade, OKC tem Durant, Westbrook e Ibaka, e o Clippers tem Chris Paul e Blake Griffin - junto de Spurs e Heat, esses são os quatro melhores times da NBA (o quinto, pelo menos em eficiência total? O Rockets de Harden e Dwight Howard).

Você provavelmente já entendeu o ponto: a NBA é uma Liga de estrelas, onde as estrelas são as maiores comodidades que você pode ter na sua equipe. Se você não tem, você está em um patamar muito abaixo dos times que as possuem, e quanto mais você tiver, melhor. O óbvio problema aqui é que existe um número limitados de jogadores assim na NBA. Então, é claro, não é nada fácil ter a sua estrela, e todos os times que não tem estão desesperadamente a procura de uma, seja por Draft, seja pela Free Agency, seja por trocas. 

Portanto, não é de se surpreender o enorme interesse que é gerado toda vez que uma estrela fica disponível para mudar de time. É a chance de vários times que não tem estrelas adquirirem uma, ou então de times que já tem uma base adicionarem o talento excepcional em busca do próximo passo (ver: Rockets, Houston). E por esse motivo, parece que dois jogadores - duas estrelas - dominarão a mídia na NBA quando as Finais acabarem: Kevin Love, e Carmelo Anthony, duas estrelas que podem mudar de time nessa offseason.

A situação dos dois, claro, é diferente. Carmelo Anthony é um Free Agent, cujo contrato com o Knicks vai expirar e que está livre para ir aonde bem entender. Kevin Love, por outro lado, ainda tem mais um ano no seu contrato (e uma opção para 2015/16 se quiser), mas joga para um time de mercado pequeno com o qual ele está bastante insatisfeito, e podendo sair depois de 2015, e criou uma situação na qual o Wolves se arrisca a perder o jogador por nada caso não se antecipe e troque seu craque. Então Carmelo e Love tem isso em comum: ambos são estrelas, e ambos estão disponíveis a ir para o seu time nessa offseason. Isso é, se você puder pagar.

Com a offseason se aproximando, previsivelmente, as histórias e os boatos em torno de Melo e Love já começaram a aparecer. Então eu estou aqui para analisar exatamente a situação de cada um, quais são os potenciais interessados (e destinos factíveis), quais as opções dos jogadores, e o que os seus times atuais podem fazer para manter suas estrelas. Lembrando que estou analisando principalmente as possibilidades e probabilidades de cada evento acontecer, não levando em conta os rumores e boatos que surgem por ai.

Hoje começamos com Kevin Love, e terça feira falamos de Carmelo Anthony. 


Kevin Love


A situação de Kevin Love é um pouco complicada. Já faz algum tempo que Love é considerado um dos melhores PFs da NBA, uma máquina de rebotes que parece melhorar seu jogo a cada ano que passa. Ele explodiu em 2011 como reboteiro e arremessador de três, mas logo começou a arremessar (muito bem) a partir do drible, desenvolveu um sólido jogo no garrafão e de costas para a cesta, e é um jogador muito completo, tendo ótimos números em 2012 (26-13) e 2014 (26-12.5-4.5) e indo a dois 2nd Team All-NBA (e provavelmente teria ido a dois 1st Team All-NBA se não fosse contemporâneo de LeBron e Durant). Hoje, Love é sem dúvida alguma um dos melhores jogadores da liga.

O problema é que, mesmo sendo um dos melhores jogadores do mundo, Love nunca conseguiu chegar aos playoffs junto de um irregular time do Timberwolves. E isso em parte se deve a dificuldade da diretoria de Minnesota de conseguir colocar ao seu redor um time funcional, -dificuldade essa notada principalmente na noite do Draft (Jonny Flynn sobre Stephen Curry, e Wesley Johnson #4 overall, alguém?) - e em parte também ao azar que o Wolves tem de jogar no fortíssimo Oeste e não no fraco Leste.

Mas a questão é que poucos jogadores gostam de jogar em Minnesota sem um bom motivo (cidade fria, sem atrativos e de mercado pequeno), e Love já se disse insatisfeito com a falta de competitividade da equipe, não querendo passar o resto da sua carreira jogando em uma cidade que não lhe agrada a e em um time que só perde. E como o Wolves foi burro o suficiente para dar a ele um contrato que lhe permitia sair depois de apenas três anos (e não quatro, como poderia ter feito), Love pode terminar seu contrato ao final da temporada 2015 e virar um Free Agent, deixando Minnesota sem nenhuma compensação. 

A opção de Minny, caso não queira perder seu All-Star por nada, seria seguir o exemplo de Jazz (com Deron Williams) e Nuggets (com Carmelo), que se anteciparam a isso e trocaram o jogador antes dele acabar seu contrato, recebendo assim um retorno em troca e acelerando seu processo de reconstrução. Vários times estão fazendo fila atrás de Love (falaremos deles já já), e cabe ao Wolves  tirar o melhor retorno possível desse tipo de investimento. Vamos olhar agora para algumas das opções possíveis para Love e o Wolves.

O que o Wolves pode fazer para tentar manter Kevin Love?

Primeiro, rezar. Muito.

Se o Wolves não quiser trocar Love ou então não receber nenhuma proposta que achem digna (lembrando que eles teriam até a trade deadline de 2015 para empurrar caso não consigam uma troca satisfatória agora, embora o valor dele provavelmente cairia com a demora), a alternativa para Minny seria tentar de alguma forma convencer Love de que eles podem oferecer uma chance de vitória no futuro não tão distante, convencendo o jogador a renovar seu contrato ou pelo menos exercer sua opção para 2016 (dando ao time um ano a mais para montar a equipe ou achar uma troca a altura). 

Ironicamente, o Wolves tem um exemplo recente muito semelhante para se basear. Ano passado, antes da temporada começar, os boatos eram de que LaMarcus Aldridge - também na reta final de seu contrato - estava insatisfeito em um time em reconstrução do Blazers, e uma troca foi explorada. Não se concretizou, e o Blazers apostou que conseguiria montar um bom time para manter sua estrela. E eles conseguiram: reforçaram seu banco (o grande ponto fraco um ano antes), algumas trocas tornaram o time mais forte, Damian Lillard deu um salto e se tornou um excelente jogador, tudo se encaixou para o Blazers e eles foram aos playoffs, até vencendo uma série contra Houston. Agora Portland é o time do futuro, Aldridge está satisfeito e ninguém mais fala nele saindo da equipe. E esse é o caminho para o Wolves, caso queiram manter Love: montar um time bom o suficiente em 2015 que convença Love de que o time está evoluindo rumo aos playoffs, o suficiente para fazê-lo pelo menos aceitar pegar sua opção para 2015/16.

E isso é possível? Bom, talvez. Para começar que o Wolves não foi  tão ruim em 2014 quanto seu record de 40-42 indica. Na verdade eles terminaram o ano 13th em eficiência total, melhor do que Grizzlies (e suas 50 vitórias), Wizards e Nets. Seu saldo de pontos também indica que o Wolves deveria ter terminado o ano 48-34 - uma vitória abaixo do oitavo colocado no Oeste (Mavs). Então o Wolves não foi tão mal quanto pareceu a primeira vista.

Mas ainda assim não é suficiente para chegar aos playoffs no forte Oeste, e as chances do time se reforçar para 2015 não são das maiores. O Wolves precisa principalmente reforçar seu banco de reservas e de bons arremessadores na equipe, mas terá dificuldades para tal: o time já tem 66M de salários comprometidos para 2015, acima do salary cap (projetado) de 63M, e isso antes de contar os cap holds para seus free agents ou o salário de sua escolha de primeira rodada. O time pode usar a mid-level exception inteira nessa offseason, mas se arrisca a chegar perto demais da luxury tax. Então a free agency não deve trazer muita ajuda.

O Draft é uma fonte melhor, e Minny está em boa posição para adicionar o arremessador que tanto precisa (Stauskas, James Young/Rodney Hood, talvez Gary Harris, Adreian Payne) com sua escolha. Outra fonte importante para Minny é o desenvolvimento de seus jovens jogadores, em especial Rubio (deu alguns passos importantes em 2014 mas ainda não se desenvolveu em um pontuador útil) e Gorgui Dieng (teve 11 pontos e 10.5 rebotes de média nos últimos 20 jogos da temporada, em apenas 27 minutos). Idealmente o time acharia um bom SG no Draft, passaria Kevin Martin para o banco e montaria uma segunda unidade com Dieng, Martin e algum free agent, torcendo para Dieng conseguir ancorar essa segunda unidade.

Parece um time de playoffs no Oeste? Hmm... eu não sei! Eu realmente não sei, as coisas mudam muito rápido por lá e, como eu disse, o Wolves FOI um bom time em 2014 que esbarrou em muito azar, dificuldade em jogos apertados, um banco horrível e falta de bolas de três. Normalizando o azar, com alguma evolução de seus jogadores mais jovens e uma ou duas peças pontuais, é possível que o Wolves consiga uma boa arrancada no começo da temporada... e também é bem possível que continue naquela "bolha" do Oeste de ótimos times que não conseguem ir a pós temporada.

Por isso a decisão de Minnesota não é nada fácil. Sim, o time tem uma chance de chegar nos playoffs, mas é um risco e também não sabem se isso seria suficiente para manter sua estrela. E ai o time fica pressionado para tomar uma decisão que vai mudar o futuro da franquia: Tentar manter Love na temporada, torcer para o sucesso desse plano, e arriscar diminuir seu valor no mercado? Desistir da sua estrela e tentar tirar o máximo de valor possível agora, adiantando o processo de reconstrução? Essas são as perguntas, e por enquanto, não temos respostas.

Mas se Minny fosse trocar Love o quanto antes, quais seriam os principais candidatos? Vamos ver, um por um, sem ordem definida.


Los Angeles Lakers

É impossível não falar de uma troca de Kevin Love sem falar no Lakers. Os boatos de Love-para-o-Lakers começaram quando ele ASSINOU sua extensão com o Wolves, e todo mundo achava que esse opt-out cedo de Love era uma forma dele fugir para Los Angeles assim que a primeira janela abrisse. Então quando começaram os boatos de que o Wolves estaria disposto a trocar seu All-Star, todo mundo logo correu para fazer a conexão com o Lakers.

Então deixa eu tirar isso logo do caminho: KEVIN LOVE NÃO VAI SER TROCADO PARA O LAKERS!! Pronto!

Se o Wolves trocar Love, vai ser para conseguir o melhor retorno possível antes de perder seu jogador de graça. Sendo assim, o que o Lakers tem a oferecer? Não podem trocar uma escolha de primeira rodada de Draft até 2017, não tem NENHUM ativo a ser trocado no seu elenco (expirante de Nash? Não vai rolar), e sua escolha de Draft de 2014 só pode ser trocada APÓS o Draft. Sob hipótese alguma o Lakers teria condições de fazer uma oferta que o Wolves fosse favorecer no lugar de outras que vamos citar daqui a pouco. A única forma do Lakers trocar por Love seria se o PF batesse o pé e dissesse que só assinaria uma extensão contratual com Los Angeles, matando seu valor de troca... e mesmo assim, nesse caso era muito mais fácil esperar o final do ano para o seu contrato acabar e assinar com o Lakers de graça. Não tem como uma troca acontecer. E não vai.

By the way, um cenário interessante. Se Love realmente só for aceitar uma troca pra LA, ele poderia dizer ao Wolves que iria exercer sua opção para 2016. Isso daria um ano a mais para o Wolves montar um time competitivo para ir aos playoffs, e se falhar, ele se torna free agent ao mesmo tempo que o contrato absurdo do Kobe expira - em outras palavras, o ano que o Lakers deve ter cap quase máximo para a free agency e pode trazer Love E mais uma estrela (Durant?) de uma vez sem nenhum contrato ruim para atrapalhar - ao invés de Love ir para lá de FA em 2015 e jogar em mais um time ruim que não deve ir aos playoffs enquanto tem que aguentar o Kobe.


Phoenix Suns

O Phoenix Suns é um time interessante, uma equipe que supostamente entrou na temporada para tankar, e que de repente explodiu com boas atuações de jogadores aleatórios (PJ Tucker, Markieff Morris, Miles Plumlee), a chegada de Eric Bledsoe, a evolução de Gerald Green, e a temporada da carreira de Goran Dragic. O Suns terminou a temporada com 49 vitórias - uma atrás do Mavericks que levou San Antonio a 7 jogos nos playoffs - e 10th em eficiência total. Então de repente o Suns é um jovem time em ascensão com uma identidade de um time que joga em alta velocidade e arremessa bastante de fora, e com um grande número de jovens jogadores e escolhas de Draft (três de primeira rodada em 2014 e duas em 2015), começaram a surgir boatos de que o Suns pode acelerar sua reconstrução trocando por um jogador já estabelecido. E Love faria muito sentido, tanto pela disponibilidade como por se encaixar no estilo de jogo da equipe (e digamos que Phoenix é um pouco mais quente que Minneapolis).

O Suns tem muitos ativos que pode enviar em uma eventual troca: escolhas de Draft até dizer chega, Marcus e Markieff Morris, o contrato expirante do Channing Frye, Goran Dragic ou Eric Bledsoe, e sem dúvida pode colocar um bom pacote na mesa do Wolves. O problema é que falta ao Suns aquela peça central da oferta que desequilibre uma troca, uma escolha muito alta de Draft (a do Suns é a #14) ou um jovem jogador com potencial de All-Star para pesar na mente do Wolves. A última coisa que você quer fazer é trocar um All-Star por vários role players - por melhores que sejam - e é basicamente isso que o Suns teria a oferecer. A única peça que eles poderiam oferecer que seria um potencial All-Star seria Goran Dragic, mas isso dependeria de como Minny ve o PG (foi apenas sua primeira temporada jogando nesse nível) e ainda tem que levar em conta que Dragic pode se tornar um free agent em 2015, e o Wolves não vai querer arriscar perdê-lo por nada. SE Dragic se comprometer a assinar uma extensão, então uma troca Dragic, Markieff Morris, o expirante de Channing Frye, #14 pick e a escolha de 2015 do Lakers passa a ser interessante.

Mas depende de muitos fatores, e é um fato que Dragic foi o melhor jogador na equipe em 2014 e o terceiro melhor PG da NBA - não é claro que Phoenix vá querer envolvê-lo em uma troca. Além disso, ele só tem uma temporada fora de série (btw, Dragic foi ASSALTADO por ter caído para o 3rd-Team All NBA para Tony Parker entrar no 2nd Team), e o Wolves pode não achar que é uma peça boa o suficiente, e ai tudo volta para aquela falta de ativos de elite. É mais provável que o Suns vá atrás de outros veteranos estabelecidos (Al Horford, talvez?) a um preço mais modesto e que não forcem a equipe a desmontar seu combo de armadores.


Houston Rockets

Essa é difícil de acontecer. O Rockets já está no limite do salary cap da NBA para 2015, e isso antes de lembrar que tem em Chandler Parsons um free agent restrito. Além disso, o Rockets não tem praticamente nenhum ativo valioso (tirando talvez Terrence Jones e Asik, e não tão valiosos assim) ou escolhas de Draft interessantes. Para essa troca funcionar teria que mandar Asik e uma sign and trade por Parsons junto de muitas escolhas de Draft, mas duvido que Parsons fosse querer jogar em Minnesota e duvido que Minny veria isso como um valor decente. Melhor o Rockets se focar em outra direção. Espere até a Parte II...


Sacramento Kings

Um dos problemas com os potenciais trocadores (?) por Kevin Love é que, como Love é um free agent ao final do ano, o time que gastar valiosos ativos para trazê-lo não vai querer correr o risco de perder o jogador por nada ao final do ano. Qualquer time que o fizer vai querer ter certeza que Love vai assinar uma extensão com a equipe - talvez até com um acordo apalavrado antes da troca. Por isso é tão difícil imaginar o Kings - um time fraco no meio de um período de reconstrução que joga em um mercado pequeno sem nenhum atrativo - fazendo essas troca.

Mas algumas fontes dizem que o Kings pode arriscar a troca mesmo assim, e eles merecem ser incluídos porque são capazes de fazer uma proposta muito interessante: Ben McLemore (escolha Top6 do Draft passado), o contrato expirante do Rudy Gay, sua escolha de Draft (#8) e talvez uma escolha futura protegida por Love e um ou dois contratos ruins dos quais o Wolves queira se livrar (Buddinger e Mbah-a-Moute, ou talvez Kevin Martin). Essa é uma excelente proposta!! Você ganha uma escolha alta de um bom Draft, um bom SG com potencial, ganha uma potencial escolha de Draft valiosa para o futuro e limpa toda sua folha salarial para 2015. De novo, é uma troca espetacular! Com uma exceção (Cavs - chegaremos lá), é talvez a melhor proposta que o Wolves vai receber por Kevin Love, e uma que eles muito possivelmente aceitariam.

O problema é que o Kings não ficaria com um grande time com essa troca, e teriam que aceitar o enorme risco de jogar sua reconstrução no lixo e ainda perder Love por nada no final do ano - e eu acho que eles não farão isso. Ainda assim, é algo que precisa ser levado em conta: Sacramento tem um novo grupo no comando, e um grupo que já falou diversas vezes que não vai poupar esforços para tornar o Kings uma franquia vencedora e acabar com a cultura que lá impera. Trocar por Love seria o tipo de golpe que teria a chance de mudar tudo isso de uma só vez...  e um garrafão Love-Cousins seria um dos mais interessantes da NBA. Eu só duvido que, quando chegar na hora H, o Kings arrisque - porque, caso de errado, você atrasa a franquia em mais cinco anos. Para o azar do Wolves.


Chicago Bulls

Ok, agora começa a ficar realmente interessante. Chicago está desesperado atrás de uma nova estrela (tanto que aparecerão duas vezes nessas colunas), em parte para colocar junto de Derrick Rose e Joakim Noah, e em ainda maior parte para assumir o controle da equipe de Rose caso ele não volte o mesmo (ou até para diminuir as responsabilidades de Rose quando voltar). Love e Chicago também seria o casamento ideal: a defesa de Chicago vai ser muito boa para Love, Noah pode proteger o aro que Love não consegue e jogar tanto dentro ou fora do garrafão, e Love da a Chicago uma legítima opção na meia quadra e alguém para chutar de três e fazer o pick and pop com DJ Augustin Rose. Sem falar, claro, que levaria Love para o time competitivo e o mercado grande que ele tanto quer (supostamente) Seria um encaixe perfeito.

O problema com a troca é que, ainda que factível, ela é difícil de acontecer. Chicago pode entrar algo como 10 milhões em cap space anistiando Boozer e renunciando aos direitos sobre alguns free agents (mais sobre isso na seção do Melo), então salários não seria um problema. O difícil seria o que mandar em troca. A melhor troca possível seria algo como Nikola Mirotic, Taj Gibson/Jimmy Butler, e as duas escolhas de primeira rodada de 2013 (#16 e #19) em troca de Love. Ou em uma outra alternativa, não anistiar Boozer e trocar seu contrato expirante mais Butler e Mirotic (com as escolhas de Draft) por Love e um contrato ruim do Wolves. São as duas opções mais realistas.

Alguma parece uma escolha boa o suficiente para fazer o Wolves se separar de seu All-Star? Hmm... para mim não, a não ser que eles estejam muito convencidos de que Mirotic vai ser um grande jogador. As escolhas 16 e 19 são valiosas em acordos menores, mas não vão mexer com a cabeça de Flip Saunders (GM e agora técnico do Wolves). Mirotic é o jogador mais importante, mas eles não vão querer trocar Love por uma incógnita e três role players. Não me parece que o Bulls teria o suficiente para isso, embora não de para descartar de todo porque é o melhor lugar para Love e o PF pode muito bem se comprometer a assinar uma extensão apenas com Chicago, forçando a mão do Wolves. Nesse caso, Minny teria que morder essa oferta, e como já disse, não é uma situação a ser descartada porque é de longe a melhor troca possível para Love. Mas com tão poucos recursos disponíveis, Chicago pode optar por seguir em outra direção (wait for it).


Golden State Warriors

O Warriors é um time muito interessante, que tem um certo buraco na posição de PF (embora eu seja pró-David Lee) e que adora chutar de três, e que já mostrou em 2013 (quando fez várias trocas para limpar a folha salarial para Dwight Howard) que está disposto a se arriscar por mais uma grande estrela para juntar com Steph Curry. E Kevin Love faria muito sentido nessa equipe, um jogador ofensivo de elite para ancorar o ataque quando Curry vai para o banco e que formaria a dupla de pick and pop mais mortal da história do jogo com o PG. Eles também tem muitos jovens jogadores para oferecer em uma eventual troca, o que torna factível esse tipo de especulação.

De fato, Harrison Barnes (#5th pick dois anos atrás) e Klay Thompson (um dos melhores arremessadores da NBA e um sólido - e jovem - two-way SG) seria um excelente pacote para o Wolves junto de um contrato caro (provavelmente David Lee) em troca de Kevin Love e alguns contratos ruins (Kevin Martin, Mbah a Moute e Chase Buddinger - escolha dois de três). Barnes e Thompson são dois jogadores comprovados na NBA que ainda apresentam bom potencial, e que podem FACILMENTE ser utilizados pelo Wolves como ativos em futuras trocas, dois jogadores com alto valor de troca.

O problema aqui é que o Warriors não tem escolhas de Draft para "adoçar" a troca, não tendo escolhas trocáveis até 2019 (!!!), o que limita a uma troca de jogadores por jogadores. Barnes e Thompson é uma ótima dupla e Lee é um bom jogador que ainda pode ser trocado na deadline, mas ainda é uma troca de 70 centavos no dólar sem uma peça com potencial maior. Sem escolhas de Draft ou um grande contrato expirante, não é a troca que o Wolves preferiria... mas talvez seja a melhor que consigam. Afinal, o Wolves é quem menos tem poder de barganha nessa questão toda.


Boston Celtics

Se o Warriors tem bons jogadores a oferecer mas não escolhas de Draft, o Celtics é exatamente o oposto: não tem bons jovens jogadores para enviar em troca de Love, mas tem uma cacetada de escolhas de Draft nos próximos anos, principalmente a #6 desse ano. E é nisso que o Celtics vai ter que confiar para tentar atrair Love.

O pacote de jogadores por Love seria o expirante de Brandon Bass, Jeff Green e Jared Sullinger - definitivamente não o melhor dos pacotes, já que Green é apenas um jogador útil (idealmente um 6th man em um time de playoffs) e Sullinger seria o melhor valor na troca (e ninguém sabe exatamente o que ele pode vir a ser). Mas o Celtics tem uma gama infinita de escolhas de Draft para Minnesota escolher: a #6 desse ano (obrigatória em qualquer troca), mais a do Nets desse ano, a do Nets de 2016, a do Nets de 2018, a do Clippers de 2015 (possivelmente valiosa se o problema com Donald Sterling se arrastar), e o direito de trocar de picks com o Nets em 2015 (além, claro, das suas próprias escolhas futuras). Então Sully/Green/Bass não é a coisa mais atraente do mundo, mas quando você inclui a #6, a #17 (do Nets) e uma futura escolha do Nets e/ou do próprio Celtics... começa a ficar mais interessante, não é mesmo?

É claro, dificilmente o Wolves seria capaz de pegar um do Top4 e potencial Franchise Player desse Draft no #6 (Exum, Wiggins, Embiid e Parker), mas ainda da para pegar um potencial All-Star - se isso é uma coisa boa ou não eu deixo para vocês decidirem. Sully pode vir a ser um bom jogador, mas é uma aposta de caráter bem diferente da oferta do Warriors: você recebe menos talento realizado, mas recebe alguns ativos de maior volatilidade que podem eventualmente dar um retorno maior no médio prazo. Claro que depende também de quais escolhas o Celtics estaria disposto a mandar, mas é um pacote extremamente interessante que pode sair de Boston.

Essa oferta é melhor do que a do Warriors? Eu realmente não sei, e depende de qual a visão do Wolves no momento. Mas me parecem, no momento, as duas melhores ofertas que o Wolves vai receber (a não ser que o Kings decida arriscar, e dependendo do que o próximo time vai fazer). Claro, tudo depende de...


Cleveland Cavaliers

O Cavs é o time mais difícil de prever e antecipar da NBA, porque ninguém faz idéia do que eles querem - nem eles mesmos. Apesar de saírem com quatro escolhas Top4 nos últimos três anos (inclusive duas #1), o time não conseguiu montar uma equipe competitiva, e apesar do ênfase que seu dono deu recentemente a vencer o quanto antes, eles não conseguiram alcançar os playoffs mesmo em um Leste historicamente fraco. E isso é um problema, em parte porque não sabemos o quanto essa política recente vai influenciar a direção do Cavs aqui.

Para começar, parece que o Cavs ainda está seriamente tentando atrair LeBron James na crença de que ele vai deixar Miami, e para isso quer montar o elenco mais forte e atraente possível. Trazer uma estrela do nível de Kevin Love sem dúvida ajudaria o caso para seduzir James, e mesmo que não consiga atrair o melhor jogador do mundo, ainda é um excelente jogador para ajudar Kyrie Irving e o Cavs na sua busca por vitórias imediatas. Então faz sentido o Cavs ir atrás de Love, especialmente tendo em mente "LeBron James" e "Vencer agora".

Claro que, em típico modo Cavs, vazou a notícia de que a idéia do time era trazer Love SEM trocar sua #1 pick, mantendo o seu maior valor e trazendo ainda a grande estrela disponível. Hmm, claro, porque não pedir Durant e Chris Paul junto? Quem sabe Greg Popovich de técnico também? É ridícula a noção de que o Wolves trocaria Love sem receber sua #1 pick de volta, não tem a MENOR chance disso acontecer. Não que me surpreenda, claro, os torcedores do Cavs são absurdos por natureza - essa semana mesmo vi um sugerindo que o Cavs podia trocar Dion Waiters, Sergei Karasev e Spencer Hawes com o Bucks pela #2 pick para pegar Embiid e Wiggins 1-2. Quase tão realista como trocar por Love sem envolver a #1 pick.

Mas deixando de lado os cenários impossíveis, aqui começa a ficar realmente interessante. Se o Cavs REALMENTE quiser Kevin Love (pelos motivos já ressaltados), acho que ninguém é capaz de fazer uma oferta melhor: a #1 pick, Waiters ou Bennett, e talvez o contrato não garantido/expirante de Varejão ou futuras picks por Love.

Para o Wolves, é perfeita: um potencial Franchise Player na #1, um jovem jogador com potencial em Bennett ou Waiters, e limpa seu salary cap para o futuro próximo. Considerando o jogador recebido, a #1 pick e sua própria escolha, o Wolves pode entrar ano que vem com Rubio, Stauskas, Wiggins, Bennett, Pekovic e Gorgui Dieng (ou então talvez Adreian Payne na #13 e Waiters de SG, ou mesmo algo como Embiid na #1 e Rodney Hood na #13). Esse é um fantástico núcleo! Você tem um potencial franchise player, sólidos titulares com potencial, defesa, 3pt shooting e uma folha salarial controlada, talvez uma escolha extra futura. Se o Cavs estiver disposto a fazer essa oferta para adquirir sua estrela (e Love aceitar uma extensão por lá), então Love é deles - nenhum time em toda a NBA é capaz de fazer uma proposta tão boa pelo jogador.

Para o Cavs, essa é uma oferta de altíssimo risco e alta recompensa. Com duas estrelas a bordo e ainda algo como 18M de cap space (sem contar cap holds), o Cavs estaria em ótima posição para atrair mais jogadores de alto nível, mesmo se não for LeBron (Chris Bosh?). E em último caso, o Cavs ainda pode trazer de volta alguém como Luol Deng e Spencer Hawes, ou simplesmente completar o time com contratos de um ano em busca de uma vaga nos playoffs do Leste (com Irving e Love, é quase uma certeza) e rolar o seu bom espaço salarial para 2015. De qualquer forma, com duas estrelas a bordo é muito mais fácil atrair uma terceira (como Celtics e Heat logo concordarão) ou juntar um time ao seu redor (Rockets, alguém?). Resta ver se Love topa e se o Cavs vai querer seguir por esse caminho - de novo, é uma troca de alto risco visando atrair LeBron e em vencer imediatamente, que parece ser a prioridade do Cavs - mas se quiserem, seria a melhor opção para ambos os times.


Veredito

Só pra deixar claro, o que analisamos acima eram os cenários possíveis de cada time que poderia trocar por Love de forma realista. Agora, no "Veredito", eu vou dar apenas minha opinião educada em como eu vejo a situação, algo bem mais subjetivo do que as análises até aqui.

Ainda que eu ache que o Wolves seja um time bom e que tem boas chances de ser competitivo no futuro próximo com Love e algumas decisões inteligentes, eu acho dificílimo que eles consigam convencer Love a ficar. Os incentivos contra são muitos: um péssimo dono e uma diretoria bem incompetente (não ajuda que Flip Saunders, o GM do time, acabou de se colocar como técnico também), uma cidade que não lhe atrai, e um time que nunca foi aos playoffs. Ainda que com um Draft inteligente o time possa ficar forte, vai ser difícil ter uma arrancada boa o suficiente para começar 2015 a ponto de convencer Love que os playoffs estão garantidos - lembre-se que o Oeste é ridiculamente forte, que o 8th seed de 2014 (Mavs) provavelmente ganharia o Leste se o trocassem com o Heat, e que times como Suns, Wolves e Pelicans ainda ficaram fora dos offs. Eu não vejo acontecendo, e por isso o Wolves deve acabar não tendo opção.

Sobre as propostas, as propostas de Kings e Cavs são de longe as melhores possíveis para o Wolves, duas trocas que lhes garantes escolhas altas, jovens ativos, e alívio salarial. A do Kings oferece um alivio salarial bem maior (e permite que Minny se livre de seus piores contratos), mas a do Cavs tem a peça mais valiosa e por isso tem prioridade. O problema é que são duas propostas incertas: a do Kings envolveria assumir um altíssimo risco e não está claro que a franquia realmente vá fazer essa proposta, e o Cavs é uma incógnita que pode seguir em diferentes direções e talvez veja a escolha #1 como valor demais a ser dado. Em outras palavras, são de longe as melhores propostas, mas que podem acabar nunca se materializando.

Se for o caso, as melhores propostas que sobram são as de Warriors e Celtics, embora ache que nenhuma das duas seja o que o Wolves tinha em mente: Celtics oferece incerteza demais, e Warriors potencial de menos. Mas ainda são as duas melhores que sobram. Ainda acho que nenhuma das ofertas de Chicago seria boa o suficiente para Minnesota, mas não pode ser descartada porque é a melhor para Love, a única oferta que lhe ofereceria um mercado grande E uma chance imediata para vencer no time que seria perfeito para ele. Então considerando que dificilmente um time trocaria por Love sem uma promessa de extensão - e portanto sem seu consentimento - é muito possível conceber um cenário no qual o jogador só iria possibilitar uma troca para Chicago. Nesse caso, deixaria de ser um leilão pela melhor oferta para ser uma oferta única, e Minnesota provavelmente morderia depois de empurrar um pouco com a barriga. A contragosto. Não se pode deixar também de levar em conta as preferências de Love, embora elas também não me pareçam tão definidas a esse ponto.

Ainda que uma oferta Godfather do Cavs ou do Kings possa ainda ser a melhor solução, eu não gostaria de estar na pele do Flip Saunders nesse momento.