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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A Maldição de Sam Bowie

Quando tudo começou...


Na última quarta feira (15/11), no Staples Center, aconteceu um jogo de NBA entre Sixers e Lakers, dois dos times jovens mais interessantes da NBA. E entre vários motivos pelos quais o confronto gerou antecipação entre fãs e mídia foi o confronto de dois dos calouros com mais hype da temporada: o australiano Ben Simmons, armador (de 2 metros e 10, mas armador) do Sixers e escolha #1 no Draft de 2016, contra Lonzo Ball, armador do Lakers recém-escolhido #2 no Draft.

Mas se Simmons brilhou na partida com 18 pontos, 10 assistências, 9 rebotes e 5 roubos de bola, o mesmo não pode ser dito do muito falado calouro de Los Angeles. Lonzo Ball terminou o jogo com 2 pontos, 2 assistências e 2 turnovers, acertando apenas 1 de 9 arremessos e errando todas as 6 bolas de três pontos que tentou, antes de passar o quarto período inteiro sentado no banco de reservas - pela segunda partida seguida. Nos seus 21 minutos de quadra, o Lakers foi um -18. Nos seus 27 minutos no banco, o Lakers foi +12 em quadra. A partida ruim continuou uma temporada bastante fraca e decepcionante de um dos calouros mais aguardados e comentados dos últimos anos.

(Joel Embiid, diga-se de passagem, anotou 46 pontos, 15 rebotes, 7 assistências e 7 tocos na partida, números que nenhum jogador da história da NBA anotou oficialmente me uma partida).

Claro, catorze jogos não dizem nada sobre a capacidade de Lonzo (ou qualquer outro calouro) de se tornar um grande jogador de NBA. É uma amostra muito pequena, e calouros sempre terão maior demora e dificuldade para se adaptar ao jogo mais rápido e físico da NBA. É muito cedo para falar que Ball não será um bom jogador de basquete. Seu talento é real, e seus passes já são de altíssimo nível - ele provavelmente ficará bem.

Ainda assim, existe algo maior e mais preocupante que pode atrapalhar Lonzo na sua trajetória profissional. Ao contrário do que muitos pensam, não é seu arremesso, nem o excesso de hype, e nem seu pai falastrão - e sim uma influência que começou 14 anos antes de Lonzo Ball sequer nascer.

Estou falando, é claro, da Maldição de Sam Bowie.

Para aqueles que não sabem do que eu estou falando, Sam Bowie era um pivô da universidade de Kentucky que foi a segunda escolha do Draft em 1984. Bowie ficou cinco anos em Kentucky (perdendo dois deles por conta de lesões no pé) e, quando foi para o Draft, já era dois anos mais velho do que a grande maioria dos prospectos da época (tinha 23 no seu ano de calouro). Sam era um pivô bem alto e um jogador bastante habilidoso e refinado próximo à cesta quando saudável, mas lesões no pé e na perna (as mesmas da época de Kentucky) acabaram com sua carreira -  Bowie jogou 60 jogos ou mais apenas seis vezes na sua carreira e nunca conseguiu fazer nada demais em quadra. Depois de 11 anos decepcionantes e marcados por lesões, Bowie se aposentou da NBA.

Por si só, a carreira de Bowie não teve nada de especial - um bust talentoso que até jogou bem quando saudável mas foi traído por problemas físicos. Como Sam, tem dezenas de outros jogadores semelhantes na história da liga. O que fez de Bowie diferente - e marcou seu nome de forma infeliz na história da NBA - é que uma escolha depois do Blazers ter pego Bowie, o Chicago Bulls escolheu um tal de Michael Jordan para o seu time. E o resto é história.

(Curiosidade interessante: no Draft de 1984 - em que o Rockets escolheu Hakeem #1, o Blazers pegou Bowie #2 e o Bulls ficou com o grande prêmio no #3 - o Rockets negociou uma troca com o Blazers no qual enviaria seu então Frachise Player, Ralph Sampson, em troca de um calouro de pouca expressão chamado Clyde Drexler e a escolha #2 para pegar Michael Jordan. No final, o Rockets recuou e nunca fez a troca. E foi assim que chegamos tão perto de ver Hakeem, Jordan E Clyde Drexler jogando sua carreira juntos no mesmo time. Durma com essa.)

Mas quando o Blazers passou Jordan para pegar Bowie com a escolha #2 (aliás, uma decisão que a franquia curiosamente reviveu 23 anos depois quando passou Durant para pegar Greg Oden) eles não apenas assinaram seu próprio destino (adivinha quem chutou a bunda do Blazers nas Finais de 1992 e destruiu a confiança do seu Franchise Player no processo?) e mudaram a escala de poder dentro da NBA. Eles também condenaram para sempre o destino da escolha #2 do Draft. Começou assim a Maldição de Sam Bowie.

A escolha #2 do Draft deveria ser um ativo de extremo valor. Ainda que não tão bom quanto a escolha #1 (dã!), onde saem os jogadores que são as absolutas certezas (Hakeem, Duncan, LeBron, Shaq, etc), a escolha #2 ainda coloca qualquer time em uma fantástica posição para escolher seu Franchise Player do futuro, uma posição privilegiada que deveria render grandes frutos para seu time. Escolha #2, pegue um Franchise Player, jogue ele por 12 anos, monte o time ao seu redor, tenha sucesso, aposente sua camisa - quase o mesmo que pensamos sobre a escolha #1.

E no entanto, desde que Bowie foi escolhido, esse não tem sido o caso - a escolha #2 tem sido um local para fracassos, decepções e frustrações. Não necessariamente para os jogadores nela escolhidos, mas para os times que detinham essa escolha. Desde Bowie, praticamente todos os jogadores escolhidos com a escolha #2 foram ou um bust, destruídos por lesões (ou pior...), um jogador decente mas decepcionante (dado sua posição), ou um jogador de sucesso que só se realizou DEPOIS de ser trocado ou deixar o time que o escolheu. Se o objetivo da escolha #2 era achar um Franchise Player, praticamente todas as escolhas deram errado, com duas notáveis exceções - as quais você vai perceber a ironia daqui a alguns parágrafos.

Não acredita em mim? Vamos fazer então uma passada histórica por todos os jogadores selecionados #2 no Draft desde aquela fatídica noite em 1984. Começando com o gerador de Maldição...


1984 Draft: Sam Bowie (Portland Trail Blazers)

Pobre Sam - não é sua culpa que ele tenha sido escolhido na frente do maior jogador da história do basquete.

Com o tempo, essa escolha acabou ganhando uma versão revisionista, com pessoas argumentando que a escolha era válida porque o Blazers precisava desesperadamente de um pivô (falso: eles já tinham Mychal Thompson, escolha #1 de 1978 e um dos melhores defensores da época... ou, como ele é mais conhecido hoje em dia, o pai do Klay), que não precisavam de MJ já tendo o segundo-anista Clyde Drexler (não só a ideia de alguém não precisar de MJ é hilária, mas Drexler como calouro não foi nada demais, tendo média de 7.7 pontos por jogo e não conseguindo vencer Steve Stipanovich, Thurl Bailey e Darrell Walker para o time de calouros do ano), ou mesmo que ninguém sabia que Jordan seria tão bom (ninguém obviamente podia prever "Melhor da história", mas MJ era um calouro EXTREMAMENTE cobiçado. Pelo menos cinco times ofereceram a casa para o Bulls pela pick atrás de Jordan, com o Sixers chegando ao ponto de oferecer Julius Erving direto pela escolha). Mas independente dos motivos que levaram o Blazers a cometer um dos maiores erros da história da NBA, a culpa não é do pobre Sam, que teria sido um sólido pivô titular caso ficasse saudável.

O Blazers até que conseguiu contornar essa escolha montando uma boa fundação e, com a evolução de Clyde, chegando a duas finais de NBA em 1990 e 1992 (esta última perdendo, claro, para Michael Jordan). Mas faz você pensar o que teria sido do Blazers se tivessem conseguido algo de valor com essa escolha.


1985 Draft: Wayman Tisdale (Indiana Pacers)

Tisdale era uma lenda no College que nunca conseguiu corresponder na NBA. Um pontuador talentoso, Tisdale era um defensor e reboteiro bastante fraco que cometia faltas demais, impedindo que ganhasse mais tempo de quadra e reduzindo sua efetividade. Foi trocado pelo Pacers depois de três temporadas decepcionantes para o Kings por Randy Wittman (sim, aquele) e LaSalle Thompson. Teve o seu auge em 1990 por Sacramento, quando teve 22 pontos e 7 rebotes por jogo de média... por um Kings que terminou o ano com horrendos 23-59. Talvez não foi um bust completo - seis anos como titular na NBA, 15 pontos por jogo na carreira - mas foi um jogador bastante fraco e esquecível, e Tisdale - que faleceu em 2009 vítima de câncer - provavelmente teve mais sucesso em sua carreira posterior como músico de jazz do que como jogador de basquete.


Len Bias (Foto: Sports Illustrated)


1986 Draft: Len Bias (Boston Celtics)

Se você conhece esse nome, você provavelmente conhece a história daquela que é provavelmente a maior tragédia da história da NBA.

Len Bias foi selecionado #2 em 1986 por um Boston Celtics que acabava de sair de mais um título extremamente dominante, e isso graças a uma troca maluca dois anos antes - alguém em Seattle achou uma boa ideia enviar uma escolha futura de primeira rodada por Gerald Henderson pai (Henderson durou dois anos em Seattle com 13 ppg de média). Bias, um dos mais físicos e explosivos jogadores da NCAA, iria começar sua carreira no melhor time da NBA, na posição que o Celtics mais precisava de profundidade (ala/ala de força). Uma combinação rara de força, habilidade e atitude, Bias parecia ser a futura estrela para ajudar o time no curto prazo e pegar a tocha de Bird e McHale no futuro. O melhor time da história do basquete estava ADICIONANDO esse jogador - aonde esse time chegaria então parecia impossível de prever.

Mas nunca aconteceu, e nunca teve a chance de acontecer - Bias morreu dois dias depois do Draft por uma overdose de cocaína. A NBA perdeu uma das suas mais empolgantes jovens estrelas, e o Celtics perdeu o jogador que no curto prazo teria tirado minutos de Bird e McHale e ajudado a estender suas carreiras, antes de virar a estrela do time. Sem um bom reserva, McHale e Bird tiveram que continuar jogando minutos hercúleos, e a carreira dos dois nunca mais foi a mesma depois de 1987, com o corpo de ambos quebrando pouco tempo depois. O futuro de Boston sumiu em um instante, e demorou mais de 20 anos até que o Celtics se reerguesse novamente.

(Trivia: Gerald Henderson pai foi trocado pelo Sonics junto com uma escolha de primeira rodada futura - eventualmente Mark Jackson - para o Knicks por outra escolha de primeira rodada futura, que acabou sendo #5 em 1987. O Sonics trocou essa escolha para o Bulls por Olden Polynice e uma 1st round pick de 1989 que acabou sendo BJ Armstrong. O Bulls usou a escolha para escolher Scottie Pippen).


1987 Draft: Armen Gilliam (Phoenix Suns)

Outro bust famoso, Gilliam teve uma carreira de 13 anos de NBA mas nunca foi mais do que um role player mediano, decente na pontuação e nos rebotes mas incapaz de fazer nada a mais. Phoenix desistiu de Gilliam depois de apenas dois anos, mandando o ala para o Lakers em troca de um Kurt Rambis de 31 anos que teve 4.2 pontos por jogo de média na sua carreira em Phoenix. Aos 31 anos e com oito de NBA, dois times já tinham dispensado o ala, e dois tinham trocado por migalhas (a segunda vez por Mike Gminski) só para se livrar de Gilliam. Resume bem o que foi sua carreira.


1988 Draft: Rik Smits (Indiana Pacers)

O holandês Rik Smits nunca foi um jogador de destaque, mas foi um dos melhores casos de sucesso para o time com a escolha em questão nessa lista - o que diz bastante sobre ela. Um jogador extremamente alto (2,24 m), Smits podia ser perigoso no garrafão jogando de costas para a cesta contra adversários menores e deu trabalho para o Bulls de Michael Jordan na sua segunda passagem pela NBA, indo até mesmo para um All-Star Game em 1998 (foi o mesmo ano que Jayson Williams foi um All Star, então leve isso com trinta grãos de sal).

Smits nunca foi particularmente dominante - nunca teve mais que 18.5 pontos ou 7.7 rebotes por jogo de média, jogou mais de 30 minutos por jogo, ou teve uma grande temporada defensiva - mas foi um titular consistente para o Pacers por 12 anos, alguns deles na época que o time chegou a disputar títulos. Não é exatamente que você quer de uma escolha #2 do Draft, mas poderia ser bem pior.


1989 Draft: Danny Ferry (Los Angeles Clippers)

Mais conhecido por sua carreira como executivo no Hawks, Ferry nunca chegou a jogar pelo Clippers - foi trocado antes da temporada começar para o Cavs por Ron Harper (que eventualmente estourou o joelho, afinal é o Clippers) e escolhas de Draft futuras. Um ala de força extremamente lento e pouco atlético que não defendia sem ponto de vista, Ferry jogou 10 anos em Cleveland e nunca pegou mais do que 4.1 rebotes por jogo e só passou de 10 pontos por jogo duas vezes, sendo até hoje lembrado com um dos grandes busts da NBA.

Foi um daqueles casos que a liga ainda estava apegada a um estereótipo que funcionou no passado (o ala de garrafão branco, lento, que joga abaixo do aro, não defendia e pontuava bastante no colegial) e que não tinha lugar em uma NBA cada vez mais atlética e explosiva, especialmente no garrafão.


Gary Payton (Foto: USA Today)


1990 Draft: Gary Payton (Seattle Supersonics)

Finalmente um jogador realmente bom escolhido com a escolha #2!

Uma das duas exceções da lista (segure essa ideia...), Payton foi escolhido pelo Sonics e, apesar de seus problemas de vestiário e com os colegas, foi a estrela do time por 12 anos de bastante sucesso, anos esses que incluíram uma passagem para as Finais da NBA em 1996 (perdendo para Jordan e o 72-10 Bulls). Um dos maiores armadores da história da liga, Payton é até hoje lembrado pela sua dominação dos dois lados da quadra, sua defesa de perímetro sem igual (apelidado de The Glove, ou A Luva), e por ter singularmente destruído John Stockton nos playoffs de 1996. Se Shawn Kemp não tivesse se autodestruído a partir de 1997, possivelmente teria ganho um anel ainda no seu auge (acabou ganhando um como role player no final da sua carreira por Miami, em 2006), um legítimo Franchise Player apesar de todos os problemas que causava.

Quanto a essa exceção para a Maldição... aguarde um pouco mais.


1991 Draft: Kenny Anderson (New Jersey Nets)

Um jogador talentoso mas muito problemático vindo dos playgrounds de New York, Anderson pelo menos deu ao Nets três bons anos, nos quais teve média de 18 pontos e 9 assistências por jogo (apesar da baixíssima eficiência) e foi a um All Star Game (1994). Mas problemas pessoais e familiares fora das quadras acabaram submergindo o talento, com o Nets eventualmente chutando Anderson para o Blazers por Kendall Gill. Anderson acabou virando um nômade na NBA depois disso, não durando em nenhum time mais do que um ano e meio (o Celtics sendo a única exceção, onde perdeu dois anos quase inteiros para lesões), se recusando a ser trocado para o Raptors por não querer jogar no Canadá, e passando por 9 times diferentes (!!) durante os seus 14 anos de carreira. Um final melancólico para um grande talento.


1992 Draft: Alonzo Mourning (Charlotte Hornets)

Um Hall of Famer, Alonzo Mourning deu ao Hornets três anos muito bons e foi a dois All Stars em 1994 e 1995 por Charlotte, mas não foi até ser trocado para o Miami Heat que enfim atingiu seu auge. Uma doença nos rins terminou atrapalhando e quase acabando com a carreira de Alonzo, mas nos seis anos que jogou em Miami (mais um sétimo destruído por lesões e a doença) Mouring teve média de 20 pontos, 10 rebotes e 3 tocos por jogo, e foi a 5 All Star Games. Foi por Miami que Mourning foi eleito duas vezes o Melhor Defensor da Temporada (1999 e 2000), foi a um 1st e um 2nd Team All NBA, e terminou #2 (1999) e #3 (2000) na corrida pelo MVP.

Charlotte conseguiu bom retorno na troca de Mourning, em especial o ótimo Glen Rice, então não foi uma troca ruim para o Hornets, mas é um caso (teremos outros) nessa lista do time que escolheu um bom jogador no #2 viu esse jogador ter seu auge e seus anos dominantes defendendo outra franquia.


1993 Draft: Shawn Bradley (Philadelphia 76ers)

Um dos jogadores mais altos da história da NBA com 2,29 m (7'6), Bradley era um protetor de aro decente que ficou mais famoso por ser um dos maiores alvos de cravadas na cabeça da história da NBA, o que diz tudo sobre sua carreira.



Pode procurar no YouTube por Shawn Bradley + enterradas, e você vai achar vários exemplos - o mais famoso provavelmente sendo a de Tracy McGrady. Bradley simplesmente não tinha a mobilidade e coordenação motora para fazer uso da sua altura, e em seus 12 anos de NBA foi principalmente marcados pelas enterradas, lesões menores e ineficiência geral. O ponto alto da sua carreira foi provavelmente ter tido seu talento roubado pelos Monstars no filme Space Jam (que completou 21 anos quarta-feira passada, dia 15/11!).

Trivia: Khalid Reeves, um jogador totalmente irrelevante que jogou apenas 277 jogos em seus 6 anos de carreira na NBA, de alguma forma conseguiu entrar nessa coluna por um fato curioso - ele foi envolvido em trocas pelos 3 últimos jogadores dessa lista em algum momento da sua carreira. Fez parte do pacote que o Heat mandou por Mourning em 1995; foi com Kendall Gill para o Nets em 1996 por Kenny Anderson; e em 1997 fez parte do pacote que o Nets enviou para o Dallas junto de Shawn Bradley em uma troca por por Sam Cassell e Jim Jackson - uma troca que, ainda mais curiosamente, também está ligada ao próximo jogador da lista.


Jason Kidd (Foto: eBay)


1994 Draft: Jason Kidd (Dallas Mavericks)

Outro grande jogador, Jason Kidd foi selecionado pelo Mavs em 1994 e fazia parte de um empolgante e promissor trio de Dallas junto de outros grandes talentos em Jim Jackson e Jamal Mashburn, os famosos "Três Js". Mas antes que esse talentoso trio de personalidades difíceis pudesse dar frutos em quadra (Dallas venceu 13, 36 e 26 jogos entre 94 e 96) o vestiário implodiu. Kidd e Jim Jackson brigaram por causa de um triângulo amoroso com a cantora Toni Braxton (não, sério!), os três começaram a brigar por causa de salários, minutos, arremessos e papel no vestiário, e a situação se deteriorou de forma tão grande e tão rápida que Dallas precisou se livrar dos três o mais rápido possível: Kidd foi mandado para Phoenix por Sam Cassell, Michael Finley e AC Green; Cassell foi usado para despachar Jim Jackson para o Nets em troca de Shawn Bradley e do agora onipresente Khalid Reeves; e Mashburn foi despachado para o Heat por Sasha Danilovic e Kurt Thomas.

Em um piscar de olhos, o "time do futuro" de Dallas tinha ido para o chão e o tormento da franquia não acabaria até serem salvos por Dirk e Nash seis anos depois. Dallas viu de longe Kidd se desenvolver em um perene All Star e um dos melhores armadores da história da NBA em Phoenix e New Jersey antes dessa história enfim terminar em um final feliz: Kidd eventualmente voltou para Dallas e fez parte do time campeão de 2011.


1995 Draft: Antonio McDyess (Los Angeles Clippers)

Um ótimo jogador de garrafão, McDyess teve médias de 19 pontos, 9 rebotes e 2 tocos por jogo (e foi a um All Star Game) durante um ótimo período de 5 anos antes que lesões no joelho acabassem prematuramente com sua carreira. No entanto, nada disso foi feito pelo time que o selecionou no Draft, o Los Angeles Clippers: o Clippers trocou McDyess no dia seguinte ao Draft por Rodney Rodgers e Brent Berry, dois jogadores medianos que não ajudaram muito enquanto o Clippers continuou sendo um dos piores times da NBA durante anos a fio, enquanto assistiam McDyess chutando bundas - enquanto saudável - em outros times.

Trivia: Lembra a famosa saga do DeAndre Jordan reassinando com o Clippers depois de ser trancado numa casa com Chris Paul, Doc Rivers e mais alguém para "romper" seu compromisso com Dallas? McDyess viveu uma situação bizarramente semelhante em 1998, e que teria sido uma história muito maior e melhor hoje em dia na era da internet. Depois de defender o Suns em 1998 e virar Free Agent antes da temporada 1999 (do locaute), McDyess chegou a um acordo verbal com o Denver Nuggets antes de receber uma proposta do Suns que o fez balançar.

Na esperança de convencer McDyess, três companheiros de Suns - incluindo Jason Kidd - pegaram um avião e voaram para Denver para encontrar o pivô, possivelmente para fazer com ele o que o Clippers fez com DeAndre Jordan. McDyess estava então vendo um jogo do Colorado Avalanche com o GM do Nuggets, Dan Issel, que ao saber da aproximação dos três jogadores de Phoenix deu ordens para os seguranças do prédio barrarem a entrada deles no prédio enquanto Issel imediatamente levava McDyess para sua sala a fim de assinar seu contrato antes que algo mais pudesse acontecer. A saga só seria melhor se Paul Pierce estivesse lá twittando fotos de emojis de foguetes.


1996 Draft: Marcus Camby (Toronto Raptors)

Depois de dois anos sólidos mas não espetaculares, o Raptors estupidamente trocou Camby para o Knicks pelo fraco Sean Marks e um Charles Oakley de 35 anos. Camby eventualmente se desenvolveu em um excelente defensor e reboteiro fora de Toronto, sendo parte crucial do Knicks que foi às Finais em 1999 mesmo após a lesão de Patrick Ewing, e eventualmente tendo seu auge em Denver, onde foi eleito quatro vezes para o time de defesa ideal da temporada e ganhou o prêmio de Melhor Defensor da Temporada em 2007. Nunca uma estrela, mas um jogador bem sólido que novamente só foi ter seu auge depois de trocado pelo seu time de origem.


1997 Draft: Keith Van Horn (Philadelphia 76ers)

Mais famoso por ser um cover do Tintim, Van Horn foi trocado pelo time que o escolheu (o Sixers) pouco após o Draft por Jim Jackson, Eric Montross e Tim Thomas, e embora nunca tenha sido uma estrela (e tenha tido uma carreira estranhamente curta de 9 anos), Van Horn foi durante um bom tempo um jogador muito útil que tinha a estranha tendência de aparecer como um jogador importante para bons times. Teve média de 18 pontos e 8 rebotes para os bons times do Nets de Jason Kidd (eventualmente chegando nas Finais com o time em 2002), e voltando para as Finais com sexto homem do Dallas de 2006.

Van Horn também merece crédito por ser um pioneiro do basquete moderno: em sua carreira como ala de força, Van Horn chutou 3 bolas de 3 por jogo e acertou 36% delas.


1998 Draft: Mike Bibby (Vancouver Grizzlies)

Outro exemplo de um útil, mas nada espetacular jogador que só se encontrou depois de ser trocado (por Jason Williams - aquele - e um Nick Anderson decrépito). Útil no Grizzlies mas carregando uma carga excessiva em times horríveis no Canadá, Bibby teve seu auge como armador secundário dos famosos times do Kings dos anos 2000 que deveriam ter ido às Finais em 2002. Vancouver trocou Bibby em 2002 e perdeu seu time meses depois para Memphis. A Maldição de Sam Bowie, além de tudo, é criativa.


1999 Draft: Steve Francis (Vancouver Grizzlies)

Mais uma escolha #2 que não deu certo para o Grizzlies, mas dessa vez não foi totalmente culpa da franquia. Uma vez escolhido, Steve Francis declarou publicamente que não queria jogar pelo Grizzlies e exigindo uma troca, chegando até a dizer que era a vontade de Deus. Depois de diversos conflitos extra-quadra, a franquia enfim mandou o armador para Houston em uma troca imensa de 11 jogadores que eu não vou reviver aqui mas que não envolveu nada de espetacular.

Um estilo de jogo individualista, lesões e problemas extra-quadra acabaram por fazer Francis ser trocado de Houston e acabar fora da NBA aos 29 anos, mas durante seus cinco anos no Rockets foi um dos mais explosivos e promissores armadores da NBA, um All-Star por 3 vezes que atacava a cesta feito louco e enterrava na cabeça de todo mundo, mas que nunca atingiu todo o potencial que prometia.


2000 Draft: Stromile Swift (Vancouver Grizzlies)
Três seguidas para o Grizzlies, e mais um fracasso - dessa vez totalmente por culpa da franquia. Swift foi um enorme bust que jogou 5 anos na franquia (em Vancouver e Memphis) antes de ser dispensado e não deixar saudades algumas, e aos 29 anos já estava fora da NBA sendo titular em menos de 100 jogos durante sua carreira. Em defesa do Grizzlies, o Draft de 2000 foi um dos piores de todos os tempos, então não tinha muito o que fazer com essa escolha que não teria sido um grande fracasso.

Diga-se de passagem, Swift foi também um pioneiro - após sair da NBA em 2009, foi jogar na Liga Chinesa antes de ser moda.


Tyson Chandler (Foto: Bleacher Report)


2001 Draft: Tyson Chandler (Los Angeles Clippers)

Com uma classe de calouros MUITO hypeada que incluia Chandler, Pau Gasol, Eddy Curry e Kwame Brown (!!!!), o Bulls - que já tinha a escolha #4 - trocou seu melhor jogador e Franchise Player, Elton Brand, para o Clippers em busca de outra escolha Top4 para ficar com dois desse jovens extremamente promissores (irch!).

E se hoje lembramos do Tyson Chandler grande defensor, finalizando pontes aéreas, ajudando Dirk a ganhar um anel e ganhando prêmios de Defensor do Ano, o Chandler adolescente que chegou em Chicago era tudo menos isso. Chandler teve inúmeros problemas de adaptação e leitura de jogo, sofreu para ganhar minutos, e apesar das inúmeras chances que teve nunca correspondeu em Chicago. Chandler só foi se encontrar como parceiro de pick and roll de Chris Paul em New Orleans e depois explodiu como o defensor de elite que conhecemos em Dallas. Chandler acabou dando bem certo na NBA, mas foi uma longa jornada até chegar lá.


2002 Draft: Jay Williams (Chicago Bulls)

Outra escolha do Bulls que deu errado, por um motivo bizarro. Depois de um ano bastante fraco como calouro, Williams se envolveu em um acidente horrível de moto durante a offseason que o deixou extremamente machucado no joelho, nos nervos da perna e no quadril, uma lesão que encerrou sua carreira no basquete depois de apenas um ano de NBA.


2003 Draft: Darko Milicic (Detroit Pistons)

Em um dos melhores Drafts da história da NBA, o Pistons decidiu pegar Darko Milicic #2 ao invés de Carmelo Anthony, Dwyane Wade e Chris Bosh. E, o pior de tudo, a decisão até fazia sentido na época: Darko era um prospecto bastante bem cotado, o Pistons tinha uma carência no garrafão (Rasheed Wallace só chegaria meses depois), o time já tinha um ala perfeito para seu esquema em Tayshaun Prince, e LeBron-Darko-Melo era o claro Top3 daquele Draft na época.

Ainda assim, Darko entra para a história como um dos maiores busts da história da NBA. Um adolescente que chegou na hora errada, com as expectativas erradas e para o time errado, Milicic nunca mostrou qualquer tipo de produção de bom nível na NBA e estava fora da liga aos 27 anos, seu desenvolvimento e sua confiança destruídos ao longo do tempo. Seu maior legado provavelmente é inspirar um dos melhores blogs de NBA da história, o hoje falecido FreeDarko.

E sabe o que é curioso? Se o Pistons pega Melo (a outra opção plausível à época), eu não acho que o time venceria o título. Melo não se encaixava em nada no esquema, teria comido minutos do ótimo Tayshaun Prince, e ele e o técnico Larry Brown se odiaram quando conviveram pela seleção americana. Em um ano apertado, esse elemento imprevisível e destoante teria implodido a cuidadosa dinâmica em cima do qual esse time foi concluído, e o Pistons talvez nunca chegasse ao seu objetivo. As vezes há males que vem para o bem.


2004 Draft: Emeka Okafor (Charlotte Bobcats)

Okafor não foi ruim como jogador, um bom reboteiro e defensor que acabou ganhando de Dwight Howard o prêmio de calouro do ano. O principal problema é que foi só isso que Okafor foi - o Bobcats e a NBA continuaram esperando que o pivô se desenvolvesse, e isso nunca aconteceu. Os anos passavam, e Okafor continuava sendo o mesmo jogador: 14 pontos, 10 rebotes, 1.5 tocos, boa defesa, mais nada, durante toda sua estadia em Charlotte. Okafor eventualmente foi trocado por Tyson Chandler e viu lesões encerrarem sua carreira. Não foi um bust, mas também não foi nada mais do que um jogador médio e um tanto quanto decepcionante.


2005 Draft: Marvin Williams (Atlanta Hawks)

Outro jogador que ficará marcado para sempre pelos jogadores escolhidos depois dele. No caso, a decisão inexplicável e horrível do Hawks de passar Chris Paul e Deron Williams para pegar Marvin Williams, que sequer fora titular em Syracuse na NCAA. Conforme Paul e Williams se desenvolviam em dois dos melhores armadores da NBA, Marvin foi um contribuidor estável mas extremamente decepcionante para uma série de times sólidos mas esquecíveis de Atlanta, com 11 pontos por jogo de média na Georgia e absolutamente nenhuma evolução ao longo da sua carreira por lá.

Williams eventualmente se reinventou com stretch-four na NBA moderna em Utah e depois Charlotte com bom chute de três pontos e sólida proteção de aro, e achou um bom nicho para si na liga, mas eternamente será lembrado como um dos jogadores mais decepcionantes da NBA - embora apenas em partes por motivos que estavam sob o seu controle.


2006 Draft: LaMarcus Aldridge (Chicago Bulls)

Outra grande estrela e perene All-Star que caiu no colo do Chicago Bulls... só que o Bulls optou por trocar Aldridge pela escolha #4 do Draft (Tyrus Thomas) e o ala ucraniano Viktor Khryapa em uma das piores decisões do século 21.

Tyrus Thomas foi um enorme bust que estava fora da NBA aos 26 anos enquanto LaMarcus Aldridge - agora em Portland - se tornou um dos mais consistentes e dominantes alas de força da NBA, uma garantia de 22 pontos, 9 rebotes, e boa defesa todas as noites por uma série de muito divertidos times do Blazers que nunca atingiram seu potencial por causa de lesões (Brandon Roy, Greg Oden, Wes Matthews... a lista é longa). Chicago ainda conseguiu alguns anos depois se remontar em um contender ao redor de Rose, Deng e Joakim Noah - todos grandes acertos no Draft - mas imagina como seria esse time de Chicago se fosse Aldridge e não Carlos Boozer jogando de PF. Mesmo que seria difícil concretizar essa visão devido aos múltiplos cenários possíveis, ainda foi um erro grotesco de Chicago.


Kevin Durant (Foto: USA Today)


2007 Draft: Kevin Durant (Seattle Supersonics)

Ai está, nosso segundo grande sucesso! Um dos maiores cestinhas de todos os tempos, MVP e atual MVP das Finais, alguém que já está no Panteão dos grandes jogadores de todos os tempos, Kevin Durant é o segundo e último grande acerto dessa lista no quesito "Tenha a escolha #2, selecione um Franchise Player, tenha grande sucesso com ele por muitos anos, aposente sua camisa", o primeiro sendo Gary Payton.

Agora me diga... o que os dois, as duas exceções da lista, tem em comum?

As duas foram pegas pelo Seattle Supersonics... uma franquia que NÃO EXISTE MAIS!!

Não mexa com a Maldição de Sam Bowie se não quer pagar o preço!! Ela tarda, ela pega caminhos tortuosos, mas ela nunca falha!


2008 Draft: Michael Beasley (Miami Heat)

Outro bust famoso. Beasley foi um MONSTRO na NCAA - 26 pontos, 12 rebotes por jogo em Kansas State - mas na NBA teve que lidar com problemas de condicionamento, desinteresse total por coisas como "defesa" e em geral um estilo muito ineficiente e egoísta de jogar. Depois de dois anos decepcionantes em Miami, foi enviado para Minnesota a fim de abrir espaço salarial para a vinda de LeBron James, e passou lá mais dois anos nos quais seus números foram razoáveis mas suas atuações, péssimas. Desde então tem flutuado entre times da NBA (e a liga chinesa), misturando alguns momentos bons no currículo com muito mais momentos de banco e falta de minutos.

(As escolhas #2 e #3 desse draft foram Beasley e OJ Mayo. As #4 e #5 do Draft? Russell Westbrook e Kevin Love).


2009 Draft: Hasheem Thabeet (Memphis Grizzlies)

Em um dos melhores Drafts da história da NBA que incluiu Blake Griffin (#1), James Harden (#3), Ricky Rubio (#5), Stephen Curry (#7) e DeMar DeRozan (#9), de alguma forma o Grizzlies conseguiu fracassar DE NOVO com a escolha #2 escolhendo Hasheem Thabeet, de longe o pior jogador de toda essa lista. Um pivô enorme e comprido que não fazia ideia de como jogar basquete, Thabeet teve média de 3.1 pontos por jogo como calouro e nunca mais conseguiu chegar perto de atingir essa marca. O desenvolvimento nunca veio, a vontade de evoluir também não, e aos 26 anos Thabeet já não tinha mais chances na NBA. Uma das piores escolhas da história da NBA.


2010 Draft: Evan Turner (Philadelphia 76ers)

Outro grande fracasso do topo do Draft. Chegando com status de salvador e dividindo o topo do Draft com John Wall, Turner foi selecionado por um bom time de Philadelphia mas nunca conseguiu se adaptar e adicionar nada a um time sólido que precisava desesperadamente de um brilho individual. Seu estilo de jogo baseado na meia distância começava a virar passado na liga, e sua falta de explosão e agilidade impediram que suas habilidades como playmaker se traduzissem para a NBA. Turner acabou cavando um lugar na NBA como reserva de defesa/post ups/playmaking secundário, mas muito aquém do que se esperava quando chegou à NBA com tanta expectativa.


2011 Draft: Derrick Williams (Minnesota Timberwolves)

Oh boy, que sequência impressionante de busts temos aqui.

Elogiado à época por muitos (inclusive por mim, que cheguei a dizer que o Cavs deveria pegá-lo na escolha #1) como o PF perfeito para a nova era que a NBA estava se encaminhando, Williams na NBA se mostrou lento demais para jogar de SF, fraco e pouco físico demais para jogar de PF. Seu arremesso nunca veio, sua defesa também não, e basicamente viveu dos passe de Ricky Rubio e de algumas pontes aéreas durante muito mais tempo do que deveria. Atualmente está sem clube apesar de ter ainda 25 anos, uma casca do que acharam que ele seria.


2012 Draft: Michael Kidd-Gilchrist (Charlotte Bobcats)

Um jogador cru mas com ótimo físico e de enorme potencial, Kidd-Gilchrist não só nunca se desenvolveu como esperado como também não consegue de forma alguma ficar dentro de quadra. Seu péssimo arremesso - que nunca se desenvolveu - faz dele um encaixe complicado na NBA de hoje, e embora sua ótima defesa compense isso até certo ponto, MKG nunca teve a continuidade necessária para se estabelecer na NBA e acabou ficando para trás no desenvolvimento do atual Hornets. Kidd-Gilchrist ainda não é um bust completo, mas dadas as dificuldades de desenvolvimento e a dificuldade ainda maior de ficar saudável e em quadra, pode ser apenas questão de tempo para ser reconhecido como tal.


2013 Draft: Victor Oladipo (Orlando Magic)

Em um Draft reconhecidamente fraco (que parece um pouco menos fraco hoje que Giannis se tornou um candidato a MVP e Gobert um candidato eterno a DPOY), Oladipo - que muitos tinham como o melhor jogador do Draft - acabou caindo para o Magic no #2 e de modo geral se mostrou um jogador... ok. Seu físico impressionava e sua agilidade também, mas a situação ao seu redor era péssima para seu desenvolvimento: com um técnico retrógrado durante boa parte da estadia, jogando fora de posição, com um time sem nenhum tipo de espaçamento para Oladipo atacar a cesta (sua maior virtude), Oladipo pareceu estagnado em Orlando durante seus três anos antes de ser trocado para o Thunder, onde virou um dos reféns de Russell Westbrook em sua campanha pelo MVP.

Em seu terceiro time, o Pacers, Oladipo enfim parece estar realizando seu potencial. Ainda que seu aproveitamento esteja fora da realidade e deva normalizar com o tempo, o ritmo de jogo e o espaçamento do Pacers ajudou Dipo a maximizar sua velocidade, tornando-se uma força da natureza na transição ofensiva. Talvez Oladipo esteja começando a mostrar seu talento, e que realmente duas situações péssimas em Orlando e OKC eram o que estava impedindo sua carreira. Ainda é possível que um dia adicionemos Victor Oladipo na lista dos jogadores #2 que explodiram depois de serem trocados.


2014 Draft: Jabari Parker (Milwaukee Bucks)

Quanto mais no presente chegamos com essa lista, mais difícil é dizer onde esses jogadores se enquadram e qual seu futuro como escolhas amaldiçoadas por uma escolha feita muitos anos antes deles sequer nascerem. Jabari estaria hoje no seu quarto ano de NBA - mas só vimos basicamente fragmentos de um ano e meio de Jabari Parker em meio a lesões. Das 3 temporadas de Jabari na NBA, duas foram encerradas prematuramente por ligamentos rompidos (sempre um farol vermelho) e a outra foi uma temporada VOLTANDO dessa lesão grave, de forma que é difícil realmente avaliar o que Jabari Parker é como jogador - uma pergunta que Milwaukee deve se fazer com certa frequência. Ele é um 3 ou um 4? Ele é capaz de jogar junto de Giannis e Middleton? É capaz de defender o suficiente? Ainda não sabemos essas coisas.

O melhor parâmetro para Jabari que temos provavelmente é seu 2017 pré-lesão, seus jogos mais saudáveis até o momento. Se for, Jabari parece ser um ótimo pontuador com um arremesso em evolução, mas com uma defesa furada que torna difícil jogar certas lineups com ele, e um jogador preso entre posições. Seu potencial como pontuador ainda é muito intrigante e pode ser que Jabari ainda acabe sendo uma boa escolha #2, como mostrou flashes ano passado, especialmente se o loooongo time de Milwaukee conseguir cobrir sua defesa. Mas também é bastante fácil enxergar uma situação onde o Bucks, com problemas salariais e prestes a dar uma extensão cara para Jabari (que não deu nenhuma mostra de ficar saudável), simplesmente decida que ele é quem precisa ir embora. A ser definido.


2015 Draft: D'Angelo Russell (Los Angels Lakers)

Acaba sendo muito ignorado uma coisa quando falamos do desenvolvimento de jovens é a situação onde eles vão parar, e isso pode ser crítico entre um jogador talentoso acabar como uma revelação ou um fracasso. E D'Angelo Russell é alguém que teve uma das piores situações possíveis, e o Lakers não fez nada para ajudar: basicamente perdeu seu primeiro ano formativo (de calouro) atrás de uma péssima diretoria, o pior técnico da NBA que constantemente estava em conflito público com Russell, e o show de despedida do Kobe que deu a Russell zero espaço para desenvolver. No seu segundo ano, Russell teve seus problemas mas mostrou uma boa evolução sob um novo técnico e uma nova situação... só para ser jogado debaixo do ônibus pela nova diretoria e trocado para o Nets.

Russell tem potencial como passador e chutador, sendo bom em ambas as funções, mas ainda não entendendo como usar as duas dentro de quadra de forma a maximizar seu jogo e seus companheiros. Russell vinha fazendo grandes avanços nesse sentido no começo do ano sob o competente Kenny Atkinson no Nets antes de sofrer a lesão, então resta aguardar para ver o que acontece com o armador quando voltar. Pelo Lakers, ele já foi um fracasso - embora muito por culpa de outros.


2016 Draft: Brandon Ingram (Los Angeles Lakers)

Brandon Ingram foi horrível como calouro, parecendo totalmente perdido dos dois lados da quadra, incapaz de usar seus dotes físicos em quadra e sendo jogado de um lado para o outro como uma boneca de pano. Mas as pessoas esquecem que Ingram era um dos jogadores mais novos do Draft, e ainda é mais novo do que boa parte dos jogadores do Draft de 2017. Por exemplo, Ingram é só dois meses mais velho que Lonzo Ball. É preciso dar tempo a Ingram.

Na sua segunda temporada os progressos foram muito mais animadores. A falta de arremesso ainda é preocupante e será um problema enquanto continuar - Ingram parece muito mais confortável usando seus longos braços para atacar a cesta e finalizar, mas ele não é explosivo, forte ou ágil como Giannis (que, convenhamos, é um ponto fora da curva) para chegar na cesta quando quer, e o arremesso precisará vir para evitar que a quadra fique estrangulada. Ainda assim, Ingram parece um jogador bem diferente no seu segundo ano, e sua combinação de potencial defensivo, criação, passe e pontuação para um jogador do seu tamanho é bem atraente para qualquer time.


2017 Draft: Lonzo Ball (Los Angeles Lakers)

Vamos tirar isso do caminho: eu acho que Lonzo ficará bem. É cedo demais pra julgar demais, muito menos declarar o garoto Ball um bust. As pressões criadas ao seu redor - por um pai maluco, uma mídia ávida por cliques e um Lakers megalômano que já mostrou não ter nenhum tato para lidar com seus jovens jogadores - estão atrapalhando nossa percepção, e incentivando as conclusões precipitadas. Seu QI de basquete e seu passe são bons demais para não darem certo na NBA.

Dito isso, Lonzo tem sido simplesmente péssimo na NBA. Seu arremesso não está funcionado, e Lonzo parece incapaz de finalizar qualquer tipo de jogada que não seja livre. O arremesso ruim de 3 tem chamado mais atenção, mas os 35% de aproveitamento em bolas de dois é muito mais preocupante, a meu ver (em defesa de Lonzo, eu acho que ele tem sido muito mal usado pelo Lakers e teria se beneficiado de jogar ao lado de... D'Angelo Russell). E muito disso não teria importância - apenas os percalços de um calouro - se não fosse Lonzo sendo jogado totalmente no fogo por uma diretoria do Lakers que vendeu cedo demais Ball como seu salvador, o novo Magic, e que precisava que Lonzo fosse dominante logo de cara para vender seu projeto e sua imagem, ao invés de deixar isso se desenvolver naturalmente. Para mim, a situação ao seu redor - familiar, midiática, e a péssima condução do Lakers - é muito mais preocupante para o futuro de Lonzo do que seu arremesso torto.


Conclusão

Ok, agora que chegamos ao fim... HOLY SHIT, que lista horrível. É de doer o coração. Um número enorme de busts, tragédias com lesões, potenciais desperdiçados, e trocas ruins. Não foi fácil escrever essa coluna.

Olhando os números e estabelecendo 2012 como o último ano que podemos dar um veredito parcial (depois disso é cedo demais), eis os resultados em 29 anos de escolhas #2 de Draft entre Sam Bowie (1984) e Michael Kidd-Gilchrist (2012):

- Dessas 29 escolhas, 13 (!!!!!) foram busts, incluindo problemas com lesões (Bowie, Tisdale, Gilliam, Danny Ferry, Shawn Bradley, Stromile Swift, Jay Williams, Darko, Marvin Williams, Beasley, Hasheem Thabeet, Evan Turner e Derrick Williams). Ou seja, incríveis 45% das escolhas #2 desde Bowie foram busts.

- Dessas 29 escolhas, um morreu antes de sequer jogar um jogo de NBA (Lenny Bias).

- Das 29 escolhas, 5 (17%) tiveram uma carreira entre "Decepcionante" e "Abaixo do esperado para uma pick #2" (Smits, Kenny Anderson, Mike Bibby, Emeka Okafor e MKG)

- Das 29 escolhas, 8 (28%) delas acabaram virando realmente bons jogadores ou até estrelas... mas só depois de terem sido trocado pelos seus times de origem (Kidd, Aldridge, Camby, Van Horn, Tyson Chandler, McDyess, Alonzo Mourning e Steve Francis), e eu estou sendo generoso com alguns desse nomes (poderia ser limitada a Chandler, Kidd, Aldridge e Mourning, jogando o resto na categoria baixo).

- E apenas DOIS viraram realmente estrelas para os times que os draftaram, Payton e Durant.

Em outras palavras, 19 de 29 (incríveis 65%) dessas escolhas falharam em se tornar um grande jogador, sendo que 13 foram completamente inúteis para seus times no médio prazo. Olhando mais a fundo, apenas CINCO dessas 29 escolhas (Payton, KD, Aldridge, Kidd e Mourning - 17%) viraram estrelas de fato na NBA (para efeito de comparação, a escolha #3 teve 8 no período e isso sem contar Joel Embiid), e apenas dois, três (contando Smits) ou quatro (se quiser contar como sucesso Glen Rice como retorno de Alonzo) times REALMENTE podem dizer que tiveram sucesso escolhendo na posição #2 durante VINTE E NOVE ANOS.

E no final, chegamos nisso: apenas dois times que tinham a escolha #2, a segunda posição mais valiosa do Draft inteiro, conseguiram obter um Franchise Player para seu futuro e construir todo um futuro vencedor (mesmo que sem títulos) ao seu redor. Ambos foram draftados pelo Seattle Supersonics, a franquia que foi roubada da forma mais cruel da história da NBA.

E se isso tudo não é suficiente pra te convencer da Maldição de Sam Bowie, eu não sei o que é.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Hack a Cast #17 - NBA Draft



Tem podcast novo no ar!!

Nessa edição, eu e o Vinicius Veiga recebemos um convidado muito especial, Gabriel Andrade do TimeOut Brasil, para falar muito do Draft da NBA!!

Falamos de prospectos internacionais, melhores e piores escolhas, trocas malucas, e analisamos as principais escolhas da noite!!!

Assine o Hack a Cast!!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Hack a Cast #13 - Especial: Scott Rafferty



Nesse Hack a Cast especial, tive a chance de falar com um dos meus ídolos do meio esportivo e editor chefe do excelente site Hardwood Paroxysm: Scott Rafferty.

Scott não é só o editor chefe do HP, mas também escreve para a revista Rolling Stones e para o Sporting News  - vocês realmente deveriam ler o que ele escreve, porque ele é muito bom.

Nesse episódio - excepcionalmente em inglês- eu e o Scott falamos sobre loteria, draft, Ingram vs Simmons, reconstrução pelo Draft, as opções do Celtics no #3, jovens times, Finais de conferência, e até possíveis pontos de interesses para as Finais. Um dos nosso melhores episódios!! Ouçam, compartilhem e espero que se divirtam tanto escutando-o como eu me diverti gravando.

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On this very special Hack a Cast, I talked to one of my sportswriting idols and editor-in-chief of the excellent Hardwood ParoxysmScott Rafferty.

Scott also writes for The Rolling Stones magazine and Sporting News , so you should really check his stuff out because he is really freaking good at it.

On this episode, Scott and I talked about lottery, NBA Draft, Ingram vs Simmons, rebuilding through draft, Boston's options at #3, young teams, conference finals, and even possible Finals previews. One of our best episodes ever! Please listen and share, and I hope you have as much fun listening to it as I did recording it.


terça-feira, 26 de abril de 2016

Mock Draft Game



Quinta feira temos o começo do Draft da NFL, e pra variar, nossa cobertura não foi das mais assíduas. Trocas bombásticas rolaram (duas!), nomes quentes se movimentaram, discussões, etc. Além dos comentários no twitter, que sempre estão presentes, não tivemos nenhuma forma de nos aprofundarmos nesse evento.

Mas, para não passar em branco, queria divulgar aqui uma iniciativa muito legal que o pessoal do Esporte Interativo teve. Tive a honra de participar como convidado de um "jogo" que o Marcelo Ferrantini (nosso co-fundador!), Pedro Pinto e Raphão Martins organizaram: um Mock Draft de três rodadas no qual cada um de nós assumiu 8 franquias da NFL e conduziu o recrutamento pensando nos melhores interesses da franquia.

É um exercício legal porque, além de servir como Mock Draft e uma forma de conhecer melhor os jogadores, nos coloca na situação que os GMs enfrentam regularmente: Escolher o melhor jogador, ou por necessidade? O que fazer quando suas opções principais não estão mais disponíveis? Foi bastante divertido, e eu fiquei bastante feliz com o resultado.

O único porém é que fizemos esse jogo ANTES das trocas pelas escolhas #1 e #2 do Draft... o que meio que muda bastante coisa. Não só essas trocas, como outras movimentações dos times: Josh Norman indo para Washington, por exemplo. Então o Mock está um pouco desatualizado, mas serve ainda como exercício.

Então abaixo deixo o link para as três rodadas do Mock Draft Game, sendo que as duas primeiras já estão no ar, e a terceira deve sair amanhã:




Mock Draft Game: Terceira Rodada (Em breve!)

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Um Mock Draft Retroativo - 2015

Adam Silver impressiona os calouros com seus poderes Jedi


Já está sabendo da nossa promoção que vai sortear dois exemplares da versão brasileira do livro Moneyball?! Não?! Então entre aqui e saiba como você pode participar!!!!

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Meu formato favorito para falar sobre Drafts - seja NBA ou NFL - sempre foi o Running Diary. A idéia do Running Diary é registrar em tempo real minhas reações e comentários sobre o evento em si (e não apenas as escolhas), uma forma bem-humorada de misturar análise das escolhas com reações espontâneas, para ilustrar qual foi a reação de momento a cada acontecimento, sem cair na mesmice de "dar uma nota para cada time" ou fazer a famosa coluna "vencedores ou perdedores do Draft". É uma das minhas colunas mais populares, e vocês podem ler o meu Running Diary do Draft da NFL (ou, uma das minhas favoritas, o Running Diary da NFL do ano passado) para ter uma noção do que se trata. 

No entanto, esse ano mais uma vez não foi possível fazer isso, registrar minhas reações em tempo real... porque eu ESTAVA ao vivo no Lancenet! comentando o Draft (e no Periscope, para quem quisesse assistir), então vocês tiveram a chance de ver e acompanhar esses "bastidores" e minhas reações em tempo real que eu gosto de trazer no Running Diary ao longo do próprio Draft.

Se quiser ver esses comentários em tempo real (não só os meus, mas também os de outros especialistas em basquete) E depois o nosso vídeo discutindo o resultado do Draft em si no Lance!, é só você acessar esse post aqui! Lá você vai encontrar o vídeo e todos os links.

Então para comentar mais sobre esse Draft da NBA, eu vou recorrer a um formato de coluna que usei ano passado e acabei gostando bastante: o Mock Draft retroativo.

Eu gosto, em geral, de Mock Drafts - uma forma interessante e dinâmica de falar sobre os jogadores e sobre as necessidades de cada time, ao mesmo tempo, montando encaixes que fazem sentido (ou não) e são interessantes de se imaginar. O problema é que Mock Drafts não tem um padrão claro: o que você está tentando fazer com ele, prever o futuro, fazer os encaixes que você julga melhor, antecipar as tendências de algumas franquias, ou o que? Em geral, as pessoas usam esse formato de coluna para tentar "adivinhar" o que vai acontecer na noite do Draft e se gabar pelos acertos, mas isso para mim faz muito pouco sentido. Faz sentido quando olhamos para o MD de pessoas como Jonathan Givony (do ótimo Draft Express) ou Chad Ford, pessoas que estão por dentro dos procedimentos do Draft e incorporam nas suas projeções informações internas sobre as escolhas - seu objetivo é informar o que está acontecendo lá dentro. Mas 80% dos Mock Drafts não são assim, são pessoas externas que avaliam os jogadores do seu ponto de vista e tentam adivinhar onde cada jogador vai sair e o que cada time fará. 

Não que tenha algo errado nisso, claro, mas não é o meu tipo favorito de Mock Draft. Eu gosto mais daqueles que não tentam adivinhar nada, e ao invés ignoram os acertos ou erros e focam em fazer uma análise sobre cada escolha, olhando para a conjuntura do time e do Draft, para os talentos disponíveis, e diz o que a pessoa acha que é a melhor coisa a se fazer com aquela escolha. É mais subjetivo e muito menos preciso, mas do ponto de vista analítico, eu acho muito mais profundo e preciso. 

Então é isso que essa coluna tenta fazer, um Mock Draft da NBA sob essa ótica. Com a diferença, é claro, que o Draft em si já aconteceu. A idéia é voltar em cada uma das 30 escolhas da primeira rodada, ver o que cada time fez, e o que cada time deveria ter feito no seu lugar. Não é para refazer o Draft inteiro, e sim refazer todas as escolhas individualmente considerando que tudo antes dela aconteceu exatamente igual. E claro, isso segue a minha opinião individual sobre o que cada time deveria ter feito, não necessariamente a verdade, mas é minha forma de analisar o que cada time fez ou deveria ter feito.

Antes de começarmos, três rápidos esclarecimentos...

1) No caso de trocas envolvendo escolhas de Draft, vou analisar a escolha sob a ótica do time que trocou POR aquela escolha, aproveitando a situação para falar um pouco sobre a troca em si, se necessário. Então se o Sixers tinha a escolha #10 e trocou com o Magic pela #12, no lugar da #10 eu vou olhar a partir do ponto de vista de Orlando, e na #12 do 76ers.

2) Para cada escolha, eu vou colocar qual foi a escolha real, e qual a escolha que cada time "deveria" ter feito - lembrando que esse "deveria" é subjetivo e reflete apenas o meu ponto de vista. Caso as duas sejam iguais, vou explicar porque foi a escolha certa, e caso contrário, vou explicar porque eu acho que o time deveria ter feito outra coisa.

3) Só porque eu coloquei que um time deveria ter feito uma escolha diferente da que ele fez não significa que a escolha real tenha sido ruim, só quer dizer que é diferente do que a que eu teria feito ou a que eu via como a melhor opção naquele momento. Eu vou esclarecer nos comentários de cada escolha, dizendo o que achei da escolha em si e porque eu preferiria outro jogador, mas é bom deixar isso claro para o pessoal que só vai olhar a parte em negrito e ignorar o resto.

Tudo claro? Não? Bom, vocês pegam o jeito conforme formos avançando. Talvez seja uma boa idéia ler o do ano passado antes para entender melhor. Prontos? Ok, vamos.


Mock Draft Retroativo NBA 2015


Escolha #1 - Minnesota Timberwolves
Quem escolheu: Karl-Anthony Towns
Quem deveria ter escolhido: Karl-Anthony Towns

Desde o começo, quando o Wolves ganhou a loteria para garantir a escolha #1, ficou claro que Towns seria a primeira escolha. Não só o pivô de Kentucky era o melhor prospecto do Draft por sua versatilidade e capacidade defensiva, como também era o jogador perfeito para encaixar no estilo de jogo de Minnesota. O Wolves montou uma base jovem e atlética com Rubio, Wiggins e LaVine, um time feito para correr e jogar em alta velocidade, e Towns é o tipo de jogador atlético capaz de se encaixar perfeitamente nesse estilo de jogo. KAT também é o protetor de aro que faltava ao time, sem falar que com Rubio, Wiggins e Towns você tem a espinha dorsal de uma boa defesa para a NBA.

Algumas pessoas acham que o problema de Town é não ser elite em nenhum aspecto, e talvez por consequência não ser o tipo de jogador que vai se desenvolver em um Franchise Player. E é uma preocupação válida. A vantagem para o Wolves é ser o raro time que escolhe #1 e não precisa de um franchise player - eles já tem Wiggins. O que eles precisam é de um bom jogador complementar, e isso é ótimo porque eu acho que é o papel que Towns nasceu para fazer, um jogador que faz de tudo um pouco, se adapta a qualquer estilo e formação, e torna o jogo mais fácil para a estrela brilhar. Towns é o encaixe perfeito para Minnesota, e foi a escolha óbvia.


Escolha #2 - Los Angeles Lakers
Quem escolheu: D'Angelo Russell
Quem deveria ter escolhido: Jahlil Okafor

Eu não tenho um problema com Russell, alguém que eu acho um excelente jogador e que vai ter um futuro brilhante na NBA. Mas Okafor era o melhor prospecto, e não ficou muito claro porque o Lakers decidiu passar o pivô no último minuto. Talvez realmente achassem de última hora que Russell era o melhor prospecto, que Okafor não renderia tão bem junto de Julius Randle, ou que é melhor ter um PG/SG arremessador do que um pivô que joga dentro do garrafão no basquete de hoje. Mas o que a história nos ensina é que, no topo do Draft, é melhor draftar por talento e valor, não por necessidade ou encaixe, e eu acho que é nisso que o Lakers pecou. Eu não acho que Russell foi uma escolha ruim, mas não é a que eu teria feito. Eu teria pego o melhor jogador, e ele é Okafor. Eu acho interessante também que grande parte dos meus amigos que torcem para o Lakers não gostaram dessa escolha.

Mas é difícil julgar essa escolha hoje porque é possível que ela faça parte de um plano maior. Boatos ligaram o Lakers a Cousins em troca da escolha #2, Julius Randle e Clarkson, mas como o Lakers não pode trocar essa escolha por causa da Ted Stepien Rule (só pode trocar o jogador depois de escolhido), talvez essa troca esteja encaminhada e o Kings que tenha dito ao Lakers que eles queriam Russell na troca. Talvez o Lakers esteja extremamente confiante que vai contratar um free agent de garrafão como DeAndre Jordan ou LaMarcus Aldridge, e pegou um armador pensando nisso. É possível que alguma dessas especulações seja verdade, e o motivo pelo qual o Lakers pegou Russell depois de passar o processo inteiro com Okafor como sua segunda opção (depois de Towns). Mas não sabemos, e portanto temos que avaliar as escolhas pensando apenas no próprio Draft.

E, nesse contexto, eu acho que o Lakers deveria ter pego Okafor.

(Como vocês devem ter percebido, eu escrevi esses dois últimos parágrafos antes da offseason. Obviamente as especulações não se concretizaram. Todo o resto continua valendo para mim)


Escolha #3 - Philadelphia 76ers
Quem escolheu: Jahlil Okafor
Quem deveria ter escolhido: Jahlil Okafor

Sim, o Sixers tem 15 pivôs. Sim, no longo prazo não vai dar para jogar Okafor, Embiid e Noel juntos. Sim, o estilo de jogo dele não encaixa tão em com Noel ou Embiid. Tudo verdade.

Mas o Sixers não se importa. Eles querem o máximo de valor possível, e é isso que eles obtiveram selecionando Okafor, que era o melhor jogador disponível. O que o Sixers busca é simples: pegar o máximo possível dos melhores jogadores disponíveis, e ver se acerta ouro em algum momento. Talvez Embiid fique saudável e vire a superestrela que tem potencial para ser. Talvez Okafor atinja seu potencial e vire uma força de destruição em massa no garrafão. Eles só precisam que um desses aconteça para atingir seu objetivo, e se acontecerem ambos, então ótimo - eles tem uma fantástica peça de troca em mãos mesmo que não encaixem juntos. Você pode não gostar do que o Sixers está fazendo, você pode achar (como eu) que a NBA deveria mudar as regras para dificultar esse tipo de tanking de longo prazo, mas existe um plano por trás dessa loucura, e nesse plano, pegar Okafor no #3 era a solução óbvia. Com Embiid possivelmente fora de mais uma temporada, tentarão jogar com Noel e Okafor, e quem sabe descobrir uma forma de fazer a dupla funcionar. Na pior das hipóteses, o Sixers pegou o jogador mais valioso para uma futura troca. Boa escolha.


Escolha #4 - New York Knicks
Quem escolheu: Kristaps Porzingis
Quem deveria ter escolhido: Kristaps Porzingis

O que tornava essa escolha tão interessante é que não tinha nenhuma escolha que realmente fizesse sentido para o Knicks. New York quer vencer no curto prazo, e portanto estava atrás de jogadores capazes de contribuir imediatamente para voltar aos playoffs e aproveitar os últimos anos do auge de Carmelo Anthony. No entanto, não tinha uma escolha dessas disponíveis para o Knicks na #4. O melhor jogador disponível era Porzingis, um pivô europeu de ENORME potencial, mas extremamente cru e que ainda precisará de algum tempo para se adaptar ao jogo da NBA, e portanto não deve produzir tanta ajuda imediata. Caso o Knicks quisesse um jogador mais de acordo com seu plano de competir no curto prazo, poderia pegar alguém como Justise Winslow, Trey Lyles ou Frank Kaminsky, mas o problema é que esses jogadores não fariam jus ao valor da escolha #4, seria escolher por necessidade e deixar a chance de acumular muito mais valor em cima da mesa.

O meio termo provavelmente seria conseguir uma troca para descer na primeira rodada, permitindo que o Knicks escolhesse um dos jogadores mais "prontos" do Draft em uma posição mais adequada, e recebendo algum outro ativo ou jogador no processo. E, de acordo com as informações que chegam, foi o que o Knicks tentou fazer, sem sucesso. E, não tendo conseguido, eles tiveram que escolher no #4... e fizeram a coisa certa deixando suas necessidades em segundo plano e pegando o melhor jogador disponível (Porzingis).

Não era a coisa fácil a se fazer, já que isso torna mais difícil que o Knicks monte uma equipe muito competitiva no curto prazo, mas é absolutamente a coisa certa. Franquias inteligentes primeiro se preocupam em adquirir o máximo de valor possível, e depois em encaixar essas peças, e se tinha uma coisa que o Knicks precisa fazer urgentemente era ser inteligente. Os torcedores do Knicks vaiaram, e eu imagino que não deve ser fácil ver um time que precisa ganhar no curto prazo escolhendo um jogador tão cru, mas na pior das hipóteses da ao Knicks um valor de troca melhor para conseguir veteranos, e se ficar no time, pode acabar se desenvolvendo em uma estrela no médio prazo. Foi a escolha certa para o Knicks, e uma mudança refrescante ver a franquia fazendo a coisa certa, para variar.


Escolha #5 - Orlando Magic
Quem escolheu: Mario Hezonja
Quem deveria ter escolhido: Mario Hezonja

Com Porzingis - a escolha perfeita para Orlando - fora do Draft, Hezonja era a melhor opção possível. Orlando precisava urgentemente de um jogador capaz de arremessar de fora e espaçar a  quadra, e se for um jogador de alto potencial, melhor ainda. Hezonja oferece ambas as coisas ao Magic, a chance de se tornar uma estrela algum dia (algo que ninguém do time atual parece ter), e os arremessos de três que a franquia desesperadamente para tentar abrir um ataque estagnado com jogadores que não encaixam.

Não conseguir um possível protetor de aro (como Porzingis) é o problema dessa escolha, que condena o Magic a ser um time baixo (Oladipo de SG, Hezonja de SF e Aaron Gordon de PF) e possivelmente ruim defensivamente se continuar com o núcleo atual, mas esse é um problema da montagem de elenco do time, não dessa escolha. Hezonja o melhor jogador disponível junto de Mudiay, e alguém que fornece o que Orlando mais precisava nesse momento. Boa escolha que imediatamente faz do Magic um dos times mais interessantes em termos de League Pass para 2016.


Escolha #6 - Sacramento Kings
Quem escolheu: Willie Cauley-Stein
Quem deveria ter escolhido: Emmanuel Mudiay

Stein supostamente era o favorito do Kings, um excelente pivô defensivo com pouco jogo ofensivo que deveria liberar Cousins para um menor papel defensivo, e dar ao time a versatilidade desse lado da bola que o time tanto precisava. Também tem o fato de que Cousins queria Stein no time para poder jogar menos de C e mais de PF, e o Kings, que precisa manter sua estrela feliz para ela não se mandar, levou isso em conta.

Mas para mim não justifica passar Mudiay, um jogador melhor e com mais potencial que encaixava em uma necessidade imediata. Darren Collison foi bem em 2015 como armador titular de Sacramento, mas é um jogador limitado como criador, e que não tem a explosão e o potencial de Mudiay. O congolês daria ao Kings uma opção muito melhor para colocar junto a Cousins tanto no curto como no médio prazo, e se tem uma coisa que o Draft nos ensinou (e, pior, que o Kings aprendeu no passado) é que nessa altura o melhor a se fazer é pegar o melhor jogador disponível. E esse era Mudiay.

Em termos de basquete, eu não acho que Stein teria problema para jogar junto de DeMarcus Cousins. Ofensivamente o encaixe não é fácil, mas não é um fim da linha. Cousins tem um bom jogo de meia distância, e Stein é um jogador perigoso cortando e finalizando lobs perto da cesta. Com (provavelmente) Rondo e Rudy Gay, o espaçamento pode se tornar um problema, mas com Gay e Rondo, qualquer lineup teria problemas de espaçamento. E defensivamente é ótimo, pois permite que WCS assuma o papel principal e deixe Cousins em segundo plano, preservando-o das faltas que tanto comete e permitindo que DMC poupe sua energia para liberar o inferno na Terra quando estiver no ataque. E sua versatilidade defensiva permite ao Kings maior flexibilidade de pessoal, além de ser obviamente um enorme upgrade sobre qualquer jogador no elenco atualmente. Eu gosto do jogador e do encaixe, mas Mudiay teria sido a melhor escolha.


Escolha #7 - Denver Nuggets
Quem escolheu: Emmanuel Mudiay
Quem deveria ter escolhido: Emmanuel Mudiay

O lixo de um é o tesouro de outro, e como o Kings foi burro mais uma vez e passou Mudiay, o Nuggets provavelmente ficou muito feliz de vê-lo caindo até aqui. O problema do Nuggets é que o time tem falta de qualquer jogador confiável como base para o futuro (tirando talvez Nurkic), então a necessidade do time era bem clara: talento. E Mudiay - considerado um talento Top3 antes de ir jogar na China e Top5 quase unanimemente - é um fantástico achado no #7, um jogador muito físico e de enorme potencial para assumir a tocha de Ty Lawson e começar a formar uma base para o futuro da franquia. Entre os cenários "realistas" do Draft, Mudiay provavelmente seria a melhor escolha que Denver poderia almejar essa noite (segundo o técnico Mike Malone, era a opção #1 da franquia), e sai como um grande vencedor do Draft.


Escolha #8 - Detroit Pistons
Quem escolheu: Stanley Johnson
Quem deveria ter escolhido: Justise Winslow

Estou indo de Winslow aqui no "Deveria ter escolhido" simplesmente porque eu acho que nessa altura do Draft, o importante é pegar o melhor jogador e o melhor valor disponível, e Winslow era amplamente considerado por muitos (inclusive por mim) um jogador melhor que Johnson - ainda mais que ambos jogam na mesma posição. 

Mas eu não acho que Johnson foi de forma alguma uma escolha ruim - só que não foi a melhor possível - e o ex-jogador de Arizona supostamente era o favorito do Pistons, então não da para criticar a escolha. E Johnson faz, de fato, muito sentido - o Pistons precisava urgentemente de ajuda na posição, e Johnson é particularmente interessante para o esquema tático do Pistons, um jogador bem completo capaz de fazer um pouco de tudo, arremessar de longe e espaçar a quadra nos pick and rolls, e atacar o aro depois da ação inicial. É um jogador menos explosivo e com menos potencial, mas com um jogo muito completo que se encaixa muito bem em Detroit dos dois lados da quadra, sem falar que é alguém muito pronto para entrar e contribuir imediatamente. Preenche todos os requisitos que o Pistons queria. 


Escolha #9 - Charlotte Hornets
Quem escolheu: Frank Kaminsky
Quem deveria ter escolhido: Justise Winslow

Olha só, eu sou o maior fã do Frank Kaminsky que eu conheço e acho que ele será ótimo na NBA. Mas não faz sentido para mim o Hornets (que já tem 3 outros big men recebendo minutos e precisa maximizar o valor de suas escolhas) indo atrás da opção de potencial consideravelmente baixo e passando Winslow, que era inquestionavelmente o melhor jogador disponível. Não importa se Winslow não é um encaixe natural junto a Michael Kidd-Gilchrist, ele era de longe o melhor jogador e um absoluto steal para o #9. Charlotte deveria tê-lo pego, ou pelo menos aceitado a oferta de múltiplas escolhas de Draft de Boston, para maximizar o valor da escolha. Foi um erro grave.

Ao invés disso, pegaram Kaminsky, que pra falar a verdade é um ótimo encaixe no time - trás versatilidade ofensiva e arremessos de fora, duas coisas que o Hornets precisa desesperadamente em uma posição onde isso tem sido cada vez mais importante. Mas um bom veterano complementar não deveria ter feito o Hornets passar Winslow, ou a oferta de Boston nunca. Primeiro você pega o melhor talento, e depois você se preocupa com o encaixe. Draftar por necessidade - especialmente no topo do Draft, e especialmente com uma opção como Winslow disponível - normalmente acaba mal. 


Escolha #10 - Miami Heat
Quem escolheu: Justise Winslow
Quem deveria ter escolhido: Justise Winslow

É incrível como tudo acaba dando certo para o Heat e para Pat Riley. Na noite do Draft, deu certo mais uma vez. 10 times passaram por Justise Winslow, até que o SF caiu no colo de Miami. E é o jogador perfeito para eles: um grande atleta e excelente defensor, versátil, complementa bem qualquer elenco, (especialmente um tão talentoso como Miami) e é ainda da posição que o Heat mais precisava de profundidade e proteção para uma possível saída de Luol Deng. É ridículo que Winslow tenha caído até aqui. Pat Riley faz sacrifícios com virgens, não resta dúvida.

Também acho ótimo para Winslow. Meu maior medo para o ex-jogador de Duke é que acabasse caindo em um time que iria tentar colocá-lo como uma estrela para carregar o time nas costas, quando  na verdade eu vejo Winslow mais como uma excelente peça complementar, mais Pippen do que Jordan, alguém que executa múltiplas funções em alto nível, preenche qualquer lacuna, e torna o jogo muito mais fácil para os companheiros. Então Miami é um encaixe perfeito, porque lá Winslow pode começar sua carreira como essa peça complementar (possivelmente vindo do banco), jogar para um grande técnico e com grandes companheiros, e eventualmente desenvolver todo seu enorme potencial sem pressão. Jogador perfeito para o time perfeito. Eu já mencionei que é irritante como tudo acaba dando certo para o Heat?! Saíram como um dos grandes vencedores da noite sem precisar levantar um dedo!


Escolha #11 - Indiana Pacers
Quem escolheu:Myles Turner
Quem deveria ter escolhido: Myles Turner

Já faz algum tempo que o Pacers da sinais de que pretendia seguir em uma direção quanto ao pivô Roy Hibbert, um excelente defensor mas muito limitado em outras áreas do jogo. A direção queria um time mais versátil e atlético, capaz de jogar um basquete mais "moderno". Mas eles ainda precisavam achar um substituto para o pivô, e foi exatamente o que eles conseguiram ao selecionar Myles Turner. Turner é um ótimo defensor no garrafão e protetor de aro, então pode ser usado pelo técnico Frank Vogel para ancorar a defesa de forma semelhante ao que fazia com Hibbert, mas Turner é um jogador muito mais atlético e móvel, que também mostrou boa habilidade no perímetro e arremessar de fora, habilidades que serão chave em melhorar o ataque da equipe e levar o Pacers na direção que a direção deseja.

Turner ainda tem muito a evoluir, sem dúvida, é um jogador bastante cru e ainda se acostumando a jogar com o seu físico atual (resultado de um estirão de crescimento tardio). Mas Indiana parece disposto a aguardar, e se conseguir realizar seu potencial, Turner tem tudo para ser um dos melhores jogadores dessa classe. Ótimo encaixe, e ótima escolha.


Escolha #12 - Utah Jazz
Quem escolheu: Trey Lyles
Quem deveria ter escolhido: Trey Lyles

Eu não sou o maior fã de Trey Lyles, um PF muito habilidoso que joga abaixo do aro, mas achei que essa escolha fez muito sentido. Utah já tem um time titular mais ou menos montado, e inúmeras opções no perímetro, mas precisa de profundidade para seu garrafão atrás da excelente dupla Gobert e Favors.

Tanto Gobert como Favors são ótimos defensores, mas jogadores que pontuam no garrafão, então Lyles é um ótimo encaixe para vir do banco por poder jogar com qualquer um dos dois, já que Gobert e Favors podem compensar pela defesa fraca de Lyles, enquanto o ex-jogador de Kentucky tem o bom passe e jogo de meia distância para abrir o garrafão para os seus companheiros. É um bom encaixe, e como Lyles era considerado quase universalmente uma escolha de loteria, também um bom valor a essa altura.


Escolha #13 - Phoenix Suns
Quem escolheu: Devin Booker 
Quem deveria ter escolhido: Devin Booker

Booker era, na maioria das Big Boards, o melhor jogador disponível no Draft a essa altura. Então não da para criticar a escolha do Suns, e Booker é um jogador inteligente e excelente arremessador que vai se encaixar bem no esquema versátil e veloz de Phoenix. É uma boa escolha, segura, e que faz bastante sentido.

A única coisa que eu questiono aqui é se para o Suns - um time um pouco "preso" entre não ser bom o bastante para brigar pelo título nem ruim o suficiente para conseguir escolhas altas de Draft - não varia a pena arriscar em um jogador com mais potencial, como Kelly Oubre. Oubre seria um bom encaixe no time e, apesar de ser mais cru que Booker, tem chances de ser um jogador melhor no futuro. É o que eu pessoalmente teria feito. Mas analisando imparcialmente, Booker foi a escolha mais justificável, e deve fazer desse time melhor no curto prazo, algo que parece ser o objetivo. 


Escolha #14 - Oklahoma City Thunder
Quem escolheu: Cameron Payne
Quem deveria ter escolhido: Kelly Oubre

Eis o que eu escrevi sobre essa escolha no meu último Mock Draft:

"O Thunder do ano passado, com Westbrook de armador, sofreu para encontrar jogadores que pudessem arremessar de três sem comprometer a defesa do time OU defender bem sem comprometer o espaçamento do ataque, e Oubre é o jogador para fazer ambas em alto nível. O ala também oferece uma boa proteção a Kevin Durant, que pode demorar para retomar o ritmo ou mesmo descansar mais essa temporada depois das graves lesões de 2016, e caso o ex-MVP saia da cidade, Oubre ainda é uma boa opção de longo prazo, com enorme potencial, caso o time decida se reconstruir em torno de Westbrook."

Eu ainda me sinto assim. Eu sei que Payne era o alvo de OKC desde o começo, mas só porque conseguiram o jogador que queriam não faz dessa uma escolha boa. Payne é um bom jogador que acabou sobrevalorizado nas vésperas do Draft, mas eu não gosto tanto de como ele funciona para OKC. Payne precisa da bola nas mãos para produzir, e isso é algo que não terá com Durant, Westbrook e Kanter no time, não é a ajuda imediata que outro PG como por exemplo Jerian Grant seria, e nem oferece o potencial no longo prazo de alguém como Oubre. Payne vai ajudar vindo do banco, e vai ser interessante ver Westbrook jogando mais de SG, mas acho que o valor que o armador tem a adicionar para o time não é o ideal nessa posição.


Escolha #15 - Washington Wizards (via Atlanta Hawks)
Quem escolheu: Kelly Oubre
Quem deveria ter escolhido: Kelly Oubre

O Wizards trocou sua escolha (#19) com o Hawks para subir até o #15 e pegar Oubre, e eu sinceramente adorei essa troca (e escolha) para Washington. Depois do sucesso do seu small ball nos playoffs, o time tem buscado ficar cada vez mais atlético, baixo e versátil, e Oubre é uma fantástica adição nesse sentido, um bom jogador capaz de arremessar de fora, defender em alto nível e, apesar de cru, com enorme potencial. Seu estilo 3-and-D atlético se adequa bem nesse estilo de jogo que Washington quer implementar, e não só encaixa muito bem ao lado de John Wall e Bradley Beal como também oferece outra opção de alto potencial para a construção de longo prazo da franquia. Ótima escolha. 

Para o Hawks... bem... hold that thought.


Escolha #16 - Boston Celtics
Quem escolheu: Terry Rozier 
Quem deveria ter escolhido: Sam Dekker, Bobby Portis, Rashad Vaughn

Eu odiei essa escolha na hora, e odeio essa escolha agora. Terry Rozier era cotado como uma escolha de final da primeira rodada ou começo da segunda, e saiu no #16... digamos que foi bem cima do que ele realmente valia. E, pior, Rozier é mais uma figurinha repetida no álbum do Celtics, um combo guard que não é bem um armador puro, físico e bom defensor, mas que não arremessa muito bem. Parece familiar a... digamos... Marcus Smart e Avery Bradley? Porque mais um jogador assim, ainda mais considerando que você também já tem Isaiah Thomas de armador, tornado mil vezes pior pelo enorme overpay que foi pegar Rozier no #16? Péssima escolha.

Supostamente, Boston tentou mandar a casa (6 escolhas de Draft!!) para o Hornets pela escolha #9 (para pegar Winslow), mas foi rejeitado porque Charlotte queria de todo jeito pegar Kaminsky (funhé). Só posso imaginar que Boston ficou sem plano B quando não conseguiu a troca, mas ainda assim, não justifica pegar Rozier (alguém que poderiam até pegar no #28) aqui sobre opções melhores: um bom veterano para ajudar no curto prazo como Dekker, uma opção sólida de garrafão como Bobby Portis, ou mesmo um arremessador de alto potencial como Vaughn. Essa escolha não fez nenhum sentido, e foi inexplicável quando aconteceu. 


Escolha #17 - Milwaukee Bucks
Quem escolheu: Rashad Vaughn
Quem deveria ter escolhido: Rashad Vaughn

Eu disse no meu último Mock Draft que, embora Bobby Portis fosse a escolha lógica aqui pela necessidade do time no garrafão (e por ser um jogador bem sólido e confiável), eu adoraria ver o Bucks arriscando mais alto e indo atrás de Rashad Vaughn. E, em uma agradável surpresa, foi exatamente o que o time fez.

Ninguém seria capaz de criticar o Bucks se tivessem pego Portis, um jogador bem all-around de garrafão que encaixaria muito bem nesse time versátil em busca de uma boa opção de garrafão (necessidade eventualmente solucionada com Greg Monroe, mas não tinham como saber disso no Draft), mas Vaughn também seria interessante para um time que tem valorizado jogadores de alto potencial (como Giannis). A maior parte das melhores opções do Bucks é de frontcourt (Giannis, Middleton, Jabari) e, apesar da boa defesa, o time mostrou bastante dificuldade ofensivamente em 2015. Vaughn é um bom arremessador e pontuador bastante criativo para jogar na posição de SG, alguém que pode vir do banco no começo da carreira e que, apesar de cru, tem bastante potencial para desenvolver em um sólido titular no longo prazo. Seu estilo pontuador e de bolas longas trás algo que o time precisa, e o potencial elevado está de acordo com o que o Bucks tem buscado. Uma aposta mais arriscada do que se tivessem pego Portis, mas uma que me agrada muito.


Escolha #18 - Houston Rockets
Quem escolheu: Sam Dekker
Quem deveria ter escolhido: Sam Dekker

A maior necessidade do Rockets nesse Draft era um armador, e supostamente eles estavam para selecionar Tyus Jones, o que seria uma boa escolha. Mas, com Sam Dekker caindo, era bom demais para deixar passar. Dekker é um ala veterano, bem all-around e versátil, que não era exatamente o que o Rockets mais precisava nesse Draft. Mas sabe o que ele era? O melhor jogador disponível, e assim o Rockets está absolutamente certo de selecioná-lo aqui. Cada escolha de Draft que você tem é um ativo, e é sua intenção maximizar o retorno que ele trás. Draftar o melhor jogador disponível sempre é uma boa opção.

No curto prazo, Dekker adiciona profundidade e versatilidade para um time que sentiu falta do primeiro e valoriza o segundo. Se o ala acertar suas bolas de 3 na NBA, tem tudo para ser um steal aqui, e mesmo se não acertar, ainda é um jogador completo capaz de fazer um pouco de tudo, algo bastante valioso na NBA moderna.


Escolha #19 - New York Knicks (via Washington Wizards, através do Atlanta Hawks)
Quem escolheu: Jerian Grant
Quem deveria ter escolhido: Jerian Grant

Mais uma boa escolha do Knicks! No caso, trocaram essa escolha por Tim Hardaway Jr com o Hawks, que recebeu essa escolha do Wizards.

Para o Knicks, é uma boa escolha: Grant é um armador veterano pronto para contribuir no curto prazo, capaz de jogar em duas posições e fazer um pouco de tudo em quadra. Escolha boa e segura, e alguém que a meu ver tem mais a contribuir para o Knicks que Hardaway. Meu único questionamento é que Grant não é um encaixe tão natural no triângulo - o armador de Notre Dame joga melhor conduzindo o pick and roll, mas essa é uma atividade que não vai encontrar muito se o Knicks realmente for com o triângulo como sua base para 2015/16. Mas é um questionamento melhor, e o que Grant trás para o time será bem valioso.

Por outro lado, eu não faço idéia do que o Hawks está fazendo aqui. Hardaway é um bom jogador e arremessador, mas tem muitas dificuldades na defesa, e não parece se encaixar no esquema do Hawks muito bem. E, em troca de Hardaway e escolhas de segunda rodada, o time deixou de escolher um jogador bastante superior no #15 ou no #19. Atlanta tinha uma necessidade grande na posição de SF (onde já tinha uma falta de profundidade ano passado, e agora ainda tinha seu titular - DeMarree Carroll - sendo Free Agent) e de profundidade no garrafão (um grande problema nos playoffs, e que tendia a piorar com as saídas de Elton Brand, Pero Antic e talvez até Paul Millsap) - porque então passar Sam Dekker e Bobby Portis com essas escolhas? Será que dois anos de Tim Hardaway no contrato de calouro realmente era mais valioso do que Dekker ou Portis, jogadores melhores, que encaixavam muito melhor no time e supriam necessidades imediatas, e AINDA ofereciam quatro anos de controle barato ao invés de dois? Claro que não. Péssimas decisões de Atlanta, que sai como um dos grandes perdedores da noite. Jogou no lixo o presente que recebeu do Nets nessa escolha de Draft.


Escolha #20 - Toronto Raptors
Quem escolheu: Delon Wright
Quem deveria ter escolhido: Bobby Portis, Rondae Hollis-Jefferson

O Raptors tinha Lou Williams como free agent, e trocou Greivez Vazquez para o Bucks antes do Draft, então armador reserva era realmente uma necessidade da franquia. Mas porque pegar um armador reserva quando você tem necessidades bem mais urgentes no seu time (seu PF titular foi embora, e seu perímetro tem enfrentado problemas) E jogadores melhores dessas posições para escolher? Bobby Portis em particular teria sido a melhor escolha perfeita, um PF completo e seguro, uma adição excelente no garrafão do time com a saída de Amir Johnson e alguém capaz de contribuir de cara. Seria um ótimo valor a essa altura, e um ótimo encaixe. RHJ também funcionaria, um excelente marcador de perímetro capaz de ajudar uma defesa que despencou no final da temporada passada. Até alguém como RJ Hunter seria uma escolha melhor, um ótimo arremessador e jogador inteligente. Wright é um bom jogador, mas PG é de longe a posição mais fácil de achar opções na NBA de hoje, e tinha jogadores melhores disponíveis que supririam necessidades mais urgentes e mais importantes da franquia. Não gostei da escolha.


Escolha #21 - Dallas Mavericks
Quem escolheu: Justin Anderson
Quem deveria ter escolhido: Tyus Jones, Bobby Portis, Justin Anderson

A essa altura do Draft, eu não acho Anderson uma escolha ruim em termos de valor. Tirando Bobby Portis, a essa altura do Draft todos os jogadores estão mais ou menos equiparados em termos de valor, e é mais uma questão de contexto a essa altura. E, considerando que o Mavs não tinha um elenco bem delineado a essa altura, era uma questão de pegar o melhor jogador. Então não é uma escolha fácil de avaliar.

Em termos de valor, a melhor escolha seria Portis, e eu acho que não devem passar um valor tão grande a essa altura. Mas com Dirk na cidade e tantos buracos, e a mentalidade de competir imediatamente, eu entendo a idéia de querer aproveitar essa escolha em um jogador que não joga na posição da sua maior estrela. Tyus Jones também seria uma boa opção, dada a necessidade do time por um armador. 

Justin Anderson está nesse grupo de jogadores semelhantes, e sem dúvida não é uma escolha ruim. Anderson é um bom defensor bastante atlético e, se conseguir manter o alto aproveitamento nas bolas longas que mostrou em 2015, tem tudo para ser um steal a essa altura. Por isso acho essa escolha boa. Vale questionar que Anderson joga na mesma posição de Chandler Parsons, então corre o risco de acabar sofrendo com o mesmo problema de terem escolhido Portis. Mas essa é uma questão secundária. Era uma escolha sem uma resposta fácil ou claro favorito e, embora eu achasse que tinha opções ligeiramente melhores para Dallas, Anderson sem dúvida estava entre as opções válidas a essa altura.


Escolha #22 - Chicago Bulls
Quem escolheu: Bobby Portis
Quem deveria ter escolhido: Bobby Portis

Em termos de encaixe, essa escolha não faz tanto sentido. Chicago já tem um dos garrafões mais lotados da NBA, e ano passado o então técnico Tom Thibodeau teve muita dor de cabeça tentando dar minutos a Taj Gibson, Joakim Noah, Nikola Mirotic e Pau Gasol ao mesmo tempo. Adicionar mais um bom PF não vai ajudar essa questão.

Por outro lado, a tecla que eu sempre bato: você sempre quer pegar o melhor valor possível a cada escolha de Draft, e Portis era sem dúvida o melhor jogador disponível por muito, alguém que muitos especialistas (inclusive eu) viam como um possível talento de loteria. Pegar Portis no #22 é um absoluto steal, e Chicago está certíssimo em selecioná-lo. Olhando mais a fundo, percebe-se também que Chicago agora está acima do limite para pagar multa - algo que a franquia sempre tem evitado - e que para fugir desse gasto extra o ideal seria trocar um jogador de garrafão, e se essa troca realmente acontecer (provavelmente envolvendo Taj Gibson), então de repente você tem uma abertura no garrafão para os minutos de calouro de Portis, que crescerão com o tempo e conforme Gasol e Noah caminham para o fim das suas carreiras. Ótima escolha de Chicago.


Escolha #23 - Portland Trail Blazers
Quem escolheu: Rondae Hollis-Jefferson
Quem deveria ter escolhido: Rondae Hollis-Jefferson

O Blazers eventualmente trocou essa escolha para o Nets por Mason Plumlee.

Para o Nets, essa troca faz muito sentido. Embora Plumlee seja um bom jogador e capaz de ser um C titular na NBA, na situação atual, o Nets não é nem um candidato ao título, e nem tem os ativos (jovens talentos, escolhas de Draft) para evoluir no curto prazo. Portanto faz bastante sentido que o time troque um veterano estabelecido e confiável, mas limitado, por um jovem jogador com mais potencial como Hollie-Jefferson, um excelente atleta e defensor cujo valor hoje é limitado pela falta de arremesso. Caso RHJ desenvolva um jumper passável, seu potencial é enorme e chances de ser um grande steal desse Draft, e faz sentido o Nets apostar nesse maior potencial.

Para o Blazers, eu consigo entender o que estão fazendo, mas não gosto. RHJ é uma comodidade desconhecida no momento, acabando de chegar na liga, enquanto Plumlee é um veterano comprovado e sólido. Meu problema é que esse é o tipo de jogador capaz de ajudar muito um time competitivo, como era o Blazers ano passado, mas faz pouco sentido em um time que claramente estava indicando uma reconstrução como Portland (que trocou Batum, e tinha três titulares free agents). Mesmo que a idéia seja trazer um bom ativo para manter o time competitivo nessa transição, para o Blazers faz mais sentido apostar no garrafão jovem Vonleh-Leonard e ver o que consegue tirar de Jefferson do que trocar um jogador de bom potencial por um veteranos sólido sem tantas chances de crescer muito no futuro. Eu gosto de Plumlee, e no vácuo não acho uma troca exatamente ruim (a escolha #23 por um sólido titular de garrafão), mas no momento atual do Blazers (e do Nets também), eu preferiria ter Rondae Hollis-Jefferson.


Escolha #24 - Minnesota Timberwolves (via Cleveland Cavaliers)
Quem escolheu: Tyus Jones
Quem deveria ter escolhido: Tyus Jones

Para o Cavs, que trocou essa pick por duas de segunda rodada, essa troca faz algum sentido. O time já vai estar MUITO acima do salary cap e da luxury tax para 2015/16 mesmo, o que significa que cada dólar a mais adicionado em salário significa gastar quase o dobro em multas. Como todos os contratos de primeira rodada são garantidos, usar essa escolha faria o Cavs gastar ainda mais dinheiro (e muito dinheiro). Então trocando-a por duas escolhas de segunda rodada (e, portanto, contratos mais baratos e não garantidos), o Cavs agora consegue um bom alívio financeiro e pode poupar umas verdinhas e selecionar mais de um jogador. Faz sentido. Por outro lado, estando tão acima do salary cap, o Cavs tem muita dificuldade de contratar jogadores novos, e sofreu demais com a falta de opções e profundidade em 2015/16 - certeza que não seria mais útil adicionar alguém como Tyus Jones ou RJ Hunter aqui? Claro, é fácil falar se não sou eu que vou pagar 90M em multas, mas se o time já vai gastar tudo isso mesmo, porque não adicionar uns 5M a mais para melhorar sua equipe? *relendo a frase* Ok, falha minha, 5M é coisa pra caramba e uma boa economia.

Para o Wolves, também gosto da troca. Ricky Rubio é um bom armador, mas se machuca demais, e o time sente falta de uma segunda opção. A experiência de usar Zach LaVine de PG ano passado mostrou que ele NÃO é um PG, e Jones da mais uma opção jovem e interessante para vir do banco e talvez substituir Rubio se (quando?) o espanhol se machucar. É uma boa escolha, e encaixa bem: jovem, talentoso, tem experiência de sucesso (foi Most Outstanding Player do Final Four) e "devolve" LaVine para sua posição natural. 


Escolha #25 - Memphis Grizzlies
Quem escolheu: Jarrell Martin
Quem deveria ter escolhido: RJ Hunter, Chris McCullough, Jordan Mickey

O Grizzlies queria reforçar a profundidade do seu garrafão, então foi atrás de Martin. Não da pra questionar a lógica. Mas da para questionar a escolha. Martin não é um jogador melhor que seu companheiro Jordan Mickey, um ótimo all-around PF que caiu por ser baixo para a posição e que a meu ver tem mais a contribuir no médio prazo. E se o time quisesse apostar no jogador de maior potencial tinha Chris McCullough, um PF cru de muito potencial que poderia ser uma ótima aposta para um time cuja base no garrafão já está do lado errado dos 30 anos.

Mas a melhor escolha para Memphis teria sido RJ Hunter. O Grizzlies está no seu melhor quando consegue espaçar a quadra ao redor do seu garrafão e castigar os adversários com bolas longas quando dobram a marcação, e Hunter é um dos melhores arremessadores dessa classe, alguém que tem a habilidade nos passes e a inteligência que times precisam para sobreviver com o espaçamento mais apertado (como é o caso de Memphis). Adicionar profundidade com Martin é bom, mas as bolas longas de Hunter poderiam fazer muito mais pela franquia.


Escolha #26 - San Antonio Spurs
Quem escolheu: Nikola Milutinov
Quem deveria ter escolhido: Nikola Milutinov

San Antonio, nessa offseason, tinha um grande objetivo: trazer LaMarcus Aldridge. Mas com tantos free agents importantes e uma folha salarial apertada, e com o salary cap ainda indefinido, as contas estavam muito apertadas para San Antonio conseguir oferecer o máximo ao PF do Blazers. Então cada centavo poupado era crucial nessa busca e,  nesse contexto, o objetivo do Spurs no Draft era naturalmente manter sua folha salarial limpa. E foi com essa mentalidade que pegaram Milutinov, um talentoso pivô que ficará na Europa mais tempo e portanto não conta contra o salary cap de San Antonio. O mais importante aqui a se ter em mente é que essa escolha manteve 2M fora da folha salarial do Spurs, e era isso que eles buscavam - e conseguir manter esse dinheiro fora da sua folha salarial enquanto ainda adicionava um bom talento Europeu para o futuro é uma vitória.


Escolha #27 - Los Angeles Lakers
Quem escolheu: Larry Nance
Quem deveria ter escolhido: RJ Hunter, Chris McCullough

Talvez a pior escolha da primeira rodada. Com essa escolha de primeira rodada extra, cortesia do Rockets, o Lakers poderia ter pego um jogador para dar profundidade ao seu perímetro (especialmente a posição de SF, a mais carente do time) e ajudar nas bolas longas (como RJ Hunter) ou mesmo apostar em um jogador de alto potencial para o longo prazo como McCullough. Poderiam até ter apostado no enorme potencial de Kevon Looney! Ao invés disso, pegaram um cara atlético mas com poucos recursos que era cotado pela maioria dos especialistas como uma escolha de final de segunda rodada. Enorme desperdício de valor, e ainda ganhou ares de comédia quando descobriram um tweet de 2012 do Nance chamando o Kobe de estuprador. Tinha um leque imenso de escolhas melhores aqui, e pela segunda vez na noite, o Lakers fez a escolha errada.


Escolha #28 - Boston Celtics
Quem escolheu: RJ Hunter
Quem deveria ter escolhido: RJ Hunter

Uma excelente escolha de valor para o Celtics, achando um jogador que muitos tinham saindo 12, 14 escolhas antes no final da primeira rodada. Hunter é um exímio arremessador que também tem boa inteligência em quadra, alguém que sabe se movimentar sem a bola, defender coletivamente e é um sólido passador - vai ajudar muito um time que tem dificuldade nas bolas longas e cujo ataque se baseia muito nessa movimentação e inteligência. O tipo de jogador que não vai ser uma estrela, mas vai ser uma peça muito útil em qualquer time, e tem um conjunto de habilidades muito valorizado no momento ao redor da liga. Ótima escolha, e ótimo valor no #28.


Escolha #29 - Brooklyn Nets
Quem escolheu: Chris McCullough
Quem deveria ter escolhido: Chris McCullough

Brooklyn é uma franquia triste, que ainda viu sua escolha #15 de Draft ir para nas mãos de Atlanta e ficar com a #29 em torno. Mas, ao contrário do Hawks, fez a coisa certa com ela e pegou Chris McCullough. Em um time tão pobre em talentos e com um futuro tão questionável sem escolhas de Draft, esse é jogador com maior retorno possível que conseguiriam aqui junto de Looney, e o Nets está totalmente certo em apostar alto para conseguir esse maior retorno. McCullough poderia ter sido uma escolha de loteria se não tivesse rompido o ligamento e, apesar de muito cru, também tem enorme potencial. O Nets poderia ter feito uma escolha mais segura, mas não mudaria em muito a franquia. Se McCullough atingir seu potencial, pode fazer muito mais por esse time. Gostei bastante da escolha.


Escolha #30 - Golden State Warriors
Quem escolheu: Kevon Looney
Quem deveria ter escolhido: Kevon Looney

Os atuais campeões provavelmente não estão muito preocupados com esse Draft, pra falar a verdade. E embora eu achasse que um SG arremessador como Joseph Young, Anthony Brown ou mesmo Tyler Harvey fosse uma ótima adição para o Warriors, eles foram para o Home Run em Kevon Looney, e eu adorei. Looney é cru, mas tem imenso potencial, e era considerado um talento de loteria  durante grande parte do ano antes de cair em meio a más atuações, e acabou despencando na noite do Draft supostamente por causa de uma lesão recém-descoberta. Mas no #30 e com um excelente time já montado, para mim está de ótimo tamanho apostar em um jogador de talento talento e potencial, e se conseguir atingí-la, tem condições de ser um dos melhores jogadores do ano. No #30, você não pode pedir por muito mais que isso.