Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

Mostrando postagens com marcador Golden State Warriors. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Golden State Warriors. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Uma coluna sobre mim, e Kevin Durant



Quando Kevin Durant anunciou sua decisão de ir para o Golden State Warriors formar um dos times mais talentosos da história da NBA, o que não faltou foi ver as famosas "hot takes" - opiniões fortes, polêmicas e muitas vezes idiotas - pipocando na internet. Muita gente ofendendo Durant e dizendo que ele era um covarde, ou um perdedor, ou coisa do tipo por ter tomado a decisão DELE, que fazia sentido para ELE, e que afeta a vida DELE. 

E é normal pessoas não gostarem da decisão do Durant. Ela afeta vários fatores que diversas pessoas consideram importantes: muitas valorizam a competição dentro da NBA, por exemplo, e a ida de Durant não só adicionou um jogador Top3 da NBA a um time que venceu 73 jogos ano passado e esteve a 5 minutos de dois títulos seguidos, como ainda derrubou da disputa o único time no Oeste que realmente assustava o Warriors. Outros podem valorizar o jogador que passa a carreira inteira no mesmo time e tem um peso enorme que vai muito além do basquete, virando um símbolo da franquia e da cidade (Duncan, Dirk, Kobe alguns exemplos recentes que vem à mente), e Durant - o símbolo do basquete de OKC - deixando a cidade nos privou de ver mais uma história dessas com um dos melhores atletas da nossa geração. A preferência dessas pessoas foi afetada negativamente pelo cenário que se formou na NBA após essa decisão.

Ou seja, é comum que pessoas se sintam, em um nível pessoal, incomodadas com a decisão de Durant. Cada um de nós tem um conjunto de preferências e vontades, coisas que valorizam e que buscam, e a decisão de Durant pode ter contrariado muitas dessas. Então a nossa reação natural é de decepção, afinal a realidade não seguiu as nossas expectativas, e por isso desgostamos dessa realidade. Gostaríamos que fosse diferente, ressentimos de como aconteceu, e lamentamos. É a natureza humana, e isso não tem nenhum problema.

O problema é não reconhecer que existe mais do que um tipo de preferência e de ponto de vista no mundo, e que não necessariamente todos tem que seguir o mesmo. Ao mesmo tempo que a decisão de Durant afetou negativamente muitas pessoas por ir de encontro às suas preferências, certamente existe muitas outras pessoas cujo conjunto de preferências foi afetado positivamente pela ida de KD a Golden State, e que agora estão felizes e elogiando a decisão.

E também, claro, tem o lado da pessoa mais importante nessa história toda: Kevin Durant. Todo mundo quis atribuir motivos à sua decisão - ele quer vencer do jeito mais fácil, ele não quer a pressão de ser uma estrela, etc - mas a verdade é que ninguém faz ideia do que levou ele a tomar a decisão. E se ele simplesmente não estivesse feliz jogando em OKC? E se ele não gostasse de jogar com Westbrook, ou no esquema ofensivo estagnado do Thunder? E se ele quisesse um novo começo, morar em San Francisco, ou jogar em um time com um estilo diferente? A gente não sabe, e nunca vai saber. Os motivos são dele. E por isso é besteira tentar atribuir motivos para o que o jogador fez ou deixou de fazer, especialmente aqueles que convenientemente servem à narrativa que queremos criar por causa das nossas próprias preferências.

Em outras palavras, o que nós discutimos não é se a decisão de Durant foi certa ou errada. Nós discutimos como ela afetou as NOSSAS preferências, e qual a nossa reação pessoal a elas. Mas ninguém admite isso. E um dos motivos é porque queremos excluir ao máximo o "eu" quando discutimos de esporte - se você começa a falar das suas visões e preferências, de repente sua opinião vai ser considerada mais subjetiva do que objetiva, e talvez ser menos considerada. E por isso tanta gente tenta omitir o "eu" da conversa e falar como se existissem fatos sobre o que é certo ou errado, sobre o que Durant deveria ou não ter feito, e começa a criar rótulos e narrativas imbecis para tentar explicar porque Kevin Durant - um ser humano tão complexo quanto todos nós, com gostos, preferências, ideias e objetivas totalmente próprios que não dizem respeito a nenhum de nós - tomou uma decisão que vai de contro à nossa configuração pessoal enquanto indivíduos.

Em resumo, é perfeitamente normal para um fã ou torcedor se sentir traído pela decisão de Kevin Durant (o lado irracional, passional do torcedor), mas não achar que isso faz de Kevin Durant um traidor (o racional, baseado em fatos)... mas é isso que as pessoas tentam fazer, racionalizar sua irracionalidade para torná-la mais "aceitável" e transformar aquilo em um fato... e isso que é o mais absurdo.

Kevin Durant tomou a decisão de ir para o Warriors, o que diminui a competitividade da NBA e forma um time claramente superior (no papel) aos demais. Mas eu gosto de competitividade e rivalidades, e não gosto de times favoritos. Então a decisão de Durant foi contra o meu gosto. Então, ao invés de reconhecer que ele funciona diferente de mim e teve razões diferentes das minhas para tomar uma decisão que não me dizia respeito, e assumir que eu simplesmente não gostei da decisão, eu vou ficar falando que o Durant é medroso, que é covarde, que é desleal, etc e tal para tentar justificar como EU me sinto em relação a ele.

Desnecessário dizer o quão idiota é isso. Mas é o mundo esportivo como vivemos hoje, infelizmente. Ninguém quer admitir que sua reação a um fator as vezes é totalmente pessoal e baseada nas suas individualidades. E claro, ninguém quer admitir que possa existir outras pessoas que veem o mundo diferente que você - todo mundo só quer estar certo (e isso se estende MUITO além dos esportes, btw).

Então claro que, quando eu declarei no Twitter que a decisão de Durant era interessante e que eu estava ansioso por ver como seria esse time do Warriors - ao invés de criticar seu caráter e sua decisão - nem todo mundo entendeu meu ponto de vista. Para colocar de forma leve.

E um seguidor, particularmente revoltado, declarou que meu problema era preferir ver um grande time do que ver a liga sendo equilibrada e competitiva. Quando eu neguei que fosse o caso, ele questionou então: "Então o que você quer ver da NBA?".

Embora a pergunta tenha sido feita em tom de crítica, ela me fez pensar. Assim como todo mundo tem suas preferências, eu tenho as minhas, mas nunca tinha parado para pensar a fundo na questão. Eu acompanho esportes desde que me lembro, e embora torça pelos meus times, eu sempre dei uma importância maior para os esportes em si do que só assistir pelos meus times. Eu, como qualquer um, também quero ver certas coisas acontecendo, e fico feliz ou triste, animado ou decepcionado, quando algum acontecimento ou fato vai de acordo ou contra meus gostos pessoais.

Mas, no final, eu voltava para a mesma pergunta.

O que eu quero quando se trata de esportes?

------------------------------------------------------------------------------------



Para responder a essa pergunta, eu preciso fazer um paralelo com uma das minhas obras favoritas.

Hunter x Hunter é um mangá de Yoshihiro Togashi, mais conhecido no Brasil por sua outra obra famosa, YuYu Hakusho (sim, aquele da Manchete). A obra conta a história de "hunters", ou "caçadores": são pessoas que passam a vida "caçando", "procurando" ou "buscando" alguma coisa (dependendo da tradução que você quiser usar). E o que um Hunter procura pode ser qualquer coisa que o atraia: alguns passam a vida procurando criminosos, outros procuram novas espécies de animais. Alguns procuram jóias raras, e outros procuram achados arqueológicos. Não importa o que, mas todos tem que procurar alguma coisa, em geral motivados pelo desejo de aventura e sede de conhecer o desconhecido. É uma das melhores obras que já li, tanto para o gênero de ação como pela genialidade da mensagem de algumas das suas sagas, e recomendo para os fãs do gênero.

E em Hunter x Hunter existe um personagem chamado Ging Freecs. Ging é um Hunter bastante famoso, considerado um dos personagens mais habilidosos e poderosos da saga e, por muitos, o melhor Hunter do mundo. No entanto, Ging também é considerado um grande mistério: alguém que desaparece com frequência, faz as coisas do seu jeito sem pensar em mais nada, que está constantemente mudando de ideia e de objetivos, e que é praticamente impossível de se encontrar já que nunca fica parado no mesmo lugar. Embora ele seja um Hunter de arqueologia, ninguém sabe exatamente o que ele quer ou o que está buscando na vida. Ele vai aparecer onde e quando quiser, e desaparecer para cuidar dos seus assuntos na maior parte do tempo.

Em dado momento, um outro personagem pergunta a Ging exatamente o que ele procura. Qual é seu objetivo final, o que ele almeja encontrar.

A resposta? "O que eu procuro... é alguma coisa que não consigo enxergar diante de mim".

Eu sempre achei isso genial. Ging não tem um objetivo fixo: ele sempre está à procura de algo novo, de algum novo desafio, algo que ele ainda não tem e terá prazer em ir atrás. O que é essa coisa, na verdade, não importa. O que ele quer é o desafio e a emoção da jornada, o que importa para ele é o caminho, e não onde esse caminho leva. Quando atingir seu objetivo, ele parou de ser interessante e é hora de procurar algo novo. Algo que ele não tem diante dele.

É exatamente assim que eu me sinto quando fã de esportes, e foi a conclusão que eu cheguei quando penso sobre o que eu quero como alguém que ama e acompanha esportes. O que eu quero ver acontecendo é algo que eu ainda não tenho.

Em outras palavras, respondendo à pergunta do internauta, eu não sei exatamente o que é que eu quero. E isso não é um problema, porque o que eu quero pode ser atingido independente de qual a forma. O que eu quero é algo novo, algo diferente e que nunca tenha visto antes. Eu quero a experiência de ver algo que me eleve a um patamar maior como fã de esporte. O que isso é, não importa de verdade. Pode vir sobre diferentes formas: uma virada espetacular, uma temporada que quebra recordes, um jogador diferente e único. Eu quero ver dois dos melhores jogadores da história da MLB tendo seus auges juntos. Eu quero ver uma rivalidade perfeita entre dois dos 5 maiores quarterbacks da história da NFL. Eu quero ver a maior virada da história dos esportes americanos. Eu quero ver um jogador aleatório vivendo uma história improvável e mágica com final feliz. Eu quero ver um jogador que muda a forma como eu (e a própria NBA) penso um esporte. Mesmo que, até essas coisas se concretizarem, eu não fazia ideia de que eu queria tanto elas.

Quando em 2010 LeBron anunciou sua decisão de deixar o Cavaliers para se juntar a Wade e Bosh em Miami, minha primeira reação foi negativa. Ao invés de vencer as dificuldades em Cleveland, LeBron parecia estar pegando o "caminho mais fácil" ao se juntar a duas outras superestrelas, e assim ele nunca se realizaria como completo superstar da NBA. Eu queria ver LeBron atingindo seu auge e superando as barreiras na própria força, não na força de Wade e Bosh.

Depois, eu percebi o quanto isso era idiotice. Eu ainda estava muito apegado ao estereótipo Jordan da superestrela que centraliza o jogo, arremessa todas as bolas e domina as atenções. O que eu percebi depois - e, felizmente, a tempo - é que LeBron era um jogador diferente, mais voltado para o jogo coletivo, e que ter grandes companheiros ao seu redor era uma condição importante para que James conseguisse tirar o máximo do seu jogo, e enfim atingisse todo seu imenso potencial como jogador de basquete. Isso nunca teria acontecido naqueles times horríveis de Cleveland. Então a decisão de LeBron, no final, acabou me proporcionando duas coisas que eu nunca poderia ter tido como fã de esportes se ele tivesse ficado em Cleveland: a possibilidade de ver o jogador mais talentoso que já assisti realizando seu potencial e atingindo seu auge como jogador de basquete, e ver um time tão bom, tão único e que jogava um basquete tão maravilhoso de se assistir como aquele Heat 2012-2013.

(Tangente rápida: uma grande pena que o Heat de LeBron nunca tenha conseguido uma temporada completa, do início ao fim, em plenos poderes. Em 2012, o time só atingiu seu auge nos playoffs, quando Bosh machucou, LeBron mudou para PF e o time descobriu seu small ball. E em 2013, o time chegou nos playoffs desgastado demais, cansado demais, e nunca jogou seu melhor basquete. Eles nunca tiveram aquela temporada completa chutando bundas a torto e a direito que mereciam. Nossa perda.)

Meu jogo favorito que assisti ao vivo? G4 da série entre Mavs e Blazers em 2011, na primeira rodada dos playoffs. Foi o jogo que Brandon Roy, praticamente fora da NBA a essa altura por causa dos problemas físicos que destruíram o que vinha sendo uma fantástica carreira, saiu do banco e milagrosamente voltou o relógio alguns anos, anotando 18 pontos - inclusive os oito finais do Blazers na partida - e dando quatro assistências no quarto período apenas, enquanto Portland tirou uma vantagem de 18 pontos de Dallas no período final para igualar a série em 2-2. Cinco anos depois, eu ainda lembro daquele jogo como se fosse hoje.

Esse jogo importou no grande esquema das coisas? Provavelmente não. Dallas ainda venceu a série em 6, e algumas semanas depois venceu o Miami Heat para conquistar seu primeiro título de NBA. Brandon Roy aposentou naquela offseason, voltou em 2012 e aposentou de vez algumas semanas depois.

Mas aquele ainda é, e sempre será, o jogo que eu lembro quando penso nos playoffs de 2011. Foi simplesmente perfeito: um dos meus jogadores favoritos e figura trágica da NBA, alguém que eu já tinha aceitado a decadência e sabia (ou achava que sabia) que nunca mais veria jogando no alto nível do passado, de repente se rejuvenescendo por 12 minutos e jogando talvez o basquete mais inspirado da sua vida, conduzindo uma das maiores viradas da história dos playoffs da NBA com uma das mais memoráveis performances da história da NBA em quartos períodos. Foi imprevisível, e foi emocionante de se contemplar. Ele me deu algo que eu nunca tinha visto, que eu nunca pensei que veria, e no final das coisas, uma memória para sempre.

Como Bill Simmons escreveu uma vez, nós fãs assistimos a 1000 jogos em busca de algo especial, algo único e fantástico, e 999 vezes ela não acontece. Mas quando tem a 1000th vez, ela acontece, e é algo que nunca mais vamos esquecer, e que fazem valer todo o esforço. A atuação de Brandon Roy foi a milionésima vez. Eu nunca esquecerei de assistir esse jogo enquanto viver.

----------------------------------------------------------------



Então voltando ao ponto inicial: o que isso significa em relação a Kevin Durant?

Kevin Durant deixando o Thunder nos privou de muitas coisas boas. Ver aquele time jovem do Thunder que surgiu para o mundo em 2010 tentar subir a montanha, enfrentando seus próprios demônios e dificuldades para tentar chegar no topo da liga, era uma histórias mais interessantes de se acompanhar na NBA nesses últimos 7 anos. Ver aquele time enfim atingindo o topo, superando os poderosos Warriors e Cavs, sua crescente rivalidade com Golden State, a eterna dúvida se Durant e Westbrook algum dia achariam a forma ótima para conviver... são todas coisas que eram muito divertidas.

Eu queria muito ver a história do Thunder do começo ao fim, até por ser uma das histórias mais fáceis de se acompanhar: o time jovem e promissor de 2008/2009, o time dando um salto em 2010, a evolução nítida de 2011, finalmente chegando nas Finais em 2012, a troca de Harden e as lesões de Durant e Westbrook, a quase redenção em 2016... era uma história que muitos (inclusive eu) queriam ver tendo um final, e de preferência um final feliz. Era algo que eu queria ver, e agora (ou pelo menos por enquanto) não verei mais por causa da decisão de Durant.

Mas ao mesmo tempo, eu já vi antes times subindo a montanha e atingindo o título. Eu já vi times ultra-talentosos, mas de encaixe difícil, encontrando uma forma de coexistir e tirar o melhor de si mesmo rumo a um título. Eu já vi dois dos 5 melhores jogadores da NBA jogando juntos no seu auge. Não que seja uma história que não seja ótima de se rever várias vezes com diferentes protagonistas, mas não é exatamente algo novo para mim.

Mas eu nunca na vida vi um time de basquete tão talentoso - pelo menos no papel - quanto Golden State é agora com Kevin Durant. Eles tem a chance de fazer algo que eu nunca vi antes, de quebrar recordes e atingir um nível de basquete que eu nunca vi. Eu sempre me ressenti de nunca ter a chance de ver o Celtics de 86 ou o Bulls de 96 ao vivo - na minha opinião os dois melhores times de basquete da história da NBA - e agora tenho a chance de acompanhar um time que pode ser tão bom quanto, ou até melhor, do que esses dois times lendários. É uma oportunidade nova que essa decisão de Durant também trouxe.

E também tem o seguinte: é possível que, assim como LeBron, existe um jogador melhor dentro de Durant esperando para sair na situação certa, e com os companheiros certos. Larry Bird não teve seu auge como jogador de basquete em 1986 apenas porque, individualmente, ele estava no seu auge físico e técnico - um dos principais motivos é que o talento no Celtics ao seu redor teve um notório auge naquela temporada, e isso permitiu que Larry Legend explorasse mais partes do seu jogo que antes ele não tinha como: sua maestria nos passes, sua versatilidade para executar múltiplas funções, e até mesmo sua criatividade para tentar coisas novas quando os jogos estavam entediantes. Bird teve seu auge em parte porque o coletivo ao seu redor era melhor, e muito mais preparado para que ele tirasse o máximo de seu jogo.

Talvez o mesmo aconteça com Kevin Durant: em um time mais coletivo, com mais opções, com QI coletivo fora de série e tantos jogadores completos, talvez Durant agora pode focar em mostrar e elevar partes do seu jogo que não apareciam antes para nós tão bem. Com menor responsabilidade para pontuar, e com mais espaço do que nunca, pode ser que vejamos mais de Durant como passador e criador, ou que ele decida focar mais na sua defesa, que tem chance de ser excepcional. Talvez ele tenha mais assistências e mais roubos de bola do que nunca, e arremesse algo como 55-43-90 na temporada. Com seus companheiros melhores e jogando um estilo de basquete mais favorável, pode ser que o próprio Durant leve seu jogo a um nível que não tínhamos visto antes.

Isso tudo é melhor do que a chance de ver o Thunder ser campeão com Durant e Westbrook? Para mim agora é, e por um motivo simples: eu tenho a chance de ver tudo isso acontecendo agora, enquanto que ver o Thunder campeão com West e KD não. Qual é a graça de buscar algo que não existe mais? Por que se apegar a algo que deixou de existir, se eu posso ir atrás de novas possibilidades e novos objetivos, coisas que eu nunca tive antes e que podem cumprir seu papel para mim, de me levar a um patamar mais alto como fã do esporte? A decisão de Durant fechou algumas portas e nos privou de algo muito legal, mas ao mesmo tempo abriu outras portas e outras possibilidades. A grandeza que podemos ver hoje é diferente da de ontem, mas não necessariamente é pior.

Essa foi a lição que eu aprendi ao longo da vida esportiva. Ao invés de me apegar a algo que não existe mais, eu simplesmente começo a buscar algo novo toda vez que a situação mudar, e com isso eu - de novo, EU - posso aproveitar plenamente o que os esportes que eu tanto amo me oferecem. Durant nos tirou algumas coisas boas, mas nos oferece outras em troca: eu posso lamentar pela perda das primeiras, mas isso nunca pode me impedir de aproveitar e almejar as coisas novas que eu não poderia ter antes, e agora posso. As coisas mudam rápido demais nos esportes. Se não soubermos nos adaptar igualmente rápido, podemos perder chances únicas. Não importa o que eu quero. O que importa é que eu sempre quero algo novo, algo diferente, algo que vai me elevar a um patamar maior como fã de esportes. E quando isso acontecer, eu posso ficar satisfeito sabendo que, naquele momento, eu serei mais rico em experiências esportivas do que era antes. E, minutos depois, me preparar para buscar o próximo objetivo.

Ou pelo menos isso é o que eu sinto. Você é livre para sentir ou pensar algo totalmente diferente, com base nas suas próprias preferências e opiniões. Isso é perfeitamente normal.

Só é uma grande idiotice achar que o que você sente é a verdade do mundo, e que um jogador de basquete profissional que precisa pensar na sua própria vida e carreira e pensa diferente de você é um traidor. Ou um covarde. Ou qualquer outro adjetivo imbecil que tenha surgido desde o dia 4 de julho.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Hack a Cast #18 e #19 - Kevin Durant e a Free Agency



Tem Hack a Cast novo... e em dose dupla!!

Com a Free Agency em pleno vapor, eu e o Vinicius Veiga tivemos que fazer um podcast de emergência (com ajuda do Renato Gonçalves, do perfil NBA no Brasil) para discutir a polêmica decisão de Kevin Durant de se juntar ao Warriors: o que isso significa, como o Warriors deve ser daqui para frente, e quais as alternativas do Thunder nesse momento.

Depois, com mais calma, chamamos novamente o Renato para discutir o resto da Free Agency: Al Horford no Celtics, Dwight Howard no Hawks, os valores astronômicos da offseason, os grandes contratos da temporada, alguns times que fizeram barulho, e os nossos contratos preferidos.

Então aproveite nossa cobertura especial da offseason: duas horas e meia de podcast, só falando de NBA!!

Em tempo: Estamos agora no iTunes! Vocês podem nos achar procurando por Hack a Cast no iTunes ou em qualquer aplicativo de podcasts. Peço a todos os ouvintes que se possível nos avaliem e façam um comentário sobre o podcast: é pouca coisa, não custa mais do que cinco minutos, mas é importante para aumentar a projeção do nosso Hack a Cast e nos ajudar a continuar trazendo esse conteúdo para vocês.

Aproveitem!!

Hack a Cast #18 - Kevin Durant nos Warriors




Hack a Cast #19 - Free Agency da NBA










segunda-feira, 23 de maio de 2016

Hack a Cast #13 - Especial: Scott Rafferty



Nesse Hack a Cast especial, tive a chance de falar com um dos meus ídolos do meio esportivo e editor chefe do excelente site Hardwood Paroxysm: Scott Rafferty.

Scott não é só o editor chefe do HP, mas também escreve para a revista Rolling Stones e para o Sporting News  - vocês realmente deveriam ler o que ele escreve, porque ele é muito bom.

Nesse episódio - excepcionalmente em inglês- eu e o Scott falamos sobre loteria, draft, Ingram vs Simmons, reconstrução pelo Draft, as opções do Celtics no #3, jovens times, Finais de conferência, e até possíveis pontos de interesses para as Finais. Um dos nosso melhores episódios!! Ouçam, compartilhem e espero que se divirtam tanto escutando-o como eu me diverti gravando.

-----------------------------------

On this very special Hack a Cast, I talked to one of my sportswriting idols and editor-in-chief of the excellent Hardwood ParoxysmScott Rafferty.

Scott also writes for The Rolling Stones magazine and Sporting News , so you should really check his stuff out because he is really freaking good at it.

On this episode, Scott and I talked about lottery, NBA Draft, Ingram vs Simmons, rebuilding through draft, Boston's options at #3, young teams, conference finals, and even possible Finals previews. One of our best episodes ever! Please listen and share, and I hope you have as much fun listening to it as I did recording it.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Hack a Cast - Conferência Oeste




Tem Hack a Cast novo no ar!!

Nessa edição, eu e o Vinicius Veiga continuamos nosso especial de duas partes e falamos da Conferência Oeste.

Falamos do momento do Warriors, da mudança que não é bem uma mudança do Spurs, da "pouca" atenção recebida pelo Thunder, os demais times de playoffs, e muito mais!! Confiram!!

Tabela de assuntos:

Minuto 2 – Warriors
Minuto 11 – Spurs
Minuto 26 – Thunder
Minuto 35 – Clippers
Minuto 43 – Rockets
Minuto 53 – Mavericks
Minuto 58 – Grizzlies
1h2 – Jazz
1h7 – Kings
1h14 – Blazers
1h19 – Nuggets
1h23 – Pelicans
1h27 – Suns
1h30 – Wolves
1h41 – Lakers

A coluna sobre o Warriors citada no podcast, da Revista Timeout Brasil, pode ser encontrada aqui

(Se você veio atrás do meu Team All-Two Minute Warning da NFL, é só clicar aqui!)


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Hack a Cast 2016 #3 - Knicks, Pacers, Warriors e mais!




Novo Hack-A-Cast no ar!!!

Dessa vez, eu e o Vinicius Veiga discutimos sobre Warriors, Knicks, Magic, Warriors, Kings, Pacers, Rockets, e Warriors mais uma vez.

Não perca!!


Planilha dos assuntos (a partir do):
Minuto 3: New York Knicks e Kristaps Porzingis
Minuto 21: Orlando Magic
Minuto 33: Indiana Pacers e Paul George
Minuto 46: Sacramento Kings e DeMarcus Cousins
1h1: Houston Rockets e a má fase
1h15: Golden State Warriors e a invencibilidade


sábado, 14 de junho de 2014

As estrelas da offseason, parte I - Kevin Love

"Eu fui trocado pra QUEM?!?!?!"


Com o Miami Heat em sua quarta final de NBA consecutiva, e talvez a alguns jogos de se tornar o primeiro time da NBA a conseguir três títulos seguidos nos últimos 12 anos, ganha cada vez mais força a narrativa de que, para vencer um título na NBA, você precisa de uma superestrela, um dos 10 ou 15 melhores jogadores da Liga, capaz de vencer jogos sozinhos e desequilibrar uma série. É uma teoria que sempre foi repetida nos círculos da NBA, e que ganhou ainda mais força dada a dominação do Miami Heat nos últimos anos e a ascensão de times como Thunder e Clippers.

E certamente existe muito que sustenta essa teoria ao longo da história da NBA, tanto mais antiga como recente. É DIFICÍLIMO vencer um título na NBA sem uma grande estrela, quase impossível. Desde que Magic e Bird entraram na NBA em 1980, com apenas UMA exceção, os times campeões contavam sempre com uma grande estrela: Kareem, Bird, Moses Malone, Magic, Isiah Thomas, Jordan, Hakeem, Duncan, Shaq, Wade, Garnett, Kobe, Nowitzki e LeBron James - todos jogadores que estariam alto em uma lista dos maiores de todos os tempos. A exceção é o Pistons de 2004, um time sem estrelas que é praticamente a exceção para tudo na história da NBA, uma equipe que se aproveitou de uma época onde as regras ficaram excessivamente a favor de times ultra-defensivos e de um Leste bastante fraco. Ainda assim, fato é que a história nos mostra diversas vezes que sim, você realmente precisa de um jogador Top10 ou Top15 para ter chance de vencer um título.

O problema é que cada vez mais parece que só uma estrela não basta, e que você também precisa de uma segunda estrela - ou talvez até uma terceira - se quiser ser campeão. Não é essencial como sua primeira estrela, mas sem dúvida aumenta muito suas chances. LeBron só foi vencer um título em Miami cercado por Wade e Bosh; Kevin Garnett aceitou ir para o Celtics porque lá tinha Ray Allen e Paul Pierce, que tirariam a responsabilidade da pontuação das suas mãos; Kobe foi as Finais como coadjuvante de Shaquille O'Neal, e só voltou lá cinco anos depois quando lhe deram Pau Gasol embrulhado em papel de presente; Duncan teve primeiro David Robinson, depois Parker e Manu, e sempre teve talvez a mais importante delas fora de quadra, Popovich. Mesmo Kareem precisou de Magic Johnson, e Jordan de Scottie Pippen. E mesmo entre os não-campeões da atualidade, OKC tem Durant, Westbrook e Ibaka, e o Clippers tem Chris Paul e Blake Griffin - junto de Spurs e Heat, esses são os quatro melhores times da NBA (o quinto, pelo menos em eficiência total? O Rockets de Harden e Dwight Howard).

Você provavelmente já entendeu o ponto: a NBA é uma Liga de estrelas, onde as estrelas são as maiores comodidades que você pode ter na sua equipe. Se você não tem, você está em um patamar muito abaixo dos times que as possuem, e quanto mais você tiver, melhor. O óbvio problema aqui é que existe um número limitados de jogadores assim na NBA. Então, é claro, não é nada fácil ter a sua estrela, e todos os times que não tem estão desesperadamente a procura de uma, seja por Draft, seja pela Free Agency, seja por trocas. 

Portanto, não é de se surpreender o enorme interesse que é gerado toda vez que uma estrela fica disponível para mudar de time. É a chance de vários times que não tem estrelas adquirirem uma, ou então de times que já tem uma base adicionarem o talento excepcional em busca do próximo passo (ver: Rockets, Houston). E por esse motivo, parece que dois jogadores - duas estrelas - dominarão a mídia na NBA quando as Finais acabarem: Kevin Love, e Carmelo Anthony, duas estrelas que podem mudar de time nessa offseason.

A situação dos dois, claro, é diferente. Carmelo Anthony é um Free Agent, cujo contrato com o Knicks vai expirar e que está livre para ir aonde bem entender. Kevin Love, por outro lado, ainda tem mais um ano no seu contrato (e uma opção para 2015/16 se quiser), mas joga para um time de mercado pequeno com o qual ele está bastante insatisfeito, e podendo sair depois de 2015, e criou uma situação na qual o Wolves se arrisca a perder o jogador por nada caso não se antecipe e troque seu craque. Então Carmelo e Love tem isso em comum: ambos são estrelas, e ambos estão disponíveis a ir para o seu time nessa offseason. Isso é, se você puder pagar.

Com a offseason se aproximando, previsivelmente, as histórias e os boatos em torno de Melo e Love já começaram a aparecer. Então eu estou aqui para analisar exatamente a situação de cada um, quais são os potenciais interessados (e destinos factíveis), quais as opções dos jogadores, e o que os seus times atuais podem fazer para manter suas estrelas. Lembrando que estou analisando principalmente as possibilidades e probabilidades de cada evento acontecer, não levando em conta os rumores e boatos que surgem por ai.

Hoje começamos com Kevin Love, e terça feira falamos de Carmelo Anthony. 


Kevin Love


A situação de Kevin Love é um pouco complicada. Já faz algum tempo que Love é considerado um dos melhores PFs da NBA, uma máquina de rebotes que parece melhorar seu jogo a cada ano que passa. Ele explodiu em 2011 como reboteiro e arremessador de três, mas logo começou a arremessar (muito bem) a partir do drible, desenvolveu um sólido jogo no garrafão e de costas para a cesta, e é um jogador muito completo, tendo ótimos números em 2012 (26-13) e 2014 (26-12.5-4.5) e indo a dois 2nd Team All-NBA (e provavelmente teria ido a dois 1st Team All-NBA se não fosse contemporâneo de LeBron e Durant). Hoje, Love é sem dúvida alguma um dos melhores jogadores da liga.

O problema é que, mesmo sendo um dos melhores jogadores do mundo, Love nunca conseguiu chegar aos playoffs junto de um irregular time do Timberwolves. E isso em parte se deve a dificuldade da diretoria de Minnesota de conseguir colocar ao seu redor um time funcional, -dificuldade essa notada principalmente na noite do Draft (Jonny Flynn sobre Stephen Curry, e Wesley Johnson #4 overall, alguém?) - e em parte também ao azar que o Wolves tem de jogar no fortíssimo Oeste e não no fraco Leste.

Mas a questão é que poucos jogadores gostam de jogar em Minnesota sem um bom motivo (cidade fria, sem atrativos e de mercado pequeno), e Love já se disse insatisfeito com a falta de competitividade da equipe, não querendo passar o resto da sua carreira jogando em uma cidade que não lhe agrada a e em um time que só perde. E como o Wolves foi burro o suficiente para dar a ele um contrato que lhe permitia sair depois de apenas três anos (e não quatro, como poderia ter feito), Love pode terminar seu contrato ao final da temporada 2015 e virar um Free Agent, deixando Minnesota sem nenhuma compensação. 

A opção de Minny, caso não queira perder seu All-Star por nada, seria seguir o exemplo de Jazz (com Deron Williams) e Nuggets (com Carmelo), que se anteciparam a isso e trocaram o jogador antes dele acabar seu contrato, recebendo assim um retorno em troca e acelerando seu processo de reconstrução. Vários times estão fazendo fila atrás de Love (falaremos deles já já), e cabe ao Wolves  tirar o melhor retorno possível desse tipo de investimento. Vamos olhar agora para algumas das opções possíveis para Love e o Wolves.

O que o Wolves pode fazer para tentar manter Kevin Love?

Primeiro, rezar. Muito.

Se o Wolves não quiser trocar Love ou então não receber nenhuma proposta que achem digna (lembrando que eles teriam até a trade deadline de 2015 para empurrar caso não consigam uma troca satisfatória agora, embora o valor dele provavelmente cairia com a demora), a alternativa para Minny seria tentar de alguma forma convencer Love de que eles podem oferecer uma chance de vitória no futuro não tão distante, convencendo o jogador a renovar seu contrato ou pelo menos exercer sua opção para 2016 (dando ao time um ano a mais para montar a equipe ou achar uma troca a altura). 

Ironicamente, o Wolves tem um exemplo recente muito semelhante para se basear. Ano passado, antes da temporada começar, os boatos eram de que LaMarcus Aldridge - também na reta final de seu contrato - estava insatisfeito em um time em reconstrução do Blazers, e uma troca foi explorada. Não se concretizou, e o Blazers apostou que conseguiria montar um bom time para manter sua estrela. E eles conseguiram: reforçaram seu banco (o grande ponto fraco um ano antes), algumas trocas tornaram o time mais forte, Damian Lillard deu um salto e se tornou um excelente jogador, tudo se encaixou para o Blazers e eles foram aos playoffs, até vencendo uma série contra Houston. Agora Portland é o time do futuro, Aldridge está satisfeito e ninguém mais fala nele saindo da equipe. E esse é o caminho para o Wolves, caso queiram manter Love: montar um time bom o suficiente em 2015 que convença Love de que o time está evoluindo rumo aos playoffs, o suficiente para fazê-lo pelo menos aceitar pegar sua opção para 2015/16.

E isso é possível? Bom, talvez. Para começar que o Wolves não foi  tão ruim em 2014 quanto seu record de 40-42 indica. Na verdade eles terminaram o ano 13th em eficiência total, melhor do que Grizzlies (e suas 50 vitórias), Wizards e Nets. Seu saldo de pontos também indica que o Wolves deveria ter terminado o ano 48-34 - uma vitória abaixo do oitavo colocado no Oeste (Mavs). Então o Wolves não foi tão mal quanto pareceu a primeira vista.

Mas ainda assim não é suficiente para chegar aos playoffs no forte Oeste, e as chances do time se reforçar para 2015 não são das maiores. O Wolves precisa principalmente reforçar seu banco de reservas e de bons arremessadores na equipe, mas terá dificuldades para tal: o time já tem 66M de salários comprometidos para 2015, acima do salary cap (projetado) de 63M, e isso antes de contar os cap holds para seus free agents ou o salário de sua escolha de primeira rodada. O time pode usar a mid-level exception inteira nessa offseason, mas se arrisca a chegar perto demais da luxury tax. Então a free agency não deve trazer muita ajuda.

O Draft é uma fonte melhor, e Minny está em boa posição para adicionar o arremessador que tanto precisa (Stauskas, James Young/Rodney Hood, talvez Gary Harris, Adreian Payne) com sua escolha. Outra fonte importante para Minny é o desenvolvimento de seus jovens jogadores, em especial Rubio (deu alguns passos importantes em 2014 mas ainda não se desenvolveu em um pontuador útil) e Gorgui Dieng (teve 11 pontos e 10.5 rebotes de média nos últimos 20 jogos da temporada, em apenas 27 minutos). Idealmente o time acharia um bom SG no Draft, passaria Kevin Martin para o banco e montaria uma segunda unidade com Dieng, Martin e algum free agent, torcendo para Dieng conseguir ancorar essa segunda unidade.

Parece um time de playoffs no Oeste? Hmm... eu não sei! Eu realmente não sei, as coisas mudam muito rápido por lá e, como eu disse, o Wolves FOI um bom time em 2014 que esbarrou em muito azar, dificuldade em jogos apertados, um banco horrível e falta de bolas de três. Normalizando o azar, com alguma evolução de seus jogadores mais jovens e uma ou duas peças pontuais, é possível que o Wolves consiga uma boa arrancada no começo da temporada... e também é bem possível que continue naquela "bolha" do Oeste de ótimos times que não conseguem ir a pós temporada.

Por isso a decisão de Minnesota não é nada fácil. Sim, o time tem uma chance de chegar nos playoffs, mas é um risco e também não sabem se isso seria suficiente para manter sua estrela. E ai o time fica pressionado para tomar uma decisão que vai mudar o futuro da franquia: Tentar manter Love na temporada, torcer para o sucesso desse plano, e arriscar diminuir seu valor no mercado? Desistir da sua estrela e tentar tirar o máximo de valor possível agora, adiantando o processo de reconstrução? Essas são as perguntas, e por enquanto, não temos respostas.

Mas se Minny fosse trocar Love o quanto antes, quais seriam os principais candidatos? Vamos ver, um por um, sem ordem definida.


Los Angeles Lakers

É impossível não falar de uma troca de Kevin Love sem falar no Lakers. Os boatos de Love-para-o-Lakers começaram quando ele ASSINOU sua extensão com o Wolves, e todo mundo achava que esse opt-out cedo de Love era uma forma dele fugir para Los Angeles assim que a primeira janela abrisse. Então quando começaram os boatos de que o Wolves estaria disposto a trocar seu All-Star, todo mundo logo correu para fazer a conexão com o Lakers.

Então deixa eu tirar isso logo do caminho: KEVIN LOVE NÃO VAI SER TROCADO PARA O LAKERS!! Pronto!

Se o Wolves trocar Love, vai ser para conseguir o melhor retorno possível antes de perder seu jogador de graça. Sendo assim, o que o Lakers tem a oferecer? Não podem trocar uma escolha de primeira rodada de Draft até 2017, não tem NENHUM ativo a ser trocado no seu elenco (expirante de Nash? Não vai rolar), e sua escolha de Draft de 2014 só pode ser trocada APÓS o Draft. Sob hipótese alguma o Lakers teria condições de fazer uma oferta que o Wolves fosse favorecer no lugar de outras que vamos citar daqui a pouco. A única forma do Lakers trocar por Love seria se o PF batesse o pé e dissesse que só assinaria uma extensão contratual com Los Angeles, matando seu valor de troca... e mesmo assim, nesse caso era muito mais fácil esperar o final do ano para o seu contrato acabar e assinar com o Lakers de graça. Não tem como uma troca acontecer. E não vai.

By the way, um cenário interessante. Se Love realmente só for aceitar uma troca pra LA, ele poderia dizer ao Wolves que iria exercer sua opção para 2016. Isso daria um ano a mais para o Wolves montar um time competitivo para ir aos playoffs, e se falhar, ele se torna free agent ao mesmo tempo que o contrato absurdo do Kobe expira - em outras palavras, o ano que o Lakers deve ter cap quase máximo para a free agency e pode trazer Love E mais uma estrela (Durant?) de uma vez sem nenhum contrato ruim para atrapalhar - ao invés de Love ir para lá de FA em 2015 e jogar em mais um time ruim que não deve ir aos playoffs enquanto tem que aguentar o Kobe.


Phoenix Suns

O Phoenix Suns é um time interessante, uma equipe que supostamente entrou na temporada para tankar, e que de repente explodiu com boas atuações de jogadores aleatórios (PJ Tucker, Markieff Morris, Miles Plumlee), a chegada de Eric Bledsoe, a evolução de Gerald Green, e a temporada da carreira de Goran Dragic. O Suns terminou a temporada com 49 vitórias - uma atrás do Mavericks que levou San Antonio a 7 jogos nos playoffs - e 10th em eficiência total. Então de repente o Suns é um jovem time em ascensão com uma identidade de um time que joga em alta velocidade e arremessa bastante de fora, e com um grande número de jovens jogadores e escolhas de Draft (três de primeira rodada em 2014 e duas em 2015), começaram a surgir boatos de que o Suns pode acelerar sua reconstrução trocando por um jogador já estabelecido. E Love faria muito sentido, tanto pela disponibilidade como por se encaixar no estilo de jogo da equipe (e digamos que Phoenix é um pouco mais quente que Minneapolis).

O Suns tem muitos ativos que pode enviar em uma eventual troca: escolhas de Draft até dizer chega, Marcus e Markieff Morris, o contrato expirante do Channing Frye, Goran Dragic ou Eric Bledsoe, e sem dúvida pode colocar um bom pacote na mesa do Wolves. O problema é que falta ao Suns aquela peça central da oferta que desequilibre uma troca, uma escolha muito alta de Draft (a do Suns é a #14) ou um jovem jogador com potencial de All-Star para pesar na mente do Wolves. A última coisa que você quer fazer é trocar um All-Star por vários role players - por melhores que sejam - e é basicamente isso que o Suns teria a oferecer. A única peça que eles poderiam oferecer que seria um potencial All-Star seria Goran Dragic, mas isso dependeria de como Minny ve o PG (foi apenas sua primeira temporada jogando nesse nível) e ainda tem que levar em conta que Dragic pode se tornar um free agent em 2015, e o Wolves não vai querer arriscar perdê-lo por nada. SE Dragic se comprometer a assinar uma extensão, então uma troca Dragic, Markieff Morris, o expirante de Channing Frye, #14 pick e a escolha de 2015 do Lakers passa a ser interessante.

Mas depende de muitos fatores, e é um fato que Dragic foi o melhor jogador na equipe em 2014 e o terceiro melhor PG da NBA - não é claro que Phoenix vá querer envolvê-lo em uma troca. Além disso, ele só tem uma temporada fora de série (btw, Dragic foi ASSALTADO por ter caído para o 3rd-Team All NBA para Tony Parker entrar no 2nd Team), e o Wolves pode não achar que é uma peça boa o suficiente, e ai tudo volta para aquela falta de ativos de elite. É mais provável que o Suns vá atrás de outros veteranos estabelecidos (Al Horford, talvez?) a um preço mais modesto e que não forcem a equipe a desmontar seu combo de armadores.


Houston Rockets

Essa é difícil de acontecer. O Rockets já está no limite do salary cap da NBA para 2015, e isso antes de lembrar que tem em Chandler Parsons um free agent restrito. Além disso, o Rockets não tem praticamente nenhum ativo valioso (tirando talvez Terrence Jones e Asik, e não tão valiosos assim) ou escolhas de Draft interessantes. Para essa troca funcionar teria que mandar Asik e uma sign and trade por Parsons junto de muitas escolhas de Draft, mas duvido que Parsons fosse querer jogar em Minnesota e duvido que Minny veria isso como um valor decente. Melhor o Rockets se focar em outra direção. Espere até a Parte II...


Sacramento Kings

Um dos problemas com os potenciais trocadores (?) por Kevin Love é que, como Love é um free agent ao final do ano, o time que gastar valiosos ativos para trazê-lo não vai querer correr o risco de perder o jogador por nada ao final do ano. Qualquer time que o fizer vai querer ter certeza que Love vai assinar uma extensão com a equipe - talvez até com um acordo apalavrado antes da troca. Por isso é tão difícil imaginar o Kings - um time fraco no meio de um período de reconstrução que joga em um mercado pequeno sem nenhum atrativo - fazendo essas troca.

Mas algumas fontes dizem que o Kings pode arriscar a troca mesmo assim, e eles merecem ser incluídos porque são capazes de fazer uma proposta muito interessante: Ben McLemore (escolha Top6 do Draft passado), o contrato expirante do Rudy Gay, sua escolha de Draft (#8) e talvez uma escolha futura protegida por Love e um ou dois contratos ruins dos quais o Wolves queira se livrar (Buddinger e Mbah-a-Moute, ou talvez Kevin Martin). Essa é uma excelente proposta!! Você ganha uma escolha alta de um bom Draft, um bom SG com potencial, ganha uma potencial escolha de Draft valiosa para o futuro e limpa toda sua folha salarial para 2015. De novo, é uma troca espetacular! Com uma exceção (Cavs - chegaremos lá), é talvez a melhor proposta que o Wolves vai receber por Kevin Love, e uma que eles muito possivelmente aceitariam.

O problema é que o Kings não ficaria com um grande time com essa troca, e teriam que aceitar o enorme risco de jogar sua reconstrução no lixo e ainda perder Love por nada no final do ano - e eu acho que eles não farão isso. Ainda assim, é algo que precisa ser levado em conta: Sacramento tem um novo grupo no comando, e um grupo que já falou diversas vezes que não vai poupar esforços para tornar o Kings uma franquia vencedora e acabar com a cultura que lá impera. Trocar por Love seria o tipo de golpe que teria a chance de mudar tudo isso de uma só vez...  e um garrafão Love-Cousins seria um dos mais interessantes da NBA. Eu só duvido que, quando chegar na hora H, o Kings arrisque - porque, caso de errado, você atrasa a franquia em mais cinco anos. Para o azar do Wolves.


Chicago Bulls

Ok, agora começa a ficar realmente interessante. Chicago está desesperado atrás de uma nova estrela (tanto que aparecerão duas vezes nessas colunas), em parte para colocar junto de Derrick Rose e Joakim Noah, e em ainda maior parte para assumir o controle da equipe de Rose caso ele não volte o mesmo (ou até para diminuir as responsabilidades de Rose quando voltar). Love e Chicago também seria o casamento ideal: a defesa de Chicago vai ser muito boa para Love, Noah pode proteger o aro que Love não consegue e jogar tanto dentro ou fora do garrafão, e Love da a Chicago uma legítima opção na meia quadra e alguém para chutar de três e fazer o pick and pop com DJ Augustin Rose. Sem falar, claro, que levaria Love para o time competitivo e o mercado grande que ele tanto quer (supostamente) Seria um encaixe perfeito.

O problema com a troca é que, ainda que factível, ela é difícil de acontecer. Chicago pode entrar algo como 10 milhões em cap space anistiando Boozer e renunciando aos direitos sobre alguns free agents (mais sobre isso na seção do Melo), então salários não seria um problema. O difícil seria o que mandar em troca. A melhor troca possível seria algo como Nikola Mirotic, Taj Gibson/Jimmy Butler, e as duas escolhas de primeira rodada de 2013 (#16 e #19) em troca de Love. Ou em uma outra alternativa, não anistiar Boozer e trocar seu contrato expirante mais Butler e Mirotic (com as escolhas de Draft) por Love e um contrato ruim do Wolves. São as duas opções mais realistas.

Alguma parece uma escolha boa o suficiente para fazer o Wolves se separar de seu All-Star? Hmm... para mim não, a não ser que eles estejam muito convencidos de que Mirotic vai ser um grande jogador. As escolhas 16 e 19 são valiosas em acordos menores, mas não vão mexer com a cabeça de Flip Saunders (GM e agora técnico do Wolves). Mirotic é o jogador mais importante, mas eles não vão querer trocar Love por uma incógnita e três role players. Não me parece que o Bulls teria o suficiente para isso, embora não de para descartar de todo porque é o melhor lugar para Love e o PF pode muito bem se comprometer a assinar uma extensão apenas com Chicago, forçando a mão do Wolves. Nesse caso, Minny teria que morder essa oferta, e como já disse, não é uma situação a ser descartada porque é de longe a melhor troca possível para Love. Mas com tão poucos recursos disponíveis, Chicago pode optar por seguir em outra direção (wait for it).


Golden State Warriors

O Warriors é um time muito interessante, que tem um certo buraco na posição de PF (embora eu seja pró-David Lee) e que adora chutar de três, e que já mostrou em 2013 (quando fez várias trocas para limpar a folha salarial para Dwight Howard) que está disposto a se arriscar por mais uma grande estrela para juntar com Steph Curry. E Kevin Love faria muito sentido nessa equipe, um jogador ofensivo de elite para ancorar o ataque quando Curry vai para o banco e que formaria a dupla de pick and pop mais mortal da história do jogo com o PG. Eles também tem muitos jovens jogadores para oferecer em uma eventual troca, o que torna factível esse tipo de especulação.

De fato, Harrison Barnes (#5th pick dois anos atrás) e Klay Thompson (um dos melhores arremessadores da NBA e um sólido - e jovem - two-way SG) seria um excelente pacote para o Wolves junto de um contrato caro (provavelmente David Lee) em troca de Kevin Love e alguns contratos ruins (Kevin Martin, Mbah a Moute e Chase Buddinger - escolha dois de três). Barnes e Thompson são dois jogadores comprovados na NBA que ainda apresentam bom potencial, e que podem FACILMENTE ser utilizados pelo Wolves como ativos em futuras trocas, dois jogadores com alto valor de troca.

O problema aqui é que o Warriors não tem escolhas de Draft para "adoçar" a troca, não tendo escolhas trocáveis até 2019 (!!!), o que limita a uma troca de jogadores por jogadores. Barnes e Thompson é uma ótima dupla e Lee é um bom jogador que ainda pode ser trocado na deadline, mas ainda é uma troca de 70 centavos no dólar sem uma peça com potencial maior. Sem escolhas de Draft ou um grande contrato expirante, não é a troca que o Wolves preferiria... mas talvez seja a melhor que consigam. Afinal, o Wolves é quem menos tem poder de barganha nessa questão toda.


Boston Celtics

Se o Warriors tem bons jogadores a oferecer mas não escolhas de Draft, o Celtics é exatamente o oposto: não tem bons jovens jogadores para enviar em troca de Love, mas tem uma cacetada de escolhas de Draft nos próximos anos, principalmente a #6 desse ano. E é nisso que o Celtics vai ter que confiar para tentar atrair Love.

O pacote de jogadores por Love seria o expirante de Brandon Bass, Jeff Green e Jared Sullinger - definitivamente não o melhor dos pacotes, já que Green é apenas um jogador útil (idealmente um 6th man em um time de playoffs) e Sullinger seria o melhor valor na troca (e ninguém sabe exatamente o que ele pode vir a ser). Mas o Celtics tem uma gama infinita de escolhas de Draft para Minnesota escolher: a #6 desse ano (obrigatória em qualquer troca), mais a do Nets desse ano, a do Nets de 2016, a do Nets de 2018, a do Clippers de 2015 (possivelmente valiosa se o problema com Donald Sterling se arrastar), e o direito de trocar de picks com o Nets em 2015 (além, claro, das suas próprias escolhas futuras). Então Sully/Green/Bass não é a coisa mais atraente do mundo, mas quando você inclui a #6, a #17 (do Nets) e uma futura escolha do Nets e/ou do próprio Celtics... começa a ficar mais interessante, não é mesmo?

É claro, dificilmente o Wolves seria capaz de pegar um do Top4 e potencial Franchise Player desse Draft no #6 (Exum, Wiggins, Embiid e Parker), mas ainda da para pegar um potencial All-Star - se isso é uma coisa boa ou não eu deixo para vocês decidirem. Sully pode vir a ser um bom jogador, mas é uma aposta de caráter bem diferente da oferta do Warriors: você recebe menos talento realizado, mas recebe alguns ativos de maior volatilidade que podem eventualmente dar um retorno maior no médio prazo. Claro que depende também de quais escolhas o Celtics estaria disposto a mandar, mas é um pacote extremamente interessante que pode sair de Boston.

Essa oferta é melhor do que a do Warriors? Eu realmente não sei, e depende de qual a visão do Wolves no momento. Mas me parecem, no momento, as duas melhores ofertas que o Wolves vai receber (a não ser que o Kings decida arriscar, e dependendo do que o próximo time vai fazer). Claro, tudo depende de...


Cleveland Cavaliers

O Cavs é o time mais difícil de prever e antecipar da NBA, porque ninguém faz idéia do que eles querem - nem eles mesmos. Apesar de saírem com quatro escolhas Top4 nos últimos três anos (inclusive duas #1), o time não conseguiu montar uma equipe competitiva, e apesar do ênfase que seu dono deu recentemente a vencer o quanto antes, eles não conseguiram alcançar os playoffs mesmo em um Leste historicamente fraco. E isso é um problema, em parte porque não sabemos o quanto essa política recente vai influenciar a direção do Cavs aqui.

Para começar, parece que o Cavs ainda está seriamente tentando atrair LeBron James na crença de que ele vai deixar Miami, e para isso quer montar o elenco mais forte e atraente possível. Trazer uma estrela do nível de Kevin Love sem dúvida ajudaria o caso para seduzir James, e mesmo que não consiga atrair o melhor jogador do mundo, ainda é um excelente jogador para ajudar Kyrie Irving e o Cavs na sua busca por vitórias imediatas. Então faz sentido o Cavs ir atrás de Love, especialmente tendo em mente "LeBron James" e "Vencer agora".

Claro que, em típico modo Cavs, vazou a notícia de que a idéia do time era trazer Love SEM trocar sua #1 pick, mantendo o seu maior valor e trazendo ainda a grande estrela disponível. Hmm, claro, porque não pedir Durant e Chris Paul junto? Quem sabe Greg Popovich de técnico também? É ridícula a noção de que o Wolves trocaria Love sem receber sua #1 pick de volta, não tem a MENOR chance disso acontecer. Não que me surpreenda, claro, os torcedores do Cavs são absurdos por natureza - essa semana mesmo vi um sugerindo que o Cavs podia trocar Dion Waiters, Sergei Karasev e Spencer Hawes com o Bucks pela #2 pick para pegar Embiid e Wiggins 1-2. Quase tão realista como trocar por Love sem envolver a #1 pick.

Mas deixando de lado os cenários impossíveis, aqui começa a ficar realmente interessante. Se o Cavs REALMENTE quiser Kevin Love (pelos motivos já ressaltados), acho que ninguém é capaz de fazer uma oferta melhor: a #1 pick, Waiters ou Bennett, e talvez o contrato não garantido/expirante de Varejão ou futuras picks por Love.

Para o Wolves, é perfeita: um potencial Franchise Player na #1, um jovem jogador com potencial em Bennett ou Waiters, e limpa seu salary cap para o futuro próximo. Considerando o jogador recebido, a #1 pick e sua própria escolha, o Wolves pode entrar ano que vem com Rubio, Stauskas, Wiggins, Bennett, Pekovic e Gorgui Dieng (ou então talvez Adreian Payne na #13 e Waiters de SG, ou mesmo algo como Embiid na #1 e Rodney Hood na #13). Esse é um fantástico núcleo! Você tem um potencial franchise player, sólidos titulares com potencial, defesa, 3pt shooting e uma folha salarial controlada, talvez uma escolha extra futura. Se o Cavs estiver disposto a fazer essa oferta para adquirir sua estrela (e Love aceitar uma extensão por lá), então Love é deles - nenhum time em toda a NBA é capaz de fazer uma proposta tão boa pelo jogador.

Para o Cavs, essa é uma oferta de altíssimo risco e alta recompensa. Com duas estrelas a bordo e ainda algo como 18M de cap space (sem contar cap holds), o Cavs estaria em ótima posição para atrair mais jogadores de alto nível, mesmo se não for LeBron (Chris Bosh?). E em último caso, o Cavs ainda pode trazer de volta alguém como Luol Deng e Spencer Hawes, ou simplesmente completar o time com contratos de um ano em busca de uma vaga nos playoffs do Leste (com Irving e Love, é quase uma certeza) e rolar o seu bom espaço salarial para 2015. De qualquer forma, com duas estrelas a bordo é muito mais fácil atrair uma terceira (como Celtics e Heat logo concordarão) ou juntar um time ao seu redor (Rockets, alguém?). Resta ver se Love topa e se o Cavs vai querer seguir por esse caminho - de novo, é uma troca de alto risco visando atrair LeBron e em vencer imediatamente, que parece ser a prioridade do Cavs - mas se quiserem, seria a melhor opção para ambos os times.


Veredito

Só pra deixar claro, o que analisamos acima eram os cenários possíveis de cada time que poderia trocar por Love de forma realista. Agora, no "Veredito", eu vou dar apenas minha opinião educada em como eu vejo a situação, algo bem mais subjetivo do que as análises até aqui.

Ainda que eu ache que o Wolves seja um time bom e que tem boas chances de ser competitivo no futuro próximo com Love e algumas decisões inteligentes, eu acho dificílimo que eles consigam convencer Love a ficar. Os incentivos contra são muitos: um péssimo dono e uma diretoria bem incompetente (não ajuda que Flip Saunders, o GM do time, acabou de se colocar como técnico também), uma cidade que não lhe atrai, e um time que nunca foi aos playoffs. Ainda que com um Draft inteligente o time possa ficar forte, vai ser difícil ter uma arrancada boa o suficiente para começar 2015 a ponto de convencer Love que os playoffs estão garantidos - lembre-se que o Oeste é ridiculamente forte, que o 8th seed de 2014 (Mavs) provavelmente ganharia o Leste se o trocassem com o Heat, e que times como Suns, Wolves e Pelicans ainda ficaram fora dos offs. Eu não vejo acontecendo, e por isso o Wolves deve acabar não tendo opção.

Sobre as propostas, as propostas de Kings e Cavs são de longe as melhores possíveis para o Wolves, duas trocas que lhes garantes escolhas altas, jovens ativos, e alívio salarial. A do Kings oferece um alivio salarial bem maior (e permite que Minny se livre de seus piores contratos), mas a do Cavs tem a peça mais valiosa e por isso tem prioridade. O problema é que são duas propostas incertas: a do Kings envolveria assumir um altíssimo risco e não está claro que a franquia realmente vá fazer essa proposta, e o Cavs é uma incógnita que pode seguir em diferentes direções e talvez veja a escolha #1 como valor demais a ser dado. Em outras palavras, são de longe as melhores propostas, mas que podem acabar nunca se materializando.

Se for o caso, as melhores propostas que sobram são as de Warriors e Celtics, embora ache que nenhuma das duas seja o que o Wolves tinha em mente: Celtics oferece incerteza demais, e Warriors potencial de menos. Mas ainda são as duas melhores que sobram. Ainda acho que nenhuma das ofertas de Chicago seria boa o suficiente para Minnesota, mas não pode ser descartada porque é a melhor para Love, a única oferta que lhe ofereceria um mercado grande E uma chance imediata para vencer no time que seria perfeito para ele. Então considerando que dificilmente um time trocaria por Love sem uma promessa de extensão - e portanto sem seu consentimento - é muito possível conceber um cenário no qual o jogador só iria possibilitar uma troca para Chicago. Nesse caso, deixaria de ser um leilão pela melhor oferta para ser uma oferta única, e Minnesota provavelmente morderia depois de empurrar um pouco com a barriga. A contragosto. Não se pode deixar também de levar em conta as preferências de Love, embora elas também não me pareçam tão definidas a esse ponto.

Ainda que uma oferta Godfather do Cavs ou do Kings possa ainda ser a melhor solução, eu não gostaria de estar na pele do Flip Saunders nesse momento.

domingo, 14 de novembro de 2010

A defesa (argh!) dos Warriors

"Defender? O que é isso?"

O Warriors tinha acabado de ganhar do New York Knicks, em New York, e seu record era de 6-2. Sim, são dois times porra-loucas e o placar foi altissimo, 122 a 117. Mas o record do Warriors impressionava, pra um time que tinha sido uma porcaria na temporada e só tinha adicionado David Lee essa temporada, era bem mais do que todos esperavam. Claro que Monta Ellis estava jogando em altissimo nível, David Lee estava com seus double doubles de rotina e o Stephen Curry voltando de lesão dava ao Warriors um dos mais poderosos backcourts da Liga em termos de pontuação. Mas não explicava tudo, e eu fui buscar as causas dessa melhora - claro que é só o começo da maldita temporada, mas ja me impressionou.

E eu descobri uma verdade aterrorizadora. Os Warriors estão ganhando com.... defesa!! Sim, defesa, a mais nova palavra no dicionário do Golden State Warriors!! Parece que o Keith Smart deu umas aulas básicas de basquete pro time nas ferias, porque eu nunca vi esse time defender porcaria nenhuma com o Don Nelson. Mas muita calma, isso não quer dizer que o Warriors defenda BEM, só tou falando que tão defendendo MELHOR. Olha só, nesses oito primeiros jogos (apesar de ter jogado dois sem Steph Curry), o Warriors teve media de 106,5 pontos por jogo, um pouco abaixo dos 108.8 que teve na temporada passada mas ainda um numero bom, considerando que o time teve menos posses de bola que ano passado. O time chutou 0,469% em FGs e teve 16.25 Turnovers por jogo, outra piora em relação ao ano passado, quando teve 14.7 tpg e identicos 0,469% em FG%. Ou seja, o ataque teve uma leve piora em relação ao ano passado. Mas apesar disso, o time começou esse ano bem melhor que em qualquer momento do ano passado. E isso aconteceu porque o time começou a defender alguma coisa (os sinais do apocalipse não são só na NFL). O time passou a ceder apenas 102.9 ppg (11º da Liga) depois de ceder 109.4 ano passado. O time ainda está igualmente bom no que diz respeito a forçar turnovers, 17 por jogo em ambos os anos, mas os numeros que chamam a atenção são nos aproveitamentos dos adversários: 0.313 (5º da Liga) em bolas de tres pontos (0.375 ano passado) e 0.487 em bolas de dois pontos (17º na Liga, o que não é tão bom, mas melhora se comparado aos 0.515 da temporada passada). Outro número que me chamou a atenção foi que o time teve uma melhora enorme em rebotes defensivos. Antes o time pegava 0.685 dos rebotes defensivos que tinha, agora pega 0.711.

Como eu disse, peguei esses números quando o time ganhou do Knicks. Esse foi o jogo que marcou a volta do David Lee a NY, onde jogava antes. Tambem servia de atrativo pro duelo Lee vs Amare Stoudamire, o free agent de grande nome que o Knicks trouxe pra não ficar chupando o dedo sem Lebron James e que acabou tirando todo o interesse do Knicks de renovar com o David Lee. Eu disse repetidas vezes antes da temporada começar que eu achava que assinar o David Lee talvez fosse melhor que assinar com o Stoudamire, até porque sairia bem mais barato. Nao que eu ache o David Lee melhor necessariamente, mas eu acho que ele é mais completo que o Stoudamire e, coletivamente, talvez tenha mais a oferecer: Menos eficiente no ataque que o trator do Amare, mas tem um bom jogo de costas pra cesta e arremesso de meia distancia, é bom no pick and roll, defende bem melhor que o Amare e é uma máquina de rebotes. Sem querer comparar nada, mas lembra um pouco o duelo Wilt Chamberlein vs Bill Russell dos velhos tempos (Claro que ue nao vi esses velhos tempos). Chamberlein era ótimo reboteiro, um monstro no ataque e uma máquina de números (chegou até a liderar a Liga em assistencias um ano!), mas Russell era o que eles chamam de 'team player' perfeito, ou o jogador de equipe perfeito - Jogava pro time, defendia qualquer um e nao deixava ninguem chegar no garrafão (chegou a segurar o Chamberlein a só 6 pontos uma vez), pegava todos os rebotes que apareciam, ligava o contra ataque sempre de forma rapída (Uma vez o Kevin Garnett foi entrevistar o Russell e perguntou se ele ja tinha dado um toco que fosse na torcida, ao que o Bill respondeu "Não, eu sempre dava tocos de forma que permitissem ao meu time começar um contra ataque") e atraia a marcação pra abrir pros companheiros. Não precisava ser o lider do time no ataque, mas fazia seu time todo melhor - e fazia seu time ganhar. O Amare é ótimo como opção ofensiva, aquele cara pra ser o lider do seu ataque e marcar 25 pontos toda noite, como um big man pontuador talvez só perca pro Dirk Nowitzky, mas o Lee fazendo seus 15 pontinhos mas pegando 12 rebotes e defendendo melhor o garrafão talvez seja mais util pro resto do time - de preferencia um time que tenha uma ou duas outras boas opções ofensivas como Ellis e Curry, obrigado.

O Andris Biedrins saudavel e o David Lee foram responsaveis por alavancar a media de rebotes do time - de 38.4 por jogo pra 44.6. E embora essa melhora na defesa seja a uma mudança na mentalidade do time, que parece ter percebido que sem levantar as mãos voce não vai ganhar porcaria nenhuma na NBA, o Lee no garrafão contribuiu muito pra isso - limitando rebotes ofensivos, mantendo os big mans do outro time longe da cesta, dado um combate. E tambem tem sido bem ativo nos rebotes ofensivos, 4.6 por jogo, o que da mais chances ao time de pontuar e impede contra ataques. O Warriors tem umas recaidas feias na defesa, só ver o jogo contra o Lakers, foi um exemplo de como não se defender- ou atacar, nunca vi um time tão displicente recentemente como o Warriors naquele jogo. Mas opr outro lado tem alguns surtos de grandeza, como segurar o Jazz a menos de 80 pontos. Tudo bem que os números do Warriors tambem podem ser enganadores, afinal não jogaram com muitos times que sejam dos melhores ofensivamente, mas não é derrotando só os grandes que voce vai pros playoffs, é limitando as derrotas contra os times pequenos e ganhando ocasionalmente dos mais fortes. A identidade do time ainda é ofensiva e com Curry e Ellis (e até os coadjuvantes do ataque como o próprio Lee ou Dorrell Wright) é um time que tem grande potencial ofensivo e tem mais é que explorar esse lado mesmo - o time não tem grande defensores e se conseguir manter essa media de 106 pontos por jogo (e a cada 100 posses de bola é a mesma) esse esforço a mais que o Warriors tem feito na defesa, que nem de longe o transforma numa potencia defensiva, benza Deus, talvez seja o suficiente pra ganhar uns 50 jogos e ir pros playoffs.

Pois é, eu coletei esses dados e fiz o esqueleto do post logo após o time do WArriors ganhar do Knicks. Mas nesse jogo o Lee acabou trombando feio com o Wilson Chandler e vai precisar de cirurgia no cotovelo, ficando pelo menos duas semanas fora. Desde então, o time perdeu do Bulls tomando 120 pontos sem Carlos  Boozer e do Bucks num jogo em que a defesa funcionou bem, 79 a 72 pro Bucks, mas um jogo onde o time do Warriors teve só 42 rebotes - pouco pra um jogo onde ambos os times chutaram menos de 35% em FGs - e cedeu 19 rebotes ofensivos, o que acabou sendo determinante pra vitória do Bucks. E são justamente as duas áreas do time que mais melhoraram com a chegada do Lee, defesa e rebotes, e agora o time perde dois jogos diretamente por causa dessas duas áreas... e sem o Lee em campo. Não deve ser só coincidencia, né? . É bom o Golden State achar um jeito de cobrir esse buraco que o DAvid Lee deixou, porque se o time começar a perder jogos contra times mais fracos, pode desistir dos playoffs. E eu nao acho que o Dan Gadzuric vá conseguir tapar algum buraco la dentro. E agora tenho certeza do que falei quando soube que o Lee foi pro Warriors - Tirando o Pau Gasol, nao tinha ninguem melhor pro time do Warriors que ele se o Warriors quisesse realmente ganhar.