Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.
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sexta-feira, 8 de julho de 2016
Hack a Cast #18 e #19 - Kevin Durant e a Free Agency
Tem Hack a Cast novo... e em dose dupla!!
Com a Free Agency em pleno vapor, eu e o Vinicius Veiga tivemos que fazer um podcast de emergência (com ajuda do Renato Gonçalves, do perfil NBA no Brasil) para discutir a polêmica decisão de Kevin Durant de se juntar ao Warriors: o que isso significa, como o Warriors deve ser daqui para frente, e quais as alternativas do Thunder nesse momento.
Depois, com mais calma, chamamos novamente o Renato para discutir o resto da Free Agency: Al Horford no Celtics, Dwight Howard no Hawks, os valores astronômicos da offseason, os grandes contratos da temporada, alguns times que fizeram barulho, e os nossos contratos preferidos.
Então aproveite nossa cobertura especial da offseason: duas horas e meia de podcast, só falando de NBA!!
Em tempo: Estamos agora no iTunes! Vocês podem nos achar procurando por Hack a Cast no iTunes ou em qualquer aplicativo de podcasts. Peço a todos os ouvintes que se possível nos avaliem e façam um comentário sobre o podcast: é pouca coisa, não custa mais do que cinco minutos, mas é importante para aumentar a projeção do nosso Hack a Cast e nos ajudar a continuar trazendo esse conteúdo para vocês.
Aproveitem!!
Hack a Cast #18 - Kevin Durant nos Warriors
Hack a Cast #19 - Free Agency da NBA
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
E Dwight consegue o que queria
"Estou levando meus talentos para a Califórnia"
É, eu sei, hoje deveria ter sido o dia do segundo post do nosso Especial NBA, com Jerry West e Oscar Robertson. O post já ta quase terminado também, dava pra terminar ainda hoje... Mas como apareceu essa noticia importante hoje, prefiro fazer esse post logo pra acabar logo com isso, e segunda feira (sem falta!) postar West-Oscar. Então vamos falar da troca envolvendo quatro times que terminou com Dwight Howard indo pro Lakers.
Acho que, antes de mais nada, eu fiquei ao mesmo tempo feliz e puto com essa noticia. Feliz porque, pelo menos, não vou mais ter que gastar minha paciência ouvindo boatos idiotas de "Para onde vai Dwight Howard?"... Ou pelo menos por seis meses até chegar a hora dele renovar o contrato ou não. Então sempre tem esse lado positivo.
O negativo, que me fez ficar puto? Eu odeio o Lakers. É pré-requisito pra torcer pro Celtics, acho. Mas o Lakers sempre da um jeito de sair por cima de qualquer situação. Pegar Shaq na Free Agency. Adquirir Pau Gasol por quase nada. E agora, um assalto a mão armada pra cima do Magic que da ao Lakers de presente o melhor pivô da NBA. Depois de convencer o Suns a trocar o seu maior ícone (Steve Nash) pro seu maior rival e time que os torcedores do Suns mais odeiam. E tudo isso sem perder nenhum ativo do seu elenco além de Andrew Bynum. Tudo da certo pra essa franquia. Good God, eu odeio o Lakers. Então vamos olhar mais de perto o efeito dessa troca, começando com...
Los Angeles Lakers
Perdeu: Andrew Bynum, escolha protegida de primeira rodada (2017)
Recebeu: Dwight Howard, Chris Duhon
Senhoras e senhores, o grande vencedor da troca. E por mais que eu odeie o Lakers, preciso admitir: O Lakers jogou essa mão com muita inteligência. Desde o começo soube que o Magic estaria desesperado para arrumar uma troca (especialmente quando o Nets trocou por Joe Johnson), não cedeu à pressão do Magic (que queria Bynum E Gasol), e deixou a coisa rolar. Até porque o Lakers sabia que não valia a pena perder Gasol E Bynum por Howard. Não aceitou o contrato de Turkoglu junto da troca, e deixou claro que não estava desesperado pela troca, e que quem tinha tudo a perder era o Magic (alias, trazer Nash, campeão do prêmio "Jogador que Metade da Liga Mataria para Jogar Junto" da decada passada, sem dúvida ajudou). E acreditou que isso, somado ao glamour de Los Angeles, fosse atrativo para Dwight a ponto de ele insistir em ir para lá e deixar o pobre Magic sem muita escolha (a possibilidade do Dwight nao assinar uma extensão afastava diversos potenciais parceiros).
O que o Lakers mudou nessa troca? Bom, trocar o segundo melhor pivô da Liga pelo primeiro significa que o time melhorou naquela posição, no papel, certo? Especialmente se o Lakers não teve que envolver nenhum outro ativo pra realizar a troca (e nao envolveu). Mas na prática, o Lakers sacrificou um pouco de ataque (Bynum é um pivô com mais recursos no ataque) pra ganhar uma defesa superior e melhores rebotes, um jogador mais atlético e fisicamente mais overpower em relação ao resto da Liga. E sinceramente, isso é exatamente do que o Lakers precisava. O Lakers já tem Nash pra segurar a bola e tomar decisōes, tem Kobe Bryant (que não vai desistir de arremessar 23 vezes) pra arremessar varias vezes, e ainda tem Gasol, que é muito mais eficiente ofensivamente que Dwight. E essa é a grande vantagem do Dwight pra esse time: Ele não precisa da bola na mão, ele não precisa ficar sendo acionado pra ficar feliz. No Magic, ele tinha que ser o carregador de piano no ataque, mas no Lakers ele vai ser apenas mais uma opção em um time cheio delas no ataque. Vai pegar uns rebotes de ataque, completar uns passes faceis do Nash, umas pontes aéreas, e eventualmente vai ter a bola pra criar seu arremesso quando tiver um miss match... E é disso que o Lakers precisa dele no ataque. Enquanto isso, ele torna o Lakers mais forte nos rebotes e na defesa. Vale lembrar que Nash nunca foi um bom defensor e Kobe já passou faz algum tempo do seu auge defensivo, mas com Dwight protegendo os dois, isso vai importar ainda menos. Ele da ao Lakers a proteção necessária, não atrapalha a fluência ofensiva do time porque não precisa ficar tocando na bola pra ficar feliz, e torna eles um time muito mais perigoso.
Alias, curiosamente, essa aquisição vai de encontro à tendência que vimos nos ultimos playoffs. Com Thunder e Heat jogando longos periodos de tempo (e melhor!) sem pivôs nos playoffs, e com times como Celtics já usando há mais tempo um ala de força na posição 5, parecia que a falta de pivôs de elite na NBA estava empurrando a Liga pra um jogo mais baixo, mais atlético e mais versátil, com jogadores como Lebron, Carmelo Anthony ou Kevin Durant como "novos" alas de força. Ao invés disso, o Lakers reforça o garrafão e pode criar um sério problema pros novos times "baixos" que tavam dominando a NBA. Vai ser interessante ver como esses dois estilos de jogo vão bater um com o outro... E se o Lakers conseguir forçar Thunder, Heat e cia a jogarem fora desse estilo pra não tomarem uma surra nos rebotes, então o Lakers da um grande passo pra temporada que vem. Mais por vir em 2013...
Outros ganhadores dessa troca do lado do Lakers: Nash, que pela primeira vez na vida vai jogar com um bom shot blocker atrás dele (suas fraquezas defensivas sempre foram constantemente expostas por nunca ter jogado com um); Kendrick Perkins, que agora vai manter seu contrato por mais tempo já que ele tem uma função na NBA (Parar Dwight, que agora ta no Oeste); e o próprio Dwight, que vai jogar na California, em um time que briga pelo título, e que se fizer o Lakers ganhar esse título vai fazer todo mundo esquecer de como ele foi infantil, babaca e ridiculo nessa sua novela pra sair do Magic e vai acabar com sua ficha limpa (eu reclamei que a The Decision foi imaturo e cruel com o Cavs, mas os ultimos 12 meses do Dwight Howard fazem o The Decision parecer sensato).
Philadelphia 76ers
Perdeu: Andre Iguodala, Moe Harkless, Nikola Vucevic, escolha protegida de primeira rodada
Recebeu: Andrew Bynum, Jason Richardson
Acreditem, eu gosto muito do Andre Iguodala. Não, sério, eu realmente adoro o Iguodala, acho um excelente defensor, criativo, bem atlético e bom passador. Mas o fato é que o Sixers se tornou um time melhor com essa troca, mesmo perdendo Iggy.
As criticas ao Sixers ano passado gravitavam em torno dessas três coisas: Que o time tinha alas atléticos e incapazes de arremessar demais no elenco; que o time não tinha um jogador pra levar o ataque do time nas costas por mais tempo; e que você não ia ganhar nos playoffs se seu melhor jogador era Andre Iguodala. Bem, de certa forma, essa troca ajudou nas três coisas: O time se livrou de dois dos alas atléticos incapazes de arremessar (Iggy e Moe Harkless), trouxe um ótimo pontuador no garrafão e que pode se beneficiar muito dos arremessadores de três do time espaçando a quadra... E deu um upgrade no seu melhor jogador de Iggy para Bynum. E por mais que eu goste do Iggy, o Bynum é melhor, é mais dominante, mais confortável carregando seu ataque... E isso já funciona como um upgrade pro Sixers.
Na prática, essa troca tira do elenco um jogador que tem substitutos e adiciona um jogador que o time desesperadamente precisava (um jogador dominante de garrafão) e que talvez não tenha rivais em todo o Leste (tirando Tyson Chandler). A troca deixa o Sixers menos poderoso defensivamente no perímetro, mas melhora muito na defesa de garrafão e nos rebotes. Sério, da pra imaginar o upgrade de subir de Spencer Hawes pra Bynum? Hawes pode ate jogar de ala de força junto com Bynum, mas o ex-pivô de LA é muito mais jogador. O time ainda tem Dorrell Wright, Evan Turner, Nick Young, Jrue Holiday e Thaddeus Young (que eu gosto mais como um 4, mas whatever) pro perímetro, e uma boa coleção de jogadores de garrafão. Faltava um jogador dominante pra abrir pro resto do time ofensivamente, e agora ele chegou. E o Sixers assumiu um risco, mas se der certo, o time sai mais forte.
Um pensamento rápido: Embora não tenha sido incluido nessa troca pro Magic se livrar do seu contrato, eu acho que o Jason Richardson pode ser muito util pro Sixers. Ele deu azar porque saiu do melhor cenário possível (jogar com Nash em Phoenix, onde ele fazia quase 20 ppg) pra um time onde ele não tinha um bom armador, um time previsível da linha dos 3 pontos e sem um pivô pra atrair dobras (a NBA ja sabia que a melhor maneira de parar o Magic era deixar o Dwight jogar no mano a mano a vontade). Mas ele não é tão ruim como pareceu, ainda é rapido pra acompanhar contra ataques e mortal dos três pontos, vai casar muito bem com Bynum e dar a Philly um legítimo perigo da linha dos três.
Denver Nuggets
As criticas ao Sixers ano passado gravitavam em torno dessas três coisas: Que o time tinha alas atléticos e incapazes de arremessar demais no elenco; que o time não tinha um jogador pra levar o ataque do time nas costas por mais tempo; e que você não ia ganhar nos playoffs se seu melhor jogador era Andre Iguodala. Bem, de certa forma, essa troca ajudou nas três coisas: O time se livrou de dois dos alas atléticos incapazes de arremessar (Iggy e Moe Harkless), trouxe um ótimo pontuador no garrafão e que pode se beneficiar muito dos arremessadores de três do time espaçando a quadra... E deu um upgrade no seu melhor jogador de Iggy para Bynum. E por mais que eu goste do Iggy, o Bynum é melhor, é mais dominante, mais confortável carregando seu ataque... E isso já funciona como um upgrade pro Sixers.
Na prática, essa troca tira do elenco um jogador que tem substitutos e adiciona um jogador que o time desesperadamente precisava (um jogador dominante de garrafão) e que talvez não tenha rivais em todo o Leste (tirando Tyson Chandler). A troca deixa o Sixers menos poderoso defensivamente no perímetro, mas melhora muito na defesa de garrafão e nos rebotes. Sério, da pra imaginar o upgrade de subir de Spencer Hawes pra Bynum? Hawes pode ate jogar de ala de força junto com Bynum, mas o ex-pivô de LA é muito mais jogador. O time ainda tem Dorrell Wright, Evan Turner, Nick Young, Jrue Holiday e Thaddeus Young (que eu gosto mais como um 4, mas whatever) pro perímetro, e uma boa coleção de jogadores de garrafão. Faltava um jogador dominante pra abrir pro resto do time ofensivamente, e agora ele chegou. E o Sixers assumiu um risco, mas se der certo, o time sai mais forte.
Um pensamento rápido: Embora não tenha sido incluido nessa troca pro Magic se livrar do seu contrato, eu acho que o Jason Richardson pode ser muito util pro Sixers. Ele deu azar porque saiu do melhor cenário possível (jogar com Nash em Phoenix, onde ele fazia quase 20 ppg) pra um time onde ele não tinha um bom armador, um time previsível da linha dos 3 pontos e sem um pivô pra atrair dobras (a NBA ja sabia que a melhor maneira de parar o Magic era deixar o Dwight jogar no mano a mano a vontade). Mas ele não é tão ruim como pareceu, ainda é rapido pra acompanhar contra ataques e mortal dos três pontos, vai casar muito bem com Bynum e dar a Philly um legítimo perigo da linha dos três.
Denver Nuggets
Perdeu: Aaron Afflalo, Al Harrington, escolha protegida de primeira rodada em 2014
Recebeu: Andre Iguodala
O Nuggets aparentemente tem essa mania de reassinar seus Free Agents por uma nota pra depois trocá-los o mais rápido possível. Foi assim com Nenê, e foi assim agora com Aaron Afflalo. E o Nuggets consegue algo que precisava desesperadamente: Um ala. Não é como se o time tivesse no elenco jogadores como Danilo Gallinari ou Wilson Chandler, certo?
(Oh wait!)
Brincadeira, brincadeira. Mas apesar de ser verdade que o Nuggets ta agora com uma coleção de alas, eu ainda gosto da troca por dois motivos. Primeiro, são alas com características diferentes e complementares, de forma que podem muitas vezes jogar juntos para formaçōes diferentes. E segundo e mais importante, eu gosto muito do Afflalo, mas o Iggy torna o time mais atlético, mais versátil e melhor defensivamente. O time já tem bons chutadores de longe e bons pontuadores, de forma que o Iggy não vai ter que ser o responsável por carregar o ataque como fazia em Philly (E não funcionava), mas vai trazer pro Nuggets um defensor de perímetro de elite (por mais que eu gostasse do Afflalo como defensor, Iggy é melhor, mais versátil defensivamente e mais destrutivo conseguindo tocos, roubos e puxando contra ataques) e um jogador mais versátil que o Afflalo. Ainda que o Al Harrington tenha tido um bom 2012, ele é dispensável e seu contrato é imenso, então o Nuggets se limpa um pouco nessa.
A escolha de primeira rodada também não fará muita falta pro Nuggets. Eles tem duas em 2014 (Knicks), e já tem um excesso de jogadores jovens que precisam de minutos pra desenvolverem. Acho que eles preferem trocar essa escolha por um upgrade Afflalo-Iggy numa boa. O Nuggets teve um bom ataque e um ótimo banco em 2012, deu muito trabalho pro Lakers nos playoffs com seu garrafão jovem e energético, mas teve problemas defensivamente e as vezes sentiu falta de outro jogador além do Ty Lawson pra segurar a bola e conduzir o ataque. E o Iggy ajuda em muito nessas duas coisas, torna o time mais atlético no perímetro e da mais flexibilidade (Iggy pode jogar nas posiçōes 2 e 3, pode jogar de Point Foward se necessário) e lá ele finalmente pode abraçar seu papel de coadjuvante, aquele cara que faz todo o trabalho sujo e facilita o jogo pra todo mundo. Dado isso, eu acho que o Iggy faz mais sentido que o Afflalo pra esse time, mesmo com os problemas nos arremessos. Boa troca por um GM que já tem colecionado bons momentos nos últimos anos. Olho nesse time...
Orlando Magic
Perdeu: Dwight Howard, Jason Richardson, Chris Duhon, seu futuro
Recebeu: Aaron Afflalo, Al Harrington, Moe Harkless, Nikola Vucevic, três escolhas protegidas de primeira rodada (de três times de playoff)
Como eu acabei de passar uns 10 parágrafos falando, eu achei que Lakers, Sixers e Nuggets se saíram bem com a troca. Não só porque eu achei que todos os jogadores adquiridos se encaixam perfeitamente nas necessidades dos seus novos times e completam os elencos já estabelecidos de excelente forma, como também achei que todos os times se deram bem em termos de valor. O Lakers, apenas em termos de talento e valor, saiu ganhando ao trocar Bynum por Dwight, indiscutivelmente. Sixers e Nuggets não tiveram tanto esse salto em valor, mas pra mim sairam com uma certa vantagem nesses quesito também. Mas se três times saíram com um certo "lucro" em termos de valor nessa troca, um time teria que sofrer uma grande perda, certo? Entra o Orlando Magic.
O Magic já tava com medo de perder o Dwight por nada como aconteceu com Cavs e Raptors, e queria seguir os passos do Nuggets e do Jazz de trocar sua superestrela e conseguir um monte de coisa em troca (tanto Nuggets como Jazz reinventaram seus times e foram aos playoffs). Mas o problema era que ninguém tinha tanta coisa pra oferecer pelo Dwight e a Liga não tinha nenhum time tão desesperado mais pra fazer esse tipo de coisa, a proposta mais comentada era um pacote de bolachas do Nets montado em volta de Brook Lopez (que de alguma forma ganhou um contrato máximo na offseason). Então o Magic segurou... Segurou... E não apareceu nenhuma proposta irrecusável. E ai eles acabaram aceitando uma proposta do Lakers que... Bem... Fede.
O Magic, como não tem nada construido em volta de Dwight (e portanto não poderia fazer como o Nuggets, pegar bons role players pra completar o time), deveria ter focado em quatro coisas, quanto mais melhor: Pirralhos com potencial pra acelerarem a reconstrução; muito teto salarial; um possível Franchise Player pra ser o centro do time no futuro; escolhas boas de Draft. Foi o que fez o Grizzlies, por exemplo, quando trocou Gasol (liberou teto salarial, ganhou escolhas de Draft e o pirralho Marc Gasol) e o Jazz quando trocou Deron Williams (ganhou otimas escolhas de Draft, liberou espaço salarial e trouxe o pirralho com muito potencial Derrick Favors). E o que o Magic conseguiu disso? Alguns pirralhos sem muito potencial (gosto do Nikola Vucevic, acho um jogador decente, mas não vai acelerar muita coisa)... Nenhum centro de reconstrução como Bynum... Escolhas de Draft protegidas de times que devem ir aos playoffs de qualquer forma... Sinceramente, a única coisa que o time fez foi liberar espaço salarial (mandando embora J-Rich, Chris Duhon e pelo visto Earl Clark), mas trouxe também Afflalo (um excelente role player em um time montado - algo que o Magic nao é e não está perto de ser) que também tem um salario bem alto. Ou seja, perdeu seu Superstar em troca de um role player caro, escolhas inuteis de Draft e jogadores que não adicionam em muito ao elenco. Se o Nuggets e o Jazz aceitaram 80 centavos pelo dólar, o Magic aceitou 20 centavos pelo dolar. E isso porque eu gosto do Afflalo.
Sinceramente, se o medo era tanto de perder Dwight por nada, porque não aceitar a oferta suicida do Rockets, limpar espaço salarial com o contrato expirante do Kevin Martin, pegar uma futura escolha de Draft (alta se Dwight decidir sair) e ainda receber de lambuja os calouros ultra-interessantes do Rockets? Mil vezes melhor do que o pacote de restos que recebeu ao mandar Dwight pro Lakers! Voce continua sem ganhar um Franchise Player, mas ainda limpa espaço salarial (até mais se conseguir se livrar de mais contratos), enche o time de calouros promissores e que podem dar em coisa muito boa, e ainda pode tirar a sorte com uma escolha de Draft! Ou até mesmo ficar com o Bynum nessa troca, que pelo menos é um potencial Franchise Player? Vai saber. Vai ver era o medo do Bynum não assinar uma extensão. Vai ver o Rockets deu pra trás com medo do Dwight sair do time (embora supostamente eles estivessem dispostos a correr o risco) e foi o que restou pro Magic. Vai saber. Embora eu ainda ache que a solução mais fácil seja a correta: A direção do Magic é simplesmente incompetente e, no medo de perder Dwight por nada, aceitou a primeira proposta que apareceu pra se livrar logo do seu pivô. Btw, não descarte essa última tão fácil.
Bottom line, o acordo foi excelente pro Lakers, bom pro Nuggets, arriscado pro Sixers (porque Bynum ainda pode sair ao final do ano, e sua imaturidade vai ficar mais exposta como centro do time em Philly) mas que pode trazer uma grande recompensa pra um time que precisava de um chacoalhão... E péssimo pro Magic. O time não conseguiu nada em troca e ainda ficou com mais um contrato grande pra quando o time for remontar, não tem base nenhuma e, sinceramente, se a esperança é "mas pelo menos o time vai ser ruim e pode conseguir uma boa escolha de Draft"... Nao valia mais a pena tentar um negocio mais arriscado (como pegar Bynum ou manter Dwight ate o final do ano, já que a alternativa dele era ir pro Mavs por menos dinheiro, menos tempo e pra um time mais ou menos fraco) que se desse errado o time AINDA entrava em reconstrucao do zero, mas pelo menos teria tentado uma cartada mais alta? Porque não trocar Dwight por um monte de escolhas de Draft e Al Horford com o Hawks? Porque não pegar um monte de pirralhos, feder um ano e continuar com uma boa escolha de Draft? Sinceramente, o Magic praticamente pegou a pior alternativa. E vai pagar o preço a não ser que o Moe Harkless vire o novo... Hm... Esquece, o Magic ainda vai pagar o preço. Sabia que eles não renovaram com Ryan Anderson e o trocaram pro Hornets, mas reassinaram Jameer Nelson por um contrato enorme? E lá vamos nós de novo pra reconstrução...
Como eu acabei de passar uns 10 parágrafos falando, eu achei que Lakers, Sixers e Nuggets se saíram bem com a troca. Não só porque eu achei que todos os jogadores adquiridos se encaixam perfeitamente nas necessidades dos seus novos times e completam os elencos já estabelecidos de excelente forma, como também achei que todos os times se deram bem em termos de valor. O Lakers, apenas em termos de talento e valor, saiu ganhando ao trocar Bynum por Dwight, indiscutivelmente. Sixers e Nuggets não tiveram tanto esse salto em valor, mas pra mim sairam com uma certa vantagem nesses quesito também. Mas se três times saíram com um certo "lucro" em termos de valor nessa troca, um time teria que sofrer uma grande perda, certo? Entra o Orlando Magic.
O Magic já tava com medo de perder o Dwight por nada como aconteceu com Cavs e Raptors, e queria seguir os passos do Nuggets e do Jazz de trocar sua superestrela e conseguir um monte de coisa em troca (tanto Nuggets como Jazz reinventaram seus times e foram aos playoffs). Mas o problema era que ninguém tinha tanta coisa pra oferecer pelo Dwight e a Liga não tinha nenhum time tão desesperado mais pra fazer esse tipo de coisa, a proposta mais comentada era um pacote de bolachas do Nets montado em volta de Brook Lopez (que de alguma forma ganhou um contrato máximo na offseason). Então o Magic segurou... Segurou... E não apareceu nenhuma proposta irrecusável. E ai eles acabaram aceitando uma proposta do Lakers que... Bem... Fede.
O Magic, como não tem nada construido em volta de Dwight (e portanto não poderia fazer como o Nuggets, pegar bons role players pra completar o time), deveria ter focado em quatro coisas, quanto mais melhor: Pirralhos com potencial pra acelerarem a reconstrução; muito teto salarial; um possível Franchise Player pra ser o centro do time no futuro; escolhas boas de Draft. Foi o que fez o Grizzlies, por exemplo, quando trocou Gasol (liberou teto salarial, ganhou escolhas de Draft e o pirralho Marc Gasol) e o Jazz quando trocou Deron Williams (ganhou otimas escolhas de Draft, liberou espaço salarial e trouxe o pirralho com muito potencial Derrick Favors). E o que o Magic conseguiu disso? Alguns pirralhos sem muito potencial (gosto do Nikola Vucevic, acho um jogador decente, mas não vai acelerar muita coisa)... Nenhum centro de reconstrução como Bynum... Escolhas de Draft protegidas de times que devem ir aos playoffs de qualquer forma... Sinceramente, a única coisa que o time fez foi liberar espaço salarial (mandando embora J-Rich, Chris Duhon e pelo visto Earl Clark), mas trouxe também Afflalo (um excelente role player em um time montado - algo que o Magic nao é e não está perto de ser) que também tem um salario bem alto. Ou seja, perdeu seu Superstar em troca de um role player caro, escolhas inuteis de Draft e jogadores que não adicionam em muito ao elenco. Se o Nuggets e o Jazz aceitaram 80 centavos pelo dólar, o Magic aceitou 20 centavos pelo dolar. E isso porque eu gosto do Afflalo.
Sinceramente, se o medo era tanto de perder Dwight por nada, porque não aceitar a oferta suicida do Rockets, limpar espaço salarial com o contrato expirante do Kevin Martin, pegar uma futura escolha de Draft (alta se Dwight decidir sair) e ainda receber de lambuja os calouros ultra-interessantes do Rockets? Mil vezes melhor do que o pacote de restos que recebeu ao mandar Dwight pro Lakers! Voce continua sem ganhar um Franchise Player, mas ainda limpa espaço salarial (até mais se conseguir se livrar de mais contratos), enche o time de calouros promissores e que podem dar em coisa muito boa, e ainda pode tirar a sorte com uma escolha de Draft! Ou até mesmo ficar com o Bynum nessa troca, que pelo menos é um potencial Franchise Player? Vai saber. Vai ver era o medo do Bynum não assinar uma extensão. Vai ver o Rockets deu pra trás com medo do Dwight sair do time (embora supostamente eles estivessem dispostos a correr o risco) e foi o que restou pro Magic. Vai saber. Embora eu ainda ache que a solução mais fácil seja a correta: A direção do Magic é simplesmente incompetente e, no medo de perder Dwight por nada, aceitou a primeira proposta que apareceu pra se livrar logo do seu pivô. Btw, não descarte essa última tão fácil.
Bottom line, o acordo foi excelente pro Lakers, bom pro Nuggets, arriscado pro Sixers (porque Bynum ainda pode sair ao final do ano, e sua imaturidade vai ficar mais exposta como centro do time em Philly) mas que pode trazer uma grande recompensa pra um time que precisava de um chacoalhão... E péssimo pro Magic. O time não conseguiu nada em troca e ainda ficou com mais um contrato grande pra quando o time for remontar, não tem base nenhuma e, sinceramente, se a esperança é "mas pelo menos o time vai ser ruim e pode conseguir uma boa escolha de Draft"... Nao valia mais a pena tentar um negocio mais arriscado (como pegar Bynum ou manter Dwight ate o final do ano, já que a alternativa dele era ir pro Mavs por menos dinheiro, menos tempo e pra um time mais ou menos fraco) que se desse errado o time AINDA entrava em reconstrucao do zero, mas pelo menos teria tentado uma cartada mais alta? Porque não trocar Dwight por um monte de escolhas de Draft e Al Horford com o Hawks? Porque não pegar um monte de pirralhos, feder um ano e continuar com uma boa escolha de Draft? Sinceramente, o Magic praticamente pegou a pior alternativa. E vai pagar o preço a não ser que o Moe Harkless vire o novo... Hm... Esquece, o Magic ainda vai pagar o preço. Sabia que eles não renovaram com Ryan Anderson e o trocaram pro Hornets, mas reassinaram Jameer Nelson por um contrato enorme? E lá vamos nós de novo pra reconstrução...
quinta-feira, 26 de julho de 2012
O verão de Nova York, parte II (Nets)
Essa quase foi a grande estrela do Brooklyn Nets
Ontem começamos a falar dos times de Nova York, com o
Knicks. Hoje, continuamos falando do outro time de NY, o recém-mudado Brooklyn
Nets.
Pra quem não lembra, o Nets amargou em 2010 uma das piores
temporadas da história da NBA. O time (que nem era tão ruim assim!) ganhou
apenas 12 jogos, teve de longe a pior campanha da Liga e por boa parte do ano
correu o risco de bater o recorde de pior campanha da história da NBA, recorde
do Philadelphia 76ers de 1973 (9-73) antes de engrenar uma boa sequência no final e
deixar essa honra duvidosa para trás. No final do ano, pra piorar, ficou apenas
com a terceira escolha do Draft de 2011 (Derrick Favors), vendo o Wizards sair
com o grande prêmio daquele Draft (John Wall, 1st Overall).
Na temporada seguinte, o Nets fez de tudo pra se distanciar
dessa temporada historicamente ruim. Novos uniformes, novas cores, estádio novo, um novo
logo, e até um novo dono, o bilionário russo Mikhael Prohorov. E Prokhorov,
quando assumiu o controle do time, anunciou seus planos de mudar a Franquia de
New Jersey para o Brooklyn, onde estava sendo construída uma nova arena. A mudança
supostamente ocorreria em 2012, ao final da temporada.
Claro, um bom plano: NY é um mercado maior, muito mais
atenção da mídia e muito mais atraente para jogadores do que a fraca New Jersey
(onde o time colecionou fracasso atrás de fracasso ao longo dos anos, vale
lembrar). Era um local para o time se distanciar de seu passado, construir uma
base de fãs numa das cidades mais obcecadas por esportes dos EUA, e aproveitar
da visibilidade e do dinheiro que a cidade trazia pro time pra montar times
competitivos. Esse plano só tinha um
problema: O Nets não podia fazer sua grande mudança rumo (ou pelo menos o que
eles esperavam que fosse) a um novo futuro mais promissor na sua nova cidade
com um elenco cujas estrelas eram Devin Harris, Brook Lopez e o pirralho
extremamente cru Derrick Favors sem passar vergonha. Se você vai mudar para uma
cidade que já tem um time de basquete, e pior, se esse é um dos times mais
tradicionais e com a torcida mais fanática da NBA, você precisa ter um time que
gere interesse, que seja competitivo e que atraia torcedores, senão iria virar
o Clippers de New York. E Harris-Lopez-Favors definitivamente não é um núcleo
interessante ou competitivo.
Por esse motivo, em 2011, o Nets aproveitou a moda lançada
em 2010 de “Estrelas saindo dos times de mercado pequeno” para sair à caça de
pelo menos uma grande estrela para tornar sua mudança para o Brooklyn mais
interessante e atraente para os fãs. E a principal superestrela cujo contrato
terminava no final do ano, não demonstrava interesse em reassinar o contrato
com seu time de mercado pequeno e que estava forçando uma troca pro time não
perder seu jogador de graça era o Carmelo Anthony, que fez um dos maiores corpo
moles da NBA no Nuggets pra forçar essa troca (o famoso “Não é que eu não jogue
sério, eu só não estou nem um pouco envolvido no que estou fazendo” que o
Dwight Howard aperfeiçoou ano passado).
O Nets juntou os ativos que tinha - uma escolha de Draft (que com
certeza seria alta) junto com Derrick Favors (cru mas com muito potencial) e
Devin Harris - e ofereceu ao Nuggets pelo Melo, com o argumento de “Se não
aceitar nossa troca, ele vai sair de qualquer jeito no final do ano e vocês não
vão receber nada por ele” para conseguir a estrela que faria a mudança do time
mais… Marketable.
Mas todo mundo sabe o que aconteceu: O Knicks atravessou o
negócio e ficou com Melo em troca de Danilo Gallinari, Wilson Chandler, Ray
Felton, Timofey Mozgov e uma escolha de Draft (com a promessa de que assinaria
uma extensão contratual por lá), enquanto o Nets de novo se viu diante da
possibilidade real de se mudar para o Brooklyn sem um bom time ou uma estrela.
Mas ai o Nets juntou seu pacote anterior e ofereceu ao Jazz por Deron Williams,
o excelente armador que ainda tinha mais um ano no contrato pra gastar, mas que
tinha causado problemas o suficientes por lá pro Jazz não esperar pra trocar o
jogador antes que ele saisse de Free Agent (reinventando o time do Jazz com a
troca). O problema era que Deron também não tinha se comprometido a assinar uma
extensão contractual com o Nets, virando Free Agent no final da temporada 2012,
quando o Nets estaria se mudando para sua nova casa. O desafio do Nets,
portanto, era simples: Eles tinham que construir um time bom o suficiente pra
convencer o Deron Williams a ficar com eles quando acabasse seu contrato, ou
então ficariam sem a estrela e sem os ativos que mandaram para o Jazz.
Em 2011/12, o Nets tentou duas abordagens que ninguém
aguenta mais ouvir: Trocar por Dwight Howard (o pu-pu-platter de Brook Lopez,
Marshon Brooks, escolhas de Draft e contratos expirantes), ou então limpar
espaço salarial o suficiente pra assinar Dwight com um Free Agent ao final da
temporada junto com Deron, já que o pivô tinha a opção de terminar seu contrato
mais cedo. A segunda foi pro saco quando Dwight, cedendo à pressão dos
torcedores, decidiu não terminar seu contrato mais cedo, deixando assim Deron
Williams como o unico Free Agent de nome no final da temporada. Em pânico, o
Nets trocou sua escolha de primeira rodada – protegida Top3 – por dois meses do
Gerald Wallace, cujo contrato também acabava no final do ano. Eu não vou nem
entrar nos méritos da estupidez dessa troca, uma escolha destinada a ser alta
num Draft profundo por um jogador que poderia dar o fora em três meses, mas o
fato é que o Nets terminou a temporada, a sua escolha de Draft (6th)
foi pro Blazers, e o Nets viu Deron Williams, Wallace e Kris Humphries saindo
da equipe como Free Agents. E pra piorar, o Magic não só não parecia disposto a
aceitar a troca por Dwight Howard (não que eu possa culpá-los, o melhor jogador
que receberiam era Brook Lopez, um pivô que não defende, pega 4 rebotes por
jogo – o que Dwight pega em um quarto – não toma uma boa decisão em quadra e
que teria que receber uma extensão maxima para fazer a troca funcionar) como
mais times – Lakers, Rockets, Hawks – entraram na briga pelo pivô do Magic.
E ai o Nets reassinou com Wallace por 4 anos, 40 milhōes (Um
absurdo! Não os 10M por ano, e sim os 4 anos – Crash tem 30 anos, um estilo que
machuca demais e raramente fica saudável, qual a chance dele ainda estar
jogando bem daqui a dois anos?) e fez a seguinde troca: Adquiriu Joe Johnson em
troca de uma montanha de contratos expirantes e role players pouco importantes (Jordan Farmar, Johan Petro, Jordan Williams, DeShawn Stevenson, Anthony Morrow e uma escolha de primeira rodada protegida do Rockets) junto ao Hawks. E quer saber?
Foi a melhor coisa que o Nets poderia ter feito.
Eu explico. O Joe Johnson é de longe o jogador mais overpaid
da NBA inteira, mas pro Nets isso não é bem problema pra um time cujo dono é a
versão russa do Mark Cuban. E apesar de não valer metade do que ganha, o Joe
Johnson ainda é um All Star, um dos SGs mais confiáveis da Liga, um excelente
arremessador, capaz de criar o próprio arremesso e que ainda é capaz de armar o
jogo. O Nets mandou um monte de role players inúteis, e matou seu teto
salarial, mas sabia exatamente o que adquiria: O SG mais confiável da Liga
depois de Kobe e Dwyane Wade e que complementa muito bem o Deron Williams.
Talvez o mais importante aqui seja o seguinte: O Nets era
uma droga, e o Nets não ia conseguir trocar por Dwight Howard – O Magic
definitivamente não queria pagar um contrato máximo do Brook Lopez, tinha
opçōes mais interessantes, provavelmente iria preferir segurar o pivô até
aparecer algo melhor, um tempo que o Nets não tinha. E se o Nets não se
mexesse, Deron Williams ia concluir que o time era ruim e que não valia a pena
ficar por lá, e se mandar pra Dallas (Onde jogaria com Dirk Nowitzki, e onde
ele cresceu). O Nets precisava se mexer pra adicionar mais peças pro seu time,
a única disponível era JJ, e o time não pensou duas vezes antes de puxar o
gatilho pra trazer JJ pro Brooklyn. Joe Johnson é overpaid? Sem dúvida. Mas a
troca foi necessária. Sem ela, o Nets não traria Dwight e ainda perderia Deron
(que admitiu que só voltou pro Nets por causa da troca por Joe Johnson). Ao
invés disso, manteve sua estrela e a trouxe um All Star, um dos melhores SGs da
NBA, pra jogar junto dela.
O “problema” era que essa troca tornava quase impossível
trazer Dwight Howard por causa de restriçōes salariais. Teria que ser um sign
and trade máximo pelo Lopez (e o próprio Brook admitiu que talvez não assinasse
se fosse para ser trocado pro Magic) e teria que envolver mais QUATRO sign and
trades diferentes nessa troca, extremamente improvável (e mesmo se conseguisse,
o Magic mesmo assim provavelmente não trocaria). Então o Nets, sabendo que
estava fora da briga por Dwight, reassinou Kris Humphries por um assalto de 2
anos, 28M e deu – adivinhe! – um contrato máximo pro Brook Lopez.
O time do Nets para 2012/13? Deron, JJ, Wallace, Humphries,
Lopez. É um puta time? Definitivamente não, vai ter problemas defensivos
demais, por exemplo, e vai apanhar de times mais atléticos. Ele também está
alto demais no teto salarial (salario anual de cada titular: 18M, 22M, 10M,
14M, 16M. YIEEEKES!!!) e isso provavelmenta vai tirar um pouco da flexibilidade
do time para se reforçar nos próximos anos. Mas ele cumpre o que o Nets tinha
como o objetivo – montar um time decente e com uma superestrela para sua mudança
para o Brooklyn. Se o time quisesse Dwight Howard, teria que esperar o final do
ano que vem para assiná-lo como Free Agent… Mas isso significaria perder Deron
e ir pro Brooklyn com Brook Lopez e Gerald Wallace de grandes estrelas. O time
optou por agir antes com JJ, perdeu a chance de trazer Dwight, mas pelo menos
agora o Brooklyn tem um time que deve ir aos playoffs e atrair algum interesse
na sua nova casa. E quer saber? O Nets fez a coisa certa, dadas as
circunstâncias. Dinheiro não é problema, Prokhorov paga as multas numa boa, e
faz muito mais sentido apostar no garantido – Johnson – do que esperar por um
Dwight que pode nunca acontecer. O essencial para o Nets era garantir uma
estrela, e o time garantiu Deron. Tem um bom time titular (o banco é fraco, mas
enfim), deve atrair interesse em sua nova casa, ir aos playoffs e pelo menos
ser algo que o time não foi nos últimos oito anos: Um time de basquete de
verdade.
sábado, 28 de abril de 2012
Os confrontos de primeira rodada dos playoffs
Como o Dwight Howard se sente em relação ao Magic nesses playoffs
Pra variar, fiquei sem internet decentemente nesse final de semana, sendo limitado a tweets pelo celular durante boa parte do Draft da NFL. Por isso, e por causa da temporada insana da NFL que ta me obrigando a escrever oito previews de primeira rodada entre quinta e sábado (sem internet!), o post sobre o Ricky Rubio acabou ficando pra depois. Provavelmente pra essa semana, talvez ainda amanha dependendo de como as coisas ficarem, mas antes a gente vai passar rapidamente pelos oito confrontos de primeira rodada desses playoffs. Como não dava pra fazer 8 bons previews em um dia (sem internet), minha intenção era fazer um podcast sobre o assunto, mas acabou não dando certo, então vai ter que ser tudo em dois posts mais condensado mesmo, um sobre os jogos de sábado e um sobre os de domingo.
Então vamos passar rapidamente pelos jogos de sábado, em ordem de mais chato pra mais interessante. Começando por...
Orlando Magic (6th seed) at Indiana Pacers (3rd seed)
Sem Dwight Howard, essa série tem um único interesse. Ou seja, como o Magic vai se comportar em quadra sem sua estrela... Que praticamente assassinou a chemestry do time ao longo da temporada, tentou forçar a saída do Stan Van Gundy, fez um circo sobre sua possível saida do time e mudou de ideia mais vezes do que o Silvio Berlusconi muda de amante. Isso afetou muito negativamente o time do Magic, ainda mais com Dwight Howard - o pivô mais dominante da Liga - jogando com a cabeça longe do Magic. E depois que Howard machucou e o time manteve o ritmo sem ele, ficou claro que ele, por mais que objetivamente (mais de 20 pontos e 13 rebotes, defesa excepcional, etc) ele tenha tido uma temporada excelente, na parte subjetiva ele foi muito prejudicial pro time. E agora o Magic pode mostrar que pode ganhar uma série de playoffs sem ele.
Claro que isso vai ser difícil, porque afinal de contas, o Dwight Howard É um dos melhores jogadores da Liga. No entanto, o time de repente parece mais confortável em quadra. Com o Dwight, o Magic insiste em jogar a bola pro Dwight dominar os defensores de costas pra cesta no garrafão, no que ele não é dos melhores por diversos motivos (falta de arremesso, poucos movimentos de costas pra cesta, passe pobre, etc), e colocar o resto do time ao redor dele pra chutar de três. As vezes funciona, mas como as bolas de três são muito imprevisíveis e o Dwight não joga o seu melhor criando o próprio arremesso, acaba sendo difícil manter a consistência contra times fortes. Desde que o Dwight (que é muito mais eficiente quando recebe a bola não como centro ofensivo pra criar jogadas, mas sim como resultado de uma movimentação ofensiva, quando a bola chega nele mais perto e de frente pro aro) saiu machucado, o Magic parou de focar o jogo nele e encaixar o resto todo ao redor dele, e começou a explorar o que cada jogador tinha pra oferecer ao time, montando o esquema tático em torno das forças de cada um. O esquema tático começou a se encaixar no que os jogadores tinham pra oferecer de melhor, ao invés dos jogadores serem forçados a se encaixar no esquema tático. O Jameer Nelson começou a ter muito mais liberdade e jogar muito mais com a bola nas mãos em quadra, e desde então tem feito o que deveria fazer sempre: Infiltrar, distribuir o jogo, rodar a bola e usar o jogo de perímetro como uma função da movimentação de bola. Ainda que tenha perdido de longe seu melhor jogador, o Magic agora aproveita muito melhor os jogadores que tem, e tem tido bons resultados com isso.
Dito isso, eu acho difícil o Magic ganhar do Pacers. O Pacers ainda precisa me convencer, é um time que tem muita profundidade, sabe controlar o garrafão, tem uma defesa forte e é jovem o suficiente pra manter o fôlego (algo muito importante nessa temporada), mas que ainda depende um pouco demais dos bons dias do Danny Granger no ataque. Quando ele está num bom dia (especialmente se o Roy Hibbert ou o David West também estiverem) o Pacers é um time muito forte e candidato ao título, mas quando não acontece o time fica sem saber como pontuar e exagera nos turnovers... Ou seja, falta calma e experiência, quando voce já esteve nessa situação mais vezes você sabe como reagir, e o Pacers ainda não tem isso. Mas mesmo assim, é um time com defesa forte e agressiva que vai explorar o garrafão e dominar os rebotes contra um time baixo do Magic. Ainda que quando as bolas de três estejam caindo o Magic seja capaz de vencer jogos, o Pacers tem um time melhor e que, por conta da altura e da capacidade de controlar os rebotes, vai incomodar muito mais o Magic sem Dwight do que com Dwight. Mesmo que eu não descarte totalmente o Magic por conta dos dois parágrafos anteriores, e eles VÃO jogar putos pra mostrar que podem ganhar sem o Dwight, ainda acho que o Pacers vai conseguir manter a calma e dominar o garrafão o suficiente pra vencer sem sustos... Mas não vai ser tão fácil assim.
Dallas Mavericks (7th seed) at Oklahoma City Thunder (2nd seed)
Mantenho minha teoria de que o Mavs fez uma leitura totalmente incorreta da situação no começo da temporada. Essa temporada era insana (64 jogos em 120 dias!) e basicamente isso significava que a temporada estava totalmente aberta, qualquer time podia sofrer uma lesão a qualquer momento ou então chegar exausto no final da temporada com uma chance muito maior do que em qualquer outro ano desde 1999 (quando o 8th seed Knicks chegou à final depois de perder Patrick Ewing. Alô, Orlando, parece familiar!?), o que significa que boa parte desse título seria determinado entre as equipes que tivessem um time bom o suficiente com base em lesōes, trocas e sorte. O Mavs não percebeu como esse título estava em aberto, e perdeu sua chance de defender o tiítulo quando desistiu de reassinar Tyson Chandler e apostou tudo na Free Agency de 2013 com Deron Williams e Dwight Howard. Isso até faria sentido, se não fosse o fato de que a) Você não sabe mais quantas chances de título terá com Dirk Nowitzki sendo um jogador de elite; e b) A disputa do título de 2012 estava totalmente aberta por conta do calendário. E o Mavs jogou fora essa chance ao deixar Chandler sair.
O Mavs portanto vai enfrentar o Thunder com o downgrade Chandler-Brandon Haywood... O que seria ok se o Chandler não fosse o principal jogador defensivo do time nas Finais de 2011 e o melhor jogador da equipe nos playoffs fora o Dirk. A verdade é que o Mavs de 2012 perdeu a identidade que tinha (Defesa feroz que gerava bolas de três no contra ataque) e não criou uma nova. O Mavs não tem mais uma defesa de elite, não consegue mais dominar jogos no garrafão e depende totalmente de bons dias do Dirk Nowitzki pra conseguir jogar pau a pau com adversários decentes. E eles vão bater de frente contra o Thunder? Duvido...
Ainda assim, o Mavs tem uma chance de tornar essa série interessante por conta do trio Dirk-Rick Carlisle-Shawn Marion e das fraquezas do Thunder. O Thunder ainda, assim como o Pacers, não tem experiência suficiente pra administrar um jogo quando as bolas das suas principais estrelas não estiverem caindo. Quando as bolas do Kevin Durant e do Russell Westbrook não estão caindo (Especialmente quando o James Harden não está em quadra, e mesmo assim o Thunder comete o erro de deixar ele jogando sem a bola no final dos jogos ao invés do contrário), eles simplesmente continuam tentando, continuam arremessando esperando que as coisas mudem. Se o Marion conseguir atrapalhar o Durant o suficiente pra forçar o Thunder fora do seu ritmo - e o Marion sabe defender o Durant - então o Magic pode viver fechando o garrafão com a zona e forçando Oklahoma a continuar chutando bolas ruins quando elas não estão caindo, e ai o Dirk teria que aproveitar do fato de que nem Serge Ibaka nem KEndrick Perkins conseguem defendê-lo pra manter o Mavs na frente no placar. Mas ainda acho que o Mavs vai sofrer dentro do garrafão e nos rebotes o suficiente pro Thunder conseguir controlar mesmo jogos quando os arremessos não caem. E ai nem Dirk vai salvar.
Philadelphia 76ers (8th seed) at Chicago Bulls (1st seed)
O grande dilema do Chicago Bulls pra esses playoffs é o quanto eles podem confiar no Derrick Rose. Ainda que os reservas tenham se virado muito bem com sua forte defesa pra ganhar jogos feios, isso dificilmente vai funcionar em séries de sete jogo contra Heat ou Celtics. Eles precisam do Rose e precisam dele em forma pra ganhar o tiítulo e, embora o Rose esteja programado pra jogar desde o começo dos playoffs, não da pra saber como ele vai entrar e jogar depois de tanto tempo parado. Se ele voltar mal, podemos ter uma série brigada e feia com o Sixers correndo em transição depois dos erros forçados do Derrick Rose, enquanto o Bulls fecha a defesa na meia quadra (ponto fraco do Sixers). Mas mesmo assim, eu acho que o Bulls tem uma certa vantagem porque tem mais experiência e soube jogar sem Rose durante tempo demais, enquanto que o Sixers nunca descobriu como jogar na meia quadra quando o Elton Brand não está inspirado. Nesses jogos feios, o Bulls sabe o que fazer, enquanto o Sixers ainda não descobriu. Por isso acho dificil o Sixers ganhar quatro jogos, especialmente quando é o pior time da NBA em jogos apertados.
Por outro lado, se o Rose voltar e voltar bem, o Bulls vai ter outro problema pra sequencia dos playoffs: Reestabelecer sua identidade antiga, com o Rose segurando a bola 24h por dia e o resto do time encaixando em volta dele. O time jogou tanto tempo sem Rose e desenvolveu uma outra identidade bastante efetiva, de tal forma que talvez a volta do Rose desestabilize a equipe por força-la a jogar de uma forma que não tem jogado faz muito tempo. Contra o Sixers, não deve ser um problema, mas contra Celtics e Heat...
New York Knicks (7th seed) at Miami Heat (2nd seed)
E enfim, chegamos à melhor série dessa primeira rodada e, talvez, a melhor série de todos os playoffs. E eu digo isso porque não só teremos vários superstars em quadra, dois dos times mais interessantes da Liga e dois dos melhores jogadores do final da temporada (Lebron James e Carmelo Anthony) jogando cara a cara o jogo todo, se marcando o tempo todo, mas também porque existe uma chance real do Knicks conseguir o upset e vencer o Miami Heat.
Duvida? Pois bem, pense da seguinte maneira: O Knicks tem o jogador mais quente da NBA (Melo) no momento, tem uma das melhores defesas da Liga e um time capaz de dominar o garrafão, tem no Chandler um pivô do tipo que mais incomoda o Heat e SABE jogar contra Miami (Ele foi o segundo jogador mais importante do Mavs nas Finais), um dos melhores defensores de perímetro da Liga pra colar no Dwyane Wade (Iman Shumpert), um banco que pode ganhar jogos sozinho quando as bolas de três estão caindo com JR Smith e Steve Novak, e SE o Amare Stoudamire conseguir se adaptar ao seu papel, jogar mais com o grupo que vem do banco, voltar a ser o Stoudamire dos velhos tempos (Nunca vai ser o do Suns sem Steve Nash, mas pelo menos o Stoudamire do Knicks pré-Melo), além de um Madison Square Garden alucinado, e de repente o Knicks tem todos os ingredientes pra vencer uma série dura de sete jogos. Se existe algum time nesses playoffs capaz de mandar um Mavs de 2011 pra cima do Heat, é exatamente o Knicks, certo? Tyson Chandler, um superstar capaz de pontuar de qualquer jeito, um defensor de perímetro de elite, bolas de três vindo do banco... Ainda que o Knicks não tenha um JJ Barea pra costurar a defesa do Heat e explorar a falta de garrafão, tem um Amare que é capaz de demolir o garrafão do Heat se estiver inspirado.
Do outro lado, o Heat também tem problemas. Chris Bosh e Wade estão vindo de algumas lesōes (especialmente o Wade com seu dedo deslocado), e embora o Lebron esteja jogando alucinadamente, ele é apenas um jogador. O Heat tem talento demais no seu Big Three pra bater de frente com qualquer time da Liga, mas Miami até agora não tem uma rotação definida, não tem um time titular, não sabe quem jogar nos momentos decisivos, e não tem uma identidade. Quando os contra-ataques funcionam, o Heat consegue voar pela quadra e impor sua força física e defesa agressiva, mas quando não funcionam, o Heat costuma ter problemas quando pega pela frente uma defesa forte e um pivô que saiba defender o aro como Chandler. Ainda que Lebron e Wade possam explodir a qualquer minuto e ganhar um jogo sozinho, Melo também pode fazer isso e o Knicks parece mais equipado pra causar estrago porque nos playoffs o banco importa, e o Knicks pode jogar com Amare-JR Smith-Steve Novak pra desgastar o Heat até o chão, forçar Miami a manter suas estrelas no jogo pra controlar o placar, e isso pode ser decisivo nos playoffs vindo dessa temporada maluca. O Knicks tem a defesa de garrafão e a força nos rebotes pra manter o Miami sob controle, e se o Melo conseguir fazer o que o Dirk fez e manter o ataque funcionando por conta própria quando necessário, o Heat pode se ver forçado a improvisar a rotina minha vez-sua vez do Lebron e do Wade que nao tem dado certo contra boas defesas.
Enfim, nada é garantido, mas eu realmente espero uma série de seis ou sete jogos extremamente disputada, com Melo e Lebron alternando jogos épicos (não durma no Wade aqui pra ter um também, mesmo machucado), a torcida no MSG alucinada, JR Smith e Steve Novak ganhando alguns jogos nas bolas de três pontos. No final, o fato de que o Heat depende demais de Lebron e Wade (machucado) ganhando jogos sozinhos pode pesar, pois o Knicks também tem isso no Melo e tem mais três ou quatro fatores (Bolas de três pontos, MSG, Amare, Chandler no garrafão) que podem mudar o resultado de um jogo. O Heat não tem banco nem depth, e isso pode pesar. PRa mim, o resultado é o de menos. Só saibam que nada no mundo me tira da frente do computador nos seis ou sete jogos dessa série.
Aliás, pra esquentar mais ainda, tem o duelo Melo vs Lebron. Os dois vieram juntos na Liga, mas Lebron sempre foi mais valorizado que o Melo. Não é só os dois jogando um contra o outro, mas sim o fato de que devem se marcar e ficar literalmente cara a cara o jogo todo. Por exemplo, quando o Spurs de Tim Duncan e o Wolves do Kevin Garnett jogavam, nem sempre os dois se marcavam e se encaravam o tempo todo, mas nessa série isso deve acontecer. E isso vai ser espetacular.
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Duas trocas que deveriam acontecer (Mas não vão)
"Se você não sumir nos quartos períodos, eu tenho uma proposta..."
Agora que a NBA voltou, lembramos de como pode ser chato um período de offseason. Todos os dias nós escutamos uma tonelada de boatos diferentes, "fontes" garantindo isso ou aquilo, várias noticias falsas de contratos assinados ou trocas que nunca aconteceram, e muita gente levando isso como se fosse a verdade suprema do universo. Acho que desde que anunciaram o fim do lockout o Chris Paul já foi trocado pra uns sete times diferentes. E enquanto os times se preparam pra temporada num período de Free Agency bastante limitada (Os três melhores jogadores: Marc Gasol, restrito, Tyson Chandler e sua falta de joelhos, e o Nenê, um bom jogador mas que tem "role player" escrito na testa), a maior parte dos boatos envolve dois jogadores que virarão Free Agents só ao final da temporada: Dwight Howard e o próprio Chris Paul.
Aliás, isso fica cada vez mais claro com o que aconteceu hoje, com o Albert Pujols assinando com o Los Angeles Angels. Superestrelas não querem só reconhecimento, eles querem dinheiro e querem jogar em times de mercado grande. O Pujols tem dois títulos com o Cardinals, joga em um dos melhores times da MLB... E mesmo assim saiu da cidade e do time onde jogou toda sua carreira só porque o Angels pagava mais que o Cardinals. Tirando a NFL, as Ligas americanas tem um formato que é brutal com os times de mercado pequeno, e está cada vez mais difícil para esses times manterem suas estrelas e seu time. Vejam o Carmelo Anthony, por exemplo, que não quis reassinar com o Nuggets e forçou uma troca ao Knicks a todo custo. Agora Paul e Dwight vão virar Free Agents e não querem continuar em times pequenos, e como todo mundo sabe que eles vão sair ao final da temporada de um jeito ou de outro, pipocam boatos de troca porque o Nuggets mostrou pra todo mundo que é mais vantajoso trocar um superstar que vai sair do seu time ao final da temporada, porque ai pelo menos você recebe algo em troca. Portanto, como as saidas do Paul e do Dwight são iminentes, todo mundo fica fazendo os boatos mais bizarros sobre o que vai acontecer com eles.
Nesse contexto, vamos brincar um pouco. Não de boatos, mas sim imaginando duas trocas que não vão acontecer com probabilidade de quase 99,9% - mas que deveriam, porque elas fazem sentidos para todos os envolvidos e... francamente, porque gerariam resultados muito divertidos para os fãs de basquete. Vamos a elas então, lembrando que elas são totalmente hipotéticas e respeitam as regras salariais.
1ª troca hipotética que deveria acontecer, mas não vai: Oklahoma City Thunder troca Russell Westbrook, Nate Robinson, Nick Collison e uma escolha de primeira rodada por Chris Paul
A questão do Hornets aqui é simples. Eles sabem que o Chris Paul não vai reassinar com a equipe ao final da temporada. Portanto, eles tem duas opções: Aguentar firme até o final do ano numa esperança provavelmente inútil de tentar convencer o Paul a mudar de ideia, ou trocar seu armador All-Star por alguma oferta que possa dar ao time alguma base para se reconstruir. A noticia que chega de todas as partes é que o Paul quer mesmo é ir para o Knicks, o que de certa forma inibe potenciais times que ofereceriam ao time a troca. Vários times tem condições de oferecer algo interessante pelo melhor armador puro da NBA desde Isiah Thomas, mas muitos times se perguntam: Porque eu vou oferecer jogadores jovens com muito potencial por um jogador que pode jogar um ano comigo e depois sair ao fim do contrato pra ir pro Knicks de graça? Tudo bem, muitos times (Clippers com Eric Gordon, Warriors com Stephen Curry, entre tantos outros) estão dispostos a arriscar mesmo assim, mas vamos em frente por enquanto.
Do outro lado, se o Knicks for realmente para onde o Paul quer ir, a chance dele ir por uma troca é quase zero. O Knicks não tem nada para oferecer ao Hornets além de Chauncey Billups (Um vovô que só serviria de contrato expirante) e o Landry Fields, ou seja... Yeekes! Se é pra trocar o Paul por um reserva e um contrato expirante, vale mais a pena o Hornets ficar com ele até o final do ano e perder ele por Free Agency. Ou então, recorrer a um outro tipo de "comprador", um time que esteja disposto a trocar pelo Paul mesmo sabendo que ele não vá renovar, só para ter o Paul por um ano rumo ao título. Por exemplo, se o Celtics oferecer o Rajon Rondo e algumas escolhas de Draft, porque o Hornets iria recusar? O Celtics tem uma base idosa, e por isso dificilmente o Chris Paul renovaria o contrato pra jogar em um time em reconstrução, mas teria um time de Chris Paul, Ray Allen, Paul Pierce, Kevin Garnett pra tentar uma última corrida ao título antes do corpo dos velhotes quebrarem de uma vez e o Paul sair pela Free Agency (Embora eu ainda prefira que troquem Rondo e Jermaine O'Neal por Steve Nash e Marcin Gortat). Na verdade, o Paul só vai renovar com um time onde ele possa ter um mercado grande E tenha um time competitivo e promissor pelos próximos anos. Por isso essa troca é arriscada para os times de one-and-done, perder ativos em troca de um ano (eventualmente um título) e só.
Ai entra o Oklahoma City Thunder. O Thunder é sem dúvida um candidato ao título desse ano e dos próximos, tem um time com uma defesa agressiva de garrafão e que tem dois superstars no Russell Westbrook e no Kevin Durant. Por mais que a média de idade do time titular seja suficiente pro time jogar o sub 17 do colegial, o time tem tanto talento e está tão bem montado que já podia ter disputado o título ano passado, tanto que chegou até as finais de conferência, onde perdeu para o Mavericks, eventual campeão. O time tem todos os motivos pra acreditar que ainda vai disputar o troféu por anos a fio, mas o time está com um problema na atualidade, que é a relação Westbrook/Durant. Muita gente criticou com razão o Westbrook nos playoffs por agir muito como um pontuador, segurando a bola e tentando resolver tudo sozinho, ao invés de agir como um criador e entregar mais a bola pro Durant (Que as vezes é um pouco passivo nesses momentos, aceita o Westbrook jogando sozinho ao invés de exigir a bola mais). O Thunder jogava bem até chegar nos momentos decisivos das partidas, onde o Westbrook arremessava muito mais do que devia e forçava arremessos ao invés de agir como criador. Por melhor que ele seja - e ele é muito bom - o estilo dele nesses momentos não casava com o estilo do time, e custou ao Thunder mais de uma vitória. O Westbrook é jovem, muito talentoso e está ainda no começo da sua carreira. Por mais que ele ainda não tenha entendido melhor como jogar mais como criador, criando boas situações para seu companheiro antes de segurar a bola e forçar arremessos, ele ainda é muito novo e tem muita carreira pela frente, não temos porque acreditar que ele nunca vá conseguir adaptar o seu jogo dessa maneira.
No entanto, a gente também não sabe quanto isso vai demorar, e pode acabar comendo temporadas importantes de um time já muito pronto pra ser campeão. Então não seria interessante trocar o Westbrook pelo Paul? O Paul é exatamente o que o time precisava, um armador puro que cria para seus companheiros. Ele não precisa da bola nas mãos o tempo todo pra finalizar como o Westbrook e seu estilo de jogo casa muito melhor com o Thunder e em especial com o Durant. Quanto mais arremessos o Durant der - especialmente se fossem criados pelo Paul - melhor para a equipe. E o Paul também não só é um grande criador como é um grande defensor e que é capaz de pegar a bola embaixo do braço e pontuar feito louco. Ele é um jogador completo, um dos melhores jogadores do mundo e que casa perfeitamente com o estilo do time. A inclusão dele não só daria ao time um jogador que é excelente no que faz, como também é um jogador cujo estilo é perfeito não só pra maximizar o talento do time agora como pra manter a evolução do time nos próximos anos. O Thunder já é um dos times mais divertidos da NBA, imagina quando tiver o melhor armador da NBA, um jogador que sozinho ganhou duas partidas do Lakers nos playoffs com o seu segundo melhor companheiro de time sendo o Emeka Okafor?? Eu pagaria o salário do Paul pra ver isso acontecendo!!
Mas infelizmente, não vai acontecer. Dificilmente o Thunder- um time que montou essa excelente base com troca sóbrias e conservadoras - vai arriscar mandar um jogador tão bom e com potencial como o Westbrook em troca de um jogador mais velho, com histórico de lesões e sem garantia que ele vá renovar. Pro Thunder, afinal, só faria sentido se o Paul garantisse que iria renovar ao final da temporada. Se o Paul estiver em busca de um contender com futuro, o Thunder é perfeito, um time pra brigar por títulos nos próximos oito anos. Mas ele também teria que aceitar ganhar menos, ou o time não teria condições de renovar com o James Harden e com o Durant no futuro (dois que possivelmente já teriam que aceitar uma redução salarial), o que tornaria o time menos competitivo. Mas pro Hornets, a troca não poderia ser melhor, eles perdem um superstar (que iriam perder de qualquer jeito) mas recebem outro de 21 anos em troca pra tentar uma segunda vez montar alguma coisa em torno dele. Pro Thunder, também é ótimo, torna um time excelente ainda melhor. O problema é que ela depende do Paul aceitar ganhar menos para renovar com a equipe, e que o Sam Priesti dificilmente iria aceitar uma troca tão arriscada. Mas não seria divertido ver um time com Paul, Harden, Durant e Serge Ibaka? Você sabe que seria!!
2ª troca hipotética que deveria acontecer, mas não vai: Miami Heat troca Joel Anthony e Lebron James por Dwight Howard e Ryan Anderson
Aqui está, minha falsa troca preferida! Eu já comentei dela várias vezes tanto aqui como no nosso twitter (www.twitter.com/tmwarning) e ela já rendeu alguma discussão, então agora chegou a hora de colocar ela as claras. Pra mim, essa troca não é como a do Paul, que é legal de imaginar, faria sentido, mas tem várias variáveis que podem torná-la menos atrativa para os envolvidos. Essa troca faz TOTAL sentido para TODOS os envolvidos (Menos um, mas tudo bem) e deveria acontecer sem pensar duas vezes!
Primeiro, o Magic está na mesma situação que o Hornets. O Howard dificilmente vai ficar no Magic ao final do seu contrato, vai querer ir para um time com melhores condições de título e se o Magic não trocar ele antes da trade deadline vai perder seu melhor jogador por nada, portanto uma troca aqui ainda é a melhor opção a não ser que o Howard por algum motivo decida continuar onde está, o que não vai acontecer se o time não melhorar, o que não vai acontecer, e aí voltamos à etapa inicial. O Magic tem é que conseguir a melhor oferta possível por ele pra ter alguma esperança futura.
Agora vocês vão perguntar "Porque diabos o Heat aceitaria essa troca?? Eles juntaram dois dos três melhores jogadores da Liga em um time só!! Eles acabaram de chegar nas Finais com Mike Bibby e Joel Anthony!! O Heat é um time que tem tudo pra ganhar vários títulos, porque trocariam talvez o jogador mais talentoso da Liga??", e não deixa de ser uma boa pergunta. Essa vai exigir um pouco mais de imaginação. Antes de mais nada, o Heat tem três grandes jogadores e realmente tem dois dos três (No máximo cinco) melhores jogadors da NBA no seu elenco com contratos por pelo menos mais quatro anos. O time quase chegou ao título mesmo sendo o primeiro ano do time jogando junto. Então volta a pergunta, porque o Heat trocaria um dos seus principais jogadores?
A resposta é simples: Porque ela faria o time ser melhor. O Dallas e o Heat acabaram de nos provar de uma vez por todas nas Finais que um time não é a soma das suas partes apenas. O Heat tinha dois dos três melhores jogadores do mundo mais o Chris Bosh, que é um excelente jogador, enquanto que o Dallas tinha um jogador top 10 (Dirk Nowitzki) e mais um bando de role players que já tinham passado do seu auge. O Heat claramente era o time com mais talento, mas foi o Dallas que saiu campeão, porque eles tinham um TIME melhor. Não é o time com mais talento que é o melhor, depende de muitas outras coisas, especialmente da forma como esses jogadores se encaixam dentro de quadra. O Dallas era um time com menos talento, mas era um time bem montado, onde os jogadores se complementavam perfeitamente. O Heat era um time que batia cabeça e que tinha vários jogadores pra fazerem a mesma função.
Na verdade, esse era um problema do Heat desde o começo, quando aconteceu o The Decision. Dwyane Wade e Lebron James são dois jogadoers espetaculares, mas eles tem a mesma característica, são pontuadores que preferem infiltrar, não são grandes arremessadores e que gostam de ter a bola nas mãos o tempo todo. Muita gente achava que os dois iam bater cabeça, e com razão. Jogadores com características tão iguais sempre serão mais difíceis de jogar juntos do que jogadores com características complementares, como era o caso do Paul/Durant alí em cima. E isso realmente aconteceu na temporada, Wade e Lebron tentavam jogar da mesma forma e batiam cabeça, não tinha espaço para os dois jogarem da forma como são mais efetivos. Isso obrigou o Wade a jogar muito fora do seu comum, o que ele fez muito bem, mas ainda tornou os dois jogadores menos efetivos porque não poderiam jogar como gostariam o tempo todo. O fato dos dois jogarem juntos tornou os dois menos efetivos, e tirou totalmente a bola das mãos do Chris Bosh, um jogador que tinha como maior característica seu grande arsenal ofensivo, mas que acabou virando um arremessador de luxo no time do Heat porque raramente tinha a bola nas mãos. Esse foi um dos motivos do Heat ter tido um time bem pior do que o nível de talento no time sugeria.
Além disso, uma coisa que muita gente esquece e só vai lembra em Junho: Nos playoffs, quem vence é geralmente quem domina o garrafão. Um dos principais motivos do Dallas ter vencido as Finais foi o fato do Tyson Chandler ter dominado totalmente o garrafão e o Miami não ter nenhum pivô ou ala de força pra bater cabeça com o pivô de Dallas lá dentro. O Wade e o Lebron podem ocasionalmente fazer um papel de Michael Jordan/Scottie Pippen (Que compensavam pela falta de um pivô dominante controlando o o garrafão com energia e atleticismo), mas não da pra esperar que eles façam isso sempre. Agora pensem um instante, que time domina melhor o garrafão: Wade, Lebron e Bosh, ou Wade, Bosh e Dwight Howard? É lógico que é o segundo. Não precisa nem perguntar de novo.
Ou seja, o Miami sai perdendo em termos de talento nessa troca, mas o Dwight é capaz de contribuir muito mais do que o Lebron pro sucesso do time como um todo. O Lebron e o Wade limitavam mutualmente os talentos um do outro na hora de jogar porque eles fazem funções muito parecidas, mas o Dwight se encaixa muito melhor no time. O Dwight é um superstar, nenhum jogador da NBA é tão dominante no garrafão na atualidade, mas ele funciona muito melhor quando não precisa criar o próprio arremesso, quando ele pode impor sua dominação na defesa e no ataque é acionado apenas em situações onde ele precisa converter o arremesso apenas, não criá-lo. No Heat, o Wade pode finalmente jogar com a bola como ele gosta e fazer em parceria com o Bosh, sem ter um outro jogador ofensivo exigindo a bola o tempo todo e acionando o Dwight apenas quando ele estiver embaixo da cesta, além de liberar o Shane Battier pra ser o titular e grudar no melhor jogador de perímetro do adversário com sua defesa. Agora, de repente, você tem tudo que um time precisa pra ser balanceado: Dois pontuadores, um defensor de perímetro, um reboteiro/defensor do garrafão, um chutador de três e alguns role players ocasionais. Antes Lebron e Wade jogando juntos tiravam potencial um do outro e excluíam o Chris Bosh, agora Bosh e Wade podem jogar no ataque a vontade e o Dwight fica com o que sobrar ali na frente, sem falar que da ao time muito mais condições de dominar o garrafão num jogo disputado E acaba com a dúvida sobre quem tem que ser macho alfa nos finais dos jogos. Pro Heat, esse time é muito melhor do que o anterior E ainda deixa de ser o time mais odiado da Liga!
Do outro lado, o Magic troca um Superstar que inevitavelmente vai embora por outro Superstar, no auge, que ainda tem mais quatro anos de contrato e é o jogador mais talentoso da Liga. Nada mau, certo? Se Wade e Bosh tinham em mente ganhar títulos, então eles agora vão ter um time com melhores condições de fazê-lo. Podem até não gostar do seu amiguinho ter sido trocado, mas se a vontade deles era realmente títulos (especialmente depois daquela bronca do Wade no Lebron no jogo 3 das Finais, onde ele gritou por quarenta segundos ininterruptos na cara do camisa 23, com raiva de verdade nos olhos) não acho que eles vão criar caso. Todos ganham, tirando uma pessoa, Lebron James. Ele volta pra onde estava antes da The Decision, num time mal montado e sem outros jogadores de alto nível. Ele vai voltar a ser aquele jogador absurdo que fazia 30 pontos, 7 rebotes e 6 assistências por jogo num time fraco, sem nenhum coadjuvante decente e que vai perder na semifinal dos playoffs porque ninguém além do Lebron apareceu pra jogar (ou as vezes nem ele apareceu). Pra ele vai ser um retrocesso, mas só pra ele, todos os outros jogadores e times envolvidos nisso saem ganhando. Porque ela não vai acontecer? Porque ela é uma troca muito ousada e envolvendo jogadores muito valiosos e ninguém vai ter os culhões pra aceitá-la, embora deveriam. Ela melhora os dois times, dará ao Heat alguns títulos e ao Magic um superstar pra tentar alguma reconstrução nos próximos anos. Porque o Otis Smith não vai pelo menos TENTAR essa troca? Ah sim, porque ele é o cara que primeiro tem que decidir se vai usar sua amnesty clause no Gilbert Arenas ou no Hedo Turkoglu. As vezes eu acho que seria um GM melhor do que alguns desses manés...
1ª troca hipotética que deveria acontecer, mas não vai: Oklahoma City Thunder troca Russell Westbrook, Nate Robinson, Nick Collison e uma escolha de primeira rodada por Chris Paul
A questão do Hornets aqui é simples. Eles sabem que o Chris Paul não vai reassinar com a equipe ao final da temporada. Portanto, eles tem duas opções: Aguentar firme até o final do ano numa esperança provavelmente inútil de tentar convencer o Paul a mudar de ideia, ou trocar seu armador All-Star por alguma oferta que possa dar ao time alguma base para se reconstruir. A noticia que chega de todas as partes é que o Paul quer mesmo é ir para o Knicks, o que de certa forma inibe potenciais times que ofereceriam ao time a troca. Vários times tem condições de oferecer algo interessante pelo melhor armador puro da NBA desde Isiah Thomas, mas muitos times se perguntam: Porque eu vou oferecer jogadores jovens com muito potencial por um jogador que pode jogar um ano comigo e depois sair ao fim do contrato pra ir pro Knicks de graça? Tudo bem, muitos times (Clippers com Eric Gordon, Warriors com Stephen Curry, entre tantos outros) estão dispostos a arriscar mesmo assim, mas vamos em frente por enquanto.
Do outro lado, se o Knicks for realmente para onde o Paul quer ir, a chance dele ir por uma troca é quase zero. O Knicks não tem nada para oferecer ao Hornets além de Chauncey Billups (Um vovô que só serviria de contrato expirante) e o Landry Fields, ou seja... Yeekes! Se é pra trocar o Paul por um reserva e um contrato expirante, vale mais a pena o Hornets ficar com ele até o final do ano e perder ele por Free Agency. Ou então, recorrer a um outro tipo de "comprador", um time que esteja disposto a trocar pelo Paul mesmo sabendo que ele não vá renovar, só para ter o Paul por um ano rumo ao título. Por exemplo, se o Celtics oferecer o Rajon Rondo e algumas escolhas de Draft, porque o Hornets iria recusar? O Celtics tem uma base idosa, e por isso dificilmente o Chris Paul renovaria o contrato pra jogar em um time em reconstrução, mas teria um time de Chris Paul, Ray Allen, Paul Pierce, Kevin Garnett pra tentar uma última corrida ao título antes do corpo dos velhotes quebrarem de uma vez e o Paul sair pela Free Agency (Embora eu ainda prefira que troquem Rondo e Jermaine O'Neal por Steve Nash e Marcin Gortat). Na verdade, o Paul só vai renovar com um time onde ele possa ter um mercado grande E tenha um time competitivo e promissor pelos próximos anos. Por isso essa troca é arriscada para os times de one-and-done, perder ativos em troca de um ano (eventualmente um título) e só.
Ai entra o Oklahoma City Thunder. O Thunder é sem dúvida um candidato ao título desse ano e dos próximos, tem um time com uma defesa agressiva de garrafão e que tem dois superstars no Russell Westbrook e no Kevin Durant. Por mais que a média de idade do time titular seja suficiente pro time jogar o sub 17 do colegial, o time tem tanto talento e está tão bem montado que já podia ter disputado o título ano passado, tanto que chegou até as finais de conferência, onde perdeu para o Mavericks, eventual campeão. O time tem todos os motivos pra acreditar que ainda vai disputar o troféu por anos a fio, mas o time está com um problema na atualidade, que é a relação Westbrook/Durant. Muita gente criticou com razão o Westbrook nos playoffs por agir muito como um pontuador, segurando a bola e tentando resolver tudo sozinho, ao invés de agir como um criador e entregar mais a bola pro Durant (Que as vezes é um pouco passivo nesses momentos, aceita o Westbrook jogando sozinho ao invés de exigir a bola mais). O Thunder jogava bem até chegar nos momentos decisivos das partidas, onde o Westbrook arremessava muito mais do que devia e forçava arremessos ao invés de agir como criador. Por melhor que ele seja - e ele é muito bom - o estilo dele nesses momentos não casava com o estilo do time, e custou ao Thunder mais de uma vitória. O Westbrook é jovem, muito talentoso e está ainda no começo da sua carreira. Por mais que ele ainda não tenha entendido melhor como jogar mais como criador, criando boas situações para seu companheiro antes de segurar a bola e forçar arremessos, ele ainda é muito novo e tem muita carreira pela frente, não temos porque acreditar que ele nunca vá conseguir adaptar o seu jogo dessa maneira.
No entanto, a gente também não sabe quanto isso vai demorar, e pode acabar comendo temporadas importantes de um time já muito pronto pra ser campeão. Então não seria interessante trocar o Westbrook pelo Paul? O Paul é exatamente o que o time precisava, um armador puro que cria para seus companheiros. Ele não precisa da bola nas mãos o tempo todo pra finalizar como o Westbrook e seu estilo de jogo casa muito melhor com o Thunder e em especial com o Durant. Quanto mais arremessos o Durant der - especialmente se fossem criados pelo Paul - melhor para a equipe. E o Paul também não só é um grande criador como é um grande defensor e que é capaz de pegar a bola embaixo do braço e pontuar feito louco. Ele é um jogador completo, um dos melhores jogadores do mundo e que casa perfeitamente com o estilo do time. A inclusão dele não só daria ao time um jogador que é excelente no que faz, como também é um jogador cujo estilo é perfeito não só pra maximizar o talento do time agora como pra manter a evolução do time nos próximos anos. O Thunder já é um dos times mais divertidos da NBA, imagina quando tiver o melhor armador da NBA, um jogador que sozinho ganhou duas partidas do Lakers nos playoffs com o seu segundo melhor companheiro de time sendo o Emeka Okafor?? Eu pagaria o salário do Paul pra ver isso acontecendo!!
Mas infelizmente, não vai acontecer. Dificilmente o Thunder- um time que montou essa excelente base com troca sóbrias e conservadoras - vai arriscar mandar um jogador tão bom e com potencial como o Westbrook em troca de um jogador mais velho, com histórico de lesões e sem garantia que ele vá renovar. Pro Thunder, afinal, só faria sentido se o Paul garantisse que iria renovar ao final da temporada. Se o Paul estiver em busca de um contender com futuro, o Thunder é perfeito, um time pra brigar por títulos nos próximos oito anos. Mas ele também teria que aceitar ganhar menos, ou o time não teria condições de renovar com o James Harden e com o Durant no futuro (dois que possivelmente já teriam que aceitar uma redução salarial), o que tornaria o time menos competitivo. Mas pro Hornets, a troca não poderia ser melhor, eles perdem um superstar (que iriam perder de qualquer jeito) mas recebem outro de 21 anos em troca pra tentar uma segunda vez montar alguma coisa em torno dele. Pro Thunder, também é ótimo, torna um time excelente ainda melhor. O problema é que ela depende do Paul aceitar ganhar menos para renovar com a equipe, e que o Sam Priesti dificilmente iria aceitar uma troca tão arriscada. Mas não seria divertido ver um time com Paul, Harden, Durant e Serge Ibaka? Você sabe que seria!!
2ª troca hipotética que deveria acontecer, mas não vai: Miami Heat troca Joel Anthony e Lebron James por Dwight Howard e Ryan Anderson
Aqui está, minha falsa troca preferida! Eu já comentei dela várias vezes tanto aqui como no nosso twitter (www.twitter.com/tmwarning) e ela já rendeu alguma discussão, então agora chegou a hora de colocar ela as claras. Pra mim, essa troca não é como a do Paul, que é legal de imaginar, faria sentido, mas tem várias variáveis que podem torná-la menos atrativa para os envolvidos. Essa troca faz TOTAL sentido para TODOS os envolvidos (Menos um, mas tudo bem) e deveria acontecer sem pensar duas vezes!
Primeiro, o Magic está na mesma situação que o Hornets. O Howard dificilmente vai ficar no Magic ao final do seu contrato, vai querer ir para um time com melhores condições de título e se o Magic não trocar ele antes da trade deadline vai perder seu melhor jogador por nada, portanto uma troca aqui ainda é a melhor opção a não ser que o Howard por algum motivo decida continuar onde está, o que não vai acontecer se o time não melhorar, o que não vai acontecer, e aí voltamos à etapa inicial. O Magic tem é que conseguir a melhor oferta possível por ele pra ter alguma esperança futura.
Agora vocês vão perguntar "Porque diabos o Heat aceitaria essa troca?? Eles juntaram dois dos três melhores jogadores da Liga em um time só!! Eles acabaram de chegar nas Finais com Mike Bibby e Joel Anthony!! O Heat é um time que tem tudo pra ganhar vários títulos, porque trocariam talvez o jogador mais talentoso da Liga??", e não deixa de ser uma boa pergunta. Essa vai exigir um pouco mais de imaginação. Antes de mais nada, o Heat tem três grandes jogadores e realmente tem dois dos três (No máximo cinco) melhores jogadors da NBA no seu elenco com contratos por pelo menos mais quatro anos. O time quase chegou ao título mesmo sendo o primeiro ano do time jogando junto. Então volta a pergunta, porque o Heat trocaria um dos seus principais jogadores?
A resposta é simples: Porque ela faria o time ser melhor. O Dallas e o Heat acabaram de nos provar de uma vez por todas nas Finais que um time não é a soma das suas partes apenas. O Heat tinha dois dos três melhores jogadores do mundo mais o Chris Bosh, que é um excelente jogador, enquanto que o Dallas tinha um jogador top 10 (Dirk Nowitzki) e mais um bando de role players que já tinham passado do seu auge. O Heat claramente era o time com mais talento, mas foi o Dallas que saiu campeão, porque eles tinham um TIME melhor. Não é o time com mais talento que é o melhor, depende de muitas outras coisas, especialmente da forma como esses jogadores se encaixam dentro de quadra. O Dallas era um time com menos talento, mas era um time bem montado, onde os jogadores se complementavam perfeitamente. O Heat era um time que batia cabeça e que tinha vários jogadores pra fazerem a mesma função.
Na verdade, esse era um problema do Heat desde o começo, quando aconteceu o The Decision. Dwyane Wade e Lebron James são dois jogadoers espetaculares, mas eles tem a mesma característica, são pontuadores que preferem infiltrar, não são grandes arremessadores e que gostam de ter a bola nas mãos o tempo todo. Muita gente achava que os dois iam bater cabeça, e com razão. Jogadores com características tão iguais sempre serão mais difíceis de jogar juntos do que jogadores com características complementares, como era o caso do Paul/Durant alí em cima. E isso realmente aconteceu na temporada, Wade e Lebron tentavam jogar da mesma forma e batiam cabeça, não tinha espaço para os dois jogarem da forma como são mais efetivos. Isso obrigou o Wade a jogar muito fora do seu comum, o que ele fez muito bem, mas ainda tornou os dois jogadores menos efetivos porque não poderiam jogar como gostariam o tempo todo. O fato dos dois jogarem juntos tornou os dois menos efetivos, e tirou totalmente a bola das mãos do Chris Bosh, um jogador que tinha como maior característica seu grande arsenal ofensivo, mas que acabou virando um arremessador de luxo no time do Heat porque raramente tinha a bola nas mãos. Esse foi um dos motivos do Heat ter tido um time bem pior do que o nível de talento no time sugeria.
Além disso, uma coisa que muita gente esquece e só vai lembra em Junho: Nos playoffs, quem vence é geralmente quem domina o garrafão. Um dos principais motivos do Dallas ter vencido as Finais foi o fato do Tyson Chandler ter dominado totalmente o garrafão e o Miami não ter nenhum pivô ou ala de força pra bater cabeça com o pivô de Dallas lá dentro. O Wade e o Lebron podem ocasionalmente fazer um papel de Michael Jordan/Scottie Pippen (Que compensavam pela falta de um pivô dominante controlando o o garrafão com energia e atleticismo), mas não da pra esperar que eles façam isso sempre. Agora pensem um instante, que time domina melhor o garrafão: Wade, Lebron e Bosh, ou Wade, Bosh e Dwight Howard? É lógico que é o segundo. Não precisa nem perguntar de novo.
Ou seja, o Miami sai perdendo em termos de talento nessa troca, mas o Dwight é capaz de contribuir muito mais do que o Lebron pro sucesso do time como um todo. O Lebron e o Wade limitavam mutualmente os talentos um do outro na hora de jogar porque eles fazem funções muito parecidas, mas o Dwight se encaixa muito melhor no time. O Dwight é um superstar, nenhum jogador da NBA é tão dominante no garrafão na atualidade, mas ele funciona muito melhor quando não precisa criar o próprio arremesso, quando ele pode impor sua dominação na defesa e no ataque é acionado apenas em situações onde ele precisa converter o arremesso apenas, não criá-lo. No Heat, o Wade pode finalmente jogar com a bola como ele gosta e fazer em parceria com o Bosh, sem ter um outro jogador ofensivo exigindo a bola o tempo todo e acionando o Dwight apenas quando ele estiver embaixo da cesta, além de liberar o Shane Battier pra ser o titular e grudar no melhor jogador de perímetro do adversário com sua defesa. Agora, de repente, você tem tudo que um time precisa pra ser balanceado: Dois pontuadores, um defensor de perímetro, um reboteiro/defensor do garrafão, um chutador de três e alguns role players ocasionais. Antes Lebron e Wade jogando juntos tiravam potencial um do outro e excluíam o Chris Bosh, agora Bosh e Wade podem jogar no ataque a vontade e o Dwight fica com o que sobrar ali na frente, sem falar que da ao time muito mais condições de dominar o garrafão num jogo disputado E acaba com a dúvida sobre quem tem que ser macho alfa nos finais dos jogos. Pro Heat, esse time é muito melhor do que o anterior E ainda deixa de ser o time mais odiado da Liga!
Do outro lado, o Magic troca um Superstar que inevitavelmente vai embora por outro Superstar, no auge, que ainda tem mais quatro anos de contrato e é o jogador mais talentoso da Liga. Nada mau, certo? Se Wade e Bosh tinham em mente ganhar títulos, então eles agora vão ter um time com melhores condições de fazê-lo. Podem até não gostar do seu amiguinho ter sido trocado, mas se a vontade deles era realmente títulos (especialmente depois daquela bronca do Wade no Lebron no jogo 3 das Finais, onde ele gritou por quarenta segundos ininterruptos na cara do camisa 23, com raiva de verdade nos olhos) não acho que eles vão criar caso. Todos ganham, tirando uma pessoa, Lebron James. Ele volta pra onde estava antes da The Decision, num time mal montado e sem outros jogadores de alto nível. Ele vai voltar a ser aquele jogador absurdo que fazia 30 pontos, 7 rebotes e 6 assistências por jogo num time fraco, sem nenhum coadjuvante decente e que vai perder na semifinal dos playoffs porque ninguém além do Lebron apareceu pra jogar (ou as vezes nem ele apareceu). Pra ele vai ser um retrocesso, mas só pra ele, todos os outros jogadores e times envolvidos nisso saem ganhando. Porque ela não vai acontecer? Porque ela é uma troca muito ousada e envolvendo jogadores muito valiosos e ninguém vai ter os culhões pra aceitá-la, embora deveriam. Ela melhora os dois times, dará ao Heat alguns títulos e ao Magic um superstar pra tentar alguma reconstrução nos próximos anos. Porque o Otis Smith não vai pelo menos TENTAR essa troca? Ah sim, porque ele é o cara que primeiro tem que decidir se vai usar sua amnesty clause no Gilbert Arenas ou no Hedo Turkoglu. As vezes eu acho que seria um GM melhor do que alguns desses manés...
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
O bizarro dos primeiros jogos dos playoffs
"33 pontos e 14 assistências. Missão completa, chefe!"
Eu sei, a gente ainda não terminou de postar todos os previews, ta faltando Spurs vs Grizzlies, mas eu prometo que sai amanhã cedo no máximo, só não saiu antes porque estava sem internet. Enquanto isso, aproveito pra falar do que aconteceu de surpreendente nos primeiros jogos de cada série. Até agora, cada série teve uma partida apenas: O Derrick Rose levou o Bulls nas costas pra passar pelo Pacers, o Heat ganhou apertado do Sixers, o Dirk Nowitzki contou com seis bolas de três do Jason Kidd pra ganhar do Blazers, o Thunder ganhou no sufoco do Nuggets e o Celtics sem Shaq contou com uma ajudinha da arbitragem e uma bola de três espetacular do Ray Allen pra ganhar do Knicks at the buzzer. Nenhum desses resultados foi realmente surpreendente, talvez o Bulls tenha tido mais dificuldades do que o previsto, mas nenhum desses jogos realmente teve algo muito inesperado (E sim, eu sei que apostei no Blazers, mas não achava que eles fossem ganhar o jogo 1).
Por outro lado, tivemos três resultados que surpreenderam muita gente: O Hornets ganhando do Lakers, o Grizzlies conseguindo sua primeira vitória em playoffs o Hawks realmente ganhando do Magic, três resultados que pouca gente imaginava, embora eu devesse ter postado o preview entre Grizzlies e Spurs antes do jogo pra pagar de entendido de basquete, porque eu realmente estava apostando nessa vitória do Grizzlies quando o Spurs ainda não tinha o Manu Ginobili. Mas enfim, ainda era um resultado que a maior parte de quem acompanha NBA não esperava e, de certa forma, foi uma grande surpresa, até porque o Grizzlies nunca tinha ganho um jogo de playoffs na vida. Mas vamos ver o que aconteceu em cada jogo para que essas surpresas acontecessem:
Lakers vs Hornets
Nesse jogo, realmente, não teve nenhum segredo, a gente pode ilustrar isso com apenas quatro números: 33, 14, 7, 4. Esses foram os números, respectivamentes, de pontos, assistências, rebotes e roubos de bola que o Chris Paul teve no primeiro jogo da série, que acabou com vitória do Hornets por 109 a 100. Quem leu o nosso preview da série lembra que eu disse que o Hornets, sem o David West, dependia do Chris Paul jogar muito, destruir quem visse pela frente e levar o time nas costas, infiltrando feito doido, arremessando quando abrisse espaço e envolvendo seus companheiros como forma de tentar compensar a diferença no garrafão. Mas o Hornets recebeu mais do que o esperado: O Chris Paul jogou num nível histórico, comeu o Lakers com farinha e foi o grande responsável pela vitória do time. Mas além disso, o time conseguiu minimizar a vantagem do Lakers no garrafão, ajudado pelo fato de que o Pau Gasol não teve um grande jogo e o Andre Bynum foi limitado pelo joelho e por problemas de falta durante boa parte do jogo. Além disso, o Hornets usou bastante o Aaron Gray, que é um cone, mas é um cone bem alto que ajudou a diminuir a diferença de altura do Lakers além de fazer 12 pontos (Todos em ótimos passes embaixo da cesta, livres de marcação e com cafézinho,do Chris Paul).
Mas o que realmente resolveu a partida foi o Chris Paul jogar feito um maluco. No começo do jogo, além de trabalhar muito bem no pick and roll, ele partiu pra cima, abriu a defesa do Lakers e leu as movimentações perfeitamente, envolveu todos os seus companheiros de time (em especial o Marco Belinelli e o Carl Landry), o time todo só cometeu dois disperdicios de bola no primeiro tempo porque ele ficou com a bola na mão o tempo todo, assumiu as responsabilidades de controlar o jogo o tempo todo no ataque e terminou o primeiro tempo com 10 assistências e uma boa vantagem para seu time. No final da partida, quando o Lakers apertou e o Hornets se sentiu ameaçado, o Chris Paul começou a pontuar que nem um maluco, arremessou por cima de quem quer que estivesse na frente, seja por cima do Derek Fisher, que em nenhum momento conseguiu acompanhá-lo, seja do Kobe Bryant ou até mesmo do Pau Gasol, que bizarramente acabou marcando ele em uma série de pick and rolls, e assim ele marcou 14 pontos no quarto período sempre que o Lakers ameaçava passar na frente no placar. E como ninguém no Lakers conseguiu marcar o Paul, o Hornets não só ganhou a partida e quebrou o mando de quadra do Lakers como também conseguiu ter esperanças. De ganhar a série? Nem isso, de mostrar para o Chris Paul que ele pode conseguir um título ficando em New Orleans mesmo. Muito mais importante que uma mísera série de playoff. O problema pro Hornets foi a lesão feia que o Gray sofreu no final da partida, e não é garantia de jogar o resto da série.
Magic vs Hawks
Acho que, entre todos os jogos, esse foi o que mais impressionou muita gente, inclusive a mim. E foi ainda pior porque ainda vimos o Dwight Howard meter a melhor marca da carreira, 46 pontos, sendo 31 só no primeiro tempo. E ainda assim o Hawks teve controle do jogo e ganhou por uma margem confortável. O Hawks não é aquele time que sempre apanha de times com bons pivôs, e de repente o time ganhou sendo esmagado pelo melhor pivô da atualidade (ainda que com uma concorrência de dar pena)??
Engraçado é que o Hawks ganhou exatamente porque o Dwight fez 46 pontos, não apesar disso. O Hawks entrou com um plano bem definido: Deixar o Howard sempre no mano a mano, nunca dobrar em cima dele e impedir que qualquer jogador além dele pontuasse. E o Magic respondeu acionando o Dwight Howard em cada posse de bola de costas para seu marcador, que as vezes era o Jason Collins, as vezes o Etan Thomas, as vezes o Zaza Pachulia e sou capaz de jurar que vi até o Larry Drew de uniforme fazendo algumas faltas nele. E o Dwight passou por cima da marcação, pontuou feito maluco, acertou até uns lances livres, mas mais ninguém no time do Magic pontuou e aconteceu que no intervalo o Hawks estava na frente. No segundo tempo, tirando o fato do Jameer Nelson ter acordado para a vida e começado a pontuar também, o panorama continuou: Sem dobras no Dwight, e oHawks dominando. É verdade que o Dwight fez 46 pontos, mas também errou mais que 34% dos seus lances livres e cometeu oito turnovers de tanto ser acionado, ninguém mais no Magic foi capaz de pontuar depois de passar todo o jogo sendo ignorado e ninguém conseguiu passar dos seis pontos além do Nelson e do Dwight.
No ataque, o Hawks fez exatamente o contrário, fugiu do Dwight Howard e atacou praticamente o tempo todo de fora do garrafão, acabou com apenas 36 pontos no garrafão, mas acertou 42,9% dos seus arremessos de três pontos e viveu confortavelmente acertando arremessos de meia distância ou cobrando lances livres (21-29). Foi essa combinação - deixar o Dwight pontuar livremente no garrafão sem dobrar, e atacar de fora do garrafão pra não ficar levando toco o dia todo - que levou o Hawks a ganhar essa partida. E é também o motivo de porque o Magic ainda não deve começar a desesperar. Tudo bem, o Stan Van Gundy vai ter que descobrir um jeito de envolver o resto do time no ataque ao invés de isolar o Dwight Howard a cada posse de bola, o Kobe Bryant cansou de provar pra gente que fazer isso não dá certo no final, mas por outro lado as bolas de longe do Hawks não vão cair pra sempre, e quando essas bolas longas ou de meia distância pararem de cair eles vão ter que levar a bola pra perto do garrafão pra tentar arremessos mais próximos do aro, o que vai render alguns tocos e alguns contra ataques. Não da pra ganhar sempre só com bolas de longe, o próprio Magic provou que isso não vai funcionar sempre, então essa vitória do Hawks parece mais algo excepcional do que algo realmente para preocupar o Magic. A não ser, é claro, que o Van Gundy não consiga mudar o padrão de ataque do time, aí ele vai estar fazendo exatamente o que o Drew quer...
Spurs vs Grizzlies
Essa eu vou deixar pra quando eu finalmente postar o preview, porque tudo que fez o Grizzlies ganhar o jogo de ontem era algo que o Grizzlies tinha como vantagem e que teria que explorar no confronto contra o Spurs. Fica pra amanhã de manhã (ou, se a internet colaborar, hoje mais tarde).
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Preview - Orlando Magic vs Atlanta Hawks
"Você ta ligado que a gente vai acabar com vocês de novo, né?"
Finalmente o terceiro jogo do Leste, a conferência mais chata da NBA em termos de quartas de final, que acontece no sábado. Além desse e dos outros dois postados abaixo, só tem mais um, que é Dallas e Portland. Que deve vir amanhã, ninguém é de ferro, eu preciso comer e dormir, além de assistir um pouco de baseball de vez em quando.
O Atlanta Hawks ganhou três dos quatro jogos que fez contra o Orlando Magic essa temporada. O Atlanta Hawks tem bons jogadores, se manteve em quinto lugar da conferência mais fraca da NBA, enquanto o Orlando Magic passou por muitas mudanças no elenco, não se encontrou até agora na temporada e todo mundo aponta o Magic como morto. Mas não se enganem crianças, o Hawks não vai conseguir passar por cima do Magic e ir brigar com o Bulls, o que aliás seria uma surra homérica por parte do Derrick Rose.
Não é a primeira vez que ao final da temporada o Hawks parece um time que vai fazer páreo para o Magic, o time tem bons jogadores, chega embalado e todo mundo se pergunta "Se esse time sempre está entre os melhores do Leste, então é porque eles tem um bom time". Bom, o Leste é bem fraco depois do seu Big Three (Afinal, Big Threes estão na moda) e se jogasse no Oeste o Hawks seria tão relevante para a NBA como o Warriors, com a diferença de que o Warriors continua sendo legal de assistir no League Pass. O Hawks tem bons jogadores, mas tem 'medíocre' na parte de trás da camiseta e depois que assinou o Joe Johnson um contrato digno do Kobe Bryant que o Johnson não é mas queria ser (120 milhões? Seis anos? E voce realmente tem esperanças de ser alguém na vida?), o time vai estar estacionado com o teto salarial travado por anos a fio. Além disso, o Josh Smith vai ganhar mais de 12 milhões de patacas por mais dois anos e o Al Horford por mais cinco. Até o Zaza Pachulia vai ganhar 5 milhões pelos próximos dois anos! Alguém ta começando a entender porque o Hawks é irrelevante para a Liga... para o mundo... pra gente? E sim, da última vez que isso aconteceu, eles foram varridos sem dó nem piedade pelo Magic.
E o pior é que o Hawks não está pronto pra sair disso e muito menos de ganhar do Magic em alguma coisa além da temporada regular. E é simples: O Hawks não tem garrafão. O Josh Smith é um bom jogador, o Al Horford é um bom jogador, mas eles juntos não formam o garrafão, o Josh Smith joga melhor como um ala ou até um ala de força mais baixo, e o Horford como ala de força, nenhum é realmente um pivô e os dois juntos estão muito longe de terem o tamanho suficiente pra bater de frente com um garrafão com o Dwight Howard versão 2011, ou seja, um Dwight Howard que realmente sabe atacar. Por isso o segredo para o Hawks vencer o Magic é... Jason Collins!!
Não, é sério, pode parar de rir. O Jason Collins é o único jogador do Hawks que consegue evitar que o Dwight Howard coma o garrafão do Hawks com farofa (e isso de certa forma é um indicador de como esse garrafão é triste). O Collins é uma parede, mas uma parede que tem feito um trabalho bom mantendo o Dwight afastado da cesta e, mesmo que o Dwight ainda seja bom o bastante pra pontuar por cima dele, isso evita que o Magic tenha o controle total do garrafão, libera o Horford pra jogar de ala de força, onde ele rende muito mais, e evita que o Hawks tenha que dobrar a marcação no Howard e abra espaço pra uma bola de três. Se o Collins conseguir evitar o problema de faltas e se manter em quadra pra diminuir a vantagem no garrafão, o Horford pode fazer estrago de ala de força em cima do Brandon Bass ou do Ryan Anderson e o time pode viver um pouco mais longe da cesta pra não tomar tocos do Dwight o dia todo. Mas pra vencer o time também vai precisar pontuar dentro do garrafão com consistência, e aí eles vão ter que torcer... Muito.
Pro Magic, o importante é deixar o Howard confortável lá no garrafão. Pra isso, o Magic vai ter que ver os outros quatro jogadores jogando bem. O Magic do ano passado, quando o Dwight não conseguia jogar com tanta liberdade e não precisava atrair um double team, só funcionava quando o Jameer Nelson colocava a bola embaixo do braço e partia pra cima da cesta pra abrir espaços. Ou o Jameer ou alguém vai ter que fazer esse papel, mas se o Hawks conseguir travar o Dwight de certa forma com o Collins, o Magic vai ter que encontrar esse jeito de abrir espaços. Uma boa forma de fazer funcionar é se o Gilbert Arenas se motivar pelo menos um pouco, o Arenas que jogava algum tempo atrás era um monstro que era um dos melhores pontuadores da NBA e partia pra dentro e arremessava pra três quando queria. Ninguém espera que ele realmente jogue nesse nível, mas se começar a jogar com vontade já é o suficiente pra desafogar o jogo do Magic. O Hedo Turkoglu também vai ter que revezar com o Nelson quem vai ficar com a bola, o Nelson infiltrando mas com o Turkoglu colocando a bola nas mãos do Dwight Howard em condições melhores de pontuar, principalmente de frente pra cesta. Também era melhor que o Brandon Bass jogasse, ele aumenta a altura do Magic e se o Howard conseguir dominar o Collins ou então quando o Collins não estiver em quadra - ele é um cone no ataque, não da pra manter ele tempo demais - a altura dessa dupla vai ser demais pro Hawks.
Palpite: O Collins não vai segurar o Dwight pra sempre e o Hawks não pode viver só de arremessos de fora e de contra ataques, e não vai conseguir pontuar no garrafão consistentemente. Esse ano não vai ser de varrida... Mas ainda vai ser em cinco jogos. Magic em cinco jogos.
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terça-feira, 12 de abril de 2011
E o MVP vai para...
O Troféu Maurice Podoloff é muito melhor que o Oscar
Chegou a hora de finalmente falar do prêmio individual mais importante e mais polêmico de toda a NBA, o troféu Maurice Podoloff para o MVP da temporada regular. Eu sei, eu sei, de certa forma discutir esse prêmio é uma idiotice, mas eu já falei no post logo antes desse onde eu dou meus candidatos aos cinco outros prêmios da NBA (Técnico do ano, calouro do ano, sexto homem do ano, jogador que mais evoluiu e jogador defensivo do ano) que eu já mandei o bom senso pro inferno e tou agora só fazendo isso por diversão. Se bem que, pra falar a verdade, eu acho o troféu desse ano um assunto mais interessante do que nos últimos anos. E já aviso que ficou um dos maiores posts que a gente já fez, mas... bom, eu já desisti de me preocupar com isso. Eu recomendo e acho que vale muito a pena, e fiquem a vontade (Na verdade, sintam-se convidados) a comentar e dar a opinião de vocês.
O prêmio de MVP, assim como todos os outros da NBA, é muito subjetivo. Ele não apresenta um critério definido. Ele é um prêmio para o 'jogador mais valioso', mas o que isso significa? É o jogador mais valioso pra Liga? Pro seu time? Individualmente? E o que qualifica um jogador como 'mais valioso'? O melhor jogador? Mais valioso para o seu time? Bom, a gente pode ficar com essas perguntas inuteis até amanhã ou ir direto ao assunto, e pra surpresa de todo mundo eu vou direto ao assunto.
Como tudo nesse universo dos prêmios, ele se baseia em critérios pessoais e subjetivos de avaliação. Por isso, os meus critérios pra nomear o MVP são os meus critérios, não algum critério pré-estabelecido ou 'correto' pra isso. A prova é que até agora eu estou tentando me afogar na pia por não ter nomeado o Kevin Love o jogador que mais evoluiu na temporada. Mas tudo bem, isso acontece. Primeiro, o basquete é um esporte coletivo e o objetivo é que o time seja campeão, não que o jogador seja o MVP (Existem alguns dissidentes, pergunte pro Andray Blatche o que ele acha). Então por 'jogador mais valioso' eu prefiro entender como sendo o jogador mais valioso para o seu time. Ok, isso nos leva a mais 400 perguntas sobre o que é o jogador mais valioso para o time. É o que faz mais com menos? O que é o melhor jogador do melhor time? É o que tem melhor números individuais? Ou a gente deve usar um critério totalmente subjetivo?
O mais legal do basquete é que ele é um esporte que envolve uma parte objetiva, numérica, e outra parte subjetiva. Uma parte do basquete envolve estatísticas, pontos por jogo, PER (Player Efficiecy Rating) e tudo que pode ser mensurado por todo tipo de fórmula. Mas também tem outra que é muito mais subjetiva, que envolve análises, e a gente tem que confiar no que a gente vê mais no que pode ser medido. E pra se poder analisar um prêmio tão complexo como o MVP, a gente tem que considerar os dois lados, objetivo e subjetivo, pra tentar chegar a algum lugar.
E quando a gente fala em números, o candidato que vem à cabeça é o Lebron James, que tem números muito sólidos pra sustentar esse tipo de candidatura: Segundo da Liga em pontuação (26.7 ppg), 13º em assistências (7 apg), além dos 7.5 rebotes por jogo e de ser o primeiro da Liga em PER, com 28.6. Os números do Lebron são muto sólidos, ele joga num dos melhores times da Liga e é um dos melhores jogadores do planeta, e esses são os principais argumentos usados por quem coloca o Lebron como o MVP dessa temporada, e são argumentos inegáveis. Mas eu assisti muitos jogos do Miami Heat (alguns pra secar, alguns porque eram os melhores jogos da noite e muitos outros porque eu tinha muito interesse em ver o Big Three jogando) e, depois de tantos jogos, simplesmente não da pra falar que o Lebron é mais valioso para o Miami Heat do que o Dwyane Wade. Tudo bem, o Lebron é o jogador mais consistente do time, tem os melhores números e talvez seja até o melhor jogador no time, mas quem viu o Miami Heat jogar por um longo período de tempo - em especial os períodos conturbados - sabe que quem é o verdadeiro dono, o verdadeiro líder do time de Miami é o Wade. Quando o Eric Spolestra tentou mudar o estilo de jogo do Lebron e do Wade pra melhor combinarem em quadra, quem conseguiu fazer isso foi o Wade, ele quem começou a jogar mais sem a bola, finalizar de formas diferentes e se tornou um jogador de equipe muito mais importante do que o Lebron. E o Miami só começou a decidir jogos no final da partida quando quem começou a ter o papel de closer do time foi o Wade, antes o time sempre sentia medo quando chegava ano final de um jogo difícil. É o tipo de coisa que não aparece nas estatísticas mas que está dentro de quadra, toda noite, fazendo a diferença. É o intangível, o subjetivo, que é tão difícil de mensurar e analisar mas que é de extrema importância.
Outro candidato que tem sua sustentação em números mas também possui uma boa dose do resto é o Dwight Howard. Ele é o 10º cestinha da Liga com 23 ppg, o segundo em rebotes com 14.1 rpg e é o segundo colocado em PER com 28.4, só 0.2 a menos que o Lebron. Mas tem mais do que só números pro Dwight Howard: Ele é uma parede defensiva, eu mesmo disse ontem que votaria nele pra jogador de defesa da temporada, e ele é o principal responsável pela defesa do Magic estar entre as melhores da Liga mesmo com tanto jogador fraco defensivamente em volta. Ele é importantíssimo pra defesa do Magic, e além disso ele teve uma melhora assustadora no seu jogo ofensivo, que antes consistia apenas de pura força física mas que agora parece estar muito mais elaborada depois de um período de treinamentos com o Hakeem Olajuwon nas férias. Tudo bem, ele ainda não é tão confiável ofensivamente se não tiver a bola longe da cesta, mas já melhorou bastante em relação ao ano passado e está até acertando mais lances livres. O Dwight tem números, um impacto muito grande no seu time e é um jogador que evoluiu seu jogo. O que está faltando pra ele?
Pra mim o problema dele é simples, e é a forma como ele afeta o seu time, mais uma das "chatices" subjetivas que são tão importantes pro basquete. Cada jogador que está dentro de quadra afeta todos os outros jogadores do seu time de alguma forma, nem que seja matando eles de riso como o Brian Scalabrine. E o melhor jogador de um time - no caso do Orlando, Dwight - é o jogador que deve assumir o papel do líder, tem que exercer esse papel de liderança e ditar o ritmo do seu time. O melhor jogador de um time, que deveria ser o mais valioso pro seu time em toda a Liga, tem que fazer o possível - objetiva e subjetivamente - para que seu time seja melhor. E eu simplesmente não consigo falar disso de um jogador como o Dwight Howard, que as vezes parece que entra em quadra desinteressado, que toma faltas técnicas a torto e a direito, e principalmente que some nos momentos decisivos das partidas. O Dwight revoluciona defensivamente o Magic quando pisa na quadra, melhorou muito o seu jogo e é muito eficiente jogando, isso tudo afeta positivamente o Magic e faz sua campanha pra MVP, mas ao mesmo tempo a sua absoluta incapacidade de decidir jogos no final (Jameer Nelson é o closer do Magic, meu Deus, Jameer Nelson!) , o tipo de falta que ele costuma cometer de forma desnecessária e prejudicial ao time (Incluindo as técnicas) e principalmente o fato de ele não ter uma mentalidade que busca a vitória a todo custo para passar para seus companheiros como o líder do time são coisas que prejudicam e muito o time de Orlando! O Howard é um ótimo jogador, e é isso que ele é. Ele ainda não assumiu o papel de líder dos companheiros. O Lebron não é o líder do Heat, é o Wade, mas isso não quer dizer que ele não entre com sangue nos olhos todo jogo querendo vencer a todo custo. E o Wade é assim num nível ainda maior que ele. E essa marca dos grandes jogadores e líderes, o Howard não tem, e isso afeta diretamente o rendimento do seu time ao longo do campeonato.
A verdade dessa temporada é que ela não teve um jogador que realmente jogou num nível acima dos demais. Não é sempre que temos isso, é verdade, mas sempre existe algum jogador que está claramente se destacando, como era o caso do Lebron ano passado, por exemplo. Ele tinha os números, a liderança, os intangíveis e fez o seu time ganhar tudo na temporada regular mesmo jogando em um time apenas mediano. A gente não tem um jogador desses nessa temporada, e por isso a gente fica achando tantos defeitos nos jogadores pra tentar achar um jogador lapidado no formato que a gente espera. Não tivemos um jogador assim. Mas isso não quer dizer, pelo menos pra mim, que não tivemos um MVP.
Eu falei ontem, quando comentei que o Tom Thibodeau era o meu técnico do ano, que fiquei bem chateado (talvez 'puto' seja a palavra mais adequada) quando soube que ele estava saindo do Boston Celtics e indo pro Chicago Bulls, já que eu gostava muito dele e achava ele genial. Mas isso também fez com que eu me identificasse mais com o Bulls e começasse a assistir cada vez mais jogos do time. O que foi ótimo, porque eu pude acompanhar, desde o começo da temporada, a ascenção do Derrick Rose. O Bulls começou o ano como um bom time mas em formação, que supostamente iria brigar com o Hawks pelo quarto lugar do Leste. Eu queria fazer um post sobre o Bulls faz muito tempo, mas nunca conseguia porque o Bulls nunca ficava saudável: Uma hora era o Carlos Boozer, outra o Joakim Noah, mas o Bulls nunca emendava uma sequência grande de jogos com o time titular pra que a gente pudesse analisar. Mas o Bulls continuou ganhando, ganhando, até que hoje é o campeão do Leste e um dos times mais temidos da NBA. E essa ascenção absurda tem dois nomes: Tom Thibodeau e Derrick Rose.
O ponto forte do time do Bulls - e também um dos argumentos mais usados por aqueles que não veem o Rose como o MVP da temporada - é, indicustivelmente, a defesa. O Thibodeau implementou sua mentalidade doentia e defensiva no time desde cedo, o Chicago começou a defender feito louco e o time tem a segunda melhor defesa da Liga em pontos por jogo e a melhor em Effective FG % dos oponentes e em pontos cedidos a cada 100 posses de bola. O time não é dos maiores pontuadores da Liga, tem apenas o 19º melhor ataque (11º se ajustado a cada 100 posses de bola), mas vence principalmente por causa da sua defesa sufocante. E isso é um mérito, como eu disse ontem, do Tom Thibodeau, porque o time não conta com grandes defensores individuais (só o Ronnie Brewer, no banco, e o Noah) e o próprio Rose, embora tenha melhorado e não seja um queijo suiço como o Steve Nash quando defende, não é um defensor excepcional, e por isso muita gente diz que ele não é tão valioso assim porque o que ganha jogos é a defesa e o Rose não é um grande defensor.
Isso é muito verdade, e é inegável que o Bulls chegou ao topo do Leste por causa da sua defesa. E os números do Derrick Rose, embora bons o suficiente para um jogador estar na elite da Liga (24 ppg, sétimo da Liga, 7.8 assistências por jogo, 10º da Liga), não são também os melhores da Liga, estão abaixo de jogadores como Lebron, Howard e até o Kevin Durant, se contada a eficiência. Isso também é verdade. Mas eu já falei que números contam apenas parte da história quando a gente fala de basquete. E se por um lado o Bulls chegou aonde está em parte por causa do Thibodeau e sua defesa, também foi por causa do Rose.
O Thibodeau é um técnico novato. Tem muita experiência na Liga, mas como técnico, ele está começando agora. E ele chegou num time recém montado, onde começou a implementar seu estilo, tanto dentro como fora de quadra. Esse tipo de coisa nunca é fácil, jogadores nem sempre confiam em técnicos estreantes e geralmente demora para um time desses conseguir totalmente estar sob controle do técnico, algo muito importante quando seu técnico é tão bom e, como já dissemos, um dos grandes responsáveis pelo sucesso do time. O que aconteceu para o Thibodeau, no entanto, foi o Derrick Rose. O Rose assumiu tudo que seu técnico chegou pregando, tomou pra si a responsabilidade de liderar o time e começou a ser dentro de campo tudo que o Thibodeau pregava fora dele: ele joga com vontade do primeiro ao último minuto, não liga pros números, e se importa com a vitória mais do que qualquer coisa. Sem falar nada, sem fazer farol, o Rose cresceu pra se tornar o líder e a voz do técnico dentro do time, e foi o responsável pela mudança de postura do Chicago Bulls. O Bulls assumiu a personalidade do seu líder e melhor jogador dentro de quadra, o que acontece com os grandes craques nos grandes times. A vontade de o esforço que o Rose coloca a cada jogo e a cada treino é algo que motivou seus companheiros o ano todo a vencer, vencer e vencer. E é esse o tipo de líder que você quer para o seu time. Ele se importa, ele faz o que é necessário e joga com vontade o tempo todo. Mesmo que não afete a defesa do seu time com o seu jogo, ele afeta a defesa e todo o resto do seu time com a mentalidade e o compromisso que ele, como o líder e melhor jogador, fez o time assumir. Isso não pode ser medido, não pode ser contabilizado, mas isso é o tipo de coisa que faz os times vencerem!
Além disso, mesmo com uma defesa que toma apenas 90 pontos por jogo, você ainda precisa de um ataque que marque 91. E o Rose é o responsável por esse ataque estar funcionando. Ele é o único jogador do Bulls que sabe jogar com a bola na mão, o único que é um passador capaz de abrir espaços junto com o Noah, e o único capaz de criar o próprio arremesso. Seus companheiros - Boozer, Luol Deng, Kyle Korver - são ótimos pra finalizar as jogadas, mas precisam de alguem que fique com a bola e os ache em situações propícias, e o Rose é quem faz isso 90% do tempo. Ele tem, talvez, mais responsabilidades ofensivas do que qualquer outro jogador da Liga (tirando talvez o Steve Nash e o Chris Paul) e mesmo assim continua competindo, dando o sangue e ganhando jogos para o Bulls. Ele não cansa de treinar e evoluir seu jogo, melhorou sua distribuição de jogo e seu arremesso de três, e isso também foi responsável pela melhora do time, porque abre espaço para os outros jogadores. E foi ele que de repente virou um dos melhores closers de toda a NBA e liderou o time mesmo sem Noah e sem Boozer durante a maior parte da temporada, e fez o seu time ganhar. Isso, repito, não se mede nem se calcula, mas é o que faz a diferença a cada segundo de uma partida.
E por trazer tudo isso para seu time, e tornar esse time sem nenhuma outra estrela o melhor time da NBA, o Derrick Rose é meu MVP para a temporada 2011 da NBA, e se juntar a Magic Johnson, Oscar Robertson, Bob Cousy e Nash como os únicos armadores a terem ganho o prêmio.
E se você ainda não está convencido da história dos números, vou apresentar o problema que o Bill Simmons apresentou na sua coluna (genial, diga-se de passagem) para fazer o mesmo ponto.
"Te apresento dois jogadores:
Player A: 27.2 PPG, 10.1 RPG, 4.2 APG, 54% FG, 76% FT, 28.4 PER, 16.6 WS, 60% TS%, 1st-team All-Defense.
Player B: 29.2 PPG, 5.9 RPG, 3.8 APG, 48% FG, 81% FT, 26.3 PER, 17.1 WS, 55% TS%, 1st-team All-Defense.
Quem era melhor? É apertado, mas você escolheu o jogador A, certo?? Bom, esses são os números combinados de Karl Malone e Michael Jordan para as temporadas 1997 e 1998 da NBA. Você acabou de escolher Malone. Obrigado e dirija com cuidado." - Bill Simmons em "NBA Power Poll: The contenders"
Outro candidato que tem sua sustentação em números mas também possui uma boa dose do resto é o Dwight Howard. Ele é o 10º cestinha da Liga com 23 ppg, o segundo em rebotes com 14.1 rpg e é o segundo colocado em PER com 28.4, só 0.2 a menos que o Lebron. Mas tem mais do que só números pro Dwight Howard: Ele é uma parede defensiva, eu mesmo disse ontem que votaria nele pra jogador de defesa da temporada, e ele é o principal responsável pela defesa do Magic estar entre as melhores da Liga mesmo com tanto jogador fraco defensivamente em volta. Ele é importantíssimo pra defesa do Magic, e além disso ele teve uma melhora assustadora no seu jogo ofensivo, que antes consistia apenas de pura força física mas que agora parece estar muito mais elaborada depois de um período de treinamentos com o Hakeem Olajuwon nas férias. Tudo bem, ele ainda não é tão confiável ofensivamente se não tiver a bola longe da cesta, mas já melhorou bastante em relação ao ano passado e está até acertando mais lances livres. O Dwight tem números, um impacto muito grande no seu time e é um jogador que evoluiu seu jogo. O que está faltando pra ele?
Pra mim o problema dele é simples, e é a forma como ele afeta o seu time, mais uma das "chatices" subjetivas que são tão importantes pro basquete. Cada jogador que está dentro de quadra afeta todos os outros jogadores do seu time de alguma forma, nem que seja matando eles de riso como o Brian Scalabrine. E o melhor jogador de um time - no caso do Orlando, Dwight - é o jogador que deve assumir o papel do líder, tem que exercer esse papel de liderança e ditar o ritmo do seu time. O melhor jogador de um time, que deveria ser o mais valioso pro seu time em toda a Liga, tem que fazer o possível - objetiva e subjetivamente - para que seu time seja melhor. E eu simplesmente não consigo falar disso de um jogador como o Dwight Howard, que as vezes parece que entra em quadra desinteressado, que toma faltas técnicas a torto e a direito, e principalmente que some nos momentos decisivos das partidas. O Dwight revoluciona defensivamente o Magic quando pisa na quadra, melhorou muito o seu jogo e é muito eficiente jogando, isso tudo afeta positivamente o Magic e faz sua campanha pra MVP, mas ao mesmo tempo a sua absoluta incapacidade de decidir jogos no final (Jameer Nelson é o closer do Magic, meu Deus, Jameer Nelson!) , o tipo de falta que ele costuma cometer de forma desnecessária e prejudicial ao time (Incluindo as técnicas) e principalmente o fato de ele não ter uma mentalidade que busca a vitória a todo custo para passar para seus companheiros como o líder do time são coisas que prejudicam e muito o time de Orlando! O Howard é um ótimo jogador, e é isso que ele é. Ele ainda não assumiu o papel de líder dos companheiros. O Lebron não é o líder do Heat, é o Wade, mas isso não quer dizer que ele não entre com sangue nos olhos todo jogo querendo vencer a todo custo. E o Wade é assim num nível ainda maior que ele. E essa marca dos grandes jogadores e líderes, o Howard não tem, e isso afeta diretamente o rendimento do seu time ao longo do campeonato.
A verdade dessa temporada é que ela não teve um jogador que realmente jogou num nível acima dos demais. Não é sempre que temos isso, é verdade, mas sempre existe algum jogador que está claramente se destacando, como era o caso do Lebron ano passado, por exemplo. Ele tinha os números, a liderança, os intangíveis e fez o seu time ganhar tudo na temporada regular mesmo jogando em um time apenas mediano. A gente não tem um jogador desses nessa temporada, e por isso a gente fica achando tantos defeitos nos jogadores pra tentar achar um jogador lapidado no formato que a gente espera. Não tivemos um jogador assim. Mas isso não quer dizer, pelo menos pra mim, que não tivemos um MVP.
Eu falei ontem, quando comentei que o Tom Thibodeau era o meu técnico do ano, que fiquei bem chateado (talvez 'puto' seja a palavra mais adequada) quando soube que ele estava saindo do Boston Celtics e indo pro Chicago Bulls, já que eu gostava muito dele e achava ele genial. Mas isso também fez com que eu me identificasse mais com o Bulls e começasse a assistir cada vez mais jogos do time. O que foi ótimo, porque eu pude acompanhar, desde o começo da temporada, a ascenção do Derrick Rose. O Bulls começou o ano como um bom time mas em formação, que supostamente iria brigar com o Hawks pelo quarto lugar do Leste. Eu queria fazer um post sobre o Bulls faz muito tempo, mas nunca conseguia porque o Bulls nunca ficava saudável: Uma hora era o Carlos Boozer, outra o Joakim Noah, mas o Bulls nunca emendava uma sequência grande de jogos com o time titular pra que a gente pudesse analisar. Mas o Bulls continuou ganhando, ganhando, até que hoje é o campeão do Leste e um dos times mais temidos da NBA. E essa ascenção absurda tem dois nomes: Tom Thibodeau e Derrick Rose.
O ponto forte do time do Bulls - e também um dos argumentos mais usados por aqueles que não veem o Rose como o MVP da temporada - é, indicustivelmente, a defesa. O Thibodeau implementou sua mentalidade doentia e defensiva no time desde cedo, o Chicago começou a defender feito louco e o time tem a segunda melhor defesa da Liga em pontos por jogo e a melhor em Effective FG % dos oponentes e em pontos cedidos a cada 100 posses de bola. O time não é dos maiores pontuadores da Liga, tem apenas o 19º melhor ataque (11º se ajustado a cada 100 posses de bola), mas vence principalmente por causa da sua defesa sufocante. E isso é um mérito, como eu disse ontem, do Tom Thibodeau, porque o time não conta com grandes defensores individuais (só o Ronnie Brewer, no banco, e o Noah) e o próprio Rose, embora tenha melhorado e não seja um queijo suiço como o Steve Nash quando defende, não é um defensor excepcional, e por isso muita gente diz que ele não é tão valioso assim porque o que ganha jogos é a defesa e o Rose não é um grande defensor.
Isso é muito verdade, e é inegável que o Bulls chegou ao topo do Leste por causa da sua defesa. E os números do Derrick Rose, embora bons o suficiente para um jogador estar na elite da Liga (24 ppg, sétimo da Liga, 7.8 assistências por jogo, 10º da Liga), não são também os melhores da Liga, estão abaixo de jogadores como Lebron, Howard e até o Kevin Durant, se contada a eficiência. Isso também é verdade. Mas eu já falei que números contam apenas parte da história quando a gente fala de basquete. E se por um lado o Bulls chegou aonde está em parte por causa do Thibodeau e sua defesa, também foi por causa do Rose.
O Thibodeau é um técnico novato. Tem muita experiência na Liga, mas como técnico, ele está começando agora. E ele chegou num time recém montado, onde começou a implementar seu estilo, tanto dentro como fora de quadra. Esse tipo de coisa nunca é fácil, jogadores nem sempre confiam em técnicos estreantes e geralmente demora para um time desses conseguir totalmente estar sob controle do técnico, algo muito importante quando seu técnico é tão bom e, como já dissemos, um dos grandes responsáveis pelo sucesso do time. O que aconteceu para o Thibodeau, no entanto, foi o Derrick Rose. O Rose assumiu tudo que seu técnico chegou pregando, tomou pra si a responsabilidade de liderar o time e começou a ser dentro de campo tudo que o Thibodeau pregava fora dele: ele joga com vontade do primeiro ao último minuto, não liga pros números, e se importa com a vitória mais do que qualquer coisa. Sem falar nada, sem fazer farol, o Rose cresceu pra se tornar o líder e a voz do técnico dentro do time, e foi o responsável pela mudança de postura do Chicago Bulls. O Bulls assumiu a personalidade do seu líder e melhor jogador dentro de quadra, o que acontece com os grandes craques nos grandes times. A vontade de o esforço que o Rose coloca a cada jogo e a cada treino é algo que motivou seus companheiros o ano todo a vencer, vencer e vencer. E é esse o tipo de líder que você quer para o seu time. Ele se importa, ele faz o que é necessário e joga com vontade o tempo todo. Mesmo que não afete a defesa do seu time com o seu jogo, ele afeta a defesa e todo o resto do seu time com a mentalidade e o compromisso que ele, como o líder e melhor jogador, fez o time assumir. Isso não pode ser medido, não pode ser contabilizado, mas isso é o tipo de coisa que faz os times vencerem!
Além disso, mesmo com uma defesa que toma apenas 90 pontos por jogo, você ainda precisa de um ataque que marque 91. E o Rose é o responsável por esse ataque estar funcionando. Ele é o único jogador do Bulls que sabe jogar com a bola na mão, o único que é um passador capaz de abrir espaços junto com o Noah, e o único capaz de criar o próprio arremesso. Seus companheiros - Boozer, Luol Deng, Kyle Korver - são ótimos pra finalizar as jogadas, mas precisam de alguem que fique com a bola e os ache em situações propícias, e o Rose é quem faz isso 90% do tempo. Ele tem, talvez, mais responsabilidades ofensivas do que qualquer outro jogador da Liga (tirando talvez o Steve Nash e o Chris Paul) e mesmo assim continua competindo, dando o sangue e ganhando jogos para o Bulls. Ele não cansa de treinar e evoluir seu jogo, melhorou sua distribuição de jogo e seu arremesso de três, e isso também foi responsável pela melhora do time, porque abre espaço para os outros jogadores. E foi ele que de repente virou um dos melhores closers de toda a NBA e liderou o time mesmo sem Noah e sem Boozer durante a maior parte da temporada, e fez o seu time ganhar. Isso, repito, não se mede nem se calcula, mas é o que faz a diferença a cada segundo de uma partida.
E por trazer tudo isso para seu time, e tornar esse time sem nenhuma outra estrela o melhor time da NBA, o Derrick Rose é meu MVP para a temporada 2011 da NBA, e se juntar a Magic Johnson, Oscar Robertson, Bob Cousy e Nash como os únicos armadores a terem ganho o prêmio.
E se você ainda não está convencido da história dos números, vou apresentar o problema que o Bill Simmons apresentou na sua coluna (genial, diga-se de passagem) para fazer o mesmo ponto.
"Te apresento dois jogadores:
Player A: 27.2 PPG, 10.1 RPG, 4.2 APG, 54% FG, 76% FT, 28.4 PER, 16.6 WS, 60% TS%, 1st-team All-Defense.
Player B: 29.2 PPG, 5.9 RPG, 3.8 APG, 48% FG, 81% FT, 26.3 PER, 17.1 WS, 55% TS%, 1st-team All-Defense.
Quem era melhor? É apertado, mas você escolheu o jogador A, certo?? Bom, esses são os números combinados de Karl Malone e Michael Jordan para as temporadas 1997 e 1998 da NBA. Você acabou de escolher Malone. Obrigado e dirija com cuidado." - Bill Simmons em "NBA Power Poll: The contenders"
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