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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Sete Segundos ou Menos - 08/12

                                      Resultado de imagem para steve nash
Are you not entertained?!


Testando um novo formato de coluna essa semana, que eu chamei de Sete Segundos ou Menos - homenagem ao famoso Seven Seconds or Less, o estilo de jogo do Phoenix Suns sob o comando de Mike D'Antoni nos anos 2000 que revolucionou para a sempre a NBA - e nos deu alguns dos mais divertidos times de todos os tempos.

A ideia da coluna Seven Seconds or Less - em teoria - é ao invés de tratar de um único assunto extensivo, tratar de vários assuntos menores, assuntos que não valem uma coluna sozinhos mas que ainda assim são pontos que eu gostaria de discutir. É uma versão basicamente com mini-colunas, condensada em uma só. Vamos ver se o formato funciona.

E se você não acha que essa só é uma desculpa para postar alguns vídeos do meu jogador favorito de todos os tempos (como esse passe mágico para o Grant Hill)... você não me conhece o suficiente.




Vamos a isto.

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1. Philadelphia 76ers, dividindo minutos entre suas estrelas.

Quinta feira à noite, o Philadelphia 76ers foi surpreendido em casa e derrotado por um fraco time do Lakers. No entanto, seria difícil para você adivinhar isso se eu te falasse do quão dominantes foram suas duas estrelas: Joel Embiid anotou 33 pontos, pegou 7 rebotes e deu 6 assistências (e mais 5 tocos), enquanto Ben Simmons teve um Triple Double com 12 pontos, 13 rebotes e 15 assistências. Ambos foram fantásticos na partida e é difícil acreditar que Philly perderia com ambos tão bem.

O problema é que Philly apanhou quando esteve sem suas estrelas. Nos 36 minutos que Embiid esteve em quadra, Philadelphia foi +14 em quadra. E nos 12 que descansou, Philly perdeu para o Lakers por 17 pontos (!!!!). Com Simmons talvez seja ainda pior: +9 quando esteve em quadra, e nos 6 minutos que descansou, o Sixers perdeu por 12 pontos. Philly passou apenas um minuto e meio com ambas as suas estrelas no banco, mas foram minutos desastroso: o Lakers ganhou a "parcial" (ou as parciais) por 11 a 2.

Essa derrota foi um microcosmos de um problema que tem certamente tirado noites de sono do técnico Brett Brown, e de muitos outros técnicos ao longo do tempo na NBA: Qual é a melhor forma de distribuir os minutos das suas estrelas? Em outras palavras, o melhor é usar as duas junto o máximo de tempo possível junto, maximizar a combinação, mas passar mais tempo com apenas os reservas jogando? Ou então distribuir ao máximo os minutos das estrelas para que o banco nunca precise jogar sem nenhuma delas em quadra?

Foi uma questão que durante muito tempo incomodou (e ainda incomoda) times como Clippers (na época de CP3/Blake) ou Wizards, e não existe uma resposta certa. Durante anos o Wizards optou por juntar Wall e Beal, e foi massacrado quando os dois sentavam. O Clippers teve um problema semelhante com Paul e Blake Griffin. E agora chegou a vez do Sixers tomar algumas decisões.

Até aqui, o Sixers tem optado por jogar as suas estrelas juntas o máximo de tempo possível. Dos 605 minutos que Embiid jogou em jogos que Simmons também atuou, 78% deles (472) vieram jogando junto do calouro, e apenas 133 foram como única estrela em quadra - o que da pouco mais de seis minutos por jogo. Simmons jogou mais tempo sem Embiid (mesmo desconsiderando os jogos com Embiid inativo), 250 minutos, mas também é praticamente metade do tempo que passou ao lado do pivô camaronês.

Isso faz algum sentido. Simmons ainda não tem um arremesso fora do garrafão, e jogar ao lado de Embiid - cujo alcance se estica até a linha dos 3 pontos e sempre comanda uma marcação apertada - abre os espaços que Simmons precisa para chegar até o garrafão e aproveitar linhas de passe. Philadelphia tem destruído times quando os dois estão juntos em quadra: nos 472 que Simmons e Embiid jogaram juntos, Philly está +99, com um Net Rating de +9,9.

O outro lado da moeda, entretanto, são os 164 minutos que o Sixers passou em quadra sem Embiid nem Simmons, e esses minutos Philly está com horríveis -52, ou -12,8 Net Rating. Ontem foi um exemplo (até extremo) desse fenômeno, mas a verdade é que Philly simplesmente não tem a criatividade e o playmaking vindo do banco para aguentar muitos minutos sem uma das suas estrelas em quadra. Talvez isso mude com a volta de Markelle Fultz, mas a essa altura parece um long shot confiar na produção imediata da escolha #1 do Draft. E a margem de erro do Sixers não é grande suficiente para sobreviver a minutos dessas unidades.

Talvez seja hora do Sixers começar a usar suas estrelas de forma mais separada. Exceto quando não há alternativa - jogos que Simmons ou Embiid estiverem fora - esses alinhamentos simplesmente não deveriam passar um minuto sequer em quadra para um time que sonha com a pós temporada. Embora o time caia bastante (previsivelmente) com apenas uma das duas estrelas em quadra, não é para níveis tão desastrosos quanto naqueles momentos sem nenhum dos dois: lineups com apenas Embiid tem enfrentado adversários basicamente em um empate (-2 em 162 minutos), e embora as lineups com apenas Simmons tenham números mais problemáticos (-46 em 358 minutos, -5,2 Net Rating), esses números estão "poluídos" pelos 108 minutos que Simmons jogou com Embiid inativo, enfrentando diretamente unidades titulares que não enfrentaria em situações "normais" de rotação. Pegando apenas os minutos que Simmons jogou sem Embiid em jogos que ambos participaram os números não são tão problemáticos, -18 em 250 minutos de quadra. Nenhuma das duas é perfeita, mas é uma maneira de evitar esses minutos desastrosos sem as estrelas em quadra, quando o time se coloca em buracos com muito mais rapidez relativa do que os dois jogadores juntos "tiram".

Um argumento contrário a essa distribuição de minutos seria que, pensando no futuro, é importante dar a Embiid e Simmons o máximo de minutos possíveis juntos para desenvolver o entrosamento, mas é um argumento que não faz sentido considerando que Simmons (que perdeu o ano de calouro com uma lesão no pé) jogou 42 minutos nesse jogo, e Embiid 36. O Sixers está forçando para chegar nos playoffs agora, e pensando nesse sentido, é crucial eliminar esses minutos sem ambos em quadra. Ontem, custou uma vitória ao Lakers. Não foi a primeira vez. E, se continuar acontecendo, não vai ser a última. E, se o Sixers quer mesmo chegar aos playoffs e talvez surpreender alguém, essas são vitórias que podem fazer falta.


2. Giannis Antetokounmpo, pivô

É difícil realmente classificar Giannis Antetokounmpo com uma posição. Ele é um jogador de 2m11 que arma o jogo, protege o aro, e defende 5 posições. Que seja, ele JOGA nas 5 posições! Essa flexibilidade maluca é parte do que faz de Giannis um jogador tão bom, e tão importante para o Bucks. Que posição Giannis é, ou joga, depende muito mais das peças ao seu redor do que de quem ele realmente é, e podem ter certeza que isso vai gerar discussão na hora de votar o All-Star Game ou até os times All-NBA ao final do ano.

Mas a posição que Giannis mais me intriga é jogando como pivô. Não da nem para chamar essas lineups de baixas - Giannis é mais alto do que vários dos pivôs da NBA, tem alcance maior que praticamente todos, e já se mostrou excelente protegendo o aro - mas as formações sem Maker, Henson ou Monroe que Giannis joga como pivô nominal, em geral cercado por arremessadores. O Bucks tem sido, naturalmente, cauteloso com essas formações, especialmente na temporada regular - você não quer expor Giannis a trombadas constantes no garrafão e taxar o físico da sua superestrela sem necessidade. Ao todo, Giannis jogou com pivô apenas 45 minutos na temporada.

Ainda assim, é difícil não ver o que essas lineups tem de atraente. Giannis tem o tamanho e capacidade defensiva para executar o papel de um (bom) pivô do lado defensivo da quadra, então você não precisa sacrificar tanto nesse sentido. E ofensivamente essas lineups com Giannis e arremessadores são impossíveis de se defenderem normalmente: você pode ficar preso mantendo um pivô ou ala de força mais lento em cima de Giannis, o que é a receita para o desastre, ou então tentar esconder isso em um arremessador e tirar o protetor de aro de dentro do garrafão, onde Antetokounmpo faz a grande maioria dos seus pontos - e isso sem entrar no mérito do caos que um time assim cria em situações de transição, quando o adversário precisa em velocidade achar a marcação certa, abrindo assim espaços e criando missmatches que esse time pode explorar. Milwaukee não é um time grande nas alas, então essas formações não teriam muito tamanho, mas compensariam isso com versatilidade e velocidade. No papel, pode ser a base para um ataque extremamente explosivo.

E a boa notícia é que, desde a chegada de Eric Bledsoe (e a partida de Greg Monroe) o Bucks tem dado mais espaço para essas formações com Giannis na posição 5 - dos 45 minutos que Giannis jogou na posição, 21 vieram desde a troca. A lineup com Bledsoe-Brogdon-Snell-Middleton-Giannis já jogou 16 minutos junta, e com bons resultados, incluindo um Net Rating de 3,5 e um Offensive Rating de 121,8 que destruiria o melhor ataque da liga (Golden State) por muito. A mesma formação, mas com Dellavedova no lugar de Bledsoe (a segunda mais usada), também tem igualmente destruído adversários do lado ofensivo da quadra. No jogo recente contra Boston foram essas lineups que colocaram o Bucks de volta no jogo, antes de Boston enfim abrir uma vantagem definitiva no final.

Claro, a amostra ainda é muito pequena, e essas lineups também sofreram bastante defensivamente nesses minutos limitados (a defesa do Bucks é assunto para outro post). Mas é uma formação bastante interessante e promissora, e é muito bom ver Milwaukee começando a ficar mais confortável com essas lineups - e devem ficar ainda mais quando Jabari Parker voltar. Algo para se monitorar ao longo do ano.


3. Houston Rockets destruindo tudo pelo seu caminho

O Rockets deveria ser uma história maior nesse início de temporada, e por algum motivo está escapando ao grande público. Esse time está FANTÁSTICO até aqui: Apenas Boston tem uma melhor campanha (e o mesmo número de derrotas); apenas Golden State tem melhor Net Rating e melhor ataque; apenas Boston e GSW tem melhor RPI. Seu Net Rating é um historicamente excelente 11,3. Eles estão destruindo times a torto e a direito. E, mais assustador, Chris Paul e James Harden estão mostrando um entrosamento excelente ainda muito cedo.

Mas o que é realmente interessante é o quão bom o Rockets tem sido desde a volta de Chris Paul. Foram 8 jogos desde então, e 8 vitórias do Rockets com um net Rating insano de +20.0 por 100 posses de bola. Para referência, o Warriors lidera a NBA com +13.1, que já é um excelente número. Nesse tempo, o Rockets tem a melhor defesa E o melhor ataque da NBA, e suas duas estrelas estão jogando um basquete de outro nível: Chris Paul tem 14 pontos e 10 assistências de média, com 46 FG%, 46 3PT%, e menos de 2 turnovers por jogo. James Harden - que deveria ser hoje o favorito na briga pelo MVP - teve 33 pontos, 8 assistências e 48-43-93 nos arremessos. Claro, é uma amostra pequena e contra um calendário favorável, mas também uma mostra do quão assustador esse time pode ser.

E o que faz de Houston tão bom e tão assustador é sua capacidade de manter o poder de fogo funcionado por 48 minutos sem interrupção. A dupla Harden-Paul dentro de quadra tem sido sólida jogando junta - +6.8 de Net Rating em 173 minutos com ambos em quadra. Uma marca boa, mas não espetacular dado que o Rockets como time tem +11.2 de Net Rating.

No entanto, esse não é o ponto. Ao contrário do Sixers, Mike D'Antoni tem buscado separar mais suas estrelas. Quando elas estão juntas, ótimo: o Houston ainda está chutando bundas. Mas a mágica do Rockets é que, quando um deles sai, o time ainda tem um armador de nível MVP para comandar seu ataque. A gente sabe repetidamente o que Harden é capaz de fazer conduzindo esse ataque do Rockets, especialmente agora que tem mais armas de bom nível (dos dois lados da quadra) do que nunca: O Rockets tem Net Rating de +14,7 quando James Harden está em quadra sem Chris Paul, um número que engloba os jogos que Paul ficou inativo.

Mas esse não é o pulo do gato. O problema é que quando James Harden sai e Paul entra para comandar o ataque no seu lugar, o Rockets tem um Net Rating de... erm... de +32.1. Yep, 32,1. +66 de +/- em 94 minutos. Sim, esse é um número real. Claro que é um subproduto insustentável de uma amostra pequena contra um calendário fraco, mas é só assistir o jogo que é fácil de perceber o quão devastadora é a segunda unidade do Rockets com Paul no comando. Depois de anos jogando seu estilo favorito - ritmo lento, arremessos de meia distância, controle do jogo  - é surreal o quão rápido Paul se adaptou ao ataque de D'Antoni e já tem total controle do jogo por lá. O pace do time com Paul é um dos mais rápidos da NBA, e CP3 está conduzindo esse ataque com perfeição mesmo sendo apenas seu nono (!!!) jogo em Houston. Paul enxerga todos os passes, todas as movimentações, e sabe exatamente o que fazer em todas as situações. Cerque isso com o esquema certo, as movimentações certas, e os jogadores certos, e você vai certamente ter um ataque infernal.

E, acima de tudo, é isso que faz do Rockets tão bom: 48 minutos de inferno ininterruptos (exceto, bem, garbage time... que tem, alias, acontecido bastante), 48 minutos de um armador nível Hall da Fama (e nível alto mesmo dentro do Hall da Fama) comandando um ataque devastador famoso por destruir adversários. Você não vai ter um minuto para descansar até que a vantagem passe dos 20 pontos. Boa sorte tentando acompanhar essa dupla.

Não da, nessa temporada, para falar de Golden State - o time está claramente jogando em terceira marcha e se poupando para os playoffs (existe algum potencial de 2001 Lakers aqui, diga-se de passagem). Nada que virmos até Abril indicará nada do seu nível real. Mas com o Rockets jogando nesse nível, não é absurdo sugerir que esse seja o time mais dominante da liga que vimos até aqui, com a volta de Chris Paul.

Para a pós-temporada, os minutos dos reservas tende a diminuir, e fica mais fácil desmontar um ataque que depende de um jogador só - Houston vai precisar da combinação entre Harden e Paul mais do que dos minutos que as estrelas jogam separadamente. Até lá, é importante que as formações com CP3 e Harden estejam no seu melhor nível. Mas por enquanto, esse time é forte o suficiente, e tem talento suficiente, para varrer a temporada regular sem deixar vestígios, enquanto nós apreciamos um dos times mais divertidos e interessante dos últimos anos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Um chinês em New York

"A resposta da questão 22-b era um!!"


O New York Knicks é, como se sabe, uma franquia muito tradicional na NBA. Joga num dos maiores mercados dos EUA, é o time que mais ganha dinheiro na Liga, uma das franquias mais valiosas da NBA, tem o ginásio mais bolado de lá e uma das torcidas mais fanáticas. Ou seja, é um time tradicional e importante e que tem tudo pra ser um time vencedor como o time mais vencedor da cidade (E dos esportes americanos), o Yankees.

Mas toda essa tradição e dinheiro do Knicks não tem se traduzido em títulos. Ao longo dos ultimos anos, o Knicks tem sido o time que mais ganhou dinheiro mas também o que mais gastou - e o pior, gastou com jogadores como Eddy Curry e Stephon Marbury. Um fracasso em termos de administração e gestão, o Knicks dos últimos anos acumulou fracassos e frustraçōes na Liga, nunca foi realmente competitivo desde o começo da década passada. Pra mudar isso, a Franquia apostou no que ela tem de melhor - que definitivamente não é a administração. Ou seja, apostou na cidade de New York, no dinheiro que jogar nesse enorme mercado dá e no quanto ele é atrativo para os jogadores: Trouxe por uma fortuna na Free Agency o Amare Stoudamire depois que Lebron James e Dwyane Wade recusaram a oferta, e trouxe o Carmelo Anthony quando ele forçou a saída do mercado pequeno que era o Nuggets em Denver. Tudo bem, o Knicks pagou caro pelo Melo e o Nuggets se reconstruiu e montou um grande time jovem e coletivo, mas conseguiu seu objetivo: Juntou duas superestrelas e limpou espaço pra contratar mais uma, no caso o armador Chris Paul, que poderia terminar seu contrato no final dessa temporada e sair de New Orleans.

Bom, a gente sabe o que aconteceu depois: O Chris Paul foi trocado para o Lakers numa troca que também envolveu o Rockets. Com o Paul (sonho de consumo do Knicks) fora da jogada, o time de NY usou o seu espaço salarial pra assinar o Free Agent Tyson Chandler pra ser a âncora defensiva de um time que não sabia o que era defesa. Quando o David Stern decidiu explodir a Liga e ferrar de vez Lakers e especialmente o Rockets (Mais sobre isso daqui a pouco) vetando a troca do CP3 para o Lakers, o contrato do Chandler já estava assinado e o Knicks não podia mais voltar atrás pra manter o teto salarial aberto pro Paul. Assim, o Knicks teve que se contentar com o núcleo de Melo, Amare e Chandler.

De uma maneira meio bizarra, o Chandler cumpriu seu papel de tornar um time que não se interessava por defesa em um time capaz de apertar no lado defensivo e contar com um ataque eficiente para vencer alguns jogos. A defesa do time não é do nível de Heat ou Bulls, claro, mas está muito longe de ser uma peneira e está entre as 10 melhores da Liga, em boa parte por causa do Chandler. Ele cumpriu perfeitamente seu papel de quando foi contratado, e o time do Knicks tinha eliminado seu grande problema de 2011. Mas curiosamente, o grande problema do Knicks se tornou o ataque. O ataque  da equipe, que deveria se apoiar amplamente no talento individual da dupla Melo/Amare, passou a ser estático, previsível, sem movimentação de bola e a viver de jogadas forçadas das suas duas estrelas. Não tinha espaçamento em quadra, não tinha uma tática definida, era basicamente tocar pras estrelas e esperar elas resolverem sozinhas. 

Isso acabou caindo como culpa do técnico Mike D'Anthony, em parte justificadamente e em parte não. O Mike D'Anthony é um técnico limitado que teve muito sucesso com o Phoenix Suns de 2005-2006, o famoso Suns dos "Sete segundos ou menos", que corria como se a vida dependesse disso, jogava na velocidade, arremessava muito de três pontos e confiava no gênio do Steve Nash pra distribuir a bola e manter o ataque funcionando. O problema do D'Anthony é justamente a sua dependência desse esquema de jogo, um esquema de correria, passes rápidos e que depende muito de um armador capaz de infiltrar. Ele só sabe jogar esse estilo, um estilo de muito espaçamento, velocidade e que depende de um armador que distribua o jogo e ataque o aro. Com as peças pra jogar no seu estilo, ele o faz muito bem, mas não tem a capacidade de se adaptar a outros estilos de jogo, ou adaptar o seu estilo aos jogadores com características diferentes - caso do Knicks. O problema é justamente pedir pro D'Anthony fazer isso, jogar com jogadores totalmente opostos ao esquema tático que ele sabe. Ele tentou adaptar os jogadores ao estilo, tentou mudar o estilo pra se adaptar aos jogadores, e não funcionou, o ataque continuava uma droga estática e o Knicks começou a perder, perder e parecer uma droga que não ia a lugar nenhum. Quando Amare se ausentou por causa da morte do irmão e o Melo saiu machucado, parecia que o Knicks estava condenado à mediocridade.

Foi ai que o Knicks achou ouro em um armador chinês, formado em economia em Harvard chamado Jeremy Lin. Se voceê tiver interesse na história mais detalhada do Lin, o Bola Presa fez um post a respeito nas Summer Leagues da temporada passada, muito antes dele ficar famoso, então é bem legal ver a história dele antes de ficar famoso. Mas resumidamente, ele é um chinês (ainda que tenha nascido na Califórnia, os pais são chineses) que ficou conhecido por jogar como armador por Harvard - sim, essa Harvard mesmo, da Ivy League. Ele jogou muito bem no College, chegou a disputar o prêmio de melhor armador da NCAA e levou Harvard a uma boa colocação, mas não foi Draftado. Apareceu bem nas Summer Leagues daquele ano, onde humilhou o John Wall, e ganhou um contrato com o Warriors, onde não teve chance nenhuma, passou o ano na D-League e acabou dispensado. Esse ano, começou no Rockets, foi dispensado quando a troca do CP3 foi cancelada e acabou indo parar no Knicks. Quando estava para ser dispensado novamente, teve a chance de jogar numa partida vindo do banco, e anotou 25 pontos. No jogo seguinte foi titular, destruiu o espaço tempo, jogou como o armador que o D'Anthony sempre quis pro seu esquema tático, foi espetacular e não saiu mais do time.

O Lin acabou virando um fenômeno em duas frentes, dentro e fora de quadra. Fora de quadra, chamou a atenção por diversas coisas na sua história: o fato de ter vindo de um College como Harvard, de ser chinês, e de ser um jogador totalmente desconhecido que chegou na NBA quebrando recorde atrás de recorde, pontuando e assistindo feito doido, fazendo o time do Knicks funcionar como uma equipe de verdade. Ninguém entendia como um jogador tão bom (o que ficou claro depois de dois ou três jogos, que ele não era simplesmente fogo de palha, e sim um jogador realmente talentoso) podia não ter sido draftado, passado uma temporada inteira na D-League, ter sido dispensado por dois times sem ninguém ter percebido que ele era na verdade muito bom!! A NBA já teve casos de bons jogadores não Draftados, mas não com esse nível de talento nem depois de ter passado um ano inteiro na D-League. Ele também virou um fenômeno de mídia e acabou muito comparado com o Tim Tebow, Quarterback do Denver Broncos.

Sinceramente, essa é uma das piores comparaçōes esportivas de todos os tempos, incluindo aí quando compararam o Adam Morrisson com o Larry Bird. O Tebow e o Lin são dois jogadores religiosos, dois fenômenos de mídia carismáticos... E pronto, acabou o que eles tem em comum! De resto, eles são dois jogadores bastante opostos, e os motivos da enorme atenção da mídia que eles atraem também são: Tebow foi um dos maiores jogadores de College Football de todos os tempos mas claramente não chegou na NFL com as ferramentas necessárias pra jogar nos profissionais. Foi draftado alto com base nas esperanças e expectativas que trazia do College, e mesmo não estando no nível de jogo da NFL, acabou titular e continuou ganhando jogo atrás de jogo de forma absurda e na pura raça, porque em termos de habilidades ele ainda não está num nível acima da média. O mais impressionante do fenômeno Tebowmania era que o Tebow era um QB mediano que continuava ganhando com as poucas armas que lhe restavam. O Lin é exatamente o oposto: Carreira desconhecida do grande público no College, nenhuma expectativa no Draft (tanto que não foi Draftado), apareceu pra Liga do nada porque tem muito talento pra jogar entre os profissionais e foi uma surpresa tão grande porque ele era bom demais e ninguém conhecia ele, foi só ele ganhar uma chance que explodiu. Ou seja, são histórias totalmente diferentes e jogadores totalmente diferentes, a comparação é bem ruinzinha. 

Se querem comparar o fenômeno Linsanity a alguma coisa, comparem à Fernandomania, do arremessador Fernando Valenzuela. Pra quem não conhece, Fernando Valenzuera foi um arremessador mexicano que apareceu no Los Angeles Dodgers no começo de uma bela temporada como titular, era bom pra cacete e tomou a Liga de assalto, foi um fenômeno de mídia que apareceu do nada e representava uma minoria nos EUA (os mexicanos no caso, como os asiáticos para Lin) e que fez todo mundo ficar se perguntando "De onde surgiu esse cara??". A mesma história, jogadores muito talentosos que surgiram do nada, sem nenhuma expectativa, e que de repente começaram a jogar muito. A diferença básica entre os dois foi mais contextual do que outra coisa: Fernando era um jogador melhor do que Lin (ganhou o prêmio de melhor arremessador de TODA a NL como calouro) e porque baseball em 1984 era mais importante pros EUA do que basquete em 2012, mas as situaçōes são muito parecidas. Muito mais do que com Tebow.

Mas dentro de quadra, o impacto do Lin foi enorme, justamente porque ele é o armador no qual todo o esquema tático do Mike D'Anthony se baseia, um armador com bons passes, inteligência e que sabe infiltrar e criar espaço. Foi só o Lin começar a jogar que tudo no Knicks caiu no seu lugar mesmo sem Melo e Amare: Ele começou a conseguir muitos pontos vindos de infiltração, trabalhou no pick and roll muito bem com o Chandler (que consegue seus pontos no ataque com um armador decente), os arremessadores do time se espalharam pelo perímetro, o Chandler começou a pegar rebote ofensivo atrás de rebote ofensivo... Tudo isso faz parte do esquema do D'Anthony, só que agora que estava começando a funcionar porque tinha alguém pra atacar a cesta, abrir os espaços no qual o Mike gosta de trabalhar e distribuir o jogo para quem estivesse livre quando a marcação reagisse às infiltraçōes do Lin. Finalmente o Knicks pode implementar o jogo que seu técnico queria desde o começo, o Steve Novak começou a receber as bolas que ele precisava pra acertar tudo de longe, os rebotes ofensivos cairam na mão do Chandler, e o time pontuou no garrafão com seu armador.

A dúvida que ficava, portanto, era como os astros do time Amare e Melo - e depois a contratação chinesa do time no JR Smith - iam se encaixar nesse time, como suas características iam combinar com a do armador chinês e da forma de jogar que o seu técnico tanto gosta. O Amare, de certa forma, era o menor dos problemas: Ele sempre foi um jogador que se beneficiou do pick and roll com o Nash em Phoenix e que está no seu melhor finalizando de frente pra cesta recebendo um bom passe. No seu primeiro jogo voltando dos problemas familiares, ele finalizou cinco bolas saindo de pick and roll - ele tinha média de uma finalização dessas por temporada. Esse pick and roll ainda não é uma jogada de conforto do time (as vezes passam tempo demais sem usar) e as vezes parece que o Chandler no garrafão ocupa um espaço que o Amare gostaria de ter livre pra atacar a cesta - o que resulta em alguns arremessos bobos de meia distância - mas com um pouco de entrosamento e prática o Knicks provavelmente vai começar a fazer isso com mais naturalidade. O Lin fez muito bem os pick and rolls com o Chandler, e o Amare é um finalizador muito melhor que o Chandler, logo ele deve assumir o papel nessas jogadas e o Chandler deve fazer um papel mais de segurar o rebote ofensivo. De certa forma ele realmente ocupa um espaço que o Amare gosta de usar, mas isso pode ser contornado de diferentes maneiras: O Chandler pode continuar fazendo o pick and roll com o Amare se posicionando pra um arremesso de meia distância, ou então o Chandler pode se afastar um pouco do aro quando o PnR acontecer pra buscar o rebote vindo de fora. Ou seja, a jogada está lá e o D'Anthony trabalhou muito bem com ela em Phoenix, não vejo ele tendo muitos problemas pra adaptar essa jogada da melhor forma possível para o seu time.

O JR Smih é um caso particular, mas também não deve apresentar problemas. O JR Smith é o famoso arremessador de três sem cérebro, tem talento pra cacete mas não tem cabeça e prefere ficar forçando bolas de três até alguém se enfezar com ele. Ou seja, típico jogador pra vir do banco e encher de bolas de três, as vezes elas caem e outras não, mas como é exatamente isso que ele faz - e foi contratado pra fazer - é mais uma questão de controlar os minutos dele do que de encaixá-lo em esquema tático, porque ele não segue nenhum. Acho que vai acabar beneficiado pelo maior espaçamento, mas ai vai continuar com seu joguinho de chutar de longe, e o Mike D'Anthony que se vire pra controlar os minutos do JR e usar ele e sua porralouquice de uma forma benéfica à equipe.

Enfim, chegamos no problema: O grande astro do time, Carmelo Anthony. O Melo é um jogador espetacular, ofensivamente provavelmente é o jogador mais completo de toda a NBA e é um dos melhores fechadores da Liga. Ele  arremessa de dois, de três, infiltra, bate lances livres, joga de costas pra cesta, na transição... Enfim, uma força ofensiva. Mas o Melo também sempre foi um jogador que gosta de segurar a bola, criar o próprio arremesso e as vezes arremessa demais e sem critério. A melhor fase do Carmelo na sua carreira foi no Nuggets exatamente quando o time trouxe um armador pra tomar conta da equipe, no caso o Chauncey Billups. Isso foi muito importante pro time e pro Melo porque o Billups é um armador calmo e pensador que controlava o jogo e fazia as bolas chegarem no Melo nas horas certas pra ele partir pra cima e pontuar alucinadamente. Inclusive, na minha avaliação, é o melhor tipo de jogador pra acompanhar o Melo, alguém que pense o jogo e acione o Melo nas horas certas pra ele funcionar como o pontuador nato que é mas sem atrapalhar o esquema de jogo e a rotação de bola da equipe. E bom, armador calmo, pensador e que cadencia o jogo? Por melhor que ele seja, é o oposto do que o Lin faz de melhor, que é atacar a cesta, acelerar o ataque e abrir espaços na defesa. O Lin é um jogador inteligente, mas não é um armador pensador (E o Knicks nem quer que ele seja, ele é muito mais útil sendo desse jeito!) e nem tem a função de acionar os companheiros na melhor posição, pelo contrário, ele ataca a cesta o mais rápido que puder sempre controlando a bola. E isso - e essa é a minha preocupação - é algo que conflito diretamente com o estilo do Melo e o estilo que ele mais rende.

A questão é que o time do Knicks rende melhor com o Lin atacando a cesta, fazendo pick and rolls e abrindo a defesa para os arremessos, mas o seu melhor jogador rende melhor controlando a bola ou com um armador que controle o ritmo ofensivo e distribua o jogo com calma. Como o Knicks não tem um armador assim no elenco, o time tem duas opçōes pra integrar o Carmelo e o novo esquema de jogo. A primeira é buscar um balanço entre as duas formas de jogar, jogar uma parte do tempo com o estilo do D'Anthony e com o Lin controlando a bola, e outra parte com o Melo jogando mais individualmente controlando o jogo. Claro que isso exigiria do Lin um maior controle do jogo e uma qualidade mais pensadora pra saber quando deixar o Melo jogar sozinho e quando acionar o ataque de velocidade da equipe.

Eu não gosto dessa opção por dois motivos. Primeiro, porque você estaá abandonando o estilo de jogo que seu time e seu técnico sabem e gostam de usar, o esquema que o time mais é eficiente, só pra integrar um jogador, especialmente com dois estilos tão diferentes. Um técnico como Phil Jackson poderia eficientemente achar uma maneira de jogar que combinasse as duas coisas, mas não confio que o D'Anthony consiga o mesmo. Além disso, você estaria pedindo para seu armador ser um jogador que ele não é, e jogar de uma forma muito mais pensadora e cadenciada, o que ele não está acostumado a fazer.

A outra opção, mais interessante, é reinventar um pouco o estilo de jogo do Melo. O Melo está acostumado a criar seu arremesso e jogar com a bola na mão, mas ele é um jogador inteligente e excelente finalizador, portanto a ideia seria usar mais o Melo jogando fora da bola e se posicionando para receber passes e finalizar as jogadas. O Melo já jogou assim na seleção americana e teve muito sucesso, e assim o Knicks pode continuar deixando a bola nas mãos do Lin (Que precisa tomar mais conta dela, ele perde demais a bola durante o drible) enquanto o Carmelo trabalha pra se posicionar pra receber a bola numa posição onde ele possa partir direto pra finalização sem precisar desacelerar o ataque ou parar a rotação da bola. O Lin é um bom passador saindo do drible pra achar os jogadores mais bem posicionados, então o Melo pode simplesmente se colocar numa boa posição pra receber esse passe. De certa forma é reinventar o estilo de jogo do Melo porque ele está acostumado a jogar com a bola na mão e criar seu arremesso, mas ele também já mostrou que tem inteligência pra se posicionar em quadra e trabalhar como um pontuador que joga sem a bola na mão, como já mostrou na seleção. E como o esquema do Knicks com o Lin livre pra infiltrar abre muito espaço pros arremessadores se espalharem pela quadra, o Melo vai ter bastante espaço pra se movimentar enquanto o Lin trabalha no pick and roll.

Aliás, isso significa que o D'Anthony vai ter que ficar criativo nas escalaçōes, porque se o Lin trabalhar no PnR com o Chandler e o Melo e algum outro se posicionarem pra receber a bola pra arremessos, não faz sentido o Amare também ficar posicionado apenas como um arremessador de meia distância, e quando o Amare for o homem do pick and roll o Chandler vai ter que jogar mais afastado do aro pra não congestionar o garrafão, mas como o pivô não tem um bom arremesso as defesas provavelmente vão deixar ele pegar a bola livre longe do aro pra congestionar o garrafão. Ou seja, Amare e Chandler podem jogar juntos em alguns momentos, mas se o Melo se adaptar à sua função de pontuador sem a bola o time ficaria mais eficiente com só um dos dois em quadra. Ai fica a critério da criatividade do D'Anthony usar os dois em situaçōes separadas pra aproveitar melhor cada um deles (até acho que pela sua capacidade de forçar double teams o Amare jogaria melhor com o Baron Davis e o JR Smith vindo do banco).

Quanto ao Lin, ele foi o cara que deu cara nova ao time, ele tem talento pra burro e deve continuar executando essa função que ele executa hoje, que é tão importante pro esquema de jogo da equipe. O Lin tem fraquezas (Não defende ninguém, conforme ficou claro no jogo contra o Nets - um dos motivos de porque é tão interessante o Iman Shumpert jogando com o Lin e se encarregando de marcar o jogador mais perigoso do perímetro - comete muitos turnovers principalmente porque a bola fica muito solta durante seu drible e muitas vezes ele perde controle da bola, e algumas limitaçōes como por exemplo o drible pro lado esquerdo - não é que ele não consiga ou não saiba, mas ele claramente fica menos confortável, o Heat forçou ele o jogo todo a ir pro lado esquerdo e ele teve uma partida horrorosa cheia de turnovers). De certa forma, algumas delas são erros comuns de jogadores que estão na NBA há tão pouco tempo e com o tempo  de jogo e treino ele deve melhorar, especialmente nos turnovers e na mania que as vezes ele tem de colocar uma jogada na cabeça e insistir nela até o fim, mesmo que no meio do caminho uma opção melhor apareça. Mas o moleque é talentoso pra burro, muito rápido, tem bom arremesso, é inteligente dentro de quadra e é excelente finalizando no garrafão mesmo sofrendo contato. Ele tem bom passe, boa visão de jogo e trabalha bem no pick and roll. Ou seja, não só as ferramentas pra ter sucesso na NBA como exatamente o que um armador precisa ter pra virar um monstro no esquema do Mike D'Anthony.

Aliás, um comentário rápido: O Lin está em seu segundo ano na Liga e é praticamente um calouro, mas vale lembrar que o Lin vai fazer 24 anos essa temporada, mais velho do que Derrick Rose, Russell Westbrook e Kevin Durant.

Aliás, sabe o que é engraçado - ou trágico? O Houston não tinha a intenção de dispensar o Lin, a idéia do Rockets era trocar o Goran Dragic (que iria pro Hornets na troca do CP3) e o Lin ficar como reserva do Kyle Lowry. Quando a troca foi vetada, o Rockets ficou com quatro armadores - Lowry, Dragic, Lin e Flynn (que era mais valioso pro Rockets pelo seu valor de troca), sendo que todos menos o Lin tinham contratos garantidos - e ai teve que mandar o Lin embora. Ou seja, se a troca não tivesse sido vetada, o Lin nunca teria saido do Rockets e possivelmente estaria destruindo tudo e todos por lá ao invés de NY. O Rockets teria Pau Gasol e provavelmente teria assinado com o Nenê (que dizem que iria pra lá se eles conseguissem um outro jogador de garrafão), e ficaria com um time de Lowry, Courtney Lee, Chandler Parsons, Gasol e Nenê, e um banco com Lin, Marcus Morris, Chase Buddinger, Patrick Petterson e algum Free Agent para a posição 2. Ao invés disso o time perdeu Lin, não assinou com Nenê e ficou sem seu All Star no Gasol... Tudo por causa do veto do David Stern, que podemos afirmar que destruiu a temporada do Rockets e salvou a temporada do Knicks de ir pro buraco. Ah sim, adivinhem quem tem a escolha de primeira rodada do Knicks esse ano? Bingo! O sangue do Rockets está em suas mãos, Stern!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Chris Paul, Los Angeles Clippers e o NBA Hornets


"Eu gostava do Hornets antes dele virar mainstream"


Calma fãs de NFL, eu sei que a temporada está na reta decisiva, mas esse assunto é importante e bombástico demais pra não falar no momento. Deixemos a NFL quieta por enquanto, até porque só temos quatro vagas de playoffs realmente em disputa no momento por lá. Vamos nos concentrar no enorme rolo que foi a questão do Chris Paul e sua saída de New Orleans. Essa questão começou, na verdade muito tempo atrás, e não foi nada além de um grande resumo de várias histórias que já vinham desenvolvendo.

A primeira foi a compra do Hornets pela NBA quando o antigo dono quis se desfazer do time. A NBA era uma entidade um pouco desgastada pelo fiasco que aconteceu com o Seattle Supersonics, e quando o dono antigo do time anunciou sua intenção de vender o time pela dificuldade financeira da equipe de jogar num mercado pequeno e devastado pelo Furacão Katrina, a NBA não achou nenhum comprador que estivesse disposto a comprar o time E manter o Hornets em New Orleans. Eu já bati nessa tecla antes, mas a NBA é um modelo de gestão brutal com os times de mercado pequeno, que não ganham tanto dinheiro com cotas de televisão, venda de ingressos e receitas com suas arenas e ainda jogam em cidades pouco atraente para os grandes jogadores da Liga. Como a NBA não queria outra franquia mudando de cidade, eles decidiram comprar o Hornets até que outro comprador - disposto a manter o time por lá - aparecesse.

Claro que isso era um desastre esperando pra acontecer, afinal o Hornets agora era um time com 29 donos, os 29 donos dos mesmos times que disputam com o Hornets títulos, vagas nos playoffs e, claro, jogadores. Lembram de quando o Hornets trocou o Marcus Thornton pelo Carl Landry, o que aumentou a folha salarial do time? Os outros donos - em especial o Mark Cuban - cairam matando em cima, dizendo que estavam pagando mais dinheiro por um jogador que estava jogando em outro time, o que também não deixava de ser verdade. A sorte é que o Hornets era um time pouco expressivo na NBA para ter grandes problemas envolvendo os donos. Ou pelo menos até outra história cruzar com essa, que é um dos novos grandes problemas dos times de mercado pequeno.

No ano que passou, Lebron James, Deron Williams e Carmelo Anthony nos mostraram uma simples verdade: Superstars, na maioria, não querem jogar em times de mercado pequeno. Eles querem jogar em cidades grandes, ganhar dinheiro e jogar juntos de outros grandes jogadores, não ficar em times pequenos de cidades pequenas que não tem dinheiro pra contratar jogadores milionários. É uma triste verdade, mas tem acontecido cada vez mais, e os times de mercado pequeno tem que torcer pra montar uma boa base em volta do seu Superstar (San Antonio) antes que eles saiam ao final dos seus contratos pra times mais caros em cidades maiores. E vimos também que a alternativa que essas franquias tem é trocar seus Franchise Players. Raptors e Cavs não trocaram seus jogadores e perderam os dois a preço de nada, enquanto Denver e Jazz trocaram Deron e Carmelo antes do final dos seus contratos, juntaram vários ativos e estão numa reconstrução muito mais interessante do que times que perderam seus superstars de graça. Ou seja, nesses casos, ou o time pequeno troca seu All-Star, ou então recomeça do zero.

E ai que chegamos ao problema: O contrato do Chris Paul pode acabar ao final da temporada, ele não quer renovar de jeito nenhum (Não da pra culpá-lo. Ele é um dos jogadores mais leais da NBA, mas jogar num time sem dono, cujo melhor teammate acabou de ir pra Indiana, sem dinheiro  nem perspectivas de futuro... Não rola) e portanto a única alternativa pro Hornets é trocá-lo pra tentar juntar os ativos e começar de novo. E aí o Hornets, que era um time pouco importante, de repente se ve com a necessidade de trocar o melhor armador da NBA, talvez o melhor armador puro de todos os tempos. Em um segundo, o Hornets passou de time irrelevante para time que pode definir os próximos anos da NBA.

Quando a NBA comprou o Hornets, o David Stern deixou claro que as decisões de basquete do time estavam totalmente a cargo do GM Dell Demps, que as decisões dele seriam imediatamente acatadas e que a Liga não ia se envolver nas decisões, que seu papel era somente achar um novo dono para a franquia. Mas ai, ao final do CBA e assim que foram liberadas as trocas, o Demps e o Hornets fecharam uma troca de três times com Lakers e Rockets que mandaria CP3 pro Lakers, Pau Gasol para o Rockets e Lamar Odom, Luis Scola, Kevin Martin, Goran Dragic e uma escolha futura do de primeira rodada do Knicks pro Hornets.  O Hornets precisava trocar seu Superstar pra não perdê-lo por nada, e o Dell Demps costurou um acordo com outros dois times, ao ponto que a troca foi anunciada. Só que ela ainda precisava passar pela aprovação do dono do Hornets. Ou seja, a NBA. E daí ela não passou, porque o David Stern vetou a troca alegando "razões de basquete' para tal.

Primeiro, eu queria deixar bem claro que não gostava dessa troca pra quase ninguém. Pra mim, só um time sairia em vantagem dessa troca, que era o Rockets. O Rockets acumulou talentos jovens por muito tempo pra fazer um movimento grande, e conseguiria um dos melhores da Liga no Gasol, alguém que de repente poderia ser colocado para fazer par com o Nenê (Rockets estava pesado atrás dele e não tenho dúvidas de que jogar ao lado do Gasol teria sido um motivo forte pro Nenê ir pra lá) e complementado com os jovens que já estavam no time, Kyle Lowry, Courtney Lee, etc, para montar um time muito competitivo. O Rockets perderia dois bons jogadores, mas levaria para casa um superstar e ainda seria um lugar atraente para um dos melhors FAs do mercado. Mas o Lakers, pra mim, é um time que saia perdendo porque perdia sua grande força do garrafão. Chris Paul e Kobe Bryant no mesmo time, dois jogadores que gostam de jogar com a bola, não iam ser tão efetivos como separados e o Lakers se tornaria um time com um garrafão fraco, especialmente se o Andrew Bynum machucasse o joelho num jogo de Janeiro contra o Grizzlies... Sabe, como ia acontecer de qualquer jeito. Mas pro Hornets, eu também não gostava da troca. O time que o Hornets ia montar era muito interessante, com Dragic, Martin, Trevor Ariza, Scola e Emeka Okafor com Odom vindo do banco, um time bem equilibrado que podia até mesmo ir aos playoffs, mas isso é tudo que o time ia ganhar. O time ia ser bom por algum tempo, mas Scola e Odom já estão do lado errado dos 30 anos e o Kevin Martin também já tem 29. O Hornets ia montar um time bom que logo ia se desmontar e não ia ganhar nenhum tipo de ativo de longo prazo que pudesse auxiliar o time na sua reconstrução. Em dois anos, esse time estaria acabado e o Hornets ia ter que recomeçar do zero do mesmo jeito, e mesmo nesses dois anos não seria um time capaz de brigar seriamente pelo título. Era bom no curto prazo, mas não no médio/longo prazo. Mas de qualquer forma, podia não ser a melhor troca do mundo e ter muitos riscos envolvidos, mas ao mesmo tempo era uma troca 100% defensável e todos tinham assumido um risco por uma recompensa, não era assalto à mão armada nos moldes de Gasol-para-o-Lakers.

Acontece que foi uma troca que foi fechada entre os três GMs e anunciada para a mídia. E foi só depois que o David Stern vetou, alegando que não era boa pro Hornets. Pra mim até não era tão boa como o time poderia conseguir de outra forma, mas não foi esse o verdadeiro motivo. O verdadeiro motivo foi que alguns dos outros donos, em especial o Cuban, foram ao Stern chiar que o Lakers estava pegando mais um Superstar e bla bla bla. Eles nem se preocuparam em pensar se o Lakers seria mesmo um time melhor com o CP3 (Pra mim não), só começaram a reclamar de que o Lakers estava polarizando a Liga e etc e tal, e aí o Stern se viu pressionado por alguns dos donos e vetou a troca pra agradá-los. Não foi uma decisão pensando no time ou mesmo na ética, ela foi apenas política pra satisfazer meia dúzia de donos que chiaram. Passaram por cima da decisão do Demps (que o Stern tinha prometido que seria definitiva) e destruíram os planos de dois times no processo de forma covarde. 

Pra mim não tem desculpa, foi um abuso de poder do Stern pra agradar esses donos da nova geração que ficam de mimimi porque não entendem que certos times - Lakers, Knicks, Celtics - simplesmente TEM mais apelo aos jogadores do que Mavericks, Hornets ou Suns. História conta no basquete, mas parece que muitos desses donos novos querem que  não aconteça. O CP3 querer jogar no Lakers é algo comum, qualquer jogador de basquete quer jogar em times tão grandes e com tanta história assim. E o problema é que isso destruiu totalmente os planos de Rockets e Lakers. O Rockets, como eu disse, vinha acumulando jovens pra gastar num movimento grande, e quando apareceu a chance, Stern vetou. O Rockets perdeu a chance de conseguir seu superstar e agora Scola e Martin vão jogar sabendo que o time estava tentando trocá-los, não é todo jogador que tem a cabeça pra jogar da mesma forma. Esse veto pode ter acabado com a chance do Houston de conseguir um Superstar, o que atrasaria o planejamento do time em dois ou três anos... Mas isso ninguém se importou. O mesmo vale para o Lakers, que envolveu dois dos seus principais jogadores na troca, dois jogadores que sempre tiveram algumas questões sobre seu foco, e que uma vez que a troca foi vetada depois de anunciada, podia gerar nos dois uma certa má vontade para continuar num time que quase trocou os dois (O que aconteceu com o Odom, que exigiu uma troca e acabou indo pro Mavs em troca de jububas - uma troca que, como o Kobe fez questão de frisar, o Cuban não reclamou...). O Hornets pode simplesmente buscar uma alternativa na troca, mas tanto Lakers como Houston tiveram seu planejamento muito danificado por causa do veto, o Lakers foi obrigado a trocar um dos seus melhores jogadores (Embora o Denis do Bola Presa ache que a trade exception que o time ganhou na troca faça parte de um plano maior) e pode ver o outro perder um pouco do seu foco, enquanto que vetou ao Rockets a chance que eles estavam esperando desde que começaram a juntar esse banco de pirralhos talentosos (E embora seja de uma forma indireta, ele também afetou o planejamento de um outro time, o Knicks. O Knicks não tinha ninguém pra trocar por Paul agora, mas se ele virasse FA ao final da temporada, NY seria o destino do armador. Mas quando a troca foi anunciada, com Paul indo para um time onde ele sem dúvidas assinaria uma extensão ao final da temporada, o time decidiu que não ia mais assinar ocm ele e assinou o Tyson Chandler por um preço astronômico que comeu todo o resto do teto salarial. Horas depois, a troca foi vetada, o Paul continuou em New Orleans com risco de virar FA ao final da temporada, mas o Knicks já tinha feito uma troca que iria fazer com quem ele não pudesse assinar o armador ao final da temporada).

Quando o mundo da NBA ainda estava em choque pelo veto, entra na história o Clippers, outro dos times que estavam na briga pelo armador de New Orleans e primo pobre do Lakers. O Clippers é um dos times mais interessantes da Liga por causa do seu bom núcleo de Blake Griffin, Eric Gordon e DeAndre Jordan, e conseguiu fechar com Demps uma troca por Paul. A troca enviaria Eric Bledsoe (Armador pirralho muito talentoso), Al-Farouq Aminu (Bom ala, também no segundo ano), o contrato expirante do Chris Kaman e a escolha de primeira rodada de 2012 do Minnesota Timberwolves, que não deve ser das três primeiras mas deve ser alta o suficiente num Draft muito bom, e em troca o Hornets mandaria o Paul. A troca foi anunciada e bombou no twitter, mas dessa vez todo mundo preferiu esperar pelo parecer do David Stern, que também vetou a troca e pediu um valor muito alto pelo armador (Queria tudo isso MAIS Gordon) e esfriou a conversa.

E aqui está a questão: Ao contrário do primeiro veto - um veto que ocorreu exclusivamente por pressão dos outros donos e que é 100% indefensável - nesse veto o Stern fez uma jogada brilhante pensando exclusivamente em termos técnicos. Para a NBA, é interessante que o Hornets seja um time o mais atraente possível para atrair possiveis compradores, e portanto ele tem que ter as melhores perspectivas possível. Pra mim, o veto ainda foi antiético porque passou novamente por cima da promessa de que o Demps teria total autonomia nas decisões, mas foi brilhante porque o Stern percebeu que o Clippers era uma franquia desesperada atrás do Chris Paul e que estava disposta a oferecer ainda mais para juntar o combo Paul/Blake. Com esse veto, ele conseguiu fazer o Clippers oferecer ainda mais, e o Clippers - ao invés de manter sua posição e jogar com o desespero do Hornets em fazer essa troca, o que seria o jogo inteligente já que não tinha nenhuma outra troca possível pra New Orleans - mordeu a isca e aumentou ainda mais a proposta, tornando uma proposta que já era boa ainda melhor pro Hornets, que dessa vez aceitou. Agora o time de NO ganhou a 1st pick de Minny, Aminu, Gordon e Kaman, o que é muito melhor do que qualquer uma das propostas anteriores. Agora o time vai possivelmente ser muito ruim em 2011, mas pelo menos tem uma ótima perspectiva de futuro: O time ganhou um ótimo armador muito jovem (23 anos) e com potencial para ser um All Star, um ótimo arremessador que sabe armar, atacar a cesta e é bom defensor. Também ganhou um ala promissor, um bom center com contrato expirante (O que pode render ao time mais uma troca inteligente pois esses são os jogadores mais procurados do mercado) e uma escolha de primeira rodada do Wolves que possivelmente não vai ser top 5 (Temos mais de cinco times piores que o Wolves), mas provavelmente também estará no top 12 de um Draft muito bom. E aí que está a questão: O Hornets será uma droga em 2012, e provavelmente terminará com uma escolha muito alta no Draft, que repito, é um Draft muito bom. Se o Hornets for a desgraça que todo mundo espera, o time pode sair desse Draft com duas escolhas altas, digamos... Austin Rivers (12th pick) e Anthony Davis (3rd pick), pra juntar com Gordon e formar um EXCELENTE núcleo pro futuro!! Essa troca faz do Hornets um time muito ruim agora, mas da ao time muito potencial pra começar sua reconstrução com tudo em 2013 e juntar um ótimo núcleo pra recomeçar. Foi uma excelente troca, e o Hornets agora realmente tem chance de ter uma boa reconstrução.

Pro Clippers, eu achei que ela foi mal conduzida (se tivessem forçado teriam conseguido manter o Gordon e ainda realizar a troca, talvez incluindo o Mo Williams nela ou uma escolha de Draft futura), pois se tivessem feito o certo - esperado, tido paciência e usado sua posição mais forte pra não deixar o preço aumentar - teriam um time de Chris Paul (26 anos), Eric Gordon (23), Caron Butler (Bom veterano, defende bem e sabe pontuar), Blake Griffin (22 anos) e DeAndre Jordan (23) anos, ainda com Chauncey Billups (excelente veterano, bom líder) no banco, era um excelente time, time pra pensar em título logo de cara e um time que tinha tudo pra só evoluir nos próximos anos, especialmente com boas adições para o banco, um pontuador e um homem de garrafão pra se juntarem ao Billups e ao Randy Foye. Mesmo assim, a troca não foi ruim - mas ela foi arriscada. O Gordon tinha potencial imenso e em três anos podia ser o melhor SG da NBA dependendo de como o corpo do Dwyane Wade (não) aguentasse os próximos anos, e trocar ele pelo Chris Paul junto da escolha do Wolves foi um preço talvez alto demais a se pagar por um jogador que talvez saia do seu time em dois anos (não há garantias de que ele vá renovar) e também tem problemas sérios nos joelhos, ainda que seja o melhor armador da NBA. Foi um preço alto, talvez alto demais dependendo de como os joelhos e o fim do contrato do Paul acabarem se desenrolando. Mas o fato é que pra um time que vive há tanto tempo na mediocridade, uma medida arriscada e ousada dessas é importante pra dar ao time outra cara, pra colocar o time de vez entre os grandes pra todo mundo ver. Se tivessem mantido o Gordon, talvez tivessem até o um time melhor, mas a recompensa que eles podem ganhar aqui é ainda maior, e a troca do CP3 não só deu ao Clippers um time, e sim todo um respeito e importancia ao redor da Liga. Foi um risco alto, mas a recompensa também pode ser alta.

E o David Stern, o grande vilão dos bastidores, acabou conseguindo o que queria, deu ao Hornets uma excelente base cheia de valor que é atrativa para um dono que entenda de basquete e veja o potencial do lugar. A forma como ele lidou com a troca com Lakers e Rockets foi inaceitável, com uma incrível falta de ética para agradar donos mimados e chorões que simplesmente não queriam ver Chris Paul no Lakers sem nem se perguntar se o Lakers seria um time mais forte. Todos saíram perdendo com esse veto, inclusive a Liga, que viu sua credibilidade ainda mais afetada. Mas na segunda troca, com o Clippers, o Stern jogou suas cartas perfeitamente e conseguiu realmente o maior valor que o Hornets conseguiria numa troca. O que não justifica a forma como tratou Lakers e Rockets, mas agora ele pelo menos pode admitir que já cumpriu sua função como GM do NBA Hornets, um time que tem um futuro muito interessante.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Duas trocas que deveriam acontecer (Mas não vão)

"Se você não sumir nos quartos períodos, eu tenho uma proposta..."


Agora que a NBA voltou, lembramos de como pode ser chato um período de offseason. Todos os dias nós escutamos uma tonelada de boatos diferentes, "fontes" garantindo isso ou aquilo, várias noticias falsas de contratos assinados ou trocas que nunca aconteceram, e muita gente levando isso como se fosse a verdade suprema do universo. Acho que desde que anunciaram o fim do lockout o Chris Paul já foi trocado pra uns sete times diferentes. E enquanto os times se preparam pra temporada num período de Free Agency bastante limitada (Os três melhores jogadores: Marc Gasol, restrito, Tyson Chandler e sua falta de joelhos, e o Nenê, um bom jogador mas que tem "role player" escrito na testa), a maior parte dos boatos envolve dois jogadores que virarão Free Agents só ao final da temporada: Dwight Howard e o próprio Chris Paul.

Aliás, isso fica cada vez mais claro com o que aconteceu hoje, com o Albert Pujols assinando com o Los Angeles Angels. Superestrelas não querem só reconhecimento, eles querem dinheiro e querem jogar em times de mercado grande. O Pujols tem dois títulos com o Cardinals, joga em um dos melhores times da MLB... E mesmo assim saiu da cidade e do time onde jogou toda sua carreira só porque o Angels pagava mais que o Cardinals. Tirando a NFL, as Ligas americanas tem um formato que é brutal com os times de mercado pequeno, e está cada vez mais difícil para esses times manterem suas estrelas e seu time. Vejam o Carmelo Anthony, por exemplo, que não quis reassinar com o Nuggets e forçou uma troca ao Knicks a todo custo. Agora Paul e Dwight vão virar Free Agents e não querem continuar em times pequenos, e como todo mundo sabe que eles vão sair ao final da temporada de um jeito ou de outro, pipocam boatos de troca porque o Nuggets mostrou pra todo mundo que é mais vantajoso trocar um superstar que vai sair do seu time ao final da temporada, porque ai pelo menos você recebe algo em troca. Portanto, como as saidas do Paul e do Dwight são iminentes, todo mundo fica fazendo os boatos mais bizarros sobre o que vai acontecer com eles.

Nesse contexto, vamos brincar um pouco. Não de boatos, mas sim imaginando duas trocas que não vão acontecer com probabilidade de quase 99,9% - mas que deveriam, porque elas fazem sentidos para todos os envolvidos e... francamente, porque gerariam resultados muito divertidos para os fãs de basquete. Vamos a elas então, lembrando que elas são totalmente hipotéticas e respeitam as regras salariais.



1ª troca hipotética que deveria acontecer, mas não vai: Oklahoma City Thunder troca Russell Westbrook, Nate Robinson, Nick Collison e uma escolha de primeira rodada por Chris Paul

A questão do Hornets aqui é simples. Eles sabem que o Chris Paul não vai reassinar com a equipe ao final da temporada. Portanto, eles tem duas opções: Aguentar firme até o final do ano numa esperança provavelmente inútil de tentar convencer o Paul a mudar de ideia, ou trocar seu armador All-Star por alguma oferta que possa dar ao time alguma base para se reconstruir. A noticia que chega de todas as partes é que o Paul quer mesmo é ir para o Knicks, o que de certa forma inibe potenciais times que ofereceriam ao time a troca. Vários times tem condições de oferecer algo interessante pelo melhor armador puro da NBA desde Isiah Thomas, mas muitos times se perguntam: Porque eu vou oferecer jogadores jovens com muito potencial por um jogador que pode jogar um ano comigo e depois sair ao fim do contrato pra ir pro Knicks de graça? Tudo bem, muitos times (Clippers com Eric Gordon, Warriors com Stephen Curry, entre tantos outros) estão dispostos a arriscar mesmo assim, mas vamos em frente por enquanto.

Do outro lado, se o Knicks for realmente para onde o Paul quer ir, a chance dele ir por uma troca é quase zero. O Knicks não tem nada para oferecer ao Hornets além de Chauncey Billups (Um vovô que só serviria de contrato expirante) e o Landry Fields, ou seja... Yeekes! Se é pra trocar o Paul por um reserva e um contrato expirante, vale mais a pena o Hornets ficar com ele até o final do ano e perder ele por Free Agency. Ou então, recorrer a um outro tipo de "comprador", um time que esteja disposto a trocar pelo Paul mesmo sabendo que ele não vá renovar, só para ter o Paul por um ano rumo ao título. Por exemplo, se o Celtics oferecer o Rajon Rondo e algumas escolhas de Draft, porque o Hornets iria recusar? O Celtics tem uma base idosa, e por isso dificilmente o Chris Paul renovaria o contrato pra jogar em um time em reconstrução, mas teria um time de Chris Paul, Ray Allen, Paul Pierce, Kevin Garnett pra tentar uma última corrida ao título antes do corpo dos velhotes quebrarem de uma vez e o Paul sair pela Free Agency (Embora eu ainda prefira que troquem Rondo e Jermaine O'Neal por Steve Nash e Marcin Gortat). Na verdade, o Paul só vai renovar com um time onde ele possa ter um mercado grande E tenha um time competitivo e promissor pelos próximos anos. Por isso essa troca é arriscada para os times de one-and-done, perder ativos em troca de um ano (eventualmente um título) e só.

Ai entra o Oklahoma City Thunder. O Thunder é sem dúvida um candidato ao título desse ano e dos próximos, tem um time com uma defesa agressiva de garrafão e que tem dois superstars no Russell Westbrook e no Kevin Durant. Por mais que a média de idade do time titular seja suficiente pro time jogar o sub 17 do colegial, o time tem tanto talento e está tão bem montado que já podia ter disputado o título ano passado, tanto que chegou até as finais de conferência, onde perdeu para o Mavericks, eventual campeão. O time tem todos os motivos pra acreditar que ainda vai disputar o troféu por anos a fio, mas o time está com um problema na atualidade, que é a relação Westbrook/Durant. Muita gente criticou com razão o Westbrook nos playoffs por agir muito como um pontuador, segurando a bola e tentando resolver tudo sozinho, ao invés de agir como um criador e entregar mais a bola pro Durant (Que as vezes é um pouco passivo nesses momentos, aceita o Westbrook jogando sozinho ao invés de exigir a bola mais). O Thunder jogava bem até chegar nos momentos decisivos das partidas, onde o Westbrook arremessava muito mais do que devia e forçava arremessos ao invés de agir como criador. Por melhor que ele seja - e ele é muito bom - o estilo dele nesses momentos não casava com o estilo do time, e custou ao Thunder mais de uma vitória. O Westbrook é jovem, muito talentoso e está ainda no começo da sua carreira. Por mais que ele ainda não tenha entendido melhor como jogar mais como criador, criando boas situações para seu companheiro antes de segurar a bola e forçar arremessos, ele ainda é muito novo e tem muita carreira pela frente, não temos porque acreditar que ele nunca vá conseguir adaptar o seu jogo dessa maneira.

No entanto, a gente também não sabe quanto isso vai demorar, e pode acabar comendo temporadas importantes de um time já muito pronto pra ser campeão. Então não seria interessante trocar o Westbrook pelo Paul? O Paul é exatamente o que o time precisava, um armador puro que cria para seus companheiros. Ele não precisa da bola nas mãos o tempo todo pra finalizar como o Westbrook e seu estilo de jogo casa muito melhor com o Thunder e em especial com o Durant. Quanto mais arremessos o Durant der - especialmente se fossem criados pelo Paul - melhor para a equipe. E o Paul também não só é um grande criador como é um grande defensor e que é capaz de pegar a bola embaixo do braço e pontuar feito louco. Ele é um jogador completo, um dos melhores jogadores do mundo e que casa perfeitamente com o estilo do time. A inclusão dele não só daria ao time um jogador que é excelente no que faz, como também é um jogador cujo estilo é perfeito não só pra maximizar o talento do time agora como pra manter a evolução do time nos próximos anos. O Thunder já é um dos times mais divertidos da NBA, imagina quando tiver o melhor armador da NBA, um jogador que sozinho ganhou duas partidas do Lakers nos playoffs com o seu segundo melhor companheiro de time sendo o Emeka Okafor?? Eu pagaria o salário do Paul pra ver isso acontecendo!!

Mas infelizmente, não vai acontecer. Dificilmente o Thunder- um time que montou essa excelente base com troca sóbrias e conservadoras - vai arriscar mandar um jogador tão bom e com potencial como o Westbrook em troca de um jogador mais velho, com histórico de lesões e sem garantia que ele vá renovar. Pro Thunder, afinal, só faria sentido se o Paul garantisse que iria renovar ao final da temporada. Se o Paul estiver em busca de um contender com futuro, o Thunder é perfeito, um time pra brigar por títulos nos próximos oito anos. Mas ele também teria que aceitar ganhar menos, ou o time não teria condições de renovar com o James Harden e com o Durant no futuro (dois que possivelmente já teriam que aceitar uma redução salarial), o que tornaria o time menos competitivo. Mas pro Hornets, a troca não poderia ser melhor, eles perdem um superstar (que iriam perder de qualquer jeito) mas recebem outro de 21 anos em troca pra tentar uma segunda vez montar alguma coisa em torno dele. Pro Thunder, também é ótimo, torna um time excelente ainda melhor. O problema é que ela depende do Paul aceitar ganhar menos para renovar com a equipe, e que o Sam Priesti dificilmente iria aceitar uma troca tão arriscada. Mas não seria divertido ver um time com Paul, Harden, Durant e Serge Ibaka? Você sabe que seria!!


2ª troca hipotética que deveria acontecer, mas não vai: Miami Heat troca Joel Anthony e Lebron James por Dwight Howard e Ryan Anderson


Aqui está, minha falsa troca preferida! Eu já comentei dela várias vezes tanto aqui como no nosso twitter (www.twitter.com/tmwarning) e ela já rendeu alguma discussão, então agora chegou a hora de colocar ela as claras. Pra mim, essa troca não é como a do Paul, que é legal de imaginar, faria sentido, mas tem várias variáveis que podem torná-la menos atrativa para os envolvidos. Essa troca faz TOTAL sentido para TODOS os envolvidos (Menos um, mas tudo bem) e deveria acontecer sem pensar duas vezes!

Primeiro, o Magic está na mesma situação que o Hornets. O Howard dificilmente vai ficar no Magic ao final do seu contrato, vai querer ir para um time com melhores condições de título e se o Magic não trocar ele antes da trade deadline vai perder seu melhor jogador por nada, portanto uma troca aqui ainda é a melhor opção a não ser que o Howard por algum motivo decida continuar onde está, o que não vai acontecer se o time não melhorar, o que não vai acontecer, e aí voltamos à etapa inicial. O Magic tem é que conseguir a melhor oferta possível por ele pra ter alguma esperança futura.

Agora vocês vão perguntar "Porque diabos o Heat aceitaria essa troca?? Eles juntaram dois dos três melhores jogadores da Liga em um time só!! Eles acabaram de chegar nas Finais com Mike Bibby e Joel Anthony!! O Heat é um time que tem tudo pra ganhar vários títulos, porque trocariam talvez o jogador mais talentoso da Liga??", e não deixa de ser uma boa pergunta. Essa vai exigir um pouco mais de imaginação. Antes de mais nada, o Heat tem três grandes jogadores e realmente tem dois dos três (No máximo cinco) melhores jogadors da NBA no seu elenco com contratos por pelo menos mais quatro anos. O time quase chegou ao título mesmo sendo o primeiro ano do time jogando junto. Então volta a pergunta, porque o Heat trocaria um dos seus principais jogadores?

A resposta é simples: Porque ela faria o time ser melhor. O Dallas e o Heat acabaram de nos provar de uma vez por todas nas Finais que um time não é a soma das suas partes apenas. O Heat tinha dois dos três melhores jogadores do mundo mais o Chris Bosh, que é um excelente jogador, enquanto que o Dallas tinha um jogador top 10 (Dirk Nowitzki) e mais um bando de role players que já tinham passado do seu auge. O Heat claramente era o time com mais talento, mas foi o Dallas que saiu campeão, porque eles tinham um TIME melhor. Não é o time com mais talento que é o melhor, depende de muitas outras coisas, especialmente da forma como esses jogadores se encaixam dentro de quadra. O Dallas era um time com menos talento, mas era um time bem montado, onde os jogadores se complementavam perfeitamente. O Heat era um time que batia cabeça e que tinha vários jogadores pra fazerem a mesma função.

Na verdade, esse era um problema do Heat desde o começo, quando aconteceu o The Decision. Dwyane Wade e Lebron James são dois jogadoers espetaculares, mas eles tem a mesma característica, são pontuadores que preferem infiltrar, não são grandes arremessadores e que gostam de ter a bola nas mãos o tempo todo. Muita gente achava que os dois iam bater cabeça, e com razão. Jogadores com características tão iguais sempre serão mais difíceis de jogar juntos do que jogadores com características complementares, como era o caso do Paul/Durant alí em cima. E isso realmente aconteceu na temporada, Wade e Lebron tentavam jogar da mesma forma e batiam cabeça, não tinha espaço para os dois jogarem da forma como são mais efetivos. Isso obrigou o Wade a jogar muito fora do seu comum, o que ele fez muito bem, mas ainda tornou os dois jogadores menos efetivos porque não poderiam jogar como gostariam o tempo todo. O fato dos dois jogarem juntos tornou os dois menos efetivos, e tirou totalmente a bola das mãos do Chris Bosh, um jogador que tinha como maior característica seu grande arsenal ofensivo, mas que acabou virando um arremessador de luxo no time do Heat porque raramente tinha a bola nas mãos. Esse foi um dos motivos do Heat ter tido um time bem pior do que o nível de talento no time sugeria.

Além disso, uma coisa que muita gente esquece e só vai lembra em Junho: Nos playoffs, quem vence é geralmente quem domina o garrafão. Um dos principais motivos do Dallas ter vencido as Finais foi o fato do Tyson Chandler ter dominado totalmente o garrafão e o Miami não ter nenhum pivô ou ala de força pra bater cabeça com o pivô de Dallas lá dentro. O Wade e o Lebron podem ocasionalmente fazer um papel de Michael Jordan/Scottie Pippen (Que compensavam pela falta de um pivô dominante controlando o o garrafão com energia e atleticismo), mas não da pra esperar que eles façam isso sempre. Agora pensem um instante, que time domina melhor o garrafão: Wade, Lebron e Bosh, ou Wade, Bosh e Dwight Howard? É lógico que é o segundo. Não precisa nem perguntar de novo.

Ou seja, o Miami sai perdendo em termos de talento nessa troca, mas o Dwight é capaz de contribuir muito mais do que o Lebron pro sucesso do time como um todo. O Lebron e o Wade limitavam mutualmente os talentos um do outro na hora de jogar porque eles fazem funções muito parecidas, mas o Dwight se encaixa muito melhor no time. O Dwight é um superstar, nenhum jogador da NBA é tão dominante no garrafão na atualidade, mas ele funciona muito melhor quando não precisa criar o próprio arremesso, quando ele pode impor sua dominação na defesa e no ataque é acionado apenas em situações onde ele precisa converter o arremesso apenas, não criá-lo. No Heat, o Wade pode finalmente jogar com a bola como ele gosta e fazer em parceria com o Bosh, sem ter um outro jogador ofensivo exigindo a bola o tempo todo e acionando o Dwight apenas quando ele estiver embaixo da cesta, além de liberar o Shane Battier pra ser o titular e grudar no melhor jogador de perímetro do adversário com sua defesa. Agora, de repente, você tem tudo que um time precisa pra ser balanceado: Dois pontuadores, um defensor de perímetro, um reboteiro/defensor do garrafão, um chutador de três e alguns role players ocasionais. Antes Lebron e Wade jogando juntos tiravam  potencial um do outro e excluíam o Chris Bosh, agora Bosh e Wade podem jogar no ataque a vontade e o Dwight fica com o que sobrar ali na frente, sem falar que da ao time muito mais condições de dominar o garrafão num jogo disputado E acaba com a dúvida sobre quem tem que ser macho alfa nos finais dos jogos. Pro Heat, esse time é muito melhor do que o anterior E ainda deixa de ser o time mais odiado da Liga!

Do outro lado, o Magic troca um Superstar que inevitavelmente vai embora por outro Superstar, no auge, que ainda tem mais quatro anos de contrato e é o jogador mais talentoso da Liga. Nada mau, certo? Se Wade e Bosh tinham em mente ganhar títulos, então eles agora vão ter um time com melhores condições de fazê-lo. Podem até não gostar do seu amiguinho ter sido trocado, mas se a vontade deles era realmente títulos (especialmente depois daquela bronca do Wade no Lebron no jogo 3 das Finais, onde ele gritou por quarenta segundos ininterruptos na cara do camisa 23, com raiva de verdade nos olhos) não acho que eles vão criar caso. Todos ganham, tirando uma pessoa, Lebron James. Ele volta pra onde estava antes da The Decision, num time mal montado e sem outros jogadores de alto nível. Ele vai voltar a ser aquele jogador absurdo que fazia 30 pontos, 7 rebotes e 6 assistências por jogo num time fraco, sem nenhum coadjuvante decente e que vai perder na semifinal dos playoffs porque ninguém além do Lebron apareceu pra jogar (ou as vezes nem ele apareceu). Pra ele vai ser um retrocesso, mas só pra ele, todos os outros jogadores e times envolvidos nisso saem ganhando. Porque ela não vai acontecer? Porque ela é uma troca muito ousada e envolvendo jogadores muito valiosos e ninguém vai ter os culhões pra aceitá-la, embora deveriam. Ela melhora os dois times, dará ao Heat alguns títulos e ao Magic um superstar pra tentar alguma reconstrução nos próximos anos. Porque o Otis Smith não vai pelo menos TENTAR essa troca? Ah sim, porque ele é o cara que primeiro tem que decidir se vai usar sua amnesty clause no Gilbert Arenas ou no Hedo Turkoglu. As vezes eu acho que seria um GM melhor do que alguns desses manés...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O bizarro dos primeiros jogos dos playoffs


"33 pontos e 14 assistências. Missão completa, chefe!"

Eu sei, a gente ainda não terminou de postar todos os previews, ta faltando Spurs vs Grizzlies, mas eu prometo que sai amanhã cedo no máximo, só não saiu antes porque estava sem internet. Enquanto isso, aproveito pra falar do que aconteceu de surpreendente nos primeiros jogos de cada série. Até agora, cada série teve uma partida apenas: O Derrick Rose levou o Bulls nas costas pra passar pelo Pacers, o Heat ganhou apertado do Sixers, o Dirk Nowitzki contou com seis bolas de três do Jason Kidd pra ganhar do Blazers, o Thunder ganhou no sufoco do Nuggets e o Celtics sem Shaq contou com uma ajudinha da arbitragem e uma bola de três espetacular do Ray Allen pra ganhar do Knicks at the buzzer. Nenhum desses resultados foi realmente surpreendente, talvez o Bulls tenha tido mais dificuldades do que o previsto, mas nenhum desses jogos realmente teve algo muito inesperado (E sim, eu sei que apostei no Blazers, mas não achava que eles fossem ganhar o jogo 1).

Por outro lado, tivemos três resultados que surpreenderam muita gente: O Hornets ganhando do Lakers, o Grizzlies conseguindo sua primeira vitória em playoffs o Hawks realmente ganhando do Magic, três resultados que pouca gente imaginava, embora eu devesse ter postado o preview entre Grizzlies e Spurs antes do jogo pra pagar de entendido de basquete, porque eu realmente estava apostando nessa vitória do Grizzlies quando o Spurs ainda não tinha o Manu Ginobili. Mas enfim, ainda era um resultado que a maior parte de quem acompanha NBA não esperava e, de certa forma, foi uma grande surpresa, até porque o Grizzlies nunca tinha ganho um jogo de playoffs na vida. Mas vamos ver o que aconteceu em cada jogo para que essas surpresas acontecessem:

Lakers vs Hornets
Nesse jogo, realmente, não teve nenhum segredo, a gente pode ilustrar isso com apenas quatro números: 33, 14, 7, 4. Esses foram os números, respectivamentes, de pontos, assistências, rebotes e roubos de bola que o Chris Paul teve no primeiro jogo da série, que acabou com vitória do Hornets por 109 a 100. Quem leu o nosso preview da série lembra que eu disse que o Hornets, sem o David West, dependia do Chris Paul jogar muito, destruir quem visse pela frente e levar o time nas costas, infiltrando feito doido, arremessando quando abrisse espaço e envolvendo seus companheiros como forma de tentar compensar a diferença no garrafão. Mas o Hornets recebeu mais do que o esperado: O Chris Paul jogou num nível histórico, comeu o Lakers com farinha e foi o grande responsável pela vitória do time. Mas além disso, o time conseguiu minimizar a vantagem do Lakers no garrafão, ajudado pelo fato de que o Pau Gasol não teve um grande jogo e o Andre Bynum foi limitado pelo joelho e por problemas de falta durante boa parte do jogo. Além disso, o Hornets usou bastante o Aaron Gray, que é um cone, mas é um cone bem alto que ajudou a diminuir a diferença de altura do Lakers além de fazer 12 pontos (Todos em ótimos passes embaixo da cesta, livres de marcação e com cafézinho,do Chris Paul).

Mas o que realmente resolveu a partida foi o Chris Paul jogar feito um maluco. No começo do jogo, além de trabalhar muito bem no pick and roll, ele partiu pra cima, abriu a defesa do Lakers e leu as movimentações perfeitamente, envolveu todos os seus companheiros de time (em especial o Marco Belinelli e o Carl Landry), o time todo só cometeu dois disperdicios de bola no primeiro tempo porque ele ficou com a bola na mão o tempo todo, assumiu as responsabilidades de controlar o jogo o tempo todo no ataque e terminou o primeiro tempo com 10 assistências e uma boa vantagem para seu time. No final da partida, quando o Lakers apertou e o Hornets se sentiu ameaçado, o Chris Paul começou a pontuar que nem um maluco, arremessou por cima de quem quer que estivesse na frente, seja por cima do Derek Fisher, que em nenhum momento conseguiu acompanhá-lo, seja do Kobe Bryant ou até mesmo do Pau Gasol, que bizarramente acabou marcando ele em uma série de pick and rolls, e assim ele marcou 14 pontos no quarto período sempre que o Lakers ameaçava passar na frente no placar. E como ninguém no Lakers conseguiu marcar o Paul, o Hornets não só ganhou a partida e quebrou o mando de quadra do Lakers como também conseguiu ter esperanças. De ganhar a série? Nem isso, de mostrar para o Chris Paul que ele pode conseguir um título ficando em New Orleans mesmo. Muito mais importante que uma mísera série de playoff. O problema pro Hornets foi a lesão feia que o Gray sofreu no final da partida, e não é garantia de jogar o resto da série.

Magic vs Hawks
Acho que, entre todos os jogos, esse foi o que mais impressionou muita gente, inclusive a mim. E foi ainda pior porque ainda vimos o Dwight Howard meter a melhor marca da carreira, 46 pontos, sendo 31 só no primeiro tempo. E ainda assim o Hawks teve controle do jogo e ganhou por uma margem confortável. O Hawks não é aquele time que sempre apanha de times com bons pivôs, e de repente o time ganhou sendo esmagado pelo melhor pivô da atualidade (ainda que com uma concorrência de dar pena)??

Engraçado é que o Hawks ganhou exatamente porque o Dwight fez 46 pontos, não apesar disso. O Hawks entrou com um plano bem definido: Deixar o Howard sempre no mano a mano, nunca dobrar em cima dele e impedir que qualquer jogador além dele pontuasse. E o Magic respondeu acionando o Dwight Howard em cada posse de bola de costas para seu marcador, que as vezes era o Jason Collins, as vezes o Etan Thomas, as vezes o Zaza Pachulia e sou capaz de jurar que vi até o Larry Drew de uniforme fazendo algumas faltas nele. E o Dwight passou por cima da marcação, pontuou feito maluco, acertou até uns lances livres, mas mais ninguém no time do Magic pontuou e aconteceu que no intervalo o Hawks estava na frente. No segundo tempo, tirando o fato do Jameer Nelson ter acordado para a vida e começado a pontuar também, o panorama continuou: Sem dobras no Dwight, e oHawks dominando. É verdade que o Dwight fez 46 pontos, mas também errou mais que 34% dos seus lances livres e cometeu oito turnovers de tanto ser acionado, ninguém mais no Magic foi capaz de pontuar depois de passar todo o jogo sendo ignorado e ninguém conseguiu passar dos seis pontos além do Nelson e do Dwight.

No ataque, o Hawks fez exatamente o contrário, fugiu do Dwight Howard e atacou praticamente o tempo todo de fora do garrafão, acabou com apenas 36 pontos no garrafão, mas acertou 42,9% dos seus arremessos de três pontos e viveu confortavelmente acertando arremessos de meia distância ou cobrando lances livres (21-29). Foi essa combinação - deixar o Dwight pontuar livremente no garrafão sem dobrar, e atacar de fora do garrafão pra não ficar levando toco o dia todo - que levou o Hawks a ganhar essa partida. E é também o motivo de porque o Magic ainda não deve começar a desesperar. Tudo bem, o Stan Van Gundy vai ter que descobrir um jeito de envolver o resto do time no ataque ao invés de isolar o Dwight Howard a cada posse de  bola, o Kobe Bryant cansou de provar pra gente que fazer isso não dá certo no final, mas por outro lado as bolas de longe do Hawks não vão cair pra sempre, e quando essas bolas longas ou de meia distância pararem de cair eles vão ter que levar a bola pra perto do garrafão pra tentar arremessos mais próximos do aro, o que vai render alguns tocos e alguns contra ataques. Não da pra ganhar sempre só com bolas de longe, o próprio Magic provou que isso não vai funcionar sempre, então essa vitória do Hawks parece mais algo excepcional do que algo realmente para preocupar o Magic. A não ser, é claro, que o Van Gundy não consiga mudar o padrão de ataque do time, aí ele vai estar fazendo exatamente o que o Drew quer...

Spurs vs Grizzlies
Essa eu vou deixar pra quando eu finalmente postar o preview, porque tudo que fez o Grizzlies ganhar o jogo de ontem era algo que o Grizzlies tinha como vantagem e que teria que explorar no confronto contra o Spurs. Fica pra amanhã de manhã (ou, se a internet colaborar, hoje mais tarde).

sábado, 16 de abril de 2011

Preview - Los Angeles Lakers vs New Orleans Hornets


"Não da pra fazer milagre com o joelho dele desse jeito, professor"

Com David West e sem Andrew Bynum, essa série seria muito interessante. O Lakers não teria uma vantagem no garrafão, o Hornets podia colocar o Emeka Okafor no Pau Gasol e deixar o Chris Paul fazer sua mágica pra cima do vovô Derek Fisher, já que o Lakers sempre tem problemas com armadores velozes. Mas o fato é, West está fora e o Andrew Bynum vai jogar. E por isso, não temos uma série disputada. Vale a pena assistir os jogos, o Hornets tá jogando pela vida (No caso, pra provar pro Chris Paul que o time tem futuro), vai dificultar os jogos, o Chris Paul ainda é um armador sensacional e que deixa qualquer jogo divertido, mas infelizmente não dá pra esperar muito do Hornets nessa série.

No caso do Hornets, o time vai até onde o Chris Paul levar. O Paul é um dos melhores armadores da Liga, tem no seu passe e na visão de jogo suas principais características e é um armador que funciona tornando todos ao seu redor em jogadores melhores, como por exemplo o Steve Nash ou até o Rajon Rondo. O time não tem outras estrelas (No máximo o David West, que eu pelo menos acho um ótimo jogador) e é outro recheado de Role Players: O Okafor e sua defesa de garrafão, Trevor Ariza e sua defesa de perímetro, Marco Bellinelli e suas bolas de três, e por aí vai. Por isso esse time sempre contou com o Chris Paul pra tornar cada um deles melhor. O Paul consegue fazer 30 pontos quando quiser, mas o time ganha quando ele faz só 15 e da outras 12 assistências. Em outras palavras, o time depende demais dele e se ele jogar em alto nível e fazer o que ele faz de melhor, o Hornets é um time a ser temido se estiver completo, como aconteceu em 2008, quando o Paul surtou e o Hornets só foi parar num jogo sete de playoffs contra o Spurs.

O problema é que o Chris Paul, alguns anos atrás, era um armador extremamente explosivo, tinha um primeiro passo rápido demais e em um segundo colocava qualquer defensor pra trás pra atacar a cesta, o que abria ainda mais as defesas para seu ótimo passe e visão de jogo e fazia o time funcionar. Mas o Paul teve muitos problemas nos joelhos, passou por muitas cirurgias e foi perdendo essa explosão que lhe era característica. O Paul de repente começou a jogar como um veterano, passando primeiro e depois infiltrando, e arremessando mais do que nunca. Parecia um velho jogando, não um jogador que deveria estar no auge da forma. Mas de repente o Paul engata um jogo em que ele volta a correr feito um animal, pontua feito maluco no garrafão, pega rebotes e lidera as transições como ninguém na Liga, como foi contra o Rockets recentemente. Dependendo de qual Chris Paul estiver jogando essa série de playoffs, o Hornets pode até ganhar uns dois jogos e apertar um pouco o Lakers, porque o Paul é rápido demais pra qualquer jogador da Liga assim, ainda mais para um vovô como o Derek Fisher.

Ainda assim, o problema do Hornets vai muito além disso, e é na lesão do David West que o bicho pega. Eu escrevi um post quando ele se machucou sobre o impacto disso dentro e fora de quadra para o Hornets, só clicar aqui, e embora o Carl Landry tenha jogado muito bem sem ele, não é a mesma coisa. O Landry funciona melhor vindo do banco, entrando nos momentos chaves pra pegar alguns rebotes de ataque e pontuando embaixo da cesta, mas ele não é um bom defensor pra defender o Gasol nem forte e alto o suficiente pra defender o Bynum. A altura do garrafão do Lakers é maior, o tamanho do time todo do Lakers é maior, e a chance do Hornets seria se o Bynum não se recuperasse da lesão e aí tirasse a grande vantagem do Lakers no garrafão ou então, em último caso, se o David West conseguisse pegar alguns rebotes e usar sua agilidade pra defender o Pau Gasol e no ataque usasse seu ótimo jogo de meia distância pra tirar um dos dois do garrafão de Los Angeles de perto da cesta. Mas sem West e com Bynum, o Lakers tem tamanho demais no garrafão pra desequilibrar a série.

A chance do Hornets, que pra mim agora é mínima, depende do Chris Paul fazer miséria com o Derek Fisher. Ele fez o Jason Kidd parecer esse blogueiro marcando alguns anos atrás, e na temporada regular o Lakers sofreu demais com armadores rápidos que passavam como queriam pelo Fisher. Foi também o que o Russell Westbrook fez naquela série do ano passado entre Thunder e Lakers e que levou aquela série mais longe do que seria esperado. O problema é que, logo depois, o Fisher fez um ótimo trabalho marcando o Deron Williams contra o Jazz e também o Steve Nash contra o Suns, então não da pra falar que o velhinho não tem gasolina sobrando. O Fisher sempre jogou muito melhor nos playoffs, então se ele conseguir achar sua defesa mais uma vez e dar trabalho pro Paul, a única chance do Hornets vai ralo abaixo. Se ele não estiver naqueles dias que ele parece 10 anos mais novos, o Paul vai ter a chance de, se jogar com a explosão e infiltração que muita gente duvida que ele ainda tenha, levar o Hornets nas costas pra eventualmente roubar uns jogos. Mas até fazer disso uma série muito disputada... Não creio.

Ah sim, o Lakers também tem aquele tal de Kobe Bryant...

Palpite: O Paul vai ganhar um jogo sozinho, mas o garrafão do Lakers é mil vezes superior ao do Hornets. Lakers em cinco jogos.

sábado, 26 de março de 2011

Do céu ao inferno

Quem rompeu o ligamento foi o David West, mas quem vai chorar vai ser o GM Dell Demps


Novamente pedindo desculpas pela falta de movimentação aqui e no nosso twitter, dias corridos recentemente, mas prometemos que quando chegarem os playoffs a gente acelera as coisas aqui pra cobrir o melhor possível.

No começo da temporada 2011 da NBA, nenhum time estava tão quente como o Hornets. O time começou com uma boa seqüência, ganhou mais atenção ainda quando continuou essa seqüência derrotando o Heat, e foi o último time da Liga a perder um jogo. Chris Paul estava jogando muito bem, a defesa do time estava sufocante e parecia que o time recém-montado estava dando certo com até um técnico novo, Monty Williams. O time estava invicto, jogando bem, o Chris Paul estava feliz e tudo parecia estar dando certo para o Hornets, eles já estavam até sonhando em renovar com o Paul.

Mas alegria de time pobre dura pouco, e o Hornets começou a ter mais e mais dificuldades com seus jogos, o time começou a perder, amargou uma má fase e caiu pelas tabelas. As lesões começaram a minar o time, os problemas para pontuar apareceram e até o Chris Paul começou a jogar mal. Algum tempo depois, o Hornets voltou a ganhar, o time subiu na tabela, só pra depois entrar em outra má fase, perder metade do seu time titular por lesão, e por aí vai.

Em resumo, o Hornets é um time mediano que tem uma superestrela e que sabe jogar com uma defesa forte. As vezes isso é suficiente para o time engatar uma boa seqüência, os jogadores secundários começam a ter bons jogos e parece que o time está pronto pra vôos maiores. No instante seguinte, o time não se acha por alguns jogos, entra numa má fase e parece que está tudo acabado pro Paul e pro Hornets. E não ajuda o fato do Hornets ser um time que sofre com lesões nos seus principais jogadores: Primeiro foi o Emeka Okafor. Depois, Trevor Ariza. Depois foi o Chris Paul com uma concussão assustadora. E por fim, essa semana, o joelho do David West esfarelou e ele vai perder o resto da temporada.

Okafor, Ariza e Paul já estão jogando, então suas lesões não tiveram maiores conseqüências. Mas a do West, é uma história a parte. O David West é o segundo melhor jogador e melhor pontuador do elenco (O Paul pontua quando quiser, mas rende mais distribuindo o jogo), o que é dizer muito num elenco limitado e que as vezes tem problemas em colocar a bola dentro da cesta. O West também é o parceiro do Paul no pick and pop, a jogada de segurança do time, e é o cara que geralmente decide os jogos apertados para New Orleans. Perder o West tão perto dos playoffs e no meio de uma briga pela classificação, pode ser um golpe fatal nos planos de New Orleans: não só pela temporada, como pelo futuro.

O Hornets e seu GM Dell Demps tem uma única preocupação até o final da temporada que vem, que é manter o Chris Paul. O Paul pode virar Free Agent ao final da próxima temporada e muita gente coloca o armador no Knicks quando terminar seu contrato, e o Hornets quer desesperadamente evitar perder sua superestrela. Para isso, o Hornets precisa convencer o Chris Paul de que é possível disputar títulos ficando na cidade, e para isso ele precisa não só fazer o Paul se sentir bem no time como também montar um time capaz de ir longe nos playoffs, disputar séries contra as maiores potências e mostrar pro Paul de que se ele tiver paciência é possível levar o time ao título.

O problema é que o Hornets tem uma peculiaridade que atrapalha tudo: O dono do time é a própria NBA, e portanto em teoria seus 'donos' seriam os donos das outras 29 franquias da NBA. Isso aconteceu porque a cidade de New Orleans é um mercado pequeno, com torcedores apaixonados por basquete mas que não têm dinheiro para ficar indo ao ginásio ver os jogos. O time é pobre (pros padrões da NBA, quem dera eu tivesse dinheiro pra pagar 17 milhões por ano pra alguém) e faz muitas vezes trocas pensando no lado financeiro, até que o antigo dono quis se desfazer da franquia. Acontece que qualquer outro comprador que aparecesse ia querer tirar o time de New Orleans, o que não seria nada difícil, e para evitar que isso acontecesse, a NBA decidiu comprar o time até achar um outro comprador disposto a manter o time em New Orleans. O problema é que como quem é o dono quem decide se vai gastar ou não gastar milhões em jogadores (Olá, Mark Cuban! Boa tarde, Mihael Proholov!), essa decisão para o Hornets agora está nas mãos dos donos dos 29 times que estão competindo com a franquia, e eles não vão querer gastar milhões para tornar o Hornets um time mais forte, já não basta o Cuban ter ficado uma arara quando aumentaram a folha salarial trocando pelo Carl Landry.

Ou seja, para manter o Chris Paul, você vai precisar de bons resultados. Para ter bons resultados você vai precisar de um bom time, e bons jogadores. Pra isso, você vai precisar gastar dinheiro, mas isso não vai acontecer enquanto o Hornets não conseguir um novo dono. O contrato do David West pode acabar no final da temporada (Ele tem a opção de jogar ou não seu último ano de contrato) e aí renovar seu contrato pode ser problemático se ele ainda estiver sob controle da NBA, eles não vão estar dispostos a pagar um contrato enorme pro West. E aí o time perde seu segundo melhor jogador, não vai trazer free agents de nome, e o Chris Paul da o fora de New Orleans no final da temporada.

Por isso havia uma urgência dessa temporada para mostrar bons resultados. A temporada que vem pode ser a última do Chris Paul, mas insistir nela até os playoffs significa que ao acabar a temporada existe a grande chance de perder o Paul por nada, ao invés de ganhar muito em troca como fizeram Jazz e Nuggets. Se a idéia for trocar o Paul, então eles podem se preparar, porque sem o David West o time não vai conseguir causar impacto nos playoffs (não que fosse necessariamente causar com ele, mas tinha chances bem maiores!) e acho que a impressão que vai ficar no Paul é de que ele não vai ganhar um título em New Orleans. Se o Hornets for, digamos, varrido pelo Lakers na primeira rodada dos playoffs, o Paul vai estar mais inclinado a sair de lá ainda com a noção (acertada) de que assim ele não vai conseguir brigar por títulos, e portanto o Hornets vai ter que decidir: Tentar um último ataque aos playoffs (Caso o David West volte para o último ano do seu contrato) para tentar manter o Paul e arriscar perdê-lo por nada ou trocá-lo antes da deadline. Provavelmente vão tentar começar a temporada bem e dependendo de como estiverem indo eles decidem o que fazer antes da trade deadline.

Mas como o time do Hornets é um time defensivo muito forte e que conta com uma superestrela, a melhor chance dos Hornets de tentar provar algo para o Paul era através da pós temporada, e não da temporada regular. O time pode segurar seus adversários a pontuações baixas e o Chris Paul pode ganhar alguns jogos sozinho, pontuando e principalmente armando o jogo. Talvez, com o West saudável, o Hornets poderia tentar roubar a posição do Blazers para enfrentar o Mavericks ao invés do Lakers e torcer para o Paul fazer com o Jason Kidd o que fez da última vez que seus times se enfrentaram na pós temporada. Chegar numa semifinal de conferências, tentar dar um calor no Lakers, talvez deixasse o Chris Paul mais otimista pro futuro em New Orleans e ajudasse o armador a ficar no Hornets. Mas agora, a não ser que o Carl Landry comece a jogar de todas as formas possíveis e o Jason Smith faça um pick and pop bom o suficiente com o Paul pelo resto do ano, o Hornets pode ter perdido sua última chance de provar pro Paul que eles podem montar um time para levá-lo ao título através dos playoffs sem ter em jogo a chance de perder o seu melhor jogador a troco de nada. E o fato do seu time não ter grandes chances de se reforçar pra temporada que vem enquanto não achar um novo dono não vai ajudar o Hornets em nada.

Apenas o Knicks.