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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Um chinês em New York

"A resposta da questão 22-b era um!!"


O New York Knicks é, como se sabe, uma franquia muito tradicional na NBA. Joga num dos maiores mercados dos EUA, é o time que mais ganha dinheiro na Liga, uma das franquias mais valiosas da NBA, tem o ginásio mais bolado de lá e uma das torcidas mais fanáticas. Ou seja, é um time tradicional e importante e que tem tudo pra ser um time vencedor como o time mais vencedor da cidade (E dos esportes americanos), o Yankees.

Mas toda essa tradição e dinheiro do Knicks não tem se traduzido em títulos. Ao longo dos ultimos anos, o Knicks tem sido o time que mais ganhou dinheiro mas também o que mais gastou - e o pior, gastou com jogadores como Eddy Curry e Stephon Marbury. Um fracasso em termos de administração e gestão, o Knicks dos últimos anos acumulou fracassos e frustraçōes na Liga, nunca foi realmente competitivo desde o começo da década passada. Pra mudar isso, a Franquia apostou no que ela tem de melhor - que definitivamente não é a administração. Ou seja, apostou na cidade de New York, no dinheiro que jogar nesse enorme mercado dá e no quanto ele é atrativo para os jogadores: Trouxe por uma fortuna na Free Agency o Amare Stoudamire depois que Lebron James e Dwyane Wade recusaram a oferta, e trouxe o Carmelo Anthony quando ele forçou a saída do mercado pequeno que era o Nuggets em Denver. Tudo bem, o Knicks pagou caro pelo Melo e o Nuggets se reconstruiu e montou um grande time jovem e coletivo, mas conseguiu seu objetivo: Juntou duas superestrelas e limpou espaço pra contratar mais uma, no caso o armador Chris Paul, que poderia terminar seu contrato no final dessa temporada e sair de New Orleans.

Bom, a gente sabe o que aconteceu depois: O Chris Paul foi trocado para o Lakers numa troca que também envolveu o Rockets. Com o Paul (sonho de consumo do Knicks) fora da jogada, o time de NY usou o seu espaço salarial pra assinar o Free Agent Tyson Chandler pra ser a âncora defensiva de um time que não sabia o que era defesa. Quando o David Stern decidiu explodir a Liga e ferrar de vez Lakers e especialmente o Rockets (Mais sobre isso daqui a pouco) vetando a troca do CP3 para o Lakers, o contrato do Chandler já estava assinado e o Knicks não podia mais voltar atrás pra manter o teto salarial aberto pro Paul. Assim, o Knicks teve que se contentar com o núcleo de Melo, Amare e Chandler.

De uma maneira meio bizarra, o Chandler cumpriu seu papel de tornar um time que não se interessava por defesa em um time capaz de apertar no lado defensivo e contar com um ataque eficiente para vencer alguns jogos. A defesa do time não é do nível de Heat ou Bulls, claro, mas está muito longe de ser uma peneira e está entre as 10 melhores da Liga, em boa parte por causa do Chandler. Ele cumpriu perfeitamente seu papel de quando foi contratado, e o time do Knicks tinha eliminado seu grande problema de 2011. Mas curiosamente, o grande problema do Knicks se tornou o ataque. O ataque  da equipe, que deveria se apoiar amplamente no talento individual da dupla Melo/Amare, passou a ser estático, previsível, sem movimentação de bola e a viver de jogadas forçadas das suas duas estrelas. Não tinha espaçamento em quadra, não tinha uma tática definida, era basicamente tocar pras estrelas e esperar elas resolverem sozinhas. 

Isso acabou caindo como culpa do técnico Mike D'Anthony, em parte justificadamente e em parte não. O Mike D'Anthony é um técnico limitado que teve muito sucesso com o Phoenix Suns de 2005-2006, o famoso Suns dos "Sete segundos ou menos", que corria como se a vida dependesse disso, jogava na velocidade, arremessava muito de três pontos e confiava no gênio do Steve Nash pra distribuir a bola e manter o ataque funcionando. O problema do D'Anthony é justamente a sua dependência desse esquema de jogo, um esquema de correria, passes rápidos e que depende muito de um armador capaz de infiltrar. Ele só sabe jogar esse estilo, um estilo de muito espaçamento, velocidade e que depende de um armador que distribua o jogo e ataque o aro. Com as peças pra jogar no seu estilo, ele o faz muito bem, mas não tem a capacidade de se adaptar a outros estilos de jogo, ou adaptar o seu estilo aos jogadores com características diferentes - caso do Knicks. O problema é justamente pedir pro D'Anthony fazer isso, jogar com jogadores totalmente opostos ao esquema tático que ele sabe. Ele tentou adaptar os jogadores ao estilo, tentou mudar o estilo pra se adaptar aos jogadores, e não funcionou, o ataque continuava uma droga estática e o Knicks começou a perder, perder e parecer uma droga que não ia a lugar nenhum. Quando Amare se ausentou por causa da morte do irmão e o Melo saiu machucado, parecia que o Knicks estava condenado à mediocridade.

Foi ai que o Knicks achou ouro em um armador chinês, formado em economia em Harvard chamado Jeremy Lin. Se voceê tiver interesse na história mais detalhada do Lin, o Bola Presa fez um post a respeito nas Summer Leagues da temporada passada, muito antes dele ficar famoso, então é bem legal ver a história dele antes de ficar famoso. Mas resumidamente, ele é um chinês (ainda que tenha nascido na Califórnia, os pais são chineses) que ficou conhecido por jogar como armador por Harvard - sim, essa Harvard mesmo, da Ivy League. Ele jogou muito bem no College, chegou a disputar o prêmio de melhor armador da NCAA e levou Harvard a uma boa colocação, mas não foi Draftado. Apareceu bem nas Summer Leagues daquele ano, onde humilhou o John Wall, e ganhou um contrato com o Warriors, onde não teve chance nenhuma, passou o ano na D-League e acabou dispensado. Esse ano, começou no Rockets, foi dispensado quando a troca do CP3 foi cancelada e acabou indo parar no Knicks. Quando estava para ser dispensado novamente, teve a chance de jogar numa partida vindo do banco, e anotou 25 pontos. No jogo seguinte foi titular, destruiu o espaço tempo, jogou como o armador que o D'Anthony sempre quis pro seu esquema tático, foi espetacular e não saiu mais do time.

O Lin acabou virando um fenômeno em duas frentes, dentro e fora de quadra. Fora de quadra, chamou a atenção por diversas coisas na sua história: o fato de ter vindo de um College como Harvard, de ser chinês, e de ser um jogador totalmente desconhecido que chegou na NBA quebrando recorde atrás de recorde, pontuando e assistindo feito doido, fazendo o time do Knicks funcionar como uma equipe de verdade. Ninguém entendia como um jogador tão bom (o que ficou claro depois de dois ou três jogos, que ele não era simplesmente fogo de palha, e sim um jogador realmente talentoso) podia não ter sido draftado, passado uma temporada inteira na D-League, ter sido dispensado por dois times sem ninguém ter percebido que ele era na verdade muito bom!! A NBA já teve casos de bons jogadores não Draftados, mas não com esse nível de talento nem depois de ter passado um ano inteiro na D-League. Ele também virou um fenômeno de mídia e acabou muito comparado com o Tim Tebow, Quarterback do Denver Broncos.

Sinceramente, essa é uma das piores comparaçōes esportivas de todos os tempos, incluindo aí quando compararam o Adam Morrisson com o Larry Bird. O Tebow e o Lin são dois jogadores religiosos, dois fenômenos de mídia carismáticos... E pronto, acabou o que eles tem em comum! De resto, eles são dois jogadores bastante opostos, e os motivos da enorme atenção da mídia que eles atraem também são: Tebow foi um dos maiores jogadores de College Football de todos os tempos mas claramente não chegou na NFL com as ferramentas necessárias pra jogar nos profissionais. Foi draftado alto com base nas esperanças e expectativas que trazia do College, e mesmo não estando no nível de jogo da NFL, acabou titular e continuou ganhando jogo atrás de jogo de forma absurda e na pura raça, porque em termos de habilidades ele ainda não está num nível acima da média. O mais impressionante do fenômeno Tebowmania era que o Tebow era um QB mediano que continuava ganhando com as poucas armas que lhe restavam. O Lin é exatamente o oposto: Carreira desconhecida do grande público no College, nenhuma expectativa no Draft (tanto que não foi Draftado), apareceu pra Liga do nada porque tem muito talento pra jogar entre os profissionais e foi uma surpresa tão grande porque ele era bom demais e ninguém conhecia ele, foi só ele ganhar uma chance que explodiu. Ou seja, são histórias totalmente diferentes e jogadores totalmente diferentes, a comparação é bem ruinzinha. 

Se querem comparar o fenômeno Linsanity a alguma coisa, comparem à Fernandomania, do arremessador Fernando Valenzuela. Pra quem não conhece, Fernando Valenzuera foi um arremessador mexicano que apareceu no Los Angeles Dodgers no começo de uma bela temporada como titular, era bom pra cacete e tomou a Liga de assalto, foi um fenômeno de mídia que apareceu do nada e representava uma minoria nos EUA (os mexicanos no caso, como os asiáticos para Lin) e que fez todo mundo ficar se perguntando "De onde surgiu esse cara??". A mesma história, jogadores muito talentosos que surgiram do nada, sem nenhuma expectativa, e que de repente começaram a jogar muito. A diferença básica entre os dois foi mais contextual do que outra coisa: Fernando era um jogador melhor do que Lin (ganhou o prêmio de melhor arremessador de TODA a NL como calouro) e porque baseball em 1984 era mais importante pros EUA do que basquete em 2012, mas as situaçōes são muito parecidas. Muito mais do que com Tebow.

Mas dentro de quadra, o impacto do Lin foi enorme, justamente porque ele é o armador no qual todo o esquema tático do Mike D'Anthony se baseia, um armador com bons passes, inteligência e que sabe infiltrar e criar espaço. Foi só o Lin começar a jogar que tudo no Knicks caiu no seu lugar mesmo sem Melo e Amare: Ele começou a conseguir muitos pontos vindos de infiltração, trabalhou no pick and roll muito bem com o Chandler (que consegue seus pontos no ataque com um armador decente), os arremessadores do time se espalharam pelo perímetro, o Chandler começou a pegar rebote ofensivo atrás de rebote ofensivo... Tudo isso faz parte do esquema do D'Anthony, só que agora que estava começando a funcionar porque tinha alguém pra atacar a cesta, abrir os espaços no qual o Mike gosta de trabalhar e distribuir o jogo para quem estivesse livre quando a marcação reagisse às infiltraçōes do Lin. Finalmente o Knicks pode implementar o jogo que seu técnico queria desde o começo, o Steve Novak começou a receber as bolas que ele precisava pra acertar tudo de longe, os rebotes ofensivos cairam na mão do Chandler, e o time pontuou no garrafão com seu armador.

A dúvida que ficava, portanto, era como os astros do time Amare e Melo - e depois a contratação chinesa do time no JR Smith - iam se encaixar nesse time, como suas características iam combinar com a do armador chinês e da forma de jogar que o seu técnico tanto gosta. O Amare, de certa forma, era o menor dos problemas: Ele sempre foi um jogador que se beneficiou do pick and roll com o Nash em Phoenix e que está no seu melhor finalizando de frente pra cesta recebendo um bom passe. No seu primeiro jogo voltando dos problemas familiares, ele finalizou cinco bolas saindo de pick and roll - ele tinha média de uma finalização dessas por temporada. Esse pick and roll ainda não é uma jogada de conforto do time (as vezes passam tempo demais sem usar) e as vezes parece que o Chandler no garrafão ocupa um espaço que o Amare gostaria de ter livre pra atacar a cesta - o que resulta em alguns arremessos bobos de meia distância - mas com um pouco de entrosamento e prática o Knicks provavelmente vai começar a fazer isso com mais naturalidade. O Lin fez muito bem os pick and rolls com o Chandler, e o Amare é um finalizador muito melhor que o Chandler, logo ele deve assumir o papel nessas jogadas e o Chandler deve fazer um papel mais de segurar o rebote ofensivo. De certa forma ele realmente ocupa um espaço que o Amare gosta de usar, mas isso pode ser contornado de diferentes maneiras: O Chandler pode continuar fazendo o pick and roll com o Amare se posicionando pra um arremesso de meia distância, ou então o Chandler pode se afastar um pouco do aro quando o PnR acontecer pra buscar o rebote vindo de fora. Ou seja, a jogada está lá e o D'Anthony trabalhou muito bem com ela em Phoenix, não vejo ele tendo muitos problemas pra adaptar essa jogada da melhor forma possível para o seu time.

O JR Smih é um caso particular, mas também não deve apresentar problemas. O JR Smith é o famoso arremessador de três sem cérebro, tem talento pra cacete mas não tem cabeça e prefere ficar forçando bolas de três até alguém se enfezar com ele. Ou seja, típico jogador pra vir do banco e encher de bolas de três, as vezes elas caem e outras não, mas como é exatamente isso que ele faz - e foi contratado pra fazer - é mais uma questão de controlar os minutos dele do que de encaixá-lo em esquema tático, porque ele não segue nenhum. Acho que vai acabar beneficiado pelo maior espaçamento, mas ai vai continuar com seu joguinho de chutar de longe, e o Mike D'Anthony que se vire pra controlar os minutos do JR e usar ele e sua porralouquice de uma forma benéfica à equipe.

Enfim, chegamos no problema: O grande astro do time, Carmelo Anthony. O Melo é um jogador espetacular, ofensivamente provavelmente é o jogador mais completo de toda a NBA e é um dos melhores fechadores da Liga. Ele  arremessa de dois, de três, infiltra, bate lances livres, joga de costas pra cesta, na transição... Enfim, uma força ofensiva. Mas o Melo também sempre foi um jogador que gosta de segurar a bola, criar o próprio arremesso e as vezes arremessa demais e sem critério. A melhor fase do Carmelo na sua carreira foi no Nuggets exatamente quando o time trouxe um armador pra tomar conta da equipe, no caso o Chauncey Billups. Isso foi muito importante pro time e pro Melo porque o Billups é um armador calmo e pensador que controlava o jogo e fazia as bolas chegarem no Melo nas horas certas pra ele partir pra cima e pontuar alucinadamente. Inclusive, na minha avaliação, é o melhor tipo de jogador pra acompanhar o Melo, alguém que pense o jogo e acione o Melo nas horas certas pra ele funcionar como o pontuador nato que é mas sem atrapalhar o esquema de jogo e a rotação de bola da equipe. E bom, armador calmo, pensador e que cadencia o jogo? Por melhor que ele seja, é o oposto do que o Lin faz de melhor, que é atacar a cesta, acelerar o ataque e abrir espaços na defesa. O Lin é um jogador inteligente, mas não é um armador pensador (E o Knicks nem quer que ele seja, ele é muito mais útil sendo desse jeito!) e nem tem a função de acionar os companheiros na melhor posição, pelo contrário, ele ataca a cesta o mais rápido que puder sempre controlando a bola. E isso - e essa é a minha preocupação - é algo que conflito diretamente com o estilo do Melo e o estilo que ele mais rende.

A questão é que o time do Knicks rende melhor com o Lin atacando a cesta, fazendo pick and rolls e abrindo a defesa para os arremessos, mas o seu melhor jogador rende melhor controlando a bola ou com um armador que controle o ritmo ofensivo e distribua o jogo com calma. Como o Knicks não tem um armador assim no elenco, o time tem duas opçōes pra integrar o Carmelo e o novo esquema de jogo. A primeira é buscar um balanço entre as duas formas de jogar, jogar uma parte do tempo com o estilo do D'Anthony e com o Lin controlando a bola, e outra parte com o Melo jogando mais individualmente controlando o jogo. Claro que isso exigiria do Lin um maior controle do jogo e uma qualidade mais pensadora pra saber quando deixar o Melo jogar sozinho e quando acionar o ataque de velocidade da equipe.

Eu não gosto dessa opção por dois motivos. Primeiro, porque você estaá abandonando o estilo de jogo que seu time e seu técnico sabem e gostam de usar, o esquema que o time mais é eficiente, só pra integrar um jogador, especialmente com dois estilos tão diferentes. Um técnico como Phil Jackson poderia eficientemente achar uma maneira de jogar que combinasse as duas coisas, mas não confio que o D'Anthony consiga o mesmo. Além disso, você estaria pedindo para seu armador ser um jogador que ele não é, e jogar de uma forma muito mais pensadora e cadenciada, o que ele não está acostumado a fazer.

A outra opção, mais interessante, é reinventar um pouco o estilo de jogo do Melo. O Melo está acostumado a criar seu arremesso e jogar com a bola na mão, mas ele é um jogador inteligente e excelente finalizador, portanto a ideia seria usar mais o Melo jogando fora da bola e se posicionando para receber passes e finalizar as jogadas. O Melo já jogou assim na seleção americana e teve muito sucesso, e assim o Knicks pode continuar deixando a bola nas mãos do Lin (Que precisa tomar mais conta dela, ele perde demais a bola durante o drible) enquanto o Carmelo trabalha pra se posicionar pra receber a bola numa posição onde ele possa partir direto pra finalização sem precisar desacelerar o ataque ou parar a rotação da bola. O Lin é um bom passador saindo do drible pra achar os jogadores mais bem posicionados, então o Melo pode simplesmente se colocar numa boa posição pra receber esse passe. De certa forma é reinventar o estilo de jogo do Melo porque ele está acostumado a jogar com a bola na mão e criar seu arremesso, mas ele também já mostrou que tem inteligência pra se posicionar em quadra e trabalhar como um pontuador que joga sem a bola na mão, como já mostrou na seleção. E como o esquema do Knicks com o Lin livre pra infiltrar abre muito espaço pros arremessadores se espalharem pela quadra, o Melo vai ter bastante espaço pra se movimentar enquanto o Lin trabalha no pick and roll.

Aliás, isso significa que o D'Anthony vai ter que ficar criativo nas escalaçōes, porque se o Lin trabalhar no PnR com o Chandler e o Melo e algum outro se posicionarem pra receber a bola pra arremessos, não faz sentido o Amare também ficar posicionado apenas como um arremessador de meia distância, e quando o Amare for o homem do pick and roll o Chandler vai ter que jogar mais afastado do aro pra não congestionar o garrafão, mas como o pivô não tem um bom arremesso as defesas provavelmente vão deixar ele pegar a bola livre longe do aro pra congestionar o garrafão. Ou seja, Amare e Chandler podem jogar juntos em alguns momentos, mas se o Melo se adaptar à sua função de pontuador sem a bola o time ficaria mais eficiente com só um dos dois em quadra. Ai fica a critério da criatividade do D'Anthony usar os dois em situaçōes separadas pra aproveitar melhor cada um deles (até acho que pela sua capacidade de forçar double teams o Amare jogaria melhor com o Baron Davis e o JR Smith vindo do banco).

Quanto ao Lin, ele foi o cara que deu cara nova ao time, ele tem talento pra burro e deve continuar executando essa função que ele executa hoje, que é tão importante pro esquema de jogo da equipe. O Lin tem fraquezas (Não defende ninguém, conforme ficou claro no jogo contra o Nets - um dos motivos de porque é tão interessante o Iman Shumpert jogando com o Lin e se encarregando de marcar o jogador mais perigoso do perímetro - comete muitos turnovers principalmente porque a bola fica muito solta durante seu drible e muitas vezes ele perde controle da bola, e algumas limitaçōes como por exemplo o drible pro lado esquerdo - não é que ele não consiga ou não saiba, mas ele claramente fica menos confortável, o Heat forçou ele o jogo todo a ir pro lado esquerdo e ele teve uma partida horrorosa cheia de turnovers). De certa forma, algumas delas são erros comuns de jogadores que estão na NBA há tão pouco tempo e com o tempo  de jogo e treino ele deve melhorar, especialmente nos turnovers e na mania que as vezes ele tem de colocar uma jogada na cabeça e insistir nela até o fim, mesmo que no meio do caminho uma opção melhor apareça. Mas o moleque é talentoso pra burro, muito rápido, tem bom arremesso, é inteligente dentro de quadra e é excelente finalizando no garrafão mesmo sofrendo contato. Ele tem bom passe, boa visão de jogo e trabalha bem no pick and roll. Ou seja, não só as ferramentas pra ter sucesso na NBA como exatamente o que um armador precisa ter pra virar um monstro no esquema do Mike D'Anthony.

Aliás, um comentário rápido: O Lin está em seu segundo ano na Liga e é praticamente um calouro, mas vale lembrar que o Lin vai fazer 24 anos essa temporada, mais velho do que Derrick Rose, Russell Westbrook e Kevin Durant.

Aliás, sabe o que é engraçado - ou trágico? O Houston não tinha a intenção de dispensar o Lin, a idéia do Rockets era trocar o Goran Dragic (que iria pro Hornets na troca do CP3) e o Lin ficar como reserva do Kyle Lowry. Quando a troca foi vetada, o Rockets ficou com quatro armadores - Lowry, Dragic, Lin e Flynn (que era mais valioso pro Rockets pelo seu valor de troca), sendo que todos menos o Lin tinham contratos garantidos - e ai teve que mandar o Lin embora. Ou seja, se a troca não tivesse sido vetada, o Lin nunca teria saido do Rockets e possivelmente estaria destruindo tudo e todos por lá ao invés de NY. O Rockets teria Pau Gasol e provavelmente teria assinado com o Nenê (que dizem que iria pra lá se eles conseguissem um outro jogador de garrafão), e ficaria com um time de Lowry, Courtney Lee, Chandler Parsons, Gasol e Nenê, e um banco com Lin, Marcus Morris, Chase Buddinger, Patrick Petterson e algum Free Agent para a posição 2. Ao invés disso o time perdeu Lin, não assinou com Nenê e ficou sem seu All Star no Gasol... Tudo por causa do veto do David Stern, que podemos afirmar que destruiu a temporada do Rockets e salvou a temporada do Knicks de ir pro buraco. Ah sim, adivinhem quem tem a escolha de primeira rodada do Knicks esse ano? Bingo! O sangue do Rockets está em suas mãos, Stern!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

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Carmelo fez biquinho e acabou sendo trocado

Eu sei que eu ia falar sobre o All Star Game, mas isso fica pra hoje a noite, porque temos um assunto mais importante em mãos. Finalmente acabou a novela, terminou a enrolação, as negociações chegaram ao fim e Carmelo Anthony conseguiu o que tanto queria: foi trocado. O Denver Nuggets anunciou hoje que o ala foi mandado junto com Chauncey Billups, Renaldo Balkman, Anthony Carter e Sheldon Williams para o New York Knicks em troca de Raymond Felton, Danilo Gallinari, Wilson Chandler, Timofey Mozgov e mais um pacote de escolhas de draft, incluindo uma escolha de primeira rodada e duas de segunda.

Para entender essa troca e porque o Carmelo não simplesmente esperou seu contrato acabar ao fim da temporada pra mudar de time, primeiro a gente tem que entender a situação em que está a NBA. Eu falei recentemente sobre o CBA da NFL, o acordo entre a Liga e a união dos jogadores, que está em negociações para a próxima temporada e que é o acordo responsável por estabelecer vários fatores, inclusive o teto salarial das próximas temporadas. Pra ler mais é só clicar no link. Mas acontece que a NBA vive uma situação parecida. Vou falar mais dela num post específico, mas em essência a questão é muito parecida com a da NFL, o acordo atual está pra vencer (no caso da NFL ele já venceu) e as negociações entre Liga e união dos jogadores não está avançando com a velocidade necessária, e isso está causando uma enorme incerteza para a próxima temporada. Em particular, está causando uma incerteza com relação aos salários. Na NBA, existe um teto salarial que é um 'soft cap', ou seja, ele pode ser ultrapassado em certas situações e seguindo certas regras, desde que o time que ultrapasse esse teto pague uma multa. Além dele, existe um hard cap, um teto salarial que nenhum time pode ultrapassar, em nenhuma circunstância. E uma das pautas desse novo acordo entre Liga e união é a diminuição desse teto salarial, sob o argumento da NBA de que quase nenhuma franquia anda tendo lucro recentemente.

E essa diminuição do teto salarial é o que tem assustado os jogadores. Um jogador que assinou um contrato no começo dessa temporada teve seu contrato calculado com base no teto salarial vigente, mas um jogador que assinar um contrato ao final dessa temporada assinará com valores calculados com base no novo teto salarial, que possivelmente será menor, e assim ele irá ganhar bem menos dinheiro. Isso, lógico, supondo que se chegue a um acordo e que a redução do teto realmente aconteça. Essa é a razão pela qual jogadores como Paul Pierce, Dirk Nowitzky e até o Richard Jefferson optaram por sair antes do último ano de seus contratos ao final da temporada passada para assinar novos contratos. Os contratos novos pagam menos dinheiro do que eles iriam ganhar no último ano do contrato anterior, mas assinando esses contratos eles garantiram que ele durasse mais tempo, ao invés de ganhar mais dinheiro no último ano e ficar correndo o risco de assinar um contrato muito menor e mais curto sob o novo CBA. E também foi esse o motivo que levou o Carmelo Anthony a querer sair agora do Nuggets, ao invés de terminar seu contrato ao final do ano e fazer um anúncio em rede nacional indicando pra onde ele levaria seus talentos. Se terminar o contrato ao final do ano, ele assinará um contrato de free agent com o time que ele quiser, mas corre o risco de ser um contrato com um valor menor por causa do novo CBA. Ao invés disso, ele queria assinar agora uma extensão contratual nos moldes do acordo atual, que vai lhe garantir mais dinheiro.

Quanto a sair do Nuggets, o motivo é simples. Ele quer vencer títulos e jogar em algum lugar de muita visibilidade. O Nuggets era um ótimo time, chegou até as finais do Oeste em 2009, quando deu uma bela canseira no Lakers, mas em 2010 o time se perdeu quando o técnico George Karl se ausentou durante os playoffs pra tratar de um câncer. O time, então, ficou muito enfraquecido e foi massacrado pelo Deron Williams e o Utah Jazz nos playoffs. E vendo os seus amiguinhos do draft de 2003 se juntarem em Miami, formarem um super time e estarem muito fortes na briga por um título, o Melo também quer ir para um time com estrelas, onde ele seria capaz de brigar por muitos títulos e ser reconhecido por isso. O Melo é um superstar, um dos melhores pontuadores da Liga, mas ele é um jogador que até que recebe pouco reconhecimento pra alguém que é isso tudo. E por isso ele ficou tentado com a idéia de jogar em NY, onde ele cresceu e onde fez faculdade. E a idéia começou a parecer ainda mais tentadora quando o Knicks trouxe o Amare Stoudamire e falou em trazer o Chris Paul. O Nuggets tem um bom time, o Billups é um tremendo armador, o Aaron Afflalo é um dos melhores carregadores de piano da NBA, o Nenê é um ótimo pivô, mas a verdade é que esse time depende muito de dois jogadores velhos, o próprio Billups e do Kenyon Martin. E ambos já estão claramente na descendente da carreira, não vão durar muito mais tempo e o Nuggets pode voltar a ser um time mediano, sem defesa de garrafão e sem organização ofensiva, e portanto sem chances de título. E não é o que o Carmelo quer, então ele pediu pra sair.

Pro Nuggets, foi um bom negócio. Eles ofereceram quinhentas extensões muito valiosas pro Carmelo, que foram recusadas quinhentas vezes, ficou bem claro que ele não ia continuar em Denver. Então, pra não ficarem de mãos abanando ao final da temporada como ficaram Cavaliers e Raptors, eles trataram de buscar trocas para seu All Star. A primeira proposta que apareceu foi do Nets, que envolvia o calouro Derrick Favors e uma cacetada de escolhas de draft. Quando a negociação esfriou, veio o Knicks, e depois de muita enrolação, pentelhação e negociações, o Knicks ofereceu Chandler, Galinari, Felton e uma escolha de primeira rodada. O Nuggets pediu Felton, Chandler, Landry Fields e Timofey Mozgov, alem da escolha de draft. No final, Fields ficou e Galinari foi pra Denver. Pro Nuggets, foi um sucesso, na medida do possível. Perder um All Star como o Melo nunca é um sucesso, mas a situação seria pior se não trocassem, e conseguiram muita coisa em troca. Ao trocar seus dois melhores jogadores, o Nuggets deixou bem claro que vai reconstruir o elenco.

O time trouxe Raymond Felton, em ótima fase, para a posição que era do Billups. É verdade que o Billups era o jogador mais importante do ataque do Nuggets porque era quem cadenciava o jogo, ditava o ritmo e organizava as ações ofensivas. O Felton não tem essa habilidade nesse grau, mas ele já mostrou que sabe jogar um basquete cadenciado quando era armador do Bobcats e tem jogado ainda melhor na velocidade do Knicks, e o Karl vai ter que saber como extrair o máximo dos dois lados do jogo do Felton. Além disso, o armador sophomore Ty Lawson é outro que é muito bom, um jogador que imprime muita velocidade, sabe pontuar e é excelente pra entrar no banco pra trazer energia e colocar os reservas do time naquele ritmo alucinante que nenhum time reserva na Liga consegue acompanhar. De acompanhamento, o time ainda tem o ótimo Afflalo, que é um role player excelente, defende muito bem, ótimo arremessador e que desde que começou a ter mais a bola nas mãos também tem correspondido muito melhor do que a encomenda, e o JR Smith, que tem um QI próximo da Luciana Gimenez mas que é talentoso e atlético pro diabo, da umas enterradas muito boas e que é ótimo pra vir do banco arremessar de três, principalmente se o seu time está na frente no placar. A posição três, de ala, ficou vaga com a saída do Carmelo, mas ganhou dois bons jogadores pra posição. O Wilson Chandler vinha tendo uma temporada sensacional no Nuggets, é um ótimo jogador e era candidatíssimo ao prêmio de melhor sexto homem da temporada até começar a jogar de titular. E também trouxe o Gallinari, que não é um jogador dos mais completos que já se viu mas que arremessa muito bem de três, sabe bater pra dentro e da umas enterradas bem maneiras também. Também pode quebrar um galho na posição de ala-pivô pela sua altura, mas quando ele fazia isso no Knicks o garrafão era vergonhoso, é um recurso limitado a ser usado. E o melhor, o Gallinari tem 22 anos, e o Chandler 23. O time ainda conta com o Nenê, que também é um jogador eficientíssimo no garrafão. Agora sem o Melo o Nenê provavelmente vai ter mais bolas pra arremessar e uma maior responsabilidade, o que pode ser até bom para o pivô. E o Timofey Mozgov é um pivô cru mas que teve recentemente uns jogos muito bons, inclusive um jogo de 23 pontos e 14 rebotes contra o Pistons e deixou todo mundo com um gostinho de quero mais. Não acho que ele vai ser um grande jogador, mas com os minutos necessários pode evoluir e virar um bom reserva. E detalhe que, tirando o Nenê e seus 28 anos, o jogador mais jovem de todos os outros é o Felton com 26 anos!

Ou seja, o time trocou seu All Star por uma cambada de jogadores jovens, talentosos e com um futuro muito promissor. O time agora precisa terminar sua reconstrução e se livrar do contrato monstruoso do Al Harrington que o time assinou numa esperança de manter o Carmelo, e esperar o Martin aposentar. O Nuggets fez sua reconstrução usando o Melo e mantendo uma base de jogadores talentosos no time, e mesmo perdendo o Melo é um time muito melhor que o Cavs, Raptors e metade do Leste. Mas pra coroar essa reconstrução, o time precisa de uma coisa. E o que o time perdeu é exatamente o que ele precisa: uma estrela. Um time com cinco ótimos role players pode ganhar alguns jogos, o Rockets já mostrou isso pra gente, mas não vão conseguir ganhar um título. Eles precisam de uma estrela, de um jogador capaz de vencer jogos sozinho e decidir jogos apertados no final. E isso eles não tem no momento, e também não tem uma escolha alta no próximo draft o suficiente pra conseguir um. Como eles vão atrair esse marquee player eu não sei, mas é o que o Nuggets precisa pra finalizar sua reconstrução.

Pro Knicks, eu confesso que, a curto prazo, não achei um bom negócio. O Carmelo é um ótimo jogador, já falei isso antes, mas o time titular do Knicks foi totalmente desmontado para isso, três titulares foram embora, e esse era o melhor time que o Knicks tinha em muito tempo. O Knicks ganha um jogador capaz de fazer uma combinação mortal com o Stoudamire, mas nenhum dos dois defende porcaria nenhuma e agora eles vão sofrer pra colocar gente em volta desses dois. Também tem o fato do Billups ser um armador que tinha como principal característica ser um jogador que controla o jogo, diminui o ritmo, cadencia, mantém a calma, toma um chazinho e aciona os jogadores nas horas certas. Foi essa característica dele que botou ordem no ataque do Nuggets e revolucionou o time quando ele foi trocado pelo Allen Iverson. Mas eu estou muito curioso pra ver como isso vai funcionar no Knicks. Não sei como o Mike D'Anthony pretende usar o Billups, se pretende usá-lo da mesma forma, desacelerar o ataque e deixar o controle do jogo em suas mãos, ou se ele vai continuar usando sua filosofia dos "Sete segundos ou menos" e correndo como um louco, desperdiçando a principal característica que fez do Billups um dos melhores armadores ao longo da última década. Portanto, o Knicks que já era um time confuso ficou ainda mais e, além de duas estrelas sensacionais, o time não tem mais nada, nem sequer um plano de jogo definido.

Mas o plano do Knicks é outro, e bem maior. O Knicks é uma das franquias mais tradicionais da NBA, a segunda mais valiosa atrás só do Lakers e um time que movimenta muito dinheiro. Mas também é a franquia mais fracassada dos últimos tempos e que busca desesperadamente se reerguer. Eles não conseguiram isso nessa free agency com o Lebron James, como sonhavam, então buscaram o Stoudamire como prêmio de consolação e começaram a sonhar com Carmelo e Chris Paul. E esse é o plano por trás da troca: Trazer mais craques ainda, satisfazer seus sonhos megalômanos e fazer um Big Three versão 3.0. Se a troca for simplesmente porque acharam que melhoraram o time por hora, eles estão totalmente errados, o Knicks é um time ainda mais longe do título. Mas se o plano é aproveitar que no final do ano os contratos expiram, e ai montar um novo time em volta das suas duas grandes estrelas, pode dar muito certo. Esperar o CP3 e o Dwight Howard terminarem seus contratos pra se juntarem ao time é arriscado, já deu bem errado com o Lebron, mas pelo menos eles tem algum atrativo, que são seus dois All Stars.

Aliás, essa tendência de concentração está cada vez maior na NBA. De certa forma ela começou e não começou com o Big Three do Boston, em 2008. Inegável que essa foi a primeira vez que três grandes jogadores sem um título se juntaram pra finalmente conseguir nos tempos recentes, mas também tem uma diferença fundamental, que é o fato dos três jogadores do Boston, apesar de futuros Hall of Famers, também eram jogadores que já tinham passado seu auge, velhos, em decadência, apesar de ótimos. Já os que andam se juntando no Heat, Knicks e cia são jogadores que estão no auge, jovens, com muitos anos pra ganharem títulos pela frente. E essa concentração é outra coisa que a NBA quer impedir com sua redução do teto salarial, pra evitar que os times possam oferecer contratos gigantescos pra vários jogadores e montem um time só com craques. Não que a NBA não goste desses times, mas se isso virar uma grande tendência pode causar um grande desequilíbrio na Liga, e isso pode começar a ter o efeito negativo, ninguém vai querer ver 95% dos jogos da NBA se todos os grandes jogadores se concentrarem em cinco times. Mas essa discussão é outra, e vai durar muito mais ainda, um novo CBA ainda está bem distante. Por hora, vamos nos divertir com a nova dupla de All Stars da NBA e ver como o Nuggets continua sua reconstrução com esse time de pirralhos talentosos.


Como TM Warning também é cultura, o título do post de hoje é parte de uma famosa música de Frank Sinatra chamada New York, New York: "Start spreading the news, I'm leaving today, I'm gonna be a part of New York, New York"

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Knicks vs Magic

Galera, mil desculpas. Eu não tenho conseguido postar nada, o Celo tambem não, e o blog acabou ficando às moscas. Aqui nos EUA ta impossivel sequer entrar na net e eu tou tendo que perguntar na rua os resultados dos jogos. Mas dia desses eu consegui tirar uma folga e ir assistir Knicks vs Magic. Eu sei que tem mil coisas urgentes pra postar, NFL pegando fogo, etc, mas o tempo nesse internet café é limitado e eu quero aproveitar pra deixar registradas minhas impressões do jogo e dos times. Dia  6 eu volto pra Sampa e prometo que o blog vai recuperar o tempo perdido.

Eu sei que nao da pra tirar conclusoes de um time a partir de um unico jogo. Dias bons, dias ruins, isso tudo acontece. No entanto, um jogo pode ser interessante pra voce avaliar as fraquezas e forças dos times. Foi o que eu fiz quando ziquei o Jets contra o Patriots, um time que expos todas as fraquezas e falhas do time de New York. Agora eu aproveitei esse jogo pra fazer o mesmo, e enquanto essas conclusoes nao sao necessariamente definitivas, vale a pena conferir... eu acho. Ah, e antes de falar de basquete, feliz 2011 pra todo mundo!

1. O time do Knicks depende demais do Amare Stoudamire
Puxa, descobri a América. O Knicks depende do segundo maior cestinha da NBA, quem diria. Mas o que eu quero dizer não é só dos pontos do Amare Stoudamire. O Amare é um ótimo pontuador, quando recebe a bola no caminho da cesta é quase imparavel, e nao é a toa que é o cestinha do time - segundo da NBA. O Knicks aciona o Amare sempre que pode e quando o quarto periodo começou, com o Knicks perdendo por 11, foi o Amare que botou a bola embaixo do braço e fez seis pontos seguidos. Mas o Amare ficou em problemas de falta o jogo todo marcando o Dwight Howard (Vejam o item 2) e ai o Knicks teve um problema. O Knicks perdeu seu pontuador no garrafão e, bizarramente, o time não conseguiu acertar nada de fora! Tudo bem, o Knicks tava num dia infeliz, umas duas bolas do Raymond Felton pra tres pontos rodaram dentro da cesta mas sairam, e nao da pra culpar os erros na saida do Stoudamire. Mas foi impressionante a estagnação do time, e a incompetencia do Mike D'Anthony em arrumar o problema. Sem o Amare pra segurar a bola dentro do garrafão, a bola ficava rodando o perimetro ate que alguem (geralmente o Wilson Chandler) resolvia partir pra dentro. Como nao tinha ninguem do Knicks la dentro, ele dava de cara com o Dwight Howard, e ai tinha que tocar de novo pra fora, onde o Knicks nao sabia o que fazer com ela porque tava todo mundo marcado do lado de fora. Um ou dois pick and rolls, um arremesso forçado de longe ou um turnover, e ai voce via o Magic vir correndo e babando pra quadra de ataque. O resultado era que quando o Amare saia, principalmente no segundo tempo e bem atras no placar, o ataque parava de funcionar dentro E fora do garrafão, e o time  do Magic fez a festa. Faltou a jogada de segurança e faltou qualquer coisa que fosse diferente do que cinco idiotas (o "pivo" era o Shawne Williams) rodando o perimetro em busca de... sei la o que! O time tava atras no placar e só tinha uma coisa na cabeça, chutar de longe, mas sem alguem que atraia a marcação isso fica dificil. Por isso que, apesar da derrota, o Amare saiu de quadra com um +5 no plus/minus rate em 31 minutos jogados. Outra coisa importante é que os times que dependem muito de bolas de tres pontos tem que contar com o fato de que as vezes as bolas NAO CAEM! Ontem foi um dia desses, mas ninguem teve culhões pra tentar algo diferentre com o Amare no banco. Era um dia ótimo pra ficar usando o Stoudamire no pick and roll, porque era o que tava funcionando e com o que o Magic tava tendo problemas.

2. O garrafão do Knicks me faz chorar
A escalação titular do Knicks tem Felton, o calouro Landry Fields, Wilson Chandler, Stoudamire de pivô e o macarrone Danilo Gallinari jogando na posiçãlo 4. É um time decente, tem bons chutadores de tres, mas eu prefiro esse time como um recurso a ser usado ao longo da partida, e não como uma escalação titular. Eu gostava mais quando tinha o Timofey Mozgov de titular pro Amare jogar na posição 4, e dai o time ia se movimentando a partir dai. Dia 30, sem o Mozgov SEI LA PORQUE, o time deixou o Amare de pivo marcando o Dwight. O Dwight é fraco no ataque, mas ganha do Amare em muita coisa, principalmente nos rebotes, e o Amare nao sabia o que fazer pra segura-lo. O resultado fo que o Amare jogou só 31 minutos por faltas e o Howard fez o que quis cmo o garrafão do Knicks, sendo marcado ora pelo Williams, ora pelo Wilson Chandler ou Galinari. Mesmo com o Amare em quadra, a falta de tamanho do time do Knicks foi completamente explorada pelo Magic, com o Howard e o Brandon Bass fazendo a festa no garrafão. Resultado foram 17 rebotes de ataque do Magic, 9 só do Howard, e 50 pontos no garrafão pra Orlando. Mas o que mais me chamou a atenção - e me deixou puto, porque eu queria ver um jogo mais disputado - foi que toda hora que o Amare (que desde o segundo quarto saiu cedo por problemas de falta) voltava pra quadra, ele ia la marcar o Howard porque era o unico jogador alto o suficiente pra notar que o Dwight era careca. E logo ele cometia uma falta idiota e voltava pro banco. DAva aflição ver que o D'Anthony não botava nem o Ronny Turiaf pra ajudar o Amare a ficar em quadra mais tempo. Mas não, era aquele quinteto inicial o tempo todo (as vezes com o Toney Douglas no lugar do Fields), mas só o Amare no garrafão, que tomou um vareio na busca pelos rebotes - Dwight teve 18, e o Amare... QUATRO!! Custava colocar... ou pelo menos TER alguem... pra ajudar o Amare?? O Brandon Bass fez a festa enquanto esteve em quadra, cansou de dar enterradas livres embaixo da cesta. Ta bom que o Knicks nunca defendeu nada, mas o garrafão estava especialmente bizarro sem ninguem pra acompanhar os dois. Tudo bem, o Knicks adora correr e o técnico adora um Small Ball, mas se o time quer ser levado a sério precisa ser capaz de pelo menos segurar alguma coisa no garrafão, nem que seja o rebote. E tambem aliviar a carga do Stoudamire de marcar jogadores mais altos, quando ele sai de quadra o time morre.

3. O Magic tem uma rotação muito interessante
Quando foi pro Magic, o Gilbert Arenas disse que nao ligava de vir do banco, e ai o Magic deixou ele no banco e botou o Hedo Turkoglu de titular na posição 3 e o Jason Richardson na dois. Bom, o time todo tava jogando bem mal, o Turkoglu nao acertava nem pra salvar a vida, e ai o time colocou o Arenas e o JJ Redick em quadra. O Arenas acertou uma bola de tres na cara do Felton e o Redick acertou dois arremessos malucos de meia distancia pra colocar o Magic na frente do Knicks. O Arenas e o Jameer Nelson começaram a atacar mais a cesta e o Bass começou a aparecer livre no garrafão. Outro que entrou, Ryan Anderson, pegou cinco rebotes no primeiro tempo (Por algum motivo o Turkoglu tava fugindo dos rebotes), e quebrou um galho com o Brandon Bass no garrafão quando o Dwight teve que sentar. Ao longo do jogo, quando as bolas de tres começaram a nao cair, o time colocou em quadra Jameer Nelson, Arenas, Turkoglu, Brandon Bass e Dwight Howard. O time atacou a cesta, cansou de pegar rebotes no ataque e de fazer pontos no garrafão (E eventualmente de fora dele, claro). No segundo tempo as bolas começaram a cair e ai o time jogo com Nelson, Redick, Turkoglu, Ryan Anderson e Howard. Todo mundo chutando de tres e fazendo a festa porque o Stoudamire tava no banco e eles dobravam no Howard (errado, claro) toda vez que ele ia jogar de costas no Williams. O que eu quero dizer é que o Magic tem um elenco bem mais profundo desde a troca recente que eles fizeram, e enquando ainda nao acharam o melhor padrão de jogo (E pra mim nem a melhor escalação) e estao jogando feio, eles estão mostrando que tem elenco e talento pra jogar com varias formações e com varios estilos diferentes. Assim eles ganharam de Spurs, Celtics e Knicks recentemente, e parecem cada vez mais um time melhor. E ah, eu estou adorando ver como o JJ Redick ta melhorando na NBA, ta acertando bolas longas, e até ta atacando a cesta e criando o proprio arremesso às vezes. Tudo bem, as vezes é forçado, mas ele tem acertado, como aquela bola importantissima contra o Celtics. E até tem defendido melhor, nesse ritmo ele vai começar a valer os 20 milhoes por 3 anos que ganhou na offseason.

Gente, ficou curto, eu peço mil desculpas pela temporaria morte do blog, mas prometo que dia 6 a gente ta voltando com tudo, porque a NFL ta ai com tudo tambem. S[p pra nao deixar passar em branco tanto tempo mesmo, e até porque eu queria compartilhar isso com voces. Ah, um detalhe, na entrada do ginasio do Magic tem uma competição de arremessos de tres. Piada pronta é bobagem, né?? Até a volta!