Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Hack a Cast 2016 #3 - Knicks, Pacers, Warriors e mais!




Novo Hack-A-Cast no ar!!!

Dessa vez, eu e o Vinicius Veiga discutimos sobre Warriors, Knicks, Magic, Warriors, Kings, Pacers, Rockets, e Warriors mais uma vez.

Não perca!!


Planilha dos assuntos (a partir do):
Minuto 3: New York Knicks e Kristaps Porzingis
Minuto 21: Orlando Magic
Minuto 33: Indiana Pacers e Paul George
Minuto 46: Sacramento Kings e DeMarcus Cousins
1h1: Houston Rockets e a má fase
1h15: Golden State Warriors e a invencibilidade


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

E Dwight consegue o que queria

"Estou levando meus talentos para a Califórnia"


É, eu sei, hoje deveria ter sido o dia do segundo post do nosso Especial NBA, com Jerry West e Oscar Robertson. O post já ta quase terminado também, dava pra terminar ainda hoje... Mas como apareceu essa noticia importante hoje, prefiro fazer esse post logo pra acabar logo com isso, e segunda feira (sem falta!) postar West-Oscar. Então vamos falar da troca envolvendo quatro times que terminou com Dwight Howard indo pro Lakers.

Acho que, antes de mais nada, eu fiquei ao mesmo tempo feliz e puto com essa noticia. Feliz porque, pelo menos, não vou mais ter que gastar minha paciência ouvindo boatos idiotas de "Para onde vai Dwight Howard?"... Ou pelo menos por seis meses até chegar a hora dele renovar o contrato ou não. Então sempre tem esse lado positivo.

O negativo, que me fez ficar puto? Eu odeio o Lakers. É pré-requisito pra torcer pro Celtics, acho. Mas o Lakers sempre da um jeito de sair por cima de qualquer situação. Pegar Shaq na Free Agency. Adquirir Pau Gasol por quase nada. E agora, um assalto a mão armada pra cima do Magic que da ao Lakers de presente o melhor pivô da NBA. Depois de convencer o Suns a trocar o seu maior ícone (Steve Nash) pro seu maior rival e time que os torcedores do Suns mais odeiam. E tudo isso sem perder nenhum ativo do seu elenco além de Andrew Bynum. Tudo da certo pra essa franquia. Good God, eu odeio o Lakers. Então vamos olhar mais de perto o efeito dessa troca, começando com...


Los Angeles Lakers
Perdeu: Andrew Bynum, escolha protegida de primeira rodada (2017)
Recebeu: Dwight Howard, Chris Duhon

Senhoras e senhores, o grande vencedor da troca. E por mais que eu odeie o Lakers, preciso admitir: O Lakers jogou essa mão com muita inteligência. Desde o começo soube que o Magic estaria desesperado para arrumar uma troca (especialmente quando o Nets trocou por Joe Johnson), não cedeu à pressão do Magic (que queria Bynum E Gasol), e deixou a coisa rolar. Até porque o Lakers sabia que não valia a pena perder Gasol E Bynum por Howard. Não aceitou o contrato de Turkoglu junto da troca, e deixou claro que não estava desesperado pela troca, e que quem tinha tudo a perder era o Magic (alias, trazer Nash, campeão do prêmio "Jogador que Metade da Liga Mataria para Jogar Junto" da decada passada, sem dúvida ajudou). E acreditou que isso, somado ao glamour de Los Angeles, fosse atrativo para Dwight a ponto de ele insistir em ir para lá e deixar o pobre Magic sem muita escolha (a possibilidade do Dwight nao assinar uma extensão afastava diversos potenciais parceiros).

O que o Lakers mudou nessa troca? Bom, trocar o segundo melhor pivô da Liga pelo primeiro significa que o time melhorou naquela posição, no papel, certo? Especialmente se o Lakers não teve que envolver nenhum outro ativo pra realizar a troca (e nao envolveu). Mas na prática, o Lakers sacrificou um pouco de ataque (Bynum é um pivô com mais recursos no ataque) pra ganhar uma defesa superior e melhores rebotes, um jogador mais atlético e fisicamente mais overpower em relação ao resto da Liga. E sinceramente, isso é exatamente do que o Lakers precisava. O Lakers já tem Nash pra segurar a bola e tomar decisōes, tem Kobe Bryant (que não vai desistir de arremessar 23 vezes) pra arremessar varias vezes, e ainda tem Gasol, que é muito mais eficiente ofensivamente que Dwight. E essa é a grande vantagem do Dwight pra esse time: Ele não precisa da bola na mão, ele não precisa ficar sendo acionado pra ficar feliz. No Magic, ele tinha que ser o carregador de piano no ataque, mas no Lakers ele vai ser apenas mais uma opção em um time cheio delas no ataque. Vai pegar uns rebotes de ataque, completar uns passes faceis do Nash, umas pontes aéreas, e eventualmente vai ter a bola pra criar seu arremesso quando tiver um miss match... E é disso que o Lakers precisa dele no ataque. Enquanto isso, ele torna o Lakers mais forte nos rebotes e na defesa. Vale lembrar que Nash nunca foi um bom defensor e Kobe já passou faz algum tempo do seu auge defensivo, mas com Dwight protegendo os dois, isso vai importar ainda menos. Ele da ao Lakers a proteção necessária, não atrapalha a fluência ofensiva do time porque não precisa ficar tocando na bola pra ficar feliz, e torna eles um time muito mais perigoso.

Alias, curiosamente, essa aquisição vai de encontro à tendência que vimos nos ultimos playoffs. Com Thunder e Heat jogando longos periodos de tempo (e melhor!) sem pivôs nos playoffs, e com times como Celtics já usando há mais tempo um ala de força na posição 5, parecia que a falta de pivôs de elite na NBA estava empurrando a Liga pra um jogo mais baixo, mais atlético e mais versátil, com jogadores como Lebron, Carmelo Anthony ou Kevin Durant como "novos" alas de força. Ao invés disso, o Lakers reforça o garrafão e pode criar um sério problema pros novos times "baixos" que tavam dominando a NBA. Vai ser interessante ver como esses dois estilos de jogo vão bater um com o outro... E se o Lakers conseguir forçar Thunder, Heat e cia a jogarem fora desse estilo pra não tomarem uma surra nos rebotes, então o Lakers da um grande passo pra temporada que vem. Mais por vir em 2013...

Outros ganhadores dessa troca do lado do Lakers: Nash, que pela primeira vez na vida vai jogar com um bom shot blocker atrás dele (suas fraquezas defensivas sempre foram constantemente expostas por nunca ter jogado com um); Kendrick Perkins, que agora vai manter seu contrato por mais tempo já que ele tem uma função na NBA (Parar Dwight, que agora ta no Oeste); e o próprio Dwight, que vai jogar na California, em um time que briga pelo título, e que se fizer o Lakers ganhar esse título vai fazer todo mundo esquecer de como ele foi infantil, babaca e ridiculo nessa sua novela pra sair do Magic e vai acabar com sua ficha limpa (eu reclamei que a The Decision foi imaturo e cruel com o Cavs, mas os ultimos 12 meses do Dwight Howard fazem o The Decision parecer sensato).


Philadelphia 76ers
Perdeu: Andre Iguodala, Moe Harkless, Nikola Vucevic, escolha protegida de primeira rodada
Recebeu: Andrew Bynum, Jason Richardson

Acreditem, eu gosto muito do Andre Iguodala. Não, sério, eu realmente adoro o Iguodala, acho um excelente defensor, criativo, bem atlético e bom passador. Mas o fato é que o Sixers se tornou um time melhor com essa troca, mesmo perdendo Iggy.

As criticas ao Sixers ano passado gravitavam em torno dessas três coisas: Que o time tinha alas atléticos e incapazes de arremessar demais no elenco; que o time não tinha um jogador pra levar o ataque do time nas costas por mais tempo; e que você não ia ganhar nos playoffs se seu melhor jogador era Andre Iguodala. Bem, de certa forma, essa troca ajudou nas três coisas: O time se livrou de dois dos alas atléticos incapazes de arremessar (Iggy e Moe Harkless), trouxe um ótimo pontuador no garrafão e que pode se beneficiar muito dos arremessadores de três do time espaçando a quadra... E deu um upgrade no seu melhor jogador de Iggy para Bynum. E por mais que eu goste do Iggy, o Bynum é melhor, é mais dominante, mais confortável carregando seu ataque... E isso já funciona como um upgrade pro Sixers.

Na prática, essa troca tira do elenco um jogador que tem substitutos e adiciona um jogador que o time desesperadamente precisava (um jogador dominante de garrafão) e que talvez não tenha rivais em todo o Leste (tirando Tyson Chandler). A troca deixa o Sixers menos poderoso defensivamente no perímetro, mas melhora muito na defesa de garrafão e nos rebotes. Sério, da pra imaginar o upgrade de subir de Spencer Hawes pra Bynum? Hawes pode ate jogar de ala de força junto com Bynum, mas o ex-pivô de LA é muito mais jogador. O time ainda tem Dorrell Wright, Evan Turner, Nick Young, Jrue Holiday e Thaddeus Young (que eu gosto mais como um 4, mas whatever) pro perímetro, e uma boa coleção de jogadores de garrafão. Faltava um jogador dominante pra abrir pro resto do time ofensivamente, e agora ele chegou. E o Sixers assumiu um risco, mas se der certo, o time sai mais forte.

Um pensamento rápido: Embora não tenha sido incluido nessa troca pro Magic se livrar do seu contrato, eu acho que o Jason Richardson pode ser muito util pro Sixers. Ele deu azar porque saiu do melhor cenário possível (jogar com Nash em Phoenix, onde ele fazia quase 20 ppg) pra um time onde ele não tinha um bom armador, um time previsível da linha dos 3 pontos e sem um pivô pra atrair dobras (a NBA ja sabia que a melhor maneira de parar o Magic era deixar o Dwight jogar no mano a mano a vontade). Mas ele não é tão ruim como pareceu, ainda é rapido pra acompanhar contra ataques e mortal dos três pontos, vai casar muito bem com Bynum e dar a Philly um legítimo perigo da linha dos três.


Denver Nuggets

Perdeu: Aaron Afflalo, Al Harrington, escolha protegida de primeira rodada em 2014
Recebeu: Andre Iguodala

O Nuggets aparentemente tem essa mania de reassinar seus Free Agents por uma nota pra depois trocá-los o mais rápido possível. Foi assim com Nenê, e foi assim agora com Aaron Afflalo. E o Nuggets consegue algo que precisava desesperadamente: Um ala. Não é como se o time tivesse no elenco jogadores como Danilo Gallinari ou Wilson Chandler, certo?

(Oh wait!)

Brincadeira, brincadeira. Mas apesar de ser verdade que o Nuggets ta agora com uma coleção de alas, eu ainda gosto da troca por dois motivos. Primeiro, são alas com características diferentes e complementares, de forma que podem muitas vezes jogar juntos para formaçōes diferentes. E segundo e mais importante, eu gosto muito do Afflalo, mas o Iggy torna o time mais atlético, mais versátil e melhor defensivamente. O time já tem bons chutadores de longe e bons pontuadores, de forma que o Iggy não vai ter que ser o responsável por carregar o ataque como fazia em Philly (E não funcionava), mas vai trazer pro Nuggets um defensor de perímetro de elite (por mais que eu gostasse do Afflalo como defensor, Iggy é melhor, mais versátil defensivamente e mais destrutivo conseguindo tocos, roubos e puxando contra ataques) e um jogador mais versátil que o Afflalo. Ainda que o Al Harrington tenha tido um bom 2012, ele é dispensável e seu contrato é imenso, então o Nuggets se limpa um pouco nessa.

A escolha de primeira rodada também não fará muita falta pro Nuggets. Eles tem duas em 2014 (Knicks), e já tem um excesso de jogadores jovens que precisam de minutos pra desenvolverem. Acho que eles preferem trocar essa escolha por um upgrade Afflalo-Iggy numa boa. O Nuggets teve um bom ataque e um ótimo banco em 2012, deu muito trabalho pro Lakers nos playoffs com seu garrafão jovem e energético, mas teve problemas defensivamente e as vezes sentiu falta de outro jogador além do Ty Lawson pra segurar a bola e conduzir o ataque. E o Iggy ajuda em muito nessas duas coisas, torna o time mais atlético no perímetro e da mais flexibilidade (Iggy pode jogar nas posiçōes 2 e 3, pode jogar de Point Foward se necessário) e lá ele finalmente pode abraçar seu papel de coadjuvante, aquele cara que faz todo o trabalho sujo e facilita o jogo pra todo mundo. Dado isso, eu acho que o Iggy faz mais sentido que o Afflalo pra esse time, mesmo com os problemas nos arremessos. Boa troca por um GM que já tem colecionado bons momentos nos últimos anos. Olho nesse time...


Orlando Magic
Perdeu: Dwight Howard, Jason Richardson, Chris Duhon, seu futuro
Recebeu: Aaron Afflalo, Al Harrington, Moe Harkless, Nikola Vucevic, três escolhas protegidas de primeira rodada (de três times de playoff)

Como eu acabei de passar uns 10 parágrafos falando, eu achei que Lakers, Sixers e Nuggets se saíram bem com a troca. Não só porque eu achei que todos os jogadores adquiridos se encaixam perfeitamente nas necessidades dos seus novos times e completam os elencos já estabelecidos de excelente forma, como também achei que todos os times se deram bem em termos de valor. O Lakers, apenas em termos de talento e valor, saiu ganhando ao trocar Bynum por Dwight, indiscutivelmente. Sixers e Nuggets não tiveram tanto esse salto em valor, mas pra mim sairam com uma certa vantagem nesses quesito também. Mas se três times saíram com um certo "lucro" em termos de valor nessa troca, um time teria que sofrer uma grande perda, certo? Entra o Orlando Magic.

O Magic já tava com medo de perder o Dwight por nada como aconteceu com Cavs e Raptors, e queria seguir os passos do Nuggets e do Jazz de trocar sua superestrela e conseguir um monte de coisa em troca (tanto Nuggets como Jazz reinventaram seus times e foram aos playoffs). Mas o problema era que ninguém tinha tanta coisa pra oferecer pelo Dwight e a Liga não tinha nenhum time tão desesperado mais pra fazer esse tipo de coisa, a proposta mais comentada era um pacote de bolachas do Nets montado em volta de Brook Lopez (que de alguma forma ganhou um contrato máximo na offseason). Então o Magic segurou... Segurou... E não apareceu nenhuma proposta irrecusável. E ai eles acabaram aceitando uma proposta do Lakers que... Bem... Fede.

O Magic, como não tem nada construido em volta de Dwight (e portanto não poderia fazer como o Nuggets, pegar bons role players pra completar o time), deveria ter focado em quatro coisas, quanto mais melhor: Pirralhos com potencial pra acelerarem a reconstrução; muito teto salarial; um possível Franchise Player pra ser o centro do time no futuro; escolhas boas de Draft. Foi o que fez o Grizzlies, por exemplo, quando trocou Gasol (liberou teto salarial, ganhou escolhas de Draft e o pirralho Marc Gasol) e o Jazz quando trocou Deron Williams (ganhou otimas escolhas de Draft, liberou espaço salarial e trouxe o pirralho com muito potencial Derrick Favors). E o que o Magic conseguiu disso? Alguns pirralhos sem muito potencial (gosto do Nikola Vucevic, acho um jogador decente, mas não vai acelerar muita coisa)... Nenhum centro de reconstrução como Bynum... Escolhas de Draft protegidas de times que devem ir aos playoffs de qualquer forma... Sinceramente, a única coisa que o time fez foi liberar espaço salarial (mandando embora J-Rich, Chris Duhon e pelo visto Earl Clark), mas trouxe também Afflalo (um excelente role player em um time montado - algo que o Magic nao é e não está perto de ser) que também tem um salario bem alto. Ou seja, perdeu seu Superstar em troca de um role player caro, escolhas inuteis de Draft e jogadores que não adicionam em muito ao elenco. Se o Nuggets e o Jazz aceitaram 80 centavos pelo dólar, o Magic aceitou 20 centavos pelo dolar. E isso porque eu gosto do Afflalo.

Sinceramente, se o medo era tanto de perder Dwight por nada, porque não aceitar a oferta suicida do Rockets, limpar espaço salarial com o contrato expirante do Kevin Martin, pegar uma futura escolha de Draft (alta se Dwight decidir sair) e ainda receber de lambuja os calouros ultra-interessantes do Rockets? Mil vezes melhor do que o pacote de restos que recebeu ao mandar Dwight pro Lakers! Voce continua sem ganhar um Franchise Player, mas ainda limpa espaço salarial (até mais se conseguir se livrar de mais contratos), enche o time de calouros promissores e que podem dar em coisa muito boa, e ainda pode tirar a sorte com uma escolha de Draft! Ou até mesmo ficar com o Bynum nessa troca, que pelo menos é um potencial Franchise Player? Vai saber. Vai ver era o medo do Bynum não assinar uma extensão. Vai ver o Rockets deu pra trás com medo do Dwight sair do time (embora supostamente eles estivessem dispostos a correr o risco) e foi o que restou pro Magic. Vai saber. Embora eu ainda ache que a solução mais fácil seja a correta: A direção do Magic é simplesmente incompetente e, no medo de  perder Dwight por nada, aceitou a primeira proposta que apareceu pra se livrar logo do seu pivô. Btw, não descarte essa última tão fácil.

Bottom line, o acordo foi excelente pro Lakers, bom pro Nuggets, arriscado pro Sixers (porque Bynum ainda pode sair ao final do ano, e sua imaturidade vai ficar mais exposta como centro do time em Philly) mas que pode trazer uma grande recompensa pra um time que precisava de um chacoalhão... E péssimo pro Magic. O time não conseguiu nada em troca e ainda ficou com mais um contrato grande pra quando  o time for remontar, não tem base nenhuma e, sinceramente, se a esperança é "mas pelo menos o time vai ser ruim e pode conseguir uma boa escolha de Draft"... Nao valia mais a pena tentar um negocio mais arriscado (como pegar Bynum ou manter Dwight ate o final do ano, já que a alternativa dele era ir pro Mavs por menos dinheiro, menos tempo e pra um time mais ou menos fraco) que se desse errado o time AINDA entrava em reconstrucao do zero, mas pelo menos teria tentado uma cartada mais alta? Porque não trocar Dwight por um monte de escolhas de Draft e Al Horford com o Hawks? Porque não pegar um monte de pirralhos, feder um ano e continuar com uma boa escolha de Draft? Sinceramente, o Magic praticamente pegou a pior alternativa. E vai pagar o preço a não ser que o Moe Harkless vire o novo... Hm... Esquece, o Magic ainda vai pagar o preço. Sabia que eles não renovaram com Ryan Anderson e o trocaram pro Hornets, mas reassinaram Jameer Nelson por um contrato enorme? E lá vamos nós de novo pra reconstrução... 

sábado, 28 de abril de 2012

Os confrontos de primeira rodada dos playoffs

Como o Dwight Howard se sente em relação ao Magic nesses playoffs


Pra variar, fiquei sem internet decentemente nesse final de semana, sendo limitado a tweets pelo celular durante boa parte do Draft da NFL. Por isso, e por causa da temporada insana da NFL que ta me obrigando a escrever  oito previews de primeira rodada entre quinta e sábado (sem internet!), o post sobre o Ricky Rubio acabou ficando pra depois. Provavelmente pra essa semana, talvez ainda amanha dependendo de como as coisas ficarem, mas antes a gente vai passar rapidamente pelos oito confrontos de primeira rodada desses playoffs. Como não dava pra fazer 8 bons previews em um dia (sem internet), minha intenção era fazer um podcast sobre o assunto, mas acabou não dando certo, então vai ter que ser tudo em dois posts mais condensado mesmo, um sobre os jogos de sábado e um sobre os de domingo.

Então vamos passar rapidamente pelos jogos de sábado, em ordem de mais chato pra mais interessante. Começando por...


Orlando Magic (6th seed) at Indiana Pacers (3rd seed)

Sem Dwight Howard, essa série tem um único interesse. Ou seja, como o Magic vai se comportar em quadra sem sua estrela... Que praticamente assassinou a chemestry do time ao longo da temporada, tentou forçar a saída do Stan Van Gundy, fez um circo sobre sua possível saida do time e mudou de ideia mais vezes do que o Silvio Berlusconi muda de amante. Isso afetou muito negativamente o time do Magic, ainda mais com Dwight Howard - o pivô mais dominante da Liga - jogando com a cabeça longe do Magic. E depois que Howard machucou e o time manteve o ritmo sem ele, ficou claro que ele, por mais que objetivamente (mais de 20 pontos e 13 rebotes, defesa excepcional, etc) ele tenha tido uma temporada excelente, na parte subjetiva ele foi muito prejudicial pro time. E agora o Magic pode mostrar que pode ganhar uma série de playoffs sem ele.

Claro que isso vai ser difícil, porque afinal de contas, o Dwight Howard É um dos melhores jogadores da Liga. No entanto, o time de repente parece mais confortável em quadra. Com o Dwight, o Magic insiste em jogar a bola pro Dwight dominar os defensores de costas pra cesta no garrafão, no que ele não é dos melhores por diversos motivos (falta de arremesso, poucos movimentos de costas pra cesta, passe pobre, etc), e colocar o resto do time ao redor dele pra chutar de três. As vezes funciona, mas como as bolas de três são muito imprevisíveis e o Dwight não joga o seu melhor criando o próprio arremesso, acaba sendo difícil manter a consistência contra times fortes. Desde que o Dwight (que é muito mais eficiente quando recebe a bola não como centro ofensivo pra criar jogadas, mas sim como resultado de uma movimentação ofensiva, quando a bola chega nele mais perto e de frente pro aro) saiu machucado, o Magic parou de focar o jogo nele e encaixar o resto todo ao redor dele, e começou a explorar o que cada jogador tinha pra oferecer ao time, montando o esquema tático em torno das forças de cada um. O esquema tático começou a se encaixar no que os jogadores tinham pra oferecer de melhor, ao invés dos jogadores serem forçados a se encaixar no esquema tático. O Jameer Nelson começou a ter muito mais liberdade e jogar muito mais com a bola nas mãos em quadra, e desde então tem feito o que deveria fazer sempre: Infiltrar, distribuir o jogo, rodar a bola e usar o jogo de perímetro como uma função da movimentação de bola. Ainda que tenha perdido de longe seu melhor jogador, o Magic agora aproveita muito melhor os jogadores que tem, e tem tido bons resultados com isso.

Dito isso, eu acho difícil o Magic ganhar do Pacers. O Pacers ainda precisa me convencer, é um time que tem muita profundidade, sabe controlar o garrafão, tem uma defesa forte e é jovem o suficiente pra manter o fôlego (algo muito importante nessa temporada), mas que ainda depende um pouco demais dos bons dias do Danny Granger no ataque. Quando ele está num bom dia (especialmente se o Roy Hibbert ou o David West também estiverem) o Pacers é um time muito forte e candidato ao título, mas quando não acontece o time fica sem saber como pontuar e exagera nos turnovers... Ou seja, falta calma e experiência, quando voce já esteve nessa situação mais vezes você sabe como reagir, e o Pacers ainda não tem isso. Mas mesmo assim, é um time com defesa forte e agressiva que vai explorar o garrafão e dominar os rebotes contra um time baixo do Magic.  Ainda que quando as bolas de três estejam caindo o Magic seja capaz de vencer jogos, o Pacers tem um time melhor e que, por conta da altura e da capacidade de controlar os rebotes, vai incomodar muito mais o Magic sem Dwight do que com Dwight. Mesmo que eu não descarte totalmente o Magic por conta dos dois parágrafos anteriores, e eles VÃO jogar putos pra mostrar que podem ganhar sem o Dwight, ainda acho que o Pacers vai conseguir manter a calma e dominar o garrafão o suficiente pra vencer sem sustos... Mas não vai ser tão fácil assim.



Dallas Mavericks (7th seed) at Oklahoma City Thunder (2nd seed)

Mantenho minha teoria de que o Mavs fez uma leitura totalmente incorreta da situação no começo da temporada. Essa temporada era insana (64 jogos em 120 dias!) e basicamente isso significava que a temporada estava totalmente aberta, qualquer time podia sofrer uma lesão a qualquer momento ou então chegar exausto no final da temporada com uma chance muito maior do que em qualquer outro ano desde 1999 (quando o 8th seed Knicks chegou à final depois de perder Patrick Ewing. Alô, Orlando, parece familiar!?), o que significa que boa parte desse título seria determinado entre as equipes que tivessem um time bom o suficiente com base em lesōes, trocas e sorte. O Mavs não percebeu como esse título estava em aberto, e perdeu sua chance de defender o tiítulo quando desistiu de reassinar Tyson Chandler e apostou tudo na Free Agency de 2013 com Deron Williams e Dwight Howard. Isso até faria sentido, se não fosse o fato de que a) Você não sabe mais quantas chances de título terá com Dirk Nowitzki sendo um jogador de elite; e b) A disputa do título de 2012 estava totalmente aberta por conta do calendário. E o Mavs jogou fora essa chance ao deixar Chandler sair. 

O Mavs portanto vai enfrentar o Thunder com o downgrade Chandler-Brandon Haywood... O que seria ok se o Chandler não fosse o principal jogador defensivo do time nas Finais de 2011 e o melhor jogador da equipe nos playoffs fora o Dirk. A verdade é que o Mavs de 2012 perdeu a identidade que tinha (Defesa feroz que gerava bolas de três no contra ataque) e não criou uma nova. O Mavs não tem mais uma defesa de elite, não consegue mais dominar jogos no garrafão e depende totalmente de bons dias do Dirk Nowitzki pra conseguir jogar pau a pau com adversários decentes. E eles vão bater de frente contra o Thunder? Duvido...

Ainda assim, o Mavs tem uma chance de tornar essa série interessante por conta do trio Dirk-Rick Carlisle-Shawn Marion e das fraquezas do Thunder. O Thunder ainda, assim como o Pacers, não tem experiência suficiente pra administrar um jogo quando as bolas das suas principais estrelas não estiverem caindo. Quando as bolas do Kevin Durant e do Russell Westbrook não estão caindo (Especialmente quando o James Harden não está em quadra, e mesmo assim o Thunder comete o erro de deixar ele jogando sem a bola no final dos jogos ao invés do contrário), eles simplesmente continuam tentando, continuam arremessando esperando que as coisas mudem. Se o Marion conseguir atrapalhar o Durant o suficiente pra forçar o Thunder fora do seu ritmo - e o Marion sabe defender o Durant - então o Magic pode viver fechando o garrafão com a zona e forçando Oklahoma a continuar chutando bolas ruins quando elas não estão caindo, e ai o Dirk teria que aproveitar do fato de que nem Serge Ibaka nem KEndrick Perkins conseguem defendê-lo pra manter o Mavs na frente no placar. Mas ainda acho que o Mavs vai sofrer dentro do garrafão e nos rebotes o suficiente pro Thunder conseguir controlar mesmo jogos quando os arremessos não caem. E ai nem Dirk vai salvar.



Philadelphia 76ers (8th seed) at Chicago Bulls (1st seed)

O grande dilema do Chicago Bulls pra esses playoffs é o quanto eles podem confiar no Derrick Rose. Ainda que os reservas tenham se virado muito bem com sua forte defesa pra ganhar jogos feios, isso dificilmente vai funcionar em séries de sete jogo contra Heat ou Celtics. Eles precisam do  Rose e precisam dele em forma pra ganhar o tiítulo e, embora o Rose esteja programado pra jogar desde o começo dos playoffs, não da pra saber como ele vai entrar e jogar depois de tanto tempo parado. Se ele voltar mal, podemos ter uma série brigada e feia com o Sixers correndo em transição depois dos erros forçados do Derrick Rose, enquanto o Bulls fecha a defesa na meia quadra (ponto fraco do Sixers). Mas mesmo assim, eu acho que o Bulls tem uma certa vantagem porque tem mais experiência e soube jogar sem Rose durante tempo demais, enquanto que o Sixers nunca descobriu como jogar na meia quadra quando o Elton Brand não está inspirado. Nesses jogos feios, o Bulls sabe o que fazer, enquanto o Sixers ainda não descobriu. Por isso acho dificil o Sixers ganhar quatro jogos, especialmente quando é o pior time da NBA em jogos apertados.

Por outro lado, se o Rose voltar e voltar bem, o Bulls vai ter outro problema pra sequencia dos playoffs: Reestabelecer sua identidade antiga, com o Rose segurando a bola 24h por dia e o resto do time encaixando em volta dele. O time jogou tanto tempo sem Rose e desenvolveu uma outra identidade bastante efetiva, de tal forma que talvez a volta do Rose desestabilize a equipe por força-la a jogar de uma forma que não tem jogado faz muito tempo. Contra o Sixers, não deve ser um problema, mas contra Celtics e Heat...



New York Knicks (7th seed) at Miami Heat (2nd seed)

E enfim, chegamos à melhor série dessa primeira rodada e, talvez, a melhor série de todos os playoffs. E eu digo isso porque não só teremos vários superstars em quadra, dois dos times mais interessantes da Liga e dois dos melhores jogadores do final da temporada (Lebron James e Carmelo Anthony) jogando cara a cara o jogo todo, se marcando o tempo todo, mas também porque existe uma chance real do Knicks conseguir o upset e vencer o Miami Heat.

Duvida? Pois bem, pense da seguinte maneira: O Knicks tem o jogador mais quente da NBA (Melo) no momento, tem uma das melhores defesas da Liga e um time capaz de dominar o garrafão, tem no Chandler um pivô do tipo que mais incomoda o Heat e SABE jogar contra Miami (Ele foi o segundo jogador mais importante do Mavs nas Finais), um dos melhores defensores de perímetro da Liga pra colar no Dwyane Wade (Iman Shumpert), um banco que pode ganhar jogos sozinho quando as bolas de três estão caindo com JR Smith e Steve Novak, e SE o Amare Stoudamire conseguir se adaptar ao seu papel, jogar mais com o grupo que vem do banco, voltar a ser o Stoudamire dos velhos tempos (Nunca vai ser o do Suns sem Steve Nash, mas pelo menos o Stoudamire do Knicks pré-Melo), além de um Madison Square Garden alucinado, e de repente o Knicks tem todos os ingredientes pra vencer uma série dura de sete jogos. Se existe algum time nesses playoffs capaz de mandar um Mavs de 2011 pra cima do Heat, é exatamente o Knicks, certo? Tyson Chandler, um superstar capaz de pontuar de qualquer jeito, um defensor de perímetro de elite, bolas de três vindo do banco... Ainda que o Knicks não tenha um JJ Barea pra costurar a defesa do Heat e explorar a falta de garrafão, tem um Amare que é capaz de demolir o garrafão do Heat se estiver inspirado. 

Do outro lado, o Heat também tem problemas. Chris Bosh e Wade estão vindo de algumas lesōes (especialmente o Wade com seu dedo deslocado), e embora o Lebron esteja jogando alucinadamente, ele é apenas um jogador. O Heat tem talento demais no seu Big Three pra bater de frente com qualquer time da Liga, mas Miami até agora não tem uma rotação definida, não tem um time titular, não sabe quem jogar nos momentos decisivos, e não tem uma identidade. Quando os contra-ataques funcionam, o Heat consegue voar pela quadra e impor sua força física e defesa agressiva, mas quando não funcionam, o Heat costuma ter problemas quando pega pela frente uma defesa forte e um pivô que saiba defender o aro como Chandler. Ainda que Lebron e Wade possam explodir a qualquer minuto e ganhar um jogo sozinho, Melo também pode fazer isso e o Knicks parece mais equipado pra causar estrago porque nos playoffs o banco importa, e o Knicks pode jogar com Amare-JR Smith-Steve Novak pra desgastar o Heat até o chão, forçar Miami a manter suas estrelas no jogo pra controlar o placar, e isso pode ser decisivo nos playoffs vindo dessa temporada maluca. O Knicks tem a defesa de garrafão e a força nos rebotes pra manter o Miami sob controle, e se o Melo conseguir fazer o que o Dirk fez e manter o ataque funcionando por conta própria quando necessário, o Heat pode se ver forçado a improvisar a rotina minha vez-sua vez do Lebron e do Wade que nao tem dado certo contra boas defesas.

Enfim, nada é garantido, mas eu realmente espero uma série de seis ou sete jogos extremamente disputada, com Melo e Lebron alternando jogos épicos (não durma no Wade aqui pra ter um também, mesmo machucado), a torcida no MSG alucinada, JR Smith e Steve Novak ganhando alguns jogos nas bolas de três pontos. No final, o fato de que o Heat depende demais de Lebron e Wade (machucado) ganhando jogos sozinhos pode pesar, pois o Knicks também tem isso no Melo e tem mais três ou quatro fatores (Bolas de três pontos, MSG, Amare, Chandler no garrafão) que podem mudar o resultado de um jogo. O Heat não tem banco nem depth, e isso pode pesar. PRa mim, o resultado é o de menos. Só saibam que nada no mundo me tira da frente do computador nos seis ou sete jogos dessa série.

Aliás, pra esquentar mais ainda, tem o duelo Melo vs Lebron. Os dois vieram juntos na Liga, mas Lebron sempre foi mais valorizado que o Melo. Não é só os dois jogando um contra o outro, mas sim o fato de que devem se marcar e ficar literalmente cara a cara o jogo todo. Por exemplo, quando o Spurs de Tim Duncan e o Wolves do Kevin Garnett jogavam, nem sempre os dois se marcavam e se encaravam o tempo todo, mas nessa série isso deve acontecer. E isso vai ser espetacular.

domingo, 1 de maio de 2011

Preview - Chicago Bulls vs Atlanta Hawks


Marcação apertada no Derrick Rose: Hinrich sabe fazer

E não é que o Atlanta Hawks, o time que sofreu ao longo de toda a temporada regular, conseguiu passar pelo time que tem o melhor pivô da NBA na atualidade no que pode ter marcado os últimos jogos do Super Mario (conhecido em alguns lugares por Stan Van Gundy) no comando do Magic? Eu confesso que estava esperando que o Magic conseguisse vencer essa série, ainda que com alguma dificuldade, mas Orlando estava perdido ao longo de toda a série: O time começou concentrando demais o ataque no Dwight Howard (Comentei sobre isso nesse post), que teve uma média incrível de mais de cinco turnovers por jogo na série, o que fez com que o resto do time - em especial os jogadores que chutam de três no perímetro - ficassem totalmente fora do jogo e incapazes de aparecer no final da partida, quando ninguém tem culhões pra acionar o Dwight, o que resultou na maior parte das vitórias do Hawks, que por sua vez contou com as jogadas individuais do Joe Johnson e principalmente das bolas longas do Jamal Crawford pra evitar o garrafão o máximo possível e deixar o Magic se afundar tentando fazer o Dwight responder sozinho no ataque. Não é coincidência, portanto, que as duas vitórias do Magic vieram justamente no jogo 2, quando as bolas de longe do Hawks não caíram, e no jogo cinco, onde o Dwight foi muito menos acionado (8 pts, 8 rebotes) e os jogadores de perímetro do time entraram num bom ritmo desde o começo do jogo. O Van Gundy não soube adequar seu time, e agora o Hawks conseguiu sua vingança e avançou.

Mas outro fato que contribuiu - e muito - para o resultado dessa série foi o fator psicológico. O Hawks entrou na série mordido, com sede de vingança, porque depois da varrida do ano passado o Magic tratou essa primeira rodada contra o Hawks como uma série fácil e garantida, o Jameer Nelson chegou a falar que iria encontrar o Bulls na segunda rodada dos playoffs, e o Hawks entrou em quadra com muito mais vontade que o Magic.

Mas agora eles vão ter que se superar, e é bom que consigam tirar muita motivação daquele massacre por 33 pontos que eles sofreram nas mãos de Chicago no final da temporada regular, porque o Chicago tem tudo pra ter vida fácil nessa série de playoffs, porque pra vencer o Chicago um time precisa de pelo menos fazer bem feita uma dessas duas coisas: Parar o Derrick Rose ou vencer a defesa sufocante do Bulls. E a verdade é que o Hawks não parece pronto pra fazer nenhuma dessas duas nem em um milhão de anos.

O Hawks tem, pra fazer o matchup com o Rose, o Kirk Hinrich, antigo companheiro de time do provável MVP da temporada e que sempre se destacou pela sua defesa. O Hinrich está mais velho, não é mais o defensor que já foi e é bem mais lento que o Rose para os contra ataques, então ele vai ter que se limitar a dificultar a vida do armador quando estiver no jogo de meia quadra. O problema é que por melhor que o Hinrich seja, ele não vai conseguir parar o Derrick Rose muitas vezes e pro trabalho do Hinrich ser melhor aproveitado o Hawks tem que contar com uma boa rotação defensiva pra fazer a cobertura, mas a defesa do Hawks é muito fraca quando tem que fazer esse tipo de coisa, o Josh Smith é capaz de dar uns tocos sensacionais mas compensa isso errando a maioria das vezes que tem que trocar o marcador. Além disso, os jogadores de garrafão liderados pelo Jason Collins que tanto encheram o saco do Dwight Howard podem ser bons em marcarem pivôs de força no homem a homem e não deixarem eles pontuarem fazendo faltas, mas se você for contar com eles para desafiar o Rose quando ele chegar perto da cesta, você está condenado.

Por outro lado, o Hawks é um time que tem problemas de criar jogadas no ataque e muitas vezes recorre a isolações do Joe Johnson ou do Jamal Crawford, o que é tudo que o Bulls mais quer que eles façam. Eles não vão conseguir vencer isolando o JJ a toda posse de bola, isso só vai gerar mais rebotes longos e turnovers que o Rose vai enfiar garganta abaixo de Atlanta, é tudo que eles menos querem. Eles vão ter que rodar a bola com mais freqüência, acionar o Johnson mais em situações de pontuar do que de armar e explorar o matchup que estiver no Carlos Boozer, mas não vai ser fácil superar a defesa do Bulls e a rotação de bola do Hawks não tem sido o ponto forte do time até aqui. A rotação defensiva e a marcação de perímetro do Bulls é muito melhor que a do Magic e o time vai ter que atacar bem mais a cesta pra conseguir cavar faltas e tentar algum resultado. Talvez uma boa forma de jogar seja voltar para o small ball com o Al Horford de pivô e o Marvin Williams de ala, já que o Bulls mostrou alguns problemas com times mais baixos e rápidos, mas ainda não vai ser fácil de entrar na defesa de Chicago e isso pode deixar o time ainda mais vulnerável às infiltrações do Rose, principalmente se o Boozer resolver jogar.

O Boozer, aliás, é um jogador que precisa entrar na pós-temporada o quanto antes. Ele teve uma série contra Indiana muito fraca, foi explorado extensivamente pelo garrafão mais alto do adversário e ficou com problemas de faltas demais, o que acabou fazendo com que ele ficasse demais no banco de reservas e foi muito mais importante na série pela sua deficiência defensiva do que pelo seu poderoso ataque. O ala de força do Bulls precisa achar um jeito (E o Tom Thibodeau, Coach of the Year, tem que ajudar) de se envolver mais no ataque, ser mais eficiente na hora de se posicionar e receber mais bolas em condições de usar seu ótimo arremesso de meia distância. Se o Joakim Noah continuar com seu bom aproveitamento embaixo da cesta (conhece suas limitações, o que é importante) e usando sua altura pra pegar vários rebotes de ataque, e o Boozer conseguir retomar um pouco da sua forma do Jazz, o garrafão do Bulls tem tudo pra dar uma surra no garrafão do Hawks, e aí o Bulls vai ter não só uma vida mais fácil como também já vai se preparando para a Final de Conferência.

Palpite: Me segurei pra não chamar uma varrida do Bulls, mas ainda acredito que o Bulls leva fácil. Chicago em cinco jogos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Preview - Orlando Magic vs Atlanta Hawks


"Você ta ligado que a gente vai acabar com vocês de novo, né?"

Finalmente o terceiro jogo do Leste, a conferência mais chata da NBA em termos de quartas de final, que acontece no sábado. Além desse e dos outros dois postados abaixo, só tem mais um, que é Dallas e Portland. Que deve vir amanhã, ninguém é de ferro, eu preciso comer e dormir, além de assistir um pouco de baseball de vez em quando.

O Atlanta Hawks ganhou três dos quatro jogos que fez contra o Orlando Magic essa temporada. O Atlanta Hawks tem bons jogadores, se manteve em quinto lugar da conferência mais fraca da NBA, enquanto o Orlando Magic passou por muitas mudanças no elenco, não se encontrou até agora na temporada e todo mundo aponta o Magic como morto. Mas não se enganem crianças, o Hawks não vai conseguir passar por cima do Magic e ir brigar com o Bulls, o que aliás seria uma surra homérica por parte do Derrick Rose.

Não é a primeira vez que ao final da temporada o Hawks parece um time que vai fazer páreo para o Magic, o time tem bons jogadores, chega embalado e todo mundo se pergunta "Se esse time sempre está entre os melhores do Leste, então é porque eles tem um bom time". Bom, o Leste é bem fraco depois do seu Big Three (Afinal, Big Threes estão na moda) e se jogasse no Oeste o Hawks seria tão relevante para a NBA como o Warriors, com a diferença de que o Warriors continua sendo legal de assistir no League Pass. O Hawks tem bons jogadores, mas tem 'medíocre' na parte de trás da camiseta e depois que assinou o Joe Johnson um contrato digno do Kobe Bryant que o Johnson não é mas queria ser (120 milhões? Seis anos? E voce realmente tem esperanças de ser alguém na vida?), o time vai estar estacionado com o teto salarial travado por anos a fio. Além disso, o Josh Smith vai ganhar mais de 12 milhões de patacas por mais dois anos e o Al Horford por mais cinco. Até o Zaza Pachulia vai ganhar 5 milhões pelos próximos dois anos! Alguém ta começando a entender porque o Hawks é irrelevante para a Liga... para o mundo... pra gente? E sim, da última vez que isso aconteceu, eles foram varridos sem dó nem piedade pelo Magic.

E o pior é que o Hawks não está pronto pra sair disso e muito menos de ganhar do Magic em alguma coisa além da temporada regular. E é simples: O Hawks não tem garrafão. O Josh Smith é um bom jogador, o Al Horford é um bom jogador, mas eles juntos não formam o garrafão, o Josh Smith joga melhor como um ala ou até um ala de força mais baixo, e o Horford como ala de força, nenhum é realmente um pivô e os dois juntos estão muito longe de terem o tamanho suficiente pra bater de frente com um garrafão com o Dwight Howard versão 2011, ou seja, um Dwight Howard que realmente sabe atacar. Por isso o segredo para o Hawks vencer o Magic é... Jason Collins!!

Não, é sério, pode parar de rir. O Jason Collins é o único jogador do Hawks que consegue evitar que o Dwight Howard coma o garrafão do Hawks com farofa (e isso de certa forma é um indicador de como esse garrafão é triste). O Collins é uma parede, mas uma parede que tem feito um trabalho bom mantendo o Dwight afastado da cesta e, mesmo que o Dwight ainda seja bom o bastante pra pontuar por cima dele, isso evita que o Magic tenha o controle total do garrafão, libera o Horford pra jogar de ala de força, onde ele rende muito mais, e evita que o Hawks tenha que dobrar a marcação no Howard e abra espaço pra uma bola de três. Se o Collins conseguir evitar o problema de faltas e se manter em quadra pra diminuir a vantagem no garrafão, o Horford pode fazer estrago de ala de força em cima do Brandon Bass ou do Ryan Anderson e o time pode viver um pouco mais longe da cesta pra não tomar tocos do Dwight o dia todo. Mas pra vencer o time também vai precisar pontuar dentro do garrafão com consistência, e aí eles vão ter que torcer... Muito.

Pro Magic, o importante é deixar o Howard confortável lá no garrafão. Pra isso, o Magic vai ter que ver os outros quatro jogadores jogando bem. O Magic do ano passado, quando o Dwight não conseguia jogar com tanta liberdade e não precisava atrair um double team, só funcionava quando o Jameer Nelson colocava a bola embaixo do braço e partia pra cima da cesta pra abrir espaços. Ou o Jameer ou alguém vai ter que fazer esse papel, mas se o Hawks conseguir travar o Dwight de certa forma com o Collins, o Magic vai ter que encontrar esse jeito de abrir espaços. Uma boa forma de fazer funcionar é se o Gilbert Arenas se motivar pelo menos um pouco, o Arenas que jogava algum tempo atrás era um monstro que era um dos melhores pontuadores da NBA e partia pra dentro e arremessava pra três quando queria. Ninguém espera que ele realmente jogue nesse nível, mas se começar a jogar com vontade já é o suficiente pra desafogar o jogo do Magic. O Hedo Turkoglu também vai ter que revezar com o Nelson quem vai ficar com a bola, o Nelson infiltrando mas com o Turkoglu colocando a bola nas mãos do Dwight Howard em condições melhores de pontuar, principalmente de frente pra cesta. Também era melhor que o Brandon Bass jogasse, ele aumenta a altura do Magic e se o Howard conseguir dominar o Collins ou então quando o Collins não estiver em quadra - ele é um cone no ataque, não da pra manter ele tempo demais - a altura dessa dupla vai ser demais pro Hawks.

Palpite: O Collins não vai segurar o Dwight pra sempre e o Hawks não pode viver só de arremessos de fora e de contra ataques, e não vai conseguir pontuar no garrafão consistentemente. Esse ano não vai ser de varrida... Mas ainda vai ser em cinco jogos. Magic em cinco jogos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Knicks vs Magic

Galera, mil desculpas. Eu não tenho conseguido postar nada, o Celo tambem não, e o blog acabou ficando às moscas. Aqui nos EUA ta impossivel sequer entrar na net e eu tou tendo que perguntar na rua os resultados dos jogos. Mas dia desses eu consegui tirar uma folga e ir assistir Knicks vs Magic. Eu sei que tem mil coisas urgentes pra postar, NFL pegando fogo, etc, mas o tempo nesse internet café é limitado e eu quero aproveitar pra deixar registradas minhas impressões do jogo e dos times. Dia  6 eu volto pra Sampa e prometo que o blog vai recuperar o tempo perdido.

Eu sei que nao da pra tirar conclusoes de um time a partir de um unico jogo. Dias bons, dias ruins, isso tudo acontece. No entanto, um jogo pode ser interessante pra voce avaliar as fraquezas e forças dos times. Foi o que eu fiz quando ziquei o Jets contra o Patriots, um time que expos todas as fraquezas e falhas do time de New York. Agora eu aproveitei esse jogo pra fazer o mesmo, e enquanto essas conclusoes nao sao necessariamente definitivas, vale a pena conferir... eu acho. Ah, e antes de falar de basquete, feliz 2011 pra todo mundo!

1. O time do Knicks depende demais do Amare Stoudamire
Puxa, descobri a América. O Knicks depende do segundo maior cestinha da NBA, quem diria. Mas o que eu quero dizer não é só dos pontos do Amare Stoudamire. O Amare é um ótimo pontuador, quando recebe a bola no caminho da cesta é quase imparavel, e nao é a toa que é o cestinha do time - segundo da NBA. O Knicks aciona o Amare sempre que pode e quando o quarto periodo começou, com o Knicks perdendo por 11, foi o Amare que botou a bola embaixo do braço e fez seis pontos seguidos. Mas o Amare ficou em problemas de falta o jogo todo marcando o Dwight Howard (Vejam o item 2) e ai o Knicks teve um problema. O Knicks perdeu seu pontuador no garrafão e, bizarramente, o time não conseguiu acertar nada de fora! Tudo bem, o Knicks tava num dia infeliz, umas duas bolas do Raymond Felton pra tres pontos rodaram dentro da cesta mas sairam, e nao da pra culpar os erros na saida do Stoudamire. Mas foi impressionante a estagnação do time, e a incompetencia do Mike D'Anthony em arrumar o problema. Sem o Amare pra segurar a bola dentro do garrafão, a bola ficava rodando o perimetro ate que alguem (geralmente o Wilson Chandler) resolvia partir pra dentro. Como nao tinha ninguem do Knicks la dentro, ele dava de cara com o Dwight Howard, e ai tinha que tocar de novo pra fora, onde o Knicks nao sabia o que fazer com ela porque tava todo mundo marcado do lado de fora. Um ou dois pick and rolls, um arremesso forçado de longe ou um turnover, e ai voce via o Magic vir correndo e babando pra quadra de ataque. O resultado era que quando o Amare saia, principalmente no segundo tempo e bem atras no placar, o ataque parava de funcionar dentro E fora do garrafão, e o time  do Magic fez a festa. Faltou a jogada de segurança e faltou qualquer coisa que fosse diferente do que cinco idiotas (o "pivo" era o Shawne Williams) rodando o perimetro em busca de... sei la o que! O time tava atras no placar e só tinha uma coisa na cabeça, chutar de longe, mas sem alguem que atraia a marcação isso fica dificil. Por isso que, apesar da derrota, o Amare saiu de quadra com um +5 no plus/minus rate em 31 minutos jogados. Outra coisa importante é que os times que dependem muito de bolas de tres pontos tem que contar com o fato de que as vezes as bolas NAO CAEM! Ontem foi um dia desses, mas ninguem teve culhões pra tentar algo diferentre com o Amare no banco. Era um dia ótimo pra ficar usando o Stoudamire no pick and roll, porque era o que tava funcionando e com o que o Magic tava tendo problemas.

2. O garrafão do Knicks me faz chorar
A escalação titular do Knicks tem Felton, o calouro Landry Fields, Wilson Chandler, Stoudamire de pivô e o macarrone Danilo Gallinari jogando na posiçãlo 4. É um time decente, tem bons chutadores de tres, mas eu prefiro esse time como um recurso a ser usado ao longo da partida, e não como uma escalação titular. Eu gostava mais quando tinha o Timofey Mozgov de titular pro Amare jogar na posição 4, e dai o time ia se movimentando a partir dai. Dia 30, sem o Mozgov SEI LA PORQUE, o time deixou o Amare de pivo marcando o Dwight. O Dwight é fraco no ataque, mas ganha do Amare em muita coisa, principalmente nos rebotes, e o Amare nao sabia o que fazer pra segura-lo. O resultado fo que o Amare jogou só 31 minutos por faltas e o Howard fez o que quis cmo o garrafão do Knicks, sendo marcado ora pelo Williams, ora pelo Wilson Chandler ou Galinari. Mesmo com o Amare em quadra, a falta de tamanho do time do Knicks foi completamente explorada pelo Magic, com o Howard e o Brandon Bass fazendo a festa no garrafão. Resultado foram 17 rebotes de ataque do Magic, 9 só do Howard, e 50 pontos no garrafão pra Orlando. Mas o que mais me chamou a atenção - e me deixou puto, porque eu queria ver um jogo mais disputado - foi que toda hora que o Amare (que desde o segundo quarto saiu cedo por problemas de falta) voltava pra quadra, ele ia la marcar o Howard porque era o unico jogador alto o suficiente pra notar que o Dwight era careca. E logo ele cometia uma falta idiota e voltava pro banco. DAva aflição ver que o D'Anthony não botava nem o Ronny Turiaf pra ajudar o Amare a ficar em quadra mais tempo. Mas não, era aquele quinteto inicial o tempo todo (as vezes com o Toney Douglas no lugar do Fields), mas só o Amare no garrafão, que tomou um vareio na busca pelos rebotes - Dwight teve 18, e o Amare... QUATRO!! Custava colocar... ou pelo menos TER alguem... pra ajudar o Amare?? O Brandon Bass fez a festa enquanto esteve em quadra, cansou de dar enterradas livres embaixo da cesta. Ta bom que o Knicks nunca defendeu nada, mas o garrafão estava especialmente bizarro sem ninguem pra acompanhar os dois. Tudo bem, o Knicks adora correr e o técnico adora um Small Ball, mas se o time quer ser levado a sério precisa ser capaz de pelo menos segurar alguma coisa no garrafão, nem que seja o rebote. E tambem aliviar a carga do Stoudamire de marcar jogadores mais altos, quando ele sai de quadra o time morre.

3. O Magic tem uma rotação muito interessante
Quando foi pro Magic, o Gilbert Arenas disse que nao ligava de vir do banco, e ai o Magic deixou ele no banco e botou o Hedo Turkoglu de titular na posição 3 e o Jason Richardson na dois. Bom, o time todo tava jogando bem mal, o Turkoglu nao acertava nem pra salvar a vida, e ai o time colocou o Arenas e o JJ Redick em quadra. O Arenas acertou uma bola de tres na cara do Felton e o Redick acertou dois arremessos malucos de meia distancia pra colocar o Magic na frente do Knicks. O Arenas e o Jameer Nelson começaram a atacar mais a cesta e o Bass começou a aparecer livre no garrafão. Outro que entrou, Ryan Anderson, pegou cinco rebotes no primeiro tempo (Por algum motivo o Turkoglu tava fugindo dos rebotes), e quebrou um galho com o Brandon Bass no garrafão quando o Dwight teve que sentar. Ao longo do jogo, quando as bolas de tres começaram a nao cair, o time colocou em quadra Jameer Nelson, Arenas, Turkoglu, Brandon Bass e Dwight Howard. O time atacou a cesta, cansou de pegar rebotes no ataque e de fazer pontos no garrafão (E eventualmente de fora dele, claro). No segundo tempo as bolas começaram a cair e ai o time jogo com Nelson, Redick, Turkoglu, Ryan Anderson e Howard. Todo mundo chutando de tres e fazendo a festa porque o Stoudamire tava no banco e eles dobravam no Howard (errado, claro) toda vez que ele ia jogar de costas no Williams. O que eu quero dizer é que o Magic tem um elenco bem mais profundo desde a troca recente que eles fizeram, e enquando ainda nao acharam o melhor padrão de jogo (E pra mim nem a melhor escalação) e estao jogando feio, eles estão mostrando que tem elenco e talento pra jogar com varias formações e com varios estilos diferentes. Assim eles ganharam de Spurs, Celtics e Knicks recentemente, e parecem cada vez mais um time melhor. E ah, eu estou adorando ver como o JJ Redick ta melhorando na NBA, ta acertando bolas longas, e até ta atacando a cesta e criando o proprio arremesso às vezes. Tudo bem, as vezes é forçado, mas ele tem acertado, como aquela bola importantissima contra o Celtics. E até tem defendido melhor, nesse ritmo ele vai começar a valer os 20 milhoes por 3 anos que ganhou na offseason.

Gente, ficou curto, eu peço mil desculpas pela temporaria morte do blog, mas prometo que dia 6 a gente ta voltando com tudo, porque a NFL ta ai com tudo tambem. S[p pra nao deixar passar em branco tanto tempo mesmo, e até porque eu queria compartilhar isso com voces. Ah, um detalhe, na entrada do ginasio do Magic tem uma competição de arremessos de tres. Piada pronta é bobagem, né?? Até a volta!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A diferença entre o ser e o quase ser

"A grana é a mesma e agora tenho boas chances de ser campeão, pra que reclamar?"

Quando a temporada começou, tres times pularam à frente no Leste. Boston Celtics, Atlanta Hawks, e Orlando Magic. Fato é que eu nunca levei o Hawks a sério, o time não tem um pivozâo alem do Zaza Pachulia e tem alguns problemas com basquete de meia quadra. Ainda tinha o Heat (Que alias vai ganhar um post em breve) que começou tropeçando, se reergueu, foi cotado como o maior time de todos os tempos, ai perdeu alguns jogos, foi cotado como o maior bust de todos os tempos, mas só mais agora o time engrenou de vez (E voltou a ser cotado como o maior time de todos os tempos) e por isso deixa o Heat quieto por enquanto. Sobraram Celtics e Magic. O tempo passava, os dois ganhavam e continuavam com records bem próximos. Mas eu confesso que não ia muito com a cara do Magic, era um time que eu olhava e via ganhando aos trancos e barrancos. Nao tinha exatamente uma identidade, e eu nao entendia como o time estava tão bem.

Não confundam com o que eu falei do Jets outro dia aqui. O Jets eu achava uma enganação, um time fraco e com varias falhas que contava com muita midia e que ganhava os jogos na sorte e na incompetencia dos adversários e explorando de forma muito boa seus pontos fortes pra camuflar seus pontos fracos (Eu sei que ganharam do Steelers, mas sem Troy Polamalu a defesa do Steelers é absolutamente mediocre. Quem viu a temporada do ano passado da NFL sabe do que eu tou falando). O que eu achava é que o Magic era um time com ótimos jogadores, mas que não tinha muito um padrão de jogo definido. Não era aquele time que tinha o Dwight Howard fixo no garrafão pra atrair a marcação dupla, pra dai passar a bola pro perimetro e alguem chutar de tres, como tinha sido quando eliminaram o Cavs nos playoffs de 2009 ou até no ano passado. Agora o time não sabia se jogava com o Rashard Lewis, se botava o Brandon Bass em quadra, e se a melhor solução era o chute de tres ou uma infiltração do Jameer Nelson. Eu assistia aos jogos do time no League Pass e ficava surpreso como tudo no Magic parecia ser ao acaso, nao fruto de jogadas planejadas. Nao era mais o festival de bolas de tres, volta e meia alguem tentava infiltrar ou um arremesso de meia distancia sem sentido. O Vince Carter, que tinha chegado pra ser o salvador da patria e construir o próprio arremesso quandoo time precisasse, nao tava fazendo esse papel muito bem e seu arremesso de fora era inconsistente. O que tava salvando o Magic essa temporada é que o Dwight Howard, que era um excelente pivo defensivamente mas bastante limitado ofensivamente, parece ter tirado algo de bom das aulas com o Hakeem Olajuwon nas ferias e teve uma melhora significativa em criar seu proprio arremesso no garrafão, ao inves do que fazia antes, de pegar a bola de frente pra cesta e dar uma cravada por cima de todo mundo. O Magic era um time bom, cheio de jogadores talentosos, mas parecia que ia pra frente ao acaso, aos trancos e barrancos, e ganhando porque tinha talento e não porque tinha um grupo. E assim eu duvidava da capacidade do time de ir a algum lugar.

Ai o Magic emplacou uma sequencia muito ruim, perdeu cinco jogos e todo mundo começou a ficar em duvida se o Magic era um time tão forte assim. Foi quando os engravatados do Magic mostraram que de gênio e louco todo mundo tem um pouco e anunciaram duas trocas: Trocaram Rashard Lewis e seu contrato de 22 milhões por ano pelo Gilbert Arenas e depois trocaram Marcin Gortat, Vince Carter, Mickael Pietrus e uma escolha de primeira rodada com o Suns por Hedo Turkoglu, Jason Richardson e Earl Clark. Eu acho que nao preciso comentar que tem que ter culhões pra trocar dois titulares do seu time, e tambem que é uma manobra bem arriscada. A questão é se ela é acertada ou não. Pra mim, ela é. Tanto o Rashard Lewis como o Vince Carter foram jogadores que chegaram ao time com o status de 'ultima peça pra ganhar um título', mas nenhum dos dois conseguiu realizar esse papel, e o que é pior, os dois tavam começando a ficar quase inuteis no elenco. O Rashard Lewis era um dos melhores chutadores de tres da NBA uns anos atrás, mas agora ele nao está mais tão infalivel, não é mais um missmatch ambulante como foi dois anos atrás contra o Cavs e o time todo sabe chutar de tres, como o Rashard não se destaca mais tanto nesse fundamento ele passou a ser só mais um no meio de um time cheio de chutadores de tres pontos. E o Carter até ganhou alguns jogos pro time, mas seu arremesso de tres está inconstante demais e ele parece colocar a bola embaixo do braço e partir pra cesta nas horas erradas. Por mais louco que seja trocar esses dois jogadores, os engravatados sabiam muito bem o que faziam.

E em troca, o Magic recebe, na minha opinião, tudo que precisava. Gilbert Arenas, alguns anos atrás, antes das lesõs e suspensões, era um tremendo jogador, ótimo chutador de tres, e muito bom tambem partindo pra infiltração. O Nelson aprendeu a fazer isso recentemente, mas o Arenas faz ha muito mais tempo e muito melhor. Alem disso, o Arenas tambem é ótimo passando a bola e, mais importante ainda, é alguem capaz de ser o fechador de jogos em Orlando, o que o time não tinha desde que o Turkoglu saiu e que o Carter não foi capaz de fazer ano passado, acabou sobrando pro Nelson tentar alguma magica no final dos jogos e que geralmente não dava certo. Nao da pra colocar a bola no Dwight pra resolver o jogo porque ele era um lixo em criar o próprio arremesso e tambem era horrivel (ainda é) chutando lances livres. Agora o Arenas pode fazer tudo que o time fazia bem e ainda trazer coisas novas. Ele chuta bem de tres e sabe infiltrar pra abrir espaços pro chute de tres dos companheiros ou pro Dwight finalizar perto da cesta.

Ja o Jason Richardson é um jogador que vai se encaixar como uma luva nesse Magic simplesmente porque ele é um tremendo chutador de tres pontos e que está numa ótima fase. No Suns ele vinha chutando de tres feito um maluco, fazendo mais de 30 pontos e até criando o próprio arremesso. Ta bom que jogar do lado do Steve Nash ajuda pra burro, mas não tira o mérito do cara como um chutador de tres. E num time que adora chutar de tres pontos, voce trazer um dos melhores chutadores de tres da NBA nunca é uma má ideia! O Richardson tem tudo pra ser aquele cara que, quando ninguem mais parece afim de acertar nada, ele faz uma bola de tres pra colocar o time de volta na partida. E que o Magic tava sentindo falta porque o Rashard Lewis nao acertava nada faz tempo.

Por fim, o Turkoglu é o resultado de uma separação que nunca devia ter acontecido. O Magic passou o ano passado todo sofrendo com a saida do Turko e o turco tambem nunca se acertou desde que saiu do Magic. O Turkoglu era o cara que jogava de point foward no quarto periodo, o unico no time com culhões pra infiltrar terminando o jogo e que fazia as cestas importantes no final dos jogos. O Carter, como ja disse, nao foi capaz de fazer isso, e as passagens do Turkoglu por Toronto e Phoenix foram desastres. O Turko se encaixava bem no jogo do Magic e isso não acontecia no Canada ou em Phoenix, e ele acabava jogando mais de arremessador que outra coisa.

Em resumo, eu adorei o que o Magic fez porque, pra mim, deixou um time com uma identidade e capaz de ser maleável, mandando jogadores inconstantes e velhos pro espaço. O Mickael Pietrus era um bom jogador defensivo e o Gortat um bom pivô, mas eram perfeitamente dispensaveis pra esse time. Agora o Magic tem como brincar com sua lineup. Pode jogar um small ball com Nelson, Arenas, J-Rich, Turkoglu e Howard, que deixa o time no velho esquema de um pivô fixo no garrafão e quatro caras abertos que chutam de tres, mas com a diferença que agora esses quatro caras tambem sabem bater pra dentro e abrir espaços. O Magic pode deixar o Arenas de sexto homem, e jogar com Nelson, J-Rich, Turkoglu, Brandon Bass e Dwight, com o Arenas entrando a la Manu Ginobili. Ou então deixar o Turkoglu, que não defende nada e que gosta de jogar com a bola nas mãos ("Ball!") no banco pra entrar depois e jogar uma versão mais baixa com Nelson, Arenas, J-Rich, Bass e Dwight. Ou seja, o time agora pode jogar de varias formas diferentes, ter varios focos de jogo e se aproveitar ao máximo do talento e da versatilidade dos seus jogadores, tanto em quadra como vindo do banco. Alem disso, agora tem tres jogadores capazes de serem os closers do time, Arenas, Turkoglu e J-Rich, nessa ordem de eficiencia. O Magic montou um excelente elenco e que, com Howard na sua melhor forma, tem tudo pra brigar com Heat e Celtics pelo título do Leste. Minha preocupação é só do lado defensivo. Fazia muito tempo que o Lewis não marcava nada e o Vince Carter não sabe nem soletrar 'defesa', mas o J-Rich e o Turkoglu são muito fracos na defesa e por isso defendo que quem deveria vir do banco é o Turkoglu, pra não comprometer. Mas com o Dwight la dentro eles tem uma segurança pelo menos no garrafão, e um técnico competente é capaz de aproveitar isso pra montar uma marcação de perímetro decente. Tambem não tenho certeza se eles TEM um técnico decente, mas deixa quieto.

Pro Wizards, a troca é bem simples de entender. Eles querem renovar o elenco e dar de vez o controle do time pro John Wall, que alias ta lutando bastante com lesões essa temporada. Pra isso, eles trocaram um cara que joga na mesma posição do Wall, é bem mais velho e tem um contrato enorme por mais tres anos. Assim, eles trocaram esse cara por um jogador que tem um contrato bem maior em grana mas menor em duração. Ou seja, só acelerando o processo de renovação do elenco. O Nick Young tem jogado bem e o Kirk Hinrich é ótimo jogador tambem, então pro Wizard foi só um jeito de limpar teto salarial em duas temporadas e se livrar de um contrato enorme de um jogador que é bom demais pra não jogar mas que rouba minutos do cara que é pra ser sua futura estrela - e pelo que a gente viu até aqui, tem tudo pra realmente ser se ficar saudavel. E jogando é a melhor forma pra ele evoluir.

Por fim, pro Suns, a troca não fez o maior sentido do mundo, a meu ver. O Marcin Gortat é um pivô muito subestimado na Liga por ser sombra do Dwight Howard, mas ele é bom defensivamente, pontua bem ofensivamente, dentro do garrafão e fora, e eu acho um bom pivô. O Suns não tinha garrafão, até porque o Robin Lopez tava machucado e o Channing Frye é ótimo chutando de tres, mas é horrivel dentro do garrafão. Com o Gortat e o Hakim Warrick, agora o Suns consegue ter um garrafão que presta, e até um banco se o Robin Lopez continuar jogando bem. O que é ótimo. Mas pra isso o Suns abriu mão do seu maior pontuador e seu segundo melhor jogador, e trouxe o Carter, que claramente ta em decadencia e só adiciona idade pro backcourt do Suns. O Suns tambem trouxe o Pietrus, que é um bom defensor e chutador de tres, e se voce pensou no Jared Dudley, então pensamos igual, é quase a mesma função. O Pietrus quebra um galho de SG vindo do banco, o que só mostra a desgraça que foi a troca do Leandrinho pelo Turkoglu que o Suns fez. Agora trouxe o Pietrus pra jogar de SG vindo do banco e mandou seu segundo melhor jogador pra se livrar do contrato monstro do turco. O Suns tem um backcourt que ataca bem a cesta e até chuta de longe, mas agora tem um garrafão forte e talvez seja hora de repensar o que o time quer. Se é pra jogar na velocidade ou se é pra cadenciar mais. E principalmente, se é pra insistir nos vovôs ou se é pra começar uma reconstrução. Robin Lopez, Goran Dragic, Dudley... O Suns tem alguns jogadores novos interessantes, mas tambem tem titulares que somam mais de 100 anos nas posições 1, 2 e 3. O Suns tem duas escolhas da primeira rodada do ano que vem tambem, alem do Carter ser contrato expirante. O time pode começar uma reconstrução jogando tudo fora agora facilmente, até porque o Nash ainda pode ser trocado por uma escolha de primeira rodada e um contrato expirante. O problema é que pra isso otime tem que estar muito certo do que vai querer. Acho que a ideia do Suns (pelo menos é o que eu faria) é esperar um pouco e ver como esse time novo, que fala dos velhos tempos e toma sol de cobertor mas que finalmente tem um garrafão, se comporta. Se parecer que da pra ir aos playoffs, o Suns vai provavelmente insistir nele mais um pouco. Se ficar na cara que não vai a lugar nenhum, o Suns pode aproveitar e trocar quem tiver valor no time e começar uma grande reconstrução pra próxima temporada. Mas pra isso, precisa ter culhões. O Magic teve, e vai colher os frutos.