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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Sete Segundos ou Menos - 08/12

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Are you not entertained?!


Testando um novo formato de coluna essa semana, que eu chamei de Sete Segundos ou Menos - homenagem ao famoso Seven Seconds or Less, o estilo de jogo do Phoenix Suns sob o comando de Mike D'Antoni nos anos 2000 que revolucionou para a sempre a NBA - e nos deu alguns dos mais divertidos times de todos os tempos.

A ideia da coluna Seven Seconds or Less - em teoria - é ao invés de tratar de um único assunto extensivo, tratar de vários assuntos menores, assuntos que não valem uma coluna sozinhos mas que ainda assim são pontos que eu gostaria de discutir. É uma versão basicamente com mini-colunas, condensada em uma só. Vamos ver se o formato funciona.

E se você não acha que essa só é uma desculpa para postar alguns vídeos do meu jogador favorito de todos os tempos (como esse passe mágico para o Grant Hill)... você não me conhece o suficiente.




Vamos a isto.

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1. Philadelphia 76ers, dividindo minutos entre suas estrelas.

Quinta feira à noite, o Philadelphia 76ers foi surpreendido em casa e derrotado por um fraco time do Lakers. No entanto, seria difícil para você adivinhar isso se eu te falasse do quão dominantes foram suas duas estrelas: Joel Embiid anotou 33 pontos, pegou 7 rebotes e deu 6 assistências (e mais 5 tocos), enquanto Ben Simmons teve um Triple Double com 12 pontos, 13 rebotes e 15 assistências. Ambos foram fantásticos na partida e é difícil acreditar que Philly perderia com ambos tão bem.

O problema é que Philly apanhou quando esteve sem suas estrelas. Nos 36 minutos que Embiid esteve em quadra, Philadelphia foi +14 em quadra. E nos 12 que descansou, Philly perdeu para o Lakers por 17 pontos (!!!!). Com Simmons talvez seja ainda pior: +9 quando esteve em quadra, e nos 6 minutos que descansou, o Sixers perdeu por 12 pontos. Philly passou apenas um minuto e meio com ambas as suas estrelas no banco, mas foram minutos desastroso: o Lakers ganhou a "parcial" (ou as parciais) por 11 a 2.

Essa derrota foi um microcosmos de um problema que tem certamente tirado noites de sono do técnico Brett Brown, e de muitos outros técnicos ao longo do tempo na NBA: Qual é a melhor forma de distribuir os minutos das suas estrelas? Em outras palavras, o melhor é usar as duas junto o máximo de tempo possível junto, maximizar a combinação, mas passar mais tempo com apenas os reservas jogando? Ou então distribuir ao máximo os minutos das estrelas para que o banco nunca precise jogar sem nenhuma delas em quadra?

Foi uma questão que durante muito tempo incomodou (e ainda incomoda) times como Clippers (na época de CP3/Blake) ou Wizards, e não existe uma resposta certa. Durante anos o Wizards optou por juntar Wall e Beal, e foi massacrado quando os dois sentavam. O Clippers teve um problema semelhante com Paul e Blake Griffin. E agora chegou a vez do Sixers tomar algumas decisões.

Até aqui, o Sixers tem optado por jogar as suas estrelas juntas o máximo de tempo possível. Dos 605 minutos que Embiid jogou em jogos que Simmons também atuou, 78% deles (472) vieram jogando junto do calouro, e apenas 133 foram como única estrela em quadra - o que da pouco mais de seis minutos por jogo. Simmons jogou mais tempo sem Embiid (mesmo desconsiderando os jogos com Embiid inativo), 250 minutos, mas também é praticamente metade do tempo que passou ao lado do pivô camaronês.

Isso faz algum sentido. Simmons ainda não tem um arremesso fora do garrafão, e jogar ao lado de Embiid - cujo alcance se estica até a linha dos 3 pontos e sempre comanda uma marcação apertada - abre os espaços que Simmons precisa para chegar até o garrafão e aproveitar linhas de passe. Philadelphia tem destruído times quando os dois estão juntos em quadra: nos 472 que Simmons e Embiid jogaram juntos, Philly está +99, com um Net Rating de +9,9.

O outro lado da moeda, entretanto, são os 164 minutos que o Sixers passou em quadra sem Embiid nem Simmons, e esses minutos Philly está com horríveis -52, ou -12,8 Net Rating. Ontem foi um exemplo (até extremo) desse fenômeno, mas a verdade é que Philly simplesmente não tem a criatividade e o playmaking vindo do banco para aguentar muitos minutos sem uma das suas estrelas em quadra. Talvez isso mude com a volta de Markelle Fultz, mas a essa altura parece um long shot confiar na produção imediata da escolha #1 do Draft. E a margem de erro do Sixers não é grande suficiente para sobreviver a minutos dessas unidades.

Talvez seja hora do Sixers começar a usar suas estrelas de forma mais separada. Exceto quando não há alternativa - jogos que Simmons ou Embiid estiverem fora - esses alinhamentos simplesmente não deveriam passar um minuto sequer em quadra para um time que sonha com a pós temporada. Embora o time caia bastante (previsivelmente) com apenas uma das duas estrelas em quadra, não é para níveis tão desastrosos quanto naqueles momentos sem nenhum dos dois: lineups com apenas Embiid tem enfrentado adversários basicamente em um empate (-2 em 162 minutos), e embora as lineups com apenas Simmons tenham números mais problemáticos (-46 em 358 minutos, -5,2 Net Rating), esses números estão "poluídos" pelos 108 minutos que Simmons jogou com Embiid inativo, enfrentando diretamente unidades titulares que não enfrentaria em situações "normais" de rotação. Pegando apenas os minutos que Simmons jogou sem Embiid em jogos que ambos participaram os números não são tão problemáticos, -18 em 250 minutos de quadra. Nenhuma das duas é perfeita, mas é uma maneira de evitar esses minutos desastrosos sem as estrelas em quadra, quando o time se coloca em buracos com muito mais rapidez relativa do que os dois jogadores juntos "tiram".

Um argumento contrário a essa distribuição de minutos seria que, pensando no futuro, é importante dar a Embiid e Simmons o máximo de minutos possíveis juntos para desenvolver o entrosamento, mas é um argumento que não faz sentido considerando que Simmons (que perdeu o ano de calouro com uma lesão no pé) jogou 42 minutos nesse jogo, e Embiid 36. O Sixers está forçando para chegar nos playoffs agora, e pensando nesse sentido, é crucial eliminar esses minutos sem ambos em quadra. Ontem, custou uma vitória ao Lakers. Não foi a primeira vez. E, se continuar acontecendo, não vai ser a última. E, se o Sixers quer mesmo chegar aos playoffs e talvez surpreender alguém, essas são vitórias que podem fazer falta.


2. Giannis Antetokounmpo, pivô

É difícil realmente classificar Giannis Antetokounmpo com uma posição. Ele é um jogador de 2m11 que arma o jogo, protege o aro, e defende 5 posições. Que seja, ele JOGA nas 5 posições! Essa flexibilidade maluca é parte do que faz de Giannis um jogador tão bom, e tão importante para o Bucks. Que posição Giannis é, ou joga, depende muito mais das peças ao seu redor do que de quem ele realmente é, e podem ter certeza que isso vai gerar discussão na hora de votar o All-Star Game ou até os times All-NBA ao final do ano.

Mas a posição que Giannis mais me intriga é jogando como pivô. Não da nem para chamar essas lineups de baixas - Giannis é mais alto do que vários dos pivôs da NBA, tem alcance maior que praticamente todos, e já se mostrou excelente protegendo o aro - mas as formações sem Maker, Henson ou Monroe que Giannis joga como pivô nominal, em geral cercado por arremessadores. O Bucks tem sido, naturalmente, cauteloso com essas formações, especialmente na temporada regular - você não quer expor Giannis a trombadas constantes no garrafão e taxar o físico da sua superestrela sem necessidade. Ao todo, Giannis jogou com pivô apenas 45 minutos na temporada.

Ainda assim, é difícil não ver o que essas lineups tem de atraente. Giannis tem o tamanho e capacidade defensiva para executar o papel de um (bom) pivô do lado defensivo da quadra, então você não precisa sacrificar tanto nesse sentido. E ofensivamente essas lineups com Giannis e arremessadores são impossíveis de se defenderem normalmente: você pode ficar preso mantendo um pivô ou ala de força mais lento em cima de Giannis, o que é a receita para o desastre, ou então tentar esconder isso em um arremessador e tirar o protetor de aro de dentro do garrafão, onde Antetokounmpo faz a grande maioria dos seus pontos - e isso sem entrar no mérito do caos que um time assim cria em situações de transição, quando o adversário precisa em velocidade achar a marcação certa, abrindo assim espaços e criando missmatches que esse time pode explorar. Milwaukee não é um time grande nas alas, então essas formações não teriam muito tamanho, mas compensariam isso com versatilidade e velocidade. No papel, pode ser a base para um ataque extremamente explosivo.

E a boa notícia é que, desde a chegada de Eric Bledsoe (e a partida de Greg Monroe) o Bucks tem dado mais espaço para essas formações com Giannis na posição 5 - dos 45 minutos que Giannis jogou na posição, 21 vieram desde a troca. A lineup com Bledsoe-Brogdon-Snell-Middleton-Giannis já jogou 16 minutos junta, e com bons resultados, incluindo um Net Rating de 3,5 e um Offensive Rating de 121,8 que destruiria o melhor ataque da liga (Golden State) por muito. A mesma formação, mas com Dellavedova no lugar de Bledsoe (a segunda mais usada), também tem igualmente destruído adversários do lado ofensivo da quadra. No jogo recente contra Boston foram essas lineups que colocaram o Bucks de volta no jogo, antes de Boston enfim abrir uma vantagem definitiva no final.

Claro, a amostra ainda é muito pequena, e essas lineups também sofreram bastante defensivamente nesses minutos limitados (a defesa do Bucks é assunto para outro post). Mas é uma formação bastante interessante e promissora, e é muito bom ver Milwaukee começando a ficar mais confortável com essas lineups - e devem ficar ainda mais quando Jabari Parker voltar. Algo para se monitorar ao longo do ano.


3. Houston Rockets destruindo tudo pelo seu caminho

O Rockets deveria ser uma história maior nesse início de temporada, e por algum motivo está escapando ao grande público. Esse time está FANTÁSTICO até aqui: Apenas Boston tem uma melhor campanha (e o mesmo número de derrotas); apenas Golden State tem melhor Net Rating e melhor ataque; apenas Boston e GSW tem melhor RPI. Seu Net Rating é um historicamente excelente 11,3. Eles estão destruindo times a torto e a direito. E, mais assustador, Chris Paul e James Harden estão mostrando um entrosamento excelente ainda muito cedo.

Mas o que é realmente interessante é o quão bom o Rockets tem sido desde a volta de Chris Paul. Foram 8 jogos desde então, e 8 vitórias do Rockets com um net Rating insano de +20.0 por 100 posses de bola. Para referência, o Warriors lidera a NBA com +13.1, que já é um excelente número. Nesse tempo, o Rockets tem a melhor defesa E o melhor ataque da NBA, e suas duas estrelas estão jogando um basquete de outro nível: Chris Paul tem 14 pontos e 10 assistências de média, com 46 FG%, 46 3PT%, e menos de 2 turnovers por jogo. James Harden - que deveria ser hoje o favorito na briga pelo MVP - teve 33 pontos, 8 assistências e 48-43-93 nos arremessos. Claro, é uma amostra pequena e contra um calendário favorável, mas também uma mostra do quão assustador esse time pode ser.

E o que faz de Houston tão bom e tão assustador é sua capacidade de manter o poder de fogo funcionado por 48 minutos sem interrupção. A dupla Harden-Paul dentro de quadra tem sido sólida jogando junta - +6.8 de Net Rating em 173 minutos com ambos em quadra. Uma marca boa, mas não espetacular dado que o Rockets como time tem +11.2 de Net Rating.

No entanto, esse não é o ponto. Ao contrário do Sixers, Mike D'Antoni tem buscado separar mais suas estrelas. Quando elas estão juntas, ótimo: o Houston ainda está chutando bundas. Mas a mágica do Rockets é que, quando um deles sai, o time ainda tem um armador de nível MVP para comandar seu ataque. A gente sabe repetidamente o que Harden é capaz de fazer conduzindo esse ataque do Rockets, especialmente agora que tem mais armas de bom nível (dos dois lados da quadra) do que nunca: O Rockets tem Net Rating de +14,7 quando James Harden está em quadra sem Chris Paul, um número que engloba os jogos que Paul ficou inativo.

Mas esse não é o pulo do gato. O problema é que quando James Harden sai e Paul entra para comandar o ataque no seu lugar, o Rockets tem um Net Rating de... erm... de +32.1. Yep, 32,1. +66 de +/- em 94 minutos. Sim, esse é um número real. Claro que é um subproduto insustentável de uma amostra pequena contra um calendário fraco, mas é só assistir o jogo que é fácil de perceber o quão devastadora é a segunda unidade do Rockets com Paul no comando. Depois de anos jogando seu estilo favorito - ritmo lento, arremessos de meia distância, controle do jogo  - é surreal o quão rápido Paul se adaptou ao ataque de D'Antoni e já tem total controle do jogo por lá. O pace do time com Paul é um dos mais rápidos da NBA, e CP3 está conduzindo esse ataque com perfeição mesmo sendo apenas seu nono (!!!) jogo em Houston. Paul enxerga todos os passes, todas as movimentações, e sabe exatamente o que fazer em todas as situações. Cerque isso com o esquema certo, as movimentações certas, e os jogadores certos, e você vai certamente ter um ataque infernal.

E, acima de tudo, é isso que faz do Rockets tão bom: 48 minutos de inferno ininterruptos (exceto, bem, garbage time... que tem, alias, acontecido bastante), 48 minutos de um armador nível Hall da Fama (e nível alto mesmo dentro do Hall da Fama) comandando um ataque devastador famoso por destruir adversários. Você não vai ter um minuto para descansar até que a vantagem passe dos 20 pontos. Boa sorte tentando acompanhar essa dupla.

Não da, nessa temporada, para falar de Golden State - o time está claramente jogando em terceira marcha e se poupando para os playoffs (existe algum potencial de 2001 Lakers aqui, diga-se de passagem). Nada que virmos até Abril indicará nada do seu nível real. Mas com o Rockets jogando nesse nível, não é absurdo sugerir que esse seja o time mais dominante da liga que vimos até aqui, com a volta de Chris Paul.

Para a pós-temporada, os minutos dos reservas tende a diminuir, e fica mais fácil desmontar um ataque que depende de um jogador só - Houston vai precisar da combinação entre Harden e Paul mais do que dos minutos que as estrelas jogam separadamente. Até lá, é importante que as formações com CP3 e Harden estejam no seu melhor nível. Mas por enquanto, esse time é forte o suficiente, e tem talento suficiente, para varrer a temporada regular sem deixar vestígios, enquanto nós apreciamos um dos times mais divertidos e interessante dos últimos anos.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A melhor e mais maluca trade deadline

Melhor resumo para ontem a tarde, impossível 



Antes de começar, sirva-se de uma xícara de café. Agora outra. E mais uma, só pra garantir. Estamos prestes a nos embaralhar e confundir falando da mais agitada e mais insana trade deadline que eu me lembro. 38 jogadores (isso da 8% de toda a NBA!) foram trocados, junto com 7 escolhas de primeira rodada de Draft, em um período de 90 minutos. Pelo menos seis (!) times de playoffs estiveram envolvidos em trocas. Foi uma sequência tão grande de trocas, negociações e movimentações que foi praticamente impossível acompanhar em tempo real, ao ponto que até o próprio Woj entregou pra Deus:




Então foi maluco a esse ponto mesmo. A quantidade de jogadores que disse não ter idéia de onde jogava ou quem eram seus companheiros ao final de toda a zona foi incrível. Eu próprio estava na dúvida se tinha sido ou não trocado para o Suns. Então vamos tentar passar rapidamente por todas essas trocas - sim, uma a uma - pra ver o que saiu de bom e o que saiu de ruim dai.



Suns recebe John Salmons (Pelicans) e duas escolhas futuras (2017 e 2021) de primeira rodada (Heat); Pelicans recebe Shawne Williams, Norris Cole e Justin Hamilton (Heat); Heat recebe Goran e Zoran Dragic (Suns)

A mais importante troca da noite envolveu Goran Dragic, que tinha dado essa semana um ultimato para a diretoria do Suns trocá-lo, dizendo que não renovaria com o time ao final da temporada... e ainda destruiu seu próprio valor de troca afirmando que só renovaria contrato se fosse trocado para Knicks, Heat ou Lakers - três times sem nenhum bom ativo para trocar pelo esloveno. Celtics, Kings e Rockets estavam interessados no armador e teriam muito mais a oferecer ao Suns por ele, mas com essa demanda mimada, os três se retiraram da troca e forçaram Phoenix a aceitar a melhor oferta lixo entre as "demandas" de Dragic. O Knicks nada tinha a oferecer, e o Lakers (sabiamente) não iria envolver Randle ou a proteção da sua escolha de primeira rodada que hoje pertence ao Suns, então sobrou para Phoenix aceitar esse pu-pu-platter de Miami por alguém que eu votei como  2nd Team All-NBA em 2014. É um retorno muito fraco por ele, mas é o melhor que Phoenix tinha condições de conseguir nessas circunstâncias.

E Miami aproveitou para roubar a peça que mais precisava nessa trade deadline. Talvez nenhum time o ano todo teve pior produção de seus PGs do que o Heat, onde Norris Cole e Mario Chalmers passaram de "ruins" para "legitimamente prejudiciais" - um problema que ficou ainda mais evidente sem Wade para assumir parte das funções de ball handler. Dragic chega para resolver a questão. Ainda que seus números tenham caído em 2014/15 (16, 4, 4), isso se deve principalmente ao fato de que Dragic tem jogado principalmente como SG, já que o Suns emprega o tempo quase todo lineups com dois armadores diferentes (Bledsoe, Thomas e Dragic), e tanto Bledsoe como Thomas costumam ter mais a bola nas mãos do que Dragic. Mas ano passado todo mundo viu o quanto Dragic pode ser devastador, quando teve 20-6-3 de médias com 50.5 FG% e 40.8 3PT%. Miami precisava de um armador, e agora achou um excelente.

O que é ainda mais interessante é que, em Phoenix, Dragic causou seus maiores estragos no pick and roll e no pick and pop. Aliás, o pick and pop Dragic-Channing Frye foi, em 2014, a jogada com maior eficiência de TODO o basquete, já que Dragic é um especialista em atacar e finalizar perto da cesta (64.8 FG% na zona restrita), abrindo diversas opções de passe no processo. Então é difícil não salivar quando lembramos que agora o eslovêno terá outra máquina de pick and pop em Chris Bosh, e uma excelente opção de pick and roll no novo fenômeno Hassan Whiteside (1.57 PPP em jogadas de pick and roll). Não só é o jogador da posição que Miami mais precisava, mas é alguém que (em teoria) casa perfeitamente com as outras opções já na equipe e que trás exatamente o que o time mais precisa nesse momento.

E a verdade é que, se Wade voltar saudável, o Heat agora vira um dos times mais assustadores do Leste. É verdade que o time perdeu um pouco da sua profundidade para essa troca, mas um quinteto Dragic-Wade-Deng-Bosh-Whiteside é legitimamente assustador, e consolida Miami como um sério candidato ao título do Leste. Agora o Leste tem quatro times legitimamente brigando pelo título da conferência (Miami, Atlanta, Cleveland e Chicago), além de alguns sleepers (Washington e Toronto), e o nível de entretenimento desses playoffs subiu exponencialmente. Aquisição fantástica de Miami. Lembra quando em Setembro tinha muita gente que achava que Miami deveria tankar pós-LeBron?

O Pelicans aqui aproveitou para aumentar suas opções e profundidade, mas nada que vá mudar seu destino. E Phoenix não teve escolha, então pelo menos pegou o melhor retorno possível e abriu espaço pra Isaiah Thomas e Bledsoe jogarem mais tempo juntos e assumirem o comando do...


Suns recebe Marcus Thornton e uma escolha de primeira rodada de 2016 de Cleveland; Boston recebe Isaiah Thomas

Wait, what?! 

Para falar mais dessa troca, precisamos falar de outra do Suns, então por enquanto, vamos focar no Celtics.

Em termos de valor, esse foi um golpe fantástico do Celtics. Thornton era um contrato expirante de pouco valor, e essa escolha do Cavs (que o Celtics pegou para absorver o contrato de Tyler Zeller, que tem jogado bem em Boston) provavelmente não teria muito valor a não ser que LeBron decida que quer voltar pra Miami ou jogar baseball. E em troca pegou um dos melhores armadores reservas da NBA, alguém que consegue atacar a cesta, pontuar a vontade e carregar seu ataque por sólidos minutos - e cujo contrato é uma pequena barganha a 7M ao ano. Então em termos de valor, foi uma grande vitória. 

O que me incomoda aqui é o timing. Boston trocou Rondo e Green, o que em parte poderia indicar que o time queria mais um ano de tanking, mas dai os boatos de que o Celtics estava no mercado atrás de algum bom veterano começaram a surgir. O próprio Dragic era uma opção, mas quando ficou claro que ele não renovaria fora do eixo LA-NY-Miami, Celtics se contentou com Isaiah Thomas. Estando 1.5 jogos apenas atrás de uma vaga de playoffs, Boston começou a pensar que o melhor a fazer era encurtar sua renovação e chegar logo aos playoffs, e fez mudanças para aumentar suas chances disso. Acho que nenhum torcedor racional de Boston acha melhor ser varrido pelo Hawks na primeira rodada dos playoffs do que uma escolha Top12 em um Draft onde, coincidentemente, o Top12 é excelente. A experiência de jogar nos playoffs é importante para um elenco jovem, sem dúvida, mas eu trocaria um ano disso por um Myles Turner ou Mario Hezonja em um piscar de olhos. A partir de 2016, o Celtics não precisa mais ser ruim para ter ótimas escolhas de Draft, graças ao Nets, mas porque não aproveitar mais um ano adicionando talentos antes de perseguir essa vaga nos playoffs? Não é como se o time tivesse qualquer chance de fazer qualquer estrago já esse ano.

Além disso, Boston já não tem em Marcus Smart seu armador do futuro, uma força da natureza na defesa que ainda está aprendendo a forma mais eficiente de conduzir um time no ataque? Smart tem um potencial muito maior que Thomas, mas precisa de tempo, repetições e experiência armando o time para poder se desenvolver. A não ser que Isaiah comece a vir do banco, ele vai tirar tempo de quadra e a bola das mãos de Smart, e ainda que HOJE Thomas seja um jogador ofensivo melhor, isso limita muito o potencial do time no médio prazo. Não da pra culpar um time por querer ganhar logo, mas o time está pensando demais no presente e menos no futuro, mesmo que isso signifique sacrificar o futuro de jogadores como Smart, Young, ou mesmo valores hipotéticos como quem o time pegaria nesse ótimo Draft.

Então o Celtics, em um vácuo, fez um bom negócio, adquirindo um bom jogador em um contrato favorável praticamente de graça. Mas resta ver se essa negociação vai custar ao time uma escolha Top12 e o desenvolvimento de seu armador do futuro - duas coisas muito mais importantes para o Celtics no médio e longo prazo do que o ex-Suns. Bom valor, mas considerável risco aqui.


Suns recebe Brandon Knight (Bucks); Bucks recebe Michael Carter-Williams (Sixers), Tyler Ennis e Miles Plumlee (Suns); 76ers recebe escolha de primeira rodada do Lakers de 2015 (protegida, via Suns).


... SUNS, WHAT ARE YOU DOING?! STAAAAAAPH!!

Antes de mais nada, uma pergunta séria: a gente tem certeza que Brandon Knight é tão bom assim? A primeira vista, é o que parece: o armador tem 18-4-5 de média com 40.8% de 3PT% e um bom PER de 18.5. Mas acontece que eu assisto basquete, e o Bucks desde o começo tem sido meu queridinho do League Pass desse ano. Então eu assisti muito do Bucks, e muito do Brandon Knight. E embora individualmente ele fizesse coisas boas, chamava muito minha atenção o quanto a presença dele atrapalhava a equipe. Ele segurava demais a bola, e parecia ter só duas mentalidades com ela nas mãos: fazer a cesta, ou dar uma assistência. Ele não rodava a bola, não se movimentava bem sem ela, e o time ficava dependente demais do que ele decidisse fazer. Uma quantidade muito irritante de posses de bola do Bucks acabava com Knight driblando a bola por 14 segundos e dando um passe para um mid-range jumper. E assim que ele saia de quadra, o Bucks começava a rodar a bola, achar jogadores livres, jogar de forma rápida e altruísta, e o time era mil vezes mais perigoso. Então não foi nenhuma surpresa alguma entrar ontem no NBA.com e descobrir que, com Brandon Knight em quadra, o Bucks tinha um rating de -0.2 por 100 posses de bola... e com Knight no banco, o Bucks tinha saldo +9.2/100 posses. Só tirando Knight de quadra, Milwaukee deixava de ser o Pelicans pra se tornar 2 pontos por 100 posses melhor que o Hawks. Ainda que boa parte disso se deva ao fato do Bucks ter um excelente banco... é bem significativo, não?

Mas o problema aqui, a meu ver, não é o Suns ter adqurido Knight, e sim ter dado a valiosíssima escolha de primeira rodada do Lakers que tinha no processo. Knight talvez até seja um melhor encaixe em Phoenix, onde jogará mais sem a bola, não vai estagnar tanto o ataque, e pode aproveitar mais seu bom arremesso, mas ele ainda é um jogador questionável, que vai ganhar um salário enorme ao final do ano (quando é FA restrito e alguém vai oferecer um contrato enorme)... e você da em troca uma escolha de Draft que tem tudo para ser Top6, seja esse ano ou no próximo?! Ahn?! Qual a lógica disso?? Porque não pegar Knight ao final da temporada, então? A troca do Dragic foi desfavorável, mas foi inevitável dada a situação que o armador colocou o time. Mas as subsequentes foram horríveis, e cheiram ao pânico de um time desesperado para ir aos playoffs. Trocar Thomas por absolutamente nada, depois trocar seu ativo mais valioso por um armador que é free agent ao final do ano, são duas trocas horríveis para Phoenix.

Eu não faço a melhor idéia do que o Suns estava pensando aqui, e embora eu admire bastante o GM Ryan McDonough, a minha impressão é de que ele está cometendo erro atrás de erro. Knight é comprar alto em um jogador mediano, e não só é um downgrade em relação a Dragic/Thomas, a escolha que mandaram embora por ele é mil vezes mais valiosa do que qualquer uma das três que tenham recebido no dia. O Suns saiu mais fraco dentro de quadra, e muito mais fraco em termos de ativo par ao futuro. Dia horrível de Phoenix. Perder Dragic era inevitável, e ao preço que receberiam, um grande golpe, mas não precisava jogar tudo pra cima e fingir um ataque cardíaco desse jeito.

Enquanto isso, o Bucks conseguiu talvez o roubo do dia. Knight era free agent ao final do ano, e com bons números, era certeza que alguém iria oferecer um contrato máximo para o armador, ou próximo disso. Milwaukee não queria pagar Knight esse valor todo, mas a alternativa de perdê-lo de graça também não era das mais interessantes. Então eles conseguiram a melhor alternativa possível, mandando Knight para Phoenix em troca de um ótimo retorno por um jogador que provavelmente perderiam de graça mesmo. Tyler Ennis e Miles Plumlee são boas peças de rotação para um time cujo grande trunfo na temporada é sua enorme profundidade e versatilidade, e Michael Carter-Williams é um grande talento que estava desperdiçando seus anos formadores em um time horrível que só queria saber de perder. Só de pensar em "MCW, Ennis e Plumlee por Knight", eu já acho que foi um excelente negócio para Milwaukee, mas quando lembramos que Knight era FA ao final do ano e ou iria sair, ou receberia uma bolada que não merecia e entupiria o cap do Bucks, esse negócio fica ainda mais espetacular. Tirando Miami, Milwaukee é o grande time vencedor da noite.

E claro, o maior vencedor em toda essa troca provavelmente foi o próprio Michael Carter-Williams. MCW sempre foi muito talentoso e um tanto quanto complicado, um grande talento com diversas limitações, que estava adquirindo maus hábitos e evoluindo muito lentamente em um time que pouco lhe oferecia de ajuda ou condições de crescer. Agora ele vai para um time extremamente profundo e talentoso onde vai jogar logo de cara em jogos importantes e competitivos, vai ter que evoluir na marra... e talvez mais importante, vai jogar para Jason Kidd, que sabe exatamente como é ser um armador incapaz de arremessar e que é a melhor pessoa não só para moldá-lo em um jogador melhor, como em saber tirar o máximo de suas habilidades. Antes preso no fundo do poço da NBA, de repente MCW foi para um dos times mais jovens, talentosos e promissores da NBA. 

Quanto ao Sixers, bem, essa foi a troca mais Sixers possível, trocando seu melhor jogador por mais uma escolha futura de Draft. Claro, juntando as peças de outras duas trocas...


Sixers recebe JaVale McGee e uma escolha de primeira rodada de 2015 protegida (Thunder) do Nuggets

Sixers recebe Isaiah Canaan e uma escolha de segunda rodada; Rockets recebe KJ McDaniels

...ai é mais fácil ver o conjunto todo, e é hilário. Todo mundo sabia que o Sixers estava em modo "tank" descarado de longo prazo, destruindo seu time o máximo possível para ser ruim durante anos a fio, juntar vários ativos e jovens jogadores, e eventualmente, muito eventualmente, voltar a disputar alguma coisa. E claro, quando já se passaram dois anos e parece que o Sixers está começando a dar alguns passos rumo a ser um time de verdade, eles trocam dois dos seus três melhores jogadores para dar mais três passos para trás. Funhé.

Não que dê para criticar as trocas em si. Aquela escolha protegida do Lakers (Top5 esse ano, Top3 ano que vem e 2017, desprotegida em 2018) é um ativo valiosíssimo, e um excelente retorno por um jogador que já estavam querendo mover faz algum tempo. E McDaniels saiu de graça para um jogador tão bom... mas ele era um free agent restrito ao final do ano, e possivelmente o Sixers não iria querer pagar seu valor de mercado, então pelo menos pegou o talentoso e intrigante Canaan no processo por um jogador que sairia de todo modo. Não foram maus negócios.

Ainda assim, é hilário ver a que ponto vão os esforços do Sixers para continuar reconstruindo e não se importando a mínima em ter um time decente. Agora o time vai afundar ainda mais rumo a pior campanha da NBA (provavelmente o maior objetivo das trocas), e ficar ainda mais longe de ser algo respeitável e decente na liga. E claro, receber JaVale McGee (cujo salário o Nuggets queria se livrar) ajuda ainda mais nesse processo de "ser o pior possível".


Rockets recebe Pablo Prigioni; Knicks recebe Alexey Shved e duas escolhas de segunda rodada

Entre Prigioni e McDaniels, o Rockets fez duas trocas interessantes para reforçar seu elenco e, principalmente, seu banco. Prigioni talvez nem faça tanta diferença assim, mas é uma proteção para os PGs de um time que queria e não conseguiu ficar com Goran Dragic. E KJ McDaniels é uma ótima adição, um bom defensor capaz de jogar (e defender) em três posições e que adiciona habilidade atlética e versatilidade ao Rockets. Nenhum provavelmente é o tipo de troca que sozinha vá mudar o destino do time, mas em dúvida Houston é um time melhor e mais versátil agora com esses dois a bordo. E caso Houston decida por mantê-lo, McDaniels também oferece uma opção jovem e promissora para o futuro da equipe.

Para o Knicks, eles simplesmente se livram de um jogador que não queriam e, embora Shved provavelmente também não faça nenhuma diferença, pelo menos garantem duas escolhas de Draft no processo para aumentar seus limitados ativos.


Nets recebe Thaddeus Young; Timberwolves recebe Kevin Garnett.

Uma troca interessante pra ambos, além das óbvias histórias de "KG voltando pra casa!", ainda que carregue seus riscos.

No caso do Nets, eles ainda estão tentando equilibrar a difícil dualidade de vencer agora com um time ruim, e cortar custos ao mesmo tempo. A troca economiza 3M de dólares esse ano - o que, entre salários, multas e semelhantes, economiza ainda mais para o time, na casa dos 10M - para Brooklyn, mas dentro de quadra, a troca também faz bastante sentido. Garnett agora é basicamente um pivô de tempo integral, mas o time já tem outros dois pivôs (Mason Plumlee e Lopez) produzindo ainda mais, e que dificilmente conseguem jogar juntos. Trocando KG por Young, o time ganha um legítimo PF que teria muito mais facilidade de se encaixar com Lopez e Plumlee, e que torna o time mais barato, mais jovem, e principalmente mais atlético. Economizar uns dólares é bom, mas para um time que não é dono de sua própria 1st round pick, também aumenta as chances do time de conseguir uma vaga nos playoffs.

É claro, eles também assumiram um razoável risco. Young tem uma player option para o ano que vem de quase 10M, e se ele aceitar, a troca vira um tiro no pé. Garnett ganhava mais, mas também era um contrato expirante, e se Young aceitar sua opção, isso significa que o time economizou 3M esse ano (em salary cap) mas gastou 10M a mais em 2016, pagando multas e sem liberar nenhum espaço salarial. Brooklyn provavelmente está apostando que Young vai sair do contrato e tentar ganhar um contrato mais longo e garantido em um mercado inflacionado, mas se ele ficar, essa troca pode dar muito errado. 

Para o Wolves, nada muda dentro de quadra. Mas aceitem de alguém que acompanhou a Era Garnett em Boston: Garnett é o tipo de jogador que faz muita diferença nos companheiros jovens. Rondo e Perkins são dois exemplos, e ter alguém tão competitivo, com tanta liderança e intensidade quanto KG pode mudar a vida de um jogador ainda em formação. Garnett ensina os jovens sobre defesa, sobre se importar, sobre jogar em equipe, sobre apoiar os companheiros. Mesmo velho e no fim da carreira, isso sempre se destacou pra mim em KG: se um colega está se voltando contra o técnico, ou deixando de jogar pro time pra tentar conseguir seus próprios números, ele vai lá arrumar as coisas do seu jeito. Em um time jovem, imaturo e ainda em formação como o Wolves, esse é o tipo de presença que pode fazer toda a diferença para o futuro, acelerar o desenvolvimento dos jovens e ensiná-los a jogar basquete do jeito certo. Os jovens talentos de Minny se beneficiarão de ter KG por perto, e portanto foi uma boa troca.

(Isso significa que o Wolves compensou a grande besteira de trocar uma 1st rounder de Miami pelo Thad Young? NÃO! Mas ameniza um pouco...)


Wizards recebe Ramon Sessions; Kings recebe Andre Miller

Eu gosto dessa troca para ambos. Wizards recebe um armador mil vezes mais jovem e atlético que, embora não venha jogando bem, pelo menos oferece uma opção para o time capaz de atacar a cesta para cavar faltas ou abrir espaços para os passes - o que eles definitivamente não tem quando John Wall está no banco. Então ajuda a reforçar um banco complicado. Embora eu seja suspeito pra falar, sempre fui fã de Sessions e acho que pode contribuir no time certo. Em um papel limitado, este pode ser Washington.

Para o Kings, não só é bom receber uma presença veterana em um vestiário tão complicado e disfuncional, como o time também precisa urgente de alguém capaz de distribuir o jogo. O time não tem nenhum bom passador, e para um time jovem precisando evoluir, é importante ter alguém capaz de dar a bola a todos os jogadores em boas posições e situações. Miller é um encaixe bem melhor nesse time, e ainda que não vá fazer muita diferença prática, pode oferecer o tipo de ajuda que muitos jogadores lá precisam. 


Blazers recebe Alonzo Gee e Aaron Afflalo; Nuggets recebe Victor Claver, Thomas Robinson, Will Barton e uma escolha protegida de Draft de 2016.

Eu estou adorando times do Oeste fazendo trocas para vencer agora enquanto a janela está aberta. E foi o que o Blazers fez. A escolha futura é protegida na loteria, então provavelmente vai para o Nuggets já em 2016 (a não ser que LaMarcus Aldridge saia ou algo muito errado aconteça), mas o Blazers precisava de profundidade no perímetro para competir mais seriamente agora pelo título. E foi o que eles conseguiram em Afflalo. O SG está tendo um ano bastante decepcionante e todos seus números caíram, mas ele joga em um dos mais disfuncionais times de toda a NBA, e uma mudança para um time que joga com velocidade, boa movimentação de bola e de forma coletiva pode ser o que ele precisa para retomar a boa forma. E se retomar, ele é algo que o Blazers precisa, alguém capaz de fazer um pouco de tudo vindo do banco - criar para si e para os outros, arremessar de fora para espaçar a quadra, defender em bom nível, etc. Ele não tem o tamanho e a força física para reproduzir o papel que Batum deveria ter nessa equipe, então ele não resolve os maiores problemas do time... mas ele ajuda e torna o time mais profundo e versátil. Quando você está com a janela totalmente aberta para o título, você tem que fazer o possível para aumentar suas chances, e foi o que o Blazers fez aqui. Uma boa troca.


Celtics recebe Luigi Datome e Jonas Jerebko; Pistons recebe Tyshaun Prince

Contratos expirantes por contratos expirantes, então é uma troca sem grandes consequências. Mas o Pistons trás um jogador que vinha bem em Boston para tentar reforçar a rotação em busca de uma vaga nos playoffs, e trás de volta um antigo herói e ídolo da franquia. Então... hmmm... é basicamente isso. Entre KG e Prince de volta a Wolves e Pistons, respectivamente, a nostalgia foi a maior vencedora dessa trade deadline.


Jazz recebe Kendrick Perkins, Grant Garrett, uma 1st round pick ainda não revelada (Thunder) e uma escolha de segunda rodada (Pistons); Pistons recebe Reggie Jackson (Thunder); Thunder recebe Enes Kanter, Steve Novak (Jazz), Kyle Singler e DJ Augustin (Pistons).

Para analisar essa troca, precisamos olhar os três times envolvidos.

Para o Jazz, manter Enes Kanter não valia mais a pena. Kanter é um jogador talentoso com conjunto de habilidades interessantes e bom potencial, mas que também vinha com várias limitações e que, sendo um free agent, provavelmente seria muito caro de manter no fim do ano. O turco tem bastante potencial, mas hoje, ele pouco oferece na defesa, e no ataque ele - apesar de potencial para ser bastante completo - é apenas um jogador de post up com bom rebote ofensivo que não faz mais nada. Ele é um desastre na defesa, e embora ofereça mais opções ofensivas ao lado de Derrick Favors, a emergência de Rudy Gobert - um defensor infinitamente melhor - tornou Kanter totalmente dispensável. A dupla Favors-Gobert tem sido 3.4 pontos por 100 posses melhor do que Enes-Favors, e considerando a extensão de Favors e o contrato máximo de Gordon Hayward, a última coisa que o Jazz quer nesse momento é acabar com sua flexibilidade salarial dando um contrato gordo a um jogador que, apesar do potencial, é só sua terceira melhor opção no garrafão e provavelmente um reserva. Então ao invés de perder o turco por nada ao final do ano, o Jazz se contentou em receber o que pudesse no mercado por ele, e faturou uma escolha de primeira rodada no processo (ainda não revelada) e Perkins (que terá um buyout para economizar uns cobres).

Para o Pistons, é simples: o time quer ir aos playoffs, e estava caminhando a passos largos para atingir esse objetivo quando perdeu Brandon Jennings, seu armador titular e o cara que deu vida nova ao seu ataque pós-Josh Smith. DJ Augustin vinha jogando bem na sua ausência, mas era claro que o time perdia bastante com essa mudança, então fazia todo o sentido para Detroit buscar um armador novo e melhor no mercado, para tentar salvar a temporada e garantir a vaga nos playoffs. O time gosta de jogar com espaçamento, e Jennings mudou o time sem Smith quando começou a atacar mais a cesta e causar caos no garrafão, e nisso o explosivo Jackson é muito melhor do que Augustin. Sua defesa também é melhor, e em geral, Jackson tem muito mais a oferecer do que Augustin, recolocando o Pistons em condições de brigar por aquela última vaga. Todo mundo lembra o que ele fez no começo do ano com Durant e Westbrook machucados, levando o Thunder nas costas com 19-5-8 de média.

Enfim, chegamos no Thunder, que em valor se saiu bem: Reggie Jackson foi importantíssimo para o time no começo do ano, mas vinha perdendo cada vez mais espaço e parecia ser mais um problema do que uma solução nos últimos tempos, especialmente desde a chegada de Dion Waiters. Além disso, era free agent ao final do ano, então o Thunder provavelmente perderia o jogador por nada. Já Perkins, eternamente mal falado e culpado pelos maus momentos do Thunder, não é um jogador que chama muita atenção e que sempre foi dispensável. Então OKC conseguiu usar os dois para reforçar seu banco, trazendo dois bons arremessadores que devem mofar na reserva (Novak e Singler) mas que ainda podem ter algo a oferecer, o jogador de garrafão que tanto queria em Kanter, e um bom PG reserva em Augustin.

Então em valor foi bom - trouxeram boas opções e rechearam o banco usando um cara que estava encostado faz tempo e um armador que não queriam mais e perderiam de graça. O que eu questiono é o quão melhor o Thunder realmente ficou com essas trocas. Nenhuma das novas adições na equipe sabe defender, para começar. Novak e Singler trazem arremessos de fora e espaçamento, então pelo menos adicionam alguma coisa, nem que seja profundidade. Mas as peças grandes são Augustin e Kanter, e embora no papel sejam boas adições - um PG reserva e um pivô capaz de pontuar perto da cesta - eles são realmente o que OKC precisa agora?

Comecemos por Kanter. O turco tem duas habilidades de nível NBA, os rebotes ofensivos e pontuar de costas para a cesta. A primeira habilidade é sempre útil, mas a segunda é incerto. Claro, jogadores assim são sempre úteis, mas não é como se ele fosse Al Jefferson no fundamento - 60th percentil dos jogadores da NBA apenas - e ele tira coisas demais da mesa. Ele é absolutamente incapaz de passar a bola, então o post up dele tem poucas chances de gerar uma movimentação favorável pro ataque e seria facilmente "anulado" em uma série de playffs, e ele descompensa sendo talvez o pior defensor de garrafão da NBA na atualidade (e é o pior protetor de aro da NBA - adversários chutam 57.6% contra ele na área restrita, pior marca da liga). Pontuação de costas pra cesta é uma habilidade sempre útil, mas o Thunder realmente se beneficiaria de ter mais um pontuador fominha que segura demais a bola, não roda o jogo e não faz os companheiros melhores, e que ainda dobra como um dos piores defensores do mundo? Realmente move tanto a agulha assim em relação mesmo a Perkins, que é um nulo no ataque mas é pelo menos um bom defensor, com o qual OKC é algo como 4 pontos por 100 posses melhor quando está em quadra? Bom lembrar também que Kanter é um free agent restrito ao final do ano, e tem potencial para receber um bom contrato. A não ser que o Thunder decida abrir o cofre para manter o jogador - sabe, dando aquele contrato que não quis dar para James Harden? - também não passa de um aluguel de dois meses.

O mesmo para DJ Augustin. Sim, ele é um bom reserva, mas não é um bom arremessador, é alguém que produz melhor quando tem a bola nas mãos, e que não defende bem. Considerando que o problema do Thunder é justamente a dificuldade de jogar em equipe, rodar a bola e achar jogadores que complemente os seus dominantes ball handlers, Augustin não me parece um bom encaixe. Talvez Jackson não estivesse rendendo por causa da personalidade, mania de querer fazer demais e excesso de toques na bola, mas como exatamente Augustin renderia melhor em uma função secundária? Talvez o pessoal ainda não desgoste dele como desgostava de Jackson, mas o que Augustin trás para quadra que é melhor que Reggie Jackson?

A velha piada: se Enes Kanter é a resposta, então eu não quero saber qual é a pergunta. Não é que o Thunder fez trocas ruins ou se tornou um time pior, nem nada do tipo. Eu só acho que as trocas foram nem de longe tão benéficas e mudam tanta coisa como as pessoas parecem pensar. Elas aumentam o potencial de OKC, e com o relógio correndo contra Oklahoma City, o time tem mais é que correr atrás dessas trocas mesmo na tentativa de conseguir alguma coisa nova. Se eu fosse o GM do time, provavelmente também teria feito ambas as trocas. Eu só acho que, no final do dia, o resultado não vai mudar em nada com os novos jogadores.


Veredito

O Phoenix Suns projetava como um grande perdedor dessa troca, mas muito mais por causa de Dragic ter forçado o time a uma situação sem solução do que por outra coisa. E a inevitável troca ruim aconteceu... só que Phoenix não parou por ai, e ao invés de pisar no estrume, se afundou até a cintura trocando seu melhor ativo por um PG overrated que vai ganhar uma fortuna no final do ano, e se livrando de outro bom PG por nada. Phoenix não fez nada para salvar o resto da sua temporada e tornar-se um time melhor no curto prazo, mas também trocou seu melhor ativo e um contrato muito favorável por um jogador mediano que ficará muito overpaid em três meses. Em outras palavras, também prejudicou em MUITO o valor do time no médio prazo. Um dia para esquecer de Phoenix, que praticamente se destruiu em duas horas.

Os grandes vencedores (pelo menos os times) foram, a meu ver, Heat e Bucks. Miami porque pegou, a baixo custo, um dos melhores PGs da NBA e a peça que faltava para o time voltar a ser competitivo e candidato as Finais em Dragic - ou, melhor dizendo, porque esse armador caiu no seu colo. E Bucks porque, em troca de um jogador overrated que eles não queriam pagar no final do ano (e provavelmente perderiam por nada), conseguiram não só um talentoso, jovem e muito mais barato armador para se juntar a seu jovem e talentoso núcleo, como também roubou junto duas boas peças de rotação em Ennis e Plumlee, e se tem um time na atualidade que sabe aproveitar o valor de um bom banco, é o Bucks. Excelentes negociações para ambos os times.

Para terminar, Celtics e Thunder também fizeram barulho, e conseguiram trocas interessantes a bons valores. Ambas aumentaram o teto da sua equipe, e maximizaram seus ativos. Ainda assim, eu não acho que de para declarar ambos vencedores ainda. OKC porque não estou convencido de que essa troca realmente faz do Thunder um time melhor ou muda a perspectiva da franquia, e Boston porque ainda tem um risco considerável dessa troca custar a Boston (por causa da pick desse ano e do desenvolvimento de Smart) muito mais do que ela adiciona no médio prazo. Ainda esperando para ser avaliado completamente.

E por fim, os grandes vencedores fomos todos nós, que temos um twitter e pudemos acompanhar em tempo real a mais maluca e divertida trade deadline de todos os tempos. E agora que finalmente colocamos toda essa loucura em contexto, é hora para mais café. Com licença. 

sábado, 18 de agosto de 2012

Especial NBA - Julius Erving




Pra quem não sabe que Especial é esse e pra que ele serve, leiam esse post antes.
Posts anteriores:
 - Bill Russell e Wilt Chamberlain
 - Jerry West e Oscar Robertson

Julius Erving (Philadelphia 76ers, 1985)


Pois bem, chegou a hora de quebrar algumas das regras que eu mesmo estabeleci três posts atrás. Primeiro, porque o post de hoje vai quebrar o padrão de escolher dois jogadores por post, e vamos ficar apenas com Julius Erving, o Doctor J. Em geral, eu estava tentando pegar jogadores que combinassem de alguma maneira, seja se complementando (Jordan e Scottie Pippen), seja pela rivalidade (Russell e Wilt), ou seja por algum fator em comum ligando os dois jogadores (Como West e Oscar, dois jogadores semelhantes que trilharam caminhos totalmente diferentes). Mas com Doctor J, ele vai ter que ficar sozinho porque nenhum outro jogador dessa lista da 2K12 se encaixa no propósito desse post além do próprio Doc. E também, vamos ter que distorcer um pouco esse J do jogo pra se encaixar nesse propósito, porque a 2K me criou mais um problema com sua seleção de jogadores. Veja a lista abaixo e veja se consegue identificar o problema:

Bill Russell (Boston Celtics, 1965)
Jerry West (Los Angeles Lakers, 1971)
Oscar Robertson (Milwaukee Bucks, 1971)
Wilt Chamberlein (Los Angeles Lakers, 1972)
Julius Erving (Philadelphia 76ers, 1985)
Larry Bird (Boston Celtics, 1986)
Kareem Abdul-Jabaar (Los Angeles Lakers, 1987)
Isiah Thomas (Detroit Pistons, 1989)
Magic Johnson (Los Angeles Lakers, 1991)
Michael Jordan (Chicago Bulls, 1993)
Patrick Ewing (New York Knicks, 1994)
Hakeem Olajuwon (Houston Rockets, 1994)
Scottie Pippen (Chicago Bulls, 1996)
Karl Malone (Utah Jazz, 1998)
John Stockton (Utah Jazz, 1998)

*esperando*

Conseguiram? Reparem de novo nos anos de cada time, em especial nos times de Wilt e Erving, e vocês vão perceber o problema. Nessa série de posts, a idéia acabou ficando de fazer os posts em uma ordem cronológica pra poder ir esclarecendo as mudanças pelas quais a NBA passou, no seu jogo e na sua composição, usando os times e jogadores como pano de fundo. Falamos da era Pre-Shot Clock, a entrada de Russell e Elgin Baylor na Liga, as diferenças entre as estrelas brancas e negras na NBA... Mas pra continuar contando da história da NBA, precisamos passar pela segunda metade da década de 70 e por um dos eventos mais importantes da história da Liga, a rivalidade entre NBA e ABA e o subsequênte Merger, a fusão entre as duas Ligas. Mas não temos nenhum time da época, nenhum time dos anos 70 pra fazer essa ponte. Por isso, vamos dar uma mexida no que o 2K12 nos oferece e usar um dos principais jogadores da ABA pra voltar um pouco no tempo que o jogo nos oferece, e ver como Julius Erving e a ABA se encaixam nessa história, e fazem a ponte entre a primeira grande era da NBA (Anos 60/começo dos 70) e a segunda (Anos 80, com as chegadas de Larry Bird e Magic Johnson).

Vamos voltar um pouco para a segunda metade dos anos 60. A NBA, aos poucos, foi deixando pra trás seus dias tediosos. A Liga estava, após as chegadas e Russell e Elgin Baylor, caminhando em uma direção mais divertida e explosiva. As rivalidades estavam cada vez mais sérias, os campeonatos competitivos, e cada vez mais estrelas estavam entrando na Liga, o que continuava atraindo o público. A NBA deixava de ser alternativa e começava, aos poucos, a expandir sua popularidade, especialmente após assinar um acordo de transmissão para a TV. E, talvez mais importante, a NBA começava a se mostrar um negócio lucrativo. Portanto, não é de surpreender que mais gente estivesse interessada em entrar nesse mercado, como a NBA deixou claro ao criar OITO novas franquias entre 1966 e 1971 (Bulls em 67; San Diego Rockets e Sonics em 68; Bucks e Suns em 69; Buffalo Braves, Cavs e Blazers em 71).

No entanto, nem todo mundo disposto a entrar no mercado emergente do basquete conseguiu - ou quis - lugar na NBA. Em 1967, foi fundada uma Liga alternativa à NBA, chamada de American Basketball Associaton, a ABA, com 11 novas franquias. O objetivo da ABA não era competir com a NBA pelo mesmo mercado a longo prazo, já que eles reconheciam a dificuldade de competir com a Liga já a mais tempo estabelecida e muito mais avançada, com contrato de televisão e tudo mais. O objetivo da ABA, na verdade, era forçar uma fusão com a NBA. Para potenciais donos de time, criar uma franquia na ABA era muito mais fácil e mais barato do que ir atrás de uma na NBA, e portanto eles esperavam forçar uma fusão das duas Ligas pra que suas franquias (ou pelo menos uma parte dessa) pudessem migrar para a Liga que mais rendia dinheiro, retornando com lucros seu investimento.

Naturalmente, se a ABA queria forçar uma fusão, eles precisavam de visibilidade e importância suficiente para forçar a NBA a aceitar essa fusão. O plano da ABA para forçar isso era conseguir um contrato de televisão semelhante ao da NBA, pois isso colocaria as duas Ligas quase em condição de igualdade e competindo pelo mesmo mercado em grande escala. E para conseguir isso em pouco tempo, a ABA sabia o que ela precisava fazer: Atrair o máximo possível de estrelas, especialmente estrelas com um jogo mais chamativo e excitante, para tirá-las da NBA (deixando a rival numa situação mais fraca) e tornar seus times e jogos mais interessantes para o público. Nem que isso significasse pagar preços altos (acima do padrão de mercado) pra esses jogadores, inflacionar o mercado e prejudicar as contas da Liga, já que a esperança da ABA era recuperar o retorno no investimento uma vez que as duas ligas se juntassem.

E embora a ABA tenha perdido em 1970 um grande prêmio em Lew Alcindor - um superstar do College que teria chamado muita atenção pra Liga, garantido um contrato de televisão e forçado uma fusão muito tempo antes do que aconteceu (e o que é pior, que queria ir pra ABA e o comissário George Mikan estragou tudo) - ela teve muito sucesso com sua abordagem. Sabendo que tinha uma certa escassez de recursos, e sabendo que pagando o valor inflacionado que estava tentando pagar pra atrair jogadores não poderiam contratar todos os jogadores que queriam, a ABA focou principalmente em jogadores negros, mais atléticos e mais explosivos, e portanto com um jogo mais divertido para o grande público (nessa linha de raciocínio, a ABA tambeém foi a primeira a adotar uma linha de três pontos). A ABA acabou trazendo algumas das principais estrelas negras que saiam do College no final dos anos 60 e começo dos anos 70, e com isso ela se tornou uma alternativa atraente para os demais jogadores negros que queriam jogar futebol, que mesmo sem receber os salários absurdos pagos às estrelas viam a ABA como um lugar mais acolhedor do que a ainda predominante branca NBA. Entre os principais prospects dos anos 70-74 que foram para a ABA, se destacam Julius Erving, Artis Gilmore, George Gervin, Moses Malone, Marvin Barnes, Maurice Lucas e David Thompson. Os que foram para a NBA incluem Paul Westphal, Doug Collins, Bill Walton, Scott Wedman e Dave Cowens. Adivinhe o que todos de cada Liga tinham em comum?

O problema das duas Ligas é que, com o passar do tempo, acabou se criando uma grande polarização entre as duas, motivado pelos fatores expostos no parágrafo anterior. Não só a NBA acabou virando uma Liga principalmente de brancos e a ABA uma Liga principalmente de negros, o jogo das duas Ligas também sofreu: A NBA ficou sendo uma Liga recheada de jogadores brancos e lentos, era um jogo mais cansativo, mais abaixo do aro e com poucas jogadas explosivas e atrativas para o público. Do outro lado, a ABA, que focou principalmente em ter um jogo mais divertido e empolgante, acabou tornando isso uma prioridade, e acabou virando uma Liga cheia de enterradas e jogadas empolgantes, mas onde ninguém defendia e onde todo mundo se importava mais com a jogada fantástica do que com o que era melhor pro time. Depois de um começo promissor, a ABA perdeu um pouco de apelo lá por 1974, quando a falta de competitividade, o excesso de franquias (que tornavam os times menos competitivos) e a falta de defesa começaram a incomodar mais o público do que as jogadas empolgantes atraíam, especialmente associado aos altos salários (o que gerou a imagem, merecida ou não, de que os jogadores eram overpaids e não liga pro jogo). Embora a ABA ainda tivesse tirando jogadores importantes da NBA e com isso incomodando os seus rivais, a ABA em si começava a dar sinais de desgaste, talvez não podendo continuar se mantendo.

E aí que entra Julius Erving. Draftado em 1971, Erving logo se estabeleceu como um jogador extremamente explosivo, que enterrava como ninguém nunca tinha feito antes, um excelente pontuador e que divertia todo mundo (e que tinha um afro fantástico). E até engraçado descrever, hoje, o alcance da popularidade do Doctor J, porque é basicamente o resumo da maior parte das estrelas da atualidade, mas tente imaginar isso em 1975: J foi a primeira estrela da NBA a transcender a cor, alguém que o público não via como branco ou negro, simplesmente extremamente divertido e jogando com uma alegria e energia contagiante. Se Baylor foi o responsável por trazer o Hang Time pra NBA (sua capacidade de saltar e criar arremessos no ar), Erving foi o responsável por popularizar a enterrada - suas enterradas e jogadas incríveis eram reprisadas na TV, rendeu capas da Sports Illustrated, e virou a imagem de um basquete divertido e explosivo. Erving deixou de ser apenas uma estrela no mundo do basquete e passou a ser uma estrela fora dele: Marcas queriam o Doc pra ser garoto propaganda, ele ganhou espaço nas mídias que não costumavam falar de basquete, ganhou patrocínios... Em outras palavras, ele foi a primeira estrela do basquete a ser marketable. Hoje em dia vemos jogadores como Kobe e Lebron fazendo tudo isso com naturalidade, mas tudo isso começou com Julius Erving numa época onde eles só importavam dentro de quadra e mais nada.

E quando a ABA se viu com problemas de popularidade e financeiros poucos anos antes da fusão, com a NBA segurando as pontas enquanto podia com uma Liga que estava caindo em popularidade esperando a ABA desaparecer pra evitar a fusão, foi o carisma e a popularidade de Doctor J (com ajuda de David Thompson, embora J fosse de longe o maior astro) que manteve a Liga por três anos a mais até a NBA concluir que era prejudicial demais continuar com as duas Ligas e sugerir a fusão, que acabou com quatro franquias da ABA migrando pra NBA. Sem Doc, a ABA não aguenta o periodo entre 74 e 76, a Liga provavelmente acaba e a fusão nunca acontece. O que teria acontecido nesse cenário, se as coisas teriam sido melhores ou piores, não da pra saber, mas com certeza as coisas não teriam acontecido da mesma forma. Quando, antes da temporada 1977, ocorreu o famoso Merger, Doc J foi o principal personagem dessa mudança.

Por isso eu não consigo me ater a uma única temporada pro Doctor J: O impacto dele foi grande demais muito antes dele ir pra NBA, grande demais dentro e fora de quadra, pra limitar apenas à temporada 1985. Doc forçou o momento que definiu a NBA como a conhecemos,  e pavimentou o caminho para todas as estrelas como conhecemos hoje, como personalidades fora de quadra, com patrocinadores, garotos propagandas de diferentes marcas. Dentro de quadra, depois de ir pra NBA, Doc nunca mais atingiu o mesmo sucesso da época da ABA (embora tenha tido uma boa dose de sucesso mesmo assim), machucou o joelho e, apesar de boas temporadas e de ter levado Philly a três finais entre 1977 e 1982, só foi conquistar seu primeiro título quando Moses Malone foi trocado pra lá e se tornou o Alpha Dog do time, deixando Doc ser apenas o principal pontuador sem a responsabilidade de carregar o time toda noite. O período do Doc na NBA nem de longe refletiu sua importância pro jogo de basquete, pra NBA como conhecemos hoje e pra forma como os craques eram vistos pela sociedade em geral: Doc foi um dos jogadores mais importantes da história da NBA, com seu carisma, suas enterradas e momentos históricos (como sua lendária enterrada no campeonato de enterradas de 1976), e a forma como se tornou um ícone tanto dentro como fora de quadra, capaz de transcender cor e mostrar pra todo mundo que, afinal, estrelas negras com suas enterradas fantásticas eram realmente divertidas, independente da cor dos jogadores. Mas não da pra captar isso com nenhuma temporada de Doc na NBA OU da ABA.

Se eu tivesse que escolher uma temporada pro Erving, escolheria a do Sixers de 83, quando Doc ganhou seu primeiro título. Apesar dele já ter passado do seu auge aos 32 anos, Doc teve médias de 23 pontos, 7 rebotes e 4 assistências por jogo (52% FG com quase 2 tocos e 2 roubos por jogo), um pouco pior do que suas melhores marcas na NBA (27-7.5-4.5, 52% FG em 80') e na carreira (27-10-5 pelo Nets na ABA em 79'). Sim, Doc tinha sido melhor mais cedo na sua carreira, ou pelo menos individualmente. Mas o Sixers, após uma boa temporada na chegada de Doc em 1977 (quando perderam nas Finais pra Bill Walton e o Blazers), entrou em decadência, e nem mesmo Erving conseguiu levar o time nas costas em uma Liga com um estilo de jogo muito diferente e defesas mais inteligentes, que fechavam seu caminho até a cesta, faziam falta em qualquer possível enterrada e o obrigavam a arremessar de fora do garrafão. O Sixers e Doc foram salvos pelas chegadas do calouro Andrew Toney em 1980, quando o Sixers conseguiu o talento e a energia jovem que precisava, deu a volta por cima e chegou em mais duas finais em 1980 (quando perderam pro Lakers no lendário 45-13-7 de Magic Johnson, jogando de pivô no lugar do machucado Kareem) e em 1982 (nova derrota pro Lakers nas Finais). O Sixers era um bom time com Toney e Doc (sem falar em Mo Cheeks e Bobby Jones, bons coadjuvantes), mas faltava algo a mais pra eles conseguirem derrubar o Lakers e conquistar seu título.

Antes da temporada 1982 começar, o novo dono do Sixers sabia disso perfeitamente e foi atrás do jogador que seu time precisava. O Sixers assinou o Free Agent restrito Moses Malone de um Rockets em reconstrução em troca de escolhas de Draft, colocando no time exatamente o jogador que eles não tinham: Um pivô capaz de pegar rebotes e dominar o garrafão, e um Alpha Dog em torno do qual o time se encaixasse. Eles tinham Moses no seu auge, Doc e Bobby Jones (All-Star) um pouco passados do auge, Mo Cheeks e Toney Andrew no auge... Enfim, eles eram um excelente time. Apesar das fraquezas, esse time varreu a temporada regular com 65 vitórias (e mais um MVP para Moses), com Malone predizendo antes dos playoffs que o Sixers ia ganhar as três séries em quatro jogos cada, sua famosa declaração "Fo Fo Fo" (Malone, o superstar menos articulado da história da NBA, não conseguiu falar "four" uma vez sequer). Quase funcionou: O Sixers varreu o Knicks na primeira rodada, ganhou do Bucks em cinco e varreu o Lakers na final, com uma pós-temporada Keyser Soze cujo 12-1 foi um recorde até o Lakers de 2001 fazer 15-1. A final foi particularmente dominante, com Malone e seu jogo físico destruindo totalmente Kareem, um pivô finesse que não gostava de contato e já estava com 36 anos.

Embora essa temporada seja realmente impressionante (e os números corroboram isso), esse time também teve um pouco de sorte nessa temporada pra terminar com essa dominância: O Lakers perdeu James Worthy com uma perna quebrada antes do final da temporada regular (e jogou as Finais sem Norm Nixon e Bob McAdoo); o Celtics (campeão em 81) e o Nets implodiram por conta de problemas com os técnicos (o Celtics se rebelou contra seu técnico e só se reagrupou com KC Jones em 84, e o técnico do Nets - Larry Brown - foi pra Kansas quatro jogos antes do final da temporada), tirando do Sixers seus principais rivais no Leste; e o Philly não cruzou com nenhum time que tivesse um garrafão dominante, a fraqueza de Philly (tirando Moses, eles não tinham nenhum outro reboteiro ou big man capaz de segurar as pontas). Essa "sorte" fica mais evidente quando lembramos que o mesmo time em 84 o  Sixers só ganhou 52 jogos e perdeu para o Nets na primeira rodada dos playoffs. Mas mesmo assim, não da pra negar que o Sixers de Doc, Toney e futuramente Moses foram um time icônico na NBA: Foram 4 Finais para Erving, um título, um MVP para Malone, e passaram três bons anos segurando um sensacional time de Boston que teve que trocar por Dennis Johnson para conseguir ganhar do Sixers, já que ninguém era capaz de marcar Toney.

Mas se Moses foi o grande Alpha Dog e melhor jogador do título (e temporada mais icônica e dominante) desses Sixers, porque Erving que recebe as honras do 2K? Porque ambos jogaram juntos nesse time (então não tinha porquê incluir os dois); porque Doc foi um jogador muito mais importante que Moses; porque Doc é um dos poucos jogadores que sobreviveu ao passar das geraçōes e que são conhecidos ainda hoje (ao contrário de Moses, um dos maiores jogadores de todos os tempos mas que acabou escorregando pela história. Ninguém na NBA foi um melhor reboteiro do que Moses. Nem Russell, nem Wilt, nem Rodman); e porque o jogo de Doc é muito mais interessante e atrativo para fãs do que o de Moses ou praticamente qualquer outro na história da NBA. Adequadamente, o mesmo motivo pra ele estar no 2K12 foi o mesmo que marcou toda sua carreira, que fez dele um dos jogadores mais importantes de todos os tempos e um ícone da NBA, e que levou a um dos momentos mais importantes da NBA. Moses foi o melhor jogador, mas Doc foi de longe o que mais teve importância histórica. E pros propósitos desse Especial, isso é mais do que suficiente.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

E Dwight consegue o que queria

"Estou levando meus talentos para a Califórnia"


É, eu sei, hoje deveria ter sido o dia do segundo post do nosso Especial NBA, com Jerry West e Oscar Robertson. O post já ta quase terminado também, dava pra terminar ainda hoje... Mas como apareceu essa noticia importante hoje, prefiro fazer esse post logo pra acabar logo com isso, e segunda feira (sem falta!) postar West-Oscar. Então vamos falar da troca envolvendo quatro times que terminou com Dwight Howard indo pro Lakers.

Acho que, antes de mais nada, eu fiquei ao mesmo tempo feliz e puto com essa noticia. Feliz porque, pelo menos, não vou mais ter que gastar minha paciência ouvindo boatos idiotas de "Para onde vai Dwight Howard?"... Ou pelo menos por seis meses até chegar a hora dele renovar o contrato ou não. Então sempre tem esse lado positivo.

O negativo, que me fez ficar puto? Eu odeio o Lakers. É pré-requisito pra torcer pro Celtics, acho. Mas o Lakers sempre da um jeito de sair por cima de qualquer situação. Pegar Shaq na Free Agency. Adquirir Pau Gasol por quase nada. E agora, um assalto a mão armada pra cima do Magic que da ao Lakers de presente o melhor pivô da NBA. Depois de convencer o Suns a trocar o seu maior ícone (Steve Nash) pro seu maior rival e time que os torcedores do Suns mais odeiam. E tudo isso sem perder nenhum ativo do seu elenco além de Andrew Bynum. Tudo da certo pra essa franquia. Good God, eu odeio o Lakers. Então vamos olhar mais de perto o efeito dessa troca, começando com...


Los Angeles Lakers
Perdeu: Andrew Bynum, escolha protegida de primeira rodada (2017)
Recebeu: Dwight Howard, Chris Duhon

Senhoras e senhores, o grande vencedor da troca. E por mais que eu odeie o Lakers, preciso admitir: O Lakers jogou essa mão com muita inteligência. Desde o começo soube que o Magic estaria desesperado para arrumar uma troca (especialmente quando o Nets trocou por Joe Johnson), não cedeu à pressão do Magic (que queria Bynum E Gasol), e deixou a coisa rolar. Até porque o Lakers sabia que não valia a pena perder Gasol E Bynum por Howard. Não aceitou o contrato de Turkoglu junto da troca, e deixou claro que não estava desesperado pela troca, e que quem tinha tudo a perder era o Magic (alias, trazer Nash, campeão do prêmio "Jogador que Metade da Liga Mataria para Jogar Junto" da decada passada, sem dúvida ajudou). E acreditou que isso, somado ao glamour de Los Angeles, fosse atrativo para Dwight a ponto de ele insistir em ir para lá e deixar o pobre Magic sem muita escolha (a possibilidade do Dwight nao assinar uma extensão afastava diversos potenciais parceiros).

O que o Lakers mudou nessa troca? Bom, trocar o segundo melhor pivô da Liga pelo primeiro significa que o time melhorou naquela posição, no papel, certo? Especialmente se o Lakers não teve que envolver nenhum outro ativo pra realizar a troca (e nao envolveu). Mas na prática, o Lakers sacrificou um pouco de ataque (Bynum é um pivô com mais recursos no ataque) pra ganhar uma defesa superior e melhores rebotes, um jogador mais atlético e fisicamente mais overpower em relação ao resto da Liga. E sinceramente, isso é exatamente do que o Lakers precisava. O Lakers já tem Nash pra segurar a bola e tomar decisōes, tem Kobe Bryant (que não vai desistir de arremessar 23 vezes) pra arremessar varias vezes, e ainda tem Gasol, que é muito mais eficiente ofensivamente que Dwight. E essa é a grande vantagem do Dwight pra esse time: Ele não precisa da bola na mão, ele não precisa ficar sendo acionado pra ficar feliz. No Magic, ele tinha que ser o carregador de piano no ataque, mas no Lakers ele vai ser apenas mais uma opção em um time cheio delas no ataque. Vai pegar uns rebotes de ataque, completar uns passes faceis do Nash, umas pontes aéreas, e eventualmente vai ter a bola pra criar seu arremesso quando tiver um miss match... E é disso que o Lakers precisa dele no ataque. Enquanto isso, ele torna o Lakers mais forte nos rebotes e na defesa. Vale lembrar que Nash nunca foi um bom defensor e Kobe já passou faz algum tempo do seu auge defensivo, mas com Dwight protegendo os dois, isso vai importar ainda menos. Ele da ao Lakers a proteção necessária, não atrapalha a fluência ofensiva do time porque não precisa ficar tocando na bola pra ficar feliz, e torna eles um time muito mais perigoso.

Alias, curiosamente, essa aquisição vai de encontro à tendência que vimos nos ultimos playoffs. Com Thunder e Heat jogando longos periodos de tempo (e melhor!) sem pivôs nos playoffs, e com times como Celtics já usando há mais tempo um ala de força na posição 5, parecia que a falta de pivôs de elite na NBA estava empurrando a Liga pra um jogo mais baixo, mais atlético e mais versátil, com jogadores como Lebron, Carmelo Anthony ou Kevin Durant como "novos" alas de força. Ao invés disso, o Lakers reforça o garrafão e pode criar um sério problema pros novos times "baixos" que tavam dominando a NBA. Vai ser interessante ver como esses dois estilos de jogo vão bater um com o outro... E se o Lakers conseguir forçar Thunder, Heat e cia a jogarem fora desse estilo pra não tomarem uma surra nos rebotes, então o Lakers da um grande passo pra temporada que vem. Mais por vir em 2013...

Outros ganhadores dessa troca do lado do Lakers: Nash, que pela primeira vez na vida vai jogar com um bom shot blocker atrás dele (suas fraquezas defensivas sempre foram constantemente expostas por nunca ter jogado com um); Kendrick Perkins, que agora vai manter seu contrato por mais tempo já que ele tem uma função na NBA (Parar Dwight, que agora ta no Oeste); e o próprio Dwight, que vai jogar na California, em um time que briga pelo título, e que se fizer o Lakers ganhar esse título vai fazer todo mundo esquecer de como ele foi infantil, babaca e ridiculo nessa sua novela pra sair do Magic e vai acabar com sua ficha limpa (eu reclamei que a The Decision foi imaturo e cruel com o Cavs, mas os ultimos 12 meses do Dwight Howard fazem o The Decision parecer sensato).


Philadelphia 76ers
Perdeu: Andre Iguodala, Moe Harkless, Nikola Vucevic, escolha protegida de primeira rodada
Recebeu: Andrew Bynum, Jason Richardson

Acreditem, eu gosto muito do Andre Iguodala. Não, sério, eu realmente adoro o Iguodala, acho um excelente defensor, criativo, bem atlético e bom passador. Mas o fato é que o Sixers se tornou um time melhor com essa troca, mesmo perdendo Iggy.

As criticas ao Sixers ano passado gravitavam em torno dessas três coisas: Que o time tinha alas atléticos e incapazes de arremessar demais no elenco; que o time não tinha um jogador pra levar o ataque do time nas costas por mais tempo; e que você não ia ganhar nos playoffs se seu melhor jogador era Andre Iguodala. Bem, de certa forma, essa troca ajudou nas três coisas: O time se livrou de dois dos alas atléticos incapazes de arremessar (Iggy e Moe Harkless), trouxe um ótimo pontuador no garrafão e que pode se beneficiar muito dos arremessadores de três do time espaçando a quadra... E deu um upgrade no seu melhor jogador de Iggy para Bynum. E por mais que eu goste do Iggy, o Bynum é melhor, é mais dominante, mais confortável carregando seu ataque... E isso já funciona como um upgrade pro Sixers.

Na prática, essa troca tira do elenco um jogador que tem substitutos e adiciona um jogador que o time desesperadamente precisava (um jogador dominante de garrafão) e que talvez não tenha rivais em todo o Leste (tirando Tyson Chandler). A troca deixa o Sixers menos poderoso defensivamente no perímetro, mas melhora muito na defesa de garrafão e nos rebotes. Sério, da pra imaginar o upgrade de subir de Spencer Hawes pra Bynum? Hawes pode ate jogar de ala de força junto com Bynum, mas o ex-pivô de LA é muito mais jogador. O time ainda tem Dorrell Wright, Evan Turner, Nick Young, Jrue Holiday e Thaddeus Young (que eu gosto mais como um 4, mas whatever) pro perímetro, e uma boa coleção de jogadores de garrafão. Faltava um jogador dominante pra abrir pro resto do time ofensivamente, e agora ele chegou. E o Sixers assumiu um risco, mas se der certo, o time sai mais forte.

Um pensamento rápido: Embora não tenha sido incluido nessa troca pro Magic se livrar do seu contrato, eu acho que o Jason Richardson pode ser muito util pro Sixers. Ele deu azar porque saiu do melhor cenário possível (jogar com Nash em Phoenix, onde ele fazia quase 20 ppg) pra um time onde ele não tinha um bom armador, um time previsível da linha dos 3 pontos e sem um pivô pra atrair dobras (a NBA ja sabia que a melhor maneira de parar o Magic era deixar o Dwight jogar no mano a mano a vontade). Mas ele não é tão ruim como pareceu, ainda é rapido pra acompanhar contra ataques e mortal dos três pontos, vai casar muito bem com Bynum e dar a Philly um legítimo perigo da linha dos três.


Denver Nuggets

Perdeu: Aaron Afflalo, Al Harrington, escolha protegida de primeira rodada em 2014
Recebeu: Andre Iguodala

O Nuggets aparentemente tem essa mania de reassinar seus Free Agents por uma nota pra depois trocá-los o mais rápido possível. Foi assim com Nenê, e foi assim agora com Aaron Afflalo. E o Nuggets consegue algo que precisava desesperadamente: Um ala. Não é como se o time tivesse no elenco jogadores como Danilo Gallinari ou Wilson Chandler, certo?

(Oh wait!)

Brincadeira, brincadeira. Mas apesar de ser verdade que o Nuggets ta agora com uma coleção de alas, eu ainda gosto da troca por dois motivos. Primeiro, são alas com características diferentes e complementares, de forma que podem muitas vezes jogar juntos para formaçōes diferentes. E segundo e mais importante, eu gosto muito do Afflalo, mas o Iggy torna o time mais atlético, mais versátil e melhor defensivamente. O time já tem bons chutadores de longe e bons pontuadores, de forma que o Iggy não vai ter que ser o responsável por carregar o ataque como fazia em Philly (E não funcionava), mas vai trazer pro Nuggets um defensor de perímetro de elite (por mais que eu gostasse do Afflalo como defensor, Iggy é melhor, mais versátil defensivamente e mais destrutivo conseguindo tocos, roubos e puxando contra ataques) e um jogador mais versátil que o Afflalo. Ainda que o Al Harrington tenha tido um bom 2012, ele é dispensável e seu contrato é imenso, então o Nuggets se limpa um pouco nessa.

A escolha de primeira rodada também não fará muita falta pro Nuggets. Eles tem duas em 2014 (Knicks), e já tem um excesso de jogadores jovens que precisam de minutos pra desenvolverem. Acho que eles preferem trocar essa escolha por um upgrade Afflalo-Iggy numa boa. O Nuggets teve um bom ataque e um ótimo banco em 2012, deu muito trabalho pro Lakers nos playoffs com seu garrafão jovem e energético, mas teve problemas defensivamente e as vezes sentiu falta de outro jogador além do Ty Lawson pra segurar a bola e conduzir o ataque. E o Iggy ajuda em muito nessas duas coisas, torna o time mais atlético no perímetro e da mais flexibilidade (Iggy pode jogar nas posiçōes 2 e 3, pode jogar de Point Foward se necessário) e lá ele finalmente pode abraçar seu papel de coadjuvante, aquele cara que faz todo o trabalho sujo e facilita o jogo pra todo mundo. Dado isso, eu acho que o Iggy faz mais sentido que o Afflalo pra esse time, mesmo com os problemas nos arremessos. Boa troca por um GM que já tem colecionado bons momentos nos últimos anos. Olho nesse time...


Orlando Magic
Perdeu: Dwight Howard, Jason Richardson, Chris Duhon, seu futuro
Recebeu: Aaron Afflalo, Al Harrington, Moe Harkless, Nikola Vucevic, três escolhas protegidas de primeira rodada (de três times de playoff)

Como eu acabei de passar uns 10 parágrafos falando, eu achei que Lakers, Sixers e Nuggets se saíram bem com a troca. Não só porque eu achei que todos os jogadores adquiridos se encaixam perfeitamente nas necessidades dos seus novos times e completam os elencos já estabelecidos de excelente forma, como também achei que todos os times se deram bem em termos de valor. O Lakers, apenas em termos de talento e valor, saiu ganhando ao trocar Bynum por Dwight, indiscutivelmente. Sixers e Nuggets não tiveram tanto esse salto em valor, mas pra mim sairam com uma certa vantagem nesses quesito também. Mas se três times saíram com um certo "lucro" em termos de valor nessa troca, um time teria que sofrer uma grande perda, certo? Entra o Orlando Magic.

O Magic já tava com medo de perder o Dwight por nada como aconteceu com Cavs e Raptors, e queria seguir os passos do Nuggets e do Jazz de trocar sua superestrela e conseguir um monte de coisa em troca (tanto Nuggets como Jazz reinventaram seus times e foram aos playoffs). Mas o problema era que ninguém tinha tanta coisa pra oferecer pelo Dwight e a Liga não tinha nenhum time tão desesperado mais pra fazer esse tipo de coisa, a proposta mais comentada era um pacote de bolachas do Nets montado em volta de Brook Lopez (que de alguma forma ganhou um contrato máximo na offseason). Então o Magic segurou... Segurou... E não apareceu nenhuma proposta irrecusável. E ai eles acabaram aceitando uma proposta do Lakers que... Bem... Fede.

O Magic, como não tem nada construido em volta de Dwight (e portanto não poderia fazer como o Nuggets, pegar bons role players pra completar o time), deveria ter focado em quatro coisas, quanto mais melhor: Pirralhos com potencial pra acelerarem a reconstrução; muito teto salarial; um possível Franchise Player pra ser o centro do time no futuro; escolhas boas de Draft. Foi o que fez o Grizzlies, por exemplo, quando trocou Gasol (liberou teto salarial, ganhou escolhas de Draft e o pirralho Marc Gasol) e o Jazz quando trocou Deron Williams (ganhou otimas escolhas de Draft, liberou espaço salarial e trouxe o pirralho com muito potencial Derrick Favors). E o que o Magic conseguiu disso? Alguns pirralhos sem muito potencial (gosto do Nikola Vucevic, acho um jogador decente, mas não vai acelerar muita coisa)... Nenhum centro de reconstrução como Bynum... Escolhas de Draft protegidas de times que devem ir aos playoffs de qualquer forma... Sinceramente, a única coisa que o time fez foi liberar espaço salarial (mandando embora J-Rich, Chris Duhon e pelo visto Earl Clark), mas trouxe também Afflalo (um excelente role player em um time montado - algo que o Magic nao é e não está perto de ser) que também tem um salario bem alto. Ou seja, perdeu seu Superstar em troca de um role player caro, escolhas inuteis de Draft e jogadores que não adicionam em muito ao elenco. Se o Nuggets e o Jazz aceitaram 80 centavos pelo dólar, o Magic aceitou 20 centavos pelo dolar. E isso porque eu gosto do Afflalo.

Sinceramente, se o medo era tanto de perder Dwight por nada, porque não aceitar a oferta suicida do Rockets, limpar espaço salarial com o contrato expirante do Kevin Martin, pegar uma futura escolha de Draft (alta se Dwight decidir sair) e ainda receber de lambuja os calouros ultra-interessantes do Rockets? Mil vezes melhor do que o pacote de restos que recebeu ao mandar Dwight pro Lakers! Voce continua sem ganhar um Franchise Player, mas ainda limpa espaço salarial (até mais se conseguir se livrar de mais contratos), enche o time de calouros promissores e que podem dar em coisa muito boa, e ainda pode tirar a sorte com uma escolha de Draft! Ou até mesmo ficar com o Bynum nessa troca, que pelo menos é um potencial Franchise Player? Vai saber. Vai ver era o medo do Bynum não assinar uma extensão. Vai ver o Rockets deu pra trás com medo do Dwight sair do time (embora supostamente eles estivessem dispostos a correr o risco) e foi o que restou pro Magic. Vai saber. Embora eu ainda ache que a solução mais fácil seja a correta: A direção do Magic é simplesmente incompetente e, no medo de  perder Dwight por nada, aceitou a primeira proposta que apareceu pra se livrar logo do seu pivô. Btw, não descarte essa última tão fácil.

Bottom line, o acordo foi excelente pro Lakers, bom pro Nuggets, arriscado pro Sixers (porque Bynum ainda pode sair ao final do ano, e sua imaturidade vai ficar mais exposta como centro do time em Philly) mas que pode trazer uma grande recompensa pra um time que precisava de um chacoalhão... E péssimo pro Magic. O time não conseguiu nada em troca e ainda ficou com mais um contrato grande pra quando  o time for remontar, não tem base nenhuma e, sinceramente, se a esperança é "mas pelo menos o time vai ser ruim e pode conseguir uma boa escolha de Draft"... Nao valia mais a pena tentar um negocio mais arriscado (como pegar Bynum ou manter Dwight ate o final do ano, já que a alternativa dele era ir pro Mavs por menos dinheiro, menos tempo e pra um time mais ou menos fraco) que se desse errado o time AINDA entrava em reconstrucao do zero, mas pelo menos teria tentado uma cartada mais alta? Porque não trocar Dwight por um monte de escolhas de Draft e Al Horford com o Hawks? Porque não pegar um monte de pirralhos, feder um ano e continuar com uma boa escolha de Draft? Sinceramente, o Magic praticamente pegou a pior alternativa. E vai pagar o preço a não ser que o Moe Harkless vire o novo... Hm... Esquece, o Magic ainda vai pagar o preço. Sabia que eles não renovaram com Ryan Anderson e o trocaram pro Hornets, mas reassinaram Jameer Nelson por um contrato enorme? E lá vamos nós de novo pra reconstrução... 

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Preview - Miami Heat vs Philadelphia 76ers


Pra que impedir o James Jones de infiltrar? Ele não pontua no garrafão mesmo.

Sim, estamos soltando isso mais rápido do que a gente imaginava. Esperamos até sábado soltar todos os oito previews. O primeiro já está aí embaixo (Bulls vs Pacers), e agora a gente volta com outro, bem mais interessante: Miami Heat vs Philadelphia 76ers.

Eu sei que muita gente preferia ver o Heat enfrentar o Knicks na primeira rodada para ver uma treta generalizada de All-Stars, e realmente seria bem divertido, mas esse jogo não é desinteressante. Pelo contrário, tem tudo pra ser uma das melhores séries do Leste e talvez até das duas conferências.

O Heat e o Sixers, embora tenham muitas diferenças principalmente na configuração do elenco, são times bem parecidos. Embora o Heat seja o time com mais atenção da mídia na NBA e o Sixers seja um time meio deixado de lado, ambos são times que começaram a temporada com seus tropeços e depois engranaram. O Heat começou perdendo alguns jogos pro Boston mas mostrando força contra times mais fracos, até pegar uma sequência mais complicada e perdendo muitos jogos. Aí o time começou a se acertar, o Dwyane Wade começou a jogar mais sem a bola, o Erik Spolestra começou a encontrar as melhores formas de utilizar suas estrelas, e o time começou a render, rendeu tanto que ficou invicto por 12 jogos antes de perder pro Mavericks e depois ficou mais uma cacetada sem perder. Depois alguns deslizes, algumas boas seqüências e tudo pareceu superado.

O Sixers também teve uma temporada de autos e baixos, e começou muito por baixo: O calouro Evan Turner, segundo do Draft, não jogou bem, o time parecia perdido, o técnico Doug Collins não sabia mais o que fazer e o time começou com uma das piores campanhas da Liga. Até que o time foi se acertando, o Andre Iguodala passou a ser menos acionado no ataque, o Lou Williams ficou com o papel de sexto homem, o Evan Turner apodreceu no banco, o Thaddeus Young entrou muito bem, o Elton Brand aparentemente reviveu, o Jodie Meeks de repente virou o Ray Allen e o Jrue Holiday evoluiu bastante e tem sido um dos melhores do time. Com isso, o Sixers passou a ganhar vários jogos, apertou contra equipes fortes e chegou a flertar com o quinto lugar do Leste, até que o Knicks começou a ganhar tudo e o Sixers caiu pro sétimo lugar. Tudo bem, dadas as devidas proporções, mas até que são trajetórias parecidas.

No jeito de jogar, também são parecidos. São times que tem uma defesa muito forte, forçam muitos turnovers e que jogam muito bem no contra ataque. Mas também são times que as vezes sofrem pra jogar um basquete de meia quadra, tão utilizado nos playoffs. Claro que tem muitas diferenças, o Sixers chuta mais de três pontos com o Meeks e sua dupla de armadores e o Miami vive das jogadas individuais do Wade e do Lebron James, mas a base de jogo é a mesma. E como quem tem a clara vantagem no talento individual é o Miami Heat, quem vai ter que suar sangue pra conseguir alguma coisa vai ser o Sixers, e isso quer dizer que eles tem justamente que jogar nos pontos fracos do Miami o máximo possível.

Para isso, o Sixers vai ter que, antes de mais nada, desacelerar o jogo o máximo possível quando estiver jogando em meia quadra. Isso quer dizer que o time deve rodar bem a bola, trabalhar os 24 segundos e não sair chutando logo que achar uma abertura, tem que conseguir as melhores oportunidades possíveis e trabalhar no garrafão com o Elton Brand. Talvez não seja o melhor estilo de jogo do Sixers, mas é uma forma de evitar turnovers e rebotes longos dos arremessos errados de três pontos e terminar as posses de bola com uma cesta ou com um rebote próximo à cesta do Miami, de preferência com aqueles tapinhas na disputa pelo rebote, o que impede que o Heat saia desabalado na correria e tenha que apelar para um jogo de meia quadra, que é quando o Heat mais tem dificuldades.

Pra isso vai ser importante estabelecer o Elton Brand perto da cesta, até pra explorar o garrafão fraco de Miami, mas o Sixers não tem o tamanho pra fazer com o Heat o que o Boston fez três vezes já na temporada, então eles vão ter que se contentar com o jogo lento mesmo, e evitar que o Lebron e o Wade possam sair correndo e improvisando. Na defesa, o Iguodala, que é um dos melhores (pra mim o melhor) defensores de perímetro da Liga, vai ter que colar no Lebron e não deixar ele abrir espaço na defesa. Em contra partida, sempre que o Sixers roubar a bola, eles tem que ter liberdade para correr para o ataque, porque isso eles fazem muito bem com o Iguodala e o Young, mas não podem perder a cabeça, tem que saber reconhecer a situação e parar se estiverem em desvantagens, forçar bolas pode ser mortal pro Sixers.

Já pro Heat, els tem que fazer o contrário, que é explorar seus pontos fortes. O time tem vantagem em talento, tem dois dos melhores jogadores do planeta e se conseguir impor seu estilo de jogo não deve ter muito que ter medo. Eu disse aqui que o Heat não era um time montado para os playoffs, o que aliás gerou a fúria do Celo, porque o Heat é um time que prefere jogar nos contra ataques, tem dificuldades com o jogo de meia quadra, arremessa demais de meia distância, pontua pouco no garrafão e vinha tendo dificuldade pra decidir jogos apertados, o que é uma conseqüência de todas as outras. No Sixers, eles vão encontrar um adversário que vai colocar tudo isso à prova contra o Heat, porque é um time que já tem uma defesa forte e vive da sua defesa de meia quadra e que deve vir preparado para desacelerar tudo pra evitar que o Heat jogue como gosta. O Heat precisa pontuar mais no garrafão, continuar acionando o Chris Bosh perto da cesta e aproveitar os arremessos de três pontos que o Mike Bibby trouxe ao time para não depender tanto das bolas de meia distância. Se o Lebron for marcado pelo Iguodala, isso vai deixar o Wade com mais liberdade e por isso o Wade pode fazer o papel de armador com menos preocupações que o Lebron, já que ele não vai ter um grande marcador na frente. E com isso o Lebron deveria se posicionar mais perto da cesta pra aproveitar a falta de um pivozão do Sixers, que é um time que gosta de jogar mais baixo, e jogar um pouco mais dentro do garrafão, até pra abrir espaço pras bolas de três do Mike Bibby e, com sorte, do Mike Miller, que não jogou bem até aqui mas pode fazer a diferença com meia dúzia de bolas longas.

O Heat é claramente o favorito, mas talvez preferisse pegar um time que jogasse um pouco mais aberto do que o Sixers, mas pelo menos o Sixers não consegue levar uma vantagem clara no ponto fraco do Heat, o garrafão, pela falta de um bom pivô que jogue lá dentro. O Sixers pode tentar explorar o Jrue Holiday indo pra cima do Mike Bibby, mas se começar a virar um padrão o Heat deve colocar o Wade pra marcar o Holiday e o Bibby correndo atrás do Meeks.

Palpite: Embora o Heat seja o melhor time, o Sixers tem menos a perder e tem uma defesa que pode endurecer para o Miami. Acho que o Sixers leva um ou dois jogos antes do Miami finalmente entender como despachar o time da Philadelphia. Ou isso, ou o Heat vai virar uma máquina de jogar pós temporada e varrer Philadelphia. O Heat é meio imprevisível. Miami Heat em seis jogos.