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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Sete Segundos ou Menos - 08/12

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Are you not entertained?!


Testando um novo formato de coluna essa semana, que eu chamei de Sete Segundos ou Menos - homenagem ao famoso Seven Seconds or Less, o estilo de jogo do Phoenix Suns sob o comando de Mike D'Antoni nos anos 2000 que revolucionou para a sempre a NBA - e nos deu alguns dos mais divertidos times de todos os tempos.

A ideia da coluna Seven Seconds or Less - em teoria - é ao invés de tratar de um único assunto extensivo, tratar de vários assuntos menores, assuntos que não valem uma coluna sozinhos mas que ainda assim são pontos que eu gostaria de discutir. É uma versão basicamente com mini-colunas, condensada em uma só. Vamos ver se o formato funciona.

E se você não acha que essa só é uma desculpa para postar alguns vídeos do meu jogador favorito de todos os tempos (como esse passe mágico para o Grant Hill)... você não me conhece o suficiente.




Vamos a isto.

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1. Philadelphia 76ers, dividindo minutos entre suas estrelas.

Quinta feira à noite, o Philadelphia 76ers foi surpreendido em casa e derrotado por um fraco time do Lakers. No entanto, seria difícil para você adivinhar isso se eu te falasse do quão dominantes foram suas duas estrelas: Joel Embiid anotou 33 pontos, pegou 7 rebotes e deu 6 assistências (e mais 5 tocos), enquanto Ben Simmons teve um Triple Double com 12 pontos, 13 rebotes e 15 assistências. Ambos foram fantásticos na partida e é difícil acreditar que Philly perderia com ambos tão bem.

O problema é que Philly apanhou quando esteve sem suas estrelas. Nos 36 minutos que Embiid esteve em quadra, Philadelphia foi +14 em quadra. E nos 12 que descansou, Philly perdeu para o Lakers por 17 pontos (!!!!). Com Simmons talvez seja ainda pior: +9 quando esteve em quadra, e nos 6 minutos que descansou, o Sixers perdeu por 12 pontos. Philly passou apenas um minuto e meio com ambas as suas estrelas no banco, mas foram minutos desastroso: o Lakers ganhou a "parcial" (ou as parciais) por 11 a 2.

Essa derrota foi um microcosmos de um problema que tem certamente tirado noites de sono do técnico Brett Brown, e de muitos outros técnicos ao longo do tempo na NBA: Qual é a melhor forma de distribuir os minutos das suas estrelas? Em outras palavras, o melhor é usar as duas junto o máximo de tempo possível junto, maximizar a combinação, mas passar mais tempo com apenas os reservas jogando? Ou então distribuir ao máximo os minutos das estrelas para que o banco nunca precise jogar sem nenhuma delas em quadra?

Foi uma questão que durante muito tempo incomodou (e ainda incomoda) times como Clippers (na época de CP3/Blake) ou Wizards, e não existe uma resposta certa. Durante anos o Wizards optou por juntar Wall e Beal, e foi massacrado quando os dois sentavam. O Clippers teve um problema semelhante com Paul e Blake Griffin. E agora chegou a vez do Sixers tomar algumas decisões.

Até aqui, o Sixers tem optado por jogar as suas estrelas juntas o máximo de tempo possível. Dos 605 minutos que Embiid jogou em jogos que Simmons também atuou, 78% deles (472) vieram jogando junto do calouro, e apenas 133 foram como única estrela em quadra - o que da pouco mais de seis minutos por jogo. Simmons jogou mais tempo sem Embiid (mesmo desconsiderando os jogos com Embiid inativo), 250 minutos, mas também é praticamente metade do tempo que passou ao lado do pivô camaronês.

Isso faz algum sentido. Simmons ainda não tem um arremesso fora do garrafão, e jogar ao lado de Embiid - cujo alcance se estica até a linha dos 3 pontos e sempre comanda uma marcação apertada - abre os espaços que Simmons precisa para chegar até o garrafão e aproveitar linhas de passe. Philadelphia tem destruído times quando os dois estão juntos em quadra: nos 472 que Simmons e Embiid jogaram juntos, Philly está +99, com um Net Rating de +9,9.

O outro lado da moeda, entretanto, são os 164 minutos que o Sixers passou em quadra sem Embiid nem Simmons, e esses minutos Philly está com horríveis -52, ou -12,8 Net Rating. Ontem foi um exemplo (até extremo) desse fenômeno, mas a verdade é que Philly simplesmente não tem a criatividade e o playmaking vindo do banco para aguentar muitos minutos sem uma das suas estrelas em quadra. Talvez isso mude com a volta de Markelle Fultz, mas a essa altura parece um long shot confiar na produção imediata da escolha #1 do Draft. E a margem de erro do Sixers não é grande suficiente para sobreviver a minutos dessas unidades.

Talvez seja hora do Sixers começar a usar suas estrelas de forma mais separada. Exceto quando não há alternativa - jogos que Simmons ou Embiid estiverem fora - esses alinhamentos simplesmente não deveriam passar um minuto sequer em quadra para um time que sonha com a pós temporada. Embora o time caia bastante (previsivelmente) com apenas uma das duas estrelas em quadra, não é para níveis tão desastrosos quanto naqueles momentos sem nenhum dos dois: lineups com apenas Embiid tem enfrentado adversários basicamente em um empate (-2 em 162 minutos), e embora as lineups com apenas Simmons tenham números mais problemáticos (-46 em 358 minutos, -5,2 Net Rating), esses números estão "poluídos" pelos 108 minutos que Simmons jogou com Embiid inativo, enfrentando diretamente unidades titulares que não enfrentaria em situações "normais" de rotação. Pegando apenas os minutos que Simmons jogou sem Embiid em jogos que ambos participaram os números não são tão problemáticos, -18 em 250 minutos de quadra. Nenhuma das duas é perfeita, mas é uma maneira de evitar esses minutos desastrosos sem as estrelas em quadra, quando o time se coloca em buracos com muito mais rapidez relativa do que os dois jogadores juntos "tiram".

Um argumento contrário a essa distribuição de minutos seria que, pensando no futuro, é importante dar a Embiid e Simmons o máximo de minutos possíveis juntos para desenvolver o entrosamento, mas é um argumento que não faz sentido considerando que Simmons (que perdeu o ano de calouro com uma lesão no pé) jogou 42 minutos nesse jogo, e Embiid 36. O Sixers está forçando para chegar nos playoffs agora, e pensando nesse sentido, é crucial eliminar esses minutos sem ambos em quadra. Ontem, custou uma vitória ao Lakers. Não foi a primeira vez. E, se continuar acontecendo, não vai ser a última. E, se o Sixers quer mesmo chegar aos playoffs e talvez surpreender alguém, essas são vitórias que podem fazer falta.


2. Giannis Antetokounmpo, pivô

É difícil realmente classificar Giannis Antetokounmpo com uma posição. Ele é um jogador de 2m11 que arma o jogo, protege o aro, e defende 5 posições. Que seja, ele JOGA nas 5 posições! Essa flexibilidade maluca é parte do que faz de Giannis um jogador tão bom, e tão importante para o Bucks. Que posição Giannis é, ou joga, depende muito mais das peças ao seu redor do que de quem ele realmente é, e podem ter certeza que isso vai gerar discussão na hora de votar o All-Star Game ou até os times All-NBA ao final do ano.

Mas a posição que Giannis mais me intriga é jogando como pivô. Não da nem para chamar essas lineups de baixas - Giannis é mais alto do que vários dos pivôs da NBA, tem alcance maior que praticamente todos, e já se mostrou excelente protegendo o aro - mas as formações sem Maker, Henson ou Monroe que Giannis joga como pivô nominal, em geral cercado por arremessadores. O Bucks tem sido, naturalmente, cauteloso com essas formações, especialmente na temporada regular - você não quer expor Giannis a trombadas constantes no garrafão e taxar o físico da sua superestrela sem necessidade. Ao todo, Giannis jogou com pivô apenas 45 minutos na temporada.

Ainda assim, é difícil não ver o que essas lineups tem de atraente. Giannis tem o tamanho e capacidade defensiva para executar o papel de um (bom) pivô do lado defensivo da quadra, então você não precisa sacrificar tanto nesse sentido. E ofensivamente essas lineups com Giannis e arremessadores são impossíveis de se defenderem normalmente: você pode ficar preso mantendo um pivô ou ala de força mais lento em cima de Giannis, o que é a receita para o desastre, ou então tentar esconder isso em um arremessador e tirar o protetor de aro de dentro do garrafão, onde Antetokounmpo faz a grande maioria dos seus pontos - e isso sem entrar no mérito do caos que um time assim cria em situações de transição, quando o adversário precisa em velocidade achar a marcação certa, abrindo assim espaços e criando missmatches que esse time pode explorar. Milwaukee não é um time grande nas alas, então essas formações não teriam muito tamanho, mas compensariam isso com versatilidade e velocidade. No papel, pode ser a base para um ataque extremamente explosivo.

E a boa notícia é que, desde a chegada de Eric Bledsoe (e a partida de Greg Monroe) o Bucks tem dado mais espaço para essas formações com Giannis na posição 5 - dos 45 minutos que Giannis jogou na posição, 21 vieram desde a troca. A lineup com Bledsoe-Brogdon-Snell-Middleton-Giannis já jogou 16 minutos junta, e com bons resultados, incluindo um Net Rating de 3,5 e um Offensive Rating de 121,8 que destruiria o melhor ataque da liga (Golden State) por muito. A mesma formação, mas com Dellavedova no lugar de Bledsoe (a segunda mais usada), também tem igualmente destruído adversários do lado ofensivo da quadra. No jogo recente contra Boston foram essas lineups que colocaram o Bucks de volta no jogo, antes de Boston enfim abrir uma vantagem definitiva no final.

Claro, a amostra ainda é muito pequena, e essas lineups também sofreram bastante defensivamente nesses minutos limitados (a defesa do Bucks é assunto para outro post). Mas é uma formação bastante interessante e promissora, e é muito bom ver Milwaukee começando a ficar mais confortável com essas lineups - e devem ficar ainda mais quando Jabari Parker voltar. Algo para se monitorar ao longo do ano.


3. Houston Rockets destruindo tudo pelo seu caminho

O Rockets deveria ser uma história maior nesse início de temporada, e por algum motivo está escapando ao grande público. Esse time está FANTÁSTICO até aqui: Apenas Boston tem uma melhor campanha (e o mesmo número de derrotas); apenas Golden State tem melhor Net Rating e melhor ataque; apenas Boston e GSW tem melhor RPI. Seu Net Rating é um historicamente excelente 11,3. Eles estão destruindo times a torto e a direito. E, mais assustador, Chris Paul e James Harden estão mostrando um entrosamento excelente ainda muito cedo.

Mas o que é realmente interessante é o quão bom o Rockets tem sido desde a volta de Chris Paul. Foram 8 jogos desde então, e 8 vitórias do Rockets com um net Rating insano de +20.0 por 100 posses de bola. Para referência, o Warriors lidera a NBA com +13.1, que já é um excelente número. Nesse tempo, o Rockets tem a melhor defesa E o melhor ataque da NBA, e suas duas estrelas estão jogando um basquete de outro nível: Chris Paul tem 14 pontos e 10 assistências de média, com 46 FG%, 46 3PT%, e menos de 2 turnovers por jogo. James Harden - que deveria ser hoje o favorito na briga pelo MVP - teve 33 pontos, 8 assistências e 48-43-93 nos arremessos. Claro, é uma amostra pequena e contra um calendário favorável, mas também uma mostra do quão assustador esse time pode ser.

E o que faz de Houston tão bom e tão assustador é sua capacidade de manter o poder de fogo funcionado por 48 minutos sem interrupção. A dupla Harden-Paul dentro de quadra tem sido sólida jogando junta - +6.8 de Net Rating em 173 minutos com ambos em quadra. Uma marca boa, mas não espetacular dado que o Rockets como time tem +11.2 de Net Rating.

No entanto, esse não é o ponto. Ao contrário do Sixers, Mike D'Antoni tem buscado separar mais suas estrelas. Quando elas estão juntas, ótimo: o Houston ainda está chutando bundas. Mas a mágica do Rockets é que, quando um deles sai, o time ainda tem um armador de nível MVP para comandar seu ataque. A gente sabe repetidamente o que Harden é capaz de fazer conduzindo esse ataque do Rockets, especialmente agora que tem mais armas de bom nível (dos dois lados da quadra) do que nunca: O Rockets tem Net Rating de +14,7 quando James Harden está em quadra sem Chris Paul, um número que engloba os jogos que Paul ficou inativo.

Mas esse não é o pulo do gato. O problema é que quando James Harden sai e Paul entra para comandar o ataque no seu lugar, o Rockets tem um Net Rating de... erm... de +32.1. Yep, 32,1. +66 de +/- em 94 minutos. Sim, esse é um número real. Claro que é um subproduto insustentável de uma amostra pequena contra um calendário fraco, mas é só assistir o jogo que é fácil de perceber o quão devastadora é a segunda unidade do Rockets com Paul no comando. Depois de anos jogando seu estilo favorito - ritmo lento, arremessos de meia distância, controle do jogo  - é surreal o quão rápido Paul se adaptou ao ataque de D'Antoni e já tem total controle do jogo por lá. O pace do time com Paul é um dos mais rápidos da NBA, e CP3 está conduzindo esse ataque com perfeição mesmo sendo apenas seu nono (!!!) jogo em Houston. Paul enxerga todos os passes, todas as movimentações, e sabe exatamente o que fazer em todas as situações. Cerque isso com o esquema certo, as movimentações certas, e os jogadores certos, e você vai certamente ter um ataque infernal.

E, acima de tudo, é isso que faz do Rockets tão bom: 48 minutos de inferno ininterruptos (exceto, bem, garbage time... que tem, alias, acontecido bastante), 48 minutos de um armador nível Hall da Fama (e nível alto mesmo dentro do Hall da Fama) comandando um ataque devastador famoso por destruir adversários. Você não vai ter um minuto para descansar até que a vantagem passe dos 20 pontos. Boa sorte tentando acompanhar essa dupla.

Não da, nessa temporada, para falar de Golden State - o time está claramente jogando em terceira marcha e se poupando para os playoffs (existe algum potencial de 2001 Lakers aqui, diga-se de passagem). Nada que virmos até Abril indicará nada do seu nível real. Mas com o Rockets jogando nesse nível, não é absurdo sugerir que esse seja o time mais dominante da liga que vimos até aqui, com a volta de Chris Paul.

Para a pós-temporada, os minutos dos reservas tende a diminuir, e fica mais fácil desmontar um ataque que depende de um jogador só - Houston vai precisar da combinação entre Harden e Paul mais do que dos minutos que as estrelas jogam separadamente. Até lá, é importante que as formações com CP3 e Harden estejam no seu melhor nível. Mas por enquanto, esse time é forte o suficiente, e tem talento suficiente, para varrer a temporada regular sem deixar vestígios, enquanto nós apreciamos um dos times mais divertidos e interessante dos últimos anos.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A melhor e mais maluca trade deadline

Melhor resumo para ontem a tarde, impossível 



Antes de começar, sirva-se de uma xícara de café. Agora outra. E mais uma, só pra garantir. Estamos prestes a nos embaralhar e confundir falando da mais agitada e mais insana trade deadline que eu me lembro. 38 jogadores (isso da 8% de toda a NBA!) foram trocados, junto com 7 escolhas de primeira rodada de Draft, em um período de 90 minutos. Pelo menos seis (!) times de playoffs estiveram envolvidos em trocas. Foi uma sequência tão grande de trocas, negociações e movimentações que foi praticamente impossível acompanhar em tempo real, ao ponto que até o próprio Woj entregou pra Deus:




Então foi maluco a esse ponto mesmo. A quantidade de jogadores que disse não ter idéia de onde jogava ou quem eram seus companheiros ao final de toda a zona foi incrível. Eu próprio estava na dúvida se tinha sido ou não trocado para o Suns. Então vamos tentar passar rapidamente por todas essas trocas - sim, uma a uma - pra ver o que saiu de bom e o que saiu de ruim dai.



Suns recebe John Salmons (Pelicans) e duas escolhas futuras (2017 e 2021) de primeira rodada (Heat); Pelicans recebe Shawne Williams, Norris Cole e Justin Hamilton (Heat); Heat recebe Goran e Zoran Dragic (Suns)

A mais importante troca da noite envolveu Goran Dragic, que tinha dado essa semana um ultimato para a diretoria do Suns trocá-lo, dizendo que não renovaria com o time ao final da temporada... e ainda destruiu seu próprio valor de troca afirmando que só renovaria contrato se fosse trocado para Knicks, Heat ou Lakers - três times sem nenhum bom ativo para trocar pelo esloveno. Celtics, Kings e Rockets estavam interessados no armador e teriam muito mais a oferecer ao Suns por ele, mas com essa demanda mimada, os três se retiraram da troca e forçaram Phoenix a aceitar a melhor oferta lixo entre as "demandas" de Dragic. O Knicks nada tinha a oferecer, e o Lakers (sabiamente) não iria envolver Randle ou a proteção da sua escolha de primeira rodada que hoje pertence ao Suns, então sobrou para Phoenix aceitar esse pu-pu-platter de Miami por alguém que eu votei como  2nd Team All-NBA em 2014. É um retorno muito fraco por ele, mas é o melhor que Phoenix tinha condições de conseguir nessas circunstâncias.

E Miami aproveitou para roubar a peça que mais precisava nessa trade deadline. Talvez nenhum time o ano todo teve pior produção de seus PGs do que o Heat, onde Norris Cole e Mario Chalmers passaram de "ruins" para "legitimamente prejudiciais" - um problema que ficou ainda mais evidente sem Wade para assumir parte das funções de ball handler. Dragic chega para resolver a questão. Ainda que seus números tenham caído em 2014/15 (16, 4, 4), isso se deve principalmente ao fato de que Dragic tem jogado principalmente como SG, já que o Suns emprega o tempo quase todo lineups com dois armadores diferentes (Bledsoe, Thomas e Dragic), e tanto Bledsoe como Thomas costumam ter mais a bola nas mãos do que Dragic. Mas ano passado todo mundo viu o quanto Dragic pode ser devastador, quando teve 20-6-3 de médias com 50.5 FG% e 40.8 3PT%. Miami precisava de um armador, e agora achou um excelente.

O que é ainda mais interessante é que, em Phoenix, Dragic causou seus maiores estragos no pick and roll e no pick and pop. Aliás, o pick and pop Dragic-Channing Frye foi, em 2014, a jogada com maior eficiência de TODO o basquete, já que Dragic é um especialista em atacar e finalizar perto da cesta (64.8 FG% na zona restrita), abrindo diversas opções de passe no processo. Então é difícil não salivar quando lembramos que agora o eslovêno terá outra máquina de pick and pop em Chris Bosh, e uma excelente opção de pick and roll no novo fenômeno Hassan Whiteside (1.57 PPP em jogadas de pick and roll). Não só é o jogador da posição que Miami mais precisava, mas é alguém que (em teoria) casa perfeitamente com as outras opções já na equipe e que trás exatamente o que o time mais precisa nesse momento.

E a verdade é que, se Wade voltar saudável, o Heat agora vira um dos times mais assustadores do Leste. É verdade que o time perdeu um pouco da sua profundidade para essa troca, mas um quinteto Dragic-Wade-Deng-Bosh-Whiteside é legitimamente assustador, e consolida Miami como um sério candidato ao título do Leste. Agora o Leste tem quatro times legitimamente brigando pelo título da conferência (Miami, Atlanta, Cleveland e Chicago), além de alguns sleepers (Washington e Toronto), e o nível de entretenimento desses playoffs subiu exponencialmente. Aquisição fantástica de Miami. Lembra quando em Setembro tinha muita gente que achava que Miami deveria tankar pós-LeBron?

O Pelicans aqui aproveitou para aumentar suas opções e profundidade, mas nada que vá mudar seu destino. E Phoenix não teve escolha, então pelo menos pegou o melhor retorno possível e abriu espaço pra Isaiah Thomas e Bledsoe jogarem mais tempo juntos e assumirem o comando do...


Suns recebe Marcus Thornton e uma escolha de primeira rodada de 2016 de Cleveland; Boston recebe Isaiah Thomas

Wait, what?! 

Para falar mais dessa troca, precisamos falar de outra do Suns, então por enquanto, vamos focar no Celtics.

Em termos de valor, esse foi um golpe fantástico do Celtics. Thornton era um contrato expirante de pouco valor, e essa escolha do Cavs (que o Celtics pegou para absorver o contrato de Tyler Zeller, que tem jogado bem em Boston) provavelmente não teria muito valor a não ser que LeBron decida que quer voltar pra Miami ou jogar baseball. E em troca pegou um dos melhores armadores reservas da NBA, alguém que consegue atacar a cesta, pontuar a vontade e carregar seu ataque por sólidos minutos - e cujo contrato é uma pequena barganha a 7M ao ano. Então em termos de valor, foi uma grande vitória. 

O que me incomoda aqui é o timing. Boston trocou Rondo e Green, o que em parte poderia indicar que o time queria mais um ano de tanking, mas dai os boatos de que o Celtics estava no mercado atrás de algum bom veterano começaram a surgir. O próprio Dragic era uma opção, mas quando ficou claro que ele não renovaria fora do eixo LA-NY-Miami, Celtics se contentou com Isaiah Thomas. Estando 1.5 jogos apenas atrás de uma vaga de playoffs, Boston começou a pensar que o melhor a fazer era encurtar sua renovação e chegar logo aos playoffs, e fez mudanças para aumentar suas chances disso. Acho que nenhum torcedor racional de Boston acha melhor ser varrido pelo Hawks na primeira rodada dos playoffs do que uma escolha Top12 em um Draft onde, coincidentemente, o Top12 é excelente. A experiência de jogar nos playoffs é importante para um elenco jovem, sem dúvida, mas eu trocaria um ano disso por um Myles Turner ou Mario Hezonja em um piscar de olhos. A partir de 2016, o Celtics não precisa mais ser ruim para ter ótimas escolhas de Draft, graças ao Nets, mas porque não aproveitar mais um ano adicionando talentos antes de perseguir essa vaga nos playoffs? Não é como se o time tivesse qualquer chance de fazer qualquer estrago já esse ano.

Além disso, Boston já não tem em Marcus Smart seu armador do futuro, uma força da natureza na defesa que ainda está aprendendo a forma mais eficiente de conduzir um time no ataque? Smart tem um potencial muito maior que Thomas, mas precisa de tempo, repetições e experiência armando o time para poder se desenvolver. A não ser que Isaiah comece a vir do banco, ele vai tirar tempo de quadra e a bola das mãos de Smart, e ainda que HOJE Thomas seja um jogador ofensivo melhor, isso limita muito o potencial do time no médio prazo. Não da pra culpar um time por querer ganhar logo, mas o time está pensando demais no presente e menos no futuro, mesmo que isso signifique sacrificar o futuro de jogadores como Smart, Young, ou mesmo valores hipotéticos como quem o time pegaria nesse ótimo Draft.

Então o Celtics, em um vácuo, fez um bom negócio, adquirindo um bom jogador em um contrato favorável praticamente de graça. Mas resta ver se essa negociação vai custar ao time uma escolha Top12 e o desenvolvimento de seu armador do futuro - duas coisas muito mais importantes para o Celtics no médio e longo prazo do que o ex-Suns. Bom valor, mas considerável risco aqui.


Suns recebe Brandon Knight (Bucks); Bucks recebe Michael Carter-Williams (Sixers), Tyler Ennis e Miles Plumlee (Suns); 76ers recebe escolha de primeira rodada do Lakers de 2015 (protegida, via Suns).


... SUNS, WHAT ARE YOU DOING?! STAAAAAAPH!!

Antes de mais nada, uma pergunta séria: a gente tem certeza que Brandon Knight é tão bom assim? A primeira vista, é o que parece: o armador tem 18-4-5 de média com 40.8% de 3PT% e um bom PER de 18.5. Mas acontece que eu assisto basquete, e o Bucks desde o começo tem sido meu queridinho do League Pass desse ano. Então eu assisti muito do Bucks, e muito do Brandon Knight. E embora individualmente ele fizesse coisas boas, chamava muito minha atenção o quanto a presença dele atrapalhava a equipe. Ele segurava demais a bola, e parecia ter só duas mentalidades com ela nas mãos: fazer a cesta, ou dar uma assistência. Ele não rodava a bola, não se movimentava bem sem ela, e o time ficava dependente demais do que ele decidisse fazer. Uma quantidade muito irritante de posses de bola do Bucks acabava com Knight driblando a bola por 14 segundos e dando um passe para um mid-range jumper. E assim que ele saia de quadra, o Bucks começava a rodar a bola, achar jogadores livres, jogar de forma rápida e altruísta, e o time era mil vezes mais perigoso. Então não foi nenhuma surpresa alguma entrar ontem no NBA.com e descobrir que, com Brandon Knight em quadra, o Bucks tinha um rating de -0.2 por 100 posses de bola... e com Knight no banco, o Bucks tinha saldo +9.2/100 posses. Só tirando Knight de quadra, Milwaukee deixava de ser o Pelicans pra se tornar 2 pontos por 100 posses melhor que o Hawks. Ainda que boa parte disso se deva ao fato do Bucks ter um excelente banco... é bem significativo, não?

Mas o problema aqui, a meu ver, não é o Suns ter adqurido Knight, e sim ter dado a valiosíssima escolha de primeira rodada do Lakers que tinha no processo. Knight talvez até seja um melhor encaixe em Phoenix, onde jogará mais sem a bola, não vai estagnar tanto o ataque, e pode aproveitar mais seu bom arremesso, mas ele ainda é um jogador questionável, que vai ganhar um salário enorme ao final do ano (quando é FA restrito e alguém vai oferecer um contrato enorme)... e você da em troca uma escolha de Draft que tem tudo para ser Top6, seja esse ano ou no próximo?! Ahn?! Qual a lógica disso?? Porque não pegar Knight ao final da temporada, então? A troca do Dragic foi desfavorável, mas foi inevitável dada a situação que o armador colocou o time. Mas as subsequentes foram horríveis, e cheiram ao pânico de um time desesperado para ir aos playoffs. Trocar Thomas por absolutamente nada, depois trocar seu ativo mais valioso por um armador que é free agent ao final do ano, são duas trocas horríveis para Phoenix.

Eu não faço a melhor idéia do que o Suns estava pensando aqui, e embora eu admire bastante o GM Ryan McDonough, a minha impressão é de que ele está cometendo erro atrás de erro. Knight é comprar alto em um jogador mediano, e não só é um downgrade em relação a Dragic/Thomas, a escolha que mandaram embora por ele é mil vezes mais valiosa do que qualquer uma das três que tenham recebido no dia. O Suns saiu mais fraco dentro de quadra, e muito mais fraco em termos de ativo par ao futuro. Dia horrível de Phoenix. Perder Dragic era inevitável, e ao preço que receberiam, um grande golpe, mas não precisava jogar tudo pra cima e fingir um ataque cardíaco desse jeito.

Enquanto isso, o Bucks conseguiu talvez o roubo do dia. Knight era free agent ao final do ano, e com bons números, era certeza que alguém iria oferecer um contrato máximo para o armador, ou próximo disso. Milwaukee não queria pagar Knight esse valor todo, mas a alternativa de perdê-lo de graça também não era das mais interessantes. Então eles conseguiram a melhor alternativa possível, mandando Knight para Phoenix em troca de um ótimo retorno por um jogador que provavelmente perderiam de graça mesmo. Tyler Ennis e Miles Plumlee são boas peças de rotação para um time cujo grande trunfo na temporada é sua enorme profundidade e versatilidade, e Michael Carter-Williams é um grande talento que estava desperdiçando seus anos formadores em um time horrível que só queria saber de perder. Só de pensar em "MCW, Ennis e Plumlee por Knight", eu já acho que foi um excelente negócio para Milwaukee, mas quando lembramos que Knight era FA ao final do ano e ou iria sair, ou receberia uma bolada que não merecia e entupiria o cap do Bucks, esse negócio fica ainda mais espetacular. Tirando Miami, Milwaukee é o grande time vencedor da noite.

E claro, o maior vencedor em toda essa troca provavelmente foi o próprio Michael Carter-Williams. MCW sempre foi muito talentoso e um tanto quanto complicado, um grande talento com diversas limitações, que estava adquirindo maus hábitos e evoluindo muito lentamente em um time que pouco lhe oferecia de ajuda ou condições de crescer. Agora ele vai para um time extremamente profundo e talentoso onde vai jogar logo de cara em jogos importantes e competitivos, vai ter que evoluir na marra... e talvez mais importante, vai jogar para Jason Kidd, que sabe exatamente como é ser um armador incapaz de arremessar e que é a melhor pessoa não só para moldá-lo em um jogador melhor, como em saber tirar o máximo de suas habilidades. Antes preso no fundo do poço da NBA, de repente MCW foi para um dos times mais jovens, talentosos e promissores da NBA. 

Quanto ao Sixers, bem, essa foi a troca mais Sixers possível, trocando seu melhor jogador por mais uma escolha futura de Draft. Claro, juntando as peças de outras duas trocas...


Sixers recebe JaVale McGee e uma escolha de primeira rodada de 2015 protegida (Thunder) do Nuggets

Sixers recebe Isaiah Canaan e uma escolha de segunda rodada; Rockets recebe KJ McDaniels

...ai é mais fácil ver o conjunto todo, e é hilário. Todo mundo sabia que o Sixers estava em modo "tank" descarado de longo prazo, destruindo seu time o máximo possível para ser ruim durante anos a fio, juntar vários ativos e jovens jogadores, e eventualmente, muito eventualmente, voltar a disputar alguma coisa. E claro, quando já se passaram dois anos e parece que o Sixers está começando a dar alguns passos rumo a ser um time de verdade, eles trocam dois dos seus três melhores jogadores para dar mais três passos para trás. Funhé.

Não que dê para criticar as trocas em si. Aquela escolha protegida do Lakers (Top5 esse ano, Top3 ano que vem e 2017, desprotegida em 2018) é um ativo valiosíssimo, e um excelente retorno por um jogador que já estavam querendo mover faz algum tempo. E McDaniels saiu de graça para um jogador tão bom... mas ele era um free agent restrito ao final do ano, e possivelmente o Sixers não iria querer pagar seu valor de mercado, então pelo menos pegou o talentoso e intrigante Canaan no processo por um jogador que sairia de todo modo. Não foram maus negócios.

Ainda assim, é hilário ver a que ponto vão os esforços do Sixers para continuar reconstruindo e não se importando a mínima em ter um time decente. Agora o time vai afundar ainda mais rumo a pior campanha da NBA (provavelmente o maior objetivo das trocas), e ficar ainda mais longe de ser algo respeitável e decente na liga. E claro, receber JaVale McGee (cujo salário o Nuggets queria se livrar) ajuda ainda mais nesse processo de "ser o pior possível".


Rockets recebe Pablo Prigioni; Knicks recebe Alexey Shved e duas escolhas de segunda rodada

Entre Prigioni e McDaniels, o Rockets fez duas trocas interessantes para reforçar seu elenco e, principalmente, seu banco. Prigioni talvez nem faça tanta diferença assim, mas é uma proteção para os PGs de um time que queria e não conseguiu ficar com Goran Dragic. E KJ McDaniels é uma ótima adição, um bom defensor capaz de jogar (e defender) em três posições e que adiciona habilidade atlética e versatilidade ao Rockets. Nenhum provavelmente é o tipo de troca que sozinha vá mudar o destino do time, mas em dúvida Houston é um time melhor e mais versátil agora com esses dois a bordo. E caso Houston decida por mantê-lo, McDaniels também oferece uma opção jovem e promissora para o futuro da equipe.

Para o Knicks, eles simplesmente se livram de um jogador que não queriam e, embora Shved provavelmente também não faça nenhuma diferença, pelo menos garantem duas escolhas de Draft no processo para aumentar seus limitados ativos.


Nets recebe Thaddeus Young; Timberwolves recebe Kevin Garnett.

Uma troca interessante pra ambos, além das óbvias histórias de "KG voltando pra casa!", ainda que carregue seus riscos.

No caso do Nets, eles ainda estão tentando equilibrar a difícil dualidade de vencer agora com um time ruim, e cortar custos ao mesmo tempo. A troca economiza 3M de dólares esse ano - o que, entre salários, multas e semelhantes, economiza ainda mais para o time, na casa dos 10M - para Brooklyn, mas dentro de quadra, a troca também faz bastante sentido. Garnett agora é basicamente um pivô de tempo integral, mas o time já tem outros dois pivôs (Mason Plumlee e Lopez) produzindo ainda mais, e que dificilmente conseguem jogar juntos. Trocando KG por Young, o time ganha um legítimo PF que teria muito mais facilidade de se encaixar com Lopez e Plumlee, e que torna o time mais barato, mais jovem, e principalmente mais atlético. Economizar uns dólares é bom, mas para um time que não é dono de sua própria 1st round pick, também aumenta as chances do time de conseguir uma vaga nos playoffs.

É claro, eles também assumiram um razoável risco. Young tem uma player option para o ano que vem de quase 10M, e se ele aceitar, a troca vira um tiro no pé. Garnett ganhava mais, mas também era um contrato expirante, e se Young aceitar sua opção, isso significa que o time economizou 3M esse ano (em salary cap) mas gastou 10M a mais em 2016, pagando multas e sem liberar nenhum espaço salarial. Brooklyn provavelmente está apostando que Young vai sair do contrato e tentar ganhar um contrato mais longo e garantido em um mercado inflacionado, mas se ele ficar, essa troca pode dar muito errado. 

Para o Wolves, nada muda dentro de quadra. Mas aceitem de alguém que acompanhou a Era Garnett em Boston: Garnett é o tipo de jogador que faz muita diferença nos companheiros jovens. Rondo e Perkins são dois exemplos, e ter alguém tão competitivo, com tanta liderança e intensidade quanto KG pode mudar a vida de um jogador ainda em formação. Garnett ensina os jovens sobre defesa, sobre se importar, sobre jogar em equipe, sobre apoiar os companheiros. Mesmo velho e no fim da carreira, isso sempre se destacou pra mim em KG: se um colega está se voltando contra o técnico, ou deixando de jogar pro time pra tentar conseguir seus próprios números, ele vai lá arrumar as coisas do seu jeito. Em um time jovem, imaturo e ainda em formação como o Wolves, esse é o tipo de presença que pode fazer toda a diferença para o futuro, acelerar o desenvolvimento dos jovens e ensiná-los a jogar basquete do jeito certo. Os jovens talentos de Minny se beneficiarão de ter KG por perto, e portanto foi uma boa troca.

(Isso significa que o Wolves compensou a grande besteira de trocar uma 1st rounder de Miami pelo Thad Young? NÃO! Mas ameniza um pouco...)


Wizards recebe Ramon Sessions; Kings recebe Andre Miller

Eu gosto dessa troca para ambos. Wizards recebe um armador mil vezes mais jovem e atlético que, embora não venha jogando bem, pelo menos oferece uma opção para o time capaz de atacar a cesta para cavar faltas ou abrir espaços para os passes - o que eles definitivamente não tem quando John Wall está no banco. Então ajuda a reforçar um banco complicado. Embora eu seja suspeito pra falar, sempre fui fã de Sessions e acho que pode contribuir no time certo. Em um papel limitado, este pode ser Washington.

Para o Kings, não só é bom receber uma presença veterana em um vestiário tão complicado e disfuncional, como o time também precisa urgente de alguém capaz de distribuir o jogo. O time não tem nenhum bom passador, e para um time jovem precisando evoluir, é importante ter alguém capaz de dar a bola a todos os jogadores em boas posições e situações. Miller é um encaixe bem melhor nesse time, e ainda que não vá fazer muita diferença prática, pode oferecer o tipo de ajuda que muitos jogadores lá precisam. 


Blazers recebe Alonzo Gee e Aaron Afflalo; Nuggets recebe Victor Claver, Thomas Robinson, Will Barton e uma escolha protegida de Draft de 2016.

Eu estou adorando times do Oeste fazendo trocas para vencer agora enquanto a janela está aberta. E foi o que o Blazers fez. A escolha futura é protegida na loteria, então provavelmente vai para o Nuggets já em 2016 (a não ser que LaMarcus Aldridge saia ou algo muito errado aconteça), mas o Blazers precisava de profundidade no perímetro para competir mais seriamente agora pelo título. E foi o que eles conseguiram em Afflalo. O SG está tendo um ano bastante decepcionante e todos seus números caíram, mas ele joga em um dos mais disfuncionais times de toda a NBA, e uma mudança para um time que joga com velocidade, boa movimentação de bola e de forma coletiva pode ser o que ele precisa para retomar a boa forma. E se retomar, ele é algo que o Blazers precisa, alguém capaz de fazer um pouco de tudo vindo do banco - criar para si e para os outros, arremessar de fora para espaçar a quadra, defender em bom nível, etc. Ele não tem o tamanho e a força física para reproduzir o papel que Batum deveria ter nessa equipe, então ele não resolve os maiores problemas do time... mas ele ajuda e torna o time mais profundo e versátil. Quando você está com a janela totalmente aberta para o título, você tem que fazer o possível para aumentar suas chances, e foi o que o Blazers fez aqui. Uma boa troca.


Celtics recebe Luigi Datome e Jonas Jerebko; Pistons recebe Tyshaun Prince

Contratos expirantes por contratos expirantes, então é uma troca sem grandes consequências. Mas o Pistons trás um jogador que vinha bem em Boston para tentar reforçar a rotação em busca de uma vaga nos playoffs, e trás de volta um antigo herói e ídolo da franquia. Então... hmmm... é basicamente isso. Entre KG e Prince de volta a Wolves e Pistons, respectivamente, a nostalgia foi a maior vencedora dessa trade deadline.


Jazz recebe Kendrick Perkins, Grant Garrett, uma 1st round pick ainda não revelada (Thunder) e uma escolha de segunda rodada (Pistons); Pistons recebe Reggie Jackson (Thunder); Thunder recebe Enes Kanter, Steve Novak (Jazz), Kyle Singler e DJ Augustin (Pistons).

Para analisar essa troca, precisamos olhar os três times envolvidos.

Para o Jazz, manter Enes Kanter não valia mais a pena. Kanter é um jogador talentoso com conjunto de habilidades interessantes e bom potencial, mas que também vinha com várias limitações e que, sendo um free agent, provavelmente seria muito caro de manter no fim do ano. O turco tem bastante potencial, mas hoje, ele pouco oferece na defesa, e no ataque ele - apesar de potencial para ser bastante completo - é apenas um jogador de post up com bom rebote ofensivo que não faz mais nada. Ele é um desastre na defesa, e embora ofereça mais opções ofensivas ao lado de Derrick Favors, a emergência de Rudy Gobert - um defensor infinitamente melhor - tornou Kanter totalmente dispensável. A dupla Favors-Gobert tem sido 3.4 pontos por 100 posses melhor do que Enes-Favors, e considerando a extensão de Favors e o contrato máximo de Gordon Hayward, a última coisa que o Jazz quer nesse momento é acabar com sua flexibilidade salarial dando um contrato gordo a um jogador que, apesar do potencial, é só sua terceira melhor opção no garrafão e provavelmente um reserva. Então ao invés de perder o turco por nada ao final do ano, o Jazz se contentou em receber o que pudesse no mercado por ele, e faturou uma escolha de primeira rodada no processo (ainda não revelada) e Perkins (que terá um buyout para economizar uns cobres).

Para o Pistons, é simples: o time quer ir aos playoffs, e estava caminhando a passos largos para atingir esse objetivo quando perdeu Brandon Jennings, seu armador titular e o cara que deu vida nova ao seu ataque pós-Josh Smith. DJ Augustin vinha jogando bem na sua ausência, mas era claro que o time perdia bastante com essa mudança, então fazia todo o sentido para Detroit buscar um armador novo e melhor no mercado, para tentar salvar a temporada e garantir a vaga nos playoffs. O time gosta de jogar com espaçamento, e Jennings mudou o time sem Smith quando começou a atacar mais a cesta e causar caos no garrafão, e nisso o explosivo Jackson é muito melhor do que Augustin. Sua defesa também é melhor, e em geral, Jackson tem muito mais a oferecer do que Augustin, recolocando o Pistons em condições de brigar por aquela última vaga. Todo mundo lembra o que ele fez no começo do ano com Durant e Westbrook machucados, levando o Thunder nas costas com 19-5-8 de média.

Enfim, chegamos no Thunder, que em valor se saiu bem: Reggie Jackson foi importantíssimo para o time no começo do ano, mas vinha perdendo cada vez mais espaço e parecia ser mais um problema do que uma solução nos últimos tempos, especialmente desde a chegada de Dion Waiters. Além disso, era free agent ao final do ano, então o Thunder provavelmente perderia o jogador por nada. Já Perkins, eternamente mal falado e culpado pelos maus momentos do Thunder, não é um jogador que chama muita atenção e que sempre foi dispensável. Então OKC conseguiu usar os dois para reforçar seu banco, trazendo dois bons arremessadores que devem mofar na reserva (Novak e Singler) mas que ainda podem ter algo a oferecer, o jogador de garrafão que tanto queria em Kanter, e um bom PG reserva em Augustin.

Então em valor foi bom - trouxeram boas opções e rechearam o banco usando um cara que estava encostado faz tempo e um armador que não queriam mais e perderiam de graça. O que eu questiono é o quão melhor o Thunder realmente ficou com essas trocas. Nenhuma das novas adições na equipe sabe defender, para começar. Novak e Singler trazem arremessos de fora e espaçamento, então pelo menos adicionam alguma coisa, nem que seja profundidade. Mas as peças grandes são Augustin e Kanter, e embora no papel sejam boas adições - um PG reserva e um pivô capaz de pontuar perto da cesta - eles são realmente o que OKC precisa agora?

Comecemos por Kanter. O turco tem duas habilidades de nível NBA, os rebotes ofensivos e pontuar de costas para a cesta. A primeira habilidade é sempre útil, mas a segunda é incerto. Claro, jogadores assim são sempre úteis, mas não é como se ele fosse Al Jefferson no fundamento - 60th percentil dos jogadores da NBA apenas - e ele tira coisas demais da mesa. Ele é absolutamente incapaz de passar a bola, então o post up dele tem poucas chances de gerar uma movimentação favorável pro ataque e seria facilmente "anulado" em uma série de playffs, e ele descompensa sendo talvez o pior defensor de garrafão da NBA na atualidade (e é o pior protetor de aro da NBA - adversários chutam 57.6% contra ele na área restrita, pior marca da liga). Pontuação de costas pra cesta é uma habilidade sempre útil, mas o Thunder realmente se beneficiaria de ter mais um pontuador fominha que segura demais a bola, não roda o jogo e não faz os companheiros melhores, e que ainda dobra como um dos piores defensores do mundo? Realmente move tanto a agulha assim em relação mesmo a Perkins, que é um nulo no ataque mas é pelo menos um bom defensor, com o qual OKC é algo como 4 pontos por 100 posses melhor quando está em quadra? Bom lembrar também que Kanter é um free agent restrito ao final do ano, e tem potencial para receber um bom contrato. A não ser que o Thunder decida abrir o cofre para manter o jogador - sabe, dando aquele contrato que não quis dar para James Harden? - também não passa de um aluguel de dois meses.

O mesmo para DJ Augustin. Sim, ele é um bom reserva, mas não é um bom arremessador, é alguém que produz melhor quando tem a bola nas mãos, e que não defende bem. Considerando que o problema do Thunder é justamente a dificuldade de jogar em equipe, rodar a bola e achar jogadores que complemente os seus dominantes ball handlers, Augustin não me parece um bom encaixe. Talvez Jackson não estivesse rendendo por causa da personalidade, mania de querer fazer demais e excesso de toques na bola, mas como exatamente Augustin renderia melhor em uma função secundária? Talvez o pessoal ainda não desgoste dele como desgostava de Jackson, mas o que Augustin trás para quadra que é melhor que Reggie Jackson?

A velha piada: se Enes Kanter é a resposta, então eu não quero saber qual é a pergunta. Não é que o Thunder fez trocas ruins ou se tornou um time pior, nem nada do tipo. Eu só acho que as trocas foram nem de longe tão benéficas e mudam tanta coisa como as pessoas parecem pensar. Elas aumentam o potencial de OKC, e com o relógio correndo contra Oklahoma City, o time tem mais é que correr atrás dessas trocas mesmo na tentativa de conseguir alguma coisa nova. Se eu fosse o GM do time, provavelmente também teria feito ambas as trocas. Eu só acho que, no final do dia, o resultado não vai mudar em nada com os novos jogadores.


Veredito

O Phoenix Suns projetava como um grande perdedor dessa troca, mas muito mais por causa de Dragic ter forçado o time a uma situação sem solução do que por outra coisa. E a inevitável troca ruim aconteceu... só que Phoenix não parou por ai, e ao invés de pisar no estrume, se afundou até a cintura trocando seu melhor ativo por um PG overrated que vai ganhar uma fortuna no final do ano, e se livrando de outro bom PG por nada. Phoenix não fez nada para salvar o resto da sua temporada e tornar-se um time melhor no curto prazo, mas também trocou seu melhor ativo e um contrato muito favorável por um jogador mediano que ficará muito overpaid em três meses. Em outras palavras, também prejudicou em MUITO o valor do time no médio prazo. Um dia para esquecer de Phoenix, que praticamente se destruiu em duas horas.

Os grandes vencedores (pelo menos os times) foram, a meu ver, Heat e Bucks. Miami porque pegou, a baixo custo, um dos melhores PGs da NBA e a peça que faltava para o time voltar a ser competitivo e candidato as Finais em Dragic - ou, melhor dizendo, porque esse armador caiu no seu colo. E Bucks porque, em troca de um jogador overrated que eles não queriam pagar no final do ano (e provavelmente perderiam por nada), conseguiram não só um talentoso, jovem e muito mais barato armador para se juntar a seu jovem e talentoso núcleo, como também roubou junto duas boas peças de rotação em Ennis e Plumlee, e se tem um time na atualidade que sabe aproveitar o valor de um bom banco, é o Bucks. Excelentes negociações para ambos os times.

Para terminar, Celtics e Thunder também fizeram barulho, e conseguiram trocas interessantes a bons valores. Ambas aumentaram o teto da sua equipe, e maximizaram seus ativos. Ainda assim, eu não acho que de para declarar ambos vencedores ainda. OKC porque não estou convencido de que essa troca realmente faz do Thunder um time melhor ou muda a perspectiva da franquia, e Boston porque ainda tem um risco considerável dessa troca custar a Boston (por causa da pick desse ano e do desenvolvimento de Smart) muito mais do que ela adiciona no médio prazo. Ainda esperando para ser avaliado completamente.

E por fim, os grandes vencedores fomos todos nós, que temos um twitter e pudemos acompanhar em tempo real a mais maluca e divertida trade deadline de todos os tempos. E agora que finalmente colocamos toda essa loucura em contexto, é hora para mais café. Com licença. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Especial NBA - Jerry West e Oscar Robertson





Pra quem não sabe que Especial é esse e pra que ele serve, leiam esse post antes.
Posts anteriores: Bill Russell e Wilt Chamberlain

Jerry West (Los Angeles Lakers, 1971)
Oscar Robertson (Milwaukee Bucks, 1971)


No último post do Especial, falamos um pouco sobre as mudanças que acompanharam a entrada de Bill Russell e Elgin Baylor na Liga no final dos anos 50, e prosseguimos falando da dominação do Celtics na década de 60, inclusive a rivalidade entre Russell e Wilt Chamberlain. Esse post terminou com o título do Lakers de 1972 (time do Wilt), mas temos dois anos para preencher: 1970 e 1971. E é justamente pra preencher esses dois anos que temos os times de Jerry West e Oscar Robertson, que estão em times da mesma temporada, 1970-71.

West e Oscar estavam numa situação muito parecida em 1971: Os dois melhores guards pré-Merger estavam um pouco passados do seu auge (West estava menos), ainda eram dois jogadores muito acima do resto da Liga, duas das estrelas que mais enchiam ginásios, e ambos ainda estavam em busca do seu primeiro título. A grande diferença entre Oscar e West, no entanto, foi o caminho que os dois trilharam na NBA, em geral por coisas além do seu controle. O que pode ficar evidenciado pelo fato de que West era o astro do time que o Draftou, o Lakers, enquanto que Oscar era apenas o segundo melhor jogador depois de ter sido trocado para o Bucks pelo Cincinnati Royals, time onde fez a maior parte da sua carreira.

Pra podermos entender o caminho de Oscar na NBA e porque ele acabou sendo trocado mesmo sendo um dos melhores jogadores Pre-Merger e não estando tão passado assim do seu auge, precisamos entender o que ele passou durante sua vida, e pra isso vamos precisar tocar num assunto que eu comentei no post anterior, mas não me aprofundei. Mas porque não deixamos o próprio Big O explicar, nas palavras finais da sua autobiografia The Big O: My Life, My Times, My Game: "Uma vez eu ouvi dizer que para escrever uma canção de amor, você tem que ter passado por maus momentos. Para escrever uma canção de amor, você tem que ter tido seu coração partido. Se esse é o caso, eu posso afirmar aqui e agora que eu seria capaz de escrever as maiores cançōes do mundo".

Wow, pesado. Aos que ainda estão se perguntando, ele não estava falando de nenhuma ex-namorada, tava falando de uma coisa muito mais tensa: Racismo. Assim como Russell e Elgin, Oscar foi uma das primeiras grandes estrelas negras do basquete. Assim como Russell e Elgin, seu físico e sua capacidade atlética (junto ao seu enorme talento) elevaram ele acima dos demais jogadores da época de forma impressionante. E assim com Russell e Elgin, Oscar teve que lidar com uma situação muito difícil de brilhar em um esporte (na época) de brancos, em uma Liga branca de jogadores brancos. Desde o colegial, Oscar era uma grande estrela do jogo e um dos melhores jogadores do mundo, um jogador fenomenal que enchia ginásios mesmo antes de se formar no colégio. No entanto, fora do jogo de basquete, ele era mais um negro vivendo num mundo de brancos, constantemente desprezado e tratado como se sequer fosse um ser humano. Quando seu time da Universidade foi jogar no Texas, seu time foi para o hotel onde iam ficar, mas ele tinha um enorme aviso "Proibido negros" fixado na porta. Seu time ainda ficou no hotel, mas Oscar não pode entrar e foi obrigado a dormir sozinho numa velha estação de ônibus. Oscar frequentemente não podia comer no mesmo restaurante dos seus companheiros porque não serviam negros. Na esquina do ginásio da sua universidade, que enchia semanalmente pra ver Oscar jogar, tinha um cinema que separava as filas entre "brancos" e "coloridos" onde ele nem podia assistir normalmente um filme. Quando Oscar foi jogar em Dallas, torcedores colocaram um gato preto no seu quarto antes dele chegar. Quando ele foi jogar em North Carolina, entregaram pra ele uma carta do Grande Dragão da Ku Klux Klan dizendo "Nunca venha para o Sul". Mesmo na Universidade de Cincinatti, onde ele era o grande astro, ele era tratado com alguem inferior. Professores saiam do seu plano de aula pra fazer Oscar se sentir burro e falar de como ele errava as coisas. E raramente alguém saia em sua defesa, mesmo seus companheiros. Essas são apenas algumas das histórias pelas quais Oscar teve que passar... E ele não tinha sequer terminado a universidade!!

Claro que indo pra NBA, as coisas não mudaram. O racismo continuou diaramente na vida de Oscar, da mesma forma que na de Elgin e Russell. Mas elas marcaram Oscar muito mais do que Russell (Elgin é um caso a parte que vai ser devidamente contado quando fizermos a parte II do nosso Especial) por dois motivos: Primeiro, porque Russell e Oscar lidavam com isso de formas diferentes. Russell era competitivo demais, e canalizava todas as hostilidades para seu jogo, para destruir seu oponente e fazer o que ele mais gostava, vencer. Russell sempre se importou de menos com o que os outros pensavam e demais com o seu time e com a vitória, e isso de certa forma o ajudava a canalizar todo o ódio que recebia pra fora dele. E segundo e mais importante, Russell teve Red Auerbach, um visionário muito à frente do seu tempo (e, vale citar, judeu) que sabia perfeitamente pelo que Russell passava e iria passar e sabia como montar um ambiente ideal para uma superestrela negra. Russell jogava cercado de mais jogadores negros do que em qualquer outro time (Satch Sanders, KC Jones e Sam Jones, pra citar três) e Red sempre tomou conta dele para que esse ódio que ele recebia não se materializasse. Não é como se faltassem histórias para Russell (como quando ele se mudou pra Boston e comprou uma casa em uma região de brancos. Seus vizinhos invadiram a casa, quebraram tudo e defecaram na sua cama) ou como se elas nunca tivessem afetado o pivô (quando entrou na Liga, Russell era um pouco nervoso com essas historias sim), mas a questão é que a forma como ele lidava com isso e a forma como Auerbach o protegia (e sim, a forma como seu time - jogadores brancos ou negros - sempre o respeitaram e idolatraram) conseguiram escudá-lo de tudo isso.

Oscar não teve essa sorte. Ele viveu experiências que nós, 60 anos depois, não conseguimos nem imaginar. Vai muito além de simples humilhação - ele sequer era tratado como um ser humano. Como você explica pra um jogador que toda noite enche ginásios que ele sequer pode estar na mesma sala que todas aquelas pessoas em outras circunstâncias sem elas levantarem e sairem de perto de voce? E Oscar, que nunca foi como Russell e nunca teve Red Auerbach, acabou guardando tudo isso dentro dele. Todo esse ódio que ele teve que aguentar acabou sendo engolido por Oscar como um veneno, e isso lentamente foi destruindo a pessoa que ele era. Ver fotos do Oscar dos tempos de colegial lembra muito o Magic Johnson: Um sorriso enorme, alguém que genuinamente se divertia jogando, que gostava de impressionar e deixar todo mundo feliz. Conforme o tempo foi passando e Oscar foi tendo mais e mais contato com o que há de pior na natureza humana, ele foi mudando, seu jogo foi perdendo a alegria, Oscar foi se isolando cada vez mais do mundo interior e virando uma pessoa extremamente amarga. Mesmo quando chegou a NBA e destruiu tudo e todos no seu caminho, ele não conseguia mais jogar como o velho Oscar, feliz e despreocupado. Ele era um atleta extremamente talentoso e habilidoso, fisicamente superior a todos os armadores (mesmo quando mais tarde mais atletas negros entraram na Liga, apenas três ou quatro podiam enfrentá-lo fisicamente) e que teve um triple-double de média em 1962 (vale lembrar, a temporada estatisticamente mais inflacionada da história da NBA, embora valha lembrar que na época estatísticas tinham um critério bem mais rígido e era bem mais dificil chegar a 10) e um triple double de média quando juntamos suas CINCO primeiras temporadas, mas que ninguém realmente conseguia conectar com ele, fãs, outros jogadores... Oscar acabou canalizando boa parte da angustia que ele tanto guardava pra todo mundo ao redor dele, fãs, mídia, colegas de time, técnicos e etc, todo mundo que não conseguia compreendê-lo, acompanhá-lo ou simplesmente fazer como ele gostava. Todo mundo respeitava Oscar, mas ninguém realmente gostava dele. Em outras palavras, Oscar virou um pentelho, perfeccionista e impossível de se conviver, que acabava com os companheiros de time menos talentosos, motivo pelo qual ele foi mandado pro Bucks sem muita cerimônia mais tarde. Mas Oscar tem uma desculpa legítima: Se qualquer jogador da NBA (Jordan, Magic, Lebron, pode escolher) tivesse lidado com tudo que Oscar lidou nos anos 50 e 60, eu duvido que teria tido uma carreira tão boa e bem sucedida. No fundo, Oscar foi uma vítima da sua era.

(Importante demais pra deixar de fora - Em termos de basquete, Oscar e o Royals tiveram uma dose dupla de azar e uma dose de incompetência da NBA que tiveram um impacto negativo forte no que o time foi capaz de alcançar. Primeiro, Oscar e o Royals tiveram seu auge em uma época onde NINGUEM estava encostando no Celtics de Russell [62-66], time que cansou de vencê-los nas Finais do Leste. Mas, em segundo lugar, possivelmente isso só aconteceu porque em 63 a NBA expandiu para Baltimore e de alguma forma acharam que fazia sentido o Royals se mudar pro Leste, ao invés de colocar logo Baltimore lá e deixar o Royals no Oeste. Olhe um mapa dos EUA e tente entender como isso faz sentido. O resultado foi que o Royals passou seu auge enfrentando o Celtics - e depois o Sixers de Wilt - nos playoffs de conferência e perdendo, enquanto que se eles nunca tivessem ido para o Leste provavelmente teriam chegado em diversas finais entre 63 e 67, e até tinham muito mais chance de terem roubado um título lá. E terceiro, por causa dos problemas de saúde de Maurice Strokes, astro do time no ano anterior à chegada de Oscar. Um ala de força negro, jovem, forte e que tinha médias como 17-18 teria sido o melhor parceiro para Oscar, e juntando ele e Oscar nesse time do Royals é muito capaz que Cincinatti teria sido capaz de mudar o cenário da NBA como o conheciamos. Mas infelizmente Strokes sofreu encefalite por uma série de eventos infelizes - bateu a cabeça muito forte em um jogo sofrendo um trauma cerebral, que não foi diagnosticado. Ele viajou de avião pra jogar com o Royals, bateu a cabeça de novo, viajou de novo de avião antes de desmaiar e ser diagnosticado, quando já era tarde demais e o dano já era permanente e irreversível. Strokes passou o resto da sua curta vida numa cadeira de rodas, numa das minhas historias favoritas da NBA: Quem acolheu Strokes quando isso aconteceu foi seu companheiro de time Jack Twyman, que com sua familia trouxe Strokes pra morar com ele, juntou dinheiro para pagar suas dividas e cuidou do amigo até sua morte. Lembre-se que estamos num momento de grande racismo nos EUA e que Twyman era branco e Strokes negro, e que naquela época jogadores medianos na NBA como Twyman ganhavam pouco dinheiro, e você talvez entenda o peso disso na época).

West, por outro lado, nunca teve que lidar com nada disso. Pelo contrário, West acabou virando um ícone da NBA, um Superstar branco, bem comportado, sem problemas fora de quadra e adorado pelos outros jogadores. West não era fisicamente superior aos demais jogadores como Oscar, Elgin ou Russell, não conseguia jogar acima do aro, mas seu jogo era, não tem outra palavra, perfeito - seu arremesso era perfeito, seu drible era perfeito, sua tecnica defensiva era perfeita, cada movimento era absolutamente preciso. Seu jogo era tão sistemático e perfeito que, vendo videos dele jogando, posso dizer com absoluta certeza que se West jogasse hoje na NBA, ele seria um All-Star. A NBA acabou vendo em West a chance de passar a imagem de que um branco podia dar tão certo na Liga como os negros, algo importante na época para uma Liga que começava a ter a imagem de ser dominada por negros.

Além disso, West era o oposto de Oscar na relação com os outros jogadores. Todo mundo - companheiros e adversários - respeitava Oscar, mas ninguém realmente gostava dele, e ele não fazia questão de ser gostado. Mas West? Todo mundo na Liga adorava West, tanto como jogador como como pessoa, um competidor do mais alto grau, extremamente habilidoso, que jogava para o time, um líder como nenhum outro na época tirando Russell, que fazia todos seus companheiros melhores e se preocupava sempre com a vitória e com seu time. Adequadamente ou ironicamente, como preferir, o maior fã de West não era outro senão Bill Russell. Quando West teve média de quase 40-10 nas Finais de 69, mas seu Lakers ainda perdeu para o Celtics num dramático jogo 7 em casa, a primeira coisa que os três principais jogadores do Celtics (Russell, Sam Jones e John Havlicek) foram fazer antes de ir pro vestiário comemorar foi abraçar West, quase como se pedissem desculpas por estragar o que deveria ter sido o primeiro título dele. Hondo até disse, naquele momento, que "Você merece um título mais que qualquer outro a algum dia jogar esse". Quando o Lakers fez a Jerry West Night alguns anos depois, Russell pagou seu próprio ingresso pra entrar e fez um discurso muito comovente para o Logo, dizendo que ele era "em qualquer sentido da palavra, um verdadeiro campeão". Alem disso, ele foi escolhido pra ser o Logo da NBA!! Todo mundo adorava West, ele foi provavelmente o jogador mais amado da NBA pré-Merger... Mas ele nunca teve que lidar com o que Oscar lidou. Por isso ele pode ser ele mesmo durante sua carreira. No final, ele e Oscar foram definidos por coisas além do seu controle - no caso, que West era branco e Oscar era negro.

Mas West acabou me gerando um certo problema aqui, com a ajuda da 2K Sports. Porque dar ao West o Lakers de 1971? Não faz sentido. Eu falei no último post que dar ao Wilt o Lakers de 72 era uma ideia idiota porque deveria ter sido de West, e Wilt deveria ter ficado com o Sixers de 67, o auge de sua rivalidade com Russell. Como Wilt ficou com o Lakers de 72 - um time que não poderia ficar de fora - era de se imaginar que isso tinha acontecido porque West já estava "ocupado" com outro time mais icônico... Mas não foi o que aconteceu de forma alguma. Como jogador, West atingiu seu auge duas vezes, em 66 e depois em 1970 (quando deveria ter sido MVP). Como líder de time, o auge de West foi entre 65 e 68, quando sozinho levou o Lakers nas costas por tantos anos pau a pau com o Celtics depois que Elgin estourou o joelho e nunca mais foi o mesmo. Como Alpha Dog, o auge de West foi em 69, 70 e 72. E seus melhores times foram em 69 (Elgin e Wilt) e 72. Seus dois momentos mais icônicos aconteceram em 69 (MVP das Finais mesmo perdendo) e 1970 (já falaremos disso). Em 1971, West ficou no top3 em assistências, mas batalhou com lesōes o ano todo e perdeu boa parte dos playoffs, onde o Lakers pouco fez. Mas o time de West é o Lakers de 71... Por que? Não faz sentido. Por isso, vamos ignorar que o Lakers é de 1971 e fingir que deram ao West o de 1970, que faz mil vezes mais sentido mesmo sendo uma temporada pela qual West nunca recebeu o devido crédito. E já vamos ver porquê.

Em 1970, o Lakers não passava por um bom momento. A derrota para o Celtics nas Finais de 69 (Perdendo um jogo 7 em casa com Wilt mofando no banco depois do dono do Lakers ter enfeitado o ginásio com coisas para comemorar o título, o que emputeceu West) foi extremamente traumática, Wilt estava passando por mais uma das suas fases de ficar mudando constantemente seus objetivos e se colocando na frente do time (Wilt só escutou um companheiro de time na sua carreira - West),  e Elgin Baylor estava envelhecendo rapidamente graças àquela lesão no joelho de 1965. Além disso, o Lakers viu Wilt estourar o joelho no começo da temporada e perder o resto da temporada regular (70 jogos), e Elgin Baylor e Happy Hairston perderam 55 jogos juntos. Em outras palavras, West perdeu seus três melhores companheiros pela maior parte da temporada regular, e o resto do time era uma belíssima droga (o melhor companheiro de West por boa parte da temporada? Mel Counts. Yikes!). Pra piorar, apesar do Celtics ter ido pro buraco com as saídas de Jones e Russell, um novo Juggernault surgia no Leste, o Knicks de Willis Reed, não só um excelente time como também um time que jogava muito bonito e muito bem, o que chamou toda a atenção da mídia e dos fãs pra longe de Los Angeles. Some tudo isso e, após as lesōes de Wilt, Bailor e Hairston, todo mundo estava contando o Lakers como praticamente fora da temporada.

Mas foi ai que alguma coisa ligou dentro de West. Talvez tenha sido a derrota pro Celtics no ano anterior (traumatica especialmente para West, que foi o melhor jogador da série e teve uma performance "HOLY SMOKES!" no Jogo 1 com um 55-10. What the f...??), ou mais provavelmente tenha sido um grande jogador muito competitivo simplesmente percebendo que ele estava sozinho e sem ajuda, e que se não fosse ele fazendo tudo, o time não ia a lugar nenhum (mais ou menos como aconteceu em 1965, quando Baylor estourou o joelho, West surtou e levou o Lakers à final sozinho). West percebeu o perigo e elevou seu jogo mais um patamar: Ele acabou o ano com 31-5-8, liderou a Liga em pontos e ficou em terceiro em assistências, chutou 50% em FG e foi ao primeiro time All-Defense da NBA, levou o Lakers a 46 vitórias mesmo passando boa parte do ano jogando com um time de Counts, Dick Garrett, Keith Erickson e Rick Robertson (e depois era Wilt que não tinha ajuda em Philly. Holy hell!). West  levou nas costas esse time sendo seu ball handler (mesmo sendo SG, o time simplesmente não tinha mais ninguém), principal pontuador, melhor defensor, líder emocional e por exemplo, e crunch time scorer. Ninguém fez mais pelo seu time que West naquela temporada, lembrando que apenas 4 times de cada conferência iam aos playoffs. 

Porque ninguém lembra mais dessa temporada de West, provavelmente a melhor Pre-Merger de um não-pivô junto com o triple double de Oscar em 1962? Porque todo mundo tava ocupado demais prestando atenção ao Knicks, um time extremamente divertido. Willis Reed acabou ganhando (leia-se: roubando) o MVP de West mesmo jogando num time onde seja impossível dizer quem era mais valioso no time entre ele (22-14 e defesa de garrafão) e Walt Frazier (21-6-8 e defender o melhor jogador de perímetro) num time que ainda tinha Dave DeBusschere. West fez mais do que os dois individualmente, jogou sozinho a temporada inteira e significou muito mais pro seu time. Só que o Knicks era um time melhor e mais interessante, todo mundo só tinha olhos pra eles, e acabaram votando  em um jogador do time que todo mundo interessava. E assim West foi assaltado a mão armada.


Uma semana depois, Wilt voltou para os playoffs, o Lakers ganhou uma série sofrida dos fortes Suns, varreu os Hawks de Walt Bellamy e, adequadamente, foi para a Final contra o Knicks. E apesar do Knicks ser o franco favorito e ter um time muito melhor (especialmente com Wilt e Elgin muito baleados ainda), West e o Lakers levaram a série a sete jogos depois que Willis Reed machucou no Jogo 6, em uma série que envolveu dois dos momentos mais famosos da história da NBA: O buzzer beater de trás do meio da quadra de West pra mandar o jogo 3 pra prorrogação, e Willis Reed saindo do tunel mesmo com o músculo da perna rompido pra jogar o Jogo 7, acertando dois arremessos e trazendo o MSG abaixo. Mesmo com um time bem pior, West e o Lakers quase roubaram aquelas Finais fora de casa. Não fosse uma combinação de três coisas no Jogo 7 - Willis entrando em quadra, levando o MSG ao delírio e empurrando todo o time; Frazier jogando um dos melhores jogos de todos os tempos (36 pontos, 19 assistências, 7 rebotes e 5 roubos, engolindo West); e Wilt jogando um jogo extremamente passivo sem nunca pensar "Ei, tem um cara com uma perna me marcando, eu devia partir pra cima dele!", o Lakers provavelmente teria roubado esse título do Knicks. Abaixo, os dois lances citados.

(Detalhe sobre o vídeo: Repare que quem faz a cesta do Knicks é Dave DeBusschere. Quando West arremessa e faz a cesta, de alguma forma, Dave já estava embaixo dela. Ninguém jogava com mais energia e raça que Dave DeBusschere em 1970)





Mas uma outra coisa importante aconteceu em 1970: A chegada na NBA do então Lew Alcindor, mais tarde Kareem Abdul-Jabaar. Apesar do Bucks não ter sido uma ameaça em 1970, Kareem se estabeleceu na NBA como o próximo grande pivô da Liga a ponto do Bucks ir atrás de um armador veterano pra colocar junto do seu pivô pra tentar conquistar o título da NBA. O time já tinha uma excelente base, mas precisava de um veterano pra armação (Lucius Allen foi o "armador" de Kareem em 1975... Mas ele era tão incompetente que o lider em assistencias do Bucks naquele ano foi Kareem com 3,4 por jogo. So there!) e pra controlar o ritmo do jogo nos momentos decisivos. E com o Royals ansioso pra se livrar de Oscar por tudo que já foi dito lá em cima, o Bucks aproveitou e pegou ele por pouca coisa.

E como eu já disse, o Bucks liberou o inferno com a definitiva temporada Keyser Soze pré-Merger em 1971: Com Kareem perto do seu auge carregando o piano ofensivamente (35-17-5 com 57% de arremessos), Oscar Robertson (um pooouco passado do seu auge) controlando o ritmo do jogo (dois dos 10 ou 15 melhores jogadores de todos os tempos juntos) e Bobby Dandridge costurando defesas e mudando o ritmo do jogo, o resto do time se encaixou em volta disso. Os números respaldam essa afirmação: O time teve duas das maiores sequencias de vitórias da história da NBA na mesma temporada (20, depois 16 jogos), liderou a Liga em todas as categorias relevantes e terminou a temporada com a terceira maior diferença de pontos da história da NBA (12.2), perdeu apenas duas partidas em casa na temporada inteira, incluindo playoffs (segunda melhor marca de todos os tempos atrás do Celtics de 86'). Ganharam 66 jogos na temporada regular e só não chegaram a 70 porque garantiram a 1st seed cedo demais e se entediaram. Nos playoffs, o Bucks conseguiu melhorar ainda mais: Perdeu apenas dois jogos nos playoffs inteiros, ganhou os 8 jogos que fez em casa, ganhou 11 jogos por dois digitos, e estabeleceu o recorde da história dos playoffs pra point diferential (14.2). Eles varreram as Finais com todos os jogos por 8 pontos ou mais. Agora, meus amigos, essa é uma temporada Keyser Soze definitiva: Por nove meses, ninguém encostou nesse Bucks. Eles jogaram não só pra ganhar, mas pra destruiur, e o fizeram por cima da Liga inteira. Tirando um certo time, eles terminaram 12-4 na temporada regular contra times que venceram 48 jogos ou mais. E é isso que eu quero do meu time definitivo Keyser Soze. Nem o Knicks 70 nem o Lakers de 72, ninguém foi tão invencível do começo ao fim da temporada como o Bucks de 71'.

No papel, o Bucks de 71' teve uma temporada transcendental em todos os aspectos até para os dias de hoje. No entanto, precisamos tomar isso com um grão de sal por alguns motivos: Primeiro, a Liga expandiu em 1969/70, então a Liga estava passando por um período de diluição dos times, beneficiando um time que tinha Kareem e Oscar (e qualquer outro time com duas estrelas como Wilt/West, Reed/Frazier, etc). Além disso, a Liga tinha melhorado bastante em relação à era Russell/Elgin, mas ainda era um pouco branca e lenta demais, principalmente por causa da concorrência da ABA, que tirava da Liga boa parte do talento mais jovem e explosivo. Segundo, o Bucks daquele ano teve alguma sorte: Elgin e West machucaram nos playoffs, o Celtics ainda estava na transição entre a era Russell e a era Hondo/Dave Cowens e não era ameaça ainda. E terceiro e mais importante, o time que terminou o ano 4-1 contra o Bucks, os atuais campeōes Knicks e um matchup PESSIMO pro Bucks perderam na Final da Conferência e não enfrentaram o Bucks nos finais - ao invés disso, eles enfrentaram um Bullets de 42 vitórias sem Gus Johnson, machucado. Então essa temporada não foi tão dominante quanto pareceu no papel, por conta de uma questão de timing e sorte. Mesmo assim, nenhum time pré-77 teve o nível de dominância e de "Ninguém está encostando nesses caras esse ano!!" que esse Bucks teve. Quando você tem Kareem perto do seu auge e Oscar é seu SEGUNDO melhor jogador, você provavelmente tem alguma coisa especial. E esse time tinha.

Dois últimos pensamentos sobre Oscar e West. Primeiro, um dos pontos fundamentais dessa série é o que eu sempre bato na tecla: Com o passar do tempo, o que acaba ficando mais evidente de jogadores antigos são os números e registros físicos, como MVPs e All-NBAs/All-Stars, e isso acaba levando a alguns absurdos como gente achando que Wilt vs Russell é uma discussão. A era Pre-Merger, de longe, é a que mais precisa ser levada em consideração nesses aspectos. A Liga era branca, baixa e pouco atlética demais, então jogadores mais atléticos como Oscar e Wilt tinham uma grande vantagem sobre os demais jogadores. Além disso, era uma época de grande inflação estatística: O jogo era rapido demais, não tinha linha de três e praticamente todo mundo vivia de arremessos, cada time arremessava cerca de 110 vezes por jogo e cada time pegava uns 40 rebotes a mais do que hoje em dia. Nesse contexto, por exemplo, que faz sentido Wilt marcar 50 pontos (especialmente arremessando 42 bolas) e pegar 22 rebotes, ou Oscar pegar um triple double. Nesse contexto, a nossa percepção desses jogadores acaba sendo maior do que devia (embora preciso dizer sobre Oscar, 10 assistencias por jogo na época era coisa pra caramba, o critério era mil vezes mais rígido na época, se não me engano só Bob Cousy, Oscar e West chegaram a 10 apg numa temporada na época). No entanto, se tem um jogador que acabou prejudicado por essa conjuntura, foi West. West foi prejudicado por três coisas: Primeiro, pela falta de uma linha de três pontos. West foi um dos grandes arremessadores de sua geração, mas passou boa parte da carreira chutando de três mas que só valiam dois. Segundo, que não contabilizavam roubos durante grande parte da sua carreira. West foi um dos melhores defensores e maiores ladrōes de bola da sua geração, mas nunca contabilizaram isso até o final da sua carreira, onde ele já tinha passado consideravelmente do seu auge e ainda tinha media de quase 3 roubos por jogo. E quarto, só criaram All-Defense Teams em 1969, e West foi do primeiro time All Defense nos quatro anos antes de aposentar. Imagine como ficaria a carreira do West historicamente se ele tivesse acertando três ou quatro bolas de três por jogo, chutando 40% de longe, totalizando cinco roubos por jogo no seu auge e feito nove All Defense Teams ao invés de quatro? Historicamente, ele teria um resumo ainda mais impressionante, mas acabou prejudicado pela falta dessas três coisas.

Pra terminar, tem algum jogador que teve mais sucesso dentro E fora das quadras do que Jerry West? West e Oscar foram, por qualquer cálculo, os dois melhores guards pré-Merger, e eu já passei um texto inteiro e enorme falando disso. Mas West também foi responsável por montar duas das maiores dinastias prós-Merger: O Lakers dos anos 80 e o dos anos 2000. West foi o GM que trouxe Kareem  em 77' quando ele pediu pra sair de Milwaukee, trocou Gail Goodrich pra New Orleans e recebeu em troca a escolha que acabou sendo a 1st Pick de 1980 (Magic), e futuramente escolheu James Worthy no Draft, montando um time que foi campeão cinco vezes em nove anos e chegou a mais quatro finais entre 1980 e 1991. Depois, ele trouxe Shaq de Orlando e trocou Vlade Divac pelos diretos de Kobe  Bryant, montando o time que foi tricampeão entre 2000 e 2002. Acreditem quando eu digo que o Logo entendia muito de basquete. West acabou rendendo ao Lakers, no total, 11 aneis contando. Me acordem de novo quando alguém for um dos melhores jogadores da história E montar duas das maiores dinastias da história da NBA em uma vida.