Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

Mostrando postagens com marcador Phoenix Suns. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Phoenix Suns. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de junho de 2015

Mock Draft 3.0 - Um Mock Draft com trocas

"ALL HAIL THE BAAAAALL!!"


A essa altura, vocês já devem estar acostumados com a nossa série de Mock Drafts. Mas, caso não estejam, um lembrete do que se trata.

A idéia é fazer vários Mock Drafts, mas com um twist um pouco diferente: explorar diferentes cenários. Muitas escolhas possuem várias opções viáveis, múltiplas direções que podem ser seguidas, e isso tem um enorme efeito dominó ao longo do Draft.  Uma escolha diferente significa um leque novo de opções para as escolhas abaixo, e muitas vezes isso leva a muitas mudanças importantes. 

Então a idéia era, ao invés de se ater só aos palpites, analisar como esse Mock Draft se desenrolaria em diferentes cenários, sob diferentes condições. Cada uma das colunas dessa série se baseia em uma "regra" inicial. Se você quer ver como eu projeto um Mock Draft livre e desimpedido, você pode simplesmente clicar aqui para ver meu Mock "oficial".

Nós já fizemos dois posts dessa série, e cada um se desenrolou de uma forma diferente:

Mock Draft #1: O Lakers decide passar Jahlil Okafor no #2
Mock Draft #2: O Knicks pega Justise Winslow no #4

Agora vamos para o terceiro cenário desse Mock Draft: Um Mock Draft com trocas

Todo Draft tem suas trocas, e o problema de prevê-las em um Mock Draft é que elas são, bem, totalmente imprevisíveis. A maior parte dos boatos de troca acaba não se concretizando, e sempre tem aquelas trocas que ninguém esperava e que acontecem na hora H. Isso é um problema para fazer um Mock porque, em primeiro lugar, na hora do Draft vários times acabam escolhendo em posições diferentes do que o previsto (o que tem um grande efeito dominó), mas por outro lado, é arriscado tentar antecipar trocas sendo que a chance delas acontecerem de fato é pequena.

Então o que vamos fazer é estabelecer duas trocas - mudando assim a ordem das escolhas - e ver como as trocas se desenvolvem. E as trocas serão as seguintes:

Celtics troca a escolha #16, a #28 e uma escolha protegida futura para o Hornets pela escolha #9

Não é segredo para ninguém que o Celtics - que eu disse repetidas vezes que preferia que perdesse os playoffs para ter uma escolha de loteria - quer subir nesse Draft, e com duas escolhas em 2015 e mais um batalhão de escolhas futuras (pelas minhas contas, são 4 escolhas entre 2016 e 2018 além das próprias de Boston), está em boa posição para fazê-lo. Basta encontrar o time certo disposto a descer da loteria. A melhor hipótese atualmente deve ser o Hornets, que tem a escolha #9 e parece estar disposto a descer no Draft. Entre todas as possibilidades de escolha, essa me parece a mais provável - seria mais uma questão de acertar um bom retorno para o Hornets. Celtics poderia oferecer as escolhas #16 e #28, mas talvez seja pouco. Mas Boston tem um baú de escolhas e role players interessantes o suficiente para fazer a troca funcionar se estiver disposto a pagar o preço.

Knicks troca sua escolha #4 para o Suns pela escolha #13 e Eric Bledsoe

Os boatos dessa troca estão ganhando força nos últimos dias. Embora o Suns saia perdendo em valor nessa troca, ela faz algum sentido - Brandon Knight (vindo em uma custosa troca midseason) deve ganhar uma boa grana na offseason, e o time não deve estar satisfeito em pagar perto do máximo para DOIS combo guards que não são estrelas. Então trocando Bledsoe e uma escolha de final de loteria, o Suns tem a chance de arriscar mais alto no topo do Draft, enquanto o Knicks - que supostamente não está confortável com suas opções no #4 se Okafor e Russell não estiverem disponíveis - pega um comprovado veterano para reforçar seu elenco e desce no Draft para uma posição onde pegar alguns dos seus jogadores de interesse seria mais aceitável.


Importante lembrar: isso não quer dizer que essas trocas estão sendo discutidas de fato, ou que vão acontecer na noite do Draft, ou mesmo que DEVERIAM acontecer. São só trocas que eu achei que afetavam o Mock Draft de uma forma interessante entre os muitos boatos e cenários de troca possíveis. Então vamos com eles, e veremos como isso se desenrola.

E antes de começar, certifique-se de que está ciente da GRANDE NOVIDADE para o Draft da NBA aqui no Brasil. Sério, é importante e do seu interesse. Leia.

Clicou e leu? Agora sim, vamos a isto.


#1 Pick - Minnesota Timberwolves
Karl-Anthony Towns, PF/C
Essa pick não vai mudar em nenhum dos Mock Drafts dessa série. Supostamente, Flip Saunders adora Okafor e tem o ex-pivô de Duke como seu #1, mas não é unânime na organização, e eu não consigo enxergar um cenário onde Towns não seja a escolha do Wolves. O encaixe é perfeito demais. Minny tem uma base jovem e atlética, com muitos jogadores que podem ser devastadores (a seu tempo) com um ritmo de jogo acelerado - Rubio, Wiggins, LaVine, Bennett, Dieng, etc. Por outro lado, a defesa do time é sofrível, e precisa de um protetor de aro. E caso o time esteja já com intenções de voltar a competir no curto prazo, Towns é um bom complemento tanto a Dieng como a Petkovic, e trás um alivio imediato na defesa.

Nesse cenário, e francamente em qualquer outro, Towns é a escolha perfeita para o Wolves, um bom defensor e shot blocker que não precisa tanto da bola nas mãos no ataque, pode acompanhar o time na correria e talvez até jogar mais fora do garrafão no ataque. Esse Draft não tem uma clara estrela, e Towns não é elite em nenhum aspecto de seu jogo versátil, mas essa é a vantagem do Wolves - eles já tem uma estrela (Wiggins), e agora precisam do complemento ideal para fazer seu time crescer. É um casamento bom demais para o Wolves ignorar, complementa melhor a base do time, e acho que Towns é quem mais faz sentido - de longe - com essa escolha. 


#2 Pick - Los Angeles Lakers
Jahlil Okafor, C
Eu ainda acho que Jahlil Okafor é a escolha para o Lakers. A maior parte das críticas ao pivô cercam em torno da sua defesa, que não foi das melhores em Duke, mas talvez ainda mais, ao seu estilo de jogo. A NBA de hoje favorece jogadores versáteis, e big men capazes de sair do garrafão e abrir a quadra de um lado e defender bem do outro. Basicamente, o que Towns é, e em contraste, muita gente tem criticado o estilo de jogo de Okafor.

Por outro lado, Okafor é uma força da natureza no ataque. Eu nunca vi um jogador da sua idade tão avançado e refinado no garrafão, e jogadores do seu tamanho e porte físico não deveriam ser capazes de se mover com tanta fluidez e agilidade. Seu repertório de jogadas no post é imenso, forçando ajustes e marcações duplas, e Okafor também é um fantástico passador, achando jogadores livres e movimentando o ataque quando sente a dobra. Sua defesa não é boa, mas o esquema tático de Duke não o favorecia (sem falar que, sendo a base de todo o ataque, não podia ficar em problema de faltas ou gastar energia demais), e ele tem a envergadura e o tamanho para conseguir se desenvolver em um decente protetor de aro.

Então é, Okafor tem suas falhas, não é um ótimo encaixe ao lado de Julius Randle, e tudo mais. Mas seu jogo no post é melhor do que qualquer aspecto de qualquer outro prospecto dessa lista, o tipo de habilidade fora da curva (eu acho engraçado que alguns modelos analíticos não tem Okafor tão alto porque tentam "ajustar" alguns dos seus números absurdos como se fossem outliers, considerando que nenhum jogador deveria ser tão bom finalizando perto do aro) que pode carregar sozinho um ataque (pense Boogie Cousins ou Big Al). No final do dia, ele é o segundo melhor jogador desse Draft, e se tem um time que na década passada se aproveitou do valor de ter um post scorer de elite, é o Lakers. Pra mim é a escolha certa.


#3 Pick - Philadelphia 76ers
D'Angelo Russell, PG/SG
As máquinas 24/7 de boatos do Draft da NBA continuam sugerindo que o Philadelphia 76ers pode ir atrás do pivô letão Kristaps Porzingis, e considerando a abordagem do GM Sam Hinkie de ir sempre atrás do melhor jogador e valor disponível - e ainda mais considerando as tristes notícias sobre a recuperação de Joel Embiid - eu não ficaria surpreso de todo se o Sixers pegasse Porzingis aqui mesmo com Embiid e Nerlens Noel já na equipe.

Mas draftar bons jogadores é só o primeiro passo - desenvolvê-los é o segundo, e isso fica difícil quando seu time é horrível. O ataque é uma bagunça, nenhum jogador consegue ter liberdade para evoluir, então D'Angelo Russell - um combo guard que joga como armador e é o melhor passador do Draft - seria um bom encaixe. Russell é um ótimo arremessador e criador (para si e para os companheiros), e daria o boost ofensivo que esse time tanto precisa para continuar sua evolução tanto com os arremessos, como criando jogadas. Alguns questionam Russell por ter uma capacidade física um pouco limitada, tendo dificuldades para finalizar perto do aro, ele trás coisas demais para quadra para se ignorar. Eu acho particularmente interessante que muitos modelos analíticos colocam Russell como o jogador com maior chance de ser um bust E maior chance de ser uma superestrela desse Draft, mas estou apostando no segundo.. Todas as manchetes sobre o interesse do Sixers em Porzingis me parecem mais uma cortina de fumaça para tentar aumentar o valor dessa escolha e forçar algum time desesperado a morder uma troca atrás do letão. Russell é a melhor escolha disponível.


#4 Pick - Phoenix Suns (via Knicks)
Kristaps Porzingis, PF/C
A máquina do hype de Porzingis está totalmente fora de controle. O auge do exagero aconteceu essa semana, quando Chad Ford disse que Porzingis é "uma mistura de Dirk Nowitzki e Andrei Kirilenko, com um pouco de Kevin Durant". Supostamente ele disse isso sem tomar anfetaminas ou uma arma na cabeça, então serve para ilustrar a que ponto chegamos.

Porzingis é um ótimo prospecto, com enorme potencial. É um excelente arremessador de longa distância com incrível capacidade atlética para um homem de garrafão, com potencial defendendo o aro graças a sua enorme envergadura. Em uma época onde pivôs versáteis e capazes de espaçar a quadra são mais valiosos do que nunca, e dado seu imenso potencial, é claro que Porzingis seria um dos melhores prospectos desse Draft. Mas as pessoas precisam acalmar e olhar o lado negativo - seu jogo além dos arremessos e do físico ainda está muito cru, sem um jogo avançado de costas para a cesta ou com a bola nas mãos; seu corpo ainda é muito magro e frágil, inadequado para o jogo físico de garrafão da NBA; e seu QI de basquete as vezes ainda pode ser questionado em quadra, com dificuldades para ler a quadra toda e tomar as decisões certas. Será que Porzingis vai conseguir se adaptar à velocidade de jogo da NBA, desenvolver seu jogo ofensivo e ganhar massa sem perder sua explosão? Não sei. Claro, é muito possível que consiga contornar esses problemas, e seu talento natural e arremessos fantásticos façam dele uma estrela. Mas, como todo prospecto, tem seus prós e contras, e é estúpido de repente começar a tratar Porzingis como se ele fosse Nowitzki ou Durant. 

Dito isso, voltamos ao Suns. Como já dissemos, faz algum sentido para o time "enxugar" sua rotação  de perímetro para incluir apenas um armador caro, e se o fizerem, é porque estão buscando um jogador capaz de fazer a diferença no topo do Draft. E esse jogador seria Porzingis, que apesar dos riscos e das falhas, ainda é um fantástico arremessador para a NBA moderna, com enorme potencial dos dois lados da quadra, e que vai se encaixar perfeitamente no estilo de velocidade e bolas de três de Phoenix. E, mais importante para a equipe do Arizona, oferece muito mais chance de ser uma grande estrela do que Bledsoe ou Knight. É um encaixe excelente para o Suns, mas talvez a um preço alto demais.


#5 Pick - Orlando Magic
Mario Hezonja, SG/SF
Porzingis seria o encaixe perfeito aqui, mas com o letão fora da jogada, o Magic tem praticamente duas opções aceitáveis, a meu ver: Willie Cauley-Stein ou Mario Hezonja. Cauley-Stein é quem mais faz sentido defensivamente, já que Orlando teve uma defesa horrível em 2015 em grande parte por não ter ninguém capaz de defender o garrafão, e a defesa versátil e dominante de Stein seria o complemento perfeito ao fraco (defensivamente) Nikola Vucevic. Mas com Stein, o Magic talvez não fosse humanamente capaz de fazer mais do que 50 pontos por jogo, então Mario Hezonja seria a opção #1 do Magic aqui. 

Ofensivamente, o grande problema do Magic é não ter nenhum jogador (tirando o decrépito Channing Frye) capaz de espaçar a quadra, especialmente se Tobias Harris sair na offseason, já que a maior parte do elenco remontado do Magic é de jogadores atléticos incapazes de arremessar de fora. O espaçamento é horrível, e o ataque sofre de acordo, então um ala com arremesso de fora tão bom quanto Hezonja seria uma adição muito bem vinda. O croata tem enorme potencial ofensivo também atacando o aro, e essa versatilidade ofensiva seria muito bem-vinda a uma franquia que montou um elenco sem se preocupar no encaixe entre as peças. O maior problema de pegar Hezonja provavelmente é que isso deixaria o time titular Magic um pouco baixo (com Oladipo de SG, Hezonja de SF e Aaron Gordon de PF) e ainda com perspectivas defensivas muito ruins a não ser que Gordon de repente vire o novo KG defendendo o garrafão, mas pra mim isso é um problema mais da montagem do elenco em si e menos dessa escolha em especial. Se o Magic enxergar Hezonja como o melhor jogador disponível - e a meu ver é ele e Mudiay, mas Mudiay não faz nenhum sentido na equipe - ele é a escolha aqui.


#6 Pick - Sacramento Kings
Emmanuel Mudiay, PG
Kings estupidamente pegou Sauce Castillo (AKA Nik Stauskas) ano passado quando poderia ter escolhido Noah Vonleh (eu ainda acredito!) ou Elfrid Payton, e provavelmente hoje se arrepende. Então com Mudiay caindo até aqui, o armador talvez seja tentador demais para deixar passar. O time se virou bem com Darren Collison, mas Mudiay é muito melhor em basicamente tudo, um PG muito físico e atlético que ataca o aro com muita velocidade e sabe usar isso para criar boas chances para seus companheiros. Seu arremesso ainda está abaixo da média, mas Mudiay compensa isso entrando no garrafão e finalizando bem perto do aro. As comparações com Derrick Rose não vieram por nada.

O favorito do Kings parece ser Willie Cauley-Stein, então não seria uma decisão fácil entre os dois, mas Mudiay é bom demais em uma posição que o time está tentando acertar faz muito tempo, e Stein tem enfrentado alguns boatos de lesões. Eu adoro Stein, mas acho Mudiay melhor, e no médio prazo acho que o armador tem mais a oferecer ao time. Não acho que tenha chances de Mudiay passar pelo Kings.


#7 Pick - Denver Nuggets
Justise Winslow, SF
2014/15 Denver Nuggets foi uma bagunça enorme que é até difícil saber por onde começar aqui. O melhor jogador disponível é um bom começo, e por coincidência, Winslow trás o que o Nuggets mais precisa nesse momento - muita defesa e capacidade atlética, e um líder que se mata em quadra para dar o exemplo pra os companheiros. As personalidades do vestiário do time parecem complicadas, e alguém tão intenso e competitivo como Winslow pode fazer muito pelo time dentro e fora de quadra.  Ofensivamente Winslow ainda tem suas questões, especialmente sobre seu arremesso (o aproveitamento de 3PT foi bom no universitário, mas o aproveitamento nas bolas longas de 2 e nos lances livres foram péssimos), mas Denver está mais interessado na sua versatilidade e presença defensiva. Excelente encaixe.

O Nuggets também é um time interessante de se observar na noite do Draft no que tange a trocas. É um candidato a subir para a #4 do Knicks (e pegar Mudiay), e também vai tentar achar um parceiro de troca (Heat? Pacers? Thunder? Rockets?) atrás de uma segunda escolha de primeira rodada. Fiquem de olho.


#8 Pick - Detroit Pistons
Stanley Johnson, SF
Detroit precisa de arremessadores para colocar ao redor do pick and roll de Andre Drummond, e executar melhor o plano de jogo favorito do técnico Stan Van Gundy. Ainda tem alguns bons arremessadores disponíveis aqui, como Booker ou Kelly Oubre, mas sem Hezonja, para o Pistons ainda acho que os melhores valores estão em outra direção. Stanley Johnson não é um cara de enorme potencial, mas é um jogador bem faz-de-tudo dos dois lados da quadra, entra na posição de maior necessidade da franquia, e tem um arremesso de fora bom o suficiente para manter o esquema de jogo funcionando. Quer dizer, ano passado o Pistons chegou a usar Tyshaun Prince spotting up ao redor dos pick and rolls, e Johnson é um enorme upgrade. E, talvez mais importante, é alguém bastante avançado (fisico e tecnicamente) e pronto para contribuir imediatamente para um time como o Pistons, que pretende brigar por uma vaga nos playoffs o quanto antes. Boatos dizem que o Pistons também gosta bastante de Sam Dekker, mas me parece um pouco cedo demais para ele. Uma troca aqui também não estaria descartada.


#9 Pick - Boston Celtics (via Hornets)
Willie Cauley-Stein, C
Essa é uma troca que tem boas chances de acontecer, e quando eu vi que o Celtics poderia subir para a #9, achei que seria uma ótima chance para pegar Myles Turner como seu protetor de aro do futuro. Mas nesse cenário - Porzingis saindo no Top4 e o Magic pegando Hezonja - acabou acontecendo de Willie Cauley-Stein cair no colo de Boston, e considerando que era o alvo #1 do time o tempo todo, o time ficaria muito feliz se fosse verdade. Boston tem uma boa base, mas precisa desesperadamente de um bom protetor de aro, e Cauley-Stein é o melhor defensor desse Draft, um monstro atlético capaz de defender cinco posições. É exatamente o jogador que Boston quer e precisa. O jogo ofensivo de Stein ainda é bastante cru, mas o técnico Brad Stevens tem uma incrível habilidade em extrair o máximo ofensivamente de jogadores limitados, e o Celtics não deixaria passar a chance de pegar um possível futuro Defensive Player of the Year. Melhor cenário possível para Boston. 


#10 Pick - Miami Heat
Devin Booker, SG
Eu sempre tive o Heat indo atrás de um jogador seguro capaz de contribuir imediatamente para o time, e tinha em mente que Stanley Johnson seria o melhor encaixe. Na ausência dele, tinha o Heat pegando Sam Dekker. Mas com Johnson fora do baralho e Devin Booker disponível, eu acho que é a melhor escolha para um time de Miami que não só precisa de profundidade na ala e arremessos de longa distância, mas também pode encarar a perspectiva real de perder seu SG titular (e maior ídolo da história da franquia, mas isso é história para outra hora) na offseason. Se isso acontecer, Booker nem ninguém seria capaz de entrar e assumir o papel de Wade, mas Booker manteria o time bem ao redor de Bosh e (supostamente) Goran Dragic, e se Wade ficar, Booker é uma ótima opção para vir do banco e tapar o buraco quando Wade descansar. Eu sempre comparei Booker com Danny Green, um jogador seguro e eficiente que arremessa bem de três, defende bem, e faz as coisas certas em quadra, e acho que Miami poderia se beneficiar enormemente de um jogador desses - com o diferencial que Booker é o jogador mais jovem do Draft, e ainda tem bastante oportunidades de crescimento pela frente. Uma escolha boa e segura, a cara de Miami. Também consigo enxergar o Heat indo atrás de um jogador de garrafão como Kaminsky ou Myles Turner, especialmente se Chris Anderson realmente deixar a equipe.

O Heat, aliás, é outro time para se observar em termos de troca, e tenho certeza que se conseguir o veterano (ou veteranos) certo em troca, Pat Riley estaria muito disposto a trocar essa escolha.


#11 Pick - Indiana Pacers
Cameron Payne, PG
Eu não sou o maior fã de Cameron Payne que vocês encontrarão, e não acho que seja a melhor opção disponível aqui. Indiana é um time que foi competitivo em 2013/14 e perdeu 2015 por causa da lesão do Paul George, mas que deve voltar a ser uma força já ano que vem. Portanto, pegar alguém como Frank Kaminsky faria mais sentido para mim, um veterano que se encaixaria perfeitamente no garrafão do time - seus arremessos de fora e versatilidade ofensiva ajudariam muito o anêmico ataque do Pacers, e jogar junto a Roy Hibbert minimizaria seus problemas defensivos. Mas Indiana tem indicado que quer mudar os rumos do time, e caso não consigam se livrar de Hibbert (e nesse caso podem ir atrás de Myles Turner ou Kaminsky), ir atrás de um armador pode ser a alternativa, e Indiana parece gostar bastante de Payne. Eu acho que Payne é um armador bom mas não excepcional, com um bom jogo bem all-around e boa visão de jogo, mas cujas dificuldades finalizando perto do aro e dúvidas quanto ao seu arremesso de longe se traduzindo tão bem para a NBA impedem que atinja um nível maior com jogador. Eu gosto mais de Kaminsky para Indiana pelo encaixe e por ser o jogador ultra-versátil e inteligente que pode ajudar o time a dar o próximo passo no Leste, mas hoje, parece que Payne é o cara que a franquia quer. 

Em tempo, o Pacers foi o outro time que eu considerei para uma troca pela escolha #4 do Knicks (para pegar Mudiay), mas não consegui ficar satisfeito com o retorno dessa troca (George Hill?) e acabei mudando de opinião no último minuto.


#12 Pick - Utah Jazz
Myles Turner, PF/C
Utah não tem pressa nem uma posição de grande necessidade, e pode pegar o melhor jogador disponível. Mas essa escolha faria o GM do time se dar um high five. De novo, em mais um cenário, Myles Turner caiu no colo do Utah Jazz. O jovem pivô trás consideráveis riscos, e seu jogo ainda cru pode fazê-lo cair ainda mais em um Draft onde os times na região 8-11 estão interessados em reforçar seus times para competir no curto prazo. Mas Turner é um ótimo encaixe em Utah (que tem feito ótimo trabalho desenvolvendo jogadores de garrafão) e se conseguir realizar o potencial imenso de Turner, ele é o jogador perfeito para a equipe, um excelente defensor e protetor de aro (que vai ajudar ainda mais a defesa de elite do Jazz) que também tem um bom jogo de perímetro e arremesso de fora no ataque, abrindo a quadra de um time que as vezes congestiona demais o garrafão e sofre para  pontuar. Encaixe perfeito tanto para o time como para o jogador, e um valor fantástico no #12. Eu imagino que Utah também olharia atentamente para Devin Booker caso caísse até aqui ou, caso Turner saia antes dessa escolha (Celtics, Heat e Pacers também teriam interesse no pivô), Frank Kaminsky seria minha escolha favorita por encaixar tão bem com os jogadores de garrafão que o time já tem. Trey Lyles é outra boa opção.


#13 - New York Knicks (via Suns)
Trey Lyles, PF
Trocar a escolha #4 e descer no Draft faz sentido para o Knicks por dois motivos. Primeiro, porque o time atua é péssimo e precisa de toda a ajuda que puder, então se conseguir pegar um bom veterano no processo - e no caso, Bledsoe é um ótimo - é um grande avanço. E segundo, porque supostamente o Knicks não está muito convencido pelos jogadores que sobraria na escolha #4 sem Okafor e Russell - Justise Winslow, Emmanuel Mudiay, Kristaps Porzingis - e tem mais interesse em jogadores de (relativo) menor valor, como WCS, Payne, Lyles ou Kaminsky. Como pegar esses caras no #4 seria cedo demais, o Knicks adoraria descer e pegar um deles onde seria mais adequado, especialmente pegando um bom two-way PG no processo como Bledsoe. O armador não é um encaixe natural no triângulo, assim como Mudiay não é (e tem sido um problema para o Knicks), mas é um enorme upgrade especialmente defensivamente, mesmo que o encaixe não seja tão limpo. 

E com a escolha #13, o Knicks pode escolher entre vários jogadores que indicou ter gostado. Lyles e Kaminsky são os que sobraram, entre os principais. Eu particularmente adoro Kaminsky, mas a liga em geral parece ver Lyles com muito bons olhos, e a verdade é que o ex-ala de Kentucky (que, na NBA, será um PF, tendo jogado fora de posição no universitário) é um encaixe absolutamente perfeito no triângulo. Lyles é um jogador ofensivo extremamente versátil, com ótimo arremesso de meia distância e muito habilidoso com a bola nas mãos, colocando a bola no chão, atacando o aro e dando passes - tudo que o Knicks precisa para fazer o triângulo funcionar melhor. Sua habilidade e explosão limitados, bem como dúvidas sobre sua defesa, limitam seu potencial, mas é um jogador muito refinado e avançado.

Lyles é um jogador que a NBA em geral parece ver com melhores olhos do que eu próprio. Eu gosto do jogador, acho sólido e bem versátil, mas tenho dificuldade em encaixá-lo nos times de modo geral nos Mock Drafts. Mas muitos especialistas colocam Lyles no Top15 ou Top10 do Draft, e queria fazer pelo menos um cenário onde ele saísse na loteria. O Knicks me parece um excelente encaixe para ambos no #13. É um jogador que não me surpreenderia se saísse no Top10, nem se caísse até o #21 (como aconteceu no Mock Draft #1). Frank Kaminsky é a outra escolha possível.


#14 - Oklahoma City Thunder 
Kelly Oubre, SG/SF
A opção favorita de OKC no Draft parece ser Cameron Payne, mas com o armador em Indiana, o Thunder vai ter que partir para o plano B. Um outro armador faria sentido, e eu particularmente acho Jerian Grant um encaixe perfeito no Thunder. Mas considerando os valores disponíveis e a situação incerta de Kevin Durant - mesmo para 2016, por conta das lesões - eu acho que Kelly Oubre seria uma ótima adição. Oubre ainda é cru, mas tem condições para ser um bom jogador 3-and-D atlético no começo da sua carreira com potencial para ser ainda maior. O Thunder do ano passado, com Westbrook de armador, sofreu para encontrar jogadores que pudessem arremessar de três sem comprometer a defesa do time OU defender bem sem comprometer o espaçamento do ataque, e Oubre é o jogador para fazer ambas em alto nível. O ala também oferece uma boa proteção a Kevin Durant, que pode demorar para retomar o ritmo ou mesmo descansar mais essa temporada depois das graves lesões de 2016, e caso o ex-MVP saia da cidade, Oubre ainda é uma boa opção de longo prazo, com enorme potencial, caso o time decida se reconstruir em torno de Westbrook. O ex-jogador de Kansas ainda é bastante cru, mas o Thunder não tem medo de apostar em jogadores crus e talentosos (Westbrook, Steven Adams, etc) e Oubre trás habilidades que o time precisa já para o curto prazo. Uma boa aposta do Thunder.


#15 Pick - Atlanta Hawks
Sam Dekker, SF
Gosto muito do encaixe Dekker-para-o-Hawks desde o começo do Draft. Atlanta tem um bom time titular mas sofre com a falta de opções no banco, que se encaixam no tipo de jogo que o Hawks quer implementar. Além disso, da necessidade por profundidade no perímetro, Atlanta também tem que lidar com a possibilidade de perder seu SF titular em DeMarree Carroll, um free agent essa offseason. Então Dekker faz bastante sentido para Atlanta, um jogador atlético que encaixa muito bem no estilo de jogo versátil e inteligente da equipe, oferece proteção na ala e, se começar a acertar consistentemente os arremessos longos, pode acabar sendo um steal. Gosto bastante desse encaixe. Kaminsky seria outra boa possibilidade aqui.


#16 Pick - Charlotte Hornets (via Celtics)
RJ Hunter, SG/SF
O Hornets tem uma necessidade urgente por um jogador de perímetro capaz de arremessar de fora e espaçar a quadra, e tendo descido até aqui, RJ Hunter faria muito sentido, especialmente considerando os fortes boatos ligando o time ao jogador. Hunter arremessou apenas 30.5% de 3PT na última temporada, mas grande parte disso veio de ser a única opção ofensiva de um time mediano e ter que lidar com defesas especificamente voltadas para pará-lo - o ala arremessou 39% um ano atrás, e os 88% da linha do lance livre são um bom indicador do quão boa é sua forma. O jogador tem arremessado bem nos treinos, e ainda é projetado como um arremessador de elite na NBA. E é isso que Charlotte busca nesse Draft, ainda mais se tratando de um jogador mais velho e estabelecido como é o caso. O Hornets supostamente tem interesse em Hunter, e descendo para pegá-lo aqui rende ao time uma segunda escolha nessa primeira rodada e, possivelmente, uma escolha futura ou um veterano para ajudar o time a competir no curto prazo. Se Hunter for mesmo o alvo, então trocar para descer faz todo o sentido.


#17 Pick - Milwaukee Bucks
Frank Kaminsky, PF/C
Eu adoro Bobby Portis, e acho o ex-jogador de Arkansas um encaixe perfeito para o Bucks. Mas com Kaminsky ainda disponível, não consegui deixar o atual National Player of the Year passar. O casamento funcionaria bem demais, com Frank the Tank - um dos meus jogadores favoritos da classe, um pivô ultra-versátil ofensivamente capaz de arremessar muito bem de três pontos, atacar o aro, criar seu arremesso, e um ótimo passador - adicionando uma dimensão ofensiva totalmente nova ao ataque estagnado do Bucks, e Milwaulkee sendo capaz de protegê-lo defensivamente com seu batalhão de jogadores de braços longos. Ah sim, e ele é um herói regional em Wisconsin, então tem isso também. Os espaços que um pivô arremessador e passador como Kaminsky abriria ofensivamente seria crucial para aproveitar melhor o talento de Giannis e Jabari Parker, e ainda que o pivô não encaixe no padrão do Bucks de jogadores atléticos de braços longos, ele é uma peça única que pode ajudar o time a dar o próximo passo. O QI de basquete de Kaminsky é tão alto que acho que ele achará uma forma de se adaptar aonde for, e gosto bastante do encaixe. 

Se você ainda tem dúvidas da capacidade de Frank the Tank de produzir contra jogadores de nível NBA, é só olhar sua sequência final de jogos no torneio da NCAA, onde dominou em jogos seguidos Arizona (liderada pela #10 pick Stanley Johnson), Kentucky (Towns e WCS) e Duke (Okafor e Winslow), com 23-10 e 50% FG de médias nesses jogos. O fato do pivô ter sido um grande ídolo em Wisconsin também não atrapalha, aumentando ainda mais a identificação da torcida com a escolha. Rashad Vaughn e suas bolas longas seriam uma outra escolha interessante aqui caso o Bucks não sinta necessidade de reforçar o garrafão.


#18 Pick - Houston Rockets
Tyus Jones, PG
Não é segredo nenhum que Houston precisa urgentemente de reforços na armação para ajudar a aliviar a carga de James Harden, e a equipe está apaixonada por Tyus Jones, o Most Outstanding Player do último Final Four. Sugestivamente, o PG supostamente se "machucou" depois do seu workout com o Rockets e cancelou outros treinos que tinha marcado, levando alguns a especular que o Rockets prometeu ao armador alguma coisa. Embora seja só especulação, é uma que faz bastante sentido tanto para o jogador como para o time, e o interesse parece ser mútuo. Caso Jones esteja disponível, eu imagino que ele seja a escolha, a não ser que o Rockets decida arriscar outro armador como Jerian Grant (meu favorito entre os disponíveis) ou Delon Wright. O Nuggets recentemente também deu um treino para Jones - o primeiro desde o treino que se "machucou" com o Rockets - levantando especulações de que essa escolha poderia acabar em Denver em uma troca na noite do Draft.


#19 Pick - Washington Wizards
Bobby Portis, PF/C
Portis é um dos meus jogadores favoritos do Draft e a escolha perfeita para o Wizards no #19, uma escolha segura que joga com muita energia e faz um pouco de tudo - defender, arremessar de meia distância, atacar o aro, pegar rebotes, etc. Não vai ser uma estrela, mas você pode contar com ele dando conta do recado desde o primeiro dia, seja como titular ou vindo do banco. E embora o Wizards tenha se dado bem com uma formação de small ball nos playoffs, não machuca adicionar uma boa opção de garrafão na rotação da equipe, considerando a falta de opções atualmente e o declínio do titular Nenê. Se cair até aqui, pode ser um dos steals do Draft, e o Wizards provavelmente estaria se dando high-fives. Jogador certo para o time certo.


#20 Pick - Toronto Raptors
Kevon Looney, PF
Toronto é um time que não tem medo de arriscar em jogadores de alto potencial. E Looney tem um dos maiores potenciais de todo o Draft, um PF muito atlético de braços longos que projeta conseguir pontuar de dentro e fora do garrafão. Extremamente cru, mas o teto é muito alto. Para o Raptors, faz sentido - PF é provavelmente a posição de maior necessidade da equipe, e Looney é o tipo de projeto que o time tem gostado de apostar nos últimos anos (ver: Caboclo, Bruno). Looney supostamente tem impressionado nos treinos recentes, inclusive arremessando de três, o que pode reforçar o interesse das franquias no jogador e fazer com que saia mais cedo, mas aqui, acho que o Raptors vai achar a recompensa alta demais para passar em uma escolha tão tardia. Vaughn também seria outra opção interessante nessa escolha.


#21 Pick - Dallas Mavericks
Jerian Grant, PG/SG
A maior necessidade de Dallas no momento é um armador, e com Dirk envelhecendo, de preferência um capaz de ajudar e contribuir logo no curto prazo. Grant é o melhor disponível e, a meu ver, um excelente encaixe - o ex-armador de Notre Dame é muito bom no pick and roll, mas também é muito bom jogando fora da bola e complementando as funções de quem estiver com ela, duas habilidades muito importantes para o esquema ofensivo do Mavericks. Pode se adaptar a qualquer companheiro de backcourt e qualquer lineup. Grant também tem o físico e tamanho para jogar de SG se necessário, e sua versatilidade cairia bem em um time se reformulando rapidamente. Delon Wright, o outro PG disponível, também seria uma opção. Mas gosto de Grant, acho o melhor jogador entre os dois.


#22 Pick - Chicago Bulls
Rashad Vaughn, SG
Vaughn seria uma ótima opção para o Bulls caso caísse até aqui. O time ainda sente falta de mais opções para espaçar a quadra - uma necessidade no esquema do novo técnico Fred Hoiberg - e, para um ataque que tende a ficar estagnado com muita frequência, adicionar um jogador capaz de atacar a cesta e criar o próprio arremesso como Vaughn é uma necessidade (especialmente se Rose for perder mais tempo lesionado). Vaughn tem arremessado muito bem de fora nos treinos pré-Draft, e sendo um dos jogadores mais jovens do Draft, ainda apresenta muito potencial como criador e pontuador puro. Seria uma ótima opção para tirar pressão ofensiva das costas de Jimmy Butler e Rose, e talvez até vir do banco e mudar o ritmo do jogo quando necessário. Chicago já se mostrou um bom lugar desenvolvendo jovens talentos brutos - Butler sendo o exemplo mais recente - e uma jóia de alto potencial como Vaughn seria uma boa, até pensando no longo prazo ou em caso de uma possível saída de Butler. 


#23 Pick - Portland Trail Blazers
Rondae Hollis-Jefferson, SG/SF
Um dos meus jogadores favoritos do Draft, Jefferson está a um jumper decente de ser uma escolha de loteria. Aliás, mesmo sem um jumper decente, já tem times na casa dos 15-20 olhando atentamente para RHJ. Depois de Cauley-Stein, que é uma aberração da natureza, Hollis-Jefferson é o melhor defensor de perímetro desse Draft, um jogador muito inteligente e físico capaz de preencher diversas lacunas e marcar três ou quatro posições. Portland precisa de proteção caso perca Wes Matthews, e mesmo caso não o perca, Jefferson ainda tem muito a oferecer vindo do banco e dando apoio a Matthews (vindo de uma lesão séria) e Batum (inconsistente em 2015). Excelente jogador, inteligente e ótimo marcador, o tipo de jogador que todo time gostaria de ter. RJ Hunter ou Rashad Vaughn, se caíssem até aqui, também seriam boas opções.


#24 Pick - Cleveland Cavaliers
Delon Wright, PG
Essa escolha é uma história engraçada. Originalmente, nos primeiros Mocks, eu tinha o Cavs pegando Delon Wright para ser seu armador reserva... até que Dellavedova jogou muito bem na ausência de Kyrie Irving contra Atlanta e (nos primeiros jogos) Golden State, eu me conformei que Cleveland não precisava de outro armador, e mudei a escolha para Justin Anderson, adicionando profundidade ao perímetro. No entanto, depois de ver o quão mal Delly jogou nos jogos decisivos das Finais, e considerando a delicada situação salarial do Cavaliers, me parece que o time não vai estar muito afim de pagar muito dinheiro para manter o australiano na cidade. E considerando as restrições salariais da equipe (que tornam mais difíceis para o time trazer um bom PG reserva na free agency) e as recorrentes lesões de Irving (que aumentam a necessidade de um armador reserva), o Draft me parece o melhor caminho para resolver essa questão. Então a escolha volta a ser Delon Wright, um veterano bem próximo de contribuir logo em sua primeira temporada. Anderson continua sendo uma boa opção, bem como Terry Rozier se o time quiser outra alternativa na armação, de mentalidade mais defensiva.


#25 - Memphis Grizzlies
Justin Anderson, SG/SF
Memphis está no seu melhor quando consegue jogar a bola no garrafão e simplesmente ser mais forte que os adversários, mas na NBA moderna, pra você fazer isso eficientemente precisa ser capaz de espaçar a quadra com arremessos de fora. Então Justin Anderson seria uma boa adição aqui, um jogador muito atlético e bom defensivamente que arremessou 45% de três pontos na sua última temporada na NCAA. Estou cético que Anderson - que arremessou apenas 30% de 3PT nas duas temporadas anterior - vá manter esses números fenomenais, mas a essa altura do Draft, é uma boa aposta. Acho um bom encaixe para Memphis, e se as bolas longas se mantiverem quentes, Anderson pode ser o steal do Draft.


#26 - San Antonio Spurs
Montrezl Harrell, PF
San Antonio provavelmente iria adorar que Vaughn ou Anderson caíssem até aqui, mas o SG de UNLV tem subido rápido demais para isso, e Anderson tem atraído bastante interesse nas escolhas anteriores. Caso a pressão por um SG seja muito grande (lembrando que Danny Green é free agent e Ginobili pode aposentar), o Spurs pode ir atrás de Joseph Young, um sleeper particular meu. Não me surpreenderia. Mas San Antonio também precisa ficar mais atlético e profundo no garrafão, e Harrell é uma bola de energia muito atlética para vir do banco, dando a energia, rebotes e atleticismo que o Spurs não tem hoje tirando Kawhi Leonard. E se tem uma organização para tirar o máximo de Harrell, um talento um pouco decepcionante pela sua trajetória até aqui, é o Spurs. Bom encaixe para ambos.


#27 Pick - Los Angeles Lakers
Joseph Young, SG
O Lakers fortaleceu seu garrafão com Okafor, mas ainda precisa reforçar o perímetro e as bolas longas, ou então a pobre escolha #2 do Draft pode ter que lidar com quintuple-teams logo na sua temporada de calouro sabendo que ninguém no Lakers pode castigá-los com arremessos longos. Então Young preenche uma necessidade, um ótimo arremessador de longa distância que pode pontuar de diferentes maneiras. Idealmente, Young seria um combo guard pontuador para vir do banco, mas com suas bolas longas e poder de fogo, seria um complemento interessante a Jordan Clarkson - que não arremessa tão bem - e que poderia deixar o atual armador do Lakers jogar mais como distribuidor. Na pior das hipóteses, é um ótimo arremessador de três pontos para espaçar a quadra, algo obrigatório para um dos piores ataques da liga.


#28 Pick - Charlotte Hornets (via Celtics)
Terry Rozier, PG/SG
Charlotte ganha uma segunda escolha na sua troca com Boston e, tendo adereçado seu maior problema com a escolha anterior (arremessos de longa distância), pode ir agora atrás de um jogador mais adequado ao seu estilo de jogo. Terry Rozier tem impressionado nos treinos recentes, e sua habilidade atlética, boa defesa e potencial ofensivo fazem dele uma boa opção para ser o reserva de Kemba Walker em Charlotte. Rozier precisa melhorar nos arremessos de longe (30% no seu segundo ano em Louisville depois de arremessar 37% como calouro) e não é um armador puro, mas se encaixa bem na mentalidade física e defensiva de Charlotte, e com o Hornets precisando de um armador reserva, Rozier é o armador mais bem cotado desse final de Draft. Se outro armador (como Delon Wright) estiver disponível também seria uma boa pedida, e se o time preferir mais um arremessador, Tyler Harvey ou Anthony Brown seriam outras opções.


#29 Pick - Brooklyn Nets
Chris McCullough, PF
O Nets precisa de talentos, não tendo escolhas de Draft boas nos próximos anos e com seu salary cap estourado. Thaddeus Young virou Free Agent e, se o Nets quiser um jogador com características semelhantes para substituí-lo, pode ir atrás de Jarrell Martin, outro SF/PF sem posição definida, habilidoso e atlético. Mas, para mim, o Nets precisa acumular o máximo de valor que conseguir, e McCullough é o jogador com mais potencial a essa escolha, uma possível seleção de loteria que caiu por conta de um ligamento rompido e, possivelmente, uma temporada perdida em 2015/16. É quem tem a chance de oferecer o maior retorno a essa altura do Draft, e é nisso que o Nets tem que se fiar. Boatos fortes também de que Brooklyn tem tentado subir no Draft oferecendo Miles Plumlee como isca, mas teria sido mais eficiente se o Nets fizesse isso ANTES de acabar com o valor de troca do pivô. Tem chance de conseguir alguma coisa, pois Plumlee é um bom jogador de rotação e os times não estão muito animados com o final da primeira rodada, mas ainda é um long shot.


#30 Pick - Golden State Warriors
Tyler Harvey, PG/SG
Sendo os atuais campeões, eu não acho que a torcida esteja lá muito preocupada com o Draft. Essa é a vantagem de terminar uma das mais dominants temporadas da história da NBA com um título. Então tem isso.

Mas o Warriors ainda tem essa escolha e, se existe um time que sabe o valor de achar bons jogadores no final da primeira rodada/começo da segunda (uma pick #30 virou Festus Ezeli, uma pick #35 virou  Draymond Green, uma #40 virou Monta Ellis, que virou Andrew Bogut...), é o Warriors. Com a possível saída de Lee e Leandrinho, um SG arremessador e um ala de força reserva se tornam as principais necessidades da equipe. GSW pode ir em qualquer direção aqui, e é bem possível que seja o Warriors a arriscar em jogadores talentosos mas problemáticos de garrafão como Christian Wood ou Robert Upshaw. Ainda assim, eu aposto em Harvey aqui - mesmo antes da possível saída de Leandrinho, a verdade é que o Warriors já sentia falta de arremessos de fora vindos do banco. Livingston e Iguodala não são grandes arremessadores (Livingston simplesmente nem tenta), e o Warriors sentiu muita falta de uma opção nas bolas longas quando Curry ou Klay Thompson tinham que sentar. Harvey é um dos melhores arremessares desse Draft (43% no College em um número muito alto de tentativas), e recebe comparações com, é claro, um jovem Stephen Curry. Anthony Brown seria outra opção com Young fora, mas acho que a capacidade de Harvey de jogar de PG e seu melhor repertório com a bola nas mãos fazem dele um encaixe mais adequado ao Warriors, além de ter maior potencial. Meu sleeper aqui seria Hakeem Christmas, um pivô bem físico cujo valor tem subido nas últimas semanas, e o Warriors tem se saído muito bem escolhendo jogadores de garrafão no final do Draft. Uma troca dessa escolha para se livrar do contrato de David Lee também é uma possibilidade. Then again, o Warriors acabou de ser campeão da NBA, então quem em Oakland liga? 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A melhor e mais maluca trade deadline

Melhor resumo para ontem a tarde, impossível 



Antes de começar, sirva-se de uma xícara de café. Agora outra. E mais uma, só pra garantir. Estamos prestes a nos embaralhar e confundir falando da mais agitada e mais insana trade deadline que eu me lembro. 38 jogadores (isso da 8% de toda a NBA!) foram trocados, junto com 7 escolhas de primeira rodada de Draft, em um período de 90 minutos. Pelo menos seis (!) times de playoffs estiveram envolvidos em trocas. Foi uma sequência tão grande de trocas, negociações e movimentações que foi praticamente impossível acompanhar em tempo real, ao ponto que até o próprio Woj entregou pra Deus:




Então foi maluco a esse ponto mesmo. A quantidade de jogadores que disse não ter idéia de onde jogava ou quem eram seus companheiros ao final de toda a zona foi incrível. Eu próprio estava na dúvida se tinha sido ou não trocado para o Suns. Então vamos tentar passar rapidamente por todas essas trocas - sim, uma a uma - pra ver o que saiu de bom e o que saiu de ruim dai.



Suns recebe John Salmons (Pelicans) e duas escolhas futuras (2017 e 2021) de primeira rodada (Heat); Pelicans recebe Shawne Williams, Norris Cole e Justin Hamilton (Heat); Heat recebe Goran e Zoran Dragic (Suns)

A mais importante troca da noite envolveu Goran Dragic, que tinha dado essa semana um ultimato para a diretoria do Suns trocá-lo, dizendo que não renovaria com o time ao final da temporada... e ainda destruiu seu próprio valor de troca afirmando que só renovaria contrato se fosse trocado para Knicks, Heat ou Lakers - três times sem nenhum bom ativo para trocar pelo esloveno. Celtics, Kings e Rockets estavam interessados no armador e teriam muito mais a oferecer ao Suns por ele, mas com essa demanda mimada, os três se retiraram da troca e forçaram Phoenix a aceitar a melhor oferta lixo entre as "demandas" de Dragic. O Knicks nada tinha a oferecer, e o Lakers (sabiamente) não iria envolver Randle ou a proteção da sua escolha de primeira rodada que hoje pertence ao Suns, então sobrou para Phoenix aceitar esse pu-pu-platter de Miami por alguém que eu votei como  2nd Team All-NBA em 2014. É um retorno muito fraco por ele, mas é o melhor que Phoenix tinha condições de conseguir nessas circunstâncias.

E Miami aproveitou para roubar a peça que mais precisava nessa trade deadline. Talvez nenhum time o ano todo teve pior produção de seus PGs do que o Heat, onde Norris Cole e Mario Chalmers passaram de "ruins" para "legitimamente prejudiciais" - um problema que ficou ainda mais evidente sem Wade para assumir parte das funções de ball handler. Dragic chega para resolver a questão. Ainda que seus números tenham caído em 2014/15 (16, 4, 4), isso se deve principalmente ao fato de que Dragic tem jogado principalmente como SG, já que o Suns emprega o tempo quase todo lineups com dois armadores diferentes (Bledsoe, Thomas e Dragic), e tanto Bledsoe como Thomas costumam ter mais a bola nas mãos do que Dragic. Mas ano passado todo mundo viu o quanto Dragic pode ser devastador, quando teve 20-6-3 de médias com 50.5 FG% e 40.8 3PT%. Miami precisava de um armador, e agora achou um excelente.

O que é ainda mais interessante é que, em Phoenix, Dragic causou seus maiores estragos no pick and roll e no pick and pop. Aliás, o pick and pop Dragic-Channing Frye foi, em 2014, a jogada com maior eficiência de TODO o basquete, já que Dragic é um especialista em atacar e finalizar perto da cesta (64.8 FG% na zona restrita), abrindo diversas opções de passe no processo. Então é difícil não salivar quando lembramos que agora o eslovêno terá outra máquina de pick and pop em Chris Bosh, e uma excelente opção de pick and roll no novo fenômeno Hassan Whiteside (1.57 PPP em jogadas de pick and roll). Não só é o jogador da posição que Miami mais precisava, mas é alguém que (em teoria) casa perfeitamente com as outras opções já na equipe e que trás exatamente o que o time mais precisa nesse momento.

E a verdade é que, se Wade voltar saudável, o Heat agora vira um dos times mais assustadores do Leste. É verdade que o time perdeu um pouco da sua profundidade para essa troca, mas um quinteto Dragic-Wade-Deng-Bosh-Whiteside é legitimamente assustador, e consolida Miami como um sério candidato ao título do Leste. Agora o Leste tem quatro times legitimamente brigando pelo título da conferência (Miami, Atlanta, Cleveland e Chicago), além de alguns sleepers (Washington e Toronto), e o nível de entretenimento desses playoffs subiu exponencialmente. Aquisição fantástica de Miami. Lembra quando em Setembro tinha muita gente que achava que Miami deveria tankar pós-LeBron?

O Pelicans aqui aproveitou para aumentar suas opções e profundidade, mas nada que vá mudar seu destino. E Phoenix não teve escolha, então pelo menos pegou o melhor retorno possível e abriu espaço pra Isaiah Thomas e Bledsoe jogarem mais tempo juntos e assumirem o comando do...


Suns recebe Marcus Thornton e uma escolha de primeira rodada de 2016 de Cleveland; Boston recebe Isaiah Thomas

Wait, what?! 

Para falar mais dessa troca, precisamos falar de outra do Suns, então por enquanto, vamos focar no Celtics.

Em termos de valor, esse foi um golpe fantástico do Celtics. Thornton era um contrato expirante de pouco valor, e essa escolha do Cavs (que o Celtics pegou para absorver o contrato de Tyler Zeller, que tem jogado bem em Boston) provavelmente não teria muito valor a não ser que LeBron decida que quer voltar pra Miami ou jogar baseball. E em troca pegou um dos melhores armadores reservas da NBA, alguém que consegue atacar a cesta, pontuar a vontade e carregar seu ataque por sólidos minutos - e cujo contrato é uma pequena barganha a 7M ao ano. Então em termos de valor, foi uma grande vitória. 

O que me incomoda aqui é o timing. Boston trocou Rondo e Green, o que em parte poderia indicar que o time queria mais um ano de tanking, mas dai os boatos de que o Celtics estava no mercado atrás de algum bom veterano começaram a surgir. O próprio Dragic era uma opção, mas quando ficou claro que ele não renovaria fora do eixo LA-NY-Miami, Celtics se contentou com Isaiah Thomas. Estando 1.5 jogos apenas atrás de uma vaga de playoffs, Boston começou a pensar que o melhor a fazer era encurtar sua renovação e chegar logo aos playoffs, e fez mudanças para aumentar suas chances disso. Acho que nenhum torcedor racional de Boston acha melhor ser varrido pelo Hawks na primeira rodada dos playoffs do que uma escolha Top12 em um Draft onde, coincidentemente, o Top12 é excelente. A experiência de jogar nos playoffs é importante para um elenco jovem, sem dúvida, mas eu trocaria um ano disso por um Myles Turner ou Mario Hezonja em um piscar de olhos. A partir de 2016, o Celtics não precisa mais ser ruim para ter ótimas escolhas de Draft, graças ao Nets, mas porque não aproveitar mais um ano adicionando talentos antes de perseguir essa vaga nos playoffs? Não é como se o time tivesse qualquer chance de fazer qualquer estrago já esse ano.

Além disso, Boston já não tem em Marcus Smart seu armador do futuro, uma força da natureza na defesa que ainda está aprendendo a forma mais eficiente de conduzir um time no ataque? Smart tem um potencial muito maior que Thomas, mas precisa de tempo, repetições e experiência armando o time para poder se desenvolver. A não ser que Isaiah comece a vir do banco, ele vai tirar tempo de quadra e a bola das mãos de Smart, e ainda que HOJE Thomas seja um jogador ofensivo melhor, isso limita muito o potencial do time no médio prazo. Não da pra culpar um time por querer ganhar logo, mas o time está pensando demais no presente e menos no futuro, mesmo que isso signifique sacrificar o futuro de jogadores como Smart, Young, ou mesmo valores hipotéticos como quem o time pegaria nesse ótimo Draft.

Então o Celtics, em um vácuo, fez um bom negócio, adquirindo um bom jogador em um contrato favorável praticamente de graça. Mas resta ver se essa negociação vai custar ao time uma escolha Top12 e o desenvolvimento de seu armador do futuro - duas coisas muito mais importantes para o Celtics no médio e longo prazo do que o ex-Suns. Bom valor, mas considerável risco aqui.


Suns recebe Brandon Knight (Bucks); Bucks recebe Michael Carter-Williams (Sixers), Tyler Ennis e Miles Plumlee (Suns); 76ers recebe escolha de primeira rodada do Lakers de 2015 (protegida, via Suns).


... SUNS, WHAT ARE YOU DOING?! STAAAAAAPH!!

Antes de mais nada, uma pergunta séria: a gente tem certeza que Brandon Knight é tão bom assim? A primeira vista, é o que parece: o armador tem 18-4-5 de média com 40.8% de 3PT% e um bom PER de 18.5. Mas acontece que eu assisto basquete, e o Bucks desde o começo tem sido meu queridinho do League Pass desse ano. Então eu assisti muito do Bucks, e muito do Brandon Knight. E embora individualmente ele fizesse coisas boas, chamava muito minha atenção o quanto a presença dele atrapalhava a equipe. Ele segurava demais a bola, e parecia ter só duas mentalidades com ela nas mãos: fazer a cesta, ou dar uma assistência. Ele não rodava a bola, não se movimentava bem sem ela, e o time ficava dependente demais do que ele decidisse fazer. Uma quantidade muito irritante de posses de bola do Bucks acabava com Knight driblando a bola por 14 segundos e dando um passe para um mid-range jumper. E assim que ele saia de quadra, o Bucks começava a rodar a bola, achar jogadores livres, jogar de forma rápida e altruísta, e o time era mil vezes mais perigoso. Então não foi nenhuma surpresa alguma entrar ontem no NBA.com e descobrir que, com Brandon Knight em quadra, o Bucks tinha um rating de -0.2 por 100 posses de bola... e com Knight no banco, o Bucks tinha saldo +9.2/100 posses. Só tirando Knight de quadra, Milwaukee deixava de ser o Pelicans pra se tornar 2 pontos por 100 posses melhor que o Hawks. Ainda que boa parte disso se deva ao fato do Bucks ter um excelente banco... é bem significativo, não?

Mas o problema aqui, a meu ver, não é o Suns ter adqurido Knight, e sim ter dado a valiosíssima escolha de primeira rodada do Lakers que tinha no processo. Knight talvez até seja um melhor encaixe em Phoenix, onde jogará mais sem a bola, não vai estagnar tanto o ataque, e pode aproveitar mais seu bom arremesso, mas ele ainda é um jogador questionável, que vai ganhar um salário enorme ao final do ano (quando é FA restrito e alguém vai oferecer um contrato enorme)... e você da em troca uma escolha de Draft que tem tudo para ser Top6, seja esse ano ou no próximo?! Ahn?! Qual a lógica disso?? Porque não pegar Knight ao final da temporada, então? A troca do Dragic foi desfavorável, mas foi inevitável dada a situação que o armador colocou o time. Mas as subsequentes foram horríveis, e cheiram ao pânico de um time desesperado para ir aos playoffs. Trocar Thomas por absolutamente nada, depois trocar seu ativo mais valioso por um armador que é free agent ao final do ano, são duas trocas horríveis para Phoenix.

Eu não faço a melhor idéia do que o Suns estava pensando aqui, e embora eu admire bastante o GM Ryan McDonough, a minha impressão é de que ele está cometendo erro atrás de erro. Knight é comprar alto em um jogador mediano, e não só é um downgrade em relação a Dragic/Thomas, a escolha que mandaram embora por ele é mil vezes mais valiosa do que qualquer uma das três que tenham recebido no dia. O Suns saiu mais fraco dentro de quadra, e muito mais fraco em termos de ativo par ao futuro. Dia horrível de Phoenix. Perder Dragic era inevitável, e ao preço que receberiam, um grande golpe, mas não precisava jogar tudo pra cima e fingir um ataque cardíaco desse jeito.

Enquanto isso, o Bucks conseguiu talvez o roubo do dia. Knight era free agent ao final do ano, e com bons números, era certeza que alguém iria oferecer um contrato máximo para o armador, ou próximo disso. Milwaukee não queria pagar Knight esse valor todo, mas a alternativa de perdê-lo de graça também não era das mais interessantes. Então eles conseguiram a melhor alternativa possível, mandando Knight para Phoenix em troca de um ótimo retorno por um jogador que provavelmente perderiam de graça mesmo. Tyler Ennis e Miles Plumlee são boas peças de rotação para um time cujo grande trunfo na temporada é sua enorme profundidade e versatilidade, e Michael Carter-Williams é um grande talento que estava desperdiçando seus anos formadores em um time horrível que só queria saber de perder. Só de pensar em "MCW, Ennis e Plumlee por Knight", eu já acho que foi um excelente negócio para Milwaukee, mas quando lembramos que Knight era FA ao final do ano e ou iria sair, ou receberia uma bolada que não merecia e entupiria o cap do Bucks, esse negócio fica ainda mais espetacular. Tirando Miami, Milwaukee é o grande time vencedor da noite.

E claro, o maior vencedor em toda essa troca provavelmente foi o próprio Michael Carter-Williams. MCW sempre foi muito talentoso e um tanto quanto complicado, um grande talento com diversas limitações, que estava adquirindo maus hábitos e evoluindo muito lentamente em um time que pouco lhe oferecia de ajuda ou condições de crescer. Agora ele vai para um time extremamente profundo e talentoso onde vai jogar logo de cara em jogos importantes e competitivos, vai ter que evoluir na marra... e talvez mais importante, vai jogar para Jason Kidd, que sabe exatamente como é ser um armador incapaz de arremessar e que é a melhor pessoa não só para moldá-lo em um jogador melhor, como em saber tirar o máximo de suas habilidades. Antes preso no fundo do poço da NBA, de repente MCW foi para um dos times mais jovens, talentosos e promissores da NBA. 

Quanto ao Sixers, bem, essa foi a troca mais Sixers possível, trocando seu melhor jogador por mais uma escolha futura de Draft. Claro, juntando as peças de outras duas trocas...


Sixers recebe JaVale McGee e uma escolha de primeira rodada de 2015 protegida (Thunder) do Nuggets

Sixers recebe Isaiah Canaan e uma escolha de segunda rodada; Rockets recebe KJ McDaniels

...ai é mais fácil ver o conjunto todo, e é hilário. Todo mundo sabia que o Sixers estava em modo "tank" descarado de longo prazo, destruindo seu time o máximo possível para ser ruim durante anos a fio, juntar vários ativos e jovens jogadores, e eventualmente, muito eventualmente, voltar a disputar alguma coisa. E claro, quando já se passaram dois anos e parece que o Sixers está começando a dar alguns passos rumo a ser um time de verdade, eles trocam dois dos seus três melhores jogadores para dar mais três passos para trás. Funhé.

Não que dê para criticar as trocas em si. Aquela escolha protegida do Lakers (Top5 esse ano, Top3 ano que vem e 2017, desprotegida em 2018) é um ativo valiosíssimo, e um excelente retorno por um jogador que já estavam querendo mover faz algum tempo. E McDaniels saiu de graça para um jogador tão bom... mas ele era um free agent restrito ao final do ano, e possivelmente o Sixers não iria querer pagar seu valor de mercado, então pelo menos pegou o talentoso e intrigante Canaan no processo por um jogador que sairia de todo modo. Não foram maus negócios.

Ainda assim, é hilário ver a que ponto vão os esforços do Sixers para continuar reconstruindo e não se importando a mínima em ter um time decente. Agora o time vai afundar ainda mais rumo a pior campanha da NBA (provavelmente o maior objetivo das trocas), e ficar ainda mais longe de ser algo respeitável e decente na liga. E claro, receber JaVale McGee (cujo salário o Nuggets queria se livrar) ajuda ainda mais nesse processo de "ser o pior possível".


Rockets recebe Pablo Prigioni; Knicks recebe Alexey Shved e duas escolhas de segunda rodada

Entre Prigioni e McDaniels, o Rockets fez duas trocas interessantes para reforçar seu elenco e, principalmente, seu banco. Prigioni talvez nem faça tanta diferença assim, mas é uma proteção para os PGs de um time que queria e não conseguiu ficar com Goran Dragic. E KJ McDaniels é uma ótima adição, um bom defensor capaz de jogar (e defender) em três posições e que adiciona habilidade atlética e versatilidade ao Rockets. Nenhum provavelmente é o tipo de troca que sozinha vá mudar o destino do time, mas em dúvida Houston é um time melhor e mais versátil agora com esses dois a bordo. E caso Houston decida por mantê-lo, McDaniels também oferece uma opção jovem e promissora para o futuro da equipe.

Para o Knicks, eles simplesmente se livram de um jogador que não queriam e, embora Shved provavelmente também não faça nenhuma diferença, pelo menos garantem duas escolhas de Draft no processo para aumentar seus limitados ativos.


Nets recebe Thaddeus Young; Timberwolves recebe Kevin Garnett.

Uma troca interessante pra ambos, além das óbvias histórias de "KG voltando pra casa!", ainda que carregue seus riscos.

No caso do Nets, eles ainda estão tentando equilibrar a difícil dualidade de vencer agora com um time ruim, e cortar custos ao mesmo tempo. A troca economiza 3M de dólares esse ano - o que, entre salários, multas e semelhantes, economiza ainda mais para o time, na casa dos 10M - para Brooklyn, mas dentro de quadra, a troca também faz bastante sentido. Garnett agora é basicamente um pivô de tempo integral, mas o time já tem outros dois pivôs (Mason Plumlee e Lopez) produzindo ainda mais, e que dificilmente conseguem jogar juntos. Trocando KG por Young, o time ganha um legítimo PF que teria muito mais facilidade de se encaixar com Lopez e Plumlee, e que torna o time mais barato, mais jovem, e principalmente mais atlético. Economizar uns dólares é bom, mas para um time que não é dono de sua própria 1st round pick, também aumenta as chances do time de conseguir uma vaga nos playoffs.

É claro, eles também assumiram um razoável risco. Young tem uma player option para o ano que vem de quase 10M, e se ele aceitar, a troca vira um tiro no pé. Garnett ganhava mais, mas também era um contrato expirante, e se Young aceitar sua opção, isso significa que o time economizou 3M esse ano (em salary cap) mas gastou 10M a mais em 2016, pagando multas e sem liberar nenhum espaço salarial. Brooklyn provavelmente está apostando que Young vai sair do contrato e tentar ganhar um contrato mais longo e garantido em um mercado inflacionado, mas se ele ficar, essa troca pode dar muito errado. 

Para o Wolves, nada muda dentro de quadra. Mas aceitem de alguém que acompanhou a Era Garnett em Boston: Garnett é o tipo de jogador que faz muita diferença nos companheiros jovens. Rondo e Perkins são dois exemplos, e ter alguém tão competitivo, com tanta liderança e intensidade quanto KG pode mudar a vida de um jogador ainda em formação. Garnett ensina os jovens sobre defesa, sobre se importar, sobre jogar em equipe, sobre apoiar os companheiros. Mesmo velho e no fim da carreira, isso sempre se destacou pra mim em KG: se um colega está se voltando contra o técnico, ou deixando de jogar pro time pra tentar conseguir seus próprios números, ele vai lá arrumar as coisas do seu jeito. Em um time jovem, imaturo e ainda em formação como o Wolves, esse é o tipo de presença que pode fazer toda a diferença para o futuro, acelerar o desenvolvimento dos jovens e ensiná-los a jogar basquete do jeito certo. Os jovens talentos de Minny se beneficiarão de ter KG por perto, e portanto foi uma boa troca.

(Isso significa que o Wolves compensou a grande besteira de trocar uma 1st rounder de Miami pelo Thad Young? NÃO! Mas ameniza um pouco...)


Wizards recebe Ramon Sessions; Kings recebe Andre Miller

Eu gosto dessa troca para ambos. Wizards recebe um armador mil vezes mais jovem e atlético que, embora não venha jogando bem, pelo menos oferece uma opção para o time capaz de atacar a cesta para cavar faltas ou abrir espaços para os passes - o que eles definitivamente não tem quando John Wall está no banco. Então ajuda a reforçar um banco complicado. Embora eu seja suspeito pra falar, sempre fui fã de Sessions e acho que pode contribuir no time certo. Em um papel limitado, este pode ser Washington.

Para o Kings, não só é bom receber uma presença veterana em um vestiário tão complicado e disfuncional, como o time também precisa urgente de alguém capaz de distribuir o jogo. O time não tem nenhum bom passador, e para um time jovem precisando evoluir, é importante ter alguém capaz de dar a bola a todos os jogadores em boas posições e situações. Miller é um encaixe bem melhor nesse time, e ainda que não vá fazer muita diferença prática, pode oferecer o tipo de ajuda que muitos jogadores lá precisam. 


Blazers recebe Alonzo Gee e Aaron Afflalo; Nuggets recebe Victor Claver, Thomas Robinson, Will Barton e uma escolha protegida de Draft de 2016.

Eu estou adorando times do Oeste fazendo trocas para vencer agora enquanto a janela está aberta. E foi o que o Blazers fez. A escolha futura é protegida na loteria, então provavelmente vai para o Nuggets já em 2016 (a não ser que LaMarcus Aldridge saia ou algo muito errado aconteça), mas o Blazers precisava de profundidade no perímetro para competir mais seriamente agora pelo título. E foi o que eles conseguiram em Afflalo. O SG está tendo um ano bastante decepcionante e todos seus números caíram, mas ele joga em um dos mais disfuncionais times de toda a NBA, e uma mudança para um time que joga com velocidade, boa movimentação de bola e de forma coletiva pode ser o que ele precisa para retomar a boa forma. E se retomar, ele é algo que o Blazers precisa, alguém capaz de fazer um pouco de tudo vindo do banco - criar para si e para os outros, arremessar de fora para espaçar a quadra, defender em bom nível, etc. Ele não tem o tamanho e a força física para reproduzir o papel que Batum deveria ter nessa equipe, então ele não resolve os maiores problemas do time... mas ele ajuda e torna o time mais profundo e versátil. Quando você está com a janela totalmente aberta para o título, você tem que fazer o possível para aumentar suas chances, e foi o que o Blazers fez aqui. Uma boa troca.


Celtics recebe Luigi Datome e Jonas Jerebko; Pistons recebe Tyshaun Prince

Contratos expirantes por contratos expirantes, então é uma troca sem grandes consequências. Mas o Pistons trás um jogador que vinha bem em Boston para tentar reforçar a rotação em busca de uma vaga nos playoffs, e trás de volta um antigo herói e ídolo da franquia. Então... hmmm... é basicamente isso. Entre KG e Prince de volta a Wolves e Pistons, respectivamente, a nostalgia foi a maior vencedora dessa trade deadline.


Jazz recebe Kendrick Perkins, Grant Garrett, uma 1st round pick ainda não revelada (Thunder) e uma escolha de segunda rodada (Pistons); Pistons recebe Reggie Jackson (Thunder); Thunder recebe Enes Kanter, Steve Novak (Jazz), Kyle Singler e DJ Augustin (Pistons).

Para analisar essa troca, precisamos olhar os três times envolvidos.

Para o Jazz, manter Enes Kanter não valia mais a pena. Kanter é um jogador talentoso com conjunto de habilidades interessantes e bom potencial, mas que também vinha com várias limitações e que, sendo um free agent, provavelmente seria muito caro de manter no fim do ano. O turco tem bastante potencial, mas hoje, ele pouco oferece na defesa, e no ataque ele - apesar de potencial para ser bastante completo - é apenas um jogador de post up com bom rebote ofensivo que não faz mais nada. Ele é um desastre na defesa, e embora ofereça mais opções ofensivas ao lado de Derrick Favors, a emergência de Rudy Gobert - um defensor infinitamente melhor - tornou Kanter totalmente dispensável. A dupla Favors-Gobert tem sido 3.4 pontos por 100 posses melhor do que Enes-Favors, e considerando a extensão de Favors e o contrato máximo de Gordon Hayward, a última coisa que o Jazz quer nesse momento é acabar com sua flexibilidade salarial dando um contrato gordo a um jogador que, apesar do potencial, é só sua terceira melhor opção no garrafão e provavelmente um reserva. Então ao invés de perder o turco por nada ao final do ano, o Jazz se contentou em receber o que pudesse no mercado por ele, e faturou uma escolha de primeira rodada no processo (ainda não revelada) e Perkins (que terá um buyout para economizar uns cobres).

Para o Pistons, é simples: o time quer ir aos playoffs, e estava caminhando a passos largos para atingir esse objetivo quando perdeu Brandon Jennings, seu armador titular e o cara que deu vida nova ao seu ataque pós-Josh Smith. DJ Augustin vinha jogando bem na sua ausência, mas era claro que o time perdia bastante com essa mudança, então fazia todo o sentido para Detroit buscar um armador novo e melhor no mercado, para tentar salvar a temporada e garantir a vaga nos playoffs. O time gosta de jogar com espaçamento, e Jennings mudou o time sem Smith quando começou a atacar mais a cesta e causar caos no garrafão, e nisso o explosivo Jackson é muito melhor do que Augustin. Sua defesa também é melhor, e em geral, Jackson tem muito mais a oferecer do que Augustin, recolocando o Pistons em condições de brigar por aquela última vaga. Todo mundo lembra o que ele fez no começo do ano com Durant e Westbrook machucados, levando o Thunder nas costas com 19-5-8 de média.

Enfim, chegamos no Thunder, que em valor se saiu bem: Reggie Jackson foi importantíssimo para o time no começo do ano, mas vinha perdendo cada vez mais espaço e parecia ser mais um problema do que uma solução nos últimos tempos, especialmente desde a chegada de Dion Waiters. Além disso, era free agent ao final do ano, então o Thunder provavelmente perderia o jogador por nada. Já Perkins, eternamente mal falado e culpado pelos maus momentos do Thunder, não é um jogador que chama muita atenção e que sempre foi dispensável. Então OKC conseguiu usar os dois para reforçar seu banco, trazendo dois bons arremessadores que devem mofar na reserva (Novak e Singler) mas que ainda podem ter algo a oferecer, o jogador de garrafão que tanto queria em Kanter, e um bom PG reserva em Augustin.

Então em valor foi bom - trouxeram boas opções e rechearam o banco usando um cara que estava encostado faz tempo e um armador que não queriam mais e perderiam de graça. O que eu questiono é o quão melhor o Thunder realmente ficou com essas trocas. Nenhuma das novas adições na equipe sabe defender, para começar. Novak e Singler trazem arremessos de fora e espaçamento, então pelo menos adicionam alguma coisa, nem que seja profundidade. Mas as peças grandes são Augustin e Kanter, e embora no papel sejam boas adições - um PG reserva e um pivô capaz de pontuar perto da cesta - eles são realmente o que OKC precisa agora?

Comecemos por Kanter. O turco tem duas habilidades de nível NBA, os rebotes ofensivos e pontuar de costas para a cesta. A primeira habilidade é sempre útil, mas a segunda é incerto. Claro, jogadores assim são sempre úteis, mas não é como se ele fosse Al Jefferson no fundamento - 60th percentil dos jogadores da NBA apenas - e ele tira coisas demais da mesa. Ele é absolutamente incapaz de passar a bola, então o post up dele tem poucas chances de gerar uma movimentação favorável pro ataque e seria facilmente "anulado" em uma série de playffs, e ele descompensa sendo talvez o pior defensor de garrafão da NBA na atualidade (e é o pior protetor de aro da NBA - adversários chutam 57.6% contra ele na área restrita, pior marca da liga). Pontuação de costas pra cesta é uma habilidade sempre útil, mas o Thunder realmente se beneficiaria de ter mais um pontuador fominha que segura demais a bola, não roda o jogo e não faz os companheiros melhores, e que ainda dobra como um dos piores defensores do mundo? Realmente move tanto a agulha assim em relação mesmo a Perkins, que é um nulo no ataque mas é pelo menos um bom defensor, com o qual OKC é algo como 4 pontos por 100 posses melhor quando está em quadra? Bom lembrar também que Kanter é um free agent restrito ao final do ano, e tem potencial para receber um bom contrato. A não ser que o Thunder decida abrir o cofre para manter o jogador - sabe, dando aquele contrato que não quis dar para James Harden? - também não passa de um aluguel de dois meses.

O mesmo para DJ Augustin. Sim, ele é um bom reserva, mas não é um bom arremessador, é alguém que produz melhor quando tem a bola nas mãos, e que não defende bem. Considerando que o problema do Thunder é justamente a dificuldade de jogar em equipe, rodar a bola e achar jogadores que complemente os seus dominantes ball handlers, Augustin não me parece um bom encaixe. Talvez Jackson não estivesse rendendo por causa da personalidade, mania de querer fazer demais e excesso de toques na bola, mas como exatamente Augustin renderia melhor em uma função secundária? Talvez o pessoal ainda não desgoste dele como desgostava de Jackson, mas o que Augustin trás para quadra que é melhor que Reggie Jackson?

A velha piada: se Enes Kanter é a resposta, então eu não quero saber qual é a pergunta. Não é que o Thunder fez trocas ruins ou se tornou um time pior, nem nada do tipo. Eu só acho que as trocas foram nem de longe tão benéficas e mudam tanta coisa como as pessoas parecem pensar. Elas aumentam o potencial de OKC, e com o relógio correndo contra Oklahoma City, o time tem mais é que correr atrás dessas trocas mesmo na tentativa de conseguir alguma coisa nova. Se eu fosse o GM do time, provavelmente também teria feito ambas as trocas. Eu só acho que, no final do dia, o resultado não vai mudar em nada com os novos jogadores.


Veredito

O Phoenix Suns projetava como um grande perdedor dessa troca, mas muito mais por causa de Dragic ter forçado o time a uma situação sem solução do que por outra coisa. E a inevitável troca ruim aconteceu... só que Phoenix não parou por ai, e ao invés de pisar no estrume, se afundou até a cintura trocando seu melhor ativo por um PG overrated que vai ganhar uma fortuna no final do ano, e se livrando de outro bom PG por nada. Phoenix não fez nada para salvar o resto da sua temporada e tornar-se um time melhor no curto prazo, mas também trocou seu melhor ativo e um contrato muito favorável por um jogador mediano que ficará muito overpaid em três meses. Em outras palavras, também prejudicou em MUITO o valor do time no médio prazo. Um dia para esquecer de Phoenix, que praticamente se destruiu em duas horas.

Os grandes vencedores (pelo menos os times) foram, a meu ver, Heat e Bucks. Miami porque pegou, a baixo custo, um dos melhores PGs da NBA e a peça que faltava para o time voltar a ser competitivo e candidato as Finais em Dragic - ou, melhor dizendo, porque esse armador caiu no seu colo. E Bucks porque, em troca de um jogador overrated que eles não queriam pagar no final do ano (e provavelmente perderiam por nada), conseguiram não só um talentoso, jovem e muito mais barato armador para se juntar a seu jovem e talentoso núcleo, como também roubou junto duas boas peças de rotação em Ennis e Plumlee, e se tem um time na atualidade que sabe aproveitar o valor de um bom banco, é o Bucks. Excelentes negociações para ambos os times.

Para terminar, Celtics e Thunder também fizeram barulho, e conseguiram trocas interessantes a bons valores. Ambas aumentaram o teto da sua equipe, e maximizaram seus ativos. Ainda assim, eu não acho que de para declarar ambos vencedores ainda. OKC porque não estou convencido de que essa troca realmente faz do Thunder um time melhor ou muda a perspectiva da franquia, e Boston porque ainda tem um risco considerável dessa troca custar a Boston (por causa da pick desse ano e do desenvolvimento de Smart) muito mais do que ela adiciona no médio prazo. Ainda esperando para ser avaliado completamente.

E por fim, os grandes vencedores fomos todos nós, que temos um twitter e pudemos acompanhar em tempo real a mais maluca e divertida trade deadline de todos os tempos. E agora que finalmente colocamos toda essa loucura em contexto, é hora para mais café. Com licença.