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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Pontos de destaque dos times da NBA, parte II - O otimista

Hora de agradecer por tudo que está dando certo - especialmente o joelho do Embiid


Para quem não sabe, alguns anos atrás eu sofri um sério acidente envolvendo um DeLorean, um cavaleiro medieval, uma cruz de maçaranduba (o relatório da polícia diz mogno, mas eu discordo) e uma jacuzzi. O trauma me deixou com sérios problemas psicológicos, e entre eles está o surgimento de duas novas personalidades alternativas: Jean, a otimista; e Javert, a pessimista. 

Normalmente as duas ficam controladas, mas como na quinta feira passada foi o Thanksgiving americano e não tivemos nenhum jogo de NBA sequer, meu sistema nervoso central decidiu se desligar por algumas horas e deixar os dois tomarem conta. Então eu fiz um pedido para cada um dos dois: para que escrevessem uma coluna cada um destacando algum ponto específico de cada um dos 30 times da NBA nesse começo de ano. Então Javert escreveu uma coluna destacando um ponto negativo ou de preocupação para cada time; enquanto Jean escreveu uma coluna destacando um ponto positivo de cada um.

Semana passada publicamos a coluna pessimista com os pontos negativos de cada time escrita pelo Javert; então agora é a vez da coluna a coluna otimista, com os pontos positivos, escrita pelo Jean.

(Nota: A coluna foi escrita ao longo de vários dias, então algumas estatísticas podem estar desatualizadas).

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Eu não sei vocês, mas eu adoro o caos que é o primeiro mês da temporada regular.

Simplesmente é aquele momento em que nós não sabemos e temos certeza de nada, então tudo é possível. Talvez aquele time surpreendente vá cair por terra ao longo do tempo, mas isso ainda não aconteceu, e até acontecer esse time é uma ótima surpresa, divertida, envolvente. E aquele time que deveria ser bom mas está começando mal ainda tem muito tempo para se reerguer e voltar a disputar os playoffs, mas até acontecer fica pairando aquele mistério do que vai acontecer SE continuar mal... é uma época ótima tanto pra quem gosta de otimismo como para quem gosta de caos. As possibilidades são ilimitadas.

É claro, também é preciso ter cuidado quando tratamos de amostras pequenas. A narrativa é uma coisa, os sinais podem ser olhados, pequenas tendências analisadas, mas a 20 jogos ainda tem muito ruído estatistico, e muitas mudanças por acontecer. Quase nenhum time é o mesmo em Abril que éem Fevereiro, e não é em Fevereiro o time que é em Novembro. Nós demos apenas os primeiros passos, mais nada.

Ainda assim, é interessante e instrutivo olhar mais de perto para alguns fatores dentro de cada franquia. Pequenas tendências, mudanças, novidades, pontos de esperança. Então vamos passar rapidamente pelos 32 times da NBA e ver quais foram pontos que se destacaram nesses primeiros 40 dias de basquete.


Atlanta Hawks

Taurean Prince
foi provavelmente o melhor calouro sobre o qual ninguém falou a respeito de 2017, mas o ex-jogador de Baylor terminou muito bem o ano passado e tinha grande esperanças para esse ano. A presença de jogadores como Dennis Schroeder e Kent Bazemore significa que Prince não precisa assumir o centro dos holofotes e carregar um time como outros jovens jogadores em processo de tanking, mas o segundo-anista tem sido impressionante mesmo assim.

Prince parece muito mais confortável em um papel maior esse ano. Se em 2017 parecia ser só um futuro 3-and-D, Prince está mostrando mais capacidade e versatilidade acertando a cesta, e seu arremesso continua se desenvolvendo. Está dando mais assistências, conduzindo mais pick and rolls (que já compõem 16% do seu ataque) e mostrando uma noção surpreendente de quadra tanto para criar o próprio arremesso como para achar seus companheiros. Atlanta tem sido cuidadosa para não expor demais seus jogadores novos, o que parece uma tática certa nesse caso, mas ainda assim vai ser difícil manter Prince fora dos holofotes por muito tempo.


Boston Celtics

Existe na NBA uma série de pequenos axiomas que costumam servir de "guias" na hora de calibrar as expectativas de um time no começo da temporada. "Jogadores jovens costumam ser ruins e times que se fiam demais neles, também"; "Continuidade importa, e times com muitas mudanças demoram para engrenar"; "Você vai ter problemas defensivos  se troca dois titulares (Avery Bradley e Jae Crowder) que são conhecidos por serem bons defensores"; e principalmente, "Um time vai sofrer se perder seu jogador mais caro e aquisição mais importante da offseason".

Mas depois de 21 jogos, Boston pegou todos esses axiomas e jogou pela janela, rumo a ter a melhor campanha da NBA. Gordon Hayward, o grande free agent trazido por Boston essa offseason, machucou com 5 minutos na temporada e deve ficar fora o ano todo; o Celtics emendou uma sequência de 16 vitórias seguidas mesmo assim, distribuindo sua carga para Jayson Tatum (19 anos) e Jaylen Brown (21) anos, que responderam mais do que à altura, lideram o time em minutos e tendo participação crucial do sucesso da franquia. Depois de retornar apenas QUATRO jogadores do time do ano passado, perder Avery Bradley e Crowder, e ter SEIS jogadores em contrato de calouro na rotação principal, o Celtics tem a melhor defesa da NBA (ajustando pelo ambiente de crescente foco ofensivo, uma das melhores dos últimos 30 anos), a melhor campanha, melhor RPI, e está chutando bundas a torto e a direito.

Nenhum time que perdeu um All-Star, vários bons defensores, mudou o elenco inteiro e está dependendo tanto de jovens para produzir deveria ser tão bom, mas aqui estamos. Kyrie Irving está cada vez mais confortável no sistema de Brad Stevens, e sua química com Al Horford faz parecer que jogam juntos há anos. Jaylen Brown tem sido uma das revelações do ano, e Jayson Tatum joga com um veterano de 6 anos de NBA. Horford está jogando o melhor basquete da carreira. Aaron Baynes, Daniel Theis, Semi Ojeleye até Shane Larkin, Boston simplesmente acertou todas as transações que fez nessa offseason. E seu novo elenco - cheio de jogadores altos e versáteis, que consegue cobrir muito da quadra e trocar a marcação à vontade - está mostrando em quadra exatamente a visão que Danny Ainge tinha quando trocou Bradley e montou esse time. Boston pode ser o time do futuro no Leste, mas eles já chegaram no presente muito mais cedo - e mais forte - do que se esperaria.


Brooklyn Nets

O Nets é um time ruim com uma perspectiva de futuro complicada devido à falta de escolhas de Draft (a sua desse ano ainda está em Cleveland) e de jovens de grande potencial no elenco (deve doer assistir Jaylen Brown e Jayson Tatum em Boston), mas eles tem algo a seu favor: eles estão cientes disso e planejando de acordo. Não existe (e a diretoria do Nets sabe disso) uma saída milagrosa para essa situação, então Brooklyn inteligentemente está olhando na outra direção: ao invés de ir atrás dos jogadores que não tem, e não tem condição de adquirir, o Nets está preocupado em criar uma base, uma cultura e um esquema tático que façam sentido, para depois preenchê-lo com as peças certas com o tempo.

E Kenny Atkinson, o técnico que o Nets escolheu para comandar esse processo, está conseguindo com muito sucesso fazer seu time jogar do jeito certo. Claro que o Nets ainda é ruim, mas assistindo os jogos fica claro que existe algo de funcional por trás. O time simplesmente joga o basquete que deveria jogar: o time faz boas movimentações, os jogadores consistentemente fazem as leituras certas, os passes certos, sabem quais os arremessos deveriam conseguir. Eles são o 5º time na NBA em drives por jogo, 13º em passes por jogo, o 2º time que mais chuta de 3, E o 2º time que mais bate lances livres - eles sabem o que estão fazendo em quadra.

O problema é que os jogadores que estão lá não são bons o suficiente para executar tudo isso em alto nível, mas esse é o próximo passo. Brooklyn encheu seu time de veteranos (Allen Crabbe, DeMarre Carroll) que fazem sentido para ajudar esse esquema a se desenvolver, enquanto apostam em jogadores talentoso (Spencer Dinwiddie, Joe Harris) que fazem sentido dentro dessa forma de se jogar. É muito mais fácil achar uma escolha na segunda rodada ou uma barganha na free agency se você sabe exatamente o que espera para o jogador que vai ser encaixado no seu time (como San Antonio, Golden State e Boston estão nos lembrando constantemente). E essa é a vantagem de se ter já esse sistema e essa cultura no lugar, e isso que o ótimo Atkinson e a boa diretoria encabeçada por Sean Marks estão implementando com sucesso. O processo ainda é longo e as vitórias demorarão a vir, mas existe algo de encorajador acontecendo no Brooklyn.


Charlotte Hornets

Uma das minhas histórias favoritas desse começo de ano tem sido o crescimento de Jeremy Lamb em Charlotte. Depois de passar praticamente toda sua carreira como um reserva de pouca expressão, Lamb enfim explodiu esse ano em um papel maior, iniciando boa parte do ano como titular na ausência de Nicolas Batum e mostrando um jogo bem mais avançado do que antes.

Lamb tem média de 16 pontos em 29 minutos por jogo, a segunda melhor marca no Hornets depois de Kemba Walker. Mas o mais interessante é o quanto Lamb tem mostrado em áreas que antes não eram uma força: o ala do Hornets está chutando sólidos 37,3% de três pontos no ano (32,4% na carreira) em um número alto de tentativas (4 por jogo), está atacando a cesta e cavando faltas com mais frequência do que nunca (3.8 FTs por jogo, quase o dobro de 2017) e, mais importante, tem mostrado um novo nível conduzindo pick and rolls e atacando a partir do drible que tem sido crucial para o Hornets tentando sobreviver sem Batum: Lamb tem média de 0.93 pontos por posse de bola conduzindo um pick and roll (72nd percentil da NBA) e dando 3.4 assistências por jogo, mais do que triplicando sua média da carreira (1.1).

Essa melhora em todas as áreas do jogo de Lamb fez dele um reserva pouco utilizado para um jogador crucial para Charlotte: Depois de ser apenas 8th em minutos por jogo no time em 2017, Lamb agora é o terceiro atrás de Dwight e Kemba Walker, e o Hornets tem destroçados adversários quando Lamb e Kemba jogam juntos ao tom de + 10.5 de Net Rating, que seria equivalente à segunda marca da NBA (Rockets). Lamb foi para o banco depois da volta de Batum, mas ainda tem jogado minutos de titular, e o Hornets sabe o quão importante é o bicampeão universitário para suas pretensões na temporada. Muito legal ver um dos meus jogadores universitários favoritos enfim ganhando seu espaço na NBA.


Chicago Bulls

Trocar seu melhor jogador por pouco, como fez o Bulls, sempre vai gerar muitas derrotas e descontentamento de curto prazo. É inevitável. Jimmy Butler foi o que manteve o Bulls vivo em 2017, e sua saída - previsivelmente - transformou Chicago no pior time da NBA em 2018. Mas um dos motivos pelos quais esse cavalo morto não tem sido mais tão chutado é a performance do calouro Lauri Markkanen, que também foi bastante criticado quando foi escolhido no #7.

Os números do finlandês não saltam tanto aos olhos - 14 pontos, 8 rebotes, 40 FG%, 35 3PT% - mas é óbvio que o Bulls não está jogando pelo hoje, e sim pelo futuro, e o que Lauri tem mostrado nesse sentido tem sido bastante encorajador. O arremesso de fora já era conhecido, mas Markkanen tem mostrado mais em quase todas as outras áreas: seu arremesso tem enorme versatilidade (pull ups, vindo de screens, etc), seus rebotes estão melhores do que o esperado, e Lauri está mostrado bem mais habilidade botando a bola no chão e criando arremessos do que parecia ter. Até sua tão criticada defesa parece melhor na NBA: Markkanen não é (e provavelmente não será) um protetor de aro, mas tem mostrado pés ágeis quando precisa trocar a marcação e acompanhar jogadores menores no perímetro. Não é Ben Simmons, mas sem dúvida é um raio de esperança no que promete ser uma difícil reconstrução para o Bulls.


Cleveland Cavaliers

As vezes eu sinto que não estamos falando de LeBron James tanto quanto deveríamos. Eu sei que LeBron já está naquele nível que tomamos sua grandeza por garantida e por isso ela para de nos impressionar, mas não deveria. Esse é o ano 15 para LeBron na NBA. Ele tem 33 anos, 1300 jogos e 51.000 minutos (contando playoffs) nas costas. Qualquer ser humano normal estaria começando a olhar para a descendente.

Mas LeBron? Ele está anotando 28.5 pontos, 8.6 rebotes, 7,5 assistências por jogo enquanto arremessa 58% de quadra e 42% de três pontos, e fazendo tudo isso enquanto é segundo na NBA em PER e segundo em minutos por jogo atrás de Giannis (o que, diga-se de passagem, é absurdamente irresponsável por parte do time). Ele está carregando nas costas um Cavs desfigurado que perdeu seu segundo melhor jogador (Kyrie), viu Jae Crowder voltar a ser uma abóbora, perdeu Tristan Thompson por lesão, e esteve contando com minutos de Rose, Wade, Jeff Green e Jose Calderon para ter uma rotação. É uma temporada fantástica de um dos melhores jogadores de basquete que jamais pisaram sobre essa Terra sob qualquer ótica possível. Apreciem LeBron James enquanto é tempo.


Dallas Mavericks

No último sábado, dia 25/11, o Mavericks enfrentou o Thunder em Dallas, e fomos brindados com uma performance quase vintage de Dirk Nowitzki: uma série de bolas longas, fakes, giros, fadeaways, e é claro, um dos arremessos mais bonitos da história da NBA. Foi lindo de se ver, um lembrete sobre como era e as vezes ainda é fantástico assistir a um dos melhores e mais únicos jogadores da história da NBA.

Então ao invés de falar sobre a temporada do Mavericks, vou simplesmente deixar vocês com esse mix do Dirk para lembrarmos enquanto é tempo.

Sentiremos muito sua falta, Dirk.





Denver Nuggets

Múltiplas lesões, dispensas, movimentações, excesso de jogadores em uma mesma posição, e por ai vai - todos esses fatores tornaram quase impossível para o Denver ter uma rotação estável. Apenas UMA lineup do time jogou mais do que 150 minutos junta no ano inteiro. Ou mais do que 120 minutos o ano inteiro. Ou 100 minutos o ano inteiro. Ou CINQUENTA minutos junto o ano inteiro. É isso ai, a segunda lineup mais usada pelo Denver jogou junto apenas QUARANTA E QUATRO minutos TOTAIS ao longo do ano. Você vai ter muita dificuldade para montar um time quando isso acontecer.

A boa notícia é que essa lineup que é exceção - a titular do time antes da lesão de Millsap e que jogou junta por 224 minutos - tem sido realmente uma das mais divertidas de se assistir da NBA, e uma das mais dominantes. Muitas vezes nos jogos do Nuggets o time tem problemas com a armação de jogadas, com falta de espaçamento, com a falta de entrosamento... mas quando esses cinco - Murray, Harris, Chandler, Jokic e Millsap - jogam juntos é como se um raio luminoso viesse e focasse no Pepsi Center. Essa lineup não tem praticamente nenhuma das falhas que as outras apresentam: eles NUNCA cometem turnovers (o que é significativo, considerando que Denver é o segundo time com mais turnovers na NBA), passam a bola com facilidade (seriam #4 em AST% na NBA), pegam rebotes feito maníacos (53,5% em % de rebotes, que seria a melhor marca da liga) e parecem que jogam juntos faz cinco anos. Eles bombardeiam bolas de três livres, rodam a bola, sabem quando cortar e quando sair para o perímetro, se movimentam sem a bola, e destroem times dos dois lados da quadra: esses cinco juntos tem um Offensive Rating de 112.5 (seria #2 na NBA, à frente de Houston) e 100.5 de Defensive Rating (seria #4 na NBA logo atrás de Utah), o que da um Net Rating de 12,0 equivalente ao Golden State Warriors como time.

O Nuggets tem problemas quando esse quinteto (e em especial o trio Murray-Jokic-Millsap) se separa, e com a lesão de Millsap deve demorar um pouco para voltarem a jogar juntos. Isso vai significar mais mudanças, mais experimentos, e mais lineups que não funcionam tão bem - o que deve render sofrimento no curto prazo, mas vai ajudar esse time a encontrar as "outras lineups" para funcionar em torno dessa principal. Ainda assim, é uma lineup que nos da um gostinho do quão bom esse time pode ser quando tudo está encaixando, e um enorme prazer de ver jogar.


Detroit Pistons

Se eu tivesse um voto para o Most Improved Player - o jogador que mais evoluiu na temporada - certamente ele iria hoje para Andre Drummond. Imagino que hoje Porzingis seja o favorito ao prêmio, mas meu voto seria para o pivô do Pistons. Depois de ano sendo um jogador talentoso mas que nunca tinha realmente juntado isso em uma atuação consistente e dominante (e inclusive ser nomeado pelo chefe o Jogador Menos Valioso de 2017), Drummond melhorou quase todos os aspectos do seu jogo e enfim está parecendo a estrela que prometia desde que chegou à NBA.

O que chama a atenção é o aproveitamento nos lances livres, que passou de patéticos 38,6% para decentes 61,8% esse ano. Isso permite a Drummond ficar mais tempo em quadra (especialmente no final de jogos) e igualmente mais tempo com a bola nas mãos, sem precisar ter medo de sofrer uma falta intencional. Ao invés de precisar se livrar rápido da bola e definir a jogada com pressa, Drummond agora pode tomar seu tempo e fazer as jogadas pensadas, o que liberou todo seu jogo.

Drummond esse ano mais do que triplicou (de 4,7% para 16,1%) seu AST% e viu suas assistências por jogo subirem para impressionantes 3,5. Ano passado Drummond não era remotamente capaz de dar passes com esse aos 14 segundos do vídeo abaixo...




... mas agora eles fazem parte da sua rotina em quadra e da forma do Pistons de atacar. Drummond também trocou muitos de seus horríveis lances de costa para a cesta (post ups compunham 27% das suas posses totais em 2017 e caíram para apenas 10% esse ano) por jogadas mais eficientes e que não precisam congelar todo o ritmo ofensivo do time, e principalmente por mais toques na cabeça do garrafão, que ajudam a abrir espaço para o resto da equipe e estão abrindo sua habilidade nos passes. Defensivamente, Drummond ainda consegue usar seu tamanho e atleticismo para causar estrago com tocos e roubos, mas ele está muito mais inteligente esse ano em como se posicionar, ignorando os "disfarces" das jogadas adversárias e se concentrando na ação que realmente importa, e que ele realmente precisa defender. Drummond tem sido uma revelação em tantos aspectos esse ano que chega a parecer outro jogador, e tem sido uma parte crucial do sucesso do Pistons em 2017/18.

(Para mais detalhes, recomendo esse texto do ótimo Scott Rafferty -> https://t.co/cK2WSWeaQd)


Golden State Warriors

Vamos contar:

- #1 em ataque
- #5 em defesa
- #1 em Net Rating
- #2 em RPI
- #1 em AST%
- #1 em TS%
- #1 em eFG%
- Tudo isso com o calendário mais difícil do Oeste até aqui.

Eu sei que é tentador olhar o Warriors em uma noite preguiçosa de temporada regular e tentar achar que estão em decadência ou em crise, mas seus dados avançados estão quase no nível que estavam ano passado, e saudável esse ainda é o time a ser batido na NBA.


Houston Rockets

Houston
é uma maiores surpresas do começo de temporada, com o segundo melhor Net Rating, segunda melhor campanha e segundo melhor ataque da NBA. Harden está jogando em nível MVP, e Chris Paul parece totalmente confortável em quadra. Não poderiam pedir um começo melhor.

E um aspecto específico que tem sido bem interessante nesse início do Rockets é o uso das suas lineups de small ball. E eu não digo small ball no sentido antigo de "sem um ala de força ou pivô de origem", embora essas também tenham sido ótimas para Houston - o time do Texas tem um Net Rating de +13.1 quando Ryan Anderson está em quadra sem Clint Capela.

Mas as que mais me interessaram são aquelas que são REALMENTE small ball, com Mbah a Moute ou PJ Tucker jogando de pivô e um exército de arremessadores ao redor. Houston ainda não está usando essas lineups com muita frequência - apenas 16 minutos até aqui - mas nesses minutos elas tem destruídos times durante curtas sequências, com um Net Rating de +16,4 nesses minutos. São em geral lineups capazes de trocar a marcação entre 4 ou 5 posições, e com Tucker e Mbah a Moute bombardeando bolas de longa distância com sólido aproveitamento fica dificílimo marcar essas unidades. Elas lembram, na verdade, a lineup da Morte do Warriors à sua própria maneira. Vai ser interessante acompanhar se Houston continua usando esses grupos, e se vai ser uma arma a ser usada contra Golden State caso os dois favoritos do Oeste venham a se cruzar nos playoffs.

Indiana Pacers

A troca de Paul George por parte do Indiana Pacers está parecendo muito melhor hoje em dia, não?

Alguns meses depois do dia que Kevin Pritchard quase explodiu a internet, eu tenho 100% de certeza que OKC ainda faria essa troca 10 de 10 vezes, mas a impressão cada vez mais é que o Pacers não foi roubado como pareceu à primeira vista. E isso porque as duas aquisições do time na troca estão jogando melhor do que jamais jogaram em OKC ou Orlando.

Victor Oladipo em particular tem sido uma revelação. Jogando no ritmo de jogo veloz desse ano Oladipo enfim está conseguindo mostrar toda sua agilidade e velocidade, e tem sido imparável na quadra aberta. Com 23 pontos, 5 rebotes e 4 assistências de média e 54 eFG%, Oladipo está tendo de longe a melhor temporada da carreira dos dois lados da quadra, e deve receber alguma atenção na hora de definir os participantes do Leste no All Star Game.

Domatas Sabonis também está mostrando em Indiana uma promessa que não mostrou quando era refém de Russell Westbrook em OKC. Sabonis chegou à NBA com seus maiores atrativos sendo seu jogo no garrafão, os passes e os rebotes, o tipo de jogador que foi feito para jogar de pivô na NBA moderna. E seu primeiro ano em OKC foi basicamente ficar na zona morta esperando um passe e arremessando de três - não a toa não conseguiu mostrar todo seu talento por lá.

Em Indiana - e especialmente sem Myles Turner, o que permitiu a Sabonis jogar de pivô - o filho da lenda do basquete soviético tem mostrado seu jogo completo, dominando o garrafão com seu jogo de pernas, inteligência nos passes, e dominação nos rebotes. Sabonis tem esse ano médias de 13-9-2,5 com 55 FG%, depois de ter 6-4-1 e 40 FG%. E seus números são aida melhores considerando quando jogou sem Myles Turner, como pivô titular do time: 14-11-3 com 60 FG% durante 9 jogos, e em geral o ex-astro de Gonzaga tem médias de 18 pontos, 13 rebotes e 4 assistências por 36 minutos quando joga sem Turner. Nesses minutos, o Pacers tem um Net Rating de +5.8, que seria a quinta melhor marca da NBA. Um jogador muito melhor e mais promissor do que sua avaliação quando foi adquirido de OKC.

Nem Oladipo nem Sabonis parece ser o tipo de estrela em torno do qual você constrói uma franquia, mas considerando o papo de que o Pacers não tinha conseguido nada de valor pela sua estrela, o começo de ano da dupla é encorajador, e estão ajudando o Pacers a se manter competitivo num surpreendente Leste. O próximo desafio: achar uma forma de fazer Sabonis e Turner jogarem juntos em quadra.


Los Angeles Clippers

É impossível achar um ponto positivo na temporada do Clippers, um time sólido e divertido no papel que viu sua temporada acabar cedo com lesão atrás de lesão para seus principais jogadores. O Clippers agora está 8-12 e lidando com mais uma lesão no joelho de Blake Griffin, o ano parece perdido, e o futuro cada vez mais duvidoso.

Então... hm... e ai pessoal, já viram o novo trailer de Guerra Infinita?! Parece fantástico!!


Los Angeles Lakers

A defesa de Los Angeles caiu para #8 na NBA recentemente depois de chegar a ser a terceira melhor da liga em certo ponto, mas ainda assim é de se impressionar com a eficiência do Lakers do lado defensivo da quadra. Esse é o mesmo Lakers que foi a PIOR defesa da NBA um ano atrás! Ter uma defesa Top10 para começar o ano é um grande passo à frente - e um bastante inesperado.

E mais impressionante ainda é o Lakers conseguir isso com praticamente só dois bons defensores no seu elenco (três se contar Julius Randle motivado, o que tem acontecido mais do que o normal esse ano) em KCP e Brandon Ingram. Essa sólida defesa para começar o ano tem vindo não do talento individual dos seus defensores mas sim do seu esforço coletivo, o que é sempre um bom lembrete de que defender na NBA moderna NUNCA é apenas individual. Esse time, pura e simplesmente, sabe o que está fazendo na defesa: os jogadores são capazes de trocar marcação entre várias posições, são bastante ativos nas linhas de passe e nas rotações, jogam duro e com vontade, lutam contra pick and rolls, e mostram uma noção geral boa do que devem fazer. Essa defesa ser #8 não é por acaso.

Parte disso não é sustentável, e alguma regressão já começou: O Lakers tem muita dificuldade em conter penetração a partir do drible (especialmente na posição de armador); eles enfrentaram um calendário bem fácil (7th mais fácil da liga); seu perfil de arremessos não é o ideal (só Milwaukee cede mais arremessos perto do aro); e seus adversários ainda estão acertando um percentual abaixo do normal de arremessos livres, o que é geralmente insustentável. Tudo indica que esse número ainda deve cair do oitavo lugar.

Mas ainda assim, esse time não chegou ao #8 por acaso. Ninguém chega. Esse número e as boas performances defensivas são um testamento não só ao trabalho de Luke Walton, mas também ao quão duro e investido esse elenco está jogando esse ano.


Memphis Grizzlies

Em meio a um desastroso início de temporada, um ponto positivo é que Memphis achou mais um jogador decadente e não desejado para reviver a carreira e mostrar pro mundo que consegue reabilitar QUALQUER jogador do planeta: Tyreke Evans.

Engraçado pensar hoje que Tyreke foi Calouro do Ano sobre Steph Curry e James Harden em 2009, e considerado uma grande estrela do futuro. Mas a cada ano que passava Harden parecia piorar um pouco, as lesões continuavam se sucedendo, e sua falta de arremesso e estilo de jogo individualista começaram a se destacar negativamente cada vez mais em uma NBA que caminhava na direção oposta. Seu espaço foi minguando, e chegou ao ponto que Tyreke teve que assinar um contrato de 1 ano, 3 milhões para tentar reconstruir seu valor na NBA.

Mas Reke parece ter escolhido o lugar certo para isso. Em 20 partidas, Evans vem tendo talvez o melhor ano da sua carreira. São 18 pontos, 5 rebotes e 3.5 assistências por jogo em apenas 28 minutos vindos do banco de reservas, e tem sido crucial para ancorar as rotações vindas do banco de reservas, especialmente com Mike Conley machucado. E, talvez mais importante, Evans parece ter se reinventado como um bom arremessador: está acertando 42% das suas bolas de longa distância em um alto número de tentativas (4.3 por jogo). Não é a estrela que parecia ser quando calouro, mas sem dúvida o Tyreke Evans desse ano é um sólido jogador de NBA. Uma evolução e volta por cima que fazem dele hoje o provável líder na corrida pelo prêmio de Sexto Homem do Ano.


Miami Heat

Discretamente, Kelly Olynyk está se provando uma das mais interessantes contratações da última janela de transferências, e já é hora do pivô ganhar mais minutos em quadra. Ele é apenas o oitavo jogador com mais minutos no time do Miami Heat (em parte porque divide a posição com Hassan Whiteside e quase não tem sido usado de ala de força), mas ele é o jogador que tem sido o diferencial para Miami quando está em quadra, especialmente comandando lineups vindas do banco.

Miami tem uma defesa decente, um time que sabe onde estar e o que fazer desse lado da bola, mas o ataque tem sido uma desgraça (quinto pior da NBA) e parece só encontrar vida quando Olynyk está em quadra provendo espaçamento com suas bolas longas (47 3PT% na temporada, o que deve cair um pouco ainda). Ainda que a maioria disso seja contra reservas, quando o pivô está em quadra o jogo fica mais aberto, os armadores de Miami conseguem realizar suas infiltrações e fazer a bola rodar até o lugar certo, e Miami pontua no nível de um ataque Top8 da NBA. Quando vai pro banco? O ataque de Miami vira basicamente o ataque do Kings, segunda pior marca da NBA, com 96.6 pontos por 100 posses de bola anotado. Miami tem muitos outros problemas para resolver, mas começar a dar mais minutos para Olynyk pode ser um ponto de partida.


Milwaukee Bucks

A impressão é que esse é um assunto todo ano, mas um inevitável simplesmente porque Giannis Antetokounmpo continua evoluindo. O grego deu um salto de qualidade me 2016... depois outro em 2017, quando foi 2nd Team All NBA e ganhou o prêmio de MIP... e agora em 2018 parece ter dado mais um salto de qualidade que nos faz o quão bom Giannis - que tem apenas VINTE E DOIS ANOS de idade - vai realmente ser algum dia.

Esse ano Giannis simplesmente atingiu um novo nível, principalmente como pontuador. Se não tinha dúvidas de que Giannis já era uma superestrela, agora Antetokounmpo já está sendo discutindo entre os 10, talvez 5 melhores da NBA, e com razão. Giannis ainda não tem um bom arremesso, mas a verdade é que isso simplesmente não importa: ele consegue chegar até o aro quando quer graças a seus braços gigantes e seu controle do corpo, e quando Giannis consegue espaço ele é imparável: o grego tem média de 30 pontos por jogo em incríveis 56 FG% e está cavando faltas no melhor ritmo da carreira. Seus rebotes também estão no melhor nível da vida (10.2 por jogo), sua defesa continua excelente e destrutiva, e atualmente ninguém na liga inteira tem PER melhor que os 31.7 de Giannis.

E o Bucks ainda é extremamente dependente da sua grande estrela. Com Giannis em quadra, o Bucks tem basicamente uma defesa média e um ataque equivalente ao sexto melhor da NBA, o que da um Net Rating de +3.3 - marca que seria a sétima melhor da NBA. Mas quando Antetokounmpo senta, Milwaukee despenca para o terceiro pior ataque da NBA, a pior defesa da liga, e um Net Rating de -11.4. Apesar de todo o talento em Milwaukee, existe uma falta de padrão para ser bem usado,e  muito do que esse time ainda faz é confiar no talento descomunal de sua estrela para carregar o piano dos dois lados da quadra - e é um testamento para o quão bom Giannis já é o fato de que ele está conseguindo.


Minnesota Timberwolves

Para um time cujas peças não se encaixavam muito bem, que poderia ter problemas de espaçamento e muitos jogadores que seguram demais a bola e gostam de centralizar o jogo, Minnesota começou muito bem a temporada ado lado ofensivo da bola, tendo o quinto melhor ataque da liga rumo a uma campanha de 13-9 até aqui.

O mais engraçado é que Minnesota AINDA tem problemas de espaçamento e não arremessa bolas de três pontos - é o segundo time com menos bolas longas na temporada - e é abaixo da média em quesitos como % de assistências e passes por jogo, que são indicadores de jogo coletivo. Minny está basicamente tendo sucesso com a tática Toronto Raptors: diminua o ritmo de jogo, não sofra turnovers, aproveite cada posse de bola, consiga um monte de lances livres e aproveite o talento individual de suas estrelas ao máximo (e como bônus adicional também estão dominando os rebotes ofensivos, pegando 26% dos seus próprios erros, quarta melhor marca da liga).

Por um lado, é encorajador ver que Minny está conseguindo ter um excelente ataque mesmo com todos os problemas que se esperava que tivesse nessa adaptação, e da esperança para o que esse time virá a ser desse lado da quadra quado conseguir integrar todo seu talento. Por outro, precisam trabalhar agora até o final do ano para capitalizar em cima disso e continuar desenvolvendo um ataque mais fluido e diversificado, para não chegar em Abril e acontecer o que todo ano acontece com o ataque de Toronto nos playoffs.


New Orleans Pelicans

Uma das grandes perguntas que ficou na NBA ao final do ano passado dizia respeito ao Pelicans e sua dupla de estrelas, Davis e Cousins: é possível um time da NBA render em alto nível no basquete moderno com um time construído ao redor de dois jogadores de garrafão, nesse momento em que todo mundo está tentando jogar mais baixo e focando no perímetro. E até aqui, a resposta parece ser que sim.

No agregado, o Pelicans está 11-10 na temporada com Net Rating de -0.2 (17th no ano) - bem médio. Mas isso diz mais sobre a falta de talento e a montagem irregular desse elenco do que sobre a capacidade do time jogar com dois jogadores de garrafão. Na verdade, quando Davis e Cousins estão juntos em quadra, o Pelicans tem um Net Rating de +4.3, marca que colocaria New Orleans como o sexto melhor time da NBA. O principal problema é realmente quando Davis senta e Cousins comanda as lineups vindas do banco: -10.5 por 100 posses de ola quando Cousins joga sem Anthony Davis.

Esse sucesso com dois pivôs vem não só do enorme nível de talento de Cousins e Davis, mas sim pelo fato dos dois serem jogadores com características bastante modernas: Cousins evoluiu em um arremessador de três pontos respeitável, e Davis também tem boa eficiência no seu arremesso, ainda que ele ainda não se estenda tanto até a linha de 3, o que abre espaço em quadra. Ambos são muito bons batendo bola e podem fazer tanto o papel do ball handler como o do screener em um pick and roll, muitas vezes juntos (Cousins anota 0,9 PPP quando conduz um pick and roll, marca no 70th percentil dos jogadores da NBA), e são capazes de destruir qualquer defensor menor que acabe por defendê-los, o que impede trocas de marcação.

Isso tudo permitiu que a comissão técnica do Pelicans ficasse bastante criativa com a forma de usar seus jogadores. É muito comum ver o Pelicans usando jogadas normalmente desenhadas para liberar os armadores, vindo de corta-luz fora da bola por exemplo... só que New Orleans inverte essas jogadas e usa seus PIVÔS para receber essas jogadas, o que confunde totalmente a marcação e, quando bem executado, torna o time praticamente impossível de defender. Davis e Cousins tem as habilidades de perímetro para fazer funcionar e dar continuidade a essas jogadas; times não estão acostumados a defender essas jogadas com as pessoas que normalmente marcariam esses dois jogadores; e tanto Davis como Cousins vai punir qualquer troca de marcação. Não funciona sempre, mas quando funciona, é realmente muito legal de se ver - eu pessoalmente adoro esses times e jogadas que fogem do padrão que estamos acostumados, e nos mostram novas possibilidades.

New Orleans não tem talento e arremessadores suficientes no time para maximizar Davis e Cousins ainda, mas o time parece ter provado uma coisa: de que ambos podem funcionar jogando juntos. Com Cousins perto de se tornar agente livre, essa é uma informação preciosa para se ter e que pode definir o futuro da franquia.


New York Knicks

Todo mundo sabia que Kristaps Porzingis era bom, mas escondido atrás de Carmelo Anthony em um desastroso esquema era difícil saber exatamente o quanto.

Mas agora como indiscutível foco do time finalmente estamos conseguindo ver o letão atingindo seu potencial, e é glorioso. Porzingis está tendo média de quase 26 pontos por jogo com excelentes níveis de eficiência (46,7 FG%, 39,8 3PT%, 84,1 FT%) e sendo alvo frequente de marcações duplas e triplas. Sério, como você marca Porzingis? Ele tem excelente domínio de bola para um grandalhão e é mais do que capaz de colocar a bola no chão e dar um ou dois dribles para abrir espaço; ele é muito ágil e atlético, com um pouco de espaço para engatar a marcha ele consegue atingir o aro e finalizar com muita facilidade; seu jogo de costas para a cesta continua se desenvolvendo (Porzingis está com média de 1,06 PPP em jogadas de post up, no 78th percentil da NBA); e se nada disso der certo, ele pode simplesmente arremessar por cima de você. Porzingis tem 2m21 (7'4) com um excelente arremesso que se estende até a linha dos 3 pontos e tem um alto ponto de lançamento - nenhum jogador na NBA vai bloquear isso.

Porzingis está maturando em uma das maiores armas da NBA, um pivô e extremamente atlético alto capaz de proteger o aro (lidera a NBA pelo segundo ano seguido em aproveitamento dos adversários perto do aro) e ser uma força imparável no ataque, capaz de espaçar a quadra (39,8 3PT%), atacar a cesta, punir trocas e basicamente pontuar como quiser. Ele manteve praticamente sozinho o que deveria ser um péssimo time do Knicks vivo no Leste e sonhando com playoffs. O Knicks tem o Net Rating do quinto melhor time da NBA (+4.7) quando Porzingis está em quadra e do quinto pior (-6.6) quando ele está no banco. Tire Porzingis desse time e eles estão brigando pela primeira escolha do Draft. Com o letão, não é absurdo imaginar esse time jogando na pós-temporada quando Abril chegar.


Oklahoma City Thunder

O Thunder tem sido uma das maiores decepções do começo de ano, com uma campanha de 8-12 e três derrotas seguidas desde sua convincente vitória sobre Golden State. O novo Big Three de OKC não começou bem sua trajetória em Oklahoma.

No entanto, os números pintam uma história diferente. É há muito tempo conhecido que vitórias e derrotas não são a melhor maneira de se avaliar o nível de performance de um time. Uma melhor, por exemplo, é ver qual o saldo de pontos (ou o famoso Net Rating, saldo de pontos por 100 posses de bola) do time. Outra é avaliar o perfil das vitórias e derrotas - jogos decididos por menos posses de bola tendem a ser mais aleatórios e dizer menos sobre o nível de jogo dos times, enquanto vitórias ou derrotas por margens largas tendem a indicar uma diferença de nível maior.

Então a boa notícia é que esse dois fatores são bem favoráveis ao Thunder. Em 20 jogos, OKC tem um Net Rating +2,4, que seria a oitava melhor marca da NBA. Analisando o perfil de jogos do Thunder, isso fica ainda mais claro: das suas 12 derrotas, 10 delas foram por 8 pontos ou menos, e cinco delas por 4 pontos ou menos. Das 8 vitórias, nenhuma por menos de 9 pontos, e 7 delas por pelo menos 13 pontos. Em outras palavras, OKC está ganhando seus jogos por muito e perdendo por pouco - em teoria, ao longo do tempo a variância nas derrotas apertadas tende a nivelar, e esses jogos (especialmente os decididos por 4 pontos ou menos) tendem a ser quase 50% de vitórias. Esse perfil indica que OKC está jogando acima do nível do seu total de vitórias, e com o tempo isso deve melhorar.

(Javert me pediu para incluir essa observação: Vale citar que OKC teve a sexta tabela mais fácil da NBA e que seus números gerais de saldo de pontos estão distorcidos por causa de alguns massacres sobre os piores times da NBA, em especial o Bulls)

Também vale observar que, apesar do seu Big Three estar encontrando dificuldades para render como esperado junto, eles não estão de forma alguma mal: o Thunder tem um Net Rating de +4.7 quando suas três estrelas estão juntas em quadra, baixo para um Big Three com aspirações ao título, mas ainda um número muito sólido. É cedo demais para descartar esse time e esse nível de talento.


Orlando Magic

É muito bom ver Orlando - que durante tanto tempo permaneceu como um reduto do basquete arcaico, ao ponto de jogar com Aaron Gordon de SF durante grande parte de 2017 para acomodar Jeff Green e um exército de jogadores de garrafão - finalmente abraçando um basquete mais moderno, e mais importante, uma identidade.

Orlando chegou como uma das grandes surpresas do ano graças às suas bolas de três pontos, o que é incrível quando lembramos que em 2017 o Magic foi o quinto time com menos bolas de três pontos, e o time de segundo pior aproveitamento. E ainda assim esse ano - com Aaron Gordon jogando quase exclusivamente na posição 4 e mostrando um muito evoluído arremesso - Orlando é o terceiro time que mais fez cestas de três pontos no ano, atrás apenas de Houston e Golden State, e é o quarto time de melhor aproveitamento. O ataque, claro, reagiu de acordo: depois de ser o segundo pior da NBA em 2017, agora é um respeitável 12th lugar.

Parte dessa melhora vem da evolução individual de alguns jogadores: Aaron Gordon está chutando um career-high 5.3 bolas de três por jogo com aproveitamento (talvez insustentável) de 43%, enquanto o pivô Nikola Vucevic estendeu seu alcance nos arremessos para a linha de três, chutando sólidos 36% em 4 chutes por jogo. Essas melhoras podem não ser sustentáveis no médio prazo (ainda é difícil dizer), mas elas também estão ligadas a uma mudança de postura e esquema tático em Orlando. Os pivôs atrás de Vucevic estão praticamente todos afundados no banco, o time está jogando com muito mais velocidade (#6 na NBA) e é fácil ver uma mudança de postura dos jogadores no ataque, buscando sempre a opção da bola longa nos passes, e uma movimentação dos jogadores voltada para conseguir esses arremessos longos. Orlando enfim chegou no século 21, e pode ser o primeiro (e importante) passo rumo a estabelecer uma identidade que não existia sob o ex-GM Rob Hennigan.


Philadelphia 76ers

Philadelphia era para ser o time do futuro, mas - assim com aconteceu com Boston - parece que esse futuro está chegando muito mais cedo do que o antecipado. Em outras palavras, o futuro ainda é brilhante, mas está ficando claro que esse time já é muito bom nesse momento. Nos seus últimos 9 jogos, Philly está 6-3 com três vitórias por 20+ pontos, e as três únicas derrotas vindo nas mãos dos grandes favoritos Warriors e Cavaliers, mais o Boston Celtics (sem Embiid). Até aqui, Philadelphia enfrentou o calendário mais difícil de toda  NBA.

E parte desse sucesso de Philly vem da dominação da sua nova lineup titular. O Sixers finalmente colocou Ben Simmons como PG nominal da equipe e cercou ele e Embiid de arremessadores em JJ Redick, Robert Covington e Dario Saric (cuja bola de 3 está mostrando evolução esse ano) - em teoria a formação certa para maximizar seu fantástico calouro.

E essa lineup foi um ENORME sucesso. Philly tem destruído adversários nos 154 minutos que essa formação jogou junta: seu Net Rating de +20,6 não só lideraria a liga por quilômetros como é a terceira melhor lineup de TODA a NBA entre grupos que jogaram 100 minutos juntos. Ela é uma lineup impressionante que ao mesmo tempo é alta e baixa: ela tem três arremessadores (quatro se contar Embiid) e não tem um ala de força tradicional, jogando com seus alas bem abertos; e ao mesmo tempo tem QUATRO jogadores com 6'6 ou acima e todos capazes de trocar a marcação em jogadores menores. Ela consegue ao mesmo tempo te superar com velocidade e versatilidade como é capaz de te esmagar com tamanho e força física. Tem sido glorioso ver essa formação jogando junta (diga-se de passagens, as lineups com Ben Simmons e Embiid jogando juntos tem Net Rating de +9,9).

Vai ser interessante ver como Philly vai reintegrar Fultz à rotação quando voltar e como esse grupo continua evoluindo, mas por enquanto o Sixers parece ter encontrado sua melhor lineup, e ela deixa bem claro que Philly é um time para se respeitar já em 2018.



Phoenix Suns

Em meio ao que tem sido uma temporada ruim no Arizona, o crescimento de Devin Booker continua ser o principal foco de otimismo. Booker ainda tem apenas 21 anos, mas seu crescimento contínuo tem mostrado que o Suns realmente pode ter achado ouro com o ex-jogador de Kentucky.

A produção bruta de Booker não mudou muito em relação ao ano passado: 23 pontos e 4 assistências por jogo, contra 22 pontos e 3.4 assistências em virtualmente a mesma USG%. Mas olhando de perto, você percebe que seu PER saltou de 14.6 para 18.1, seus Win Shares por 48 minutos mais que dobraram (de 0.035 para 0.081) e que basicamente todas suas estatísticas avançadas indicam que Booker está sendo muito melhor esse ano. Por que isso acontece, então?

Porque se Booker não aumentou sua produção, ele aumentou grosseiramente sua eficiência. Seu True Shooting% saltou quase 40 pontos (de .531 para .568) e seu eFG% também (de .475 para .513). E isso acontece simplesmente porque Booker está melhor na hora de arremessar a bola (em termos de jump shot mesmo): ano passado, Booker converteu 36% das suas bolas de três e 38,7% das bolas de meia distância, enquanto esse ano esses números estão em 38% e 48%, respectivamente. Ajuda que Booker trocou alguns arremessos de meia distância (que hoje constituem 32% de seus arremessos, menos que os 36% do ano passado) por bolas de três (subiram de 28% para 35% esse ano) e se tornado mais seletivo de modo geral com os arremessos, trocando arremessos contestados por chutes com mais espaço (59% dos seus arremessos em 2017 era contestados, contra 51% em 2018).

Ainda tem pontos para Booker evoluir - seus arremessos no aro caíram em 2018, sua defesa ainda é fraca, e ainda depende demais das bolas de meia distância apesar da queda. Mas ele está jogando com mais vontade na defesa, sua capacidade como criador e passador continua melhorando, e o jogo parece que está vindo cada vez naturalmente para ele. Sinais encorajadores do jogador chave para o futuro dessa franquia.


Portland Trail Blazers

Alguém esperava o Blazers tendo uma grande defesa esse ano? Eu com certeza não, mas aqui estão eles com a segunda melhor defesa da temporada nesse começo de ano apesar do começo um pouco lento de Nurkic e ainda usar McCollum e Lillard como seus principais jogadores. Portland está cedendo 99,5 pontos por 100 posses de bola no ano. Isso é realmente muito bom.

Parte disso, já aviso, não vai se sustentar. Com a amostra pequena nessa altura do ano, muito da flutuação nessas estatísticas se da por coisas que o time tem pouco controle, como por exemplo quão bem o adversário vai arremessar suas bolas livres ou seus lances livres. Portland tem sido o terceiro time com mais "sorte" nas bolas de três pontos, por exemplo - uma hora essas bolas vão começar a cair por simples questão de variância, e a defesa vai cair de acordo (Blazers também enfrentou o calendário mais fácil da NBA inteira, vale citar).

Mas Portland está bem defensivamente também por outro motivo: está forçando os adversários a darem os arremessos que o Blazers quer. Ao invés de contestar todos os arremessos, Portland está focado em proteger o garrafão e se manter próximo dos arremessadores que estão atrás da linha dos três pontos, forçando os adversários a chutar daquela indesejável área de meia distância. Portland é o sétimo time que cede menos arremessos perto do aro, e NENHUM time é melhor evitando os arremessos de três pontos do que o Blazers. O time sabe exatamente o que quer fazer na defesa, qual o plano, e os jogadores estão executando como podem: recuar no pick and roll, não trazer ajuda de fora ou rotações longas, e forçar os adversários a vencer a partir do drible. É obviamente mais fácil fazer isso contra um calendário favorável, e essa defesa ainda deve ser testada contra adversários melhores, mas ter um plano bem definido e jogadores que sabem como executá-lo já é um bom começo.


Sacramento Kings

Nota: A exigência para essa coluna ser escrita foi de que não precisaria achar nada de positivo para falar sobre o Sacramento Kings. Agradecemos a compreensão.


San Antonio Spurs

Todo mundo continua esperando a volta de Kawhi Leonard - que enfim voltou a treinar em quadra! - para prestar mais atenção ao Spurs. E por causa disso a excelente temporada de LaMarcus Aldridge está passando despercebida, e injustamente.

Aldridge teve um começo difícil no Spurs e estava reconhecidamente infeliz ano passado em San Antonio, foi muito mal na pós-temporada, e parecia improvável que a parceria entre Aldridge e o Spurs continuasse por muito tempo. Mas Pop e Aldridge aproveitaram a offseason para lavar a roupa suja, e o Spurs deu ao seu ala de força um novo e caro contrato que chegou a levantar muitas sobrancelhas ao redor da liga.

Até aqui, parece ter sido o movimento certo, e Aldridge parece um jogador totalmente renovado. Parte disso ainda será testada, já que a ausência de Kawhi Leonard empurrou Aldridge de volta para ser o foco ofensivo da equipe (como ele queria), o que possivelmente não vai continuar quando Kawhi voltar de lesão. Mas nesses 21 jogos Aldridge vem tendo uma das melhores temporadas da carreira e parece cada centímetro daquele jogador que era tão cobiçado em Portland. Ele está abusando jogadores melhores no garrafão, e voltou a ter um maior percentual dos seus arremessos perto do aro. Seus arremessos continuam excelentes, mas agora Aldridge deu um passo a mais para trás e está arremessando mais bolas de três com um respeitável 36 3PT%. Está mais envolvido no ataque e respondendo isso com mais vontade, movimentação, melhores corta-luz, e simplesmente jogando no nível que San Antonio esperava desde o começo.

Junte tudo isso e Aldridge está arremessando mais bolas de três (e com melhor aproveitamento) do que nunca na carreira, batendo mais lances livres, tendo sua melhor marca de pontos por minuto (25 por 36 minutos), e defendendo em alto nível mais uma vez. E embora sua linha estatística estatística seja excelente - 23 pontos, 8 rebotes por jogo, com 52 FG%, 36 3PT%, 83 FT% - o maior testamento ao quão boa vem sendo sua temporada provavelmente é o quanto o Spurs depende dele. San Antonio, normalmente famoso por seus ótimos bancos e por não depender de um único jogador, simplesmente afunda quando Aldridge não está em quadra - nesses minutos o time é um -4.1 por 100 posses de Net Rating, mais do que o dobro do que o jogador mais próximo. Parte disso não vai se manter quando Kawhi voltar e retomarem a distribuição de arremessos, mas é muito encorajador para o Spurs a forma que Aldridge vem mostrando para começar essa temporada.


Toronto Raptors

Não é nenhuma novidade o Toronto Raptors ter um bom ataque na temporada regular da NBA. Eles tiveram o terceiro melhor ataque em 2015, o quinto em 2016, e sexto em 2017. Então Toronto ter o terceiro melhor ataque da liga até o momento não surpreende ninguém.

O problema do Raptors sempre foi que seu estilo ofensivo - baseado em cuidar bem das posses de bola para não cometer turnovers, arremessos de meia distância contestados, e muitos lances livres - chegava nos playoffs e simplesmente implodia: Toronto teve o segundo pior ataque dos playoffs em 2015, o terceiro pior em 2017, e o quinto pior em 2016. Nos playoffs, os lances livres não vem com tanta facilidade, os espaços para esses arremessos contestados de meia distância fica ainda menor, e fica muito difícil conseguir achar os mesmos pontos que na temporada regular sem conseguir aquelas bolas suculentas em transição, sem o espaçamento e pontos extras gerados pelas bolas de três pontos, e sem o tipo de criatividade e versatilidade que torna um ataque mais difícil de ser defendido.

Por esse motivo Toronto entrou em 2017/18 com o objetivo de mudar sua forma de jogar no ataque para que isso não se repetisse quando chegasse nos playoffs. E, até aqui, os primeiros resultados são positivos: estão jogando num ritmo mais rápido (de 22nd para 14th em pace) e arremessando muito mais bolas de três (37,7% de seus arremessos vem de trás da linha dos três pontos, contra 28% ano passado) esse ano. Estão rodando mais a bola (16th em passes por jogo depois de terminarem 27th ano passado) e buscando mais os passes para os companheiros livres

Isso ainda não está tão natural para o Raptors - Javert escreveu semana passada sobre como Toronto ainda está revertendo para seus velhos hábitos nos finais de jogos, o que levanta questionamentos sobre o quão sustentável isso será em uma situação mais difícil como pós temporada. Mas por enquanto é encorajador ver que Toronto está se esforçando para caminhar na direção de tentar algo novo e diferente, e os primeiros resultados tem sido positivos.


Utah Jazz

É sempre um erro querer avaliar jogadores jovens (em especial calouros) depois de apenas 20 jogos. Muitos grandes jogadores tiveram começos ruins, e jogadores ruins tiveram começos ótimos. Então leve tudo nesse sentido com um grão de sal. Mas olha, parece cada vez mais que o Jazz achou ouro em Donavan Mitchell nesse Draft.

Mitchell nem deveria ser do Jazz - a escolha #13 veio em uma troca com o Nuggets, que estupidamente trocou essa escolha por um ala de força mediano (Trey Lyles) e a escolha #24, na qual escolheram outro ala de força mediano (Tyler Lydon), sendo que ala de força já é a opção mais atulhada do time. As vezes você precisa dar sorte com essas coisas, e o Jazz deu com essa sequela maluca de Denver.

E Mitchell tem sido uma revelação. Seu tempo de jogo acabou aumentando com as lesões de Rodney Hood e Dante Exum perdendo a temporada, mas o ex-armador de Louisville correspondeu mais do que à altura. Até aqui são 15 pontos, 3 rebotes e 3 assistências por jogo com boa defesa e 35,6 3PT%, e os números são ainda melhores considerando os 11 jogos desde que Mitchell recuperou a titularidade no time: 18-4-4, 43,6 FG%, 39 3PT%, 78 FT%. Mitchell está mostrando ser capaz de fazer um pouco de tudo (e bem) em quadra, seja armar um pouco o jogo, seja buscar seus próprios pontos, arremessar de fora, ou usar sua explosão e habilidade atlética para atacar o aro. Mitchell defende em alto nível, está desenvolvendo um jogo ofensivo cada vez mais refinado, e desenvolvendo rapidamente. E cada vez mais está parecendo um dos grandes acertos desse Draft.

O calouro, claro, ainda tem chão. Sua seleção de arremessos pode ser questionável, e ficar focado demais em arremessar e esquecer de passar a bola. Ainda não está claro se Mitchell tem a visão e capacidade nos passes para ser um armador principal, ou se seu tamanho vai permitir que defenda jogadores da posição 2 com facilidade (pense nos tipos DeMar DeRozan). Mas ele é talentoso, muito atlético e explosivo, e está se desenvolvendo a uma velocidade impressionante. Sua defesa já é refinada, e sua capacidade de fazer arremessos difíceis também. Tem certas coisas que não se pode ensinar, e Mitchell mostra muita delas - e uma vontade singular em aprender as demais. Desse time de Utah, ele é quem tem mais chances de se tornar uma estrela algum dia (além, claro, de Rudy Gobert, que já o é), e talvez essa não seja uma aposta tão improvável assim.

Mitchell também precisa aprender melhor a respeitar as leis. Como por exemplo a lei da gravidade.





Washington Wizards

Como um time sem acesso a boas escolhas de Draft ou espaço salarial e que ainda não está no nível dos candidatos ao título, Washington é o tipo de franquia que para dar os próximos passos depende muito do desenvolvimento interno dos seus jogadores. Ao invés de achar novos grandes jogadores, precisa acertar nas margens essa contratação (e principalmente reforçar o banco) enquanto os bons jogadores que já estão lá dão novos passos rumo a se tornarem estrelas (ou próximo disso).

E por isso é tão importante a contínua evolução de Otto Porter para esse time. Depois do milionário contrato que recebeu na offseason algumas pessoas esperavam que Porter caísse um pouco de produção, mas na verdade o contrário aconteceu: com Markieff Morris machucado durante um bom tempo e as lesões que tem mantido John Wall fora das quadras, Washington precisou que Porter assumisse um maior papel na equipe, e o quinto-anista está aceitando a incumbência e correspondendo mais do que à altura.

Porter viu sua carga subir para novos níveis - seu USG% está em 18,3% e sua média de arremessos por jogo em 12,1, ambos as marcas mais altas da sua carreira - mas de alguma forma sua eficiência conseguiu aumentar ainda mais. Apesar do maior volume e de estar tentando arremessos cada vez mais difíceis, Porter está arremessando 52,1% de quadra e 47,5% de três pontos, as melhores marcas da carreira. E seja por necessidade ou evolução natural, o role player Porter agora está assumindo a responsabilidade e sendo o protagonista quando necessário, como fez na vitória sobre o Wolves na terça feira dia 28. Porter está mais confortável criando o próprio arremesso, não apenas finalizando o que era criado por outros (em geral Wall), e isso tem sido ingrediente crucial para manter o Wizards vivo com o tempo perdido pela sua estrela. Apenas Wall tem um Net Rating maior que Porter entre os jogadores de rotação do Wizards, e a defesa despenca quando Porter vai para o banco. Entre a evolução de Porter e a de Bradley Beal (mais confortável do que nunca armando o jogo e atacando a cesta) Washington está vendo a tão esperada evolução de seus jovens jogadores acontecendo.



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Hack a Cast 2016 #3 - Knicks, Pacers, Warriors e mais!




Novo Hack-A-Cast no ar!!!

Dessa vez, eu e o Vinicius Veiga discutimos sobre Warriors, Knicks, Magic, Warriors, Kings, Pacers, Rockets, e Warriors mais uma vez.

Não perca!!


Planilha dos assuntos (a partir do):
Minuto 3: New York Knicks e Kristaps Porzingis
Minuto 21: Orlando Magic
Minuto 33: Indiana Pacers e Paul George
Minuto 46: Sacramento Kings e DeMarcus Cousins
1h1: Houston Rockets e a má fase
1h15: Golden State Warriors e a invencibilidade


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Um Mock Draft Retroativo - 2015

Adam Silver impressiona os calouros com seus poderes Jedi


Já está sabendo da nossa promoção que vai sortear dois exemplares da versão brasileira do livro Moneyball?! Não?! Então entre aqui e saiba como você pode participar!!!!

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Meu formato favorito para falar sobre Drafts - seja NBA ou NFL - sempre foi o Running Diary. A idéia do Running Diary é registrar em tempo real minhas reações e comentários sobre o evento em si (e não apenas as escolhas), uma forma bem-humorada de misturar análise das escolhas com reações espontâneas, para ilustrar qual foi a reação de momento a cada acontecimento, sem cair na mesmice de "dar uma nota para cada time" ou fazer a famosa coluna "vencedores ou perdedores do Draft". É uma das minhas colunas mais populares, e vocês podem ler o meu Running Diary do Draft da NFL (ou, uma das minhas favoritas, o Running Diary da NFL do ano passado) para ter uma noção do que se trata. 

No entanto, esse ano mais uma vez não foi possível fazer isso, registrar minhas reações em tempo real... porque eu ESTAVA ao vivo no Lancenet! comentando o Draft (e no Periscope, para quem quisesse assistir), então vocês tiveram a chance de ver e acompanhar esses "bastidores" e minhas reações em tempo real que eu gosto de trazer no Running Diary ao longo do próprio Draft.

Se quiser ver esses comentários em tempo real (não só os meus, mas também os de outros especialistas em basquete) E depois o nosso vídeo discutindo o resultado do Draft em si no Lance!, é só você acessar esse post aqui! Lá você vai encontrar o vídeo e todos os links.

Então para comentar mais sobre esse Draft da NBA, eu vou recorrer a um formato de coluna que usei ano passado e acabei gostando bastante: o Mock Draft retroativo.

Eu gosto, em geral, de Mock Drafts - uma forma interessante e dinâmica de falar sobre os jogadores e sobre as necessidades de cada time, ao mesmo tempo, montando encaixes que fazem sentido (ou não) e são interessantes de se imaginar. O problema é que Mock Drafts não tem um padrão claro: o que você está tentando fazer com ele, prever o futuro, fazer os encaixes que você julga melhor, antecipar as tendências de algumas franquias, ou o que? Em geral, as pessoas usam esse formato de coluna para tentar "adivinhar" o que vai acontecer na noite do Draft e se gabar pelos acertos, mas isso para mim faz muito pouco sentido. Faz sentido quando olhamos para o MD de pessoas como Jonathan Givony (do ótimo Draft Express) ou Chad Ford, pessoas que estão por dentro dos procedimentos do Draft e incorporam nas suas projeções informações internas sobre as escolhas - seu objetivo é informar o que está acontecendo lá dentro. Mas 80% dos Mock Drafts não são assim, são pessoas externas que avaliam os jogadores do seu ponto de vista e tentam adivinhar onde cada jogador vai sair e o que cada time fará. 

Não que tenha algo errado nisso, claro, mas não é o meu tipo favorito de Mock Draft. Eu gosto mais daqueles que não tentam adivinhar nada, e ao invés ignoram os acertos ou erros e focam em fazer uma análise sobre cada escolha, olhando para a conjuntura do time e do Draft, para os talentos disponíveis, e diz o que a pessoa acha que é a melhor coisa a se fazer com aquela escolha. É mais subjetivo e muito menos preciso, mas do ponto de vista analítico, eu acho muito mais profundo e preciso. 

Então é isso que essa coluna tenta fazer, um Mock Draft da NBA sob essa ótica. Com a diferença, é claro, que o Draft em si já aconteceu. A idéia é voltar em cada uma das 30 escolhas da primeira rodada, ver o que cada time fez, e o que cada time deveria ter feito no seu lugar. Não é para refazer o Draft inteiro, e sim refazer todas as escolhas individualmente considerando que tudo antes dela aconteceu exatamente igual. E claro, isso segue a minha opinião individual sobre o que cada time deveria ter feito, não necessariamente a verdade, mas é minha forma de analisar o que cada time fez ou deveria ter feito.

Antes de começarmos, três rápidos esclarecimentos...

1) No caso de trocas envolvendo escolhas de Draft, vou analisar a escolha sob a ótica do time que trocou POR aquela escolha, aproveitando a situação para falar um pouco sobre a troca em si, se necessário. Então se o Sixers tinha a escolha #10 e trocou com o Magic pela #12, no lugar da #10 eu vou olhar a partir do ponto de vista de Orlando, e na #12 do 76ers.

2) Para cada escolha, eu vou colocar qual foi a escolha real, e qual a escolha que cada time "deveria" ter feito - lembrando que esse "deveria" é subjetivo e reflete apenas o meu ponto de vista. Caso as duas sejam iguais, vou explicar porque foi a escolha certa, e caso contrário, vou explicar porque eu acho que o time deveria ter feito outra coisa.

3) Só porque eu coloquei que um time deveria ter feito uma escolha diferente da que ele fez não significa que a escolha real tenha sido ruim, só quer dizer que é diferente do que a que eu teria feito ou a que eu via como a melhor opção naquele momento. Eu vou esclarecer nos comentários de cada escolha, dizendo o que achei da escolha em si e porque eu preferiria outro jogador, mas é bom deixar isso claro para o pessoal que só vai olhar a parte em negrito e ignorar o resto.

Tudo claro? Não? Bom, vocês pegam o jeito conforme formos avançando. Talvez seja uma boa idéia ler o do ano passado antes para entender melhor. Prontos? Ok, vamos.


Mock Draft Retroativo NBA 2015


Escolha #1 - Minnesota Timberwolves
Quem escolheu: Karl-Anthony Towns
Quem deveria ter escolhido: Karl-Anthony Towns

Desde o começo, quando o Wolves ganhou a loteria para garantir a escolha #1, ficou claro que Towns seria a primeira escolha. Não só o pivô de Kentucky era o melhor prospecto do Draft por sua versatilidade e capacidade defensiva, como também era o jogador perfeito para encaixar no estilo de jogo de Minnesota. O Wolves montou uma base jovem e atlética com Rubio, Wiggins e LaVine, um time feito para correr e jogar em alta velocidade, e Towns é o tipo de jogador atlético capaz de se encaixar perfeitamente nesse estilo de jogo. KAT também é o protetor de aro que faltava ao time, sem falar que com Rubio, Wiggins e Towns você tem a espinha dorsal de uma boa defesa para a NBA.

Algumas pessoas acham que o problema de Town é não ser elite em nenhum aspecto, e talvez por consequência não ser o tipo de jogador que vai se desenvolver em um Franchise Player. E é uma preocupação válida. A vantagem para o Wolves é ser o raro time que escolhe #1 e não precisa de um franchise player - eles já tem Wiggins. O que eles precisam é de um bom jogador complementar, e isso é ótimo porque eu acho que é o papel que Towns nasceu para fazer, um jogador que faz de tudo um pouco, se adapta a qualquer estilo e formação, e torna o jogo mais fácil para a estrela brilhar. Towns é o encaixe perfeito para Minnesota, e foi a escolha óbvia.


Escolha #2 - Los Angeles Lakers
Quem escolheu: D'Angelo Russell
Quem deveria ter escolhido: Jahlil Okafor

Eu não tenho um problema com Russell, alguém que eu acho um excelente jogador e que vai ter um futuro brilhante na NBA. Mas Okafor era o melhor prospecto, e não ficou muito claro porque o Lakers decidiu passar o pivô no último minuto. Talvez realmente achassem de última hora que Russell era o melhor prospecto, que Okafor não renderia tão bem junto de Julius Randle, ou que é melhor ter um PG/SG arremessador do que um pivô que joga dentro do garrafão no basquete de hoje. Mas o que a história nos ensina é que, no topo do Draft, é melhor draftar por talento e valor, não por necessidade ou encaixe, e eu acho que é nisso que o Lakers pecou. Eu não acho que Russell foi uma escolha ruim, mas não é a que eu teria feito. Eu teria pego o melhor jogador, e ele é Okafor. Eu acho interessante também que grande parte dos meus amigos que torcem para o Lakers não gostaram dessa escolha.

Mas é difícil julgar essa escolha hoje porque é possível que ela faça parte de um plano maior. Boatos ligaram o Lakers a Cousins em troca da escolha #2, Julius Randle e Clarkson, mas como o Lakers não pode trocar essa escolha por causa da Ted Stepien Rule (só pode trocar o jogador depois de escolhido), talvez essa troca esteja encaminhada e o Kings que tenha dito ao Lakers que eles queriam Russell na troca. Talvez o Lakers esteja extremamente confiante que vai contratar um free agent de garrafão como DeAndre Jordan ou LaMarcus Aldridge, e pegou um armador pensando nisso. É possível que alguma dessas especulações seja verdade, e o motivo pelo qual o Lakers pegou Russell depois de passar o processo inteiro com Okafor como sua segunda opção (depois de Towns). Mas não sabemos, e portanto temos que avaliar as escolhas pensando apenas no próprio Draft.

E, nesse contexto, eu acho que o Lakers deveria ter pego Okafor.

(Como vocês devem ter percebido, eu escrevi esses dois últimos parágrafos antes da offseason. Obviamente as especulações não se concretizaram. Todo o resto continua valendo para mim)


Escolha #3 - Philadelphia 76ers
Quem escolheu: Jahlil Okafor
Quem deveria ter escolhido: Jahlil Okafor

Sim, o Sixers tem 15 pivôs. Sim, no longo prazo não vai dar para jogar Okafor, Embiid e Noel juntos. Sim, o estilo de jogo dele não encaixa tão em com Noel ou Embiid. Tudo verdade.

Mas o Sixers não se importa. Eles querem o máximo de valor possível, e é isso que eles obtiveram selecionando Okafor, que era o melhor jogador disponível. O que o Sixers busca é simples: pegar o máximo possível dos melhores jogadores disponíveis, e ver se acerta ouro em algum momento. Talvez Embiid fique saudável e vire a superestrela que tem potencial para ser. Talvez Okafor atinja seu potencial e vire uma força de destruição em massa no garrafão. Eles só precisam que um desses aconteça para atingir seu objetivo, e se acontecerem ambos, então ótimo - eles tem uma fantástica peça de troca em mãos mesmo que não encaixem juntos. Você pode não gostar do que o Sixers está fazendo, você pode achar (como eu) que a NBA deveria mudar as regras para dificultar esse tipo de tanking de longo prazo, mas existe um plano por trás dessa loucura, e nesse plano, pegar Okafor no #3 era a solução óbvia. Com Embiid possivelmente fora de mais uma temporada, tentarão jogar com Noel e Okafor, e quem sabe descobrir uma forma de fazer a dupla funcionar. Na pior das hipóteses, o Sixers pegou o jogador mais valioso para uma futura troca. Boa escolha.


Escolha #4 - New York Knicks
Quem escolheu: Kristaps Porzingis
Quem deveria ter escolhido: Kristaps Porzingis

O que tornava essa escolha tão interessante é que não tinha nenhuma escolha que realmente fizesse sentido para o Knicks. New York quer vencer no curto prazo, e portanto estava atrás de jogadores capazes de contribuir imediatamente para voltar aos playoffs e aproveitar os últimos anos do auge de Carmelo Anthony. No entanto, não tinha uma escolha dessas disponíveis para o Knicks na #4. O melhor jogador disponível era Porzingis, um pivô europeu de ENORME potencial, mas extremamente cru e que ainda precisará de algum tempo para se adaptar ao jogo da NBA, e portanto não deve produzir tanta ajuda imediata. Caso o Knicks quisesse um jogador mais de acordo com seu plano de competir no curto prazo, poderia pegar alguém como Justise Winslow, Trey Lyles ou Frank Kaminsky, mas o problema é que esses jogadores não fariam jus ao valor da escolha #4, seria escolher por necessidade e deixar a chance de acumular muito mais valor em cima da mesa.

O meio termo provavelmente seria conseguir uma troca para descer na primeira rodada, permitindo que o Knicks escolhesse um dos jogadores mais "prontos" do Draft em uma posição mais adequada, e recebendo algum outro ativo ou jogador no processo. E, de acordo com as informações que chegam, foi o que o Knicks tentou fazer, sem sucesso. E, não tendo conseguido, eles tiveram que escolher no #4... e fizeram a coisa certa deixando suas necessidades em segundo plano e pegando o melhor jogador disponível (Porzingis).

Não era a coisa fácil a se fazer, já que isso torna mais difícil que o Knicks monte uma equipe muito competitiva no curto prazo, mas é absolutamente a coisa certa. Franquias inteligentes primeiro se preocupam em adquirir o máximo de valor possível, e depois em encaixar essas peças, e se tinha uma coisa que o Knicks precisa fazer urgentemente era ser inteligente. Os torcedores do Knicks vaiaram, e eu imagino que não deve ser fácil ver um time que precisa ganhar no curto prazo escolhendo um jogador tão cru, mas na pior das hipóteses da ao Knicks um valor de troca melhor para conseguir veteranos, e se ficar no time, pode acabar se desenvolvendo em uma estrela no médio prazo. Foi a escolha certa para o Knicks, e uma mudança refrescante ver a franquia fazendo a coisa certa, para variar.


Escolha #5 - Orlando Magic
Quem escolheu: Mario Hezonja
Quem deveria ter escolhido: Mario Hezonja

Com Porzingis - a escolha perfeita para Orlando - fora do Draft, Hezonja era a melhor opção possível. Orlando precisava urgentemente de um jogador capaz de arremessar de fora e espaçar a  quadra, e se for um jogador de alto potencial, melhor ainda. Hezonja oferece ambas as coisas ao Magic, a chance de se tornar uma estrela algum dia (algo que ninguém do time atual parece ter), e os arremessos de três que a franquia desesperadamente para tentar abrir um ataque estagnado com jogadores que não encaixam.

Não conseguir um possível protetor de aro (como Porzingis) é o problema dessa escolha, que condena o Magic a ser um time baixo (Oladipo de SG, Hezonja de SF e Aaron Gordon de PF) e possivelmente ruim defensivamente se continuar com o núcleo atual, mas esse é um problema da montagem de elenco do time, não dessa escolha. Hezonja o melhor jogador disponível junto de Mudiay, e alguém que fornece o que Orlando mais precisava nesse momento. Boa escolha que imediatamente faz do Magic um dos times mais interessantes em termos de League Pass para 2016.


Escolha #6 - Sacramento Kings
Quem escolheu: Willie Cauley-Stein
Quem deveria ter escolhido: Emmanuel Mudiay

Stein supostamente era o favorito do Kings, um excelente pivô defensivo com pouco jogo ofensivo que deveria liberar Cousins para um menor papel defensivo, e dar ao time a versatilidade desse lado da bola que o time tanto precisava. Também tem o fato de que Cousins queria Stein no time para poder jogar menos de C e mais de PF, e o Kings, que precisa manter sua estrela feliz para ela não se mandar, levou isso em conta.

Mas para mim não justifica passar Mudiay, um jogador melhor e com mais potencial que encaixava em uma necessidade imediata. Darren Collison foi bem em 2015 como armador titular de Sacramento, mas é um jogador limitado como criador, e que não tem a explosão e o potencial de Mudiay. O congolês daria ao Kings uma opção muito melhor para colocar junto a Cousins tanto no curto como no médio prazo, e se tem uma coisa que o Draft nos ensinou (e, pior, que o Kings aprendeu no passado) é que nessa altura o melhor a se fazer é pegar o melhor jogador disponível. E esse era Mudiay.

Em termos de basquete, eu não acho que Stein teria problema para jogar junto de DeMarcus Cousins. Ofensivamente o encaixe não é fácil, mas não é um fim da linha. Cousins tem um bom jogo de meia distância, e Stein é um jogador perigoso cortando e finalizando lobs perto da cesta. Com (provavelmente) Rondo e Rudy Gay, o espaçamento pode se tornar um problema, mas com Gay e Rondo, qualquer lineup teria problemas de espaçamento. E defensivamente é ótimo, pois permite que WCS assuma o papel principal e deixe Cousins em segundo plano, preservando-o das faltas que tanto comete e permitindo que DMC poupe sua energia para liberar o inferno na Terra quando estiver no ataque. E sua versatilidade defensiva permite ao Kings maior flexibilidade de pessoal, além de ser obviamente um enorme upgrade sobre qualquer jogador no elenco atualmente. Eu gosto do jogador e do encaixe, mas Mudiay teria sido a melhor escolha.


Escolha #7 - Denver Nuggets
Quem escolheu: Emmanuel Mudiay
Quem deveria ter escolhido: Emmanuel Mudiay

O lixo de um é o tesouro de outro, e como o Kings foi burro mais uma vez e passou Mudiay, o Nuggets provavelmente ficou muito feliz de vê-lo caindo até aqui. O problema do Nuggets é que o time tem falta de qualquer jogador confiável como base para o futuro (tirando talvez Nurkic), então a necessidade do time era bem clara: talento. E Mudiay - considerado um talento Top3 antes de ir jogar na China e Top5 quase unanimemente - é um fantástico achado no #7, um jogador muito físico e de enorme potencial para assumir a tocha de Ty Lawson e começar a formar uma base para o futuro da franquia. Entre os cenários "realistas" do Draft, Mudiay provavelmente seria a melhor escolha que Denver poderia almejar essa noite (segundo o técnico Mike Malone, era a opção #1 da franquia), e sai como um grande vencedor do Draft.


Escolha #8 - Detroit Pistons
Quem escolheu: Stanley Johnson
Quem deveria ter escolhido: Justise Winslow

Estou indo de Winslow aqui no "Deveria ter escolhido" simplesmente porque eu acho que nessa altura do Draft, o importante é pegar o melhor jogador e o melhor valor disponível, e Winslow era amplamente considerado por muitos (inclusive por mim) um jogador melhor que Johnson - ainda mais que ambos jogam na mesma posição. 

Mas eu não acho que Johnson foi de forma alguma uma escolha ruim - só que não foi a melhor possível - e o ex-jogador de Arizona supostamente era o favorito do Pistons, então não da para criticar a escolha. E Johnson faz, de fato, muito sentido - o Pistons precisava urgentemente de ajuda na posição, e Johnson é particularmente interessante para o esquema tático do Pistons, um jogador bem completo capaz de fazer um pouco de tudo, arremessar de longe e espaçar a quadra nos pick and rolls, e atacar o aro depois da ação inicial. É um jogador menos explosivo e com menos potencial, mas com um jogo muito completo que se encaixa muito bem em Detroit dos dois lados da quadra, sem falar que é alguém muito pronto para entrar e contribuir imediatamente. Preenche todos os requisitos que o Pistons queria. 


Escolha #9 - Charlotte Hornets
Quem escolheu: Frank Kaminsky
Quem deveria ter escolhido: Justise Winslow

Olha só, eu sou o maior fã do Frank Kaminsky que eu conheço e acho que ele será ótimo na NBA. Mas não faz sentido para mim o Hornets (que já tem 3 outros big men recebendo minutos e precisa maximizar o valor de suas escolhas) indo atrás da opção de potencial consideravelmente baixo e passando Winslow, que era inquestionavelmente o melhor jogador disponível. Não importa se Winslow não é um encaixe natural junto a Michael Kidd-Gilchrist, ele era de longe o melhor jogador e um absoluto steal para o #9. Charlotte deveria tê-lo pego, ou pelo menos aceitado a oferta de múltiplas escolhas de Draft de Boston, para maximizar o valor da escolha. Foi um erro grave.

Ao invés disso, pegaram Kaminsky, que pra falar a verdade é um ótimo encaixe no time - trás versatilidade ofensiva e arremessos de fora, duas coisas que o Hornets precisa desesperadamente em uma posição onde isso tem sido cada vez mais importante. Mas um bom veterano complementar não deveria ter feito o Hornets passar Winslow, ou a oferta de Boston nunca. Primeiro você pega o melhor talento, e depois você se preocupa com o encaixe. Draftar por necessidade - especialmente no topo do Draft, e especialmente com uma opção como Winslow disponível - normalmente acaba mal. 


Escolha #10 - Miami Heat
Quem escolheu: Justise Winslow
Quem deveria ter escolhido: Justise Winslow

É incrível como tudo acaba dando certo para o Heat e para Pat Riley. Na noite do Draft, deu certo mais uma vez. 10 times passaram por Justise Winslow, até que o SF caiu no colo de Miami. E é o jogador perfeito para eles: um grande atleta e excelente defensor, versátil, complementa bem qualquer elenco, (especialmente um tão talentoso como Miami) e é ainda da posição que o Heat mais precisava de profundidade e proteção para uma possível saída de Luol Deng. É ridículo que Winslow tenha caído até aqui. Pat Riley faz sacrifícios com virgens, não resta dúvida.

Também acho ótimo para Winslow. Meu maior medo para o ex-jogador de Duke é que acabasse caindo em um time que iria tentar colocá-lo como uma estrela para carregar o time nas costas, quando  na verdade eu vejo Winslow mais como uma excelente peça complementar, mais Pippen do que Jordan, alguém que executa múltiplas funções em alto nível, preenche qualquer lacuna, e torna o jogo muito mais fácil para os companheiros. Então Miami é um encaixe perfeito, porque lá Winslow pode começar sua carreira como essa peça complementar (possivelmente vindo do banco), jogar para um grande técnico e com grandes companheiros, e eventualmente desenvolver todo seu enorme potencial sem pressão. Jogador perfeito para o time perfeito. Eu já mencionei que é irritante como tudo acaba dando certo para o Heat?! Saíram como um dos grandes vencedores da noite sem precisar levantar um dedo!


Escolha #11 - Indiana Pacers
Quem escolheu:Myles Turner
Quem deveria ter escolhido: Myles Turner

Já faz algum tempo que o Pacers da sinais de que pretendia seguir em uma direção quanto ao pivô Roy Hibbert, um excelente defensor mas muito limitado em outras áreas do jogo. A direção queria um time mais versátil e atlético, capaz de jogar um basquete mais "moderno". Mas eles ainda precisavam achar um substituto para o pivô, e foi exatamente o que eles conseguiram ao selecionar Myles Turner. Turner é um ótimo defensor no garrafão e protetor de aro, então pode ser usado pelo técnico Frank Vogel para ancorar a defesa de forma semelhante ao que fazia com Hibbert, mas Turner é um jogador muito mais atlético e móvel, que também mostrou boa habilidade no perímetro e arremessar de fora, habilidades que serão chave em melhorar o ataque da equipe e levar o Pacers na direção que a direção deseja.

Turner ainda tem muito a evoluir, sem dúvida, é um jogador bastante cru e ainda se acostumando a jogar com o seu físico atual (resultado de um estirão de crescimento tardio). Mas Indiana parece disposto a aguardar, e se conseguir realizar seu potencial, Turner tem tudo para ser um dos melhores jogadores dessa classe. Ótimo encaixe, e ótima escolha.


Escolha #12 - Utah Jazz
Quem escolheu: Trey Lyles
Quem deveria ter escolhido: Trey Lyles

Eu não sou o maior fã de Trey Lyles, um PF muito habilidoso que joga abaixo do aro, mas achei que essa escolha fez muito sentido. Utah já tem um time titular mais ou menos montado, e inúmeras opções no perímetro, mas precisa de profundidade para seu garrafão atrás da excelente dupla Gobert e Favors.

Tanto Gobert como Favors são ótimos defensores, mas jogadores que pontuam no garrafão, então Lyles é um ótimo encaixe para vir do banco por poder jogar com qualquer um dos dois, já que Gobert e Favors podem compensar pela defesa fraca de Lyles, enquanto o ex-jogador de Kentucky tem o bom passe e jogo de meia distância para abrir o garrafão para os seus companheiros. É um bom encaixe, e como Lyles era considerado quase universalmente uma escolha de loteria, também um bom valor a essa altura.


Escolha #13 - Phoenix Suns
Quem escolheu: Devin Booker 
Quem deveria ter escolhido: Devin Booker

Booker era, na maioria das Big Boards, o melhor jogador disponível no Draft a essa altura. Então não da para criticar a escolha do Suns, e Booker é um jogador inteligente e excelente arremessador que vai se encaixar bem no esquema versátil e veloz de Phoenix. É uma boa escolha, segura, e que faz bastante sentido.

A única coisa que eu questiono aqui é se para o Suns - um time um pouco "preso" entre não ser bom o bastante para brigar pelo título nem ruim o suficiente para conseguir escolhas altas de Draft - não varia a pena arriscar em um jogador com mais potencial, como Kelly Oubre. Oubre seria um bom encaixe no time e, apesar de ser mais cru que Booker, tem chances de ser um jogador melhor no futuro. É o que eu pessoalmente teria feito. Mas analisando imparcialmente, Booker foi a escolha mais justificável, e deve fazer desse time melhor no curto prazo, algo que parece ser o objetivo. 


Escolha #14 - Oklahoma City Thunder
Quem escolheu: Cameron Payne
Quem deveria ter escolhido: Kelly Oubre

Eis o que eu escrevi sobre essa escolha no meu último Mock Draft:

"O Thunder do ano passado, com Westbrook de armador, sofreu para encontrar jogadores que pudessem arremessar de três sem comprometer a defesa do time OU defender bem sem comprometer o espaçamento do ataque, e Oubre é o jogador para fazer ambas em alto nível. O ala também oferece uma boa proteção a Kevin Durant, que pode demorar para retomar o ritmo ou mesmo descansar mais essa temporada depois das graves lesões de 2016, e caso o ex-MVP saia da cidade, Oubre ainda é uma boa opção de longo prazo, com enorme potencial, caso o time decida se reconstruir em torno de Westbrook."

Eu ainda me sinto assim. Eu sei que Payne era o alvo de OKC desde o começo, mas só porque conseguiram o jogador que queriam não faz dessa uma escolha boa. Payne é um bom jogador que acabou sobrevalorizado nas vésperas do Draft, mas eu não gosto tanto de como ele funciona para OKC. Payne precisa da bola nas mãos para produzir, e isso é algo que não terá com Durant, Westbrook e Kanter no time, não é a ajuda imediata que outro PG como por exemplo Jerian Grant seria, e nem oferece o potencial no longo prazo de alguém como Oubre. Payne vai ajudar vindo do banco, e vai ser interessante ver Westbrook jogando mais de SG, mas acho que o valor que o armador tem a adicionar para o time não é o ideal nessa posição.


Escolha #15 - Washington Wizards (via Atlanta Hawks)
Quem escolheu: Kelly Oubre
Quem deveria ter escolhido: Kelly Oubre

O Wizards trocou sua escolha (#19) com o Hawks para subir até o #15 e pegar Oubre, e eu sinceramente adorei essa troca (e escolha) para Washington. Depois do sucesso do seu small ball nos playoffs, o time tem buscado ficar cada vez mais atlético, baixo e versátil, e Oubre é uma fantástica adição nesse sentido, um bom jogador capaz de arremessar de fora, defender em alto nível e, apesar de cru, com enorme potencial. Seu estilo 3-and-D atlético se adequa bem nesse estilo de jogo que Washington quer implementar, e não só encaixa muito bem ao lado de John Wall e Bradley Beal como também oferece outra opção de alto potencial para a construção de longo prazo da franquia. Ótima escolha. 

Para o Hawks... bem... hold that thought.


Escolha #16 - Boston Celtics
Quem escolheu: Terry Rozier 
Quem deveria ter escolhido: Sam Dekker, Bobby Portis, Rashad Vaughn

Eu odiei essa escolha na hora, e odeio essa escolha agora. Terry Rozier era cotado como uma escolha de final da primeira rodada ou começo da segunda, e saiu no #16... digamos que foi bem cima do que ele realmente valia. E, pior, Rozier é mais uma figurinha repetida no álbum do Celtics, um combo guard que não é bem um armador puro, físico e bom defensor, mas que não arremessa muito bem. Parece familiar a... digamos... Marcus Smart e Avery Bradley? Porque mais um jogador assim, ainda mais considerando que você também já tem Isaiah Thomas de armador, tornado mil vezes pior pelo enorme overpay que foi pegar Rozier no #16? Péssima escolha.

Supostamente, Boston tentou mandar a casa (6 escolhas de Draft!!) para o Hornets pela escolha #9 (para pegar Winslow), mas foi rejeitado porque Charlotte queria de todo jeito pegar Kaminsky (funhé). Só posso imaginar que Boston ficou sem plano B quando não conseguiu a troca, mas ainda assim, não justifica pegar Rozier (alguém que poderiam até pegar no #28) aqui sobre opções melhores: um bom veterano para ajudar no curto prazo como Dekker, uma opção sólida de garrafão como Bobby Portis, ou mesmo um arremessador de alto potencial como Vaughn. Essa escolha não fez nenhum sentido, e foi inexplicável quando aconteceu. 


Escolha #17 - Milwaukee Bucks
Quem escolheu: Rashad Vaughn
Quem deveria ter escolhido: Rashad Vaughn

Eu disse no meu último Mock Draft que, embora Bobby Portis fosse a escolha lógica aqui pela necessidade do time no garrafão (e por ser um jogador bem sólido e confiável), eu adoraria ver o Bucks arriscando mais alto e indo atrás de Rashad Vaughn. E, em uma agradável surpresa, foi exatamente o que o time fez.

Ninguém seria capaz de criticar o Bucks se tivessem pego Portis, um jogador bem all-around de garrafão que encaixaria muito bem nesse time versátil em busca de uma boa opção de garrafão (necessidade eventualmente solucionada com Greg Monroe, mas não tinham como saber disso no Draft), mas Vaughn também seria interessante para um time que tem valorizado jogadores de alto potencial (como Giannis). A maior parte das melhores opções do Bucks é de frontcourt (Giannis, Middleton, Jabari) e, apesar da boa defesa, o time mostrou bastante dificuldade ofensivamente em 2015. Vaughn é um bom arremessador e pontuador bastante criativo para jogar na posição de SG, alguém que pode vir do banco no começo da carreira e que, apesar de cru, tem bastante potencial para desenvolver em um sólido titular no longo prazo. Seu estilo pontuador e de bolas longas trás algo que o time precisa, e o potencial elevado está de acordo com o que o Bucks tem buscado. Uma aposta mais arriscada do que se tivessem pego Portis, mas uma que me agrada muito.


Escolha #18 - Houston Rockets
Quem escolheu: Sam Dekker
Quem deveria ter escolhido: Sam Dekker

A maior necessidade do Rockets nesse Draft era um armador, e supostamente eles estavam para selecionar Tyus Jones, o que seria uma boa escolha. Mas, com Sam Dekker caindo, era bom demais para deixar passar. Dekker é um ala veterano, bem all-around e versátil, que não era exatamente o que o Rockets mais precisava nesse Draft. Mas sabe o que ele era? O melhor jogador disponível, e assim o Rockets está absolutamente certo de selecioná-lo aqui. Cada escolha de Draft que você tem é um ativo, e é sua intenção maximizar o retorno que ele trás. Draftar o melhor jogador disponível sempre é uma boa opção.

No curto prazo, Dekker adiciona profundidade e versatilidade para um time que sentiu falta do primeiro e valoriza o segundo. Se o ala acertar suas bolas de 3 na NBA, tem tudo para ser um steal aqui, e mesmo se não acertar, ainda é um jogador completo capaz de fazer um pouco de tudo, algo bastante valioso na NBA moderna.


Escolha #19 - New York Knicks (via Washington Wizards, através do Atlanta Hawks)
Quem escolheu: Jerian Grant
Quem deveria ter escolhido: Jerian Grant

Mais uma boa escolha do Knicks! No caso, trocaram essa escolha por Tim Hardaway Jr com o Hawks, que recebeu essa escolha do Wizards.

Para o Knicks, é uma boa escolha: Grant é um armador veterano pronto para contribuir no curto prazo, capaz de jogar em duas posições e fazer um pouco de tudo em quadra. Escolha boa e segura, e alguém que a meu ver tem mais a contribuir para o Knicks que Hardaway. Meu único questionamento é que Grant não é um encaixe tão natural no triângulo - o armador de Notre Dame joga melhor conduzindo o pick and roll, mas essa é uma atividade que não vai encontrar muito se o Knicks realmente for com o triângulo como sua base para 2015/16. Mas é um questionamento melhor, e o que Grant trás para o time será bem valioso.

Por outro lado, eu não faço idéia do que o Hawks está fazendo aqui. Hardaway é um bom jogador e arremessador, mas tem muitas dificuldades na defesa, e não parece se encaixar no esquema do Hawks muito bem. E, em troca de Hardaway e escolhas de segunda rodada, o time deixou de escolher um jogador bastante superior no #15 ou no #19. Atlanta tinha uma necessidade grande na posição de SF (onde já tinha uma falta de profundidade ano passado, e agora ainda tinha seu titular - DeMarree Carroll - sendo Free Agent) e de profundidade no garrafão (um grande problema nos playoffs, e que tendia a piorar com as saídas de Elton Brand, Pero Antic e talvez até Paul Millsap) - porque então passar Sam Dekker e Bobby Portis com essas escolhas? Será que dois anos de Tim Hardaway no contrato de calouro realmente era mais valioso do que Dekker ou Portis, jogadores melhores, que encaixavam muito melhor no time e supriam necessidades imediatas, e AINDA ofereciam quatro anos de controle barato ao invés de dois? Claro que não. Péssimas decisões de Atlanta, que sai como um dos grandes perdedores da noite. Jogou no lixo o presente que recebeu do Nets nessa escolha de Draft.


Escolha #20 - Toronto Raptors
Quem escolheu: Delon Wright
Quem deveria ter escolhido: Bobby Portis, Rondae Hollis-Jefferson

O Raptors tinha Lou Williams como free agent, e trocou Greivez Vazquez para o Bucks antes do Draft, então armador reserva era realmente uma necessidade da franquia. Mas porque pegar um armador reserva quando você tem necessidades bem mais urgentes no seu time (seu PF titular foi embora, e seu perímetro tem enfrentado problemas) E jogadores melhores dessas posições para escolher? Bobby Portis em particular teria sido a melhor escolha perfeita, um PF completo e seguro, uma adição excelente no garrafão do time com a saída de Amir Johnson e alguém capaz de contribuir de cara. Seria um ótimo valor a essa altura, e um ótimo encaixe. RHJ também funcionaria, um excelente marcador de perímetro capaz de ajudar uma defesa que despencou no final da temporada passada. Até alguém como RJ Hunter seria uma escolha melhor, um ótimo arremessador e jogador inteligente. Wright é um bom jogador, mas PG é de longe a posição mais fácil de achar opções na NBA de hoje, e tinha jogadores melhores disponíveis que supririam necessidades mais urgentes e mais importantes da franquia. Não gostei da escolha.


Escolha #21 - Dallas Mavericks
Quem escolheu: Justin Anderson
Quem deveria ter escolhido: Tyus Jones, Bobby Portis, Justin Anderson

A essa altura do Draft, eu não acho Anderson uma escolha ruim em termos de valor. Tirando Bobby Portis, a essa altura do Draft todos os jogadores estão mais ou menos equiparados em termos de valor, e é mais uma questão de contexto a essa altura. E, considerando que o Mavs não tinha um elenco bem delineado a essa altura, era uma questão de pegar o melhor jogador. Então não é uma escolha fácil de avaliar.

Em termos de valor, a melhor escolha seria Portis, e eu acho que não devem passar um valor tão grande a essa altura. Mas com Dirk na cidade e tantos buracos, e a mentalidade de competir imediatamente, eu entendo a idéia de querer aproveitar essa escolha em um jogador que não joga na posição da sua maior estrela. Tyus Jones também seria uma boa opção, dada a necessidade do time por um armador. 

Justin Anderson está nesse grupo de jogadores semelhantes, e sem dúvida não é uma escolha ruim. Anderson é um bom defensor bastante atlético e, se conseguir manter o alto aproveitamento nas bolas longas que mostrou em 2015, tem tudo para ser um steal a essa altura. Por isso acho essa escolha boa. Vale questionar que Anderson joga na mesma posição de Chandler Parsons, então corre o risco de acabar sofrendo com o mesmo problema de terem escolhido Portis. Mas essa é uma questão secundária. Era uma escolha sem uma resposta fácil ou claro favorito e, embora eu achasse que tinha opções ligeiramente melhores para Dallas, Anderson sem dúvida estava entre as opções válidas a essa altura.


Escolha #22 - Chicago Bulls
Quem escolheu: Bobby Portis
Quem deveria ter escolhido: Bobby Portis

Em termos de encaixe, essa escolha não faz tanto sentido. Chicago já tem um dos garrafões mais lotados da NBA, e ano passado o então técnico Tom Thibodeau teve muita dor de cabeça tentando dar minutos a Taj Gibson, Joakim Noah, Nikola Mirotic e Pau Gasol ao mesmo tempo. Adicionar mais um bom PF não vai ajudar essa questão.

Por outro lado, a tecla que eu sempre bato: você sempre quer pegar o melhor valor possível a cada escolha de Draft, e Portis era sem dúvida o melhor jogador disponível por muito, alguém que muitos especialistas (inclusive eu) viam como um possível talento de loteria. Pegar Portis no #22 é um absoluto steal, e Chicago está certíssimo em selecioná-lo. Olhando mais a fundo, percebe-se também que Chicago agora está acima do limite para pagar multa - algo que a franquia sempre tem evitado - e que para fugir desse gasto extra o ideal seria trocar um jogador de garrafão, e se essa troca realmente acontecer (provavelmente envolvendo Taj Gibson), então de repente você tem uma abertura no garrafão para os minutos de calouro de Portis, que crescerão com o tempo e conforme Gasol e Noah caminham para o fim das suas carreiras. Ótima escolha de Chicago.


Escolha #23 - Portland Trail Blazers
Quem escolheu: Rondae Hollis-Jefferson
Quem deveria ter escolhido: Rondae Hollis-Jefferson

O Blazers eventualmente trocou essa escolha para o Nets por Mason Plumlee.

Para o Nets, essa troca faz muito sentido. Embora Plumlee seja um bom jogador e capaz de ser um C titular na NBA, na situação atual, o Nets não é nem um candidato ao título, e nem tem os ativos (jovens talentos, escolhas de Draft) para evoluir no curto prazo. Portanto faz bastante sentido que o time troque um veterano estabelecido e confiável, mas limitado, por um jovem jogador com mais potencial como Hollie-Jefferson, um excelente atleta e defensor cujo valor hoje é limitado pela falta de arremesso. Caso RHJ desenvolva um jumper passável, seu potencial é enorme e chances de ser um grande steal desse Draft, e faz sentido o Nets apostar nesse maior potencial.

Para o Blazers, eu consigo entender o que estão fazendo, mas não gosto. RHJ é uma comodidade desconhecida no momento, acabando de chegar na liga, enquanto Plumlee é um veterano comprovado e sólido. Meu problema é que esse é o tipo de jogador capaz de ajudar muito um time competitivo, como era o Blazers ano passado, mas faz pouco sentido em um time que claramente estava indicando uma reconstrução como Portland (que trocou Batum, e tinha três titulares free agents). Mesmo que a idéia seja trazer um bom ativo para manter o time competitivo nessa transição, para o Blazers faz mais sentido apostar no garrafão jovem Vonleh-Leonard e ver o que consegue tirar de Jefferson do que trocar um jogador de bom potencial por um veteranos sólido sem tantas chances de crescer muito no futuro. Eu gosto de Plumlee, e no vácuo não acho uma troca exatamente ruim (a escolha #23 por um sólido titular de garrafão), mas no momento atual do Blazers (e do Nets também), eu preferiria ter Rondae Hollis-Jefferson.


Escolha #24 - Minnesota Timberwolves (via Cleveland Cavaliers)
Quem escolheu: Tyus Jones
Quem deveria ter escolhido: Tyus Jones

Para o Cavs, que trocou essa pick por duas de segunda rodada, essa troca faz algum sentido. O time já vai estar MUITO acima do salary cap e da luxury tax para 2015/16 mesmo, o que significa que cada dólar a mais adicionado em salário significa gastar quase o dobro em multas. Como todos os contratos de primeira rodada são garantidos, usar essa escolha faria o Cavs gastar ainda mais dinheiro (e muito dinheiro). Então trocando-a por duas escolhas de segunda rodada (e, portanto, contratos mais baratos e não garantidos), o Cavs agora consegue um bom alívio financeiro e pode poupar umas verdinhas e selecionar mais de um jogador. Faz sentido. Por outro lado, estando tão acima do salary cap, o Cavs tem muita dificuldade de contratar jogadores novos, e sofreu demais com a falta de opções e profundidade em 2015/16 - certeza que não seria mais útil adicionar alguém como Tyus Jones ou RJ Hunter aqui? Claro, é fácil falar se não sou eu que vou pagar 90M em multas, mas se o time já vai gastar tudo isso mesmo, porque não adicionar uns 5M a mais para melhorar sua equipe? *relendo a frase* Ok, falha minha, 5M é coisa pra caramba e uma boa economia.

Para o Wolves, também gosto da troca. Ricky Rubio é um bom armador, mas se machuca demais, e o time sente falta de uma segunda opção. A experiência de usar Zach LaVine de PG ano passado mostrou que ele NÃO é um PG, e Jones da mais uma opção jovem e interessante para vir do banco e talvez substituir Rubio se (quando?) o espanhol se machucar. É uma boa escolha, e encaixa bem: jovem, talentoso, tem experiência de sucesso (foi Most Outstanding Player do Final Four) e "devolve" LaVine para sua posição natural. 


Escolha #25 - Memphis Grizzlies
Quem escolheu: Jarrell Martin
Quem deveria ter escolhido: RJ Hunter, Chris McCullough, Jordan Mickey

O Grizzlies queria reforçar a profundidade do seu garrafão, então foi atrás de Martin. Não da pra questionar a lógica. Mas da para questionar a escolha. Martin não é um jogador melhor que seu companheiro Jordan Mickey, um ótimo all-around PF que caiu por ser baixo para a posição e que a meu ver tem mais a contribuir no médio prazo. E se o time quisesse apostar no jogador de maior potencial tinha Chris McCullough, um PF cru de muito potencial que poderia ser uma ótima aposta para um time cuja base no garrafão já está do lado errado dos 30 anos.

Mas a melhor escolha para Memphis teria sido RJ Hunter. O Grizzlies está no seu melhor quando consegue espaçar a quadra ao redor do seu garrafão e castigar os adversários com bolas longas quando dobram a marcação, e Hunter é um dos melhores arremessadores dessa classe, alguém que tem a habilidade nos passes e a inteligência que times precisam para sobreviver com o espaçamento mais apertado (como é o caso de Memphis). Adicionar profundidade com Martin é bom, mas as bolas longas de Hunter poderiam fazer muito mais pela franquia.


Escolha #26 - San Antonio Spurs
Quem escolheu: Nikola Milutinov
Quem deveria ter escolhido: Nikola Milutinov

San Antonio, nessa offseason, tinha um grande objetivo: trazer LaMarcus Aldridge. Mas com tantos free agents importantes e uma folha salarial apertada, e com o salary cap ainda indefinido, as contas estavam muito apertadas para San Antonio conseguir oferecer o máximo ao PF do Blazers. Então cada centavo poupado era crucial nessa busca e,  nesse contexto, o objetivo do Spurs no Draft era naturalmente manter sua folha salarial limpa. E foi com essa mentalidade que pegaram Milutinov, um talentoso pivô que ficará na Europa mais tempo e portanto não conta contra o salary cap de San Antonio. O mais importante aqui a se ter em mente é que essa escolha manteve 2M fora da folha salarial do Spurs, e era isso que eles buscavam - e conseguir manter esse dinheiro fora da sua folha salarial enquanto ainda adicionava um bom talento Europeu para o futuro é uma vitória.


Escolha #27 - Los Angeles Lakers
Quem escolheu: Larry Nance
Quem deveria ter escolhido: RJ Hunter, Chris McCullough

Talvez a pior escolha da primeira rodada. Com essa escolha de primeira rodada extra, cortesia do Rockets, o Lakers poderia ter pego um jogador para dar profundidade ao seu perímetro (especialmente a posição de SF, a mais carente do time) e ajudar nas bolas longas (como RJ Hunter) ou mesmo apostar em um jogador de alto potencial para o longo prazo como McCullough. Poderiam até ter apostado no enorme potencial de Kevon Looney! Ao invés disso, pegaram um cara atlético mas com poucos recursos que era cotado pela maioria dos especialistas como uma escolha de final de segunda rodada. Enorme desperdício de valor, e ainda ganhou ares de comédia quando descobriram um tweet de 2012 do Nance chamando o Kobe de estuprador. Tinha um leque imenso de escolhas melhores aqui, e pela segunda vez na noite, o Lakers fez a escolha errada.


Escolha #28 - Boston Celtics
Quem escolheu: RJ Hunter
Quem deveria ter escolhido: RJ Hunter

Uma excelente escolha de valor para o Celtics, achando um jogador que muitos tinham saindo 12, 14 escolhas antes no final da primeira rodada. Hunter é um exímio arremessador que também tem boa inteligência em quadra, alguém que sabe se movimentar sem a bola, defender coletivamente e é um sólido passador - vai ajudar muito um time que tem dificuldade nas bolas longas e cujo ataque se baseia muito nessa movimentação e inteligência. O tipo de jogador que não vai ser uma estrela, mas vai ser uma peça muito útil em qualquer time, e tem um conjunto de habilidades muito valorizado no momento ao redor da liga. Ótima escolha, e ótimo valor no #28.


Escolha #29 - Brooklyn Nets
Quem escolheu: Chris McCullough
Quem deveria ter escolhido: Chris McCullough

Brooklyn é uma franquia triste, que ainda viu sua escolha #15 de Draft ir para nas mãos de Atlanta e ficar com a #29 em torno. Mas, ao contrário do Hawks, fez a coisa certa com ela e pegou Chris McCullough. Em um time tão pobre em talentos e com um futuro tão questionável sem escolhas de Draft, esse é jogador com maior retorno possível que conseguiriam aqui junto de Looney, e o Nets está totalmente certo em apostar alto para conseguir esse maior retorno. McCullough poderia ter sido uma escolha de loteria se não tivesse rompido o ligamento e, apesar de muito cru, também tem enorme potencial. O Nets poderia ter feito uma escolha mais segura, mas não mudaria em muito a franquia. Se McCullough atingir seu potencial, pode fazer muito mais por esse time. Gostei bastante da escolha.


Escolha #30 - Golden State Warriors
Quem escolheu: Kevon Looney
Quem deveria ter escolhido: Kevon Looney

Os atuais campeões provavelmente não estão muito preocupados com esse Draft, pra falar a verdade. E embora eu achasse que um SG arremessador como Joseph Young, Anthony Brown ou mesmo Tyler Harvey fosse uma ótima adição para o Warriors, eles foram para o Home Run em Kevon Looney, e eu adorei. Looney é cru, mas tem imenso potencial, e era considerado um talento de loteria  durante grande parte do ano antes de cair em meio a más atuações, e acabou despencando na noite do Draft supostamente por causa de uma lesão recém-descoberta. Mas no #30 e com um excelente time já montado, para mim está de ótimo tamanho apostar em um jogador de talento talento e potencial, e se conseguir atingí-la, tem condições de ser um dos melhores jogadores do ano. No #30, você não pode pedir por muito mais que isso.