Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Uma coluna sobre mim, e Kevin Durant



Quando Kevin Durant anunciou sua decisão de ir para o Golden State Warriors formar um dos times mais talentosos da história da NBA, o que não faltou foi ver as famosas "hot takes" - opiniões fortes, polêmicas e muitas vezes idiotas - pipocando na internet. Muita gente ofendendo Durant e dizendo que ele era um covarde, ou um perdedor, ou coisa do tipo por ter tomado a decisão DELE, que fazia sentido para ELE, e que afeta a vida DELE. 

E é normal pessoas não gostarem da decisão do Durant. Ela afeta vários fatores que diversas pessoas consideram importantes: muitas valorizam a competição dentro da NBA, por exemplo, e a ida de Durant não só adicionou um jogador Top3 da NBA a um time que venceu 73 jogos ano passado e esteve a 5 minutos de dois títulos seguidos, como ainda derrubou da disputa o único time no Oeste que realmente assustava o Warriors. Outros podem valorizar o jogador que passa a carreira inteira no mesmo time e tem um peso enorme que vai muito além do basquete, virando um símbolo da franquia e da cidade (Duncan, Dirk, Kobe alguns exemplos recentes que vem à mente), e Durant - o símbolo do basquete de OKC - deixando a cidade nos privou de ver mais uma história dessas com um dos melhores atletas da nossa geração. A preferência dessas pessoas foi afetada negativamente pelo cenário que se formou na NBA após essa decisão.

Ou seja, é comum que pessoas se sintam, em um nível pessoal, incomodadas com a decisão de Durant. Cada um de nós tem um conjunto de preferências e vontades, coisas que valorizam e que buscam, e a decisão de Durant pode ter contrariado muitas dessas. Então a nossa reação natural é de decepção, afinal a realidade não seguiu as nossas expectativas, e por isso desgostamos dessa realidade. Gostaríamos que fosse diferente, ressentimos de como aconteceu, e lamentamos. É a natureza humana, e isso não tem nenhum problema.

O problema é não reconhecer que existe mais do que um tipo de preferência e de ponto de vista no mundo, e que não necessariamente todos tem que seguir o mesmo. Ao mesmo tempo que a decisão de Durant afetou negativamente muitas pessoas por ir de encontro às suas preferências, certamente existe muitas outras pessoas cujo conjunto de preferências foi afetado positivamente pela ida de KD a Golden State, e que agora estão felizes e elogiando a decisão.

E também, claro, tem o lado da pessoa mais importante nessa história toda: Kevin Durant. Todo mundo quis atribuir motivos à sua decisão - ele quer vencer do jeito mais fácil, ele não quer a pressão de ser uma estrela, etc - mas a verdade é que ninguém faz ideia do que levou ele a tomar a decisão. E se ele simplesmente não estivesse feliz jogando em OKC? E se ele não gostasse de jogar com Westbrook, ou no esquema ofensivo estagnado do Thunder? E se ele quisesse um novo começo, morar em San Francisco, ou jogar em um time com um estilo diferente? A gente não sabe, e nunca vai saber. Os motivos são dele. E por isso é besteira tentar atribuir motivos para o que o jogador fez ou deixou de fazer, especialmente aqueles que convenientemente servem à narrativa que queremos criar por causa das nossas próprias preferências.

Em outras palavras, o que nós discutimos não é se a decisão de Durant foi certa ou errada. Nós discutimos como ela afetou as NOSSAS preferências, e qual a nossa reação pessoal a elas. Mas ninguém admite isso. E um dos motivos é porque queremos excluir ao máximo o "eu" quando discutimos de esporte - se você começa a falar das suas visões e preferências, de repente sua opinião vai ser considerada mais subjetiva do que objetiva, e talvez ser menos considerada. E por isso tanta gente tenta omitir o "eu" da conversa e falar como se existissem fatos sobre o que é certo ou errado, sobre o que Durant deveria ou não ter feito, e começa a criar rótulos e narrativas imbecis para tentar explicar porque Kevin Durant - um ser humano tão complexo quanto todos nós, com gostos, preferências, ideias e objetivas totalmente próprios que não dizem respeito a nenhum de nós - tomou uma decisão que vai de contro à nossa configuração pessoal enquanto indivíduos.

Em resumo, é perfeitamente normal para um fã ou torcedor se sentir traído pela decisão de Kevin Durant (o lado irracional, passional do torcedor), mas não achar que isso faz de Kevin Durant um traidor (o racional, baseado em fatos)... mas é isso que as pessoas tentam fazer, racionalizar sua irracionalidade para torná-la mais "aceitável" e transformar aquilo em um fato... e isso que é o mais absurdo.

Kevin Durant tomou a decisão de ir para o Warriors, o que diminui a competitividade da NBA e forma um time claramente superior (no papel) aos demais. Mas eu gosto de competitividade e rivalidades, e não gosto de times favoritos. Então a decisão de Durant foi contra o meu gosto. Então, ao invés de reconhecer que ele funciona diferente de mim e teve razões diferentes das minhas para tomar uma decisão que não me dizia respeito, e assumir que eu simplesmente não gostei da decisão, eu vou ficar falando que o Durant é medroso, que é covarde, que é desleal, etc e tal para tentar justificar como EU me sinto em relação a ele.

Desnecessário dizer o quão idiota é isso. Mas é o mundo esportivo como vivemos hoje, infelizmente. Ninguém quer admitir que sua reação a um fator as vezes é totalmente pessoal e baseada nas suas individualidades. E claro, ninguém quer admitir que possa existir outras pessoas que veem o mundo diferente que você - todo mundo só quer estar certo (e isso se estende MUITO além dos esportes, btw).

Então claro que, quando eu declarei no Twitter que a decisão de Durant era interessante e que eu estava ansioso por ver como seria esse time do Warriors - ao invés de criticar seu caráter e sua decisão - nem todo mundo entendeu meu ponto de vista. Para colocar de forma leve.

E um seguidor, particularmente revoltado, declarou que meu problema era preferir ver um grande time do que ver a liga sendo equilibrada e competitiva. Quando eu neguei que fosse o caso, ele questionou então: "Então o que você quer ver da NBA?".

Embora a pergunta tenha sido feita em tom de crítica, ela me fez pensar. Assim como todo mundo tem suas preferências, eu tenho as minhas, mas nunca tinha parado para pensar a fundo na questão. Eu acompanho esportes desde que me lembro, e embora torça pelos meus times, eu sempre dei uma importância maior para os esportes em si do que só assistir pelos meus times. Eu, como qualquer um, também quero ver certas coisas acontecendo, e fico feliz ou triste, animado ou decepcionado, quando algum acontecimento ou fato vai de acordo ou contra meus gostos pessoais.

Mas, no final, eu voltava para a mesma pergunta.

O que eu quero quando se trata de esportes?

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Para responder a essa pergunta, eu preciso fazer um paralelo com uma das minhas obras favoritas.

Hunter x Hunter é um mangá de Yoshihiro Togashi, mais conhecido no Brasil por sua outra obra famosa, YuYu Hakusho (sim, aquele da Manchete). A obra conta a história de "hunters", ou "caçadores": são pessoas que passam a vida "caçando", "procurando" ou "buscando" alguma coisa (dependendo da tradução que você quiser usar). E o que um Hunter procura pode ser qualquer coisa que o atraia: alguns passam a vida procurando criminosos, outros procuram novas espécies de animais. Alguns procuram jóias raras, e outros procuram achados arqueológicos. Não importa o que, mas todos tem que procurar alguma coisa, em geral motivados pelo desejo de aventura e sede de conhecer o desconhecido. É uma das melhores obras que já li, tanto para o gênero de ação como pela genialidade da mensagem de algumas das suas sagas, e recomendo para os fãs do gênero.

E em Hunter x Hunter existe um personagem chamado Ging Freecs. Ging é um Hunter bastante famoso, considerado um dos personagens mais habilidosos e poderosos da saga e, por muitos, o melhor Hunter do mundo. No entanto, Ging também é considerado um grande mistério: alguém que desaparece com frequência, faz as coisas do seu jeito sem pensar em mais nada, que está constantemente mudando de ideia e de objetivos, e que é praticamente impossível de se encontrar já que nunca fica parado no mesmo lugar. Embora ele seja um Hunter de arqueologia, ninguém sabe exatamente o que ele quer ou o que está buscando na vida. Ele vai aparecer onde e quando quiser, e desaparecer para cuidar dos seus assuntos na maior parte do tempo.

Em dado momento, um outro personagem pergunta a Ging exatamente o que ele procura. Qual é seu objetivo final, o que ele almeja encontrar.

A resposta? "O que eu procuro... é alguma coisa que não consigo enxergar diante de mim".

Eu sempre achei isso genial. Ging não tem um objetivo fixo: ele sempre está à procura de algo novo, de algum novo desafio, algo que ele ainda não tem e terá prazer em ir atrás. O que é essa coisa, na verdade, não importa. O que ele quer é o desafio e a emoção da jornada, o que importa para ele é o caminho, e não onde esse caminho leva. Quando atingir seu objetivo, ele parou de ser interessante e é hora de procurar algo novo. Algo que ele não tem diante dele.

É exatamente assim que eu me sinto quando fã de esportes, e foi a conclusão que eu cheguei quando penso sobre o que eu quero como alguém que ama e acompanha esportes. O que eu quero ver acontecendo é algo que eu ainda não tenho.

Em outras palavras, respondendo à pergunta do internauta, eu não sei exatamente o que é que eu quero. E isso não é um problema, porque o que eu quero pode ser atingido independente de qual a forma. O que eu quero é algo novo, algo diferente e que nunca tenha visto antes. Eu quero a experiência de ver algo que me eleve a um patamar maior como fã de esporte. O que isso é, não importa de verdade. Pode vir sobre diferentes formas: uma virada espetacular, uma temporada que quebra recordes, um jogador diferente e único. Eu quero ver dois dos melhores jogadores da história da MLB tendo seus auges juntos. Eu quero ver uma rivalidade perfeita entre dois dos 5 maiores quarterbacks da história da NFL. Eu quero ver a maior virada da história dos esportes americanos. Eu quero ver um jogador aleatório vivendo uma história improvável e mágica com final feliz. Eu quero ver um jogador que muda a forma como eu (e a própria NBA) penso um esporte. Mesmo que, até essas coisas se concretizarem, eu não fazia ideia de que eu queria tanto elas.

Quando em 2010 LeBron anunciou sua decisão de deixar o Cavaliers para se juntar a Wade e Bosh em Miami, minha primeira reação foi negativa. Ao invés de vencer as dificuldades em Cleveland, LeBron parecia estar pegando o "caminho mais fácil" ao se juntar a duas outras superestrelas, e assim ele nunca se realizaria como completo superstar da NBA. Eu queria ver LeBron atingindo seu auge e superando as barreiras na própria força, não na força de Wade e Bosh.

Depois, eu percebi o quanto isso era idiotice. Eu ainda estava muito apegado ao estereótipo Jordan da superestrela que centraliza o jogo, arremessa todas as bolas e domina as atenções. O que eu percebi depois - e, felizmente, a tempo - é que LeBron era um jogador diferente, mais voltado para o jogo coletivo, e que ter grandes companheiros ao seu redor era uma condição importante para que James conseguisse tirar o máximo do seu jogo, e enfim atingisse todo seu imenso potencial como jogador de basquete. Isso nunca teria acontecido naqueles times horríveis de Cleveland. Então a decisão de LeBron, no final, acabou me proporcionando duas coisas que eu nunca poderia ter tido como fã de esportes se ele tivesse ficado em Cleveland: a possibilidade de ver o jogador mais talentoso que já assisti realizando seu potencial e atingindo seu auge como jogador de basquete, e ver um time tão bom, tão único e que jogava um basquete tão maravilhoso de se assistir como aquele Heat 2012-2013.

(Tangente rápida: uma grande pena que o Heat de LeBron nunca tenha conseguido uma temporada completa, do início ao fim, em plenos poderes. Em 2012, o time só atingiu seu auge nos playoffs, quando Bosh machucou, LeBron mudou para PF e o time descobriu seu small ball. E em 2013, o time chegou nos playoffs desgastado demais, cansado demais, e nunca jogou seu melhor basquete. Eles nunca tiveram aquela temporada completa chutando bundas a torto e a direito que mereciam. Nossa perda.)

Meu jogo favorito que assisti ao vivo? G4 da série entre Mavs e Blazers em 2011, na primeira rodada dos playoffs. Foi o jogo que Brandon Roy, praticamente fora da NBA a essa altura por causa dos problemas físicos que destruíram o que vinha sendo uma fantástica carreira, saiu do banco e milagrosamente voltou o relógio alguns anos, anotando 18 pontos - inclusive os oito finais do Blazers na partida - e dando quatro assistências no quarto período apenas, enquanto Portland tirou uma vantagem de 18 pontos de Dallas no período final para igualar a série em 2-2. Cinco anos depois, eu ainda lembro daquele jogo como se fosse hoje.

Esse jogo importou no grande esquema das coisas? Provavelmente não. Dallas ainda venceu a série em 6, e algumas semanas depois venceu o Miami Heat para conquistar seu primeiro título de NBA. Brandon Roy aposentou naquela offseason, voltou em 2012 e aposentou de vez algumas semanas depois.

Mas aquele ainda é, e sempre será, o jogo que eu lembro quando penso nos playoffs de 2011. Foi simplesmente perfeito: um dos meus jogadores favoritos e figura trágica da NBA, alguém que eu já tinha aceitado a decadência e sabia (ou achava que sabia) que nunca mais veria jogando no alto nível do passado, de repente se rejuvenescendo por 12 minutos e jogando talvez o basquete mais inspirado da sua vida, conduzindo uma das maiores viradas da história dos playoffs da NBA com uma das mais memoráveis performances da história da NBA em quartos períodos. Foi imprevisível, e foi emocionante de se contemplar. Ele me deu algo que eu nunca tinha visto, que eu nunca pensei que veria, e no final das coisas, uma memória para sempre.

Como Bill Simmons escreveu uma vez, nós fãs assistimos a 1000 jogos em busca de algo especial, algo único e fantástico, e 999 vezes ela não acontece. Mas quando tem a 1000th vez, ela acontece, e é algo que nunca mais vamos esquecer, e que fazem valer todo o esforço. A atuação de Brandon Roy foi a milionésima vez. Eu nunca esquecerei de assistir esse jogo enquanto viver.

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Então voltando ao ponto inicial: o que isso significa em relação a Kevin Durant?

Kevin Durant deixando o Thunder nos privou de muitas coisas boas. Ver aquele time jovem do Thunder que surgiu para o mundo em 2010 tentar subir a montanha, enfrentando seus próprios demônios e dificuldades para tentar chegar no topo da liga, era uma histórias mais interessantes de se acompanhar na NBA nesses últimos 7 anos. Ver aquele time enfim atingindo o topo, superando os poderosos Warriors e Cavs, sua crescente rivalidade com Golden State, a eterna dúvida se Durant e Westbrook algum dia achariam a forma ótima para conviver... são todas coisas que eram muito divertidas.

Eu queria muito ver a história do Thunder do começo ao fim, até por ser uma das histórias mais fáceis de se acompanhar: o time jovem e promissor de 2008/2009, o time dando um salto em 2010, a evolução nítida de 2011, finalmente chegando nas Finais em 2012, a troca de Harden e as lesões de Durant e Westbrook, a quase redenção em 2016... era uma história que muitos (inclusive eu) queriam ver tendo um final, e de preferência um final feliz. Era algo que eu queria ver, e agora (ou pelo menos por enquanto) não verei mais por causa da decisão de Durant.

Mas ao mesmo tempo, eu já vi antes times subindo a montanha e atingindo o título. Eu já vi times ultra-talentosos, mas de encaixe difícil, encontrando uma forma de coexistir e tirar o melhor de si mesmo rumo a um título. Eu já vi dois dos 5 melhores jogadores da NBA jogando juntos no seu auge. Não que seja uma história que não seja ótima de se rever várias vezes com diferentes protagonistas, mas não é exatamente algo novo para mim.

Mas eu nunca na vida vi um time de basquete tão talentoso - pelo menos no papel - quanto Golden State é agora com Kevin Durant. Eles tem a chance de fazer algo que eu nunca vi antes, de quebrar recordes e atingir um nível de basquete que eu nunca vi. Eu sempre me ressenti de nunca ter a chance de ver o Celtics de 86 ou o Bulls de 96 ao vivo - na minha opinião os dois melhores times de basquete da história da NBA - e agora tenho a chance de acompanhar um time que pode ser tão bom quanto, ou até melhor, do que esses dois times lendários. É uma oportunidade nova que essa decisão de Durant também trouxe.

E também tem o seguinte: é possível que, assim como LeBron, existe um jogador melhor dentro de Durant esperando para sair na situação certa, e com os companheiros certos. Larry Bird não teve seu auge como jogador de basquete em 1986 apenas porque, individualmente, ele estava no seu auge físico e técnico - um dos principais motivos é que o talento no Celtics ao seu redor teve um notório auge naquela temporada, e isso permitiu que Larry Legend explorasse mais partes do seu jogo que antes ele não tinha como: sua maestria nos passes, sua versatilidade para executar múltiplas funções, e até mesmo sua criatividade para tentar coisas novas quando os jogos estavam entediantes. Bird teve seu auge em parte porque o coletivo ao seu redor era melhor, e muito mais preparado para que ele tirasse o máximo de seu jogo.

Talvez o mesmo aconteça com Kevin Durant: em um time mais coletivo, com mais opções, com QI coletivo fora de série e tantos jogadores completos, talvez Durant agora pode focar em mostrar e elevar partes do seu jogo que não apareciam antes para nós tão bem. Com menor responsabilidade para pontuar, e com mais espaço do que nunca, pode ser que vejamos mais de Durant como passador e criador, ou que ele decida focar mais na sua defesa, que tem chance de ser excepcional. Talvez ele tenha mais assistências e mais roubos de bola do que nunca, e arremesse algo como 55-43-90 na temporada. Com seus companheiros melhores e jogando um estilo de basquete mais favorável, pode ser que o próprio Durant leve seu jogo a um nível que não tínhamos visto antes.

Isso tudo é melhor do que a chance de ver o Thunder ser campeão com Durant e Westbrook? Para mim agora é, e por um motivo simples: eu tenho a chance de ver tudo isso acontecendo agora, enquanto que ver o Thunder campeão com West e KD não. Qual é a graça de buscar algo que não existe mais? Por que se apegar a algo que deixou de existir, se eu posso ir atrás de novas possibilidades e novos objetivos, coisas que eu nunca tive antes e que podem cumprir seu papel para mim, de me levar a um patamar mais alto como fã do esporte? A decisão de Durant fechou algumas portas e nos privou de algo muito legal, mas ao mesmo tempo abriu outras portas e outras possibilidades. A grandeza que podemos ver hoje é diferente da de ontem, mas não necessariamente é pior.

Essa foi a lição que eu aprendi ao longo da vida esportiva. Ao invés de me apegar a algo que não existe mais, eu simplesmente começo a buscar algo novo toda vez que a situação mudar, e com isso eu - de novo, EU - posso aproveitar plenamente o que os esportes que eu tanto amo me oferecem. Durant nos tirou algumas coisas boas, mas nos oferece outras em troca: eu posso lamentar pela perda das primeiras, mas isso nunca pode me impedir de aproveitar e almejar as coisas novas que eu não poderia ter antes, e agora posso. As coisas mudam rápido demais nos esportes. Se não soubermos nos adaptar igualmente rápido, podemos perder chances únicas. Não importa o que eu quero. O que importa é que eu sempre quero algo novo, algo diferente, algo que vai me elevar a um patamar maior como fã de esportes. E quando isso acontecer, eu posso ficar satisfeito sabendo que, naquele momento, eu serei mais rico em experiências esportivas do que era antes. E, minutos depois, me preparar para buscar o próximo objetivo.

Ou pelo menos isso é o que eu sinto. Você é livre para sentir ou pensar algo totalmente diferente, com base nas suas próprias preferências e opiniões. Isso é perfeitamente normal.

Só é uma grande idiotice achar que o que você sente é a verdade do mundo, e que um jogador de basquete profissional que precisa pensar na sua própria vida e carreira e pensa diferente de você é um traidor. Ou um covarde. Ou qualquer outro adjetivo imbecil que tenha surgido desde o dia 4 de julho.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Hack a Cast #18 e #19 - Kevin Durant e a Free Agency



Tem Hack a Cast novo... e em dose dupla!!

Com a Free Agency em pleno vapor, eu e o Vinicius Veiga tivemos que fazer um podcast de emergência (com ajuda do Renato Gonçalves, do perfil NBA no Brasil) para discutir a polêmica decisão de Kevin Durant de se juntar ao Warriors: o que isso significa, como o Warriors deve ser daqui para frente, e quais as alternativas do Thunder nesse momento.

Depois, com mais calma, chamamos novamente o Renato para discutir o resto da Free Agency: Al Horford no Celtics, Dwight Howard no Hawks, os valores astronômicos da offseason, os grandes contratos da temporada, alguns times que fizeram barulho, e os nossos contratos preferidos.

Então aproveite nossa cobertura especial da offseason: duas horas e meia de podcast, só falando de NBA!!

Em tempo: Estamos agora no iTunes! Vocês podem nos achar procurando por Hack a Cast no iTunes ou em qualquer aplicativo de podcasts. Peço a todos os ouvintes que se possível nos avaliem e façam um comentário sobre o podcast: é pouca coisa, não custa mais do que cinco minutos, mas é importante para aumentar a projeção do nosso Hack a Cast e nos ajudar a continuar trazendo esse conteúdo para vocês.

Aproveitem!!

Hack a Cast #18 - Kevin Durant nos Warriors




Hack a Cast #19 - Free Agency da NBA










segunda-feira, 23 de maio de 2016

Hack a Cast #13 - Especial: Scott Rafferty



Nesse Hack a Cast especial, tive a chance de falar com um dos meus ídolos do meio esportivo e editor chefe do excelente site Hardwood Paroxysm: Scott Rafferty.

Scott não é só o editor chefe do HP, mas também escreve para a revista Rolling Stones e para o Sporting News  - vocês realmente deveriam ler o que ele escreve, porque ele é muito bom.

Nesse episódio - excepcionalmente em inglês- eu e o Scott falamos sobre loteria, draft, Ingram vs Simmons, reconstrução pelo Draft, as opções do Celtics no #3, jovens times, Finais de conferência, e até possíveis pontos de interesses para as Finais. Um dos nosso melhores episódios!! Ouçam, compartilhem e espero que se divirtam tanto escutando-o como eu me diverti gravando.

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On this very special Hack a Cast, I talked to one of my sportswriting idols and editor-in-chief of the excellent Hardwood ParoxysmScott Rafferty.

Scott also writes for The Rolling Stones magazine and Sporting News , so you should really check his stuff out because he is really freaking good at it.

On this episode, Scott and I talked about lottery, NBA Draft, Ingram vs Simmons, rebuilding through draft, Boston's options at #3, young teams, conference finals, and even possible Finals previews. One of our best episodes ever! Please listen and share, and I hope you have as much fun listening to it as I did recording it.


sexta-feira, 4 de março de 2016

O grande problema do Oklahoma City Thunder

OKC tem um problema sério, e nenhuma solução à vista



Na noite de quarta feira, no jogo mais esperado do dia, OKC tinha uma vantagem de 22 pontos sobre o Los Angeles Clippers no final do terceiro quarto. Com uma revanche contra Golden State no dia seguinte, parecia o cenário perfeito para o Thunder: uma boa vitória sobre um grande time para dar confiança, e um cenário no qual você poderia descansar alguns titulares no quarto período para se preparar para o confronto do dia seguinte.

Ao invés disso, tudo desandou: OKC manteve os titulares, os arremessos pararam de cair, e OKC perdeu a calma e implodiu em meio a uma sequência de más decisões, turnovers estúpidos, arremessos ruins e falhas defensivas. Nos últimos 7 minutos e meio, Thunder anotou 5 pontos, Westbrook foi 0-6 de quadra, e viu o Clippers destruir uma vantagem de 17 pontos rumo a uma vitória que deixou o terceiro colocado do Oeste cada vez mais próximo de um confronto com o Warriors na segunda rodada dos playoffs.

Infelizmente para OKC esse cenário não é uma novidade: os quartos períodos tem sido um problema real para o time. O time está 2-6 desde a volta do All Star Game, e em quatro dessas seis derrotas o time chegou a ter a vantagem no quarto período antes de tomar a virada. Aconteceu contra o Pacers logo na volta do "feriado", depois duas viradas épicas de Warriors e Clippers, e por fim a surra de ontem a noite do Warriors em Oakland. O Thunder agora soma incríveis 10 derrotas em jogos que entrou vencendo no quarto período, pior marca da NBA, na frente até mesmo do fraquíssimo Sixers

Isso também não é um fenômeno recente ou surpreendente. Ao longo da temporada, Oklahoma City tem o segundo melhor ataque da NBA e terceiro melhor Net Rating (saldo de pontos por 100 posses de bola), mas quando chegamos nos finais dos jogos isso cai por terra. Em quartos períodos, Oklahoma tem apenas o décimo melhor ataque, e é um fraquíssimo 19th em Net Rating. Pegando apenas o final dos jogos - o famoso crunch time - e definindo nosso parâmetro como 3 minutos finais de jogos separados por 5 pontos (para mais ou para menos), os números são ainda piores: O Thunder tem o 13th melhor ataque e o oitavo PIOR Net Rating da liga. Para efeito de comparação, o Net Rating do time nessas situações é de -10.6 - exatamente o mesmo que o Philadephia 76ers tem na temporada 2015-16 da NBA.

Dificuldade em crunch time é um problema antigo em OKC, e foi um dos fatores chaves da saída do técnico Scott Brooks. A chegada de Billy Donovan deveria corrigir essas questões, em particular a estagnação ofensiva que assola o time nessas situações de fim de jogo. Mas até agora, não funcionou. O time, que já era ruim, pareceu ter ficado ainda (relativamente) pior essa temporada. E embora isso possa ser atribuído em partes a uma amostra pequena e um período ainda de adaptação ao novo técnico, é um motivo para grande preocupação em uma temporada como essa - especialmente considerando o término do contrato de Kevin Durant ao final da temporada.

Como vocês ficarão chocados em saber, eu tenho algumas ideias sobre o que pode estar causando esse problema.

Um problema - e um dos principais - é a forma como o time reestruturou seu ataque. Embora a base seja a mesma - poucos passes, muita isolação, bola na mão das estrelas - o técnico Donovan fez uma mudança importante: Russell Westbrook agora é quem é o foco ofensivo da equipe (em termos de volume), e não mais Kevin Durant.

Para mim, era uma mudança que fazia muito sentido: Westbrook evoluiu em um excelente criador (#2 na NBA em assistências, com 10.3 por jogo), então deixar a bola nas suas mãos e deixar West operar através do pick and roll (E atacando a cesta) é a melhor forma de criar chances para o resto do elenco do Thunder, um elenco que (salvo Durant e talvez Waiters) não tem condições de criar seu próprio arremesso. Ao mesmo tempo, Durant é um jogador que comanda MUITO mais atenção do que Westbrook jogando longe da bola por conta de seu arremesso, o que força maiores movimentações do adversário e abre muito mais espaço para o resto da equipe (mais ou menos como Atlanta usa Korver e o Warriors usa Curry fora da bola, por exemplo). E no geral, parece estar funcionando: Oklahoma City tem hoje um Net Rating de 109.1 de acordo com os dados oficiais da NBA (2nd melhor da história da franquia) e de 112.8 de acordo com os dados extra-oficiais do Basketball-Reference (melhor da história da franquia), em ambos os casos #2 da NBA.

No entanto, vale questionar se essa abordagem tem contribuído para os problemas do time em crunch time. Durant é um dos melhores jogadores de crunch time da NBA, mas colocar a bola integralmente nas mãos de KD significa desviar do que o time faz normalmente e mudar toda sua forma ofensiva de jogar, o que naturalmente pode causar todo tipo de estranheza. Ao mesmo tempo, manter a bola nas mãos de Westbrook também não tem se mostrado uma grande opção: por melhor que Russ seja, ele ainda tem a tendência de as vezes jogar um pouco fora de controle e ficar um pouco tunnel vision, especialmente em crunch time, e sem um bom arremesso de longe para manter defesas honestas, adversários estão mais do que satisfeitos de fechar o caminho para o garrafão e deixar Russ se complicar sozinho. Em 130 minutos de crunch time na temporada, Russ está arremessando 38% de quadra, 13% de três pontos e tem 18 turnovers contra 26 assistências. Então ainda que de modo geral faça sentido essa nova forma de OKC atuar, é possível que tenha contribuído para aumentar as dificuldades da equipe em crunch time.

Outros problemas que tem contribuído para essa dificuldade do Thunder já são bem conhecidos. A equipe não tem um ataque dinâmico ou inteligente, o tipo de ataque que envolve espaçamento de quadra e muitos passes para achar os companheiros livres que consagrou times como Warriors ou Spurs. O que OKC tem é um sistema muito estático e de pouca criatividade que se baseia no fato de ter dois talentos ofensivos transcendentais em KD e Russ Westbrook capazes de destruírem sozinhos marcações e esquemas defensivos inteiros:  nenhum time passa menos a bola do que OKC, e nenhum termina mais posses de bola através de isolações, segundo dados da Synergy Sports. Não existe um esquema complexo, jogadas bem desenhadas e decisões de alto QI de basquete envolvidas, e sim o talento sobre-humano de duas superestrelas.

Na maior parte do tempo, isso funciona porque Russ e KD são aliens e conseguem carregar nas costas o time rumo a um ataque top5. Mas isso não tem sido verdade em crunch time. Em um momento do jogo onde as defesas ficam mais ligadas e o ritmo diminui, o ataque de OKC se torna extremamente previsível, com as defesas sabendo o que o Thunder fará e ajustando de acordo: fechando o garrafão contra Westbrook e mandando marcações duplas contra Durant, despreocupadas com movimentações ou jogadas criativas e decisões em alta velocidade que podem fazê-los pagar por essas decisões. Faça isso contra o Spurs ou o Warriors e eles irão te tirar da zona de conforto com trocentas screens, movimentações, cortes e passes destinados a liberar suas estrelas e/ou conseguir arremessos de altos aproveitamentos para os role players, e se a defesa se comprometer demais com uma opção, a versatilidade e inteligência desses times imediatamente vai aproveitar os espaços deixados para atingir seus objetivos. O Thunder não tem esses elementos em alto nível no seu ataque ou nos seus jogadores, então eles se tornam previsíveis e dependem continuamente de Russ e KD fazendo jogadas individuais, só que agora com defesas muito mais atentas e preparadas especificamente para parar essas jogadas individuais.

Claro que Donovan - assim como Brooks antes dele - tem jogadas e variações específicas para serem usadas nessas situações, mas quando é algo que o time não está acostumado a fazer normalmente é muito difícil que eles executem em situações de pressão contra defesas mais atentas e bem montadas. Muito do basquete de hoje não depende de algo desenhado e sim da capacidade dos jogadores de tomarem decisões certas em alta velocidade, e isso é algo que é impossível de fazer só em momentos específicos, depende de repetições, treino e experiência. Donovan chegou com a esperança de mudar exatamente esse aspecto do seu predecessor, mas até agora, está difícil achar grandes diferenças nesse sentido. 

Por fim, existe outro grande problema em Oklahoma City, que é o elenco de apoio ao redor de suas duas estrelas. Na verdade, são dois problemas que acabam se influenciando e tendo um único resultado, que eu inclusive já citei em mais de um Hack a Cast: OKC tem muita dificuldade de achar um time ideal para usar no final dos jogos, justamente por causa dessa limitação do elenco. Desde que trocaram James Harden (não se preocupem, não vou bater nesse cavalo morto) o time não tem outra peça confiável capaz de criar o seu arremesso de forma consistente e eficiente, para ajudar a aliviar a pressão de Russ e West em crunch time (com a possível exceção de Reggie Jackson). Harden não só oferecia mais uma opção para criar jogadas com a qual a defesa precisava se preocupar - abrindo o espaço para os companheiros - como também era uma opção para desafogar o ataque quando a ação iniciaç de Russ ou KD estagnava. Se a defesa matava a jogada inicial, Harden era uma opção capaz de manter o fluxo do ataque, atacar espaços e manter o ataque em funcionamento, sem deixar a defesa voltar a se estabelecer. Mas desde sua saída, OKC não tem nenhum jogador capaz de fazer essa função. Quem cerca o Big Three de OKC hoje são role players com pouca variação ou repertório, ninguém que a defesa precise respeitar ou seja capaz de aproveitar as ações iniciais do ataque ou mesmo de manter o ataque funcionando. 

Isso leva ao segundo problema, que é o cobertor curto de opções do time. Qual é a melhor lineup para fechar jogos para OKC? Russ, KD e Ibaka são no brainers, mas quem mais? Waiters e Kanter tem uma chance melhor de desafogar o ataque e oferecer opções de pontuação, mas Waiters é ineficiente (40 FG%) e imprevisível, e ambos são enormes problemas defensivos que o adversário pode simplesmente atacar de novo e de novo até Donovan não ter opção senão tirá-los de quadra. As outras opções são jogadores defensivos como Adams ou Robertson, que não arremessam e podem ser ignorados ofensivamente, congestionando novamente assim o ataque. Não existe uma solução para essa questão no elenco de OKC hoje. Em uma NBA que cada vez mais valoriza jogadores versáteis com nenhuma falha que possa ser explorada, o Thunder simplesmente não tem jogadores assim o suficiente para cercar KD e Westbrook de forma eficiente. Cameron Payne provavelmente seria quem mais se aproxima disso no papel, mas o calouro claramente não tem a confiança do técnico ainda para ganhar minutos significativos. E esse é o grande problema que OKC enfrenta hoje: não adianta jogar de igual para igual ou até um pouco melhor do que seus principais adversários durante 43 minutos se o time não consegue manter o ritmo nos 5 minutos finais e continua entregando grandes vantagens. E apesar de tudo que se aplica sobre amostra pequena e adaptação, existem motivos legítimos para crer que essas dificuldades não são passageiras.

Com duas estrelas do nível de KD e Westbrook, talvez isso não importe - OKC tem condição de bater de frente com qualquer um com base no talento bruto de suas estrelas, e enquanto elas estiverem saudáveis, o Thunder será um candidato ao título. Mas em uma temporada com tanta competição no topo - e dois times em níveis históricos como Golden State e San Antonio - você quer apresentar o mínimo possível de fraquezas, e nesse momento, Oklahoma City tem uma significativa que começou a mostrar sua cara na pior hora possível. Isso não acaba com as chances de título da franquia, mas se continuar assim, elas diminuem consideravelmente. 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Hack a Cast - Conferência Oeste




Tem Hack a Cast novo no ar!!

Nessa edição, eu e o Vinicius Veiga continuamos nosso especial de duas partes e falamos da Conferência Oeste.

Falamos do momento do Warriors, da mudança que não é bem uma mudança do Spurs, da "pouca" atenção recebida pelo Thunder, os demais times de playoffs, e muito mais!! Confiram!!

Tabela de assuntos:

Minuto 2 – Warriors
Minuto 11 – Spurs
Minuto 26 – Thunder
Minuto 35 – Clippers
Minuto 43 – Rockets
Minuto 53 – Mavericks
Minuto 58 – Grizzlies
1h2 – Jazz
1h7 – Kings
1h14 – Blazers
1h19 – Nuggets
1h23 – Pelicans
1h27 – Suns
1h30 – Wolves
1h41 – Lakers

A coluna sobre o Warriors citada no podcast, da Revista Timeout Brasil, pode ser encontrada aqui

(Se você veio atrás do meu Team All-Two Minute Warning da NFL, é só clicar aqui!)


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Hack a Cast #6 - Free Agency, Parte II




O Two-Minute Warning vai sortear dois exemplares da recém-lançada versão brasileira do livro Moneyball!! Conheça nossa promoção e concorra você também a dois exemplares de um dos livros esportivos mais importantes dos últimos anos!!

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E ta saindo do forno mais um Hack a Cast!!

Nessa nova edição, eu e o Vinicius falamos sobre o que sobrou da Free Agency: LaMarcus Aldridge no Spurs, a novela envolvendo DeAndre Jordan, a recuperação do Mavericks, o contrato absurdo do Enes Kanter, as mais recentes contratações da offseason, os melhores e piores contratos, e respondemos às perguntas dos ouvintes. Confiram!!



quinta-feira, 9 de abril de 2015

What if the Entertaining as Hell Tournament was real?

Westbrook or Davis in the playoffs? Why not possibly both?


One of my favorite NBA ideas of all time was the creation of what Bill Simmons once called the "Entertaining as Hell Tournament". Simmons' idea was simple, but awesome: instead of giving the 8 best seeded teams in each conference their playoffs spots (like it's done today), only the 7 best seeded teams in each conference would guarantee their place in the postseason. The remaining 16 teams would play in a single-game, March Madness-style tournament, with the two finalists of the EAHT earning playoff berths (as the two 8th seeds), plus the tournament champion would get the chance to pick in which "side" of the playoffs bracket (Eastern or Western conference) he would like to join. 

I love this idea because, despite some logistic problems and the NBA stubbornness to think outside the box, it brings so much good things to the table. 

First of all, it would be ridiculously fun. Every team would go at the games with everything they got, since every match will be a playoff game. A talented-but-troubled team could ride a few great games from a star player and favorable matchups all the way to the playoffs, looking awesome in the process, and gaining some positive media attention - imagine, say, the Kings going to the playoffs by winning three straight games with Boogie averaging a 36-14-6, after such an unhappy season. Wouldn't it be awesome?

Besides, for the EAHT idea to work, the NBA could chop off the last 10 games of the season to make way for the tournament. That's usually the most boring and less interesting part of the season, so now the league can replace these mostly meaningless games with April Madness, while the best teams get a week off to rest their players and prepare for their 1st round series. 

Second, it would discourage tanking. It would still exist, of course, but now every team has a real chance of going to the playoffs by season's end. Teams can't give up mid-season and tear down their roster without significantly damaging their playoffs chances, and their relationship with their fans in the process. And if, say, LeBron goes down with an season-ending injury in January, any team would see an opportunity in the East to make the Finals, and many teams on the West that would not sniff the playoffs in the current format (think Nuggets or even Kings) may think about a go-for-it in-season trade knowing they would have a chance to join the East as a #8 seed and do some damage there. The NBA could even guarantee the two 8th seeds some ping-pong lottery balls on a more balanced odds lottery - no sure-fire playoffs team would risk losing to play in the EAHT for a lottery opportunity knowing that a bad game could end their season, and the average teams would have a chance to make the playoffs AND still maintain a chance at a high pick, increasing their incentives to be competitive.

Third, it would reward good teams by the season's end. A good team that lost many games earlier thanks to an unfortunate injury (think Thunder or Pacers) now have a bigger chance of making the playoffs with their stars healthy (and even stop teams from rushing back injured players, since the damage of lost games is now smaller). The same for teams that make go-for-it midseason trades, or hit their stride latter in the season. Think Utah, a team that since the All-Star Game (and the Kanter trade) is 16-8 with the league's best defense and fifth-best net rating. Utah deserves a playoff spot, and could compete in the East with some luck. They deserve to be rewarded for this, and it's not their fault they play in the West (they have the same record as the Eastern #8 seed, Boston, despite a tougher schedule). It would also reward the strongest conferences, since the West now has a chance to have 9 teams in the playoffs.

And last but not least (but maybe more subjective), you give young NBA players high-stakes, high-pressure games every season. This could be a valuable experience for young players and coaches, and something that players that spent their formative years in bad, rebuilding teams don't get the chance to experience until latter in their careers. Could be important in terms of player development. And, of course, it would be incredibly fun, too. Did I mention that already? I didn't, did I?

So that's the Entertaining as Hell Tournament that Bill Simmons once created, and my #1 NBA idea that should happen even though it never will.

And it got me thinking... how would such a tournament work in the NBA today? Like, if Adam Silver decided today he wanted this tournament for the 2015 NBA season, how would it turn out?

(Quick note: this column was written on April 8th, but wasn't published until one day latter. Hence the not-so-up-to-date standings or statistics)

So let's start by assuming that the gap in quality between both conferences is a motivation, and therefore there won't be any discrimination between teams that play in the West or in the East, such as their current seed. The tournament seeding will be by record only, and then by the same tie breaking procedures the NBA uses (head-to-head matchup, then conference record). So that's how the seeding would turn out using NBA's standings as of today (04/08):



With Boston ahead of Utah because of a 2-0 edge in the season series.

There is one small problem with this seeding because some teams played a different number of games than others. Oklahoma City played one more game than New Orleans, for instance. This one is mostly irrelevant because the Pelicans hold the tiebreaker here, but could hold implications for the #4-#7 seeds. Miami has one more loss in one more game than Utah and Boston, but holds the tiebreaker over both (3-1 season series with Boston, more conference wins than Utah). I'm ignoring this and using the records as they are today because it's easier than to create complicated rules for this kind of scenario. If you were to simply dismiss Miami's last game (a win against the Hornets), then they would drop to #7 with Indiana climbing to #6 because of their 3-1 season record against Miami. Maybe it's a fair solution, maybe it's not. You can come up with your own if you want. I'm sticking with the current standings. 

So this is how our Entertaining as Hell Tournament shaped out. Just a remind: every matchup will be a one-game series, with the higher seed holding home-court advantage (as a reward for their better record during the season, of course), and the tournament will start right away (so teams with injured players wouldn't have them back).




A lot of interconference games to start this tournament - only Thunder vs Wolves and Hornets vs Pistons don't follow the norm. Still, we have a very interesting rivalry game between Celtics and Lakers in the first round (yet another reason to have this tournament), and at least five (Lakers, Kings, Magic 76ers, Pistons) underdogs have a streaking player capable of swinging the result of a single game. 

The only thing that's left to do here is to determine who would win the EAHT, and who would qualify to the playoffs in this format. Of course, we will never know the answer to that - the NCAA is there to remind us of how stupid it is trying to predict the result of single-game eliminations in basketball. The only way we can know the answer is having the damn tournament to find out. Still, we can have some fun with it. So I asked a couple of friends - including Vinicius Veiga, from Spiballnet, and the great Denis Botana, from Bola Presa (hands down the best Brazilian NBA blog) - to help me decide the winner of every matchup of the Entertaining as Hell Tournament, until we have our champion and two 8th seeds.

But please, remember this is just a fun exercise based on the real hypothetical (yes, I know this is contradictory, just go with it) matchups. I don't hate your team just because I had them being upset or not earning a playoff spot. Don't take this too seriously, first because it ruins the fun of it, and second because it's stupid trying to pretend we know what would happened if these teams played a one-game series against each other. Just have fun.

Before we start, just a couple thoughts. I see at least eight different teams in this tournament with a real chance of a playoff berth, a number that could stretch to 11 depending on how you feel about Magic (can't see them winning three straight away from home against their very tough bracket), Pistons and Nuggets. The left side of the bracket is much stronger than the right side, where the best seeded teams are flawed and amid some very bad sequences, some of them dealing with multiple injuries, what opens up possibilities for the weaker teams and prevent us from having the Pelicans and the Jazz (probably the two best teams in the EAHT) both in the playoffs. That's life, I guess. Although it's a bad sign I'm mad at my own hypothetical bracket before we even start. 

Sweet Sixteen

On second thought, we need a different name for the rounds, right? Since I'm sure there is a law that makes it obligatory to have repeating first letters, we can call it Super Sixt... ok, sounds awful. Special Sixteen? Oh, I got it - Slaughter Sixteen! I mean, we have the Knicks and the Lakers playing in it!

Still awful? Ok, I give up.

#1 Pelicans over #16 Knicks

Yes, right, like this one WASN'T the most obvious pick in the tournament. The Knicks are by far the worst team in the tournament, with the worst net rating in the league.


#2 Thunder over #15 Timberwolves

The Thunder are a mess right now, but the Wolves have been a mess since day one. Not totally their fault, and it's much better for them to get a high draft pick than a #10 spot in the West. So that's not a bad thing. Only if you want to win in April Madness. There are not 15 NBA players I'd rather have in my team for the future than Andrew Wiggins, but the rookie phenom won't save the Wolves here, specially away from home and with so many injuries.


#14 Sixers over #3 Suns

Our first upset! This IS a March Madness-style tournament, after all. I know the Suns are the better team here, but they have been AWFUL recently (-5.6 net rating over their last 10 games with the league's second-worst offense), and the Sixers do have a Top11 defense. Nerlens Noel has been very hot over his last 23 games (14-10 with 2.1 steals and 2.1 blocks), and the Sixers have been really bothered by all this tanking talk all season. They will enter the tournament to prove doubters (and maybe even their own GM) wrong. I expect an ugly, low-scoring game, and I think the Sixers can pull off an upset like this. I would pick the Suns in a 7 game series, sure, but since this is a one game series, I think this is a major upset candidate.


#4 Celtics over #13 Lakers

Even if it's in a bad season and for EAHT, the Celtics and the Lakers are still NBA's greatest rivalry, and the Garden would be incredibly loud for this game. The Celtics have embraced their playoff chase this season, they have two great defenders (Smart and Bradley) to throw at the Lakers' only dangerous player (Clarkson), and... they are playing a team that isolated Jordan Hill 85 times this season, for Bird's sake!


#5 Jazz over #12 Magic

The Jazz may be the tournament best team right now. They have the NBA's best defense since the All-Star Break, the 5th best Net Rating, and two of the season's five best rim protectors (Gobert and Favors. And yes, they traded the worst - Enes Kanter - soon after the ASG). I like Orlando's backcourt, but they have the fifth worst offense in the league, Nikola Vucevic would be eaten alive by Gobert, and there is no way then can score consistently against this great defense. A tough draw for the Magic.


#11 Kings over #6 Heat

Fully healthy, I think the Heat might have been a title contender with a fantastic starting lineup (on paper, anyway). But that's not the case, and as Spolestra can't find real, healthy players to use, the Heat have been truly awful over the last couple weeks. Sacramento has rallied a little under George Karl, and DeMarcus Cousins would be the best player in this game. Rudy Gay - coming off a strong season - would also be a factor. Besides, it would be Cousins' - one of the league's 10 best players - first true "high stakes", near-playoff game. He would be unstoppable. Like, 40-20 unstoppable against Miami's thin front court. 


#7 Pacers over #10 Nuggets

The Nuggets just want to go to the offseason, find themselves a good coach, reload in a good draft, and that's it. The Pacers have Paul George back, George Hill is playing great, and they have done whatever they can to keep competitive in this season despite a very bad roster. They are hungrier, and they know they have the better team here if they can have at least 50% of Paul George in the game. As for the Nuggets... One, two, three, ONE MORE GAME!


#9 Pistons over #8 Hornets

Both teams are bad, but I don't think the Hornets could survive Al Jefferson's injury and still be able to score. Meanwhile, the Pistons have been surprisingly decent since Greg Monroe's injury, with Drummond averaging a 17-15 since Monroe went down. I love Michael Kidd-Gilchrist, but the Hornets don't have anyone to bang with Drummond on the block or stop him on pick and rolls. It's still a toss-up - I actually think the Hornets have a more talented team - but it's a bad matchup without Al, and the Pistons have been better recently.


So we have New Orleans, Oklahoma City, Philadelphia, Boston, Utah, Sacramento, Indiana and Detroit advancing to the next round.


Elite Eight

Don't worry, I will not try to come up with a better name for this round. I stopped at Entertaining Eight. 


#1 Pelicans over #9 Pistons

Anthony Davis continues his coming-out party against a team without any player capable of slowing him down. Drummond can't stop Davis on the perimeter (and would rob Detroit of it's only shot blocker), and Davis has become a MUCH better passer as the season goes along, using the extra attention he commands to find open teammates and keep the offense moving. Last time they played, Davis had a 39-13 with 8 blocks, and that was with Monroe healthy. The Pelicans are simply the better team here, with the best player and home-court advantage.


#2 Thunder over #7 Pacers

This is another major upset candidate, given now poorly OKC has been playing of late. I might have gone with Indiana... if I knew exactly how healthy Paul George is. A healthy Paul George could swing this match, but he only played once and in limited minutes this season. Can he play at 50%? 60%? I don't know, and this bothers me. Indiana also cooled down a bit recently - a 6-game losing streak following their 7-game winning streak, before a 4-3 stretch - and would need more from Paul George than I'm ready to expect if they are going to top Westbrook and the Thunder in one of NBA's most hostile arenas. It would be an ugly, close game, but I think OKC comes out on top despite everything.


#5 Jazz over #4 Celtics

The Celtics are ok, an above-average squad (+0.5 Net Rating) since acquiring Isaiah Thomas, and Brad Stevens is one of the best coaches in the NBA (despite not getting enough credit). They are frisky, and can be surprisingly good when they are clicking. But the Jazz are simply better right now. Their offense is irregular, but the defense is suffocating. I like this Boston team, but they are a liiiiiittle too irregular for my taste, while Utah has been a lot more consistent this past month and a half. In a life-or-death game, this consistency - combined with a higher floor - is important to me.


#11 Kings over #14 Sixers

Another argument to the "Boogie Cousins is freaking good!" camp. The Sixers are happy they proved their value, and don't have the talent to go further in this tournament following their first upset. Meanwhile, Boogie is going to rip through the Sixers Top11 defense like a tornado because that's what he does most of the time. Part of me wonders if Boogie is sightly underrated because he never played for a good team or in spotlight games. This tournament could be the best thing that happened to him.


So the Kings go to Oklahoma City to face the Thunder, while the Pelicans face the mighty Jazz at their own grounds. I like it.


Final Four

Fabulous Four! Freaking Four! Effing Four! More options to chose from now (Fantastic Four is copyrighted, unfortunately).


#1 Pelicans over #5 Jazz

I honestly believe Utah is the better team, and in a longer series, I probably would ride with the Jazz. But in a single elimination game, played in front of an insane New Orleans crowd, I think the Pelicans have a higher potential. They have the best player in the tournament, and for a small-sample series, the Utah point guard problem scares me a little. I like Exum, but he's not ready yet, and Davis can block Trey Burke's layups all game long. Can they find enough offense to win this game? They might have to depend a little too much on Hayward for this. And if the PG  thing becomes a problem for Utah, the Pelicans can stretch the floor by playing Davis and Ryan Anderson, confident that the Jazz can't make them pay defensively, while robbing the Jazz of their biggest strength (rim protection). For a single match played in New Orleans, I think the Pelicans survive because of Davis, bigger flexibility and a favorable matchup, plus that home field advantage. But it's close, and I'm still pissed that the two best teams in the tournament faced each other before the Final.


#11 Kings over #2 Thunder

The Kings have improved under George Karl, and are playing even better of late. But honestly, the main issue here is how the Thunder are currently playing. They don't have Durant or Ibaka, and their defense has been genuinely atrocious (5th worst since the All Star Game, and 2nd worst since Ibaka went down). And maybe more problematic, after playing like 50 games in 6th gear with the intensity of a mother trying to rescue his newborn baby from a house on fire, Russell Westbrook is finally starting to wear down. For his last 11 games, he's averaging 5 turnovers a game, and shooting 35%. OKC have the league's seventh worst net rating in the league over that span, with the worst defense. That's very bad. I still think Westbrook could win this game by himself, but he slowed down to some degree over the last couple games (I don't blame him. No matter how much of a physical freak you are, no one is supposed to play with Russell's intensity of the season for 50+ games), and Cousins would once again feast on Enes Kanter all night. I'm going with the upset here, mostly because of how bad the Thunder has been recently.

(Denis adds: "I'll pick the Kings, too, unless Steven Adams can get Boogie to punch him in the face and be ejected")


So our two 8th seeds are the Pelicans and the Kings. But there is one last step...

The Final

#1 Pelicans over #11 Kings

The Pelicans are the better team, and they play at home. They also beat Sacramento twice over the last 11 games by combined 20 points. 


And so, our two final playoff teams are the Pelicans and the Kings. The Pelicans would probably choose to play in the East, facing a very good Atlanta team in a bit of turmoil (Scott and Paul Millsap are injured, Sefolosha and Antic were arrested and no one know their status for the near future) with some hope to make a deep playoff run (their goal all along and what caused them to trade their last three 1st round draft picks - Nerlens Noel, Elfrid Payton and one to be defined in 2016). They would not be favorites, but would have a better chance at a deep ruin than if they played in the West. Meanwhile, the Kings are just happy to be there - they had a hellish season (most of it is their own fault, but still), changed coaches twice, and made a lot of stupid stuff under the objetive of going to the postseason. And now they did, thanks to a very favorable bracket - facing the injury-plagued Miami first, then the bad Sixers, and then another injury-plagued team that's playing it's worse basketball of the season. And that's life in the NBA - you need a little luck at the right time, and that's it. 

And so comes to an end our Entertaining as Hell Tournament. Not only it was pretty fun, but Davis and Boogie (two Top10 players trapped in mediocre teams) had a chance to shine on the big stage and won their first career playoff berths. The Eastern Conference Playoffs also got a lot more interesting now. Davis takes home our Shareef Abdur-Rahim EAHT MVP Trophy (major props if you got that reference), too. 

So we just had an incredibly entertaining 10 days of tournament, and now we are getting ready for our first round series, Kings-Warriors and Pelicans-Hawks, among others. The main contenders had a break to rest their players and plan for their matchups. Boogie and Davis took their teams to the playoffs, but not by much - OKC and Jazz came really close to grabbing those last spots, two deserving teams. And in the end, made basketball more fun. That's the main objective of the game, after all.

So this hypothetical tournament is done, and now I ask: wouldn't it be awesome if it were a real thing? Wouldn't you watch as many games as you could (ok, at least starting in the Elite Eight), made "April Madness!" caps locked references on twitter, and felt incredibly satisfied as a build up to the playoffs? I'm pretty I would. 


Special thanks to Carlos Leite for designing the tournament bracket! 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

30 perguntas sobre 30 times da NBA

"Calma gente, estão fazendo muitos pontos, tem que fazer menos!"


As primeiras duas semanas de NBA estão agora ano passado. Cada time jogou entre seis e nove jogos, e embora ainda esteja tudo muito longe de onde estará ao final do ano, é possível dizer que a temporada começa a tomar forma. Muita coisa ainda vai acontecer, e não podemos levar o que aprendemos nesses primeiros jogos como sendo definitivos para essas equipes... mas ao mesmo tempo, já vimos o suficiente para começar a questionar, analisar e especular.

Cada um dos 30 times da NBA entrou na temporada com um objetivo, uma situação previamente criada pelos seus investimentos e decisões. Ainda não é possível tirar nenhuma conclusão sobre se alcançarão ou não seus objetivos, mas podemos ver como o começo de temporada de cada time se adequava ou não ao que tinham em mente quinze dias atrás.

E é o que faremos. Uma pergunta para cada time, que mostre o momento atual da equipe. Pode ser uma dúvida legítima do que a equipe vai fazer, algo que mostre uma diferença entre o que está acontecendo e o que era previsto, uma pergunta retórica, ou só mais uma forma de zoar o Lakers. Em geral, tentarei fazer disso algo construtivo. Ainda assim, tenham em mente que a amostra é pequena ainda, e que é menos uma conclusão que estamos tirando e mais uma comparação entre o momento atual no começo de temporada e a expectativa um mês atrás.

Então sem mais de longas, vamos ver o que temos aqui: 30 perguntas para os 30 times da NBA.

(Notas: os times estão ordenados por ordem alfabética. As estatísticas abaixo vieram de Basketball-Reference, NBA Stats, ou Synergy Sports. Algumas das entradas foram escritas nos últimos dias e talvez não estejam totalmente atualizados alguns dados.).


Atlanta Hawks

Até quando Atlanta vai continuar se contentando com o meio da tabela?

Desde 2008, o Atlanta Hawks foi aos playoffs em cada temporada da NBA que disputou, nunca vencendo menos do que 37 jogos nesse período. Uma consistência impressionante. Por outro lado, o time só passou três vezes da primeira rodada, nunca chegou a uma final de conferência, e nunca venceu mais do que 53 jogos em uma dessas temporadas.

Essa tem sido a marca do Hawks nos últimos muito anos (especialmente desde que passou Chris Paul para pegar Marvin Williams - sou obrigado por contrato a lembrar disso): mediocridade consistente. Um time bom o suficiente para consistentemente chegar aos playoffs, mas nunca bom o suficiente para disputar títulos, nem ruim o suficiente para conseguir boas escolhas de Draft e reforçar a equipe para dar esse próximo passo. Para piorar, a folha salarial do time estava entupida demais, tirando toda flexibilidade. Em geral, essa é a pior situação para se encontrar na NBA, preso no meio da tabela, sem brigar pela parte de cima, nem ter oportunidades de dar o salto. Ainda assim, o Hawks era um time que parecia confortável nessa situação, se contentando com esses pequenos sucessos.

Mesmo com a chegada de Danny Ferry e uma mudança na diretriz do time - trocando o contrato caro de Joe Johnson e deixando Josh Smith ir embora, limpando assim boa parte da folha salarial - o resultado parece ser o mesmo. Um time um pouco acima da média, com uma identidade (no caso, muita movimentação de bola e 3pt shooting) definida e que está bem posicionado para vencer alguns jogos e ir aos playoffs, mas não para ameaçar um título. De novo o Hawks se encontra na mesma situação.

Até quando? Ninguém sabe. Depende do quanto a diretoria e os donos do time (agora provavelmente novos donos) estiverem satisfeitos com esse padrão. Também é difícil ver qual seria o caminho para o Hawks sair disso. O time não tem grandes ativos de troca para trazer uma estrela, e a folha salarial não está tão aberta assim - Atlanta está algo como 14M abaixo do cap em salários comprometidos para 2015/16, e isso envolveria perder DeMarre Carroll e Millsap, dois jogadores importantes na equipe. E mesmo se conseguissem o espaço salarial necessário, Atlanta não é um destino atraente para free agents - a história recente diz que jogadores não tem tanto interesse em jogar lá, que não gostam da torcida pouco vibrante e da cidade sem sal (o que não deve melhorar depois dos casos recentes de "racismo" dentro do Hawks, embora tenham sido em boa parte distorcidos e tirados de contexto). Não tem uma janela para o Hawks dar um salto para "competindo pelo título" tão cedo.

A alternativa seria trocar seus ativos e reconstruir, mas voltar a perder não parece ser uma opção que agrade a diretoria da franquia. Por enquanto, Atlanta parece que vai continuar insistindo na sua abordagem de meio de tabela. Até quando?


Boston Celtics

O que fazer com Rajon Rondo?

Ninguém sabe. A estrela de Boston começou bem a temporada (9-11-8 com excelente defesa) antes de se machucar de novo, sentindo os efeitos da cirurgia na mão. Não é como se seu valor de troca estivesse altíssimo, mas está bom o suficiente.

O problema é que tem muitos fatores influenciando nessa decisão. Rondo é um free agent ao final da temporada, então corre o risco dele sair de Boston por nada. Ao mesmo tempo, o Celtics tem o calouro Marcus Smart para assumir a posição de armador principal, sem falar no emergente Phil Pressey, e uma troca de Rondo abriria espaço para ambos. E, claro, trocar Rondo permitiria ao Celtics entrar um pouco mais forte em modo de tank nessa temporada em busca de outra boa escolha de Draft. 

Por outro lado, o Celtics não vai trocar Rondo só por trocar, se achar que o retorno não está a altura. A equipe não está tão interessada em uma reconstrução demorada, e os lineups com o trio Rondo-Bradley-Smart tem sido extremamente divertidos de assistir mesmo em uma amostra pequena (e colocando 118 pontos por 100 posses de bola. Isso também). Com Rondo, o Celtics sabe que pode brigar pelos playoffs no Leste, e é provável que a diretoria veja isso como uma opção melhor do que trocar Rondo por migalhas.

Então é uma decisão difícil. Eu acho que vai depender se o Celtics conseguir ou não uma boa oferta - talvez uma oferta McLemore + 1st round pick do Kings, ou um pacote envolvendo Shumpert, um expirante e escolhas de Draft do Knicks - porque a chance do time trocá-lo por 60 centavos no dólar é quase nula. Se essas ofertas se materializarão é outra história, e por enquanto, o Celtics vai mantendo sua estrela e sendo discretamente competitivo no fraco Leste. 


Brooklyn Nets

O que aconteceria se o time fosse realmente vendido?

Dentro de quadra, o Nets é um time que depende demais da saúde de jogadores frágeis como Brook Lopez e Deron Williams. Eles criaram uma identidade como um time de small ball desde o ano passado, e agora tem novos arremessadores para brincar com isso. É um time sólido o suficiente quando inteiro para causar problemas, mas acho que não tira o sono de ninguém no Leste.

A grande sombra pairando sobre o time no momento é uma possível troca de dono da franquia. O dono do Nets, Mikhael Prokhorov, aparentemente cansou de gastar milhões de dólares em um time que ele não se importa, e aparentemente colocou o time a venda. E caso a venda se concretize, isso provavelmente vai repercutir MUITO mal dentro de campo.

Por que, você pergunta? Porque o Nets de hoje é uma máquina de perder dinheiro. Esse ano o Nets está quase 20M acima da LUXURY TAX (não do salary cap - do luxury tax), o que significa que só de multa o Nets está pagando mais do que times da NBA pelo seu time inteiro em salários. Isso foi possível por Prokhorov não liga a mínima para pagar milhões, mas isso muito provavelmente vai mudar com seu próximo dono. Brooklyn é um mercado grande, mas existe uma diferença brutal entre pagar a luxury tax com parcimônia em casos específicos, e o que o Nets ta fazendo. Isso significa que uma troca de comando provavelmente significaria uma mudança brutal em quadra, provavelmente um corte desesperado de custos para tentar evitar perder essas somas impossíveis de dinheiro. O time se desmontaria, e sem boas perspectivas de futuro: Nets depende muito hoje de jogadores caros frágeis (Williams e Lopez) ou veteranos no final de suas carreiras (Garnett, Joe Johnson), e não tem escolhas de Draft interessantes graças aquela troca com Boston. A perspectiva de futuro não é das melhores a não ser que de alguma forma o novo dono consiga se livrar de Williams/Lopez em troca de bons ativos futuros (improvável).

É um peso complicado de se ter sobre sua cabeça. Esse provável (não certo, mas provável) cenário em caso da venda do time é suficiente para acabar com a competitividade do time no médio prazo, e é difícil dizer com que urgência isso tudo aconteceria (danificando o curto prazo). E no fundo, é a pergunta mais critica nesse momento para Brooklyn.


Charlotte Hornets

Lance Stephenson conseguirá acender o ataque do Hornets?

Ano passado, a principal força do Hornets foi sua defesa, que terminou o ano como a sexta que menos cedia pontos por posse de bola. O ataque, por outro lado, estava horrível, o sétimo pior do ano e sem dúvida o fator limitante da equipe. Mesmo considerando que alguma regressão defensiva era esperada para 2015 - em parte regressão natural, dada a falta de grandes defensores na equipe, e principalmente o fato de Marvin Williams ser o PF titular a equipe - a grande aquisição de Charlotte para a temporada foi uma destinada a acender seu dormente ataque: Lance Stephenson, um criativo jogador capaz de jogar em velocidade e a partir do drible.

Até agora... nada feito. A defesa caiu um pouco (a décima desse começo de temporada), mas o ataque conseguiu piorar ainda mais, sendo apenas o quinto até agora na liga, colocando 98 pontos por 100 posses de bola, uma marca que seria a segunda pior de 2014. Tem vários motivos para isso: Al Jefferson não começou tão bem a temporada, Marvin Williams tem sido um fracasso jogando de PF titular, o time sente falta dos passes de Josh McBob. Mas a verdade é que isso não era o que o Hornets tinha em mente quando trouxe Stephenson, que também está bastante mal no começo de temporada: 9 pontos, 5 assistências (e 11 rebotes, o que é bizarro) enquanto chuta 33% e 19% de três.

Quando Stephenson chegou, a expectativa de muitos (inclusive a minha) era de que ele teria um papel semelhante ao que fazia no Pacers, jogando muitos minutos comandando lineups com jogadores de banco, jogando com liberdade e puxando contra ataques. Isso não tem acontecido até aqui, o que me faz pensar que ele está sendo um pouco mal usado. Steve Clifford não é um técnico que goste muito de jogar em transição - Charlotte terminou 2014 como o sexto ataque que menos pontuava em transição, com 10.2 pontos por jogo. Mas é em transição que Stephenson era mais destrutivo, e eu imaginava que sua presença iria fazer Clifford soltar mais o time em velocidade para aproveitar essa característica. Até agora, não foi o caso: o Bobcats caiu para 8.4 pontos em transição por jogo, terceira pior marca da NBA. Não é a melhor forma de utilizar os talentos de sua nova contratação.

E também tem o seguinte: o trio Kemba-Lance-Al não tem funcionado até aqui. E faz sentido: Kemba e Stephenson não são bons chutadores de fora, o que dificulta as infiltrações e os post ups de Al, e tem bola de menos para os três jogarem juntos. Tanto Kemba como Stephenson gostam de jogar como ballhandlers dominantes, e Al é um jogador que também gosta de ocupar seu tempo de costas para a cesta. Com esses três juntos você acaba desperdiçando o lado bom dos três até certo ponto, não aproveitando cada um ao máximo. E os resultados tem sido desastrosos - com o trio em quadra junto, o Hornets tem saldo de -4.8 pontos por 100 posses de bola. Eu achei, antes da temporada, que a solução de Clifford seria usar Stephenson em lineups com muitos jogadores vindos do banco, onde ele poderia jogar com a bola nas mãos e correr em transição a vontade, mas também não tem acontecido: das seis lineups que o Bobcats mais usou até aqui das quais Stephenson fez parte, CINCO delas são junto de Kemba e Big Al. De novo, não a melhor forma de utilizar seus talentos.

O Bobcats parecia um candidato a dar um salto em 2015, mas até agora não aconteceu. Tem sido uma grande decepção, e o ataque e Stephenson são dois dos principais motivos.


Chicago Bulls

Existe alguma chance de Derrick Rose ficar saudável?

Eu sei, eu sei, é o "e se?" mais comentado da história recente da NBA. Mas não tem como escapar. Essa é a pedra sob a qual se sustenta toda a temporada do Bulls.

O Leste está mais aberto e vulnerável do que nunca em 2015. Os dois times que mais renderam nesse começo de ano fora Chicago são Raptors e Heat (#5 e #8 em rating), mas o Raptors ainda precisa se provar na NBA, e Miami ainda está tentando se achar depois de grandes mudanças no seu time. O Cavs, que deveria ser o grande juggernault do Leste, ainda está nas difíceis fases de aprendizado e não deu mostras de que pode vir a ser uma superpotência ainda. Washington ainda é um pouco incógnita. E o Bulls tem a chance de enfim voltar as Finais pela primeira vez desde Jordan em meio a um enorme buraco no Leste, atrás de um ataque surpreendentemente ativo e um banco reforçado, especialmente se a defesa voltar ao seu nível de sempre depois de um começo decepcionante.

O problema é que, não importa o quanto reforcem o banco e melhores o time, o Bulls não vai a lugar algum se Derrick Rose não estiver saudável. E claro, Rose já perdeu metade dos jogos da equipe por diferentes lesões. Nenhuma é séria, aparentemente, nem recorrente. Ainda assim, para um jogador que perdeu praticamente três anos da sua carreira para lesões e que precisa mostrar que é capaz de permanecer em quadra, esse não é o começo ideal. Não é possível contar com o Bulls como favoritos sem Derrick Rose, e infelizmente, nesse momento, o ex-MVP não está passando confiança. É verdade que o que importa é como chegará em Abril, mas primeiro ele precisa passar quatro jogos saudáveis jogando em alto nível. Ainda não fez isso.


Cleveland Cavaliers

É possível o Cavaliers montar uma defesa boa o suficiente para competir pelo título?

Eu já fiz um post inteiro dando exemplos para ilustrar alguns dos principais problemas da defesa de Cleveland nesse começo de ano, uma defesa que atualmente é a segunda pior da NBA cedendo 110.1 pontos a cada 100 posses de bola. Graças a isso, Cleveland tem um saldo de -3.6/100 posses que colocaria a equipe como a oitava pior da NBA. Então vocês podem ler essa coluna para alguns detalhes, embora tenha saído já faz algum tempo, ela continua bastante atual.

O Cavs tem um enorme potencial por causa do puro talento do time, especialmente no ataque, mas é dificilimo na NBA ser campeão sem uma defesa pelo menos decente. E o Cavs não tem isso agora, nem perto. E embora alguém possa dizer que isso virá com o tempo e com entrosamento, ainda existe um risco grande simplesmente porque o time não tem bons defensores! LeBron foi mal defensivamente em 2014 (e ganhou um All-NBA Defensive Team, porque claro que sim) e piorou em 2015, principalmente porque parece desinteressado; Kyrie Irving e Dion Waiters são dois dos piores defensores vivos; Kevin Love nunca foi um bom defensor e sempre pareceu mais interessado nos rebotes; Shawn Marion está velho; e Varejão é o único defensor acima da média, mas não é Apex Dwight Howard para sozinho ancorar uma defesa. A má defesa de Cleveland não é fruto de um sistema ruim ou de falta de entrosamento, até aqui ela parece ser um bando de maus defensores cometendo erros e não tendo ninguém para lhes cobrir as falhas. Isso é um problema.

Se o Cavs quer ser um candidato ao título, então ele precisa arrumar essa defesa para ser pelo menos decente. E eu tenho minhas dúvidas se isso será possível com o elenco atual, sem uma troca por um protetor de aro ou defensor de perímetro. 


Dallas Mavericks

Pode o Mavs voltar a jogar boa defesa ao redor de Tyson Chandler?

É, eu sei, é quase a mesma pergunta do Cavs. Mas a questão é que o Mavericks, hoje, é o Cavs mais avançado em seu processo de montagem. Eles tem hoje o que era o objetivo do Cavs, ou seja, o melhor ataque da NBA - 112.3 pontos por 100 posses de bola. E também tinham uma defesa bastante fraca, sétima pior da liga, o que despencava bastante seu saldo total - +4.9, apenas oitavo melhor da temporada (esses dois números já inflaram muito hoje por causa da ridícula vitória por 124 a 70 contra um patético time do Sixers, mas vamos fingir que esse jogo não existiu). Se você perguntasse pra alguem do Cavs se eles gostariam de ter o melhor ataque e a sétima pior defesa, todos eles responderiam "SIM!" antes que você terminasse de falar. Então hoje pra mim o Mavs é o Cavs Beta.

Eu estou convencido de que, desde que tenha Dirk Nowitzki, Rick Carlisle conseguiria montar um ataque Top5 comigo de PG, o Vinicius de SF e a Alinne Moraes de C. Ele é ridiculamente bom nisso, e Dallas terminou como o segundo melhor ataque de 2014, e o melhor pós-All Star Break. Com Dirk e Carlisle, Dallas terá um bom ataque sempre. A defesa? Esse é um problema maior. Assim como o Cavs, o time conta com muitos defensores individuais fracos, mas o "trunfo" do Mavs era a presença de Tyson Chandler. Ainda que agora mais velho, Apex Chandler era um dos melhores defensores da NBA e alguém capaz de ancorar sozinho uma boa defesa (ver: 2011), e a esperança do time era que Carlisle conseguiria usar sua presença para montar um grupo pelo menos respeitável.

Ainda não aconteceu. Dificilmente Dallas terá uma defesa Top5, mas com um ataque que coloca pontos no ritmo que o seu coloca, simplesmente uma defesa acima da média pode ser suficiente para colocar a equipe como uma concorrente ao título. Carlisle e Chandler já fizeram antes, e não tem técnico na NBA melhor que Rick fazendo pequenos ajustes. Mas é o obstáculo no caminho do time.


Denver Nuggets

O Nuggets conseguirá enfim boas trocas usando seus ativos?

O elenco do Nuggets não faz nenhum sentido faz dois anos. Ele tem bons jogadores, sem dúvida, mas que juntos não encaixam desde que George Karl e Masai Uriji saíram da cidade. Jogadores de perímetros de mais, nenhum bom defensor no time inteiro (tirando Afflalo), jogadores de garrafão que, a exceção talvez de Kennett Faried, não possuem nível para serem titulares na NBA. Ainda assim, lá está o Nuggets escalando um time com esses jogadores, um garrafão fraco sem ninguém que proteja o aro, jogue de costas para a cesta ou arremesse de fora, com vários jogadores de perímetros precisando de minutos, ninguém defendendo e em geral não se encaixando de nenhuma maneira. Não a toa o Nuggets esta 1-5 e começa o ano como um dos piores times da liga.

Eu não acho que Denver seja tão ruim assim, mas de todo modo, o que eles tem agora em quadra não é um time de basquete competente. Na verdade, o elenco do Nuggets me parece mais um mural de trocas, vários ativos de troca interessantes, mas que juntos não formam um bom time. O que é até estranho, considerando o quanto o Nuggets não tem feito muitas trocas ultimamente. Denver no momento não é um candidato a título nem um eterno candidato a playoffs como era com Karl, e tampouco tem um elenco jovem e promissor no curto prazo. O melhor que Denver tem a fazer é transformar o que tem nas mãos em jogadores jovens e escolhas de Draft e se preparar para o futuro.

Wilson Chandler, Aaron Afflalo, JJ Hickson, Timofey Mozgov, Randy Foye, Nate Robinson, todos fariam bons valores de troca, e poderiam conseguir ativos importantes em retorno. Tirando Lawson, Faried e os calouros Harris e Nurkic (e TALVEZ Galinari), o Nuggets não tem jogadores que deva segurar a todo custo. Afflalo, em especial, é um valor excelente - poderiam oferecê-lo ao Cavs por Dion Waiters, ou talvez um pacote Afflalo-Chandler possam tirar Harrison Barnes de Golden State. Opções não faltam, e provavelmente nem compradores, mas o Nuggets precisa começar a se mover para não acabar morrendo com todos os ativos na mão sem chegar a lugar nenhum. 


Detroit Pistons

Quem ficará no time para o futuro?

O Pistons tem um keeper e uma futura estrela em Andre Drummond. Ele é um monstro, de apenas 21 anos e que agora está jogando para um técnico que finalmente tem condições de fazer seu crescimento ir ainda mais rápido. Drummond é o tipo de jogador que pode constituir a espinha dorsal de uma franquia em alguns anos, e se oferecesse a alguém um jogador da NBA para começar uma franquia HOJE, não sei se 15 jogadores seriam citados antes de Drummond.

Mas o resto do time... é o problema. Greg Monroe é um free agent irrestrito ao final do ano, e depois dos problemas que time e jogador tiveram na hora de renovar o contrato, parece difícil que ele fique.  Brandon Jennings tem a habilidade, mas não é nem de longe o PG ideal para esse time. Josh Smith foi um dos piores contratos dos últimos tempos. Detroit tem tentado achar um equilíbrio entre brigar pelos playoffs enquanto monta um time de longo-prazo, mas não só o time tem sido um desastre por enquanto (2-6, sexto pior saldo da NBA) como o time parece desprovido de qualquer peça de valor para seu futuro tirando Drummond e TALVEZ Caldwell-Pope. Muito ruim para um time que tinha esperanças de mudança com a chegada de Van Gundy, mas os problemas da franquia são bem mais profundos. E Super Mario sabe disso, tanto que, até agora, sua prioridade no time parece ser desenvolver Drummond o melhor possível para o futuro.

Talvez Monroe fique com uma nova proposta. Talvez Smith possa ser trocado por algum jovem jogador (McLemore?). Mas por enquanto, o Pistons está tendo que apostar todas as suas fichas no jovem pivô.


Golden State Warriors

Conseguirá o time titular do Warriors ficar saudável?

Se sim, o Warriors é um candidato ao título. O problema é depender de jogadores como Stephen Curry e Andrew Bogut, que tem um histórico de lesões preocupante.

Acho que todo mundo sabe o papel de Stephen Curry na equipe e o quanto o time perde sem ele. Ele é o melhor arremessador do mundo, um jogador que sozinho é capaz de dobrar defesas e abrir todo o resto do jogo para seus companheiros. O seu pick and roll é uma das jogadas mais mortíferas da NBA e a base de todo o esquema ofensivo do Warriors. É fácil entender porque o Warriors precisa dele. Mas Bogut, por algum motivo, acaba sendo esquecido quando na verdade ele é talvez o segundo jogador mais importante do time. Ele é um excelente defensor de garrafão que ancorou uma excelente defesa em 2014 (e a terceira melhor de 2015 até aqui), e no ataque, apesar de não ter um jogo ofensivo refinado, é um exímio passador e screener, o tipo de jogador que pode não acumular grandes números mas faz uma diferença brutal quando está presente (pense Marc Gasol). Foi Bogut quem perdeu os playoffs ano passado e assim acabou com as chances do Warriors. O time precisa dele, e embora os tornozelos de Curry chamem mais a atenção, é Bogut o jogador mais frágil do time que pode acabar com suas chances.

Ano passado, o Warriors foi um time bastante dependente da sua lineup titular. O quinteto titular foi o melhor quinteto de TODA a NBA na temporada, mas sem Curry e Bogut, o time despencava. Esse ano, parece mais do mesmo: as duas lineups mais usadas pela equipe (Curry-Klay-Green-Bogut, e com Barnes ou Iguodala de SF) estão destruindo a oposição, mas ainda dependem muito de Curry, Klay e Bogut, jogadores sem os quais o time despenca.

O começo de temporada do Warriors tem sido promissor até aqui. A defesa continua sendo excelente, e Draymond Green de titular tem dado bons resultados (deveria ter sido ano passado também, by the way). O banco reforçado ainda não mostrou a que veio, mas isso deve melhorar com a volta de David Lee. O ataque de Steve Kerr ainda não é um upgrade em relação ao fraco de Mark Jackson, mas isso talvez venha com o tempo - o talento é grande demais para não evoluir conforme ficam mais confortáveis com o esquema. Mas no fim do dia, o que o Warriors mais tem que fazer é torcer para que Curry e Bogut cheguem aos playoffs saudáveis para ter uma chance.


Houston Rockets

Como o Rockets fará para defender os PFs do Oeste?

Para ser campeão no Oeste, você vai ter que enfrentar uma série de alas-pivô bem chata. Ir longe no Oeste significa que você terá que passar por cima de Dirk Nowitzki, Zach Randolph, Blake Griffin, LaMarcus Aldridge, Anthony Davis, Tim Duncan e/ou Serge Ibaka. Não é a seleção mais fácil do mundo, ainda mais considerando que muitos desses PFs ficam confortáveis jogando longe do garrafão. E para o Rockets, eles talvez sejam o principal obstáculo até uma eventual Final.

Ano passado, nos playoffs, o Rockets foi derrotado em 6 jogos para um inferior time do Blazers principalmente porque não tinha uma resposta a LaMarcus Aldridge, que anotou 124 pontos nas quatro vitórias de Portland. Esse era o grande ponto fraco do time, a falta de um bom PF ou SF capaz de marcar um jogador como Aldridge.

Esse problema ainda persiste em termos de montagem do elenco. Terrence Jones é o melhor PF da equipe, mas é baixo e tem dificuldade para conter PFs mais brutos no garrafão. Ariza é um bom defensor de perímetro que não tem o físico para aguentar Aldridge ou Griffin de costas para a cesta. Papanikolaus é um bom arremessador que não conseguiria conter esses jogadores a não ser que pudesse marcá-los com um taser. Dwight Howard poderia marcar alguns desses jogadores, mas assim como aconteceu ano passado, tudo que eles tem a fazer é se afastarem da cesta e atraírem Dwight com ele, roubando Houston de seu único defensor e shot blocker no garrafão e transformando a defesa de Houston em uma linha de bandejas.

A defesa de Houston tem sido a melhor da temporada até aqui, mas muito disso se deve a uma tabela ridícula de fácil, incluindo jogos contra Wolves, Sixers, Jazz, Lakers, Celtics e os reservas de San Antonio. Sua única vitória contra um time bom foi contra o Heat. Nas próximas semanas, jogos contra Memphis, Dallas e Los Angeles (Clippers) nos darão uma melhor chance de ver como o Houston se sai contra sua grande fraqueza de 2014. Se essa fraqueza for corrigida, então é hora de contar o Rockets como um dos favoritos ao título.


Indiana Pacers

O que o Pacers deveria fazer com 2014/15?

A temporada 2015 do Pacers acabou antes de começar. Um time que terminou muito mal 2014, o time perdeu Lance Stephenson - seu segundo melhor jogador ofensivo e melhor criador - na free agency sem achar um substituto real e depois viu Paul George ter uma lesão medonha jogando pela seleção americana, ficando fora para o ano. Em outras palavras, o Pacers perdeu os dois melhores jogadores ofensivos - e talvez os dois melhores jogadores, ponto - da equipe para a temporada 2014, depois de ter sido o segundo pior ataque pós-ASG temporada passada. Prenuncio do desastre.

E embora o Pacers tenha conseguido alguns jogos apertados com bastante correria, é óbvio que o time não vai a lugar nenhum tão cedo. Então fica a pergunta: o que o Pacers deveria fazer agora? Engolir uma temporada perdida e insistir nesse núcleo esperando a volta de Paul George para 2016 é uma opção, mas eu acho que o time precisa entender que a janela que eles tinham fechou, e que precisam pensar menos no curto prazo e mais em um projeto de continuidade. George deve ficar fora o resto do ano, então uma boa escolha de Draft é possível ou mesmo provável. O time também deveria trocar alguns veteranos enquanto pode, liberando sua folha salarial e abrindo espaços para jovens talentos.

A principal moeda de troca aqui seria David West, que já tem 34 anos, ganha dinheiro de sobra e está sendo desperdiçado em um time como Indiana caso volte de lesão. Um time jovem que aspira subir um degrau, como Charlotte ou Sacramento, pode morder a isca e oferecer um jogador jovem em troca. Indiana teve uma chance em 2013 e 2014, mas agora o Leste se reforçou, Stephenson saiu sem um substituto, e West envelhece. O melhor para Indiana seria compreender que no curto prazo suas chances são mínimas e que precisam apostar em montar um novo time para daqui a uns anos em torno de Paul George. Uma escolha alta de Draft (um draft muito profundo em PFs, vale citar), um novo talento e algum tempo é o que o Pacers precisa para voltar a disputar o Leste. 


Los Angeles Clippers

Porque as principais lineups do Clippers tem sido tão ruins?

Foram apenas sete jogos, então leve com um grão de sal. Mas o Clippers tem começado bem mal essa temporada para um time com tantas expectativas. A lineup titular do time tem sido um desastre (Paul-Redick-Barnes-Blake-DAJ), sendo dominada ao nível de -15.3 pontos por 100 posses de bola. A segunda lineup mais usada (essas são as dúas unicas a jogar mais de 25 minutos) tem Crawford no lugar de Barnes e tem sido um pouco melhor... perdendo dos adversários só por 12.4 pontos/100 posses. Não foi o começo ideal para um suposto favorito ao título.

O problema dessas lineups é bem diferente. No caso da primeira, o ataque despenca principalmente porque o espaçamento é horrível. Ninguém se importa em marcar Matt Barnes, e DeAndre Jordan regrediu essa temporada de forma que seu jogo voltou a ser apenas de enterradas em pontes aéreas. Isso significa que tem dois jogadores que não precisam ficar próximos de seus respectivos matchups e podem funcionar dobrando a marcação em Blake Griffin no garrafão ou atrapalhando o caminho de Chris Paul sem serem punidos. Essa lineup anota apenas 95.8 pontos por 100 posses de bola, inferior ao segundo pior ataque da NBA na temporada (Bucks, 96.1) e impensável para um time com Blake E CP3.

Quando Barnes sai e entra Crawford, o problema do ataque acaba: Crawford é um ótimo arremessador e criador, você impede que alguém abandone Barnes no perimetro, e ganha um segundo ballhandler capaz de criar a partir do drible e desmontar defesas. O ataque com ele no lugar de Barnes sobe de 95.8 para 106.1, uma marca Top10 na temporada. O problema é que o time despenca do outro lado da quadra, cedendo 118 pontos por 100 posses de bola, uma marca horrível. Crawford é um péssimo defensor, a defesa de DeAndre Jordan regrediu demais e está se resumindo a tocos novamente, e Redick e Blake não são bons o suficientes para compensarem. A defesa coletivamente fica péssima nessa situação.

Mas além da falta de opções de perímetro capazes de não comprometer dos dois lados da quadra, tem um outro problema nesse começo de ano das lineups do Clippers, que é a dupla Blake-DeAndre Jordan. Embora no papel os dois não se encaixem tão bem juntos, a dupla achou um ótimo equilíbrio em 2014 - com os dois juntos em quadra, o Clippers foi um time +9.7/100 posses. O time acelerou o ritmo para criar mais chances para ambos em transição sem congestionar o garrafão, e o jogo ofensivo de Jordan deu uma pequena evoluída para que ele não precisasse ficar sempre congestionando o garrafão. Esse ano, por outro lado, essa dupla tem sido um horror: com a dupla junta, o Clippers tem sido -8.3/100 posses.

Nada está funcionando para a dupla - Jordan voltou a se posicionar mal perto do aro, e isso tem atrapalhado bastante as infiltrações de Griffin. Ano passado, 56% de seus arremessos vieram próximos ao aro, e esse número agora caiu para 44%, incluindo um enorme aumento naquela região ao redor da região ao redor do aro (AKA aquele lugar da quadra que te obriga a lançar um floater ou arremesso torto quando você está atacando a cesta mas não tem espaço para chegar até o aro) porque seu caminho até o aro está sendo interrompido por Jordan e seu marcador. O Clippers também tem jogado em um ritmo muito mais lento com os dois em quadra, tirando aquelas cestas fáceis em transição e adicionando uma boa série de posses de bola esquisitas de meia quadra onde os dois batem cabeça. O Clippers tem muito talento para achar que o time ficará muito tempo nesse nível decepcionante, mas a falta de opções no perímetro é um problema, e muito da evolução de 2014 se deu por causa de DAJ e a boa dupla que ele passou a formar com Griffin. Se Jordan regrediu e essa dupla parar de ser uma força, então é hora de Doc começar a ficar mais criativo na hora de usar Spencer Hawes...


Los Angeles Lakers

Qual é a prioridade de Kobe Bryant?

Não importa o que os Buss tentem dizer essa temporada, o Lakers é um time simplesmente muito ruim que não tem qualquer chance de relevância por enquanto, e sendo sincero, até o contrato de Kobe expirar. O time vai perder, e se der sorte, vai perder o suficiente para ter uma escolha Top5 desse Draft, não tendo assim que oferecer uma valiosa escolha de loteria para o Suns de bandeja. Ah sim, o Lakers tentou, claro: eles trouxeram Lin, Boozer, Ed Davis e alguns veteranos em uma tentativa ridícula de montar um bom time. E, para completar o argumento do time, o Lakers teria de volta Kobe Bean Bryant de lesão, um cara ultra competitivo que nunca aceitaria fazer parte de um time que não estivesse competindo por vitórias.

A temporada começou, e francamente, está difícil dizer qual exatamente é a prioridade de Kobe nessa temporada. Ele quer realmente fazer o possível para seu time vencer, ou só está querendo jogar como quiser, arremessar o máximo possível e acumular estatísticas para eventualmente passar Jordan, Malone ou Kareem como o maior pontuador da história da NBA?

Até agora, parece ser o segundo. Kobe não tem tentado a mínima jogar para o time ou envolver seus companheiros, só arremessar o quanto quiser. Ele está tentando 24.5 arremessos por jogo, de LONGE a maior marca da liga (19.8 de Carmelo em segundo), e isso sem falar nas posses de bola que ele encerra com um turnover ou falta. Ele tem finalizado (via arremesso, falta ou TO) 38% das posses de bola do Lakers, de longe a maior marca da NBA também. E embora o argumento a favor dele seja "Mas se a alternativa é Lin ou Boozer, melhor que seja ele a arremessar!", é um argumento estúpido. Kobe está arremessando 39% apenas e forçando demais o jogo, de forma que isso acaba sendo muito mais prejudicial porque não trabalha a bola, não acha bons arremessos -  é só um jogador jogando 1 vs 1 quando toda a defesa sabe que ele fará isso. Sem falar na energia que ele poderia gastar na defesa - onde está TOTALMENTE desinteressado porque, afinal, você não tem estatísticas por defender bem. Não é a toa que o Lakers é um time -14.5 com Kobe em quadra e +3.6 com ele no banco (embora, para ser sincero, esses minutos sem Kobe são em sua maior parte garbage time). Kobe não quer saber de vencer, só quer saber de acumular pontos e continuar ganhando sua grana. Não que eu esteja criticando alguém por não ter vontade de jogar basquete quando seus companheiros são Xavier Henry e Boozer, mas é a verdade.

Para ilustrar esse ponto, uma coisa que eu fiz a pedido do Lucas Pastore. Algum tempo atrás, o Lakers perdeu um jogo apertado para o Suns no qual Kobe fez 39 pontos. A primeira vista, parece impressionante, mas começa a ficar ridículo quando você repara que Kobe também arremessou 37 vezes. Outras seis posses de bola de Kobe viraram faltas, e 3 turnovers. Ou seja, foram 39 pontos em 46 posses de bola, o que da a péssima marca de 0.85 pontos por posse de bola. Funhé. O que o Lucas me pediu para ver era quais jogadores do Lakers, usando suas médias, conseguiriam fazer 39 pontos se arremessassem tanto quanto Kobe naquele dia.

Desnecessário dizer, eu aceitei o desafio. Desconsiderando os turnovers, usei as marcas dos jogadores na temporada para ver quantos pontos cada jogador do Lakers faria se finalizasse 43 posses de bola em um jogo (minimo: jogadores com 30 minutos de quadra). O resultado abaixo.


Good God! Todos os jogadores que tiveram mais de 60 minutos de quadra essa temporada (todos menos os três últimos) teriam mais de 40 pontos por 43 posses de bola a exceção de Ronnie Price. Por motivos de "a amostra é muito pequena na jovem temporada", fiz o mesmo exercício para o Lakers de 2013/14, com jogadores que jogaram pelo menos 200 minutos:


Welp.

Claro, existe uma diferença grande em criar o seu arremesso como Kobe faz e simplesmente arremessar uma bola, e não quer dizer que todos esses jogadores acertariam os arremessos que Kobe acertou. Mas serve para ilustrar bem o quão ridículo é um jogador que faz 39 pontos arremessando tanto quanto ele fez aquele dia. Se ele arremessasse umas 12 bolas a menos (as piores), rodasse mais os passes, distribuísse o jogo e gastasse essa energia extra na defesa (onde ele tem sido atroz), isso não daria ao seu próprio time uma chance MUITO maior de vencer o jogo?! É claro que sim! Não tem a menor dúvida de que sim. Mas essa não parece ser a prioridade dele no momento. Não cabe a mim julgar, mas não tem a menor dúvida de que como ele tem jogado, ele está fazendo muito pelos seus recordes e muito pouco pelo time.

(De certa forma, talvez assim seja até melhor - o Lakers não ganharia anyway, sua lenda consegue alguns recordes, o time é pior e pega uma escolha Top5 para não perder sua escolha pro Suns. Kobe é um gênio do mal)


Memphis Grizzlies

Porque Tyshaun Prince ainda faz parte de um time de NBA?

O Grizzlies tem uma identidade bem determinada: muita defesa, e um ataque difícil, que depende demais do jogo de garrafão, com espaçamento de menos e bolas de três ainda mais raras. As chances do time vencer dependem diretamente do quanto seu ataque pode produzir pontos. Então a pergunta óbvia aqui seria "O Grizzlies pode anotar pontos o suficiente para competir pelo título?". Mas o problema é mais simples: Prince demais.

Piedosamente, Prince jogou apenas 5 dos 9 jogos do Memphis na temporada, mas quando jogou, esteve em quadra por um tempo ridiculamente grande, 21 minutos por jogo. Eu prefiro acreditar que isso se deve a Quincy Pondexter ainda estar voltando de lesão e aos jogos perdidos por Lee e Carter, mas o fato é que Prince é o grande problema do Grizzlies nesse começo de temporada. Com ele no banco, Memphis está pontuando a um sólido ritmo de 106.3 pontos por 100 posses, o equivalente ao ataque de Houston. Mas com Prince em quadra, esse número cai para 94.3, o equivalente a tortura testicular. Prince a esse ponto da carreira não consegue driblar, passar ou arremessar, e ninguém marca ele quando está na linha de três, permitindo ao adversário que entupa o garrafão e corte linhas de passe. Não existe nenhum motivo para ele estar com 21 minutos por jogo e atrasando um excelente time de Memphis no processo.

A verdade é que, se Z-Bo e Gasol ficarem saudáveis, esse é provavelmente o melhor time que Memphis já teve. Gasol está no auge de seus poderes, assim como Mike Conley, e o elenco de coadjuvantes é o melhor que o time já teve. Quincy Pondexter e Courtney Lee oferecem as bolas longas que o time precisa para abrir o garrafão, e Carter um pouco de criatividade a partir do drible que falta a equipe. O lineup titular do time (Conley, Allen, Lee, Zach e Gasol) está dominando oponentes com +10.1 de saldo... e a segunda lineup mais usada, que tem Prince no lugar de Lee, está sendo superada a -8.5 pontos por 100 posses. Enquanto Prince estiver do lado de fora, o time estará bem, especialmente com o trio Conley-Bo-Gasol em quadra (+12.4). Todas as lineups com dois dos três entre Lee, Pondexter e Carter anotam mais de 110 pontos por 100 posses de bola (ainda que em amostras, naturalmente, pequenas). As opções estão lá para tornar o time perigoso o suficiente no ataque, resta ver se Memphis vai conseguir usá-las e afundar Prince de uma vez por todas no banco.


Miami Heat

O mundo finalmente vai reconhecer Chris Bosh como uma estrela?

Nenhum jogador do Big Three recebeu mais críticas ao longo da Era LeBron em Miami - ganhando ou perdendo - do que Chris Bosh. Bosh era uma superestrela em Toronto antes de ir ganhar um anel em South Beach, e como ele passou a ser a terceira opção ofensiva e a jogar cada vez menos com a bola nas mãos, ele foi acusado de "aceitar" ser um role player ou jogador secundário, e até com o tempo de não ser bom suficiente. Por causa de seu papel aparentemente secundário, muitos especulavam se Miami não deveria trocar Bosh por um jogador inferior mas que fizesse o mesmo papel, liberando assim salário ou trazendo mais reservas.

Isso era ridículo porque, tirando LeBron, Bosh sempre foi o jogador mais importante daqueles times. Ele assumiu um papel menor com a bola nas mãos, é verdade, mas era a sua presença e as pequenas coisas que ele fazia que permitiam a Miami jogar como fazia: poucos jogadores de garrafão tem a velocidade, agilidade e técnica de Bosh para fazer aquelas blitz no pick and roll que era a espinha dorsal da defesa feroz de Miami, e pouquíssimos seriam capazes de recuperar com a mesma velocidade para não deixar a defesa desguarnecida. Ofensivamente ele era um jogador capaz de espaçar a quadra, atacar missmatches, jogar sem a bola nas mãos e manter o ataque rodando durante os 24 segundos. Nenhum outro jogador de garrafão na NBA inteira seria capaz de fazer o papel que Bosh assumiu dos dois lados da quadra por Miami, e ele foi uma importante força motriz por trás daquelas quatro finais: em 2014, Miami era +9.8 com Bosh em quadra e -0.4 com ele no banco; em 2013, eram +10.8 com ele e +8.4 sem ele; em 2012 era +10.8 com ele e +1.1 sem ele; e em 2011, +11.4 com ele e +1.6 sem ele. Vocês entenderam.

Bosh raramente recebeu crédito por isso durante a era Big Three, mas agora que LeBron saiu, ele finalmente está recebendo o reconhecimento que lhe deviam. Miami se manteve bem no Leste sem o King, e Bosh é um dos principais motivos disso: 22 pontos, 9 rebotes e 3 assistências enquanto ancora a defesa e é basicamente o ponto focal do ataque do time. Ele tem sido de longe o melhor jogador de um time que é o terceiro melhor do Leste e oitavo melhor da NBA com saldo de +4.0/100 posses, e é praticamente um susto quando ele erra um jumper sem marcação. Ele lidera Miami em pontos e rebotes, em PER, e é quarto (!!!) em assistências. Ele continua fazendo tudo de importante que fazia com LeBron, só que agora além disso tem jogado com a bola nas mãos mais que nunca. E agora está sendo reconhecido por isso.


Milwaukee Bucks

Brandon Knight é uma peça de longo prazo para o Bucks?

Ano passado, em um Draft bastante fraco, o Bucks saiu com o grande prêmio quando pegou Giannis Antetokounmpo com a escolha #16, um moleque de 2m10 de altura que domina a bola e se mexe como um guard, e tem um potencial imenso. Se o Draft fosse re-feito hoje, ele provavelmente seria a primeira escolha. Um ano depois, o Bucks teve a pior campanha da liga e ficou com a escolha #2, onde escolheu Jabari Parker, que apesar do começo decepcionante foi uma máquina de pontuar em Duke que tem grandes esperanças no profissional. Com Giannis e Jabari, de repente Milwaukee tem uma excelente dupla em torno da qual se construir, uma base muito promissora para seu futuro.

Ai entra Brandon Knight. Knight veio em uma troca de free agent restrito que levou Brandon Jennings a Detroit, e que o Bucks já venceu só por ter se livrado de Jennings e ter trazido Khris Middleton. Mas com o contrato de Knight a acabar, o Bucks precisa se perguntar se ele também faz parte do futuro da equipe.

Knight foi escolha #3 de um Draft fraco (2011), e nunca correspondeu em Detroit as expectativas. Ele nunca foi um PG natural, sempre alguém mais confortável jogando fora da bola e arremessando de longe. Mas ele tem só 23 anos e muito espaço pela frente, e Knight começou bem esse ano: 17 pontos, 6 rebotes, 7 assistências e chutando 40% de três. Isso tem vindo as custas de bastante tempo de bola e turnovers (lidera a liga com 32 junto de Tony Wroten, que tem um jogo a menos), mas pelo menos é algo que ele finalmente está mostrando dentro de quadra. Seu PER é o mais alto da carreira, e ele tem feito papel importante em uma defesa que é a segunda melhor desse começo de temporada.

Milwaukee tem que escolher se oferece uma extensão contratual ou não. E o valor desse contrato pode depender do quanto eles veem Knight como essa peça de longo prazo. Por um lado, ele está tendo a melhor temporada estatística de sua carreira e mostrando alguma promessa. Por outro, o ataque de Milwaukee DESPENCA com ele em quadra (88.5 com ele, 112.4 sem ele), um resultado de seu hábito de segurar demais a bola e criar a partir do drible, ao invés de rodá-la para o time. A próxima grande decisão que Milwaukee terá que tomar para seu futuro.


Minnesota Timberwolves

Porque o Timberwolves está tentando vencer?

Pode parecer uma pergunta estúpida, mas fato é que o Wolves atual não faz sentido. Depois de perceberem que não iriam a lugar nenhum no forte Oeste e que Kevin Love sairia por nada, o time trocou-o por dois jovens talentos (Wiggins e Bennett). Agora com Wiggins, Bennett e LaVine, três jovens talentos com muito potencial e que poderiam constituir a espinha-dorsal do próximo time de playoffs do Wolves em alguns anos... e ao invés de apostar nos jovens talentos, acumular escolhas de Draft e apostar nos próximos drafts para complementá-los (o de 2015, em particular, é ótimo para achar um pivô), eles gastaram uma escolha de primeira rodada para trazer Thad Young, Kevin Martin joga 33 minutos por jogo, Mo Williams 22, e Anthony Bennett tem apenas 12. Funhé.

Isso me deixa maluco. Porque não apostar nos seus jovens talentos e deixar que evoluam juntos, joguem juntos? Porque gastar ativos valiosos (como a 1st round pick que trocaram por Young) e dar amplos minutos a veteranos medíocres ao invés de deixar seus garotos se desenvolverem e aprenderem? Minnesota está sacrificando do seu futuro para isso, e os resultados que colherá no presente são pífios. Não existe nenhum motivo legitimo para o Wolves estar gastando tanto no momento que mais deveriam deixar os garotos evoluírem e apanharem um pouco, descobrindo o que tem e o que não tem nas mãos. Andrew Wiggins deveria jogar 34 minutos por jogo e dando 14 arremessos, Anthony Bennett precisava de amplos minutos em quadra e espaço para se recuperar, e Young e Martin não deveriam estar na equipe se a alternativa fossem escolhas de Draft. 

Eu entendo que o Wolves esteja cansado de perder e de reconstruir, entendo o quanto as derrotas podem acabar pesando para a franquia. Mas francamente, o Wolves não tem NADA a ganhar e tudo a perder. Ao invés de focar em uma escolha Top5 de draft, dar o comando da franquia a Rubio (de extensão nova) e Wiggins (que precisa de bastante repetições como astro do time), dar o espaço e os minutos para jovens como LaVine e Bennett precisam para virarem bons jogadores e acumular ativos, o time está gastando minutos e escolhas de Draft com veteranos medíocres, tirando minutos e repetições de seus jogadores jovens e atrasando seu desenvolvimento... para ganhar o que? O time não vai ser bom esse ano e muito menos brigar por playoffs, não importa o que façam. A melhora no curto prazo é mínima, e não trás NENHUM benefício. Esses jogadores não estarão no próximo bom time de Minny. Se é pra ser ruim, porque não fazer isso de forma construtiva a pensar no médio prazo, desenvolvendo seus jogadores e tendo boas escolhas de Draft? Se o Wolves continuar gastando recursos no presente e prejudicando seu futuro, Flip Saunders precisa ser preso por estragar o que poderia ser uma das franquias de maior futuro da NBA.


New Orleans Pelicans

Como um time com Asik e Anthony Davis pode ser tão ruim na defesa?

Omer Asik é um dos melhores defensores de garrafão da NBA, a contratação trunfo do Pelicans para formar uma destrutível dupla com Anthony Davis no garrafão. E Davis é uma força da natureza que da 4.4 tocos por jogo. É difícil encontrar dois jogadores tão temíveis defensivamente jogando juntos no garrafão na NBA de hoje.

É incrível que, para um time que possui tão formidável dupla de garrafão, a defesa do Pelicans seja tão ruim. New Orleans possui a oitava pior defesa da temporada até aqui, um ano depois de terminar com a sexta pior defesa. E o que é mais incrível, o Pelicans é particularmente vulnerável próximo a cesta: os adversários tentam 31.4 arremessos por jogo dentro da área restrita, e embora não os acertem a um nível dos melhores (59%, décima melhor marca da NBA), ainda é um número enorme de arremessos fáceis e de alto aproveitamento. Com uma muralha como Asik e um monstro que da mais de quatro tocos por jogo, é surpreendente a facilidade com que os adversários entrem no garrafão de New Orelans.

Olhando a fundo, a verdade é que a defesa de New Orelans é bastante forte quando Davis E Asik jogam juntos. Com seus dois homens de garrafão, New Orleans cedeu apenas 97.5 pontos por 100 posses de bola, uma marca que é melhor do que 29 times da NBA em 2014. A lineup titular do time - Holiday, Gordon, Evans, Davis e Asik - cede 99.4 pontos por 100 posses, uma ótima marca. Mas quando um dos dois senta... ai começam os problemas. A dupla Davis-Anderson junta em quadra cede 108 pontos por 100 posses, e a dupla Anderson-Asik cede... erm.. 113. As quatro lineups mais usadas pelo Pelicans na temporada que não tem Asik e Davis jogando juntas cedem 124, 128 206 e 120 pontos por 100 posses de bola. Muito ruim.

Em outras palavras, o Pelicans consegue uma boa defesa quando seus protetores de aro de elite estão jogando juntos, mas não separados. E isso é um grande problema. Entendo a limitação dos defensores de perímetro do time, mas com defensores como Asik e Davis, você deveria ser capaz pelo menos montar uma defesa decente, que proteja bem o aro, quando um deles está em quadra. O Pelicans investiu muito (Nerlens Noel, uma pick que virou Elfrid Payton/Dario Saric, mais uma escolha de primeira rodada de 2015, vários milhões em contratos e cap space) para montar um time vencedor para seu dono idoso, e o relógio do técnico Monty Williams está correndo.


New York Knicks

Como o triângulo tem se saído em New York?

Como todo torcedor do Knicks sabe, 2014/15 é uma pedra no caminho. A torcida de bom grado pularia esse ano se pudesse. O time é ruim e limitado, NY terá toneladas de cap space na próxima free agent, e todo mundo sabe que esse ano não vai chegar a lugar nenhum - no máximo vai disputar por uma das ultimas vagas aos playoffs, se tanto. 2015 é um ano para se beber, e muito.

Considerando que esse ano é um ano "perdido", o Knicks tem usado para fazer algumas experiências. Mais especificamente, implementar o triângulo como seu esquema padrão, agora que Phil Jax esta no comando. O triângulo é um esquema tático extremamente complexo (e que, precisa ser dito, nunca deu certo na NBA sem Jordan ou Kobe) e que demora para ser assimilado, então 2015 virou, por assim dizer, a fase de testes.

Se a pergunta é se está dando resultados... bom, não está. Ano passado, o Knicks terminou com um decente 105 pontos por 100 posses no ataque, 11th melhor marca da NBA. Esse ano o número caiu para 97.9, 9th pior da liga. Ainda assim, como eu já disse, esse não é o ano do resultado, é o ano do processo. E ele está acontecendo, e na direção certa. Ano passado, 52.4% das cestas do time vieram de assistências, a quarta pior marca da NBA e fruto de constantes isolações e jogadas mau trabalhadas. Esse ano, o número subiu para 61.7%, sexta melhor marca da liga e um resultado do triângulo, um esquema com mais passes e movimentação de bola. E assistindo ao Knicks jogar, isso realmente chama a atenção. O time parece estranhamente confortável passando a bola, rodando posições e trocando passes dentro do triângulo. Claro, muitas vezes isso acaba em um momento que o ataque não consegue mais continuar as ações, algum jogador tem uma pane mental ou em um arremesso ruim, mas isso é normal. A equipe começou recentemente a usar o triângulo, e francamente, os jogadores são muito fracos. Ainda assim, tem algo de encorajador em como a equipe parece ter incorporado bem o esquema tático mesmo sem Calderon.

O grande problema do triângulo até aqui - tirando a incapacidade de quem o tem executado - é que, por causa do constante fluxo, tem tirado um pouco demais a bola das mãos de Carmelo, o único bom jogador do time. Seus números de pontos caíram (em parte por arremessar menos, em parte por estar arremessando pior) e os de rebotes também (por jogar mais longe da cesta, de SF). Ainda assim, pensando no futuro, não é uma coisa ruim - Melo parece estar bem integrado ao triângulo em termos de passes, mostrando boa visão de jogo para achar seus companheiros. A volta de Bargnani, um PF capaz de acertar arremessos e abrir um pouco a quadra, provavelmente vai ajudar. Os resultados estão ruins, mas o processo parece ter começado bem.


Oklahoma City Thunder

Quantas vitórias OKC precisa antes da volta de Durant e Westbrook?

Sem Westbrook em boa parte do ano, Durant conseguiu levar muito bem OKC a 58 vitórias em 2014. Sem Durant para começar o ano, era esperado que Westbrook fizesse algo semelhante ao time nesse começo de temporada. Sem Durant E Westbrook? Ai as coisas começam a se complicar.

Durant e Westbrook devem perder entre quatro e seis semanas, o que da algo como 20 jogos, talvez um pouco mais. Enquanto isso, sem eles, OKC tem uma das piores lineups da NBA inteira: Reggie Jackson, Jeremy Lamb, Perry Jones, Serge Ibaka e Steven Adams. Desnecessário dizer, OKC tem sido um dos piores times desse começo, com apenas três vitórias e um saldo de -7.0 pontos por 100 posses de bola, quinta pior marca da liga. E esse é o grupo que tem que manter o time vivo até a volta de Durant e Westbrook se OKC não quer perder os playoffs, ainda mais com Kevin Durant tão próximo de virar Free agent. O que pede essa pergunta: qual tem que ser o record da equipe nesses primeiros jogos para que, com suas estrelas de volta, o time ainda tenha condições de ir aos playoffs?

O Oeste é uma conferência brutal, e ano passado a 8th seed (Dallas) precisou de 49 vitórias para chegar a pós-temporada. Com a conferência ainda bastante forte - e talvez até mais forte que antes - 50 vitórias me parece o ponto que OKC precisa cruzar para chegar aos playoffs com algum conforto. Digamos que Durant e Westbrook joguem os 60 jogos finais da temporada, sem perder mais tempo e sem nenhuma ferrugem de seu tempo parado. Nos últimos dois anos, OKC venceu 72% de seus jogos, o que daria 43 vitórias em 60 jogos. Digamos, entre 43 e 45 vitórias para um OKC completo. Então para chegar a 50 vitórias, o Thunder precisaria de entre 5 e 7 vitórias de seus reservas em 22 jogos. É possível, sem dúvida - já tem três - mas não será fácil. Ainda assim, o calendário pode ajudar - enfrentam Pistons 2x, mais 76ers, Knicks, Jazz e Nuggets antes da volta de suas estrelas. Mas o time atual é ruim, e ainda que 6-16 esteja dentro das possibilidades da equipe, também está 4-19. A equipe desfalcada terá que fazer o possível para sequer manter seu time vivo antes da chegada da cavalaria... e isso sem contar o quanto mando de campo pode importar em um disputado Oeste.


Orlando Magic

O Magic consegue arremessar consistentemente bem?

O problema com Orlando antes da temporada começar era que o time não apresentava em seu núcleo nenhum arremessador tirando o recém-contratado Channing Frye, e que isso prometia ser um problema em termos de espaçamento. Até aqui, foi metade verdade: o Magic está chutando um respeitável 39% da linha dos três pontos, mas por outro lado, a verdade é que ninguém se importa de marcar Orlando fora do garrafão. E isso tem sido um problema para Orlando.

Os números de Orlando de fora são bons graças a algumas boas seqüências (insustentáveis) de alguns jogadores como Evan Fournier e Aaron Gordon, mas basicamente são bolas de três livres porque ninguém se encarrega de marcar Orlando fora do garrafão. O Magic é o sexto time que menos arremessa de fora na NBA, e o oitavo que menos arremessa da zona morta, o melhor arremesso de três do jogo e o que mais abre espaços. Sem nenhum jogador além de Frye que exige atenção da defesa de fora, os adversários de Orlando ficam mais do que contentes em congestionar o garrafão e deixar que o time aproveite bolas livres da linha dos três pontos. E na NBA moderna, isso é morte. Sem abrir espaço no garrafão você tem muito mais dificuldade para atacar a cesta, driblar e fazer passes rápidos, e é isso que Orlando tem sofrido tanto - não é a toa o time aparece como o quarto que mais comete turnovers e o que mais tenta arremessos difíceis e de pouco aproveitamento da cabeça do garrafão (o tipo de floater difícil que você tenta em uma infiltração quando seu caminho até a cesta está interrompido). E como consequência, Orlando tem o quinto pior ataque da NBA e está 2-6 nesse começo de ano. 

Para mim sempre houve um problema na montagem de time em Orlando, e ainda que a equipe não tenha pressa, a essa altura já esperava um pouco mais de retorno no seu investimento dentro de quadra. Algo para se monitorar com o tempo. 


Philadelphia 76ers

O Sixers deveria ser rebaixado para a D-League?

Sim.

Ok, deixa eu tentar outra pergunta: será que é hora do Sixers começar a ouvir propostas de troca por seus jovens?

A verdade é que o Sixers deu azar no Draft de 2015. Esse Draft tem uma coisa em abundância - homens de garrafão. Tirando um PG (Mundiay), todos os principais prospectos são Cs ou PFs, e o Sixers com quase toda a certeza terá uma escolha Top4, onde nenhum jogador que não seja um PF, C ou Mundiay sairia de jeito nenhum. Mesmo ao longo da primeira rodada, predominam os homens de garrafão com poucas boas opções de perímetro... Só que o Sixers já tem Nerlens Noel, Joel Embiid e até Saric esperando na Europa. Não acho que tenha pressa, muita coisa pode acontecer entre hoje e o fim do ano, mas conforme o Draft e a temporada do Sixers for tomando forma, acho bem possível que a conclusão seja de que a melhor opção para a equipe seja draftar logo um PF ou C (para mim, Towns seria o complemento perfeito a Embiid ou Noel). 

Se for o caso, o Sixers vai ameaçar ficar com QUATRO jogadores de garrafão escolhidos alto no Draft, três deles nunca tendo jogado um minuto de basquete na NBA. É impossível dar minutos e espaço a todos esses jogadores e desenvolver todos ao mesmo tempo, então a conclusão óbvia é que alguém tem que ser trocado. Assim com Phily não tem pressa para vencer, não deve ter pressa para achar uma troca, mas ficaria muito surpreso se não estivessem começando pelo menos a escutar e procurar discretamente algumas ofertas por Noel, ainda mais se ele continuar jogando bem.


Phoenix Suns

Como o Suns dará o próximo passo?

Ano passado, o Suns trocou alguns jogadores, acumulou escolhas de Draft, e parecia pronto para fazer um projeto de reconstrução... até que de repente Goran Dragic explodiu, o time achou uma identidade, correu e arremessou muito de três, e quase foi aos playoffs no forte Oeste. Um ano depois, o Suns deixou de ser um time em tank para ser um competidor sério no Oeste, inclusive gastando dinheiro em free agents, como Isaiah Thomas.

O problema é que o Suns não é um candidato ao título ainda, então fica a dúvida de como podem dar o próximo passo para se tornar um. Eles não possuem uma grande estrela ou um jovem talento que possa se tornar uma. Eles possuem muitos bons jogadores, e uma identidade estabelecida, mas não é suficiente para que em alguns anos estejam disputando títulos.

A melhor solução para o Suns seria arrumar uma troca. O time tem um valioso ativo em uma escolha de Draft do Lakers (protegida Top5 para 2015), e vários jovens ativos que podem ser trocados, incluindo Bledsoe, Ennis, Warren, um Morris, e por ai vai. Dragic é um free agent, então se acharem que ele não voltará para o futuro, também podem trocá-lo em um pacote. Quem ir atrás é mais difícil. Al Horford dificilmente estaria disponível, e Rondo não faz tanto sentido em um time que já tem tantos armadores. As opções atuais não são das melhores, e a não ser que alguma oferta apareça no mercado, não vai ser fácil.

Outra opção seria manter o espaço salarial limpo para tentar trazer um free agent no futuro próximo. Phoenix é uma cidade quente e atrativa, o Suns joga em um ritmo veloz e divertido, e eles ganharam boa visibilidade no mercado quando pagaram o pouco a mais que Eric Bledsoe queria para reassinar o contrato - se conseguirem se manter relevantes no Oeste enquanto isso, pode facilmente se tornar  um destino muito atraente para jogadores sem contrato.

Vai ser interessante ver o que o Suns tenta fazer daqui, porque não existe um caminho claro a ser seguido.


Portland Trail Blazers

Chris Kaman era a peça que faltava para o Blazers competir por um título de verdade?

Ano passado, o time titular do Blazers foi muito bom, um grupo bem entrosado de bolas longas que rodava muito bem a bola, se movia bem e vivia de achar o companheiro livre. O quinteto titular terminou o ano com +8.3 de saldo por 100 posses jogando junto. O problema era que o time dependia um pouco DEMAIS desses titulares, e quando o banco entrava, começava a desgraça: com NENHUM jogador de banco do Blazers de 2014 (que jogou pelo menos 200 minutos) em quadra o time teve saldo acima de +1.2. Isso foi especialmente verdade no garrafão: quando Meyers Leonard (-12.1 em quadra) ou Thomas Robinson (-4.9) entravam no lugar de Aldridge e/ou Robin Lopez, o time despencava dos dois lados da quadra. A diferença do Blazers com e sem Aldridge era de 9.6 pontos por 100 posses (7.1 para -2.5), e para Lopez era de 6.5 (5.8 para -0.7). O time titular era muito bom, mas não aguentava o ritmo sem os reservas para ajudar.

Em 2015, o Blazers de novo começou muito bem. Como era de se esperar de um grupo que manteve a base, o entrosamento melhorou ainda mais e o time parece estar sempre na mesma página, mantendo o estilo de bolas longas e trocas de passe: é o segundo melhor ataque do ano até aqui (109.1), e não é difícil achar a causa. Portland atualmente é segundo na temporada em assistências por jogo, e terceiro em assistências por posse de bola, um time que sabe perfeitamente achar os espaços e dobrar defesas. Como consequência, é um time que sempre acha os arremessos que quer, em geral atrás do aro: é segundo em 3PT por jogo, segundo em porcentagem dos pontos vindo de 3PTs, e quinto em aproveitamento de três pontos.

O time titular tem sido ótimo, como esperado (+8.5), mas a grande diferença nesse ano para o Blazers é que agora o banco (até aqui) deixou de ser um grande ponto fraco. E isso se deve principalmente a chegada de alguém para tirar os minutos dos Freelands, Robinsons e Leonards da vida: Chris Kaman. Kaman imediatamente assumiu o papel de sexto homem para ancorar as lineups vindas do banco, e ele tem sido absolutamente dominante, com 10-7 e 1.6 tocos em apenas 19 minutos por jogo (isso da 19-12-3 por 36 minutos). Quando Aldridge ou Lopez saem, Kaman tem conseguido muito bem comandar as lineups dos dois lados da quadra, protegendo o aro de um lado (adversários estão chutando apenas 44% perto do aro contra Kaman) e rodando a bola e jogando bem de costas para a cesta do outro. Com Kaman em quadra, o Portland tem superado os adversários por 16.9 pontos (!!!) a cada 100 posses de bola, uma marca incrível. Ele é o principal motivo para o banco do Blazers estar sendo realmente um ativo e não mais uma fraqueza.

Não da para dizer se isso vai durar por muito tempo, especialmente dadas as lesões de Kaman ao longo da carreira, mas nesse começo de ano o pivô tem sido a grande diferença do Blazers. A lineup titular continua ótima, rodando a bola e chutando de três, mas agora eles possuem um jogador para fazer a diferença vindo do banco, alguém que permita ao técnico Terry Stotts tirar seus homens de garrafão sem destruir o funcionamento da equipe e usar mais o banco sem perder o ritmo. Essa pode ser a diferença para o Blazers entre uma surra na segunda rodada e uma vaga nas Finais do Oeste.


Sacramento Kings

Stauskas?!

Ok, ok, falando sério...

Boogie Cousins vai conseguir ficar em quadra o suficiente?

Em 2014/15, Cousins tem médias de 26.2 pontos, 13.2 rebotes e 1.7 tocos por 36 minutos. As três, se mantidas, seriam as melhores marcas da sua carreira.

O problema aqui é o "por 36 minutos", porque Cousins não está jogando tanto tempo assim. Seus 30.4 minutos por jogo em quadra são sua pior marca desde a temporada de calouro. E isso acontece porque Boogie Cousins lidera a NBA, com folga, em faltas - são 44 em 9 jogos. Em outras palavras, HOLY SHIT!!! Até agora, em 9 jogos, Boogie foi expulso de quadra duas vezes e terminou o jogo com cinco faltas em outras cinco ocasiões. Em quatro dessas, seus minutos foram limitados por causa das faltas, e ele ainda não jogou 35 minutos em nenhum jogo essa temporada. Ele falhou em atingir 30 minutos três vezes na temporada.

O Kings é um time que está cansado de perder e está investindo para tentar ser competitivo o quanto antes, e Boogie é o centro desse projeto, um dos mais destrutivos jogadores da NBA e que está evoluindo muito dos dois lados da quadra. Esse era para ser o ano que Boogie iria estourar, e em um nível por-minutos ele está realmente jogando seu melhor basquete. Mas ele precisa parar com tantas faltas e permanecer em quadra o máximo possível, porque sem ele, Sacramento despenca: com Boogie em quadra, Sacramento é um time +14.2 por 100 posses, mas com ele no banco, é um time -19.3. Essa é a diferença entre o melhor time da NBA e o time do meu condomínio.

Você pode procurar na NBA inteira que não vai achar um jogador que faz tanta diferença nesse sentido quanto Cousins, e se você está querendo vencer agora - como o Kings quer - então você precisa de Boogie em quadra, não no banco remoendo uma falta besta. Ele precisa evoluir nesse quesito se o Kings quer ser competitivo, porque talento para fazer a diferença ele tem.


San Antonio Spurs

Devemos nos preocupar com San Antonio?

Nope. Todo ano San Antonio começa o ano lento, lidando com lesões, Pop descansando seus jogadores e com o time ainda encontrando seu melhor ritmo. Enquanto isso, jogadores como Cory Joseph e Aaron Baynes vão ganhando minutos e experiência, se tornam armas legitimas da equipe, e eventualmente o time inteiro de San Antonio começa a encaixar, fica descansado para a reta final, e quando percebemos eles ainda tem 60 vitórias e o topo do Oeste. Muitas vezes vimos o Spurs começar o ano devagar, muitas delas nos perguntamos se deveriam nos preocupar, e sempre San Antonio nos fez comer nossas palavras, muitas vezes até com títulos. Não caiam nessa.


Toronto Raptors

O Raptors é um legítimo candidato ao título (do Leste)?

Em poucas palavras, sim, especialmente se Cleveland continuar sem engrenar na defesa. Ano passado, Toronto foi o terceiro melhor time do Leste em diferencial, terminando em nono na NBA inteira e atrás apenas de Pacers e Heat. Com Stephenson fora e George machucado, o Pacers fede, e o Heat não tem mais o melhor jogador do mundo. Toronto trouxe de volta todo mundo de 2014, então não só não perdeu como até evoluiu: James Johnson reforçou o banco e tem vindo bem do banco, e alguns jovens jogadores estão cada vez mais próximos de seu auge. Não é de surpreender que o Raptors entre em 2015 mais forte que terminou 2014.

Hoje, nessa temporada ainda jovem, Toronto é o quinto melhor time da NBA em saldo (+7.1/100) e o melhor do Leste. Seu ataque tem sido espetacular nesse começo de ano, terceiro melhor da liga. E talvez mais importante, o Raptors tem pouca concorrência no Leste no momento. Chicago não é ameaça enquanto Rose não ficar saudável. Cleveland tem muito chão para andar. Pacers não é mais competitivo. A temporada ainda é jovem demais e muito ainda vai acontecer, mas hoje, o Raptors parece ser o time mais bem posicionado para ir as Finais do que qualquer outro do Leste até que algo mude. E eles estão jogando para tanto.

Eu sei os problemas do time. Falta aquela superestrela, e é um time muito jovem, não testado nos playoffs. Chicago expôs alguns dos problemas ontem a noite. Ainda assim, em algum momento o talento começa a falar. Entre o que fez em 2014 e o que está fazendo em 2015, é hora de reconhecer Toronto como um legitimo contender. Por mais estranho que isso pareça de se ler.


Utah Jazz

Porque Dante Exum está jogando tão pouco?

Dante Exum era a grande jóia desconhecida do Draft de 2014, um jogador talentoso e com enorme potencial que ninguém sabia o que esperar, já que nunca tinha jogado acima do nível colegial na Austrália. Ninguém tinha visto Exum em ação além disso e da seleção Sub-19 da Austrália, e apesar de muito talentoso, ainda parecia bastante cru. 

E sim, eu entendo a idéia de não gastar seus calouros tão cedo. Entendo que o Jazz não queria expor tanto um jogador jovem e cru como Exum. Mas isso não quer dizer que o Jazz precisa fazer de tudo para evitar usá-lo, especialmente porque o australiano já se mostrou muito mais avançado do que todos esperavam: ele tem a paciência de um veterano e sabe muito bem encontrar os ângulos abertos ao invés de atacar a defesa sem pensar. Ele consegue ver o jogo muito melhor do que o esperado, e apesar das ocasionais besteiras de calouro, ele já está muito acima do que todos esperavam. Eu, pessoalmente, estou convencido que Exum vai ser uma estrela.

E ainda assim, o Jazz tem sido relutante em usá-lo. Quatro noites atrás, contra o Pistons, Exum estava sendo possivelmente o melhor jogador de Utah em quadra e acabou com um 9-5-3 em 20 minutos... e mesmo assim teve só 6 minutos no primeiro tempo, e só jogou no segundo porque Burke estava com problemas de faltas. Mesmo que os minutos de Exum tenha aumentado, seu papel continua baixo, muitas vezes ficando esperando de lado enquanto Burke, Burks ou Heyward driblam a bola e finalizam com arremessos ruins.

Sinceramente, não tem nenhum motivo para Exum ser tão pouco usado em Utah. Por um lado, ele precisa de experiência e rodagem para continuar desenvolvendo seu jogo. Por outro, ele tem jogado muito bem, e mesmo que Utah esteja começando a querer ganhar para dar o próximo passo em sua reconstrução, e o Jazz tem jogador melhor com o garoto em quadra - Utah é um time +2.3 por 100 posses com ele em quadra e -7.6 com ele no banco. Além disso, Trey Burke está horrível nesse começo de ano e tem um potencial bem menor. Usar Exum o máximo possível - e não só por tempo, como com a bola nas mãos e com mais responsabilidades - é melhor para Utah no curto E no médio prazo. Porque está demorando tanto?


Washington Wizards

Washington pode vencer um titulo com Beal e Wall?

Washington começou muito bem a temporada. Seu record 6-2 é o terceiro melhor do Leste, assim como seu diferencial é o quarto (+3.4, atrás de Raptors, Bulls e Heat). E fizeram tudo isso apesar de estarem sem o seu segundo melhor jovem jogador, Bradley Beal.

Beal, que ano passado teve média de 17-3-3 chutando 40% de três em sua segunda temporada apenas na NBA, vai perder as primeiras 8 semanas da temporada com uma mão quebrada. E não é difícil imaginar o impacto que ele teria quando voltasse - Washington tem uma forte defesa, mas o ataque tem sido apenas mediano. Isso acontece em grande parte porque o time não tem aproveitado os chutes de fora: só o Kings e o Wolves anotam uma porcentagem menor dos seus pontos em chutes de três, e só Wolves e Grizzlies tentam menos arremessos de fora. O arremesso de três não é importante só por valer mais, mas sim porque isso obriga a defesa a marcar jogadores mais longe do garrafão, abrindo assim espaços para o ataque. Digamos que ter de volta Bradley Beal - um exímio chutador de três que tem 40% de média na carreira em 4.5 arremessos por jogo - vai ajudar bastante esse ataque. Beal arremessou 42% ano passado do topo do arco, onde o Wizards é o time que menos tenta arremessos da NBA. A presença dele vai ajudar bastante esse ataque que precisa de reforços.

Se a defesa - atualmente no Top5 - conseguir se manter boa com a volta de Beal, os arremessos do terceiro-anista tem tudo para reforçar ainda mais esse ataque e tornar Washington um time realmente forte. Quando junto em quadra, o quarteto Beal-Wall-Gortat-Nene superou os adversários por quase 11 pontos por 100 posses em 2014, e o time atual é mais versátil e mais profundo do que o do ano passado, com um ano extra de entrosamento. Se isso acontecer, o Wizards entra naquele grupo de bons times do Leste que estão definitivamente brigando por uma vaga nas Finais enquanto um time dominante não se manifestar.

Mas a grande vantagem do Wizards é que, apesar de condições de brigar no Leste atualmente, a espinha dorsal da equipe consiste de dois jogos com menos de 24 anos, Wall e Beal. Mesmo que no curto prazo a janela se feche, a equipe ainda controlará esses dois por mais um bom tempo, com a perspectiva de um bom espaço salarial se abrindo em breve para tentar talvez a grande estrela (Durant, que é de Washington e supostamente estaria pensando em uma volta para casa) ou pelo menos algum bom jogador. No curto prazo, a janela do Wizards no Leste está aberta, mas ao contrário de outros times, o seu potencial no médio e longo prazo é ainda maior.