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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Prêmios da Temporada 2016/17 da NBA - Parte I

Um resumo das redes sociais nas últimas semanas


Se você está chegando agora: sim, o Two-Minute Warning está de volta!!

E como prometido na coluna da semana passada, chegou a hora de falar de basquete. E bastante. A temporada terminou essa quarta feira, os playoffs começam sábado, e temos muito a tratar antes de atingirmos a parte realmente crítica da temporada da NBA.

Mas como de modo geral a primeira rodada dos playoffs é principalmente burocrática, com só algumas poucas séries realmente sendo divertidas e oferecendo potencial de surpresas, tem algo mais urgente para falarmos: os prêmios da temporada.

Eu não lembro de uma temporada mais polarizadora nesse sentido, liderada por uma discussão para MVP que atingiu proporções que eu não lembro de ter visto antes na minha vida. Para onde quer que você vire, as pessoas estão falando a respeito da corrida pelo prêmio, e atrasando em uns 20 anos a parte analítica do basquete no processo: alguns estão buscando se aprofundar cada vez mais nas análises, nas comparações, e tentando atingir um critério cada vez mais racional para separar os candidatos... enquanto que a grande maioria só está preocupada em gritar mais alto e usar parâmetros arbitrários para discutir.

Então como alguém que sempre tenta trazer essa visão mais analítica e crítica, eu não poderia deixar de passar a chance de dar minhas opiniões e trazer minhas visões para a mesa. Além disso, eu gosto de discutir esses prêmios individuais, e a chance que eles nos oferecem para discutir pontos específicos e interessantes da temporada.

E essa na verdade é uma coluna gigante que foi separada em três partes. Essa é a Parte I, que trata dos prêmios individuais da temporada: MVP, Defensive Player of the Year, Rookie of the Year, Coach of the Year, 6th Man of the Year, e Most Improved Player.

A Parte II e a Parte III virão semana que vem, com meus palpites para os times da temporada (All NBA, All Rookie, All Defense) na Parte II, e os Prêmios Alternativos na Parte III.

Parte I: Prêmios individuais da temporada
Parte II: Times ideais da temporada
Parte III: Prêmios alternativos

Vamos ao que importa.


Most Improved Player



Então vamos começar pelo prêmio que eu mais detesto: Most Improved Player, ou o jogador que mais evoluiu na temporada.

O principal motivo para eu detestar esse prêmio é que, embora todos os prêmios da NBA carreguem consigo um bom nível de subjetividades e tenham critérios muito pouco definidos, esse prêmio é de longe o que existe as piores interpretações. O prêmio é para o jogador que "Mais evoluiu", o que indicaria um jogador que fez grandes evoluções no seu jogo e atingiu um nível novo do que o esperado. Mas na grande maioria do tempo, esse prêmio é dado para algum jogador talentoso que por algum motivo viu um aumento de minutos e/ou de papel e viu seus números aumentarem... mesmo que isso tenha acontecido com o jogador fazendo exatamente o que sempre fez antes. Não acredita? Olhe os números abaixo:

A: 17.2 PPG, 9.0 RPG, 1.3 APG, 1.0 BPG, 43.0 FG%, 39.3 3PT%, 21.2 PER
B: 18.0 PPG, 8.3 RPG, 1.0 APG, 0.5 BPG, 43.3 FG%, 39.3 3PT%, 18.1 PER

Esses são os números por 36 minutos de Ryan Anderson nas temporadas 2011 e 2012 da NBA. Anderson venceu o prêmio de MIP em 2012 com números de produção virtualmente idênticos aos da temporada anterior. Então o que aconteceu? Mudanças no elenco do Orlando Magic resultaram em um aumento de minutos para Anderson, que passou de 22 minutos por jogo para 33 minutos por jogo em 2012. Esse aumento em minutos levou a um aumento proporcional na produção bruta de Anderson, e foi isso que os votantes viram e acabaram por elegê-lo o jogador que mais evoluiu de 2012... embora Anderson fosse basicamente o mesmo jogador de um ano antes, fazendo as mesmas coisas, mas só com mais minutos. Para mim isso não é evoluir. Anderson merece crédito por manter a produtividade com uma maior carga, sem dúvida, mas não houve realmente uma mudança no jogador que ele era.

Dito isso, a verdade é que temos bons candidatos a esse prêmio na temporada 2016/17 quando focamos em jogadores realmente mudando seus jogos. E de uma variedade bastante impressionante: temos veteranos que adicionaram algo ao seu repertório para tornar seus times mais eficientes (como Marc Gasol, que se tornou um letal arremessador de 3 pontos da noite para o dia); temos jovens jogadores finalmente colocando seus talentos no lugar e atingindo um novo nível de jogo (como Otto Porter e Bradley Beal); e até veteranos dando passos lentos na direção de um nível maior (Gordon Hayward).

Mas passando por todos os candidatos, esse prêmio para mim ficou entre 5 jogadores, que já é um número muito maior do que o normal, e uma mudança muito bem vinda.

Entre os cinco, talvez o caso mais interessante seja o de James Johnson. Um veterano de menor expressão, Johnson passou sete anos na NBA vagando de time em time, sem nunca achar seu lugar ou seu nicho dentro da NBA. Até que em 2017, no seu quinto time e oitavo ano de NBA, Johnson perdeu 18 quilos e se reinventou como um point-center, capaz de jogar em cinco posições, tapar todo tipo de buraco, e marcar todos tipos de jogadores. Sua versatilidade e energia se tornou uma parte chave de um surpreendente time do Miami Heat, alguém que funciona como um canivete suíço que permite a Miami usar todo tipo de formação e maximizar seu talento. Johnson só não está mais alto na minha lista por um motivo: foi menos uma questão de Johnson desenvolver habilidades novas, e mais de achar um time e um papel que maximizasse as habilidades que ele já possuía. Ainda assim, existe valor e dificuldade de sobra nesse tipo de transformação que JJ fez, e a forma como adaptou-se a essa função precisa ser reconhecida.

(Em tempo: a emergência de Johnson como uma das personalidades mais divertidas da NBA - um faixa preta em kickboxing, lutador invicto de MMA (7-0) e kickboxer (18-0) que enterra na cabeça de todo mundo, da passes insanos ( no bom e no mau sentido) o tempo todo e joga em sexta marcha o jogo inteiro não afetou nesse ranking).

Harrison Barnes é outro exemplo bom, um jogador que veio para a NBA e cresceu em meio a um esquema extremamente favorável, sendo sempre a terceira ou quarta opção de um time que prezava pelo espaçamento e movimentação de bola, e que de repente recebeu uma bolada na free agency para ser o foco de um time muito menos talentoso. Embora uma parte seja a questão de um jogador com um papel menor vendo seus números aumentarem em uma nova situação, a adaptação de Barnes em Dallas foi muito maior do que apenas isso, mostrando grande evolução com pontuador em isolações e com a bola nas mãos de modo geral - e, mais importante, se adaptou de forma impressionante a um novo papel como small ball PF, jogando sem a bola e marcando jogadores maiores em tempo quase integral. Pouca gente apostou nisso, mas Barnes está valendo cada centavo do contrato que recebeu.

Um candidato mais falado e cotado ao prêmio é Nikola Jokic, o fantástico pivô passador de Denver. Esse, na verdade, é um candidato que eu não gosto tanto quanto outros: É o caso onde me parece mais Jokic recebendo uma atribuição maior e um esquema mais focado nas suas habilidades já existentes. Mas ainda assim, a forma como Jokic cresceu e expandiu seu jogo dentro do que já fazia esse ano foi espetacular, e cada passe sem olhar nas costas da defesa foi um dos pontos altos da temporada. Mesmo que as habilidades sejam as mesmas, o nível delas sendo posto em prática é muito maior, e fazer isso mantendo a eficiência merece sua indicação ao prêmio.

Já um nome muito menos falado, mas mais merecedor, é Rudy Gobert. Gobert sempre foi conhecido por sua fantástica defesa, graças à sua enorme envergadura, mas seu desafio sempre foi conseguir fazer o suficiente no resto do jogo para justificar os minutos e o espaço em quadra. E foi o que fez essa temporada: Gobert sempre foi um jogador feroz e atlético cortando para a cesta, mas parece muito mais confortável do que nunca nessa função. O francês desenvolveu uma série de movimentos para se reposicionar ou melhorar o timing dos arremessos quando recebe a bola, e está muito mais inteligente na hora de saber quando fazer um corte mais curto, e quando cortar com força para receber um lobby. Sua média subiu para 14 pontos por jogo, de longe a maior marca da carreira, e está arremessando 66.6%. E como se não fosse suficiente, Gobert está ainda melhor defensivamente essa temporada... mas falamos disso daqui a pouco. Como o forte de Gobert sempre será sua defesa, acabamos notando menos as evoluções que fez no resto do seu jogo, mas essa evolução foi o que transformou Gobert de um ótimo defensor em um dos melhores - talvez O melhor - pivô da NBA. Aliás, vale citar que Gobert é #2 na NBA INTEIRA em Win Shares. Isso me parece significante.

Mas eu não consigo não dar esse prêmio para Giannis Antetokounmpo. Apesar da pouca idade de Giannis, o salto de "bom jogador" para "estrela" é o mais difícil de fazer, e é exatamente o que ele fez: Giannis está dominando jogos rotineiramente, e mais do que nunca o grego capitalizou na sua versatilidade pra se tornar o unicórnio mais versátil e dominante da NBA. E não só ofensivamente, onde Giannis agora rotineiramente tem jogos de 25 pontos e funciona quase como armador, mas principalmente sua enorme evolução defensiva foi o que destravou uma nova dimensão para todo o time do Bucks: Antetokounmpo tem média de 1.9 tocos e 1.7 roubos por jogo, mas mais importante, Giannis é o QUINTO melhor jogador da NBA protegendo o aro, segurando oponentes a 46.3 FG% perto do aro. O grego se tornou essa temporada o primeiro da história a ficar entre os 20 melhores jogadores da temporada em pontos, rebotes, assistências, roubos E tocos. Isso é surreal.

Quantos jogadores são capazes de funcionar como protetor de aro na defesa E armador principal no ataque? Sua capacidade de fazer qualquer função ofensiva E defensiva fazem dele um legítimo coringa, capaz de destravar qualquer lineup para Milwaukee e funcionando como um missmatch ambulante dos dois lados da quadra. E não é como se o valor de Giannis viesse só de sua versatilidade: ele é um dos pontuadores mais dominantes da NBA, com média de 23 ppg em 52.2 FG%, além de 5.4 de assistências por jogo. E acima de qualquer outra, a evolução absurda de Giannis em 2017 como um dos 12 melhores jogadores da NBA é a que mais pode afetar o balanço de poder da liga nos próximos anos.

(Minhas mais sinceras desculpas a Isaiah Thomas, que eu decidi por não incluir na votação simplesmente porque não acho que ele esteja fazendo nada de muito diferente do de sempre, exceto a parte de acertar sempre. Um dos momentos mais difíceis da coluna)

Ballot final: 1. Giannis Antetokounmpo; 2. Rudy Gobert; 3. Harrison Barnes; 4. Nikola Jokic; 5. James Johnson.


Coach of the Year





Para quem não conhece, a minha postura sobre esse prêmio é a seguinte: Greg Popovich é o melhor técnico da (história da) NBA e deveria ganhar esse prêmio todo ano. Simples assim. Então, por esse motivo, eu NÃO coloco Popovich no meu ballot anual, para dar mais debate e graça para o prêmio. Ele é o vencedor honorário, e esse ano não é diferente: o que fez para remontar seu time sem Duncan, transformando o elenco e o banco, transformando David Lee em um bom defensor, e mantendo seu time como o segundo melhor da NBA foi digno das lendas... e é só mais um dia no escritório para Popovich.

Então isso posto, a disputa desse ano de CoY me parece estar aberta entre dois nomes: Eric Spolestra e Mike D'Anthony.

Se for para dar um palpite, eu acho que D'Anthony vai ganhar. Ele é a história "sexy" do ano, o técnico rejeitado que foi piada ao redor de toda a NBA quando foi contratado e levou o desacreditado Rockets a um terceiro lugar no fortíssimo Oeste, bem como o segundo melhor ataque da liga. Esse é o tipo de coisa que acabamos esquecendo ao longo de uma temporada bem sucedida, mas a offseason do Rockets foi ridicularizada ao redor da NBA: a projeção de Vegas para o time era de vencer 41 jogos, e todo mundo deu risada do absurdo que parecia na época juntar Mike D'Anthony com James Harden e seus vines defensivos, mais as contratações de Eric Gordon e Ryan Anderson. A defesa desse time, a narrativa dizia, seria uma piada que impediria o time de ser competitivo.

Engraçado como as coisas mudam, não é mesmo? Hoje em dia todo mundo fala do ótimo encaixe que foi Harden e suas habilidades sobrenaturais de criação com o esquema aberto e veloz de D'Anthony, sobre o "ótimo" elenco de apoio do Rockets, e por ai vai... sendo que foram as mesmas coisas que todo mundo criticou seis meses atrás.

E D'Anthony tem bastante mérito nessa mudança. Seu Rockets sem nenhum All-Star ao redor de James Harden ainda não tem uma boa defesa, só 17th na NBA, mas sem dúvida já é muito melhor do que esperavam, e mais do que suficiente para se vencer se associado a um ataque devastador... o que o Rockets tem de sobra. Tirando apenas a Máquina da Morte que é o ataque de Golden State (surreais 113.3 pontos por 100 posses de bola), Houston tem o melhor ataque da NBA (111.7) e terminará a temporada com a terceira melhor campanha da liga. E isso aconteceu principalmente porque cada uma das peças falhadas que compunham esse elenco foram colocadas no lugar certo, na hora certa, para fazer o time como um todo funcionar. E, talvez ainda mais importante, seu gênio ofensivo foi exatamente o que o time precisava para enfim liberar todo o enorme potencial de James Harden, alguém que não só é um gênio em termos individuais como é alguém que torna todos os seus companheiros melhores em quadra. Existe um equilíbrio difícil entre maximizar o jogador e maximizar o elenco, mas o Rockets encontrou muito bem esse balanço em 2017, e D'Anthony merece os créditos.

Mas com todo o respeito ao ótimo trabalho de D'Anthony, o meu voto vai para Spolestra porque eu acho que o que ele fez em Miami é o mais "puro" que se pode chegar que coloca em evidência o trabalho de um grande técnico. Não existe um sistema, não existe uma estrela: Spolestra simplesmente pegou um elenco muito fraco, com peças muito díspares e que não apresentavam nenhum tipo de coesão, e fez um trabalho absolutamente fantástico em montar uma forma de jogar que encaixa todas essas peças no lugar certo, colocando cada jogador em posição de maximizar suas forças e minimizar suas fraquezas, e montou esse complicadíssimo quebra cabeça em um time coeso e eficiente que está buscando uma das maiores reviravoltas dentro de uma mesma temporada que eu lembro de ter visto.

Mesmo depois de perder Justise Winslow, as coisas encaixaram em Miami: Dragic voltou a jogar em nível All-NBA, Dion Waiters pareceu uma estrela as vezes, James Johnson (que ainda não apareceu pela última vez nessa coluna) e Wayne Ellington estão jogando o melhor nível de basquete da vida, Tyler Johnson de repente não tem um contrato tão absurdo assim... existe simplesmente um número enorme de coisas dando certo para Miami, onde deveriam estar dando errado. O time pode não chegar aos playoffs por conta de um começo ruim e da lesão de Waiters, mas é muito raro ver um time com tão pouco talento jogando tão bem e colocando tanto medo no resto da NBA dessa maneira, um testamento ao trabalho de um dos melhores e mais subestimados técnicos da NBA.

Também queria deixar uma menção honrosa para Scott Brooks, muito criticado em Oklahoma City mas que deu vida nova a John Wall e o Wizards fazendo o que faz de melhor: desenvolver jogadores. Bradley Beal está jogando melhor do que nunca e merecia consideração séria para ser um All-Star, Otto Porter enfim se desenvolveu em um jogador completo e com um dos arremessadores mais certeiros da NBA de bônus, Kelly Oubre virou um jogador muito versátil e valioso... e claro, John Wall saltou um nível e estaria na conversa para MVP se essa temporada não tivesse quatro aliens disputando. E quando você pensa a respeito, para um time sem grandes ativos ou espaço salarial, a forma de evoluir é através da evolução dos talentos jovens que já estão no elenco. Foi o que aconteceu com Washington, e embora parte possa ser só o efeito de substituir um técnico péssimo, Scott Brooks merece mutos créditos pela ótima temporada do Wizards.

Ballot final: 1. Eric Spolestra; 2. Mike D'Anthony; 3. Scott Brooks; 4. Brad Stevens; 5. Quin Snyder.
Coach of the Year Emérito: Greg Popovich.


6th Man of the Year





Outro prêmio que eu não gosto por causa do critério utilizado pelos votantes. Em geral, esse prêmio é dado para aquele jogador que vem do banco e anota o maior número de pontos, como ilustrado pelo fato do Jamal Crawford ter vencido esse prêmio três vezes. Eu acho um critério muito pobre: claro que existe valor em alguém para pontuar vindo do banco quando seus titulares estão descansando, mas existe muito mais coisas que um 6th Man pode fazer e que acabam esquecidas por quem vota nesse prêmio. Existe muito valor em ter, por exemplo, um sexto homem capaz de jogar em mais de uma posição e mais de um estilo de jogo, porque isso oferece bastante flexibilidade sobre com quem ele vai jogar, e permite mais opções ao técnico. Sua capacidade de encaixar com os titulares para gerar lineups ainda melhores, ao invés de só jogar com os reservas. Ou talvez ele tenha alguma qualidade específica que seja crucial para destravar alguma característica que o time precisa, como por exemplo James Johnson (três vezes!) esse ano com sua capacidade de jogar quase de armador no ataque e de pivô na defesa.

Para mim, pessoalmente, é isso que faz os melhores sextos homens da NBA: jogadores cuja sua função vinda do banco não é apenas manter o time flutuando sem os titulares, mas transforma a própria forma do time jogar, funcionando como um sexto titular de fato, alguém integral à identidade e ao sistema da própria equipe. Mas jogadores assim são raros, e a exceção à regra. A grande maioria dos bons reservas são reservas por um motivo. Mesmo com times ficando cada vez mais inteligentes e atento ao encaixe entre seus jogadores, o que deixa mais bons jogadores vindo do banco, ainda não é comum ver aqueles reservas tipo Manu Ginobili que estão no banco porque sua presença lá abre uma nova dimensão inteiramente diferente para a equipe.

Mas também é por esse motivo que meu voto vai para Andre Iguodala. Iggy não seria titular no Warriors de qualquer maneira por causa da presença de Kevin Durant, mas de certa forma, ele é a personificação de tudo que faz do Warriors tão bom: sua capacidade de jogar múltiplas posições , que permite qualquer tipo de lineup; sua versatilidade defensiva e capacidade de trocar marcações, núcleo da defesa #2 do Warriors; seu altíssimo QI de basquete e habilidade de passar a bola tomando boas decisões; e o fato de ser um jogador extremamente coletivo e que não liga a mínima para estatísticas. Sua presença em quadra destrava a possibilidade do Warriors jogar qualquer estilo e com qualquer formação, e muitas vezes é a entrada de Iggy que injeta a energia e vontade que as vezes falta a Golden State.

E em particular foi sua atuação após a lesão de Durant que garantiu esse prêmio para mim. Não só Iggy não entrou na formação titular do time - o que seria o movimento óbvio - como foi quando Iguodala elevou seu jogo um novo nível, retomou o auge da sua intensidade defensiva, e foi um monstro fazendo tudo o que o Warriors precisava, quando precisava, e assumindo os bastidores quando não era mais necessário. Iggy é peça crucial da identidade e do estilo de jogo do melhor time da NBA, e isso vale alguma coisa para mim. Embora não atrapalhe que Iguodala lidere todos os candidatos ao prêmio em Win Shares, com 6.9.

Aliás, junto dos meus votos a esse prêmio deixo minhas melhores desculpas aos reservas do Spurs, que infelizmente ficaram de fora do Top5. O banco de San Antonio é o melhor da NBA e chave para seu sucesso, mas é difícil demais escolher um jogador mais importante em meio a um grupo cujo sucesso depende da coletividade. Então entre David Lee, Dewayne Dedmon, Manu e Patty Mills, eu simplesmente não achei que um deles deveria entrar acima de outros candidatos ao prêmio, mas fica o registro da força desse coletivo.

Por fim, minha decisão final ficou entre 5 jogadores para as últimas 4 vagas: Tyler Johnson (14-4-3, 37 3PT% para Miami), James Johnson (já citado), Enes Kanter (14-7, 57 FG% e um papel crucial em OKC mesmo jogando um pouco fora do seu estilo), Greg Monroe (mais daqui a pouco) e Lou Williams (18-3-2). Eu acabei deixando Lou Will de fora por dois motivos simples: seus números são ótimos, mas isso foi principalmente como foco do ataque de um time péssimo (Lakers) - ao contrário dos outros, que tiveram que fazer sua contribuição de forma muito mais balanceada para times que dependiam disso para brigar por playoffs - bem como sua queda de produção desde a troca para Houston. Não foi uma decisão fácil.

Queria também aproveitar para destacar Greg Monroe pela reviravolta que foi sua temporada, mudando totalmente sua performance defensiva para se tornar um jogador mais balanceado e fundamental para a temporada do Bucks. Seus passes são ótimos, sua defesa melhorou muito, ele ainda é alguém capaz de cavar alguns pontos quando o ataque fica estagnado, e não é a toa que as melhores lineups do Bucks esse ano tem Monroe envolvido.

Com minhas melhores desculpas a Williams, Zach Randolph, Eric Gordon, Kelly Oubre e o banco inteiro do Spurs.

Ballot final: 1. Andre Iguodala; 2. Greg Monroe; 3. James Johnson; 4. Tyler Johnson; 5. Enes Kanter.


Rookie of the Year




Esse não foi um bom ano para os calouros da classe 2016 da NBA. Na verdade, em termos de produção imediata, foi a pior produção de uma classe de calouros desde a 2000, amplamente considerada uma das piores (talvez A pior) classe de Draft da história da NBA. Isso não quer dizer, é claro, que a classe seja ruim, não tenha futuro, ou esteja fadada ao fracasso. Um ano é pouquíssimo para julgar algo assim, e muito ainda vai acontecer daqui para frente. É sempre importante lembrar de ter paciência. Não vamos poder realmente julgar o que essa classe de calouros foi até daqui a pelo menos três anos.

Isso posto, HOLY CRAP, esse primeiro ano foi péssimo. A primeira escolha do Draft, Ben Simmons, não jogou um minuto sequer e perdeu a temporada com uma lesão no pé, em meio a mais um show de incompetência dos médicos e da nova diretoria da Philadelphia. Brandon Ingram, a #2, tinha literalmente o pior WS da NBA inteira até semana passada. Dragan Bender, #4, teve média de 13 minutos por jogo antes de perder o resto da temporada com uma lesão no pé. O #5, Kris Dunn, um calouro de 23 anos, teve média de 3.7 pontos por jogo, arremessando 37.7% de quadra e 29.6% de 3PTs. Você entendeu a ideia.

O melhor calouro dessa classe em 2016 foi, adequadamente, Malcolm Brogdon, uma escolha de segunda rodada (#36 geral). Brogdon já tem 24 anos, então seu potencial não é muito grande, mas o que ele já tem no momento é mais do que suficiente para fazer dele um bom jogador de NBA. O jogo de Brogdon não é chamativo ou particularmente explosivo - embora suas belas cravadas sobre LeBron e Kyrie não tenham sido nada más - mas ele é extremamente valioso por causa de duas coisas: ele faz tudo bem, e ele não faz nada mal.

Parece besteira, mas no basquete de hoje isso é mais valioso do que se pensa: ofensiva e defensivamente, o foco dos times é atacar qualquer fraqueza ou ponto vulnerável do adversário, e jogadores que não oferecem isso são extremamente valiosos na NBA moderna. Essa capacidade de fazer tudo também permite a Brogdon jogar em várias posições e em qualquer função: armar o time, jogar sem a bola quando Giannis está de armador, defender armadores, defender alas, espaçar a quadra... Brogdon faz tudo, e seu altíssimo QI de basquete faz com que ele sempre tome a decisão certa na hora certa. É o tipo de jogador que faz o time melhor, e todo mundo precisa na NBA moderna. Alguém capaz de armar o jogo até certo ponto, chutar 40% de três, defender em alto nível e não ter nenhum defeito no seu jogo é muito valioso, e é o que faz Brogdon liderar a NBA com folga entre calouros em Win Shares (4.1).

Mas essa falta de bons jogadores da classe de 2016 acabou sendo ao mesmo tempo aumentada e ofuscada por causa de dois calouros que não eram desse Draft: Joel Embiid e Dario Saric, ambos escolhidos em 2014 por Sam Hinkie e que só foram estrear na NBA esse ano.

Acho que antes de mais nada podemos concordar que Joel Embiid foi DE LONGE o melhor jogador dessa classe de calouros quando esteve em quadra. Esqueça calouro: Embiid foi um dos melhores JOGADORES da NBA em um nível por-minutos, com médias de 29-11-3 e 3.5 tocos por 36 minutos. Além de ser um monstro ofensivamente, uma combinação de atleticismo explosivo, habilidade para finalizar, ótimo domínio de bola e alcance de 25-ft, Embiid também foi um dos defensores mais dominantes da temporada, liderando toda a NBA em proteção de aro - adversários chutaram 41% perto do aro contra Embiid, 2.5 pontos melhor que o segundo lugar - e transformando o Sixers na MELHOR defesa da NBA nos minutos que esteve em quadra: o time teve 99.1 de  Defensive Rating com Embiid em quadra. San Antonio lidera a NBA com 100.9. O Sixers alias teve +3.2 de saldo por 100 posses de bola com Embiid em quadra, equivalente à 7th melhor marca de toda a NBA.

Então Embiid como jogador esteve em outra estratosfera em relação ao resto da NBA, e se ficar saudável, será um dos jogadores mais dominantes da liga e que pode mudar o jogo. Mas não é o caso ainda: Embiid jogou apenas 31 jogos, com minutos restritos em todos eles, totalizando 768 minutos em quadra apenas. Eu não consigo dar o prêmio para alguém que jogou tão pouco... mas ao mesmo tempo não consigo deixar Embiid abaixo de ninguém na minha lista, porque ninguém chega nem perto dele (nas palavras do grande Tim Bontemps, "Ou Embiid não é elegível, ou o prêmio é dele"). Então optei por deixar o camaronês de fora do meu ballot e dar para ele o prêmio de ROY Moral de 2017. Me processem.

O outro calouro de 2014 desse ano foi Dario Saric, um dos jogadores que eu mais gostei de assistir na reta final dessa temporada. O croata é um ala de 2 metros e 8 que tem um ritmo próprio, pode jogar de armador, e da alguns dos passes mais legais da NBA. Saric começou o ano devagar e teve seus altos e baixos, não sendo dos jogadores mais consistentes e sofrendo um pouco com sua adaptação à NBA, mas desde que Embiid machucou e Saric recebeu as chaves do carro, o croata tem mostrado todo seu repertório e produzido em altíssimo nível: entre 08/02 e 24/03, Saric teve média de 20 pontos, 8 rebotes, 3.5 assistências e arremessou 48% de quadra e 33% de 3PTs em 21 jogos. Esses pontos são arbitrários na temporada, claro, mas mostram um pouco do potencial enorme de Saric. Jogadores com sua combinação de altura, passe, arremesso e QI de basquete são raros - e valiosos.

Então a decisão final acabou sendo entre Saric e Brogdon. Ao longo da temporada, os números dos dois não chamam tanto a atenção: 10-3-4 com 46-40-86 arremessando para Brogdon; 13-2-6 com 41-31-78 para Saric. Saric produziu mais, mas Brogdon foi mais eficiente e é um defensor melhor. Brogdon foi mais consistente ao longo do ano, mas por outro lado não teve um período de dominância como Saric teve naqueles 21 jogos.

No final, a decisão se resumiu ao seguinte: eu acredito que Saric tem um potencial maior, consegue atingir um nível maior, e é o que 90% dos times escolheriam o croata se pudessem escolher um dos dois para seu futuro... mas fazer o que Brogdon fez em um time que briga pelos playoffs e foi dado como morto em diferentes momentos da temporada com as lesões de Middleton e Jabari Parker é especial. Brogdon encaixou de forma muito impressionante nesse time, e sua capacidade de fazer um pouco de tudo e se adaptar a qualquer função foi um fator fundamental para consolidar um elenco talentoso, mas com partes que não se encaixam da forma mais limpa dentro de quadra. Ele pode espaçar a quadra, lidar com a bola, defender... e mais importante, ele pode fazer cada uma dessas coisas quando o time mais precisa de cada uma delas. Fazer o que Brogdon fez em um time que briga por playoffs, se adaptar e tirar ao máximo de suas oportunidades, e mais importante ainda, ser parte fundamental desse crescimento e desse sucesso, é o que fez dele meu calouro do ano.

Ballot final: 1. Malcolm Brogdon; 2. Dario Saric; 3. Jaylen Brown; 4. Jamal Murray; 5. Buddy Hield.
Rookie of the Year Moral: Joel Embiid.


Defensive Player of the Year




Não vou mentir: eu tive Rudy Gobert como meu voto nesse prêmio durante a maior parte do ano. Em um momento onde a NBA está valorizando (e sabendo como medir) cada vez mais proteção de aro, Gobert reina supremo como o rei desse quesito, de longe o melhor protetor de aro da NBA. Com suas gigantescas proporções, surpreendente agilidade e ótimo posicionamento, Gobert contesta mais arremessos perto do aro do que qualquer outro jogador da liga (10.3 por jogo) e segura os adversários a 43,3% nesses arremessos, a segunda maior marca da liga entre jogadores qualificados - e isso sem contar os incontáveis arremessos que Gobert altera antes mesmo de chegarem no garrafão, de jogadores que não querem ter que enfrentar o francês e seus braços gigantes.

Mas duas coisas colocaram Gobert um nível acima defensivamente esse ano, o centro de uma das melhores defesas da NBA. O primeiro foi sua evolução defendendo lances mais longe do aro - sua especialidade - em especial pick and rolls. Com sua agilidade e envergadura, Gobert é capaz de marcar o pick and roll cobrindo os dois jogadores envolvidos, com o ballhandler sabendo que se atacar a cesta vai ter que lidar com os braços gigantes do francês, e ao mesmo tempo usando essa envergadura para cobrir uma linha de passe para o pivô que corre para a cesta. Em outras palavras, Gobert consegue defender o pick and roll praticamente sozinho, sem precisar de ajuda, o que faz dele imensamente valioso em uma liga que vive praticamente dessas duas coisas para iniciar seus ataques: atacar a cesta, e pick and roll.

A segunda coisa é o que foi dito na parte sobre MIP: Gobert melhorou muito seu jogo em outras áreas além da defesa, se tornando especialmente um sólido jogador ofensivo. Isso pode parecer que não influencia no prêmio de melhor defensor, mas indiretamente, existe um efeito: como Gobert faz mais coisas e não tem mais alguns problemas, o técnico pode usá-lo mais tempo em quadra e especialmente em situações de fim de jogo, o que significa mais minutos, mais responsabilidades, e mais oportunidades para Gobert colocar sua defesa em uso - e por sua vez, mais impacto defensivo total (recomendo fortemente esse vídeo do ótimo Mike Prada para quem quer um exemplo visual do que eu falei sobre Gobert).

Mas na reta final da temporada, nos últimos 20 jogos, o jogador que estava logo atrás de Gobert durante todo o ano na minha lista de defensores assumiu o primeiro lugar. E não é que Draymond Green não estivesse jogando excepcional defesa durante todo o ano - afinal, ele ERA o #2 da lista - mas depois da lesão de Durant, Green teve a chance de mostrar os limites da sua capacidade defensiva, e o que ele fez no período foi realmente fantástico.

O Warriors, apesar das críticas que sofreu ao longo do ano, tem a segunda melhor defesa da NBA na temporada, atrás apenas do eterno Spurs. E o que é mais impressionante dessa defesa, e foi um ponto interessante ao longo de todo o ano, foi sua capacidade de proteger o aro mesmo jogando com um pivô em Zaza Pachulia que não é bom nessa função e foi uma grande piora no quesito em relação a Andrew Bogut. Durante boa parte do ano, Golden State superou esse problema graças a seus dois melhores defensores: Green e Kevin Durant, que combinaram para uma proteção de aro fora do padrão, mas igualmente eficiente. Mas quando Durant se machucou, com a sua ausência e a falta de um substituto à altura dos seus braços gigantes, todo mundo esperava que a defesa de Golden State, mais do que o ataque, fosse a grande prejudicada por essa lesão.

Mas isso não aconteceu, e o principal motivo disso foi que Draymond Green aumentou sua defesa ainda mais um nível e compensou a ausência de KD. E isso acontece por um motivo simples: você não pode finalizar perto do aro, se você não chegar até o aro. E não existe hoje um jogador melhor fazendo essa contenção do que Draymond: se Kawhi Leonard é o defensor mano-a-mano mais dominante da NBA, Green é o mais versátil, capaz de marcar o maior número diferentes de jogadores e cumprir mais funções defensivas... e mais importante, Dray é capaz de mudar de forma absolutamente perfeita de função e marcador durante cada jogada, sabendo a hora de trocar, sabendo a hora de ir para a ajuda na defesa só para dar um toco ou para assumir um novo marcador. Durante uma mesma posse de bola, Draymond Green vai defender um pivô no garrafão, trocar em um armador durante um pick and roll, mudar para um ala para aliviar o missmatch, defender o ataque deste à cesta, e acabar a posse com um roubo de bola. É impressionante.

Essa versatilidade e capacidade de fazer tudo em altíssimo nível do lado defensivo é a base da ótima defesa de Golden State, uma máquina de trocar a marcação de altíssimo QI de basquete que é possível graças a essa versatilidade, intensidade, e dominação de Green. E quando Durant foi para a lista dos machucados, Green fez de sua missão pessoal manter a defesa no mesmo nível, e foi o que ele fez, destruindo no processo alguns dos maiores candidatos a MVP do ano como Westbrook, Kawhi e Harden (2x). Esse nível superior, para mim, foi o que definiu meu voto a favor do ala do Warriors.

E embora seja estranho ver Kawhi entrando em terceiro em um prêmio que ele ganhou dois anos seguidos, a impressão que eu tive é que Leonard teve uma ligeira queda desse lado da quadra esse ano - em parte pelo aumento de responsabilidades ofensivas, em parte porque times estão mais espertos em como diminuir seu impacto defensivo - mas ainda é um monstro e não deve nada a ninguém defensivamente. Ele ainda é um dos melhores defensores da liga, se não da história da NBA.

Andre Robertson é mais um dos muito subestimados jogadores de Oklahoma City, mas que teve uma ótima atuação e é um pilar central em uma defesa que tem discretamente jogado muito bem. E por fim, Giannis é um caso engraçado: o grego ainda tem seus problemas defensivos e não é tão dominante no mano a mano como outros jogadores, mas sua enorme versatilidade, capacidade de proteger o aro em altíssimo nível E marcar 5 posições faz dele um dos defensores de maior impacto da liga. Então Giannis talvez não seja um dos 5 melhores defensores da NBA, mas é difícil encontrar 5 jogadores que tiveram maior impacto defensivo na temporada. Faz sentido?

Ballot final: 1. Draymond Green; 2. Rudy Gobert; 3. Kawhi Leonard; 4. Andre Roberson; 5. Giannis Antetokounmpo.


Most Valuable Player


É isso ai. Chegamos no grande momento. MVP - o jogador mais valioso da temporada.

Na história da NBA, já tivemos discussões de MVP extremamente acirradas (87' e 93' vem à mente), mas desde que comecei a assistir basquete eu não lembro de ter visto nada igual a esse ano, tanto no nível dos competidores pelo prêmio, no nível de paridade entre as principais escolhas, e no nível de polarização que o debate assumiu. Todo mundo parece ter seu candidato, e passa um enorme volume de tempo discutindo por que esse jogador merece ser o MVP - ou, muito pior, discutindo porque os outros NÃO podem ser o MVP.

E acho que a coisa MAIS importante sobre a disputa pelo MVP de 2016/17 que você pode saber, e que eu me sinto na obrigação de escrever, é essa (vou até colocar em negrito e itálico para ajudar):

NÃO EXISTE SÓ UM JOGADOR MERECEDOR DO PRÊMIO ESSE ANO!

Recentemente, especialmente nas redes sociais, eu vejo uma quantidade ENORME de pessoas falando que "Não existe outra escolha válida pro MVP a não ser X", ou "Se qualquer um além do jogador Y ganhar vai ser um absurdo"... e isso é ridículo. Essa temporada tem não um, não dois, mas QUATRO jogadores tendo temporadas históricas, cada um no seu próprio mérito, e existe um argumento muito forte a ser feito para cada um deles ganhar o prêmio: Russell Westbrook, James Harden, LeBron James e Kawhi Leonard. Se qualquer um deles ganhar terá feito por merecer e será muito válido, e embora podemos sempre escolher por um deles (eu fiz minha escolha para essa coluna), a pior coisa que podemos fazer é falar ou deixar alguém nos convencer de que só existe uma escolha possível para o prêmio.

Isto posto, vamos ao que interessa: quem é minha escolha para o MVP de 2017?

Nos círculos de debate, os grandes favoritos são Westbrook e Harden, com o armador de Oklahoma City parecendo levar uma certa vantagem. O que, aliás, levou àquele que ao meu ver é o pior argumento dessa corrida: o de que Westbrook merece ganhar o prêmio porque tem média de triple double. Hmm... e dai? A marca de Westbrook é muito divertida, sem dúvida, como qualquer recorde, mas triplos duplos não significam absolutamente nada de concreto - é uma marca arbitrária criada pelo departamento de marketing do Lakers nos anos 80 para exaltar algo que Magic Johnson fazia com frequência no começo de sua carreira. Por mais que seja divertido acompanhar TDs e torcer pela média de West, não existe nada de real que diga que uma média de TD seja mais valiosa do que qualquer outra. E se o argumento for "Westbrook fez algo que ninguém fazia desde os anos 60", pois bem, nenhum outro jogador na história da NBA teve os números que Harden teve esse ano. Ou LeBron. Ou Giannis. Por que devemos valorizar mais os números de Westbrook só por eles atingirem um parâmetro arbitrário mais famoso? Não podemos confundir isso com uma análise real.

E isso é uma pena, porque existe um EXCELENTE caso a ser feito para Russ sem precisar usar esse ponto arbitrário. Deixando de lado o fato dos seus números formarem um triplo duplo ou não, Russel É o líder da NBA com quase 32 pontos por jogo, é terceiro em assistências com 10.4 por jogo, E décimo em rebotes com 10.7 por jogo. Westbrook está tendo que segurar uma carga de trabalho imensa (West tem a maior USG%, que mede quantas posses de bola do time o jogador finaliza através de arremesso, turnover ou falta cavada, da história da NBA) e não desacelerou um minuto sequer, jogando todos os jogos em quinta marcha e ainda sobrando gasolina no tanque para os jogos apertados, um dos feitos atléticos mais impressionantes que eu já vi na minha vida. Russ também foi o jogador mais devastador da liga essa temporada nos finais de jogos, mesmo que fazendo isso principalmente contra times mais fracos, e não foram poucos os jogos que ele decidiu no final por conta própria. E talvez mais importante de tudo, Westbrook manteve o Thunder relevante e nos playoffs mesmo depois da equipe ter perdido um dos 3 melhores jogadores da liga essa offseason.

Do outro lado, James Harden não tem o apelo do triplo duplo de Westbrook, mas seu caso estatístico não é muito mais fraco. Harden está com médias de 29.1 pontos, 11.2 assistências e 8.1 rebotes enquanto manteve sua impressionante eficiência. Sabe quando foi que um jogador da história da NBA teve 29 pontos, 11 assistências e mais de 50% de eFG%? Nunca. Harden é o primeiro. E faz isso do jeito de sempre: cavando uma tonelada de faltas (lidera a NBA em lances livres), moldando seu jogo em um estilo de arremessos muito eficiente (focando seus arremessos perto do aro e na linha de três), manipulando defesas e encontrando passes que apenas outros três ou quatro jogadores no mundo seriam capazes de enxergar e executar.

Além disso, Harden tem uma vantagem quando se trata da performance coletiva. Se a temporada histórica de Westbrook rendeu a Oklahoma City a décima melhor campanha e o 17th melhor ataque da NBA, Harden levou o Rockets à terceira melhor campanha e segundo melhor ataque da liga (e um dos melhores da história da NBA), o que é significativo considerando que antes da temporada muita gente tinha dado o time por morto, e as projeções tinham Houston vencendo apenas 41 jogos esse ano - e isso tudo tendo a terceira maior USG% da temporada.

Então é inegável que as temporadas de Harden e Westbrook renderam o maior foco, e merecidamente. Mas esse foco parece ter desviado a atenção de outras temporadas, igualmente históricas, e que não encontram espaço suficiente nas discussões para serem devidamente valorizadas.

Tomemos LeBron James, por exemplo, alguém que é amplamente considerado o melhor jogador da NBA. Tudo que LeBron fez esse ano foi ter médias de 26.4 pontos, 8.7 assistências e 8.6 rebotes enquanto foi o foco de tudo que o Cavs fez nos dois lados da quadra, um mestre em manipular a quadra e cobrir as fraquezas de todos seus companheiros, enquanto maximiza suas forças. E se isso não parece tão impressionante quanto a produção de West e Harden, vale citar que LeBron é um jogador muito mais eficiente: o King James está arremessando 54% de quadra, 36.3% de 3 pontos e tem eFG% de 59.3, enquanto que Russ tem 42.6 FG%, 34.4 3PT% e 47.7 eFG% e Harden tem 43.8 FG%, 34.5 3PT% e 52.3 eFG%. E para tudo que se fala sobre LeBron ter os melhores companheiros, a verdade é que o time do Cavs despenca sem ele em quadra: +7.7 de Net Rating com ele em quadra, e -8.6 com ele fora (um dado que precisa ser levado com um grão de sal, mas ainda é impressionante). É um absurdo que LeBron esteja tendo uma temporada dessas e esteja atraindo zero respeito como possível MVP.

E é claro, existe um outro ponto a ser considerado e que sempre acaba ficando esquecido quando avaliamos jogadores. No basquete, existe DUAS funções: anotar pontos, e impedir que o outro time faça o mesmo. Ainda assim, nós quase nunca trazemos a defesa à tona quando discutimos o prêmio de MVP ou quem é o melhor jogador, em parte por defesa ser muito mais difícil de se medir ou avaliar.

E se você não me ouviu falar de defesa antes nessa seção do texto, é por um motivo simples: nenhum desses três jogadores citados realmente trouxe algo para a mesa desse lado da bola na temporada. A defesa deles vai desde "irregular" (LeBron) a "consideravelmente abaixo da média" (Westbrook), e suas contribuições se dão - ou se deram, porque sabemos que LeBron é capaz de defender em alto nível quando engajado - no lado ofensivo da quadra. Mas defesa ainda é metade do jogo, e é ai que entra o caso de Kawhi Leonard.

Nenhum dos candidatos a MVP desse ano consegue chegar remotamente perto do impacto defensivo que Leonard tem. O atual bicampeão do prêmio de defensor da temporada é, simplesmente, um dos melhores defensores de perímetro da história da NBA, um pesadelo ambulante capaz de destruir até mesmo os melhores jogadores ofensivos da liga, e é um dos 3 melhores defensores da temporada. Para toda a dominação ofensiva de LeBron, West e Harden, Leonard entrega o mesmo tipo de produção do outro lado.

E não é como se Leonard fosse um jogador defensivo sem jogo no ataque: Leonard tem média de 25.7 pontos por jogo, o sétimo maior USG% da NBA, e é um jogador hipereficiente em todos os tipos diferentes de jogada no ataque, seja conduzindo a bola, seja no pick and roll, seja cortando para a cesta, seja pegando e arremessando... você decide. A linha de Leonard é um excelente 48.6-38-88 com 54.3 eFG%, e essa capacidade de arremessar de forma eficiente em qualquer tipo de jogada é o fato em torno do qual é montado todo o ataque do Spurs, atualmente #7 da NBA. Leonard é um excelente jogador ofensivo.

E na verdade, se fosse escolher quem foi o MELHOR jogador da temporada 2017 da NBA, esse foi provavelmente Kawhi Leonard. Kawhi não tem a produção ofensiva dos demais por não ser tanto um iniciador de jogadas que cria para os companheiros (3.8 assistências por jogo apenas), mas também não está tão distante assim com sua combinação de volume, eficiência, pontuação e versatilidade ofensiva, a ponto de ser um dos 8, 10 melhores jogadores de ataque da temporada... e sua defesa não tem nem comparação com nenhum dos outros três jogadores, estando em um nível completamente superior. E quando juntamos sua contribuição ofensiva (Top10) com sua contribuição defensiva (Top3), nenhum outro jogador da NBA conseguiu ser tão dominante em termos totais: nem Westbrook, nem LeBron, nem James Harden. E Leonard merece crédito de sobra por ser o pilar em torno do qual está montado o ataque E a defesa do segundo melhor time da NBA, que ostenta o sétimo melhor ataque E a melhor defesa da competição.

Mas quanto mais eu esmiuçava, estudava e pensava para tentar decidir qual seria meu voto, mais eu voltava para duas palavras: Mais valioso.  É algo totalmente subjetivo, e a NBA propositalmente não vai nunca esclarecer o que significa para incentivar mais debates e discussões... mas ainda assim, não é o prêmio do melhor jogador. É o prêmio do jogador mais valioso, e foi para esse critério que eu acabava voltando. É, como eu disse, uma questão de CRITÉRIO acima de tudo, mas foi para essa direção que eu acabei seguindo na hora de tomar a minha decisão.

Então por mais que Cleveland e San Antonio sejam totalmente montados em torno de LeBron e Kawhi, respectivamente, nenhum deles é tão profundamente dependente de sua estrela quanto Thunder e Rockets. Leonard e LeBron são ambos o pilar em torno do qual seu time é montado, com sua excelência, versatilidade e consistência, mas esses times podem por vezes se manter com "apenas" boas performances complementares desses jogadores, fazendo o time funcionar sem precisar assumir o protagonismo... enquanto que Rockets e Thunder dependiam mais profundamente não só do jogo de Harden e Westbrook, mas da dominação desses jogadores para fazer seus times funcionar. Então na minha busca pelo MVP da temporada, eu acabei restringindo a discussão aos mesmos dois jogadores que começaram a conversa: Westbrook e Harden.

E boa sorte tentando decidir entre os dois! É extremamente difícil separar esses dois grandes craques em duas temporadas tão históricas. Ambos tiveram papeis absurdamente importantes para seus times, e tiveram temporadas estatisticamente históricas. Westbrook teve a maior produção entre os dois, por pouco; Harden teve sua produção de maneira consideravelmente mais eficiente, mas também teve uma USG% menor. Westbrook foi melhor nos momentos finais das partidas, mas também viu seu time precisar de mais jogos apertados. Westbrook foi mais explosivo e teve jogos mais espetaculares; Harden foi mais consistente e raramente tirava seu time dos jogos com uma má atuação.

No final, se resumiu ao seguinte para mim: eu achei que Harden, isoladamente, teve uma temporada um pouco melhor do que Westbrook. Westbrook teve uma produção maior, mas Harden foi o mais eficiente dos dois por uma boa margem, e ele fez mais com o talento que tinha nas mãos: se considerarmos que ambos foram defensores abaixo da média esse ano (Harden foi um pouco melhor) e que suas contribuições se deram principalmente ofensivamente, a diferença é ainda mais impressionante do que a diferença de campanha entre os dois times, com o ataque liderado por Harden sendo o segundo melhor da NBA e o por Westbrook o décimo sétimo.

Parte disso se da, inclusive, pela diferença de estilo entre os dois jogadores: as assistências de Harden são mais (na falta de um termo melhor) mais "valiosas" do que as de Westbrook porque levam a mais arremessos de três pontos, enquanto as de Westbrook levam a mais arremessos de dois. Além disso, o estilo de passe de Harden é mais baseado em ler a defesa, manipulá-la, e criar espaços - espaços estes que não levam apenas a assistências, mas a novas chances que seus companheiros podem criar com esses espaços, como evidenciado por Harden ser 3rd na NBA inteira em "assistências secundárias", a assistência para a assistência. Westbrook não tem esse lado tão cerebral e de manipular as defesas para sua vantagem - o que ele faz é simplesmente bater quem quer que esteja na sua frente, forçar uma mudança na defesa, e dai usar essa mudança para achar um companheiro livre. Isso é extremamente valioso por conta própria - afinal, Westbrook gera uma penca de cestas fáceis com isso - mas ele também leva a uma estagnação caso a assistência não se concretize, não abrindo tantos espaços para continuar a jogada, e por isso Westbrook é apenas 28th na NBA nessas assistências secundárias, um número muito baixo para alguém que da tantas assistências e joga tanto com a bola nas mãos.

O problema, claro, é que isso se tomados isoladamente. Mas em contexto, Harden tem uma vantagem sobre Westbrook pela situação em que se encontra. Embora eu não engula - e você também não deveria - essa história de que Westbrook tem um péssimo elenco de apoio e muito inferior ao de Harden, o que simplesmente não é verdade, o que acontece é que as peças ao redor de Harden encaixam de forma melhor ao redor de Harden no sistema implementado pelo técnico Mike D'Anthony, enquanto que embora Westbrook tenha companheiros de time tão bons quanto, eles não possuem um encaixe tão natural uns com os outros (e com Russ), o que torna mais difícil jogar de forma a extrair o máximo de todos eles. Então embora eu ache que Harden foi melhor do que Westbrook, ele também joga em um sistema e um coletivo que favorece seu jogo mais do que o ex-colega. Como avaliar isso?

E foi enquanto eu sofria com essa questão e com esse dilema que eu achei minha resposta. E quem me ajudou a chegar nela foi um jogador que atende pelo nome de Nikola Jokic.

Jokic é um excelente jogador e uma das mais jovens estrelas da NBA, um pivô passador de excelente qualidade ao ponto de que Denver abandonou toda sua forma de jogo durante a temporada para se reconstruir ao redor das suas habilidades únicas de passe. Desse momento em diante, Jokic teve médias de 20 pontos, 11 rebotes e 6 assistências por jogo com 58 FG%, e Denver teve o melhor ataque da NBA inteira, na frente até mesmo da imbatível máquina da morte de Golden State, marcando 113.2 pontos por 100 posses de bola.

O que eu percebi então foi o seguinte: se você tirasse Jokic desse sistema construído especificamente em torno dele e de suas habilidades de passe, com 100% de certeza o sérvio não teria o mesmo desempenho e não acumularia esses números absurdos... mas ao mesmo tempo, é impossível que Denver jogasse de forma a extrair o máximo desse elenco se não fosse POR CAUSA desse sistema, que por sua vez só é possível por causa das habilidades únicas e excepcionais de Jokic. Ele é beneficiado individualmente pelo sistema, mas o sistema também depende dele para ser possível... e se esse sistema torna o time como um todo melhor e mais dominante, então Jokic deve receber créditos por tornar isso possível, e não o contrário.

E foi por isso que eu tomei minha decisão de que James Harden é o meu MVP da temporada 2017 da NBA. Sim, é verdade que o sistema do time maximiza as habilidades de James Harden e aumenta seu impacto, mas também são as habilidades de Harden que maximizam e tornam possível o funcionamento do sistema ofensivo do Rockets, e essa combinação que elevou o time inteiro do Rockets a um novo patamar... e quando você pensa a respeito, é a forma mais importante que se pode afetar um time de basquete. O elenco inteiro do Rockets só encaixa tão bem entre si, e com o sistema de D'Anthony, por causa de James Harden, e se isso faz o Rockets ser o ataque #2 e time #3 da NBA... então sim, Harden merece os créditos por fazer isso acontecer.

E embora Westbrook também tenha um sistema desenhado ao seu redor para tirar o máximo de suas habilidades (e sim, ajudá-lo a ter média de triple double), o encaixe desse time é mais difícil em parte porque o encaixe com Westbrook é mais difícil. Você precisa tirar jogadores da sua zona de conforto, adaptar mais suas habilidades para sair do caminho de Westbrook (o melhor exemplo sendo o calouro Domatas Sabonis), e isso acaba limitando mais o teto do time... que, sem a menor dúvida, só é alto como é devido ao próprio Westbrook. Boa parte disso não é culpa de Russ, é questão de montagem de elenco... mas também não é justo ignorar a importância de Harden para fazer o tão falado "sistema" funcionar em um nível tão alto.

Por isso que, no fim do dia, faz sentido que o Rockets seja um time melhor do que o Thunder. Talvez Harden estivesse em uma situação mais favorável para brilhar em um nível mais alto, mas ele FEZ acontecer e levou seu time com ele, e isso é que realmente diferenciou os dois para mim.

Então James Harden é meu MVP. Se você tem uma opinião diferente, ótimo: não existe só um critério, e muito menos só uma linha de raciocínio para se chegar em uma conclusão. Caso se de ao trabalho de procurar, vai encontrar MUITOS artigos bons e inteligentes defendendo escolhas de MVP que serão diferentes da minha (e outros que defendem a mesma). Não existe uma verdade sobre quem deva ganhar o prêmio. A única verdade que eu defendo é que não podemos limitar essa fantástica disputa a uma opinião absoluta que aponte um único jogador como merecedor.

O resto é história.

Ballot final: 1. James Harden; 2. Russell Westbrook; 3. Kawhi Leonard; 4. LeBron James; 5. Stephen Curry; 6. Giannis Antetokounmpo; 7. John Wall; 8. Isaiah Thomas; 9. Anthony Davis; 10. Rudy Gobert.

Fontes: Synergy Sports; NBA.com/stats; Basketball-Reference; NBA Stats & Info; e uma tonelada de horas no NBA League Pass.

sexta-feira, 4 de março de 2016

O grande problema do Oklahoma City Thunder

OKC tem um problema sério, e nenhuma solução à vista



Na noite de quarta feira, no jogo mais esperado do dia, OKC tinha uma vantagem de 22 pontos sobre o Los Angeles Clippers no final do terceiro quarto. Com uma revanche contra Golden State no dia seguinte, parecia o cenário perfeito para o Thunder: uma boa vitória sobre um grande time para dar confiança, e um cenário no qual você poderia descansar alguns titulares no quarto período para se preparar para o confronto do dia seguinte.

Ao invés disso, tudo desandou: OKC manteve os titulares, os arremessos pararam de cair, e OKC perdeu a calma e implodiu em meio a uma sequência de más decisões, turnovers estúpidos, arremessos ruins e falhas defensivas. Nos últimos 7 minutos e meio, Thunder anotou 5 pontos, Westbrook foi 0-6 de quadra, e viu o Clippers destruir uma vantagem de 17 pontos rumo a uma vitória que deixou o terceiro colocado do Oeste cada vez mais próximo de um confronto com o Warriors na segunda rodada dos playoffs.

Infelizmente para OKC esse cenário não é uma novidade: os quartos períodos tem sido um problema real para o time. O time está 2-6 desde a volta do All Star Game, e em quatro dessas seis derrotas o time chegou a ter a vantagem no quarto período antes de tomar a virada. Aconteceu contra o Pacers logo na volta do "feriado", depois duas viradas épicas de Warriors e Clippers, e por fim a surra de ontem a noite do Warriors em Oakland. O Thunder agora soma incríveis 10 derrotas em jogos que entrou vencendo no quarto período, pior marca da NBA, na frente até mesmo do fraquíssimo Sixers

Isso também não é um fenômeno recente ou surpreendente. Ao longo da temporada, Oklahoma City tem o segundo melhor ataque da NBA e terceiro melhor Net Rating (saldo de pontos por 100 posses de bola), mas quando chegamos nos finais dos jogos isso cai por terra. Em quartos períodos, Oklahoma tem apenas o décimo melhor ataque, e é um fraquíssimo 19th em Net Rating. Pegando apenas o final dos jogos - o famoso crunch time - e definindo nosso parâmetro como 3 minutos finais de jogos separados por 5 pontos (para mais ou para menos), os números são ainda piores: O Thunder tem o 13th melhor ataque e o oitavo PIOR Net Rating da liga. Para efeito de comparação, o Net Rating do time nessas situações é de -10.6 - exatamente o mesmo que o Philadephia 76ers tem na temporada 2015-16 da NBA.

Dificuldade em crunch time é um problema antigo em OKC, e foi um dos fatores chaves da saída do técnico Scott Brooks. A chegada de Billy Donovan deveria corrigir essas questões, em particular a estagnação ofensiva que assola o time nessas situações de fim de jogo. Mas até agora, não funcionou. O time, que já era ruim, pareceu ter ficado ainda (relativamente) pior essa temporada. E embora isso possa ser atribuído em partes a uma amostra pequena e um período ainda de adaptação ao novo técnico, é um motivo para grande preocupação em uma temporada como essa - especialmente considerando o término do contrato de Kevin Durant ao final da temporada.

Como vocês ficarão chocados em saber, eu tenho algumas ideias sobre o que pode estar causando esse problema.

Um problema - e um dos principais - é a forma como o time reestruturou seu ataque. Embora a base seja a mesma - poucos passes, muita isolação, bola na mão das estrelas - o técnico Donovan fez uma mudança importante: Russell Westbrook agora é quem é o foco ofensivo da equipe (em termos de volume), e não mais Kevin Durant.

Para mim, era uma mudança que fazia muito sentido: Westbrook evoluiu em um excelente criador (#2 na NBA em assistências, com 10.3 por jogo), então deixar a bola nas suas mãos e deixar West operar através do pick and roll (E atacando a cesta) é a melhor forma de criar chances para o resto do elenco do Thunder, um elenco que (salvo Durant e talvez Waiters) não tem condições de criar seu próprio arremesso. Ao mesmo tempo, Durant é um jogador que comanda MUITO mais atenção do que Westbrook jogando longe da bola por conta de seu arremesso, o que força maiores movimentações do adversário e abre muito mais espaço para o resto da equipe (mais ou menos como Atlanta usa Korver e o Warriors usa Curry fora da bola, por exemplo). E no geral, parece estar funcionando: Oklahoma City tem hoje um Net Rating de 109.1 de acordo com os dados oficiais da NBA (2nd melhor da história da franquia) e de 112.8 de acordo com os dados extra-oficiais do Basketball-Reference (melhor da história da franquia), em ambos os casos #2 da NBA.

No entanto, vale questionar se essa abordagem tem contribuído para os problemas do time em crunch time. Durant é um dos melhores jogadores de crunch time da NBA, mas colocar a bola integralmente nas mãos de KD significa desviar do que o time faz normalmente e mudar toda sua forma ofensiva de jogar, o que naturalmente pode causar todo tipo de estranheza. Ao mesmo tempo, manter a bola nas mãos de Westbrook também não tem se mostrado uma grande opção: por melhor que Russ seja, ele ainda tem a tendência de as vezes jogar um pouco fora de controle e ficar um pouco tunnel vision, especialmente em crunch time, e sem um bom arremesso de longe para manter defesas honestas, adversários estão mais do que satisfeitos de fechar o caminho para o garrafão e deixar Russ se complicar sozinho. Em 130 minutos de crunch time na temporada, Russ está arremessando 38% de quadra, 13% de três pontos e tem 18 turnovers contra 26 assistências. Então ainda que de modo geral faça sentido essa nova forma de OKC atuar, é possível que tenha contribuído para aumentar as dificuldades da equipe em crunch time.

Outros problemas que tem contribuído para essa dificuldade do Thunder já são bem conhecidos. A equipe não tem um ataque dinâmico ou inteligente, o tipo de ataque que envolve espaçamento de quadra e muitos passes para achar os companheiros livres que consagrou times como Warriors ou Spurs. O que OKC tem é um sistema muito estático e de pouca criatividade que se baseia no fato de ter dois talentos ofensivos transcendentais em KD e Russ Westbrook capazes de destruírem sozinhos marcações e esquemas defensivos inteiros:  nenhum time passa menos a bola do que OKC, e nenhum termina mais posses de bola através de isolações, segundo dados da Synergy Sports. Não existe um esquema complexo, jogadas bem desenhadas e decisões de alto QI de basquete envolvidas, e sim o talento sobre-humano de duas superestrelas.

Na maior parte do tempo, isso funciona porque Russ e KD são aliens e conseguem carregar nas costas o time rumo a um ataque top5. Mas isso não tem sido verdade em crunch time. Em um momento do jogo onde as defesas ficam mais ligadas e o ritmo diminui, o ataque de OKC se torna extremamente previsível, com as defesas sabendo o que o Thunder fará e ajustando de acordo: fechando o garrafão contra Westbrook e mandando marcações duplas contra Durant, despreocupadas com movimentações ou jogadas criativas e decisões em alta velocidade que podem fazê-los pagar por essas decisões. Faça isso contra o Spurs ou o Warriors e eles irão te tirar da zona de conforto com trocentas screens, movimentações, cortes e passes destinados a liberar suas estrelas e/ou conseguir arremessos de altos aproveitamentos para os role players, e se a defesa se comprometer demais com uma opção, a versatilidade e inteligência desses times imediatamente vai aproveitar os espaços deixados para atingir seus objetivos. O Thunder não tem esses elementos em alto nível no seu ataque ou nos seus jogadores, então eles se tornam previsíveis e dependem continuamente de Russ e KD fazendo jogadas individuais, só que agora com defesas muito mais atentas e preparadas especificamente para parar essas jogadas individuais.

Claro que Donovan - assim como Brooks antes dele - tem jogadas e variações específicas para serem usadas nessas situações, mas quando é algo que o time não está acostumado a fazer normalmente é muito difícil que eles executem em situações de pressão contra defesas mais atentas e bem montadas. Muito do basquete de hoje não depende de algo desenhado e sim da capacidade dos jogadores de tomarem decisões certas em alta velocidade, e isso é algo que é impossível de fazer só em momentos específicos, depende de repetições, treino e experiência. Donovan chegou com a esperança de mudar exatamente esse aspecto do seu predecessor, mas até agora, está difícil achar grandes diferenças nesse sentido. 

Por fim, existe outro grande problema em Oklahoma City, que é o elenco de apoio ao redor de suas duas estrelas. Na verdade, são dois problemas que acabam se influenciando e tendo um único resultado, que eu inclusive já citei em mais de um Hack a Cast: OKC tem muita dificuldade de achar um time ideal para usar no final dos jogos, justamente por causa dessa limitação do elenco. Desde que trocaram James Harden (não se preocupem, não vou bater nesse cavalo morto) o time não tem outra peça confiável capaz de criar o seu arremesso de forma consistente e eficiente, para ajudar a aliviar a pressão de Russ e West em crunch time (com a possível exceção de Reggie Jackson). Harden não só oferecia mais uma opção para criar jogadas com a qual a defesa precisava se preocupar - abrindo o espaço para os companheiros - como também era uma opção para desafogar o ataque quando a ação iniciaç de Russ ou KD estagnava. Se a defesa matava a jogada inicial, Harden era uma opção capaz de manter o fluxo do ataque, atacar espaços e manter o ataque em funcionamento, sem deixar a defesa voltar a se estabelecer. Mas desde sua saída, OKC não tem nenhum jogador capaz de fazer essa função. Quem cerca o Big Three de OKC hoje são role players com pouca variação ou repertório, ninguém que a defesa precise respeitar ou seja capaz de aproveitar as ações iniciais do ataque ou mesmo de manter o ataque funcionando. 

Isso leva ao segundo problema, que é o cobertor curto de opções do time. Qual é a melhor lineup para fechar jogos para OKC? Russ, KD e Ibaka são no brainers, mas quem mais? Waiters e Kanter tem uma chance melhor de desafogar o ataque e oferecer opções de pontuação, mas Waiters é ineficiente (40 FG%) e imprevisível, e ambos são enormes problemas defensivos que o adversário pode simplesmente atacar de novo e de novo até Donovan não ter opção senão tirá-los de quadra. As outras opções são jogadores defensivos como Adams ou Robertson, que não arremessam e podem ser ignorados ofensivamente, congestionando novamente assim o ataque. Não existe uma solução para essa questão no elenco de OKC hoje. Em uma NBA que cada vez mais valoriza jogadores versáteis com nenhuma falha que possa ser explorada, o Thunder simplesmente não tem jogadores assim o suficiente para cercar KD e Westbrook de forma eficiente. Cameron Payne provavelmente seria quem mais se aproxima disso no papel, mas o calouro claramente não tem a confiança do técnico ainda para ganhar minutos significativos. E esse é o grande problema que OKC enfrenta hoje: não adianta jogar de igual para igual ou até um pouco melhor do que seus principais adversários durante 43 minutos se o time não consegue manter o ritmo nos 5 minutos finais e continua entregando grandes vantagens. E apesar de tudo que se aplica sobre amostra pequena e adaptação, existem motivos legítimos para crer que essas dificuldades não são passageiras.

Com duas estrelas do nível de KD e Westbrook, talvez isso não importe - OKC tem condição de bater de frente com qualquer um com base no talento bruto de suas estrelas, e enquanto elas estiverem saudáveis, o Thunder será um candidato ao título. Mas em uma temporada com tanta competição no topo - e dois times em níveis históricos como Golden State e San Antonio - você quer apresentar o mínimo possível de fraquezas, e nesse momento, Oklahoma City tem uma significativa que começou a mostrar sua cara na pior hora possível. Isso não acaba com as chances de título da franquia, mas se continuar assim, elas diminuem consideravelmente. 

sábado, 23 de junho de 2012

Um anel para South Beach

Convenhamos: Ele é bom demais pra passar três Finais em branco


Quinta feira passada, enquanto o jogo 2 das Finais da NBA rolava em Oklahoma City, eu tava no Morumbi para ver São Paulo e Coritiba pela Copa do Brasil. Pra quem não sabe, ou apenas não liga, foi um jogo horrível, o São Paulo jogou muito mal o primeiro tempo todo, bagunçado, deu raiva. No intervalo, tava vaiando o time a plenos pulmōes. No segundo tempo, o Sampa teve um jogador expulso, passou sufoco, tomou bola na trave... E no final do jogo, ganhou com um gol numa jogada individual isolada de tudo que o time tinha feito, extremamente nervoso, mas todo mundo sabe que assim da um sabor especial. Quando acabou o jogo, 1 a 0, eu comentei com meu pai que não sabia como eu tava me sentindo, nem como eu devia me sentir. Bravo, pelo futebol muito fraco apresentado pelo time? Aliviado, pela vitória que poderia facilmente ter sido uma derrota? Animado, pela vitória emocionante no final? Francamente, eu não fazia a menor ideia de como eu me sentir. Era uma overdose de emoçōes diferentes e conflitantes, provavelmente excessivas, já que era meu time do coração (No final das contas, não adiantou nada, o time perdeu o jogo de volta e foi eliminado. E é por isso que vocês não verão mais nenhuma referencia a futebol nessa coluna. Eu odeio todo o mundo).

De certa forma, foi assim que eu me senti sobre as Finais desse ano. Como nenhum é meu time do coração (Celtics) e nem... bem, o Lakers, minhas reaçōes mais sobre o ponto de vista de um fã de basquete. Mas confesso que, mesmo como fã de basquete, eu tive muitas reaçōes totalmente contraditórias sobre essas Finais. Algumas coisas me deixaram feliz, outras me deixaram frustrado, outras me deixaram irritado, outras me deixaram maravilhado... Foi uma overdose de sentimentos conflitantes.

Talvez o principal conflito tenha sido por quebra de expectativas. Eu assisti muitos jogos do Thunder esse ano, sempre gostei da equipe e acompanhei a evolução deles ao longo do ano muito de perto, culminando naqueles quatro jogos contra o Spurs onde eles engoliram o melhor time da NBA quatro vezes seguidas com uma compostura e confiança que eu não tinha visto até esses playoffs. Pra mim,  o Thunder tinha finalmente encontrado uma compostura que iria manter esse time um pouco sem cérebro mais confiante, menos desesperado, e que isso seria essencial junto com todo o talento, depth e versatilidade da equipe pro time bater de frente com o Heat, trocar alguns golpes, ver cada time sendo obrigado a aumentar cada vez mais seu nível pra conseguir vencer, e no final de sete jogos teriamos um vencedor saindo de uma longa, disputada e brigada série. Mais ou menos como dois pesos pesados presos num ringue, trocando golpes o tempo todo, cada golpe forçando o adversário a responder ainda mais forte, cada um forçando o outro a um nivel ainda maior, até que um caia e o outro saiba que chegou no seu melhor pra vencer.

Bom, isso não aconteceu. O Thunder entrou mais focado, usou exatamente o mesmo que fez contra o Spurs, e deu o primeiro soco no Jogo 1. Como esperado, o Heat fez alguns ajustes e voltou melhor no jogo 2, devolvendo o soco e empatando a série. Ainda que o Thunder não tenha feito muitos ajustes no jogo 3, o time voltou mais focado novamente, viu seus talentos individuais e em certo momento até os coadjuvanetes elevarem seu jogo, abriram 10 pontos de vantagem... E ai o Kevin Durant cometeu sua quarta falta e saiu, Russell Westbrook tomou duas decisōes idiotas, o Scott Brooks tomou a pior decisão da série tirou Westbrook por "razōes de basquete" (o que nos levou aos piores 5 minutos de basquete dos playoffs)... E o Thunder NUNCA foi o mesmo. O time foi massacrado nos minutos seguintes, perdeu a confiança, viu os coadjuvantes sumiram completamente do jogo (James Harden e Serge Ibaka ainda estão sendo procurados pela polícia, foram vistos pela ultima vez em Oklahoma City, quem tiver informaçōes favor contatar as autoridades), e tentou manter o ritmo contra o Heat (que genuinamente jogou como um time de basquete, finalmente entendeu que basquete depende tanto da parte subjetiva, do conceito de "time", da forma como os jogadores se relacionam, quando do talento que eles tem de sobra... Mas já voltamos a esse ponto), e tentou se manter na série contando apenas com o individualismo de seus craques Westbrook e Durant, enquanto o Heat jogava como um time, envolvia todo mundo e mostrou que finalmente se achou como um time.

Isso quase deu certo no Jogo 4, quando o Thunder jogou um primeiro quarto igual ao que vinha fazendo até aqui, com a diferença que as bolas cairam, os coadjuvantes apareceram e o Heat começou a partida fazendo exatamente o contrário do que tinha dado tão certo nos jogos 2 e 3 (Ao invés de atacar a cesta, trabalhar no pick and roll e rodar a bola para os jogadores cortando em direção ao garrafão, o Heat jogou muito em isolaçōes, rodou pouco a bola e tentou jogar com arremessos de fora, o que não deu certo), e o Thunder abriu uma boa vantagem... Até o Heat se acertar, começar a acertar as bolas longas, Lebron brincar de Larry Bird (Quando o arremesso de Bird não estava caindo, ele parava de arremessar, começava a atacar o aro, jogava mais perto do garrafão, pegava rebotes, cavava faltas e usava seus passes para afetar o jogo de outras maneiras... E foi exatamente isso que Lebron fez, só que muito mais forte fisicamente e melhor defensor, pra compensar o fato de que não tem um bom arremesso ainda) e achar companheiros livres pra cestas fáceis, dominar o Thunder fisicamente (Ele até teve menos sucesso assim quando foi marcado por Thabo Sefolosha, mas dominou quando marcado por Westbrook e, especialmente, James Harden. Eu juro que tou até agora tentando entender porque o Nick Collison não foi marcar ele num jogo onde ele tava dominando o Thunder jogando de Power Foward, no post, sendo marcado por um SG - realmente não foi uma boa série do Brooks), e o Thunder tentou responder com mais individualismo e bolas longas... Que dessa vez não caíram, e o Thunder novamente não teve calma pra adaptar seu jogo, insistiu na afobação e fez exatamente o que o Heat queria.

E ai, depois de ver Lebron jogar três quartos transcendentais, algo que Bird teria assinado embaixo, Russell Westbrook decidiu que tava na hora dele aparecer também. Ele pegou a bola, e começou a atacar a cesta (Algo que faz menos do que devia, ele é muito mais mortal assim, mas enfim), começou a fazer cesta atrás de cesta, tirou sozinho a vantagem do Heat, e manteve o Thunder no jogo enquanto Miami continuava acertando as cestas, mesmo depois que Lebron saiu com câimbras (Lebron sente câimbras? Ele é humano?? Daqui a pouco vão me falar que ele também sangra e sente frio... Pff). E o Westbrook continuou chamando a responsabilidade com Durant apagado, marcou 18 pontos no quarto periodo, terminou com 43 pontos... E claro, matou as chances do Thunder no final quando cometeu uma falta intencional no Mario Chalmers (Pegou fogo no jogo, 25 pontos, o Heat não ganharia sem isso) quando ele teria tres segundos pra dar um arremesso totalmente desequilibrado e o Thunder ainda teria 13 segundos pra empatar o jogo com uma bola de trés (ele achou que o cronometro tinha voltado pra 24 segundos, ao invés de 5, quando deu a bola presa). Westbrook, mais resumido impossivel: 43 pontos, 18 no quarto periodo, sozinho salvou o jogo e manteve o time na partida... E por um instante de burrice matou as chances do time no jogo.

Mas sinceramente, se você culpa o Westbrook pela derrota do Thunder, pode parar de ler essa coluna. Tipo, agora mesmo. A verdade é que cada jogador na NBA é como se fosse um pacote - ele tem coisas que ele trás, que ele adiciona, e tem coisas nele que prejudicam o seu time. Ate mesmo Lebron tem o lado ruim do pacote (No caso, seu arremesso de meia e longa distância, ainda muito erráticos - e sim, isso é buscar migalhas), qualquer jogador o tem, a questão é o jogador e o tecnico trabalharem pra minimizar o lado ruim, e também qual o custo-benefício de ter aquele jogador em quadra. Com Westbrook, você sabe exatamente o que vai ter: Um bom defensor, excelente nos contra ataques, muito atlético, um dos maiores competidores da NBA, um cara que joga com tudo que tem do primeiro ao último minuto, otimo atacando a cesta, ocasionalmente vai pegar fogo de meia distância... E ao mesmo tempo um jogador muitas vezes precipitado, um SG jogando de PG que não sabe exatamente como conduzir um time, um jogador que as vezes vai transformar sua intensidade em afobação, que vai insistir com o que da errado, e vai tomar decisōes ruins em quadra. Tudo isso faz parte do pacote, mas a questão dele é: Você está melhor aguentando a parte ruim do Pacote Westbrook pra usufruir da parte muito boa do que não utilizando nenhuma das duas. Sim, o Westbrook tem que trabalhar de forma a minimizar o lado ruim, mas não pode em nenhum momento abandonar o seu lado bom, o que faz dele especial... E se o custo disso for algumas más decisōes em quadra, excesso de afobação, e tudo o mais... Bom, então que seja. O Thunder é um time muito melhor com ele. Só ver o que aconteceu no Jogo 3 quando Brooks estupidamente tirou ele de quadra, sendo que Durant já estava no banco e Harden era uma múmia em quadra.

E se você acha que a pane cerebral do Westbrook foi a causa da derrota, lembre-se de que não teria acontecido se o Thunder tivesse perdendo por 14 pontos... O que teria acontecido se o Westbrook não tivesse lá pra pegar fogo e colocar o Thunder no jogo. Mesmo naquele ponto do jogo, se Westbrook não faz a falta e Chalmers errasse, o Thunder ainda tinha que pegar o rebote, montar uma jogada para uma bola de três quando o Heat sabia que ela viria (provavelmente uma isolação do Durant bem longe da linha dos tres), e acertar. A chance era bem improvável. Além disso, considere que Harden errou uma bandeja sozinho num contra ataque que deveria ter enterrado, duas bolas de três livres, e no final do jogo não quis chutar um 17-footer livre, hesitou, demorou, e acabou chutando com Chris Bosh no pescoço dele (e errou). Considere que, com o jogo empatado, Sefolosha mandou um air ball numa bola de três totalmente livre. Considere que Durant teve um quarto quarto muito ruim, teve muitos problemas com a marcação física de Lebron e Shane Battier, e insistiu em forçar arremessos longos e contestados. Considere que, com o jogo empatado e Lebron no chão com caimbras (um momento chave no jogo, quando o Thunder precisava de uma cesta pra assumir o controle) o Thunder teve um contra ataque de 5-contra-3, quando Derek Fisher (Pessima série pra ele, especialmente nos jogos 3 e 4 - NADA justifica que ele jogue 18 minutos por jogo de uma Final de NBA a essa altura), que tinha Harden absolutamente livre no perímetro e um Westbrook pegando fogo do seu lado pedindo a bola, preferiu correr sozinho pra dentro e dar um arremesso correndo da cabeça do garrafão com Bosh em cima dele na jogada mais idiota de todo o jogo. E lembre que tudo isso aconteceu no quarto período, quando Westbrook sozinho colocou o time no jogo, teve que lidar com tudo isso dos companheiros e AINDA quase ganhou o jogo sozinho, colocando a bola embaixo do braço e dizendo "De jeito nenhum eu vou deixar o time perder esse jogo!"... Francamente, foi uma das grandes atuaçōes da história das Finais, e se você acha que o Thunder perdeu o jogo por causa do Westbrook e do seu erro no final, então você precisa assistir outro esporte. Westbrook jogou como gente grande hoje, mesmo sendo apenas um pirralho de 21 anos, e quase salvou seu time num jogo decisivo. Merece o máximo de respeito possível.

(Importante demais pra deixar de fora: Um dos principais motivos da derrota do Thunder e da forma como o Heat dominou os ultimos jogos foi a total falta de ajuda que Durant e Westbrook tiveram do resto dos jogadores do Thunder. Tirando os 21 pontos do Harden no jogo 2 - 17 no primeiro tempo, apenas 4 no segundo - nenhum outro jogador do Thunder teve um bom jogo pra ajudar seus craques. Nos jogos 2, 3 e 4 - os decisivos da virada do Heat - apenas Harden com seus 21 pontos no jogo 2 e Kendrick Perkins, que teve 10 no jogo 3, passaram de 10 pontos! Ninguém mais! Quando Collison ameaçou um grande jogo com um grande primeiro quarto, ele passou os dois quartos seguintes no banco!! O Thunder chutou 27% de três pontos, ninguém acertou pra Oklahoma. E enquanto Durant e Westbrook tinham que levar nas costas o ataque do Thunder até o Final porque ninguém foi capaz de ajudar - Serge Ibaka, horrível dos dois lados da quadra, e Harden foram as principais decepçōes das Finais - Lebron e Dwyane Wade receberam muito mais ajuda dos seus companheiros, com os 18 pontos de Battier no jogo 2 e os 25 pontos do Chalmers no jogo 4, decisivos para as vitórias da equipe - até as 7 bolas de três de Mike Miller no jogo 5. O Heat não teria fechado essa série em 5 se não fossem esses dois grandes jogos dos coadjuvantes (talvez até três), e não fecharia em 5 se algum jogador do Thunder além de Durant e Westbrook tivesse aparecido nos jogos 3 e 4. Isso fez toda a diferença)

Então sim, tivemos muitos jogos divertidos, muitos jogos apertados, muitas atuaçōes espetaculares (Durant nos jogos 1 e 2, Lebron e Mario Chalmers no jogo 4, Lebron no jogo 5, Westbrook no jogo 4... E sim, de longe a melhor foi do Lebron no jogo 4) e, em geral, uma Final bem interessante. Não da pra dizer que foi uma Final ruim. Mas dada a expectativa que todos criamos (em especial que eu criei), foi uma Final um pouco decepcionante. Eu esperava mais do Thunder, esperava mais do Durant (Que teve uma série fraca depois dos dois primeiros jogos, ficou em problemas de faltas as vezes por falta de calma ou experiência - ou seja, por decisōes burras - não conseguiu escapar da marcação de Lebron e Battier, forçou bolas que não deveria ter arremessado - embora isso não seja só culpa dele, o ataque do Thunder muitas vezes só tocava pra ele e esperava um milagre - e, talvez mais importante, ficou com tanto medo de fazer falta no jogo 4 que praticamente não brigou por nenhum rebote, não tentou nenhum roubo de bola e foi extremamente frouxo na marcação de quem ele estivesse marcando - o que permitiu ao Chalmers e ao Norris Cole muito espaço pras bolas longas. Mas de novo, ele tem apenas 23 anos e tem potencial saindo pelo teto, não da pra jogar a culpa nele), esperava mais dos coadjuvantes do Thunder, esperava que o Thunder fosse conseguir subir seu nível quando precisasse, que forçasse o Heat a fazer o mesmo, e que a série acabasse escalando pra níveis épicos (quando na verdade o Heat dominou os últimos quatro jogos). Eu esperava uma Final que me fizesse falar "Wow, não sei como essa série pudesse ser melhor, ou como esses times pudessem ter jogado melhor"... E ao invés disso saí me perguntando se teríamos uma série mais disputada e parelha caso o Spurs tivesse ido pras Finais (pra mim, sim).

Então esse foi o downside das Finais, a parte que me deixou bastante frustrado, esperando muito mais, até irritado que o Thunder (que perdeu para si mesmo durante grande parte da série) não fosse capaz de elevar seu jogo nas Finais, bater de frente contra o Heat e nos dar uma experiência mais transcendental nessas Finais, como muita gente - especialmente eu - esperava. Isso foi uma decepção, e o principal motivo de eu não ter gostado tanto assim das Finais como deveria mesmo com tantos jogos disputados e decididos de forma dramática, e algumas performances históricas. No final, eu acabei tão impressionado com o Thunder contra o Spurs que subestimei a vantagem que a experiência do Heat proporcionava ao time. Em 2011, o Mavs foi um time sólido, que errou pouco, usou sua experiência, e contou com o brilhantismo de Dirk Nowitzki pra se impor pra cima do Heat e forçar o Heat a vencê-los... E o Heat acabou perdendo pra si mesmo naquelas Finais. Dessa vez, eles fizeram o mesmo, e forçaram o Thunder a vencê-los... E o Thunder, assim como o Miami ano passado, acabou perdendo para si mesmo. Mas se esse foi o lado que me deixou chateado, irritado, frustrado e que acabou com minhas expectativas, teve um lado muito positivo nessas Finais. E ele se chama Lebron James.

Olha, eu sei que muita gente não gosta do Lebron. Eu sei que o Lebron tem dois momentos indefensáveis na sua carreira (Boston em 2010, Mavs em 2011). Mas o que vimos do Lebron ao longo desse último ano é o tipo de coisa que queremos ver durante nossa vida. Se nós assistimos esportes porque estamos esperando constantemente que apareça algum jogador que transcenda tudo que já vimos, que seja tão bom que pareça mentira, que nos maravilhe como ele faz tudo parecer fácil... Ou seja, se estamos constantemente esperando alguém que apareça e nos leve a um lugar maior como fãs de um detemrinado esporte, então nós assistimos esportes por causa de pessoas como Lebron James.

Todo mundo conhece a história do Lebron - draftado com grandes expectativas, talento absurdo, potencial praticamente ilimitado, os times medíocres em Cleveland, a vergonhosa derrota em 2010 para o Celtics, e por ai vai. Depois da derrota pro Celtics em 2010 (quando Lebron desapareceu nos jogos 5 e 6, jogando como se estivesse louco pra ir embora dali), Lebron fez um tremendo show na Free Agency, e anunciou sua decisão de ir pra Miami se juntar a Wade e Bosh em rede nacional sem avisar Cleveland, uma tremenda sacanagem com o time e com a cidade. Não demorou pra que Lebron virasse um dos maiores vilōes da história da NBA: A mídia caiu matando, torcedores vaiavam o Heat em arenas lotadas ao redor do mundo, diversos ex-jogadores criticaram a decisão de Lebron, e por ai vai.

(Sobre a The Decision, duas coisas: Primeiro, o especial na TV foi extremamente de mau gosto e repreensível... E eu tenho certeza que o Lebron sabe disso, e que se pudesse faria as coisas diferentes. Segundo, não tem nada de errado da parte dele querer ir jogar com Wade - seu maior rival - mas como fãs de esporte, nós não gostamos. Queremos que grandes jogadores conquistem a concorrência, tenham rivais e duelos épicos - quem viu os jogos entre Miami e Cleveland nas ultimas temporadas antes da The Decision sabem do que eu falo - e não que eles corram pra se juntarem a eles para ficar mais fácil de ganhar um título. Na verdade, naão tem nada errado com essa decisão, ele é livre pra fazer o que quiser... Eu só odiei porque foi uma forma dele de fugir da responsabilidade de carregar um time nas costas. Mais sobre isso abaixo).

Em 2011, o Heat - e em especial o Lebron - receberam tanto ódio do resto da NBA e da mídia que acabaram assumindo o papel de vilão, abraçaram a imagem que a mídia passava deles. Em especial, Lebron mudou totalmente seu comportamento: Parou de ser aquele jogador alegre, companheiro e sorridente de Cleveland, começou a reclamar cada vez mais, deu declaraçōes polêmicas, provocou outros times, começou a encarar adversários e a torcida adversária desafiadoramente depois de cada enterrada... Em outras palavras, ele assumiu um papel de vilão que não era dele, era um papel artificial, que ele assumiu simplesmente porque recebeu mais ódio que qualquer outro jogador na era da internet. Isso acabou forçando ele uma direção diferente, que ele nunca quis, simplesmente porque jogaram esse manto nas costas dele. No fundo, Lebron ainda era um cara imaturo, que a vida toda foi cercado de gente que o idolatrava e falava sim pra tudo por causa de seu talento espetacular, e que não estava preparado pra tudo isso. Ele assumiu uma personalidade que não era dele como quem diz "Vou mostrar pra todos voces!", quando na verdade Lebron nunca foi assim.

No fundo, ele foi pra Miami justamente porque não queria a responsabilidade que tinha em Cleveland, onde seu time era fraco mas a culpa da derrota era sempre dele. Nós queríamos que ele fosse um Alpha Dog nos moldes de Jordan - nosso parâmetro de excelência - um jogador patologicamente competitivo, que valorizasse a vitória e a dominação mais do que tudo, que treinasse feito louco pra se tornar o melhor de todos, que simplesmente não aceitava ser o segundo em alguma coisa, e que levasse um time mediano nas costas pra um título na pura determinação e competitividade. Lebron não é assim, nunca quis ser assim, ele nunca valorizou a vitória mais do que tudo, como fizeram Bird, Bill Russell, Jordan, e por ai vai. Se Lebron fosse assim, talvez poderia usar ainda mais do seu talento, se elevar a níveis nunca antes vistos e ser ainda melhor do que é... Mas ele não é assim, e é uma estupidez tentar forçar ele a ser assim, porque você estaria fazendo ele ser alguém que ele não é, e sendo alguém que ele não é só prejudica seu jogo. Nós nos preocupamos tanto com o que Lebron PODERIA ser caso ele fosse diferente, uma vez que ele tem um teto praticamente ilimitado, e não olhamos pro que ele realmente é e para o que ele realmente faz, com tanta consistência que chega a ser impressionante. Podem ter certeza que tudo isso dos últimos dois parágrafos contribuiu em muito para a triste série que teve contra Dallas.

Em 2012, Lebron mudou. Na verdade, ele não mudou, apenas deixou de lado o papel que estava tentando incorporar e voltou a ser ele mesmo dos tempos de Cleveland, só que mais maduro e mais humilde, talvez por causa das Finais de 2011. Parou de falar besteira, parou de jogar como vilão e de procurar encrenca (ironicamente, quem virou um pentelho em 2012 foi o Wade, claramente frustrado), e assumiu o papel de líder do elenco não porque ele tentou se forçar nesse papel, mas sim naturalmente com Wade voltando de lesão (talvez Wade, percebendo que agora Lebron era o líder e craque do time, percebendo que pela primeira vez ele tenha ficado em segundo plano dentro do que era SEU time, tenha acabado ficando amargo daquele jeito). E finalmente entendeu que você não joga basquete pra você mesmo, e sim para seus companheiros, algo extremamente importante mas que não são todos os jogadores que entendem - pelo contrário, são poucos, e é por isso que eu insisto que a forma como um jogador afeta seus companheiros é tão importante como o que ele faz em quadra. Pela primeira vez desde 2010, ele parecia estar jogando basquete porque realmente gostava, porque se divertia, envolvendo seus companheiros... Enfim, por prazer, porque ele ama isso. E isso se refletiu demais no jogo dele. Em 2012, Lebron atingiu um nível ainda mais alto como jogador de basquete.

E nos playoffs, quando um estrupiado time do Celtics fez o que o Mavs fez em 2011, forçou o Heat a vencê-los e os colocou contra a parede no jogo 6, Lebron acabou entendendo outra coisa: "Se eu não levantar aqui e ganhar esse jogo, nós vamos pra casa. Não posso ser só bom, tenho que ser ainda melhor. Tenho que fazer mais do que isso. Vou jogar o jogo todo e marcar 45 pontos, e se mesmo assim perdermos, pelo menos eu fiz o que eu podia". Em outras palavras, Lebron finalmente fez o que eu esperava dele desde os dias de Cleveland, ele passou do nível de "grande jogador", ele finalmente colocou todas as peças juntas e alcançou algo ainda maior. Ele descobriu afinal como ele gosta mais de jogar, descobriu a melhor forma de usar seus companheiros, a melhor forma de fazer o seu TIME melhor... Tudo se encaixou, e ele demoliu o Celtics  sozinho. Nas Finais, Lebron tomou o primeiro soco de Durant, elevou seu jogo... E a série nunca mais foi a mesma, porque Lebron nunca mais foi a mesma. Ele atingiu o nível mais alto de basquete que eu vi em toda a minha vida, firmou seu estilo de jogo (único na história da Liga) da forma como era melhor, e se o Heat teve vários fatores que contribuiram para a vitória, talvez o mais importante seja que  eles tiveram o melhor jogador na série. E no mundo. E quando Lebron teve seu histórico jogo 4 - francamente, foi um dos melhores que eu vi na vida, melhor ainda que o Jogo 6 contra Boston - ele deixou claro quem ele era e o que ele queria. Ele virou um assassino, alguém que também estava falando "Não vou deixar o time perder!". Se ele nunca será um maluco patológico como Jordan, ou um jogador que valoriza a vitória acima de tudo como Russell ou Jordan, ele chegou o mais perto disso que sua personalidade permitiu. E dominou, fez o Heat funcionar muito bem, e foi o MVP com toda justiça.

Lebron acabou virando um monstro capaz de driblar no perímetro, atacar a cesta como ninguém, jogar de costas pra cesta contra adversários menores (não tem os melhores post moves do mundo, mas tem muita força e agilidade pra causar problemas), um passador de elite que não pode sofrer dobras sem punir o adversário, que pode ser o armador principal do time, que pode dominar os rebotes, e capaz de defender quatro posiçōes em altíssimo nível. Ele finalmente abraçou seu potencial, e atingiu seu auge. E sinceramente, se estamos julgando jogadores APENAS pelo seu auge, Lebron atingiu um nível nesses playoffs que só sete jogadores na história atingiram (Jordan, Bird, Magic, Russell, Kareem, Wilt e Walton). Tirando Wilt (que cansou, nunca teve o foco necessário pra manter) e Walton (que machucou demais), todos esses jogadores tiveram auges duradouros e que envolveram muita dominação. Eu sinceramente acho que isso foi apenas o começo. Lebron atingiu um nível historicamente bom, e de repente apenas um anel para Lebron começa a parecer absurdo. E não da pra negar o impacto dele nesse time, marcando Durant, distribuindo o jogo, envolvendo todos seus companheiros, achando frequentemente jogadores livres pra arremessos ou perto do aro, pontuando quando queria... Tudo simplesmente se encaixou em torno dele. Talvez ele precisasse de uma derrota com a do Mavericks ano passado pra entender tudo isso, talvez ele precisasse apenas de mais maturidade e experiência, mas o fato é que tudo convergiu de tal forma que ele finalmente alcançou o nível que seu potencial permitia. E daqui, ele talvez só suba. E por ter nos dado essa versão ainda melhor de um dos melhores jogadores de todos os tempos, esses playoffs já valeram a pena.

Pensem rapidamente no seguinte cenário: Os Marcianos invadiram a terra, destruiram algumas cidades, e nos desafiaram para uma série de sete jogos de basquete, com o futuro da Terra como prêmio. Nós temos uma máquina do tempo capaz de pegar qualquer jogador de qualquer época da NBA pra montar um supertime capaz de chutar o traseiro dos Marcianos. Mesmo que você não goste de Lebron, me diga se você NÃO iria querer Lebron 2012' no seu time?? Talvez não como seu Alpha Dog, talvez não como seu titular (Ainda colocaria Bird de titular, nem que seja por causa das bolas de três), mas DEFINITIVAMENTE iria querer ele no meu time. Um cara que defende quatro posiçōes, capaz de pontuar de dezoito formas diferentes, exímio passador, joga pro time, não se preocupa com seus números (O Lebron de Cleveland era definitivamente obcecado por estatísticas, mas não em 2012) e não precisa ser o principal jogador da equipe. Ele iria se adequar em quase qualquer esquema, jogar e qualquer formação, tapar qualquer buraco, e não iria causar problemas no grupo por tocar pouco na bola ou ter um papel mais passivo (Pros curiosos, meu time seria Magic-Jordan-Bird-Duncan-Kareem. Se voces quiserem, faço um post explicando melhor o porque e aprofundando no assunto).

No entanto, Lebron não vai ter um caminho fácil pela frente, simplesmente porque o Heat nessas finais pode ter mexido em um vespeiro. Vocês viram a cara do Durant quando o Heat venceu as Finais - foi uma mistura de frustração, decepção, e mais importante, determinação. O Thunder é um time muito jovem e inexperiente, mas essa derrota pode ser vir muito pra eles. Durant e Westbrook nunca aceitaram essa derrota, e nem vão aceitar: Vão dar a volta por cima,  evoluir ainda mais, e voltar pra desafiar o Heat. Se nessas Finais não tivemos um time elevando seu jogo, forçando o outro a fazer o mesmo, e isso se repetindo algumas vezes, fazendo no final com que ambos os times estejam em um nível superior do que eles normalmente estariam, essa derrota para o Heat tenha esse efeito no Thunder para os próximos anos. Em esportes, você precisa de alguém pra constantemente te forçar a melhorar, para que você continue evoluindo para superá-lo. Lebron perdeu esse rival quando Wade virou seu companheiro, mas acabou ganhando outro em Durant. E com certeza essa derrota (e a clara superioridade do Lebron) vão ter esse efeito no Durant e no Westbrook. Vai fazê-los evoluir, e o Thunder só tem a melhorar daqui pra frente. O Heat é o soberano na NBA no momento, mas Bulls (Não fosse a lesão do Derrick Rose, o Heat provavelmente não tería ido pras  Finais sem Bosh nos primeiros quatro jogos - e talvez até com ele, não fosse o salto de Lebron no jogo 6) e Thunder são dois times jovens que só devem evoluir indo pra frente pra continuar desafiando o Heat.

Como disse uma vez Shogun, técnico dos White Knights: "Nesse mundo, só os que são derrotados ficam mais fortes". Funcionou com Lebron James. Com certeza vai funcionar com Kevin Durant. O impacto desses playoffs ainda vai ser sentidos por muitos anos.