Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Hack a Cast #20 - Especial Kobe Bryant, com Denis Botana



Tem Hack a Cast novo no ar!!

Com a aposentadoria de Kobe Bryant sendo um dos assuntos mais discutidos da temporada 2016 da NBA, nada mais justo do que dedicar um episódio inteiro do nosso podcast a essa lenda do basquete.

Para isso recebemos outro de meus ídolos e para mim o melhor escritor de basquete no Brasil: Denis Botana, do fantástico site Bola Presa.

Durante uma hora e meia, eu, Denis e meu parceiro de sempre Vinicius Veiga discutimos sobre a carreira e aposentadoria de Kobe Bryant, suas diferentes "fases" e mudanças ao longo da carreira, suas semelhantes com seu ídolo Michael Jordan, seu declínio e lesões nos últimos anos, sua importância para o esporte, e relembramos algumas das nossas histórias e experiências favoritas com Kobe.

Nossa homenagem cheia de memórias a um dos jogadores mais memoráveis, polarizadores e brilhantes da história do basquete. Confiram!!

Lembrando também que o Hack a Cast está no Soundcloud, no iTunes e no seu aplicativo favorito de podcasts. Assine nosso canal, e se possível por favor nos avaliem e deixem seu comentário, para nos ajudar a continuar trazendo esse conteúdo especial de NBA para vocês!

(E não esqueçam de ler meu texto sobre mim, Kevin Durant, e preferências pessoais quando falamos de esportes!)





sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Especial NBA - Os times históricos

Provavelmente, ninguém aqui sabe quem é esse cara. Ainda.



Tudo começou com uma declaração dada pouco antes das Olimpiadas pelo técnico Mike Kra... Krz.. Hmm, pelo Coach K, técnico da seleção masculina de basquete dos EUA. A declaração, feita quando perguntaram pra ele sobre o que o Kobe Bryant significa pro time em relação a experiência e sua carreira vitoriosa, envolveu a seguinte afirmação: Kobe Bryant é um dos cinco maiores jogadores de todos os tempos.

Até aí, tudo bem. É a opinião dele, não é uma opinião absurda (como seria se ele disesse, por exemplo, que Eddy Curry é um dos melhores pivôs da NBA), e como o Denis do Bola Presa disse, é o tipo de coisa que os técnicos falam com um número qualquer, sem fazer um ranking ou coisa assim, apenas pra ilustrar um ponto (no caso, que Kobe era um jogador muito importante pela sua história na NBA e era diferente ter uma lenda como ele no time - dois fatos). Não tenho nenhum problema com ele dar a declaração ou mesmo em ele achar isso, embora eu discorde do status que ele deu ao Kobe pelos meus critérios pessoais uma pessoa pode tranquilamente montar um argumento a favor desse status e terá um caso bem forte a favor do Kobe. E ponto!

O problema foi que essa declaração foi feita na era da internet. Isso significa que, em questão de segundos, surgiram duzentas discussōes sobre o assunto, que logo evoluiram para o ridículo "Kobe ou Michael Jordan?". Primeiro de tudo, eu já odeio qualquer comparação com Jordan. MJ é nosso parâmetro de excelência no basquete, e por esse motivo de repente TODO mundo que é bom num nível diferente do resto (Kobe, Lebron, etc) tem que ser comparado ao Jordan e tem que fazer o que o Jordan fazia. Tudo bem, até entendo a vontade que todo mundo tem de ver outro Jordan, mas o problema é que de repente passa a impressão de que se o jogador NÃO for igual ao Michael Jordan, então ele fracassou, o que não tem nada a ver, simplesmente porque (pra mim) Jordan foi o maior jogador de todos os tempos. É que nem ir no cinema assistir The Dark Knight Rises e falar depois "The Dark Knight é melhor". Porque isso significaria algo RUIM pra TDKR? Dark Knight é sensacional, um dos meus filmes favoritos em todos os tempos, e ser inferior a ele nunca será um demérito. O mesmo pras comparaçōes com Jordan (que não deveriam acontecer antes de mais nada), ser diferente (ou inferior) a Jordan nunca será algo ruim para ninguém. Mas o problema é que com o excesso de comparaçōes vem a ideia de que ou o jogador foi/é/será igual a MJ, e se não for, ele fracassou. E por esse motivo, essas discussōes "Jogador X ou Jordan?" geralmente acabam com a galera tirando tudo de contexto e proporção, distorcendo fatos pra defender um ou outro, numa comparação que não deveria existir, simplesmente pra evitar que Jogador X seja "diminuido".

Mas pra falar a verdade, isso nem foi o que mais me incomodou. Conforme a discussão avançava, a galera começava a fazer seu próprio Top5 da história da NBA, e eu fiquei inconformado em como a galera era ignorante em termos da história da NBA. Não todo mundo, claro, mas uma boa maioria. Muitos Top5 eram coisas como "MJ, Kobe, Shaq", e quando alguém colocava um Larry Bird ou Kareem na sua, muita gente reagia com coisas como "Top5 esses caras não são!" ou "Nunca foram tão bons como Kobe/Shaq/Jason Kidd/etc". A galera cresceu vendo essa galera jogar, entendo isso, mas não saber quase nada sobre essas lendas é demais. E não foi a primeira vez que eu vi isso acontecendo por aqui: Quando eu falei, casualmente, sobre o Celtics de 86 e o Lakers de 87 num tópico do Facebook, muita gente só conhecia os times por terem Bird e Magic Johnson, por exemplo, ninguém sabia o impacto que esses times tiveram e exatamente o quão bom eles eram. Quando eu joguei no twitter um video do Blazers de 77' (Um dos meus times favoritos), alguém me perguntou porque ninguém falava desse time sendo que ele era tão espetacular de assistir - e quase ninguém sabia que esse time sequer tinha existido no twitter. As pessoas lembram de Wilt Chamberlein pelos seus 100 pontos e de Jerry West por ser o Logo da NBA, mas é só. Jogadores como Bill Walton, Earl Monroe, Dennis Johnson ou Bob Cousy, que não tem grandes números para sustentá-los, acabaram sendo esquecidos. Jogadores cujos números não mediam o tamanho do seu impacto no jogo, como Bird, Magic, Bill Russell e Walton acabaram historicamente prejudicados - nós sabemos que eram bons porque todo mundo fala que eram bons, mas quanto? (E sim, Tim Duncan será o próximo). E jogadores como Wilt, Karl Malone e Patrick Ewing, que tem números que saltam aos olhos, acabaram tendo seus defeitos "escondidos", o que se lembra deles em primeiro lugar são suas vantagens porque elas são captadas por algo palpável.

Claro, não é difícil entender porque isso acontece, especialmente com jogadores mais antigos. Conforme o tempo passa, as memórias vão se apagando, os vídeos vão ficando mais raros e difíceis de serem encontrados (menos agora que temos Youtube, mas enfim), testemunhas oculares vão envelhecendo... E tudo o que sobra desses jogadores são alguns poucos relatos e diversos dados - pontos, rebotes, assistências, títulos, MVPs, All-Star Games, All-NBA e All-Defenses Teams, etc. E quando não temos mais nos que nos basear, acabamos recorrendo a isso para formar nossas opiniōes. Isso não tem tanto problema em um esporte como baseball, que pode ser quase totalmente medido por estatísticas, mas basquete é um esporte extremamente mais difícil e subjetivo, e as estatísticas simplesmente não conseguem captar todo o impacto de um jogador. Daqui a 30 anos, um fã de basquete vai entrar no basketball-reference.com, ver as páginas de Karl Malone e Tim Duncan, comparar os números, e chegar à conclusão de que Malone foi melhor do que Duncan. E ele estará errado. 

Porque isso importa tanto? Eu não sei. Talvez não importe. Não pra vocês. Mas pra mim importa, e muito. Como alguém apaixonado por esportes, digo que tem coisas que não deveriam ser esquecidas, e basquete é um que vai muito além de números (como eu já disse), depende de observação, relatos históricos e tudo mais. E já que ir atrás de tudo isso é um uber-trabalho, a ideia aqui é facilitar o trabalho de vocês e entregar tudo já mastigado. Não faço isso por pensar que atualmente não temos times tão bons como antigamente (isso é verdade, aliás, mas já digo porque - e não tem nada a ver com talento) e por isso a NBA hoje é mais chata, digo porque tem coisas que deveriam viver. Assim como vou falar aos meus filhos que vi Kobe e Lebron, todo mundo que gosta de basquete deveria saber de como eram bons Bird, Magic e companhia. Não melhores ou piores, mas todos fazendo parte da mesma historia, a história da NBA.

E enquanto eu conversava disso com alguns seguidores no twitter sobre o assunto, o leitor Andre Stabile deu uma sugestão que eu achei excelente: Porque não fazer uma série de posts falando sobre os times históricos do NBA 2K12, um jogo que quase todo mundo comece e/ou já jogou? A galera conhece os times, eu só terei o trabalho de colocar cada um em seu contexto histórico e mostrar o que cada um significou pra Liga e pra Franquia em si. Achei a ideia excelente, e decidi colocar em prática.

Pra quem não sabe, a 2K pegou 15 estrelas aposentadas da NBA e colocou um jogo especial para cada um desses jogadores. Esses jogadores e seus times foram:

Michael Jordan (Chicago Bulls, 1993)
Magic Johnson (Los Angeles Lakers, 1991)
Larry Bird (Boston Celtics, 1986)
Kareem Abdul-Jabaar (Los Angeles Lakers, 1987)
Bill Russell (Boston Celtics, 1965)
Wilt Chamberlein (Los Angeles Lakers, 1972)
Jerry West (Los Angeles Lakers, 1971)
Oscar Robertson (Milwaukee Bucks, 1971)
Hakeem Olajuwon (Houston Rockets, 1994)
Isiah Thomas (Detroit Pistons, 1989)
Scottie Pippen (Chicago Bulls, 1996)
Julius Erving (Philadelphia 76ers, 1985)
Karl Malone (Utah Jazz, 1998)
John Stockton (Utah Jazz, 1998)
Patrick Ewing (New York Knicks, 1994)

O critério da 2K não foi pegar os 15 melhores jogadores da história ou algo assim, e sim pegar jogadores conhecidos do povo, que tiveram uma importância especial, um estilo de jogo interessante e/ou divertido, ou simplesmente os mais bolados. Por exemplo, Moses Malone foi um jogador melhor do que boa parte dessa lista, mas ele e Erving jogaram juntos nos 76ers e Erving sempre foi um jogador mais marketable e mais conhecido do publido, com um estilo de jogo mais empolgante, então colocaram Erving como a estrela e o time com os dois, simples assim. Entre os que ficaram de fora, destaco Elgin Baylor, o primeiro ala high-flying da NBA (Já tem West e Wilt daquele Lakers, ok, mas não podia ter colocado Wilt no Sixers de 67 - no auge dos seus poderes - e mais um Lakers com Baylor? E aliás, é ele na foto do começo do post), Charles Barkley (Um dos jogadores mais carismáticos da história da NBA) e Bill Walton (ficou saudável durante apenas 2 anos e meios... Mas nesses dois anos e meio, foi transcendental e ancorou um dos times mais espetaculares da história da Liga). Entre os principais times deixados de fora, destaco Sixers 67', Knicks 70', Blazers 77', Sixers 83' (segure essa até falarmos do Erving), Lakers de 2001 (segure mais quatro linhas)... E enquanto estamos falando disso, é um absurdo o Rockets de 94 ser o time do Hakeem quando o de 95 era bem melhor.

(Vale lembrar, três jogadores provavelmente estariam na lista caso já tivessem aposentados: Kobe, Duncan e Shaq, que ainda não tinha aposentado quando o jogo foi feito. Shaq provavelmente seria o Lakers de 2001, o melhor time pós-Jordan; Duncan teve seu auge em 2003, mas seu melhor time em 2007; e Kobe provavelmente ficaria com o Lakers de 2010, a não ser que o Shaq deixe o Lakers de 01 vago. Btw, tem 96% de chance do Lebron ser adicionado a essa lista em alguns anos).

Esses, portanto, serão os times a serem analisados aqui. E como eu disse, vale a pena, porque eram times como não vemos mais hoje em dia. Não, não se preocupem, eu não sou daqueles nostalgicos que ficam com frescura por "Mimimi, antigamente era tão bom, hoje a NBA não tem a mesma graça porque não temos mais jogadores como Magic, Bird e Jordan!". Essa minha afirmação nada tem a ver com o talento existente na NBA. Mas o fato é que os times hoje são piores que os de antigamente por dois motivos: Expansão, e crescimento dos salários. Imagine se a NBA eliminasse 8 times e distribuisse seus jogadores pelos demais times. Imagine agora também que os salários caíram drasticamente, o que permite que os times acomodem mais jogadores de alto nível nas suas folhas salariais. Bom, essa era a NBA nos anos 80, por exemplo. A expansão nos anos 90 diluiu em muito o talento na Liga, os times passaram a acomodar menos jogadores de alto nível, as rotaçōes pararam de ser tão profundas. Hoje, é muito difícil pra um time ter muitas estrelas ou jogadores de alto nível na rotação, mas sumindo com oito franquias e diminuindo os salários, você vai dizer que o nível dos times ficaria melhor, a Liga ficaria mais competitiva e os melhores times ficariam ainda melhores? É claro que sim!!

Um exemplo pra ilustrar. Em 1986, o Celtics tinha um time montado da seguinte maneira: Larry Bird, Kevin McHale, Robert PArish, Dennis Johnson, Danny Ainge, Bill Walton, Scott Wedman, Jerry Sichting, Sam Vincent, Greg Kite. Imagine se isso seria possível hoje em dia. Com mais times, muito dificilmente o Celtics teria ficado com Bird, McHale E Parish, muito menos DJ. Provavelmente dois deles teriam saidos, seja pros novos times ou seja pra times já existentes mas que teriam "perdido" outros jogadores pra essas franquias. A chance do Celtics ter tido um time titular com tantos craques era quase zero, e nem de longe o Celtics teria uma rotação com Walton, Wedman e Sichting quando Wedman, em uma Liga mais diluida, provavelmente teria recebido uma oferta de 10M do Kings ou algo que o valha. Alem disso, com os salários de hoje e o teto salarial, qual a chance desse time manter todo esse núcleo junto? Em seu excelente livro The Book of Basketball, Bill Simmons faz uma estimativa conservadora do teto salarial que esse time teria em 2010... E a conclusão era que a folha salarial seria de 90M, muito acima do teto. O time teria que trocar McHale e/ou Parish pra conseguir abaixar a folha salarial, provavelmente perderia jogadores como Wedman e Ainge na Free Agency por estar acima do teto, e era em capaz de ter que trocar DJ com uma escolha de primeira rodada pra terminar de livrar o salário. O time nunca teria sido capaz de trocar por Bill Walton se não se livrasse do contrato monstro de Cedric Maxwell (Trocado pouco antes), e como ele seria abusivo, algum jogador teria que ir junto para aceitarem. Qual a chance de vermos um time tão bom assim em quantidade de jogadores de elite e profundidade na Liga de hoje, com salarios inflados e 30 times? Zero (Igualmente, qual a chance do Lakers ter Kareem, Magic, James Worthy, Mychael Thompson e Michael Cooper ao mesmo tempo em um time? Zero. Ou menos). Então sim, infelizmente, os times naquela época tinham duas coisas trabalhando a seu favor que nenhum outro time tem hoje, e por isso os times de hoje não conseguem mais manter seus núcleos juntos por muito tempo e uma rotação tão profunda. 

Então é assim que vai funcionar, vou postar sobre os 15 times presentes no NBA 2K12 em alguma ordem, provavelmente dois de cada vez, que se relacionem de alguma maneira. Ainda não decidi se vou seguir uma certa cronologia ou não, mas aceito sugestōes sobre o assunto. Não garanto que a série será continua - a ideia é que seja, mas talvez tenha que interromper pra falar da temporada da NFL, mas logo retomamos. E se o pessoal gostar do Especial e quiser, faço mais posts do tipo extrapolando o NBA 2k12 pra incluir outros times históricos que eu achei interessantes pra voces conhecerem e que marcaram seu nome na história da NBA. Então começa semana que vem, e uma eventual continuação fica nas mãos de vocês. Espero que gostem e aproveitem pra conhecer mais sobre o passado da Liga.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Premissa Marciana


Celtics de 86' foi a base do estilo desse time
e teve três jogadores nele... Quase foram quatro






Só pra esclarecer, esse post foi inspirado (pra não falar chupinhado) do capítulo "Wine Cellar", do melhor livro esportivo de todos os tempos, The Book of Basketball, do Bill Simmons. Muitas coisas estão iguais ao original dele, simplesmente porque eu concordo 100% com essa parte. Onde eu discordo, obviamente coloquei minha parte por cima. Espero que se divirtam com esse post tanto quanto eu me diverti escrevendo. No final, se tiverem vontade, deixem o time de vocês e o porque, quero saber como vocês enxergariam esse time.


Imagine por um instante o seguinte cenário: Os Marcianos invadiram a terra, destruiram algumas cidades, e nos desafiaram para uma série de sete jogos de basquete, com o futuro da Terra como prêmio. Se ganharmos, eles vão embora e não nos torram mais a paciência, mas se perdermos eles destroem a Terra (suponha que sejam Aliens muito menos imbecis dos que os Aliens de Sinais). E nós temos uma máquina do tempo, capaz de viajar por diferentes épocas e pegar qualquer jogador de qualquer época da NBA para montar um supertime para chutar o traseiro dos Marcianos e os ensinarem a não mexer com a Terra. Vamos pegar esses jogadores, colocá-los pra treinar durante dois meses juntos, e então faremos as Finais no Madison Square Garden, com Gus Johnson anunciando.

Bom, essa é a premissa. Como eu já disse, nossa máquina do tempo pode pegar qualquer jogador de qualquer época da NBA e trazê-lo para jogar um jogo em 2012 (portanto com as regras de 2012). Para evitar que eu caia em tentação de colocar o Arvydas Sabonis no time, vamos restringir isso apenas a jogadores da NBA (Sabonis só foi pra NBA quando já era velho e machucado, incapaz de se mover como antes). Temos agora que montar o quebra cabeça, escolher os 12 jogadores que vão formar o time para nos defender dos marcianos.

Espero que todos entendam o seguinte, porque é um ponto que eu martelo praticamente toda santa coluna: O que importa aqui não é simplesmente pegar 12 jogadores que sejam os melhores jogadores, e sim jogadores que complementem uns aos outros da melhor forma possível, que afetem o time de diferentes formas e que combinem suas habilidades para o bem do time. Eu não quero um All Star Game, eu quero um time de basquete em todos os sentidos. Um grupo com uma hierarquia definida, onde todos os jogadores entendam e respeitem essa hierarquia e não tentem subverter a ordem do grupo. Quero personalidades que não entrem em conflitos, jogadores que estejam dispostos a aceitar o que quer que seja (menos arremessos, menos minutos, banco, etc) pelo bem do time. Jogadores que entendam a importância de jogar pros seus companheiros e pro time, que entendam a importância do que vai além de basquete... Em resumo, que entendam o conceito de time. Não adianta colocar Jordan e Kobe juntos, porque não tem como funcionar: Kobe não vai aceitar a reserva, vai querer ir pra primeiro plano, vai querer mais arremessos, e isso vai minar o grupo (também não quero ninguém excessivamente fominha no meu time, nem alguém que coloca a si mesmo na frente do time, portanto não pegaríamos o auge do Kobe. Ta fora, Kobe). 

Além disso, a questão não é escolher apenas os jogadores, e sim qual versão dos jogadores. Podemos pegar Jordan em 88 (mais individualista, obcecado por estatísticas, não um bom jogador de grupo), 92 (no auge da sua forma física e da sua habilidade, ainda um pouco complicado pra jogar em grupo) ou 96 (um jogador 100% de grupo, perfeita compreensão do que vale além de basquete (Que Simmons chama de "O Segredo"), mas um pouco menos poderoso em termos físicos). Larry Bird em 82 ou 86 (quando assumiu sua melhor identidade como jogador pro time, podia fazer 50 pontos ou 10 e afetar o jogo de quinze maneiras diferentes, totalmente satisfeito em não aparecer e fazer o máximo pelos seus companheiros). Magic Johnson em 82 (mais novo, melhor defensor), 85 (mais maduro, totalmente altruísta, capaz de jogar em quatro posiçōes) ou 87 (mais pontuador, mais Alpha Dog). Isso importa tanto quanto os jogadores que serão escolhidos, e qual papel eles irão assumir no time.

Dois últimos detalhes sobre como eu quero o MEU time: Primeiro, estou deixando de fora do time todos os jogadores anteriores à fusão da NBA com a ABA. O jogo era diferente demais naquela época, e portanto é muito difícil saber como os jogadores da época iriam lidar com o jogo de hoje em dia. Claro, isso é difícil para qualquer época, mas especialmente pra época pré-Merger. Imaginem a NBA na atualidade, mas com apenas 8 a 12 times. Agora tirem praticamente todos os jogadores negros da Liga, deixando apenas um ou dois por time (a regra não-escrita da época era que cada time só podia ter no máximo dois jogadores negros - só o Celtics tinha mais na Era Russell). Tirem também todos os estrangeiros da Liga e linha de três pontos, e suponham que não exista goaltending ofensivo (Sério!). O que restou era a NBA pré-Merger, era nesse tipo de Liga que os jogadores jogavam. Entendem o que eu quero dizer? Dwight Howard não marcaria 50 pontos por jogo nessa Liga?  A NBA só tomou uma forma próxima de hoje em dia quando a NBA (Predominante de jogadores brancos) e a ABA (predominantes jogadores negros) se juntaram em uma só. E portanto, apenas consideramos jogadores de 77 em diante pro meu time.

Segundo, todo time tem que ter uma identidade. E a identidade do meu é a de um time passador e flexível, nos moldes do Celtics de 86 (pra mim o melhor time de todos os tempos). Quero jogadores que não tenham egoismo nenhum, que estejam constantemente rodando a bola (portanto jogadores inteligentes, com bom passe e que joguem para o time, sem egoismo), e que possam jogar em qualquer estilo: Contra-ataque, defesa, alto, baixo, etc.

Em resumo, meu objetivo é juntar um time que rode bem a bola, esteja sempre buscando o jogador livre, tenha jogadores que joguem pro time, seja flexível o suficiente pra jogar qualquer estilo e se adaptar a qualquer adversário, que seja capaz de defender e pegar rebotes, que se de bem dentro e fora de quadra, que entenda "O Segredo", onde os jogadores busquem fazer os outros melhores, e que tenha uma hierarquia estabelecida, sem ninguem tentar desafiar a ordem. Vamos portanto aos cinco titulares da equipe:


Magic Johnson 85'

Magic 85' sobre qualquer outra versão de Magic, pelos seguintes motivos: Mais flexível, podia jogar em cinco (!!) posiçōes; ainda não era uma fraqueza defensivamente como foi mais tarde; modelo para armadores que rodam bem a bola, jogam para o time, fazem todos ao seu redor melhor e não se preocupam com seus próprios números; e por fim, não preciso das qualidades que se destacaram em Magic quando atingiu seu auge em 87 (mais pontuador, assumiu o papel de alpha dog do time) porque meu time já tem poder de fogo o suficiente, e porque não preciso que Magic assuma o papel de líder do time. Preciso que ele rode a bola, puxe contra ataques, acione os companheiros, consiga muitos roubos de bola, pontue de vez em quando mas se preocupe muito mais em fazer o seu time melhor, e jogue em qualquer posição que o time precise - E o Magic que melhor fazia tudo isso era o de 85.



Michael Jordan 92'

Não podemos ter um All Earth Team sem o maior jogador de basquete de todos os tempos, nosso Alpha Dog e crunch time scorer. Jordan 92' ganha a posição, mas foi a terceira mais difícil decisão dessa coluna: Jordan 92', auge das suas forças mas ainda não totalmente um jogador que jogava pros seus companheiros, ou Jordan 96', um pouco passado do seu auge mas um jogador que entendia totalmente o "Segredo"? Fiquei com Jordan 92' pelo mesmo motivo de Simmons: Porque ele teve problemas pra lidar com seus companheiros, mas eles eram ruins! Cerque Jordan de grandes companheiros com um jogo coletivo e altruista ao ponto de ser contagiante (Magic e Bird eram dois passadores que faziam exatamente isso: Eram tão bons no que faziam que contagiavam os companheiros) e acredito que ele teria abraçado muito mais rapidamente o jogo de equipe que atingiu em 96'.  Ainda assim, podemos argumentar por qualquer um dos dois... Vamos pro próximo antes que eu mude de ideia.



Larry Bird 86'

Melhor ala passador de todos os tempos, Bird não era só um grande jogador ofensivo e passador, como também adorava fazer seus companheiros melhores, rodar a bola para jogadores melhor posicionados e fazer de tudo pela vitória. Quando seu Celtics atingiu seu melhor elenco (Dennis Johnson, Danny Ainge, Kevin McHale, Robert Parish, Scott Wedman e Bill Walton... Good God, isso é um time de basquete!), Bird sempre aceitou ficar em segundo plano em diversos momentos, explorando outros lados do seu jogo para fazer todo mundo melhor. Ele pode ser o Alpha Dog em um time? Definitivamente, mas de a ele companheiros de elite e ele não terá nenhum problema em complementar todos eles, rodar a bola, achar companheiros livres, acertar algumas bolas longas, voar na defesa em busca de roubos, ir pro garrafão quando necesário, e aparecer quando o time precisar... Enfim, fazer tudo que faz o time melhor, mesmo que em segundo plano. Ninguém nesse time fazia isso melhor do que Bird - talvez na história.

Confesso que pensei em colocar Lebron aqui, principalmente preocupado com a defesa com Magic E Bird jogando juntos (nenhum era exatamente uma peneira defensiva, como Magic se tornou mais tarde na carreira, mas nenhum era um grande defensor, sua maior força era marcar um jogador menos perigoso do adversário e ficar livre pra voar nas linhas de passe em busca de roubos), mas deixei Bird por dois motivos: O primeiro é totalmente subjetivo e discutível (Ainda acho Bird superior a Lebron pra esse estilo), mas o segundo é muito mais simples - preciso de alguém pra chutar bolas de três nessa equipe, e Bird era um exímio chutador. Com Lebron, esse time ficaria deficiente demais nos chutes de longe. Caso a coisa aperte defensivamente, Lebron entra aqui ou até no lugar de Magic, mas acho que esses dois se aguentam com Jordan e o nosso garrafão. Mas vamos em frente.



Tim Duncan 02'

Duncan é perfeito pra esse time: Nenhum outro jogador em toda a história da Liga compreendeu tanto sobre como jogar para seus companheiros do que Duncan, tirando Bill Russell. Tipo de jogo que define Duncan: 22 pontos, 12 rebotes, 3 tocos, excelente defesa, envolve todos os companheiros, time funciona em torno dele, time ganha por 15. Ele não precisa aparecer, mas poucos jogadores na história influenciaram seus companheiros como ele influenciou. Se na NBA existisse o Hockey Assist (A assistência para a assistência), Duncan seria um dos líderes. Ele é exatamente o que eu preciso pra esse time: Um excelente defensor, excelente reboteiro, joga pro time, exímio passador, exige double-teams quando vai pro garrafão, e que pode perfeitamente jogar de pivô quando apelarmos para formaçōes mais baixas. 



Ok, agora chegamos à minha maior dúvida desse time. Eu sei que coloquei Kareem de pivô no meu time, mas confesso que mudei de idéia pelo menos 200 vezes entre sábado e hoje sobre ele ou Bill Walton no time titular. Na verdade, ainda não cheguei a uma conclusão. Coloco um, mas com muitas ressalvas: Cada um trás coisas que eu quero ao time. Então coloco um, mas ao menor sinal de problema, coloco o outro. Então vamos com...



Kareem Abdul-Jabaar 77'


Fuck. Não gostei da minha escolha: Walton 77' é meu pivô favorito da NBA não chamado Russell. Então porque Kareem está aqui? Porque eu preciso de uma jogada de segurança pro meu time, um jogador capaz de conseguir dois pontos automáticos quando meu time precisar. Preciso do skyhook. Confesso que colocar o Kareem me dá dois medos: Primeiro, que ele demande demais a bola com sua fama de fominha, e que ele acabe tentando subverter a ordem no time com sua fama de ser pouco sociável. No entanto, pegue essa frase dele em 80 para a Sports Illustrated, conforme quotada pelo Simmons, justificando porque jogou mesmo com enxaquecas por alguns jogos: "Esses homens são meus companheiros, mas também são meus amigos. Eles precisavam de mim". Hmm, parece alguém que entende como jogar em equipe. Basta para mim. Se ele abraçou seu jogo de equipe com Magic, imagino que jogar com Bird ajude ainda mais. Bom reboteiro, bom defensor de garrafão, e com dois pontos imparáveis. Mas ele vai ter a sombra do nosso primeiro jogador do banco...



Bill Walton 77'

Um pivô quase perfeito, e possivelmente o mais completo: Excelente reboteiro, bom pontuador, líder por exemplo, ótimo defensor de garrafão, mas o mais importante de tudo, um dos melhores passadores da história da NBA, um verdadeiro jogador de equipe que envolve seus companheiros e faz todo seu time melhor. Pegue algum vídeo do Blazers de 77 (pode ser esse aqui mesmo) e veja aquele time jogando: Ele era cheio de role players sem destaque, e apenas uma estrela em Walton... E mesmo assim, quem viu diz que é um dos melhores times de todos os tempos, mais imparáveis, e que mais jogava bonito. Com os passes de futebol americano do Walton quando pegava um rebote na defesa, era impossível parar seu contra ataque. Na meia quadra, era bola no Walton, e ele distribuia o jogo pra um time que rodava a bola e parecia sempre achar o jogador livre. Ele seria perfeito pra esse time: Capaz de pontuar e defender o aro, supremo jogador de equipe, capaz de rodar a bola e achar seus companheiros melhor que qualquer pivô na história. Ele iria fazer todos melhores no time.


Bom, uma vez que determinamos os cinco titulares e nosso sexto homem (também podendo ser chamado de sombra pro Kareem caso precisemos de mais passe ou menos individualismo), vamos pro nosso banco. E começamos com uma questão um pouco difícil.



Scottie Pippen 92' e Lebron James 12'

Não consegui decidir por um só... Então vai os dois. O problema com eles é que seriam jogadores muito parecidos em características: excelentes defensores, versáteis, ótimos passadores, podem jogar ou defender várias posiçōes, muito atléticos, arremessos pouco confiáveis, confortáveis fazendo o trabalho sujo e deferindo para outros jogadores, não se importam de ficar em segundo plano, fazem seus companheiros melhores, capazes de conduzir a bola quando necessário com grande eficiência... Mas arremessadores pouco confiáveis. Ainda assim, prefiro ter os dois no meu time, simplesmente porque eu gosto do que eles trazem pro time, intensidade, defesa, puro talento. Pippen é um defensor superior (na verdade, ele é o melhor defensor de perímetro da história da NBA) e é valioso pelos intangíveis - se um Marciano pegar fogo, soltamos Pippen ou Jordan em cima dele. Lebron ganha a luz verde pela versatilidade, capacidade de dominar fisicamente adversários como poucos outros, pelos contra ataques, e por ser um pontuador superior. São parecidos, mas podem ser usados de tantas maneiras que ter dois é ainda mais útil.



Kevin McHale 86'

Nenhum outro jogador era melhor pontuando do low post. Olhe as estatísticas de McHale em 1987 antes de machucar: 26 pontos, 10 rebotes, 3 assistências, 60% de arremessos (!!!), 84% de lances livres, 2.2 tocos. Some isso ao fato de que ele jogava num time com vários outros bom pontuadores, que quase nenhum jogador na história da NBA era capaz de marcá-lo saudável no mano a mano, que ele era um dos melhores defensores da sua geração, podendo defender jogadores entre as posiçōes 2 e 5, e que ele mostrou em 86 que definitivamente sabia jogar em grupo. Good God! Eu preciso de McHale contra os Aliens: Ele nos da flexibilidade, uma opção excelente no garrafão, se pegar fogo pode ser o foco do nosso ataque, pode jogar de pivô e defender quase qualquer jogador.



Agora as coisas ficam mais complicadas. Temos nossos cinco titulares e reservas pra SF (Um combo), PF e C... Faltam nossos reservas pra PG, SG e nosso 12o homem. Já aviso que não pegarei nenhum Kobe porque não tem a menor chance dele coexistir nesse time sem causar problemas. Mas preciso de um Combo Guard que seja atlético, bom marcador, e que possa brincar de armar o jogo de vez em quando. Hmm... Vamos aqui.

Dwyane Wade 09'

Melhor ano da carreira de Wade: 30-5-7, excelente defensor, um monstro roubando bolas, levou nas costas um time medíocre e mostrou que pode perfeitamente ser o armador principal da equipe. Ele, ao contrário de Kobe, não ameaça o entrosamento e a hierarquia da equipe, pode muito bem vir do banco (Ver: Olimpiadas, 2008), pode conduzir o ataque do time facilmente, pode defender armadores rápidos (Lebron e Pippen também podem, mas preciso de mais proteção caso os Marcianos tenham um armador muito rápido destruindo nossa defesa com dribles), ele sabe acionar os companheiros, e é atlético o suficiente pra acompanhar o resto do time. Era ele ou Joe Dumars, preferi Wade por ser mais atlético e poder conduzir o jogo de armador principal melhor.


Ok, agora temos outro problema que me deu muita dor de cabeça. Temos 10 jogadores no time, faltam dois: Um PG reserva, e um jogador que sirva a uma função específica (No caso, um arremessador de três). Ou seja, precisava escolher dois dos seguintes três: Ray Allen, Steve Nash e Chris Paul. Meu medo para pegar Nash era sua defesa, sendo que Magic já não é nenhum grande defensor. O problema de deixar Allen de fora é que o time fica com apenas Bird e Nash de chutadores de três pontos. A lógica aqui era Paul e Allen... Ah, que seja, vamos aqui, nem que seja pra ficar diferente:


Steve Nash 07'
Ray Allen 01'

Allen vai ficar no time porque precisamos de alguém que acerte bolas de três quando necessário, e também é bom ter alguém pra colocar na linha do lance livre quando estivermos ganhando no final do jogo (Em 2001, Allen chutou 92% de lances livres e 47% (!!!!!!!!) de três pontos. So there!). Nash sobre Paul foi a segunda decisão mais difícil da coluna, mas não me arrependo: Paul é mais produtivo quando tem a bola na mão e tempo pra pensar e criar, Nash é melhor nos contra ataques tomando decisōes rápidas e conduzindo o time com passes longos e precisos. Meu principal medo de colocar Nash na frente de Paul (caso precisássemos defender algum armador baixo e rápido) teria prevalecido até mês passado, mas depois de ver Lebron nesses playoffs, eu sinceramente acho que podemos contornar isso soltando Wade ou Pippen nesse armador pentelho e deixando Lebron cobrindo as falhas de todo mundo, no melhor estilo The Wolf, de Pulp Fiction, especialmente porque ele também pode armar o jogo se jogarmos sem armador principal. E nenhum jogador na história da NBA faz seus companheiros melhores que nem Nash... E embora nesse time ele não precise fazer ninguém melhor, definitivamente podemos usar seus pick and rolls (com Lebron, Duncan, McHale ou Walton fazendo o papel de Amare Stoudamire), sua visão de jogo, seus contrataques e sua habilidade monstruosa pra achar companheiros em situaçōes fáceis de cesta. Se estamos montando um time com excelentes passadores, movimentação de bola, jogadores que jogam pro time e entendem "O Segredo", então precisamos de Steve Nash. Se precisarmos de ataque instantâneo, simulamos o Suns de 2007 (Mais disso em breve) - o melhor e mais bonito basquete ofensivo que eu já vi na minha vida. Não posso ter esse time sem meu jogador favorito, simplesmente não posso.


Em outras palavras, nosso time ficou o seguinte: Titulares: Magic 85', Jordan 92', Bird 86', Duncan 02, Kareem 77'. Nosso banco: Nash 07', Ray Allen 01', Wade 09', Lebron 12', Pippen 92', McHale 86', Walton 77'. 

Pra comissão técnica, nosso técnico teria que ser Phil Jackson 96' (Que melhor técnico pra um time passador cheio de talento que Jackson?). Precisamos também achar um cargo aleatório para Ron Artest 05', Willis Reed 77' e Kermit Washington 77' ficarem no banco, como proteção caso algum Alien tente começar uma briga (pra quem não entendeu a referência obscura, em 1977 a NBA estava muito preocupada com a quantidade de brigas nos jogos, até que em uma briga comum durante um jogo, Kermit Washington acertou um soco em Rudy Tomjanovic tão perfeito que rachou o nariz e o crânio de Rudy, que caiu no chão sangrando e molhando o chão da quadra, num dos momentos mais traumáticos da NBA. Kermit fez o que todo mundo fazia nessas brigas, mas deu azar do seu soco ter sido perfeito demais e acertando em cheio. Levou uma grande suspensão e a NBA baniu de vez as brigas). E agora vou quotar o Simmons no seu livro: 'E precisamos ter 1984 Red Auerbach envolvido - faremos dele presidente do time, só para vermos um velhinho sorridente recebendo o All-Universe Trophy num vestiário em festa e dizendo algo sarcástico como "Eu continuo escutando que os Aliens são mais avançados em todos os aspectos" (Levanta o troféu.) "Aqui está seu avanço, estou com ele bem aqui"'. Perfeito!

Pois bem, esse é meu time. Ele tem tudo que eu quero: Jogadores que façam genuinamente parte de um time, que rodem a bola, que sempre procurem um homem livre, que joguem pro time, que não fiquem subvertendo a ordem do time. Um time com flexibilidade, capaz de pegar rebotes, defender e correr, com um bom número de bolas de segurança, um Alpha Dog, e vários jogadores que se complementam perfeitamente.

[Tangente rápida, as omissōes mais difíceis: Paul 08', Dumars 89', Barkley 87' (no lugar do Pippen ou de Lebron), Moses Malone 83' (rebotes), Garnett 04' (defesa), David Robinson 92' (Mais físico no garrafão, excelente team player, excelente companheiro de grupo... Acabou ficando de fora porque preciso do skyhook pra jogada de segurança e, se Kareem se machucar, não confio em Robinson pra finalizar jogos), Kobe 01', Hakeem 95' (Não era grande passador, centralizaria demais o jogo), Dennis Johnson 86' (no lugar de Wade como um combo guard com excelente defesa - superior até mesmo a Wade e Dumars - mas não tão bom armando) e Greg Popovich 12' (Estilo de jogo desse Spurs era exatamente o que eu queria, quase coloquei ele no lugar do Jackson)].


Já pensaram nas possibilidades que temos com esses jogadores?? Pra começar, temos nosso time titular de Magic, Jordan, Bird, Duncan e Kareem. Se tivermos problemas defensivos com Magic/Bird, colocamos Wade ou Lebron/Pippen. Podemos montar jogadas pra Jordan, podemos fazer o combo inside/outside com Kareem e Bird, podemos fazer o pick and roll, podemos continuamente atacar a cesta, rodar a bola e achar o companheiro livre. Podemos explorar Duncan no garrafão como ponto de partida e jogar através dele. E temos Magic, Bird, Jordan e Duncan prontos pra correr em contra ataque depois de cada erro ou rebote. Você não iria parar esse time - ponto! Podemos brincar também de...




Wade, Jordan, Pippen, McHale, Duncan, Kareem (Dois dos últimos três) - Nossa melhor formação defensiva com altura (Também funciona com Lebron no lugar do Wade). Se quisermos diminuir sem perder poder defensivo, vamos de Wade, Jordan, Pippen, Lebron, Duncan/McHale. Os Aliens não iriam pontuar nesses caras... Ponto.




Wade, Jordan, Pippen, Lebron, Magic - Formação de small ball que eu mais gosto, podemos jogar tanto Magic como Lebron de pivô (ou até mesmo sem pivô fixo e todo mundo rodando). Essa formação seria imparável atacando a cesta e em velocidade. E o pior, se esse time acelerar o ritmo de jogo e marcar sob pressão, eles podem até se segurar defensivamente. Nas palavras de Simmons, seriam "Warriors 07' on acid". Também podemos brincar com Nash no lugar do Wade, um pouco mais delicada defensivamente mas mais versátil ofensivamente com dois armadores e um exímio chutador de três. Talvez eu até goste mais assim. 




Walton, Kareem/Duncan, McHale, Bird, Lebron/Pippen - Caso precisássemos (ou quiséssemos) jogar com altura, então que seja com estilo! Se o Celitcs de 86 jogava com Walton, Parish, McHale, Bird e DJ (e funcionava incrivelmente bem), então essa formação definitivamente pode funcionar com Walton na cabeça do garrafão, McHale e Duncan/Kareem se posicionando nas laterais, Bird com seu papel de facilitador, passador e arremessador no perímetro, e Lebron/Pippen jogando de point foward. Essa seria a formação pra forçar a bola no garrafão (Lebron/Pippen pode deixar a bola com Walton e Bird e cortar em direção à cesta) e dominar os rebotes. Muitos passadores de qualidade também. Realmente gosto dessa formação.




Walton, Bird, Lebron/Pippen, Jordan/Wade, Magic/Nash - Quando se trata de formaçōes pra jogar na transição, esse time tem mais opçōes que o menu do Burger King. Podemos jogar com Walton, Bird, Lebron/Pippen, Jordan/Wade e Magic e deixar os passes fluirem ao ponto da insanidade, com Walton usando seus passes longos pra começar as transiçōes após cada rebote, Magic conduzindo na velocidade, e o time trocando ainda dois ou três passes antes de finalizar. Podemos também tirar Bird e deixar Pippen e Lebron juntos, e deixar Walton começando a transição e Pippen, Lebron, Jordan/Wade e Magic correndo no contra ataque, esmagando os Aliens com nossa velocidade e força física. Ou até melhor, tire Magic e deixe Nash conduzindo esse ataque, você perde em força fisica mas ganha um chutador de três e alguêm capaz de dar passes picados até pra minha avó fazer uma bandeja livre. Tantas opçōes, uma melhor que a outra. Adoraria ver isso acontecendo. Cade meu 2k12??




Nash, Allen, Lebron, Bird, Walton - Talvez minha lineup preferida, e algo que eu gosto de chamar de "Suns 07 com esteróides", que aliás também seria nossa perfeita lineup pra chutar de três. Ta bom, talvez eu seja excessivamente apaixonado pelo Suns de 2007, mas ainda acho que foi o maior nível ofensivo de basquete que eu vi em toda a minha vida (e que teria sido campeão não fossem as suspensōes ridículas de Amare e Boris Diaw no Jogo 4. Aliás, fato pouco comentado que eu reparei semana passada reassistindo jogos: O Spurs ganhou um jogo 3 do Suns com pessima arbitragem naquela série pra abrir 2 a 1. Fiquei tão chocado que fui ver quem era o juiz. Adivinhem se não era... Ele mesmo... Tim Donaghy, o mesmo cara que semanas depois foi descoberto por ter manipulado jogos para fazer apostas. Tirem suas próprias conclusōes) e se nosso time precisar de um pouco de ataque instantâneo e bolas longas, então precisamos dessa versão de elite do Suns de 2007. Pense bem: Nash conduzindo o show, Lebron fazendo o pick and roll numa versão mil vezes mais inteligente que o Amare, Walton pronto pra receber o passe fora do garrafão pra rodar a bola numa versão branca e mil vezes melhor do Boris Diaw, e Allen e Bird posicionando no perímetro pra chutar de três, dois jogadores que também são bons passadores pra rodar a bola. Três exímios arremessadores de três, quatro dos melhores passadores de todos os tempos... Você não iria querer ver esse time jogando junto, mesmo que um pouco frágil defensivamente? É claro que sim! 




Nash, Magic, Allen, Jordan, Bird - Pra quando tivermos ganhando apertado nos segundos finais e precisássemos proteger a vantagem. Nenhum FT shooter abaixo de 80%, três caras acima de 90%. Não iriamos entregar uma vantagem nos 45 segundos finais, ponto.




Walton, Bird, Lebron/Pippen, Jordan, Magic - Mudei de idéia, essa é minha lineup preferida (por pouco, mas enfim). Quatro passadores transcendentais junto de Jordan?? Esse time iria massacrar quem viesse pela frente!




Magic, Wade, Pippen, Lebron, Duncan - Essa é 100% do Simmons, que na verdade roubou a idéia do Rick Pitino, mas ela é tão boa que não da pra deixar de fora. Ele chama de Murderous Press (Algo como Pressão Assassina), e a idéia é simples: Treinar cinco caras pra jogar exclusivamente numa pressão de quadra toda, uma vez por tempo, por quatro ou cinco minutos, pra causar pânico no adversário, roubar a bola o máximo possível, cansar o adversário e mudar o momento do jogo. Olhe de novo para esse time e me diga se ele não faria isso? Sim, o ideal seria ter Paul no lugar do Magic, mas como deixei Paul de fora, vai ter que ser o Magic mesmo. Você iria gostar de trazer a bola do campo de defesa com esses caras pressionando a quadra toda? Imaginei que não. Confesso que adorei a ideia.




Então aí está o meu time. Tem talento de sobra, não tem ninguém que não entenderia e respeitaria a hierarquia do time, e é formado por jogadores que entendem perfeitamente a importância de jogar de forma altruísta, jogar pro time e fazer parte de um grupo. Tenho meu Alpha Dog (Jordan), tenho meus líderes por exemplo (Magic e Bird, as únicas pessoas além de Phil Jackson que Jordan escutava). Posso jogar grande, posso jogar baixo, posso jogar na defesa, posso jogar pro ataque, posso jogar na transição... Enfim, posso jogar como eu quiser, a flexibilidade desse time é infinita. Posso pontuar de dentro, de fora, na transição, na meia quadra... Enfim, como eu bem entender. E mais importante, é um time que jogaria de forma coletiva, sempre procurando o companheiro livre, sempre passando continuamente a bola. Totalmente imparável. Os Marcianos estão ferrados - Ninguém vem no nosso planeta e nos desafia para uma série de basquete impunemente!!

sábado, 23 de junho de 2012

Um anel para South Beach

Convenhamos: Ele é bom demais pra passar três Finais em branco


Quinta feira passada, enquanto o jogo 2 das Finais da NBA rolava em Oklahoma City, eu tava no Morumbi para ver São Paulo e Coritiba pela Copa do Brasil. Pra quem não sabe, ou apenas não liga, foi um jogo horrível, o São Paulo jogou muito mal o primeiro tempo todo, bagunçado, deu raiva. No intervalo, tava vaiando o time a plenos pulmōes. No segundo tempo, o Sampa teve um jogador expulso, passou sufoco, tomou bola na trave... E no final do jogo, ganhou com um gol numa jogada individual isolada de tudo que o time tinha feito, extremamente nervoso, mas todo mundo sabe que assim da um sabor especial. Quando acabou o jogo, 1 a 0, eu comentei com meu pai que não sabia como eu tava me sentindo, nem como eu devia me sentir. Bravo, pelo futebol muito fraco apresentado pelo time? Aliviado, pela vitória que poderia facilmente ter sido uma derrota? Animado, pela vitória emocionante no final? Francamente, eu não fazia a menor ideia de como eu me sentir. Era uma overdose de emoçōes diferentes e conflitantes, provavelmente excessivas, já que era meu time do coração (No final das contas, não adiantou nada, o time perdeu o jogo de volta e foi eliminado. E é por isso que vocês não verão mais nenhuma referencia a futebol nessa coluna. Eu odeio todo o mundo).

De certa forma, foi assim que eu me senti sobre as Finais desse ano. Como nenhum é meu time do coração (Celtics) e nem... bem, o Lakers, minhas reaçōes mais sobre o ponto de vista de um fã de basquete. Mas confesso que, mesmo como fã de basquete, eu tive muitas reaçōes totalmente contraditórias sobre essas Finais. Algumas coisas me deixaram feliz, outras me deixaram frustrado, outras me deixaram irritado, outras me deixaram maravilhado... Foi uma overdose de sentimentos conflitantes.

Talvez o principal conflito tenha sido por quebra de expectativas. Eu assisti muitos jogos do Thunder esse ano, sempre gostei da equipe e acompanhei a evolução deles ao longo do ano muito de perto, culminando naqueles quatro jogos contra o Spurs onde eles engoliram o melhor time da NBA quatro vezes seguidas com uma compostura e confiança que eu não tinha visto até esses playoffs. Pra mim,  o Thunder tinha finalmente encontrado uma compostura que iria manter esse time um pouco sem cérebro mais confiante, menos desesperado, e que isso seria essencial junto com todo o talento, depth e versatilidade da equipe pro time bater de frente com o Heat, trocar alguns golpes, ver cada time sendo obrigado a aumentar cada vez mais seu nível pra conseguir vencer, e no final de sete jogos teriamos um vencedor saindo de uma longa, disputada e brigada série. Mais ou menos como dois pesos pesados presos num ringue, trocando golpes o tempo todo, cada golpe forçando o adversário a responder ainda mais forte, cada um forçando o outro a um nivel ainda maior, até que um caia e o outro saiba que chegou no seu melhor pra vencer.

Bom, isso não aconteceu. O Thunder entrou mais focado, usou exatamente o mesmo que fez contra o Spurs, e deu o primeiro soco no Jogo 1. Como esperado, o Heat fez alguns ajustes e voltou melhor no jogo 2, devolvendo o soco e empatando a série. Ainda que o Thunder não tenha feito muitos ajustes no jogo 3, o time voltou mais focado novamente, viu seus talentos individuais e em certo momento até os coadjuvanetes elevarem seu jogo, abriram 10 pontos de vantagem... E ai o Kevin Durant cometeu sua quarta falta e saiu, Russell Westbrook tomou duas decisōes idiotas, o Scott Brooks tomou a pior decisão da série tirou Westbrook por "razōes de basquete" (o que nos levou aos piores 5 minutos de basquete dos playoffs)... E o Thunder NUNCA foi o mesmo. O time foi massacrado nos minutos seguintes, perdeu a confiança, viu os coadjuvantes sumiram completamente do jogo (James Harden e Serge Ibaka ainda estão sendo procurados pela polícia, foram vistos pela ultima vez em Oklahoma City, quem tiver informaçōes favor contatar as autoridades), e tentou manter o ritmo contra o Heat (que genuinamente jogou como um time de basquete, finalmente entendeu que basquete depende tanto da parte subjetiva, do conceito de "time", da forma como os jogadores se relacionam, quando do talento que eles tem de sobra... Mas já voltamos a esse ponto), e tentou se manter na série contando apenas com o individualismo de seus craques Westbrook e Durant, enquanto o Heat jogava como um time, envolvia todo mundo e mostrou que finalmente se achou como um time.

Isso quase deu certo no Jogo 4, quando o Thunder jogou um primeiro quarto igual ao que vinha fazendo até aqui, com a diferença que as bolas cairam, os coadjuvantes apareceram e o Heat começou a partida fazendo exatamente o contrário do que tinha dado tão certo nos jogos 2 e 3 (Ao invés de atacar a cesta, trabalhar no pick and roll e rodar a bola para os jogadores cortando em direção ao garrafão, o Heat jogou muito em isolaçōes, rodou pouco a bola e tentou jogar com arremessos de fora, o que não deu certo), e o Thunder abriu uma boa vantagem... Até o Heat se acertar, começar a acertar as bolas longas, Lebron brincar de Larry Bird (Quando o arremesso de Bird não estava caindo, ele parava de arremessar, começava a atacar o aro, jogava mais perto do garrafão, pegava rebotes, cavava faltas e usava seus passes para afetar o jogo de outras maneiras... E foi exatamente isso que Lebron fez, só que muito mais forte fisicamente e melhor defensor, pra compensar o fato de que não tem um bom arremesso ainda) e achar companheiros livres pra cestas fáceis, dominar o Thunder fisicamente (Ele até teve menos sucesso assim quando foi marcado por Thabo Sefolosha, mas dominou quando marcado por Westbrook e, especialmente, James Harden. Eu juro que tou até agora tentando entender porque o Nick Collison não foi marcar ele num jogo onde ele tava dominando o Thunder jogando de Power Foward, no post, sendo marcado por um SG - realmente não foi uma boa série do Brooks), e o Thunder tentou responder com mais individualismo e bolas longas... Que dessa vez não caíram, e o Thunder novamente não teve calma pra adaptar seu jogo, insistiu na afobação e fez exatamente o que o Heat queria.

E ai, depois de ver Lebron jogar três quartos transcendentais, algo que Bird teria assinado embaixo, Russell Westbrook decidiu que tava na hora dele aparecer também. Ele pegou a bola, e começou a atacar a cesta (Algo que faz menos do que devia, ele é muito mais mortal assim, mas enfim), começou a fazer cesta atrás de cesta, tirou sozinho a vantagem do Heat, e manteve o Thunder no jogo enquanto Miami continuava acertando as cestas, mesmo depois que Lebron saiu com câimbras (Lebron sente câimbras? Ele é humano?? Daqui a pouco vão me falar que ele também sangra e sente frio... Pff). E o Westbrook continuou chamando a responsabilidade com Durant apagado, marcou 18 pontos no quarto periodo, terminou com 43 pontos... E claro, matou as chances do Thunder no final quando cometeu uma falta intencional no Mario Chalmers (Pegou fogo no jogo, 25 pontos, o Heat não ganharia sem isso) quando ele teria tres segundos pra dar um arremesso totalmente desequilibrado e o Thunder ainda teria 13 segundos pra empatar o jogo com uma bola de trés (ele achou que o cronometro tinha voltado pra 24 segundos, ao invés de 5, quando deu a bola presa). Westbrook, mais resumido impossivel: 43 pontos, 18 no quarto periodo, sozinho salvou o jogo e manteve o time na partida... E por um instante de burrice matou as chances do time no jogo.

Mas sinceramente, se você culpa o Westbrook pela derrota do Thunder, pode parar de ler essa coluna. Tipo, agora mesmo. A verdade é que cada jogador na NBA é como se fosse um pacote - ele tem coisas que ele trás, que ele adiciona, e tem coisas nele que prejudicam o seu time. Ate mesmo Lebron tem o lado ruim do pacote (No caso, seu arremesso de meia e longa distância, ainda muito erráticos - e sim, isso é buscar migalhas), qualquer jogador o tem, a questão é o jogador e o tecnico trabalharem pra minimizar o lado ruim, e também qual o custo-benefício de ter aquele jogador em quadra. Com Westbrook, você sabe exatamente o que vai ter: Um bom defensor, excelente nos contra ataques, muito atlético, um dos maiores competidores da NBA, um cara que joga com tudo que tem do primeiro ao último minuto, otimo atacando a cesta, ocasionalmente vai pegar fogo de meia distância... E ao mesmo tempo um jogador muitas vezes precipitado, um SG jogando de PG que não sabe exatamente como conduzir um time, um jogador que as vezes vai transformar sua intensidade em afobação, que vai insistir com o que da errado, e vai tomar decisōes ruins em quadra. Tudo isso faz parte do pacote, mas a questão dele é: Você está melhor aguentando a parte ruim do Pacote Westbrook pra usufruir da parte muito boa do que não utilizando nenhuma das duas. Sim, o Westbrook tem que trabalhar de forma a minimizar o lado ruim, mas não pode em nenhum momento abandonar o seu lado bom, o que faz dele especial... E se o custo disso for algumas más decisōes em quadra, excesso de afobação, e tudo o mais... Bom, então que seja. O Thunder é um time muito melhor com ele. Só ver o que aconteceu no Jogo 3 quando Brooks estupidamente tirou ele de quadra, sendo que Durant já estava no banco e Harden era uma múmia em quadra.

E se você acha que a pane cerebral do Westbrook foi a causa da derrota, lembre-se de que não teria acontecido se o Thunder tivesse perdendo por 14 pontos... O que teria acontecido se o Westbrook não tivesse lá pra pegar fogo e colocar o Thunder no jogo. Mesmo naquele ponto do jogo, se Westbrook não faz a falta e Chalmers errasse, o Thunder ainda tinha que pegar o rebote, montar uma jogada para uma bola de três quando o Heat sabia que ela viria (provavelmente uma isolação do Durant bem longe da linha dos tres), e acertar. A chance era bem improvável. Além disso, considere que Harden errou uma bandeja sozinho num contra ataque que deveria ter enterrado, duas bolas de três livres, e no final do jogo não quis chutar um 17-footer livre, hesitou, demorou, e acabou chutando com Chris Bosh no pescoço dele (e errou). Considere que, com o jogo empatado, Sefolosha mandou um air ball numa bola de três totalmente livre. Considere que Durant teve um quarto quarto muito ruim, teve muitos problemas com a marcação física de Lebron e Shane Battier, e insistiu em forçar arremessos longos e contestados. Considere que, com o jogo empatado e Lebron no chão com caimbras (um momento chave no jogo, quando o Thunder precisava de uma cesta pra assumir o controle) o Thunder teve um contra ataque de 5-contra-3, quando Derek Fisher (Pessima série pra ele, especialmente nos jogos 3 e 4 - NADA justifica que ele jogue 18 minutos por jogo de uma Final de NBA a essa altura), que tinha Harden absolutamente livre no perímetro e um Westbrook pegando fogo do seu lado pedindo a bola, preferiu correr sozinho pra dentro e dar um arremesso correndo da cabeça do garrafão com Bosh em cima dele na jogada mais idiota de todo o jogo. E lembre que tudo isso aconteceu no quarto período, quando Westbrook sozinho colocou o time no jogo, teve que lidar com tudo isso dos companheiros e AINDA quase ganhou o jogo sozinho, colocando a bola embaixo do braço e dizendo "De jeito nenhum eu vou deixar o time perder esse jogo!"... Francamente, foi uma das grandes atuaçōes da história das Finais, e se você acha que o Thunder perdeu o jogo por causa do Westbrook e do seu erro no final, então você precisa assistir outro esporte. Westbrook jogou como gente grande hoje, mesmo sendo apenas um pirralho de 21 anos, e quase salvou seu time num jogo decisivo. Merece o máximo de respeito possível.

(Importante demais pra deixar de fora: Um dos principais motivos da derrota do Thunder e da forma como o Heat dominou os ultimos jogos foi a total falta de ajuda que Durant e Westbrook tiveram do resto dos jogadores do Thunder. Tirando os 21 pontos do Harden no jogo 2 - 17 no primeiro tempo, apenas 4 no segundo - nenhum outro jogador do Thunder teve um bom jogo pra ajudar seus craques. Nos jogos 2, 3 e 4 - os decisivos da virada do Heat - apenas Harden com seus 21 pontos no jogo 2 e Kendrick Perkins, que teve 10 no jogo 3, passaram de 10 pontos! Ninguém mais! Quando Collison ameaçou um grande jogo com um grande primeiro quarto, ele passou os dois quartos seguintes no banco!! O Thunder chutou 27% de três pontos, ninguém acertou pra Oklahoma. E enquanto Durant e Westbrook tinham que levar nas costas o ataque do Thunder até o Final porque ninguém foi capaz de ajudar - Serge Ibaka, horrível dos dois lados da quadra, e Harden foram as principais decepçōes das Finais - Lebron e Dwyane Wade receberam muito mais ajuda dos seus companheiros, com os 18 pontos de Battier no jogo 2 e os 25 pontos do Chalmers no jogo 4, decisivos para as vitórias da equipe - até as 7 bolas de três de Mike Miller no jogo 5. O Heat não teria fechado essa série em 5 se não fossem esses dois grandes jogos dos coadjuvantes (talvez até três), e não fecharia em 5 se algum jogador do Thunder além de Durant e Westbrook tivesse aparecido nos jogos 3 e 4. Isso fez toda a diferença)

Então sim, tivemos muitos jogos divertidos, muitos jogos apertados, muitas atuaçōes espetaculares (Durant nos jogos 1 e 2, Lebron e Mario Chalmers no jogo 4, Lebron no jogo 5, Westbrook no jogo 4... E sim, de longe a melhor foi do Lebron no jogo 4) e, em geral, uma Final bem interessante. Não da pra dizer que foi uma Final ruim. Mas dada a expectativa que todos criamos (em especial que eu criei), foi uma Final um pouco decepcionante. Eu esperava mais do Thunder, esperava mais do Durant (Que teve uma série fraca depois dos dois primeiros jogos, ficou em problemas de faltas as vezes por falta de calma ou experiência - ou seja, por decisōes burras - não conseguiu escapar da marcação de Lebron e Battier, forçou bolas que não deveria ter arremessado - embora isso não seja só culpa dele, o ataque do Thunder muitas vezes só tocava pra ele e esperava um milagre - e, talvez mais importante, ficou com tanto medo de fazer falta no jogo 4 que praticamente não brigou por nenhum rebote, não tentou nenhum roubo de bola e foi extremamente frouxo na marcação de quem ele estivesse marcando - o que permitiu ao Chalmers e ao Norris Cole muito espaço pras bolas longas. Mas de novo, ele tem apenas 23 anos e tem potencial saindo pelo teto, não da pra jogar a culpa nele), esperava mais dos coadjuvantes do Thunder, esperava que o Thunder fosse conseguir subir seu nível quando precisasse, que forçasse o Heat a fazer o mesmo, e que a série acabasse escalando pra níveis épicos (quando na verdade o Heat dominou os últimos quatro jogos). Eu esperava uma Final que me fizesse falar "Wow, não sei como essa série pudesse ser melhor, ou como esses times pudessem ter jogado melhor"... E ao invés disso saí me perguntando se teríamos uma série mais disputada e parelha caso o Spurs tivesse ido pras Finais (pra mim, sim).

Então esse foi o downside das Finais, a parte que me deixou bastante frustrado, esperando muito mais, até irritado que o Thunder (que perdeu para si mesmo durante grande parte da série) não fosse capaz de elevar seu jogo nas Finais, bater de frente contra o Heat e nos dar uma experiência mais transcendental nessas Finais, como muita gente - especialmente eu - esperava. Isso foi uma decepção, e o principal motivo de eu não ter gostado tanto assim das Finais como deveria mesmo com tantos jogos disputados e decididos de forma dramática, e algumas performances históricas. No final, eu acabei tão impressionado com o Thunder contra o Spurs que subestimei a vantagem que a experiência do Heat proporcionava ao time. Em 2011, o Mavs foi um time sólido, que errou pouco, usou sua experiência, e contou com o brilhantismo de Dirk Nowitzki pra se impor pra cima do Heat e forçar o Heat a vencê-los... E o Heat acabou perdendo pra si mesmo naquelas Finais. Dessa vez, eles fizeram o mesmo, e forçaram o Thunder a vencê-los... E o Thunder, assim como o Miami ano passado, acabou perdendo para si mesmo. Mas se esse foi o lado que me deixou chateado, irritado, frustrado e que acabou com minhas expectativas, teve um lado muito positivo nessas Finais. E ele se chama Lebron James.

Olha, eu sei que muita gente não gosta do Lebron. Eu sei que o Lebron tem dois momentos indefensáveis na sua carreira (Boston em 2010, Mavs em 2011). Mas o que vimos do Lebron ao longo desse último ano é o tipo de coisa que queremos ver durante nossa vida. Se nós assistimos esportes porque estamos esperando constantemente que apareça algum jogador que transcenda tudo que já vimos, que seja tão bom que pareça mentira, que nos maravilhe como ele faz tudo parecer fácil... Ou seja, se estamos constantemente esperando alguém que apareça e nos leve a um lugar maior como fãs de um detemrinado esporte, então nós assistimos esportes por causa de pessoas como Lebron James.

Todo mundo conhece a história do Lebron - draftado com grandes expectativas, talento absurdo, potencial praticamente ilimitado, os times medíocres em Cleveland, a vergonhosa derrota em 2010 para o Celtics, e por ai vai. Depois da derrota pro Celtics em 2010 (quando Lebron desapareceu nos jogos 5 e 6, jogando como se estivesse louco pra ir embora dali), Lebron fez um tremendo show na Free Agency, e anunciou sua decisão de ir pra Miami se juntar a Wade e Bosh em rede nacional sem avisar Cleveland, uma tremenda sacanagem com o time e com a cidade. Não demorou pra que Lebron virasse um dos maiores vilōes da história da NBA: A mídia caiu matando, torcedores vaiavam o Heat em arenas lotadas ao redor do mundo, diversos ex-jogadores criticaram a decisão de Lebron, e por ai vai.

(Sobre a The Decision, duas coisas: Primeiro, o especial na TV foi extremamente de mau gosto e repreensível... E eu tenho certeza que o Lebron sabe disso, e que se pudesse faria as coisas diferentes. Segundo, não tem nada de errado da parte dele querer ir jogar com Wade - seu maior rival - mas como fãs de esporte, nós não gostamos. Queremos que grandes jogadores conquistem a concorrência, tenham rivais e duelos épicos - quem viu os jogos entre Miami e Cleveland nas ultimas temporadas antes da The Decision sabem do que eu falo - e não que eles corram pra se juntarem a eles para ficar mais fácil de ganhar um título. Na verdade, naão tem nada errado com essa decisão, ele é livre pra fazer o que quiser... Eu só odiei porque foi uma forma dele de fugir da responsabilidade de carregar um time nas costas. Mais sobre isso abaixo).

Em 2011, o Heat - e em especial o Lebron - receberam tanto ódio do resto da NBA e da mídia que acabaram assumindo o papel de vilão, abraçaram a imagem que a mídia passava deles. Em especial, Lebron mudou totalmente seu comportamento: Parou de ser aquele jogador alegre, companheiro e sorridente de Cleveland, começou a reclamar cada vez mais, deu declaraçōes polêmicas, provocou outros times, começou a encarar adversários e a torcida adversária desafiadoramente depois de cada enterrada... Em outras palavras, ele assumiu um papel de vilão que não era dele, era um papel artificial, que ele assumiu simplesmente porque recebeu mais ódio que qualquer outro jogador na era da internet. Isso acabou forçando ele uma direção diferente, que ele nunca quis, simplesmente porque jogaram esse manto nas costas dele. No fundo, Lebron ainda era um cara imaturo, que a vida toda foi cercado de gente que o idolatrava e falava sim pra tudo por causa de seu talento espetacular, e que não estava preparado pra tudo isso. Ele assumiu uma personalidade que não era dele como quem diz "Vou mostrar pra todos voces!", quando na verdade Lebron nunca foi assim.

No fundo, ele foi pra Miami justamente porque não queria a responsabilidade que tinha em Cleveland, onde seu time era fraco mas a culpa da derrota era sempre dele. Nós queríamos que ele fosse um Alpha Dog nos moldes de Jordan - nosso parâmetro de excelência - um jogador patologicamente competitivo, que valorizasse a vitória e a dominação mais do que tudo, que treinasse feito louco pra se tornar o melhor de todos, que simplesmente não aceitava ser o segundo em alguma coisa, e que levasse um time mediano nas costas pra um título na pura determinação e competitividade. Lebron não é assim, nunca quis ser assim, ele nunca valorizou a vitória mais do que tudo, como fizeram Bird, Bill Russell, Jordan, e por ai vai. Se Lebron fosse assim, talvez poderia usar ainda mais do seu talento, se elevar a níveis nunca antes vistos e ser ainda melhor do que é... Mas ele não é assim, e é uma estupidez tentar forçar ele a ser assim, porque você estaria fazendo ele ser alguém que ele não é, e sendo alguém que ele não é só prejudica seu jogo. Nós nos preocupamos tanto com o que Lebron PODERIA ser caso ele fosse diferente, uma vez que ele tem um teto praticamente ilimitado, e não olhamos pro que ele realmente é e para o que ele realmente faz, com tanta consistência que chega a ser impressionante. Podem ter certeza que tudo isso dos últimos dois parágrafos contribuiu em muito para a triste série que teve contra Dallas.

Em 2012, Lebron mudou. Na verdade, ele não mudou, apenas deixou de lado o papel que estava tentando incorporar e voltou a ser ele mesmo dos tempos de Cleveland, só que mais maduro e mais humilde, talvez por causa das Finais de 2011. Parou de falar besteira, parou de jogar como vilão e de procurar encrenca (ironicamente, quem virou um pentelho em 2012 foi o Wade, claramente frustrado), e assumiu o papel de líder do elenco não porque ele tentou se forçar nesse papel, mas sim naturalmente com Wade voltando de lesão (talvez Wade, percebendo que agora Lebron era o líder e craque do time, percebendo que pela primeira vez ele tenha ficado em segundo plano dentro do que era SEU time, tenha acabado ficando amargo daquele jeito). E finalmente entendeu que você não joga basquete pra você mesmo, e sim para seus companheiros, algo extremamente importante mas que não são todos os jogadores que entendem - pelo contrário, são poucos, e é por isso que eu insisto que a forma como um jogador afeta seus companheiros é tão importante como o que ele faz em quadra. Pela primeira vez desde 2010, ele parecia estar jogando basquete porque realmente gostava, porque se divertia, envolvendo seus companheiros... Enfim, por prazer, porque ele ama isso. E isso se refletiu demais no jogo dele. Em 2012, Lebron atingiu um nível ainda mais alto como jogador de basquete.

E nos playoffs, quando um estrupiado time do Celtics fez o que o Mavs fez em 2011, forçou o Heat a vencê-los e os colocou contra a parede no jogo 6, Lebron acabou entendendo outra coisa: "Se eu não levantar aqui e ganhar esse jogo, nós vamos pra casa. Não posso ser só bom, tenho que ser ainda melhor. Tenho que fazer mais do que isso. Vou jogar o jogo todo e marcar 45 pontos, e se mesmo assim perdermos, pelo menos eu fiz o que eu podia". Em outras palavras, Lebron finalmente fez o que eu esperava dele desde os dias de Cleveland, ele passou do nível de "grande jogador", ele finalmente colocou todas as peças juntas e alcançou algo ainda maior. Ele descobriu afinal como ele gosta mais de jogar, descobriu a melhor forma de usar seus companheiros, a melhor forma de fazer o seu TIME melhor... Tudo se encaixou, e ele demoliu o Celtics  sozinho. Nas Finais, Lebron tomou o primeiro soco de Durant, elevou seu jogo... E a série nunca mais foi a mesma, porque Lebron nunca mais foi a mesma. Ele atingiu o nível mais alto de basquete que eu vi em toda a minha vida, firmou seu estilo de jogo (único na história da Liga) da forma como era melhor, e se o Heat teve vários fatores que contribuiram para a vitória, talvez o mais importante seja que  eles tiveram o melhor jogador na série. E no mundo. E quando Lebron teve seu histórico jogo 4 - francamente, foi um dos melhores que eu vi na vida, melhor ainda que o Jogo 6 contra Boston - ele deixou claro quem ele era e o que ele queria. Ele virou um assassino, alguém que também estava falando "Não vou deixar o time perder!". Se ele nunca será um maluco patológico como Jordan, ou um jogador que valoriza a vitória acima de tudo como Russell ou Jordan, ele chegou o mais perto disso que sua personalidade permitiu. E dominou, fez o Heat funcionar muito bem, e foi o MVP com toda justiça.

Lebron acabou virando um monstro capaz de driblar no perímetro, atacar a cesta como ninguém, jogar de costas pra cesta contra adversários menores (não tem os melhores post moves do mundo, mas tem muita força e agilidade pra causar problemas), um passador de elite que não pode sofrer dobras sem punir o adversário, que pode ser o armador principal do time, que pode dominar os rebotes, e capaz de defender quatro posiçōes em altíssimo nível. Ele finalmente abraçou seu potencial, e atingiu seu auge. E sinceramente, se estamos julgando jogadores APENAS pelo seu auge, Lebron atingiu um nível nesses playoffs que só sete jogadores na história atingiram (Jordan, Bird, Magic, Russell, Kareem, Wilt e Walton). Tirando Wilt (que cansou, nunca teve o foco necessário pra manter) e Walton (que machucou demais), todos esses jogadores tiveram auges duradouros e que envolveram muita dominação. Eu sinceramente acho que isso foi apenas o começo. Lebron atingiu um nível historicamente bom, e de repente apenas um anel para Lebron começa a parecer absurdo. E não da pra negar o impacto dele nesse time, marcando Durant, distribuindo o jogo, envolvendo todos seus companheiros, achando frequentemente jogadores livres pra arremessos ou perto do aro, pontuando quando queria... Tudo simplesmente se encaixou em torno dele. Talvez ele precisasse de uma derrota com a do Mavericks ano passado pra entender tudo isso, talvez ele precisasse apenas de mais maturidade e experiência, mas o fato é que tudo convergiu de tal forma que ele finalmente alcançou o nível que seu potencial permitia. E daqui, ele talvez só suba. E por ter nos dado essa versão ainda melhor de um dos melhores jogadores de todos os tempos, esses playoffs já valeram a pena.

Pensem rapidamente no seguinte cenário: Os Marcianos invadiram a terra, destruiram algumas cidades, e nos desafiaram para uma série de sete jogos de basquete, com o futuro da Terra como prêmio. Nós temos uma máquina do tempo capaz de pegar qualquer jogador de qualquer época da NBA pra montar um supertime capaz de chutar o traseiro dos Marcianos. Mesmo que você não goste de Lebron, me diga se você NÃO iria querer Lebron 2012' no seu time?? Talvez não como seu Alpha Dog, talvez não como seu titular (Ainda colocaria Bird de titular, nem que seja por causa das bolas de três), mas DEFINITIVAMENTE iria querer ele no meu time. Um cara que defende quatro posiçōes, capaz de pontuar de dezoito formas diferentes, exímio passador, joga pro time, não se preocupa com seus números (O Lebron de Cleveland era definitivamente obcecado por estatísticas, mas não em 2012) e não precisa ser o principal jogador da equipe. Ele iria se adequar em quase qualquer esquema, jogar e qualquer formação, tapar qualquer buraco, e não iria causar problemas no grupo por tocar pouco na bola ou ter um papel mais passivo (Pros curiosos, meu time seria Magic-Jordan-Bird-Duncan-Kareem. Se voces quiserem, faço um post explicando melhor o porque e aprofundando no assunto).

No entanto, Lebron não vai ter um caminho fácil pela frente, simplesmente porque o Heat nessas finais pode ter mexido em um vespeiro. Vocês viram a cara do Durant quando o Heat venceu as Finais - foi uma mistura de frustração, decepção, e mais importante, determinação. O Thunder é um time muito jovem e inexperiente, mas essa derrota pode ser vir muito pra eles. Durant e Westbrook nunca aceitaram essa derrota, e nem vão aceitar: Vão dar a volta por cima,  evoluir ainda mais, e voltar pra desafiar o Heat. Se nessas Finais não tivemos um time elevando seu jogo, forçando o outro a fazer o mesmo, e isso se repetindo algumas vezes, fazendo no final com que ambos os times estejam em um nível superior do que eles normalmente estariam, essa derrota para o Heat tenha esse efeito no Thunder para os próximos anos. Em esportes, você precisa de alguém pra constantemente te forçar a melhorar, para que você continue evoluindo para superá-lo. Lebron perdeu esse rival quando Wade virou seu companheiro, mas acabou ganhando outro em Durant. E com certeza essa derrota (e a clara superioridade do Lebron) vão ter esse efeito no Durant e no Westbrook. Vai fazê-los evoluir, e o Thunder só tem a melhorar daqui pra frente. O Heat é o soberano na NBA no momento, mas Bulls (Não fosse a lesão do Derrick Rose, o Heat provavelmente não tería ido pras  Finais sem Bosh nos primeiros quatro jogos - e talvez até com ele, não fosse o salto de Lebron no jogo 6) e Thunder são dois times jovens que só devem evoluir indo pra frente pra continuar desafiando o Heat.

Como disse uma vez Shogun, técnico dos White Knights: "Nesse mundo, só os que são derrotados ficam mais fortes". Funcionou com Lebron James. Com certeza vai funcionar com Kevin Durant. O impacto desses playoffs ainda vai ser sentidos por muitos anos.