Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Especial NBA - Os times históricos

Provavelmente, ninguém aqui sabe quem é esse cara. Ainda.



Tudo começou com uma declaração dada pouco antes das Olimpiadas pelo técnico Mike Kra... Krz.. Hmm, pelo Coach K, técnico da seleção masculina de basquete dos EUA. A declaração, feita quando perguntaram pra ele sobre o que o Kobe Bryant significa pro time em relação a experiência e sua carreira vitoriosa, envolveu a seguinte afirmação: Kobe Bryant é um dos cinco maiores jogadores de todos os tempos.

Até aí, tudo bem. É a opinião dele, não é uma opinião absurda (como seria se ele disesse, por exemplo, que Eddy Curry é um dos melhores pivôs da NBA), e como o Denis do Bola Presa disse, é o tipo de coisa que os técnicos falam com um número qualquer, sem fazer um ranking ou coisa assim, apenas pra ilustrar um ponto (no caso, que Kobe era um jogador muito importante pela sua história na NBA e era diferente ter uma lenda como ele no time - dois fatos). Não tenho nenhum problema com ele dar a declaração ou mesmo em ele achar isso, embora eu discorde do status que ele deu ao Kobe pelos meus critérios pessoais uma pessoa pode tranquilamente montar um argumento a favor desse status e terá um caso bem forte a favor do Kobe. E ponto!

O problema foi que essa declaração foi feita na era da internet. Isso significa que, em questão de segundos, surgiram duzentas discussōes sobre o assunto, que logo evoluiram para o ridículo "Kobe ou Michael Jordan?". Primeiro de tudo, eu já odeio qualquer comparação com Jordan. MJ é nosso parâmetro de excelência no basquete, e por esse motivo de repente TODO mundo que é bom num nível diferente do resto (Kobe, Lebron, etc) tem que ser comparado ao Jordan e tem que fazer o que o Jordan fazia. Tudo bem, até entendo a vontade que todo mundo tem de ver outro Jordan, mas o problema é que de repente passa a impressão de que se o jogador NÃO for igual ao Michael Jordan, então ele fracassou, o que não tem nada a ver, simplesmente porque (pra mim) Jordan foi o maior jogador de todos os tempos. É que nem ir no cinema assistir The Dark Knight Rises e falar depois "The Dark Knight é melhor". Porque isso significaria algo RUIM pra TDKR? Dark Knight é sensacional, um dos meus filmes favoritos em todos os tempos, e ser inferior a ele nunca será um demérito. O mesmo pras comparaçōes com Jordan (que não deveriam acontecer antes de mais nada), ser diferente (ou inferior) a Jordan nunca será algo ruim para ninguém. Mas o problema é que com o excesso de comparaçōes vem a ideia de que ou o jogador foi/é/será igual a MJ, e se não for, ele fracassou. E por esse motivo, essas discussōes "Jogador X ou Jordan?" geralmente acabam com a galera tirando tudo de contexto e proporção, distorcendo fatos pra defender um ou outro, numa comparação que não deveria existir, simplesmente pra evitar que Jogador X seja "diminuido".

Mas pra falar a verdade, isso nem foi o que mais me incomodou. Conforme a discussão avançava, a galera começava a fazer seu próprio Top5 da história da NBA, e eu fiquei inconformado em como a galera era ignorante em termos da história da NBA. Não todo mundo, claro, mas uma boa maioria. Muitos Top5 eram coisas como "MJ, Kobe, Shaq", e quando alguém colocava um Larry Bird ou Kareem na sua, muita gente reagia com coisas como "Top5 esses caras não são!" ou "Nunca foram tão bons como Kobe/Shaq/Jason Kidd/etc". A galera cresceu vendo essa galera jogar, entendo isso, mas não saber quase nada sobre essas lendas é demais. E não foi a primeira vez que eu vi isso acontecendo por aqui: Quando eu falei, casualmente, sobre o Celtics de 86 e o Lakers de 87 num tópico do Facebook, muita gente só conhecia os times por terem Bird e Magic Johnson, por exemplo, ninguém sabia o impacto que esses times tiveram e exatamente o quão bom eles eram. Quando eu joguei no twitter um video do Blazers de 77' (Um dos meus times favoritos), alguém me perguntou porque ninguém falava desse time sendo que ele era tão espetacular de assistir - e quase ninguém sabia que esse time sequer tinha existido no twitter. As pessoas lembram de Wilt Chamberlein pelos seus 100 pontos e de Jerry West por ser o Logo da NBA, mas é só. Jogadores como Bill Walton, Earl Monroe, Dennis Johnson ou Bob Cousy, que não tem grandes números para sustentá-los, acabaram sendo esquecidos. Jogadores cujos números não mediam o tamanho do seu impacto no jogo, como Bird, Magic, Bill Russell e Walton acabaram historicamente prejudicados - nós sabemos que eram bons porque todo mundo fala que eram bons, mas quanto? (E sim, Tim Duncan será o próximo). E jogadores como Wilt, Karl Malone e Patrick Ewing, que tem números que saltam aos olhos, acabaram tendo seus defeitos "escondidos", o que se lembra deles em primeiro lugar são suas vantagens porque elas são captadas por algo palpável.

Claro, não é difícil entender porque isso acontece, especialmente com jogadores mais antigos. Conforme o tempo passa, as memórias vão se apagando, os vídeos vão ficando mais raros e difíceis de serem encontrados (menos agora que temos Youtube, mas enfim), testemunhas oculares vão envelhecendo... E tudo o que sobra desses jogadores são alguns poucos relatos e diversos dados - pontos, rebotes, assistências, títulos, MVPs, All-Star Games, All-NBA e All-Defenses Teams, etc. E quando não temos mais nos que nos basear, acabamos recorrendo a isso para formar nossas opiniōes. Isso não tem tanto problema em um esporte como baseball, que pode ser quase totalmente medido por estatísticas, mas basquete é um esporte extremamente mais difícil e subjetivo, e as estatísticas simplesmente não conseguem captar todo o impacto de um jogador. Daqui a 30 anos, um fã de basquete vai entrar no basketball-reference.com, ver as páginas de Karl Malone e Tim Duncan, comparar os números, e chegar à conclusão de que Malone foi melhor do que Duncan. E ele estará errado. 

Porque isso importa tanto? Eu não sei. Talvez não importe. Não pra vocês. Mas pra mim importa, e muito. Como alguém apaixonado por esportes, digo que tem coisas que não deveriam ser esquecidas, e basquete é um que vai muito além de números (como eu já disse), depende de observação, relatos históricos e tudo mais. E já que ir atrás de tudo isso é um uber-trabalho, a ideia aqui é facilitar o trabalho de vocês e entregar tudo já mastigado. Não faço isso por pensar que atualmente não temos times tão bons como antigamente (isso é verdade, aliás, mas já digo porque - e não tem nada a ver com talento) e por isso a NBA hoje é mais chata, digo porque tem coisas que deveriam viver. Assim como vou falar aos meus filhos que vi Kobe e Lebron, todo mundo que gosta de basquete deveria saber de como eram bons Bird, Magic e companhia. Não melhores ou piores, mas todos fazendo parte da mesma historia, a história da NBA.

E enquanto eu conversava disso com alguns seguidores no twitter sobre o assunto, o leitor Andre Stabile deu uma sugestão que eu achei excelente: Porque não fazer uma série de posts falando sobre os times históricos do NBA 2K12, um jogo que quase todo mundo comece e/ou já jogou? A galera conhece os times, eu só terei o trabalho de colocar cada um em seu contexto histórico e mostrar o que cada um significou pra Liga e pra Franquia em si. Achei a ideia excelente, e decidi colocar em prática.

Pra quem não sabe, a 2K pegou 15 estrelas aposentadas da NBA e colocou um jogo especial para cada um desses jogadores. Esses jogadores e seus times foram:

Michael Jordan (Chicago Bulls, 1993)
Magic Johnson (Los Angeles Lakers, 1991)
Larry Bird (Boston Celtics, 1986)
Kareem Abdul-Jabaar (Los Angeles Lakers, 1987)
Bill Russell (Boston Celtics, 1965)
Wilt Chamberlein (Los Angeles Lakers, 1972)
Jerry West (Los Angeles Lakers, 1971)
Oscar Robertson (Milwaukee Bucks, 1971)
Hakeem Olajuwon (Houston Rockets, 1994)
Isiah Thomas (Detroit Pistons, 1989)
Scottie Pippen (Chicago Bulls, 1996)
Julius Erving (Philadelphia 76ers, 1985)
Karl Malone (Utah Jazz, 1998)
John Stockton (Utah Jazz, 1998)
Patrick Ewing (New York Knicks, 1994)

O critério da 2K não foi pegar os 15 melhores jogadores da história ou algo assim, e sim pegar jogadores conhecidos do povo, que tiveram uma importância especial, um estilo de jogo interessante e/ou divertido, ou simplesmente os mais bolados. Por exemplo, Moses Malone foi um jogador melhor do que boa parte dessa lista, mas ele e Erving jogaram juntos nos 76ers e Erving sempre foi um jogador mais marketable e mais conhecido do publido, com um estilo de jogo mais empolgante, então colocaram Erving como a estrela e o time com os dois, simples assim. Entre os que ficaram de fora, destaco Elgin Baylor, o primeiro ala high-flying da NBA (Já tem West e Wilt daquele Lakers, ok, mas não podia ter colocado Wilt no Sixers de 67 - no auge dos seus poderes - e mais um Lakers com Baylor? E aliás, é ele na foto do começo do post), Charles Barkley (Um dos jogadores mais carismáticos da história da NBA) e Bill Walton (ficou saudável durante apenas 2 anos e meios... Mas nesses dois anos e meio, foi transcendental e ancorou um dos times mais espetaculares da história da Liga). Entre os principais times deixados de fora, destaco Sixers 67', Knicks 70', Blazers 77', Sixers 83' (segure essa até falarmos do Erving), Lakers de 2001 (segure mais quatro linhas)... E enquanto estamos falando disso, é um absurdo o Rockets de 94 ser o time do Hakeem quando o de 95 era bem melhor.

(Vale lembrar, três jogadores provavelmente estariam na lista caso já tivessem aposentados: Kobe, Duncan e Shaq, que ainda não tinha aposentado quando o jogo foi feito. Shaq provavelmente seria o Lakers de 2001, o melhor time pós-Jordan; Duncan teve seu auge em 2003, mas seu melhor time em 2007; e Kobe provavelmente ficaria com o Lakers de 2010, a não ser que o Shaq deixe o Lakers de 01 vago. Btw, tem 96% de chance do Lebron ser adicionado a essa lista em alguns anos).

Esses, portanto, serão os times a serem analisados aqui. E como eu disse, vale a pena, porque eram times como não vemos mais hoje em dia. Não, não se preocupem, eu não sou daqueles nostalgicos que ficam com frescura por "Mimimi, antigamente era tão bom, hoje a NBA não tem a mesma graça porque não temos mais jogadores como Magic, Bird e Jordan!". Essa minha afirmação nada tem a ver com o talento existente na NBA. Mas o fato é que os times hoje são piores que os de antigamente por dois motivos: Expansão, e crescimento dos salários. Imagine se a NBA eliminasse 8 times e distribuisse seus jogadores pelos demais times. Imagine agora também que os salários caíram drasticamente, o que permite que os times acomodem mais jogadores de alto nível nas suas folhas salariais. Bom, essa era a NBA nos anos 80, por exemplo. A expansão nos anos 90 diluiu em muito o talento na Liga, os times passaram a acomodar menos jogadores de alto nível, as rotaçōes pararam de ser tão profundas. Hoje, é muito difícil pra um time ter muitas estrelas ou jogadores de alto nível na rotação, mas sumindo com oito franquias e diminuindo os salários, você vai dizer que o nível dos times ficaria melhor, a Liga ficaria mais competitiva e os melhores times ficariam ainda melhores? É claro que sim!!

Um exemplo pra ilustrar. Em 1986, o Celtics tinha um time montado da seguinte maneira: Larry Bird, Kevin McHale, Robert PArish, Dennis Johnson, Danny Ainge, Bill Walton, Scott Wedman, Jerry Sichting, Sam Vincent, Greg Kite. Imagine se isso seria possível hoje em dia. Com mais times, muito dificilmente o Celtics teria ficado com Bird, McHale E Parish, muito menos DJ. Provavelmente dois deles teriam saidos, seja pros novos times ou seja pra times já existentes mas que teriam "perdido" outros jogadores pra essas franquias. A chance do Celtics ter tido um time titular com tantos craques era quase zero, e nem de longe o Celtics teria uma rotação com Walton, Wedman e Sichting quando Wedman, em uma Liga mais diluida, provavelmente teria recebido uma oferta de 10M do Kings ou algo que o valha. Alem disso, com os salários de hoje e o teto salarial, qual a chance desse time manter todo esse núcleo junto? Em seu excelente livro The Book of Basketball, Bill Simmons faz uma estimativa conservadora do teto salarial que esse time teria em 2010... E a conclusão era que a folha salarial seria de 90M, muito acima do teto. O time teria que trocar McHale e/ou Parish pra conseguir abaixar a folha salarial, provavelmente perderia jogadores como Wedman e Ainge na Free Agency por estar acima do teto, e era em capaz de ter que trocar DJ com uma escolha de primeira rodada pra terminar de livrar o salário. O time nunca teria sido capaz de trocar por Bill Walton se não se livrasse do contrato monstro de Cedric Maxwell (Trocado pouco antes), e como ele seria abusivo, algum jogador teria que ir junto para aceitarem. Qual a chance de vermos um time tão bom assim em quantidade de jogadores de elite e profundidade na Liga de hoje, com salarios inflados e 30 times? Zero (Igualmente, qual a chance do Lakers ter Kareem, Magic, James Worthy, Mychael Thompson e Michael Cooper ao mesmo tempo em um time? Zero. Ou menos). Então sim, infelizmente, os times naquela época tinham duas coisas trabalhando a seu favor que nenhum outro time tem hoje, e por isso os times de hoje não conseguem mais manter seus núcleos juntos por muito tempo e uma rotação tão profunda. 

Então é assim que vai funcionar, vou postar sobre os 15 times presentes no NBA 2K12 em alguma ordem, provavelmente dois de cada vez, que se relacionem de alguma maneira. Ainda não decidi se vou seguir uma certa cronologia ou não, mas aceito sugestōes sobre o assunto. Não garanto que a série será continua - a ideia é que seja, mas talvez tenha que interromper pra falar da temporada da NFL, mas logo retomamos. E se o pessoal gostar do Especial e quiser, faço mais posts do tipo extrapolando o NBA 2k12 pra incluir outros times históricos que eu achei interessantes pra voces conhecerem e que marcaram seu nome na história da NBA. Então começa semana que vem, e uma eventual continuação fica nas mãos de vocês. Espero que gostem e aproveitem pra conhecer mais sobre o passado da Liga.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O que as estatísticas não conseguem medir

Kevin Love com seu troféu de "Melhor jogador branco da NBA"



Caso ninguem aqui tenha reparado, eu gosto de estatísticas. Tipo, gosto bastante. Uso elas pra provar meus pontos, me admiro da precisão de algumas estatísticas em refletir exatamente o que eu estou vendo num jogo. Hoje mesmo escrevi um texto para um amigo no Jumper Brasil sobre o Omer Asik, mostrando com estatísticas como ele é bom no que faz e portanto o contrato de três anos, 24 milhōes dele não é tão absurdo quanto parece - na verdade, eu até gosto dele, achei uma jogada esperta do Rockets.

Mas o fato é que estatísticas tem suas limitaçōes, que estão sempre atreladas ao esporte em questão, porque existem coisas que não podem ser medidas em estatísticas. Em qualquer esporte, existem dois tipos de formas que um jogador pode afetar um jogo, uma parte objetiva (e que portanto pode ser medida em estatísticas) e uma parte subjetiva. Dependendo do esporte e de diversas características, cada parte assume um papel muito maior, e portanto isso afeta o quanto as estatísticas são eficientes medindo o que acontece dentro do jogo.

Por exemplo, pegue baseball. Sabe o que é mais legal em baseball (tirando meu amor irracional pelo Red Sox)? O fato de que praticamente TUDO que acontece em um campo de baseball pode ser medido em estatísticas. Quando Billy Beane, Paul DePodesta e o Oakland Athletics trouxeram o agora famoso Moneyball pro Baseball (Uma abordagem para avaliar jogadores 100% baseada em estatísticas chamadas "avançadas", ou Sabermetrics), o resultado foi que um time com a segunda menor folha de pagamento de toda a MLB foi por quatro anos seguidos o maior Juggernault da Liga e que teria conquistado um título não fosse um tremendo azar (uma das maiores injustiças da história do baseball é que aquele Athletics não tenha sido campeão) ao ponto que todo mundo começou a adotar esse modelo. TUDO podia ser medido em estatísticas, voce era capaz de dizer exatamente como um jogador ia se comportar ao longo de uma temporada com números (ao ponto que, antes da temporada de 2002 começar, DePodesta foi capaz de afirmar a quantidade de corridas que o time ia ceder e marcar na temporada - e ele acertou as duas com margem de erro de 10 corridas). Ainda que exista um impacto subjetivo muito pequeno no baseball, em geral você é capaz de dizer exatamente como um jogador contribuiu para seu time com base nos números. E sim, tem um post disso a caminho ainda esse mês.

Por outro lado, basquete talvez seja o pior exemplo possível. Talvez por todos os jogadores jogarem ataque e defesa, tocarem na bola de diferentes formas, e por causa do pouco número de jogadores em quadra (o que aumenta o impacto de cada jogador no todo), o fato é que talvez não exista um esporte onde o subjetivo importe tanto quanto o basquete. Sim, temos excelentes estatísticas, como por exemplo PER (meu favorito), Win Shares, e podemos usar dados fragmentados pra nos mostrar como os jogadores arremessam em diferentes pontos da quadra. A questão é que nós não temos - e nunca teremos - estatísticas que sejam 100% a provas de falhas no basquete, ou tão perto disso quanto possível. Sempre teremos algum tipo de impacto dentro de quadra - subjetivo, impossível de ser medido - que vai alterar algumas estatísticas, ou não receberão o devido crédito nelas. E para isso, temos que confiar em algo ainda mais subjetivo, que é o que estamos observando de fora. Por isso o importante não é usar as estatísticas no basquete para criar opiniōes, mas devemos sempre usá-las para confirmar as que já formamos.

Por exemplo, nas Finais de 2011, Lebron teve o pior jogo da sua carreira (entre os que eu vi, pelo menos) no Jogo 4, onde ele desapareceu completamente de quadra, atrapalhou muito mais do que ajudou e viu Dirk Nowitzki e Jason Terry tomarem de vez controle da série. Quando o jogo acabou, eu lembro de ter ficado chocado na forma como Lebron fugiu do jogo, evitou de qualquer forma tocar na bola e finalizar jogadas, e preferia ficar passando de lado ao invés de assumir a responsabilidade e ajudar seu time a vencer, sendo o jogador mais talentoso do mundo. Alguns minutos depois, alguém me mandou a seguinte estatística: "O Usage Rate (estatística que mede o quanto das posses de bola de um time foram finalizadas por um jogador) de Lebron no Jogo 4 (16.9%) foi o terceiro menor da sua carreira, o menor da sua carreira no Heat, e o menor da sua carreira nos playoffs". Perfeito! A estatística mostrou exatamente o que eu estava vendo acontecer em quadra.

Outro exemplo que eu adoro: Quando alguém fala da defesa de Bill Russell (ou até mesmo de Bill Walton), é muito comum a pessoa citar não só a espetacular capacidade de Russell de bloquear arremessos, mas também da forma como todos esses tocos eram feitos na direção de um companheiro, mantendo a bola em jogo e começando um contra ataque, e não para a lateral, onde a posse de bola. Lembro de uma vez que Kevin Garnett foi entrevistar Russell e perguntou se ele já tinha dado um toco que tinha mandado a bola na torcida, e Russell respondeu sem pestanejar "Nunca, eu sempre direcionava meus tocos para companheiros puxarem um contra ataque". Pode parecer pouco, mas o impacto desse tipo de jogada é muito grande e não tinha como ser medido: Ao invés do toco evitar a cesta, mas o adversário ainda manter a posse de bola, esse tipo de toco evitava a cesta, deixava o time com a posse de bola e ainda começava um contra ataque para dois pontos fáceis. Como disse certa vez um seguidor no twitter, boa defesa não é a que termina com um toco, é a que termina com a posse de bola.

E uma coisa que eu sempre criticava no Dwight Howard é que ele não se preocupava em afetar o jogo desse tipo de jeito, ele sempre dava o toco mais chamativo, mais espetacular, que fosse parar no SportsCenter, fazendo o que era mais espetacular do que o que era melhor pro seu time. Até que eu trombei com a seguinte estatística: Em 2010, Dwight deu 240 tocos, e esses tocos geraram 140 pontos pro seu time. Tim Duncan deu 140 tocos, e eles geraram 160 pontos pro seu time. Quando eu apontei esses dados, muita gente disse "Mas espera, esse tipo de dado é influenciado pela eficiencia do time nos contra ataques!"... E alias, é a verdade (embora a disparidade seja grande demais pra não ser significante). Mas a questão é, esse dado refletiu exatamente o que eu sempre pensei sobre as defesas de Duncan (totalmente voltada pro time) e de Dwight (preocupada muito mais com o espetáculo).

Da mesma forma, temos dados que nos enganam. Muita gente simplesmente baba com o Wilt Chamberlain fazendo 50 pontos por jogo em uma temporada, mas ninguém lembra que nesse ano Wilt jogou com três outros Hall of Famers no seu time, e mesmo assim foram varridos na primeira rodada dos playoffs (e não foi nem pro poderoso Celtics). Porque? Porque Wilt marcar 50 pontos MATAVA seu time em outros aspectos, ele arremessava 42 bolas (mais as faltas que sofria e errava metade dos FTs), o resto do time ficava frio, ficava isolado do jogo, o Sixers era um time fácil de marcar nos momentos importantes (já que todo mundo tava frio, e Wilt sempre fugia da bola nos momentos decisivos por medo de sofrer faltas)... Em outras palavras, Wilt marcou 50 pontos, individualmente foi impressionante, mas nenhuma estatística foi capaz de captar o impacto extremamente negativo que isso teve no seu time, a não ser "Time com quatro HoF varrido na primeira rodada dos playoffs". Porque esse é o problema das estatísticas de basquete: Tem certas formas que um jogador impacta no jogo e que não são captadas por nenhuma estatística.

Por esse motivo, submeto a seguinte linha de estatísticas pra vocês de um jogador em 2011/12 na NBA:

41 Jogos, 34 mpg, 10.6 ppg, 8.6 apg, 4.2 rpg, 2.2 steals per game, 36% FG.

Essas estatísticas são suficientes para um PER (Player Efficiency Rating) de 14.6, o que o coloca como o 33o melhor PG da NBA em 2012. E isso reflete TUDO que eu acredito sobre estatísticas no baseball, porque esses são os números de Ricky Rubio em 2012, antes de machucar o joelho. Ainda que pelos números Rubio seja apenas o trigésimo terceiro melhor armador da NBA em 2012, nenhum ser humano em sã consciencia diria que Rubio foi apenas o trigésimo terceiro melhor - ou, melhor ainda, mais valioso - armador da NBA. Rubio foi de longe um dos armadores que mais teve um impacto no seu time em 2012, revolucionou o Wolves e fez do Wolves a 8th seed do Oeste antes de machucar o joelho por culpa do Kobe (calma gente, brincadeira!). Muita gente apontou os números de Rubio dizendo "Olhem, ele não foi tudo isso, o Wolves vai sobreviver sem ele"... E todo mundo sabe que depois disso o Wolves se afundou, jogou um basquete muito ruim e perdeu a chance de ser uma 7th seed no Oeste pra afundar na mediocridade. Nada mau pro valor do trigesimo terceiro melhor armador da NBA, né?

O principal motivo disso é que o Rubio não era só um jogador que entrava, controlava a bola um pouco, dava meia duzia de assistências e pronto. O Rubio, assim que chegou ao Wolves, virou o líder do time dentro de quadra com sua visão de jogo única, habilidade no passe, capacidade de estar sempre um passo a frente no jogo, e seu altruísmo. E o time assumiu sua personalidade dentro de pouco tempo. Com duas semanas de temporada, o Wolves era um time que adorava jogar no contra ataque, rodava a bola melhor do que nenhum time em toda a NBA (tirando o Spurs), todos os jogadores tinham prazer em rodar a bola, achar companheiros livres e passar bons arremesssos para conseguir melhores para os companheiros. Depois de algum tempo jogando com Rubio e Kevin Love (outro bom passador e extremamente inteligente), os companheiros começaram a ver os mesmos ângulos de passe, antecipar as jogadas uns dos outros e, talvez o mais importante, se divertiam jogando dessa maneira.

No fundo, talvez essa seja a maneira mais importante que um jogador pode afetar os companheiros. Na história da NBA, talvez nenhum jogador tenha afetado os companheiros melhor do que Larry Bird e Magic Johnson, dois passadores transcendentais e extremamente altruístas em quadra. Eles não simplesmente davam grandes passes, eles contagiavam tanto o time que o Celtics de 86 e o Lakers de 87 eram dois dos melhores times passadores de todos os tempos, o ápice do jogo de equipe, com todo mundo procurando o companheiro livre e rodando a bola (De certa forma, isso também vale pro Blazers de 77' em torno do Bill Walton, outro passador transcendental). Lakers e Celtics encorporaram essa identidade, jogadores antes considerados fominhas como Kareem e Kevin McHale começaram a procurar jogar pro time e viraram bons passadores do garrafão, e o resultado era um show de passes pra quem gosta de basquete bem jogado. Ainda que os números dos dois sejam extremamente sólidos (Em 1988 Magic teve média de 24-6-12 e Bird de 28-9-8 chutando 50-40-90), nenhum número captura exatamente o impacto que tiveram nos seus companheiros e transformando a identidade dos seus times. Uma vez, Paul Shirley fez um caso para Steve Nash ganhar o MVP argumentando que o verdadeiro valor do canadense pro Suns era que ele liderava por exemplo, e todo o time seguia a deixa: Em dias, todo mundo estava tentando achar o companheiro livre, todo mundo jogava coletivamente, todo mundo tinha prazer em dar cestas fáceis pros outros e ajudar o time dessa forma, e esse foi o principal motivo do Suns ter atingido um patamar ainda maior no seu jogo ofensivo. Seu jogo passou para os companheiros, assim como fizeram Magic, Bird ou Walton.

Mais ou menos como Rubio: Os números nos indicam um jogador mediano, bom passador, chutador fraco, que não teve um grande impacto no seu time e que poderia ter sido substituído por 32 outros armadores da Liga. O que é exatamente o oposto da realidade: Rubio não só é um excelente passador, como ele está sempre adiantado no jogo (o que faz dele um defensor fora de série), joga com velocidade e alegria, envolve seus companheiros, mantém todo mundo no jogo, faz o time funcionar em torno dele e de Love, e aparece quando o time precisa (Que nem a bola de três no minuto final pra empatar um jogo contra o Clippers, que Love venceu com uma bola de três at the buzzer, ou quando faltando 15 segundos contra o Mavs ele infiltrou, atraiu Dirk  e fez um passe espetacular entre as pernas do alemão para um livre Anthony Tolliver acertar a bola de três que matou o jogo) e tornou o Wolves um time genuinamente divertido pra jogar e assistir. Jogadores como Nikola Pekovic, Tolliver e até Wes Johnson de repente começaram a aparecer, o time todo parecia sempre na mesma página, o time impôs o jogo coletivo e rápido do técnico Rick Adelman, jogou mais coletivamente do que eu nunca tinha visto, e tudo isso por causa da influência de um grande passador extremamente altruísta liderando a equipe. E não temos estatísticas pra isso, a não ser uma estatística primitiva e overrated chamada "Vitórias". Com Rubio, o Wolves teria ido aos playoffs, talvez até na 6th seed. Sem ele, o time afundou na mediocridade.

Pense da seguinte maneira: Kyrie Irving foi um jogador melhor que Rubio em 2012. As estatísticas dizem isso, os meus olhos dizem isso, todo mundo é capaz de dizer isso. Ele simplesmente foi melhor, ele é mais explosivo, tem potencial saindo pelo teto. Mas eu tenho certeza que o Wolves não seria um time melhor com Irving no lugar de Rubio, porque Irving (e provavelmente nenhum outro jogador na Liga tirando Nash) não seria capaz de contagiar os companheiros, estabelecer aquele jogo coletivo e tirar o máximo de jogadores medianos como Rubio fez. Por isso eu gosto tanto de basquete, nada é exato, o tipo de impacto que um jogador tem num time pode não ser igual em lugares diferentes.

Talvez quem mais tenha se beneficiado disso tudo foi Kevin Love. Em 2011, Love surgiu pra Liga, destruiu todo mundo nos rebotes, colocou números nível Moses Malone (30-30? Are you fucking kiddind me?) com 25-foot range. Ele arremessava de qualquer lugar da quadra, extremamente inteligente, grande passador, sabia se posicionar como ninguém... Mas era uma aflição ver ele jogando num time de jogadores cujo QI mal superava o da Luciana Gimenez, jogadores que não sabiam rodar a bola ou se desmarcar, que não conseguiam fazer o ataque fluir pra melhor aproveitá-lo. Deve ser uma tortura pra alguém que sempre ta bem posicionado, sempre faz a movimentação correta e que deveria produzir como um dos dez melhores jogadores da Liga e sempre procura os companheiros fazendo o mesmo, jogar com jogadores que não jogam da mesma forma, não entendem as movimentaçōes de ataque, preferem jogar para si mesmos e são treinados pelo Kurt Rambis. De repente chega Rubio e seu QI de 200, chega Rick Adelman (patrono da movimentação de bola, jogo coletivo e chutes de três), o time começa a se encaixar em torno disso, todo mundo roda a bola e acha o companheiro livre, e de repente o Love se firma como um dos cinco melhores jogadores da NBA, coloca números de 26-13-2 e um PER de 25.4 (Superando a melhor temporada estatística de Duncan, btw), acerta game winners na fuça de todo mundo.

O bem que Rubio fez pra carreira do Love não foi do nível "Nash revitalizando a carreira do Amare Stoudamire ao ponto que algum idiota em NY decidiu que ele valia 100 milhōes" (Uma das minhas frases preferidas sobre o assunto foi do Bill Simmons, em 2005, quando algum idiota deu ao Amare um voto de primeiro lugar pra MVP: "Votar no Amare pra MVP sobre o Nash é que nem não votar no Dr. Frankenstein pra prémio Nobel de medicina e ao invés disso votar no monstro que ele criou"), mas o tipo de jogo que o Wolves começou a jogar por causa de Rubio e Adelman - coletivo, inteligente, jogadores sempre procurando os melhores lugares da quadra pra espaçar o jogo, muitas bolas longas, sempre procurando o companheiro livre, foi o que permitiu ao Wolves tirar o máximo do talento do Love. Se você tivesse que escolher dois companheiros de equipe pra construir uma franquia em torno deles daqui pra frente, Love/Rubio estaria em terceiro ou quarto atrás de Durant/Westbrook e Lebron/Wade (e talvez atrás de Blake Griffin/Chris Paul dependendo de como você avaliar os playoffs do Paul).

Junte a isso Rick Adelman, possivelmente Nicolas Batum (de quem eu gosto muito), Derrick Williams (ainda vai ser muito bom), Nikola Pekovic (melhor reboteiro ofensivo da NBA em 2011), JJ Barea (pontuador porra-louca pra vir do banco) e tudo mais, e de repente o Wolves - pela primeira vez desde que Kevin Garnett foi MVP em 2004 - realmente tem um futuro promissor pela frente. E tudo isso foi possível graças ao impacto que Rubio teve sobre o time como um todo, e pela forma como o time se transformou jogando perto de um armador cuja visão de jogo e habilidade nos passes realmente é única e contagiante. Não fosse a lesão do Rubio, o Wolves teria ido aos playoffs. Com um ano a pais pro time se entrosar, pros jogadores jovens se desenvolverem e a possível chegada de mais algumas peças, de repente o Wolves é um dos times mais interessantes da NBA. Não nível Rudy Gay, mas ainda assim realmente interessante. E no Wolves ninguem vai ligar se o Rubio for apenas o 33rd melhor PG estatisticamente pro resto da carreira, porque todos eles sabem que eles não chegariam alí com praticamente nenhum outro PG na NBA. Esse é o verdadeiro valor do Rubio, e como eu disse, não tem estatísticas pra medir isso. Mas eles sabem. E a gente também.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Premissa Marciana


Celtics de 86' foi a base do estilo desse time
e teve três jogadores nele... Quase foram quatro






Só pra esclarecer, esse post foi inspirado (pra não falar chupinhado) do capítulo "Wine Cellar", do melhor livro esportivo de todos os tempos, The Book of Basketball, do Bill Simmons. Muitas coisas estão iguais ao original dele, simplesmente porque eu concordo 100% com essa parte. Onde eu discordo, obviamente coloquei minha parte por cima. Espero que se divirtam com esse post tanto quanto eu me diverti escrevendo. No final, se tiverem vontade, deixem o time de vocês e o porque, quero saber como vocês enxergariam esse time.


Imagine por um instante o seguinte cenário: Os Marcianos invadiram a terra, destruiram algumas cidades, e nos desafiaram para uma série de sete jogos de basquete, com o futuro da Terra como prêmio. Se ganharmos, eles vão embora e não nos torram mais a paciência, mas se perdermos eles destroem a Terra (suponha que sejam Aliens muito menos imbecis dos que os Aliens de Sinais). E nós temos uma máquina do tempo, capaz de viajar por diferentes épocas e pegar qualquer jogador de qualquer época da NBA para montar um supertime para chutar o traseiro dos Marcianos e os ensinarem a não mexer com a Terra. Vamos pegar esses jogadores, colocá-los pra treinar durante dois meses juntos, e então faremos as Finais no Madison Square Garden, com Gus Johnson anunciando.

Bom, essa é a premissa. Como eu já disse, nossa máquina do tempo pode pegar qualquer jogador de qualquer época da NBA e trazê-lo para jogar um jogo em 2012 (portanto com as regras de 2012). Para evitar que eu caia em tentação de colocar o Arvydas Sabonis no time, vamos restringir isso apenas a jogadores da NBA (Sabonis só foi pra NBA quando já era velho e machucado, incapaz de se mover como antes). Temos agora que montar o quebra cabeça, escolher os 12 jogadores que vão formar o time para nos defender dos marcianos.

Espero que todos entendam o seguinte, porque é um ponto que eu martelo praticamente toda santa coluna: O que importa aqui não é simplesmente pegar 12 jogadores que sejam os melhores jogadores, e sim jogadores que complementem uns aos outros da melhor forma possível, que afetem o time de diferentes formas e que combinem suas habilidades para o bem do time. Eu não quero um All Star Game, eu quero um time de basquete em todos os sentidos. Um grupo com uma hierarquia definida, onde todos os jogadores entendam e respeitem essa hierarquia e não tentem subverter a ordem do grupo. Quero personalidades que não entrem em conflitos, jogadores que estejam dispostos a aceitar o que quer que seja (menos arremessos, menos minutos, banco, etc) pelo bem do time. Jogadores que entendam a importância de jogar pros seus companheiros e pro time, que entendam a importância do que vai além de basquete... Em resumo, que entendam o conceito de time. Não adianta colocar Jordan e Kobe juntos, porque não tem como funcionar: Kobe não vai aceitar a reserva, vai querer ir pra primeiro plano, vai querer mais arremessos, e isso vai minar o grupo (também não quero ninguém excessivamente fominha no meu time, nem alguém que coloca a si mesmo na frente do time, portanto não pegaríamos o auge do Kobe. Ta fora, Kobe). 

Além disso, a questão não é escolher apenas os jogadores, e sim qual versão dos jogadores. Podemos pegar Jordan em 88 (mais individualista, obcecado por estatísticas, não um bom jogador de grupo), 92 (no auge da sua forma física e da sua habilidade, ainda um pouco complicado pra jogar em grupo) ou 96 (um jogador 100% de grupo, perfeita compreensão do que vale além de basquete (Que Simmons chama de "O Segredo"), mas um pouco menos poderoso em termos físicos). Larry Bird em 82 ou 86 (quando assumiu sua melhor identidade como jogador pro time, podia fazer 50 pontos ou 10 e afetar o jogo de quinze maneiras diferentes, totalmente satisfeito em não aparecer e fazer o máximo pelos seus companheiros). Magic Johnson em 82 (mais novo, melhor defensor), 85 (mais maduro, totalmente altruísta, capaz de jogar em quatro posiçōes) ou 87 (mais pontuador, mais Alpha Dog). Isso importa tanto quanto os jogadores que serão escolhidos, e qual papel eles irão assumir no time.

Dois últimos detalhes sobre como eu quero o MEU time: Primeiro, estou deixando de fora do time todos os jogadores anteriores à fusão da NBA com a ABA. O jogo era diferente demais naquela época, e portanto é muito difícil saber como os jogadores da época iriam lidar com o jogo de hoje em dia. Claro, isso é difícil para qualquer época, mas especialmente pra época pré-Merger. Imaginem a NBA na atualidade, mas com apenas 8 a 12 times. Agora tirem praticamente todos os jogadores negros da Liga, deixando apenas um ou dois por time (a regra não-escrita da época era que cada time só podia ter no máximo dois jogadores negros - só o Celtics tinha mais na Era Russell). Tirem também todos os estrangeiros da Liga e linha de três pontos, e suponham que não exista goaltending ofensivo (Sério!). O que restou era a NBA pré-Merger, era nesse tipo de Liga que os jogadores jogavam. Entendem o que eu quero dizer? Dwight Howard não marcaria 50 pontos por jogo nessa Liga?  A NBA só tomou uma forma próxima de hoje em dia quando a NBA (Predominante de jogadores brancos) e a ABA (predominantes jogadores negros) se juntaram em uma só. E portanto, apenas consideramos jogadores de 77 em diante pro meu time.

Segundo, todo time tem que ter uma identidade. E a identidade do meu é a de um time passador e flexível, nos moldes do Celtics de 86 (pra mim o melhor time de todos os tempos). Quero jogadores que não tenham egoismo nenhum, que estejam constantemente rodando a bola (portanto jogadores inteligentes, com bom passe e que joguem para o time, sem egoismo), e que possam jogar em qualquer estilo: Contra-ataque, defesa, alto, baixo, etc.

Em resumo, meu objetivo é juntar um time que rode bem a bola, esteja sempre buscando o jogador livre, tenha jogadores que joguem pro time, seja flexível o suficiente pra jogar qualquer estilo e se adaptar a qualquer adversário, que seja capaz de defender e pegar rebotes, que se de bem dentro e fora de quadra, que entenda "O Segredo", onde os jogadores busquem fazer os outros melhores, e que tenha uma hierarquia estabelecida, sem ninguem tentar desafiar a ordem. Vamos portanto aos cinco titulares da equipe:


Magic Johnson 85'

Magic 85' sobre qualquer outra versão de Magic, pelos seguintes motivos: Mais flexível, podia jogar em cinco (!!) posiçōes; ainda não era uma fraqueza defensivamente como foi mais tarde; modelo para armadores que rodam bem a bola, jogam para o time, fazem todos ao seu redor melhor e não se preocupam com seus próprios números; e por fim, não preciso das qualidades que se destacaram em Magic quando atingiu seu auge em 87 (mais pontuador, assumiu o papel de alpha dog do time) porque meu time já tem poder de fogo o suficiente, e porque não preciso que Magic assuma o papel de líder do time. Preciso que ele rode a bola, puxe contra ataques, acione os companheiros, consiga muitos roubos de bola, pontue de vez em quando mas se preocupe muito mais em fazer o seu time melhor, e jogue em qualquer posição que o time precise - E o Magic que melhor fazia tudo isso era o de 85.



Michael Jordan 92'

Não podemos ter um All Earth Team sem o maior jogador de basquete de todos os tempos, nosso Alpha Dog e crunch time scorer. Jordan 92' ganha a posição, mas foi a terceira mais difícil decisão dessa coluna: Jordan 92', auge das suas forças mas ainda não totalmente um jogador que jogava pros seus companheiros, ou Jordan 96', um pouco passado do seu auge mas um jogador que entendia totalmente o "Segredo"? Fiquei com Jordan 92' pelo mesmo motivo de Simmons: Porque ele teve problemas pra lidar com seus companheiros, mas eles eram ruins! Cerque Jordan de grandes companheiros com um jogo coletivo e altruista ao ponto de ser contagiante (Magic e Bird eram dois passadores que faziam exatamente isso: Eram tão bons no que faziam que contagiavam os companheiros) e acredito que ele teria abraçado muito mais rapidamente o jogo de equipe que atingiu em 96'.  Ainda assim, podemos argumentar por qualquer um dos dois... Vamos pro próximo antes que eu mude de ideia.



Larry Bird 86'

Melhor ala passador de todos os tempos, Bird não era só um grande jogador ofensivo e passador, como também adorava fazer seus companheiros melhores, rodar a bola para jogadores melhor posicionados e fazer de tudo pela vitória. Quando seu Celtics atingiu seu melhor elenco (Dennis Johnson, Danny Ainge, Kevin McHale, Robert Parish, Scott Wedman e Bill Walton... Good God, isso é um time de basquete!), Bird sempre aceitou ficar em segundo plano em diversos momentos, explorando outros lados do seu jogo para fazer todo mundo melhor. Ele pode ser o Alpha Dog em um time? Definitivamente, mas de a ele companheiros de elite e ele não terá nenhum problema em complementar todos eles, rodar a bola, achar companheiros livres, acertar algumas bolas longas, voar na defesa em busca de roubos, ir pro garrafão quando necesário, e aparecer quando o time precisar... Enfim, fazer tudo que faz o time melhor, mesmo que em segundo plano. Ninguém nesse time fazia isso melhor do que Bird - talvez na história.

Confesso que pensei em colocar Lebron aqui, principalmente preocupado com a defesa com Magic E Bird jogando juntos (nenhum era exatamente uma peneira defensiva, como Magic se tornou mais tarde na carreira, mas nenhum era um grande defensor, sua maior força era marcar um jogador menos perigoso do adversário e ficar livre pra voar nas linhas de passe em busca de roubos), mas deixei Bird por dois motivos: O primeiro é totalmente subjetivo e discutível (Ainda acho Bird superior a Lebron pra esse estilo), mas o segundo é muito mais simples - preciso de alguém pra chutar bolas de três nessa equipe, e Bird era um exímio chutador. Com Lebron, esse time ficaria deficiente demais nos chutes de longe. Caso a coisa aperte defensivamente, Lebron entra aqui ou até no lugar de Magic, mas acho que esses dois se aguentam com Jordan e o nosso garrafão. Mas vamos em frente.



Tim Duncan 02'

Duncan é perfeito pra esse time: Nenhum outro jogador em toda a história da Liga compreendeu tanto sobre como jogar para seus companheiros do que Duncan, tirando Bill Russell. Tipo de jogo que define Duncan: 22 pontos, 12 rebotes, 3 tocos, excelente defesa, envolve todos os companheiros, time funciona em torno dele, time ganha por 15. Ele não precisa aparecer, mas poucos jogadores na história influenciaram seus companheiros como ele influenciou. Se na NBA existisse o Hockey Assist (A assistência para a assistência), Duncan seria um dos líderes. Ele é exatamente o que eu preciso pra esse time: Um excelente defensor, excelente reboteiro, joga pro time, exímio passador, exige double-teams quando vai pro garrafão, e que pode perfeitamente jogar de pivô quando apelarmos para formaçōes mais baixas. 



Ok, agora chegamos à minha maior dúvida desse time. Eu sei que coloquei Kareem de pivô no meu time, mas confesso que mudei de idéia pelo menos 200 vezes entre sábado e hoje sobre ele ou Bill Walton no time titular. Na verdade, ainda não cheguei a uma conclusão. Coloco um, mas com muitas ressalvas: Cada um trás coisas que eu quero ao time. Então coloco um, mas ao menor sinal de problema, coloco o outro. Então vamos com...



Kareem Abdul-Jabaar 77'


Fuck. Não gostei da minha escolha: Walton 77' é meu pivô favorito da NBA não chamado Russell. Então porque Kareem está aqui? Porque eu preciso de uma jogada de segurança pro meu time, um jogador capaz de conseguir dois pontos automáticos quando meu time precisar. Preciso do skyhook. Confesso que colocar o Kareem me dá dois medos: Primeiro, que ele demande demais a bola com sua fama de fominha, e que ele acabe tentando subverter a ordem no time com sua fama de ser pouco sociável. No entanto, pegue essa frase dele em 80 para a Sports Illustrated, conforme quotada pelo Simmons, justificando porque jogou mesmo com enxaquecas por alguns jogos: "Esses homens são meus companheiros, mas também são meus amigos. Eles precisavam de mim". Hmm, parece alguém que entende como jogar em equipe. Basta para mim. Se ele abraçou seu jogo de equipe com Magic, imagino que jogar com Bird ajude ainda mais. Bom reboteiro, bom defensor de garrafão, e com dois pontos imparáveis. Mas ele vai ter a sombra do nosso primeiro jogador do banco...



Bill Walton 77'

Um pivô quase perfeito, e possivelmente o mais completo: Excelente reboteiro, bom pontuador, líder por exemplo, ótimo defensor de garrafão, mas o mais importante de tudo, um dos melhores passadores da história da NBA, um verdadeiro jogador de equipe que envolve seus companheiros e faz todo seu time melhor. Pegue algum vídeo do Blazers de 77 (pode ser esse aqui mesmo) e veja aquele time jogando: Ele era cheio de role players sem destaque, e apenas uma estrela em Walton... E mesmo assim, quem viu diz que é um dos melhores times de todos os tempos, mais imparáveis, e que mais jogava bonito. Com os passes de futebol americano do Walton quando pegava um rebote na defesa, era impossível parar seu contra ataque. Na meia quadra, era bola no Walton, e ele distribuia o jogo pra um time que rodava a bola e parecia sempre achar o jogador livre. Ele seria perfeito pra esse time: Capaz de pontuar e defender o aro, supremo jogador de equipe, capaz de rodar a bola e achar seus companheiros melhor que qualquer pivô na história. Ele iria fazer todos melhores no time.


Bom, uma vez que determinamos os cinco titulares e nosso sexto homem (também podendo ser chamado de sombra pro Kareem caso precisemos de mais passe ou menos individualismo), vamos pro nosso banco. E começamos com uma questão um pouco difícil.



Scottie Pippen 92' e Lebron James 12'

Não consegui decidir por um só... Então vai os dois. O problema com eles é que seriam jogadores muito parecidos em características: excelentes defensores, versáteis, ótimos passadores, podem jogar ou defender várias posiçōes, muito atléticos, arremessos pouco confiáveis, confortáveis fazendo o trabalho sujo e deferindo para outros jogadores, não se importam de ficar em segundo plano, fazem seus companheiros melhores, capazes de conduzir a bola quando necessário com grande eficiência... Mas arremessadores pouco confiáveis. Ainda assim, prefiro ter os dois no meu time, simplesmente porque eu gosto do que eles trazem pro time, intensidade, defesa, puro talento. Pippen é um defensor superior (na verdade, ele é o melhor defensor de perímetro da história da NBA) e é valioso pelos intangíveis - se um Marciano pegar fogo, soltamos Pippen ou Jordan em cima dele. Lebron ganha a luz verde pela versatilidade, capacidade de dominar fisicamente adversários como poucos outros, pelos contra ataques, e por ser um pontuador superior. São parecidos, mas podem ser usados de tantas maneiras que ter dois é ainda mais útil.



Kevin McHale 86'

Nenhum outro jogador era melhor pontuando do low post. Olhe as estatísticas de McHale em 1987 antes de machucar: 26 pontos, 10 rebotes, 3 assistências, 60% de arremessos (!!!), 84% de lances livres, 2.2 tocos. Some isso ao fato de que ele jogava num time com vários outros bom pontuadores, que quase nenhum jogador na história da NBA era capaz de marcá-lo saudável no mano a mano, que ele era um dos melhores defensores da sua geração, podendo defender jogadores entre as posiçōes 2 e 5, e que ele mostrou em 86 que definitivamente sabia jogar em grupo. Good God! Eu preciso de McHale contra os Aliens: Ele nos da flexibilidade, uma opção excelente no garrafão, se pegar fogo pode ser o foco do nosso ataque, pode jogar de pivô e defender quase qualquer jogador.



Agora as coisas ficam mais complicadas. Temos nossos cinco titulares e reservas pra SF (Um combo), PF e C... Faltam nossos reservas pra PG, SG e nosso 12o homem. Já aviso que não pegarei nenhum Kobe porque não tem a menor chance dele coexistir nesse time sem causar problemas. Mas preciso de um Combo Guard que seja atlético, bom marcador, e que possa brincar de armar o jogo de vez em quando. Hmm... Vamos aqui.

Dwyane Wade 09'

Melhor ano da carreira de Wade: 30-5-7, excelente defensor, um monstro roubando bolas, levou nas costas um time medíocre e mostrou que pode perfeitamente ser o armador principal da equipe. Ele, ao contrário de Kobe, não ameaça o entrosamento e a hierarquia da equipe, pode muito bem vir do banco (Ver: Olimpiadas, 2008), pode conduzir o ataque do time facilmente, pode defender armadores rápidos (Lebron e Pippen também podem, mas preciso de mais proteção caso os Marcianos tenham um armador muito rápido destruindo nossa defesa com dribles), ele sabe acionar os companheiros, e é atlético o suficiente pra acompanhar o resto do time. Era ele ou Joe Dumars, preferi Wade por ser mais atlético e poder conduzir o jogo de armador principal melhor.


Ok, agora temos outro problema que me deu muita dor de cabeça. Temos 10 jogadores no time, faltam dois: Um PG reserva, e um jogador que sirva a uma função específica (No caso, um arremessador de três). Ou seja, precisava escolher dois dos seguintes três: Ray Allen, Steve Nash e Chris Paul. Meu medo para pegar Nash era sua defesa, sendo que Magic já não é nenhum grande defensor. O problema de deixar Allen de fora é que o time fica com apenas Bird e Nash de chutadores de três pontos. A lógica aqui era Paul e Allen... Ah, que seja, vamos aqui, nem que seja pra ficar diferente:


Steve Nash 07'
Ray Allen 01'

Allen vai ficar no time porque precisamos de alguém que acerte bolas de três quando necessário, e também é bom ter alguém pra colocar na linha do lance livre quando estivermos ganhando no final do jogo (Em 2001, Allen chutou 92% de lances livres e 47% (!!!!!!!!) de três pontos. So there!). Nash sobre Paul foi a segunda decisão mais difícil da coluna, mas não me arrependo: Paul é mais produtivo quando tem a bola na mão e tempo pra pensar e criar, Nash é melhor nos contra ataques tomando decisōes rápidas e conduzindo o time com passes longos e precisos. Meu principal medo de colocar Nash na frente de Paul (caso precisássemos defender algum armador baixo e rápido) teria prevalecido até mês passado, mas depois de ver Lebron nesses playoffs, eu sinceramente acho que podemos contornar isso soltando Wade ou Pippen nesse armador pentelho e deixando Lebron cobrindo as falhas de todo mundo, no melhor estilo The Wolf, de Pulp Fiction, especialmente porque ele também pode armar o jogo se jogarmos sem armador principal. E nenhum jogador na história da NBA faz seus companheiros melhores que nem Nash... E embora nesse time ele não precise fazer ninguém melhor, definitivamente podemos usar seus pick and rolls (com Lebron, Duncan, McHale ou Walton fazendo o papel de Amare Stoudamire), sua visão de jogo, seus contrataques e sua habilidade monstruosa pra achar companheiros em situaçōes fáceis de cesta. Se estamos montando um time com excelentes passadores, movimentação de bola, jogadores que jogam pro time e entendem "O Segredo", então precisamos de Steve Nash. Se precisarmos de ataque instantâneo, simulamos o Suns de 2007 (Mais disso em breve) - o melhor e mais bonito basquete ofensivo que eu já vi na minha vida. Não posso ter esse time sem meu jogador favorito, simplesmente não posso.


Em outras palavras, nosso time ficou o seguinte: Titulares: Magic 85', Jordan 92', Bird 86', Duncan 02, Kareem 77'. Nosso banco: Nash 07', Ray Allen 01', Wade 09', Lebron 12', Pippen 92', McHale 86', Walton 77'. 

Pra comissão técnica, nosso técnico teria que ser Phil Jackson 96' (Que melhor técnico pra um time passador cheio de talento que Jackson?). Precisamos também achar um cargo aleatório para Ron Artest 05', Willis Reed 77' e Kermit Washington 77' ficarem no banco, como proteção caso algum Alien tente começar uma briga (pra quem não entendeu a referência obscura, em 1977 a NBA estava muito preocupada com a quantidade de brigas nos jogos, até que em uma briga comum durante um jogo, Kermit Washington acertou um soco em Rudy Tomjanovic tão perfeito que rachou o nariz e o crânio de Rudy, que caiu no chão sangrando e molhando o chão da quadra, num dos momentos mais traumáticos da NBA. Kermit fez o que todo mundo fazia nessas brigas, mas deu azar do seu soco ter sido perfeito demais e acertando em cheio. Levou uma grande suspensão e a NBA baniu de vez as brigas). E agora vou quotar o Simmons no seu livro: 'E precisamos ter 1984 Red Auerbach envolvido - faremos dele presidente do time, só para vermos um velhinho sorridente recebendo o All-Universe Trophy num vestiário em festa e dizendo algo sarcástico como "Eu continuo escutando que os Aliens são mais avançados em todos os aspectos" (Levanta o troféu.) "Aqui está seu avanço, estou com ele bem aqui"'. Perfeito!

Pois bem, esse é meu time. Ele tem tudo que eu quero: Jogadores que façam genuinamente parte de um time, que rodem a bola, que sempre procurem um homem livre, que joguem pro time, que não fiquem subvertendo a ordem do time. Um time com flexibilidade, capaz de pegar rebotes, defender e correr, com um bom número de bolas de segurança, um Alpha Dog, e vários jogadores que se complementam perfeitamente.

[Tangente rápida, as omissōes mais difíceis: Paul 08', Dumars 89', Barkley 87' (no lugar do Pippen ou de Lebron), Moses Malone 83' (rebotes), Garnett 04' (defesa), David Robinson 92' (Mais físico no garrafão, excelente team player, excelente companheiro de grupo... Acabou ficando de fora porque preciso do skyhook pra jogada de segurança e, se Kareem se machucar, não confio em Robinson pra finalizar jogos), Kobe 01', Hakeem 95' (Não era grande passador, centralizaria demais o jogo), Dennis Johnson 86' (no lugar de Wade como um combo guard com excelente defesa - superior até mesmo a Wade e Dumars - mas não tão bom armando) e Greg Popovich 12' (Estilo de jogo desse Spurs era exatamente o que eu queria, quase coloquei ele no lugar do Jackson)].


Já pensaram nas possibilidades que temos com esses jogadores?? Pra começar, temos nosso time titular de Magic, Jordan, Bird, Duncan e Kareem. Se tivermos problemas defensivos com Magic/Bird, colocamos Wade ou Lebron/Pippen. Podemos montar jogadas pra Jordan, podemos fazer o combo inside/outside com Kareem e Bird, podemos fazer o pick and roll, podemos continuamente atacar a cesta, rodar a bola e achar o companheiro livre. Podemos explorar Duncan no garrafão como ponto de partida e jogar através dele. E temos Magic, Bird, Jordan e Duncan prontos pra correr em contra ataque depois de cada erro ou rebote. Você não iria parar esse time - ponto! Podemos brincar também de...




Wade, Jordan, Pippen, McHale, Duncan, Kareem (Dois dos últimos três) - Nossa melhor formação defensiva com altura (Também funciona com Lebron no lugar do Wade). Se quisermos diminuir sem perder poder defensivo, vamos de Wade, Jordan, Pippen, Lebron, Duncan/McHale. Os Aliens não iriam pontuar nesses caras... Ponto.




Wade, Jordan, Pippen, Lebron, Magic - Formação de small ball que eu mais gosto, podemos jogar tanto Magic como Lebron de pivô (ou até mesmo sem pivô fixo e todo mundo rodando). Essa formação seria imparável atacando a cesta e em velocidade. E o pior, se esse time acelerar o ritmo de jogo e marcar sob pressão, eles podem até se segurar defensivamente. Nas palavras de Simmons, seriam "Warriors 07' on acid". Também podemos brincar com Nash no lugar do Wade, um pouco mais delicada defensivamente mas mais versátil ofensivamente com dois armadores e um exímio chutador de três. Talvez eu até goste mais assim. 




Walton, Kareem/Duncan, McHale, Bird, Lebron/Pippen - Caso precisássemos (ou quiséssemos) jogar com altura, então que seja com estilo! Se o Celitcs de 86 jogava com Walton, Parish, McHale, Bird e DJ (e funcionava incrivelmente bem), então essa formação definitivamente pode funcionar com Walton na cabeça do garrafão, McHale e Duncan/Kareem se posicionando nas laterais, Bird com seu papel de facilitador, passador e arremessador no perímetro, e Lebron/Pippen jogando de point foward. Essa seria a formação pra forçar a bola no garrafão (Lebron/Pippen pode deixar a bola com Walton e Bird e cortar em direção à cesta) e dominar os rebotes. Muitos passadores de qualidade também. Realmente gosto dessa formação.




Walton, Bird, Lebron/Pippen, Jordan/Wade, Magic/Nash - Quando se trata de formaçōes pra jogar na transição, esse time tem mais opçōes que o menu do Burger King. Podemos jogar com Walton, Bird, Lebron/Pippen, Jordan/Wade e Magic e deixar os passes fluirem ao ponto da insanidade, com Walton usando seus passes longos pra começar as transiçōes após cada rebote, Magic conduzindo na velocidade, e o time trocando ainda dois ou três passes antes de finalizar. Podemos também tirar Bird e deixar Pippen e Lebron juntos, e deixar Walton começando a transição e Pippen, Lebron, Jordan/Wade e Magic correndo no contra ataque, esmagando os Aliens com nossa velocidade e força física. Ou até melhor, tire Magic e deixe Nash conduzindo esse ataque, você perde em força fisica mas ganha um chutador de três e alguêm capaz de dar passes picados até pra minha avó fazer uma bandeja livre. Tantas opçōes, uma melhor que a outra. Adoraria ver isso acontecendo. Cade meu 2k12??




Nash, Allen, Lebron, Bird, Walton - Talvez minha lineup preferida, e algo que eu gosto de chamar de "Suns 07 com esteróides", que aliás também seria nossa perfeita lineup pra chutar de três. Ta bom, talvez eu seja excessivamente apaixonado pelo Suns de 2007, mas ainda acho que foi o maior nível ofensivo de basquete que eu vi em toda a minha vida (e que teria sido campeão não fossem as suspensōes ridículas de Amare e Boris Diaw no Jogo 4. Aliás, fato pouco comentado que eu reparei semana passada reassistindo jogos: O Spurs ganhou um jogo 3 do Suns com pessima arbitragem naquela série pra abrir 2 a 1. Fiquei tão chocado que fui ver quem era o juiz. Adivinhem se não era... Ele mesmo... Tim Donaghy, o mesmo cara que semanas depois foi descoberto por ter manipulado jogos para fazer apostas. Tirem suas próprias conclusōes) e se nosso time precisar de um pouco de ataque instantâneo e bolas longas, então precisamos dessa versão de elite do Suns de 2007. Pense bem: Nash conduzindo o show, Lebron fazendo o pick and roll numa versão mil vezes mais inteligente que o Amare, Walton pronto pra receber o passe fora do garrafão pra rodar a bola numa versão branca e mil vezes melhor do Boris Diaw, e Allen e Bird posicionando no perímetro pra chutar de três, dois jogadores que também são bons passadores pra rodar a bola. Três exímios arremessadores de três, quatro dos melhores passadores de todos os tempos... Você não iria querer ver esse time jogando junto, mesmo que um pouco frágil defensivamente? É claro que sim! 




Nash, Magic, Allen, Jordan, Bird - Pra quando tivermos ganhando apertado nos segundos finais e precisássemos proteger a vantagem. Nenhum FT shooter abaixo de 80%, três caras acima de 90%. Não iriamos entregar uma vantagem nos 45 segundos finais, ponto.




Walton, Bird, Lebron/Pippen, Jordan, Magic - Mudei de idéia, essa é minha lineup preferida (por pouco, mas enfim). Quatro passadores transcendentais junto de Jordan?? Esse time iria massacrar quem viesse pela frente!




Magic, Wade, Pippen, Lebron, Duncan - Essa é 100% do Simmons, que na verdade roubou a idéia do Rick Pitino, mas ela é tão boa que não da pra deixar de fora. Ele chama de Murderous Press (Algo como Pressão Assassina), e a idéia é simples: Treinar cinco caras pra jogar exclusivamente numa pressão de quadra toda, uma vez por tempo, por quatro ou cinco minutos, pra causar pânico no adversário, roubar a bola o máximo possível, cansar o adversário e mudar o momento do jogo. Olhe de novo para esse time e me diga se ele não faria isso? Sim, o ideal seria ter Paul no lugar do Magic, mas como deixei Paul de fora, vai ter que ser o Magic mesmo. Você iria gostar de trazer a bola do campo de defesa com esses caras pressionando a quadra toda? Imaginei que não. Confesso que adorei a ideia.




Então aí está o meu time. Tem talento de sobra, não tem ninguém que não entenderia e respeitaria a hierarquia do time, e é formado por jogadores que entendem perfeitamente a importância de jogar de forma altruísta, jogar pro time e fazer parte de um grupo. Tenho meu Alpha Dog (Jordan), tenho meus líderes por exemplo (Magic e Bird, as únicas pessoas além de Phil Jackson que Jordan escutava). Posso jogar grande, posso jogar baixo, posso jogar na defesa, posso jogar pro ataque, posso jogar na transição... Enfim, posso jogar como eu quiser, a flexibilidade desse time é infinita. Posso pontuar de dentro, de fora, na transição, na meia quadra... Enfim, como eu bem entender. E mais importante, é um time que jogaria de forma coletiva, sempre procurando o companheiro livre, sempre passando continuamente a bola. Totalmente imparável. Os Marcianos estão ferrados - Ninguém vem no nosso planeta e nos desafia para uma série de basquete impunemente!!