Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Hack a Cast #6 - Free Agency, Parte II




O Two-Minute Warning vai sortear dois exemplares da recém-lançada versão brasileira do livro Moneyball!! Conheça nossa promoção e concorra você também a dois exemplares de um dos livros esportivos mais importantes dos últimos anos!!

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E ta saindo do forno mais um Hack a Cast!!

Nessa nova edição, eu e o Vinicius falamos sobre o que sobrou da Free Agency: LaMarcus Aldridge no Spurs, a novela envolvendo DeAndre Jordan, a recuperação do Mavericks, o contrato absurdo do Enes Kanter, as mais recentes contratações da offseason, os melhores e piores contratos, e respondemos às perguntas dos ouvintes. Confiram!!



terça-feira, 12 de junho de 2012

O fim (?) do Big Three de Boston

RED - (quase) Aposentados e Perigosos


Sim, as Finais começam amanhã. Sim, eu sei que ela é a prioridade. Mas não consigo fazer um preview sem antes esclarecer tudo sobre o Celtics e o que significou o jogo 7 das Finais do Leste, quando o Heat eliminou o Celtics dos playoffs. Vou guardar as grandes análises táticas pra amanhã no preview, então vou tentar encurtar um pouco mais esse post e ser um pouco mais direto.

O Celtics é, junto com o Lakers, a Franquia com mais história de toda a Liga. São 17 títulos, vários Hall of Famers, jogadores do calibre de Bill Russell (11 títulos em 13 anos, melhor defensor de todos os tempos, maior vencedor da historia dos esportes americanos), Larry Bird (3 MVPs, 3 títulos, um dos cinco maiores jogadores da história), Bob Cousy (dono do meu apelido preferido da NBA - Houdini of the Hardwood) e John Havlicek (Top20 All-Time, 5 títulos), sem falar em Red Auerbach e companhia. Enfim, a Franquia tem mais história do que qualquer time de basquete não chamado Lakers (curiosidade do dia: Sabia que em 1960, o time do Lakers esteve envolvido em um acidente aéreo, quando o avião no qual o time viajava não tinha mais condiçōes de completar o voo por conta de uma falha mecânica e não estava suficientemente perto de nenhuma estação de pouso? O piloto não conseguia um pouso de emergência por causa do grande número de fios elétricos no local, até que enfim conseguiu pousar numa plantação coberta de neve enquanto os bombeiros e funerários locais (sério!) cercavam o avião. Ou seja, por muito pouco não chegamos a ter uma tragédia que possivelmente teria feito o Lakers nunca mais se recuperar. Voce sabia disso? Imaginei que não. Ainda bem que estou aqui!), e é o time mais vitorioso da NBA. Kevin

No entanto, o Celtics chegou a passar anos muito ruins entre os anos 80 e o final dos anos 2000. Depois da geração de Larry Bird, Kevin McHale e Robert Parish ter perdido sua competitividade no final dos anos 80 (Kevin McHale nunca foi o mesmo depois de jogar os playoffs de 1987 com um freaking pé quebrado - uma das histórias mais underrateds da Liga, porque ele estava com uma droga de um pé quebrado os playoffs inteiros! - e o corpo de Larry Bird começou a se quebrar por volta de 88/89), o time do Celtics passou por um periodo de times muito ruins: Depois da aposentadoria de Bird (92) e McHale (93), uns bons tres ou quatro anos depois da dupla parar de ter sido realmente eficiente em quadra por conta das lesōes, o time tentou se montar em torno do ala Reggie Lewis, que infelizmente morreu por conta de problemas cardíacos (vale aqui o parênteses: Em 1987, o Celtics - campeão no ano anterior com aquele que era, pra mim, o maior time de todos os tempos da NBA - tinha a secunda escolha do Draft, e escolheu o ala Lenny Bias. Lenny era um combo-foward muito talentoso, atlético, bom pontuador e reboteiro, e que jogava com muita atitude. Ou seja, um jogador que tinha tudo pra ser a nova cara da Franquia e pegar a tocha de Bird... Se não tivesse morrido de overdose de cocaína dois dias depois do Draft. E assim o Celtics perdeu o jogador que daria a proteção para Bird/McHale em 87 e 88 e seria seu Franchise Player indo pra frente). O Celtics então tentou se remontar com uma cacetada de movimentos pouco inteligentes, como por exemplo assinar com um Dominique Wilkins que estava uns oito anos passado do seu auge pra ser o go-to guy do time, trocar o então calouro Chauncey Billups porque ele não jogou bem nos seus primeiros CINQUENTA jogos como profissional (Nao foi nem uma temporada completa!), e se montar com escolhas fracassadas de Draft e veteranos pouco uteis.

Ainda que o Celtics tenha melhorado com as chegadas de Paul Pierce e Antoine Walker (O famoso "Cabeça-de-Lego - via Bola Presa), e tenha se remontado em cima da sua nova estrela Pierce com um bando de Role Players em volta dele , e mesmo que tenha chegado até a Finais de Conferência, isso se deveu muito mais aà falta de bons times no Leste do que a um time realmente bem montado, e o Celtics em nenhum momento se viu como um grande time na NBA.

Afinal, em 2007, o Celtics estava começando a montar um núcleo jovem em torno de Pierce: Rajon Rondo (muito antes de virar o monstro que é hoje), Sebastian Telfair (na época era considerado uma grande promessa), Ryan Gomes, Gerald Green (Sim, aquele que ta no Nets, na época também era considerado uma promessa vinda do High School), Tony Allen (Apelidado de Trick or Treat Tony. Voces imaginam o porque) e Al Jefferson. Ainda assim, o time ia se desenvolvendo lentamente, sem grandes progressos pra um time que queria tanto voltar ao topo. E acreditem, pra uma franquia tão acostumada a vencer como o Celtics (11 títulos com Russell entre 1957 e 1969, mais dois com Havlicek e Dave Cowens em 74 e 76 - deveria ter ganho em 73 se o Hondo nao machuca, mas enfim - depois mais três com Bird nos anos 80, com times dominantes em todas essas eras), não foi fácil aguentar quase 20 anos de times medíocres, jogadores que não se interessavam em ir jogar na franquia, jogadores jovens sendo trocados por veteranos inuteis só para depois nos assombrarem (Billups e Joe Johnson, alguem?) e estar em um segundo plano no mundo do basquete, sem um time carismático ou capaz de representar algo mais. Não foi fácil pra Boston.

Em 2008, após um começo de ano ruim principalmente por causa do impacto da morte do Red Auerbach no time, o Celtics aproveitou uma pequena lesão do Pierce pra afundá-lo no banco, deixou tempo demais os jogadores jovens pra levarem pancada e, em poucas palavras, fez de tudo pra perder o máximo possível pra ter uma boa posição no Draft e pegar os dois jogadores muito cobiçados daquele draft. Ou seja, Greg Oden e Kevin Durant. Era a chance do Celtics conseguir um jogador que alterasse o destino da Franquia (engraçado como pensavam isso do Oden na época, muito mais do que do Durant). Bom, vocês sabem o que aconteceu depois: O Celtics não só ficou sem Oden e Durant, como terminou com a quinta escolha, alta demais pra pegar um jogador que pudesse mudar o time. Ai o time decidiu jogar tudo pra cima e fingir um ataque cardíaco, e desmontar todo seu estabanado projeto de reconstrução em troca de ajuda imediata enquanto Paul Pierce estava nos seus melhores anos pra tentar uma arrancada rumo a um título.

Assim, o GM Danny Ainge foi atrás de veteranos, caminhando para o final da carreira, que estavam em busca de um título e que jogassem em times medíocres que estivessem prestes a começar uma reconstrução. Então mandou sua quinta escolha do Draft (eventualmente, Jeff Green) junto com Wally Szczerbiak e Delonte West para o então Seattle Supersonics, que nas mãos do genial GM Sam Priesti começava seu processo de reconstrução e já tinha a secunda escolha do Draft, em troca do veterano arremessador Ray Allen. Encorajados com a troca (importantíssima pra Seattle, mas ainda assim desequilibrada em favor do Celtics), e de repente com duas estrelas no time, o Celtics começou a se tornar um local atraente pra mais um All-Star. E o Wolves, que deixou o Kevin Garnett puto ao tentar trocá-lo antes do Draft (ele nunca quis sair), de repente viu um cenário muito mais tentador pro KG com Allen em Boston, e enfim Ainge conseguiu pegar o KG pro Celtics num assalto que eu tenho 99% de certeza que só aconteceu porque o GM do Wolves era, claro, Kevin McHale, que sangrava verde até o ultimo segundo. A troca foi o KG por Al Jefferson (Um legitimo futuro All-Star), Green, Theo Ratliff (Contrato expirante), Ryan Gomes e Sebastian Telfair, mais uma escolha de primeira rodada. Ao final das trocas, o Celtics tinha se livrado de todo seu núcleo jovem e promissor, sobrando apenas Glen Davis (veio junto com Ray), Rondo e Kendrick Perkins pra cercar o seu Big Three. Nos meses seguintes, Ainge tratou de assinar veteranos sem contrato em busca de um título e role players baratos pra cercar o Big Three, e ai o Celtics estava pronto pra 2008.

Dentro de quadra, o impacto dessa troca é relativamente fácil de entender: O Celtics montou um time em torno do Big Three, cercando-os com role players com papel limitado e diversos veteranos em busca de um título, um time com uma defesa fortíssima ancorada pelo intenso Kevin Garnett e ataque baseado em isolaçōes, improvisos e no talento individual dos seus três craques. Um time ultra-competitivo, intenso e com muita atitude, ele basicamente adquiriu as características do seu líder emocional (o recem-chegado  Garnett) e tudo se encaixou em torno disso. O Celtics logo engrenou, tomou a Liga de assalto e, depois de playoffs dificeis, fechou as Finais contra o Lakers com um jogo 6 no qual ganhou por 39 pontos. No ano seguinte (2009), o Celtics viu Rondo evoluir em uma máquina de Triple-Doubles capaz de carregar o time nas costas por longos períodos, mas perdeu a chance de repetir (E provavelmente teria repetido porque era mais time que Lakers e Magic naquele ano) o título do ano passado quando KG estourou o joelho e perdeu os playoffs. Em 2010, depois de uma temporada regular lenta, cheia de jogadores um pouco velhos e lentos, o Celtics pareceu que tinha perdido seu fogo... Quando chegou nos playoffs, engatou a quinta marcha, atropelou Magic e Cavaliers (os favoritos) e levou a Final contra o Lakers a 7 jogos antes de perder mesmo depois de controlar todo o jogo 7 (e ter tomado 28 rebotes ofensivos, algo assim), o que dificilmente teria acontecido se Perkins não se machucasse no Jogo 6 ou se Ron Artest não acerta o mais imbecil arremesso de toda a série (que, lógico, caiu pra três nos minutos decisivos do jogo 7). O resumo do Big Three nos seus primeiros anos, portanto, foi o seguinte: Título em 2008; Deveria ter ganho em 2009 não fosse a lesão do KG; e um vice-campeonato em 2010 contra um bom time do Lakers (sim, com seu pivô titular machucado no jogo 7, no qual tomou mais rebotes ofensivos do que pegou na defesa. Algo me diz que um Perkins saudavel teria ajudado, mas enfim). E ai chegamos a 2011, quando o Danny Ainge entrou em pânico com a falta de um SF para dar descanso ao Pierce e trocou Kendrick Perkins por Jeff Green e apostou que Shaq ia conseguir ficar saudável o suficiente para jogar 30 minutos por jogo nos playoffs. Não só isso deu errado, porque o Shaq machucou e o Celtics perdeu a vantagem da sua altura de garrafão (maior força na temporada) como também destruiu o time psicologicamente ao pisar em tudo que o time acreditava (lealdade, amizade, entrosamento...)  e mandar embora um jogador que servia como a âncora emocional de toda a equipe.  O Celtics não se recuperou, foi massacrado pelo Heat e parecia acabado (Sim, estou deixando a temporada 2012 de fora por enquanto. Segurem um pouco).

Como eu disse, é fácil entender qual foi o impacto que as trocas de Ainge em 2008 tiveram no time e na NBA dentro de quadra: Um titulo, um vice e uma grande chance perdida por lesão. Também nos deram um dos melhores times defensivos de todos os tempos e a chance de ver três (Talvez quatro, dependendo de como a carreira do Rondo continuar) futuros Hall of Famers jogando juntos, em um time histórico. Mas o impacto que esse time teve sobre os torcedores de Boston? Não da pra quantificar isso de jeito nenhum. A chegada de Allen e especialmente Kevin Garnett ressuscitaram o basquete em Boston, e mais importante, ressuscitaram Boston no cenário do basquete nacional. Transformou uma Franquia que tinha amargado quase 20 anos de mediocridade em um Juggernault, extremamente interessante e que jogava com o tipo de atitude, intensidade e paixão pelo jogo e pela vitória que faria Russell, Auerbach, Bird e Dave Cowens sorrirem orgulhosos. Pra uma Franquia e uma fan base tão acostumada a estar sempre brigando, sempre com um time para se orgulharem e com jogadores com os quais a torcida realmente se identificava, era uma tortura ver um time tão insignificante, com jogadores como Antonie Walker e Bassy Telfair, que nunca se identificariam com nenhuma fan base. A chegada do Big Three deu vida nova à cidade (em termos de basquete), deu vida nova à Franquia e se tornou um time extremamente identificado com a torcida. Talvez por esse motivo tenha sido tão dificil aceitar que esse núcleo estava velho e não conseguiria mais brigar por um título. Ate...

Que chegou a segunda metade da temporada 2012 da NBA! O Celtics passou uma primeira metade com jogadores veteranos totalmente sem perna, um time sem nenhuma vibração pós-Perkins e que parecia realmente o quinto ano de um projeto de três destinado a se desmontar (KG e Allen são Free Agents ao final da temporada). Até que passou a Trade Deadline e ninguém foi trocado, o Avery Bradley entrou no time e deu nova vida à equipe com sua defesa e intensidade, Garnett ressuscitou e o time se reinventou como um time veloz, muito agressivo no perímetro que jogava sem um pivô de origem (KG era o Center da equipe) e que acabou se fortalecendo dentro do grupo a cada contratempo que sofria (Os problemas sérios de saúde que acabaram com a temporada de Green e Chris Wilcox, a saída do Jermaine O'Neal, etc) e que, no final da temporada, estava jogando o melhor basquete da NBA de qualquer time que não chamasse Spurs. O time tinha criado uma nova identidade, tinha retomado sua intensidade e competitividade anterior, e estava novamente acreditando no grupo, nos companheiros.

Infelizmente, isso não durou muito. Antes dos playoffs, três dos principais jogadores do Celtics (Bradley, Allen e Pierce) sofreram lesōes importantes, e isso afetou demais a equipe chegando nos playoffs. Ray Allen estava incapacidado de jogar no começo dos playoffs, mas se sacrificou jogando com pedaços de ossos nos fucking tornozelos simplesmente porque o Celtics tinha perdido o Avery Bradley pro resto da temporada com uma séria lesão no ombro (seu melhor defensor de perímetro e as pernas jovens que tanto fizeram falta no jogo 7 das Finais de Conferencia), e Pierce jogou praticamente em uma perna só os playoffs inteiros porque não teve tempo de tratar ou de descansar uma lesão na perna. Pierce jogou no sacrifício e não foi nem de longe o jogador que é, Bradley machucou pra temporada no momento que o Celtics mais precisava dele, e Ray Allen jogou no sacrifício simplesmente porque não tinha mais ninguem pra jogar no seu lugar, ainda que não conseguisse correr, pular ou simplesmente pisar com segurança. O Celtics se arrastou pelos playoffs passando em sete jogos por Hawks e Sixers, depois encontrou uma última reserva de energia pra jogar contra o Heat e colocá-lo contra a parede mesmo com tudo contra Boston... Só que Lebron James teve um jogo épico em Boston pra ganhar o jogo 6 (e o pior, eu não posso dizer que tenha ficado surpreso), e ai no jogo 7 faltou perna, faltou gente pra ajudar vindo do banco e faltou um Pierce ou um Allen saudável pra carregar o ataque do time quando ele estagnou, incapaz de criar nada com Rondo ou acertar arremessos em isolaçōes ou jogadas rápidas. Os destroçados Celtics lutaram até o fim, usaram cada recurso e cada jogada, mas naão foram capazes de parar um time mais atlético, mais saudável e que tem Lebron James no seu auge.

A verdade é que eu, como torcedor do Boston, não podia ficar mais orgulhoso desse time. Mesmo com tantas lesōes, tantos problemas e tantos jogadores no sacrifício, o Celtics chegou a uma vitória das Finais na pura raça, vontade e experiência. Tudo que esse time representava - vontade, fome de vencer, confiança, jogadores se sacrificando pelo time - foi o que levou esse time muito mais longe do que deveria ter ido com tantos jogadores importantes machucados e tantos buracos no elenco. Eu não poderia respeitar mais esse time e esses jogadores, que conseguiram ir muito longe mesmo com tudo contra. Esse foi meu time do Celtics favorito da era do Big Three, simplesmente pela intensidade, pelo entrosament, pela confiança e pela forma como esse time sempre buscou dentro do proprio grupo a força pra superar adversidades, além da forma como Rondo jogou os playoffs todos. Não ver esse time jogar mais vai ser a pior coisa após a derrota pro Heat. Era um time com o qual nos identificavamos e que era muito bom de ver jogar.

Agora, ninguém sabe que rumo as coisas vão tomar com KG e Allen indo pra Free Agency. Garnett termina um contrato de 21 milhōes, e Allen um de 10. Em outras palavras, 31 milhōes estão saindo do Cap do Celtics. O Celtics pode reassinar os dois por muita grana, pode deixar os dois saírem e reconstruir de novo em torno do Rondo, pode tentar convencer os dois a reassinarem por valores muito mais baixos, de forma que o time possa ir atrás de Free Agents e Role Players pra completar o elenco em torno do Big Four. Eu pessoalmente acredito que Garnett volta por um salário baixo, mas não tenho muita certeza quanto ao Allen, especialmente porque arremessadores como ele sempre terão grande demanda e  Allen sabe que pode ir para um time, ganhar mais dinheiro por mais tempo e jogar por mais um título. Eu confio que a lealdade e teimosia do Garnett irão mantê-lo um Celtic, mas o Allen vai ter propostas muito melhores e mais interessantes (especialmente se os boatos dele e do Rondo não estarem nos melhores termos forem verdadeiros). Saudável, ele é o tipo de jogador capaz de dar um grande boost a times como Bulls ou Clippers mesmo nessa idade. E isso significa que o Celtics pode estar muito perto de dar adeus ao seu Big Three. Se Garnett ficar, mesmo sem Allen, o Celtics ainda tem cap space (e Bradley) e jogadores bons o suficiente pra tentar brigar mais uma vez com alguma criatividade na Free Agency (Como eu disse, vai ter cap para tal se Garnett aceitar ganhar pouco). Mas se Garnett e Allen sairem ambos, a coisa complica, porque aí o Celtics fica com pouca base pra se organizar pra tentar algo ainda com Pierce em bom nível. Nesse caso, faria mais sentido trocar Pierce e reconstruir em torno de Rondo... não fosse o fato de que você estaria apunhalando pelas costas um dos maiores Celtics de todos os tempos. Então tudo depende de como KG e Allen vão reagir. Pra mim, KG fica, Allen sai, o Celtics taca tudo que tem pra cima de Eric Gordon e Nicolas Batum na Free Agency, pega meia duzia de role players (chutador de três, defensor de garrafão), talvez até fique criativo com suas duas escolhas de primeira rodada (21 e 22, via Clippers)... Mas pra isso precisa manter Garnett.

Mas mais do que o tiítulo dos proximos anos em jogo, o fim do Big Three (e especialmente de Garnett) seria o fim de uma era do Celtics que trouxe de volta o orgulho da equipe (Celtic Pride), que recolocou o Celtics no cenário da NBA e que finalmente reaproximou a torcida do time. O time pode continuar competitivo, pode vir a ser campeão, mas independente disso tudo eu vou sentir falta do que Garnett, Pierce e Allen trouxeram pra mim como torcedor do Celtics. Tem times que simplesmente conectam com a torcida de uma maneira diferente. Esse era um desses times. Sou grato por ter visto esse time jogar, vou contar para meus filhos. E ainda que eu preferia que acabasse de forma diferente (com um título), a era Big Three do Celtics não poderia acabar de forma mais emblemática: Um time lutando até o final, usando toda a sua força de vontade e garra pra superar a enorme quantidade de adversidades que teve que enfrentar pra chegar mais alto do que deveria... Mesmo que chegasse perto e não atingisse seu objetivo. A imagem que os Celtics de 2008-2012 deixaram é a do time jogando com mais vontade e fome de vencer do que nenhum outro. E foi assim que essa era pode ter terminado.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Celtics com problemas

Resumindo muito bem o ataque do Miami Heat


O que mais me deixou frustrado na série entre Heat e Pacers é que, após a lesão do Chris Bosh, essa série tinha tudo pra ir numa certa direção, com o Pacers tendo caminho livre pra explorar cada vez mais suas forças (depth e força no garrafão) e explorar as fraquezas do Heat (falta de reboteiros, falta de opçōes ofensivas, etc). Mas depois de dois jogos onde isso efetivamente funcionou, o que se viu foi exatamente o contrário: Uma série que mostrou as maiores forças do Heat (dois dos melhores jogadores do mundo nos respectivos auges) e expos totalmente (a tal ponto que chegou a ser ridiculo) todas as fraquezas do Pacers (falta de um jogador capaz de levar o ataque quando ele fica estagnado, imaturidade, inexperiência, etc). O que é bizarro, porque mesmo com todos os méritos do Heat nessa série (e não foram poucos), o Pacers teve TUDO pra sair com a vitória, mas tropeçou nas próprias pernas o suficiente pra permitir que Wade e Lebron tomassem controle da série. Ganhou o melhor time (pelo menos completo), mas o Pacers sabe que poderia ter ganho essa série.

Como aconteceu? Bem, a lesão do Chris Bosh afetou o Heat muito mais do que todo mundo que falava mal do dinossauro imaginava. Ainda que o Bosh fosse muito secundário nesse time e estivesse desperdiçando boa parte do seu talento jogando tanto fora das suas características, ele ainda tinha duas coisas que eram muito importantes pro Heat. A primeira é que o Bosh é o único homem de garrafão decente do elenco, e portanto sua presença la dentro é diferente da de qualquer outro grandalhão do time, seja pra rebotes, seja pra impor respeito na defesa. O segundo motivo é que o Bosh foi o melhor jogador em toda a NBA em aproveitamento de arremessos de meia distância. O Bosh sempre teve bom arremesso, mas essa temporada ele realmente se especializou nisso, tava automático. Isso forçava os homens de garrafão do adversário a acompanhá-lo fora do garrafão, o que gerava mais espaços para Lebron e Wade infiltrarem. Se o marcador do Bosh deixasse ele livre por um segundo pra fechar o caminho pro aro, eram dois pontos praticamente garantidos. Isso foi um fator muito importante do Miami no final da temporada e nesses playoffs.

Quando o Bosh machucou, portanto, o garrafão do Heat, que já é bem fraco (um dos principais motivos do Heat ter perdido as finais pro Mavs foi porque foi dominado no garrafão por Tyson Chandler), perdeu seu melhor finalizador, arremessador e reboteiro dentro esses jogadores de garrafão. E mais importante, perdeu aquele arremesso de meia distância automático que fazia todos os jogadores de garrafão pensarem duas vezes antes de ir fechar o aro pro Wade e pro Lebron. Essa opção de passe pro Bosh era algo que mantinha os defensores com medo, e que desapareceu com a sua saída. Sem Bosh, os defensores não precisvam realmente pensar duas vezes no que era melhor, apertar Wade e Lebron ou sair pra marcar Udonis Haslem ou Ronny Turiaf.

Além disso, o Pacers tinha um garrafão bem forte, com o grandalhão Roy Hibbert e o ótimo David West. É um garrafão bem alto que pega rebotes, sabe finalizar perto do aro, acerta bolas de meia distância e, especialmente o Hibbert, tinham tudo pra conseguir controlar a série se impondo pra cima do garrafão patético do Heat.

O caminho para o Pacers, portanto, estava traçado. O Heat não tinha mais Bosh, o que permitia ao Hibbert se preocupar muito menos em marcar seu homem pra estar sempre na cobertura de quem quer que estivesse marcando Wade e Lebron. Com essa cobertura do Hibbert, que é muito bom dando tocos, Paul George e Danny Granger (marcadores do Wade e Lebron) podiam se dar ao luxo de serem eventualmente mais agressivos. No entanto, o que realmente faria efeito era um esforço conjunto. Como Wade e Lebron não são grandes chutadores de longe, voce tem muito mais chances de ter uma vantagem se marcá-los a uma distância, tirando espaço pra infiltraçōes, ainda que ao custo de alguns jumpers. Tudo bem, você vai tomar ums arremessos na cara, Wade e Lebron vão fazes passes para companheiros livres acertarem bolas importantes, e claro que mesmo com a marcação e a cobertura do garrafão os dois ainda vão fazer algumas infiltraçōes ninjas e cestas miraculosas, mas de modo geral, sua chance é muito maior do que se tentar marcar os dois de perto. Deixem Wade e Lebron fazerem seus milagres, mas obrigue o resto do time do Heat a te vencer junto, que sua chance aumenta. Facil, claro que não, mas aumenta suas chances.

E a questão é, defensivamente o Pacers fez seu trabalho muito bem, principalmente nos três primeiros jogos. Ainda que com alguns vacilos de modo geral (naturais), o Pacers defendeu bem o Heat na meia quadra. Algumas bolas longas dos coadjuvantes (inevitáveis, mas num nível bem aceitável) e partidas monstruosas de Wade e Lebron faziam parte do pacote. Ainda que isso tenha ficado menos eficiente a partir do quarto jogo (Especialmente porque Wade e Lebron tavam pegando fogo - faz parte, acredite), o problema do Pacers não foi seu jogo no lado defensivo. Fizeram tudo corretamente, e obrigaram o Heat a jogarem muita bola. O Heat jogou. Nao tem nada de errado ai (Com uma excessão, mas chegaremos lá).

O problema, que matou o Pacers nos tres ultimos jogos (e mesmo em alguns periodos dos demais jogos), foi o ataque do time. Com um garrafão maior, mais habilidoso e um time mais completo de maneira geral, o Pacers tinha que começar seus ataques pelo garrafão e explorar a vantagem na altura, atacar os rebotes ofensivos e forçar o Heat a abrir o espaço com dobras na marcação. Mas o Pacers tentou fazer o que tinha dado certo contra o Magic, de combater um time baixo com outro time baixo e veloz, o que nos levou a muitas lineups com LEandrinho, George Hill, Darren Collison e George juntos em quadra. Contra o Magic, que não tinha um time veloz, isso funcionou. Contra o Heat, foi suicídio.

O Heat da temporada regular teve muitos problemas com ataques de meia quadra. O ataque do time dependia demais da individualidade de seus dois craques, e isso muitas vezes resultava em um ataque previsível e estagnado. O que realmente tornava o Heat perigoso era sua capacidade defensiva, e especlmente sua capacidade de sair nos contra ataques. Normalmente, contra ataques são resultados de turnovers, que fazem seu ataque sair em vantagem numérica e em velocidade. No entanto, times como o Heat (por causa da habilidade e capacidade física de Lebron e Wade) conseguem puxar contra ataques mortais simplesmente de rebotes mais longos que peguem a defesa voltando. Quando um dos dois pega um rebote mais longe do aro, o outro já esta disparando pra cesta, e ai é impossivel parar a capacidade de passe e a explosão fisica da dupla. As vezes, uma boa defesa de transição consegue voltar a ponto de evitar a cesta imediata no contra ataque, mas mesmo assim volta muitas vezes desorganizada, o que resulta em matchups desfavoráveis, e o Heat sabe muito bem usar isso a seu favor.

Em outras palavras, o Pacers tinha um plano de defesa na meia quadra baseado na ausência do Bosh, mas pra evitar o estrago que o HEat era capaz de causar, ele também teria que jogar no ataque de forma a evitar o jogo de transição de Miami. E nisso que o Pacers falhou miseravelmente. Ao invés de focar seu jogo no garrafão (West tava fazendo o que queria), explorar sua vantagem na altura pra abrir as bolas longas, brigar nos rebotes ofensivos próximos ao aro e, mais importante, evitar rebotes longos que fariam o Heat sair nos contra ataques. Mas ao invés disso, ao insistir com sua lineup mais baixa (e portanto numa maior rotação de bola - que eles não são bons - e/ou arremessos forçados individualmente) e mesmo quando tinham seu garrafão alto em quadra, preferiram ficar rodando a bola no perímetro e forçando bolas longas sem o menor propósito. E o Heat aproveitou dos rebotes longos e do excesso de erro do Pacers pra sair na transição e conseguir os pontos fáceis que não iriam conseguir na meia quadra sem Bosh. A diferença começou a aumentar, e o Pacers cada vez mais forçava o jogo de fora ao invés de levar para o garrafão.

E ai o Pacers esbarrou na sua imaturidade, sua falta de know-how de playoffs. O time ficou assustado com a intensidade do Heat e começou a ficar nervoso, errar muito e viver de bolas longas, o que só aumentava a vantagem do Heat. Ao invés de explorar a vantagem que tinham no garrafão, eles deixaram transparecer sua imaturidade e falta de um jogador capaz de organizar o jogo. O Pacers perdeu o controle da série quando Lebron (Jogo 4) e Wade (Jogos 5 e 6) começaram a pegar fogo, e o Pacers tentou contraatacar com bolas longas e uma velocidade que favorecia muito mais o Heat. Faltou alguem pra colocar a bola embaixo do braço e tomar as decisōes certas, mas o Pacers não tem esse jogador, e então se limitou a ver George e Granger chutando bolas imbecis muito bem marcados pela excelente defesa de Miami, pro Lebron pegar os rebotes longos e levar pro outro lado e enterrar como se estivesse jogando em casa, enquanto o garrafão do Pacers era totalmente ignorado.


Chegamos, então, ao ponto que o Heat venceu a série e enfrentou o Celtics. O Celtics, ainda que tivesse suas diferenças pro Pacers, tinha que seguir o mesmo padrão: Evitar infiltraçōes, proteger o aro, e evitar os contra ataques. Pra isso, com um time tão velho e sem perna, o essencial era que o Rajon Rondo tivesse inspirado pra achar os companheiros em boas condiçōes de finalizar, pra evitar aquele ataque estagnado do Boston que geralmente termina com um arremesso longo e forçado do Pierce.

No jogo 1, o que se viu foi exatamente o contrário. Um Rondo pouco inspirado, um Celtics que não tinha como achar outras opçōes ofensivas eficientes (O unico momento que o Celtics ameaçou o Heat - segundo quarto - foi quando o Rondo jogou bem pela unica vez no jogo) e deixou o Heat deitar e rolar. Por mais estranho que pareça, tanto Celtics como Pacers tem boas condiçōes de enfrentar o ataque do Heat quando está na defesa, mas pecou pelo fato de que a forma como executou ofensivamente permite que o HEat explore sua maior força, os contra ataques. Se o Celtics quer ganhar o jogo 3 hoje a noite, vai ter que jogar como jogou o primeiro tempo (e mais alguns periodos do quarto periodo) do Jogo 2: Fechando o garrafão defensivamente, evitando turnovers e com o Rondo costurando a defesa do Heat pra achar os companheiros livres, evitando assim os chutes longos. O Jogo 2 fugiu do controle do Celtics no terceiro periodo, quando um cansado Rondo (que jogou TODOS os minutos do primeiro tempo) preferiu se segurar um pouco e o ataque do Celtics começou a viver demais de jogadas de isolação do Paul Pierce, que facilitaram em muito a vida do Heat porque terminavam em arremessos longos, contestados, que viravam rebotes longos e contra ataques.

Sim, o Celtics está limitadíssimo por causa das lesōes, e por isso depende demais do Rondo em um bom dia. O banco não é bom, seu melhor chutador de longe (Ray Allen) está jogando com um fucking pedaço de osso no tornozelo, o time não tem outro armador pra criar as jogadas além do Rondo... A gente sabe de tudo isso. Mas se quiser uma última chance com o Big Three (Allen e Kevin Garnett são Free Agents após essa temporada), o jogo de hoje é crucial, e o Celtics vai ter não só que defender muito bem e fechar o garrafão, como vai ter que executar o seu ataque de forma correta e eficiente. Contra o Heat, não adianta só defender bem, você precisa de boa execução ofensiva. O Pacers não conseguiu, e o Celtics teve problemas por causa disso. Hoje, vai ter que ser diferente se quiser ganhar esse crucial jogo 3.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Tenha medo dos velhinhos...

"Pedala, Robinho!"


Em uma das minhas passagens favoritas do excelente livro The Book of Basketball, o autor Bill Simmons usa uma conversa com o Hall of Famer Isiah Thomas pra dissertar sobre como o jogo é profundamente afetado por coisas que NÃO tem a ver com o jogo. Como o segredo do esporte é entender o que afeta o jogo por fora, aquelas coisas que naão tem a ver com basquete mas que um time precisa compreender pra ter sucesso. No caso de Isiah, ele usa como referência seu Pistons campeão de 1989, um time que sempre deixou o ego e o individualismo em segundo plano, jogava um jogo bastante coletivo e cujos jogadores só se preocupavam com a vitória e nada mais - e sobre como isso foi profundamente afetado por uma troca feita logo antes da temporada, trocando o SF/PF titular da equipe (Adrian Dantley) por Mark Aguirre. Dantley era o melhor jogador, mas durante os playoffs de 1988 ele reclamou - continuamente - de ficar no banco nos minutos cruciais das partidas com o segundo-anista Dennis Rodman ganhando seus minutos. Foi trocado assim que a offseason permitiu por Aguirre - um jogador não tão bom mas que não ligava de ficar no banco, não ligava pros seus números e tinha a mentalidade "o time em primeiro lugar" que o seu time e o seu líder - Isiah - sempre pregaram. O resultado? O Pistons de 1989 era muito melhor que o de 1988 e foi campeão com folgas... Sendo que a única mudança foi que o time trocou seu SF titular por um jogador pior (E que o Isiah ficou saudável nos playoffs). Porque? Porque essa troca nunca foi voltada pro lado do basquete - Dantley era melhor, ponto - e sim pro lado que naão tinha a ver com basquete, ou seja, a mentalidade que o time compartilhava e colocava em primeiro lugar encontrava uma peça muito mais disposta a abraça-la em Aguirre que Dantley. Embora muitas vezes negligênciado, esse lado do basquete que não tem a ver com basquete eé o fundamental para os grandes times. 

Um outro exemplo em outro esporte, mas seguindo a mesma abordagem? Quando o Red Sox de 2004 trocou seu Shortstop, o All-Star Nomar Garciaparra, por Orlando Cabrera. Cabrera era um bom SS e foi fundamental nos playoffs, mas Nomar era um jogador muito superior... Só que a presença de Nomar na equipe causava distúrbios por causa do seu enorme ego que não aceitava colocar o time em primeiro lugar e parecia se importar mais com os seus números e nunca aceitou que jogadores como David Ortiz e Kevin Millar eram os novos astros da equipe. Nomar não aceitou o segundo plano, quis um contrato grande demais, e foi trocado por um jogador inferior... Que imediatamente melhorou o ambiente do elenco, fez todo mundo se comprometer ainda mais com o grupo e levou o time a ganhar do Yankees na maior série de playoffs de todos os tempos e conquistar o primeiro título da Franquia em 86 anos. E tudo isso começou quando o Sox trocou seu Shortstop All-Star por razōes que nada tinham a ver com baseball.

Em outras palavras, não é só o talento e a habilidade do time que importa. Importa muito também a mentalidade da equipe em quadra, cada jogador entender seu papel e colocar o time em primeiro lugar, desenvolver uma confiança e um entrosamento... Ou seja, times dependem tanto do que tem a ver com o esporte em si como do que não tem a ver com o que vemos dentro de quadra. Não acabamos todos de ver um time com um All-Star e um bando de role players vencer numa Final de NBA o time com dois dos cinco melhores jogadores da NBA com base no jogo coletivo e na força de vontade?

Quem sabe que eu sou um torcedor do Celtics possivelmente já percebeu aonde essa conversa vai chegar: Na trade deadline de 2011, quando Danny Ainge trocou Kendrick Perkins por Jeff Green. Essa troca era defensável dentro de quadra: O único ala no elenco pra defender Carmelo, Lebron, Deng e possivelmente Durant nos playoffs era Paul Pierce. Com a lesão do Marquis Daniels, o time perdeu depth, defesa e flexibilidade no perímetro, e com tantos SFs de alto nivel ameaçando nos playoffs, o time decidiu que podia trocar seu pivô (um jogador mediano e unidimensional) titular, sendo que tinha dois pivôs veteranos reservas em Shaq e Jermaine O`Neal (o problema desse plano: Contar com a saúde do Shaq aos 38 anos) por um bom ala que podia dar a proteção necessária a Paul Pierce e Kevin Garnett vindo do banco. (Parenteses rápido: Faltava defesa, flexibilidade e intensidade no perimetro do Celtics, e isso motivou essa troca absurda. Ou seja, o pequeno segredo da temporada 2011 do Celtics: Eles sentiram falta DEMAIS do Tony Allen!). Dentro de quadra, a troca fazia sentido.

Fora de campo? Não fazia nenhum. Estritamente sobre basquete, Perkins era apenas um pivô defensivo que era o quinto melhor jogador do time (se tanto). Mas existem coisas que não aparecem em estatísticas, como o fato de Perkins ser a âncora emocional da equipe dentro e fora de quadra e o Celtics ter construído sua identidade com base na palavra Ubuntu, que significa algo como "União" (em inglês a tradução é mais expressiva: Togetherness). O Celtics acreditava de fato que era como uma familia, todos eram amigos, saiam juntos nas ferias, estavam sempre apoiando uns aos outros. Eles não eram colegas, eles realmente eram amigos, e acreditavam - como o técnico Doc Rivers pregava - que sua força em quadra se dava pelo seu coletivo, sua união (ubuntu). E ai o Ainge pega o Perkins - o melhor amigo do Rajon Rondo, o jogador que todos sabiam que estariam la com eles caso de problema, o jogador que tinha "as costas" de todo mundo, e que valorizava o orgulho de ser um Celtic mais do que ninguém - e trocou sem mais nem menos por que fazia sentido no papel! Como o Doc Rivers podia pregar Ubuntu depois do Ainge pegar uma peça essencial da chemestry do time e mandar embora sem cerimonia, provando definitivamente que Ubuntu eé apenas uma palavra e que no esporte a racionalidade eé mais importante que o que os jogadores e o grupo significam uns com os outros? Ele basicamente pegou o "Segredo" do Isiah - e o Celtics se apoiava nisso mais do que qualquer outro time - e jogou pela janela... E isso destruiu completamente o espirito da equipe! (A troca também quebrou o Cs dentro de campo, por causa da incapacidade de deixar o Shaq saudável, e o Celtics acabou perdendo sua principal arma contra o Heat - seu garrafão forte e extremamente defensivo. Sem tamanho, o Celtics não tinha como bater de frente com Heat ou Bulls. Sem a intensidade e a confiança que o Perks trazia... Pior ainda).

O Celtics terminou a temporada um horror e essa temporada começou de onde parou ano passado. Os jogadores pareciam ter perdido seu espiírito com a troca do Perkins. Os jogadores não eram mais os marrentos, ultra-intensos, competitivos e confiantes uns nos outros de antes da troca fatidica, o time parecia assustado, sem confiança, como quem sabe que não tem mais seu irmão mais velho pra cuidar das suas costas. O time perdeu seu pilar de sustentação emocional quando perdeu Perkins e depois viu o seu Ubuntu ser jogado pela janela. Os boatos de troca envolvendo Rondo e o Big Three começaram a explodir, e o começo de temporada de 15-17 mostrava bem o que era esse time: Velho, sem energia, cansado, e sem ninguém pra levantar emocionalmente o grupo. Mesmo o sempre intenso KG, o coração do Celtics, parecia abatido sem Perkins do lado. O Celtics era um grupo destruído - o quinto ano de um projeto de três anos, como disse o Bob Ryan - que parecia só esperar o golpe de misericordia (O fim dos contrados do Ray Allen e do KG no fim da temporada ou alguma troca). A imprensa fez parecer que o time estava desesperadamente querendo trocar o Rondo (O Rondo só foi colocado em negociaçōes UMA vez: Por Chris Paul. E só. O resto foi tudo especulação e boatos da mídia) ou alguém do Big Three, o que não era verdade. Trocas foram discutidas pelo Big Three (Não por Rondo), mas nenhuma foi realmente avançada. Ainge sabia que sua melhor chance era manter o time unido.

Ai de repente, as coisas pareceram que começaram a mudar pro Celtics. Uma sequencia de quatro vitórias antes da Trade Deadline, coroada com a histórica performance de 18-20-17 do Rondo contra o Knicks, pareceu dar vida nova ao time, mas que voltou a sofrer com inconsistência de seus dois principais veteranos (Pierce e Garnett) e lesōes do terceiro (Allen). A falta de pivôs após a lesão do Jermaine obrigou o KG a jogar de pivô, onde ele não parecia render tão bem, e saindo do garrafão pra evitar o contato e as lesōes o Celtics não tinha nenhum jogador que começasse a pontuar dentro do garrafão e atacasse a cesta com intensidade.

Ai de repente passou o All-Star Game... Passou a trade deadline... E o Celtics agora tem um record de 18-7 após o ASG, esta jogando defesa num nível histórico, recobrou a sua intensidade e confiança e, como eu disse no nosso twitter, embora eu não aposte no Celtics pra ser campeão da NBA ainda, ningueém em sã consciência quer cruzar com eles numa série de playoffs! E isso aconteceu... como??

Pra responder essa pergunta, temos que analisar os dois lados da história. A parte que é sobre basquete... E a parte que não é sobre basquete.

A parte que é sobre basquete tem nome e sobrenome. Ainda que ele seja apenas a ponta do iceberg, foi ele quem permitiu que o resto todo aparecesse: Avery Bradley. Bradley foi draftado ano passado como um armador defensivo, mas ganhou poucas chances. Quando ganhou, foi como reserva do Rondo, e sua dificuldade pra controlar a bola e fazer passes acabou fazendo com que ele fosse pouco aproveitado apesar de ser excelente defensor. Mas com a lesão de Ray Allen, Bradley acabou entrando numa posição que eu já tinha cantado para meu amigo Zeca que era a melhor pra ele: Shooting Guard. Apesar da dificuldade nos arremessos - o que nos daria um backcourt que naão arremessa - Bradley se livraria da responsabilidade de armar o jogo e poderia se concentrar na sua defesa, que era excepcional. Ainda que ele não tenha tido muitas chances como SG antes, com a lesão do Allen e o Sasha Pavlovic como alternativa, o Bradley acabou entrando de titular na posição 2, enquanto Garnett continuava jogando de pivô com o Brandon Bass do seu lado. 

O resultado foi que o Avery Bradley trouxe TUDO que o Celtics precisava. Primeiro, o Bradley é um dos melhores defensores de perimetro em TODA a NBA. Ele não só sabe marcar no mano a mano como sabe marcar na cobertura, protege o garrafão com sua habilidade atleética (Como o Wade aprendeu a duras penas) e é muito agressivo nas linhas de passe, forçando uma cacetada de turnovers, que geram contra ataques para o Rondo. Alias, lembra como o Rondo costumava puxar excelentes contra ataques... se não fosse pelo fato de que ninguém no time tinha o fôlego e o atleticismo mais (bando de velhotes) para acompanhá-lo, o que forçava o Rondo a puxar todos os contra ataques praticamente sozinho? Agora ele ganhou um jogador jovem, atlético e que finaliza muito bem perto do aro pra puxar contra ataques com ele. Isso melhorou em muito a eficiencia ofensiva do Celtics: Nao so o time força mais turnovers como esses turnovers são melhores aproveitados agora que o Rondo tem companhia. 

A defesa do Bradley, portanto, era esperada. O que ninguém esperava era o impacto que ele teria no lado ofensivo. O Bradley não é um grande driblador ou passador - um dos motivos pelos quais ele não rendia de PG - então ele não fica com a bola na mão tanto quanto o Rondo. No entanto, o Bradley é um jogador extremamente agressivo cortando em direção à cesta e que finaliza muito bem perto dela. Como o KG, mesmo de pivô, prefere jogar mais longe da cesta pra poupar seu físico, o Celtics não tinha jogadores que criassem pressão perto da cesta (Bass também prefere receber a bola mais longe ou em velocidade), o que forçava o Pierce a jogar lá perto. Com o Bradley jogando o tempo todo perto da cesta, o Celtics começou a criar essa pressão la perto, e permitiu que Garnett voltasse a ser um monstro do pick and pop e que o Pierce jogasse mais no perímetro e se movimentasse mais sem a bola. O Bradley não é um monstro ofensivo como o Wade, por exemplo, mas sua presença trouxe uma dimensão nova ao ataque do Celtics, e ajudado pela espetacular fase do Rondo todo o time se encaixou em torno disso. Pierce voltou a se movimentar com liberdade, Garnett ta tendo uma fase espetacular mais longe da cesta, e até o Ray Allen disse que jogaria vindo do banco para não desmontar o funcionamento do time (lembra aquela parte de deixar de lado a individualidade em nome do time?). Se você não acha que o Bradley - o principal responsável por essa mudança no Celtics - é um bom jogador de basquete, você não assiste NBA.

Claro que o Bradley teve uma grande influência por causa da forma como seu estilo de jogo casou perfeitamente com o grupo do Celtics, mas ele foi apenas o catalizador. Nada adiantaria isso se o resto do time não se adaptasse ao redor dele, no que tem uma grande mão do Doc Rivers. Eu nunca achei o Rivers um grande técnico, em 2008 ele era um cara extremamente medíocre, mas ele tem melhorado de ano pra ano, e agora pra mim ele disputa o  Coach of the Year com o Gregg Popovich, ele tem trabalhado absurdamente bem com esse elenco, soube remontar o time a cada problema e percebeu a importância do Bradley pra esse elenco. Confiou no Rondo (como o Bradley não é um bom criador, esse novo estilo de jogo coloca ainda mais pressão no Rondo pra controlar cada movimento do ataque do Celtics. Eu diria que, depois de 18 jogos seguidos com pelo menos 10 assistências, a sua boa fase é um fator importantíssimo para o sucesso dessa equipe), tornou a unir o time, definiu uma rotação (colocar Allen vindo do banco foi uma excelente leitura da situação, e não seria qualquer tecnico que o faria) e confiou nos seus jogadores para desenvolver novamente sua identidade. E ela esta lá. A grande fase de Pierce e Garnett tem a ver com as mudanças no estilo de ataque do Celtics, mas de nada adiantaria se eles não estivessem calibrados e jogando com intensidade - e eles estão. 

Essas foram as principais mudanças dentro de quadra que o Celtics sofreu, especialmente desde a inclusão do Bradley: Defesa mais forte no perímetro (Rondo e Bradley sao provavelmente a melhor dupla defensiva de perimetro da Liga), mais roubos de bola e contra ataques, um ataque que ocupa melhor os espaços na quadra (especialmente porque recentemente o Bradley deu pra acertar arremessos também!) e a boa fase de seus jogadores. Mas uma grande parte do sucesso da equipe vem da parte fora de quadra. A energia, defesa e intensidade do Bradley, tudo isso trouxe ao Celtics o espírito guerreiro que a equipe perdeu com a saída do Perkins.

O Bradley nunca sera o teammate que o Perkins era, mas ele trouxe de volta alguns elementos que o Perkins trazia e que o time murchou quando pararam de aparecer toda a noite. Por mais importante que fosse o Perkins pra chemestry do time, ele era apenas um jogador no meio de um time. O que o Bradley trouxe fez com que os jogadores recuperassem a sua parte dessa intensidade e energia. Ela contagiou o time, e cada jogador começou a jogar com a mesma intensidade e energia que pareciam ter perdido em algum lugar do ano passado - na trade deadline. O Celtics recuperou sua identidade, o time se uniu novamente (os titulares do time comemoram do banco como se fossem cestas da vitória qualquer boa jogada que os reservas fazem num jogo ganho por 30), começou a jogar com energia e intensidade... E basicamente foi isso que ressuscitou o Garnett. O Garnett sempre foi um cara de grande intensidade e vontade quando jogava no Wolves (e mesmo no Celtics), ele jogava como se sua vida dependesse disso, e isso sempre foi uma fonte de energia e vontade pros seus companheiros. Quando ele perdeu seu parceiro no Perkins, ele pareceu pela primeira vez sem essa energia. A energia que o Bradley trouxe pro time reacendeu a energia do Garnett, e quando o Garnett começa a jogar com sangue nos olhos o Celtics é um time totalmente diferente, muito mais agressivo. A defesa do Celtics, que está em niveis estatisticamente historicos desde o All Star Break, se torna uma força da natureza capaz de engolir qualquer time com farinha, e quando Pierce e Garnett estão calibrados (sabe, como tem estado faz uns 20 dias) o ataque do Celtics funciona como uma máquina em torno do Rondo. Eles ressuscitaram o cara mais problemático (no bom sentido) e essencial na equipe, e a intensidade de Bradley e Garnett, juntos, é o que manteve esse time com sangue nos olhos até o final e causou boa parte dessa mudança de postura. Que levou à reviravolta na temporada dos verdinhos.

Mas também teve um outro fator externo que contribuiu pro time ficar mais focado do que nunca. O fato que me chama a atenção não foi de que o Celtics começou a jogar de forma alucinada depois do All Star Game... E sim depois da Trade Deadline. Com tantos boatos de troca rondando o time do Celtics, tanto Rondo como o Big Three, não era de se espantar que eles estivessem desconcentrados com o rumo das coisas. Lembram de como o Russell Westbrook estava jogando mal, nervoso, e de repente ganhou uma extensão de 80 milhōes, relaxou e começou a jogar que nem um retardado mental metendo 30 pontos todo jogo na cara das pessoas? A extensão deu ao Westbrook a confiança e a segurança que lhe faltavam em meio a tantas criticas, e ai seu jogo apareceu. O mesmo aconteceu com o Celtics. Quando ficou oficial que o Big Three nao iria a lugar nenhum, os jogadores pareceram jogar com um foco muito maior, com mais vontade, como se tivessem entendido qual sua função na temporada. Isso pareceu tirar um peso dos jogadores, que conseguiram jogar com mais confiança e liberdade.

Então temos dois tipos de impactos que se mostraram nessa incrível recuperação do Celtics, um impacto objetivo e um subjetivo. Essa recuperação do Celtics pode se dar por um deles, provavelmente pelos dois, ou até por nenhum. Mas o fato é que o Celtics finalmente se achou na temporada. Taticamente o time esta mais organizado, com um estilo que se adaptou muito bem às caracteristicas do time, e voltou a jogar com aquela intensidade contagiante. As vezes, o que importa não é como um jogador (ou qualquer fator num jogo) afeta o jogo em si, e sim como ele afeta seus companheiros. Jogadores como Bill Russell e Larry Bird eram tão bons porque faziam os companheiros ao seu redor chegarem a niveis mais altos. Times como o Celtics de 86, o Bulls de 96 ou o Lakers de 87 faziam isso coletivamente. O time todo do Celtics de 2012 está fazendo isso, cada jogador se alimentando da energia e da vontade do outro, cada jogador apoiando os companheiros. O time todo está jogando com vontade e com confiança, jogadores como Greg Stiemsma estão sendo muito valiosos (19 mpg, 2 bpg, acertando arremessos de meia distancia (!!), bom defensor, briga dentro do garrafão, joga com intensidade, tudo que um pivô reserva deve fazer), e todos os jogadores sabem seu papel no time. O time titular esta definido (Rondo, Bradley, Pierce, Bass, KG) e os reservas (Stiemsma, Michael Pietrus assim que voltar de lesão, Sasha Pavlovic e, claro, Ray Allen) sabem quais são seus minutos e suas responsabilidades... Ou seja, é um time que se encaixou, arrumou uma identidade e está executando seu plano de jogo com perfeição. Demorou um ano pro Celtics recuperar sua identidade perdida com o Perkins, sua intensidade e confiança, mas isso está acontecendo agora, e no melhor momento possível na temporada. Isso significa que o Celtics será campeão? Não. Isso torna o Celtics um candidato ao título com Derrick Rose batalhando lesōes e um Heat que as vezes parece perdido em quadra? Sem dúvida. Não há certezas nos playoffs, especialmente nessa temporada. Só garantoo seguinte: nenhum time com juizo perfeito quer enfrentar esse time do Celtics nos playoffs.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Manual de como perder do Miami Heat


Lebron está todo pimpão por ganhar menção
 num blog brasileiro desconhecido de basquete

Ontem tivemos uma noite sensacional de playoffs: Primeiro um jogão de Heat e Celtics com direito a prorrogação (E um post do TM Warning) e depois outro jogo de primeira com Thunder e Grizzlies com direito não a uma, nem a duas, mas TRÊS prorrogações. Infelizmente eu ainda não assisti ao jogo entre Thunder e Grizz, isso será trabalho pro meu League Pass daqui a algumas horinhas, mas acompanhei Celtics e Heat até o final e posso falar que foi um jogo excelente, emocionante, disputado e com grandes jogadas e jogadores de ambos os lados. E ganhando o jogo quatro em Boston, contra um Celtics empolgado pela vitória do jogo três, provavelmente foi o determinante dessa série. Agora o Boston precisa ganhar os próximos três jogos - dois em Miami - pra avançar para a final, tarefa muito difícil para o que o Boston apresentou em três dos quatro jogos da série até aqui.

Mas como dizem que você aprende melhor na derrota do que na vitória, vamos entender o que aconteceu para o Boston perder o jogo de ontem. Fiz uma listagem dos vários fatores que foram os principais responsáveis pela derrota do Celtics ontem e vamos ver se o Boston tem condições de dar a volta por cima de alguma forma milagrosa e digna dos campeões que eles são. E antes de começar, quero deixar uma coisa clara: Não estou, por essa lista relacionada ao Boston, tirando o mérito do Heat. O Boston não jogou mal, pelo contrário, até jogou bem, mas não venceu porque não foi capaz de controlar uma série de fatores relativos ao seu time ou ao jogo. Eu não achei que o Heat, tirando um carinha fraco lá com as iniciais LBJ, tenha jogado um grande jogo, ou pelo menos não acima da média do grande time que ele é. Foi acima da média da NBA, lógico, e o jogo do Heat contribuiu para os resultados abaixo, mas depois de ver o jogo e um compacto, o Boston que precisa corrigir os defeitos do seu jogo, não o Heat.

Entre essas causas da derrota do Boston abaixo, tem de tudo: Alguns méritos do Heat, problemas do Celtics e também azar ou sorte de algum dos lados. Cabe a cada um separar o que acha que é mérito de um, demérito do outro ou simplesmente azar. Mas bom, vamos a isso.


Armação das jogadas
18 turnovers não é um número absurdo de turnovers pra um jogo de playoff entre dois times com defesas tão fortes e uma prorrogação. O número que assusta daí são os quatro turnovers SÓ na prorrogação, quando o Heat fechou o jogo na marra. Esse número reflete bem um problema sério para o Boston, que foi na hora de armar as jogadas.

O Celtics tem, normalmente, dois modos de conduzir seu ataque. Um deles, o mais eficiente, é deixar o Rajon Rondo com a bola na mão o tempo todo, tomando decisões, chamando as jogadas e acionando os ótimos pontuadores que o time tem. Esse é o mais eficiente porque o Rondo é o melhor ball handler do time, melhor passador, tem a melhor visão de jogo e bate pra dentro do garrafão muito bem pra abrir espaços, é quando o time funciona melhor, o Rondo trabalhando com a bola e o resto se movimentando só esperando um passe pra finalizar. O outro é quando o Paul Pierce é o encarregado de levar a bola pro ataque e tomar as decisões. Nesse caso a eficiencia do ataque cai absurdamente, o Pierce não é tão ágil como antigamente e muitas vezes acaba gerando turnovers com passes ou infiltrações apressadas ou então a posse de bola acaba num arremesso forçado na cabeça do garrafão (que as vezes cai porque ele é bom). Embora o primeiro seja mais eficiente, as vezes o Pierce tem uns acessos de querer ser o herói e fazer tudo sozinho e começa a querer armar todas as posses de bola, que geralmente tem resultados desastrosos a médio prazo e tiram o time de ritmo, já que quando começa assim geralmente só ele arremessa.

Ontem, o Pierce armou o jogo muito mais do que eu gostaria ou do que seria aceitável. Mas o Pierce não tem culpa, porque ele não armou querendo dar de herói, e sim porque o Rondo não estava em condições de armar o jogo o tempo todo. Ele jogou muito menos tempo do que qualquer um do Big Three, e muitas vezes sem a bola. Seu braço ainda não melhorou a ponto de permitir que o Rondo faça o papel de armador em tempo integral, e aí a bola sobrou pro Pierce, pro Delonte West ou até pro Ray Allen, que nem de longe são planos tão eficientes e não só geraram turnovers como também arremessos forçados, com pouco tempo ou simplesmente idiotas. O time não conseguiu achar bons arremessos e pagou o preço.

Garrafão
Sim, eu vou bater nessa tecla de novo, de novo e de novo até o Danny Ainge cometer harakiri no garrafão do TD Garden usando a camisa 43 em penitência. Não preciso repetir o conteúdo, vocês já devem ter lido o suficiente, mas o resultado foi simples: O Heat pegou 13 rebotes a mais que o Boston, sendo 10 ofensivos contra apenas três dos Celtas. Ano passado, o Boston perdeu o jogo 7 das Finais justamente porque foi dominado perto do aro e não conseguiu pegar rebotes. Agora aconteceu o mesmo, mas para um time com um garrafão mil vezes mais baixo e mais fraco. Um pouco mais de altura, um pouco mais de força, um pouco mais de rebotes teriam sido suficientes pra ganhar essa partida. Mas ao invés disso, o Miami fez o que quis: Pegou rebotes e converteu cestas fáceis de segunda chance perto do aro.

Também atrapalhou o fato do Shaq não estar em condições de jogo, mas eu ainda acho que ele poderia ter jogado mais. O Shaq entrou, jogou 3 minutos, fez duas faltas (Uma delas não foi nada) e foi afundado no banco para o resto do jogo, enquanto o Boston era dominado no garrafão insistindo num small ball. O Shaq não vai ser o Shaq da temporada regular que eu esperava que fosse pra aumentar o garrafão do Boston, mas mesmo esse Shaq já é um bife muito melhor do que o Big Baby!

Kevin Garnett
Como você não tem um pivô que possa aumentar a altura e dar a vantagem para o seu time contra um adversário de garrafão fraco, pelo menos o seu ala de força tem que dominar seu matchup, como o Garnett dominou no jogo três. Mas o Garnett foi muito mal, errou nove dos dez arremessos que tentou, não conseguiu pegar muitos rebotes e só não foi dominado o jogo todo porque o Chris Bosh jogou ainda pior no primeiro tempo e o Garnett conseguiu dominar os rebotes e a defesa em cima dele. No segundo tempo, Bosh acordou e o resultado foi um massacre vergonhoso pra cima do Garnett, que foi totalmente destruido no garrafão. Pra ganhar, o Boston precisava que o Garnett elevasse seu jogo novamente e ganhasse do Bosh, mas isso não aconteceu. Pela terceira vez. Em três derrotas.

Lebron James e Dwyane Wade
Eu falei, quando comentei da série entre Boston e Knicks, que é péssimo para um time uma série onde ele não tem o melhor jogador, ainda que tenha o melhor time. O Boston sentiu o peso disso com os 42 pontos do Carmelo Anthony na primeira rodada, antes do Rondo acordar e assumir o papel de melhor jogador da série. Nesse jogo, isso fez mais uma vez a diferença: Quando o jogo apertou, eram esses dois que conseguiam um roubo de bola pra colocar o Miami de volta na partida. Quando o time precisou de uma cesta, esses dois fizeram. Quando o Ray Allen colocou uma bola espetacular de três pontos no finalzinho da partida, foi o Lebron James que foi lá e devolveu mesmo bem marcado pelo Pierce. Logo depois, foi ele mesmo que fez outra cesta e que no final mandou o jogo pra prorrogação. E quando o Boston, depois do Lebron ter feito o Heat abrir vantagem na prorrogação, começou a se aproximar, foi o Wade quem foi lá e acertou uma bola ninja com uma marcação perfeita do Delonte West pra acalmar os ânimos. O talento individual desses dois - a maior arma do Heat desde o começo - acabou decidindo o jogo.

Quem quer que tenha desenhado a última jogada do tempo regular
Mais um quesito onde a culpa aparentemente é do Paul Pierce, mas tenho quase certeza de que não é. O Boston, depois de um turnover do Lebron, tinha a bola com o jogo empatado e 18 segundos no relógio, e pediu tempo. Ou seja, o Boston teve tempo o suficiente pra montar uma jogada para fazer a cesta e ganhar a partida sem dar ao Heat a chance de tentar a sua cesta. O Boston perdeu a chance de ganhar o jogo no tempo normal, quando eles ainda tinham perna, por causa dessa jogada. Até entendo que o Rondo, que normalmente ficaria com a bola numa ocasião dessas, poderia não estar em condições, mas também não acho que tenha sido iniciativa do próprio Pierce. Observem como na jogada primeiro a bola vai pro Ray Allen, o melhor chutador de lance livre, pro caso do Heat tentar uma falta. Como ela não veio, a bola vai pro Pierce, que gasta o relógio e tenta um arremesso difícil, longe da cesta, pulando pra trás, forçado e muito bem marcado do lado esquerdo da quadra. Não foi aleatório, foi combinado, e quem desenha esse tipo de jogada é o técnico, Doc Rivers. E você me desculpe, Rivers, mas se com 19 segundos no relógio e Rondo, Allen, Pierce e Garnett em quadra você não consegue desenhar uma jogada melhor do que 'isolar o Pierce no mano a mano com o Lebron pra um arremesso forçado do canto da quadra' e mesmo assim tem um prêmio de 'Técnico do Ano', é porque tem alguma coisa muito, muito errada!


Bom, dito tudo isso, da pra ver que a vitória do Heat veio de quatro fontes: Méritos do Heat, alguns deméritos do Celtics, o azar que o Boston teve com o cotovelo do Rajon Rondo, e do Danny Ainge. Mas eu não consigo ver o Boston revertendo a grande maioria desses fatores citados acima num jogo cinco, a não ser que o Rondo milagrosamente se recupere até lá. Mas a gente assiste e torce, porque uma virada épica não é novidade na NBA e, pelo menos pessoalmente, espero que tenhamos mais uma.

domingo, 8 de maio de 2011

Intimidação vence jogos

A jogada que garantiu a vitória do Celtics no jogo 3

Pegando emprestada uma das frases clássicas do meu personagem preferido de todos os tempos em qualquer mídia pra ilustrar o jogo três de ontem entre Boston e Miami. Tudo bem, a frase do Hiruma é sobre futebol americano, mas para o Boston Celtics, ela serve - e muito - para basquete.

Para quem perdeu, ontem, faltando sete minutos no terceiro quarto, Rajon Rondo e Dwyane Wade se engancharam e cairam no chão. Rondo, tentando aparar a queda, acabou deslocando seu cotovelo (veja a foto que ilustra o post) em uma imagem realmente assustadora. Rondo saiu de quadra, o próprio Doc Rivers achou que ele não voltava mais, e o Boston jogou com sangue nos olhos pelo seu armador. Mas o que realmente selou a vitória do Boston foi, ao final do quarto, olhar para o canto do ginásio e ver o mesmo Rajon Rondo voltando do vestiário, o cotovelo enfaixado e pronto para jogar. O ginásio pegou fogo, o time do Boston pegou fogo, e a pergunta estampada no rosto de cada jogador do Miami Heat era clara: O que diabos está acontecendo aqui?? Esse cara não tinha perdido um cotovelo??

Falar que a vitória do Boston aconteceu apenas por causa desse retorno a lá Willis Reed é um exagero enorme. Apesar de um primeiro tempo duvidoso, no qual o Boston foi massacrado pelo grande Joel Anthony no garrafão, o Boston jogou com outra postura. Foi agressivo na defesa, congestionou o caminho de Wade e Lebron James até o aro e forçou o Heat a jogar mais do perímetro (Pelo menos até o Anthony pegar um rebote ofensivo). Paul Pierce e Kevin Garnett vieram pro jogo muito mais ligados do que tinham jogado na pós temporada até aqui, Pierce marcou 10 dos primeiros 14 pontos do time no jogo e Garnett teve um jogo digno dos seus melhores anos na Liga, com 28 pontos e 18 rebotes, o que foi fundamental. Eu falei muitas vezes que o Boston ganhou do Heat três vezes porque dominou o garrafão com Shaq e Kendrick Perkins. Como Perkins está em Oklahoma e Shaq - já vamos falar dele - estava machucado, o Garnett precisaria dominar seu duelo com Chris Bosh de forma a compensar a falta de um pivô enorme e trazer novamente a vantagem do garrafão pro seu time. E o Bosh não conseguiu jogar o jogo todo ontem, Garnett comeu ele com chilli, e se o garrafão do Boston não conseguiu dominar o primeiro tempo foi por causa do Joel Anthony.

E por falar em garrafão, eu insisti aqui 300 vezes que a chave para o Celtics virar a série era a volta do Shaq, recuperado da lesão, para aumentar a altura e a força do garrafão do Boston, impedir os pontos fáceis perto da cesta e dominar o garrafão no ataque. E o Shaq realmente voltou, mas ficou muito claro que ele nunca se recuperou da lesão. A entrada do Shaq foi um movimento desesperado de um time desesperado, o Shaq entrou em campo mancando, claramente sentindo, incapaz de jogar 25 minutos que fossem em alto nível, como fez em boa parte da temporada regular. O Shaq recuperado de lesão, jogando 25-30 minutos por jogo, era a chave para o Boston avançar. O Shaq machucado, no sacrifício, jogando menos de 10 minutos por jogo, não vai fazer milagre. O que não quer dizer, também, que ele não vá ajudar o Boston. Mesmo no sacrifício, o Shaq teve um impacto positivo no time do Celtics: A defesa de perímetro ficou mais agressiva sabendo que tinha uma parede no garrafão. Os jogadores do Miami pensavam duas vezes antes de infiltrar. E o Boston ganhou uma presensa de garrafão que não precisa fazer 25 pontos pra se fazer sentida, com apenas uma ou duas cestas, bom posicionamento e bons passes,  ele já fez mais do que o Boston esperava e teve um papel ativo no jogo, mesmo que mais pelo que ele representa do que pelo que ele fez.

Mas não da pra negar que, no final do terceiro período, pronto pra entrar com uma vantagem considerável no quarto período - o que causou muitas dores de cabeça aos torcedores celtas ao longo do ano, inclusive contra o Knicks - a volta do Rajon Rondo, sem um cotovelo, foi o que terminou de definir a partida. Para lembrar de outro momento parecido, temos que voltar ao jogo 1 das Finais de 2008, quando em Boston, contra um time do Lakers que estava endurecendo - e muito - a partida, o Pierce fez a sua famosa e polêmica saida do ginásio em cadeiras de rodas depois de uma queda feia, para voltar à quadra algum tempo depois, levantando o ginásio, acertando duas bolas de três e iniciando uma sequência incrível do Boston que terminou numa vitória. Tudo bem, foi mais um teatro do que uma lesão séria de verdade, mas a volta do seu capitão mudou totalmente o ritmo do Boston na partida, impulsionado por uma torcida pegando fogo.

A lesão do Rondo ontem foi mais séria que a do Pierce, mas teve um efeito parecido e, ao mesmo tempo, diferente. A volta do Rondo fez com a torcida o que a volta do Pierce fez três anos atrás, e o time se energizou da mesma forma que fez em 2008. Mas a volta do Rondo não teve um impacto só nos seus colegas, também teve no Heat. Lembrando mais um momento clássico do grande Hiruma, a volta de um Rondo praticamente sem um braço, entrando em quadra depois de todos acreditarem que ele não tinha mais condições de jogo quem sabe por quanto tempo, não só deu novo ânimo aos seus colegas como abalou psicologicamente os adversários. O Miami Heat não ficou confortável durante todo o quarto período com o Rondo por lá, eles não sabiam como deveriam tratá-lo, como ele iria jogar, o que ele seria capaz de fazer, e isso abriu o caminho pro Boston não só garantir a vitória como garantí-la de forma definitiva, deixando claro que o time ainda tem gás para bater de frente com Miami. Não foram só os quatro pontos, uma assistência, um rebote e um roubo de bola do Rondo no quarto período que fizeram a diferença, foi tudo que ele significou para ambos os times ao fazer seu dramático retorno que definiu a partida no quarto período.

Agora, depois de uma vitória convincente na qual o Heat ficou claramente abalado, o Boston tem que se preocupar. É incerto o quanto dessas performances o Pierce e o Garnett vão ser capazes de repetir no jogo quatro, onde principalmente o Garnett vai ter que se impor no garrafão como fez nessa partida para anular o Chris Bosh e manter os jogadores de Miami afastados do aro. A volta do Shaq - baleado, machucado, no sacrifício, por 10 minutos - da um certo alívio pro Boston, ele jogando assim já torna o garrafão do Boston bem melhor do que o Glen Davis ou o Nenad Krstic, mas eles também tem que ver como o Rondo vai ser capaz de jogar daqui pra frente. Ele é durão o suficiente pra jogar os próximos jogos, mas tem que ver o quanto da sua capacidade de armação vai ser comprometida pelo seu braço esquerdo depois de só 48h de descanso. Se ele conseguir entrar, dar assistências, incomodar qualquer marcador e fazer seu time funcionar como ele sempre faz, o Miami pode se encontrar na mesma situação de ontem - abalado, tentando entender o que estava acontecendo e vendo um time totalmente diferente do Boston dominar o jogo. Ele é, mais do que ninguém, a chave para ganhar o jogo 4 e equilibrar novamente a série.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Duas séries chegam ao fim

Reggie Miller não aguentou ver seu time eliminado dos playoffs


Se tivessem me falado, antes dos playoffs, que das séries Celtics vs Knicks e Bulls vs Pacers, uma seria uma varrida com alguns massacres e que fosse dar uma falsa sensação de confiança ao vencedor, e a outra seria uma vitória confortável mas com alguns sustos e mostrando as fraquezas do time que levasse a série, eu com certeza teria imaginado exatamente o contrário: O Bulls varreria o Pacers sem dificuldade, e eles poderiam ser levados a achar que tudo estava ótimo pela facilidade, e que o Celtics seria o time que sofreria mais pra fechar sua série. Mas quem teve o 4 a 0 contra um time frágil e cheio de desfalques foi o Boston e o 4 a 1 com alguns sustos contra um adversário bem mais fraco foi do Chicago.

Eu falei no preview da série entre Celtics e Knicks que o Celtics teria problemas, porque mesmo que fosse o melhor time disparado, tinha dois problemas: Sem o Shaq saudável o time não teria um garrafão apelativo e que pudesse esmagar os adversários como fez ao longo de boa parte da temporada para tirar vantagem da falta de garrafão do Knicks, e que o melhor jogador estava do outro lado, porque o Carmelo Anthony estava em ótima fase e o melhor jogador do Boston, o Rajon Rondo, não. E se o resultado final foi uma varrida, o começo foi bem difícil para o Celtics justamente por causa dessas duas coisas.

Os jogos 1 e 2 dessa série foram muito mais difíceis do que o Boston gostaria. No primeiro jogo, o Amare Stoudamire fez o que quis no garrafão, pontuou, pegou rebotes, e o time sentiu falta de um pivozão pra trombar com ele. Quem fez melhor esse papel no jogo foi, acreditem, o Jermaine O'Neal, que defendeu bem demais e ainda foi muito útil no ataque, mas o O'Neal estava sem ritmo e sem fôlego e não conseguiu ficar tempo demais em quadra, e quando ele saia o garrafão do Boston virava uma mistura de Jeff Green, Nenad Krstic e Glen Davis, o que me dava vontade de chorar e o Knicks aproveitou pra pontar la dentro o tempo todo, e como vocês lembram o jogo só foi decidido por uma falta de ataque duvidosa do Carmelo e uma bola de três sensacional do Ray Allen nos últimos segundos. E no segundo jogo, o Carmelo igualou a sua melhor marca da carreira em playoffs, acertou tudo, levou o time nas costas e o Boston também só conseguiu a vitória com uma cesta e um roubo de bola do Kevin Garnett no último minuto. Os jogos três e quatro, por outro lado, foram massacres. O Knicks apertou, chegou a dar um calor no Celtics, mas o Boston sempre soube reagir na hora certa, colocar as mãos na bola do Rondo e abrir a vantagem na hora certa.

Mas essa vitória não pode amolecer o Celtics, porque esse resultado final é enganador. O Chauncey Billups (que vai voltar para a próxima temporada no Knicks por 14 milhões de patacas) não jogou os três últimos jogos por estar machucado, Stoudamire foi bastante limitado por uma lesão nas costas e tirando esses dois mais o Melo, o Knicks não é realmente um time de verdade, o Ronny Turiaf e o Toney Douglas (e no jogo quatro ainda teve atuação surpresa do Anthony Carter) tiveram seus bons momentos, mas nem de longe são confiáveis para uma série dessas no lugar dos astros do time. O Celtics sofreu sem conseguir tirar vantagem de um garrafão alto, tomou porrada do Amare quando ele estava saudável no jogo 1, depois teve que contar com 30 pontos do Rondo pra ganhar o jogo dois. O Celtics melhorou muito nos jogos 3 e 4, mas isso também foi quando o Knicks caiu de produção pela falta do Billups e a lesão do Amare, então os resultados podem ser enganosos.

O que não foi enganoso, e que é ótimo para o Celtics, foi o jogo do Rajon Rondo. O Rondo estava numa péssima fase no final da temporada e, por mais que esteja cercado por quatro futuros Hall of Famers, ele é fácil o melhor jogador do Celtics hoje. Ele é o cérebro do ataque, ele quem coloca ordem e o time é infinitamente mais eficiente quando ele está ligado e comandando o ataque do que quando o Paul Pierce coloca a bola embaixo do braço pra imitar o Kobe Bryant. Tá bom, ele não acerta nem bola de papel no lixo quando tenta arremessar, mas ele é ingeligente com a bola, bate pra dentro muito bem, finaliza próximo ao aro e é muito difícil saber o que ele vai fazer, não só porque ele consegue fazer todos os tipos de passe mas também porque ele está cercado por vários ótimos finalizadores. E o Rondo foi o responsável pelo Boston ter vencido essa série dessa forma: 30 pontos no jogo 2, triple double de 15 pontos, 20 assistências e 11 rebotes (existe um triple double mais Rondo do que esse?) no jogo 3 e fechou com 20 pontos e 12 assistências no jogo 4. Ele foi o responsável por achar Ray Allen, por acionar o Jermaine O'Neal e o Kevin Garnett na melhor hora de finalizar e por fazer o ataque funcionar. E quando o Rondo está jogando assim, atacando o aro e distribuindo o jogo, o Boston é um time mil vezes melhor.

O problema, no entanto, ainda continua. Se a gente viu que o Boston está totalmente diferente na pós temporada, mais focado, mais brigador e com o Rondo jogando demais, o garrafão do Boston ainda mostrou que depende demais de um pivô. O Celtics marcou 118,1 pontos a cada 100 posses de bola quando o Jermaine estava em quadra e quase 30 pontos a menos com ele no banco, 91,6, além do impacto na defesa principalmente marcando o Amare Stoudamire. O banco do Boston sofreu demais no garrafão, não tinha presença perto da cesta e o Boston realmente precisa da volta do Shaq para encarar o Heat. A vantagem é que o time foi capaz de fechar a série logo e ganhou uma semana de descanso antes da série contra Miami, que deve ser usada pra recuperar o Shaq e descansar seus vovôs.

Já o Bulls teve mais dificuldade do que o esperado. Perdeu apenas um jogo, é verdade, mas esteve atrás no quarto período dos três primeiros jogos que venceu e só virou porque o Derrick Rose é um apelão de último nível que botou o time nas costas nos quartos períodos e pontuou feito maluco, mas o fato é que o time suou muito mais que o esperado. O Pacers explorou o máximo que pode todos os defeitos do time do Bulls e conseguiu apertar muito a série: Usou o Tyler Hansbrough o máximo que pode em cima do fraco defensor Carlos Boozer, que ficou muito no banco por faltas, forçou ao máximo a bola nas mãos do Derrick Rose pela falta de um outro jogador pra controlar a bola e congestionou o garrafão pra forçar o armador a chutar de três pontos, e o técnico interino Frank Vogel usou muitos esquemas pra dificultar os passes do Rose, usando o calouro Paul George e uma série de coberturas a essa marcação pra impedir que o Bulls entrasse num ritmo. O fato do Rose ter tido mais de 35 pontos nos dois primeiros jogos não é coincidência, o Rose foi o único do time que conseguia ir pra cima e criar um arremesso. O Pacers jogou muito bem, teve suas dificuldades naturais, mas eu pelo menos vejo futuro na base jovem que o time tem e eu acho que o Vogel devia ser efetivado para a próxima temporada, tem feito um bom trabalho.

Já o Bulls tem que aprender as lições que o Pacers ensinou com tanto carinho. O Bulls sempre soube que a falta de um jogador pra segurar a bola além do Rose era o maior ponto fraco da equipe, mas o time ainda não conseguiu achar uma forma de contornar isso e o Pacers conseguiu explorar muito essa falha da equipe. O outro lado da moeda é que manter a bola o tempo todo nas mãos do Rose vai fazer com que ele faça 36 pontos por jogo várias vezes, as vezes funciona e as vezes não, mas é bom que o Bulls tenha um plano B pra quando funciona.

O Bulls também precisa resolver dois problemas que, aliás, podem ser resolvidos da mesma forma: Arrumar mais opções ofensivas e fazer o Carlos Boozer render mais. O Boozer é fraco na defesa, mas ele sempre compensou isso sendo bom reboteiro e ótima opção ofensiva, mas ele tem sido muito pouco acionado no ataque e aí ele é só um peso na defesa pro seu time, sua habilidade ofensiva é pouco aproveitada. O Bulls tem que usar mais o pick and roll e o pick and pop com o Boozer pra conseguir mais pontos perto do garrafão, o Rose pontua lá dentro mas as vezes os adversários vão cercar o Rose pra obrigar o armador a ficar no perímetro, e aí ele tem que acionar o ex-jogador do Jazz pra pontuar perto do garrafão, seja ele ou seja o Joakim Noah fazendo esse papel. Se o Tom Thibodeau conseguir fazer o Boozer se envolver ofensivamente, isso vai ser uma ótima adição não só pra próxima série mas também pro resto dos playoffs.



Lembrando que ontem saiu uma ordem judicial levantando o lockout da NFL. Pra quem quiser conferir, só ler o post imediatamente abaixo deste.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O jumper de Rajon Rondo

Com esse olhar 43 a gente até esquece que ele não sabe arremessar

Ja falei do Rajon Rondo aqui recentemente, manifestei (e ainda manifestarei) muitas vezes minha admiração por ele, e falei sobre como ele cresceu de pirralho que não devia atrapalhar o Big Three no seu ano de título pra máquina de triple doubles dos playoffs do ano seguinte, sem Kevin Garnett, pro monstro que destruiu Cavaliers e Magic nos playoffs de 2010 e pro líder do time que é hoje. O crescimento do Rajon Rondo foi uma coisa absurda, daquelas pra deixar o Lebron James orgulhoso. Seu jogo evoluiu de várias formas possiveis e imagináveis. Um excelente ladrão de bolas, um ótimo defensor, um jogador muito bom em contra ataques, rápido, que toma boas decisões com a bola, que infiltra bem demais e que tem um passe cada vez melhor e mais imprevisivel. Alem disso, o Rondo é excelente reboteiro, o que por sua vez é fundamental pro Celtics.

De certa forma, o Rondo é perfeito pro Boston Celtics. Não só por ser um tremendo jogador, mas porque quando o Big Three chegou em Boston, o time vivia de defesa, defesa e defesa. Era uma defesa feroz, assassina (Só olhar a cara do Garnett) e que arrancava o couro de quem tentasse entrar no garrafão. O time vivia de contra ataques proporcionados por essa defesa forte e, principalmente, de isolações, confiando no talento individual de tres jogadores que provavelmente vão pro Hall da Fama: Paul Pierce, Ray Allen e Kevin Garnett. Allen é um dos melhores chutadores de tres da história (talvez perdendo apenas pro Reggie Miller), Kevin Garnett é um dos melhores alas de força que o mundo ja viu e o Pierce, apesar de escondido em times mediocres durante boa parte da sua carreira, era um dos grandes pontuadores da Liga e levou com Antoine Walker um time fraco pras finais de conferência. Era facil isolar esses jogadores, deixá-los atacar a cesta, criar um arremesso ou atrair uma marcação dupla e mandar a bola pro outro lado: OS tres eram ótimos nisso, tanto atacando a cesta como criando o próprio arremesso, arremessando, passando a bola, com boa visão de jogo. Alem disso, Garnett sempre foi um monstro jogando dentro do garrafão e Pierce e Allen ótimos chutadores de tres, o que se complementava bem. Ainda tinha no banco o gordinho Leon Powe, que era ótimo em cavar faltas, e James Posey, especialista defensivo que tambem chutava suas bolinhas de tres. O trabalho do Rondo era simples, defender, puxar alguns contra ataques, passar a bola e sair da frente que o resto do time fazia... bem, o resto.

No entanto, eram jogadores ja velhos, que ja tinham passado seus auges. E infelizmente, quando voce está nesse ponto, ele só piora com o passar do tempo. E foi o que rolou. Pouco a pouco, o Big Three nao parecia mais tão grande assim. Claro, os jogadores ainda eram bons, mas não tinham o mesmo impeto de antes na carreira. Seu fisico nao aguentava mais tanto, era dificil atacar a cesta com tanta velocidade e agilidade e os dias ruins começaram a ser mais frequentes. Era um time composto de excelentes jogadores mas que ja tinham passado suas melhores fases, condenado a decair até não aguentar mais e se desmontar, levando pra casa aquele anel solitário de 2008. Quem salvou o Boston disso, no entanto, foi o Rondo. Quando deixar a bola nas mãos do Big Three pra que criassem o arremesso, atacassem a cesta e etc e tal deixou de ser uma opção tão eficiente, surgiu a solução em Rondo. Sua evolução insana fez com que o time tivesse alguem pra deixar a bola na mão, confiar pra tomar as decisões certas, infiltrasse, desmontasse as defesas e mandasse a bola pra quem sabia finalizar melhor. Garnett no garrafão, Allen e Pierce fora dele. Rondo, pra melhorar, virou um excelente reboteiro, o que se encaixou perfeitamente no sistema do time. A defesa no garrafão era impecavel, a rotação era quase perfeita, e o Boston forçava varios turnovers (até porque o Rondo virou uma máquina de steals) e arremessos longos, que davam rebotes longos, e ambos viravam contra ataques muito rápidos nas mãos do Rondo - que varias vezes ja começava o contra ataque com a bola na mão - que acabavam com uma bandeja sua ou um passe pra algum finalizador proximo à cesta ou pra bola em velocidade de tres do Ray Allen, mortal. O trio de veteranos começou a confiar no pirralho pra decidir o ataque do time, e quando o time não consegue jogar na transição e tem que apelar pro ataque de meia quadra, ele funciona muito melhor quando Rondo tem a bola nas maos, infiltra e abre a defesa com seus dribles, visão de jogo e passes precisos. O Big Three nao precisava mais ter a bola nas mãos, e cabia a Rondo acioná-los na hora certa pra finalizar a jogada como sabem fazer tão bem.

Esse começo de ano não foi diferente. Ainda com mais estrelas em decadência (a dupla Shaquille e Jermaine O'Neal) no elenco, Rondo foi o responsavel por ficar com a bola na mão 80% do tempo e dar seus passes por cima da defesa, na velocidade ou pra linha de tres. Sua média de 15 assistencias por partida até aqui explica bem o que eu quero dizer. Rondo vinha jogando num nível altissimo, pra ser candidato a MVP mesmo, e o time colhia os frutos, está 5-2 na temporada sem Kendrick Perkins e com Shaq temporariamente fora.

Só que recentemente começaram a aparecer críticas ao Rondo e dizendo que seus números eram enganosos, que ele só tinha 15 assistencias por jogo porque ninguem o marcava em cima, todos o marcavam à distância e portanto ele tinha espaço pra dar passes com calma, que jogadores como Chris Paul, Deron Williams e Steve Nash não tinham esse benefício e portanto Rondo só era tão 'bom' por causa do espaço que lhe era dado pelos marcadores. E bom, quando voce ve um jogo do Celtics voce logo percebe que é verdade, pelo menos no que diz respeito à marcação afastada, os marcadores realmente não marcam Rondo em cima.

Primeiro de tudo, porque isso acontece? Simples, por causa da maior (talvez única) falha no jogo do Rajon Rondo: Ele não sabe arremessar. Tudo bem, ele é capaz de acertar um ou outro jumpers de media distancia, e até uma ou outra bola de três, mas todo mundo na Liga sabe que esse jumper não é confiavel e que o Rondo não gosta de usá-lo (Todas suas bolas de tres na temporada foram com o cronometro ou o relógio estourando). Eu sei, meu pai sabe, minha avó sabe, o próprio Rondo sabe... E é claro, seus adversários tambem sabem. Como esse Jumper dele não é confiavel, vai entrar uma vez e sair tres, é normal ver seus marcadores marcando ele à distancia: Voce pode dar espaço pro jumper, afinal ele não vai acertar, e evita que voce seja driblado marcando muito em cima. Varias vezes, assim como no final do jogo de ontem contra o Dallas Mavericks, os jogadores adversários deixavam Rondo completamente livre pro arremesso: a chance dele errar era grande.

Ou seja, voce só deixa o Rondo longe do marcador porque ele pode ter espaço pra arremessar. A critica que andam fazendo, chamando até Rondo de 'enganação', é que ele só consegue suas assistencias e sua habilidade pra armar o jogo por causa desse espaço. Não parece ter algo de errado ai? Se é apenas essa a questão, porque não marcar logo o Rondo em cima e evitar que ele tenha espaço pra passar tanto a bola? Uma coisa que aprendemos no começo do curso de Economia é que as pessoas, entre duas opções, escolhem a que lhes tras mais benefícios. Se voce pode marcar o Rondo de perto ou de longe, e mesmo assim marca de longe (TODO MUNDO marca de longe), é porque marcar de perto é uma manobra muito pior pro seu time!

O Rondo é um armador extremamente veloz e explosivo, muito bom no drible e nos fakes elaborados. Se voce marcar em cima, voce vai dar mais espaço pra ele driblar voce. Assim ele vai partir pra cima da cesta e perto dela ele é um bom finalizador, tem um fake por trás das costas muito treinado e que engana todo mundo (Lembro do Anderson Varejão quase quebrando a coluna nos playoffs,). Se voce fecha o garrafão na frente dele é ainda pior, porque isso vai abrir um dos jogadores do Celtics e o Rondo tme visão de jogo e precisão nos passes pra acertá-los quando encoberto. Se voce deixa o Rondo ir pra cima, ele vai varias vezes finalizar proximo à cesta, que tambem é um arremesso de porcentagem muito superior a um arremesso de meia distancia, ainda mais pra um chutador fraco como o Rondo. E tudo que voce não quer é ter o Rondo com media de 20 pontos por jogo - até porque ele vai continuar tendo uma media bem alta de assistencias, principalmente nos contra ataques. O Rondo não só é o melhor como tambem o jogador que melhor distribui o jogo em Boston. É muito mais vantajoso pros times deixarem o Rondo livre - Ele pode tentar um arremesso de meia distancia que não deve entrar mesmo, ou então vai passar a bola pra alguem com o espaço que tem. Claro que muitas vezes esse passe vai acabar resultando numa cesta pro time, mas caso não tenha ninguem tão proximo à cesta ou livre, voce acaba tirando a bola das mãos de Rondo - e é nessa hora que seu marcador cola nele, pra evitar que ele receba a bola de volta.

Ou seja, deixar o Rondo livre é uma estratégia de marcação. Voce força a tirar a bola da mão do Rajon, deixa que ele de alguns arremessos tortos e evita que ele infiltre com facilidade. Claro que ele vai ter um numero alto de assistencias, ele é ótimo achando os jogadores do seu time cortando em direção à cesta ou saindo de um corta luz, mas é o preço que voce paga. E os times estão dispostos a pagar esse preço - tanto que todos usam a marcação à distancia com o Rondo. Falar que os numeros e o jogo do Rondo, que tanto tem chamado a atenção, são menores porque a marcação que ele sofre permite que ele tenha espaço pra passar a bola, é uma das piores criticas que eu vi recentemente. Talvez seus números mudassem se começassem a marca-lo em cima - mais pontos, melhor aproveitamento, menos assistencias - mas continuariam sendo tão impressionante como os de hoje, se não mais. Afinal, se nao fossem, todo mundo marcaria ele fungando no seu cangote. Se essa é a tática de marcação mais eficiente contra Rondo, entao porque diabos alguns pentelhos insistem que é ela que deixa o armador 'tão bom'? Ele é bom e pronto! O fato dele não saber arremessar e ter espaço pra isso e não afzer só torna a forma como ele domina os jogos ainda mais incrivel. Lembro de uma citação sobre o Jason Kidd que atualmente cai muito bem no Rajon Rondo: "Ele pode controlar uma partida sem sequer pontuar". Perfeita, não?

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Escrevi isso tudo ontem a noite vendo NBA pelo League Pass, mas vou acrescenter dois comentarios antes de postar aqui.

- Da pra levar o Nuggets a sério quando eles tomam 144 pontos do Indiana Pacers, inclusive 54 pontos em 20-21 arremessos do Pacers no quarto periodo?? Definitivamente não. Dois times que tem ataques fortes e defesas fracas, entao é normal que seja um jogo de placar alto, mas isso é ridículo! 144 pontos?? Isso é tomar 36 pontos por periodo, é muita coisa, em especial aquele infeliz terceiro quarto. Parecia que o Pacers estava correndo e brincando em quadra, enquanto o Nuggets não sabia nem onde estava e nem o que estava fazendo, parecia perdido. Darren Collison finalmente fez o que era esperado dele, 29 pontos em 12-14 e 6 assistencias em 31 minutos. Mike Dunleavy (O filho do ex-técnico do Clippers) teve 31 pontos e o Tyler Hansborough mais 20. Lembro que no começo do jogo um comentarista da TV disse que o Pacers tinha que consertar seus aproveitamentos, tanto de field goals como de bolas de tres. Foram 64.4% dos field goals e 53.3% das bolas de tres, ahco que nao da pra reclamar mais, né? Acho que o George Karl deve estar rezando pro Kenyon Martin e pro Chris Andersen voltarem logo, pelo menos eles sabem defender alguma coisa.

- O que foi o jogo do Miami Heat ontem?? Deixei de dormir cedo porque estava louco pra ver Heat vs Jazz. Afinal, o Heat é o Heat, goste ou não goste deles, mas eles chamam a atenção e sao interessantes de ver, até pra torcer contra pros que nao gostam. Mas mais do que isso, e além do fato de serem dois ótimos times, eu estava curioso em ver se eu achava um padrão. O Heat perdeu de Boston e New Orleans na temporada até agora, e ambas as partidas da mesma forma: Um armador rápido capaz de driblar, infiltrar e desmontar a boa defesa do Miami Heat, complementado por um jogo forte no garrafão pra tirar vantagem do garrafão frágil do Heat. Foi assim que Rondo e Paul trabalharam com Shaq, Garnett e Emeka Okafor pra ganhar do tão falado Miami Heat. E se voce for olhar, é o que o Jazz tem: Deron Williams do lado de fora, e Al Jefferson e Paul Millsap do lado de dentro. Queria ver se o Jazz, que pra mim ainda tem muito a melhorar, principalmente com a volta do Mehmet Okur, era capaz de usar as peças da mesma forma que Celtics e Hornets e derrotar o Heat.

Mas o primeiro tempo foi uma decepção. Williams não infiltrava, Millsap e Jefferson tentavam pontuar de fora do garrafão, nenhum dos dois tinha o bom senso de jogar de forma física dentro do garrafão, brigar por rebotes ofensivos e conseguir cestas proximas À tabela. O primeiro tempo acabou com domínio total do Heat, 19 pontos à frente. Mas o segundo tempo foi exatamente o oposto do primeiro pro Jazz, e exatamente o que eu cobrava deles no começo do jogo. Deron Williams parou de arremessar tanto de fora e começou a partir pra cima, partir pra dentro e distribuir a bola DEPOIS de entrar no garrafão. Isso fez desmoronar o esquema defensivo do Heat, que tentou fechar o garrafão e favoreceu as distribuições de bola do Williams. E quem apareceu nessa hora foi Paul Millsap. Deron Williams infiltrando e Millsap sendo agressivo, dentro do garrafão e fora dele, fez o Jazz superar o Heat no periodo e diminuir a vantagem pra... bem, pra 13. Mas o Heat, que voltou sonolento - um pouco relaxado talvez - do intervalo, não conseguiu recuperar seu ímpeto. E o Jazz, animado, foi pra cima com um Millsap inspirado. No quarto periodo, Millsap, que na carreira toda acertou apenas duas bolas de tres pontos, acertou as tres que tentou. Williams desmontou cada marcador e marcação que colocaram em cima dele. E o Jazz foi pra cima com tudo. Andrei Kirilenko achou mais espaços, o mesmo pra CJ Miles. O esquema de marcação do Heat não funcionou (e não vem funcionando) quando o armador principalmente do time adversario veio driblando pra dentro da sua defesa. E Millsap fez a festa (uma pena que Al Jefferson tenha tido uma partida patética, era outro que teria feito estrago la dentro) pra levar o jogo pra prorrogação - onde o Jazz abriu dois pontos de vantagem faltando 0.4 segundos com Francisco Elson. O Miami Heat aparentemente está arrogante demais com seu proprio talento e nao quis procurar o Jason Kidd pra perguntar sobre pontes aéreas faltando 0.4 segundos como o Nash fez. Ao inves disso tentaram uma cesta de tres pra virar a partida. Chris Bosh? Lebron James? Dwyane Wade? Claro que não, foi novamente Eddie House quem teve a honra do arremesso - e errou, era um arremesso extremamente dificil faltando 0.4 segundos. No final, o Jazz demorou, mas implacou o que eu queria ver se funcionava contra o Heat - armador agressivo, garrafão forte e fisico. Funcionou, ajudado pela acomodação do Heat no segundo tempo. Os excelentes jogos de Wade, com 39 pontos, e Lebron, com 20 pontos, 11 rebotes e 14 assistencias (Apesar dos 5-18 em arremessos) foram eclipsados pela melhor marca da carreira do ex-reserva Paul Millsap: 46 pontos. Claro que o Heat é um timasso e não vai ser facil vencê-lo, mas entre os tres times a fazê-lo, da pra notar um padrão. Amanha o Heat enfrenta o Boston com olhos numa revanche, mas depois disso vai demorar bastante pra enfrentar um time de bom garrafão e armador agressivo. Ou seja, o Miami vai ter bastante tempo pra se ajustar até isso acontecer denovo.