Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Hack a Cast #6 - Free Agency, Parte II




O Two-Minute Warning vai sortear dois exemplares da recém-lançada versão brasileira do livro Moneyball!! Conheça nossa promoção e concorra você também a dois exemplares de um dos livros esportivos mais importantes dos últimos anos!!

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E ta saindo do forno mais um Hack a Cast!!

Nessa nova edição, eu e o Vinicius falamos sobre o que sobrou da Free Agency: LaMarcus Aldridge no Spurs, a novela envolvendo DeAndre Jordan, a recuperação do Mavericks, o contrato absurdo do Enes Kanter, as mais recentes contratações da offseason, os melhores e piores contratos, e respondemos às perguntas dos ouvintes. Confiram!!



segunda-feira, 10 de março de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - NFC (parte II)


"Pega essa flag e enfia no...!!!!"


AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Depois, falamos em duas partes sobre os times da AFC que não foram aos playoffs (Parte I e Parte II). Agora, é hora de falar dos times da NFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro. Tivemos a Parte I com os times das NFC East e South. Agora é hora de falar dos cinco times restantes.

Para facilitar (AKA Carnaval), esse post também foi dividido em duas partes.


Times da NFC fora dos playoffs (Parte II)


Chicago Bears

A grande história dessa offseason para o Bears foi a renovação de contrato de Jay Cutler, um contrato de 7 anos e 126M. Muita gente - corretamente - achou que era um contrato absurdo tanto em duração como em valor para um QB de 31 anos (em Abril) que tem dificuldade ficando saudável e que nunca foi muita coisa em Chicago desde que foi adquirido de Denver. Ele é um sólido QB em geral, mas é instável, nunca fez nada para justificar um contrato que lhe pague mais que os de Matt Ryan, Peyton Manning ou Ben Roethlisberger... e talvez mais importante, o Bears vem de uma temporada na qual Cutler foi substituido (quando machucado) por um veterano de 34 anos que não era titular na NFL desde 2004, e conseguiu com ele produção igual ou superior da que Cutler proporcionou em meio a um ataque muito completo. Então o contrato realmente foi causa para questionamentos.

Embora o contrato seja questionável, o fato é que o Bears o montou muito bem. A duração e o valor do contrato enganam um pouco a primeira vista: embora o contrato seja de 7 anos e 126 milhões, só os primeiros três anos (e os 54M de salário base desses três anos) são garantidos, sem nenhum tipo de bônus. Em outras palavras, embora o Bears esteja totalmente preso a ele e seus salários imensos pelos próximos três anos, depois disso o time já pode cortar o QB sem nenhum custo adicional ou dinheiro morto no salary cap, então não é como se o time fosse ficar preso a Cutler por esses sete anos. Ainda que me pareça demais pagar 18M anualmente (a anualidade do contrato dele não é igual para os três anos, mas essa é a média) para um QB como Cutler quando você consegue produção igual ou melhor de um QB mediano como Josh McCown, o fato é que o contrato foi bem estruturado e oferece opções para Chicago, que manda uma mensagem clara de que acredita que Cutler seja sua melhor chance de sucesso no curto (e talvez médio) prazo.

Mas por melhor estruturado que seja o contrato para proteger a folha salarial futura de Chicago, o fato é que pelo menos por três anos, o time vai ter um contrato imenso entupindo sua folha salarial. O que, claro, gera para Chicago um problema semelhante ao que Joe Flacco gera para o Ravens: deixa o time sem flexibilidade salarial para a free agency. Hoje, Chicago tem apenas 8M livres para contratar jogadores e renovar com os seus, e se quiser aumentar esse valor vai ter que dispensar Julius Pepper (10M), vindo de temporada decepcionante, Lance Briggs (5M, mas foi o melhor defensor de Chicago em 2013 mesmo perdendo metade dos jogos) e/ou Earl Bennett (2.5M).

O problema, como vocês talvez tenham reparado, é que dois desses jogadores - e mais os quatro principais free agents do time, Henry Melton, Charles Tillman, Landon Cohen e Major Wright - são todos jogadores da defesa, e pior, a defesa de Chicago foi um enorme fiasco em 2013. Parte disso foram as lesões - jogadores como Melton, Briggs, Stephen Paea e DJ Williams perderam bastante tempo machucados, por exemplo. Mas isso não muda o fato de que Briggs foi o único defensor acima da média de Chicago em 2013, e que o time tem uma TOTAL falta de talento em todas as posições. Se Briggs for mesmo dispensado para abrir espaço salarial, quem sobra de defensor que tem lugar garantido na equipe? Jay Ratliff vai jogar de DT com seu contrato recém-assinado e o time espera que ele possa render perto do que rendeu no Cowboys, mas é uma aposta grande; Stephen Paea é um sólido titular quando saudável, o que não foi em 2013 (nem saudável, nem sólido titular quando jogou) e deve fazer a dupla de DT; Tim Jennings tem um contrato longo e caro e deve ser o CB titular, mas apesar das interceptações ele é mediano no máximo... quem mais? Quem vai cobrir o meio do campo com Briggs e DJ Williams fora? Quem vai pressionar o QB sem Julius Peppers (que foi mal nisso em 2013, mas para ser sincero, ninguém foi bem além de Landon Cohen, e ele mesmo foi apenas ok)? Quem vai jogar na secundária? Por conta de lesões, dispensas, idade e aposentadorias, Chicago não ficou com alguns buracos na defesa, a defesa inteira é um buraco!

Então mesmo que Chicago consiga liberar esses 25M de folha salarial com todas as dispensas, ainda vão ter muito trabalho para montar uma defesa competente. O principal alvo do time parece ser Michael Bennett, vindo de uma temporada espetacular com Seattle e que seria tudo que Peppers não foi em 2013, mas tamb ém ocuparia sozinho uns 8-9M dessa folha salarial, e ele não vai resolver todos os problemas. Chicago tem tudo para ser um time bastante ativo em busca de defensores nessa free agency, e se quiserem ir aos playoffs com Cutler, precisam de jogadores de impacto o quanto antes. 


Detroit Lions

A ex-garantia nos playoffs da NFL que virou piada perdendo 6 de seus 7 últimos jogos na temporada fez a coisa que todo mundo estava louco para vê-los fazendo: demitiu o péssimo técnico Jim Schwartz, um dos fatores que mais estava atrapalhando um bom time (Detroit terminou 7-9 com Pythagorean Wins de 8.5-7.5, segundo ano consecutivo que o time termina a pelo menos 1.5 vitórias atrás do que devia). Ok, o substituto que eles acharam foi o fraquíssimo Jim Caldwell, que me parece uma pequena overcorrection: depois do fracasso do ultra-descontrolado Schwartz, foram atrás de Caldwell, que não esboça nenhuma emoção sob nenhuma circunstância e parece estar eternamente preso em uma expressão de coitado. Mas estou fugindo da questão: o time corretamente se livrou de um de seus maiores problemas, mas depois de ser recusado por Ken Whisenhunt e não ter sucesso com Lovie Smith, foi atrás de um técnico muito fraco, que não é o ideal para um time com talento que tem repetidamente acabado abaixo do que deveria. 

A boa notícia para o Detroit é que o time tem uma base excepcionalmente talentosa em mãos, dos dois lados da bola. O Lions tem sido o melhor time da NFL nos últimos anos desenvolvendo jogadores de linha ofensiva, com uma das melhores da NFL pelo segundo ano consecutivo mesmo perdendo dois titulares entre 2012 e 2013, e o guard calouro Larry Warford pode ser o melhor calouro de 2013 que ninguém conhece. Eles tem um bom QB (ainda que inconsistente) em Matt Stafford (btw, para so que acham que Stafford é um caso perdido, ele é só 4 meses mais velho que Ryan Tannehill), e o melhor WR da NFL em Calvin Johnson, e começaram a ter algum sucesso correndo com a bola em 2013, algo que deve ser uma parte maior de seu ataque para 2014. Defensivamente, o time sai de um bom 2013 com uma das melhores bases jovens da NFL: Ndamukong Suh e Nick Fairley podem formar a melhor dupla de DTs da NFL, Ziggy Ansah mostrou muito potencial como calouro apesar de cru e deve assumir a titularidade, Stephen Tulloch e DeAndre Levy solidificaram o meio da defesa, e Glover Quin jogou muito bem no seu primeiro ano em Detroit. O time tem problemas, claro, mas poucos tem uma base tão talentosa na NFL dos dois lados da bola, muito menos tão jovem como essa.

Detroit tem, como todo time nessas condições, alguns buracos atrapalhando o time. No ataque, o grande problema é a falta de complemento a Megatron. Nenhum - NENHUM - WR do time foi sequer "competente" em 2013, e aliado isso a falta de um bom TE, deixa Stafford e Megatron como a mais manjada combinação de passe da NFL. Claro que ela ainda funciona, mas esse ataque iria ser extremamente mais assustador se o time tivesse outro bom WR e um bom TE para atrair atenções da defesa ou se beneficiar da marcação extra (e por "extra" leiam "tripla") que as defesas dedicam a Megatron. Defensivamente, o grande problema tem sido a secundária. O time é extremamente forte na frente, mas Louis Delmas é FA e só sobra Glover Quinn como um bom jogador nessa unidade, depois que Chris Houston decepcionou em 2013. 

Detroit tem o suficiente para brigar pelos playoffs imediatamente, se Jim Caldwell conseguir ser sequer competente (e mesmo não gostando de Caldwell, acho que ele não vai ser tão prejudicial como Schartz), mas o time precisa adereçar esses problemas se quer continuar crescendo. O time tem apenas 10M em salary cap, o que prejudica consideravelmente suas pretensões, e embora deva receber algum alívio nisso quando Suh finalizar seu novo contrato, dificilmente terá condições de ser um time ativo na FA. Minha expectativa é que o time tente resolver seu problema ofensivo no Draft - um draft extremamente forte em WRs do qual o time pode facilmente sair com Mike Evans ou Marquise Lee da primeira rodada - e tente adicionar alguns veteranos baratos na defesa de menor impacto enquanto esperam um 2015 mais favorável salarialmente (o mercado de CBs está muito bom, e tem alguns jogadores de menor expressão ou mais veteranos que seriam interessantes como um complemento). A margem de manobra é pequena, mas a recompensa pode ser muito grande.


Minnesota Vikings

Esse é complicado. Vamos começar da declaração recente de Adrian Peterson de que com Michael Vick de QB, o time estaria indo aos playoffs. Mas vamos mudar um pouco, passando de "Michael Vick" para "um bom QB" (que não necessariamente é o caso de Vick, mas nunca se sabe), porque esse tem sido o grande problema do Vikings desde que Brett Favre aposentou: Christian Ponder foi um bust, ninguém mais rendeu, e embora Matt Cassell tenha sido competente ano passado e tenha renovado seu contrato, acho que todo mundo sabe que ele não é o cara que vai resolver as coisas por lá.

A primeira pergunta é, um QB teria condições boas de jogo em Minny, com um bom elenco de apoio? A verdade é que teria. Em 2013, o time teve uma sólida e jovem linha ofensiva que estará de volta, e embora ela ainda seja melhor correndo do que protegendo o QB, ela também se mostrou promissora nesse sentido, com quatro OL (mais um TE e um FB) tendo notas positivas em pass protection em 2013. O QB também contaria com a presença de um dos melhores RBs da liga em Adrian Peterson, um cara capaz de ser o foco do ataque, encurtar descidas, abrir a defesa e tornar MUITO mais fácil a vida em play actions pelo mundo (em 2013, as defesas consistentemente colocavam 8 ou 9 jogadores na linha para segurar AP apenas deixando ENORMES espaços para um QB aproveitar... que não foram aproveitados pela falta de um QB). E por fim, o time conta com um corpo interessante de WRs, com Greg Jennings, Cordarelle Patterson e o interessante Jairus Wright (e Jerome Simpson também, se voltar, mas acho difícil), além de uma dupla de TEs (Kyle Rudolph e John Carlson) que mostrou ser promissora tanto bloqueando como recebendo. Falta aquele WR de segurança pelo meio, e um TE mais dominante (ao invés de dois acima da média) seria ótimo, mas é uma boa base para um QB ser colocado, seja ele Vick ou qualquer outro.

E defensivamente, será que ela consegue segurar? Bom, isso é um problema bem maior, porque a defesa foi bem mal em 2013 e não apresenta muitos sinais de melhora. O melhor defensor do time em 2013 (Kevin Williams) e o jogador mais dominante individualmente (Jared Allen) não devem voltar, e isso é um problema para uma defesa que foi a sexta pior da NFL em 2013 em DVOA e pior em pontos cedidos. O time inteligentemente renovou com o promissor Everson Griffen (embora a um valor absurdo), Harrison Smith deve ajudar com uma temporada inteira saudável e Xavier Rhodes se mostrou interessante como calouro, e embora Shariff Floyd tenha decepcionado, a saida de Williams deve abrir mais espaço para ele ser titular e se desenvolver... Mas ainda falta muito para essa defesa conseguir lidar com as potências da NFC. O time precisa de mais pass rush além de Griffen e Brian Robison (sim, Robison), Chad Greenway foi muito mal em 2013 jogando fora de posição, e a secundária ainda precisa de muitos reforços antes de sequer ser considerada "decente" (quarta pior em 2013). Além disso, acho que o impacto da saída de Williams e Allen vai ser mais sentida do que parecem a princípio, com Griffen e Robison não tendo mais os espaços gerados pela marcação dupla no camisa 69 e Williams deixando de existir como o pilar da defesa ocupando dois bloqueadores. A boa notícia é que o time tem muito espaço salarial - 40M antes de contar os salários de Griffen e Cassell, o que deve deixar uns 26M sobrando - e essa é uma free agency interessante do lado defensivo da bola. Esperem um bom DE (Micahel Johnson?) e um CB ou mesmo safety (Aqib Talib? TJ Ward?) sendo os principais alvos do time, mas mesmo assim, essa defesa ainda me parece algum tempo distante de ser a defesa de um candidato ao título na forte NFC, QB novo ou não.

Então acho que Peterson, embora não totalmente absurdo, não esteja tão certo achando que só um QB é o que falta para o time decolar. O ataque sem dúvida tem potencial para ser bom com um upgrade na posição, mas a defesa não vai acompanhar de imediato. O que, para mim, não é um problema, considerando que a defesa tem alguns talentos jovens de base mas precisa de muita coisa nova por cima, e o ataque é composto principalmente de jogadores jovens e veteranos com contratos que ainda duram bastante. Vencer agora seria ótimo, mas não é como se Minny tivesse um núcleo veterano e caro que precise vencer logo para não desperdiçar alguns bons jogadores. Se algum time tem uma base que pode esperar, é Minny.

Claro, ainda tem o problema do QB a ser resolvido, e tenho certeza que o Vikings quer vê-lo resolvido o quanto antes, porque é o que falta para o ataque do time se acertar. Minnesota tem a 8th escolha do próximo draft, e adoraria que um jogador do trio Manziel-Bridgewater-Bortles sobrasse para eles nessa escolha. A chance é real: quatro times na frente do Minnesota tem necessidade de QB, mas o Texans parece estar avaliando o mercado de veteranos e tem boas chances de escolher Jadeveon Clowney, e se ele não escolher, o Jaguars pega. Aliás, o Jaguars é um time interessante, que renovou com Chad Henne e talvez não esteja tão desesperado atrás de um QB, e é possível que ou eles ou o Raiders optem pelo caminho de "escolher o melhor jogador disponível independente de posição", que pode significar Sammy Watkins. É uma aposta que um dos três QBs caia até a 8th pick, mas é possível, e caso não aconteça, o time já mostrou que não tem nenhum pudor de trocar muitas escolhas valiosas para subir no draft para pegar quem eles querem, então podem muito bem entrar no final da primeira rodada com uma troca para pegar Jimmy Garopollo ou Zach Mettenberger. Mas vai ser interessante ver como o time resolver esse problema, ou mesmo SE direciona recursos demais a isso no momento com Cassell de volta ganhando 5M por ano.


Arizona Cardinals

Como o dono de um dos meus twitters favoritos e uma das interações mais legais da internet, Neal Kendrick (torcedor do Seahawks) disse, você poderia fazer um excelente argumento que no final da temporada o Cardinals era o terceiro melhor time da NFC depois de Seattle e San Francisco. Você pode concordar ou não com a afirmação, mas definitivamente pode fazer um argumento: Arizona teve a segunda melhor defesa da temporada regular, achou um ataque dinâmico em volta do RB calouro Andre Ellington e sua dupla espetacular de WRs titulares (Larry Fitzgerald e Michael Floyd) e foi 7-1 entre as semanas 8 e 16 (incluindo uma vitória sobre o Seahawks EM Seattle) para chegar na semana 17 ainda com chances de playoffs, mesmo enfrentando um dos três calendários mais difíceis da temporada.

Ironicamente, os dois fatores que seguraram o time em 2013 foram seu QB, e seu técnico. Bruce Arians recebeu muitos elogios por seu trabalho como técnico em Arizona e até consideração para Coach of the Year, e ele fez muitas coisas boas, mas uma das mais inexplicáveis foi manter Rashard Mendenhall de RB titular com suas 3.2 jardas por corrida e absolutamente se recusar a usar o muito mais explosivo Ellington (5.5 jardas por corrida e um dos RBs mais dinâmicos da temporada recebendo passes). Até entendo ter um RB mais "tradicional" para mover as correntes e usar o mais dinâmico Ellington em situações não convencionais, mas essa lógica passa a ser ridícula quando seu RB "convencional" é um dos piores da NFL. E em termos de QB, quando seu QB titular é um veterano de 34 anos que foi trocado 2x nos últimos três anos depois de se recusar a jogar pelo seu time da época, e ele lança 22 interceptações... isso é um problema.

Fato é que Carson Palmer não foi horrível em 2013, mas certamente não foi bom. 24 TDs, 22 interceptações e mais altos e baixos do que uma temporada de Dexter, ele foi basicamente um QB médio e muito inconsistente (sério, vejam seus game logs: ele teve seus melhores jogos contra Atlanta, Jacksonville, Indy, Tennessee e Saint Louis e os piores contra Carolina, San Francisco, New Orleans e principalmente Seattle). Ele continua no time para 2014 (cortar Palmer custaria ao time quase 7M em dead money, embora salve 5M do salary cap), e é uma incógnita em qual direção Arizona vai se mover. Enquanto Palmer for o titular do time, ele provavelmente vai continuar sendo esse cara mediano de alto risco, e é difícil imaginar esse time dando um grande salto de produtividade, mas Arizona não parece em uma situação ideal para resolver essa questão agora. O mercado de QBs hoje é basicamente composto de veteranos medianos (eles não precisam de outro) ou jovens sem experiência com preçøs inflacionados (btw, NINGUÉM vai pagar uma 2nd round pick por Kirk Cousins ou Ryan Mallett) e dificilmente um dos três principais QBs do draft sobraria para o Cards. E enquanto me parece o time ideal para pegar um QB mais cru na segunda ou terceira rodada e deixá-lo um ano desenvolvendo atrás de Palmer, é difícil imaginar que Palmer não vá ser o titular do time em 2013.

Isso limita o potencial ofensivo do time, mas é favorável a tentar resolver o problema de forma arriscada e extremamente cara (AKA trocar por Kirk Cousins ou Mallett, ou trocar mundos e fundos para subir no draft e tentar um QB melhor). Enquanto isso, o time deve direcionar seus 22M de cap space e escolhas de draft para resolver o outro enorme problema da equipe: linha ofensiva. O Cardinals teve uma das três piores OLs da NFL em 2013, com NENHUM dos seus lineman terminando o ano com uma nota positiva (per ProFootballFocus). O mercado de LTs está muito interessante (Eugene Monroe, Brandon Albert ou Jared Veldheer seriam ótimas adições), e embora só um LT não iria salvar essa péssima linha ofensiva, é um bom começo. Um desses jogadores ainda iria deixar um bom espaço salarial, e o time poderia pegar jogadores a custos menores ou mesmo no draft para pelo menos completar os cinco titulares que precisa. Uma linha competente pode significar mais tempo e calma para Palmer no pocket, e isso pode ajudar bastante mesmo que o time não arrume um QB novo.

O Cards tem outras áreas de necessidade - um outro safety, um pass rusher e um TE quebra-galho sendo as principais - mas o time consegue se virar bem com o que tem e jogadores baratos nessas posições. QB não deve mudar, então vamos ver se o Cards mergulha de cabeça no mercado para transformar sua linha e tentar derrubar Niners e/ou Seahawks.


Saint Louis Rams

Por mais que seja irônico dizer isso sobre um time 7-9 que nem chegou perto de ir aos playoffs, o Rams foi o grande vencedor da NFL entre os times que não foram aos playoffs. E eles devem isso a Robert Griffin.

Quando o Redskins trocou para subir no draft e pegar RG3, parte do pacote que foi para Saint Louis foi a 1st pick deles em 2013. E com RG3 jogando muito mal e o Redskins terminando como o segundo pior time da liga, isso significa que o Rams agora tem a 2nd overall pick do draft além da sua própria, e um núcleo muito interessante que deu um passo a frente em 2013 (você não pode culpar o Rams por jogar na NFC West). Por isso podemos falar que o Rams se deu muito bem saindo de 2013 apesar do pouco espaço salarial (10M).

Os planos para a 2nd pick do Rams é o que vai determinar a direção da sua offseason. É uma posição que pode dar ao Rams o offensive tackle que eles tanto querem (Greg Robinson sendo o principal candidato, mas não durma em Jake Matthews) para reforçar sua eternamente problemática linha ofensiva e dar ao recém-descoberto Zac Stacey um companheiro para lhe abrir o caminho nas corridas, mas também é uma posição de alto valor em um draft com um jogador como Jadeveon Clowney ou seus três QBs "principais". Não sei exatamente qual seria o mercado por essa pick, mas se Clowney passar de Houston vai ter muito time de olho em uma troca, ou mesmo times intermediários (Vikings, principalmente) buscando subir para garantir seu QB, então o Rams pode trocá-la, acumular ativos como tem feito e ir atrás de uma maior variedade de talentos. É difícil dizer realmente porque acho que nem o Rams sabe, eles vão seguir a correnteza e decidir o que é mais vantajoso na hora, mas é o foco dessa offseason.

O Rams não é um time muito completo em termos de talento, mas eles defintivamente tem jogadores de muito potencial - futuro ou presente. Ofensivamente, com um sólido tackle (acho que é o que eles pegarão, com a 2nd pick ou trocando para descer), Jake Long e os decentes guards da equipe (especialmente se Roger Saffold voltar, e deveria) o time parece ter uma linha ofensiva estabelecida, e Zac Stacey mostrou muita promessa como um RB titular ano passado. Tavon Austin foi uma grande decepção como WR, mas se mostrou extremamente dinâmico com a bola nas mãos e um ataque criativo pode fazer bom uso dessa habilidade, embora para um QB ele não seja tão útil como alvo confiável. E defensivamente, Robert Quinn explodiu como um dos melhores defensores da NFL e sólido candidato a DPOY, e com Chris Long e Kendall Langford o Rams parece estável com uma das melhores linhas da liga. Mas fora isso, o time ainda enfrenta questões: a não ser que Austin evolua muito como WR puro nessa offseason, o time continua sem alvos confiáveis para seu QB, e embora uma evolução de Alec Ogletree e um 2014 melhor de James Laurinaitis possam solidificar um pouco o miolo da defesa (uma aposta, btw, já tem dois anos que Laurinaitis não vem bem), a secundária ainda é um enorme problema se Janoris Jenkins continuar sem mostrar evolução alguma. 

Por isso não vejo como um problema que o time tenha não decidido mudar de rumo com um QB novo, dispensando o caro e improdutivo Sam Bradford. O time fez um ótimo trabalho acumulando ativos e jovens jogadores, e está em posição de adicionar pelo menos mais dois na primeira rodada esse ano, mas ainda não tem o time completo para disputar a fortíssima NFC West. O time faz bem em não ter pressa, e a não ser que o time veja algum QB sobrando na 2nd pick que acredite que venha a ser um franchise QB, o time deve continuar juntando seus talentos jovens até achar o jogador certo. E sendo assim, as vezes vale mais a pena um último ano para ver se Sam Bradford desponta de vez do que se apressar e draftar um QB só para competir logo quando o resto do seu time não está pronto. Não que o Rams não seja HOJE um sólido time, competitivo e dando trabalho para os fortes da NFL, mas não sei o quanto seu teto estaria limitado hoje pela falta de WRs e de secundária - dois problemas que será difícil adereçar sem o cap space hoje. Não é fácil ter paciência na NFL, mas o Rams tem feito um bom trabalho misturando paciência para acumular ativos com um time sólido dentro de campo.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Voltando de viagem

Pois é, estou de volta de viagem. Mas infelizmente, ainda não estou em condiçōes normais para escrever um texto coerente com começo, meio, fim e 5000 palavras que de alguma forma tentem fazer sentido. Então vamos apelar e mandar apenas os bullet points de costume, pra não deixar passar em branco a quantidade de coisa que eu perdi enquanto estive fora. Assim que possivel, retomamos a programação normal. Ou quase, não sei se falar de times de basquete enfrentando aliens pode ser chamada de "normal".


- Primeiro, o mais recente, a derrota da seleção brasileira de basquete pros EUA segunda a noite, 80 a 69. Sinceramente, muita gente fez tempestade em copo d'água com esse jogo. Por exemplo, se o jogo realmente valesse alguma coisa, vocês acham que o Magnano teria deixado o Raulzinho tanto tempo em quadra no segundo quarto (os minutos que definiram a mudança de panorama do jogo)? Claro que não. Mas em um amistoso, o importante era que o Raulzinho apanhasse um pouco e ganhasse experiência jogando contra os melhores. Uma vitória ontem não teria ajudado em nada pras Olimpiadas, talvez desse confiança mas deixaria os americanos mais motivados. Uma derrota ontem na qual pudemos ver nossas fraquezas, nossas forças, o que precisamos evoluir, uma derrota que servisse pro time ganhar manha, experiência e motivação definitivamente pode ajudar a equipe no longo prazo. Nenhum adversário melhor que os EUA pra mostrarem nossas deficiências. O amistoso cumpriu perfeitamente a função que o Magnano queria.


- Holy smokes, tem alguma coisa que grite a incompetência dos GMs da NBA mais do que a Free Agency? Depois que o último CBA incluiu a cláusula da "Anistia" - que permitia ao time dispensar um jogador, tirando-o do seu plantel e da sua folha salarial, desde que continuasse pagando o salário do seu contrato - vocês já pararam pra observais que boa parte dos jogadores anistiados tiveram seus contratos assinados na temporada imediatamente anterior ao lockout? Travis Outlaw, Brandon Haywood, Andray Blatche, Josh Childress, Darko Milicic, Luis Scola (Ok, esse foi pra abrir espaço salarial, perdoável porque vale o que ganhava)... Todos eles assinaram contratos antes da temporada 2010. E olha que ainda existem muitos debates acerca de jogadores como Carlos Boozer. Em resumo, o CBA deu aos GMs a chance de se livrar de um contrato estúpido, e boa parte deles estão se livrando de contratos que foram assinados na temporada anterior!! E depois se perguntam porque tivemos um lockout...


- Por falar nisso, parece que a última moda agora é ir atrás de armadores que você mesmo já dispensou ou trocou. O Suns, que trocou Goran Dragic junto de uma escolha de primeira rodada por Aaron Brooks, agora correu pra oferecer pro esloveno 30 milhōes em 4 anos, sendo que podiam ter ficado com ele E uma escolha de primeira rodada de Draft. O Rockets, que dispensou Jeremy Lin ano passado quando o David Stern vetou a troca de Chris Paul-para-o-Lakers, agora ofereceu um contrato de três anos, 25 milhōes pro chinês. Alias, o próprio Rockets estava correndo atrás de Brooks, que acabou indo pra Sacramento. Ah sim, o Knicks também trouxe de volta Ray Felton, que tinha sido mandado embora na troca por Carmelo Anthony. Haja arrependimento, não? Só faltava o Deron Williams correndo pra voltar pra Utah também. Alias, imagina se ano que vem o Chris Paul decide voltar pra New Orleans? Paul, Austin Rivers, Eric Gordon, Anthony Davis e uma boa escolha de Draft? Ou ate mesmo trocando Eric Gordon por Paul George? Wow... Vamos parar por aqui antes que eu me empolgue demais.


- Aliás, outra moda dessa Free Agency tem sido os Restricted Free Agents. A quantidade de debates rolando (ou que já rolaram) sobre os contratos oferecidos pra esses caras, e se os times deviam aceitar ou não, foram mais extensivos que qualquer debate do tipo que eu lembre recentemente. Tivemos Omer Asik e sua proposta do Rockets de 3 anos, 25 milhōes que o Bulls vai ter problemas financeiros caso decida igualar (eu não igualaria - gostei do contrato, mas o Bulls precisa manter Luol Deng a todo custo). Tivemos o Wolves oferecendo a casa (4 anos, 46 milhoes) pro Nicolas Batum, oferta que o Blazers deve igualar (e tem razão nisso). O Suns ofereceu um contrato máximo pro Eric Gordon, que o Hornets igualou sem pensar duas vezes (realmente, era uma decisão fácil). O Knicks não igualou a proposta por Lin feita pelo Rockets (mais no proximo paragrafo). Tivemos o Pacers igualando o contrato absurdo que o Blazres ofereceu pro Roy Hibbert (Essa é dificil, nao sei dizer se eu teria igualado ou não). O Raptors oferecendo 3 anos, 19 milhōes pro Landry Fields pra evitar que o time de NY fosse atrás do Steve Nash. Enfim, foi uma orquestra de contratos absurdos e times se vendo em dificuldades para igualar todos. Acho que foi a forma do mercado reagir a uma classe de Free Agents irrestritos bem fraca...


- Um minuto de silêncio para todos os torcedores do Knicks que viram mais um show de incompetência do Jim Dolan essa offseason. Perder Lin para o Rockets por birra - sério, foi o principal motivo - sendo que ele gerou 600 milhōes pro Knicks ano passado foi a cereja no topo do bolo. A simples noticia de que o Lin PODERIA sair do Knicks fez as açōes do time de NY despencarem (50 milhōes em um dia). O Knicks não manteve Lin porque acharam que houve "falta de lealdade" do chinês por assinar a oferta qualificatoria com o Rockets e usaram a desculpa do salário alto para um jogador que jogou apenas 25 jogos ano passado, quando o principal motivo foi birra do Dolan com ele porque ele contratou um agente de imagem sem perguntar pro Knicks antes (Ele era Free Agent!) e porque ele assinou a proposta com o Rockets quando o Knicks - surpresa! - não tinha oferecido pra ele nenhum contrato e tinha assinado com Jason Kidd e Ray Felton, e o Dolan ainda chegou a dizer que achava o Felton tão bom quanto ou melhor que o Lin. E agora Lin foi pro unico time que sabe o verdadeiro impacto financeiro de ter uma estrela chinesa no seu time. Ache algo nesse parágrafo que faça sentido.


- Já comentei ali em cima de como os armadores tiveram um papel ativo nessa Free Agency, mas temos ainda dois exemplos que ficaram de fora: Nash, e Kyle Lowry. Depois de perder Dragic, o Rockets acabou investindo em Lin e trocando Lowry por uma escolha de primeira rodada do Raptors. Eu achei uma troca bem legal pra ambos os lados: Dificilmente o Raptors vai conseguir um grande armador no próximo Draft, e Lowry é um dos melhores da NBA, ainda jovem, vai encaixar bem nesse time. Do outro lado, com Lin chegando o time não precisava do insatisfeito Lowry, e conseguiu uma escolha valiosa que pode ser envolvida em alguma troca, ou então trazer um bom jogador temporada que vem pro grupo.

A segunda foi mais dificil... Afinal, naão é todo dia que meu jogador preferido de todos os tempos vai pro maior rival do meu Celtics. Agora minha vontade de ver o Lakers perdendo vai bater de frente com minha vontade de ver o Nash sendo campeão... Se eu tiver um derrame durante os playoffs por causa do Lakers, vocês já sabem o motivo. Não acho que o Nash era o armador perfeito pro Lakers, mas com certeza vai ajudar. Já faz algum tempo que o Kobe não é mais aquele jogador atlético que tinha facilidade em criar o seu espaço pras jogadas, hoje ele é mais eficiente se movimentando sem a bola e recebendo a redonda nos lugares onde ele tem melhor aproveitamento, onde pode dar um ou dois dribles e finalizar sem precisar ganhar muito espaço. PRa ele jogar assim, faltava um armador competente, e se ele aceitar mais esse papel e deixar Nash controlando mais a bola e tomando as decisōes, acho que o time do Lakers só tem a melhorar. O mesmo vale pro garrafão, o Lakers tem um dos melhores da Liga, mas faltava alguém capaz de acioná-lo em boas posiçōes perto da cesta, o que o Nash deve ajudar. Uma boa escolha tanto pra Nash como pro Lakers. Agora com licença, vou colocar fogo na minha camisa do Nash. Comigo dentro.


- Por falar em contratos absurdos, queria ressaltar dois fatos relativos aos times de New York. Primeiro, o Knicks: Sabia que o Knicks tem 64 milhōes garantidos em salários para a temporada 2014/2015... Com apenas quatro jogadores (Kidd, Melo, Amare Stoudamire e Tyson Chandler)? Na verdade, o que assassinou o Knicks salarialmente foi o contrato de 5 anos, 100 milhōes que ofereceram para o Amare em 2010... Sabe, o jogador que não conseguiu colocar um seguro nos seus joelhos de tão ferrados que já estavam e que vinha de cinco temporadas recebendo passes do Nash? Bom, a vida naão é tão fácil sem o canadense. Amare nunca repetiu as grandes atuaçōes dos tempos de Suns, teve dificuldade para se encaixar em qualquer esquema que o Knicks jogasse, teve muitos problemas de saúde, e agora seu contrato está assassinando o Knicks. Hell yeah, Nash, acabou com mais uma franquia! Jogadores como Amare, Shawn Marion, Leandrinho, Boris Diaw, Jason Richardson, Quentin Richardson, Channing Frye, Marcin Gortat e companhia deviam ter uma cláusula nos contratos que assinaram depois de jogar com o canadense que revertesse 60% do seu salário pra uma conta do Nash na Suiça.


- Agora, o mais legal: Gerald Wallace, que renovou com o Nets por 4 anos, 40 milhōes, é o titular do Nets que menos ganha em salário anual. So there!


- Não, é sério! Deron Williams ganha 18 milhōes, Joe Johnson ganha 22, Kris Humphries ganhará 12 milhōes, e Brook Lopez ganha 15 milhōes em um contrato máximo. Eu não estou pronto pra viver num mundo onde o Brook Lopez ganha um salário máximo... (Eu tinha outras coisas pra falar sobre o Nets, mas merece um post separado).


- Abriram as apostas de Vegas para o título do Super Bowl de 2013. O favorito? Meu 49ers, é claro, porque aparentemente isso faz algum sentido. Vegas, baby!! Embora eu preferisse quando ninguem acreditava na gente. Oh well...


- Foi mal pelo post esquisito, ainda nao estou 100% desde que voltei. Ainda hoje tem um podcast saindo, então fiquem ligados. Até a proxima!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Dança dos Quarterbacks

Quarterback por profissão, maestro nas horas vagas


Devido a dois problemas (falta de tempo, e falta de um computador, que finalmente foi resolvida!), não deu pra esperar mais pra falar do período doido de Free Agency que tivemos recentemente. E embora algumas contratações mereçam algum destaque, de longe o que mais chamou a atenção foi a grande movimentação envolvendo Quarterbacks... Que, sabe, são os jogadores mais importantes de um time. Quem liderou a bagunça, é claro, foi o Peyton Manning decidindo por Denver, e dai pra frente foi um efeito dominó no mercado.


Num dos nossos últimos posts, comentamos sobre o adeus do Manning ao Colts e como ele e a escolha de Draft do Rams (2ª geral) estavam sendo os principais pontos de uma mudança de cenário na Liga. E de certa forma, o Manning na Free Agency dava uma opção a mais para os times que estavam atrás do QB Robert Griffin Jr através da escolha de Draft do Rams, o que tirava do time de Saint Louis um certo poder de barganha (Além do Free Agent Matt Flynn).  A questão era quem escolheria seu destino primeiro, Manning ou o Rams. E quem deu o primeiro passo desesperado foi o Redskins, trocando sua escolha de Draft desse ano (6th overall), as primeiras escolhas de 2013 e 2014 e mais uma escolha de segunda rodada pela escolha do Rams e ou Robert Griffin (que teve um Pro Day espetacular e mostrou que tem talento pra ser um monstro) ou então até mesmo Andrew Luck (Que teve um Pro Day pra colocar Griffin definitivamente na segunda escolha, sem discussão).

Pro Redskins, a questão era simples. Matt Flynn não queria ir pra lá, e Washington tinha sido descartada pelo Manning como um destino. O Redskins tinha duas opções: Ou fazer uma oferta Godfather pela escolha do Rams antes que os demais candidatos à escolha (Dolphins, Seahawks) fossem descartados pelo Manning e a disputa pela escolha ficasse mais acirrada e arriscada, ou se contentar com mais um ano de Rex Grossman. Decisão difícil (ta, nem tanto), mas o Redskins preferiu oferecer a casa pelo Griffin do que aguentar mais Sexy Rexy. De certa forma, a decisão faz sentido, o Griffin é muito atlético e tem um braço muito forte, é bem maduro e treina feito desgraçado (e tem péssimo gosto pra meias). Tipo de jogador que tem tudo pra dar certo, e talento ele tem de sobra. Ainda tem alguns vícios e falhas no seu jogo (Falta precisão em lançamentos curtos e médios, ainda tem alguns problemas lendo defesas e toma algumas decisões apressadas) mas são coisas que ele deve evoluir com o tempo. O Redskins preferiu pagar muito alto do que arriscar ficar sem, o Rams agradeceu, e agora temos um time a mais com um bom QB.

O problema do Redskins era que o resto do ataque era uma piada. A linha ofensiva era boa, mas não conseguia ficar saudável de jeito nenhum. O corpo de recebedores era de chorar e ninguém sabe o que esperar dos RBs porque o Mike Shanahan parece ter um prazer mórbido e destruir todo o valor dos seus corredores. Tocando quatro escolhas de Draft, você vai melhorar o seu QB - e bastante - mas tem um outro lado, que é perder a chance de conseguir bons jogadores para as áreas carentes da equipe. A defesa do time é muito boa (Ainda que tenha perdido um jogador muito importante no Laron Landry), mas poderia usar algumas peças a mais, e o ataque precisava urgente de jogadores. O que o Redskins fez então foi sair caçando Wide Receivers no mercado. Ao invés de ir em WRs nº1 provados como Reggie Wayne ou Vincent Jackson, o time pagou uma fortuna pro Pierre Garçon - um jogador mediano que teve seu valor absurdamente inflado pelo Manning e que tem um dos piores índices de recepções da Liga - ser um jogador que ele não é, e uma grana moderada pro Eddie Royal e pro Josh Morgan... Sabe, dois slot receivers com características parecidas. Ou seja, torraram o Salary Cap (Que já vai ser muito reduzido por causa de uma punição por parte da Liga por causa de gastos excessivos nas temporadas recentes) em recebedores jovens pra compensar o fato de que o time não vai ter boas escolhas de Draft nos próximos anos e mesmo assim dar alguns alvos pro seu Quarterback. O resultado é que pegaram bons role players, mas nenhum alvo realmente confiável, e pagaram muito mais do que deviam no Garçon. O Redskins fez o que tinha que fazer, trocou pelo jogador que a franquia precisava pra se reerguer (e manter seu técnico no cargo), só que o resto do ataque foi montado muito às pressas e sem o tipo de jogador que mais vai ajudar seu QB. Quem saiu perdendo, na verdade, foi o próprio Griffin.

Com Redskins então fora da briga pelos Free Agents Flynn e Manning, o camisa 18 continuou seu tour pela América limitando suas opções. Com o tempo, ele discretamente descartou Seattle e Miami, que foram atrás de alternativas - leia-se Flynn. A briga por Manning então ficou restrita a Denver, Tennessee e o time que entrou de última hora: 49ers

Entrar na briga pelo Manning pode ter sido a pior decisão de um time que tem feito tudo certo nos últimos dois anos por um simples motivo: Alex Smith, o QB do time em 2011 e um Free Agent que não se preocupou em procurar um time porque tinha certeza que reassinaria, se sentiu traído quando o time buscou outro jogador para seu lugar, e colocou em risco a chance do QB voltar para o time (Em defesa do 49ers, o Smith teve um contrato de três anos na sua frente e não assinou, queria um maior, e aí quando Manning virou Free Agent o Niners foi atrás dele. Defensável) graças também a um espetáculo lamentável de mídia: Smith foi pra Miami visitar sua irmã, e lá o Dolphins foi atrás dele para uma entrevista. Um jornalista de Seattle imediatamente soltou na imprensa que a viagem de Smith pra lá tinha sido pra realizar um treino com o Dolphins e que em seguida ele iria pra Seattle (o Seahawks foi rejeitado por ele muito antes disso), e de repente toda a mídia esportiva tinha certeza que ele estava saindo do Niners.

Mas pra infelicidade do Dolphins, Flynn assinou com Seattle e o time de Miami - que tinha trocado seu melhor jogador ofensivo, Brandon Marshall, pro Bears em troca de um Trakinas velho - ficou chupando o dedo mais uma vez. O time sonhou com Flynn, Griffin ou Manning e saiu sem nenhum deles. Entre as possibilidades restaram Alex Smith (um bom QB mas que dificilmente repetiria seu 2011 fora de San Francisco, e muito pouco pra ser o centro de uma reconstrução), David Garrard (Quebra um galho, mas dificilmente vai levar um time longe sozinho) ou arriscar o Ryan Tanerhill no Draft (mais disso no nosso Mock Draft). Como disse - cruelmente, mas com muita razão - o Ryan Clark, do Steelers, ninguém quer jogar em Miami. Só o Lebron, mas depois a gente fala disso.

Pro Seattle, isso faz todo o sentido. O Seahawks não é uma potência defensiva, mas tem uma unidade sólida com bons jogadores, e o ataque conta com um bom RB (Marshawn Lynch, que dificilmente vai manter a produtividade) e vários bons alvos (Sidney Rice, Zach Miller, Golden Tate, Mike Williams, Doug Baldwin) pra um QB... Só que seu QB se chamava Tarvaris Jackson e ele é muito ruim. O Flynn se destacou como reserva do Aaron Rodgers em Green Bay (Os últimos dois reservas do Packers a virarem titulares? Matt Hasselback e Rodgers) contra o Patriots em 2010 quando o Rodgers machucou e ano passado contra o Lions. Ele jogou muito bem nos dois jogos (480 jardas e 6 TDs contra o bom time do Lions lhe garantiram um gordo contrato e foram recordes da Franquia, num jogo que nao valia quase nada e ninguem quis defender) e muita gente já projeta como ele vai render de QB.

Essa situação lembra muito a do Kevin Kolb ano passado. Kolb teve alguns poucos e bons jogos como titular do Eagles antes de se machucar e do Michael Vick despontar. Acabou sendo considerado um futuro Franchise QB e o Cardinals abriu até demais o cofre por ele, sem considerar que ele só tinha jogado seis jogos como titular! Acabou que o Kolb ficou no banco do John Skelton ano passado, e agora ninguém mas leva ele a sério. Nas poucas chances que teve, Flynn jogou muitíssimo bem, melhor do que Kolb, mas ainda vale lembrar que são só dois jogos e com um ataque fantástico que nem o do Packers, é uma amostra muito pequena em apenas uma situação. Não tem como garantir que ele vá render num esquema ofensivo novo, sem o espetacular corpo de recebedores do Packers, e a amostra é muito pequena pra avaliar totalmente o quanto ele é bom pra render no outro esquema tático. Ele mostrou várias habilidades e algumas limitações - mais ou menos como Kolb - mas ninguém pode garantir quais dessas vão ser as determinantes daqui pra frente. A diferença é que ao contrário do Cardinals, o Seahawks não teve que trocar nada pelo seu QB (O Cardinals trocou um CB Pro-Bowler e uma escolha de segunda rodada) e deu um contrato de apenas 30 milhões, e não 60. Ou seja, o custo foi baixo e o risco não é muito grande, o Flynn já mostrou mais futebol do que o Kolb e por isso da pra entender que o Seahawks fez a coisa certa. O Flynn surpreendeu recusando o mercado maior, um pouco mais de dinheiro, a chance de voltar a trabalhar com o Joe Phibin e o bom clima de Miami, mas a decisão na verdade faz todo o sentido pra ele: O Seahawks é um time melhor que o Dolphins e que com um bom QB pode brigar pelos playoffs - vocês lembram do que eles fizeram com o Saints quando tinham o Matt Hasselback em 2009. Ninguém sabe se ele É um bom QB, mas o Seahawks fez sua aposta. Dificilmente vai ser pior que o Tarvaris Jackson, e o risco não foi dos mais altos.


E foi ai que finalmente Peyton Manning anunciou sua decisão, e eu até agora estou triste que ele não soltou um "I'm taking my talents to the Rocky Mountains" quando disse que iria para o Broncos. Sendo que a decisão estava entre Broncos, 49ers e Titans, o que me chocou foi que ele escolheu o PIOR time pra ir. Pra um QB de 36 anos saído de quatro cirurgias no pescoço, que claramente não tem mais muito tempo pela frente, era de se esperar que o foco do Manning fosse ganhar títulos imediatamente, e portanto que ele escolhesse o melhor time disponível. Mas o Broncos é um time com uma defesa mediana (não se enganem, eles tem bons jogadores, mas como uma unidade - e sem o Brian Dawkins - eles são bem medianos), um ataque com uma linha ofensiva muito fraca protegendo o QB e razoável correndo com a bola (O ataque do Broncos ano passado só funcionou com Tim Tebow, e quando foi a última vez que um time do Manning correu com a bola? 2004?), e sem bons alvos no ataque (o melhor WR do time, Demaryus Thomas, é atlético, bom em disputas pelo ar e fraco correndo rotas precisas, exatamente o tipo de WR que funciona melhor com Tebow que com Manning). Claramente o Manning não procurou o melhor time pra ir jogar. Nesse caso, o que fez ele escolher Denver??

O Denver até faz sentido por alguns fatores menores, que com certeza pesaram na decisão: É um time da AFC (Onde o Manning pode realizar o sonho de enfrentar o irmão num Super Bowl), não enfrenta o Colts duas vezes por ano como o Titans, joga na altitude (onde a bola viaja mais no ar, facilitando suas bolas longas) e o GM do time é o grande John Elway, um dos maiores QBs de todos os tempos e que ganhou Super Bowls com 37 e 38 anos, quase o que Manning quer fazer (Vale lembrar que o Broncos daquela época, ao contrário da atual, tinha um grande time. E mesmo assim tomou de 55-10 no Super Bowl do Niners de Joe Montana e Jerry Rice. Só pra lembrar).

Mas o Broncos também tem alguns fatores que eram desestimulantes (clima muito frio, costa Oeste, ele fez faculdade no Tennessee) e, mais uma vez, era o pior time dos três!! Porque voce iria pra uma Franquia que está no meio, se tanto, de uma fase de reconstrução?? Essa é a pergunta que todo mundo estava se perguntando. Jogar para o Elway faz sentido? Faz. Jogar num time da AFC (e fora da divisão do Colts) faz sentido? Faz. Mas o que o Broncos realmente tinha pra oferecer pro Manning que Titans e Niners não tinham  eram duas, e que com certeza foram os fatores determinantes da sua decisão: Dinheiro, e poder. O Broncos era de longe o time que mais estava abaixo do Salary Cap (mais de 40 milhões de patacas) e pode oferecer imediatamente ao QB o contrato que ele tinha com o Colts (5 anos, 98 milhões) e ainda manter algum espaço pra contratar "ajuda" (Jacob Tamme e Andre Caldwell, uma tremenda ajuda, mas ainda assim...). O Broncos era basicamente quem mais podia pagar e quem mais estava disposto a pagar. Com certeza o 49ers - apesar de ter o cap pra isso - não iria pagar esse salário todo com tantos jogadores chave na equipe com salários de calouros, e o Titans - embora disposto a oferecer um salário quase igual - iria limitar totalmente seu cap e seria incapaz de manter a equipe junta num futuro próximo, então teria que oferecer um contrato menor. Manning optou pelo dinheiro do Broncos.

O segundo motivo foi provavelmente ainda mais importante: Poder. No 49ers ou o no Titans, Manning ia ser um jogador dentro de um grupo, um jogador extremamente importante, mas ainda assim mais um no grupo, no mesmo patamar de todos os outros, sem tratamento preferencial. O Niners e o Titans tem vários líderes no elenco e na comissão técnica, e embora Manning provavelmente se tornasse um deles, ele não seria superior a qualquer um deles. Manning estaria lá pelo time, pra entrar na equipe, melhorá-la e pronto. Ele iria ter um papel no grupo. Mas o que o Broncos ofereceu pra ele foi diferente: O time estaria lá pra ele, um time pra levá-lo longe. Ele teria poder total dentro do grupo pra reconstruir o ataque como ele bem entendesse, a ponto de ser praticamente o coordenador ofensivo do técnico. Ele tem um controle maior sobre o time em Denver do que ele teria em San Fran ou no Tennessee, e era isso que ele queria. Ele não queria ser apenas mais um num time cheio de líderes, ele queria ser o que era no Colts, o soberano da equipe, em torno da qual tudo gravita. E só Denver estava disposto a oferecer isso. Ele optou pelo seu ego, sua vontade de ser o centro de uma equipe, sobre sua vontade de ser campeão num time forte. Ou então seu ego está dizendo que ele sozinho é suficiente pra transformar a equipe do Denver em mediana num supertime.

Será que isso é verdade? Será que só um QB Hall of Famer, top 10, pode sozinho levar um time mediano ao Super Bowl? A resposta é que sim. Se Peyton Manning estiver a 100%, ele é capaz de pegar uma defesa mediana e um ataque fraco e transformar esse time num candidato ao título. A defesa do Colts de 2009, por exemplo, era um pouco pior que a do Broncos  e o ataque era significantemente melhor - ou seja, em geral um time melhor, mas não era um time de elite tirando o QB, muito inferior a times como Patriots, Steelers, Jets ou Chargers nesse quesito. E mesmo assim ganhou 14 jogos seguidos, só não foi 16-0 porque não quis, e chegou ao Super Bowl. Então sim, Manning a 100% é capaz de pegar esse time e pelo menos torná-lo um sério candidato (Afinal, Manning teve times fantásticos entre 2002 e 2007 e só chegou a um SB, nada é garantido).

Mas aqui está o grande segredo da Free Agency da temporada 2012 da NFL: Manning não vai voltar pra NFL a 100%. Ele já tem 36 anos e acabou de vir de quatro cirurgias muito sérias no pescoço, e mesmo nos últimos anos (alguns anos mais jovem e antes da lesão), apesar do altíssimo nível, ele já vinha apresentando uma certa decadência natural no seu jogo. Dois anos mais velho e vindo de QUATRO CIRURGIAS NO PESCOÇO, a chance dele voltar a 100% do seu jogo em Denver é zero. E essa é a questão: Manning a 100% é capaz de transformar esse time mediano num candidato ao título, mas... Qual a chance dele conseguir isso jogando a 60, 70%? Muito menor, certo? Ele é plenamente capaz de ser campeão a 70% no Titans ou a 50% em San Francisco. Mas no Denver, um time que vai depender totalmente do seu QB e que vai montar todo o time em torno dele? Eles esperam que ele jogue como jogava anos atrás, o que é impossível. Eu não sei se já falei isso, mas ele é um QB de 36 anos vindo de QUATRO CIRURGIAS NO PESCOÇO (e tratamentos por célula tronco). Mesmo que aconteça a remota possibilidade dele aguentar uma temporada inteira saudável jogando atrás de uma linha ofensiva esburacada, ele dificilmente vai jogar como jogava quando era MVP todo ano. O Broncos esperava ele a 100% quando o contratou, ele deve esperar que vá jogar 100% pra aceitar... Mas não vai acontecer.

O Denver de 2011 é um time muito mais complexo do que isso. A lógica de "Wow, chegamos às semifinais de conferência com Tim Tebow, se conseguirmos um QB melhores seremos campeões!" não faz sentido em nenhum esporte, especialmente no Broncos. O time de 2011 chegou onde chegou por uma combinação de três fatores: Sorte (tabela fraca, sorte em alguns jogos específicos, divisão com problemas demais em 2011), imprevisibilidade (um time que ganhou jogos valiosos quando mudou radicalmente seu estilo de jogo, pegando muitos times desprevinidos sem saber como enfrentá-lo), e porque o Tim Tebow levou todo mundo a um nível acima. O primeiro ponto ninguém garante, o segundo não vai voltar, e o terceiro - e mais importante - também não. Tebow não levou o time a um novo nível pelo seu talento dentro de campo, e sim pela sua liderança fora de campo. O time compreendeu que não tinha um QB que iria ganhar os jogos sozinhos, mas que faria o que fosse necessário pra que isso acontecesse... E abraçou essa mentalidade. A equipe jogou seus jogos com uma raça e confiança que dizia "Vamos fazer o impossível pra deixar esse jogo apertado, porque se isso acontecer o Tebow vai ganhar o jogo". Os jogadores se desdobraram, jogadores medianos começaram a jogar como se sua vida dependesse disso, o time jogou em equipe, todo mundo jogava pelo coletivo e nao pelo individual, e conseguiu bater os adversários que pareciam desnorteados com tanta intensidade. O sucesso do Denver não aconteceu porque Tebow era um QB dominante dentro de campo, aconteceu porque ele passou sua mentalidade ultra-competitiva pros seus companheiros, fez eles se importarem tanto quanto ele com a vitória, jogarem em equipe, não ligarem pros seus próprios números e feitos e jogassem em equipe. No fundo, esse é o verdadeiro segredo sobre esportes coletivos, não o que voce faz individualmente mas como você afeta os seus companheiros, como voce faz eles chegarem num nível maior ao seu redor. Tebow fez isso melhor do que ninguém na NFL em muitos anos, e por isso que o Broncos foi tão competitivo ano passado mesmo com tantas limitações.

Manning? Ele é muito melhor que Tebow como QB, com certeza vai tornar o jogo aéreo do Denver melhor. Isso nunca esteve em questão - supondo que fique saudável. Mas eu duvido muito que ele consiga afetar os companheiros da mesma forma que Tebow. Ele é um líder, mas um líder com uma certa superioridade, aquele cara bom pra cacete em quem você confia que vai ganhar o jogo pra você. É um tipo diferente de liderança, mas que dificilmente vai ter o mesmo efeito. Quem leu as declarações do jogadores do Denver desde a contratação viu claramente a mensagem implícita: "Conseguimos alguém que vai ganhar os jogos pra gente!". Exatamente o oposto da mentalidade "Nenhum de nós vai conseguir ganhar o jogo, então vamos ganhar juntos, um cobrindo o outro!" que fez o time ser bom ano passado. Pro Denver, era muito mais importante aquela mentalidade competitiva do que a relaxada que parece ter tomado conta do time, como quem espera que o Manning sempre vá resolver desde que eles façam sua parte. Eles tem que fazer MAIS do que sua parte pro time vencer. Se o Broncos não perceber isso e continuar achando que só porque o QB melhorou eles vão conseguir ganhar jogos mais facilmente, então eles vão fracassar grosseiramente. Quer saber porque o Tebow foi trocado, quando deixar ele no banco do Manning, treinando e desenvolvendo seus passes com um dos melhores (E provavelmente o mais técnico) QBs da história até pra ter um substituto pro caso do Manning se lesionar novamente ou precisar de uma folga (muito provável) faz todo o sentido do mundo? Porque eles não querem um segundo líder no elenco, um jogador que era o oposto do Manning, não um líder por talento mas um líder por exemplo. A franquia tinha que ser toda do Manning, e a sombra do Tebow no vestiário e em campo estaria lá o tempo todo. Não em surpreenderia nem um pouco que a troca do Tebow fosse uma condição do Manning pra assinar com Denver (Assim como Kobe renovou com o Lakers em 2004 sob a condição que o Shaq seria trocado), porque ele não queria o garoto por lá. E nem Elway. E por isso que um time que estava em uma reconstrução bem encaminhada está de repente com um QB veterano e quebrado em busca de um sonho de um título que é muito improvável com o time atual. DAqui a três anos no máximo, Manning vai aposentar, e o Denver vai ter perdido a chance de continuar sua reconstrução em busca de um sonho improvável. E vai ter que recomeçar, tudo de novo. E só por curiosidade, alguém sabe quem é o reserva do Manning? Caleb Hanie. Aquele que afundou um time do Bears muito bom (e bem melhor que o Broncos) ano passado quando Jay Cutler machucou.

Um último comentário sobre a escolha do Manning: Ele declarou depois que nao escolheu o 49ers porque "Nao queria ter a pressão de ganhar um Super Bowl". Sério?? Você é um dos dois melhores QBs da década na NFL, um dos maiores de todos os tempos... E voce ta com medo da pressaão de ganhar um titulo no melhor time da Liga? Sério? Que confiança incrível ele deve ter passado com essa frase.

Enquanto isso, Tebow foi pra New York numa troca por algumas migalhas que gritava "Queremos trocar o cara e aceitamos qualquer birosca em troca!" pelos motivos que já discutimos antes. Pro Jets, tudo que você precisa saber é que isso acontece semanas depois do Jets ter dado ao fraquíssimo Mark Sanchez uma extensão de contrato de 3 anos com 20 milhões garantidos... Sabe, tanto quanto Matt Flynn e Alex Smith juntos. E ai eles trocam por um cara que é melhor que o Sanchez e que é um líder muito mais expressivo. Claro.

A questão que fica é se o Tebow chega pra ser titular. Por mais que ele tenha feito com um elenco limitado em Denver ano passado, ele ainda é um QB mediano, que tem dificuldade passando a bola e que vai se adaptar a um novo playbook (O terceiro em tres anos). Eu disse que Denver é um encaixe ruim para o Peyton Manning, mas por outro lado era o encaixe perfeito para Tebow: Jogadores que aceitaram a mentalidade que ele estava passando, um time que sabia suas limitaçōes e que tinha sempre um jogador cobrindo o outro, e principalmente um time onde todos estavam dispostos a sacrificar brilho individual pelo coletivo. O Jets, por outro lado, eé um pessimo encaixe: Muitos jogadores fominhas que só querem saber de si mesmos, clima pesado no vestiário, jogadores que não confiam uns nos outros... Enfim, o oposto do Denver, e o oposto do Tebow. Somando tudo isso ao fato de que o Sanchez acabou de receber uma extensão ridicula do Jets, e provavelmente teremos o Sanchez de titular e o Tebow vindo do banco.

Mesmo assim, será que o Jets é um time melhor com Sanchez do que com Tebow? O Jets chegou na final de conferência duas vezes com o mesmo remédio: Defesa forte e agressiva, um bom jogo terrestre e um QB que evitava erros e fazia as jogadas pontuais nos quartos periodos. Mas espera... Nao foi exatamente assim que o Broncos superou todas as expectativas ano passado? O Jets dos ultimos dois anos teve problemas no ataque porque o jogo terrestre (força que movia o time ofensivamente) nao conseguiu ser dominante e isso exigiu que o Sanchez tivesse mais responsabilidades no ataque. E aqui estaá o segredinho da temporada 2011 do Denver Broncos: O Willis McGahee, que recebeu boa parte do crédito pelo sucesso da equipe, estava tendo media de 3.2 jardas por carregada antes do TEbow assumir como titular, e teve média de 5,3 depois. A presença de um scrambler como Tebow faz toda a diferença, e esse pode ser o ingrediente que faltava pro jogo terrestre do Jets voltar a ser forte o suficiente pra deixar o QB do time com um papel de minimizar os erros. E Tebow eé o QB que tem as caracteristicas pra fazer isso dar certo. Ele também tem um elenco muito melhor à disposição do que em Denver (A linha ofensiva eé muito melhor, e Santonio Holmes-Dustin Keller dao uma surra em todo o corpo de recebedores do Denver - e sim, o Shonne Greene é melhor que o McGahee). Se o Jets eé um encaixe ruim para o Tebow por causa do excesso de jogadores individualistas e de uma mentalidade coletiva - e tambem um certo numero de caras problematicos - o Tebow é um bom encaixe para o Jets, porque ele é capaz de fazer um papel que ele sabe muito bem e o Sanchez nao. Dificilmente ele vai influenciar o vestiaário e os companheiros como fez em Denver, mas mesmo assim ele eé um lider infinitamente melhor que Sanchez e que lidera entrando em campo e dando tudo de si pelo time, e o Jets desesperadamente precisa de um jogador assim. Entao sim, faz muito mais sentido pro Jets ter o Tebow de titular (ou faria antes de dar 20 milhoes pro Sanchez). Pra mim, o Jets eé um time mais perigoso com Tebow em campo.

Por fim, pra coroar o fracasso de contrataçōes que tem sido o Dolphins, o Alex Smith nem quis saber do time da Flórida e voltou pra San Francisco, onde ele saiu de "Bust histórico" pra "300 jardas, 4 TDs e a vitória nos playoffs contra o melhor time da NFL". Eu confesso que preferia Smith ao Manning por dois motivos: Primeiro, saude, eu nao confio na saude do Manning. Segundo porque, diabos, o Alex Smith pode ser mediano, mas ele sempre foi leal ao time e à franquia. Ele foi o líder desse time mesmo quando era uma piada, nunca reclamou, sempre fez o possível pra ajudar a equipe, nao liga pros seus numeros e so se importa em fazer o time melhor. Eu disse isso no twitter e repito: Eu prefiro ganhar um titulo com Alex Smith do que dois com Peyton Manning. Quando ele engoliu o Saints com farinha nos playoffs, a alegria nao foi só porque tinhamos vencido um jogo historico de playoffs, mas tambem porque foi sensacional ver o Smith ganhando do Drew Brees! O problema aqui é que nao da pra saber o que esperar do Smith: Foram 6 anos fracos, e um ano bom (seguido de playoffs excelentes - ele superou Brees e jogou de igual pra igual com Eli Manning). Embora ele claramente tenha mostrado uma evolução em fundamentos sob a tutela do Jim Harbaugh, é dificil dizer com certeza que 2011 será o parâmetro daqui pra frente. Eu pessoalmente acho que a evolução que ele mostrou foi real e que ele tem tudo pra continuar melhorando e se tornar um QB top 10 da Liga (Ele jogou como um top5 nos playoffs com metade do ataque - que ja era mediano - machucado), mas é dificil afirmar isso porque a amostra de anos ruins é bem maior. Mas vou guardar esse assunto pra outro dia, especialmente com o Draft chegando ai. Por enquanto, vale destacar que o 49ers trouxe de volta toda sua defesa, e reforçou consideravelmente seu ataque. Pra mim, é o melhor time da Liga - se o Alex Smith conseguir manter o nivel dos playoffs.

Aproveitem a volta do TM Warning, e peço desculpas pela ausencia forçada!


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Um apanhado do resto da Free Agency

Vontae Leach pode ser gordo, mas a conta bancária dele é muuuito mais



Sinto muito pela demora em postar, as coisas estão corridas e os textos infelizmente não estão saindo com a rapidez que a gente queria. Mas pelo menos a gente continua por aqui quando conseguimos, não desistam da gente!

Desde o final do lockout da NFL (ou melhor, desde que eu voltei de viagem), a gente já falou de muitas coisas. Analisamos o Draft dos 32 times da Liga por divisão, comentamos sobre as diferenças entre os lockouts da NFL e da NBA e dissemos porque o da NBA não deve ser resolvido tão cedo. Também falamos muito da Free Agency, comentamos sobre como o Eagles montou um excelente time, dissemos que o Patriots, melhor time da NFL, apostou em veteranos com algum risco mas com alta recompensa em caso de sucesso para complementar os jovens jogadores do time e tentar cobrir suas falhas. Comentamos a contratação de seis Free Agents em dois posts separados (Parte I e Parte II) e também falamos dos caminhos opostos tomados por Seahawks e Cardinals, esse último acompanhado de uma análise da famosa troca pelo Kevin Kolb. Agora ficamos apenas com contratações menores, jogadas de menor importância sobre as quais que eu não acho que valha a pena ficar falando muito ou dedicando posts inteiros a elas. Por isso, esse post vai ser pra falar rapidamente (juro, vai ser curto!) de alguns times que até podem ser citados de passagem, mas não merecem mais do que isso. Felizmente esse período complicado por aqui coincide com o período antes da NFL e sem NBA, então é realmente uma época meio parada (Eu sei que tem pré-temporada, mas a pré-temporada é pros técnicos observarem seus times e seus jogadores, tem muito pouca coisa que realmente se pode extrair desses jogos). Mais pra frente vamos voltar com algumas novidades, temos programado um especial pro Blog, o Celo pediu pra falar do Pré-Olimpico de basquete e quando chegar a NFL devemos voltar a intensificar a coisa por aqui. Mas por enquanto, fiquem com...


Os que tem motivos para comemorar

Baltimore Ravens
O Ravens ainda tem vários problemas - falta um RT, já que o time não queria mais o Jared Gaither - e a principal chance do Ravens ser campeão depende do Joe Flacco aumentar o nível do seu jogo, especialmente nos playoffs. Ou seja, o Ravens vai precisar dar esse salto de dentro pra fora. Ainda assim, o Ravens teve um sucesso moderado nessa Offseason: Reassinou seu Free Agent mais importante no Chris Carr, trouxe de volta Free Agents relativamente importantes em Tom Zbikowski Marshall Yanda e Bernard Pollack, e assinaram dois Free Agents interessantes no Ricky Williams, pra ser o reserva do Ray Rice, e principalmente no Vontae Leach (que vai ganhar um contrato kajilhonário). O Leach foi o melhor FB da Liga em 2010 e uma das causas da temporada absurda do Arian Foster, e agora vai ocupar a função que já foi do Lorenzo Neal nesse ataque de Baltimore, o que vai ajudar a intenção do técnico de jogar mais pelo chão com o Rice. Uma adição cara, mas extremamente valiosa.

O time também perdeu alguns alvos que já foram importantes - Derrick Mason, Todd Heap - mas nenhum deles realmente estava contribuindo muito. Esse é um time que deveria ter ido atrás do Steve Breaston, mas conseguiu o Lee Evans do Bills no final das contas, via troca. Pra quem não lembra - todo mundo que não tinha ele no Fantasy - ele foi o WR do Bills que teve três TDs numa única partida em 2010 contra esse mesmo Ravens. Ele nunca deu muito certo em Buffalo (também, quem conseguiria?) mas tem a chance de dar um rebound na carreira e ajudar um veterano Anquan Boldin (Sem falar que o time pegou o Torrey Smith no Draft). O Breaston seria melhor do que ele, mas já é melhor do que o Mason atualmente. O Heap não vai fazer tanta falta, agora os TEs mais jovens do elenco como Ed Dickson e Denis Pitta vão poder tomar conta - como já deveriam ter feito ano passado.


Kansas City Chiefs
Vai ser difícil o Chiefs repetir a temporada 2010 que teve, o time talvez tenha chegado mais longe do que deveria. Mas não foi por isso que o time deixou de trazer jogadores importantes, ambos citados no time acima: Jared Gaither e Steve Breaston, além do LeRon McClain. O Chiefs sabe que chegou mais longe do que deveria, mas também sabe que a divisão tem como melhor time os pouco-confiáveis Chargers e que uma vaga pode acabar sobrando pro time. Por isso foi atrás de jogadores que fossem adicionar ao time, especialmente ao ataque. Gaither é problemático mas é um bom OT, e não só ele protege o QB bem como também é forte no jogo terrestre. A grande força do Chiefs foi a dupla de RBs e adicionar um bom RT e um dos melhores FBs da Liga só vai adicionar a essa força. E mesmo deixando claro que a intenção do time é continuar levando o ataque nas costas do jogo terrestre, o time teve o bom senso de pegar um excelente WR pra fazer par com o Dwayne Bowe. O Matt Cassell tem se desenvolvido num bom QB, mas com um alvo só esse ataque fica extremamente dependente do jogo terrestre. Um outro bom alvo - aliado ao promissor Tony Moeaki e ao excelente grupo de RBs - já vai fazer maravilhas pelo ataque aéreo do Chiefs. E acreditem, o time precisa disso.


Carolina Panthers
Não, vocês não estão sonhando, o Carolina Panthers se deu bem nessa Free Agency. Eu já bati aqui na tecla de que o Panthers não é um time tão ruim como pareceu em 2010, o time só teve muitos problemas e tem fraqueza demais em áreas chaves (leia-se QB). O time tem um núcleo muito jovem e talentoso, e o Panthers fez o excelente trabalho (que muitas vezes passa batido) de segurar esse núcleo jovem: Renovou com o ótimo DE Charles Johnson, trouxe de volta o DeAngelo Williams e assinou um contrato longo com o sensacional LB Jon Beason. Segurou jogadores menores (James Anderson é um bom jogador e liderou o time em tackles em 2010) e trouxe alguns bons FAs (Ron Edwards, Jeremy Shockey antes do lockout e especialmente o bom TE Greg Olsen), mas o que realmente fez o Panthers se destacar foi a forma como manteve os jogadores talentosos que formam o núcleo do time para o futuro - Para uma franquia em reconstrução, isso é de extrema importancia.


Os que ainda não sabem se ganharam ou perderam

San Francisco 49ers
É difícil um time que não sabe muito bem que caminho tomar (E nem em que caminho está) conseguir acertar nesses momentos complicados, como uma Free Agency totalmente maluca que nem essa. Acho que a unica certeza do Niners agora é que eles finalmente conseguiram um bom técnico pra começar a recolocar o time no caminho certo. O Niners apostou no Draft e no bom núcleo que o time conseguiu pra ir pra frente. Mas isso não quer dizer que o time não tenha conseguido bons jogadores. O time resolveu uma das maiores carências que tinha ao trazer o Center Pro Bowler Jonathan Goodwin do Saints (Pra quem não lembra, o 49ers perdeu dois jogos porque o C antigo cometeu dois touchbacks fazendo snaps por cima da cabeça do QB), adicionou um bom WR no Braylon Edwards pra melhorar o estagnado ataque aéreo do time e reforçou em muito sua secundária (Outra área carente) com o CB Carlos Rodgers e os Safetys Madieu Williams e Donte Whitner.

Mas por outro lado, o time viu a principal força da sua equipe - a defesa - perder QUATRO titulares: O CB Nate Clements, os LBs Takeo Spikes e Manny Lawson e o NT Aubrayo Franklin. Enquanto o Spikes e o Lawson não devem fazer tanta falta (O time tem substituto pro primeiro e o Lawson era muito problemático em relação ao que produzia), o Clements e especialmente o Franklin vão fazer muita falta. O Clements teve um 2010 fraco mas ainda era o melhor CB do time, e o Rodgers jogaria melhor do lado oposto a ele ao invés de jogar com o Shawnte Spencer (que joga melhor de nickel). O time reforçou muito bem o ataque e adicionou profundidade à secundária, mas perdeu muitos jogadores da sua defesa e, talvez, o segundo jogador mais importante dela no Franklin. Dependendo de como o 49ers repuser esses jogadores, a Free Agency pode ter sido boa ou ruim pro time.


Jacksonville Jaguars
O time Draftou muito bem e tem um grupo muito jovem e promissor pra acompanhar o calouro Blaine Gabbert. O time está conseguindo manter esse grupo - perdeu o Mike Sims-Walker, mas acho que ninguém por lá está infeliz de vê-lo pelas costas - e tratou de ir atrás de alguns jogadores jovens que ficaram livres graças ao novo CBA - ou seja, jogadores de quartas ou quintas temporadas, normalmente Free Agents restritos. Nesses caso foram o SS Dawan Landry, o ILB Paul Posluszny e o OLB Clint Sessions (Landry está indo pra sexta temporada, os outros indo pra quinta). Todos são jogadores com talento, que tiveram boas temporadas e eram titulares em times de playoffs (Tirando o Paul, que jogava no Bills). Sem dúvida o Jaguars reforçou seu elenco e adicionou ainda mais valor ao seu grupo. O problema aqui é que como o Jaguars não é exatamente o time mais atraente do mundo, eles acabaram pagando para esses jogadores contratos enormes, muito acima do que eles deveriam ganhar. Todos são bons jogadores, já disse, mas nenhum deles está entre os melhores da posição e estão ganhando como se fossem. Pra um time que daqui a pouco vai ter que começar a reassinar seus Free Agents e contratar os jogadores para fechar o elenco, essa manobra salarial ousada pode voltar pra assombrar daqui a uns anos.


Os times que saíram perdendo, seja mais ou seja menos


Chicago Bears
O Chicago Bears foi o rei dos times overachieving na temporada 2010, chegando até a final de conferência onde perderam para o Packers. O time não era ruim, era até bom, mas nem de longe tão bom assim. Um QB talentoso mas nem um pouco confiável, um grupo de WRs muito jovem, imaturo, com características repetidas, uma secundária questionável e uma linha ofensiva muito fraca acabaram sendo levadas nas costas por uma excelente defesa e uma linha de frente absolutamente sensacional (além de um ótimo ano do Matt Forte). O Bears precisava fazer as coisas bem feitas nessa offseason pra sonhar com uma final de conferência de novo, mas o time fez quase tudo errado.

Primeiro de tudo, deixou o seu melhor jogador da linha ofensiva, o Center Ex-Pro Bowl Olin Kreutz ir embora na Free Agency porque o time estava gastando demais e queria pagar menos por ele, e dai substituiu por outro C muito mais fraco que vai custar 500 mil a menos apenas. Depois não reassinou seu WR mais promissor (Devin Aromashodu) e trocou seu melhor recebedor (Greg Olsen) para pegar em troca Roy Williams e Marion Barber (Sem falar que o time apostou no Vernon Goldshon, um dos piores top10 draft picks dos últimos anos). Ou seja, o time acabou ficando sem NENHUM recebedor acima da média pra jogar com um QB não-confiável, enfraqueceu a já horrível linha defensiva e está contando com Roy Williams (que nos últimos dois anos jogou num ataque bem melhor e mesmo assim não fez nada) e Marion Barber (Um RB explosivo e forte que perdeu boa parte da sua força e explosão e que, embora ainda possa funcionar com um RB de curtas distâncias, está jogando no time com o ginásio de PIOR GRAMADO para esse tipo de jogada) pra se recuperar. Qual a chance disso dar certo?


New York Giants
O Giants, que joga na divisão do chamativo Eagles, está comemorando o fato de não chamar atenção da imprensa e estar, nas próprias palavras do elenco, "flying under the radar" (Tradução livre "Voando sob o radar", quando um time está indo bem mas sem chamar atenção). O time teve um Draft que eu gostei muito, tem um bom elenco, uma boa defesa e um time bem montado. Tem alguns problemas de consistência e atitude, mas o elenco é bom. Mas o Giants saiu da Free Agent sem nenhum reforço de peso (Mas com aquele famoso C do 49ers, o David Bass, que fez os dois snaps por cima do QB) e ainda perdeu dois dos seus alvos mais importantes, o líder em recepções Steve Smith e a válvula de escape Kevin Boss, sem adicionar nenhum recebedor melhor que o Michael Clayton. Pra um time que tinha um ataque funcional, mas sem ser ótimo, perder dois jogadores tão importantes assim faz uma grande diferença. Talvez o Giants não tenha tanto a comemorar assim.


Minnesota Vikings
Não vou nem comentar o fato do time ter perdido o Sidney Rice. Mas pense no seguinte: O Vikings acabou de ficar sete anos mais novo na posição de QB contratando um cara de 34 anos. Isso é tudo, Meritíssimo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Algumas contratações, parte I


Burress argumenta, sem sucesso, que não era uma arma e sim uma tesoura



Em um surto recente de megalomania provocado pelo período insano de Free Agency pelo qual a NFL acabou de passar com o fim do lockout, o TM Warning aproveitou pra discorrer enormemente sobre as contratações, trocas e mudanças promovidas por dois dos grandes canditatos ao título da temporada, o Philadelphia Eagles e o New England Patriots. Esses dois times ganharam um espaço especial aqui no blog - leia-se ganharam dois posts completos e exclusivos - não só porque são dois dos times mais fortes, candidatos ao título e que provavelmente vão ser dos mais relevantes para a temporada. Eles também ganharam porque entre as muitas mudanças promovidas, entre trocas e contratações, eles mudaram o elenco de forma interessante de comentar, e na maioria das vezes de forma a promover mudanças interessantes no seu estilo de jogar. Hoje nós vamos comentar de outras três contratações feitas por times que disputam o título e que sem dúvida foram importantes, mas nem de longe tiveram o impacto que tiveram as contratações de Pats e Eagles. Quais são elas? Bem...


Aubrayo Franklin, NT, New Orleans Saints

O Saints foi um time que esteve mais ativo na noite do Draft do que na Free Agency, onde pegou dois jogadores que eu disse que deveriam ser adições importantes para a equipe, Cameron Jordan e Mark Ingram. Comentei também que o Saints sabe que seu tempo para ganhar um título (com esse núcleo de hoje) está acabando e que portanto o time está disposto a adicionar o máximo possível de talentos "imediatos" na equipe para aproveitar melhor esses últimos anos. Portanto, não é de se espantar quando o time adicionou dois veteranos para sua defesa: Shaun Rogers, a Beluga Negra, e Aubrayo Franklin, ambos DTs.

O Saints, quando foi campeão em 2009, ouviu erroneamente que isso se devia ao seu grande ataque liderado pelo Drew Brees. Enquanto aquele ataque era realmente fantástico e o Brees realmente era espetacular, a defesa do Saints, que teve um papel igualmente importante, ficou esquecida. Eu sempre bato nessa tecla quando comento aquele título, porque a defesa do Saints foi a melhor da Liga em forçar turnovers, o Darren Sharper teve uma temporada digna dos seus melhores dias, o corpo de linebackers jogou muito bem e a linha de frente, ainda que pouco comentada, foi fundamental pro assunto. Apesar da queda de produção do ataque em 2010, a grande causa do rendimento abaixo do esperado do time temporada passada foi o fato da defesa não ter sido tão confiável. A defesa ainda foi a quarta melhor da Liga, falar que ela não foi boa é um exagero enorme, mas a secundária se mostrou vulnerável em alguns momentos importantes e, acima de tudo, a unidade teve muita dificuldade em forçar turnovers. Enquanto isso teve influencia da lesão do Sharper, outro motivo importante foi a queda de efienciencia da linha defensiva. O Saints tinha sido muito eficiente parando o jogo corrido em 2009, e essa necessidade do jogo aéreo em descidas longas pelos adversários - combinada a um pass rush eficiente - foi uma das fontes de turnovers em massa pela secundária do time. Mas a alta idade da linha defensiva, combinada aos altos salários que ela ganhava, fizeram com que o Saints acabasse mudando quase toda sua linha de frente pra temporada passada. Os novos jogadores - especiamente os DTs - não deram conta da mesma forma eficiente e o time não só sofreu um pouco com o jogo terrestre como isso tirou a pressão que o Saints usava tão eficientemente pra criar turnovers.

Portanto, não surpreenda que o Saints tenha ido atrás de dois DTs veteranos. O Rogers eu já comentei, ele é um grande DT desacelerado por lesões mas que ainda tem algo pra contribuir, na pior das hipoteses ele já chega adicionando bife à linha defensiva. E, claro, o Aubrayo Franklin também veio. O Franklin era o NT do meu 49ers, recebeu a Franchise Tag em 2010 e era um dos pilares daquela excelente defesa terrestre do Niners. Como eu sempre digo, o NT raramente recebe créditos numa defesa 3-4, mas ainda assim tem um papel extremamente importante. O Franklin é uma parede de pedra, enorme e muito forte, e sua função em San Francisco era basicamente criar uma parade intransponivel para o jogo terrestre - o que forçava os corredores a irem para o lado que a defesa queria - e mantinha os bloqueadores longe do genial Patrick Willis. Ele fazia esse papel extremamente bem e o Saints definitivamente pode usar o tamanho e a força do Franklin. Mesmo numa defesa 4-3 como é a do Saints, o Franklin facilmente pode ocupar dois bloqueadores na linha além, o que liberaria o bom e veloz corpo de linebackers do time para voar em direção à bola (ou ao QB adversário). Ele tem tudo pra voltar a fechar o miolo da linha defensiva e liberar o Will Smith (DE) e o calouro Cameron Jordan para irem para o rush ao invés de ficarem se preocupando em impedir as passagens pelo meio, o que liberava os adversários de alguma pressão e de rotas curtas. O Saints perdeu o mais jovem e talentoso Anthony Hargrove para o Eagles, mas adicionou um jogador que é exatamente o que eles procuram: Mais velho, mais experiente, e mais pronto para contribuir no curto prazo.



Ray Edwards, DE, Atlanta Falcons

Ainda quando falei do Draft da NFC South, eu comentei que a decisão do Falcons de trocar trocentas escolhas de Draft pelo Julio Jones era, a meu ver, acertada, mas que ela tinha um preço, que era o fato do time perder várias escolhas de Draft de valor alto. Em outras palavras, o time estava adicionando um grande jogador que ia suprir uma das carências do time (A falta de um segundo WR) mas ao custo de escolhas que permitiriam ao time conseguir outros jogadores de bom nível para as outras posições carentes do time, como a secundária e o pass rush. E eu preciso bater nessa tecla mais uma vez, para deixar claro exatamente qual foi o risco do Falcons, mas isso foi antes do contato entre jogadores e times ser liberado, e portanto o Falcons não sabia o que esperar da Free Agency, podiam sair com grandes nomes ou podiam sair sem ninguém. O fato do time ter pego o Ray Edwards não muda em absolutamente nada o peso do risco que o time assumiu, apenas o fato de que o risco valeu a pena - o que eles não tinham como saber quando realizaram a troca.

Eu comentei extensivamente sobre o que o Falcons tinha de defeito no ataque, no caso a falta de um segundo WR confiável, o que eles adereçaram no Draft. O que eu não comentei com calma - justamente porque o Falcons abdicou da chance de pegar um bom no Draft - foi o problema da defesa. O Falcons não tinha uma defesa ruim, a secundária recebeu um bom reforço no Dunta Robinson, que apesar de ter tido alguns problemas deve melhorar bastante depois de um ano estudando o novo sistema, e o John Abraham voltou de lesão em ótima forma pra passar da marca de 10 sacks na temporada. O time tem alguns role players na defesa, não era exatamente uma peneira, mas o time mostrou quando enfrentou ataques aéreos mais fortes - Saints, Packers - que ainda faltava muito pro time ficar confortável na defesa. O Abraham foi ótimo, mas faltava mais alguem que o ajudasse, ele é um grande pass rusher mas não consegue fazer milagres sozinho. A defesa do Falcons tem buracos e precisaria de um Safety (Se eles conseguiram um saudável Darren Sharper, tenham muito medo) pra ser realmente confiável, mas a falta de grandes jogadores na posição fez o time concentrar os esforços na outra forma de ajudar a secundária, tirando o tempo dos QBs adversários. E trouxe o Ray Edwards, DE que era do Vikings e é um cara pra conseguir uns 9-10 sacks por temporada num esquema 4-3 como o do Falcons.

Isso altera o esquema de jogo do time? Não. Mas ele da um grande upgrade em uma área deficiente do time simplesmente porque troca um jogador pouco eficiente por um que pode conseguir 10 sacks por temporada, não tem histórico de lesões e vai deixar o John Abraham ainda mais efetivo, da pra imaginar essa dupla (Se o Abraham ficar saudável) conseguindo uns 23 sacks na temporada sozinha. O Falcons se posicionou no Draft numa posição incrivelmente boa pra ganhar jogos apenas no ataque, mesmo que a defesa ficasse em segundo plano. Ainda existem questões quanto à linha ofensiva, que perdeu um titular importante, mas o time reforçou sua defesa de forma importante. Um bom pass rush - e com dois pass rushers de alto nível já podemos dizer que o Falcons tem um - camulha as falhas da secundária. Não torna a defesa do Falcons uma unidade forte como o Eagles fez, por exemplo, mas supre uma necessidade urgente - o pass rush - e ajuda a camuflar uma outra falha. Contratação importante pra um time que tinha apostado alto no Draft - e agora podemos falar que saiu vencedor.


Plaxico Burress, WR, New York Jets

O Plaxico Burress pode não ser conhecido de quem assiste NFL a uma ou duas temporadas, mas com certeza é de quem assiste a quatro. Isso porque foi ele, em um dos maiores Super Bowls da história, que pegou o touchdown da vitória, foi ele que em 1º de Fevereiro de 2008 pegou o passe pro Touchdown que selou a vitória por 17 a 14 do Giants em cima do até então invicto Patriots, uma das maiores zebras de todos os tempos, provavelmente a maior desde o Super Bowl III (Oh, Joe Namath...).

Mas desde então, o que deveria ser sucesso ganhou um capítulo bizarro: Depois de um excelente começo na temporada 2008, o então campeão Giants tinha a segunda melhor campanha da NFL e a melhor da NFC. Até que um dia Burress, seu principal Receiver, acidentalmente disparou na própria perna uma arma ilegal que estava em seu bolso. Foi preso por porte ilegal de arma, passou os dois anos seguintes na cadeia e o time perdeu seis dois oito jogos seguintes sem seu principal WR, e acabou caindo fora dos playoffs. Sucesso!

Burress saiu da cadeia na metade do ano passado, tendo sua pena encurtada e sido solto em liberdade condicional. Ele sempre esteve em forma, continuou treinando na cadeia e segundo consta saiu em ótima condição física. Ele já é um veterano, tem 33 anos, mas não passou os últimos dois anos e meio levando porradas e seu corpo ainda talvez tenha a boa condição de antes. Vários times tiveram algum interesse nele, mesmo saindo da cadeia: a condição física do sujeito era boa, ele era um grande talento e as vezes a cadeia faz bem para as pessoas. Veja o caso do Michael Vick, que desde que saiu da cadeia não só estava em ótima forma física como começou a levar o jogo muito mais a sério, a treinar feito doido, buscar sempre evoluir e parou de arrumar encrencas. Ou seja, saiu de lá muito mais maduro, e vários times estavam curiosos pra saber se teria o mesmo efeito no Plaxico. O Jets nem precisa contar com isso, o Rex Ryan sempre gostou de jogadores talentosos e problemáticos e parece que esses jogadores (Antonio Cromartie, Santonio Holmes) adoram jogar no Jets, mas se ele realmente maturar ninguém por lá vai reclamar. Eu sempre defendi que a aposta era válida, desde que não oferecessem a ele - o que eu duvidava, anyway - um contrato longo e garantido. Um contrato curto, com opções de renovação, para primeiro ver como ele se saia era o ideal, e foi o que o Jets ofereceu. O Jets renovou com o Santonio Holmes e agora está contando com uma boa volta do Plaxico Burress pra ser o nº2 do time. Se o Burress maturar, seria uma boa aposta em qualquer lugar. Sem maturar, se existe um lugar pra ele dar certo, o Jets com certeza está entre os favoritos.

Eu gostei da aposta do Burress, acho que ele caiu no time certo, mas não da pra deixar de criticar o Jets na forma como o time comandou seus WRs nessa offseason. O time renovou com o Holmes, sua prioridade, e trouxe o Burress, que apesar de um pouco arriscado pelo tempo fora dos campos e a idade avançada pode dar muito certo. Só que o time simplesmente deixou ir embora três outros WRs que eram muito importantes para o time, nem tentando renovar com Brad Smith nem Braylon Edwards e ainda dispensando (!!!) o Jericho Cotchery! O Burress pode dar certo, é um bom jogador, mas como toda aposta pode dar errado, portanto é bom ter um plano B. Mas o Jets mandou embora seu deep threath (Edwards), seu go-to guy em terceiras descidas (Cotchery teve mais de 80% das suas recepções para primeiras descidas em 2009!) e o jogador que dava versatilidade ao ataque com retornos, wildcats e tricky plays (Smith). E as saídas desses três jogadores importantíssimos pra um ataque liderado por um QB jovem e questionável foi compensada com a adição de um WR de 33 anos que é, acima de tudo, uma aposta, e com o Derrick Mason, que já tem 37 anos e ta vendo a produtividade caindo a cada ano mesmo jogando com um QB muito melhor que o Mark Sanchez? Sinto muito, eu gostei do Burress, mas não da pra falar que o Jets esteja com um bom planejamento, ainda mais de um time que está contando com uma evolução do QB pra dar o próximo passo.