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terça-feira, 27 de maio de 2014

Considerações sobre o Draft da NFL - NFC


BORT-uhls!!! - Via Mugen


Agora que acabou o Draft, entra a fase mais triste da NFL na temporada, aquele período totalmente morto entre o Draft e a pré-temporada. Mesmo quando o Super Bowl acaba, ainda tem alguma especulação de como times deverão se remontar para a temporada seguinte, troca de técnicos e dirigentes, e depois temos a free agency se aproximando, algumas trocas e contratações para especularmos e analisarmos. Depois entra na sequência do Draft, com combineMock Drafts, e muita especulação sem sentido até finalmente acontecer a tão esperada noite. Mas agora que o Draft passou, os times já estão montados, os melhores free agents fora do mercado, os cargos vagos de técnicos ou dirigente preenchidos, só o que nos resta são três meses de treinos, jogadores que você não conhece sendo cortados ou contratados, e esperar sentados enquanto nada acontece. Uma época muito deprimente. 

Por isso me parece uma boa hora para olhar para falar sobre o Draft. Claro, nós já falamos bastante sobre o assunto: tivemos o meu tradicional Running Diary, contando os eventos e minhas reações a primeira rodada do Draft; e tivemos uma coluna explicando sobre qual a melhor forma de se avaliar e pensar um Draft, bem como os melhores times da NFL usam isso para se manter no topo.

Então para encerrar a nossa cobertura e virar a página de vez para a temporada 2014 da NFL, vamos passar pelos 32 times da NFL com comentários rápidos sobre o que foi bom e o que não foi do seu Draft. Semana passada, fizemos alguns comentários sobre o Draft de cada time da AFC. Hoje, é a vez dos times da NFC receberem os elogios... ou não.


Dallas Cowboys

O Draft do Dallas Cowboys foi um difícil de ser julgado, e que gerou reações ambíguas. Por um lado, é inegável que a equipe conseguiu dois bons jogadores nas suas primeiras escolhas. Zack Martin e Demarcus Lawrence são dois jogadores que eu gostava e que preenchem necessidades imediatas da equipe: Martin chega pra resolver de uma vez por todas a instabilidade na linha ofensiva de Dallas junto de Tyron Lannister Smith, e Lawrence é o pass rusher que o time precisa desesperadamente depois de perder Demarcus Ware e Jason Hatcher nessa offseason. Então são boas adições para a equipe, sem dúvida alguma.

Por outro lado, quando observamos o contexto do Cowboys, vemos algumas decisões curiosas. Em primeiro lugar, Dallas precisa urgentemente de defesa, em um nível desesperado: eles tiveram a terceira PIOR defesa de 2013, e isso foi antes de perder seus DOIS melhores jogadores na offseason. Não é preciso de muito para perceber que a defesa de Dallas tem tudo para ser uma das piores da NFL e que precisa urgente de reforços, mas apesar disso, a equipe optou por usar sua escolha mais alta em um jogador de linha ofensiva. Martin solidifica essa linha, mas tinha um abismo absurdo entre as necessidades na linha ofensiva e na defesa, e Martin era o quarto tackle a sair do Draft. Uma escolha por um jogador defensivo faria muito mais sentido, e por isso foi estranho ver a equipe indo em outra direção.

Mas a gritante necessidade por um defensor pesou, e o time acabou trocando com o Redskins para subir na segunda rodada e pegar Lawrence. Mas o custo foi caríssimo, sua escolha de segunda rodada E uma de terceira rodada, 40% a mais do que a escolha valia. Esse overpay veio, claro, pela enorme necessidade de um defensor, que poderia ter sido evitada com uma escolha mais esperta na primeira rodada. E considerando que Dallas é um time com problemas de profundidade e que tem enormes dificuldades de contratar jogadores por causa da sua horrível situação salarial, parece ainda mais importante para Dallas manter suas escolhas de Draft como forma de conseguir trabalho bom e barato, ao invés de ficar dando escolhas de graça por ai para justificar seus erros. Em resumo, o Cowboys saiu com dois bons jogadores que devem ajudar a equipe desde o primeiro dia, mas a um custo exagerado, que nos deixa imaginando que a equipe poderia ter feito melhor com o que tinha em mãos.


Washington Redskins

Ir para o Draft sem a sua escolha de primeira rodada sempre é doloroso. Ver essa escolha acabar sendo a #2 em um excelente Draft... é ainda pior. Guerras foram travadas por muito menos.

Sabendo sobre esse valor perdido e sabendo também que precisava dar um jeito de recuperar parte desse valor, a equipe inteligentemente desceu na segunda rodada para roubar uma escolha de terceira rodada extra do Cowboys, o tipo de troca esperta que um time nessa situação deve fazer. Foi um bom valor, e adequado ao contexto.

O problema é o que o Redskins fez com essas escolhas. Trent Murphy foi um grande reach na segunda rodada, provavelmente ainda poderia ser pego na terceira (Skins tinha duas escolhas ainda) ou até mesmo na quarta, e Spencer Long (um Guard vindo de uma lesão no joelho que pode perder a temporada e deveria cair para o final do Draft) foi uma péssima escolha na terceira rodada. Ganha algum desconto porque eu achei Morgan Moses na terceira rodada uma excelente escolha e pela troca com o Cowboys, mas só. Um ano para esquecer.


Philadelphia Eagles

Eu realmente não gostei nem um pouco da escolha de primeira rodada do Eagles, que gastou a #26 escolhendo Marcus Smith, um OLB que alguns tinham saindo na terceira rodada e foi um gigantesco reach nessa altura. Para ser justo, o Eagles provavelmente estava de olho em Brandin Cooks na #22, então quando o Saints trocou para subir e pegar Cooks na #20, o Eagles perdeu seu alvo (tanto que trocou para descer). Mas isso não justifica essa escolha.

Mas pelo menos o Eagles compensou isso escolhendo muito bem no resto das rodadas. Jordan Matthews foi um ótimo valor na segunda rodada, e Josh Huff é um ex-jogador de Chip Kelly que encaixa muito bem no esquema tático da equipe - pegar um WR era uma necessidade depois de perder DeSean Jackson, e o Eagles saiu com dois muito bons e a ótimos valores. Eles também fizeram bem pegando o CB Jaylen Watkins na quarta rodada, e Kelly achou mais um de seus ex-jogadores no Oregon na quinta rodada (Taylor Hart). Todas boas escolhas. A verdade é que primeira escolha foi muito abaixo do esperado, mas o time foi impecável depois e saiu do Draft com jogadores nas principais áreas de necessidade.


New York Giants

O Giants teve um sólido - ainda que não espetacular - Draft, e embora a primeira escolha da equipe pudesse ter levado o time em uma direção diferente (mas não necessariamente melhor), é difícil achar algo para criticar ou elogiar muito nessa noite.

Beckham Jr foi uma escolha interessante, e a escolha que poderia talvez ter colocado o Draft da equipe um nível acima. Ninguém nega a necessidade do Giants por um WR, e vários analistas (inclusive eu) gostavam muito de Beckham Jr, mas não da para se perguntar se, com um Draft tão profundo em WRs e sendo OBJ um jogador tão parecido com Victor Cruz, o NYG não poderia ter ido em outra direção com essa escolha. Não que a escolha tenha sido ruim ou um valor fraco, longe disso, mas com tantos times querendo subir de olho em OBJ, me pergunto se essa foi a melhor opção da equipe. Talvez um OT ou um defensor fizessem mais pela equipe (ou uma troca para descer).

Não que isso fosse fazer o Draft melhor, mas seria diferente. O Giants usou suas demais escolhas para adereçar outras necessidades, como linha ofensiva e defensiva, nenhuma tendo sido um problema nem de grande destaque. A escolha de Andre Williams (RB) me foi particularmente interessante, dados os problemas na posição em 2013 e o baixo valor gasto (quarta rodada). Sólido, ajuda em algumas posições carentes, mas não me parece o tipo de Draft que vá mudar o destino da franquia.


Green Bay Packers

Green Bay deu bastante sorte quando Ha Ha Clinton-Dix caiu no colo deles, um jogador que é ao mesmo tempo um excelente valor no final da primeira rodada, um jogador que preenche uma necessidade imediata na equipe e alguém que melhora a equipe desde o primeiro dia. Se você fosse desenhar um "melhor cenário possível" para GB antes do Draft começar, provavelmente seria esse.

O Packers também achou bons valores no resto do Draft, especialmente Davante Adams (um bom WR que encaixa bem no seu esquema tático). Eles foram atrás de suas necessidades (um TE, um DT e um LB eram as maiores) entre as rodadas 3 e 4, e ainda tiveram como apostar em alguns WRs no final do Draft. Poucos times tem feito um trabalho melhor achando WRs no miolo do Draft como Green Bay (sim, jogar com Aaron Rodgers ajuda), e um dos dois pode explodir. Um bom e inteligente Draft ajudado pela sorte de Dix cair até eles na primeira rodada.


Chicago Bears

Um Draft um pouco esquisito, um time que não pareceu prestar muita atenção na questão do valor de cada escolha, saindo com alguns jogadores que foram escolhidos antes do que deveriam... e ao mesmo tempo não pareceu prestar tanta atenção nas maiores necessidades da equipe. Kyle Fuller claramente foi uma escolha por necessidade, um sólido CB e uma ajuda muito necessária a uma secundária, mas que foi um reach e que não faz tanto sentido com Clinton-Dix e Calvin Pryor - dois jogadores mais bem cotados e que jogam em uma posição muito mais carente para Chicago - ainda disponíveis. Também foi estranho ver Chicago fazendo dois reachs diferentes na segunda e terceira rodada para pegar dois DTs depois de encher sua linha defensiva de jogadores na offseason: a equipe já conta com LaMarr Houston, Jared Allen, Willie Young, Shea McCLellin, Stephen Paea, Jay Ratliff, Israel Idonije e Ego Ferguson, mais jogadores do que lugares disponíveis na linha, então é muito estranho ver o Bears usando suas escolhas de segunda E terceira rodada para mais dois DTs, e dois jogadores que deveriam cair um pouco mais.

Eu até gostei da escolha de Fuller, acho que a secundária de Chicago vai ser um problema enorme em 2014 e que foi uma boa forma de se antecipar a isso, mas com tantas outras necessidades significativas (em particular safety e linebacker, talvez até mais de um jogador em cada posição), achei que Chicago pouco fez para resolver a questão usando as escolhas de segunda e terceira rodada em dois jogadores de uma posição de menor necessidade (a não ser que Chicago esteja planejando usar uma linha defensiva com oito jogadores como sua defesa base) e cujo valor não correspondia muito bem a escolha utilizada. Um safety só foi escolhido no final da quarta rodada, e nenhum LB foi selecionado. Chicago é um bom time que investiu pesado na última offseason, então é compreensível que tenham se encontrado em uma posição onde poderiam arriscar um pouco mais nos jogadores que gostavam, e por isso não digo que foi um Draft ruim. Foi só estranho.


Detroit Lions

Talvez a mais importante mudança de Detroit tenha sido na offseason, a de técnico. Mas eles continuaram esse trabalho admiravelmente na noite do Draft, mostrando flexibilidade e bom discernimento. Eric Ebron, um TE extremamente versátil, não era a prioridade da equipe, mas reforçar o ataque era e Ebron é uma ótima adição que complementa muito bem Golden Tate e Megatron, e uma boa escolha uma vez que Justin Gilbert já estava indisponível. Kyle Van Noy também fez muito sentido, um sólido jogador que preenche uma necessidade e que é um grande amigo da primeira escolha de 2013, Ziggy Ansah (nunca subestime o impacto que esse tipo de coisa pode ter em um jogador jovem como Ansah), e Travis Swanson foi uma boa escolha para dar profundidade a linha ofensiva e eventualmente substituir Dominic Raiola. Três boas escolhas nas três primeiras rodadas.

Se existe uma crítica a ser feita aqui, é que o time pouco fez para adereçar seu grande problema na secundária, talvez a grande necessidade da equipe - o Lions só achou ajuda para a posição na quarta rodada com Nevin Lawson. Mas olhando a cada escolha, é difícil criticar o Lions por não estar empolgado com as opções disponíveis na secundária e ir atrás de jogadores melhores e mais valorizados com suas escolhas, esperando até achar um CB que realmente gostavam. Achar soluções para suas maiores necessidades é sempre importante no Draft, mas precisa ser balanceado com diversos outros pontos, e embora a falta de um CB possa voltar para assombrar a franquia em 2014, eles fizeram um trabalho muito bom saindo com ótimos talentos nesse Draft.


Minnesota Vikings

O Draft do Vikings apresentou alguns altos e baixos, mas o time saiu com tanto talento e com acertos tão marcantes que não tem como não achar que a equipe saiu muito bem desse ano, e enfim com a Franquia bem encaminhada.

A principal escolha, é claro, foi a de Teddy Bridgewater com a escolha #32. Teddy foi considerado, por dois anos, o melhor QB dessa classe, um Franchise QB capaz de entrar e jogar de cara, experiente em ataques profissionais e ler defesas, com uma capacidade sobre humana de escapar da pressão e ainda concluir jogadas. Ele terminou muito bem sua carreira em Louisville e parecia tão bom quanto sempre foi... até que, em algum ponto entre o fim da temporada e o Draft, alguns olheiros decidiram que não gostavam mais dele e que esses dois anos de atuações excepcionais mostrando todo esse talento de nada valiam, e ele começou a cair absurdamente em diversos Mock Drafts, com outros QBs com muito menos histórico de sucesso de repente aparecendo como prospectos mais bem cotados. No entanto, lembrem-se disso: em nenhum momento essa campanha da mídia e de alguns olheiros apaga os dois anos que Bridgewater mostrou ser um excelente QB, tanto que ao final do ano os principais avaliadores sérios de Draft da NFL ainda tinham Bridgewater como o melhor QB do Draft, caindo por questões de percepção de valor.

Então sair com um QB desses é sempre bom para um time como o Vikings, que tem problemas imensos com a posição desde que Brett Favre foi interceptado no final de conferência de 2009. Mas conseguir pegar o melhor QB desse Draft com a última escolha da primeira rodada é um golpe de mestre, possivelmente a melhor escolha desse Draft inteiro. E para Minnesota - um time que tem uma ótima fundação ofensiva, bons alvos, uma linha jovem e promissora e um dos melhores RBs da história da NFL - faz todo o sentido achar um QB sólido e inteligente como Bridgewater. Ótimo talento, ótimo encaixe e um valor espetacular. Só essa escolha já valeria o Draft inteiro.

Eu particularmente não fui fã da outra escolha de primeira rodada do Vikings. Anthony Barr era um bom prospecto, mas me pareceu um pequeno reach na escolha #9, e não acho que o cru pass rusher de UCLA faça muito sentido na defesa 4-3 do Vikings no momento. Ele não me parece um bom encaixe nem um bom valor a esse ponto, e acho que Minny ainda vai se arrepender dessa escolha. O Vikings também merece algumas críticas por ter falhado em resolver seu grande problema defensivo (MLB) e não ter adereçado mais os WRs em um Draft de grande profundidade e onde a equipe tinha 10 escolhas, e não no sentido "Não usou escolhas altas nisso, mas podem ser perdoados se não acharam nenhum jogador que valesse a pena", e sim que eles ignoraram completamente e passaram os três dias sem escolher UM jogador dessas posições.

Mas entre Bridgewater e as boas escolhas intermediárias que fez (algumas boas apostas em jogadores que encaixam bem na equipe, como David Yankey, Antone Exum e Kendall James), o saldo sem dúvida é positivo, e o Vikings pode ficar mais otimista indo para o futuro.


New Orleans Saints

O Saints não tinha muitas escolhas para trabalhar esse ano, e ficou com ainda menos quando fez uma troca bem ruim com o Arizona para subir sete posições na primeira rodada (ao custo exagerado de uma escolha de terceira rodada) para pegar Brandin Cooks. Eu adoro Cooks e acho que vai ser um ótimo WR na NFL, entendo que a troca era para pegar Cooks antes que o Eagles o fizesse na #22, e faz sentido o Saints ir atrás de mais armas para seu ataque. Mas colocando em contexto, os problemas aparecem: esse era um Draft extremamente profundo em WRs, e sem dúvida o time teria outras oportunidades de pegar outros bons recebedores sem precisar jogar fora uma valiosa escolha de terceira rodada, ainda mais valiosa considerando a situação salarial o Saints, a necessidade por mais profundidade e a falta de escolhas que a equipe tinha no ano. Além disso, parte do sucesso do Saints ofensivamente vem da sua capacidade de achar peças importantes sem gastar escolhas altas para isso, confiando no gênio de Sean Payton e em seu QB Hall of Famer. Então um overpay por um WR na primeira rodada faz menos sentido para o Saints do que para qualquer outro time, especialmente dadas as circunstâncias do Draft (poderiam ter tranquilamente escolhido Marqise Lee ou Kelvin Benjamin na #27, se quisessem). Eu adoro o jogador e gosto do encaixe, mas o preço a pagar foi alto e desnecessário demais.

Fora isso, o Saints pouco fez para se destacar com as poucas escolhas que lhes restavam. Apostaram em jogadores de alto potencial mas muito crus e ainda distantes da NFL, como o CB Stan Jean-Baptiste e o LB Khairi Fortt. Essas escolhas podem parecer ótimas em alguns anos, mas não passam segurança e dificilmente fazem o time melhor no curto prazo. E mesmo assim, o Saints falhou em adereçar seu outro emergente problema na linha ofensiva, não conseguindo então grandes valores nem resolver seus maiores buracos. Não foi um bom uso de uma quantidade limitada de recursos por parte do Saints.


Atlanta Falcons

Eu sei que o Falcons queria um pass rusher como Mack ou Clowney, e que Greg Robinson era o OT mais bem cotado do Draft. Mas para mim, Jake Matthews era o jogador perfeito para o Falcons, um time bem montado e maduro que já quer voltar aos playoffs o quanto antes. Matthews é o encaixe perfeito, um jogador muito experiente e pronto para entrar e jogar que vai solidificar desde o primeiro dia a linha ofensiva. Ele vai proteger Matt Ryan, e sua versatilidade permite que ele jogue do lado esquerdo (para enfim proteger o lado cego de Ryan) ou do lado direito (caso o Falcons queira insistir com Sam Baker na esquerda), dando ao Falcons um número muito maior de opções. Eu adoro essa escolha.

Ra'Shede Hageman foi uma mais complicada, um jogador talentoso de muito potencial que foi um bom valor na segunda rodada, mas que é um encaixe mais difícil em um time que não tem desenvolvido tão bem seus jogadores de defesa e que precisa de ajuda imediata... embora valha reforçar, um bom valor no #37 e que tem o potencial para ser um All-Star, faz sentido considerando as opções disponíveis. Eu também gostei muito da aposta em Dez Southward, um jogador que cobre uma necessidade imediata de safety e que encaixa bem no elenco. Um sólido uso de suas principais escolhas, e embora as críticas de que o Falcons não fez muito para adereçar sua principal fraqueza (pass rush) sejam justas sem um grande retorno de valor, achei que foi um Draft inteligente dadas as circunstâncias de cada escolha (a escolha mais questionável das três primeiras foi Hageman, mas não tinha um bom pass rusher disponível no #37) e a falta de opções claras para o pass rush.


Carolina Panthers

Todo mundo falou muito sobre a falta absoluta de alvos para o Panthers, e sobre como eles precisavam usar esse Draft para resolver esse problema. Mas com a enorme profundidade na posição e a aposentadoria de Jordan Gross, a linha ofensiva me parecia uma necessidade muito mais urgente, especialmente um LT. E apesar de diversas oportunidades para conseguir o OT que precisavam, o Panthers ignorou todas elas e fez muito pouco para adereçar uma linha ofensiva que pode ser um problema em 2014, usando apenas uma escolha de terceira rodada em um Guard e mais nada. Isso depois de ter usado a escolha de segunda rodada em Kony Early, um valor interessante na segunda rodada mas que dificilmente vai ter espaço imediato na excelente linha defensiva da equipe. Entendo a idéia de reforçar a profundidade e pensar em um projeto para desenvolvimento futuro, mas com extensões milionárias para Luke Kuechly e Cam Newton vindo ai, acho que era muito mais importante resolver os problemas imediatos da franquia e brigar por um título enquanto seus principais jogadores ainda são baratos e lhe oferecem uma vantagem competitiva.

E embora fizesse sentido que o time fosse atrás de um WR, a abordagem deles foi esquisita. Kelvin Benjamin é um bom jogador, mas é bastante cru e não me parece o encaixe ideal para o braço forte mas pouco preciso de Newton, especialmente com jogadores como Jordan Matthews e Marqise Lee ainda disponíveis (e provavelmente disponíveis ainda mais abaixo). Além disso, o time não usou nenhuma escolha depois da primeira rodada em um WR, não usando nem sequer uma escolha de sexta rodada para adicionar profundidade ou possíveis talentos para a posição apesar da absoluta carência (draftando ao invés disso um RB que eles não precisam). Isso seria aceitável se tivessem usado suas escolhas intermediárias e tardias em bons valores, mas nem isso foi o caso: uma foi usada em um RB desnecessário, e as outras duas em dois DBs que pouca gente via como um bom valor aonde foram pegos. Considerando as gritantes necessidades por WR e OT nesse Draft, é difícil gostar da forma como o Panthers usou o final das suas escolhas, mesmo com uma necessidade por DBs. Péssimo uso das escolhas, péssimos resultados, um Draft para esquecer.


Tampa Bay Buccaneers

Depois de ter investido muito pesado (e com bom sucesso) na sua defesa na offseason, faria todo o sentido se o Bucs se voltasse para o ataque no Draft, ataque esse que parece ser o fator limitante do potencial da franquia para 2014. Então não foi nenhuma surpresa quando o Bucs usou todas as suas seis escolhas de Draft em jogadores de ataque. E o melhor: usou-as muito bem.

Mike Evans caiu para o Bucs na escolha #7, um "melhor cenário possível" para Tampa que ficou feliz em adicionar um segundo WR grandalhão para fazer par com Vincent Jackson. Eles também aproveitaram para pegar Austin Seferian-Jenkins na segunda rodada, outro jogador que deve ser titular e reforçar o corpo de recebedores da equipe. Charles Smith (RB) e Kadeem Edwards (guard) também fazem bastante sentido para um time que precisa de profundidade nas posições. Um Draft com poucas escolhas espetacularmente complexas ou criticáveis, simplesmente um excelente uso pontual de suas escolhas para resolver suas necessidades mais urgentes associada a uma pequena sorte de ver os jogadores certos caírem até eles duas vezes.


San Francisco 49ers

Quer saber porque Trent Balkee é um mago dos Drafts? Veja o que ele fez esse ano: San Francisco entrou no Draft precisando de um terceiro WR, e munido de muitas escolhas de Draft, o que fez muita gente pensar que o Niners era um grande candidato a trocar para subir em busca de um jogador que queriam. Mas quando a oportunidade certa não apareceu e Odell Beckham Jr saiu do Draft mais cedo do que o antecipado, o Niners desistiu de trocar, usou sua escolha de primeira rodada em Jimmy Ward (uma escolha muito boa em um safety capaz de jogar de nickel - uma necessidade da equipe - e que provê profundidade para um time com dois safeties com histórico de lesões) e, depois da primeira rodada, trocou uma escolha de quarta rodada de 2015 para o Bills em troca de Stevie Johnson, o WR que eles tanto queriam. No segundo dia, o Niners tinha a escolha #56, mas assaltou trocou a escolha para o Broncos junto de uma escolha de sétima rodada em troca da escolha do Broncos na segunda rodada (#63), uma escolha de quinta rodada, e uma escolha de quarta rodada de 2015. Em seguida, o time pegou essa escolha #63 e a escolha de quinta rodada recebida... e trocou com o Dolphins pela #57 para pegar Carlos Hyde, o melhor RB do Draft. Então se você acompanhou, na prática o Niners desceu UMA posição na segunda rodada (#56 para #57) e cedeu uma escolha de sétima rodada para pagar a troca que fez por um Steve Johnson, um WR que teve três temporadas seguidas com 1000+ jardas e 7+ TDs e tem apenas 27 anos. Esse é o uso perfeito das escolhas de Draft .

Tendo garantido seu WR praticamente de graça e achando o jogador para a secundária que queria, e sem outros  grandes buracos no time, o Niners pode se dar ao luxo de fazer o que bem entendesse no Draft. E claro, o fez perfeitamente: uma troca para descer da escolha #61 para a terceira rodada em troca de uma escolha extra, ainda conseguindo pegar o melhor C do Draft e um jogador que queriam desde o começo (Marcus Martin); roubou Chris Borland, o segundo melhor MLB do Draft e um clone do Zach Thomas que encaixa perfeitamente na sua defesa (especialmente com NaVorro Bowman voltando de lesão), na terceira rodada; pode se dar ao luxo de gastar sua terceira escolha de terceira rodada em Brandon Thomas, um guard com potencial de Pro Bowl que caiu por conta de uma lesão no joelho... e francamente, usou todas as suas demais escolhas em jogadores que ao mesmo tempo apresentam um ótimo valor e um enorme potencial.

Eu teria preferido um pouco mais de agressividade para subir na primeira rodada e garantir um CB como Jason Verrett ou Marqueze Dennard, mas tirando isso, é difícil ter um Draft mais perfeito do que SF teve. Mesmo sem escolhas altas, eles conseguiram suprir suas duas necessidades maiores, pagar uma troca por um ótimo veterano com suas próprias escolhas, e ainda sair com o melhor RB, melhor C, melhor FB, possivelmente o melhor G e segundo melhor MLB do Draft, além de enormes escolhas de alto potencial. Dadas as escolhas que cada time possuía, nenhum time fez mais com elas do que o 49ers.


Arizona Cardinals

O Cardinals fez uma coisa que eu adoro e que sempre defendo que os times façam: se não tem uma escolha clara para você na sua escolha de primeira rodada, então troque para descer e acumular outros ativos, ao invés de pegar um jogador que não justifique o valor. Foi o que o Cardinals fez, descendo da escolha #20 para a #27, ganhando uma escolha extra de terceira rodada no processo. Eles usaram a escolha #27 para pegar Deone Bucannon. Bucannon foi um reach no #27, era considerado o quarto melhor safety do Draft e uma escolha de segunda rodada, mas considerando que você já tirou um enorme retorno da sua escolha com a troca para descer, não tem problema fazer um reach como esses, especialmente em um jogador como Bucannon, um jogador físico que complementa muito bem Tyrann Mathieu no esquema tático do Cardinals.

Eles complementaram essa boa decisão achando jogadores que encaixam bem na equipe e significam ajuda imediata, como Troy Niklas (um TE bem completo) e Josh Brown (que pelo menos deve ajudar nos retornos, e é um bom WR de velocidade). Também gostei muito da escolha do DE Kareem Martin na terceira rodada, não é o jogador que eles mais precisavam, mas encaixa bem no esquema tático e é um bom valor.

A única questão aqui é que o time não solucionou a questão do QB, uma necessidade menos urgente para o curto prazo, mas ainda assim uma necessidade. O Cards escolheu Logan Thomas na quarta rodada, mas é extremamente improvável que um QB que completou apenas 55% dos seus passes na NCAA (com 39 interceptações em três anos) tenha algum futuro na NFL. Mas um problema menor no que foi, em geral, um Draft muito bom e muito inteligente, que foi esperto na hora de manipular o valor das escolhas, e saiu com bons jogadores que preenchem necessidades e encaixam bem no esquema da equipe.


Saint Louis Rams

O Rams teve muita sorte antes mesmo do Draft começar, quando a temporada abismal do Redskins deu a Saint Louis a escolha #2 de bandeja. Com sua própria escolha bem colocada (#13), o Rams parecia pronto para ter um excelente Draft.

Mas todo mundo sabe que ter um bom Draft antes dele começar não necessariamente significa que ele vai ser bom quando terminar - você ainda precisa acertar suas escolhas, tomar boas decisões, e fazer o máximo com o que tem nas mãos. E o Rams fez tudo isso muito bem, ele aproveitou a condição prévia (a escolha alta extra), incorporou isso ao seu plano, e saiu do Draft como um grande vencedor. A escolha do Redskins acabou virando Greg Robinson, um imenso e fortíssimo OT que ainda é cru demais para jogar de LT... mas tudo bem, porque Jake Long ainda está em Saint Louis, o que permite que Robinson se desenvolva sem pressa enquanto ocupa outra posição (guard ou RT) que ele pode dominar mais facilmente com suas habilidades naturais.

Mas a melhor escolha mesmo foi a de #13, Aaron Donald. O Rams tem uma sólida linha defensiva, e melhorá-la não era prioridade... mas quando Donald caiu no colo deles, ele foi demais em termos de valor e talento para deixar passar. Ele é uma força destrutiva no meio da linha que é perfeito para Saint Louis, e se a linha era boa antes, agora ela é uma força da natureza que tem tudo para ser a melhor da NFL. Mesmo que DT não fosse uma necessidade, a equipe identificou o melhor valor e o jogador disponível que mais teria condições de ajudar no curto e longo prazo, e portanto foi uma escolha perfeita.

No restante do Draft, Saint Louis manteve o bom nível, achando reforços importantes para a secundária (o versátil Lamarcus Joyner e o sólido Maurice Alexander) e sem cometer nenhum erro digno de nota. A quantidade de talento é impressionante, adereçando áreas importantes e reforçando outras de forma dominante. Foi um excelente Draft por esse ponto de vista. Minha única crítica é não ter buscado um WR em um Draft tão profundo quando seu grupo de recebedores é péssimo, mas é uma crítica menor.


Seattle Seahawks

Seattle foi campeão do Super Bowl ano passado, e um dos motivos para isso foi o enorme sucesso que o time teve achando talentos em rodadas tardias e desenvolvendo jogadores menos cotados. Então faz sentido a postura da equipe de descer no Draft enquanto acumulava escolhas tardias, e leve com um grão de sal tudo que eu disse que não pareceu uma boa decisão pelo resto da coluna. Se existe um time com o benefício da dúvida na NFL hoje, é o Seahawks.

Mas que as decisões foram confusas e meio absurdas, elas foram. As trocas para descer, ainda que boas, não trouxeram enormes retornos em valor, e quando o time usou a escolha de fato, parecia sempre pegar um jogador que era uma escolha horrível: Paul Richardson seria um tremendo reach na segunda rodada para qualquer time, com muitos jogadores ainda melhores disponíveis, e Justin Britt não devia sair até a quarta rodada para muitos. É verdade que WR e OT eram duas posições que eram necessidades, mas dava para ter feito muito melhor em termos e valor.

O Draft inteiro foi mais ou menos assim, com trocas para descer e jogadores sendo escolhidos muito antes do que seu valor de mercado indicaria. Normalmente isso seria um Draft muito questionável, mas provavelmente é mais um time que tem se destacado pelo seu reconhecimento de talentos e fantástico desenvolvimento confiando no seu taco. Eles merecem o benefício da dúvida, mas hoje, antes da temporada começar, foi um Draft muito fraco.

segunda-feira, 10 de março de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - NFC (parte II)


"Pega essa flag e enfia no...!!!!"


AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Depois, falamos em duas partes sobre os times da AFC que não foram aos playoffs (Parte I e Parte II). Agora, é hora de falar dos times da NFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro. Tivemos a Parte I com os times das NFC East e South. Agora é hora de falar dos cinco times restantes.

Para facilitar (AKA Carnaval), esse post também foi dividido em duas partes.


Times da NFC fora dos playoffs (Parte II)


Chicago Bears

A grande história dessa offseason para o Bears foi a renovação de contrato de Jay Cutler, um contrato de 7 anos e 126M. Muita gente - corretamente - achou que era um contrato absurdo tanto em duração como em valor para um QB de 31 anos (em Abril) que tem dificuldade ficando saudável e que nunca foi muita coisa em Chicago desde que foi adquirido de Denver. Ele é um sólido QB em geral, mas é instável, nunca fez nada para justificar um contrato que lhe pague mais que os de Matt Ryan, Peyton Manning ou Ben Roethlisberger... e talvez mais importante, o Bears vem de uma temporada na qual Cutler foi substituido (quando machucado) por um veterano de 34 anos que não era titular na NFL desde 2004, e conseguiu com ele produção igual ou superior da que Cutler proporcionou em meio a um ataque muito completo. Então o contrato realmente foi causa para questionamentos.

Embora o contrato seja questionável, o fato é que o Bears o montou muito bem. A duração e o valor do contrato enganam um pouco a primeira vista: embora o contrato seja de 7 anos e 126 milhões, só os primeiros três anos (e os 54M de salário base desses três anos) são garantidos, sem nenhum tipo de bônus. Em outras palavras, embora o Bears esteja totalmente preso a ele e seus salários imensos pelos próximos três anos, depois disso o time já pode cortar o QB sem nenhum custo adicional ou dinheiro morto no salary cap, então não é como se o time fosse ficar preso a Cutler por esses sete anos. Ainda que me pareça demais pagar 18M anualmente (a anualidade do contrato dele não é igual para os três anos, mas essa é a média) para um QB como Cutler quando você consegue produção igual ou melhor de um QB mediano como Josh McCown, o fato é que o contrato foi bem estruturado e oferece opções para Chicago, que manda uma mensagem clara de que acredita que Cutler seja sua melhor chance de sucesso no curto (e talvez médio) prazo.

Mas por melhor estruturado que seja o contrato para proteger a folha salarial futura de Chicago, o fato é que pelo menos por três anos, o time vai ter um contrato imenso entupindo sua folha salarial. O que, claro, gera para Chicago um problema semelhante ao que Joe Flacco gera para o Ravens: deixa o time sem flexibilidade salarial para a free agency. Hoje, Chicago tem apenas 8M livres para contratar jogadores e renovar com os seus, e se quiser aumentar esse valor vai ter que dispensar Julius Pepper (10M), vindo de temporada decepcionante, Lance Briggs (5M, mas foi o melhor defensor de Chicago em 2013 mesmo perdendo metade dos jogos) e/ou Earl Bennett (2.5M).

O problema, como vocês talvez tenham reparado, é que dois desses jogadores - e mais os quatro principais free agents do time, Henry Melton, Charles Tillman, Landon Cohen e Major Wright - são todos jogadores da defesa, e pior, a defesa de Chicago foi um enorme fiasco em 2013. Parte disso foram as lesões - jogadores como Melton, Briggs, Stephen Paea e DJ Williams perderam bastante tempo machucados, por exemplo. Mas isso não muda o fato de que Briggs foi o único defensor acima da média de Chicago em 2013, e que o time tem uma TOTAL falta de talento em todas as posições. Se Briggs for mesmo dispensado para abrir espaço salarial, quem sobra de defensor que tem lugar garantido na equipe? Jay Ratliff vai jogar de DT com seu contrato recém-assinado e o time espera que ele possa render perto do que rendeu no Cowboys, mas é uma aposta grande; Stephen Paea é um sólido titular quando saudável, o que não foi em 2013 (nem saudável, nem sólido titular quando jogou) e deve fazer a dupla de DT; Tim Jennings tem um contrato longo e caro e deve ser o CB titular, mas apesar das interceptações ele é mediano no máximo... quem mais? Quem vai cobrir o meio do campo com Briggs e DJ Williams fora? Quem vai pressionar o QB sem Julius Peppers (que foi mal nisso em 2013, mas para ser sincero, ninguém foi bem além de Landon Cohen, e ele mesmo foi apenas ok)? Quem vai jogar na secundária? Por conta de lesões, dispensas, idade e aposentadorias, Chicago não ficou com alguns buracos na defesa, a defesa inteira é um buraco!

Então mesmo que Chicago consiga liberar esses 25M de folha salarial com todas as dispensas, ainda vão ter muito trabalho para montar uma defesa competente. O principal alvo do time parece ser Michael Bennett, vindo de uma temporada espetacular com Seattle e que seria tudo que Peppers não foi em 2013, mas tamb ém ocuparia sozinho uns 8-9M dessa folha salarial, e ele não vai resolver todos os problemas. Chicago tem tudo para ser um time bastante ativo em busca de defensores nessa free agency, e se quiserem ir aos playoffs com Cutler, precisam de jogadores de impacto o quanto antes. 


Detroit Lions

A ex-garantia nos playoffs da NFL que virou piada perdendo 6 de seus 7 últimos jogos na temporada fez a coisa que todo mundo estava louco para vê-los fazendo: demitiu o péssimo técnico Jim Schwartz, um dos fatores que mais estava atrapalhando um bom time (Detroit terminou 7-9 com Pythagorean Wins de 8.5-7.5, segundo ano consecutivo que o time termina a pelo menos 1.5 vitórias atrás do que devia). Ok, o substituto que eles acharam foi o fraquíssimo Jim Caldwell, que me parece uma pequena overcorrection: depois do fracasso do ultra-descontrolado Schwartz, foram atrás de Caldwell, que não esboça nenhuma emoção sob nenhuma circunstância e parece estar eternamente preso em uma expressão de coitado. Mas estou fugindo da questão: o time corretamente se livrou de um de seus maiores problemas, mas depois de ser recusado por Ken Whisenhunt e não ter sucesso com Lovie Smith, foi atrás de um técnico muito fraco, que não é o ideal para um time com talento que tem repetidamente acabado abaixo do que deveria. 

A boa notícia para o Detroit é que o time tem uma base excepcionalmente talentosa em mãos, dos dois lados da bola. O Lions tem sido o melhor time da NFL nos últimos anos desenvolvendo jogadores de linha ofensiva, com uma das melhores da NFL pelo segundo ano consecutivo mesmo perdendo dois titulares entre 2012 e 2013, e o guard calouro Larry Warford pode ser o melhor calouro de 2013 que ninguém conhece. Eles tem um bom QB (ainda que inconsistente) em Matt Stafford (btw, para so que acham que Stafford é um caso perdido, ele é só 4 meses mais velho que Ryan Tannehill), e o melhor WR da NFL em Calvin Johnson, e começaram a ter algum sucesso correndo com a bola em 2013, algo que deve ser uma parte maior de seu ataque para 2014. Defensivamente, o time sai de um bom 2013 com uma das melhores bases jovens da NFL: Ndamukong Suh e Nick Fairley podem formar a melhor dupla de DTs da NFL, Ziggy Ansah mostrou muito potencial como calouro apesar de cru e deve assumir a titularidade, Stephen Tulloch e DeAndre Levy solidificaram o meio da defesa, e Glover Quin jogou muito bem no seu primeiro ano em Detroit. O time tem problemas, claro, mas poucos tem uma base tão talentosa na NFL dos dois lados da bola, muito menos tão jovem como essa.

Detroit tem, como todo time nessas condições, alguns buracos atrapalhando o time. No ataque, o grande problema é a falta de complemento a Megatron. Nenhum - NENHUM - WR do time foi sequer "competente" em 2013, e aliado isso a falta de um bom TE, deixa Stafford e Megatron como a mais manjada combinação de passe da NFL. Claro que ela ainda funciona, mas esse ataque iria ser extremamente mais assustador se o time tivesse outro bom WR e um bom TE para atrair atenções da defesa ou se beneficiar da marcação extra (e por "extra" leiam "tripla") que as defesas dedicam a Megatron. Defensivamente, o grande problema tem sido a secundária. O time é extremamente forte na frente, mas Louis Delmas é FA e só sobra Glover Quinn como um bom jogador nessa unidade, depois que Chris Houston decepcionou em 2013. 

Detroit tem o suficiente para brigar pelos playoffs imediatamente, se Jim Caldwell conseguir ser sequer competente (e mesmo não gostando de Caldwell, acho que ele não vai ser tão prejudicial como Schartz), mas o time precisa adereçar esses problemas se quer continuar crescendo. O time tem apenas 10M em salary cap, o que prejudica consideravelmente suas pretensões, e embora deva receber algum alívio nisso quando Suh finalizar seu novo contrato, dificilmente terá condições de ser um time ativo na FA. Minha expectativa é que o time tente resolver seu problema ofensivo no Draft - um draft extremamente forte em WRs do qual o time pode facilmente sair com Mike Evans ou Marquise Lee da primeira rodada - e tente adicionar alguns veteranos baratos na defesa de menor impacto enquanto esperam um 2015 mais favorável salarialmente (o mercado de CBs está muito bom, e tem alguns jogadores de menor expressão ou mais veteranos que seriam interessantes como um complemento). A margem de manobra é pequena, mas a recompensa pode ser muito grande.


Minnesota Vikings

Esse é complicado. Vamos começar da declaração recente de Adrian Peterson de que com Michael Vick de QB, o time estaria indo aos playoffs. Mas vamos mudar um pouco, passando de "Michael Vick" para "um bom QB" (que não necessariamente é o caso de Vick, mas nunca se sabe), porque esse tem sido o grande problema do Vikings desde que Brett Favre aposentou: Christian Ponder foi um bust, ninguém mais rendeu, e embora Matt Cassell tenha sido competente ano passado e tenha renovado seu contrato, acho que todo mundo sabe que ele não é o cara que vai resolver as coisas por lá.

A primeira pergunta é, um QB teria condições boas de jogo em Minny, com um bom elenco de apoio? A verdade é que teria. Em 2013, o time teve uma sólida e jovem linha ofensiva que estará de volta, e embora ela ainda seja melhor correndo do que protegendo o QB, ela também se mostrou promissora nesse sentido, com quatro OL (mais um TE e um FB) tendo notas positivas em pass protection em 2013. O QB também contaria com a presença de um dos melhores RBs da liga em Adrian Peterson, um cara capaz de ser o foco do ataque, encurtar descidas, abrir a defesa e tornar MUITO mais fácil a vida em play actions pelo mundo (em 2013, as defesas consistentemente colocavam 8 ou 9 jogadores na linha para segurar AP apenas deixando ENORMES espaços para um QB aproveitar... que não foram aproveitados pela falta de um QB). E por fim, o time conta com um corpo interessante de WRs, com Greg Jennings, Cordarelle Patterson e o interessante Jairus Wright (e Jerome Simpson também, se voltar, mas acho difícil), além de uma dupla de TEs (Kyle Rudolph e John Carlson) que mostrou ser promissora tanto bloqueando como recebendo. Falta aquele WR de segurança pelo meio, e um TE mais dominante (ao invés de dois acima da média) seria ótimo, mas é uma boa base para um QB ser colocado, seja ele Vick ou qualquer outro.

E defensivamente, será que ela consegue segurar? Bom, isso é um problema bem maior, porque a defesa foi bem mal em 2013 e não apresenta muitos sinais de melhora. O melhor defensor do time em 2013 (Kevin Williams) e o jogador mais dominante individualmente (Jared Allen) não devem voltar, e isso é um problema para uma defesa que foi a sexta pior da NFL em 2013 em DVOA e pior em pontos cedidos. O time inteligentemente renovou com o promissor Everson Griffen (embora a um valor absurdo), Harrison Smith deve ajudar com uma temporada inteira saudável e Xavier Rhodes se mostrou interessante como calouro, e embora Shariff Floyd tenha decepcionado, a saida de Williams deve abrir mais espaço para ele ser titular e se desenvolver... Mas ainda falta muito para essa defesa conseguir lidar com as potências da NFC. O time precisa de mais pass rush além de Griffen e Brian Robison (sim, Robison), Chad Greenway foi muito mal em 2013 jogando fora de posição, e a secundária ainda precisa de muitos reforços antes de sequer ser considerada "decente" (quarta pior em 2013). Além disso, acho que o impacto da saída de Williams e Allen vai ser mais sentida do que parecem a princípio, com Griffen e Robison não tendo mais os espaços gerados pela marcação dupla no camisa 69 e Williams deixando de existir como o pilar da defesa ocupando dois bloqueadores. A boa notícia é que o time tem muito espaço salarial - 40M antes de contar os salários de Griffen e Cassell, o que deve deixar uns 26M sobrando - e essa é uma free agency interessante do lado defensivo da bola. Esperem um bom DE (Micahel Johnson?) e um CB ou mesmo safety (Aqib Talib? TJ Ward?) sendo os principais alvos do time, mas mesmo assim, essa defesa ainda me parece algum tempo distante de ser a defesa de um candidato ao título na forte NFC, QB novo ou não.

Então acho que Peterson, embora não totalmente absurdo, não esteja tão certo achando que só um QB é o que falta para o time decolar. O ataque sem dúvida tem potencial para ser bom com um upgrade na posição, mas a defesa não vai acompanhar de imediato. O que, para mim, não é um problema, considerando que a defesa tem alguns talentos jovens de base mas precisa de muita coisa nova por cima, e o ataque é composto principalmente de jogadores jovens e veteranos com contratos que ainda duram bastante. Vencer agora seria ótimo, mas não é como se Minny tivesse um núcleo veterano e caro que precise vencer logo para não desperdiçar alguns bons jogadores. Se algum time tem uma base que pode esperar, é Minny.

Claro, ainda tem o problema do QB a ser resolvido, e tenho certeza que o Vikings quer vê-lo resolvido o quanto antes, porque é o que falta para o ataque do time se acertar. Minnesota tem a 8th escolha do próximo draft, e adoraria que um jogador do trio Manziel-Bridgewater-Bortles sobrasse para eles nessa escolha. A chance é real: quatro times na frente do Minnesota tem necessidade de QB, mas o Texans parece estar avaliando o mercado de veteranos e tem boas chances de escolher Jadeveon Clowney, e se ele não escolher, o Jaguars pega. Aliás, o Jaguars é um time interessante, que renovou com Chad Henne e talvez não esteja tão desesperado atrás de um QB, e é possível que ou eles ou o Raiders optem pelo caminho de "escolher o melhor jogador disponível independente de posição", que pode significar Sammy Watkins. É uma aposta que um dos três QBs caia até a 8th pick, mas é possível, e caso não aconteça, o time já mostrou que não tem nenhum pudor de trocar muitas escolhas valiosas para subir no draft para pegar quem eles querem, então podem muito bem entrar no final da primeira rodada com uma troca para pegar Jimmy Garopollo ou Zach Mettenberger. Mas vai ser interessante ver como o time resolver esse problema, ou mesmo SE direciona recursos demais a isso no momento com Cassell de volta ganhando 5M por ano.


Arizona Cardinals

Como o dono de um dos meus twitters favoritos e uma das interações mais legais da internet, Neal Kendrick (torcedor do Seahawks) disse, você poderia fazer um excelente argumento que no final da temporada o Cardinals era o terceiro melhor time da NFC depois de Seattle e San Francisco. Você pode concordar ou não com a afirmação, mas definitivamente pode fazer um argumento: Arizona teve a segunda melhor defesa da temporada regular, achou um ataque dinâmico em volta do RB calouro Andre Ellington e sua dupla espetacular de WRs titulares (Larry Fitzgerald e Michael Floyd) e foi 7-1 entre as semanas 8 e 16 (incluindo uma vitória sobre o Seahawks EM Seattle) para chegar na semana 17 ainda com chances de playoffs, mesmo enfrentando um dos três calendários mais difíceis da temporada.

Ironicamente, os dois fatores que seguraram o time em 2013 foram seu QB, e seu técnico. Bruce Arians recebeu muitos elogios por seu trabalho como técnico em Arizona e até consideração para Coach of the Year, e ele fez muitas coisas boas, mas uma das mais inexplicáveis foi manter Rashard Mendenhall de RB titular com suas 3.2 jardas por corrida e absolutamente se recusar a usar o muito mais explosivo Ellington (5.5 jardas por corrida e um dos RBs mais dinâmicos da temporada recebendo passes). Até entendo ter um RB mais "tradicional" para mover as correntes e usar o mais dinâmico Ellington em situações não convencionais, mas essa lógica passa a ser ridícula quando seu RB "convencional" é um dos piores da NFL. E em termos de QB, quando seu QB titular é um veterano de 34 anos que foi trocado 2x nos últimos três anos depois de se recusar a jogar pelo seu time da época, e ele lança 22 interceptações... isso é um problema.

Fato é que Carson Palmer não foi horrível em 2013, mas certamente não foi bom. 24 TDs, 22 interceptações e mais altos e baixos do que uma temporada de Dexter, ele foi basicamente um QB médio e muito inconsistente (sério, vejam seus game logs: ele teve seus melhores jogos contra Atlanta, Jacksonville, Indy, Tennessee e Saint Louis e os piores contra Carolina, San Francisco, New Orleans e principalmente Seattle). Ele continua no time para 2014 (cortar Palmer custaria ao time quase 7M em dead money, embora salve 5M do salary cap), e é uma incógnita em qual direção Arizona vai se mover. Enquanto Palmer for o titular do time, ele provavelmente vai continuar sendo esse cara mediano de alto risco, e é difícil imaginar esse time dando um grande salto de produtividade, mas Arizona não parece em uma situação ideal para resolver essa questão agora. O mercado de QBs hoje é basicamente composto de veteranos medianos (eles não precisam de outro) ou jovens sem experiência com preçøs inflacionados (btw, NINGUÉM vai pagar uma 2nd round pick por Kirk Cousins ou Ryan Mallett) e dificilmente um dos três principais QBs do draft sobraria para o Cards. E enquanto me parece o time ideal para pegar um QB mais cru na segunda ou terceira rodada e deixá-lo um ano desenvolvendo atrás de Palmer, é difícil imaginar que Palmer não vá ser o titular do time em 2013.

Isso limita o potencial ofensivo do time, mas é favorável a tentar resolver o problema de forma arriscada e extremamente cara (AKA trocar por Kirk Cousins ou Mallett, ou trocar mundos e fundos para subir no draft e tentar um QB melhor). Enquanto isso, o time deve direcionar seus 22M de cap space e escolhas de draft para resolver o outro enorme problema da equipe: linha ofensiva. O Cardinals teve uma das três piores OLs da NFL em 2013, com NENHUM dos seus lineman terminando o ano com uma nota positiva (per ProFootballFocus). O mercado de LTs está muito interessante (Eugene Monroe, Brandon Albert ou Jared Veldheer seriam ótimas adições), e embora só um LT não iria salvar essa péssima linha ofensiva, é um bom começo. Um desses jogadores ainda iria deixar um bom espaço salarial, e o time poderia pegar jogadores a custos menores ou mesmo no draft para pelo menos completar os cinco titulares que precisa. Uma linha competente pode significar mais tempo e calma para Palmer no pocket, e isso pode ajudar bastante mesmo que o time não arrume um QB novo.

O Cards tem outras áreas de necessidade - um outro safety, um pass rusher e um TE quebra-galho sendo as principais - mas o time consegue se virar bem com o que tem e jogadores baratos nessas posições. QB não deve mudar, então vamos ver se o Cards mergulha de cabeça no mercado para transformar sua linha e tentar derrubar Niners e/ou Seahawks.


Saint Louis Rams

Por mais que seja irônico dizer isso sobre um time 7-9 que nem chegou perto de ir aos playoffs, o Rams foi o grande vencedor da NFL entre os times que não foram aos playoffs. E eles devem isso a Robert Griffin.

Quando o Redskins trocou para subir no draft e pegar RG3, parte do pacote que foi para Saint Louis foi a 1st pick deles em 2013. E com RG3 jogando muito mal e o Redskins terminando como o segundo pior time da liga, isso significa que o Rams agora tem a 2nd overall pick do draft além da sua própria, e um núcleo muito interessante que deu um passo a frente em 2013 (você não pode culpar o Rams por jogar na NFC West). Por isso podemos falar que o Rams se deu muito bem saindo de 2013 apesar do pouco espaço salarial (10M).

Os planos para a 2nd pick do Rams é o que vai determinar a direção da sua offseason. É uma posição que pode dar ao Rams o offensive tackle que eles tanto querem (Greg Robinson sendo o principal candidato, mas não durma em Jake Matthews) para reforçar sua eternamente problemática linha ofensiva e dar ao recém-descoberto Zac Stacey um companheiro para lhe abrir o caminho nas corridas, mas também é uma posição de alto valor em um draft com um jogador como Jadeveon Clowney ou seus três QBs "principais". Não sei exatamente qual seria o mercado por essa pick, mas se Clowney passar de Houston vai ter muito time de olho em uma troca, ou mesmo times intermediários (Vikings, principalmente) buscando subir para garantir seu QB, então o Rams pode trocá-la, acumular ativos como tem feito e ir atrás de uma maior variedade de talentos. É difícil dizer realmente porque acho que nem o Rams sabe, eles vão seguir a correnteza e decidir o que é mais vantajoso na hora, mas é o foco dessa offseason.

O Rams não é um time muito completo em termos de talento, mas eles defintivamente tem jogadores de muito potencial - futuro ou presente. Ofensivamente, com um sólido tackle (acho que é o que eles pegarão, com a 2nd pick ou trocando para descer), Jake Long e os decentes guards da equipe (especialmente se Roger Saffold voltar, e deveria) o time parece ter uma linha ofensiva estabelecida, e Zac Stacey mostrou muita promessa como um RB titular ano passado. Tavon Austin foi uma grande decepção como WR, mas se mostrou extremamente dinâmico com a bola nas mãos e um ataque criativo pode fazer bom uso dessa habilidade, embora para um QB ele não seja tão útil como alvo confiável. E defensivamente, Robert Quinn explodiu como um dos melhores defensores da NFL e sólido candidato a DPOY, e com Chris Long e Kendall Langford o Rams parece estável com uma das melhores linhas da liga. Mas fora isso, o time ainda enfrenta questões: a não ser que Austin evolua muito como WR puro nessa offseason, o time continua sem alvos confiáveis para seu QB, e embora uma evolução de Alec Ogletree e um 2014 melhor de James Laurinaitis possam solidificar um pouco o miolo da defesa (uma aposta, btw, já tem dois anos que Laurinaitis não vem bem), a secundária ainda é um enorme problema se Janoris Jenkins continuar sem mostrar evolução alguma. 

Por isso não vejo como um problema que o time tenha não decidido mudar de rumo com um QB novo, dispensando o caro e improdutivo Sam Bradford. O time fez um ótimo trabalho acumulando ativos e jovens jogadores, e está em posição de adicionar pelo menos mais dois na primeira rodada esse ano, mas ainda não tem o time completo para disputar a fortíssima NFC West. O time faz bem em não ter pressa, e a não ser que o time veja algum QB sobrando na 2nd pick que acredite que venha a ser um franchise QB, o time deve continuar juntando seus talentos jovens até achar o jogador certo. E sendo assim, as vezes vale mais a pena um último ano para ver se Sam Bradford desponta de vez do que se apressar e draftar um QB só para competir logo quando o resto do seu time não está pronto. Não que o Rams não seja HOJE um sólido time, competitivo e dando trabalho para os fortes da NFL, mas não sei o quanto seu teto estaria limitado hoje pela falta de WRs e de secundária - dois problemas que será difícil adereçar sem o cap space hoje. Não é fácil ter paciência na NFL, mas o Rams tem feito um bom trabalho misturando paciência para acumular ativos com um time sólido dentro de campo.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Pontos importantes da semana 7 da NFL

"E ai para comemorar o novo logo vamos bater alguns recordes negativos da NFL!"



Ainda não participou da nossa ultra nerd e ultra divertida promoção de NBA? Não sabe o que está perdendo! Clique aqui e tenha a chance de ganhar um livro massa de basquete - ou pelo menos ter o que fazer nessa offseason!!

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Mais uma rodada se passou, mais uma vez vamos abordar, extensamente e nos mínimos detalhes, alguns topicos de interesse que surgiram. Mas antes, um anúncio importante...

Aberta a temporada de mailbags


É com grande prazer que anuncio que estamos abrindo novamente as portas para novos mailbags. Para quem não sabe o que é um mailbag, funciona assim: é uma coluna na qual eu publico emails dos leitores (podem ser perguntas, comentários, whatever) e os respondo, esvaziando minha caixa de entrada, aproveitando para trazer algumas opiniões e comentários interessantes, descontrair um pouco, e interagir com os leitores (minha coisa favorita em ter um blog). É uma forma também de todo mundo participar um pouco, expressar suas opiniões, e aliviar o clima as vezes muito analítico e complicado que fica nessas colunas. Já fizemos uma edição antes um pouco tímida e nunca fizemos de novo, embora as vezes um email interessante inspirasse uma coluna ou algo do tipo. Então agora acho que é um bom momento para tentar de novo, então todo mundo que quiser pode mandar quantos emails quiser para o nosso próximo Mailbag, que deve acontecer quinta que vem.

Se quiser participar, é bem fácil. É só mandar um (ou, na verdade, quantos quiser, não tem limite) email  para "tmwarning@hotmail.com" (de preferência com o título "Mailbag", para facilitar minha vida). No corpo do email é só mandar sua pergunta/comentário/whatever e, se quiser, seu nome e cidade para identificação (opcional). Quinta feira que vem vamos publicar e comentar/responder os melhores aqui e no site do Esporte Interativo, então fiquem ligados.

E vocês podem mandar basicamente o que quiserem no email. Pode ser uma pergunta, uma dúvida ou algo assim, pode ser um comentário interessante, uma opinião, o que vocês quiserem. Pode ser sobre a NFL, pode ser sobre o esporte, pode ser sobre outra liga, sobre um time, sobre um jogador, ou sobre algo que nada tem a ver com nada. Pode ser sobre mim, sobre o blog, sobre algum texto, sobre o que quer que seja - não precisa nem ser sobre esporte desde que seja interessante e/ou engraçado. Vou tentar publicar o máximo possível de emails (dependendo do quanto chegarem), e vou dar preferência com base nos critérios de relevância, interesse da pergunta/questão/comentário e o quanto eu gostar pessoalmente da questão. Já aviso que, obviamente, vou dar preferência aos esportes, mas se tiverem perguntas interessantes de outros assuntos (direta, indireta ou não-relacionados a esportes) também terão seu espaço. Então aproveitem a chance e mandem o que tiverem interesse, quantas vezes quiserem, e veja se sua pergunta aparece quinta feira aqui e no Yahoo. Participem!

As lesões que afetam os quarterbacks


Um dos assuntos que dominou as atenções nas últimas semanas ao redor da NFL foi a quantidade assustadora de lesões a jogadores importantes que aconteceram. Apenas nas últimas semanas vimos Bryan Hoyer, Vince Wilfork, Jerod Mayo, Leon Hall, Reggie Wayne, Sam Bradford, Brian Cushing, Julio Jones, Sean Weatherspoon, Danieal Manning, Ahmad Bradshaw, Dwight Freeney, Ian Williams, Ryan Clady e Russell Okung serem todos colocados no IR, designados para perder toda a temporada por conta de lesões. Jermichael Finley sofreu uma lesão no pescoço que algumas pessoas, espero que overreacting, disseram que poderia encerrar sua carreira. Além disso, diferentes lesões a jogadores como Michael Vick, EJ Manuel, Jay Cutler e MAtt Schaub estão causando todo tipo de mudança em times ao redor da NFL, e essa quantidade - que parece ter se concentrado no mês de Outubro por algum motivo - começa a chamar a atenção.

Claro, uma parte dessas lesões são explicáveis pela natureza do jogo ou simplesmente fruto do azar. Não é esse o ponto. Futebol americano é um esporte jogado em alta velocidade, por jogadores muito grandes e pesados, e com muito contato físico - para um jogador cair no lugar errado, de forma errada, ser atingido em um ponto vulnerável e tudo mais em toda essa correria e altíssima velocidade é muito fácil, e só precisa de um OL de 140kg caindo sobre sua perna para acabar com seu ano. Da mesma forma, com as novas mudanças que a NFL está impondo para diminuir as concussões também levam a muitos tipos de lesões: agora que os defensores não podem mais visar a cabeça ou a parte superior do corpo de seus alvos, a alternativa que lhes resta para dar tackles é atingir a perna dos WRs, e com jogadores muito fortes se jogando nas suas pernas a alta velocidade, tudo que precisa é de um pouco de azar, de um pé preso na grama ou de um salto mal calculado para seu joelho ir para o inferno. Isso tudo, infelizmente, faz parte do jogo.

No momento, eu estou muito mais interessado no efeito do que nas causas. A questão é que nas últimas duas semanas, um número muito grande de QBs se viu vítimas de lesões, e considerando que o quarterback é de longe a posição mais importante para qualquer time no curto ou médio prazo, as consequências também são maiores mesmo não se tratando de um QB de elite (embora meu editor jure que o Jay Cutler é Top15). Normalmente, isso talvez não tivesse tanta repercuss ão - apenas consequências para os times para substituí-los e pronto - mas acontece que estamos em um momento particularmente interessante para qualquer discussão envolvendo quarterbacks por uma série de motivos:

  • Primeiro, porque estamos em um ponto da história da NFL onde, devido as grandes mudanças de regras que vem ocorrendo nos últimos 10 anos para proteger QBs e WRs e incentivar ao máximo o jogo aéreo, quarterbacks hoje são mais importantes do que nunca. Claro que ter um QB de elite não te garante um título e que é impossível vencer sem ter um desses no seu time - os dois últimos Super Bowls foram vencidos por Eli Manning e Joe Flacco, inclusive - mas ter um QB de elite no seu time hoje faz uma diferença muito maior do que 20 anos atrás por conta dessas regras que incentivam o passe: Tom Brady não fica fora dos playoffs (saudável) desde 2002, e Peyton Manning desde 2001. Drew Brees não foi ano passado mas antes disso foi por três anos seguidos, e Aaron Rodgers não perde a pós temporada desde seu primeiro ano como titular, para dar alguns exemplo. Ter um QB desse nível, hoje, te da uma chance muito maior de chegar aos playoffs do que em qualquer ponto na história da NFL.
  • Segundo, porque a classe 2014 de QBs no draft é considerada uma das melhores e mais profundas em algum tempo, um draft que oferece um legítimo franchise quarterback em Teddy Bridgewater e possui mais um grande número de jogadores muito interessantes para sair na primeira ou na segunda rodada - um mock draft que eu cheguei a ver faz algumas semanas tinha QUATRO QBs saindo nas primeiras cinco escolhas (e mais Johnny Manziel na oitava). Então mesmo que quem fez esse mock draft estivesse fumando alguma coisa no processo, o ponto fica: o que não falta em 2014 são prospects interessantes na posição.
  • E terceiro, porque desde que o novo CBA controlou o salário dado a calouros, achar um bom jogador no draft significa que você vai ter quatro anos desse jogador a um preço extremamente baixo. Ao invés de pagar 86M para um jogador que não lançou uma bola sequer na NFL como fez o Rams com Sam Bradford (última 1st pick do velho CBA), times agora podem prender seu QB calouro por quatro anos por menos de 20M se ele sair no topo da primeira rodada - um jogador como Russell Wilson custa ao Seahawks cerca de 1.5M pelo ano passado, esse e os próximos dois. Um bom QB em contrato de calouro é um dos maiores ativos que um time pode ter nesse momento. 
Em outras palavras, esse é o momento perfeito para times começarem seus questionamentos relacionados a QBs caso não tenham uma situação sob controle nesse aspecto. E um aspecto que sempre vai levantar um questionamento é uma lesão no seu titular, especialmente se ele tiver algum fator (e muitos tem) que inspire dúvidas sobre seu futuro. Então com quatro times (Texans, Bears, Rams e Eagles) vendo seus QBs se machucarem e colocarem seu futuro em dúvida, isso levanta algumas possibilidades interessantes com 2014 em mente (Cleveland e Buffalo já foram cobertos aqui)

Philadelphia Eagles

O Eagles é o menos surpreendente de todos esses, porque antes da temporada a grande questão já era sobre qual dos três QBs do elenco seria o titular... e se algum deles seria o QB para Chip Kelly carregar para o futuro na equipe, com a resposta mais comum sendo "nenhum". Michael Vick acabou sendo o titular do time para começar o ano, e os resultados foram mistos: o time ganhou 2 jogos e perdeu 3 com ele no comando (com uma dessas vitórias sendo com Nick Foles entrando no meio da partida) atrás de um bom ataque. Quando Vick se machucou, Foles entrou bem e assumiu a titularidade pelos dois jogos seguintes, tendo uma partida muito sólida contra o Buccaneers e depois tendo um jogo horrível contra o Cowboys, saindo machucado com uma concussão para a entrada do terceiro QB do time, o calouro Matt Barkley... que lançou três interceptações para terminar de perder a partida. Agora o status de Foles para semana que vem está no ar, e com Vick voltando de lesão, ressurgem as questões sobre qual deve ser o titular da equipe.

A vantagem para o Eagles é que uma das perguntas - qual é a solução a médio prazo? - já está respondida desde o começo do ano, e não é nenhum deles. Kelly teve um ano para avaliar diferentes jogadores, ver se algum dos três apresentava as características certas para seu ataque, mas duvido muito que ele tenha visto alguma coisa ao longo da temporada que tenha mudado o que todo mundo já acreditava antes da temporada começar. O ataque de Kelly é complexo e envolve um QB capaz de executar diferentes tipos de jogadas - corridas, passes longos, etc - mas ainda mais importante, precisa de um QB capaz de fazer leituras e tomar decisões com grande rapidez. O segredo desse ataque é colocar diferentes jogadas possíveis dentro de uma mesma formação - um passe pelo meio, um handoff atrasado, uma corrida com o QB, um passe longo, etc - que vão forçar a defesa a reagir de formas diferentes e transformando a defesa em um cobertor curto, e portanto cabe ao QB fazer a leitura de qual dessas jogadas a defesa está deixando desmarcada e colocar a bola lá nessa fração de segundos. Infelizmente, esse jogador não existe no elenco do Eagles hoje - é só assistir meia hora de vídeos desse ataque para ver a quantidade de jogadas na qual o QB forçou sua primeira leitura da jogada (independente do resultado) com uma outra alternativa muito mais favorável se abrindo que teria sido mais vantajosa em caso de uma leitura mais rápida ou mais correta. Nem Foles nem Vick conseguem fazer esse tipo de leitura, e Barkley ainda é uma incógnita sem experiência na NFL. Se Kelly quer maximizar o potencial de seu ataque ao longo da sua estadia em Philly, ele precisa de um QB que não está lá no momento.

Sobre a questão de quem deve ser o titular indo para a frente, deveria ser Vick quando ele estiver saudável. Vick não é e nunca foi conhecido por tomar boas e decisões e fazer boas leituras de jogo, e isso tem atrapalhado o ataque do Eagles, mas ele pelo menos tem feito um bom trabalho simplesmente fazendo coisas acontecerem. Suas interceptações estão sob controle (1.5%, ótima marca) e, apesar dos três fumbles, ele tem compensado isso sendo o QB mais valioso correndo com a bola por uma boa margem, a frente de Andrew Luck e Russell Wilson mesmo tendo tido dois jogos a menos. Seu QBR de 65 é o 10th entre QBs, e Football Outsiders coloca Vick como o 14th passador mais produtivo (ajustado) da NFL, e isso é antes de somar seu valor como corredor. Sua dificuldade tomando decisões prejudica a equipe, mas sua capacidade de correr com a bola facilmente oferece uma dimensão ainda mais preocupante para as defesas que enfrentam o Eagles. E quanto ao seu record de 2-3 como titular, não consigo ver porque a culpa seria de Vick: nesses cinco jogos, a horrível defesa da equipe tomou 159 pontos, quase 32 por jogo, enquanto o ataque anotou sólidos 135 no período - Philadelphia na verdade tem o segundo melhor ataque ajustado da NFL. Então falar que o problema do time é Vick ou o ataque de Kelly simplesmente não é verdade, e enquanto é um fato que o camisa 7 não é o jogador ideal para fazer esse esquema funcionar a todo vapor, ele é quem da ao time atualmente a melhor chance de vencer, como seu QBR indica. Kelly sabe disso, e por isso Vick deve jogar se estiver saudável. 

Houston Texans

Mas se o Eagles era a questão mais fácil para a posição, os outros três times são muito mais complexos. O Texans, em particular, é o que apresenta maior dificuldade na hora de tomar uma decisão. 

Depois de um começo genuinamente muito ruim para a temporada - incluindo um recorde da NFL, quatro jogos seguidos com uma pick six - Matt Schaub vinha em um jogo razoável contra o Saint Louis Rams quando se machucou e foi substituído pelo seu reserva, TJ Yates. A torcida, por incrível que pareça, aplaudiu e torceu para a lesão de Schaub... sendo castigados pouco depois quando Yates lançou sua própria pick six. Karma is a bitch. Mas com Yates não sendo a resposta para nada e Schaub ainda fora, o time acabou dando a oportunidade de jogar contra o Chiefs para o terceiro QB do time, Case Keenum, um calouro redshirt (entrou na liga em 2012 mas não jogou) não draftado de Houston. Keenum teve um jogo decente mas com muitos erros, completando 15/25 passes para 275 jardas e um TD, mas também sofreu cinco sacks e dois fumbles, terminando a partida com um QBR de 35. Com uma semana de bye pela frente (o que pode significar uma semana a mais para Schaub voltar ou uma semana a mais para integrar Keenum ao playbook) e Keenum tendo mostrado alguns bons lançamentos contra uma das melhores defesas da NFL, é de se perguntar qual vai ser o curso do Texans indo em frente.

A questão chave aqui é o quanto o Texans acredita que Schaub possa dar a volta por cima e retomar seus melhores anos. Apesar de nunca ter sido elite, Schaub era um QB muito bom alguns anos atrás, liderando a NFL em jardas em 2009. Entre 2009 e 2011 (antes da lesão), Schaub completou mais de 64% de seus passes para 8 jardas por passe, 4.7 TD% e 2.3 Int%, números bastante respeitáveis (além de um QBR perto de 65). Depois da lesão que encerrou sua temporada em 2011, seus números despencaram: seu aproveitamento permanece o mesmo, mas perdeu mais quase uma jarda por passe (7.1 atualmente), viu seus TDs despencarem para 3.6% e suas interceptações para 2.9%, números bastante ruins como seu QBR abaixo dos 50 indica. Então relacionado ou não, o fato é que desde a lesão Schaub não tem sido o mesmo jogador, então existe uma legítima questão sobre se ele consegue ou não voltar a produzir naquele nível de antes, que junto da boa defesa do time e um jogo terrestre consistente (não tem sido em 2013, mas pode vir a ser com mais saúde e alguns novos jogadores na linha ofensiva) voltaria a produzir um candidato ao título. A resposta para essa questão é a chave para o Texans e sua situação de QB para o futuro. Se o Texans acreditar que Schaub pode se recuperar - ele vai ter 33 anos em 2014, btw - então faz sentido ficar com o jogador por mais um tempo, esperar 2014 chegar e Brian Cushing/Danieal Manning voltarem (quem sabe até Ed Reed saudável), dar uma remodelada na linha ofensiva e fazer uma nova tentativa no esquema defesa forte e ataque coadjuvante e estável. Se acharem que não vale o risco? Bom, agora eles tem algumas alternativas pela frente.

O QBR de Keenum foi ruim essa semana por causa do seu fumble que acabou com as chances de uma virada e os cinco sacks sofridos, mas o que ele mostrou contra uma boa defesa do Chiefs deve ter agradado ao pessoal de Houston. Keenum teve diversos bons passes, saiu muito bem do pocket (as vezes demais, mas com o tempo melhora) para estender jogadas ou criar novos ângulos de passe (algo que Schaub não faz atualmente) e manteve a defesa honesta por vezes, conectando com diversos bons passes longos, mostrando porque a diretoria gostava tanto dele antes da temporada. Keenum acabou não sendo draftado por uma situação parecida com a de Russell Wilson - baixo demais para o jogo, principalmente - mas tem mostrado algumas armas interessantes. Claro que um jogo não é amostra nenhuma, mas oferece uma opção interessante ao time. 

Caso concluam que Schaub merece mais tempo para tentar voltar ao seu velho jogo, então não tem segredo: ele vai voltar a ser titular assim que estiver saudável, com Keenum ganhando a reserva na frente de Yates. Mas caso decidam pelo contrário, e Schaub tenha perdido sua janela na equipe, então o time tem duas opções para o futuro: ou o QB de 2014 é Keenum, ou ele não está no time hoje e o time precisa ir buscá-lo em outro lugar (draft ou free agency). Nesse caso, isso levanta um cenário interessante: se Schaub não for mais ser o titular, o time poderia escalar Keenum até o final da temporada (que já parece perdida, ainda mais agora que Arian Foster e Ben Tate também machucaram) para terem uma amostra melhor do que eles tem no garoto antes de tomar uma decisão. Um jogo não diz nada sobre um jogador, mas os outros 9 jogos que Keenum teria entre agora e o final do ano (mais esse contra o Chiefs) já oferecem uma amostra muito maior e mais confiável do que eles possuem no garoto. Ao final da temporada, com um bom conhecimento do verdadeiro nível do garoto, eles poderiam tomar a decisão de insistir com ele uma temporada inteira ou se precisam procurar seu futuro em outro lugar (talvez até trocando Schaub ainda essa temporada por uma escolha de draft). Não acho que seja o mais provável que aconteça, mas é uma possibilidade interessante aberta pela lesão de Schaub e a boa partida do calouro.

Chicago Bears

A questão do Chicago Bears é diferente. Ao contrário de Schaub, Jay Cutler não vinha em uma temporada ruim: 64.9% de aproveitamento nos passes para 7.4 jardas por passe, 5.3% de TD% e 31 Int% e um QBR de 66.3 - seu aproveitamento é a melhor marca da carreira, seus 7.4 Y/A é sua segunda melhor marca desde que chegou a Chicago, e tanto seu TD% e seu QBR são seus melhores números como um Chicago Bear. Protegido por uma linha ofensiva melhor e com um esquema ofensivo que explora muito melhor a boa opção de checkdown da equipe (Matt Forte) - sem falar na chegada de Martellus Bennett e a evolução e Alshton Jeffery - Cutler tem esse ano o melhor grupo ao seu redor e estava tendo sua melhor temporada na carreira em Illinois, e seu record de 4-2 os colocava entre os candidatos a uma vaga de wild card ou até um título de divisão. Então Cutler se machucou na virilha, podendo perder até seis semanas da temporada, a defesa tomou 45 pontos do fraco Redskins, e agora os prognósticos da equipe parecem muito menos favoráveis para o resto do ano.

Ao contrário de Houston, Chicago não tem um reserva interessante que intriga a equipe com seu potencial: o reserva de Cutler é Luke McCown, um QB de 34 anos que não tem sido mais que um reserva durante toda a carreira e que não ameaça a titularidade de ninguém. O problema aqui é que Cutler é um free agent ao final da temporada, e com alguns bons flashes ao longo da sua carreira e bons números em Denver (e eventualmente em Chicago), ele provavelmente vai conseguir um contrato bem gordo no mercado, seja do Bears ou de outro time. Provavelmente não chegando nos valores Romo/Flacco/Ryan que nos acostumamos nessa offseason, mas espero algo na casa dos 80/90M, e a questão é se o Bears estaria disposto a pagar esse valor considerando que o time já está em uma complicada situação salarial (embora tenha a opção de cortar 18M de salário mandando Julius Peppers embora ao final do ano). A lesão é um fator que pode ser decisivo, nesse cenário, por dois motivos: primeiro, porque com Cutler fora mais seis jogos (aproximadamente), isso vai reduzir consideravelmente a chance do time chegar longe com o camisa 6. Isso pode parecer pouca coisa, mas não é: uma temporada boa, na qual o QB jogou bem e o time foi longe, vai sempre aumentar em muito o interesse da equipe em reassinar com esse jogador em relação a uma temporada 8-8 e uma volta para casa cedo. Os GMs sempre terão uma visão viesada para as performances recentes de um jogador, por isso é tão importante esses "contract years" -  o ano final dos contratos que, por bem ou mal, acabam sendo a base para os futuros contratos desses jogadores. Uma temporada 11-5 chegando na segunda rodada dos playoffs sempre vai te valorizar mais do que uma temporada 8-8, então a redução drástica da chance de sucesso do Bears esse ano com essa lesão vai afetar essa possível renovação. A outra questão é de saúde: Cutler tem sido um pouco vulnerável a lesões (ou pelo menos tem sido visto como sendo) nos anos recentes, e isso preocupa na hora de assinar um QB de 30 anos para um contrato longo e caro. Em 2010, Cutler se machucou na final de conferência contra o Packers em um jogo onde o Bears teve boas chances de surpreender os eventuais campeões; em 2011, Cutler perdeu os últimos sete jogos da temporada e acabou com o que era até aquele ponto uma sólida temporada da equipe; e agora ele sofre uma nova lesão que vai tirá-lo da equipe por algum tempo. Ainda que possa ser injusto dizer por causa disso que Cutler é injury prone (todas as lesões foram coisas diferentes, então é como se fosse uma lesão crônica recorrente), o que importa nesses momentos é a percepção, e o Bears estaria muito menos inclinado a pagar o dinheiro alto que Cutler vai pedir se acreditar que ele não ficará saudável conforme a idade avança.

Esse é o cenário no qual eu acredito que o Bears não estaria seriamente considerando deixar Cutler ir embora se fosse quatro anos atrás ou quatro anos para o futuro: Cutler é um QB sólido que agora está jogando junto dos melhores coadjuvantes que teve em algum tempo, Marc Trestman está desenvolvendo um bom repertório com o jogador, e sua boa atuação em 2013 provavelmente lhe renderia um contrato com a equipe que poderia virar um albatroz em uns dois anos. Mas considerando que essa renovação aconteceria nas vésperas de uma draft class extremamente profunda em QBs e quando os times ainda estão aprendendo as melhores formas de lidar com o novo CBA (com "QB em contrato de calouro" sendo um dos ativos mais importantes da NFL), ela deixa de ser uma certeza. Essa lesão prejudica a última chance de Cutler de mostrar ao time que ele pode ser "o cara" em Chicago e levar o time aos playoffs mais uma vez, e considerando o medo de novas lesões e o quanto um QB de 31 anos (em 2014) iria entupir seu teto salarial já apertado pelos próximos anos, pode levar a diretoria da franquia a arriscar em um novo jogador com um salário controlado pelos próximos quatro anos. Cutler provavelmente foi o grande perdedor aqui, embora ainda ache que algum time no mercado (Cardinals, talvez?) vá pagar os 80M ou mais que ele pedirá.

Saint Louis Rams

Esse era o mais previsível de todos, talvez, e a lesão de Sam Bradford - fora da temporada - só agiliza o processo. Bradford e o Rams na verdade foram vítimas de um CBA que saiu de controle, onde os internos estavam controlando o asilo e deram poder demais para os jovens que acabavam de chegar na NFL. O lockout e a greve dos jogadores de 2011 aconteceram mais por conta de divisões de receita entre times e jogadores e nunca foi de fato um risco a não-realização da temporada (ou mesmo de parte dela), mas entre as coisas que precisavam de fato ser arrumadas (e foram) estava a parte relativa ao salário dos calouros, que estavam ganhando dinheiro demais logo de cara e que, no caso de uma lesão ou um bust, entupiam o teto de um time por quase seis anos. Pense que Bradford, última 1st pick sob o velho CBA, ganhou um contrato de 6 anos e 86M (com 50M garantidos), enquanto que a primeira 1st pick do novo CBA (Cam Newton) assinou um de 4 anos e 22M (totalmente garantidos) - quase 1/3 do contrato de Bradford. Então em relação aos times com QBs de drafts recentes - Newton, Colin Kaepernick, Andrew Luck, RG3, Ryan Tannehill, Russell Wilson - o Rams se encontrava (e se encontra) em uma desvantagem, já que é obrigado a comprometer uma parte muito maior de seu salary cap para Bradford.

Por isso eu achei que eles foram burros em não draftar RG3 em 2012 (mesmo que achasse Bradford um grande QB, o contrato era mil vezes menor e muito mais protegido), e por isso cada vez mais Bradford - que não conseguiu corresponder as expectativas de quando foi escolhido 1st overall - começava a se desenhar como um albatroz na folha salarial da equipe. E também por isso o final dessa temporada é um momento tão crítico para o Rams decidir sobre o futuro da franquia em relação a Bradford: o camisa 8 tem mais dois anos e 34 milhões para receber do Rams caso fique no time para o ano que vem, mas se ele for cortado antes da temporada começar, Saint Louis salva quase 10M em seu teto salarial (embora tenha que arcar com o resto do salário) para 2014, algo importante para um time que está ainda longe de alcançar 49ers e Seahawks na NFC West. Então essa é uma decisão importante que vai afetar o futuro da franquia, e precisa ser tomada ao final dessa temporada... e com a amostra de Bradford que o time já tem até agora, que não foi boa (ele é basicamente um QB mediano na NFL, e nenhum jogador assim deveria ganhar 17M por ano), e agora essa lesão significa que Sam não terá mais os últimos jogos da temporada para fazer seu caso e mostrar que ele merece ser o quarterback do time. Agora é um dilema sobre se vale a pena insistir nele mais dois anos pagando 17M por ano, ou desistir do experimento, seguir em frente, e cortar 10M da sua folha salarial no processo.

Vale lembrar que o Rams tem duas escolhas de primeira rodada esse ano que provavelmente estarão na metade de cima do draft, já que eles possuem a sua própria e mais a do Redskins (2-4). Então em um draft profundo, e considerando que o time tem os ativos para ou adereçar outra necessidade imediata (OL?) além do QB ou juntar um pacote para subir de posição e pegar um QB melhor (talvez até a 1st pick, dependendo de quem for o dono dela), não consigo ver o Rams decidindo que prefere pagar um salário maior por dois anos a mais de medíocridade do que a chance de economizar e ainda tentar achar um novo QB do futuro, não com Sam Bradford, e muito menos com Sam Bradford voltando de uma lesão séria como essa. Acho que Bradford lançou seu último passe como um membro do Rams.


Historicamente ruim


Duas semanas atrás, quando o Bill Simmons escreveu uma coluna sobre NFL, ele disse que a expressão "historicamente ruim" tinha se tornado a expressão mais usada da história dos esportes e que era usada para absolutamente tudo hoje em dia - basicamente, como ele mesmo disse, nosso uso dessa expressão está historicamente ruim. Mas se tem um time que merece o uso - e o uso contínuo - dessa expressão, é o nosso time historicamente ruim de 2013... o Jacksonville Jaguars.

Não preciso explicar exatamente porque o Jaguars é tão ruim, todo mundo aqui tem TV/internet e provavelmente já viu cinco minutos desse show de horrores. O time não pontua, o time não consegue segurar os adversários, e muito além de estar 0-7 e longe da sua primeira vitória, o time na verdade perdeu TODOS seus jogos até agora por pelo menos 10 pontos. O time é tão ruim mas tão ruim que virou quase folclórico a essa altura, e ninguém duvida de que seja o pior time da liga na atualidade.

Mas quão ruim o Jaguars realmente é, historicamente? Bom, é o que eu quero saber. Então usando a base de dados do Pro-Football Reference, vamos ver os times desde 1970 - a fusão entre a NFL e a AFL - que foram tão ruins ou piores quanto esse time para começar a temporada.

Primeiro dado que eu procurei foi dos times que, assim como o Jaguars de 2013, conseguiram perder seus primeiros sete jogos por 10 ou mais pontos - jogos de uma posse de bola ainda podem ser atribuídos a alguma falta de sorte, mas 10 pontos em cada um desses sete jogos é um pouco demais, certo? Bom, acontece que o Jaguars conseguiu algo bastante raro com essa façanha: apenas um outro time nesses 43 anos de NFL conseguiu tamanha futilidade, o Houston Oilers de 1984. Aquele time do Oilers terminou o ano 3-13. Outros cinco times além desses dois também tiveram seis derrotas por 10 pontos ou mais nos primeiros sete jogos da temporada: 1971 Buffalo Bills (1-13), 1986 Indianapolis Colts (3-13), 1976 New York Jets  (3-11), 1973 Oilers (1-14), 1972 Eagles (1-12-1). Em outras palavras, apenas um outro time na era post-merger da NFL conseguiu essa façanha, e apenas UM outro apenas conseguiu atingir esse nível em 6 das primeiras 7 partidas desde 1980.

O Jaguars também se destaca na temporada por ter anotado o menor número de pontos e ter cedido o maior número de pontos na temporada até aqui, anotando 76 pontos (10.9 por jogo) e cedendo 222 (31.7 por jogo). Colocando esses números em contexto histórico (sempre desde o merger), os dois aparecem entre os piores números da história da NFL: 76 pontos anotados nos primeiros 7 jogos da equipe é a 28th pior marca desde 1970, e os 222 pontos cedidos formam a 15th pior marca no mesmo período. Ambas marcas muito ruins, mas não as piores, o que deveria oferecer algum consolo, certo? Bom, na verdade não por um simples motivo: nenhum time na história da NFL aparece nas duas listas na frente do Jaguars. Ou seja, nenhum time foi pior anotando pontos E pior cedendo pontos nos primeiros 7 jogos de uma temporada do que Jacksonville essa temporada, o que o coloca novamente em um nível quase único.

Mas já sabemos nesse espaço que vitórias e derrotas não representam o verdadeiro nível de um time, e que na verdade a melhor forma de medir o quão bom (ou, nesse caso, quão ruim) um time é ou foi é olhar para o seu saldo de pontos. Então vamos olhar o saldo de pontos do Jaguars após sete jogos (-146) e comparar com os outros times na nossa amostra. O resultado é realmente impressionante: depois de 7 jogos, nesses 44 anos de história da NFL, apenas UM time conseguiu começar a temporada com um saldo pior do que o Jaguars de 2013. Foi o Saint Louis Rams de 2009, que eventualmente teve a 1st pick e gastou em Sam Bradford. O Jaguars está também empatado em segundo lugar com o Oilers de 1973, que já foi citado anteriormente. Considerando então saldo de pontos como sendo nossa amostra mais precisa, podemos concluir que o Jaguars foi o segundo pior time (empatado) da história da NFL depois de sete jogos (desconsiderando fatores como calendário, claro).

Por fim, qual é exatamente o patamar que o time precisa alcançar para oficialmente levar o cinturão de pior time de todos os tempos? A primeira resposta de muitos provavelmente seria o 0-16 Lions de 2008, mas não me parece ser o caso - aquele time teve o saldo de pontos de um time acima de 3 vitórias, por exemplo. Olhando por saldo de pontos, o cinturão de pior time de todos os tempos pertence a um que dificilmente será superado, o Tampa Bay Buccaneers de 1976, que inclusive perdeu todos os seus jogos. Esse Bucs teve um saldo de -287 pontos, o que é ainda mais impressionante quando lembramos que em 1976 o calendário da NFL tinha apenas 14 jogos... o que nos da -20.5 de saldo de pontos POR JOGO. Entre a era dos 16 jogos, a pior marca é do 2-14 Baltimore Colts de 1981, com -274 de saldo, -17.1 por jogo. São essas marcas que o Jaguars precisa superar para atingir o nível histórico de pior time da era moderna da NFL: -275 ou menos de saldo de pontos para superar o Colts de 1981, ou -329 ou menos de saldo para superar o Bucs de 76 no saldo de pontos. Então se o Jaguars mantiver o ritmo atual até o final da temporada, perdendo todos os 16 jogos pelo mesmo saldo de pontos que tem agora, com quantos ele vai terminar o ano? Com -334, é claro, quebrando ambas as marcas!!! Sua média de 20.9, atualmente, é também a pior da história da NFL (considerando apenas temporadas completas).

Então o Jaguars não é o pior time da história da NFL... ainda. Mas está caminhando para atingir essa duvidosa distinção, confirmando de uma vez por todas que se existe um time que merece ser descrito como "historicamente ruim" na NFL hoje em dia, é o Jacksonville Jaguars.

(Errata: Originalmente eu disse que o pior time em 16 jogos era o Baltimore Ravens de 1981, mas como alguns leitores atentos repararam, isso é impossível: o Ravens só foi criado em 1996, e o time de Baltimore em 1981 era o então Baltimore Colts. Agradeço aos que avisaram, já foi corrigido).