Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Pontos importantes da semana 7 da NFL

"E ai para comemorar o novo logo vamos bater alguns recordes negativos da NFL!"



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Mais uma rodada se passou, mais uma vez vamos abordar, extensamente e nos mínimos detalhes, alguns topicos de interesse que surgiram. Mas antes, um anúncio importante...

Aberta a temporada de mailbags


É com grande prazer que anuncio que estamos abrindo novamente as portas para novos mailbags. Para quem não sabe o que é um mailbag, funciona assim: é uma coluna na qual eu publico emails dos leitores (podem ser perguntas, comentários, whatever) e os respondo, esvaziando minha caixa de entrada, aproveitando para trazer algumas opiniões e comentários interessantes, descontrair um pouco, e interagir com os leitores (minha coisa favorita em ter um blog). É uma forma também de todo mundo participar um pouco, expressar suas opiniões, e aliviar o clima as vezes muito analítico e complicado que fica nessas colunas. Já fizemos uma edição antes um pouco tímida e nunca fizemos de novo, embora as vezes um email interessante inspirasse uma coluna ou algo do tipo. Então agora acho que é um bom momento para tentar de novo, então todo mundo que quiser pode mandar quantos emails quiser para o nosso próximo Mailbag, que deve acontecer quinta que vem.

Se quiser participar, é bem fácil. É só mandar um (ou, na verdade, quantos quiser, não tem limite) email  para "tmwarning@hotmail.com" (de preferência com o título "Mailbag", para facilitar minha vida). No corpo do email é só mandar sua pergunta/comentário/whatever e, se quiser, seu nome e cidade para identificação (opcional). Quinta feira que vem vamos publicar e comentar/responder os melhores aqui e no site do Esporte Interativo, então fiquem ligados.

E vocês podem mandar basicamente o que quiserem no email. Pode ser uma pergunta, uma dúvida ou algo assim, pode ser um comentário interessante, uma opinião, o que vocês quiserem. Pode ser sobre a NFL, pode ser sobre o esporte, pode ser sobre outra liga, sobre um time, sobre um jogador, ou sobre algo que nada tem a ver com nada. Pode ser sobre mim, sobre o blog, sobre algum texto, sobre o que quer que seja - não precisa nem ser sobre esporte desde que seja interessante e/ou engraçado. Vou tentar publicar o máximo possível de emails (dependendo do quanto chegarem), e vou dar preferência com base nos critérios de relevância, interesse da pergunta/questão/comentário e o quanto eu gostar pessoalmente da questão. Já aviso que, obviamente, vou dar preferência aos esportes, mas se tiverem perguntas interessantes de outros assuntos (direta, indireta ou não-relacionados a esportes) também terão seu espaço. Então aproveitem a chance e mandem o que tiverem interesse, quantas vezes quiserem, e veja se sua pergunta aparece quinta feira aqui e no Yahoo. Participem!

As lesões que afetam os quarterbacks


Um dos assuntos que dominou as atenções nas últimas semanas ao redor da NFL foi a quantidade assustadora de lesões a jogadores importantes que aconteceram. Apenas nas últimas semanas vimos Bryan Hoyer, Vince Wilfork, Jerod Mayo, Leon Hall, Reggie Wayne, Sam Bradford, Brian Cushing, Julio Jones, Sean Weatherspoon, Danieal Manning, Ahmad Bradshaw, Dwight Freeney, Ian Williams, Ryan Clady e Russell Okung serem todos colocados no IR, designados para perder toda a temporada por conta de lesões. Jermichael Finley sofreu uma lesão no pescoço que algumas pessoas, espero que overreacting, disseram que poderia encerrar sua carreira. Além disso, diferentes lesões a jogadores como Michael Vick, EJ Manuel, Jay Cutler e MAtt Schaub estão causando todo tipo de mudança em times ao redor da NFL, e essa quantidade - que parece ter se concentrado no mês de Outubro por algum motivo - começa a chamar a atenção.

Claro, uma parte dessas lesões são explicáveis pela natureza do jogo ou simplesmente fruto do azar. Não é esse o ponto. Futebol americano é um esporte jogado em alta velocidade, por jogadores muito grandes e pesados, e com muito contato físico - para um jogador cair no lugar errado, de forma errada, ser atingido em um ponto vulnerável e tudo mais em toda essa correria e altíssima velocidade é muito fácil, e só precisa de um OL de 140kg caindo sobre sua perna para acabar com seu ano. Da mesma forma, com as novas mudanças que a NFL está impondo para diminuir as concussões também levam a muitos tipos de lesões: agora que os defensores não podem mais visar a cabeça ou a parte superior do corpo de seus alvos, a alternativa que lhes resta para dar tackles é atingir a perna dos WRs, e com jogadores muito fortes se jogando nas suas pernas a alta velocidade, tudo que precisa é de um pouco de azar, de um pé preso na grama ou de um salto mal calculado para seu joelho ir para o inferno. Isso tudo, infelizmente, faz parte do jogo.

No momento, eu estou muito mais interessado no efeito do que nas causas. A questão é que nas últimas duas semanas, um número muito grande de QBs se viu vítimas de lesões, e considerando que o quarterback é de longe a posição mais importante para qualquer time no curto ou médio prazo, as consequências também são maiores mesmo não se tratando de um QB de elite (embora meu editor jure que o Jay Cutler é Top15). Normalmente, isso talvez não tivesse tanta repercuss ão - apenas consequências para os times para substituí-los e pronto - mas acontece que estamos em um momento particularmente interessante para qualquer discussão envolvendo quarterbacks por uma série de motivos:

  • Primeiro, porque estamos em um ponto da história da NFL onde, devido as grandes mudanças de regras que vem ocorrendo nos últimos 10 anos para proteger QBs e WRs e incentivar ao máximo o jogo aéreo, quarterbacks hoje são mais importantes do que nunca. Claro que ter um QB de elite não te garante um título e que é impossível vencer sem ter um desses no seu time - os dois últimos Super Bowls foram vencidos por Eli Manning e Joe Flacco, inclusive - mas ter um QB de elite no seu time hoje faz uma diferença muito maior do que 20 anos atrás por conta dessas regras que incentivam o passe: Tom Brady não fica fora dos playoffs (saudável) desde 2002, e Peyton Manning desde 2001. Drew Brees não foi ano passado mas antes disso foi por três anos seguidos, e Aaron Rodgers não perde a pós temporada desde seu primeiro ano como titular, para dar alguns exemplo. Ter um QB desse nível, hoje, te da uma chance muito maior de chegar aos playoffs do que em qualquer ponto na história da NFL.
  • Segundo, porque a classe 2014 de QBs no draft é considerada uma das melhores e mais profundas em algum tempo, um draft que oferece um legítimo franchise quarterback em Teddy Bridgewater e possui mais um grande número de jogadores muito interessantes para sair na primeira ou na segunda rodada - um mock draft que eu cheguei a ver faz algumas semanas tinha QUATRO QBs saindo nas primeiras cinco escolhas (e mais Johnny Manziel na oitava). Então mesmo que quem fez esse mock draft estivesse fumando alguma coisa no processo, o ponto fica: o que não falta em 2014 são prospects interessantes na posição.
  • E terceiro, porque desde que o novo CBA controlou o salário dado a calouros, achar um bom jogador no draft significa que você vai ter quatro anos desse jogador a um preço extremamente baixo. Ao invés de pagar 86M para um jogador que não lançou uma bola sequer na NFL como fez o Rams com Sam Bradford (última 1st pick do velho CBA), times agora podem prender seu QB calouro por quatro anos por menos de 20M se ele sair no topo da primeira rodada - um jogador como Russell Wilson custa ao Seahawks cerca de 1.5M pelo ano passado, esse e os próximos dois. Um bom QB em contrato de calouro é um dos maiores ativos que um time pode ter nesse momento. 
Em outras palavras, esse é o momento perfeito para times começarem seus questionamentos relacionados a QBs caso não tenham uma situação sob controle nesse aspecto. E um aspecto que sempre vai levantar um questionamento é uma lesão no seu titular, especialmente se ele tiver algum fator (e muitos tem) que inspire dúvidas sobre seu futuro. Então com quatro times (Texans, Bears, Rams e Eagles) vendo seus QBs se machucarem e colocarem seu futuro em dúvida, isso levanta algumas possibilidades interessantes com 2014 em mente (Cleveland e Buffalo já foram cobertos aqui)

Philadelphia Eagles

O Eagles é o menos surpreendente de todos esses, porque antes da temporada a grande questão já era sobre qual dos três QBs do elenco seria o titular... e se algum deles seria o QB para Chip Kelly carregar para o futuro na equipe, com a resposta mais comum sendo "nenhum". Michael Vick acabou sendo o titular do time para começar o ano, e os resultados foram mistos: o time ganhou 2 jogos e perdeu 3 com ele no comando (com uma dessas vitórias sendo com Nick Foles entrando no meio da partida) atrás de um bom ataque. Quando Vick se machucou, Foles entrou bem e assumiu a titularidade pelos dois jogos seguintes, tendo uma partida muito sólida contra o Buccaneers e depois tendo um jogo horrível contra o Cowboys, saindo machucado com uma concussão para a entrada do terceiro QB do time, o calouro Matt Barkley... que lançou três interceptações para terminar de perder a partida. Agora o status de Foles para semana que vem está no ar, e com Vick voltando de lesão, ressurgem as questões sobre qual deve ser o titular da equipe.

A vantagem para o Eagles é que uma das perguntas - qual é a solução a médio prazo? - já está respondida desde o começo do ano, e não é nenhum deles. Kelly teve um ano para avaliar diferentes jogadores, ver se algum dos três apresentava as características certas para seu ataque, mas duvido muito que ele tenha visto alguma coisa ao longo da temporada que tenha mudado o que todo mundo já acreditava antes da temporada começar. O ataque de Kelly é complexo e envolve um QB capaz de executar diferentes tipos de jogadas - corridas, passes longos, etc - mas ainda mais importante, precisa de um QB capaz de fazer leituras e tomar decisões com grande rapidez. O segredo desse ataque é colocar diferentes jogadas possíveis dentro de uma mesma formação - um passe pelo meio, um handoff atrasado, uma corrida com o QB, um passe longo, etc - que vão forçar a defesa a reagir de formas diferentes e transformando a defesa em um cobertor curto, e portanto cabe ao QB fazer a leitura de qual dessas jogadas a defesa está deixando desmarcada e colocar a bola lá nessa fração de segundos. Infelizmente, esse jogador não existe no elenco do Eagles hoje - é só assistir meia hora de vídeos desse ataque para ver a quantidade de jogadas na qual o QB forçou sua primeira leitura da jogada (independente do resultado) com uma outra alternativa muito mais favorável se abrindo que teria sido mais vantajosa em caso de uma leitura mais rápida ou mais correta. Nem Foles nem Vick conseguem fazer esse tipo de leitura, e Barkley ainda é uma incógnita sem experiência na NFL. Se Kelly quer maximizar o potencial de seu ataque ao longo da sua estadia em Philly, ele precisa de um QB que não está lá no momento.

Sobre a questão de quem deve ser o titular indo para a frente, deveria ser Vick quando ele estiver saudável. Vick não é e nunca foi conhecido por tomar boas e decisões e fazer boas leituras de jogo, e isso tem atrapalhado o ataque do Eagles, mas ele pelo menos tem feito um bom trabalho simplesmente fazendo coisas acontecerem. Suas interceptações estão sob controle (1.5%, ótima marca) e, apesar dos três fumbles, ele tem compensado isso sendo o QB mais valioso correndo com a bola por uma boa margem, a frente de Andrew Luck e Russell Wilson mesmo tendo tido dois jogos a menos. Seu QBR de 65 é o 10th entre QBs, e Football Outsiders coloca Vick como o 14th passador mais produtivo (ajustado) da NFL, e isso é antes de somar seu valor como corredor. Sua dificuldade tomando decisões prejudica a equipe, mas sua capacidade de correr com a bola facilmente oferece uma dimensão ainda mais preocupante para as defesas que enfrentam o Eagles. E quanto ao seu record de 2-3 como titular, não consigo ver porque a culpa seria de Vick: nesses cinco jogos, a horrível defesa da equipe tomou 159 pontos, quase 32 por jogo, enquanto o ataque anotou sólidos 135 no período - Philadelphia na verdade tem o segundo melhor ataque ajustado da NFL. Então falar que o problema do time é Vick ou o ataque de Kelly simplesmente não é verdade, e enquanto é um fato que o camisa 7 não é o jogador ideal para fazer esse esquema funcionar a todo vapor, ele é quem da ao time atualmente a melhor chance de vencer, como seu QBR indica. Kelly sabe disso, e por isso Vick deve jogar se estiver saudável. 

Houston Texans

Mas se o Eagles era a questão mais fácil para a posição, os outros três times são muito mais complexos. O Texans, em particular, é o que apresenta maior dificuldade na hora de tomar uma decisão. 

Depois de um começo genuinamente muito ruim para a temporada - incluindo um recorde da NFL, quatro jogos seguidos com uma pick six - Matt Schaub vinha em um jogo razoável contra o Saint Louis Rams quando se machucou e foi substituído pelo seu reserva, TJ Yates. A torcida, por incrível que pareça, aplaudiu e torceu para a lesão de Schaub... sendo castigados pouco depois quando Yates lançou sua própria pick six. Karma is a bitch. Mas com Yates não sendo a resposta para nada e Schaub ainda fora, o time acabou dando a oportunidade de jogar contra o Chiefs para o terceiro QB do time, Case Keenum, um calouro redshirt (entrou na liga em 2012 mas não jogou) não draftado de Houston. Keenum teve um jogo decente mas com muitos erros, completando 15/25 passes para 275 jardas e um TD, mas também sofreu cinco sacks e dois fumbles, terminando a partida com um QBR de 35. Com uma semana de bye pela frente (o que pode significar uma semana a mais para Schaub voltar ou uma semana a mais para integrar Keenum ao playbook) e Keenum tendo mostrado alguns bons lançamentos contra uma das melhores defesas da NFL, é de se perguntar qual vai ser o curso do Texans indo em frente.

A questão chave aqui é o quanto o Texans acredita que Schaub possa dar a volta por cima e retomar seus melhores anos. Apesar de nunca ter sido elite, Schaub era um QB muito bom alguns anos atrás, liderando a NFL em jardas em 2009. Entre 2009 e 2011 (antes da lesão), Schaub completou mais de 64% de seus passes para 8 jardas por passe, 4.7 TD% e 2.3 Int%, números bastante respeitáveis (além de um QBR perto de 65). Depois da lesão que encerrou sua temporada em 2011, seus números despencaram: seu aproveitamento permanece o mesmo, mas perdeu mais quase uma jarda por passe (7.1 atualmente), viu seus TDs despencarem para 3.6% e suas interceptações para 2.9%, números bastante ruins como seu QBR abaixo dos 50 indica. Então relacionado ou não, o fato é que desde a lesão Schaub não tem sido o mesmo jogador, então existe uma legítima questão sobre se ele consegue ou não voltar a produzir naquele nível de antes, que junto da boa defesa do time e um jogo terrestre consistente (não tem sido em 2013, mas pode vir a ser com mais saúde e alguns novos jogadores na linha ofensiva) voltaria a produzir um candidato ao título. A resposta para essa questão é a chave para o Texans e sua situação de QB para o futuro. Se o Texans acreditar que Schaub pode se recuperar - ele vai ter 33 anos em 2014, btw - então faz sentido ficar com o jogador por mais um tempo, esperar 2014 chegar e Brian Cushing/Danieal Manning voltarem (quem sabe até Ed Reed saudável), dar uma remodelada na linha ofensiva e fazer uma nova tentativa no esquema defesa forte e ataque coadjuvante e estável. Se acharem que não vale o risco? Bom, agora eles tem algumas alternativas pela frente.

O QBR de Keenum foi ruim essa semana por causa do seu fumble que acabou com as chances de uma virada e os cinco sacks sofridos, mas o que ele mostrou contra uma boa defesa do Chiefs deve ter agradado ao pessoal de Houston. Keenum teve diversos bons passes, saiu muito bem do pocket (as vezes demais, mas com o tempo melhora) para estender jogadas ou criar novos ângulos de passe (algo que Schaub não faz atualmente) e manteve a defesa honesta por vezes, conectando com diversos bons passes longos, mostrando porque a diretoria gostava tanto dele antes da temporada. Keenum acabou não sendo draftado por uma situação parecida com a de Russell Wilson - baixo demais para o jogo, principalmente - mas tem mostrado algumas armas interessantes. Claro que um jogo não é amostra nenhuma, mas oferece uma opção interessante ao time. 

Caso concluam que Schaub merece mais tempo para tentar voltar ao seu velho jogo, então não tem segredo: ele vai voltar a ser titular assim que estiver saudável, com Keenum ganhando a reserva na frente de Yates. Mas caso decidam pelo contrário, e Schaub tenha perdido sua janela na equipe, então o time tem duas opções para o futuro: ou o QB de 2014 é Keenum, ou ele não está no time hoje e o time precisa ir buscá-lo em outro lugar (draft ou free agency). Nesse caso, isso levanta um cenário interessante: se Schaub não for mais ser o titular, o time poderia escalar Keenum até o final da temporada (que já parece perdida, ainda mais agora que Arian Foster e Ben Tate também machucaram) para terem uma amostra melhor do que eles tem no garoto antes de tomar uma decisão. Um jogo não diz nada sobre um jogador, mas os outros 9 jogos que Keenum teria entre agora e o final do ano (mais esse contra o Chiefs) já oferecem uma amostra muito maior e mais confiável do que eles possuem no garoto. Ao final da temporada, com um bom conhecimento do verdadeiro nível do garoto, eles poderiam tomar a decisão de insistir com ele uma temporada inteira ou se precisam procurar seu futuro em outro lugar (talvez até trocando Schaub ainda essa temporada por uma escolha de draft). Não acho que seja o mais provável que aconteça, mas é uma possibilidade interessante aberta pela lesão de Schaub e a boa partida do calouro.

Chicago Bears

A questão do Chicago Bears é diferente. Ao contrário de Schaub, Jay Cutler não vinha em uma temporada ruim: 64.9% de aproveitamento nos passes para 7.4 jardas por passe, 5.3% de TD% e 31 Int% e um QBR de 66.3 - seu aproveitamento é a melhor marca da carreira, seus 7.4 Y/A é sua segunda melhor marca desde que chegou a Chicago, e tanto seu TD% e seu QBR são seus melhores números como um Chicago Bear. Protegido por uma linha ofensiva melhor e com um esquema ofensivo que explora muito melhor a boa opção de checkdown da equipe (Matt Forte) - sem falar na chegada de Martellus Bennett e a evolução e Alshton Jeffery - Cutler tem esse ano o melhor grupo ao seu redor e estava tendo sua melhor temporada na carreira em Illinois, e seu record de 4-2 os colocava entre os candidatos a uma vaga de wild card ou até um título de divisão. Então Cutler se machucou na virilha, podendo perder até seis semanas da temporada, a defesa tomou 45 pontos do fraco Redskins, e agora os prognósticos da equipe parecem muito menos favoráveis para o resto do ano.

Ao contrário de Houston, Chicago não tem um reserva interessante que intriga a equipe com seu potencial: o reserva de Cutler é Luke McCown, um QB de 34 anos que não tem sido mais que um reserva durante toda a carreira e que não ameaça a titularidade de ninguém. O problema aqui é que Cutler é um free agent ao final da temporada, e com alguns bons flashes ao longo da sua carreira e bons números em Denver (e eventualmente em Chicago), ele provavelmente vai conseguir um contrato bem gordo no mercado, seja do Bears ou de outro time. Provavelmente não chegando nos valores Romo/Flacco/Ryan que nos acostumamos nessa offseason, mas espero algo na casa dos 80/90M, e a questão é se o Bears estaria disposto a pagar esse valor considerando que o time já está em uma complicada situação salarial (embora tenha a opção de cortar 18M de salário mandando Julius Peppers embora ao final do ano). A lesão é um fator que pode ser decisivo, nesse cenário, por dois motivos: primeiro, porque com Cutler fora mais seis jogos (aproximadamente), isso vai reduzir consideravelmente a chance do time chegar longe com o camisa 6. Isso pode parecer pouca coisa, mas não é: uma temporada boa, na qual o QB jogou bem e o time foi longe, vai sempre aumentar em muito o interesse da equipe em reassinar com esse jogador em relação a uma temporada 8-8 e uma volta para casa cedo. Os GMs sempre terão uma visão viesada para as performances recentes de um jogador, por isso é tão importante esses "contract years" -  o ano final dos contratos que, por bem ou mal, acabam sendo a base para os futuros contratos desses jogadores. Uma temporada 11-5 chegando na segunda rodada dos playoffs sempre vai te valorizar mais do que uma temporada 8-8, então a redução drástica da chance de sucesso do Bears esse ano com essa lesão vai afetar essa possível renovação. A outra questão é de saúde: Cutler tem sido um pouco vulnerável a lesões (ou pelo menos tem sido visto como sendo) nos anos recentes, e isso preocupa na hora de assinar um QB de 30 anos para um contrato longo e caro. Em 2010, Cutler se machucou na final de conferência contra o Packers em um jogo onde o Bears teve boas chances de surpreender os eventuais campeões; em 2011, Cutler perdeu os últimos sete jogos da temporada e acabou com o que era até aquele ponto uma sólida temporada da equipe; e agora ele sofre uma nova lesão que vai tirá-lo da equipe por algum tempo. Ainda que possa ser injusto dizer por causa disso que Cutler é injury prone (todas as lesões foram coisas diferentes, então é como se fosse uma lesão crônica recorrente), o que importa nesses momentos é a percepção, e o Bears estaria muito menos inclinado a pagar o dinheiro alto que Cutler vai pedir se acreditar que ele não ficará saudável conforme a idade avança.

Esse é o cenário no qual eu acredito que o Bears não estaria seriamente considerando deixar Cutler ir embora se fosse quatro anos atrás ou quatro anos para o futuro: Cutler é um QB sólido que agora está jogando junto dos melhores coadjuvantes que teve em algum tempo, Marc Trestman está desenvolvendo um bom repertório com o jogador, e sua boa atuação em 2013 provavelmente lhe renderia um contrato com a equipe que poderia virar um albatroz em uns dois anos. Mas considerando que essa renovação aconteceria nas vésperas de uma draft class extremamente profunda em QBs e quando os times ainda estão aprendendo as melhores formas de lidar com o novo CBA (com "QB em contrato de calouro" sendo um dos ativos mais importantes da NFL), ela deixa de ser uma certeza. Essa lesão prejudica a última chance de Cutler de mostrar ao time que ele pode ser "o cara" em Chicago e levar o time aos playoffs mais uma vez, e considerando o medo de novas lesões e o quanto um QB de 31 anos (em 2014) iria entupir seu teto salarial já apertado pelos próximos anos, pode levar a diretoria da franquia a arriscar em um novo jogador com um salário controlado pelos próximos quatro anos. Cutler provavelmente foi o grande perdedor aqui, embora ainda ache que algum time no mercado (Cardinals, talvez?) vá pagar os 80M ou mais que ele pedirá.

Saint Louis Rams

Esse era o mais previsível de todos, talvez, e a lesão de Sam Bradford - fora da temporada - só agiliza o processo. Bradford e o Rams na verdade foram vítimas de um CBA que saiu de controle, onde os internos estavam controlando o asilo e deram poder demais para os jovens que acabavam de chegar na NFL. O lockout e a greve dos jogadores de 2011 aconteceram mais por conta de divisões de receita entre times e jogadores e nunca foi de fato um risco a não-realização da temporada (ou mesmo de parte dela), mas entre as coisas que precisavam de fato ser arrumadas (e foram) estava a parte relativa ao salário dos calouros, que estavam ganhando dinheiro demais logo de cara e que, no caso de uma lesão ou um bust, entupiam o teto de um time por quase seis anos. Pense que Bradford, última 1st pick sob o velho CBA, ganhou um contrato de 6 anos e 86M (com 50M garantidos), enquanto que a primeira 1st pick do novo CBA (Cam Newton) assinou um de 4 anos e 22M (totalmente garantidos) - quase 1/3 do contrato de Bradford. Então em relação aos times com QBs de drafts recentes - Newton, Colin Kaepernick, Andrew Luck, RG3, Ryan Tannehill, Russell Wilson - o Rams se encontrava (e se encontra) em uma desvantagem, já que é obrigado a comprometer uma parte muito maior de seu salary cap para Bradford.

Por isso eu achei que eles foram burros em não draftar RG3 em 2012 (mesmo que achasse Bradford um grande QB, o contrato era mil vezes menor e muito mais protegido), e por isso cada vez mais Bradford - que não conseguiu corresponder as expectativas de quando foi escolhido 1st overall - começava a se desenhar como um albatroz na folha salarial da equipe. E também por isso o final dessa temporada é um momento tão crítico para o Rams decidir sobre o futuro da franquia em relação a Bradford: o camisa 8 tem mais dois anos e 34 milhões para receber do Rams caso fique no time para o ano que vem, mas se ele for cortado antes da temporada começar, Saint Louis salva quase 10M em seu teto salarial (embora tenha que arcar com o resto do salário) para 2014, algo importante para um time que está ainda longe de alcançar 49ers e Seahawks na NFC West. Então essa é uma decisão importante que vai afetar o futuro da franquia, e precisa ser tomada ao final dessa temporada... e com a amostra de Bradford que o time já tem até agora, que não foi boa (ele é basicamente um QB mediano na NFL, e nenhum jogador assim deveria ganhar 17M por ano), e agora essa lesão significa que Sam não terá mais os últimos jogos da temporada para fazer seu caso e mostrar que ele merece ser o quarterback do time. Agora é um dilema sobre se vale a pena insistir nele mais dois anos pagando 17M por ano, ou desistir do experimento, seguir em frente, e cortar 10M da sua folha salarial no processo.

Vale lembrar que o Rams tem duas escolhas de primeira rodada esse ano que provavelmente estarão na metade de cima do draft, já que eles possuem a sua própria e mais a do Redskins (2-4). Então em um draft profundo, e considerando que o time tem os ativos para ou adereçar outra necessidade imediata (OL?) além do QB ou juntar um pacote para subir de posição e pegar um QB melhor (talvez até a 1st pick, dependendo de quem for o dono dela), não consigo ver o Rams decidindo que prefere pagar um salário maior por dois anos a mais de medíocridade do que a chance de economizar e ainda tentar achar um novo QB do futuro, não com Sam Bradford, e muito menos com Sam Bradford voltando de uma lesão séria como essa. Acho que Bradford lançou seu último passe como um membro do Rams.


Historicamente ruim


Duas semanas atrás, quando o Bill Simmons escreveu uma coluna sobre NFL, ele disse que a expressão "historicamente ruim" tinha se tornado a expressão mais usada da história dos esportes e que era usada para absolutamente tudo hoje em dia - basicamente, como ele mesmo disse, nosso uso dessa expressão está historicamente ruim. Mas se tem um time que merece o uso - e o uso contínuo - dessa expressão, é o nosso time historicamente ruim de 2013... o Jacksonville Jaguars.

Não preciso explicar exatamente porque o Jaguars é tão ruim, todo mundo aqui tem TV/internet e provavelmente já viu cinco minutos desse show de horrores. O time não pontua, o time não consegue segurar os adversários, e muito além de estar 0-7 e longe da sua primeira vitória, o time na verdade perdeu TODOS seus jogos até agora por pelo menos 10 pontos. O time é tão ruim mas tão ruim que virou quase folclórico a essa altura, e ninguém duvida de que seja o pior time da liga na atualidade.

Mas quão ruim o Jaguars realmente é, historicamente? Bom, é o que eu quero saber. Então usando a base de dados do Pro-Football Reference, vamos ver os times desde 1970 - a fusão entre a NFL e a AFL - que foram tão ruins ou piores quanto esse time para começar a temporada.

Primeiro dado que eu procurei foi dos times que, assim como o Jaguars de 2013, conseguiram perder seus primeiros sete jogos por 10 ou mais pontos - jogos de uma posse de bola ainda podem ser atribuídos a alguma falta de sorte, mas 10 pontos em cada um desses sete jogos é um pouco demais, certo? Bom, acontece que o Jaguars conseguiu algo bastante raro com essa façanha: apenas um outro time nesses 43 anos de NFL conseguiu tamanha futilidade, o Houston Oilers de 1984. Aquele time do Oilers terminou o ano 3-13. Outros cinco times além desses dois também tiveram seis derrotas por 10 pontos ou mais nos primeiros sete jogos da temporada: 1971 Buffalo Bills (1-13), 1986 Indianapolis Colts (3-13), 1976 New York Jets  (3-11), 1973 Oilers (1-14), 1972 Eagles (1-12-1). Em outras palavras, apenas um outro time na era post-merger da NFL conseguiu essa façanha, e apenas UM outro apenas conseguiu atingir esse nível em 6 das primeiras 7 partidas desde 1980.

O Jaguars também se destaca na temporada por ter anotado o menor número de pontos e ter cedido o maior número de pontos na temporada até aqui, anotando 76 pontos (10.9 por jogo) e cedendo 222 (31.7 por jogo). Colocando esses números em contexto histórico (sempre desde o merger), os dois aparecem entre os piores números da história da NFL: 76 pontos anotados nos primeiros 7 jogos da equipe é a 28th pior marca desde 1970, e os 222 pontos cedidos formam a 15th pior marca no mesmo período. Ambas marcas muito ruins, mas não as piores, o que deveria oferecer algum consolo, certo? Bom, na verdade não por um simples motivo: nenhum time na história da NFL aparece nas duas listas na frente do Jaguars. Ou seja, nenhum time foi pior anotando pontos E pior cedendo pontos nos primeiros 7 jogos de uma temporada do que Jacksonville essa temporada, o que o coloca novamente em um nível quase único.

Mas já sabemos nesse espaço que vitórias e derrotas não representam o verdadeiro nível de um time, e que na verdade a melhor forma de medir o quão bom (ou, nesse caso, quão ruim) um time é ou foi é olhar para o seu saldo de pontos. Então vamos olhar o saldo de pontos do Jaguars após sete jogos (-146) e comparar com os outros times na nossa amostra. O resultado é realmente impressionante: depois de 7 jogos, nesses 44 anos de história da NFL, apenas UM time conseguiu começar a temporada com um saldo pior do que o Jaguars de 2013. Foi o Saint Louis Rams de 2009, que eventualmente teve a 1st pick e gastou em Sam Bradford. O Jaguars está também empatado em segundo lugar com o Oilers de 1973, que já foi citado anteriormente. Considerando então saldo de pontos como sendo nossa amostra mais precisa, podemos concluir que o Jaguars foi o segundo pior time (empatado) da história da NFL depois de sete jogos (desconsiderando fatores como calendário, claro).

Por fim, qual é exatamente o patamar que o time precisa alcançar para oficialmente levar o cinturão de pior time de todos os tempos? A primeira resposta de muitos provavelmente seria o 0-16 Lions de 2008, mas não me parece ser o caso - aquele time teve o saldo de pontos de um time acima de 3 vitórias, por exemplo. Olhando por saldo de pontos, o cinturão de pior time de todos os tempos pertence a um que dificilmente será superado, o Tampa Bay Buccaneers de 1976, que inclusive perdeu todos os seus jogos. Esse Bucs teve um saldo de -287 pontos, o que é ainda mais impressionante quando lembramos que em 1976 o calendário da NFL tinha apenas 14 jogos... o que nos da -20.5 de saldo de pontos POR JOGO. Entre a era dos 16 jogos, a pior marca é do 2-14 Baltimore Colts de 1981, com -274 de saldo, -17.1 por jogo. São essas marcas que o Jaguars precisa superar para atingir o nível histórico de pior time da era moderna da NFL: -275 ou menos de saldo de pontos para superar o Colts de 1981, ou -329 ou menos de saldo para superar o Bucs de 76 no saldo de pontos. Então se o Jaguars mantiver o ritmo atual até o final da temporada, perdendo todos os 16 jogos pelo mesmo saldo de pontos que tem agora, com quantos ele vai terminar o ano? Com -334, é claro, quebrando ambas as marcas!!! Sua média de 20.9, atualmente, é também a pior da história da NFL (considerando apenas temporadas completas).

Então o Jaguars não é o pior time da história da NFL... ainda. Mas está caminhando para atingir essa duvidosa distinção, confirmando de uma vez por todas que se existe um time que merece ser descrito como "historicamente ruim" na NFL hoje em dia, é o Jacksonville Jaguars.

(Errata: Originalmente eu disse que o pior time em 16 jogos era o Baltimore Ravens de 1981, mas como alguns leitores atentos repararam, isso é impossível: o Ravens só foi criado em 1996, e o time de Baltimore em 1981 era o então Baltimore Colts. Agradeço aos que avisaram, já foi corrigido).

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Preview NFL 2013 - Saint Louis Rams

Trenzinho Carreta Furacão, edição Saint Louis


Nessa série de previews já falamos de 30 times diferentes, incluindo toda a AFC East, South, North e West e das NFC East, South e North, mais o San Francisco 49ers e o Seattle Seahawks. Você pode acessar todos os previews direto do nosso índice. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Saint Louis Rams

2012 Record: 7-8-1
Ataque ajustado: 21st
Defesa ajustada: 7th


Parabéns! Acabamos de chegar no ganhador de 2012 do "Troféu de Melhor Time que Ninguém Presta Atenção" da NFL! Seu prêmio são mais 1000 palavras sobre o Rams!

Por algum motivo, muita gente correu para descartar o Rams como um time insignificante durante e ao final da temporada, mesmo com a equipe terminando 7-8-1 com uma tabela insanamente difícil e terminando 4-1-1 dentro da divisão. Na verdade, Saint Louis terminou em 15th em eficiência ajustada na NFL (logo atrás e quase empatado com Minnesota) e, usando as estatísticas de eficiência ponderadas (ou seja, que atribuem maior peso aos jogos mais tardios no campeonato), o Rams termina com um bom 12th lugar, na frente de times como Vikings, Houston e Atlanta. Claro que isso não significa que o Rams seja melhor que o Atlanta, especialmente porque essa melhora ao longo do ano não teve uma causa direta como um jogador voltando de lesão ou uma mudança de coordenador (como foi o caso do Tampa Bay despencando sem Carl Nicks), e então no fundo os jogos do começo do campeonato tem tanta significância quanto os do final (especialmente porque o Falcons relaxou quando garantiu sua vaga). Mas ainda assim, é algo impressionante, certo? Serve para mostrar um pouco que esse time do Rams é, na verdade, bem sólido.

Então porque ninguém presta atenção neles? Primeiro, porque eles jogam numa divisão insanamente difícil com dois dos melhores times da NFL ano passado, 49ers e Seahawks. Não só esses dois chamam toda a atenção (merecidamente, mas enfim) como os dois logo mostraram que iriam garantir a divisão e deixaram o Rams para trás e fora da briga, o que deixou a equipe de Saint Louis em uma posição secundária na temporada. Um outro motivo foi o mesmo do Panthers: a equipe melhorou mais para o final da temporada, ganhando quatro dos últimos seis jogos depois de começar a temporada com um irrelevante 3-6-1, outro motivo que fez muita gente descartar a equipe cedo e não prestar atenção quando ela jogou seu melhor futebol. E por fim, o fato de que o Rams teve a segunda tabela mais forte de toda a NFL: oito de seis jogos foram contra times de playoffs, e mais dois contra Bears (melhor time da NFL a não ir para a pós-temporada) e Lions (muito melhor do que seu record indica) - só o Cardinals teve uma tabela pior. Por isso que as métricas ajustadas por adversário são generosas com o Rams: eles não tiveram uma grande temporada, mas tiveram uma temporada decente contra uma tabela extremamente difícil, e essa tabela tornou difícil ver o quão bom era o Rams já que toda semana estavam enfrentando (e perdendo de) pedreiras. Então motivos nós temos para não ter prestado atenção no Rams, mas o importante é saber exatamente o que estamos perdendo com isso.

Para começar, estamos perdendo uma das melhores defesas da NFL. Ter uma defesa dominante é quase um pré-requisito para jogar na NFC West atualmente, na verdade: das sete melhores defesas de 2012, quatro são dos times da West, inclusive a número 2 e a número 4 que foram tema dos dois últimos previews (49ers e Seattle, respectivamente). O Rams não é exceção, terminando 2013 com a sétima melhor defesa da liga. E talvez até mais importante é o fato de que não só é uma defesa forte e dominante, mas também uma defesa muito jovem e com muitas peças em evolução. 

A defesa começa por dois jogadores que durante anos foram dois dos mais underrateds jogadores defensivos da NFL, Chris Long e James Laurianaitis, dois daqueles "excelentes jogadores presos em um time horrível" por anos a fio. Long, em particular, foi sempre o que mais me chamou a atenção por um simples motivo: ele nunca para de se mexer. É assustador, mas ele é daqueles DEs que não dão um passo, travam uma batalha parada com o OL adversário para abrir um espaço e usam esse espaço para atacar o QB: ele está sempre mexendo as pernas, sempre buscando um contorno ou coisa assim, sempre se movimentando lateralmente para fechar espaços... enfim, é basicamente o jogador com o motor mais impressionante da NFL, e por isso um dos meus favoritos de assistir. Nos últimos dois anos, quando Saint Louis finalmente deu a ele um bom parceiro na linha defensiva (Robert Quinn) Long totalizou 24.5 sacks (sétima melhor marca nesse período) e ancorou o que promete ser uma defesa muito dominante. Quinn teve também uma temporada muito boa em 2012 (sua primeira como titular) com 10.5 sacks, então é realmente uma dupla que tem tudo para ser muito dominante, especialmente com Quinn indo para sua terceira temporada e com bastante potencial de evoluir ainda mais.

Atrás dessa forte dupla de frente, o Rams também montou um grupo de linebackers muito forte. Em uma defesa 4-3 base, os OLBs não são daqueles que vão para a blitz na maior parte do tempo como Aldon Smith ou DeMarcus Ware, mas prometem ser sólidos: em adição ao eterno James Laurianaitis (apenas "James" daqui para frente porque ninguém merece escrever Laurianaitis), a equipe draftou o bom e problemático Alec Ogletree e trouxe o veterano Will Weatherspoon para compor seu trio de LBs. Laurianaitis é um dos melhores MLBs da liga e Ogletree era considerado o melhor LB dessa classe de calouros (apesar dos problemas extra-campo), e considerando que essa defesa terrestre já foi uma sólida 8th melhor contra o jogo terrestre em 2013, existe ainda mais potencial aqui. A chave provavelmente vai ser como os DTs se comportam em 2012, já que a equipe não possui um dominante, mas com esse ótimo pass rush e bom grupo de LBs, ainda tem tudo para ser um bom grupo.

O draft de Ogletree mostra novamente uma tendência desse time do Rams nos anos recentes, que é a de se preocupar mais com talento e menos com problemas fora de campo. Ogletree era o típico caso de jogador muito talentoso que acaba caindo no draft pelos seus problemas, mas o Rams se focou (e admitiu isso depois) apenas no que ele pode oferecer dentro de campo. Na verdade, foi essa mentalidade que o time usou para montar sua secundária em 2012, trazendo o talentoso, problemático e um pouco overrated Cortland Finnigan na free agency, e no draft foi atrás de Jannoris Jenkins, um talento de primeira rodada que caiu para a segunda rodada por ter sido preso algumas vezes. A estratégia deu certo: a defesa aérea saltou para 10th melhor da liga em 2012, conseguiu um sólido número de 17 intereptações mesmo contra uma tabela forte e gerou bastante interesse ao redor da liga. O sucesso dessa estratégia em 2012 provavelmente foi o que motivou a seleção de Ogletree, e vai continuar inspirando esse tipo de posicionamento até algo dar errado.

E ai chegamos ao maior ponto positivo dessa defesa: idade. Os dois veteranos dessa defesa, Long e James, ainda estão em seu auge (28 e 27, respectivamente). Quinn está indo apenas para seu terceiro ano, Jenkins para seu segundo. Ogletree é calouro, e Finnegan - o mais velho desse núcleo - faz 29 em fevereiro. Para um time como o Rams que provavelmente ainda está pensando alguns anos no futuro, essa é uma ótima notícia: seu núcleo ainda vai jogar junto por um bom tempo, e ainda tem muito espaço para evoluir. Para 2013 isso não necessariamente vai ajudar tanto, considerando algum possível sophomore slump de Jenkins (que pareceu ser um pouco "exposto" mais para o fim da temporada) e pelo fato da equipe ter perdido seus dois safeties titulares (Quintin Mikell foi para o Panthers e Craig Dahl para o 49ers) sem nenhum bom substituto disponível, então é possível esperar alguma piora dessa unidade. Mas mesmo assim o Rams deve continuar com uma das melhores linhas de frente de qualquer time na liga, e isso provavelmente vai ser suficiente para ancorar uma defesa extremamente forte, especialmente se os CBs continuarem com a boa fase.

O ataque é mais problemático. Desde que fizeram de Sam Bradford a primeira escolha do draft em 2010, esse grupo terminou a temporada 30th, 32nd e 21st em ataque ajustado. Enquanto um otimista pode olhar e falar que pelo menos o grupo evoluiu para 2012, um realista vai apontar que esses são três péssimos números. Embora seja mais do que óbvio que não seja possível atribuir tudo isso a Bradford quando ele tem jogado em um ataque muito fraco e sem o pessoal adequado para ajudá-lo, o fato é que ele também não tem se destacado positivamente. Nesses três anos, Bradford ainda não mostrou o que se esperava dele quando se tornou a primeira escolha do draft: seu braço não é forte e ele tem mostrado dificuldade nas bolas longas (como o grande Bill Barnwell nota, Bradford é o QB que menos tenta passes de mais de 20 jardas na NFL), e sua precisão no resto dos passes deixa muito a desejar. Ele não compensa seu baixo aproveitamento com ganhos longos e vice versa, e isso é um problema quando seu QB ainda tem metade de um contrato de 6 anos, 78M para cumprir (com absurdos 50M garantidos). Parte disso não é culpa de Bradford - ele nunca jogou com uma boa linha ofensiva ou teve alvos competentes além de Steven Jackson e Danny Amendola - mas ele também não se destacou com o que teve em mãos de alguma forma, ou mostrou as ferramentas de um grande QB na NFL.

E embora não seja exatamente culpa de Bradford, o fato é que ele gerou muitos problemas, junto com uma série de decisões da diretoria  cujos resultados foram desastrosos (algumas eu também critiquei na época). O primeiro problema é que Bradford foi a última 1st pick no antigo CBA. O grande problema a ser resolvido no lockout de 2011 foi a questão dos contratos de calouros, que tinham escalado demais e saído de controle. Isso foi eficientemente controlado no novo CBA, mas times que ainda mantinham jogadores com seus contratos antigos se viram em uma situação complicada. Para efeito de comparação, Bradford ganhou um contrato de 6 anos, 78M quando calouro... a próxima 1st pick, Cam Newton, assinou um de 4 anos, 22M. Então é uma diferença brutal, e isso tem causado alguns problemas para o Rams. Esse foi, inclusive, o motivo pelo qual a equipe deveria ter mantido a 2nd pick em 2012 (e Robert Griffin) ao invés de trocá-la e manter Bradford: Sam come um pedaço imensamente maior do espaço salarial da equipe do que Griffin (falamos segunda no preview do Seahawks sobre a enorme vantagem que é ter um franchise QB em contrato de calouro). Eu entendo os motivos que levaram o Rams a tomar essa decisão - em particular que o retorno por uma eventual troca de Bradford seria muito menor do que o que Griffin trouxe - mas na época muita gente já defendia manter Griffin pela questão salarial, o que fica ainda mais claro quando vemos o resultado disso um ano depois. Na verdade, se o Rams tivesse feito a coisa mais fácil em 2010 e draftado Ndamukong Suh em primeiro (que era claramente o melhor jogador do draft na época), poderia ter hoje Suh E Griffin no seu time, então tem isso também - bem como o fato de que Bradford pode ser cortado ao final dessa temporada para economizar salário enquanto Griffin revive o esporte em Washington.

Um tema clichê nos previews do Rams desde 2011 é que esse é o ano que Bradford tem ao seu redor o melhor grupo da sua vida. Foi dito em 2011, foi dito em 2012, e tem que ser dito em 2013: pela primeira vez ele tem um bom LT em Jake Long, o que via dar muita estabilidade na linha ofensiva, e adicionaram duas armas importantes para seu QB nessa offseason em Jared Cook (muito talento, nunca despontou como esperado) e Tavon Austin (8th pick nesse draft), que a equipe espera que possa adicionar dois alvos confiáveis e explosivos para Bradford finalmente se desenvolver... apesar de ele já ter 26 anos. Então é fato que no papel o Rams está oferecendo a ele um grupo melhor do que ele já viu em anos, mas isso já foi dito antes e não rendeu nenhum tipo de resultado, então não me culpem se me sinto um pouco cético. Também vale citar que Bradford perdeu o seu melhor recebedor em Amendola, que quando esteve saudável era o principal alvo aéreo da equipe. Como Barnwell nota em seu excelente preview, Bradford completou 66.5% de seus passes para Amendola e apenas 56.8% para o resto de seu time, uma diferença absurda que só reforça a importância de Amendola saindo do slot como uma opção nesse ataque. Mas Amendola saiu, e nao se sabe ainda se Tavon Austin vai conseguir realizar essa função ou ser usado em um papel mais explosivo estilo DeSean Jackson (a comparação mais comum para Austin) em rotas longas que não vão oferecer para Bradford a opção de segurança que ele precisa. Então ainda existe algum motivo para dúvida, ainda que no papel esse ataque tenha evoluido um pouco (principalmente por causa de Long, na verdade) - de novo. Vamos ver se dessa vez a melhora no papel se traduz para uma melhora dentro de campo.

Mas o fator mais duvidoso nesse ataque é o jogo terrestre, simplesmente porque ele pode cair para qualquer lado. A equipe se livrou do grande Steven Jackson, um dos melhores RBs da sua geração, por questões salariais antes de dar o comando da equipe aos jovens Daryl Richardson e Isaiah Pead, e é difícil saber exatamente qual vai ser o impacto disso na equipe. Jackson foi um grande RB, isso é inegável, mas já tem 30 anos, sendo 8 deles como o titular de uma equipe fraca tendo que carregar nas costas o time com uma carga de trabalho imensa, e nos últimos anos viu sua produtividade decair um pouco. Jackson sempre foi uma grande válvula de escape para Bradford por sua versatilidade recebendo passes, algo que provavelmente não vai acontecer (ou pelo menos no mesmo nível) com a nova dupla de RBs, mas ao mesmo tempo vale destacar que em 2012 Jax teve uma média de 4.1 jardas por corrida e Richardson teve 4.8 atrás da mesma linha ofensiva. Claro que é mais fácil ter uma média alta com menos corridas e em situações mais favoráveis, mas ainda é uma boa diferença e Richardson projeta como sendo uma opção mais jovem e explosiva para esse jogo terrestre. É difícil saber exatamente o impacto dessa mudança, mas diria vai ter impacto importante no destino dessa equipe.

Em resumo, o Rams é um bom time que muita gente negligencia. Mas infelizmente para eles, eles ainda tiveram alguma sorte em 2012 (uma vitória acima da sua Pythagorean Expectation) e apesar de não ser o inferno de 2012, a tabela ainda vai ser consideravelmente difícil em 2013 com um Cardinals reforçado e quatro jogos contra a fortíssima NFC South. A defesa vai continuar sendo forte como sempre, com potencial para evoluir (jovens jogadores, Ogletree chegando) ou regredir (sem seus safeties), mas dividindo a diferença ainda tem tudo para ser uma das melhores da liga. O wild card para a equipe, naturalmente, é seu ataque, e como Bradford vai render naquela que pode ser sua última chance como titular da equipe com uma linha ofensiva reforçada e um conjunto totalmente diferente ao seu redor. Eu confesso que não me sinto otimista em relação a essa última, acredito que vá ser um ataque decente mas não bom o suficiente, e por isso não vejo o Rams sendo melhor do que 7-9 ou 8-8, o que não quer dizer que seja um time ruim: se enfrentasse a tabela de um time como Chiefs ou jogasse na AFC South, seria um forte candidato a ganhar 10 jogos e ir aos playoffs. Por enquanto, vai ter que se contentar com uma forte defesa e com o trabalho que sempre dá aos favoritos Niners e Seahawks enquanto pensa no que fazer com Sam Bradford.