Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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sexta-feira, 14 de março de 2014

NFL Mailbag: Final de temporada regular

"Eu não acredito, ele finalmente fez um mailbag!!!"



Bom, como prometido, chegou a hora de esvaziar a caixa de entrada para fazer o nosso Mailbag. Para quem não sabe, o formato é bem simples: vocês mandam emails com dúvidas, perguntas, comentários ou o que quiserem, e eu respondo/comento aqui em uma coluna. O tema dessa era NFL, especificamente o final da temporada e o começo da Free Agency, embora eu não tenha limitado nenhum assunto. Perguntas sobre outros esportes - recebi algumas de NBA, principalmente - serão respondidas futuramente em outros Mailbags que provavelmente não irão demorar.

Se quiserem participar de outros mailbags - seja sobre o que passou na Free Agency, sobre o Draft que está vindo, sobre basquete, sobre baseball ou sobre qualquer tema diverso, é bem fácil, é só mandar seu email para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag" (e seu nome para ser publicado com o email, mas esse é opcional). Você pode ter seu email publicado e respondido nesse espaço.

Enfim, vamos começar com o mailbag. Vou começar tirando algumas dúvidas que me foram enviadas antes de passar para o resto, porque serão as respostas mais longas e complexas. Se não está com paciência de ler respostas longas e detalhadas sobre salários e franchise tags, pule direto para onde está escrito "TERMINOU" em negrito que continuaremos o mailbag mais dinâmico a partir de lá.

(Só lembrando, esses são emails reais enviados por leitores reais)


Sobre Franchise Tag. Como ela funciona? O time pode usar em qualquer jogador que esteja no ultimo ano de contrato? O jogador pode recusar? Quais são os valores? (Aproveitando a polêmica do Graham) Quem decide a posição do jogador? E quanto custaria para outro time tirar esse jogador com Franchise Tag? - Ricardo "Mugen" Venturelli

A Franchise Tag (existe outros tipos de tags, como a transition, por exemplo, mas vamos nos focar na mais comum que é a franchise) funciona da seguinte forma: cada time tem direito a aplicar uma FT por offseason, e pode fazê-lo em qualquer jogador que vai se tornar um free agent irrestrito, a não ser que o contrário esteja especificado no seu contrato (o do Darrelle Revis com o Bucs, por exemplo, tinha uma cláusula que impedia o time de usar a FT nele). A FT serve para você "prender" um jogador ao seu time, e se o jogador assinar (ele não é obrigado, mas chegaremos lá) a Tag, ela funciona basicamente como um  contrato de um ano para esse jogador, totalmente garantido. Durante esse ano, o salário do jogador será igual a média dos cinco maiores salários de jogadores sua posição na NFL, OU 120% do seu último salário, o que for maior. Ao final desse ano, o jogador volta a ser um free agent irrestrito, e se o time quiser usar novamente uma FT no mesmo jogador, o valor dela sobe 20%.

Muitos times usam a FT menos como um contrato de um ano e mais como uma garantia para segurar o jogador. Quando é um jogador que vai atrair muito interesse na FA ou um que o time quer manter a todo custo, a opção da equipe por usar a FT pode ser para impedir que esse jogador atinja o mercado e garanti-lo por um ano no seu time, e enquanto isso o time negocia um contrato longo tranquilamente com ele. É menos comum você ver um jogador atuando por um ano sob a FT do que ver um jogador taggeado negociando uma grande extensão logo depois.

Na NFL, existe dois tipos de FT: a exclusiva, e a não exclusiva. No caso da exclusiva, uma vez que você designa um jogador para ela, ele assinando ou não, nenhum time pode negociar com esse jogador além de você. Se ele assinar, ótimo, entra em vigor o que foi dito dois parágrafos atrás, senão ele fica um ano inteiro sem poder ir para outro time e sem jogar, dai vira FA irrestrito de novo. Se for a não-exclusiva e ele assinar, ótimo, mas se ele não assinar, os demais times da NFL tem direito de negociar um contrato com ele como negociariam com um FA normal, com a diferença de que o time que o taggeou tem o direito de igualar o contrato oferecido e ficar com o jogador (igual a um free agent restrito) e, caso não iguale, ele recebe escolhas de draft como "compensação" por perder seu franchise player (se não me engano, a compensação atual seria duas escolhas de primeira rodada).

Sobre a polêmica do Jimmy Graham, o time não escolhe a posição que ele taggeia o jogador, ele só aplica a tag e o sistema da NFL automaticamente atribui a posição com base na posição que ele é registrado. No caso do Graham, isso seria TE. No entanto, o jogador ou o time podem entrar com um recurso pedindo uma mudança caso o jogador não jogue na posição originalmente atribuída (pense por exemplo em Devin Hester, draftado como CB, registrado como CB - inclusive usando camisa 23 - mas que jogava de WR. Se ele fosse tagged, seria atribuído a ele a tag de CB, mas qualquer recurso mudaria isso para uma de WR). Esse é o argumento de Graham: embora ele seja registrado como TE, ele joga de WR no Saints e por isso a tag deveria mudar. Mais sobre isso daqui a pouco.


Sobre Salary Cap. O que acontece se um time está acima do Cap? No contrato de um jogador, além do salário, o que mais influencia no Cap? E o dead money, o que é isso? Ainda no contrato do jogador, como é definido coisas como Bonus ou Salário Garantido? - Ricardo "Mugen" Venturelli

Todos os times TEM que estar abaixo do cap quando começar oficialmente a free agency. Se não estiver? Reze. Ainda não tivemos um caso concreto para saber com certeza o que aconteceu, mas eu sei que a NFL tem poder de anular alguns contratos de um time caso isso aconteça como "punição". Acredito que além de anular alguns contratos para o time entrar dentro do cap, a NFL iria aplicar algum tipo de punição, como perda de escolhas de draft ou algo semelhante ao que fez com Redskins e Cowboys alguns anos atrás quando tentaram usar um ano que a NFL jogou sem salary cap para "burlar" as regras, e foram punidos com perda de espaço salarial em anos futuros. Melhor jeito de saber é esperar o Cowboys fazer isso daqui a um ou dois anos.

Sobre o contrato e como ele influencia no cap, ele funciona a partir das três fases da sua composição: você tem o salário anual do jogador, você tem o "bônus de assinatura" (o que no futebol chamamos de "luvas") e os demais bônus (que podem vir de diversas formas, desde "500 mil para cada jogo que for relacionado" ou "5M se você for o MVP"). Geralmente, o valor divulgado de um contrato já inclui os salários anuais totais e o bônus de assinatura. O bônus de assinatura (que vou chamar de "bônus" genericamente aqui, quando for um outro mais específico ele será, bem... especificado) você recebe totalmente no momento que assina o contrato, mas ele não conta todo de uma vez no salary cap - na verdade, ele é igualmente dividido entre todos os anos do contrato em termos de salary cap. Além disso, o salário anual - que é dividido quando o contrato é assinado - pode ou não ser garantido, dependendo da negociação. Isso não interfere no cap hit anual, só no dead money (chegaremos lá). Então o cap hit anual de um jogador é o seu salário daquele ano, mais a parte do bônus que foi distribuída pela duração do contrato, mais os eventuais bônus específicos que ele possa receber naquele ano conforme foi especificado em contrato (esses bônus em geral só contam para o cap se a NFL determinar que as condições são "prováveis" de serem cumpridas - se não, elas não contam em um primeiro momento, e passam a contar de forma retroativa caso sejam atendidas ao longo do ano).

Então fazendo um exemplo prático, imagine que eu assinei um contrato de 5 anos e 40M, com 15M de bônus e 25M totais garantidos. Em outras palavras, meu contrato tem 15M de bônus e 25M de salários, sendo que 10M de salários são garantidos. Para facilitar, o salário anual será igualmente distribuído por toda a duração do contrato: 5M em cada um dos cinco anos. Então no momento que assinei meu contrato, eu já ganhei 15M dele, mas o cap hit desse bônus será 3M a cada ano (btw, o salário anual pode ser distribuído ao longo da duração de diversas maneiras, não precisa ser igualmente, mas o bônus é obrigatoriamente igualmente distribuído). Então se o time me mantiver na equipe durante toda a duração do contrato, o meu cap hit será de 8M cada um dos cinco anos. 

No entanto, em algum momento, o time pode decidir me cortar antes do final do meu contrato. Isso vai gerar o famoso "dead money", que nada mais é do que o dinheiro que vai contar no seu salary cap caso um jogador saia do time antes do final do seu contrato (seja por troca, aposentadoria, dispensa ou whatever - vamos focar mais na dispensa porque é o caso mais comum). O dead money de um jogador dispensado é todo o cap hit futuro desse jogador que vem de dinheiro garantido, seja ele da parte do bônus daqueles anos ou salários garantidos, que contabiliza de uma vez só no seu cap.

Então no exemplo anterior, o cap hit anual era de 8M, com 5M vindo de salários e 3M do bônus. Eu disse também que 10M do salários seriam garantidos, então vamos supor que fossem os 10M correspondentes aos dois primeiros anos de salário. Então se o time quiser me cortar ao final do terceiro ano, ao invés do cap hit de 8M que eu teria no ano seguinte caso estivesse no time, eu saio da folha salarial do time (como meu salário daquele ano é não garantido, eles não precisam pagá-lo e ele não conta contra o cap caso eu não esteja mais no time), mas eles terão 6M na sua folha salarial daquele ano em "dead money" pela minha saída, que equivalem aos 3M de bônus que corresponderam aos dois últimos anos do contrato que eu não jogarei. Se o time quiser me dispensar apenas no último ano, dos 8M daquele ano eles só terão 3M contando como dead money. Se o time quiser me dispensar depois do segundo ano, quando meu salário para de ser garantido, eles também podem - mas dai o dead money passaria a ser de 9M (três anos de bônus) ao invés dos 8M caso eu estivesse no time, então é ruim para abrir espaço salarial.

No entanto, suponha que o time concluiu que eu sou um babaca no vestiário que tentou assediar a secretária do chefe, e eles querem se livrar de mim um ano depois de assinar o contrato. Eles podem me dispensar a vontade, mas agora além do dead money equivalente aos quatro anos restantes de contrato (totalizando 12M), o meu salário daquele ano é totalmente garantido. Ou seja, eles precisam me pagar o salário eu estando no time ou não. Então se me dispensarem mesmo assim, agora eu conto como 17M em dead money (12M do bônus mais meu salário garantido de 5M) e eu recebo os 5M em dinheiro pelo salário garantido.

Espero que tenha ficado claro o que o tal do "dead money" é, afinal: são todos os cap hits futuros garantidos (bônus ou salários garantidos) que são contabilizados de uma vez só quando um jogador sai do seu time antes da hora. É possível jogar uma parte do dead money relativo a uma dispensa para o ano seguinte, mas ai é complicação demais para explicar aqui, basta saber que é possível. Espero que tenha ficado claro, é um assunto dificilimo mas interessantíssimo.


TERMINOU!

Espero ter esclarecido as dúvidas sobre salary cap, são bem comuns. Agora antes de passar para a parte do Mailbag que envolvem perguntas sobre times específicos, vamos ver alguns dos outros emails. 



- Para minha supresa descobri que o Julian Edelman era quarterback na Universidade de Kent State, e acabou se transfomando num bom WR na NFL.

Esse tipo de caso é comum? um jogador mudar de posição só depois que chega a NFL? e se você conhece outros jogadores que são relevantes hoje em dia que tenham mudado de posição. - Fabiano Dantas

Não é exatamente comum, mas acontece. Acho que até mais do que jogadores que mudam de posição quando vão para a NFL, uma coisa mais comum é jogador que muda de esporte: Antonio Gates provavelmente é o exemplo mais famoso, um Power Forward no College que, quando viu que não tinha futuro na NBA, arrumou um workout com o Chargers e virou um dos melhores TEs da NFL. Ironicamente, o College onde ele jogava basquete? Kent State! Outros exemplos de jogadores de outros esportes incluem Jimmy Graham, que jogou basquete pela Flórida durante seus quatro anos de College antes de entrar no time de futebol um ano depois quando assistia a um curso complementar, e Wes Welker, que apesar de jogar futebol americano na faculdade também era jogador de futebol e foi não-draftado em parte por causa disso.

Mas só trocando de posição, como eu disse, não é comum mas acontece - as vezes o conjunto de habilidades ou tipo físico do jogador leva algum técnico a mudar um jogador de posição para melhor se adaptar ao jogo da NFL. Randle El é um bom exemplo de um QB que virou WR na NFL e teve muito sucesso. Delaine Walker também lembro que era WR e foi adaptado para TE pelo seu talento como bloqueador.

Mas acho que o mais comum é ou um jogador que mudou de posição ao longo do College, ou que jogava em mais de uma: Vernon Davis chegou a jogar de defensive end, linebacker e safety do lado defensivo, e Tony Gonzalez além de ser All-American jogando basquete foi linebacker durante dois anos na faculdade,  por exemplo. Alguns exemplos de jogadores recentes envolvem Wines Ward (foi RB por dois anos na faculdade antes de virar WR), Joe Thomas  e Jason Peters (eram TEs na faculdade antes de virar LT), Charles Woodson (era RB no colegial e tem até hoje vários recordes), Warren Sapp (era linebacker e PUNTER no colegial e chegou a jogar de MLB na faculdade) e Steve Smith (RB e cornerback no colegial).


Bom, eu tornei-me,recentemente, fã de futebol americano e esta época foi a primeira que acompanhei. Ainda não consegui escolher a minha equipa favorita e por isso a minha pergunta é a seguinte: como escolho a minha equipa de futebol americano? Que critérios devo seguir? E já agora, como você escolheu a sua? -João Almeida

Não existe um critério a ser seguido. Sempre achei que os melhores times são escolhidos naturalmente, e não seguindo algum critério. Algum jogador que você goste muito de acompanhar, uma camisa ou logo que você ache legal, uma torcida que te inspire, um jogo que te marcou... tem diversos motivos que podem levar você a escolher um time. Conheço um torcedor do Broncos que escolheu o time porque adorava acompanhar a história do Tim Tebow, por exemplo, e minha namorada mesmo torce para o Lakers porque quando era criança adorava roxo e, portanto, a camisa roxa do Lakers. Um amigo meu torce para o Pats porque o primeiro jogo que ele sentou para assistir direito foi um Sunday Night entre Patriots e Bills que o Pats perdia por uns 12 pontos faltando 5 minutos e conseguiu a virada, e o co-fundador do Two-Minute Warning Marcelo Ferrantini torce para o Bears porque estava lendo sobre a história da NFL e se apaixonou pelos Monsters of the Midway. Não tem um critério, e se você não tem um time e quer achar um, o melhor que você faz é assistir o máximo de jogos possíveis de times diferentes, e ver se alguma coisa em um deles te atinge de uma forma diferente.

O meu caso é até chato: eu torço para o 49ers porque meu pai torcia desde criança e me criou assim, como se fosse time de futebol - eu tenho um vídeo meu de criança com uns 4 anos no qual eu estou de camisa do Niners, lançando uma bola de futebol de criança e levantando os braços dizendo "Touchdown, Steve Young!". Mas meu pai torce porque quando criança morou nos EUA, se apaixonou pelo esporte e gostou do 49ers porque suas cores lembravam o vermelho-branco-e-preto do São Paulo Futebol Clube, seu time do coração. Então realmente não tem só um caminho para escolher um time, e tenho certeza que alguma hora você vai achar o seu.


Considerando que times como Chiefs, Saints e 49ers devem ser wildcards e são no minimo candidatos a chegar a final da conferência, fiquei com uma curiosidade: Já houve alguma final de conferência, ou até um Superbowl, entre dois times de wildcard? Desculpe se a pergunta for muito irrelevante. - Felipe Amorim

Obviamente a pergunta foi feita antes dos playoffs, mas a pergunta ainda é válida: desde 1970, quando o Wild Card foi criado, 10 times de WC chegaram ao Super Bowl e 6 foram campeões (2010 Packers sendo o mais recente). No entanto, até hoje nunca tivemos um Super Bowl entre dois times de Wild Card, e até onde eu sei nem sequer uma final de conferência entre os dois times WC.


O San Diego Chargers afinal é o melhor time ruim ou o pior time bom da NFL? Por quê tanta oscilação? É razoável acreditar, com a fraca defesa de Denver e os problemas no ataque e contra o jogo terrestre de New England, e ainda os inúmeros problemas tanto ofensivos quanto defensivos do Colts, que o San Diego chegue ao SB? - Danilo Vilas Boas

Obviamente essa também é uma pergunta para um Mailbag pré-Super Bowl que nunca aconteceu e está... hmm... desatualizada. Mas vale a resposta só porque é um ponto que eu sempre gosto de insistir e revisitar: praticamente QUALQUER time que chega nos playoffs pode vencer um Super Bowl. O modelo de jogo único e a natureza altamente volúvel do jogo de futebol americano significam que, na amostra pequena que são os playoffs, qualquer coisa pode acontecer, e normalmente o time que vence os playoffs não é o melhor da temporada regular (2013 obviamente não foi o caso), e sim o time que fica mais inteiro, pega fogo na hora certa e conta com mais golpes de sorte. O melhor exemplo é o Giants de 2011, o único time com Pythagorean Wins negativo que ganhou um Super Bowl, que viu sua linha defensiva explodir (e nunca mais repetir o nível) naquela pós-temporada, recuperou sete fumbles seguidos (!!), contou com um game-winning drop do Tarrell Brown e dois fumbles do retornador adversário na final de conferência para vencer.

Para dar um exemplo prático, eis os rankings finais da temporada regular para o Chargers de 2013 em DVOA: 3rd em ataque (22.5%), 32nd em defesa (17.5% - lembrando que em defesa, o DVOA bom é o negativo) e 12th (5.8%) em eficiência. O Giants de 2007 terminou 18th em ataque (-1.1%), 13th em defesa (-3.8) e 14th em eficiência (1.9%). Então se você chegou nos playoffs, você tem chances de vencer sim, mesmo que sua temporada regular tenha deixado a desejar. Esse mesmo Chargers esteve a uma 3rd and 17 convertida de possivelmente derrubar o Broncos e chegar na final de conferência em 2013. Então sempre tem chance. Sempre.


Para mim um posição muito difícil de ser avaliada no F.A. é a de um receiver,visto que para ter bons números ele depende de certos fatores como um quartback razoável,foco da equipe no jogo aéreo etc..vejamos o caso de Julian Eldemam agora super valorizado após uma temporada recebendo passes do Bradboy, numa equipe sem bons receivers para fazer sombra.Quais os critérios que você utiliza e leva em consideração na hora de avaliar um wide receiver? - Sérgio Estevão Silveira Silva, Pelotas/RS

Essa é a grande questão, na verdade. Da até para extrapolar e perguntar não só sobre WRs, mas como qualquer jogador funciona fora de um esquema tático definido e com companheiros específicos. O melhor exemplo disso é o San Francisco, que desde 2009 tem uma das melhores defesas da NFL. Todo ano, seus jogadores são bastante assediados na free agency e recebem contratos muito caros, na esperança de que mantenham o nível. Mas até agora, todos que saíram falharam em repetir sequer perto do nível mostrado em SF: Dashon Goldson, Isaac Sopoaga, Jean-Ricky François, Takeo Spikes,  Aubrayo Franklin, Parys Harrelson... a lista é considerável. É muito mais fácil para esses jogadores renderem dentro de um bom esquema defensivo e em meio a jogadores excepcionais do que mudando para um esquema novo e não tão completo. 

Isso é especificamente válido, como você pergunta, para WRs. Na verdade, acho que não existe uma posição tão depende de outra como o WR depende do QB para produzir, além dos fatores citados na pergunta. Por isso é tão difícil avaliar WRs, e por isso todo ano aparece alguém recebendo um contrato absurdo na free agency: você fica seduzido pelos números de touchdowns, número de jardas, número de recepções e esquece o contexto nos quais eles aconteceram. As 1300 jardas e 11 TDs de Eric Decker são impressionantes, mas é mais fácil conseguir isso quando você recebe passes de Manning em um dos melhores ataques da história da NBA. Em contraste, 520 jardas e 2 TDs não parecem bons até lembrar que o QB de Michael Floyd esse ano era uma mistura de Kevin Kolb, John Skelton e Ryan Lindley. Então enquanto números são sempre importantes, é bem mais difícil avaliar um WR corretamente só por eles.

O mais importante quando se avalia um WR é saber qual tipo de jogador ele é, e portanto, quais características ele tem que ter. Um alto catch rate (ou seja, % dos passes na sua direção que o WR recebe) é uma ótima estatística, mas ela é menos importante em um burner (jogador de velocidade que recebe aquelas bombas longas, passes de aproveitamento menor) do que em um slot receiver.  Então precisa saber com o que está lidando com o jogador em questão. Em geral, a questão mais importante do WR é como ele consegue criar separação. Nenhum arremesso na NFL vai ser 100% perfeito, assim como uma boa defesa não vai impedir 100% dos passes para um dado jogador. O que a defesa faz é reduzir ao máximo a janela para um passe alcançar seu alvo, e portanto a tarefa do WR é criar a maior janela possível para o QB acertar o passe. Claro, isso é feito de formas distintas: um burner vai precisar ter a velocidade, explosão e aceleração para criar uma vantagem na linha sobre o CB; um cara como Anquan Boldin usa sua força física para criar uma vantagem sobre seus adversários e ganhar lances 50-50; Wes Welker sua sua agilidade no curto espaço para criar essa separação; Megatron ou Demariyus Thomas usam sua habilidade atlética e explosão para ganhar uma vantagem pelo ar; e por ai vai. A questão é que se o jogador é capaz de criar algum tipo de separação, não importa como, ele vai poder render em um ataque. Se ele vai se adaptar ao que você procura no seu ataque é outra questão, mas é a habilidade mais importante.

Em geral, acho que o segredo para WRs não é ignorar as estatísticas, é colocá-las em contexto. Os números de Decker são inflados por jogar com Manning, sem dúvida alguma, mas ele também tem um alto índice de recepções nos passes lançados na sua direção e tem poucos drops, duas habilidades que tem menos a ver com contexto. Além disso, colocar 1300 jardas e 11 TDs com PM não significa que Decker o fará em New York, mas o fato dele ter sido uma arma tão utilizada em um ataque tão bom mostra que ele é um jogador com habilidades confiáveis. Então ainda que tenha muitas coisas importantes para se observar em um WR - como ele ganha bolas disputadas, o quanto ele consegue correr depois da recepção, quebrar tackles e conseguir jardas extras, o quanto ele dropa ou não passes, % de passes na sua direção que viram recepções, eficiência na red zone, etc - o mais importante mesmo é saber colocar em contexto aquilo qiue você está vendo.


Tem uma sequência de perguntas aqui do Sérgio, então vamos dar uma passada por elas em sequência.


 drop-kick do F.A. é igual ao do rugby?Em alguma ocasião está jogada teve um destaque e foi decisiva na NFL?

Semelhante. Qualquer jogador da NFL pode fazer um drop-kick como FG ou extra-point desde que esteja atrás da linha de scrimmage e nenhum passe para a frente tenha sido feito na jogada. Mas como você deve imaginar, não é uma tática nem um pouco eficiente: o chute normal da NFL te oferece muito mais estabilidade e precisão, então não tem motivo para você tentar um durante uma partida já que diminui muito suas chances de converter. Era uma tática mais comum antigamente, quando o futebol americano ainda era muito parecido com o rubgy e a bola mais arredondada, mas caiu totalmente em desuso conforme o futebol americano foi se refinando e a bola ficando mais pontuda. 

Até onde eu sei, a era moderna da NFL só viu um drop kick oficial, quando o Pats mandou seu QB reserva, Doug Flutie, fazer um extra point com um drop-kick. Não alterou em nada o resultado, mas como era o jogo final de Flutie antes de se aposentar, foi uma forma do Pats de fazer uma homenagem ao seu ex-QB sendo o primeiro e único da NFL a executar esse tipo de jogada em tanto tempo. Ele acertou, btw. 


Há uma tendencia de as equipes dispensarem jogadores veteranos e uns nem tão veteranos com 30 anos ou mais. Estes jogadores conseguem se manter pelos resto de suas vidas sem precisar de outro tipo de trabalho ou só as estrelas conseguem isso??Visto que mega-salários só alguns recebem em uma equipe que tem ao todo 53 jogadores.

De acordo com um excelente documentário da 30 for 30 sobre o assunto, cerca de 70% dos jogadores de esportes americanos declaram falência pouco depois de se aposentaram (acho que era até 3 anos depois). Jogar na NFL da bastante dinheiro, mas também tem uma vida útil curta, e nem todos conseguem um emprego como comentarista ou repórter depois de aposentados, então muitos dependem só do que ganham jogando. E como meu professor da faculdade sempre falava, o que importa para o indivíduo não é quanto ele ganha, é quanto ele gasta. Muitos jogadores da NFL vivem um estilo de vida muito luxuoso e com muitos gastos, e quando a renda da profissão acaba eles não tem como se manter e acabam tendo que ir trabalhar com outras coisas para se sustentar. Claro, alguns ganham tanto dinheiro que conseguem se manter por muito mais tempo, outros conseguem continuar no ramo (seja como técnico, coordenador, comentarista, olheiro ou etc), e alguns investem ou poupam inteligentemente seu dinheiro para que dure depois da aposentadoria. Mas a grande parte vai logo a falência quando para de ganhar dinheiro.


Nas análises e previsões entre uma temporada e outra sempre se fala nos grupos de ataque e defesa, mas muitas partidas são definidas pelo time de especialistas..tirando os kickers,punters e retornadores,há um trabalho específico para jogadores que atuam nos Specials Team?  - Sérgio Estevão Silveira Silva, Pelotas/RS

Existe sim, é um trabalho bastante difícil que exige bastante coordenação. Muitos jogadores tem carreiras longas e lucrativas na NFL por serem monstros nos special teams, coordenando as jogadas, fazendo leituras, bloqueando nos lugares certos e achando as falhas para atravessar os bloqueios e fazer tackle, como Kassim Osgood e Blake Costanzo, mesmo que não rendam nas suas posições naturais. Normalmente as pessoas pensam em special teams em termos de kicker, punter e retornador, mas tão importante quanto é ganhar a pequena batalha das posições de campo, evitando que os adversários possam ganhar jardas extras com retornos e ganhando você essas posições. O melhor exemplo que posso te dar é o Chargers: em 2009, eles tiveram um ST sólido e Osgood foi ao Pro Bowl como Special Teamer. Em 2010, dispensaram Osgood, e caíram imediatamente para o pior ST da NFL, tomando uns oito ou nove TDs de retorno aquele ano e perdendo a temporada nisso.

O principal motivo de eu não falar tanto do ST quando faço algum preview de time é porque tem um fator muito aleatório ano a ano nisso. Em geral eu cito mais quando um time teve um espetacular ou horrível que deve normalizar, mas na maioria das vezes é algo muito difícil de prever ou mesmo de entender vendo de fora, e por isso prefiro não tocar no assunto sem ter uma boa base. Mas sim, pode ter certeza que é um fator imenso determinando a temporada de um time, assim como ataque ou defesa - tanto que DVOA, a estatística que sempre uso, vem em ataque, defesa E ST para gerar a eficiência total. Só é muito mais difícil de acompanhar ou de se prever mesmo.


A respeito do Head Coach na NFL, qual o verdadeiro papel do HC? Já que normalmente os times possuem coordenadores ofensivos, defensivos, para os Special Teams além dos mais especificos de linha ofensiva, secundária e etc.
 
Enfim com todo esses tecnicos exercendo suas funções o que sobra para o HC? - Fabiano Dantas

Isso depende e varia MUITO, de acordo com o técnico em questão, a organização, seus assistentes e tudo mais. Alguns diriam que o HC é basicamente o cara que coordena tudo isso, ele controla quem está fazendo o que e é o centro disso tudo. Mas a verdade é que depende demais de quem é. Um técnico como Lovie Smith, por exemplo, que é um mestre defensivo e que não entende o que é um passe, vai delegar a maior parte do seu plano de jogo ofensivo para seu coordenador ofensivo, mas vai estar profundamente envolvido com a parte defensiva, muitas vezes montando ele mesmo o plano defensivo e só contando com auxílio do coordenador defensivo. Um técnico mais ofensivo como Chip Kelly seria o contrário, por exemplo. Outros, como Bill Belichick, que são ótimos estrategistas dos dois lados da bola, estarão profundamente envolvidos com todas as áreas do jogo, enquanto técnicos menos especializados podem delegar a maior parte das tarefas e só servir para centralizar tudo isso.

Em geral, no entanto, o HC é o cara que toma as decisões. Ele que sabe qual coordenador vai ser, e qual a direção do plano de jogo que ele vai montar. É ele quem toma as decisões no elenco, como qual QB vai jogar,  e como vão se preparar para enfrentar os adversários. Eles centralizam essa tomada de decisão, e embora futebol americano seja um esporte complexo demais para um cara só deter todo o conhecimento do que está acontecendo, é ele quem da as direções e depois da a palavra final. Mas naturalmente, como eu disse, o nível de envolvimento e a extensão completa das funções varia muito dependendo do cara e da organização em questão. 


Li algumas notícias de que o Raiders teria interesse em contratar o Matt Schaub, com isso fiquei pensando times necessitam de qb's pra essa temporada de 2014 e poderiam ser bons para o Schaub. De imediato o Vikings me veio a cabeça, será que não daria certo a dupla Schaub + AP? O que acha? - Thiago Berti

Essa pergunta foi editada (ficou só a pergunta mesmo por questões de espaço), mas o Thiago também entra no mérito do Vikings, perguntando sobre a questão de QB, o que deveriam fazer e tudo mais. Então vamos responder em duas partes.

Sobre os times que poderiam ser um fit para o Schaub, isso depende se você acha que ele ainda tem lenha para queimar, e se ele vai mesmo ser dispensado. Se sim, então o fit ideal seria um time mais ou menos estabelecido em outras áreas, pronto para competir, mas cujo time teria mais dificuldade pegando um QB no draft por algum motivo. Então um time como Bucs (que foi atrás de outro veterano, Josh McCown), Arizona (seria o fit perfeito se não tivessem já o Carson Palmer por lá), Bills (se não estiverem tão confiantes no EJ Manuel no curto prazo), ou mesmo Jets ou, ironicamente, o próprio Texans. A outra solução para ir atrás do Schaub seria um time com um QB jovem (que já está no elenco ou que ainda viria pelo draft) e que precisasse de um veterano para dar estabilidade enquanto o jovem treina e se refina, para fazer essa transição. Isso poderia funcionar para diversos times como Bills, Bucs ou mesmo times como Jaguars, Cleveland ou Oakland, dependendo do que pretendem fazer essa offseason. Se você for pegar um cara pro-ready como Ted Bridgewater, não tem porque, mas se a idéia for pegar um QB mais cru como Blake Bortles ou mesmo um no final da primeira rodada (ou segunda e terceira), Schaub parece uma ótima opção para fazer a transição. Minha aposta é que o Raiders não vai pegar um QB na primeira rodada e sim na segunda ou terceira, dai pegar o Schaub para ser o "mentor".

Sobre o Vikings, eu entrei no mérito do vencer agora vs apostar no futuro em uma coluna recente. A verdade é que o ataque é bastante jovem ainda, tirando AP, e que com um s´ølido QB essa unidade está pronta para deslanchar, mas a defesa - que também se livrou de seus jogadores mais velhos e está se reconstruindo em torno de caras mais novos - ainda está longe de ser a de um contender, então considerando que o elenco é jovem e ainda não está pronto para ir aos playoffs em uma NFC North fortíssima, faria sentido ir com calma. Para mim o ideal é pegar um cara no draft sem pressa, deixar um ano ou dois desenvolvendo a la Colin Kaepernick. A questão é que, tendo renovado com Matt Cassell por 5M ao ano, se for esse o plano então Cassell será o titular, não faria sentido trazer mais um veterano. Pode ser também que eles nunca tenham pensado em trazer um garoto e queiram vencer logo de cara, mas também não me parece que Schaub seria o ideal nesse cenário já tendo Cassell, com Vick sendo uma alternativa de maior potencial.


Ok, vamos passar a uma série mais rápida sobre times específicos.


O ataque do Vikings, até a 15ª rodada, é o 2° em jardas conquistadas e 9° em pontos da NFL, e esses números poderiam ser ainda melhores se não houvesse essa indefinição quanto ao QB titular. Enquanto isso, a defesa caminha para ser uma das piores da história do time, com problemas na secundária e no corpo de linebackers, além de não conseguir parar ataques nos momentos decisivos do jogo em vários casos. Sendo assim, qual você acha que deve ser a prioridade do time para o próximo draft? - Matheus Milanez

Bom, ainda acho que um QB é essencial. O que não significa que o Vikings deve ficar totalmente focado nisso, claro: ainda acho que um QB do trio principal do draft cai para o Viks no número 8 (provavelmente Bortles), mas se não cair, a pior coisa que podem fazer é se desesperar e pegar o próximo QB disponível. Esse draft tem boa profundidade, e se Bortles, Manziel ou Bridgewater não sobrarem na 8th pick, eles podem pegar na segunda rodada (ou mesmo trocar para entrar no final da primeira) e pegar Derek Carr, Jimmy Garopollo ou meu favorito, Zach Mettenberger. Mas acho que não deveriam sair desse draft sem pelo menos um projeto de segunda ou terceira rodada para treinar um ano atrás de Matt Cassell.

Além disso, acho que o ataque está bem encaminhado, então a defesa tem que ser o foco. Um LB cairia muito bem no time para liberar Chad Greenway, e embora um DE para substituir Jared Allen fizesse bastante sentido, o time pagou demais para Everson Griffen ser apenas um jogador situacional, então acho que cai na lista de prioridades. Um segundo safety também faria muito sentido por lá. Mas a necessidade de playmakers passa por todas as posições na defesa, praticamente, então acho que o Viks deve focar desse lado da quadra pegando o melhor jogador disponível.


De acordo com os jogos finais de divisão percebeu-se que o time do NEW ENGLAND PATRIOTS estava um passo atrás dos outros concorrentes, BRONCOS, 49ers, SEAHAWKS, e até de alguns outros times que ficaram pelo caminho na corrida dos playoffs. Gostaria que você comentasse sobre o que o time de NEW ENGLAND precisa para estar no nível desse times na próxima temporada. As posições mais carentes, as manobras que o time deve fazer usando a free agency o draft e possíveis trades. - Geraldo Neto, Uberlândia, MG

E estava um passo atrás mesmo, e embora eu ache que não era tanto quanto pareceu na Final de Conferência, o fato é que jogar na fraca AFC fez o time parecer melhor do que era de verdade. Ainda assim, é difícil culpar DEMAIS o Patriots depois de tudo que deu errado na temporada: Danny Amendola quase não ficou saudável (e quando ficou não foi bem), Rob Gronkowski e Sebastian Vollmer se machucaram e perderam a segunda metade da temporada, e a defesa parecia contagem de corpos de filme de terror (Jerod Mayo, Vince Wilfork, Brandon Spikes, Tommy Kelly... até Aqib Talib). Então a história talvez fosse diferente com um time saudável.

Para 2013, eu falei um pouco sobre o que eu teria feito, liberando cap space e indo atrás de, principalmente, um pass rush e ajuda para a secundária. O Patriots fez o segundo muito bem, indo atrás do Darrelle Revis para substituir Talib e parece estar perto de Brandon Browner (os dois encaixam muito bem, btw) - então eles foram ativamente atrás de resolver um problema. Mas me preocupa a falta de soluções para as demais áreas: o ataque terrestre perdeu seu melhor LB em Spikes e deve perder seu melhor DT em Wilfork, e ainda não achou nenhuma solução para seu complicado jogo aéreo - sim, enquanto tiver Tom Brady o time vai funcionar, mas a falta de alvos além de Julian Edelman foi um problema em 2013 quando Gronk esteve fora, e não só Edelman saiu como o time ainda não trouxe nenhuma alternativa para o jogo aéreo, seja WR ou TE. Então eu acho que esses seriam os três focos do time para o resto da offseason: precisa trazer alvos para o jogo aéreo (um TE reserva seria legal, dado que Gronk não fica saudável), precisa de mais um pass rusher, e precisa de alguém para ancorar essa defesa terrestre. O problema é só ter 10M de cap space, mas o Pats tem um longo histórico de achar contribuintes baratos. 


O que o Green Bay Packers precisava fazer para ser forte candidato ao título do Super Bowl? - Eliel Santos

Precisa reorganizar basicamente o time inteiro. Não que o time tenha problemas do começo ao fim do elenco, mas tem buracos que atrapalham todo o funcionamento: a linha ofensiva é bem fraca, e a defesa é uma zona do começo ao fim. Não que não tenha bons jogadores, mas não é suficiente para fazer funcionar o elenco. O time continua ganhando porque Aaron Rodgers é um dos melhores jogadores do mundo, e em 2013, o time achou um RB que conseguiu levar o time nas costas. Mas precisa continuar construindo o time até o fim do elenco, e o time tem sido muito ruim nisso nos últimos dois anos. A defesa tem bons jogadores, especialmente na secundária, mas a unidade não funciona porque todo mundo tem que desdobrar para cobrir múltiplas funções. Não tem aquela dupla que vá ancorar o jogo terrestre, nem alguém para acompanhar o Clay Matthews no jogo terrestre, o time é muito vulnerável pelos lados... ou seja, todas as área defensivamente tem alguma falha, e então você precisa que os bons jogadores de lá saiam do que fazem de melhor para tentar cobrir o resto. O resultado é uma bagunça.

O Packers vai ser um candidato ao Super Bowl enquanto tiver Aaron Rodgers, mas tem esbarrado na falta do resto do time. Melhorar a linha ofensiva é uma preocupação antiga do time, mas nada do que tem feito parece resolver a questão, então ir atrás de ajuda para a defesa era o ideal. Um MLB capaz de cobrir o meio do campo e um pass rusher parecem ser as prioridades, e um safety também era bom. Todo mundo comenta de Rodgers e do bom ataque do Packers, mas o time campeão de 2010 era impulsionado também pela segunda melhor defesa da NFL. Só com o ataque vai ficar difícil voltar ao Super Bowl.


Eu li em outro site que o Draft, da temporada passada, foi um dos melhores na posição de offensive linemen. Se isso for verdade porque o Pittsburgh Steelers não escolheu nenhum jogador para essa posição, já que essa é a principal necessidade do time? E no Draft desse ano, quantos jogadores você acha que os Steelers deveriam escolher nessa posição e em quais rodadas? - Antonio Carlos Moraes

Ela era considerada profunda em OL sim, mas nenhum dos três primeiros OLs do draft (1st, 2nd e 4th picks) jogaram bem, então menos mal.

Eu acho que não escolheram porque a necessidade não era tão grande assim como você diz. Eles terminaram 15th em proteção em 2012 (e 2013), e investiram várias 1st round picks em OLs que simplesmente machucaram, como Maurkice Pouncey e David DeCastro. Eles não vão machucar sempre, e acho que com um bom tackle (esse draft é profundo) a linha ofensiva fica boa, ou pelo menos acima da média. Em 2013, o time terminou 12th ofensivamente e 20th defensivamente, então acho que a defesa é ainda mais complicada hoje que o ataque, especialmente tendo em vista as dispensas recentes.

Sobre o draft, como eu disse um tackle cairia bem, mas acho que não é a maior urgência. Acho que eles precisam mesmo é de um novo pass rusher depois da dispensa de LaMarr Woodley, e ajuda para a secundária que perdeu bons jogadores (e não perdeu Ike Taylor). Acho que a pressão pode vir de ajuda interna com Jarvis Jones evoluindo, mas ainda é pouco. Um MLB para solidificar o miolo não era mau também. Eu acho que um tackle ou um CB na primeira rodada, depois um OLB ou DE (e um tackle mais para o final) era o ideal, especialmente em um draft profundo ofensivamente.


Por fim, uma pergunta mais pessoal. Sabemos que na última década na NFL ficou "mais fácil passar a bola". Então o recorde do Marino de jardas passadas ou o recorde do Jerry Rice em jardas recebidas foi quebrado (do Marino várias vezes), mas ainda sim, tem gente que considera a temporada do Marino como melhor temporada para um QB e a temporada do Rice como melhor temporada para um WR (o que eu concordo) pois hoje em dia é "mais fácil passar a bola". Mas isso não pode acabar desmerecendo os QBs e WRs de hoje em dia? Digo isso pois, por exemplo, se um QB lançar 6000+ jardas ou um WR receber 2000+ jardas ainda vão ficar falando que Marino e Rice tiveram uma temporada melhor. Ou melhor ainda, o que um QB ou um WR devem fazer, hoje em dia, para que suas temporadas sejam consideras por todos (ou quase todos) como a melhor temporada para um QB e um WR?
P.S: Note que o cara ter uma temporada melhor que a do Marino ou do Rice não significa, necessariamente, que ele é melhor que o Marino ou Rice (só pra ficar claro). - Ricardo "Mugen" Venturelli

Resposta curta... SIM!!! É inegável que o jogo mudou muito e que existe uma grande diferença entre o que acontecia em 1988 e o que acontece em 2013.  O problema é que as pessoas são 8 ou 80 em relação a isso e aos números: ou elas ignoram totalmente as mudanças e os diferentes contextos, só olhando para os números frios e tirando a conclusão de que a > b porque o número de a é maior que o número de b; ou então elas criam uma barreira entre as duas eras, concluindo que só porque hoje é mais fácil então é impossível ser melhor hoje e isolam as duas coisas. O problema é que existe DE FATO uma enorme mudança entre as eras, que se refletiu tanto nas estatísticas como no estilo de jogo (um segundo viés menos citado, mas os QBs passam hoje muito mais do que em 1986, por exemplo, o que contribui para inflar estatísticas), e é muito difícil colocar isso no contexto apropriado. Por isso as pessoas recorrem a essas medidas extremas. Eu particularmente prefiro criar a barreira entre as duas e tratar as duas coisas separadamente (mais ou menos como tratamos pré-merger e post-merger separadamente) a achar que são iguais, mas o ideal mesmo é achar aquele meio termo.

Sobre o que teria que fazer para ser considerada a melhor temporada de todos os tempos, eu acho que você precisaria passar de alguma marca redonda. Ou seja, o WR teria que passar das 2000 jardas com alguma folga, e o QB teria que chegar nas 6000 passando de 50 TDs. Sim, é arbitrário e estúpido, mas 90% das discussões do tipo também são. Durante muito tempo, a marca de 5000 jardas foi um taboo para os QBs da NFL, como a marca a ser alcançada... dai 10 QBs fizeram isso, incluindo Matt Stafford, e ela perdeu o significado. 5000 virou o novo 4000. Então acho que 5500 ou 6000, possivelmente 6000, seria o patamar que todo mundo subsconscientemente iria colocar como aquele a ser alcançado. Para o WR, o jogo é TÃO mais fácil (sim, mais que para QBs) que talvez nem 2000 jardas fizesse o serviço. Acho que para Megatron ter a melhor temporada, ele precisa ser o MVP da NFL, e ele não vai conseguir isso com menos de 2000 jardas e 12 TDs. É arbitrário e talvez até injusto, mas é assim que funcionaria, acho. Acho que na média, a mentalidade "glorificar demais o passado por conta das mudanças" ainda é mais forte. 

(For the record, eu ainda acho que 1984 foi a melhor temporada regular de um QB de todos os tempos, e 1989 Montana foi a melhor começo-ao-fim. Eu só acho que elas não são impossíveis de serem alcançadas)


O assunto é basicamente sobre a era Brady/Manning.Não é uma comparação entre eles- até porque odeio esse tipo de comparação,de que é melhor e não acompanhava NFL de perto quando o Peyton jogava em Indianapolis.Na verdade é sobre as gestões do Colts e do Patriots nesse período.

Poxa,ambas as equipes tiveram/tem mais de uma década de dois dos maiores QB que passaram pela liga,jogando no mais alto nível.Mas não dá pra deixar de notar que o Patriots fez 6 finais de conferência com 5 títulos da AFC e 3 de SB enquanto o Colts teve 2 finais AFC e 1 SB.Não é nada mal conseguir um título de SB(ao contrário) mas não fica aquela sensação de que poderiam ter conseguido mais?O que faltou pro COLTS,quais foram seus erros e principalmente,olhando pra era Manning e já projetando uma Era Andrew Luck o que eles podem tirar de lição pros próximos anos com o garoto,isto é,como aproveitar ao máximo o talento dele e traduzir isso em títulos. - Sebastião Neto

É um assunto bem delicado que provavelmente merece um post inteiro, então vou ser o mais direto possível porque o mailbag já está longo o suficiente: eu acho que a grande diferença entre as carreiras de Brady no Pats e Manning no Colts é a mesma lição que eu acho que Indy tem que aprender para Andrew Luck - não se acomodar com o que está bom. Brady sempre teve uma das diretorias e um dos técnicos mais inteligentes da NFL dando apoio, sempre mantendo o cap sob controle, sempre achando valor onde deveria, sempre fazendo trocas e contratações inteligentes para sempre melhorar marginalmente o elenco aonde poderia. Manning não pode dizer o mesmo Colts - certamente o Colts tinha um grande time ao longo da década, mas nunca teve a capacidade do Patriots de desenvolver talentos, fazer trocas inteligentes e sempre continuar evoluindo dentro e fora de campo. As vezes parecia que Indianapolis se acomodava com seu sucesso e só tentava dar grandes passos decisivos para o título, enquanto o Patriots continuava dando os pequenos passos que aumentam o valor de cada escolha e cada contrato, e se você acha que isso não faz diferença ao longo de 10 anos, você precisa repensar a NFL. 

Isso ficou particularmente evidente na segunda metade da década, quando o Patriots continuava renovando sua equipe, achando talentos no draft e se mantendo como um dos times mais completos da NFL, enquanto que o Colts perdia cada vez mais peças importantes sem conseguir uma reposição, se mantendo forte só com o que restava do seu antigo núcleo e seu QB Hall of Famer. Se o Colts tivesse conseguido manter o cap sob controle e desenvolver melhor seus jovens jogadores, como fez o Pats mais para o final da década, aqueles times de Manning entre 2008 e 2010 teriam chegado sido muito mais fortes. Então se em termos de carreiras e conquistas você quer achar uma diferença definitiva entre Manning e Brady, não olhe para números de vitórias em playoffs e sim para as diretorias. Indy tinha um fantástico núcleo (que foi um pouco underachiever, verdade) que eles tiraram tudo que podiam, enquanto que Patriots não só teve ótimos núcleos como eles estavam consistentemente se renovando e adicionando novas peças. É verdade. 

Para a era Luck, é importante saber disso. O Colts hoje vai vencer jogos porque tem um fantástico QB, mas o resto do time é muito fraco -  a linha ofensiva ainda é fraca, tirando Reggie Wayne e TY Hilton não sobra nenhum bom recebedor, e a defesa como um todo é abaixo da média (especialmente se Robert Mathis não conseguir repetir seu espetacular 2013). Só porque você está vencendo não quer dizer que você é bom, e definitivamente não quer dizer que você é tão bom quanto pode ser. Sucesso na NFL é muito passageiro, e se você quer torná-lo duradouro, vai precisar mais do que só contar com um QB fora de série a cada 13 anos.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Bold Predictions para a temporada 2013 da NFL - Revisão


Um bom resumo do Super Bowl XLVIII


Caros leitores, o Two-Minute Warning está de volta a ativa. Imagino que deve ter frustrado muita gente que o blog sumiu logo na reta final da NFL e as Finais de Conferência e o Super Bowl passaram em branco por aqui, pelo que peço desculpas. Infelizmente, questões de saúde me tiraram o tempo e a energia para escrever 500000 palavras (aproximadamente) três vezes por semana depois de horas analisando estatísticas, vídeos, e conferindo dados. Foi impossível continuar com o ritmo, e infelizmente aconteceu bem na hora mais crítica da temporada.

Felizmente, as coisas estão melhorando, então me parece hora de tirar o TMW do armário e voltar, gradualmente, a ativa. Ainda não sei se é possível manter o ritmo de antes, mas vou fazer o possível para retomar aos poucos a qualidade e assiduidade dos bons tempos. A idéia é cobrir a offseason da melhor forma possível e seguir a partir dai. Ainda não faço idéia de no que isso vai dar, mas... Enfim, vamos indo um passo de cada vez. Mas antes de ir ao assunto principal do post, um aviso importante.

AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a duas semanas. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

Mas enfim, vamos ao post de hoje. Para quem não sabe ou não lembra, no começo de toda temporada eu faço minhas "bold predictions", alguns palpites ousados (outros nem tanto) sobre a temporada regular. É mais uma brincadeira para dar alguns palpites conscientes e ver o resultado depois para mostrar o que eu acertei. Para aumentar a graça esse ano, pedi também aos leitores para darem suas próprias bold predictions. Vamos ver então como eu, meus amigos e meus leitores nos saímos. Lembrando que esses palpites foram dados antes da temporada regular começar.

Bold Predictions da temporada 2013 da NFL




O Offensive Rookie of the Year não vai ser um quarterback

Bom, foi um bom começo, certo? Não era exatamente uma das previsões mais difíceis do mundo, considerando que apenas dois QBs calouros eram cotados como titulares no começo da temporada (Geno Smith e EJ Manuel) e apenas quatro terminaram o ano com pelo menos seis jogos como titular.   Ainda assim, a posição de QB tem tal vantagem sobre os demais concorrentes na hora de buscar qualquer prêmio que, nos nove anos anteriores, tivemos seis Rookie of the Years QBs, então sempre é um risco apostar contra QBs.

Acabou dando muito certo. Geno Smith teve uma temporada muito ruim que em dados momentos chegou a ser Sancheziana, EJ Manuel perdeu parte da temporada machucado e não foi bem quando jogou, e no final das contas o melhor QB calouro acabou sendo Mike Glennon... que completou 59% dos seus passes para 6.3 jardas por passe. Seguro dizer que não foi uma grande safra de QBs esse ano. Enquanto isso, dois não-QBs (Eddie Lacy e Keenan Allen) tomaram a liga de assalto e tiveram temporadas espetaculares para dois times de playoffs e na metade da temporada já estava claro que não tinha como um deles não levar para casa o troféu de OROY. Lacy acabou levando o prêmio por uma pequena margem, mas é seguro dizer que dos cinco melhores calouros ofensivos de 2013 nenhum foi quarterback. 

Veredito: Sucesso



O Oakland Raiders vai sair do próximo draft com uma das duas primeiras escolhas

Com esse palpite, eu agora estou 0/3 em bold predictions quando tento adivinhar os piores times da temporada. Então é seguro dizer que em 2014 eu vou tentar novamente esse tipo de palpite e de novo vou quebrar a cara. Minha defesa é bem simples: o Raiders era um time que tinha 1/3 da sua folha salarial dedicada a jogadores que não estavam mais no time, e sua disputa de QBs tinha como líder um cara que só tinha tido um jogo de titular o ano todo. Eu definitivamente esperava deles o que o Texans nos mostrou esse ano, algo como 2 ou 3 vitórias, mas foram 4 vitórias com 5-11 de Pythagorean Wins, então eu realmente errei essa. Alguns veteranos contratados para a secundária jogaram bem, algumas jogadas explosivas de Terrelle Pryor e uma tabela relativamente fácil acabaram com meu palpite. 

Veredito: Errada



Pelo menos um time que foi o pior da divisão em 2012 vai ganhar essa divisão em 2013

Meu acerto favorito entre todas as bold predictions que eu fiz dessa vez. Acho que nenhum campeonato favorece tanto isso de último-para-primeiro que nem a NFL, e eu apostei nisso para 2013. Achei que tinha boas chances: o Tampa Bay Bucs prometia ser muito competitivo em uma divisão que era uma pequena incógnita, o Lions era um grande candidato a regressão positiva na temporada, o Eagles era uma incógnita que prometia ser pelo menos divertida em uma divisão fraca, e até mesmo o Chiefs me parecia ter boas chances de arrancar um título de divisão caso algo acontecesse com Peyton Manning. 

Claro, nem tudo aconteceu como era possível. O Bucs foi uma vergonha no começo da temporada, e sua divisão acabou contando com um velho e um novo juggernault (Saints e Panthers); o Lions teve a divisão na mão com um jogo de vantagem (e vantagem nos critérios de desempate) com seus dois rivais sem seus QBs titulares e não conseguiu aproveitar; o Cardinals demorou para acordar na divisão mais forte da NFL; e o Chiefs até ameaçou mas não teve chances com Manning inteiro. Mas essa era a vantagem do palpite, só uma precisava acontecer no melhor cenário. E foi o que aconteceu com o Eagles. O esquema de Chip Kelly funcionou muito bem na NFL, Nick Foles acabou surgindo como um bom QB na segunda metade da temporada, e a divisão foi uma bagunça muito maior do que qualquer um teria imaginado. O resultado foi que o Eagles bateu o Cowboys na Semana 17 para levar a divisão e fazer valer minha profecia. Pelo menos um dos 5 ou 6 cenários possíveis aconteceu, e isso que conta.

Veredito: Sucesso



Um time que foi as finais de conferência ano passado vai ficar fora dos playoffs

Tirando o Patriots, que joga em uma divisão bem fácil, em uma conferência bem mais fraca, e tem Tom Brady e Bill Belichick, achei que os três outros finalistas de 2012 eram candidatos a perder a vaga com uma escorregada. E bingo!! O Falcons perdeu alguns jogadores por lesões e isso destruiu sua estratégia, e o Ravens não conseguiu se recuperar depois de reformular parte do elenco campeão do Super Bowl, com ambos ficando de fora dos playoffs. Btw, eu sei que disse que um time ia ficar de fora das finais de conferência, mas... bem... wait for it

Veredito: Sucesso



O MVP será um jogador que nunca ganhou o prêmio antes

O MVP foi um jogador que é o recordista de prêmios da MVP na história da NFL, então... yeah, passou longe. Mas a lógica aqui até fazia algum sentido: os quatro maiores favoritos ao prêmio de MVP eram Manning, Brady, Drew Brees e Aaron Rodgers, só Brees sendo um não-ex MVP. Mas considerando que a) estamos saindo de uma temporada onde um RB foi MVP e b) escolher o "resto" para ser MVP incluía Russell Wilson, Colin Kaepernick, Drew Brees, Andrew Luck, Phillip Rivers e basicamente todos os não-QBs da NFL... eu achei que as chances eram decentes bem. Brees, Rivers, Luck e Wilson inclusive eram os candidatos 2-5 de muitos ballotts por ai (inclusive o meu), então o chute não passou tão longe assim.

Veredito: Errada



Dois head coaches serão demitidos antes do final da temporada

Minha dúvida quando criei essa bold prediction era se iria contar o final da temporada inteira (ou seja, o Super Bowl) ou só da temporada regular. Como eu estava pensando na temporada regular quando fiz o palpite, achei injusto roubar nas formalidades. E os deuses do futebol americano acabaram me abençoando, me fazendo vencer esse palpites por uma questão de cinco horas, já que o Cleveland Browns não quis esperar até a Black Monday para limpar a casa e demitiu seu HC uma hora ANTES do Sunday Night Football final da temporada. Obrigado, Browns, sempre podemos contar com vocês!!

Então o saldo acabou sendo de Rod Chudzinski e Gary Kubiak antes do final da temporada, e mais uns quatro na semana seguinte. Mas confesso que eu acabei me enganando em um aspecto dessa: eu tinha certeza que um dos técnicos demitidos ia ser Ron Rivera. E no começo do ano, tudo indicava o mesmo: o Panthers perdendo alguns jogos apertados pela incompetência e temeridade do seu técnico, seu grande problema como HC. Ai Ron Rivera decidiu que ia mudar de vida, criou Riverboat Ron, virou o técnico mais agressivo da NFL, e como consequência seu time mudou da água para o vinho e ele levou Coach of the Year. Sorte que não coloquei nomes nessa previsão.

Veredito: Sucesso



Os cinco times a ficar de fora dos playoffs serão: Colts, Vikings, Redskins, Ravens e... Falcons

Essa é uma brincadeira que eu faço todo ano. Tirando o ano passado, todo ano pelo menos 5 times novos aparecem nos playoffs, foi assim por uns 9 anos seguidos, quebrou ano passado... e retomou nesse ano. Então minha brincadeira é tentar adivinhar, antes da temporada, quais são esses cinco times. E caso você não tenha reparado, Ravens E Falcons são dois finalistas de conferência de 2012 que eu tinha citado em um palpite anterior, ambos aparecem aqui... com sucesso!! Ta bom que eu achei que o Colts ia cair fora e eles queimaram minha língua, mas isso faz parte. Eu ainda acertei quatro de cinco, inclusive dois times (Falcons e Ravens) que muita gente teria medo de colocar em uma lista dessas. Então esse foi um grande acerto mesmo com só 80% de precisão. Nailed it!

Veredito: Sucesso


Então terminamos a temporada 5-2 nas nossas bold predictions, o que não é nada mau. Considero uma coluna de sucesso. Na mesma coluna, no entanto, eu pedi a alguns amigos - e depois aos leitores - que dessem suas próprias bold predictions para a temporada. Abaixo as que acertaram, e algumas menções honrosas. Vocês podem conferir todas elas na coluna original.


Adelmo Oliveira (Giants): Michael Vick não será titular por mais que seis jogos

Entre lesões e enfim sua ida para o banco quando Foles estourou, Vick teve exatamente seis jogos como titular do Eagles na temporada. Essa acabou dando bem certo.

Ases (Steelers): Eagles ganhando a divisão esse ano

Mais um que ganhou uma aposta graças ao Eagles. Poucos times atraíram mais interesse antes da temporada. Em uma nota relacionada, essa é a terceira aposta nessa coluna que deu certo com o Eagles, então...


Renan Galvão (Colts): Luke Kuechly será o jogador defensivo do ano.

Outro que cravou o nome e saiu vitorioso. Ainda que eu tenha sido um crítico até certo ponto da vitória do Kuechly - ele não foi sequer o melhor da sua posição na temporada, e nenhum defensor teve um impacto maior E teve menos ajuda dos companheiros do que Robert Matthis - ele foi um grande jogador em uma grande temporada, e o Renan leva as honras para casa em parte por causa do jogo de 17 tackles contra o Saints.


Danilo Vilas Boas (Ateísta de NFL): Cowboys terminarão o ano 8-8 e perderão os playoffs. Bah... isso não é bold prediction, é retrospectiva, então vamos melhorar:

Cowboys chegarão na semana 11 com 8 vitórias precisando de mais uma vitória pra assegurar playoffs, e perderão todos os jogos dali pra frente, a maioria por uma posse de bola. Romo irá de candidato a MVP a mais odiado da liga em menos de meia temporada.

Eu sei que o Danilo mudou a previsão e não acertou em cheio, mas nada me fez rir tanto escrevendo essa coluna do que ler a primeira parte dessa previsão. 8-8 e perdendo os playoffs na última rodada, é um resumo da mediocridade recente de Dallas que um cara achasse que apostar nisso era FÁCIL DEMAIS!! Sensacional. Danilo leva o troféu"Bold Prediction de Ouro" de 2013.


Antes de terminar, algumas menções honrosas de pessoas que não acertaram, mas merecem consideração:

Thierri Freitas (Saints): Tom Coughlin será demitido essa temporada

Essa foi de longe o palpite que mais gerou críticas e estranheza, já que Coughlin é eterno e ganhou dois Super Bowls em New York. Todo mundo achou que era um péssimo palpite. Dai o Giants teve um dos piores começos da história da franquia, muita gente criticou Coughlin, veio a tona todo tipo de notícia sobre como o clima não estava bom e TC poderia usar a idade avançada como motivo para se aposentar, e de repente o Thierri parecia um gênio. O Giants acabou vencendo alguns jogos e salvando sua honra no final da temporada, e a insatisfação geral com a temporada acabou motivando a saída de outros membros da comissão técnica mas não Coughlin. Mas para um palpite que era considerado o pior da coluna, nenhum gerou mais buzz do que esse, e eu teria achado sensacional caso acertasse.

João Paulo (Jets): Peyton Manning será MVP, mas o Super Bowl será disputado entre 49ers e Patriots. 49ers campeão!

Obviamente o Super Bowl foi entre Seahawks e Broncos, mas como Manning FOI o MVP e Niners e Patriots chegaram nas finais de conferência, o João ganha um "close enough!".

Mateus Cavalcanti (Steelers): Wilson, RG3, e Kaepernick (que não é sophomore, mas enfim) vão sofrer com a sophomore slump e Andrew Luck vai destruir conceitos de regressão e ser o MVP.

Não da para dizer que o Mateus acertou, mas não passou tão longe: Wilson, RG3 e Kaepernick viram seus números cair em relação ao ano passado, e Luck foi o único QB da Gang of Four que aumentou seu rendimento estatístico. Ainda que seja difícil chamar as boas temporadas de Wilson e Kap de sophomore slump, fato é que Luck aumentou sua produção e os demais não. E Luck realmente teve uma temporada que desafiou a regressão comum levando o Colts aos playoffs, então foi um bom palpite. 


Até semana que vem, e não esqueçam de curtir nossa página no facebook!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Mailbags de sexta a noite

Força capilar nem sempre é vantagem na NFL


Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem!


No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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Bom, chegou sexta feira, dia dos nossos amados e mundialmente famosos palpites da rodada. Ok, podem não ser tão amados nem mundialmente famosos, mas é a coluna semanal da qual mais gente reclama, então pelo menos as pessoas se divertem com ela. A idéia era juntar os emails que chegam durante a semana em um mailbag de sexta junto dos palpites, para não ficar maçante e ser um espaço mais ou menos fixo para a participação dos leitores, e também porque não tínhamos tantos emails para justificar um espaço ou uma coluna só deles.

Ou pelo menos até essa semana. Desde o último mailbag tivemos um recorde de emails, e são tantos e com perguntas tão interessantes que valem um post inteiro só de mailbag (minha intenção desde o começo). Então os palpites ficam para mais tarde ou, em último caso, amanhã de manhã. Hoje o espaço vai ser só para responder emails. Como sempre, esses são emails reais de leitores reais que podem ter sido editados por questões de padronização.

Se quiser participar do próximo, é só mandar um email com sua pergunta/comentário/whatever para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag".


 Tim Tibow já pode ser considerado um Bust ? - Ramon Brandão

Uma pergunta bem comum que já me fizeram em diferentes redes sociais. Acho que você achar que Tim Tebow é um bust ou não depende do que você considera um bust. Geralmente o rótulo de "bust" é dado para jogadores que entraram na NFL com muita promessa, muitas expectativas, ou então a custos (ou escolhas) muito altos, e falharam ao produzir e ficaram muito aquém do esperado e do valor neles investidos. Nesse caso, é difícil chamar Tebow de um bust: quando ele entrou no draft depois de uma brilhante carreira no College, o consenso era de que ele nunca seria um QB na NFL, embora fosse possível que algum time fosse gastar uma escolha alta nele esperando um milagre.

Então é meio complicado taxar de bust alguém cujo consenso original era "nunca vai jogar na NFL". A gente esperava e torcia pelo melhor porque ele era divertidíssimo de assistir na Flórida e porque era um grande cara fora de campo, mas a verdade é que ninguém esperava muito dele. Então para alguém que tinha essa expectativa, só aquela temporada mágica de 2011 - levou um time 1-4 aos playoffs, liderou a NFL em viradas no quarto período, ganhou um dos jogos de playoffs mais emocionantes da minha vida contra os  atuais campeões da AFC - já era muito mais do que teríamos sonhado. Então sua carreira não foi longa e provavelmente já acabou (btw, respeito ele por não forçar a barra e ficar na NFL ou na CFL como um jogador inferior, acho que sua nova ocupação comentando NCAA vai ser perfeita para seu carisma), mas ele teve uma temporada quase folclórica na qual fez milagres e chegou a vencer um jogo de playoffs, e isso já é muito mais do que todo mundo esperava quando ele chegou na liga. Para mim ele acabou tendo mais sucesso do que todo mundo imaginava, então está longe de ser um bust. Pena que sua carreira não durou mais tempo, sentirei falta.


A minha questão é a seguinte:

- Cada vez mais a NFL está voltada para o passe, com os Quartebacks quase intocáveis. Obliterando todos os recordes de grandes lendas do passado. 

- Dito isso o que você acha dessa nova tendência dos técnicos/gerentes draftarem Qbs que são melhores correndo do que passando? exemplos não faltam recentemente: Kaepernick, Newton, Pryor, Russel Wilson, Griffin III, Geno Smith e E.J.Manuel.

- Você acha que eles são os modelos para o futuro dos Qbs na NFL? e se são não é meio irônico você draftar um Qb corredor que tem muito mais chances de sofrer lesões, em uma liga que te facilita ano após ano os passes.

Um abraço, muito bom os seus textos no blog. - Fabiano Dantas

Engraçado, nunca pensei por esse último ponto de vista, e achei extremamente interessante. Em uma era onde a NFL está cada vez se assemelhando a uma liga de touch football para proteger o QB - você não pode atingir na cabeça, no pescoço, nas pernas, e agora a NFL acabou de multar um jogador por dar um sack no peito de um QB - a transição que a liga está fazendo para QBs móveis que saem do pocket e se sujeitam a mais pancadas realmente não deixa de ser irônico. Embora talvez tenha uma relação de causa e efeito, as limitações da defesa quando vai atacar o QB atualmente acabam abrindo muito mais espaços para corridas, e talvez por isso os QBs tenham essa maior tendência a aproveitar esses espaços.

Mas sobre sua pergunta, acho que é de certa forma uma tendência evolutiva da NFL. As mudanças de regras do começo da década abriram demais o jogo aéreo e limitaram muito o poder das defesas contra o passe, então elas tiveram que se adaptar como puderam, colocando mais gente na secundária e apertando o pass rush para cima dos QBs adversários. Uma das consequências foi que novos espaços começaram a se abrir, especialmente para as corridas dos QBs, e então quando começaram a aparecer QBs capazes não só de fazer bons passes como também de explorar esses espaços e forçar novos ajustes da defesa, isso deu ao ataque uma certa vantagem. E você só citou os negros, mas também tem jogadores brancos como Jake Locker e Andrew Luck que são muito atléticos. Então acho que essa tendência vem um pouco disso, jogadores que podem explorar esses espaços abertos pelas defesas e que dão ao time uma arma nova.

Mas ainda acho que o pocket passer - ou pelo menos suas habilidades como passador de maneira geral - sempre serão o principal atributo para um QB. Jogadores como Luck, Wilson e as versões 2012 de Kaepernick e Griffin também eram exímios passadores (Newton também é um bom passador), e é a combinação entre ser capaz de vencer uma defesa com o braço e as pernas que faz deles tão destruídores. Quando você só corre, como o Pryor, as defesas vão se adaptar com mais facilidade e tirar de você esses espaços e te obrigar a vencer com os passes, então não adianta correr bem se você não pode abrir esses espaços com seu braço. Entre um QB que só corre e um que só passa do pocket, o segundo sempre vai ser mais importante (Tom Brady e PEyton Manning, alguém?) e ter mais espaço. A questão é que agora estamos vendo jogadores que conseguem fazer ambas as coisas bem, e acho que essa vai ser a tendência conforme o jogo avança por ser mais fácil conseguir um QB que lança bem e corre bem do que um cara que lança perfeitamente e não corre, esses são mais raros. Mas um grande passador sempre vai ter a preferência sobre um corredor, isso não deve mudar.


Com a temporada atual de Peyton Manning entrando na lista entre as melhores de um QB, na sua opinião, qual a melhor e mais assombrosa temporada em números de um QB ?

* Dan Marino em 1984 --> 362-5645 084 jardas, 48 TD, 17 INT, 108,9 de Rating em 16 jogos.

* Peyton Manning em 2004 --> 336-497, 4 557 jardas, 49 TD, 10 INT, 121,0 de Rating em 16 jogos.

* Tom Brady em 2007 --> 398-5784 806 jardas, 50 TD, 8 INT, 117,2 de Rating em 16 jogos.

* Aaron Rodgers em 2011 --> 343-502, 4 643 jardas, 45 TD, 6 INT, 122,5 de Rating em 15 jogos.

* Drew Brees em 2011 --> 468-657, 5 476 jardas, 46 TD, 14 INT, 110,6 de Rating em 16 jogos.

Obs: Mesmo sabendo das mudanças que privilegiaram o jogo aéreo e tudo mais, porém em questão de números, qual foi a temporada mais espetacular ? - Ramon Brandão


O importante quando comparamos números de diferentes épocas é colocar em contexto as diferenças do jogo em cada uma delas. Não é que as temporadas dos QBs de hoje não tenham valor, mas é extremamente mais fácil postar grandes números e continuar passando hoje em dia do que era 20, 30 anos atrás. As regras mudaram, e é preciso levar isso em conta. Por exemplo, antes de 2004 (quando as regras mudaram), apenas dois QBs tinham passado das 4805 jardas em uma temporada na história da NFL: Dan Marino em 1984, e Kurt Warner em 2001 (uma temporada que você poderia ter incluído na sua lista, btw). E nas 9 temporadas desde então, já tivemos DEZ temporadas de um QB com mais de 4805 jardas, inclusive quatro em 2011 e quatro em 2012. Então é um fato inegável que hoje em dia é muito mais fácil colocar grandes números pelo ar, e é importante colocar isso em contexto.

Por isso ainda mantenho que 1984 Dan Marino foi a melhor temporada da história de um QB e é o patamar de ouro a qual todos aspiram. Seus números são bons o suficiente para bater de frente com qualquer temporada moderna de um QB, só que ele fazia isso em uma época onde o grau de dificuldade era consideravelmente maior. Colocar 5000 jardas e 40 TDs hoje em dia não é fácil, mas é factível - vários QBs já conseguem. Em 1984? Isso era absolutamente impossível e deveria ser ilegal. Por exemplo, em 2007 quando Tom Brady entrou nessa lista, a média da NFL por time em jardas aéreas na temporada era de 3428 e a proporção TD/INT era de 22/16, e em 2011 quando Brees entrou (talvez as duas mais impressionantes estatisticamente entre essas modernas que você citou), os times tinham em média 3675 jardas aéreas e a TD/INT de 23/16. Em 1984 era 3200 jardas aéreas e a taxa TD/INT era de 22/21!! A diferença é imensa. Então mesmo que a primeira vista os números de Brady e Brees impressionem mais, o mérito de Marino colocando números quase iguais em 1984 foram muito maiores. Para mim ainda é a melhor temporada de todos os tempos.

A melhor pós-temporada de todos os tempos? 1989 Joe Montana, 821 jardas, 11 TDs e nenhuma interceptação em três jogos para um time que venceu suas três partidas por combinados 126 a 26. 126 a 26!! Isso quer dizer que venceu três dos melhores times da NFL por em média 42 a 9, inclusive o Super Bowl por um recorde 55-10. Me acorde quando isso acontecer de novo.


Está mais pra uma proposta que uma pergunta, mas vamos lá...

É possível provar, usando como indício (na atual temporada) os pontos cedidos pelas defesas dos 32 times da NFL, qual o melhor esquema defensivo (entre 3-4 e 4-3)? - Tiago Rotava


Eu acho a sua proposta um pouco impossível porque é praticamente impossível separar o quanto é impacto da formação defensiva e o quanto é simplesmente ter jogadores melhores. No meu ponto de vista não existe uma melhor do que a outra, as duas possuem uma proposta ligeiramente diferente e é mais uma questão de qual delas vai tirar o máximo do talento e das características dos jogadores que você possui. Não sei se existe uma forma de quantificar e medir qual a diferença específica de cada alinhamento.

O que eu posso fazer por você é o seguinte: entre as cinco melhores defesas cedendo jardas nessa temporada, três delas (Browns, 49ers e Texans) jogam em uma formação 3-4 e as outras duas (Seahawks e Panthers) em uma formação 4-3, ao passo que entre as cinco piores você tem apenas Eagles de defesa 3-4 e Jaguars, Vikings Cowboys e Falcons que se alinham principalmente na formação 4-3. Vendo as melhores por DVOA, calculado pelo excelente Football Outsiders, nas cinco primeiras temos duas defesas 3-4 (Jets e Cardinals) e três 4-3 (Panthers, Seahawks e Bengals), enquanto que entre as cinco piores temos San Diego e Green Bay jogando no 3-4 e Vikings, Jaguars e Falcons jogando em uma formação 4-3. Não tem tanto valor analítico, mas acho que serve para mostrar como realmente não existe um padrão nisso, e infelizmente acho que não existe uma forma de isolar o que é impacto do jogador e o que é impacto tático.


Caso seja demais, uma pergunta subsituta...
Sem contar o All Day, na sua opinião temos algum RB certo para o  Hall of Fame? - Tiago Rotava



Bom, não era demais, mas vou responder essa mesmo assim. Hoje em dia, acho que certeza só Adrian Peterson mesmo - sua temporada de 2000 jardas, seu prêmio de MVP em uma época dominada por QBs e o brilhantismo e consistência da sua carreira como um todo colocam ele como um bom candidato a entrar se conseguir mais algumas temporadas em alto nível, mesmo que não precise repetir sua temporada 2013. Só uma desgraça tira All-Day do Hall da Fama. 

Depois de Peterson, acho que não tem nenhum RB que eu colocaria como "uma boa chance" para entrar no HoF. Diria que alguns jogadores tem um caso ou o princípio de um, mas ainda estão um pouco longe de chegar lá: Frank Gore e Steven Jackson foram consistentes por muito tempo e detém diversos recordes de suas respectivas franquias e podem montar um caso, e Chris Johnson tem uma temporada de 2000 jardas e o recorde da NFL de jardas totais a seu favor. Mas se Terrell Davis - uma temporada de 2000 jardas, três anos seguidos de 1500+ como o melhor RB da NFL antes de se machucar e encerrar a carreira - não parece uma certeza a entrar, não sei como o muito menos consistente e dominante Johnson vai fazer seu caso. Hoje em dia está mais difícil ser RB com a evolução do jogo aéreo, é mais fácil achá-los e a maior parte dos times opta por usar combinações de RBs com características diferentes ao invés de um grande craque - até porque RBs tem uma vida útil relativamente curta. Então acho que não vai ser fácil para RBs daqui para frente entrarem no Hall da Fama.


Estão familiarizados com o conceito de força nominal? Caso não estejam segue o link http://bolapresa.blogspot.com.br/2008/06/fora-nominal.html
Gostaria de saber as principais forças nominais da NFL na sua opinião. E as principais forças capilares também - Mateus Sobral


Não só estou familiarizado como sou um estudioso assíduo do assunto e sua aplicabilidade na NFL. Por algum motivo, a NFL é a liga com mais nomes legais no mundo, é como se fosse um pré-requisito. Então é realmente difícil saber quais são as melhores forças nominais, um dia preciso entrar em contato com o Denis e ver se o Sbub não topa fazer um ranking desses, já que ele é o especialista no assunto e não eu. 

Entre os jogadores da atualidade, tem vários interessantes, mas alguns que eu lembro de cabeça: Mister Alexander (como não gostar de um cara cujo nome é um título e o sobrenome é um nome próprio?!); Richie Incognito (muito adequado para um Guard, a posição que menos recebe atenção na NFL); Brian Anger (que está no time perfeito, já que joga no pior time da NFL); D'Brickshaw Fergusson (tem o D' que é tudo menos mudo para dar charme, e para um lineman de 280 libras tem nome melhor do que "BRICKshaw", o OT de tijolos?!); Captain Munnerlyn (The Captain!)... e claro, a escola havaiana de força nominal, que inclui Brandon Manumaleuna, Troy Polamalu e Michael Hoowanamanui. Também sou particularmente fã de "Uche Nwaneri" e Barkevious Mingo, mas essas são preferências pessoais. Estou também particularmente animado para esse draft: quando suas duas possiveis primeiras escolhas são Teddy Bridgewater (tem poucas coisas mais legais no mundo que uma ponte de água) e Marcus Mariota (ganha pontos pela repetição do M), é porque o draft será interessante do ponto de vista nominal.

Quanto a mais obscura força capilar, temos também bons exemplares. Troy Polamalu e Clay Matthews  são talvez os dois exemplos mais famosos na NFL. Eu particularmente sempre fui muito fã da força capilar do Domata Peko, que parece jogar com um esquilo morto a base de esteróides preso ao seu couro cabeludo. Chris Johnson também ganha pontos por ser uma mistura entre Tia Dalma, de Pirates do Caribe, e o Awey de Petrópolis. E temos as forças nominais pontuais, como esse bom exemplo de Tim Tebow quando sofreu seu trote de calouro. Mas o prêmio da semana de força capilar vai para Andre Ellington, que teve metade de suas madeixas arrancadas a moda antiga na partida dessa semana, como você pode ver aqui ou na foto que ilustra nosso post. 

Bizarramente, como na NFL você pode dar tackles puxando o cabelo de um jogador por ser considerado parte do corpo, sempre achei que cabelos compridos eram uma fraqueza na NFL, mas a galera continua deixando crescer.

Olhando os Standings da NFL observei que a AFC está, no momento, mais equilibrada que a NFC. Ora, estamos na semana 12 e até o 14º colocado geral da conferência (Buffalo Bills) têm chances reais de conseguir um Wild Card. Somente dois times podem ser dados como fora de cogitação no momento, Texans (2-8) e Jaguars (1-9).
Na NFC as coisas estão ligeiramente menos indefinidas, sendo quatro os times praticamente eliminados (ok, eliminados, sejamos realistas): Redskins (3-7), Buccaneers (2-8), Falcons (2-8) e Vikings (2-8). O Washington, é verdade, está a um jogo do grupo de cima, mas o futebol que o time tem jogado está muito mais pro grupo dos eliminados do que pro grupo dos que ainda tem chances. Acho (somente acho) que podemos colocar ainda Rams e Giants (ambos 4-6) como quase eliminados.
Por outro lado, as lideranças estão mais consolidadas na AFC. No quadro atual não vejo nenhum líder de divisão sendo ultrapassado pelo segundo colocado. Mesmo na AFC West parece improvável que o Broncos vá perder o lugar para o KCC.Na NFC as coisas estão mais complicadas pros líderes. Excluídos os praticamente eliminados, sobram 10 times lutando por 6 vagas, sendo que temos apenas Seattle praticamente garantido na liderança da divisão, da conferência e da Liga. Eu ia colocar o Saints aqui, mas não me atrevo a duvidar de novo do Carolina enquanto durar esta temporada regular.
Não tenho propriamente uma dúvida sobre isso, mas gostaria de dizer que, apesar da qualidade geral dos times ser alegadamente inferior, a AFC tá mais divertida esse ano, ao contrário do ano passado. - Danilo Vilas Boas

Realmente a AFC está mais equilibrada e nivelada esse ano, mas não deixa de ser nivelada por baixo: são SETE times com 4 vitórias que estão 1 ou 1.5 jogos atrás de uma vaga de wild card, e o time que atualmente detém essa vaga é um Jets 5-5 com Pythagorean Wins de 3-7. Então se está mais parelha esse ano e vai continuar assim provavelmente até o final é porque tem alguns poucos times acima da média (Patriots, Chiefs, Broncos, Colts e Bengals) e mais uma penca de gente mais ou menos fraca que briga pela mesma vaga. Como tem gente de sobra isso provavelmente vai durar até o final, e não deixa de ser realmente emocionante, mas é mais pelo nível baixo da média do que por ser particularmente boa. Mesmo Patriots, Colts e Bengals, que parecem seguros na liderança de suas divisões, estão assim menos por serem times brilhantes e mais porque a concorrência está ajudando ao não ameaçar essas posições. 

Enquanto isso, a NFC claramente é mais forte. A briga pelo segundo Wild Card é entre três times 6-4 e mais dois times 5-5, com o time 4-6 (Rams) praticamente fora da briga. Além disso, é onde estão concentrados os melhores times: se fosse para fazer um Power Rankings da NFL atualmente, três do meu Top4 seriam da NFC com Seahawks, Saints e Panthers, e apenas o Broncos da AFC (não necessariamente nessa ordem). Então existe um desequilíbrio em termos dos melhores times - ainda que a NFC apresente mais times "ruins" que a AFC em termos de record (e mesmo assim, os três piores saldos de ponto da NFL pertencem a AFC) a NFC concentra mais times fortes, e aqueles que brigam pelos playoffs são mais fortes que os do outro lado. Mas para nossa alegria, parece que teremos disputas por vagas até a última semana.


Vitor, você não concorda que tankar de propósito é uma péssima estratégia na NBA? Eu tenho acompanhado a Liga há alguns anos e o que tenho visto é times ruins normalmente se manterem ruins e pouquíssimos exemplos de times que conseguem se reconstruir via Draft.
Quero dizer, tem casos e casos. As vezes na eminência de um Draft profundo, quando sua maior estrela está machucada, as vezes seria positivo perder uma temporada recuperando-a, conseguindo assim mais derrotas.
Mas duas coisas me parecem muito erradas: primeiro, trocar jogadores comprovadamente bons e médios-bons por escolhas de draft ou novatos que ninguém sabe como jogarão para o time ficar pior; e dar minutos para jogadores comprovadamente improdutivos enquanto se poderia estar desenvolvendo outros jogadores melhores.
Sendo torcedor do Boston Celtics prefiro mil vezes que Bradley, Lee, Sullinger, Olynyk, etc se mostrem produtivos e consigamos uma vaga nos playoffs para sermos eliminados na primeira rodada ou mesmo ficar a uma vaga de ir para os playoffs do que eles serem, que seja um pouco, menos produtivos e termos uma escolha top-5 no draft.
Quando vejo alguém falar que determinado time "não é ruim o suficiente" me dá nos nervos, parece um absurdo.
Desculpe a longa pergunta, mas gostaria de saber sua opinião sobre isso. - Denis Rodrigues


Eu acho que a questão é que na NBA, o pior lugar que um time pode ficar preso é naquela "classe média", onde seu time não é bom o bastante para brigar pelo título (ou mesmo estar a uma ou outra mudança menor de chegar lá) nem é ruim o bastante para ganhar posições altas no draft para pegar jogadores mais talentosos que evoluam o time. O problema disso é que você fica preso: você não consegue reforçar seu time, nem tem os frutos de brigar pelo título, e não tem como sair dessa posição a não ser que de muita sorte em achar um game-changer no draft, faça uma troca de alto risco (geralmente essa opção é mais para times mais ricos que podem absorver grandes salários) envolvendo muitas escolhas de draft, ou então explodir tudo de vez e recomeçar do zero. 

Claro que cada caso é um caso, e depende também da motivação da equipe: tem times que estão satisfeitos nessa vida de chegar na primeira rodada e cair fora, tem times que precisam se manter fortes e relevantes para manter o interesse de uma torcida pouco fiel, e por ai vai. Mas acho que na média, vencer um título é o objetivo central da NBA, e para isso é melhor você reconstruir e aceitar uns anos ruins do que insistir nesse limbo que não te leva a lugar nenhum 95 casos em 100. Até porque muitos times que estão presos nesse limbo já estão estourados salarialmente, então não podem reforçar seu time com FAs caros e podem estar perdendo dinheiro por não chegar longe o suficiente na pós-temporada. Então optam por trocar esses jogadores caros, abrir espaço salarial, conseguir o máximo possível de escolhas de draft e remontar a franquia é um caminho mais rápido para supostamente vencer um título do que insistir no time que está preso no limbo.

O modelo que você cita para reconstruir, e que é o mais comum hoje em dia, é basicamente uma adaptação do que o Thunder fez com tanto sucesso para virar um dos times, e como deu certo é o que todo mundo tenta imitar. O Sonics dos anos 2000 estava preso nesse limbo, tinha jogadores caros e um time bom o suficiente para todo ano chegar nos playoffs, mas não bom o suficiente para disputar o título e sem a flexibilidade salarial ou capacidade para fazer uma troca ou contratação bombástica. Então ao invés de insistir nisso, eles decidiram reconstruir. O plano foi simples: trocaram todos seus principais jogadores, que atrairiam mais ofertas ao redor da NBA, pelo maior número de escolhas de draft ou contratos expirantes que podia, tomando cuidado de não adicionar nenhum jogador com contrato longo. Enquanto estocava jovens jogadores e escolhas de draft, o time também manteve sua folha salarial o mais baixa possível, para eventualmente usar esse espaço para absorver salários grandes e caros de outras equipes em troca de mais escolhas de draft. Com essas escolhas de draft e sendo ruim por três anos seguidos (afinal, trocaram o time todo e perderam muitos jogos), eles usaram essas escolhas para pegar Kevin Durant, Jeff Green (com a pick do Celtics que veio em troca de Ray Allen), James Harden, Russell Westbrook e Serge Ibaka (com uma pick vinda do Suns que receberam em troca de usar seu espaço salarial para absorver o salário do Kurt Thomas). Então em alguns anos de sofrimento, eles aproveitaram seus anos ruins para conseguir escolhas altas no draft e selecionar vários craques (Harden, Durant e Westbrook) e usaram as escolhas extras que conseguiram trocando seus melhores jogadores e aproveitando seu espaço salarial para conseguir outros bons ativos (Green, Ibaka, etc). Esse é o modelo de sucesso que todo mundo tenta imitar hoje, o time que saiu do limbo e em apenas quatro anos se reinventou como uma potência atrás de um Franchise Player.

Claro que o Thunder é um caso a parte (que acertou espetacularmente nas suas três principais escolhas E ainda achou Ibaka mais embaixo), e isso envolve uma boa dose de sorte, principalmente para conseguir seu Franchise Player: você precisa estar com a pick certa no draft certo para achar esse jogador (Derrick Rose, Durant, Tim Duncan, Lebron James, para citar alguns), torcer para esse cara não acabe virando um bust (Michael Beasley, Greg Oden, Hasheem Thabeet), ou então acabar conseguindo achar esse cara com picks mais para frente a uma chance muito menor (Dwyane Wade, Paul George). Por isso é tão difícil, mesmo para times que estão reconstruíndo, conseguir esse jogador, geralmente só tem um ou dois desses por ano. Por isso todo mundo deixa seu time ruim para aumentar suas chances de conseguir a 1st pick ou algo parecido. Muitos não vão conseguir nada tankando, vão ficar com uma 5th pick, pegar um jogador decente que não vai mudar o destino de nada, e continuar ruim, mas também tem times que irão pegar jogadores como Michael Jordan, Hakeem Olajuwon, David Robinson, Tim Duncan, Patrick Ewing, Kevin Durant ou Lebron James (todos resultados de temporadas de "tank"), e todos esses times chegaram a final da NBA com esses jogadores. Então é um risco, mas é um caminho mais rápido para o sucesso caso consiga esse jogador.

Para um exemplo prático, você disse ser torcedor do Celtics. Eu também sou. Mas eu prefiro que o time perca o máximo possível, use jogadores jovens em uma tentativa de desenvolvê-lo que provavelmente vai resultar em menos vitórias mas que vai fazê-los evoluir na prática, e garanta uma boa escolha no excelente draft que está vindo por ai do que usar um elenco medíocre como o nosso para chegar nos playoffs, tomar uma varrida na primeira rodada e não evoluir o time para 2014 de forma significativa. O Celtics não vai ser campeão com Olynyk e Sullinger como pilares do time, mas o time pode vir a ganhar um daqui a cinco anos se o time acabar com Wiggins ou Randle e eles se mostrem uma superestrela. Então no fundo acho que depende do que você prefere, continuar indo nos playoffs sem uma perspectiva de dar um salto que leve o time a brigar pelo título ou aceitar um ou dois anos inferiores sabendo que nesse meio tempo você está aposentando no futuro da equipe. Eu prefiro a segunda, e é pensando nela que a maior parte dos times opta por trocar seus melhores jogadores de um time sem futuro (pense no Hawks de uns anos atrás) para investir em garotos que podem eventualmente desenvolver e render um campeão no futuro. Nem sempre funciona, mas é o caminho mais favorável para reconstruir uma franquia quando você não tem o dinheiro de um Lakers-Nets ou o apelo de um Knicks para atrair jogadores. Acho que ai depende do quanto você prefere arriscar mais para montar um time que pode ser campeão ou manter um sólido time que chega aos playoffs mas não tem chance de vencer nada. 


PALPITES DA RODADA VINDO AMANHÃ DE MANHÃ!!