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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

2016 All-Two Minute Warning NFL Team

"YEEEAAHH, FIRST TEAM ALL-TWO MINUTE WARNING, BABY!"



Os leitores mais antigos provavelmente já perceberam que o ritmo de postagens por aqui - nunca um ponto forte - caiu cada vez mais ao longo do tempo. Conforme a vida avança, fica mais difícil conciliar vida profissional (e, em menor escala, social) com escrever em um blog de graça sem nenhum retorno, e como vocês sabem os textos daqui são sempre gigantes e muito técnicos (o que significa que demoram pra cacete para serem escritos). Acho que é por isso que ultimamente tenho escrito menos colunas completas (pega um assunto e faz uma coluna inteira sobre ele) e mais recorrido a gimmicks como listas, rankings e tudo mais. É mais pobre, e nunca foi minha proposta, mas infelizmente está mais de acordo com meu tempo livre hoje em dia. E acabei achando melhor recorrer a colunas assim do que ficar sem posts nunca.

Dito isso, vamos à coluna de hoje. Para quem não viu, semana passada eu publiquei meus votos para os prêmios individuais da NFL: MVP, OPOY, DPOY, OROY, DROY, etc. Ai um dos meus leitores mais antigos, Marcelo Corghi, do Araras Steel Hawks, me deu um desafio diferente: meu All-Pro Team da temporada 2015 da NFL. Challenge accepted!

Então para aproveitar o gimmick e falar mais de NFL, decidi fazer meu All-Two Minute Warning NFL Team para a temporada 2015 da NFL. Antes de começarmos, alguns esclarecimentos:

- Sim, eu odeio seu time. Não importa qual ele for. E por isso, SÓ POR ISSO, eu deixei aquele jogador que você gosta de fora. Não pelas centenas de horas que eu passei nesses últimos meses assistindo, estudando e avaliando futebol americano.

- Ofensivamente, vamos com um QB, dois RBs, um FB, três WRs, um TE, dois Tackles e dois guards (independente de lado) e um Center. Ou seja, a formação tradicional do All-Pro com um WR extra, simplesmente porque hoje todo mundo joga com 3 WRs boa parte do tempo. Se o All-Pro defensivo pode ter 12 jogadores, eu posso ter 13 jogadores no meu ataque. Formações variam demais e é isso.

- Para defesa, inventei um critério pessoal para solucionar as questões das defesas 3-4 vs 4-3: dois defensores de interior de linha (DTs em 4-3, NT/DE em 3-4s qualificam), dois linebackers "tradicionais" (qualquer ILB, mais OLBs de formação 4-3) e três jogadores de "ponta" (podem ser OLBs 3-4, DEs 4-3 ou até DEs 3-4 se jogarem assim). Sim, é confuso e subjetivo, mas depois que Kahlil Mack foi votado All-Pro em duas posições diferentes, nada é verdade e tudo é permitido.

- Para a secundária, vamos de 3 CBs e 2 safeties (sem distinção entre FS/SS) pelo mesmo motivo que temos três WRs: defesas passam muito do seu tempo hoje jogando em formações de nickel, com 5 defensive backs. Como eu disse, formações variam muito hoje e meu All-TMW Team vai computar essas variações elegendo alguns jogadores extras. Me processe. 

- Para special teams, vamos com um kicker, um punter, um kickoff returner E um punt returner. Peço perdão ao Tyler Lockett em avanço, porque ele seria o óbvio vencedor se computássemos as duas categorias juntas e ele provavelmente é o maior prejudicado aqui. 

- Estou explicando apenas minhas seleções para o 1s Team All-TMW. Para o 2nd Team só vou colocar os nomes porque pretendo acabar a coluna antes do Super Bowl.

Ok, estamos prontos. Vamos a isto.


All-Two Minute Warning 2015 NFL Team

Quarterback: Carson Palmer, Arizona Cardinals.

Eu já passei muito - MUITO - tempo falando da questão dos melhores QBs da temporada e porque Carson Palmer é meu #1 quando dissertei sobre o prêmio de MVP na coluna da semana passada. Tudo que está lá ainda vale, então se quer entender meu processo de raciocínio, é só entrar lá e ler - ficou grande demais para copiar e colar aqui. Vale a leitura. 

2nd Team: Cam Newton, Carolina Panthers


Running Backs: Doug Martin, Tampa Bay Buccaneers; Adrian Peterson, Minnesota Vikings.

Pergunta: Quem foi o melhor RB de 2015?

A resposta popular tem sido Adrian Peterson, provavelmente porque o RB de Minnesota liderou a liga em jardas terrestres no que foi um ano bastante pobre para RBs. Mas eu discordo dessa visão. Até os estágios finais dessa coluna - quando decidi deixar 2 RBs no time ao invés de um só - Doug Martin era meu 1st Team RB,  não  Peterson.

Por que? Bem, Adrian Peterson liderou a liga pelo chão na frente de Martin, 1485 a 1402, e em jardas totais, 1707 a 1673, mas isso é facilmente explicado pela maior carga de Peterson: foram 39 corridas a mais e 36 toques na bola a mais que Martin (AP liderou a liga em ambos os quesitos). Então seu total pode ter sido maior. Mas quando você começa a olhar mais a fundo, percebe que Martin foi muito mais eficiente: AP teve 4.5 jardas por corrida, a sétima primeira melhor marca da NFL entre RBs (mínimo de 110 corridas), mas Doug Martin foi segundo na liga no quesito com excelentes 4.9 jardas por corrida. E isso apesar de ter menos ajuda da sua linha: o RB de Minny teve média de 2.2 jardas por corrida ANTES do contato com a defesa, enquanto o de Tampa Bay teve apenas 1.8 e teve que brilhar quebrando tackles e acumulando jardas após o contato: foram 3.1 jardas por corrida APÓS o contato, segunda melhor marca da liga depois de Le'Veon Bell (que teve menos de metade das corridas do Pocket Hamster), enquanto Peterson teve 2.3. Então apesar de Peterson ter mais jardas, Martin foi mais dominante como corredor essa temporada.

E isso sem contar as outras áreas do jogo, cada vez mais importantes para RBs na NFL moderna - bloquear e participar do jogo aéreo. Martin não se destacou em nenhuma das duas esse ano, mas Peterson é um ponto fraco nas duas a esse ponto da carreira, só que por ser Adrian Peterson o Vikings acaba deixando-o em quadra mais o que deveria nessas áreas. Existe um motivo para Peterson ter ficado no banco no final de Vikings vs Seattle nos playoffs, quando Minny teve que recorrer ao jogo aéreo. Você pode argumentar que os números de Peterson são mais difíceis por enfrentar defesas mais voltadas para pará-lo, mas considerando todos os aspectos, Martin foi meu melhor RB de 2015.

2nd Team: Todd Gurley, Saint Louis Rams; Devonta Freeman, Atlanta Falcons.


Fullback: Patrick DiMarco, Atlanta Falcons

Mike Tolbert ganhou esse prêmio simplesmente porque ele é o FB que mais corre na NFL, totalizando 256 jardas no ano e porque a principal função de um FB na NFL - bloquear - é muito mais difícil de se avaliar. Tolbert pode ter corrido mais que qualquer outro FB no ano, mas foi para pouco expressivas 4.1 jardas por corrida mesmo jogando com Cam Newton, enquanto continuou tendo dificuldades para bloquear - sabe, o mais importante para sua posição. Correr e receber passes são ótimos aditivos para um FB, mas se você não é capaz de bloquear direito, você é basicamente um RB pouco utilizado e com médias pouco expressivas. Tolbert obviamente é um jogador útil, mas olhando alémdas estatísticas de box score, ele não é o melhor FB de 2015.

Enquanto isso, DiMarco teve um ano incrível bloqueando para Devonta Freeman, especialmente no começo do ano. Lembra aquele momento da temporada que Freeman parecia o MVP do Fantasy de 2015, anotando TDs toda semana? Volte a fita e preste atenção no trabalho de DiMarco para que isso acontecesse, e você vai entender o motivo dele estar aqui. Avaliar FBs é muito difícil, mas entre todos DiMarco foi de longe quem mais se destacou para mim.

2nd Team: Marcel Reece, Oakland Raiders.


Wide Receivers: Antonio Brown, Pittsburgh Steelers; Julio Jones, Atlanta Falcons; DeAndre Hopkins, Houston Texans.

Eu falei muito a respeito da batalha entre esses três WRs na minha coluna dos prêmios da temporada na parte de Offensive Player of the Year. 

Eis o que eu escrevi sobre as temporadas de Antonio Brown e Julio Jones na mesma coluna:

"É absurdamente difícil decidir entre os dois porque ambas temporadas foram muito parecidas. Todos os números pós 2004 de jardas aéreas ou recebidas precisam ser levadas com toneladas de grãos de sal quando comparados historicamente, pois houve uma mudança absurda das regras contra defesas e a favor do jogo aéreo que simplesmente inflou as estatísticas além do bom senso. Mas considere o seguinte: Julio Jones e Antonio Brown terminaram ambos a temporada com 136 recepções, com Jones vencendo a disputa nas jardas aéreas, 1871 a 1841. Isso significa que ambos estão empatados com a segunda melhor marca de recepções em uma temporada da HISTÓRIA da NFL (Marvin Harrison em 2002, 143), e são segundo (Jones) e quarto (Brown) em jardas recebidas em uma temporada da história da liga. Isso é muito impressionante."

Quanto a Hopkins, eu não vou repetir aqui (é só ler na coluna linkada acima), mas eu fiz também um argumento de que, considerando os QBs que jogaram com Hopkins e sua brutal diferença de qualidade para os QBs de Falcons e Steelers (mesmo considerando os jogos perdidos por Big Ben), a temporada de Hopkins talvez tenha sido ainda superior às de seus companheiros de profissão, e seus números ajustando por essa diferença em qualidade seriam ainda melhores. É um argumento hipotético, claro, mas no fundo o ponto fica: DeAndre Hopkins é muito bom. Foram inquestionavelmente os três melhores WRs de 2015.

2nd Team: Allen Robinson, Jacksonville Jaguars; Odell Beckham Jr, New York Giants; Larry Fitzgerald, Arizona Cardinals.


Tight End: Rob Gronkowski, New England Patriots.

Pois é, esse lugar é cativo do Gronk enquanto ele estiver saudável. Mesmo com algumas lesões e um ano menos chamativo que o normal, Gronk ainda termina a temporada com 72 recepções, 1176 jardas e 11 TDs, além de ser um dos melhores bloqueadores (se não O melhor bloqueador) entre TEs da NFL. Além disso, nenhum jogador ofensivo não-QB influencia tanto o jogo taticamente e força mais ajustes defensivos do que Gronkowski, e nenhum ataque depende mais de um jogador do que o de New England depende de Gronk. Então isso tem que ser levado em consideração.

Se esse ano eu achei que Gronk teve competição forte pelo prêmio, foi mais por causa da grande atuação de outros TEs essa temporada. Tyler Eifert (13 TDs) e Greg Olsen (1104 jardas e 7 TDs) tiveram temporadas muito chamativas para grandes times, mas ainda melhor foi a temporada extremamente underrated de Delanie Walker, que postou uma linha de 94-1088-6 (#1 em recepções e #3 em jardas entre TEs) apesar de jogar com QBs muito inferiores aos demais TEs da lista, além de ser um dos melhores bloqueadores da NFL e consideravelmente superior no quesito que todos os TEs citados exceto Gronk. No final, a dominação de Gronk fizeram valer novamente o lugar, mas a fantástica temporada de Walker merecia ser celebrada e deu um adversário digno para o camisa 87.

2nd Team: Delanie Walker, Tennessee Titans.


Offensive Tackles: Joe Thomas, Cleveland Browns; Andrew Whitworth, Cincinnati Bengals.

Joe Thomas não é só o melhor LT da NFL, ele é um futuro Hall of Famer que já está entre os melhores da posição da HISTÓRIA da NFL, só que não recebe o devido crédito por passar a carreira toda jogando do lado da Factory of Sadness em Cleveland. Em mais um grande ano, Thomas é um no-brainer em qualquer All-NFL Team.

Encontrar um parceiro para Thomas foi mais difícil, mas entre vários candidatos dignos, eu acabei ficando com Andrew Whitworth: nenhum OT na NFL em 2015 cedeu MENOS pressões no QB do que Whitworth (4 sacks, 1 hit e só 15 hurries), e o grandalhão foi o melhor jogador e peça principal de uma linha ofensiva de Cincinnati que foi discretamente a melhor da temporada 2015. Se você assistiu Cincy durante essa temporada, você viu que o ataque do time foi construído inteiro em torno da sua linha ofensiva, com um QB talentoso mas que precisa ficar longe da pressão para produzir no seu melhor. E considerando que nenhum ataque foi mais dependente da sua linha ofensiva em 2015, e que Cincinnati terminou a temporada com o melhor ataque da NFL em DVOA, acho seguro dizer que Whitworth e seus colegas seguraram muito bem a barra. Ele tem meu segundo voto.

2nd Team: Terron Armstead, New Orleans Saints; Tyron Smith, Dallas Cowboys.


Offensive Guard: Marshall Yanda, Baltimore Ravens; Zack Martin, Dallas Cowboys.

Yanda é inquestionavelmente o melhor guard da NFL, alguém capaz de proteger o QB em alto nível (cedeu apenas 1 sack e 1 hit no ano todo, melhor marca da NFL) E dominar nas trincheiras para abrir espaço no jogo terrestre. Mesmo em uma posição pouco sexy (não existe posição menos reconhecida/valorizada na NFL), é o tipo de jogador que gera muito valor para um time consistentemente. Junto a ele fica Zack Martin, que novamente teve uma excelente temporada, dessa vez menos reconhecida por jogar em uma totalmente esquecível temporada de Dallas. Martin terminou o ano cedendo apenas um sack, 2 hits e 10 pressões (segunda melhor marca da liga entre jogadores com 1000+ snaps). Martin foi draftado como tackle, mas se continuar jogando no interior da linha, vai ser um eterno candidato a times All-Pro/All-TMWs. 

2nd Team: Richie Incognito, Buffalo Bills; Josh Sitton, Green Bay Packers.


Center: Ryan Kalil, Carolina Panthers.

No começo da temporada, muita gente achava que a linha ofensiva remendada seria um grande problema para o Carolina Panthers. Ela não foi. Pelo contrário, discretamente foi uma das grandes forças do time na temporada, especialmente protegendo Cam Newton e seus scrambles. E Kalil foi o pilar disso tudo, o veterano que manteve a fundação no lugar e permitiu ao resto encaixar, alguém que foi fundamental protegendo Newton e abrindo espaços para o jogo terrestre (especialmente em jogadas curtas). Talvez alguns Cs tenha sido melhores protegendo o QB ou abrindo espaços, mas nenhum fez os dois tão bem quanto Kalil.

2nd Team: Travis Frederick, Dallas Cowboys.


Defensive Line (interior): Aaron Donald, Saint Louis Rams; Geno Atkins, Cincinnati Bengals.

Eu já falei bastante sobre Aaron Donald na coluna sobre os prêmios da temporada, principalmente sobre como deveria ser impossível para um DT com tanto papel coletivo (ocupar bloqueadores, fechar espaços, etc) também ter um impacto direto tão impressionante através de pressões, tackles para perdas e sacks. Leia a coluna para ler meus pensamentos completos sobre o jogador, mas vou deixar essa parte aqui: 

"E acima de tudo esse é o maior argumento a favor de Donald como DPOY: jogadores de meio de linha defensiva não deveriam ter todo esse impacto direto além de todo o papel coletivo (ocupar bloqueadores, quebrar o pocket, etc), e ainda assim Aaron teve o quarto maior impacto direto em jogadas de passe da liga através de pressões (11 sacks, 26 hits, 44 hurries). Isso é surreal para um DT, onde você tem normalmente menos chances de ter esse impacto direto, e um dos grandes motivos pelos quais a defesa do Rams foi tão boa na temporada."

Sobre Atkins, o DT é o principal motivo pelo qual a defesa do Bengals voltou a ser uma força depois de um ano em baixa (no qual Atkins esteve machucado). A linha defensiva sempre foi o pilar do time, com bons nomers e jogadores talentosos como Carlos Dunlap e Michael Johnson, mas toda a linha - e portanto a defesa inteira - era montada em torno do colapso que Atkins causava na linha adversária e abria espaços por onde os seus atléticos companheiros poderiam atingir o backfield e fazer jogadas. Donald é melhor atravessando a linha, atrapalhando jogadas e causando impacto direto no jogo, mas nenhum DT na NFL hoje consegue causar colapso em uma linha ofensiva melhor do que Atkins. Dunlap, Johnson e o resto da DL de Cincy deveriam dar metade do seu salário para Geno. 

2nd Team: Kawann Short, Carolina Panthers; Linval Joseph, Minnesota Vikings.

Defensive Line (ponta): JJ Watt, Houston Texans; Kahlil Mack, Oakland Raiders; Von Miller; Denver Broncos.

JJ Watt é o melhor defensor da liga e meu voto para Defensive Player of the Year, então não preciso gastar muitas palavras explicando essa. Ele liderou a liga em sacks, jogadas de pressão, tackles for loss enfrentando mais marcações duplas e triplas do que qualquer jogador, causando mais impactos táticos e forçando mais ajustes do que qualquer defensor. Ele é o melhor jogador de defesa que a NFL ve desde Lawrence Taylor. O prêmio de Defensive Player of the Year deveria ser renomeado "Prêmio JJ Watt".

Kahlil Mack teve uma ótima temporada de calouro em 2014, principalmente por seu papel dominando o jogo terrestre, mas em 2015 elevou mais um nível no seu jogo assumindo um papel mais ativo atacando o quarterback, e Mack simplesmente destruiu tudo no seu caminho em seu novo papel: foram 16 sacks (apenas Watt teve mais) e 82 jogadas de pressão (apenas Watt e Michael Bennett tiveram mais). Durante uma surreal sequência de três jogos, Mack teve NOVE sacks (inclusive um jogo com 5 só no primeiro tempo) para ajudar o Raiders a vencer dois deles por totais 6 pontos. E embora isso diga mais sobre o quão tosco é o processo de votação dos All-Pros, vale citar que Mack foi o primeiro jogador da história a ser eleito para o All-Pro Team em DUAS posições diferentes (DE e OLB). Watt e Mack foram dois no-brainers para essa posição.

O terceiro lugar foi mais difícil, com vários bons candidatos mas ninguém se destacando acima dos demais. Acabei indo com Von Miller, que certamente tem as credenciais para isso: 11 sacks, 82 jogadas de pressão (empatado com Mack no terceiro lugar da temporada) e consistente impacto no jogo terrestre não são nada para se torcer o nariz, ainda mais considerando toda a atenção e dobras que ele atrai. Ele foi o segundo melhor OLB de 2015 tirando Mack. Mas o motivo foi um pouco diferente e talvez até injusto: Miller foi de longe o melhor jogador e pilar de uma defesa que acabou sendo a melhor da temporada em 2015, e embora obviamente ele tenha tido muitos bons companheiros, você vai reparar que apenas um outro Bronco acabou aparecendo nessa lista. Miller e (SPOILER OMITIDO) são as únicas grandes estrelas dessa defesa, e sua performance fantástica foi um dos motivos pelos quais ela foi tão boa. Então eu vou com Miller sobre a concorrência - ele tem uma leve vantagem em impacto individual E em impacto coletivo.

2nd Team: Michael Bennett, Seattle Seahawks; Olivier Vernon, Miami Dolphins; Cameron Jordan, New Orleans Saints.


Linebackers: Luke Kuechly, Carolina Panthers; Anthony Barr, Minnesota Vikings.

Então ficamos com um 4-3 OLB e um ILB para nossos linebackers.

Kuechly pode ter perdido três jogos com concussões, mas apesar disso, o jogador do Panthers foi de longe o melhor ILB da NFL em 2015. Acho que a melhor forma de descrever o camisa 59 é "força da natureza" - sua antecipação e instintos são surreais, e isso junto da sua capacidade atlética colocam Kuechly em todos os lugares do campo ao mesmo tempo. Meu exemplo favorito: lembra daquela insana recepção do Julio Jones contra o Panthers? Ta vendo aquele cara branquelo que acabou de correr 50 jardas downfield para acompanhar um dos melhores e mais rápidos WRs da NFL? É Kuechly. Tirando Patrick Willis, eu acho que nunca assisti outro MLB capaz de fazer fazer essa cobertura. Claro, foi touchdown, mas isso diz muito mais sobre a jogada linda de Jones do que uma falha de Kuechly - jogadores tão grandes e fortes como o LB não deveriam ser fisicamente capazes de acompanhar JJ em uma rota dessas.

E é assim que a vida funciona para Kuechly. Ele está em todos os lugares, faz todos os tipos de jogadas e não tem nenhuma falha no seu jogo. O camisa 59 cedeu um rating de 57.8 em passes lançados na sua direção, um número absolutamente RIDÍCULO para um linebacker, foi mais eficiente dando tackles do que qualquer jogador e foi o segundo em Stop% no jogo terrestre. Ridículo. Se Patrick Willis pegou a tocha de Ray Lewis de "MLB histórico dominando a NFL", essa tocha me parece muito segura com Luke Kuechly.

Barr é um caso engraçado, alguém que chegou na NFL como um OLB pass rusher do College e nas mãos de Mike Zimmer acabou se tornando um dos mais devastadores all-around LBs da NFL. Não sei se existe hoje na NFL um linebacker tão completo quanto Barr. Embora o segundanista não se alinhe como um OLB 4-3 tradicional em boa parte do tempo, participando ativamente de pacotes e formações híbridas como pass rusher ou jogando mais próximo da linha defensiva, Barr tem um impacto em todas as áreas do jogo de forma que não é comum para um OLB 4-3: ele é devastador em jogadas de rush (4 sacks, 5 hits e 18 hurries, segundo melhor entre 4-3 OLBs apesar de ir para blitz menos que seus concorrentes mais próximos), excelente saindo para cobertura (cedeu apenas um TD no ano apesar de ser um dos OLBs que mais defendem no jogo aéreo) e ainda consegue impor sua presença em jogadas terrestres. Sua versatilidade constitui a espinha dorsal de uma das melhores jovens defesas da NFL. Você não encontrará um jogador em toda a NFL que teve mais impacto em 2015 no jogo terrestre, na cobertura E no pass rush do que Anthony Barr.

2nd Team: KJ Wright, Seattle Seahawks; Derrick Johnson, Kansas City Chiefs.


Cornerbacks: Tyrann Mathieu, Arizona Cardinals; Josh Norman, Carolina Panthers; Patrick Peterson, Arizona Cardinals.

Aparentemente, a maior parte das pessoas veem Tyrann Mathieu como um safety apesar do fato dele ter se alinhado muito mais de cornerback esse ano. A verdade é que o Honey Badger joga uma posição híbrida CB/Safety que tem se tornado cada vez mais popular na NFL (Charles Woodson, quando foi DPOY e campeão pelo Packers, fazia uma função semelhante), mas ainda é mais próximo de um CB do que de um safety. Então é como eu voto.

E apesar de Mathieu ter perdido os dois últimos jogos da temporada com um ligamento rompido (infelizmente pela segunda vez), seu impacto foi tão grande que não tem como deixá-lo de fora do 1st Team. Na cobertura, Mathieu já faria por merecer esse 1st Team All-TMW: além de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, o camisa 32 é um dos defensores de secundária mais físicos da liga, alguém que mistura força, atleticismo, instintos e técnica para criar uma máquina de destruição em massa. Ele consegue marcar qualquer WR, de Julian Edelman a Demaryus Thomas, e os números sustentam os vídeos: 60% de passes completos e 77.6 Rating lançando na direção de Mathieu, e esses números ainda são inflados pelos snaps que Mathieu alinha mais atrás, como safety (que tendem a ser maiores). Avaliando CBs na cobertura, é comum nos maravilharmos com aqueles que não aparecem, que passam o jogo todo anulando um jogador e mal aparecem no vídeo porque ninguém lança na direção deles. Mathieu é o oposto, alguém que está o tempo todo em todos os lugares fazendo jogadas e tendo impacto em um número enorme de snaps, frequentemente cobrindo seus companheiros nessa função híbrida.

Mas assim como Barr, o maior valor de Mathieu não vem de uma coisa que ele faça muito bem, e sim do fato dele fazer TUDO em altíssimo nível. Além de suas habilidades na cobertura, Mathieu também é um dos melhores cornerbacks fazendo blitz (foi para a blitz em 39 snaps e saiu com 11 pressões, ambas as melhores marcas entre CBs), E ainda dobra como o melhor CB contra o jogo terrestre por uma enorme margem, conseguindo "Stops" em 6% das jogadas de corrida dos adversários - o segundo melhor CB da liga tem em 4.6%. A capacidade de ler e reagir às jogadas e sua velocidade indo do ponto A ao ponto B fez dele o CB de maior impacto da NFL em 2015 quando consideramos todas as áreas do jogo.

O parceiro do Honey Badger no All-TMW Team é também seu parceiro na vida real. Patrick Peterson se recuperou brilhantemente de um fraco 2014 para ter o melhor ano de sua carreira: QBs completaram apenas 47.7% de seus passes na direção de Peterson (terceira melhor marca da NFL), cedendo apenas dois TDs (e adicionando duas interceptações e seis passes desviados) e segurando QBs a um Rating de 61.8, sexta melhor marca da NFL. É claro, isso em si só não significa nada, mas da para ter uma noção do trabalho de Peterson esse ano. E ele fez isso apesar de constantemente marcar o melhor WR adversário também. Se Mathieu é uma estrela por causa de seu enorme impacto all-around, Peterson é um CB mais ortodoxo, que foca em tirar um WR do jogo. É um impacto diferente, mas não menos significante.

Por fim, o último lugar fica com aquele que foi de longe o CB mais comentado e chamativo de 2015: Josh Norman. Eis a lista de WRs que Norman marcou em 2015: Allen Robinson, DeAndre Hopkins, Brandin Cooks (x2), Mike Evans, Doug Baldwin, Jordan Matthews, TY Hilton, Randall Cobb, Justin Hunter, DeSean Jackson, Dez Bryant, Julio Jones (x2), Odell Beckham Jr.

E eis os números para QBs lançando passes na direção de Josh Norman: 51%, 9.3 jardas por passe completo (4th melhor da NFL), 2 TDs, 4 INTs, 457 jardas, e um rating de 54.0 que foi o melhor da liga entre CBs qualificados. O ano todo, foi o papel de Norman travar no melhor WR adversário, marcá-lo o jogo todo, e tirá-lo do jogo... e foi o que ele fez, mais e melhor do que qualquer outro cornerback dessa temporada. E eu não preciso te dizer o impacto que é para um ataque ter seu melhor recebedor simplesmente tirado do jogo dessa maneira. Foi uma temporada realmente fantástica para o CB do Panthers, que inclusive entrou no meu ballot para DPOY em quarto lugar.

2nd Team: Chris Harris Jr, Denver Broncos; Johnathan Joseph, Houston Texans; Richard Sherman, Seattle Seahawks.


Safeties: Harrison Smith, Minnesota Vikings; Earl Thomas, Seattle Seahawks.

Não sei se existe hoje na NFL um jogador mais consistentemente underrated do que Harrison Smith. Nos últimos dois anos, o único safety que talvez tenha sido melhor do que Smith na NFL foi Earl Thomas, que é um futuro Hall of Famer. Em 2015, Smith foi de longe o melhor safety da liga mesmo perdendo dois jogos machucado. E ainda assim, em 4 anos de NFL, Harrison Smith nunca foi a um Pro Bowl ou integrou um All-Pro Team. Por que? Eu não saberia te dizer. Só saiba que Smith é um monstro que preenche mais funções em um campo de futebol americano que qualquer outro DB (tirando talvez Mathieu) e se move com mais velocidade pelo campo fazendo jogadas que qualquer outro defensive back tirando Thomas. E ele foi mais uma vez brilhante em 2015, totalizando 11 pressões (inclusive dois sacks e quatro hits), fornecendo apoio consistente no jogo terrestre e segurando QBs a um rating impossível de 43.3 em bolas lançadas na sua área - a melhor marca da NFL inteira (não entre safeties, NFL inteira) entre jogadores que viram tantos passes quanto Smith. O camisa 22 não entrar nem no SEGUNDO time All-Pro foi um dos maiores absurdos da história recente da NFL. Um dia a NFL vai dar a Harrison Smith o valor que ele merece. Pena que não será em 2015.

Quanto a Thomas, não tem muito o que dizer. É talvez o melhor jogador no que tem sido uma das melhores defesas da história da NFL nos últimos anos. E ao contrário de Richard Sherman, que recebe mais atenção, cujo esquema do time permite isolar para maximizar suas forças, Thomas é a base em cima da qual pende todo o esquema defensivo de Seattle. Assista aos All-22 de Seattle e você logo vai ver que, apesar do esquema ser bastante simples superficialmente, a chave é que o time aproxima muito seus defensores da linha e deixa Earl Thomas as vezes quase sozinho cobrindo o fundão, uma tarefa que só é possível porque ele é uma aberração da natureza que consegue cobrir mais espaço em um campo de futebol americano do que qualquer outro jogador. E é por Thomas ser capaz de cumprir essa função que permite ao resto da defesa se focar no que eles fazem de melhor e tirar o máximo do seu estilo de jogo. Eu até acho que ETIII (Sim, ele chama Earl Thomas III) teve um ano abaixo dos seus padrões, mas mesmo um ano abaixo da média para ele é ser o segundo melhor safety da temporada.

2nd Team: Eric Berry, Kansas City Chiefs; Charles Woodson, Oakland Raiders.


Kicker: Justin Tucker, Baltimore Ravens

Quando pensamos em kickers, a primeira coisa que pensamos é em acertar FGs. E, claro, é uma parte crucial do trabalho. Analisando por esse critério, o melhor kicker de 2015 provavelmente foi Stephen Gostkowski, com uma leve margem sobre Justin Tucker. Os dois kickers empataram no segundo lugar em FGs acertados com 33 (Blair Walsh teve 34), mas o kicker do Patriots o fez com melhor aproveitamento: 33-36, contra 33-40 do kicker do Ravens.

Mas continue fuçando, e você vai perceber o motivo: FGs não são todos iguais. Um FG de 25 jardas e um FG de 55 jardas são totalmente diferentes, e logicamente você esperaria que o aproveitamento de um kicker dependeria muito do tipo de chutes que ele tenta.

Você provavelmente já entendeu aonde quero chegar. Tucker jogou para um ataque morfético, que tinha dificuldade de mover a bola e por isso forçou-o a muito mais chutes longos: 10 de seus 40 FGs foram de 50+ jardas, o dobro de Gostkowski e a maior quantidade de tentativas dessa distância da NFL. Então não é que Tucker não tenha sido tão bom quanto Gostkowski, e sim que ele foi obrigado a tentar chutes bem mais difíceis por causa da ineptidão do seu ataque. Na verdade, nos chutes mais "rotineiros" (menos de 50 jardas), Tucker foi até melhor: 29 de 30 para o kicker do Ravens, contra 29 de 31 para o do Patriots. Gostkowski merece créditos pela sua ótima precisão de 50+ e liderou todos os kickers em pontos adicionados com FGs, mas Tucker não fica muito atrás (3rd) e seu aproveitamento inferior é causado pelos chutes mais difíceis que teve de tentar. E, vale citar, nenhum dos dois errou um extra p

Mas kickers tem uma segunda tarefa além de chutar FGs, uma que frequentemente é ignorada: kickoffs. E é nessa que Turner brilha: liderou a liga em distância (72 jardas) e foi segundo em toda a liga em percentual de touchbacks com ridículos 86.5%. A distância entre Turner e o terceiro colocado, Jason Myers, foi maior (13,9 pontos percentuais) do que a diferença entre Myers e o décimo sexto do quesito, Josh Lambo (13.8 pontos percentuais). Ele também adicionou mais valor em kickoffs do que qualquer outro jogador.

Juntando os dois quesitos - kickoff e FG - tanto Gostkowski como Turner foram ótimos em ambos, mas na soma dos fatores dou uma leve vantagem para Turner por um simples motivo: a diferença a favor de Turner em kickoffs para mim é maior do que a diferença a favor de Gostkowski em FGs. Por muito pouco, mas é.

2nd Team: Stephen Gostkowski, New England Patriots


Punter: Pat McAfee, Indianapolis Colts

O engraçado é que McAfee não é só o melhor punter fazendo punts da NFL, embora ele também o seja: 47.7 de distância média (#2 da NFL), 5.28 de hang time (#8), 43.3% apenas retornados (#9) e #1 em valor adicionado. Mas você sabia que McAfee também cuida de chutar kickoffs para o Colts... e que ele é o quarto MELHOR de toda a NFL no quesito (atrás de Tucker, Gostkowski e Graham Gano) e liderou a liga em porcentagem de touchbacks? Junte a isso que ele é o melhor punter/kickoffer (existe isso?) da liga na cobertura e dando tackles, e nenhum jogador de special teams da NFL tem remotamente tanto impacto no time quanto McAfee. Ele é o melhor special teamer da liga inteira.

2nd Team: Johnny Hekker, Saint Louis (RIP!) Rams.


Kickoff returner: Cordarrelle Patterson, Minnesota Vikings

Eu até hoje não perdoei a NFL por mudar o ponto do kickoff e praticamente matar os retornos de kickoff, minha jogada favorita do futebol americano. Fuck you, Goodell.

Do que eu estava falando? Ah sim... Cordarrelle Patterson. Ele liderou a liga em jardas por retorno de kickoff (31.9), segundo em jardas totais (1020), e foi o único jogador da NFL a levar dois kickoffs para a casa. Então ele teve o maior impacto médio E touchdowns, que seria o impacto máximo. Bom suficiente para mim.

2nd Team: Ameer Abdullah, Detroit Lions.


Punt returner: Darren Sproles, Philadelphia Eagles

Eu realmente queria pedir desculpas ao Tyler Lockett aqui. Se fosse simplesmente uma posição chamada "Kicks returner", ele seria o óbvio número 1, tendo sido fantástico retornando tanto punts como kickoffs. Mas quebrando, temos jogadores que se destacaram mais nos componentes específicos. Fica a menção honrosa a Lockett aqui então (bem como um 2nd Team All-TMW).

De volta a Sproles, sua temporada fantástica retornando acabou ofuscada por um ruim e disfuncional time do Eagles, mas os números falam por si só: 37 retornos (#3 na NFL), 436 jardas (#1 na NFL), 11.8 jardas por retorno (#3 na NFL) e 2 touchdowns (único da NFL com mais de um). Temporada incrível. E talvez seja só eu, mas sempre achei Sproles um dos jogadores mais aleatoriamente excitantes de se assistir, pelo tamanho, velocidade, explosão e o fator de comédia não-intencional de um baixinho de um metro e meio correndo no meio de mamutes de 150kg. Então bônus para ele.

2nd Team: Tyler Lockett, Seattle Seahawks.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Mailbags de sexta a noite

Força capilar nem sempre é vantagem na NFL


Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem!


No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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Bom, chegou sexta feira, dia dos nossos amados e mundialmente famosos palpites da rodada. Ok, podem não ser tão amados nem mundialmente famosos, mas é a coluna semanal da qual mais gente reclama, então pelo menos as pessoas se divertem com ela. A idéia era juntar os emails que chegam durante a semana em um mailbag de sexta junto dos palpites, para não ficar maçante e ser um espaço mais ou menos fixo para a participação dos leitores, e também porque não tínhamos tantos emails para justificar um espaço ou uma coluna só deles.

Ou pelo menos até essa semana. Desde o último mailbag tivemos um recorde de emails, e são tantos e com perguntas tão interessantes que valem um post inteiro só de mailbag (minha intenção desde o começo). Então os palpites ficam para mais tarde ou, em último caso, amanhã de manhã. Hoje o espaço vai ser só para responder emails. Como sempre, esses são emails reais de leitores reais que podem ter sido editados por questões de padronização.

Se quiser participar do próximo, é só mandar um email com sua pergunta/comentário/whatever para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag".


 Tim Tibow já pode ser considerado um Bust ? - Ramon Brandão

Uma pergunta bem comum que já me fizeram em diferentes redes sociais. Acho que você achar que Tim Tebow é um bust ou não depende do que você considera um bust. Geralmente o rótulo de "bust" é dado para jogadores que entraram na NFL com muita promessa, muitas expectativas, ou então a custos (ou escolhas) muito altos, e falharam ao produzir e ficaram muito aquém do esperado e do valor neles investidos. Nesse caso, é difícil chamar Tebow de um bust: quando ele entrou no draft depois de uma brilhante carreira no College, o consenso era de que ele nunca seria um QB na NFL, embora fosse possível que algum time fosse gastar uma escolha alta nele esperando um milagre.

Então é meio complicado taxar de bust alguém cujo consenso original era "nunca vai jogar na NFL". A gente esperava e torcia pelo melhor porque ele era divertidíssimo de assistir na Flórida e porque era um grande cara fora de campo, mas a verdade é que ninguém esperava muito dele. Então para alguém que tinha essa expectativa, só aquela temporada mágica de 2011 - levou um time 1-4 aos playoffs, liderou a NFL em viradas no quarto período, ganhou um dos jogos de playoffs mais emocionantes da minha vida contra os  atuais campeões da AFC - já era muito mais do que teríamos sonhado. Então sua carreira não foi longa e provavelmente já acabou (btw, respeito ele por não forçar a barra e ficar na NFL ou na CFL como um jogador inferior, acho que sua nova ocupação comentando NCAA vai ser perfeita para seu carisma), mas ele teve uma temporada quase folclórica na qual fez milagres e chegou a vencer um jogo de playoffs, e isso já é muito mais do que todo mundo esperava quando ele chegou na liga. Para mim ele acabou tendo mais sucesso do que todo mundo imaginava, então está longe de ser um bust. Pena que sua carreira não durou mais tempo, sentirei falta.


A minha questão é a seguinte:

- Cada vez mais a NFL está voltada para o passe, com os Quartebacks quase intocáveis. Obliterando todos os recordes de grandes lendas do passado. 

- Dito isso o que você acha dessa nova tendência dos técnicos/gerentes draftarem Qbs que são melhores correndo do que passando? exemplos não faltam recentemente: Kaepernick, Newton, Pryor, Russel Wilson, Griffin III, Geno Smith e E.J.Manuel.

- Você acha que eles são os modelos para o futuro dos Qbs na NFL? e se são não é meio irônico você draftar um Qb corredor que tem muito mais chances de sofrer lesões, em uma liga que te facilita ano após ano os passes.

Um abraço, muito bom os seus textos no blog. - Fabiano Dantas

Engraçado, nunca pensei por esse último ponto de vista, e achei extremamente interessante. Em uma era onde a NFL está cada vez se assemelhando a uma liga de touch football para proteger o QB - você não pode atingir na cabeça, no pescoço, nas pernas, e agora a NFL acabou de multar um jogador por dar um sack no peito de um QB - a transição que a liga está fazendo para QBs móveis que saem do pocket e se sujeitam a mais pancadas realmente não deixa de ser irônico. Embora talvez tenha uma relação de causa e efeito, as limitações da defesa quando vai atacar o QB atualmente acabam abrindo muito mais espaços para corridas, e talvez por isso os QBs tenham essa maior tendência a aproveitar esses espaços.

Mas sobre sua pergunta, acho que é de certa forma uma tendência evolutiva da NFL. As mudanças de regras do começo da década abriram demais o jogo aéreo e limitaram muito o poder das defesas contra o passe, então elas tiveram que se adaptar como puderam, colocando mais gente na secundária e apertando o pass rush para cima dos QBs adversários. Uma das consequências foi que novos espaços começaram a se abrir, especialmente para as corridas dos QBs, e então quando começaram a aparecer QBs capazes não só de fazer bons passes como também de explorar esses espaços e forçar novos ajustes da defesa, isso deu ao ataque uma certa vantagem. E você só citou os negros, mas também tem jogadores brancos como Jake Locker e Andrew Luck que são muito atléticos. Então acho que essa tendência vem um pouco disso, jogadores que podem explorar esses espaços abertos pelas defesas e que dão ao time uma arma nova.

Mas ainda acho que o pocket passer - ou pelo menos suas habilidades como passador de maneira geral - sempre serão o principal atributo para um QB. Jogadores como Luck, Wilson e as versões 2012 de Kaepernick e Griffin também eram exímios passadores (Newton também é um bom passador), e é a combinação entre ser capaz de vencer uma defesa com o braço e as pernas que faz deles tão destruídores. Quando você só corre, como o Pryor, as defesas vão se adaptar com mais facilidade e tirar de você esses espaços e te obrigar a vencer com os passes, então não adianta correr bem se você não pode abrir esses espaços com seu braço. Entre um QB que só corre e um que só passa do pocket, o segundo sempre vai ser mais importante (Tom Brady e PEyton Manning, alguém?) e ter mais espaço. A questão é que agora estamos vendo jogadores que conseguem fazer ambas as coisas bem, e acho que essa vai ser a tendência conforme o jogo avança por ser mais fácil conseguir um QB que lança bem e corre bem do que um cara que lança perfeitamente e não corre, esses são mais raros. Mas um grande passador sempre vai ter a preferência sobre um corredor, isso não deve mudar.


Com a temporada atual de Peyton Manning entrando na lista entre as melhores de um QB, na sua opinião, qual a melhor e mais assombrosa temporada em números de um QB ?

* Dan Marino em 1984 --> 362-5645 084 jardas, 48 TD, 17 INT, 108,9 de Rating em 16 jogos.

* Peyton Manning em 2004 --> 336-497, 4 557 jardas, 49 TD, 10 INT, 121,0 de Rating em 16 jogos.

* Tom Brady em 2007 --> 398-5784 806 jardas, 50 TD, 8 INT, 117,2 de Rating em 16 jogos.

* Aaron Rodgers em 2011 --> 343-502, 4 643 jardas, 45 TD, 6 INT, 122,5 de Rating em 15 jogos.

* Drew Brees em 2011 --> 468-657, 5 476 jardas, 46 TD, 14 INT, 110,6 de Rating em 16 jogos.

Obs: Mesmo sabendo das mudanças que privilegiaram o jogo aéreo e tudo mais, porém em questão de números, qual foi a temporada mais espetacular ? - Ramon Brandão


O importante quando comparamos números de diferentes épocas é colocar em contexto as diferenças do jogo em cada uma delas. Não é que as temporadas dos QBs de hoje não tenham valor, mas é extremamente mais fácil postar grandes números e continuar passando hoje em dia do que era 20, 30 anos atrás. As regras mudaram, e é preciso levar isso em conta. Por exemplo, antes de 2004 (quando as regras mudaram), apenas dois QBs tinham passado das 4805 jardas em uma temporada na história da NFL: Dan Marino em 1984, e Kurt Warner em 2001 (uma temporada que você poderia ter incluído na sua lista, btw). E nas 9 temporadas desde então, já tivemos DEZ temporadas de um QB com mais de 4805 jardas, inclusive quatro em 2011 e quatro em 2012. Então é um fato inegável que hoje em dia é muito mais fácil colocar grandes números pelo ar, e é importante colocar isso em contexto.

Por isso ainda mantenho que 1984 Dan Marino foi a melhor temporada da história de um QB e é o patamar de ouro a qual todos aspiram. Seus números são bons o suficiente para bater de frente com qualquer temporada moderna de um QB, só que ele fazia isso em uma época onde o grau de dificuldade era consideravelmente maior. Colocar 5000 jardas e 40 TDs hoje em dia não é fácil, mas é factível - vários QBs já conseguem. Em 1984? Isso era absolutamente impossível e deveria ser ilegal. Por exemplo, em 2007 quando Tom Brady entrou nessa lista, a média da NFL por time em jardas aéreas na temporada era de 3428 e a proporção TD/INT era de 22/16, e em 2011 quando Brees entrou (talvez as duas mais impressionantes estatisticamente entre essas modernas que você citou), os times tinham em média 3675 jardas aéreas e a TD/INT de 23/16. Em 1984 era 3200 jardas aéreas e a taxa TD/INT era de 22/21!! A diferença é imensa. Então mesmo que a primeira vista os números de Brady e Brees impressionem mais, o mérito de Marino colocando números quase iguais em 1984 foram muito maiores. Para mim ainda é a melhor temporada de todos os tempos.

A melhor pós-temporada de todos os tempos? 1989 Joe Montana, 821 jardas, 11 TDs e nenhuma interceptação em três jogos para um time que venceu suas três partidas por combinados 126 a 26. 126 a 26!! Isso quer dizer que venceu três dos melhores times da NFL por em média 42 a 9, inclusive o Super Bowl por um recorde 55-10. Me acorde quando isso acontecer de novo.


Está mais pra uma proposta que uma pergunta, mas vamos lá...

É possível provar, usando como indício (na atual temporada) os pontos cedidos pelas defesas dos 32 times da NFL, qual o melhor esquema defensivo (entre 3-4 e 4-3)? - Tiago Rotava


Eu acho a sua proposta um pouco impossível porque é praticamente impossível separar o quanto é impacto da formação defensiva e o quanto é simplesmente ter jogadores melhores. No meu ponto de vista não existe uma melhor do que a outra, as duas possuem uma proposta ligeiramente diferente e é mais uma questão de qual delas vai tirar o máximo do talento e das características dos jogadores que você possui. Não sei se existe uma forma de quantificar e medir qual a diferença específica de cada alinhamento.

O que eu posso fazer por você é o seguinte: entre as cinco melhores defesas cedendo jardas nessa temporada, três delas (Browns, 49ers e Texans) jogam em uma formação 3-4 e as outras duas (Seahawks e Panthers) em uma formação 4-3, ao passo que entre as cinco piores você tem apenas Eagles de defesa 3-4 e Jaguars, Vikings Cowboys e Falcons que se alinham principalmente na formação 4-3. Vendo as melhores por DVOA, calculado pelo excelente Football Outsiders, nas cinco primeiras temos duas defesas 3-4 (Jets e Cardinals) e três 4-3 (Panthers, Seahawks e Bengals), enquanto que entre as cinco piores temos San Diego e Green Bay jogando no 3-4 e Vikings, Jaguars e Falcons jogando em uma formação 4-3. Não tem tanto valor analítico, mas acho que serve para mostrar como realmente não existe um padrão nisso, e infelizmente acho que não existe uma forma de isolar o que é impacto do jogador e o que é impacto tático.


Caso seja demais, uma pergunta subsituta...
Sem contar o All Day, na sua opinião temos algum RB certo para o  Hall of Fame? - Tiago Rotava



Bom, não era demais, mas vou responder essa mesmo assim. Hoje em dia, acho que certeza só Adrian Peterson mesmo - sua temporada de 2000 jardas, seu prêmio de MVP em uma época dominada por QBs e o brilhantismo e consistência da sua carreira como um todo colocam ele como um bom candidato a entrar se conseguir mais algumas temporadas em alto nível, mesmo que não precise repetir sua temporada 2013. Só uma desgraça tira All-Day do Hall da Fama. 

Depois de Peterson, acho que não tem nenhum RB que eu colocaria como "uma boa chance" para entrar no HoF. Diria que alguns jogadores tem um caso ou o princípio de um, mas ainda estão um pouco longe de chegar lá: Frank Gore e Steven Jackson foram consistentes por muito tempo e detém diversos recordes de suas respectivas franquias e podem montar um caso, e Chris Johnson tem uma temporada de 2000 jardas e o recorde da NFL de jardas totais a seu favor. Mas se Terrell Davis - uma temporada de 2000 jardas, três anos seguidos de 1500+ como o melhor RB da NFL antes de se machucar e encerrar a carreira - não parece uma certeza a entrar, não sei como o muito menos consistente e dominante Johnson vai fazer seu caso. Hoje em dia está mais difícil ser RB com a evolução do jogo aéreo, é mais fácil achá-los e a maior parte dos times opta por usar combinações de RBs com características diferentes ao invés de um grande craque - até porque RBs tem uma vida útil relativamente curta. Então acho que não vai ser fácil para RBs daqui para frente entrarem no Hall da Fama.


Estão familiarizados com o conceito de força nominal? Caso não estejam segue o link http://bolapresa.blogspot.com.br/2008/06/fora-nominal.html
Gostaria de saber as principais forças nominais da NFL na sua opinião. E as principais forças capilares também - Mateus Sobral


Não só estou familiarizado como sou um estudioso assíduo do assunto e sua aplicabilidade na NFL. Por algum motivo, a NFL é a liga com mais nomes legais no mundo, é como se fosse um pré-requisito. Então é realmente difícil saber quais são as melhores forças nominais, um dia preciso entrar em contato com o Denis e ver se o Sbub não topa fazer um ranking desses, já que ele é o especialista no assunto e não eu. 

Entre os jogadores da atualidade, tem vários interessantes, mas alguns que eu lembro de cabeça: Mister Alexander (como não gostar de um cara cujo nome é um título e o sobrenome é um nome próprio?!); Richie Incognito (muito adequado para um Guard, a posição que menos recebe atenção na NFL); Brian Anger (que está no time perfeito, já que joga no pior time da NFL); D'Brickshaw Fergusson (tem o D' que é tudo menos mudo para dar charme, e para um lineman de 280 libras tem nome melhor do que "BRICKshaw", o OT de tijolos?!); Captain Munnerlyn (The Captain!)... e claro, a escola havaiana de força nominal, que inclui Brandon Manumaleuna, Troy Polamalu e Michael Hoowanamanui. Também sou particularmente fã de "Uche Nwaneri" e Barkevious Mingo, mas essas são preferências pessoais. Estou também particularmente animado para esse draft: quando suas duas possiveis primeiras escolhas são Teddy Bridgewater (tem poucas coisas mais legais no mundo que uma ponte de água) e Marcus Mariota (ganha pontos pela repetição do M), é porque o draft será interessante do ponto de vista nominal.

Quanto a mais obscura força capilar, temos também bons exemplares. Troy Polamalu e Clay Matthews  são talvez os dois exemplos mais famosos na NFL. Eu particularmente sempre fui muito fã da força capilar do Domata Peko, que parece jogar com um esquilo morto a base de esteróides preso ao seu couro cabeludo. Chris Johnson também ganha pontos por ser uma mistura entre Tia Dalma, de Pirates do Caribe, e o Awey de Petrópolis. E temos as forças nominais pontuais, como esse bom exemplo de Tim Tebow quando sofreu seu trote de calouro. Mas o prêmio da semana de força capilar vai para Andre Ellington, que teve metade de suas madeixas arrancadas a moda antiga na partida dessa semana, como você pode ver aqui ou na foto que ilustra nosso post. 

Bizarramente, como na NFL você pode dar tackles puxando o cabelo de um jogador por ser considerado parte do corpo, sempre achei que cabelos compridos eram uma fraqueza na NFL, mas a galera continua deixando crescer.

Olhando os Standings da NFL observei que a AFC está, no momento, mais equilibrada que a NFC. Ora, estamos na semana 12 e até o 14º colocado geral da conferência (Buffalo Bills) têm chances reais de conseguir um Wild Card. Somente dois times podem ser dados como fora de cogitação no momento, Texans (2-8) e Jaguars (1-9).
Na NFC as coisas estão ligeiramente menos indefinidas, sendo quatro os times praticamente eliminados (ok, eliminados, sejamos realistas): Redskins (3-7), Buccaneers (2-8), Falcons (2-8) e Vikings (2-8). O Washington, é verdade, está a um jogo do grupo de cima, mas o futebol que o time tem jogado está muito mais pro grupo dos eliminados do que pro grupo dos que ainda tem chances. Acho (somente acho) que podemos colocar ainda Rams e Giants (ambos 4-6) como quase eliminados.
Por outro lado, as lideranças estão mais consolidadas na AFC. No quadro atual não vejo nenhum líder de divisão sendo ultrapassado pelo segundo colocado. Mesmo na AFC West parece improvável que o Broncos vá perder o lugar para o KCC.Na NFC as coisas estão mais complicadas pros líderes. Excluídos os praticamente eliminados, sobram 10 times lutando por 6 vagas, sendo que temos apenas Seattle praticamente garantido na liderança da divisão, da conferência e da Liga. Eu ia colocar o Saints aqui, mas não me atrevo a duvidar de novo do Carolina enquanto durar esta temporada regular.
Não tenho propriamente uma dúvida sobre isso, mas gostaria de dizer que, apesar da qualidade geral dos times ser alegadamente inferior, a AFC tá mais divertida esse ano, ao contrário do ano passado. - Danilo Vilas Boas

Realmente a AFC está mais equilibrada e nivelada esse ano, mas não deixa de ser nivelada por baixo: são SETE times com 4 vitórias que estão 1 ou 1.5 jogos atrás de uma vaga de wild card, e o time que atualmente detém essa vaga é um Jets 5-5 com Pythagorean Wins de 3-7. Então se está mais parelha esse ano e vai continuar assim provavelmente até o final é porque tem alguns poucos times acima da média (Patriots, Chiefs, Broncos, Colts e Bengals) e mais uma penca de gente mais ou menos fraca que briga pela mesma vaga. Como tem gente de sobra isso provavelmente vai durar até o final, e não deixa de ser realmente emocionante, mas é mais pelo nível baixo da média do que por ser particularmente boa. Mesmo Patriots, Colts e Bengals, que parecem seguros na liderança de suas divisões, estão assim menos por serem times brilhantes e mais porque a concorrência está ajudando ao não ameaçar essas posições. 

Enquanto isso, a NFC claramente é mais forte. A briga pelo segundo Wild Card é entre três times 6-4 e mais dois times 5-5, com o time 4-6 (Rams) praticamente fora da briga. Além disso, é onde estão concentrados os melhores times: se fosse para fazer um Power Rankings da NFL atualmente, três do meu Top4 seriam da NFC com Seahawks, Saints e Panthers, e apenas o Broncos da AFC (não necessariamente nessa ordem). Então existe um desequilíbrio em termos dos melhores times - ainda que a NFC apresente mais times "ruins" que a AFC em termos de record (e mesmo assim, os três piores saldos de ponto da NFL pertencem a AFC) a NFC concentra mais times fortes, e aqueles que brigam pelos playoffs são mais fortes que os do outro lado. Mas para nossa alegria, parece que teremos disputas por vagas até a última semana.


Vitor, você não concorda que tankar de propósito é uma péssima estratégia na NBA? Eu tenho acompanhado a Liga há alguns anos e o que tenho visto é times ruins normalmente se manterem ruins e pouquíssimos exemplos de times que conseguem se reconstruir via Draft.
Quero dizer, tem casos e casos. As vezes na eminência de um Draft profundo, quando sua maior estrela está machucada, as vezes seria positivo perder uma temporada recuperando-a, conseguindo assim mais derrotas.
Mas duas coisas me parecem muito erradas: primeiro, trocar jogadores comprovadamente bons e médios-bons por escolhas de draft ou novatos que ninguém sabe como jogarão para o time ficar pior; e dar minutos para jogadores comprovadamente improdutivos enquanto se poderia estar desenvolvendo outros jogadores melhores.
Sendo torcedor do Boston Celtics prefiro mil vezes que Bradley, Lee, Sullinger, Olynyk, etc se mostrem produtivos e consigamos uma vaga nos playoffs para sermos eliminados na primeira rodada ou mesmo ficar a uma vaga de ir para os playoffs do que eles serem, que seja um pouco, menos produtivos e termos uma escolha top-5 no draft.
Quando vejo alguém falar que determinado time "não é ruim o suficiente" me dá nos nervos, parece um absurdo.
Desculpe a longa pergunta, mas gostaria de saber sua opinião sobre isso. - Denis Rodrigues


Eu acho que a questão é que na NBA, o pior lugar que um time pode ficar preso é naquela "classe média", onde seu time não é bom o bastante para brigar pelo título (ou mesmo estar a uma ou outra mudança menor de chegar lá) nem é ruim o bastante para ganhar posições altas no draft para pegar jogadores mais talentosos que evoluam o time. O problema disso é que você fica preso: você não consegue reforçar seu time, nem tem os frutos de brigar pelo título, e não tem como sair dessa posição a não ser que de muita sorte em achar um game-changer no draft, faça uma troca de alto risco (geralmente essa opção é mais para times mais ricos que podem absorver grandes salários) envolvendo muitas escolhas de draft, ou então explodir tudo de vez e recomeçar do zero. 

Claro que cada caso é um caso, e depende também da motivação da equipe: tem times que estão satisfeitos nessa vida de chegar na primeira rodada e cair fora, tem times que precisam se manter fortes e relevantes para manter o interesse de uma torcida pouco fiel, e por ai vai. Mas acho que na média, vencer um título é o objetivo central da NBA, e para isso é melhor você reconstruir e aceitar uns anos ruins do que insistir nesse limbo que não te leva a lugar nenhum 95 casos em 100. Até porque muitos times que estão presos nesse limbo já estão estourados salarialmente, então não podem reforçar seu time com FAs caros e podem estar perdendo dinheiro por não chegar longe o suficiente na pós-temporada. Então optam por trocar esses jogadores caros, abrir espaço salarial, conseguir o máximo possível de escolhas de draft e remontar a franquia é um caminho mais rápido para supostamente vencer um título do que insistir no time que está preso no limbo.

O modelo que você cita para reconstruir, e que é o mais comum hoje em dia, é basicamente uma adaptação do que o Thunder fez com tanto sucesso para virar um dos times, e como deu certo é o que todo mundo tenta imitar. O Sonics dos anos 2000 estava preso nesse limbo, tinha jogadores caros e um time bom o suficiente para todo ano chegar nos playoffs, mas não bom o suficiente para disputar o título e sem a flexibilidade salarial ou capacidade para fazer uma troca ou contratação bombástica. Então ao invés de insistir nisso, eles decidiram reconstruir. O plano foi simples: trocaram todos seus principais jogadores, que atrairiam mais ofertas ao redor da NBA, pelo maior número de escolhas de draft ou contratos expirantes que podia, tomando cuidado de não adicionar nenhum jogador com contrato longo. Enquanto estocava jovens jogadores e escolhas de draft, o time também manteve sua folha salarial o mais baixa possível, para eventualmente usar esse espaço para absorver salários grandes e caros de outras equipes em troca de mais escolhas de draft. Com essas escolhas de draft e sendo ruim por três anos seguidos (afinal, trocaram o time todo e perderam muitos jogos), eles usaram essas escolhas para pegar Kevin Durant, Jeff Green (com a pick do Celtics que veio em troca de Ray Allen), James Harden, Russell Westbrook e Serge Ibaka (com uma pick vinda do Suns que receberam em troca de usar seu espaço salarial para absorver o salário do Kurt Thomas). Então em alguns anos de sofrimento, eles aproveitaram seus anos ruins para conseguir escolhas altas no draft e selecionar vários craques (Harden, Durant e Westbrook) e usaram as escolhas extras que conseguiram trocando seus melhores jogadores e aproveitando seu espaço salarial para conseguir outros bons ativos (Green, Ibaka, etc). Esse é o modelo de sucesso que todo mundo tenta imitar hoje, o time que saiu do limbo e em apenas quatro anos se reinventou como uma potência atrás de um Franchise Player.

Claro que o Thunder é um caso a parte (que acertou espetacularmente nas suas três principais escolhas E ainda achou Ibaka mais embaixo), e isso envolve uma boa dose de sorte, principalmente para conseguir seu Franchise Player: você precisa estar com a pick certa no draft certo para achar esse jogador (Derrick Rose, Durant, Tim Duncan, Lebron James, para citar alguns), torcer para esse cara não acabe virando um bust (Michael Beasley, Greg Oden, Hasheem Thabeet), ou então acabar conseguindo achar esse cara com picks mais para frente a uma chance muito menor (Dwyane Wade, Paul George). Por isso é tão difícil, mesmo para times que estão reconstruíndo, conseguir esse jogador, geralmente só tem um ou dois desses por ano. Por isso todo mundo deixa seu time ruim para aumentar suas chances de conseguir a 1st pick ou algo parecido. Muitos não vão conseguir nada tankando, vão ficar com uma 5th pick, pegar um jogador decente que não vai mudar o destino de nada, e continuar ruim, mas também tem times que irão pegar jogadores como Michael Jordan, Hakeem Olajuwon, David Robinson, Tim Duncan, Patrick Ewing, Kevin Durant ou Lebron James (todos resultados de temporadas de "tank"), e todos esses times chegaram a final da NBA com esses jogadores. Então é um risco, mas é um caminho mais rápido para o sucesso caso consiga esse jogador.

Para um exemplo prático, você disse ser torcedor do Celtics. Eu também sou. Mas eu prefiro que o time perca o máximo possível, use jogadores jovens em uma tentativa de desenvolvê-lo que provavelmente vai resultar em menos vitórias mas que vai fazê-los evoluir na prática, e garanta uma boa escolha no excelente draft que está vindo por ai do que usar um elenco medíocre como o nosso para chegar nos playoffs, tomar uma varrida na primeira rodada e não evoluir o time para 2014 de forma significativa. O Celtics não vai ser campeão com Olynyk e Sullinger como pilares do time, mas o time pode vir a ganhar um daqui a cinco anos se o time acabar com Wiggins ou Randle e eles se mostrem uma superestrela. Então no fundo acho que depende do que você prefere, continuar indo nos playoffs sem uma perspectiva de dar um salto que leve o time a brigar pelo título ou aceitar um ou dois anos inferiores sabendo que nesse meio tempo você está aposentando no futuro da equipe. Eu prefiro a segunda, e é pensando nela que a maior parte dos times opta por trocar seus melhores jogadores de um time sem futuro (pense no Hawks de uns anos atrás) para investir em garotos que podem eventualmente desenvolver e render um campeão no futuro. Nem sempre funciona, mas é o caminho mais favorável para reconstruir uma franquia quando você não tem o dinheiro de um Lakers-Nets ou o apelo de um Knicks para atrair jogadores. Acho que ai depende do quanto você prefere arriscar mais para montar um time que pode ser campeão ou manter um sólido time que chega aos playoffs mas não tem chance de vencer nada. 


PALPITES DA RODADA VINDO AMANHÃ DE MANHÃ!!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Pontos importantes da semana 8 da NFL

Voce precisa de mais do que três defensores para parar Megatron



Ainda não participou da nossa ultra nerd e ultra divertida promoção de NBA? Não sabe o que está perdendo! Clique aqui e tenha a chance de ganhar um livro massa de basquete - ou pelo menos ter o que fazer nessa offseason!! ÚLTIMOS DIAS!!

Para ler a coluna com os pontos importantes da semana, e ainda melhor, PARA PARTICIPAR DO NOSSO MAILBAG, clique aqui 

Para ler nosso breakdown da World Series entre Red Sox e Cardinalsclique aqui

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Mais uma semana chega ao fim, e holy cow, para uma semana que prometia ser uma das piores no papel (e de certa forma fez jus a isso) até que tivemos um jogo para ser lembrado por anos entre Cowboys e Lions. E embora o Monday Night Football tenha sido um jogo mais feio do que bater na mãe, pelo menos foi decidido na última posse de bola quando o Rams, que dominou o Seahawks o dia todo correndo e não conseguiu produzir passando (tendo inclusive dois passes interceptados), inexplicavelmente decidiu que em uma 4th and 1 na linha do goal era melhor tentar o passe SEM NENHUM RB PARA ATRAIR A DEFESA. Adivinhe? Kellen Clemens errou o passe e o Rams perdeu o jogo. Mas enfim, um jogo excelente e um que pelo menos foi disputado para tirar o marasmo de uma semana que realmente não foi interessante para quase ninguém.

Mas aqui no TMWarning, temos um lema muito simples: "Always look at the bright side of life". Então vamos olhar a parte boa (ou pelo menos interessante) dessa rodada e olhar alguns pontos que merecem ser mencionados.


Você não pode parar Megatron


Nessa rodada parada - e sinceramente, talvez em qualquer outra - o assunto mais quente da semana foi a performance de Calvin Johnson contra o Dallas Cowboys. Aliás, esse jogo já seria o grande assunto da rodada mesmo sem Megatron, porque foi um jogo sensacional e com uma reviravolta tão absurda que não tem como não deixar sua cabeça girando: quando Dallas parou o Lions em uma 4th and 12 na linha de 30 de seu próprio território dentro do Two-Minute Warning, com o time tendo a chance de correr três vezes, gastar o relógio para menos de 30 segundos e chutar um FG (ou mesmo matar o jogo com uma conversão), a chance de vitória do Dallas era de 99%. Não, é sério, 99%! Então o Dallas correu com a bola duas vezes, foi correr uma terceira quando o Lions já não tinha mais tempos... e Tyron Smith (LT) cometeu uma holding extremamente estúpido, pois a falta parou o relógio e fez o Cowboys devolver a bola para Detroit com 40 segundos a mais do que deveria. MAtthew Stafford aproveitou cada um deles conduzindo a campanha da virada, que terminou com um QB sneak tão malandro que nem seus próprios companheiros de time sabiam que viria (ele estava chamando um spike) faltando 10 segundos. A falta de Tyron Smith se junta a falta pessoal de Levonte Davis (Bucs, primeira semana) como a mais estúpida da temporada. Olhem a chart com as probabilidades de vitória de cada time abaixo e vejam onde ela estava antes do holding de Smith.




Mas mesmo esse jogo fantástico acabou ficando em segundo plano porque Megatron simplesmente não nos deu oportunidades para admirar qualquer outra coisa. Johnson, que teve uma recepção sensacional para colocar a bola na linha de 1 jarda nessa campanha final, terminou o jogo com... wait for it... 329 jardas recebidas (!!), sete a menos do que o recorde da história da NFL (336 de Flipper Anderson em 1989). Viradas espetaculares acontecem de vez em quando, mas um WR passando de 300 jardas em uma partida?? Isso só aconteceu três vezes na história da NFL, com Anderson em 1989, Johnson em 2013 e Stephone Paige (309) em 1985. 

Quão impressionante foi essa performance? Bom...
  • Antes da partida, Megatron era o 20th da NFL em jardas recebidas, com 492, 137 atrás do líder da NFL no quesito, Torrey Smith. Depois dessa rodadada, Megatron passou para o primeiro lugar com 87 jardas a mais que o segundo colocado (AJ Green) mesmo com um jogo a menos.
  • Apenas dois jogadores passaram de 200 jardas em toda a temporada antes dessa rodada: Ashton Jeffery na semana 5 com 208, e Anquan Boldin na semana 1 com 208. O #2 da lista (Jeffery) está mais perto, em jardas recebidas, do #91 da lista do que de Megatron no topo dela.
  • Johnson também empatou o maior número de recepções em uma partida na temporada por um WR, com 14 (Justin Blackmon na semana 6). Então não é como se Megatron tivesse pego uns dois hail maries e pronto - ele consistentemente apareceu com grandes recepções mesmo marcado por um dos melhores CBs da NFL (Brandon Carr).
  • Megatron não teve apenas mais jardas do que qualquer outro WR nos últimos 23 anos, ele teve sozinho mais jardas do que o TOTAL do ataque do Dallas (329 contra 268). Na verdade, Megatron sozinho teve mais jardas do que o ataque total de DEZESSEIS times diferentes essa rodada. Juntando as últimas duas rodadas, Megatron teve sozinho mais jardas nessa partida do que TRINTA times tiveram em seus jogos (alguns times aparecem duas vezes, claro). 
  • Pra finalizar, que tal essa: nenhum jogador da NFL essa temporada conseguiu SOMAR 329 jardas em semanas consecutivas, com Justin Blackmon (326) e Alshton Jeffery (325) os que chegaram mais pertos. 
Então é fácil de ver porque todo mundo perdeu a cabeça com o que Megatron fez esse final de semana. Foi mais uma demonstração espetacular de um talento excepcional que somos todos privilegiados de assistir. Entre os WRs que eu acompanhei no auge, Calvin Johnson provavelmente só fica atrás de Randy Moss (e logo a frente de Marvin Harrison e Larry Fitzgerald) no quesito "você pode dobrar a marcação que a bola ainda vai nele e ele vai receber e conseguir mais 40 jardas" de imparabilidade (orgulhoso, Tite?). E ele tem apenas 28 anos! O céu é o limite para esse cara. Literalmente, acho que se ele pular com tudo ele alcança.

E claro, como sempre acontece, isso reacendeu o debate sobre a possibilidade de (mais) uma temporada histórica por parte do WR. Ano passado, Megatron quebrou o recorde de uma temporada para mais jardas aéreas, mas isso não recebeu atenção merecida em parte porque todo mundo estava prestando muito mais atenção em outra temporada histórica, Adrian Peterson buscando quebrar o recorde de Eric Dickerson (e ficando a 9 jardas). Essa diferença em atenção se deveu principalmente a três motivos, um legítimo e outros dois não: primeiro, porque Peterson quebrou a barreira arbitrária das 2000 jardas e Megatron não (e as pessoas adoram olhar esse números arbitrários em esportes); segundo porque ele fez isso em um time ruim; e depois porque Megatron teve algo como uma "ajuda" historicamente, já que ele joga em uma época onde o jogo aéreo é muito mais incentivado e QBs e WRs muito mais protegidos pelas regras, o que lhe da uma vantagem específica sobre alguém que jogava em 1990, por exemplo. O último é verdade, e eu acho que de fato a temporada de Peterson foi a mais impressionante, mas isso não muda o fato que a temporada 2013 de Calvin Johnson e seu incrível 122-1964-5 está no Panteão das melhores temporadas de um WR de todos os tempos.

Btw, eu acho engraçado como algumas pessoas gostam de fazer uma comparação direta com uma temporada histórica através de uma divisão arbitrária. Nos próximos dias você provavelmente vai ver isso em algum lugar:

2012 Calvin Johnson depois de 8 semanas: 7 jogos, 41 recepções, 638, 1 TD
2013 Calvin Johnson depois de 8 semanas: 7 jogos, 47 recepções, 821 jardas, 7 TDs

O que significa que Calvin Johnson estaria caminhando para bater seu próprio recorde de 2012, certo? Bom, não necessariamente. Primeiro, porque Megatron tem apenas mais 8 jogos essa temporada, já que o Lions ainda não teve seu bye essa temporada - 2012 Megatron teve mais 9 para chegar a 1964. Segundo porque isso é escolher um ponto de vista arbitrário - a parte espetacular da temporada de Johnson em 2012 não foi o começo, foi o final: nos últimos 9 jogos, Megatron teve 81 recepções e 1326 jardas, o que equivale a 9 recepções por jogo com 147 jardas por partida, números muito superiores até mesmo ao seu ótimo começo de temporada esse ano. Então falar que Megatron está no caminho para superar sua temporada passada é ignorar que o verdadeiro outlier historicamente bom foi o final do ano, e não o começo, e é essa parte que é realmente difícil de duplicar mesmo se tratando de um jogador historicamente bom como Johnson. Para chegar nos seus números de 2012, ele teria que ter média de 9.3 recepções por jogo com 142 jardas por partida. Não é impossível, e eu nunca vou apostar contra Calvin freaking Johnson, mas é um ritmo muito difícil dele manter.

Isso não é para falar que a temporada dele está sendo uma decepção. Na verdade está sendo excelente! Megatron não é mais apenas o melhor WR da NFL, ele já está se estabelecendo como um dos maiores a jogar a posição na história do jogo. Ainda é cedo demais para colocar ele entre as lendas do esporte, mas com apenas 28 anos, Johson tem um teto praticamente infinito... o que significa que ele pode acabar a carreira como o segundo melhor WR da história da NFL, porque ninguém nunca vai conseguir encostar em Jerry Rice. Ainda assim, quando você tem tudo para ser o segundo em uma lista depois do melhor jogador a pisar em um campo de futebol americano, você conseguiu algo grande. Apreciem Megatron porque ele vai ser lembrado por muitos anos.


Os maiores mandos de campo da NFL


Ontem a noite, mais uma vez, o Seattle Seahawks me impressionou. Dessa vez, negativamente. É impressionante a capacidade do time de parecer absurdamente dominante uma semana e depois totalmente medíocre na semana seguinte. Ontem o time teria perdido para o fraco Rams, com Kellen Clemens, se não fosse um FG errado (que permitiria ao Rams chutar um FG da vitória na última campanha ao invés de se ver obrigado anotar um TD) e se o técnico do Rams não fosse tão burro para chamar duas jogadas de passe em uma 2nd and goal depois de seu time ter dominado a partida pelo chão. Uma dessas jogadas de passe foi em uma 4th and goal da linha de 1 jarda, e pior, não tinha sequer um RB na jogada atrás do QB para manter a defesa honesta, praticamente telegrafou a jogada. Ou telegrafou o seguinte: "em uma 4th and 1 depois do meu jogo terrestre ter dominado a partida, eu prefiro fazer um passe, avisando a defesa que é um passe, mesmo eu tendo Kellen Clemens e mesmo enfrentando uma das melhores secundárias da NFL". Não é a toa que o mesmo coordenador ofensivo do Rams é o cara que foi coordenador ofensivo de Mark Sanchez no Jets.

No caso do Seattle, eles tem brincado de Dr. Jekyll e Mr. Hyde a temporada inteira: em casa, eles parecem extremamente dominantes, vencendo o 49ers por 26 pontos e estando 3-0 com um saldo de pontos de 61. Fora de casa, o record do time ainda é bom com 3-1, mas também inclui duas partidas deveria-ter-perdido (Rams e Texans), uma vitória extremamente feia sobre o Carolina Panthers, e a derrota para o Colts, para um saldo de pontos de 19 em cinco jogos. Basicamente, o Seattle parece um juggernault jogando em casa e um time medíocre e sortudo jogando fora de seus domínios.

Isso me fez pensar... quais os times que, nesse começo de temporada, tem mostrado uma maior variação jogando dentro ou fora de casa? Decidi pesquisar isso. Para tal, vou usar duas medidas: saldo de pontos totais dentro e fora de casa, e saldo de pontos por jogo (pois alguns times tem mais jogos em um ambiente do que no outro). Como já discutimos aqui muitas vezes, saldo de pontos é o melhor indicador de nível de performance de um time, muito melhor do que vitórias e derrotas, e por isso é o indicador que eu usarei. Também vale citar que é o tipo de coisa que, como toda boa estatística, funcionaria melhor se tivessemos uma amostra muito maior do que a atual para nos basear, já que uma amostra pequena pode estar sujeita a outliers (um jogo particularmente bom ou ruim empurrando toda a amostra em uma dada direção) ou viéses (alguns times enferentaram calendários mais fortes que outros). Ainda assim, é uma boa forma de começar a olhar essas coisas.

Antes de fazer a pesquisa, eu achava que Seattle, Jets ou Bengals seriam os principais times nesses quesitos - esses dois últimos em parte pelo jogo dessa semana que deu 40 pontos na direção do time da casa, o que geraria algum viés. E para minha (nenhuma) surpresa, eu acertei: Jets, Seattle e Bengals estão entre os quatro primeiros na diferença casa/fora. Mas antes de chegar no resultado final, vamos ver alguns dos outros resultados que apareceram pelo caminho.

Primeiro, queria ver quais seriam os times que melhor jogam em casa. Entre os melhores times jogando em casa, obviamente, deveriamos encontrar os melhores times da NFL, já que estamos olhando PD puros. E foi o caso: Denver, Seattle e New Orleans são os times com melhor PD dentro de casa, seguido do Green Bay, todos candidatos ao título. Começa a ficar interessante no número 5: Carolina Panthers, depois Dallas em 7th. Mas se a idéia era achar um efeito casa em relação a um campo "neutro", então não adianta olhar o saldo de pontos por jogo total pois isso só nos mostraria os melhores times. Então fazendo a diferença do saldo de pontos quando joga em casa com o saldo de pontos geral na temporada, chegamos a um novo resultado que me parece mais adequado. Nessa conta, Seattle é o time com o melhor "mando de campo" da NFL em 2013, com um saldo de pontos de 10.3 a mais quando joga em casa em relação a sua média no ano. Depois de Seattle vem Baltimore Ravens, Cincinatti Bengals (graças a esses 40 pontos do jogo de domingo), Packers e NY Jets. Denver e Carolina ainda aparecem nessa lista, em 9th e 10th, respectivamente, ma caíram algumas posicões.

Fazendo o raciocínio contrário, vamos olhar agora os times que foram pior jogando fora de casa usando o segundo método, o de comparar o saldo de pontos fora de casa com o saldo total na temporada. Para minha surpresa, o pior time jogando fora de casa foi o Denver Broncos, cujo saldo de pontos é mais de 10 por jogo pior jogando fora de casa em relação a sua média. Isso faz algum sentido: desde que voltou a NFL depois de passar por algumas cirurgias, a força no braço de Peyton Manning diminuiu consideravelmente. Sendo quem é, é claro que ele conseguiu se adaptar a isso e permanecer brilhante, mas o ar rarefeito de Denver oferece a ele uma vantagem específica já que requer menos força para passes longos. Ainda no Top5, estão dois times que são famosos pela dificuldade de se enfrentar quando jogam em seus domínios (Saints e Raiders) e os dois times afetados pelo jogo de 40 pontos de ontem (Jets e Bengals). Eu achava que encontraria nessa lista os dois times com QBs calouros (Buffalo e Jets), afinal é esperado pelo senso comum que calouros sintam menos pressão jogando em casa, mas não foi o caso: Jets ainda qualificaria como um time ruim jogando fora de casa mesmo sem esses 40 pontos, mas Buffalo é apenas o 13th pior time jogando fora de casa, a frente de times com grandes QBs como Dallas, New England, Atlanta, Seattle, Green Bay, Saints e Denver. 

Mas esse tipo de análise tem um problema: o saldo de pontos é contabilizado duas vezes, uma no "saldo fora/dentro de casa" e outra no saldo total. Para fazer a melhor análise, é melhor contabilizar as coisas separado: o saldo dentro, o saldo fora, e a diferença entre os dois. Então usando essa forma, o time que aparece em primeiro lugar é Cincinatti com 17.3 de diferença, embora como já tenha sido dito esse número não é o mais confiável do mundo porque acontece logo depois desse outlier de 40 pontos contra o Jets - se o time tivesse vencido por, digamos, 20 pontos, a diferença no saldo seria de 12.3, ainda alta mas colocaria o time apenas em 10th, então me parece o caso de um outlier inflando a estatística, ainda que a estatística indique mesmo assim um desvio significativo entre jogos fora e em casa para o Bengals. Os times #3 e #4 também são os outros dois que eu citei: Seattle aparece em terceiro, e em quarto o Jets. O Jets também foi influenciado por esses 40 pontos, e assim como Cincinatti, ainda apareceria no Top10 em termos de diferença casa/fora mas perderia esse grande diferencial. Mas o time que chamou minha atenção foi justamente o Denver Broncos em segundo. Eu já expliquei como existe uma motivo para Manning e o Broncos jogarem melhor em casa e na altitude, mas não esperava uma diferença tão grande: 22 de diferença jogando em casa e apenas 5 jogando fora. E não é como se o time tivesse enfrentado grandes defesas fora de casa: Giants e Cowboys são fracas, e Colts é um mediana. Considerando que o Broncos não lidera a sua divisão e pode ir para os playoffs via Wild Card, essa diferença pode acabar sendo bastante significativa chegando a pós temporada.

Tirando Seattle, que já era óbvio que iria aparecer na lista, alguns times que são candidatos aos playoffs também aparecem: Green Bay é o sétimo, Saints o oitavo. Do outro lado, também temos alguns times de playoffs que tem jogado até melhor fora do que em casa e dependem menos desse fator: Colts na verdade aparece em último com 11.7 de diferença quando joga fora de casa (vale citar que o Colts enfrentou Seattle e Denver em casa), Kansas e San Francisco aparecem em 5th e 6th na lista de baixo para cima (ambos com bons saldos tanto dentro como fora de casa), o que pode ser um bom indicador de que o time depende menos de jogar em casa. 

Por fim, no departamento de times ruins, Oakland aparece como o que mais se beneficia de jogar em casa, com um quinto lugar a +15.6, e o Cardinals em nono com 14.5 Interessante reparar que entre o no lugar (Cards) e o décimo (Panthers) tem uma diferença muito grande de 5 pontos, então é possível que essa seja nossa linha que separa os times que de fato ganham uma vantagem significativa por jogar em casa dos que não são significativos. Então nesse caso, ficamos em ordem com Cincinatti, Denver, Seattle, Jets, Raiders, Ravens, Packers, Saints e Cardinals como os nove times com uma diferença significativa jogando em casa essa temporada. Algo interessante para se ficar de olho e medir novamente quando acabar a temporada e tivermos uma amostra mais sólida.


Trade deadline


Hoje é a deadline para as trocas na NFL, e tudo que você precisa saber está em um post que fizemos algum tempo atrás sobre os candidatos. Claro, algumas coisas mudaram desde então, mas não tantas: o Panthers acordou para a vida e virou um candidato legítimo aos playoffs tirando Jordan Gross daquela lista, e Jared Allen entrou quando começou a parecer que ele não ficaria na cidade e aceitaria uma troca para um contender. Também alguns times novos surgiram como possíveis compradores, com o Lions sofrendo mais uma lesão que tirará um WR da temporada e o Colts perdendo Reggie Wayne para o ano, além de uma demarcação mais clara sobre que times podem chegar a pos temporada. Mas basicamente, o cenário é o mesmo, então fica a dica.

Infelizmente, os relatórios iniciais sobre trocas não estão sendo animadores. Os relatos parecem de times pedindo muito por seus jogadores, e outros (como o Browns com Josh Gordon) sem muito interesse em vender a não ser que chegue a proposta que eles querem. Nos últimos anos os times tem sido um tanto relutantes em trocar escolhas de draft futuras por ativos imediato de curto prazo, já que com o novo CBA controlando o salário dos calouros, uma escolha de draft basicamente significa trabalho barato pelos próximos quatro anos em um esporte onde profundidade do elenco conta bastante e onde acontecem tantas lesões (ainda mais com 22 titulares mais kicker, punter e retornadores). Esse pode ser o motivo que leva tantos times a olharem de longe, e faz alguns times gananciosos por escolhas futuras, ainda mais depois do assalto que o Browns fez conseguindo uma escolha de primeira rodada do Colts.

Embora o número de times de playoffs (ou que pretendem ser) em busca de um WR no mercado seja enorme (Patriots, 49ers, Colts, Ravens, Panthers, Lions e Chargers, para citar alguns) e a oferta também seja abundante, parece que quem tem mais chance de acabar trocado hoje é mesmo o Jared Allen, mas não está parecendo provável. Seattle supostamente seria o time com maior interesse, mas o Vikings estaria pedindo pelo menos uma escolha de segunda rodada - e isso antes de considerar que o Hawks só tem 2M de espaço salarial, nem de longe o suficiente para acomodar o salário de Allen, então o Vikings teria que assumir parte desse contrato, o que aumentaria o preço ainda mais. Então não está parecendo que o movimento da equipe será nessa direção, e acho bem possível que nada aconteça de significativo. Mas ainda é a trade deadline, ainda é algo imprevisível, e agora vocês estão preparados para o que der e vier.