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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

2016 All-Two Minute Warning NFL Team

"YEEEAAHH, FIRST TEAM ALL-TWO MINUTE WARNING, BABY!"



Os leitores mais antigos provavelmente já perceberam que o ritmo de postagens por aqui - nunca um ponto forte - caiu cada vez mais ao longo do tempo. Conforme a vida avança, fica mais difícil conciliar vida profissional (e, em menor escala, social) com escrever em um blog de graça sem nenhum retorno, e como vocês sabem os textos daqui são sempre gigantes e muito técnicos (o que significa que demoram pra cacete para serem escritos). Acho que é por isso que ultimamente tenho escrito menos colunas completas (pega um assunto e faz uma coluna inteira sobre ele) e mais recorrido a gimmicks como listas, rankings e tudo mais. É mais pobre, e nunca foi minha proposta, mas infelizmente está mais de acordo com meu tempo livre hoje em dia. E acabei achando melhor recorrer a colunas assim do que ficar sem posts nunca.

Dito isso, vamos à coluna de hoje. Para quem não viu, semana passada eu publiquei meus votos para os prêmios individuais da NFL: MVP, OPOY, DPOY, OROY, DROY, etc. Ai um dos meus leitores mais antigos, Marcelo Corghi, do Araras Steel Hawks, me deu um desafio diferente: meu All-Pro Team da temporada 2015 da NFL. Challenge accepted!

Então para aproveitar o gimmick e falar mais de NFL, decidi fazer meu All-Two Minute Warning NFL Team para a temporada 2015 da NFL. Antes de começarmos, alguns esclarecimentos:

- Sim, eu odeio seu time. Não importa qual ele for. E por isso, SÓ POR ISSO, eu deixei aquele jogador que você gosta de fora. Não pelas centenas de horas que eu passei nesses últimos meses assistindo, estudando e avaliando futebol americano.

- Ofensivamente, vamos com um QB, dois RBs, um FB, três WRs, um TE, dois Tackles e dois guards (independente de lado) e um Center. Ou seja, a formação tradicional do All-Pro com um WR extra, simplesmente porque hoje todo mundo joga com 3 WRs boa parte do tempo. Se o All-Pro defensivo pode ter 12 jogadores, eu posso ter 13 jogadores no meu ataque. Formações variam demais e é isso.

- Para defesa, inventei um critério pessoal para solucionar as questões das defesas 3-4 vs 4-3: dois defensores de interior de linha (DTs em 4-3, NT/DE em 3-4s qualificam), dois linebackers "tradicionais" (qualquer ILB, mais OLBs de formação 4-3) e três jogadores de "ponta" (podem ser OLBs 3-4, DEs 4-3 ou até DEs 3-4 se jogarem assim). Sim, é confuso e subjetivo, mas depois que Kahlil Mack foi votado All-Pro em duas posições diferentes, nada é verdade e tudo é permitido.

- Para a secundária, vamos de 3 CBs e 2 safeties (sem distinção entre FS/SS) pelo mesmo motivo que temos três WRs: defesas passam muito do seu tempo hoje jogando em formações de nickel, com 5 defensive backs. Como eu disse, formações variam muito hoje e meu All-TMW Team vai computar essas variações elegendo alguns jogadores extras. Me processe. 

- Para special teams, vamos com um kicker, um punter, um kickoff returner E um punt returner. Peço perdão ao Tyler Lockett em avanço, porque ele seria o óbvio vencedor se computássemos as duas categorias juntas e ele provavelmente é o maior prejudicado aqui. 

- Estou explicando apenas minhas seleções para o 1s Team All-TMW. Para o 2nd Team só vou colocar os nomes porque pretendo acabar a coluna antes do Super Bowl.

Ok, estamos prontos. Vamos a isto.


All-Two Minute Warning 2015 NFL Team

Quarterback: Carson Palmer, Arizona Cardinals.

Eu já passei muito - MUITO - tempo falando da questão dos melhores QBs da temporada e porque Carson Palmer é meu #1 quando dissertei sobre o prêmio de MVP na coluna da semana passada. Tudo que está lá ainda vale, então se quer entender meu processo de raciocínio, é só entrar lá e ler - ficou grande demais para copiar e colar aqui. Vale a leitura. 

2nd Team: Cam Newton, Carolina Panthers


Running Backs: Doug Martin, Tampa Bay Buccaneers; Adrian Peterson, Minnesota Vikings.

Pergunta: Quem foi o melhor RB de 2015?

A resposta popular tem sido Adrian Peterson, provavelmente porque o RB de Minnesota liderou a liga em jardas terrestres no que foi um ano bastante pobre para RBs. Mas eu discordo dessa visão. Até os estágios finais dessa coluna - quando decidi deixar 2 RBs no time ao invés de um só - Doug Martin era meu 1st Team RB,  não  Peterson.

Por que? Bem, Adrian Peterson liderou a liga pelo chão na frente de Martin, 1485 a 1402, e em jardas totais, 1707 a 1673, mas isso é facilmente explicado pela maior carga de Peterson: foram 39 corridas a mais e 36 toques na bola a mais que Martin (AP liderou a liga em ambos os quesitos). Então seu total pode ter sido maior. Mas quando você começa a olhar mais a fundo, percebe que Martin foi muito mais eficiente: AP teve 4.5 jardas por corrida, a sétima primeira melhor marca da NFL entre RBs (mínimo de 110 corridas), mas Doug Martin foi segundo na liga no quesito com excelentes 4.9 jardas por corrida. E isso apesar de ter menos ajuda da sua linha: o RB de Minny teve média de 2.2 jardas por corrida ANTES do contato com a defesa, enquanto o de Tampa Bay teve apenas 1.8 e teve que brilhar quebrando tackles e acumulando jardas após o contato: foram 3.1 jardas por corrida APÓS o contato, segunda melhor marca da liga depois de Le'Veon Bell (que teve menos de metade das corridas do Pocket Hamster), enquanto Peterson teve 2.3. Então apesar de Peterson ter mais jardas, Martin foi mais dominante como corredor essa temporada.

E isso sem contar as outras áreas do jogo, cada vez mais importantes para RBs na NFL moderna - bloquear e participar do jogo aéreo. Martin não se destacou em nenhuma das duas esse ano, mas Peterson é um ponto fraco nas duas a esse ponto da carreira, só que por ser Adrian Peterson o Vikings acaba deixando-o em quadra mais o que deveria nessas áreas. Existe um motivo para Peterson ter ficado no banco no final de Vikings vs Seattle nos playoffs, quando Minny teve que recorrer ao jogo aéreo. Você pode argumentar que os números de Peterson são mais difíceis por enfrentar defesas mais voltadas para pará-lo, mas considerando todos os aspectos, Martin foi meu melhor RB de 2015.

2nd Team: Todd Gurley, Saint Louis Rams; Devonta Freeman, Atlanta Falcons.


Fullback: Patrick DiMarco, Atlanta Falcons

Mike Tolbert ganhou esse prêmio simplesmente porque ele é o FB que mais corre na NFL, totalizando 256 jardas no ano e porque a principal função de um FB na NFL - bloquear - é muito mais difícil de se avaliar. Tolbert pode ter corrido mais que qualquer outro FB no ano, mas foi para pouco expressivas 4.1 jardas por corrida mesmo jogando com Cam Newton, enquanto continuou tendo dificuldades para bloquear - sabe, o mais importante para sua posição. Correr e receber passes são ótimos aditivos para um FB, mas se você não é capaz de bloquear direito, você é basicamente um RB pouco utilizado e com médias pouco expressivas. Tolbert obviamente é um jogador útil, mas olhando alémdas estatísticas de box score, ele não é o melhor FB de 2015.

Enquanto isso, DiMarco teve um ano incrível bloqueando para Devonta Freeman, especialmente no começo do ano. Lembra aquele momento da temporada que Freeman parecia o MVP do Fantasy de 2015, anotando TDs toda semana? Volte a fita e preste atenção no trabalho de DiMarco para que isso acontecesse, e você vai entender o motivo dele estar aqui. Avaliar FBs é muito difícil, mas entre todos DiMarco foi de longe quem mais se destacou para mim.

2nd Team: Marcel Reece, Oakland Raiders.


Wide Receivers: Antonio Brown, Pittsburgh Steelers; Julio Jones, Atlanta Falcons; DeAndre Hopkins, Houston Texans.

Eu falei muito a respeito da batalha entre esses três WRs na minha coluna dos prêmios da temporada na parte de Offensive Player of the Year. 

Eis o que eu escrevi sobre as temporadas de Antonio Brown e Julio Jones na mesma coluna:

"É absurdamente difícil decidir entre os dois porque ambas temporadas foram muito parecidas. Todos os números pós 2004 de jardas aéreas ou recebidas precisam ser levadas com toneladas de grãos de sal quando comparados historicamente, pois houve uma mudança absurda das regras contra defesas e a favor do jogo aéreo que simplesmente inflou as estatísticas além do bom senso. Mas considere o seguinte: Julio Jones e Antonio Brown terminaram ambos a temporada com 136 recepções, com Jones vencendo a disputa nas jardas aéreas, 1871 a 1841. Isso significa que ambos estão empatados com a segunda melhor marca de recepções em uma temporada da HISTÓRIA da NFL (Marvin Harrison em 2002, 143), e são segundo (Jones) e quarto (Brown) em jardas recebidas em uma temporada da história da liga. Isso é muito impressionante."

Quanto a Hopkins, eu não vou repetir aqui (é só ler na coluna linkada acima), mas eu fiz também um argumento de que, considerando os QBs que jogaram com Hopkins e sua brutal diferença de qualidade para os QBs de Falcons e Steelers (mesmo considerando os jogos perdidos por Big Ben), a temporada de Hopkins talvez tenha sido ainda superior às de seus companheiros de profissão, e seus números ajustando por essa diferença em qualidade seriam ainda melhores. É um argumento hipotético, claro, mas no fundo o ponto fica: DeAndre Hopkins é muito bom. Foram inquestionavelmente os três melhores WRs de 2015.

2nd Team: Allen Robinson, Jacksonville Jaguars; Odell Beckham Jr, New York Giants; Larry Fitzgerald, Arizona Cardinals.


Tight End: Rob Gronkowski, New England Patriots.

Pois é, esse lugar é cativo do Gronk enquanto ele estiver saudável. Mesmo com algumas lesões e um ano menos chamativo que o normal, Gronk ainda termina a temporada com 72 recepções, 1176 jardas e 11 TDs, além de ser um dos melhores bloqueadores (se não O melhor bloqueador) entre TEs da NFL. Além disso, nenhum jogador ofensivo não-QB influencia tanto o jogo taticamente e força mais ajustes defensivos do que Gronkowski, e nenhum ataque depende mais de um jogador do que o de New England depende de Gronk. Então isso tem que ser levado em consideração.

Se esse ano eu achei que Gronk teve competição forte pelo prêmio, foi mais por causa da grande atuação de outros TEs essa temporada. Tyler Eifert (13 TDs) e Greg Olsen (1104 jardas e 7 TDs) tiveram temporadas muito chamativas para grandes times, mas ainda melhor foi a temporada extremamente underrated de Delanie Walker, que postou uma linha de 94-1088-6 (#1 em recepções e #3 em jardas entre TEs) apesar de jogar com QBs muito inferiores aos demais TEs da lista, além de ser um dos melhores bloqueadores da NFL e consideravelmente superior no quesito que todos os TEs citados exceto Gronk. No final, a dominação de Gronk fizeram valer novamente o lugar, mas a fantástica temporada de Walker merecia ser celebrada e deu um adversário digno para o camisa 87.

2nd Team: Delanie Walker, Tennessee Titans.


Offensive Tackles: Joe Thomas, Cleveland Browns; Andrew Whitworth, Cincinnati Bengals.

Joe Thomas não é só o melhor LT da NFL, ele é um futuro Hall of Famer que já está entre os melhores da posição da HISTÓRIA da NFL, só que não recebe o devido crédito por passar a carreira toda jogando do lado da Factory of Sadness em Cleveland. Em mais um grande ano, Thomas é um no-brainer em qualquer All-NFL Team.

Encontrar um parceiro para Thomas foi mais difícil, mas entre vários candidatos dignos, eu acabei ficando com Andrew Whitworth: nenhum OT na NFL em 2015 cedeu MENOS pressões no QB do que Whitworth (4 sacks, 1 hit e só 15 hurries), e o grandalhão foi o melhor jogador e peça principal de uma linha ofensiva de Cincinnati que foi discretamente a melhor da temporada 2015. Se você assistiu Cincy durante essa temporada, você viu que o ataque do time foi construído inteiro em torno da sua linha ofensiva, com um QB talentoso mas que precisa ficar longe da pressão para produzir no seu melhor. E considerando que nenhum ataque foi mais dependente da sua linha ofensiva em 2015, e que Cincinnati terminou a temporada com o melhor ataque da NFL em DVOA, acho seguro dizer que Whitworth e seus colegas seguraram muito bem a barra. Ele tem meu segundo voto.

2nd Team: Terron Armstead, New Orleans Saints; Tyron Smith, Dallas Cowboys.


Offensive Guard: Marshall Yanda, Baltimore Ravens; Zack Martin, Dallas Cowboys.

Yanda é inquestionavelmente o melhor guard da NFL, alguém capaz de proteger o QB em alto nível (cedeu apenas 1 sack e 1 hit no ano todo, melhor marca da NFL) E dominar nas trincheiras para abrir espaço no jogo terrestre. Mesmo em uma posição pouco sexy (não existe posição menos reconhecida/valorizada na NFL), é o tipo de jogador que gera muito valor para um time consistentemente. Junto a ele fica Zack Martin, que novamente teve uma excelente temporada, dessa vez menos reconhecida por jogar em uma totalmente esquecível temporada de Dallas. Martin terminou o ano cedendo apenas um sack, 2 hits e 10 pressões (segunda melhor marca da liga entre jogadores com 1000+ snaps). Martin foi draftado como tackle, mas se continuar jogando no interior da linha, vai ser um eterno candidato a times All-Pro/All-TMWs. 

2nd Team: Richie Incognito, Buffalo Bills; Josh Sitton, Green Bay Packers.


Center: Ryan Kalil, Carolina Panthers.

No começo da temporada, muita gente achava que a linha ofensiva remendada seria um grande problema para o Carolina Panthers. Ela não foi. Pelo contrário, discretamente foi uma das grandes forças do time na temporada, especialmente protegendo Cam Newton e seus scrambles. E Kalil foi o pilar disso tudo, o veterano que manteve a fundação no lugar e permitiu ao resto encaixar, alguém que foi fundamental protegendo Newton e abrindo espaços para o jogo terrestre (especialmente em jogadas curtas). Talvez alguns Cs tenha sido melhores protegendo o QB ou abrindo espaços, mas nenhum fez os dois tão bem quanto Kalil.

2nd Team: Travis Frederick, Dallas Cowboys.


Defensive Line (interior): Aaron Donald, Saint Louis Rams; Geno Atkins, Cincinnati Bengals.

Eu já falei bastante sobre Aaron Donald na coluna sobre os prêmios da temporada, principalmente sobre como deveria ser impossível para um DT com tanto papel coletivo (ocupar bloqueadores, fechar espaços, etc) também ter um impacto direto tão impressionante através de pressões, tackles para perdas e sacks. Leia a coluna para ler meus pensamentos completos sobre o jogador, mas vou deixar essa parte aqui: 

"E acima de tudo esse é o maior argumento a favor de Donald como DPOY: jogadores de meio de linha defensiva não deveriam ter todo esse impacto direto além de todo o papel coletivo (ocupar bloqueadores, quebrar o pocket, etc), e ainda assim Aaron teve o quarto maior impacto direto em jogadas de passe da liga através de pressões (11 sacks, 26 hits, 44 hurries). Isso é surreal para um DT, onde você tem normalmente menos chances de ter esse impacto direto, e um dos grandes motivos pelos quais a defesa do Rams foi tão boa na temporada."

Sobre Atkins, o DT é o principal motivo pelo qual a defesa do Bengals voltou a ser uma força depois de um ano em baixa (no qual Atkins esteve machucado). A linha defensiva sempre foi o pilar do time, com bons nomers e jogadores talentosos como Carlos Dunlap e Michael Johnson, mas toda a linha - e portanto a defesa inteira - era montada em torno do colapso que Atkins causava na linha adversária e abria espaços por onde os seus atléticos companheiros poderiam atingir o backfield e fazer jogadas. Donald é melhor atravessando a linha, atrapalhando jogadas e causando impacto direto no jogo, mas nenhum DT na NFL hoje consegue causar colapso em uma linha ofensiva melhor do que Atkins. Dunlap, Johnson e o resto da DL de Cincy deveriam dar metade do seu salário para Geno. 

2nd Team: Kawann Short, Carolina Panthers; Linval Joseph, Minnesota Vikings.

Defensive Line (ponta): JJ Watt, Houston Texans; Kahlil Mack, Oakland Raiders; Von Miller; Denver Broncos.

JJ Watt é o melhor defensor da liga e meu voto para Defensive Player of the Year, então não preciso gastar muitas palavras explicando essa. Ele liderou a liga em sacks, jogadas de pressão, tackles for loss enfrentando mais marcações duplas e triplas do que qualquer jogador, causando mais impactos táticos e forçando mais ajustes do que qualquer defensor. Ele é o melhor jogador de defesa que a NFL ve desde Lawrence Taylor. O prêmio de Defensive Player of the Year deveria ser renomeado "Prêmio JJ Watt".

Kahlil Mack teve uma ótima temporada de calouro em 2014, principalmente por seu papel dominando o jogo terrestre, mas em 2015 elevou mais um nível no seu jogo assumindo um papel mais ativo atacando o quarterback, e Mack simplesmente destruiu tudo no seu caminho em seu novo papel: foram 16 sacks (apenas Watt teve mais) e 82 jogadas de pressão (apenas Watt e Michael Bennett tiveram mais). Durante uma surreal sequência de três jogos, Mack teve NOVE sacks (inclusive um jogo com 5 só no primeiro tempo) para ajudar o Raiders a vencer dois deles por totais 6 pontos. E embora isso diga mais sobre o quão tosco é o processo de votação dos All-Pros, vale citar que Mack foi o primeiro jogador da história a ser eleito para o All-Pro Team em DUAS posições diferentes (DE e OLB). Watt e Mack foram dois no-brainers para essa posição.

O terceiro lugar foi mais difícil, com vários bons candidatos mas ninguém se destacando acima dos demais. Acabei indo com Von Miller, que certamente tem as credenciais para isso: 11 sacks, 82 jogadas de pressão (empatado com Mack no terceiro lugar da temporada) e consistente impacto no jogo terrestre não são nada para se torcer o nariz, ainda mais considerando toda a atenção e dobras que ele atrai. Ele foi o segundo melhor OLB de 2015 tirando Mack. Mas o motivo foi um pouco diferente e talvez até injusto: Miller foi de longe o melhor jogador e pilar de uma defesa que acabou sendo a melhor da temporada em 2015, e embora obviamente ele tenha tido muitos bons companheiros, você vai reparar que apenas um outro Bronco acabou aparecendo nessa lista. Miller e (SPOILER OMITIDO) são as únicas grandes estrelas dessa defesa, e sua performance fantástica foi um dos motivos pelos quais ela foi tão boa. Então eu vou com Miller sobre a concorrência - ele tem uma leve vantagem em impacto individual E em impacto coletivo.

2nd Team: Michael Bennett, Seattle Seahawks; Olivier Vernon, Miami Dolphins; Cameron Jordan, New Orleans Saints.


Linebackers: Luke Kuechly, Carolina Panthers; Anthony Barr, Minnesota Vikings.

Então ficamos com um 4-3 OLB e um ILB para nossos linebackers.

Kuechly pode ter perdido três jogos com concussões, mas apesar disso, o jogador do Panthers foi de longe o melhor ILB da NFL em 2015. Acho que a melhor forma de descrever o camisa 59 é "força da natureza" - sua antecipação e instintos são surreais, e isso junto da sua capacidade atlética colocam Kuechly em todos os lugares do campo ao mesmo tempo. Meu exemplo favorito: lembra daquela insana recepção do Julio Jones contra o Panthers? Ta vendo aquele cara branquelo que acabou de correr 50 jardas downfield para acompanhar um dos melhores e mais rápidos WRs da NFL? É Kuechly. Tirando Patrick Willis, eu acho que nunca assisti outro MLB capaz de fazer fazer essa cobertura. Claro, foi touchdown, mas isso diz muito mais sobre a jogada linda de Jones do que uma falha de Kuechly - jogadores tão grandes e fortes como o LB não deveriam ser fisicamente capazes de acompanhar JJ em uma rota dessas.

E é assim que a vida funciona para Kuechly. Ele está em todos os lugares, faz todos os tipos de jogadas e não tem nenhuma falha no seu jogo. O camisa 59 cedeu um rating de 57.8 em passes lançados na sua direção, um número absolutamente RIDÍCULO para um linebacker, foi mais eficiente dando tackles do que qualquer jogador e foi o segundo em Stop% no jogo terrestre. Ridículo. Se Patrick Willis pegou a tocha de Ray Lewis de "MLB histórico dominando a NFL", essa tocha me parece muito segura com Luke Kuechly.

Barr é um caso engraçado, alguém que chegou na NFL como um OLB pass rusher do College e nas mãos de Mike Zimmer acabou se tornando um dos mais devastadores all-around LBs da NFL. Não sei se existe hoje na NFL um linebacker tão completo quanto Barr. Embora o segundanista não se alinhe como um OLB 4-3 tradicional em boa parte do tempo, participando ativamente de pacotes e formações híbridas como pass rusher ou jogando mais próximo da linha defensiva, Barr tem um impacto em todas as áreas do jogo de forma que não é comum para um OLB 4-3: ele é devastador em jogadas de rush (4 sacks, 5 hits e 18 hurries, segundo melhor entre 4-3 OLBs apesar de ir para blitz menos que seus concorrentes mais próximos), excelente saindo para cobertura (cedeu apenas um TD no ano apesar de ser um dos OLBs que mais defendem no jogo aéreo) e ainda consegue impor sua presença em jogadas terrestres. Sua versatilidade constitui a espinha dorsal de uma das melhores jovens defesas da NFL. Você não encontrará um jogador em toda a NFL que teve mais impacto em 2015 no jogo terrestre, na cobertura E no pass rush do que Anthony Barr.

2nd Team: KJ Wright, Seattle Seahawks; Derrick Johnson, Kansas City Chiefs.


Cornerbacks: Tyrann Mathieu, Arizona Cardinals; Josh Norman, Carolina Panthers; Patrick Peterson, Arizona Cardinals.

Aparentemente, a maior parte das pessoas veem Tyrann Mathieu como um safety apesar do fato dele ter se alinhado muito mais de cornerback esse ano. A verdade é que o Honey Badger joga uma posição híbrida CB/Safety que tem se tornado cada vez mais popular na NFL (Charles Woodson, quando foi DPOY e campeão pelo Packers, fazia uma função semelhante), mas ainda é mais próximo de um CB do que de um safety. Então é como eu voto.

E apesar de Mathieu ter perdido os dois últimos jogos da temporada com um ligamento rompido (infelizmente pela segunda vez), seu impacto foi tão grande que não tem como deixá-lo de fora do 1st Team. Na cobertura, Mathieu já faria por merecer esse 1st Team All-TMW: além de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, o camisa 32 é um dos defensores de secundária mais físicos da liga, alguém que mistura força, atleticismo, instintos e técnica para criar uma máquina de destruição em massa. Ele consegue marcar qualquer WR, de Julian Edelman a Demaryus Thomas, e os números sustentam os vídeos: 60% de passes completos e 77.6 Rating lançando na direção de Mathieu, e esses números ainda são inflados pelos snaps que Mathieu alinha mais atrás, como safety (que tendem a ser maiores). Avaliando CBs na cobertura, é comum nos maravilharmos com aqueles que não aparecem, que passam o jogo todo anulando um jogador e mal aparecem no vídeo porque ninguém lança na direção deles. Mathieu é o oposto, alguém que está o tempo todo em todos os lugares fazendo jogadas e tendo impacto em um número enorme de snaps, frequentemente cobrindo seus companheiros nessa função híbrida.

Mas assim como Barr, o maior valor de Mathieu não vem de uma coisa que ele faça muito bem, e sim do fato dele fazer TUDO em altíssimo nível. Além de suas habilidades na cobertura, Mathieu também é um dos melhores cornerbacks fazendo blitz (foi para a blitz em 39 snaps e saiu com 11 pressões, ambas as melhores marcas entre CBs), E ainda dobra como o melhor CB contra o jogo terrestre por uma enorme margem, conseguindo "Stops" em 6% das jogadas de corrida dos adversários - o segundo melhor CB da liga tem em 4.6%. A capacidade de ler e reagir às jogadas e sua velocidade indo do ponto A ao ponto B fez dele o CB de maior impacto da NFL em 2015 quando consideramos todas as áreas do jogo.

O parceiro do Honey Badger no All-TMW Team é também seu parceiro na vida real. Patrick Peterson se recuperou brilhantemente de um fraco 2014 para ter o melhor ano de sua carreira: QBs completaram apenas 47.7% de seus passes na direção de Peterson (terceira melhor marca da NFL), cedendo apenas dois TDs (e adicionando duas interceptações e seis passes desviados) e segurando QBs a um Rating de 61.8, sexta melhor marca da NFL. É claro, isso em si só não significa nada, mas da para ter uma noção do trabalho de Peterson esse ano. E ele fez isso apesar de constantemente marcar o melhor WR adversário também. Se Mathieu é uma estrela por causa de seu enorme impacto all-around, Peterson é um CB mais ortodoxo, que foca em tirar um WR do jogo. É um impacto diferente, mas não menos significante.

Por fim, o último lugar fica com aquele que foi de longe o CB mais comentado e chamativo de 2015: Josh Norman. Eis a lista de WRs que Norman marcou em 2015: Allen Robinson, DeAndre Hopkins, Brandin Cooks (x2), Mike Evans, Doug Baldwin, Jordan Matthews, TY Hilton, Randall Cobb, Justin Hunter, DeSean Jackson, Dez Bryant, Julio Jones (x2), Odell Beckham Jr.

E eis os números para QBs lançando passes na direção de Josh Norman: 51%, 9.3 jardas por passe completo (4th melhor da NFL), 2 TDs, 4 INTs, 457 jardas, e um rating de 54.0 que foi o melhor da liga entre CBs qualificados. O ano todo, foi o papel de Norman travar no melhor WR adversário, marcá-lo o jogo todo, e tirá-lo do jogo... e foi o que ele fez, mais e melhor do que qualquer outro cornerback dessa temporada. E eu não preciso te dizer o impacto que é para um ataque ter seu melhor recebedor simplesmente tirado do jogo dessa maneira. Foi uma temporada realmente fantástica para o CB do Panthers, que inclusive entrou no meu ballot para DPOY em quarto lugar.

2nd Team: Chris Harris Jr, Denver Broncos; Johnathan Joseph, Houston Texans; Richard Sherman, Seattle Seahawks.


Safeties: Harrison Smith, Minnesota Vikings; Earl Thomas, Seattle Seahawks.

Não sei se existe hoje na NFL um jogador mais consistentemente underrated do que Harrison Smith. Nos últimos dois anos, o único safety que talvez tenha sido melhor do que Smith na NFL foi Earl Thomas, que é um futuro Hall of Famer. Em 2015, Smith foi de longe o melhor safety da liga mesmo perdendo dois jogos machucado. E ainda assim, em 4 anos de NFL, Harrison Smith nunca foi a um Pro Bowl ou integrou um All-Pro Team. Por que? Eu não saberia te dizer. Só saiba que Smith é um monstro que preenche mais funções em um campo de futebol americano que qualquer outro DB (tirando talvez Mathieu) e se move com mais velocidade pelo campo fazendo jogadas que qualquer outro defensive back tirando Thomas. E ele foi mais uma vez brilhante em 2015, totalizando 11 pressões (inclusive dois sacks e quatro hits), fornecendo apoio consistente no jogo terrestre e segurando QBs a um rating impossível de 43.3 em bolas lançadas na sua área - a melhor marca da NFL inteira (não entre safeties, NFL inteira) entre jogadores que viram tantos passes quanto Smith. O camisa 22 não entrar nem no SEGUNDO time All-Pro foi um dos maiores absurdos da história recente da NFL. Um dia a NFL vai dar a Harrison Smith o valor que ele merece. Pena que não será em 2015.

Quanto a Thomas, não tem muito o que dizer. É talvez o melhor jogador no que tem sido uma das melhores defesas da história da NFL nos últimos anos. E ao contrário de Richard Sherman, que recebe mais atenção, cujo esquema do time permite isolar para maximizar suas forças, Thomas é a base em cima da qual pende todo o esquema defensivo de Seattle. Assista aos All-22 de Seattle e você logo vai ver que, apesar do esquema ser bastante simples superficialmente, a chave é que o time aproxima muito seus defensores da linha e deixa Earl Thomas as vezes quase sozinho cobrindo o fundão, uma tarefa que só é possível porque ele é uma aberração da natureza que consegue cobrir mais espaço em um campo de futebol americano do que qualquer outro jogador. E é por Thomas ser capaz de cumprir essa função que permite ao resto da defesa se focar no que eles fazem de melhor e tirar o máximo do seu estilo de jogo. Eu até acho que ETIII (Sim, ele chama Earl Thomas III) teve um ano abaixo dos seus padrões, mas mesmo um ano abaixo da média para ele é ser o segundo melhor safety da temporada.

2nd Team: Eric Berry, Kansas City Chiefs; Charles Woodson, Oakland Raiders.


Kicker: Justin Tucker, Baltimore Ravens

Quando pensamos em kickers, a primeira coisa que pensamos é em acertar FGs. E, claro, é uma parte crucial do trabalho. Analisando por esse critério, o melhor kicker de 2015 provavelmente foi Stephen Gostkowski, com uma leve margem sobre Justin Tucker. Os dois kickers empataram no segundo lugar em FGs acertados com 33 (Blair Walsh teve 34), mas o kicker do Patriots o fez com melhor aproveitamento: 33-36, contra 33-40 do kicker do Ravens.

Mas continue fuçando, e você vai perceber o motivo: FGs não são todos iguais. Um FG de 25 jardas e um FG de 55 jardas são totalmente diferentes, e logicamente você esperaria que o aproveitamento de um kicker dependeria muito do tipo de chutes que ele tenta.

Você provavelmente já entendeu aonde quero chegar. Tucker jogou para um ataque morfético, que tinha dificuldade de mover a bola e por isso forçou-o a muito mais chutes longos: 10 de seus 40 FGs foram de 50+ jardas, o dobro de Gostkowski e a maior quantidade de tentativas dessa distância da NFL. Então não é que Tucker não tenha sido tão bom quanto Gostkowski, e sim que ele foi obrigado a tentar chutes bem mais difíceis por causa da ineptidão do seu ataque. Na verdade, nos chutes mais "rotineiros" (menos de 50 jardas), Tucker foi até melhor: 29 de 30 para o kicker do Ravens, contra 29 de 31 para o do Patriots. Gostkowski merece créditos pela sua ótima precisão de 50+ e liderou todos os kickers em pontos adicionados com FGs, mas Tucker não fica muito atrás (3rd) e seu aproveitamento inferior é causado pelos chutes mais difíceis que teve de tentar. E, vale citar, nenhum dos dois errou um extra p

Mas kickers tem uma segunda tarefa além de chutar FGs, uma que frequentemente é ignorada: kickoffs. E é nessa que Turner brilha: liderou a liga em distância (72 jardas) e foi segundo em toda a liga em percentual de touchbacks com ridículos 86.5%. A distância entre Turner e o terceiro colocado, Jason Myers, foi maior (13,9 pontos percentuais) do que a diferença entre Myers e o décimo sexto do quesito, Josh Lambo (13.8 pontos percentuais). Ele também adicionou mais valor em kickoffs do que qualquer outro jogador.

Juntando os dois quesitos - kickoff e FG - tanto Gostkowski como Turner foram ótimos em ambos, mas na soma dos fatores dou uma leve vantagem para Turner por um simples motivo: a diferença a favor de Turner em kickoffs para mim é maior do que a diferença a favor de Gostkowski em FGs. Por muito pouco, mas é.

2nd Team: Stephen Gostkowski, New England Patriots


Punter: Pat McAfee, Indianapolis Colts

O engraçado é que McAfee não é só o melhor punter fazendo punts da NFL, embora ele também o seja: 47.7 de distância média (#2 da NFL), 5.28 de hang time (#8), 43.3% apenas retornados (#9) e #1 em valor adicionado. Mas você sabia que McAfee também cuida de chutar kickoffs para o Colts... e que ele é o quarto MELHOR de toda a NFL no quesito (atrás de Tucker, Gostkowski e Graham Gano) e liderou a liga em porcentagem de touchbacks? Junte a isso que ele é o melhor punter/kickoffer (existe isso?) da liga na cobertura e dando tackles, e nenhum jogador de special teams da NFL tem remotamente tanto impacto no time quanto McAfee. Ele é o melhor special teamer da liga inteira.

2nd Team: Johnny Hekker, Saint Louis (RIP!) Rams.


Kickoff returner: Cordarrelle Patterson, Minnesota Vikings

Eu até hoje não perdoei a NFL por mudar o ponto do kickoff e praticamente matar os retornos de kickoff, minha jogada favorita do futebol americano. Fuck you, Goodell.

Do que eu estava falando? Ah sim... Cordarrelle Patterson. Ele liderou a liga em jardas por retorno de kickoff (31.9), segundo em jardas totais (1020), e foi o único jogador da NFL a levar dois kickoffs para a casa. Então ele teve o maior impacto médio E touchdowns, que seria o impacto máximo. Bom suficiente para mim.

2nd Team: Ameer Abdullah, Detroit Lions.


Punt returner: Darren Sproles, Philadelphia Eagles

Eu realmente queria pedir desculpas ao Tyler Lockett aqui. Se fosse simplesmente uma posição chamada "Kicks returner", ele seria o óbvio número 1, tendo sido fantástico retornando tanto punts como kickoffs. Mas quebrando, temos jogadores que se destacaram mais nos componentes específicos. Fica a menção honrosa a Lockett aqui então (bem como um 2nd Team All-TMW).

De volta a Sproles, sua temporada fantástica retornando acabou ofuscada por um ruim e disfuncional time do Eagles, mas os números falam por si só: 37 retornos (#3 na NFL), 436 jardas (#1 na NFL), 11.8 jardas por retorno (#3 na NFL) e 2 touchdowns (único da NFL com mais de um). Temporada incrível. E talvez seja só eu, mas sempre achei Sproles um dos jogadores mais aleatoriamente excitantes de se assistir, pelo tamanho, velocidade, explosão e o fator de comédia não-intencional de um baixinho de um metro e meio correndo no meio de mamutes de 150kg. Então bônus para ele.

2nd Team: Tyler Lockett, Seattle Seahawks.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Prêmios de meio de temporada


"Eu ganhei O QUE?!"


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Aproveitando que chegamos na "metade" da temporada (ou tão metade quanto uma temporada com número ímpar de rodadas pode ter, considerando que todos os times já jogaram pelo menos 8 de seus 16 jogos), achei que era uma boa hora para fazer uma pausa e ver em que pontos estamos da temporada, e quais são os times que se destacam ou não até aqui. Por isso fizemos dois posts quilométricos comentando sobre todos os times da AFC e outro com todos os times da NFC. Então para terminar essa sequência de meio de temporada, vamos ver até aqui quais jogadores receberiam meu voto hipotético para os principais prêmios da temporada: MVP, Offensive Player of the Year, Defensive Player of the Year, Offensive Rookie of the Year, Defensive Rookie of the Year e Comeback Player of the Year. Deixarei Coach of the Year de fora só porque é o prêmio mais subjetivo e inútil do mundo.

Depois disso, vamos aos palpites da rodada na forma condensada das últimas semanas, coluna que vai sair um pouco mais tarde ou amanhã cedo, excepcionalmente. Mas primeiro os prêmios!



Most Valuable Player - Peyton Manning

Para mim essa disputa é menos apertada do que parece a primeira vista, com um bom número de jogadores merecendo entrar na conversa para vencer esse prêmio. Andrew Luck, em particular, é um jogador que tem feito milagres com muito menos talento ao seu redor do que Manning. Mas no final do dia, é difícil não dar esse prêmio ao QB do Broncos quando consideramos que ele está tendo uma das melhores temporadas da sua carreira: 71.2%, 2919 jardas, 29 TDs contra apenas 6 interceptações, 8.8 jardas por passe e um QBR de 84.17. Jardas, TDs, jardas por passe e QBR, todas essas são as melhores marcas na NFL, e seu aproveitamento é o segundo atrás apenas de Phillip Rivers (72.2%). Ele é o melhor QB de 2013, e é o melhor jogador naquele que é talvez o melhor time da NFL e um dos melhores ataques da história da liga depois de 8 jogos (desde 1970, nenhum time anotou mais pontos nos primeiros 8 jogos do que o Broncos desse ano). E ele é um dos melhores QBs da história da NFL que está tendo, aos 37 anos, uma das melhores temporadas da sua carreira: lembrando que as regras tem mudado em anos recentes para favorecer o QB, mas Manning está com a melhor marca da carreira em aproveitamento (71.2%) e taxa de interceptações (1.8%), e a segunda melhor marca em jardas por passe (8.8) e TD% (8.7%). Então esse prêmio é dele para perder.

Mas esse prêmio não está garantido ainda, por melhor que Manning esteja jogando. Ainda tem muitos jogadores por ai que estão na disputa, e podem dar trabalho principalmente porque são jogadores que estão fazendo muito com um time e companheiros muito inferiores. Andrew Luck, o QB do único time a derrotar o Broncos até aqui, é o melhor jogador de um time muito inferior ao Broncos que ainda se encontra 6-2; Phillip Rivers, 2nd da NFL em QBR, ainda tem duas chances para derrotar Manning e está fazendo milagres com um time uma defesa que tem sido muito fraca (embora com algum azar em fumbles) e perdendo seus dois melhores WRs no começo da temporada; e Jamaal Charles, de quem vamos falar mais daqui a pouco mas é o melhor jogador ofensivo do único time invicto da NFL (e que pode tirar o título de divisão do Broncos) - três jogadores que tem sido cruciais em bons times fazendo isso com muito menos do que o camisa 18 tem em Denver (o melhor conjunto de recebedores da NFL). Nenhum deles consegue estar na frente de Peyton Manning nesse momento, mas todos estão perto o suficiente para assumir o comando com um deslize do QB do Broncos. E considerando que Manning tem parecido mais mortal nos últimos três jogos - 5 interceptações, menos de 8 jardas por passe - e a dificuldade que jogadores com as características finesse de Manning enfrentam em climas cada vez mais frios, um pouco de deslize nessa reta final do calendário (quando ele fica bem mais difícil, btw) pode ser suficiente para colocar outro jogador na frente por essa corrida. Mas por enquanto, Manning ainda reina supremo.

Menções honrosas: Andrew Luck seria meu candidato 1B nesse momento, está fazendo milagres com um time muito inferior e é sem dúvida o jogador mais valioso (do ponto de vista de valor total, presente e futuro) na NFL; Philip Rivers seria um forte candidato se sua defesa não estivesse tão mal; Jamaal Charles... wait for it...


Offensive Player of the Year - Jamaal Charles

Eu não gosto desse prêmio por causa da sua óbvia redundância com o prêmio de MVP. O MVP é um QB 90% das vezes, e se ele foi o melhor QB, então ele foi o melhor jogador ofensivo porque ele tem uma importância maior do que qualquer outro jogador em campo. Simples assim. Desde 2004 (quando começaram a mudar as regras em favor do jogo aéreo), 7 dos 9 vencedores do prêmio de MVP também levaram para casa o OPOY (Drew Brees em 2008 e Chris Johnson em 2009 as exceções), e sempre me pareceu um pouco idiota isso de dar dois prêmios para o mesmo jogador que premiam exatamente a mesma coisa. Então eu tenho minhas próprias soluções: ou acabamos de vez com o OPOY (e ficamos com um Offensive e um Defensive MVP), ou então mudamos as regras do OPOY. Minha sugestão é simples: você não pode votar para OPOY em um jogador da mesma posição que você votou para MVP. Assim esse prêmio passa a ser relevante, deixa de ser o "Poor man MVP"que ninguém liga, e ainda é uma forma de valorizar os não-QBs que tiveram uma temporada espetacular. Todos vencem. Me dêem um motivo para essa mudança de regra não acontecer.

Portanto, se eu votei em Manning para MVP, eu preciso escolher um não QB para o prêmio... Jamaal Charles. A primeira vista, as credenciais de Charles como RB são boas mas não espetaculares: 725 jardas e 6 TDs, 4.3 jardas por corrida. Mas adicionando seu papel como recebedor, fica um pouco melhor: 389 jardas recebidas, 8.3 jardas por recepção e 2 TDs, totalizando 1114 jardas de scrimage (melhor marca da NFL) e 8 TDs. Então os números de Charles são na verdade muito bons, mas não é isso que faz dele o melhor e mais importante jogador ofensivo da NFL, é seu papel no ataque do Chiefs. Ele é a alma e o ponto focal de todo o ataque da equipe, um time que confia na sua defesa e protege seu QB de lançamentos difíceis, e para isso ele precisa que Charles faça absolutamente de tudo: corra com a bola para encurtar descidas e controlar o relógio, funcionar como a principal válvula de escape no jogo aéreo, e basicamente carregue o time nas costas. O Chiefs se baseia na sua excelente defesa para vencer jogos e não no seu ataque, mas quando o ataque precisa aparecer, é sempre nas costas de Charles, enfrentando defesas que SABEM que ele tem esse papel... e ele continua carregando o único time invicto da NFL nas costas.

Se não acredita, vejam isso: o Chiefs na temporada tem 2856 jardas totais de ataque... e Charles é responsável por 39% delas, de longe o maior número da NFL nessa temporada. 39% do ataque! Como não achar que Charles é o melhor jogador ofensivo da temporada? Ele carrega um fardo maior do que talvez qualquer outro jogador, enfrentando defesas que sabem disso, e ainda lidera a NFL em jardas totais e carregou o ataque do Chiefs vezes suficientes para o time ainda estar invicto. Sob minha regra de não-QBs, Charles é o OPOY dessa primeira metade da temporada.

Mençoes honrosas: Calvin Johnson, que ainda é o melhor WR da NFL e teve um dos mais espetaculares jogos de um WR dos últimos anos; Jimmy Graham mesmo machucado ainda é um monstro; Adrian Peterson, que é #2 da NFL em jardas mesmo já tendo sua bye week e enfrentando 8 jogadores na linha para pará-lo todo jogo; e LeSean McCoy, #2 da NFL em jardas totais e peça central de um ataque que já teve três QBs titulares.


Defensive Player of the Year - JJ Watt

O grande problema de Watt é, na verdade, que ano passado ele teve uma das melhores temporadas de um defensor na história da NFL, e que portanto qualquer coisa menor do que isso iria qualificar sua temporada como "abaixo do esperado". E é o que está acontecendo: JJ Watt tem mais "disruptions" (ou seja, jogadas de passe que ele atrapalhou com pressão, atingindo o QB ou sacks) do que qualquer outro jogador na NFL mesmo com "apenas" 5.5 sacks, então a narrativa de que ele não está mais pressionando o QB simplesmente não é verdade. Ele também é a mais dominante força contra o jogo terrestre hoje na NFL, com mais hits e mais tackles for loss (13) do que qualquer outro jogador na liga. Então considerando que nenhum jogador afetou tantas jogadas de passe (pelo menos entre pass rushers) e nenhum outro foi tão dominante contra o jogo terrestre, eu sinceramente não sei o que falta para você ser o melhor defensor da NFL (btw, ele já desviou 4 passes na linha de scrimage também). JJ Watt não está sendo Lawrence Taylor 2.0 esse ano como foi ano passado, mas ele ainda está sendo o melhor jogador defensivo da liga. E isso é bom o suficiente para mim.

Eu acho que Watt não vai vencer porque as pessoas não olham tanto para esses detalhes, vão olhar seus sacks e passes desviados abaixo da marca de 2012 e concluir que ele está tendo um ano ruim. Mas ele tem meu voto por enquanto.

Menções honrosas: Robert Mathis lidera a NFL em sacks com 11.5 e tem sido uma força destrutiva em uma defesa sem outros grandes nomes; Justin Houston tem 11 sacks e seu companheiro de time Tamba Hali tem 9 e 4 fumbles forçados (isso é quase injusto); Sean Lee tem sido espetacular em uma defesa sem grandes talentos de Dallas depois que seu melhor companheiro machucou; Robert Quinn é um monstro que está em segundo em tackles for loss, empatado em primeiro em fumbles forçados e ainda tem 10 sacks, mas ninguém presta atenção por jogar em um time ruim; Richard Sherman e Patrick Peterson tem sido os dois melhores jogadores de secundária da temporada junto com um outro CB de Tampa; e mais uns 10 que merecem estar aqui mas que vou omitir para não ficar longo demais. Acho que esses são os principais.


Offensive Rookie of the Year - Eddie Lacy

Normalmente, em qualquer prêmio ofensivo na NFL que mistura as posições, o QB tem uma grande vantagem em ser OROY. Desde 2004 (o mesmo período que usamos antes), 6 dos 9 Offensive Rookies of the Year foram QBs, e os que não foram (Percy Harvin, Adrian Peterson e Cadillac Williams) tiveram temporadas realmente espetaculares (900 jardas ofensivas e 8 TDs para Harvin, Peterson liderou a NFL com 96 jardas por jogo, e Williams teve mais de 1200 jardas em apenas 14 jogos). Mas esse ano, a questão é que nenhum QB realmente está se destacando para levar o prêmio para casa: Geno Smith tem um QBR de 30.8, 5 INTs a mais que TDs e comanda o segundo pior ataque aéreo da NFL; EJ Manuel tinha um QBR de 42 antes de se machucar e perder parte da temporada; e Mike Glennon, que apesar das 5.7 jardas por passe tem sido estranhamente razoável para o Bucs, não tem a menor chance considerando que seu time parece um poço radioativo. Quando Harvin, Peterson e Williams venceram, na verdade, a falta de um bom QB também foi um tema recorrente: Williams venceu com Alex Smith, Kyle Orton e Jason Campbell como seus concorrentes (e Aaron Rodgers no banco de Brett Favre); Peterson disputou com JaMarcus Russell, Brady Quinn e John Beck; e Percy Harvin por pouco venceu Matt Stafford (que perdeu 6 jogos machucado), Josh Freeman (jogou apenas a segunda metade e teve 8 INTs a mais que TDs) e Mark Sanchez (liderou a NFL em turnovers). Então o terreno parece pronto para um não-QB vencer esse prêmio dessa vez, mesmo que sem uma temporada muito dominante. 

Considerando isso, tem vários jogadores que merecem ganhar esse prêmio, e considerando o quão apertada está essa disputa, tem rodadas demais para alguém disparar com esse prêmio. Por enquanto, eu fico com Eddie Lacy: mesmo perdendo um jogo por lesão, Lacy é o oitavo jogador com mais jardas terrestres na NFL e oitavo em jardas por corrida, e 26th em jardas totais (primeiro entre calouros). Depois de um começo ruim e desde que voltou de lesão, ele tem mais jardas terrestres do que qualquer outro RB da NFL, e ao contrário de outros candidatos ao prêmio, está jogando desde o começo da temporada. Ainda que seja uma corrida em aberto, Lacy parece ter a dianteira.

Menções honrosas: Zac Stacy tem sido brilhante desde que assumiu a vaga de titular no Rams, apesar de estar jogando de titular a pouco tempo; Keenan Allen está a caminho de passar das 1000 jardas recebidas como o principal (e único bom) alvo de Philip Rivers em San Diego; Giovani Bernard e Andre Ellington teriam chances se tivessem sido mais utilizados ao longo do ano; e Geno Smith, porque sempre tem um QB na conversa, especialmente se o Jets for aos playoffs.


Defensive Rookie of The Year - Kiko Alonso

Um mês atrás, parecia que já poderiamos entregar o prêmio antecipadamente para o MLB do Buffalo Bills. Alonso liderava a NFL com facilidade em interceptações com 4, era um dos líderes da NFL em tackles e parecia fazer pelo menos uma jogada espetacular por jogo que chamava a atenção de todo mundo. Alonso simplesmente se destacava mais do que a concorrência e esse prêmio parecia garantido.

Desde então, Alonso esfriou e viu a concorrência encostar. Não que Alonso tenha sido ruim, mas não tem sido de longe aquele jogador incrível e as dúvidas começaram a aparecer sobre se aquilo não teria sido apenas uma aberração. Provavelmente foi um outlier e Alonso regrediu um pouco desde então, mas ele ainda tem jogado muito bem: ele é terceiro entre calouros em tackles solos, quinto em sacks e primeiro em interceptações (primeiro em interceptações entre toda a NFL também, não apenas calouros), sem falar que é o terceiro em toda a liga em tackles totais (89). Ainda que alguns jogadores tenham sido um pouco superiores nas últimas semanas, o conjunto da obra de Alonso ainda o coloca como o calouro defensivo de maior impacto na temporada, sendo o segundo melhor jogador de uma defesa que é rankeada como a 7th melhor em DVOA. 

Mas agora a competição apertou e Alonso perdeu sua folga. Tyrann Mathieu é o tipo de jogador que prende demais a atenção, tem uma história bacana e tem jogado bem o suficiente para ganhar alguns votos (embora suas habilidades como playmaker estejam mascarando suas dificuldades na cobertura), e outros dois safetis (Kenny Vaccaro e Eric Reid) tem sido ainda melhores que Mathieu embora chamem muito menos a atenção. Star Lotulelei e Sheldon Richardson também são dois excelentes jogadores em duas das melhores defesas da NFL que merecem destaque e certamente estão concorrendo ao prêmio. Naturalmente que, com uma corrida tão apertada e com tanto tempo sobrando, o que provavelmente vai definir o vencedor desse prêmio vai ser quem for melhor nessa reta final. Mas por enquanto, o começo de ano de Alonso foi dominante o suficiente para manter sua vantegem sobre os demais. Por ora...

Menções honrosas: Tyrann Mathieu tem vantagem pois joga com talvez os melhores companheiros de equipe entre todos esses (além de uma história de superação muito boa); Eric Reid e Kenny Vaccaro tem recebido menos destaque mas são jogadores ainda melhores que Mathieu; Sheldon Richardson e Star Lotulelei recebem menos atenção por suas posições (DT) mas tem sido absolutamemte dominantes contra o jogo terrestre até aqui.


Comeback Player of the Year - Sean Lee

Eu particularmente não gosto muito desse prêmio porque ele não tem nenhum critério ou diretriz clara: não sei se é para eleger, entre os jogadores que tiveram algum tipo de problema, o melhor deles em 2013 ou se é para ser dado aquele que atingiu o pior momento e conseguiu voltar. Não sei se é para considerar o "comeback" em relação a uma situação difícil, a um certo tempo parado, ou a um ou mais anos jogando em baixo nível. O prêmio não explica nada, e cabe a cada um criar seu critério.

Para mim, Sean Lee é quem satisfaz mais desses critérios. Depois de estourar o joelho na sexta rodada de 2012, Lee voltou esse ano e tem sido uma das forças mais dominantes da NFL: ele é provavelmente o MLB mais completo da liga, com 4 interceptações e liderando a NFL em tackles, sendo a força que solidifica o miolo da defesa do Dallas tanto contra passe como contra corridas - se a temporada acabasse hoje, ele teria meu voto para All-Pro entre os MLB. Então ele passa em praticamente todos os critérios com louvor: ele está jogando em altíssimo nível e passou por uma lesão extremamente difícil, perdeu boa parte da temporada passada, e voltou a jogar. Ele é um vencedor digno desse prêmio através de um determinado critério.

Usando outros, é possível chegar em outros resultados. Minha segunda opção para esse prêmio era Philip Rivers, que não perdeu nenhum jogo ou sofreu nenhuma lesão, mas que caiu de ser um dos melhores QBs da NFL para um jogador abaixo da média nos dois últimos anos e parecia acabado, só para esse ano voltar a ser um jogador de elite e um dos cinco melhores QBs de 2013 mesmo com um time destruído por lesões. É outro tipo de comeback - um jogador que caiu muito de nível e de repente voltou melhor do que nunca - mas igualmente válido. Tem outros possíveis candidatos, e depende da opção usada, mas por enquanto fico com Lee.

Menções honrosas: Philip Rivers pelos motivos já citados; Terrell Suggs, que rompeu o tendão de Aquiles em 2011, jogou 2012 no sacrifício muito abaixo do que pode, e voltou a ser um grande jogador agora; Alex Smith, que de reserva agora lidera o time invicto da NFL; Jason Peters, outro que rompeu o tendão e voltou a jogar em alto nível; e Terrell Thomas, que perdeu DUAS temporadas por conta de lesões no joelho e de alguma forma conseguiu voltar e jogar em alto nível pelo Giants essa temporada e poderia facilmente ganhar pelo critério "Teve que superar mais coisas para voltar".


MAIS TARDE HOJE OU AMANHÃ CEDO OS PALPITES DA RODADA!