Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Prêmios de meio de temporada


"Eu ganhei O QUE?!"


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Aproveitando que chegamos na "metade" da temporada (ou tão metade quanto uma temporada com número ímpar de rodadas pode ter, considerando que todos os times já jogaram pelo menos 8 de seus 16 jogos), achei que era uma boa hora para fazer uma pausa e ver em que pontos estamos da temporada, e quais são os times que se destacam ou não até aqui. Por isso fizemos dois posts quilométricos comentando sobre todos os times da AFC e outro com todos os times da NFC. Então para terminar essa sequência de meio de temporada, vamos ver até aqui quais jogadores receberiam meu voto hipotético para os principais prêmios da temporada: MVP, Offensive Player of the Year, Defensive Player of the Year, Offensive Rookie of the Year, Defensive Rookie of the Year e Comeback Player of the Year. Deixarei Coach of the Year de fora só porque é o prêmio mais subjetivo e inútil do mundo.

Depois disso, vamos aos palpites da rodada na forma condensada das últimas semanas, coluna que vai sair um pouco mais tarde ou amanhã cedo, excepcionalmente. Mas primeiro os prêmios!



Most Valuable Player - Peyton Manning

Para mim essa disputa é menos apertada do que parece a primeira vista, com um bom número de jogadores merecendo entrar na conversa para vencer esse prêmio. Andrew Luck, em particular, é um jogador que tem feito milagres com muito menos talento ao seu redor do que Manning. Mas no final do dia, é difícil não dar esse prêmio ao QB do Broncos quando consideramos que ele está tendo uma das melhores temporadas da sua carreira: 71.2%, 2919 jardas, 29 TDs contra apenas 6 interceptações, 8.8 jardas por passe e um QBR de 84.17. Jardas, TDs, jardas por passe e QBR, todas essas são as melhores marcas na NFL, e seu aproveitamento é o segundo atrás apenas de Phillip Rivers (72.2%). Ele é o melhor QB de 2013, e é o melhor jogador naquele que é talvez o melhor time da NFL e um dos melhores ataques da história da liga depois de 8 jogos (desde 1970, nenhum time anotou mais pontos nos primeiros 8 jogos do que o Broncos desse ano). E ele é um dos melhores QBs da história da NFL que está tendo, aos 37 anos, uma das melhores temporadas da sua carreira: lembrando que as regras tem mudado em anos recentes para favorecer o QB, mas Manning está com a melhor marca da carreira em aproveitamento (71.2%) e taxa de interceptações (1.8%), e a segunda melhor marca em jardas por passe (8.8) e TD% (8.7%). Então esse prêmio é dele para perder.

Mas esse prêmio não está garantido ainda, por melhor que Manning esteja jogando. Ainda tem muitos jogadores por ai que estão na disputa, e podem dar trabalho principalmente porque são jogadores que estão fazendo muito com um time e companheiros muito inferiores. Andrew Luck, o QB do único time a derrotar o Broncos até aqui, é o melhor jogador de um time muito inferior ao Broncos que ainda se encontra 6-2; Phillip Rivers, 2nd da NFL em QBR, ainda tem duas chances para derrotar Manning e está fazendo milagres com um time uma defesa que tem sido muito fraca (embora com algum azar em fumbles) e perdendo seus dois melhores WRs no começo da temporada; e Jamaal Charles, de quem vamos falar mais daqui a pouco mas é o melhor jogador ofensivo do único time invicto da NFL (e que pode tirar o título de divisão do Broncos) - três jogadores que tem sido cruciais em bons times fazendo isso com muito menos do que o camisa 18 tem em Denver (o melhor conjunto de recebedores da NFL). Nenhum deles consegue estar na frente de Peyton Manning nesse momento, mas todos estão perto o suficiente para assumir o comando com um deslize do QB do Broncos. E considerando que Manning tem parecido mais mortal nos últimos três jogos - 5 interceptações, menos de 8 jardas por passe - e a dificuldade que jogadores com as características finesse de Manning enfrentam em climas cada vez mais frios, um pouco de deslize nessa reta final do calendário (quando ele fica bem mais difícil, btw) pode ser suficiente para colocar outro jogador na frente por essa corrida. Mas por enquanto, Manning ainda reina supremo.

Menções honrosas: Andrew Luck seria meu candidato 1B nesse momento, está fazendo milagres com um time muito inferior e é sem dúvida o jogador mais valioso (do ponto de vista de valor total, presente e futuro) na NFL; Philip Rivers seria um forte candidato se sua defesa não estivesse tão mal; Jamaal Charles... wait for it...


Offensive Player of the Year - Jamaal Charles

Eu não gosto desse prêmio por causa da sua óbvia redundância com o prêmio de MVP. O MVP é um QB 90% das vezes, e se ele foi o melhor QB, então ele foi o melhor jogador ofensivo porque ele tem uma importância maior do que qualquer outro jogador em campo. Simples assim. Desde 2004 (quando começaram a mudar as regras em favor do jogo aéreo), 7 dos 9 vencedores do prêmio de MVP também levaram para casa o OPOY (Drew Brees em 2008 e Chris Johnson em 2009 as exceções), e sempre me pareceu um pouco idiota isso de dar dois prêmios para o mesmo jogador que premiam exatamente a mesma coisa. Então eu tenho minhas próprias soluções: ou acabamos de vez com o OPOY (e ficamos com um Offensive e um Defensive MVP), ou então mudamos as regras do OPOY. Minha sugestão é simples: você não pode votar para OPOY em um jogador da mesma posição que você votou para MVP. Assim esse prêmio passa a ser relevante, deixa de ser o "Poor man MVP"que ninguém liga, e ainda é uma forma de valorizar os não-QBs que tiveram uma temporada espetacular. Todos vencem. Me dêem um motivo para essa mudança de regra não acontecer.

Portanto, se eu votei em Manning para MVP, eu preciso escolher um não QB para o prêmio... Jamaal Charles. A primeira vista, as credenciais de Charles como RB são boas mas não espetaculares: 725 jardas e 6 TDs, 4.3 jardas por corrida. Mas adicionando seu papel como recebedor, fica um pouco melhor: 389 jardas recebidas, 8.3 jardas por recepção e 2 TDs, totalizando 1114 jardas de scrimage (melhor marca da NFL) e 8 TDs. Então os números de Charles são na verdade muito bons, mas não é isso que faz dele o melhor e mais importante jogador ofensivo da NFL, é seu papel no ataque do Chiefs. Ele é a alma e o ponto focal de todo o ataque da equipe, um time que confia na sua defesa e protege seu QB de lançamentos difíceis, e para isso ele precisa que Charles faça absolutamente de tudo: corra com a bola para encurtar descidas e controlar o relógio, funcionar como a principal válvula de escape no jogo aéreo, e basicamente carregue o time nas costas. O Chiefs se baseia na sua excelente defesa para vencer jogos e não no seu ataque, mas quando o ataque precisa aparecer, é sempre nas costas de Charles, enfrentando defesas que SABEM que ele tem esse papel... e ele continua carregando o único time invicto da NFL nas costas.

Se não acredita, vejam isso: o Chiefs na temporada tem 2856 jardas totais de ataque... e Charles é responsável por 39% delas, de longe o maior número da NFL nessa temporada. 39% do ataque! Como não achar que Charles é o melhor jogador ofensivo da temporada? Ele carrega um fardo maior do que talvez qualquer outro jogador, enfrentando defesas que sabem disso, e ainda lidera a NFL em jardas totais e carregou o ataque do Chiefs vezes suficientes para o time ainda estar invicto. Sob minha regra de não-QBs, Charles é o OPOY dessa primeira metade da temporada.

Mençoes honrosas: Calvin Johnson, que ainda é o melhor WR da NFL e teve um dos mais espetaculares jogos de um WR dos últimos anos; Jimmy Graham mesmo machucado ainda é um monstro; Adrian Peterson, que é #2 da NFL em jardas mesmo já tendo sua bye week e enfrentando 8 jogadores na linha para pará-lo todo jogo; e LeSean McCoy, #2 da NFL em jardas totais e peça central de um ataque que já teve três QBs titulares.


Defensive Player of the Year - JJ Watt

O grande problema de Watt é, na verdade, que ano passado ele teve uma das melhores temporadas de um defensor na história da NFL, e que portanto qualquer coisa menor do que isso iria qualificar sua temporada como "abaixo do esperado". E é o que está acontecendo: JJ Watt tem mais "disruptions" (ou seja, jogadas de passe que ele atrapalhou com pressão, atingindo o QB ou sacks) do que qualquer outro jogador na NFL mesmo com "apenas" 5.5 sacks, então a narrativa de que ele não está mais pressionando o QB simplesmente não é verdade. Ele também é a mais dominante força contra o jogo terrestre hoje na NFL, com mais hits e mais tackles for loss (13) do que qualquer outro jogador na liga. Então considerando que nenhum jogador afetou tantas jogadas de passe (pelo menos entre pass rushers) e nenhum outro foi tão dominante contra o jogo terrestre, eu sinceramente não sei o que falta para você ser o melhor defensor da NFL (btw, ele já desviou 4 passes na linha de scrimage também). JJ Watt não está sendo Lawrence Taylor 2.0 esse ano como foi ano passado, mas ele ainda está sendo o melhor jogador defensivo da liga. E isso é bom o suficiente para mim.

Eu acho que Watt não vai vencer porque as pessoas não olham tanto para esses detalhes, vão olhar seus sacks e passes desviados abaixo da marca de 2012 e concluir que ele está tendo um ano ruim. Mas ele tem meu voto por enquanto.

Menções honrosas: Robert Mathis lidera a NFL em sacks com 11.5 e tem sido uma força destrutiva em uma defesa sem outros grandes nomes; Justin Houston tem 11 sacks e seu companheiro de time Tamba Hali tem 9 e 4 fumbles forçados (isso é quase injusto); Sean Lee tem sido espetacular em uma defesa sem grandes talentos de Dallas depois que seu melhor companheiro machucou; Robert Quinn é um monstro que está em segundo em tackles for loss, empatado em primeiro em fumbles forçados e ainda tem 10 sacks, mas ninguém presta atenção por jogar em um time ruim; Richard Sherman e Patrick Peterson tem sido os dois melhores jogadores de secundária da temporada junto com um outro CB de Tampa; e mais uns 10 que merecem estar aqui mas que vou omitir para não ficar longo demais. Acho que esses são os principais.


Offensive Rookie of the Year - Eddie Lacy

Normalmente, em qualquer prêmio ofensivo na NFL que mistura as posições, o QB tem uma grande vantagem em ser OROY. Desde 2004 (o mesmo período que usamos antes), 6 dos 9 Offensive Rookies of the Year foram QBs, e os que não foram (Percy Harvin, Adrian Peterson e Cadillac Williams) tiveram temporadas realmente espetaculares (900 jardas ofensivas e 8 TDs para Harvin, Peterson liderou a NFL com 96 jardas por jogo, e Williams teve mais de 1200 jardas em apenas 14 jogos). Mas esse ano, a questão é que nenhum QB realmente está se destacando para levar o prêmio para casa: Geno Smith tem um QBR de 30.8, 5 INTs a mais que TDs e comanda o segundo pior ataque aéreo da NFL; EJ Manuel tinha um QBR de 42 antes de se machucar e perder parte da temporada; e Mike Glennon, que apesar das 5.7 jardas por passe tem sido estranhamente razoável para o Bucs, não tem a menor chance considerando que seu time parece um poço radioativo. Quando Harvin, Peterson e Williams venceram, na verdade, a falta de um bom QB também foi um tema recorrente: Williams venceu com Alex Smith, Kyle Orton e Jason Campbell como seus concorrentes (e Aaron Rodgers no banco de Brett Favre); Peterson disputou com JaMarcus Russell, Brady Quinn e John Beck; e Percy Harvin por pouco venceu Matt Stafford (que perdeu 6 jogos machucado), Josh Freeman (jogou apenas a segunda metade e teve 8 INTs a mais que TDs) e Mark Sanchez (liderou a NFL em turnovers). Então o terreno parece pronto para um não-QB vencer esse prêmio dessa vez, mesmo que sem uma temporada muito dominante. 

Considerando isso, tem vários jogadores que merecem ganhar esse prêmio, e considerando o quão apertada está essa disputa, tem rodadas demais para alguém disparar com esse prêmio. Por enquanto, eu fico com Eddie Lacy: mesmo perdendo um jogo por lesão, Lacy é o oitavo jogador com mais jardas terrestres na NFL e oitavo em jardas por corrida, e 26th em jardas totais (primeiro entre calouros). Depois de um começo ruim e desde que voltou de lesão, ele tem mais jardas terrestres do que qualquer outro RB da NFL, e ao contrário de outros candidatos ao prêmio, está jogando desde o começo da temporada. Ainda que seja uma corrida em aberto, Lacy parece ter a dianteira.

Menções honrosas: Zac Stacy tem sido brilhante desde que assumiu a vaga de titular no Rams, apesar de estar jogando de titular a pouco tempo; Keenan Allen está a caminho de passar das 1000 jardas recebidas como o principal (e único bom) alvo de Philip Rivers em San Diego; Giovani Bernard e Andre Ellington teriam chances se tivessem sido mais utilizados ao longo do ano; e Geno Smith, porque sempre tem um QB na conversa, especialmente se o Jets for aos playoffs.


Defensive Rookie of The Year - Kiko Alonso

Um mês atrás, parecia que já poderiamos entregar o prêmio antecipadamente para o MLB do Buffalo Bills. Alonso liderava a NFL com facilidade em interceptações com 4, era um dos líderes da NFL em tackles e parecia fazer pelo menos uma jogada espetacular por jogo que chamava a atenção de todo mundo. Alonso simplesmente se destacava mais do que a concorrência e esse prêmio parecia garantido.

Desde então, Alonso esfriou e viu a concorrência encostar. Não que Alonso tenha sido ruim, mas não tem sido de longe aquele jogador incrível e as dúvidas começaram a aparecer sobre se aquilo não teria sido apenas uma aberração. Provavelmente foi um outlier e Alonso regrediu um pouco desde então, mas ele ainda tem jogado muito bem: ele é terceiro entre calouros em tackles solos, quinto em sacks e primeiro em interceptações (primeiro em interceptações entre toda a NFL também, não apenas calouros), sem falar que é o terceiro em toda a liga em tackles totais (89). Ainda que alguns jogadores tenham sido um pouco superiores nas últimas semanas, o conjunto da obra de Alonso ainda o coloca como o calouro defensivo de maior impacto na temporada, sendo o segundo melhor jogador de uma defesa que é rankeada como a 7th melhor em DVOA. 

Mas agora a competição apertou e Alonso perdeu sua folga. Tyrann Mathieu é o tipo de jogador que prende demais a atenção, tem uma história bacana e tem jogado bem o suficiente para ganhar alguns votos (embora suas habilidades como playmaker estejam mascarando suas dificuldades na cobertura), e outros dois safetis (Kenny Vaccaro e Eric Reid) tem sido ainda melhores que Mathieu embora chamem muito menos a atenção. Star Lotulelei e Sheldon Richardson também são dois excelentes jogadores em duas das melhores defesas da NFL que merecem destaque e certamente estão concorrendo ao prêmio. Naturalmente que, com uma corrida tão apertada e com tanto tempo sobrando, o que provavelmente vai definir o vencedor desse prêmio vai ser quem for melhor nessa reta final. Mas por enquanto, o começo de ano de Alonso foi dominante o suficiente para manter sua vantegem sobre os demais. Por ora...

Menções honrosas: Tyrann Mathieu tem vantagem pois joga com talvez os melhores companheiros de equipe entre todos esses (além de uma história de superação muito boa); Eric Reid e Kenny Vaccaro tem recebido menos destaque mas são jogadores ainda melhores que Mathieu; Sheldon Richardson e Star Lotulelei recebem menos atenção por suas posições (DT) mas tem sido absolutamemte dominantes contra o jogo terrestre até aqui.


Comeback Player of the Year - Sean Lee

Eu particularmente não gosto muito desse prêmio porque ele não tem nenhum critério ou diretriz clara: não sei se é para eleger, entre os jogadores que tiveram algum tipo de problema, o melhor deles em 2013 ou se é para ser dado aquele que atingiu o pior momento e conseguiu voltar. Não sei se é para considerar o "comeback" em relação a uma situação difícil, a um certo tempo parado, ou a um ou mais anos jogando em baixo nível. O prêmio não explica nada, e cabe a cada um criar seu critério.

Para mim, Sean Lee é quem satisfaz mais desses critérios. Depois de estourar o joelho na sexta rodada de 2012, Lee voltou esse ano e tem sido uma das forças mais dominantes da NFL: ele é provavelmente o MLB mais completo da liga, com 4 interceptações e liderando a NFL em tackles, sendo a força que solidifica o miolo da defesa do Dallas tanto contra passe como contra corridas - se a temporada acabasse hoje, ele teria meu voto para All-Pro entre os MLB. Então ele passa em praticamente todos os critérios com louvor: ele está jogando em altíssimo nível e passou por uma lesão extremamente difícil, perdeu boa parte da temporada passada, e voltou a jogar. Ele é um vencedor digno desse prêmio através de um determinado critério.

Usando outros, é possível chegar em outros resultados. Minha segunda opção para esse prêmio era Philip Rivers, que não perdeu nenhum jogo ou sofreu nenhuma lesão, mas que caiu de ser um dos melhores QBs da NFL para um jogador abaixo da média nos dois últimos anos e parecia acabado, só para esse ano voltar a ser um jogador de elite e um dos cinco melhores QBs de 2013 mesmo com um time destruído por lesões. É outro tipo de comeback - um jogador que caiu muito de nível e de repente voltou melhor do que nunca - mas igualmente válido. Tem outros possíveis candidatos, e depende da opção usada, mas por enquanto fico com Lee.

Menções honrosas: Philip Rivers pelos motivos já citados; Terrell Suggs, que rompeu o tendão de Aquiles em 2011, jogou 2012 no sacrifício muito abaixo do que pode, e voltou a ser um grande jogador agora; Alex Smith, que de reserva agora lidera o time invicto da NFL; Jason Peters, outro que rompeu o tendão e voltou a jogar em alto nível; e Terrell Thomas, que perdeu DUAS temporadas por conta de lesões no joelho e de alguma forma conseguiu voltar e jogar em alto nível pelo Giants essa temporada e poderia facilmente ganhar pelo critério "Teve que superar mais coisas para voltar".


MAIS TARDE HOJE OU AMANHÃ CEDO OS PALPITES DA RODADA!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Aonde cada time se encontra na metade da temporada (Parte II)

Rodgers vai ter tempo de sobra para concentrar no mustache agora



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Ao final da nona semana da NFL, chegamos em um ponto interessante: o momento que mais se aproxima, na NFL, da metade da temporada. Claro que, como a temporada tem 17 semanas, não existe realmente um ponto que seja a "metade", mas eu gosto da semana 9 porque é o primeiro momento na temporada onde cada um dos 32 times jogou pelo menos 8 vezes. Alguns poucos jogaram 9, mas não é o importante - o importante é que todos os times já chegaram pelo menos na metade das suas temporadas regulares, e então já começamos a ter uma visão mais clara do que cada time representa no cenário da NFL. Ent ão ao invés de fazer nossa habitual passagem pela rodada destacando os pontos mais interessantes, vamos fazer um giro pelos 32 times da NFL e vamos separar aquilo que nós sabemos sobre eles, a essa altura, e quais as questões que eles enfrentam indo para frente. Alguns, como vocês vão ver, já tem um papel claro na temporada... outros, nem tanto. Só para deixar claro que os times estão ordenados de acordo com as divisões, e não por qualquer critério.

Ontem, começamos com os 16 times da AFC. Hoje então é dia de falar dos times da NFC.


Dallas Cowboys

Quem teria imaginado, antes da temporada, que a NFC East ia ser a divisão mais fraca da NFL? Nenhum líder de divisão tem um record pior do que os 5-4 do Cowboys, e a única outra divisão com todos os times (tirando o líder) abaixo de 50% é a AFC North. Giants e Redskins tem se recuperado nas últimas semanas e o Eagles vem de uma boa partida contra o Raiders, então pode perder essa honra duvidosa nas próximas semanas, mas... por enquanto ainda é a pior divisão.

Sobre o Cowboys, eu preciso admitir, eu realmente gosto muito desse time. Algumas derrotas traumáticas, uma boa dose de azar e as eternas narrativas pré-determinadas que sempre parecem circular em torno desse time escondem o que na verdade é um bom time de futebol americano por trás: a Pythagorean Expectations do time é de 6-3, eles jogaram pau-a-pau com o melhor ataque da NFL antes de perder nos segundos finais para o Denver Broncos mesmo anotando 48 pontos, e eles estão a uma ou duas jogadas (em particular aquele holding do Tyron Smith contra o Detroit) de estar 6-3 ou 7-2 e serem os claros favoritos para vencer a divisão. A defesa está um pouco complicada com as lesões de Demarcus Ware e Anthony Spencer, mas o ataque está muito bem e Tony Romo está jogando talvez o melhor futebol americano da sua carreira. É um time muito sólido que tem tudo para chegar aos playoffs... até porque é possível que o campeão dessa divisão não precise ganhar mais que 8 jogos. Então tem isso.

Outra coisa a favor do Cowboys são os critérios de desempate. Atualmente, Dallas está um jogo na frente do segundo colocado da divisão Eagles (5-4 contra 4-5) mas Dallas tem uma enorme vantagem nos critérios de desempate: a equipe venceu os seus três jogos contra os adversários diretos dentro da divisão, o que pode ser importante caso haja um empate no final da temporada. O primeiro critério de desempate é o confronto direto e depois é o record dentro da divisão, e como Cowboys tem vitórias sobre os três outros times, está com uma boa vantagem em ambos os critérios - todos os outros times da divisão tem pelo menos duas derrotas dentro da NFC East enquanto Dallas está 3-0. Então em uma divisão apertada que pode chegar no final do ano com todo mundo 8-8, é uma vantagem considerável para os sonhos de playoffs do Cowboys.


Philadelphia Eagles

Por mais que muita gente adore atribuir os jogos ruins do Eagles - em particular os dois jogos consecutivos sem um TD de ataque antes da explosão contra o Raiders - ao ataque de Chip Kelly "não funcionar nos profissionais" ou alguma variação dessa besteira, o motivo pelo qual o time do Eagles as vezes fica estagnado no ataque é muito mais simples: o time não possui um grande QB. Michael Vick não tem as características ideais para jogar nesse esquema, mas vinha jogando bem e antes de sua lesão o Eagles tinha o segundo melhor ataque (em DVOA) da NFL. Depois de dois jogos muito ruins Nick Foles explodiu para 7 TDs contra a fraca defesa do Raiders, mas ele também não é o QB que o time precisa. O fato é que essa pessoa não está no elenco hoje, e portanto não tem como tirar o máximo desse ataque extremamente bem esquematizado hoje. Esse é o fator limitante para o Eagles nessa temporada e certamente o primeiro tópico que Kelly vai tentar resolver para o ano que vem.

Para 2013, aonde a temporada vai depende do quanto Foles (ou quem quer que seja o QB titular, que por enquanto é do Foles mesmo) vai conseguir render nesse esquema indo para frente. É possível que sua performance histórica contra o Raiders seja fruto de um bom jovem QB entendendo melhor o complicado sistema ofensivo do time contra uma defesa ruim, ou pode ser só um outlier contra uma defesa ruim também. Mas considerando o quão ruim é a defesa do Eagles, se o time quiser chegar nos playoffs, vai precisar da produção do ataque em altíssimo nível, e isso depende de Foles reproduzir ou não alguma coisa semelhante ao seu jogo contra Oakland. E se ele não conseguir, pode ter certeza que um QB vai sair para o Eagles no próximo draft.


New York Giants

Com duas vitórias seguidas, o Giants parece estar evoluindo e aos poucos deixando para trás aquele patamar horrível das primeiras partidas. Parte disso é resultado normal de alguns fatores além do seu controle regredindo para a média, parte disso é porque a linha ofensiva do time melhorou um pouco e tem dado mais tempo para Eli Manning lançar... e francamente, porque o time enfrentou dois adversários muito fracos e aproveitou a chance. Faz parte. 

Ainda é cedo para descartar o Giants, especialmente em uma divisão que eu acabei de dizer que pode ser vencida com um 8-8 ou 9-7 de record. Ano passado, o Redskins estava 3-6 antes de vencer sete seguidas, então ainda tem muito tempo para algo semelhante acontecer. Ainda assim, é improvável: a tabela do Giants ainda envolve jogos contra Lions, Chargers e Seahawks (e Packers, mas provavelmente sem Aaron Rodgers), sem falar nos confrontos dentro da divisão. Além disso, o time não tem sido bom o suficiente o ano inteiro: é o terceiro pior da NFL em DVOA, e o ataque terrestre ainda não existe. A chance está aberta, mas me parece muito pequena.

Talvez ainda mais preocupante para o Giants seja a enorme queda de produção de alguns jogadores que antes eram considerados os pilares para o futuro da equipe. Especificamente, Jason Pierre-Paul - que deveria tomar a liga de assalto como o próximo grande DE - não parece ter se recuperado das suas lesões nas costas, e em campo é apenas uma sobra do que era. A expectativa era que ele melhorasse ao longo do ano, mas não aconteceu, e agora essa é uma questão que o time precisa adereçar para o futuro. Hakeem Nicks, outro jogador que parecia ser uma solução a longo prazo, caiu enormemente de produção e não deve ficar para 2014. Então para um time que parecia ter uma base estabelecida para o futuro, isso ainda é mais preocupante do que o fracasso em 2013.


Washington Redskins

Outro time ruim de futebol americano, mas que tem evoluido nas últimas semanas e ainda sonha com uma vaga nos playoffs por jogar na NFC East!

O maior problema do Redskins no momento passa por aquele que antes era o grande salvador de Washington, o QB Robert Griffin. O fato é que Griffin não tem sido o mesmo depois de romper os ligamentos do joelho nos playoffs: seu aproveitamento nos passes caiu brutalmente (65.3% para 60.2%), as jardas por passe caíram para 7.2 (de 8.2, melhor marca da NFL em 2012) e seu TD/INT Ratio, antes de 4:1, agora está em 1:1, com 9 TDs e 9 INTs. Para ficar ainda pior, Griffin não se recuperou como corredor, ainda sem nenhum TD correstre mas liderando a liga entre QBs com 9 fumbles sofridos. Seu QBR de 42.2 o coloca em 26th entre 39 QBs qualificados. Isso é bem ruim.

Claro, é muito possível que tudo isso seja apenas um jogador que dependia muito do seu físico voltando de uma lesão grave, mas tem mais por trás. Em uma tentativa de poupar o corpo do seu QB, o Redskins decidiu que ia modificar o playbook do ano anterior - baseado muito mais em read options, bootlegs e jogadas que em geral tiravam RG3 do pocket e desmontavam defesas (mas o deixavam vulnerável a tackles), semelhante ao que ele usava na NCAA - para um mais convencional, com mais passes seguros do pocket. E RG3 não está se adaptando tão bem assim a esse novo estilo de jogo, cometendo muitos erros e com alguma dificuldade de ler as jogadas. É muita ingenuidade achar que RG3 só era bom por causa desse playbook e que não vai conseguir se adaptar nunca a esse novo estilo, talento ele tem de sobra, mas não é uma adaptação fácil mesmo para os melhores QBs, ainda mais um que não está fisicamente 100% ainda. 

Mas não é como se RG3 estivesse sozinho afundando o time - o jogo terrestre voltou a funcionar e o ataque está mais ou menos na média da NFL. A defesa, por outro lado, é a unidade mais frágil: Brian Orakpo nunca explodiu no pass rusher que se esperava e, apesar de Ryan Kerrigan continuar sendo um excelente jogador, o resto da defesa parece que regrediu depois de jogar acima do seu normal um ano atrás. Não é possível vencer na NFL com um ataque mediano e uma peneira de defesa, e a não ser que o time retome o ataque arrasador de 2012 - capaz de compensar a fraca defesa - não há muito a esperar desse time para 2013. E vale lembrar, o time não tem 1st round pick ano que vem.


Green Bay Packers

Perder seu QB titular já é ruim o suficiente. Perder seu QB titular quando ele é um dos cinco melhores da NFL é ainda pior. E tudo isso quando seu melhor jogador defensivo (Clay Matthews) está fora por tempo indeterminado com uma lesão no dedão (mais seu segundo melhor WR)... bom, é de acabar com qualquer time.

Antes da lesão de Aaron Rodgers, o Packers era um time estranhamente subestimado ao redor da NFL. Em parte porque algumas de suas vitórias não estavam sendo tão convincentes, mas não tinha nenhum motivo de fato para não acreditar que esse era um time de elite que poderia brigar com os Saints ou Seahawks da vida: eles possuiam um QB de extrema elite em Rodgers, um corpo de recebedores diversificado e completo (ainda que Randall Cobb esteja fora por mais algum tempo) e uma arma que o time não possuía até esse ano, um jogo terrestre muito competente baseado no excelente calouro Eddie Lacy. Mesmo depois de um jogo sem Aaron Rodgers, Green Bay ainda é o segundo melhor ataque da NFL depois do Broncos. Mesmo que a defesa tenha surpreendentemente sido uma das piores da temporada até aqui, a volta de Clay Matthews e um ataque tão explosivo deveria ser suficiente para fazer de Green Bay um forte candidatos ao título dessa temporada.

A lesão de Rodgers muda tudo. Os primeiros exames indicam que o Franchise QB de Green Bay ficará de fora pelo menos três semanas, e em uma divisão onde três times estão empatados no topo com 5-3 (Chicago e Detroit), essas três semanas podem fazer toda a diferença. A sorte do Packers é que são três jogos relativamente fáceis - Eagles, at Giants, Vikings - que o time pode ter esperanças de vencer mesmo sem Rodgers, mas esse é só o começo do problema. Não há nenhuma garantia que Rodgers volta depois de três semanas, pode ser que sim e pode ser que perca o resto da temporada. Então é importante garantir pelo menos duas vitórias nesses jogos sem seu melhor jogador, três derrotas podem tirar o time da briga pelo título de divisão, mas o que vai realmente determinar o futuro de Green Bay na temporada vai ser quando seu QB será capaz de voltar. Sem Rodgers, o time não tem chances nos playoffs.


Chicago Bears

Hey, é outro time que perdeu seu QB por algum tempo e está tendo que se virar com seu reserva! 

Ao contrário de Green Bay, Chicago não depende tanto de seu All-Pro/MVP QB por possuir um time mais completo: a defesa é acima da média (ainda que não a força que foi ano passado), seu jogo terrestre é mais consistente, e a linha ofensiva é melhor simplesmente não sendo um queijo suiço. Por isso que, apesar de Josh McCown ser um downgrade em relação a Jay Cutler, o Bears tem uma boa chance de sobreviver melhor sem seu QB - especialmente se McCown continuar jogando bem como foi o caso dos dois últimos jogos. O que preocupa é a defesa. Apesar da grande sorte no começo da temporada recuperando tantos fumbles, a sorte igualou e a defesa parou de forçar tantos turnovers. O resultado foram 45 pontos do Redskins e 20 do ataque do Packers com Seneca Wallace. A defesa de Chicago ainda é boa forçando turnovers, mas os dois safeties (Chris Conte e Major Wright) regredirem em relação ao ano passado e não é a mesma unidade compacta que não cedia uma jarda de espaço para seus adversários. Mas se Cutler voltar e o ataque continuar jogando nesse alto nível, esse vai ser um time perigoso chegando em Janeiro.

O Bears é um dos três times empatados na liderança da divisão Norte da NFC nesse momento, então ainda tem muita coisa em aberto. Cutler ainda é dúvida para o futuro, alguns dizem que ele já pode voltar domingo e outros que não, então a verdade é que ninguém sabe ao certo. O calendário de Chicago não é particularmente difícil, mas ainda inclui confrontos diretos com Lions (de quem perderam e que ficam em desvantagem no critério de desempate com outra derrota) e Green Bay (em casa, na última rodada). Considerando que Rodgers e Cutler não percam mais tempo do que o esperado, esses dois jogos (mais Green Bay-Detroit) devem definir os times que irão aos playoffs.


Detroit Lions

Bom, antes de mais nada, o Lions tem Megatron. Isso já ajuda demais. Além disso, Matt Stafford está não só saudável como tendo a melhor temporada da sua carreira, completando 62.3% dos seus passes para 7.7 jardas por passe, com melhores marcas da carreira em TD% e Int%. Talvez mais importante, Stafford finalmente está conseguindo se manter produtivo sob pressão: antes da temporada começar, uma das preocupações com Staff era sua mecânica de arremesso, que muitas vezes ao longo da temporada 2012 tinha mudado para um lançamento lateral muito feio e pouco eficiente, e a questão era se isso era por causa da lesão no seu ombro ou só uma mania ruim. Mas até aqui, o QB do Lions tem mantido sua mecânica sob controle e usado esse lançamento lateral para sua vantagem, usando sua maior velocidade para escapar da pressão ou fazer passes mais velozes. A precisão não é ideal, mas tem funcionado bem para evitar a pressão, ganhar tempo e desviar de sacks.. e com Megatron, as vezes não é preciso um arremesso preciso, só colocar a bola no ar perto dele que ele pega. Junte a isso a Reggie Bush, cuja carreira ganhou vida nova em Detroit, e você tem um ataque muito perigoso mesmo com a falta de alvos além de Johnson.

Mas quem vai ditar aonde o Lions vai esse ano é a defesa. As pessoas adoram falar mal do Ndamukong Suh e sobre como ele é um jogador sujo, mas ele é um jogador espetacular que está na conversa para Defensive Player of the Year e lidera uma linha defensiva que tem sido muito boa. A defesa de Detroit, quando inteira, tem sido na verdade muito forte destruindo linhas ofensivas e atacando o QB, mas as lesões a jogadores como Chris Houston, Louis Delmas e Ziggy Ansah tem atrasado esse grupo. Mesmo com todo mundo ele não é elite, mas é bom o suficiente para complementar bem seu ataque. Mas para isso vai precisar que as lesões parem e que Suh continue sendo um monstro.

A situação do time indo aos playoffs é a mesma de Chicago e Packers, na verdade: 5-3 e com um confronto direto contra cada adversário, Detroit pelo menos tem a vantagem de enfrentar a tabela mais fácil entre eles, com jogos contra Vikings, Steelers, Giants e Bucs ainda pela frente. Considerando as incertezas em relação a Cutler e Rodgers, Detroit me parece nesse momento ter a vantagem na briga pelo título da divisão, nem que seja pela sua tabela favorável.


Minnesota Vikings

2012 foi a temporada que deu tudo certo, então 2013 foi a que deu tudo errado. Times lotaram a linha de scrimage para parar Adrian Peterson, e o time não conseguiu achar um QB para fazê-los pagar por isso... e olha que o time tentou três diferentes. Enquanto o ataque caia assustadoramente sem um QB competente, a defesa também regrediu enormemente, viu sua maior força dos últimos anos (a linha defensiva) cair de produção e sofrer para colocar pressão no QB adversario... e quando você junta uma defesa ruim e um ataque ruim, o resultado nunca é bom. Os três calouros que a equipe pegou na primeira rodada - Xavier Rhodes, Cordarelle Paterson e Sharif Floyd - também falharam em causar grande impacto em campo e teriam dificuldades de jogar em times com mais talento (embora Paterson tenha estado muito bem como retornador). 

Como qualquer time sem uma solução de médio prazo como QB, o Vikings termina a temporada pensando no futuro. Com uma escolha alta, o Vikings é uma das principais apostas a irem atrás de um QB nesse draft atulhado de talentos (a não ser no improvável caso de que queiram dar mais uma chance a Christian Ponder). Mas o time que parecia perto do título (erroneamente) ano passado agora é um dos piores times da NFL, e nem o melhor RB da sua geração vai salvar a equipe esse ano. E talvez ano que vem, se o time continuar sofrendo para desenvolver novos jogadores.


Atlanta Falcons

A temporada do Falcons é uma grande surpresa a 2-6, considerando que o time chegou na final da NFC ano passado e que investiu ainda mais para essa temporada. Mas na verdade, isso faz mais sentido do que parece. A estratégia de Atlanta era bastante simples: gastar o máximo de ativos e espaço salarial para formar um pequeno grupo de elite dentro do seu time, sacrificando outras áreas e a profundidade do seu elenco. A idéia era que a força desse grupo de elite - no caso seu ataque - compensasse a fraqueza da sua defesa e outras áreas. E ano passado isso funcionou muito bem: a defesa foi mal, mas o ataque foi espetacular e o time esteve a uma ou duas jogadas diferentes de irem ao Super Bowl. 

Esse ano, tudo deu errado e relevou o lado ruim dessa estratégia. Lesões em Roddy White, Steven Jackson e na linha ofensiva - e depois Julio Jones - tiraram do time sua principal força, e foi quando a falta de profundidade da equipe apareceu. Não só a equipe não tinha jogadores bons na reserva para cobrir esses buracos, como o enfraquecimento do ataque aéreo escancarou os diversos outros problemas da equipe, sua falta de defesa, seu jogo terrestre complicado e por ai vai. Esse é o problema de ter um time muito concentrado em alguns poucos talentos fenômenais, quando um deles se machuca, você fica exposto. Foi o que aconteceu com o Falcons, um time que precisa urgentemente reforçar sua defesa e a profundidade do seu ataque para o ano que vem. Por ora, eles provavelmente vão tentar aproveitar Matt Ryan e Tony Gonzalez para roubar uma vaga milagrosa nos playoffs... mas a 2-6 com uma divisão muito forte, me parece muito difícil.


New Orleans Saints

Esse provavelmente foi o time que mais evoluiu de um ano a outro mudando quase nenhuma peça importante, disputando essa honra com o Colts. Embora "peça importante" apenas dentro de campo, porque Sean Payton está de volta na lateral, e isso certamente tem muito a ver com a evolução do time. O ataque de New Orleans voltou a ser um dos melhores da NFL, misturando corridas, passes longos e todo tipo de jogada, se aproveitando das características de cada jogador de uma forma que poucos consegue (e Payton é um deles). Claro, ajuda ter Drew Brees comandando o seu time, mas mesmo a evolução em relação ao ano passado salta aos olhos. Os jogadores estão sendo mais bem utilizados, e isso maximiza as habilidades do seu QB. Esse ataque voltou a ser assustador, especialmente quando Jimmy Graham voltar a estar saudável.

Mas o que faz do Saints um time extremamente assustador e talvez o time mais "seguro" da NFL é o quão completo ele é. Seu ataque já era esperado que evoluisse com a volta de Payton, mas a defesa foi uma das piores em 2012. Agora ela não é uma das melhores, mas é boa, e isso é o suficiente para solidificar muito a equipe em todos os aspectos. A chegada de jogadores como Kenny Vaccaro, a evolução de Cameron Jordan e a chegada de Rob Ryan tiveram um efeito excelente nessa defesa, de forma que a grande fraqueza da equipe sumiu. E isso que faz deles tão bons: eles não tem falhas. Eles tem uma boa linha ofensiva, um grande QB que comanda um bom jogo aéreo, e um jogo terrestre útil e variado. A defesa é especialmente boa contra o passe, e não comete muitos erros. É um time extremamente completo. Ainda assim, agora o Saints tem concorrência na briga pelo título da divisão, e seu calendário não vai ajudar: ainda recebe 49ers e viaja até Seattle. Mas com dois jogos ainda por jogar contra o Panthers, esses devem ser os jogos a definir a divisão.


Carolina Panthers

Com uma exceção, o Panthers é o time mais quente da NFL no momento: são quatro vitórias seguidas, com uma diferença de 80 pontos nesse perído, 20 por jogo (49ers tem 5 vitórias seguidas a 23 pontos de diferença por jogo). Claro, é difícil usar isso para julgar de fato o quão bom o Panthers é simplesmente porque foram quatro jogos contra times muito ruins (Bucs, Viks e Falcons somam três vitórias totais, e o outro era Saint Louis), mas no fundo, não é essa a tarefa de times bons quando enfrentam times ruins, ganhar deles com tranquilidade? Essas vitórias não dizem tanto assim pelo nível baixo de dificuldade, mas ainda assim eles pelo menos fizeram o esperado de um time superior. Também não está certo descartar tudo isso como irrelevante só porque não foram bons adversários.

Esse bom momento do Panthers, ao contrário do que muita gente espera com Cam Newton no ataque, começa na defesa. A secundária do time é fraca e cheia de jogadores secundários (perdão, não resisti), mas a linha de frente é um caso a parte. Liderados pelo Defensive Rookie of the Year de 2012 (e brilhante MLB) Luke Kuechly e por um forte candidato ao prêmio desse ano (Star Lotulelei), essa linha de frente está forte na conversa para ser a melhor da NFL. Ela é física demais contra o jogo terrestre e consegue chegar com facilidade no QB, e assim como o 49ers ano passado, ela consegue fazer isso sem dedicar ajuda extra em blitzes, o que permite que mais jogadores fiquem na cobertura para evitar expor sua fraca secundária. Enquanto essa linha de frente continuar dominando ataques, o Panthers vai continuar sendo um time forte... e isso antes de tocar no ataque, que voltou a se reencontrar nos últimos jogos atrás de fortes performances de Cam Newton e um bom jogo terrestre.

O problema do Panthers é que é difícil saber exatamente o quão bom eles são nesse momento. Eles começaram mal o ano e foram humillhados pelo Cardinals antes de sair nessa excelente sequência de quatro jogos, mas considerando o nível dos adversários, não é o suficiente para saber exatamente aonde eles se encontram. Os próximos jogos do Panthers são contra 49ers e Patriots, então depois dessas duas partidas poderemos saber mais sobre exatamente aonde esse time do Panthers se encontra. Uma das incógnitas mais perigosas da NFL.


Tampa Bay Buccaneers

O Bucs me lembra um pouco o Chiefs ano passado. Uma boa defesa cheia de grandes jogadores - Gerald McCoy, Darrelle Revis e LAvonte Davis estariam todos na briga para uma vaga no All-Pro Team a essa altura da temporada - e um ataque horrível, com um técnico pior ainda. No caso do Bucs, a questão ofensiva é menos falta de talento e mais um técnico nocivo: Vincent Jackson, Doug Martin e alguns jogadores bons de linha ofensiva não podem fazer parte de um time tão ruim. Assim como o Chiefs ano passado, outro time cheio de talento que foi muito mal, o Bucs esse ano me parece o tipo de grupo que com o técnico certo e um QB novo e mais estável poderia causar estragos - especialmente quando esse técnico a ser tirado é Greg Schiano, o pior da NFL na atualidade. Não descartem o Bucs tão cedo, especialmente se pegarem Bridgewater ou Mariota no draft que vem e voltarem com um técnico novo.


Seattle Seahawks

Isso pode parecer um pouco nitpicking quando falamos de um time que provavelmente é o melhor da NFC nesse momento, mas o que você acha do Seahawks depende do quanto você desconfia da dificuldade do Seattle em vencer times claramente inferiores nas últimas semanas. Alguns podem dizer que o que importa no final é a vitória, e não deixa de ser verdade, mas também é possível argumentar que o fato do time ter tanta dificuldade vencendo times ruins (Bucs, Rams e Texans) não mostra exatamente muita dominação. Com um pouco mais de azar, o time poderia facilmente estar 6-3 se não fosse a pick-six absurda do Matt Schaub, ou então um cara-ou-coroa contra o Bucs ou o Rams falhando ao entrar na end zone da linha de uma jarda. Por isso seu Pythagorean Expectations coloca o time com 6.5 vitorias, abaixo das 8-1 que o time de fato tem. Então isso pode colocar um pé atrás.

Por outro lado, o Seahawks tem mais credenciais de "melhor time da NFL" do que qualquer outro time tirando talvez Denver (o que não quer dizer que ele seja de fato). Sua defesa tem sido, até esse momento, uma das mais dominantes da NFL, segundo atrás apenas do Chiefs. Em particular, o time possui uma combinação mortal de secundária e pass rush: o pass rush não é perfeito mas não depende de apenas um ou dois jogadores (e portanto mais difícil de ser marcado) e consegue bons resultados, e sua secundária talvez seja a melhor da NFL, com um dos melhores safeties do mundo em Etan Thomas e um dos melhores CBs em Richard Sherman. A defesa é um pouco vulnerável pelo chão - foi assim que Bucs e Rams deram tantos problemas ao time - mas na hora de passar a bola nenhuma defesa oferece um desafio tão grande, seja pela versatilidade e profundidade da sua secundária como pelo seu bom esquema tático que parece maximizar as habilidades de cada jogador. A defesa do Chiefs provavelmente é a mais dominante da NFL nesse momento por sua capacidade de forçar turnovers e tornar a vida de QBs um inferno, mas para segurar um adversário em uma campanha final, não tem unidade mais confiável que a de Seattle.

O problema mesmo é a inconsistência do ataque. Marshawn Lynch voltou a ser humano essa temporada, com suas jardas por corrida caindo de 5 ano passado para 4.3 esse ano (btw, 4.3 ainda é muito bom, 5.0 que é de outro mundo), e principalmente, a linha ofensiva foi destruída por lesões, o que tirou bastante o tempo de Russell Wilson para passar a bola, o que força o QB a improvisar e correr muito mais do que seria o ideal, ao ponto de que ele parece as vezes pensar primeiro em correr e depois em passar - uma vitória para qualquer defesa que o enfrente. Então essa inconsistência - e o fato de que o time só jogou dois jogos dominantes o ano inteiro, contra 49ers e Jaguars, e isso já faz cinco rodadas -  torna difícil dizer que o Seahawks é tão superior aos demais times da NFC. Russell Okung ainda pode retornar essa temporada, e Percy Harvin ainda não estreou depois de machucar novamente o quadril, então não é também como se Seattle estivesse apenas ladeira abaixo. Seahawks é o melhor time da NFC na atualidade, mas isso não quer dizer que vá ser quando chegar Fevereiro.


San Francisco 49ers

Para usar uma das minhas frases favoritas de Eyeshield 21: "Em termos de pedra-papel-tesoura, de alguma forma eles estavam jogando apenas com pedra e tesoura". Foi o que aconteceu com o 49ers, que teve que jogar a primeira metade da temporada apenas com parte de seu elenco. Michael Crabtree estava fora, assim como Mario Manningham, limitando consideravelmente o jogo aéreo da equipe. Defensivamente, Patrick Willis jogava no sacrifício, Aldon Smith se ausentou da equipe e Eric Wright, Tank Carradine e Quinton Dial ainda não estavam saudáveis para entrar. Então o 49ers teve que se virar como pode durante isso, antes de receber todo mundo de volta para a próxima rodada, com exceção de Crabtree que deve voltar daqui a duas semanas. 

O fato é que o Niners fez muito bem mesmo sem tanta gente. O ataque do time é o sexto melhor da NFL em DVOA, e para toda a conversa de sophomore slump, Colin Kaepernick agora é o terceiro melhor QB da NFL em QBR. Nas últimas semanas, o time começou a usar seu playbook de verdade, com Kaepernick correndo para 110 jardas e 3 TDs nas últimas duas semanas e abrindo espaço para o jogo aéreo.. antes de Manningham e Crabtree voltarem para aumentar as opções do jogo aéreo. E enquanto isso, a defesa se manteve bem, com boas atuações dos calouros Corey Lemonier e principalmente o candidato a DROY Eric Reid, uma unidade Top10 mesmo sem um dos melhor pass rusher da NFL. Considerando que, desde as derrotas para Seahawks e Colts, o time está 5-0 ganhando os jogos por em média 23 pontos, é suficiente dizer que o time segurou as pontas muito bem enquanto espera a volta do resto do time.

O teto desse time depende do quanto a chegada desse pessoal vai afetar a equipe. Manningham não é uma estrela e Crabtree não deve estar 100% esse ano, mas ainda assim seriam upgrades em relação aos Kyle Williams e Marlon Moores que o time foi forçado a usar essa temporada, e essa maior variedade no jogo aéreo vai abrir ainda mais os espaços para Vernon Davis e Anquan Boldin, sem falar do jogo terrestre. Do outro lado, Aldon Smith está de volta junto com o resto dos reforços, então ainda que apenas Smith seria um titular entre esses (e Willis saudável, claro), eles adicionam para a rotação e mantém os jogadores mais frescos. Então realmente vai depender do quanto a chegada desses jogadores vai mudar no nível de jogo da equipe. Se adicionarem pouco em relação ao atual, ainda é um time muito bom que apresenta perigo chegando nos playoffs, bem balanceado entre ataque e defesa. Se os recém-chegados conseguirem ter o impacto que se espera deles, esse time pode chegar em Janeiro como o melhor da NFL. Vale a pena acompanhar o que vai acontecer com o time.


Arizona Cardinals

O Cardinals é um time que poderia estar brigando pelos playoffs se jogasse em outra divisão. Apesar de um ataque que conta com o extremamente inconstante Carson Palmer de QB, é um time que conta com uma defesa extraordinária, com o melhor CB da NFL (Patrick Peterson) e que está 4-1 em todos os jogos fora da NFC West, mas 0-3 dentro dela. E a 4-4, é um time que ainda briga pelo Wild Card, apenas 1 jogo atrás de Panthers, Bears e Packers. Não durmam no Cardinals.

O problema do Arizona, claro é que ele possui uma enorme disparidade entre ataque e defesa. Sua defesa é simplesmente dominante em todas as áreas: Tyrann Mathieu entrou muito bem, Peterson é um monstro, Daryl Washington é talvez o MLB mais versátil da NFL, e a linha de frente com Calais Campbell e Darnell Dockett é uma das melhores da NFL. Em resumo, é uma unidade que consegue fazer de tudo, marcar todo tipo de adversário e dominar oponentes - não a toa aparece 1st em DVOA na temporada. Infelizmente, do outro lado da bola, a situação é oposta: apesar de possuir uma ótima dupla de WRs e um RB emergente em Andre Ellington, o time não consegue produzir o suficiente. Palmer tem sido um dos piores QBs titulares da NFL em 2013, incapaz de dar a bola para seus WRs e produzindo interceptações demais (10 TDs, 14 INTs), e por algum motivo o técnico Bruce Arians insistiu demais com Rashard Mendenhall de RB (3.1 YPC) ao invés de usar Ellington (7.7 YPC). O primeiro não vai se resolver durante a temporada, e o Cardinals vai ter que adereçar durante a offseason. O segundo é mais fácil, e se o time conseguir tirar o máximo de Ellington e se focar mais em correr com a bola e usar o play action enquanto confia na sua defesa para boas posições de campo, pode causar barulho na reta final.

Na briga pelo WC, o Cardinals parece estar um nível abaixo dos seus concorrentes (Bears, Lions, Panthers, Saints, 49ers, Seahawks ou Packers), ainda mais tendo que enfrentar Niners e Hawks de novo (mais Colts), mas não pode ser descartado. E quando acabar o ano, pelo amor de deus, procurem um QB no draft ao invés de trocar uma escolha de segunda rodada pelo Nick Foles ou coisa assim.


Saint Louis Rams

Saint Louis é o elo frágil da NFC West, um time que está tendo dificuldade tanto no ataque como na defesa. Na verdade, sua defesa parece seguir o mesmo roteiro dos últimos anos: alguns talentos espetaculares como Robert Quinn, Chris Long e Alec Ogletree presos em um conjunto abaixo do esperado, preso demais a contratos enormes e ineficientes (Cortland Finnegan, alguém?). Como conjunto não tem funcionado porque a secundária não tem funcionado, e o ataque tem sido praticamente atroz -  a única pessoa que se salva é o calouro Zac Stacey, que acabou aparecendo como um bom RB.

Para o Rams, o importante é considerar a sua situação de QB depois da lesão de Sam Bradford. Essa situação eu expliquei em detalhes anteriormente, mas basicamente o time pode optar por cortar Bradford essa offseason e salvar mais de 10M em salary cap, ou então ficar com ele mais dois anos e pagar seu contrato imenso e absurdo na íntegra. Bradford nunca mostrou que pode ser um QB de qualidade na NFL, vinha em um ano ruim, e está preso a um contrato enorme por ter sido a última 1st pick sob o velho CBA, então essa offseason seria a chance do Rams de cortar esse vínculo e seguir em frente. Para ajudar, o time tem duas escolhas altas ano que vem no draft - sua 1st rounder e a do Redskins - então opções não vão faltar. Mas em 2013, não tem muito mais o que esperar desse time.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Aonde cada time se encontra na metade da temporada

Phillip Rivers não gostou do calendário do seu time




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Ao final da nona semana da NFL, chegamos em um ponto interessante: o momento que mais se aproxima, na NFL, da metade da temporada. Claro que, como a temporada tem 17 semanas, não existe realmente um ponto que seja a "metade", mas eu gosto da semana 9 porque é o primeiro momento na temporada onde cada um dos 32 times jogou pelo menos 8 vezes. Alguns poucos jogaram 9, mas não é o importante - o importante é que todos os times já chegaram pelo menos na metade das suas temporadas regulares, e então já começamos a ter uma visão mais clara do que cada time representa no cenário da NFL. Ent ão ao invés de fazer nossa habitual passagem pela rodada destacando os pontos mais interessantes, vamos fazer um giro pelos 32 times da NFL e vamos separar aquilo que nós sabemos sobre eles, a essa altura, e quais as questões que eles enfrentam indo para frente. Alguns, como vocês vão ver, já tem um papel claro na temporada... outros, nem tanto. Só para deixar claro que os times estão ordenados de acordo com as divisões, e não por qualquer critério.

Hoje vamos começar pela AFC, e amanhã passamos para a NFC.


New England Patriots

Se estamos separando entre times que temos uma clara visão das suas habilidades e do seu papel na temporada, e aqueles que não temos nada disso definido, New England seria o segundo. Em parte porque muita coisa vem mudando para a equipe desde o começo da temporada, em parte porque algumas peças cruciais dessa equipe ainda enfrentam muitas questões e alguma instabilidade, e em parte porque mesmo que o time esteja apresentando muitas falhas, nunca é prudente descartar um QB como Tom Brady.

No começo da temporada, parecia que  New England teria que se virar com um ataque cheio de jogadores medíocres, um jogo terrestre inconsistente e compensar isso com sua forte defesa, e foi assim que o time começou bem o ano. Mas agora, que Vince Wilfork e Jerod Mayo estão fora da temporada - e Aqib Talib, um dos melhores CBs da NFL em 2013, batalhando com uma lesão - a defesa se tornou um ponto vulnerável. O time ainda está contando com boas temporadas de jogadores como Devin McCourty (agora jogando de safety) e Brandon Spikes, mas a falta de seu melhor LB, seu pilar defensivo (Wilfork) e o reserva do seu pilar defensivo (Tommy Kelly), esse grupo que começou tão bem o ano agora não está mais passando a mesma segurança: o time está cedendo 5.4 jardas por corrida desde que Wilfork se machucou e tem tomado alguns sufocos de ataques medíocres como Jets, Steelers e Dolphins (embora esse tenha durado só um tempo). Eles ainda possuem bons jogadores e não serão uma peneira no restante da temporada, mas está deixando de ser uma unidade na qual um ataque mediano poderia se apoiar para se tornar um grupo capaz de ser explorado por um adversário competente.

O problema é que ofensivamente, New England também enfrenta algumas questões. Antes de mais nada, o time tem apenas dois recebedores confiáveis no ano, e os dois enfrentam diversos problemas de lesão, Rob Gronkowski e Danny Amendola. Quando saudáveis, o ataque do time pode render muito bem, mas é difícil confiar que ficarão saudáveis até o fim do ano quando nenhum deles conseguiu esse feito nos últimos dois anos. Também atrapalha o fato de que Tom Brady está tendo a pior temporada da sua carreira e dando alguns sinais da idade: mesmo depois de um excelente jogo contra o horrível Steelers (que fez Matt Cassell parecer competente), Brady ainda está com as piores marcas da carreira em aproveitamento (57.1%), TD% (3.8%), Rating (82) e QBR (56.9, embora essa estatística só exista desde 2008), e a segunda pior marca da carreira em jardas por passe (6.6), pior desde 2002. Se desconsiderarmos tudo que sabemos sobre o grande QB que Brady é, esses números são realmente bem fracos, tirando seu QBR e seu bom índice de interceptações (1.8%). Mas ele ainda é Tom freaking Brady, e nunca é prudente descartar um jogador desse calibre como velho ou ineficiente - ele ainda pode vencer um jogo se estiver em um dia bom. Mas sua tarefa será muito mais complicada se Gronk e Amendola voltarem a perder jogos, especialmente com Sebastian Vollmer, o melhor jogador da linha ofensiva, fora da temporada. 

O Patriots ainda é o favorito para vencer a divisão e ir com folga aos playoffs, especialmente com um calendário favorável (depois de enfrentar Panthers e Broncos voltando de bye, não tem um adversário acima de 50% no caminho deles), mas essas questões podem ser mais significativas chegando nos playoffs contra competição mais acirrada. Muita incerteza ainda pela frente para New England, embora quando sua incerteza envolve "praticamente garantido nos playoffs", isso não é necessariamente uma coisa ruim.


Miami Dolphins

Quando o Dolphins venceu seus três primeiros jogos, eu avisei que era uma possível pegadinha: o último time a vencer seus três primeiros jogos tendo menos jardas do que o adversário em cada um dos três foi o Cardinals do ano passado, que venceu quatro assim antes de perder 10 seguidos. E embora o Dolphins fosse um time melhor que o Cardinals, eu achei que logo iriam regredir. Dito e feito, 4 derrotas depois o time parecia ter voltado ao normal antes de uma boa vitória sobre o Bengals.

Ainda que a 4-4 o time esteja em uma boa posição para sonhar com o segundo Wild Card na AFC, 0.5 vitórias atrás do atual detentor do posto (5-4 Jets), eu não gosto do prognóstico desse time para o resto da temporada. Entre os 12 piores ataques E defesas da NFL antes da rodada começar, o Dolphins não me parece ser o time capaz de executar alguma função em alto nível na temporada, e isso antes de entrar nas questões relativas a bagunça que está a organização nesse momento, com um jogador fora do time por questões pesadas de bullying e abuso por parte dos colegas e outro suspenso enquanto é investigado por estar envolvido no abuso a esse companheiro de time (inclusive o uso de ameaças físicas e insultos raciais). Isso não só tirou dois OL titulares da equipe (de uma unidade que já era ruim) como piora enormemente o clima no local, não só questionando a liderança do fraco técnico Joe Philbin como expondo também os diversos problemas internos da organização em um time que parece tudo, menos coeso. O time parece ter cânceres demais (incluindo o melhor jogador que sobrou na OL, Mike Pouncey, que inclusive foi questionado pelo FBI por sua campanha "Free Aaron Hernandez") para resolver tudo de uma vez, e isso não vai facilitar a vida de um time que já era mediano antes desses problemas acontecerem. Não tem nada que me deixe menos confiante do que um vestiário em ruínas e sem nenhum tipo de união entre jogadores e comissão técnica.

E ainda mais preocupante do que isso tem sido a atuação do QB Ryan Tannehill, que deveria ser o Franchise QB do time mas que está tendo um ano muito ruim. Seus números como passadores são bem fracos - 60.2%, 6.8 Y/A, 11 TDs contra 9 Ints - mesmo antes de considerarmos que Tannehill lidera a NFL com 35 sacks (!!!) e 8 fumbles sofridos em 8 jogos (!!!!!!), números horríveis para qualquer jogador. A linha ofensiva muito ruim da equipe sem dúvida contribuiu para isso, mas Tannehill simplesmente não mostrou nenhuma habilidade para ganhar tempo no pocket, criar separação ou fazer jogadas em movimento, e muito menos de proteger a bola quando sofre contato. Seu QBR de 38 é o 31st entre 39 QBs qualificados, o que também é um péssimo sinal para seu QB segundo-anista. Tannehill vai precisar melhorar e muito - com uma linha ainda mais desfalcada - se quer levar o time aos playoffs.


New York Jets

O Jets é o time mais bipolar e de maior variação na NFL nessa temporada, mesclando jogos excelentes contra bons times (boas vitórias contra Patriots e Saints) com derrotas para Steelers e o massacre de 40 pontos contra o Bengals semana passada. Então enquanto o record de 5-4 e as vitórias contra Pats e Saints mostram que esse é um bom time, é difícil confiar em uma equipe que parece brincar de Dr. Jekyll e Mr. Hyde a cada semana. A defesa é muito sólida e Muhammad Wilkinson evoluiu em um dos melhores DTs da NFL, então o time tem boas chances de ver sua defesa ganhar alguns jogos, mas o ataque...

O ataque é liderado pelo jogador mais volúvel da NFL, Geno Smith, que tem dois jogos com QBR acima de 75 (Bills e Falcons) e três outros abaixo de 10 (além de um 14 e um 15). Considerando que a métrica vai de 1 a 100 com 50 sendo o "médio"... hmm... yeah, isso é meio complicado. A verdade é que Geno Smith tem sido um QB ruim na sua temporada de calouro: 58.1% de aproveitamento, 7.3 jardas por passe, e mais interceptações (13) do que TDs (8) por uma considerável margem. E embora ele ganhe valor pelas suas pernas, isso não necessariamente tem sido vantajoso para a equipe: ele não tem uma boa noção de quando correr e quando não, o que gera um número enorme de tackles antes de ganhar alguma coisa significativa e de fumbles. Em geral, seu QBR de 30 indica que ele tem sido mais um problema que uma vantagem ao time nesse começo de ano, e embora seus bons jogos mostrem que ele possui potencial, ele não tem conseguido fazer isso sobressair as suas limitações, e isso limita o potencial do time.

O Jets também é um forte candidato a regressão: seu record de 5-4 esconde um Pythagorean Expectations de 3-6, e um record de 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola, o que obviamente são fatores imensos para regressão. Tem fatores demais agindo no sentido de regressão para o Jets, e a não ser que Geno possa começar a ser mais consistente, esse time não vai conseguir se salvar só com a defesa.


Buffalo Bills

O Bills, por outro lado, era para ser um time interessante que foi destruído por lesões. Mesmo perdendo seus dois melhores jogadores de secundária para os primeiros seis jogos da temporada em Stephen Gilmore e Jairus Byrd, o time ainda manteve uma das melhores defesas da NFL nesse começo de temporada, 7th em DVOA antes dessa rodada. Sua linha de frente, em particular, é muito forte, com Marcell Dareus finalmente virando uma força contra o jogo terrestre e Mario Williams fazendo jus ao seu contrato imenso com 11 sacks. Além disso, o time draftou o excelente Kiki Alonso para solidificar o meio da sua defesa, e tinha tudo para aproveitar essa unidade com o Jets fez rumo a uma boa temporada.

Mas as lesões destruíram a temporada do Bills: Byrd e Gilmore perderam muito tempo e impediram que essa defesa fosse ainda melhor, e mais importante, as lesões transformaram a situação do Bills - que deveria ser abaixo da média mas pelo menos estável - em uma zona: EJ Manuel jogou apenas quatro jogos e meio antes de sair com uma lesão no joelho, e se seu QBR de 42 não era espetacular e mostrava como ele ainda tnha muito a evoluir, os dois jogadores que entraram no seu lugar (Thaddeus Lewis e Jeff Tuel) possuem QBRs de 19 e 9, respectivamente. É difícil dizer se com EJ Manuel o time estaria em uma situação melhor, mas é impossível ser um bom time quando seus QBs não conseguem passar de 20 em QBR. O time também teve que enfrentar o segundo pior calendário da NFL, o que não ajudou. Bills é um time que já começa a pensar ano que vem, mas pelo menos a base é boa.


Cincinatti Bengals

O Bengals dos últimos anos vinha sendo aquele time que é estável, regular, mas não espetacular: antes da temporada, a expectativa era de mais um ano com um ataque mediano, com um QB muito mediano em Andy Dalton e um jogo terrestre inconsistente, liderado por uma defesa sólida mas que não iria manter o mesmo ritmo porque era de se esperar alguma regressão por parte do Geno Atkins, que apesar de se solidificar como um dos melhores defensores da NFL não iria ser capaz de repetir o ano de 2012. E em geral, eu acertei... a defesa realmente foi boa, apesar de Atkins ter regredido um pouco (e se mantido como um All-Pro DT, claro), e o ataque evoluído um pouco porque Dalton estava jogando melhor, então o Bengals era basicamente o time que eu esperava antes da temporada só que um pouco melhor em cada área. Em um ano onde a AFC está bastante equilibrada, eu estava começando a achar que o Bengals era um time que poderia entrar na briga entre os candidatos ao Super Bowl com um ou dois golpes de sorte ao longo do ano.

E aí os dois melhores jogadores defensivos da equipe, Leon Hall e Atkins, se machucaram e estão fora da temporada. Um abraço para o time que começava a aparecer como um possível candidato ao título. Ainda assim, é cedo para descartar o Bengals, já que a sua vaga nos playoffs parece garantida em uma divisão bem fraca, e a defesa ainda é uma boa unidade. Andy Dalton está tendo a melhor temporada da sua carreira, especialmente nas bolas longas, e Gio Bernard tem se mostrado um bom RB. Mas a perda de dois dos seus três melhores jogadores em Hall e Atkins diminui consideravelmente o teto desse time e o mantém um nível atrás do escalão de topo da AFC.


Cleveland Browns

Mantenho o que disse antes da temporada e no começo dela: o Browns seria um time de playoffs com um bom QB. Eles estão 4-1 nos jogos começados por Brian Hoyer e Jason Campbell - dois QBs medianos - e 0-4 nos jogos começados pelo ruim Brandon Weeden. Eles precisam urgente de um jogo terrestre, mas possuem dois excelentes recebedores em Josh Gordon e Jordan Cameron e sua defesa cede apenas 3.8 jardas por corrida e 5.1 jardas ajustadas por passe.

Felizmente para eles, o time se encontra em uma situação excelente nesse respeito, já que o time possui duas escolhas de primeira rodada no que deve ser um draft extremamente lotado de talentos na posição de QB, sem falar que podem juntar essas duas escolhas em um pacote para subir e pegar Marcus Mariota ou Teddy Bridgewater. A troca com o Colts foi um sucesso - Trent Richardson só comprovou ser horrível e o time faturou uma escolha de primeira rodada no processo - e o Browns se coloca em uma boa posição para o futuro com múltiplas escolhas e jovens talentos. O time ainda sonha com uma vaga nos playoffs via Wild Card, mas o foco do time é no futuro.


Baltimore Ravens

Lembra na pré-temporada quando eu falei que o Ravens ia regredir em relação ao ano passado, que vencer o SB não garante nada para o ano seguinte e que era improvável que Joe Flacco se mantivesse como o jogador espetacular que foi nos playoffs, e que levou muitos torcedores do Ravens a me xingar, me chamar de "hater" e coisas do tipo? Pois é...

O Ravens na verdade tem o saldo de um time 4-4, então eles não tem realmente sido tão ruim quanto o record indica. A questão é que eles também não tem sido bons: a defesa é sólida e acima da média, se aproveitando do bom trabalho do GM Ozzie Newsome na offseason, mas o ataque... argh, esse ataque é uma atrocidade. Joe Flacco está tendo seu pior ano desde a temporada de calouro, com seu aproveitamento e jardas por passe decaindo, quase tantas interceptações (9) como TDs (10), e um QBR abaixo dos 50. Alguns dos fatores já foram muito explorados ao longo do tempo aqui, como o jogo terrestre e a falta de um WR confiável depois das saídas de Anquan Boldin e lesão de Dennis Pitta que exploramos no nosso mailbag, mas o fato é que esse ataque simplesmente não é bom o suficiente para assustar ninguém indo para frente, especialmente sem uma defesa de elite. Eu também não acho que exista uma solução fácil para o time esse ano: a linha ofensiva está horrível, Ray Rice de repente parece ter 38 anos, e Flacco não estava pronto para receber essa responsabilidade adicional de ser o centro do ataque. Ainda é cedo na temporada para desistir dos playoffs, e o Ravens sabe melhor do que ninguém (tirando talvez o Giants) que chegando nos playoffs quase qualquer time pode ganhar o SB com alguns golpes de sorte e um QB pegando fogo na hora certa, mas é um time que vai ter dificuldade com esse ataque, tendo em vista as boas defesas ainda no caminho do time.


Pittsburgh Steelers

Uma tabela difícil, uma onda de lesões (que levou parte da linha ofensiva, seu RB por três jogos e mais algumas peças importantes da defesa) e um time que está passando por uma reconstrução. Esses três fatores, combinados, fizeram do Steelers uma das piadas de 2013, com 2-6 de record e a façanha de ter perdido do Vikings. Olhando para 2013, é difícil vislumbrar alguma luz no fim do túnel para a equipe: o calendário fica ainda mais difícil indo para frente, o jogo terrestre é uma perdição (3.5 YPC) e não tem como recuperar disso sem a volta de jogadores como Maurkice Pouncey e David DeCastro (que ainda pode voltar esse ano). O único consolo do time é ainda ter um grande QB que consegue executar com seu braço de canhão, mas de pouco adianta isso se ele não consegue lançar a bola sem um defensor pendurar no seu cangote. O ano praticamente acabou para o Steelers.

A forma desse time dar a volta por cima, principalmente, é dar tempo ao tempo. O time começou a remontar seu time em 2013 depois de anos de estabilidade, e não é possível achar que tudo vá ser fácil assim. Recentemente, o time investiu pesado no draft para reforçar sua linha ofensiva, que ainda não deu resultado porque ninguém consegue ficar saudável, mas um pouco de sorte nesse quesito pode acabar rendendo uma OL dominante  - como aconteceu por exemplo com o 49ers, outro time que investiu pesado na sua OL via draft e passou por lesões no começo antes de explodir em 2012. A defesa, tão ruim em 2013, perdeu alguns jogadores veteranos na offseason e viu caras como Larry Foote e Sean Spence perderem muito tempo com lesões, o que atrapalhou ainda mais essa transição do time. Esse tipo de coisa demora, e não é de se estranhar o começo ruim. O ataque eventualmente vai se estabilizar com mais saúde e mais tempo para os jovens jogadores evoluirem, e a defesa também vai seguir seu curso. Especialmente com uma escolha alta vindo aí no próximo draft.


Indianapolis Colts

Eu já escrevi um texto muito maior e mais completo sobre o Colts, então recomendo ele já que ele vai aprofundar muito mais do que eu poderia em dois ou três parágrafos aqui. Mas tudo que eu escrevi continua relevante: o Colts é um time extremamente divertido que conta com um QB de elite e um jogo terrestre decente (que seria muito melhor se o time parasse de dar tantas corridas para o fraco Trent Richardson), junto de uma defesa razoável, para liderar sua divisão sem sinais de que vai parar. O time acumula vitórias contra Broncos, 49ers e Seahawks, e Andrew Luck evoluiu de calouro promissor para um dos melhores titulares da NFL esse ano. E uma coisa que você nunca quer fazer nos playoffs é descartar um time com um QB de elite. Se o time estivesse completo, seria um dos favoritos ao Super Bowl.

O problema para o Colts é a perda de Reggie Wayne, o segundo melhor jogador do ataque e o alvo de confiança de Andrew Luck. O Colts foi um time melhor em 2013 quando focou no passe com Luck, e Wayne era o alvo favorito do seu quarterback, o tipo de jogador que atrai dobras, mudanças na marcação e ainda acaba com 7 recepções e 100 jardas, liberando todo mundo. E o Colts optou por não fazer nada nessa deadline, mantendo o elenco como está, e a não ser que TY Hilton continue pegando 3 TDs por jogo, o Colts vai sofrer uma queda no seu jogo aéreo. A tabela facílima e o brilhantismo de Luck serão suficientes para garantir o time nos playoffs, mas a lesão de Wayne altera consideravelmente o que esperar desse time indo para frente, especialmente quando enfrentar uma defesa de elite. Eu particularmente espero que o Colts continua ganhando, pois é um dos times mais legais de se assistir em toda a NFL.


Tennessee Titans

Apesar de alguma regressão ser inevitável para um time que recupera 75% dos fumbles, uma figura que fica em torno dos 50% com uma amostra maior, e de possuírem o quarto pior Special Teams da liga, o Titans é um time interessante que também briga por aquele segundo wild card, e que pode até sonhar com um título de divisão caso o Colts acabe sentindo demais a falta de Wayne. Não acho o Titans o melhor time na briga por essa eventual segunda vaga do WC, mas as chances são interessantes quando consideramos que o Titans ainda enfrenta o Jaguars duas vezes, mais Oakland e depois Texans e Cardinals em casa. O Titans também ainda enfrenta duas vezes o atual líder da AFC South, o Colts, o que pode acabar sendo importante na hora de determinar o campeão da divisão. O Titans ainda está muito vivo na competição.

O problema do Titans é ser aquele time que faz tudo bem e nada de forma excelente. A defesa é boa e acima da média, 15th em DVOA e tem alguns jogadores jovens e em evolução (em especial o CB Alterraun Verner) capazes de fazerem jogadas que mudam o rumo da partida, mas também são um pouco propensos a falhas de comunicação ou de cobertura, as vezes comuns nesse tipo de time jovem. O ataque é uma montanha russa, cujo jogo terrestre tem apenas 4 jardas por corrida mas parece ter muito mais jogos com 2 e 6 YPC do que jogos com realmente 4. Jake Locker está tendo uma boa temporada quando saudável, mas ainda não é o tipo de QB capaz de ganhar jogos sozinhos, e por isso o ataque do Titans também aparece como um grupo mediano ou pior na temporada. A vantagem do time é que eles são razoavelmente completos, e não possuem uma grande fraqueza a ser explorada. Três das suas quatro derrotas também vieram contra bons times, no caso Chiefs, 49ers e Seahawks, embora valha citar que o Titans foi inferior nas três partidas, em especial no massacre que tomaram do 49ers (anotando dois TDs em garbage time contra a defesa reserva). Então eles basicamente são aquele time all-around que faz de tudo um pouco e possui poucas falhas mas que não tem o talento para bater de frente com os favoritos, e que enfrentam um calendário bastante favorável. Me parece uma receita interessante. Um time a ficar de olho nessa segunda metade.


Houston Texans

Com 2-6 e um calendário que ainda inclui Colts fora de casa, Broncos e Pats em Houston, a temporada parece estar indo pelo ralo para o time que vem de seis derrotas seguidas - depois de vencer milagrosamente dois jogos que deveria ter perdido. O Texans não deveria ser tão ruim, considerando que tem uma boa defesa com o melhor jogador defensivo do mundo em JJ Watt (ainda que muito desfalcada por lesões), mas o ataque (e os special teams) tem sido atrozes. Tão atroz o ataque que o time acabou mandando para o banco seu titular, Matt Schaub, e promovendo para titular um calouro não draftado chamado Case Keenum que ninguém tinha ouvido falar antes da semana 6.

Na verdade, se a temporada do Texans realmente foi por água abaixo, Keenum e a questão do QB se tornam o ponto central da temporada e da offseason que se aproxima. Como eu já escrevi anteriormente em mais detalhes, essa é a hora do Texans definir se para o futuro Schaub ainda pode render, ou se eles precisam ir em outra direção. No segundo caso, o ideal seria dar a Keenum a titularidade até o final do ano para poderem ver exatamente o que eles possuem no garoto, e se ele pode ser o titular do futuro ou se é hora de investir no draft. Até aqui Keenum tem impressionado, especialmente depois da grande partida contra o Colts, mas não é possível julgar um jogador por apenas um ou dois jogos (Matt Flynn e Kevin Kolb, alguém?), então esse vai ser o ponto focal do Texans para o resto do ano. O Draft de 2014 tem QBs saindo pela janela, mas se estiverem convencidos de que Keenum é a resposta na posição, isso permite ao time ir em uma direção diferente. 


Jacksonville Jaguars

A lista de afazeres do Jaguars até o final da temporada tem dois itens: a) Evitar terminar o ano como o pior time de todos os tempos; b) Decidir entre Teddy Bridgewater e Marcus Mariota para a primeira escolha do próximo draft.


Denver Broncos

O quão irônico é que o Broncos pode terminar o ano 14-2 e ficar apenas com a 5th seed do draft? Isso por causa do Kansas City Chiefs, ainda invicto, e do regulamento da NFL que diz que mais importante do que o record da equipe é se ela venceu uma divisão ou não (um regulamento que eu não gosto, pois premia times que tem sorte de jogar em uma divisão inferior. Veja Seahawks vs Chiefs em 2010 para os detalhes). Claro, improvável que tanto Chiefs como Broncos vençam todos seus jogos até o final do ano (e dividam a série entre eles), mas enfim, é só um exemplo.

A verdade é que o Broncos é um time complicado, um time excelente que lidera a NFL em eficiência e que possui um dos melhores ataques da história do jogo, mas que apresenta algumas falhas preocupantes que tem sido exploradas pelos adversários com algum proveito. Em particular, o time tem um ataque espetacular centrado no jogo aéreo: Peyton Manning está tendo talvez a melhor temporada da sua incrível carreira, conduzindo um ataque do Broncos lotado de grandes opções de recebedores de forma magistral, com três recebedores caminhando para passarem das 1000 jardas na temporada e talvez até um quarto se Julius Thomas voltar de lesão logo, e com 3 dos 10 jogadores que mais receberam TDs essa temporada no mesmo time. É extremamente difícil segurar esse ataque aéreo, e embora a falta de força no braço de Manning seja uma preocupação contra defesas mais físicas capazes de dominar a linha de scrimage, é difícil demais segurar Wes Welker, Thomas, Demaryus Thomas e Eric Decker ao mesmo tempo. Ainda que seja difícil manter o ritmo de um ataque aéreo - especialmente um de um QB sem muita força no braço e cujos passes precisos dependem do toque perfeito que ele coloca na bola - no frio de Janeiro e Fevereiro, onde a bola é mais dura, os dedos possuem menos firmeza e o braço perde força, esse time é bom demais e tem opções demais para não ser considerado uma força. Os jogos contra o Chiefs, uma defesa extremamente física, serão um bom teste para esse ataque.

O problema do time é a defesa, onde a secundária horrorosa da equipe já foi explorada por diversos adversários. A volta de Von Miller adicionou ao time um muito bem vindo pass rush, já que diminuir o tempo do adversário para achar um WR livre é crucial quando sua secundária não é boa. Então isso já ajuda, mas o time tem sido extremamente vulnerável contra o passe, como Cowboys e Colts deixaram claro. Ainda que a proficiência do ataque seja suficiente para compensar com sobras essa defesa suspeita, é uma fraqueza gritante que ficará mais significativa quando a competição (fraca até agora) endurecer no final da temporada. Mas isso não muda que esse é um excelente time, com um QB Top10 historicamente jogando de forma brilhante, e que vai aos playoffs seja por título de divisão ou Wild Card e que ninguém vai querer cruzar na pós-temporada.


Kansas City Chiefs

Outro time que eu escrevi recentemente e cuja análise ainda é bem atual. Apesar de invictos em 9-0, o Chiefs tem levantado muitas dúvidas sobre o quão bom ele realmente é, considerando sua tabela extremamente favorável e seu record de 4-0 em jogos decididos por uma posse de bola. Entre os 14 times que começaram a temporada 9-0 desde a fusão entre NFL e AFL em 1970, o Chiefs tem o pior saldo de pontos entre todos eles com 104. Isso pode indicar que o time não é tão bom quanto o record indica ou outros times que atingiram a mesma marca... mas também vale citar que entre esses 13 acima do Chiefs, os cinco piores foram todos ao Super Bowl e quatro foram campeões. Então tem isso também. No fundo, não quer dizer muita coisa.

As dúvidas sobre o Chiefs como legítimo juggernault passam pelo seu ataque, que basicamente opera na média da NFL nas costas de Jamal Charles, segundo na NFL com 725 jardas corridas e um NFL-best 1125 jardas de scrimage (ou seja, correndo e recebendo). Basicamente um ataque conservador que corre com a bola, protege seu QB de passes difíceis e vence a batalha dos turnovers e da posição de campo. Então entendo as dúvidas de um time cujo ataque é apenas o 16th da NFL em DVOA, com as pessoas se perguntando se ele vai ser capaz de gerar pontos o suficiente contra defesas melhores nos playoffs para chegar ao título... e é uma questão válida. Só tenha em mente que ela não é conclusiva: Ravens foi apenas o 13th ataque ano passado, por exemplo, e todo mundo sabe o que aconteceu nos playoffs.

A questão é que Kansas City tem a melhor defesa da NFL, e não é nem apertado. Por mais aleatoriedade que exista em TDs defensivos, tente digerir a seguinte informação: a defesa do Chiefs tem quase tantos TDs (6) como o time inteiro do Jaguars (7) e tantos TDs como o Vikings tem TDs aéreos. Essa defesa é praticamente um ataque em seu próprio mérito dada sua capacidade não só de segurar o adversário e evitar pontos (apenas um time cedeu menos pontos e ele tem um jogo a menos) como também de forçar turnovers, anotar TDs e dar grandes posições de campo para o time. Então se o ataque deixa a desejar, essa defesa é praticamente uma máquina que joga sozinha se precisar, e não tem problema seu ataque ser apenas decente se sua defesa é desse calibre. Ainda que o record de 9-0 esteja vindo no vácuo de uma tabela ridiculamente fácil e alguma sorte, isso vai mudar: Broncos (2x), Chargers (2x) e Colts estão no caminho do Chiefs. Ainda que seja difícil tirar Kansas City dos playoffs a essa altura, esses jogos serão excelentes testes para ver o quanto estrago KC pode causar em Janeiro ou Fevereiro.


San Diego Chargers
A tabela é tudo menos favorável - dois jogos contra Chiefs, dois jogos contra Broncos, mais Bengals - e por isso é possível que acabem ficando de fora, mas queria deixar isso claro: para mim o Chargers é o melhor time brigando pela segunda vaga do WC. Mesmo a 4-4, o time poderia muito bem estar 7-1, com um pouco de sorte, considerando que uma das suas derrotas veio em OT contra o Redskins (ou seja, um cara-ou-coroa faria a diferença, ou pelo menos mais agressividade do seu técnico em uma 4th-and-1 decisiva) e duas outras vieram em milagres nos segundos finais contra Texans (inclusive uma pick-six decisiva) e Titans (quando Locker teve uma interceptação dropada nos segundos finais antes de completar o passe de TD da vitória). A 7-1, o Chargers provavelmente seria uma garantia para ir aos playoffs, mas 4-4 é mais difícil, especialmente considerando esse calendário dos infernos.

Mas o Chargers é um excelente time, mesmo que sua defesa tenha de repente esquecido como jogar seu melhor futebol americano e esteja sendo uma das piores unidades da NFL. E isso acontece porque seu QB voltou a jogar como um cara de elite: tirando Peyton Manning e talvez Andrew Luck, Phillip Rivers tem sido o melhor quarterback da NFL. O ex-Pro Bowler está completando obscenos 72.2% de seus passes para ainda mais obscenas 8.4 jardas por passe, duas marcas que deveriam ser proibidas de acontecerem juntas considerando que para ter tantas jardas por passe você normalmente precisa fazer muitos passes longos, que por sua vez possuem aproveitamento inferior. Seu QBR de 75.4 é o segundo melhor entre QBs qualificados atrás apenas de Manning, e isso antes de lembrar que seus dois melhores WRs estão fora da temporada desde a semana 2. Isso faz do Chargers o segundo melhor ataque aéreo da NFL (por uma margem considerável e bem próximo do líder Broncos), e o terceiro melhor geral considerando um jogo terrestre decente. 

O problema é que esse ataque destruidor não tem, como dito, encontrado respaldo na defesa. Ainda que tenha feito um bom trabalho evitando pontos, ela é a pior defesa da NFL inteira forçando turnovers, com apenas 5, nas costas de quatro interceptações apenas da sua secundária. A parte boa é que isso deve regredir, já que essa incapacidade de forçar turnovers está associada a uma taxa de 15% recuperando fumbles, de longe a pior da NFL e totalmente insustentável indo para frente. Então é razoável supor que os fumbles vão começar a favorecer um pouco mais San Diego, e que com mais turnovers, esse grupo pode voltar a ser pelo menos mediano para sustentar esse ataque destruídor. Eu não sei se San Diego vai aos playoffs com essa tabela, mas é o melhor time da AFC que briga pela segunda vaga do WC.


Oakland Raiders

Para um time que tem quase 20% da sua folha salarial dedicada a jogadores que nem sequer estão mais na equipe, seu 3-5 não me parece ruim. Claro, seu Pythagorean Expectation está abaixo disso e DVOA coloca o time como o quinto pior da NFL na temporada, mas qual o problema? Não é como se o Raiders tivesse expectativas para esse ano, o time ainda está passando por um processo de desintoxicação depois de gestões passadas muito ruins e se preparando para começar a remontar para o futuro. Considerando que esse é o ponto onde as coisas estão para Oakland, eles estão se saindo muito bem essa temporada, com alguns jovens jogadores (em especial Lamarr Houston) se destacando defensiva e Terrelle Pryor emergindo como um QB pelo menos muito divertido de assistir e que pode ganhar uma segunda chance em 2014 se continuar assim. Basicamente, em uma temporada que deveria ser irrelevante e ruim, o Raiders pelo menos está mostrando alguns pontos interessantes e vencendo jogos com ajuda do seu bom mando de campo. Para um time que ainda está a alguns anos de ver sua reconstrução terminar, é algo animador.



AMANHÃ (QUARTA-FEIRA) SAI A SEGUNDA PARTE COM OS TIMES DA NFC!!