Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Recolhendo os cacos: NFL Divisional Round

Super Kap dando o troco no Panthers


Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem! O tema do próximo será playoffs, então aproveitem para enviar seus emails!


No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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Semana passada, tivemos que correr um pouco para conseguir cobrir tudo que a NFL estava nos oferecendo. Então falamos rapidamente da rodada de Wild Card que tinha passado, e fizemos dois previews para os jogos do final de semana, para falar dos jogos de sábado e dos jogos de domingo. Ta tudo ai para você ler e pensar "o que, esse animal achou que o Colts ia ganhar?! No que ele estava pensando?!" (em minha defesa, foi a primeira vez em nove anos que a segunda rodada dos playoffs não teve uma zebra de pelo menos 4 pontos. Eu quis apostar em uma zebra, e apostei na que tinha Andrew Luck e enfrentava a pior defesa).

Mas deixando isso tudo no passado (btw, ainda estou 6-2 nos playoffs!), e deixando as duas finais de conferências que foram um presente dos céus ainda no futuro (sério, se um fã de NFL imparcial fosse escolher as Finais de Conferência ideais em Setembro, ele escolheria essas duas), vamos dar uma olhada em alguns fatores importantes ou interessantes que chamaram minha atenção nos jogos (um tanto decepcionantes) desse final de semana. Já aviso também que vou dar mais espaço aos times eliminados e ao que rolou de importante no jogo em si do que nas coisas que os times podem carregar para o futuro, porque essas últimas terão um espaço maior nos previews da rodada.

Em tempo: Somos um blog moderno que temos uma página no facebook agora! Entrem lá e curtam nossa página, vamos usá-la para informar de quaisquer novidades (bem como posts novos, promoções, avisos, etc) e postar coisas mais rápidas ou curtas que não teriam espaço aqui no blog.


New Orleans Saints 15 vs 23 Seattle Seahawks


Jogando como uma zebra

Quando seu time entra em uma partida com um spread de +8, isso é um sinal seguro de que poucas pessoas esperam que você ganhe. Na hora de criar um spread, os modelos de Vegas criam uma simulação de quantas vezes um time deve vencer uma dada partida, e quanto menor a chance de um "azarão" vencer um dado jogo, maior vai ser o seu spread. Um spread de +8 indica que os modelos de Vegas esperam que você vença seu jogo apenas 25.8% do tempo, e a realidade pode ser ainda mais complicada: na história da NFL, apenas 18.3% dos times que foram zebras por exatos 8 pontos conseguiram vencer suas partidas. Desde 2004 (quando as regras começaram a mudar e favorecer o jogo aéreo), as porcentagens tem sido mais favoráveis, mas ainda abaixo do esperado: apenas 12 dos 58 times desfavorecidos por oito pontos conseguiram vencer suas partidas, 20.7%.

Claro, você não precisa ser um especialista em estatística ou em Vegas para saber que o Saints era uma grande zebra nessa partida. O Seahawks foi provavelmente o melhor time da temporada regular, terminando #1 em DVOA por uma larga margem, 20 pontos percentuais na frente do Saints (um respeitável quarto lugar). Além disso, o Saints ainda tinha que jogar em Seattle, que possui a maior home-field advantage da NFL desde que abriu o Century Link Field, um lugar extremamente barulhento com uma torcida fanática. Considerando ainda que o Saints não terminou tão bem a temporada regular (caindo para 7th em DVOA ajustado), era claro que o Seahawks ia ser o franco favorito.

A questão é que quando você está em uma situação tão desfavorável, você tem que saber que sua margem de erro é muito menor. Você tem chance de vencer, sempre, mas para isso você não só precisa ter um bom plano de jogo e tudo mais, você também precisa executar isso de forma muito mais eficiente do que normalmente, evitando todo tipo de erros e dando a menor janela possível para seus adversários tirarem vantagem. Eles já estão em vantagem em relação a você, então você tem que fazer de tudo para evitar criar ainda mais.

E foi exatamente isso que o Saints não fez, e foi isso que custou ao time o jogo. O plano de jogo da equipe, quando começou a partida, era bem claro (e foi, inclusive, o que eu disse no preview): correr bastante com a bola para encurtar as descidas, controlar o relógio e não expor Drew Brees a excelente secundária de Seattle. Sean Payton até incluiu um truque interessante: alinhar seu ataque em muitas formações de apenas um WR (uma formação que o time quase nunca usa, mas que times como SF e Arizona tiveram muito sucesso contra Seattle) para neutralizar a secundária do adversário e forçar um CB (em geral Richard Sherman) e ficar marcando um TE próximo da linha. E na verdade o Saints executou muito bem seu plano de jogo, correndo para 106 jardas só no primeiro tempo, controlando o relógio e deixando Brees lançando pouco.

Mas não importa o quão bom for seu plano de jogo, você não vai conseguir vencer um time como o Seahawks em casa cometendo tantos erros e dando tanta margem para seu adversário aproveitar. A primeira campanha do Saints terminou com Mark Ingram soltando um screen pass que deveria ser para uma conversão de 3rd down tranquila, e em seguida, Thomas Morstead deu um punt de 16 (não, sério, 16) jardas que deu a Seattle a bola na linha de 40 jardas do campo de ataque, que rendeu ao Hawks um FG... depois que o safety de NO recebeu uma falta pessoal de 15 jardas em uma 3rd and 11. A campanha seguinte, New Orleans fez um bom trabalho movendo a bola e chegando no campo de ataque, mas o kicker Shayne Graham errou um FG de 45 jardas (mais sobre isso em um minuto). Depois de outro FG de Seattle, o Saints recuperou a bola... e duas jogadas depois, Mark Ingram sofreu um fumble recuperado por Seattle na linha de 24 jardas do campo de ataque, dando ao Seahawks uma ótima posição de campo mais uma vez. Dessa vez, Marshawn Lynch aproveitou e transformou isso em um touchdown para fazer 13-0 Seahawks. Algumas campanhas depois, New Orleans chegou na linha de 29 do campo de ataque... para tentar e falhar em converter uma quarta descida. Seattle aproveitou e anotou mais um FG para deixar em 16 pontos a diferença no intervalo, um buraco enorme para voltar fora de casa, em um tempo ruim, contra a melhor secundária da NFL.

No segundo tempo, New Orleans colocou a cabeça no lugar, parou de cometer erros e esse foi um dos motivos que levou o time a conseguir voltar para o jogo, mas o buraco que o time tinha cavado para si mesmo acabou sendo grande demais. Entre o FG errado, o punt e o fumble que renderam a Seattle ótima posição de campo, são 13 pontos que você deixa de ganhar ou dá de presente para seu adversário (e isso sem contar a boa posição de campo após errar o FG ou falhar na conversão de quarta descida). Em um jogo contra uma defesa tão boa, em que você sabe que precisa de cada ponto e oportunidade a seu favor, você não pode cometer tantos erros e esperar sair com a vitória. E mesmo depois que o time improvavelmente conseguiu reagir e recuperar a bola nos segundos finais, o jogo acabou, é claro, com um erro grosseiro do time: Drew Brees fez grande jogada para acertar um passe para Marques Colston faltando 5 segundos, o que significa que o time teria uma última chance de conseguir um Hail Mary da linha de 35 jardas do campo de ataque para tentar empatar o jogo. Só que Colston esqueceu de sair pela lateral para parar o relógio, e ao invés disso tentou um passe lateral horrível que acabou com as chances da equipe de vez. É o tipo de erro mental que destrói um time, e esse aconteceu logo no momento decisivo.

E a verdade é que esse festival de erros do Saints, que deram diversas oportunidades para Seattle, na verdade esconderam um jogo bem ruim do Seahawks (ofensivamente, pelo menos) que poderia ter levado a uma derrota. Russell Wilson teve apenas 9/18 passes para 108 jardas, números péssimos, e até a corrida final de Marshawn Lynch o ataque terrestre conseguiu apenas 4.2 jardas por corrida (não ruim, mas não ótimo). Era tudo que o Saints queria quando se preparou para essa partida, e poderia ter levado a um resultado diferente se o time visitante conseguisse se controlar e se ater a um jogo mais eficiente. Você pode cometer alguns erros quando é o favorito, mas é difícil demais ganhar um jogo tão desfavorável se você continua dando chances ao adversário. E foi por isso que o Saints perdeu.

Dificuldades técnicas

Um outro ponto que acabou muito custoso ao Saints nessa partida foi, bem, o trabalho do seu técnico.  Eu gosto muito do Sean Payton como técnico, acho ele um dos melhores da NFL e um dos grandes motivos pelos quais o Saints voltou aos playoffs em 2013, mas o trabalho dele nesses playoffs deixou muito a desejar. Ele quase custou ao seu time a partida contra o Eagles com algumas decisões incompreensíveis (a mais maluca talvez fosse correr com a bola em uma 3rd and 11 próximo de FG range quando ainda faltavam 13 minutos no relógio e o time estava apenas 6 pontos na frente. A corrida não chegou em FG range, o time foi para o punt, e o Eagles eventualmente viraria a partida aproveitando essa burrice), mas contra o Seattle a margem para erro era ainda menor e portanto suas decisões acabaram custando ainda mais caro.

Você poderia questionar também se foi uma boa idéia Payton segurar tanto o braço de Drew Brees até o jogo já estar 16-0 - ele não lançou uma bola que passou da linha de scrimmage até o segundo quarto, e só lançou uma bola para um não-RB na mesma altura - mas além desses detalhes, o que chamou minha atenção foi como ele lidou com situações complicadas de quarta descida.

A primeira foi o já mencionado FG errado por Graham. Na situação, o Saints estava enfrentando uma 4th and 4 na linha de 27 jardas do campo de ataque, o que nos da um FG de 45 jardas. Claro, em um vácuo, o FG era a decisão comum. É uma distância confiável para um bom kicker, e é difícil converter uma 4th and 4 contra uma defesa tão boa quanto a do Seahawks, então você pode garantir os pontos - ainda que a 4th Down Calculator indique que você tem mais a ganhar tentando a conversão. O problema é que o jogo não acontece em um vácuo, e sim em um estádio onde estava chovendo e ventando muito, e o pior, ventando contra o chute de Graham. Esse mesmo vento já tinha influenciado o punt de 16 jardas do Morstead, e portanto era claro que a chance de acertar um FG dessa distância era muito menor nessas condições, o que faria a tentativa de conversão ser a decisão lógica (ainda mais considerando que um FG errado da ao adversário uma posição de campo melhor). Mas Payton, normalmente muito agressivo, decidiu chutar, e o chute de Graham não tinha a menor chance de entrar desde o momento que saiu do chão.

Pouco depois, no segundo quarto, o Saints se viu em situação semelhante. 4th and 4 na linha de 29 jardas do campo do Seattle, um FG de 47 jardas. Dessa vez, Payton tentou a conversão e não o FG, e Michael Bennett (o melhor jogador em campo) pressionou um arremesso ruim de Brees que acabou incompleto. Eu realmente não tenho nenhum problema com essa conversão: o time perdia por 13 (então precisava do máximo de pontos possíveis contra uma ótima defesa), as condições não eram favoráveis a um chute, e o 4th Down Calculator indica que você tem mais a ganhar indo para a conversão (e isso antes de levar em conta o quão difícil seria tirar a vantagem no segundo tempo contra a defesa do Seahawks). Então foi uma boa decisão. A questão é que se você acha o FG vantajoso para 45 jardas contra o vento, porque você vai achar um FG de 47 jardas A FAVOR do vento pior? Claro, a situações eram diferentes, mas se tem uma que faz mais sentido ir para o chute é a segunda. As situações eram diferentes, por isso digo que ele fez certo em tentar a conversão, mas só torna a primeira ainda mais inexplicável (e custosa).

Por fim, Payton teve outra decisão em 4th down para tomar no final da partida. Faltando 4 minutos e perdendo por 8, o Saints teve uma 4th and 15 da linha de 30 jardas do campo do Seattle. O FG seria de 48 jardas e sem dúvida ajudaria o Saints em sua busca pela virada, e uma conversão de 15 jardas contra essa defesa sem dúvida tem uma chance de sucesso muito pequena, de forma que não era a melhor opção. O FG seria o mais simples... de novo, se não fosse o vento. O vento voltou muito forte no quarto período, e mais uma vez estava contrário ao chute de Graham. 48 jardas com vento é um chute extremamente difícil, e Graham já tinha errado um em condições pouco menos desfavoráveis. A chance do FG entrar, embora seja difícil precisar, com certeza era muito baixa - tanto que assim que o FG foi chutado, ele já desviou para muito longe do alvo e nunca sequer chegou perto do Y. Então considerando a baixíssima probabilidade de certo no FG e a ótima posição de campo que você da ao Seattle em caso de erro - Lynch anotou o TD quatro jogadas depois - porque você iria tentar o FG? Mesmo que achasse que uma 4th and 15 teria uma chance de insucesso semelhante, porque não ir para o punt e tentar colocar Seattle na sua linha de 10? Com vento forte é mais difícil passar a bola, e assim você aumenta suas chances de recuperar a posse com tempo no relógio e o placar inalterado. O FG errado deu a Seattle grande posição de campo, e sabemos como isso acabou. Se enfrentando um jogo tão difícil você tem que minimizar seus erros, então a atuação de Sean Payton não ajudou.

Indianapolis Colts 23 vs 43 New England Patriots


É fácil (e errado) colocar a culpa em Andrew Luck

Então o Colts tomou uma surra do Patriots e foi eliminado dos playoffs. E claro, como sempre acontece, todo mundo teve que correr para achar alguém em colocar a culpa. A simples lógica de "venceu o melhor time, que entrou com o melhor plano de jogo e executou esse plano melhor" parece não ser boa o bastante, então todo mundo precisa de um bode expiatório. E foi ai que muita gente se voltou contra Andrew Luck.

O QB do time perdedor sempre está sujeito a levar a culpa. E no caso de Luck, muita gente correu para apontar que ele tinha lançado quatro interceptações (sete em dois jogos) e que isso prejudicou sua equipe, e todo tipo de derivação dessa narrativa que vocês podem imaginar. Claro, sempre é ruim quando seu QB está lançando interceptações. Uma, logo na primeira campanha do jogo, deu a bola ao Patriots na linha de duas jardas e um TD na jogada seguinte. Outra (que não foi culpa sua e veio depois do fulback soltar um passe curto) evitou que o Colts aproveitasse um safety em um punt bizarro.

O problema desse raciocínio é colocar em um contexto de jogo como essas interceptações ocorreram. O Colts entrou em campo procurando explorar a grande fraqueza de New England, sua defesa terrestre, e para isso precisou correr muito com a bola, especialmente pelo meio da linha defensiva de seu adversário. Bom, não funcionou - os dois guards de Indianapolis tiveram péssimas atuações, Donald Brown foi mal com a bola nas mãos, e isso significou basicamente que o time não conseguiu encurtar as descidas e precisou que seu QB convertesse todo tipo de jogada longa a cada campanha. Não ajuda que a defesa de Indianapolis se tornou apenas a segunda da história da NFL a tomar jogos consecutivos de 40 pontos, o que diminuiu ainda mais a margem do Colts para gastar o relógio e fez  o time precisar ainda mais do jogo aéreo.

Em outras palavras, para o Colts se manter no jogo, eles precisaram que Andrew Luck os mantesse lá sem ajuda de um jogo terrestre. Para piorar, com Reggie Wayne machucado, o Colts só tinha um recebedor bom no seu time (TY Hilton), e a defesa do Pats fez seu plano de jogo exatamente para tirar Hilton do jogo, sabendo que Luck ficaria sem outras opções. Então o resultado não foi agradável para Andrew Luck, que teve que jogar praticamente sozinho, o dia todo, atrás no placar, precisando acertar passes para recebedores que não estavam muito livres ou com um bom espaço para poder avançar. A falta de separação que seus WRs e TEs conseguiam obrigava Luck a colocar cada bola em um espaço pequeno cercado de defensores. Então é claro que alguns arremessos de Luck foram ruins e acabaram nas mãos dos defensores, mas é isso que acontece quando você não tem alternativa senão ficar forçando esses passes o jogo todo. Pouquíssimas vezes Luck teve o luxo de lançar para um recebedor que tinha espaço, e na maioria das vezes era um WR com dois defensores em volta pegando uma bola colocada exatamente no alcance das suas mãos e fora do alcance do defensor. Como você pode culpar alguém por isso?

A verdade é que se não fosse Luck mantendo o Colts na partida com arremesso ridículo atrás de arremesso ridículo o jogo todo (alguns entre os mais bonitos que eu vi na temporada inteira), o jogo teria acabado muito antes e Indianapolis não estaria ainda com chances no meio do terceiro período. Como disse alguém no twitter, não teve nada mais emocionante nesses playoffs do que ver Luck lançando para algum jogador fora da tela da TV. Ganhou o melhor time, o mais bem preparado e o mais experiente, mas não tenham a menor dúvida: o Colts perdeu apesar de Andrew Luck, não por causa dele.

O lixo de um é o tesouro do outro

Só por diversão, temos dois RBs desse final de semana:

RB A - 24 corridas, 166 jardas, 4 TDs
RB B - 3 corridas, 1 jarda, 0 TDs

Os dois RBs foram trocados recentemente de seus times antigos para os atuais. Um custou uma escolha de primeira rodada. Outro custou uma escolha de sétima rodada. Tempo!!

Claro, todo mundo já deve saber a essa altura que o RB A, LeGarrette Blount, foi o que custou a escolha de sétima rodada e o RB B, Trent Richardson, foi o que custou uma escolha de primeira rodada. Esse é o parte de porque o Patriots tem um time tão bom e competitivo a tanto tempo: eles são excelentes achando talentos sub-valorizados a preços baixos (Blount ganha um salário mínimo, btw) e tirando o máximo deles colocando-os em um contexto favorável e um plano de jogo inteligente, e foi o mesmo com Blount, que foi chutado de Tampa Bay mesmo correndo para 1000 jardas como calouro para se tornar o RB #1 de um time como o Patriots. Enquanto isso, o Colts pagou um preço altíssimo em inflacionado por um jogador com mais "status" e que nunca tinha feito nada para mostrar que era um bom jogador.  Um foi uma operação de baixo risco que rendeu ótima recompensa, outro foi uma troca de altíssimo risco que até agora foi um fiasco homérico. O Patriots ri com seu sucesso, enquanto o Colts vai ter que montar um time ao redor do seu excelente QB sem poder contar com essa escolha valiosa. Esses erros e sucessos contam e muito para o sucesso de cada equipe na NFL.

San Francisco 49ers 23 vs 10 Carolina Panthers


A ascensão e queda de Riverboat Ron

Uma das histórias mais divertidas da temporada foi a transformação de Ron Rivera em Riverboat Ron. Ron Rivera era um dos técnicos mais conservadores da NFL, um cara que se recusava a pensar de forma alternativa e tentar conversões curtas mesmo tendo Cam Newton e três bons RBs a sua disposição. Esse pensamento retrógrado causou muitas derrotas aos seus times ao longo dos últimos anos, e também foi bastante prejudicial para Carolina no começo do ano, de forma que até escrevi sobre isso em uma coluna depois da semana 2. Mas em algum momento ao longo da temporada, inexplicavelmente (eu assumo que envolveu uma experiência de quase morte e sonhos com espíritos), Rivera entendeu que estava prejudicando seu time com isso, e decidiu que iria se tornar o técnico mais agressivo da NFL. De repente, o Panthers estava indo para todo tipo de 4th and 1 e 4th and 2 durante os jogos, convertendo um número ridículo dessas jogadas e tendo grande sucesso com essa agressividade. Rivera até se deu o apelido de Riverboat Ron para simbolizar sua transformação, e não tenho dúvida de que essa transformação teve papel importante na grande temporada do Panthers.

Domingo, no seu primeiro jogo de playoffs como técnico do Panthers, Riverboat Ron teve uma chance de mostrar seu novo e mais agressivo eu. Depois de uma 1st and goal da linha de 6 jardas e duas corridas de Mike Tolbert e Cam Newton, o Panthers se viu em uma situação de 3rd and 1 para anotar o TD. Tolbert correu com a bola e foi parado para nenhum ganho, criando uma 4th and 1 e uma clássica situação de Riverboat Ron.

A decisão de Rivera aqui deveria ser clara como água: ele tem que tentar o touchdown. Não tem nem muito o que discutir. Você tem um dos melhores ataques de curta distância da NFL e o melhor QB de curta distância da NFL, e anotar o TD te da quatro pontos a mais do que um FG. A 4th DQ diz que um time vai converter na média 68% dessas jogadas, o que dá ao time uma expectativa de anotar 4.8 pontos ao tentar a conversão, enquanto ganha apenas 3 chutando o FG. Além disso, existe um benefício oculto em tentar a conversão que muita gente ignora: mesmo em caso de falha, você ainda vai ter seu adversário preso na linha de meia jarda, uma situação muito difícil que pode render um safety para a defesa, ou pelo menos uma boa chance de recuperar a bola em grande posição de campo (especialmente em uma defesa tão boa como a de Carolina). Considerando ainda que esse era um jogo entre duas defesas muito fortes e que anotar TDs seria difícil, você tem ainda mais motivos para aproveitar essa chance que pode ser a única. Então Rivera estava 100% certo quando alinhou para tentar a conversão.

Apesar da boa chamada, Newton foi pego na linha de meia jarda e o Panthers saiu sem o TD. Mas tudo funcionou mesmo assim, porque como já disse é a vantagem de tentar a conversão: o 49ers não conseguiu nada da linha de meia jarda (quase sendo interceptado), na hora de ir para o punt o time alinhou em uma formação mais conservadora que o normal (por conta da falta de espaço para evitar um bloquei), o que deu bastante espaço para o retorno de Ted Ginn até a linha de 31 jardas. No lance seguinte, Cam Newton mandou uma bomba perfeita para Steve Smith anotar o TD, um TD que acabou sendo consequência direta da agressividade do time na 4th down.

No entanto, pouco depois, o Panthers se viu com uma decisão quase igual para Riverboat Ron. Depois de uma corrida de Newton, Carolina esteve em uma 2nd and goal da linha de 1 jarda. Newton tentou um scramble que não deu em nada na 2nd down, e Tolbert foi parado novamente na linha de uma jarda na terceira descida, criando mais um 4th and goal da linha de uma jarda. Mas dessa vez, provavelmente por conta dos seus insucessos nessas situações na partida, decidiu ir para o FG. O PAnthers anotou o FG para abrir 10-6 no placar, mas San Francisco logo recebeu a bola, gastou os 4 minutos restantes na partida para anotar o TD e virar 13-10, e o Niners dominou o resto do jogo a partir desse ponto sem dar chance ao rival.

É difícil dizer que um lance apenas como esse mudou todo o jogo e foi o responsável em transformar um primeiro tempo de total dominação de Carolina em um segundo tempo perfeito de San Francisco, mas é fácil ver que Ron Rivera errou feio ao chutar o FG e o quanto isso custou ao seu time. A lógica para tentar a conversão é a mesma de antes: você tem um bom ataque terrestre, o TD vale muito mais pontos que o FG, e você coloca o ataque adversário em péssima situação caso não funcione. E nesse caso ainda por cima tem a questão do tempo, já que você provavelmente recebe a bola em tempo de tentar uma última campanha sem deixar nada  para o adversário, mais um motivo para tentar o TD. Claro, muita gente vai apontar que foi bom porque o time não vinha conseguindo anotar o TD nessa situação, mas isso é overreact a uma amostra pequena: Carolina converteu 90% das situações semelhantes ao longo da temporada, e a defesa de SF permitiu TDs em 66% de jogadas na linha de uma jarda ao longo dos últimos dois anos. Além disso, tinha a questão da posição de campo e do relógio a serem considerados. Então tentar era uma decisão clara. Rivera ficou com medo e chutou o FG. Carolina anotou os três pontos, mas devolveu a bola para SF na linha de 20 jardas ao invés da de uma jarda, SF anotou o TD para virar o jogo faltando 5 segundos e foi para o vestiário na frente, 13-10, em um primeiro tempo dominado por Carolina, e o time nunca mais olhou para trás.

Os cenários que Rivera deixou de considerar são um bom exemplo de porque ele errou. Se o TD é anotado, o time abre 14-13 e iria para o vestiário em vantagem mesmo após o TD de San Francisco. Se a conversão é falha, San Francisco começa da linha de uma jarda, provavelmente vai para o punt, e Carolina ainda teria tempo de tentar um FG ou mesmo um TD, indo para o vestiário na frente 7-6 ou mesmo 10-6 ou 14-6. Ao invés disso, foram para o intervalo perdendo de 13-10, algo que poderia ser evitado se Riverboat Ron tivesse falado mais alto na lateral. Ao invés disso Rivera ficou com medo pelo seu insucesso anterior, esqueceu um fator importante que fez do seu time tão bem sucedido, e seu time pagou o preço.

A diferença que um treinador faz

A falha de Rivera em ser Riverboat Ron custou ao seu time no final do primeiro tempo, e coincidentemente ou não, foi o momento que o jogo mudou (SF iria ganhar o jogo por 17-3 a partir daquele ponto). Mas teve outro motivo para essa mudança drástica, e também teve a ver com técnicos. Dessa vez, com Jim Harbaugh e Vic Fangio.

Um dos motivos pelos quais o Panthers foi tão bom no primeiro tempo, especialmente no ataque, foi porque eles pegaram o Niners desprevenido em seu plano de jogo. Assim como ano passado SF pegou Green Bay de surpresa com o read option, Carolina também incluiu em seu plano de jogo uma série de pequenos ajustes e formações diferentes que tinha usado pouco durante a temporada regular e que, certamente, não estavam nos vídeos estudados pelo Niners. Ao invés do pacote pesado de corridas, o time usou muitos disfarces para deixar Cam Newton a vontade no pocket e pegando a defesa desprevenida nas laterais. O time também usou alguns read options para correr com a bola e também, menos comum neles, para fazer simples play actions e deixar seus WRs velozes no mano-a-mano contra a secundária desfalcada de SF. A defesa não estava esperando isso, e Carolina aproveitou para fazer seu ataque funcionar (menos na linha de uma jarda).

Mas no intervalo, especialmente com a vantagem proporcionada pelo erro de Riverboat Ron, o Niners fez seus ajustes. Ofensivamente, o time pouco fez de excepcional, alguns ajustes na proteção e mais lançamentos na direção de Anquan Boldin (especialmente explorando Dayton Florence). Mas defensivamente, o time voltou preparado para o novo plano de Carolina. Com a vantagem (que subiu para 20 na primeira campanha ofensiva do time) e maior confiança na sua defesa terrestre, o time começou a ser muito mais agressivo ofensivamente, mandando muitas blitzes de diferentes locais e pressionando os CBs na linha de scrimmage, tirando a opção dos passes curtos e rápidos e obrigando Cam Newton a fazer seus passes depois de algum tempo, em geral sem espaço no pocket ou fugindo de um sack. Newton não funciona tão bem nessas situações, ainda tem alguns hábitos ruins (especialmente lançar a partir do pé de trás) e não tem a criatividade e precisão de Wilson ou Aaron Rodgers. Muitas vezes ele tentou ganhar tempo no pocket esperando seus WRs ficarem livres para logo ser engolido pelo pass rush, e quando tentou sair pouco espaço teve para fazer qualquer coisa. O read option parou de funcionar e foi abandonado, e ai o Panthers teve que voltar para seu plano tradicional, que não teve sucesso contra uma fortíssima defesa. A maior diferença foi a pressão gerada, com cinco sacks só no segundo tempo em cima de Cam (contra apenas um no primeiro). O ataque de Carolina não iria mais ameaçar o resto do jogo, o ataque terrestre de SF começou a achar espaços, e o time carimbou sua viagem a Seattle. Então nunca subestimem a importância dos ajustes dentro de jogo dos técnicos. O 49ers ajustou brilhantemente, e Carolina não conseguiu responder.

Em tempo, já que o assunto é a importância de um técnico, San Francisco passou 8 anos sem sequer ir aos playoffs, ganhando 7, 2, 4, 7, 5, 7, 8 e 6 jogos entre 2003 e 2010. No ano seguinte chegou Jim Harbaugh, e San Francisco ganhou 13, 11.5 e 12 jogos nos três anos seguintes, chegando a três finais de conferência consecutivas. Um bom lembrete sobre o impacto que um bom técnico pode ter, para todos os times que estão mudando seus técnicos nessa offseason.

San Diego Chargers 17 vs 24 Denver Broncos


Quando tudo da certo, e você não aproveita

Um primo próximo do que falamos sobre o Saints, sobre como quando você enfrenta um adversário que é franco favorito você não pode continuar dando a ele presentes e oportunidades para causar estrago. A situação do Chargers, embora semelhante, não é a mesma. Se o Saints deu oportunidades ao adversário e não podia, o Chargers foi o time que recebeu diversas oportunidades (uma parte delas menos por causa de erros do Broncos e mais por pura sorte) para tentar a zebra, mas não conseguiu aproveitar. E as duas são mortais, lembrando que San Diego era +9.5 para esse jogo - isso significa que esperam que você vença 22.2% do tempo apenas (curiosamente, na história da NFL, times + 9.5 venceram 22.1% das vezes antes desse jogo).

Deixando de lado um instante a má atuação do Chargers durante os primeiros 40 minutos de jogo e a boa atuação da defesa do Broncos, a verdade é que o placar deveria ser muito mais elástico do que foi. O Broncos foi o time que vacilou ao longo da partida, as vezes por más jogadas, as vezes por puro azar. O que eu falei que o Saints não podia fazer com o Seattle, o Broncos fez um pouco aqui. A questão é que o Chargers não transformou isso em nada.

Logo na primeira campanha do Broncos (após uma boa campanha de SD terminar em um sack e um punt), Peyton Manning teve a bola na linha de 29 do campo de ataque e tentou achar um Wes Welker em velocidade na end zone. Mas o passe foi muito ruim e sem controle, e ficou pendurado tempo o suficiente para o CB Shareece Wright cortar a rota do passe e se colocar em posição para conseguir uma interceptação. A bola foi perfeito no meio do peito de Wright, que não conseguiu segurar e fazer a interceptação. Algumas jogadas depois, Manning transformou o erro de Wright em 7 pontos com um passe para Demaryius Thomas. Depois de outro punt, Chargers teve uma nova chance: em um passe esquisito para Julius Thomas, o TE de Denver não conseguiu controlar a bola direito, tomou um tackle e soltou a carne, que foi recuperada por San Diego. No replay é quase impossível ver com certeza se foi fumble, down by contact ou passe incompleto, então permaneceu a marcação original, para sorte do Chargers. De novo, o time não aproveitou a boa posição de campo (linha de 45): o time avançou 26 jardas antes de Philip Rivers tomar um sack, e Nick Novak errar o FG. Então San Diego poderia ter evitado os 7 pontos de Denver e/ou anotado mais pontos seus com esse fumble sortudo, mas ao final dessas campanhas, o placar ainda era 7-0 para Denver. Aproveitando a boa posição de campo do FG errado, Manning logo anotou outro TD para fazer 14-0, um 14-0 que o Chargers teve a chance de evitar ou fazer algo melhor e não aproveitou.

Mas espera, tem mais. Faltando 3 minutos para o fim do primeiro tempo, o Broncos recuperou a bola novamente e se lançou em uma campanha. O time chegou dentro da linha de 5 jardas, mas na terceira descida, um bom passe de Manning para Eric Decker não foi seguro pelo WR, pipocou no ar, e Donald Butler  fez ótima jogada na bola pendurada para conseguir com uma interceptação, salvando assim pelo menos três pontos. Com 30 segundos e dois tempos para pedir, San Diego preferiu ajoelhar na bola mesmo sabendo que ela começaria com Denver no segundo tempo. Logo no retorno, Eric Decker quebrou seis tackles e tinha caminho livre até a end zone, mas tropeçou sozinho e caiu na linha de 40 jardas. Logo depois, Manning fez passe lindo para um livre Wes Welker na end zone, que deixou a bola cair e forçou o FG de Denver. Então o que deveria ter sido 10 ou mesmo 14 pontos para Denver acabou resultado em apenas três, por pura sorte e pela boa jogada de Butler. Pouco depois, Matt Prater ainda erraria um FG de 47 jardas.

Eventualmente no quarto período, Philip Rivers e o ataque do Chargers acordou, anotou 14 pontos porque a defesa do Broncos inexplicavelmente decidiu que não precisava cobrir Keenan Allen e ainda recuperou um onside kick milagroso para trazer a diferença para sete pontos, antes de Manning tirar o jogo de alcance com dois passes cruciais em terceiras descidas (uma em 3rd and 18). O Chargers chegou perto de conseguir uma grande zebra, mas a verdade é que o jogo não foi nem tão apertado como pareceu pelo que os dois times jogaram, e também não é difícil ver aonde o Chargers não conseguiu. O Broncos e o acaso deram várias oportunidades para o Chargers, e eles não aproveitaram. Tiveram uma interceptação na mão para evitar 7 pontos do Broncos e não conseguiram. Recuperaram um fumble em grande posição de campo, não geraram pontos e ainda deram boa posição para o Broncos anotar mais sete. Conseguiram sair de alguma forma tomando só 3 pontos quando deveriam ter tomado 14, e mesmo assim só foram anotar um TD no quarto período.

Se o Saints nos ensinou que quando você quer superar um time superior você não pode continuar atirando no próprio pé e dando chances ao adversário, então o Chargers é um exemplo de como você também não pode deixar passar todas as chances que colocam nas suas mãos, senão o buraco fica grande demais para sair depois. O Chargers não conseguiu, e é por isso que a Bolo Tie não está indo para New England semana que vem.

sábado, 11 de janeiro de 2014

NFL Divisional Rounds, Parte I - Sábado

Russell Wilson, o QB do break dance


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No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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A semana foi mais curta do que o normal por motivos de viagem, e depois de falar o que eu tinha a respeito da rodada de wild card, agora é hora de fazer um preview rápido sobre os quatro jogos desse final de semana. Vai ser mais curto e menos detalhado do que o normal... mas é o que da para fazer por enquanto. Parte II vem domingo cedo ou sábado a noite. Semana que vem a vida volta (oremos) ao normal, e voltamos a fazer essas coisas com calma. Por enquanto... Bem...


New Orleans Saints at Seattle Seahawks (Seattle favorito por 8 pontos)


Dos quatro jogos desse final de semana pelos playoffs da NFL, três deles são revanches de jogos que aconteceram durante a temporada regular, a exceção sendo Patriots e Colts. E como é de praxe, muita gente vai usar esses jogos como a base do que esperar para cada um desses três confrontos, sendo um ponto de partida.

Isso não esta de todo errado, e esses jogos não são irrelevantes: afinal, são os mesmos times, com os elencos quase iguais, e muitas vezes o resultado de um jogo é consequência direta dessas condições naturais das equipes. Mas é um erro muito comum achar que os jogos acontecem sob as mesmas circunstâncias. Um jogo é uma amostra pequena demais, na qual afetam diversos fatores: o estado dos jogadores naquele dia (quem diz que Drew Brees não comeu uma lagosta estragada na véspera da partida?), alguns jogadores que poderiam ou não se encontrar machucados ou abaixo da sua forma física ideal (e cuja condição mudou para o segundo jogo), algumas jogadas tem um fator de aleatoriedade alto (drops, recuperações de fumbles, TDs defensivos, etc) e dificilmente se repetiriam da mesma forma com uma amostra maior, o tipo de preparo de cada equipe para enfrentar o adversário, e tudo mais. Então sempre é uma armadilha levar ao pé da letra esse tipo de coisa.

Em outras palavras, o que eu quero dizer é que embora o Saints tenha sido dominado anteriormente na temporada em Seattle, perdendo de 34 a 7, isso não quer dizer que New Orleans vá tomar outra surra ou que não tenha chances de vencer nos confins do Century Link Field. É mais importante olhar o que aconteceu naquele jogo para acabar com esse placar, quais as mudanças que devem acontecer para esse jogo, e como o Saints pode evitar que isso se repita.

Descartando alguns fatores aleatórios que contribuíram para o placar elástico (em particular, o Seattle recuperando dois fumbles decisivos - um retornado para TD, um dentro da red zone, sendo que a chance de recuperar os dois, de acordo com Bill Barnwell, era de 19%), o principal motivo que levou Seattle a vencer aquele jogo de forma tranquila é o mesmo que levou o time a terminar a temporada como o melhor time da NFL (em DVOA): sua espetacular secundária. Entre Richard Sherman, Earl Thomas, Kam Chancellor, um infindável grupo de CBs reservas que se revezam e um grupo muito bom de LBs, é uma tarefa extremamente complicada lançar a bola contra essa secundária. Seattle terminou disparado em primeiro defendendo o passe na temporada, com o melhor DVOA que a NFL viu desde 2009, e o time ainda gerou 28 interceptações (a média da NFL foi de 16 por time). De fato, naquele jogo na semana 13 em Seattle, o Saints só passou para 144 jardas, de longe sua pior marca da temporada - o time não ficou abaixo de 230 em nenhum dos outros 16 jogos (incluindo playoffs) da temporada.

Então se alguém quiser vencer Seattle, vai ter que passar por cima dessa secundária infernal se quiser sair com a vitória. Esse é um problema particularmente maior para o Saints, o único time da NFC sem uma defesa de elite, e de longe o time que mais depende do passe entre os quatro times. A maior força de New Orleans é seu ataque, que terminou a temporada como o quinto melhor da NFL e o terceiro melhor ataque aéreo da liga. Eles possuem um Hall of Famer de QB em Drew Brees, uma das melhores mentes ofensivas da NFL em Sean Payton, um dos três melhores TEs da NFL em Jimmy Graham, e um grupo extremamente eficiente de armas funcionando em um esquema muito bem montado para tirar o máximo de cada uma delas. Quando esse ataque vai funcionando as mil maravilhas, o Saints é um time muito perigoso. Mas quando o ataque aéreo para de funcionar, é um problema. Por isso é tão perigoso o matchup para o Saints.

Então o Saints vai ter que dar um jeito de fazer seu ataque funcionar, coisa que não conseguiu na primeira partida. Como o time vai fazer isso é a questão. O time pode simplesmente bater de frente com a defesa aérea do time, e para isso conta com uma vantagem: ao contrário da primeira partida, Jimmy Graham está 100% saudável, e seu principal marcador, KJ Wright, está fora da partida. Esse é o tipo de coisa que eu disse lá em cima que muda de um jogo para outro, e que pode ser decisiva: Wright fez um trabalho excelente no recebedor mais perigoso do Saints, mas agora isso não vai ser mais uma opção. Então isso força o Seattle a se adaptar, seja colocando um outro LB inferior em Graham (o que daria mais espaço ao jogador e possivelmente atrairia marcação de um segundo jogador) ou colocando Richard Sherman no mano-a-mano em cima dele, o que naturalmente abriria o resto do campo para os demais jogadores. Então Graham (e a forma como Seattle vai cobrí-lo) é o wild card desse duelo, e se o TE conseguir forçar novos ajustes da defesa, vai ser uma vitória para o ataque de New Orleans e um bom começo para tentar vencer esse duelo.

Uma alternativa que o Saints pode recorrer é tentar vencer o jogo sem precisar desafiar direto a defesa aérea do adversário, através do jogo corrido. A defesa de Seattle não é horrível contra o jogo terrestre, é até boa, mas mostrou bastante vulnerabilidade no final da temporada contra ataques mais competentes. Explorar esse ponto seria uma forma de encurtar as descidas (evitando que Brees precisasse ficar muito tempo no pocket com um LT calouro contra um ótimo pass rush), controlar o relógio, fazer funcionar o play action (Brees teve rating de 116 lançando para Kenny Stills em profundidade e está com 15 TDs e só 2 INTs em passes que viajam mais de 20 jardas) e eventualmente forçar ajustes da defesa e abrir linhas de passe. O problema com essa estratégia é fazer funcionar, já que o Saints não teve um bom ataque terrestre ao longo da temporada, o 19th melhor apenas com 3.8 jardas por tentativa. Pierre Thomas, o líder em corridas do time, não deve jogar no sábado, o que piora a situação. Então New Orleans vai ter trabalho para impor seu jogo terrestre e executar um estilo de jogo que não está acostumado e não é aquele para o qual seu elenco foi construído. Ainda assim, existe uma luz no fim do túnel nesse sentido para NO: semana passada, contra o Eagles, o time entrou com um plano de jogo voltado para o ataque terrestre, e deu muito certo. Foram 30 passes contra 36 corridas, que geraram um total de 185 jardas (5.1 jardas por corrida). Tudo bem que a defesa terrestre do Eagles é muito inferior a do Seattle, mas é um sinal encorajador que o Saints tenha entrado com esse plano de jogo e tido sucesso nele. Conseguir ou não fazer o mesmo contra uma defesa superior de Seattle vai ser a chave para o jogo.

Do outro lado, a questão crucial que tiramos do primeiro jogo é saber como o Saints vai fazer para conter Russell Wilson fora do pocket. Wilson é bom dentro ou fora dele, mas ele é particularmente mortal quando está saindo do pocket, confundindo a defesa e correndo para first downs ou criando novas linhas de passe. Ele fez isso frequentemente no primeiro jogo - muitas vezes saindo da read option - e a defesa simplesmente não parecia preparada. Jogadores pareciam confusos sobre quem iria cobrir o que, com muitas vezes dois jogadores realizando a mesma função, a secundária inteira batendo cabeças e deixando jogadores livres - o que significa que Russell Wilson passou o dia todo lançando para WRs livres. Agora o Saints me parece mais vacinado, e mesmo sem Kenny Vaccaro, eu não espero tanta confusão de uma defesa que foi underrated ao longo da temporada regular. Não que eu ache que a defesa de NO vá vencer o jogo sozinha contra um bom ataque no estádio mais difícil de se jogar da NFL, mas também não acho que o ataque de Seattle vá colocar um número impossível de pontos no placar de forma que o Saints não consiga mais alcançar contra sua secundária. No final, o que vai mesmo definir o jogo vai ser ataque do Saints vs defesa do Seahawks.

Eu acho que esse jogo não vai ser tão fácil quanto o da temporada regular: New Orleans está mais preparado em termos de esquema e principalmente de pessoal (com Graham 100% e Wright fora). Seattle tem parecido um poooouco decepcionante nas últimas semanas, e o Saints tem Drew fucking Brees. E não acho provável que Seattle ganhe todos os golpes de sorte como foi na semana 12. Então não acho que vá ser um jogo fácil. Mas acho que no final, prevalece o melhor time com o mando de campo. Seahawks 23, Saints 20.


Indianapolis Colts at New England Patriots (New England favorito por 7 pontos)


O único jogo desse final de semana que não é uma segunda ou terceira versão de um confronto da temporada regular. Então para esse, temos que analisar os dois times separadamente.

A história da temporada para o New England Patriots, outra além do fato de Bill Belichick e Tom Brady terem reinventado esse time e transformado Julian Edelman em Wes Welker 2.0, é que o time atual de New England tem muito pouco a ver com o time que deveria ser quando a temporada começou. Todo tipo de lesões ou mesmo de performances abaixo do esperado mudaram drasticamente a cara da lineup de New England, e com isso, mudaram também as qualidades e fraquezas da equipe - em geral favorecendo a segunda. Só do lado defensivo da bola, New England perdeu Vince Wilfork, seu reserva Tommy Kelly, seus dois melhores LBs (Brandon Spikes, #6 da temporada per PFF e uma força contra a corrida, e Jerod Mayo, melhor na cobertura), seu safety (Adrian Wilson) e viu uma lesão derrubar Aqib Talib de "um dos melhores CBs da primeira metade da temporada" para "um dos piores da segunda metade"  (não, sério, olha a diferença). Como era de se esperar com tudo isso de lesões, o que deveria ser uma muito sólida defesa de New England no começo da temporada foi piorando consideravelmente ao longo do ano: a equipe acabou o ano com um DVOA defensivo de 4.1%, 21st melhor da NFL apenas. Mas considerando o DVOA ajustado - que da peso maior quanto mais tarde na temporada o jogo, de forma a melhor refletir a evolução da equipe ao longo da temporada - o Patriots terminou o ano com DVOA defensivo de 9.2%, marca que teria colocado New England como 25th melhor defesa apenas. É uma queda bastante brutal.

Mais especificamente, o Patriots tem sido abismal defendendo a corrida desde a lesão de Wilfork e Kelly, terminando como a quarta pior defesa terrestre da temporada regular. Esse problema não vai ser ajudado por Brandon Spikes indo no IR, e agora o time vai ter novamente que confiar em jogadores de special teams ou calouros não-draftados. A secundária tem ainda Devin McCourty, em ótima temporada, mas seu sucesso no começo da temporada se devia a capacidade de Talib de marcar no 1-1 o melhor defensor do adversário. Desde que Talib se machucou e entrou em uma fase difícil, a defesa sofreu com as consequências: o time foi o quinto pior da NFL marcando WRs #2 e demais WRs, e depois da lesão de Mayo, muita dificuldade marcando TEs e RBs pelo meio do campo. E por mais que Bill Belichick seja um dos melhores técnicos defensivos da NFL e tenha tido muito sucesso em anos recentes montando defesas fortes com um monte de jogadores pouco importantes em torno de seu núcleo, sem o núcleo de jogadores nível Pro Bowl nem ele é capaz de montar uma defesa de elite.

E é essa defesa que o Colts vai ter que explorar se quiser vencer New England nos confins gelados do Gilette Stadium. O Colts já mostrou mais uma vez que sua defesa tem muitas falhas semana passada, tomando 44 pontos do Chiefs. Indy terminou a temporada regular como uma defesa bem mediana, 16th overall com DVOA de 0.8%, mas também foram a defesa mais inconsistente da temporada: eles começaram a temporada muito forte, pularam para uma das piores unidades da NFL no meio da temporada, e dai terminaram com boas performances nas vitórias da equipe. É difícil saber exatamente como vai ser essa defesa, já que parecem mudar tanto jogo a jogo.

O segredo da defesa do Colts, em geral, tem sido Robert Mathis. Quando o possível DPOY da temporada esta conseguindo separação na linha, pressionando QBs e conseguindo sacks e fumbles, a defesa do time se estabelece e consegue ser eficiente. Mas quando Mathis não está tendo sucesso, a falta de outros pass rushers e a falta de jogadores mais competentes na secundária torna essa defesa extremamente vulnerável ao passe. Contra Tom Brady no frio de Foxborough e em um jogo que, pela falta de qualidade das defesas, parece estar caminhando para um jogo de placar alto em um duelo de ataques, a chave da partida parece ser justamente se Mathis consegue importunar Brady o suficiente para tirar o ataque de New England de ritmo.

Por sorte, o Patriots conta com mais duas lesões sérias e importantes no ataque. A primeira, claro, é Rob Gronkowski, o alvo de confiança de Tom Brady e possivelmente o melhor TE da NFL. A ausência de Gronk trás uma vantagem extremamente óbvia: ele é o melhor recebedor da equipe e o cara que Brady tem confiança para lançar a bola, então sem ele o time não precisa comprometer tanta ajuda defensiva a um jogador só, e portanto segura mais tempo a cobertura enquanto espera alguém atrapalhar o QB no pocket. Da mesma forma, sem ele Brady não tem sua opção de segurança, aquele cara que é só jogar a bola perto que consegue a recepção, o que força o QB a analisar mais o campo e esperar uma abertura maior para soltar a bola. Mas talvez ainda mais importante seja outra lesão do Patriots, a do OT Sebastian Vollmer. Vollmer era o melhor jogador de linha de New England, e desde que ele machucou o lado direito da linha não tem sido o mesmo, com seu reserva Marcus Cannon misturando performances sólidas com verdadeiras atrocidades. Com Nate Solder de volta, Mathis provavelmente deve alinhar mais do lado esquerdo da linha do Colts para ficar no matchup com Cannon, e esse é o duelo mais importante do jogo. Andrew Luck e o Colts vão conseguir pontuar contra a fraca defesa de New England, mas o ataque do Patriots é bom demais e muito superior. Mesmo sem Gronk, o time achou uma rotação eficiente no jogo terrestre, e Shane Vereen e Edelman estão jogando bem demais (e eles tem Tom Brady, btw). Então se for uma batalha de volume ofensivo, o Patriots tem uma clara vantagem.

Por isso é tão crucial que Mathis apareça. A defesa do Colts é melhor, mas não o suficiente para sozinha tirar a diferença entre os ataques. Para isso, você precisa que o melhor jogador defensivo da partida cause o tipo de caos para desestabilizar Tom Brady, e tire todo o ataque do Patriots de sintonia. Você não tem um jogador capaz de fazer isso na defesa do Patriots atualmente, mas você tem um jogador na do Colts. O segredo por trás da vitória surpreendente do Colts sobre o Denver no começo da temporada, em situação semelhante, foi justamente esse: Robert Mathis conseguiu um sack, um fumble crucial, e consistentemente estava fungando no pescoço de Peyton Manning, impedindo que o QB ficasse confortável no pocket e estabelecesse seu ritmo. Se o Colts quiser vencer esse jogo, ele vai ter que fazer o mesmo com Tom Brady, e Marcus Cannon é o caminho para isso.

Outra opção pra o Colts é jogar controlando o ataque de New England. Em outras palavras, explorar a  horrível e embaraçosa defesa terrestre de New England (que deve ser ainda pior depois de perder o bom Spikes) para controlar o relógio, manter o ataque do Patriots fora de campo, e garantir que o grande problema de New England (a defesa) continue jogando. Assim você mantém seu ataque mais tempo em campo e tira o ritmo ofensivo da outra equipe. Claro, é mais fácil fazer isso quando seu RB não é Trent "duas jardas" Richardson, mas Donald Brown vem jogando muito bem e o próprio Andrew Luck pode correr quando necessário. Em geral, o Colts é um time muito mais eficiente quando passa a bola primeiro e corre depois como consequência, então não é como se o time fosse cometer com o jogo terrestre a partida toda, mas é uma peça que precisa estar no arsenal.

E também tem isso: nos últimos oito anos, a rodada divisional sempre apresenta uma grande zebra. Sete dos oito últimos anos, essa zebra envolveu um time que era underdog por pelo menos 7 pontos. Em outras palavras, esse ano temos três candidatos: Saints at Seattle, Colts at Patriots, e Chargers at Denver (Niners e Panthers o spread é de 1 ponto). Eu me sinto obrigado então a apostar em pelo menos uma zebra, e vai ser o Colts (semana passada foi o Chargers, vocês viram como acabou). Eu sei que Pats é um time bem melhor e joga em casa, mas a defesa é simplesmente abismal, e Andrew Luck já provou que foi colocado nessa Terra para vencer jogos no quarto período. Se o ataque do Pats começar a sair de sintonia - um grande se - eu consigo ver o Colts aproveitando a brecha e saindo com a vitória. Não vai ser fácil e é provavelmente uma aposta burra, mas via pelo feeling. Colts 34, Patriots 33.


PARTE II VINDO SÁBADO OU DOMINGO!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Aonde cada time se encontra na metade da temporada

Phillip Rivers não gostou do calendário do seu time




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Ao final da nona semana da NFL, chegamos em um ponto interessante: o momento que mais se aproxima, na NFL, da metade da temporada. Claro que, como a temporada tem 17 semanas, não existe realmente um ponto que seja a "metade", mas eu gosto da semana 9 porque é o primeiro momento na temporada onde cada um dos 32 times jogou pelo menos 8 vezes. Alguns poucos jogaram 9, mas não é o importante - o importante é que todos os times já chegaram pelo menos na metade das suas temporadas regulares, e então já começamos a ter uma visão mais clara do que cada time representa no cenário da NFL. Ent ão ao invés de fazer nossa habitual passagem pela rodada destacando os pontos mais interessantes, vamos fazer um giro pelos 32 times da NFL e vamos separar aquilo que nós sabemos sobre eles, a essa altura, e quais as questões que eles enfrentam indo para frente. Alguns, como vocês vão ver, já tem um papel claro na temporada... outros, nem tanto. Só para deixar claro que os times estão ordenados de acordo com as divisões, e não por qualquer critério.

Hoje vamos começar pela AFC, e amanhã passamos para a NFC.


New England Patriots

Se estamos separando entre times que temos uma clara visão das suas habilidades e do seu papel na temporada, e aqueles que não temos nada disso definido, New England seria o segundo. Em parte porque muita coisa vem mudando para a equipe desde o começo da temporada, em parte porque algumas peças cruciais dessa equipe ainda enfrentam muitas questões e alguma instabilidade, e em parte porque mesmo que o time esteja apresentando muitas falhas, nunca é prudente descartar um QB como Tom Brady.

No começo da temporada, parecia que  New England teria que se virar com um ataque cheio de jogadores medíocres, um jogo terrestre inconsistente e compensar isso com sua forte defesa, e foi assim que o time começou bem o ano. Mas agora, que Vince Wilfork e Jerod Mayo estão fora da temporada - e Aqib Talib, um dos melhores CBs da NFL em 2013, batalhando com uma lesão - a defesa se tornou um ponto vulnerável. O time ainda está contando com boas temporadas de jogadores como Devin McCourty (agora jogando de safety) e Brandon Spikes, mas a falta de seu melhor LB, seu pilar defensivo (Wilfork) e o reserva do seu pilar defensivo (Tommy Kelly), esse grupo que começou tão bem o ano agora não está mais passando a mesma segurança: o time está cedendo 5.4 jardas por corrida desde que Wilfork se machucou e tem tomado alguns sufocos de ataques medíocres como Jets, Steelers e Dolphins (embora esse tenha durado só um tempo). Eles ainda possuem bons jogadores e não serão uma peneira no restante da temporada, mas está deixando de ser uma unidade na qual um ataque mediano poderia se apoiar para se tornar um grupo capaz de ser explorado por um adversário competente.

O problema é que ofensivamente, New England também enfrenta algumas questões. Antes de mais nada, o time tem apenas dois recebedores confiáveis no ano, e os dois enfrentam diversos problemas de lesão, Rob Gronkowski e Danny Amendola. Quando saudáveis, o ataque do time pode render muito bem, mas é difícil confiar que ficarão saudáveis até o fim do ano quando nenhum deles conseguiu esse feito nos últimos dois anos. Também atrapalha o fato de que Tom Brady está tendo a pior temporada da sua carreira e dando alguns sinais da idade: mesmo depois de um excelente jogo contra o horrível Steelers (que fez Matt Cassell parecer competente), Brady ainda está com as piores marcas da carreira em aproveitamento (57.1%), TD% (3.8%), Rating (82) e QBR (56.9, embora essa estatística só exista desde 2008), e a segunda pior marca da carreira em jardas por passe (6.6), pior desde 2002. Se desconsiderarmos tudo que sabemos sobre o grande QB que Brady é, esses números são realmente bem fracos, tirando seu QBR e seu bom índice de interceptações (1.8%). Mas ele ainda é Tom freaking Brady, e nunca é prudente descartar um jogador desse calibre como velho ou ineficiente - ele ainda pode vencer um jogo se estiver em um dia bom. Mas sua tarefa será muito mais complicada se Gronk e Amendola voltarem a perder jogos, especialmente com Sebastian Vollmer, o melhor jogador da linha ofensiva, fora da temporada. 

O Patriots ainda é o favorito para vencer a divisão e ir com folga aos playoffs, especialmente com um calendário favorável (depois de enfrentar Panthers e Broncos voltando de bye, não tem um adversário acima de 50% no caminho deles), mas essas questões podem ser mais significativas chegando nos playoffs contra competição mais acirrada. Muita incerteza ainda pela frente para New England, embora quando sua incerteza envolve "praticamente garantido nos playoffs", isso não é necessariamente uma coisa ruim.


Miami Dolphins

Quando o Dolphins venceu seus três primeiros jogos, eu avisei que era uma possível pegadinha: o último time a vencer seus três primeiros jogos tendo menos jardas do que o adversário em cada um dos três foi o Cardinals do ano passado, que venceu quatro assim antes de perder 10 seguidos. E embora o Dolphins fosse um time melhor que o Cardinals, eu achei que logo iriam regredir. Dito e feito, 4 derrotas depois o time parecia ter voltado ao normal antes de uma boa vitória sobre o Bengals.

Ainda que a 4-4 o time esteja em uma boa posição para sonhar com o segundo Wild Card na AFC, 0.5 vitórias atrás do atual detentor do posto (5-4 Jets), eu não gosto do prognóstico desse time para o resto da temporada. Entre os 12 piores ataques E defesas da NFL antes da rodada começar, o Dolphins não me parece ser o time capaz de executar alguma função em alto nível na temporada, e isso antes de entrar nas questões relativas a bagunça que está a organização nesse momento, com um jogador fora do time por questões pesadas de bullying e abuso por parte dos colegas e outro suspenso enquanto é investigado por estar envolvido no abuso a esse companheiro de time (inclusive o uso de ameaças físicas e insultos raciais). Isso não só tirou dois OL titulares da equipe (de uma unidade que já era ruim) como piora enormemente o clima no local, não só questionando a liderança do fraco técnico Joe Philbin como expondo também os diversos problemas internos da organização em um time que parece tudo, menos coeso. O time parece ter cânceres demais (incluindo o melhor jogador que sobrou na OL, Mike Pouncey, que inclusive foi questionado pelo FBI por sua campanha "Free Aaron Hernandez") para resolver tudo de uma vez, e isso não vai facilitar a vida de um time que já era mediano antes desses problemas acontecerem. Não tem nada que me deixe menos confiante do que um vestiário em ruínas e sem nenhum tipo de união entre jogadores e comissão técnica.

E ainda mais preocupante do que isso tem sido a atuação do QB Ryan Tannehill, que deveria ser o Franchise QB do time mas que está tendo um ano muito ruim. Seus números como passadores são bem fracos - 60.2%, 6.8 Y/A, 11 TDs contra 9 Ints - mesmo antes de considerarmos que Tannehill lidera a NFL com 35 sacks (!!!) e 8 fumbles sofridos em 8 jogos (!!!!!!), números horríveis para qualquer jogador. A linha ofensiva muito ruim da equipe sem dúvida contribuiu para isso, mas Tannehill simplesmente não mostrou nenhuma habilidade para ganhar tempo no pocket, criar separação ou fazer jogadas em movimento, e muito menos de proteger a bola quando sofre contato. Seu QBR de 38 é o 31st entre 39 QBs qualificados, o que também é um péssimo sinal para seu QB segundo-anista. Tannehill vai precisar melhorar e muito - com uma linha ainda mais desfalcada - se quer levar o time aos playoffs.


New York Jets

O Jets é o time mais bipolar e de maior variação na NFL nessa temporada, mesclando jogos excelentes contra bons times (boas vitórias contra Patriots e Saints) com derrotas para Steelers e o massacre de 40 pontos contra o Bengals semana passada. Então enquanto o record de 5-4 e as vitórias contra Pats e Saints mostram que esse é um bom time, é difícil confiar em uma equipe que parece brincar de Dr. Jekyll e Mr. Hyde a cada semana. A defesa é muito sólida e Muhammad Wilkinson evoluiu em um dos melhores DTs da NFL, então o time tem boas chances de ver sua defesa ganhar alguns jogos, mas o ataque...

O ataque é liderado pelo jogador mais volúvel da NFL, Geno Smith, que tem dois jogos com QBR acima de 75 (Bills e Falcons) e três outros abaixo de 10 (além de um 14 e um 15). Considerando que a métrica vai de 1 a 100 com 50 sendo o "médio"... hmm... yeah, isso é meio complicado. A verdade é que Geno Smith tem sido um QB ruim na sua temporada de calouro: 58.1% de aproveitamento, 7.3 jardas por passe, e mais interceptações (13) do que TDs (8) por uma considerável margem. E embora ele ganhe valor pelas suas pernas, isso não necessariamente tem sido vantajoso para a equipe: ele não tem uma boa noção de quando correr e quando não, o que gera um número enorme de tackles antes de ganhar alguma coisa significativa e de fumbles. Em geral, seu QBR de 30 indica que ele tem sido mais um problema que uma vantagem ao time nesse começo de ano, e embora seus bons jogos mostrem que ele possui potencial, ele não tem conseguido fazer isso sobressair as suas limitações, e isso limita o potencial do time.

O Jets também é um forte candidato a regressão: seu record de 5-4 esconde um Pythagorean Expectations de 3-6, e um record de 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola, o que obviamente são fatores imensos para regressão. Tem fatores demais agindo no sentido de regressão para o Jets, e a não ser que Geno possa começar a ser mais consistente, esse time não vai conseguir se salvar só com a defesa.


Buffalo Bills

O Bills, por outro lado, era para ser um time interessante que foi destruído por lesões. Mesmo perdendo seus dois melhores jogadores de secundária para os primeiros seis jogos da temporada em Stephen Gilmore e Jairus Byrd, o time ainda manteve uma das melhores defesas da NFL nesse começo de temporada, 7th em DVOA antes dessa rodada. Sua linha de frente, em particular, é muito forte, com Marcell Dareus finalmente virando uma força contra o jogo terrestre e Mario Williams fazendo jus ao seu contrato imenso com 11 sacks. Além disso, o time draftou o excelente Kiki Alonso para solidificar o meio da sua defesa, e tinha tudo para aproveitar essa unidade com o Jets fez rumo a uma boa temporada.

Mas as lesões destruíram a temporada do Bills: Byrd e Gilmore perderam muito tempo e impediram que essa defesa fosse ainda melhor, e mais importante, as lesões transformaram a situação do Bills - que deveria ser abaixo da média mas pelo menos estável - em uma zona: EJ Manuel jogou apenas quatro jogos e meio antes de sair com uma lesão no joelho, e se seu QBR de 42 não era espetacular e mostrava como ele ainda tnha muito a evoluir, os dois jogadores que entraram no seu lugar (Thaddeus Lewis e Jeff Tuel) possuem QBRs de 19 e 9, respectivamente. É difícil dizer se com EJ Manuel o time estaria em uma situação melhor, mas é impossível ser um bom time quando seus QBs não conseguem passar de 20 em QBR. O time também teve que enfrentar o segundo pior calendário da NFL, o que não ajudou. Bills é um time que já começa a pensar ano que vem, mas pelo menos a base é boa.


Cincinatti Bengals

O Bengals dos últimos anos vinha sendo aquele time que é estável, regular, mas não espetacular: antes da temporada, a expectativa era de mais um ano com um ataque mediano, com um QB muito mediano em Andy Dalton e um jogo terrestre inconsistente, liderado por uma defesa sólida mas que não iria manter o mesmo ritmo porque era de se esperar alguma regressão por parte do Geno Atkins, que apesar de se solidificar como um dos melhores defensores da NFL não iria ser capaz de repetir o ano de 2012. E em geral, eu acertei... a defesa realmente foi boa, apesar de Atkins ter regredido um pouco (e se mantido como um All-Pro DT, claro), e o ataque evoluído um pouco porque Dalton estava jogando melhor, então o Bengals era basicamente o time que eu esperava antes da temporada só que um pouco melhor em cada área. Em um ano onde a AFC está bastante equilibrada, eu estava começando a achar que o Bengals era um time que poderia entrar na briga entre os candidatos ao Super Bowl com um ou dois golpes de sorte ao longo do ano.

E aí os dois melhores jogadores defensivos da equipe, Leon Hall e Atkins, se machucaram e estão fora da temporada. Um abraço para o time que começava a aparecer como um possível candidato ao título. Ainda assim, é cedo para descartar o Bengals, já que a sua vaga nos playoffs parece garantida em uma divisão bem fraca, e a defesa ainda é uma boa unidade. Andy Dalton está tendo a melhor temporada da sua carreira, especialmente nas bolas longas, e Gio Bernard tem se mostrado um bom RB. Mas a perda de dois dos seus três melhores jogadores em Hall e Atkins diminui consideravelmente o teto desse time e o mantém um nível atrás do escalão de topo da AFC.


Cleveland Browns

Mantenho o que disse antes da temporada e no começo dela: o Browns seria um time de playoffs com um bom QB. Eles estão 4-1 nos jogos começados por Brian Hoyer e Jason Campbell - dois QBs medianos - e 0-4 nos jogos começados pelo ruim Brandon Weeden. Eles precisam urgente de um jogo terrestre, mas possuem dois excelentes recebedores em Josh Gordon e Jordan Cameron e sua defesa cede apenas 3.8 jardas por corrida e 5.1 jardas ajustadas por passe.

Felizmente para eles, o time se encontra em uma situação excelente nesse respeito, já que o time possui duas escolhas de primeira rodada no que deve ser um draft extremamente lotado de talentos na posição de QB, sem falar que podem juntar essas duas escolhas em um pacote para subir e pegar Marcus Mariota ou Teddy Bridgewater. A troca com o Colts foi um sucesso - Trent Richardson só comprovou ser horrível e o time faturou uma escolha de primeira rodada no processo - e o Browns se coloca em uma boa posição para o futuro com múltiplas escolhas e jovens talentos. O time ainda sonha com uma vaga nos playoffs via Wild Card, mas o foco do time é no futuro.


Baltimore Ravens

Lembra na pré-temporada quando eu falei que o Ravens ia regredir em relação ao ano passado, que vencer o SB não garante nada para o ano seguinte e que era improvável que Joe Flacco se mantivesse como o jogador espetacular que foi nos playoffs, e que levou muitos torcedores do Ravens a me xingar, me chamar de "hater" e coisas do tipo? Pois é...

O Ravens na verdade tem o saldo de um time 4-4, então eles não tem realmente sido tão ruim quanto o record indica. A questão é que eles também não tem sido bons: a defesa é sólida e acima da média, se aproveitando do bom trabalho do GM Ozzie Newsome na offseason, mas o ataque... argh, esse ataque é uma atrocidade. Joe Flacco está tendo seu pior ano desde a temporada de calouro, com seu aproveitamento e jardas por passe decaindo, quase tantas interceptações (9) como TDs (10), e um QBR abaixo dos 50. Alguns dos fatores já foram muito explorados ao longo do tempo aqui, como o jogo terrestre e a falta de um WR confiável depois das saídas de Anquan Boldin e lesão de Dennis Pitta que exploramos no nosso mailbag, mas o fato é que esse ataque simplesmente não é bom o suficiente para assustar ninguém indo para frente, especialmente sem uma defesa de elite. Eu também não acho que exista uma solução fácil para o time esse ano: a linha ofensiva está horrível, Ray Rice de repente parece ter 38 anos, e Flacco não estava pronto para receber essa responsabilidade adicional de ser o centro do ataque. Ainda é cedo na temporada para desistir dos playoffs, e o Ravens sabe melhor do que ninguém (tirando talvez o Giants) que chegando nos playoffs quase qualquer time pode ganhar o SB com alguns golpes de sorte e um QB pegando fogo na hora certa, mas é um time que vai ter dificuldade com esse ataque, tendo em vista as boas defesas ainda no caminho do time.


Pittsburgh Steelers

Uma tabela difícil, uma onda de lesões (que levou parte da linha ofensiva, seu RB por três jogos e mais algumas peças importantes da defesa) e um time que está passando por uma reconstrução. Esses três fatores, combinados, fizeram do Steelers uma das piadas de 2013, com 2-6 de record e a façanha de ter perdido do Vikings. Olhando para 2013, é difícil vislumbrar alguma luz no fim do túnel para a equipe: o calendário fica ainda mais difícil indo para frente, o jogo terrestre é uma perdição (3.5 YPC) e não tem como recuperar disso sem a volta de jogadores como Maurkice Pouncey e David DeCastro (que ainda pode voltar esse ano). O único consolo do time é ainda ter um grande QB que consegue executar com seu braço de canhão, mas de pouco adianta isso se ele não consegue lançar a bola sem um defensor pendurar no seu cangote. O ano praticamente acabou para o Steelers.

A forma desse time dar a volta por cima, principalmente, é dar tempo ao tempo. O time começou a remontar seu time em 2013 depois de anos de estabilidade, e não é possível achar que tudo vá ser fácil assim. Recentemente, o time investiu pesado no draft para reforçar sua linha ofensiva, que ainda não deu resultado porque ninguém consegue ficar saudável, mas um pouco de sorte nesse quesito pode acabar rendendo uma OL dominante  - como aconteceu por exemplo com o 49ers, outro time que investiu pesado na sua OL via draft e passou por lesões no começo antes de explodir em 2012. A defesa, tão ruim em 2013, perdeu alguns jogadores veteranos na offseason e viu caras como Larry Foote e Sean Spence perderem muito tempo com lesões, o que atrapalhou ainda mais essa transição do time. Esse tipo de coisa demora, e não é de se estranhar o começo ruim. O ataque eventualmente vai se estabilizar com mais saúde e mais tempo para os jovens jogadores evoluirem, e a defesa também vai seguir seu curso. Especialmente com uma escolha alta vindo aí no próximo draft.


Indianapolis Colts

Eu já escrevi um texto muito maior e mais completo sobre o Colts, então recomendo ele já que ele vai aprofundar muito mais do que eu poderia em dois ou três parágrafos aqui. Mas tudo que eu escrevi continua relevante: o Colts é um time extremamente divertido que conta com um QB de elite e um jogo terrestre decente (que seria muito melhor se o time parasse de dar tantas corridas para o fraco Trent Richardson), junto de uma defesa razoável, para liderar sua divisão sem sinais de que vai parar. O time acumula vitórias contra Broncos, 49ers e Seahawks, e Andrew Luck evoluiu de calouro promissor para um dos melhores titulares da NFL esse ano. E uma coisa que você nunca quer fazer nos playoffs é descartar um time com um QB de elite. Se o time estivesse completo, seria um dos favoritos ao Super Bowl.

O problema para o Colts é a perda de Reggie Wayne, o segundo melhor jogador do ataque e o alvo de confiança de Andrew Luck. O Colts foi um time melhor em 2013 quando focou no passe com Luck, e Wayne era o alvo favorito do seu quarterback, o tipo de jogador que atrai dobras, mudanças na marcação e ainda acaba com 7 recepções e 100 jardas, liberando todo mundo. E o Colts optou por não fazer nada nessa deadline, mantendo o elenco como está, e a não ser que TY Hilton continue pegando 3 TDs por jogo, o Colts vai sofrer uma queda no seu jogo aéreo. A tabela facílima e o brilhantismo de Luck serão suficientes para garantir o time nos playoffs, mas a lesão de Wayne altera consideravelmente o que esperar desse time indo para frente, especialmente quando enfrentar uma defesa de elite. Eu particularmente espero que o Colts continua ganhando, pois é um dos times mais legais de se assistir em toda a NFL.


Tennessee Titans

Apesar de alguma regressão ser inevitável para um time que recupera 75% dos fumbles, uma figura que fica em torno dos 50% com uma amostra maior, e de possuírem o quarto pior Special Teams da liga, o Titans é um time interessante que também briga por aquele segundo wild card, e que pode até sonhar com um título de divisão caso o Colts acabe sentindo demais a falta de Wayne. Não acho o Titans o melhor time na briga por essa eventual segunda vaga do WC, mas as chances são interessantes quando consideramos que o Titans ainda enfrenta o Jaguars duas vezes, mais Oakland e depois Texans e Cardinals em casa. O Titans também ainda enfrenta duas vezes o atual líder da AFC South, o Colts, o que pode acabar sendo importante na hora de determinar o campeão da divisão. O Titans ainda está muito vivo na competição.

O problema do Titans é ser aquele time que faz tudo bem e nada de forma excelente. A defesa é boa e acima da média, 15th em DVOA e tem alguns jogadores jovens e em evolução (em especial o CB Alterraun Verner) capazes de fazerem jogadas que mudam o rumo da partida, mas também são um pouco propensos a falhas de comunicação ou de cobertura, as vezes comuns nesse tipo de time jovem. O ataque é uma montanha russa, cujo jogo terrestre tem apenas 4 jardas por corrida mas parece ter muito mais jogos com 2 e 6 YPC do que jogos com realmente 4. Jake Locker está tendo uma boa temporada quando saudável, mas ainda não é o tipo de QB capaz de ganhar jogos sozinhos, e por isso o ataque do Titans também aparece como um grupo mediano ou pior na temporada. A vantagem do time é que eles são razoavelmente completos, e não possuem uma grande fraqueza a ser explorada. Três das suas quatro derrotas também vieram contra bons times, no caso Chiefs, 49ers e Seahawks, embora valha citar que o Titans foi inferior nas três partidas, em especial no massacre que tomaram do 49ers (anotando dois TDs em garbage time contra a defesa reserva). Então eles basicamente são aquele time all-around que faz de tudo um pouco e possui poucas falhas mas que não tem o talento para bater de frente com os favoritos, e que enfrentam um calendário bastante favorável. Me parece uma receita interessante. Um time a ficar de olho nessa segunda metade.


Houston Texans

Com 2-6 e um calendário que ainda inclui Colts fora de casa, Broncos e Pats em Houston, a temporada parece estar indo pelo ralo para o time que vem de seis derrotas seguidas - depois de vencer milagrosamente dois jogos que deveria ter perdido. O Texans não deveria ser tão ruim, considerando que tem uma boa defesa com o melhor jogador defensivo do mundo em JJ Watt (ainda que muito desfalcada por lesões), mas o ataque (e os special teams) tem sido atrozes. Tão atroz o ataque que o time acabou mandando para o banco seu titular, Matt Schaub, e promovendo para titular um calouro não draftado chamado Case Keenum que ninguém tinha ouvido falar antes da semana 6.

Na verdade, se a temporada do Texans realmente foi por água abaixo, Keenum e a questão do QB se tornam o ponto central da temporada e da offseason que se aproxima. Como eu já escrevi anteriormente em mais detalhes, essa é a hora do Texans definir se para o futuro Schaub ainda pode render, ou se eles precisam ir em outra direção. No segundo caso, o ideal seria dar a Keenum a titularidade até o final do ano para poderem ver exatamente o que eles possuem no garoto, e se ele pode ser o titular do futuro ou se é hora de investir no draft. Até aqui Keenum tem impressionado, especialmente depois da grande partida contra o Colts, mas não é possível julgar um jogador por apenas um ou dois jogos (Matt Flynn e Kevin Kolb, alguém?), então esse vai ser o ponto focal do Texans para o resto do ano. O Draft de 2014 tem QBs saindo pela janela, mas se estiverem convencidos de que Keenum é a resposta na posição, isso permite ao time ir em uma direção diferente. 


Jacksonville Jaguars

A lista de afazeres do Jaguars até o final da temporada tem dois itens: a) Evitar terminar o ano como o pior time de todos os tempos; b) Decidir entre Teddy Bridgewater e Marcus Mariota para a primeira escolha do próximo draft.


Denver Broncos

O quão irônico é que o Broncos pode terminar o ano 14-2 e ficar apenas com a 5th seed do draft? Isso por causa do Kansas City Chiefs, ainda invicto, e do regulamento da NFL que diz que mais importante do que o record da equipe é se ela venceu uma divisão ou não (um regulamento que eu não gosto, pois premia times que tem sorte de jogar em uma divisão inferior. Veja Seahawks vs Chiefs em 2010 para os detalhes). Claro, improvável que tanto Chiefs como Broncos vençam todos seus jogos até o final do ano (e dividam a série entre eles), mas enfim, é só um exemplo.

A verdade é que o Broncos é um time complicado, um time excelente que lidera a NFL em eficiência e que possui um dos melhores ataques da história do jogo, mas que apresenta algumas falhas preocupantes que tem sido exploradas pelos adversários com algum proveito. Em particular, o time tem um ataque espetacular centrado no jogo aéreo: Peyton Manning está tendo talvez a melhor temporada da sua incrível carreira, conduzindo um ataque do Broncos lotado de grandes opções de recebedores de forma magistral, com três recebedores caminhando para passarem das 1000 jardas na temporada e talvez até um quarto se Julius Thomas voltar de lesão logo, e com 3 dos 10 jogadores que mais receberam TDs essa temporada no mesmo time. É extremamente difícil segurar esse ataque aéreo, e embora a falta de força no braço de Manning seja uma preocupação contra defesas mais físicas capazes de dominar a linha de scrimage, é difícil demais segurar Wes Welker, Thomas, Demaryus Thomas e Eric Decker ao mesmo tempo. Ainda que seja difícil manter o ritmo de um ataque aéreo - especialmente um de um QB sem muita força no braço e cujos passes precisos dependem do toque perfeito que ele coloca na bola - no frio de Janeiro e Fevereiro, onde a bola é mais dura, os dedos possuem menos firmeza e o braço perde força, esse time é bom demais e tem opções demais para não ser considerado uma força. Os jogos contra o Chiefs, uma defesa extremamente física, serão um bom teste para esse ataque.

O problema do time é a defesa, onde a secundária horrorosa da equipe já foi explorada por diversos adversários. A volta de Von Miller adicionou ao time um muito bem vindo pass rush, já que diminuir o tempo do adversário para achar um WR livre é crucial quando sua secundária não é boa. Então isso já ajuda, mas o time tem sido extremamente vulnerável contra o passe, como Cowboys e Colts deixaram claro. Ainda que a proficiência do ataque seja suficiente para compensar com sobras essa defesa suspeita, é uma fraqueza gritante que ficará mais significativa quando a competição (fraca até agora) endurecer no final da temporada. Mas isso não muda que esse é um excelente time, com um QB Top10 historicamente jogando de forma brilhante, e que vai aos playoffs seja por título de divisão ou Wild Card e que ninguém vai querer cruzar na pós-temporada.


Kansas City Chiefs

Outro time que eu escrevi recentemente e cuja análise ainda é bem atual. Apesar de invictos em 9-0, o Chiefs tem levantado muitas dúvidas sobre o quão bom ele realmente é, considerando sua tabela extremamente favorável e seu record de 4-0 em jogos decididos por uma posse de bola. Entre os 14 times que começaram a temporada 9-0 desde a fusão entre NFL e AFL em 1970, o Chiefs tem o pior saldo de pontos entre todos eles com 104. Isso pode indicar que o time não é tão bom quanto o record indica ou outros times que atingiram a mesma marca... mas também vale citar que entre esses 13 acima do Chiefs, os cinco piores foram todos ao Super Bowl e quatro foram campeões. Então tem isso também. No fundo, não quer dizer muita coisa.

As dúvidas sobre o Chiefs como legítimo juggernault passam pelo seu ataque, que basicamente opera na média da NFL nas costas de Jamal Charles, segundo na NFL com 725 jardas corridas e um NFL-best 1125 jardas de scrimage (ou seja, correndo e recebendo). Basicamente um ataque conservador que corre com a bola, protege seu QB de passes difíceis e vence a batalha dos turnovers e da posição de campo. Então entendo as dúvidas de um time cujo ataque é apenas o 16th da NFL em DVOA, com as pessoas se perguntando se ele vai ser capaz de gerar pontos o suficiente contra defesas melhores nos playoffs para chegar ao título... e é uma questão válida. Só tenha em mente que ela não é conclusiva: Ravens foi apenas o 13th ataque ano passado, por exemplo, e todo mundo sabe o que aconteceu nos playoffs.

A questão é que Kansas City tem a melhor defesa da NFL, e não é nem apertado. Por mais aleatoriedade que exista em TDs defensivos, tente digerir a seguinte informação: a defesa do Chiefs tem quase tantos TDs (6) como o time inteiro do Jaguars (7) e tantos TDs como o Vikings tem TDs aéreos. Essa defesa é praticamente um ataque em seu próprio mérito dada sua capacidade não só de segurar o adversário e evitar pontos (apenas um time cedeu menos pontos e ele tem um jogo a menos) como também de forçar turnovers, anotar TDs e dar grandes posições de campo para o time. Então se o ataque deixa a desejar, essa defesa é praticamente uma máquina que joga sozinha se precisar, e não tem problema seu ataque ser apenas decente se sua defesa é desse calibre. Ainda que o record de 9-0 esteja vindo no vácuo de uma tabela ridiculamente fácil e alguma sorte, isso vai mudar: Broncos (2x), Chargers (2x) e Colts estão no caminho do Chiefs. Ainda que seja difícil tirar Kansas City dos playoffs a essa altura, esses jogos serão excelentes testes para ver o quanto estrago KC pode causar em Janeiro ou Fevereiro.


San Diego Chargers
A tabela é tudo menos favorável - dois jogos contra Chiefs, dois jogos contra Broncos, mais Bengals - e por isso é possível que acabem ficando de fora, mas queria deixar isso claro: para mim o Chargers é o melhor time brigando pela segunda vaga do WC. Mesmo a 4-4, o time poderia muito bem estar 7-1, com um pouco de sorte, considerando que uma das suas derrotas veio em OT contra o Redskins (ou seja, um cara-ou-coroa faria a diferença, ou pelo menos mais agressividade do seu técnico em uma 4th-and-1 decisiva) e duas outras vieram em milagres nos segundos finais contra Texans (inclusive uma pick-six decisiva) e Titans (quando Locker teve uma interceptação dropada nos segundos finais antes de completar o passe de TD da vitória). A 7-1, o Chargers provavelmente seria uma garantia para ir aos playoffs, mas 4-4 é mais difícil, especialmente considerando esse calendário dos infernos.

Mas o Chargers é um excelente time, mesmo que sua defesa tenha de repente esquecido como jogar seu melhor futebol americano e esteja sendo uma das piores unidades da NFL. E isso acontece porque seu QB voltou a jogar como um cara de elite: tirando Peyton Manning e talvez Andrew Luck, Phillip Rivers tem sido o melhor quarterback da NFL. O ex-Pro Bowler está completando obscenos 72.2% de seus passes para ainda mais obscenas 8.4 jardas por passe, duas marcas que deveriam ser proibidas de acontecerem juntas considerando que para ter tantas jardas por passe você normalmente precisa fazer muitos passes longos, que por sua vez possuem aproveitamento inferior. Seu QBR de 75.4 é o segundo melhor entre QBs qualificados atrás apenas de Manning, e isso antes de lembrar que seus dois melhores WRs estão fora da temporada desde a semana 2. Isso faz do Chargers o segundo melhor ataque aéreo da NFL (por uma margem considerável e bem próximo do líder Broncos), e o terceiro melhor geral considerando um jogo terrestre decente. 

O problema é que esse ataque destruidor não tem, como dito, encontrado respaldo na defesa. Ainda que tenha feito um bom trabalho evitando pontos, ela é a pior defesa da NFL inteira forçando turnovers, com apenas 5, nas costas de quatro interceptações apenas da sua secundária. A parte boa é que isso deve regredir, já que essa incapacidade de forçar turnovers está associada a uma taxa de 15% recuperando fumbles, de longe a pior da NFL e totalmente insustentável indo para frente. Então é razoável supor que os fumbles vão começar a favorecer um pouco mais San Diego, e que com mais turnovers, esse grupo pode voltar a ser pelo menos mediano para sustentar esse ataque destruídor. Eu não sei se San Diego vai aos playoffs com essa tabela, mas é o melhor time da AFC que briga pela segunda vaga do WC.


Oakland Raiders

Para um time que tem quase 20% da sua folha salarial dedicada a jogadores que nem sequer estão mais na equipe, seu 3-5 não me parece ruim. Claro, seu Pythagorean Expectation está abaixo disso e DVOA coloca o time como o quinto pior da NFL na temporada, mas qual o problema? Não é como se o Raiders tivesse expectativas para esse ano, o time ainda está passando por um processo de desintoxicação depois de gestões passadas muito ruins e se preparando para começar a remontar para o futuro. Considerando que esse é o ponto onde as coisas estão para Oakland, eles estão se saindo muito bem essa temporada, com alguns jovens jogadores (em especial Lamarr Houston) se destacando defensiva e Terrelle Pryor emergindo como um QB pelo menos muito divertido de assistir e que pode ganhar uma segunda chance em 2014 se continuar assim. Basicamente, em uma temporada que deveria ser irrelevante e ruim, o Raiders pelo menos está mostrando alguns pontos interessantes e vencendo jogos com ajuda do seu bom mando de campo. Para um time que ainda está a alguns anos de ver sua reconstrução terminar, é algo animador.



AMANHÃ (QUARTA-FEIRA) SAI A SEGUNDA PARTE COM OS TIMES DA NFC!!