Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Recolhendo os cacos: NFL Divisional Round

Super Kap dando o troco no Panthers


Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem! O tema do próximo será playoffs, então aproveitem para enviar seus emails!


No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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Semana passada, tivemos que correr um pouco para conseguir cobrir tudo que a NFL estava nos oferecendo. Então falamos rapidamente da rodada de Wild Card que tinha passado, e fizemos dois previews para os jogos do final de semana, para falar dos jogos de sábado e dos jogos de domingo. Ta tudo ai para você ler e pensar "o que, esse animal achou que o Colts ia ganhar?! No que ele estava pensando?!" (em minha defesa, foi a primeira vez em nove anos que a segunda rodada dos playoffs não teve uma zebra de pelo menos 4 pontos. Eu quis apostar em uma zebra, e apostei na que tinha Andrew Luck e enfrentava a pior defesa).

Mas deixando isso tudo no passado (btw, ainda estou 6-2 nos playoffs!), e deixando as duas finais de conferências que foram um presente dos céus ainda no futuro (sério, se um fã de NFL imparcial fosse escolher as Finais de Conferência ideais em Setembro, ele escolheria essas duas), vamos dar uma olhada em alguns fatores importantes ou interessantes que chamaram minha atenção nos jogos (um tanto decepcionantes) desse final de semana. Já aviso também que vou dar mais espaço aos times eliminados e ao que rolou de importante no jogo em si do que nas coisas que os times podem carregar para o futuro, porque essas últimas terão um espaço maior nos previews da rodada.

Em tempo: Somos um blog moderno que temos uma página no facebook agora! Entrem lá e curtam nossa página, vamos usá-la para informar de quaisquer novidades (bem como posts novos, promoções, avisos, etc) e postar coisas mais rápidas ou curtas que não teriam espaço aqui no blog.


New Orleans Saints 15 vs 23 Seattle Seahawks


Jogando como uma zebra

Quando seu time entra em uma partida com um spread de +8, isso é um sinal seguro de que poucas pessoas esperam que você ganhe. Na hora de criar um spread, os modelos de Vegas criam uma simulação de quantas vezes um time deve vencer uma dada partida, e quanto menor a chance de um "azarão" vencer um dado jogo, maior vai ser o seu spread. Um spread de +8 indica que os modelos de Vegas esperam que você vença seu jogo apenas 25.8% do tempo, e a realidade pode ser ainda mais complicada: na história da NFL, apenas 18.3% dos times que foram zebras por exatos 8 pontos conseguiram vencer suas partidas. Desde 2004 (quando as regras começaram a mudar e favorecer o jogo aéreo), as porcentagens tem sido mais favoráveis, mas ainda abaixo do esperado: apenas 12 dos 58 times desfavorecidos por oito pontos conseguiram vencer suas partidas, 20.7%.

Claro, você não precisa ser um especialista em estatística ou em Vegas para saber que o Saints era uma grande zebra nessa partida. O Seahawks foi provavelmente o melhor time da temporada regular, terminando #1 em DVOA por uma larga margem, 20 pontos percentuais na frente do Saints (um respeitável quarto lugar). Além disso, o Saints ainda tinha que jogar em Seattle, que possui a maior home-field advantage da NFL desde que abriu o Century Link Field, um lugar extremamente barulhento com uma torcida fanática. Considerando ainda que o Saints não terminou tão bem a temporada regular (caindo para 7th em DVOA ajustado), era claro que o Seahawks ia ser o franco favorito.

A questão é que quando você está em uma situação tão desfavorável, você tem que saber que sua margem de erro é muito menor. Você tem chance de vencer, sempre, mas para isso você não só precisa ter um bom plano de jogo e tudo mais, você também precisa executar isso de forma muito mais eficiente do que normalmente, evitando todo tipo de erros e dando a menor janela possível para seus adversários tirarem vantagem. Eles já estão em vantagem em relação a você, então você tem que fazer de tudo para evitar criar ainda mais.

E foi exatamente isso que o Saints não fez, e foi isso que custou ao time o jogo. O plano de jogo da equipe, quando começou a partida, era bem claro (e foi, inclusive, o que eu disse no preview): correr bastante com a bola para encurtar as descidas, controlar o relógio e não expor Drew Brees a excelente secundária de Seattle. Sean Payton até incluiu um truque interessante: alinhar seu ataque em muitas formações de apenas um WR (uma formação que o time quase nunca usa, mas que times como SF e Arizona tiveram muito sucesso contra Seattle) para neutralizar a secundária do adversário e forçar um CB (em geral Richard Sherman) e ficar marcando um TE próximo da linha. E na verdade o Saints executou muito bem seu plano de jogo, correndo para 106 jardas só no primeiro tempo, controlando o relógio e deixando Brees lançando pouco.

Mas não importa o quão bom for seu plano de jogo, você não vai conseguir vencer um time como o Seahawks em casa cometendo tantos erros e dando tanta margem para seu adversário aproveitar. A primeira campanha do Saints terminou com Mark Ingram soltando um screen pass que deveria ser para uma conversão de 3rd down tranquila, e em seguida, Thomas Morstead deu um punt de 16 (não, sério, 16) jardas que deu a Seattle a bola na linha de 40 jardas do campo de ataque, que rendeu ao Hawks um FG... depois que o safety de NO recebeu uma falta pessoal de 15 jardas em uma 3rd and 11. A campanha seguinte, New Orleans fez um bom trabalho movendo a bola e chegando no campo de ataque, mas o kicker Shayne Graham errou um FG de 45 jardas (mais sobre isso em um minuto). Depois de outro FG de Seattle, o Saints recuperou a bola... e duas jogadas depois, Mark Ingram sofreu um fumble recuperado por Seattle na linha de 24 jardas do campo de ataque, dando ao Seahawks uma ótima posição de campo mais uma vez. Dessa vez, Marshawn Lynch aproveitou e transformou isso em um touchdown para fazer 13-0 Seahawks. Algumas campanhas depois, New Orleans chegou na linha de 29 do campo de ataque... para tentar e falhar em converter uma quarta descida. Seattle aproveitou e anotou mais um FG para deixar em 16 pontos a diferença no intervalo, um buraco enorme para voltar fora de casa, em um tempo ruim, contra a melhor secundária da NFL.

No segundo tempo, New Orleans colocou a cabeça no lugar, parou de cometer erros e esse foi um dos motivos que levou o time a conseguir voltar para o jogo, mas o buraco que o time tinha cavado para si mesmo acabou sendo grande demais. Entre o FG errado, o punt e o fumble que renderam a Seattle ótima posição de campo, são 13 pontos que você deixa de ganhar ou dá de presente para seu adversário (e isso sem contar a boa posição de campo após errar o FG ou falhar na conversão de quarta descida). Em um jogo contra uma defesa tão boa, em que você sabe que precisa de cada ponto e oportunidade a seu favor, você não pode cometer tantos erros e esperar sair com a vitória. E mesmo depois que o time improvavelmente conseguiu reagir e recuperar a bola nos segundos finais, o jogo acabou, é claro, com um erro grosseiro do time: Drew Brees fez grande jogada para acertar um passe para Marques Colston faltando 5 segundos, o que significa que o time teria uma última chance de conseguir um Hail Mary da linha de 35 jardas do campo de ataque para tentar empatar o jogo. Só que Colston esqueceu de sair pela lateral para parar o relógio, e ao invés disso tentou um passe lateral horrível que acabou com as chances da equipe de vez. É o tipo de erro mental que destrói um time, e esse aconteceu logo no momento decisivo.

E a verdade é que esse festival de erros do Saints, que deram diversas oportunidades para Seattle, na verdade esconderam um jogo bem ruim do Seahawks (ofensivamente, pelo menos) que poderia ter levado a uma derrota. Russell Wilson teve apenas 9/18 passes para 108 jardas, números péssimos, e até a corrida final de Marshawn Lynch o ataque terrestre conseguiu apenas 4.2 jardas por corrida (não ruim, mas não ótimo). Era tudo que o Saints queria quando se preparou para essa partida, e poderia ter levado a um resultado diferente se o time visitante conseguisse se controlar e se ater a um jogo mais eficiente. Você pode cometer alguns erros quando é o favorito, mas é difícil demais ganhar um jogo tão desfavorável se você continua dando chances ao adversário. E foi por isso que o Saints perdeu.

Dificuldades técnicas

Um outro ponto que acabou muito custoso ao Saints nessa partida foi, bem, o trabalho do seu técnico.  Eu gosto muito do Sean Payton como técnico, acho ele um dos melhores da NFL e um dos grandes motivos pelos quais o Saints voltou aos playoffs em 2013, mas o trabalho dele nesses playoffs deixou muito a desejar. Ele quase custou ao seu time a partida contra o Eagles com algumas decisões incompreensíveis (a mais maluca talvez fosse correr com a bola em uma 3rd and 11 próximo de FG range quando ainda faltavam 13 minutos no relógio e o time estava apenas 6 pontos na frente. A corrida não chegou em FG range, o time foi para o punt, e o Eagles eventualmente viraria a partida aproveitando essa burrice), mas contra o Seattle a margem para erro era ainda menor e portanto suas decisões acabaram custando ainda mais caro.

Você poderia questionar também se foi uma boa idéia Payton segurar tanto o braço de Drew Brees até o jogo já estar 16-0 - ele não lançou uma bola que passou da linha de scrimmage até o segundo quarto, e só lançou uma bola para um não-RB na mesma altura - mas além desses detalhes, o que chamou minha atenção foi como ele lidou com situações complicadas de quarta descida.

A primeira foi o já mencionado FG errado por Graham. Na situação, o Saints estava enfrentando uma 4th and 4 na linha de 27 jardas do campo de ataque, o que nos da um FG de 45 jardas. Claro, em um vácuo, o FG era a decisão comum. É uma distância confiável para um bom kicker, e é difícil converter uma 4th and 4 contra uma defesa tão boa quanto a do Seahawks, então você pode garantir os pontos - ainda que a 4th Down Calculator indique que você tem mais a ganhar tentando a conversão. O problema é que o jogo não acontece em um vácuo, e sim em um estádio onde estava chovendo e ventando muito, e o pior, ventando contra o chute de Graham. Esse mesmo vento já tinha influenciado o punt de 16 jardas do Morstead, e portanto era claro que a chance de acertar um FG dessa distância era muito menor nessas condições, o que faria a tentativa de conversão ser a decisão lógica (ainda mais considerando que um FG errado da ao adversário uma posição de campo melhor). Mas Payton, normalmente muito agressivo, decidiu chutar, e o chute de Graham não tinha a menor chance de entrar desde o momento que saiu do chão.

Pouco depois, no segundo quarto, o Saints se viu em situação semelhante. 4th and 4 na linha de 29 jardas do campo do Seattle, um FG de 47 jardas. Dessa vez, Payton tentou a conversão e não o FG, e Michael Bennett (o melhor jogador em campo) pressionou um arremesso ruim de Brees que acabou incompleto. Eu realmente não tenho nenhum problema com essa conversão: o time perdia por 13 (então precisava do máximo de pontos possíveis contra uma ótima defesa), as condições não eram favoráveis a um chute, e o 4th Down Calculator indica que você tem mais a ganhar indo para a conversão (e isso antes de levar em conta o quão difícil seria tirar a vantagem no segundo tempo contra a defesa do Seahawks). Então foi uma boa decisão. A questão é que se você acha o FG vantajoso para 45 jardas contra o vento, porque você vai achar um FG de 47 jardas A FAVOR do vento pior? Claro, a situações eram diferentes, mas se tem uma que faz mais sentido ir para o chute é a segunda. As situações eram diferentes, por isso digo que ele fez certo em tentar a conversão, mas só torna a primeira ainda mais inexplicável (e custosa).

Por fim, Payton teve outra decisão em 4th down para tomar no final da partida. Faltando 4 minutos e perdendo por 8, o Saints teve uma 4th and 15 da linha de 30 jardas do campo do Seattle. O FG seria de 48 jardas e sem dúvida ajudaria o Saints em sua busca pela virada, e uma conversão de 15 jardas contra essa defesa sem dúvida tem uma chance de sucesso muito pequena, de forma que não era a melhor opção. O FG seria o mais simples... de novo, se não fosse o vento. O vento voltou muito forte no quarto período, e mais uma vez estava contrário ao chute de Graham. 48 jardas com vento é um chute extremamente difícil, e Graham já tinha errado um em condições pouco menos desfavoráveis. A chance do FG entrar, embora seja difícil precisar, com certeza era muito baixa - tanto que assim que o FG foi chutado, ele já desviou para muito longe do alvo e nunca sequer chegou perto do Y. Então considerando a baixíssima probabilidade de certo no FG e a ótima posição de campo que você da ao Seattle em caso de erro - Lynch anotou o TD quatro jogadas depois - porque você iria tentar o FG? Mesmo que achasse que uma 4th and 15 teria uma chance de insucesso semelhante, porque não ir para o punt e tentar colocar Seattle na sua linha de 10? Com vento forte é mais difícil passar a bola, e assim você aumenta suas chances de recuperar a posse com tempo no relógio e o placar inalterado. O FG errado deu a Seattle grande posição de campo, e sabemos como isso acabou. Se enfrentando um jogo tão difícil você tem que minimizar seus erros, então a atuação de Sean Payton não ajudou.

Indianapolis Colts 23 vs 43 New England Patriots


É fácil (e errado) colocar a culpa em Andrew Luck

Então o Colts tomou uma surra do Patriots e foi eliminado dos playoffs. E claro, como sempre acontece, todo mundo teve que correr para achar alguém em colocar a culpa. A simples lógica de "venceu o melhor time, que entrou com o melhor plano de jogo e executou esse plano melhor" parece não ser boa o bastante, então todo mundo precisa de um bode expiatório. E foi ai que muita gente se voltou contra Andrew Luck.

O QB do time perdedor sempre está sujeito a levar a culpa. E no caso de Luck, muita gente correu para apontar que ele tinha lançado quatro interceptações (sete em dois jogos) e que isso prejudicou sua equipe, e todo tipo de derivação dessa narrativa que vocês podem imaginar. Claro, sempre é ruim quando seu QB está lançando interceptações. Uma, logo na primeira campanha do jogo, deu a bola ao Patriots na linha de duas jardas e um TD na jogada seguinte. Outra (que não foi culpa sua e veio depois do fulback soltar um passe curto) evitou que o Colts aproveitasse um safety em um punt bizarro.

O problema desse raciocínio é colocar em um contexto de jogo como essas interceptações ocorreram. O Colts entrou em campo procurando explorar a grande fraqueza de New England, sua defesa terrestre, e para isso precisou correr muito com a bola, especialmente pelo meio da linha defensiva de seu adversário. Bom, não funcionou - os dois guards de Indianapolis tiveram péssimas atuações, Donald Brown foi mal com a bola nas mãos, e isso significou basicamente que o time não conseguiu encurtar as descidas e precisou que seu QB convertesse todo tipo de jogada longa a cada campanha. Não ajuda que a defesa de Indianapolis se tornou apenas a segunda da história da NFL a tomar jogos consecutivos de 40 pontos, o que diminuiu ainda mais a margem do Colts para gastar o relógio e fez  o time precisar ainda mais do jogo aéreo.

Em outras palavras, para o Colts se manter no jogo, eles precisaram que Andrew Luck os mantesse lá sem ajuda de um jogo terrestre. Para piorar, com Reggie Wayne machucado, o Colts só tinha um recebedor bom no seu time (TY Hilton), e a defesa do Pats fez seu plano de jogo exatamente para tirar Hilton do jogo, sabendo que Luck ficaria sem outras opções. Então o resultado não foi agradável para Andrew Luck, que teve que jogar praticamente sozinho, o dia todo, atrás no placar, precisando acertar passes para recebedores que não estavam muito livres ou com um bom espaço para poder avançar. A falta de separação que seus WRs e TEs conseguiam obrigava Luck a colocar cada bola em um espaço pequeno cercado de defensores. Então é claro que alguns arremessos de Luck foram ruins e acabaram nas mãos dos defensores, mas é isso que acontece quando você não tem alternativa senão ficar forçando esses passes o jogo todo. Pouquíssimas vezes Luck teve o luxo de lançar para um recebedor que tinha espaço, e na maioria das vezes era um WR com dois defensores em volta pegando uma bola colocada exatamente no alcance das suas mãos e fora do alcance do defensor. Como você pode culpar alguém por isso?

A verdade é que se não fosse Luck mantendo o Colts na partida com arremesso ridículo atrás de arremesso ridículo o jogo todo (alguns entre os mais bonitos que eu vi na temporada inteira), o jogo teria acabado muito antes e Indianapolis não estaria ainda com chances no meio do terceiro período. Como disse alguém no twitter, não teve nada mais emocionante nesses playoffs do que ver Luck lançando para algum jogador fora da tela da TV. Ganhou o melhor time, o mais bem preparado e o mais experiente, mas não tenham a menor dúvida: o Colts perdeu apesar de Andrew Luck, não por causa dele.

O lixo de um é o tesouro do outro

Só por diversão, temos dois RBs desse final de semana:

RB A - 24 corridas, 166 jardas, 4 TDs
RB B - 3 corridas, 1 jarda, 0 TDs

Os dois RBs foram trocados recentemente de seus times antigos para os atuais. Um custou uma escolha de primeira rodada. Outro custou uma escolha de sétima rodada. Tempo!!

Claro, todo mundo já deve saber a essa altura que o RB A, LeGarrette Blount, foi o que custou a escolha de sétima rodada e o RB B, Trent Richardson, foi o que custou uma escolha de primeira rodada. Esse é o parte de porque o Patriots tem um time tão bom e competitivo a tanto tempo: eles são excelentes achando talentos sub-valorizados a preços baixos (Blount ganha um salário mínimo, btw) e tirando o máximo deles colocando-os em um contexto favorável e um plano de jogo inteligente, e foi o mesmo com Blount, que foi chutado de Tampa Bay mesmo correndo para 1000 jardas como calouro para se tornar o RB #1 de um time como o Patriots. Enquanto isso, o Colts pagou um preço altíssimo em inflacionado por um jogador com mais "status" e que nunca tinha feito nada para mostrar que era um bom jogador.  Um foi uma operação de baixo risco que rendeu ótima recompensa, outro foi uma troca de altíssimo risco que até agora foi um fiasco homérico. O Patriots ri com seu sucesso, enquanto o Colts vai ter que montar um time ao redor do seu excelente QB sem poder contar com essa escolha valiosa. Esses erros e sucessos contam e muito para o sucesso de cada equipe na NFL.

San Francisco 49ers 23 vs 10 Carolina Panthers


A ascensão e queda de Riverboat Ron

Uma das histórias mais divertidas da temporada foi a transformação de Ron Rivera em Riverboat Ron. Ron Rivera era um dos técnicos mais conservadores da NFL, um cara que se recusava a pensar de forma alternativa e tentar conversões curtas mesmo tendo Cam Newton e três bons RBs a sua disposição. Esse pensamento retrógrado causou muitas derrotas aos seus times ao longo dos últimos anos, e também foi bastante prejudicial para Carolina no começo do ano, de forma que até escrevi sobre isso em uma coluna depois da semana 2. Mas em algum momento ao longo da temporada, inexplicavelmente (eu assumo que envolveu uma experiência de quase morte e sonhos com espíritos), Rivera entendeu que estava prejudicando seu time com isso, e decidiu que iria se tornar o técnico mais agressivo da NFL. De repente, o Panthers estava indo para todo tipo de 4th and 1 e 4th and 2 durante os jogos, convertendo um número ridículo dessas jogadas e tendo grande sucesso com essa agressividade. Rivera até se deu o apelido de Riverboat Ron para simbolizar sua transformação, e não tenho dúvida de que essa transformação teve papel importante na grande temporada do Panthers.

Domingo, no seu primeiro jogo de playoffs como técnico do Panthers, Riverboat Ron teve uma chance de mostrar seu novo e mais agressivo eu. Depois de uma 1st and goal da linha de 6 jardas e duas corridas de Mike Tolbert e Cam Newton, o Panthers se viu em uma situação de 3rd and 1 para anotar o TD. Tolbert correu com a bola e foi parado para nenhum ganho, criando uma 4th and 1 e uma clássica situação de Riverboat Ron.

A decisão de Rivera aqui deveria ser clara como água: ele tem que tentar o touchdown. Não tem nem muito o que discutir. Você tem um dos melhores ataques de curta distância da NFL e o melhor QB de curta distância da NFL, e anotar o TD te da quatro pontos a mais do que um FG. A 4th DQ diz que um time vai converter na média 68% dessas jogadas, o que dá ao time uma expectativa de anotar 4.8 pontos ao tentar a conversão, enquanto ganha apenas 3 chutando o FG. Além disso, existe um benefício oculto em tentar a conversão que muita gente ignora: mesmo em caso de falha, você ainda vai ter seu adversário preso na linha de meia jarda, uma situação muito difícil que pode render um safety para a defesa, ou pelo menos uma boa chance de recuperar a bola em grande posição de campo (especialmente em uma defesa tão boa como a de Carolina). Considerando ainda que esse era um jogo entre duas defesas muito fortes e que anotar TDs seria difícil, você tem ainda mais motivos para aproveitar essa chance que pode ser a única. Então Rivera estava 100% certo quando alinhou para tentar a conversão.

Apesar da boa chamada, Newton foi pego na linha de meia jarda e o Panthers saiu sem o TD. Mas tudo funcionou mesmo assim, porque como já disse é a vantagem de tentar a conversão: o 49ers não conseguiu nada da linha de meia jarda (quase sendo interceptado), na hora de ir para o punt o time alinhou em uma formação mais conservadora que o normal (por conta da falta de espaço para evitar um bloquei), o que deu bastante espaço para o retorno de Ted Ginn até a linha de 31 jardas. No lance seguinte, Cam Newton mandou uma bomba perfeita para Steve Smith anotar o TD, um TD que acabou sendo consequência direta da agressividade do time na 4th down.

No entanto, pouco depois, o Panthers se viu com uma decisão quase igual para Riverboat Ron. Depois de uma corrida de Newton, Carolina esteve em uma 2nd and goal da linha de 1 jarda. Newton tentou um scramble que não deu em nada na 2nd down, e Tolbert foi parado novamente na linha de uma jarda na terceira descida, criando mais um 4th and goal da linha de uma jarda. Mas dessa vez, provavelmente por conta dos seus insucessos nessas situações na partida, decidiu ir para o FG. O PAnthers anotou o FG para abrir 10-6 no placar, mas San Francisco logo recebeu a bola, gastou os 4 minutos restantes na partida para anotar o TD e virar 13-10, e o Niners dominou o resto do jogo a partir desse ponto sem dar chance ao rival.

É difícil dizer que um lance apenas como esse mudou todo o jogo e foi o responsável em transformar um primeiro tempo de total dominação de Carolina em um segundo tempo perfeito de San Francisco, mas é fácil ver que Ron Rivera errou feio ao chutar o FG e o quanto isso custou ao seu time. A lógica para tentar a conversão é a mesma de antes: você tem um bom ataque terrestre, o TD vale muito mais pontos que o FG, e você coloca o ataque adversário em péssima situação caso não funcione. E nesse caso ainda por cima tem a questão do tempo, já que você provavelmente recebe a bola em tempo de tentar uma última campanha sem deixar nada  para o adversário, mais um motivo para tentar o TD. Claro, muita gente vai apontar que foi bom porque o time não vinha conseguindo anotar o TD nessa situação, mas isso é overreact a uma amostra pequena: Carolina converteu 90% das situações semelhantes ao longo da temporada, e a defesa de SF permitiu TDs em 66% de jogadas na linha de uma jarda ao longo dos últimos dois anos. Além disso, tinha a questão da posição de campo e do relógio a serem considerados. Então tentar era uma decisão clara. Rivera ficou com medo e chutou o FG. Carolina anotou os três pontos, mas devolveu a bola para SF na linha de 20 jardas ao invés da de uma jarda, SF anotou o TD para virar o jogo faltando 5 segundos e foi para o vestiário na frente, 13-10, em um primeiro tempo dominado por Carolina, e o time nunca mais olhou para trás.

Os cenários que Rivera deixou de considerar são um bom exemplo de porque ele errou. Se o TD é anotado, o time abre 14-13 e iria para o vestiário em vantagem mesmo após o TD de San Francisco. Se a conversão é falha, San Francisco começa da linha de uma jarda, provavelmente vai para o punt, e Carolina ainda teria tempo de tentar um FG ou mesmo um TD, indo para o vestiário na frente 7-6 ou mesmo 10-6 ou 14-6. Ao invés disso, foram para o intervalo perdendo de 13-10, algo que poderia ser evitado se Riverboat Ron tivesse falado mais alto na lateral. Ao invés disso Rivera ficou com medo pelo seu insucesso anterior, esqueceu um fator importante que fez do seu time tão bem sucedido, e seu time pagou o preço.

A diferença que um treinador faz

A falha de Rivera em ser Riverboat Ron custou ao seu time no final do primeiro tempo, e coincidentemente ou não, foi o momento que o jogo mudou (SF iria ganhar o jogo por 17-3 a partir daquele ponto). Mas teve outro motivo para essa mudança drástica, e também teve a ver com técnicos. Dessa vez, com Jim Harbaugh e Vic Fangio.

Um dos motivos pelos quais o Panthers foi tão bom no primeiro tempo, especialmente no ataque, foi porque eles pegaram o Niners desprevenido em seu plano de jogo. Assim como ano passado SF pegou Green Bay de surpresa com o read option, Carolina também incluiu em seu plano de jogo uma série de pequenos ajustes e formações diferentes que tinha usado pouco durante a temporada regular e que, certamente, não estavam nos vídeos estudados pelo Niners. Ao invés do pacote pesado de corridas, o time usou muitos disfarces para deixar Cam Newton a vontade no pocket e pegando a defesa desprevenida nas laterais. O time também usou alguns read options para correr com a bola e também, menos comum neles, para fazer simples play actions e deixar seus WRs velozes no mano-a-mano contra a secundária desfalcada de SF. A defesa não estava esperando isso, e Carolina aproveitou para fazer seu ataque funcionar (menos na linha de uma jarda).

Mas no intervalo, especialmente com a vantagem proporcionada pelo erro de Riverboat Ron, o Niners fez seus ajustes. Ofensivamente, o time pouco fez de excepcional, alguns ajustes na proteção e mais lançamentos na direção de Anquan Boldin (especialmente explorando Dayton Florence). Mas defensivamente, o time voltou preparado para o novo plano de Carolina. Com a vantagem (que subiu para 20 na primeira campanha ofensiva do time) e maior confiança na sua defesa terrestre, o time começou a ser muito mais agressivo ofensivamente, mandando muitas blitzes de diferentes locais e pressionando os CBs na linha de scrimmage, tirando a opção dos passes curtos e rápidos e obrigando Cam Newton a fazer seus passes depois de algum tempo, em geral sem espaço no pocket ou fugindo de um sack. Newton não funciona tão bem nessas situações, ainda tem alguns hábitos ruins (especialmente lançar a partir do pé de trás) e não tem a criatividade e precisão de Wilson ou Aaron Rodgers. Muitas vezes ele tentou ganhar tempo no pocket esperando seus WRs ficarem livres para logo ser engolido pelo pass rush, e quando tentou sair pouco espaço teve para fazer qualquer coisa. O read option parou de funcionar e foi abandonado, e ai o Panthers teve que voltar para seu plano tradicional, que não teve sucesso contra uma fortíssima defesa. A maior diferença foi a pressão gerada, com cinco sacks só no segundo tempo em cima de Cam (contra apenas um no primeiro). O ataque de Carolina não iria mais ameaçar o resto do jogo, o ataque terrestre de SF começou a achar espaços, e o time carimbou sua viagem a Seattle. Então nunca subestimem a importância dos ajustes dentro de jogo dos técnicos. O 49ers ajustou brilhantemente, e Carolina não conseguiu responder.

Em tempo, já que o assunto é a importância de um técnico, San Francisco passou 8 anos sem sequer ir aos playoffs, ganhando 7, 2, 4, 7, 5, 7, 8 e 6 jogos entre 2003 e 2010. No ano seguinte chegou Jim Harbaugh, e San Francisco ganhou 13, 11.5 e 12 jogos nos três anos seguintes, chegando a três finais de conferência consecutivas. Um bom lembrete sobre o impacto que um bom técnico pode ter, para todos os times que estão mudando seus técnicos nessa offseason.

San Diego Chargers 17 vs 24 Denver Broncos


Quando tudo da certo, e você não aproveita

Um primo próximo do que falamos sobre o Saints, sobre como quando você enfrenta um adversário que é franco favorito você não pode continuar dando a ele presentes e oportunidades para causar estrago. A situação do Chargers, embora semelhante, não é a mesma. Se o Saints deu oportunidades ao adversário e não podia, o Chargers foi o time que recebeu diversas oportunidades (uma parte delas menos por causa de erros do Broncos e mais por pura sorte) para tentar a zebra, mas não conseguiu aproveitar. E as duas são mortais, lembrando que San Diego era +9.5 para esse jogo - isso significa que esperam que você vença 22.2% do tempo apenas (curiosamente, na história da NFL, times + 9.5 venceram 22.1% das vezes antes desse jogo).

Deixando de lado um instante a má atuação do Chargers durante os primeiros 40 minutos de jogo e a boa atuação da defesa do Broncos, a verdade é que o placar deveria ser muito mais elástico do que foi. O Broncos foi o time que vacilou ao longo da partida, as vezes por más jogadas, as vezes por puro azar. O que eu falei que o Saints não podia fazer com o Seattle, o Broncos fez um pouco aqui. A questão é que o Chargers não transformou isso em nada.

Logo na primeira campanha do Broncos (após uma boa campanha de SD terminar em um sack e um punt), Peyton Manning teve a bola na linha de 29 do campo de ataque e tentou achar um Wes Welker em velocidade na end zone. Mas o passe foi muito ruim e sem controle, e ficou pendurado tempo o suficiente para o CB Shareece Wright cortar a rota do passe e se colocar em posição para conseguir uma interceptação. A bola foi perfeito no meio do peito de Wright, que não conseguiu segurar e fazer a interceptação. Algumas jogadas depois, Manning transformou o erro de Wright em 7 pontos com um passe para Demaryius Thomas. Depois de outro punt, Chargers teve uma nova chance: em um passe esquisito para Julius Thomas, o TE de Denver não conseguiu controlar a bola direito, tomou um tackle e soltou a carne, que foi recuperada por San Diego. No replay é quase impossível ver com certeza se foi fumble, down by contact ou passe incompleto, então permaneceu a marcação original, para sorte do Chargers. De novo, o time não aproveitou a boa posição de campo (linha de 45): o time avançou 26 jardas antes de Philip Rivers tomar um sack, e Nick Novak errar o FG. Então San Diego poderia ter evitado os 7 pontos de Denver e/ou anotado mais pontos seus com esse fumble sortudo, mas ao final dessas campanhas, o placar ainda era 7-0 para Denver. Aproveitando a boa posição de campo do FG errado, Manning logo anotou outro TD para fazer 14-0, um 14-0 que o Chargers teve a chance de evitar ou fazer algo melhor e não aproveitou.

Mas espera, tem mais. Faltando 3 minutos para o fim do primeiro tempo, o Broncos recuperou a bola novamente e se lançou em uma campanha. O time chegou dentro da linha de 5 jardas, mas na terceira descida, um bom passe de Manning para Eric Decker não foi seguro pelo WR, pipocou no ar, e Donald Butler  fez ótima jogada na bola pendurada para conseguir com uma interceptação, salvando assim pelo menos três pontos. Com 30 segundos e dois tempos para pedir, San Diego preferiu ajoelhar na bola mesmo sabendo que ela começaria com Denver no segundo tempo. Logo no retorno, Eric Decker quebrou seis tackles e tinha caminho livre até a end zone, mas tropeçou sozinho e caiu na linha de 40 jardas. Logo depois, Manning fez passe lindo para um livre Wes Welker na end zone, que deixou a bola cair e forçou o FG de Denver. Então o que deveria ter sido 10 ou mesmo 14 pontos para Denver acabou resultado em apenas três, por pura sorte e pela boa jogada de Butler. Pouco depois, Matt Prater ainda erraria um FG de 47 jardas.

Eventualmente no quarto período, Philip Rivers e o ataque do Chargers acordou, anotou 14 pontos porque a defesa do Broncos inexplicavelmente decidiu que não precisava cobrir Keenan Allen e ainda recuperou um onside kick milagroso para trazer a diferença para sete pontos, antes de Manning tirar o jogo de alcance com dois passes cruciais em terceiras descidas (uma em 3rd and 18). O Chargers chegou perto de conseguir uma grande zebra, mas a verdade é que o jogo não foi nem tão apertado como pareceu pelo que os dois times jogaram, e também não é difícil ver aonde o Chargers não conseguiu. O Broncos e o acaso deram várias oportunidades para o Chargers, e eles não aproveitaram. Tiveram uma interceptação na mão para evitar 7 pontos do Broncos e não conseguiram. Recuperaram um fumble em grande posição de campo, não geraram pontos e ainda deram boa posição para o Broncos anotar mais sete. Conseguiram sair de alguma forma tomando só 3 pontos quando deveriam ter tomado 14, e mesmo assim só foram anotar um TD no quarto período.

Se o Saints nos ensinou que quando você quer superar um time superior você não pode continuar atirando no próprio pé e dando chances ao adversário, então o Chargers é um exemplo de como você também não pode deixar passar todas as chances que colocam nas suas mãos, senão o buraco fica grande demais para sair depois. O Chargers não conseguiu, e é por isso que a Bolo Tie não está indo para New England semana que vem.

domingo, 12 de janeiro de 2014

NFL Divisional Rounds, Parte II - Domingo

"É o poder da gravata, cara!"



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No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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Ontem, tivemos a Parte I falando dos jogos de sábado nos playoffs da NFL, Saints vs Seahawks e Colts vs Patriots. Hoje, sem delongas, vamos para a Parte II cobrindo os jogos de domingo.


San Francisco 49ers at Carolina Panthers (San Francisco favorito por 1 ponto)


Embora essa linha, favorecendo o time que joga fora de casa e que perdeu o duelo entre esses dois na temporada regular (mais disso em um minuto), gere alguma estranheza, é bom lembrar que a linha inicial de Vegas era -1 Panthers e que foi mudando conforme as apostas iam entrando. Então não tentem ler muito nisso.

Mas enfim, essa é a reedição da partida da semana 10 entre Niners e Panthers no Candlestick Park (SF), um dos jogos mais defensivos e físicos de toda a temporada. O resultado reflete exatamente o quão "feio" (não no sentido de mal jogado e falta de talento) e defensivo foi: 10-9 para Carolina, com Graham Gano errando um FG mais cedo no jogo, mas com o Panthers recuperando 4 de 5 fumbles, inclusive dois seguidos na sua campanha decisiva. Não fica mais apertado do que isso, uma excelente amostra do quanto esses dois times são extremamente parelhos. E, para ser sincero, extremamente parecidos.

Ambos os times seguiram o mesmo modelo de futebol americano rumo a um record 12-4. Para começar, ambos os times apresentam uma defesa fortíssima como seu ponto central. A defesa do Panthers cedeu 4.9 jardas por jogada (4th da NFL) e a do Niners 5.0 por jogada (8th melhor), com cada uma forçando 30 turnovers. As duas também contam com um excelente trabalho da sua linha de frente para parar a corrida (3.9 jardas por corrida contra a defesa de SF, 4.0 contra a de Carolina) e, principalmente no caso de Carolina, gerar pressão no QB adversário. São duas unidades extremamente físicas e agressivas que causavam pesadelos para os adversários, e é por ai que ambos os times começam vencendo seus jogos. A defesa do Panthers terminou a temporada #3 em DVOA e, embora a do Niners tenha terminado #13, isso se deveu ao fato de que o time esteve sem dois dos seus três melhores jogadores (Patrick Willis e Aldon Smith) durante boa parte do começo da temporada: Aldon perdeu cinco jogos e jogou tantos outros abaixo do seu normal, enquanto Willis perdeu dois e jogou vários outros no sacrifício (e ainda terminou como o segundo melhor MLB da NFL, per PFF. O melhor? Seu companheiro de time, NaVorro Bowman). Desde que Smith voltou ao time titular na semana 12, a defesa de SF cedeu 6, 13, 17, 14, 24, 20 e 20 pontos para seus adversários, forçando nove turnovers. Então são duas defesas de elite que vão tornar as vidas dos ataques extremamente difíceis.

Do outro lado, temos dois ataques muito explosivos... e extremamente inconsistentes. Ambos os times foram desenhados para correr muito com a bola, com o Panthers terminando o ano como o 11th time com mais jardas terrestres na temporada (a 4.2 por corrida) e San Fran como o 3rd (4.4). Em DVOA, levando em conta o nível dos adversários enfrentados, o Panthers também aparece como o quarto melhor ataque terrestre do ano. O problema é o ataque aéreo, onde Colin Kaepernick e Cam Newton, apesar de extremamente explosivos e talentosos, tem sido bastante inconsistentes. Ambos são extremamente móveis, grandes corredores capazes de escapar de sacks para grandes ganhos e com braços fortes que podem destruir uma defesa, mas também tiveram dificuldade ao longo da temporada mantendo o nível e a consistência, mesclando grandes performances dominantes com jogos extremamente apagados. Esse foi um problema para ambos, mas particularmente com o Panthers, que contra times bons com boas defesas anotou 6 pontos (Seattle), 7 pontos (Cardinals), 10 pontos (SF), 13 e 17 pontos (New Orleans), e embora SF tenha jogos de 32 e 23 contra Arizona e 33 contra Tampa Bay para mostrar, também tem jogos de 9 contra Carolina e 3 e 19 contra Seattle no seu resumo.

Então é assim, com times tão semelhantes e matchups muito iguais, que ambos os times fizeram um dos jogos mais equilibrados e parelhos da temporada na metade do ano.

Mas é ai que entra a GRANDE diferença desse jogo em relação aquele, e ao que conseguimos ver da temporada regular olhando essas estatísticas que abrangem o ano todo. Carolina foi um time que se manteve mais ou menos constante ao longo do ano, sem grandes mudanças: algumas lesões na secundária no começo do ano forçaram algumas mudanças, mas em geral, era um time montado de uma certa maneira que seguiu assim o ano inteiro, evoluindo e se entrosando cada vez mais. Foi, na falta de uma palavra melhor, um desenvolvimento quase linear, sem grandes desvios. Mas o do 49ers foi tudo MENOS linear, e o que mudou em relação da semana 10 é o que pode fazer a diferença. Em primeiro lugar, a defesa teve a volta de Aldon Smith. Smith jogou duas semanas antes de ser preso por dirigir embriagado e posse ilegal de algum tipo de substância (supostamente analgésicos) e ser internado em uma clínica de reabilitação. Smith só voltou a ser titular na semana 12, desde quando o 49ers não perdeu nenhum jogo. Mas mais importante do que isso, foi quando a defesa do Niners voltou a ser a unidade de elite que era, pressionando o QB sem precisar recorrer a muitas blitzes. A ausência do seu MVP do time de 2012 foi extremamente sentida, e não surpreende que o time tenha melhorado bastante com sua volta.

Além de Aldon Smith, outra figura do Niners esteve fora durante boa parte da temporada e voltou para a reta final. Melhor WR da segunda metade da temporada passada na NFL (estatisticamente, pelo menos), Michael Crabtree estava se recuperando de uma lesão no tendão de Achilles e não voltou para o Niners até a semana 12. Mesmo ainda estando claramente limitado e abaixo do que rendeu ano passado, a sua chegada já teve um impacto importante no jogo aéreo, fornecendo a Kaepernick seu alvo favorito, abrindo linhas de passe e tirando marcação de outros jogadores, e em geral sendo decisivo, especialmente na rodada de Wild Card (8 recepções, 125 jardas). A chegada de Crabtree foi o empurrão que o Niners precisava para seu anêmico ataque aéreo, que terminou com o quarto melhor aéreo (em DVOA) desde que ele voltou ao campo.

Então para mim, se ambos os times foram muito equilibrados na temporada regular, o que pode fazer a diferença aqui é o quanto eles mudaram em relação ao seu primeiro jogo. O Panthers está dessa vez sem Steve Smith, que mesmo não sendo o WR espetacular de outrora, ainda é um jogador muito físico que é o alvo de confiança do Cam Newton em terceiras descidas, e se ele não puder jogar (ou jogar limitado) isso vai ser um golpe duro em um ataque que já tinha problemas contra boas defesas. Do outro lado, o Niners é um time muito melhor hoje do que na semana 10. Aldon Smith trouxe o pass rush de volta a vida, e o ataque de San Fran é mil vezes mais perigoso com Crabtree (e Vernon Davis, que saiu no primeiro quarto do outro jogo com uma concussão) do que foi em qualquer outro momento da temporada. San Francisco, em termos de pessoal, é um time muito melhor do que no primeiro jogo entre os dois, e Carolina deve ser um pouco pior sem Steve Smith. Então daria uma leve vantagem ao 49ers. 49ers 19, Panthers 13.


San Diego Chargers at Denver Broncos (Denver favorito por 9.5 pontos)


Eu realmente não preciso falar muito do ataque de Denver, o ataque que bateu todos os recordes da NFL, incluindo dois por parte do seu QB. Todo mundo já sabe exatamente do que ele é capaz e de como ele é fantástico. Então ao invés disso, vamos falar do que pode ser um problema Denver: sua defesa.

Não que a defesa tenha sido horrível durante a temporada regular. Ela terminou com um sólido 16th em DVOA, basicamente uma unidade média. Mas acontece que ela chegou nesse patamar com duas tendências distintas: enquanto foi uma defesa Top10 contra a corrida, ela foi 21nd apenas contra o passe. E não só isso, mas times como Dallas (470 jardas aéreas) mostraram que essa é uma unidade que pode muito bem ser explorada, especialmente quando a pressão não está chegando e o QB adversário tem tempo no pocket. E em uma nota relacionada, o melhor jogador dessa defesa, Von Miller, está fora dos playoffs, um tremendo golpe para uma defesa que depende muito dele tanto para criar pressão (embora Shaun Philips esteja excelente) como para parar as corridas laterais. Então embora seja um enorme exagero falar que a defesa é uma fraqueza, o fato é que ela pode ser explorada por um ataque competente, e é muito mais fácil bater de frente com essa defesa do que tentar parar o ataque de Denver.

Então se o Chargers quiser sonhar em derrubar o fatorito Denver, é pela defesa que ele vai ter que começar a montar seu plano de jogo. E na verdade, foi por ai que derrubaram o Denver da primeira vez durante a temporada regular. Naquela partida, San Diego correu 44 vezes para 171 jardas, com Ryan Matthews sendo responsável por 124 dessas. Em consequência desse estilo de jogo de correr muito e controlar o jogo, o Chargers ficou com a bola por 38 minutos de jogo (contra menos de 22 do Broncos) e manteve o provável MVP da temporada muito tempo sentado no banco. O Chargers tem um time bom e underrated, mas se quiser ter chance de uma nova surpresa, vai ter que obrigar o Broncos a jogar o SEU jogo, não o que estão acostumados. 

Claro, o ataque não é exatamente o problema com o Chargers. Eles tiveram o terceiro melhor ataque da temporada regular, e o segundo melhor ataque aéreo da NFL. Ryan Matthews, enfim saudável, correu para 1255 jardas em 4.4 jardas por corrida durante a temporada regular. Então não é como se faltasse ao Chargers o pessoal para executar sua tarefa e abusar a vulnerável defesa de Denver. O problema é que para isso você também precisa evitar que o Broncos pontue absurdamente quando seu ataque entra em quadra, e ai que mora o problema: a defesa do Chargers foi a pior da NFL durante a temporada regular. E mesmo que seu ataque cumpra a risca o plano de correr com a bola e deixar o ataque do Broncos fora de campo, isso de nada não adianta se toda vez que Manning entrar ele anotar um TD.

Por isso a defesa do Chargers, e como ela vai se comportar, é a chave da partida. Olhando no agregado da temporada, o Chargers teve a pior defesa da NFL, mas isso se deveu principalmente a um começo de ano ABISMAL desse grupo, historicamente ruim entre as semanas 1 e 12. Mas no final da temporada, com algumas mudanças de pessoal e um Eric Weddle mais eficiente, a defesa conseguiu evoluir para praticamente um grupo na média, e fez um trabalho impressionante nos dois jogos mais importantes que teve, contra Denver e na primeira rodada dos playoffs contra Bengals. Então é fato que a defesa do Chargers vem melhor, mas ser apenas "média" não vai adiantar. Ela vai precisar fazer tudo que fez da primeira vez e que deu certo: pressionar o QB usando todo tipo de blitz stunt surpresa para confundir uma linha pouco experiente, e sinceramente, dar um pouco de sorte como foi o caso no primeiro jogo, com alguns drops e alguns passes ruins. Manter o ataque de Denver fora de campo e sem chance de entrar em ritmo - ainda mais se estiver frio - sem dúvida contribuiu para essa performance ofensiva pouco eficiente e aumentou as chances da sua defesa, então é claro que esse tipo de plano de jogo passa pelo outro lado da bola também. 

Em resumo, o Chargers vai ter que jogar uma partida quase perfeita dos dois lados da bola para ter sucesso. Vai precisar executar esse plano o melhor possível, jogar o melhor futebol americano possível, e incomodar o que puder do melhor ataque da NFL. Não é impossível - o Chargers já fez antes, inclusive - mas acho difícil que o time consiga fazer de novo da mesma forma e com o mesmo nível de eficiência, e em um adversário que não vai ser pego de surpresa. Então fico com a vitória de Denver. Broncos 34, Chargers 24.

Em tempo, sua melhor esperança para apostar no Chargers? Lembra que eu disse ontem que nos últimos oito anos, em sete deles tivemos um time favorito por pelo menos 8 pontos perdendo na rodada divisional dos playoffs? Bom, em três desses sete, o QB que perdeu a partida foi Peyton Manning. Então se quiser a história do seu lado... Só jogando aqui.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Pontos importantes da semana 12 da NFL

Dias negros para torcedores do Jets, mas
pelo menos eles sabem rir de si mesmos



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Mais uma semana chega ao fim... e holy hell, QUE SEMANA de NFL foi essa. Tivemos vários jogos com implicações importantes para os playoffs, diversas partidas disputadas decididas até o final (Cowboys-Giants, Panthers-Dolphins, Titans-Raiders e meu favorito, Chargers-Chiefs), o duelo dos dois piores times da NFL (Jaguars e Texans, que assumiu o posto depois de perder em casa de Jaguars e Raiders em semanas consecutivas), e um dos melhores jogos da temporada e dos últimos anos de temporada regular (chegaremos nele). Você teve dois QBs famosos pelas famas de amarelão tendo grandes quarto períodos e levando seus times a vitórias importantes. Você teve, basicamente, uma grande rodada de futebol americano. Vamos passar agora por alguns dos pontos interessantes que vimos, começando com...


Tom Brady vs Peyton Manning, Parte XIV


Broncos e Patriots, nosso Sunday Night Football, foi um dos melhores jogos de temporada regular dos últimos tempos. Teve basicamente de tudo: grandes viradas, grandes jogadas, surpresas, fumbles, polêmicas, fumbles, dois dos melhores QBs da sua geração se enfrentando, e para terminar, mais fumbles (sério, foram 11 fumbles. ONZE!!). E como todo jogo bom, apertado, decidido nos detalhes e com tantos interesses e histórias envolvidas, eles deram origem a todo tipo de conclusões estúpidas, falácias e besteiras de modo geral. Então vamos passar rapidamente pelo jogo e ver as conclusões que podemos tirar, e quais as que são exageros viesados.

A primeira coisa que chama a atenção, e eu acho que ainda não citei aqui, foi a quantidade absurda de fumbles que esse jogo teve. Foram ONZE fumbles na partida, três a menos que o recorde da NFL. E claro, como não poderia deixar de ser, foi um deles que decidiu a partida, depois de quatro campanhas sem sucesso em OT, Tony Carter (que pode começar a procurar um novo emprego) acabou encostando na bola de um fumble recuperado pelo Patriots, que chutou o FG e acabou com a vitória. Mas a questão é que, como apontou também o grande Bill Barnwell (que soltou a coluna ontem com esse mesmo ponto), a história do jogo está diretamente atrelada a questão dos fumbles.

Como eu já falei aqui inúmeras vezes, recuperar fumbles é uma questão de sorte: cada time vai recuperar um fumble em média 50% do tempo, uma boa ferramenta para ver se um time foi particularmente azarado ou sortudo durante algum tempo. No caso, dos 11 fumbles, o Patriots recuperou 6 deles e o Broncos 5, então não da para dizer que algum time foi particularmente azarado no quesito. Mas a questão não é se um time foi azarado ou não, foi a forma como essa sorte foi distribuída ao longo desses 11 fumbles que interessa. Porque se prestar atenção, foi o que determinou o caminhar do jogo. Para começar a partida, foram três fumbles do New England Patriots... e todos recuperados por Denver, que usou isso para anotar 17 pontos e abrir seus 24 de vantagem (sem falar, claro, que se as campanhas do Patriots terminavam em fumbles eles não tinham chance de pontuar também). Então o fato de Denver ter começado 3 de 3 recuperando fumbles foi o que impulsionou o começo dominante do time. Depois disso, a reação do Patriots aconteceu... e em parte porque o time recuperou 6 dos 8 fumbles que aconteceram depois na partida, inclusive uma sequência importante no final do primeiro tempo, quando o Patriots sofreu três fumbles consecutivos na mesma campanha e recuperou os três. Se Denver recupera um deles, começaria mais uma campanha no campo de ataque e prestes a anotar outro TD. Da mesma forma, New England acabou recuperando outros dois fumbles de Denver, inclusive um game-changer do Montee Ball (que não voltou mais para o jogo) no segundo tempo e o lance decisivo do Tony Carter em OT, o que ajudou o time a reagir e vencer o jogo. Não que a sorte nos fumbles seja o ÚNICO motivo pelo qual tudo isso aconteceu, pelo qual o Denver abriu vantagem, pelo qual New England reagiu e tudo mais, claro, mas é fácil ver como a distribuição dessa forte é algo determinante na hora de determinar a forma como o jogo flui.

Outro ponto a ser discutido é a forma como as histórias numerosas que já existiam de antemão antes da partida (em especial Brady-Manning), junto a alguns fatores, acabam distorcendo as conclusões e histórias que saem dessa partida de forma injusta. As pessoas gostam de usar um resultado - no caso, a vitória do Patriots e derrota do Broncos - para produzir todo tipo de história. O Patriots venceu porque Tom Brady é melhor e/ou mais clutch que Manning, que perdeu o jogo e portanto CLARAMENTE não é tão bom ou não tão clutch. Ou é o que querem nos passar com base no resultado final, um jogo que esteve empatado em 31 a 31 por três minutos do tempo normal e mais quatro posses de bola da prorrogação, e que foi decidido em um fumble aleatório de um jogador aleatório em uma jogada que não envolveu nenhum dos dois QBs. Não é o resultado desse fumble que vai determinar quem é bom e quem não é, quem é mais clutch e quem não é, e tudo mais. Tom Brady não teve um bom jogo porque Carter teve uma pane mental e sofreu um fumble - Tom Brady teve um grande jogo porque conduziu cinco campanhas excelentes para anotar 31 pontos e empatar um jogo que estava perdendo por 24 no intervalo. E Peyton Manning não deixa de ser clutch, depois de ter feito uma campanha excelente para empatar o jogo nos minutos finais (antes que alguém reclame da falta que voltou atrás uma interceptação, a falta foi bem clara) porque Carter não saiu da frente de um punt. O fato é que foi um jogo muito bom (Denver teve um ótimo primeiro tempo, New England um ótimo segundo tempo) entre duas boas equipes, que ficou empatado por muito tempo e que não foi decidido por uma grande jogada ou um grande erro de um QB no final, e sim por um fumble em uma jogada onde nenhum deles sequer estava em campo.

A maior estupidez, claro, veio de um comentarista da TV brasileira, que disse que "no final, pesou a camisa! Venceu o time que sabe vencer os jogso no final!", uma das maiores besteiras que eu já escutei nos últimos tempos. O jogo foi perfeitamente equilibrado por 12 minutos da prorrogação, ambos os times em condições totais de igualdade, e a vitória acabou sendo decidida por um fumble aleatório de um jogador aleatório... e isso aconteceu por causa da CAMISA que pesou? Por favor! A não ser que ele esteja tentando argumentar que o material da camisa do Patriots é mais leve e teria melhorado a movimentação do jogador para sair da frente da bola (acho improvável!), estou extremamente curioso para saber como um erro individual de um jogador significa algo sobre a camisa dos times, ou sobre como ganhar um jogo porque o adversário cometeu um erro não-forçado diz que seu time "sabe vencer jogos". Esse é só mais um exemplo de conclusões tiradas pelos resultados, narrativas prontas que não tem qualquer base além de um ponto abstrato (no caso, o resultado) influenciado por dezenas de coisas que acabamos ignorando.

Claro, eu não quero aqui tirar o mérito do Patriots pela sua brilhante recuperação, ou falar que o Broncos foi o melhor time ou mereceu vencer nem nada do tipo (como alguns torcedores do Patriots tentaram se convencer que era o caso, porque eles adoram fazer isso). Eu só estou dizendo que não é inteligente justificar tudo com base no resultado. Pense da seguinte maneira: e se fosse Julian Edelman que sofresse um fumble desses em um retorno de punt, Broncos recuperasse e chutasse o FG da vitória? Isso faria a recuperação do time e o segundo tempo de Tom Brady menos impressionante, ou aumentaria o valor da campanha final de Manning no tempo normal? Mas é óbvio que não! O jogo teria sido rigorosamente o mesmo, só que com um erro individual do outro lado e, portanto, outro resultado final. Mas as mesmas pessoas que tiram essas conclusões iriam correr para apontar a "clutchness" de Manning ao conduzir aquela campanha final no tempo normal, e apontar que Brady teve três campanhas para vencer a partida e não conseguiu passar do meio de campo em nenhuma para mostrar que ele não é. E claro, o jogo teria sido rigorosamente igual, com um resultado diferente. Se o jogo foi igual, então qual seria o motivo de mudar a narrativa dos jogadores envolvidos? Nenhum. Então não fiquem se atendo a narrativas prontas com base nos resultados, e sim se foquem no processo que levou a isso.

Uma outra decisão que levantou muita estupidez no twitter e por ai afora foi a decisão do Bill Belichick, em OT, de optar por não começar com a bola para jogar a favor do vento. Pela milésima vez eu preciso bater nessa tecla: você NÃO pode e NÃO deve julgar uma decisão com base no resultado. O técnico que toma a decisão não é um vidente e não sabe qual vai ser o resultado - o Broncos poderia anotar um TD logo na primeira campanha e tornar o vento inútil, o Broncos poderia errar um FG por causa do vento e dar a vitória a New England, ou poderia acontecer o que aconteceu de fato, não ter nenhuma influência no resultado - então tudo que ele pode e deve fazer é analisar as probabilidades e tomar a decisão que da ao seu time a melhor chance de vencer. E eis porque eu achei a decisão tão interessante: não temos nenhum tipo de amostra indicando qual é a decisão que melhora as chances da equipe de vencer o jogo. É tudo uma questão de analisar o que você perde (dar a bola primeiro ao melhor ataque da NFL, com chance de anotar o TD, antes de você tê-la, e possivelmente dando a eles mais posses do que você) e o que você ganha (algumas jardas de posição de campo em punts, aumentar seu FG range e diminuir o do adversário), e concluir o que você acha ser maior. Não tem nenhum estudo, prova ou amostra indicando qual é melhor, então não tem uma decisão certa ou errada. E no final, acabou sendo totalmente irrelevante: o vento não fez nenhuma diferença, o número de posses de bola de cada time não fez nenhuma diferença, e o jogo foi decidido em um erro individual. Claro que isso não evitou um monte de gente, no primeiro punt do Broncos em OT, de chamar Belichick de "gênio", porque aparentemente ele SABIA que o Broncos não iria pontuar na primeira campanha, ou então porque foi culpa do vento que o WR do time cometeu uma falta em uma terceira descida que teria gerado uma 4th and inches. Tem gente que vai tentar distorcer o que aconteceu falando que foi o vento que fez bater a bola no Carter (e não as leis da física, que dizem que um corpo em movimento tende a permanecer em movimento e que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço) porque o padrão é sempre esse, distorcer os fatos para caber nas conclusões. O fato é que foi uma decisão interessante que não teve nenhum resultado, positivo ou negativo. Não precisamos procurar chifre em cabeça de cavalo.

Então tirando tudo isso, o que PODEMOS concluir do jogo? Basicamente não muito que não soubéssemos de antemão antes da partida. Que a defesa do Broncos depende muito do seu pass rush chegando no QB, senão é muito vulnerável na secundária a bons passes e pode ser explorada (um dos fatores cruciais no segundo tempo? A linha ofensiva do Pats começou a dar tempo para Brady no pocket); que a defesa do Patriots, com seus dois DTs titulares no IR, tem imensas dificuldades em parar o jogo terrestre e que depende muito de Aqib Talib para fazer a secundária funcionar (ele foi bem essa semana, mal na semana passada, e o resultado no resto da defesa é claro); que o ataque do Broncos é muito poderoso e que pode te vencer de diferentes maneiras (mais de 200 jardas terrestres); que Manning-Brady é uma das melhores rivalidades da NFL e promessa de grande jogo... isso tudo a gente já sabia. Acho que o principal ponto de dúvida era ver como o ataque do Patriots iria funcionar, e problema com fumbles a parte, ele jogou muito bem, com jogadores como Edelman e Kembrel Thompkins aparecendo muito bem e Rob Gronkowski cada vez mais em forma. Acho que esse foi o principal ponto positivo para qualquer um dos times. Fora isso, um grande jogo entre dois bons times e dois grandes QBs. Não precisamos ficar achando muito mais do que isso para ter valido a pena.

O eterno dilema de QBs em New York


A vida de um torcedor do New York Jets não tem sido fácil nos últimos anos. Desde que aquele time com defesa fantástica e ataque suspeito improvavelmente chegou a duas finais consecutivas em 2009 e 2010, o time tem brigado para voltar a relevância e tem esbarrado em um grande problema: Quarterbacks. Mark Sanchez, o QB do time durante esse tempo, acabou involuindo em um dos piores QBs da NFL, uma piada generalizada ao redor da NFL, e todo mundo dizia que o time não iria longe enquanto não mudasse o jogador que ocupava essa posição. Afinal de contas, qualquer coisa seria um upgrade sobre Mark Sanchez, o QB do Buttfumble, o pior titular da NFL. Certo?

Bom, esse ano, o time draftou um QB cru na segunda rodada (Geno Smith) e o colocou como seu titular depois que Mark Sanchez sofreu uma lesão grave na pré temporada, eventualmente perdendo o ano todo. Então, considerando que o time está 5-6 e brigando por uma vaga nos playoffs, quanto melhor tem sido o desempenho de Smith como QB da Gang Green?

2012 Mark Sanchez (15 jogos): 246/453, 54.3%, 2883 jardas, 13 TDs (2.9%), 18 interceptações (4%), 6.4 jardas por passe, 23.37 QBR, 34 sacks, 14 fumbles

Aikes! Acho que eu não preciso explicar porque esses números são absolutamente horríveis - não tem um único número que se salve ai no meio, nenhum. Bom, e Geno Smith?

2013 Geno Smith (11 jogos): 175/317, 55.2%, 2227, 8 TDs (2.5%), 18 interceptações (5.7%), 7.0 jardas por passe, 23.36 QBR, 37 sacks, 9 fumbles.

Surpreendentemente parecidos, certo? Mark Sanchez pode até ter sido um passador MELHOR que Geno Smith considerando essas duas temporadas (embora, para ser justo, Geno tem 178 jardas terrestres e 3 TDs). A verdade é que, mesmo sem Sanchez, o ataque continua a mesma droga e o problema continua sendo o mesmo, a péssima produção da posição de QB. Geno Smith tem mais potencial, é mais jovem e era considerado muito cru (então é de se esperar que tenha mais a evoluir no curto prazo), então entendo porque o time possa preferir ele indo para frente, mas quando você está sendo ameaçado de ir para o banco por MATT SIMMS com seu time 5-6 e empatado por uma briga no wild card... quer dizer, é porque as coisas estão ruins. Nem Mark Sanchez em 2012 conseguiu o QBR que Smith conseguiu duas semanas atrás de 0.7 (embora para ser justo, o  QBR só foi incorporar "Buttfumble" como um critério após Sanchez se machucar... e Sanchez teve um 0.3 como calouro).

O fato é que o Jets é um time bem ruim esse ano. Seu saldo de pontos é o terceiro pior de toda a NFL depois do Jaguars, e a Pythagorean Expectations da equipe é de um time abaixo de 3-8. DVOA coloca o time como o 24th melhor da NFL graças a uma defesa Top5, mas com o segundo pior ataque. E no centro disso tudo está Geno, que continua com a tradição Mark Sancheziada da equipe - e isso sem entrar no mérito de que nas últimas quatro semanas, Geno tem um QBR de 4 (!!!). Nenhum QB no período tem menos de 20, via ESPN Stats & Info. Na verdade, se você SOMAR o QBR dele nessas quatro semanas, não passa de 23. Então se você tinha esperanças que o Jets ia sair do buraco agora porque tinha um QB de verdade no lugar do desastre que era Mark Sanchez... melhor pensar de novo.

Os dois amarelões da NFL


Tirando Manning-Brady, esse não foi um bom domingo para quem gosta de exagerar nas narrativas prontas, pré-determinadas e totalmente fora da realidade sobre algum time ou jogador. Isso porque dois QBs que são frequentemente chamados de amarelões ou então criticados por serem incapazes de vencer jogos no final conseguiram levar seus times a duas vitórias cruciais - adivinhe! - nos momentos finais de suas partidas. Tony Romo conseguiu uma campanha de FG para vencer os rivais de divisão Giants e recolocar o Cowboys no topo da divis ão, e Philip Rivers conseguiu anotar 41 pontos e um TD de virada no minuto final contra a melhor defesa da AFC em uma partida crucial para os sonhos do Chargers na temporada. Era uma vez quando os dois eram os grandes amarelões da NFL.

Olhando mais a fundo, é fácil ver que isso de "clutchness" é besteira nesses casos. Apesar do Cowboys ter tido um monte de tiros no pé em jogos apertados essa temporada, é difícil colocar demais a culpa nele. O jogo mais emblemático desses foi contra o Broncos, com o jogo empatado em 48 a 48 quando Romo lançou uma interceptação que deu a vitória a Denver, mas já escrevi muito sobre porque é viesado colocar a culpa da derrota no colo de Romo, que teve 500 jardas e jogou praticamente sozinho para manter o time na partida até aquele ponto. A outra derrota apertada que gerou muitas críticas foi contra o Lions, outra incrível, e na qual é impossível colocar a culpa em Romo: o Cowboys tinha 99% de chance de vitória até seu lineman cometer uma falta besta que parou o relógio e deu ao Lions 40 segundos a mais, e a defesa se implodiu na campanha final de Detroit, difícil ver aonde Romo tem alguma culpa. Na verdade, o Cowboys tem três jogos decididos por uma posse de bola ou menos na temporada e em dois desses Romo que conduziu a campanha da vitória nos segundos finais. Btw, nas últimas três temporadas Romo tem 11 campanhas decisivas no quarto período ou OT para vencer jogos, maior marca da NFL. Mas sabe, amarelão demais esse Romo.

Enquanto isso, Philip Rivers também recebeu críticas (em parte por causa da derrota na semana 1 para o Texans, mas essas fora merecidas) por ser a causa que faz o Chargers ser tão ruins em jogos decididos no final ou apertados. Claro, Rivers lidera a NFL com três viradas no quarto período ou OT e é segundo em campanhas para vencer o jogo em 4th/OT na temporada, mas isso não cansa as pessoas de apontarem para as dificuldades do Chargers em vencer jogos apertados como sendo culpa dele. Ele foi responsável contra o Texans, de fato, mas é difícil ver aonde ele teve culpa nas partidas contra Washington Redskins e Tennessee Titans: a defesa foi totalmente não inexistente no primeiro (inclusive tomando um TD na primeira campanha de OT) e dando o imenso azar do TD de Danny Woodhead ser revertido para uma 1st and goal na linha de 1 jarda, ver o jogo terrestre falhar duas vezes, e seu técnico decidir estupidamente chutar um FG ao invés de tentar converter a jogada; e na segunda precisou de uma campanha milagrosa da virada de Jake Locker nos segundos finais que ainda teve uma interceptação que teria matado o jogo sendo derrubada pelo defensor do Chargers completamente livre. Hmm, como isso é culpa dele mesmo? Isso sem falar que ele é segundo da NFL entre QBs qualificados em QBR atrás de Peyton Manning. Então se você quer jogar a carta do "Philip Rivers é amarelão e não sabe vencer jogos", ela simplesmente não é verdade.

Um dia vou entender a mania de querermos atribuir esse papel de amarelão a todo mundo, mas por enquanto, espero que pelo menos quem leia isso comece a olhar mais o que acontece por trás das óbvias aparências e da fanfarra da mídia e dos fãs antes de ficar rotulando jogadores.

Playoffs e jogos importantes dessa semana


Agora que tudo embolou de vez na AFC, já que meu "melhor e mais louco cenário possível" de fato aconteceu. Tanto Broncos como Chiefs perderam suas partidas, o que deu origem a um dos melhores jogos dessa semana porque ambos os times continuam embolados na primeira posição. Patriots continua cada vez mais líder da AFC East. Redskins e Giants foram praticamente chutados da briga pela NFC East depois de derrotas, e agora Dallas e Philaldephia Eagles estão brigando lado a lado pela vaga.

Mas o que fez dessa semana tão interessante foram os wild cards, bem como os times que NÃO ganharam. Começando pelo Wild Card da AFC, a maluquice que eu previ semana passada de fato aconteceu: com Jets e Dolphins perdendo, e Steelers, Ravens, Titans e Chargers vencendo seus respectivos jogos, agora a segunda vaga do Wild Card para a AFC envolve um empate entre SEIS times diferentes (esses seis já citados), com mais Browns, Bills e Raiders apenas um jogo atrás da vaga. Ou seja, são NOVE times que estão a uma vitória de distância da vaga aos playoffs, esquentando ainda mais a briga. 

Na NFC, Lions e Bears perderam seus jogos e as chances de cada um de disparar na ponta da divisão, mas foram ajudados pelo empate (!!) do Packers com Minnesota, o que mantém a divisão ainda mais em aberto do que antes. E na briga pelo Wild Card da NFC, Niners e Cardinals foram os únicos a vencer suas respectivas partidas, abrindo um jogo de vantagem sobre seus competidores mais próximos (Eagles/Cowboys, Bears/Lions e 1.5 jogos sobre o Packers). Então com Broncos, Chiefs, Patriots, Saints, Seahawks e TALVEZ Bengals e Colts já com vagas garantidas nos playoffs, as vagas que sobram são essas: último wild card da AFC, a NFC East, NFC North e os dois wild cards da NFC, com mais disputas por vagas na AFC West e na NFC South.

Dentro desse contexto, quais então os jogos mais importantes da semana? Bem... 


Green Bay at Detroit, Thursday, 12:30 PM ET
E já começamos com um duelo direto dentro da divisão. O Packers está dessa vez apenas meio jogo atrás de Detroit (ou um jogo atrás com vantagem no critério de desempate, se preferir), e com Aaron Rodgers voltando aos treinos visando a semana 13 para uma volta aos gramados, esse é um jogo importante não só para passar a frente do rival (e eventualmente assumir a liderança caso o Bears perca para o Vikings) como para impedir que os adversários abram vantagem demais para os jogos decisivos da temporada, que o time deve contar com Rodgers. Não é como se uma vitória garantisse o título da divisão e uma derrota o enterrasse de vez, mas uma vitória aqui coloca o time em ótima posição com Rodgers voltando e jogo contra Bears ainda pela frente, e uma derrota pode colocar o time precisando de duas vitórias a mais que seus DOIS rivais na divisão. Então é um jogo que fará uma diferença considerável na briga pela NFC North.

Btw, vale destacar que no primeiro confronto entre os dois no Lambeau Field, o Detroit jogou sem Calvin Johnson, inativo algumas horas antes do jogo começar e que causou a linha de Vegas em aumentar SEIS pontos. Então agora é a vez do Packers ir a campo sem seu melhor jogador. Must-watch, ainda mais porque é quinta em horário bom para todo mundo no Brasil (15:30 de Brasília) e sempre da para dar aquele migué no trabalho por uma boa causa.


Pittsburgh at Baltimore, Thursday, 8:30 PM ET
Os critérios para desempatar empates de SEIS são confusos e complicados demais, então não vou entrar no mérito do que vai significar no ponto de vista direto da vaga uma vitória nesse confronto. O que eu sei e posso afirmar com certeza é o seguinte: esse é um duelo envolvendo uma das maiores, mais físicas e mais emocionais rivalidades da NFL nos últimos 10 anos, e que vale uma vantagem direta na briga por uma posição comum de disputa entre ambos os times com ainda o bonus de derrubar seu maior rival dessa disputa. Fica melhor do que isso? Eu sinceramente não sei. Sei que esse é outro dos muitos jogos obrigatórios de assistir dessa semana e que pode ser decisivo para daqui a cinco semanas.


Tennessee at Indianapolis, Sunday, 1:00 PM ET
Esse jogo não só envolve dois times em busca dos playoffs, como também representa a última chance do Titans de sonhar com o título da divisão. Atualmente o time se encontra apenas dois jogos atrás do Colts na briga pela AFC South, mas uma derrota aqui praticamente acaba com os sonhos da equipe: a diferença abriria para três vitórias e o Colts ainda teria a vantagem nos critérios de desempate, o que significa que para vencer a AFC South o Titans teria que vencer seus quatro jogos e torcer para o Colts perder esses últimos quatro jogos. Praticamente impossível. Claro, não é só por isso que o Titans precisa dessa vitória urgente: o time atualmente é o detentor da última vaga do Wild Card da AFC, então uma derrota aqui vai derrubar o time uma vitória dessa briga de seis times, e acho que não preciso  explicar porque é muito mais difícil recuperar essa dianteira quando você precisa que cinco outros times percam e não só um ou dois. Então para o Colts é a chance de carimbar seu passaporte aos playoffs, e para o Titans é um jogo ainda mais importante. Titans perdeu o último jogo entre ambos por 3 pontos em casa, mas o Colts vem de derrotas humilhantes para Rams e Cardinals e não tem sido exatamente um juggernault nas últimas semanas. 


Denver at Kansas City, Sunday, 4:25 PM ET
Possivelmente o jogo da semana. Ambos os times estão 9-2, ambos os times vem de derrotas... e hmm, ambos os times também estão disputando diretamente o título da divisão E a 1st seed da AFC. Quem vencer a disputa (não o jogo de domingo, a disputa até o final) ganha a 1st seed e mando de campo, quem perder cai para a 5th. Considerável o que está em jogo nesse caso entre dois dos três melhores times da AFC.

O interesse direto na partida é maior por parte de Kansas City do que Denver. Embora obviamente quem perder vai estar em desvantagem na disputa, no caso de Denver eles possuem um consolo: eles possuem vantagem nos critérios de desempate. Então mesmo que percam o jogo e caiam uma vitória atrás de KC, eles só precisam vencer um jogo a mais nos quatro restantes para reassumir a ponta. Se Kansas City perder, perde de vez o critério do desempate e precisa de DUAS vitórias a mais que Denver nas quatro semanas restantes, o que é mais improvável. Então jogando em casa ainda, essa vitória é obrigatória para KC e importante para Denver, o que promete um jogão entre o melhor ataque e a melhor (mas surpreendentemente vulnerável essa semana) defesa da AFC.


Outros dois jogos importantes também envolvem duelos diretos pelo Wild Card: Jets e Dolphins (ambos 5-6 empatados no WC da AFC e rivais de divisão) e Cardinals-Eagles. O primeiro é um jogo simplesmente ruim, e o segundo - que talvez ganhe destaque no quesito "melhor jogo em termos de qualidade" com o duelo entre o on-fire Nick Foles e a excelente defesa de Arizona - não é tãaao interessante assim pelo conflito de interesses porque parecem estar envolvidos em duas brigas distintas, com Arizona sonhando com o wild card e Philadephia tendo como caminho mais curto aos playoffs o título da divisão. Então o interesse direto no duelo diminui, mas ainda é um bom jogo que merece ser visto. Muito futebol bom vindo por ai essa semana. Uma boa semana para ser fã de NFL. Aliás, mais uma.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Aonde cada time se encontra na metade da temporada

Phillip Rivers não gostou do calendário do seu time




Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem!

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Ao final da nona semana da NFL, chegamos em um ponto interessante: o momento que mais se aproxima, na NFL, da metade da temporada. Claro que, como a temporada tem 17 semanas, não existe realmente um ponto que seja a "metade", mas eu gosto da semana 9 porque é o primeiro momento na temporada onde cada um dos 32 times jogou pelo menos 8 vezes. Alguns poucos jogaram 9, mas não é o importante - o importante é que todos os times já chegaram pelo menos na metade das suas temporadas regulares, e então já começamos a ter uma visão mais clara do que cada time representa no cenário da NFL. Ent ão ao invés de fazer nossa habitual passagem pela rodada destacando os pontos mais interessantes, vamos fazer um giro pelos 32 times da NFL e vamos separar aquilo que nós sabemos sobre eles, a essa altura, e quais as questões que eles enfrentam indo para frente. Alguns, como vocês vão ver, já tem um papel claro na temporada... outros, nem tanto. Só para deixar claro que os times estão ordenados de acordo com as divisões, e não por qualquer critério.

Hoje vamos começar pela AFC, e amanhã passamos para a NFC.


New England Patriots

Se estamos separando entre times que temos uma clara visão das suas habilidades e do seu papel na temporada, e aqueles que não temos nada disso definido, New England seria o segundo. Em parte porque muita coisa vem mudando para a equipe desde o começo da temporada, em parte porque algumas peças cruciais dessa equipe ainda enfrentam muitas questões e alguma instabilidade, e em parte porque mesmo que o time esteja apresentando muitas falhas, nunca é prudente descartar um QB como Tom Brady.

No começo da temporada, parecia que  New England teria que se virar com um ataque cheio de jogadores medíocres, um jogo terrestre inconsistente e compensar isso com sua forte defesa, e foi assim que o time começou bem o ano. Mas agora, que Vince Wilfork e Jerod Mayo estão fora da temporada - e Aqib Talib, um dos melhores CBs da NFL em 2013, batalhando com uma lesão - a defesa se tornou um ponto vulnerável. O time ainda está contando com boas temporadas de jogadores como Devin McCourty (agora jogando de safety) e Brandon Spikes, mas a falta de seu melhor LB, seu pilar defensivo (Wilfork) e o reserva do seu pilar defensivo (Tommy Kelly), esse grupo que começou tão bem o ano agora não está mais passando a mesma segurança: o time está cedendo 5.4 jardas por corrida desde que Wilfork se machucou e tem tomado alguns sufocos de ataques medíocres como Jets, Steelers e Dolphins (embora esse tenha durado só um tempo). Eles ainda possuem bons jogadores e não serão uma peneira no restante da temporada, mas está deixando de ser uma unidade na qual um ataque mediano poderia se apoiar para se tornar um grupo capaz de ser explorado por um adversário competente.

O problema é que ofensivamente, New England também enfrenta algumas questões. Antes de mais nada, o time tem apenas dois recebedores confiáveis no ano, e os dois enfrentam diversos problemas de lesão, Rob Gronkowski e Danny Amendola. Quando saudáveis, o ataque do time pode render muito bem, mas é difícil confiar que ficarão saudáveis até o fim do ano quando nenhum deles conseguiu esse feito nos últimos dois anos. Também atrapalha o fato de que Tom Brady está tendo a pior temporada da sua carreira e dando alguns sinais da idade: mesmo depois de um excelente jogo contra o horrível Steelers (que fez Matt Cassell parecer competente), Brady ainda está com as piores marcas da carreira em aproveitamento (57.1%), TD% (3.8%), Rating (82) e QBR (56.9, embora essa estatística só exista desde 2008), e a segunda pior marca da carreira em jardas por passe (6.6), pior desde 2002. Se desconsiderarmos tudo que sabemos sobre o grande QB que Brady é, esses números são realmente bem fracos, tirando seu QBR e seu bom índice de interceptações (1.8%). Mas ele ainda é Tom freaking Brady, e nunca é prudente descartar um jogador desse calibre como velho ou ineficiente - ele ainda pode vencer um jogo se estiver em um dia bom. Mas sua tarefa será muito mais complicada se Gronk e Amendola voltarem a perder jogos, especialmente com Sebastian Vollmer, o melhor jogador da linha ofensiva, fora da temporada. 

O Patriots ainda é o favorito para vencer a divisão e ir com folga aos playoffs, especialmente com um calendário favorável (depois de enfrentar Panthers e Broncos voltando de bye, não tem um adversário acima de 50% no caminho deles), mas essas questões podem ser mais significativas chegando nos playoffs contra competição mais acirrada. Muita incerteza ainda pela frente para New England, embora quando sua incerteza envolve "praticamente garantido nos playoffs", isso não é necessariamente uma coisa ruim.


Miami Dolphins

Quando o Dolphins venceu seus três primeiros jogos, eu avisei que era uma possível pegadinha: o último time a vencer seus três primeiros jogos tendo menos jardas do que o adversário em cada um dos três foi o Cardinals do ano passado, que venceu quatro assim antes de perder 10 seguidos. E embora o Dolphins fosse um time melhor que o Cardinals, eu achei que logo iriam regredir. Dito e feito, 4 derrotas depois o time parecia ter voltado ao normal antes de uma boa vitória sobre o Bengals.

Ainda que a 4-4 o time esteja em uma boa posição para sonhar com o segundo Wild Card na AFC, 0.5 vitórias atrás do atual detentor do posto (5-4 Jets), eu não gosto do prognóstico desse time para o resto da temporada. Entre os 12 piores ataques E defesas da NFL antes da rodada começar, o Dolphins não me parece ser o time capaz de executar alguma função em alto nível na temporada, e isso antes de entrar nas questões relativas a bagunça que está a organização nesse momento, com um jogador fora do time por questões pesadas de bullying e abuso por parte dos colegas e outro suspenso enquanto é investigado por estar envolvido no abuso a esse companheiro de time (inclusive o uso de ameaças físicas e insultos raciais). Isso não só tirou dois OL titulares da equipe (de uma unidade que já era ruim) como piora enormemente o clima no local, não só questionando a liderança do fraco técnico Joe Philbin como expondo também os diversos problemas internos da organização em um time que parece tudo, menos coeso. O time parece ter cânceres demais (incluindo o melhor jogador que sobrou na OL, Mike Pouncey, que inclusive foi questionado pelo FBI por sua campanha "Free Aaron Hernandez") para resolver tudo de uma vez, e isso não vai facilitar a vida de um time que já era mediano antes desses problemas acontecerem. Não tem nada que me deixe menos confiante do que um vestiário em ruínas e sem nenhum tipo de união entre jogadores e comissão técnica.

E ainda mais preocupante do que isso tem sido a atuação do QB Ryan Tannehill, que deveria ser o Franchise QB do time mas que está tendo um ano muito ruim. Seus números como passadores são bem fracos - 60.2%, 6.8 Y/A, 11 TDs contra 9 Ints - mesmo antes de considerarmos que Tannehill lidera a NFL com 35 sacks (!!!) e 8 fumbles sofridos em 8 jogos (!!!!!!), números horríveis para qualquer jogador. A linha ofensiva muito ruim da equipe sem dúvida contribuiu para isso, mas Tannehill simplesmente não mostrou nenhuma habilidade para ganhar tempo no pocket, criar separação ou fazer jogadas em movimento, e muito menos de proteger a bola quando sofre contato. Seu QBR de 38 é o 31st entre 39 QBs qualificados, o que também é um péssimo sinal para seu QB segundo-anista. Tannehill vai precisar melhorar e muito - com uma linha ainda mais desfalcada - se quer levar o time aos playoffs.


New York Jets

O Jets é o time mais bipolar e de maior variação na NFL nessa temporada, mesclando jogos excelentes contra bons times (boas vitórias contra Patriots e Saints) com derrotas para Steelers e o massacre de 40 pontos contra o Bengals semana passada. Então enquanto o record de 5-4 e as vitórias contra Pats e Saints mostram que esse é um bom time, é difícil confiar em uma equipe que parece brincar de Dr. Jekyll e Mr. Hyde a cada semana. A defesa é muito sólida e Muhammad Wilkinson evoluiu em um dos melhores DTs da NFL, então o time tem boas chances de ver sua defesa ganhar alguns jogos, mas o ataque...

O ataque é liderado pelo jogador mais volúvel da NFL, Geno Smith, que tem dois jogos com QBR acima de 75 (Bills e Falcons) e três outros abaixo de 10 (além de um 14 e um 15). Considerando que a métrica vai de 1 a 100 com 50 sendo o "médio"... hmm... yeah, isso é meio complicado. A verdade é que Geno Smith tem sido um QB ruim na sua temporada de calouro: 58.1% de aproveitamento, 7.3 jardas por passe, e mais interceptações (13) do que TDs (8) por uma considerável margem. E embora ele ganhe valor pelas suas pernas, isso não necessariamente tem sido vantajoso para a equipe: ele não tem uma boa noção de quando correr e quando não, o que gera um número enorme de tackles antes de ganhar alguma coisa significativa e de fumbles. Em geral, seu QBR de 30 indica que ele tem sido mais um problema que uma vantagem ao time nesse começo de ano, e embora seus bons jogos mostrem que ele possui potencial, ele não tem conseguido fazer isso sobressair as suas limitações, e isso limita o potencial do time.

O Jets também é um forte candidato a regressão: seu record de 5-4 esconde um Pythagorean Expectations de 3-6, e um record de 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola, o que obviamente são fatores imensos para regressão. Tem fatores demais agindo no sentido de regressão para o Jets, e a não ser que Geno possa começar a ser mais consistente, esse time não vai conseguir se salvar só com a defesa.


Buffalo Bills

O Bills, por outro lado, era para ser um time interessante que foi destruído por lesões. Mesmo perdendo seus dois melhores jogadores de secundária para os primeiros seis jogos da temporada em Stephen Gilmore e Jairus Byrd, o time ainda manteve uma das melhores defesas da NFL nesse começo de temporada, 7th em DVOA antes dessa rodada. Sua linha de frente, em particular, é muito forte, com Marcell Dareus finalmente virando uma força contra o jogo terrestre e Mario Williams fazendo jus ao seu contrato imenso com 11 sacks. Além disso, o time draftou o excelente Kiki Alonso para solidificar o meio da sua defesa, e tinha tudo para aproveitar essa unidade com o Jets fez rumo a uma boa temporada.

Mas as lesões destruíram a temporada do Bills: Byrd e Gilmore perderam muito tempo e impediram que essa defesa fosse ainda melhor, e mais importante, as lesões transformaram a situação do Bills - que deveria ser abaixo da média mas pelo menos estável - em uma zona: EJ Manuel jogou apenas quatro jogos e meio antes de sair com uma lesão no joelho, e se seu QBR de 42 não era espetacular e mostrava como ele ainda tnha muito a evoluir, os dois jogadores que entraram no seu lugar (Thaddeus Lewis e Jeff Tuel) possuem QBRs de 19 e 9, respectivamente. É difícil dizer se com EJ Manuel o time estaria em uma situação melhor, mas é impossível ser um bom time quando seus QBs não conseguem passar de 20 em QBR. O time também teve que enfrentar o segundo pior calendário da NFL, o que não ajudou. Bills é um time que já começa a pensar ano que vem, mas pelo menos a base é boa.


Cincinatti Bengals

O Bengals dos últimos anos vinha sendo aquele time que é estável, regular, mas não espetacular: antes da temporada, a expectativa era de mais um ano com um ataque mediano, com um QB muito mediano em Andy Dalton e um jogo terrestre inconsistente, liderado por uma defesa sólida mas que não iria manter o mesmo ritmo porque era de se esperar alguma regressão por parte do Geno Atkins, que apesar de se solidificar como um dos melhores defensores da NFL não iria ser capaz de repetir o ano de 2012. E em geral, eu acertei... a defesa realmente foi boa, apesar de Atkins ter regredido um pouco (e se mantido como um All-Pro DT, claro), e o ataque evoluído um pouco porque Dalton estava jogando melhor, então o Bengals era basicamente o time que eu esperava antes da temporada só que um pouco melhor em cada área. Em um ano onde a AFC está bastante equilibrada, eu estava começando a achar que o Bengals era um time que poderia entrar na briga entre os candidatos ao Super Bowl com um ou dois golpes de sorte ao longo do ano.

E aí os dois melhores jogadores defensivos da equipe, Leon Hall e Atkins, se machucaram e estão fora da temporada. Um abraço para o time que começava a aparecer como um possível candidato ao título. Ainda assim, é cedo para descartar o Bengals, já que a sua vaga nos playoffs parece garantida em uma divisão bem fraca, e a defesa ainda é uma boa unidade. Andy Dalton está tendo a melhor temporada da sua carreira, especialmente nas bolas longas, e Gio Bernard tem se mostrado um bom RB. Mas a perda de dois dos seus três melhores jogadores em Hall e Atkins diminui consideravelmente o teto desse time e o mantém um nível atrás do escalão de topo da AFC.


Cleveland Browns

Mantenho o que disse antes da temporada e no começo dela: o Browns seria um time de playoffs com um bom QB. Eles estão 4-1 nos jogos começados por Brian Hoyer e Jason Campbell - dois QBs medianos - e 0-4 nos jogos começados pelo ruim Brandon Weeden. Eles precisam urgente de um jogo terrestre, mas possuem dois excelentes recebedores em Josh Gordon e Jordan Cameron e sua defesa cede apenas 3.8 jardas por corrida e 5.1 jardas ajustadas por passe.

Felizmente para eles, o time se encontra em uma situação excelente nesse respeito, já que o time possui duas escolhas de primeira rodada no que deve ser um draft extremamente lotado de talentos na posição de QB, sem falar que podem juntar essas duas escolhas em um pacote para subir e pegar Marcus Mariota ou Teddy Bridgewater. A troca com o Colts foi um sucesso - Trent Richardson só comprovou ser horrível e o time faturou uma escolha de primeira rodada no processo - e o Browns se coloca em uma boa posição para o futuro com múltiplas escolhas e jovens talentos. O time ainda sonha com uma vaga nos playoffs via Wild Card, mas o foco do time é no futuro.


Baltimore Ravens

Lembra na pré-temporada quando eu falei que o Ravens ia regredir em relação ao ano passado, que vencer o SB não garante nada para o ano seguinte e que era improvável que Joe Flacco se mantivesse como o jogador espetacular que foi nos playoffs, e que levou muitos torcedores do Ravens a me xingar, me chamar de "hater" e coisas do tipo? Pois é...

O Ravens na verdade tem o saldo de um time 4-4, então eles não tem realmente sido tão ruim quanto o record indica. A questão é que eles também não tem sido bons: a defesa é sólida e acima da média, se aproveitando do bom trabalho do GM Ozzie Newsome na offseason, mas o ataque... argh, esse ataque é uma atrocidade. Joe Flacco está tendo seu pior ano desde a temporada de calouro, com seu aproveitamento e jardas por passe decaindo, quase tantas interceptações (9) como TDs (10), e um QBR abaixo dos 50. Alguns dos fatores já foram muito explorados ao longo do tempo aqui, como o jogo terrestre e a falta de um WR confiável depois das saídas de Anquan Boldin e lesão de Dennis Pitta que exploramos no nosso mailbag, mas o fato é que esse ataque simplesmente não é bom o suficiente para assustar ninguém indo para frente, especialmente sem uma defesa de elite. Eu também não acho que exista uma solução fácil para o time esse ano: a linha ofensiva está horrível, Ray Rice de repente parece ter 38 anos, e Flacco não estava pronto para receber essa responsabilidade adicional de ser o centro do ataque. Ainda é cedo na temporada para desistir dos playoffs, e o Ravens sabe melhor do que ninguém (tirando talvez o Giants) que chegando nos playoffs quase qualquer time pode ganhar o SB com alguns golpes de sorte e um QB pegando fogo na hora certa, mas é um time que vai ter dificuldade com esse ataque, tendo em vista as boas defesas ainda no caminho do time.


Pittsburgh Steelers

Uma tabela difícil, uma onda de lesões (que levou parte da linha ofensiva, seu RB por três jogos e mais algumas peças importantes da defesa) e um time que está passando por uma reconstrução. Esses três fatores, combinados, fizeram do Steelers uma das piadas de 2013, com 2-6 de record e a façanha de ter perdido do Vikings. Olhando para 2013, é difícil vislumbrar alguma luz no fim do túnel para a equipe: o calendário fica ainda mais difícil indo para frente, o jogo terrestre é uma perdição (3.5 YPC) e não tem como recuperar disso sem a volta de jogadores como Maurkice Pouncey e David DeCastro (que ainda pode voltar esse ano). O único consolo do time é ainda ter um grande QB que consegue executar com seu braço de canhão, mas de pouco adianta isso se ele não consegue lançar a bola sem um defensor pendurar no seu cangote. O ano praticamente acabou para o Steelers.

A forma desse time dar a volta por cima, principalmente, é dar tempo ao tempo. O time começou a remontar seu time em 2013 depois de anos de estabilidade, e não é possível achar que tudo vá ser fácil assim. Recentemente, o time investiu pesado no draft para reforçar sua linha ofensiva, que ainda não deu resultado porque ninguém consegue ficar saudável, mas um pouco de sorte nesse quesito pode acabar rendendo uma OL dominante  - como aconteceu por exemplo com o 49ers, outro time que investiu pesado na sua OL via draft e passou por lesões no começo antes de explodir em 2012. A defesa, tão ruim em 2013, perdeu alguns jogadores veteranos na offseason e viu caras como Larry Foote e Sean Spence perderem muito tempo com lesões, o que atrapalhou ainda mais essa transição do time. Esse tipo de coisa demora, e não é de se estranhar o começo ruim. O ataque eventualmente vai se estabilizar com mais saúde e mais tempo para os jovens jogadores evoluirem, e a defesa também vai seguir seu curso. Especialmente com uma escolha alta vindo aí no próximo draft.


Indianapolis Colts

Eu já escrevi um texto muito maior e mais completo sobre o Colts, então recomendo ele já que ele vai aprofundar muito mais do que eu poderia em dois ou três parágrafos aqui. Mas tudo que eu escrevi continua relevante: o Colts é um time extremamente divertido que conta com um QB de elite e um jogo terrestre decente (que seria muito melhor se o time parasse de dar tantas corridas para o fraco Trent Richardson), junto de uma defesa razoável, para liderar sua divisão sem sinais de que vai parar. O time acumula vitórias contra Broncos, 49ers e Seahawks, e Andrew Luck evoluiu de calouro promissor para um dos melhores titulares da NFL esse ano. E uma coisa que você nunca quer fazer nos playoffs é descartar um time com um QB de elite. Se o time estivesse completo, seria um dos favoritos ao Super Bowl.

O problema para o Colts é a perda de Reggie Wayne, o segundo melhor jogador do ataque e o alvo de confiança de Andrew Luck. O Colts foi um time melhor em 2013 quando focou no passe com Luck, e Wayne era o alvo favorito do seu quarterback, o tipo de jogador que atrai dobras, mudanças na marcação e ainda acaba com 7 recepções e 100 jardas, liberando todo mundo. E o Colts optou por não fazer nada nessa deadline, mantendo o elenco como está, e a não ser que TY Hilton continue pegando 3 TDs por jogo, o Colts vai sofrer uma queda no seu jogo aéreo. A tabela facílima e o brilhantismo de Luck serão suficientes para garantir o time nos playoffs, mas a lesão de Wayne altera consideravelmente o que esperar desse time indo para frente, especialmente quando enfrentar uma defesa de elite. Eu particularmente espero que o Colts continua ganhando, pois é um dos times mais legais de se assistir em toda a NFL.


Tennessee Titans

Apesar de alguma regressão ser inevitável para um time que recupera 75% dos fumbles, uma figura que fica em torno dos 50% com uma amostra maior, e de possuírem o quarto pior Special Teams da liga, o Titans é um time interessante que também briga por aquele segundo wild card, e que pode até sonhar com um título de divisão caso o Colts acabe sentindo demais a falta de Wayne. Não acho o Titans o melhor time na briga por essa eventual segunda vaga do WC, mas as chances são interessantes quando consideramos que o Titans ainda enfrenta o Jaguars duas vezes, mais Oakland e depois Texans e Cardinals em casa. O Titans também ainda enfrenta duas vezes o atual líder da AFC South, o Colts, o que pode acabar sendo importante na hora de determinar o campeão da divisão. O Titans ainda está muito vivo na competição.

O problema do Titans é ser aquele time que faz tudo bem e nada de forma excelente. A defesa é boa e acima da média, 15th em DVOA e tem alguns jogadores jovens e em evolução (em especial o CB Alterraun Verner) capazes de fazerem jogadas que mudam o rumo da partida, mas também são um pouco propensos a falhas de comunicação ou de cobertura, as vezes comuns nesse tipo de time jovem. O ataque é uma montanha russa, cujo jogo terrestre tem apenas 4 jardas por corrida mas parece ter muito mais jogos com 2 e 6 YPC do que jogos com realmente 4. Jake Locker está tendo uma boa temporada quando saudável, mas ainda não é o tipo de QB capaz de ganhar jogos sozinhos, e por isso o ataque do Titans também aparece como um grupo mediano ou pior na temporada. A vantagem do time é que eles são razoavelmente completos, e não possuem uma grande fraqueza a ser explorada. Três das suas quatro derrotas também vieram contra bons times, no caso Chiefs, 49ers e Seahawks, embora valha citar que o Titans foi inferior nas três partidas, em especial no massacre que tomaram do 49ers (anotando dois TDs em garbage time contra a defesa reserva). Então eles basicamente são aquele time all-around que faz de tudo um pouco e possui poucas falhas mas que não tem o talento para bater de frente com os favoritos, e que enfrentam um calendário bastante favorável. Me parece uma receita interessante. Um time a ficar de olho nessa segunda metade.


Houston Texans

Com 2-6 e um calendário que ainda inclui Colts fora de casa, Broncos e Pats em Houston, a temporada parece estar indo pelo ralo para o time que vem de seis derrotas seguidas - depois de vencer milagrosamente dois jogos que deveria ter perdido. O Texans não deveria ser tão ruim, considerando que tem uma boa defesa com o melhor jogador defensivo do mundo em JJ Watt (ainda que muito desfalcada por lesões), mas o ataque (e os special teams) tem sido atrozes. Tão atroz o ataque que o time acabou mandando para o banco seu titular, Matt Schaub, e promovendo para titular um calouro não draftado chamado Case Keenum que ninguém tinha ouvido falar antes da semana 6.

Na verdade, se a temporada do Texans realmente foi por água abaixo, Keenum e a questão do QB se tornam o ponto central da temporada e da offseason que se aproxima. Como eu já escrevi anteriormente em mais detalhes, essa é a hora do Texans definir se para o futuro Schaub ainda pode render, ou se eles precisam ir em outra direção. No segundo caso, o ideal seria dar a Keenum a titularidade até o final do ano para poderem ver exatamente o que eles possuem no garoto, e se ele pode ser o titular do futuro ou se é hora de investir no draft. Até aqui Keenum tem impressionado, especialmente depois da grande partida contra o Colts, mas não é possível julgar um jogador por apenas um ou dois jogos (Matt Flynn e Kevin Kolb, alguém?), então esse vai ser o ponto focal do Texans para o resto do ano. O Draft de 2014 tem QBs saindo pela janela, mas se estiverem convencidos de que Keenum é a resposta na posição, isso permite ao time ir em uma direção diferente. 


Jacksonville Jaguars

A lista de afazeres do Jaguars até o final da temporada tem dois itens: a) Evitar terminar o ano como o pior time de todos os tempos; b) Decidir entre Teddy Bridgewater e Marcus Mariota para a primeira escolha do próximo draft.


Denver Broncos

O quão irônico é que o Broncos pode terminar o ano 14-2 e ficar apenas com a 5th seed do draft? Isso por causa do Kansas City Chiefs, ainda invicto, e do regulamento da NFL que diz que mais importante do que o record da equipe é se ela venceu uma divisão ou não (um regulamento que eu não gosto, pois premia times que tem sorte de jogar em uma divisão inferior. Veja Seahawks vs Chiefs em 2010 para os detalhes). Claro, improvável que tanto Chiefs como Broncos vençam todos seus jogos até o final do ano (e dividam a série entre eles), mas enfim, é só um exemplo.

A verdade é que o Broncos é um time complicado, um time excelente que lidera a NFL em eficiência e que possui um dos melhores ataques da história do jogo, mas que apresenta algumas falhas preocupantes que tem sido exploradas pelos adversários com algum proveito. Em particular, o time tem um ataque espetacular centrado no jogo aéreo: Peyton Manning está tendo talvez a melhor temporada da sua incrível carreira, conduzindo um ataque do Broncos lotado de grandes opções de recebedores de forma magistral, com três recebedores caminhando para passarem das 1000 jardas na temporada e talvez até um quarto se Julius Thomas voltar de lesão logo, e com 3 dos 10 jogadores que mais receberam TDs essa temporada no mesmo time. É extremamente difícil segurar esse ataque aéreo, e embora a falta de força no braço de Manning seja uma preocupação contra defesas mais físicas capazes de dominar a linha de scrimage, é difícil demais segurar Wes Welker, Thomas, Demaryus Thomas e Eric Decker ao mesmo tempo. Ainda que seja difícil manter o ritmo de um ataque aéreo - especialmente um de um QB sem muita força no braço e cujos passes precisos dependem do toque perfeito que ele coloca na bola - no frio de Janeiro e Fevereiro, onde a bola é mais dura, os dedos possuem menos firmeza e o braço perde força, esse time é bom demais e tem opções demais para não ser considerado uma força. Os jogos contra o Chiefs, uma defesa extremamente física, serão um bom teste para esse ataque.

O problema do time é a defesa, onde a secundária horrorosa da equipe já foi explorada por diversos adversários. A volta de Von Miller adicionou ao time um muito bem vindo pass rush, já que diminuir o tempo do adversário para achar um WR livre é crucial quando sua secundária não é boa. Então isso já ajuda, mas o time tem sido extremamente vulnerável contra o passe, como Cowboys e Colts deixaram claro. Ainda que a proficiência do ataque seja suficiente para compensar com sobras essa defesa suspeita, é uma fraqueza gritante que ficará mais significativa quando a competição (fraca até agora) endurecer no final da temporada. Mas isso não muda que esse é um excelente time, com um QB Top10 historicamente jogando de forma brilhante, e que vai aos playoffs seja por título de divisão ou Wild Card e que ninguém vai querer cruzar na pós-temporada.


Kansas City Chiefs

Outro time que eu escrevi recentemente e cuja análise ainda é bem atual. Apesar de invictos em 9-0, o Chiefs tem levantado muitas dúvidas sobre o quão bom ele realmente é, considerando sua tabela extremamente favorável e seu record de 4-0 em jogos decididos por uma posse de bola. Entre os 14 times que começaram a temporada 9-0 desde a fusão entre NFL e AFL em 1970, o Chiefs tem o pior saldo de pontos entre todos eles com 104. Isso pode indicar que o time não é tão bom quanto o record indica ou outros times que atingiram a mesma marca... mas também vale citar que entre esses 13 acima do Chiefs, os cinco piores foram todos ao Super Bowl e quatro foram campeões. Então tem isso também. No fundo, não quer dizer muita coisa.

As dúvidas sobre o Chiefs como legítimo juggernault passam pelo seu ataque, que basicamente opera na média da NFL nas costas de Jamal Charles, segundo na NFL com 725 jardas corridas e um NFL-best 1125 jardas de scrimage (ou seja, correndo e recebendo). Basicamente um ataque conservador que corre com a bola, protege seu QB de passes difíceis e vence a batalha dos turnovers e da posição de campo. Então entendo as dúvidas de um time cujo ataque é apenas o 16th da NFL em DVOA, com as pessoas se perguntando se ele vai ser capaz de gerar pontos o suficiente contra defesas melhores nos playoffs para chegar ao título... e é uma questão válida. Só tenha em mente que ela não é conclusiva: Ravens foi apenas o 13th ataque ano passado, por exemplo, e todo mundo sabe o que aconteceu nos playoffs.

A questão é que Kansas City tem a melhor defesa da NFL, e não é nem apertado. Por mais aleatoriedade que exista em TDs defensivos, tente digerir a seguinte informação: a defesa do Chiefs tem quase tantos TDs (6) como o time inteiro do Jaguars (7) e tantos TDs como o Vikings tem TDs aéreos. Essa defesa é praticamente um ataque em seu próprio mérito dada sua capacidade não só de segurar o adversário e evitar pontos (apenas um time cedeu menos pontos e ele tem um jogo a menos) como também de forçar turnovers, anotar TDs e dar grandes posições de campo para o time. Então se o ataque deixa a desejar, essa defesa é praticamente uma máquina que joga sozinha se precisar, e não tem problema seu ataque ser apenas decente se sua defesa é desse calibre. Ainda que o record de 9-0 esteja vindo no vácuo de uma tabela ridiculamente fácil e alguma sorte, isso vai mudar: Broncos (2x), Chargers (2x) e Colts estão no caminho do Chiefs. Ainda que seja difícil tirar Kansas City dos playoffs a essa altura, esses jogos serão excelentes testes para ver o quanto estrago KC pode causar em Janeiro ou Fevereiro.


San Diego Chargers
A tabela é tudo menos favorável - dois jogos contra Chiefs, dois jogos contra Broncos, mais Bengals - e por isso é possível que acabem ficando de fora, mas queria deixar isso claro: para mim o Chargers é o melhor time brigando pela segunda vaga do WC. Mesmo a 4-4, o time poderia muito bem estar 7-1, com um pouco de sorte, considerando que uma das suas derrotas veio em OT contra o Redskins (ou seja, um cara-ou-coroa faria a diferença, ou pelo menos mais agressividade do seu técnico em uma 4th-and-1 decisiva) e duas outras vieram em milagres nos segundos finais contra Texans (inclusive uma pick-six decisiva) e Titans (quando Locker teve uma interceptação dropada nos segundos finais antes de completar o passe de TD da vitória). A 7-1, o Chargers provavelmente seria uma garantia para ir aos playoffs, mas 4-4 é mais difícil, especialmente considerando esse calendário dos infernos.

Mas o Chargers é um excelente time, mesmo que sua defesa tenha de repente esquecido como jogar seu melhor futebol americano e esteja sendo uma das piores unidades da NFL. E isso acontece porque seu QB voltou a jogar como um cara de elite: tirando Peyton Manning e talvez Andrew Luck, Phillip Rivers tem sido o melhor quarterback da NFL. O ex-Pro Bowler está completando obscenos 72.2% de seus passes para ainda mais obscenas 8.4 jardas por passe, duas marcas que deveriam ser proibidas de acontecerem juntas considerando que para ter tantas jardas por passe você normalmente precisa fazer muitos passes longos, que por sua vez possuem aproveitamento inferior. Seu QBR de 75.4 é o segundo melhor entre QBs qualificados atrás apenas de Manning, e isso antes de lembrar que seus dois melhores WRs estão fora da temporada desde a semana 2. Isso faz do Chargers o segundo melhor ataque aéreo da NFL (por uma margem considerável e bem próximo do líder Broncos), e o terceiro melhor geral considerando um jogo terrestre decente. 

O problema é que esse ataque destruidor não tem, como dito, encontrado respaldo na defesa. Ainda que tenha feito um bom trabalho evitando pontos, ela é a pior defesa da NFL inteira forçando turnovers, com apenas 5, nas costas de quatro interceptações apenas da sua secundária. A parte boa é que isso deve regredir, já que essa incapacidade de forçar turnovers está associada a uma taxa de 15% recuperando fumbles, de longe a pior da NFL e totalmente insustentável indo para frente. Então é razoável supor que os fumbles vão começar a favorecer um pouco mais San Diego, e que com mais turnovers, esse grupo pode voltar a ser pelo menos mediano para sustentar esse ataque destruídor. Eu não sei se San Diego vai aos playoffs com essa tabela, mas é o melhor time da AFC que briga pela segunda vaga do WC.


Oakland Raiders

Para um time que tem quase 20% da sua folha salarial dedicada a jogadores que nem sequer estão mais na equipe, seu 3-5 não me parece ruim. Claro, seu Pythagorean Expectation está abaixo disso e DVOA coloca o time como o quinto pior da NFL na temporada, mas qual o problema? Não é como se o Raiders tivesse expectativas para esse ano, o time ainda está passando por um processo de desintoxicação depois de gestões passadas muito ruins e se preparando para começar a remontar para o futuro. Considerando que esse é o ponto onde as coisas estão para Oakland, eles estão se saindo muito bem essa temporada, com alguns jovens jogadores (em especial Lamarr Houston) se destacando defensiva e Terrelle Pryor emergindo como um QB pelo menos muito divertido de assistir e que pode ganhar uma segunda chance em 2014 se continuar assim. Basicamente, em uma temporada que deveria ser irrelevante e ruim, o Raiders pelo menos está mostrando alguns pontos interessantes e vencendo jogos com ajuda do seu bom mando de campo. Para um time que ainda está a alguns anos de ver sua reconstrução terminar, é algo animador.



AMANHÃ (QUARTA-FEIRA) SAI A SEGUNDA PARTE COM OS TIMES DA NFC!!