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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Uma coluna nível Hall da Fama

Não basta ser bom, tem que ser bom e ter estilo


Hoje, dia 28 de Outubro de 2014 (ou pelo menos foi o dia que eu comecei a escrever a coluna), no dia da trade deadline da temporada 2014, o veteraníssimo cornerback Champ Bailey anunciou sua aposentadoria, depois de quinze temporadas muito bem sucedidas na NFL. Ele não tinha conseguido um emprego essa temporada - fez pré-temporada com o Saints mas acabou cortado - e decidiu pendurar as chuteiras.

A ironia de Bailey se aposentar logo em um trade deadline é notável, já que Bailey esteve envolvido em uma das mais famosas e importantes trocas entre jogadores da história da NFL, quando o então Pro-Bowler Bailey foi trocado pelo Redskins pelo RB Clinton Portis - saindo de duas temporadas seguidas com 1500+ jardas terrestres - do Denver Broncos, em 2003. Tanto Bailey como Portis tiveram amplo sucesso em suas novas equipes, e até hoje é dificílimo encontrar uma outra troca jogador-por-jogador tão importante e envolvendo dois jogadores no auge como foi o caso dessa. 

Mas não foi isso que chamou minha atenção nessa aposentadoria, e sim o quanto o termo "Hall of Famer" parece ter surgido. E ainda mais notável, como ninguém parece ter a menor dúvida de que Bailey pertence ao Hall. Não é uma discussão, é uma simples constatação. Champ Bailey vai entrar no Hall da Fama, cedo ou tarde. 

Então essa me pareceu uma excelente desculpa para finalmente escrever uma coluna que eu planejo a meses e nunca tive motivação para sentar a bunda e começar. Muitas pessoas adoram perguntar se jogador X ou Y da NFL vai para o Hall da Fama quando se aposentar, então é a hora de sentarmos e decidirmos isso de uma vez por todas: entre os jogadores ativos, quais estarão no Hall da Fama?

Essa é a pergunta que essa coluna vai responder - vamos pegar todos os jogadores da NFL em atividade e separar qual deles merecem pelo menos entrar na conversa pelo Hall da Fama. Depois de muito deliberar, acabei separando os jogadores selecionados em quatro (mais uma extra) categorias diferentes, de acordo com o que eu imagino que seja a relação atual deles com o Hall da Fama, e o quão perto estão de lá entrarem. 

Antes de começar a falar sobre quais são os jogadores que entram nas quatro (tecnicamente cinco) categorias, eu criei duas regras para essa coluna: primeiro, só jogadores que jogaram pelo menos cinco ou seis temporadas completas na NFL. Acho que não preciso explicar o porquê dessa regra, mas enfim, é para evitar especulação muito aleatória sobre jogadores jovens que estão apenas começando suas carreiras (também fui muito mais crítico com jogadores que estão no sexto ou sétimo ano de suas carreiras). E segundo, eu acabei deixando de fora todos os lineman ofensivos, porque não existe uma posição mais aleatória e difícil para se avaliar na NFL. 

Por fim, um último comentário: na hora de separar os jogadores entre as categorias, eu tentei levar em consideração os critérios adotados pelo Hall da Fama real da NFL, não apenas minha opinião. Por exemplo, eu não acho que Eli Manning mereça entrar no Hall, mas tenho certeza de que o comitê vai considerá-lo quando chegar a hora por causa de seus dois títulos. Então usei o ponto de vista do Hall da Fama na hora de classificar o QB do Giants, e tantos outros. Tenham isso em mente antes de sair me xingando, lembrem-se de que a classificação é de acordo como eu acho que o Hall da Fama vai avaliar esses jogadores, não de como EU avaliaria esses jogadores.

Enfim, começamos com nossa primeira categoria...


Sure-fire Hall of Famers
Aqueles que não tem dúvida de que entrarão no Hall da Fama. Jogadores excepcionais que, se aposentassem hoje com Champ Bailey,  entrariam no Hall mesmo assim.

  • Peyton Manning, Quarterback
  • Tom Brady, Quarterback

Os dois nomes mais óbvios e mais fáceis dessa lista. Peyton Manning é um dos cinco melhores quarterbacks da história do jogo, junto de Montana, Elway, Marino e Unitas, uma rara mistura de talento excepcional e longevidade. Ele detém quase todos os recordes entre quarterbacks da história da NFL, e é o recordista de MVPs. Seu eterno rival Brady não está nesse nível, mas não está muito para trás, outro lendário QB que figura entre os melhores de todos os tempos. Ele e Brady combinam para quatro Super Bowls, seis MVPs (e contanto), lideraram os ataques mais produtivos da história da NFL, e lideraram os dois times mais consistentemente bons dos anos 2000 (junto do Steelers). Não tem como sequer supor que um deles POSSA ficar de fora do Hall da Fama. Sua rivalidade foi tão central e importante para a NFL que seus bustos em Canton deveriam ficar um do lado do outro.

  • Drew Brees, Quarterback

Brees não está no nível Manning/Brady, mas é um Hall of Famer em seu próprio mérito. Entre consistência, durabilidade, produção e sua campanha de título de 2009, ele tem de sobra o que é preciso para ser eleito ao Hall da Fama. Suas quatro temporadas com 5000 jardas na carreira são um recorde da NFL, e mais do que Brady e Manning tem JUNTOS, e ele tem sido incrivelmente durável ao longo da sua carreira: nos últimos 11 anos, Brees não jogou em apenas DOIS jogos. Excelente no seu auge, excelente na totalidade da carreira. Estará em Canton um dia.

  • Champ Bailey, Cornerback
  • Charles Woodson, Cornerback

Woodson foi o melhor cornerback que eu vi jogar - Bailey foi o segundo. Dois jogadores diferentes, mas igualmente destrutivos na posição e que tiveram sua chance de brilhar nos playoffs (ainda que só Woodson se aposente com um anel). Juntos eles somam 32 temporadas, 110 interceptações, e 20 Pro Bowls. Desde o Merger, em 1970, Woodson e Bailey estão em 7th e 16th, respectivamente, em interceptações, e 1st e 2nd entre jogadores em atividade. Woodson ainda é segundo em retornos de interceptações para touchdowns com 11 desde 1970.

Não sei se da para fazer muito melhor do que isso. Dois jogadores com carreiras longas e espetaculares, com múltiplos anos de sucesso e auges espetaculares. Dois jogadores diferentes - Bailey era um corner cover mais tradicional, Woodson era um pouco mais híbrido e gostava de jogar perto da linha de scrimmage - mas foram ambos jogadores memoráveis que estão entre os grandes da história nas suas respectivas posições.

  • Ed Reed, Free Safety
  • Troy Polamalu, Strong Safety

Dois dos melhores safeties de todos os tempos, Reed e Polamalu foram a espinha dorsal das duas principais defesas dos anos 2000, e tem entre eles três anéis de Super Bowl, dois Defensive Players of the Year, 17 Pro Bowls, e 9 1st Team All-Pro. Não é um exagero dizem que Reed e Polamalu podem ser, respectivamente, o segundo melhor Free Safety e o segundo melhor Strong Safety da história da NFL (atrás de Rod Woodson e Ronnie Lott, respectivamente).

Foram também dois jogadores bastante únicos e memoráveis. Duvido que algum dia verei um ball hawk melhor do que Ed Reed na NFL, alguém capaz de enganar e ler quarterbacks e cortar linhas de passe melhor do que todos os outros na história da NFL tirando Rod Woodson. Ed Reed sabia ler os olhos dos QBs adversários ao ponto que parecia injusto, ele sempre sabia antes do passe aonde a bola ia e tinha a explosão e velocidade para chegar na bola antes dos recebedores - não a toa se aposentará como o segundo jogador com mais interceptações na era moderna da NFL. Polamalu, por outro lado, era um safety mais físico que gostava de jogar na linha de scrimmage, um jogador com um instinto sobre-humano que ficou famoso por antecipar as jogadas mesmo antes delas começarem a se desenvolver... e claro, pelo seus famosos pulos na linha de scrimmage. Era um pouco surreal ver Polamalu jogar, o tipo de jogador de quem você sempre espera alguma coisa especial a cada jogada. Dois jogadores únicos na história da NFL, que figuram entre os grandes.


  • Jared Allen, Defensive End
  • John Abraham, Defensive End
  • Julius Peppers, Defensive End

De certa forma, podemos dizer que vivemos na era do sack. Depois que Lawrence Taylor revolucionou o que conhecemos por pass rush, a NFL tem gravitado cada vez mais para o jogador que coloca pressão loucamente no quarterback, algo que tem virado ainda mais importante nos últimos 10 anos, quando novas regras favorecendo o ataque começaram a tornar quase impossível para defensive backs pararem o jogo aéreo sozinhos. Então não é a toa que temos três jogadores que estão aqui principalmente porque executaram essa função em altíssimo nível durante um bom tempo.

Abraham, Allen e Peppers rankeiam, respectivamente, 9th, 12th e 16th na NFL em sacks desde que a estatistica foi criada em 1982, e são três dos quatro melhores da NFL no quesito ainda em atividade (o quarto vai aparecer mais para baixo). Em uma era onde a capacidade de pressionar o QB foi ficando cada vez mais importante, esses foram três dos mais destrutivos jogadores defensivos que você pode imaginar, jogadores capazes tanto de afetar o jogo terrestre como consistentemente atrapalhar o jogo aéreo, seja com sacks, seja forçando arremessos piores, seja apenas com sua presença. Allen, Abraham e Peppers foram três dos mais destrutivos pass rushers da sua geração E jogadores versáteis capazes de influenciar jogos mesmo quando não estavam conseguindo chegar no quarterback.

  • Antonio Gates, Tight End
  • Jason Witten, Tight End

Você pode fazer um argumento de que Antonio Gates é o segundo melhor Tight End de todos os tempos depois de Tony Gonzalez, uma máquina de bloqueios e recepções pelo meio que, aos 34 anos, está com números e atuações semelhantes aos que tinha aos 24. Ele é nono na história da NFL recebendo touchdowns (segundo entre TEs), e mesmo isso não descreve o quão inigualável Gates era no seu auge, pulando sobre defensores, atraindo marcações duplas e triplas no meio do campo, e servindo como o principal alvo de um ataque que esteve entre os melhores da NFL por anos a fio.

Witten não é/era tão explosivo e tão dominante quanto Gates, mas a totalidade da sua carreira é uma obra prima de consistência e estabilidade. Em seus 11 anos como titular, Witten perdeu apenas DOIS jogos, e ano após ano lá estava ele tendo temporadas de 90 recepções, 950 jardas e 6 touchdowns. Ele agora é 16th na história (pós-Merger) da NFL em recepções, segundo entre TEs. Sua estabilidade e consistência na posição, tanto recebendo como bloqueando, fazem dele um pilar de sustentação no ataque frequentemente turbulento de Dallas, e embora aos 32 anos Witten ainda lenha para queimar e não pareça estar perto do fim da carreira, acho que ele já fez o suficiente para merecer um lugar no Hall da Fama mesmo se sua carreira acabasse agora.

  • Reggie Wayne, Wide Receiver
  • Calvin Johnson, Decepticon Wide Receiver

Desnecessário justificar porque Wayne - 7th post-Merger em recepções e 9th em jardas, sem falar na participação de alguns dos melhores ataques de todos os tempos em Indianapolis - está aqui. Mas Johnson é mais complicado - ele tem apenas 29 anos, e está apenas na sua oitava temporada.

Talvez seja precipitado para colocar Megatron aqui, mas para mim, ele já mereceu esse lugar. Ele é o segundo ou terceiro WR mais imparável da história da NFL (depois de Jerry Rice e disputando com Randy Moss), e nenhum WR não-Rice consegue igualar o que Megatron fez no biênio 2011-2012 (21 TDs, 3645 jardas, recorde de jardas em uma temporada na história da NFL em 2012). Em termos de dominação, ele não deve nada para o Hall da Fama. Nas costas desse impossível biênio, seu recorde de jardas recebidas, e do nível de dominação histórico que ele alcançou (e, para ser sincero, o fato de ser um dos jogadores mais divertidos e populares da liga), acho que já tem lugar garantido.

O lado negativo de Megatron HOJE seria seu pouco tempo de NFL (apenas 8 anos), lesões e falta de acumulo de estatísticas ao longo da sua temporada, mas acho que se fosse para decidir, ele estaria dentro - ele já tem mais jardas, touchdowns E mais recepções na carreira do que o Hall da Fama John Stallworth, por exemplo. Sua carreira ainda é jovem, mas poucos na história atingiram o nível que Megatron atingiu.

  • Adam Vinatieri, Kicker

Yeah, tem gente que vai reclamar de kickers entrando no Hall da Fama. Azar delas. Vinatieri foi um kicker de elite durante toda sua carreira, 6th kicker com mais field goals da história da NFL com mais de 20 jogos a menos que todos os jogadores na sua frente e com aproveitamento melhor (83.5%). Ele também é quarto na história com mais pontos anotados. Sua consistência é lendária, e isso antes de entrar nos seus chutes heróicos que mudaram o destino de mais de um título - muitos para anotar todos, mas pense no Field Goal na neve para enviar o Patriots ao Super Bowl, e seus dois chutes no estouro do cronômetro para vencer Super Bowls. Em termos de consistência, eficiência, volume e jogadas decisivas por grandes times, não existe nenhum kicker na história da NFL melhor que Adam Vinatieri. Ele merece um lugar no Hall da Fama - é só um fato.



Borderline Hall of Famers
Jogadores que estarão na discussão para o Hall da Fama quando suas carreiras acabarem, mas que não tem um lugar garantido.

  • Eli Manning, Quarterback

Quero deixar isso bem claro: eu não acho que Eli Manning mereça estar nesse grupo. Mas considerando que estamos pensando no ponto de vista do Hall da Fama, Eli precisa ser incluído porque, quando se aposentar, a discussão sobre se ele entrará ou não será real.

Isso acontece principalmente porque Eli atingiu alguns "pontos arbitrários" na sua carreira que, em geral, o comitê do Hall da Fama gosta de olhar. Ele tem dois títulos E dois Super Bowls MVP, que dão credencial a fama (bastante exagerada) de que Eli é um grande jogador "clutch" ou grande jogador de playoffs, o tipo de narrativa que pode colocar um jogador no Hall. Além disso, suas duas campanhas de Super Bowl tiveram um "bônus": na primeira, o Giants venceu os invictos e invencíveis 18-0 Patriots e evitaram uma temporada perfeita, e em 2011 Eli Manning bateu vários recordes de playoffs como jardas e passes completos (em grande parte porque não teve bye na primeira rodada, mas enfim). O número de anéis e Super Bowl MVPs, junto das narrativas exageradas, vai acabar levando muita gente a achar que ele REALMENTE merece um lugar lá.

Quando você examina a carreira de Eli como um todo, no entanto, você percebe que ele foi entre medíocre e apenas bom durante a maior parte da sua carreira (inclusive muitas vezes nos playoffs), que ele é o terceiro QB ativo com maior número de interceptações (os dois na sua frente tem pelo menos 1.800 passes a mais na carreira), e que seus dois títulos de Super Bowl vieram nas costas de defesas extremamente dominantes na linha de scrimmage e muitos erros cruciais dos adversários. No final, somando tudo, Eli foi um bom quarterback com uma boa carreira que merece seu crédito por dois títulos, mas não mais que isso. Não importa - alguém vai olhar para os Super Bowl MVPs e para as histórias e colocar Manning nessa conversa... e o pior, tem boas chances de acabar entrando.

  • Robert Mathis, Defensive End
  • Dwight Freeney, Defensive End

A dominante dupla de pass rushers do Colts nos anos 2000 são o quinto e o sexto jogadores da atualidade com mais sacks (111 e 110, respectivamente), e Mathis ainda tem o maior número de fumbles forçados entre todos os jogadores da história da NFL com pelo menos 100 sacks (55) e uma temporada com 19.5 sacks em 2013. Eles foram muito dominantes por muito tempo, e jogaram em times importantes, inclusive nos playoffs.

No entanto, Mathis e Freeney ainda estão um degrau abaixo de Abraham, Allen e Peppers quando falamos na totalidade das suas carreiras. Apesar de seus números impressionantes e estrago causado ao longo do tempo como pass rushers, eles tem um problema: eles foram um pouco unidimensionais demais, não afetando a totalidade do jogo com o mesmo brilhantismo de seus colegas.

Freeney, por exemplo, é de longe o jogador com menos tackles entre todos os jogadores com 100+ sacks na carreira, um jogador devastador caçando o quarterback mas que pouco afetava jogadas de corrida ou mesmo quando tinha que recuar em cobertura. Mathis, por outro lado, foi um pass rusher situacional durante grande parte da sua carreira, tendo começado apenas 99 partidas como titular, e também sendo mais um pass-rusher do que um brilhante jogador all-around como os três que estão uma categoria acima. Mathis ainda tem um problema recente de uso de PEDs, que pode atrapalhar suas chances.

Ainda assim, como pass rushers eles foram MUITO dominantes, e considerando o quanto o Hall da Fama gosta de números cumulativos, a quantidade de sacks da carreira desses dois vai acabar sendo suficiente para colocá-los na conversa por um lugar no Hall da Fama. Mas não foram os jogadores que Abraham, Allen e Peppers foram, e terão um caminho um pouco mais difícil até Canton.

  • Charles Tillman, Cornerback
Entre os líderes da história da NFL em fumbles forçados, Peanut Tillman aparece em sétimo com 42... o que é incrível quando você lembra que Tillman era um cornerback. Seus 42 fumbles forçados são mais do que Peppers, DeMarcus Ware, Derrick Thomas, Reggie White, Jared Allen, Jevon Kearse, Simeon Rice, Derrick Brooks e Michael Straham conseguiram nas suas carreiras. O defensive back mais bem colocado na lista depois de Tillman é Brian Dawkins, em 12th... que tem 70 jogos na carreira a mais que Tillman. Isso faz de Peanut um dos jogadores mais únicos da história da NFL, um cornerback que não só podia te causar dano na cobertura, como era mortal mesmo depois que os jogadores já tinham a bola nas mãos, com seu famoso "Knuckle punch".

O problema de Tillman é que ele foi um ótimo jogador com uma caraterística única, mas que não teve exatamente uma grande carreira na sua totalidade. Ele foi um defensor chave em uma série de grandes defesas, mas jogou 14 jogos ou mais apenas nove temporadas diferentes, tendo outras três cortadas por lesões. Ele também foi a apenas 2 Pro-Bowls. Tillman certamente jogou em nível HoF ao longo da sua carreira, mas a TOTALIDADE da sua carreira deixa a desejar nesse sentido. Por outro lado, também vale citar que Tillman deve receber uma "ajuda" extra por ser um jogador tão querido, alguém muito profissional dentro e fora de campo que fez muitas obras importantes na sua vida pessoal. Isso acaba influenciando, querendo ou não. No final, acho que Tillman tem chances por ser um jogador tão único e tão querido.


  • Larry Fitzgerald, Wide Receiver

O problema com Larry Fitzgerald: ele passou a maior parte da sua carreira jogando com QBs como Matt Leinart, John Skelton, Kevin Kolb, Ryan Lindley, Drew Stanton e Carson Palmer em fim de carreira. Holy hell, que lista horrorosa! A grande tragédia para Larry foi o quão pouco ele jogou com um saudável Kurt Warner, mas quando o QB jogou pelo menos 10 partidas pelo Cardinals, pudemos ver o quão ridículo é Larry Fitzgerald com um bom quarterback. Em 2005, Warner jogou 10 partidas, e foi suficiente para Larry terminar o ano com 103 recepções, 1409 jardas e 10 touchdowns. Em 2007, Warner jogou 11 partidas, e Larry teve 100 recepções, 1409 jardas e 10 touchdowns. E quando Warner finalmente assumiu a titularidade definitiva em 2008, Fitz imediatamente teve um dos melhores biênios da história moderna da NFL, com 193 recepções,  2523 jardas e 25 touchdowns. Sua carreira foi muito prejudicada pelos anos nos quais teve que fazer milagre com QBs ruins, e isso impediu mais números monstruosos na totalidade da sua carreira, mas quando ele teve ajuda... holy crap, ele era bom. Se Randy Moss é o melhor WR que eu vi jogar, Megatron e Fitzgerald disputam o segundo lugar. Entre os WRs em atividade, ele é #5 em recepções, #4 em jardas recebidas, e #1 em touchdowns, e isso jogando metade da carreira com QBs que provavelmente seriam reservas do time do seu bairro.

Mas não é por isso que eu acho que Larry muito provavelmente vai acabar no Hall da Fama. O principal motivo são os playoffs de 2008, quando Larry liberou o inferno na Terra. Eu assisti cada jogo daqueles playoffs, e lembro de estar em choque vendo o que Fitz fazia. Assistir ele era uma experiência de vida, alguém que parecia estar em outro nível e jogando outro esporte em relação ao resto das pessoas em campo. Ele acabou aquela pós-temporada com 30 recepções, 549 jardas e 7 touchdowns, os três recordes de playoffs da história da NFL. Foi uma das seqüências mais dominantes da história da NFL por um WR, e mesmo sem título, acho que vai acabar sendo suficiente para empurrar o camisa 11 até o Hall da Fama.

Eu queria colocar Larry na categoria anterior, mas decidi colocá-lo aqui por dois motivos. Primeiro, porque o Hall da Fama da NFL é bastante rígido com WR, com vários bons WRs chegando perto mas não conseguindo ultrapassar a votação final. Segundo, porque eu tenho certeza que, quando for a vez dele, alguém vai olhar para seus números com caras como Leinart e Lindley e falar "hmm, esses números não são tão impressionantes assim" sem lembrar quem são Leinart e Lindley. Todo mundo na primeira categoria qualificam para "se a carreira desse cara terminar amanhã por algum motivo, ele ainda assim vai entrar no Hall da Fama ou chegar muito perto", e eu acho que Larry não está exatamente lá ainda. Mas quando tudo estiver terminado, eu com certeza acredito que Fitzgerald terá um lugar em Canton. Ele é de longe o melhor WR do resto dessa lista.


  • Wes Welker, Wide Receiver
  • Steve Smith, Wide Receiver
Dois dos mais consistentes WRs da NFL dos últimos anos: entre jogadores em atividade, Smith é 3rd em recepções e 4th em jardas recebidas, e 5th em touchdowns, enquanto Welker é 6th, 9th e 14th, respectivamente.

Steve Smith, indiscutivelmente o maior Panther de todos os tempos, é um jogador que baseia seu argumento na totalidade da sua carreira: sete temporadas com 1000+ jardas, mais sete com 6+ touchdowns recebendo - sem contar suas contribuições como retornador. Na história da NFL, ele está no top20 (entre todas as posições) tanto em recepções como em jardas, e 23rd em touchdowns - melhor do que jogadores como Michael Irvin e Art Monk, que estão no Hall. Falta a ele talvez aquele auge espetacular ou mesmo um anel de campeão, mas considerando seus números, sua longevidade, eo enorme respeito que ele comanda dentro da NFL - um cara durão e ultra-competitivo que você não quer cruzar o caminho sob hipótese alguma - e seu valor para uma jovem franquia, e acho que Smith merece pelo menos estar na conversa.

Wes Welker, por outro lado, explodiu muito mais recentemente, quando foi ao Patriots em 2007. Mas desde então, ele tem sido talvez o melhor WR da NFL inteira, liderando a NFL em recepções nesse período. Mas acho que mais incrível para mim é o seguinte dado: lembra que eu disse que Wes Welker é 6th entre jogadores em atividade em recepções? Bom, ele fez isso recebendo 70% (!!!) das bolas lançadas na sua direção - nenhum outro WR no Top90 consegue chegar perto disso (Jordy Nelson é #2 com 67%). Sua consistência e produção ao longo dos últimos anos é quase lendária, e vale lembrar que ele fez parte de dois dos ataques mais produtivos da história da NFL. Suas chances diminuem pela falta de um título (0-3 em Super Bowls) e pela carreira relativamente mais curta (em auge), e pela percepção negativa de só ter explodido quando foi jogar com dois QBs Hall of Fame, mas ao final do dia, acho que Welker é um jogador que vai merecer consideração.


  • Anquan Boldin, Wide Receiver
Se eu pedisse para você listar os WRs mais dominantes da NFL ainda em atividade (em termos de carreira), Boldin provavelmente não seria um nome na ponta da sua língua. E eu não sei porque, já que ele definitivamente tem as credenciais: ele é o quarto WR em atividade com mais recepções, e quinto em jardas e touchdowns. Na história da NFL (post-merger), ele é 15th em recepções e provavelmente entrará no top12 (talvez top10) até o fim da carreira. Não tem nenhum motivo legítimo para Boldin não aparecer entre os grandes WRs da sua geração.

O "problema" de Boldin é que seu estilo de jogo não é particularmente chamativo. Ele não é o cara das recepções impossíveis ou das jogadas explosivas, ele é o cara eficiente e seguro que garante as recepções em terceiras descidas e mantém as correntes em movimento. Eficiência e consistência não são as coisas que chamam a atenção, mas são as que te garantem vitórias. Boldin é sub-apreciado ao ponto de que ele foi trocado DUAS VEZES na sua carreira por migalhas, e nas duas vezes, o time que o trocou imediatamente piorou muito ofensivamente e o time novo deu um salto. Boldin pode ser pouco apreciado, mas poucos WRs eram tão seguros e tão eficientes como ele.

Porque colocar Boldin nessa categoria e não na próxima, se todo mundo sabe o quanto o Hall da Fama se preocupa muito com a imagem? Por causa das suas atuações espetaculares em playoffs. Ele foi fantástico ao lado de Fitzgerald levando o Cardinals ao Super Bowl em 2008, e foi de longe o melhor jogador do Ravens no título de 2012 (impressionante considerando o quão bem Joe Flacco jogou aquela pós-temporada). Em 2012 em particular ele foi imparável, com 22 recepções, 4 touchdowns e 390 jardas, e mesmo isso não diz o quão importante ele foi: sempre que o Ravens precisava de uma conversão chave, a bola era nele. Sempre que não tinha uma jogada a ser feita, Flacco simplesmente jogava a bola na direção dele e ele conseguia uma recepção por cima de dois defensores. No final, a totalidade da sua carreira, sua consistência e suas performances em playoffs pesarão o suficiente para que o comitê não tenha escolha senão levá-lo em consideração. Eu acho que ele não vai conseguir entrar, no final das contas, mas ele vai receber a atenção merecida e um muito atrasado reconhecimento. Anquan Boldin foi muito, muito bom.


  • Kevin Williams, Defensive Tackle
Nenhum defensive tackle na atualidade consegue chegar perto de igualar os 63 sacks que Williams totalizou em sua carreira - Cullen Jenkins, o segundo colocado, tem 43.5. E mesmo que DT geralmente seja uma posição pouco valorizada, Williams recebeu muita (merecida) atenção ao longo da carreira como membro da Williams Wall, o pilar defensivo durante tanto tempo do Minnesota Vikings. Ele até conseguiu dois retornos de interceptação para touchdown... no mesmo ano (2007!)! Ele foi 1st-Team All-Pro por quatro anos seguidos, uma legítima estrela de linha defensiva dos dois lados da quadra, e a definição de excelência entre DTs durante toda uma geração. Sua posição de pouco glamour e muitas vezes difícil de ser avaliada dificulta sua entrada no Hall da Fama, mas muito provavelmente terá um busto em Canton algum dia.



Not-quite-there Hall of Famers
Jogadores que tiveram uma ótima carreira, mas que provavelmente falta alguma coisa para que eles sejam considerados como sérios candidatos ao Hall da Fama

  • Andre Johnson, Wide Receiver

Senhoras e senhores, a maior injustiça dessa coluna inteira.

Se estamos avaliando jogadores de acordo com o que eles foram individualmente, não resta dúvida de que Andre Johnson merece fortíssima consideração para um lugar no Hall da Fama. Entre jogadores (não Wide Receivers, jogadores) em atividade, Johnson é o segundo com mais recepções e jardas aéreas na carreira, atrás apenas do futuro HoF Reggie Wayne. Na história da NFL, Johnson é 11th em recepções e 13th em jardas (50th em touchdowns). Ele liderou a NFL em jardas duas temporadas seguidas (2008 e 2009), totalizando 213 recepções e 3140 jardas aéreas (!!!) no biênio. Johnson definitivamente merece um lugar em Canton.

Então porque colocar Johnson aqui e não na categoria acima? Por um motivo besta - glamour. O Hall da Fama adora glamour, adora histórias, adora grandes feitos, grandes partidas de playoffs, jogadores que tiveram carreiras marcantes e que ganharam um lugar nas canções (ops, por um momento achei que estava falando sobre Game of Thrones. Falha minha). E infelizmente, Johnson dificilmente vai ganhar pontos nesse quesito com o júri: ele passou a carreira inteira jogando por uma franquia de pouca expressão, muitas vezes em times ruins. O Texans nunca fez estrago nos playoffs, nunca foi um candidato ao título, nunca foi um time que chamasse atenção. De certa forma, Johnson nunca teve a chance de ser relevante em uma temporada da NFL, em termos da big picture. Isso é uma enorme injustiça, porque não é culpa dele o quão bom o time dele não era, ou que Matt Schaub tenha se machucado logo que o Texans finalmente parecia ter chance de algo a mais. Mas infelizmente, o Hall leva isso em conta.

Eu realmente espero estar errado, e espero que um dia Johnson possa ser reconhecido pelo quão bom ele foi, não pelo que seu time deixou de fazer. Mas por enquanto, acho que vai ficar faltando esse "algo a mais", nos olhos do comitê, para que ele assuma seu lugar por direito.

  • Ben Roethlisberger, Quarterback

Se Johnson é o maior injustiçado dessa coluna, Big Ben tem um bom argumento para ser o segundo. De forma alguma Big Ben não foi um QB melhor do que Eli Manning: ambos foram draftados juntos em 2004, e desde então, os números certamente favorecem Big Ben, bem como o teste visual de ver os dois jogando a posição. Ambos estão muito próximos em jardas (36918 a 36485 para Eli) e touchdowns (250 a 248 para Ben), mas o QB do Steelers destrói seu colega em todo o resto: aproveitamento nos passes (63.6% a 58.8%), jardas por passe (7.7 contra 6.5) e interceptações (125 contra 176). Na totalidade das suas carreiras, Big Ben tem ampla vantagem em rating (91.4 a 81.9) e DVOA. Ambos tem, inclusive, dois anéis de Super Bowl com boas atuações, mas cujo principal trunfo da equipe era uma forte defesa. Sob hipótese alguma Eli Manning foi um jogador melhor do que Big Ben.

Ainda assim, quando falamos em Hall da Fama, o nome de Manning sempre aparece primeiro e o de Roethlisberger depois. Em parte isso pode ser porque ninguém sabe soletrar "Roethlisberger". Mas o principal motivo é que, apesar de Ben ser um jogador melhor, Manning tem dois Super Bowl MVPs e Big Ben não. Esse é o único motivo, na verdade, e é um péssimo motivo. Big Ben foi o melhor jogador, o mais consistente, e o mais talentoso, mas por causa de um parâmetro arbitrário desses, ele fica um nível abaixo na busca pelo Hall da Fama, aguardando quem sabe um terceiro anel ou mais algumas temporadas espetaculares para tentar subir um degrau mais próximo de Canton.


  • Phillip Rivers, Quarterback

Se você quiser saber, em um vácuo (ou seja, considerando apenas os jogadores individualmente, ignorando o resultado dos times) quem é o melhor QB da classe de 2004, é bem fácil: Philip Rivers. Alias, é possível argumentar que Rivers é um dos cinco melhores QBs dos últimos 10 anos na NFL depois de Brady, Manning, Brees e Aaron Rodgers. Inclusive, desde 2005, ele é 5th em jardas e passes completos, 4th em TDs, 5th em aproveitamento, 2nd em jardas por passe (min: 1500 passes) e 5th em QB Rating. Na carreira, Rivers tem 64.6% de aproveitamento, 7.9 jardas por passe, e 96.8 de QB Rating. Para efeito de comparação, futuro Hall of Famer e melhor QB da sua geração Manning tem 65.6% de aproveitamento, 7.7 jardas por passe e 97.9 QB Rating na carreira. Muito bom, não?

Apesar de seu brilhantismo individual, é bem improvável que Rivers chegue a ganhar séria consideração para o Hall da Fama como as coisas estão agora, simplesmente porque não tem um título de Super Bowl. Para Quarterbacks - a posição que de longe tem maior influencia individual em um jogo de futebol americano - o número de titulos tem um papel ainda mais crucial para determinar o status da sua carreira. Tem alguma parte válida nesse argumento, tem uma parte um pouco injusta (ninguém ganha título sozinho, ou perde), mas o fato é que a não ser que algo especial aconteça - um MVP, uma temporada com múltiplos recordes, ou ainda melhor, um título de campeão - Rivers deve acabar mais longe do Hall da Fama do que seus colegas de Draft, que ainda que inferiores possuem mais títulos no currículo.


  • Frank Gore, Running Back
  • Steven Jackson, Running Back

Frank Gore e Steven Jackson tem muito em comum: são dois dos melhores RBs da sua geração, e 2nd e 1st em jardas terrestres entre RBs ainda em atividade. Ambos gastaram seu auge em times fracos, embora Gore ainda tenha tido a chance de brilhar em times candidatos ao título no final de sua carreira. Jackson é 17th em jardas terrestres na história da NFL, e Gore deve entrar no Top20 até o fim do ano. Em jardas de scrimmage entre RBs, Jackson é 16th e Gore deve chegar a 17th ainda esse ano. Não importa como você olhe, Jackson e Gore são dois dos melhores RBs que tivemos na NFL, duas máquinas consistentes de carregadas que carregaram nas costas franquias tristes por quase toda a carreira.

O problema com eles? Eles foram muito bons por muito tempo e tiveram ótimas carreiras... mas nunca foram realmente fantásticos. Tirando uma temporada de Steven Jackson (2006), nenhum dos dois teve uma temporada no qual foi inquestionavelmente um dos dois ou três melhores RBs da NFL, nenhum liderou a liga em jardas terrestres durante uma temporada, ou tem um anel de campeão, coisas que pesam na votação. Consistência e durabilidade levam a uma carreira boa na sua totalidade, mas falta a eles aquele "alto a mais" para colocá-los na discussão. Jackson jogou apenas dois jogos de playoffs na carreira (totalizando 68 jardas apenas), por exemplo. Frank Gore teve mais oportunidades, e aproveitou-as muito bem (ele foi espetacular nos playoffs de 2012 por San Fran), e se tivesse sido campeão, esse anel e sua performance como principal jogador ofensivo da equipe provavelmente seriam o argumento que empurrariam Gore um degrau acima. Por enquanto, os dois ficam no grupo de bons jogadores que tiveram ótimas carreiras, mas não foram dominantes ou relevantes o suficiente para valer uma vaga na discussão.

(Se Frank Gore ficar saudável mais dois anos, totalizando mais 2000 jardas e entrando no Top10 de jardas terrestres na carreira da história da NFL? Ai a coisa muda de figura, especialmente com mais algumas aparições de playoffs e quem sabe um Super Bowl para empurrar. Um anel e passar Edgerrin James pelo 10th lugar na lista certamente colocariam Gore no Hall da Fama. Mas aos 31 anos e no último ano de contrato, as chances parecem estar contra ele)


  • Lance Briggs, Linebacker
Outro exemplo de um bom jogador que foi bom durante muito tempo e totalizou uma boa carreira, mas que nunca foi realmente dominante individualmente. Apenas um 1st Team All-Pro, e em parte por sempre ter jogado a sombra de seu parceiro Hall of Famer Brian Urlacher, nunca uma figura que recebia grande consideração para Defensive Player of the Year. De novo, um jogador que foi consistentemente muito bem por um período longo de tempo, mas que nunca teve aquele algo a mais  no seu jogo e que nunca atingiu aquele nível especial para garantir a ele um lugar no Hall. O famoso jogador do Hall of Very Good. 


  • Justin Smith, Defensive End

Deixa eu deixar isso bastante claro: Justin Smith muito provavelmente não vai para o Hall da Fama, e dificilmente vai receber muita consideração quando chegar sua vez. Em parte, por ele jogar em uma das posições menos apreciadas da NFL, Defensive End de uma defesa 3-4, um jogador que na maior parte do tempo suas contribuições são importantíssimas para o time mas não aparecem como estatísticas: ocupar dois bloqueadores para liberar seus companheiros, fechar um buraco com o corpo para interromper a trajetória de um corredor, forçar um QB para fora do pocket, etc. Funções cruciais, mas pouco sexys, e difíceis de serem avaliadas.

Mas eis o que eu sei, porque vi Smith jogar por tanto tempo: ele é uma das mais consistentes e destrutivas forças defensivas que a NFL viu nos últimos 12 anos, um jogador que faz todas essas pequenas coisas em altíssimo nível para facilitar o jogo de todos os seus companheiros E ainda consegue ser individualmente dominante. Apesar de jogar em uma posição de menor expressão individual, ele ainda conseguiu somar 85 sacks na carreira - isso é mais do que os totais de Osi Umeniyora, Mario Williams, Shaun Phillips, Andre Carter, James Harrison, Justin Tuck... e claro, Kevin Williams.

O problema é que é realmente difícil medir e avaliar como um jogador como Smith impacta o jogo. Se a NFL tivesse uma versão como WAR - uma estatística capaz de compilar todas as coisas que um jogador faz em campo e juntar em um número só - Smith seria um dos lideres da NFL sem a menor sombra de dúvida. O mais próximo que temos disso na NFL é o Aproximate Value, do PFR. E claro, entre todos os jogadores defensivos da atualidade, Justin Smith é o quarto colocado em AV, atrás apenas de Ed Reed, Julius Peppers e Charles Woodson, e mais do que John Abraham, Williams, Jared Allen, Troy Polamalu, DeMarcus Ware, Dwight Freeney - todos jogadores que receberam (ou receberão) elogios nessa coluna. Mas ninguém olha para AV, assim como ninguém consegue dizer exatamente o quanto Smith foi essencial para suas defesas ocupando bloqueadores, forçando mudanças de trajetórias de RB, e liberando seus companheiros para se moverem com liberdade.

Justin Smith deveria entrar no Hall da Fama um dia. Provavelmente não vai acontecer, mas ele merece um lugar. Ele é um dos melhores e mais dominantes defensores da sua geração.


  • James Harrison, Outside Linebacker

A maior parte dos jogadores dessa categoria são ótimos jogadores que tiveram ótimas carreiras, mas nunca foram dominantes o suficiente. James Harrison, por outro lado, é o oposto: um jogador que começou tarde, teve um auge extremamente dominante, mas que não conseguiu sustentar isso por muito tempo.

Harrison virou titular apenas em 2007, aos 28 anos, depois de três anos medíocres na NFL, e imediatamente se estabeleceu como uma força da natureza: durante as próximas cinco temporadas, Harrison foi um dos melhores defensores da NFL, totalizando cinco Pro Bowls, dois 1st Team All-Pro, um DPOY, um Super Bowl, um ano com 16 sacks, e 54 sacks no total - sem falar da sua habilidade dando tackles e parando o jogo corrido (nenhum jogador entre 2007 e 2011 com pelo menos 22 sacks chegou perto dos 321 tackles que Harrison deu no período). E dai, talvez pela idade, Harrison caiu de novo: foram apenas seis sack em uma decepcionante campanha de 2012, depois da qual ele foi dispensado. Sua temporada 2013 foi esquecível, e 2014 tem sido igualmente decepcionante.

Então sim, Harrison foi um jogador extremamente dominante e temido no seu auge, mas foi um auge que durou cinco anos, praticamente, e isso com poucos complementos nos anos seguintes (ou passados) para a totalidade da sua carreira. Seu auge certamente foi nível Hall da Fama, bem como sua história (não draftado, entrou na NFL já com 25 anos, etc) mas não a sua carreira como um todo, e por isso ele provavelmente vai estar olhando de fora o Hall em alguns anos (o fato de muitos enxergarem Harrison como um jogador sujo e violento também não ajuda).


  • Chris Johnson, Running Back

Menção honrosa por sua temporada de 2000 jardas E que quebrou o recorde de jardas totais da história da NFL em 2009. Ainda assim, ele nunca conseguiu chegar perto desse padrão no resto da carreira e certamente tem sido uma das maiores decepções desde então. Uma temporada só não coloca ninguém no Hall da Fama, e embora ele tenha outros anos sendo um sólido RB, é muito pouco para considerá-lo seriamente sem que algo muito grande mude no resto da carreira.



Possíveis futuros Hall of Famers
Jogadores que ainda tem chão pela frente e que, se conseguirem manter a trajetória da carreira, devem conseguir um lugar no Hall da Fama

  • Aaron Rodgers, Quarterback

Eu fiquei na dúvida se colocava Rodgers aqui ou no nível 1. Ele jogou sua carreira em altíssimo nível, teve um campanha de título espetacular em 2010, uma temporada histórica  em 2011 (4643 jardas, 45 TDs, 6 INTs, 68.3%, 9.2 Y/A, MVP), e é um dos melhores QBs da sua geração. Tudo nele parece gritar "HALL DA FAMA". Eu acabei decidindo colocar ele nesse quarto grupo por outro motivo: ele teve apenas cinco temporadas completas na NFL, um número muito pequeno. Mesmo que tenha sido historicamente bom nessas cinco, para a totalidade de uma carreira é bem pouco para chegar no Hall da Fama. Ele ainda precisa de mais alguns anos jogando em alto nível para se garantir.

Ainda assim, não existe nenhum motivo para acreditar que Rodgers possa não ir ao Hall da Fama. Ele é um dos melhores QBs do mundo, joga em um eterno candidato ao título, e já tem seu MVP/SuperBowl/SuperBowl MVP no currículo. Tudo indica que Rodgers deve continuar dominando a NFL, e quando se aposentar, vai ocupar seu lugar de direito em Canton.


  • Patrick Willis, Middle Linebacker

Pat Willis jogou apenas sete anos na NFL, mas nesses sete anos ele não deve absolutamente nada para nenhum outro linebacker da história do futebol americano. Desde que entrou na liga ele tem sido um dos três melhores (se não o melhor) MLB da NFL. Ele absolutamente imparável no jogo terrestre, uma força implacável indo atrás do QB (20 sacks apesar de raramente ir para blitz) quando necessário, e alguém excelente na cobertura capaz de cobrir TEs e mesmo WRs sem precisar de ajuda da secundária. A coleção de jogadores de secundária e linebackers que jogam bem do lado de Willis e nunca mais consegue atingir o mesmo nível depois que saem de San Francisco é incrível, e se você não acha que a presença de Willis no meio da defesa não é uma das grandes causas disso, você não assiste NFL.

É difícil achar estatísticas sobre MLB, mas me permitam uma curiosidade: Pro Football Focus é um site cuja especialidade é dar notas para os jogadores de acordo com o que eles fazem em campo. É realmente uma coisa jogada-a-jogada, eles pegam todos os snaps de um certo jogador e veem o que eles fizeram a cada jogada - mesmo as que não participaram diretamente - e dão nota por cada coisa que aconteceu - seja um tackle for loss, um sack, ou algo menos palpável, como impedir o avanço de um RB fechando seu caminho, desviando um bloqueador para longe de seu lugar na jogada, etc. Não é, obviamente, perfeito ou definitivo, mas é um ótimo parâmetro para avaliar jogadores cujo impacto no jogo é mais sutil. Bom, nos sete anos que Willis esteve na NFL, ele foi o #1 MLB da NFL três anos, o #2 outros três, e o #3 no outro. E mais impressionante ainda, em três desses quatro anos que não foi o número 1, seu colega ILB em San Fran que foi, inclusive Takeo Spikes (que nunca foi grande coisa antes ou depois de sua estadia em SF). Willis não é só o melhor MLB em atividade na NFL (em termos de carreira), ele já é um dos melhores de todos os tempos, e só uma tragédia tira Willis do HoF.


  • Haloti Ngata, Defensive Tackle

Você pode fazer um sólido argumento que Ngata já poderia concorrer ao Hall da Fama no momento, tendo sido um dos melhores e mais destrutivos defensive linemen da NFL por oito anos, inclusive com cinco Pro Bowls e dois 1st Team All-Pro nos últimos cinco. Ele faz um pouco de tudo - pressionar o QB, parar o jogo terrestre (sua especialidade), ou simplesmente ocupar bloqueadores e liberar seus companheiros - em altíssimo nível, e tem sido o segredo por trás das excelentes defesas que o Ravens tem conseguido montar nos últimos anos.

Ainda assim, Ngata tem apenas 30 anos, então tem chão pela frente para consolidar sua candidatura ao Hall. Ngata pode acabar caindo no mesmo problema de Justin Smith (um jogador ainda melhor), de jogar em uma posição sub-valorizada com menos estatísticas contáveis para medir seu impacto, mas por algum motivo (talvez por ter passado a maior parte de sua carreira jogando em candidatos ao título, talvez por ter um anel de Super Bowl) ele recebe mais crédito e atenção do que Smith, e em geral é merecidamente reconhecido como um dos defensores mais dominantes da NFL. Entre o que ele faz em campo por merecer e o reconhecimento que recebe por isso, Ngata deve se aposentar recebendo nomeações antecipadas para o Hall.



  • DeMarcus Ware, Outside Linebacker
  • Terrell Suggs, Outside Linebacker

Ware é um dos melhores pass rushers da sua geração (e da história da NFL), e poderia facilmente estar junto de Abraham, Allen e Peppers na primeira categoria, ou de Freeney e Mathis na segunda. Em geral, eu acho que ele está entre esses dois grupos, e embora isso seja muito bom para seu futuro no Hall da Fama, acho que ele ainda tem chão na sua carreira que eventualmente o levarão até o primeiro grupo. Terceiro em sacks entre jogadores em atividade e com uma temporada de 20 sacks no currículo, Ware tem apenas 32 anos e joga em uma defesa com muito talento, o que lhe permite descansar mais e se manter mais fresco durante os jogos. Isso é o tipo de coisa que pode aumentar a duração da sua carreira, e espero que, com o tempo, Ware entre definitivamente (se já não estiver) na categoria de certezas do Hall da Fama.

Suggs, por outro lado, nunca foi tão dominante como Ware, e não está tão perto do Hall como seu colega. Ainda assim, ele merece consideração: é sétimo em sacks entre jogadores em atividade (embora a uma distância razoável de Freeney, o sexto) e tem um Defensive Player of the Year no currículo, sem falar em um anel de campeão. Ainda assim, Suggs nunca foi aquele jogador extremamente dominante (tirando 2011) e tem só um 1st Team All-Pro na carreira, mas teve um auge bom o suficiente para não cair no conto de "ótima carreira, nunca algo a mais". O júri ainda está indeciso em Suggs, e suas credenciais para o HoF dependerão muito do que ele fizer no resto da sua carreira, mas ele é alguém que andou uma boa parte do caminho já.


  • Darrelle Revis, Cornerback
Três 1st Team-All Pros seguidos, quatro Pro Bowls seguidos (e um quinto logo que voltou de lesão), um auge digno dos melhores dias dos grandes CBs da história da NFL e apenas 29 anos, Darrelle Revis definitivamente merece uma menção nesse espaço. Infelizmente uma seria lesão no joelho atrapalhou sua carreira, tirando-lhe um ano do seu auge, e ele não tem sido o mesmo desde que voltou aos campos. Ainda assim, ele ainda é um ótimo CB que foi historicamente bom no seu auge e o melhor jogador em dois times que conseguiram chegar nas Finais de Conferência com MARK SANCHEZ de QB. Mesmo se nunca voltar a ser AQUELE Revis do Jets, se ele conseguir manter esse alto nível por mais algum tempo, ele deve ser um forte candidato ao Hall quando tudo estiver encerrado. Não lembro de ter visto algo semelhante a Revis no seu auge jogando - ele simplesmente escolhia um jogador e o tirava do jogo de forma impossível. Ainda depende do resto da sua carreira, mas está em um bom caminho até Canton.




Adrian Peterson
Adrian Peterson

  • Adrian Peterson, Running Back

Eu não tenho a menor idéia do que fazer com Peterson nessa coluna. Quando eu primeiro tive a idéia dessa coluna, antes da temporada começar, minha discussão era se Peterson já poderia ser incluído na primeira categoria ou não. E eu tendia a sim - apesar de ter sido draftado em 2007, ele já era terceiro entre jogadores em atividades em jardas terrestres (atrás de Gore/Jackson), e 27th em toda a história post-merger da NFL (e 13th em touchdowns terrestres). Além disso, ele é o melhor RB da sua geração (acho que ninguém chega perto, na verdade) e o melhor RB do mundo desde que foi draftado. Junte a isso seus recordes (maior número de jardas terrestres em um jogo na história da NFL), sua lendária temporada de 2012 que talvez tenha sido a melhor de um RB na história do jogo, seu prêmio de MVP, e sua incrível recuperação de uma lesão no joelho, e parecia impossível que Adrian Peterson NÃO fosse ao Hall da Fama algum dia.

Agora... eu não sei o que pensar. Ninguém sabe. Peterson foi afastado por supostamente agredir um filho durante uma sessão de "disciplina", e ninguém sabe se algum dia ele vai conseguir sequer salvar sua carreira, quanto mais fazer o suficiente para apagar essa má impressão e recuperar seu status histórico. É possível que, em algum momento, Adrian Peterson peça desculpas, reconheça seu erro, trabalhe para reparar esse erro e virar um embaixador contra o abuso infantil, sua carreira possa continuar, e ele volte a ser o grande atleta que ele é. Mas hoje, 30 de Outubro de 2014? Eu não faço idéia do que vai acontecer com a sua carreira, e com suas chances de Hall da Fama. Mas não estão parecendo boas.



E esses são os jogadores em atividade (que cumprem meus pré-requisitos) que eu vejo associados em Hall da Fama, de uma forma ou de outra. Eu tenho certeza que esqueci de alguém, então por favor façam suas nomeações nos comentários. Também tenho certeza que muita gente discorda de onde eu coloquei alguns desses jogadores (e tentem se lembrar de que estou classificando do ponto de vista do Hall da Fama), e se forem educados, sintam-se livres para expressar o porquê nos comentários.

E agora é ficar de olho nos jovens talentos que temos ai - JJ Watt, AJ Green, Earl Thomas, Andrew Luck, Rob Gronkowski - e imaginar quais desses, em alguns anos, estarão nessa mesma conversa. Porque essa é a beleza dos esportes: eles estão frequentemente se renovando, e quando um Champ Bailey se aposenta, sempre tem um Patrick Petterson surgindo. 

sexta-feira, 14 de março de 2014

NFL Mailbag: Final de temporada regular

"Eu não acredito, ele finalmente fez um mailbag!!!"



Bom, como prometido, chegou a hora de esvaziar a caixa de entrada para fazer o nosso Mailbag. Para quem não sabe, o formato é bem simples: vocês mandam emails com dúvidas, perguntas, comentários ou o que quiserem, e eu respondo/comento aqui em uma coluna. O tema dessa era NFL, especificamente o final da temporada e o começo da Free Agency, embora eu não tenha limitado nenhum assunto. Perguntas sobre outros esportes - recebi algumas de NBA, principalmente - serão respondidas futuramente em outros Mailbags que provavelmente não irão demorar.

Se quiserem participar de outros mailbags - seja sobre o que passou na Free Agency, sobre o Draft que está vindo, sobre basquete, sobre baseball ou sobre qualquer tema diverso, é bem fácil, é só mandar seu email para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag" (e seu nome para ser publicado com o email, mas esse é opcional). Você pode ter seu email publicado e respondido nesse espaço.

Enfim, vamos começar com o mailbag. Vou começar tirando algumas dúvidas que me foram enviadas antes de passar para o resto, porque serão as respostas mais longas e complexas. Se não está com paciência de ler respostas longas e detalhadas sobre salários e franchise tags, pule direto para onde está escrito "TERMINOU" em negrito que continuaremos o mailbag mais dinâmico a partir de lá.

(Só lembrando, esses são emails reais enviados por leitores reais)


Sobre Franchise Tag. Como ela funciona? O time pode usar em qualquer jogador que esteja no ultimo ano de contrato? O jogador pode recusar? Quais são os valores? (Aproveitando a polêmica do Graham) Quem decide a posição do jogador? E quanto custaria para outro time tirar esse jogador com Franchise Tag? - Ricardo "Mugen" Venturelli

A Franchise Tag (existe outros tipos de tags, como a transition, por exemplo, mas vamos nos focar na mais comum que é a franchise) funciona da seguinte forma: cada time tem direito a aplicar uma FT por offseason, e pode fazê-lo em qualquer jogador que vai se tornar um free agent irrestrito, a não ser que o contrário esteja especificado no seu contrato (o do Darrelle Revis com o Bucs, por exemplo, tinha uma cláusula que impedia o time de usar a FT nele). A FT serve para você "prender" um jogador ao seu time, e se o jogador assinar (ele não é obrigado, mas chegaremos lá) a Tag, ela funciona basicamente como um  contrato de um ano para esse jogador, totalmente garantido. Durante esse ano, o salário do jogador será igual a média dos cinco maiores salários de jogadores sua posição na NFL, OU 120% do seu último salário, o que for maior. Ao final desse ano, o jogador volta a ser um free agent irrestrito, e se o time quiser usar novamente uma FT no mesmo jogador, o valor dela sobe 20%.

Muitos times usam a FT menos como um contrato de um ano e mais como uma garantia para segurar o jogador. Quando é um jogador que vai atrair muito interesse na FA ou um que o time quer manter a todo custo, a opção da equipe por usar a FT pode ser para impedir que esse jogador atinja o mercado e garanti-lo por um ano no seu time, e enquanto isso o time negocia um contrato longo tranquilamente com ele. É menos comum você ver um jogador atuando por um ano sob a FT do que ver um jogador taggeado negociando uma grande extensão logo depois.

Na NFL, existe dois tipos de FT: a exclusiva, e a não exclusiva. No caso da exclusiva, uma vez que você designa um jogador para ela, ele assinando ou não, nenhum time pode negociar com esse jogador além de você. Se ele assinar, ótimo, entra em vigor o que foi dito dois parágrafos atrás, senão ele fica um ano inteiro sem poder ir para outro time e sem jogar, dai vira FA irrestrito de novo. Se for a não-exclusiva e ele assinar, ótimo, mas se ele não assinar, os demais times da NFL tem direito de negociar um contrato com ele como negociariam com um FA normal, com a diferença de que o time que o taggeou tem o direito de igualar o contrato oferecido e ficar com o jogador (igual a um free agent restrito) e, caso não iguale, ele recebe escolhas de draft como "compensação" por perder seu franchise player (se não me engano, a compensação atual seria duas escolhas de primeira rodada).

Sobre a polêmica do Jimmy Graham, o time não escolhe a posição que ele taggeia o jogador, ele só aplica a tag e o sistema da NFL automaticamente atribui a posição com base na posição que ele é registrado. No caso do Graham, isso seria TE. No entanto, o jogador ou o time podem entrar com um recurso pedindo uma mudança caso o jogador não jogue na posição originalmente atribuída (pense por exemplo em Devin Hester, draftado como CB, registrado como CB - inclusive usando camisa 23 - mas que jogava de WR. Se ele fosse tagged, seria atribuído a ele a tag de CB, mas qualquer recurso mudaria isso para uma de WR). Esse é o argumento de Graham: embora ele seja registrado como TE, ele joga de WR no Saints e por isso a tag deveria mudar. Mais sobre isso daqui a pouco.


Sobre Salary Cap. O que acontece se um time está acima do Cap? No contrato de um jogador, além do salário, o que mais influencia no Cap? E o dead money, o que é isso? Ainda no contrato do jogador, como é definido coisas como Bonus ou Salário Garantido? - Ricardo "Mugen" Venturelli

Todos os times TEM que estar abaixo do cap quando começar oficialmente a free agency. Se não estiver? Reze. Ainda não tivemos um caso concreto para saber com certeza o que aconteceu, mas eu sei que a NFL tem poder de anular alguns contratos de um time caso isso aconteça como "punição". Acredito que além de anular alguns contratos para o time entrar dentro do cap, a NFL iria aplicar algum tipo de punição, como perda de escolhas de draft ou algo semelhante ao que fez com Redskins e Cowboys alguns anos atrás quando tentaram usar um ano que a NFL jogou sem salary cap para "burlar" as regras, e foram punidos com perda de espaço salarial em anos futuros. Melhor jeito de saber é esperar o Cowboys fazer isso daqui a um ou dois anos.

Sobre o contrato e como ele influencia no cap, ele funciona a partir das três fases da sua composição: você tem o salário anual do jogador, você tem o "bônus de assinatura" (o que no futebol chamamos de "luvas") e os demais bônus (que podem vir de diversas formas, desde "500 mil para cada jogo que for relacionado" ou "5M se você for o MVP"). Geralmente, o valor divulgado de um contrato já inclui os salários anuais totais e o bônus de assinatura. O bônus de assinatura (que vou chamar de "bônus" genericamente aqui, quando for um outro mais específico ele será, bem... especificado) você recebe totalmente no momento que assina o contrato, mas ele não conta todo de uma vez no salary cap - na verdade, ele é igualmente dividido entre todos os anos do contrato em termos de salary cap. Além disso, o salário anual - que é dividido quando o contrato é assinado - pode ou não ser garantido, dependendo da negociação. Isso não interfere no cap hit anual, só no dead money (chegaremos lá). Então o cap hit anual de um jogador é o seu salário daquele ano, mais a parte do bônus que foi distribuída pela duração do contrato, mais os eventuais bônus específicos que ele possa receber naquele ano conforme foi especificado em contrato (esses bônus em geral só contam para o cap se a NFL determinar que as condições são "prováveis" de serem cumpridas - se não, elas não contam em um primeiro momento, e passam a contar de forma retroativa caso sejam atendidas ao longo do ano).

Então fazendo um exemplo prático, imagine que eu assinei um contrato de 5 anos e 40M, com 15M de bônus e 25M totais garantidos. Em outras palavras, meu contrato tem 15M de bônus e 25M de salários, sendo que 10M de salários são garantidos. Para facilitar, o salário anual será igualmente distribuído por toda a duração do contrato: 5M em cada um dos cinco anos. Então no momento que assinei meu contrato, eu já ganhei 15M dele, mas o cap hit desse bônus será 3M a cada ano (btw, o salário anual pode ser distribuído ao longo da duração de diversas maneiras, não precisa ser igualmente, mas o bônus é obrigatoriamente igualmente distribuído). Então se o time me mantiver na equipe durante toda a duração do contrato, o meu cap hit será de 8M cada um dos cinco anos. 

No entanto, em algum momento, o time pode decidir me cortar antes do final do meu contrato. Isso vai gerar o famoso "dead money", que nada mais é do que o dinheiro que vai contar no seu salary cap caso um jogador saia do time antes do final do seu contrato (seja por troca, aposentadoria, dispensa ou whatever - vamos focar mais na dispensa porque é o caso mais comum). O dead money de um jogador dispensado é todo o cap hit futuro desse jogador que vem de dinheiro garantido, seja ele da parte do bônus daqueles anos ou salários garantidos, que contabiliza de uma vez só no seu cap.

Então no exemplo anterior, o cap hit anual era de 8M, com 5M vindo de salários e 3M do bônus. Eu disse também que 10M do salários seriam garantidos, então vamos supor que fossem os 10M correspondentes aos dois primeiros anos de salário. Então se o time quiser me cortar ao final do terceiro ano, ao invés do cap hit de 8M que eu teria no ano seguinte caso estivesse no time, eu saio da folha salarial do time (como meu salário daquele ano é não garantido, eles não precisam pagá-lo e ele não conta contra o cap caso eu não esteja mais no time), mas eles terão 6M na sua folha salarial daquele ano em "dead money" pela minha saída, que equivalem aos 3M de bônus que corresponderam aos dois últimos anos do contrato que eu não jogarei. Se o time quiser me dispensar apenas no último ano, dos 8M daquele ano eles só terão 3M contando como dead money. Se o time quiser me dispensar depois do segundo ano, quando meu salário para de ser garantido, eles também podem - mas dai o dead money passaria a ser de 9M (três anos de bônus) ao invés dos 8M caso eu estivesse no time, então é ruim para abrir espaço salarial.

No entanto, suponha que o time concluiu que eu sou um babaca no vestiário que tentou assediar a secretária do chefe, e eles querem se livrar de mim um ano depois de assinar o contrato. Eles podem me dispensar a vontade, mas agora além do dead money equivalente aos quatro anos restantes de contrato (totalizando 12M), o meu salário daquele ano é totalmente garantido. Ou seja, eles precisam me pagar o salário eu estando no time ou não. Então se me dispensarem mesmo assim, agora eu conto como 17M em dead money (12M do bônus mais meu salário garantido de 5M) e eu recebo os 5M em dinheiro pelo salário garantido.

Espero que tenha ficado claro o que o tal do "dead money" é, afinal: são todos os cap hits futuros garantidos (bônus ou salários garantidos) que são contabilizados de uma vez só quando um jogador sai do seu time antes da hora. É possível jogar uma parte do dead money relativo a uma dispensa para o ano seguinte, mas ai é complicação demais para explicar aqui, basta saber que é possível. Espero que tenha ficado claro, é um assunto dificilimo mas interessantíssimo.


TERMINOU!

Espero ter esclarecido as dúvidas sobre salary cap, são bem comuns. Agora antes de passar para a parte do Mailbag que envolvem perguntas sobre times específicos, vamos ver alguns dos outros emails. 



- Para minha supresa descobri que o Julian Edelman era quarterback na Universidade de Kent State, e acabou se transfomando num bom WR na NFL.

Esse tipo de caso é comum? um jogador mudar de posição só depois que chega a NFL? e se você conhece outros jogadores que são relevantes hoje em dia que tenham mudado de posição. - Fabiano Dantas

Não é exatamente comum, mas acontece. Acho que até mais do que jogadores que mudam de posição quando vão para a NFL, uma coisa mais comum é jogador que muda de esporte: Antonio Gates provavelmente é o exemplo mais famoso, um Power Forward no College que, quando viu que não tinha futuro na NBA, arrumou um workout com o Chargers e virou um dos melhores TEs da NFL. Ironicamente, o College onde ele jogava basquete? Kent State! Outros exemplos de jogadores de outros esportes incluem Jimmy Graham, que jogou basquete pela Flórida durante seus quatro anos de College antes de entrar no time de futebol um ano depois quando assistia a um curso complementar, e Wes Welker, que apesar de jogar futebol americano na faculdade também era jogador de futebol e foi não-draftado em parte por causa disso.

Mas só trocando de posição, como eu disse, não é comum mas acontece - as vezes o conjunto de habilidades ou tipo físico do jogador leva algum técnico a mudar um jogador de posição para melhor se adaptar ao jogo da NFL. Randle El é um bom exemplo de um QB que virou WR na NFL e teve muito sucesso. Delaine Walker também lembro que era WR e foi adaptado para TE pelo seu talento como bloqueador.

Mas acho que o mais comum é ou um jogador que mudou de posição ao longo do College, ou que jogava em mais de uma: Vernon Davis chegou a jogar de defensive end, linebacker e safety do lado defensivo, e Tony Gonzalez além de ser All-American jogando basquete foi linebacker durante dois anos na faculdade,  por exemplo. Alguns exemplos de jogadores recentes envolvem Wines Ward (foi RB por dois anos na faculdade antes de virar WR), Joe Thomas  e Jason Peters (eram TEs na faculdade antes de virar LT), Charles Woodson (era RB no colegial e tem até hoje vários recordes), Warren Sapp (era linebacker e PUNTER no colegial e chegou a jogar de MLB na faculdade) e Steve Smith (RB e cornerback no colegial).


Bom, eu tornei-me,recentemente, fã de futebol americano e esta época foi a primeira que acompanhei. Ainda não consegui escolher a minha equipa favorita e por isso a minha pergunta é a seguinte: como escolho a minha equipa de futebol americano? Que critérios devo seguir? E já agora, como você escolheu a sua? -João Almeida

Não existe um critério a ser seguido. Sempre achei que os melhores times são escolhidos naturalmente, e não seguindo algum critério. Algum jogador que você goste muito de acompanhar, uma camisa ou logo que você ache legal, uma torcida que te inspire, um jogo que te marcou... tem diversos motivos que podem levar você a escolher um time. Conheço um torcedor do Broncos que escolheu o time porque adorava acompanhar a história do Tim Tebow, por exemplo, e minha namorada mesmo torce para o Lakers porque quando era criança adorava roxo e, portanto, a camisa roxa do Lakers. Um amigo meu torce para o Pats porque o primeiro jogo que ele sentou para assistir direito foi um Sunday Night entre Patriots e Bills que o Pats perdia por uns 12 pontos faltando 5 minutos e conseguiu a virada, e o co-fundador do Two-Minute Warning Marcelo Ferrantini torce para o Bears porque estava lendo sobre a história da NFL e se apaixonou pelos Monsters of the Midway. Não tem um critério, e se você não tem um time e quer achar um, o melhor que você faz é assistir o máximo de jogos possíveis de times diferentes, e ver se alguma coisa em um deles te atinge de uma forma diferente.

O meu caso é até chato: eu torço para o 49ers porque meu pai torcia desde criança e me criou assim, como se fosse time de futebol - eu tenho um vídeo meu de criança com uns 4 anos no qual eu estou de camisa do Niners, lançando uma bola de futebol de criança e levantando os braços dizendo "Touchdown, Steve Young!". Mas meu pai torce porque quando criança morou nos EUA, se apaixonou pelo esporte e gostou do 49ers porque suas cores lembravam o vermelho-branco-e-preto do São Paulo Futebol Clube, seu time do coração. Então realmente não tem só um caminho para escolher um time, e tenho certeza que alguma hora você vai achar o seu.


Considerando que times como Chiefs, Saints e 49ers devem ser wildcards e são no minimo candidatos a chegar a final da conferência, fiquei com uma curiosidade: Já houve alguma final de conferência, ou até um Superbowl, entre dois times de wildcard? Desculpe se a pergunta for muito irrelevante. - Felipe Amorim

Obviamente a pergunta foi feita antes dos playoffs, mas a pergunta ainda é válida: desde 1970, quando o Wild Card foi criado, 10 times de WC chegaram ao Super Bowl e 6 foram campeões (2010 Packers sendo o mais recente). No entanto, até hoje nunca tivemos um Super Bowl entre dois times de Wild Card, e até onde eu sei nem sequer uma final de conferência entre os dois times WC.


O San Diego Chargers afinal é o melhor time ruim ou o pior time bom da NFL? Por quê tanta oscilação? É razoável acreditar, com a fraca defesa de Denver e os problemas no ataque e contra o jogo terrestre de New England, e ainda os inúmeros problemas tanto ofensivos quanto defensivos do Colts, que o San Diego chegue ao SB? - Danilo Vilas Boas

Obviamente essa também é uma pergunta para um Mailbag pré-Super Bowl que nunca aconteceu e está... hmm... desatualizada. Mas vale a resposta só porque é um ponto que eu sempre gosto de insistir e revisitar: praticamente QUALQUER time que chega nos playoffs pode vencer um Super Bowl. O modelo de jogo único e a natureza altamente volúvel do jogo de futebol americano significam que, na amostra pequena que são os playoffs, qualquer coisa pode acontecer, e normalmente o time que vence os playoffs não é o melhor da temporada regular (2013 obviamente não foi o caso), e sim o time que fica mais inteiro, pega fogo na hora certa e conta com mais golpes de sorte. O melhor exemplo é o Giants de 2011, o único time com Pythagorean Wins negativo que ganhou um Super Bowl, que viu sua linha defensiva explodir (e nunca mais repetir o nível) naquela pós-temporada, recuperou sete fumbles seguidos (!!), contou com um game-winning drop do Tarrell Brown e dois fumbles do retornador adversário na final de conferência para vencer.

Para dar um exemplo prático, eis os rankings finais da temporada regular para o Chargers de 2013 em DVOA: 3rd em ataque (22.5%), 32nd em defesa (17.5% - lembrando que em defesa, o DVOA bom é o negativo) e 12th (5.8%) em eficiência. O Giants de 2007 terminou 18th em ataque (-1.1%), 13th em defesa (-3.8) e 14th em eficiência (1.9%). Então se você chegou nos playoffs, você tem chances de vencer sim, mesmo que sua temporada regular tenha deixado a desejar. Esse mesmo Chargers esteve a uma 3rd and 17 convertida de possivelmente derrubar o Broncos e chegar na final de conferência em 2013. Então sempre tem chance. Sempre.


Para mim um posição muito difícil de ser avaliada no F.A. é a de um receiver,visto que para ter bons números ele depende de certos fatores como um quartback razoável,foco da equipe no jogo aéreo etc..vejamos o caso de Julian Eldemam agora super valorizado após uma temporada recebendo passes do Bradboy, numa equipe sem bons receivers para fazer sombra.Quais os critérios que você utiliza e leva em consideração na hora de avaliar um wide receiver? - Sérgio Estevão Silveira Silva, Pelotas/RS

Essa é a grande questão, na verdade. Da até para extrapolar e perguntar não só sobre WRs, mas como qualquer jogador funciona fora de um esquema tático definido e com companheiros específicos. O melhor exemplo disso é o San Francisco, que desde 2009 tem uma das melhores defesas da NFL. Todo ano, seus jogadores são bastante assediados na free agency e recebem contratos muito caros, na esperança de que mantenham o nível. Mas até agora, todos que saíram falharam em repetir sequer perto do nível mostrado em SF: Dashon Goldson, Isaac Sopoaga, Jean-Ricky François, Takeo Spikes,  Aubrayo Franklin, Parys Harrelson... a lista é considerável. É muito mais fácil para esses jogadores renderem dentro de um bom esquema defensivo e em meio a jogadores excepcionais do que mudando para um esquema novo e não tão completo. 

Isso é especificamente válido, como você pergunta, para WRs. Na verdade, acho que não existe uma posição tão depende de outra como o WR depende do QB para produzir, além dos fatores citados na pergunta. Por isso é tão difícil avaliar WRs, e por isso todo ano aparece alguém recebendo um contrato absurdo na free agency: você fica seduzido pelos números de touchdowns, número de jardas, número de recepções e esquece o contexto nos quais eles aconteceram. As 1300 jardas e 11 TDs de Eric Decker são impressionantes, mas é mais fácil conseguir isso quando você recebe passes de Manning em um dos melhores ataques da história da NBA. Em contraste, 520 jardas e 2 TDs não parecem bons até lembrar que o QB de Michael Floyd esse ano era uma mistura de Kevin Kolb, John Skelton e Ryan Lindley. Então enquanto números são sempre importantes, é bem mais difícil avaliar um WR corretamente só por eles.

O mais importante quando se avalia um WR é saber qual tipo de jogador ele é, e portanto, quais características ele tem que ter. Um alto catch rate (ou seja, % dos passes na sua direção que o WR recebe) é uma ótima estatística, mas ela é menos importante em um burner (jogador de velocidade que recebe aquelas bombas longas, passes de aproveitamento menor) do que em um slot receiver.  Então precisa saber com o que está lidando com o jogador em questão. Em geral, a questão mais importante do WR é como ele consegue criar separação. Nenhum arremesso na NFL vai ser 100% perfeito, assim como uma boa defesa não vai impedir 100% dos passes para um dado jogador. O que a defesa faz é reduzir ao máximo a janela para um passe alcançar seu alvo, e portanto a tarefa do WR é criar a maior janela possível para o QB acertar o passe. Claro, isso é feito de formas distintas: um burner vai precisar ter a velocidade, explosão e aceleração para criar uma vantagem na linha sobre o CB; um cara como Anquan Boldin usa sua força física para criar uma vantagem sobre seus adversários e ganhar lances 50-50; Wes Welker sua sua agilidade no curto espaço para criar essa separação; Megatron ou Demariyus Thomas usam sua habilidade atlética e explosão para ganhar uma vantagem pelo ar; e por ai vai. A questão é que se o jogador é capaz de criar algum tipo de separação, não importa como, ele vai poder render em um ataque. Se ele vai se adaptar ao que você procura no seu ataque é outra questão, mas é a habilidade mais importante.

Em geral, acho que o segredo para WRs não é ignorar as estatísticas, é colocá-las em contexto. Os números de Decker são inflados por jogar com Manning, sem dúvida alguma, mas ele também tem um alto índice de recepções nos passes lançados na sua direção e tem poucos drops, duas habilidades que tem menos a ver com contexto. Além disso, colocar 1300 jardas e 11 TDs com PM não significa que Decker o fará em New York, mas o fato dele ter sido uma arma tão utilizada em um ataque tão bom mostra que ele é um jogador com habilidades confiáveis. Então ainda que tenha muitas coisas importantes para se observar em um WR - como ele ganha bolas disputadas, o quanto ele consegue correr depois da recepção, quebrar tackles e conseguir jardas extras, o quanto ele dropa ou não passes, % de passes na sua direção que viram recepções, eficiência na red zone, etc - o mais importante mesmo é saber colocar em contexto aquilo qiue você está vendo.


Tem uma sequência de perguntas aqui do Sérgio, então vamos dar uma passada por elas em sequência.


 drop-kick do F.A. é igual ao do rugby?Em alguma ocasião está jogada teve um destaque e foi decisiva na NFL?

Semelhante. Qualquer jogador da NFL pode fazer um drop-kick como FG ou extra-point desde que esteja atrás da linha de scrimmage e nenhum passe para a frente tenha sido feito na jogada. Mas como você deve imaginar, não é uma tática nem um pouco eficiente: o chute normal da NFL te oferece muito mais estabilidade e precisão, então não tem motivo para você tentar um durante uma partida já que diminui muito suas chances de converter. Era uma tática mais comum antigamente, quando o futebol americano ainda era muito parecido com o rubgy e a bola mais arredondada, mas caiu totalmente em desuso conforme o futebol americano foi se refinando e a bola ficando mais pontuda. 

Até onde eu sei, a era moderna da NFL só viu um drop kick oficial, quando o Pats mandou seu QB reserva, Doug Flutie, fazer um extra point com um drop-kick. Não alterou em nada o resultado, mas como era o jogo final de Flutie antes de se aposentar, foi uma forma do Pats de fazer uma homenagem ao seu ex-QB sendo o primeiro e único da NFL a executar esse tipo de jogada em tanto tempo. Ele acertou, btw. 


Há uma tendencia de as equipes dispensarem jogadores veteranos e uns nem tão veteranos com 30 anos ou mais. Estes jogadores conseguem se manter pelos resto de suas vidas sem precisar de outro tipo de trabalho ou só as estrelas conseguem isso??Visto que mega-salários só alguns recebem em uma equipe que tem ao todo 53 jogadores.

De acordo com um excelente documentário da 30 for 30 sobre o assunto, cerca de 70% dos jogadores de esportes americanos declaram falência pouco depois de se aposentaram (acho que era até 3 anos depois). Jogar na NFL da bastante dinheiro, mas também tem uma vida útil curta, e nem todos conseguem um emprego como comentarista ou repórter depois de aposentados, então muitos dependem só do que ganham jogando. E como meu professor da faculdade sempre falava, o que importa para o indivíduo não é quanto ele ganha, é quanto ele gasta. Muitos jogadores da NFL vivem um estilo de vida muito luxuoso e com muitos gastos, e quando a renda da profissão acaba eles não tem como se manter e acabam tendo que ir trabalhar com outras coisas para se sustentar. Claro, alguns ganham tanto dinheiro que conseguem se manter por muito mais tempo, outros conseguem continuar no ramo (seja como técnico, coordenador, comentarista, olheiro ou etc), e alguns investem ou poupam inteligentemente seu dinheiro para que dure depois da aposentadoria. Mas a grande parte vai logo a falência quando para de ganhar dinheiro.


Nas análises e previsões entre uma temporada e outra sempre se fala nos grupos de ataque e defesa, mas muitas partidas são definidas pelo time de especialistas..tirando os kickers,punters e retornadores,há um trabalho específico para jogadores que atuam nos Specials Team?  - Sérgio Estevão Silveira Silva, Pelotas/RS

Existe sim, é um trabalho bastante difícil que exige bastante coordenação. Muitos jogadores tem carreiras longas e lucrativas na NFL por serem monstros nos special teams, coordenando as jogadas, fazendo leituras, bloqueando nos lugares certos e achando as falhas para atravessar os bloqueios e fazer tackle, como Kassim Osgood e Blake Costanzo, mesmo que não rendam nas suas posições naturais. Normalmente as pessoas pensam em special teams em termos de kicker, punter e retornador, mas tão importante quanto é ganhar a pequena batalha das posições de campo, evitando que os adversários possam ganhar jardas extras com retornos e ganhando você essas posições. O melhor exemplo que posso te dar é o Chargers: em 2009, eles tiveram um ST sólido e Osgood foi ao Pro Bowl como Special Teamer. Em 2010, dispensaram Osgood, e caíram imediatamente para o pior ST da NFL, tomando uns oito ou nove TDs de retorno aquele ano e perdendo a temporada nisso.

O principal motivo de eu não falar tanto do ST quando faço algum preview de time é porque tem um fator muito aleatório ano a ano nisso. Em geral eu cito mais quando um time teve um espetacular ou horrível que deve normalizar, mas na maioria das vezes é algo muito difícil de prever ou mesmo de entender vendo de fora, e por isso prefiro não tocar no assunto sem ter uma boa base. Mas sim, pode ter certeza que é um fator imenso determinando a temporada de um time, assim como ataque ou defesa - tanto que DVOA, a estatística que sempre uso, vem em ataque, defesa E ST para gerar a eficiência total. Só é muito mais difícil de acompanhar ou de se prever mesmo.


A respeito do Head Coach na NFL, qual o verdadeiro papel do HC? Já que normalmente os times possuem coordenadores ofensivos, defensivos, para os Special Teams além dos mais especificos de linha ofensiva, secundária e etc.
 
Enfim com todo esses tecnicos exercendo suas funções o que sobra para o HC? - Fabiano Dantas

Isso depende e varia MUITO, de acordo com o técnico em questão, a organização, seus assistentes e tudo mais. Alguns diriam que o HC é basicamente o cara que coordena tudo isso, ele controla quem está fazendo o que e é o centro disso tudo. Mas a verdade é que depende demais de quem é. Um técnico como Lovie Smith, por exemplo, que é um mestre defensivo e que não entende o que é um passe, vai delegar a maior parte do seu plano de jogo ofensivo para seu coordenador ofensivo, mas vai estar profundamente envolvido com a parte defensiva, muitas vezes montando ele mesmo o plano defensivo e só contando com auxílio do coordenador defensivo. Um técnico mais ofensivo como Chip Kelly seria o contrário, por exemplo. Outros, como Bill Belichick, que são ótimos estrategistas dos dois lados da bola, estarão profundamente envolvidos com todas as áreas do jogo, enquanto técnicos menos especializados podem delegar a maior parte das tarefas e só servir para centralizar tudo isso.

Em geral, no entanto, o HC é o cara que toma as decisões. Ele que sabe qual coordenador vai ser, e qual a direção do plano de jogo que ele vai montar. É ele quem toma as decisões no elenco, como qual QB vai jogar,  e como vão se preparar para enfrentar os adversários. Eles centralizam essa tomada de decisão, e embora futebol americano seja um esporte complexo demais para um cara só deter todo o conhecimento do que está acontecendo, é ele quem da as direções e depois da a palavra final. Mas naturalmente, como eu disse, o nível de envolvimento e a extensão completa das funções varia muito dependendo do cara e da organização em questão. 


Li algumas notícias de que o Raiders teria interesse em contratar o Matt Schaub, com isso fiquei pensando times necessitam de qb's pra essa temporada de 2014 e poderiam ser bons para o Schaub. De imediato o Vikings me veio a cabeça, será que não daria certo a dupla Schaub + AP? O que acha? - Thiago Berti

Essa pergunta foi editada (ficou só a pergunta mesmo por questões de espaço), mas o Thiago também entra no mérito do Vikings, perguntando sobre a questão de QB, o que deveriam fazer e tudo mais. Então vamos responder em duas partes.

Sobre os times que poderiam ser um fit para o Schaub, isso depende se você acha que ele ainda tem lenha para queimar, e se ele vai mesmo ser dispensado. Se sim, então o fit ideal seria um time mais ou menos estabelecido em outras áreas, pronto para competir, mas cujo time teria mais dificuldade pegando um QB no draft por algum motivo. Então um time como Bucs (que foi atrás de outro veterano, Josh McCown), Arizona (seria o fit perfeito se não tivessem já o Carson Palmer por lá), Bills (se não estiverem tão confiantes no EJ Manuel no curto prazo), ou mesmo Jets ou, ironicamente, o próprio Texans. A outra solução para ir atrás do Schaub seria um time com um QB jovem (que já está no elenco ou que ainda viria pelo draft) e que precisasse de um veterano para dar estabilidade enquanto o jovem treina e se refina, para fazer essa transição. Isso poderia funcionar para diversos times como Bills, Bucs ou mesmo times como Jaguars, Cleveland ou Oakland, dependendo do que pretendem fazer essa offseason. Se você for pegar um cara pro-ready como Ted Bridgewater, não tem porque, mas se a idéia for pegar um QB mais cru como Blake Bortles ou mesmo um no final da primeira rodada (ou segunda e terceira), Schaub parece uma ótima opção para fazer a transição. Minha aposta é que o Raiders não vai pegar um QB na primeira rodada e sim na segunda ou terceira, dai pegar o Schaub para ser o "mentor".

Sobre o Vikings, eu entrei no mérito do vencer agora vs apostar no futuro em uma coluna recente. A verdade é que o ataque é bastante jovem ainda, tirando AP, e que com um s´ølido QB essa unidade está pronta para deslanchar, mas a defesa - que também se livrou de seus jogadores mais velhos e está se reconstruindo em torno de caras mais novos - ainda está longe de ser a de um contender, então considerando que o elenco é jovem e ainda não está pronto para ir aos playoffs em uma NFC North fortíssima, faria sentido ir com calma. Para mim o ideal é pegar um cara no draft sem pressa, deixar um ano ou dois desenvolvendo a la Colin Kaepernick. A questão é que, tendo renovado com Matt Cassell por 5M ao ano, se for esse o plano então Cassell será o titular, não faria sentido trazer mais um veterano. Pode ser também que eles nunca tenham pensado em trazer um garoto e queiram vencer logo de cara, mas também não me parece que Schaub seria o ideal nesse cenário já tendo Cassell, com Vick sendo uma alternativa de maior potencial.


Ok, vamos passar a uma série mais rápida sobre times específicos.


O ataque do Vikings, até a 15ª rodada, é o 2° em jardas conquistadas e 9° em pontos da NFL, e esses números poderiam ser ainda melhores se não houvesse essa indefinição quanto ao QB titular. Enquanto isso, a defesa caminha para ser uma das piores da história do time, com problemas na secundária e no corpo de linebackers, além de não conseguir parar ataques nos momentos decisivos do jogo em vários casos. Sendo assim, qual você acha que deve ser a prioridade do time para o próximo draft? - Matheus Milanez

Bom, ainda acho que um QB é essencial. O que não significa que o Vikings deve ficar totalmente focado nisso, claro: ainda acho que um QB do trio principal do draft cai para o Viks no número 8 (provavelmente Bortles), mas se não cair, a pior coisa que podem fazer é se desesperar e pegar o próximo QB disponível. Esse draft tem boa profundidade, e se Bortles, Manziel ou Bridgewater não sobrarem na 8th pick, eles podem pegar na segunda rodada (ou mesmo trocar para entrar no final da primeira) e pegar Derek Carr, Jimmy Garopollo ou meu favorito, Zach Mettenberger. Mas acho que não deveriam sair desse draft sem pelo menos um projeto de segunda ou terceira rodada para treinar um ano atrás de Matt Cassell.

Além disso, acho que o ataque está bem encaminhado, então a defesa tem que ser o foco. Um LB cairia muito bem no time para liberar Chad Greenway, e embora um DE para substituir Jared Allen fizesse bastante sentido, o time pagou demais para Everson Griffen ser apenas um jogador situacional, então acho que cai na lista de prioridades. Um segundo safety também faria muito sentido por lá. Mas a necessidade de playmakers passa por todas as posições na defesa, praticamente, então acho que o Viks deve focar desse lado da quadra pegando o melhor jogador disponível.


De acordo com os jogos finais de divisão percebeu-se que o time do NEW ENGLAND PATRIOTS estava um passo atrás dos outros concorrentes, BRONCOS, 49ers, SEAHAWKS, e até de alguns outros times que ficaram pelo caminho na corrida dos playoffs. Gostaria que você comentasse sobre o que o time de NEW ENGLAND precisa para estar no nível desse times na próxima temporada. As posições mais carentes, as manobras que o time deve fazer usando a free agency o draft e possíveis trades. - Geraldo Neto, Uberlândia, MG

E estava um passo atrás mesmo, e embora eu ache que não era tanto quanto pareceu na Final de Conferência, o fato é que jogar na fraca AFC fez o time parecer melhor do que era de verdade. Ainda assim, é difícil culpar DEMAIS o Patriots depois de tudo que deu errado na temporada: Danny Amendola quase não ficou saudável (e quando ficou não foi bem), Rob Gronkowski e Sebastian Vollmer se machucaram e perderam a segunda metade da temporada, e a defesa parecia contagem de corpos de filme de terror (Jerod Mayo, Vince Wilfork, Brandon Spikes, Tommy Kelly... até Aqib Talib). Então a história talvez fosse diferente com um time saudável.

Para 2013, eu falei um pouco sobre o que eu teria feito, liberando cap space e indo atrás de, principalmente, um pass rush e ajuda para a secundária. O Patriots fez o segundo muito bem, indo atrás do Darrelle Revis para substituir Talib e parece estar perto de Brandon Browner (os dois encaixam muito bem, btw) - então eles foram ativamente atrás de resolver um problema. Mas me preocupa a falta de soluções para as demais áreas: o ataque terrestre perdeu seu melhor LB em Spikes e deve perder seu melhor DT em Wilfork, e ainda não achou nenhuma solução para seu complicado jogo aéreo - sim, enquanto tiver Tom Brady o time vai funcionar, mas a falta de alvos além de Julian Edelman foi um problema em 2013 quando Gronk esteve fora, e não só Edelman saiu como o time ainda não trouxe nenhuma alternativa para o jogo aéreo, seja WR ou TE. Então eu acho que esses seriam os três focos do time para o resto da offseason: precisa trazer alvos para o jogo aéreo (um TE reserva seria legal, dado que Gronk não fica saudável), precisa de mais um pass rusher, e precisa de alguém para ancorar essa defesa terrestre. O problema é só ter 10M de cap space, mas o Pats tem um longo histórico de achar contribuintes baratos. 


O que o Green Bay Packers precisava fazer para ser forte candidato ao título do Super Bowl? - Eliel Santos

Precisa reorganizar basicamente o time inteiro. Não que o time tenha problemas do começo ao fim do elenco, mas tem buracos que atrapalham todo o funcionamento: a linha ofensiva é bem fraca, e a defesa é uma zona do começo ao fim. Não que não tenha bons jogadores, mas não é suficiente para fazer funcionar o elenco. O time continua ganhando porque Aaron Rodgers é um dos melhores jogadores do mundo, e em 2013, o time achou um RB que conseguiu levar o time nas costas. Mas precisa continuar construindo o time até o fim do elenco, e o time tem sido muito ruim nisso nos últimos dois anos. A defesa tem bons jogadores, especialmente na secundária, mas a unidade não funciona porque todo mundo tem que desdobrar para cobrir múltiplas funções. Não tem aquela dupla que vá ancorar o jogo terrestre, nem alguém para acompanhar o Clay Matthews no jogo terrestre, o time é muito vulnerável pelos lados... ou seja, todas as área defensivamente tem alguma falha, e então você precisa que os bons jogadores de lá saiam do que fazem de melhor para tentar cobrir o resto. O resultado é uma bagunça.

O Packers vai ser um candidato ao Super Bowl enquanto tiver Aaron Rodgers, mas tem esbarrado na falta do resto do time. Melhorar a linha ofensiva é uma preocupação antiga do time, mas nada do que tem feito parece resolver a questão, então ir atrás de ajuda para a defesa era o ideal. Um MLB capaz de cobrir o meio do campo e um pass rusher parecem ser as prioridades, e um safety também era bom. Todo mundo comenta de Rodgers e do bom ataque do Packers, mas o time campeão de 2010 era impulsionado também pela segunda melhor defesa da NFL. Só com o ataque vai ficar difícil voltar ao Super Bowl.


Eu li em outro site que o Draft, da temporada passada, foi um dos melhores na posição de offensive linemen. Se isso for verdade porque o Pittsburgh Steelers não escolheu nenhum jogador para essa posição, já que essa é a principal necessidade do time? E no Draft desse ano, quantos jogadores você acha que os Steelers deveriam escolher nessa posição e em quais rodadas? - Antonio Carlos Moraes

Ela era considerada profunda em OL sim, mas nenhum dos três primeiros OLs do draft (1st, 2nd e 4th picks) jogaram bem, então menos mal.

Eu acho que não escolheram porque a necessidade não era tão grande assim como você diz. Eles terminaram 15th em proteção em 2012 (e 2013), e investiram várias 1st round picks em OLs que simplesmente machucaram, como Maurkice Pouncey e David DeCastro. Eles não vão machucar sempre, e acho que com um bom tackle (esse draft é profundo) a linha ofensiva fica boa, ou pelo menos acima da média. Em 2013, o time terminou 12th ofensivamente e 20th defensivamente, então acho que a defesa é ainda mais complicada hoje que o ataque, especialmente tendo em vista as dispensas recentes.

Sobre o draft, como eu disse um tackle cairia bem, mas acho que não é a maior urgência. Acho que eles precisam mesmo é de um novo pass rusher depois da dispensa de LaMarr Woodley, e ajuda para a secundária que perdeu bons jogadores (e não perdeu Ike Taylor). Acho que a pressão pode vir de ajuda interna com Jarvis Jones evoluindo, mas ainda é pouco. Um MLB para solidificar o miolo não era mau também. Eu acho que um tackle ou um CB na primeira rodada, depois um OLB ou DE (e um tackle mais para o final) era o ideal, especialmente em um draft profundo ofensivamente.


Por fim, uma pergunta mais pessoal. Sabemos que na última década na NFL ficou "mais fácil passar a bola". Então o recorde do Marino de jardas passadas ou o recorde do Jerry Rice em jardas recebidas foi quebrado (do Marino várias vezes), mas ainda sim, tem gente que considera a temporada do Marino como melhor temporada para um QB e a temporada do Rice como melhor temporada para um WR (o que eu concordo) pois hoje em dia é "mais fácil passar a bola". Mas isso não pode acabar desmerecendo os QBs e WRs de hoje em dia? Digo isso pois, por exemplo, se um QB lançar 6000+ jardas ou um WR receber 2000+ jardas ainda vão ficar falando que Marino e Rice tiveram uma temporada melhor. Ou melhor ainda, o que um QB ou um WR devem fazer, hoje em dia, para que suas temporadas sejam consideras por todos (ou quase todos) como a melhor temporada para um QB e um WR?
P.S: Note que o cara ter uma temporada melhor que a do Marino ou do Rice não significa, necessariamente, que ele é melhor que o Marino ou Rice (só pra ficar claro). - Ricardo "Mugen" Venturelli

Resposta curta... SIM!!! É inegável que o jogo mudou muito e que existe uma grande diferença entre o que acontecia em 1988 e o que acontece em 2013.  O problema é que as pessoas são 8 ou 80 em relação a isso e aos números: ou elas ignoram totalmente as mudanças e os diferentes contextos, só olhando para os números frios e tirando a conclusão de que a > b porque o número de a é maior que o número de b; ou então elas criam uma barreira entre as duas eras, concluindo que só porque hoje é mais fácil então é impossível ser melhor hoje e isolam as duas coisas. O problema é que existe DE FATO uma enorme mudança entre as eras, que se refletiu tanto nas estatísticas como no estilo de jogo (um segundo viés menos citado, mas os QBs passam hoje muito mais do que em 1986, por exemplo, o que contribui para inflar estatísticas), e é muito difícil colocar isso no contexto apropriado. Por isso as pessoas recorrem a essas medidas extremas. Eu particularmente prefiro criar a barreira entre as duas e tratar as duas coisas separadamente (mais ou menos como tratamos pré-merger e post-merger separadamente) a achar que são iguais, mas o ideal mesmo é achar aquele meio termo.

Sobre o que teria que fazer para ser considerada a melhor temporada de todos os tempos, eu acho que você precisaria passar de alguma marca redonda. Ou seja, o WR teria que passar das 2000 jardas com alguma folga, e o QB teria que chegar nas 6000 passando de 50 TDs. Sim, é arbitrário e estúpido, mas 90% das discussões do tipo também são. Durante muito tempo, a marca de 5000 jardas foi um taboo para os QBs da NFL, como a marca a ser alcançada... dai 10 QBs fizeram isso, incluindo Matt Stafford, e ela perdeu o significado. 5000 virou o novo 4000. Então acho que 5500 ou 6000, possivelmente 6000, seria o patamar que todo mundo subsconscientemente iria colocar como aquele a ser alcançado. Para o WR, o jogo é TÃO mais fácil (sim, mais que para QBs) que talvez nem 2000 jardas fizesse o serviço. Acho que para Megatron ter a melhor temporada, ele precisa ser o MVP da NFL, e ele não vai conseguir isso com menos de 2000 jardas e 12 TDs. É arbitrário e talvez até injusto, mas é assim que funcionaria, acho. Acho que na média, a mentalidade "glorificar demais o passado por conta das mudanças" ainda é mais forte. 

(For the record, eu ainda acho que 1984 foi a melhor temporada regular de um QB de todos os tempos, e 1989 Montana foi a melhor começo-ao-fim. Eu só acho que elas não são impossíveis de serem alcançadas)


O assunto é basicamente sobre a era Brady/Manning.Não é uma comparação entre eles- até porque odeio esse tipo de comparação,de que é melhor e não acompanhava NFL de perto quando o Peyton jogava em Indianapolis.Na verdade é sobre as gestões do Colts e do Patriots nesse período.

Poxa,ambas as equipes tiveram/tem mais de uma década de dois dos maiores QB que passaram pela liga,jogando no mais alto nível.Mas não dá pra deixar de notar que o Patriots fez 6 finais de conferência com 5 títulos da AFC e 3 de SB enquanto o Colts teve 2 finais AFC e 1 SB.Não é nada mal conseguir um título de SB(ao contrário) mas não fica aquela sensação de que poderiam ter conseguido mais?O que faltou pro COLTS,quais foram seus erros e principalmente,olhando pra era Manning e já projetando uma Era Andrew Luck o que eles podem tirar de lição pros próximos anos com o garoto,isto é,como aproveitar ao máximo o talento dele e traduzir isso em títulos. - Sebastião Neto

É um assunto bem delicado que provavelmente merece um post inteiro, então vou ser o mais direto possível porque o mailbag já está longo o suficiente: eu acho que a grande diferença entre as carreiras de Brady no Pats e Manning no Colts é a mesma lição que eu acho que Indy tem que aprender para Andrew Luck - não se acomodar com o que está bom. Brady sempre teve uma das diretorias e um dos técnicos mais inteligentes da NFL dando apoio, sempre mantendo o cap sob controle, sempre achando valor onde deveria, sempre fazendo trocas e contratações inteligentes para sempre melhorar marginalmente o elenco aonde poderia. Manning não pode dizer o mesmo Colts - certamente o Colts tinha um grande time ao longo da década, mas nunca teve a capacidade do Patriots de desenvolver talentos, fazer trocas inteligentes e sempre continuar evoluindo dentro e fora de campo. As vezes parecia que Indianapolis se acomodava com seu sucesso e só tentava dar grandes passos decisivos para o título, enquanto o Patriots continuava dando os pequenos passos que aumentam o valor de cada escolha e cada contrato, e se você acha que isso não faz diferença ao longo de 10 anos, você precisa repensar a NFL. 

Isso ficou particularmente evidente na segunda metade da década, quando o Patriots continuava renovando sua equipe, achando talentos no draft e se mantendo como um dos times mais completos da NFL, enquanto que o Colts perdia cada vez mais peças importantes sem conseguir uma reposição, se mantendo forte só com o que restava do seu antigo núcleo e seu QB Hall of Famer. Se o Colts tivesse conseguido manter o cap sob controle e desenvolver melhor seus jovens jogadores, como fez o Pats mais para o final da década, aqueles times de Manning entre 2008 e 2010 teriam chegado sido muito mais fortes. Então se em termos de carreiras e conquistas você quer achar uma diferença definitiva entre Manning e Brady, não olhe para números de vitórias em playoffs e sim para as diretorias. Indy tinha um fantástico núcleo (que foi um pouco underachiever, verdade) que eles tiraram tudo que podiam, enquanto que Patriots não só teve ótimos núcleos como eles estavam consistentemente se renovando e adicionando novas peças. É verdade. 

Para a era Luck, é importante saber disso. O Colts hoje vai vencer jogos porque tem um fantástico QB, mas o resto do time é muito fraco -  a linha ofensiva ainda é fraca, tirando Reggie Wayne e TY Hilton não sobra nenhum bom recebedor, e a defesa como um todo é abaixo da média (especialmente se Robert Mathis não conseguir repetir seu espetacular 2013). Só porque você está vencendo não quer dizer que você é bom, e definitivamente não quer dizer que você é tão bom quanto pode ser. Sucesso na NFL é muito passageiro, e se você quer torná-lo duradouro, vai precisar mais do que só contar com um QB fora de série a cada 13 anos.