Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

Mostrando postagens com marcador salary cap. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador salary cap. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 14 de março de 2014

NFL Mailbag: Final de temporada regular

"Eu não acredito, ele finalmente fez um mailbag!!!"



Bom, como prometido, chegou a hora de esvaziar a caixa de entrada para fazer o nosso Mailbag. Para quem não sabe, o formato é bem simples: vocês mandam emails com dúvidas, perguntas, comentários ou o que quiserem, e eu respondo/comento aqui em uma coluna. O tema dessa era NFL, especificamente o final da temporada e o começo da Free Agency, embora eu não tenha limitado nenhum assunto. Perguntas sobre outros esportes - recebi algumas de NBA, principalmente - serão respondidas futuramente em outros Mailbags que provavelmente não irão demorar.

Se quiserem participar de outros mailbags - seja sobre o que passou na Free Agency, sobre o Draft que está vindo, sobre basquete, sobre baseball ou sobre qualquer tema diverso, é bem fácil, é só mandar seu email para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag" (e seu nome para ser publicado com o email, mas esse é opcional). Você pode ter seu email publicado e respondido nesse espaço.

Enfim, vamos começar com o mailbag. Vou começar tirando algumas dúvidas que me foram enviadas antes de passar para o resto, porque serão as respostas mais longas e complexas. Se não está com paciência de ler respostas longas e detalhadas sobre salários e franchise tags, pule direto para onde está escrito "TERMINOU" em negrito que continuaremos o mailbag mais dinâmico a partir de lá.

(Só lembrando, esses são emails reais enviados por leitores reais)


Sobre Franchise Tag. Como ela funciona? O time pode usar em qualquer jogador que esteja no ultimo ano de contrato? O jogador pode recusar? Quais são os valores? (Aproveitando a polêmica do Graham) Quem decide a posição do jogador? E quanto custaria para outro time tirar esse jogador com Franchise Tag? - Ricardo "Mugen" Venturelli

A Franchise Tag (existe outros tipos de tags, como a transition, por exemplo, mas vamos nos focar na mais comum que é a franchise) funciona da seguinte forma: cada time tem direito a aplicar uma FT por offseason, e pode fazê-lo em qualquer jogador que vai se tornar um free agent irrestrito, a não ser que o contrário esteja especificado no seu contrato (o do Darrelle Revis com o Bucs, por exemplo, tinha uma cláusula que impedia o time de usar a FT nele). A FT serve para você "prender" um jogador ao seu time, e se o jogador assinar (ele não é obrigado, mas chegaremos lá) a Tag, ela funciona basicamente como um  contrato de um ano para esse jogador, totalmente garantido. Durante esse ano, o salário do jogador será igual a média dos cinco maiores salários de jogadores sua posição na NFL, OU 120% do seu último salário, o que for maior. Ao final desse ano, o jogador volta a ser um free agent irrestrito, e se o time quiser usar novamente uma FT no mesmo jogador, o valor dela sobe 20%.

Muitos times usam a FT menos como um contrato de um ano e mais como uma garantia para segurar o jogador. Quando é um jogador que vai atrair muito interesse na FA ou um que o time quer manter a todo custo, a opção da equipe por usar a FT pode ser para impedir que esse jogador atinja o mercado e garanti-lo por um ano no seu time, e enquanto isso o time negocia um contrato longo tranquilamente com ele. É menos comum você ver um jogador atuando por um ano sob a FT do que ver um jogador taggeado negociando uma grande extensão logo depois.

Na NFL, existe dois tipos de FT: a exclusiva, e a não exclusiva. No caso da exclusiva, uma vez que você designa um jogador para ela, ele assinando ou não, nenhum time pode negociar com esse jogador além de você. Se ele assinar, ótimo, entra em vigor o que foi dito dois parágrafos atrás, senão ele fica um ano inteiro sem poder ir para outro time e sem jogar, dai vira FA irrestrito de novo. Se for a não-exclusiva e ele assinar, ótimo, mas se ele não assinar, os demais times da NFL tem direito de negociar um contrato com ele como negociariam com um FA normal, com a diferença de que o time que o taggeou tem o direito de igualar o contrato oferecido e ficar com o jogador (igual a um free agent restrito) e, caso não iguale, ele recebe escolhas de draft como "compensação" por perder seu franchise player (se não me engano, a compensação atual seria duas escolhas de primeira rodada).

Sobre a polêmica do Jimmy Graham, o time não escolhe a posição que ele taggeia o jogador, ele só aplica a tag e o sistema da NFL automaticamente atribui a posição com base na posição que ele é registrado. No caso do Graham, isso seria TE. No entanto, o jogador ou o time podem entrar com um recurso pedindo uma mudança caso o jogador não jogue na posição originalmente atribuída (pense por exemplo em Devin Hester, draftado como CB, registrado como CB - inclusive usando camisa 23 - mas que jogava de WR. Se ele fosse tagged, seria atribuído a ele a tag de CB, mas qualquer recurso mudaria isso para uma de WR). Esse é o argumento de Graham: embora ele seja registrado como TE, ele joga de WR no Saints e por isso a tag deveria mudar. Mais sobre isso daqui a pouco.


Sobre Salary Cap. O que acontece se um time está acima do Cap? No contrato de um jogador, além do salário, o que mais influencia no Cap? E o dead money, o que é isso? Ainda no contrato do jogador, como é definido coisas como Bonus ou Salário Garantido? - Ricardo "Mugen" Venturelli

Todos os times TEM que estar abaixo do cap quando começar oficialmente a free agency. Se não estiver? Reze. Ainda não tivemos um caso concreto para saber com certeza o que aconteceu, mas eu sei que a NFL tem poder de anular alguns contratos de um time caso isso aconteça como "punição". Acredito que além de anular alguns contratos para o time entrar dentro do cap, a NFL iria aplicar algum tipo de punição, como perda de escolhas de draft ou algo semelhante ao que fez com Redskins e Cowboys alguns anos atrás quando tentaram usar um ano que a NFL jogou sem salary cap para "burlar" as regras, e foram punidos com perda de espaço salarial em anos futuros. Melhor jeito de saber é esperar o Cowboys fazer isso daqui a um ou dois anos.

Sobre o contrato e como ele influencia no cap, ele funciona a partir das três fases da sua composição: você tem o salário anual do jogador, você tem o "bônus de assinatura" (o que no futebol chamamos de "luvas") e os demais bônus (que podem vir de diversas formas, desde "500 mil para cada jogo que for relacionado" ou "5M se você for o MVP"). Geralmente, o valor divulgado de um contrato já inclui os salários anuais totais e o bônus de assinatura. O bônus de assinatura (que vou chamar de "bônus" genericamente aqui, quando for um outro mais específico ele será, bem... especificado) você recebe totalmente no momento que assina o contrato, mas ele não conta todo de uma vez no salary cap - na verdade, ele é igualmente dividido entre todos os anos do contrato em termos de salary cap. Além disso, o salário anual - que é dividido quando o contrato é assinado - pode ou não ser garantido, dependendo da negociação. Isso não interfere no cap hit anual, só no dead money (chegaremos lá). Então o cap hit anual de um jogador é o seu salário daquele ano, mais a parte do bônus que foi distribuída pela duração do contrato, mais os eventuais bônus específicos que ele possa receber naquele ano conforme foi especificado em contrato (esses bônus em geral só contam para o cap se a NFL determinar que as condições são "prováveis" de serem cumpridas - se não, elas não contam em um primeiro momento, e passam a contar de forma retroativa caso sejam atendidas ao longo do ano).

Então fazendo um exemplo prático, imagine que eu assinei um contrato de 5 anos e 40M, com 15M de bônus e 25M totais garantidos. Em outras palavras, meu contrato tem 15M de bônus e 25M de salários, sendo que 10M de salários são garantidos. Para facilitar, o salário anual será igualmente distribuído por toda a duração do contrato: 5M em cada um dos cinco anos. Então no momento que assinei meu contrato, eu já ganhei 15M dele, mas o cap hit desse bônus será 3M a cada ano (btw, o salário anual pode ser distribuído ao longo da duração de diversas maneiras, não precisa ser igualmente, mas o bônus é obrigatoriamente igualmente distribuído). Então se o time me mantiver na equipe durante toda a duração do contrato, o meu cap hit será de 8M cada um dos cinco anos. 

No entanto, em algum momento, o time pode decidir me cortar antes do final do meu contrato. Isso vai gerar o famoso "dead money", que nada mais é do que o dinheiro que vai contar no seu salary cap caso um jogador saia do time antes do final do seu contrato (seja por troca, aposentadoria, dispensa ou whatever - vamos focar mais na dispensa porque é o caso mais comum). O dead money de um jogador dispensado é todo o cap hit futuro desse jogador que vem de dinheiro garantido, seja ele da parte do bônus daqueles anos ou salários garantidos, que contabiliza de uma vez só no seu cap.

Então no exemplo anterior, o cap hit anual era de 8M, com 5M vindo de salários e 3M do bônus. Eu disse também que 10M do salários seriam garantidos, então vamos supor que fossem os 10M correspondentes aos dois primeiros anos de salário. Então se o time quiser me cortar ao final do terceiro ano, ao invés do cap hit de 8M que eu teria no ano seguinte caso estivesse no time, eu saio da folha salarial do time (como meu salário daquele ano é não garantido, eles não precisam pagá-lo e ele não conta contra o cap caso eu não esteja mais no time), mas eles terão 6M na sua folha salarial daquele ano em "dead money" pela minha saída, que equivalem aos 3M de bônus que corresponderam aos dois últimos anos do contrato que eu não jogarei. Se o time quiser me dispensar apenas no último ano, dos 8M daquele ano eles só terão 3M contando como dead money. Se o time quiser me dispensar depois do segundo ano, quando meu salário para de ser garantido, eles também podem - mas dai o dead money passaria a ser de 9M (três anos de bônus) ao invés dos 8M caso eu estivesse no time, então é ruim para abrir espaço salarial.

No entanto, suponha que o time concluiu que eu sou um babaca no vestiário que tentou assediar a secretária do chefe, e eles querem se livrar de mim um ano depois de assinar o contrato. Eles podem me dispensar a vontade, mas agora além do dead money equivalente aos quatro anos restantes de contrato (totalizando 12M), o meu salário daquele ano é totalmente garantido. Ou seja, eles precisam me pagar o salário eu estando no time ou não. Então se me dispensarem mesmo assim, agora eu conto como 17M em dead money (12M do bônus mais meu salário garantido de 5M) e eu recebo os 5M em dinheiro pelo salário garantido.

Espero que tenha ficado claro o que o tal do "dead money" é, afinal: são todos os cap hits futuros garantidos (bônus ou salários garantidos) que são contabilizados de uma vez só quando um jogador sai do seu time antes da hora. É possível jogar uma parte do dead money relativo a uma dispensa para o ano seguinte, mas ai é complicação demais para explicar aqui, basta saber que é possível. Espero que tenha ficado claro, é um assunto dificilimo mas interessantíssimo.


TERMINOU!

Espero ter esclarecido as dúvidas sobre salary cap, são bem comuns. Agora antes de passar para a parte do Mailbag que envolvem perguntas sobre times específicos, vamos ver alguns dos outros emails. 



- Para minha supresa descobri que o Julian Edelman era quarterback na Universidade de Kent State, e acabou se transfomando num bom WR na NFL.

Esse tipo de caso é comum? um jogador mudar de posição só depois que chega a NFL? e se você conhece outros jogadores que são relevantes hoje em dia que tenham mudado de posição. - Fabiano Dantas

Não é exatamente comum, mas acontece. Acho que até mais do que jogadores que mudam de posição quando vão para a NFL, uma coisa mais comum é jogador que muda de esporte: Antonio Gates provavelmente é o exemplo mais famoso, um Power Forward no College que, quando viu que não tinha futuro na NBA, arrumou um workout com o Chargers e virou um dos melhores TEs da NFL. Ironicamente, o College onde ele jogava basquete? Kent State! Outros exemplos de jogadores de outros esportes incluem Jimmy Graham, que jogou basquete pela Flórida durante seus quatro anos de College antes de entrar no time de futebol um ano depois quando assistia a um curso complementar, e Wes Welker, que apesar de jogar futebol americano na faculdade também era jogador de futebol e foi não-draftado em parte por causa disso.

Mas só trocando de posição, como eu disse, não é comum mas acontece - as vezes o conjunto de habilidades ou tipo físico do jogador leva algum técnico a mudar um jogador de posição para melhor se adaptar ao jogo da NFL. Randle El é um bom exemplo de um QB que virou WR na NFL e teve muito sucesso. Delaine Walker também lembro que era WR e foi adaptado para TE pelo seu talento como bloqueador.

Mas acho que o mais comum é ou um jogador que mudou de posição ao longo do College, ou que jogava em mais de uma: Vernon Davis chegou a jogar de defensive end, linebacker e safety do lado defensivo, e Tony Gonzalez além de ser All-American jogando basquete foi linebacker durante dois anos na faculdade,  por exemplo. Alguns exemplos de jogadores recentes envolvem Wines Ward (foi RB por dois anos na faculdade antes de virar WR), Joe Thomas  e Jason Peters (eram TEs na faculdade antes de virar LT), Charles Woodson (era RB no colegial e tem até hoje vários recordes), Warren Sapp (era linebacker e PUNTER no colegial e chegou a jogar de MLB na faculdade) e Steve Smith (RB e cornerback no colegial).


Bom, eu tornei-me,recentemente, fã de futebol americano e esta época foi a primeira que acompanhei. Ainda não consegui escolher a minha equipa favorita e por isso a minha pergunta é a seguinte: como escolho a minha equipa de futebol americano? Que critérios devo seguir? E já agora, como você escolheu a sua? -João Almeida

Não existe um critério a ser seguido. Sempre achei que os melhores times são escolhidos naturalmente, e não seguindo algum critério. Algum jogador que você goste muito de acompanhar, uma camisa ou logo que você ache legal, uma torcida que te inspire, um jogo que te marcou... tem diversos motivos que podem levar você a escolher um time. Conheço um torcedor do Broncos que escolheu o time porque adorava acompanhar a história do Tim Tebow, por exemplo, e minha namorada mesmo torce para o Lakers porque quando era criança adorava roxo e, portanto, a camisa roxa do Lakers. Um amigo meu torce para o Pats porque o primeiro jogo que ele sentou para assistir direito foi um Sunday Night entre Patriots e Bills que o Pats perdia por uns 12 pontos faltando 5 minutos e conseguiu a virada, e o co-fundador do Two-Minute Warning Marcelo Ferrantini torce para o Bears porque estava lendo sobre a história da NFL e se apaixonou pelos Monsters of the Midway. Não tem um critério, e se você não tem um time e quer achar um, o melhor que você faz é assistir o máximo de jogos possíveis de times diferentes, e ver se alguma coisa em um deles te atinge de uma forma diferente.

O meu caso é até chato: eu torço para o 49ers porque meu pai torcia desde criança e me criou assim, como se fosse time de futebol - eu tenho um vídeo meu de criança com uns 4 anos no qual eu estou de camisa do Niners, lançando uma bola de futebol de criança e levantando os braços dizendo "Touchdown, Steve Young!". Mas meu pai torce porque quando criança morou nos EUA, se apaixonou pelo esporte e gostou do 49ers porque suas cores lembravam o vermelho-branco-e-preto do São Paulo Futebol Clube, seu time do coração. Então realmente não tem só um caminho para escolher um time, e tenho certeza que alguma hora você vai achar o seu.


Considerando que times como Chiefs, Saints e 49ers devem ser wildcards e são no minimo candidatos a chegar a final da conferência, fiquei com uma curiosidade: Já houve alguma final de conferência, ou até um Superbowl, entre dois times de wildcard? Desculpe se a pergunta for muito irrelevante. - Felipe Amorim

Obviamente a pergunta foi feita antes dos playoffs, mas a pergunta ainda é válida: desde 1970, quando o Wild Card foi criado, 10 times de WC chegaram ao Super Bowl e 6 foram campeões (2010 Packers sendo o mais recente). No entanto, até hoje nunca tivemos um Super Bowl entre dois times de Wild Card, e até onde eu sei nem sequer uma final de conferência entre os dois times WC.


O San Diego Chargers afinal é o melhor time ruim ou o pior time bom da NFL? Por quê tanta oscilação? É razoável acreditar, com a fraca defesa de Denver e os problemas no ataque e contra o jogo terrestre de New England, e ainda os inúmeros problemas tanto ofensivos quanto defensivos do Colts, que o San Diego chegue ao SB? - Danilo Vilas Boas

Obviamente essa também é uma pergunta para um Mailbag pré-Super Bowl que nunca aconteceu e está... hmm... desatualizada. Mas vale a resposta só porque é um ponto que eu sempre gosto de insistir e revisitar: praticamente QUALQUER time que chega nos playoffs pode vencer um Super Bowl. O modelo de jogo único e a natureza altamente volúvel do jogo de futebol americano significam que, na amostra pequena que são os playoffs, qualquer coisa pode acontecer, e normalmente o time que vence os playoffs não é o melhor da temporada regular (2013 obviamente não foi o caso), e sim o time que fica mais inteiro, pega fogo na hora certa e conta com mais golpes de sorte. O melhor exemplo é o Giants de 2011, o único time com Pythagorean Wins negativo que ganhou um Super Bowl, que viu sua linha defensiva explodir (e nunca mais repetir o nível) naquela pós-temporada, recuperou sete fumbles seguidos (!!), contou com um game-winning drop do Tarrell Brown e dois fumbles do retornador adversário na final de conferência para vencer.

Para dar um exemplo prático, eis os rankings finais da temporada regular para o Chargers de 2013 em DVOA: 3rd em ataque (22.5%), 32nd em defesa (17.5% - lembrando que em defesa, o DVOA bom é o negativo) e 12th (5.8%) em eficiência. O Giants de 2007 terminou 18th em ataque (-1.1%), 13th em defesa (-3.8) e 14th em eficiência (1.9%). Então se você chegou nos playoffs, você tem chances de vencer sim, mesmo que sua temporada regular tenha deixado a desejar. Esse mesmo Chargers esteve a uma 3rd and 17 convertida de possivelmente derrubar o Broncos e chegar na final de conferência em 2013. Então sempre tem chance. Sempre.


Para mim um posição muito difícil de ser avaliada no F.A. é a de um receiver,visto que para ter bons números ele depende de certos fatores como um quartback razoável,foco da equipe no jogo aéreo etc..vejamos o caso de Julian Eldemam agora super valorizado após uma temporada recebendo passes do Bradboy, numa equipe sem bons receivers para fazer sombra.Quais os critérios que você utiliza e leva em consideração na hora de avaliar um wide receiver? - Sérgio Estevão Silveira Silva, Pelotas/RS

Essa é a grande questão, na verdade. Da até para extrapolar e perguntar não só sobre WRs, mas como qualquer jogador funciona fora de um esquema tático definido e com companheiros específicos. O melhor exemplo disso é o San Francisco, que desde 2009 tem uma das melhores defesas da NFL. Todo ano, seus jogadores são bastante assediados na free agency e recebem contratos muito caros, na esperança de que mantenham o nível. Mas até agora, todos que saíram falharam em repetir sequer perto do nível mostrado em SF: Dashon Goldson, Isaac Sopoaga, Jean-Ricky François, Takeo Spikes,  Aubrayo Franklin, Parys Harrelson... a lista é considerável. É muito mais fácil para esses jogadores renderem dentro de um bom esquema defensivo e em meio a jogadores excepcionais do que mudando para um esquema novo e não tão completo. 

Isso é especificamente válido, como você pergunta, para WRs. Na verdade, acho que não existe uma posição tão depende de outra como o WR depende do QB para produzir, além dos fatores citados na pergunta. Por isso é tão difícil avaliar WRs, e por isso todo ano aparece alguém recebendo um contrato absurdo na free agency: você fica seduzido pelos números de touchdowns, número de jardas, número de recepções e esquece o contexto nos quais eles aconteceram. As 1300 jardas e 11 TDs de Eric Decker são impressionantes, mas é mais fácil conseguir isso quando você recebe passes de Manning em um dos melhores ataques da história da NBA. Em contraste, 520 jardas e 2 TDs não parecem bons até lembrar que o QB de Michael Floyd esse ano era uma mistura de Kevin Kolb, John Skelton e Ryan Lindley. Então enquanto números são sempre importantes, é bem mais difícil avaliar um WR corretamente só por eles.

O mais importante quando se avalia um WR é saber qual tipo de jogador ele é, e portanto, quais características ele tem que ter. Um alto catch rate (ou seja, % dos passes na sua direção que o WR recebe) é uma ótima estatística, mas ela é menos importante em um burner (jogador de velocidade que recebe aquelas bombas longas, passes de aproveitamento menor) do que em um slot receiver.  Então precisa saber com o que está lidando com o jogador em questão. Em geral, a questão mais importante do WR é como ele consegue criar separação. Nenhum arremesso na NFL vai ser 100% perfeito, assim como uma boa defesa não vai impedir 100% dos passes para um dado jogador. O que a defesa faz é reduzir ao máximo a janela para um passe alcançar seu alvo, e portanto a tarefa do WR é criar a maior janela possível para o QB acertar o passe. Claro, isso é feito de formas distintas: um burner vai precisar ter a velocidade, explosão e aceleração para criar uma vantagem na linha sobre o CB; um cara como Anquan Boldin usa sua força física para criar uma vantagem sobre seus adversários e ganhar lances 50-50; Wes Welker sua sua agilidade no curto espaço para criar essa separação; Megatron ou Demariyus Thomas usam sua habilidade atlética e explosão para ganhar uma vantagem pelo ar; e por ai vai. A questão é que se o jogador é capaz de criar algum tipo de separação, não importa como, ele vai poder render em um ataque. Se ele vai se adaptar ao que você procura no seu ataque é outra questão, mas é a habilidade mais importante.

Em geral, acho que o segredo para WRs não é ignorar as estatísticas, é colocá-las em contexto. Os números de Decker são inflados por jogar com Manning, sem dúvida alguma, mas ele também tem um alto índice de recepções nos passes lançados na sua direção e tem poucos drops, duas habilidades que tem menos a ver com contexto. Além disso, colocar 1300 jardas e 11 TDs com PM não significa que Decker o fará em New York, mas o fato dele ter sido uma arma tão utilizada em um ataque tão bom mostra que ele é um jogador com habilidades confiáveis. Então ainda que tenha muitas coisas importantes para se observar em um WR - como ele ganha bolas disputadas, o quanto ele consegue correr depois da recepção, quebrar tackles e conseguir jardas extras, o quanto ele dropa ou não passes, % de passes na sua direção que viram recepções, eficiência na red zone, etc - o mais importante mesmo é saber colocar em contexto aquilo qiue você está vendo.


Tem uma sequência de perguntas aqui do Sérgio, então vamos dar uma passada por elas em sequência.


 drop-kick do F.A. é igual ao do rugby?Em alguma ocasião está jogada teve um destaque e foi decisiva na NFL?

Semelhante. Qualquer jogador da NFL pode fazer um drop-kick como FG ou extra-point desde que esteja atrás da linha de scrimmage e nenhum passe para a frente tenha sido feito na jogada. Mas como você deve imaginar, não é uma tática nem um pouco eficiente: o chute normal da NFL te oferece muito mais estabilidade e precisão, então não tem motivo para você tentar um durante uma partida já que diminui muito suas chances de converter. Era uma tática mais comum antigamente, quando o futebol americano ainda era muito parecido com o rubgy e a bola mais arredondada, mas caiu totalmente em desuso conforme o futebol americano foi se refinando e a bola ficando mais pontuda. 

Até onde eu sei, a era moderna da NFL só viu um drop kick oficial, quando o Pats mandou seu QB reserva, Doug Flutie, fazer um extra point com um drop-kick. Não alterou em nada o resultado, mas como era o jogo final de Flutie antes de se aposentar, foi uma forma do Pats de fazer uma homenagem ao seu ex-QB sendo o primeiro e único da NFL a executar esse tipo de jogada em tanto tempo. Ele acertou, btw. 


Há uma tendencia de as equipes dispensarem jogadores veteranos e uns nem tão veteranos com 30 anos ou mais. Estes jogadores conseguem se manter pelos resto de suas vidas sem precisar de outro tipo de trabalho ou só as estrelas conseguem isso??Visto que mega-salários só alguns recebem em uma equipe que tem ao todo 53 jogadores.

De acordo com um excelente documentário da 30 for 30 sobre o assunto, cerca de 70% dos jogadores de esportes americanos declaram falência pouco depois de se aposentaram (acho que era até 3 anos depois). Jogar na NFL da bastante dinheiro, mas também tem uma vida útil curta, e nem todos conseguem um emprego como comentarista ou repórter depois de aposentados, então muitos dependem só do que ganham jogando. E como meu professor da faculdade sempre falava, o que importa para o indivíduo não é quanto ele ganha, é quanto ele gasta. Muitos jogadores da NFL vivem um estilo de vida muito luxuoso e com muitos gastos, e quando a renda da profissão acaba eles não tem como se manter e acabam tendo que ir trabalhar com outras coisas para se sustentar. Claro, alguns ganham tanto dinheiro que conseguem se manter por muito mais tempo, outros conseguem continuar no ramo (seja como técnico, coordenador, comentarista, olheiro ou etc), e alguns investem ou poupam inteligentemente seu dinheiro para que dure depois da aposentadoria. Mas a grande parte vai logo a falência quando para de ganhar dinheiro.


Nas análises e previsões entre uma temporada e outra sempre se fala nos grupos de ataque e defesa, mas muitas partidas são definidas pelo time de especialistas..tirando os kickers,punters e retornadores,há um trabalho específico para jogadores que atuam nos Specials Team?  - Sérgio Estevão Silveira Silva, Pelotas/RS

Existe sim, é um trabalho bastante difícil que exige bastante coordenação. Muitos jogadores tem carreiras longas e lucrativas na NFL por serem monstros nos special teams, coordenando as jogadas, fazendo leituras, bloqueando nos lugares certos e achando as falhas para atravessar os bloqueios e fazer tackle, como Kassim Osgood e Blake Costanzo, mesmo que não rendam nas suas posições naturais. Normalmente as pessoas pensam em special teams em termos de kicker, punter e retornador, mas tão importante quanto é ganhar a pequena batalha das posições de campo, evitando que os adversários possam ganhar jardas extras com retornos e ganhando você essas posições. O melhor exemplo que posso te dar é o Chargers: em 2009, eles tiveram um ST sólido e Osgood foi ao Pro Bowl como Special Teamer. Em 2010, dispensaram Osgood, e caíram imediatamente para o pior ST da NFL, tomando uns oito ou nove TDs de retorno aquele ano e perdendo a temporada nisso.

O principal motivo de eu não falar tanto do ST quando faço algum preview de time é porque tem um fator muito aleatório ano a ano nisso. Em geral eu cito mais quando um time teve um espetacular ou horrível que deve normalizar, mas na maioria das vezes é algo muito difícil de prever ou mesmo de entender vendo de fora, e por isso prefiro não tocar no assunto sem ter uma boa base. Mas sim, pode ter certeza que é um fator imenso determinando a temporada de um time, assim como ataque ou defesa - tanto que DVOA, a estatística que sempre uso, vem em ataque, defesa E ST para gerar a eficiência total. Só é muito mais difícil de acompanhar ou de se prever mesmo.


A respeito do Head Coach na NFL, qual o verdadeiro papel do HC? Já que normalmente os times possuem coordenadores ofensivos, defensivos, para os Special Teams além dos mais especificos de linha ofensiva, secundária e etc.
 
Enfim com todo esses tecnicos exercendo suas funções o que sobra para o HC? - Fabiano Dantas

Isso depende e varia MUITO, de acordo com o técnico em questão, a organização, seus assistentes e tudo mais. Alguns diriam que o HC é basicamente o cara que coordena tudo isso, ele controla quem está fazendo o que e é o centro disso tudo. Mas a verdade é que depende demais de quem é. Um técnico como Lovie Smith, por exemplo, que é um mestre defensivo e que não entende o que é um passe, vai delegar a maior parte do seu plano de jogo ofensivo para seu coordenador ofensivo, mas vai estar profundamente envolvido com a parte defensiva, muitas vezes montando ele mesmo o plano defensivo e só contando com auxílio do coordenador defensivo. Um técnico mais ofensivo como Chip Kelly seria o contrário, por exemplo. Outros, como Bill Belichick, que são ótimos estrategistas dos dois lados da bola, estarão profundamente envolvidos com todas as áreas do jogo, enquanto técnicos menos especializados podem delegar a maior parte das tarefas e só servir para centralizar tudo isso.

Em geral, no entanto, o HC é o cara que toma as decisões. Ele que sabe qual coordenador vai ser, e qual a direção do plano de jogo que ele vai montar. É ele quem toma as decisões no elenco, como qual QB vai jogar,  e como vão se preparar para enfrentar os adversários. Eles centralizam essa tomada de decisão, e embora futebol americano seja um esporte complexo demais para um cara só deter todo o conhecimento do que está acontecendo, é ele quem da as direções e depois da a palavra final. Mas naturalmente, como eu disse, o nível de envolvimento e a extensão completa das funções varia muito dependendo do cara e da organização em questão. 


Li algumas notícias de que o Raiders teria interesse em contratar o Matt Schaub, com isso fiquei pensando times necessitam de qb's pra essa temporada de 2014 e poderiam ser bons para o Schaub. De imediato o Vikings me veio a cabeça, será que não daria certo a dupla Schaub + AP? O que acha? - Thiago Berti

Essa pergunta foi editada (ficou só a pergunta mesmo por questões de espaço), mas o Thiago também entra no mérito do Vikings, perguntando sobre a questão de QB, o que deveriam fazer e tudo mais. Então vamos responder em duas partes.

Sobre os times que poderiam ser um fit para o Schaub, isso depende se você acha que ele ainda tem lenha para queimar, e se ele vai mesmo ser dispensado. Se sim, então o fit ideal seria um time mais ou menos estabelecido em outras áreas, pronto para competir, mas cujo time teria mais dificuldade pegando um QB no draft por algum motivo. Então um time como Bucs (que foi atrás de outro veterano, Josh McCown), Arizona (seria o fit perfeito se não tivessem já o Carson Palmer por lá), Bills (se não estiverem tão confiantes no EJ Manuel no curto prazo), ou mesmo Jets ou, ironicamente, o próprio Texans. A outra solução para ir atrás do Schaub seria um time com um QB jovem (que já está no elenco ou que ainda viria pelo draft) e que precisasse de um veterano para dar estabilidade enquanto o jovem treina e se refina, para fazer essa transição. Isso poderia funcionar para diversos times como Bills, Bucs ou mesmo times como Jaguars, Cleveland ou Oakland, dependendo do que pretendem fazer essa offseason. Se você for pegar um cara pro-ready como Ted Bridgewater, não tem porque, mas se a idéia for pegar um QB mais cru como Blake Bortles ou mesmo um no final da primeira rodada (ou segunda e terceira), Schaub parece uma ótima opção para fazer a transição. Minha aposta é que o Raiders não vai pegar um QB na primeira rodada e sim na segunda ou terceira, dai pegar o Schaub para ser o "mentor".

Sobre o Vikings, eu entrei no mérito do vencer agora vs apostar no futuro em uma coluna recente. A verdade é que o ataque é bastante jovem ainda, tirando AP, e que com um s´ølido QB essa unidade está pronta para deslanchar, mas a defesa - que também se livrou de seus jogadores mais velhos e está se reconstruindo em torno de caras mais novos - ainda está longe de ser a de um contender, então considerando que o elenco é jovem e ainda não está pronto para ir aos playoffs em uma NFC North fortíssima, faria sentido ir com calma. Para mim o ideal é pegar um cara no draft sem pressa, deixar um ano ou dois desenvolvendo a la Colin Kaepernick. A questão é que, tendo renovado com Matt Cassell por 5M ao ano, se for esse o plano então Cassell será o titular, não faria sentido trazer mais um veterano. Pode ser também que eles nunca tenham pensado em trazer um garoto e queiram vencer logo de cara, mas também não me parece que Schaub seria o ideal nesse cenário já tendo Cassell, com Vick sendo uma alternativa de maior potencial.


Ok, vamos passar a uma série mais rápida sobre times específicos.


O ataque do Vikings, até a 15ª rodada, é o 2° em jardas conquistadas e 9° em pontos da NFL, e esses números poderiam ser ainda melhores se não houvesse essa indefinição quanto ao QB titular. Enquanto isso, a defesa caminha para ser uma das piores da história do time, com problemas na secundária e no corpo de linebackers, além de não conseguir parar ataques nos momentos decisivos do jogo em vários casos. Sendo assim, qual você acha que deve ser a prioridade do time para o próximo draft? - Matheus Milanez

Bom, ainda acho que um QB é essencial. O que não significa que o Vikings deve ficar totalmente focado nisso, claro: ainda acho que um QB do trio principal do draft cai para o Viks no número 8 (provavelmente Bortles), mas se não cair, a pior coisa que podem fazer é se desesperar e pegar o próximo QB disponível. Esse draft tem boa profundidade, e se Bortles, Manziel ou Bridgewater não sobrarem na 8th pick, eles podem pegar na segunda rodada (ou mesmo trocar para entrar no final da primeira) e pegar Derek Carr, Jimmy Garopollo ou meu favorito, Zach Mettenberger. Mas acho que não deveriam sair desse draft sem pelo menos um projeto de segunda ou terceira rodada para treinar um ano atrás de Matt Cassell.

Além disso, acho que o ataque está bem encaminhado, então a defesa tem que ser o foco. Um LB cairia muito bem no time para liberar Chad Greenway, e embora um DE para substituir Jared Allen fizesse bastante sentido, o time pagou demais para Everson Griffen ser apenas um jogador situacional, então acho que cai na lista de prioridades. Um segundo safety também faria muito sentido por lá. Mas a necessidade de playmakers passa por todas as posições na defesa, praticamente, então acho que o Viks deve focar desse lado da quadra pegando o melhor jogador disponível.


De acordo com os jogos finais de divisão percebeu-se que o time do NEW ENGLAND PATRIOTS estava um passo atrás dos outros concorrentes, BRONCOS, 49ers, SEAHAWKS, e até de alguns outros times que ficaram pelo caminho na corrida dos playoffs. Gostaria que você comentasse sobre o que o time de NEW ENGLAND precisa para estar no nível desse times na próxima temporada. As posições mais carentes, as manobras que o time deve fazer usando a free agency o draft e possíveis trades. - Geraldo Neto, Uberlândia, MG

E estava um passo atrás mesmo, e embora eu ache que não era tanto quanto pareceu na Final de Conferência, o fato é que jogar na fraca AFC fez o time parecer melhor do que era de verdade. Ainda assim, é difícil culpar DEMAIS o Patriots depois de tudo que deu errado na temporada: Danny Amendola quase não ficou saudável (e quando ficou não foi bem), Rob Gronkowski e Sebastian Vollmer se machucaram e perderam a segunda metade da temporada, e a defesa parecia contagem de corpos de filme de terror (Jerod Mayo, Vince Wilfork, Brandon Spikes, Tommy Kelly... até Aqib Talib). Então a história talvez fosse diferente com um time saudável.

Para 2013, eu falei um pouco sobre o que eu teria feito, liberando cap space e indo atrás de, principalmente, um pass rush e ajuda para a secundária. O Patriots fez o segundo muito bem, indo atrás do Darrelle Revis para substituir Talib e parece estar perto de Brandon Browner (os dois encaixam muito bem, btw) - então eles foram ativamente atrás de resolver um problema. Mas me preocupa a falta de soluções para as demais áreas: o ataque terrestre perdeu seu melhor LB em Spikes e deve perder seu melhor DT em Wilfork, e ainda não achou nenhuma solução para seu complicado jogo aéreo - sim, enquanto tiver Tom Brady o time vai funcionar, mas a falta de alvos além de Julian Edelman foi um problema em 2013 quando Gronk esteve fora, e não só Edelman saiu como o time ainda não trouxe nenhuma alternativa para o jogo aéreo, seja WR ou TE. Então eu acho que esses seriam os três focos do time para o resto da offseason: precisa trazer alvos para o jogo aéreo (um TE reserva seria legal, dado que Gronk não fica saudável), precisa de mais um pass rusher, e precisa de alguém para ancorar essa defesa terrestre. O problema é só ter 10M de cap space, mas o Pats tem um longo histórico de achar contribuintes baratos. 


O que o Green Bay Packers precisava fazer para ser forte candidato ao título do Super Bowl? - Eliel Santos

Precisa reorganizar basicamente o time inteiro. Não que o time tenha problemas do começo ao fim do elenco, mas tem buracos que atrapalham todo o funcionamento: a linha ofensiva é bem fraca, e a defesa é uma zona do começo ao fim. Não que não tenha bons jogadores, mas não é suficiente para fazer funcionar o elenco. O time continua ganhando porque Aaron Rodgers é um dos melhores jogadores do mundo, e em 2013, o time achou um RB que conseguiu levar o time nas costas. Mas precisa continuar construindo o time até o fim do elenco, e o time tem sido muito ruim nisso nos últimos dois anos. A defesa tem bons jogadores, especialmente na secundária, mas a unidade não funciona porque todo mundo tem que desdobrar para cobrir múltiplas funções. Não tem aquela dupla que vá ancorar o jogo terrestre, nem alguém para acompanhar o Clay Matthews no jogo terrestre, o time é muito vulnerável pelos lados... ou seja, todas as área defensivamente tem alguma falha, e então você precisa que os bons jogadores de lá saiam do que fazem de melhor para tentar cobrir o resto. O resultado é uma bagunça.

O Packers vai ser um candidato ao Super Bowl enquanto tiver Aaron Rodgers, mas tem esbarrado na falta do resto do time. Melhorar a linha ofensiva é uma preocupação antiga do time, mas nada do que tem feito parece resolver a questão, então ir atrás de ajuda para a defesa era o ideal. Um MLB capaz de cobrir o meio do campo e um pass rusher parecem ser as prioridades, e um safety também era bom. Todo mundo comenta de Rodgers e do bom ataque do Packers, mas o time campeão de 2010 era impulsionado também pela segunda melhor defesa da NFL. Só com o ataque vai ficar difícil voltar ao Super Bowl.


Eu li em outro site que o Draft, da temporada passada, foi um dos melhores na posição de offensive linemen. Se isso for verdade porque o Pittsburgh Steelers não escolheu nenhum jogador para essa posição, já que essa é a principal necessidade do time? E no Draft desse ano, quantos jogadores você acha que os Steelers deveriam escolher nessa posição e em quais rodadas? - Antonio Carlos Moraes

Ela era considerada profunda em OL sim, mas nenhum dos três primeiros OLs do draft (1st, 2nd e 4th picks) jogaram bem, então menos mal.

Eu acho que não escolheram porque a necessidade não era tão grande assim como você diz. Eles terminaram 15th em proteção em 2012 (e 2013), e investiram várias 1st round picks em OLs que simplesmente machucaram, como Maurkice Pouncey e David DeCastro. Eles não vão machucar sempre, e acho que com um bom tackle (esse draft é profundo) a linha ofensiva fica boa, ou pelo menos acima da média. Em 2013, o time terminou 12th ofensivamente e 20th defensivamente, então acho que a defesa é ainda mais complicada hoje que o ataque, especialmente tendo em vista as dispensas recentes.

Sobre o draft, como eu disse um tackle cairia bem, mas acho que não é a maior urgência. Acho que eles precisam mesmo é de um novo pass rusher depois da dispensa de LaMarr Woodley, e ajuda para a secundária que perdeu bons jogadores (e não perdeu Ike Taylor). Acho que a pressão pode vir de ajuda interna com Jarvis Jones evoluindo, mas ainda é pouco. Um MLB para solidificar o miolo não era mau também. Eu acho que um tackle ou um CB na primeira rodada, depois um OLB ou DE (e um tackle mais para o final) era o ideal, especialmente em um draft profundo ofensivamente.


Por fim, uma pergunta mais pessoal. Sabemos que na última década na NFL ficou "mais fácil passar a bola". Então o recorde do Marino de jardas passadas ou o recorde do Jerry Rice em jardas recebidas foi quebrado (do Marino várias vezes), mas ainda sim, tem gente que considera a temporada do Marino como melhor temporada para um QB e a temporada do Rice como melhor temporada para um WR (o que eu concordo) pois hoje em dia é "mais fácil passar a bola". Mas isso não pode acabar desmerecendo os QBs e WRs de hoje em dia? Digo isso pois, por exemplo, se um QB lançar 6000+ jardas ou um WR receber 2000+ jardas ainda vão ficar falando que Marino e Rice tiveram uma temporada melhor. Ou melhor ainda, o que um QB ou um WR devem fazer, hoje em dia, para que suas temporadas sejam consideras por todos (ou quase todos) como a melhor temporada para um QB e um WR?
P.S: Note que o cara ter uma temporada melhor que a do Marino ou do Rice não significa, necessariamente, que ele é melhor que o Marino ou Rice (só pra ficar claro). - Ricardo "Mugen" Venturelli

Resposta curta... SIM!!! É inegável que o jogo mudou muito e que existe uma grande diferença entre o que acontecia em 1988 e o que acontece em 2013.  O problema é que as pessoas são 8 ou 80 em relação a isso e aos números: ou elas ignoram totalmente as mudanças e os diferentes contextos, só olhando para os números frios e tirando a conclusão de que a > b porque o número de a é maior que o número de b; ou então elas criam uma barreira entre as duas eras, concluindo que só porque hoje é mais fácil então é impossível ser melhor hoje e isolam as duas coisas. O problema é que existe DE FATO uma enorme mudança entre as eras, que se refletiu tanto nas estatísticas como no estilo de jogo (um segundo viés menos citado, mas os QBs passam hoje muito mais do que em 1986, por exemplo, o que contribui para inflar estatísticas), e é muito difícil colocar isso no contexto apropriado. Por isso as pessoas recorrem a essas medidas extremas. Eu particularmente prefiro criar a barreira entre as duas e tratar as duas coisas separadamente (mais ou menos como tratamos pré-merger e post-merger separadamente) a achar que são iguais, mas o ideal mesmo é achar aquele meio termo.

Sobre o que teria que fazer para ser considerada a melhor temporada de todos os tempos, eu acho que você precisaria passar de alguma marca redonda. Ou seja, o WR teria que passar das 2000 jardas com alguma folga, e o QB teria que chegar nas 6000 passando de 50 TDs. Sim, é arbitrário e estúpido, mas 90% das discussões do tipo também são. Durante muito tempo, a marca de 5000 jardas foi um taboo para os QBs da NFL, como a marca a ser alcançada... dai 10 QBs fizeram isso, incluindo Matt Stafford, e ela perdeu o significado. 5000 virou o novo 4000. Então acho que 5500 ou 6000, possivelmente 6000, seria o patamar que todo mundo subsconscientemente iria colocar como aquele a ser alcançado. Para o WR, o jogo é TÃO mais fácil (sim, mais que para QBs) que talvez nem 2000 jardas fizesse o serviço. Acho que para Megatron ter a melhor temporada, ele precisa ser o MVP da NFL, e ele não vai conseguir isso com menos de 2000 jardas e 12 TDs. É arbitrário e talvez até injusto, mas é assim que funcionaria, acho. Acho que na média, a mentalidade "glorificar demais o passado por conta das mudanças" ainda é mais forte. 

(For the record, eu ainda acho que 1984 foi a melhor temporada regular de um QB de todos os tempos, e 1989 Montana foi a melhor começo-ao-fim. Eu só acho que elas não são impossíveis de serem alcançadas)


O assunto é basicamente sobre a era Brady/Manning.Não é uma comparação entre eles- até porque odeio esse tipo de comparação,de que é melhor e não acompanhava NFL de perto quando o Peyton jogava em Indianapolis.Na verdade é sobre as gestões do Colts e do Patriots nesse período.

Poxa,ambas as equipes tiveram/tem mais de uma década de dois dos maiores QB que passaram pela liga,jogando no mais alto nível.Mas não dá pra deixar de notar que o Patriots fez 6 finais de conferência com 5 títulos da AFC e 3 de SB enquanto o Colts teve 2 finais AFC e 1 SB.Não é nada mal conseguir um título de SB(ao contrário) mas não fica aquela sensação de que poderiam ter conseguido mais?O que faltou pro COLTS,quais foram seus erros e principalmente,olhando pra era Manning e já projetando uma Era Andrew Luck o que eles podem tirar de lição pros próximos anos com o garoto,isto é,como aproveitar ao máximo o talento dele e traduzir isso em títulos. - Sebastião Neto

É um assunto bem delicado que provavelmente merece um post inteiro, então vou ser o mais direto possível porque o mailbag já está longo o suficiente: eu acho que a grande diferença entre as carreiras de Brady no Pats e Manning no Colts é a mesma lição que eu acho que Indy tem que aprender para Andrew Luck - não se acomodar com o que está bom. Brady sempre teve uma das diretorias e um dos técnicos mais inteligentes da NFL dando apoio, sempre mantendo o cap sob controle, sempre achando valor onde deveria, sempre fazendo trocas e contratações inteligentes para sempre melhorar marginalmente o elenco aonde poderia. Manning não pode dizer o mesmo Colts - certamente o Colts tinha um grande time ao longo da década, mas nunca teve a capacidade do Patriots de desenvolver talentos, fazer trocas inteligentes e sempre continuar evoluindo dentro e fora de campo. As vezes parecia que Indianapolis se acomodava com seu sucesso e só tentava dar grandes passos decisivos para o título, enquanto o Patriots continuava dando os pequenos passos que aumentam o valor de cada escolha e cada contrato, e se você acha que isso não faz diferença ao longo de 10 anos, você precisa repensar a NFL. 

Isso ficou particularmente evidente na segunda metade da década, quando o Patriots continuava renovando sua equipe, achando talentos no draft e se mantendo como um dos times mais completos da NFL, enquanto que o Colts perdia cada vez mais peças importantes sem conseguir uma reposição, se mantendo forte só com o que restava do seu antigo núcleo e seu QB Hall of Famer. Se o Colts tivesse conseguido manter o cap sob controle e desenvolver melhor seus jovens jogadores, como fez o Pats mais para o final da década, aqueles times de Manning entre 2008 e 2010 teriam chegado sido muito mais fortes. Então se em termos de carreiras e conquistas você quer achar uma diferença definitiva entre Manning e Brady, não olhe para números de vitórias em playoffs e sim para as diretorias. Indy tinha um fantástico núcleo (que foi um pouco underachiever, verdade) que eles tiraram tudo que podiam, enquanto que Patriots não só teve ótimos núcleos como eles estavam consistentemente se renovando e adicionando novas peças. É verdade. 

Para a era Luck, é importante saber disso. O Colts hoje vai vencer jogos porque tem um fantástico QB, mas o resto do time é muito fraco -  a linha ofensiva ainda é fraca, tirando Reggie Wayne e TY Hilton não sobra nenhum bom recebedor, e a defesa como um todo é abaixo da média (especialmente se Robert Mathis não conseguir repetir seu espetacular 2013). Só porque você está vencendo não quer dizer que você é bom, e definitivamente não quer dizer que você é tão bom quanto pode ser. Sucesso na NFL é muito passageiro, e se você quer torná-lo duradouro, vai precisar mais do que só contar com um QB fora de série a cada 13 anos.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - AFC (parte I)


"A gente que fez toda essa bagunça no Dolphins, Richie?"
"Não sei você mas eu não paguei 34M pro Ellerbe nem 60M pro Wallace"



AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

-------------------------------------------------------------------------

Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Agora, é hora de falar dos times da AFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Por conta de problemas com o blogger, esse post foi dividido em duas partes. Parte II, espero, sai sexta ou sábado.


Times da AFC fora dos playoffs (Parte I)


Miami Dolphins

Yeah… Sobre o Dolphins… Bom, pelo menos ninguém pode negar que eles tiveram um 2013 interessante. Ainda que dificilmente divertido: o escândalo Martin-Incognito, duas derrotas seguidas para Bills e Jets quando uma vitória simples os colocava nos playoffs, e tudo de complicado e bagunçado que aconteceu entre a diretoria e o técnico nesses meses dão um tom melancólico para a temporada 2013 de Miami. 

A sorte do Dolphins é que eles jogam na fraquíssima AFC, então os playoffs ficam muito mais próximos do que estariam normalmente para um time como o Dolphins. Então considerando que a diretoria está focada em chegar na pós-temporada o quanto antes, e que tanto a diretoria como o técnico estão urgentemente precisando de algum sucesso para compensar todos os problemas e calar as críticas (bem como se manter no emprego), é razoável imaginar que o objetivo do time é dar o próximo passo rumo a pós temporada.

O problema com esse plano é que o Dolphins… não é um time bom. Eles não são horríveis, mas são fracos: terminaram o ano 23th em DVOA, 18th em ataque e 17th em defesa. O time apresenta enormes buracos, também, dos dois lados da bola: a linha ofensiva é uma desgraça, os recebedores não foram produtivos mesmo com o milionário Mike Wallace, e a defesa terrestre foi a quarta pior da NFL, basicamente. Então o time tem muito a reforçar, e muito chão antes de se tornar um bom time.

A vantagem é que o Dolphins tem bastante espaço salarial vago para ir atrás de free agents, quase 40M no momento, mas esse valor ainda depende de algumas decisões. Os DTs Randy Starts e Paul Solari são free agents, assim como o CB Brent Grimes e outros jogadores menores (Chris Clemons e Nolan Carroll, para citar dois), então se o time optar por manter pelo menos alguns desses jogadores (Starks e Grimes, em particular, foram dois dos melhores defensores da equipe em 2014 e não deveriam sair do time). Então com alguns desses jogadores possivelmente renovando ou recebendo a Franchise Tag, o cap disponível para trazer reforços cai bastante.

Com o que sobrar, espero que a prioridade da equipe seja reforçar a linha ofensiva. Brandon Albert está no mercado, e já expressou interesse anteriormente na equipe. Uma linha ofensiva competente também é crucial para aumentar as chances de Ryan Tanehill continuar se desenvolvendo bem, e o desenvolvimento de Tanehill é um dos principais pontos para tornar o Dolphins um bom time. O time já perdeu profundidade no último draft com a burrice de subir para pegar Dion Jordan (apagado na sua temporada de calouro), então a margem de erro está menor agora, e não vai ser possível reforçar todas as áreas da equipe de uma vez. Mas considerando que na AFC o Dolphins não está tão longe dos playoffs, esperem que o time invista pesado em dois linemen ofensivos e um pouco mais de bife na defesa para pelo menos tapar os buracos mais urgentes e tentar trazer estabilidade para o time.


New York Jets

Eis o que eu escrevi sobre o Jets em Agosto:

"O Jets é um time melhor do que muita gente da valor, tem uma defesa que deve ser muito boa e com muitos jovens talentos e seu ataque terrestre deve melhorar consideravelmente, mas para ir a algum lugar vai depender muito de como seu QB (seja ele quem for) vai ser comportar ao longo da temporada e isso é uma grande incógnita. (...) Eu acho que o Jets deve terminar algo com 7-9 ou mesmo 8-8 se conseguir uma contribuição mediana de seu QB titular"

Bom, o resultado foi exatamente o que eu previa, mas não o processo. A defesa realmente se manteve muito forte, terminando como a 11th melhor da temporada e a melhor defesa terrestre do ano, mesmo com sua secundária tendo muitos problemas. Mas o ataque... esse nada deu certo. O ataque terrestre melhorou um pouco mas continuou fraco, e o ataque aéreo do time foi uma desgraça sem tamanho, com Geno Smith chegando a ir para o banco em favor de Matt Simms e ser comparado a Mark Sanchez. Mesmo com uma melhora nos últimos três jogos que salvou Geno Smith desse patamar horrível, a temporada do calouro (e dos QBs do time) em geral foi muito abaixo dessa "contribuição mediana de QB" que eu supunha, e a verdade é que o record final de 8-8 do time esconde um Pythagorean Wins de 5.5 vitórias, impulsionado por um record de 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola. Então o Jets não está tão perto dos playoffs como parece.

O principal e maior problema é simples: na NFL atual, é possível vencer jogos com um QB mediano se o resto do seu time colaborar (Andy Dalton, Joe Flacco, Alex Smith em 2011, etc), mas é muito difícil vencer se seu QB é ruim, e é nesse patamar que o Jets se encontra atualmente. A equipe foi a duas finais de conferências seguidas porque tinham uma defesa espetacular, um forte jogo terrestre e seu QB conseguiu ficar longe de erros e produzir nas horas pontuais, mas já faz três anos que a descrição do quarterback da equipe não inclui nenhuma dessas coisas. Mark Sanchez foi horrível nos seus dois últimos anos como titular, e apesar de alguns flashes, Geno Smith também teve uma temporada de calouro muito ruim (12 TDs, 21 interceptações, 8 fumbles, 35 QBR). É difícil imaginar o Jets dando a volta por cima sem resolver essa situação de QB e achar pelo menos um profissional competente para conduzir a equipe. Mark Sanchez DEFINITIVAMENTE não é esse cara, e a questão é se Geno Smith pode se desenvolver até esse ponto. Se não, o melhor jeito é se livrar de Sanchez (mais disso em um segundo) e achar outro QB - talvez nessa ótima safra dos próximos dois drafts - para desenvolver.

A boa notícia para o Jets é que eles possuem uma excelente base na defesa e uma boa quantidade de espaço salarial. A linha defesiva do Jets com Muhamad Wilkinson, Damon Harrison e o DROY Sheldon Richardson é possivelmente a melhor da NFL, e é mais fácil montar uma defesa quando sua base é tão dominante. A secundária foi um fracasso em 2013 e o time sentiu falta de pass rush, os dois problemas que o time precisa adereçar nessa offseason, mas a equipe possui os meios para isso. O cap space do time roda em torno de 25M sem nenhum free agent importante para retornar, mas a verdade é que o time pode mais do que dobrar esse espaço se dispensar seus jogadores mais caros. Mark Sanchez, Santonio Holmes e Antonio Cromartie, se dispensados, economizariam 28M na folha salarial da equipe, e com um espaço de mais de 50M livres. Holmes é quase uma certeza que vai ser dispensado; Sanchez só não será se a equipe ainda achar que ele pode integrar um time vencedor, e se acham, estão loucos; e Cromartie é mais difícil porque tem um histórico bom como CB mesmo depois de um 2013 atroz.

Mas mesmo que apenas Sanchez e Holmes sejam dispensados, é a deixa que o time precisa para se reforçar na free agent com jogadores jovens em contratos focados no primeiro ano, de forma a não atulhar a folha para as próximas temporadas. Um contrato longo para um jogador com Alterraun Verner me parece o ideal para a equipe enquanto espera Dee Miliner se recuperar do decepcionante 2013, e essa dupla pode ser dominante por muitos anos. Um pass rusher como Michael Bennett também se encaixaria bem na equipe, embora um linebacker me pareça mais adequado. O time também tem alguns buracos na linha ofensiva, mas é um draft extremamente profundo em OLs e esse problema pode ser resolvido na segunda ou terceira rodada enquanto um pass rusher como Khalil Mack seria o ideal na primeira rodada. O Jets ainda está um pouco longe dos playoffs e precisa resolver seu problema de QB se quiser sonhar com sucesso, mas com uma boa base, bom número de escolhas em um draft profundo nas suas maiores necessidades, e toneladas de espaço salarial, pelo menos a equipe se encontra em boa posição para remontar sua base para os próximos anos.


Buffalo Bills

O Bills é um time interessante que muito pouca gente da atenção. Eles terminaram 6-10 ano passado com uma Pythagorean Expectation de 7-9 mesmo recebendo produção muito ruim de seus QBs e com seu "QB do futuro" perdendo sete jogos por lesão. Eles fizeram isso porque sua defesa, que ninguém deu muita atenção, terminou o ano como a quarta melhor da NFL em DVOA e contou com um grupo extremamente variado e dominante para tal: Marcell Dareus e Kyle Williams foram uma das duplas de linha defensiva mais destrutivas da liga, Mario Williams enfim proveu o pass rush que o time precisava com ajuda do surpreendente Jerry Hughes, Kiko Alonso solidificou muito bem o meio da defesa, e Jairus Byrd é um dos melhores safeties da NFL quando saudável... e isso antes de lembrar o quanto lesões afetaram a secundária desse time, tirando jogadores como Byrd e Stephen Gilmore do time por bastante tempo. Byrd é um free agent que pode voltar ao time, e se for o caso, a base desse time está pronta para 2014 e isso sem contar mais saúde para Gilmore e a evolução de seus jovens talentos. Mesmo com alguma regressão natural esperada para 2014, não temos motivos para acreditar que a defesa vá parar de ser uma potência.

O problema é que onde a defesa solidifica a equipe, o ataque age na direção contrária. Buffalo teve o oitavo pior ataque da NFL, uma decepção para um time que usou uma escolha de primeira rodada em um QB e contava com a dupla Fred Jackson e CJ Spiller. Mesmo com o segundo anista Cordy Glenn emergindo como um LT de elite, a falta de talento ficou clara nesse ataque: apenas Steve Johnson e Jackson tiveram temporadas acima da média, e muitos jogadores bem cotados como CJ Spillman, Robert Woods e Scott Chandler foram grandes decepções, e o time sentiu muito a perda de Andy Levitte. E claro, existe o problema do QB: o Bills, estupidamente, usou uma escolha de primeira rodada em EJ Manuel no último draft com a esperança que Manuel fosse o quarterback do futuro do time, só para Manuel ter uma temporada decepcionante marcada por lesões e incompetência (59% nos passes, 6.4 Y/A, 11 TDs contra 9 INTs e 6 fumbles). QBR da a Manuel um rating de 42, um número bem fraco, enquanto ProFootball Focus o coloca como o terceiro pior QB qualificado de 2013 (na frente de Geno Smith e Chad Henne). E embora seja possível argumentar que uma temporada marcada por lesões tenha atrapalhado tanto seu rendimento como adaptação a NFL, o fato é que as questões irão continuar em torno de Manuel,  e é em torno dele que o sucesso da equipe irá rodar.

Então o caminho do Bills parece bem claro: tendo investido uma 1st round pick e seu futuro em Manuel, eles tem que fazer de tudo para cercá-lo com as melhores condições possíveis para seu desenvolvimento e seu sucesso. O time tem escolhas altas e se (quando?) Kevin Kolb for dispensado o espaço salarial da equipe pode chegar a quase 30M. Embora uma boa parte desses 30M iriam para um possível novo contrato com Jairus Byrd, o time precisa usar o resto para dar a Manuel melhores armas. JAckson e Spiller não vão a lugar nenhum, mas a linha ofensiva precisa de reforços além de Glenn, especialmente no meio se quiserem dar nova vida a esse ataque terrestre. O time também tem investido recentemente em WRs - além do veterano Johnson, Woods e Marquise Goodwin são jogadores jovens que o time vê com bons olhos - mas um alvo como Sammy Watkins ou Mike Evans poderia ser extremamente valioso no desenvolvimento do seu QB (Watkins é o melhor dos dois e encaixa melhor na equipe, mas não deve sobrar na primeira rodada). Em resumo, o ataque sofre com talento além de seus RBs e Glenn, e é isso que o time precisa focar com seu espaço salarial e altas escolhas de draft. Por sorte o time tem uma defesa que não exige tanta atenção (talvez um CB veterano como Dunta Robinson), então as energias podem se voltar para o desenvolvimento do seu franchise QB. Se o ataque terrestre engrenar e Manuel conseguir ser competente, é um time que pode dar muito trabalho com essa defesa em alguns anos.


Baltimore Ravens

Quando eu fiz o preview do Ravens, eu passei 80% do tempo elogiando Ozzie "awesome" Newsome e falando sobre como ele tinha sido inteligente nessa offseason ao não se precipitar em manter seus jogadores a preços absurdos (Paul Kruger foi sólido mas não espetacular em Cleveland, e Dannell Ellerbe foi um dos maiores fracassos dessa última offseason em Miami), ter paciência, e remontar sua equipe com jogadores a salários muito mais razoáveis e desinflacionados, com um grupo defensivo que acabou sendo ainda melhor que o de 2012. Mas eu também destaquei que os recursos de Newsome estavam limitados pelo novo salário de Joe Flacco, e que isso diminuia em muito a sua margem de manobra e acabou custando ao time alguns jogadores importantes, especialmente Anquan Boldin (btw, obrigado por isso, Newsome!). 

Esse novamente vai ser o tema dessa offseason para o Baltimore Ravens: espaço salarial. Reassinando e reestruturando o contrato de Terrell Suggs, o time conseguiu abrir 24M em espaço salarial no momento, um montante que seria bom se não fosse pelo fato de que o time tem um número imenso de free agents importantes prontos para deixar a equipe e que, se o time quisesse manter, teria que dispensar bastante dinheiro para isso e 24M não seria suficiente. A defesa foi muito sólida em 2013, mas em parte pelas excelentes contribuições de James Ihedigbo, Corey Graham e Daryl Smith, e os três estão no mercado buscando um enorme contrato. Ofensivamente, de longe o melhor jogador da equipe foi Eugene Monroe... que também é FA, e o LT com certeza vai exigir um contrato enorme nessa offseason. Dennis Pitta (fez imensa falta em 2013), Michael Oher (fraco em 2013, mas um bom jogador) e Jacoby Jones também podem deixar a equipe. Então 24M vai ser muito pouco para renovar com esses jogadores, achar novos talentos E assinar com suas escolhas de draft. Boa sorte, Ozzie.

Newsome é um dos melhores GMs da NFL avaliando talentos e sabendo exatamente o valor de cada jogador e cada contrato, então não esperem que ele saia renovando com todo mundo de cara. Ele gostaria de manter alguns desses jogadores (imagino que Graham e Monroe sejam as prioridades), sem dúvida, mas não vai morder a isca se algum time desesperado oferecer um valor muito exagerado, como aconteceu com Kruger e Ellerbe ano passado. Se for o caso, Newsome provavelmente deixa sair e vai tentar manipular o mercado como de costume para tentar achar uma barganha de fim de feira. Com o cap tão atulhado, é a alternativa que sobra ao time, e vai ser assim até o final do contrato de Joe Flacco (ou pelo menos uma reestruturação). 

Tirando a parte salarial, o foco do Ravens deve ser reforçar seu ataque para voltar aos playoffs - eles não atulharam a folha salarial e pagaram 120M para um QB MVP do Super Bowl para entrar em reconstrução. Para isso, eles precisam urgentemente reforçar o ataque: a saída de Boldin e a lesão de Pitta expuseram a falta de um bom grupo de WRs (em particular, a falta de um possession WR capaz de conversões curtas no meio da galera, a especialidade de Boldin), a linha ofensiva regrediu ferozmente e foi possivelmente o pior grupo de toda a liga, o ataque terrestre FOI o pior da liga e basicamente uma piada, e Joe Flacco teve sua pior temporada como profissional. Então é, foi um ano horrível para esse ataque. O problema mesmo é que são problemas e buracos demais, e não existe uma solução simples para um time com tão pouca flexibilidade salarial. Os problemas na offseason de RAy Rice podem deixar o time sem RB, mesmo que Monroe renove ainda faltam outros três lugares na linha ofensiva (MArshall Yanda é o outro lugar garantido), e o time precisa urgente de tight ends E WRs para reforçar esse grupo. A equipe não vai conseguir adereçar tudo isso pelo draft (ainda que a linha ofensiva deva ser a grande prioridade em um ano profundo) muito menos pela free agency sem espaço salarial, então Newsome vai ter que fazer sua mágica para conseguir jogadores decentes para essas posições sem gastar dinheiro ou escolhas altas. Não vai ser fácil.


Pittsburgh Steelers

O Steelers de 2013 foi basicamente um time medíocre: um grande QB e um grande WR carregaram o ataque nas costas, mas o time terminou o ano 12th em ataque, 20th em defesa, e 15th em DVOA geral. Para um time que passava por um período de reformulação (especialmente na defesa) depois da idade bater na porta, não foi de todo um ano ruim, e o time ficou a dois erros grosseiros de arbitragem a favor do Chargers (contra o Chiefs na última rodada) de ir para os playoffs mesmo assim. Então foi um ano positivo, e o Steelers gostaria de aproveitar esse bom começo para embalar nos próximos anos.

O problema é que o Steelers também esbarra no problema salarial. Hoje, o time está 6M ACIMA do salary cap, então o time precisa cortar salários só para chegar no patamar aceitável. Isso não é tão difícil de se resolver - é só cortar Levi Brown, por exemplo, e cortar Ike Taylor liberaria mais 7M - mas também precisa lembrar que tem o draft vindo ai (e os calouros exigirão novos contratos) e o time tem alguns free agents importantes por renovar (ou não), incluindo Emmanuel Sanders, Ziggy Hood (esse com certeza sai, vem muito mal nos últimos anos), Brett Keisel e Ryan Clark. Isso limita o que o Steelers pode fazer nessa offseason para reforçar seu time e acelerar o processo de reformulação.

Hoje, o Steelers parece ter dois problemas. O primeiro, como sempre, é a linha ofensiva. A OL foi até competente esse ano bloqueando para o passe, mas continua muito ruim bloqueando para a corrida, o que também atrapalha o desenvolvimento do calouro Le'Veon Bell. Alguma regressão também é esperada, então é uma área que o time deveria focar nessa offseason - embora, é claro, a volta de Maurkice "Free Hernandez" Pouncey e uma temporada saudável de David DeCastro ajudariam bastante já. O outro problema é a defesa em geral. Ela não é horrível em nada, mas também é abaixo da média em tudo: a defesa terrestre é fraca, o pass rush é inconsistente, e a cobertura... bem, vocês sabem. O time tem sobrevivido defensivamente principalmente por conta de boas performances de grandes jogadores (Troy Polamalu, LaMarr Woodley, Cam Heyward, William Gay, etc), mas ainda tem muitas posições de necessidade (mais CBs, um novo MLB e um pass rusher na linha defensiva são as principais) e não vai conseguir adereçar todas elas nessa offseason, embora algumas sejam mais simples de se resolver via draft com uma excelente equipe de desenvolvimento. 

Hoje, o Steelers é um time com boa base que tenta reformular, mas esbarra nos contratos grandes de outrora. A equipe ainda possui um excelente QB e uma base muito sólida, o que com alguma saúde e alguma sorte pode ser suficiente para manter o time competitivo. Mas para continuar essa reconstrução, vai precisar de mais flexibilidade salarial, e mais alguns acertos no Draft não seriam uma má idéia. Larry Foote voltando de lesão e um ano a mais para Jarvis Jones podem ser boas soluções internas para alguns dos problemas dessa defesa, também. Então mesmo que o time dificilmente consiga se reforçar muito nessa offseason, eu tenho algum otimismo quanto ao futuro no curto prazo do Steelers. É um sólido time.


PARTE II SAI EM BREVE!

sábado, 27 de agosto de 2011

Especial NFL - A NFL e o futebol americano nos dias de hoje

Meu estado de saúde não permitiu ontem, mas hoje continuanos com nosso Especial NFL. Eu já expliquei o que exatamente é esse especial, um especial que vai explicar um pouco mais da NFL e do futebol americano para quem não conhece ou conhece pouco. Já pedi também ajuda para divulgação, pedi a todos que soubessem de alguém interessado para que espalhassem sobre o Especial. E se ontem começamos a introduzir a questão falando um pouco da história do futebol americano, hoje nós vamos falar um pouco mais do esporte hoje, as dimensões que ele atingiu dentro e fora dos EUA, e um pouco do funcionamento da NFL em si. Quem leu nosso primeiro post da série viu que o futebol americano surgiu pro resto dos EUA no seu nível profissional muito abaixo dos seus "concorrentes", basquete e baseball, e que essa história só começou a mudar em 1958, com o famoso The Greatest Game Ever Played, e a subsequente criação da AFL, que levou a uma fusão das duas Ligas e criou a NFL que nós conhecemos hoje. Hoje, portanto, vou falar sobre o que exatamente é essa NFL que nós conhecemos hoje.

Nos próximos dias vamos continuar desenvolvendo o Especial com outros temas, mas estamos abertos a sugestões, que vocês podem enviar para nosso email tmwarning@hotmail.com ou no nosso twitter, www.twitter.com/tmwarning. A ideia aqui é justamente apresentar e ensinar um pouco do esporte a quem não conhece, então podem mandar emails para perguntar o que tiverem interesse em saber. Espero que depois do nosso Especial as pessoas que antes não tinham muito contato com esse esporte tenham maior interesse em ir atrás e acompanhar a temporada, e por isso peço novamente ajuda para divulgar nosso projeto para o maior número de pessoas possível. Muito obrigado e espero que gostem.
 
 
Após a explosão do futebol americano profissional nos EUA na década de 60, e a reestruturação da Liga após a fusão da AFL com a NFL, a nova NFL tratou de consolidar sua popularidade e importância nos EUA nas décadas de 70 e 80. Na década de 70, o surgimento de duas dinastias ajudou em muito a atrair ainda mais interesse para o jogo, já que as duas frequentemente batalhavam no Super Bowl (Pittsburgh Steelers e seus quatro títulos contra os dois títulos do Dallas Cowboys), interesse esse que aumentou quando algumas mudanças de regras tornaram o jogo um pouco mais rápido e dinâmico. Mas a NFL já tinha percebido que era um fenômeno cultural, e com a boa situação do jogo dentro de campo assegurada, se preocupou em solidificar sua estrutura de forma financeira, para evitar que ela passasse por crises como por exemplo a MLB enfrentou. A idéia - que naturalmente não foi imediata, mas ao longo das décadas seguintes - era tornar a NFL um enorme mercado dentro e fora dos EUA, altamente lucrativo que continuasse não só mantendo o esporte e os times vivos como também o tornasse um mercado atrativo para cada vez mais investimentos. Ou seja, uma vez consolidada a popularidade do esporte, a Liga buscou aperfeiçoar um modelo que permitisse solidez fora dos campos.
 
Olhando hoje, é difícil dizer que deu errado, ainda mais quando comparamos a situação da Liga com as outras duas Ligas americanas, a NBA e a MLB. O futebol americano é de longe o esporte mais popular dos EUA, e a NFL soube aproveitar isso muito bem para gerar receita. Apesar de contratempos - algumas temporadas encurtadas por greve, por exemplo - a NFL sempre se manteve no topo da cadeia alimentar. É mais fácil de se observar isso com alguns exemplos práticos: O jogo cinco da World Series do ano passado (San Francisco Giants ganhou por 4 a 1) foi assistido por 15 milhões de telespectadores nos EUA. O jogo 6 das Finais da NBA do ano passado (Que o Dallas Mavericks ganhou por 4 a 2), numa das temporadas mais acompanhadas, divulgadas e assistidas da NBA em muito tempo, teve 23,8 milhões de telespectadores nos EUA. E o Super Bowl LXV, que aconteceu no começo desse ano, foi assistido por nada menos que 111 milhões de telespectadores só nos Estados Unidos, o programa mais assistido da história da televisão americana, sendo que 163 milhões assistiram ao menos um pedaço pequeno. Sabem qual é o segundo mais assistido? O Super Bowl do ano passado. Dos dez programas mais assistidos da história da televisão americana, nove são Super Bowls (e o outro é o último episódio do seriado M.A.S.H.).
 
Mas como eu disse, a questão não é só a popularidade e o número de pessoas que assistem. A NFL sabe como transformar isso em dinheiro. Eu já citei esse número, mas um comercial de 30 segundos no intervalo do Super Bowl custa 3 milhões de patacas. As grandes empresas que compram esses minutos de comercial guardam durante o ano todo seus melhores comerciais para serem exibidos nesse momento (Dois recentes muito bons são os do menino Darth Vader e da prisão de milionários). Os jogos de futebol americano não são atraentes só pelos jogos, eles são eventos. A Liga sempre separa dois dos melhores jogos da rodada (que acontece quase toda de domingo de dia) para passar nos domingos a noite (o famoso Sunday Night Football, da NBC) e segunda a noite (o histórico Monday Night Football, da ESPN, que completou 40 anos em 2010), e cada um tem uma apresentação toda estilizada, a do Sunday Night de 2010 por exemplo era genial, logo abaixo. (Para quem não entendeu, cada jogador aparece junto de alguma característica marcante da cidade/estado onde joga, então temos o Peyton Manning, do Indianapolis Colts, nas 500 milhas de Indianapolis e o Eli Manning, do New York Giants, na Times Square). Também vale dar uma olhada na abertura do Monday Night do ano passado.
 
 
Eu não consigo deixar de ficar arrepiado na parte do Saints
 
 
 O Super Bowl também sempre apresenta um show no intervalo, que é bastante famoso em todo o mundo e apresentou recentemente, por exemplo, Black Eyed Peas em 2010 (com participação do Usher e do Slash), The Who em 2009, Bruce Springsteen em 2008. Outros exemplos de artistas importantes que tiveram shows no intervalo do Super Bowl incluem Michael Jackson, Paul McCartney, U2, Rolling Stones, Aerosmith e uma cacetada de outros. (Uma curiosidade engraçada foi que no show do Springsteen ele cantou a música Glory Days, que começa com a frase "I had a friend who was a big baseball player back in High School. He could throw that speedball by you making you look like a fool boy", mas na hora de cantar, ele adaptou a música e cantou "I had a friend who was a big football player back in High School. He could throw that Hail Mary making you look like a fool boy", sendo que Hail Mary é o nome dado a um passe longo e alto na direção da end zone. Para ver o vídeo é só clicar aqui, foi um dos melhores.)
 
Ou seja, o futebol americano não é só um esporte extremamente popular, a NFL sabe transformar muito bem isso em formas de chamar ainda mais atenção e, principalmente, em dinheiro  (Por exemplo, os direitos de transmissão do show do intervalo do Super Bowl são vendidos separadamente. Só o show do intervalo do Rolling Stones, no Super Bowl XL, teve audiência de 90 milhões de pessoas), e também sabe usar esse dinheiro a seu favor. Uma das questões que eu mais gosto na Liga é o esquema de divisão de lucros, que é um dos motivos dela manter sempre uma certa solidez mesmo entre os times menores, o que evita as polarizações que temos na MLB (A folha salarial do NY Yankees é quase dez vezes maior que a do Seattle Marines)  ou até na NBA, onde temos muitos times de mercado grande e mercado pequeno.
 
Funciona da seguinte forma: A NFL, como esporte mais popular dos EUA, naturalmente ganha um dinheiro absurdo com transmissões de TV, direitos de uso de imagem e tudo mais. Só que os contratos - especialmente de televisão, e incluindo tudo isso que a gente falou acima - não são assinados com os times, e sim com a NFL em si, e a NFL repassa esse dinheiro IGUALMENTE para todos os times, o que deixa todos eles com uma saúde financeira considerável. Claro que os times tem fontes de ganho próprias - venda de camisetas, de ingressos, alugar o estádio para outros eventos (como o All Star Game da NBA do ano passado, que foi no estádio do Cowboys) e tudo mais, o que favorece os times maiores, mas essa divisão igualitária dos contratos permite que até os times menores, em cidades menores e com torcidas menores tenham saúde financeira o suficiente pra se manterem competitivas no mercado. O Oakland Raiders não acabou de arrancar o Free Agent Kevin Boss debaixo do nariz do New York Giants?
 
Uma forma de exemplificar bem isso é a comparação com a NBA. Os dois estavam em greve - a NBA ainad está - mas a greve da NFL era uma brincadeira de criança. Eu já falei nessa comparação antes, mas ela ilustra bem o que eu quero dizer: A greve da NFL era uma piada, uma Liga que tem receita de nove BILHÕES de patacas por ano negociando quanto disso iria para os jogadores e quanto iria para os times. A melhor comparação que eu vi pra situação era a imagem de dois carteis milionários de droga dividindo um mega carregamento. Os dois iam sair ganhando muito dinheiro, a questão era quem ia ganhar mais. Quando a água batesse na bunda e a temporada ameaçasse atrasar, os dois iam sentar e resolver em questão de dias, que foi exatamente o que aconteceu. Na NBA a greve é pior, porque os times de maneira geral tem prejuizo. A NBA deixou de ser uma liga lucrativa, e os times de mercado pequeno (como Sacramento ou New Orleans) estão em complicadas situações financeiras porque não tem mais como manter a competitividade sem ter um dono bilionário que banque as despesas como o Mark Cuban, e por isso a vontade dos donos de mudar esses times para cidades grandes, como a questão do Kings indo pra Anaheim. Na NFL não precisa disso: Nossos dois últimos campeões foram dois times de mercados pequenos, o Saints da mesma New Orleans e o Green Bay Packers, que é um time de uma cidade com 100 mil habitantes que não tem um dono bilionário, pelo contrário, o time pertence - na forma de ações - aos moradores da cidade!
 
 
A cidade dos atuais campeões do Super Bowl
 
Aliás, o Packers é exatamente o time que melhor ilustra como funciona esse modelo de divisão equitativa da NFL. O Bola Presa fez um ótimo post ontem falando sobre lucros no futebol e no basquete, comentando sobre o livro "Soccernomics", e a conclusão do livro (e do post) é a seguinte: "A conclusão do livro é algo que a NBA e os donos de times iriam vomitar se lessem, mas que faz bastante sentido. Para os autores, os times deveriam ser conduzidos como museus: "organizações de espírito público que têm por objetivo servir à comunidade ao mesmo tempo que são razoavelmente lucrativas". Ou seja, serem conduzidas não totalmente como negócios, mas só a ponto de sobreviverem. Como museus, eles cobram e se esforçam para faturar, mas nada além de ir um pouco mais do que os gastos necessários.". O Green Bay Packers é um time sem fins lucrativos - ele pertence aos moradores da cidade, e somente eles podem comprar ações - e que, portanto, não tem um dono que fique investindo dinheiro. Mas ele consegue sobreviver nessa margem citada pelo Bola Presa - servindo à comunidade sem ser muito lucrativo, apenas sobrevivendo - porque o formato da Liga permite que ele tenha dinheiro suficiente para manter o time formado e competindo no mesmo nível dos demais. Todos os times possuem essa boa base financeira, e naturalmente quanto melhor o time maior será o dinheiro que vem diretamente para ele, como venda de ingressos, camisetas, prêmios, etc, então todos os times consequem sobreviver numa pequena margem de lucro e sempre tendo o incentivo para melhorarem e aumentarem esses lucros. Claro que tem o lado negativo da questão, alguns times com donos majoritários são acusados de fazerem 'corpo mole', evitando gastar dinheiro para deixar o time bom porque o dinheiro que eles ganham da Liga - associado a baixos gastos - é suficiente para manter uma margem de lucro menor, mas estável, sem se preocupar em gastar mais. Mas no geral a fórmula funciona muito bem e mantem a Liga toda competitiva, financeiramente falando.
 
Isso acabou gerando um mito sobre o "Hard Cap" que a Liga usa na questão salarial, também (um teto salarial que não pode ser ultrapassado em hipótese alguma). A NBA e a MLB não usam o Hard Cap - A NBA usa um Soft Cap (um teto salarial que pode ser ultrapassado mediante algumas regras e pagamento de multa para cada dólar acima dele que você está) e a MLB nem teto salarial não tem -  e muitos dizem que é a existencia desse Hard Cap que mantém a NFL tão equilibrada entre os times grandes e pequenos e que ele deveria ser implementado nessas outras Ligas, especialmente a NBA que tem uma greve muito complicada pela frente. O Hard Cap sem dúvida evita que times com donos zilhonários que realmente são entusiastas no esporte e querem gastar até o ultimo centavo para serem campeões, como o Jerry Jones do Dallas Cowboys (Qual o problema da cidade de Dallas com esses caras? Ou o contrário, sei lá!), contratem jogadores a preços kajilhonários e polarizem brutalmente a Liga pela parte financeira, mas a principal base de estabilidade entre os times da NFL são os lucros divididos igualmente que permitem que todos os times -grandes e pequenos - tenha a base monetária suficiente para existir sem ter prejuizo mesmo gastando o mesmo que os outros - gasto esse limitado pelo Salary Cap, claro. Claro que boas gestõs e má gestões vão fazer times serem bons por mais tempo ou por menos tempo, a NFL também vive muito de dinastias (Steelers nos anos 70,  49ers nos anos 80, Cowboys nos anos 90, Patriots nos anos 2000) e um time que consegue organizar uma boa base geralmente vai se manter boa por mais tempo, pelo simples fato de que esses times tem dinheiro para tal. O Milwaukee Brewers da MLB, por exemplo, montou um time com ótima base recentemente. Mas o time não tem como competir financeiramente com os outros times e por isso não vai ter como reassinar seu principal jogador, Prince Filder, que vai ficar Free Agent, já que o time gastou todo o dinheiro que podia reassinando o Ryan Braun, outro jogador chave, senão começaria a operar em grande prejuizo pelo desequilibrio da folha salarial.
 
Em resumo, o formato que a NFL montou está funcionando justamente para garantir aos times competitividade financeira dentro do Salary Cap que a Liga tem. Claro que times mais ricos vão construir estádios maiores e etc, mas os times pequenos não precisam desmontar seus times porque financeiramente não tem condições de manter um elenco bom e caro junto, caso por exemplo do Utah Jazz. E isso garante sim uma competitividade na Liga muito interessante que sem dúvida contribui para a manutenção da popularidade e da atenção que ela tem.
 
Uma coisa legal também do futebol americano de hoje é que ele não está mais limitado aos Estados Unidos. A NFL fez um bom trabalho de difundir o esporte no resto do mundo, e o resto do mundo também adotou o esporte, que não para de crescer, inclusive aqui no Brasil. A NFL costuma mandar um jogo por ano oficlamente fora dos EUA, por exemplo no México e em Londres, e tem planos pra mandar ainda mais desses jogos fora do país. O time Buffalo Bills manda uma parte dos seus jogos no Canadá e existem conversas para o time se mudar para Toronto. E por conta própria, muitos outros países também desenvolveram o esporte. Aqui no Brasil, muitos jogadores por puro amor ao esporte e sem receber nenhuma remuneração, montaram times, gastaram o próprio dinheiro em passagens e equipamentos e montaram uma Liga no país. A Liga continua evoluindo, mais times estão entrando e a ESPN está dando uma cobertura muito legal ao campeonato, assim como outros jornalistas também tem feito um bom trabalho pela divulgação do esporte no Brasil, se eu citar todos aqui vai ficar enorme. O futebol americano é um dos esportes que mais cresce no Brasil na atualidade, mas não só aqui. Por exemplo, quando fui nas férias visitar a família em Portugal, liguei a TV e assisti à final do campeonato Italiano de futebol americano!! A Europa tem uma Liga profissional de futebol americano (onde jogou, por exemplo, o lendário Kurt Warner) faz vários anos também. O Super Bowl foi assistido por 111 milhões de pessoas nos Estados Unidos (sendo que mais de metade da população de lá, 163 milhões de pessoas, assistiram pelo menos um pedaço dele), como já disse, mas foi assistido em algum momento por cerca de 200 milhões de pessoas (eu não consegui achar o número exato, infelizmente) se contarmos todo o mundo. O futebol americano não é só um esporte americano, muitas partes do mundo estão aproveitando o embalo gerado pela globalização (Hoje em dia da pra assistir NFL em qualquer lugar do mundo praticamente, graças às evoluções em termos de transmissões) pra praticar e conhecer melhor o esporte também. Eu não sou muito especialista em futebol americano brasileiro, pra isso é melhor acessar o ótimo 10 Jardas ou o diário NFL, mas o trabalho que os jogadores, técnicos e organizadores estão fazendo por aqui é incrível e revela muita vontade de popularizar o esporte por aqui.
 
Cuiabá Arsenals venceram o Brasil Bowl 2010
 
 
Por fim, antes de passarmos para mais perto do jogo em si nos próximos posts, eu queria esclarecer o formato do campeonato da NFL. A NFL é composta por 32 times divididos em duas conferências - NFC e AFC - com 16 times cada. Dentro de cada conferência temos quatro divisões - West, East, North, South - com quatro times cada. Em cada conferência, se classificam seis times - Os quatro campeões de divisão e os dois times não-campeões com melhor aproveitamento (nada impede que sejam da mesma divisão). Os campeões de divisão são divididos nas Seeds 1 a 4 de acordo com o aproveitamento (o melhor fica com a 1ª Seed, o segundo com a 2ª, etc) e os dois Wild Cards ficam com a 5ª e 6ª Seed (Melhor campanha fica com a 5ª, pior com a 6ª). Na primeira rodada dos playoffs, se enfrentam em cada conferência na chamada "Semana Wild Card" os times com as Seeds 3 e 6 e as seeds 4 e 5, sendo que os dois campeões de melhor campanha de cada conferência folgam nessa semana. Na semana seguinte, em cada conferência, o time com a 1ª Seed enfrenta o time classificado de pior Seed, e o com a 2ª Seed enfrenta o time classificado de melhor campanha na Semifinal de conferência, e os vencedores dos dois jogos se encontram nas Finais de conferência, de onde sai o campeão de cada uma das duas (vale destacar que o time com Seed mais baixa sempre joga em casa). No final, o campeão da NFC e da AFC se encontram no Super Bowl, que é disputado em um lugar estabelecido muito antes do começo da temporada começar (por exemplo, esse ano será em Indianapolis), independentemente de quem tiver a melhor campanha.
 
 
Agora que explicamos a história do jogo e a realidade do jogo e da Liga no momento, vamos passar para algo mais palpável - o jogo em si. Se algúem achar que tem algo que valha a pena falar ou esclarecer antes, por favor nos mande email, se a sugestão for boa podemos fazer um post especial. Se não, vamos começar já no próximo post a esclarecer o funcionamento do jogo, especialmente algo que eu acho fundamental para entender futebol americano - o papel de cada posição.
 
Muito obrigado, continuem acessando e divulgando. Grande abraço e até amanhã!!