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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - AFC (parte I)


"A gente que fez toda essa bagunça no Dolphins, Richie?"
"Não sei você mas eu não paguei 34M pro Ellerbe nem 60M pro Wallace"



AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Agora, é hora de falar dos times da AFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Por conta de problemas com o blogger, esse post foi dividido em duas partes. Parte II, espero, sai sexta ou sábado.


Times da AFC fora dos playoffs (Parte I)


Miami Dolphins

Yeah… Sobre o Dolphins… Bom, pelo menos ninguém pode negar que eles tiveram um 2013 interessante. Ainda que dificilmente divertido: o escândalo Martin-Incognito, duas derrotas seguidas para Bills e Jets quando uma vitória simples os colocava nos playoffs, e tudo de complicado e bagunçado que aconteceu entre a diretoria e o técnico nesses meses dão um tom melancólico para a temporada 2013 de Miami. 

A sorte do Dolphins é que eles jogam na fraquíssima AFC, então os playoffs ficam muito mais próximos do que estariam normalmente para um time como o Dolphins. Então considerando que a diretoria está focada em chegar na pós-temporada o quanto antes, e que tanto a diretoria como o técnico estão urgentemente precisando de algum sucesso para compensar todos os problemas e calar as críticas (bem como se manter no emprego), é razoável imaginar que o objetivo do time é dar o próximo passo rumo a pós temporada.

O problema com esse plano é que o Dolphins… não é um time bom. Eles não são horríveis, mas são fracos: terminaram o ano 23th em DVOA, 18th em ataque e 17th em defesa. O time apresenta enormes buracos, também, dos dois lados da bola: a linha ofensiva é uma desgraça, os recebedores não foram produtivos mesmo com o milionário Mike Wallace, e a defesa terrestre foi a quarta pior da NFL, basicamente. Então o time tem muito a reforçar, e muito chão antes de se tornar um bom time.

A vantagem é que o Dolphins tem bastante espaço salarial vago para ir atrás de free agents, quase 40M no momento, mas esse valor ainda depende de algumas decisões. Os DTs Randy Starts e Paul Solari são free agents, assim como o CB Brent Grimes e outros jogadores menores (Chris Clemons e Nolan Carroll, para citar dois), então se o time optar por manter pelo menos alguns desses jogadores (Starks e Grimes, em particular, foram dois dos melhores defensores da equipe em 2014 e não deveriam sair do time). Então com alguns desses jogadores possivelmente renovando ou recebendo a Franchise Tag, o cap disponível para trazer reforços cai bastante.

Com o que sobrar, espero que a prioridade da equipe seja reforçar a linha ofensiva. Brandon Albert está no mercado, e já expressou interesse anteriormente na equipe. Uma linha ofensiva competente também é crucial para aumentar as chances de Ryan Tanehill continuar se desenvolvendo bem, e o desenvolvimento de Tanehill é um dos principais pontos para tornar o Dolphins um bom time. O time já perdeu profundidade no último draft com a burrice de subir para pegar Dion Jordan (apagado na sua temporada de calouro), então a margem de erro está menor agora, e não vai ser possível reforçar todas as áreas da equipe de uma vez. Mas considerando que na AFC o Dolphins não está tão longe dos playoffs, esperem que o time invista pesado em dois linemen ofensivos e um pouco mais de bife na defesa para pelo menos tapar os buracos mais urgentes e tentar trazer estabilidade para o time.


New York Jets

Eis o que eu escrevi sobre o Jets em Agosto:

"O Jets é um time melhor do que muita gente da valor, tem uma defesa que deve ser muito boa e com muitos jovens talentos e seu ataque terrestre deve melhorar consideravelmente, mas para ir a algum lugar vai depender muito de como seu QB (seja ele quem for) vai ser comportar ao longo da temporada e isso é uma grande incógnita. (...) Eu acho que o Jets deve terminar algo com 7-9 ou mesmo 8-8 se conseguir uma contribuição mediana de seu QB titular"

Bom, o resultado foi exatamente o que eu previa, mas não o processo. A defesa realmente se manteve muito forte, terminando como a 11th melhor da temporada e a melhor defesa terrestre do ano, mesmo com sua secundária tendo muitos problemas. Mas o ataque... esse nada deu certo. O ataque terrestre melhorou um pouco mas continuou fraco, e o ataque aéreo do time foi uma desgraça sem tamanho, com Geno Smith chegando a ir para o banco em favor de Matt Simms e ser comparado a Mark Sanchez. Mesmo com uma melhora nos últimos três jogos que salvou Geno Smith desse patamar horrível, a temporada do calouro (e dos QBs do time) em geral foi muito abaixo dessa "contribuição mediana de QB" que eu supunha, e a verdade é que o record final de 8-8 do time esconde um Pythagorean Wins de 5.5 vitórias, impulsionado por um record de 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola. Então o Jets não está tão perto dos playoffs como parece.

O principal e maior problema é simples: na NFL atual, é possível vencer jogos com um QB mediano se o resto do seu time colaborar (Andy Dalton, Joe Flacco, Alex Smith em 2011, etc), mas é muito difícil vencer se seu QB é ruim, e é nesse patamar que o Jets se encontra atualmente. A equipe foi a duas finais de conferências seguidas porque tinham uma defesa espetacular, um forte jogo terrestre e seu QB conseguiu ficar longe de erros e produzir nas horas pontuais, mas já faz três anos que a descrição do quarterback da equipe não inclui nenhuma dessas coisas. Mark Sanchez foi horrível nos seus dois últimos anos como titular, e apesar de alguns flashes, Geno Smith também teve uma temporada de calouro muito ruim (12 TDs, 21 interceptações, 8 fumbles, 35 QBR). É difícil imaginar o Jets dando a volta por cima sem resolver essa situação de QB e achar pelo menos um profissional competente para conduzir a equipe. Mark Sanchez DEFINITIVAMENTE não é esse cara, e a questão é se Geno Smith pode se desenvolver até esse ponto. Se não, o melhor jeito é se livrar de Sanchez (mais disso em um segundo) e achar outro QB - talvez nessa ótima safra dos próximos dois drafts - para desenvolver.

A boa notícia para o Jets é que eles possuem uma excelente base na defesa e uma boa quantidade de espaço salarial. A linha defesiva do Jets com Muhamad Wilkinson, Damon Harrison e o DROY Sheldon Richardson é possivelmente a melhor da NFL, e é mais fácil montar uma defesa quando sua base é tão dominante. A secundária foi um fracasso em 2013 e o time sentiu falta de pass rush, os dois problemas que o time precisa adereçar nessa offseason, mas a equipe possui os meios para isso. O cap space do time roda em torno de 25M sem nenhum free agent importante para retornar, mas a verdade é que o time pode mais do que dobrar esse espaço se dispensar seus jogadores mais caros. Mark Sanchez, Santonio Holmes e Antonio Cromartie, se dispensados, economizariam 28M na folha salarial da equipe, e com um espaço de mais de 50M livres. Holmes é quase uma certeza que vai ser dispensado; Sanchez só não será se a equipe ainda achar que ele pode integrar um time vencedor, e se acham, estão loucos; e Cromartie é mais difícil porque tem um histórico bom como CB mesmo depois de um 2013 atroz.

Mas mesmo que apenas Sanchez e Holmes sejam dispensados, é a deixa que o time precisa para se reforçar na free agent com jogadores jovens em contratos focados no primeiro ano, de forma a não atulhar a folha para as próximas temporadas. Um contrato longo para um jogador com Alterraun Verner me parece o ideal para a equipe enquanto espera Dee Miliner se recuperar do decepcionante 2013, e essa dupla pode ser dominante por muitos anos. Um pass rusher como Michael Bennett também se encaixaria bem na equipe, embora um linebacker me pareça mais adequado. O time também tem alguns buracos na linha ofensiva, mas é um draft extremamente profundo em OLs e esse problema pode ser resolvido na segunda ou terceira rodada enquanto um pass rusher como Khalil Mack seria o ideal na primeira rodada. O Jets ainda está um pouco longe dos playoffs e precisa resolver seu problema de QB se quiser sonhar com sucesso, mas com uma boa base, bom número de escolhas em um draft profundo nas suas maiores necessidades, e toneladas de espaço salarial, pelo menos a equipe se encontra em boa posição para remontar sua base para os próximos anos.


Buffalo Bills

O Bills é um time interessante que muito pouca gente da atenção. Eles terminaram 6-10 ano passado com uma Pythagorean Expectation de 7-9 mesmo recebendo produção muito ruim de seus QBs e com seu "QB do futuro" perdendo sete jogos por lesão. Eles fizeram isso porque sua defesa, que ninguém deu muita atenção, terminou o ano como a quarta melhor da NFL em DVOA e contou com um grupo extremamente variado e dominante para tal: Marcell Dareus e Kyle Williams foram uma das duplas de linha defensiva mais destrutivas da liga, Mario Williams enfim proveu o pass rush que o time precisava com ajuda do surpreendente Jerry Hughes, Kiko Alonso solidificou muito bem o meio da defesa, e Jairus Byrd é um dos melhores safeties da NFL quando saudável... e isso antes de lembrar o quanto lesões afetaram a secundária desse time, tirando jogadores como Byrd e Stephen Gilmore do time por bastante tempo. Byrd é um free agent que pode voltar ao time, e se for o caso, a base desse time está pronta para 2014 e isso sem contar mais saúde para Gilmore e a evolução de seus jovens talentos. Mesmo com alguma regressão natural esperada para 2014, não temos motivos para acreditar que a defesa vá parar de ser uma potência.

O problema é que onde a defesa solidifica a equipe, o ataque age na direção contrária. Buffalo teve o oitavo pior ataque da NFL, uma decepção para um time que usou uma escolha de primeira rodada em um QB e contava com a dupla Fred Jackson e CJ Spiller. Mesmo com o segundo anista Cordy Glenn emergindo como um LT de elite, a falta de talento ficou clara nesse ataque: apenas Steve Johnson e Jackson tiveram temporadas acima da média, e muitos jogadores bem cotados como CJ Spillman, Robert Woods e Scott Chandler foram grandes decepções, e o time sentiu muito a perda de Andy Levitte. E claro, existe o problema do QB: o Bills, estupidamente, usou uma escolha de primeira rodada em EJ Manuel no último draft com a esperança que Manuel fosse o quarterback do futuro do time, só para Manuel ter uma temporada decepcionante marcada por lesões e incompetência (59% nos passes, 6.4 Y/A, 11 TDs contra 9 INTs e 6 fumbles). QBR da a Manuel um rating de 42, um número bem fraco, enquanto ProFootball Focus o coloca como o terceiro pior QB qualificado de 2013 (na frente de Geno Smith e Chad Henne). E embora seja possível argumentar que uma temporada marcada por lesões tenha atrapalhado tanto seu rendimento como adaptação a NFL, o fato é que as questões irão continuar em torno de Manuel,  e é em torno dele que o sucesso da equipe irá rodar.

Então o caminho do Bills parece bem claro: tendo investido uma 1st round pick e seu futuro em Manuel, eles tem que fazer de tudo para cercá-lo com as melhores condições possíveis para seu desenvolvimento e seu sucesso. O time tem escolhas altas e se (quando?) Kevin Kolb for dispensado o espaço salarial da equipe pode chegar a quase 30M. Embora uma boa parte desses 30M iriam para um possível novo contrato com Jairus Byrd, o time precisa usar o resto para dar a Manuel melhores armas. JAckson e Spiller não vão a lugar nenhum, mas a linha ofensiva precisa de reforços além de Glenn, especialmente no meio se quiserem dar nova vida a esse ataque terrestre. O time também tem investido recentemente em WRs - além do veterano Johnson, Woods e Marquise Goodwin são jogadores jovens que o time vê com bons olhos - mas um alvo como Sammy Watkins ou Mike Evans poderia ser extremamente valioso no desenvolvimento do seu QB (Watkins é o melhor dos dois e encaixa melhor na equipe, mas não deve sobrar na primeira rodada). Em resumo, o ataque sofre com talento além de seus RBs e Glenn, e é isso que o time precisa focar com seu espaço salarial e altas escolhas de draft. Por sorte o time tem uma defesa que não exige tanta atenção (talvez um CB veterano como Dunta Robinson), então as energias podem se voltar para o desenvolvimento do seu franchise QB. Se o ataque terrestre engrenar e Manuel conseguir ser competente, é um time que pode dar muito trabalho com essa defesa em alguns anos.


Baltimore Ravens

Quando eu fiz o preview do Ravens, eu passei 80% do tempo elogiando Ozzie "awesome" Newsome e falando sobre como ele tinha sido inteligente nessa offseason ao não se precipitar em manter seus jogadores a preços absurdos (Paul Kruger foi sólido mas não espetacular em Cleveland, e Dannell Ellerbe foi um dos maiores fracassos dessa última offseason em Miami), ter paciência, e remontar sua equipe com jogadores a salários muito mais razoáveis e desinflacionados, com um grupo defensivo que acabou sendo ainda melhor que o de 2012. Mas eu também destaquei que os recursos de Newsome estavam limitados pelo novo salário de Joe Flacco, e que isso diminuia em muito a sua margem de manobra e acabou custando ao time alguns jogadores importantes, especialmente Anquan Boldin (btw, obrigado por isso, Newsome!). 

Esse novamente vai ser o tema dessa offseason para o Baltimore Ravens: espaço salarial. Reassinando e reestruturando o contrato de Terrell Suggs, o time conseguiu abrir 24M em espaço salarial no momento, um montante que seria bom se não fosse pelo fato de que o time tem um número imenso de free agents importantes prontos para deixar a equipe e que, se o time quisesse manter, teria que dispensar bastante dinheiro para isso e 24M não seria suficiente. A defesa foi muito sólida em 2013, mas em parte pelas excelentes contribuições de James Ihedigbo, Corey Graham e Daryl Smith, e os três estão no mercado buscando um enorme contrato. Ofensivamente, de longe o melhor jogador da equipe foi Eugene Monroe... que também é FA, e o LT com certeza vai exigir um contrato enorme nessa offseason. Dennis Pitta (fez imensa falta em 2013), Michael Oher (fraco em 2013, mas um bom jogador) e Jacoby Jones também podem deixar a equipe. Então 24M vai ser muito pouco para renovar com esses jogadores, achar novos talentos E assinar com suas escolhas de draft. Boa sorte, Ozzie.

Newsome é um dos melhores GMs da NFL avaliando talentos e sabendo exatamente o valor de cada jogador e cada contrato, então não esperem que ele saia renovando com todo mundo de cara. Ele gostaria de manter alguns desses jogadores (imagino que Graham e Monroe sejam as prioridades), sem dúvida, mas não vai morder a isca se algum time desesperado oferecer um valor muito exagerado, como aconteceu com Kruger e Ellerbe ano passado. Se for o caso, Newsome provavelmente deixa sair e vai tentar manipular o mercado como de costume para tentar achar uma barganha de fim de feira. Com o cap tão atulhado, é a alternativa que sobra ao time, e vai ser assim até o final do contrato de Joe Flacco (ou pelo menos uma reestruturação). 

Tirando a parte salarial, o foco do Ravens deve ser reforçar seu ataque para voltar aos playoffs - eles não atulharam a folha salarial e pagaram 120M para um QB MVP do Super Bowl para entrar em reconstrução. Para isso, eles precisam urgentemente reforçar o ataque: a saída de Boldin e a lesão de Pitta expuseram a falta de um bom grupo de WRs (em particular, a falta de um possession WR capaz de conversões curtas no meio da galera, a especialidade de Boldin), a linha ofensiva regrediu ferozmente e foi possivelmente o pior grupo de toda a liga, o ataque terrestre FOI o pior da liga e basicamente uma piada, e Joe Flacco teve sua pior temporada como profissional. Então é, foi um ano horrível para esse ataque. O problema mesmo é que são problemas e buracos demais, e não existe uma solução simples para um time com tão pouca flexibilidade salarial. Os problemas na offseason de RAy Rice podem deixar o time sem RB, mesmo que Monroe renove ainda faltam outros três lugares na linha ofensiva (MArshall Yanda é o outro lugar garantido), e o time precisa urgente de tight ends E WRs para reforçar esse grupo. A equipe não vai conseguir adereçar tudo isso pelo draft (ainda que a linha ofensiva deva ser a grande prioridade em um ano profundo) muito menos pela free agency sem espaço salarial, então Newsome vai ter que fazer sua mágica para conseguir jogadores decentes para essas posições sem gastar dinheiro ou escolhas altas. Não vai ser fácil.


Pittsburgh Steelers

O Steelers de 2013 foi basicamente um time medíocre: um grande QB e um grande WR carregaram o ataque nas costas, mas o time terminou o ano 12th em ataque, 20th em defesa, e 15th em DVOA geral. Para um time que passava por um período de reformulação (especialmente na defesa) depois da idade bater na porta, não foi de todo um ano ruim, e o time ficou a dois erros grosseiros de arbitragem a favor do Chargers (contra o Chiefs na última rodada) de ir para os playoffs mesmo assim. Então foi um ano positivo, e o Steelers gostaria de aproveitar esse bom começo para embalar nos próximos anos.

O problema é que o Steelers também esbarra no problema salarial. Hoje, o time está 6M ACIMA do salary cap, então o time precisa cortar salários só para chegar no patamar aceitável. Isso não é tão difícil de se resolver - é só cortar Levi Brown, por exemplo, e cortar Ike Taylor liberaria mais 7M - mas também precisa lembrar que tem o draft vindo ai (e os calouros exigirão novos contratos) e o time tem alguns free agents importantes por renovar (ou não), incluindo Emmanuel Sanders, Ziggy Hood (esse com certeza sai, vem muito mal nos últimos anos), Brett Keisel e Ryan Clark. Isso limita o que o Steelers pode fazer nessa offseason para reforçar seu time e acelerar o processo de reformulação.

Hoje, o Steelers parece ter dois problemas. O primeiro, como sempre, é a linha ofensiva. A OL foi até competente esse ano bloqueando para o passe, mas continua muito ruim bloqueando para a corrida, o que também atrapalha o desenvolvimento do calouro Le'Veon Bell. Alguma regressão também é esperada, então é uma área que o time deveria focar nessa offseason - embora, é claro, a volta de Maurkice "Free Hernandez" Pouncey e uma temporada saudável de David DeCastro ajudariam bastante já. O outro problema é a defesa em geral. Ela não é horrível em nada, mas também é abaixo da média em tudo: a defesa terrestre é fraca, o pass rush é inconsistente, e a cobertura... bem, vocês sabem. O time tem sobrevivido defensivamente principalmente por conta de boas performances de grandes jogadores (Troy Polamalu, LaMarr Woodley, Cam Heyward, William Gay, etc), mas ainda tem muitas posições de necessidade (mais CBs, um novo MLB e um pass rusher na linha defensiva são as principais) e não vai conseguir adereçar todas elas nessa offseason, embora algumas sejam mais simples de se resolver via draft com uma excelente equipe de desenvolvimento. 

Hoje, o Steelers é um time com boa base que tenta reformular, mas esbarra nos contratos grandes de outrora. A equipe ainda possui um excelente QB e uma base muito sólida, o que com alguma saúde e alguma sorte pode ser suficiente para manter o time competitivo. Mas para continuar essa reconstrução, vai precisar de mais flexibilidade salarial, e mais alguns acertos no Draft não seriam uma má idéia. Larry Foote voltando de lesão e um ano a mais para Jarvis Jones podem ser boas soluções internas para alguns dos problemas dessa defesa, também. Então mesmo que o time dificilmente consiga se reforçar muito nessa offseason, eu tenho algum otimismo quanto ao futuro no curto prazo do Steelers. É um sólido time.


PARTE II SAI EM BREVE!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Recolhendo os cacos da semana 16: o que ainda está aberto?

Jason Garrett ainda está tentando entender esse negócio de desempate


Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem! O tema do próximo será playoffs, então aproveitem para enviar seus emails!


No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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A semana 16, penúltima dessa maluca temporada, agora é história. Ou quase - 49ers e Falcons ainda se enfrentam hoje a noite, no último Monday Night Football da temporada e último jogo de temporada regular do histórico Candlestick Park. E não só foi uma rodada extremamente divertida como também, sendo tão próxima dos playoffs, serviu para definir alguns cenários envolvendo a pós temporada, e manter outros tantos em aberto (até mesmo abrir alguns). Então hoje, eu queria deixar tudo tão claro quanto possível: o que já foi definido na NFL, o que está em aberto... e mais importante e mais complicado, os cenários possíveis para a Semana 17 envolvendo cada vaga em disputa. 

No presente momento, considerando as 15 primeiras semanas e os resultados, já confirmamos o seguinte:

  • O Denver Broncos garantiu essa semana o título da AFC West, com a vitória sobre o Texans e a derrota do Chiefs que deixou o Broncos um jogo na frente do rival com vantagem no critério de desempate (venceu ambos os jogos contra Kansas City).
  • Denver também garantiu uma folga na primeira rodada dos playoffs com essa vitória. Atualmente detentor da 1st seed da AFC, apenas New England pode igualar as 12 vitórias de Denver entre os demais campeões de divisão da AFC, então o Broncos não pode cair mais do que para a 2nd seed.
  • Por falar em Kansas City, o Chiefs já está fixado na 5th seed da AFC, tendo que jogar a primeira partida dos playoffs fora de casa. O time não tem mais como alcançar o Denver no topo da AFC West, tendo que se contentar com o Wild Card, mas nenhum time que compete pela segunda vaga de WC pode alcançar as 11 vitórias da equipe.
  • O New England Patriots também garantiu o título da AFC East, sem mesmo entrar em campo. A derrota de Miami manteve a diferença entre os times em duas vitórias (New England eventualmente aumentou para três vencendo sua partida), e nenhum time na divisão pode chegar perto das 11 vitórias do Patriots.
  • O Cincinnati Bengals foi o último campeão de divisão da AFC a garantir sua coroa, garantindo o título da AFC North com sua vitória e a derrota do Baltimore Ravens para New England posteriormente. Com isso, Cincinnati abre dois jogos de vantagem sobre o segundo colocado da divisão com uma rodada apenas por jogar.
  • O último campeão de divisão da AFC é o que já estava garantido a mais tempo, o Indianapolis Colts. O Colts garantiu essa vaga já há algumas semanas, já que o único outro time bom da divisão (Tennessee Titans) tinha uma grande vantagem para tirar E desvantagem no confronto direto.
  • Na NFC, o Seattle Seahawks foi o primeiro time a garantir vaga nos playoffs. O único time de fora que ainda briga por uma vaga no Wild Card é o Arizona Cardinals a 10-5, então não tem como o Seahawks (12-3) ser alcançado e ficar de fora da pós-temporada.
  • O Carolina Panthers se tornou o segundo time da NFC a garantir vaga nos playoffs, vencendo o duelo contra o Saints. O time chegou a 11-4 na temporada, então ainda poderia ser alcançado pelo Arizona Cardinals em uma sequência complicada: Panthers perdendo, Saints vencendo, 49ers vencendo essa rodada, e Cardinals vencendo San Francisco semana que vem. Esse "pior cenário", no entanto, geraria um empate triplo entre SF, Panthers e Cardinals pelas duas vagas do Wild Card. Mas pelas regras de desempate, não pode ter um empate triplo que envolva dois times da mesma divisão, você precisa fazer um confronto direto entre ambos para eliminar o pior dos dois antes de prosseguir. E nesse cenário, San Franciso eliminaria Arizona e Panthers ainda ficaria com uma vaga de Wild Card. Então Carolina já se garantiu na pós-temporada.
  • O San Francisco 49ers pode garantir sua vaga até o final da rodada caso vença o Atlanta Falcons hoje a noite, ficando um jogo a frente do Arizona Cardinals mas com um record dentro da divisão (4-1 contra 2-3) que não pode ser alcançado pelo rival.

Se você está contando, isso significa que enquanto a AFC já garantiu seus quatro campeões de divisões e cinco times de playoffs - com apenas a 6th seed em aberto, e a ordem das quatro primeiras para ser determinada - a NFC não garantiu sequer um campeão de divisão, e apenas dois times já garantiram sua vaga nos playoffs. E ainda assim, esses dois times que hoje estão com a 1st e 2nd seeds ainda podem acabar com as 5th e 6th seeds ao final da semana 17. Então considerando os times que ainda brigam por essas vagas restantes, temos incríveis ONZE times brigando pelas cinco vagas que ainda sobram na NFL.

Por isso achei interessante escrever esse post. Queria esclarecer exatamente o que ainda está em jogo, quem briga pelo que na última rodada, quais são os jogos que ainda podem ter impacto grande nos playoffs, e mais importante, quais jogos você precisa torcer ou secar para seu time se dar bem. E por fim, esclarecer de uma vez por todas a complicadíssima situação da última vaga do Wild Card, uma situação tão esquisita que eu cheguei a divulgar ontem no twitter que o Miami Dolphins, e não o Baltimore Ravens, era o atual dono da 6th seed da NFL antes mesmo que a própria NFL atualizasse no seu site. Mas vamos passar então por todas as vagas relevantes que ainda estão em disputa nas duas conferências, passo a passo, explicando os cenários relevantes para cada uma na semana 17.

Em tempo, eu escrevi algumas semanas atrás um guia sobre como fazer desempates na NFL, seja entre dois times, seja entre três ou mais. Se estiver confuso ou quiser mais clareza sobre como funcionam esses desempates, vale a leitura.


Vagas em disputa na AFC


First seed

A disputa pela 1st seed da AFC e mando de campo ao longo dos playoffs é uma disputa entre dois times. O atual detentor da vaga é o Denver Broncos, que a 12-3 tem a melhor campanha da AFC. O Broncos, como já foi dito, já garantiu folga na primeira rodada - o 3rd seed atual, Bengals, tem "apenas" 10 vitórias e portanto não tem como alcançar o Broncos no primeiro lugar. Assim, a briga fica apenas entre o Broncos e a 2nd seed, New England Patriots. Denver tem uma vitória a mais, mas New England tem a vantagem no critério de desempate por causa do confronto direto. Ou seja, o Broncos só precisa de uma vitória sobre o fraco Raiders para garantir sua posição como melhor time da AFC. Para que o Patriots roube a posição, precisaria vencer o Buffalo Bills em casa E torcer por uma derrota de Denver. Qualquer outra combinação de resultados - ambos vencendo, ambos perdendo, ou qualquer um dos dois empatando - é suficiente para o Broncos terminar a temporada como a 1st seed.


Folga na primeira rodada

Como dito, o Denver Broncos já garantiu essa folga: mesmo que perca a 1st seed para New England com uma derrota, não pode ser alcançado por mais ninguém. Então considerando que uma das duas folgas de primeira rodada da AFC já está garantida, os três campeões de divisão restantes brigam pela outra.

Hoje, New England tem o controle dessa vaga - são 11 vitórias para o Pats, enquanto Bengals e Colts tem 10 cada. Uma vitória da equipe garante no mínimo a 2nd seed, e ai Bengals (que recebe Ravens) e Colts (que recebe Jaguars) brigam apenas para ser o time que não vai enfrentar o Chiefs na primeira rodada dos playoffs (chegaremos lá). No entanto, se o Patriots perder - o que permite que Bengals e Colts igualem seu total de vitórias - ai a disputa fica mais interessante. Tanto Colts como Bengals tem a vantagem em um desempate direto com New England (Bengals porque venceu o Patriots na temporada, Colts porque tem melhor record dentro da conferência), então caso Patriots e outro desses dois times percam e o outro vença, o que venceu garante a 2nd seed e derruba New England para #3 (e o outro time que perdeu fica com a #4). Se New England perder e ambos vencerem, ai temos um empate triplo entre Pats, Bengals e Colts. A primeira regra do desempate sempre é o confronto direto, e nisso Bengals tem a vantagem: venceu Pats e Colts já nessa temporada, então ficaria com a 2nd seed. Colts e Pats então teriam que fazer um desempate direto, e Colts tem a vantagem para a 3rd seed, derrubando NE para a 4th. Então múltiplos cenários podendo acontecer aqui, mas apenas New England controla seu destino.


O time que não enfrenta o Chiefs

Ou seja, quem garante a #3 seed e pode enfrentar o time que tanto lutou para classificar na 6th seed, ao invés de receber o 11-4 Chiefs que vai ter Justin Houston de volta. Isso já ficou implícito no tópico anterior, mas vai depender de uma combinação de resultados para ser determinada. Hoje esse time é o Bengals, que está 10-5 e venceu Colts no confronto direto. Mas ele ainda vai depender de se algum time conseguir passar New England e ficar com sua folga na primeira semana. Se os três times que podem ficar com a vaga - New England, Colts e Bengals - todos vencerem ou perderem, o atual detentor (Cincy) fica com a 3rd seed. Se New England vencer, o Bengals só não fica com a vaga em caso de derrota e vitória de Indianapolis. As combinações ficam mais complicadas se o Patriots perder, pois dai qualquer um dos três times pode ficar com a vaga. Perdendo Patriots e Colts OU Bengals, o time que venceu sua partida entra na 2nd seed e o Patriots escorrega para a 3rd seed, fugindo do Chiefs. E se New England perder e tanto Colts como BEngals vencerem, Cincinnati sobe para a 2nd seed e Colts "herda" a 3rd seed, empurrando o Chiefs para Foxborough para enfrentar o Patriots.


6th seed e última vaga do Wild Card

Ok, essa aqui vai dar trabalho. Então coloque um pouco de suco com gelo em um copo antes de prosseguir. E recomendo que se querem entender tudo, deem uma olhada nos detalhes dos critérios de desempate citados aqui. Eu espero.

De volta? Ok, ótimo. O cenário da briga pelo segundo WC da AFC é uma das coisas mais complicadas que eu já vi na NFL, e causou bastante estranheza essa semana pelo seguinte motivo: Baltimore e Miami, antes da rodada, estavam empatados em 8-6 e o Ravens estava levando a vaga. Domingo, Ravens e Miami perderam, Chargers venceu e empatou com eles em 8-7... e a vaga passou a ser de Miami.

O que aconteceu foi o seguinte: antes da semana 16, Miami e Baltimore eram os únicos times empatados em 8-6. Nesse caso, o primeiro critério de desempate era o confronto direto, e como Ravens venceu Miami na temporada regular, ficava com a vaga. No entanto, ambos perderam e San Diego venceu, o que gerou um empate triplo entre os times com 8-7, e os critérios de desempate para empates triplos são um pouco diferentes. Nesse cenário, o primeiro critério de desempate ainda é o confronto direto, mas ele só funciona caso algum time tenha vencido ou perdido para os outros dois - o que não era aplicável, considerando que Chargers e Ravens não se enfrentaram, e Miami venceu um e perdeu para o outro. Então passamos ao segundo critério de desempate, vitórias dentro da conferência. Nesse quesito, Miami está 7-4, Baltimore 6-5 e San Diego 5-6, então Miami fica com a vaga a partir do empate triplo.

(Nota: algumas pessoas e twitters por ai, erroneamente, disseram que a vaga era de Baltimore porque teria vencido Miami, que venceu San Diego, dando então ao Ravens vantagem no confronto direto. Mas a regra não funciona assim, não existe transitoriedade do confronto direto, só é válido se um time varrer todos os outros).

Então temos os seguintes times a considerar para a última vaga do WC:

- Miami Dolphins, 8-7, vs Jets
- Baltimore Ravens, 8-7, at Bengals
- San Diego Chargers, 8-7, vs Chiefs
- Pittsburgh Steelers, 7-8, vs Browns
- New York Jets, 7-8, at Dolphins

O Jets não disputa a última vaga, já está eliminado desde a semana passada, mas ele ainda é relevante por critérios malucos de desempate. Então agora temos que considerar um cenário muito maluco: nenhum dos times da AFC depende apenas de si mesmo para garantir vaga nos playoffs. Miami, mesmo ganhando, precisa que Ravens perca ou San Diego vença. Baltimore precisa que Miami ou San Diego perca (tem vantagem no desempate mano-a-mano contra ambos). E San Diego precisa que os outros dois percam além de vencer seu jogo. Isso nos deixa com uma infinidade de cenários possíveis, mas como eu sou um cara muito aplicado, vamos listar todos aqui:


  • Se Ravens, Dolphins e Chargers vencerem todos seus respectivos jogos, nada muda e Miami se classifica: o empate triplo persiste, o confronto direto não leva a nada, e o Dolphins teria o melhor record na conferência com 8-4.
  • Se apenas um desses três times vencer seus jogos, então obviamente ele vai levar a vaga para casa, pois chegará a 9-7 enquanto os demais competidores pelo WC ficam em 8-8.
  • Se Ravens e Dolphins vencerem e Chargers perder, os dois primeiros chegam a 9-7 e Baltimore se classifica pois tem vantagem no desempate direto (por ter vencido o jogo entre ambos).
  • Se Ravens e Chargers vencerem e Dolphins perder, os dois primeiros chegam a 9-7 e Baltimore se classifica pois tem vantagem no desempate direto (melhor record dentro da conferência, 7-5 contra 6-6).
  • Se Chargers e Dolphins vencerem e Ravens perder, os dois primeiros chegam a 9-7 e Miami se classifica pois tem vantagem no desempate direto (venceu o jogo entre ambos).
Caso os três times percam e ninguém chegue a 9-7, os cenários ficam ainda mais complicados porque dois outros times ainda podem chegar a 8-8 (e o Jets com certeza vai chegar pois teria vencido Miami nessa situação) e ai teremos não mais empates duplos ou triplos, mas empates quádruplos ou quíntuplos. Nesse caso, teremos dois cenários possíveis:

  • Ravens, Chargers e Dolphins perdem, Jets vence (Dolphins), e Pittsburgh vence. Nesse caso, temos os cinco times 8-8 e precisamos trabalhar em um desempate mais complicado. O primeiro passo é eliminar os times que sejam da mesma divisão através de um desempate direto: nesse caso, Jets elimina Dolphins porque tem melhor record dentro da divisão (3-3 contra 2-4), e Pittsburgh elimina Baltimore pelo mesmo motivo (4-2 contra 3-3). Ficamos então com um empate triplo entre Steelers, Chargers e Jets. Como ninguém ai tem vantagem ou desvantagem no confronto direto, passamos aos records dentro da conferência, e Steelers tem vantagem com seu 6-6 contra o 5-7 de Jets e Chargers. Portanto, Steelers fica com a vaga para os playoffs.
  • Ravens, Chargers, Dolphins e Steelers perdem, e Jets vence. Então ficamos com um empate quádruplo entre Ravens, Chargers, Dolphins e Jets. Como já vimos, Jets elimina Dolphins e ficamos com um empate triplo entre Ravens, Chargers e Jets. Ninguém tendo vantagem no confronto direto passamos ao record dentro da AFC, e Ravens tem 6-6 contra 5-7 de Jets e Chargers. Então Ravens fica com a vaga aos playoffs.
Esses são todos os cenários possíveis envolvendo o Wild Card da AFC para a Semana 17. Eu optei por fazer dessa maneira para deixar mais claro o processo envolvido nos desempates e facilitar a compreensão do leitor. Mas se você é apenas um torcedor desses times que está se lixando para processo e só quer torcer para seu time classificar, ofereço a você logo abaixo uma simplificação, listando o que precisa acontecer para cada time classificar:

Ravens: Classifica se vencer sua partida e Miami ou San Diego perderem seus jogos (ou ambos). Também se classifica se perder seu jogo, desde que Miami, San Diego e Pittsburgh também percam os seus.
Miami: Classifica se vencer seu jogo e San Diego também, independende de outros resultados. Também classifica se vencer seu jogo e Baltimore perder. 
Chargers: Classifica se vencer seu jogo, e Dolphins e Ravens perderem os seus.
Steelers: Classifica se vencer seu jogo e Ravens, Dolphins e Chargers perderem os seus.


Vagas em disputa da NFC


NFC West

O Seattle, a 12-3 e detentor da 1st seed da NFC atualmente, não pode mais ser derrubado para a 2nd seed por ninguém, seja Saints, Panthers ou quem quer que seja. A 2nd seed, Panthers, ainda pode atingir suas 12 vitórias, mas como foi derrotado no confronto direto logo na primeira semana, não vai ficar a frente do Seahawks. Mas ainda tem uma forma pela qual o Seattle pode cair na NFC, e é perdendo o título de divisão para o San Francisco 49ers.

San Francisco é o time que pode derrubar Seattle da 1st seed para a 5th seed com alguma ajuda da sorte. Essa ajuda já começou, na verdade: San Francisco precisava que Arizona vencesse Seattle fora de casa essa semana. Agora o Hawks caiu para 12-3, enquanto que o Niners está 10-4 antes de jogar contra o Atlanta Falcons no Monday Night de hoje. Uma vitória hoje colocaria San Fran com os mesmos 11-4 de Carolina e com a chance de empatar o record do Seahawks com uma vitória sobre o Cardinals na semana 17 e uma derrota dos rivais para o Rams. Mas ao contrário do Panthers, o Niners tem uma vantagem sobre Seattle nos critérios de desempate: os dois times dividiram a série na temporada regular (cada time venceu em casa), mas San Fran tem 4-1 de record dentro da divisão (Seattle tem 3-2). Então se ambos empatarem em record (de novo, possível se SF vencer hoje e domingo que vem, e Seattle perder na semana 17) o time de Jim Harbaugh iria assumir o topo da divisão e derrubar seus rivais para o Wild Card.


NFC South

Apesar da vitória de Carolina sobre New Orleans ontem que colocou os Panthers na liderança da divisão (11-4 contra 10-5 do rival), essa divisão ainda pode ser vencida por qualquer um dos dois times. Naturalmente, Carolina só depende de uma vitória na última semana sobre o Falcons (em Atlanta) para garantir o título da divisão, mas caso perca e New Orleans vença seu jogo contra o Bucs (em casa), ambos os times ficam 11-5 mas o Saints leva a divisão por estar 5-1 dentro da divisão (contra 4-2 do rival).


NFC East

Não tem como ficar muito mais fácil do que isso: Eagles está 9-6, Cowboys está 8-7 e tem a vantagem do desempate. E os times se enfrentam em Dallas na Semana 17 (Sunday Night, btw), o que significa que quem vencer vai aos playoffs, e quem perder volta para casa. Como ficar melhor?!


NFC North

Basicamente a mesma situação da NFC East: Chicago está 8-7, Green Bay está 7-7-1, e ambos os times se enfrentam em Chicago na Semana 17 nas mesmas condições - o vencedor vai aos playoffs, o perdedor vai para casa.


Vagas do Wild Card

Com uma vitória hoje a noite, San Francisco garante sua vaga nos playoffs, e considerando o cenário da NFC West, garante que ou SF ou Seattle terão a primeira das vagas no WC. Isso deixaria o Cardinals olhando de fora para a única vaga que resta, e podendo ultrapassar apenas o Saints para chegar aos playoffs (Carolina pode se classificar como wild card e não campeão de divisão, mas não pode ser ultrapassado por Arizona. Leia lá em cima para os detalhes). Nesse cenário, o Saints controlaria seu destino - só precisa vencer Tampa Bay para se classificar - enquanto Arizona, por ter desvantagem no confronto direto, precisaria vencer seu jogo E torcer por um tropeço de New Orleans para ficar com a vaga.

Se o Niners perder hoje a noite, fica mais complicado. Para começar, New Orleans fica praticamente classificado. Digo "praticamente" porque ainda seria possível perder seu jogo e SF e Arizona empatarem, classificando ambos os times da NFC West com 10-5-1... mas considerando o quão raros são empates na NFL, acho que esse cenário é bem improvável. SF e Arizona se enfrentando significa que o vencedor se classificaria com 11-5, enquanto o perdedor ficaria com 10-6 e estaria eliminado mesmo com a derrota de New Orleans (que venceu ambos os times ao longo da temporada). Então tirando o cenário maluco do empate, o Saints estaria garantido nos playoffs e SF e Arizona decidiriam em um confronto direto quem fica com a vaga final.


First seed e folga na primeira rodada

O vencedor da NFC East não pode terminar o ano acima de 10-6 e o da NFC North não passaria de 9-7, então considerando que Seattle e Carolina já estão respectivamente 12-3 e 11-4, as duas primeiras seeds e folga na primeira rodada já estão garantidas para os campeões da NFC South e da NFC West. O que interessa, portanto, é a ordem.

Se Seattle vencer a NFC West por qualquer motivo que seja - porque venceu seu último jogo ou porque SF não venceu um de seus dois restantes - então ele já tem a 1st seed garantida (de novo, só Carolina poderia empatar seu record com 12 vitórias mas tem desvantagem no confronto direto) e o vencedor da NFC South ficaria com a 2nd seed.

A questão só começa a ficar interessante se SF vencer a NFC West (e portanto venceu seus dois últimos jogos e Seattle perdeu o seu), derrubando Seattle para a 5th seed. Nesse cenário, SF terminaria o ano 12-4, e portanto para determinar a ordem das duas primeiras seeds precisariamos saber quem venceu a NFC South. Se Carolina venceu sua partida, e portanto a divisão com 12-4, o Panthers ficaria com a 1st seed e SF com a 2nd, pois tem vantagem no confronto direto. Se Carolina vencer a divisão com 11-5 (ou seja, perdeu na semana 17 mas Saints também) ou se New Orleans levar o título da South (pelos cenários já descritos), então SF garante a 1st seed e qualquer um dos dois que vença a NFC South fica com a 2nd seed.


3rd e 4th seeds

Como os campeões das divisões South e West já tem garantidas as duas melhores seeds, as duas intermediárias ficam para os vencedores das divisões North e East. Quais ficam com quem, vai depender de quem vencer cada uma. Temos três questões a serem consideradas. Primeiro, se Philadelphia vencer a NFC East, ele automaticamente garante a 3rd seed, já que nenhum time da NFC North poderia igualar seu record de 10-6 (ficando com a 4th). Segundo, se o Packers vencer a NFC North, ele automaticamente fica com a 4th seed, já que nenhum time que possa vencer a East teria um record inferior ao seu 8-7-1. Por fim, se Cowboys vencer a East E o Bears vencer a North, então Chicago fica com a 3rd seed e Dallas com a 4th, pois ambos teriam o mesmo record (9-7) mas Chicago tem vantagem no confronto direto.


Espero que tenha ficado tudo claro, ou pelo menos tão claro quanto possível nessas regras malucas. Qualquer dúvida, por favor coloquem nos comentários que tentarei responder. E boa sorte a todos na Semana 17, espero que nos encontremos nos playoffs!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O retorno do Mailbag

Foi mal, mas eu tinha que dar um jeito de colocar essa imagem aqui


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Ok, enfim chegou a hora do nosso primeiro mailbag de 2013. O formado do mailbag é simples: você manda um email com uma dúvida/pergunta/comentário/whatever e eu publico e respondo/comento. Já tínhamos feito uma vez, e achamos hora de fazer de novo. Se tivermos emails suficientes, faremos mais um muito em breve, então mandem os seus emails. Para participar é muito fácil, é só enviar sua dúvida/pergunta/comentário/whatever para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", e se quiser, seu nome/sobrenome e cidade para identificação (também pode mandar como anônimo ou como bem entender). Os melhores ou mais interessantes serão publicados aqui e no Esporte Interativo, e é uma forma descontraída de conversar sobre o assunto e interagir com os leitores. Então mandem seus emails para o nosso próximo mailbag, alguns podendo inclusive ser lidos durante a transmissão dos jogos da NFL no EI. Nesse mailbag acabei dando preferência pelas respostas mais longas porque eram poucas as perguntas, mas se tiverem mais perguntas a ser respondidas, vou começar a diminuir o tamanho para responder o máximo possível.

Lembrando também que esses são todos emails reais de pessoas reais, e que alguns foram reescritos (ou editados) para corrigir erros de gramática ou abreviações (já que esse texto também vai no Esporte Interativo e para tal é preciso manter a qualidade) - não entendam como algo pessoal. A identificação de cada um também depende de como está no email, alguns mandaram apenas o primeiro nome e outro nome completo e cidade. Btw, algumas perguntas estão em duas partes, então foram respondidas como perguntas separadas para evitar confusões. Então vamos começar.



Q: Então, amigo, costumo assistir regularmente o SportsCenter americano (na verdade, não só ele) e hoje fizeram uma enquete interessante: Quais os times que seriam mais confiáveis a chegar a um Super Bowl. Dentre os times, escolheram Chiefs, Seahawks, Broncos e Colts. Os dois primeiros são compreensíveis, já que possuem bons quarterbacks e defesas extramamente dominantes, e o Broncos tem Peyton Manning com um grupo de recebedores incrível. Porém, o que realmente me chamou a atenção foi a escolha do Colts. Com exceção do quarterback, o Colts não possui um bom time no papel, principalmente depois da perda do Reggie Wayne, que foi o terceiro recebedor mais viu a bola ir em sua direção desde a semana um da temporada passada, quando o Andrew Luck entrou na liga. O grupo de running backs não é sólido, a linha ofensiva pode até não permitir muitos sacks, mas não o faz pela habilidade que o seu quarterback tem de escapar do pocket e ser preciso fora dele ou correr com a bola, não possui uma defesa de sólida, embora tenha conseguido segurar o ataque do Broncos, nem um grupo de recebedores consistente. Dai vem à mente um dos maiores clichês do futebol americano: “Ataque ganha jogos, defesa ganha campeonatos.” O Colts não tem um bom ataque e nem uma boa defesa, a ESPN não foi exagerada ao colocá-los na enquente? Quais as chances que eles realmente têm de chegar à grande final da liga esse ano, levando em consideração que apenas um desastre os tira dos playoffs esse ano e as estatísticas que você analisa rotineiramente? - Glaydson Prado, Fortaleza, CE


TMW: A primeira coisa que eu sempre defendo quando falamos dos playoffs da NFL é que, dos 12 times que se classificam, praticamente qualquer um deles pode chegar a ser campeão. Eu escrevi bastante sobre isso no preview que fiz do Baltimore Ravens, quando expliquei que o fato do time ter sido campe ão não significava nada para o futuro. O raciocínio é bem simples: os playoffs são apenas quatro (talvez três) jogos por time para chegar ao Super Bowl, e essa é uma amostra EXTREMAMENTE pequena. Durante todos os 32 previews que fizemos, uma das coisas que eu tentei deixar clara é que os 16 jogos da temporada constituem uma amostra muito pequena, o que significa que entre as coisas que influenciam os resultados finais (em especial records) estão diversas coisas aleatórias que estão fora do controle das equipes, que dependem de sorte ou azar e que não servem em nada para mostrar se um time foi bom ou ruim. Quando você tem uma amostra grande o suficiente, a tendência é que essas coisas aleatórias se normalizem e se "cancelem", mas 16 jogos não é uma amostra grande o suficiente para isso. E se 16 já não são suficientes, o que dizer sobre os quatro dos playoffs? A influência dos fatores aleatórios é grande demais e coloca um peso muito maior em outliers, e portanto qualquer time pode aproveitar isso por três ou quatro jogos para ser campeão. Depois de cinco anos sendo um QB medíocre, Joe Flacco teve uma incrível pós-temporada para levar o time ao título do Super Bowl... e agora está tendo uma das piores temporadas da sua carreira, de forma que aqueles três jogos da pós-temporada aparecem como um enorme outlier. Em 2011, o fator oculto por trás do título do Giants foi que nos três últimos jogos dos playoffs o time recuperou 8 dos 10 fumbles que aconteceram, inclusive todos que eles mesmos sofreram (e o único que não recuperaram, um fumble de Brandon Jacobs que daria a vitória na Final da NFC ao 49ers, foi marcado como down by contact), um claro caso de sorte em um fator aleatório já que já vimos que tende a 50%. Então nos playoffs isso importa e muito, e qualquer time competente pode ter uma boa dose de sorte ou então pegar fogo por tempo suficiente para levar o título. Então só por isso já seria suficiente dizer que o Colts tem uma janela para ser campeão.

Dito isso, eu escrevi sobre o Colts semana passada e expliquei os motivos por trás desse bom começo. O texto inteiro está aqui, mas se quiser um resumo, basicamente é esse: o Colts é um time com uma defesa decente (não espetacular, mas que consegue fazer algumas coisas bem), que consegue pressionar bem o QB (uma habilidade importantíssima nos playoffs) e que estava mostrando ser capaz de atacar os pontos fracos de diferentes tipos de adversários. E além disso, o Colts tem um ataque muito bom, ao contrário do que você disse: é o quinto melhor da NFL em DVOA. Em particular, o time tem sido muito bom correndo com a bola: Andrew Luck é o segundo QB mais valioso da NFL correndo com a bola em 2013, e a linha ofensiva tem sido dominante quando precisa bloquear corridas (e ruim quando precisa bloquear o passe), levando o time a uma boa marca de 4.5 jardas por corrida - #2 na NFL em DVOA, um número que provavelmente seria maior se o Colts parasse de insistir tanto no fraco Trent Richardson e desse mais a bola para Donald Brown. E também ajuda que o Colts já tem um dos cinco melhores quarterbacks da NFL em Andrew Luck, um jogador que ajuda demais nesse ataque terrestre (6.5 jardas por corrida) e é um dos melhores passadores do mundo e quinto na NFL em QBR. Então eles basicamente tem uma defesa decente com um bom pass rush e um ataque bastante sólido com um QB de elite... para mim é uma boa receita para um bom time quando chegar Janeiro.

O problema, claro, é a lesão de Reggie Wayne, que vai ser muito difícil de substituir (leia o texto para os detalhes) ainda mais considerando que o time optou por não fazer nenhuma troca na deadline. É impossível substituir Wayne com os jogadores que o time tem no momento e isso vai diminuir muito a força do seu jogo aéreo (meu palpite é que o time vai se focar mais nas corridas e nos passes curtos agora), o que naturalmente torna esse time pior e diminui as chances do time quando chegarmos nos playoffs. Mas considerando que o time ainda tem Luck, Robert Mathis e um bom técnico, e considerando todos os fatores aleatórios que aparecem nos playoffs para favorecer alguns times, é impossível descartar o Colts como um possível candidato ao Super Bowl. Não são mais favoritos sem Wayne, mas ainda são candidatos.

Sobre quais os times mais confiáveis, é difícil dizer nesse momento. Broncos ainda tem Peyton Manning e o Seattle ainda tem aquela defesa, mas a secundária de Denver é suspeita e o ataque aéreo finesse do time não é o mais adequado para o clima gelado de janeiro, e o ataque de Seattle tem parecido muito medíocre as vezes (em particular sua linha), então os dois tem falhas que podem ser destacadas de forma mais decisiva em Janeiro. Nesse exato momento, o time mais confiável da NFL seria o Saints, um time que tem um QB de elite, uma defesa sólida, um excelente técnico e é basicamente o time mais completo da NFL. Não quer dizer que o Saints seja o MELHOR time da liga, mas é o time mais difícil de ser tirado dos playoffs por conta de um missmatch desfavorável ou algo azar específico porque me parece ter menos pontos fracos do que qualquer outro time.


Como torcedor dos Ravens, já esperava que Flacco voltasse a realidade, que a defesa iria melhorar e que Boldin faria muita falta. No entanto o que não esperava e para mim é o maior responsável pela fraca temporada, foi a queda brutal do jogo corrido. Ray Rice claramente teve uma queda de produção e a linha também. Minha dúvida é: Até que ponto essa queda do ataque corrido é culpa do Rice e da linha ofensiva que tem dificuldade em abrir espaço? E quanto é culpa da falta de produtividade do ataque aéreo que permite as defesas focarem mas no jogo corrido; bem como o quanto usar Tory Smith no slot (em algumas jogadas) diminuí o campo que a defesa precisa cobrir e prejudica ainda mais o jogo de corrida. - Hennan Santos


Considerando que nos últimos dois anos o Ravens teve uma média de 4.3 jardas por corrida e ficou em 10th e 7th em ataques terrestres por DVOA (em 2011 e 2012, respectivamente), com Ray Rice tendo médias de 4.7 e 4.4 jardas por corrida, realmente é difícil engolir essa queda brutal para 2013, com o time tendo o segundo pior ataque terrestre da liga (em DVOA) e inacreditáveis 2.8 jardas por corrida, a pior marca da NFL atrás até mesmo de Jaguars, Giants e Falcons. Então houve realmente uma queda muito significativa no jogo terrestre, e eu concordo com o Hennan quando ele diz que essa queda de produção é um fator significativo na fraca temporada do Ravens.

Claro que é realmente difícil separar exatamente o impacto de cada coisa, o máximo que podemos fazer é analisar alguns dados e um pouco de vídeo para dar um palpite educado. A linha ofensiva é geralmente um bom ponto de partida: em 2011 e em 2012, em jogadas de corrida, a linha ofensiva do Ravens foi muito bem, terminando em sexto lugar de acordo com as estatísticas do grande Football Outsiders. Em 2013... é a pior da NFL por uma considerável margem. Olhando mais de perto, fica ainda pior: ela é a pior linha ofensiva em bloqueios, a pior bloqueando LBs (o que faz com que eles tenham caminho mais livre ao LB), e a terceira pior abrindo espaço em corridas pelo meio. Basicamente é um festival de ruindade, e fica muito mais difícil para um RB correr quando não tem ninguém abrindo espaço.

Mas essa estatística não é perfeita porque ela não acontece em um vácuo. Além de coisas como bloqueios bem sucedidos ou não, ela também leva em considerações coisas que ela não tem um controle total, como por exemplo primeiro contato da defesa com o RB - algo que pode ser piorado por um RB menos explosivo ou menos inteligente achando buracos ou uma defesa que sobrecarrega a linha de scrimage. E é importante também observar que Ray Rice está tendo um ano horrível por seu próprio mérito: suas 2.8 jardas por corrida é de longe a pior marca da sua carreira e também a segunda pior marca da NFL entre RBs com pelo menos 50 corridas... com Bernard Pierce, seu colega, sendo o último com 2.77 (mais uma evidência de que a OL não tem feito seu trabalho). Mas Rice também não parece o mesmo jogador, com as piores marcas da carreira em jardas por recepção (4.8) e em jardas recebidas por jogo (19). Ray Rice sempre foi excelente recebendo passes, com sua velocidade e agilidade lhe permitindo achar espaços e arrancar ganhos longos, mas esse ano ele parece um pouco lento e mais indeciso nos movimentos, nem de longe o jogador explosivo do ano passado - e isso mesmo quando recebe a bola em espaços abertos, ele não está conseguindo mais se livrar da cobertura dos LBs. Rice tem apenas 26 anos e é difícil acreditar que já esteja entrando na decadência, possivelmente é só um ano outlier, mas fato é que ele não tem ajudado sua própria causa.

Por fim, eu vi bastante vídeo do Ravens ao longo do ano e posso afirmar que de fato existe um ajuste feito pelas defesas nesse sentido - embora não seja tão significativo como por exemplo o que fazem contra o Vikings. Tendo perdido Anquan Boldin, o que aconteceu foi o que você disse, estão colocando um pouco mais o Torrey Smith para jogar pelo meio porque ele é bom o suficiente para render assim, mas os resultados não são muito bons para o time: tirar Torrey da sua posição normal tira a principal deep threat, de forma que compromete bastante o espaçamento do campo porque ninguém vai respeitar os demais WRs do time em profundidade como o respeitam, e Smith não é tão eficiente pelo meio do campo como Boldin ou mesmo Dennis Pitta eram, então basicamente você perde nas duas áreas mais importantes do jogo aéreo da equipe nos últimos dois anos. Isso está fazendo com que muitos times voltem atenções para a linha e desafiem o time a vencer passando, e Flacco não tem conseguido - seu QBR é o seu pior desde a temporada de calouro.

Então como geralmente acontece nesses casos, é uma combinação de vários fatores e não apenas um: Rice está muito pior do que nos últimos dois anos, a linha ofensiva está muito mal, e as defesas estão dedicando essa atenção extra ao jogo corrido. Vendo os números e alguns vídeos, a impressão que me passa é que o fator mais significante realmente é essa queda imensa na efetividade da linha ofensiva, que realmente está jogando em um nível muito ruim. Não é o único fator, como já disse são principalmente três, mas é o que me parece o mais relevante nesse momento. A diferença é muito brutal e os números ruins do Bernard Pierce colaboram para essa conclusão.


Quais são as três maiores rivalidades em cada um dos quatro esportes americanos? - Antonio Carlos


Bom, é difícil cravar exatamente quais são as maiores rivalidades, porque essas coisas mudam com o tempo. Ao longo dos anos 2000, uma das maiores rivalidades da NFL foi Colts e Patriots, mas antes de Tom Brady e Peyton Manning surgirem nenhuma dessas duas franquias ligava para a outra. Então você tem algumas rivalidades históricas que estão um pouco dormentes, e algumas rivalidades atuais com base nos momentos das equipes que não tem tanta relevância histórica.

No baseball, essa pergunta é mais fácil porque o jogo está ai a mais tempo, então teve mais tempo para surgirem essas rivalidades. A maior de todas elas, é claro, é Boston Red Sox e New York Yankees, talvez a maior nos esportes americanos. Depois dessa tem o San Francisco Giants e Los Angeles Dodgers, que vem desde a época que ambas eram de NY (NY Giants e Brooklyn Dodgers). Tem várias outras que merecem a terceira vaga, mas fico com Mets-Yankees pela rivalidade regional.

Na NBA, a maior rivalidade provavelmente é Celtics-Lakers por causa dos tempos que Bill Russell derrotava Jerry West e Elgin Baylor todo santo campeonato, e depois por causa de Magic e Larry Bird nos anos 80. Outra rivalidade que vem desde os primórdios da NBA também envolve o Celtics, dessa vez com o New York Knicks. A terceira acho que depende muito de qual período histórico você considera, não consigo pensar em alguma que tenha perdurado os 60 anos da NBA como essas últimas duas: Pistons-Celtics, Pistons-Bulls, Bulls-Knicks, Knicks-Pacers, Lakers-Sixers, entre outras. Pistons-Bulls provavelmente seria mais significativa porque foi a que mais envolvia o lado pessoal nos jogos, mas nenhuma dessas outras aguentou o teste dos anos. Knicks e Nets está promissora entre as atuais desde que o Nets se mudou para o Brooklyn, por exemplo.

A NFL não é tão velha para gerar grandes rivalidades assim, elas dependem mais de momentos: Colts/Patriots, Ravens/Steelers, etc. A maior historicamente sempre foi Bears e Packers, que brigavam desde antes da criação do Super Bowl, e acho que é a única que sempre foi importante e dura até hoje. Giants e Dallas também são rivais amargos já faz algum tempo, e iria de Ravens-Steelers pela sua significância nos últimos 15 anos. Mas a NFL vive mais de rivalidades de momento, como por exemplo 49ers-Seahawks, Patriots-Giants, Saints-Falcons e por ai vai, rivalidades irrelevantes 15 anos atrás mas que agora ganham destaque pelos times se enfrentarem constantemente.

Por fim, a NHL não é minha especialidade, conheço pouco. Pelo que eu conheço, diria que Boston Bruins/Montreal Canadiens, Bruins e NY Rangers (Boston vs NY aparece um pouco, como vocês podem reparar) e Canadiens-Toronto Maple Leafs pela rivalidade regional, mas aqui posso estar falando besteira. Realmente não é minha área.


As pessoas se referem ao Tom Brady, ao Drew Brees e ao Peyton Manning como os melhores quarterbacks da NFL. Por que não ao Big Ben? Qual é a diferença entre o Big Ben para os outros três? - Antonio Carlos

Bom, acho que principalmente porque esses três são QBs melhores de modo geral: são mais precisos nos passes, são melhores lendo defesas e tomando decisões rápidas, e conseguem ser mais consistentes durante mais tempo sem cometer tantos erros. Eles são superiores nas pequenas coisas (um passe um pouco mais difícil com mais precisão, maior velocidade tomando decisões, melhor lendo defesas e explorando pontos fracos) e não é o tipo de coisa que de para falar muito sobre - é o tipo de coisa que você vê quando os assiste jogar ou vê nos pequenos números. Por exemplo, Big Ben tem o pior aproveitamento entre esses quatro, o único com TD% abaixo de 5 (4.9, para ser exato) e o maior Int% (2.9). Se você gosta de rating, seu 92.3, ainda que excelente, é o menor dos quatro (94.9, de Brees, é o segundo menor). O maior problema de Ben é que ele segura um pouco demais a bola e sofre mais sacks que os demais, menos eficiente quando precisa tomar decisões rápidas e se livrar da bola com velocidade, mas mesmo isso ele compensa sendo excelente fugindo de tackles e ganhando tempo no pocket.

O problema com Ben é que as pessoas consideram ele como sendo bastante inferior a esses três QBs de elite,  um QB de segundo escalão, mas não é verdade: Big Ben é um excelente QB em seu próprio mérito. 63% de aproveitamento, embora não seja alto, é um número muito bom para um QB de braço forte e que lança tantas bolas em profundidade como ele - de fato, seu braço forte é tão espetacular que mesmo completando menos passes do que Brady/Brees/Manning, ele tem o melhor número de jardas por passe do que todos esses na carreira com 7.9, e lidera os três em jardas por passe completado por mais de uma jarda de vantagem. Seus números em QBR são menores (embora todos bons, entre 65 e 70 até esse ano) principalmente porque ele toma muito sacks, já que ele não é tão bom tomando decisões e se livrando rápido da bola, mas vale citar que ele jogou sua carreira inteira atrás de uma linha ofensiva horrorosa que não lhe dava o tempo que um QB com braço forte precisa. E se estamos dando crédito para essas coisas, vale citar que Big Ben foi um jogador crucial em dois títulos do Steelers e fez um dos passes mais espetaculares da NFL desde a The Catch - mas ao contrário de outros jogadores que pegaram fogo em um ou dois playoffs para acabar com um anel, como Eli Manning ou Flacco, Big Ben tem os números de temporada regular (em uma amostra muito maior) para mostrar que não foi acaso ou um outlier.

Então sim, Big Ben não está no nível desses três futuros Hall of Famers que você citou. Mas o problema não é Ben e sim esses três que são QBs historicamente bons. Big Ben é um QB de elite e, depois de Brees, Brady, Manning e TALVEZ Aaron Rodgers, ele é o melhor quarterback dos últimos 10 anos na liga.


Se você pudesse escolher entre quebrar um braço para ver seu time ser campeão ou deixar para a sorte, o que você escolheria? - Alberto Passanante

O esquerdo ou o direito?


Depois de começar a assistir futebol americano, fiquei com vontade de jogar e estou procurando um time da minha cidade para entrar! Você já jogou futebol americano ou algum dos outros esportes que você fala? Jogava onde? - Mateus Alves Ferreira, Curitiba

Bom, antes de mais nada, se alguém tiver um time de Curitiba para sugerir ao Mateus, aproveite os comentários para fazer o seu jabá.

Segundo, eu já joguei um pouco dos três, embora em níveis diferentes. Basquete eu só fui jogar depois de mais velho, nunca gostei tanto de jogar até mais ou menos a época que eu terminei o colegial. Depois acabei entrando na faculdade, comecei a jogar mais (tanto na faculdade como fora) e peguei gosto pela coisa, de vez em quando encontro com alguns amigos para jogar pick up ou mesmo 1-1 na quadra perto de casa. Mas nunca treinei formalmente ou joguei por um time, só com os amigos e sem compromisso mesmo, seja perto de casa, na faculdade ou em algum parque. Btw, como não entendi se esse "Jogava onde?" se refere a algum time/clube ou posição, vou responder as duas: eu jogo principalmente de armador porque sou baixo, rápido e não sei arremessar direito, mas dou uns passes bacanas. Onde, bom, em qualquer lugar que tiver uma quadra.

Futebol americano eu jogava muito no colegial, quando eu aleatoriamente descobri que um bom pessoal do meu ano gostava do futebol da bola oval. Um dia um deles (o atual jogador do Spartans, Renato Perito, grande cara) levou uma bola, a gente montou dois times para jogar no campo, e o resto foi história. A gente jogou durante praticamente todo o colegial depois disso, sempre que tinha alguma brecha, e chegamos até mesmo a montar um time para jogar a liga paulista de flag na divisão de acesso (grande abraço para o Bernardo, Allan, Bola e todos os que jogavam comigo na época, gente demais para colocar o nome aqui, mas que sabem quem são). Eu era principalmente WR e cornerback, embora as vezes jogasse de QB porque não tinha ninguém para fazer o papel. Depois que me formei, só jogo com alguns amigos eventualmente no Ibirapuera e no nosso desafio anual São Paulo vs Resto do Brasil, o famoso SuriBowl.

Baseball eu joguei só quando estive de intercâmbio no Canadá alguns meses, o colégio onde eu fiquei tinha um time (na verdade dois: um "principal" e um para desenvolvimento) e como não tinha de futebol americano, entrei nele para testar. É uma das coisas mais difíceis que eu já fiz, mas é extremamente divertido de jogar, recomendo a todo mundo que goste de esportes. Joguei em todas as posições lá (ordens do técnico), mas principalmente no OF ou na 2B. Desde que voltei nunca mais joguei, embora o meu amigo Thiago Kayano (https://twitter.com/yzmmayo) esteja sempre dando algumas dicas no twitter dele de times para quem tiver interesse em começar no esporte. Para quem tiver curiosidade, eu recomendo dar uma olhada.


That's all, folks. Pelo menos por enquanto. Mandem seus emails para o próximo mailbag!

PALPITES PARA A RODADA PROVAVELMENTE VIRÃO HOJE MAIS TARDE OU, EXCEPCIONALMENTE, AMANHÃ!!





terça-feira, 23 de julho de 2013

Preview NFL 2013 - Baltimore Ravens

"120 milhões, fuck yeah!!"



Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East e os previews da NFC East para a temporada 2013 da NFL, é hora de voltar para a AFC e falar da divisão North e do seu principal representante, o atual campeão do Super Bowl, Baltimore Ravens. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Baltimore Ravens

2012 Record: 10-6
Ataque ajustado: 13th
Defesa ajustada: 19th


Não existe time mais difícil de falar do que um time que acabou de ganhar o Super Bowl, especialmente se for um Super Bowl que poucas pessoas esperavam, como é o caso do Baltimore Ravens. Não porque exista muita incerteza como nos casos que falamos ontem sobre o Eagles, mas porque as pessoas muitas vezes não entendem como a pós-temporada tem pouco valor analítico. Algumas pessoas adoram apontar que pouca gente previa o título do Ravens antes dele acontecer e, se estamos falando que o Ravens não vai ser tão bom assim em 2013, que vai regredir ou qualquer coisa parecida, de repente é porque "não gostamos" ou "sempre subestimamos" o time porque também ninguém tinha dito que seriam campeões antes. Mas como já falamos um pouco no texto sobre o Giants, o valor amostral da pós temporada é quase zero (tirando casos extremos). Para qualquer análise de qualquer tipo, uma coisa fundamental é ter uma amostra grande, para que a quantidade de dados seja grande o suficiente para compensar tudo que foi gerado pelo acaso ou por fatores aleatórios (ou próximos disso). Como temos visto repetidamente ao longo desse preview e vamos ver muito mais indo para frente (esperem até chegarmos no Lions, no Bears e no Colts), 16 jogos é uma amostra extremamente pequena e sujeita a enormes influências de fatores além do controle das equipes. Se 16 jogos já é uma amostra pequena com influências enormes de acasos e sorte, o que dizer então de três ou quatro, especialmente quando um jogo já serve para eliminar um time? Muitos estudos (meu favorito sendo do Football Prospectus) já mostraram que a maior parte das discrepâncias entre temporada regular e playoffs na temporada dos times é majoritariamente aleatória e não se carrega de uma temporada a outra. Então sim, o Ravens teve uma ótima pós-temporada e foram campeões. Mas isso não significa nada em relação a temporada regular de 2012 e muito menos para a de 2013.

Se não acreditam, pensem da seguinte maneira. O Ravens ganhou o Super Bowl e de repente viraram a reencarnação do Niners de 1989 (o melhor time a pisar nessa Terra). Mas se na segunda rodada Rahim Moore não comete um dos erros mais grotescos dos últimos playoffs furando um quase hail mary para Jacoby Jones nos segundos finais, o Ravens teria perdido o jogo, sido eliminado, e provavelmente chamado de amarelão pelos próximos anos. Mas Moore furou (curiosidade do dia: Moore foi a pick que o 49ers enviou no Draft de 2011 para o Broncos para subir na segunda rodada e selecionar Colin Kaepernick), o Ravens empatou, ganhou o Super Bowl três semanas depois, e Joe Flacco virou Azor Azhai renascido (para quem lê Game of Thrones essa). Sem falar em todas as coisas que deram certo para o Ravens entre o TD do Jones e o título, mas basicamente toda essa história de sucesso do Ravens na pós temporada dependeu de uma jogada sob a qual eles tiveram zero controle, no caso a furada de Moore. Três centímetros a mais e aquele passe vira incompleto e todo o resto nunca acontece. Não estou falando que o Ravens não devesse ou não merecesse ser campeão, que seja um time ruim ou algo assim, que fique claro. Só estou falando que, nos playoffs, o que acontece tem uma influência de acasos muito grande em uma amostra muito pequena, de forma que o que nele acontece é muito mais irrelevante para análise do que os 16 jogos da temporada regular. Tenham isso em mente, ok?

A boa noticia para o Ravens é que, como eles ganharam o Super Bowl, eles estão praticamente garantidos nos playoffs desse ano e... Ah, espera, não é verdade também. Desde o primeiro título do Patriots em 2001, cinco dos onze campeões do Super Bowl perderam os playoffs na temporada seguinte (01' Pats, 02' Bucs, 05' Steelers, 08' Steelers, 11' Giants) e só um (03' Pats) repetiu o título, então realmente não tem nenhuma garantia nisso. O que, vamos reforçar pela milionésima vez, não quer dizer que o Ravens não possa classificar aos playoffs ou não possa repetir o título, só que uma coisa não garante a outra.

O Ravens, em particular, é um caso estranho porque foi um time que mudou muito entre seu título do Super Bowl e a temporada seguinte. Depois de mais de uma década de dominação por conta de sua forte defesa (liderada por Ray Lewis), a equipe decidiu logo após o Super Bowl se livrar de diversos dos seus veteranos e remodelar o time em diversos aspectos. Muita gente criticou duramente o Ravens se livrando de alguns jogadores, perdendo outros na Free Agency, dando um enorme contrato ao Flacco e basicamente parecendo sem energia e letárgico nessa offseason. Mas já que estou aqui, vamos aproveitar e explicar exatamente os motivos que levaram o Ravens a tudo isso, e vamos ver que, no final, faz bastante sentido. Você pode concordar ou não, claro, mas faz sentido.

Após o título do Super Bowl, o Ravens não era um time preso com o mesmo problema do Giants ou do Cowboys - ou seja, um time estourado no teto salarial que precisava se virar só para entrar no teto do ano que vem, e que precisava dispensar jogadores ou não renovar com outros para não estourar o salary cap. O problema do Ravens era outro: era um time com um núcleo velho, e com vários jogadores jovens e promissores atingindo a Free Agency (mais notavelmente Joe Flacco) e que iriam comandar contratos caros e longos caso o Ravens quisesse mantê-los. Ao mesmo tempo, o Ravens já tinha no lugar um núcleo bastante velho que ocupava uma boa parte do teto salarial, e seria impossível para franquia manter todo mundo. O que o excelente GM Ozzie Newsome provavelmente concluiu após o título é que aquele grupo liderado pelos veteranos já tinha atingido seu auge e seu limite, e que se continuasse com aquele núcleo ele só iria decair com o passar dos anos enquanto ocupava seu teto salarial. Com jovens jogadores como Cary Williams, Paul Kruger e Danell Ellerby virando Free Agents (e Flacco exigindo uma enorme extensão), a decisão de Newsome simples: limpar os veteranos da equipe, que já estavam em decadência e dificilmente contribuiriam em alto nível por mais muito tempo, como uma forma de limpar o espaço salarial para acomodar os novos contratos desses quatro.

Então foi por isso que o Ravens, aproveitando a aposentadoria de Ray Lewis, correu para dispensar Ed Reed, Bernard Pollard e trocar Anquan Boldin (eu discordo dessa última, btw, mas enfim) foi porque Newsome acreditava que seu elenco velho tinha atingido seu limite, e precisando limpar espaço salarial para os novos contratos eles foram as casualidades. Os três provavelmente ainda tinham lenha para queimar, mas se fosse para manter eles por mais um ou dois anos, perderiam a chance de renovar com seus jogadores mais jovens, e eles preferiram manter os jovens por mais tempo do que os veteranos por menos.

O Ravens logo correu para fechar a extensão de Flacco, tornando-o o jogador mais bem pago da NFL. Ainda que Flacco provavelmente não valha esse contrato todo (você tem quatro anos de evidência dele sendo um QB mediano e quatro jogos onde ele foi Tom Brady, qual é mais convincente?), não da para criticar Baltimore oferecendo essa grana a ele porque não tinham realmente a menor opção: era ou pagar, ou explicar para a torcida que estavam deixando o Super Bowl MVP da equipe ir embora para recomeçar com Caleb Hanie de QB, então eles realmente não tinham opção. Apesar da chance existente (embora muito pequena) de Flacco realmente ter dado um salto nesses playoffs que vá carregar para o resto da sua carreira, Newsome com certeza sabe que seu quarterback provavelmente nunca vá de fato valer seu salário. Mas era a única opção que a equipe tinha, e pagaram de bom grado.

Mas quando correram para fechar com Ellerbe, Williams e principalmente Kruger, as coisas saíram do plano de Newsome. Outros times, mais desesperados que o sempre calmo e paciente Ravens, correram para fazer ofertas muito altas e muito acima do valor que esses jogadores deveriam receber, com Dolphins (35M para Ellerbe), Cleveland (40M para Kruger) e Eagles (17M para Williams) inflacionando o preço dos jogadores com ofertas muito superiores as ofertas originais que Baltimore fez a esses jogadores. Embora todos deixassem claro que o Ravens tinha a opção de igualar as ofertas, isso significaria pagar um valor muito acima do mercado para jogadores que, embora jovens, talentosos e promissores, não tinham uma longa história de sucesso e titularidade para justificar esses números enormes que vieram provavelmente por causa de uma pós-temporada de sucesso.

E é por isso que eu acho Newsome um dos melhores GMs da NFL nos últimos 10 anos. Ao invés de entrar em pânico por perder os jogadores que ele queria reassinar (e os jogadores pelos quais ele abriu mão de veteranos populares na cidade) e aceitar pagar esses valores quase absurdos que iriam prender o time indo para frente em termos salariais - especialmente considerando que esses salários eram apostas nesses jogadores desenvolvendo em titulares de tempo integral depois de sucesso em papeis menores ou situacionais - o ex-TE do Browns decidiu que não valia a pena fazer isso, e deixou os três irem para seus novos times e mantendo a folha salarial aberta. Embora ele tenha sido alvo de enormes críticas dentro de Baltimore e ao redor da Liga por mandar embora seus veteranos e falhar em segurar os jovens, eu acho que aqui é um caso onde temos que olhar o processo e não o resultado. Newsome assumiu um risco calculado deixando seus veteranos partirem para manter o núcleo do time nas mãos dos jovens (sabendo que o futuro da franquia estaria acompanhando Flacco, de todo modo), mas ele foi esperto de perceber que limitar sua folha salarial oferecendo contratos absurdamente altos a jogadores que ainda não se provaram como titulares na NFL é o tipo de coisa que, se desse errado, poderia prender a franquia na mediocridade por anos. Embora o resultado não tenha sido ótimo, a paciência de Newsome evitou algo pior.

E claro, Newsome não ficou parado. Ele sempre entendeu duas coisas perfeitamente: que poucos times na NFL entendem como maximizar seus ativos no dia do Draft como o Ravens (e portanto eles sempre podem contar com isso), e principalmente, que na Free Agency da NFL é muito melhor esperar a poeira baixar do que sair gastando logo de cara. Os primeiros dias da FA são geralmente marcados pelos times com maior espaço salarial (que normalmente são os times ruins em busca de talentos com potencial) inflacionando o mercado e gastando valores altíssimos (e acima do valor de mercado) em todos os jogadores jovens e muitas vezes que ainda não tem uma história longa de sucesso como jogador de tempo integral para justificar esses valores. Quando esses times (esse ano Colts, Dolphins e Cleveland foram os mais notáveis) terminam e a poeixa abaixa, sobram no mercado jogadores mais sólidos, mais veteranos e com menos potencial que são perfeitos para times com uma boa base como o Ravens, e sem os times com mais dinheiro (em cap mesmo) inflacionando o preço desses caras, eles geralmente acabam saindo em contratos muito mais razoáveis e seguros. Newsome entende isso, e por isso não entrou em pânico.

Quando os times mais desesperados levaram seus jogadores jovens, e o Ravens se viu com muito espaço salarial, o time calmamente esperou a segunda fase da Free Agency para ir atrás de veteranos como Marcus Spear (um veterano talentoso que caiu de produtividade por conta de lesões, contrato de 2 anos e 3,5M) e Chris Canty (um sólido DT que também vinha sofrendo com lesões, contrato de 3 anos e 8M) que foram dispensados de seus times para liberar espaço salarial, e Michael Huff (safety sólido que falhou ao longo da carreira a corresponder a expectativas, 3 anos e 6M) que não tinha espaço em um time em reconstrução como o Raiders. Quando Elvis Dumervil, na burrice suprema de seu agente que não conseguiu mandar um fax para o Broncos a tempo reestruturando seu contrato, foi dispensado pela equipe do Colorado, o Ravens não perdeu tempo indo atrás do veterano pass rusher com um contrato de 5 anos, 35M. Em outras palavras, Baltimore assinou com Dumervil (um jogador melhor que Kruger e mais experiente) por 5M a menos do que teria pago por Paul Kruger se não fosse a calma e paciência de Newsome. Então o saldo da equipe foi (tirando Ray Lewis, que aposentou) foi que a equipe perdeu seu bom FS de 35 anos para substituí-lo por um pior mas ainda sólido jogador de 30 anos; trocou Bernard Pollard (um sólido jogador, mas caro) pelo calouro Matt Elam, mais jovem e barato (btw, excelente Draft do Ravens, como sempre); Cary Williams era um bom CB, mas nada indispensável; perdeu o substituto de Lewis em Ellerbe (trouxeram um LB via draft e só) e seu pass rusher do futuro em Kruger, mas trouxe o superior Dumervil para jogar do outro lado do excelente Terrell Suggs indo atrás do QB (embora sim, seja uma red flag que o Broncos tenha dispensado o Dumervil apesar da situação salarial); e reforçou sua linha de frente (o Ravens foi péssimo contra a corrida em 2012) trazendo dois jogadores para jogar junto do excelente Haloti Ngata. Então mesmo que no curto prazo a equipe tenha sofrido uma pequena redução de capacidade dentro de campo com essas trocas, ela acabou com um grupo muito mais jovem e, principalmente, muito mais barato, dando a equipe boa flexibilidade salarial por algum tempo. Excelente GM, inteligente offseason.

Por isso eu acho bem razoável imaginar que, com a volta de Lardarius Webb e uma temporada inteira saudável de Suggs e Ngata, a defesa do Ravens seja melhor em 2013 do que foi em 2012. Não que precise de muito, claro, a defesa do Ravens foi bem fraca temporada passada (19th ajustada) e, embora isso possa ser atribuído em parte as multas lesões que a defesa sofreu ao longo do ano, os números ponderados da equipe não são muito diferentes dos normais (ligeiramente piores, mas pouco). Mas mesmo perdendo jogadores importantes em termos táticos e principalmente de liderança, ainda vejo a defesa do Ravens mais forte em 2013 depois de um fraco (e possivelmente até atípico) 2012. Não elite, como foi por tanto tempo, mas mais forte. A equipe manteve sua comissão técnica e esquema defensivo por tanto tempo que sabe exatamente qual tipo de jogador buscar para cumprir cada papel, e podem ter certeza que fizeram isso quando trouxeram esse pessoal na offseason.

Minhas preocupações são do outro lado da quadra. O ataque de Baltimore foi apenas decente (13th) em 2012 com um bom jogo terrestre e um jogo aéreo apenas ok. Flacco teve um dos seus piores anos como titular atrás de uma linha ofensiva suspeita (e que não deve melhorar para 2013), e agora não só deve lidar com um aumento de responsabilidades por causa de seu novo contrato e de sua defesa perdendo seus veteranos e o status de principal força do time. Antes "protegido" por ser o complemento a defesa da equipe, agora ele vai ser o ator principal na Franquia, e vai ter que fazer isso sem seu melhor recebedor. Anquan Boldin foi, depois de Ray Rice, o melhor jogador do ataque do Ravens em 2012, a jogada de segurança de Flacco e o jogador listado pelo Football Outsiders e suas estatísticas (todas ajustadas) como o 29th melhor WR total de 2012 e 31st melhor por jogo (nenhum outro Raven entra no Top40). A expectativa é que Torrey Smith assuma também um papel maior, mas além de ser um ótimo burner usando sua velocidade em profundidade, pouco vimos de Smith para indicar que ele possa assumir aquele papel de rotas mais complexas no mano a mano usando seu corpo para escudar a bola e fazer as recepções seguras (Smith recebe apenas 45% dos passes lançados para ele, contra 60% de Boldin). Não só é uma habilidade crucial para primeiras descidas, como também foi a base de todo o ataque do Ravens em três dos quatro jogos que ganhou nos playoffs, a capacidade de Boldin de usar seu tamanho e força física para vencer bolas em espaço neutro contra CBs, e nenhum jogador no elenco do time tem essa habilidade agora. Então mesmo que Ray Rice continue sendo brilhante (e eu ainda achei ele subutilizado em 2012), esse ataque vai precisar que Flacco dê um salto de rendimento para 2013. Dentro de campo e psicologicamente.

Também tem o fato de que o Ravens é um candidato a regressão. A equipe terminou 2012 com um Pythagorean Expectations de 9-7 e terminou 7-4 em jogos decididos por uma posse de bola, dois sinais de que a equipe foi um pouco melhor em 2012 do que deveria ter sido (na temporada regular). Além disso, apesar de não ter tido exatamente um calendário fácil em 2012 (16th overall), a equipe projeta ter o quinto mais difícil da temporada 2013.

Então tudo isso faz do Ravens um time delicado de se projetar para 2013. Sim, eles ganharam o Super Bowl. Não, não significa nada para 2013. Eles passaram por grandes mudanças na defesa e, embora no papel sejam até melhores que ano passado por conta dos retornos de lesão, ainda precisamos ver como essa unidade mais jovem e que nunca jogou junta vai render sem a liderança e a segurança de alguns veteranos (e sem o Pollard para machucar todo mundo do Patriots). O ataque perdeu um jogador importante e não conta com grandes melhorias, e o time tende a sofrer alguma regressão para esse ano. Apesar de toda a incerteza e possibilidades que o Ravens apresenta, essa temporada vai ser principalmente definida pelo quanto Joe Flacco vai melhorar em relação a temporada passada. Eu sou um cético que acha que quatro bons jogos não são um indicador melhor que quatro anos de mediocridade, então eu espero que o Ravens sofra um pouco mais essa temporada, caindo para 9-7 ou 8-8 apesar de tudo. Eu acho 9-7 interessante porque pode garantir uma vaga nos playoffs, e o Ravens sabe muito bem que a pós-temporada é outra coisa totalmente diferente, mas também porque a linha de frente da defesa da equipe parece extremamente interessante com Canty, Spears e Ngata ancorando a frente e Dumervil e Suggs indo atrás do QB. Então sim, eles devem ter condições de brigar nessa temporada, especialmente porque a divisão está relativamente fraca com Browns e um Steelers remontando a defesa, e porque chegando nos playoffs tudo pode acontecer. Mas não conte com nada só porque eles tem um anel novo.