Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 23 de julho de 2013

Preview NFL 2013 - Baltimore Ravens

"120 milhões, fuck yeah!!"



Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East e os previews da NFC East para a temporada 2013 da NFL, é hora de voltar para a AFC e falar da divisão North e do seu principal representante, o atual campeão do Super Bowl, Baltimore Ravens. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Baltimore Ravens

2012 Record: 10-6
Ataque ajustado: 13th
Defesa ajustada: 19th


Não existe time mais difícil de falar do que um time que acabou de ganhar o Super Bowl, especialmente se for um Super Bowl que poucas pessoas esperavam, como é o caso do Baltimore Ravens. Não porque exista muita incerteza como nos casos que falamos ontem sobre o Eagles, mas porque as pessoas muitas vezes não entendem como a pós-temporada tem pouco valor analítico. Algumas pessoas adoram apontar que pouca gente previa o título do Ravens antes dele acontecer e, se estamos falando que o Ravens não vai ser tão bom assim em 2013, que vai regredir ou qualquer coisa parecida, de repente é porque "não gostamos" ou "sempre subestimamos" o time porque também ninguém tinha dito que seriam campeões antes. Mas como já falamos um pouco no texto sobre o Giants, o valor amostral da pós temporada é quase zero (tirando casos extremos). Para qualquer análise de qualquer tipo, uma coisa fundamental é ter uma amostra grande, para que a quantidade de dados seja grande o suficiente para compensar tudo que foi gerado pelo acaso ou por fatores aleatórios (ou próximos disso). Como temos visto repetidamente ao longo desse preview e vamos ver muito mais indo para frente (esperem até chegarmos no Lions, no Bears e no Colts), 16 jogos é uma amostra extremamente pequena e sujeita a enormes influências de fatores além do controle das equipes. Se 16 jogos já é uma amostra pequena com influências enormes de acasos e sorte, o que dizer então de três ou quatro, especialmente quando um jogo já serve para eliminar um time? Muitos estudos (meu favorito sendo do Football Prospectus) já mostraram que a maior parte das discrepâncias entre temporada regular e playoffs na temporada dos times é majoritariamente aleatória e não se carrega de uma temporada a outra. Então sim, o Ravens teve uma ótima pós-temporada e foram campeões. Mas isso não significa nada em relação a temporada regular de 2012 e muito menos para a de 2013.

Se não acreditam, pensem da seguinte maneira. O Ravens ganhou o Super Bowl e de repente viraram a reencarnação do Niners de 1989 (o melhor time a pisar nessa Terra). Mas se na segunda rodada Rahim Moore não comete um dos erros mais grotescos dos últimos playoffs furando um quase hail mary para Jacoby Jones nos segundos finais, o Ravens teria perdido o jogo, sido eliminado, e provavelmente chamado de amarelão pelos próximos anos. Mas Moore furou (curiosidade do dia: Moore foi a pick que o 49ers enviou no Draft de 2011 para o Broncos para subir na segunda rodada e selecionar Colin Kaepernick), o Ravens empatou, ganhou o Super Bowl três semanas depois, e Joe Flacco virou Azor Azhai renascido (para quem lê Game of Thrones essa). Sem falar em todas as coisas que deram certo para o Ravens entre o TD do Jones e o título, mas basicamente toda essa história de sucesso do Ravens na pós temporada dependeu de uma jogada sob a qual eles tiveram zero controle, no caso a furada de Moore. Três centímetros a mais e aquele passe vira incompleto e todo o resto nunca acontece. Não estou falando que o Ravens não devesse ou não merecesse ser campeão, que seja um time ruim ou algo assim, que fique claro. Só estou falando que, nos playoffs, o que acontece tem uma influência de acasos muito grande em uma amostra muito pequena, de forma que o que nele acontece é muito mais irrelevante para análise do que os 16 jogos da temporada regular. Tenham isso em mente, ok?

A boa noticia para o Ravens é que, como eles ganharam o Super Bowl, eles estão praticamente garantidos nos playoffs desse ano e... Ah, espera, não é verdade também. Desde o primeiro título do Patriots em 2001, cinco dos onze campeões do Super Bowl perderam os playoffs na temporada seguinte (01' Pats, 02' Bucs, 05' Steelers, 08' Steelers, 11' Giants) e só um (03' Pats) repetiu o título, então realmente não tem nenhuma garantia nisso. O que, vamos reforçar pela milionésima vez, não quer dizer que o Ravens não possa classificar aos playoffs ou não possa repetir o título, só que uma coisa não garante a outra.

O Ravens, em particular, é um caso estranho porque foi um time que mudou muito entre seu título do Super Bowl e a temporada seguinte. Depois de mais de uma década de dominação por conta de sua forte defesa (liderada por Ray Lewis), a equipe decidiu logo após o Super Bowl se livrar de diversos dos seus veteranos e remodelar o time em diversos aspectos. Muita gente criticou duramente o Ravens se livrando de alguns jogadores, perdendo outros na Free Agency, dando um enorme contrato ao Flacco e basicamente parecendo sem energia e letárgico nessa offseason. Mas já que estou aqui, vamos aproveitar e explicar exatamente os motivos que levaram o Ravens a tudo isso, e vamos ver que, no final, faz bastante sentido. Você pode concordar ou não, claro, mas faz sentido.

Após o título do Super Bowl, o Ravens não era um time preso com o mesmo problema do Giants ou do Cowboys - ou seja, um time estourado no teto salarial que precisava se virar só para entrar no teto do ano que vem, e que precisava dispensar jogadores ou não renovar com outros para não estourar o salary cap. O problema do Ravens era outro: era um time com um núcleo velho, e com vários jogadores jovens e promissores atingindo a Free Agency (mais notavelmente Joe Flacco) e que iriam comandar contratos caros e longos caso o Ravens quisesse mantê-los. Ao mesmo tempo, o Ravens já tinha no lugar um núcleo bastante velho que ocupava uma boa parte do teto salarial, e seria impossível para franquia manter todo mundo. O que o excelente GM Ozzie Newsome provavelmente concluiu após o título é que aquele grupo liderado pelos veteranos já tinha atingido seu auge e seu limite, e que se continuasse com aquele núcleo ele só iria decair com o passar dos anos enquanto ocupava seu teto salarial. Com jovens jogadores como Cary Williams, Paul Kruger e Danell Ellerby virando Free Agents (e Flacco exigindo uma enorme extensão), a decisão de Newsome simples: limpar os veteranos da equipe, que já estavam em decadência e dificilmente contribuiriam em alto nível por mais muito tempo, como uma forma de limpar o espaço salarial para acomodar os novos contratos desses quatro.

Então foi por isso que o Ravens, aproveitando a aposentadoria de Ray Lewis, correu para dispensar Ed Reed, Bernard Pollard e trocar Anquan Boldin (eu discordo dessa última, btw, mas enfim) foi porque Newsome acreditava que seu elenco velho tinha atingido seu limite, e precisando limpar espaço salarial para os novos contratos eles foram as casualidades. Os três provavelmente ainda tinham lenha para queimar, mas se fosse para manter eles por mais um ou dois anos, perderiam a chance de renovar com seus jogadores mais jovens, e eles preferiram manter os jovens por mais tempo do que os veteranos por menos.

O Ravens logo correu para fechar a extensão de Flacco, tornando-o o jogador mais bem pago da NFL. Ainda que Flacco provavelmente não valha esse contrato todo (você tem quatro anos de evidência dele sendo um QB mediano e quatro jogos onde ele foi Tom Brady, qual é mais convincente?), não da para criticar Baltimore oferecendo essa grana a ele porque não tinham realmente a menor opção: era ou pagar, ou explicar para a torcida que estavam deixando o Super Bowl MVP da equipe ir embora para recomeçar com Caleb Hanie de QB, então eles realmente não tinham opção. Apesar da chance existente (embora muito pequena) de Flacco realmente ter dado um salto nesses playoffs que vá carregar para o resto da sua carreira, Newsome com certeza sabe que seu quarterback provavelmente nunca vá de fato valer seu salário. Mas era a única opção que a equipe tinha, e pagaram de bom grado.

Mas quando correram para fechar com Ellerbe, Williams e principalmente Kruger, as coisas saíram do plano de Newsome. Outros times, mais desesperados que o sempre calmo e paciente Ravens, correram para fazer ofertas muito altas e muito acima do valor que esses jogadores deveriam receber, com Dolphins (35M para Ellerbe), Cleveland (40M para Kruger) e Eagles (17M para Williams) inflacionando o preço dos jogadores com ofertas muito superiores as ofertas originais que Baltimore fez a esses jogadores. Embora todos deixassem claro que o Ravens tinha a opção de igualar as ofertas, isso significaria pagar um valor muito acima do mercado para jogadores que, embora jovens, talentosos e promissores, não tinham uma longa história de sucesso e titularidade para justificar esses números enormes que vieram provavelmente por causa de uma pós-temporada de sucesso.

E é por isso que eu acho Newsome um dos melhores GMs da NFL nos últimos 10 anos. Ao invés de entrar em pânico por perder os jogadores que ele queria reassinar (e os jogadores pelos quais ele abriu mão de veteranos populares na cidade) e aceitar pagar esses valores quase absurdos que iriam prender o time indo para frente em termos salariais - especialmente considerando que esses salários eram apostas nesses jogadores desenvolvendo em titulares de tempo integral depois de sucesso em papeis menores ou situacionais - o ex-TE do Browns decidiu que não valia a pena fazer isso, e deixou os três irem para seus novos times e mantendo a folha salarial aberta. Embora ele tenha sido alvo de enormes críticas dentro de Baltimore e ao redor da Liga por mandar embora seus veteranos e falhar em segurar os jovens, eu acho que aqui é um caso onde temos que olhar o processo e não o resultado. Newsome assumiu um risco calculado deixando seus veteranos partirem para manter o núcleo do time nas mãos dos jovens (sabendo que o futuro da franquia estaria acompanhando Flacco, de todo modo), mas ele foi esperto de perceber que limitar sua folha salarial oferecendo contratos absurdamente altos a jogadores que ainda não se provaram como titulares na NFL é o tipo de coisa que, se desse errado, poderia prender a franquia na mediocridade por anos. Embora o resultado não tenha sido ótimo, a paciência de Newsome evitou algo pior.

E claro, Newsome não ficou parado. Ele sempre entendeu duas coisas perfeitamente: que poucos times na NFL entendem como maximizar seus ativos no dia do Draft como o Ravens (e portanto eles sempre podem contar com isso), e principalmente, que na Free Agency da NFL é muito melhor esperar a poeira baixar do que sair gastando logo de cara. Os primeiros dias da FA são geralmente marcados pelos times com maior espaço salarial (que normalmente são os times ruins em busca de talentos com potencial) inflacionando o mercado e gastando valores altíssimos (e acima do valor de mercado) em todos os jogadores jovens e muitas vezes que ainda não tem uma história longa de sucesso como jogador de tempo integral para justificar esses valores. Quando esses times (esse ano Colts, Dolphins e Cleveland foram os mais notáveis) terminam e a poeixa abaixa, sobram no mercado jogadores mais sólidos, mais veteranos e com menos potencial que são perfeitos para times com uma boa base como o Ravens, e sem os times com mais dinheiro (em cap mesmo) inflacionando o preço desses caras, eles geralmente acabam saindo em contratos muito mais razoáveis e seguros. Newsome entende isso, e por isso não entrou em pânico.

Quando os times mais desesperados levaram seus jogadores jovens, e o Ravens se viu com muito espaço salarial, o time calmamente esperou a segunda fase da Free Agency para ir atrás de veteranos como Marcus Spear (um veterano talentoso que caiu de produtividade por conta de lesões, contrato de 2 anos e 3,5M) e Chris Canty (um sólido DT que também vinha sofrendo com lesões, contrato de 3 anos e 8M) que foram dispensados de seus times para liberar espaço salarial, e Michael Huff (safety sólido que falhou ao longo da carreira a corresponder a expectativas, 3 anos e 6M) que não tinha espaço em um time em reconstrução como o Raiders. Quando Elvis Dumervil, na burrice suprema de seu agente que não conseguiu mandar um fax para o Broncos a tempo reestruturando seu contrato, foi dispensado pela equipe do Colorado, o Ravens não perdeu tempo indo atrás do veterano pass rusher com um contrato de 5 anos, 35M. Em outras palavras, Baltimore assinou com Dumervil (um jogador melhor que Kruger e mais experiente) por 5M a menos do que teria pago por Paul Kruger se não fosse a calma e paciência de Newsome. Então o saldo da equipe foi (tirando Ray Lewis, que aposentou) foi que a equipe perdeu seu bom FS de 35 anos para substituí-lo por um pior mas ainda sólido jogador de 30 anos; trocou Bernard Pollard (um sólido jogador, mas caro) pelo calouro Matt Elam, mais jovem e barato (btw, excelente Draft do Ravens, como sempre); Cary Williams era um bom CB, mas nada indispensável; perdeu o substituto de Lewis em Ellerbe (trouxeram um LB via draft e só) e seu pass rusher do futuro em Kruger, mas trouxe o superior Dumervil para jogar do outro lado do excelente Terrell Suggs indo atrás do QB (embora sim, seja uma red flag que o Broncos tenha dispensado o Dumervil apesar da situação salarial); e reforçou sua linha de frente (o Ravens foi péssimo contra a corrida em 2012) trazendo dois jogadores para jogar junto do excelente Haloti Ngata. Então mesmo que no curto prazo a equipe tenha sofrido uma pequena redução de capacidade dentro de campo com essas trocas, ela acabou com um grupo muito mais jovem e, principalmente, muito mais barato, dando a equipe boa flexibilidade salarial por algum tempo. Excelente GM, inteligente offseason.

Por isso eu acho bem razoável imaginar que, com a volta de Lardarius Webb e uma temporada inteira saudável de Suggs e Ngata, a defesa do Ravens seja melhor em 2013 do que foi em 2012. Não que precise de muito, claro, a defesa do Ravens foi bem fraca temporada passada (19th ajustada) e, embora isso possa ser atribuído em parte as multas lesões que a defesa sofreu ao longo do ano, os números ponderados da equipe não são muito diferentes dos normais (ligeiramente piores, mas pouco). Mas mesmo perdendo jogadores importantes em termos táticos e principalmente de liderança, ainda vejo a defesa do Ravens mais forte em 2013 depois de um fraco (e possivelmente até atípico) 2012. Não elite, como foi por tanto tempo, mas mais forte. A equipe manteve sua comissão técnica e esquema defensivo por tanto tempo que sabe exatamente qual tipo de jogador buscar para cumprir cada papel, e podem ter certeza que fizeram isso quando trouxeram esse pessoal na offseason.

Minhas preocupações são do outro lado da quadra. O ataque de Baltimore foi apenas decente (13th) em 2012 com um bom jogo terrestre e um jogo aéreo apenas ok. Flacco teve um dos seus piores anos como titular atrás de uma linha ofensiva suspeita (e que não deve melhorar para 2013), e agora não só deve lidar com um aumento de responsabilidades por causa de seu novo contrato e de sua defesa perdendo seus veteranos e o status de principal força do time. Antes "protegido" por ser o complemento a defesa da equipe, agora ele vai ser o ator principal na Franquia, e vai ter que fazer isso sem seu melhor recebedor. Anquan Boldin foi, depois de Ray Rice, o melhor jogador do ataque do Ravens em 2012, a jogada de segurança de Flacco e o jogador listado pelo Football Outsiders e suas estatísticas (todas ajustadas) como o 29th melhor WR total de 2012 e 31st melhor por jogo (nenhum outro Raven entra no Top40). A expectativa é que Torrey Smith assuma também um papel maior, mas além de ser um ótimo burner usando sua velocidade em profundidade, pouco vimos de Smith para indicar que ele possa assumir aquele papel de rotas mais complexas no mano a mano usando seu corpo para escudar a bola e fazer as recepções seguras (Smith recebe apenas 45% dos passes lançados para ele, contra 60% de Boldin). Não só é uma habilidade crucial para primeiras descidas, como também foi a base de todo o ataque do Ravens em três dos quatro jogos que ganhou nos playoffs, a capacidade de Boldin de usar seu tamanho e força física para vencer bolas em espaço neutro contra CBs, e nenhum jogador no elenco do time tem essa habilidade agora. Então mesmo que Ray Rice continue sendo brilhante (e eu ainda achei ele subutilizado em 2012), esse ataque vai precisar que Flacco dê um salto de rendimento para 2013. Dentro de campo e psicologicamente.

Também tem o fato de que o Ravens é um candidato a regressão. A equipe terminou 2012 com um Pythagorean Expectations de 9-7 e terminou 7-4 em jogos decididos por uma posse de bola, dois sinais de que a equipe foi um pouco melhor em 2012 do que deveria ter sido (na temporada regular). Além disso, apesar de não ter tido exatamente um calendário fácil em 2012 (16th overall), a equipe projeta ter o quinto mais difícil da temporada 2013.

Então tudo isso faz do Ravens um time delicado de se projetar para 2013. Sim, eles ganharam o Super Bowl. Não, não significa nada para 2013. Eles passaram por grandes mudanças na defesa e, embora no papel sejam até melhores que ano passado por conta dos retornos de lesão, ainda precisamos ver como essa unidade mais jovem e que nunca jogou junta vai render sem a liderança e a segurança de alguns veteranos (e sem o Pollard para machucar todo mundo do Patriots). O ataque perdeu um jogador importante e não conta com grandes melhorias, e o time tende a sofrer alguma regressão para esse ano. Apesar de toda a incerteza e possibilidades que o Ravens apresenta, essa temporada vai ser principalmente definida pelo quanto Joe Flacco vai melhorar em relação a temporada passada. Eu sou um cético que acha que quatro bons jogos não são um indicador melhor que quatro anos de mediocridade, então eu espero que o Ravens sofra um pouco mais essa temporada, caindo para 9-7 ou 8-8 apesar de tudo. Eu acho 9-7 interessante porque pode garantir uma vaga nos playoffs, e o Ravens sabe muito bem que a pós-temporada é outra coisa totalmente diferente, mas também porque a linha de frente da defesa da equipe parece extremamente interessante com Canty, Spears e Ngata ancorando a frente e Dumervil e Suggs indo atrás do QB. Então sim, eles devem ter condições de brigar nessa temporada, especialmente porque a divisão está relativamente fraca com Browns e um Steelers remontando a defesa, e porque chegando nos playoffs tudo pode acontecer. Mas não conte com nada só porque eles tem um anel novo.

domingo, 10 de outubro de 2010

Guerra psicológica

Ray Lewis acabou de achar Rex Ryan na lateral do campo


Hoje é domingo, e isso significa que é dia de rodada da NFL. Vou aproveitar que ainda é cedo pra dar um palpite e uma justificativa para cada um dos jogos de hoje porque é divertido se vangloriar dos acertos e rir dos erros absurdos (Embora eu nao seja tao doido pra dizer que o Saints perde do Cardinals). Eu ia falar hoje mas vou deixar pra amanha, quando terá acabado a terceira rodada das semifinais da MLB, pra atualizar voces nos resultados (Tem um time ja classificado pros playoffs. Quer saber qual? Nao mude de canal e volte amanha). Mas antes disso, vou me deter pra falar um pouco do jogo de segunda feira entre Jets e Vikings.

O jogo em si ganhou um interesse muito maior quando foi anunciada a troca que levou Randy Moss pra Minnesota. Primeiro porque o Vikings imediatamente se tornou um time muito mais forte do que aquele time da semana passada que nao tinha nenhum alvo que prestasse pra bolas longas e pode ser o que faltava pro vovô Brett Favre finalmente mostrar a que veio no ano. Segundo porque Randy Moss e Darrelle Revis se enfrentaram duas vezes ano passado e Revis dominou os dois confrontos. No entanto, esse ano, Moss levou a melhor sobre o cornerback do Jets, vencendo-o numa jogada longa para um touchdown espetacular e ainda viu Revis sair machucado na mesma jogada, e todos esperam um ótimo confrontos pra amanhã a noite. E terceiro, porque o Rex Ryan é um tremendo de um pentelho.

O Rex Ryan, técnico do Jets, é um excelente técnico, mas é um dos técnicos mais chatos e insuportaveis ao redor da Liga. Ele serviu de anos como coordenador defensivo do Ravens e foi responsável pelas defesas doentias que o Ravens teve ao longo da década, em especial a de 2000, que ganhou o Super Bowl mesmo tendo Trent Dilfer de quarterback. Ele é um gênio defensivo e sua habilidade pra montar defesas é, hoje, a melhor da NFL, melhor até que a do Bill Belichik (Não, o Ryan não é um técnico melhor que o Belichik, ele só é melhor armando defesas, fim). Mas ele tambem é um provocador, adora encher o saco dos adversários antes das partidas e de mexer com o lado psicológico dos adversários (Embora de uma forma muito menos sutil do que o Phil Jackson faça).

Depois que ano passado o Jets surpreendeu e foi pra final de conferência, onde Rex Ryan teve seu esquema defensivo completamente dissecado por Peyton Manning, Ryan se viu confiante o bastante pra declarar no começo da pré temporada que o Jets iria para o Super Bowl. Antes do jogo contra o Ravens, na primeira rodada, aproveitou para provocar o rival, o que rendeu uma reação de Ray Lewis, que jogou demais aquele jogo e o Ravens mostrou pro Jets que a defesa sobrevive mesmo sem seu coordenador defensivo. Depois, Ryan aproveitou pra cutucar o Patriots antes do duelo onde seu time saiu vitórioso com boa atuação de Mark Sanchez. Ou seja, o Rex Ryan adora dar uma cutucada e fazer de tudo pra desconcentrar os adversários antes de um jogo. Essa semana, saiu na imprensa uma possivel acusação de racismo contra Brett Favre. Só que o que é estranho é que essa acusação é de algo que teria ocorrido mais de dois anos atrás, quando Favre era quarterback do - adivinhe - New York Jets. Voces podem ter certeza de que essa acusação, independente de ser real ou fictícia, só apareceu agora porque o Rex Ryan quis assim. Nao foi de forma alguma uma coincidência o fato dessa denuncia ter aparecido logo antes do Jets enfrentar o Vikings, e tambem não estranharia se fosse algo totalmente inventado apenas pra desestabilizar o vovô.

Outra apimentada pro jogão foi uma declaração de Darrelle Revis dizendo que Randy Moss fez corpo mole no segundo tempo do jogo entre Patriots e Jets. Como eu ja disse, no primeiro tempo o Moss superou o Revis algumas vezes, principalmente para um touchdown longo, onde se machucou. No segundo tempo, Revis nao voltou e Moss foi marcado por Antonio Cromartie, onde foi totalmente anulado e nao tocou na bola. Claro, o Revis é outro tremendo mala e pode muito bem ter sido o jeito dele pra explicar porque ele levou na cabeça do Moss e o outro cornerback do Jets não, mas nao deixa de ser uma provocação explícita a um jogador que já teve criticas por fazer isso quando jogava no Raiders. Essa provocação pode ter partido do chato do Revis, mas é o reflexo do que o treinador do time implementa a cada partida: provocar o adversário e mexer com seu psicológico.

Revis e Ryan provocaram o Vikings, e é algo pra deixar ainda mais imperdivel o jogo de segunda feira. As reações a essas provocações do Ryan variam: Algums times sentem  o golpe (em geral times mais jovens) e outros usam isso como um motivacional, como foi o caso do Ravens. Moss e Favre são beeem experientes (33 anos e 41 respectivamente) e sabem lidar com essas coisas.  Mas ver como eles vão lidar dessa vez será interessante tambem porque o Jets vem numa ótima sequencia e o Vikings joga sob desconfiança. Ou seja, mais um elemento para deixar o jogo ainda mais divertido e interessante. Para nós que estaremos assistindo de casa, bem entendido, nao para o pobre do Shonne Greene que vai estar levando porradas de Linebackers com sangue nos olhos.


Palpites da rodada

Packers at Redskins
Santana Moss vai ser muito bem marcado por Charles Woodson e Aaron Rodgers está jogando muito, mas os Packers tiveram muitos problemas semana passada contra um Quarterback muito inferior a Donovan McNabb. Acredito numa vitória apertada do
Packers.

Rams at Lions
Os Rams tem jogado muito bem em semanas recentes com um Sam Bradford mostrando que é pra valer. Mas o Lions perdeu vários jogos apertados contra times fortes esse ano e acho que vai conseguir sua primeira vitória contra o Rams.

Bears at Panthers
Os Panthers tem um jogo terrestre bom e um jogo aéreo fraco. Os Bears tem uma fortissima defesa terrestre e uma fraca defesa aérea. Mas Todd Collins de quarterback é algo pra assustar os torcedores de Chicago, ainda mais que os esquemas do Mike Martz não são muito bons pra runningbacks correrem com a bola. Esse é meu palpite mais duro porque acho que esse jogo vai ser uma droga e decidido nos detalhes, mas fico com o Panthers.

Saints at Cardinals
Max Hall vai começar de quarterback pra Arizona e Drew Brees pro Saints. Preciso dizer mais?

 Eagles at 49ers
Os Eagles jogam sem Assante Samuel e Michael Vick, e Lesean McCoy provavelmente tambem ficará de fora. Os Niners jogam muito melhor em casa do que fora e virão babando pra nao começar 0-5 a temporada. Acredito numa vitória convincente do 49ers.

Titans at Cowboys
A defesa do Cowboys é forte e Chris Johnson ainda nao mostrou que é o mesmo corredor do ano passado, alternando jogos bons e ruins. A defesa aérea do Titans está forte, mas a terrestre está vulnerável, e o trio de running backs do Cowboys vai dar uma vitória apertada pro time.

Buccaneers at Bengals
Os Bucs foram um time muito divertido no começo do ano, começando 2-0 até levar uma surra de pau mole do Steelers. O Bengals vem numa sequencia dificil e um começo de ano com más atuações de Carson Palmer e Cedric Benson. Mesmo assim, o Bengals tem mais time e vai levar essa.

Giants at Texans
Eli Manning tem jogado muito mal e o Texans contará com a volta de Brian Cushing. Como ele voltará sem esteróides ainda é uma incognita, mas nao esperem que o Giants consiga 10 sacks contra o Texans. O time do Texas (qual será?) leva.

 Falcons at Browns
Falcons tem jogado um futebol muito consistente e ainda que Peyton Hillis tenha tido bons jogos, o ataque do Falcons é muito bom pro Browns.

 Broncos at Ravens
Não é pegadinha: Kyle Orton é o líder da NFL em jardas aéreas! Ainda assim, sem Knowshon Moreno o ataque do Broncos fica unidimensional demais, e Joe Flacco parece ter achado seu jogo. Ravens ganha.

 Chargers at Raiders
Os Raides não tem nenhum grande retornador como Dexter McCluster ou Leon Washington. Assim, o Chargers nao vai ceder 14 pontos de retorno e vai ganhar com um touchdown do Antonio Gates, como sempre.

 Jaguars at Bills
Eu disse antes da temporada começar que o Jaguars era um time que ninguem prestava atenção e quando ia ver tava melhor do que o esperado. Bom, eles estão 2-2 e pegam a tragédia que sao os Bills. Embora eu ache que nao vai ser um jogo facil pro Jaguars, eles conseguem evoluir pra 3-2.

 Chiefs at Colts
O Chiefs é o único time invicto na NFL e mostrou uma evolução muito grande da temporada passada pra essa. O Colts perdeu Melvin Bullitt e agora tem um buraco na posição de strong safety. Nao vai ser um jogo facil porque o Colts tem gravissimos problemas defensivos, mas acho que Peyton Manning nao vai tolerar uma segunda derrota seguida.

Vikings at Jets
Falei tudo que tinha pra falar no post de hoje, acho que Favre e Moss vao vir babando e que o Vikings e sua forte defesa terrestre vai segurar o Jets.