Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Tampa Bay Buccaneers

LeGarrett Blount tem como passatempo dar cambalhotas na Red Zone


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East, os previews da NFC East, os previews da AFC North, os previews da NFC North, e agora os da AFC South, começamos a falar da NFC South pelo interessante Atlanta Falcons e pelo campeão de 2009, New Orleans Saints. Hoje é a vez do "novo rico" Tampa Bay Bucs. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Tampa Bay Buccaneers

2012 Record: 7-9
Ataque ajustado: 14th
Defesa ajustada: 20th


Nos últimos dois anos, o Bucs chamou a atenção por ter arrancado uma página do manual do Mônaco ou do Mancherster City, quando saiu torrando todo seu espaço salarial em contratos milionários para jogadores de elite. Ano passado foram três, quando contrataram Vincent Jackson (5 anos, 55M), Carl Nicks (5 anos, 47M) e Eric Wright (5 anos, 37.5M) na free agency aproveitando de ser o time com mais espaço salarial. Um ano depois que não deu certo, os contratos de Jackson e Nicks foram reconstruídos e Wright dispensado depois de ser pego no antidoping, então a equipe novamente se viu com toneladas de espaço salarial e novamente correu para gastar tudo em reforçar sua secundária, trocando por Darrelle Revis e oferecendo um contrato que até o Dr. Evil ia achar enorme, 6 anos e 96M, e ainda pagando mais 41M (por 5 anos) no Dashon Goldson. Essa rodada de gastos da equipe montou um time que muitos estão ficando profundamente intrigados para 2013, e com razão. Mas antes de chegar nisso, vamos dar uma pequena volta pelo Bucs de 2012 para entender exatamente como isso é importante.

Antes da temporada passada começar, meu amigo Adelmo me desafiou a fazer um post sobre "bold predictions" para a temporada 2012 da NFL. Eu fiz (tem um post sobre ela chegando quando terminarmos os previews) e uma delas era a seguinte: "Greg Schianno será técnico do ano e o Bucs terminará o ano 8-8 ou melhor", inspirado pelo que Jim Harbaugh fez no 49ers um ano antes. Embora hoje você possa rir da minha cara e falar que eu estava maluco, na verdade esse palpite passou mais perto do que vocês imaginam. Primeiro, porque ninguém esperava que o Colts fosse ganhar 9 jogos a mais contrariando todos os indicadores estatísticos e sendo um dos times mais sortudos da história da NFL, obrigando o prêmio a ir para seus técnicos. Segundo, porque na verdade o Bucs começou a temporada 6-4 contra uma tabela bastante forte antes de perder cinco jogos seguidos e jogar tudo isso pela janela - e mesmo assim terminou 7-9 com uma Pythagorean Expectations de 8-8, então tem isso também. Então até que passou perto. 

Esses cinco jogos seguidos me fascinam (eles eventualmente ganharam o último jogo da temporada contra um Falcons quase reserva), na verdade. Durante os primeiros 10 jogos eles foram um time muito bom e muito sólido, com record de 6-4 contra uma tabela difícil e parecendo que iria realmente vindicar minhas previsões e terminar 8-8 ou 9-7. De repente, o time esquece o bom futebol (americano) na gaveta, perde cinco seguidos e termina 7-9 em uma temporada decepcionante que deveria ser melhor. O que exatamente aconteceu naqueles cinco jogos para a equipe despencar tanto de produção?

Sua primeira reação pode ser do tipo "Espera ai, cinco jogos é uma amostra muito pequena!", e é verdade. É uma amostra minúscula, e se procurarmos muitos times bons ao longo dos últimos 10 anos, com certeza vamos achar períodos curtos onde eles foram muito inferiores ao normal. Mas ainda assim, é absurdo reparar que a equipe teve um saldo de +57 nos outros onze jogos mas -62 em apenas esses cinco. Então mesmo considerando todas as amostras pequenas do mundo, tem mais coisa ai a ser explicada, e eu acho particularmente interessante porque diz muito sobre a equipe para 2012 e seu grande ponto de interrogação.

Olhando aqueles jogos, a primeira coisa que saltou aos olhos foi como o jogo terrestre decaiu em relação aos 10 primeiros jogos da temporada. Durante os 10 primeiros jogos, o ataque terrestre de Tampa teve média de 111.1 jardas por partida, conseguindo 4.8 jardas por tentativa e basicamente sendo a principal força ofensiva da equipe - o que, aliás, era a proposta de Schianno antes da temporada começar. A equipe draftou Doug Martin e abriu o cofre por Nicks com o objetivo de direcionar seu ataque pelo chão para tirar a pressão de Josh Freeman, depois de uma temporada decepcionante do seu QB. E pelos primeiros 10 jogos, esse foi o caso: o ataque terrestre abriu caminho, Freeman aproveitou muito bem disso e foi um jogador muito sólido. Mas durante essa sequência de derrotas, o ataque terrestre teve média de apenas 80.8 jardas por jogo, com 3.6 jardas por corrida. E não é como se enfrentassem uma penca de defesas de elite, um jogo foi contra o Broncos mas três foram contra Saints, Falcons e Eagles. Então o jogo terrestre despencou e a equipe perdeu sua principal força ofensiva, e daí Freeman teve que assumir o controle do time.

O problema é que Freeman foi muito, mas muito mal mesmo nesses jogos. Veja a diferença entre os primeiros 11 jogos da equipe (incluindo a derrota por 24 a 23 para o Falcons) e os quatro jogos seguintes (as quatro derrotas):

Jogos 1-11: 199/349, 57%, 2761 jardas, 21 TDs, 7 INTs, 7.9 Y/A
Jogos 12-15: 88/174, 50.6%, 1082 jardas, 5 TDs, 9 INTs, 6.2 Y/A

Mesmo reconhecendo que quatro jogos é uma amostra muito pequena, é uma queda fenomenal, certo? Só para deixar mais claro, vamos ver como cada um desses dois Josh Freemans seriam ao longo de 16 jogos mantendo o nível...

Freeman bom: 289/508, 57%, 4016 jardas, 30 TDs, 10 INTs, 7.9 Y/A
Freeman ruim: 352/698, 50.6%, 4328 jardas, 20 TDs, 36 INTs, 6.2 Y/A

Claro que os números de "Freeman ruim" são insustentáveis (especialmente suas interceptações) ao longo de 16 jogos, mas isso da uma noção de perspectiva melhor desses números e do quanto ele foi mal nesses quatro jogos. Vale notar também que, em parte porque o jogo terrestre parou de funcionar e em parte porque em muitos desses jogos o time esteve atrás do placar, a quantidade de passes aumentou absurdamente e não foi a toa que sua eficiência despencou. Mas mesmo assim, é uma diferença grande demais para uma pessoa só e alguma coisa a mais deve ter acontecido para justificar essa massiva diferença.

E aconteceu. Começando pelo jogo terrestre, é fácil identificar uma causa principal para esse grande declínio que vá além da amostra pequena: a lesão de Carl Nicks. Nicks machucou duas semanas antes do jogo contra o Falcons, e vale citar que no primeiro jogo sem ele contra o fraco Chargers o ataque terrestre teve apenas 74 jardas terrestres. A verdade é que a lesão de Nicks, um All-Pro um ano antes, foi o segundo golpe importante que essa linha ofensiva sofreu. Antes da temporada começar, o prognóstico de trazer Nicks e Martin envolvia também juntar esses dois ao seu outro guard Pro-Bowler,  Devin Joseph. A idéia era justamente usar Joseph e Nicks (junto com o bom LT Donald Penn) para formar uma excelente e dominante linha ofensiva na frente, especialmente pelo meio abrindo espaços para as corridas de Martin, protegendo Freeman e dando a ele espaço para fazer sua mágica pelo ar, esperando que ele reeditasse seu excelente 2010 (61.4%, 7.3 Y/A, 25 TDs, 6 INTs e um 64.9 QBR). Mas Joseph machucou antes da temporada começar e não jogou um snap sequer em 2012, e Nicks perdeu oito jogos. Então a dupla de guards Pro-Bowler que deveria ser a fundação da equipe em 2012 não jogou sequer um jogo junta e perdeu 24 de possíveis 32 jogos, com Nicks saindo logo antes dessa fatídica sequência 0-5 e coincidindo com o jogo terrestre despencando. Ao final da temporada, apenas um jogador que começou o ano de titular (Penn) estava jogando na mesma posição que começou, todos os outros estavam machucados ou improvisados em outro lugar. Algo me diz que não foi uma coincidência.

E o que essa lesão do Nicks expôs nesses cinco jogos e que foi talvez a principal causa desse fiasco foi o seguinte: Josh Freeman é HORRÍVEL sob pressão. Legitimamente horrível, ele foi o segundo pior QB da NFL em 2012 quando pressionado (adivinhem o primeiro, rima com Park Manchez), e o que você ve em campo coincide com os números: ele simplesmente não tem idéia do que fazer, se livra da bola forçando passes para jogadores marcados (que normalmente flutuam demais e levam a interceptações), toma más decisões e não consegue manter a calma para fazer passes rápidos antes que a pressão chegue, talvez por medo de levar uma pancada. O fato dele não ter um bom slot receiver ou TE com certeza atrapalha, já que essas são normalmente as válvulas de segurança nesses passes apressados, especialmente para um time cujas duas principais opções de passe (Vincent Jackson e Mike Williams) são jogadores de velocidade que gostam de trabalhar em rotas mais longas e que exigem tempo, não são boas opções para um QB que precisa se livrar da bola. E a lesão de seu melhor lineman e a queda do jogo terrestre juntaram com tudo isso para colocar Freeman em uma péssima situação, onde a pressão aumentou consideravelmente e ele não soube o que fazer com a bola, levando a essa queda brutal dos números.

A questão é como isso vai funcionar em 2013. Os problemas de Freeman sob pressão sem dúvida foram parte dos motivos que levaram Schianno a focar seu ataque no jogo terrestre e tirar a pressão do seu QB. E apesar de Freeman já ter quatro temporadas de NFL no seu currículo, a verdade é que ele tem apenas 25 anos e é dois meses mais novo que Colin Kaepernick. Ainda tem tempo para desenvolver e corrigir seus problemas, mas será que ele consegue? Em geral, é uma característica difícil de perder mesmo com o tempo, então a forma mais simples de lidar com isso é lhe dar uma grande linha ofensiva, um bom jogo terrestre como carro chefe, e tirar a pressão das suas costas. E foi o que o Bucs vinha fazendo eficientemente em 2012 até Nicks machucar, o jogo terrestre cair e Freeman lançar oito interceptações em dois jogos. Quanto mais longe de Freeman a defesa ficar, maiores as chances de sucesso da equipe. Por isso a volta de Joseph e Nicks, e uma temporada completa dessa excelente dupla, vai ser importantíssima tanto para impulsionar o jogo terrestre como para manter as defesas afastadas de seu QB. E vale lembrar que Freeman, em um ano de contrato, provavelmente tem mais em jogo do que qualquer outro jogador na NFL em 2013: uma temporada sólida provavelmente vai lhe garantir um gordo contrato, e uma temporada decepcionante provavelmente vai render a ele um lugar no banco (provavelmente de outro time). Mas se a linha conseguir ficar saudável, e em um ano de contrato (nós vimos como isso acabou para Joe Flacco ano passado), Freeman é um candidato interessante a ter um bom ano.

Mas na defesa é onde começa a ficar realmente interessante. Eles terminaram 20th ano passado no total, um número que fica mais claro quando dividimos em defesa aérea, 26th overall, e defesa terrestre... 3rd overall. Esse grande número da defesa terrestre é de uma importância especial para a equipe pelo seguinte motivo: de volta ao Draft de 2010, o Bucs usou suas duas primeiras picks em dois DTs, Gerald McCoy e Brian Price, numa tentativa de reforçar sua linha defensiva e retomar o que funcionou no começo dos anos 2000, quando a defesa da equipe era uma das melhores da NFL e levou o time a um título de Super Bowl em 2002 com uma linha defensiva ancorada por Warren Sapp e Anthony McFarland. A idéia de draftar sua dupla de DTs era começar a remontar sua defesa nesses moldes, mas não funcionou: Price foi um bust que jogou apenas uma temporada saudável (2011) antes de se acabar em lesões (foi trocado em 2012 para o Bears por uma 7th rounder, perdeu o ano inteiro, e agora está sem time porque não fica saudável), mas McCoy - considerado por muitos o segundo melhor jogador daquele draft depois de Ndamukong Suh - era o principal jogador da dupla, e não foram anos muito felizes para ele, entre uma temporada de calouro decepcionante e um 2011 marcado por lesões. Mas em 2012, McCoy finalmente explodiu como o jogador que todos esperavam: dominante indo atrás do QB (cinco sacks) mas ainda mais brilhante contra a corrida, o tipo de jogador capaz de ocupar dois bloqueadores e ainda fazer o tackle, praticamente uma parede com braços no meio da linha defensiva. Foi uma performance digna de All-Pro (não entrou, mas foi ao Pro-Bowl) e foi a explosão que todo mundo esperava no meio da linha, o tipo de game-changer que a equipe precisava.

Com McCoy sendo um monstro no meio da linha, ficou mais fácil para o resto do time, em especial Michael Bennett, que assumiu a função de principal pass rusher do time e terminou o ano com 9 sacks e foi jogar em Seattle. Bennett é um pass rusher especialista que se beneficiou muito da presença de McCoy para conseguir 9 sacks, mas para um jogador que somou seis nos primeiros três anos na Liga, algo ai indica uma aberração amplamente beneficiada pela presença de McCoy. Ainda assim, Bennett e seus sacks farão falta se DaQuan Bowers - um talento Top5 dois anos atrás que caiu para a segunda rodada por problemas de lesões - não conseguir assumir a função. Bowers era um dos melhores rushers da NCAA, mas não teve espaço por lesões e agora é a grande esperança da equipe para substituir Bennett. Em 2012 foram 3 sacks em 10 jogos jogando apenas em algumas situações específicas, então potencial existe, mas ainda é um risco. Essa defesa na frente foi excelente, mas o potencial de regressão é grande depois de subir de 30th para 3rd em apenas uma temporada.

A parte muito boa para o Bucs é que se a secundária foi uma peneira em 2012, a equipe fez tudo ao seu alcance - e ao alcance de sua conta bancária - para reforçar a unidade. Na verdade, das quatro posições padrões da secundária (dois cornerbacks, um free safety e um strong safety), o Bucs trocou três do ano passado para esse por jogadores de alto nível. O único que continuou foi a 7th pick do ano passado, o safety Mark Barron, que mostrou promessa na sua temporada de calouro. Mas ele foi o único que ficou: o Bucs overpaid (5 anos, 47M) o FS Dashon Goldson, do San Francisco 49ers, para fazer par com Barron no fundo da defesa. Goldson é um bom jogador que foi ao Pro Bowl em 2011 e até ao time All-Pro em 2012 (um absurdo, mas enfim), mas sempre jogou dentro de uma excelente defesa do 49ers e tinha a tendência de ser meio maluco demais indo atrás de jogadores, deixando muito espaço na cobertura e tomando muita bola nas costas, então foi um risco alto aqui porque não sabemos como ele vai jogar fora de contexto. Mas ele torna a secundária melhor, e isso é antes de falar da dupla que o Bucs trouxe para CB depois que seu casamento com Eric Wright deu errado: um calouro escolhido no topo da segunda rodada e muito promissor, Jonathan Banks (que eu pessoalmente gosto mais do que alguns CBs que saíram na primeira rodada como Trufant ou Rhodes), e trocou sua escolha de primeira rodada para o Jets pelo melhor CB da NFL, Darrelle Revis. Revis vem de um ligamento rompido que o tirou da temporada 2012, então não sabemos o quanto do velho Revis devemos esperar para 2013, mas considerando casos recentes e a medicina moderna, e o quão bom Revis era no seu auge, não devemos esperar menos que um CB de elite. Se tiverem cerca de 80% do camisa 24, então já possuem o melhor cornerback da NFL por uma boa margem e alguém que consegue ocupar o melhor recebedor adversário sozinho, o que facilita muito a vida do resto da defesa, especialmente uma tão cheia de talento como essa. As pessoas estão descartando um pouco Revis pela sua lesão, mas mesmo se não voltar a 100%, ele ainda é um dos melhores da liga.

Então se você está marcando pontos, a equipe teve uma das melhores defesas terrestres da NFL em 2012 em torno de um dos DTs mais dominantes da liga, e agora adereçou sua secundária adicionando dois All-Pros e um calouro do topo da segunda rodada a uma escolha Top10 de draft que tem tudo para continuar evoluindo nos próximos anos. Ainda sobram algumas dúvidas, sobre como a falta de Bennett será sentida, se Bowers (que tem enfurecido a comissão técnica por estar fora de forma) vai conseguir se estabelecer como uma força (ou pelo menos compensar a falta de Bennett), e sobra a sustentabilidade desse salto de terceira pior defesa terrestre para terceira melhor em apenas um ano (provavelmente não sustenta). Mas só pela enorme quantidade de talento adicionada na defesa (deixando de lado a parte financeira da questão um instante), já é possível esperar um imenso salto em 2013 com uma das melhores secundárias da liga - pelo menos no papel.

Por isso o Bucs é um time tão interessante de se observar. Se as peças encaixarem no lugar certo, qual o teto desse time? Eu não sei, mas é bem alto, certo? A equipe foi um underachiever em 2012, 7-9 com Pythagorean Expectation de 8-8 e record de 3-6 em jogos decididos por uma posse de bola, e isso ainda considerando aquele período absurdo de cinco jogos onde a equipe foi uma versão piorada do Lions de 2009. O Bucs poderia facilmente ter ido 9-7 (em record e/ou Pythagorean), e o time de 2013 AINDA seria uma versão melhorada dos dois lados do campo, tanto na frente (pelas voltas de Nicks e Joseph) como na defesa (pela chegada desses reforços absurdos na secundária). A tabela é mais difícil em 2013, mas ainda assim, é um time que deve ter uma excelente defesa e um ataque muito sólido se ficar saudável e Josh Freeman não tiver muitos momentos de pressão. Considerando algumas incertezas - Nicks ainda lida com uma lesão no pé, Freeman teve altos e baixos ao longo da carreira, Revis voltando de lesão - ainda acho cedo para ficar super otimista e colocar Tampa nos playoffs, mas um record em torno de 9-7 é de se esperar para esse grupo lotado de talento. Vale acompanhar.

domingo, 10 de outubro de 2010

Guerra psicológica

Ray Lewis acabou de achar Rex Ryan na lateral do campo


Hoje é domingo, e isso significa que é dia de rodada da NFL. Vou aproveitar que ainda é cedo pra dar um palpite e uma justificativa para cada um dos jogos de hoje porque é divertido se vangloriar dos acertos e rir dos erros absurdos (Embora eu nao seja tao doido pra dizer que o Saints perde do Cardinals). Eu ia falar hoje mas vou deixar pra amanha, quando terá acabado a terceira rodada das semifinais da MLB, pra atualizar voces nos resultados (Tem um time ja classificado pros playoffs. Quer saber qual? Nao mude de canal e volte amanha). Mas antes disso, vou me deter pra falar um pouco do jogo de segunda feira entre Jets e Vikings.

O jogo em si ganhou um interesse muito maior quando foi anunciada a troca que levou Randy Moss pra Minnesota. Primeiro porque o Vikings imediatamente se tornou um time muito mais forte do que aquele time da semana passada que nao tinha nenhum alvo que prestasse pra bolas longas e pode ser o que faltava pro vovô Brett Favre finalmente mostrar a que veio no ano. Segundo porque Randy Moss e Darrelle Revis se enfrentaram duas vezes ano passado e Revis dominou os dois confrontos. No entanto, esse ano, Moss levou a melhor sobre o cornerback do Jets, vencendo-o numa jogada longa para um touchdown espetacular e ainda viu Revis sair machucado na mesma jogada, e todos esperam um ótimo confrontos pra amanhã a noite. E terceiro, porque o Rex Ryan é um tremendo de um pentelho.

O Rex Ryan, técnico do Jets, é um excelente técnico, mas é um dos técnicos mais chatos e insuportaveis ao redor da Liga. Ele serviu de anos como coordenador defensivo do Ravens e foi responsável pelas defesas doentias que o Ravens teve ao longo da década, em especial a de 2000, que ganhou o Super Bowl mesmo tendo Trent Dilfer de quarterback. Ele é um gênio defensivo e sua habilidade pra montar defesas é, hoje, a melhor da NFL, melhor até que a do Bill Belichik (Não, o Ryan não é um técnico melhor que o Belichik, ele só é melhor armando defesas, fim). Mas ele tambem é um provocador, adora encher o saco dos adversários antes das partidas e de mexer com o lado psicológico dos adversários (Embora de uma forma muito menos sutil do que o Phil Jackson faça).

Depois que ano passado o Jets surpreendeu e foi pra final de conferência, onde Rex Ryan teve seu esquema defensivo completamente dissecado por Peyton Manning, Ryan se viu confiante o bastante pra declarar no começo da pré temporada que o Jets iria para o Super Bowl. Antes do jogo contra o Ravens, na primeira rodada, aproveitou para provocar o rival, o que rendeu uma reação de Ray Lewis, que jogou demais aquele jogo e o Ravens mostrou pro Jets que a defesa sobrevive mesmo sem seu coordenador defensivo. Depois, Ryan aproveitou pra cutucar o Patriots antes do duelo onde seu time saiu vitórioso com boa atuação de Mark Sanchez. Ou seja, o Rex Ryan adora dar uma cutucada e fazer de tudo pra desconcentrar os adversários antes de um jogo. Essa semana, saiu na imprensa uma possivel acusação de racismo contra Brett Favre. Só que o que é estranho é que essa acusação é de algo que teria ocorrido mais de dois anos atrás, quando Favre era quarterback do - adivinhe - New York Jets. Voces podem ter certeza de que essa acusação, independente de ser real ou fictícia, só apareceu agora porque o Rex Ryan quis assim. Nao foi de forma alguma uma coincidência o fato dessa denuncia ter aparecido logo antes do Jets enfrentar o Vikings, e tambem não estranharia se fosse algo totalmente inventado apenas pra desestabilizar o vovô.

Outra apimentada pro jogão foi uma declaração de Darrelle Revis dizendo que Randy Moss fez corpo mole no segundo tempo do jogo entre Patriots e Jets. Como eu ja disse, no primeiro tempo o Moss superou o Revis algumas vezes, principalmente para um touchdown longo, onde se machucou. No segundo tempo, Revis nao voltou e Moss foi marcado por Antonio Cromartie, onde foi totalmente anulado e nao tocou na bola. Claro, o Revis é outro tremendo mala e pode muito bem ter sido o jeito dele pra explicar porque ele levou na cabeça do Moss e o outro cornerback do Jets não, mas nao deixa de ser uma provocação explícita a um jogador que já teve criticas por fazer isso quando jogava no Raiders. Essa provocação pode ter partido do chato do Revis, mas é o reflexo do que o treinador do time implementa a cada partida: provocar o adversário e mexer com seu psicológico.

Revis e Ryan provocaram o Vikings, e é algo pra deixar ainda mais imperdivel o jogo de segunda feira. As reações a essas provocações do Ryan variam: Algums times sentem  o golpe (em geral times mais jovens) e outros usam isso como um motivacional, como foi o caso do Ravens. Moss e Favre são beeem experientes (33 anos e 41 respectivamente) e sabem lidar com essas coisas.  Mas ver como eles vão lidar dessa vez será interessante tambem porque o Jets vem numa ótima sequencia e o Vikings joga sob desconfiança. Ou seja, mais um elemento para deixar o jogo ainda mais divertido e interessante. Para nós que estaremos assistindo de casa, bem entendido, nao para o pobre do Shonne Greene que vai estar levando porradas de Linebackers com sangue nos olhos.


Palpites da rodada

Packers at Redskins
Santana Moss vai ser muito bem marcado por Charles Woodson e Aaron Rodgers está jogando muito, mas os Packers tiveram muitos problemas semana passada contra um Quarterback muito inferior a Donovan McNabb. Acredito numa vitória apertada do
Packers.

Rams at Lions
Os Rams tem jogado muito bem em semanas recentes com um Sam Bradford mostrando que é pra valer. Mas o Lions perdeu vários jogos apertados contra times fortes esse ano e acho que vai conseguir sua primeira vitória contra o Rams.

Bears at Panthers
Os Panthers tem um jogo terrestre bom e um jogo aéreo fraco. Os Bears tem uma fortissima defesa terrestre e uma fraca defesa aérea. Mas Todd Collins de quarterback é algo pra assustar os torcedores de Chicago, ainda mais que os esquemas do Mike Martz não são muito bons pra runningbacks correrem com a bola. Esse é meu palpite mais duro porque acho que esse jogo vai ser uma droga e decidido nos detalhes, mas fico com o Panthers.

Saints at Cardinals
Max Hall vai começar de quarterback pra Arizona e Drew Brees pro Saints. Preciso dizer mais?

 Eagles at 49ers
Os Eagles jogam sem Assante Samuel e Michael Vick, e Lesean McCoy provavelmente tambem ficará de fora. Os Niners jogam muito melhor em casa do que fora e virão babando pra nao começar 0-5 a temporada. Acredito numa vitória convincente do 49ers.

Titans at Cowboys
A defesa do Cowboys é forte e Chris Johnson ainda nao mostrou que é o mesmo corredor do ano passado, alternando jogos bons e ruins. A defesa aérea do Titans está forte, mas a terrestre está vulnerável, e o trio de running backs do Cowboys vai dar uma vitória apertada pro time.

Buccaneers at Bengals
Os Bucs foram um time muito divertido no começo do ano, começando 2-0 até levar uma surra de pau mole do Steelers. O Bengals vem numa sequencia dificil e um começo de ano com más atuações de Carson Palmer e Cedric Benson. Mesmo assim, o Bengals tem mais time e vai levar essa.

Giants at Texans
Eli Manning tem jogado muito mal e o Texans contará com a volta de Brian Cushing. Como ele voltará sem esteróides ainda é uma incognita, mas nao esperem que o Giants consiga 10 sacks contra o Texans. O time do Texas (qual será?) leva.

 Falcons at Browns
Falcons tem jogado um futebol muito consistente e ainda que Peyton Hillis tenha tido bons jogos, o ataque do Falcons é muito bom pro Browns.

 Broncos at Ravens
Não é pegadinha: Kyle Orton é o líder da NFL em jardas aéreas! Ainda assim, sem Knowshon Moreno o ataque do Broncos fica unidimensional demais, e Joe Flacco parece ter achado seu jogo. Ravens ganha.

 Chargers at Raiders
Os Raides não tem nenhum grande retornador como Dexter McCluster ou Leon Washington. Assim, o Chargers nao vai ceder 14 pontos de retorno e vai ganhar com um touchdown do Antonio Gates, como sempre.

 Jaguars at Bills
Eu disse antes da temporada começar que o Jaguars era um time que ninguem prestava atenção e quando ia ver tava melhor do que o esperado. Bom, eles estão 2-2 e pegam a tragédia que sao os Bills. Embora eu ache que nao vai ser um jogo facil pro Jaguars, eles conseguem evoluir pra 3-2.

 Chiefs at Colts
O Chiefs é o único time invicto na NFL e mostrou uma evolução muito grande da temporada passada pra essa. O Colts perdeu Melvin Bullitt e agora tem um buraco na posição de strong safety. Nao vai ser um jogo facil porque o Colts tem gravissimos problemas defensivos, mas acho que Peyton Manning nao vai tolerar uma segunda derrota seguida.

Vikings at Jets
Falei tudo que tinha pra falar no post de hoje, acho que Favre e Moss vao vir babando e que o Vikings e sua forte defesa terrestre vai segurar o Jets.

domingo, 26 de setembro de 2010

Os fujões da NFL

"Vocês traíram o movimento, véi!"


Você sabe o que Vincent Jackson, Marcus McNeill, Darrelle Revis e Chris Johnson tem em comum, além do fato de serem todos bons jogadores de futebol americano? Todos eles correram o risco de perder essa temporada por questões contratuais. E, de certa forma, por vontade própria.
Todos eles boicotaram os training camps dos respectivos times (Chargers, Chargers, Jets e Titans) alegando que queria um novo contrato. Mas para não generalizar e explicar as coisas com calma, vamos mais devagar.
Darrelle Revis estava no seu ultimo ano de seu contrato de calouro, que iria lhe pagar cerca de um milhão de dólares. No entanto, Revis saiu de uma temporada de 2009 incrivel, se estabeleceu como o melhor cornerback da NFL e mostrou que é peça fundamental na defesa do Jets. Ele queria ganhar um contrato semelhante ao que Nhamdi Asamugha, cornerback mais bem pago da NFL, ganha. Ou seja, um contrato longo ganhando cerca de 15 milhões de dolares por ano!

Chris Johnson teve um ano de calouro bom, mas o ano seguinte foi sensacional. Correu para mais de 2000 jardas (O sexto na história a conseguir o feito) e quebrou o recorde de jardas de ataque, que contabiliza corridas e recepções. Assim, Johnson decidiu que merecia um contrato muito maior do que o contrato de calouro que ainda duraria dois anos, e boicotou as atividades do time dizendo que nao jogaria com um contrato daqueles.
Marcus McNeill e Vincent Jackson eram restricted free agents ao fim da temporada 2009. Isso significa que o Chargers tinha direito de cobrir qualquer proposta feita aos dois E alem disso, caso eles decidissem nao igualar, o time que os assinou teria que dar uma compensação (Escolhas no draft) para o Chargers, que estava pedindo muito alto. No entanto, ambos nao quiseram assinar as ofertas de 1 ano do Chargers, ambos queria conratos longos e com bastante dinheiro garantido.

A pergunta que fica é: Se esses jogadores são tão importantes para os seus times, porque os times nao assinaram logo os quatro em contratos longos para garantir que eles fiquem no time por bastante tempo e ainda acabarem com esse 'holdout', como é chamado esse boicote? A resposta é complexa e envolve uma coisa chamada Salary Cap. O Salary Cap, ou teto salarial, da NFL é um "hard cap". Ou seja, ele existe como um limite definitivo que nenhum time pode ultrapassar (Na NBA temos um "soft cap", mas falaremos disso em uma ocasião melhor). O salary cap da NFL é fixado com bastante antecedência num acordo feito entre a NFL e a associação de jogadores, e os times usam esse teto salarial como base para fazer seus contratos com os jogadores. No entanto, o acordo que a NFL e a associação tinham venceu ao final da temporada passada e nenhum acordo foi acertado para essa temporada. Isso significa que essa temporada não tem teto, se voce quiser assinar um contrato de um ano e 400 milhões com o Peyton Manning voce pode. Mas ao final dessa temporada, um acordo terá que ser feito para os proximos anos (O que pode gerar um novo boicote, dessa vez por parte de todos os jogadores), e um novo teto salarial deve ser fixado. O problema é que o que se espera para esse acordo é que o teto salarial caia, e ninguem sabe dizer o quanto. Isso explica porque os times estão com tanto medo de oferecer contratos longos envolvendo bastante dinheiro: Voce não sabe qual vai ser o salary cap pra se basear. E se voce oferece contratos monstruosos para esses jogadores por longos anos voce pode de repente se ver perto demais do salary cap, sem condiçoes de renovar contratos de outros jogadores por maiores valores ou assinar free agents de valor pra nao estourar o limite.

Os times ofereceram contratos curtos, com valor de um ano para os jogadores, enquanto eles queriam contratos longos. Essa discrepância de interesses gerou esses boicotes. Ao final, os times conseguiram o que queria, enquanto os jogadores tambem: Darrelle Revis assinou um contrato longo (Algo em torno de 46 milhões por quatro anos), ainda que abaixo de Asamugha (Mas o suficiente pro Revis garantir a alimentação dos bisnetos). Chris Johnson jogará esse ano com seu contrato de calouro sob a promessa do time de que quando sair o novo salary cap, ele será o primeiro a ganhar um contrato longo e milionário (Até porque eles não sao burros de querer seu melhor jogador e um dos melhores da NFL saindo). McNeill assinou ontem sua tender que tinha valor de U$ 3.600.000,00 quando foi oferecida, mas devido Às multas por atraso caiu pra 600 mil dolares apenas. Um contrato novo é esperando para a final do ano. McNeill terá que aguentar uma suspensão de tres semanas por nao ter assinado o contrato antes da temporada começar, mas apesar disso é um reforço considerável.
O mesmo se aplica a Vincent Jackson. Mas, no caso dele, a questão é um pouco diferente. Jackson tambem era um free agent restrito que queria um contrato longo e valioso. Quando o Chargers fincou o pé dizendo que nao ofereceria um contrato assim antes de sair o novo teto salarial, Jackson fez de tudo pra forçar sua saida. Mas o Chargers pediu alto por ele, e uma troca acabou nao acontecendo até ontem até quarta feira, que era a data limite pra ele assinar um contrato e ainda poder jogar na quinta semana. Agora terá que sentar, no minimo, mais uma semana. Mesmo assim, ele ainda nao assinou o contrato. Ele ja disse abertamente que espera uma troca e acha 'anti-ético' que o Chargers não o troque. Se até a sexta semana ele não assinar um contrato, ele nao poderá mais jogar esse ano. Eu pessoalmente acho que ele não joga mais pelo Chargers, e ele jogar ou não esse ano depende se ele vai ser trocado ou não.

Alguem mais alem de mim acha ridiculo o cara ganhar mais de um milhão por ano, terem oferecido um contrato de tres milhões e meio, e ainda ficar fazendo boicote porque quer ganhar mais? Nao que isso tenha relevância para o Vincent Jackson, que deve estar gastanto sua grana enquanto espera alguem resolver sua situação. Bons jogadores como VJax raramente ficam sem time por tempo demais.
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Como é dia de rodada, seguem abaixo os nossos palpites. Primeiro os do Celo e depois os meus(Vitor).
San Francisco at Kansas - 49ers , 49ers
Dallas at Houston - Texans , Cowboys
Tennessee at New York Giants - Giants, Titans
Pittsburgh at Tampa Bay - Steelers, Steelers
Detroit at Minessota - Vikings, Vikings
Atlanta at New Orleans - Saints, Saints
Cleveland at Baltimore - Ravens, Ravens
Buffallo at New England - Patriots, Patriots
Cincinatti at Carolina - Bengals, Bengals
Washington at Saint Louis - Redskins, Redskins
Philadelphia at Jacksonville - Eagles, Eagles
San Diego at Seattle - Chargers, Chargers
Oakland at Arizona - Cardinals, Raiders
Indianapolis at Denver - Colts, Colts
New York Jets at Miami - Jets, Dolphins
Green Bay at Chicago - Bears, Packers (Com sérias duvidas aqui, confesso)