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sexta-feira, 7 de março de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - NFC (parte I)


"Gostei da coluna, deem um contrato de 24M para esse cara!"



AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Depois, falamos em duas partes sobre os times da AFC que não foram aos playoffs (Parte I e Parte II). Agora, é hora de falar dos times da NFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Para facilitar (AKA Carnaval), esse post também foi dividido em duas partes, com a segunda vindo no máximo segunda feira.


Times da NFC fora dos playoffs (Parte I)


Dallas Cowboys

Vamos fazer um pequeno jogo. Ele chama "Vamos ver se você está pronto para ser o General Manager do Cowboys" (título provisório). Suponha que você seja dono ou GM de um grande time de futebol americano, e seu time esteja algo como 15M acima do salary cap. Qual a sua primeira atitude quando acaba a temporada?

a) Dispensa alguns jogadores para tentar ficar abaixo do salary cap
b) Procura alguns de seus jogadores com maior salário e que assinaram contratos recentemente para uma possível reestruturação de contrato
c) Se prepara para um arriscado mas necessário processo para limpar a folha salarial (atual e futura) da equipe, ainda que as custas de algumas temporadas
d) Imediatamente oferece um contrato de 22M de patacas para seu kicker

Bom, se você quer trabalhar no Cowboys, aparentemente a resposta certa é a letra D. Mesmo muito acima do salary cap e sabendo o que isso significaria para o time, a primeira atitude da diretoria foi aumentar essa folha salarial com um contrato imenso para seu kicker.

Eu acho que não preciso passar tempo demais explicando porque essa foi uma péssima decisão. Sim, é importante ter um bom kicker e Dan Bailey tem jogado bem, mas considerando a situação que você se encontra, o custo-benefício desse tipo de contrato é péssimo. Você precisa de cada centavo que puder para evitar ficar acima do cap, claro, mas também para abrir espaço para calouros e free agents. Então porque você vai pagar 22M para um KICKER? Para quem não lembra, Dan Bailey foi para o Dallas como um calouro não-draftado em 2011 e ano passado ganhava 500mil... porque pagar sete vezes mais se você pode facilmente achar um substituto no draft com uma escolha tardia, ou mesmo sem gastar escolha nenhuma? Dallas Cowboys, pessoal!

Na verdade, esse é um resumo do grande problema do Cowboys, dos últimos anos, de hoje, e dos próximos anos: o time é incompetente e extravagante na hora de distribuir contratos, e por isso trava uma batalha eterna contra o salary cap, uma batalha que eles tem perdido. 15M acima do salary cap mais o contrato de Bailey, Dallas teve que se virar para conseguir entrar abaixo do limite de 132M, e para isso eles tiveram que recorrer ao que fazem todo ano nessa situação: reestruturar contratos. Reestruturar contrato significa que eles pegaram um jogador com um contrato muito caro que eles não podem dispensar, e transformaram uma grande parcela do salário desse jogador em um bônus. O resultado é que o seu valor de 2014 contra o salary cap cai consideravalmente, abrindo espaço imediato, mas também tem duas consequências: primeiro, esse dinheiro que você economizou em 2014 não desaparece, ele é redistribuido entre o resto do contrato do jogador, aumentando seu valor anual e gerando novos problemas salariais para o futuro; e o segundo é que, como esse dinheiro é transformado em dinheiro garantido, é muito mais difícil você dispensar o jogador futuramente, porque a maior parte do salário do jogador fica garantido e portanto esse dinheiro não sai da sua folha salarial mesmo em caso de dispensa. Então o Cowboys conseguiu entrar abaixo (300 mil) do limite salarial esse ano, mas para isso precisou reestruturar os contratos de Sean Lee, Tony Romo e Orlando Scandrick... e ainda assim, 300mil é muito pouco considerando que o time ainda precisa dar contratos para seus calouros, reforçar uma defesa que foi uma atrocidade em 2013 (e cujo melhor jogador é free agent!), e compor o resto do elenco (que precisa chegar a 53 jogadores). 

Esse problema no Dallas é antigo, e vem do péssimo julgamento da diretoria na hora de distribuir contratos (ver o caso do Bailey). O time não pensa duas vezes antes de distribuir contratos caros e longos para jogadores (free agents ou domésticos), mas não pensa nas consequências e na situação salarial da equipe, e isso acaba prendendo a equipe por muitos anos... anos nos quais o time continua cometendo os mesmos erros e lidando com os mesmos problemas. Para dar um exemplo, essa mania de ficar dando grandes contratos e depois os reestruturando significa que para 2015, antes de qualquer contrato de calouro ou free agent, o Dallas já tem 134M na sua folha salarial, no que significaria 2M ACIMA do salary cap de 2014 (nenhum outro time tem mais de 108M, só três estão acima de 100M, e os três foram aos playoffs, btw). 

Por isso o Dallas foi o maior beneficiado do recente aumento no salary cap (132 para 2014 e espera-se 140 para 2015), que lhe deu algum alívio e impediu dispensas mais dolorosas, mas isso não é o suficiente. O time tem uma base muito boa, mas também tem uma defesa horrível que está PERDENDO Jason Hatchet, tem diversos buracos e não tem qualquer tipo de profundidade. Esses são problemas que o time dificilmente vai conseguir arrumar enquanto tiver que pensar primeiro em abrir salários e depois em contratar jogadores novos, e isso só vai acontecer quando o Jerry Jones mudar sua postura de contratações e contratos extravagantes, entender o problema, aceitar uns dois anos mais quietos para limpar essa folha salarial, e dai voltar a brigar com tudo. Só quando isso acontecer o Cowboys vai poder voltar a ser um concorrente ao título estável. 


New York Giants

Outro time da NFC East vindo de uma temporada decepcionante e com problema salariais! Embora para ser justo, os problemas saláriais do Giants são muito mais pontuais e específicos que os dos seus rivais, mas isso não quer dizer que a situação em NY esteja boa: são apenas 18M em espaço salarial, e a equipe tem alguns free agents importantes, inclusive seu melhor jogador de 2013 (Justin Tuck), defensores importantes como Corey Webster, Terrell Thomas, Jon Beason e Linvall Joseph, e mais Hakeem Nicks (99% de chance de sair, mas precisarão de alguém para o lugar) e Andre Brown no ataque. 18M definitivamente não vai dar, e embora possam abrir mais 13M dispensado Chris Snee e Antrell Rolle (e nenhum dos dois é uma dispensa confortável), ainda parece pouco frente a quantidade de buracos que a equipe mostrou em 2013. A janela não parece grande para 2014, embora nenhum time saiba melhor que o Giants que, uma vez nos playoffs, você tem totais chances de ser campeão se pegar fogo na hora certa e contar com a sorte.

Embora difícil colocar a temporada 2013 do Giants em contexto, o grande problema foi mesmo a linha ofensiva: NENHUM linemen do Giants teve um rating positivo pela PFF em pass block, e todos os 7 OL que jogaram pelo menos 400 snaps tiveram notas vermelhas (com o aposentado David Diehl liderando a desgraça com -20.1). O resultado foi que o time teve o terceiro pior ataque terrestre da NFL com 3.5 jardas por corrida, e uma combinação de um péssimo Eli Manning (piores marcas da carreira em TDs, interceptações, rating e QBR), WRs surpreendentemente ineficientes e claro, péssimas atuações da linha ofensiva protegendo o QB também fizeram o Giants acabar com um dos piores ataques aéreos da NFL também. O resultado foi... hmm... bem ruim. Mas o Giants ainda está aparentemente decidido em continuar comprometido com Eli, acreditando que 2013 tenha sido apenas um outlier e que as coisas mudarão com uma linha ofensiva que não o deixe tão exposto.

Claro, o problema é que não é fácil montar uma linha ofensiva quase inteira da noite para o dia, especialmente sem espaço salarial. Justin "Tiranossauro Rex" Pugh foi ok na sua temporada de calouro e David Bass voltando de lesão deve ajudar, mas isso ainda deixa três vagas - inclusive duas de tackle - sem dono e sem uma boa alternativa doméstica. O draft é bastante profundo em linha ofensiva, o que é um consolo, mas não é como se fosse o único problema do Giants: o time precisa de WRs e um TE para substituir Nicks e melhorar seu corpo de recebedores, e algumas decisões complicadas de RB precisam ser tomadas entre Andre Brown se tornando free agent, a saúde de David Wilson e Brandon Jacobs sendo Brandon Jacobs. Não é um caminho fácil para NY, especialmente considerando sua falta de espaço salarial e a questão abaixo.

Defensivamente, o time se saiu muito melhor do que pareceu, terminando com o sexto melhor DVOA defensivo da temporada passada, mas precisa tomar decisões difíceis. Linvall Joseph e Tuck foram os dois melhores jogadores defensivos do Giants em 2013, e não vai ser fácil encaixar os dois na folha salarial do time. É possível que o Giants deixe Tuck ir e tente repor sua produção com uma combinação de Mathis Kiwanuka voltando a forma depois de um péssimo 2013 e Jason Pierre-Paul... bem, voltando a forma depois de um decepcionante 2013, mas é um risco enorme. Joseph não tem o mesmo pedigree desses três, mas tem sido uma presença consistente no meio da linha do time nos últimos anos e é um pilar do jogo terrestre, então não pode sair. E enquanto decide o que fazer com sua linha, o time tem que decidir o que fazer com a secundária, com Rolle, Webster e Thomas exigindo novos contratos (três jogadores importantes em 2013) E tentar adereçar seu grande problema defensivo, seu grupo de linebackers que ainda tem Benson virando free agent. O Giants tem um potencial de regressão interessante no ataque em um draft favorável (profundo em OL e WR) e a defesa, se mantiver o ritmo de 2013, pode levar o time a ser competitivo novamente, mas me parecem buracos e incógnitas demais para um time que não pode contar com a free agency para se reforçar.

Washington Redskins

Para começar, as notícias ruins: a troca de Robert Griffin III, que parecia uma enorme vitória um ano atrás, acabou saindo pela culatra, com uma lesão no joelho e um péssimo 2013 que forçou o Redskins a mandar a 2nd pick de um draft profundo para Saint Louis. Além disso, a péssima atuação de RG3 em 2013 levantou todo tipo de questão sobre sua saúde ou mesmo se seu excelente 2012 não teria sido apenas um outlier impossível de ser repetido. E em meio a tudo isso, o Redskins ainda mudou sua comissão técnica, trazendo uma certa incógnita para como esse time vai se reorganizar para o futuro, ainda mais sem uma 1st round pick.

A parte boa é que finalmente os problemas salariais do Redskins receberam um alívio agora que Albert Haynesworth e o pior contrato da história da NFL finalmente saíram da sua folha de pagamentos, dando ao time alguma flexibilidade: mesmo depois da Franchise Tag em Brian Orakpo (seu melhor jogador defensivo de 2013, sem dúvida), a equipe ainda tem 20M livres, não tanto assim mas muito melhor do que a situação recente da franquia. E claro, também tem o fato de que o Redskins não precisa se focar em vencer imediatamente. O núcleo do time é sólido, especialmente no ataque (o time tem três excelentes OLs que podem formar uma das melhores linhas do jogo com alguma ajuda, Alfred Morris tem sido ótimo como profissional, e Jordan Reed e Pierre Garçon são opções jovens e promissoras no jogo aéreo), e principalmente jovem. O time não possui veteranos caros ou muito valiosos - pelo contrário, seus principais jogadores todos são ainda novos - e, mesmo com a temporada 2013 indo pro lixo e perdendo uma 1st round pick valiosa, não tem motivo para o time entrar em pânico e tentar resolver tudo no curto prazo. Junte a isso uma nova comissão técnica que não tem a pressão de vencer imediatamente e que teria tempo para um projeto mais completo, e o futuro do Redskins passa a ser mais interessante olhando além de 2014.

A maior incógnita, hoje, seria a posição de QB, mas mesmo essa não deve incomodar demais o Redskin por enquanto. Mesmo que ele nunca chegue a reproduzir o nível de 2012, também não deve para sempre ser o fiasco de 2013, e com mais três anos em Washington (que não pode cortá-lo sem incorrer em enormes valores entupindo sua folha salarial, e uma troca seria vender muito baixo dado o valor pago por ele) e sem pressa para vencer agora, o time vai ter muito tempo para desenvolvê-lo, ver como ele rende com seu joelho enfim saudável, antes de tomar uma decisão (btw, não venham me falar em Kirk Cousins - ele simplesmente não é um bom QB de NFL, e não oferece o potencial de médio prazo de RG3). Ainda que exista a dúvida de como ele se adaptará ao novo esquema ofensivo e como o ataque terrestre vá render seu o esquema de bloqueios por zona de Mike Shanahan, RG3 terá boas condições ao seu redor para esse desenvolvimento, com dois alvos bons e jovens que devem receber ainda mais ajuda via draft, e uma boa linha. 

Defensivamente, os dois jogadores que valem a pena manter são jovens (Orakpo e Ryan Kerrigan), então não tem porque apressar as coisas. Claro, a defesa precisa de ajuda e talento - esses são os dois únicos jogadores que realmente se salvam por lá - mas pode fazer isso com calma, draftando e desenvolvendo talentos. Não existe nenhum foco ou contrato largo de um veterano forçando a equipe a vencer imediatamente, e portanto seria burrice tentar. Mas com a boa base ofensiva, regressão positiva de RG3 e um pouco de paciência, esse time pode voltar a ser competitivo em um futuro não tão distante.


Atlanta Falcons

Se antes da temporada passada você sentasse e desenhasse como seria a pior temporada possível para o Atlanta Falcons, ela seria muito semelhante ao que aconteceu de fato. O pior cenário seria justamente lesões atrapalhando o ponto forte da equipe, construído com muitos custos - seu ataque espetacular - e tirando os principais titulares da equipe, desalecerando seu ataque e expondo a enorme falta de profundidade e a defesa frágil do time. Foi exatamente o que aconteceu, com Roddy White e Julio Jones machucando, a OL tendo alguns problemas e ninguém para solucionar ou substituir, e a defesa não conseguindo, novamente, se manter consistente. O Falcons de 2012 foi longe com uma defesa fraca compensada por um excelente ataque, mas sem seu ataque, a quarta pior defesa de 2013 não chegou perto de fazer um papel respeitável.

A verdade é que com essa defesa horrível e alguma regressão, eu não sei se o Falcons teria ido aos playoffs mesmo sem as lesões - mas elas não ajudaram. A verdade é que a fragilidade do Falcons em algumas áreas e sua enorme falta de profundidade (que veio a tona em 2013 com tantas lesões) tem a mesma fonte: o time montou seu elenco concentrando investimentos demais - tanto financeiramente como em recursos gerais (AKA escolhas de draft)- no seu ataque em detrimento das demais áreas. Então considerando a grande quantidade de buracos da equipe (só a DL e Desmond Trufant se salvaram dessa péssima defesa, a linha ofensiva foi um buraco só e perderam Tony Gonzalez) e os recursos interessantes da equipe (25M de cap space com só três free agents significantes, escolhas altas de draft), o time tem algumas decisões interessantes a tomar para voltar a competir no curto prazo.

Primeiro, eles podem manter seu plano original que funcionou em 2012, e ir atrás de grandes reforços para o ataque. Um OT me parece uma certeza com a 6th pick desse draft, uma posição que foi provavelmente o maior problema da equipe em 2013, mas a partir dai é uma incógnita. Se reforçar o ataque para voltar ao patamar de 2012 for a prioridade, o time precisa urgente ir atrás de um substituto para Tony Gonzalez, não apenas como tight end mas principalmente como a arma de segurança em conversões curtas e médias. Gonzalez era talvez o melhor recebedor da NFL nos últimos dois anos nesse tipo de jogada, e era na direção dele que Matt Ryan olhava. Mesmo com Julio Jones e Roddy White saudáveis, o time precisaria desse cara mais grandalhão para o meio do campo. Um novo WR também não seria mau nesse draft tão profundo, embora isso possa esperar mais para frente. Um OT primeiro, depois alguma profundidade para a OL e um TE grandalhão seriam as prioridades.

No entanto, o time pode se contentar com a volta de White e JJ saudáveis e a chegada de um novo OT com a 6th pick (de novo, esse é uma certeza a não ser que alguém como Jadeveon Clowney caia), e com a profundidade desse draft para trazer novos alvos, para reforçar a defesa e tentar montar um time mais balanceado. Além de trazer de volta Jonathan Babineaux e talvez um reforço para CB (Assante Samuel é FA e pode voltar a um preço razoável), o time precisa URGENTe de um pass rusher competente. Osi Umenyora foi uma decepção em seu primeiro ano, e apesar da linha defensiva ter se saído bem, foi principalmente contra a corrida e não gerando algum tipo de pressão. Um DE (Jared Allen é uma opção interessante vindo da free agency, btw) poderia fazer o papel, mas trazer um bom OLB pode reforçar dois dos problemas da equipe, a cobertura atrás da linha E o pass rush, e me parece o ideal (ou os dois - espaço salarial tem). A secundária também precisa de ajuda, especialmente se Samuel sair e ninguém vier em troca - Trufant foi muito bem em 2013, mas a falta de ajuda nos safeties e no pass rush atrapalham seu desenvolvimento, e é por ai que o time tem que continuar montando uma boa defesa.

Claro que não estou dizendo que o time vá focar em apenas uma coisa nessa offseason, precisa obrigatoriamente olhar para ambas. A questão é que uma deve ter prioridade ou o time corre o risco de gastar seus ativos e cap e não reforçar nenhuma de forma significativa. Considerando o novo contrato de Matt Ryan, possivelmente que seja o ataque a receber prioridade, ainda mais em um draft profundo em OL e WR, mas sem pass rush e ajuda para Trufant na secundária, eu acho difícil o Falcons sobreviver na cada vez mais forte NFC South. 


Tampa Bay Buccaneers

Outro time que tem a chance de um novo começo com um novo técnico (e um novo uniforme bem feio), e outro time que foi uma decepção em 2013. No caso do Bucs, o time gastou pesado na offseason, trazendo Darrelle Revis e Dashon Goldson e em geral investindo pesado em posições importantes para competir o quanto antes. E claro, a temporada foi um desastre do primeiro momento até o último, com até uma epidemia de MRSA atingindo o time e tirando jogadores da temporada.

Ainda assim, a temporada expôs do Bucs uma série de problemas, alguns esperados. Greg Schiano, um péssimo técnico, acabou custando ao time mais do que talvez qualquer outro técnico da temporada e acabou demitido, não antes de destruir a carreira de Josh Freeman (ex-JAAAASH Freeman) e se tornar o símbolo de uma franquia marcada por muito talento mas falta de cabeça e controle. Lavonte David (alias, um jogador espetacular) custou uma vitória ao time uma vitória com uma falta pessoal nos segundos finais fora de campo, Goldson chegou a ser suspenso pelo excesso de faltas pessoais, o time supostamente se cansou do seu técnico na metade da temporada. Poderia ter sido melhor, o time até não foi horrível (18th em DVOA), mas foi muito abaixo do que esperavam.

Agora chega Lovie Smith, e a defesa agradece. Smith é famoso por ser um bom técnico de defesas, fazendo ótimos trabalhos em Chicago desse lado da bola, e vai encontrar uma boa base para trabalhar. Tampa Bay teve a oitava melhor defesa da NFL, e conta com três talentos espetaculares nas três fases da defesa, com Gerald McCoy na linha, David nos LBs e Darrelle Revis, ainda o melhor CB da NFL mesmo voltando de lesão, na secundária - além claro de jogadores talentosos que não contribuíram em 2013 mas que já tiveram bons anos no pasasdo, como Adrian Clayborn e Dashon Goldson, além da 5th pick de 2012 Mark Barron. Mesmo sem contribuições desses três jogadores, o time teve uma s´ølida defesa em 2013, mas sempre me pareceu um time com o talento em mãos mas que não conseguia tirar o melhor deles. Com um especialista em defesa, me parece uma ótima chance para esses bons jogadores finalmente encontrarem seu melhor jogo e se tornarem um grupo realmente dominante. Especialmente porque o time deve aproveitar a sua escolha alta de draft (#7) e adereçar sua grande deficiência defensiva: a falta de pass rush. Apenas McCoy e David conseguiram render algum tipo de pressão em 2013, o que é muito pouco para um time como esse, especialmente um que deve jogar em Tampa 2 ano que vem. Um OLB que seja mais pass rusher do que David ou um DE de alto nível tornariam essa defesa ainda melhor.

No ataque, fica a enorme questão do "e se". Dois anos atrás, Carl Nicks e Davin Joseph seriam a melhor dupla de guards da NFL e o Bucs teria tudo para ter uma excelente linha ofensiva, mas é um risco. Joseph machucou em 2012 e não chegou perto do que pode render em 2013, e Nicks perdeu quase todo 2013 com MRSA. Se o Bucs achar que os dois podem se recuperar e render perto do seu nível anterior, então o ataque tem uma boa linha e pode ir atrás de mais alvos, um segundo WR e um TE. MAs é um risco enorme, e eu particularmente não acho que Nicks e Joseph voltarão em 2014 ao nível de elite, o que não só prejudica a proteção ao QB como atrapalha demais o plano ofensivo antigo de ser uma potência terrestre. QB é um tanto quanto um ponto de interrogação nesse time também, mas as interessantes performances em 2013 de Mike Glennon provavelmente lhe garantiram mais um ano para tentar mostrar do que é capaz com uma equipe nova. Mas sendo assim, ele vai precisar de mais ajuda: Vincent Jackson é excelente WR mas jogou praticamente sozinho em 2013, e embora Timothy Wright tenha se mostrado uma opção interessante no jogo aéreo ele é um horrível bloqueador para ser um TE titular consistente. A linha também é uma incógnita, e de modo geral falta a esse ataque talento.

O problema do Bucs é que a defesa e o ataque passam mensagens trocadas. Enquanto a defesa, com seus jogadores caros e alguns veteranos (em particular uma moeda de troca excelente em Darrelle Revis) indicam que esse é um grupo para se brigar pelos playoffs o quanto antes, o ataque claramente não tem nem o talento nem a definição nas principais posições para seguir o mesmo caminho. Se o time vai mesmo experimentar com Mike Glennon, então o ideal era ter um ou dois anos de paciência, e embora jogadores jovens como Barron, Clayborn, David e McCoy estarão por ai nesse tempo todo, não é tão ideal pagar tanto dinheiro para sua defesa reconstruir... especialmente com Revis sendo o mais caro, mais atraente no mercado e menos interessante no médio/longo prazo. O que deixa uma pergunta interessante: o Bucs tenta pegar o caminho mais neutro, tentando balancear sua ótima defesa com um ataque que deve se desenvolver aos poucos e fica meio que um time híbrido sem uma identidade imediata... ou faz o difícil, troca Revis, ganha uma escolha nova de draft e investe mais no médio prazo com uma defesa que ainda deve ser excepcional e um ataque mais pronto? Acho difícil, mas seria a opção mais interessante.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Alguns pontos interessantes da NFL, Parte I - Questões de QB

Método Schiano de colocar jogadores no banco


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Essa terça feira, quando soltamos nosso tradicional "Pontos importantes da semana 3", eu me foquei em duas questões que vinham de fora dos gramados: a troca de Trent Richardson envolvendo Colts e Browns, e os problemas de Aldon Smith e Von Miller com a NFL. A idéia era incluir mais pontos, mas esses acabaram ganhando tanto destaque e ficando tão grandes que acabaram sendo os únicos da semana. Então agora, quinta feira - nosso dia de análises - vamos aproveitar para dar um giro por alguns times da NFL que estão atraindo algum interesse e que ainda não foram contemplados muito por aqui nas últimas semanas. Eu pedi aos meus seguidores no twitter (www.twitter.com/tmwarning, para quem tiver interesse) que comentassem quais times ou aspectos da NFL até o momento eles gostariam de uma análise mais aprofundada. E enquanto ainda é cedo demais na temporada para fazer qualquer tipo de análise profunda ou tirar grandes conclusões, achei que valia a pena dedicar algum espaço a esses cinco pontos de interesse que as pessoas levantaram. Os primeiros dois vem hoje, e os últimos dois amanhã junto dos palpites da rodada, e o quinto vai ficar para quinta que vem porque deve ganhar um post só dele. 

Uma coisa extremamente importante que tem que estar na cabeça de todo mundo, antes de começarmos, é que foram apenas três semanas de temporada. Três jogos é uma amostra ridícula que dificilmente tem um valor analítico muito grande, com viéses de todos os lados: alguns times enfrentaram uma tabela mais fácil que outros, enfrentaram matchups melhores ou piores, podem ter jogado mais jogos em casa ou fora, ou mesmo podem estar sendo alvo de um enorme azar que dificilmente se manterá durante mais 13 jogos (ou, da mesma forma, alvos de uma enorme sorte que também deve regredir para a média). O retrato que estamos vendo agora (e que vamos ajudar a pintar nessa coluna) não necessariamente vai representar a temporada inteira de um time, é apenas um olhar rápido no que aconteceu até aqui para chegarmos aonde estamos e o que é ou não sustentável indo para frente. Alguns times provavelmente se manterão em um nível ou padrão semelhante até o final do ano, mas muitos outros verão seus ritmos mudarem de acordo com tabelas mais ou menos fortes, alguns times resolverão problemas que estão lhes atrasando nesse começo de ano e outros terão novas questões a serem resolvidas. Então embora estejamos usando jogos para explicar o que já se passou, tenham em mente que essa é uma amostra pequena que vai mudar com mais jogos. Três jogos não pintam uma história completa, e se você não acredita, vamos voltar um ano no tempo e ver como as coisas estavam depois da terceira semana de temporada regular? Bom, o Cardinals estava 3-0 mesmo tendo sido superado em jardas nesses três jogos (assim como o 3-0 Dolphins desse ano, btw); Jets, Chargers e Eagles lideravam suas respectivas divisões com 2-1; e Patriots, Packers, Broncos, Redskins e Colts estavam 1-2 e enfrentando todo tipo de história clichê sobre decadência ou ainda não estar pronto. So there!

Trocando o quarterback


Eu já tinha escrito algumas vezes, em especial aqui, mas poucas novelas estão mais cansativas e prejudiciais ao seu próprio time quando aquela envolvendo Josh Freeman, QB de Tampa Bay, e Greg Schiano, o técnico da franquia e ganhador da votação de "Técnico para quem eu menos iria querer jogar" (não, sério). Não vou retomar os detalhes porque eles são repetitivos e já foram explorados aqui, mas basicamente, Schiano já tinha começado desde o ano passado uma campanha pela mídia para reclamar e criticar sempre que podia Freeman, vazando detalhes para a imprensa, reclamando publicamente de seu QB e simplesmente fazendo todo o possível para acabar com o moral e a confiança do jogador. E quando Freeman, no último ano de seu contrato, começou mal a temporada 2013, era apenas uma questão de tempo para o garoto ir parar no banco de reservas - o que finalmente aconteceu quarta de manhã. As mídias sociais logo se encheram de gente criticando ou apoiando Schiano, então antes de tirar alguma conclusão, vamos dar uma olhada na situação que o Bucs, Freeman e Schiano se encontravam.

Deixando de lado por um instante o óbvio problema pessoal de Schiano com o QB e os efeitos que isso pode ter tido sofre Freeman dentro de campo, o fato é que o camisa 5 não tem feito nada dentro de campo para justificar manter sua posição. Foram apenas três jogos e contra três defesas entre "decentes" e "boas" (Jets, Patriots e Saints), mas sua performance tem deixado a desejar: 45.7% de aproveitamento nos passes, 2 TDs e 3 interceptações, 6.1 jardas por passe e um QBR de 26.3. Para efeito de comparação, esses números são piores que os de Tim Tebow na sua carreira: em 16 jogos são 17 TDs, 9 interceptacões, 47.9% de aproveitamento nos passes e 6.9 jardas por passe (o QBR de Tebow é baixo porque a estatística é limitada e não considera suas intervenções sobrenaturais). Embora seja apenas três jogos, Freeman falhou ao liderar seu ataque a mais do que 20 pontos em um jogo sequer, e a porcentagem de campanhas ofensivas da equipe terminando em pontos (14.3%) é bem próxima das campanhas ofensivas terminadas em turnover (11.9%). Nesse momento, Freeman possui o quinto pior QBR entre os 34 quarterbacks qualificados. Então não é como se ele estivesse em uma sólida campanha e estivesse indo para o banco por conta de problemas com seu técnico, ele est á bem mal em campo também.

É possível identificar alguns aspectos além desses para justificar essa queda de rendimento em Freeman? Alguns. O jogo terrestre piorou em relação ao ano passado, caindo de 4.5 jardas por corrida para apenas 4.0 YPC, e a equipe não possui um bom alvo de checkdown com um tight end ou um bom slot receiver para aumentar a variedade de jogadas. Além disso, a equipe está sem seu melhor lineman em Carl Nicks, que perdeu os dois primeiros jogos com uma lesão no pé (e jogou limitado o outro), e Freeman sempre teve muitos problemas lidando com a pressão. Mas olhando mais de perto os dados, eles não justificam. Nicks faz muita falta, mas a linha ofensiva ainda tem sido acima da média (12th overall, per Football Outsiders) e os problemas de Freeman não estão acontecendo apenas quando pressionado. Ele tem tido um aproveitamento horrível em passes curtos, e embora essa nunca tenha sido realmente sua praia, dessa vez ele não tem sido capaz de compensar com suas bombas. Depois de completar 50% de seus passes acima de 15 jardas em 2012, esse ano ele completou apenas 2 de 14 dessas bolas, o que naturalmente destruiu seu aproveitamento e suas jardas por passe. E isso tendo uma dupla de WRs de extrema velocidade e que sempre foram muito proficientes nessas situacões em Vincent Jackson e Mike Williams, e vendo vídeos você acha diversas situações onde um deles esteve livre e o passe simplesmente não foi preciso o suficiente. Freeman nunca foi um QB muito preciso, completando menos de 60% dos seus passes na carreira, mas sempre compensou isso com longos ganhos e uma boa média de 7.8 e 7 jardas por passe nos seus dois melhores anos de titular (mais ou menos como Cam Newton, por exemplo), só que quando ele passa a errar os arremessos longos, ele perde a sua principal arma e fica apenas com suas fraquezas. E é isso que está acabando com seu 2013 até aqui. Claro, é possível que um QB com um bom histórico como o de Freeman possa estar sendo prejudicado pela situação com seu técnico e tudo mais, mas a evidência dentro de campo é mais do que suficiente para justificar a decisão do treinador.

Para o Bucs, a mudança de QB faz todo o sentido. Independente do quanto vocês creditem essa grande piora de Freeman nos problemas com Schiano, a franquia claramente não vê Freeman como o seu QB do futuro e pretende se livrar dele ao final do ano, quando acaba seu contrato. Considerando que da forma como está jogando Freeman não vai conseguir mudar o rumo do time para 2013 e recolocá-lo na briga por playoffs, e que ele deve sair do time até o final do ano, era a coisa lógica a ser feita. O Bucs é um time montado para ganhar o quanto antes e que investiu pesado na sua defesa com contratos milionários para Darrelle Revis e Dashon Goldson, então precisa urgente de um bom QB para isso. A entrada de Mike Glennon de quarterback da ao time a chance de avaliar o que possui atualmente no seu elenco por quase uma temporada inteira antes de tomar a decisão de como lidar com isso no futuro. A temporada ainda não está perdida mas está delicada, e Freeman não seria a solução, então Glennon era a última opção para tentar reverter o 0-3... e se isso não acontecer, pelo menos eles sabem se o garoto pode ser a solução para os próximos anos ou se precisam ir em busca de seu QB em outro lugar, seja no draft ou oferecendo um caminhão de dinheiro para o Jay Cutler na free agency. Era de fato a melhor solução nesse momento. Além disso, eu também gostei do timing da troca, uma semana antes do bye. Glennon vai ter um jogo de titular para mostrar como se comporta em campo, e depois a comissão técnica vai ter duas semanas para modificar o playbook, trabalhar suas forças e corrigir suas fraquezas dependendo do que ele mostrar nesse seu primeiro jogo, então isso foi inteligente. Se Mike Glennon vai funcionar ou não, eu não sei: essa era uma classe notavelmente fraca de QBs e Glennon caiu até a terceira rodada, o que quer dizer alguma coisa. A vantagem do garoto é que desde o colegial ele já jogava em esquemas ofensivos semelhantes aos profissionais, o que lhe da uma experiência, mas vendo vídeos dele na NCAA é fácil de ver porque muitos questionam sua capacidade de se adaptar a velocidade do jogo profissional. Mas pelo menos assim o time sabe o que tem em mãos e pode tomar sua decis ão para 2014.

Para Freeman, isso significa que seu último snap com o time provavelmente já aconteceu e que ele deve mudar de ares ano que vem, ou mesmo antes, via uma troca. O Bucs já deixou claro que está aberto a ouvir propostas de outros times, embora tenha dito que não iria aceitar "qualquer coisa" por ele. O argumento é que o time ainda iria receber uma escolha de draft compensatória caso perdesse seu QB na free agency, mas é um argumento fraco: a escolha deve ser de sexta ou sétima rodada e só viria em 2015, então não é como se precisasse de muito para oferecer uma recompensa maior. O problema mesmo é que são poucos os times que teriam interesse no jogador. Jaguars e Browns apareceram como possíveis nomes, mas nenhum dos dois faz sentido: Jags está um lixo e  vindo com força para conseguir a primeira escolha e Teddy Bridgewater, e a diretoria tem todos os motivos para querer uma solução definitiva para seu problema, não um remendo temporário, então não tem porque trocar por um QB de 25 anos; e o Browns seria uma opção viável uma semana atrás quando tinha um bom time e só precisava urgente de um QB, mas a troca de Richarson indica que a franquia claramente vai apostar no próximo draft para achar seu titular do futuro e nova cara do ataque e que está entregando essa temporada para Deus, então não tem porque trocar por um QB nesse momento. O que sobra além da free agency? Já chegaremos lá.

Em resumo, eu achei que a mudança de QB era o movimento lógico para o Bucs, que não tinha mais Freeman nos seus planos e precisava descobrir o que tinha em Glennon para decidir sua trajetória para 2014. O que eu não gostei foi a forma como Schiano conduziu todo esse carnaval, para a imprensa e seu próprio time, e que pode ou não ter afetado negativamente Freeman e levado a esse começo abismal e praticamente um ano jogado fora. Vale citar também que o time poderia estar tranquilamente 2-1 se não fossem duas jogadas, ambas não ofensivas e nas quais Freeman não teve qualquer impacto, e que mudaram resultados nos segundos finais dos dois primeiros jogos do time... e não tem a menor chance de Freeman ir para o banco se estivessem 2-1 e não 0-3. Então tem isso também.

Quando o melhor jogador da NFL não é o suficiente


O Vikings era um dos maiores candidatos possíveis a regressão em 2013, como eu escrevi no preview da equipe. O record de 10-6 de 2012 enganava um pouco, já que a equipe tinha ido 9-7 em sua Pythagorean Expectation e terminado o ano com um insustentável 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola. Além disso, essa campanha tinha vindo nas costas de uma das melhores temporadas de um RB da história da NFL por Adrian Peterson, algo que era improvável que se repetisse. Por isso e mais a perda de Percy Harvin, eu esperava que Minnesota sofresse com a natural regressão de um time que chegou longe demais um ano antes, e por isso não foi nenhuma surpresa quando Lions e Bears (dois bons times) derrotaram Minnesota. Mas quando o Browns o fez, derrubando o Vikings a 0-3 e destruindo muitos dos survivals pelo caminho, todo mundo entrou em pânico.

As atenções logo caíram sobre o (muitas vezes merecidamente) criticado Christian Ponder, especialmente depois que seu reserva Matt Cassell treinou entre os titulares no começo da semana (supostamente por causa de uma lesão com Ponder). Ponder está começando muito mal a temporada, com 5 interceptações e dois fumbles (contra apenas dois TDs aéreos, embora tenha dois correndo) e um QBR de 43.2, e considerando todas as críticas (merecidas) que recebeu em 2012 como sendo o elo fraco desse ataque e um "limitador" do potencial do time com seu braço fraco, logo foi apontado como o principal causador desse começo ruim da equipe e a peça que deveria ser movida para o time engrenar. E embora o ataque tenha seus problemas, e Ponder esteja bem no meio deles, o fato é que o ataque não é o maior problema do time nesse começo de temporada. É a defesa.

Apesar da temporada estar apenas no começo, o ataque do Vikings tem desempenhado seu papel de anotar pontos. Passando por enquanto (chegaremos a eles) por cima dos problemas do Vikings ofensivamente essa temporada, o fato é que no futebol americano ganha quem anota mais pontos, e o ataque do Vikings tem feito seu papel: são 81 pontos em três jogos totais, sétima melhor marca da NFL, incluindo jogos de 30 pontos contra Bears e 27 contra Browns (duas boas defesas). No entanto, você também tem que impedir o adversários de anotar os pontos deles, o que é o problema para esse time: apenas Redskins e Giants cederam mais pontos que os 96 de Minnesota. Olhando mais fundo, os problemas continuam: o Vikings também foi o quarto time que mais cedeu jardas na temporada e o terceiro que mais cedeu 1st downs. Eles permitiram viradas na campanha final de dois jogos consecutivos contra Jay Cutler e Brian freaking Hoyer. Então sim, é importante ressaltar que a defesa do Vikings é um fator ainda mais importante que o ataque para esse começo.

Um dos motivos que causam esses problemas é a falta da defesa terrestre. Faz muito tempo que a linha defensiva do Vikings, a famosa Williams Wall, é uma força a ser reconhecida contra jogos terrestres. Não só isso tem um bom impacto contra as corridas adversárias, como permitia a defesa de Minnesota uma flexibilidade bem grande, usando mais LBs em blitz ou colocando mais DBs para proteger contra o passe e reforçando outros setores defensivos. Em 2012 essa defesa terrestre foi a sexta melhor da liga em jardas por corrida, cedendo apenas 4.0, e em 2011 foi a quinta melhor com 3.9. Esse começo de ano, Kevin Williams está lidando com lesões incorridas durante a pré-temporada e Shariff Floyd - que deveria funcionar como um jogador de rotação para dar descanso aos titulares - ainda não se achou dentro de campo, o que criou diversos problemas na linha defensiva da equipe, que viu as jardas terrestres por corrida subirem para 4.4, nona pior marca da NFL. Observando alguns vídeos dos últimos dois jogos pude notar também que isso levou a comissão técnica a usar formações mais conservadores contra o jogo terrestre, tirando a vantagem que a equipe usava de direcionar jogadores extras para a secundária... o que por sua vez resultou em um outro aumento nas jardas aéreas, de um nível top12 em 2012 para um oitavo-pior-da-NFL 6.8 jardas por jogada de passe. Então quando sua defesa terrestre E sua defesa aérea estão cedendo consideravelmente mais jardas do que antes, você tem um problema.

Talvez mais preocupante que isso seja a absoluta e total falta de pass rush por parte do time. Mesmo tendo jogos contra uma OL que sempre é fraca (Bears, embora esteja melhor esse ano) e uma que perdeu seus dois tackles titulares (Lions), a equipe gerou apenas quatro sacks nessa temporada, terceiro pior time depois dos também 0-3 Giants e Steelers. E não é como se estivessem compensando com outras pressões, ainda é o quarto pior time em hits (no QB adversário) e terceiro em knockdowns. Essa falta de pressão em parte acontece de um maior conservadorismo quanto ao jogo terrestre em termos de blitzes, como já foi dito, mas também vem de uma enorme incapacidade da defesa de ocupar bloqueadores e chegar aos QBs. Jared Allen está sofrendo as dobras de sempre, mas a defesa não consegue manter esses bloqueadores longe dele com seus DTs ou fazer as defesas pagarem, o que está dando aos adversários tempo de sobra para lançar contra uma secundária que já é suspeita.

Claro, isso não significa que a defesa do Vikings é uma atrocidade que está atrasando um ataque muito bom. Na verdade, o ataque tem uma boa parcela de culpa também: a defesa do Vikings tem começado suas campanhas defensivas nas PIORES posições de campo de toda a NFL, cortesia dos turnovers e dos 3-and-outs do ataque, começando defendendo em média na linha de 36 jardas. Também vale citar que a defesa do Vikings tem sido uma das melhores da NFL forçando turnovers com 10 (em parte por uma boa sorte recuperando fumbles), e mesmo assim a equipe tem um saldo de zero porque também entregou a bola 10 vezes no ataque (apesar do azar com fumbles).

Ofensivamente, antes de tirar conclusões, eu procurei alguns vídeos para ter alguma base para comparar com os números. E elas fazem todo o sentido do mundo. Por exemplo, a stat line do Christian Ponder está muito ruim esse ano: 59% de aproveitamento, 2TDs contra 5 INTs (2 TD terrestres, mas 2 fumbles), 10 sacks sofridos (em parte porque está tentando fazer mais jogadas com as pernas esse ano) e 43 QBR. Mas fiquei surpreso ao ver que mesmo com esse aproveitamento pífio, ele ainda tem 6.9 jardas por passe, o que é de longe a melhor marca da sua carreira. Da mesma forma, não é agradável ver Adrian Peterson com apenas 4.1 jardas por corrida (se desconsiderarmos aquela de 78 que abriu a temporada, são 3.0 YPC) depois de ter 6.0 em 2012. Observando os vídeos, a explicação salta aos olhos: as defesas estão direcionando todos seus esforços para a linha de scrimmage tentando parar Peterson, enfrentando sete, oito e até mesmo algumas vezes nove homens pelo meio tirando seus espaços. A consequência óbvia com isso é que ofereceria novos espaços na secundária, onde o QB seria capaz de explorar com seus passes. A questão é que ninguém realmente está preocupado com o braço de Ponder, que é fraco e não tem boa precisão em bolas que viajam mais tempo. As defesas tem pressionado os WRs para tirar os passes curtos e deixado muito espaço em jogadas mais intermediárias ou longas, confiando na incapacidade do QB de acertar essas bolas. E embora Ponder tenha acertado algumas delas para longos ganhos, tem errado muitas outras de forma que nenhuma defesa vai pensar duas vezes em continuar com essa estratégia desde que isso contenha o atual MVP da liga.

E embora o ataque tenha feito um trabalho decente marcando pontos, eles escondem outro problema. Esse bom número de pontos veio em parte de um alto número de posses de bola, especialmente gerados por turnovers em boas posições de campo pela defesa (que enfrentou admitidamente três ataques famosos por não cuidarem bem da bola). Na verdade, na hora de converter posses de bola em pontos, eles são medíocres, convertendo apenas 33.3% das suas campanhas, próximo da média da liga (32%). E enquanto isso acontece, eles são o terceiro time que mais cospe a posse de bola, cometendo turnovers em 23.4% das suas campanhas ofensivas, quase o dobro da média da NFL (12%) - o que obviamente é um grande problema, que gera péssimas posições de campo para a defesa. O Vikings também tem se mostrado muito dependente desses ganhos longos nessa temporada e muito sujeito a 3-and-outs: sua campanha média tem apenas 5.3 jogadas (5th pior da liga) e controla o relógio por apenas 2;09 segundos (também 5th pior).

Esse é o motivo pelo qual eu apoiava que o time trocasse uma escolha de sexta rodada por Josh Freeman - e, a esse ponto, é o único time que faria sentido trocar pelo futuro ex-QB do Bucs. O time e a mídia parece cada vez menos crente que Ponder é o QB para jogar nesse time, especialmente pois suas características não batem com as de Peterson e do recém-contratado Greg Jennings. Se Christian Ponder fosse um QB individualmente espetacular, eu não iria realmente sugerir que o trocassem por outro só por se adequar melhor as características da equipe - o ideal era achar uma harmonia entre ambos. Mas considerando que Ponder não é um grande QB de NFL e não tem nenhuma solução imediata que trouxesse um grande QB (Cassell não é um bom QB), porque não trazer Freeman? Não digo que ele seria um Franchise QB ou mesmo a solução a longo prazo da franquia, mas se você tem um once-in-a-generation RB em torno do qual você pode montar seu ataque, mas que não está conseguindo porque seu QB medíocre não tem as características necessárias, porque não apostar em um jogador que tem e que não oferece ao seu time um problema de longo prazo, já que ele é free agent ao final do ano?

Você trás um jogador que casaria melhor com Jennings e com a forma como as defesas estão se preparando para Adrian Peterson e faz o teste, ve se isso resolve os problemas ofensivos e solta melhor o time, e dai tira suas conclusões sobre quais as verdadeiras necessidades da equipe. Se concluírem que Freeman não serve e precisam de um Franchise QB nesse draft profundo, não é diferente da conclusão que tirariam com Ponder ou Cassell, e é só não renovar com Josh. E se a troca de cenário e a fuga de perto do Greg Schianno trouxer de volta o ótimo JAAAAAASH Freeman de 2010 e de 2012 pré-lesão do Carl Nicks, você pode conseguir um sólido QB que tome conta da bola, faça os arremessos longos para manter as defesas honestas, e de vários handoffs  para Peterson, fazendo seu esquema funcionar e podendo usar o draft para resolver sua defesa. Você pode vencer na NFL se tiver um QB competente e Adrian Peterson, e Freeman pode ser esse QB. Qual é a parte negativa dessa experiência? Se tem um time hoje montado e com a superestrela para fazer seu ataque funcionar com um QB com as características certas, hoje, é o Vikings. E Ponder não está ajudando. Qual o problema em rolar o dado com um novo jogador e ver no que da?

Claro, eles não vão fazer isso porque isso significa admitir o erro que todo mundo já sabe que foi pegar Christian Ponder com uma 12th pick. Ponder ainda tem mais um ano de contrato garantido que iria contar contra o teto salarial da equipe salvo em caso de troca, que dificilmente vai acontecer. Ainda assim, a equipe precisa ir atrás de Freeman para descobrir o quanto esse ataque pode render com um QB com as características certas, até para concluir se isso é suficiente ou se precisam mesmo de um cara em um nível acima. Mesmo com o lotado draft de 2014 vindo ai para oferecer quarterbacks como se fosse a Oprah, essa não deveria ser a prioridade para o Vikings por um simples motivo: você tem uma das maiores comodidades da história da NFL em Adrian Peterson, e RBs hoje em dia tem uma vida útil curta e que costuma apresentar uma decadência bem repentina. A não ser que seja um QB que esteja pronto como Andrew Luck ou RG3 de já entrar e liderar um ataque profissional por 16 jogos mais playoffs, a equipe precisa pensar em extrair o máximo possível enquanto podem do seu MVP antes que ele deixe de ser essa força da natureza. Por isso, antes de se comprometerem com um novo QB no draft, eles precisam tentar a outra alternativa que pode oferecer uma solução imediata, ir em busca de um quarterback mais adequado ao time como Freeman. Se existe um jogador na NFL hoje que precisa de um novo começo é Freeman. E se existe um jogador na NFL hoje que precisa de um bom QB para deix á-lo livre para fazer história, é Adrian Peterson.

Palpite para o jogo de quinta a noite


RAMS over Niners
Contra o spread: RAMS (+3) over Niners
O jogo contra o Packers foi muito bom, o jogo contra o Seattle foi ruim mas explicável (e não tão one-sided como o resultado indica)... mas o jogo contra o Colts, uma derrota por 20 pontos em casa contra um time sólido mas não tão bom assim, levanta questões sobre se esse time é realmente tão bom assim. A defesa foi bem quando esteve inteira, mas está lidando com lesões (Ian Williams fora da temporada, Pat Willis questionable para a partida de hoje, Aldon Smith na NFI), e o ataque está sendo explorado depois de ter pego o Packers desprevinido na primeira rodada, já que não tem nenhum WR capaz de criar separação além de Anquan Boldin (especialmente com Vernon Davis machucado). Então inteiro e antes da temporada, esse tinha tudo para ser um grande time, mas na prática, as lesões e a dificuldade para achar bons substitutos está cobrando um preço alto. Enquanto isso, o Rams tem sido um time bem medíocre dos dois lados da bola e vem de uma derrota bem forte para o Cowboys, mas pelo menos joga em casa, tem uma excelente linha defensiva e enfrenta um adversário com muito mais questões e menos inteiro. Fico com o time da casa nesse, e confesso que não entendi porque o spread era tão alto a favor do Niners... fora de casa.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A importância de não começar 0-2 na NFL

Tom Coughlin não entendeu nada desse post


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Um tema bastante comum quando passamos as duas primeiras semanas da NFL, é que você vai ler bastante por ai seja no twitter, em sites, blogs ou tudo mais, é sobre o que significa para um time começar 0-2 (ou, as vezes, 2-0). Por algum motivo, essa marca de 0-2 virou um "padrão" para separar times de playoffs dos times que estarão fora da briga. Claro, isso não vem sem algum padr ão histórico: desde 1990, quando a NFL expandiu sua pós-temporada para o formato de 12 times que conhecemos hoje, apenas 11.6% dos times que começam a temporada 0-2 conseguem chegar aos playoffs. É um número baixo e que levanta preocupações, especialmente em uma temporada tão curta como a da NFL. Eu nunca entendi porque exatamente essa marca de 0-2 que foi "escolhida" - talvez porque 0-3 já seja um poço grande demais - mas fato é que ela é bastante usada por ai, todo santo começo de temporada. Esse ano, tivemos oito times que começaram o ano 0-2: Giants, Panthers, Browns, Jaguars, Vikings, Steelers, Bucs e Redskins. Então seu início com duas derrotas parece indicar, em um primeiro momento, que esses times já estão praticamente eliminados da briga.

Então, considerando o destaque que esse começo 0-2 recebe por ai, eu decidi fazer minhas próprias pesquisas no assunto e tirar minhas próprias conclusões sobre o que significa exatamente começar 0-2, e ver se descobrimos alguma coisa interessante no processo. Esse post é sobre os resultados da minha pesquisa, minhas conclusões e rápidas análises de cada caso de times da temporada.

Para isso, recorri a base de dados (e excelente mecanismo de pesquisa) do excelente Pro-Football Reference. A amostra usada foi a minha favorita quando tratamos de NFL, ou seja, a partir de 2005 e até hoje. Eu gosto particularmente dessa amostra porque, embora não seja a maior, 2005 foi quando a maior parte das regras que a NFL mudou para favorecer os jogos aéreo começou a valer. Ainda demorou alguns anos de adaptação para chegar no festival de jardas aéreas que vemos hoje, mas isso começou com as regras que passaram a valer em 2005, foi quando o jogo começou a se aproximar mais do que vemos hoje, e por isso é uma amostra que eu acho que apresenta maior relevância quando olhamos para o jogo de hoje do que se olhássemos uma amostra dos anos 90, por exemplo.

Então com ajuda do PFR, descobri que 69 times (e mais 8 em 2013) desde 2005 começaram a temporada 0-2 (a lista completa eu vou colocar nos comentários para quem se interessar). Desses 69 times, apenas 5 deles conseguiram chegar aos playoffs, um índice de aproveitamento de apenas 7.25%. Para piorar, dos últimos 30 times que começaram a temporada com duas derrotas, nem um deles conseguiu chegar na pós-temporada, algo que realmente não é animador para os oito times que ainda buscam sua primeira vitória.

A primeira coisa que eu acho interessante reparar é que esse índice de "aproveitamento" de 7.25% é consideravelmente inferior ao de 11.6% que obtemos se pegamos todos os anos desde 1990 (22 times de 190). Embora isso possa ser resultado em parte de uma amostra pequena, não acredito que seja o caso: se pegarmos apenas os times 0-2 entre 1990 e 2004 (ou seja, logo antes das novas regras), obtemos que 14.05% desses times chegaram aos playoffs, uma taxa quase duas vezes maior do que os 7.25% desde então. Ainda que uma parte disso possa ser atribuído a uma amostra pequena, e outra parte a um aumento no número de times, mas as duas ainda não são suficientes para explicar tamanha diferença. Seria interessante fazer uma pesquisa mais aprofundada nesse sentido e ver exatamente o que motivou essa mudança grande, mas por enquanto, eu tenho uma teoria: as novas regras relativas ao jogo aéreo criaram uma distorção muito grande em relação a posição de quarterback. O QB sempre foi o jogador mais importante de uma equipe, mas seu impacto era muito mais limitado antigamente, como comprovam os anéis de campeão de Trent Dilfer e Brad Johnson no começo da década passada. Ter um grande QB sempre foi um enorme ativo para qualquer equipe, mas seu impacto no jogo era menor (comparativamente falando, claro) em relação ao resto do time, defesa, jogo terrestre e etc. Hoje, só um QB sozinho com um time medíocre já é capaz de garantir umas 10 vitórias para sua equipe porque ele tem muito mais liberdade para impactar o jogo. Então hoje em dia, a diferença entre ter um Aaron Rodgers e ter um Christian Ponder - independente do resto do time - causa um impacto muito, mas MUITO maior do que causava nos anos 90. Então hoje, a maioria das vagas de playoffs são dominadas por times com bons ou grandes QBs, e a natureza atual do esporte onde o QB impacta muito mais cada jogo torna muito mais difícil para que um time com QB assim perca dois jogos seguidos dessa maneira. Ou seja, se você perdeu os dois primeiros jogos, boa chance é que não tenha um grande QB, e os times que tem são hoje em dia muito mais fortes candidatos a chegarem aos offs. Essa pelo menos é minha teoria para explicar tamanha diferença.

Mas deixando as teorias de lado e voltando aos dados. Uma coisa que também sempre achei curioso é que não existe motivo para duas derrotas nos primeiros jogos serem mais significativas do que derrotas nos dois últimos, ou em dois jogos aleatórios no meio da temporada. Ainda assim, apenas 7.25% dos times que começam 0-2 chegam aos playoffs, enquanto que 32.5% dos times da NFL inteira vão aos playoffs. Essa diferença representa mais do que somente o buraco que um time 0-2 tem que subir para chegar nos playoffs (afinal, tem que ganhar o mesmo número de jogos dos adversários com menos partidas para tal), ela representa um viés de seleção: nossa amostra composta por times nessa situação vai, naturalmente, incluir uma tonelada de times que perderam os primeiros jogos simplesmente porque são times ruins! Obviamente isso não significa que só porque um time começou 0-2 ele é um time ruim, mas nossa amostra de times nessa situação vai incluir na sua maioria times que perderam os dois jogos porque estão entre os piores da liga, e times assim raramente vão para os playoffs mesmo. Então esses 7.25% acontecem menos por causa da desvantagem de começar com duas derrotas e muito mais porque grande parte dos times que começam assim simplesmente eram ruins desde o começo e continuarão a ser ruins durante a temporada.

As evidências empíricas parecem indicar nessa direção: times que começam 0-2 terminaram o ano em média com 5.2 vitórias, o que mostra que sim, times que começam 0-2 chegam nos playoffs porque em geral eles são ruins mesmo. Para pegar um nível mais preciso de performance, peguei também a Pythagorean Expectations dessas equipes, e ela também deu um resultado parecido: 5.7 Pythagorean Wins em média para os times que começam o ano com duas derrotas. Sim, a diferença é explicável, mas também aponta na mesma direção, que na média esses times são ruins mesmo.

Pensando um pouco mais no caso atual - ou seja, como podemos ter uma noção de que os times atualmente 0-2 são ruins ou não, tem ou não uma chance de dar a volta por cima - a questão era como ter uma noção, após apenas duas semanas, de como avaliar se um time é (ou é esperado que seja) bom ou não. A melhor forma que me ocorreu foi simples, pegar o record do ano anterior como parâmetro. Obviamente esse método não é perfeito, times mudam consideravelmente de um ano para outro, com drafts, free agency, lesões, evoluções ou regressões de jogadores e contra a média, etc. Mas ainda assim, é a melhor forma que me ocorreu, e pegando os records um ano antes de cada um desses 69 times, minha expectativa era algum indicador de que na média esses times já fossem de certa forma fracos. E eu não me decepcionei: entre esses 69 times, a média do ano anterior foi de menos de 7 vitórias (7.1, para ser preciso) e 6.9 de Pythagorean Wins. Então considerando que essa amostra ainda conta com alguns times como 2011 Colts e 2010 Vikings que sofreram quedas brutais depois de perder seu Franchise QB mas que foram muito bem um ano antes, é possível ver uma relação se formando - de fato, a correlação entre o record ruim desses times em um dado ano e seu Pythagorean no ano anterior é positiva e significativo, de quase 33% (.327). 

Uma vez que estabelecemos alguns pontos para mostrar que de fato, o maior inimigo dos times 0-2 que querem chegar nos playoffs geralmente são esses próprios times, vamos dar uma olhada nas equipes que conseguiram chegar nos playoffs. Elas são as seguintes: Chargers de 2008; Chiefs de 2006; Vikings de 2008; Dolphins de 2008; e Giants de 2007. Com uma exceção, da qual falaremos mais tarde, o que chama a atenção nos outros quatro times é que eles foram todos bons no ano anterior: todos terminaram 50% ou acima, e três deles possuíam Pythagorean Expectations bem altos (11.3, 10 e 9.5, com o quarto no 8-8). Com exceção da nossa... bem, da nossa exceção, nenhum desses quatro times passou por grandes ou profundas mudanças no seu time ou no seu QB: todos foram bons times um ano antes e que acabaram sendo novamente bons o suficiente para arrancar uma vaga nos playoffs, em geral com ajuda de alguma sorte: tirando o Chargers (que ficou duas vitórias abaixo da sua PE), todos superaram sua Pythagorean Wins por até 2.2 vitórias (embora essas 2.2 vitórias sejam do nosso time "execeção". Já chegaremos nele). E desses quatro times, nenhum sofreu uma grande reviravolta do ano anterior em termos de performance: dois deles evoluíram em duas vitórias, mas ambas foram mais em termos além do seu controle, já que suas Pythagorean Wins subiram em apenas 0.3 e 0.8. Na verdade, dois desses quatro times até perderam vitórias de um ano para outro (1 e 3, 1.1 e 1.5 em termos Pythagoreans respectivamente), mas eram bons o suficiente para se manter com um número de vitórias que lhes garantiu playoffs. Então isso de certa forma corrobora as conclusões anteriores: times 0-2 perdem os playoffs na média porque são ruins e foram ruins antes, e portanto a maior esperança que seu time pode ter depois de um começo desses é vir de um histórico recente de sucessos que, caso não tenha acontecido nenhuma grande mudança de um ano a outro, indicam que seu time ainda é bom o suficiente para dar a volta por cima depois desse começo.

A nossa exceção aqui é o Dolphins de 2008, um time que vinha de uma campanha 1-15 um ano antes e que milagrosamente venceu 11 jogos e a divisão em 2008. Embora ele contrarie um pouco a nossa tentativa de explicar o "nível" de um time no começo de um ano olhando para sua campanha recente, ele também não deixa de ser um caso interessante. Antes de mais nada, essa reviravolta de 10 vitórias foi um pouco enganosa: o time 1-15 de 2007 terminou 4-12 em Pythagorean Wins, então uma boa parte nada mais era do que regressão a média normal. Além disso, as 11 vitórias também enganam, já que o time teve uma Pythagorean Expectations de 8.8 vitórias. Então eles realmente tiveram uma influência enorme de fatores externos. Também vale citar que, depois de perder 24 jogos combinados em 2007, Ricky Williams e Ronnie Brown jogaram todos os jogos possíveis em 2008, combinando para mais de 1600 jardas com Brown indo inclusive ao Pro Bowl. Mas talvez mais importante, eles fizeram um upgrade IMENSO de QB: depois de uma temporada inteira de Cleo Lemon, Trent Green e John Beck na posição, eles trouxeram Chad Pennington para 2008 e ele logo teve a melhor temporada da sua carreira, com um QBR de 78 e uma vaga no Pro Bowl. Então uma parte dessa grande melhora do Dolphins foi atribuida a fatores externos, e a outra foi devido a uma imensa melhora em posições chave, especialmente seu QB. Ainda que seja a exceção e não a regra, é um caso que vale a pena ter em mente quando olhamos para times 0-2 pois trás alguns fatores que podem se repetir, especialmente a evolução de QB (vale citar: desses 69 times, entre os que mais evoluiram em termos de vitórias de um ano a outro estão esse Dolphins, o Rams quando Sam Bradford chegou, o Panthers quando Cam Newton chegou, e o Detroit Lions na primeira temporada saudável de Matt Stafford).

Ainda assim, eu concordo que "ir aos playoffs" é um parâmetro um tanto quanto ruim porque envolve uma grande influência de fatores externos, como competição na divisão ou na conferência de um dado ano. Esse Chargers, ainda que com um Pythagorean Wins de 10.2, terminou o ano 8-8 e só foi aos playoffs porque jogava em uma divisão horrível, por exemplo. Ao mesmo tempo, outros bons times podem ter ficado de fora dos playoffs por conta de uma divisão mais forte ou mesmo por caso de azar em relação a seu nível real de performance. Então ao invés de pegar times que foram aos playoffs, vamos ver aqueles que terminaram com 9 vitórias ou mais nessa mesma temporada. Nesse caso, temos seis times obedecendo a esse critério dentro da nossa amostra (8.7%): os quatro primeiros foram aos playoffs (11, 10, 10 e 9 vitórias), e dois deles (05' Chargers e 05' Vikings) não foram apesar das 9 vitórias. Novamente com a exceção do nosso querido 08' Dolphins, os outros cinco times obedecem ao critério do ano anterior: todos terminaram com 8 vitórias ou mais e com Pythagorean Expectations acima de 8, inclusive um 11.2, um 10 e um 9.5. A PE de nenhum desses cinco (não-Dolphins) não subiu ou caiu mais do que 1.5 vitórias em relação a PE do ano anterior, inclusive. 

E se usarmos, ao invés do record final, o número de Pythagorean Wins da equipe em um dado ano, para eliminar fatores como sorte ou azar (ou em geral, fatores externos)? Nesse caso temos sete (10.1%)  com 8.5 ou acima (e quatro acima de 9), inclusive nossos cinco times de playoffs. Os dois times que não foram aos offs são o 9-win Chargers de 2005 (10.7 PE) e um 8-win Eagles (9.2 PE) de 2007, e novamente temos seis deles com boas campanhas um ano antes: todos com 8 vitórias ou mais e 8 ou mais Pythagorean Wins, inclusive cinco a 9.5 ou acima (e um 8 cravado) - tirando, é claro, nosso Dolphins. Mais evidência apontando na direção de que a melhor forma de conseguir um bom ano quando você começa 0-2 é ter sido bom um ano antes.

O que, é claro, não quer dizer que um bom ano anterior garante que você vá sair bem desse começo desastroso. Na nossa amostra, temos 22 times que terminaram o ano anterior com Pythagorean Expectations acima de 8.5: esses times ganharam apenas 6.2 (6.7 PE) em média na temporada que começaram 0-2, e embora seja uma vitória inteira de média acima da média geral desses times, ainda não é uma boa marca (os times que tiveram PE um ano antes de 8.5 ou menos e começaram 0-2 o ano seguinte ganharam em média 4.7 jogos com uma PE de 5.1). Então vir de uma sólida temporada te da, naturalmente, uma perspectiva muito melhor de futuro do que um time ruim que veio de uma temporada ruim, mas sozinho não garante nada para você.

Então a conclusão que podemos chegar depois de todo esse passeio pelos dados é de que o baixo índice de sucesso nos playoffs de times 0-2 não é por causa do record em si, e sim porque times ruins tem muito mais probabilidades de começarem assim do que times bons, então isso naturalmente faz com que os times presentes nessa amostra sejam majoritariamente os piores da temporada. Se o seu time começou 0-2, pode ser um sinal de que ele seja um dos times ruins de um dado ano, mas também não é uma garantia: alguns times podem ter particular azar nesses jogos, alguns podem enfrentar um começo de calendário mais forte do que outros, alguns podem ter jogadores retornando de lesão nas semanas seguintes, e por ai vai. Temos inclusive alguns exemplos de times que começaram assim mas tiveram boas conclusões de anos, seja terminando com 9 ou mais de Pythagorean Wins ou mesmo chegando aos playoffs - uma minoria, mas temos casos. E a não ser em casos especiais com grandes mudanças de pessoal como no caso do Dolphins de 2008, o melhor indicador de otimismo é mesmo olhar para os números da temporada anterior e procurar a performance dessa equipe. 

Para terminar, vamos dar uma olhada então nos oito times que começaram a temporada 2013 com um 0-2 e ver mais ou menos aonde cada um deles se encaixa nesses números. Só para deixar claro, a idéia aqui é olhar menos para o que eu acredito pessoalmente de cada time e do seu nível de jogo e mais para o que os números dessa pesquisa nos mostram, e aonde eles parecem se encaixar.

  • Cleveland Browns e Jacksonville Jaguars são praticamente dois que ninguém tem motivos para acreditar nada, pelos números ou não. Ambos foram ruins em 2012 (5/6.2 e 2/3.4 em vitórias/Pythagorean Wins, respectivamente) e ambos parecem muito ruins agora, especialmente considerando que o Browns acabou de trocar seu RB ex-3rd pick do draft por uma escolha futura. Nenhum motivo para acreditar em uma vaga para qualquer um desses dois, os dois foram mal em 2012 e nenhum passou por uma evolução nessa offseason significativa.
  • Carolina Panthers é o outro time desses oito além da minha "exceção" do ano que terminou 2012 com 8 vitórias ou menos e 8 ou menos de Pythagorean Wins, e mesmo assim foi próximo: 7/7.9, respectivamente. Ainda que eu tenha escrito ontem sobre os problemas que levam o Panthers a diminuirem suas chances de vitória (último ponto), eles ainda perderam dois jogos decididos no final e nos detalhes. Seus números de 2012 não indicam um grande time (apesar de indicar um sólido) e entre os times que começaram 0-2 depois de terminar o ano anterior com Pythagorean Wins entre 7 e 8, apenas um chegou aos playoffs: o 2007 Giants, que ironicamente acabou sendo campeão do Super Bowl. O Panthers tem até aqui o segundo melhor saldo de pontos (logo, PE) em 2013 desses oito times, e se eles jogassem na AFC e com um técnico melhor, eu possivelmente estaria mais otimista, mas pode ser o sleeper desse octeto. 
  • O Pittsburgh Steelers também seria um candidato interessante, tendo terminado 2012 com um Pythagorean Wins de 8.6 (quarto melhor entre esses times) e jogando na conferência mais fraca. Mas considerando todas as perdas que sofreu nessa offseason e nesse começo de ano (com Larry Foote e principalmente Maurkice Pouncey fora da temporada), me parece uma regressão bem grande a caminho da equipe. Na verdade,  nenhum time que terminou a temporada anterior 8-8 e começou 0-2 conseguiu terminar o ano com Pythagorean Wins acima de 7.2.
  • Minnesota Vikings e Washington Redskins seriam, no papel, dois dos fortes candidatos a enganar esse começo de 0-2: os dois ganharam 10 jogos em 2012 e tiveram PE de 8.8 e 9.1, respectivamente, fatores que como vimos são quase pré-requisitos para um time que quer dar a volta por cima. Então eles definitivamente não podem ser descartados. Ainda assim, me pergunto se não são o tipo de time que sofreu uma piora numa posição chave em relação ano passado: 2013 RG3 me parece (sem querer overreact a duas semanas) uma considerável piora em relação a 2012 tanto fisica e técnicamente como no que a comissão técnica parece disposta a deixar ele fazer, e Adrian Peterson é extremamente improvável que repita as 2000 jardas de 2012. Considerando que esses foram os dois principais fatores que colocaram esse time tão alto um ano atrás, são dois fortes candidatos a regressão.
  • Da única vez desde 2005 que o New York Giants começou a temporada 0-2 eles ganharam o título, então podem começar a encomendar o anel. Mas falando sério, o Giants aqui é provavelmente o maior candidato a dar a volta por cima: foi o melhor de todos esses times em 2012 com 10 Pythagorean Wins, joga na divisão mais fácil da conferência e, a não ser que David Wilson seja realmente o Anticristo do fantasy e não possa pegar as chaves do carro sem sofrer um fumble, é um time que não parece apresentar nenhuma grande piora em posição chave para o ano anterior. Três dos quatro times não-Dolphins que começaram 0-2 e foram aos playoffs tiveram números "anteriores" bem parecidos com os do Giants, e me parece irreal que eles continuem sofrendo turnovers nessa proporção. Essa aqui é a melhor aposta para playoffs do grupo.
  • E por fim, o Tampa Bay Bucs é a minha exceção do ano. Isso acontece por dois motivos: primeiro, porque apesar de ainda ter Josh Freeman de QB e tudo mais, foi um time que adicionou dois All-Pros na sua defesa e isso pode muito bem contar como "evolução grotescamente forte em uma posição chave". E segundo e mais importante, porque entre esses oito times, ele é de longe o time que MENOS deveria estar 0-2, com uma Pythagorean Expectations de 0.9-1.1. Se 0-2 é um indicador de que seu time pode ser simplesmente ruim, então o Bucs parece escapar disso mais do que os outros dessa lista. Entre os outros 76 times que começaram 0-2 desde 2005 (incluindo os desse ano) - e na verdade, incluindo todos os outros 197 times desde 1990 - apenas um outro começou o ano 0-2 com um saldo de pontos de apenas -3: o Chargers de 2008, que acabou o ano indo aos playoffs com 8-8 (e um Pythagorean Wins de 10.2, vale citar). Então eles estão em boa companhia, ainda que eu me pergunte se seja realmente azar e não algo mais. Esse é provavelmente, depois do Giants, o maior candidato a terminar o ano bem, até porque seu Pythagorean em 2012 foi de 8 vitórias.

Palpite para o Thursday Night Football


Chiefs over EAGLES

De certa forma, esse é o confronto entre a força irresistível contra o objetivo que não pode ser movido. O Eagles é o time que joga em extrema velocidade ofensivamente e gosta de jogos de inúmeras posses de bola, vencendo os adversários no volume de ataque. Enquanto isso, enfrentam um time do Chiefs que é exatamente o oposto, gosta de jogar devagar, controlar o relógio e maximizar cada posse de bola. Duas filosofias de ataque exatamente opostas, e acho que o Chiefs vai ter mais sucesso implementando a sua: o ataque do Eagles vai tentar fazer valer seu esquema ofensivo contra uma excelente defesa de Kansas, enquanto o do Chiefs vai ter que fazer o mesmo contra uma bem fraca defesa da Philadelphia. Então acho que esse jogo é um matchup favorável a um time muito bom do Chiefs
Contra o spread: Chiefs (+3.5) over EAGLES

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Tampa Bay Buccaneers

LeGarrett Blount tem como passatempo dar cambalhotas na Red Zone


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East, os previews da NFC East, os previews da AFC North, os previews da NFC North, e agora os da AFC South, começamos a falar da NFC South pelo interessante Atlanta Falcons e pelo campeão de 2009, New Orleans Saints. Hoje é a vez do "novo rico" Tampa Bay Bucs. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Tampa Bay Buccaneers

2012 Record: 7-9
Ataque ajustado: 14th
Defesa ajustada: 20th


Nos últimos dois anos, o Bucs chamou a atenção por ter arrancado uma página do manual do Mônaco ou do Mancherster City, quando saiu torrando todo seu espaço salarial em contratos milionários para jogadores de elite. Ano passado foram três, quando contrataram Vincent Jackson (5 anos, 55M), Carl Nicks (5 anos, 47M) e Eric Wright (5 anos, 37.5M) na free agency aproveitando de ser o time com mais espaço salarial. Um ano depois que não deu certo, os contratos de Jackson e Nicks foram reconstruídos e Wright dispensado depois de ser pego no antidoping, então a equipe novamente se viu com toneladas de espaço salarial e novamente correu para gastar tudo em reforçar sua secundária, trocando por Darrelle Revis e oferecendo um contrato que até o Dr. Evil ia achar enorme, 6 anos e 96M, e ainda pagando mais 41M (por 5 anos) no Dashon Goldson. Essa rodada de gastos da equipe montou um time que muitos estão ficando profundamente intrigados para 2013, e com razão. Mas antes de chegar nisso, vamos dar uma pequena volta pelo Bucs de 2012 para entender exatamente como isso é importante.

Antes da temporada passada começar, meu amigo Adelmo me desafiou a fazer um post sobre "bold predictions" para a temporada 2012 da NFL. Eu fiz (tem um post sobre ela chegando quando terminarmos os previews) e uma delas era a seguinte: "Greg Schianno será técnico do ano e o Bucs terminará o ano 8-8 ou melhor", inspirado pelo que Jim Harbaugh fez no 49ers um ano antes. Embora hoje você possa rir da minha cara e falar que eu estava maluco, na verdade esse palpite passou mais perto do que vocês imaginam. Primeiro, porque ninguém esperava que o Colts fosse ganhar 9 jogos a mais contrariando todos os indicadores estatísticos e sendo um dos times mais sortudos da história da NFL, obrigando o prêmio a ir para seus técnicos. Segundo, porque na verdade o Bucs começou a temporada 6-4 contra uma tabela bastante forte antes de perder cinco jogos seguidos e jogar tudo isso pela janela - e mesmo assim terminou 7-9 com uma Pythagorean Expectations de 8-8, então tem isso também. Então até que passou perto. 

Esses cinco jogos seguidos me fascinam (eles eventualmente ganharam o último jogo da temporada contra um Falcons quase reserva), na verdade. Durante os primeiros 10 jogos eles foram um time muito bom e muito sólido, com record de 6-4 contra uma tabela difícil e parecendo que iria realmente vindicar minhas previsões e terminar 8-8 ou 9-7. De repente, o time esquece o bom futebol (americano) na gaveta, perde cinco seguidos e termina 7-9 em uma temporada decepcionante que deveria ser melhor. O que exatamente aconteceu naqueles cinco jogos para a equipe despencar tanto de produção?

Sua primeira reação pode ser do tipo "Espera ai, cinco jogos é uma amostra muito pequena!", e é verdade. É uma amostra minúscula, e se procurarmos muitos times bons ao longo dos últimos 10 anos, com certeza vamos achar períodos curtos onde eles foram muito inferiores ao normal. Mas ainda assim, é absurdo reparar que a equipe teve um saldo de +57 nos outros onze jogos mas -62 em apenas esses cinco. Então mesmo considerando todas as amostras pequenas do mundo, tem mais coisa ai a ser explicada, e eu acho particularmente interessante porque diz muito sobre a equipe para 2012 e seu grande ponto de interrogação.

Olhando aqueles jogos, a primeira coisa que saltou aos olhos foi como o jogo terrestre decaiu em relação aos 10 primeiros jogos da temporada. Durante os 10 primeiros jogos, o ataque terrestre de Tampa teve média de 111.1 jardas por partida, conseguindo 4.8 jardas por tentativa e basicamente sendo a principal força ofensiva da equipe - o que, aliás, era a proposta de Schianno antes da temporada começar. A equipe draftou Doug Martin e abriu o cofre por Nicks com o objetivo de direcionar seu ataque pelo chão para tirar a pressão de Josh Freeman, depois de uma temporada decepcionante do seu QB. E pelos primeiros 10 jogos, esse foi o caso: o ataque terrestre abriu caminho, Freeman aproveitou muito bem disso e foi um jogador muito sólido. Mas durante essa sequência de derrotas, o ataque terrestre teve média de apenas 80.8 jardas por jogo, com 3.6 jardas por corrida. E não é como se enfrentassem uma penca de defesas de elite, um jogo foi contra o Broncos mas três foram contra Saints, Falcons e Eagles. Então o jogo terrestre despencou e a equipe perdeu sua principal força ofensiva, e daí Freeman teve que assumir o controle do time.

O problema é que Freeman foi muito, mas muito mal mesmo nesses jogos. Veja a diferença entre os primeiros 11 jogos da equipe (incluindo a derrota por 24 a 23 para o Falcons) e os quatro jogos seguintes (as quatro derrotas):

Jogos 1-11: 199/349, 57%, 2761 jardas, 21 TDs, 7 INTs, 7.9 Y/A
Jogos 12-15: 88/174, 50.6%, 1082 jardas, 5 TDs, 9 INTs, 6.2 Y/A

Mesmo reconhecendo que quatro jogos é uma amostra muito pequena, é uma queda fenomenal, certo? Só para deixar mais claro, vamos ver como cada um desses dois Josh Freemans seriam ao longo de 16 jogos mantendo o nível...

Freeman bom: 289/508, 57%, 4016 jardas, 30 TDs, 10 INTs, 7.9 Y/A
Freeman ruim: 352/698, 50.6%, 4328 jardas, 20 TDs, 36 INTs, 6.2 Y/A

Claro que os números de "Freeman ruim" são insustentáveis (especialmente suas interceptações) ao longo de 16 jogos, mas isso da uma noção de perspectiva melhor desses números e do quanto ele foi mal nesses quatro jogos. Vale notar também que, em parte porque o jogo terrestre parou de funcionar e em parte porque em muitos desses jogos o time esteve atrás do placar, a quantidade de passes aumentou absurdamente e não foi a toa que sua eficiência despencou. Mas mesmo assim, é uma diferença grande demais para uma pessoa só e alguma coisa a mais deve ter acontecido para justificar essa massiva diferença.

E aconteceu. Começando pelo jogo terrestre, é fácil identificar uma causa principal para esse grande declínio que vá além da amostra pequena: a lesão de Carl Nicks. Nicks machucou duas semanas antes do jogo contra o Falcons, e vale citar que no primeiro jogo sem ele contra o fraco Chargers o ataque terrestre teve apenas 74 jardas terrestres. A verdade é que a lesão de Nicks, um All-Pro um ano antes, foi o segundo golpe importante que essa linha ofensiva sofreu. Antes da temporada começar, o prognóstico de trazer Nicks e Martin envolvia também juntar esses dois ao seu outro guard Pro-Bowler,  Devin Joseph. A idéia era justamente usar Joseph e Nicks (junto com o bom LT Donald Penn) para formar uma excelente e dominante linha ofensiva na frente, especialmente pelo meio abrindo espaços para as corridas de Martin, protegendo Freeman e dando a ele espaço para fazer sua mágica pelo ar, esperando que ele reeditasse seu excelente 2010 (61.4%, 7.3 Y/A, 25 TDs, 6 INTs e um 64.9 QBR). Mas Joseph machucou antes da temporada começar e não jogou um snap sequer em 2012, e Nicks perdeu oito jogos. Então a dupla de guards Pro-Bowler que deveria ser a fundação da equipe em 2012 não jogou sequer um jogo junta e perdeu 24 de possíveis 32 jogos, com Nicks saindo logo antes dessa fatídica sequência 0-5 e coincidindo com o jogo terrestre despencando. Ao final da temporada, apenas um jogador que começou o ano de titular (Penn) estava jogando na mesma posição que começou, todos os outros estavam machucados ou improvisados em outro lugar. Algo me diz que não foi uma coincidência.

E o que essa lesão do Nicks expôs nesses cinco jogos e que foi talvez a principal causa desse fiasco foi o seguinte: Josh Freeman é HORRÍVEL sob pressão. Legitimamente horrível, ele foi o segundo pior QB da NFL em 2012 quando pressionado (adivinhem o primeiro, rima com Park Manchez), e o que você ve em campo coincide com os números: ele simplesmente não tem idéia do que fazer, se livra da bola forçando passes para jogadores marcados (que normalmente flutuam demais e levam a interceptações), toma más decisões e não consegue manter a calma para fazer passes rápidos antes que a pressão chegue, talvez por medo de levar uma pancada. O fato dele não ter um bom slot receiver ou TE com certeza atrapalha, já que essas são normalmente as válvulas de segurança nesses passes apressados, especialmente para um time cujas duas principais opções de passe (Vincent Jackson e Mike Williams) são jogadores de velocidade que gostam de trabalhar em rotas mais longas e que exigem tempo, não são boas opções para um QB que precisa se livrar da bola. E a lesão de seu melhor lineman e a queda do jogo terrestre juntaram com tudo isso para colocar Freeman em uma péssima situação, onde a pressão aumentou consideravelmente e ele não soube o que fazer com a bola, levando a essa queda brutal dos números.

A questão é como isso vai funcionar em 2013. Os problemas de Freeman sob pressão sem dúvida foram parte dos motivos que levaram Schianno a focar seu ataque no jogo terrestre e tirar a pressão do seu QB. E apesar de Freeman já ter quatro temporadas de NFL no seu currículo, a verdade é que ele tem apenas 25 anos e é dois meses mais novo que Colin Kaepernick. Ainda tem tempo para desenvolver e corrigir seus problemas, mas será que ele consegue? Em geral, é uma característica difícil de perder mesmo com o tempo, então a forma mais simples de lidar com isso é lhe dar uma grande linha ofensiva, um bom jogo terrestre como carro chefe, e tirar a pressão das suas costas. E foi o que o Bucs vinha fazendo eficientemente em 2012 até Nicks machucar, o jogo terrestre cair e Freeman lançar oito interceptações em dois jogos. Quanto mais longe de Freeman a defesa ficar, maiores as chances de sucesso da equipe. Por isso a volta de Joseph e Nicks, e uma temporada completa dessa excelente dupla, vai ser importantíssima tanto para impulsionar o jogo terrestre como para manter as defesas afastadas de seu QB. E vale lembrar que Freeman, em um ano de contrato, provavelmente tem mais em jogo do que qualquer outro jogador na NFL em 2013: uma temporada sólida provavelmente vai lhe garantir um gordo contrato, e uma temporada decepcionante provavelmente vai render a ele um lugar no banco (provavelmente de outro time). Mas se a linha conseguir ficar saudável, e em um ano de contrato (nós vimos como isso acabou para Joe Flacco ano passado), Freeman é um candidato interessante a ter um bom ano.

Mas na defesa é onde começa a ficar realmente interessante. Eles terminaram 20th ano passado no total, um número que fica mais claro quando dividimos em defesa aérea, 26th overall, e defesa terrestre... 3rd overall. Esse grande número da defesa terrestre é de uma importância especial para a equipe pelo seguinte motivo: de volta ao Draft de 2010, o Bucs usou suas duas primeiras picks em dois DTs, Gerald McCoy e Brian Price, numa tentativa de reforçar sua linha defensiva e retomar o que funcionou no começo dos anos 2000, quando a defesa da equipe era uma das melhores da NFL e levou o time a um título de Super Bowl em 2002 com uma linha defensiva ancorada por Warren Sapp e Anthony McFarland. A idéia de draftar sua dupla de DTs era começar a remontar sua defesa nesses moldes, mas não funcionou: Price foi um bust que jogou apenas uma temporada saudável (2011) antes de se acabar em lesões (foi trocado em 2012 para o Bears por uma 7th rounder, perdeu o ano inteiro, e agora está sem time porque não fica saudável), mas McCoy - considerado por muitos o segundo melhor jogador daquele draft depois de Ndamukong Suh - era o principal jogador da dupla, e não foram anos muito felizes para ele, entre uma temporada de calouro decepcionante e um 2011 marcado por lesões. Mas em 2012, McCoy finalmente explodiu como o jogador que todos esperavam: dominante indo atrás do QB (cinco sacks) mas ainda mais brilhante contra a corrida, o tipo de jogador capaz de ocupar dois bloqueadores e ainda fazer o tackle, praticamente uma parede com braços no meio da linha defensiva. Foi uma performance digna de All-Pro (não entrou, mas foi ao Pro-Bowl) e foi a explosão que todo mundo esperava no meio da linha, o tipo de game-changer que a equipe precisava.

Com McCoy sendo um monstro no meio da linha, ficou mais fácil para o resto do time, em especial Michael Bennett, que assumiu a função de principal pass rusher do time e terminou o ano com 9 sacks e foi jogar em Seattle. Bennett é um pass rusher especialista que se beneficiou muito da presença de McCoy para conseguir 9 sacks, mas para um jogador que somou seis nos primeiros três anos na Liga, algo ai indica uma aberração amplamente beneficiada pela presença de McCoy. Ainda assim, Bennett e seus sacks farão falta se DaQuan Bowers - um talento Top5 dois anos atrás que caiu para a segunda rodada por problemas de lesões - não conseguir assumir a função. Bowers era um dos melhores rushers da NCAA, mas não teve espaço por lesões e agora é a grande esperança da equipe para substituir Bennett. Em 2012 foram 3 sacks em 10 jogos jogando apenas em algumas situações específicas, então potencial existe, mas ainda é um risco. Essa defesa na frente foi excelente, mas o potencial de regressão é grande depois de subir de 30th para 3rd em apenas uma temporada.

A parte muito boa para o Bucs é que se a secundária foi uma peneira em 2012, a equipe fez tudo ao seu alcance - e ao alcance de sua conta bancária - para reforçar a unidade. Na verdade, das quatro posições padrões da secundária (dois cornerbacks, um free safety e um strong safety), o Bucs trocou três do ano passado para esse por jogadores de alto nível. O único que continuou foi a 7th pick do ano passado, o safety Mark Barron, que mostrou promessa na sua temporada de calouro. Mas ele foi o único que ficou: o Bucs overpaid (5 anos, 47M) o FS Dashon Goldson, do San Francisco 49ers, para fazer par com Barron no fundo da defesa. Goldson é um bom jogador que foi ao Pro Bowl em 2011 e até ao time All-Pro em 2012 (um absurdo, mas enfim), mas sempre jogou dentro de uma excelente defesa do 49ers e tinha a tendência de ser meio maluco demais indo atrás de jogadores, deixando muito espaço na cobertura e tomando muita bola nas costas, então foi um risco alto aqui porque não sabemos como ele vai jogar fora de contexto. Mas ele torna a secundária melhor, e isso é antes de falar da dupla que o Bucs trouxe para CB depois que seu casamento com Eric Wright deu errado: um calouro escolhido no topo da segunda rodada e muito promissor, Jonathan Banks (que eu pessoalmente gosto mais do que alguns CBs que saíram na primeira rodada como Trufant ou Rhodes), e trocou sua escolha de primeira rodada para o Jets pelo melhor CB da NFL, Darrelle Revis. Revis vem de um ligamento rompido que o tirou da temporada 2012, então não sabemos o quanto do velho Revis devemos esperar para 2013, mas considerando casos recentes e a medicina moderna, e o quão bom Revis era no seu auge, não devemos esperar menos que um CB de elite. Se tiverem cerca de 80% do camisa 24, então já possuem o melhor cornerback da NFL por uma boa margem e alguém que consegue ocupar o melhor recebedor adversário sozinho, o que facilita muito a vida do resto da defesa, especialmente uma tão cheia de talento como essa. As pessoas estão descartando um pouco Revis pela sua lesão, mas mesmo se não voltar a 100%, ele ainda é um dos melhores da liga.

Então se você está marcando pontos, a equipe teve uma das melhores defesas terrestres da NFL em 2012 em torno de um dos DTs mais dominantes da liga, e agora adereçou sua secundária adicionando dois All-Pros e um calouro do topo da segunda rodada a uma escolha Top10 de draft que tem tudo para continuar evoluindo nos próximos anos. Ainda sobram algumas dúvidas, sobre como a falta de Bennett será sentida, se Bowers (que tem enfurecido a comissão técnica por estar fora de forma) vai conseguir se estabelecer como uma força (ou pelo menos compensar a falta de Bennett), e sobra a sustentabilidade desse salto de terceira pior defesa terrestre para terceira melhor em apenas um ano (provavelmente não sustenta). Mas só pela enorme quantidade de talento adicionada na defesa (deixando de lado a parte financeira da questão um instante), já é possível esperar um imenso salto em 2013 com uma das melhores secundárias da liga - pelo menos no papel.

Por isso o Bucs é um time tão interessante de se observar. Se as peças encaixarem no lugar certo, qual o teto desse time? Eu não sei, mas é bem alto, certo? A equipe foi um underachiever em 2012, 7-9 com Pythagorean Expectation de 8-8 e record de 3-6 em jogos decididos por uma posse de bola, e isso ainda considerando aquele período absurdo de cinco jogos onde a equipe foi uma versão piorada do Lions de 2009. O Bucs poderia facilmente ter ido 9-7 (em record e/ou Pythagorean), e o time de 2013 AINDA seria uma versão melhorada dos dois lados do campo, tanto na frente (pelas voltas de Nicks e Joseph) como na defesa (pela chegada desses reforços absurdos na secundária). A tabela é mais difícil em 2013, mas ainda assim, é um time que deve ter uma excelente defesa e um ataque muito sólido se ficar saudável e Josh Freeman não tiver muitos momentos de pressão. Considerando algumas incertezas - Nicks ainda lida com uma lesão no pé, Freeman teve altos e baixos ao longo da carreira, Revis voltando de lesão - ainda acho cedo para ficar super otimista e colocar Tampa nos playoffs, mas um record em torno de 9-7 é de se esperar para esse grupo lotado de talento. Vale acompanhar.