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sexta-feira, 7 de março de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - NFC (parte I)


"Gostei da coluna, deem um contrato de 24M para esse cara!"



AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Depois, falamos em duas partes sobre os times da AFC que não foram aos playoffs (Parte I e Parte II). Agora, é hora de falar dos times da NFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Para facilitar (AKA Carnaval), esse post também foi dividido em duas partes, com a segunda vindo no máximo segunda feira.


Times da NFC fora dos playoffs (Parte I)


Dallas Cowboys

Vamos fazer um pequeno jogo. Ele chama "Vamos ver se você está pronto para ser o General Manager do Cowboys" (título provisório). Suponha que você seja dono ou GM de um grande time de futebol americano, e seu time esteja algo como 15M acima do salary cap. Qual a sua primeira atitude quando acaba a temporada?

a) Dispensa alguns jogadores para tentar ficar abaixo do salary cap
b) Procura alguns de seus jogadores com maior salário e que assinaram contratos recentemente para uma possível reestruturação de contrato
c) Se prepara para um arriscado mas necessário processo para limpar a folha salarial (atual e futura) da equipe, ainda que as custas de algumas temporadas
d) Imediatamente oferece um contrato de 22M de patacas para seu kicker

Bom, se você quer trabalhar no Cowboys, aparentemente a resposta certa é a letra D. Mesmo muito acima do salary cap e sabendo o que isso significaria para o time, a primeira atitude da diretoria foi aumentar essa folha salarial com um contrato imenso para seu kicker.

Eu acho que não preciso passar tempo demais explicando porque essa foi uma péssima decisão. Sim, é importante ter um bom kicker e Dan Bailey tem jogado bem, mas considerando a situação que você se encontra, o custo-benefício desse tipo de contrato é péssimo. Você precisa de cada centavo que puder para evitar ficar acima do cap, claro, mas também para abrir espaço para calouros e free agents. Então porque você vai pagar 22M para um KICKER? Para quem não lembra, Dan Bailey foi para o Dallas como um calouro não-draftado em 2011 e ano passado ganhava 500mil... porque pagar sete vezes mais se você pode facilmente achar um substituto no draft com uma escolha tardia, ou mesmo sem gastar escolha nenhuma? Dallas Cowboys, pessoal!

Na verdade, esse é um resumo do grande problema do Cowboys, dos últimos anos, de hoje, e dos próximos anos: o time é incompetente e extravagante na hora de distribuir contratos, e por isso trava uma batalha eterna contra o salary cap, uma batalha que eles tem perdido. 15M acima do salary cap mais o contrato de Bailey, Dallas teve que se virar para conseguir entrar abaixo do limite de 132M, e para isso eles tiveram que recorrer ao que fazem todo ano nessa situação: reestruturar contratos. Reestruturar contrato significa que eles pegaram um jogador com um contrato muito caro que eles não podem dispensar, e transformaram uma grande parcela do salário desse jogador em um bônus. O resultado é que o seu valor de 2014 contra o salary cap cai consideravalmente, abrindo espaço imediato, mas também tem duas consequências: primeiro, esse dinheiro que você economizou em 2014 não desaparece, ele é redistribuido entre o resto do contrato do jogador, aumentando seu valor anual e gerando novos problemas salariais para o futuro; e o segundo é que, como esse dinheiro é transformado em dinheiro garantido, é muito mais difícil você dispensar o jogador futuramente, porque a maior parte do salário do jogador fica garantido e portanto esse dinheiro não sai da sua folha salarial mesmo em caso de dispensa. Então o Cowboys conseguiu entrar abaixo (300 mil) do limite salarial esse ano, mas para isso precisou reestruturar os contratos de Sean Lee, Tony Romo e Orlando Scandrick... e ainda assim, 300mil é muito pouco considerando que o time ainda precisa dar contratos para seus calouros, reforçar uma defesa que foi uma atrocidade em 2013 (e cujo melhor jogador é free agent!), e compor o resto do elenco (que precisa chegar a 53 jogadores). 

Esse problema no Dallas é antigo, e vem do péssimo julgamento da diretoria na hora de distribuir contratos (ver o caso do Bailey). O time não pensa duas vezes antes de distribuir contratos caros e longos para jogadores (free agents ou domésticos), mas não pensa nas consequências e na situação salarial da equipe, e isso acaba prendendo a equipe por muitos anos... anos nos quais o time continua cometendo os mesmos erros e lidando com os mesmos problemas. Para dar um exemplo, essa mania de ficar dando grandes contratos e depois os reestruturando significa que para 2015, antes de qualquer contrato de calouro ou free agent, o Dallas já tem 134M na sua folha salarial, no que significaria 2M ACIMA do salary cap de 2014 (nenhum outro time tem mais de 108M, só três estão acima de 100M, e os três foram aos playoffs, btw). 

Por isso o Dallas foi o maior beneficiado do recente aumento no salary cap (132 para 2014 e espera-se 140 para 2015), que lhe deu algum alívio e impediu dispensas mais dolorosas, mas isso não é o suficiente. O time tem uma base muito boa, mas também tem uma defesa horrível que está PERDENDO Jason Hatchet, tem diversos buracos e não tem qualquer tipo de profundidade. Esses são problemas que o time dificilmente vai conseguir arrumar enquanto tiver que pensar primeiro em abrir salários e depois em contratar jogadores novos, e isso só vai acontecer quando o Jerry Jones mudar sua postura de contratações e contratos extravagantes, entender o problema, aceitar uns dois anos mais quietos para limpar essa folha salarial, e dai voltar a brigar com tudo. Só quando isso acontecer o Cowboys vai poder voltar a ser um concorrente ao título estável. 


New York Giants

Outro time da NFC East vindo de uma temporada decepcionante e com problema salariais! Embora para ser justo, os problemas saláriais do Giants são muito mais pontuais e específicos que os dos seus rivais, mas isso não quer dizer que a situação em NY esteja boa: são apenas 18M em espaço salarial, e a equipe tem alguns free agents importantes, inclusive seu melhor jogador de 2013 (Justin Tuck), defensores importantes como Corey Webster, Terrell Thomas, Jon Beason e Linvall Joseph, e mais Hakeem Nicks (99% de chance de sair, mas precisarão de alguém para o lugar) e Andre Brown no ataque. 18M definitivamente não vai dar, e embora possam abrir mais 13M dispensado Chris Snee e Antrell Rolle (e nenhum dos dois é uma dispensa confortável), ainda parece pouco frente a quantidade de buracos que a equipe mostrou em 2013. A janela não parece grande para 2014, embora nenhum time saiba melhor que o Giants que, uma vez nos playoffs, você tem totais chances de ser campeão se pegar fogo na hora certa e contar com a sorte.

Embora difícil colocar a temporada 2013 do Giants em contexto, o grande problema foi mesmo a linha ofensiva: NENHUM linemen do Giants teve um rating positivo pela PFF em pass block, e todos os 7 OL que jogaram pelo menos 400 snaps tiveram notas vermelhas (com o aposentado David Diehl liderando a desgraça com -20.1). O resultado foi que o time teve o terceiro pior ataque terrestre da NFL com 3.5 jardas por corrida, e uma combinação de um péssimo Eli Manning (piores marcas da carreira em TDs, interceptações, rating e QBR), WRs surpreendentemente ineficientes e claro, péssimas atuações da linha ofensiva protegendo o QB também fizeram o Giants acabar com um dos piores ataques aéreos da NFL também. O resultado foi... hmm... bem ruim. Mas o Giants ainda está aparentemente decidido em continuar comprometido com Eli, acreditando que 2013 tenha sido apenas um outlier e que as coisas mudarão com uma linha ofensiva que não o deixe tão exposto.

Claro, o problema é que não é fácil montar uma linha ofensiva quase inteira da noite para o dia, especialmente sem espaço salarial. Justin "Tiranossauro Rex" Pugh foi ok na sua temporada de calouro e David Bass voltando de lesão deve ajudar, mas isso ainda deixa três vagas - inclusive duas de tackle - sem dono e sem uma boa alternativa doméstica. O draft é bastante profundo em linha ofensiva, o que é um consolo, mas não é como se fosse o único problema do Giants: o time precisa de WRs e um TE para substituir Nicks e melhorar seu corpo de recebedores, e algumas decisões complicadas de RB precisam ser tomadas entre Andre Brown se tornando free agent, a saúde de David Wilson e Brandon Jacobs sendo Brandon Jacobs. Não é um caminho fácil para NY, especialmente considerando sua falta de espaço salarial e a questão abaixo.

Defensivamente, o time se saiu muito melhor do que pareceu, terminando com o sexto melhor DVOA defensivo da temporada passada, mas precisa tomar decisões difíceis. Linvall Joseph e Tuck foram os dois melhores jogadores defensivos do Giants em 2013, e não vai ser fácil encaixar os dois na folha salarial do time. É possível que o Giants deixe Tuck ir e tente repor sua produção com uma combinação de Mathis Kiwanuka voltando a forma depois de um péssimo 2013 e Jason Pierre-Paul... bem, voltando a forma depois de um decepcionante 2013, mas é um risco enorme. Joseph não tem o mesmo pedigree desses três, mas tem sido uma presença consistente no meio da linha do time nos últimos anos e é um pilar do jogo terrestre, então não pode sair. E enquanto decide o que fazer com sua linha, o time tem que decidir o que fazer com a secundária, com Rolle, Webster e Thomas exigindo novos contratos (três jogadores importantes em 2013) E tentar adereçar seu grande problema defensivo, seu grupo de linebackers que ainda tem Benson virando free agent. O Giants tem um potencial de regressão interessante no ataque em um draft favorável (profundo em OL e WR) e a defesa, se mantiver o ritmo de 2013, pode levar o time a ser competitivo novamente, mas me parecem buracos e incógnitas demais para um time que não pode contar com a free agency para se reforçar.

Washington Redskins

Para começar, as notícias ruins: a troca de Robert Griffin III, que parecia uma enorme vitória um ano atrás, acabou saindo pela culatra, com uma lesão no joelho e um péssimo 2013 que forçou o Redskins a mandar a 2nd pick de um draft profundo para Saint Louis. Além disso, a péssima atuação de RG3 em 2013 levantou todo tipo de questão sobre sua saúde ou mesmo se seu excelente 2012 não teria sido apenas um outlier impossível de ser repetido. E em meio a tudo isso, o Redskins ainda mudou sua comissão técnica, trazendo uma certa incógnita para como esse time vai se reorganizar para o futuro, ainda mais sem uma 1st round pick.

A parte boa é que finalmente os problemas salariais do Redskins receberam um alívio agora que Albert Haynesworth e o pior contrato da história da NFL finalmente saíram da sua folha de pagamentos, dando ao time alguma flexibilidade: mesmo depois da Franchise Tag em Brian Orakpo (seu melhor jogador defensivo de 2013, sem dúvida), a equipe ainda tem 20M livres, não tanto assim mas muito melhor do que a situação recente da franquia. E claro, também tem o fato de que o Redskins não precisa se focar em vencer imediatamente. O núcleo do time é sólido, especialmente no ataque (o time tem três excelentes OLs que podem formar uma das melhores linhas do jogo com alguma ajuda, Alfred Morris tem sido ótimo como profissional, e Jordan Reed e Pierre Garçon são opções jovens e promissoras no jogo aéreo), e principalmente jovem. O time não possui veteranos caros ou muito valiosos - pelo contrário, seus principais jogadores todos são ainda novos - e, mesmo com a temporada 2013 indo pro lixo e perdendo uma 1st round pick valiosa, não tem motivo para o time entrar em pânico e tentar resolver tudo no curto prazo. Junte a isso uma nova comissão técnica que não tem a pressão de vencer imediatamente e que teria tempo para um projeto mais completo, e o futuro do Redskins passa a ser mais interessante olhando além de 2014.

A maior incógnita, hoje, seria a posição de QB, mas mesmo essa não deve incomodar demais o Redskin por enquanto. Mesmo que ele nunca chegue a reproduzir o nível de 2012, também não deve para sempre ser o fiasco de 2013, e com mais três anos em Washington (que não pode cortá-lo sem incorrer em enormes valores entupindo sua folha salarial, e uma troca seria vender muito baixo dado o valor pago por ele) e sem pressa para vencer agora, o time vai ter muito tempo para desenvolvê-lo, ver como ele rende com seu joelho enfim saudável, antes de tomar uma decisão (btw, não venham me falar em Kirk Cousins - ele simplesmente não é um bom QB de NFL, e não oferece o potencial de médio prazo de RG3). Ainda que exista a dúvida de como ele se adaptará ao novo esquema ofensivo e como o ataque terrestre vá render seu o esquema de bloqueios por zona de Mike Shanahan, RG3 terá boas condições ao seu redor para esse desenvolvimento, com dois alvos bons e jovens que devem receber ainda mais ajuda via draft, e uma boa linha. 

Defensivamente, os dois jogadores que valem a pena manter são jovens (Orakpo e Ryan Kerrigan), então não tem porque apressar as coisas. Claro, a defesa precisa de ajuda e talento - esses são os dois únicos jogadores que realmente se salvam por lá - mas pode fazer isso com calma, draftando e desenvolvendo talentos. Não existe nenhum foco ou contrato largo de um veterano forçando a equipe a vencer imediatamente, e portanto seria burrice tentar. Mas com a boa base ofensiva, regressão positiva de RG3 e um pouco de paciência, esse time pode voltar a ser competitivo em um futuro não tão distante.


Atlanta Falcons

Se antes da temporada passada você sentasse e desenhasse como seria a pior temporada possível para o Atlanta Falcons, ela seria muito semelhante ao que aconteceu de fato. O pior cenário seria justamente lesões atrapalhando o ponto forte da equipe, construído com muitos custos - seu ataque espetacular - e tirando os principais titulares da equipe, desalecerando seu ataque e expondo a enorme falta de profundidade e a defesa frágil do time. Foi exatamente o que aconteceu, com Roddy White e Julio Jones machucando, a OL tendo alguns problemas e ninguém para solucionar ou substituir, e a defesa não conseguindo, novamente, se manter consistente. O Falcons de 2012 foi longe com uma defesa fraca compensada por um excelente ataque, mas sem seu ataque, a quarta pior defesa de 2013 não chegou perto de fazer um papel respeitável.

A verdade é que com essa defesa horrível e alguma regressão, eu não sei se o Falcons teria ido aos playoffs mesmo sem as lesões - mas elas não ajudaram. A verdade é que a fragilidade do Falcons em algumas áreas e sua enorme falta de profundidade (que veio a tona em 2013 com tantas lesões) tem a mesma fonte: o time montou seu elenco concentrando investimentos demais - tanto financeiramente como em recursos gerais (AKA escolhas de draft)- no seu ataque em detrimento das demais áreas. Então considerando a grande quantidade de buracos da equipe (só a DL e Desmond Trufant se salvaram dessa péssima defesa, a linha ofensiva foi um buraco só e perderam Tony Gonzalez) e os recursos interessantes da equipe (25M de cap space com só três free agents significantes, escolhas altas de draft), o time tem algumas decisões interessantes a tomar para voltar a competir no curto prazo.

Primeiro, eles podem manter seu plano original que funcionou em 2012, e ir atrás de grandes reforços para o ataque. Um OT me parece uma certeza com a 6th pick desse draft, uma posição que foi provavelmente o maior problema da equipe em 2013, mas a partir dai é uma incógnita. Se reforçar o ataque para voltar ao patamar de 2012 for a prioridade, o time precisa urgente ir atrás de um substituto para Tony Gonzalez, não apenas como tight end mas principalmente como a arma de segurança em conversões curtas e médias. Gonzalez era talvez o melhor recebedor da NFL nos últimos dois anos nesse tipo de jogada, e era na direção dele que Matt Ryan olhava. Mesmo com Julio Jones e Roddy White saudáveis, o time precisaria desse cara mais grandalhão para o meio do campo. Um novo WR também não seria mau nesse draft tão profundo, embora isso possa esperar mais para frente. Um OT primeiro, depois alguma profundidade para a OL e um TE grandalhão seriam as prioridades.

No entanto, o time pode se contentar com a volta de White e JJ saudáveis e a chegada de um novo OT com a 6th pick (de novo, esse é uma certeza a não ser que alguém como Jadeveon Clowney caia), e com a profundidade desse draft para trazer novos alvos, para reforçar a defesa e tentar montar um time mais balanceado. Além de trazer de volta Jonathan Babineaux e talvez um reforço para CB (Assante Samuel é FA e pode voltar a um preço razoável), o time precisa URGENTe de um pass rusher competente. Osi Umenyora foi uma decepção em seu primeiro ano, e apesar da linha defensiva ter se saído bem, foi principalmente contra a corrida e não gerando algum tipo de pressão. Um DE (Jared Allen é uma opção interessante vindo da free agency, btw) poderia fazer o papel, mas trazer um bom OLB pode reforçar dois dos problemas da equipe, a cobertura atrás da linha E o pass rush, e me parece o ideal (ou os dois - espaço salarial tem). A secundária também precisa de ajuda, especialmente se Samuel sair e ninguém vier em troca - Trufant foi muito bem em 2013, mas a falta de ajuda nos safeties e no pass rush atrapalham seu desenvolvimento, e é por ai que o time tem que continuar montando uma boa defesa.

Claro que não estou dizendo que o time vá focar em apenas uma coisa nessa offseason, precisa obrigatoriamente olhar para ambas. A questão é que uma deve ter prioridade ou o time corre o risco de gastar seus ativos e cap e não reforçar nenhuma de forma significativa. Considerando o novo contrato de Matt Ryan, possivelmente que seja o ataque a receber prioridade, ainda mais em um draft profundo em OL e WR, mas sem pass rush e ajuda para Trufant na secundária, eu acho difícil o Falcons sobreviver na cada vez mais forte NFC South. 


Tampa Bay Buccaneers

Outro time que tem a chance de um novo começo com um novo técnico (e um novo uniforme bem feio), e outro time que foi uma decepção em 2013. No caso do Bucs, o time gastou pesado na offseason, trazendo Darrelle Revis e Dashon Goldson e em geral investindo pesado em posições importantes para competir o quanto antes. E claro, a temporada foi um desastre do primeiro momento até o último, com até uma epidemia de MRSA atingindo o time e tirando jogadores da temporada.

Ainda assim, a temporada expôs do Bucs uma série de problemas, alguns esperados. Greg Schiano, um péssimo técnico, acabou custando ao time mais do que talvez qualquer outro técnico da temporada e acabou demitido, não antes de destruir a carreira de Josh Freeman (ex-JAAAASH Freeman) e se tornar o símbolo de uma franquia marcada por muito talento mas falta de cabeça e controle. Lavonte David (alias, um jogador espetacular) custou uma vitória ao time uma vitória com uma falta pessoal nos segundos finais fora de campo, Goldson chegou a ser suspenso pelo excesso de faltas pessoais, o time supostamente se cansou do seu técnico na metade da temporada. Poderia ter sido melhor, o time até não foi horrível (18th em DVOA), mas foi muito abaixo do que esperavam.

Agora chega Lovie Smith, e a defesa agradece. Smith é famoso por ser um bom técnico de defesas, fazendo ótimos trabalhos em Chicago desse lado da bola, e vai encontrar uma boa base para trabalhar. Tampa Bay teve a oitava melhor defesa da NFL, e conta com três talentos espetaculares nas três fases da defesa, com Gerald McCoy na linha, David nos LBs e Darrelle Revis, ainda o melhor CB da NFL mesmo voltando de lesão, na secundária - além claro de jogadores talentosos que não contribuíram em 2013 mas que já tiveram bons anos no pasasdo, como Adrian Clayborn e Dashon Goldson, além da 5th pick de 2012 Mark Barron. Mesmo sem contribuições desses três jogadores, o time teve uma s´ølida defesa em 2013, mas sempre me pareceu um time com o talento em mãos mas que não conseguia tirar o melhor deles. Com um especialista em defesa, me parece uma ótima chance para esses bons jogadores finalmente encontrarem seu melhor jogo e se tornarem um grupo realmente dominante. Especialmente porque o time deve aproveitar a sua escolha alta de draft (#7) e adereçar sua grande deficiência defensiva: a falta de pass rush. Apenas McCoy e David conseguiram render algum tipo de pressão em 2013, o que é muito pouco para um time como esse, especialmente um que deve jogar em Tampa 2 ano que vem. Um OLB que seja mais pass rusher do que David ou um DE de alto nível tornariam essa defesa ainda melhor.

No ataque, fica a enorme questão do "e se". Dois anos atrás, Carl Nicks e Davin Joseph seriam a melhor dupla de guards da NFL e o Bucs teria tudo para ter uma excelente linha ofensiva, mas é um risco. Joseph machucou em 2012 e não chegou perto do que pode render em 2013, e Nicks perdeu quase todo 2013 com MRSA. Se o Bucs achar que os dois podem se recuperar e render perto do seu nível anterior, então o ataque tem uma boa linha e pode ir atrás de mais alvos, um segundo WR e um TE. MAs é um risco enorme, e eu particularmente não acho que Nicks e Joseph voltarão em 2014 ao nível de elite, o que não só prejudica a proteção ao QB como atrapalha demais o plano ofensivo antigo de ser uma potência terrestre. QB é um tanto quanto um ponto de interrogação nesse time também, mas as interessantes performances em 2013 de Mike Glennon provavelmente lhe garantiram mais um ano para tentar mostrar do que é capaz com uma equipe nova. Mas sendo assim, ele vai precisar de mais ajuda: Vincent Jackson é excelente WR mas jogou praticamente sozinho em 2013, e embora Timothy Wright tenha se mostrado uma opção interessante no jogo aéreo ele é um horrível bloqueador para ser um TE titular consistente. A linha também é uma incógnita, e de modo geral falta a esse ataque talento.

O problema do Bucs é que a defesa e o ataque passam mensagens trocadas. Enquanto a defesa, com seus jogadores caros e alguns veteranos (em particular uma moeda de troca excelente em Darrelle Revis) indicam que esse é um grupo para se brigar pelos playoffs o quanto antes, o ataque claramente não tem nem o talento nem a definição nas principais posições para seguir o mesmo caminho. Se o time vai mesmo experimentar com Mike Glennon, então o ideal era ter um ou dois anos de paciência, e embora jogadores jovens como Barron, Clayborn, David e McCoy estarão por ai nesse tempo todo, não é tão ideal pagar tanto dinheiro para sua defesa reconstruir... especialmente com Revis sendo o mais caro, mais atraente no mercado e menos interessante no médio/longo prazo. O que deixa uma pergunta interessante: o Bucs tenta pegar o caminho mais neutro, tentando balancear sua ótima defesa com um ataque que deve se desenvolver aos poucos e fica meio que um time híbrido sem uma identidade imediata... ou faz o difícil, troca Revis, ganha uma escolha nova de draft e investe mais no médio prazo com uma defesa que ainda deve ser excepcional e um ataque mais pronto? Acho difícil, mas seria a opção mais interessante.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Preview NFL 2013 - Dallas Cowboys


Ware e Spencer correm para abraçar seu amigo


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL

Depois de terminar a série de previews da AFC East para a temporada 2013 da NFL, começamos ontem a falar da NFC East, começando pelo atual campeão dela, Washington Redskins. Hoje, vamos continuar falando da divisão com um dos times mais populares no Brasil, o Dallas Cowboys. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Dallas Cowboys

2012 Record: 8-8
Ataque ajustado: 11th
Defesa ajustada: 23rd


Desde 2008, quando eu apostei no Dallas para ser campeão do Super Bowl antes da temporada e me lasquei faltando uns quatro jogos ainda para terminar a temporada regular, o Cowboys parece ser um time que sempre chega na temporada com bom potencial e boas expectativas, e dai falha em alcançá-las. E mesmo assim, isso pode ser traçado desde 2006, quando o time perdeu nos playoffs porque Tony Romo não dominou o snap para um game-winning field goal nos segundos finais da partida contra o Seahawks, uma das jogadas mais bizarras da sua carreira. Em 2007, a equipe terminou a temporada como a melhor da NFC mas foi derrotada em casa pelo Giants na semifinal de conferência. E desde então, apesar de um bom time, um grande estádio, uma torcida fanática e as melhores cheerleaders da NFL, o time viveu com apenas uma aparição nos playoffs (2009, perdendo para um superior time do Vikings por 34 a 3) e diversas temporadas decepcionantes.

Nessas temporadas decepcionantes, aliás, o padrão parece ser sempre o mesmo: um bom começo, chegando na reta final da temporada em boa posição de ir para a pós-temporada, e algumas derrotas decisivas nas partidas finais terminaram por tirar o Dallas dos playoffs. Em 2008, a equipe começou 8-4 antes de perder três das quatro partidas decisivas. Em 2011, o Dallas estava 7-4 e perdeu quatro dos último cinco jogos. Em 2012, estavam 8-6, perderam em casa para o Saints, depois perderam o jogo final decisivo para o Redskins quando uma vitória os colocaria nos playoffs. Tudo isso, aliado a falta de sucesso na pós-temporada (apenas uma vitória desde 2006), serviu para criar a ideia hoje muito conhecida e difundida de que o Cowboys é um time amarelão e que não ganha os jogos importantes.

Acho que eu não preciso dizer para vocês que isso é um mito. Por algum motivo, temos uma vontade irresistível de dar rótulos para tudo e para todos no esporte, especialmente se isso for depreciativo para alguém, e isso acontece com o Dallas, onde toda essa falta de sucesso acabou encontrando a explicação mais fácil e superficial possível. Mas depois de seis posts explicando longa e demoradamente como amostras de poucos jogos estão sujeitas a enormes flutuações e acasos, como elas tem pouco valor estatístico e como tem dezenas de fatores que influenciam o record dos times nesses casos, eu espero que tenhamos mostrado o suficiente que não existe nenhum tipo de fator mostrando que o Cowboys seja de fato amarelão ou incompetente. E dai que na reta final de 2008 (aqueles quatro jogos) o Dallas enfrentou dois melhores times da NFL (Steelers e Ravens), mais um superior time do Eagles, recuperando apenas 30% dos fumbles totais desses jogos (foram três dos quatro finalistas de conferência, btw)? E quem vai reparar que em 2011 eles perderam dois jogos por uma posse de bola nos cinco finais, e terminaram perdendo fora de casa para os eventuais campeões? E em 2012, onde a temporada foi decidida num jogo fora de casa, contra um time superior do Redskins? O que importa que nessas três sequências decisivas o Dallas perdeu todos os quatro jogos que teve decididos por uma posse de bola? As pessoas só se preocupam com os resultados, e não com os processos que levam a eles, e por isso que o rótulo de "time amarelão" pegou.

Dito isso, e apesar do fato de que não existe qualquer estatística que comprove que o Dallas não consiga produzir normalmente em jogos decisivos, é fato também que a franquia recentemente tem falhado ao cumprir as expectativas colocadas na equipe antes das temporadas. E embora, é claro, isso possa ser sempre um problema com as expectativas sendo irrealistas, também é possível identificar alguns fatores que tem atrapalhado uma equipe cheia de talento a produzir no nível que podem.

O primeiro problema, e talvez o maior de todos, seja o que eu chamo de "Síndrome de New York". Quem acompanha o NY Knicks e até mesmo o NY Jets (Giants ta salvo por enquanto porque ganhou dois Super Bowls) sabe que jogar em um mercado grande e rico para uma torcida fanática tem seus problemas: a torcida e a diretoria sempre espera mais produção, a mídia cai matando todo fracasso possível, as expectativas estão sempre lá em cima, e isso tudo forma uma pressão muito grande em cima dos atlétas. Dallas não é um mercado tão grande, mas tem um dono bilionário, enorme torcida e muita atenção da mídia. E isso é piorado pelo dono da equipe, Jerry Jones. Jones é um bilionário apaixonado por NFL que comprou um time para vê-lo vencer, e portanto está sempre injetando seu dinheiro no que puder, contratações, estádio novo, etc. Não a toa eu o chamo de "Mark Cuban da NFL", mas Jones tem um problema: ele não só quer vencer como quer construir ele o time, quer mandar e desmandar no time, e sempre que alguma coisa da errada ele corre para achar um bode espiatório e mudar alguma coisa. Jones sempre acha que ele faria tudo melhor do que todo mundo, criticando abertamente as decisões de seus técnicos e simplesmente criando um clima ruim na equipe e muita confusão.

Um bom exemplo de como Jones afeta diretamente a situação da comissão técnica da equipe é a história do atual técnico do time, Jason Garrett. Garrett era coordenador ofensivo da equipe em 2010, e quando Wade Phillips foi demitido, Garrett assumiu as funções de técnico e coordenador ofensivo para 2011. Depois de uma campanha de 8-8 e perder os playoffs (já comentamos dela acima), Jones se declarou insatisfeito com o trabalho de Garrett e contratou um novo coordenador ofensivo para a equipe, com Garrett mantendo as funções de técnico. Durante a temporada 2012, Jones criticou a chamada de jogadas de seu técnico, e ao final da temporada, anunciou que para 2013 ele não chamaria mais as jogadas, quem o faria seria o coordenador ofensivo Bill Callahan. Juntando esse circo a constante interferência de Jones nas decisões técnicas da equipe e a falta de estabilidade e sequência que esses técnicos tem que aguentar, e não me surpreende que os head coaches de Dallas tenham tido problemas nos empregos. Eu achava Phillips um HC muito ruim, e não acho Garrett bom, mas me pergunto se é possível ter sucesso no emprego com Jones reclamando, interferindo e mudando tudo que você faz. E na NFL, falta de consistência na comissão técnica é uma coisa que atrapalha demais a equipe a desenvolver.

Então isso é um problema. O outro é que nossos indicadores não apontam uma grande melhora esperada para 2012: o Pythagorean Expectation do time foi bem próximo de seu record (7.5 vitórias) e eles foram acima do esperado com um 7-5 (!!) em jogos decididos por uma posse de bola. A taxa de recuperação de fumble da equipe foi próxima da média (48,5%), também. Então juntando um time mediano em 2012, sem grandes indicadores de mudança, com um dono que não para de interferir no trabalho da comissão técnica e com nenhuma contratação de impacto junto de um Draft bem fraquinho (pegaram um C que devia cair para terceira rodada do Draft ao invés de ir atrás da grande necessidade do time e pegar um safety como Matt Elam), e é difícil se sentir tão otimista assim com o Cowboys.

A parte otimista fica por conta de dois fatores. O primeiro é o calendário. Depois de ter o sétimo calendário mais difícil de 2012, o Cowboys projeta para ter o sétimo mais fácil de 2013, então é um ponto positivo. O segundo fica por conta das lesões: Dallas tem um elenco cheio de grandes jogadores, mas com alguma falta de profundidade, e essa dependência dos seus melhores jogadores torna a equipe muito vulnerável a lesões a esses jogadores. Foi o que aconteceu em 2012: Bruce Carter perdeu os últimos seis jogos, Sean Lee perdeu os últimos 10, Jay Ratliff perdeu os últimos três e jogou a segunda metade da temporada baleado, DeMarco Murray perdeu seis jogos e jogou o resto machucado. Foi um festival de lesões nos jogadores chaves da equipe, especialmente mais para o final da temporada, onde as estatísticas da equipe pioraram. Mesmo que alguns desses jogadores (em especial Murray) já tenham se mostrado propensos a lesões, perder todos eles por tanto tempo e de uma vez só foi realmente um golpe duro que atrapalhou a temporada da equipe.

E tem o seguinte: o Dallas tem muito talento no seu time. Tem um dos melhores NTs da Liga (Ratliff), dois fantásticos LBs (Carter e Lee), dois excelentes DE/OLBs (Demarcus Ware e Spencer), e mesmo a secundária da equipe está bem mais forte com Brandon Carr e Morris Clayborne (embora precise de safeties... Elam cadê?). A defesa foi o grande problema da equipe em 2012, a décima pior da NFL, mas esse grupo tem talento demais para ser tão ruim assim. As lesões atrapalharam em parte, a indefinição tática atrapalhou bastante, mas não é absurdo esperar que com um pouco de saúde esse grupo possa voltar a ser uma boa unidade. Talvez não elite, mas pelo menos melhor do que o fiasco do ano passado. E mesmo que eu não ache Rob Ryan um péssimo coordenador defensivo, eu acho que as constantes mudanças de esquema, as reclamações na mídia e a personalidade forte dele (associada a todos os problemas já citados) contribuiram bastante para agravar o problema, e acho que é um grupo que se beneficiaria de uma mudança de ares.

Ofensivamente, ironicamente, as pessoas adoram atribuir os problemas do Cowboys ao Tony Romo e ao ataque aéreo da equipe. Até entendo que Romo não seja um QB de elite, e que isso frustre alguns torcedores, mas por algum motivo os torcedores adoram atribuir a ele a culpa de todos os problemas do time e todos os "quase" da equipe a ele. Talvez por ter começado sua carreira com aquele fumble bizarro no FG em 2006, talvez por ter ido passar um final de semana com a Jessica Simpson antes dos playoffs de 2007 (o que pegou mal), talvez porque ele tem alguns casos de errar em momentos cruciais das partidas (embora seus números gerais em situações apertadas de fim de jogo sejam bem próximos dos seus normais), ou talvez simplesmente porque é muito fácil culpar o QB quando as coisas dão errado na NFL. Mas o fato é que Romo é um Quarterback muito bom: ele foi o sexto melhor QB da NFL em 2012 em produção total, nono em produção por jogo, e 13th em QBR. Um pouco mais de maturidade e evolução por parte do talentosíssimo Dez Bryant e mais saúde do Miles Austin realmente ajudam ou ajudariam, mas Romo fez um trabalho muito bom em 2012. Embora o ataque da equipe tenha ficado em 11th na NFL, o ataque aéreo da equipe foi o sétimo melhor da Liga (atrás das potências Patriots, Broncos, 49ers, Packers, Seattle e mais o Redskins) inteira. Então mesmo que Romo não seja Aaron Rodgers, como a torcida adoraria que fosse, colocar a culpa dos problemas do time nele é um absurdo: Romo é um QB muito bom que tem produzido bem acima da média da NFL, e com boa eficiência mesmo com pouca ajuda do jogo terrestre (já chegaremos lá), e ele mereceu a extensão que recebeu quando lembramos que QBs menos provados já ganharam mais (embora a duração me incomode). E se você acha que o time perde porque ele não produz nos momentos chaves, lembre de Peyton Manning nos playoffs. Sim, ele perdeu o jogo porque lançou uma interceptação, mas só chegou a aquele ponto por causa da defesa que foi repetidamente queimada e do seu safety que cometeu um erro crucial nos segundos finais (e do seu técnico bundão que quis ajoelhar com 40 segundos, 3 tempos para pedir e Peyton Freaking Manning de QB). Culpar o QB sozinho pelas derrotas em jogos apertados é ridículo.

O problema do ataque, então, é o jogo terrestre. Foi a nona pior unidade de 2012 e isso se deveu a um conjunto de fatores: Murray perdeu algum tempo machucado (e quando jogou, esteve limitado), o time não teve profundidade em substituí-lo, e a linha ofensiva foi uma das piores da NFL em jogadas de corrida. Murray aqui, em particular, é o que mais preocupa, porque ele já perdeu 10 jogos por lesão em sua curta carreira, e talvez mais importante, a idéia de que ele é um grande RB se deveu apenas a uma temporada em 2011 e mais nada. Como podemos saber se o Murray de 2011 não foi uma aberração e na verdade o nível de 2012 é mais próximo do seu verdadeiro potencial? E se não for o caso, podemos esperar que ele se livre das lesões e jogue uma temporada inteira em alto nível pela primeira vez? 

O problema da linha ofensiva talvez seja ainda pior para o ataque. Ainda que fosse uma unidade muito sólida protegendo o QB, ela mostrou muita dificuldade para bloquear em sincronia, especialmente passando da linha de scrimmage e chegando nos LBs. Talvez a mudança de quem está chamando jogadas ajude um pouco, mas o problema aqui é a situação salarial da equipe. Poucos times estavam tão estourados no teto salarial como o Cowboys, que precisou fazer algumas mudanças nesse sentido só para conseguir acomodar os novatos e ficar abaixo do novo teto. Nesse contexto o time não pode fazer nenhum movimento atrás de um bom OL, o que provavelmente explica porque o time foi com tanta pressa pegar o center Travis Frederick bem antes do que ele era esperado para sair, era a unica chance do time de mehorar esse problema. Mesmo que Frederick entre bem nessa posição (reconhecidamente carente) da equipe, difícil que seja o suficiente para voltar a dar vida a esse jogo terrestre se Murray não estiver no mesmo nível de 2011. O que PODE significar uma melhora é o fato de que a linha do Dallas foi na verdade muito boa forçando passagem pelas linhas adversárias, tendo mais problemas com a segunda linha de defesa dos adversários. Ainda que isso seja, claro, um problema, é um problema que pode ser contornado um pouco se Murray retomar sua explosão anterior, visto que o tempo de exposição aos LBs adversários se torna menor. Mas ainda vai existir muita desconfiança em relação a esse jogo terrestre, e isso só dificulta as coisas para o ataque aéreo e para Tony Romo. Então esse provavelmente é o calcanhar de Aquiles do time, por ora.

Eu adoraria poder dizer aqui que o Dallas vai terminar 10-6 e ir aos playoffs (ou pelo menos Wild Card), que eu acho mais de acordo com o nível de talento que essa equipe tem, mas a desconfiança é grande demais. Foram muitos anos apostando em boas campanhas do Dallas e quebrando a cara, e toda a incerteza e as mudanças na comissão técnica vão cobrar um preço da equipe (que precisa, mais que uma linha ofensiva, que o Jerry Jones pare de se meter tanto nas decisões da equipe dentro de campo). Mas a equipe tem muito talento dos dois lados da bola e um pouco de saúde deve fazer maravilhas por essa defesa, assim como um ano a mais de entrosamento para algumas peças. A chegada de um novo coordenador defensivo pode fazer a defesa demorar para engrenar, mas se o trabalho for bem feito, essa unidade tem tudo para ser um bom grupo a médio prazo. Então apesar de todo o talento e toda a incerteza, eu acredito em uma boa campanha do Dallas acima de 8-8, 9-7 sendo o mais provável mas com potencial para cair ou subir dependendo de diversos fatores. Mas eu ainda não estou pronto para colocar o time nos playoffs, não por causa de Romo, mas por causa do circo que esse time virou nos últimos anos. Pena, porque o talento está ai, e se as peças encaixarem, esse time tem condições de terminar 11-5 e assustar. Mas não aposto nisso. Não ainda.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Palpites para a semana 14 da NFL

Vamos aproveitar o embalo dos 14 acertos da semana passada pra embalar os palpites dessa semana, com times da casa em caixa alta. Lembrando que o dessa semana já começou 1-0 com a vitória do Steelers ontem num dos jogos mais feios que eu já vi em muito tempo (LEmbrando que eu não vi Rams e Cardinals, por exemplo).


RAVENS ganha do Colts
Contagem regressiva: 3...



PANTHERS ganha do Falcons
Eu já disse que acho que o Panthers vai brincar de estragar o final de temporada dos outros times? Não? Estou falando agora então. A primeira vítima vai ser o Falcons num jogo de 70 pontos e 2 TDs terrestres do Cam Newton. Sabe o que é mais legal de assistir aos jogos do Panthers? A defesa é tão ruim e o ataque é tão explosivo que todo mundo sabe que vai rolar ponto pra cacete, ainda mais quando enfrenta uma defesa fraca como a do Falcons.

Eu confesso que estava apostando alto no time do Falcons, pelo menos para ir aos playoffs, mas a derrota da última semana me deixou um pouco descrente. Tudo bem, a defesa do Texans está jogando muito bem, mas o Matt Ryan teve uma partida horrível e o jogo terrestre foi tão produtivo como minhas noites de sexta feira. O Panthers está embalando, não tem nada a perder, e o Falcons acabou de perder pro TJ Yates. Algo me diz que o Panthers vai surpreender aqui...

Tangente rápida: Se o Panthers perder, podemos fazer um caso que o TJ Yates é melhor que o Newton?



BENGALS ganha do Texans
É mais fácil jogar contra a defesa do Falcons sem o Andre Johnson do que contra a do Bengals, e o coitado do Yates vai descobrir isso na prática. Pior que esse vai ser um jogo bem difícil pro Bengals, que vem de uma sequência bem difícil, Andy Dalton não vem de um bom jogo e enfrenta agora uma defesa muito forte. Mas eu confio mais na defesa do Bengals pra parar o Arian Foster na medida do possível do que a do Falcons, e vai ser bem difícil jogar sem o Johnson se o Bengals colocar toda a defesa pra parar a corrida. O TJ Yates não foi mal semana passada, até que foi bem dadas as circunstâncias, mas é dificil confiar nele pra vencer, fora de casa, contra a defesa do Bengals passando pra Daniel Owens e Jacoby Jones.



LIONS ganha do Vikings
Até agora, só os times da casa vão vencendo nos nossos palpites, e aqui continuamos com a tendência. Confesso que o Lions tem me decepcionado, não pelo que vem mostrando em termos de futebol americano mas pelo que NÃO vem mostrando em termos de inteligência e maturidade. O time está se autodestruindo, matando campanhas boas ou dando mais oportunidades aos oponentes com faltas, erros e más decisões. Eu ainda acho que a cabeça do time vai custar muito caro ao Lions, mas não contra o Vikings, especialmente se o Adrian Peterson não jogar pra tirar vantagem da falta do Ndamukong Suh. O Christian Ponder vem de um jogo de quase 400 jardas, mas num jogo onde a defesa do Broncos foi péssima, então preciso ver isso acontecer mais uma vez antes de dar alguma palavra positiva pros fãs do Vikings. Dessa vez acho que vai ficar mais fácil pro Megatron e pro Matthew Stafford voltarem ao ritmo de antes do que o Vikings vencer fora de casa.



Bucs ganha do JAGUARS
Primeiro palpite de vitória de um time jogando fora de casa, e só porque é contra o Jaguars. Eu já disse que não vou falar mal do Blaine Gabbert por enquanto, pelo menos até ele ter um técnico, uma linha ofensiva, WRs decentes e uma offseason. Mas do jeito que as coisas vão para o Jaguars, teremos mais um jogo de 30 fantasy points do Maurice Jones-Drew e uma derrota relativamente larga.



DOLPHINS ganha do Eagles
O Dolphins é um dos times mais embalados da NFL, e o Eagles é o time mais deprimido da Liga. O Dolphins não tem nada a ganhar porque não vai mesmo aos playoffs, mas... Eles estão se divertindo e salvando o emprego do técnico Tony Sparano, e parece que era o que eles queriam mesmo. Além disso, muitos jogadores lá - em especial o Matt Moore - ainda tem muito a provar se querem ter um futuro no time, então vejo o Dolphins mantendo o ritmo até o último jogo. Já o Eagles está claramente com a cabeça no ano que vem e também com o Vince Young. Alguém imaginaria três ou quatro anos atrás que estariamos falando do Young da mesma forma que falamos do Tyler Palko ou do Caleb Hanie? Eu com certeza não, estava muito ocupado marcando Touchdowns com ele no Madden 2008 (Do qual ele era capa).



JETS ganha do Chiefs
Pela milésima vez, eu gosto muito da base que o Chiefs montou. Uma defesa muito forte, boas peças ofensivas... Só falta saúde pra disputar algo mais sério nos playoffs, talvez um QB capaz de vencer jogos com maior consistência que o Matt Cassell (De quem eu gosto, aliás) mas principalmente que seus jogadores fiquem saudáveis. Mesmo com o ataque totalmente esburacado por lesões, o Chiefs tem dado bastante trabalho nas últimas semanas, e o Mark Sanchez vai ter vida dura essa semana. Eu sei disso. Eu só não consigo apostar, em sã consciência, que o Tyler Palko não vá entregar o jogo contra a defesa do Jets, ainda mais jogando fora de casa.



Saints ganha do TITANS
Esse jogo vai ser mais difícil do que parece à primeira vista. O Titans é um time mediano na NFL, se eu fosse separar a Liga em três percentis o Titans com certeza estaria no meio do segundo, mas é um time com uma boa defesa e que tem um RB explosivo (embora eu ainda precise de mais um ou dois jogos antes de decretar a volta oficial do Chris Johnson). A defesa do Saints é muito fraca, especialmente contra a corrida. Eu até acho que um upset aqui do Titans é possível porque o Saints dificilmente terá alguma ambição que necessite desse jogo (Dificilmente passará o Niners pela 2nd seed e dificilmente perderá a 4th seed) e ainda joga fora de casa, mas num primeiro momento, eu não vejo a defesa do Titans - mesmo que seja boa - parando o Drew Brees embalado do jeito que ele está.

Aliás, vamos esclarecer uma coisa de uma vez por todas. Eu não ligo se o Drew Brees quebrar o recorde do Dan Marino de jardas. Eu não ligo se o Aaron Rodgers quebrar quase todos os recordes pra um QB nessa temporada. Eu não ligo se Brees, Rodgers E Tom Brady quebrarem o recorde do Marino ao mesmo tempo. Só que dadas as circustâncias - inclusive o nível dos jogadores ao redor desses QBs e o fato de que passar hoje na NFL é milhões de vezes mais fácil do que da década de 90 pra trás - nenhum desses jogadores está tendo uma temporada do nível daquela do Marino. Conseguir 5000 jardas naquela época era mais difícil do que conseguir 5500 hoje por causa das regras, imagina conseguir isso com um ataque sem grandes astros como aquele Dolphins? Não deixem os números enganarem vocês, esses três são espetaculares e tem mais é que serem apreciados mesmo, mas sempre tenham em mente que são épocas diferentes e situações totalmente diferentes quando forem comparar coisas tão simples e cegas como números e estatísticas.



Patriots ganha do REDSKINS
Eu acredito que não eu não preciso explicar isso aqui. Se eu precisar, é porque você não anda assistindo futebol americano OU é empresário do Rex Grossman...



Niners ganha do CARDINALS
Vocês sabiam que nos três jogos dentro da divisão, o Niners anotou 82 pontos e tomou apenas 24? Eu acho que esse jogo pode ser complicado pro 49ers - Fora de casa, sem Patrick Willis, contra um time que vem melhorando aos poucos e com Frank Gore ainda sem se recuperar totalmente da sua lesão na perna - mas não da pra negar a diferença absurda de nível entre o Niners e o resto da NFC West. Não é só uma distância, é um abismo de diferença, e eu acredito que o Niners saiba que se vencer esse jogo, está a um Rams e um Seahawks da 2nd seed e um bye nos playoffs. Jogar em casa contra New Orleans depois de 9 anos sem playoffs faz TODA a diferença do mundo, e tem coisa demais aqui em jogo pro Niners permitir uma derrota pro time do Kevin Kolb. Mas confesso que não estou tão tranquilo...



BRONCOS ganha do Bears
Um jogo interessante porque vai colocar o Tim Tebow contra uma boa defesa terrestre, que pressiona o QB, mas tem sua parcela de problemas na secundária. Se ele continuar mostrando a evolução nos seus passes que vinha tendo nas últimas semanas e continuar tomando conta da bola, ele deve conseguir o suficiente para uma vitória tranquila contra Caleb Hanie e Marion Barber. Se ele não estiver conseguindo acertar os passes - especialmente os passes médios e longos que ele não acertava nem por decreto no começo e nas duas ultimas semanas ele acertou num excelente nível - ele vai ser obrigado a voltar a recorrer ao option para 80% das jogadas, e aí ele vai ter um dia bem difícil contra essa defesa. Mas quando foi a última vez que eu apostei contra o Tim Tebow?? Aposto em mais um bom jogo dele, dessa vez sem necessidade de uma virada no quarto período, especialmente se o Von Miller jogar.



PACKERS ganha do Raiders
Jogos contra times como o Raiders são bem perigosos para times como o Packers, mas não vejo Green Bay perdendo do Raiders depois de vencer o Giants naquele jogo semana passada. E se esse resultado realmente acontecer, e o de cima também, o Broncos vai abrir um jogo de vantagem sobre o Raiders com vantagem no critério de desempate, sendo que o único jogo difícil do Broncos pela frente é o Patriots EM CASA. Se o Packers fizer o óbvio e o Broncos confirmar o favoritismo (E a gente viu semana passada que o Broncos sabe jogar com favoritismo), o Broncos vai estar com uma mão nos playoffs. Tebow haters, onde está seu deus agora??



CHARGERS ganha do Bills
O azar do Chargers é que o Broncos é um time sólido e que pegou fogo na hora certa, e por isso eu não vejo o Chargers conseguindo transformar essa boa sequencia final num título de divisão, mas não seria de todo improvável se o Kyle Orton ainda fosse titular. O Chargers sempre é o time que embala no final e o Broncos sempre foi o time que refuga na reta final, mas... Não o Broncos de agora. Atitude faz toda a diferença, e o John Fox merece estar na conversa de técnico do ano (Conversa pro segundo lugar, claro. O primeiro já foi definido faz muito tempo). Não vai acontecer esse ano.



Giants ganha do COWBOYS
Um jogo de playoff em plena semana 14 da NFL? Jogo da rodada sem dúvida, não percam esse Sunday Night por nada!

Na verdade, são dois jogos de playoffs, já que esses times ainda vão se enfrentar mais uma vez. Mas a questão é que esses são os dois jogos que vão decidir o título da NFC East. O Dallas até teve a chance de arrumar uma folga com uma vitória sobre o Cardinals, mas... Bem, não vamos torturar meu amigo Zeca relembrando essa questão. Se cada um ganhar em casa, o Dallas tem um jogo de vantagem, por isso eu acho que esse jogo é o mais fundamental para o Giants vencer. E eu acho que o Giants, como um time, tem uma identidade e um conjunto, algo que o Dallas ainda não conseguiu achar. O Dallas, com todas as lesões que assolaram o Giants, talvez seja um time um pouco melhor, mas é um time que muitas vezes não consegue jogar em conjunto quando um jogo exige... E eu acho que esse jogo vai exigir, e isso vai fazer a diferença.



SEAHAWKS ganha do Rams
É SÉRIO que esse vai ser o nosso Monday Night Football?? Sério?? (E o pior é que eu sei que vou assistir... Eu preciso  de ajuda profissional).

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Os times - NFC East

Pedindo mais uma vez desculpas pela extrema demora, estamos de volta, dessa vez, falando mais da NFC East, que talvez seja uma das divisões mais interessantes de toda a Liga. E talvez a mais divertida. Porque? Já pararam para pensar que essa divisão tem entre seus quatro times: um dos times mais comentados e hypeados da história da offseason da NFL, um time que todo mundo negligencia porque ele sempre arruma um jeito de entregar os jogos (estou olhando pra você, Tony Romo), e um time que foi horrível nos últimos anos e ainda contratou o Rex Grossman pra Quarterback - e que qualquer um dos quatro pode acabar levando o título da divisão (Desculpem fãs do Giants, mas esse ano não vai)?? Nenhum dos quatro times é confiável de forma alguma e qualquer um dos quatro pode facilmente terminar em último lugar (Aos fãs do Eagles que não acreditam, Vince Young está machucado e o Michael Vick se machuca duas vezes por dia e três aos domingos. Sabem quem assume o time em caso de lesão?). Como não gostar de uma divisão onde a anarquia impera (quando ela não é a NFC West, de longe a pior divisão da Liga)??


Derrubar um marcador usando o traseiro é uma arte perdida

 
Philadephia Eagles (10-6)
Como eu disse, essa divisão tem um dos times mais comentados e hypeados da história das offseasons, e ele é o Philadelphia Eagles. Se você mora num abacaxi no fundo do mar e não sabe do que estou falando, recomendo esse post sobre a equipe, mas basicamente o time saiu da Free Agency pós-lockout com o melhor jogador disponível (O Cornerback Nnamdi Asomugha), o melhor Pass Rusher (Jason Babin), trocou seu QB reserva por um Cornerback top 10 (Dominique Rodgers-Cromartie), pegou outro Wide Receiver que não só já foi um All-Star como foi vice-líder da Liga em recepções e mais uma cacetada de role players talentosos - e isso para um time que era candidato ao título do ano passado.

Isso gerou um hype imenso em torno do time que, convenhamos, seria difícil deles cumprirem (teriam que terminar a temporada 16-0, ganhar o Super Bowl por uma vantagem maior que os 45 pontos do 49ers, ganhar todos os prêmios individuais e descobrirem a cura para o câncer). O Eagles continua sendo um favorito ao título, manteve seu ataque extremamente explosivo de 2010 e juntou muito talento nessa offseason, mas o time tem alguns problemas evidentes que não foram adereçados na offseason. Em outras palavras, a defesa terrestre e a linha ofensiva de uma forma geral. O time tem uma secundária fantástica e um bom pass rush com Babin e Trent Cole, mas a defesa terrestre - especialmente pelo interior da linha defensiva - ainda é muito fraca, e o Rams mostrou isso com o Steven Jackson correndo para mais de 30 jardas no seu Touchdown antes de sair machucado. A defesa, fora isso, é boa porque quando você tem três dos 10 (no máximo 15) melhores cornerbacks, você com certeza não precisa se preocupar muito com passes, ainda mais se tiver dois Pass Rushers de elite. O Asomugha não é um cornerback que aparece muito com interceptações e grandes jogadas, ele é o típico cornerback que você não vê o jogo todo - até perceber que você não ve os jogadores que ele marca também. Pras interceptações o time tem o Cromartie e o Assante Samuel, o que torna lançar a bola contra essa defesa muito perigoso.

Outra falha? A linha ofensiva, que frequentemente deixa pressão demais chegar no ótimo Michael Vick e impede que o time tenha um ataque estável, já que o Vick está sempre precisando usar suas pernas para fugir do sack. O lado bom do ataque? O QB mais dinâmico da Liga que é uma dupla ameaça (passando e correndo), o WR mais explosivo do mundo (DeSean Jackson), um excelente jogo terrestre nas costas do LeSean McCoy, um corpo de Wide Receivers de primeira linha... Então é, não é difícil entender porque eles são favoritos. O ataque do Eagles deixa muita gente passar da linha, fato, mas é um ataque que pode a qualquer instante explodir para 80 jardas. Poucos times (Patriots? Packers?) tem ataques mais divertidos de assistir.

Eli Manning está com nojinho


New York Giants (10-6)
Um time que está praticamente fora da briga pelo título da divisão desde antes da temporada começar. O que é uma pena, porque o Giants é um time muito interessante. Um time com uma defesa muito forte e um ataque que é muito bipolar dependendo do dia no qual seu Quarterback Eli Manning se encontra. Se o Eli Manning está num jogo onde suas 25 interceptações (marca do ano passado) aparecem mais, ele é um grande jogador, capaz de dominar jogos passando e liderar seu time às vitórias. No entanto, se o que aparece mais são suas 24 interceptações, o Giants tem problemas. E infelizmente, você nunca sabe qual Eli Manning você vai ter, é como pegar aquele Bubaloo de dois sabores e tentar vencer um jogo de futebol americano com ele. Em 2007, por exemplo, ele foi o PIOR Quarterback da temporada regular com pelo menos 12 jogos, mas nos playoffs jogou demais, foi o melhor Quarterback daquela pós temporada e levou seu time ao título por cima dos até então invictos Patriots.

E essa indefinição assassina o ataque do Giants por longos periodos de tempo. O time tem uma boa dupla de Running Backs com Ahmad Bradshaw e Brandon Jacobs, dois RBs de força, que geralmente são sólidos em quase todos os jogos mas nem sempre são capazes de vencer jogos sozinhos como uma dupla de elite, como DeAngelo Williams e Johnathan Stewart (Oh wait, eles jogam no Panthers, esqueçam a parte sobre ganhar!). O corpo de Wide Receivers do time era boa com a dupla Amani Toomer e Plaxico Burress, mas quando o Toomer aposentou e o Burress foi preso, o time apostou na molecada, em especial no trio Steve Smith, Mario Manningham e Hakeem Nicks, mais o Tight End Kevin Boss. Deu certo por dois anos, mas o time estava muito acima do teto salarial nessa offseason e perdeu Smith para o Eagles. Pior, perdeu Boss para o Raiders, e deixou seu corpo de recebedores (que primava pela profundidade) deficiente. Mas isso tudo só funciona se o Manning jogar bem, ele é capaz de passar pra 350 jardas e 3 TDs num jogo mas também entregar tudo com duas interceptações e um fumble. Como esquecer a temporada 2008, quando o Giants começou o ano pegando fogo, com seis vitórias seguidas e uma grande temporada do Manning, só pra depois perder 8 dos próximos 10 jogos com o Eli entregando jogo após jogo e ficar de fora dos playoffs?

Mas o forte do time - e que permite que o time se mantenha competitivo mesmo com essas oscilações absurdas do seu QB - é a defesa. Uma ótima linha de frente com jogadores como Mathis Kiwanuka e Osi Umenyora, uma sólida secundária, um grupo bem versátil no meio da defesa (que sofreu muito com a aposentadoria do Antonio Pierce, mas achou um grande jogador via Draft no Jason Pierre-Paul) e o time estava pronto para bater de frente com seus adversários. Não era tão dominante como as defesas de Steelers ou Jets, mas era forte, causava muitos turnovers e sempre oferecia ao ataque boas situações para vencer os jogos. O motivo da temporada ter acabado antes de começar para o Giants foi que o time perdeu praticamente a defesa inteira por lesão!! O time perdeu Kiwanuka e Umenyora para as primeiras rodadas, perdeu sua dupla de Cornerbacks titulares para o resto do ano por lesão (e sua escolha de primeira rodada, o Cornerback Prince Amukamara, vai perder pelo menos quatro semanas), perdeu seu MLB para o resto do ano... Ou seja, perdeu quase todo mundo de bom! Quando conseguir se arrumar novamente já vai ter perdido jogos demais para ficar na briga. Um amigo meu torcedor do Giants já disse que está até sonhando com as primeiras escolhas do Draft do ano que vem (aí é exagero, mas tudo bem, compreensível). Mas que eu duvido -e muito - da capacidade do Giants de superar essa maré de azar que começou antes da temporada, eu duvido. A não ser que o Eli Manning pare de oscilar e jogue como o irmão (Peyton Manning, QB do Colts). Ok, exagerei... como o pai já está bom!


Esse negócio de jogar futebol americano da uma fome...


Dallas Cowboys (6-10)
O Cowboys tem um simples obstáculo até o título. Que é o mesmo fator que faz 90% dos times que tem chance de título terem chance de título (os 10% restantes jogam no New Meadowlands Stadium). Ou seja, um bom Quarterback.

O Dallas é um time de um bilhardário desocupado que adora o esporte (E nem começamos a falar do Mavericks ainda!), e portanto o time nunca teve pudor em gastar muito dinheiro para montar grandes times (o que é menos vantagem na NFL do que na NBA, por isso o Mark Cuban realizou seu sonho e o Jerry Jones ainda não). Depois de dominar a década de 90, o Dallas teve bons times e boas chances para levantar o caneco, mas sempre esbarrou em alguma coisa imprevista que ninguém realmente poderia ter previsto. Portanto, o time e seu astro acabaram pegando fama de amarelão, e mesmo com um time forte ninguém bota muita fé na equipe até que provem o contrário (E pela última vez, não estou falando do Mavericks!! Deve ser algo da água da cidade, sei lá!).

O Dallas tem uma defesa muito boa perto da linha de scrimmage, um dos melhores Nose Tackles da Liga no Jay Ratliff e um dos melhores OLBs no Demarcus Ware. Ou seja, você tem garantido um pass rush frequente (pra uma defesa 3-4, mesmo sem o uso intensivo de blitzes) e uma defesa terrestre, em geral, sólida. O problema da defesa do time é que a secundária é esburacada, o time não tem nenhum cornerback ou safety acima da média que ocupe uma parte do campo, que é aliás um dos motivos do time evitar as blitzes que deixam espaços para o passe. Com uma defesa de frente forte e uma fraca secundária, é normal que os adversários tentem jogar mais com o jogo aéreo do que o terrestre, o que vai levar a jogos velozes e de placares elevados. E para ganhar jogos assim, o seu ataque tem que responder à altura, o que invariavemente vai cair na existência de um bom Quarterback. O que, como eu já disse, é um problema.

Mas não do tipo que assola, por exemplo, o meu 49ers, que é a FALTA de um bom Quarterback. O Quarterback do Dallas, Tony Romo, é um bom Quarterback, que em termos de talento provavelmente está no top 10 da Liga. Ele tem uma boa precisão, um braço forte e é o segundo melhor Quarterback de toda a Liga escapando do sack, e é capaz de ganhar jogos sozinhos com ajuda de seu bom corpo de recebedores. O problema do Romo não é falta de talento, e sim falta de cérebro. Ele é daqueles Quarterbacks que é capaz de jogar um jogo inteiro com perfeição e entregar tudo com uma jogada imbecil no final (como fez contra o Jets) ou é capaz de ser horrível um jogo inteiro e de repente pegar fogo no final (como fez contra o 49ers). Ele é uma faca de dois gumes, não pela inconsistência, mas porque ele muitas vezes comete erros estúpidos e infantis que atrapalham o seu time (eles geralmente ocorrem em situações apertadas de jogo). O Bill Simmons até sugeriu que em todo jogo fosse computada a jogada mais imbecil, infantil e idiota e o jogador responsável por ela ganhasse um "Romo", para que pudessemos argumentar ao final da temporada

-"O jogador X é um ótimo Quarterback, teve 25 Touchdowns e 4200 jardas"
- "É, mas liderou a Liga em Romos"

Se o Tony Romo jogar com confiança, calma e evitar erros imbecis, o Dallas pode chegar em Janeiro pensando no título. Se o Tony Romo deixar sua falta de cérebro levar a melhor sobre seu talento, o Dallas pode começar a pensar no Draft do ano que vem.


Santana Moss, o bailarino da NFL

Washington Redskins (6-10)
Se alguém me pedisse para rankear a chance do Redskins se dar bem em 2011 depois do dilema do time na offseason ter sido escolher entre o Rex Grossman (Meu voto para MVP do Super Bowl XL, pena que para o time adversário) e o John Beck (que fez isso aqui), ela provavelmente estaria junto com "Zach Randolph virando um Franchise Player e quase levando o Grizzlies nas costas até as Finais" em primeiro lugar. Mas depois de duas rodadas, eu estou começando - só começando - a levar esse time um pouco mais a sério.

Eu defendo já faz algum tempo que a defesa do Redskins é muito melhor do que parece, cheia de jogadores jovens e talentosos como Brian Orakpo (OLB) e LaRon Landry (S). Só que a defesa ficou tão exposta por causa do patético ataque dos últimos anos que suas estatísticas acabaram afundando e o time tomou kajilhões de pontos porque o ataque sempre perdia a bola em situações complicadas e a defesa não fazia milagres. Mas a defesa continuou se reforçando (estou adorando o Ryan Kerrigan, DE calouro, pelo que vi até agora), trouxe o OJ Atogwe, e só precisava de um ataque decente.

É difícil julgar os resultados do ataque até aqui, especialmente do Grossman. Enfrentou primeiro o Giants e sua secundária extremamente desfalcada, depois a secundária muito fraca do Cardinals, e apesar dos bons números a gente tem que lembrar as circunstâncias em torno disso (e também vale a pena destacar o alto número de interceptações). O ataque tem uns buracos, mas também tem bons jogadores, o time finalmente tem um bom grupo de recebedores, e se o Rex Grossman usar seu fortíssimo braço a favor do seu time e não contra, pode surpreender e arrancar uma vaga de pós temporada. O time não é nem um pouco confiável, mas convenhamos... Quem nessa divisão é?

sábado, 10 de setembro de 2011

Preview dos jogos da ESPN

Nosso Especial NFL já acabou, mas não nossa abordagem NFL 2011 mais voltada aos iniciantes no esporte. Eu disse no post anterior os horários dos jogos que passam na TV aqui no Brasil, em especial a ESPN. Agora, antes de começarmos nossos preview contando mais sobre cada time (serão oito, vai dar trabalho, mas a gente chega lá!) achamos legal fazer um post comentando os dois jogos que passarão na ESPN domingo e segunda a noite: Dallas Cowboys at NY Jets e New England Patriots at Miami Dolphins (Na verdade segunda 11h da noite também teremos Oakland Raiders at Denver Broncos, mas esse jogo é tão ruim que nem vale a pena comentar). A ideia é simples, informar um pouco sobre os times para facilitar quem está assistindo ao jogo ainda sem muita "experiência". Assim quem assistir aos jogos vai poder ficar sabendo quais os pontos fortes de cada time, qual defesa cada um usa, e em geral saber o que esperar e no que ficar de olho. Sem mais delongas, então....


Mark Sanchez em um momento desagradável

Domingo, 21:20, ESPN: Dallas Cowboys at New York Jets
No primeiro Sunday Night Football da temporada, o New York Jets (11-5 em 2010) recebe o Dallas Cowboys (6-10) no New Meadowlands Stadium. Em 2010, o Jets chegou na final de Conferência, onde perdeu para o Steelers, e o Cowboys decepcionou todo mundo ao ficar em terceiro na divisão.

Na verdade, o Dallas foi um time com um 2010 bizarro. Com um bom time, uma boa defesa e um bom Quarterback, o Dallas é sempre cotado como um time de playoffs. No entanto, ano passado, nada deu certo: O então técnico Wade Phillips não conseguiu controlar a equipe, o QB titular Tony Romo machucou para o resto da temporada, perdeu o ótimo Tight End Jason Witten, o time acabou perdendo a grande maioria dos seus jogos para começar a temporada e de repente a temporada estava terminada antes mesmo da metade para o Dallas Cowboys. Desde então, o time passou por uma mudança considerável: Mandou embora o técnico embora, promoveu o antigo coordenador ofensivo Jason Garrett para a vaga de Head Coach, demitiu os titulares Marion Barber (RB) e Roy Williams (WR)  e conseguiu fazer uma segunda metade de temporada respeitável com seu novo técnico. Com um Tony Romo saudável, um time unido em torno de um novo técnico (que tem o controle do grupo) e a mesma base dos últimos anos, o time tem confiança de que pode finalmente valer seu favoritismo.

Mas infelizmente para nossos propósitos, por ser um time que passou por uma mudança importante de comando e de mentalidade, é difícil saber qual será a abordagem do Dallas em 2011. O time dos últimos anos era um time com um forte jogo terrestre (o que deve ser mantido nas costas do ótimo Felix Jones) e uma boa combinação QB-WR com Romo e Miles Austin, que usava muito as rotas curtas para o Witten e as bolas em velocidade pro Austin (um dos melhores da Liga em correr após receber o passe). Acredito que o ataque mantenha suas características, mas será interessante ver como o Garrett conduz esse ataque. Já a defesa, que joga na formação 3-4, tem uma linha de frente muito forte, com o ótimo NT Jay Ratliff e um dos melhores OLBs da Liga no DeMarcus Ware, que lidera a Liga em sacks ano sim, ano não, e é um monstro colocando pressão no QB adversário. Em compensação, a secundária do time é fraca (ainda mais sem seu melhor Cornerback, Terrence Newman, machucado) e o time conta com seu pass rush (geralmente vindo da pressão natural da defesa 3-4, não costuma usar muitos esquemas de blitz) para evitar que os QBs adversários explorem sua fraca secundária.

Talvez por esse motivo o New York Jets seja o time perfeito pro Dallas enfrentar. O Jets é um time que tem uma abordagem simples: Ganhar pela sua defesa. O time não liga de ter um ataque fraco, desde que ele seja suficiente. O ataque do Jets nos últimos dois anos foi levado para frente com seu ótimo jogo terrestre. Em 2009 nas costas do ótimo Thomas Jones, e em 2010 nas costas da dupla Shonne Greene/Ladainian Tomlinson. Se o time mantiver o padrão, terão que contar novamente com esses dois para impor sua vontade pelo chão, ainda que eu não confie na capacidade do LT de fazer outra temporada como a do ano passado. O LT é um dos maiores RBs de todos os tempos, mas nas últimas temporadas as lesões tinham acabado com a explosão dele. Ano passado, nas costas de uma ótima linha ofensiva, conseguiu se reerguer, mas sentiu a idade no final da temporada e foi menos efetivo.

A alternativa que o time tem é esperar um salto de produção do QB terceiro-anista Mark Sanchez. Desde que entrou na Liga, o Mark Sanchez foi um QB no máximo regular, levado para frente por um forte ataque terrestre e uma defesa fora de série. Ele tem bons momentos, mas também tem sequencias nas quais comete muitos turnovers, o tipo de QB que pode jogar num bom time sem comprometer mas que não vai ser o fato decisivo numa arrancada para o título. O Jets sabe que seus RBs dificilmente repetirão a temporada 2010 e seu corpo de Wide Receivers está mais fraco (Por estar acima do teto salarial perdeu Braylon Edwards e Jericho Cotchery, dois dos principais alvos do time, e as adições Plaxico Burress e Derrick Mason ainda estão sendo encaradas com muita desconfiança - com razão, Burress não joga há três anos e Mason tem 60 anos de idade). A esperança do time é que o Sanchez faça um salto no seu jogo e passe a ser um QB capaz de decidir jogos com alguma regularidade, vamos ver como ele lida com essa pressão que ele nunca enfrentou antes.

A defesa do time é a parte interessante de verdade do time. Assim como o Dallas, o Jets usa uma defesa 3-4, mas ao contrário do Dallas, o Jets não confia na atuação padrão dessa defesa. Pelo contrário, o Jets usa trocentos tipos diferentes de variações e blizes, o que é extremamente útil para confundir os adversários, que nunca sabe de onde a blitz vai vir, ou até mesmo se vai ter blitz. Vale a pena reparar nas diferentes movimentações defensivas que o time de NY usa, mas principalmente vale a pena ficar de olho no camisa 24 do time, o Cornerback Darrelle Revis. O Revis é um dos dois melhores CBs da Liga e tem uma função extremamente importante nesse time, que é grudar no melhor Wide Receiver do adversário e tirá-lo do jogo com uma marcação mano a mano. Ele costuma ter sucesso, mas vai ser interessante ver como ele enfrenta um Wide Receiver com boa velocidade lateral como o Miles Austin. Vale a pena ficar de olho nesse duelo.

No final, eu acredito que o Dallas vença. O Jets foi longe nos dois últimos anos com um forte jogo terrestre e uma defesa sufocante, mas o jogo terrestre deve ficar mais fraco, o ataque aéreo perdeu dois alvos importantes e só a defesa também perdeu alguns titulares importantes, especialmente na linha defensiva. O Jets chegou longe nos últimos anos, mais longe do que deveria, mas acho que é a hora do gás acabar. Mas deve ser um jogo equilibrado, com o ataque do Dallas batendo de frente com a defesa do Jets.

Alguns jogadores para ficar de olho: Tony Romo (QB, Dallas); Miles Austin (WR, Dallas); Jason Witten (TE, Dallas); Demarcus Ware (OLB, Dallas); Darrelle Revis (CB, Jets); Santonio Holmes (WR, Jets); Shonne Greene (RB, Jets); Jim Lehonard (Safety, Jets); David Harris (ILB, Jets)



Além de ser o melhor da Liga, ainda tem essa namorada...

Segunda, 20h, ESPN: New England Patriots at Miami Dolphins
No primeiro jogo de segunda a noite, o New England Patriots (14-2 em 2010) vai até o Sunlife Stadium enfrentar o Miami Dolphins (7-9). E se o jogo de domingo a noite tem tudo para ser muito equilibrado, esse não deve ser tanto, e tem um claro favorito: O New England Patriots.

Apesar de ter tido um pouco de sorte em 2010 para terminar 14-2, o fato é que existem poucos times tão divertidos de se assistir na NFL como o Patriots. O time tem um ataque aéreo espetacular liderado pelo melhor QB da atualidade, Tom Brady, com vários alvos interessantes, mas talvez nenhum mais interessante do que o recém-chegado Chad Ochocinco. Ochocinco foi um Pro Bowler durante boa parte da sua polêmica carreira, mas vem de duas temporadas fracas, vamos ver como ele vai se portar junto do grande Brady. O ataque do Patriots sofreu uma grande metamorfosa na temproada passada (Sobre a qual eu comentei num excelente post da época), e agora o ataque do Patriots é uma máquina imparável que mistura muito bem corridas e passes, sempre lideradas pelo Brady. O time fez isso porque sua defesa é um pouco fraca, cheia de jogadores jovens que ainda estão se desenvolvendo. Ver como essa defesa evolui em mais uma temporada (em especial o Devin McCourty, que foi o segundo melhor calouro defensivo de 2010 com sete interceptações) vai ser interessante, sem dúvida. Infelizmente parece que o DT Albert Haynesworth não vai jogar ainda, vai ter que ficar para a próxima. Mas o Patriots é excelente para ver jogar pelo seu ataque mesmo, reparem nas movimentações ofensivas e na grande variedade de jogadas, desde passes curtos para os Running Backs, passando pelas formações com dois Tight Ends e chegando nos passes longos para o Ochocinco.

Já o Dolphins não é um time ruim. Mas é um time funcional, sem nada de espetacular. Ao contrário do Jets, que é bom o suficiente pra ser competitivo sem um QB que decida, o Dolphins é um time sólido que só vai ser competitivo quando o seu QB elevar seu jogo. A defesa do Dolphins é muito boa com jogadores como Cameron Wake (OLB) e Vontae Davis (CB), é muito melhor do que recebe crédito, e é uma unidade muito jovem, que está em constante evolução.

Mas o ataque foi problemático em 2010. Em 2011, o time tem um novo RB, o explosivo Reggie Bush, excelente em rotas laterais e recebendo passes curtos mas que não tem o físico para trombar pelo meio da defesa, e o veterano Ronnie Brown, que joga melhor por dentro da linha. O time tem bons alvos, em especial o ótimo WR Brandon Marshall, um dos melhores da Liga. Mas falta o Chad Henne, QB que está entrando apenas no seu segundo ano como titular desde o começo, melhorar seu jogo. Dois anos atrás, ele entrou na metade da temporada e jogou bem, mas ano passado - titular desde o começo - ele jogou mal, chegou a ir pro banco e agora voltou a ser titular pra essa temporada. Ver como ele reage vai ser importante, e o jogo terrestre voltar a funcionar vai ajudar a tirar a pressão dos ombros dele. Esse ano, ele deve passar a olhar mais para seu melhor alvo - Marshall - e usar sue braço forte em rotas mais longas, o que ele fez pouco ano passado. Se o Henne evoluir como esperado e conseguir jogar com consistencia, o Dolphins pode tentar roubar uma vaga nos playoffs via Wild Card.

Sobre o jogo, ainda acredito na vitória do Patriots. O Dolphins deve ser um bom time em 2011, mas o ataque do Patriots é simplesmente bom demais. Vamos ver se o jogo terrestre do Dolphins consegue se impor de forma a queimar o relógio e manter a defesa do Patriots em campo e o Brady sentado no banco. Mas é uma ótima chance para verem o melhor ataque - e o melhor jogador - da Liga jogando.

Alguns jogadores para ficar de olho: Tom Brady (QB, New England); Wes Welker (WR, New England); Chad Ochocinco (WR, New England); Devin McCourty (CB, New England); Chad Henne (QB, Miami); Brandon Marshal (WR, Miami); Reggie Bush (RB, Miami); Cameron Wake (OLB, Miami); Vontae Davis (CB, Miami).