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sexta-feira, 7 de março de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - NFC (parte I)


"Gostei da coluna, deem um contrato de 24M para esse cara!"



AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Depois, falamos em duas partes sobre os times da AFC que não foram aos playoffs (Parte I e Parte II). Agora, é hora de falar dos times da NFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Para facilitar (AKA Carnaval), esse post também foi dividido em duas partes, com a segunda vindo no máximo segunda feira.


Times da NFC fora dos playoffs (Parte I)


Dallas Cowboys

Vamos fazer um pequeno jogo. Ele chama "Vamos ver se você está pronto para ser o General Manager do Cowboys" (título provisório). Suponha que você seja dono ou GM de um grande time de futebol americano, e seu time esteja algo como 15M acima do salary cap. Qual a sua primeira atitude quando acaba a temporada?

a) Dispensa alguns jogadores para tentar ficar abaixo do salary cap
b) Procura alguns de seus jogadores com maior salário e que assinaram contratos recentemente para uma possível reestruturação de contrato
c) Se prepara para um arriscado mas necessário processo para limpar a folha salarial (atual e futura) da equipe, ainda que as custas de algumas temporadas
d) Imediatamente oferece um contrato de 22M de patacas para seu kicker

Bom, se você quer trabalhar no Cowboys, aparentemente a resposta certa é a letra D. Mesmo muito acima do salary cap e sabendo o que isso significaria para o time, a primeira atitude da diretoria foi aumentar essa folha salarial com um contrato imenso para seu kicker.

Eu acho que não preciso passar tempo demais explicando porque essa foi uma péssima decisão. Sim, é importante ter um bom kicker e Dan Bailey tem jogado bem, mas considerando a situação que você se encontra, o custo-benefício desse tipo de contrato é péssimo. Você precisa de cada centavo que puder para evitar ficar acima do cap, claro, mas também para abrir espaço para calouros e free agents. Então porque você vai pagar 22M para um KICKER? Para quem não lembra, Dan Bailey foi para o Dallas como um calouro não-draftado em 2011 e ano passado ganhava 500mil... porque pagar sete vezes mais se você pode facilmente achar um substituto no draft com uma escolha tardia, ou mesmo sem gastar escolha nenhuma? Dallas Cowboys, pessoal!

Na verdade, esse é um resumo do grande problema do Cowboys, dos últimos anos, de hoje, e dos próximos anos: o time é incompetente e extravagante na hora de distribuir contratos, e por isso trava uma batalha eterna contra o salary cap, uma batalha que eles tem perdido. 15M acima do salary cap mais o contrato de Bailey, Dallas teve que se virar para conseguir entrar abaixo do limite de 132M, e para isso eles tiveram que recorrer ao que fazem todo ano nessa situação: reestruturar contratos. Reestruturar contrato significa que eles pegaram um jogador com um contrato muito caro que eles não podem dispensar, e transformaram uma grande parcela do salário desse jogador em um bônus. O resultado é que o seu valor de 2014 contra o salary cap cai consideravalmente, abrindo espaço imediato, mas também tem duas consequências: primeiro, esse dinheiro que você economizou em 2014 não desaparece, ele é redistribuido entre o resto do contrato do jogador, aumentando seu valor anual e gerando novos problemas salariais para o futuro; e o segundo é que, como esse dinheiro é transformado em dinheiro garantido, é muito mais difícil você dispensar o jogador futuramente, porque a maior parte do salário do jogador fica garantido e portanto esse dinheiro não sai da sua folha salarial mesmo em caso de dispensa. Então o Cowboys conseguiu entrar abaixo (300 mil) do limite salarial esse ano, mas para isso precisou reestruturar os contratos de Sean Lee, Tony Romo e Orlando Scandrick... e ainda assim, 300mil é muito pouco considerando que o time ainda precisa dar contratos para seus calouros, reforçar uma defesa que foi uma atrocidade em 2013 (e cujo melhor jogador é free agent!), e compor o resto do elenco (que precisa chegar a 53 jogadores). 

Esse problema no Dallas é antigo, e vem do péssimo julgamento da diretoria na hora de distribuir contratos (ver o caso do Bailey). O time não pensa duas vezes antes de distribuir contratos caros e longos para jogadores (free agents ou domésticos), mas não pensa nas consequências e na situação salarial da equipe, e isso acaba prendendo a equipe por muitos anos... anos nos quais o time continua cometendo os mesmos erros e lidando com os mesmos problemas. Para dar um exemplo, essa mania de ficar dando grandes contratos e depois os reestruturando significa que para 2015, antes de qualquer contrato de calouro ou free agent, o Dallas já tem 134M na sua folha salarial, no que significaria 2M ACIMA do salary cap de 2014 (nenhum outro time tem mais de 108M, só três estão acima de 100M, e os três foram aos playoffs, btw). 

Por isso o Dallas foi o maior beneficiado do recente aumento no salary cap (132 para 2014 e espera-se 140 para 2015), que lhe deu algum alívio e impediu dispensas mais dolorosas, mas isso não é o suficiente. O time tem uma base muito boa, mas também tem uma defesa horrível que está PERDENDO Jason Hatchet, tem diversos buracos e não tem qualquer tipo de profundidade. Esses são problemas que o time dificilmente vai conseguir arrumar enquanto tiver que pensar primeiro em abrir salários e depois em contratar jogadores novos, e isso só vai acontecer quando o Jerry Jones mudar sua postura de contratações e contratos extravagantes, entender o problema, aceitar uns dois anos mais quietos para limpar essa folha salarial, e dai voltar a brigar com tudo. Só quando isso acontecer o Cowboys vai poder voltar a ser um concorrente ao título estável. 


New York Giants

Outro time da NFC East vindo de uma temporada decepcionante e com problema salariais! Embora para ser justo, os problemas saláriais do Giants são muito mais pontuais e específicos que os dos seus rivais, mas isso não quer dizer que a situação em NY esteja boa: são apenas 18M em espaço salarial, e a equipe tem alguns free agents importantes, inclusive seu melhor jogador de 2013 (Justin Tuck), defensores importantes como Corey Webster, Terrell Thomas, Jon Beason e Linvall Joseph, e mais Hakeem Nicks (99% de chance de sair, mas precisarão de alguém para o lugar) e Andre Brown no ataque. 18M definitivamente não vai dar, e embora possam abrir mais 13M dispensado Chris Snee e Antrell Rolle (e nenhum dos dois é uma dispensa confortável), ainda parece pouco frente a quantidade de buracos que a equipe mostrou em 2013. A janela não parece grande para 2014, embora nenhum time saiba melhor que o Giants que, uma vez nos playoffs, você tem totais chances de ser campeão se pegar fogo na hora certa e contar com a sorte.

Embora difícil colocar a temporada 2013 do Giants em contexto, o grande problema foi mesmo a linha ofensiva: NENHUM linemen do Giants teve um rating positivo pela PFF em pass block, e todos os 7 OL que jogaram pelo menos 400 snaps tiveram notas vermelhas (com o aposentado David Diehl liderando a desgraça com -20.1). O resultado foi que o time teve o terceiro pior ataque terrestre da NFL com 3.5 jardas por corrida, e uma combinação de um péssimo Eli Manning (piores marcas da carreira em TDs, interceptações, rating e QBR), WRs surpreendentemente ineficientes e claro, péssimas atuações da linha ofensiva protegendo o QB também fizeram o Giants acabar com um dos piores ataques aéreos da NFL também. O resultado foi... hmm... bem ruim. Mas o Giants ainda está aparentemente decidido em continuar comprometido com Eli, acreditando que 2013 tenha sido apenas um outlier e que as coisas mudarão com uma linha ofensiva que não o deixe tão exposto.

Claro, o problema é que não é fácil montar uma linha ofensiva quase inteira da noite para o dia, especialmente sem espaço salarial. Justin "Tiranossauro Rex" Pugh foi ok na sua temporada de calouro e David Bass voltando de lesão deve ajudar, mas isso ainda deixa três vagas - inclusive duas de tackle - sem dono e sem uma boa alternativa doméstica. O draft é bastante profundo em linha ofensiva, o que é um consolo, mas não é como se fosse o único problema do Giants: o time precisa de WRs e um TE para substituir Nicks e melhorar seu corpo de recebedores, e algumas decisões complicadas de RB precisam ser tomadas entre Andre Brown se tornando free agent, a saúde de David Wilson e Brandon Jacobs sendo Brandon Jacobs. Não é um caminho fácil para NY, especialmente considerando sua falta de espaço salarial e a questão abaixo.

Defensivamente, o time se saiu muito melhor do que pareceu, terminando com o sexto melhor DVOA defensivo da temporada passada, mas precisa tomar decisões difíceis. Linvall Joseph e Tuck foram os dois melhores jogadores defensivos do Giants em 2013, e não vai ser fácil encaixar os dois na folha salarial do time. É possível que o Giants deixe Tuck ir e tente repor sua produção com uma combinação de Mathis Kiwanuka voltando a forma depois de um péssimo 2013 e Jason Pierre-Paul... bem, voltando a forma depois de um decepcionante 2013, mas é um risco enorme. Joseph não tem o mesmo pedigree desses três, mas tem sido uma presença consistente no meio da linha do time nos últimos anos e é um pilar do jogo terrestre, então não pode sair. E enquanto decide o que fazer com sua linha, o time tem que decidir o que fazer com a secundária, com Rolle, Webster e Thomas exigindo novos contratos (três jogadores importantes em 2013) E tentar adereçar seu grande problema defensivo, seu grupo de linebackers que ainda tem Benson virando free agent. O Giants tem um potencial de regressão interessante no ataque em um draft favorável (profundo em OL e WR) e a defesa, se mantiver o ritmo de 2013, pode levar o time a ser competitivo novamente, mas me parecem buracos e incógnitas demais para um time que não pode contar com a free agency para se reforçar.

Washington Redskins

Para começar, as notícias ruins: a troca de Robert Griffin III, que parecia uma enorme vitória um ano atrás, acabou saindo pela culatra, com uma lesão no joelho e um péssimo 2013 que forçou o Redskins a mandar a 2nd pick de um draft profundo para Saint Louis. Além disso, a péssima atuação de RG3 em 2013 levantou todo tipo de questão sobre sua saúde ou mesmo se seu excelente 2012 não teria sido apenas um outlier impossível de ser repetido. E em meio a tudo isso, o Redskins ainda mudou sua comissão técnica, trazendo uma certa incógnita para como esse time vai se reorganizar para o futuro, ainda mais sem uma 1st round pick.

A parte boa é que finalmente os problemas salariais do Redskins receberam um alívio agora que Albert Haynesworth e o pior contrato da história da NFL finalmente saíram da sua folha de pagamentos, dando ao time alguma flexibilidade: mesmo depois da Franchise Tag em Brian Orakpo (seu melhor jogador defensivo de 2013, sem dúvida), a equipe ainda tem 20M livres, não tanto assim mas muito melhor do que a situação recente da franquia. E claro, também tem o fato de que o Redskins não precisa se focar em vencer imediatamente. O núcleo do time é sólido, especialmente no ataque (o time tem três excelentes OLs que podem formar uma das melhores linhas do jogo com alguma ajuda, Alfred Morris tem sido ótimo como profissional, e Jordan Reed e Pierre Garçon são opções jovens e promissoras no jogo aéreo), e principalmente jovem. O time não possui veteranos caros ou muito valiosos - pelo contrário, seus principais jogadores todos são ainda novos - e, mesmo com a temporada 2013 indo pro lixo e perdendo uma 1st round pick valiosa, não tem motivo para o time entrar em pânico e tentar resolver tudo no curto prazo. Junte a isso uma nova comissão técnica que não tem a pressão de vencer imediatamente e que teria tempo para um projeto mais completo, e o futuro do Redskins passa a ser mais interessante olhando além de 2014.

A maior incógnita, hoje, seria a posição de QB, mas mesmo essa não deve incomodar demais o Redskin por enquanto. Mesmo que ele nunca chegue a reproduzir o nível de 2012, também não deve para sempre ser o fiasco de 2013, e com mais três anos em Washington (que não pode cortá-lo sem incorrer em enormes valores entupindo sua folha salarial, e uma troca seria vender muito baixo dado o valor pago por ele) e sem pressa para vencer agora, o time vai ter muito tempo para desenvolvê-lo, ver como ele rende com seu joelho enfim saudável, antes de tomar uma decisão (btw, não venham me falar em Kirk Cousins - ele simplesmente não é um bom QB de NFL, e não oferece o potencial de médio prazo de RG3). Ainda que exista a dúvida de como ele se adaptará ao novo esquema ofensivo e como o ataque terrestre vá render seu o esquema de bloqueios por zona de Mike Shanahan, RG3 terá boas condições ao seu redor para esse desenvolvimento, com dois alvos bons e jovens que devem receber ainda mais ajuda via draft, e uma boa linha. 

Defensivamente, os dois jogadores que valem a pena manter são jovens (Orakpo e Ryan Kerrigan), então não tem porque apressar as coisas. Claro, a defesa precisa de ajuda e talento - esses são os dois únicos jogadores que realmente se salvam por lá - mas pode fazer isso com calma, draftando e desenvolvendo talentos. Não existe nenhum foco ou contrato largo de um veterano forçando a equipe a vencer imediatamente, e portanto seria burrice tentar. Mas com a boa base ofensiva, regressão positiva de RG3 e um pouco de paciência, esse time pode voltar a ser competitivo em um futuro não tão distante.


Atlanta Falcons

Se antes da temporada passada você sentasse e desenhasse como seria a pior temporada possível para o Atlanta Falcons, ela seria muito semelhante ao que aconteceu de fato. O pior cenário seria justamente lesões atrapalhando o ponto forte da equipe, construído com muitos custos - seu ataque espetacular - e tirando os principais titulares da equipe, desalecerando seu ataque e expondo a enorme falta de profundidade e a defesa frágil do time. Foi exatamente o que aconteceu, com Roddy White e Julio Jones machucando, a OL tendo alguns problemas e ninguém para solucionar ou substituir, e a defesa não conseguindo, novamente, se manter consistente. O Falcons de 2012 foi longe com uma defesa fraca compensada por um excelente ataque, mas sem seu ataque, a quarta pior defesa de 2013 não chegou perto de fazer um papel respeitável.

A verdade é que com essa defesa horrível e alguma regressão, eu não sei se o Falcons teria ido aos playoffs mesmo sem as lesões - mas elas não ajudaram. A verdade é que a fragilidade do Falcons em algumas áreas e sua enorme falta de profundidade (que veio a tona em 2013 com tantas lesões) tem a mesma fonte: o time montou seu elenco concentrando investimentos demais - tanto financeiramente como em recursos gerais (AKA escolhas de draft)- no seu ataque em detrimento das demais áreas. Então considerando a grande quantidade de buracos da equipe (só a DL e Desmond Trufant se salvaram dessa péssima defesa, a linha ofensiva foi um buraco só e perderam Tony Gonzalez) e os recursos interessantes da equipe (25M de cap space com só três free agents significantes, escolhas altas de draft), o time tem algumas decisões interessantes a tomar para voltar a competir no curto prazo.

Primeiro, eles podem manter seu plano original que funcionou em 2012, e ir atrás de grandes reforços para o ataque. Um OT me parece uma certeza com a 6th pick desse draft, uma posição que foi provavelmente o maior problema da equipe em 2013, mas a partir dai é uma incógnita. Se reforçar o ataque para voltar ao patamar de 2012 for a prioridade, o time precisa urgente ir atrás de um substituto para Tony Gonzalez, não apenas como tight end mas principalmente como a arma de segurança em conversões curtas e médias. Gonzalez era talvez o melhor recebedor da NFL nos últimos dois anos nesse tipo de jogada, e era na direção dele que Matt Ryan olhava. Mesmo com Julio Jones e Roddy White saudáveis, o time precisaria desse cara mais grandalhão para o meio do campo. Um novo WR também não seria mau nesse draft tão profundo, embora isso possa esperar mais para frente. Um OT primeiro, depois alguma profundidade para a OL e um TE grandalhão seriam as prioridades.

No entanto, o time pode se contentar com a volta de White e JJ saudáveis e a chegada de um novo OT com a 6th pick (de novo, esse é uma certeza a não ser que alguém como Jadeveon Clowney caia), e com a profundidade desse draft para trazer novos alvos, para reforçar a defesa e tentar montar um time mais balanceado. Além de trazer de volta Jonathan Babineaux e talvez um reforço para CB (Assante Samuel é FA e pode voltar a um preço razoável), o time precisa URGENTe de um pass rusher competente. Osi Umenyora foi uma decepção em seu primeiro ano, e apesar da linha defensiva ter se saído bem, foi principalmente contra a corrida e não gerando algum tipo de pressão. Um DE (Jared Allen é uma opção interessante vindo da free agency, btw) poderia fazer o papel, mas trazer um bom OLB pode reforçar dois dos problemas da equipe, a cobertura atrás da linha E o pass rush, e me parece o ideal (ou os dois - espaço salarial tem). A secundária também precisa de ajuda, especialmente se Samuel sair e ninguém vier em troca - Trufant foi muito bem em 2013, mas a falta de ajuda nos safeties e no pass rush atrapalham seu desenvolvimento, e é por ai que o time tem que continuar montando uma boa defesa.

Claro que não estou dizendo que o time vá focar em apenas uma coisa nessa offseason, precisa obrigatoriamente olhar para ambas. A questão é que uma deve ter prioridade ou o time corre o risco de gastar seus ativos e cap e não reforçar nenhuma de forma significativa. Considerando o novo contrato de Matt Ryan, possivelmente que seja o ataque a receber prioridade, ainda mais em um draft profundo em OL e WR, mas sem pass rush e ajuda para Trufant na secundária, eu acho difícil o Falcons sobreviver na cada vez mais forte NFC South. 


Tampa Bay Buccaneers

Outro time que tem a chance de um novo começo com um novo técnico (e um novo uniforme bem feio), e outro time que foi uma decepção em 2013. No caso do Bucs, o time gastou pesado na offseason, trazendo Darrelle Revis e Dashon Goldson e em geral investindo pesado em posições importantes para competir o quanto antes. E claro, a temporada foi um desastre do primeiro momento até o último, com até uma epidemia de MRSA atingindo o time e tirando jogadores da temporada.

Ainda assim, a temporada expôs do Bucs uma série de problemas, alguns esperados. Greg Schiano, um péssimo técnico, acabou custando ao time mais do que talvez qualquer outro técnico da temporada e acabou demitido, não antes de destruir a carreira de Josh Freeman (ex-JAAAASH Freeman) e se tornar o símbolo de uma franquia marcada por muito talento mas falta de cabeça e controle. Lavonte David (alias, um jogador espetacular) custou uma vitória ao time uma vitória com uma falta pessoal nos segundos finais fora de campo, Goldson chegou a ser suspenso pelo excesso de faltas pessoais, o time supostamente se cansou do seu técnico na metade da temporada. Poderia ter sido melhor, o time até não foi horrível (18th em DVOA), mas foi muito abaixo do que esperavam.

Agora chega Lovie Smith, e a defesa agradece. Smith é famoso por ser um bom técnico de defesas, fazendo ótimos trabalhos em Chicago desse lado da bola, e vai encontrar uma boa base para trabalhar. Tampa Bay teve a oitava melhor defesa da NFL, e conta com três talentos espetaculares nas três fases da defesa, com Gerald McCoy na linha, David nos LBs e Darrelle Revis, ainda o melhor CB da NFL mesmo voltando de lesão, na secundária - além claro de jogadores talentosos que não contribuíram em 2013 mas que já tiveram bons anos no pasasdo, como Adrian Clayborn e Dashon Goldson, além da 5th pick de 2012 Mark Barron. Mesmo sem contribuições desses três jogadores, o time teve uma s´ølida defesa em 2013, mas sempre me pareceu um time com o talento em mãos mas que não conseguia tirar o melhor deles. Com um especialista em defesa, me parece uma ótima chance para esses bons jogadores finalmente encontrarem seu melhor jogo e se tornarem um grupo realmente dominante. Especialmente porque o time deve aproveitar a sua escolha alta de draft (#7) e adereçar sua grande deficiência defensiva: a falta de pass rush. Apenas McCoy e David conseguiram render algum tipo de pressão em 2013, o que é muito pouco para um time como esse, especialmente um que deve jogar em Tampa 2 ano que vem. Um OLB que seja mais pass rusher do que David ou um DE de alto nível tornariam essa defesa ainda melhor.

No ataque, fica a enorme questão do "e se". Dois anos atrás, Carl Nicks e Davin Joseph seriam a melhor dupla de guards da NFL e o Bucs teria tudo para ter uma excelente linha ofensiva, mas é um risco. Joseph machucou em 2012 e não chegou perto do que pode render em 2013, e Nicks perdeu quase todo 2013 com MRSA. Se o Bucs achar que os dois podem se recuperar e render perto do seu nível anterior, então o ataque tem uma boa linha e pode ir atrás de mais alvos, um segundo WR e um TE. MAs é um risco enorme, e eu particularmente não acho que Nicks e Joseph voltarão em 2014 ao nível de elite, o que não só prejudica a proteção ao QB como atrapalha demais o plano ofensivo antigo de ser uma potência terrestre. QB é um tanto quanto um ponto de interrogação nesse time também, mas as interessantes performances em 2013 de Mike Glennon provavelmente lhe garantiram mais um ano para tentar mostrar do que é capaz com uma equipe nova. Mas sendo assim, ele vai precisar de mais ajuda: Vincent Jackson é excelente WR mas jogou praticamente sozinho em 2013, e embora Timothy Wright tenha se mostrado uma opção interessante no jogo aéreo ele é um horrível bloqueador para ser um TE titular consistente. A linha também é uma incógnita, e de modo geral falta a esse ataque talento.

O problema do Bucs é que a defesa e o ataque passam mensagens trocadas. Enquanto a defesa, com seus jogadores caros e alguns veteranos (em particular uma moeda de troca excelente em Darrelle Revis) indicam que esse é um grupo para se brigar pelos playoffs o quanto antes, o ataque claramente não tem nem o talento nem a definição nas principais posições para seguir o mesmo caminho. Se o time vai mesmo experimentar com Mike Glennon, então o ideal era ter um ou dois anos de paciência, e embora jogadores jovens como Barron, Clayborn, David e McCoy estarão por ai nesse tempo todo, não é tão ideal pagar tanto dinheiro para sua defesa reconstruir... especialmente com Revis sendo o mais caro, mais atraente no mercado e menos interessante no médio/longo prazo. O que deixa uma pergunta interessante: o Bucs tenta pegar o caminho mais neutro, tentando balancear sua ótima defesa com um ataque que deve se desenvolver aos poucos e fica meio que um time híbrido sem uma identidade imediata... ou faz o difícil, troca Revis, ganha uma escolha nova de draft e investe mais no médio prazo com uma defesa que ainda deve ser excepcional e um ataque mais pronto? Acho difícil, mas seria a opção mais interessante.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Preview NFL 2013 - Washington Redskins

Josh Morgan é atacado por abelhas



Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL

Terminando a série de previesw da AFC East para a temporada 2013 da NFL, é hora de atravessar o país e falar um pouco da NFC East. Hoje, vamos começar com o atual campeão da conferência, o Washington Redskins. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Washington Redskins

2012 Record: 10-6
Ataque ajustado: 6th
Defesa ajustada: 17th


Eu já citei isso no preview quando falei de sorte com fumbles, mas não me aprofundei tanto. Mas a temporada 2012 do Washington Redskins foi um estudo de caso muito interessante sobre como todos esses fatores afetam podem afetar um time e causar todo o tipo de flutuação que a primeira vista parecem inexplicáveis, ou mesmo geram uma solução-resposta fraca como "Hey, agora o grupo se uniu!" no twitter. Então embora a primeira vista a temporada do Redskins, que começou 3-6 e terminou 7-0, pareça absurda ou simplesmente um caso de um time que milagrosamente se encontrou e deu um salto no meio da temporada (não que o time não tenha evoluido ao longo do ano, claro, chegaremos lá), podemos olhar uma série de fatores que contribuem para um cenário mais claro do que aconteceu ao longo desses cinco meses.

Sobre o começo 3-6 do Redskins, parte disso era de certa forma esperada. Era um time que tinha passado por uma grande reformulação, que chegava com um quarterback calouro (ainda que espetacular) e adaptando novos jogadores ao esquema tático do gênio louco, Mike Shanahan. Mas mesmo assim, o record negativo chama a atenção, e muita gente logo descartou o Redskins depois disso. Mas olhando de perto, podemos observar alguns pontos interessantes. O primeiro é que o Redskins foi consideravelmente azarado recuperando fumbles: recuperou mais de 80% nas suas três vitórias mas apenas 35% nas suas seis derrotas, o que já por si só era um fator para despertar interesse. Mas mais do que isso, o Redskins foi um time competente que, tirando uma derrota por 27 a 12 para o Steelers, teve um saldo de zero nos outros jogos mesmo tendo perdido cinco deles. Durante esse período, o Redskins perdeu quatro jogos decididos por uma posse de bola e ganhou apenas um, quando o esperado seria ganhar dois ou três. E um terceiro fator que influenciou nisso foi a tabela: durante essa sequência, o Redskins enfrentou a parte mais difícil da sua tabela, com jogos contra Falcons, Steelers (antes das lesões) e Giants fora de casa, por exemplo. Cinco dos seus nove jogos foram fora de casa, inclusive.

Depois da semana de bye da equipe, o time terminou a temporada indo 7-0 e garantindo uma vaga nos playoffs. Não coincidentemente, o Redskins jogou quatro desses sete jogos em casa (inclusive os mais difíceis contra Giants e Ravens) e enfrentou duas vezes o fraquíssimo Eagles e uma o Browns, uma tabela muito mais fácil do que a da primeira parte da temporada. Sua sequência de vitórias, além disso, foi impulsionada também pelo seu record de vitórias em jogos decididos por apenas uma posse de bola, foram quatro e nenhuma derrota durante esses sete jogos. E para fechar com chave de ouro, foi quando a sorte do Washington com fumbles disparou, recuperando mais de 70% deles até o fim da temporada para terminar com a melhor marca da Liga. Então, realmente, não há necessidade de ficar procurando teorias mirabolantes para explicar a montanha russa que foi a temporada 2012 do Redskins.

O que, claro, não quer dizer que não tenha tido uma melhora orgânica na equipe para essa segunda metade de temporada. Como qualquer time recentemente montado (e especialmente um liderado por dois calouros como Robert Griffin e Alfred Morris), o Redskins demorou um pouco para se acertar e funcionar a perfeição dos dois lados da quadra. Isso sem dúvida influenciou nesses números ao longo da temporada, um time que foi evoluindo continuamente desde o primeiro jogo. Os números, também, reafirmam esse fato: em DVOA, a estatística ajustada que temos usado nessa série calculada pelo Football Outsiders, a equipe terminou a temporada 2013 com o sexto melhor ataque e a 17th melhor defesa. Mas se usarmos o DVOA ponderado, um DVOA ajustado dando um valor maior para os jogos mais para o final da temporada (e naturalmente menores para o começo), o ataque da equipe teria sido o quinto melhor e a defesa teria saltado de 17th para 13th melhor unidade. A defesa, inclusive, foi a grande mudança da equipe ao longo do ano, impulsionado em grande parte pelo grande aproveitamento dela (58%) recuperando fumbles.

Mas juntando tudo isso para formar o retrato da temporada 2012 do Washington Redskins, aonde isso coloca o time antes da temporada 2013?

Para começar, o Washington de 2012, na soma das partes, foi um time que acabou melhor do que deveria ter sido de fato. Seu Pythagorean Expectations indica um time 9-7, e seu record em jogos decididos por uma posse de bola foi positivo ao time (5-4, dentro da normalidade). Nenhum desses fatores indica uma grande regressão para 2013, embora indiquem que a equipe tenha overachieved um pouco ano passado. Mas o grande golpe para cima do Redskins foi seu saldo de turnover. A equipe terminou o ano com um saldo de +17, a terceira melhor marca da Liga. Infelizmente para a equipe, historicamente são raríssimos os times que conseguem sustentar esse nível por mais de uma temporada, em particular por que atingir esse patamar envolve uma dose muito grande de sorte que é difícil de se repetir muitas vezes. Esse é o caso do Redskins: a franquia foi de longe o melhor time da Liga em 2012 recuperando fumbles, com uma taxa de recuperação 67,5%. Considerando que esse time foi o mesmo que recuperou um fraco 44% em 2011, é muito razoável se supor que esse valor é insustentável, e uma regressão desse valor para a média de cerca de 50% vai significar uma mudança brutal no que foi talvez a melhor força do time em 2012. Em particular, isso deve afetar em muito o carro-chefe da equipe, seu espetacular ataque, onde recuperaram quase 75% dos seus fumbles - o que significa que o time deveria ter sofrido em média 0,6 fumbles perdidos a mais por jogo. Esse aumento brutal no número esperado de turnovers vai com certeza ter um impacto na equipe indo para frente.

O que, claro, não quer dizer que o Redskins esteja fadado a um 3-13 temporada que vem, ou mesmo que seja uma certeza que ele vá piorar. Como sempre acontece com times jovens, isso vai depender muito da evolução esperada da equipe e dos seus jogadores de um ano para outro.

Em particular, o lugar para se observar de maior interesse por essa frente aqui é a defesa. Embora não tenha sido a unidade mais interessante do time na temporada anterior, a defesa do Redskins foi a unidade que mais evoluiu ao longo da temporada, e um dos motivadores por trás da grande evolução da equipe. O que é intrigante para mim é que a defesa do Redskins não é exatamente uma unidade jovem cheia de talentos em desenvolvimento, então é difícil atribuir essa evolução toda da defesa a um grupo que foi maturando conforme o tempo passou. Claro, é um grupo de muitos jogadores que se juntaram recentemente e podem ter encaixado em suas funções - em termos táticos e de entrosamento - ao longo da temporada, mas mesmo assim é difícil achar apenas um motivo para explicar toda essa evolução além de "melhores performances". E sendo assim é difícil saber se devemos esperar que essa melhora continue rumo a temporada seguinte, se foi apenas acaso que deve regredir, ou se ela atingiu seu potencial perto do final da temporada, especialmente perdendo um jogador importante para 2012 como Lorenzo Alexander. O que eu sei com certeza é o seguinte: a defesa de Washington jogou grande parte da temporada passada, incluindo seu bom final de temporada, sem um dos seus melhores jogadores e jovens talentos, o OLB Brian Orakpo, e sem um veterano importante em Adam Carriker. Então mesmo que não exista evidências de uma melhora contínua da defesa para a temporada seguinte, e com a perda de um jogador importante como Alexander, a volta de Orakpo e Carriker pode indicar que a defesa deva pelo menos manter o bom ritmo da temporada passada, ainda que eu ache que dificilmente possa dar um salto para uma unidade de elite.

O problema de verdade desse time está do outro lado do campo, no seu ataque espetacular que foi o sexto melhor da NFL em 2012. Essa máquina ofensiva foi, em grande parte, movida pelo seu fortíssimo ataque terrestre, segundo melhor da NFL e que combinou a explosão e força do RB calouro, Alfred Morris, com a agilidade e capacidade de improviso do seu QB, Griffin. O bom uso que o time fez das jogadas de option e a capacidade dos dois jogadores de conseguirem separação para longos ganhos foi a grande arma do time e serviu para abrir ainda mais o jogo aéreo para o bom RGIII. Mas essa unidade apresenta alguns problemas. O primeiro e mais flagrante já foi discutido, foi a absurda sorte da equipe com fumbles que é extremamente improvável que se repita em 2013. O segundo é a saúde: boa parte dos principais jogadores ofensivos da equipe (Griffin, Pierre Garçon, Trent Williams, Fred Davis, etc) são jogadores com um preocupante histórico de lesões que os torna praticamente incógnitas ao longo de uma temporada longa. Davis perdeu boa parte da temporada passada, Garçon perdeu alguns jogos no meio do ano, e Williams conseguiu ficar saudável a temporada quase inteira. Mas o histórico de lesões desses jogadores é algo que assusta quando tentamos imaginá-los ficando saudáveis uma temporada inteira, e são jogadores chaves para esse ataque de forma que a ausência de um deles por um período longo poderia comprometer o funcionamento do ataque inteiro.

O terceiro e maior problema desse ataque é o joelho de RG3. Griffin é um talento espetacular que teve um 2012 fantástico e é projetado como um dos grandes QBs da NFL nos próximos anos, mas como já dissemos, suas lesões preocupam. Ele perdeu um jogo ano passado por concussão e depois rompeu o ligamento do joelho nos playoffs, duas lesões que são especialmente preocupantes dado seu estilo de jogo. Ainda que sua lesão no joelho esteja progredindo "melhor do que o esperado", "a mais rápida que eu já vi" e "tão boa que parece até que ele está usando PEDs" (os três quotes são reais), um ligamento rompido é uma lesão séria que normalmente tem um tempo de recuperação mais longo do que sete meses (Adrian Peterson demorou menos, Derrick Rose demorou mais, mas na média...). É possível imaginar Griffin perdendo algum tempo da temporada, e mesmo se não perder, fica a pergunta de como ele vai voltar em 2013 e qual será sua contribuição para a equipe. Vai retomar exatamente de onde parou, sem nenhum tipo de perda de ritmo? Será que seu corpo vai permitir que ele continue scrambling? Será que ele vai se ver obrigado a se contar mais ao pocket? Ninguém sabe, e isso também lança dúvida sobre esse ataque por um motivo: se o ataque do time foi forte pelo chão, isso em grande parte se deve ao medo que Griffin causa nas defesas e na atenção que ele atrai. Passando por cima da incerteza se Morris seria capaz de reproduzir sua histórica temporada de calouro, um Griffin baleado, menos móvel seria um golpe importante nesse ataque terrestre (especialmente se Williams voltar a sofrer com lesões) e, portanto, no ataque aéreo que se beneficiava em muito da atenção dedicada pelas defesas ao chão.

Em resumo, o Redskins não deve ser um time ruim em 2013. Eles tem um Franchise QB, um bom técnico e estão vindo de uma boa temporada. Mas diversos fatores, desde saúde a prováveis regressões com fumbles, indicam que o time não foi em 2012 tão bom quanto seu record indica e que deva regredir para um nível menor. E embora seja difícil prever a direção da franquia dos dois lados do campo, a defesa contou em 2012 com performances inesperadas de alguns veteranos que dificilmente devem repetir e o ataque tem suas dúvidas com a saúde de RG3. Então ainda que não seja esperado que o time seja muito pior em 2013 que em 2012, as questões e a grande quantidade de "se" relacionados a esse time - junto da possibilidade natural de regressão da equipe em várias frentes - signficam que o time pode cair para algo como 9-7 ou 8-8 naturalmente.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Os times - NFC East

Pedindo mais uma vez desculpas pela extrema demora, estamos de volta, dessa vez, falando mais da NFC East, que talvez seja uma das divisões mais interessantes de toda a Liga. E talvez a mais divertida. Porque? Já pararam para pensar que essa divisão tem entre seus quatro times: um dos times mais comentados e hypeados da história da offseason da NFL, um time que todo mundo negligencia porque ele sempre arruma um jeito de entregar os jogos (estou olhando pra você, Tony Romo), e um time que foi horrível nos últimos anos e ainda contratou o Rex Grossman pra Quarterback - e que qualquer um dos quatro pode acabar levando o título da divisão (Desculpem fãs do Giants, mas esse ano não vai)?? Nenhum dos quatro times é confiável de forma alguma e qualquer um dos quatro pode facilmente terminar em último lugar (Aos fãs do Eagles que não acreditam, Vince Young está machucado e o Michael Vick se machuca duas vezes por dia e três aos domingos. Sabem quem assume o time em caso de lesão?). Como não gostar de uma divisão onde a anarquia impera (quando ela não é a NFC West, de longe a pior divisão da Liga)??


Derrubar um marcador usando o traseiro é uma arte perdida

 
Philadephia Eagles (10-6)
Como eu disse, essa divisão tem um dos times mais comentados e hypeados da história das offseasons, e ele é o Philadelphia Eagles. Se você mora num abacaxi no fundo do mar e não sabe do que estou falando, recomendo esse post sobre a equipe, mas basicamente o time saiu da Free Agency pós-lockout com o melhor jogador disponível (O Cornerback Nnamdi Asomugha), o melhor Pass Rusher (Jason Babin), trocou seu QB reserva por um Cornerback top 10 (Dominique Rodgers-Cromartie), pegou outro Wide Receiver que não só já foi um All-Star como foi vice-líder da Liga em recepções e mais uma cacetada de role players talentosos - e isso para um time que era candidato ao título do ano passado.

Isso gerou um hype imenso em torno do time que, convenhamos, seria difícil deles cumprirem (teriam que terminar a temporada 16-0, ganhar o Super Bowl por uma vantagem maior que os 45 pontos do 49ers, ganhar todos os prêmios individuais e descobrirem a cura para o câncer). O Eagles continua sendo um favorito ao título, manteve seu ataque extremamente explosivo de 2010 e juntou muito talento nessa offseason, mas o time tem alguns problemas evidentes que não foram adereçados na offseason. Em outras palavras, a defesa terrestre e a linha ofensiva de uma forma geral. O time tem uma secundária fantástica e um bom pass rush com Babin e Trent Cole, mas a defesa terrestre - especialmente pelo interior da linha defensiva - ainda é muito fraca, e o Rams mostrou isso com o Steven Jackson correndo para mais de 30 jardas no seu Touchdown antes de sair machucado. A defesa, fora isso, é boa porque quando você tem três dos 10 (no máximo 15) melhores cornerbacks, você com certeza não precisa se preocupar muito com passes, ainda mais se tiver dois Pass Rushers de elite. O Asomugha não é um cornerback que aparece muito com interceptações e grandes jogadas, ele é o típico cornerback que você não vê o jogo todo - até perceber que você não ve os jogadores que ele marca também. Pras interceptações o time tem o Cromartie e o Assante Samuel, o que torna lançar a bola contra essa defesa muito perigoso.

Outra falha? A linha ofensiva, que frequentemente deixa pressão demais chegar no ótimo Michael Vick e impede que o time tenha um ataque estável, já que o Vick está sempre precisando usar suas pernas para fugir do sack. O lado bom do ataque? O QB mais dinâmico da Liga que é uma dupla ameaça (passando e correndo), o WR mais explosivo do mundo (DeSean Jackson), um excelente jogo terrestre nas costas do LeSean McCoy, um corpo de Wide Receivers de primeira linha... Então é, não é difícil entender porque eles são favoritos. O ataque do Eagles deixa muita gente passar da linha, fato, mas é um ataque que pode a qualquer instante explodir para 80 jardas. Poucos times (Patriots? Packers?) tem ataques mais divertidos de assistir.

Eli Manning está com nojinho


New York Giants (10-6)
Um time que está praticamente fora da briga pelo título da divisão desde antes da temporada começar. O que é uma pena, porque o Giants é um time muito interessante. Um time com uma defesa muito forte e um ataque que é muito bipolar dependendo do dia no qual seu Quarterback Eli Manning se encontra. Se o Eli Manning está num jogo onde suas 25 interceptações (marca do ano passado) aparecem mais, ele é um grande jogador, capaz de dominar jogos passando e liderar seu time às vitórias. No entanto, se o que aparece mais são suas 24 interceptações, o Giants tem problemas. E infelizmente, você nunca sabe qual Eli Manning você vai ter, é como pegar aquele Bubaloo de dois sabores e tentar vencer um jogo de futebol americano com ele. Em 2007, por exemplo, ele foi o PIOR Quarterback da temporada regular com pelo menos 12 jogos, mas nos playoffs jogou demais, foi o melhor Quarterback daquela pós temporada e levou seu time ao título por cima dos até então invictos Patriots.

E essa indefinição assassina o ataque do Giants por longos periodos de tempo. O time tem uma boa dupla de Running Backs com Ahmad Bradshaw e Brandon Jacobs, dois RBs de força, que geralmente são sólidos em quase todos os jogos mas nem sempre são capazes de vencer jogos sozinhos como uma dupla de elite, como DeAngelo Williams e Johnathan Stewart (Oh wait, eles jogam no Panthers, esqueçam a parte sobre ganhar!). O corpo de Wide Receivers do time era boa com a dupla Amani Toomer e Plaxico Burress, mas quando o Toomer aposentou e o Burress foi preso, o time apostou na molecada, em especial no trio Steve Smith, Mario Manningham e Hakeem Nicks, mais o Tight End Kevin Boss. Deu certo por dois anos, mas o time estava muito acima do teto salarial nessa offseason e perdeu Smith para o Eagles. Pior, perdeu Boss para o Raiders, e deixou seu corpo de recebedores (que primava pela profundidade) deficiente. Mas isso tudo só funciona se o Manning jogar bem, ele é capaz de passar pra 350 jardas e 3 TDs num jogo mas também entregar tudo com duas interceptações e um fumble. Como esquecer a temporada 2008, quando o Giants começou o ano pegando fogo, com seis vitórias seguidas e uma grande temporada do Manning, só pra depois perder 8 dos próximos 10 jogos com o Eli entregando jogo após jogo e ficar de fora dos playoffs?

Mas o forte do time - e que permite que o time se mantenha competitivo mesmo com essas oscilações absurdas do seu QB - é a defesa. Uma ótima linha de frente com jogadores como Mathis Kiwanuka e Osi Umenyora, uma sólida secundária, um grupo bem versátil no meio da defesa (que sofreu muito com a aposentadoria do Antonio Pierce, mas achou um grande jogador via Draft no Jason Pierre-Paul) e o time estava pronto para bater de frente com seus adversários. Não era tão dominante como as defesas de Steelers ou Jets, mas era forte, causava muitos turnovers e sempre oferecia ao ataque boas situações para vencer os jogos. O motivo da temporada ter acabado antes de começar para o Giants foi que o time perdeu praticamente a defesa inteira por lesão!! O time perdeu Kiwanuka e Umenyora para as primeiras rodadas, perdeu sua dupla de Cornerbacks titulares para o resto do ano por lesão (e sua escolha de primeira rodada, o Cornerback Prince Amukamara, vai perder pelo menos quatro semanas), perdeu seu MLB para o resto do ano... Ou seja, perdeu quase todo mundo de bom! Quando conseguir se arrumar novamente já vai ter perdido jogos demais para ficar na briga. Um amigo meu torcedor do Giants já disse que está até sonhando com as primeiras escolhas do Draft do ano que vem (aí é exagero, mas tudo bem, compreensível). Mas que eu duvido -e muito - da capacidade do Giants de superar essa maré de azar que começou antes da temporada, eu duvido. A não ser que o Eli Manning pare de oscilar e jogue como o irmão (Peyton Manning, QB do Colts). Ok, exagerei... como o pai já está bom!


Esse negócio de jogar futebol americano da uma fome...


Dallas Cowboys (6-10)
O Cowboys tem um simples obstáculo até o título. Que é o mesmo fator que faz 90% dos times que tem chance de título terem chance de título (os 10% restantes jogam no New Meadowlands Stadium). Ou seja, um bom Quarterback.

O Dallas é um time de um bilhardário desocupado que adora o esporte (E nem começamos a falar do Mavericks ainda!), e portanto o time nunca teve pudor em gastar muito dinheiro para montar grandes times (o que é menos vantagem na NFL do que na NBA, por isso o Mark Cuban realizou seu sonho e o Jerry Jones ainda não). Depois de dominar a década de 90, o Dallas teve bons times e boas chances para levantar o caneco, mas sempre esbarrou em alguma coisa imprevista que ninguém realmente poderia ter previsto. Portanto, o time e seu astro acabaram pegando fama de amarelão, e mesmo com um time forte ninguém bota muita fé na equipe até que provem o contrário (E pela última vez, não estou falando do Mavericks!! Deve ser algo da água da cidade, sei lá!).

O Dallas tem uma defesa muito boa perto da linha de scrimmage, um dos melhores Nose Tackles da Liga no Jay Ratliff e um dos melhores OLBs no Demarcus Ware. Ou seja, você tem garantido um pass rush frequente (pra uma defesa 3-4, mesmo sem o uso intensivo de blitzes) e uma defesa terrestre, em geral, sólida. O problema da defesa do time é que a secundária é esburacada, o time não tem nenhum cornerback ou safety acima da média que ocupe uma parte do campo, que é aliás um dos motivos do time evitar as blitzes que deixam espaços para o passe. Com uma defesa de frente forte e uma fraca secundária, é normal que os adversários tentem jogar mais com o jogo aéreo do que o terrestre, o que vai levar a jogos velozes e de placares elevados. E para ganhar jogos assim, o seu ataque tem que responder à altura, o que invariavemente vai cair na existência de um bom Quarterback. O que, como eu já disse, é um problema.

Mas não do tipo que assola, por exemplo, o meu 49ers, que é a FALTA de um bom Quarterback. O Quarterback do Dallas, Tony Romo, é um bom Quarterback, que em termos de talento provavelmente está no top 10 da Liga. Ele tem uma boa precisão, um braço forte e é o segundo melhor Quarterback de toda a Liga escapando do sack, e é capaz de ganhar jogos sozinhos com ajuda de seu bom corpo de recebedores. O problema do Romo não é falta de talento, e sim falta de cérebro. Ele é daqueles Quarterbacks que é capaz de jogar um jogo inteiro com perfeição e entregar tudo com uma jogada imbecil no final (como fez contra o Jets) ou é capaz de ser horrível um jogo inteiro e de repente pegar fogo no final (como fez contra o 49ers). Ele é uma faca de dois gumes, não pela inconsistência, mas porque ele muitas vezes comete erros estúpidos e infantis que atrapalham o seu time (eles geralmente ocorrem em situações apertadas de jogo). O Bill Simmons até sugeriu que em todo jogo fosse computada a jogada mais imbecil, infantil e idiota e o jogador responsável por ela ganhasse um "Romo", para que pudessemos argumentar ao final da temporada

-"O jogador X é um ótimo Quarterback, teve 25 Touchdowns e 4200 jardas"
- "É, mas liderou a Liga em Romos"

Se o Tony Romo jogar com confiança, calma e evitar erros imbecis, o Dallas pode chegar em Janeiro pensando no título. Se o Tony Romo deixar sua falta de cérebro levar a melhor sobre seu talento, o Dallas pode começar a pensar no Draft do ano que vem.


Santana Moss, o bailarino da NFL

Washington Redskins (6-10)
Se alguém me pedisse para rankear a chance do Redskins se dar bem em 2011 depois do dilema do time na offseason ter sido escolher entre o Rex Grossman (Meu voto para MVP do Super Bowl XL, pena que para o time adversário) e o John Beck (que fez isso aqui), ela provavelmente estaria junto com "Zach Randolph virando um Franchise Player e quase levando o Grizzlies nas costas até as Finais" em primeiro lugar. Mas depois de duas rodadas, eu estou começando - só começando - a levar esse time um pouco mais a sério.

Eu defendo já faz algum tempo que a defesa do Redskins é muito melhor do que parece, cheia de jogadores jovens e talentosos como Brian Orakpo (OLB) e LaRon Landry (S). Só que a defesa ficou tão exposta por causa do patético ataque dos últimos anos que suas estatísticas acabaram afundando e o time tomou kajilhões de pontos porque o ataque sempre perdia a bola em situações complicadas e a defesa não fazia milagres. Mas a defesa continuou se reforçando (estou adorando o Ryan Kerrigan, DE calouro, pelo que vi até agora), trouxe o OJ Atogwe, e só precisava de um ataque decente.

É difícil julgar os resultados do ataque até aqui, especialmente do Grossman. Enfrentou primeiro o Giants e sua secundária extremamente desfalcada, depois a secundária muito fraca do Cardinals, e apesar dos bons números a gente tem que lembrar as circunstâncias em torno disso (e também vale a pena destacar o alto número de interceptações). O ataque tem uns buracos, mas também tem bons jogadores, o time finalmente tem um bom grupo de recebedores, e se o Rex Grossman usar seu fortíssimo braço a favor do seu time e não contra, pode surpreender e arrancar uma vaga de pós temporada. O time não é nem um pouco confiável, mas convenhamos... Quem nessa divisão é?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Análise do Draft da NFL - NFC East

Prince Amukamara confundiu a bola com um squeeze


Continuando nossa análise do Draft da NFL, temos hoje a NFC East.


Dallas Cowboys
Nota: B
Escolhas:
1st round, 9th pick: Tyron Smith, OT, USC
2nd round, 40th pick: Bruce Carter, LB, North Carolina
3rd round, 71st pick: DeMarco Murray , RB, Oklahoma
4th round, 110th pick: David Arkin, OL, Missouri State
5th round, 143rd pick, Josh Thomas, DB, Buffalo
6th round, 176th pick, Dwayne Harris, WR, East Carolina
7th round, 220h pick, Shaun Chapas, RB, Georgia
7th round, 252nd pick, Bill Nagy, C, Wisconsin
Análise: O Dallas sabe que é um time montado para disputar coisas grandes. O problema do time é muito mais a forma como o time era organizado do que o elenco em si, então o Dallas está naquela cômoda situação onde o que vier é lucro. Apesar disso, o time tinha duas fraquezas: A linha ofensiva, que não foi a mesma depois da saida do Flozell Adams, e a secundária um pouco esburacada. Com a nona escolha do Draft, eles poderiam ter ido atrás de qualquer uma das duas, selecionando o OT Tyron Smith ou o CB Prince Amukamara. Poderiam também trocar e descer um pouco no Draft para pegar o Mike Pouncey. No final, optaram pelo Smith, que é um jogador que tem um físico absurdo e coloca um pouco mais de atleticismo numa unidade que as vezes sente falta disso. O Dallas tem três ótimos RBs e um jogador com o físico e o potencial do Smith fizeram dele, a meu ver, a melhor escolha pra situação.
O problema é que esse Draft era muito pobre em jogadores de secundária, então o Cowboys saiu dele só apostando no Josh Thomas de cornerback, o que é pouco. Sem grandes alternativas pra esse problema, o time pegou um cara que eu gosto muito, o Bruce Carter, que joga de MLB do lado fraco e também é um jogador muito atlético, deve fazer estrago no time de especialistas. Só não gostei da escolha do DeMarco Murray, parece o caso do jogador errado no time errado. O Murray é um RB explosivo que joga bem recebendo a bola, poderia ter espaço num time que precisasse de um 3rd down RB, o que não é o caso do Cowboys. Talvez valesse ter usado essa escolha pra pegar um Guard ou um Safety.
No geral, o time saiu com o que queria, um jogador com potencial pra ser um Pro Bowler mas que pode contribuir logo de cara. Adicionar um pouco de atleticismo num time que as vezes peca por ser meio refinado também é uma boa, dará novas opções ao técnico Jason Garrett. Se o Josh Thomas conseguir quebrar um galho jogando de nickel, o Dallas vai dar pulinhos de alegria, mas não sei se será o caso.
New York Giants
Nota: A-
Escolhas:
1st round, 19th pick: Prince Amukamara, CB, Nebraska
2nd round, 52nd pick: Marvin Austin, DT, North Carolina
3rd round, 83rd pick: Jerrel Jernigan , WR, Troy
4th round, 117th pick, James Brewer, OL, Indiana
6th round, 185th pick, Greg Jones, LB, Michigan State
6th round, 198h pick, Tyler Sash, SS, Iowa
6th round, 202nd pick, Jacquian Williams , LB, South Florida
7th round, 221th pick, Da'Rel Scott , RB, Maryland
Análise: Sabe quando tem um jogador que é bom, você sabe que é bom mas que de repente começa a cair no Draft, todo mundo passa ele por qualquer motivo que seja a de repente algum time finalmente drafta o fulano e todo mundo pensa "Deu sorte!"? Aconteceu com o Giants. Duas vezes!
É verdade que nenhuma das duas vezes aconteceu com um jogador das principais posições carentes do time, o que também deu ao Giants um leque interessante de opções. O Giants precisa reforçar a linha ofensiva, de um novo xerife de MLB e, se calhasse, um RB bom. Com a 19th pick, eles tinham o Mark Ingram dando sopa pra RB e ainda tinha o Anthony Castonzo disponível pra OT, mas eles pegaram o melhor jogador disponível, o CB Prince Amukamara, que caiu umas 8 posições nesse Draft. Ele é o segundo melhor cornerback do Draft, ótimo na cobertura e atlético pra burro. Talvez não seja titular de cara, mas vai ser uma peça importante na rotação do time e acredito que vá acabar ficando com uma vaga pelo seu talento.
A segunda vez foi com o DT Marvin Austin, que eu não achei que fosse passar das primeiras escolhas da segunda rodada. Ele é muito forte e ele provavelmente vai ter sucesso logo de cara, especialmente porque o Giants tem um ótimo corpo de DEs com Jason Pierre-Paul, Mathis Kiwanuka e o Justin Tuck mas o miolo da linha não está muito congestionado, provavelmente vai entrar e contribuir pro time desde o começo ou então ser uma boa opção para dar profundidade e rotatividade ao grupo. Eu vejo ele com potencial pra reforçar pra burro essa linha de frente num prazo um pouco mais médio, especialmente porque o time não tem um grande MLB pra dar tackles pelo meio então o tamanho do Austin pelo menos vai manter os bloqueadores ocupados, tapando um pouco essa carência. E eles ainda pegaram um retornador com sua escolha de terceira rodada no Jerrel Jernigan, que provavelmente não vai ter espaço no ataque mas será útil como especialista.
Eu gosto da abordagem do melhor jogador que o Giants seguiu, e eles saíram com dois talentos que podem causar estrago na Liga. Cada jogador é um ativo, e o Giants saiu com dois valiosos. Agora o Giants vai ter que atacar a Free Agent pra conseguir suprir as carências, e se conseguir o time vai vir muito forte, especialmente na defesa.
Philadelphia Eagles
Nota: B+
Escolhas:
1st round, 23rd pick: Danny Watkins, OL, Baylor
2nd round, 54th pick: Jaiquawn Jarrett , DB, Temple
3rd round, 90th pick: Curtis Marsh, DB, Utah State
4th round, 116th pick: Casey Matthews, LB, Oregon
4th round, 120th pick, Alex Henery, K, Nebraska
5th round, 149th pick, Dion Lewis, RB, Pittsburgh
5th round, 161st pick, Julian Valverde, OL, Iowa
6th round, 191st pick, Jason Kelce, OL, Cincinnati
6th round, 193rd pick, Brian Rolle, LB, Ohio State
7th round, 237h pick, Greg Lloyd, LB, Connecticut
7th round, 240th pick, Stanley Havili , RB, USC
Análise: Um time que primava pela quantidade e não pela qualidade das escolhas, e que não conseguiu realizar grandes trocas. Saiu com vários jogadores, nenhum de elite, mas ainda são vários jogadores interessantes.
A linha ofensiva do Eagles foi um problema temporada passada para o Michael Vick, que o tempo todo foi obrigado a resolver as coisas sozinho por falta de tempo. Adicionar o segundo melhor Guard desse Draft no Danny Watkins vai ajudar por dois motivos: Primeiro porque ele adiciona proteção ao Vick, o que é ótimo. Segundo porque o maior problema não é quando o Vick sai do pocket, e sim quando a pressão força ele a ficar dentro do pocket. O Watkins, nesse caso, pode ajudar criando um espaço para o Vick escapar pelo meio se a defesa deixar essa zona desguardada. Se ele conseguir fazer o papel de bloqueador que ele fez no College, ele vai adicionar uma dimensão muito importante pro time, as corridas pelo meio tanto do Vick como do LeSean McCoy.
Além disso, o time pegou dois DBs curiosos na dupla Jaiquawn Jarrett e Curtis Marsh. O Jarrett é um safety que gosta de dar trombadas, tem boa velocidade e instintos pra chegar em quem está com a bola, mas vacila um pouco demais nas coberturas. Isso as vezes é um problema do jogador, que não consegue reconhecer as jogadas ou então não sabe se posicionar pra tirar proveito do esquema tático, mas também pode ser apenas falta de experiência, o que um bom técnico como Andy Reid seria capaz de resolver. Se ele conseguir melhorar essa área do jogo, vai acabar sendo uma dupla interessante pro Brian Dawkins ou entrando em jogadas de três safetys. O Marsh é um cornerback de pressão, gosta de forçar os jogadores a mudarem suas rotas e tem bons instintos para cobertura. Não deve ganhar a vaga de titular, mas pode entrar em nickels ou dimes conforme o ano for passado.
Como se eu já não tivesse gostado do Draft ter usado a quantidade pra pegar reforços pra secundária e pra linha ofensiva (Foram mais dois OLs no resto do Draft), eles ainda saíram com um dos jogadores mais interessantes do Draft, o Casey Matthews. Pra quem não sabe, ele é irmão do Clay Matthews, OLB do Packers e um dos melhores da Liga. Se o sangue falar alto, ele vai ser um tremendo steal, eu confesso que não sei como ele caiu até aqui no Draft. Ele joga mais pelo meio que o irmão, mas tem boa velocidade e instintos pra jogar de OLB, pode dar a opção para o Reid. Tem uma ótima leitura de jogada e aproximação, tem tudo pra ser um bom jogador. De qualquer forma, na quarta rodada definitivamente vale a aposta. Bom Draft!
Washington Redskins
Nota: C+
Escolhas:
1st round, 16th pick: Ryan Kerrigan, DE, Purdue
2nd round, 41st pick: Jarvis Jenkins , DL, Clemson
3rd round, 79th pick: Leonard Hankerson , WR, Miami
4th round, 105th pick: Roy Helu, RB, Nebraska
5th round, 146th pick, Dejon Gomes , DB, Nebraska
5th round, 155th pick, Niles Paul , WR, Nebraska
6th round, 177th pick, Evan Royster , RB, Penn State
6th round, 178th pick, Aldrick Robinson , WR, SMU
7th round, 213rd pick, Brandyn Thompson , DB, Boise State
7th round, 217th pick, Maurice Hurt, OL, Florida
7th round, 224th pick, Markus White , DE, Florida State
7th round, 253rd pick, Chris Neild, NT, West Virginia
Análise: Antes de mais nada, queria esclarecer que os boatos que diziam que o Redskins estava querendo Draftar o time todo de Nebraska eram falsos.
Agora, vamos análisar esse Draft de duas formas diferentes.  Primeiro o Redskins, que não tinha escolha de segunda rodada, conseguiu a do Jaguars ao descer da 10th pick pra 16th pick numa troca. Eles pegaram então dois jogadores de posições importantes, o Ryan Kerrigan pra jogar de DE do seu esquema 3-4 com o Jarvis Jenkins tentando ser a âncora no meio que o Albert Haynesworth nunca foi porque nunca quis ser. O Kerrigan tem tudo pra ser um ótimo jogador e o time já tem o Brian Orakpo pra botar pressão jogando de OLB, se o Jenkins conseguir atrair dobras na marcação o Redskins vai ganhar uma tremenda adição pra uma defesa que já foi reforçada com o Safety OJ Atogwe e que já era boa antes.
Depois o time buscou peças para o ataque, trazendo três Wide Receivers (Algum deles tem que ser bom, certo? O Leonard Hankerson é um bom possession receiver com caracteristicas de número 1, mas vai precisar de um blazer pra tirar a pressão de cima dele) e dois Running Backs. O Santana Moss, melhor WR do time, é Free Agent e o time não tem outros alvos decentes além dos TEs. Ou seja, usou a quantidade enorme de escolhas pra pegar vários jogadores pra reforçar o ataque, tem chances decentes de algum dar certo. WRs são mais urgentes, já que o Ryan Torain teve uma boa temporada de RB em 2010.
Pareceu um Draft de sucesso, não é? Cheio de boas escolha, então porque um C+?
Porque o time teve nas mãos na décima escolha o Blaine Gabbert, que pra mim nunca vai ser um QB de elite mas é talvez o QB mais garantido dessa classe, e trocou a escolha pro Jaguars. Tudo bem, eles ganharam uma escolha importante com isso na segunda rodada, mas quando paramos pra analisar os resultados práticos, olhamos o seguinte. O que eles ganharam? Dois jogadores de linha defensiva que podem deixar essa defesa muito boa. O que eles perderam? Vão ficar com o Rex Grossman de QB a temporada toda, já que eles querem trocar o Donovan McNabb. Rex Grossman, leiam esse nome mais uma vez. Ele é horrível e o ataque não vai a lugar nenhum com ele, mas o Redskins acha que ele é bom e preferiram continuar com ele do que pegar um sólido QB, nem que fosse na segunda rodada. Só por isso eles ficam com C+, a esperança deles agora é que ele machuque e o McNabb resgate a velha forma. Ou ofereçam as calças pelo Kevin Kolb e torçam pro Eagles esquecer que esse é o mesmo Redskins que acabou de receber o McNabb do próprio Eagles.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Análises dos times - NFC East

Ontem eu postei as análises das quatro divisões da AFC. Hoje vou continuar e postar as quatro divisões da NFC. Desculpem se está corrido, mas nao queremos ficar preso a essas analises. Vamos deixar elas ai (até porque ja tamos quase na terceira rodada) pra quem tiver interesse e pra quando acabar a temporada quem quiser poder voltar e comparar o que eu disse antes com o que aconteceu de fato (E porventura jogar na minha cara alguma coisa).
Antes de postar, só queria lembrar que eu fiz esses resumos entre a primeira e a segunda rodada, fazendo alguns comentarios após a segunda rodada (EU postava uma divisão por dia na FEIA) mas sem alterar os ratings. Ou seja, eu realmente nao sabia que o Dallas ia perder pro Bears quando escrevi isso (Eu até postei isso antes da rodada). Bem, parando de enrolar, vamos começar as análises.

Romo tentando entrar de fininho na endzone

Dallas Cowboys
Todo mundo ta morrendo de amores por esse time, fala que é candidado a Super Bowl, a campeão, etc. Ok, nao nego, o time é bom, tem jogadores chave e o técnico é bom. Mas ainda ano consigo ver o Dallas tudo isso. É muito bom, tem chances como tinha nos ultimos anos, mas nao vejo indo tao longe assim. Se bem que a maldição de janeiro foi superada ano passado, como será esse ano?
O Dallas tem uma vantagem ofensiva: Tem tanto jogo terrestre como jogo aéreo. Marion Barber, Felix Jones e Tashard Choice formam um trio poderoso de Running backs com caracteristicas diferentes, entao o jogo nao fica viciado e podem ser usados em corridas diferentes. O ataque aéreo tem Miles Austin, que após ser undrafted e amargar muito tempo o banco, virou um dos melhores WRs da Liga ano passado, Roy Williams, que ainda tem que provar porque veio, Dez Bryant, promessa de craque, e Jason Witten, ótimo TE. E tem o Romo. Tony Romo é muito bom, sabe passar bem a bola, é ótimo fugindo do sack. Mas SEMPRE que precisa(No caso em jogos decisivos) ele toma a decisão errada. Parece um bloqueio mental, mas ele nao consegue fazer a jogada certa na hora certa. Dai vem a fama de 'amarelão' do Romo.
A defesa é forte, e realmente dará trabalho. A defesa tem ótimos CBs, LBs, Demarcus Ware é um dos melhores pass rushers da Liga e Jay Ratliff é uma estrela. Defendem bem a corrida, os passes, mas tem um problema: Big plays. O Cowboys ADORA tomar um passe de 60 jardas, uma corrida de 40 jardas... Nao sei de onde vem essa caracteristica fetichenta bizarra.

Rating: B+
Se os analistas da NFL lessem essa comunidade, eu seria crucificado. Todo mundo la da A- NO MINIMO pro Cowboys. Ja vi muitos colocando eles candidatissimos ao Super Bowl. Bem, a verdade simples é: Eu nao acredito muito neles. O time tem talento pra ser um time campeão com certeza, ótimos jogadores em ambos os lados da bola, e é um time sem falhas graves. Mas nao acredito neles, só por isso abaixei o rating.
 
 
"Um por todos e todos por um!"

Washington Redskins
Ok, uma das piadas do ano passado. Todo mundo ria qdo se falava do Redskins. Mas aqui está um detalhe: Eles tiveram uma das melhores defesas da Liga durante muito tempo, até chutarem de vez o balde. Brian Orakpo foi um dos melhores calouros do ano e eles tinham muito talento. O problema era o ataque. Alem de contar com inumeras lesões, a verdade dura é: Os jogadores nao davam conta. No entanto, o time esteve bem ativo na offseason: Trouxe Donovan McNabb e mandou embora Jason Campbell, trouxe Larry Johnson e Jamaal Brown, e draftaram Trent Williams. Um dos assuntos mais comentados da offseason tbm envolveu o Reds, o problema de Albert Haynesworth. Pra quem nao sabe, ele ficou putinho porque iam mudar o esquema defensivo de 4-3 pra 3-4 e ele iria jogar de DT, e o DT das defesas 3-4 é importantissimo mas nao gaha destaque, fica ali na linha levando double-teams a maior parte do tempo. Heynewsorth queria jogar num 4-3 pra ele conseguir seus numeros altos em sacks, como com os Titans. Ou seja, foi um tanto egoista. Ele foi reintegrado mas nao jogou e agora se lesionou. Pra quem ganhou um contrato de mais de 100 milhoes... Mas vamos ao que interessa.
O ataque do Redskins melhorou MUITO desde o ano passado, ou pelo menos enquanto estiver saudavel. Clinton Portis ta velho e baleado mas ainda pode correr, e muito bem, mas durante pouco tempo. Donovan McNabb ainda joga muito, mas ele tem um problema sério: A falta de alvos. Santana Moss é muito bom apesar da idade, e a dupla de TE Chris Cooley/Fred Davis tambem, mas sozinhos não vao resolver o problema. A fraquissima linha ofensiva da temporada passada foi bem reforçada com Williams e Brown e deve aguentar melhor o tranco.
A defesa ainda é fortissima: Dois excelentes safetys (eu ADORO o jogo do LaRon Landry), bons Cornerbacks fecham uma boa secundaria. Mas principalmente uma fortissima frente, liderada por Brian Orakpo. A defesa terrestre do Skins é muito boa e fisica e o time tem um pass rush de primeira se Haynesworth voltar mesmo.

Rating: B
O time tem problemas com corridas devido à idade dos RBs, mas com a entrada de Williams a linha deve melhorar bastante. A falta de alvos pode pesar tambem, mas eu acho que o time pode surpreender caso consiga manter o folego.
 
 
"Quem é aquele cara no lugar do McNabb?"

Philadelphia Eagles
Uma pena, porque eu realmente gosto desse time. Mas o fato é que o Eagles está pasasndo por um periodo dificil muito semelhante ao Packers de 2008. Em 2007, Brett Favre voltou da aposentadoria e levou o Packs à final de conferencia, onde perdeu pro Giants. Em 2008 quis voltar novamente, mas o jovem Aaron Rodgers, em seu ultimo ano de contrato, disse que nao queria ser reserva do vovô: Se ele fosse ser reserva, ele preferia nao renovar o contrato. Pensando no futuro, o Packs recusou Favre e promoveu Rodgers. O time sofreu no começo, o 2008 foi bem dificil, mas Rodgers maturou e hoje é um dos melhores QBs da Liga.
A situação do Eagles é parecida, embora com diferenças. Donovan McNabb é bem mais novo que Mr Favre, e embora esteja ja encomendando seu andador, ainda tem folego. Mas o Eagles tem um time MUITO novo e imaturo. Nao acharam que valia a pena ficar com McNabb e a pirralhada, pra quando eles finalmente amadurecessem o QB cair fora e o time ter que buscar alguem às pressas. Achavam tambem (Se nao achassem com certeza nao mandariam ele embora) que Kevin Kolb estava pronto pra assumir a vaga de Quarterback) Assim, mandaram McNabb embora e promoveram Kolb.
A questão é se Kolb pode jogar em alto nivel, e a comparação é sempre com Rodgers. Rodgers teve um bom 2008, mas com interceptações, problemas em conduzir o ataque e tudo que voce espera de alguem que tem sua primeira chance como titular. Kolb tambme terá, entao nao adianta esperar 4000 jardas e 30 TDs esse ano do garoto (Só do Rodgers). Caso Kolb nao consiga produzir, ele terá a sombra de Michael Vick, que deve começar na segunda rodada devido à concussão de Kolb. Os WRs do time, Jeremy Maclin e Desean Jackson, são excelentes, mas inconstantes, e acho que com outro pirralho de QB devem ter mais dificuldades ainda. Lesean McCoy tambem é novo. Porra, o ataque todo ainda usa fraldas!! Tem potencial e talento, mas pode esperar dificuldades. A proposta aqui é olhar pro futuro.
A defesa manteve alguns bons jogadores, como Assante Samuel, e pegou bons jogadores no draft como Nate Allen e Brandon Graham. Mas são calouros e o resto da defesa perdeu muita gente. Sinceramente, espere dificuldades desse grupo. Como ja disse umas tres vezes, é um time jovem que ainda tem muito a evoluir.

Rating: B-
Muito potencial e um futuro promissor, mas nao esperem muito pra esse ano.
 
 
Eli Manning feliz por ver a bola longe dele.
 
New York Giants
Confesso que o Giants é um time que me interessa pouco, e por isso nao acompanhei com muito afinco a offseason do time. Nada pessoal, só acho um time chato mesmo, entao se tiver algum torcedor do Giants aqui, favor nao me perseguir usando uma tocha, prometo prestar mais atenção no time.
O time tem esperanças com relação a Eli Manning ainda, o que eu acho meio engraçado. Manning é filho de um grande QB(Archie Manning) e irmão de outro (Inclusive foi draftado tao alto por causa desse fato, não por ter mostrado tanto talento na faculdade) entao sempre se esperaram grandes coisas dele. Mas Eli era um QB inconstante, que tinha grandes momentos e atuações patéticas. Em 2007 ele liderou a Liga em interceptações e foi um dos piores QBs titulares da NFL. Ai chegamos na pós temporada onde Eli teve atuações fantásticas e culminou com uma atuação brilhante no Super Bowl, que lhe rendeu um anel e o premio de MVP em cima dos até então invictos Patriots. Em 2008 e 2009 entrou com grandes expectativas devido a isso e mostrou realmente uma evolução, mas continuou sendo um QB inconstante. Mas tem mostrado melhoras graduais, entao nao é improvavel que continue melhorando. O time tem bons WRs e TEs jovens (Hakeem Nicks, Mario Manningham, Steve Smith e Kevin Boss) mas eu nao gosto do jogo terrestre do Giants. Porque? Bem... Ahmad Bradshaw e Brandon Jacobs nao me convencem. São bons, fortes, mas eu nao acho que sejam superiores à media da NFL.
A defesa era fortissima uns anos atras, mas ano passado perdeu Antonio Pierce pra lesão e nao conseguiu defender nem a mãe apanhando na rua, e agora Pierce aposentou. Esse ano trouxe calouros pra defesa, voltaram alguns jgoadores de lesão e sinceramente o unico jeito de voce descobrir é acompanhando a temporada, muito imprevisivel.

Rating: B
A defesa é uma incognita... e o ataque tambem! Olha que beleza. Tem tantas variaveis ai que nem sei o que pensar do time, aliado à minha falta de interesse em acomapnha-lo na offseason. Pelo talento de forma geral eu dou um B. Mas dependeo de como o time se articular e as peças imprevisiveis jogarem, esse rating pode subir ou cair. Por hora, o B ta bom.
 
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Mais tarde volto com outras NFCs, abraços!