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sexta-feira, 7 de março de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - NFC (parte I)


"Gostei da coluna, deem um contrato de 24M para esse cara!"



AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Depois, falamos em duas partes sobre os times da AFC que não foram aos playoffs (Parte I e Parte II). Agora, é hora de falar dos times da NFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Para facilitar (AKA Carnaval), esse post também foi dividido em duas partes, com a segunda vindo no máximo segunda feira.


Times da NFC fora dos playoffs (Parte I)


Dallas Cowboys

Vamos fazer um pequeno jogo. Ele chama "Vamos ver se você está pronto para ser o General Manager do Cowboys" (título provisório). Suponha que você seja dono ou GM de um grande time de futebol americano, e seu time esteja algo como 15M acima do salary cap. Qual a sua primeira atitude quando acaba a temporada?

a) Dispensa alguns jogadores para tentar ficar abaixo do salary cap
b) Procura alguns de seus jogadores com maior salário e que assinaram contratos recentemente para uma possível reestruturação de contrato
c) Se prepara para um arriscado mas necessário processo para limpar a folha salarial (atual e futura) da equipe, ainda que as custas de algumas temporadas
d) Imediatamente oferece um contrato de 22M de patacas para seu kicker

Bom, se você quer trabalhar no Cowboys, aparentemente a resposta certa é a letra D. Mesmo muito acima do salary cap e sabendo o que isso significaria para o time, a primeira atitude da diretoria foi aumentar essa folha salarial com um contrato imenso para seu kicker.

Eu acho que não preciso passar tempo demais explicando porque essa foi uma péssima decisão. Sim, é importante ter um bom kicker e Dan Bailey tem jogado bem, mas considerando a situação que você se encontra, o custo-benefício desse tipo de contrato é péssimo. Você precisa de cada centavo que puder para evitar ficar acima do cap, claro, mas também para abrir espaço para calouros e free agents. Então porque você vai pagar 22M para um KICKER? Para quem não lembra, Dan Bailey foi para o Dallas como um calouro não-draftado em 2011 e ano passado ganhava 500mil... porque pagar sete vezes mais se você pode facilmente achar um substituto no draft com uma escolha tardia, ou mesmo sem gastar escolha nenhuma? Dallas Cowboys, pessoal!

Na verdade, esse é um resumo do grande problema do Cowboys, dos últimos anos, de hoje, e dos próximos anos: o time é incompetente e extravagante na hora de distribuir contratos, e por isso trava uma batalha eterna contra o salary cap, uma batalha que eles tem perdido. 15M acima do salary cap mais o contrato de Bailey, Dallas teve que se virar para conseguir entrar abaixo do limite de 132M, e para isso eles tiveram que recorrer ao que fazem todo ano nessa situação: reestruturar contratos. Reestruturar contrato significa que eles pegaram um jogador com um contrato muito caro que eles não podem dispensar, e transformaram uma grande parcela do salário desse jogador em um bônus. O resultado é que o seu valor de 2014 contra o salary cap cai consideravalmente, abrindo espaço imediato, mas também tem duas consequências: primeiro, esse dinheiro que você economizou em 2014 não desaparece, ele é redistribuido entre o resto do contrato do jogador, aumentando seu valor anual e gerando novos problemas salariais para o futuro; e o segundo é que, como esse dinheiro é transformado em dinheiro garantido, é muito mais difícil você dispensar o jogador futuramente, porque a maior parte do salário do jogador fica garantido e portanto esse dinheiro não sai da sua folha salarial mesmo em caso de dispensa. Então o Cowboys conseguiu entrar abaixo (300 mil) do limite salarial esse ano, mas para isso precisou reestruturar os contratos de Sean Lee, Tony Romo e Orlando Scandrick... e ainda assim, 300mil é muito pouco considerando que o time ainda precisa dar contratos para seus calouros, reforçar uma defesa que foi uma atrocidade em 2013 (e cujo melhor jogador é free agent!), e compor o resto do elenco (que precisa chegar a 53 jogadores). 

Esse problema no Dallas é antigo, e vem do péssimo julgamento da diretoria na hora de distribuir contratos (ver o caso do Bailey). O time não pensa duas vezes antes de distribuir contratos caros e longos para jogadores (free agents ou domésticos), mas não pensa nas consequências e na situação salarial da equipe, e isso acaba prendendo a equipe por muitos anos... anos nos quais o time continua cometendo os mesmos erros e lidando com os mesmos problemas. Para dar um exemplo, essa mania de ficar dando grandes contratos e depois os reestruturando significa que para 2015, antes de qualquer contrato de calouro ou free agent, o Dallas já tem 134M na sua folha salarial, no que significaria 2M ACIMA do salary cap de 2014 (nenhum outro time tem mais de 108M, só três estão acima de 100M, e os três foram aos playoffs, btw). 

Por isso o Dallas foi o maior beneficiado do recente aumento no salary cap (132 para 2014 e espera-se 140 para 2015), que lhe deu algum alívio e impediu dispensas mais dolorosas, mas isso não é o suficiente. O time tem uma base muito boa, mas também tem uma defesa horrível que está PERDENDO Jason Hatchet, tem diversos buracos e não tem qualquer tipo de profundidade. Esses são problemas que o time dificilmente vai conseguir arrumar enquanto tiver que pensar primeiro em abrir salários e depois em contratar jogadores novos, e isso só vai acontecer quando o Jerry Jones mudar sua postura de contratações e contratos extravagantes, entender o problema, aceitar uns dois anos mais quietos para limpar essa folha salarial, e dai voltar a brigar com tudo. Só quando isso acontecer o Cowboys vai poder voltar a ser um concorrente ao título estável. 


New York Giants

Outro time da NFC East vindo de uma temporada decepcionante e com problema salariais! Embora para ser justo, os problemas saláriais do Giants são muito mais pontuais e específicos que os dos seus rivais, mas isso não quer dizer que a situação em NY esteja boa: são apenas 18M em espaço salarial, e a equipe tem alguns free agents importantes, inclusive seu melhor jogador de 2013 (Justin Tuck), defensores importantes como Corey Webster, Terrell Thomas, Jon Beason e Linvall Joseph, e mais Hakeem Nicks (99% de chance de sair, mas precisarão de alguém para o lugar) e Andre Brown no ataque. 18M definitivamente não vai dar, e embora possam abrir mais 13M dispensado Chris Snee e Antrell Rolle (e nenhum dos dois é uma dispensa confortável), ainda parece pouco frente a quantidade de buracos que a equipe mostrou em 2013. A janela não parece grande para 2014, embora nenhum time saiba melhor que o Giants que, uma vez nos playoffs, você tem totais chances de ser campeão se pegar fogo na hora certa e contar com a sorte.

Embora difícil colocar a temporada 2013 do Giants em contexto, o grande problema foi mesmo a linha ofensiva: NENHUM linemen do Giants teve um rating positivo pela PFF em pass block, e todos os 7 OL que jogaram pelo menos 400 snaps tiveram notas vermelhas (com o aposentado David Diehl liderando a desgraça com -20.1). O resultado foi que o time teve o terceiro pior ataque terrestre da NFL com 3.5 jardas por corrida, e uma combinação de um péssimo Eli Manning (piores marcas da carreira em TDs, interceptações, rating e QBR), WRs surpreendentemente ineficientes e claro, péssimas atuações da linha ofensiva protegendo o QB também fizeram o Giants acabar com um dos piores ataques aéreos da NFL também. O resultado foi... hmm... bem ruim. Mas o Giants ainda está aparentemente decidido em continuar comprometido com Eli, acreditando que 2013 tenha sido apenas um outlier e que as coisas mudarão com uma linha ofensiva que não o deixe tão exposto.

Claro, o problema é que não é fácil montar uma linha ofensiva quase inteira da noite para o dia, especialmente sem espaço salarial. Justin "Tiranossauro Rex" Pugh foi ok na sua temporada de calouro e David Bass voltando de lesão deve ajudar, mas isso ainda deixa três vagas - inclusive duas de tackle - sem dono e sem uma boa alternativa doméstica. O draft é bastante profundo em linha ofensiva, o que é um consolo, mas não é como se fosse o único problema do Giants: o time precisa de WRs e um TE para substituir Nicks e melhorar seu corpo de recebedores, e algumas decisões complicadas de RB precisam ser tomadas entre Andre Brown se tornando free agent, a saúde de David Wilson e Brandon Jacobs sendo Brandon Jacobs. Não é um caminho fácil para NY, especialmente considerando sua falta de espaço salarial e a questão abaixo.

Defensivamente, o time se saiu muito melhor do que pareceu, terminando com o sexto melhor DVOA defensivo da temporada passada, mas precisa tomar decisões difíceis. Linvall Joseph e Tuck foram os dois melhores jogadores defensivos do Giants em 2013, e não vai ser fácil encaixar os dois na folha salarial do time. É possível que o Giants deixe Tuck ir e tente repor sua produção com uma combinação de Mathis Kiwanuka voltando a forma depois de um péssimo 2013 e Jason Pierre-Paul... bem, voltando a forma depois de um decepcionante 2013, mas é um risco enorme. Joseph não tem o mesmo pedigree desses três, mas tem sido uma presença consistente no meio da linha do time nos últimos anos e é um pilar do jogo terrestre, então não pode sair. E enquanto decide o que fazer com sua linha, o time tem que decidir o que fazer com a secundária, com Rolle, Webster e Thomas exigindo novos contratos (três jogadores importantes em 2013) E tentar adereçar seu grande problema defensivo, seu grupo de linebackers que ainda tem Benson virando free agent. O Giants tem um potencial de regressão interessante no ataque em um draft favorável (profundo em OL e WR) e a defesa, se mantiver o ritmo de 2013, pode levar o time a ser competitivo novamente, mas me parecem buracos e incógnitas demais para um time que não pode contar com a free agency para se reforçar.

Washington Redskins

Para começar, as notícias ruins: a troca de Robert Griffin III, que parecia uma enorme vitória um ano atrás, acabou saindo pela culatra, com uma lesão no joelho e um péssimo 2013 que forçou o Redskins a mandar a 2nd pick de um draft profundo para Saint Louis. Além disso, a péssima atuação de RG3 em 2013 levantou todo tipo de questão sobre sua saúde ou mesmo se seu excelente 2012 não teria sido apenas um outlier impossível de ser repetido. E em meio a tudo isso, o Redskins ainda mudou sua comissão técnica, trazendo uma certa incógnita para como esse time vai se reorganizar para o futuro, ainda mais sem uma 1st round pick.

A parte boa é que finalmente os problemas salariais do Redskins receberam um alívio agora que Albert Haynesworth e o pior contrato da história da NFL finalmente saíram da sua folha de pagamentos, dando ao time alguma flexibilidade: mesmo depois da Franchise Tag em Brian Orakpo (seu melhor jogador defensivo de 2013, sem dúvida), a equipe ainda tem 20M livres, não tanto assim mas muito melhor do que a situação recente da franquia. E claro, também tem o fato de que o Redskins não precisa se focar em vencer imediatamente. O núcleo do time é sólido, especialmente no ataque (o time tem três excelentes OLs que podem formar uma das melhores linhas do jogo com alguma ajuda, Alfred Morris tem sido ótimo como profissional, e Jordan Reed e Pierre Garçon são opções jovens e promissoras no jogo aéreo), e principalmente jovem. O time não possui veteranos caros ou muito valiosos - pelo contrário, seus principais jogadores todos são ainda novos - e, mesmo com a temporada 2013 indo pro lixo e perdendo uma 1st round pick valiosa, não tem motivo para o time entrar em pânico e tentar resolver tudo no curto prazo. Junte a isso uma nova comissão técnica que não tem a pressão de vencer imediatamente e que teria tempo para um projeto mais completo, e o futuro do Redskins passa a ser mais interessante olhando além de 2014.

A maior incógnita, hoje, seria a posição de QB, mas mesmo essa não deve incomodar demais o Redskin por enquanto. Mesmo que ele nunca chegue a reproduzir o nível de 2012, também não deve para sempre ser o fiasco de 2013, e com mais três anos em Washington (que não pode cortá-lo sem incorrer em enormes valores entupindo sua folha salarial, e uma troca seria vender muito baixo dado o valor pago por ele) e sem pressa para vencer agora, o time vai ter muito tempo para desenvolvê-lo, ver como ele rende com seu joelho enfim saudável, antes de tomar uma decisão (btw, não venham me falar em Kirk Cousins - ele simplesmente não é um bom QB de NFL, e não oferece o potencial de médio prazo de RG3). Ainda que exista a dúvida de como ele se adaptará ao novo esquema ofensivo e como o ataque terrestre vá render seu o esquema de bloqueios por zona de Mike Shanahan, RG3 terá boas condições ao seu redor para esse desenvolvimento, com dois alvos bons e jovens que devem receber ainda mais ajuda via draft, e uma boa linha. 

Defensivamente, os dois jogadores que valem a pena manter são jovens (Orakpo e Ryan Kerrigan), então não tem porque apressar as coisas. Claro, a defesa precisa de ajuda e talento - esses são os dois únicos jogadores que realmente se salvam por lá - mas pode fazer isso com calma, draftando e desenvolvendo talentos. Não existe nenhum foco ou contrato largo de um veterano forçando a equipe a vencer imediatamente, e portanto seria burrice tentar. Mas com a boa base ofensiva, regressão positiva de RG3 e um pouco de paciência, esse time pode voltar a ser competitivo em um futuro não tão distante.


Atlanta Falcons

Se antes da temporada passada você sentasse e desenhasse como seria a pior temporada possível para o Atlanta Falcons, ela seria muito semelhante ao que aconteceu de fato. O pior cenário seria justamente lesões atrapalhando o ponto forte da equipe, construído com muitos custos - seu ataque espetacular - e tirando os principais titulares da equipe, desalecerando seu ataque e expondo a enorme falta de profundidade e a defesa frágil do time. Foi exatamente o que aconteceu, com Roddy White e Julio Jones machucando, a OL tendo alguns problemas e ninguém para solucionar ou substituir, e a defesa não conseguindo, novamente, se manter consistente. O Falcons de 2012 foi longe com uma defesa fraca compensada por um excelente ataque, mas sem seu ataque, a quarta pior defesa de 2013 não chegou perto de fazer um papel respeitável.

A verdade é que com essa defesa horrível e alguma regressão, eu não sei se o Falcons teria ido aos playoffs mesmo sem as lesões - mas elas não ajudaram. A verdade é que a fragilidade do Falcons em algumas áreas e sua enorme falta de profundidade (que veio a tona em 2013 com tantas lesões) tem a mesma fonte: o time montou seu elenco concentrando investimentos demais - tanto financeiramente como em recursos gerais (AKA escolhas de draft)- no seu ataque em detrimento das demais áreas. Então considerando a grande quantidade de buracos da equipe (só a DL e Desmond Trufant se salvaram dessa péssima defesa, a linha ofensiva foi um buraco só e perderam Tony Gonzalez) e os recursos interessantes da equipe (25M de cap space com só três free agents significantes, escolhas altas de draft), o time tem algumas decisões interessantes a tomar para voltar a competir no curto prazo.

Primeiro, eles podem manter seu plano original que funcionou em 2012, e ir atrás de grandes reforços para o ataque. Um OT me parece uma certeza com a 6th pick desse draft, uma posição que foi provavelmente o maior problema da equipe em 2013, mas a partir dai é uma incógnita. Se reforçar o ataque para voltar ao patamar de 2012 for a prioridade, o time precisa urgente ir atrás de um substituto para Tony Gonzalez, não apenas como tight end mas principalmente como a arma de segurança em conversões curtas e médias. Gonzalez era talvez o melhor recebedor da NFL nos últimos dois anos nesse tipo de jogada, e era na direção dele que Matt Ryan olhava. Mesmo com Julio Jones e Roddy White saudáveis, o time precisaria desse cara mais grandalhão para o meio do campo. Um novo WR também não seria mau nesse draft tão profundo, embora isso possa esperar mais para frente. Um OT primeiro, depois alguma profundidade para a OL e um TE grandalhão seriam as prioridades.

No entanto, o time pode se contentar com a volta de White e JJ saudáveis e a chegada de um novo OT com a 6th pick (de novo, esse é uma certeza a não ser que alguém como Jadeveon Clowney caia), e com a profundidade desse draft para trazer novos alvos, para reforçar a defesa e tentar montar um time mais balanceado. Além de trazer de volta Jonathan Babineaux e talvez um reforço para CB (Assante Samuel é FA e pode voltar a um preço razoável), o time precisa URGENTe de um pass rusher competente. Osi Umenyora foi uma decepção em seu primeiro ano, e apesar da linha defensiva ter se saído bem, foi principalmente contra a corrida e não gerando algum tipo de pressão. Um DE (Jared Allen é uma opção interessante vindo da free agency, btw) poderia fazer o papel, mas trazer um bom OLB pode reforçar dois dos problemas da equipe, a cobertura atrás da linha E o pass rush, e me parece o ideal (ou os dois - espaço salarial tem). A secundária também precisa de ajuda, especialmente se Samuel sair e ninguém vier em troca - Trufant foi muito bem em 2013, mas a falta de ajuda nos safeties e no pass rush atrapalham seu desenvolvimento, e é por ai que o time tem que continuar montando uma boa defesa.

Claro que não estou dizendo que o time vá focar em apenas uma coisa nessa offseason, precisa obrigatoriamente olhar para ambas. A questão é que uma deve ter prioridade ou o time corre o risco de gastar seus ativos e cap e não reforçar nenhuma de forma significativa. Considerando o novo contrato de Matt Ryan, possivelmente que seja o ataque a receber prioridade, ainda mais em um draft profundo em OL e WR, mas sem pass rush e ajuda para Trufant na secundária, eu acho difícil o Falcons sobreviver na cada vez mais forte NFC South. 


Tampa Bay Buccaneers

Outro time que tem a chance de um novo começo com um novo técnico (e um novo uniforme bem feio), e outro time que foi uma decepção em 2013. No caso do Bucs, o time gastou pesado na offseason, trazendo Darrelle Revis e Dashon Goldson e em geral investindo pesado em posições importantes para competir o quanto antes. E claro, a temporada foi um desastre do primeiro momento até o último, com até uma epidemia de MRSA atingindo o time e tirando jogadores da temporada.

Ainda assim, a temporada expôs do Bucs uma série de problemas, alguns esperados. Greg Schiano, um péssimo técnico, acabou custando ao time mais do que talvez qualquer outro técnico da temporada e acabou demitido, não antes de destruir a carreira de Josh Freeman (ex-JAAAASH Freeman) e se tornar o símbolo de uma franquia marcada por muito talento mas falta de cabeça e controle. Lavonte David (alias, um jogador espetacular) custou uma vitória ao time uma vitória com uma falta pessoal nos segundos finais fora de campo, Goldson chegou a ser suspenso pelo excesso de faltas pessoais, o time supostamente se cansou do seu técnico na metade da temporada. Poderia ter sido melhor, o time até não foi horrível (18th em DVOA), mas foi muito abaixo do que esperavam.

Agora chega Lovie Smith, e a defesa agradece. Smith é famoso por ser um bom técnico de defesas, fazendo ótimos trabalhos em Chicago desse lado da bola, e vai encontrar uma boa base para trabalhar. Tampa Bay teve a oitava melhor defesa da NFL, e conta com três talentos espetaculares nas três fases da defesa, com Gerald McCoy na linha, David nos LBs e Darrelle Revis, ainda o melhor CB da NFL mesmo voltando de lesão, na secundária - além claro de jogadores talentosos que não contribuíram em 2013 mas que já tiveram bons anos no pasasdo, como Adrian Clayborn e Dashon Goldson, além da 5th pick de 2012 Mark Barron. Mesmo sem contribuições desses três jogadores, o time teve uma s´ølida defesa em 2013, mas sempre me pareceu um time com o talento em mãos mas que não conseguia tirar o melhor deles. Com um especialista em defesa, me parece uma ótima chance para esses bons jogadores finalmente encontrarem seu melhor jogo e se tornarem um grupo realmente dominante. Especialmente porque o time deve aproveitar a sua escolha alta de draft (#7) e adereçar sua grande deficiência defensiva: a falta de pass rush. Apenas McCoy e David conseguiram render algum tipo de pressão em 2013, o que é muito pouco para um time como esse, especialmente um que deve jogar em Tampa 2 ano que vem. Um OLB que seja mais pass rusher do que David ou um DE de alto nível tornariam essa defesa ainda melhor.

No ataque, fica a enorme questão do "e se". Dois anos atrás, Carl Nicks e Davin Joseph seriam a melhor dupla de guards da NFL e o Bucs teria tudo para ter uma excelente linha ofensiva, mas é um risco. Joseph machucou em 2012 e não chegou perto do que pode render em 2013, e Nicks perdeu quase todo 2013 com MRSA. Se o Bucs achar que os dois podem se recuperar e render perto do seu nível anterior, então o ataque tem uma boa linha e pode ir atrás de mais alvos, um segundo WR e um TE. MAs é um risco enorme, e eu particularmente não acho que Nicks e Joseph voltarão em 2014 ao nível de elite, o que não só prejudica a proteção ao QB como atrapalha demais o plano ofensivo antigo de ser uma potência terrestre. QB é um tanto quanto um ponto de interrogação nesse time também, mas as interessantes performances em 2013 de Mike Glennon provavelmente lhe garantiram mais um ano para tentar mostrar do que é capaz com uma equipe nova. Mas sendo assim, ele vai precisar de mais ajuda: Vincent Jackson é excelente WR mas jogou praticamente sozinho em 2013, e embora Timothy Wright tenha se mostrado uma opção interessante no jogo aéreo ele é um horrível bloqueador para ser um TE titular consistente. A linha também é uma incógnita, e de modo geral falta a esse ataque talento.

O problema do Bucs é que a defesa e o ataque passam mensagens trocadas. Enquanto a defesa, com seus jogadores caros e alguns veteranos (em particular uma moeda de troca excelente em Darrelle Revis) indicam que esse é um grupo para se brigar pelos playoffs o quanto antes, o ataque claramente não tem nem o talento nem a definição nas principais posições para seguir o mesmo caminho. Se o time vai mesmo experimentar com Mike Glennon, então o ideal era ter um ou dois anos de paciência, e embora jogadores jovens como Barron, Clayborn, David e McCoy estarão por ai nesse tempo todo, não é tão ideal pagar tanto dinheiro para sua defesa reconstruir... especialmente com Revis sendo o mais caro, mais atraente no mercado e menos interessante no médio/longo prazo. O que deixa uma pergunta interessante: o Bucs tenta pegar o caminho mais neutro, tentando balancear sua ótima defesa com um ataque que deve se desenvolver aos poucos e fica meio que um time híbrido sem uma identidade imediata... ou faz o difícil, troca Revis, ganha uma escolha nova de draft e investe mais no médio prazo com uma defesa que ainda deve ser excepcional e um ataque mais pronto? Acho difícil, mas seria a opção mais interessante.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Preview NFL 2013 - Dallas Cowboys


Ware e Spencer correm para abraçar seu amigo


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL

Depois de terminar a série de previews da AFC East para a temporada 2013 da NFL, começamos ontem a falar da NFC East, começando pelo atual campeão dela, Washington Redskins. Hoje, vamos continuar falando da divisão com um dos times mais populares no Brasil, o Dallas Cowboys. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Dallas Cowboys

2012 Record: 8-8
Ataque ajustado: 11th
Defesa ajustada: 23rd


Desde 2008, quando eu apostei no Dallas para ser campeão do Super Bowl antes da temporada e me lasquei faltando uns quatro jogos ainda para terminar a temporada regular, o Cowboys parece ser um time que sempre chega na temporada com bom potencial e boas expectativas, e dai falha em alcançá-las. E mesmo assim, isso pode ser traçado desde 2006, quando o time perdeu nos playoffs porque Tony Romo não dominou o snap para um game-winning field goal nos segundos finais da partida contra o Seahawks, uma das jogadas mais bizarras da sua carreira. Em 2007, a equipe terminou a temporada como a melhor da NFC mas foi derrotada em casa pelo Giants na semifinal de conferência. E desde então, apesar de um bom time, um grande estádio, uma torcida fanática e as melhores cheerleaders da NFL, o time viveu com apenas uma aparição nos playoffs (2009, perdendo para um superior time do Vikings por 34 a 3) e diversas temporadas decepcionantes.

Nessas temporadas decepcionantes, aliás, o padrão parece ser sempre o mesmo: um bom começo, chegando na reta final da temporada em boa posição de ir para a pós-temporada, e algumas derrotas decisivas nas partidas finais terminaram por tirar o Dallas dos playoffs. Em 2008, a equipe começou 8-4 antes de perder três das quatro partidas decisivas. Em 2011, o Dallas estava 7-4 e perdeu quatro dos último cinco jogos. Em 2012, estavam 8-6, perderam em casa para o Saints, depois perderam o jogo final decisivo para o Redskins quando uma vitória os colocaria nos playoffs. Tudo isso, aliado a falta de sucesso na pós-temporada (apenas uma vitória desde 2006), serviu para criar a ideia hoje muito conhecida e difundida de que o Cowboys é um time amarelão e que não ganha os jogos importantes.

Acho que eu não preciso dizer para vocês que isso é um mito. Por algum motivo, temos uma vontade irresistível de dar rótulos para tudo e para todos no esporte, especialmente se isso for depreciativo para alguém, e isso acontece com o Dallas, onde toda essa falta de sucesso acabou encontrando a explicação mais fácil e superficial possível. Mas depois de seis posts explicando longa e demoradamente como amostras de poucos jogos estão sujeitas a enormes flutuações e acasos, como elas tem pouco valor estatístico e como tem dezenas de fatores que influenciam o record dos times nesses casos, eu espero que tenhamos mostrado o suficiente que não existe nenhum tipo de fator mostrando que o Cowboys seja de fato amarelão ou incompetente. E dai que na reta final de 2008 (aqueles quatro jogos) o Dallas enfrentou dois melhores times da NFL (Steelers e Ravens), mais um superior time do Eagles, recuperando apenas 30% dos fumbles totais desses jogos (foram três dos quatro finalistas de conferência, btw)? E quem vai reparar que em 2011 eles perderam dois jogos por uma posse de bola nos cinco finais, e terminaram perdendo fora de casa para os eventuais campeões? E em 2012, onde a temporada foi decidida num jogo fora de casa, contra um time superior do Redskins? O que importa que nessas três sequências decisivas o Dallas perdeu todos os quatro jogos que teve decididos por uma posse de bola? As pessoas só se preocupam com os resultados, e não com os processos que levam a eles, e por isso que o rótulo de "time amarelão" pegou.

Dito isso, e apesar do fato de que não existe qualquer estatística que comprove que o Dallas não consiga produzir normalmente em jogos decisivos, é fato também que a franquia recentemente tem falhado ao cumprir as expectativas colocadas na equipe antes das temporadas. E embora, é claro, isso possa ser sempre um problema com as expectativas sendo irrealistas, também é possível identificar alguns fatores que tem atrapalhado uma equipe cheia de talento a produzir no nível que podem.

O primeiro problema, e talvez o maior de todos, seja o que eu chamo de "Síndrome de New York". Quem acompanha o NY Knicks e até mesmo o NY Jets (Giants ta salvo por enquanto porque ganhou dois Super Bowls) sabe que jogar em um mercado grande e rico para uma torcida fanática tem seus problemas: a torcida e a diretoria sempre espera mais produção, a mídia cai matando todo fracasso possível, as expectativas estão sempre lá em cima, e isso tudo forma uma pressão muito grande em cima dos atlétas. Dallas não é um mercado tão grande, mas tem um dono bilionário, enorme torcida e muita atenção da mídia. E isso é piorado pelo dono da equipe, Jerry Jones. Jones é um bilionário apaixonado por NFL que comprou um time para vê-lo vencer, e portanto está sempre injetando seu dinheiro no que puder, contratações, estádio novo, etc. Não a toa eu o chamo de "Mark Cuban da NFL", mas Jones tem um problema: ele não só quer vencer como quer construir ele o time, quer mandar e desmandar no time, e sempre que alguma coisa da errada ele corre para achar um bode espiatório e mudar alguma coisa. Jones sempre acha que ele faria tudo melhor do que todo mundo, criticando abertamente as decisões de seus técnicos e simplesmente criando um clima ruim na equipe e muita confusão.

Um bom exemplo de como Jones afeta diretamente a situação da comissão técnica da equipe é a história do atual técnico do time, Jason Garrett. Garrett era coordenador ofensivo da equipe em 2010, e quando Wade Phillips foi demitido, Garrett assumiu as funções de técnico e coordenador ofensivo para 2011. Depois de uma campanha de 8-8 e perder os playoffs (já comentamos dela acima), Jones se declarou insatisfeito com o trabalho de Garrett e contratou um novo coordenador ofensivo para a equipe, com Garrett mantendo as funções de técnico. Durante a temporada 2012, Jones criticou a chamada de jogadas de seu técnico, e ao final da temporada, anunciou que para 2013 ele não chamaria mais as jogadas, quem o faria seria o coordenador ofensivo Bill Callahan. Juntando esse circo a constante interferência de Jones nas decisões técnicas da equipe e a falta de estabilidade e sequência que esses técnicos tem que aguentar, e não me surpreende que os head coaches de Dallas tenham tido problemas nos empregos. Eu achava Phillips um HC muito ruim, e não acho Garrett bom, mas me pergunto se é possível ter sucesso no emprego com Jones reclamando, interferindo e mudando tudo que você faz. E na NFL, falta de consistência na comissão técnica é uma coisa que atrapalha demais a equipe a desenvolver.

Então isso é um problema. O outro é que nossos indicadores não apontam uma grande melhora esperada para 2012: o Pythagorean Expectation do time foi bem próximo de seu record (7.5 vitórias) e eles foram acima do esperado com um 7-5 (!!) em jogos decididos por uma posse de bola. A taxa de recuperação de fumble da equipe foi próxima da média (48,5%), também. Então juntando um time mediano em 2012, sem grandes indicadores de mudança, com um dono que não para de interferir no trabalho da comissão técnica e com nenhuma contratação de impacto junto de um Draft bem fraquinho (pegaram um C que devia cair para terceira rodada do Draft ao invés de ir atrás da grande necessidade do time e pegar um safety como Matt Elam), e é difícil se sentir tão otimista assim com o Cowboys.

A parte otimista fica por conta de dois fatores. O primeiro é o calendário. Depois de ter o sétimo calendário mais difícil de 2012, o Cowboys projeta para ter o sétimo mais fácil de 2013, então é um ponto positivo. O segundo fica por conta das lesões: Dallas tem um elenco cheio de grandes jogadores, mas com alguma falta de profundidade, e essa dependência dos seus melhores jogadores torna a equipe muito vulnerável a lesões a esses jogadores. Foi o que aconteceu em 2012: Bruce Carter perdeu os últimos seis jogos, Sean Lee perdeu os últimos 10, Jay Ratliff perdeu os últimos três e jogou a segunda metade da temporada baleado, DeMarco Murray perdeu seis jogos e jogou o resto machucado. Foi um festival de lesões nos jogadores chaves da equipe, especialmente mais para o final da temporada, onde as estatísticas da equipe pioraram. Mesmo que alguns desses jogadores (em especial Murray) já tenham se mostrado propensos a lesões, perder todos eles por tanto tempo e de uma vez só foi realmente um golpe duro que atrapalhou a temporada da equipe.

E tem o seguinte: o Dallas tem muito talento no seu time. Tem um dos melhores NTs da Liga (Ratliff), dois fantásticos LBs (Carter e Lee), dois excelentes DE/OLBs (Demarcus Ware e Spencer), e mesmo a secundária da equipe está bem mais forte com Brandon Carr e Morris Clayborne (embora precise de safeties... Elam cadê?). A defesa foi o grande problema da equipe em 2012, a décima pior da NFL, mas esse grupo tem talento demais para ser tão ruim assim. As lesões atrapalharam em parte, a indefinição tática atrapalhou bastante, mas não é absurdo esperar que com um pouco de saúde esse grupo possa voltar a ser uma boa unidade. Talvez não elite, mas pelo menos melhor do que o fiasco do ano passado. E mesmo que eu não ache Rob Ryan um péssimo coordenador defensivo, eu acho que as constantes mudanças de esquema, as reclamações na mídia e a personalidade forte dele (associada a todos os problemas já citados) contribuiram bastante para agravar o problema, e acho que é um grupo que se beneficiaria de uma mudança de ares.

Ofensivamente, ironicamente, as pessoas adoram atribuir os problemas do Cowboys ao Tony Romo e ao ataque aéreo da equipe. Até entendo que Romo não seja um QB de elite, e que isso frustre alguns torcedores, mas por algum motivo os torcedores adoram atribuir a ele a culpa de todos os problemas do time e todos os "quase" da equipe a ele. Talvez por ter começado sua carreira com aquele fumble bizarro no FG em 2006, talvez por ter ido passar um final de semana com a Jessica Simpson antes dos playoffs de 2007 (o que pegou mal), talvez porque ele tem alguns casos de errar em momentos cruciais das partidas (embora seus números gerais em situações apertadas de fim de jogo sejam bem próximos dos seus normais), ou talvez simplesmente porque é muito fácil culpar o QB quando as coisas dão errado na NFL. Mas o fato é que Romo é um Quarterback muito bom: ele foi o sexto melhor QB da NFL em 2012 em produção total, nono em produção por jogo, e 13th em QBR. Um pouco mais de maturidade e evolução por parte do talentosíssimo Dez Bryant e mais saúde do Miles Austin realmente ajudam ou ajudariam, mas Romo fez um trabalho muito bom em 2012. Embora o ataque da equipe tenha ficado em 11th na NFL, o ataque aéreo da equipe foi o sétimo melhor da Liga (atrás das potências Patriots, Broncos, 49ers, Packers, Seattle e mais o Redskins) inteira. Então mesmo que Romo não seja Aaron Rodgers, como a torcida adoraria que fosse, colocar a culpa dos problemas do time nele é um absurdo: Romo é um QB muito bom que tem produzido bem acima da média da NFL, e com boa eficiência mesmo com pouca ajuda do jogo terrestre (já chegaremos lá), e ele mereceu a extensão que recebeu quando lembramos que QBs menos provados já ganharam mais (embora a duração me incomode). E se você acha que o time perde porque ele não produz nos momentos chaves, lembre de Peyton Manning nos playoffs. Sim, ele perdeu o jogo porque lançou uma interceptação, mas só chegou a aquele ponto por causa da defesa que foi repetidamente queimada e do seu safety que cometeu um erro crucial nos segundos finais (e do seu técnico bundão que quis ajoelhar com 40 segundos, 3 tempos para pedir e Peyton Freaking Manning de QB). Culpar o QB sozinho pelas derrotas em jogos apertados é ridículo.

O problema do ataque, então, é o jogo terrestre. Foi a nona pior unidade de 2012 e isso se deveu a um conjunto de fatores: Murray perdeu algum tempo machucado (e quando jogou, esteve limitado), o time não teve profundidade em substituí-lo, e a linha ofensiva foi uma das piores da NFL em jogadas de corrida. Murray aqui, em particular, é o que mais preocupa, porque ele já perdeu 10 jogos por lesão em sua curta carreira, e talvez mais importante, a idéia de que ele é um grande RB se deveu apenas a uma temporada em 2011 e mais nada. Como podemos saber se o Murray de 2011 não foi uma aberração e na verdade o nível de 2012 é mais próximo do seu verdadeiro potencial? E se não for o caso, podemos esperar que ele se livre das lesões e jogue uma temporada inteira em alto nível pela primeira vez? 

O problema da linha ofensiva talvez seja ainda pior para o ataque. Ainda que fosse uma unidade muito sólida protegendo o QB, ela mostrou muita dificuldade para bloquear em sincronia, especialmente passando da linha de scrimmage e chegando nos LBs. Talvez a mudança de quem está chamando jogadas ajude um pouco, mas o problema aqui é a situação salarial da equipe. Poucos times estavam tão estourados no teto salarial como o Cowboys, que precisou fazer algumas mudanças nesse sentido só para conseguir acomodar os novatos e ficar abaixo do novo teto. Nesse contexto o time não pode fazer nenhum movimento atrás de um bom OL, o que provavelmente explica porque o time foi com tanta pressa pegar o center Travis Frederick bem antes do que ele era esperado para sair, era a unica chance do time de mehorar esse problema. Mesmo que Frederick entre bem nessa posição (reconhecidamente carente) da equipe, difícil que seja o suficiente para voltar a dar vida a esse jogo terrestre se Murray não estiver no mesmo nível de 2011. O que PODE significar uma melhora é o fato de que a linha do Dallas foi na verdade muito boa forçando passagem pelas linhas adversárias, tendo mais problemas com a segunda linha de defesa dos adversários. Ainda que isso seja, claro, um problema, é um problema que pode ser contornado um pouco se Murray retomar sua explosão anterior, visto que o tempo de exposição aos LBs adversários se torna menor. Mas ainda vai existir muita desconfiança em relação a esse jogo terrestre, e isso só dificulta as coisas para o ataque aéreo e para Tony Romo. Então esse provavelmente é o calcanhar de Aquiles do time, por ora.

Eu adoraria poder dizer aqui que o Dallas vai terminar 10-6 e ir aos playoffs (ou pelo menos Wild Card), que eu acho mais de acordo com o nível de talento que essa equipe tem, mas a desconfiança é grande demais. Foram muitos anos apostando em boas campanhas do Dallas e quebrando a cara, e toda a incerteza e as mudanças na comissão técnica vão cobrar um preço da equipe (que precisa, mais que uma linha ofensiva, que o Jerry Jones pare de se meter tanto nas decisões da equipe dentro de campo). Mas a equipe tem muito talento dos dois lados da bola e um pouco de saúde deve fazer maravilhas por essa defesa, assim como um ano a mais de entrosamento para algumas peças. A chegada de um novo coordenador defensivo pode fazer a defesa demorar para engrenar, mas se o trabalho for bem feito, essa unidade tem tudo para ser um bom grupo a médio prazo. Então apesar de todo o talento e toda a incerteza, eu acredito em uma boa campanha do Dallas acima de 8-8, 9-7 sendo o mais provável mas com potencial para cair ou subir dependendo de diversos fatores. Mas eu ainda não estou pronto para colocar o time nos playoffs, não por causa de Romo, mas por causa do circo que esse time virou nos últimos anos. Pena, porque o talento está ai, e se as peças encaixarem, esse time tem condições de terminar 11-5 e assustar. Mas não aposto nisso. Não ainda.