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sexta-feira, 7 de março de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - NFC (parte I)


"Gostei da coluna, deem um contrato de 24M para esse cara!"



AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Depois, falamos em duas partes sobre os times da AFC que não foram aos playoffs (Parte I e Parte II). Agora, é hora de falar dos times da NFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Para facilitar (AKA Carnaval), esse post também foi dividido em duas partes, com a segunda vindo no máximo segunda feira.


Times da NFC fora dos playoffs (Parte I)


Dallas Cowboys

Vamos fazer um pequeno jogo. Ele chama "Vamos ver se você está pronto para ser o General Manager do Cowboys" (título provisório). Suponha que você seja dono ou GM de um grande time de futebol americano, e seu time esteja algo como 15M acima do salary cap. Qual a sua primeira atitude quando acaba a temporada?

a) Dispensa alguns jogadores para tentar ficar abaixo do salary cap
b) Procura alguns de seus jogadores com maior salário e que assinaram contratos recentemente para uma possível reestruturação de contrato
c) Se prepara para um arriscado mas necessário processo para limpar a folha salarial (atual e futura) da equipe, ainda que as custas de algumas temporadas
d) Imediatamente oferece um contrato de 22M de patacas para seu kicker

Bom, se você quer trabalhar no Cowboys, aparentemente a resposta certa é a letra D. Mesmo muito acima do salary cap e sabendo o que isso significaria para o time, a primeira atitude da diretoria foi aumentar essa folha salarial com um contrato imenso para seu kicker.

Eu acho que não preciso passar tempo demais explicando porque essa foi uma péssima decisão. Sim, é importante ter um bom kicker e Dan Bailey tem jogado bem, mas considerando a situação que você se encontra, o custo-benefício desse tipo de contrato é péssimo. Você precisa de cada centavo que puder para evitar ficar acima do cap, claro, mas também para abrir espaço para calouros e free agents. Então porque você vai pagar 22M para um KICKER? Para quem não lembra, Dan Bailey foi para o Dallas como um calouro não-draftado em 2011 e ano passado ganhava 500mil... porque pagar sete vezes mais se você pode facilmente achar um substituto no draft com uma escolha tardia, ou mesmo sem gastar escolha nenhuma? Dallas Cowboys, pessoal!

Na verdade, esse é um resumo do grande problema do Cowboys, dos últimos anos, de hoje, e dos próximos anos: o time é incompetente e extravagante na hora de distribuir contratos, e por isso trava uma batalha eterna contra o salary cap, uma batalha que eles tem perdido. 15M acima do salary cap mais o contrato de Bailey, Dallas teve que se virar para conseguir entrar abaixo do limite de 132M, e para isso eles tiveram que recorrer ao que fazem todo ano nessa situação: reestruturar contratos. Reestruturar contrato significa que eles pegaram um jogador com um contrato muito caro que eles não podem dispensar, e transformaram uma grande parcela do salário desse jogador em um bônus. O resultado é que o seu valor de 2014 contra o salary cap cai consideravalmente, abrindo espaço imediato, mas também tem duas consequências: primeiro, esse dinheiro que você economizou em 2014 não desaparece, ele é redistribuido entre o resto do contrato do jogador, aumentando seu valor anual e gerando novos problemas salariais para o futuro; e o segundo é que, como esse dinheiro é transformado em dinheiro garantido, é muito mais difícil você dispensar o jogador futuramente, porque a maior parte do salário do jogador fica garantido e portanto esse dinheiro não sai da sua folha salarial mesmo em caso de dispensa. Então o Cowboys conseguiu entrar abaixo (300 mil) do limite salarial esse ano, mas para isso precisou reestruturar os contratos de Sean Lee, Tony Romo e Orlando Scandrick... e ainda assim, 300mil é muito pouco considerando que o time ainda precisa dar contratos para seus calouros, reforçar uma defesa que foi uma atrocidade em 2013 (e cujo melhor jogador é free agent!), e compor o resto do elenco (que precisa chegar a 53 jogadores). 

Esse problema no Dallas é antigo, e vem do péssimo julgamento da diretoria na hora de distribuir contratos (ver o caso do Bailey). O time não pensa duas vezes antes de distribuir contratos caros e longos para jogadores (free agents ou domésticos), mas não pensa nas consequências e na situação salarial da equipe, e isso acaba prendendo a equipe por muitos anos... anos nos quais o time continua cometendo os mesmos erros e lidando com os mesmos problemas. Para dar um exemplo, essa mania de ficar dando grandes contratos e depois os reestruturando significa que para 2015, antes de qualquer contrato de calouro ou free agent, o Dallas já tem 134M na sua folha salarial, no que significaria 2M ACIMA do salary cap de 2014 (nenhum outro time tem mais de 108M, só três estão acima de 100M, e os três foram aos playoffs, btw). 

Por isso o Dallas foi o maior beneficiado do recente aumento no salary cap (132 para 2014 e espera-se 140 para 2015), que lhe deu algum alívio e impediu dispensas mais dolorosas, mas isso não é o suficiente. O time tem uma base muito boa, mas também tem uma defesa horrível que está PERDENDO Jason Hatchet, tem diversos buracos e não tem qualquer tipo de profundidade. Esses são problemas que o time dificilmente vai conseguir arrumar enquanto tiver que pensar primeiro em abrir salários e depois em contratar jogadores novos, e isso só vai acontecer quando o Jerry Jones mudar sua postura de contratações e contratos extravagantes, entender o problema, aceitar uns dois anos mais quietos para limpar essa folha salarial, e dai voltar a brigar com tudo. Só quando isso acontecer o Cowboys vai poder voltar a ser um concorrente ao título estável. 


New York Giants

Outro time da NFC East vindo de uma temporada decepcionante e com problema salariais! Embora para ser justo, os problemas saláriais do Giants são muito mais pontuais e específicos que os dos seus rivais, mas isso não quer dizer que a situação em NY esteja boa: são apenas 18M em espaço salarial, e a equipe tem alguns free agents importantes, inclusive seu melhor jogador de 2013 (Justin Tuck), defensores importantes como Corey Webster, Terrell Thomas, Jon Beason e Linvall Joseph, e mais Hakeem Nicks (99% de chance de sair, mas precisarão de alguém para o lugar) e Andre Brown no ataque. 18M definitivamente não vai dar, e embora possam abrir mais 13M dispensado Chris Snee e Antrell Rolle (e nenhum dos dois é uma dispensa confortável), ainda parece pouco frente a quantidade de buracos que a equipe mostrou em 2013. A janela não parece grande para 2014, embora nenhum time saiba melhor que o Giants que, uma vez nos playoffs, você tem totais chances de ser campeão se pegar fogo na hora certa e contar com a sorte.

Embora difícil colocar a temporada 2013 do Giants em contexto, o grande problema foi mesmo a linha ofensiva: NENHUM linemen do Giants teve um rating positivo pela PFF em pass block, e todos os 7 OL que jogaram pelo menos 400 snaps tiveram notas vermelhas (com o aposentado David Diehl liderando a desgraça com -20.1). O resultado foi que o time teve o terceiro pior ataque terrestre da NFL com 3.5 jardas por corrida, e uma combinação de um péssimo Eli Manning (piores marcas da carreira em TDs, interceptações, rating e QBR), WRs surpreendentemente ineficientes e claro, péssimas atuações da linha ofensiva protegendo o QB também fizeram o Giants acabar com um dos piores ataques aéreos da NFL também. O resultado foi... hmm... bem ruim. Mas o Giants ainda está aparentemente decidido em continuar comprometido com Eli, acreditando que 2013 tenha sido apenas um outlier e que as coisas mudarão com uma linha ofensiva que não o deixe tão exposto.

Claro, o problema é que não é fácil montar uma linha ofensiva quase inteira da noite para o dia, especialmente sem espaço salarial. Justin "Tiranossauro Rex" Pugh foi ok na sua temporada de calouro e David Bass voltando de lesão deve ajudar, mas isso ainda deixa três vagas - inclusive duas de tackle - sem dono e sem uma boa alternativa doméstica. O draft é bastante profundo em linha ofensiva, o que é um consolo, mas não é como se fosse o único problema do Giants: o time precisa de WRs e um TE para substituir Nicks e melhorar seu corpo de recebedores, e algumas decisões complicadas de RB precisam ser tomadas entre Andre Brown se tornando free agent, a saúde de David Wilson e Brandon Jacobs sendo Brandon Jacobs. Não é um caminho fácil para NY, especialmente considerando sua falta de espaço salarial e a questão abaixo.

Defensivamente, o time se saiu muito melhor do que pareceu, terminando com o sexto melhor DVOA defensivo da temporada passada, mas precisa tomar decisões difíceis. Linvall Joseph e Tuck foram os dois melhores jogadores defensivos do Giants em 2013, e não vai ser fácil encaixar os dois na folha salarial do time. É possível que o Giants deixe Tuck ir e tente repor sua produção com uma combinação de Mathis Kiwanuka voltando a forma depois de um péssimo 2013 e Jason Pierre-Paul... bem, voltando a forma depois de um decepcionante 2013, mas é um risco enorme. Joseph não tem o mesmo pedigree desses três, mas tem sido uma presença consistente no meio da linha do time nos últimos anos e é um pilar do jogo terrestre, então não pode sair. E enquanto decide o que fazer com sua linha, o time tem que decidir o que fazer com a secundária, com Rolle, Webster e Thomas exigindo novos contratos (três jogadores importantes em 2013) E tentar adereçar seu grande problema defensivo, seu grupo de linebackers que ainda tem Benson virando free agent. O Giants tem um potencial de regressão interessante no ataque em um draft favorável (profundo em OL e WR) e a defesa, se mantiver o ritmo de 2013, pode levar o time a ser competitivo novamente, mas me parecem buracos e incógnitas demais para um time que não pode contar com a free agency para se reforçar.

Washington Redskins

Para começar, as notícias ruins: a troca de Robert Griffin III, que parecia uma enorme vitória um ano atrás, acabou saindo pela culatra, com uma lesão no joelho e um péssimo 2013 que forçou o Redskins a mandar a 2nd pick de um draft profundo para Saint Louis. Além disso, a péssima atuação de RG3 em 2013 levantou todo tipo de questão sobre sua saúde ou mesmo se seu excelente 2012 não teria sido apenas um outlier impossível de ser repetido. E em meio a tudo isso, o Redskins ainda mudou sua comissão técnica, trazendo uma certa incógnita para como esse time vai se reorganizar para o futuro, ainda mais sem uma 1st round pick.

A parte boa é que finalmente os problemas salariais do Redskins receberam um alívio agora que Albert Haynesworth e o pior contrato da história da NFL finalmente saíram da sua folha de pagamentos, dando ao time alguma flexibilidade: mesmo depois da Franchise Tag em Brian Orakpo (seu melhor jogador defensivo de 2013, sem dúvida), a equipe ainda tem 20M livres, não tanto assim mas muito melhor do que a situação recente da franquia. E claro, também tem o fato de que o Redskins não precisa se focar em vencer imediatamente. O núcleo do time é sólido, especialmente no ataque (o time tem três excelentes OLs que podem formar uma das melhores linhas do jogo com alguma ajuda, Alfred Morris tem sido ótimo como profissional, e Jordan Reed e Pierre Garçon são opções jovens e promissoras no jogo aéreo), e principalmente jovem. O time não possui veteranos caros ou muito valiosos - pelo contrário, seus principais jogadores todos são ainda novos - e, mesmo com a temporada 2013 indo pro lixo e perdendo uma 1st round pick valiosa, não tem motivo para o time entrar em pânico e tentar resolver tudo no curto prazo. Junte a isso uma nova comissão técnica que não tem a pressão de vencer imediatamente e que teria tempo para um projeto mais completo, e o futuro do Redskins passa a ser mais interessante olhando além de 2014.

A maior incógnita, hoje, seria a posição de QB, mas mesmo essa não deve incomodar demais o Redskin por enquanto. Mesmo que ele nunca chegue a reproduzir o nível de 2012, também não deve para sempre ser o fiasco de 2013, e com mais três anos em Washington (que não pode cortá-lo sem incorrer em enormes valores entupindo sua folha salarial, e uma troca seria vender muito baixo dado o valor pago por ele) e sem pressa para vencer agora, o time vai ter muito tempo para desenvolvê-lo, ver como ele rende com seu joelho enfim saudável, antes de tomar uma decisão (btw, não venham me falar em Kirk Cousins - ele simplesmente não é um bom QB de NFL, e não oferece o potencial de médio prazo de RG3). Ainda que exista a dúvida de como ele se adaptará ao novo esquema ofensivo e como o ataque terrestre vá render seu o esquema de bloqueios por zona de Mike Shanahan, RG3 terá boas condições ao seu redor para esse desenvolvimento, com dois alvos bons e jovens que devem receber ainda mais ajuda via draft, e uma boa linha. 

Defensivamente, os dois jogadores que valem a pena manter são jovens (Orakpo e Ryan Kerrigan), então não tem porque apressar as coisas. Claro, a defesa precisa de ajuda e talento - esses são os dois únicos jogadores que realmente se salvam por lá - mas pode fazer isso com calma, draftando e desenvolvendo talentos. Não existe nenhum foco ou contrato largo de um veterano forçando a equipe a vencer imediatamente, e portanto seria burrice tentar. Mas com a boa base ofensiva, regressão positiva de RG3 e um pouco de paciência, esse time pode voltar a ser competitivo em um futuro não tão distante.


Atlanta Falcons

Se antes da temporada passada você sentasse e desenhasse como seria a pior temporada possível para o Atlanta Falcons, ela seria muito semelhante ao que aconteceu de fato. O pior cenário seria justamente lesões atrapalhando o ponto forte da equipe, construído com muitos custos - seu ataque espetacular - e tirando os principais titulares da equipe, desalecerando seu ataque e expondo a enorme falta de profundidade e a defesa frágil do time. Foi exatamente o que aconteceu, com Roddy White e Julio Jones machucando, a OL tendo alguns problemas e ninguém para solucionar ou substituir, e a defesa não conseguindo, novamente, se manter consistente. O Falcons de 2012 foi longe com uma defesa fraca compensada por um excelente ataque, mas sem seu ataque, a quarta pior defesa de 2013 não chegou perto de fazer um papel respeitável.

A verdade é que com essa defesa horrível e alguma regressão, eu não sei se o Falcons teria ido aos playoffs mesmo sem as lesões - mas elas não ajudaram. A verdade é que a fragilidade do Falcons em algumas áreas e sua enorme falta de profundidade (que veio a tona em 2013 com tantas lesões) tem a mesma fonte: o time montou seu elenco concentrando investimentos demais - tanto financeiramente como em recursos gerais (AKA escolhas de draft)- no seu ataque em detrimento das demais áreas. Então considerando a grande quantidade de buracos da equipe (só a DL e Desmond Trufant se salvaram dessa péssima defesa, a linha ofensiva foi um buraco só e perderam Tony Gonzalez) e os recursos interessantes da equipe (25M de cap space com só três free agents significantes, escolhas altas de draft), o time tem algumas decisões interessantes a tomar para voltar a competir no curto prazo.

Primeiro, eles podem manter seu plano original que funcionou em 2012, e ir atrás de grandes reforços para o ataque. Um OT me parece uma certeza com a 6th pick desse draft, uma posição que foi provavelmente o maior problema da equipe em 2013, mas a partir dai é uma incógnita. Se reforçar o ataque para voltar ao patamar de 2012 for a prioridade, o time precisa urgente ir atrás de um substituto para Tony Gonzalez, não apenas como tight end mas principalmente como a arma de segurança em conversões curtas e médias. Gonzalez era talvez o melhor recebedor da NFL nos últimos dois anos nesse tipo de jogada, e era na direção dele que Matt Ryan olhava. Mesmo com Julio Jones e Roddy White saudáveis, o time precisaria desse cara mais grandalhão para o meio do campo. Um novo WR também não seria mau nesse draft tão profundo, embora isso possa esperar mais para frente. Um OT primeiro, depois alguma profundidade para a OL e um TE grandalhão seriam as prioridades.

No entanto, o time pode se contentar com a volta de White e JJ saudáveis e a chegada de um novo OT com a 6th pick (de novo, esse é uma certeza a não ser que alguém como Jadeveon Clowney caia), e com a profundidade desse draft para trazer novos alvos, para reforçar a defesa e tentar montar um time mais balanceado. Além de trazer de volta Jonathan Babineaux e talvez um reforço para CB (Assante Samuel é FA e pode voltar a um preço razoável), o time precisa URGENTe de um pass rusher competente. Osi Umenyora foi uma decepção em seu primeiro ano, e apesar da linha defensiva ter se saído bem, foi principalmente contra a corrida e não gerando algum tipo de pressão. Um DE (Jared Allen é uma opção interessante vindo da free agency, btw) poderia fazer o papel, mas trazer um bom OLB pode reforçar dois dos problemas da equipe, a cobertura atrás da linha E o pass rush, e me parece o ideal (ou os dois - espaço salarial tem). A secundária também precisa de ajuda, especialmente se Samuel sair e ninguém vier em troca - Trufant foi muito bem em 2013, mas a falta de ajuda nos safeties e no pass rush atrapalham seu desenvolvimento, e é por ai que o time tem que continuar montando uma boa defesa.

Claro que não estou dizendo que o time vá focar em apenas uma coisa nessa offseason, precisa obrigatoriamente olhar para ambas. A questão é que uma deve ter prioridade ou o time corre o risco de gastar seus ativos e cap e não reforçar nenhuma de forma significativa. Considerando o novo contrato de Matt Ryan, possivelmente que seja o ataque a receber prioridade, ainda mais em um draft profundo em OL e WR, mas sem pass rush e ajuda para Trufant na secundária, eu acho difícil o Falcons sobreviver na cada vez mais forte NFC South. 


Tampa Bay Buccaneers

Outro time que tem a chance de um novo começo com um novo técnico (e um novo uniforme bem feio), e outro time que foi uma decepção em 2013. No caso do Bucs, o time gastou pesado na offseason, trazendo Darrelle Revis e Dashon Goldson e em geral investindo pesado em posições importantes para competir o quanto antes. E claro, a temporada foi um desastre do primeiro momento até o último, com até uma epidemia de MRSA atingindo o time e tirando jogadores da temporada.

Ainda assim, a temporada expôs do Bucs uma série de problemas, alguns esperados. Greg Schiano, um péssimo técnico, acabou custando ao time mais do que talvez qualquer outro técnico da temporada e acabou demitido, não antes de destruir a carreira de Josh Freeman (ex-JAAAASH Freeman) e se tornar o símbolo de uma franquia marcada por muito talento mas falta de cabeça e controle. Lavonte David (alias, um jogador espetacular) custou uma vitória ao time uma vitória com uma falta pessoal nos segundos finais fora de campo, Goldson chegou a ser suspenso pelo excesso de faltas pessoais, o time supostamente se cansou do seu técnico na metade da temporada. Poderia ter sido melhor, o time até não foi horrível (18th em DVOA), mas foi muito abaixo do que esperavam.

Agora chega Lovie Smith, e a defesa agradece. Smith é famoso por ser um bom técnico de defesas, fazendo ótimos trabalhos em Chicago desse lado da bola, e vai encontrar uma boa base para trabalhar. Tampa Bay teve a oitava melhor defesa da NFL, e conta com três talentos espetaculares nas três fases da defesa, com Gerald McCoy na linha, David nos LBs e Darrelle Revis, ainda o melhor CB da NFL mesmo voltando de lesão, na secundária - além claro de jogadores talentosos que não contribuíram em 2013 mas que já tiveram bons anos no pasasdo, como Adrian Clayborn e Dashon Goldson, além da 5th pick de 2012 Mark Barron. Mesmo sem contribuições desses três jogadores, o time teve uma s´ølida defesa em 2013, mas sempre me pareceu um time com o talento em mãos mas que não conseguia tirar o melhor deles. Com um especialista em defesa, me parece uma ótima chance para esses bons jogadores finalmente encontrarem seu melhor jogo e se tornarem um grupo realmente dominante. Especialmente porque o time deve aproveitar a sua escolha alta de draft (#7) e adereçar sua grande deficiência defensiva: a falta de pass rush. Apenas McCoy e David conseguiram render algum tipo de pressão em 2013, o que é muito pouco para um time como esse, especialmente um que deve jogar em Tampa 2 ano que vem. Um OLB que seja mais pass rusher do que David ou um DE de alto nível tornariam essa defesa ainda melhor.

No ataque, fica a enorme questão do "e se". Dois anos atrás, Carl Nicks e Davin Joseph seriam a melhor dupla de guards da NFL e o Bucs teria tudo para ter uma excelente linha ofensiva, mas é um risco. Joseph machucou em 2012 e não chegou perto do que pode render em 2013, e Nicks perdeu quase todo 2013 com MRSA. Se o Bucs achar que os dois podem se recuperar e render perto do seu nível anterior, então o ataque tem uma boa linha e pode ir atrás de mais alvos, um segundo WR e um TE. MAs é um risco enorme, e eu particularmente não acho que Nicks e Joseph voltarão em 2014 ao nível de elite, o que não só prejudica a proteção ao QB como atrapalha demais o plano ofensivo antigo de ser uma potência terrestre. QB é um tanto quanto um ponto de interrogação nesse time também, mas as interessantes performances em 2013 de Mike Glennon provavelmente lhe garantiram mais um ano para tentar mostrar do que é capaz com uma equipe nova. Mas sendo assim, ele vai precisar de mais ajuda: Vincent Jackson é excelente WR mas jogou praticamente sozinho em 2013, e embora Timothy Wright tenha se mostrado uma opção interessante no jogo aéreo ele é um horrível bloqueador para ser um TE titular consistente. A linha também é uma incógnita, e de modo geral falta a esse ataque talento.

O problema do Bucs é que a defesa e o ataque passam mensagens trocadas. Enquanto a defesa, com seus jogadores caros e alguns veteranos (em particular uma moeda de troca excelente em Darrelle Revis) indicam que esse é um grupo para se brigar pelos playoffs o quanto antes, o ataque claramente não tem nem o talento nem a definição nas principais posições para seguir o mesmo caminho. Se o time vai mesmo experimentar com Mike Glennon, então o ideal era ter um ou dois anos de paciência, e embora jogadores jovens como Barron, Clayborn, David e McCoy estarão por ai nesse tempo todo, não é tão ideal pagar tanto dinheiro para sua defesa reconstruir... especialmente com Revis sendo o mais caro, mais atraente no mercado e menos interessante no médio/longo prazo. O que deixa uma pergunta interessante: o Bucs tenta pegar o caminho mais neutro, tentando balancear sua ótima defesa com um ataque que deve se desenvolver aos poucos e fica meio que um time híbrido sem uma identidade imediata... ou faz o difícil, troca Revis, ganha uma escolha nova de draft e investe mais no médio prazo com uma defesa que ainda deve ser excepcional e um ataque mais pronto? Acho difícil, mas seria a opção mais interessante.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Pontos importantes da semana 5 da NFL

Esquecemos isso ano passado, mas Luck foi 1st pick por um motivo


Ainda não participou da nossa ultra nerd e ultra divertida promoção de NBA? Não sabe o que está perdendo! Clique aqui e tenha a chance de ganhar um livro massa de basquete - ou pelo menos ter o que fazer nessa offseason!!

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Mais uma semana na NFL chega ao fim, uma semana interessantíssima que envolveu dois times perdendo a invencibilidade, algumas zebras, dois jogos de domingo a noite, e alguns jogos verdadeiramente sensacionais que tivemos a sorte de assistir na TV (dica: não estou falando de Niners-Texans). Como sempre, vamos agora dar uma passada por alguns dos pontos mais interessantes ou importantes do que passou nesses últimos dias.

Para os perdidos de plantão a idéia aqui é a seguinte: isso aqui NÃO é um recap da rodada, e o nosso intuito não é passar por todos os jogos ou falar de todos os jogadores, bons ou não. Outras pessoas podem fazer isso, mais rápido e melhor do que eu, e eu também não acho que isso se enquadre na proposta do blog. A proposta aqui é para dar uma olhada nos fatores, dentro de cada jogo, que são relevantes ao maior cenário da NFL. Vamos olhar a performances que foram importantes mas receberam pouco crédito, fatores pouco observados que estão influenciando alguns pontos importantes, e por ai vai. Então de novo, o objetivo não é passar por todos os jogos e falar alguma coisa relevante: muitas vezes teremos dois ou mais pontos sobre um mesmo jogo, e jogos sem comentário nenhum. 

Então vamos logo que temos muito a dizer hoje, começando com...

O eterno problema das narrativas pré-determinadas


E se eu te dissesse o seguinte: tem um QB que, no jogo da sua equipe esse domingo que passou para 506 jardas completando 25 de 36 passes, além de cinco TDs com apenas uma interceptação. Ele se tornou apenas o 16th QB da história da NFL a atingir a marca de 5000 jardas, e no processo quebrou dois recordes históricos, precisando do menor número de arremessos de qualquer QB para atingir a marca de 500 jardas E terminou o jogo com o maior número de jardas por passe (14.1) que um QB já teve lançando pelo menos 30 passes. Suas proezas ofensivas foram responsáveis por 48 pontos para sua equipe, mantendo seu time pau a pau na partida contra o melhor ataque dos últimos 50 anos da NFL e jogando melhor que o melhor QB da NFL na atualidade, em uma partida onde sua defesa foi quase inexistente, incapaz de registrar um sack OU um hit no QB adversário... e tudo isso sem seu segundo melhor WR e enfrentando o melhor time da NFL. Se eu te dissesse isso, você certamente iria concluir, acertadamente, que foi uma das melhores performances de um QB nos últimos tempos, que fez tudo que era humanamente possível para manter seu time no jogo contra um ataque extremamente dominante e com muito pouco apoio de uma defesa que foi totalmente dominada, e cuja vitória não foi possível certamente não por conta de sua performance. Essa é a única conclusão que pode ser tirada depois do QB ter jogado dessa maneira.

A não ser, é claro, que você seja Tony Romo.

Quando você é Tony Romo, parece que você não tem nunca salvação. Durante os primeiros 35 arremessos, Romo teve uma performance histórica e manteve sozinho o Cowboys na partida contra o todo-poderoso Denver Broncos, dono do melhor ataque da liga, em um dia em que sua defesa jogou muito mal, passando para 500 jardas e um TD. Não importa o que você diga, o fato é que o Cowboys só estava ainda disputando a partida no segundo tempo porque Romo colocou o time nas costas e começou a fazer lançamento absurdo atrás de lançamento absurdo, escapando de sacks e achando seus recebedores em espaços minúsculos. Se não fosse por uma atuação genuinamente histórica, não teria nenhum jogo apertado para perder, provavelmente acontecendo o mesmo que vimos semana passada quando o Eagles perdeu de 53 a 20 para esse mesmo Denver. Mas ao invés de focarem nisso e de exaltarem a grande partida de Romo que quase conseguiu sair com a vitória, todo mundo parece ter uma necessidade patológica de colocar a culpa nele para a derrota, focando apenas na interceptação que ele lançou com seu último passe quando o jogo estava empatado 48-48 nos minutos finais ao invés de reconhecerem o que ele fez nos outros 35. Sua interceptação aconteceu em um lançamento ruim e forçado, e levou naquele momento a derrota de sua equipe, mas colocar a culpa em Romo pela derrota é esquecer de tudo que ele fez para o jogo chegar naquele momento. É intencionalmente olhar para apenas um fator que contribuiu para o resultado final porque ele se encaixa na narrativa pré-determinada e ignorar todos os outros fatores ao longo dos outros 46 minutos de jogo que fizeram a partida ser o que foi, e ignorar toda a falta de ajuda que o Cowboys teve do jogo terrestre (50 jardas apenas) e da defesa (que não encostou em Peyton Manning, literalmente, nenhuma vez no jogo).

Claro, isso vem da necessidade que todo mundo parece ter de achar rótulos para os jogadores e querer encaixar tudo que acontece nesses rótulos. No caso do Romo, o rótulo é de que ele é amarelão, de que não conseguem ganhar jogos decisivos ou nos quartos períodos, um rótulo que também se estende ao time do Cowboys. Então quando Romo comete um erro decisivo no quarto período, todo mundo corre para encaixar isso na narrativa de que ele não consegue vencer esses jogos e corre para atribuir toda a culpa ao QB, mesmo que isso esteja muito longe da verdade. Foi a mesma coisa nessa offseason, quando muita gente correu para atribuir a (falsa) fama que Dallas tem de amarelar nas retas finais de temporada ao Romo, pedindo a saída do QB como se fosse o problema da equipe. E as pessoas fazem isso porque é muito mais fácil simplesmente encaixar os fatos numa história pré-determinada do que fazer um esforço de pensar e analisar cada fator que contribuiu para o resultado.

O problema é que essas narrativas, como sempre, são fabricadas, e depois tudo que acontece é distorcido em termos de causa e efeito para se encaixar nessa narrativa. No preview de Dallas para essa temporada, eu mostrei de perto porque essa narrativa de "amarelão" da equipe é totalmente exagerada e como todos os finais de temporadas podem ser explicados por fatores como azar ou uma tabela que por acaso ficou mais difícil no final. No caso de Romo, também existem muitas evidências apontando em fator dele contra essa sua fama. Romo liderou a liga em 2012, na verdade, em viradas no quarto período com cinco - um número que não inclui uma campanha nos segundos finais para empatar um jogo contra o Saints (eventual derrota em OT) e uma campanha que deveria ter resultado em uma virada contra o Ravens mas que terminou em um FG errado do kicker Dan Bailey. Na verdade, desde que se tornou titular em 2007, Romo possui o quinto melhor rating entre todos os QBs da NFL em quartos períodos com o jogo separado por uma posse de bola ou menos, atrás de Aaron Rodgers, Eli Manning, Peyton Manning e Drew Brees. Na verdade, desde que a estatística foi criada, Romo lidera a NFL em QBR para QBs no quarto período, e embora esse número caia quando consideramos apenas os três minutos finais dos quartos períodos, ele ainda está empatado com Tom Brady e Matt Ryan, dois QBs considerados "clutch". Mas ainda assim, continuamos distorcendo tudo que acontece para encaixar na nossa narrativa de que ele não sabe vencer jogos ou jogar nos finais de jogo. Assim como aconteceu domingo: Romo fez tudo que era humanamente possível para manter seu time no jogo praticamente sem ajuda da defesa ou jogo terrestre, jogou melhor que Manning e conseguiu deixar o jogo apertado no quarto período, mas lançou um passe ruim que determinou o fim da partida... e todo mundo foca nesse último passe para apontar que ele amarelou ao invés de lembrar tudo que ele fez para que o jogo sequer chegasse a esse ponto.

Mas claro, você ainda vai ler muito por ai sobre como Romo custou o jogo ao Cowboys e como ele é um problema, porque sempre será mais fácil repetir algo que já está estabelecido do que pensar e analisar até chegar na verdade. Isso nunca vai mudar. Só saibam que Romo tem sido um dos melhores QBs dessa temporada e que teve um jogo excepcional contra o melhor time da NFL, e que sua interceptação em nenhum momento apaga o brilho que teve no resto da partida. Se você acha que Romo é o problema do Cowboys, é melhor pensar de novo.

Andrew Luck Bandwagon


Você provavelmente já ouviu falar em "Sophomore Slump" alguma vez na sua vida, ou pelo menos algum conceito semelhante. Sophomore slump é aquele conceito segundo o qual os segundo anistas da NFL (ou qualquer outra liga, na verdade) teriam uma queda de rendimento, ou algumas dificuldades no seu segundo ano na liga. Embora algumas pessoas apresentem ou vejam isso quase como uma coisa mística governada por leis acima da nossa compreensão, a verdade é que a sophomore slump tem uma explicação bastante simples. Quando esses jogadores - em especial quarterbacks - entram na NFL, é uma incógnita como eles jogarão e como irão adaptar seu jogo a essa nova realidade, como o playbook de seus novos times vai utilizá-los. Então durante o primeiro ano desses jogadores, tudo é basicamente uma surpresa: ninguém conhece seu estilo de jogo direito, ninguém tem vídeos ou tempo para analisar com calma suas forças e fraquezas, e mesmo os times que irão te enfrentar não tem o tempo ou a amostra para analisar cuidadosamente todos os seus aspectos. Ao final da primeira temporada, é diferente. Todos os times já possuem 16 jogos de vídeos e dados para analisar, e uma offseason inteira tendo esses vídeos nas mãos para destrinchar tudo sobre o jogador, de forma que o calouro não é mais uma surpresa ou uma incógnita, todo mundo sabe agora se adaptar para melhor defendê-lo. Por isso acontece esse "sophomore slump", porque o que esse jogador fazia antes começa a ser melhor defendido e mais previsível, então ele precisa passar por um período de adaptação e transição novo para mudar ligeiramente seu jogo e se adaptar as mudanças que os adversários estão fazendo para combater seu skill set "inicial". Esse período de adaptação é o que normalmente chamamos de sophomore slump, o tempo que o segundo anista demora para contornar esse problema.

Mesmo os melhores calouros não são exceção. Ano passado, a chamada "Gang of Four" - ou seja, os três calouros Andrew Luck, Russell Wilson e Robert Griffin, mais Colin Kaepernick em seu primeiro ano como titular - colocaram fogo na NFL com sua velocidade, capacidade de improvisação e talento de maneira geral, levando seus quatro times aos playoffs, e com Kap, Griffin, Wilson e Luck terminando a temporada em 3rd, 6th, 8th e 11th em QBR, respectivamente. A expectativa então era que eles fossem explodir com um ano a mais de experiência.

Não aconteceu até agora. Na verdade, três desses jogadores tem sofrido um pouco na sua segunda temporada, seja pela sophomore slump ou por motivos diversos. Robert Griffin foi o Rookie of the Year de 2012 depois de uma temporada espetacular que o viu completar 65.6% de seus passes com 8.1 jardas por passe e um QBR de 71.4, mas não tem sido o mesmo desde que voltou da lesão no joelho, talvez por estar fisicamente desgastado, ou talvez por não ter a mesma confiança no seu corpo e seu joelho: o aproveitamento caiu para 62.4% e perdeu uma jarda por passe, suas interceptações praticamente dobraram, ele parou de correr, e viu seu QBR despencar para um horrendo 29.15. Colin Kaepernick e Wilson estão tendo um 2013 sólido mas complicado, em parte por causa dos problemas de suas equipes com wide receivers e jogadores de linha ofensiva, respectivamente: Kaepernick, assumindo um papel mais de tomar conta da bola e tomar decisões conservadoras agora que tem menos alvos para aproveitar seu bom braço, está em 11th na NFL com um QBR de 57.4, e Russell Wilson tem tido bons números se aproveitando eficientemente das boas situações criadas pela sua defesa e jogo terrestre, mas tem tido dificuldade para criar suas próprias campanhas, aparecendo em 13th apenas com um QBR de 55.3. Embora Griffin tenha um motivo claro para seus problemas, e Kap e Wilson não estejam exatamente tendo um ano ruim, os três estão sofrendo nesse começo de 2013 mais do que o esperado, sofrendo um pouco com a sophomore slump.

A exceção a isso é o QB que, apesar de ter sido a 1st pick apenas um ano atrás, acabou ficando em segundo plano no hype comparado aos seus três companheiros: Andrew Luck. Enquanto os números e mesmo a atuação dos demais QBs deram um passo atrás em 2013, a de Luck deu um tremendo passo a frente:

2012 Andrew Luck: 339/627, 54.1%, 4374 jardas, 7.0 Y/A, 23 TDs, 18 INTs, 64.99 QBR
2013 Andrew Luck: 97/156, 62.2%, 1144 jardas, 7.2 Y/A, 7 TDs, 2 INTs, 77.11 QBR
13' Luck (projetado para 16 jogos): 310/499, 62.2%, 3660 jardas, 7.2 Y/A, 23 TDs, 6 INT

E isso sem levar em consideração que Luck está sendo o segundo QB mais valioso correndo com a bola nessa temporada (atrás apenas de Michael Vick) e que enfrentou uma tabela bastante complicada até aqui, que inclui jogos contra as fortes defesas aéreas de Seahawks e 49ers (ok, um contra o Jaguars), então esses números se fossem ajustados seriam ainda mais impressionantes. De fato, o QBR de Luck é o quarto melhor da NFL e está virtualmente empatado com o segundo colocado (Drew Brees), atrás apenas do inigualável Peyton Manning.

E assim como eu defendi que o que Luck fez em 2012 não podia ser medido em números comuns (seus números "normais" são até bastante medíocres, mas quando colocados em contexto, eles são muito impressionantes), os números de 2013 contam apenas parte da história. Luck tem um time melhor ao seu redor do que a máquina de pesadelos de 2013, mas não é exatamente o 49ers de 1989: a linha ofensiva ainda é muito ruim protegendo o QB, permitindo que Luck fosse atingido mais vezes que qualquer outro QB que não seja Ryan Tannehill (outro segundo anista que está tendo dificuldades e viu seu QBR cair, btw) - e com uma das contratações feitas para melhorar esse grupo e proteger seu franchise QB fora da temporada já. Seu corpo de recebedores se beneficiou de mais um ano de TY Hilton e Coby Fleener, mas Dwayne Allen está fora da temporada. E por todo o hype que a chegada de Trent Richardson produziu, o ex-RB do Browns está sendo absolutamente medíocre (ou pior) em Indianapolis, só conseguindo 3 jardas por corrida onde Ahmad Bradshaw, Vick Ballard (ambos fora da temporada) e Donald Brown passam das 4.5 YPC cada um. É um grupo melhor do que em 2013, sem dúvida, mas não por muito.

E juntando tudo isso está Andrew Luck, o cara que faz tudo acontecer. Assistir Andrew Luck jogar é quase como uma colagem dos melhores atributos que você encontra na NFL, e ao mesmo tempo algo totalmente diferente: ele tem a habilidade de Romo e Big Ben para achar ganhar tempo no pocket e estender as jogadas, a habilidade de Russell Wilson e Kaepernick de mudar jogos e converter jogadas com suas pernas (Luck foi o terceiro melhor QB correndo de 2012 e o segundo de 2013, btw), o braço forte e a precisão para fazer qualquer arremesso e converter qualquer jogada como Drew Brees, e o meu favorito, a capacidade sobre-humana de Aaron Rodgers de fazer arremessos perfeitos em movimento e/ou contra o movimento de seu corpo. E ao mesmo tempo, tudo que ele faz é de uma forma diferente de todos os demais e com uma graça e eficiência própria, que fez um dos meus escritores favoritos colocar que "É inútil comparar Andrew Luck ao outros jogadores, porque já ficou claro que algum dia compararemos jogadores a Andrew Luck". E em um time do Colts que evoluiu mas ainda tem muitos buracos, é o jovem QB que tem feito toda a diferença conduzindo o ataque com maestria e convertendo um número impressionante de jogadas de extrema dificuldade sendo obrigado a fugir de um sack porque sua OL errou novamente os bloqueios. Tem mais sobre o sucesso do Colts do que apenas a evolução de Luck, que vai ganhar uma coluna própria muito em breve (provavelmente na quinta que vem), mas as atuações do garoto - essa semana engolindo uma muito boa secundária do Seahawks e combinando com TY Hilton para fazer Richard Sherman parecer um jogador da CFL - são o principal motivo pelo qual esse ataque está atualmente como o quarto melhor da NFL. Se a temporada acabasse hoje, Andrew Luck seria meu MVP não chamado Peyton Manning na frente de Brees (embora eu não tenha nenhum problema se você preferir Brees). E a parte assustadora é que, contornando seu sophomore slump, elevando seu jogo a novos níveis, emergindo como um dos melhores QBs dessa temporada e levando seu time a um excelente começo de 4-1 e novamente aparecendo como um time a ser temido, Luck está apenas começando a atingir seu enorme potencial. Eu não poderia estar mais animado pelo que vem pela frente.

As lesões começam a acumular


Estamos começando a chegar no ponto da temporada onde as lesões começam a acumular e afetam o desempenho e os prognósticos futuros das equipes de forma mais definitiva. Uma lesão importante antes da temporada é um problema, mas um que pode ser contornado de certa forma já que os times tem tempo para agendar trocas, estudar free agents, remontar seu plano de jogo ou mesmo aproveitar o draft para adereçar seu problema e suas fraquezas. Uma lesão importante durante a temporada é pior, pois é um ponto onde as perspectivas de arrumar um substituto são consideravelmente menores e onde isso afeta muitos cenários distintos, incluindo as perspectivas para o resto da temporada e o desenvolvimento do plano da equipe como um todo. E são essas lesões que atualmente estão começando a preocupar alguns times que poderiam ser favoritos ou mesmo de interesse ao longo da temporada.

No primeiro jogo da rodada, quinta feira, já tivemos duas lesões significativas, com Bills e Browns perdendo seus QBs por lesões em uma partida que foi divertida mesmo com Jeff Tuel e Brandon Weeden de QBs. Entre essas duas, a lesão mais significativa foi a de Brian Hoyer: depois de trocarem seu suposto melhor jogador ofensivo em Trent Richardson (que na verdade é um jogador bem fraco e o Browns assaltou o Colts na troca, mas enfim) e ver seu QB titular (Weeden) se machucar, Hoyer assumiu um time que deveria brigar pelas primeiras escolhas do draft... e imediatamente ganhou seus dois primeiros jogos com boas atuações, colocando o Browns (empatado) no topo da AFC North e sonhando com uma vaga nos playoffs. Agora Hoyer está fora da temporada depois de romper o ligamento do joelho, e o Browns se ve novamente na difícil posição de decidir se briga pelos playoffs (o record positivo do time é o primeiro desde... wait for it... Week 17 de 2007!!!) ou se desiste e pensa no ano que vem. A primeira opção provavelmente seria a que muita gente escolheria, mas mesmo assim, eles não fizeram nenhum movimento para melhorar sua situação de QBs indo atrás de um dos jogadores dispensados essa semana (Josh Freeman ou Matt Flynn) e decidiram ficar com Brandon Weeden mesmo, que todos já sabemos que é bem ruim e tem um QBR de 24.9 mesmo depois de uma boa atuação contra a horrível segundária do Bills. Isso não quer dizer que a decisão por Weeden signifique que o time está desistindo da temporada, é claro, mas a falta de esforços para melhorar uma situação claramente problemática e que poderia colocar seu time (e sua boa defesa) nos playoffs pela primeira vez em muitos anos indica que o Browns não está com tanta pressa assim... ou não tão confiante.

A lesão de EJ Manuel, na minha opinião, é menos significativa porque o Bills tem uma janela menor para brigar pelos playoffs, mas não deixa de ser uma perda importante. A chance de brigar por um wild card fica bem menor com Jeff Tuel ou Thaddeus Lewis de QB, claro, mas no caso do Bills o problema é um pouco diferente. Manuel foi draftado para ser o QB do futuro da franquia, e é muito importante para a equipe que ele jogue o máximo possível e mostre do que é capaz para que o time saiba exatamente onde se encontra na busca pelo seu franchise QB. Apesar de muito divertido e explosivo, Manuel não vinha tendo uma grande temporada de calouro, com um QBR pobre de 42.3 (23rd na NFL), mas vinha mostrando algumas habilidades interessantes e seria bom que tivesse o máximo de experiência e rodagem possível, não apenas para se desenvolver e como para que a comissão técnica e a diretoria soubessem exatamente o que possuem nas mãos. A lesão, mais do que dar um golpe duro nas já difíceis chances de playoff da equipe, ainda atrapalham o desenvolvimento do jogador, provavelmente um problema maior para o Bills do que simplesmente a piora nas chances de pós-temporada.

Outro time cujas lesões - em particular uma lesão mais recente - sepultou de vez os sonhos de playoffs foi o Atlanta Falcons. Depois de uma dolorosa derrota em casa para o Jets que derrubou os atuais campeões da NFC South para 1-4, o golpe final veio quando soubemos que Julio Jones deve perder o resto da temporada com uma lesão no pé igual a que sofreu antes do draft de 2011. Esse foi apenas o mais novo golpe em uma temporada do inferno para o time que, no papel, deveria ter um dos ataques mais explosivos da NFL. Embora fosse claro que a defesa do Falcons fosse ser muito ruim em 2013, muita gente - inclusive eu - achava que o ataque com Roddy White, Julio Jones, Matt Ryan, Tony Gonzales e Steven Jackson fosse ser bom e explosivo suficiente para ganhar muitos jogos pelo volume puro de ataque. Mas para um time cujo elenco foi construído em torno de um núcleo de elite e um elenco em volta mediano, essa temporada não poderia ter dado mais errado. A linha ofensiva da equipe sofreu com lesões desde a pré temporada e precisou recorrer aos restolhos do elenco. Roddy White machucou o pé e não conseguiu jogar perto de 100% no ano ainda, e Steven Jackson machucou logo no início da semana 2. Isso foi suficiente para tirar muito do potencial desse ataque, e combinado com a horrível defesa do time, logo derrubou o Falcons, que não conseguia segurar seus adversários e não possuía as peças ofensivas para fazer o que dele se esperava. Agora para finalizar, JJ está fora para a temporada, o que foi o golpe final: Jones estava sendo até o momento o melhor WR da NFL, liderando a liga em recepções e segundo em jardas atrás de Jimmy Graham. Se nem com Jones fazendo sua mágica o Falcons conseguia gerar poder de fogo suficiente com seu ataque extremamente desfalcado, não vai ser sem Jones que as coisas irão melhorar. Agora só resta se conformar com uma temporada jogada no lixo e começar a se preparar para 2014.

Por fim, um último time tem tido sua própria montanha russa com lesões. Semana passada, o Patriots viu seu melhor jogador defensivo sair carregado de campo, com as notícias na manhã seguinte confirmando que Vince Wilfork não voltaria a jogar nessa temporada. Além de ser o jogador favorito da minha namorada, Wifork era ainda mais importante para essa defesa. Quando a defesa do Patriots começou a ser horrível lá para a temporada 2009, Wilfork foi o único ponto positivo, e o pilar em torno do qual Bill Belichick começou a remontar todo esse grupo e ancorava todo o sistema defensivo até hoje. Sua presença física sempre foi extremamente importante contra o jogo terrestre, e sua versatilidade de jogar tanto em esquemas 3-4 como 4-3 em altíssimo nível davam a Belichick uma flexibilidade muito especial que permitia ao técnico tirar o máximo de seus jogadores em cada situação, sabendo que Wilfork estaria fazendo o trabalho sujo no meio. E a lesão de Wilfork já se fez sentir logo no primeiro jogo, quando o Bengals direcionou seu plano de jogo para explorar o buraco deixado pelo gordinho no meio da linha defensiva de New England, e funcionou: Cincinatti correu para 163 jardas abusando desse meio da defesa, controlando o relógio, movendo as correntes e desgastando toda a defesa de New England, especialmente em um dia onde as condições climáticas não foram favoráveis ao jogo aéreo. E sem Vince Wilfork ou um substituto a altura (ou ao peso) dele, essa tática vai ser explorada por praticamente qualquer adversário que enfrente New England.

Mas o Pats tem um consolo relativo a lesões. Apesar de uma parte da torcida da equipe achar que eu tenho algo pessoal contra o time por ter escolhido o time para perder nas últimas duas semanas (o último: "patriots perder para o Bengals HAHHAAHHAHAHAHHAHA belo analista vc risos eternos", claramente mostrando que entende tudo de NFL), a verdade é que o time tem vencido mas não convencido até aqui no ano. Um dos motivos mais fáceis (e 100% verdadeiro) para explicar essas dificuldades é a falta de WRs da equipe, que perdeu Aaron Hernandez e Wes Welker e ainda viu Danny Amendola perder diversos jogos por lesão. Isso sem dúvida é real, e eu mesmo já escrevi algumas vezes sobre o assunto e como isso tem diminuído as opções ofensivas da equipe, especialmente depois que Stevan Ridley não conseguiu engrenar. Mas um outro fator oculto (e relacionado) que explica algumas das dificuldades ofensivas do Patriots é o seguinte: em toda a NFL, apenas o Jaguars tem sido pior falhando em anotar TDs dentro da red zone, com New England transformando apenas 35% das suas viagens a red zone em touchdowns (ano passado liderou a NFL com 70%). Obviamente, eu não preciso explicar porque isso é um problema: quando você caminha todo o campo até final do campo e não consegue anotar TDs, você está praticamente deixando de anotar 4 pontos a mais por campanha. E essa dificuldade do Patriots tem nome e sobrenome: Rob Gronkowski. O TE sempre foi o alvo preferido de Tom Brady dentro da red zone, um jogador com o tamanho, a velocidade e o atleticismo que faziam dele absolutamente impossível de ser marcado nessas situações. A lesão de Gronk foi sentida ano passado, por exemplo, na final de conferência contra o Ravens, quando o Pats teve duas boas posses de bola cedo (antes do jogo sair do controle) mas não conseguiu anotar TDs (se contentando com FGs) dentro da linha de 10 jardas, e continua a ser sentida essa temporada, no jogo aéreo como um todo mas especialmente dentro da red zone. Ainda que seja difícil contar com a saúde de Gronk no médio prazo, já que ele parece se machucar todo ano e está vindo de quatro cirurgias, o TE deve estar pronto para jogar já contra o Saints essa semana e sua volta vai ser uma imensa ajuda a esse time de New England. Então se eles terão que se virar sem Wilfork pelo ano inteiro e sua defesa vai sentir - como já sentiu - as consequências, pelo menos Gronk está voltando para compensar do outro lado do campo.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Atlanta Falcons


A famosa "barrigada" em ação


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East, os previews da NFC East, os previews da AFC North, os previews da NFC North, e agora os da AFC South, vamos para uma das divisões mais interessantes da NFL e falar um pouco da NFC South, a começar pelo Atlanta Falcons. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Atlanta Falcons

2012 Record: 13-3
Ataque ajustado: 12th
Defesa ajustada: 12th


O Falcons é um time bastante complicado e extremamente divertido. Digo complicado porque enquanto alguns fatores apontam ferozmente para uma regressão e para o fato de que a equipe não foi tão boa em 2012 como pareceu ser, ainda existe algumas circunstâncias bastante raras agindo a favor da equipe que nos fazem pensar exatamente quanto dessa regressão de fato vai atingir a equipe. Mas vamos com calma.

A primeira coisa interessante sobre o Falcons é como a equipe tem mudado ofensivamente ao longo dos últimos anos. Em 2008, quando Matt Ryan foi draftado e a equipe trouxe Michael Turner para ser seu RB do futuro, a equipe saiu do fundo do poço (27th em ataque para 2007) e viu seu ataque dar um salto para Top10 na Liga. Nesse ano, Michael Turner liderou a NFL em corridas (376), foi segundo em jardas (1699) e TDs (17). Turner foi indicado ao All-Pro Team e o ataque da equipe foi todo baseado ao seu redor, enquanto Matt Ice teve uma excelente temporada de calouro que não chamou a atenção dentro de seu ataque (74.9 QBR). Em 2009 o ataque caiu para 14th quando tanto Ice como Turner perderam jogos por lesões e não foram tão eficiente como de costumes, mas em 2010 Turner novamente liderou a Liga em corridas (terceiro em jardas e quarto em TDs) indo ao Pro Bowl junto de Matt Ryan, com mais uma ótima temporada (28 TDs, 9 INTs, 69 QBR) e vendo o ataque da equipe subir novamente para 9th. Bom, tudo parecia bem encaminhado para Atlanta continuar com seu ataque terrestre liderando o caminho com Turner e Ice sendo o QB complementar, certo?

Acontece que a diretoria de Atlanta, que na época estava começando a incorporar análises estatísticas entre seu escalão superior, provavelmente se deparou com dois dados: o primeiro é que a eficiência de Turner estava começando a decair ano a ano, chegando a 4.1 jardas por carregada em 2010. E o segundo é que, apesar do ataque terrestre ser o carro chefe ofensivo da equipe, entre 2008 e 2010 o ataque terrestre da equipe foi rankeado (ajustado) 18th, 13th e 23rd, enquanto o ataque terrestre nesse mesmo período foi 4th, 13th e 7th. Turner carregava a parte pesada do ataque, mas era a eficiência de Ryan que estava levando esse ataque para frente ano a ano, então eles tomaram uma decisão inteligente: vamos focar no ataque aéreo para 2011 e ver o resultado. Já tendo trazido Tony Gonzales para jogar de TE um ano antes, a equipe investiu pesado no draft para subir até a 6th pick e escolher Julio Jones e montar uma dupla de WRs de verdade para seu QB ao lado de Roddy White. Nesse mesmo ano, as corridas de Turner diminuiram de 334 para 301 e Ryan lançou 567 passes (o career high de Ryan era 571 do ano passado, mas a equipe teve bem mais jogadas ofensivas em 2010 que 2011, então a proporção de passes foi maior em 2011). A diretoria deu nas mãos de Ryan as chaves para o ataque naquele ano, terminou 8th em ataque aéreo e 23rd em ataque terrestre, e o time não olhou para trás mais nesse sentido. Em 2012, a equipe levou isso um passo adiante, com apenas 222 corridas de Turner contra 615 passes de Ice, o jogo terrestre terminando 29th e o aéreo 10th.

Mas mais importante, 2012 foi o ano que Matt Ryan deu um salto imenso de produtividade (que alguns até podem questionar como insustentável). Com uma carga maior do que nunca e quase nenhuma ajuda do ataque terrestre (Turner pareceu ter 90 anos de idade e não passou das 3.5 jardas por carregada apesar de um calendário ridiculamente fácil), Ice teve uma linha de  422/615, 68,6% de aproveitamento (melhor da NFL e melhor marca da carreira por mais de seis pontos percentuais), 4719 jardas, 32 TDs/14INTs, 7.7 jardas por passe e um QBR de 74.5 (quarto da NFL atrás de Manning, Brady e Kaepernick). Os números ajustados da equipe caem em parte porque isso foi feito contra um dos calendários mais fáceis da NFL, mas não tem como duvidar do brilhantismo de Matt Ice em 2012. Isso sem falar em mais um fator que por si só já poderia justificar seu novo contrato de 120M... mas chegaremos lá.

O fato é que o ataque terrestre da equipe estava se tornando uma fraqueza, e o Falcons fez muito bem em enxergar a ascensão de Ryan e mudar o foco do jogo. Mas ainda assim, era necessário manter pelo menos o jogo pelo chão respeitável, de forma a não viciar o ataque dar ainda mais versatilidade ao que promete ser um dos times mais explosivos da NFL. Por isso a equipe correu para assinar com Steven Jackson assim que ele virou free agent e ficou claro que o Rams não o traria de volta. Jackson provavelmente tem sido por uns cinco anos o melhor jogador da NFL que ninguém presta atenção porque joga em um time ruim, o cara que carregou o ataque do Rams nas costas por quase oito anos fazendo praticamente tudo: correndo, recebendo, bloqueando, fico surpreso que ainda não tenha jogado de QB por lá algum tempo. Desde 2009 quando finalmente ficou saudável, ele é quarto na NFL em jardas corridas e jardas totais (correndo + recebendo) e fez isso jogando anos e anos atrás de uma linha ofensiva fraca, sem um bom ataque aéreo para tirar a defesa da sua frente e tendo que carregar uma carga sobre-humana de trabalho toda santa temporada. Não é a toa que seu corpo começou a dar sinais de esgotamento e viu sua média de jardas por carregada cair para 4.1 temporada passada (em perspectiva, não foi nem a melhor média de jardas por carregada do seu próprio time). Ainda assim, é um excelente RB all-around capaz de fazer tudo, correr com a bola, receber passes, bloquear e ser uma válvula de escape para o QB, e como em Atlanta ele vai ter uma função secundária ao ataque aéreo liderado por Ice, é a situação perfeita para ambos os times: Atlanta faz um bom upgrade em RB em relação ao ficando-decrépto Turner, adiciona o jogador perfeito para seu estilo de jogo capaz de correr E receber, e para Jackson é a situação ideal porque não vai ter que lidar com uma carga pesada demais, vai poder se concentrar no que faz de melhor e ter um grande suporte do ataque aéreo.

A comparação não é original, mas é válida: no final dos anos 90/começo dos anos 2000, o ataque do Rams era conhecido como The Greatest Show on Turf (algo como "O maior espetáculo sobre a grama"). Antes das mudanças de regra de 2003/2004 que fizeram da NFL um jogo aéreo e praticamente tirou tudo que a defesa podia fazer para defender o passe, e mudaram por bem ou por mal a direção que o jogo seguiu, aquele Rams era um time a frente de seu tempo, baseado no seu ataque extremamente explosivo e diversificado. O Rams contava com um Franchise QB em Kurt Warner (seria um dos maiores de todos os tempos não fossem as lesões e o tempo perdido fora da NFL), dois excelentes e explosivos WRs (Torry Holt e Isaac Bruce) e um dos running backs mais completos de todos os tempos, Marshall Faulk (que chegou a bater 1000 jardas terrestres e 1000 jardas aéreas em 1999). Era um ataque espetacular e extremamente explosivo, liderou a NFL ofensivamente em 99 e 2001 (Warner machucou em 2000), ganhou um título em 99 (poderiam ser dois, mas perderam o Super Bowl para um bom mas inferior Patriots em 2001) e ficaram marcados para sempre como um dos grandes ataques da Liga.

(Tangente rápida: Warner provavelmente é o meu QB favorito entre os que vi jogar. Ele liderou a liga em todas as estatísticas relevantes em 1999 e 2001, jardas, aproveitamento, jardas por passe, TDs, rating - QBR ainda não existia - e etc, ganhou dois MVPs e um SB MVP. Se não fossem as lesões e seu começo tardio, estaria na conversa junto com Brady e Manning para melhor QB da sua geração. Just a fact.)

Esse é o que o ataque do Falcons vai querer ser. Eles possuem as ferramentas: um RB extremamente completo, dois WRs extremamente explosivos e um grande QB. Ryan não é tão bom quanto Warner, claro, mas esse Falcons também tem algo que o Rams não tinha, que é um excelente TE em Tony Gonzales. Então dadas as devidas proporções, as semelhanças entre os dois ataques são bem interessantes. Claro que o Falcons não vai chegar naquele nível, mas é o modelo que eles querem seguir: um ataque extremamente explosivo e versátil, com dois WRs que exigem atenções extras, um RB que precisa de acompanhamento sempre e basicamente um ataque que transforme o adversário em um cobertor curto com tantas opções diferentes para superá-lo. Então se Ice for capaz de reproduzir o que fez em 2012 quando deu um salto de produção, esse ataque tem tudo para ser um dos mais dinâmicos e explosivos da Liga.

O outro lado da bola é mais problemático. A defesa do Falcons fez um bom trabalho em 2012 (apesar de parecer mais dominante do que foi a primeira vista pela tabela ridícula), terminando 12th overall, mas alguns fatores indicam problemas para 2013. Olhando os números, observamos que sua defesa foi boa contra o jogo aéreo (11th) mas ruim contra o jogo terrestre (20th). Mas enquanto o Falcons - em parte por questões salariais, sabendo que um mega-contrato de 120M com Matt Ryan estava vindo ai - não conseguiu fazer muito para reforçar a parte fraca da sua defesa trazendo novos reforços (embora seja possível esperar alguma evolução do seu núcleo jovem de Akeem Dent, Sean Wheatherspoon e Corey Peters), o time também teve que lidar com a perda de dois dos seus defensores mais importantes em free agency, o DE John Abraham e o CB Dunta Robinson, enfraquecendo enormemente sua defesa aérea. E quando você não reforça sua fraqueza e perde suas forças, bom, isso é geralmente ruim.

Entre os muitos jogos que eu assisti do Falcons, inclusive a Final de Conferência contra o 49ers, a coisa que mais me chamou a atenção foi a dificuldade da equipe em gerar pass rush. Eles simplesmente não conseguiam fazer pressão se não fosse por Abraham. A defesa base da equipe é a cada vez menos popular 4-3, que joga com quatro na linha defensiva e cuja pressão depende demais da capacidade de atrair marcações duplas com seus DTs e da velocidade de seus DEs vindo das laterais. É um esquema mais conservador em termos de pressão que o 3-4 (cuja defesa "padrão" tem cinco jogadores indo atrás do QB e não quatro), e o pessoal que o Falcons tem simplesmente não é o mais adequado para executá-lo: apenas Abraham (10) e Kroy Biermann tiveram 4.0 ou mais sacks em 2013, e Biermann é DE que entra apenas em situações de pressão por conta dos seus problemas contra o jogo terrestre. Jonathan Babineaux é um jogador sólido e versátil, mas que não força dobras ofensivas e não causa tantos problemas sozinho (3.5 sacks apesar de alinhar mais do que nunca de DE). Em resumo, é um grupo que depende em excesso de Abraham para criar pressão, e Abraham agora está em Arizona, e eles vão ter que se virar para substituí-lo. Eles também perderam o excelente e underrated Dunta Robinson para Kansas City, que fazia uma excelente dupla com Assante Samuel na secundária, então basicamente dois dos seus três melhores jogadores defensivos de 2012 estão fora do time.

Claro, a equipe fez o que pode indo atrás de substitutos, trazendo Osi Umenyiora para o lugar de Abraham e draftando Desmond Trufant para substituir Dunta Robinson. Foram boas decisões, especialmente considerando que Abraham está indo para o declínio natural da sua carreira e considerando a situação da equipe, mas o impacto imediato para 2013 deve ser negativo. Eu gosto de Desmond Trufant (embora o Falcons podia ter tido mais paciência em um draft com muita profundidade de CBs) e achei uma boa escolha, mas ele não está pronto para ter o impacto de Robinson na secundária, e Osi... Osi era um DE muito bom no Giants alguns anos atrás, mas perdeu espaço com a chegada de Jason Pierre-Paul e por conta de seus problemas de atitude (reclamando de companheiros, de falta de tempo de jogo, de seu salário, etc) até que o Giants chegou ao ponto de concluir que ele não valia mais o trabalho. Quando saudável e motivado alguns anos atrás Umenyiora colocou excelentes números pressionando o QB (passando de 10 sacks três vezes), mas fez isso em meio a uma excelente e dominante linha defensiva do Giants que tinha várias outras boas opções de pressão (em particular Justin Tuck, Pierre-Paul e claro... Michael Strahan) e bons DTs ocupando bloqueadores. Agora aos 32 anos, vindo de duas temporadas marcadas por pequenas lesões e jogando em uma linha defensiva onde deve ser a principal (e talvez única) ameaça real de pressão (e portanto foco de dobras defensivas), será que ele consegue compensar a produção de Abraham e virar um DE dominante mais uma vez? Eu acho difícil. Vai ser uma adição importante, sem dúvida, mas existe uma piora nesses dois sentidos. Junte a essas duas perdas o fato de que o Falcons foi a segunda defesa mais sortuda da NFL recuperando fumbles (72%) e a possibilidade de uma queda considerável em 2013 é bastante real. Vai depender do crescimento de seus jovens jogadores e de Osi.

E ai chegamos ao ponto complicado desse preview... regressão. O Falcons foi um time 13-3 que terminou com o Pythagorean Expectations de 11-5, motivado em parte por um record 7-2 em jogos decididos por uma posse de bola. Já vimos que isso geralmente é uma receita para uma grande regressão no ano seguinte, então considerando que a equipe deve passar de um calendário bastante fácil (6th mais fácil, per Football Outsiders) para um razoavelmente difícil em 2013, devemos esperar que a equipe caia bastante ano que vem... certo?

Acontece que não é tão fácil assim no caso do Falcons. No primeiro post de todos, eu expliquei que jogos decididos por uma posse de bola tendem a 50% em quase todos os casos, e com uma exceção: as vezes esse número é diferente quando um time tem um QB de elite capaz de maximizar posses de bola, controlar o relógio e fazer jogadas precisas nos finais de jogos. Na atualidade, três e apenas três QBs possuem evidência estatísticamente significante para mostrar que influenciam esse número a ser maior que 50%, considerando um desvio do esperado forte o suficiente junto de uma amostra suficientemente grande. Dois deles já foram citados, Tom Brady e Peyton Manning. O terceiro, ao contrário do credo de muita gente que citou Drew Brees, Aaron Rodgers e Ben Roethlisberger, é Matt Ryan. Apenas esses três QBs ativos possuem números estatísticamente significantes em jogos de uma posse de bola, com Ryan tendo um record de 27-11 em tais jogos. Então embora sua amostra ainda seja muito menor que a de jogadores como Eli Manning ou Brees, é suficientemente para ter valor estatístico e indicar por enquanto que sim, Ryan é um dos raríssimos QBs capazes de influenciar esse indicador. Se isso se mantiver indo para frente - e por enquanto temos motivos para acreditar que sim - então Matt Ryan vale cada centavo do seu contrato. E se for verdade, bem... então talvez a regressão do Falcons não seja exatamente como esperamos. O 7-2 não deve se repetir, mas se pudermos esperar que eles tenham alguma vantagem sobre os 50% esperados indo para frente, o Falcons tem uma grande vantagem na NFL.

E ai voltamos a Ice. Esqueça as narrativas que a mídia e os torcedores adoram colocar em cima de jogadores, porque elas valem muito pouco ou quase nada. As pessoas adoram criar "rótulos" para os jogadores com base nos resultados (no caso de Ryan, que ele não ganha nos playoffs) de coisas que possuem uma margem de incerteza enorme, como temos fixado aqui toda vez que falamos de playoffs. Ganhar três jogos seguidos de playoffs por quase 40 pontos, como fez o 49ers de 1989, é uma coisa; perder três jogos em anos diferentes sendo dois deles por uma posse de bola é outra totalmente diferente que simplesmente não serve para avaliar nada. Antes dos playoffs, Joe Flacco também era considerado um QB que não conseguia ganhar nos playoffs assim como Ryan. Agora Flacco é considerado elite pelo seu título, mas se pararmos para pensar nas pequenas coisas aleatórias que estão além do controle de ambos e que contribuem para esse resultado, é muito fácil de ver essa narrativa sendo alterada por uma ou duas jogadas aleatórias além do controle desses dois. Se Rahim Moore desvia o passe de Flacco no final do jogo contra o Broncos, o Ravens perde e Flacco volta a ser chamado de amarelão. Se Harry Douglas não cai sozinho contra o 49ers ou se Navorro Bowman não desvia o passe na quarta descida final do jogo, Ryan poderia ter ido ao Super Bowl. E nesse caso as "narrativas" impostas sobre os dois seriam totalmente diferentes, Ryan sendo o QB de elite e Flacco o amarelão. Um dos motivos pelos quais é besteira ficar tentando dar rótulos para jogadores com pouco tempo de liga com base em resultados.

Não cometam esse erro: Ryan foi um dos melhores QBs da NFL em 2013, dando um enorme salto de produção quando o ataque decidiu se fixar ao seu redor, colocando a melhor marca da liga em aproveitamento, aumentando seus TDs sem aumentar as interceptações, colocando sua média de jardas por passe nas alturas e terminando o ano como o quarto melhor QB da NFL em QBR. Algumas pessoas podem questionar a sustentabilidade desse salto já que alguns números (em particular o salto de 62% para 68.6% de aproveitamento) divergem em relação ao que ele vinha colocando desde que entrou na NFL, e é uma questão válida. Não vamos saber a resposta tão cedo, pode ser o efeito de um playbook mais voltado para Ryan e de um jovem jogador descobrindo seu potencial, ou simplesmente um ano fora da curva. Só saibam que se for uma evolução real e esse for o nível de Ice daqui para frente, ele é um dos cinco melhores QBs da NFL.

E no final, fazer uma projeção desse time depende do quanto você confia em Ryan e principalmente na sua capacidade de ganhar jogos decididos em uma posse de bola. O ataque deve ser um pouco melhor em 2013 com Steven Jackson assumindo as funções que eram de Turner e mais um ano de Julio Jones evoluindo, e Tony Gonzo está de volta para assumir as funções na red zone -  apesar da saída de Tyson Clabo, deve continuar sendo um ataque muito bom e possivelmente ainda melhor do que ano passado (o potencial dele, pelo menos, subiu ainda mais um nível). A defesa deve piorar consideravelmente, entre a sua regressão com fumbles e as perdas de dois jogadores tão importantes como Abraham e Robinson e as dúvidas que seus substitutos ainda carregam (especialmente sem um safety de elite para compensar). E realmente, o grande dilema é o quanto da regressão que um time normal carregaria por estar dois jogos acima de sua Pythagorean Expectations e com um record 7-2 em jogos de uma posse de bola vai ser efetiva se Ryan continuar fazendo sua mágica em jogos apertados. A tabela fica consideravelmente mais difícil também, então 13-3 está provavelmente fora de jogo. Mas 10 ou 11 vitórias e uma vaga nos playoffs? Acho bem provável.