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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

2016 All-Two Minute Warning NFL Team

"YEEEAAHH, FIRST TEAM ALL-TWO MINUTE WARNING, BABY!"



Os leitores mais antigos provavelmente já perceberam que o ritmo de postagens por aqui - nunca um ponto forte - caiu cada vez mais ao longo do tempo. Conforme a vida avança, fica mais difícil conciliar vida profissional (e, em menor escala, social) com escrever em um blog de graça sem nenhum retorno, e como vocês sabem os textos daqui são sempre gigantes e muito técnicos (o que significa que demoram pra cacete para serem escritos). Acho que é por isso que ultimamente tenho escrito menos colunas completas (pega um assunto e faz uma coluna inteira sobre ele) e mais recorrido a gimmicks como listas, rankings e tudo mais. É mais pobre, e nunca foi minha proposta, mas infelizmente está mais de acordo com meu tempo livre hoje em dia. E acabei achando melhor recorrer a colunas assim do que ficar sem posts nunca.

Dito isso, vamos à coluna de hoje. Para quem não viu, semana passada eu publiquei meus votos para os prêmios individuais da NFL: MVP, OPOY, DPOY, OROY, DROY, etc. Ai um dos meus leitores mais antigos, Marcelo Corghi, do Araras Steel Hawks, me deu um desafio diferente: meu All-Pro Team da temporada 2015 da NFL. Challenge accepted!

Então para aproveitar o gimmick e falar mais de NFL, decidi fazer meu All-Two Minute Warning NFL Team para a temporada 2015 da NFL. Antes de começarmos, alguns esclarecimentos:

- Sim, eu odeio seu time. Não importa qual ele for. E por isso, SÓ POR ISSO, eu deixei aquele jogador que você gosta de fora. Não pelas centenas de horas que eu passei nesses últimos meses assistindo, estudando e avaliando futebol americano.

- Ofensivamente, vamos com um QB, dois RBs, um FB, três WRs, um TE, dois Tackles e dois guards (independente de lado) e um Center. Ou seja, a formação tradicional do All-Pro com um WR extra, simplesmente porque hoje todo mundo joga com 3 WRs boa parte do tempo. Se o All-Pro defensivo pode ter 12 jogadores, eu posso ter 13 jogadores no meu ataque. Formações variam demais e é isso.

- Para defesa, inventei um critério pessoal para solucionar as questões das defesas 3-4 vs 4-3: dois defensores de interior de linha (DTs em 4-3, NT/DE em 3-4s qualificam), dois linebackers "tradicionais" (qualquer ILB, mais OLBs de formação 4-3) e três jogadores de "ponta" (podem ser OLBs 3-4, DEs 4-3 ou até DEs 3-4 se jogarem assim). Sim, é confuso e subjetivo, mas depois que Kahlil Mack foi votado All-Pro em duas posições diferentes, nada é verdade e tudo é permitido.

- Para a secundária, vamos de 3 CBs e 2 safeties (sem distinção entre FS/SS) pelo mesmo motivo que temos três WRs: defesas passam muito do seu tempo hoje jogando em formações de nickel, com 5 defensive backs. Como eu disse, formações variam muito hoje e meu All-TMW Team vai computar essas variações elegendo alguns jogadores extras. Me processe. 

- Para special teams, vamos com um kicker, um punter, um kickoff returner E um punt returner. Peço perdão ao Tyler Lockett em avanço, porque ele seria o óbvio vencedor se computássemos as duas categorias juntas e ele provavelmente é o maior prejudicado aqui. 

- Estou explicando apenas minhas seleções para o 1s Team All-TMW. Para o 2nd Team só vou colocar os nomes porque pretendo acabar a coluna antes do Super Bowl.

Ok, estamos prontos. Vamos a isto.


All-Two Minute Warning 2015 NFL Team

Quarterback: Carson Palmer, Arizona Cardinals.

Eu já passei muito - MUITO - tempo falando da questão dos melhores QBs da temporada e porque Carson Palmer é meu #1 quando dissertei sobre o prêmio de MVP na coluna da semana passada. Tudo que está lá ainda vale, então se quer entender meu processo de raciocínio, é só entrar lá e ler - ficou grande demais para copiar e colar aqui. Vale a leitura. 

2nd Team: Cam Newton, Carolina Panthers


Running Backs: Doug Martin, Tampa Bay Buccaneers; Adrian Peterson, Minnesota Vikings.

Pergunta: Quem foi o melhor RB de 2015?

A resposta popular tem sido Adrian Peterson, provavelmente porque o RB de Minnesota liderou a liga em jardas terrestres no que foi um ano bastante pobre para RBs. Mas eu discordo dessa visão. Até os estágios finais dessa coluna - quando decidi deixar 2 RBs no time ao invés de um só - Doug Martin era meu 1st Team RB,  não  Peterson.

Por que? Bem, Adrian Peterson liderou a liga pelo chão na frente de Martin, 1485 a 1402, e em jardas totais, 1707 a 1673, mas isso é facilmente explicado pela maior carga de Peterson: foram 39 corridas a mais e 36 toques na bola a mais que Martin (AP liderou a liga em ambos os quesitos). Então seu total pode ter sido maior. Mas quando você começa a olhar mais a fundo, percebe que Martin foi muito mais eficiente: AP teve 4.5 jardas por corrida, a sétima primeira melhor marca da NFL entre RBs (mínimo de 110 corridas), mas Doug Martin foi segundo na liga no quesito com excelentes 4.9 jardas por corrida. E isso apesar de ter menos ajuda da sua linha: o RB de Minny teve média de 2.2 jardas por corrida ANTES do contato com a defesa, enquanto o de Tampa Bay teve apenas 1.8 e teve que brilhar quebrando tackles e acumulando jardas após o contato: foram 3.1 jardas por corrida APÓS o contato, segunda melhor marca da liga depois de Le'Veon Bell (que teve menos de metade das corridas do Pocket Hamster), enquanto Peterson teve 2.3. Então apesar de Peterson ter mais jardas, Martin foi mais dominante como corredor essa temporada.

E isso sem contar as outras áreas do jogo, cada vez mais importantes para RBs na NFL moderna - bloquear e participar do jogo aéreo. Martin não se destacou em nenhuma das duas esse ano, mas Peterson é um ponto fraco nas duas a esse ponto da carreira, só que por ser Adrian Peterson o Vikings acaba deixando-o em quadra mais o que deveria nessas áreas. Existe um motivo para Peterson ter ficado no banco no final de Vikings vs Seattle nos playoffs, quando Minny teve que recorrer ao jogo aéreo. Você pode argumentar que os números de Peterson são mais difíceis por enfrentar defesas mais voltadas para pará-lo, mas considerando todos os aspectos, Martin foi meu melhor RB de 2015.

2nd Team: Todd Gurley, Saint Louis Rams; Devonta Freeman, Atlanta Falcons.


Fullback: Patrick DiMarco, Atlanta Falcons

Mike Tolbert ganhou esse prêmio simplesmente porque ele é o FB que mais corre na NFL, totalizando 256 jardas no ano e porque a principal função de um FB na NFL - bloquear - é muito mais difícil de se avaliar. Tolbert pode ter corrido mais que qualquer outro FB no ano, mas foi para pouco expressivas 4.1 jardas por corrida mesmo jogando com Cam Newton, enquanto continuou tendo dificuldades para bloquear - sabe, o mais importante para sua posição. Correr e receber passes são ótimos aditivos para um FB, mas se você não é capaz de bloquear direito, você é basicamente um RB pouco utilizado e com médias pouco expressivas. Tolbert obviamente é um jogador útil, mas olhando alémdas estatísticas de box score, ele não é o melhor FB de 2015.

Enquanto isso, DiMarco teve um ano incrível bloqueando para Devonta Freeman, especialmente no começo do ano. Lembra aquele momento da temporada que Freeman parecia o MVP do Fantasy de 2015, anotando TDs toda semana? Volte a fita e preste atenção no trabalho de DiMarco para que isso acontecesse, e você vai entender o motivo dele estar aqui. Avaliar FBs é muito difícil, mas entre todos DiMarco foi de longe quem mais se destacou para mim.

2nd Team: Marcel Reece, Oakland Raiders.


Wide Receivers: Antonio Brown, Pittsburgh Steelers; Julio Jones, Atlanta Falcons; DeAndre Hopkins, Houston Texans.

Eu falei muito a respeito da batalha entre esses três WRs na minha coluna dos prêmios da temporada na parte de Offensive Player of the Year. 

Eis o que eu escrevi sobre as temporadas de Antonio Brown e Julio Jones na mesma coluna:

"É absurdamente difícil decidir entre os dois porque ambas temporadas foram muito parecidas. Todos os números pós 2004 de jardas aéreas ou recebidas precisam ser levadas com toneladas de grãos de sal quando comparados historicamente, pois houve uma mudança absurda das regras contra defesas e a favor do jogo aéreo que simplesmente inflou as estatísticas além do bom senso. Mas considere o seguinte: Julio Jones e Antonio Brown terminaram ambos a temporada com 136 recepções, com Jones vencendo a disputa nas jardas aéreas, 1871 a 1841. Isso significa que ambos estão empatados com a segunda melhor marca de recepções em uma temporada da HISTÓRIA da NFL (Marvin Harrison em 2002, 143), e são segundo (Jones) e quarto (Brown) em jardas recebidas em uma temporada da história da liga. Isso é muito impressionante."

Quanto a Hopkins, eu não vou repetir aqui (é só ler na coluna linkada acima), mas eu fiz também um argumento de que, considerando os QBs que jogaram com Hopkins e sua brutal diferença de qualidade para os QBs de Falcons e Steelers (mesmo considerando os jogos perdidos por Big Ben), a temporada de Hopkins talvez tenha sido ainda superior às de seus companheiros de profissão, e seus números ajustando por essa diferença em qualidade seriam ainda melhores. É um argumento hipotético, claro, mas no fundo o ponto fica: DeAndre Hopkins é muito bom. Foram inquestionavelmente os três melhores WRs de 2015.

2nd Team: Allen Robinson, Jacksonville Jaguars; Odell Beckham Jr, New York Giants; Larry Fitzgerald, Arizona Cardinals.


Tight End: Rob Gronkowski, New England Patriots.

Pois é, esse lugar é cativo do Gronk enquanto ele estiver saudável. Mesmo com algumas lesões e um ano menos chamativo que o normal, Gronk ainda termina a temporada com 72 recepções, 1176 jardas e 11 TDs, além de ser um dos melhores bloqueadores (se não O melhor bloqueador) entre TEs da NFL. Além disso, nenhum jogador ofensivo não-QB influencia tanto o jogo taticamente e força mais ajustes defensivos do que Gronkowski, e nenhum ataque depende mais de um jogador do que o de New England depende de Gronk. Então isso tem que ser levado em consideração.

Se esse ano eu achei que Gronk teve competição forte pelo prêmio, foi mais por causa da grande atuação de outros TEs essa temporada. Tyler Eifert (13 TDs) e Greg Olsen (1104 jardas e 7 TDs) tiveram temporadas muito chamativas para grandes times, mas ainda melhor foi a temporada extremamente underrated de Delanie Walker, que postou uma linha de 94-1088-6 (#1 em recepções e #3 em jardas entre TEs) apesar de jogar com QBs muito inferiores aos demais TEs da lista, além de ser um dos melhores bloqueadores da NFL e consideravelmente superior no quesito que todos os TEs citados exceto Gronk. No final, a dominação de Gronk fizeram valer novamente o lugar, mas a fantástica temporada de Walker merecia ser celebrada e deu um adversário digno para o camisa 87.

2nd Team: Delanie Walker, Tennessee Titans.


Offensive Tackles: Joe Thomas, Cleveland Browns; Andrew Whitworth, Cincinnati Bengals.

Joe Thomas não é só o melhor LT da NFL, ele é um futuro Hall of Famer que já está entre os melhores da posição da HISTÓRIA da NFL, só que não recebe o devido crédito por passar a carreira toda jogando do lado da Factory of Sadness em Cleveland. Em mais um grande ano, Thomas é um no-brainer em qualquer All-NFL Team.

Encontrar um parceiro para Thomas foi mais difícil, mas entre vários candidatos dignos, eu acabei ficando com Andrew Whitworth: nenhum OT na NFL em 2015 cedeu MENOS pressões no QB do que Whitworth (4 sacks, 1 hit e só 15 hurries), e o grandalhão foi o melhor jogador e peça principal de uma linha ofensiva de Cincinnati que foi discretamente a melhor da temporada 2015. Se você assistiu Cincy durante essa temporada, você viu que o ataque do time foi construído inteiro em torno da sua linha ofensiva, com um QB talentoso mas que precisa ficar longe da pressão para produzir no seu melhor. E considerando que nenhum ataque foi mais dependente da sua linha ofensiva em 2015, e que Cincinnati terminou a temporada com o melhor ataque da NFL em DVOA, acho seguro dizer que Whitworth e seus colegas seguraram muito bem a barra. Ele tem meu segundo voto.

2nd Team: Terron Armstead, New Orleans Saints; Tyron Smith, Dallas Cowboys.


Offensive Guard: Marshall Yanda, Baltimore Ravens; Zack Martin, Dallas Cowboys.

Yanda é inquestionavelmente o melhor guard da NFL, alguém capaz de proteger o QB em alto nível (cedeu apenas 1 sack e 1 hit no ano todo, melhor marca da NFL) E dominar nas trincheiras para abrir espaço no jogo terrestre. Mesmo em uma posição pouco sexy (não existe posição menos reconhecida/valorizada na NFL), é o tipo de jogador que gera muito valor para um time consistentemente. Junto a ele fica Zack Martin, que novamente teve uma excelente temporada, dessa vez menos reconhecida por jogar em uma totalmente esquecível temporada de Dallas. Martin terminou o ano cedendo apenas um sack, 2 hits e 10 pressões (segunda melhor marca da liga entre jogadores com 1000+ snaps). Martin foi draftado como tackle, mas se continuar jogando no interior da linha, vai ser um eterno candidato a times All-Pro/All-TMWs. 

2nd Team: Richie Incognito, Buffalo Bills; Josh Sitton, Green Bay Packers.


Center: Ryan Kalil, Carolina Panthers.

No começo da temporada, muita gente achava que a linha ofensiva remendada seria um grande problema para o Carolina Panthers. Ela não foi. Pelo contrário, discretamente foi uma das grandes forças do time na temporada, especialmente protegendo Cam Newton e seus scrambles. E Kalil foi o pilar disso tudo, o veterano que manteve a fundação no lugar e permitiu ao resto encaixar, alguém que foi fundamental protegendo Newton e abrindo espaços para o jogo terrestre (especialmente em jogadas curtas). Talvez alguns Cs tenha sido melhores protegendo o QB ou abrindo espaços, mas nenhum fez os dois tão bem quanto Kalil.

2nd Team: Travis Frederick, Dallas Cowboys.


Defensive Line (interior): Aaron Donald, Saint Louis Rams; Geno Atkins, Cincinnati Bengals.

Eu já falei bastante sobre Aaron Donald na coluna sobre os prêmios da temporada, principalmente sobre como deveria ser impossível para um DT com tanto papel coletivo (ocupar bloqueadores, fechar espaços, etc) também ter um impacto direto tão impressionante através de pressões, tackles para perdas e sacks. Leia a coluna para ler meus pensamentos completos sobre o jogador, mas vou deixar essa parte aqui: 

"E acima de tudo esse é o maior argumento a favor de Donald como DPOY: jogadores de meio de linha defensiva não deveriam ter todo esse impacto direto além de todo o papel coletivo (ocupar bloqueadores, quebrar o pocket, etc), e ainda assim Aaron teve o quarto maior impacto direto em jogadas de passe da liga através de pressões (11 sacks, 26 hits, 44 hurries). Isso é surreal para um DT, onde você tem normalmente menos chances de ter esse impacto direto, e um dos grandes motivos pelos quais a defesa do Rams foi tão boa na temporada."

Sobre Atkins, o DT é o principal motivo pelo qual a defesa do Bengals voltou a ser uma força depois de um ano em baixa (no qual Atkins esteve machucado). A linha defensiva sempre foi o pilar do time, com bons nomers e jogadores talentosos como Carlos Dunlap e Michael Johnson, mas toda a linha - e portanto a defesa inteira - era montada em torno do colapso que Atkins causava na linha adversária e abria espaços por onde os seus atléticos companheiros poderiam atingir o backfield e fazer jogadas. Donald é melhor atravessando a linha, atrapalhando jogadas e causando impacto direto no jogo, mas nenhum DT na NFL hoje consegue causar colapso em uma linha ofensiva melhor do que Atkins. Dunlap, Johnson e o resto da DL de Cincy deveriam dar metade do seu salário para Geno. 

2nd Team: Kawann Short, Carolina Panthers; Linval Joseph, Minnesota Vikings.

Defensive Line (ponta): JJ Watt, Houston Texans; Kahlil Mack, Oakland Raiders; Von Miller; Denver Broncos.

JJ Watt é o melhor defensor da liga e meu voto para Defensive Player of the Year, então não preciso gastar muitas palavras explicando essa. Ele liderou a liga em sacks, jogadas de pressão, tackles for loss enfrentando mais marcações duplas e triplas do que qualquer jogador, causando mais impactos táticos e forçando mais ajustes do que qualquer defensor. Ele é o melhor jogador de defesa que a NFL ve desde Lawrence Taylor. O prêmio de Defensive Player of the Year deveria ser renomeado "Prêmio JJ Watt".

Kahlil Mack teve uma ótima temporada de calouro em 2014, principalmente por seu papel dominando o jogo terrestre, mas em 2015 elevou mais um nível no seu jogo assumindo um papel mais ativo atacando o quarterback, e Mack simplesmente destruiu tudo no seu caminho em seu novo papel: foram 16 sacks (apenas Watt teve mais) e 82 jogadas de pressão (apenas Watt e Michael Bennett tiveram mais). Durante uma surreal sequência de três jogos, Mack teve NOVE sacks (inclusive um jogo com 5 só no primeiro tempo) para ajudar o Raiders a vencer dois deles por totais 6 pontos. E embora isso diga mais sobre o quão tosco é o processo de votação dos All-Pros, vale citar que Mack foi o primeiro jogador da história a ser eleito para o All-Pro Team em DUAS posições diferentes (DE e OLB). Watt e Mack foram dois no-brainers para essa posição.

O terceiro lugar foi mais difícil, com vários bons candidatos mas ninguém se destacando acima dos demais. Acabei indo com Von Miller, que certamente tem as credenciais para isso: 11 sacks, 82 jogadas de pressão (empatado com Mack no terceiro lugar da temporada) e consistente impacto no jogo terrestre não são nada para se torcer o nariz, ainda mais considerando toda a atenção e dobras que ele atrai. Ele foi o segundo melhor OLB de 2015 tirando Mack. Mas o motivo foi um pouco diferente e talvez até injusto: Miller foi de longe o melhor jogador e pilar de uma defesa que acabou sendo a melhor da temporada em 2015, e embora obviamente ele tenha tido muitos bons companheiros, você vai reparar que apenas um outro Bronco acabou aparecendo nessa lista. Miller e (SPOILER OMITIDO) são as únicas grandes estrelas dessa defesa, e sua performance fantástica foi um dos motivos pelos quais ela foi tão boa. Então eu vou com Miller sobre a concorrência - ele tem uma leve vantagem em impacto individual E em impacto coletivo.

2nd Team: Michael Bennett, Seattle Seahawks; Olivier Vernon, Miami Dolphins; Cameron Jordan, New Orleans Saints.


Linebackers: Luke Kuechly, Carolina Panthers; Anthony Barr, Minnesota Vikings.

Então ficamos com um 4-3 OLB e um ILB para nossos linebackers.

Kuechly pode ter perdido três jogos com concussões, mas apesar disso, o jogador do Panthers foi de longe o melhor ILB da NFL em 2015. Acho que a melhor forma de descrever o camisa 59 é "força da natureza" - sua antecipação e instintos são surreais, e isso junto da sua capacidade atlética colocam Kuechly em todos os lugares do campo ao mesmo tempo. Meu exemplo favorito: lembra daquela insana recepção do Julio Jones contra o Panthers? Ta vendo aquele cara branquelo que acabou de correr 50 jardas downfield para acompanhar um dos melhores e mais rápidos WRs da NFL? É Kuechly. Tirando Patrick Willis, eu acho que nunca assisti outro MLB capaz de fazer fazer essa cobertura. Claro, foi touchdown, mas isso diz muito mais sobre a jogada linda de Jones do que uma falha de Kuechly - jogadores tão grandes e fortes como o LB não deveriam ser fisicamente capazes de acompanhar JJ em uma rota dessas.

E é assim que a vida funciona para Kuechly. Ele está em todos os lugares, faz todos os tipos de jogadas e não tem nenhuma falha no seu jogo. O camisa 59 cedeu um rating de 57.8 em passes lançados na sua direção, um número absolutamente RIDÍCULO para um linebacker, foi mais eficiente dando tackles do que qualquer jogador e foi o segundo em Stop% no jogo terrestre. Ridículo. Se Patrick Willis pegou a tocha de Ray Lewis de "MLB histórico dominando a NFL", essa tocha me parece muito segura com Luke Kuechly.

Barr é um caso engraçado, alguém que chegou na NFL como um OLB pass rusher do College e nas mãos de Mike Zimmer acabou se tornando um dos mais devastadores all-around LBs da NFL. Não sei se existe hoje na NFL um linebacker tão completo quanto Barr. Embora o segundanista não se alinhe como um OLB 4-3 tradicional em boa parte do tempo, participando ativamente de pacotes e formações híbridas como pass rusher ou jogando mais próximo da linha defensiva, Barr tem um impacto em todas as áreas do jogo de forma que não é comum para um OLB 4-3: ele é devastador em jogadas de rush (4 sacks, 5 hits e 18 hurries, segundo melhor entre 4-3 OLBs apesar de ir para blitz menos que seus concorrentes mais próximos), excelente saindo para cobertura (cedeu apenas um TD no ano apesar de ser um dos OLBs que mais defendem no jogo aéreo) e ainda consegue impor sua presença em jogadas terrestres. Sua versatilidade constitui a espinha dorsal de uma das melhores jovens defesas da NFL. Você não encontrará um jogador em toda a NFL que teve mais impacto em 2015 no jogo terrestre, na cobertura E no pass rush do que Anthony Barr.

2nd Team: KJ Wright, Seattle Seahawks; Derrick Johnson, Kansas City Chiefs.


Cornerbacks: Tyrann Mathieu, Arizona Cardinals; Josh Norman, Carolina Panthers; Patrick Peterson, Arizona Cardinals.

Aparentemente, a maior parte das pessoas veem Tyrann Mathieu como um safety apesar do fato dele ter se alinhado muito mais de cornerback esse ano. A verdade é que o Honey Badger joga uma posição híbrida CB/Safety que tem se tornado cada vez mais popular na NFL (Charles Woodson, quando foi DPOY e campeão pelo Packers, fazia uma função semelhante), mas ainda é mais próximo de um CB do que de um safety. Então é como eu voto.

E apesar de Mathieu ter perdido os dois últimos jogos da temporada com um ligamento rompido (infelizmente pela segunda vez), seu impacto foi tão grande que não tem como deixá-lo de fora do 1st Team. Na cobertura, Mathieu já faria por merecer esse 1st Team All-TMW: além de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, o camisa 32 é um dos defensores de secundária mais físicos da liga, alguém que mistura força, atleticismo, instintos e técnica para criar uma máquina de destruição em massa. Ele consegue marcar qualquer WR, de Julian Edelman a Demaryus Thomas, e os números sustentam os vídeos: 60% de passes completos e 77.6 Rating lançando na direção de Mathieu, e esses números ainda são inflados pelos snaps que Mathieu alinha mais atrás, como safety (que tendem a ser maiores). Avaliando CBs na cobertura, é comum nos maravilharmos com aqueles que não aparecem, que passam o jogo todo anulando um jogador e mal aparecem no vídeo porque ninguém lança na direção deles. Mathieu é o oposto, alguém que está o tempo todo em todos os lugares fazendo jogadas e tendo impacto em um número enorme de snaps, frequentemente cobrindo seus companheiros nessa função híbrida.

Mas assim como Barr, o maior valor de Mathieu não vem de uma coisa que ele faça muito bem, e sim do fato dele fazer TUDO em altíssimo nível. Além de suas habilidades na cobertura, Mathieu também é um dos melhores cornerbacks fazendo blitz (foi para a blitz em 39 snaps e saiu com 11 pressões, ambas as melhores marcas entre CBs), E ainda dobra como o melhor CB contra o jogo terrestre por uma enorme margem, conseguindo "Stops" em 6% das jogadas de corrida dos adversários - o segundo melhor CB da liga tem em 4.6%. A capacidade de ler e reagir às jogadas e sua velocidade indo do ponto A ao ponto B fez dele o CB de maior impacto da NFL em 2015 quando consideramos todas as áreas do jogo.

O parceiro do Honey Badger no All-TMW Team é também seu parceiro na vida real. Patrick Peterson se recuperou brilhantemente de um fraco 2014 para ter o melhor ano de sua carreira: QBs completaram apenas 47.7% de seus passes na direção de Peterson (terceira melhor marca da NFL), cedendo apenas dois TDs (e adicionando duas interceptações e seis passes desviados) e segurando QBs a um Rating de 61.8, sexta melhor marca da NFL. É claro, isso em si só não significa nada, mas da para ter uma noção do trabalho de Peterson esse ano. E ele fez isso apesar de constantemente marcar o melhor WR adversário também. Se Mathieu é uma estrela por causa de seu enorme impacto all-around, Peterson é um CB mais ortodoxo, que foca em tirar um WR do jogo. É um impacto diferente, mas não menos significante.

Por fim, o último lugar fica com aquele que foi de longe o CB mais comentado e chamativo de 2015: Josh Norman. Eis a lista de WRs que Norman marcou em 2015: Allen Robinson, DeAndre Hopkins, Brandin Cooks (x2), Mike Evans, Doug Baldwin, Jordan Matthews, TY Hilton, Randall Cobb, Justin Hunter, DeSean Jackson, Dez Bryant, Julio Jones (x2), Odell Beckham Jr.

E eis os números para QBs lançando passes na direção de Josh Norman: 51%, 9.3 jardas por passe completo (4th melhor da NFL), 2 TDs, 4 INTs, 457 jardas, e um rating de 54.0 que foi o melhor da liga entre CBs qualificados. O ano todo, foi o papel de Norman travar no melhor WR adversário, marcá-lo o jogo todo, e tirá-lo do jogo... e foi o que ele fez, mais e melhor do que qualquer outro cornerback dessa temporada. E eu não preciso te dizer o impacto que é para um ataque ter seu melhor recebedor simplesmente tirado do jogo dessa maneira. Foi uma temporada realmente fantástica para o CB do Panthers, que inclusive entrou no meu ballot para DPOY em quarto lugar.

2nd Team: Chris Harris Jr, Denver Broncos; Johnathan Joseph, Houston Texans; Richard Sherman, Seattle Seahawks.


Safeties: Harrison Smith, Minnesota Vikings; Earl Thomas, Seattle Seahawks.

Não sei se existe hoje na NFL um jogador mais consistentemente underrated do que Harrison Smith. Nos últimos dois anos, o único safety que talvez tenha sido melhor do que Smith na NFL foi Earl Thomas, que é um futuro Hall of Famer. Em 2015, Smith foi de longe o melhor safety da liga mesmo perdendo dois jogos machucado. E ainda assim, em 4 anos de NFL, Harrison Smith nunca foi a um Pro Bowl ou integrou um All-Pro Team. Por que? Eu não saberia te dizer. Só saiba que Smith é um monstro que preenche mais funções em um campo de futebol americano que qualquer outro DB (tirando talvez Mathieu) e se move com mais velocidade pelo campo fazendo jogadas que qualquer outro defensive back tirando Thomas. E ele foi mais uma vez brilhante em 2015, totalizando 11 pressões (inclusive dois sacks e quatro hits), fornecendo apoio consistente no jogo terrestre e segurando QBs a um rating impossível de 43.3 em bolas lançadas na sua área - a melhor marca da NFL inteira (não entre safeties, NFL inteira) entre jogadores que viram tantos passes quanto Smith. O camisa 22 não entrar nem no SEGUNDO time All-Pro foi um dos maiores absurdos da história recente da NFL. Um dia a NFL vai dar a Harrison Smith o valor que ele merece. Pena que não será em 2015.

Quanto a Thomas, não tem muito o que dizer. É talvez o melhor jogador no que tem sido uma das melhores defesas da história da NFL nos últimos anos. E ao contrário de Richard Sherman, que recebe mais atenção, cujo esquema do time permite isolar para maximizar suas forças, Thomas é a base em cima da qual pende todo o esquema defensivo de Seattle. Assista aos All-22 de Seattle e você logo vai ver que, apesar do esquema ser bastante simples superficialmente, a chave é que o time aproxima muito seus defensores da linha e deixa Earl Thomas as vezes quase sozinho cobrindo o fundão, uma tarefa que só é possível porque ele é uma aberração da natureza que consegue cobrir mais espaço em um campo de futebol americano do que qualquer outro jogador. E é por Thomas ser capaz de cumprir essa função que permite ao resto da defesa se focar no que eles fazem de melhor e tirar o máximo do seu estilo de jogo. Eu até acho que ETIII (Sim, ele chama Earl Thomas III) teve um ano abaixo dos seus padrões, mas mesmo um ano abaixo da média para ele é ser o segundo melhor safety da temporada.

2nd Team: Eric Berry, Kansas City Chiefs; Charles Woodson, Oakland Raiders.


Kicker: Justin Tucker, Baltimore Ravens

Quando pensamos em kickers, a primeira coisa que pensamos é em acertar FGs. E, claro, é uma parte crucial do trabalho. Analisando por esse critério, o melhor kicker de 2015 provavelmente foi Stephen Gostkowski, com uma leve margem sobre Justin Tucker. Os dois kickers empataram no segundo lugar em FGs acertados com 33 (Blair Walsh teve 34), mas o kicker do Patriots o fez com melhor aproveitamento: 33-36, contra 33-40 do kicker do Ravens.

Mas continue fuçando, e você vai perceber o motivo: FGs não são todos iguais. Um FG de 25 jardas e um FG de 55 jardas são totalmente diferentes, e logicamente você esperaria que o aproveitamento de um kicker dependeria muito do tipo de chutes que ele tenta.

Você provavelmente já entendeu aonde quero chegar. Tucker jogou para um ataque morfético, que tinha dificuldade de mover a bola e por isso forçou-o a muito mais chutes longos: 10 de seus 40 FGs foram de 50+ jardas, o dobro de Gostkowski e a maior quantidade de tentativas dessa distância da NFL. Então não é que Tucker não tenha sido tão bom quanto Gostkowski, e sim que ele foi obrigado a tentar chutes bem mais difíceis por causa da ineptidão do seu ataque. Na verdade, nos chutes mais "rotineiros" (menos de 50 jardas), Tucker foi até melhor: 29 de 30 para o kicker do Ravens, contra 29 de 31 para o do Patriots. Gostkowski merece créditos pela sua ótima precisão de 50+ e liderou todos os kickers em pontos adicionados com FGs, mas Tucker não fica muito atrás (3rd) e seu aproveitamento inferior é causado pelos chutes mais difíceis que teve de tentar. E, vale citar, nenhum dos dois errou um extra p

Mas kickers tem uma segunda tarefa além de chutar FGs, uma que frequentemente é ignorada: kickoffs. E é nessa que Turner brilha: liderou a liga em distância (72 jardas) e foi segundo em toda a liga em percentual de touchbacks com ridículos 86.5%. A distância entre Turner e o terceiro colocado, Jason Myers, foi maior (13,9 pontos percentuais) do que a diferença entre Myers e o décimo sexto do quesito, Josh Lambo (13.8 pontos percentuais). Ele também adicionou mais valor em kickoffs do que qualquer outro jogador.

Juntando os dois quesitos - kickoff e FG - tanto Gostkowski como Turner foram ótimos em ambos, mas na soma dos fatores dou uma leve vantagem para Turner por um simples motivo: a diferença a favor de Turner em kickoffs para mim é maior do que a diferença a favor de Gostkowski em FGs. Por muito pouco, mas é.

2nd Team: Stephen Gostkowski, New England Patriots


Punter: Pat McAfee, Indianapolis Colts

O engraçado é que McAfee não é só o melhor punter fazendo punts da NFL, embora ele também o seja: 47.7 de distância média (#2 da NFL), 5.28 de hang time (#8), 43.3% apenas retornados (#9) e #1 em valor adicionado. Mas você sabia que McAfee também cuida de chutar kickoffs para o Colts... e que ele é o quarto MELHOR de toda a NFL no quesito (atrás de Tucker, Gostkowski e Graham Gano) e liderou a liga em porcentagem de touchbacks? Junte a isso que ele é o melhor punter/kickoffer (existe isso?) da liga na cobertura e dando tackles, e nenhum jogador de special teams da NFL tem remotamente tanto impacto no time quanto McAfee. Ele é o melhor special teamer da liga inteira.

2nd Team: Johnny Hekker, Saint Louis (RIP!) Rams.


Kickoff returner: Cordarrelle Patterson, Minnesota Vikings

Eu até hoje não perdoei a NFL por mudar o ponto do kickoff e praticamente matar os retornos de kickoff, minha jogada favorita do futebol americano. Fuck you, Goodell.

Do que eu estava falando? Ah sim... Cordarrelle Patterson. Ele liderou a liga em jardas por retorno de kickoff (31.9), segundo em jardas totais (1020), e foi o único jogador da NFL a levar dois kickoffs para a casa. Então ele teve o maior impacto médio E touchdowns, que seria o impacto máximo. Bom suficiente para mim.

2nd Team: Ameer Abdullah, Detroit Lions.


Punt returner: Darren Sproles, Philadelphia Eagles

Eu realmente queria pedir desculpas ao Tyler Lockett aqui. Se fosse simplesmente uma posição chamada "Kicks returner", ele seria o óbvio número 1, tendo sido fantástico retornando tanto punts como kickoffs. Mas quebrando, temos jogadores que se destacaram mais nos componentes específicos. Fica a menção honrosa a Lockett aqui então (bem como um 2nd Team All-TMW).

De volta a Sproles, sua temporada fantástica retornando acabou ofuscada por um ruim e disfuncional time do Eagles, mas os números falam por si só: 37 retornos (#3 na NFL), 436 jardas (#1 na NFL), 11.8 jardas por retorno (#3 na NFL) e 2 touchdowns (único da NFL com mais de um). Temporada incrível. E talvez seja só eu, mas sempre achei Sproles um dos jogadores mais aleatoriamente excitantes de se assistir, pelo tamanho, velocidade, explosão e o fator de comédia não-intencional de um baixinho de um metro e meio correndo no meio de mamutes de 150kg. Então bônus para ele.

2nd Team: Tyler Lockett, Seattle Seahawks.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Pontos importantes da semana 5 da NFL

Esquecemos isso ano passado, mas Luck foi 1st pick por um motivo


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Mais uma semana na NFL chega ao fim, uma semana interessantíssima que envolveu dois times perdendo a invencibilidade, algumas zebras, dois jogos de domingo a noite, e alguns jogos verdadeiramente sensacionais que tivemos a sorte de assistir na TV (dica: não estou falando de Niners-Texans). Como sempre, vamos agora dar uma passada por alguns dos pontos mais interessantes ou importantes do que passou nesses últimos dias.

Para os perdidos de plantão a idéia aqui é a seguinte: isso aqui NÃO é um recap da rodada, e o nosso intuito não é passar por todos os jogos ou falar de todos os jogadores, bons ou não. Outras pessoas podem fazer isso, mais rápido e melhor do que eu, e eu também não acho que isso se enquadre na proposta do blog. A proposta aqui é para dar uma olhada nos fatores, dentro de cada jogo, que são relevantes ao maior cenário da NFL. Vamos olhar a performances que foram importantes mas receberam pouco crédito, fatores pouco observados que estão influenciando alguns pontos importantes, e por ai vai. Então de novo, o objetivo não é passar por todos os jogos e falar alguma coisa relevante: muitas vezes teremos dois ou mais pontos sobre um mesmo jogo, e jogos sem comentário nenhum. 

Então vamos logo que temos muito a dizer hoje, começando com...

O eterno problema das narrativas pré-determinadas


E se eu te dissesse o seguinte: tem um QB que, no jogo da sua equipe esse domingo que passou para 506 jardas completando 25 de 36 passes, além de cinco TDs com apenas uma interceptação. Ele se tornou apenas o 16th QB da história da NFL a atingir a marca de 5000 jardas, e no processo quebrou dois recordes históricos, precisando do menor número de arremessos de qualquer QB para atingir a marca de 500 jardas E terminou o jogo com o maior número de jardas por passe (14.1) que um QB já teve lançando pelo menos 30 passes. Suas proezas ofensivas foram responsáveis por 48 pontos para sua equipe, mantendo seu time pau a pau na partida contra o melhor ataque dos últimos 50 anos da NFL e jogando melhor que o melhor QB da NFL na atualidade, em uma partida onde sua defesa foi quase inexistente, incapaz de registrar um sack OU um hit no QB adversário... e tudo isso sem seu segundo melhor WR e enfrentando o melhor time da NFL. Se eu te dissesse isso, você certamente iria concluir, acertadamente, que foi uma das melhores performances de um QB nos últimos tempos, que fez tudo que era humanamente possível para manter seu time no jogo contra um ataque extremamente dominante e com muito pouco apoio de uma defesa que foi totalmente dominada, e cuja vitória não foi possível certamente não por conta de sua performance. Essa é a única conclusão que pode ser tirada depois do QB ter jogado dessa maneira.

A não ser, é claro, que você seja Tony Romo.

Quando você é Tony Romo, parece que você não tem nunca salvação. Durante os primeiros 35 arremessos, Romo teve uma performance histórica e manteve sozinho o Cowboys na partida contra o todo-poderoso Denver Broncos, dono do melhor ataque da liga, em um dia em que sua defesa jogou muito mal, passando para 500 jardas e um TD. Não importa o que você diga, o fato é que o Cowboys só estava ainda disputando a partida no segundo tempo porque Romo colocou o time nas costas e começou a fazer lançamento absurdo atrás de lançamento absurdo, escapando de sacks e achando seus recebedores em espaços minúsculos. Se não fosse por uma atuação genuinamente histórica, não teria nenhum jogo apertado para perder, provavelmente acontecendo o mesmo que vimos semana passada quando o Eagles perdeu de 53 a 20 para esse mesmo Denver. Mas ao invés de focarem nisso e de exaltarem a grande partida de Romo que quase conseguiu sair com a vitória, todo mundo parece ter uma necessidade patológica de colocar a culpa nele para a derrota, focando apenas na interceptação que ele lançou com seu último passe quando o jogo estava empatado 48-48 nos minutos finais ao invés de reconhecerem o que ele fez nos outros 35. Sua interceptação aconteceu em um lançamento ruim e forçado, e levou naquele momento a derrota de sua equipe, mas colocar a culpa em Romo pela derrota é esquecer de tudo que ele fez para o jogo chegar naquele momento. É intencionalmente olhar para apenas um fator que contribuiu para o resultado final porque ele se encaixa na narrativa pré-determinada e ignorar todos os outros fatores ao longo dos outros 46 minutos de jogo que fizeram a partida ser o que foi, e ignorar toda a falta de ajuda que o Cowboys teve do jogo terrestre (50 jardas apenas) e da defesa (que não encostou em Peyton Manning, literalmente, nenhuma vez no jogo).

Claro, isso vem da necessidade que todo mundo parece ter de achar rótulos para os jogadores e querer encaixar tudo que acontece nesses rótulos. No caso do Romo, o rótulo é de que ele é amarelão, de que não conseguem ganhar jogos decisivos ou nos quartos períodos, um rótulo que também se estende ao time do Cowboys. Então quando Romo comete um erro decisivo no quarto período, todo mundo corre para encaixar isso na narrativa de que ele não consegue vencer esses jogos e corre para atribuir toda a culpa ao QB, mesmo que isso esteja muito longe da verdade. Foi a mesma coisa nessa offseason, quando muita gente correu para atribuir a (falsa) fama que Dallas tem de amarelar nas retas finais de temporada ao Romo, pedindo a saída do QB como se fosse o problema da equipe. E as pessoas fazem isso porque é muito mais fácil simplesmente encaixar os fatos numa história pré-determinada do que fazer um esforço de pensar e analisar cada fator que contribuiu para o resultado.

O problema é que essas narrativas, como sempre, são fabricadas, e depois tudo que acontece é distorcido em termos de causa e efeito para se encaixar nessa narrativa. No preview de Dallas para essa temporada, eu mostrei de perto porque essa narrativa de "amarelão" da equipe é totalmente exagerada e como todos os finais de temporadas podem ser explicados por fatores como azar ou uma tabela que por acaso ficou mais difícil no final. No caso de Romo, também existem muitas evidências apontando em fator dele contra essa sua fama. Romo liderou a liga em 2012, na verdade, em viradas no quarto período com cinco - um número que não inclui uma campanha nos segundos finais para empatar um jogo contra o Saints (eventual derrota em OT) e uma campanha que deveria ter resultado em uma virada contra o Ravens mas que terminou em um FG errado do kicker Dan Bailey. Na verdade, desde que se tornou titular em 2007, Romo possui o quinto melhor rating entre todos os QBs da NFL em quartos períodos com o jogo separado por uma posse de bola ou menos, atrás de Aaron Rodgers, Eli Manning, Peyton Manning e Drew Brees. Na verdade, desde que a estatística foi criada, Romo lidera a NFL em QBR para QBs no quarto período, e embora esse número caia quando consideramos apenas os três minutos finais dos quartos períodos, ele ainda está empatado com Tom Brady e Matt Ryan, dois QBs considerados "clutch". Mas ainda assim, continuamos distorcendo tudo que acontece para encaixar na nossa narrativa de que ele não sabe vencer jogos ou jogar nos finais de jogo. Assim como aconteceu domingo: Romo fez tudo que era humanamente possível para manter seu time no jogo praticamente sem ajuda da defesa ou jogo terrestre, jogou melhor que Manning e conseguiu deixar o jogo apertado no quarto período, mas lançou um passe ruim que determinou o fim da partida... e todo mundo foca nesse último passe para apontar que ele amarelou ao invés de lembrar tudo que ele fez para que o jogo sequer chegasse a esse ponto.

Mas claro, você ainda vai ler muito por ai sobre como Romo custou o jogo ao Cowboys e como ele é um problema, porque sempre será mais fácil repetir algo que já está estabelecido do que pensar e analisar até chegar na verdade. Isso nunca vai mudar. Só saibam que Romo tem sido um dos melhores QBs dessa temporada e que teve um jogo excepcional contra o melhor time da NFL, e que sua interceptação em nenhum momento apaga o brilho que teve no resto da partida. Se você acha que Romo é o problema do Cowboys, é melhor pensar de novo.

Andrew Luck Bandwagon


Você provavelmente já ouviu falar em "Sophomore Slump" alguma vez na sua vida, ou pelo menos algum conceito semelhante. Sophomore slump é aquele conceito segundo o qual os segundo anistas da NFL (ou qualquer outra liga, na verdade) teriam uma queda de rendimento, ou algumas dificuldades no seu segundo ano na liga. Embora algumas pessoas apresentem ou vejam isso quase como uma coisa mística governada por leis acima da nossa compreensão, a verdade é que a sophomore slump tem uma explicação bastante simples. Quando esses jogadores - em especial quarterbacks - entram na NFL, é uma incógnita como eles jogarão e como irão adaptar seu jogo a essa nova realidade, como o playbook de seus novos times vai utilizá-los. Então durante o primeiro ano desses jogadores, tudo é basicamente uma surpresa: ninguém conhece seu estilo de jogo direito, ninguém tem vídeos ou tempo para analisar com calma suas forças e fraquezas, e mesmo os times que irão te enfrentar não tem o tempo ou a amostra para analisar cuidadosamente todos os seus aspectos. Ao final da primeira temporada, é diferente. Todos os times já possuem 16 jogos de vídeos e dados para analisar, e uma offseason inteira tendo esses vídeos nas mãos para destrinchar tudo sobre o jogador, de forma que o calouro não é mais uma surpresa ou uma incógnita, todo mundo sabe agora se adaptar para melhor defendê-lo. Por isso acontece esse "sophomore slump", porque o que esse jogador fazia antes começa a ser melhor defendido e mais previsível, então ele precisa passar por um período de adaptação e transição novo para mudar ligeiramente seu jogo e se adaptar as mudanças que os adversários estão fazendo para combater seu skill set "inicial". Esse período de adaptação é o que normalmente chamamos de sophomore slump, o tempo que o segundo anista demora para contornar esse problema.

Mesmo os melhores calouros não são exceção. Ano passado, a chamada "Gang of Four" - ou seja, os três calouros Andrew Luck, Russell Wilson e Robert Griffin, mais Colin Kaepernick em seu primeiro ano como titular - colocaram fogo na NFL com sua velocidade, capacidade de improvisação e talento de maneira geral, levando seus quatro times aos playoffs, e com Kap, Griffin, Wilson e Luck terminando a temporada em 3rd, 6th, 8th e 11th em QBR, respectivamente. A expectativa então era que eles fossem explodir com um ano a mais de experiência.

Não aconteceu até agora. Na verdade, três desses jogadores tem sofrido um pouco na sua segunda temporada, seja pela sophomore slump ou por motivos diversos. Robert Griffin foi o Rookie of the Year de 2012 depois de uma temporada espetacular que o viu completar 65.6% de seus passes com 8.1 jardas por passe e um QBR de 71.4, mas não tem sido o mesmo desde que voltou da lesão no joelho, talvez por estar fisicamente desgastado, ou talvez por não ter a mesma confiança no seu corpo e seu joelho: o aproveitamento caiu para 62.4% e perdeu uma jarda por passe, suas interceptações praticamente dobraram, ele parou de correr, e viu seu QBR despencar para um horrendo 29.15. Colin Kaepernick e Wilson estão tendo um 2013 sólido mas complicado, em parte por causa dos problemas de suas equipes com wide receivers e jogadores de linha ofensiva, respectivamente: Kaepernick, assumindo um papel mais de tomar conta da bola e tomar decisões conservadoras agora que tem menos alvos para aproveitar seu bom braço, está em 11th na NFL com um QBR de 57.4, e Russell Wilson tem tido bons números se aproveitando eficientemente das boas situações criadas pela sua defesa e jogo terrestre, mas tem tido dificuldade para criar suas próprias campanhas, aparecendo em 13th apenas com um QBR de 55.3. Embora Griffin tenha um motivo claro para seus problemas, e Kap e Wilson não estejam exatamente tendo um ano ruim, os três estão sofrendo nesse começo de 2013 mais do que o esperado, sofrendo um pouco com a sophomore slump.

A exceção a isso é o QB que, apesar de ter sido a 1st pick apenas um ano atrás, acabou ficando em segundo plano no hype comparado aos seus três companheiros: Andrew Luck. Enquanto os números e mesmo a atuação dos demais QBs deram um passo atrás em 2013, a de Luck deu um tremendo passo a frente:

2012 Andrew Luck: 339/627, 54.1%, 4374 jardas, 7.0 Y/A, 23 TDs, 18 INTs, 64.99 QBR
2013 Andrew Luck: 97/156, 62.2%, 1144 jardas, 7.2 Y/A, 7 TDs, 2 INTs, 77.11 QBR
13' Luck (projetado para 16 jogos): 310/499, 62.2%, 3660 jardas, 7.2 Y/A, 23 TDs, 6 INT

E isso sem levar em consideração que Luck está sendo o segundo QB mais valioso correndo com a bola nessa temporada (atrás apenas de Michael Vick) e que enfrentou uma tabela bastante complicada até aqui, que inclui jogos contra as fortes defesas aéreas de Seahawks e 49ers (ok, um contra o Jaguars), então esses números se fossem ajustados seriam ainda mais impressionantes. De fato, o QBR de Luck é o quarto melhor da NFL e está virtualmente empatado com o segundo colocado (Drew Brees), atrás apenas do inigualável Peyton Manning.

E assim como eu defendi que o que Luck fez em 2012 não podia ser medido em números comuns (seus números "normais" são até bastante medíocres, mas quando colocados em contexto, eles são muito impressionantes), os números de 2013 contam apenas parte da história. Luck tem um time melhor ao seu redor do que a máquina de pesadelos de 2013, mas não é exatamente o 49ers de 1989: a linha ofensiva ainda é muito ruim protegendo o QB, permitindo que Luck fosse atingido mais vezes que qualquer outro QB que não seja Ryan Tannehill (outro segundo anista que está tendo dificuldades e viu seu QBR cair, btw) - e com uma das contratações feitas para melhorar esse grupo e proteger seu franchise QB fora da temporada já. Seu corpo de recebedores se beneficiou de mais um ano de TY Hilton e Coby Fleener, mas Dwayne Allen está fora da temporada. E por todo o hype que a chegada de Trent Richardson produziu, o ex-RB do Browns está sendo absolutamente medíocre (ou pior) em Indianapolis, só conseguindo 3 jardas por corrida onde Ahmad Bradshaw, Vick Ballard (ambos fora da temporada) e Donald Brown passam das 4.5 YPC cada um. É um grupo melhor do que em 2013, sem dúvida, mas não por muito.

E juntando tudo isso está Andrew Luck, o cara que faz tudo acontecer. Assistir Andrew Luck jogar é quase como uma colagem dos melhores atributos que você encontra na NFL, e ao mesmo tempo algo totalmente diferente: ele tem a habilidade de Romo e Big Ben para achar ganhar tempo no pocket e estender as jogadas, a habilidade de Russell Wilson e Kaepernick de mudar jogos e converter jogadas com suas pernas (Luck foi o terceiro melhor QB correndo de 2012 e o segundo de 2013, btw), o braço forte e a precisão para fazer qualquer arremesso e converter qualquer jogada como Drew Brees, e o meu favorito, a capacidade sobre-humana de Aaron Rodgers de fazer arremessos perfeitos em movimento e/ou contra o movimento de seu corpo. E ao mesmo tempo, tudo que ele faz é de uma forma diferente de todos os demais e com uma graça e eficiência própria, que fez um dos meus escritores favoritos colocar que "É inútil comparar Andrew Luck ao outros jogadores, porque já ficou claro que algum dia compararemos jogadores a Andrew Luck". E em um time do Colts que evoluiu mas ainda tem muitos buracos, é o jovem QB que tem feito toda a diferença conduzindo o ataque com maestria e convertendo um número impressionante de jogadas de extrema dificuldade sendo obrigado a fugir de um sack porque sua OL errou novamente os bloqueios. Tem mais sobre o sucesso do Colts do que apenas a evolução de Luck, que vai ganhar uma coluna própria muito em breve (provavelmente na quinta que vem), mas as atuações do garoto - essa semana engolindo uma muito boa secundária do Seahawks e combinando com TY Hilton para fazer Richard Sherman parecer um jogador da CFL - são o principal motivo pelo qual esse ataque está atualmente como o quarto melhor da NFL. Se a temporada acabasse hoje, Andrew Luck seria meu MVP não chamado Peyton Manning na frente de Brees (embora eu não tenha nenhum problema se você preferir Brees). E a parte assustadora é que, contornando seu sophomore slump, elevando seu jogo a novos níveis, emergindo como um dos melhores QBs dessa temporada e levando seu time a um excelente começo de 4-1 e novamente aparecendo como um time a ser temido, Luck está apenas começando a atingir seu enorme potencial. Eu não poderia estar mais animado pelo que vem pela frente.

As lesões começam a acumular


Estamos começando a chegar no ponto da temporada onde as lesões começam a acumular e afetam o desempenho e os prognósticos futuros das equipes de forma mais definitiva. Uma lesão importante antes da temporada é um problema, mas um que pode ser contornado de certa forma já que os times tem tempo para agendar trocas, estudar free agents, remontar seu plano de jogo ou mesmo aproveitar o draft para adereçar seu problema e suas fraquezas. Uma lesão importante durante a temporada é pior, pois é um ponto onde as perspectivas de arrumar um substituto são consideravelmente menores e onde isso afeta muitos cenários distintos, incluindo as perspectivas para o resto da temporada e o desenvolvimento do plano da equipe como um todo. E são essas lesões que atualmente estão começando a preocupar alguns times que poderiam ser favoritos ou mesmo de interesse ao longo da temporada.

No primeiro jogo da rodada, quinta feira, já tivemos duas lesões significativas, com Bills e Browns perdendo seus QBs por lesões em uma partida que foi divertida mesmo com Jeff Tuel e Brandon Weeden de QBs. Entre essas duas, a lesão mais significativa foi a de Brian Hoyer: depois de trocarem seu suposto melhor jogador ofensivo em Trent Richardson (que na verdade é um jogador bem fraco e o Browns assaltou o Colts na troca, mas enfim) e ver seu QB titular (Weeden) se machucar, Hoyer assumiu um time que deveria brigar pelas primeiras escolhas do draft... e imediatamente ganhou seus dois primeiros jogos com boas atuações, colocando o Browns (empatado) no topo da AFC North e sonhando com uma vaga nos playoffs. Agora Hoyer está fora da temporada depois de romper o ligamento do joelho, e o Browns se ve novamente na difícil posição de decidir se briga pelos playoffs (o record positivo do time é o primeiro desde... wait for it... Week 17 de 2007!!!) ou se desiste e pensa no ano que vem. A primeira opção provavelmente seria a que muita gente escolheria, mas mesmo assim, eles não fizeram nenhum movimento para melhorar sua situação de QBs indo atrás de um dos jogadores dispensados essa semana (Josh Freeman ou Matt Flynn) e decidiram ficar com Brandon Weeden mesmo, que todos já sabemos que é bem ruim e tem um QBR de 24.9 mesmo depois de uma boa atuação contra a horrível segundária do Bills. Isso não quer dizer que a decisão por Weeden signifique que o time está desistindo da temporada, é claro, mas a falta de esforços para melhorar uma situação claramente problemática e que poderia colocar seu time (e sua boa defesa) nos playoffs pela primeira vez em muitos anos indica que o Browns não está com tanta pressa assim... ou não tão confiante.

A lesão de EJ Manuel, na minha opinião, é menos significativa porque o Bills tem uma janela menor para brigar pelos playoffs, mas não deixa de ser uma perda importante. A chance de brigar por um wild card fica bem menor com Jeff Tuel ou Thaddeus Lewis de QB, claro, mas no caso do Bills o problema é um pouco diferente. Manuel foi draftado para ser o QB do futuro da franquia, e é muito importante para a equipe que ele jogue o máximo possível e mostre do que é capaz para que o time saiba exatamente onde se encontra na busca pelo seu franchise QB. Apesar de muito divertido e explosivo, Manuel não vinha tendo uma grande temporada de calouro, com um QBR pobre de 42.3 (23rd na NFL), mas vinha mostrando algumas habilidades interessantes e seria bom que tivesse o máximo de experiência e rodagem possível, não apenas para se desenvolver e como para que a comissão técnica e a diretoria soubessem exatamente o que possuem nas mãos. A lesão, mais do que dar um golpe duro nas já difíceis chances de playoff da equipe, ainda atrapalham o desenvolvimento do jogador, provavelmente um problema maior para o Bills do que simplesmente a piora nas chances de pós-temporada.

Outro time cujas lesões - em particular uma lesão mais recente - sepultou de vez os sonhos de playoffs foi o Atlanta Falcons. Depois de uma dolorosa derrota em casa para o Jets que derrubou os atuais campeões da NFC South para 1-4, o golpe final veio quando soubemos que Julio Jones deve perder o resto da temporada com uma lesão no pé igual a que sofreu antes do draft de 2011. Esse foi apenas o mais novo golpe em uma temporada do inferno para o time que, no papel, deveria ter um dos ataques mais explosivos da NFL. Embora fosse claro que a defesa do Falcons fosse ser muito ruim em 2013, muita gente - inclusive eu - achava que o ataque com Roddy White, Julio Jones, Matt Ryan, Tony Gonzales e Steven Jackson fosse ser bom e explosivo suficiente para ganhar muitos jogos pelo volume puro de ataque. Mas para um time cujo elenco foi construído em torno de um núcleo de elite e um elenco em volta mediano, essa temporada não poderia ter dado mais errado. A linha ofensiva da equipe sofreu com lesões desde a pré temporada e precisou recorrer aos restolhos do elenco. Roddy White machucou o pé e não conseguiu jogar perto de 100% no ano ainda, e Steven Jackson machucou logo no início da semana 2. Isso foi suficiente para tirar muito do potencial desse ataque, e combinado com a horrível defesa do time, logo derrubou o Falcons, que não conseguia segurar seus adversários e não possuía as peças ofensivas para fazer o que dele se esperava. Agora para finalizar, JJ está fora para a temporada, o que foi o golpe final: Jones estava sendo até o momento o melhor WR da NFL, liderando a liga em recepções e segundo em jardas atrás de Jimmy Graham. Se nem com Jones fazendo sua mágica o Falcons conseguia gerar poder de fogo suficiente com seu ataque extremamente desfalcado, não vai ser sem Jones que as coisas irão melhorar. Agora só resta se conformar com uma temporada jogada no lixo e começar a se preparar para 2014.

Por fim, um último time tem tido sua própria montanha russa com lesões. Semana passada, o Patriots viu seu melhor jogador defensivo sair carregado de campo, com as notícias na manhã seguinte confirmando que Vince Wilfork não voltaria a jogar nessa temporada. Além de ser o jogador favorito da minha namorada, Wifork era ainda mais importante para essa defesa. Quando a defesa do Patriots começou a ser horrível lá para a temporada 2009, Wilfork foi o único ponto positivo, e o pilar em torno do qual Bill Belichick começou a remontar todo esse grupo e ancorava todo o sistema defensivo até hoje. Sua presença física sempre foi extremamente importante contra o jogo terrestre, e sua versatilidade de jogar tanto em esquemas 3-4 como 4-3 em altíssimo nível davam a Belichick uma flexibilidade muito especial que permitia ao técnico tirar o máximo de seus jogadores em cada situação, sabendo que Wilfork estaria fazendo o trabalho sujo no meio. E a lesão de Wilfork já se fez sentir logo no primeiro jogo, quando o Bengals direcionou seu plano de jogo para explorar o buraco deixado pelo gordinho no meio da linha defensiva de New England, e funcionou: Cincinatti correu para 163 jardas abusando desse meio da defesa, controlando o relógio, movendo as correntes e desgastando toda a defesa de New England, especialmente em um dia onde as condições climáticas não foram favoráveis ao jogo aéreo. E sem Vince Wilfork ou um substituto a altura (ou ao peso) dele, essa tática vai ser explorada por praticamente qualquer adversário que enfrente New England.

Mas o Pats tem um consolo relativo a lesões. Apesar de uma parte da torcida da equipe achar que eu tenho algo pessoal contra o time por ter escolhido o time para perder nas últimas duas semanas (o último: "patriots perder para o Bengals HAHHAAHHAHAHAHHAHA belo analista vc risos eternos", claramente mostrando que entende tudo de NFL), a verdade é que o time tem vencido mas não convencido até aqui no ano. Um dos motivos mais fáceis (e 100% verdadeiro) para explicar essas dificuldades é a falta de WRs da equipe, que perdeu Aaron Hernandez e Wes Welker e ainda viu Danny Amendola perder diversos jogos por lesão. Isso sem dúvida é real, e eu mesmo já escrevi algumas vezes sobre o assunto e como isso tem diminuído as opções ofensivas da equipe, especialmente depois que Stevan Ridley não conseguiu engrenar. Mas um outro fator oculto (e relacionado) que explica algumas das dificuldades ofensivas do Patriots é o seguinte: em toda a NFL, apenas o Jaguars tem sido pior falhando em anotar TDs dentro da red zone, com New England transformando apenas 35% das suas viagens a red zone em touchdowns (ano passado liderou a NFL com 70%). Obviamente, eu não preciso explicar porque isso é um problema: quando você caminha todo o campo até final do campo e não consegue anotar TDs, você está praticamente deixando de anotar 4 pontos a mais por campanha. E essa dificuldade do Patriots tem nome e sobrenome: Rob Gronkowski. O TE sempre foi o alvo preferido de Tom Brady dentro da red zone, um jogador com o tamanho, a velocidade e o atleticismo que faziam dele absolutamente impossível de ser marcado nessas situações. A lesão de Gronk foi sentida ano passado, por exemplo, na final de conferência contra o Ravens, quando o Pats teve duas boas posses de bola cedo (antes do jogo sair do controle) mas não conseguiu anotar TDs (se contentando com FGs) dentro da linha de 10 jardas, e continua a ser sentida essa temporada, no jogo aéreo como um todo mas especialmente dentro da red zone. Ainda que seja difícil contar com a saúde de Gronk no médio prazo, já que ele parece se machucar todo ano e está vindo de quatro cirurgias, o TE deve estar pronto para jogar já contra o Saints essa semana e sua volta vai ser uma imensa ajuda a esse time de New England. Então se eles terão que se virar sem Wilfork pelo ano inteiro e sua defesa vai sentir - como já sentiu - as consequências, pelo menos Gronk está voltando para compensar do outro lado do campo.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Nunca exagere na reação a primeira rodada!

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Quem leu a nossa coluna de terça feira sobre alguns pontos de interesse da primeira rodada da NFL, provavelmente lembra que agora que estamos com maiores responsabilidades nesse blog, estamos procurando um padrão mais ou menos fixo semanal para falar da NFL. Terça feira ficamos com uma visão geral de alguns pontos importantes da rodada, e sexta provavelmente vamos voltar com nossos palpites para a semana, uma forma rápida de passar por todos os times e comentar alguns pontos menores que não valiam a pena ser citados de forma mais extensa. Isso ainda está na fase de testes, estamos usando o modelo para ver a reação das pessoas, se acham satisfatório, se acham que fica faltando alguma coisa, e por ai vai.

O de quinta feira, inicialmente, era para ser meu post de análise: pegar um tema e fazer uma análise aprofundada dele. O problema é que não da para fazer uma análise sem dados, e uma semana não oferece dado ALGUM para qualquer tipo de análise decente (sim, eu usei a palavra análise quatro vezes - agora cinco - em menos de um parágrafo. O momento exigia). Então já que para podermos fazer dessa coluna uma regular, com um certo padrão, vamos ter que esperar mais dados se acumularem e mais rodadas serem jogadas, queria aproveitar esse espaço hoje para falar do que eu costumo chamar de Overreaction Week.

Overreaction Week


Overreaction Week é o nome que eu dou, carinhosamente, a semana que se segue a primeira rodada da NFL, simplesmente porque é nessa semana onde todo mundo perde a cabeça e começa a tirar conclusões que chamar de "precipitadas" é um elogio. Todo mundo assiste aos jogos e usa os resultados como sendo um retrato fiel da temporada de cada time, ou de para onde os times estão se movendo em relação ao ano anterior.

O processo é, na verdade, bastante simples. Passamos sete longos e duros meses esperando sem NFL, apenas lembrando da temporada anterior e sonhando com a próxima. Passamos esses meses especulando, prevendo, palpitando e imaginando como cada time virá para um novo ano, com novos jogadores e tudo mais. Criamos, na nossa própria cabeça ou colocando num blog para todos os torcedores te xingarem depois, expectativas ou projeções para 32 diferentes times. E ai quando chega na primeira rodada, um time acaba se comportando - ou até mesmo o resultado acaba sendo - totalmente diferente do que você tinha imaginado na cabeça, e então você corre para substituir todo aquela imagem cuidadosa e gradual que você tinha lapitado por sete meses com base no resultado de um único jogo. E durante toda a semana, você passa a acreditar que aquele é de fato a verdade daquela equipe na temporada. Por isso, Overreaction Week, a semana que você passa com uma idéia exagerada de uma equipe baseada em apenas um jogo.

Os problemas óbvios com isso são os mesmos que estamos comentando desde que começamos nossa série de previews: um jogo é uma amostra extremamente limitada e viesada. Um time pode estar simplesmente em um dia bom, ou seu adversário em um dia ruim, ou vice versa. Um time pode dar azar ou sorte em uma série de pequenas jogadas (Dallas recuperando os cinco fumbles do jogo, alguém?), pode enfrentar um matchup que seja favorável ou não. Alguns jogadores terão performances totalmente fora da curva, outros vão demorar para engrenar. Alguns jogos são mais difíceis do que outros, e por ai vai. Colocando tudo isso em uma amostra grande o suficiente, essas coisas tendem todas a se normalizar, mas passamos 32 previews mostrando que uma temporada inteira não é uma amostra grande o suficiente. Se 16 jogos em uma temporada inteira as vezes apresenta uma série de fatores enganosos e que precisam ser observados com calma, o que dizer então de um único jogo? Zero.

Todo ano, a primeira rodada nos trás um certo número de overreactions, em geral com times que todos esperavam que fossem muito bons ou muito ruins. Esse ano, o que eu mais tenho visto é relativo ao New England Patriots, um dos eternos grandes times da NFL.

Você conhece a narrativa a esse ponto. New England Patriots, grande time, cinco títulos da AFC nos últimos 12 anos, liderado por um dos grandes técnicos e grandes QBs da história da NFL. Depois de uma offseason que viu seus três melhores recebedores do ano anterior deixarem o time - um foi para Denver, um foi para a cadeia, e um foi para o departamento médico - o Patriots entrou nessa offseason enfrentando algumas questões bastante sérias sobre seu ataque, em particular seu corpo de recebedores. MAs com Tom Brady segurando as rédeas e Bill Belichick no comando, todo mundo ainda botava alta fé na equipe, sempre um dos grandes candidatos ao título. Ou pelo menos era o que todo mundo achava antes da semana um, quando o Patriots foi até Buffalo enfrentar o Bills, um time que sempre tiveram grande sucesso... e quase que não escapam com a vitória. Buffalo chegou no final com o controle do jogo, e New England precisou de uma série de milagres de Tom Brady e Danny Amendola para conseguir sair com uma vitória muito magra por 23 a 21 nos segundos finais da partida. A vitória foi extremamente apertada contra um time ruim com QB calouro, e todo mundo logo correu para decretar o fim de New England. E por mais que eu saiba como quase todos os não torcedores da equipe adoram odiar o Patriots, eu preciso dizer: se você acha que o Pats acabou, você provavelmente nasceu de sete meses.

Primeiro de tudo, existem motivos legítimos para essa dificuldade de New England na primeira partida. Quando olhamos para a offseason do Patriots, vimos que eles passaram por algumas dificuldades: Wes Welker saiu da equipe, Brandon Lloyd não voltou e eventualmente aposentou. Mesmo com a chegada de Amendola, isso deixou a equipe extremamente magra na posição de WRs, algo que naturalmente iria exigir alguns ajustes do plano ofensivo do time. Mas um dos motivos que levou a equipe a observar isso sem fazer maiores movimentos na direção de compensar essas falhas foi o simples fato de que a equipe podia tranquilamente se dar ao luxo de reconstruir esse ataque em torno da sua dupla de tight ends, a melhor da NFL. Tanto Rob Gronkowski como Aaron Hernandez eram dois excelentes jogadores, versáteis e que poderiam executar diversas funções, danto ao Pats uma flexibilidade imensa na hora de montar suas jogadas. Com esses dois e um dos melhores QBs de todos os tempos, não havia urgência para ir atrás de novas peças. Ou pelo menos não tinha, até que o azar resolveu dar um tapa na cara da equipe: Rob Gronkowski precisou fazer mais duas cirurgias na offseason, atrasando seu retorno aos gramados, e Hernandez foi preso por estar ligado a pelo menos três (parece já chegar a cinco) homicídios diferentes, o que o torna o pior ser humano a jogar na NFL nos últimos anos. Em um piscar de olhos, o time se viu sem as duas peças que eram o centro de todo seu plano ofensivo para a nova temporada, com o draft e o grosso da free agency já no passado. E o time teve que se virar nessa situação, sem possuir um bom meio para adquirir novos jogadores.

Você provavelmente já sabe aonde vou com isso: no espaço de dois meses antes da temporada, o time teve que reconstruir praticamente todo seu ataque sem dois dos seus três principais jogadores. Sem condições de se reforçar antes da temporada começar sem se comprometer com trocas ou salários, todo o novo ataque do Patriots passou a usar jogadores em funções que nunca deveriam ter recebido, a contar com jogadores de special teams (Julian Edelman), calouros não draftados (Zach Sudfeld, Kendall Thompkins - que conseguiu a façanha de pegar apenas 4 das 14 bolas lançadas para ele), calouros suspeitos (Aaron Dobson) e caras de nome engraçado (Michael Hoomanawanui). Nenhum desses jogadores deveria estar tendo um papel importante em qualquer time da NFL, muito menos em um que briga pelo título. Ao redor de um bom núcleo, como complementos, tudo bem, mas sendo o foco das atenções? De jeito nenhum. Então quando consideramos isso, e que esse grupo teve que se reinventar DEPOIS dos problemas com Gronk e Hernandez, e que o playbook do Patriots é famoso por ser particularmente complexo... então não tem nenhuma surpresa para esses caras não terem demonstrado um bom futebol, especialmente na primeira semana.

Outra coisa que engana é o resultado final. Um 23-21, especialmente com a virada acontecendo nos minutos finais, implica em um jogo extremamente parelho, onde os dois times trocaram golpes e estiveram pau a pau até o final. Ou seja, implica que o Pats foi igual a um time fraco do Bills. Mas quando olhamos de fato para o jogo e para alguns detalhes, é fácil ver que esse resultado em especial foi motivado por diversos fatores além do controle da equipe. Em particular, precisamos olhar para os turnovers. A primeira vista, não tem nada de absurdo: New England cometeu três, Buffalo dois, e pronto. Mas não é tão simples assim. Primeiro, é importante lembrar como exatamente essas aconteceram, bem como as que deixaram de acontecer. Em particular, três lances chamam a atenção: primeiro, a interceptação de Tom Brady, em uma bola que foi desviada e sobrou nas mãos de um defensor; e depois, os dois turnovers de Buffalo que voltaram atrás, uma interceptação de EJ Manuel (que bateu no chão) e um fumble. Esses são três lances que foram decididos por muito pouco: por alguns centímetros a bola de Manuel não bate no chão, por alguns centímetros o fumble não é validado, e por pouco a bola de Brady não é desviada e vira apenas um passe incompleto. São três lances capitais - três turnovers - que foram decididos por poucos centímetros, e nos três casos a "sorte" foi para o Bills.

Mas talvez ainda mais importante, a chave para entender porque o resultado final parece pior do que foi de fato foram os dois fumbles de Buffalo. O primeiro aconteceu com Stevan Ridley: o Patriots estava em field goal range quando Ridley sofreu um fumble, que foi retornado para touchdown. Eu já disse isso antes, mas para relembrar, é importante ter em mente o quanto isso depende de sorte: recuperar um fumble (com todos os fatores incluidos) depende muito mais de sorte do que de habilidade - a chance é 50/50 - e transformar um turnover em touchdown também é algo que depende muito mais do acaso do que da capacidade de um time. Então considerando que esse evento sozinho gerou uma diferença de 10 pontos - o FG que o Pats deixou de fazer, mais os sete do TD - é uma diferença considerável num jogo tão apertado, não? E ai chegamos ao segundo fumble: um snap equivocado em um 4th and 1 na linha do goal desenhado para ser Brady pegando a bola e indo em frente. Nas últimas 19 vezes que o Patriots executou essa jogada específica, o time e Brady converteram 18 dessas. 18-19!! Mas dessa vez, por acaso, o snap falhou, Buffalo recuperou, e evitou tomar sete pontos. Então é verdade que Buffalo recuperou apenas 3 dos 5 fumbles do jogo, não sendo particularmente sortudo nesse aspecto. Mas quando consideramos as situações específicas de cada fumble - um retornado para TD, outro salvando um TD que tinha 94.7% de chance de acontecer - eles representaram basicamente um swing direto de 17 pontos. Como esse 23-21 parece agora? O Patriots mostrou problemas e não jogou particularmente bem, mas o resultado final dificilmente mostra a história do jogo e dos times.

Isso não é para dizer que o Patriots não tem problemas: possui vários. Seu RB mais completo, Shane Vereen, está fora por pelo menos 10 rodadas; Danny Amendola deve ficar machucado por mais 2 a 6 semanas; Gronk ainda não tem data para voltar; e já cobrimos a tremenda falta de bons alvos ofensivos anteriormente - eu sei que alguns jogadores não draftados acabam dando certo na NFL (Arian Foster, Miles Austin, Kurt Warner), mas em geral, eles não foram draftados por um motivo. Então esses problemas são bastante reais, e diminuem um pouco do favoritismo de New England na divisão e na conferência. Mas se olhando para apenas esse primeiro jogo, com todos esses fatores, você correu para descartar o Patriots em 2013, é melhor pensar de novo. Um bom conselho de regra geral para a primeira semana.

Palpite para o jogo de quinta feira a noite


PATRIOTS over Jets
Por tudo que foi coberto acima, mais o fato de que o Pats joga em casa, que é o primeiro jogo noturno, o primeiro jogo fora de casa E o primeiro jogo televisionado nacionalmente de Geno Smith... e mais algumas coisas que ficam para a coluna de amanhã. Mas...
Contra o spread: Jets (+11.5) over PATRIOTS - Essa linha está um pouco alta demais para mim, Pats está sem três dos seus quatro melhores jogadores ofensivos, seu melhor WR ativo pegou apenas 4 de 14 passes semana passada, seu segundo melhor WR ativo viveu quaes toda sua carreira nos special teams, e o Jets é melhor do que algumas pessoas pensam. Essa linha está alta demais.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Diário do Super Bowl XLVI

"Nos encontramos de novo, meu velho..."



Num dos Super Bowls mais interessantes dos últimos anos - sério, você não acha um Super Bowl com mais histórias, motivações e significado de revanche do que esse tão facilmente - eu achei que não era a hora de ver esse jogo sozinho. Meu pai está em depressão desde a final da NFC, e assistir ao Super Bowl sozinho pela primeira vez desde 2001 não estava nos meus planos. Por isso chamei meus amigos torcedores do Patriots, Rai e Pedro, e minha namorada (também uma patriota - não sei onde eu errei) para assistirem ao jogo lá em casa. E, pra tentar uma coisa nova, mantive um diário do segundo tempo do jogo.

Antes, um pequeno esclarecimento: Eu abordei extensivamente (de verdade, acho que foi um dos maiores posts que eu já escrevi na vida) no meu último post o significado profundo desse jogo. Não era só um jogo pelo título, pelo menos pro New England Patriots - era pessoal, era a chance de conseguir vingança, era a chance de tentar amenizar a maior derrota da história da franquia. Aquilo continua valendo: Ganhe quem ganhar, tudo que está lá ainda é verdade. O Patriots, que está ganhando de 10 a 9 no intervalo, sabe que é uma chance única de se vingar da derrota de 2007, e Tom Brady e Bill Belichick sabem o que esse título -  e esse jogo - significam para seu legado na NFL. As duas maiores duplas técnico/QB da história (Bill Walsh/Joe Montana e Don Shula/Dan Marino) não ganharam quatro Super Bowls. Se eles vencerem esse jogo, mesmo a mancha negra (que nunca vai sumir) da derrota no Super Bowl XLII não vai ser tão forte como argumento. Todos os fãs de esporte sabem: Nem todos os campeonatos são iguais, nem todos tem o mesmo sabor nem o mesmo valor. Uma vitória hoje não vai compensar a derrota de 2008... Mas vai ter um sabor diferente do que se fosse, por exemplo, contra o Saints. O Patriots sabe disso, é só ver as trombadas, é só ver a energia e a disposição. O jogo está totalmente aberto porque o Giants soube aproveitar o erro do Pats e porque o Tom Brady demorou pra acordar. E está esquentando!

Mas tudo que eu tinha pra falar sobre o significado desse jogo foi no post abaixo (linkado acima).  Agora vamos ao diário...

Halftime: Show da Madonna a todo vapor. Aparentemente tem duas mulheres com ela que eu deveria conhecer. Os patriotas da mesa estão surpresos que eu nunca ouvi falar em nenhuma das duas. Procurei na Wikipedia e aparentemente o nome de uma delas é M.I.A... Mas você fala como se não tivessem pontos, Mia, e os pontos só estão lá porque... são legais? Preciso de uma bebida pra começar o segundo tempo...

Em tempo, parece que essa tal de MIA fez um gesto obsceno com a mão e agora virou o maior centro de atenções do Show do Intervalo. Eu acho uma frescura: Se Colts e Jaguars podem se enfrentar em plena luz do dia sem ninguém achar obsceno, então não vejo porque um simples dedo do meio seria tão pior. At all.


Halftime: Você pode não gostar da Madonna ou da seleção dos shows que eles fazem pro intervalo do Super Bowl, ou pode até achar que o show em particular foi um saco (o do ano passado foi bem fraquinho, por exemplo)... Mas não da pra deixar de achar a produção muito bem feita. Muito bem feita, a montagem é feita numa velocidade alucinante, luzes e efeitos visuais pra todo lado... E a cena do estádio apagado só com as luzes do palco e dos celulares é de arrepiar. Estou ficando animado, e olha que nem começou o terceiro quarto.

3rd Quarter - 15:00: Pedro está entrando na sua fase bipolar. Desde o começo do jogo ele já passou de "Nós vamos tomar uma surra!" pra "Vamos devolver a derrota de 2008!!", voltou pra "Ah não, intentional Grounding, ele não está bem!!", passou por "Estamos no Super Bowl e você não!!" e agora voltou pra "Tom Brady é o melhor Quarterback de todos os tempos, vamos ganhar!!". Se o Giants ganhar esse jogo, ele não vai ter um momento mais de paz na vida. Vou pessoalmente garantir isso.

15:00: Meu pai chega, assiste cinco minutos e avisa que vai dormir. Isso nunca aconteceria se o Niners tivesse terminado o ano 6-10. As vezes, chegar perto e falhar dói muito mais do que nem chegar.

14:54: Uma recepção do Chad Ochocinco!! Se isso não é um bom sinal para o Patriots, eu não sei o que é!! Rai prevê que ele será o responsável pelo TD do título. Eu achava que ele só não tinha sido cortado do time pra tirar as atenções do Tom Brady no Media Day.

11:25: Pela terceira vez em quatro jogadas, o Pats joga no seu eficiente esquema No Huddle, que por algum motivo eles abandonaram até aqui na partida. O resultado? Touchdown para Aaron Hernandez, 11 jardas. Eu acabei de ver Tom Brady completar 16 passes seguidos em duas campanhas (uma de 94 jardas) para dois Touchdowns? É claro que sim!! Aquele Safety do começo da partida ficou totalmente pra trás, Brady está com cara de quem está totalmente focado. Não tem ninguém melhor que ele na NFL atualmente. Num jogo que pode determinar o resto do seu legado na NFL, acabar de vez com a discussão de "Melhor QB da sua geração" e colocar de vez Brady entre os maiores QBs da história, nada melhor do que jogar como vem jogando nessas duas últimas campanhas. Patriots 17 a 9.

Em tempo, Everaldo Marques avisa que os 16 passes consecutivos de Brady são um recorde do Super Bowl, e que ele quebrou os recordes anteriores do Joe Montana de passes completos consecutivos, passes completos e jardas em um Super Bowl, ignorando que Brady joga uma era que facilita muito mais o passe e jogou um Super Bowl a mais. Pedro e o Rai imediatamente jogam os recordes na minha cara e falam que Brady é muito melhor que Montana... O melhor QB a pisar nessa Terra e meu maior ídolo no esporte. Estou começando a torcer pelo Giants. Falta pouco...

6:47: Uma boa campanha do Giants acaba só com um Field Goal pra trazer a diferença de volta pra cinco pontos. A campanha do Giants funcionou enquanto o time jogou pelo chão e encurtou as conversōes, mas terminou com três passes seguidos e isso matou o ataque do time. Eu já tinha avisado que o Giants ia precisar correr com a bola mesmo que a linha defensiva do Patriots esteja em boa fase, e estava dando resultados na campanha. A diferença está um pouco grande demais pra jogar contra esse Brady pegando fogo. Do meu lado, Pedro fala que a diferença de dois pontos vai ser o que causará a derrota do Patriots. Ele ta mais instável que a defesa do Patriots. Prevejo um ataque cardíaco até o final do quarto.


6:37: Jason Pierre-Paul sai do campo aparentemente machucado. Não parece grave, mas é um jogador importante demais pra não causar preocupação. Vamos ver se volta...

6:12: Brady erra seu primeiro passe nos últimos 17 que tentou, depois a campanha do Patriots acaba com um sack de Justin Tuck. Tuck está jogando muito bem hoje, já forçou um safety hoje e tem sido a força mais destrutiva da defesa do Giants hoje. Sack gigante aqui pra quebrar o ótimo momento do Patriots e recuperar a bola pro Giants. Ele ainda vai ter um momento importante nesse jogo. Só esperem pra ver.

5:01: Hakeem Nicks sofre um fumble após um passe curto, mas Jarod Mayo passa reto pela bola e ela sobre limpa pra dois jogadores do Giants recuperarem. O comentarista americano lembra que no Super Bowl XLII o Giants recuperou seus três fumbles. Ouch. O que sobrava de vida nos meus companheiros de Super Bowl acabou de sofrer um grande golpe.

2:33: Acabou a cerveja. Mais um grande golpe. Vamos ver se H2OH faz o papel.

2:33: Não faz. E a pizza também está acabando. Isso vai ficar feio...

1:14: Rob Ninkovich - um dos melhores jogadores da defesa do Patriots nas últimas semanas e hoje a noite também - chega em Eli Manning pra um sack dentro da Red Zone do Patriots, possivelmente impedindo um Touchdown. O Field Goal mantém a diferença em uma posse de bola, só que agora são só dois pontos. A defesa do Patriots tem se segurado bem nas horas críticas. Hora do ataque aparecer.

4th Quarter - 14:31: A pressão de Tuck, sempre ele, chega em Brady. Ele foge do primeiro sack, foge do segundo, sai do pocket, tem caminho livre pela frente... E lança uma bomba pro Rob Gronkowski. A bola viaja, viaja, viaja... E é interceptada pelo LB Chase Blackburn, que pulou na frente do Rob Gronkowski.

Nem sei por onde começar a falar dessa jogada. Primeiro, foi a segunda bomba precipitada do Brady no jogo hoje - o intentional grounding foi a primeira. Ele saiu do pocket (onde ele é muito mais eficiente do que fora), estava em movimento lateral (mais difícil de acertar um passe longo porque tem menos apoio) e tinha caminho livre. A jogada também era uma primeira descida, e se ele corresse podia ter ganho cinco jardas. Não tinha porque ele tentar esse passe - Gronkowski até conseguiu uma boa separação e um passe preciso aqui significava TD, mas a chance de acertar esse passe nessa situação era bem pequena. Foi uma má decisão, um passe precipitado - talvez excesso de confiança no próprio braço - e a bola volta junto com o momento do jogo para o Giants. Boa interceptação de Blackburn, também.

Também preciso lembrar uma pequena verdade: Essa bola não seria interceptada se Gronk estivesse 100%. Ele mal tentou pular. Dificilmente ele conseguiria agarrar um passe tão atrás, mas pelo menos iria brigar pela bola o suficiente pra Blackburn - um jogador que não intercepta passes - não conseguir domínio da bola. Um pulo, os braços levantados pra atrapalhar o jogador do Giants e brigar pela bola, e aquele passe ruim cai na grama sem maiores consequências.

Em tempo: muita gente disse que Gronk não deveria jogar se não estivesse 100% - o que ele claramente está e todo mundo sabe que não estaria desde o jogo contra o Ravens. Mas eu entendo ele. É que nem o Kevin McHale jogando com o pé quebrado os playoffs de 1987, o que acabou com o resto da sua carreira:, o que ele diz até hoje que faria de novo Você não sabe se algum dia terá essa chance novamente, pode ser sua ultima chance de estar nessa situacão, num bom time, brigando por um título. E se você tem a chance, você tem que aproveitar ao máximo, você tem que fazer tudo o possível pra que ela se realize. Gronk não estava 100%, mas ele TINHA que jogar. Ele era extremamente importante pro time, que perdia muito - e perdeu - sem sua explosão, sua movimentação. Ele sabia disso, e fez o que tinha que fazer - jogar. O Pats tem uma desculpa em caso de derrota bem aí, porque foi uma grande perda - ele acabava de vir da melhor temporada estatisticamente de um TE na história (numa era que favorece o passe e, especialmente, Tight Ends, claro - por isso o estatisticamente). Mas nunca questionei sua presença em campo.

Aliás, o comentarista americano, com seu incrível talento para matar patriotas, acaba de lembrar que o responsável pela lesão do Gronkowski foi o mesmo Bernard Pollard que estourou o joelho de Brady em 2008 e o de Wes Welker em 2009. Yeekes! Qual é a chance do Jets oferecer um contrato de 8 milhōes de dólares ao Pollard no fim do ano? E para esse comentarista?

14:31: Pedro manda eu desligar o notebook porque está dando azar. Got it.

14:12: Brandon Spikes força o fumble de Ahmad Bradshaw... E é  imediatamente recuperado pelo Guard de NY. Giants está 5-0 em fumbles recuperados contra New England nos dois Super Bowls. É preciso comentar que fumbles recuperados é uma estatística que gira em torno da sorte - ou seja, dos 50% de aproveitamento pra cada lado. Historicamente, times que recuperam mais de 50% dos seus fumbles sofrem regressōes em relação à media invariavelmente, por isso é uma medida que pode indicar sorte quando há desequilíbrio nos números. O Giants está 5-0 contra o Pats em Super Bowls e acabou de ficar 7-0 em fumbles recuperados nos três últimos jogos. Por mais que o Giants seja um grande time, não da pra deixar de notar que esses dados estão gritando "SORTE" nos nossos ouvidos. O único fumble que o Pats recuperou foi anulado pela falta mais idiota do jogo (12 homens na defesa).

14:12: O Giants acabou de gastar seu primeiro tempo nessa prorrogação um pouco cedo demais. Com o jogo tão apertado, poupar os tempos para um momento decisivo é crucial. Não precisava ter gasto esse agora.

9:35: Numa 2nd and 5, o Giants gasta seu segundo tempo, só nessa campanha, pra evitar um Delay of Game. Péssimo controle dos tempos pelo Giants, você não pode gastar num jogo tão apertado contra um QB tão bom como Brady seus tempos dessa forma e ficar sem nenhum pra ter a opção de controlar o relógio no final. Eu acho que prefiro a falta de 5 jardas e ficar com os dois tempos. Horrível a opção.

9:35: Kevin Boothe faz minha noite ao cometer um False Start... O que quer dizer que o Giants vai enfrentar numa 3rd and 10 do mesmo jeito e o Giants acabou de gastar um tempo a toa. Parece castigo. Pedro diz que é um mal sinal, mas eu acho que qualquer coisa a essa altura do campeonato está valendo. A sala está num silêncio assustador.

9:35: O Giants não converte a descida e é obrigado a ir pro Punt. Terrível a campanha do Giants quando lembramos que ela comeu dois tempos e não conseguiu nem um Field Goal.

5:22: Conversão importante pro Patriots aqui numa 3rd and 3 (Quatro jardas pro Hernandez). Pats vai gastando bem o relógio, avançando bem no campo e já está perto do Field Goal. Duas ou três primeiras descidas provavelmente matam o jogo, especialmente se o jogo terrestre funcionar. Um TD acaba de vez com o Giants. Mas ainda faltam cinco minutos, e o Pats ainda está na linha de 43.

4:06: Ouch! Brady descola um passe longo pra um Wes Welker livre, que gira o corpo mas deixa a bola escapar!! Já sei qual vai ser o crucificado do jogo se o Giants conseguir a virada.

Olhando o replay, era uma bola agarrável e Welker não pode deixar escapar essa chance num Super Bowl, mas a culpa não é só dele. Welker conseguiu boa separação, mas tinha cortado pra dentro do campo, enquanto o passe foi pro lado de fora, obrigou Welker (um WR de agilidade e rotas curtas que não é um grande jogador recebendo bolas altas ou em profundidade e não tem grande impulsão) a girar todo o corpo e saltar pra tentar agarrar a bola. Brady não costuma errar passes assim, ainda mais pro WR livre dessa maneira, mas essa bola foi do lado errado e um pouco forte demais. Ele normalmente não erra esses passes, e Welker geralmente pega essas bolas ainda que seja bem difícil. Algo parece errado.

4:00: Brady acha Deion Branch cortando pelo meio da defesa numa crucial 3rd and 11 que pode dar a direção definitiva da partida, mas o passe sai muito atrás e Branch não consegue agarrar a bola. Patriots vai ter que chutar. Não era um passe fácil, mas teve tempo e Branch estava com uma boa separação, era só colocar o passe num lugar acessível. Não foi o caso. Brady errou dois passes cruciais em sequência, e o Giants tem a bola com o melhor 4th Quarter QB da Liga pronto pra virar esse jogo.

3:46: A ESPN brasileira passa comerciais e uma imagem distante do campo enquanto Eli Manning acha seu Wide Receiver num passe espetacular de 38 jardas pro Mario Manningham. Quando a ESPN finalmente mostra a jogada, eu não consigo acreditar em como foi por pouco: Por meio centímetro o pé dele teria encostado fora, por uma polegada a bola não passa pelos defensores, por um centímetro ele consegue o controle da bola. Essa jogada vai ser lembrada como a versão 2012 da catch do David Tyree, mas aquela foi uma jogada de raça e sorte, e essa uma jogada de habilidade (e um pouco de sorte). Começo crucial aqui pro Giants. Ninguém respira na sala. O Patriots desafiou a jogada, e acho que vai perder um tempo valioso com isso. Não importa, o desafio tem que ser feito. Daqui, parece que a recepção foi perfeita, mas nunca se sabe com as zebras.

3:46: As zebras confirmam a recepção. Jogada genial do Eli Manning e grande controle do herói improvável, Manningham. Lá vem o Giants...

1:09: O Giants já tem esse jogo virado: 1st and 7 na linha de 7 jarda, grande campanha do Eli Manning e do Hakeem Knicks. O Giants corre com Bradshaw, que pouco ganha, mas não importa. O FG dificilmente não vai entrar, o Patriots acabou de pedir o seu segundo tempo... O que significa que mais duas jogadas terrestres e um FG vão resultar em um ponto de vantagem e cerca de 20 segundos a um Patriots sem timeouts.

Aliás, o Patriots perdeu uma grande chance de tomar um TD aqui. Não, estou falando sério (eu propus a ideia aqui e depois de uma primeira rodada de "Nada a ver!!" e "Ta maluco??", todo mundo parou um segundo e viu que era a única solução), o Patriots tinha que forçar um TD aqui nem que pegassem o Bradshaw no colo e jogassem ele na End Zone. Isso agora virou um jogo de xadrez: Se o Giants chuta o FG na 4th down, o Pats tem 20 segundos pra chutar um FG, que é quase impossível. Mas se o time toma o TD, o Pats é obrigado a responder com outro TD... Mas terá 1 minuto e 2 tempos pra pedir com Tom Brady. Aqui, o Pats estaá em enorme desvantagem, então tem que jogar com porcentagens, e tomar esse TD da ao Patriots muito mais chances de reagir do que um FG. Porque, então, o Pats não tomou esse TD?

1:04: Ai está, a defesa do Patriots abre e Bradshaw anota um TD depois de quase ajoelhar na linha de 1 jarda. A pergunta é, porque o Pats não fez isso na jogada anterior?? Teria preservado um tempo importantíssimo!! Ao invés disso, o Pats gastou cinco segundos e um tempo pra fazer a mesma coisa que deveria ter feito na jogada anterior. Que erro besta!!

Aliás, por falar em erro besta, porque o Bradshaw entrou na End Zone? Ele estava livre, não tinha ninguém pra empurrá-lo e ajoelhar ali era muito melhor pro seu time do que o TD, como eu já expliquei antes. A vontade de anotar um TD num Super Bowl é enorme, claro, mas isso acabou de dar ao Pats uma ultima chance! Deixa o orgulho de lado e ajoelha, Bradshaw!

Aliás, pior ainda... Porque o Giants sequer está tentando correr? Porque o Eli Manning não ajoelhou três vezes antes do FG? Era a melhor coisa a se fazer, correr com a bola não só da ao Pats a chance de tomar o TD e receber a bola de volta com algum tempo como também tem a chance de sofrer um fumble (Bradshaw não é o cara que melhor toma conta da bola). Não tem porque correr com a bola, você se arrisca a perder um fumble ou anotar um TD. Porque o Giants não está ajoelhando??

1:09: O Giants tenta a conversão de dois pontos mais inútil da história da NFL. 6 pontos ou 5 pontos são exatamente a mesma coisa a essa altura, nenhum Kicker vai errar esse Extra Point em caso de TD. Vou chamar essa decisão de "Efeito Billy Cundiff".

1:04: Minha namorada está tão nervosa como qualquer torcedor do Pats nessa sala. Acabei de entender que vou torcer pro Pats até o fim. Incrível como ela acabou gostando tanto de NFL em apenas um ano e está torcendo e sofrendo tanto nesse final. Nunca achei que fosse achar uma garota que gosta de futebol americano, futebol E basquete desse jeito. Acho que não ficarei solteiro por muito tempo...

0:48: Depois de dois drops, Justin Tuck chega em Brady e da um Sack que praticamente mata as chances do Patriots!! O time de New England perde 6 jardas e seu último tempo. Que jogo do Justin Tuck, ele fez de tudo: Forçou safetys, parou o jogo corrido, pressionou o QB e conseguiu dois sacks importantíssimos, um matando o momento do Patriots no terceiro período e outro agora pra colocar um duro golpe nas chances de virada do Patriots. Se o Giants ganhar o MVP provavelmente será Manning, mas pra mim o Tuck foi o verdadeiro MVP do Giants.

0:39: Passe espetacular de Brady na quarta descida para Deion Branch mantém o Pats no jogo!

0:09: O Pats mal chegou ao meio de campo e o tempo está terminando. O Pats tem um ou dois passes pra tentar antes do fim da partida. O primeiro é incompleto. Vamos para a última jogada...

0:00: Foi por pouco, muito pouco!! A bola que pipocou no ar caiu muito perto de um Gronkowski que talvez até tivesse conseguido um mergulho se estivesse em plenas condiçōes, mas o Pats chegou perto de novo, e de novo parou no mesmo Giants!! New York Giants, o campeão do Super Bowl XLVI!

A sala caiu num silêncio mórbido. Um se levanta para ir embora, o outro caminha de cabeça baixa pela sala, e a outra está imóvel. Deve doer muito perder pro Giants uma segunda vez - quando o Niners perdeu a final da NFC, eu sai do meu hotel, andei cinco quilômetros para ir até um 7 Eleven comprar um donuts (estava sem dinheiro) e voltar dando quinhentas voltas pela propriedade. Entendo como se sentem.

O Giants, alheio a isso, festeja. Eli Manning coroou um ano espetacular com outro grande jogo, outro título e, provavelmente, outro MVP. Na TV, alguém pergunta se esse anel já coloca Manning à frente do seu irmão (a sub-história mais ridícula desse Super Bowl). Isso é um exagero sem tamanho, não se mede QBs apenas pelo número de títulos: da mesma forma que o segundo SB do Eli não coloca ele na frente do Peyton Manning, um quarto tiítulo de Brady não colocaria ele junto de Montana, e a falta de um quarto SB não impede que ele esteja acima de Terry Bradshaw. Um QB é muito mais do que um conjunto de títulos e prêmios. Essa comparação idiota acaba nos desviando da temporada sensacional que o irmão mais novo teve, sendo o melhor QB da NFL em quartos períodos, tendo uma grande temporada regular e ganhando seu segundo título, dessa vez de forma incontestável. Ele escreve pela segunda vez seu nome na história da NFL e coloca de vez Eli Manning dentro da elite da NFL atual. Manning não é melhor que o irmão nem que Brady, mas não é só isso que determina um titulo ou uma temporada. O Giants ganhou porque tinha um time melhor que o Patriots e porque Eli Manning jogou seu melhor jogo sob pressão e nos momentos decisivos, enquanto Brady não conseguiu fazê-lo. E ele é o campeão.

Já o Pats sepulta sua chance de vingança contra o Giants num jogo onde o time até foi superior durante toda a partida, mas na hora de decidir sentiu falta da sua jogada de segurança (Gronk), do jogo terrestre pra aliviar seu QB e de um Wideout. As fraquezas do Pats vieram à tona, enquanto a defesa do Giants fez seu papel quando precisou. Alguns drops (especialmente na última campanha), os fumbles não recuperados e alguns passes descalibrados na hora H decidiram esse jogo. O Pats foi superior durante muito tempo, mas não conseguiu decidir. Um time que não era nada espetacular sem seu QB viu Brady ter uma performance boa mas errática e não conseguiu extrair forças do resto do time.

Pela primeira vez, Brady vai enfrentar dúvidas em New England. A franquia que sempre o idolatrou agora olha com desconfiança para seu QB. Um absurdo, claro, mas assim são os esportes. Para quotar um dos melhores filmes de todos os tempos, ou você morre como herói ou vive tempo suficiente para se ver transformar num vilão. Esportes não são diferentes. Brady, pela segunda vez, não conseguiu decidir num Super Bowl, errou alguns passes e seu time perdeu. E ele sabe que perdeu a chance de definir seu legado contra o time que o roubou do seu maior momento em 2008. Essa cicatriz nunca vai sarar, e acabou de ganhar mais profundidade. New England já anda com certa má vontade com seu QB desde que ele se mudou de Boston (NY, depois LA), agora depois de uma derrota no SB... E isso talvez seja bom, porque se existe um QB que é competitivo ao extremo esse é Brady, e ele ganhou mais um motivo para destruir todo mundo e recuperar seu posto no topo da Liga. O Patriots não é um time de Super Bowl, e uma offseason dificilmente será suficiente pra tornar o resto do elenco do Pats melhor, ainda que um ano de experiência e um Draft com duas escolhas na primeira rodada possam fazer muito bem à defesa. Se o Pats quer voltar ano que vem, vai ter que ser nas costas do seu QB, e ele estará motivado. Pros derrotados, a temporada 2012 começa desde já!

Pro Giants ainda não. Alguns meses de comemoração antes de mais nada, depois a realidade de que com o retorno das lesões o time deve estar tão bom quanto em 2012 (deve perder Manningham e Osi Umenyora) pra tentar brigar pelo bi. O Giants foi o time que pegou fogo na hora certa, contou com a sorte, com um grande QB e com uma defesa que era capaz de desmontar o ataque adversário depois de uma temporada cheia de lesões e de ter chegado nos playoffs no sufoco  - exatamente como o Packers de 2010. A formula parece funcionar, quem sou eu para me meter? No final ganhou o melhor time, o time que pressionou melhor o QB (a chave para defender sob as novas regras de passe) e que melhor jogou sob pressão. Esse time foi o Giants, e por isso o Giants é campeão do Super Bowl!