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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

2016 All-Two Minute Warning NFL Team

"YEEEAAHH, FIRST TEAM ALL-TWO MINUTE WARNING, BABY!"



Os leitores mais antigos provavelmente já perceberam que o ritmo de postagens por aqui - nunca um ponto forte - caiu cada vez mais ao longo do tempo. Conforme a vida avança, fica mais difícil conciliar vida profissional (e, em menor escala, social) com escrever em um blog de graça sem nenhum retorno, e como vocês sabem os textos daqui são sempre gigantes e muito técnicos (o que significa que demoram pra cacete para serem escritos). Acho que é por isso que ultimamente tenho escrito menos colunas completas (pega um assunto e faz uma coluna inteira sobre ele) e mais recorrido a gimmicks como listas, rankings e tudo mais. É mais pobre, e nunca foi minha proposta, mas infelizmente está mais de acordo com meu tempo livre hoje em dia. E acabei achando melhor recorrer a colunas assim do que ficar sem posts nunca.

Dito isso, vamos à coluna de hoje. Para quem não viu, semana passada eu publiquei meus votos para os prêmios individuais da NFL: MVP, OPOY, DPOY, OROY, DROY, etc. Ai um dos meus leitores mais antigos, Marcelo Corghi, do Araras Steel Hawks, me deu um desafio diferente: meu All-Pro Team da temporada 2015 da NFL. Challenge accepted!

Então para aproveitar o gimmick e falar mais de NFL, decidi fazer meu All-Two Minute Warning NFL Team para a temporada 2015 da NFL. Antes de começarmos, alguns esclarecimentos:

- Sim, eu odeio seu time. Não importa qual ele for. E por isso, SÓ POR ISSO, eu deixei aquele jogador que você gosta de fora. Não pelas centenas de horas que eu passei nesses últimos meses assistindo, estudando e avaliando futebol americano.

- Ofensivamente, vamos com um QB, dois RBs, um FB, três WRs, um TE, dois Tackles e dois guards (independente de lado) e um Center. Ou seja, a formação tradicional do All-Pro com um WR extra, simplesmente porque hoje todo mundo joga com 3 WRs boa parte do tempo. Se o All-Pro defensivo pode ter 12 jogadores, eu posso ter 13 jogadores no meu ataque. Formações variam demais e é isso.

- Para defesa, inventei um critério pessoal para solucionar as questões das defesas 3-4 vs 4-3: dois defensores de interior de linha (DTs em 4-3, NT/DE em 3-4s qualificam), dois linebackers "tradicionais" (qualquer ILB, mais OLBs de formação 4-3) e três jogadores de "ponta" (podem ser OLBs 3-4, DEs 4-3 ou até DEs 3-4 se jogarem assim). Sim, é confuso e subjetivo, mas depois que Kahlil Mack foi votado All-Pro em duas posições diferentes, nada é verdade e tudo é permitido.

- Para a secundária, vamos de 3 CBs e 2 safeties (sem distinção entre FS/SS) pelo mesmo motivo que temos três WRs: defesas passam muito do seu tempo hoje jogando em formações de nickel, com 5 defensive backs. Como eu disse, formações variam muito hoje e meu All-TMW Team vai computar essas variações elegendo alguns jogadores extras. Me processe. 

- Para special teams, vamos com um kicker, um punter, um kickoff returner E um punt returner. Peço perdão ao Tyler Lockett em avanço, porque ele seria o óbvio vencedor se computássemos as duas categorias juntas e ele provavelmente é o maior prejudicado aqui. 

- Estou explicando apenas minhas seleções para o 1s Team All-TMW. Para o 2nd Team só vou colocar os nomes porque pretendo acabar a coluna antes do Super Bowl.

Ok, estamos prontos. Vamos a isto.


All-Two Minute Warning 2015 NFL Team

Quarterback: Carson Palmer, Arizona Cardinals.

Eu já passei muito - MUITO - tempo falando da questão dos melhores QBs da temporada e porque Carson Palmer é meu #1 quando dissertei sobre o prêmio de MVP na coluna da semana passada. Tudo que está lá ainda vale, então se quer entender meu processo de raciocínio, é só entrar lá e ler - ficou grande demais para copiar e colar aqui. Vale a leitura. 

2nd Team: Cam Newton, Carolina Panthers


Running Backs: Doug Martin, Tampa Bay Buccaneers; Adrian Peterson, Minnesota Vikings.

Pergunta: Quem foi o melhor RB de 2015?

A resposta popular tem sido Adrian Peterson, provavelmente porque o RB de Minnesota liderou a liga em jardas terrestres no que foi um ano bastante pobre para RBs. Mas eu discordo dessa visão. Até os estágios finais dessa coluna - quando decidi deixar 2 RBs no time ao invés de um só - Doug Martin era meu 1st Team RB,  não  Peterson.

Por que? Bem, Adrian Peterson liderou a liga pelo chão na frente de Martin, 1485 a 1402, e em jardas totais, 1707 a 1673, mas isso é facilmente explicado pela maior carga de Peterson: foram 39 corridas a mais e 36 toques na bola a mais que Martin (AP liderou a liga em ambos os quesitos). Então seu total pode ter sido maior. Mas quando você começa a olhar mais a fundo, percebe que Martin foi muito mais eficiente: AP teve 4.5 jardas por corrida, a sétima primeira melhor marca da NFL entre RBs (mínimo de 110 corridas), mas Doug Martin foi segundo na liga no quesito com excelentes 4.9 jardas por corrida. E isso apesar de ter menos ajuda da sua linha: o RB de Minny teve média de 2.2 jardas por corrida ANTES do contato com a defesa, enquanto o de Tampa Bay teve apenas 1.8 e teve que brilhar quebrando tackles e acumulando jardas após o contato: foram 3.1 jardas por corrida APÓS o contato, segunda melhor marca da liga depois de Le'Veon Bell (que teve menos de metade das corridas do Pocket Hamster), enquanto Peterson teve 2.3. Então apesar de Peterson ter mais jardas, Martin foi mais dominante como corredor essa temporada.

E isso sem contar as outras áreas do jogo, cada vez mais importantes para RBs na NFL moderna - bloquear e participar do jogo aéreo. Martin não se destacou em nenhuma das duas esse ano, mas Peterson é um ponto fraco nas duas a esse ponto da carreira, só que por ser Adrian Peterson o Vikings acaba deixando-o em quadra mais o que deveria nessas áreas. Existe um motivo para Peterson ter ficado no banco no final de Vikings vs Seattle nos playoffs, quando Minny teve que recorrer ao jogo aéreo. Você pode argumentar que os números de Peterson são mais difíceis por enfrentar defesas mais voltadas para pará-lo, mas considerando todos os aspectos, Martin foi meu melhor RB de 2015.

2nd Team: Todd Gurley, Saint Louis Rams; Devonta Freeman, Atlanta Falcons.


Fullback: Patrick DiMarco, Atlanta Falcons

Mike Tolbert ganhou esse prêmio simplesmente porque ele é o FB que mais corre na NFL, totalizando 256 jardas no ano e porque a principal função de um FB na NFL - bloquear - é muito mais difícil de se avaliar. Tolbert pode ter corrido mais que qualquer outro FB no ano, mas foi para pouco expressivas 4.1 jardas por corrida mesmo jogando com Cam Newton, enquanto continuou tendo dificuldades para bloquear - sabe, o mais importante para sua posição. Correr e receber passes são ótimos aditivos para um FB, mas se você não é capaz de bloquear direito, você é basicamente um RB pouco utilizado e com médias pouco expressivas. Tolbert obviamente é um jogador útil, mas olhando alémdas estatísticas de box score, ele não é o melhor FB de 2015.

Enquanto isso, DiMarco teve um ano incrível bloqueando para Devonta Freeman, especialmente no começo do ano. Lembra aquele momento da temporada que Freeman parecia o MVP do Fantasy de 2015, anotando TDs toda semana? Volte a fita e preste atenção no trabalho de DiMarco para que isso acontecesse, e você vai entender o motivo dele estar aqui. Avaliar FBs é muito difícil, mas entre todos DiMarco foi de longe quem mais se destacou para mim.

2nd Team: Marcel Reece, Oakland Raiders.


Wide Receivers: Antonio Brown, Pittsburgh Steelers; Julio Jones, Atlanta Falcons; DeAndre Hopkins, Houston Texans.

Eu falei muito a respeito da batalha entre esses três WRs na minha coluna dos prêmios da temporada na parte de Offensive Player of the Year. 

Eis o que eu escrevi sobre as temporadas de Antonio Brown e Julio Jones na mesma coluna:

"É absurdamente difícil decidir entre os dois porque ambas temporadas foram muito parecidas. Todos os números pós 2004 de jardas aéreas ou recebidas precisam ser levadas com toneladas de grãos de sal quando comparados historicamente, pois houve uma mudança absurda das regras contra defesas e a favor do jogo aéreo que simplesmente inflou as estatísticas além do bom senso. Mas considere o seguinte: Julio Jones e Antonio Brown terminaram ambos a temporada com 136 recepções, com Jones vencendo a disputa nas jardas aéreas, 1871 a 1841. Isso significa que ambos estão empatados com a segunda melhor marca de recepções em uma temporada da HISTÓRIA da NFL (Marvin Harrison em 2002, 143), e são segundo (Jones) e quarto (Brown) em jardas recebidas em uma temporada da história da liga. Isso é muito impressionante."

Quanto a Hopkins, eu não vou repetir aqui (é só ler na coluna linkada acima), mas eu fiz também um argumento de que, considerando os QBs que jogaram com Hopkins e sua brutal diferença de qualidade para os QBs de Falcons e Steelers (mesmo considerando os jogos perdidos por Big Ben), a temporada de Hopkins talvez tenha sido ainda superior às de seus companheiros de profissão, e seus números ajustando por essa diferença em qualidade seriam ainda melhores. É um argumento hipotético, claro, mas no fundo o ponto fica: DeAndre Hopkins é muito bom. Foram inquestionavelmente os três melhores WRs de 2015.

2nd Team: Allen Robinson, Jacksonville Jaguars; Odell Beckham Jr, New York Giants; Larry Fitzgerald, Arizona Cardinals.


Tight End: Rob Gronkowski, New England Patriots.

Pois é, esse lugar é cativo do Gronk enquanto ele estiver saudável. Mesmo com algumas lesões e um ano menos chamativo que o normal, Gronk ainda termina a temporada com 72 recepções, 1176 jardas e 11 TDs, além de ser um dos melhores bloqueadores (se não O melhor bloqueador) entre TEs da NFL. Além disso, nenhum jogador ofensivo não-QB influencia tanto o jogo taticamente e força mais ajustes defensivos do que Gronkowski, e nenhum ataque depende mais de um jogador do que o de New England depende de Gronk. Então isso tem que ser levado em consideração.

Se esse ano eu achei que Gronk teve competição forte pelo prêmio, foi mais por causa da grande atuação de outros TEs essa temporada. Tyler Eifert (13 TDs) e Greg Olsen (1104 jardas e 7 TDs) tiveram temporadas muito chamativas para grandes times, mas ainda melhor foi a temporada extremamente underrated de Delanie Walker, que postou uma linha de 94-1088-6 (#1 em recepções e #3 em jardas entre TEs) apesar de jogar com QBs muito inferiores aos demais TEs da lista, além de ser um dos melhores bloqueadores da NFL e consideravelmente superior no quesito que todos os TEs citados exceto Gronk. No final, a dominação de Gronk fizeram valer novamente o lugar, mas a fantástica temporada de Walker merecia ser celebrada e deu um adversário digno para o camisa 87.

2nd Team: Delanie Walker, Tennessee Titans.


Offensive Tackles: Joe Thomas, Cleveland Browns; Andrew Whitworth, Cincinnati Bengals.

Joe Thomas não é só o melhor LT da NFL, ele é um futuro Hall of Famer que já está entre os melhores da posição da HISTÓRIA da NFL, só que não recebe o devido crédito por passar a carreira toda jogando do lado da Factory of Sadness em Cleveland. Em mais um grande ano, Thomas é um no-brainer em qualquer All-NFL Team.

Encontrar um parceiro para Thomas foi mais difícil, mas entre vários candidatos dignos, eu acabei ficando com Andrew Whitworth: nenhum OT na NFL em 2015 cedeu MENOS pressões no QB do que Whitworth (4 sacks, 1 hit e só 15 hurries), e o grandalhão foi o melhor jogador e peça principal de uma linha ofensiva de Cincinnati que foi discretamente a melhor da temporada 2015. Se você assistiu Cincy durante essa temporada, você viu que o ataque do time foi construído inteiro em torno da sua linha ofensiva, com um QB talentoso mas que precisa ficar longe da pressão para produzir no seu melhor. E considerando que nenhum ataque foi mais dependente da sua linha ofensiva em 2015, e que Cincinnati terminou a temporada com o melhor ataque da NFL em DVOA, acho seguro dizer que Whitworth e seus colegas seguraram muito bem a barra. Ele tem meu segundo voto.

2nd Team: Terron Armstead, New Orleans Saints; Tyron Smith, Dallas Cowboys.


Offensive Guard: Marshall Yanda, Baltimore Ravens; Zack Martin, Dallas Cowboys.

Yanda é inquestionavelmente o melhor guard da NFL, alguém capaz de proteger o QB em alto nível (cedeu apenas 1 sack e 1 hit no ano todo, melhor marca da NFL) E dominar nas trincheiras para abrir espaço no jogo terrestre. Mesmo em uma posição pouco sexy (não existe posição menos reconhecida/valorizada na NFL), é o tipo de jogador que gera muito valor para um time consistentemente. Junto a ele fica Zack Martin, que novamente teve uma excelente temporada, dessa vez menos reconhecida por jogar em uma totalmente esquecível temporada de Dallas. Martin terminou o ano cedendo apenas um sack, 2 hits e 10 pressões (segunda melhor marca da liga entre jogadores com 1000+ snaps). Martin foi draftado como tackle, mas se continuar jogando no interior da linha, vai ser um eterno candidato a times All-Pro/All-TMWs. 

2nd Team: Richie Incognito, Buffalo Bills; Josh Sitton, Green Bay Packers.


Center: Ryan Kalil, Carolina Panthers.

No começo da temporada, muita gente achava que a linha ofensiva remendada seria um grande problema para o Carolina Panthers. Ela não foi. Pelo contrário, discretamente foi uma das grandes forças do time na temporada, especialmente protegendo Cam Newton e seus scrambles. E Kalil foi o pilar disso tudo, o veterano que manteve a fundação no lugar e permitiu ao resto encaixar, alguém que foi fundamental protegendo Newton e abrindo espaços para o jogo terrestre (especialmente em jogadas curtas). Talvez alguns Cs tenha sido melhores protegendo o QB ou abrindo espaços, mas nenhum fez os dois tão bem quanto Kalil.

2nd Team: Travis Frederick, Dallas Cowboys.


Defensive Line (interior): Aaron Donald, Saint Louis Rams; Geno Atkins, Cincinnati Bengals.

Eu já falei bastante sobre Aaron Donald na coluna sobre os prêmios da temporada, principalmente sobre como deveria ser impossível para um DT com tanto papel coletivo (ocupar bloqueadores, fechar espaços, etc) também ter um impacto direto tão impressionante através de pressões, tackles para perdas e sacks. Leia a coluna para ler meus pensamentos completos sobre o jogador, mas vou deixar essa parte aqui: 

"E acima de tudo esse é o maior argumento a favor de Donald como DPOY: jogadores de meio de linha defensiva não deveriam ter todo esse impacto direto além de todo o papel coletivo (ocupar bloqueadores, quebrar o pocket, etc), e ainda assim Aaron teve o quarto maior impacto direto em jogadas de passe da liga através de pressões (11 sacks, 26 hits, 44 hurries). Isso é surreal para um DT, onde você tem normalmente menos chances de ter esse impacto direto, e um dos grandes motivos pelos quais a defesa do Rams foi tão boa na temporada."

Sobre Atkins, o DT é o principal motivo pelo qual a defesa do Bengals voltou a ser uma força depois de um ano em baixa (no qual Atkins esteve machucado). A linha defensiva sempre foi o pilar do time, com bons nomers e jogadores talentosos como Carlos Dunlap e Michael Johnson, mas toda a linha - e portanto a defesa inteira - era montada em torno do colapso que Atkins causava na linha adversária e abria espaços por onde os seus atléticos companheiros poderiam atingir o backfield e fazer jogadas. Donald é melhor atravessando a linha, atrapalhando jogadas e causando impacto direto no jogo, mas nenhum DT na NFL hoje consegue causar colapso em uma linha ofensiva melhor do que Atkins. Dunlap, Johnson e o resto da DL de Cincy deveriam dar metade do seu salário para Geno. 

2nd Team: Kawann Short, Carolina Panthers; Linval Joseph, Minnesota Vikings.

Defensive Line (ponta): JJ Watt, Houston Texans; Kahlil Mack, Oakland Raiders; Von Miller; Denver Broncos.

JJ Watt é o melhor defensor da liga e meu voto para Defensive Player of the Year, então não preciso gastar muitas palavras explicando essa. Ele liderou a liga em sacks, jogadas de pressão, tackles for loss enfrentando mais marcações duplas e triplas do que qualquer jogador, causando mais impactos táticos e forçando mais ajustes do que qualquer defensor. Ele é o melhor jogador de defesa que a NFL ve desde Lawrence Taylor. O prêmio de Defensive Player of the Year deveria ser renomeado "Prêmio JJ Watt".

Kahlil Mack teve uma ótima temporada de calouro em 2014, principalmente por seu papel dominando o jogo terrestre, mas em 2015 elevou mais um nível no seu jogo assumindo um papel mais ativo atacando o quarterback, e Mack simplesmente destruiu tudo no seu caminho em seu novo papel: foram 16 sacks (apenas Watt teve mais) e 82 jogadas de pressão (apenas Watt e Michael Bennett tiveram mais). Durante uma surreal sequência de três jogos, Mack teve NOVE sacks (inclusive um jogo com 5 só no primeiro tempo) para ajudar o Raiders a vencer dois deles por totais 6 pontos. E embora isso diga mais sobre o quão tosco é o processo de votação dos All-Pros, vale citar que Mack foi o primeiro jogador da história a ser eleito para o All-Pro Team em DUAS posições diferentes (DE e OLB). Watt e Mack foram dois no-brainers para essa posição.

O terceiro lugar foi mais difícil, com vários bons candidatos mas ninguém se destacando acima dos demais. Acabei indo com Von Miller, que certamente tem as credenciais para isso: 11 sacks, 82 jogadas de pressão (empatado com Mack no terceiro lugar da temporada) e consistente impacto no jogo terrestre não são nada para se torcer o nariz, ainda mais considerando toda a atenção e dobras que ele atrai. Ele foi o segundo melhor OLB de 2015 tirando Mack. Mas o motivo foi um pouco diferente e talvez até injusto: Miller foi de longe o melhor jogador e pilar de uma defesa que acabou sendo a melhor da temporada em 2015, e embora obviamente ele tenha tido muitos bons companheiros, você vai reparar que apenas um outro Bronco acabou aparecendo nessa lista. Miller e (SPOILER OMITIDO) são as únicas grandes estrelas dessa defesa, e sua performance fantástica foi um dos motivos pelos quais ela foi tão boa. Então eu vou com Miller sobre a concorrência - ele tem uma leve vantagem em impacto individual E em impacto coletivo.

2nd Team: Michael Bennett, Seattle Seahawks; Olivier Vernon, Miami Dolphins; Cameron Jordan, New Orleans Saints.


Linebackers: Luke Kuechly, Carolina Panthers; Anthony Barr, Minnesota Vikings.

Então ficamos com um 4-3 OLB e um ILB para nossos linebackers.

Kuechly pode ter perdido três jogos com concussões, mas apesar disso, o jogador do Panthers foi de longe o melhor ILB da NFL em 2015. Acho que a melhor forma de descrever o camisa 59 é "força da natureza" - sua antecipação e instintos são surreais, e isso junto da sua capacidade atlética colocam Kuechly em todos os lugares do campo ao mesmo tempo. Meu exemplo favorito: lembra daquela insana recepção do Julio Jones contra o Panthers? Ta vendo aquele cara branquelo que acabou de correr 50 jardas downfield para acompanhar um dos melhores e mais rápidos WRs da NFL? É Kuechly. Tirando Patrick Willis, eu acho que nunca assisti outro MLB capaz de fazer fazer essa cobertura. Claro, foi touchdown, mas isso diz muito mais sobre a jogada linda de Jones do que uma falha de Kuechly - jogadores tão grandes e fortes como o LB não deveriam ser fisicamente capazes de acompanhar JJ em uma rota dessas.

E é assim que a vida funciona para Kuechly. Ele está em todos os lugares, faz todos os tipos de jogadas e não tem nenhuma falha no seu jogo. O camisa 59 cedeu um rating de 57.8 em passes lançados na sua direção, um número absolutamente RIDÍCULO para um linebacker, foi mais eficiente dando tackles do que qualquer jogador e foi o segundo em Stop% no jogo terrestre. Ridículo. Se Patrick Willis pegou a tocha de Ray Lewis de "MLB histórico dominando a NFL", essa tocha me parece muito segura com Luke Kuechly.

Barr é um caso engraçado, alguém que chegou na NFL como um OLB pass rusher do College e nas mãos de Mike Zimmer acabou se tornando um dos mais devastadores all-around LBs da NFL. Não sei se existe hoje na NFL um linebacker tão completo quanto Barr. Embora o segundanista não se alinhe como um OLB 4-3 tradicional em boa parte do tempo, participando ativamente de pacotes e formações híbridas como pass rusher ou jogando mais próximo da linha defensiva, Barr tem um impacto em todas as áreas do jogo de forma que não é comum para um OLB 4-3: ele é devastador em jogadas de rush (4 sacks, 5 hits e 18 hurries, segundo melhor entre 4-3 OLBs apesar de ir para blitz menos que seus concorrentes mais próximos), excelente saindo para cobertura (cedeu apenas um TD no ano apesar de ser um dos OLBs que mais defendem no jogo aéreo) e ainda consegue impor sua presença em jogadas terrestres. Sua versatilidade constitui a espinha dorsal de uma das melhores jovens defesas da NFL. Você não encontrará um jogador em toda a NFL que teve mais impacto em 2015 no jogo terrestre, na cobertura E no pass rush do que Anthony Barr.

2nd Team: KJ Wright, Seattle Seahawks; Derrick Johnson, Kansas City Chiefs.


Cornerbacks: Tyrann Mathieu, Arizona Cardinals; Josh Norman, Carolina Panthers; Patrick Peterson, Arizona Cardinals.

Aparentemente, a maior parte das pessoas veem Tyrann Mathieu como um safety apesar do fato dele ter se alinhado muito mais de cornerback esse ano. A verdade é que o Honey Badger joga uma posição híbrida CB/Safety que tem se tornado cada vez mais popular na NFL (Charles Woodson, quando foi DPOY e campeão pelo Packers, fazia uma função semelhante), mas ainda é mais próximo de um CB do que de um safety. Então é como eu voto.

E apesar de Mathieu ter perdido os dois últimos jogos da temporada com um ligamento rompido (infelizmente pela segunda vez), seu impacto foi tão grande que não tem como deixá-lo de fora do 1st Team. Na cobertura, Mathieu já faria por merecer esse 1st Team All-TMW: além de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, o camisa 32 é um dos defensores de secundária mais físicos da liga, alguém que mistura força, atleticismo, instintos e técnica para criar uma máquina de destruição em massa. Ele consegue marcar qualquer WR, de Julian Edelman a Demaryus Thomas, e os números sustentam os vídeos: 60% de passes completos e 77.6 Rating lançando na direção de Mathieu, e esses números ainda são inflados pelos snaps que Mathieu alinha mais atrás, como safety (que tendem a ser maiores). Avaliando CBs na cobertura, é comum nos maravilharmos com aqueles que não aparecem, que passam o jogo todo anulando um jogador e mal aparecem no vídeo porque ninguém lança na direção deles. Mathieu é o oposto, alguém que está o tempo todo em todos os lugares fazendo jogadas e tendo impacto em um número enorme de snaps, frequentemente cobrindo seus companheiros nessa função híbrida.

Mas assim como Barr, o maior valor de Mathieu não vem de uma coisa que ele faça muito bem, e sim do fato dele fazer TUDO em altíssimo nível. Além de suas habilidades na cobertura, Mathieu também é um dos melhores cornerbacks fazendo blitz (foi para a blitz em 39 snaps e saiu com 11 pressões, ambas as melhores marcas entre CBs), E ainda dobra como o melhor CB contra o jogo terrestre por uma enorme margem, conseguindo "Stops" em 6% das jogadas de corrida dos adversários - o segundo melhor CB da liga tem em 4.6%. A capacidade de ler e reagir às jogadas e sua velocidade indo do ponto A ao ponto B fez dele o CB de maior impacto da NFL em 2015 quando consideramos todas as áreas do jogo.

O parceiro do Honey Badger no All-TMW Team é também seu parceiro na vida real. Patrick Peterson se recuperou brilhantemente de um fraco 2014 para ter o melhor ano de sua carreira: QBs completaram apenas 47.7% de seus passes na direção de Peterson (terceira melhor marca da NFL), cedendo apenas dois TDs (e adicionando duas interceptações e seis passes desviados) e segurando QBs a um Rating de 61.8, sexta melhor marca da NFL. É claro, isso em si só não significa nada, mas da para ter uma noção do trabalho de Peterson esse ano. E ele fez isso apesar de constantemente marcar o melhor WR adversário também. Se Mathieu é uma estrela por causa de seu enorme impacto all-around, Peterson é um CB mais ortodoxo, que foca em tirar um WR do jogo. É um impacto diferente, mas não menos significante.

Por fim, o último lugar fica com aquele que foi de longe o CB mais comentado e chamativo de 2015: Josh Norman. Eis a lista de WRs que Norman marcou em 2015: Allen Robinson, DeAndre Hopkins, Brandin Cooks (x2), Mike Evans, Doug Baldwin, Jordan Matthews, TY Hilton, Randall Cobb, Justin Hunter, DeSean Jackson, Dez Bryant, Julio Jones (x2), Odell Beckham Jr.

E eis os números para QBs lançando passes na direção de Josh Norman: 51%, 9.3 jardas por passe completo (4th melhor da NFL), 2 TDs, 4 INTs, 457 jardas, e um rating de 54.0 que foi o melhor da liga entre CBs qualificados. O ano todo, foi o papel de Norman travar no melhor WR adversário, marcá-lo o jogo todo, e tirá-lo do jogo... e foi o que ele fez, mais e melhor do que qualquer outro cornerback dessa temporada. E eu não preciso te dizer o impacto que é para um ataque ter seu melhor recebedor simplesmente tirado do jogo dessa maneira. Foi uma temporada realmente fantástica para o CB do Panthers, que inclusive entrou no meu ballot para DPOY em quarto lugar.

2nd Team: Chris Harris Jr, Denver Broncos; Johnathan Joseph, Houston Texans; Richard Sherman, Seattle Seahawks.


Safeties: Harrison Smith, Minnesota Vikings; Earl Thomas, Seattle Seahawks.

Não sei se existe hoje na NFL um jogador mais consistentemente underrated do que Harrison Smith. Nos últimos dois anos, o único safety que talvez tenha sido melhor do que Smith na NFL foi Earl Thomas, que é um futuro Hall of Famer. Em 2015, Smith foi de longe o melhor safety da liga mesmo perdendo dois jogos machucado. E ainda assim, em 4 anos de NFL, Harrison Smith nunca foi a um Pro Bowl ou integrou um All-Pro Team. Por que? Eu não saberia te dizer. Só saiba que Smith é um monstro que preenche mais funções em um campo de futebol americano que qualquer outro DB (tirando talvez Mathieu) e se move com mais velocidade pelo campo fazendo jogadas que qualquer outro defensive back tirando Thomas. E ele foi mais uma vez brilhante em 2015, totalizando 11 pressões (inclusive dois sacks e quatro hits), fornecendo apoio consistente no jogo terrestre e segurando QBs a um rating impossível de 43.3 em bolas lançadas na sua área - a melhor marca da NFL inteira (não entre safeties, NFL inteira) entre jogadores que viram tantos passes quanto Smith. O camisa 22 não entrar nem no SEGUNDO time All-Pro foi um dos maiores absurdos da história recente da NFL. Um dia a NFL vai dar a Harrison Smith o valor que ele merece. Pena que não será em 2015.

Quanto a Thomas, não tem muito o que dizer. É talvez o melhor jogador no que tem sido uma das melhores defesas da história da NFL nos últimos anos. E ao contrário de Richard Sherman, que recebe mais atenção, cujo esquema do time permite isolar para maximizar suas forças, Thomas é a base em cima da qual pende todo o esquema defensivo de Seattle. Assista aos All-22 de Seattle e você logo vai ver que, apesar do esquema ser bastante simples superficialmente, a chave é que o time aproxima muito seus defensores da linha e deixa Earl Thomas as vezes quase sozinho cobrindo o fundão, uma tarefa que só é possível porque ele é uma aberração da natureza que consegue cobrir mais espaço em um campo de futebol americano do que qualquer outro jogador. E é por Thomas ser capaz de cumprir essa função que permite ao resto da defesa se focar no que eles fazem de melhor e tirar o máximo do seu estilo de jogo. Eu até acho que ETIII (Sim, ele chama Earl Thomas III) teve um ano abaixo dos seus padrões, mas mesmo um ano abaixo da média para ele é ser o segundo melhor safety da temporada.

2nd Team: Eric Berry, Kansas City Chiefs; Charles Woodson, Oakland Raiders.


Kicker: Justin Tucker, Baltimore Ravens

Quando pensamos em kickers, a primeira coisa que pensamos é em acertar FGs. E, claro, é uma parte crucial do trabalho. Analisando por esse critério, o melhor kicker de 2015 provavelmente foi Stephen Gostkowski, com uma leve margem sobre Justin Tucker. Os dois kickers empataram no segundo lugar em FGs acertados com 33 (Blair Walsh teve 34), mas o kicker do Patriots o fez com melhor aproveitamento: 33-36, contra 33-40 do kicker do Ravens.

Mas continue fuçando, e você vai perceber o motivo: FGs não são todos iguais. Um FG de 25 jardas e um FG de 55 jardas são totalmente diferentes, e logicamente você esperaria que o aproveitamento de um kicker dependeria muito do tipo de chutes que ele tenta.

Você provavelmente já entendeu aonde quero chegar. Tucker jogou para um ataque morfético, que tinha dificuldade de mover a bola e por isso forçou-o a muito mais chutes longos: 10 de seus 40 FGs foram de 50+ jardas, o dobro de Gostkowski e a maior quantidade de tentativas dessa distância da NFL. Então não é que Tucker não tenha sido tão bom quanto Gostkowski, e sim que ele foi obrigado a tentar chutes bem mais difíceis por causa da ineptidão do seu ataque. Na verdade, nos chutes mais "rotineiros" (menos de 50 jardas), Tucker foi até melhor: 29 de 30 para o kicker do Ravens, contra 29 de 31 para o do Patriots. Gostkowski merece créditos pela sua ótima precisão de 50+ e liderou todos os kickers em pontos adicionados com FGs, mas Tucker não fica muito atrás (3rd) e seu aproveitamento inferior é causado pelos chutes mais difíceis que teve de tentar. E, vale citar, nenhum dos dois errou um extra p

Mas kickers tem uma segunda tarefa além de chutar FGs, uma que frequentemente é ignorada: kickoffs. E é nessa que Turner brilha: liderou a liga em distância (72 jardas) e foi segundo em toda a liga em percentual de touchbacks com ridículos 86.5%. A distância entre Turner e o terceiro colocado, Jason Myers, foi maior (13,9 pontos percentuais) do que a diferença entre Myers e o décimo sexto do quesito, Josh Lambo (13.8 pontos percentuais). Ele também adicionou mais valor em kickoffs do que qualquer outro jogador.

Juntando os dois quesitos - kickoff e FG - tanto Gostkowski como Turner foram ótimos em ambos, mas na soma dos fatores dou uma leve vantagem para Turner por um simples motivo: a diferença a favor de Turner em kickoffs para mim é maior do que a diferença a favor de Gostkowski em FGs. Por muito pouco, mas é.

2nd Team: Stephen Gostkowski, New England Patriots


Punter: Pat McAfee, Indianapolis Colts

O engraçado é que McAfee não é só o melhor punter fazendo punts da NFL, embora ele também o seja: 47.7 de distância média (#2 da NFL), 5.28 de hang time (#8), 43.3% apenas retornados (#9) e #1 em valor adicionado. Mas você sabia que McAfee também cuida de chutar kickoffs para o Colts... e que ele é o quarto MELHOR de toda a NFL no quesito (atrás de Tucker, Gostkowski e Graham Gano) e liderou a liga em porcentagem de touchbacks? Junte a isso que ele é o melhor punter/kickoffer (existe isso?) da liga na cobertura e dando tackles, e nenhum jogador de special teams da NFL tem remotamente tanto impacto no time quanto McAfee. Ele é o melhor special teamer da liga inteira.

2nd Team: Johnny Hekker, Saint Louis (RIP!) Rams.


Kickoff returner: Cordarrelle Patterson, Minnesota Vikings

Eu até hoje não perdoei a NFL por mudar o ponto do kickoff e praticamente matar os retornos de kickoff, minha jogada favorita do futebol americano. Fuck you, Goodell.

Do que eu estava falando? Ah sim... Cordarrelle Patterson. Ele liderou a liga em jardas por retorno de kickoff (31.9), segundo em jardas totais (1020), e foi o único jogador da NFL a levar dois kickoffs para a casa. Então ele teve o maior impacto médio E touchdowns, que seria o impacto máximo. Bom suficiente para mim.

2nd Team: Ameer Abdullah, Detroit Lions.


Punt returner: Darren Sproles, Philadelphia Eagles

Eu realmente queria pedir desculpas ao Tyler Lockett aqui. Se fosse simplesmente uma posição chamada "Kicks returner", ele seria o óbvio número 1, tendo sido fantástico retornando tanto punts como kickoffs. Mas quebrando, temos jogadores que se destacaram mais nos componentes específicos. Fica a menção honrosa a Lockett aqui então (bem como um 2nd Team All-TMW).

De volta a Sproles, sua temporada fantástica retornando acabou ofuscada por um ruim e disfuncional time do Eagles, mas os números falam por si só: 37 retornos (#3 na NFL), 436 jardas (#1 na NFL), 11.8 jardas por retorno (#3 na NFL) e 2 touchdowns (único da NFL com mais de um). Temporada incrível. E talvez seja só eu, mas sempre achei Sproles um dos jogadores mais aleatoriamente excitantes de se assistir, pelo tamanho, velocidade, explosão e o fator de comédia não-intencional de um baixinho de um metro e meio correndo no meio de mamutes de 150kg. Então bônus para ele.

2nd Team: Tyler Lockett, Seattle Seahawks.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Tampa Bay Buccaneers

LeGarrett Blount tem como passatempo dar cambalhotas na Red Zone


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East, os previews da NFC East, os previews da AFC North, os previews da NFC North, e agora os da AFC South, começamos a falar da NFC South pelo interessante Atlanta Falcons e pelo campeão de 2009, New Orleans Saints. Hoje é a vez do "novo rico" Tampa Bay Bucs. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Tampa Bay Buccaneers

2012 Record: 7-9
Ataque ajustado: 14th
Defesa ajustada: 20th


Nos últimos dois anos, o Bucs chamou a atenção por ter arrancado uma página do manual do Mônaco ou do Mancherster City, quando saiu torrando todo seu espaço salarial em contratos milionários para jogadores de elite. Ano passado foram três, quando contrataram Vincent Jackson (5 anos, 55M), Carl Nicks (5 anos, 47M) e Eric Wright (5 anos, 37.5M) na free agency aproveitando de ser o time com mais espaço salarial. Um ano depois que não deu certo, os contratos de Jackson e Nicks foram reconstruídos e Wright dispensado depois de ser pego no antidoping, então a equipe novamente se viu com toneladas de espaço salarial e novamente correu para gastar tudo em reforçar sua secundária, trocando por Darrelle Revis e oferecendo um contrato que até o Dr. Evil ia achar enorme, 6 anos e 96M, e ainda pagando mais 41M (por 5 anos) no Dashon Goldson. Essa rodada de gastos da equipe montou um time que muitos estão ficando profundamente intrigados para 2013, e com razão. Mas antes de chegar nisso, vamos dar uma pequena volta pelo Bucs de 2012 para entender exatamente como isso é importante.

Antes da temporada passada começar, meu amigo Adelmo me desafiou a fazer um post sobre "bold predictions" para a temporada 2012 da NFL. Eu fiz (tem um post sobre ela chegando quando terminarmos os previews) e uma delas era a seguinte: "Greg Schianno será técnico do ano e o Bucs terminará o ano 8-8 ou melhor", inspirado pelo que Jim Harbaugh fez no 49ers um ano antes. Embora hoje você possa rir da minha cara e falar que eu estava maluco, na verdade esse palpite passou mais perto do que vocês imaginam. Primeiro, porque ninguém esperava que o Colts fosse ganhar 9 jogos a mais contrariando todos os indicadores estatísticos e sendo um dos times mais sortudos da história da NFL, obrigando o prêmio a ir para seus técnicos. Segundo, porque na verdade o Bucs começou a temporada 6-4 contra uma tabela bastante forte antes de perder cinco jogos seguidos e jogar tudo isso pela janela - e mesmo assim terminou 7-9 com uma Pythagorean Expectations de 8-8, então tem isso também. Então até que passou perto. 

Esses cinco jogos seguidos me fascinam (eles eventualmente ganharam o último jogo da temporada contra um Falcons quase reserva), na verdade. Durante os primeiros 10 jogos eles foram um time muito bom e muito sólido, com record de 6-4 contra uma tabela difícil e parecendo que iria realmente vindicar minhas previsões e terminar 8-8 ou 9-7. De repente, o time esquece o bom futebol (americano) na gaveta, perde cinco seguidos e termina 7-9 em uma temporada decepcionante que deveria ser melhor. O que exatamente aconteceu naqueles cinco jogos para a equipe despencar tanto de produção?

Sua primeira reação pode ser do tipo "Espera ai, cinco jogos é uma amostra muito pequena!", e é verdade. É uma amostra minúscula, e se procurarmos muitos times bons ao longo dos últimos 10 anos, com certeza vamos achar períodos curtos onde eles foram muito inferiores ao normal. Mas ainda assim, é absurdo reparar que a equipe teve um saldo de +57 nos outros onze jogos mas -62 em apenas esses cinco. Então mesmo considerando todas as amostras pequenas do mundo, tem mais coisa ai a ser explicada, e eu acho particularmente interessante porque diz muito sobre a equipe para 2012 e seu grande ponto de interrogação.

Olhando aqueles jogos, a primeira coisa que saltou aos olhos foi como o jogo terrestre decaiu em relação aos 10 primeiros jogos da temporada. Durante os 10 primeiros jogos, o ataque terrestre de Tampa teve média de 111.1 jardas por partida, conseguindo 4.8 jardas por tentativa e basicamente sendo a principal força ofensiva da equipe - o que, aliás, era a proposta de Schianno antes da temporada começar. A equipe draftou Doug Martin e abriu o cofre por Nicks com o objetivo de direcionar seu ataque pelo chão para tirar a pressão de Josh Freeman, depois de uma temporada decepcionante do seu QB. E pelos primeiros 10 jogos, esse foi o caso: o ataque terrestre abriu caminho, Freeman aproveitou muito bem disso e foi um jogador muito sólido. Mas durante essa sequência de derrotas, o ataque terrestre teve média de apenas 80.8 jardas por jogo, com 3.6 jardas por corrida. E não é como se enfrentassem uma penca de defesas de elite, um jogo foi contra o Broncos mas três foram contra Saints, Falcons e Eagles. Então o jogo terrestre despencou e a equipe perdeu sua principal força ofensiva, e daí Freeman teve que assumir o controle do time.

O problema é que Freeman foi muito, mas muito mal mesmo nesses jogos. Veja a diferença entre os primeiros 11 jogos da equipe (incluindo a derrota por 24 a 23 para o Falcons) e os quatro jogos seguintes (as quatro derrotas):

Jogos 1-11: 199/349, 57%, 2761 jardas, 21 TDs, 7 INTs, 7.9 Y/A
Jogos 12-15: 88/174, 50.6%, 1082 jardas, 5 TDs, 9 INTs, 6.2 Y/A

Mesmo reconhecendo que quatro jogos é uma amostra muito pequena, é uma queda fenomenal, certo? Só para deixar mais claro, vamos ver como cada um desses dois Josh Freemans seriam ao longo de 16 jogos mantendo o nível...

Freeman bom: 289/508, 57%, 4016 jardas, 30 TDs, 10 INTs, 7.9 Y/A
Freeman ruim: 352/698, 50.6%, 4328 jardas, 20 TDs, 36 INTs, 6.2 Y/A

Claro que os números de "Freeman ruim" são insustentáveis (especialmente suas interceptações) ao longo de 16 jogos, mas isso da uma noção de perspectiva melhor desses números e do quanto ele foi mal nesses quatro jogos. Vale notar também que, em parte porque o jogo terrestre parou de funcionar e em parte porque em muitos desses jogos o time esteve atrás do placar, a quantidade de passes aumentou absurdamente e não foi a toa que sua eficiência despencou. Mas mesmo assim, é uma diferença grande demais para uma pessoa só e alguma coisa a mais deve ter acontecido para justificar essa massiva diferença.

E aconteceu. Começando pelo jogo terrestre, é fácil identificar uma causa principal para esse grande declínio que vá além da amostra pequena: a lesão de Carl Nicks. Nicks machucou duas semanas antes do jogo contra o Falcons, e vale citar que no primeiro jogo sem ele contra o fraco Chargers o ataque terrestre teve apenas 74 jardas terrestres. A verdade é que a lesão de Nicks, um All-Pro um ano antes, foi o segundo golpe importante que essa linha ofensiva sofreu. Antes da temporada começar, o prognóstico de trazer Nicks e Martin envolvia também juntar esses dois ao seu outro guard Pro-Bowler,  Devin Joseph. A idéia era justamente usar Joseph e Nicks (junto com o bom LT Donald Penn) para formar uma excelente e dominante linha ofensiva na frente, especialmente pelo meio abrindo espaços para as corridas de Martin, protegendo Freeman e dando a ele espaço para fazer sua mágica pelo ar, esperando que ele reeditasse seu excelente 2010 (61.4%, 7.3 Y/A, 25 TDs, 6 INTs e um 64.9 QBR). Mas Joseph machucou antes da temporada começar e não jogou um snap sequer em 2012, e Nicks perdeu oito jogos. Então a dupla de guards Pro-Bowler que deveria ser a fundação da equipe em 2012 não jogou sequer um jogo junta e perdeu 24 de possíveis 32 jogos, com Nicks saindo logo antes dessa fatídica sequência 0-5 e coincidindo com o jogo terrestre despencando. Ao final da temporada, apenas um jogador que começou o ano de titular (Penn) estava jogando na mesma posição que começou, todos os outros estavam machucados ou improvisados em outro lugar. Algo me diz que não foi uma coincidência.

E o que essa lesão do Nicks expôs nesses cinco jogos e que foi talvez a principal causa desse fiasco foi o seguinte: Josh Freeman é HORRÍVEL sob pressão. Legitimamente horrível, ele foi o segundo pior QB da NFL em 2012 quando pressionado (adivinhem o primeiro, rima com Park Manchez), e o que você ve em campo coincide com os números: ele simplesmente não tem idéia do que fazer, se livra da bola forçando passes para jogadores marcados (que normalmente flutuam demais e levam a interceptações), toma más decisões e não consegue manter a calma para fazer passes rápidos antes que a pressão chegue, talvez por medo de levar uma pancada. O fato dele não ter um bom slot receiver ou TE com certeza atrapalha, já que essas são normalmente as válvulas de segurança nesses passes apressados, especialmente para um time cujas duas principais opções de passe (Vincent Jackson e Mike Williams) são jogadores de velocidade que gostam de trabalhar em rotas mais longas e que exigem tempo, não são boas opções para um QB que precisa se livrar da bola. E a lesão de seu melhor lineman e a queda do jogo terrestre juntaram com tudo isso para colocar Freeman em uma péssima situação, onde a pressão aumentou consideravelmente e ele não soube o que fazer com a bola, levando a essa queda brutal dos números.

A questão é como isso vai funcionar em 2013. Os problemas de Freeman sob pressão sem dúvida foram parte dos motivos que levaram Schianno a focar seu ataque no jogo terrestre e tirar a pressão do seu QB. E apesar de Freeman já ter quatro temporadas de NFL no seu currículo, a verdade é que ele tem apenas 25 anos e é dois meses mais novo que Colin Kaepernick. Ainda tem tempo para desenvolver e corrigir seus problemas, mas será que ele consegue? Em geral, é uma característica difícil de perder mesmo com o tempo, então a forma mais simples de lidar com isso é lhe dar uma grande linha ofensiva, um bom jogo terrestre como carro chefe, e tirar a pressão das suas costas. E foi o que o Bucs vinha fazendo eficientemente em 2012 até Nicks machucar, o jogo terrestre cair e Freeman lançar oito interceptações em dois jogos. Quanto mais longe de Freeman a defesa ficar, maiores as chances de sucesso da equipe. Por isso a volta de Joseph e Nicks, e uma temporada completa dessa excelente dupla, vai ser importantíssima tanto para impulsionar o jogo terrestre como para manter as defesas afastadas de seu QB. E vale lembrar que Freeman, em um ano de contrato, provavelmente tem mais em jogo do que qualquer outro jogador na NFL em 2013: uma temporada sólida provavelmente vai lhe garantir um gordo contrato, e uma temporada decepcionante provavelmente vai render a ele um lugar no banco (provavelmente de outro time). Mas se a linha conseguir ficar saudável, e em um ano de contrato (nós vimos como isso acabou para Joe Flacco ano passado), Freeman é um candidato interessante a ter um bom ano.

Mas na defesa é onde começa a ficar realmente interessante. Eles terminaram 20th ano passado no total, um número que fica mais claro quando dividimos em defesa aérea, 26th overall, e defesa terrestre... 3rd overall. Esse grande número da defesa terrestre é de uma importância especial para a equipe pelo seguinte motivo: de volta ao Draft de 2010, o Bucs usou suas duas primeiras picks em dois DTs, Gerald McCoy e Brian Price, numa tentativa de reforçar sua linha defensiva e retomar o que funcionou no começo dos anos 2000, quando a defesa da equipe era uma das melhores da NFL e levou o time a um título de Super Bowl em 2002 com uma linha defensiva ancorada por Warren Sapp e Anthony McFarland. A idéia de draftar sua dupla de DTs era começar a remontar sua defesa nesses moldes, mas não funcionou: Price foi um bust que jogou apenas uma temporada saudável (2011) antes de se acabar em lesões (foi trocado em 2012 para o Bears por uma 7th rounder, perdeu o ano inteiro, e agora está sem time porque não fica saudável), mas McCoy - considerado por muitos o segundo melhor jogador daquele draft depois de Ndamukong Suh - era o principal jogador da dupla, e não foram anos muito felizes para ele, entre uma temporada de calouro decepcionante e um 2011 marcado por lesões. Mas em 2012, McCoy finalmente explodiu como o jogador que todos esperavam: dominante indo atrás do QB (cinco sacks) mas ainda mais brilhante contra a corrida, o tipo de jogador capaz de ocupar dois bloqueadores e ainda fazer o tackle, praticamente uma parede com braços no meio da linha defensiva. Foi uma performance digna de All-Pro (não entrou, mas foi ao Pro-Bowl) e foi a explosão que todo mundo esperava no meio da linha, o tipo de game-changer que a equipe precisava.

Com McCoy sendo um monstro no meio da linha, ficou mais fácil para o resto do time, em especial Michael Bennett, que assumiu a função de principal pass rusher do time e terminou o ano com 9 sacks e foi jogar em Seattle. Bennett é um pass rusher especialista que se beneficiou muito da presença de McCoy para conseguir 9 sacks, mas para um jogador que somou seis nos primeiros três anos na Liga, algo ai indica uma aberração amplamente beneficiada pela presença de McCoy. Ainda assim, Bennett e seus sacks farão falta se DaQuan Bowers - um talento Top5 dois anos atrás que caiu para a segunda rodada por problemas de lesões - não conseguir assumir a função. Bowers era um dos melhores rushers da NCAA, mas não teve espaço por lesões e agora é a grande esperança da equipe para substituir Bennett. Em 2012 foram 3 sacks em 10 jogos jogando apenas em algumas situações específicas, então potencial existe, mas ainda é um risco. Essa defesa na frente foi excelente, mas o potencial de regressão é grande depois de subir de 30th para 3rd em apenas uma temporada.

A parte muito boa para o Bucs é que se a secundária foi uma peneira em 2012, a equipe fez tudo ao seu alcance - e ao alcance de sua conta bancária - para reforçar a unidade. Na verdade, das quatro posições padrões da secundária (dois cornerbacks, um free safety e um strong safety), o Bucs trocou três do ano passado para esse por jogadores de alto nível. O único que continuou foi a 7th pick do ano passado, o safety Mark Barron, que mostrou promessa na sua temporada de calouro. Mas ele foi o único que ficou: o Bucs overpaid (5 anos, 47M) o FS Dashon Goldson, do San Francisco 49ers, para fazer par com Barron no fundo da defesa. Goldson é um bom jogador que foi ao Pro Bowl em 2011 e até ao time All-Pro em 2012 (um absurdo, mas enfim), mas sempre jogou dentro de uma excelente defesa do 49ers e tinha a tendência de ser meio maluco demais indo atrás de jogadores, deixando muito espaço na cobertura e tomando muita bola nas costas, então foi um risco alto aqui porque não sabemos como ele vai jogar fora de contexto. Mas ele torna a secundária melhor, e isso é antes de falar da dupla que o Bucs trouxe para CB depois que seu casamento com Eric Wright deu errado: um calouro escolhido no topo da segunda rodada e muito promissor, Jonathan Banks (que eu pessoalmente gosto mais do que alguns CBs que saíram na primeira rodada como Trufant ou Rhodes), e trocou sua escolha de primeira rodada para o Jets pelo melhor CB da NFL, Darrelle Revis. Revis vem de um ligamento rompido que o tirou da temporada 2012, então não sabemos o quanto do velho Revis devemos esperar para 2013, mas considerando casos recentes e a medicina moderna, e o quão bom Revis era no seu auge, não devemos esperar menos que um CB de elite. Se tiverem cerca de 80% do camisa 24, então já possuem o melhor cornerback da NFL por uma boa margem e alguém que consegue ocupar o melhor recebedor adversário sozinho, o que facilita muito a vida do resto da defesa, especialmente uma tão cheia de talento como essa. As pessoas estão descartando um pouco Revis pela sua lesão, mas mesmo se não voltar a 100%, ele ainda é um dos melhores da liga.

Então se você está marcando pontos, a equipe teve uma das melhores defesas terrestres da NFL em 2012 em torno de um dos DTs mais dominantes da liga, e agora adereçou sua secundária adicionando dois All-Pros e um calouro do topo da segunda rodada a uma escolha Top10 de draft que tem tudo para continuar evoluindo nos próximos anos. Ainda sobram algumas dúvidas, sobre como a falta de Bennett será sentida, se Bowers (que tem enfurecido a comissão técnica por estar fora de forma) vai conseguir se estabelecer como uma força (ou pelo menos compensar a falta de Bennett), e sobra a sustentabilidade desse salto de terceira pior defesa terrestre para terceira melhor em apenas um ano (provavelmente não sustenta). Mas só pela enorme quantidade de talento adicionada na defesa (deixando de lado a parte financeira da questão um instante), já é possível esperar um imenso salto em 2013 com uma das melhores secundárias da liga - pelo menos no papel.

Por isso o Bucs é um time tão interessante de se observar. Se as peças encaixarem no lugar certo, qual o teto desse time? Eu não sei, mas é bem alto, certo? A equipe foi um underachiever em 2012, 7-9 com Pythagorean Expectation de 8-8 e record de 3-6 em jogos decididos por uma posse de bola, e isso ainda considerando aquele período absurdo de cinco jogos onde a equipe foi uma versão piorada do Lions de 2009. O Bucs poderia facilmente ter ido 9-7 (em record e/ou Pythagorean), e o time de 2013 AINDA seria uma versão melhorada dos dois lados do campo, tanto na frente (pelas voltas de Nicks e Joseph) como na defesa (pela chegada desses reforços absurdos na secundária). A tabela é mais difícil em 2013, mas ainda assim, é um time que deve ter uma excelente defesa e um ataque muito sólido se ficar saudável e Josh Freeman não tiver muitos momentos de pressão. Considerando algumas incertezas - Nicks ainda lida com uma lesão no pé, Freeman teve altos e baixos ao longo da carreira, Revis voltando de lesão - ainda acho cedo para ficar super otimista e colocar Tampa nos playoffs, mas um record em torno de 9-7 é de se esperar para esse grupo lotado de talento. Vale acompanhar.