Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Palpites para a semana 7 da NFL


"Palmer, uma dica para te ajudar: joga a bola para os de branco"


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Coisas interessantes acontecendo de mais, tempo de menos para escrever sobre elas, infelizmente. Por isso ficamos sem coluna ontem - espero que a última vez que isso aconteça de quinta, minha coluna favorita de escrever - e que ainda tenhamos um tempo extra para falar um pouco dos playoffs da MLB. Bom, direto ao ponto, então.

Vamos enfim aos palpites da rodada, time da casa em caixa alta. Btw, como algumas pessoas ainda me perguntam sobre esse "spread", uma explicação rápida: é um tipo de aposta no qual os times possuem uma margem pela qual ele tem que ganhar (ou, no caso do time adversário, uma margem que ele pode perder). Então se ontem a noite a linha era Pats (-11.5), significa que eu posso apostar em Pats a -11.5 ou Jets a +11.5 - ou seja, adicione 11.5 ao total de pontos do Jets (ou subtraia do total de pontos do Pats) e ve quem ganharia esse jogo. Basicamente, o -11.5 indica que se eu escolher o Pats, ele precisa ganhar por mais de 11 pontos, e se eu escolher o Jets (+11.5), ele pode perder por até 11.


Palpites para a semana 7 da NFL


Week 6 Record: 10-5
Week 6 contra o spread: 5-10


Seahawks over CARDINALS
Contra o spread: Seahawks (-6.5) over CARDINALS
Como não teve coluna ontem, eu mandei esse no twitter ontem cedo. E eu acertei! Boa forma de começar a semana (todo mundo sabe que para os fãs de NFL a semana começa na quinta).

Eu confesso que na última hora eu quase peguei o Cardinals para cobrir o spread, considerando que o Seahawks jogou mal nos seus três jogos fora de casa essa temporada (quase perde do Panthers, deveria ter perdido do Texans, perdeu do Colts), que o jogo era em uma quinta feira (e portanto possibilidade de placar baixo) e que esse pass rush de Arizona ia forçar alguns turnovers contra a linha ofensiva do Seahawks (de fato, Russell Wilson sofreu três fumbles). Ai eu lembrei que o QB do Cardinals era o Carson Palmer, e eu percebi que seria louco se escolhesse o spread... e fiquei feliz algumas horas depois por ter evitado o desastre a tempo. Só na parte do jogo de ontem a noite que eu assisti (pois Red Sox e Tigers estavam jogando no mesmo horário) eu contei três - TRÊS - passes do Palmer que, se você tirasse a cor dos uniformes dos jogadores, eu poderia jurar que o CB era o WR para quem ele estava passando e o WR do Cardinals, que tirou a bola, era o CB evitando o passe completo. Ele foi ruim a esse ponto. E pensar que esse cara liderou a NFL em aproveitamento e TDs em 2005 e foi a dois Pro Bowls... Parte de mim se pergunta se, de tanto treinar na offseason com o Patrick Peterson no ataque, ele se acostumou a lançar bolas para defensive backs.


Patriots over JETS
Contra o spread: JETS (+3.5) over Patriots
Geno Smith, QBR, semana a a semana: Week 1, 48.5; Week 2, 15; Week 3, 85.8; Week 4, 7.8; Week 5, 73.2. Week 6, 6.5. Você sabe o que isso significa, certo? Semana de Bom Geno Smith pela frente!!

Meu palpite para essa é o mesmo da semana 2, quando esses times se enfrentaram em um dos mais feios Thursday Night Footballs que eu lembro de ter assistido: Patriots ganha, mas o Jets cobre (eu acertei ambos na semana 2, btw). Patriots está sem seus três melhores defensores (Vince Wilfork e Jerod Mayo estão fora para o resto da temporada, btw, golpe duro para essa boa defesa) já que Aqib Talib deve perder mais algum tempo, o time não vai conseguir correr com a bola como fez semana passada contra o Saints (Jets tem a melhor defesa terrestre da NFL, Saints tinha a segunda pior), e Danny Amendola deve perder ainda mais tempo com uma concussão - sem falar que dessa vez jogam fora de casa. Então eu espero mais do que vimos na semana 2, duas defesas levando a melhor, muitos drops, muita incompetência ofensiva e um jogo de placar muito baixo. Não consigo apostar contra o Patriots porque ainda espero que Geno cometa uns turnovers e o Patriots consiga vencer um jogo assim por aproveitar melhor suas campanhas (ou, sabe, com uma campanha nos segundos finais), mas me parece um jogo perigosamente apertado. Com esse meio ponto extra no spread, fico com Jets.

(Em tempo: parece que dessa vez Rob Gronkowski vai jogar, ou pelo menos ele foi liberado por todos os médicos. Obviamente isso agiria em favor do Patriots caso jogue, mas eu cansei de acreditar nessas informações até o próprio Gronk confirmar alguma coisa. Então ainda fico com o spread)


Chargers over JAGUARS
Contra o spread: Chargers (-7.5) over JAGUARS
Hey, o Jaguars cobriu o maior spread de todos os tempos contra o Broncos em um jogo que, milagrosamente, estava apertado no terceiro período!! Hats off para o Jags.

Talvez por isso, a linha dessa semana não é tão alta contra um muito sólido time do Chargers que acaba de vir de uma boa vitória contra o Colts, e Justin Blackmon acabou se relevando um Franchise Fantasy WR que está quase me fazendo esquecer da lesão que tirou meu melhor WR (Julio Jones) da temporada. Imagino que agora o spread vá mudar um pouco de lado. Eu só não consigo apostar no Jags para cobrir porque já apostei duas vezes nisso e nas duas eles me quebraram as pernas, e esse time do Chargers é muito sólido ofensivamente e vai levar o jogo para uma disputa de placar alto (o que favorece cobrir o spread). Esse meio ponto me parece perigoso, mas ainda assim, é o Jaguars. Não vamos overreact a uma boa performance da equipe que fez eles perderem de apenas 16, certo?


CHIEFS over Texans
Contra o spread: CHIEFS (-6.5) over Texans
Deixa eu ver se entendi... a melhor defesa da NFL, jogando em casa (e o Chiefs tem a segunda maior home-field advantage da NFL depois do Seahawks), enfrentando um time que que perdeu por 25 pontos do fraco Rams EM CASA, e que vai estar com seu terceiro QB como titular em seu primeiro jogo na NFL... e vocês estão me dando só 6.5 pontos? Onde eu assino?!

Ok, eu entendo que o ataque do Chiefs tenha parecido ruim nas últimas semanas e que a defesa do Texans seja melhor que a do Raiders, mas... não é o tipo de jogo (e spread) que eles conseguem cobrir só com a defesa? Não consigo apostar em Case Keenum, e não consigo apostar no Texans para vencer um time 6-0 fora de casa nesse momento.


LIONS over Bengals
Contra o spread: LIONS (-3) over Bengals
Cincy pareceu muito bom em casa contra o Patriots, duas semanas atrás, e pareceu bem fraco semana passada contra o Bills fora de casa, chegando a tomar 24 pontos de Thaddeus Lewis. Então estou apostando em um Megatron saudável e um Lions que joga em casa para superar o bipolar Bengals. Na verdade, o Bengals está 1-2 fora de casa (vitória em OT sobre o Bills de Lewis, derrotas para Browns e Bears) e 3-0 jogando em Cincinatti incluindo vitórias sobre Green Bay e New England. Então estou confiante na capacidade do Lions de vencer esse jogo em seus domínios.


DOLPHINS over Bills
Contra o spread: Bills (+7.5) over DOLPHINS
Eu posso estar overreacting a boa performance que o  Thaddeus Lewis teve semana passada contra a boa defesa do Bengals, mas ainda assim, eu não me sinto confortável colocando tantos pontos em um ataque duvidoso do Dolphins que muito provavelmente se contentaria com um jogo de placar baixo. Não é possível imaginar um 16-10 ou algo assim? Eu acho que sim, e vale lembrar que apenas uma das três vitórias do Dolphins foi por mais de 7 pontos - o Dolphins gosta de controlar o jogo com sua defesa, mas não é exatamente uma máquina de pontos. Mesmo com Cameron Wake de volta e uma semana de descanso, o Bills deve cobrir esse spread, está um pouco alto.


Bears over REDSKINS
Contra o spread: Bears (EVEN) over REDSKINS
Hmm... porque o spread é zero aqui, mesmo? O Bears não é uma potência mas é um time sólido, com um bom ataque e uma defesa vulnerável mas que força muitos turnovers, enquanto o Redskins é um dos piores times da NFL defensivamente e com um ataque que nem de longe lembra a unidade dominante de 2012. O Bears é o melhor time, e o Redskins ainda não venceu em casa. Não me parece promissor mesmo que Chicago seja o favorito ao prêmio de "Bom Time Ruim" de 2013, aquele time que é sólido e tem um bom record porque ganha todos seus jogos contra times inferiores, mas que não tem o nível dos favoritos. Meu editor vai me matar por esse parágrafo, mas é verdade.


Cowboys over EAGLES
Contra o spread: Cowboys (+3) over EAGLES
Hmm esse é um confronto bastante difícil. Dois times com defesas ruins e bons ataques, embora o ataque do Eagles seja um pouco melhor e a defesa um pouco pior. A defesa de Dallas está bastante baleada nesse momento sem Demarcus Ware, então não é como se o forte ataque do Eagles não pudesse fazer a festa. 

Então porque Cowboys? Porque entre dois times muito parelhos, eu aposto no melhor QB e nos pontos, e o Cowboys tem a vantagem de ambos nesse momento. A defesa do Eagles é uma atrocidade e Tony Romo vai fazer a festa, e eu ainda não confio o suficiente em Nick Foles para apostar nele nesse momento. O Cowboys parece ter mais a vencer nesse jogo, fora de casa, do que o Eagles, então também tem isso.


PANTHERS over Rams
Contra o spread: PANTHERS (-6.5) over Rams
Quer uma resumo melhor sobre como o Houston Texans está sendo visto nesse momento ao redor da NFL, é só olhar para esse spread: o time que venceu o Texans, em Houston, por 25 pontos é considerado uma zebra de 6.5 pontos contra um time 2-3. 

Claro que eu vou apostar no Panthers: eu não vi nada essa temporada que me convença de que o Rams não é um time ruim que simplesmente foi out-sucked semana passada pelo Texans. O Panthers não é exatamente um time bom como eu achei que seria no começo da temporada, ele é extremamente bipolar, mas eu gosto de alguns fatores da equipe: sua linha de frente na defesa é uma das melhores da NFL (e sua secundária é uma das piores, mas vamos olhar o lado bom das coisas), Cam Newton é um jogador dinâmico (e nem um pouco confiável, mas enfim, lado bom!) e explosivo, e aparentemente Ron Rivera anda lendo minhas colunas porque ele se transformou, da noite para o dia, no técnico mais agressivo da NFL convertendo jogadas de 4th-and-1. Bom, Rivera ainda é um técnico ruim, mas o pior cara é aquele que insiste nos erros, certo? ME sinto otimista que o ataque terrestre de Carolina vá atropelar essa defesa do Rams que joga melhor contra QBs que fiquem no pocket.


FALCONS over Buccaneers
Contra o spread: Bucs (+7) over FALCONS
Estou ousado hoje apostando contra esses spreads. Bom, vamos ver o que temos no Falcons: um ataque sem Julio Jones, com Roddy White extremamente limitado, sem Steven Jackson, sem linha ofensiva, e com uma peneira de defesa enfrentando uma das melhores defesas da NFL? Sete pontos me parece razoável. O Bucs está naquele ponto onde eu só começo a apostar nele se ganharem um jogo (ou se enfrentarem o Jaguars), e por mais que o Falcons esteja ruim, o Bucs também está, então fico com o time da casa. Mas não me agrada ver o Falcons tentando cobrir um spread desses com Harry Douglas, seu melhor WR saudável, sendo coberto por Darrelle Revis.


TITANS over 49ers
Contra o spread: TITANS (+4) over 49ers
Eu mantenho minha opinião inicial, que o Titans é um time um pouco acima da média mas que parecia melhor porque estava dando uma sorte incrível com turnovers que não iria se manter. Mas eu vi todos os jogos do 49ers essa temporada, e posso dizer que é um time que está sobrevivendo só deus sabe como: Aldon Smith está fora, seus dois NT titulares estão no departamento médico, dois dos seus três melhores WRs ainda não voltaram de lesão, seu CB #3 rompeu o ligamento, Patrick Willis está jogando machucado, Ray McDonald vem de uma lesão no bíceps... e a crise está tão feia lá que até o médico da equipe morreu essa semana. O ataque ainda está tendo problemas para passar a bola com apenas um WR competente (embora Vernon Davis tenha tido seu dia com 180 jardas e dois TDs contra o Cardinals), e essa defesa muito baleada não me parece uma boa aposta se Jake Locker estiver de volta como se cogita (mesmo a boa vitória do 49ers sobre o Cards essa semana pode ser atribuída, em parte, a uma boa sorte recuperando dois fumbles cruciais). Então eu não me sinto confiante apostando nessa equipe até que o bye passe e todo mundo no departamento médico (Glenn Dorsey, Mario Manningham, Eric Wright, Quinton Dial, e eventualmente Michael Crabtree) volte a campo. Ah, semana que vem eles enfrentam o Jaguars em Londres? Ok, um pouco antes então.


PACKERS over Browns
Contra o spread: Browns (+10) over PACKERS
Green Bay tem tido um rendimento bastante abaixo do esperado no ataque essa temporada, e depois de ver Aaron Rodgers ser amassado o jogo inteiro pela DL de Baltimore semana passada, é fácil de entender o porque: a linha ofensiva da equipe é horrível. Genuinamente horrível. Rodgers está começando a chegar naquele ponto que ele não consegue manter os olhos na secundária para acompanhar o desenvolvimento da jogada porque está preocupado demais com  a pressão chegando, e isso é mortal para qualquer QB - se querem entender melhor do que estou falando, assistam a reprise dos playoffs da temporada 2011, em particular Packers-Giants. 

Then again, ele é Aaron freaking Rodgers, e vai conseguir ganhar um duelo em casa contra Brandon Weeden. Cobrir esse spread? Ai eu já não sei. O Browns tem uma sólida defesa, e o Packers vai jogar sem Randall Cobb e James Jones, o que vai limitar consideravelmente o impacto do jogo aéreo da equipe, e essa é a melhor forma de cobrir um spread alto. Isso provavelmente significa mais Eddy Lacy, controlar mais o relógio e menos pontos, e por isso fico cético sobre esse spread. Mesmo com Weeden, eu acho que o Browns consegue manter o placar apertado o suficiente para cobrir.


Ravens over STEELERS
Contra o spread: Ravens (+1.5) over STEELERS
O Ravens continua a ser um time absolutamente medíocre em 2013, e o Steelers está se recuperando com a primeira vitória na temporada. Eu não vi nada de nenhum dos dois até agora que me faça crer que algum dos dois seja um time realmente perigoso na temporada regular, com o Steelers cheio de questões internas com o técnico Mike Tomlin e um buraco dado a lesões, e o Ravens com um Ray Rice que de repente parece ter 45 anos e um Joe Flacco que - surpresa! - não manteve o nível dos playoffs e não estava pronto para uma responsabilidade maior (seu QBR de 41 é o menor da sua carreira). E jogos de rivalidade são sempre difíceis. Então esse aqui é basicamente um cara ou coroa.

Então porque Ravens? Boa pergunta, eu também não saberia dizer direito. É mais feeling do que outra coisa, provavelmente porque eu acho Baltimore um time melhor: a defesa é mais sólida (especialmente com Jarvis Jones fora do jogo), a linha ofensiva não é um desastre, e por isso gosto mais das suas chances. Pittsburgh tem o melhor QB, sem dúvida, mas não adianta nada se Big Ben não conseguir ficar de pé no pocket por dois segundos antes de ser atingido por um mastodonte de 120kg. Vou ficar com o Ravens dessa vez.


Broncos over COLTS
Contra o spread: Broncos (-6.5) over COLTS
Semana passada, eis o que eu escrevi  sobre Colts vs Chargers antes de escolher o Colts: "Esse jogo está me cheirando demais ao jogo pegadinha que toda semana tem. Os 4-1 Colts, saindo de uma grande performance contra o Seattle em casa, prontos para vencer os 2-3 Chargers que acabaram de perder para o Raiders... certo? Me parece fácil demais, ainda mais em San Diego, e essa linha relativamente baixa para o Colts reflete que não sou o único.

Então porque eu não vou de Chargers? Porque eu cansei essa temporada de pegar jogos baseados no meu feeling e contra a lógica, porque não está funcionando! Ano passado eu tive muito sucesso fazendo isso, esse ano não, acontece, deve estar descalibrado." Claro que dessa vez meu feeling funcionou e o Chargers venceu a partida. Então agora meu feeling leva o benefício da dúvida.

E no começo da semana, meu feeling me dizia que o Colts iria vencer ou pelo menos cobrir o spread... ou pelo menos era o que eu imaginava antes de Jim Irsay - que eu ainda não consegui decidir se é um poor man Jerry Jones ou um James Dolan que teve a sorte de dois brilhantes QBs caírem no seu colo - começar a falar besteira sobre Peyton Manning, especialmente que o time tinha deixado ele ir embora porque "queria títulos e não estatísticas". Obviamente não preciso falar a estupidez dessa declaração, e me parece muito um cara solteiro e amargo desdenhando da ex-namorada que desde o término do namoro emagreceu, colocou silicone, começou a malhar e agora é a garota mais bonita do pedaço (ou da NFL). Mas agora, depois disso, eu tenho certeza que Manning vai fazer da sua missão de vida destruir completamente o time de Irsay e assombrá-lo pelo resto da vida. Nenhum spread é seguro com Evil Manning a solta.


Vikings over GIANTS
Contra o spread: Vikings (+3) over GIANTS
Finalmente chegou...

Wait for it...

Here it comes...

Almost there....

JAAAAAAAAAAAASH FREEMAN!!

Ahhh, como é bom ver Josh Freeman longe da influência maligna de Greg Schiano. Eu assisti filmes de esporte suficiente para saber como isso acaba: Freeman redescobre a alegria de jogar futebol americano longe de Schiano e, querendo provar para o mundo e para si mesmo que ainda é um bom jogador, assume a função de líder do time, treina feito condenado, e acaba levando seu time aos playoffs, vencendo o Super Bowl, e todos nós descobrimos uma valiosa lição sobre comportamento humano e o poder de acreditar em si mesmo no final. Rolam os créditos.

Ok, provavelmente não vai acontecer assim. Mas eu mantenho o mesmo ponto que defendi o ano inteiro: Freeman é um sólido QB na situação certa, e Schiano fez de tudo para acabar com ele em Tampa por motivos que ainda não ficaram claros. Eu não sei se ele vai recuperar o bom nível que demonstrou em 2010 e 2012, mas eu garanto que a) ele é melhor que Christian Ponder e Matt Cassel e b) seu braço forte é um complemento mil vezes melhor a Greg Jennings e Adrian Peterson. Então mesmo que não volte a ser aquele bom QB, motivo para otimismo - ou pelo menos para evolução - nós temos nesse momento... especialmente contra um muito fraco time do Giants que ganhou status já de "não confio neles até ganharem um jogo". Em casa e contra um time mais ou menos fraco do Vikings parece uma boa oportunidade, mas Adrian Peterson não vai ser parado, e acho que Freeman vai jogar bem por lá. Fico com Freeman.



2013' Record: 47-29
2013' contra o spread: 32-44

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Alguns pontos interessantes da NFL, Parte I - Questões de QB

Método Schiano de colocar jogadores no banco


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Essa terça feira, quando soltamos nosso tradicional "Pontos importantes da semana 3", eu me foquei em duas questões que vinham de fora dos gramados: a troca de Trent Richardson envolvendo Colts e Browns, e os problemas de Aldon Smith e Von Miller com a NFL. A idéia era incluir mais pontos, mas esses acabaram ganhando tanto destaque e ficando tão grandes que acabaram sendo os únicos da semana. Então agora, quinta feira - nosso dia de análises - vamos aproveitar para dar um giro por alguns times da NFL que estão atraindo algum interesse e que ainda não foram contemplados muito por aqui nas últimas semanas. Eu pedi aos meus seguidores no twitter (www.twitter.com/tmwarning, para quem tiver interesse) que comentassem quais times ou aspectos da NFL até o momento eles gostariam de uma análise mais aprofundada. E enquanto ainda é cedo demais na temporada para fazer qualquer tipo de análise profunda ou tirar grandes conclusões, achei que valia a pena dedicar algum espaço a esses cinco pontos de interesse que as pessoas levantaram. Os primeiros dois vem hoje, e os últimos dois amanhã junto dos palpites da rodada, e o quinto vai ficar para quinta que vem porque deve ganhar um post só dele. 

Uma coisa extremamente importante que tem que estar na cabeça de todo mundo, antes de começarmos, é que foram apenas três semanas de temporada. Três jogos é uma amostra ridícula que dificilmente tem um valor analítico muito grande, com viéses de todos os lados: alguns times enfrentaram uma tabela mais fácil que outros, enfrentaram matchups melhores ou piores, podem ter jogado mais jogos em casa ou fora, ou mesmo podem estar sendo alvo de um enorme azar que dificilmente se manterá durante mais 13 jogos (ou, da mesma forma, alvos de uma enorme sorte que também deve regredir para a média). O retrato que estamos vendo agora (e que vamos ajudar a pintar nessa coluna) não necessariamente vai representar a temporada inteira de um time, é apenas um olhar rápido no que aconteceu até aqui para chegarmos aonde estamos e o que é ou não sustentável indo para frente. Alguns times provavelmente se manterão em um nível ou padrão semelhante até o final do ano, mas muitos outros verão seus ritmos mudarem de acordo com tabelas mais ou menos fortes, alguns times resolverão problemas que estão lhes atrasando nesse começo de ano e outros terão novas questões a serem resolvidas. Então embora estejamos usando jogos para explicar o que já se passou, tenham em mente que essa é uma amostra pequena que vai mudar com mais jogos. Três jogos não pintam uma história completa, e se você não acredita, vamos voltar um ano no tempo e ver como as coisas estavam depois da terceira semana de temporada regular? Bom, o Cardinals estava 3-0 mesmo tendo sido superado em jardas nesses três jogos (assim como o 3-0 Dolphins desse ano, btw); Jets, Chargers e Eagles lideravam suas respectivas divisões com 2-1; e Patriots, Packers, Broncos, Redskins e Colts estavam 1-2 e enfrentando todo tipo de história clichê sobre decadência ou ainda não estar pronto. So there!

Trocando o quarterback


Eu já tinha escrito algumas vezes, em especial aqui, mas poucas novelas estão mais cansativas e prejudiciais ao seu próprio time quando aquela envolvendo Josh Freeman, QB de Tampa Bay, e Greg Schiano, o técnico da franquia e ganhador da votação de "Técnico para quem eu menos iria querer jogar" (não, sério). Não vou retomar os detalhes porque eles são repetitivos e já foram explorados aqui, mas basicamente, Schiano já tinha começado desde o ano passado uma campanha pela mídia para reclamar e criticar sempre que podia Freeman, vazando detalhes para a imprensa, reclamando publicamente de seu QB e simplesmente fazendo todo o possível para acabar com o moral e a confiança do jogador. E quando Freeman, no último ano de seu contrato, começou mal a temporada 2013, era apenas uma questão de tempo para o garoto ir parar no banco de reservas - o que finalmente aconteceu quarta de manhã. As mídias sociais logo se encheram de gente criticando ou apoiando Schiano, então antes de tirar alguma conclusão, vamos dar uma olhada na situação que o Bucs, Freeman e Schiano se encontravam.

Deixando de lado por um instante o óbvio problema pessoal de Schiano com o QB e os efeitos que isso pode ter tido sofre Freeman dentro de campo, o fato é que o camisa 5 não tem feito nada dentro de campo para justificar manter sua posição. Foram apenas três jogos e contra três defesas entre "decentes" e "boas" (Jets, Patriots e Saints), mas sua performance tem deixado a desejar: 45.7% de aproveitamento nos passes, 2 TDs e 3 interceptações, 6.1 jardas por passe e um QBR de 26.3. Para efeito de comparação, esses números são piores que os de Tim Tebow na sua carreira: em 16 jogos são 17 TDs, 9 interceptacões, 47.9% de aproveitamento nos passes e 6.9 jardas por passe (o QBR de Tebow é baixo porque a estatística é limitada e não considera suas intervenções sobrenaturais). Embora seja apenas três jogos, Freeman falhou ao liderar seu ataque a mais do que 20 pontos em um jogo sequer, e a porcentagem de campanhas ofensivas da equipe terminando em pontos (14.3%) é bem próxima das campanhas ofensivas terminadas em turnover (11.9%). Nesse momento, Freeman possui o quinto pior QBR entre os 34 quarterbacks qualificados. Então não é como se ele estivesse em uma sólida campanha e estivesse indo para o banco por conta de problemas com seu técnico, ele est á bem mal em campo também.

É possível identificar alguns aspectos além desses para justificar essa queda de rendimento em Freeman? Alguns. O jogo terrestre piorou em relação ao ano passado, caindo de 4.5 jardas por corrida para apenas 4.0 YPC, e a equipe não possui um bom alvo de checkdown com um tight end ou um bom slot receiver para aumentar a variedade de jogadas. Além disso, a equipe está sem seu melhor lineman em Carl Nicks, que perdeu os dois primeiros jogos com uma lesão no pé (e jogou limitado o outro), e Freeman sempre teve muitos problemas lidando com a pressão. Mas olhando mais de perto os dados, eles não justificam. Nicks faz muita falta, mas a linha ofensiva ainda tem sido acima da média (12th overall, per Football Outsiders) e os problemas de Freeman não estão acontecendo apenas quando pressionado. Ele tem tido um aproveitamento horrível em passes curtos, e embora essa nunca tenha sido realmente sua praia, dessa vez ele não tem sido capaz de compensar com suas bombas. Depois de completar 50% de seus passes acima de 15 jardas em 2012, esse ano ele completou apenas 2 de 14 dessas bolas, o que naturalmente destruiu seu aproveitamento e suas jardas por passe. E isso tendo uma dupla de WRs de extrema velocidade e que sempre foram muito proficientes nessas situacões em Vincent Jackson e Mike Williams, e vendo vídeos você acha diversas situações onde um deles esteve livre e o passe simplesmente não foi preciso o suficiente. Freeman nunca foi um QB muito preciso, completando menos de 60% dos seus passes na carreira, mas sempre compensou isso com longos ganhos e uma boa média de 7.8 e 7 jardas por passe nos seus dois melhores anos de titular (mais ou menos como Cam Newton, por exemplo), só que quando ele passa a errar os arremessos longos, ele perde a sua principal arma e fica apenas com suas fraquezas. E é isso que está acabando com seu 2013 até aqui. Claro, é possível que um QB com um bom histórico como o de Freeman possa estar sendo prejudicado pela situação com seu técnico e tudo mais, mas a evidência dentro de campo é mais do que suficiente para justificar a decisão do treinador.

Para o Bucs, a mudança de QB faz todo o sentido. Independente do quanto vocês creditem essa grande piora de Freeman nos problemas com Schiano, a franquia claramente não vê Freeman como o seu QB do futuro e pretende se livrar dele ao final do ano, quando acaba seu contrato. Considerando que da forma como está jogando Freeman não vai conseguir mudar o rumo do time para 2013 e recolocá-lo na briga por playoffs, e que ele deve sair do time até o final do ano, era a coisa lógica a ser feita. O Bucs é um time montado para ganhar o quanto antes e que investiu pesado na sua defesa com contratos milionários para Darrelle Revis e Dashon Goldson, então precisa urgente de um bom QB para isso. A entrada de Mike Glennon de quarterback da ao time a chance de avaliar o que possui atualmente no seu elenco por quase uma temporada inteira antes de tomar a decisão de como lidar com isso no futuro. A temporada ainda não está perdida mas está delicada, e Freeman não seria a solução, então Glennon era a última opção para tentar reverter o 0-3... e se isso não acontecer, pelo menos eles sabem se o garoto pode ser a solução para os próximos anos ou se precisam ir em busca de seu QB em outro lugar, seja no draft ou oferecendo um caminhão de dinheiro para o Jay Cutler na free agency. Era de fato a melhor solução nesse momento. Além disso, eu também gostei do timing da troca, uma semana antes do bye. Glennon vai ter um jogo de titular para mostrar como se comporta em campo, e depois a comissão técnica vai ter duas semanas para modificar o playbook, trabalhar suas forças e corrigir suas fraquezas dependendo do que ele mostrar nesse seu primeiro jogo, então isso foi inteligente. Se Mike Glennon vai funcionar ou não, eu não sei: essa era uma classe notavelmente fraca de QBs e Glennon caiu até a terceira rodada, o que quer dizer alguma coisa. A vantagem do garoto é que desde o colegial ele já jogava em esquemas ofensivos semelhantes aos profissionais, o que lhe da uma experiência, mas vendo vídeos dele na NCAA é fácil de ver porque muitos questionam sua capacidade de se adaptar a velocidade do jogo profissional. Mas pelo menos assim o time sabe o que tem em mãos e pode tomar sua decis ão para 2014.

Para Freeman, isso significa que seu último snap com o time provavelmente já aconteceu e que ele deve mudar de ares ano que vem, ou mesmo antes, via uma troca. O Bucs já deixou claro que está aberto a ouvir propostas de outros times, embora tenha dito que não iria aceitar "qualquer coisa" por ele. O argumento é que o time ainda iria receber uma escolha de draft compensatória caso perdesse seu QB na free agency, mas é um argumento fraco: a escolha deve ser de sexta ou sétima rodada e só viria em 2015, então não é como se precisasse de muito para oferecer uma recompensa maior. O problema mesmo é que são poucos os times que teriam interesse no jogador. Jaguars e Browns apareceram como possíveis nomes, mas nenhum dos dois faz sentido: Jags está um lixo e  vindo com força para conseguir a primeira escolha e Teddy Bridgewater, e a diretoria tem todos os motivos para querer uma solução definitiva para seu problema, não um remendo temporário, então não tem porque trocar por um QB de 25 anos; e o Browns seria uma opção viável uma semana atrás quando tinha um bom time e só precisava urgente de um QB, mas a troca de Richarson indica que a franquia claramente vai apostar no próximo draft para achar seu titular do futuro e nova cara do ataque e que está entregando essa temporada para Deus, então não tem porque trocar por um QB nesse momento. O que sobra além da free agency? Já chegaremos lá.

Em resumo, eu achei que a mudança de QB era o movimento lógico para o Bucs, que não tinha mais Freeman nos seus planos e precisava descobrir o que tinha em Glennon para decidir sua trajetória para 2014. O que eu não gostei foi a forma como Schiano conduziu todo esse carnaval, para a imprensa e seu próprio time, e que pode ou não ter afetado negativamente Freeman e levado a esse começo abismal e praticamente um ano jogado fora. Vale citar também que o time poderia estar tranquilamente 2-1 se não fossem duas jogadas, ambas não ofensivas e nas quais Freeman não teve qualquer impacto, e que mudaram resultados nos segundos finais dos dois primeiros jogos do time... e não tem a menor chance de Freeman ir para o banco se estivessem 2-1 e não 0-3. Então tem isso também.

Quando o melhor jogador da NFL não é o suficiente


O Vikings era um dos maiores candidatos possíveis a regressão em 2013, como eu escrevi no preview da equipe. O record de 10-6 de 2012 enganava um pouco, já que a equipe tinha ido 9-7 em sua Pythagorean Expectation e terminado o ano com um insustentável 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola. Além disso, essa campanha tinha vindo nas costas de uma das melhores temporadas de um RB da história da NFL por Adrian Peterson, algo que era improvável que se repetisse. Por isso e mais a perda de Percy Harvin, eu esperava que Minnesota sofresse com a natural regressão de um time que chegou longe demais um ano antes, e por isso não foi nenhuma surpresa quando Lions e Bears (dois bons times) derrotaram Minnesota. Mas quando o Browns o fez, derrubando o Vikings a 0-3 e destruindo muitos dos survivals pelo caminho, todo mundo entrou em pânico.

As atenções logo caíram sobre o (muitas vezes merecidamente) criticado Christian Ponder, especialmente depois que seu reserva Matt Cassell treinou entre os titulares no começo da semana (supostamente por causa de uma lesão com Ponder). Ponder está começando muito mal a temporada, com 5 interceptações e dois fumbles (contra apenas dois TDs aéreos, embora tenha dois correndo) e um QBR de 43.2, e considerando todas as críticas (merecidas) que recebeu em 2012 como sendo o elo fraco desse ataque e um "limitador" do potencial do time com seu braço fraco, logo foi apontado como o principal causador desse começo ruim da equipe e a peça que deveria ser movida para o time engrenar. E embora o ataque tenha seus problemas, e Ponder esteja bem no meio deles, o fato é que o ataque não é o maior problema do time nesse começo de temporada. É a defesa.

Apesar da temporada estar apenas no começo, o ataque do Vikings tem desempenhado seu papel de anotar pontos. Passando por enquanto (chegaremos a eles) por cima dos problemas do Vikings ofensivamente essa temporada, o fato é que no futebol americano ganha quem anota mais pontos, e o ataque do Vikings tem feito seu papel: são 81 pontos em três jogos totais, sétima melhor marca da NFL, incluindo jogos de 30 pontos contra Bears e 27 contra Browns (duas boas defesas). No entanto, você também tem que impedir o adversários de anotar os pontos deles, o que é o problema para esse time: apenas Redskins e Giants cederam mais pontos que os 96 de Minnesota. Olhando mais fundo, os problemas continuam: o Vikings também foi o quarto time que mais cedeu jardas na temporada e o terceiro que mais cedeu 1st downs. Eles permitiram viradas na campanha final de dois jogos consecutivos contra Jay Cutler e Brian freaking Hoyer. Então sim, é importante ressaltar que a defesa do Vikings é um fator ainda mais importante que o ataque para esse começo.

Um dos motivos que causam esses problemas é a falta da defesa terrestre. Faz muito tempo que a linha defensiva do Vikings, a famosa Williams Wall, é uma força a ser reconhecida contra jogos terrestres. Não só isso tem um bom impacto contra as corridas adversárias, como permitia a defesa de Minnesota uma flexibilidade bem grande, usando mais LBs em blitz ou colocando mais DBs para proteger contra o passe e reforçando outros setores defensivos. Em 2012 essa defesa terrestre foi a sexta melhor da liga em jardas por corrida, cedendo apenas 4.0, e em 2011 foi a quinta melhor com 3.9. Esse começo de ano, Kevin Williams está lidando com lesões incorridas durante a pré-temporada e Shariff Floyd - que deveria funcionar como um jogador de rotação para dar descanso aos titulares - ainda não se achou dentro de campo, o que criou diversos problemas na linha defensiva da equipe, que viu as jardas terrestres por corrida subirem para 4.4, nona pior marca da NFL. Observando alguns vídeos dos últimos dois jogos pude notar também que isso levou a comissão técnica a usar formações mais conservadores contra o jogo terrestre, tirando a vantagem que a equipe usava de direcionar jogadores extras para a secundária... o que por sua vez resultou em um outro aumento nas jardas aéreas, de um nível top12 em 2012 para um oitavo-pior-da-NFL 6.8 jardas por jogada de passe. Então quando sua defesa terrestre E sua defesa aérea estão cedendo consideravelmente mais jardas do que antes, você tem um problema.

Talvez mais preocupante que isso seja a absoluta e total falta de pass rush por parte do time. Mesmo tendo jogos contra uma OL que sempre é fraca (Bears, embora esteja melhor esse ano) e uma que perdeu seus dois tackles titulares (Lions), a equipe gerou apenas quatro sacks nessa temporada, terceiro pior time depois dos também 0-3 Giants e Steelers. E não é como se estivessem compensando com outras pressões, ainda é o quarto pior time em hits (no QB adversário) e terceiro em knockdowns. Essa falta de pressão em parte acontece de um maior conservadorismo quanto ao jogo terrestre em termos de blitzes, como já foi dito, mas também vem de uma enorme incapacidade da defesa de ocupar bloqueadores e chegar aos QBs. Jared Allen está sofrendo as dobras de sempre, mas a defesa não consegue manter esses bloqueadores longe dele com seus DTs ou fazer as defesas pagarem, o que está dando aos adversários tempo de sobra para lançar contra uma secundária que já é suspeita.

Claro, isso não significa que a defesa do Vikings é uma atrocidade que está atrasando um ataque muito bom. Na verdade, o ataque tem uma boa parcela de culpa também: a defesa do Vikings tem começado suas campanhas defensivas nas PIORES posições de campo de toda a NFL, cortesia dos turnovers e dos 3-and-outs do ataque, começando defendendo em média na linha de 36 jardas. Também vale citar que a defesa do Vikings tem sido uma das melhores da NFL forçando turnovers com 10 (em parte por uma boa sorte recuperando fumbles), e mesmo assim a equipe tem um saldo de zero porque também entregou a bola 10 vezes no ataque (apesar do azar com fumbles).

Ofensivamente, antes de tirar conclusões, eu procurei alguns vídeos para ter alguma base para comparar com os números. E elas fazem todo o sentido do mundo. Por exemplo, a stat line do Christian Ponder está muito ruim esse ano: 59% de aproveitamento, 2TDs contra 5 INTs (2 TD terrestres, mas 2 fumbles), 10 sacks sofridos (em parte porque está tentando fazer mais jogadas com as pernas esse ano) e 43 QBR. Mas fiquei surpreso ao ver que mesmo com esse aproveitamento pífio, ele ainda tem 6.9 jardas por passe, o que é de longe a melhor marca da sua carreira. Da mesma forma, não é agradável ver Adrian Peterson com apenas 4.1 jardas por corrida (se desconsiderarmos aquela de 78 que abriu a temporada, são 3.0 YPC) depois de ter 6.0 em 2012. Observando os vídeos, a explicação salta aos olhos: as defesas estão direcionando todos seus esforços para a linha de scrimmage tentando parar Peterson, enfrentando sete, oito e até mesmo algumas vezes nove homens pelo meio tirando seus espaços. A consequência óbvia com isso é que ofereceria novos espaços na secundária, onde o QB seria capaz de explorar com seus passes. A questão é que ninguém realmente está preocupado com o braço de Ponder, que é fraco e não tem boa precisão em bolas que viajam mais tempo. As defesas tem pressionado os WRs para tirar os passes curtos e deixado muito espaço em jogadas mais intermediárias ou longas, confiando na incapacidade do QB de acertar essas bolas. E embora Ponder tenha acertado algumas delas para longos ganhos, tem errado muitas outras de forma que nenhuma defesa vai pensar duas vezes em continuar com essa estratégia desde que isso contenha o atual MVP da liga.

E embora o ataque tenha feito um trabalho decente marcando pontos, eles escondem outro problema. Esse bom número de pontos veio em parte de um alto número de posses de bola, especialmente gerados por turnovers em boas posições de campo pela defesa (que enfrentou admitidamente três ataques famosos por não cuidarem bem da bola). Na verdade, na hora de converter posses de bola em pontos, eles são medíocres, convertendo apenas 33.3% das suas campanhas, próximo da média da liga (32%). E enquanto isso acontece, eles são o terceiro time que mais cospe a posse de bola, cometendo turnovers em 23.4% das suas campanhas ofensivas, quase o dobro da média da NFL (12%) - o que obviamente é um grande problema, que gera péssimas posições de campo para a defesa. O Vikings também tem se mostrado muito dependente desses ganhos longos nessa temporada e muito sujeito a 3-and-outs: sua campanha média tem apenas 5.3 jogadas (5th pior da liga) e controla o relógio por apenas 2;09 segundos (também 5th pior).

Esse é o motivo pelo qual eu apoiava que o time trocasse uma escolha de sexta rodada por Josh Freeman - e, a esse ponto, é o único time que faria sentido trocar pelo futuro ex-QB do Bucs. O time e a mídia parece cada vez menos crente que Ponder é o QB para jogar nesse time, especialmente pois suas características não batem com as de Peterson e do recém-contratado Greg Jennings. Se Christian Ponder fosse um QB individualmente espetacular, eu não iria realmente sugerir que o trocassem por outro só por se adequar melhor as características da equipe - o ideal era achar uma harmonia entre ambos. Mas considerando que Ponder não é um grande QB de NFL e não tem nenhuma solução imediata que trouxesse um grande QB (Cassell não é um bom QB), porque não trazer Freeman? Não digo que ele seria um Franchise QB ou mesmo a solução a longo prazo da franquia, mas se você tem um once-in-a-generation RB em torno do qual você pode montar seu ataque, mas que não está conseguindo porque seu QB medíocre não tem as características necessárias, porque não apostar em um jogador que tem e que não oferece ao seu time um problema de longo prazo, já que ele é free agent ao final do ano?

Você trás um jogador que casaria melhor com Jennings e com a forma como as defesas estão se preparando para Adrian Peterson e faz o teste, ve se isso resolve os problemas ofensivos e solta melhor o time, e dai tira suas conclusões sobre quais as verdadeiras necessidades da equipe. Se concluírem que Freeman não serve e precisam de um Franchise QB nesse draft profundo, não é diferente da conclusão que tirariam com Ponder ou Cassell, e é só não renovar com Josh. E se a troca de cenário e a fuga de perto do Greg Schianno trouxer de volta o ótimo JAAAAAASH Freeman de 2010 e de 2012 pré-lesão do Carl Nicks, você pode conseguir um sólido QB que tome conta da bola, faça os arremessos longos para manter as defesas honestas, e de vários handoffs  para Peterson, fazendo seu esquema funcionar e podendo usar o draft para resolver sua defesa. Você pode vencer na NFL se tiver um QB competente e Adrian Peterson, e Freeman pode ser esse QB. Qual é a parte negativa dessa experiência? Se tem um time hoje montado e com a superestrela para fazer seu ataque funcionar com um QB com as características certas, hoje, é o Vikings. E Ponder não está ajudando. Qual o problema em rolar o dado com um novo jogador e ver no que da?

Claro, eles não vão fazer isso porque isso significa admitir o erro que todo mundo já sabe que foi pegar Christian Ponder com uma 12th pick. Ponder ainda tem mais um ano de contrato garantido que iria contar contra o teto salarial da equipe salvo em caso de troca, que dificilmente vai acontecer. Ainda assim, a equipe precisa ir atrás de Freeman para descobrir o quanto esse ataque pode render com um QB com as características certas, até para concluir se isso é suficiente ou se precisam mesmo de um cara em um nível acima. Mesmo com o lotado draft de 2014 vindo ai para oferecer quarterbacks como se fosse a Oprah, essa não deveria ser a prioridade para o Vikings por um simples motivo: você tem uma das maiores comodidades da história da NFL em Adrian Peterson, e RBs hoje em dia tem uma vida útil curta e que costuma apresentar uma decadência bem repentina. A não ser que seja um QB que esteja pronto como Andrew Luck ou RG3 de já entrar e liderar um ataque profissional por 16 jogos mais playoffs, a equipe precisa pensar em extrair o máximo possível enquanto podem do seu MVP antes que ele deixe de ser essa força da natureza. Por isso, antes de se comprometerem com um novo QB no draft, eles precisam tentar a outra alternativa que pode oferecer uma solução imediata, ir em busca de um quarterback mais adequado ao time como Freeman. Se existe um jogador na NFL hoje que precisa de um novo começo é Freeman. E se existe um jogador na NFL hoje que precisa de um bom QB para deix á-lo livre para fazer história, é Adrian Peterson.

Palpite para o jogo de quinta a noite


RAMS over Niners
Contra o spread: RAMS (+3) over Niners
O jogo contra o Packers foi muito bom, o jogo contra o Seattle foi ruim mas explicável (e não tão one-sided como o resultado indica)... mas o jogo contra o Colts, uma derrota por 20 pontos em casa contra um time sólido mas não tão bom assim, levanta questões sobre se esse time é realmente tão bom assim. A defesa foi bem quando esteve inteira, mas está lidando com lesões (Ian Williams fora da temporada, Pat Willis questionable para a partida de hoje, Aldon Smith na NFI), e o ataque está sendo explorado depois de ter pego o Packers desprevinido na primeira rodada, já que não tem nenhum WR capaz de criar separação além de Anquan Boldin (especialmente com Vernon Davis machucado). Então inteiro e antes da temporada, esse tinha tudo para ser um grande time, mas na prática, as lesões e a dificuldade para achar bons substitutos está cobrando um preço alto. Enquanto isso, o Rams tem sido um time bem medíocre dos dois lados da bola e vem de uma derrota bem forte para o Cowboys, mas pelo menos joga em casa, tem uma excelente linha defensiva e enfrenta um adversário com muito mais questões e menos inteiro. Fico com o time da casa nesse, e confesso que não entendi porque o spread era tão alto a favor do Niners... fora de casa.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Os pontos importantes na semana da NFL - Week 2

Uma cena que tem se repetido bastante até aqui


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Bom, como recepção foi boa, vamos fazer novamente na Semana 2 da NFL nossos "Pontos Importantes da Semana". Para quem perdeu esse post da semana 1, a idéia aqui é a seguinte: isso aqui NÃO é um recap da rodada, e o nosso intuito não é passar por todos os jogos ou falar de todos os jogadores, bons ou não. Outras pessoas podem fazer isso, mais rápido e melhor do que eu, e eu também não acho que isso se enquadre na proposta do blog. A proposta aqui é para dar uma olhada nos fatores, dentro de cada jogo, que são relevantes ao maior cenário da NFL. Vamos olhar a performances que foram importantes mas receberam pouco crédito, fatores pouco observados que estão influenciando alguns pontos importantes, e por ai vai. Então de novo, o objetivo não é passar por todos os jogos e falar alguma coisa relevante: muitas vezes teremos dois ou mais pontos sobre um mesmo jogo, e jogos sem comentário nenhum.

Novamente, ainda estamos fazendo alguns testes com esse formado de coluna e tudo mais, então queria muito saber a opinião de vocês leitores sobre a coluna: se está funcionando, se não está, o que gostam e o que não gostam, como melhorar, etc.

Então dito isso, vamos começar.

Briga de cachorro grande


Se na primeira semana da NFL o jogo mais importante (do ponto de vista de rivalidade, confronto entre candidatos ao título e importância para o cenário geral da liga) foi entre San Francisco 49ers e Green Bay Packers, na semana 2 era claro qual duelo ocuparia seria o de maior destaque e importância: San Francisco 49ers e Seattle Seahawks, os dois melhores times da NFC e rivais de divisão se enfrentando no incrível Century Link Field. Além dos fatores óbvios que estavam em jogo nessa partida - orgulho, rivalidade, a chance de sair na frente na briga pelo título da NFC West e eventualmente por mando de quadra nos playoffs - esse jogo era a forma mais fácil e orgânica de responder a questão que todo mundo sempre se faz no começo de temporada: quem é o melhor time da NFC (normalmente eu diria NFL, mas o Denver Broncos pode ter algo a dizer a esse respeito)? Basicamente "coloque os dois num ringue e deixem os dois decidirem", versão NFL. 

(Ou, nas palavras do meu seriado favorito...
"Patos são melhores que coelhos!"
"Coelhos são melhores do que patos!"
"A gente devia colocar os dois numa caixa e deixar eles decidirem entre eles!"
"Isso é ilegal!!"
"Só se a gente apostar dinheiro!!")

Vocês sabem qual foi o resultado. O Seahawks dominou o jogo do começo ao fim, massacrou seus rivais com uma vitória por 29 a 3 e saiu de lá com o cinturão de "Melhor time da NFC". Foi realmente uma performance dominante, especialmente da sua defesa: segurou o forte ataque do 49ers a apenas 207 jardas totais, a pior performance ofensiva da equipe desde o duelo contra o Ravens no Thanksgiving de 2011 (179). Colin Kaepernick, depois de passar para mais de 400 jardas e 3 TDs contra uma boa defesa de Green Bay, foi limitado a apenas 127 jardas e 3 interceptações (apesar de 87 correndo). Para uma equipe cujo jogo se baseia tanto na sua atitude e jogo físico, Seattle provavelmente ficou muito satisfeito com o que conseguiu nessa partida: mais do que uma vitória contra um adversário direito, foi realmente um statement, uma mensagem que a equipe passou. Seu jogo físico dominou o adversário - um adversário cuja marca registrada é justamente esse tipo de jogo - e, no final, ainda aproveitou as chances para continuar judiando e provocando com cada jogada, cada TD e cada desafio. Foi realmente uma performance espetacular de futebol americano.

Claro que vocês provavelmente já imaginam o que isso significa: vamos ter que aguentar mais uma semana de overreactions - ou como eu disse no twitter e o pessoal gostou, de pessoas correndo para tirar as conclusões fáceis. Vocês vão ler bastante nos próximos dias coisas como "Seattle está um nível acima do resto da NFL!" ou coisas do tipo, simplesmente porque é mais fácil correr, olhar o resultado e colocar uma manchete bombástica do que peneirar tudo, olhar os momentos chaves e ver o que está nas entrelinhas.

Não existe para mim a menor dúvida de que o Seattle Seahawks foi um time muito superior durante a partida. A equipe executou seu plano de jogo muito bem, e sua defesa entregou uma das performances mais dominantes que eu lembro de ter assistido nos últimos anos, segurando um ataque muito bom a apenas três pontos e cinco turnovers. Mas olhando com cuidado, o placar final de 29-3 engana o que foi na verdade um jogo bem mais apertado decidido - ou pelo menos "expandido", em termos de placar - em alguns detalhes que poderiam facilmente ter sido diferentes.

Sabe quando você para e pensa "entre todas as coisas que poderiam ter dado errado, todas deram errado"? Foi basicamente o que aconteceu com o 49ers nessa partida. Enfrentando um adversário extremamente forte, fora de casa, no estádio mais difícil para um visitante jogar, e contra um time que é um matchup ruim desde o começo, eles ainda tiveram as seguintes coisas coisas contra eles: a equipe não recuperou nenhum dos quatro fumbles da partida, todos eles indo parar nas mãos do Seahawks (e como já dissertamos longamente por aqui, recuperação de fumbles é acaso e não competência); o Niners viu três jogadores seus (Ian Williams, Vernon Davis e Eric Reid) saíram da partida machucados, com o mais importante deles sendo Reid - o calouro saiu na última jogada antes do intervalo com o jogo 5-0, e o ataque de Seattle imediatamente começou a direcionar todo seu ataque (aéreo e terrestre) na direção do buraco deixado pelo camisa 35, um dos fatores que contribuiu para a evolução ofensiva da equipe no segundo tempo (para ser justo, Seattle também perdeu Russell Okung); Colin Kaepernick teve uma interceptação na red zone logo no começo da partida que veio em uma bola desviada e que espirrou nas mãos do defensor, uma jogada que pode ter alterado o curso do jogo.

Mas talvez mais importante, os dois primeiros TDs de Seattle - os dois TDs que explodiram a diferença e colocaram de vez o jogo fora do alcance, obrigando o ataque adversário a jogar em alta velocidade e de forma unidimensional, um suicídio contra essa defesa e nesse estádio - vieram como consequência de duas faltas que transformaram o que deveriam ter sido dois FGs (e portanto um placar de 11-3, não 19-3) em dois TDs e que tiveram absolutamente zero a ver com a performance do ataque (por exemplo, se um CB faz uma pass interference de 20 jardas porque era a forma de impedir um TD certeiro, é uma falta que é consequência direta da performance do ataque naquela jogada). No primeiro TD, Ahmad Brooks ia conseguindo o sack em cima de Russell Wilson para colocar o ataque adversário em uma 3rd and 20 (e provavelmente um FG), só que por puro azar, quando Wilson se jogou no chão para evitar a trombada a mão de Brooks se enroscou na facemask, totalmente sem querer, totalmente inútil para o resultado da jogada, mas ainda assim uma falta de 15 jardas e uma primeira descida automática. No segundo TD, depois de uma 3rd down que virou uma 4th and 15, a arbitragem ridiculamente marcou uma falta pessoal de 15 jardas (e uma primeira descida automática) de Aldon Smith por um encontrão em cima de um OL adversário, o tipo de coisa que acontece 3000 vezes em um jogo desses e deixaram para marcar logo em uma jogada tão crucial (de alguma forma, essa não foi nem a pior falta marcada no jogo: Sidney Rice recebeu uma de 15 jardas no final do primeiro tempo por RODAR a bola no chão depois de uma recepção. É sério. Tentem não rir). Não fossem essas duas faltas totalmente aleatórias, o placar teria ficado em apenas uma posse (e meia) de bola - 8 pontos - e o jogo poderia ser diferente, ou pelo menos não teria terminado em um placar tão elástico. O Seattle foi o melhor time em campo do começo ao fim, só um lunático iria dizer o contrário, mas não foi exatamente o abismo o que o placar final indica.

Para o 49ers, o problema é menos a derrota e o placar, e muito mais que o Seahawks expos sua grande fraqueza, e ainda levantou mais uma grande questão. No primeiro caso, foi simples: o 49ers não possui no momento bons WRs além de Anquan Boldin (Mario Manningham e Michael Crabtree estão machucados), e enquanto a defesa secundária muito profunda de Green Bay não era um bom matchup para enfrentar o jogo físico de Boldin, o jogo extremamente físico de Richard Sherman era o pior matchup possível para o camisa 81, que praticamente o tirou da partida e deixou Kaepernick sem nenhum bom alvo para receber passes (especialmente com Vernon Davis machucado), especialmente contra essa excelente secundária. Esse foi um problema que não apareceu na primeira semana, mas foi totalmente exposto contra Seattle, e levanta questões sobre o quão longe esse ataque aéreo pode ir nessa temporada. Mas talvez mais preocupante, é o que está acontecendo com o jogo terrestre de San Francisco: depois de ser a sua maior força em 2012, o jogo terrestre da equipe está totalmente sumido em 2013, com Frank Gore e Kendall Hunter combinando para apenas 77 jardas e 2.1 jardas por corrida. Contra Green Bay e sua defesa que sobrecarregou a linha de scrimmage, isso não foi exatamente uma surpresa, mas contra uma defesa como Seattle que não colocou nenhuma atenção extra no jogo terrestre, essa falta de produtividade é extremamente preocupante, especialmente considerando a necessidade disso para abrir o jogo aéreo com essa escassez de opções. Duas rodadas é uma amostra muito pequena e os adversários foram dois dos melhores times da NFL, então obviamente é cedo para qualquer pânico, mas é uma questão que pode fazer a diferença no resto da temporada.

Então sim, é um erro tirar conclusões tão cedo na temporada e com tão pouca amostra. Ambos os times ainda tem mais 14 jogos para jogar na temporada, incluindo uma revanche em San Francisco em Dezembro. Enquanto não tivermos mais para nos basearmos, não podemos concluir absolutamente nada. Mas pelo menos por enquanto, o Seahawks pode se gabar de ser o melhor time da NFC no momento depois de mais uma vitória contundente sobre seus maiores rivais.

(Quão impressionante foi essa vitória de Seattle? Hoje de manhã abriram os spreads de Vegas para o jogo de domingo, quando o Seahawks recebe o Jaguars. A linha abriu em -16.5 hoje cedo, e em algumas horas já chegou a -20 em algumas casas de aposta. Vai passar dos 24 até domingo, e eu AINDA apostaria em Seattle)

Quarterback a venda


Por algum motivo, ainda persiste o mito muito comum na NFL de que para ganhar na NFL de hoje (ou seja, após as mudanças de regra que favorecem em muito o jogo aéreo), você precisa de um QB de elite. Isso é um pouco irreal: o Ravens ganhou em 2012 com um QB acima da média mas não espetacular que pegou fogo na hora certa; o mesmo acontece com o Giants de 2007 e talvez com o Giants de 2011, um QB decente (em 2011 ele era melhor do que isso, mas enfim) amparado por uma grande defesa; o Steelers de 2005 tinha um Big Ben que ainda não era Big Ben no comando do ataque e venceu. Desde 2005, Joe Flacco e Jamarcus Russell tem tantos títulos quanto Peyton Manning e Tom Brady. Então de certa forma é um mito de que você PRECISA de um QB de elite para vencer um título.

A questão é que mesmo que você não precise de um Tom Brady ou de um Aaron Rodgers para ser campeão, você também não vai ser campeão se tiver um Brandon Weeden. E embora seja possível montar um campeão em torno de um QB apenas bom, é também um fato de que o caminho mais rápido para dar um salto na NFL é dar um upgrade no seu QB, seja de "atroz" para "bom" ou de "bom" para "ótimo", então a questão do QB virou quase sagrada na NFL. E embora isso signifique que sempre temos discussões sobre os jogadores que ocupam essa posição de destaque, eu não lembro uma temporada de NFL onde tantas polêmicas estavam rondando a liga tão cedo no ano!

A mais inexplicável e talvez mais importante de todas elas diz respeito ao Tampa Bay Bucs. Digo "importante" porque, entre todas as que estão acontecendo, ela é talvez a que mais pode afetar um time de playoffs - ou pelo menos que muita gente acreditava que poderia chegar lá se não tivesse perdido dois jogos seguidos por causa de faltas pessoais bestas. Mas por algum motivo, o técnico Greg Schianno parece determinado a fazer tudo que pode para criar problemas com seu QB, Josh Freeman. Freeman certamente não tem contribuído dentro de campo, começando o ano completando 45% dos seus passes (6.3 jardas por passe) com tantas interceptações como TDs, e jogando menos do que o esperado nas duas derrotas da equipe (embora as duas tenham sido decididas por fatores que pouco tiveram a ver com ele no final - embora claro, se Freeman tivesse sido melhor, provavelmente esses fatores não teriam importado). Eu entendo a frustração dos torcedores do Bucs e sua comissão técnica, mas eu acho incrível o quanto Schianno tem feito para piorar a situação. Ao invés de oferecer confiança e apoio ao seu QB e ao seu time, ou então desistir logo dele e ir para seu reserva Mike Glennon, Schianno manteve Freeman como seu QB enquanto o destruía na imprensa e durante os jogos, ao ponto de colocar Glennon para aquecer com os titulares antes da partida contra o Saints e Freeman para aquecer com os auxiliares. Qual exatamente é o benefício que ele espera tirar disso, destruíndo a confiança do jogador que ocupa a posição mais importante do jogo, e também destruíndo a confiança do resto da sua equipe nele? Se ele acha que Freeman não rende mais como titular e que a equipe precisa ir em outra direção (Freeman é free agent após a temporada, então não tem nenhuma questão salarial segurando a franquia), porque não simplesmente ir com Glennon ao invés de ficar criando esse caos todo? Vamos falar mais de Schianno na última seção do post, mas por enquanto ficamos nessa inexplicável situação Freeman-Schianno.

Freeman não é um QB brilhante e seus altos e baixos provavelmente incomodam demais os times que eventualmente queiram tê-lo. Mas ainda assim, ele teve alguns períodos excelentes em Tampa, em particular em 2010 e antes de Carl Nicks se machucar temporada passada. Em um ambiente totalmente disfuncional e com um técnico que claramente não gosta dele, Freeman provavelmente é meu candidato número 1 a "jogador talentoso que precisa urgente de uma mudança de ares", um cara que pode render na situação adequada e com um novo time. Para o Bucs, a troca faria sentido já que eu duvido demais que Freeman volte ao final do ano, e assim seria uma forma de conseguir algo em troca. O que me leva a perguntar: algum time teria interesse em eventualmente trocar uma escolha de draft (5th round?) por Josh Freeman para ser seu QB essa temporada - ou, eventualmente, para o futuro?

Eu consigo pensar em dois, duas equipes que possuem problemas com seu QB e que estão segurando uma equipe com potencial por esse motivo. As duas gastaram escolhas recentes de primeira rodada em um QB - estupidamente, devo acrescentar - e agora não conseguem se livrar desse problema. O primeiro e talvez mais óbvio seria o Cleveland Browns, seguido por um sleeper interessante no Minnesota Vikings. No caso do Browns, eu já disse isso e volto a repetir: é um time muito sólido que está a um bom quarterback de se tornar competitivo e quem sabe voltar aos playoffs. A defesa fez um bom trabalho nessas duas primeiras semanas, segurando bons times de Ravens e Miami a jogos de placares baixos mesmo com seu ataque incapaz de controlar o relógio, pontuar, ou garantir pelo menos boas posições de campo para a defesa. Esse jogo contra Baltimore, fora de casa, foi um muito interessante porque a defesa fez tudo que podia, manteve o jogo apertado esperando o ataque aparecer com alguma coisa... que nunca aconteceu. O jogo terrestre deveria ser bom com Trent Richardson, mas não se realiza porque todas as defesas dedicam uma atenção extra ao chão e obrigam Weeden a vencê-los com o braço, algo que ele se mostra absolutamente incapaz. Normalmente eles poderiam esperar mais um ano e draftar algum jogador (Manziel?) dessa boa classe, mas considerando que gastaram uma escolha de primeira rodada em um calouro de 28 anos, eles claramente estão preocupados em vencer imediatamente. Trocando uma escolha tardia de draft (e portanto de menor consequência) por Freeman da a equipe de testar com um QB decente por essa temporada junto de seu excelente grupo de apoio (especialmente na defesa, mas o ataque tem Josh Gordon, Davone Bess, Jordan Cameron, Joe Thomas e Trent Richardson). Se não funcionar, é só não renovar o contrato dele no final do ano (ou seja, nenhuma obrigação financeira a médio prazo) e ir atrás de outro QB. Para mim parece a melhor situação para ambos os casos. Isso deveria ocorrer e logo.

O Vikings é uma opção mais interessante e mais arriscada. Ao contrário de Weeden, o Viks não está preso a um QB que atrapalha todo o resto de um bom time. O problema de Christian Ponder é um pouco diferente: ele é o gargalo que limita esse que poderia ser um bom ataque de Minnesota. Depois do que Adrian Peterson fez ano passado, minha preocupação com o Viks era que os adversários iriam sobrecarregar a linha de scrimmage com sete ou oito jogadores para tirar o jogo terrestre, manter as descidas longas, e obrigar Ponder a vencê-los com seu braço de espaguetti. Depois de duas rodadas, esse parece ser exatamente o caso: Detroit foi um pouco mais radical, realmente colocando oito homens na linha em algumas jogadas e praticamente brincando de "derrube o MVP" o jogo todo, o que abriu o jogo aéreo e levou a alguns passes longos, mas também a muitos erros e basicamente ao plano de jogo do Lions ser um sucesso. A defesa do Bears, por outro lado, não sentiu tanta necessidade de sobrecarregar a linha com oito ou nove jogadores como fez Detroit, mas também em nenhum momento sentiu necessidade de modificar seu esquema 4-3 para se preparar contra o passe. Um lance que chamou minha atenção aconteceu no final do segundo quarto: jogo apertado, 3rd and 8 para o Vikings, uma situação clara de passe na qual a maior parte das defesas usaria uma defesa nickel como base (especialmente com o Viks usando três WRs). Nop. Mesma defesa 4-3 de sempre, nenhum defensor extra sequer, passe incompleto. Então a situação de QB em Minnesota obviamente não é desesperadora como a de Cleveland, Ponder tem seus benefícios e o time (com bastante sorte e um enorme outlier, mas enfim) conseguiu chegar aos playoffs com ele ano passado. Mas tendo em suas mãos o auge do melhor RB de sua geração e um dos melhores de todos os tempos, a equipe não consegue utilizar essa dádiva ao seu máximo potencial porque Ponder não consegue castigar as defesas que não o respeitarem. O QB do time poderia ser um Eli Manning da vida que o foco principal das defesas ainda ia ser o jogo terrestre de Peterson, mas elas pelo menos iriam ter que pensar duas vezes. E se Ponder não for capaz de abrir esse espaço para seu RB, o Vikings pode precisar de um jogador mais forte para a posição antes que a carreira de Peterson entre na sua fase de declínio.

Oh, você está se perguntando porque não falei do Jaguars entre os times que poderiam trocar por Freeman? Bom...

Teeeeeeebooooooow!


Por um simples motivo: tanto Vikings como Browns são dois bons, sólidos times que poderiam competir agora mesmo com um boost na posição de QB. O Jaguars não: depois de tantos anos de más decisões, trocas ruins e contratos ridículos, a equipe da Flórida precisa de mais uns dois anos só para conseguir se livrar de tudo isso e poder olhar em frente. Eles precisam urgente de um Franchise QB para ser a cara dessa reconstrução e dar esperança a torcida, não um upgrade imediato para competir por nada.

Vocês sabem qual é a solução para o Jaguars em termos de QB no momento, certo? Tim Tebow, é claro!! Eu não consigo pensar em um bom motivo para que essa contratação não ocorra.

Antes de todo mundo começar a dar risada e a reclamar indiscriminadamente do ex-QB da Flórida, que é o que todo mundo faz quando o nome aparece em uma conversa, vamos aos motivos.

Em primeiro lugar e mais importante, fica o que eu disse: o Jaguars não está perto de competir por nada nesse momento ou em um momento próximo. Eles ainda estão na fase da desintoxicação de tudo de ruim que a diretoria fez pelo time nos últimos anos, e não vai ser agora que conseguirão sair desse buraco só com uma adição interessante aqui ou ali. Como eu disse, a equipe precisa urgente achar um QB para seu futuro, para parar de gastar dinheiro e escolhas em jogadores para a posição que impedem o time de melhorar em outras áreas e ainda assim não dão resultados. O problema é que esse jogador não está no elenco atual: não é Blaine Gabbert, não é Chad Henne, não é ninguém que lá esteja no momento. Então não é como se a chegada de Tebow fosse tirar minutos de um jogador que seria o futuro do time. E já que Jacksonville tem tudo para ser um time bem ruim ou mesmo horrível essa temporada,  e com Teddy Bridgewater e Johnny Manziel (entre outros) esperando no próximo draft, adereçar esse problema de quarterback certamente não vai acontecer até o próximo verão. Então porque não trazer Tim Tebow para ser seu QB na temporada 2013 da NFL?? Claro, ele não consegue fazer bons passes, mas até ai ninguém no elenco do Jaguars consegue. O time seria ruim com ele, mas não é como se fossem bons sem ele. Não tem muito mais para onde cair quando se está no fundo do poço.

E ai que está a questão: o Jaguars vai ser ruim de qualquer forma, independente se o QB for Henne, Gabbert, Tebow ou eu. Mas enquanto isso, Jacksonville é um dos times de pior relação com sua torcida, uma torcida que não vai ao estádio, não se empolga com o time mais e está muito traumatizada de todos esses anos de pura incompetência. E Tim Tebow, com todas suas falhas como QB, é um jogador muito divertido de se assistir, que fez sua lendária carreira na NCAA na Flórida, e que é absolutamente IDOLATRADO por lá. Se seu time vai ser horrível, porque não fazer isso de uma forma que divirta a torcida, encha o estádio, venda camisas e melhore sua relação com a cidade? Você pode criticar o quanto quiser esse lado que não é futebol americano "puro", mas no mundo dos negócios, isso é tão importante quanto qualquer outra coisa, criar uma boa relação com seus consumidores. Ao invés de emissoras locais se desculpando por mostrarem seu jogo, todo mundo vai correr para assistir Tebow em provavelmente seu último ano como um QB da NFL. Gabbert provavelmente será dispensado ao final da temporada, Henne não é mais do que um reserva, e o Jags tem talvez a melhor chance de toda a NFL a ficar com Teddy Bridgewater nesse draft. Então se você vai ser horrível essa temporada e recomeçar ano que vem, a pergunta que fica é a seguinte: porque você vai ser uma droga e irritar a torcida se você pode ainda ser uma droga, mas pelo menos agradar a torcida, ganhar atenção na mídia nacional e ganhar dinheiro com isso? Me de o segundo cenário qualquer dia da semana e duas no domingo. Tebow não é melhor do que Gabbert ou Henne, mas ele atrai mais gente ao estádio, vende mais camisa e da um nome famoso a suas ações de marketing. E sinceramente, agora, é disso que o Jaguars precisa. It's Tebow Time.

Alterando suas chances de vitória


Vocês já provavelmente sabem, porque eu martelei isso durante 33 previews, mas jogos decididos por uma posse de bola são, em geral, aleatórios. Ou seja, tirando alguns casos especiais (alguns poucos QBs conseguem mudar um pouco isso), quando temos uma amostra grande o suficiente o número desses jogos vencidos por cada time tende a 50% do total. Não vou repetir isso aqui porque já passei muito tempo falando disso (se quiser relembrar esse é o post), mas esses jogos são aleatórios porque dependem demais de uma ou outra jogada além do controle dos times, e é um fato estatístico de que na "big picture", esses jogos estão sujeitos a todo tipo de acaso e por isso tendem a 50%.

Mas se isso é verdade (e é) num cenário maior, com uma amostra grande, ainda é interessante olhar os pequenos casos, ou seja, cada jogo separadamente e ver os fatores que levaram a essa derrota apertada. Embora em uma amostra significativa esses jogos tendam a ser 50-50, quando olhamos para cada jogo em particular podemos observar uma série de detalhes em ambos os times - detalhes não necessariamente técnicos - que me fazem perguntar se, naquela partida, um certo time maximizou suas chances de vitória.

Para ficar mais claro o que eu quero dizer, vamos pegar dois exemplos de times que começaram a temporada 0-2 em record e 0-2 em jogos decididos por uma posse de bola: o já mencionado Bucs, e o Carolina Panthers. A primeira vista, ambos os times tiveram azar nesse começo de jogo: o Tampa Bay perdeu dois jogos nos segundos finais para FGs, e o Panthers perdeu também com um TD nos segundos finais essa semana depois de uma derrota por apenas cinco pontos para Seattle. Mas quando esmiuçamos cada um desses jogos, observamos que muitos dos fatores que fizeram a diferença em decidir o resultado da partida - seja em uma jogada chave, seja no cumulativo ao longo da partida - muitas vezes não veio de coisas dentro de campo, e sim de decisões estúpidas dos jogadores ou da comissão técnica. Então embora exista um fator imenso de aleatoriedade nesses jogos, também é verdade que esses dois times não estão tomando decisões inteligentes que maximizem suas chances de vitória.

No caso do Panthers, eu não vou me estender demais nisso porque o Bill Barnwell, do Grantland, já fez um post sobre isso ontem bem melhor e mais detalhado que o meu (não tenho o link aqui, mas está na página principal do site), mas o problema é que a comissão técnica não tem metade de um cérebro quando se trata de ataque. Apesar de possuírem um bom grupo de RBs, e um QB que não tem muita precisão nos passes mas é um corredor destrutivo, o playbook ofensivo da equipe é extremamente conservador no que diz respeito a corridas, especialmente usando seu QB. Isso é algo que se nota principalmente em conversões curtas: ao invés de deixar seu QB correr pelo meio, ou mesmo soltar seus RBs no meio da linha de scrimmage, ele tem um preconceito esquisito com isso, preferindo o passe ou pelo menos segurar seu QB apesar do seu time ser muito eficiente pelo chão em conversões de 2 jardas ou menos.

Em particular, a falta de agressividade do time é o que mais lhe atrapalha. Mesmo possuindo Cam Newton e um forte jogo terrestre, Ron Rivera é extremamente conservador convertendo jogadas assim ou mesmo chamando jogadas de passe, algo que não maximiza as chances da equipe. Por exemplo, vamos olhar o jogo contra Seattle, um jogo no qual o Panthers enfrentava um time superior que era claramente favorito, e portanto faria sentido ser mais agressivo e aproveitar cada chance. Nesse jogo, Carolina enfrentou cinco (ou seis, já chegamos lá) situações diferentes de 3rd ou 4th descidas para 3 jardas ou menos:


  • A primeira aconteceu logo no primeiro quarto: em uma 3rd and 2 no campo adversário (Seattle 41), Rivera chamou uma jogada de passe ao invés de uma corrida na tentativa de conversão - o passe foi incompleto, e a equipe chutou a bola na quarta descida. A decisão foi duplamente burra de passar a bola: primeiro, porque com o estilo e os jogadores da equipe, eles possuem muito mais probabilidade de converter essas 2 jardas pelo chão que pelo ar, e segundo que mesmo caso a terceira descida corrida falhasse, ela ainda tinha uma boa chance de encurtar a jogada seguinte para uma 4th and 1 ou 4th and inches, situações onde o Panthers é extremamente eficiente, e considerando a posição de campo, era uma conversão que tinha grandes chances de render pontos se concretizada. Ao invés disso, a burrice em chamar o passe e a covardia em não tentar 4th down possivelmente custou ao time uma boa chance de anotar pontos, especialmente no que era, repito, um jogo onde eram as zebras e deveriam ser agressivos.
  • No terceiro quarto, o Panthers enfrentou uma 3rd-and-1 no seu próprio campo (Carolina 31). Era uma situação claríssima na qual Cam Newton deveria correr: ele está 16-18 na sua carreira convertendo situações de corrida de uma jarda. Ao invés disso, Rivera continua com seu preconceito de não querer seu melhor jogador correndo com a bola, bem, correndo com a bola! Ele chama uma corrida lateral do seu fullback que não consegue a conversão, e o time vai (dessa vez corretamente, dada a posição de campo) para o punt, matando a campanha.
  • Ainda no terceiro período, o Panthers se ve em uma situação de 2-and-3 no seu próprio campo (CAR 38). A primeira jogada chamada é um passe lateral, incompleto. Na segunda, pela única vez no jogo, o Panthers chama uma corrida pelo meio de seu QB: 4 jardas e a conversão da descida para o Panthers. Quem diria, não?
  • Na sequência dessa mesma campanha (agora no quarto período), a equipe enfrenta uma 4-and-2 do meio do campo. Rivera imediatamente vai para o punt. Não foi exatamente a pior decisão do mundo porque a equipe estava ganhando 7-6, mas ainda tinha 15 minutos no relógio e, novamente, eles eram os azarões e ser agressivo poderia ter colocado a equipe em uma posição melhor. Mas aqui foi até que justificável.
  • Ainda no quarto período, o Panthers novamente se coloca numa 3rd-and-1. Novamente, Newton não é chamado a correr, mas pelo menos a jogada chamada é uma corrida com Mike Tolbert, que converte a jogada.
Ou seja, se você está acompanhando, não houve uma jogada que foi um erro gritante que custou ao seu time o jogo por parte de Ron Rivera. Mas é uma série de tomadas de decisões que não levam em conta as condições da sua equipe e que deixam de maximizar as condições de vitória do time. Não estou falando que se tivesse tomado as decisões corretas nessas duas primeiras jogadas teriam vencido o jogo, mas teriam se colocado em uma situação mais favorável, com maiores chances. Mas calma, fica pior. Essa semana, a equipe vencia o Bills por três pontos quando enfrentou uma 4th and 1 na linha de 21 jardas do adversário. Era o quarto período, 1:47 no relógio e o adversário tinha queimado seus três tempos, e Rivera se viu diante da seguinte opção: chutar um FG, aumentar a diferença para seis, mas dar ao adversário tempo de sobra para um TD da virada contra sua fraca secundária, ou então tentar converter uma situação na qual seu time é excelente e selar de vez a vitória com três ajoelhadas. Rivera obviamente escolheu a mais conservadora, chutando o FG e dando ao Bills tempo para anotar um TD da vitória... que de fato aconteceu! Então Rivera novamente tomou a decisão conservadora e que não levou em considerações as forças (jogo terrestre, QB excelente corredor, muito bom convertendo jogadas curtas) e fraquezas (secundária) da equipe, e foi castigado para isso. Mas o pior é que essa mesma situação exata JÁ TINHA ACONTECIDO ANO PASSADO!! No jogo contra o Falcons fora de casa, a equipe vencia e teve uma 4th and 1 no campo de ataque dentro do two-minute warning e que teria selado o jogo com uma conversão e três ajoelhadas. Ao invés de usar as forças da sua equipe e conseguir a conversão, ele optou por ser conservador, chutar a bola, e viu o Falcons marcar para um TD da vitória! Então não é como se Rivera estivesse enfrentando uma situação nova: ele já tinha enfrentado uma igual antes, e já tinha tomado a decisão conservadora que não maximizava as chances de vitória do seu time... e pela segunda vez, ele foi queimado. 

No caso do Bucs, é ainda mais ridículo porque quando falamos do Ron Rivera, pelo menos temos que dar uma peneirada e achar um tipo de situação (recorrente) na qual ele não está tomando as decisões ótimas que maximizam as chances de vitória. Quando falamos de Tampa Bay não, são situações óbvias de descontrole e estupidez individual que comprometem o resultado da equipe: na primeira rodada, uma falta pessoal de 15 jardas por atingir o QB fora de campo transformou o que seria um FG de 63 jardas (ou um hail mary, mas de qualquer forma, baixa chance de sucesso) em um de 48 jardas que acabou dando a vitória ao Jets. A equipe não foi brilhante, mas tinha uma chance de sucesso enorme no final, e só precisava manter o controle para não deixar escapar, mas um lapso de concentração ou de julgamento ou o que quer que seja colocou tudo isso a perder. No jogo contra o Saints, outro jogo perdido nos segundos finais por um FG, a equipe não teve nenhuma falta óbvia que resultou num FG como no último jogo... mas a equipe ainda totalizou 10 faltas para 118 jardas, totalizando agora 16 faltas para 163 jardas em dois jogos. Considerando que essa partida foi decidida por um FG nos segundos finais, acho possível supor que todas essas faltas fizeram muito para diminuir a pontuação esperada das campanhas da equipe.

Enquanto isso não é exatamente resultado de uma má decisão ou de um processo equivocado como é o caso do Rivera, isso também tem a ver com o técnico e com a cultura criada na equipe. Assistir jogos do Tampa é como assistir um time nervoso, o que não é uma surpresa considerando todas as histórias sobre como Greg Schianno é o técnico da NFL para o qual você menos iria querer jogar. O clima no vestiário não é bom, o que não surpreende dada a mania de Schianno de reclamar publicamente de seus jogadores, e quando nem ele tem confiança no QB da equipe dessa maneira, como você espera que o resto da equipe confie? Times da NFL costumam assumir a personalidade de seus líderes e/ou seus técnicos, e quando seu técnico age dessa maneira, não passa confiança e deixa todo mundo desconfortável, como você pode esperar que eles mantenham o controle no meio de um jogo crítico? Como eu disse nos previews de sexta feira, Schianno não é o pior técnico da NFL em termos de Xs e Os, mas talvez nenhum outro técnico esteja sendo tão prejudicial a sua equipe nesse momento. Nem mesmo Ron Rivera.