Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

Mostrando postagens com marcador Christian Ponder. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Christian Ponder. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Alguns pontos interessantes da NFL, Parte I - Questões de QB

Método Schiano de colocar jogadores no banco


Ainda não participou da nossa ultra nerd e ultra divertida promoção de NBA? Não sabe o que está perdendo! Clique aqui e tenha a chance de ganhar um livro massa de basquete - ou pelo menos ter o que fazer nessa offseason!!

---------------------------------------------------------------------------------

Essa terça feira, quando soltamos nosso tradicional "Pontos importantes da semana 3", eu me foquei em duas questões que vinham de fora dos gramados: a troca de Trent Richardson envolvendo Colts e Browns, e os problemas de Aldon Smith e Von Miller com a NFL. A idéia era incluir mais pontos, mas esses acabaram ganhando tanto destaque e ficando tão grandes que acabaram sendo os únicos da semana. Então agora, quinta feira - nosso dia de análises - vamos aproveitar para dar um giro por alguns times da NFL que estão atraindo algum interesse e que ainda não foram contemplados muito por aqui nas últimas semanas. Eu pedi aos meus seguidores no twitter (www.twitter.com/tmwarning, para quem tiver interesse) que comentassem quais times ou aspectos da NFL até o momento eles gostariam de uma análise mais aprofundada. E enquanto ainda é cedo demais na temporada para fazer qualquer tipo de análise profunda ou tirar grandes conclusões, achei que valia a pena dedicar algum espaço a esses cinco pontos de interesse que as pessoas levantaram. Os primeiros dois vem hoje, e os últimos dois amanhã junto dos palpites da rodada, e o quinto vai ficar para quinta que vem porque deve ganhar um post só dele. 

Uma coisa extremamente importante que tem que estar na cabeça de todo mundo, antes de começarmos, é que foram apenas três semanas de temporada. Três jogos é uma amostra ridícula que dificilmente tem um valor analítico muito grande, com viéses de todos os lados: alguns times enfrentaram uma tabela mais fácil que outros, enfrentaram matchups melhores ou piores, podem ter jogado mais jogos em casa ou fora, ou mesmo podem estar sendo alvo de um enorme azar que dificilmente se manterá durante mais 13 jogos (ou, da mesma forma, alvos de uma enorme sorte que também deve regredir para a média). O retrato que estamos vendo agora (e que vamos ajudar a pintar nessa coluna) não necessariamente vai representar a temporada inteira de um time, é apenas um olhar rápido no que aconteceu até aqui para chegarmos aonde estamos e o que é ou não sustentável indo para frente. Alguns times provavelmente se manterão em um nível ou padrão semelhante até o final do ano, mas muitos outros verão seus ritmos mudarem de acordo com tabelas mais ou menos fortes, alguns times resolverão problemas que estão lhes atrasando nesse começo de ano e outros terão novas questões a serem resolvidas. Então embora estejamos usando jogos para explicar o que já se passou, tenham em mente que essa é uma amostra pequena que vai mudar com mais jogos. Três jogos não pintam uma história completa, e se você não acredita, vamos voltar um ano no tempo e ver como as coisas estavam depois da terceira semana de temporada regular? Bom, o Cardinals estava 3-0 mesmo tendo sido superado em jardas nesses três jogos (assim como o 3-0 Dolphins desse ano, btw); Jets, Chargers e Eagles lideravam suas respectivas divisões com 2-1; e Patriots, Packers, Broncos, Redskins e Colts estavam 1-2 e enfrentando todo tipo de história clichê sobre decadência ou ainda não estar pronto. So there!

Trocando o quarterback


Eu já tinha escrito algumas vezes, em especial aqui, mas poucas novelas estão mais cansativas e prejudiciais ao seu próprio time quando aquela envolvendo Josh Freeman, QB de Tampa Bay, e Greg Schiano, o técnico da franquia e ganhador da votação de "Técnico para quem eu menos iria querer jogar" (não, sério). Não vou retomar os detalhes porque eles são repetitivos e já foram explorados aqui, mas basicamente, Schiano já tinha começado desde o ano passado uma campanha pela mídia para reclamar e criticar sempre que podia Freeman, vazando detalhes para a imprensa, reclamando publicamente de seu QB e simplesmente fazendo todo o possível para acabar com o moral e a confiança do jogador. E quando Freeman, no último ano de seu contrato, começou mal a temporada 2013, era apenas uma questão de tempo para o garoto ir parar no banco de reservas - o que finalmente aconteceu quarta de manhã. As mídias sociais logo se encheram de gente criticando ou apoiando Schiano, então antes de tirar alguma conclusão, vamos dar uma olhada na situação que o Bucs, Freeman e Schiano se encontravam.

Deixando de lado por um instante o óbvio problema pessoal de Schiano com o QB e os efeitos que isso pode ter tido sofre Freeman dentro de campo, o fato é que o camisa 5 não tem feito nada dentro de campo para justificar manter sua posição. Foram apenas três jogos e contra três defesas entre "decentes" e "boas" (Jets, Patriots e Saints), mas sua performance tem deixado a desejar: 45.7% de aproveitamento nos passes, 2 TDs e 3 interceptações, 6.1 jardas por passe e um QBR de 26.3. Para efeito de comparação, esses números são piores que os de Tim Tebow na sua carreira: em 16 jogos são 17 TDs, 9 interceptacões, 47.9% de aproveitamento nos passes e 6.9 jardas por passe (o QBR de Tebow é baixo porque a estatística é limitada e não considera suas intervenções sobrenaturais). Embora seja apenas três jogos, Freeman falhou ao liderar seu ataque a mais do que 20 pontos em um jogo sequer, e a porcentagem de campanhas ofensivas da equipe terminando em pontos (14.3%) é bem próxima das campanhas ofensivas terminadas em turnover (11.9%). Nesse momento, Freeman possui o quinto pior QBR entre os 34 quarterbacks qualificados. Então não é como se ele estivesse em uma sólida campanha e estivesse indo para o banco por conta de problemas com seu técnico, ele est á bem mal em campo também.

É possível identificar alguns aspectos além desses para justificar essa queda de rendimento em Freeman? Alguns. O jogo terrestre piorou em relação ao ano passado, caindo de 4.5 jardas por corrida para apenas 4.0 YPC, e a equipe não possui um bom alvo de checkdown com um tight end ou um bom slot receiver para aumentar a variedade de jogadas. Além disso, a equipe está sem seu melhor lineman em Carl Nicks, que perdeu os dois primeiros jogos com uma lesão no pé (e jogou limitado o outro), e Freeman sempre teve muitos problemas lidando com a pressão. Mas olhando mais de perto os dados, eles não justificam. Nicks faz muita falta, mas a linha ofensiva ainda tem sido acima da média (12th overall, per Football Outsiders) e os problemas de Freeman não estão acontecendo apenas quando pressionado. Ele tem tido um aproveitamento horrível em passes curtos, e embora essa nunca tenha sido realmente sua praia, dessa vez ele não tem sido capaz de compensar com suas bombas. Depois de completar 50% de seus passes acima de 15 jardas em 2012, esse ano ele completou apenas 2 de 14 dessas bolas, o que naturalmente destruiu seu aproveitamento e suas jardas por passe. E isso tendo uma dupla de WRs de extrema velocidade e que sempre foram muito proficientes nessas situacões em Vincent Jackson e Mike Williams, e vendo vídeos você acha diversas situações onde um deles esteve livre e o passe simplesmente não foi preciso o suficiente. Freeman nunca foi um QB muito preciso, completando menos de 60% dos seus passes na carreira, mas sempre compensou isso com longos ganhos e uma boa média de 7.8 e 7 jardas por passe nos seus dois melhores anos de titular (mais ou menos como Cam Newton, por exemplo), só que quando ele passa a errar os arremessos longos, ele perde a sua principal arma e fica apenas com suas fraquezas. E é isso que está acabando com seu 2013 até aqui. Claro, é possível que um QB com um bom histórico como o de Freeman possa estar sendo prejudicado pela situação com seu técnico e tudo mais, mas a evidência dentro de campo é mais do que suficiente para justificar a decisão do treinador.

Para o Bucs, a mudança de QB faz todo o sentido. Independente do quanto vocês creditem essa grande piora de Freeman nos problemas com Schiano, a franquia claramente não vê Freeman como o seu QB do futuro e pretende se livrar dele ao final do ano, quando acaba seu contrato. Considerando que da forma como está jogando Freeman não vai conseguir mudar o rumo do time para 2013 e recolocá-lo na briga por playoffs, e que ele deve sair do time até o final do ano, era a coisa lógica a ser feita. O Bucs é um time montado para ganhar o quanto antes e que investiu pesado na sua defesa com contratos milionários para Darrelle Revis e Dashon Goldson, então precisa urgente de um bom QB para isso. A entrada de Mike Glennon de quarterback da ao time a chance de avaliar o que possui atualmente no seu elenco por quase uma temporada inteira antes de tomar a decisão de como lidar com isso no futuro. A temporada ainda não está perdida mas está delicada, e Freeman não seria a solução, então Glennon era a última opção para tentar reverter o 0-3... e se isso não acontecer, pelo menos eles sabem se o garoto pode ser a solução para os próximos anos ou se precisam ir em busca de seu QB em outro lugar, seja no draft ou oferecendo um caminhão de dinheiro para o Jay Cutler na free agency. Era de fato a melhor solução nesse momento. Além disso, eu também gostei do timing da troca, uma semana antes do bye. Glennon vai ter um jogo de titular para mostrar como se comporta em campo, e depois a comissão técnica vai ter duas semanas para modificar o playbook, trabalhar suas forças e corrigir suas fraquezas dependendo do que ele mostrar nesse seu primeiro jogo, então isso foi inteligente. Se Mike Glennon vai funcionar ou não, eu não sei: essa era uma classe notavelmente fraca de QBs e Glennon caiu até a terceira rodada, o que quer dizer alguma coisa. A vantagem do garoto é que desde o colegial ele já jogava em esquemas ofensivos semelhantes aos profissionais, o que lhe da uma experiência, mas vendo vídeos dele na NCAA é fácil de ver porque muitos questionam sua capacidade de se adaptar a velocidade do jogo profissional. Mas pelo menos assim o time sabe o que tem em mãos e pode tomar sua decis ão para 2014.

Para Freeman, isso significa que seu último snap com o time provavelmente já aconteceu e que ele deve mudar de ares ano que vem, ou mesmo antes, via uma troca. O Bucs já deixou claro que está aberto a ouvir propostas de outros times, embora tenha dito que não iria aceitar "qualquer coisa" por ele. O argumento é que o time ainda iria receber uma escolha de draft compensatória caso perdesse seu QB na free agency, mas é um argumento fraco: a escolha deve ser de sexta ou sétima rodada e só viria em 2015, então não é como se precisasse de muito para oferecer uma recompensa maior. O problema mesmo é que são poucos os times que teriam interesse no jogador. Jaguars e Browns apareceram como possíveis nomes, mas nenhum dos dois faz sentido: Jags está um lixo e  vindo com força para conseguir a primeira escolha e Teddy Bridgewater, e a diretoria tem todos os motivos para querer uma solução definitiva para seu problema, não um remendo temporário, então não tem porque trocar por um QB de 25 anos; e o Browns seria uma opção viável uma semana atrás quando tinha um bom time e só precisava urgente de um QB, mas a troca de Richarson indica que a franquia claramente vai apostar no próximo draft para achar seu titular do futuro e nova cara do ataque e que está entregando essa temporada para Deus, então não tem porque trocar por um QB nesse momento. O que sobra além da free agency? Já chegaremos lá.

Em resumo, eu achei que a mudança de QB era o movimento lógico para o Bucs, que não tinha mais Freeman nos seus planos e precisava descobrir o que tinha em Glennon para decidir sua trajetória para 2014. O que eu não gostei foi a forma como Schiano conduziu todo esse carnaval, para a imprensa e seu próprio time, e que pode ou não ter afetado negativamente Freeman e levado a esse começo abismal e praticamente um ano jogado fora. Vale citar também que o time poderia estar tranquilamente 2-1 se não fossem duas jogadas, ambas não ofensivas e nas quais Freeman não teve qualquer impacto, e que mudaram resultados nos segundos finais dos dois primeiros jogos do time... e não tem a menor chance de Freeman ir para o banco se estivessem 2-1 e não 0-3. Então tem isso também.

Quando o melhor jogador da NFL não é o suficiente


O Vikings era um dos maiores candidatos possíveis a regressão em 2013, como eu escrevi no preview da equipe. O record de 10-6 de 2012 enganava um pouco, já que a equipe tinha ido 9-7 em sua Pythagorean Expectation e terminado o ano com um insustentável 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola. Além disso, essa campanha tinha vindo nas costas de uma das melhores temporadas de um RB da história da NFL por Adrian Peterson, algo que era improvável que se repetisse. Por isso e mais a perda de Percy Harvin, eu esperava que Minnesota sofresse com a natural regressão de um time que chegou longe demais um ano antes, e por isso não foi nenhuma surpresa quando Lions e Bears (dois bons times) derrotaram Minnesota. Mas quando o Browns o fez, derrubando o Vikings a 0-3 e destruindo muitos dos survivals pelo caminho, todo mundo entrou em pânico.

As atenções logo caíram sobre o (muitas vezes merecidamente) criticado Christian Ponder, especialmente depois que seu reserva Matt Cassell treinou entre os titulares no começo da semana (supostamente por causa de uma lesão com Ponder). Ponder está começando muito mal a temporada, com 5 interceptações e dois fumbles (contra apenas dois TDs aéreos, embora tenha dois correndo) e um QBR de 43.2, e considerando todas as críticas (merecidas) que recebeu em 2012 como sendo o elo fraco desse ataque e um "limitador" do potencial do time com seu braço fraco, logo foi apontado como o principal causador desse começo ruim da equipe e a peça que deveria ser movida para o time engrenar. E embora o ataque tenha seus problemas, e Ponder esteja bem no meio deles, o fato é que o ataque não é o maior problema do time nesse começo de temporada. É a defesa.

Apesar da temporada estar apenas no começo, o ataque do Vikings tem desempenhado seu papel de anotar pontos. Passando por enquanto (chegaremos a eles) por cima dos problemas do Vikings ofensivamente essa temporada, o fato é que no futebol americano ganha quem anota mais pontos, e o ataque do Vikings tem feito seu papel: são 81 pontos em três jogos totais, sétima melhor marca da NFL, incluindo jogos de 30 pontos contra Bears e 27 contra Browns (duas boas defesas). No entanto, você também tem que impedir o adversários de anotar os pontos deles, o que é o problema para esse time: apenas Redskins e Giants cederam mais pontos que os 96 de Minnesota. Olhando mais fundo, os problemas continuam: o Vikings também foi o quarto time que mais cedeu jardas na temporada e o terceiro que mais cedeu 1st downs. Eles permitiram viradas na campanha final de dois jogos consecutivos contra Jay Cutler e Brian freaking Hoyer. Então sim, é importante ressaltar que a defesa do Vikings é um fator ainda mais importante que o ataque para esse começo.

Um dos motivos que causam esses problemas é a falta da defesa terrestre. Faz muito tempo que a linha defensiva do Vikings, a famosa Williams Wall, é uma força a ser reconhecida contra jogos terrestres. Não só isso tem um bom impacto contra as corridas adversárias, como permitia a defesa de Minnesota uma flexibilidade bem grande, usando mais LBs em blitz ou colocando mais DBs para proteger contra o passe e reforçando outros setores defensivos. Em 2012 essa defesa terrestre foi a sexta melhor da liga em jardas por corrida, cedendo apenas 4.0, e em 2011 foi a quinta melhor com 3.9. Esse começo de ano, Kevin Williams está lidando com lesões incorridas durante a pré-temporada e Shariff Floyd - que deveria funcionar como um jogador de rotação para dar descanso aos titulares - ainda não se achou dentro de campo, o que criou diversos problemas na linha defensiva da equipe, que viu as jardas terrestres por corrida subirem para 4.4, nona pior marca da NFL. Observando alguns vídeos dos últimos dois jogos pude notar também que isso levou a comissão técnica a usar formações mais conservadores contra o jogo terrestre, tirando a vantagem que a equipe usava de direcionar jogadores extras para a secundária... o que por sua vez resultou em um outro aumento nas jardas aéreas, de um nível top12 em 2012 para um oitavo-pior-da-NFL 6.8 jardas por jogada de passe. Então quando sua defesa terrestre E sua defesa aérea estão cedendo consideravelmente mais jardas do que antes, você tem um problema.

Talvez mais preocupante que isso seja a absoluta e total falta de pass rush por parte do time. Mesmo tendo jogos contra uma OL que sempre é fraca (Bears, embora esteja melhor esse ano) e uma que perdeu seus dois tackles titulares (Lions), a equipe gerou apenas quatro sacks nessa temporada, terceiro pior time depois dos também 0-3 Giants e Steelers. E não é como se estivessem compensando com outras pressões, ainda é o quarto pior time em hits (no QB adversário) e terceiro em knockdowns. Essa falta de pressão em parte acontece de um maior conservadorismo quanto ao jogo terrestre em termos de blitzes, como já foi dito, mas também vem de uma enorme incapacidade da defesa de ocupar bloqueadores e chegar aos QBs. Jared Allen está sofrendo as dobras de sempre, mas a defesa não consegue manter esses bloqueadores longe dele com seus DTs ou fazer as defesas pagarem, o que está dando aos adversários tempo de sobra para lançar contra uma secundária que já é suspeita.

Claro, isso não significa que a defesa do Vikings é uma atrocidade que está atrasando um ataque muito bom. Na verdade, o ataque tem uma boa parcela de culpa também: a defesa do Vikings tem começado suas campanhas defensivas nas PIORES posições de campo de toda a NFL, cortesia dos turnovers e dos 3-and-outs do ataque, começando defendendo em média na linha de 36 jardas. Também vale citar que a defesa do Vikings tem sido uma das melhores da NFL forçando turnovers com 10 (em parte por uma boa sorte recuperando fumbles), e mesmo assim a equipe tem um saldo de zero porque também entregou a bola 10 vezes no ataque (apesar do azar com fumbles).

Ofensivamente, antes de tirar conclusões, eu procurei alguns vídeos para ter alguma base para comparar com os números. E elas fazem todo o sentido do mundo. Por exemplo, a stat line do Christian Ponder está muito ruim esse ano: 59% de aproveitamento, 2TDs contra 5 INTs (2 TD terrestres, mas 2 fumbles), 10 sacks sofridos (em parte porque está tentando fazer mais jogadas com as pernas esse ano) e 43 QBR. Mas fiquei surpreso ao ver que mesmo com esse aproveitamento pífio, ele ainda tem 6.9 jardas por passe, o que é de longe a melhor marca da sua carreira. Da mesma forma, não é agradável ver Adrian Peterson com apenas 4.1 jardas por corrida (se desconsiderarmos aquela de 78 que abriu a temporada, são 3.0 YPC) depois de ter 6.0 em 2012. Observando os vídeos, a explicação salta aos olhos: as defesas estão direcionando todos seus esforços para a linha de scrimmage tentando parar Peterson, enfrentando sete, oito e até mesmo algumas vezes nove homens pelo meio tirando seus espaços. A consequência óbvia com isso é que ofereceria novos espaços na secundária, onde o QB seria capaz de explorar com seus passes. A questão é que ninguém realmente está preocupado com o braço de Ponder, que é fraco e não tem boa precisão em bolas que viajam mais tempo. As defesas tem pressionado os WRs para tirar os passes curtos e deixado muito espaço em jogadas mais intermediárias ou longas, confiando na incapacidade do QB de acertar essas bolas. E embora Ponder tenha acertado algumas delas para longos ganhos, tem errado muitas outras de forma que nenhuma defesa vai pensar duas vezes em continuar com essa estratégia desde que isso contenha o atual MVP da liga.

E embora o ataque tenha feito um trabalho decente marcando pontos, eles escondem outro problema. Esse bom número de pontos veio em parte de um alto número de posses de bola, especialmente gerados por turnovers em boas posições de campo pela defesa (que enfrentou admitidamente três ataques famosos por não cuidarem bem da bola). Na verdade, na hora de converter posses de bola em pontos, eles são medíocres, convertendo apenas 33.3% das suas campanhas, próximo da média da liga (32%). E enquanto isso acontece, eles são o terceiro time que mais cospe a posse de bola, cometendo turnovers em 23.4% das suas campanhas ofensivas, quase o dobro da média da NFL (12%) - o que obviamente é um grande problema, que gera péssimas posições de campo para a defesa. O Vikings também tem se mostrado muito dependente desses ganhos longos nessa temporada e muito sujeito a 3-and-outs: sua campanha média tem apenas 5.3 jogadas (5th pior da liga) e controla o relógio por apenas 2;09 segundos (também 5th pior).

Esse é o motivo pelo qual eu apoiava que o time trocasse uma escolha de sexta rodada por Josh Freeman - e, a esse ponto, é o único time que faria sentido trocar pelo futuro ex-QB do Bucs. O time e a mídia parece cada vez menos crente que Ponder é o QB para jogar nesse time, especialmente pois suas características não batem com as de Peterson e do recém-contratado Greg Jennings. Se Christian Ponder fosse um QB individualmente espetacular, eu não iria realmente sugerir que o trocassem por outro só por se adequar melhor as características da equipe - o ideal era achar uma harmonia entre ambos. Mas considerando que Ponder não é um grande QB de NFL e não tem nenhuma solução imediata que trouxesse um grande QB (Cassell não é um bom QB), porque não trazer Freeman? Não digo que ele seria um Franchise QB ou mesmo a solução a longo prazo da franquia, mas se você tem um once-in-a-generation RB em torno do qual você pode montar seu ataque, mas que não está conseguindo porque seu QB medíocre não tem as características necessárias, porque não apostar em um jogador que tem e que não oferece ao seu time um problema de longo prazo, já que ele é free agent ao final do ano?

Você trás um jogador que casaria melhor com Jennings e com a forma como as defesas estão se preparando para Adrian Peterson e faz o teste, ve se isso resolve os problemas ofensivos e solta melhor o time, e dai tira suas conclusões sobre quais as verdadeiras necessidades da equipe. Se concluírem que Freeman não serve e precisam de um Franchise QB nesse draft profundo, não é diferente da conclusão que tirariam com Ponder ou Cassell, e é só não renovar com Josh. E se a troca de cenário e a fuga de perto do Greg Schianno trouxer de volta o ótimo JAAAAAASH Freeman de 2010 e de 2012 pré-lesão do Carl Nicks, você pode conseguir um sólido QB que tome conta da bola, faça os arremessos longos para manter as defesas honestas, e de vários handoffs  para Peterson, fazendo seu esquema funcionar e podendo usar o draft para resolver sua defesa. Você pode vencer na NFL se tiver um QB competente e Adrian Peterson, e Freeman pode ser esse QB. Qual é a parte negativa dessa experiência? Se tem um time hoje montado e com a superestrela para fazer seu ataque funcionar com um QB com as características certas, hoje, é o Vikings. E Ponder não está ajudando. Qual o problema em rolar o dado com um novo jogador e ver no que da?

Claro, eles não vão fazer isso porque isso significa admitir o erro que todo mundo já sabe que foi pegar Christian Ponder com uma 12th pick. Ponder ainda tem mais um ano de contrato garantido que iria contar contra o teto salarial da equipe salvo em caso de troca, que dificilmente vai acontecer. Ainda assim, a equipe precisa ir atrás de Freeman para descobrir o quanto esse ataque pode render com um QB com as características certas, até para concluir se isso é suficiente ou se precisam mesmo de um cara em um nível acima. Mesmo com o lotado draft de 2014 vindo ai para oferecer quarterbacks como se fosse a Oprah, essa não deveria ser a prioridade para o Vikings por um simples motivo: você tem uma das maiores comodidades da história da NFL em Adrian Peterson, e RBs hoje em dia tem uma vida útil curta e que costuma apresentar uma decadência bem repentina. A não ser que seja um QB que esteja pronto como Andrew Luck ou RG3 de já entrar e liderar um ataque profissional por 16 jogos mais playoffs, a equipe precisa pensar em extrair o máximo possível enquanto podem do seu MVP antes que ele deixe de ser essa força da natureza. Por isso, antes de se comprometerem com um novo QB no draft, eles precisam tentar a outra alternativa que pode oferecer uma solução imediata, ir em busca de um quarterback mais adequado ao time como Freeman. Se existe um jogador na NFL hoje que precisa de um novo começo é Freeman. E se existe um jogador na NFL hoje que precisa de um bom QB para deix á-lo livre para fazer história, é Adrian Peterson.

Palpite para o jogo de quinta a noite


RAMS over Niners
Contra o spread: RAMS (+3) over Niners
O jogo contra o Packers foi muito bom, o jogo contra o Seattle foi ruim mas explicável (e não tão one-sided como o resultado indica)... mas o jogo contra o Colts, uma derrota por 20 pontos em casa contra um time sólido mas não tão bom assim, levanta questões sobre se esse time é realmente tão bom assim. A defesa foi bem quando esteve inteira, mas está lidando com lesões (Ian Williams fora da temporada, Pat Willis questionable para a partida de hoje, Aldon Smith na NFI), e o ataque está sendo explorado depois de ter pego o Packers desprevinido na primeira rodada, já que não tem nenhum WR capaz de criar separação além de Anquan Boldin (especialmente com Vernon Davis machucado). Então inteiro e antes da temporada, esse tinha tudo para ser um grande time, mas na prática, as lesões e a dificuldade para achar bons substitutos está cobrando um preço alto. Enquanto isso, o Rams tem sido um time bem medíocre dos dois lados da bola e vem de uma derrota bem forte para o Cowboys, mas pelo menos joga em casa, tem uma excelente linha defensiva e enfrenta um adversário com muito mais questões e menos inteiro. Fico com o time da casa nesse, e confesso que não entendi porque o spread era tão alto a favor do Niners... fora de casa.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Minnesota Vikings

Um excelente resumo do ataque do Vikings




Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East, os previews da NFC East e também os previews da AFC North a para a temporada 2013 da NFL, começamos a falar da NFC North pelo sempre forte Green Bay Packers e pelo seu maior rival, Chicago Bears. Hoje vamos falar então do segundo time de playoff da divisão em 2012, Minnesota Vikings. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Minnesota Vikings

2012 Record: 10-6
Ataque ajustado: 15th
Defesa ajustada: 21st


Um bom exemplo de como os fatores aleatórios afetam os times ao longo de uma temporada fora do real nível de jogo de um time é a questão Vikings vs Bears ano passado. Os dois terminaram com o mesmo record, só que 'Sota foi para os playoffs por ter um record melhor dentro da divisão (4-2 contra 3-3). Mas acontece que sob nenhum critério o Vikings foi um time melhor que o Bears em 2012 apesar de terminarem ambos 10-6. Chicago teve um melhor point diferential (98 contra 31), e enquanto o Bears teve um Pythagorean Expectations de 11 vitórias, Minnesota teve um abaixo de 9 vitórias (8.8). Os ursos também terminaram em sexto em eficiência total ajustada (per Football Outsiders) e sexto em Pythagorean Wins, enquanto seus rivais do norte terminaram 14th em eficiência (atrás do Panthers, por exemplo) e 13th em Pythagorean Wins. Ainda que já tenhamos visto que uma parte dessa temporada do Bears tenha vindo de alguns outliers que dificilmente se repitam (o Vikings também, mas chegaremos lá), por qualquer métrica ou critério Chicago foi um time melhor. Mas o Viks terminou a temporada com um insustentável 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola e o Bears não, então o resultado final foi que um time acabou nos playoffs e o outro não. Um bom lembrete de que no final, as nossas previsões e palpites de começo de temporada podem ir para o espaço por coisas sem nenhuma relação com os times.

Minnesota também é um bom exemplo sobre como a parte que nós podemos medir ano a ano funciona. Na temporada 2011, a equipe terminou 3-13 (terceira pior marca da Liga) e com a terceira escolha do Draft. Lembro de ter defendido na época que a equipe não era tão ruim assim, apontando que seu Pythagorean Expectations era de um time quase 6-10 e que seu record de 3-9 em jogos decididos por uma posse de bola era um fortíssimo candidato a regressão. Lembrando ainda que o time tinha pego um excelente jogador em Matt Kalil e que, com um QB calouro e alguns jogadores jovens como Percy Harvin e Kyle Rudolph, seu ataque era um candidato interessante a alguma evolução natural, eu acabei falando que o Vikings iria para 7-9 na temporada e que "não me surpreenderia se terminassem 8-8". Considerando que o Pythagorean da equipe foi de 9-7 e ninguém realmente esperava essa temporada alienígena do Adrian Peterson voltando de cirurgia no joelho, esse é um bom exemplo de como existe coisas que são bem possíveis de serem analisadas (a reviravolta para pelo menos 7-9, por exemplo), coisas que estão fora das expectativas normais (MVPeterson) e coisas que são totalmente aleatórias (5-1 em jogos de uma posse de bola). Vikings de 2011 não era tão ruim, e o de 2012 não era provavelmente tão bom. Mas algumas coisas estão fora do nosso controle.

E se vamos falar da temporada 2012 do Minnesota Vikings, não tem outra forma de começar que não seja por Adrian Peterson. O MVP se tornou apenas o sétimo RB na história da NFL a correr para mais de 2000 jardas em uma temporada, totalizando 2097 e ficando a apenas oito jardas de empatar o recorde de Eric Dickerson (história bizarra do dia: na temporada que conseguiu 2105 jardas terrestres, Eric Dickerson teve um passe interceptado. Não pergunte). MVPeterson sozinho levou o ataque terrestre do Vikings a ser o sexto melhor em DVOA da NFL, o que é ainda mais impressionante quando lembramos que a) nenhum outro jogador do Vikings correu mais de 50 vezes com a bola (!!) e b) os três primeiros colocados eram times com QBs que correm com a bola (Seattle, San Francisco e Washington). Colocando em perspectiva, entre os sete RBs que atingiram 2000 jardas em uma temporada (Barry Sanders, OJ Simpson, Terrell Davis, Chris Johnson, Jamal Lewis e Dickerson) Adrian teve a segunda melhor média de jardas por corrida (6.03) entre todos e atingiu esse feito numa era onde correr com a bola é muito menos valorizado E sem praticamente nenhuma ajuda do jogo aéreo para abrir espaço para suas corridas (o ataque aéreo de 'Sota foi 22nd overall). E btw, ele fez isso menos de 12 meses depois de romper o ligamento do joelho. Juntando tudo isso, Peterson possivelmente teve a segunda melhor temporada de um RB na história da NFL (OJ Simpson conseguiu 2000 jardas em apenas 14 jogos, para mim ainda mais impressionante). Foi isso que fez a diferença para Minny, e o que levou a equipe a dar um salto que os números não esperavam.

A noticia ruim é que é extremamente improvável que essa campanha se repita. Claro, não é como se Peterson fosse um jogador mediano por anos a fio que de repente explodiu em uma campanha excepcional (Tim Jennings alert!) e deva voltar a ser medíocre. Peterson tem sido um dos melhores - talvez o melhor - running back da NFL desde que entrou na Liga em 2007, uma rara mistura de força, explosão e velocidade que simplesmente não pode ser parada por meros mortais. Mas como eu disse ontem, mesmo uma pessoa ou grupo que é muito boa em alguma coisa pode ter aqueles 16 jogos onde tudo se encaixa e conspira a seu favor e você consegue uma temporada perfeita. Também existem outliers entre os grandes jogadores, tanto é que nenhum jogador nunca repetiu uma campanha de 2000 jardas em anos consecutivos... ou em nenhum ano, na verdade. Se não está convencido, pegando a temporada seguinte as campanhas de 2000 jardas de Dickerson, Sanders, Simpson, Lewis e Johnson (Terrell Davis machucou na temporada seguinte e perdeu 12 jogos, então o deixamos de fora), esses jogadores conseguiram apenas em média 1244 jardas (1311 ajustando para jogos perdidos). Um bom número, sólido para um RB, mas muito abaixo do patamar de 2000 jardas que tiveram um ano antes. Então sim, Peterson vai continuar sendo fantástico e carregar o ataque nas costas por longos períodos, mas com uma atenção ainda maior e mais defensores voltados para pará-lo e mais os efeitos naturais de uma regressão de um patamar histórico, vai ser muito difícil para All-Day carregar um time sem ataque aéreo por 16 jogos em uma NFC extremamente competitiva como fez ano passado. Minnesota tem que estar ciente de que AP não vai correr para 2000 jardas novamente.

(Nota: estou partindo do pressuposto de que Adrian Peterson é humano e mortal, o que não necessariamente é a realidade. Se ele for um alienígena ou um ciborgue enviado do futuro para ganhar um Super Bowl, ignorem o último parágrafo. Obrigado.)

A pressão, então, vai cair ainda mais em cima de Christian Ponder para produzir alguma coisa pelo ar e não só para ter alguma produção ofensiva que não use Peterson, mas também para abrir espaços para seu MVP. Primeiro eu queria lembrar que o Vikings entrou em pânico quando três QBs saíram no Top10 de 2011 e usou sua 12th pick em um QB que muita gente colocava na segunda rodada... 30 picks antes de Colin Kaepernick. Agora que tirei isso do meu peito, vamos ver exatamente o que Ponder mostrou nesses dois anos de NFL.

(Tangente rápida: Foi uma estupidez na época pegar Ponder tão alto, mas supondo que tivessem pego Kaepernick na segunda rodada, quão devastador seria um read option entre Kaepernick e Adrian Peterson, de 1 a 10? 13? 15? 22?)

Na primeira temporada, como calouro, Ponder foi simplesmente horrível. Seu QBR foi de 33.7, 36th na NFL e sua produção total foi ainda pior (45th entre 47 QBs), enquanto o ataque aéreo ajustado da equipe foi o quinto pior da Liga. Temporada passada, Ponder melhorou consideravelmente sem necessariamente ficar bom: 17th em QBR (um pouco-acima-da-média 53.6) e 21st em produção. Ele não foi bom, mas com certeza não foi horrível como na sua temporada de calouro, certo? Bom, vocês não vão acreditar nisso, mas eu tenho algumas ponderações sobre o assunto. A questão é a seguinte: QBR é uma medida de eficiência dentro de um contexto. Ela basicamente coloca o QB dentro da situação de um time e mede o quanto suas jogadas aumentaram ou diminuiram as chances de vitórias. É uma excelente medida de quão bom um QB está sendo dentro de um determinado esquema de jogo, mas é um pouco complicado quando tiramos o QB desse contexto. Pense Alex Smith, por exemplo: ele terminou a NFL no sétimo lugar em QBR, na frente de Drew Brees. Isso não significa que Smith seja melhor do que Brees nem por um segundo, mas isso significa que dentro da situação muito confortável que o 49ers ofereceu a ele, ele executou as funções que precisou (tomar conta da bola, evitar turnovers, conseguir um alto aproveitamento em passes curtos, controlar o relógio, etc) quase a perfeição, enquanto Brees não conseguiu oferecer ao Saints as mesmas condições de vitórias precisando fazer muito mais (sem jogo terrestre, defesa horrível, etc). QBR é uma excelente estatística, mas como todas, é importante saber o contexto de cada uma.

No caso de Ponder, isso significa que ele também teve um papel decente dentro de um contexto muito confortável, com uma sólida defesa e Adrian Peterson fazendo boa parte do trabalho sujo. Ou seja, em um time que teve um dos melhores RBs de todos os tempos correndo para 2000 jardas, uma sólida linha ofensiva, Percy Harvin sendo sensacional por nove jogos, e uma boa defesa, Ponder foi basicamente um QB que pouco aumentou as chances de vitória da sua equipe mas que pelo menos não atrapalhou (50 em QBR seria o "neutro"). Ele foi bem na sua função de não cometer muitos erros, acertar passes curtos para Harvin e Rudolph na red zone (onde ele foi bem, btw) e fazer um monte de handoffs para AP. Mas considere o seguinte: seus três melhores jogos em QBR vieram em jogos onde Peterson correu para 171, 212 e  199 jardas e Ponder não precisou não precisou passar de 220 jardas em nenhum deles (no que passou? Seus três TDs foram para 3, 2 e 8 jardas). Seu melhor de todos foi uma vitória contra o Rams na qual AP mandou 212 jardas e Ponder passou para 131 jardas (com seu passe mais longo sendo de 14 para... Wait for it... Adrian Peterson!) e nenhum TD (correu para um de uma jarda). E seus piores jogos vieram nas partidas onde foi obrigado a passar 25, 35, 43 e 52 vezes porque estiveram atrás do placar. Então embora seja jovem e possa evoluir, basicamente é isso que Ponder é hoje: um game manager capaz de evitar erros, evitar a pressão (underrated saindo do pocket) e tomar boas decisões nas situações certas mas que não consegue produzir contra quando exigido contra uma defesa montada contra o passe. Ele é basicamente alguma coisa entre um Alex Smith piorado e um Alex Smith muito piorado (7th em QBR mas 10th em produção para quem quiser comparar). 

E o problema é o seguinte: Ponder não consegue passar a bola de forma produtiva, e já estabelecemos que é muito difícil que ele tenha 200 jardas de ajuda toda rodada do Peterson. Ainda que para o futuro próximo o ataque aéreo deva continuar sendo secundário ao ataque terrestre e seu MVP, o fato é que o time também vai precisar passar mais a bola se quiser manter o ritmo no ataque, e eu estou pessimista. Ponder é um dos piores QBs da NFL passando a bola em profundidade (passes que viajam 20+ jardas) e sua principal jogada era passar a bola para o Percy Harvin e deixar o camisa 12 se virar, o que vai ser mais difícil porque Harvin foi para Seattle. E para compensar sua falta, o time trouxe... Wait for it... um jogador de velocidade cuja principal características são as jogadas de profundidade, é claro!! E se as lesões de Harvin preocupavam a equipe, o que falar de Greg Jennings, que perdeu oito jogos temporada passada e mais três vindo do banco por estar limitado? Basicamente trocou um WR com problema de lesões que era o complemento perfeito para um passador de braço fraco por um WR com problemas de lesões cuja principal força é exatamente o que seu QB não consegue fazer. Mesmo com a chegada do extremamente cru e talentoso Cordarelle Patterson (uma péssima pick que custou caro demais, btw), a perda de Harvin e a regressão natural de Peterson devem ser suficientes para derrubar ainda mais um ataque aéreo que já foi fraco temporada passada, e sem 2000 jardas terrestres para sustentar a expectativa é que esse ataque caia consideravelmente de produção. A não ser que o Vikings seja o primeiro time da história da NFL a ter um ratio de corridas-passes perto de 400.

A boa noticia é que a defesa da equipe deve melhorar um pouco. Ela não foi tão boa assim em 2013, 21st overall, mas o fato é que ela foi boa no jogo terrestre (7th overall) mas desastrosa no jogo aéreo (24th). Com duas escolhas de primeira rodada (ignorando um instante as picks jogadas fora para pegar Patterson quando ele deveria cair), você provavelmente vai sair do Draft com dois bons jogadores para entrar e jogar logo de cara. O primeiro foi Shariff Floyd, um DT que era cotado por muitos como uma potencial terceira escolha de Draft e que de alguma forma caiu até a 23rd pick. A posição não era exatamente uma necessidade da equipe, a unidade de 2012 era sólida com Kevin Williams e Letroy Guion fechando o meio da linha defensiva, mas Williams já tem 32 anos e Floyd foi uma opção interessante para o futuro e para dar um pouco mais de rotação a esse grupo. Floyd é um jogador muito físico pelo interior que pode oferecer maior potencial no médio prazo enquanto mantém os titulares frescos pegando alguns snaps deles, ou mesmo arrancar uma vaga de titular ao longo do ano. A opção mais provável a curto prazo é que seja um jogador de rotação, mas já solidifica um bom grupo de Minny.

A secundária é um problema, e foi para ela que a equipe trouxe sua outra escolha de primeira rodada. O time perdeu possivelmente seu melhor jogador de secundária em Antoine Winfield, que pulou para Seattle, e trouxe Xavier Rhodes para seu lugar. Eu confesso que não sou o maior fã de Rhodes, é o tipo de CB maior fisicamente que ficou popular com o sucesso de Richard Sherman em Seattle (cof Aderall cof) mas que provavelmente teria caido mais algumas rodadas dois anos atrás (Sherman caiu até a quinta). Mas era uma posição de necessidade, especialmente com a saída de Winfield, e então o time mordeu no que eles tinham como mais bem cotado. Então sim, era uma necessidade, mas não soluciona o problema: a equipe teve problemas para criar pass rush fora de Jared Allen, e foi particularmente atroz contra WRs #2 (na verdade, foi o pior da NFL nisso). A chegada de Rhodes ainda não soluciona a falta de um bom segundo CB na equipe, e embora o calouro Harrison Smith tenha mostrado bastante promessa temporada passada, o grupo conta ainda com muitas peças de reposição abaixo da média. A defesa base de Minny é 4-3, naturalmente menos agressiva que a 3-4, e a falta de um pass rusher para fazer par a Jared Allen sem dúvida tem atrapalhado a secundária também, mas tendo trocado as calças para subir e pegar Petterson no Draft a equipe perdeu a chance de usar uma pick melhor em um DE (porque não pegar Petterson ou outro do profundo grupo de WRs desse Draft na segunda rodada, e então usar suas escolhas de terceira para reforçar o pass rush?). Ent ão embora Rhodes deva amenizar a perda de Winfield, a expectativa maior de melhora da secundária passa por um eventual aumento da pressão que Floyd seja capaz de criar (a não ser que a equipe tenha trazido Desmond Bishop de Green Bay pra usar uma formação mais agressiva com seus LBs em blitzes. Mas ai é especulação).

Eu confesso que estou cético em relação ao que o Vikings fará em 2013. Eles foram um time de 8.8 vitórias por Pythagorean Expectations que terminou 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola (o que derrubaria seu record para 8-8). Além disso, foi uma temporada que se beneficiou imensamente do ano histórico do Adrian Peterson que ele dificilmente repetirá, exigindo mais presença e performances de Christian Ponder, que ele ainda não mostrou ser capaz de fazer. A defesa deve evoluir um pouco, mas não o suficiente para compensar a queda do ataque, tanto a natural como aquela gerada pela perda de Harvin. 

O lado bom é que a equipe ainda tem o melhor RB da NFL e, embora a história do Vikings ser um time "jovem" seja um pouco exagerada (entre seus principais jogadores não-calouros, os únicos que ainda estão em começo de carreira são Ponder, Kalil e talvez Smith), uma evolução de Ponder possa mitigar um pouco todos esses efeitos e aproveitar melhor a troca Harvin por Jennings. O calendário do ano passado foi o quinto mais difícil da NFL, e a expectativa desse ano é que esse número caia um pouco sem a NFC West no seu quintal (embora a NFC North deva ser melhor esse ano. Esperem o preview de segunda), e em geral a equipe tem alguns bons talentos. Mas em uma brutal NFC, o Vikings é um dos principais candidatos a regressão e minha expectativa é que a equipe caia para algo como 8-8 nessa temporada, possivelmente até menos dependendo de como Ponder lidar com uma maior responsabilidade no ataque. Mas 8-8 está bom por enquanto, a não ser, é claro, que Peterson seja de Kripton e não esteja sujeito a todas essas tendências e estatísticas que discutimos hoje. Não descarte essa hipótese.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os calouros, oito meses depois...

Como costumamos dizer, é muito difícil avaliar um QB quando ele está saindo do College. São dois mundos totalmente diferentes e o tipo de jogo da NFL é totalmente diferente da NCAA. Por isso, sucesso em um deles não necessariamente quer dizer sucesso no outro, enquanto temos QBs como Tim Teb... Droga, QBs como Troy Smith ganhando Heisman Trophys e sem emprego na NFL e temos QBs draftados na sexta rodada sendo MVPs da NFL (Talvez o nome de Tom Brady seja familiar). O jogo da NCAA geralmente oferece ao QB  mais tempo, um jogo mais físico, defesas menos agressivas e nele um fundamento pra QBs é a habilidade de sair do pocket e correr com a bola ou passá-la em movimento, enquanto na NFL ele tem que conseguir ler defesas, passar com precisão dentro do pocket e estar preparado para uma defesa mais física, muito mais rápida e que consegue cobrir distâncias com facilidade. Como os WRs na NCAA conseguem geralmente mais espaço, muita precisão não é chave, mas na NFL é.

A grande maioria dos analistas no College avalia os QBs com base em dois critérios principais: Número de jogos jogados no College e porcentagem de passes completos. Como eu sempre digo, estatísticas dependem das circunstâncias, então não adianta acertar 75% dos passes se eles são todos de cinco jardas. Mas a grosso modo, essas são as duas varáveis principais, e existe até algumas estatísticas que levam elas em conta para achar um "Rating" para os QBs. Mas além disso, existe uma infinidade de fatores que também são considerados: O quanto ele está pronto pra jogar, seu potencial a longo prazo, força do seu braço, adequação do seu estilo de jogo ao time, capacidade de ler defesas e chamar jogadas e, por fim, o chamado "intangíveis" (Recomendo esse post que trata sobre o assunto logo no primeiro jogo). Antes do Draft, os jogadores são avaliados de acordo com os critérios que cada time acha relevante e acabamos traçando "perfis" dos jogadores. Agora, oito meses e 10 rodadas depois, vamos dar uma olhada em como estão esses QBs e se eles corresponderam às expectativas (Por ordem de escolha, com os records atualizado até a semana 11).


"Ao infinito e além!"

Cam Newton, 1st pick (1st round), Carolina Panthers (2-8)

Cam Newton foi a primeira escolha de todo o Draft e chegou desacreditados por muitos (Eu!) pra ser escolhido tão alto. Newton se deu muito bem na NCAA com sua habilidade de correr com a bola e seu braço forte, e todo mundo sabia que seu potencial saia pelo teto de tão grande caso pudesse desenvolver na totalidade suas habilidades. O problema é que ele sempre deu mostras de ter alguns problemas de comportamento, nunca foi o jogador mais esforçado do mundo fora de campo e sempre confiou demais nas suas habilidades naturais, as vezes desdenhando da necessidade de treino. Essa trilha geralmente é um caminho para o fracasso na NFL: Muitos jogadores (especialmente QBs, a posição mais difícil da NFL) chegam na NFL do Draft com toneladas de potencial, mas com uma má atitude. Esses jogadores muitas vezes não treinam com tanto afinco, deixam de desenvolver suas habilidades ao fazerem essa transição tão difícil porque não gostam de treinar ou porque confiam que são bons o suficiente, não viram líderes dentro do elenco e descobrem que as habilidades que antes funcionavam não eram suficientes para a Liga. As vezes, tarde demais. É o caso de jogadores como JaMarcus Russell ou, uma comparação melhor a meu ver, Vince Young, que chegou muito bem, foi Calouro do Ano e capa do Madden, mas se afundou em problemas pessoais, não aceitava erros, nunca foi um líder no time e agora é reserva do Eagles. O talento estava lá, o potencial também, mas também estava lá um ingrediente para jogar tudo isso pela janela, e por isso sua escolha foi bem arriscada.

Até agora, ele está mostrando o que esperávamos dele, mas também está mostrando muito mais. Chegou na Liga causando estrago, passando pra 400 jardas e 3 TDs, correndo com a bola e ressuscitando a carreira do Steve Smith. Mostrou seu braço forte, mostrou que seus treinos na offseason com outros QBs (um bom sinal) deram resultado, ele muitas vezes mostrou grande precisão e compensou com as pernas a falta de habilidade dos seus bloqueadores. Mesmo incapaz de levar seu time a vitórias (E vamos e venhamos, o time é muito ruim, ainda mais sem o Jon Beason), suas habilidades, seus números (O que sempre é perigoso, ainda mais hoje em dia...) e seu estilo de jogo eletrizante logo chamaram a atenção de todo mundo que gostava de NFL. Ou seja, deu mostras do seu grande talento e deixou todo mundo babando e com gosto de quero mais.

O que era, desde o começo, o problema! Um grande talento que poderia ser desperdiçado caso não soubesse evoluir seu jogo, lidar com as derrotas que inevitavelmente vêm com um time fraco, lidar com o mundo de diferentes experiências de sucesso e fracasso que você inevitavelmente vai enfrentar jogando na NFL. Lidar com tudo isso não é fácil, e a imaturidade ou cabeça fraca de um jogador talentoso pode acabar com sua carreira. Por mais que sua espetacular produção tenha surpreendido todo mundo e sido até mais do que nós esperávemos conseguir logo de cara mesmo com o talento dele (Ele tem decaído de produção nas últimas rodadas, mas isso é normal, os times começam a se armar pra pará-lo cada vez mais), e ele mostrou que está mais pronto que imaginávamos. Mas o script de antes do Draft ainda está valendo. Vimos seu incrível talento e seu potencial, mas ainda estamos por ver como ele vai lidar com tudo que está por vir, se vai continuar treinando e evoluindo seu jogo, se vai saber lidar com as diferentes facetas de ser um jogador da NFL e consolidar seu talento de uma vez por todas. A forma como se portou após a derrota para o Falcons, quando jogou muito mal, é um bom indicador positivo: Não desanimou, deu a volta por cima e teve um grande jogo na semana seguinte. Se ele conseguir continuar assim e nunca desistir, esse cara vai longe. Agora, estou convencido de que o Panthers fez a escolha certa no Draft.


"O que? Oitava escolha? Tem certeza que foi da primeira rodada?"

Jake Locker, 8th pick (1st round), Tennessee Titans (5-5)


Ao contrário de todos os outros QBs selecionados na primeira rodada, Jake Locker teve uma vantagem logo de cara: Ele foi o único selecionado pra um time com a conjuntura adequada para deixá-lo treinar e evoluir sem precisar entrar em quadra. Eu preciso falar que sempre gostei muito do Jake Locker no College e sempre achei que ele ia ser um baita Quarterback na NFL. Se tivesse saído do College em 2010, provavelmente teria disputado com o Sam Bradford a primeira escolha do Draft (e ganho), de tão grande que era o hype em cima dele e de tão bem que ele vinha jogando. Mas ele preferiu voltar para sua temporada de Senior em Washington, onde ele sofreu uma lesão no começo do ano e jogou o resto da temporada machucado, tendo uma temporada mais fraca e perdendo muito valor no Draft. Pra mim, ele tinha muito valor, e uma temporada machucada onde ainda assim levou seu time a um Bowl pra mim é porque ela tem algum valor. Mas muitas pessoas diziam que ele não iria se dar bem na NFL porque não era um grande passador de dentro do pocket, não tinha a precisão adequada. Tudo isso com base nesse último ano.

De certa forma, eu até concordava, pelo menos no curto prazo. Sua falta de precisão provavelmente iria atrapalhar seu jogo no começo e o ideal para ele seria achar um time que já tivesse um QB veterano para ser o titular, onde ele poderia treinar na reserva sem a pressão e com um mentor mais velho que lhe ensinasse os fundamentos. O Titans não tinha isso, mas a diretoria de lá foi bastante competente: Logo assinou com o veterano (e meu QB favorito uns anos atrás antes das lesões) Matt Hasselback e deu ao careca a titularidade da equipe. Pra mim isso foi perfeito pro calouro porque era exatamente do que ele precisava, e assim Locker ficou a temporada quase inteira fora das quadras, se preparando e melhorando seus fundamentos, desenvolvendo seu talento. O problema disso é que não tivemos muitas chances de vê-lo em quadra para avaliar o que ele tem pra oferecer, tirando no jogo contra o Falcons. Quando Hasselback machucou e o calouro entrou, ele anotou dois TDs e quase liderou seu time à vitória numa ótima partida, deixando os torcedores otimistas. Um pouco de experiência deve ter feito bem a ele, mas eu acho que ainda não está na hora dele. Se Matt estiver saudável, provavelmente vai voltar a ser titular. Eu só posso dizer que o Titans está fazendo tudo certo nesse quesito e que o Locker tem tudo pra ser um grande QB daqui a alguns anos.


O melhor cosplay de Encantado de toda a NFL

Blaine Gabbert, 10th pick (1st round), Jacksonville Jaguars


Ao contrário do Jake Locker, que foi Draftado por um time de excelente conjuntura pra ele se desenvolver, Blaine Gabbert caiu na situação diametralmente oposta, num time que teve um dos piores planejamentos que eu vi em muito tempo. O time trocou sua 16ª escolha com o Redskins pela 10ª pra poder pegar o Gabbert, que disputava com o Newton o posto de "Melhor QB do Draft" antes do dito cujo. Eu nunca me convenci que o Gabbert merecia isso, mas achei que ele podia ser um bom QB com algum treino. Um dos problemas com essa classe de Quarterbacks é que eram poucos aqueles que estavam prontos pra entrar e jogar, e embora tivéssemos vários jogadores com potencial (Palavra perigosa...) não são todos os jogadores que conseguem realizar seu potencial na NFL, um dos motivos pra essa classe de QBs ter sido tão desacreditada. O Gabbert tinha talento e com treino poderia ser um sólido QB titular (Nunca achei que ele poderia chegar a ser um QB de elite, mas sempre achei que podia ser um bom jogador).

O Jaguars draftou ele com a mentalidade certa. O Jaguars tinha uma boa defesa, um bom RB e o David Garrard de QB, era o caso de deixar o Gabbert treinando no banco um pouco antes de dar a ele a posição de titular. Estava tudo certo até o momento que o time dispensou o David Garrard antes da temporada começar, que foi a pior decisão pós-lockout da NFL. O Jaguars tirou seu QB titular, que era bom, e deu o comando do time ao Luke McCown que só está na NFL atualmente porque tem um nome legal. O McCown foi uma droga, o time só perdeu com ele e aí o time fez o que deveria ter evitado desde o começo, colocou o Gabbert no sufoco pra tentar salvar sua temporada. Ou seja, dispensou seu veterano titular que deveria ter sido o mentor do Gabbert, colocou um reserva horrível, que foi pro banco colocar o calouro no fogo aos zero minutos. Gabbert entrou muito cru, sem jogo de pernas, sem algumas noções básicas e jogando com recebedores horríveis e uma péssima linha ofensiva. Tirando o Maurice Jones-Drew, não recebeu nenhum tipo de ajuda. Ou seja, a decisão do time de dispensar o David Garrard foi horrível, acabou com o calouro logo de cara, acabou com a temporada do time e nem sequer serviu pra evoluir sua escolha de primeira rodada!!

Eu ainda não desisti do Gabbert e acho difícil dar um parecer sobre ele enquanto ele não jogar num ataque relativamente decente, com uma linha que lhe de tempo e WRs que se desmarquem e segurem a bola. Ele tem evoluido lentamente desde que assumiu como titular, mas ainda está longe de jogar bem, completa poucos passes, não arrisca bolas longas e as vezes tem problemas com a leitura da defesa. Difícil culpar só ele por isso tudo, a conjuntura que ele pegou foi a pior possível, mas que ele tem sido o QB que menos tem mostrado até aqui é verdade. O Jaguars devia dar um pouco mais de liberdade pra ele nesse final de temporada já que tudo foi pro lixo mesmo, deixar ele tentar passes mais longos e tudo mais. Espero que em 2012 o Jaguars volte com um plano - e um ataque - melhores pra tentar salvar seu investimento.


Christian Ponder encontra um amigo



Christian Ponder, 12th pick (1st round), Minnesota Vikings (2-8)


Eu preciso confessar que nunca coloquei muita fé no Christian Ponder. Achava ele atlético, com uma boa precisão, mas não colocava fé que ele seria capaz de se adaptar totalmente à NFL. Ele tinha alguns problemas de leitura desde o College e muitas vezes colocava a bola ao alcance dos defensores adversários, faltava a ele o controle de bola pra fazer ela passar em coberturas apertadas (Quem viu o primeiro jogo contra o Packers viu isso perfeitamente, suas duas interceptações vindo em passes muito baixos e fracos que ficaram ao alcance do defensor, quando passes mais altos e com mais rotação provavelmente teriam acertados seus alvos). Achei que ele poderia vir a ser um jogador decente, mas nada que justificasse uma 12ª escolha.

Até aqui, isso tem se mostrado correto. Seus problemas de leituras de defesas continuam, seus arremessos continuam sem mostarda e, embora alguns fundamentos como jogo de pés tenham melhorado (já eram bons), ele continua tendo problemas com sua precisão. Ponder é outro QB que se beneficiaria de uma temporada no banco treinando, mas como a experiência Donovan McNabb não deu certo e eles estão loucos pra mostrar pro Adrian Peterson que eles tem condições de oferecer a ele um time competitivo. Ai o Ponder entrou e tem mostrado ao mesmo tempo a habilidade e a precisão (sem falar na habilidade atlética), sua dificuldade de tomar decisõs rapidamente e ler defesas, além dos passes que flutuam demais para o nível da NFL. Algumas coisas ele vai melhorar com a idade e com treino, outras eu acho que simplesmente fazem parte do seu jogo e não vão evoluir. Ainda não acho que valeria uma 12th pick.


Nem bem chegou e nosso querido Red Rifle 
já tem um dos melhores apelidos da NFL

Andy Dalton, 35th pick (2nd round), Cincinnati Bengals (6-4)



Andy Dalton era considerado o Quarterback mais "pronto" desse Draft, ou seja, um jogador cujos fundamentos e habilidades já estavam moldados próximos ao nível da NFL e portanto seria a melhor escolha pra chegar e já entrar de titular, sem necessidade de um período muito longo de adaptação básica pra treinar fundamentos. Por isso foi escolhido pelo Bengals, um time com uma boa defesa e que achava que só estava a um QB (que não fosse o Carson Palmer) de competir. A defesa não é mais tão jovem, então como não queriam esperar um QB que fosse se desenvolver lentamente, acharam melhor escolher o QB que mais estivesse pronto pra entrar e chegar jogando desde o primeiro dia com o excelente AJ Green.

E o Andy Dalton ao mesmo tempo tem obedecido fielmente ao script de antes do Draft e tem surpreendido todo mundo. A análise do Dalton é que ele era um jogador muito polido, que podia entrar e jogar desde o começo, mas que também não tinha muito espaço pra ter grandes evoluções, tirando pequenas cosias (experiência, leitura de defesas, etc) que vem com o tempo ele tinha poucas falhas que poderiam ser corrigidas com treino. Ao mesmo tempo esse grande preparo era o seu ponto forte, porque dava uma opção imediata ao time que o Draftasse, e seu ponto fraco, porque seu potencial era mais limitado que o dos outros, o motivo dele ter caido até a segunda rodada mesmo sendo melhor que o Ponder, por exemplo. Pelo que eu vejo do Dalton, esse é exatamente o caso, um QB muito sólido, com bons fundamentos e muito inteligente que tem pouco espaço para sofrer grandes crescimentos, como é o caso por exemplo do Cam Newton. O que você vê é o que você tem, e pronto.

Na verdade, as vezes esse tipo de escolha até é mais valiosa do que uma escolha de um jogador cru mas com grande potencial. Jogadores assim são uma incógnita, jogadores como Dalton são uma certeza. As vezes os times se deslumbram por esse potencial e pegam um jogador que não lhes da retorno nenhum, como por exemplo o Jamarcus Russell. Claro que depende muito da escolha na qual você se encontra e das outras opções disponíveis, mas as vezes é melhor garantir alguma coisa do que pegar um investimento de alto risco. Eu achei que o Bengals errou ao pegar um QB no Draft ao invés de buscar algum no mercado porque isso garante um compromisso a longo prazo e eu não sei quanto mais essa defesa vai ficar nesse ritmo e junta (Problema que o Raiders solucionou oferecendo duas possíveis escolhas de primeira rodada pelo Carson Palmer, absolutamente TUDO que o Bengals precisava pra fazer sua aposta dar muito certo). Mas a verdade é que o "básico" que o Dalton trouxe acabou sendo ainda melhor do que o esperado. Que ele estava pronto e dificilmente evoluiria a grandes passos a gente sabia, mas não imaginava que ele seria tão bom. Ele as vezes força jogadas e tem muitas interceptações, mas isso é comum pra um primeiro ano, até porque essa parte é exatamente o que ele ainda pode evoluir na NFL. O Dalton ao mesmo tempo acabou saindo exatamente o que se esperava e ao mesmo tempo melhor do que se imaginava.


"Olha como e sei lançar, professor!"


Colin Kaepernick, 36th pick (2nd round), San Francisco 49ers (9-1)


Não há muito a falar do Colin Kaepernick, um Quarterback atlético e com braço forte que chegou totalmente despreparado à NFL depois de jogar no College usando o sistema Pistol, uma variação do Shotgun (Aos torcedores do Chiefs e fãs hardcore de NFL, foi o esquema que o Chiefs usou na reta final de 2008 quando o QB foi o Tyler Thigpen). O Jim Harbaugh gostou do garoto, o 49ers o escolheu e ele tem treinado na sombra do Alex Smith pra de repente ser o Quarterback do futuro. Como ele só jogou dois minutos, é difícil avaliar algo sobre ele. Só sei que eu confio na avaliação do Harbaugh e que vamos ter que esperar pra ver o que vai sair dai.


Ryan Mallett mostra seu lado Heavy Metal


Ryan Mallett, 74th pick (3rd round), New England Patriots (7-3)


Melhor definição que eu li sobre o Ryan Mallett foi o que alguém (desculpe, não lembro quem!) no twitter: "Ele tem o talento do Joe Montana e maturidade de um personagem de Malhação". Claro que as comparações são exageradas, mas foi uma das melhores que eu já vi!! Além disso, ela pega bem a essência do Mallett: Tem muito talento pra ser desenvolvido, tem tudo pra ser um grande jogador mas ainda é muito cru e precisa de treino, mas não gosta de treinar, não leva seus deveres a sério e prefere ficar festando e comemorando do que se dedicar ao seu jogo, além de confiar demais nas suas habilidades. Se o Bill Belichick conseguir colocar ele na linha e ele treinar alguns anos atrás do Tom Brady, ele pode se desenvolver e ser um bom jogador.



Vendo agora, essa classe de novatos acabou gerando alguns bons jogadores e outros interessantes pro futuro. Cam Newton tem tudo pra ser um superstar e o Andy Dalton pode ser um QB de playoffs no time certo (que o Bengals tem tudo pra ser com quatro escolhas de primeira rodada em dois anos), e Ponder e Gabbert ainda tem um potencial interessante. Além disso, Locker, Mallett e Kaepernick ainda podem virar alguma coisa porque estão na melhor situação possível. A descrença dessa classe de novatos vinha do pouco número de QBs prontos e confiáveis, mas pode acabar gerando mais QBs titulares do que qualquer classe dos útlimos cinco anos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Pensamentos rápidos da semana 7 da NFL

Já que esses posts são curtos e os leitores tem aprovado, vou continuar com ele enquanto der. Os assuntos importantes (o dessa semana é quase tabu...) ficam pro meio da semana, e a gente aproveita o final e o começo da semana para os posts curtinhos.

Essa semana 7 da NFL foi, na boa, um horror. Pelo menos pros meus palpites, foram só seis certos, com ajuda de um bando de zebras e um bando de times ruins simplesmente sendo ruins. Vamos aos comentários dos jogos da semana 7.


Washington Redskins 20 at 33 Carolina Panthers
Já estava ficando com saudade do John Beck (Mentira). Até que ele não teve um jogo muito ruim, mas mostrou o que todo mundo já sabia: Que ele não tem condições de ser um titular na Liga. E o Redskins ainda perdeu seu RB titular (Tim Hightower) pro resto da temporada e seu melhor Wide Receiver (Santana Moss) por sete semanas. E o John Beck é o QB titular. A temporada 2011 do Redskins acaba de ser morta e enterrada.

Tangente rápida do jogo número 1: Mais 145 jardas para o Steve Smith, que já chegou a 818 (!!!) na temporada. Incrível como dois anos de Jake Delhomme e Matt Moore fizeram todo mundo esquecer de como esse cara era um dos melhores WRs da Liga. A chegada do Cam Newton realmente ressuscitou o pobre Smith, mas o Newton tem que agradecer muito ao Steve, ta sendo um alvo valiosíssimo pra ele. E tinha gente que achava que o Steve Smith do Giants ia tomar o posto de melhor Steve Smith da NFL...

Tangente rápida do jogo número 2: Existe algum técnico que odeie mais Fantasy Football do que o Mike Shanahan? Depois de anunciar semana passada que seu titular seria o Hightower e fazer muita gente escalar o cara no Fantasy, Hightower não tocou na bola UMA vez na semana 6, com o Ryan Torain tendo todo o trabalho - e os pontos. Depois do jogo, disse que Hightower só voltaria a ser usado quando estivesse 100% recuperado e que até lá Torain ficaria com o cargo. Claro que nessa semana, Torain só tocou na bola depois que o Hightower machucou. Ele adora trocar o seu RB titular.. Só pode ser birra contra o Fantasy. E pra quem se interessar, recomendo um ótimo texto do Dave Dameshek da nfl.com que eu postei aqui no blog muito tempo atrás, é só clicar aqui.


Seattle Seahawks 3 at 6 Cleveland Browns
Ta bom que os times são fracos e que eu esperava um jogo bem feio, mas isso é um exagero... Nove pontos? Sério? Chegou bem perto daquele famoso 3-0 que o Steelers fez contra o Dolphins em 2007, mas aquele jogo pelo menos teve a desculpa de uma chuva absurda, a partida foi disputada num campo de lama. Teve até um punt que afundou no chão ao invés de quicar!

Mas Hawks e Browns? Jogo foi feio mesmo. O 49ers vai ter o título de divisão mais fácil de 2011...


Atlanta Falcons 23 at 16 Detroit Lions
Pro Lions, era o jogo pra se recuperar de uma dura derrota e se recompor. Para o Falcons, era a chance de embalar de vez depois de um começo de temporada bem ruim. E o Falcons acabou prevalecendo. Mas duas cosias me chamaram a atenção nesse jogo. Primeiro, que o Lions foi um time nervoso durante todo o jogo. Um time jovem vindo de uma dura derrota na qual seu técnico se descontrolou e sem seu RB titular, até que não é de se surpreender, mas se o Lions quiser dar o próximo passo tem que aprender a passar por cima disso. Muitas faltas bobas, uma certa falta de confiança e muito descontrole emocional estavam explícitos no jogo do time, especialmente na polêmica jogada que acabou com a lesão do Matt Ryan.

Segundo, que o Falcons finalmente está achando sua identidade no ataque. Tudo bem, a defesa foi muito bem e impediu que o Matthew Stafford completasse 50% dos passes, mas o ataque finalmente achou uma forma eficiente de jogar: Correr primeiro, explorar os passes curtos, de forma a abrir a defesa pras bolas longas O Tony Gonzales ainda é o recebedor mais confiável do time e explorar ele nas rotas médias é mais eficiente do que ficar apostando nas bolas longas o tempo todo. Além disso, esse estilo de jogo consome mais tempo e mantém sua fraca defesa menos exposta e mais descansada. Foi mais ou menos o que o Patriots fez ano passado... Só que o Tom Brady é melhor que o Matt Ryan.


Denver Broncos 18 at 15 Miami Dolphins
O Dolphins fez um touchdown para levar o jogo para 12 a 0 no quarto período quando, ao invés de chutar um extra point, tentou uma conversão de dois pontos, sem sucesso. O jogo acabou 15 a 15 no tempo normal. Um extra-point teria vencido a partida para o Dolphins. Tudo bem que eles não tinham como saber disso, mas pra que diabos você tenta fazer o difícil com um ataque patético? Ah sim, Andrew Luck. Eu esqueci.

Por falar nisso, difícil ignorar o Tim Tebow nessa rodada. Acho que ele é o jogador mais polarizador de atenções que eu já vi nos últimos 10 anos na NFL. O que é até engraçado numa Liga de mascarados, mas o fato é que os jogadores em si chamam pouca atenção fora de campo, o que não acontece com o Tebow. Ele jogou mal por 55 minutos, prejudicado pelos fracos recebedores depois da troca bizarra do Brandon Lloyd e pela linha ofensiva que deixou o mundo ir atrás dele. Mas ele não soube se posicionar bem, teve problemas lendo blitzes e errou muitos passes completáveis. Mas aí nos últimos cinco minutos ele liderou duas campanhas pra 140 jardas e 2 TDs, converteu com toda a calma uma two-point conversion pra empatar o jogo e levar a partida pra prorrogação. Diga o que quiser de Tim Tebow, mas ele é um gamer. Ele sabe aparecer quando o momento exige, e faz tudo que for possível para vencer. Ao contrário do Miami Dolphins.


San Diego Chargers 21 at 27 New York Jets
Como o Bill Simmons me lembrou, eu cometi um grande erro ao apostar no Chargers para esse jogo. Era um jogo bastante a favor do Chargers, mesmo fora de casa. Mas que time perdeu mais jogos ganháveis do que San Diego nos últimos anos? E que time ganhou mais jogos aos trancos e barrancos que o Jets nos útlimos dois anos e meio? Era só somar os dois, mas eu me esqueci disso. Sinto muito, sinto muito...

Um último comentário: O Chargers é um bom time, que consegue muitas jardas mas sempre vacila na hora H. Esse ano, não está diferente, especialmente por causa da má temporada do Phillip Rivers. Ele parece jogar sem confiança, como se estivesse com medo de alguma coisa, e está deixando passes pendurados cada vez mais. E ele precisa parar de falhar nos lances chaves - alguma situação ilustra melhor o Chargers do que o Rivers num jogo com 400 jardas mas duas interceptações na red zone em uma derrota por uma posse de bola?



Chicago Bears 24 at 16 London Tampa Bay Buccaneers
Pela segunda semana seguida, o Bears pareceu um time forte de verdade, e se o Bears sonha com alguma coisa essa temporada, é graças ao Matt Forte. Ele não é o melhor jogador da Liga nem o melhor RB, mas nenhum outro RB hoje é tão fundamental para o ataque do seu time como o Forte. Ele é responsável por mais de 50% das ações ofensivas do seu time, seja correndo ou recebendo. O fato é que o Bears é um time muito melhor quando corre primeiro, corre em segundo e passa em terceiro (para o Forte, sempre). Isso libera o Jay Cutler pra trabalhar no play action, onde ele é mais eficiente. Isso garante terceiras descidas mais curtas, que não precisam de tanto tempo para o Quarterback. O Bears é um time mediano, mas tem vencido feio nos seus últimos jogos. O time está começando a vislumbrar a sombra de uma vaga na pós temporada...

E pela terceira semana seguida, o Bucs não sabe o que quer da vida. Uma hora o time está nervoso e apático, outra hora o time é genial e agressivo, depois o time volta a ficar anêmico... É normal esperar isso de um time tão jovem, mas está um pouco demais. O time teve várias chances de interceptar o Cutler ou colocar a bola na Red Zone, mas passes cairam, rotas foram erradas e, em resumo, o time errou em quase todos os fundamentos. O time é bom, mas precisa manter uma certa consistência. Perder jogos ganháveis para adversários diretos de Wild Card não vai ajudar o time.


Houston Texans 41 vs 7 Tennessee Titans
Um "duelo" de Running Backs. De um lado, o Arian Foster do Texans teve mais de 220 jardas entre corridas e recepções, além de três touchdowns. Do outro, o Chris Johnson do Titans teve 18 jardas em 10 carregadas. Adivinha que time ganhou? Pois é...

Aliás, com Andre Johnson com lesões e sem Mario Williams, o destino do Houston está nas mãos e nas pernas do Foster. Ele começou o ano com lesões, mas ontem lembrou todo mundo do que ele é capaz. Ele é um RB muito completo e dinâmico e que causa problemas para qualquer defesa. O jogo aéreo funcionou ontem mesmo sem o Johnson, o que é bom sinal, mas com ou sem o camisa 80 o Foster vai precisar manter o nível se o time quiser sonhar mais alto. Mas por bem ou por mal, a tocha de "Favorito para vencer a NFC South" voltou para Houston. E o Foster carregou ela até lá.

Enquanto isso, o Chris Johnson tem apenas 268 jardas em 93 corridas, uma média de 2,9 jardas por carregada. E pensar que tinha gente que queria pegar ele na frente do Adrian Peterson no draft da minha Liga de Fantasy...

Pittsburgh Steelers 32 at 20 Arizona Cardinals
Como o Zeca bem lembrou nos comentários, eu errei por 55 jardas a distância do touchdown do Mike Wallace. Mas por outro lado, eu tenho certeza absoluta que muita gente no Arizona está pensando "A gente trocou um Cornerback Pro Bowler e uma escolha de segunda rodada pelo Kevin Kolb e achamos que era uma boa ideia??" 50% de acertos. Nada mau, ainda mais depois dessa rodada...


Kansas City Chiefs 28 at 0 Oakland Raiders
O técnico Hue Jackson não sabia quem escalar essa semana, se o recém-contratado-que-não-sabe-o-playbook-e-não-joga-tem-oito-meses Carson Palmer ou o fraquinho Kyle Boller. Sabendo que teria uma semana pra cuidar disso, Jackson variou entre os dois nos treinos, ou seja, não preparou nenhum deles de verdade pro jogo. No primeiro tempo, Boller jogou e lançou três interceptações. No segundo, Palmer jogou e lançou três interceptações. Tudo que vocês precisam saber sobre o Raiders dos últimos nove anos.

Aliás, uma tangente rápida: O Chiefs é um time fraco, mas se vencer o Chargers em casa semana que vem (O Chargers que ama perder esses jogos...) e depois enfrentar a dificílima sequência de Dolphins e Broncos sem nenhuma surpresa... De repente o Chiefs está em boa posição pra tentar brigar pelo topo da divisão e até ir aos playoffs. Eu realmente estou considerando essa hipótese? Apresento a vocês a AFC West!


Saint Louis Rams 7 at 34 Dallas Cowboys
O bom calouro DeMarco Murray correu para 253 jardas, quebrando o recorde da Franquia que já foi de Tony Dorsett e pertencia a Emmitt Smith. Um bom resumo sobre a defesa do Rams.

Na verdade, o Murray é um bom jogador. No entanto, ainda é um calouro e que demonstrou uma facilidade incrível nessa partida. Uma atuação desse nível não é só mérito de um ou demérito do outro, mas vendo o jogo, da pra ver que a defesa do Rams foi realmente uma peneira e que ajudou muito os números do RB, o Murray é bom mas não tão bom assim... Deveriam descontar um fator pelo adversário antes de colocar o nome dele no livro de recordes. É que nem marcar 50 pontos contra o Warriors ou o Knicks, devia vir com asterisco do lado.

Tangente rápida: Algum time na NFL vai ter vida mais fácil até os playoffs do que o San Francisco 49ers? O Niners é um time de playoff que está 5-1. O melhor time da sua divisão está 2-4, o segundo 1-5 e até um bando de manés 0-6. Faltam 10 semanas na NFL e a diferença em termos de record do Niners pro seu perseguidor mais próximo são de 3 jogos, e em termos de jogo a diferença é ainda bem maior. Eu confesso que andei considerando a AFC West e a NFC East pro cargo, mas não tem pra ninguém: a pior divisão da Liga ainda é a NFC West. Além disso, o 49ers também tem um jogo ainda contra o Browns, um contra o Redskins e cinco contra a NFC West (sendo três em casa). Mesmo que o time perca de Ravens e Steelers, o Niners ainda tem totais condições de terminar 13-3 e conseguir uma folga na primeira rodada dos playoffs! (Estou esperando um email com o argumento "Seis vitórias contra times da NFC West deviam contar como três").


Green Bay Packers 33 at 27 Minnesota Vikings
O Packers ganhou, Aaron Rodgers teve um grande jogo, fora de casa e contra o melhor RB da NFL. Eu sei tudo isso. Mas mais uma vez, eu vi algumas fraquezas nesse time do Packers. A defesa do time já sofreu com os ataques de Panthers, Browns e Bears, e agora tomou uma canseira do Christian Ponder. É imperdoável deixar um calouro no seu primeiro jogo de titular converter 8 de 13 primeiras descidas. Além disso, o time permitiu que o Aaron Rodgers sofresse muita pressão o jogo todo, mas especialmente nos momentos decisivos no final da partida. Se o Ponder não fosse um calouro extremamente inexperiente que deu dois presentões pro Charles Woodson, o Vikings possivelmente teria saído com a vitória. Causa para pânico? Nem de longe, o ataque ainda é espetacular e o time é cheio de playmakers dos dois lados da bola. Mas uma pequena rachadura na armadura dos invictos campeões? Talvez...


Indianapolis Colts 7 at 62 New Orleans Saints
Uma patética performance do Colts acabou eclipsando uma excelente performance ofensiva do Saints, que empatou o recorde de mais pontos marcados por um time desde a fusão entre a NFL e a AFL. A atuação do Saints realmente foi espetacular e lembrou todo mundo de como esse time pode ser perigoso quando quer, e o Colts lembro todo mundo de que é muito ruim sem o Peyton Manning.

Aliás, comentaram no twitter e eu achei que valia a pena trazer para cá um comentário sobre a última escolha do Draft. Pra mim, o Colts tem o pior time da NFL, mas o Dolphins está se esforçando mais pra ficar com a última escolha do Draft. É difícil dizer qual deles vai acabar pior. O Dolphins teve a chance de ganhar essa rodada, mas deixou escapar por incompetência. O Colts simplesmente não consegue ganhar. Eu infelizmente não sei quem vai terminar pior, mas temos que aceitar a possibilidade dos dois times terminando 0-16 e a NFL criando sua primeira loteria da história do Draft. E assim como semana passada, eu estou apenas parcialmente brincando.


Baltimore Ravens 7 at 12 Jacksonville Jaguars
O Ravens perdeu mesmo para o Jaguars, não merece estar no top 5 do Power Rankings. Que o Niners suba para o terceiro lugar!!

Eu realmente confesso que não achei que fosse ver o Ravens sendo superado em força física por algum time que não o Steelers e talvez o Lions ou meu 49ers. A defesa do time foi sólida como sempre, mas o ataque continua com problemas sérios. O time ainda não achou um equilíbrio ou uma identidade ofensiva, o Ray Rice está soltando muitas bolas e o Joe Flacco simplesmente não está conseguindo fazer nada acontecer. O time não achou uma forma confortável pra jogar, as vezes corre mais do que passa e vice versa, o que é bom se o seu time está entrosado faz algum tempo mas pode matar times que ainda estão em formação. Além disso, falta uma jogada de segurança para as conversões importantes. Esse ataque estagnou depois de uma ótima apresentação na primeira semana, e se a defesa não conseguiu empurrar o time por cima do Jaguars, então temos um problema em Baltimore. No confronto entre os irmãos Harbaugh no dia de ação de graças, é possível que o melhor record seja do Jim. Levante a mão se você esperava isso antes da temporada. Se você levantou a mão, está mentindo.