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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Detroit Lions

Defesa esmagadora é o forte de Detroit



Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East, os previews da NFC East e também os previews da AFC North a para a temporada 2013 da NFL, começamos a falar da NFC North com o Green Bay Packers, seu maior rival Chicago Bears e o queridinho de 2012 Minnesota Vikings. Hoje terminamos a divisão falando do malfadado Detroit Lions. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Detroit Lions

2012 Record: 4-12
Ataque ajustado: 8th
Defesa ajustada: 24th


Parabéns! Chegamos a um dos momentos mais esperados e mais interessantes dessa série. Dê a si mesmo um high-five, abra uma cerveja e ligue para aquele seu amigo fã de NFL desinformado para apostar com ele que o 4-12 Lions vai terminar 8-8 ou acima temporada que vem. Só faça isso. Vai lá, eu espero.

(Insira música tema de Uma Mente Brilhante enquanto esperamos)

Apostou? Ótimo. Agora se dê outro high-five por tirar doce de criança, e outro só por via das dúvidas: é a aposta mais fácil de toda a temporada da NFL.

Durante todo essa série de previews, o foco sempre foi usar algumas ferramentas analíticas pouco conhecidas para poder analisar quais records tiveram grandes influências de fatores externos ou aleatórios, fora do controle da equipe, para poder saber qual foi realmente o nível de jogo da equipe na temporada que se carregaria para o ano seguinte, ao invés de começar nossas análises simplesmente pelos números de vitórias. Os mais usados indicadores foram Pythagorean Expectations, jogos decididos por uma posse de bola, dificuldade do calendário e porcentagem de fumbles recuperados, mas também temos usados em casos específicos coisas como apontar outliers historicamente insustentáveis em alguns dados, uma temporada particularmente brutal com lesões ou afins. E a questão aqui é a seguinte: você pode falar qualquer tipo de indicador, qualquer tipo de ferramenta analítica, e ela vai falar que o Lions foi o time mais azarado de 2012, e que ele vai evoluir em 2013. Qualquer uma.

Vamos começar pelo meu favorito, Pythagorean Expectations. Detroit não teve um grande saldo de pontos temporada passada, mas ainda foi suficiente para um PE de 6,5 vitórias. Eu disse isso no primeiro post mas sempre é bom repetir: quando o Pythagorean Expectations tem uma vitória de diferença do seu record atual, é um bom sinal de que alguns fatores te desviaram do seu "verdadeiro" record, mas também pode ser efeito aleatório ou de algum outlier. Uma vitória de diferença nem sempre é forte o suficiente para indicar uma grande mudança. Mas quando esse número é acima de duas vitórias? 100% das vezes é um extremo indicador de underperformance, extremamente significante para mostrar uma grande mudança vindo pela frente. 2.5 wins já seria o suficiente para argumentar que Detroit, na verdade, foi um time muito mais próximo de 7-9 do que pareceria a primeira vista.

O Lions também terminou a temporada 3-8 em jogos de uma posse de bola, que como já vimos é um número que tende a 50%. Se a equipe vencesse exatamente metade dos seus jogos decididos por uma posse de bola, teria terminado a temporada exatamente 6.5-9.5, número indicado pelo seu Pythagorean Expectations. Também vale mencionar que Detroit teve o sexto calendário mais difícil de 2012 e que, embora projete como um calendário novamente muito difícil em 2013, só de tirar a NFC West da sua frente já ajuda muito (vale citar que o Lions perdeu um jogo - decidido por uma posse de bola - porque seu técnico desafiou uma jogada que não podia e assim evitou que a jogada fosse revista automaticamente e o TD do Texans, anulado).

Mas o Lions também indica uma regressão positiva em alguns outros fatores que não temos usado com tanta frequência (como eu disse, escolha qualquer fator do mundo e ele esteve contra o time). E o mais significativo é esse: Detroit teve o terceiro pior saldo de turnovers de toda a Liga com -16, um número absurdamente alto que é praticamente insustentável quando olhamos para times que incorreram num saldo parecido no passado. E na verdade, esse número foi motivado pelo fato de que a equipe teve o segundo PIOR aproveitamento da Liga recuperando fumbles, um ridículo e insustentável 32,5% - a defesa foi particularmente "ruim", recuperando apenas seis fumbles (31.5%) no ano inteiro (tem mais um fator, mas esse vamos deixar para daqui a pouco). Então se você está pegando times ruins de 2012 (em termos de record) e ordenando por "Times mais prováveis a darem a volta por cima e reverterem a situação", o Lions tem que ser o primeiro da lista considerando apenas todos os fatores aleatórios que conspiraram contra o time em 2012. Nenhum time foi mais azarado ou influenciado negativamente por fatores aleatórios. E se você quiser ficar técnico, o saldo de "eficiência" da equipe em 2012 (0,2%, per Football Outsiders) foi bastante próximo do saldo do Vikings (2,0%), a diferença entre os dois sendo menor que a diferença entre Vikings e Panthers (5,5%), por exemplo, mesmo sendo o Vikings um time bastante sortudo e o Lions um time muito azarado em 2012.

Então uma vez estabelecido que o Lions é o grande candidato a dar uma volta por cima em 2013 simplesmente por fatores orgânicos, vamos dar uma olhada em como a equipe chega para essa temporada.

A primeira coisa que todo mundo pensa quando falamos no ataque de Detroit é Calvin Johnson. E com razão. Megatron é uma aberração da natureza, a coisa mais próxima de um mutante que temos na NFL na atualidade. Johnson não só quebrou o recorde da história da NFL para jardas recebidas na temporada passada (1964), como na verdade liderou a NFL em jardas recebidas nas duas últimas temporadas e possui quatro temporadas de mais de 1000 jardas nos últimos cinco anos. Desde que Megatron entrou na NFL em 2007, nenhum jogador tem mais jardas aéreas que ele (7836) e só Randy Moss possui mais touchdowns (55 a 54). Ele também é o nono em recepções totais e uma aberração da natureza que perdeu apenas quatro jogos nessas seis temporadas. Nas últimas duas temporadas, ele lidera a Liga com folga em jardas (mais de 600 jardas de diferença para o segundo colocado) e é segundo em recepções e touchdowns (Wes Welker e Jordy Nelson, respectivamente). Ele é o primeiro wide receiver que eu vejo desde Randy Moss (tirando talvez Larry Fitzgerald quando Kurt Warner era seu QB, embora Warner fosse um bilhão de vezes melhor que Matt Stafford) que atinge o nível "Todo mundo sabe que o passe é para ele e mesmo assim ninguém consegue parar", e talvez o primeiro na NFL desde sempre no quesito "Não importa a rota corrida ou a cobertura, só jogue a bola para cima e ele vai pegar". O homem é uma aberração da natureza, e enquanto ele for a primeira opção de passe do Lions, o ataque terrestre vai seguir funcionando.

Mas claro, nenhum ataque funciona só com um jogador, e Detroit sem dúvida tem prestado mais atenção no que colocar ao redor do seu X-Man. Em particular, é preciso destacar o QB da equipe, Matthew Stafford. Stafford na verdade teve uma temporada pior em 2012 do que em 2011, a primeira vista:

2011: 421/663, 63.5%, 5038 jardas, 41 TDs, 16 INTs, 7.6 jardas por passe (Y/A), 65.5 QBR
2012: 435/727, 59.8%, 4967 jardas, 20 TDs, 17 INTs, 6.8 Y/A, 58.9 QBR

Eu não preciso falar muito para mostrar a diferença entre as duas temporadas, mas algumas em particular são mais significativas. A primeira é que o desabamento nesse número de TDs pode ser semi-explicado por dois fatores: um outlier bem grande em 2011, e um tremendo azar em 2012. Não é exatamente uma estatística comum, mas foi uma que chamou a atenção: nenhum jogador foi mais derrubado na linha de uma jarda do que Megatron ano passado. Nenhum nos últimos 20 anos, na verdade. Foi assim que Megatron caiu de 16 TDs para 5, e sem dúvida isso contribuiu para a grande redução no número de TDs aéreos de Stafford (em uma nota relacionada, Stafford teve 4 TDs terrestres contra 0 ano passado. Adivinhe). Eu acho que não preciso dizer que esse é um fator extremamente aleatório que, pesquisando na história da NFL (Bill Barnwell fez isso por mim) não existe nenhum precedente. Barnwell ainda nota que, na história da NFL, apenas 18 vezes um WR teve mais de 90 recepções e 1000 jardas em uma temporada com 5 TDs ou menos, e desses 18 apenas um continuou com 5 ou menos TDs na temporada seguinte (Wes Welker). Então considerando a extrema aleatoriedade de um jogador ser derrubado o tempo todo na linha de uma jarda com essa estatística, sim, podem draftar Megatron com tranquilidade no Draft que os TDs virão.

A segunda coisa que vale destacar é que  a tabela do Lions em termos de defesas enfrentadas em 2012 foi consideravelmente mais difícil, incluindo quatro contra a NFC West. E terceira fica para daqui a pouco. Mas mesmo assim, alguns fatores são um pouco preocupantes, especialmente a queda de aproveitamento nos passes e a queda de jardas por passe. Uma coisa que chamou a atenção foi uma mudança muito esquisita na mecânica de passe de Stafford, que em alguns momentos na temporada abandonou sua mecânica tradicional e começou a soltar passes de uma forma lateral, sem um movimento completo e um pouco parecida com a tão famosa mecânica do Tim Tebow. Eu não tenho dados para dizer quais foram seus números arremessando com cada mecânica, mas é o tipo de coisa que muitos especialistas que entendem melhor do que eu associaram a uma piora na precisão dos seus passes (QBs passes laterais como o de Staff normalmente possuem um aproveitamento pior nos passes, então existe alguma evidência para sustentar essa teoria, embora seja difícil falar nesse caso especificamente). Eu pessoalmente acho que Stafford devia ser multado a cada passe com essa mecânica torta que ele dá, mas o problema aqui é não da para saber se isso foi uma aberração dessa temporada ou se algo que vai se carregar pelo futuro. Talvez seja um resultado de fadiga de lançar tantos passes que possa ser contornada, talvez seja uma forma de aliviar a pressão no seu ombro (onde sofreu diversas lesões no começo de carreira) e que ele vá manter indo para frente. Não temos como saber se ele vai recuperar seu bom lançamento e isso vai se refletir em um aproveitamento melhor. O que eu posso atestar é o seguinte: apesar de estar na Liga já faz algum tempo, Stafford tem apenas 25 anos. Ele é três meses mais novo que Colin Kaepernick e quatro meses mais velho que Ryan Tannehil, então ainda tem espaço para uma evolução. Isso fica em aberto, por enquanto.

Mas o que o Lions pode e deve fazer para ajudar seu quarterback é dar a ele um melhor grupo no ataque. Sua linha ofensiva não é um problema (foi a melhor da Liga protegendo o QB e acima da média correndo), mas as alternativas que ele possui são. Em resumo, o problema é que o ataque e Stafford dependem demais de Megatron. A falta de um segundo WR confiável coloca pressão demais em Megatron, e mesmo que ele ainda consiga fazer milagres no estilo "joga para cima e ele que se vire", o fato é que as defesas direcionam mais recursos para parar o camisa 81. Isso significa que não só é mais difícil acertar Johnson com passes (e o risco de interceptação também é maior no caso de um lançamento pior), como significa que a defesa vai direcionar menos jogadores para o resto do seu ataque, deixando mais recebedores em situações favoráveis ou de mano a mano. O problema é que a equipe não possui bons recebedores para aproveitar essas situações favoráveis e punir a defesa por deixá-los livres, o que facilita que todo mundo corre para marcar Megatron. É uma situação muito difícil para seu QB também, que possui seu melhor jogador extremamente marcado mas nenhum outro alvo se desmarcando e conseguindo boas condições de receber um passe. Pense da seguinte maneira: em 2012, Megatron quase chegou a 2000 jardas aéreas e bateu o record da NFL. Enquanto isso acontecia, apenas UM outro WR de Detroit passou de 350 jardas: Titus Young, dispensado por ser uma diva que corria rotas erradas e se alinhava no lugar errado no ataque em "protesto" por não receber passes suficientes (segundo ele). Ryan Broyles chegou a 310 e nenhum outro passou de 250 jardas. So yeah, Detroit precisa urgentemente oferecer mais opções no jogo aéreo para ajudar o desenvolvimento de Stafford e aproveitar a atenção extra que Megatron atrai. Hoje, o plantel de Detroit possui alguns nomes interessantes (Nate Burleson, Broyles e Mike Thomas estavam temporada passada mas perderam muitos jogos, e o time trouxe Chaz Schillens) mas nenhum claro candidato a ocupar o campo ao lado de Megatron e de causar algum tipo de mudança defensiva nos adversários. Um pouco de saúde a mais para seus WRs vai ajudar, mas ainda falta um jogador explosivo para fazer os adversários pagarem, e Detroit não tem esse jogador. E sente falta.

O segundo ponto de interesse é o jogo terrestre, onde o mito é que o do Lions é muito ruim e afunda o ataque do time. É uma enorme besteira: Detroit teve o décimo segundo melhor ataque terrestre da NFL em 2012. Apesar de não ter um RB como Frank Gore ou Marshawn Lynch, Detroit conseguiu boa produção de jogadores como Mike Leshoure e Joique Bell, que combinaram para 4.1 Y/C mesmo enfrentando as melhores defesas terrestres da NFL todo santo jogo (foi o calendário mais difícil em termos de defesas terrestres adversárias da NFL). Então a falta de produção do jogo terrestre é de certa forma um mito, embora é fato que não tivessem um RB dominante que causasse pânico em defesas adversárias. Mas o problema é outro. Lembra da terceira coisa importante dos números de 2011 e 2012 do Matt Stafford? Olhe lá de novo os números de passes totais deles em cada temporada, 663 e 727. Os dois foram as maiores marcas da temporada, dois anos consecutivos. E quando seu QB está lançando quase em média 700 passses por temporada e tem um histórico de problemas no ombro (ao ponto que de repente ele muda sua mecânica de arremessos, que pode ou não estar relacionado) - e tendo ainda um ataque terrestre decente - eu nunca vou entender porque diabos o Lions insiste tanto e não aproveitar o chão (o argumento de que eles precisavam passar a bola por estarem atrás no placar é válido, mas não justifica tudo).

Na verdade, a única grande contratação do time para essa temporada foi justamente para ajudar o jogo terrestre, trazendo o dinâmico Reggie Bush. Eu achei uma boa contratação, mas talvez por um motivo diverso: Bush ajuda no jogo terrestre com sua explosão e velocidade, é um jogador que sabe aproveitar os espaços da linha ofensiva (e como eu disse, a de Detroit tem jogado muito bem) e explodir para ganhos, tendo nos últimos quatro anos média de jardas por corrida de 4.7. Isso vai ser muito importante para Detroit expandir o uso de seu jogo terrestre como devia ter feito ha muito tempo, mas tlavez mais importante, Bush é um dos melhores RBs da NFL recebendo passes: desde que entrou na NFL, ele é o terceiro RB com mais jardas aéreas na Liga tendo jogado 12 jogos a menos que o primeiro colocado (Steven Jackson). Esse dinamismo e versatilidade vai ser crucial para um time que precisa desesperadamente de mais opções de passe para liberar Megatron, como já foi dito, e era uma função de enorme carência na equipe desde que Jahvid Best machucou pela primeira vez. Hoje os ataques da NFL dependem muito desse tipo de jogada, e com Leshoure para dar alguma profundidade pelo chão, as recepções de Bush - se bem usado, o que é sempre uma dúvida com um HC tão incompetente - podem ser o ingrediente que o time precisava para se virar pelo ar sem um segundo WR.

A defesa é uma unidade mais complicada, 24th na NFL em 2012 e que muita gente aponta como ainda pior em 2013 dada a saída do bom (mas muito overrated) Cliff Avril. Elas não sabem do que estão falando, though. Essa defesa foi 9th overall em 2011 e boa parte dessa piora se resume a lesões e ao seu incrível (e dificilmente duplicável) azar com fumbles recuperados, o que fez dessa unidade muito ruim forçando turnovers. Na verdade, Detroit reforçou de forma inteligente sua defesa, e foram adições que fazem sentido quando chegamos nos números. A primeira coisa a reparar é que a equipe não ficou parada com a saída de Cliff Avril, foi atrás de reforços para sua linha defensiva e trouxe o underrated Israel Idonije de Chicago e o sólido Jason Jones de Seattle. Além disso, usou sua alta escolha de Draft para draftar Ziggy Ansah, um DE extremamente atlético que vai se beneficiar imensamente da atenção dispensada a Ndamukong Suh e Nick Fairley pelo meio da defesa. Essa linha defensiva de Suh, Fairley (que deve ganhar um papel maior na equipe e é uma força da natureza quando está focado), Ansah e Idonije/Jones tem tudo para ser uma das melhores (ou a melhor) da NFL. A saída de Avril foi bem compensada (especialmente em termos salariais) e mais espaço para Fairley deve ser suficiente para essa linha de frente ser ainda mais mortal em 2013.

Mas a região que mais se reforçou foi a secundária. Detroit terminou 21st em defesa aérea temporada passada, mas vale lembrar que a equipe perdeu seu bom safety Louis Delmas por nove jogos. Delmas está de volta e é um dos melhores safeties da NFL quando saudável, e o Lions ainda trouxe mais reforços. O primeiro foi o bom Glover Quin, um jogador muito importante na ótima defesa de Houston temporada passada. Quin é um SS que deve fazer dupla com Delmas na secundária. E além disso, vale destacar que o Lions foi bem ano passado com Chris Houston indo em cima de WRs #1, mas foi horrível (segundo pior da Liga) contra WRs #2, então o time usou uma escolha de segunda rodada para trazer um novo CB para ser titular do outro lado do campo em Darius Slay. Então foi uma unidade que manteve suas principais forças com sua fortíssima linha defensiva, e reforçou consideravelmente a secundária em relação ao ano anterior. Considerando o incrível azar desse time com fumbles regredindo, essa é uma unidade para se monitorar em 2013.

Btw, um último ponto. Normalmente eu não levo muito em conta Special Teams por ser algo muito flutuante e impreciso: o Ravens teve o melhor ST da temporada regular e tomou dois TDs de retorno no mesmo jogo contra o Broncos, por exemplo. Mas vale citar que o Lions teve o segundo pior ST de toda a temporada passada e talvez o pior retornador, Stefan Logan, que teve seis muffed punts, pediu fair catch na linha de 4 jardas e foi em geral extremamente incompetente. Logan não vai mais retornar nada em 2012, então só essa adição por subtração já deve ajudar a equipe.

Então sim, o Lions é meu grande candidato a "volta por cima" de 2013: eles foram influenciados negativamente por quase qualquer métrica imaginável (e até umas novas!), foram um time muito melhor em 2012 do que pareceram e já seria um candidato imenso a melhorar só por questões naturais. Mas além disso eles adicionaram componentes importantes a equipe, e possuem um núcleo extremamente jovem do qual podemos esperar uma evolução normal. Suh é um jogador muito underrated porque todo mundo presta atenção as suas atitudes inconvenientes e porque seu time perde (Richard Sherman faz a mesma coisa e todo mundo acha o máximo porque o time dele ganha, por exemplo), mas é um excelente jogador, e essa defesa está cheia de jovens atletas como Ansah e Fairley. O ataque tem seus problemas que não vão melhorar muito enquanto não trouxerem outro bom WR, mas possui uma boa linha ofensiva, adicionou uma peça importante e ainda tem Calvin Freaking Johnson, então ruim não vão ser. A defesa tem tudo para dar a volta por cima depois de uma temporada 2012 ruim e azarada. Então se Detroit era um time na verdade 6,5 mesmo com um calendário do inferno (a equipe projeta ter um calendário muito difícil em 2013 com base nos records de 2012, mas grande parte dos times são candidatos a regressão) e um azar espetacular em quase tudo que seja possível imaginar (especialmente fumbles), esse time com adições importantes e um ano a mais para desenvolver suas jovens estrelas coloca a equipe aonde? Difícil dizer, mas algo como 8-8 ou 9-7 está em jogo.

Ainda existe alguma dúvida sobre alguns fatores, especialmente Matt Stafford, a capacidade do ataque de jogar fora de Megatron (hoje ele é extremamente previsível) e da defesa de se ajustar a suas novas peças. Mas o talento está lá mesmo numa divisão brutal, e para mim o Lions tem tudo para terminar 8-8 ou melhor e brigar por uma vaga de playoffs. A NFC está brutal e talvez seja necessário chegar a 10 ou 11 vitórias para garantir essa vaga, o que talvez esteja um pouco fora do esperado para a equipe, mas com um pouco de sorte não é bom dormir nesse time de Detroit. Muito talento, muito potencial de evolução. Agora pode ir lá tirar sarro do amigo que acha que vão ser ruins mais uma vez e faturar algum dinheiro fácil.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Minnesota Vikings

Um excelente resumo do ataque do Vikings




Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East, os previews da NFC East e também os previews da AFC North a para a temporada 2013 da NFL, começamos a falar da NFC North pelo sempre forte Green Bay Packers e pelo seu maior rival, Chicago Bears. Hoje vamos falar então do segundo time de playoff da divisão em 2012, Minnesota Vikings. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Minnesota Vikings

2012 Record: 10-6
Ataque ajustado: 15th
Defesa ajustada: 21st


Um bom exemplo de como os fatores aleatórios afetam os times ao longo de uma temporada fora do real nível de jogo de um time é a questão Vikings vs Bears ano passado. Os dois terminaram com o mesmo record, só que 'Sota foi para os playoffs por ter um record melhor dentro da divisão (4-2 contra 3-3). Mas acontece que sob nenhum critério o Vikings foi um time melhor que o Bears em 2012 apesar de terminarem ambos 10-6. Chicago teve um melhor point diferential (98 contra 31), e enquanto o Bears teve um Pythagorean Expectations de 11 vitórias, Minnesota teve um abaixo de 9 vitórias (8.8). Os ursos também terminaram em sexto em eficiência total ajustada (per Football Outsiders) e sexto em Pythagorean Wins, enquanto seus rivais do norte terminaram 14th em eficiência (atrás do Panthers, por exemplo) e 13th em Pythagorean Wins. Ainda que já tenhamos visto que uma parte dessa temporada do Bears tenha vindo de alguns outliers que dificilmente se repitam (o Vikings também, mas chegaremos lá), por qualquer métrica ou critério Chicago foi um time melhor. Mas o Viks terminou a temporada com um insustentável 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola e o Bears não, então o resultado final foi que um time acabou nos playoffs e o outro não. Um bom lembrete de que no final, as nossas previsões e palpites de começo de temporada podem ir para o espaço por coisas sem nenhuma relação com os times.

Minnesota também é um bom exemplo sobre como a parte que nós podemos medir ano a ano funciona. Na temporada 2011, a equipe terminou 3-13 (terceira pior marca da Liga) e com a terceira escolha do Draft. Lembro de ter defendido na época que a equipe não era tão ruim assim, apontando que seu Pythagorean Expectations era de um time quase 6-10 e que seu record de 3-9 em jogos decididos por uma posse de bola era um fortíssimo candidato a regressão. Lembrando ainda que o time tinha pego um excelente jogador em Matt Kalil e que, com um QB calouro e alguns jogadores jovens como Percy Harvin e Kyle Rudolph, seu ataque era um candidato interessante a alguma evolução natural, eu acabei falando que o Vikings iria para 7-9 na temporada e que "não me surpreenderia se terminassem 8-8". Considerando que o Pythagorean da equipe foi de 9-7 e ninguém realmente esperava essa temporada alienígena do Adrian Peterson voltando de cirurgia no joelho, esse é um bom exemplo de como existe coisas que são bem possíveis de serem analisadas (a reviravolta para pelo menos 7-9, por exemplo), coisas que estão fora das expectativas normais (MVPeterson) e coisas que são totalmente aleatórias (5-1 em jogos de uma posse de bola). Vikings de 2011 não era tão ruim, e o de 2012 não era provavelmente tão bom. Mas algumas coisas estão fora do nosso controle.

E se vamos falar da temporada 2012 do Minnesota Vikings, não tem outra forma de começar que não seja por Adrian Peterson. O MVP se tornou apenas o sétimo RB na história da NFL a correr para mais de 2000 jardas em uma temporada, totalizando 2097 e ficando a apenas oito jardas de empatar o recorde de Eric Dickerson (história bizarra do dia: na temporada que conseguiu 2105 jardas terrestres, Eric Dickerson teve um passe interceptado. Não pergunte). MVPeterson sozinho levou o ataque terrestre do Vikings a ser o sexto melhor em DVOA da NFL, o que é ainda mais impressionante quando lembramos que a) nenhum outro jogador do Vikings correu mais de 50 vezes com a bola (!!) e b) os três primeiros colocados eram times com QBs que correm com a bola (Seattle, San Francisco e Washington). Colocando em perspectiva, entre os sete RBs que atingiram 2000 jardas em uma temporada (Barry Sanders, OJ Simpson, Terrell Davis, Chris Johnson, Jamal Lewis e Dickerson) Adrian teve a segunda melhor média de jardas por corrida (6.03) entre todos e atingiu esse feito numa era onde correr com a bola é muito menos valorizado E sem praticamente nenhuma ajuda do jogo aéreo para abrir espaço para suas corridas (o ataque aéreo de 'Sota foi 22nd overall). E btw, ele fez isso menos de 12 meses depois de romper o ligamento do joelho. Juntando tudo isso, Peterson possivelmente teve a segunda melhor temporada de um RB na história da NFL (OJ Simpson conseguiu 2000 jardas em apenas 14 jogos, para mim ainda mais impressionante). Foi isso que fez a diferença para Minny, e o que levou a equipe a dar um salto que os números não esperavam.

A noticia ruim é que é extremamente improvável que essa campanha se repita. Claro, não é como se Peterson fosse um jogador mediano por anos a fio que de repente explodiu em uma campanha excepcional (Tim Jennings alert!) e deva voltar a ser medíocre. Peterson tem sido um dos melhores - talvez o melhor - running back da NFL desde que entrou na Liga em 2007, uma rara mistura de força, explosão e velocidade que simplesmente não pode ser parada por meros mortais. Mas como eu disse ontem, mesmo uma pessoa ou grupo que é muito boa em alguma coisa pode ter aqueles 16 jogos onde tudo se encaixa e conspira a seu favor e você consegue uma temporada perfeita. Também existem outliers entre os grandes jogadores, tanto é que nenhum jogador nunca repetiu uma campanha de 2000 jardas em anos consecutivos... ou em nenhum ano, na verdade. Se não está convencido, pegando a temporada seguinte as campanhas de 2000 jardas de Dickerson, Sanders, Simpson, Lewis e Johnson (Terrell Davis machucou na temporada seguinte e perdeu 12 jogos, então o deixamos de fora), esses jogadores conseguiram apenas em média 1244 jardas (1311 ajustando para jogos perdidos). Um bom número, sólido para um RB, mas muito abaixo do patamar de 2000 jardas que tiveram um ano antes. Então sim, Peterson vai continuar sendo fantástico e carregar o ataque nas costas por longos períodos, mas com uma atenção ainda maior e mais defensores voltados para pará-lo e mais os efeitos naturais de uma regressão de um patamar histórico, vai ser muito difícil para All-Day carregar um time sem ataque aéreo por 16 jogos em uma NFC extremamente competitiva como fez ano passado. Minnesota tem que estar ciente de que AP não vai correr para 2000 jardas novamente.

(Nota: estou partindo do pressuposto de que Adrian Peterson é humano e mortal, o que não necessariamente é a realidade. Se ele for um alienígena ou um ciborgue enviado do futuro para ganhar um Super Bowl, ignorem o último parágrafo. Obrigado.)

A pressão, então, vai cair ainda mais em cima de Christian Ponder para produzir alguma coisa pelo ar e não só para ter alguma produção ofensiva que não use Peterson, mas também para abrir espaços para seu MVP. Primeiro eu queria lembrar que o Vikings entrou em pânico quando três QBs saíram no Top10 de 2011 e usou sua 12th pick em um QB que muita gente colocava na segunda rodada... 30 picks antes de Colin Kaepernick. Agora que tirei isso do meu peito, vamos ver exatamente o que Ponder mostrou nesses dois anos de NFL.

(Tangente rápida: Foi uma estupidez na época pegar Ponder tão alto, mas supondo que tivessem pego Kaepernick na segunda rodada, quão devastador seria um read option entre Kaepernick e Adrian Peterson, de 1 a 10? 13? 15? 22?)

Na primeira temporada, como calouro, Ponder foi simplesmente horrível. Seu QBR foi de 33.7, 36th na NFL e sua produção total foi ainda pior (45th entre 47 QBs), enquanto o ataque aéreo ajustado da equipe foi o quinto pior da Liga. Temporada passada, Ponder melhorou consideravelmente sem necessariamente ficar bom: 17th em QBR (um pouco-acima-da-média 53.6) e 21st em produção. Ele não foi bom, mas com certeza não foi horrível como na sua temporada de calouro, certo? Bom, vocês não vão acreditar nisso, mas eu tenho algumas ponderações sobre o assunto. A questão é a seguinte: QBR é uma medida de eficiência dentro de um contexto. Ela basicamente coloca o QB dentro da situação de um time e mede o quanto suas jogadas aumentaram ou diminuiram as chances de vitórias. É uma excelente medida de quão bom um QB está sendo dentro de um determinado esquema de jogo, mas é um pouco complicado quando tiramos o QB desse contexto. Pense Alex Smith, por exemplo: ele terminou a NFL no sétimo lugar em QBR, na frente de Drew Brees. Isso não significa que Smith seja melhor do que Brees nem por um segundo, mas isso significa que dentro da situação muito confortável que o 49ers ofereceu a ele, ele executou as funções que precisou (tomar conta da bola, evitar turnovers, conseguir um alto aproveitamento em passes curtos, controlar o relógio, etc) quase a perfeição, enquanto Brees não conseguiu oferecer ao Saints as mesmas condições de vitórias precisando fazer muito mais (sem jogo terrestre, defesa horrível, etc). QBR é uma excelente estatística, mas como todas, é importante saber o contexto de cada uma.

No caso de Ponder, isso significa que ele também teve um papel decente dentro de um contexto muito confortável, com uma sólida defesa e Adrian Peterson fazendo boa parte do trabalho sujo. Ou seja, em um time que teve um dos melhores RBs de todos os tempos correndo para 2000 jardas, uma sólida linha ofensiva, Percy Harvin sendo sensacional por nove jogos, e uma boa defesa, Ponder foi basicamente um QB que pouco aumentou as chances de vitória da sua equipe mas que pelo menos não atrapalhou (50 em QBR seria o "neutro"). Ele foi bem na sua função de não cometer muitos erros, acertar passes curtos para Harvin e Rudolph na red zone (onde ele foi bem, btw) e fazer um monte de handoffs para AP. Mas considere o seguinte: seus três melhores jogos em QBR vieram em jogos onde Peterson correu para 171, 212 e  199 jardas e Ponder não precisou não precisou passar de 220 jardas em nenhum deles (no que passou? Seus três TDs foram para 3, 2 e 8 jardas). Seu melhor de todos foi uma vitória contra o Rams na qual AP mandou 212 jardas e Ponder passou para 131 jardas (com seu passe mais longo sendo de 14 para... Wait for it... Adrian Peterson!) e nenhum TD (correu para um de uma jarda). E seus piores jogos vieram nas partidas onde foi obrigado a passar 25, 35, 43 e 52 vezes porque estiveram atrás do placar. Então embora seja jovem e possa evoluir, basicamente é isso que Ponder é hoje: um game manager capaz de evitar erros, evitar a pressão (underrated saindo do pocket) e tomar boas decisões nas situações certas mas que não consegue produzir contra quando exigido contra uma defesa montada contra o passe. Ele é basicamente alguma coisa entre um Alex Smith piorado e um Alex Smith muito piorado (7th em QBR mas 10th em produção para quem quiser comparar). 

E o problema é o seguinte: Ponder não consegue passar a bola de forma produtiva, e já estabelecemos que é muito difícil que ele tenha 200 jardas de ajuda toda rodada do Peterson. Ainda que para o futuro próximo o ataque aéreo deva continuar sendo secundário ao ataque terrestre e seu MVP, o fato é que o time também vai precisar passar mais a bola se quiser manter o ritmo no ataque, e eu estou pessimista. Ponder é um dos piores QBs da NFL passando a bola em profundidade (passes que viajam 20+ jardas) e sua principal jogada era passar a bola para o Percy Harvin e deixar o camisa 12 se virar, o que vai ser mais difícil porque Harvin foi para Seattle. E para compensar sua falta, o time trouxe... Wait for it... um jogador de velocidade cuja principal características são as jogadas de profundidade, é claro!! E se as lesões de Harvin preocupavam a equipe, o que falar de Greg Jennings, que perdeu oito jogos temporada passada e mais três vindo do banco por estar limitado? Basicamente trocou um WR com problema de lesões que era o complemento perfeito para um passador de braço fraco por um WR com problemas de lesões cuja principal força é exatamente o que seu QB não consegue fazer. Mesmo com a chegada do extremamente cru e talentoso Cordarelle Patterson (uma péssima pick que custou caro demais, btw), a perda de Harvin e a regressão natural de Peterson devem ser suficientes para derrubar ainda mais um ataque aéreo que já foi fraco temporada passada, e sem 2000 jardas terrestres para sustentar a expectativa é que esse ataque caia consideravelmente de produção. A não ser que o Vikings seja o primeiro time da história da NFL a ter um ratio de corridas-passes perto de 400.

A boa noticia é que a defesa da equipe deve melhorar um pouco. Ela não foi tão boa assim em 2013, 21st overall, mas o fato é que ela foi boa no jogo terrestre (7th overall) mas desastrosa no jogo aéreo (24th). Com duas escolhas de primeira rodada (ignorando um instante as picks jogadas fora para pegar Patterson quando ele deveria cair), você provavelmente vai sair do Draft com dois bons jogadores para entrar e jogar logo de cara. O primeiro foi Shariff Floyd, um DT que era cotado por muitos como uma potencial terceira escolha de Draft e que de alguma forma caiu até a 23rd pick. A posição não era exatamente uma necessidade da equipe, a unidade de 2012 era sólida com Kevin Williams e Letroy Guion fechando o meio da linha defensiva, mas Williams já tem 32 anos e Floyd foi uma opção interessante para o futuro e para dar um pouco mais de rotação a esse grupo. Floyd é um jogador muito físico pelo interior que pode oferecer maior potencial no médio prazo enquanto mantém os titulares frescos pegando alguns snaps deles, ou mesmo arrancar uma vaga de titular ao longo do ano. A opção mais provável a curto prazo é que seja um jogador de rotação, mas já solidifica um bom grupo de Minny.

A secundária é um problema, e foi para ela que a equipe trouxe sua outra escolha de primeira rodada. O time perdeu possivelmente seu melhor jogador de secundária em Antoine Winfield, que pulou para Seattle, e trouxe Xavier Rhodes para seu lugar. Eu confesso que não sou o maior fã de Rhodes, é o tipo de CB maior fisicamente que ficou popular com o sucesso de Richard Sherman em Seattle (cof Aderall cof) mas que provavelmente teria caido mais algumas rodadas dois anos atrás (Sherman caiu até a quinta). Mas era uma posição de necessidade, especialmente com a saída de Winfield, e então o time mordeu no que eles tinham como mais bem cotado. Então sim, era uma necessidade, mas não soluciona o problema: a equipe teve problemas para criar pass rush fora de Jared Allen, e foi particularmente atroz contra WRs #2 (na verdade, foi o pior da NFL nisso). A chegada de Rhodes ainda não soluciona a falta de um bom segundo CB na equipe, e embora o calouro Harrison Smith tenha mostrado bastante promessa temporada passada, o grupo conta ainda com muitas peças de reposição abaixo da média. A defesa base de Minny é 4-3, naturalmente menos agressiva que a 3-4, e a falta de um pass rusher para fazer par a Jared Allen sem dúvida tem atrapalhado a secundária também, mas tendo trocado as calças para subir e pegar Petterson no Draft a equipe perdeu a chance de usar uma pick melhor em um DE (porque não pegar Petterson ou outro do profundo grupo de WRs desse Draft na segunda rodada, e então usar suas escolhas de terceira para reforçar o pass rush?). Ent ão embora Rhodes deva amenizar a perda de Winfield, a expectativa maior de melhora da secundária passa por um eventual aumento da pressão que Floyd seja capaz de criar (a não ser que a equipe tenha trazido Desmond Bishop de Green Bay pra usar uma formação mais agressiva com seus LBs em blitzes. Mas ai é especulação).

Eu confesso que estou cético em relação ao que o Vikings fará em 2013. Eles foram um time de 8.8 vitórias por Pythagorean Expectations que terminou 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola (o que derrubaria seu record para 8-8). Além disso, foi uma temporada que se beneficiou imensamente do ano histórico do Adrian Peterson que ele dificilmente repetirá, exigindo mais presença e performances de Christian Ponder, que ele ainda não mostrou ser capaz de fazer. A defesa deve evoluir um pouco, mas não o suficiente para compensar a queda do ataque, tanto a natural como aquela gerada pela perda de Harvin. 

O lado bom é que a equipe ainda tem o melhor RB da NFL e, embora a história do Vikings ser um time "jovem" seja um pouco exagerada (entre seus principais jogadores não-calouros, os únicos que ainda estão em começo de carreira são Ponder, Kalil e talvez Smith), uma evolução de Ponder possa mitigar um pouco todos esses efeitos e aproveitar melhor a troca Harvin por Jennings. O calendário do ano passado foi o quinto mais difícil da NFL, e a expectativa desse ano é que esse número caia um pouco sem a NFC West no seu quintal (embora a NFC North deva ser melhor esse ano. Esperem o preview de segunda), e em geral a equipe tem alguns bons talentos. Mas em uma brutal NFC, o Vikings é um dos principais candidatos a regressão e minha expectativa é que a equipe caia para algo como 8-8 nessa temporada, possivelmente até menos dependendo de como Ponder lidar com uma maior responsabilidade no ataque. Mas 8-8 está bom por enquanto, a não ser, é claro, que Peterson seja de Kripton e não esteja sujeito a todas essas tendências e estatísticas que discutimos hoje. Não descarte essa hipótese.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Chicago Bears

"Relaxa ai galera, eu cuido disso"


Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East, os previews da NFC East e também os previews da AFC North a para a temporada 2013 da NFL, começamos a falar da NFC North pelo sempre forte Green Bay Packers, e hoje vamos falar do seu histórico rival, Chicago Bears. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Chicago Bears

2012 Record: 10-6
Ataque ajustado: 26th
Defesa ajustada: 1st


Vocês provavelmente conhecem a anedota do copo de cerveja pela metade (se você for menor de idade pode ser de suco também). Quando temos um copo assim, algumas pessoas acham que o copo está meio cheio, e outras acham que ele está meio vazio. É uma anedota para mostrar que a mesma coisa pode ser encarada por dois prismas diferentes, e o ponto de vista pelo qual essa situação é analisada pode levar a uma conclusão positiva ou negativa mesmo o ponto de partida - o copo de cerveja pela metade - seja exatamente o mesmo.

Eu digo isso porque, quando vamos analisar a temporada 2013 do Chicago Bears, as mudanças ocorridas entre Janeiro e Agosto podem indicar tanto uma melhora como uma piora da equipe, dependendo do seu ponto de vista. A questão é que Chicago sofreu duas tendências diferentes nessa offseason, uma positiva e uma negativa, e como essas duas vão se combinar para dar um resultado final a equipe na temporada vai depender muito da sua avaliação pessoal do assunto. Mas vamos por partes. Antes de falar quais foram essas mudanças, como elas vão afetar a equipe e explicar porque diabos eu comecei esse texto falando de copos de cerveja vazio, vamos ver exatamente onde o Bears estava ao final da temporada passada. (E se você for um torcedor do Bears, talvez seja melhor tomar de fato um copo de cerveja. Eu espero.)

A equipe de Chicago terminou o ano com um record 10-6, perdendo os playoffs na última rodada quando Minnesota venceu Green Bay nos segundos finais, igualando o record de 10-6 mas vencendo nos critérios de desempate (4-2 dentro da divisão contra 3-3 de Chicago). Amanhã vamos falar mais sobre o porquê dos Vikings não serem tão bons assim, mas por enquanto basta saber que o Pythagorean Expectations do Bears foi de 11-5 (o mesmo do Packers) enquanto o do Vikings foi de 9-7. Então Chicago realmente foi um dos times mais sólidos da NFL em 2012, terminando sexto em eficiência ajustada (per Football Outsiders) e com a sexta maior Pythagorean Expectation da NFL (4th na NFC). Embora eles tenham tido alguma sorte com fumbles (vamos chegar nisso mais para frente), não existe dúvida que o Bears foi um dos melhores times da NFL em 2012.

O Bears fez isso com uma combinação cada vez mais incomum na NFL dos dias de hoje, com uma defesa excepcional rankeada 1st overall e um ataque medíocre, sétimo pior da Liga. Começando pelo primeiro, vale observar que a equipe não teve apenas a melhor defesa da competição evitando e gerando pontos (seja por TDs defensivos, seja por forçar posses de bola extra, seja por gerar boas posições de campo para o ataque, etc). Ela teve de longe a melhor defesa da competição, por uma margem absurda. Por exemplo, a segunda melhor defesa da NFL foi a do 49ers, com um DVOA de -14,3% (se tratando de defesas, quanto mais negativo melhor). Mesmo assim, a defesa do Niners estava mais próxima em números da 13th overall (Steelers com -2,9%) do que do primeiro lugar, um absurdo -26,8% para a equipe de Chicago. Na verdade, nenhuma outra defesa dos últimos oito anos tirando a do Steelers de 2008 (-29,0%) conseguiu igualar ou superar essa marca, e vale lembrar que aquele Steelers ganhou o Super Bowl com Troy Polamalu, James Harrison e tantos outros no seu absoluto auge. A defesa do Bears foi dominante a esse ponto.

Isso se deveu a alguns fatores particulares. Claro, nenhuma defesa consegue tal nível de dominação sem ser simplesmente sólida defendendo contra o passe e contra a corrida, desviando passes, indo atrás do QB e evitando corridas longas. Para uma defesa que quer ser boa, isso é o básico. Mas para uma defesa que chegou nesse patamar, ser simplesmente sólida nesses fundamentos não é o bastante, precisa de algo a mais. Então vamos nos focar nesses "algo a mais". O primeiro fator foi a eficiência da equipe forçando turnovers. O Bears liderou toda a NFL com 44 turnovers, 9 a mais do que o terceiro colocado Redskins (que, como vocês talvez lembrem, foi o time mais sortudo recuperando fumbles da NFL) e liderou a NFL em porcentagens de campanhas defensivas que terminaram com um turnover (20.6%). A equipe também foi líder da NFL em interceptações com 24 e segundo em fumbles recuperados (20) e forçados (35), então não é como se fosse unidimensional nos turnovers. E para novamente colocar em perspectiva essses 44 turnovers, o último time a conseguir mais do que isso foi o San Diego Chargers em 2007 (48). Turnovers são importantíssimos não só porque conseguem posses de bola extra para o ataque, como também servem para dar boas posições de campo a unidade ofensiva, então é normal que um grande time conseguindo turnovers seja um dos melhores defensivos da NFL.

Mas não foi isso que colocou o Bears tão alto desse lado da bola. O que fez dessa defesa uma unidade tão ridícula foi sua capacidade de transformar turnovers em touchdowns. Foram nove no total, e nenhum time na NFL conseguiu mais desde que o Team Rankings começou a manter registro disso em 2003. Acho que eu realmente não preciso perder muito tempo explicando porque ter uma defesa que anota tantos TDs é importantíssimo para qualquer time, e a capacidade da defesa de dar essa força ao ataque foi extremamente importante considerando como o ataque foi problemático em 2012, então não foi apenas a capacidade da defesa de forçar 44 turnovers, mas principalmente sua capacidade de transformar mais de 20% deles em TDs (mais impressionante ainda, 33,3% das suas interceptações). Junte isso a uma defesa sólida tanto pelo chão como pelo ar, e você tem uma das melhores defesas dos últimos 15 anos.

O ataque da equipe, no entanto, não foi feliz e precisou de toda a ajuda que pode. Rankeado 26th overall, não teve nenhuma área que salvou a equipe: 25th melhor pelo ar e 18th melhor pelo chão, a equipe tem poucos consolos além do fato de ter tido um calendário bastante difícil em 2012 (8th overall), embora valha lembrar que esses números são ajustados por adversário. Como de costume, a culpa caiu em boa parte sobre seu QB, Jay Cutler, uma espécie de Tony Romo mais jovem na parte de receber críticas, embora no caso de Cutler tenha um certo ênfase pela sua performance de diva extra-campo. Mas dentro dele, que é o que importa, Cutler definitivamente não tem sido horrível, mas tampouco tem se destacado: 20th overall em QBR na temporada passada, a frente de jogadores como Joe Flacco e Sam Bradford mas atrás de Ryan Tannehil e Christian Ponder. Esteve em 14th temporada passada, então não é como se ele fosse um QB anualmente ruim e incapaz de produzir. Para achar as falhas desse ataque, precisamos olhar para duas outras coisas.

A primeira é mais fácil e prática: a linha ofensiva é horrível, e isso pode ser superestimar essa linha. Ela foi uma verdadeira atrocidade durante a maior parte da temporada, sendo a oitava pior da NFL em jogadas de corrida consideradas de força (pelo meio da linha) e a nona pior usando bloqueios, o que sem dúvida atrapalhou o bom Matt Forte apesar dos bons números. E isso é antes de chegar na verdadeira atrocidade que ela tem sido protegendo Cutler. J'Marcus Webb pode muito bem ser o pior LT de toda a NFL, e o número ajustado do Football Outsiders para essa linha nas jogadas de passe (8.1%) foi muito próximo da do Packers (8.5%), com a diferença que eles não contam com um QB como Aaron Rodgers, capaz de improvisar, fugir da pressão, sair do pocket e fazer as jogadas em movimento sem perder a eficiência, então o impacto dessa linha horrível na prática é muito maior para uma equipe que não conta com um QB com as características para cobrir essas deficiências. Na verdade, o problema é ainda muito maior considerando as características de Cutler. O camisa 6 é um jogador cujo principal ponto forte é sua grande força no braço, um jogador que se beneficia muito do jogo de meia e longa distância, mas para tal é preciso que o ataque tenha tempo necessário de forma que seus recebedores possam se colocar nessas posições. Isso era algo que nunca acontecia com o Bears, pois a linha ofensiva não conseguia segurar as pressões tanto tempo e, ao invés de esperar seus recebedores chegarem nos pontos desejados para aproveitar dos seus passes longos, Cutler tinha que interromper isso muitas vezes antes para sair do pocket, fugir da pressão e tentar completar um passe em velocidade, algo que não só anula a melhor parte do seu jogo como força ele a usar um estilo no qual ele não é bom (a falta de um recebedor confiável de meia distância atrapalha também).

O segundo é um pouco mais pessoal, mas posso dizer que não sou o único: eu sempre achei o ataque do Bears muito mal utilizado no sentido de tirar o máximo de seus jogadores. Em parte talvez por ter um técnico com uma mentalidade muito defensiva como Lovie Smith, mas sempre me impressionou como pequenas coisas que eu sempre comentei que seriam úteis com os jogadores disponíveis foram deixadas de lado. Eu não vou entrar demais nesse mérito para não ficar técnico e longo demais o post, mas alguns exemplos incluem usar extensivamente Devin Hester como WR (parece brincadeira de Madden, pegar o cara rápido e mandar ele nas rotas longas sendo que Hester não tem nenhuma das manhas para isso. Se quer utilizá-lo no ataque tem que ser no estilo Percy Harvin, com passes curtos em velocidade para que ele possa aproveitar ao máximo o espaço do campo com a bola nas mãos); subutilizar um dos mais completos RBs da Liga em Matt Forte, especialmente recebendo passes; e ignorar totalmente a necessidade de uma opção de checkdown (aquele passe curto que os QBs fazem para se livrar da bola quando um jogador passa da linha ofensiva). Isso ainda vai ser importante, então guardem.

Então basicamente, vimos até aqui o que fez do Bears o time que foi ano passado: uma excelente defesa que teve muito sucesso forçando turnovers e os convertendo em TDs, e um ataque que sofreu demais com uma horrível linha ofensiva e que precisa de vida nova. E agora chegamos na parte que, sinceramente, pode cair para qualquer lado em 2013, que é o quanto deve mudar no time para o ano que vem. Mais especificamente, a defesa deve sofrer uma considerável piora e o ataque deve sofrer uma grande evolução em relação aos patamares de 2012.

Começando pela defesa, uma coisa que tem que ficar clara é o seguinte: forçar turnovers é uma habilidade, pelo ar e especialmente pelo chão (certo, Charles Tillman e seus 10FF que lideram a NFL?). Ninguém vai negar isso, é um fato. Mas mesmo quando você é bom em alguma coisa, não quer dizer que você não possa ter anos fora da curva. Assim como de repente uma defesa mediana consegue um pico Top3 antes de voltar a ser mediana por conta de um ano fora da curva e da amostra pequena de 16 jogos da NFL, isso pode acontecer mesmo com algo que você normalmente é bom. E esse é o caso com os turnovers do Bears: eles são insustentáveis para 2013. Em 2011, Packers e Niners lideraram a NFL em turnovers, ano passado caíram para 18th e 14th, respectivamente. Em 2010, o Giants liderou a Liga em turnovers, e em 2011 caiu para 9th. Em 2009 Packers e Saints foram os líderes, e caíram para 6th e 20th um ano depois. Podemos continuar isso eternamente, mas vamos passar direto para a conclusão: é preciso ser bom forçando turnovers para forçar 44, mas isso não quer dizer que não possa ter sido motivado por fatores aleatórios e um ano de sorte. Na verdade, muitos estudos indicam exatamente o contrário, que embora turnovers não seja um fator que dependa da sorte como, por exemplo, recuperar fumbles (que tendem a ser 50-50) um nível de turnoves elevado além de certo ponto é algo insustentável ano a ano e que deve regredir... Especialmente considerando que sim, o Bears foi um time muito sortudo recuperando fumbles na defesa essa temporada, com mais de 59% deles indo parar nas suas mãos, uma das marcas mais altas na Liga. Não tem nenhuma chance do Bears repetir essa performance nos turnovers em 2013.

Outro ponto importante de regressão é o seguinte: forçar turnovers, novamente, é um talento e um mérito da defesa. Transformá-los em TD é muito menos do que vocês imaginam. Claro, se um defensor pega um passe, dribla todo mundo e corre 90 jardas para um touchdown claro que ele tem mérito na jogada. O que eu quero dizer é que como um time, a habilidade de traduzir turnovers em TDs depende muito mais da sorte. Não que ele tenha uma convergência para um número como os fumbles recuperados, mas quando um time retorna um terço das suas interceptações para TDs (especialmente com 24 delas), esse é um número totalmente não sustentável na história da NFL - e não passa nem perto de ser, na verdade. É o tipo de outlier que é fantástico de se ter em uma temporada, mas que temos que ser racionais e entender que não vai se carregar para outras. Levando em consideração isso e o fato de que o total de turnovers da equipe foi totalmente fora do normal, essa é uma regressão natural que devemos esperar que tire a defesa do Bears daquele patamar absurdo que esteve ano passado. Lembra daquela defesa do Steelers de 2008, que eu disse que foi a única superior em DVOA a essa do Bears temporada passada nos últimos oito anos, e que também foi muito boa forçando turnovers? Na temporada seguinte eles cairam para 9th overall em defesa e passaram de quarto em turnovers para 26th. Então é bem fácil entender que jogar nesse patamar depende de fatores muito além de simplesmente bons jogadores (embora é mais do que óbvio que quanto melhores forem seus jogadores, mais fácil é), e alguns deles não vão se manter para o ano que vem.

Na verdade, os problemas na defesa são muito maiores que uma regressão de "historicamente alto", algo que não seria exatamente um grande problema. O fato é que a defesa de 2013, mesmo desconsiderando todos esses fatores, já é esperada para ser uma unidade muito inferior do que foi ano passado. Em primeiro lugar, porque a equipe perdeu boa parte dos seus principais jogadores: Israel Idonije e seus 7.5 sacks (em apenas 12 jogos) foram para Carolina; Sedrick Ellis, veterano importante da linha defensiva, se aposentou; um possível substituto, Turk McBride, está fora da temporada por lesão; Nick Roach, LB, foi para o Raiders; o jogador que o time trouxe para reforçar os LBs, DJ Williams, machucou e pode perder algum tempo; e mais importante de todos, Brian Urlacher, a cara da Franquia nos últimos 13 anos, finalmente se aposentou. Esse último talvez seja o mais importante de todos, dentro e fora de campo: Urlacher não foi só um dos grandes jogadores defensivos da sua geração, mas era um líder do vestiário e dentro de campo. Em uma defesa que está perdendo tantos jogadores e fazendo uma transição para um grupo mais jovem, a perda da sua liderança e segurança vai ser algo a observar durante a temporada. E embora esteja mais velho e nem de longe tão dominante como quando ganhou Defensive Player of the Year, ele ainda é o jogador perfeito para jogar no esquema Tampa 2 que o Bears utilizada... E pior, um esquema que foi montado em torno dele. A diferença na defesa de Chicago com ele dentro e fora de campo foi abismal, e com DJ Williams podendo perder tempo, é uma perda que deixa um buraco enorme no meio da defesa de Chicago. Juntando tudo isso ao fato de que a grande performance de 2012 também foi motivada por "career years" vindo do nada de jogadores que nunca mostraram nada de excepcional como Tim Jennings (tente achar o erro na página dele no Pro-Football Reference. Em seis anos de NFL, ele totalizou 7 interceptações. Ano passado teve 9) e Kelvin Hayden, ou mesmo de jovens jogadores como Chris Conte e Major Wright (outro excelente nome) jogando acima do esperado deles, e também existem muitas dúvidas sobre a capacidade do time de repetir a performance base do ano anterior. 

Não estou falando que a defesa vai despencar para níveis Titans, mas é um problema. Muitos jogadores importantes saíram e mesmo em termos de performance existem muitas dúvidas sobre o que foi apenas um outlier de alguns jogadores ou uma nova tendência deles. Eu duvido demais que Tim Jennings de repente tenha virado Darrelle Revis depois de seis anos sendo um jogador mediano, por exemplo. Então mesmo que o time tenha mostrado um número muito interessante de jogadores jovens e da casa assumindo papeis maiores e jogando bem - Wright, Henry Melton, Corey Wootton - existe muita incerteza sobre como o Bears vai fazer para lidar com tantas perdas importantes e tantos buracos novos na equipe sem tanto espaço salarial.

Do outro lado, a é que o ataque do Bears seja, no papel, o melhor da equipe desde... Bom, talvez desde Walter Payton, talvez desde sempre, deixo essa pergunta para meu editor (Bears fanático). Mas com certeza absoluta posso dizer que é o melhor ataque que Chicago teve desde a chegada de Jay Cutler, porque pela primeira vez o Bears está dando a ele o apoio que ele precisa. A diretoria trouxe um excelente LT pela primeira vez em Jermon Bushrod, que permite que Webb mude para o lado direito (seu lugar de origem) e brigue por lá. Também usou uma escolha de primeira rodada (decisão idiota, mas enfim) em um OG chamado Kyle Long, outro que deve entrar e jogar imediatamente ao lugar de Bushrod dando ao Bears e a Cutler sua melhor linha defensiva em anos, algo que como já foi dito é um ingrediente crucial para um QB que precisa de tempo para passar a bola com seu braço de canhão e que não é o melhor jogador tomando decisões sob pressão. Além disso, a equipe adicionou um bom TE recebendo em Martellus Bennett, uma arma que a equipe precisava e que oferece a opção que tanto fez falta pelo meio e pelas laterais da linha, mesmo em opções de checkdown ou como um missmatch. Junte a grande melhora que a linha deve sofrer e a chegada de Bennett com as armas que já estão lá (em particular, Brandon Marshall) e um potencial breakout season para Alshon Jeffery, e de repente Cutler - no final final de seu contrato, vale lembrar - tem a sua disposição o melhor ataque que teve em Chicago desde que chegou. Se tem um momento para Cutler dar um salto de produtividade, é agora.

E tem mais um ponto importante: a equipe mudou de técnico, mandando Lovie Smith (o técnico menos criativo em termos ofensivos da história da NFL) para trazer do Canadá Marc Trestman, do Montreal Alouettes. Ainda que ser o melhor técnico da CFL por cinco anos não seja exatamente algo muito encorajador se tratando de seu primeiro emprego na NFL, o fato é que Trestman tem um longo histórico de sucesso como coordenador ofensivo na NFL, inclusive aqueles fortíssimos ataques do 49ers em 95 e 96 e a temporada de MVP de Rich Gannon no Raiders em 2002 (quando foram ao Super Bowl). E talvez mais importante, Trestman é um especialista ofensivo, algo que esse ataque de Chicago precisa desesperadamente, pois como eu disse eles têm feito um trabalho muito abaixo do seu potencial aproveitando seus talentos ofensivos. Então não apenas o Bears tem seu melhor ataque em anos no papel, como pela primeira vez tem um técnico que (pelo menos se espera que) seja capaz de montar esquemas criativos para utilizar ao máximo seu talento, aproveitando melhor Matt Forte, dando mais opções para Cutler e simplesmente tirando o ataque do fundo do poço.

Então o saldo que ficamos é esse: em 2012, o Bears foi um dos melhores times da NFL com base em uma defesa extremamente produtiva carregando um ataque bastante incapaz. Em 2013, tudo indica que a defesa deve sofrer uma piora considerável com base em regressão natural e a saída de diversos jogadores (embora não de para saber até que ponto), e seu ataque deve sofrer uma boa evolução já que reforçou suas três maiores deficiências (táticas, tight end, linha ofensiva). E aqui entra a dúvida: não da para saber qual vai ser a magnitude de cada um desses efeitos (piora defensiva e melhora ofensiva), não da para saber como isso vai afetar a equipe, e não da para saber qual vai ser o saldo, se o time será melhor ou pior em 2013. Tudo depende de como você enxerga o copo, meio cheio ou meio vazio. Se achar que a piora da defesa será mais significativa que a melhora do ataque, se achar que perder uma unidade tão dominante como a do ano passado será demais para um ataque que ainda não provou que pode produzir, então você provavelmente vê o Bears caindo consideravelmente essa temporada. Se achar que a defesa não deva sofrer tanto além das regressões naturais em turnovers e TDs, que a melhora do ataque vai permitir ao time maior flexibilidade para contar menos com sua defesa (facilitando adaptação), então provavelmente acha que Chicago vai ser tão bom como foi ano passado e brigar com o Packers pelo título da divisão (ou no mínimo Wild Card). É uma avaliação quase pessoal com tantos fatores de dúvida, e eu posso estar tão errado quanto o Gil Brandt quando ele disse que o melhor QB no Hall da Fama é o Roger Staubach. A única coisa que podemos dizer com razoável certeza é que a defesa tende a piorar e o ataque a melhorar, mas não temos nada concreto para indicar o quanto e qual vai ser o impacto final disso.

Para mim, a piora no patamar defensivo da equipe temporada passada vai ser grande demais para manter o Bears como um 11-5 simplesmente porque o nível desse grupo em 2012 foi alto demais e a queda não é apenas de "primeiro isolado" para "primeiro", provavelmente vai ser maior do que isso, e o ataque sozinho não vai conseguir acompanhar. Ainda assim, eu realmente acho que o ataque tem tudo para finalmente se encaixar e ter uma temporada produtiva, especialmente se a linha ofensiva segurar as pontas. Um dos palpites mais difíceis dessa série, mas é possível esperar algo algo um 9-7 do Bears como base, talvez até mais considerando que deve ter um calendário consideravelmente mais fácil em 2013. 9-7 é um bom começo, mas não me surpreenderia ver o time 10-6 e brigando por uma vaga nos playoffs... E também não me surpreenderia com um 8-8. Ainda não decidi muito bem o que acho do copo.