Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Previsões embasadas para a temporada 2015 da NFL

"Que que esse cara ta falando de mim ai?"


Infelizmente, por motivos de "emprego novo", faltou o tempo e a disposição para fazer uma cobertura decente da offseason da NFL (a exceção fica por conta da minha coluna favorita, o Running Diary do Draft da NFL), e também para fazer um preview da temporada. Peço desculpas aos que perguntaram e/ou pediram, mas infelizmente, não foi possível esse ano.

O máximo que eu fiz foi um post especial no Spin Bet com minhas apostas para a temporada 2015 da NFL, então se quer ler o que eu penso de alguns times/jogadores e dar risada quando eu perder dinheiro em Janeiro, recomendo muito que leia. 

Mas, para não deixar passar em branco, coloco aqui alguns pensamentos sobre a temporada que se aproxima. Sem falar demais ou sobre todo mundo, vamos ver quais times esse ano parecem se encaixar em diferentes "moldes" para a temporada regular.

Vamos começar com um exemplo, para facilitar, e dai seguimos no ritmo.

(Inspirado nessa coluna do ótimo Bill Barnwell)


O Time Que É o Grande Candidato a Regressão
Em 2014 foi: Carolina Panthers
Em 2015 pode ser: Detroit Lions

Em termos de análise, a temporada regular da NFL tem um grande problema: a amostra de 16 jogos é pequena demais, e como toda amostra pequena, sofre de todo tipo de desvios e influências externas que dificultam nosso entendimento dos fatos. Então enquanto que o que importa ao final da temporada é a campanha de cada equipe (na hora de classificar para os playoffs), esse resultado final nem sempre faz jus ao verdadeiro nível de uma equipe. Muitas vezes, um time conta com ajuda de fatores externos - sob os quais não tem controle - para atingir um resultado melhor do que deveria, e portanto passa a ser um enorme candidato a regressão: quando esses fatores "normalizarem" -e, sendo externos e além do controle da equipe, a tendência é que não se repitam - esse time vai ficar exposto a uma queda normal. Você pode ler mais a respeito dos principais indicadores disso - como Pythagorean Expectations, jogos decididos por uma posse de bola, fumbles recuperados, etc - nessa coluna de 2013 que continua extremamente atual. Outros fatores - como por exemplo mudanças no elenco, perdas para a free agency, lesões - também afetam, obviamente, as chances de um time de regredir de uma temporada para a outra. (PS. Importar frisar que isso pode acontecer para os dois lados. É muito comum um time bom terminar o ano abaixo do esperado devido a fatores externos, sendo assim um candidato a regredir positivamente no ano seguinte).

Esse ano, o grande candidato a regressão é o Detroit Lions. Apesar de terminar o ano passado com 11-5 e uma vaga nos playoffs, tudo indica que o time do Lions não era tão bom assim: seu Pythagorean Expectation (Sério, clique no link acima) diz que o time foi muito mais próximo de um time 9-7, ou seja, quase duas vitórias acima da sua projeção graças em parte a uma campanha de 6-1 em jogos decididos por uma posse de bola ou menos. Ambos os números são insustentáveis, e indicam que Detroit teve ter muito mais dificuldade de ter uma boa campanha em 2015. Times que superam sua PE em 2 jogos perdem, em média, 2.4 jogos a mais no ano seguinte.

Só isso já indicaria uma regressão considerável para Detroit, mas infelizmente para meu amigo Jalisno, os problemas não acabam ai. Em 2014, a grande força do time foi sua dominante linha defensiva, mas nessa offseason o time teve que lidar com as perdas de dois dos seus principais defensores, Ndamukong Suh (Dolphins) e Nick Fairley (Rams). O time trouxe Haloti Ngata para tapar esse buraco, mas ainda é uma perda considerável que enfraquece o que era a grande força da franquia. Entre esses dois fatores - a regressão natural, e a perda de Suh e Farley - é difícil enxergar Detroit repetindo seu 2015, e é um forte candidato a cair de produção.

Menção honrosa: Arizona Cardinals


O Time Que Promete Explodir Mas Decepciona
Em 2014 foi: Cleveland Browns
Em 2015 pode ser: Miami Dolphins

Em 2014, o Browns parecia o time pronto dar um salto e se tornar competitivo: uma boa e jovem defesa cheia de talentos, um ataque com uma boa linha ofensiva e um novo quarterback, e um calendário favorável. O time até mesmo começou o ano 7-4 antes de tudo desandar. Mas o saldo acabou sendo um fiasco: a defesa não evoluiu tão bem como o esperado, Josh Gordon foi suspenso, Manziel e Gilbert não renderam e tiveram problemas extra-campo, Alex Mack machucou, e o Browns teve mais uma temporada de fracassos.

Em 2015, o Bills é óbvio demais, um queridinho da offseason que causou impacto ao contratar nomes como Shady McCoy e Percy Harvin, mas que ainda tem Tyrod Taylor de quarterback e uma péssima linha ofensiva. Então ao invés de falar do Bills, que vai ser grosseiramente movido para menção honrosa, vamos falar de outro popular candidato a dar um salto em 2015: o Miami Dolphins.

Para ficar claro, não estou dizendo que o Dolphins vai ser um time ruim. Mas depois de contratar Ndamukong Suh o Dolphins se tornou um time frequentemente citado na hora de apontar as "surpresas" de 2015 ou times que tendem a melhorar e brigar pelos playoffs. E embora isso não esteja fora do alcance de Miami, também me parece prematuro ficar animado demais.

Suh sem dúvida é um grande jogador, e próximo a Cameron Wake e Olivier Vernon, a expectativa é que Miami tenha uma das melhores linhas de frente da liga. E pode até ser que aconteça, mas ainda assim, a defesa preocupa. O enorme dinheiro dado a Suh significa que o Dolphins não teve como adereçar suas enormes falhas entre os linebackers e na secundária, e portanto vai depender demais  da sua linha de frente para aguentar a barra por 16 jogos. Apesar de ter uma ótima defesa no começo do ano, a secundária do time despencou para uma das piores da liga na reta final, e sem ter contratado bons reforços na offseason, é difícil imaginar muita mudança nesse sentido. Apostar em um time muito focado no topo, com algumas estrelas mas pouca profundidade, é sempre arriscado, e o Falcons está ai pra lembrar que nem sempre funciona.

Outro ponto que faz muitas pessoas terem otimismo com o Dolphins é o QB Ryan Tannehill, que aparentou uma evolução em 2014 depois de subir seu aproveitamento de 60% para 66.4%. Muitos encararam isso como um sinal de que o jovem QB estava prestes a explodir. Mas ai você começa a olhar mais de perto, e percebe que apesar dessa aparente evolução, suas jardas por passe subiram apenas de 6.7 para 6.9, números um pouco abaixo da média. O que aconteceu então? Tannehill simplesmente passou a fazer passes mais curtos, de maior aproveitamento (por isso o salto em %) mas de menos jardas. Não que não tenha acontecido alguma melhora do jogador, mas muito foi uma mudança de esquema tático, e não tem muito a indicar que Tannehill esteja para explodir.

Considerando tudo, Miami deve ser um time decente que pode muito bem beliscar uma vaga de wild card na AFC, mas considerando os buracos do elenco (especialmente na defesa), ainda acho que não é a hora do Dolphins dar um salto rumo a relevância nos playoffs.

Menção honrosa: Buffalo Bills


O Jogador Desconhecido Que Explode no Lugar Certo
Em 2014 foi: Justin Forsett
Em 2015 pode ser: Joseph Randle

Uma escolha de sétima rodada em 2008, Justin Forsett tinha apenas 347 corridas na carreira antes de ganhar por default a vaga de RB titular do Ravens em 2014... onde imediatamente explodiu para 1266 jardas e 5.4 jardas por corrida (melhor marca da NFL) no esquema de bloqueios por zona do coordenador ofensivo Gary Kubiak. Esse esquema é famoso por transformar RBs anônimos em estrelas (Arian Foster, alguém?), e Forsett aproveitou a oportunidade para transformar sua carreira.

O maior candidato para ser o jogador "Lugar certo, hora certa" de 2015 é Joseph Randle. Lembra ano passado quando DeMarco Murray explodiu para 1845 jardas? Esse total teve mais a ver com a linha ofensiva do que você imagina. Escrevi sobre isso na época (na parte de "Offensive Player of the Year), mas Murray teve 2.3 jardas por corrida ANTES de sofrer qualquer contato ano passado, e a linha ofensiva de Dallas foi a segunda melhor no jogo terrestre (per PFF). Não que Murray não tivesse tido um ótimo ano, mas também teve muita ajuda da sua linha ofensiva. E agora quem está jogando atrás dessa fantástica linha ofensiva é Joseph Randle... que aliás teve 6.7 jardas por corrida em 2014 atrás dessa mesma linha. Claro que manter esse número é impossível, com uma carga maior, mas da uma amostra de que Randle se sentiu bem confortável nesse esquema tático.

O Dallas ameaçou fazer uma rotação no backfield, o que naturalmente iria limitar os toques de Randle e portanto suas jardas, mas o camisa 21 ainda deve ser o principal jogador nessa rotação de Dallas, e com um ótimo combo QB/WR abrindo espaços e jogando atrás de uma dominante linha ofensiva, Randle tem tudo para explodir em 2015 e, no mínimo, ganhar algumas ligas de fantasy por conta própria.


Jogador Subvalorizado Que Estoura Na Situação Certa
Em 2014 foi: Golden Tate
Em 2015 pode ser: DeAndre Hopkins

Eu sou suspeito para falar, pois sou um grande fã de Golden Tate desde antes do Draft, ainda em seus dias em Notre Dame. Lembro especificamente de estar falando com meu amigo e colega Marcelo Ferrantini - hoje comentarista do Esporte Interativo - uma noite de NCAA quando Tate anotou um touchdown depois de driblar 24 jogadores (ok, foram uns 10, mas ainda assim) do time adversário que nos fez imediatamente parar a conversa e ficar meia hora no telefone trocando grunhidos como "Wow" e "Caaaara..." por causa do touchdown. Enfim, fato é que Tate se tornou o principal alvo do campeão Seattle antes de sair na offseason para Detroit... onde imediatamente teve uma temporada de 99 recepções, 1300 jardas e se estabeleceu como um dos melhores WRs da NFL. Não é que Tate tenha se tornado um bom WR em 2014 - ele já era ótimo em Seattle, mas era mais difícil de perceber isso em um ataque muito mais voltado para o jogo terrestre (Seattle foi o time que menos vezes passou a bola entre 2012 e 2013). Em 2014, em um ataque muito mais aéreo, Tate assumiu o papel de principal WR com a lesão de Megatron e mostrou todo seu arsenal, sua capacidade de quebrar tackles e seu incrível dinamismo após a recepção. Hoje, todo mundo reconhece Tate, mas ele precisou explodir na situação certa para isso.

Em 2015, meu candidato a isso é DeAndre Hopkins, o que de certa forma é trapacear, porque Hopkins já é um dos melhores WRs da NFL. Apesar de receber passes de Ryan Fitzpatrick, Case Keenum e Ryan MAllett e ser apenas a segunda opção de WRs do seu time, Hopkins terminou 2014 12h em jardas recebidas com 1220. Eu já citei que Hopkins estava no seu segundo ano na NFL? O camisa 10 já é um ótimo WR, falta o reconhecimento.

Esse reconhecimento deve enfim vir em 2015. Não é a toa que eu apostei em DeAndre Hopkins para liderar a liga em jardas recebidas essa temporada. Com Andre Johnson - que teve 147 passes lançados na sua direção - fora da cidade, o palco é todo de Hopkins para brilhar, algo que se torna ainda mais verdade considerando a lesão de Arian Foster e o tempo que o RB deve perder. Mesmo com QBs fracos (Brian Hoyer e Mallett), os passes ainda precisam ir na direção de alguém, e sem Johnson então Hopkins é o óbvio alvo de boa parte desses passes - ainda mais sem o RB que deveria ser o foco do time, forçando a equipe a passar ainda mais. Hopkins é um ótimo candidato a ter uma temporada incrível em 2015 que vai te deixar se questionando porque nunca tinha prestado mais atenção nele antes.

Menção honrosa: Davante Adams


A Grande Contratação Que Fracassa
Em 2014 foi: Michael Johnson
Em 2015 pode ser: Julius Thomas

Michael Johnson era um dos melhores DEs da NFL jogando em Cincinnati quando virou Free Agent e recebeu 43M de dólares do Tampa Bay Buccaneers em uma das grandes contratações da offseason. Foi um fracasso: Johnson teve apenas 4 sacks na temporada e, longe de Mike Zimmer e Geno Atkins, foi um dos piores jogadores da temporada 2014. Depois de apenas um ano na Flórida, o Bucs cortou Johnson, que voltou para o Bengals essa offseason.

O grande candidato a fracasso milionário dessa offseason tem que ser Julius Thomas, que recebeu um contrato de 5 anos, 46M do Jaguars. Deixando de lado os valores por um instante, primeiro tem uma pergunta a ser feita: nós temos certeza que Julius Thomas realmente é tão bom assim?

Um calouro da quarta rodada do Draft de 2011, Thomas teve uma recepção para 5 jardas nos seus dois primeiros anos de NFL antes de Peyton Manning fazer dele uma estrela, indo para dois Pro Bowls consecutivos com 24 touchdowns em dois anos. Mas Thomas é um jogador bastante limitado: um dos piores bloqueadores da NFL, Thomas também não é um bom jogador quando se trata de receber passes em espaço, sendo um corredor de rotas medíocre. O que Julius Thomas tem é um físico enorme, o que o torna um alvo fantástico na end zone, como atestam seus 24 touchdowns. Mas fora da end zone, não sei se Thomas realmente adiciona muito: nesses mesmos dois anos, o TE teve apenas 1277 jardas recebidas, uma marca medíocre, especialmente considerando que passou esse tempo em alguns dos ataques mais produtivos da história da NFL. E isso antes de lembrar que seu QB nesse tempo foi Peyton Manning, um mago que tem um longo histórico de transformar jogadores medianos e/ou unidimensionais em estrelas com esquemas inteligentes, audibles geniais e passes fora de série. Tire todos os fatores que não devem se repetir em Jacksonville, e a verdade é que Thomas é basicamente um humano muito grande, que pode causar estrago na end zone mas pouco mais faz pelo time. Não é exatamente o tipo de jogador que você quer essa bolada. É um erro clássico -e mortal - overpay um jogador mediano pela sua produção dentro de um sistema muito específico e esperar que ele produza igual em outra situação.

Eu entendo que Jacksonville - o segundo pior time na Red Zone em 2014 - queira um jogador para facilitar os touchdowns próximos para ajudar seu ataque e o desenvolvimento de Blake Bortles. Mas ao mesmo tempo, qual a vantagem de ter um ótimo alvo de end zone se, para começar, seu time não chega lá? O Jaguars foi o time com menos posses de bola na red zone da liga - 28 em 16 jogos - e, como foi dito, Thomas pouco vai ajudar nesse aspecto, já que sua maior força é converter os passes dentro da linha das 20 jardas. Da para entender buscar um jogador que pode corrigir uma fraqueza, mas não da para justificar pagar a esse jogador um excesso de dinheiro que poderia ser muito melhor empregado corrigindo outras áreas mais importantes do time.

Além do que, o Jaguars deveria ser o primeiro time a ficar esperto na hora de pagar TEs limitados que anotam toneladas de touchdowns. Em 2010, Marcedes Lewis teve a temporada da sua carreira, sendo um monstro na end zone e anotando 10 touchdowns na temporada, eventualmente ganhando uma vaga no Pro Bowl. Inspirados por esse sucesso, o Jags renovou seu TE por 35M de patacas ao final da temporada... só para ver Lewis anotar 10 touchdowns nos 4 anos desde então. Somados. A situação não é a mesma, claro, mas é o tipo de experiência que deveria fazer Jacksonville pensar duas vezes antes de overpay um jogador como Thomas.

Menção honrosa: Byron Maxwell


O Jovem Time Que Explode de Produção
Em 2013 foi: Carolina Panthers
Em 2014 foi: Ninguém
Em 2015 pode ser: Minnesota Vikings

Eu tenho estado na Vikings Bandwagon desde 2014e , com um ano de delay, digo que agora vai: ESSE É O ANO!

Times "jovens e promissores" sempre são perigosos, porque embora as vezes um time entregue o que prometeu e seja realmente divertido, também acontece muitas vezes de um time ficar preso tempo demais nesse "quase", sem nunca realmente dar o salto de produtividade que precisa para ser um contender. As vezes é porque o talento em mãos nunca se desenvolve como esperado; as vezes por puro azar, por estar no lugar errado na hora errada; e as vezes porque o time foi overrated desde o começo. É mais comum que times jovens e promissores decepcionem e continuem medianos do que realmente atingirem seu potencial.

Dito isso, eu estou bastante confiante no que tange ao Minnesota Vikings de 2015, porque embora tenha sido aos poucos e as vezes sem chamar a atenção, esse time está LOTADO de grandes talentos, do começo ao fim. Vocês já devem ter percebido isso pelas minhas apostas, mas eu estou esperando um grande salto de produção da equipe.

Antes de mais nada, Minnesota deve ter uma das melhores defesas da liga. Apesar da inconsistência em 2014, normal dada a pouca idade do time, o Vikings terminou o ano 9th em defesa pela PFF, e tem tudo para explodir. Para começar, Minnesota deve ter uma das melhores secundárias da NFL: Harrison Smith é o melhor safety da liga não chamado Etan Thomas (Smith nunca ter ido a um Pro Bowl é um crime), e seu parceiro na retaguarda Robert Blanton finalmente desabrochou em 2014, formando uma das melhores duplas de safeties da liga. Xavier Rhodes e Captain Munnerlyn formam uma sólida dupla de cornerbacks, e com a chegada de Trae Waynes (escolha de primeira rodada no Draft de 2015) Munnerlyn pode enfim dedicar a maioria do seu tempo ao slot, formando assim um ótimo trio de cornerbacks. Todo mundo sabe que Seattle usa Game Shark, mas entre as defesas normais, Minny tem tudo para ter a melhor secundária da liga.

Além disso, a linha de frente de Minny também é uma força a ser considerada. Sharif Floyd e Anthony Barr são duas jovens estrelas em ascenção, Everson Griffen explodiu em um papel mais integral depois de receber uma bela extensão, Gerald Hodges e Audie Cole tiveram ótimas temporadas, e o time enfim conseguiu solucionar seu maior problema (a falta de um bom MLB) selecionando o ótimo Eric Kendricks no Draft. É muito talento em uma defesa só, e com as importantes chegadas de Waynes e Kendricks, um ano a mais de evolução para os jovens talentos, e um ano a mais sob o comando do guru defensivo Mike Zimmer, essa é a aposta mais segura da temporada para dar um grande salto defensivo.

E do lado ofensivo, apesar de algumas falhas importantes, o Vikings também parece pronto para melhorar consideravelmente. Eu sou suspeito para falar por ser fã do cara desde o College (e um dos seus maiores defensores na época do Draft), mas Bridgewater foi de longe o melhor quarterback calouro de 2014 e um dos melhores da NFL, ponto, durante a reta final da temporada. Ter um bom QB é sempre ótimo na NFL, e um ótimo QB em um contrato de calouro é o tipo de ativo que pode mudar um time inteiro (ver: SEAHAWKS, Seattle). E agora Bridge terá ajuda de Adrian Peterson, que foi o melhor RB da liga não muito tempo atrás, e reforços no jogo aéreo com a chegada de Mike Wallace. A linha ofensiva - um dos maiores problemas em 2014 - ainda é ruim, e isso limita consideravelmente o potencial desse ataque, mas se conseguir evoluir o suficiente para ser sólido e a defesa der o salto esperado, já é o suficiente para fazer de Minnesota um time muito assustador. Não é o tipo de time que eu queria ver pela frente em 2015.

Por falar nisso, deixa eu ver contra quem meu time joga essa semana...

... fuck.

Menção honrosa: Saint Louis Rams


O Nome Grande Que Cai Em Um Time Novo
Em 2014 foi: Hakeem Nicks
Em 2015 pode ser: LeSean McCoy

LeSean McCoy ganhou muitas manchetes quando foi para Buffalo em troca de Kiko Alonso, e muito mais hype sobre como agora o Bills iria finalmente engrenar um bom ataque terrestre. Eu acho que não será o caso, e acho que McCoy vai ser uma frustração para o Bills e para quem pegou ele na primeira rodada do fantasy (algo que eu evitei como a praga). Me permita explicar.

Primeiro de tudo, embora McCoy seja um bom RB, eu acho que o camisa 25 acabou overrated por causa do seu ótimo 2013, onde acumulou números fantásticos dentro do esquema revolucionário e ultra-veloz de Chip Kelly: 1607 jardas corridas, 2146 jardas totais, 11 touchdowns. Esse é o tipo de outlier que você precisa tomar cuidado, especialmente se foi atingido dentro de um esquema extremamente favorável e diferente do novo.

Segundo, McCoy regrediu visivelmente em 2014. Sua relação de jardas por corrida caiu de 5.1 para 4.2, apenas a vigésima segunda melhor marca da NFL (min. 100 corridas), o que fica ainda mais medíocre quando lembramos que o Eagles não só tem um ótimo esquema ofensivo como também teve a melhor linha ofensiva no jogo terrestre de 2014. Para efeito de comparação, no mesmo esquema e com a mesma linha, Darren Sproles teve 5.8 jardas por corrida. Individualmente, McCoy não teve uma boa temporada - suas 1300 jardas são mais devido a sua ótima linha ofensiva e alto número de corridas, e o RB também teve as piores marcas da carreira em touchdowns (5), fumbles (4) e jardas recebidas (150). E embora seja normal esperar flutuações nas temporadas dos jogadores e um ano em queda não queira indicar uma tendência, vale citar que desde 2011 McCoy é o segundo jogador com mais corridas e o jogador com mais toques entre todos da NFL, só que não é um monstro físico como Lynch (primeiro no primeiro e segundo no segundo quesito. Sim, isso faz sentido. Releia). RB tendem a decair cedo, especialmente com uma carga grande. Não quer dizer que SEJA o caso, mas algo para ter em mente

Terceiro, muito se falou sobre o Bills finalmente ter um bom RB e escapar da ineficiência e improdutividade de jogadores como CJ Spiller (3.8 jardas por corrida em 2014) e Fred Jackson (3.7). No entanto, a poucas pessoas ocorreu que talvez essa falta de produção não seja exatamente um problema dos running backs - de fato, o site ProFootball Focus, que da notas baseado nos feitos individuais dos jogadores, colocou Fred Jackson como um RB acima da média em 2014. A verdade é que o Bills teve a PIOR linha ofensiva bloqueando para a corrida em 2014, e quando você não tem espaços, é bastante difícil correr mesmo, seja você Spiller, Jackson, McCoy ou Barry Sanders. Em 2014, Jackson teve 2.3 jardas por corrida DEPOIS do contato, marca igual a Le'Veon Bell, Mark Ingram, Frank Gore e Justin Forsett (líder da NFL em jardas por corrida, btw). E, claro, .2 melhor do que LeSean McCoy. Ele simplesmente não tinha para onde correr. O maior problema do time não foi o jogador, e sim sua horrível linha ofensiva.

Desses três pontos, é o terceiro que mais me faz temer por McCoy em 2015. McCoy está no seu melhor operando em espaço, quando pode usar sua absurda agilidade para desviar de marcadores e encontrar espaços para explodir, mas não é um jogador particularmente produtivo quando precisa operar nas trincheiras e fazer algo acontecer sem ajuda dos bloqueadores. Dos 18 RBs em 2014 que tiveram pelo menos metade das corridas do time, McCoy foi o segundo PIOR conseguindo jardas e quebrando tackles quando não estava sendo ajudado pelos bloqueadores, ganhando apenas de Andre Ellington. E acontece que, a não ser que algo mude drasticamente em Buffalo, é exatamente isso que McCoy vai ter que fazer em sua passagem por lá, tanto pela péssima ajuda que terá com bloqueios e espaços, tanto pela preferência do coordenador ofensivo Greg Roman de jogar um jogo fisico e de atrito pelo chão. Basicamente você está tirando McCoy da melhor situação possível (excelente e variado esquema ofensivo, ótima linha, muitos espaços e jogadas em campo aberto) para ele e colocando-o na pior (nenhuma ajuda dos bloqueios, poucas armas, pouca ajuda do jogo aéreo, poucas jogadas em espaço, muita necessidade de achar espaço na força), e isso indica um ano muito complicado para o ex-jogador do Eagles.

Menção honrosa: Brandon Marshall

Palpites oficiais para a temporada 2015 da NFL

AFC East: New England Patriots
AFC North: Baltimore Ravens
AFC South: Indianapolis Colts
AFC West: Denver Broncos
AFC Wild Card: Pittsburgh Steelers, San Diego Chargers

NFC East: Philadelphia Eagles
NFC North: Green Bay Packers
NFC South: New Orleans Saints
NFC West: Seattle Seahawks
NFC Wild Card: Minnesota Vikings, Saint Louis Rams


Podem começar a xingar!

segunda-feira, 10 de março de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - NFC (parte II)


"Pega essa flag e enfia no...!!!!"


AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Depois, falamos em duas partes sobre os times da AFC que não foram aos playoffs (Parte I e Parte II). Agora, é hora de falar dos times da NFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro. Tivemos a Parte I com os times das NFC East e South. Agora é hora de falar dos cinco times restantes.

Para facilitar (AKA Carnaval), esse post também foi dividido em duas partes.


Times da NFC fora dos playoffs (Parte II)


Chicago Bears

A grande história dessa offseason para o Bears foi a renovação de contrato de Jay Cutler, um contrato de 7 anos e 126M. Muita gente - corretamente - achou que era um contrato absurdo tanto em duração como em valor para um QB de 31 anos (em Abril) que tem dificuldade ficando saudável e que nunca foi muita coisa em Chicago desde que foi adquirido de Denver. Ele é um sólido QB em geral, mas é instável, nunca fez nada para justificar um contrato que lhe pague mais que os de Matt Ryan, Peyton Manning ou Ben Roethlisberger... e talvez mais importante, o Bears vem de uma temporada na qual Cutler foi substituido (quando machucado) por um veterano de 34 anos que não era titular na NFL desde 2004, e conseguiu com ele produção igual ou superior da que Cutler proporcionou em meio a um ataque muito completo. Então o contrato realmente foi causa para questionamentos.

Embora o contrato seja questionável, o fato é que o Bears o montou muito bem. A duração e o valor do contrato enganam um pouco a primeira vista: embora o contrato seja de 7 anos e 126 milhões, só os primeiros três anos (e os 54M de salário base desses três anos) são garantidos, sem nenhum tipo de bônus. Em outras palavras, embora o Bears esteja totalmente preso a ele e seus salários imensos pelos próximos três anos, depois disso o time já pode cortar o QB sem nenhum custo adicional ou dinheiro morto no salary cap, então não é como se o time fosse ficar preso a Cutler por esses sete anos. Ainda que me pareça demais pagar 18M anualmente (a anualidade do contrato dele não é igual para os três anos, mas essa é a média) para um QB como Cutler quando você consegue produção igual ou melhor de um QB mediano como Josh McCown, o fato é que o contrato foi bem estruturado e oferece opções para Chicago, que manda uma mensagem clara de que acredita que Cutler seja sua melhor chance de sucesso no curto (e talvez médio) prazo.

Mas por melhor estruturado que seja o contrato para proteger a folha salarial futura de Chicago, o fato é que pelo menos por três anos, o time vai ter um contrato imenso entupindo sua folha salarial. O que, claro, gera para Chicago um problema semelhante ao que Joe Flacco gera para o Ravens: deixa o time sem flexibilidade salarial para a free agency. Hoje, Chicago tem apenas 8M livres para contratar jogadores e renovar com os seus, e se quiser aumentar esse valor vai ter que dispensar Julius Pepper (10M), vindo de temporada decepcionante, Lance Briggs (5M, mas foi o melhor defensor de Chicago em 2013 mesmo perdendo metade dos jogos) e/ou Earl Bennett (2.5M).

O problema, como vocês talvez tenham reparado, é que dois desses jogadores - e mais os quatro principais free agents do time, Henry Melton, Charles Tillman, Landon Cohen e Major Wright - são todos jogadores da defesa, e pior, a defesa de Chicago foi um enorme fiasco em 2013. Parte disso foram as lesões - jogadores como Melton, Briggs, Stephen Paea e DJ Williams perderam bastante tempo machucados, por exemplo. Mas isso não muda o fato de que Briggs foi o único defensor acima da média de Chicago em 2013, e que o time tem uma TOTAL falta de talento em todas as posições. Se Briggs for mesmo dispensado para abrir espaço salarial, quem sobra de defensor que tem lugar garantido na equipe? Jay Ratliff vai jogar de DT com seu contrato recém-assinado e o time espera que ele possa render perto do que rendeu no Cowboys, mas é uma aposta grande; Stephen Paea é um sólido titular quando saudável, o que não foi em 2013 (nem saudável, nem sólido titular quando jogou) e deve fazer a dupla de DT; Tim Jennings tem um contrato longo e caro e deve ser o CB titular, mas apesar das interceptações ele é mediano no máximo... quem mais? Quem vai cobrir o meio do campo com Briggs e DJ Williams fora? Quem vai pressionar o QB sem Julius Peppers (que foi mal nisso em 2013, mas para ser sincero, ninguém foi bem além de Landon Cohen, e ele mesmo foi apenas ok)? Quem vai jogar na secundária? Por conta de lesões, dispensas, idade e aposentadorias, Chicago não ficou com alguns buracos na defesa, a defesa inteira é um buraco!

Então mesmo que Chicago consiga liberar esses 25M de folha salarial com todas as dispensas, ainda vão ter muito trabalho para montar uma defesa competente. O principal alvo do time parece ser Michael Bennett, vindo de uma temporada espetacular com Seattle e que seria tudo que Peppers não foi em 2013, mas tamb ém ocuparia sozinho uns 8-9M dessa folha salarial, e ele não vai resolver todos os problemas. Chicago tem tudo para ser um time bastante ativo em busca de defensores nessa free agency, e se quiserem ir aos playoffs com Cutler, precisam de jogadores de impacto o quanto antes. 


Detroit Lions

A ex-garantia nos playoffs da NFL que virou piada perdendo 6 de seus 7 últimos jogos na temporada fez a coisa que todo mundo estava louco para vê-los fazendo: demitiu o péssimo técnico Jim Schwartz, um dos fatores que mais estava atrapalhando um bom time (Detroit terminou 7-9 com Pythagorean Wins de 8.5-7.5, segundo ano consecutivo que o time termina a pelo menos 1.5 vitórias atrás do que devia). Ok, o substituto que eles acharam foi o fraquíssimo Jim Caldwell, que me parece uma pequena overcorrection: depois do fracasso do ultra-descontrolado Schwartz, foram atrás de Caldwell, que não esboça nenhuma emoção sob nenhuma circunstância e parece estar eternamente preso em uma expressão de coitado. Mas estou fugindo da questão: o time corretamente se livrou de um de seus maiores problemas, mas depois de ser recusado por Ken Whisenhunt e não ter sucesso com Lovie Smith, foi atrás de um técnico muito fraco, que não é o ideal para um time com talento que tem repetidamente acabado abaixo do que deveria. 

A boa notícia para o Detroit é que o time tem uma base excepcionalmente talentosa em mãos, dos dois lados da bola. O Lions tem sido o melhor time da NFL nos últimos anos desenvolvendo jogadores de linha ofensiva, com uma das melhores da NFL pelo segundo ano consecutivo mesmo perdendo dois titulares entre 2012 e 2013, e o guard calouro Larry Warford pode ser o melhor calouro de 2013 que ninguém conhece. Eles tem um bom QB (ainda que inconsistente) em Matt Stafford (btw, para so que acham que Stafford é um caso perdido, ele é só 4 meses mais velho que Ryan Tannehill), e o melhor WR da NFL em Calvin Johnson, e começaram a ter algum sucesso correndo com a bola em 2013, algo que deve ser uma parte maior de seu ataque para 2014. Defensivamente, o time sai de um bom 2013 com uma das melhores bases jovens da NFL: Ndamukong Suh e Nick Fairley podem formar a melhor dupla de DTs da NFL, Ziggy Ansah mostrou muito potencial como calouro apesar de cru e deve assumir a titularidade, Stephen Tulloch e DeAndre Levy solidificaram o meio da defesa, e Glover Quin jogou muito bem no seu primeiro ano em Detroit. O time tem problemas, claro, mas poucos tem uma base tão talentosa na NFL dos dois lados da bola, muito menos tão jovem como essa.

Detroit tem, como todo time nessas condições, alguns buracos atrapalhando o time. No ataque, o grande problema é a falta de complemento a Megatron. Nenhum - NENHUM - WR do time foi sequer "competente" em 2013, e aliado isso a falta de um bom TE, deixa Stafford e Megatron como a mais manjada combinação de passe da NFL. Claro que ela ainda funciona, mas esse ataque iria ser extremamente mais assustador se o time tivesse outro bom WR e um bom TE para atrair atenções da defesa ou se beneficiar da marcação extra (e por "extra" leiam "tripla") que as defesas dedicam a Megatron. Defensivamente, o grande problema tem sido a secundária. O time é extremamente forte na frente, mas Louis Delmas é FA e só sobra Glover Quinn como um bom jogador nessa unidade, depois que Chris Houston decepcionou em 2013. 

Detroit tem o suficiente para brigar pelos playoffs imediatamente, se Jim Caldwell conseguir ser sequer competente (e mesmo não gostando de Caldwell, acho que ele não vai ser tão prejudicial como Schartz), mas o time precisa adereçar esses problemas se quer continuar crescendo. O time tem apenas 10M em salary cap, o que prejudica consideravelmente suas pretensões, e embora deva receber algum alívio nisso quando Suh finalizar seu novo contrato, dificilmente terá condições de ser um time ativo na FA. Minha expectativa é que o time tente resolver seu problema ofensivo no Draft - um draft extremamente forte em WRs do qual o time pode facilmente sair com Mike Evans ou Marquise Lee da primeira rodada - e tente adicionar alguns veteranos baratos na defesa de menor impacto enquanto esperam um 2015 mais favorável salarialmente (o mercado de CBs está muito bom, e tem alguns jogadores de menor expressão ou mais veteranos que seriam interessantes como um complemento). A margem de manobra é pequena, mas a recompensa pode ser muito grande.


Minnesota Vikings

Esse é complicado. Vamos começar da declaração recente de Adrian Peterson de que com Michael Vick de QB, o time estaria indo aos playoffs. Mas vamos mudar um pouco, passando de "Michael Vick" para "um bom QB" (que não necessariamente é o caso de Vick, mas nunca se sabe), porque esse tem sido o grande problema do Vikings desde que Brett Favre aposentou: Christian Ponder foi um bust, ninguém mais rendeu, e embora Matt Cassell tenha sido competente ano passado e tenha renovado seu contrato, acho que todo mundo sabe que ele não é o cara que vai resolver as coisas por lá.

A primeira pergunta é, um QB teria condições boas de jogo em Minny, com um bom elenco de apoio? A verdade é que teria. Em 2013, o time teve uma sólida e jovem linha ofensiva que estará de volta, e embora ela ainda seja melhor correndo do que protegendo o QB, ela também se mostrou promissora nesse sentido, com quatro OL (mais um TE e um FB) tendo notas positivas em pass protection em 2013. O QB também contaria com a presença de um dos melhores RBs da liga em Adrian Peterson, um cara capaz de ser o foco do ataque, encurtar descidas, abrir a defesa e tornar MUITO mais fácil a vida em play actions pelo mundo (em 2013, as defesas consistentemente colocavam 8 ou 9 jogadores na linha para segurar AP apenas deixando ENORMES espaços para um QB aproveitar... que não foram aproveitados pela falta de um QB). E por fim, o time conta com um corpo interessante de WRs, com Greg Jennings, Cordarelle Patterson e o interessante Jairus Wright (e Jerome Simpson também, se voltar, mas acho difícil), além de uma dupla de TEs (Kyle Rudolph e John Carlson) que mostrou ser promissora tanto bloqueando como recebendo. Falta aquele WR de segurança pelo meio, e um TE mais dominante (ao invés de dois acima da média) seria ótimo, mas é uma boa base para um QB ser colocado, seja ele Vick ou qualquer outro.

E defensivamente, será que ela consegue segurar? Bom, isso é um problema bem maior, porque a defesa foi bem mal em 2013 e não apresenta muitos sinais de melhora. O melhor defensor do time em 2013 (Kevin Williams) e o jogador mais dominante individualmente (Jared Allen) não devem voltar, e isso é um problema para uma defesa que foi a sexta pior da NFL em 2013 em DVOA e pior em pontos cedidos. O time inteligentemente renovou com o promissor Everson Griffen (embora a um valor absurdo), Harrison Smith deve ajudar com uma temporada inteira saudável e Xavier Rhodes se mostrou interessante como calouro, e embora Shariff Floyd tenha decepcionado, a saida de Williams deve abrir mais espaço para ele ser titular e se desenvolver... Mas ainda falta muito para essa defesa conseguir lidar com as potências da NFC. O time precisa de mais pass rush além de Griffen e Brian Robison (sim, Robison), Chad Greenway foi muito mal em 2013 jogando fora de posição, e a secundária ainda precisa de muitos reforços antes de sequer ser considerada "decente" (quarta pior em 2013). Além disso, acho que o impacto da saída de Williams e Allen vai ser mais sentida do que parecem a princípio, com Griffen e Robison não tendo mais os espaços gerados pela marcação dupla no camisa 69 e Williams deixando de existir como o pilar da defesa ocupando dois bloqueadores. A boa notícia é que o time tem muito espaço salarial - 40M antes de contar os salários de Griffen e Cassell, o que deve deixar uns 26M sobrando - e essa é uma free agency interessante do lado defensivo da bola. Esperem um bom DE (Micahel Johnson?) e um CB ou mesmo safety (Aqib Talib? TJ Ward?) sendo os principais alvos do time, mas mesmo assim, essa defesa ainda me parece algum tempo distante de ser a defesa de um candidato ao título na forte NFC, QB novo ou não.

Então acho que Peterson, embora não totalmente absurdo, não esteja tão certo achando que só um QB é o que falta para o time decolar. O ataque sem dúvida tem potencial para ser bom com um upgrade na posição, mas a defesa não vai acompanhar de imediato. O que, para mim, não é um problema, considerando que a defesa tem alguns talentos jovens de base mas precisa de muita coisa nova por cima, e o ataque é composto principalmente de jogadores jovens e veteranos com contratos que ainda duram bastante. Vencer agora seria ótimo, mas não é como se Minny tivesse um núcleo veterano e caro que precise vencer logo para não desperdiçar alguns bons jogadores. Se algum time tem uma base que pode esperar, é Minny.

Claro, ainda tem o problema do QB a ser resolvido, e tenho certeza que o Vikings quer vê-lo resolvido o quanto antes, porque é o que falta para o ataque do time se acertar. Minnesota tem a 8th escolha do próximo draft, e adoraria que um jogador do trio Manziel-Bridgewater-Bortles sobrasse para eles nessa escolha. A chance é real: quatro times na frente do Minnesota tem necessidade de QB, mas o Texans parece estar avaliando o mercado de veteranos e tem boas chances de escolher Jadeveon Clowney, e se ele não escolher, o Jaguars pega. Aliás, o Jaguars é um time interessante, que renovou com Chad Henne e talvez não esteja tão desesperado atrás de um QB, e é possível que ou eles ou o Raiders optem pelo caminho de "escolher o melhor jogador disponível independente de posição", que pode significar Sammy Watkins. É uma aposta que um dos três QBs caia até a 8th pick, mas é possível, e caso não aconteça, o time já mostrou que não tem nenhum pudor de trocar muitas escolhas valiosas para subir no draft para pegar quem eles querem, então podem muito bem entrar no final da primeira rodada com uma troca para pegar Jimmy Garopollo ou Zach Mettenberger. Mas vai ser interessante ver como o time resolver esse problema, ou mesmo SE direciona recursos demais a isso no momento com Cassell de volta ganhando 5M por ano.


Arizona Cardinals

Como o dono de um dos meus twitters favoritos e uma das interações mais legais da internet, Neal Kendrick (torcedor do Seahawks) disse, você poderia fazer um excelente argumento que no final da temporada o Cardinals era o terceiro melhor time da NFC depois de Seattle e San Francisco. Você pode concordar ou não com a afirmação, mas definitivamente pode fazer um argumento: Arizona teve a segunda melhor defesa da temporada regular, achou um ataque dinâmico em volta do RB calouro Andre Ellington e sua dupla espetacular de WRs titulares (Larry Fitzgerald e Michael Floyd) e foi 7-1 entre as semanas 8 e 16 (incluindo uma vitória sobre o Seahawks EM Seattle) para chegar na semana 17 ainda com chances de playoffs, mesmo enfrentando um dos três calendários mais difíceis da temporada.

Ironicamente, os dois fatores que seguraram o time em 2013 foram seu QB, e seu técnico. Bruce Arians recebeu muitos elogios por seu trabalho como técnico em Arizona e até consideração para Coach of the Year, e ele fez muitas coisas boas, mas uma das mais inexplicáveis foi manter Rashard Mendenhall de RB titular com suas 3.2 jardas por corrida e absolutamente se recusar a usar o muito mais explosivo Ellington (5.5 jardas por corrida e um dos RBs mais dinâmicos da temporada recebendo passes). Até entendo ter um RB mais "tradicional" para mover as correntes e usar o mais dinâmico Ellington em situações não convencionais, mas essa lógica passa a ser ridícula quando seu RB "convencional" é um dos piores da NFL. E em termos de QB, quando seu QB titular é um veterano de 34 anos que foi trocado 2x nos últimos três anos depois de se recusar a jogar pelo seu time da época, e ele lança 22 interceptações... isso é um problema.

Fato é que Carson Palmer não foi horrível em 2013, mas certamente não foi bom. 24 TDs, 22 interceptações e mais altos e baixos do que uma temporada de Dexter, ele foi basicamente um QB médio e muito inconsistente (sério, vejam seus game logs: ele teve seus melhores jogos contra Atlanta, Jacksonville, Indy, Tennessee e Saint Louis e os piores contra Carolina, San Francisco, New Orleans e principalmente Seattle). Ele continua no time para 2014 (cortar Palmer custaria ao time quase 7M em dead money, embora salve 5M do salary cap), e é uma incógnita em qual direção Arizona vai se mover. Enquanto Palmer for o titular do time, ele provavelmente vai continuar sendo esse cara mediano de alto risco, e é difícil imaginar esse time dando um grande salto de produtividade, mas Arizona não parece em uma situação ideal para resolver essa questão agora. O mercado de QBs hoje é basicamente composto de veteranos medianos (eles não precisam de outro) ou jovens sem experiência com preçøs inflacionados (btw, NINGUÉM vai pagar uma 2nd round pick por Kirk Cousins ou Ryan Mallett) e dificilmente um dos três principais QBs do draft sobraria para o Cards. E enquanto me parece o time ideal para pegar um QB mais cru na segunda ou terceira rodada e deixá-lo um ano desenvolvendo atrás de Palmer, é difícil imaginar que Palmer não vá ser o titular do time em 2013.

Isso limita o potencial ofensivo do time, mas é favorável a tentar resolver o problema de forma arriscada e extremamente cara (AKA trocar por Kirk Cousins ou Mallett, ou trocar mundos e fundos para subir no draft e tentar um QB melhor). Enquanto isso, o time deve direcionar seus 22M de cap space e escolhas de draft para resolver o outro enorme problema da equipe: linha ofensiva. O Cardinals teve uma das três piores OLs da NFL em 2013, com NENHUM dos seus lineman terminando o ano com uma nota positiva (per ProFootballFocus). O mercado de LTs está muito interessante (Eugene Monroe, Brandon Albert ou Jared Veldheer seriam ótimas adições), e embora só um LT não iria salvar essa péssima linha ofensiva, é um bom começo. Um desses jogadores ainda iria deixar um bom espaço salarial, e o time poderia pegar jogadores a custos menores ou mesmo no draft para pelo menos completar os cinco titulares que precisa. Uma linha competente pode significar mais tempo e calma para Palmer no pocket, e isso pode ajudar bastante mesmo que o time não arrume um QB novo.

O Cards tem outras áreas de necessidade - um outro safety, um pass rusher e um TE quebra-galho sendo as principais - mas o time consegue se virar bem com o que tem e jogadores baratos nessas posições. QB não deve mudar, então vamos ver se o Cards mergulha de cabeça no mercado para transformar sua linha e tentar derrubar Niners e/ou Seahawks.


Saint Louis Rams

Por mais que seja irônico dizer isso sobre um time 7-9 que nem chegou perto de ir aos playoffs, o Rams foi o grande vencedor da NFL entre os times que não foram aos playoffs. E eles devem isso a Robert Griffin.

Quando o Redskins trocou para subir no draft e pegar RG3, parte do pacote que foi para Saint Louis foi a 1st pick deles em 2013. E com RG3 jogando muito mal e o Redskins terminando como o segundo pior time da liga, isso significa que o Rams agora tem a 2nd overall pick do draft além da sua própria, e um núcleo muito interessante que deu um passo a frente em 2013 (você não pode culpar o Rams por jogar na NFC West). Por isso podemos falar que o Rams se deu muito bem saindo de 2013 apesar do pouco espaço salarial (10M).

Os planos para a 2nd pick do Rams é o que vai determinar a direção da sua offseason. É uma posição que pode dar ao Rams o offensive tackle que eles tanto querem (Greg Robinson sendo o principal candidato, mas não durma em Jake Matthews) para reforçar sua eternamente problemática linha ofensiva e dar ao recém-descoberto Zac Stacey um companheiro para lhe abrir o caminho nas corridas, mas também é uma posição de alto valor em um draft com um jogador como Jadeveon Clowney ou seus três QBs "principais". Não sei exatamente qual seria o mercado por essa pick, mas se Clowney passar de Houston vai ter muito time de olho em uma troca, ou mesmo times intermediários (Vikings, principalmente) buscando subir para garantir seu QB, então o Rams pode trocá-la, acumular ativos como tem feito e ir atrás de uma maior variedade de talentos. É difícil dizer realmente porque acho que nem o Rams sabe, eles vão seguir a correnteza e decidir o que é mais vantajoso na hora, mas é o foco dessa offseason.

O Rams não é um time muito completo em termos de talento, mas eles defintivamente tem jogadores de muito potencial - futuro ou presente. Ofensivamente, com um sólido tackle (acho que é o que eles pegarão, com a 2nd pick ou trocando para descer), Jake Long e os decentes guards da equipe (especialmente se Roger Saffold voltar, e deveria) o time parece ter uma linha ofensiva estabelecida, e Zac Stacey mostrou muita promessa como um RB titular ano passado. Tavon Austin foi uma grande decepção como WR, mas se mostrou extremamente dinâmico com a bola nas mãos e um ataque criativo pode fazer bom uso dessa habilidade, embora para um QB ele não seja tão útil como alvo confiável. E defensivamente, Robert Quinn explodiu como um dos melhores defensores da NFL e sólido candidato a DPOY, e com Chris Long e Kendall Langford o Rams parece estável com uma das melhores linhas da liga. Mas fora isso, o time ainda enfrenta questões: a não ser que Austin evolua muito como WR puro nessa offseason, o time continua sem alvos confiáveis para seu QB, e embora uma evolução de Alec Ogletree e um 2014 melhor de James Laurinaitis possam solidificar um pouco o miolo da defesa (uma aposta, btw, já tem dois anos que Laurinaitis não vem bem), a secundária ainda é um enorme problema se Janoris Jenkins continuar sem mostrar evolução alguma. 

Por isso não vejo como um problema que o time tenha não decidido mudar de rumo com um QB novo, dispensando o caro e improdutivo Sam Bradford. O time fez um ótimo trabalho acumulando ativos e jovens jogadores, e está em posição de adicionar pelo menos mais dois na primeira rodada esse ano, mas ainda não tem o time completo para disputar a fortíssima NFC West. O time faz bem em não ter pressa, e a não ser que o time veja algum QB sobrando na 2nd pick que acredite que venha a ser um franchise QB, o time deve continuar juntando seus talentos jovens até achar o jogador certo. E sendo assim, as vezes vale mais a pena um último ano para ver se Sam Bradford desponta de vez do que se apressar e draftar um QB só para competir logo quando o resto do seu time não está pronto. Não que o Rams não seja HOJE um sólido time, competitivo e dando trabalho para os fortes da NFL, mas não sei o quanto seu teto estaria limitado hoje pela falta de WRs e de secundária - dois problemas que será difícil adereçar sem o cap space hoje. Não é fácil ter paciência na NFL, mas o Rams tem feito um bom trabalho misturando paciência para acumular ativos com um time sólido dentro de campo.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Pontos importantes da semana 4 da NFL

"Pre-para... Que é hora... "



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Mais uma semana na NFL chega ao fim, e mais uma vez uma semana interessante que gerou assunto para nosso recap semanal dos pontos importantes. Para os perdidos de plantão a idéia aqui é a seguinte: isso aqui NÃO é um recap da rodada, e o nosso intuito não é passar por todos os jogos ou falar de todos os jogadores, bons ou não. Outras pessoas podem fazer isso, mais rápido e melhor do que eu, e eu também não acho que isso se enquadre na proposta do blog. A proposta aqui é para dar uma olhada nos fatores, dentro de cada jogo, que são relevantes ao maior cenário da NFL. Vamos olhar a performances que foram importantes mas receberam pouco crédito, fatores pouco observados que estão influenciando alguns pontos importantes, e por ai vai. Então de novo, o objetivo não é passar por todos os jogos e falar alguma coisa relevante: muitas vezes teremos dois ou mais pontos sobre um mesmo jogo, e jogos sem comentário nenhum. 

Hoje vou aproveitar e cumprir minha promessa de falar mais sobre um time que deveria ter falado semana passada e não tive tempo, o Tennessee Titans, que ainda virou notícia graças a lesão do Jake Locker. Mas antes vamos começar por um time um pouco mais interessante...

Em busca da perfeição


Essa é uma pergunta honesta: quando vamos começar a falar sobre a possibilidade do Denver Broncos terminar a temporada com um perfeito 16-0?

Antes que pareça que eu estou colocando a carroça na frente dos bois e contrariando tudo que eu sempre prego por aqui sobre não overreact a amostras pequenas, deixe eu esclarecer: todo ano, eventualmente, as pessoas fazem  um farol sobre os times que permanecem invictos porque, no fundo, todos nós queremos ver um time terminando um ano sem perder um jogo sequer. Esse interesse se intensificou ainda mais depois de 2007, quando o Patriots conseguiu uma temporada perfeita e chegou no limite de fazer história antes de perder o Super Bowl para o Giants de forma dramática (eu assisti o jogo na casa de um amigo patriota. Digamos que eu aprendi muitos xingamentos novos naquele dia). Ver um time chegando t ão perto dessa marca pela primeira vez em 35 anos (o Dolphins de 1972 terminou a temporada invicto, mas em apenas 17 jogos não tão dominantes) reacendeu o interesse em ver alguém repetindo esse feito, e desde então, todo ano temos procurado alguma equipe que pudesse nos levar a terra prometida. E esse ano, o claro candidato a atingir essa marca não pode ser outro que não o Denver Broncos. Por isso estou estranhando que não tenhamos lido mais sobre o assunto.

Isso obviamente não quer dizer que o Denver vá, ou mesmo que tenha grandes chances, de atingir a marca de 16-0. Mesmo para um time tão dominante como Denver tem sido, terminar uma temporada sem uma derrota sequer envolve muito mais do que competência, também passa por sorte em fatores que já dissemos muitas vezes estar além do controle das equipes: os poderosos Patriots de 2007 terminaram o ano abaixo de 14-2 em Pythagorean Expectations e 4-0 em jogos decididos por uma posse de bola, inclusive um jogo contra o Ravens no qual o hail mary da equipe de Baltimore para ganhar o jogo parou na linha de uma jarda antes do TD. Mesmo o Colts de 2009, que começou o ano 14-0 antes de colocar Peyton Manning no banco e perder seus dois últimos jogos com Curtis Painter de titular, teve um Pythagorean Expectations abaixo de 11-5 e começou o ano 7-0 em jogos decididos por uma posse de bola. Então mesmo que eu possa provar empiricamente que o Broncos é um dos melhores times da história da NFL (não se preocupem, não irei por esse caminho) isso não garante que o Broncos já ficar invicto ou mesmo que vá brigar por isso até as últimas rodadas.

Ainda assim, se você quer sonhar com a marca, você precisa de um time dominante e, acima de tudo, de um grande QB. Não é uma coincidência que nos 40 anos antes das mudanças de regras favorecendo o jogo aéreo em meados de 2004 apenas um time conseguiu terminar a temporada invicto, e que desde então tivemos dois em três anos - e que ambos foram liderados por dois dos maiores QBs da história da NFL. O jogo hoje é mais direcionado para o passe do que nunca e um QB tem um impacto em campo maior do que nunca teve, e portanto ter um Peyton Manning ou um Tom Brady hoje em dia te da uma vantagem muito maior do que ter um John Elway ou Joe Montana nos anos 80. E não só o Broncos tem Manning, como tem o Peyton Manning mais dominante de sua carreira: em apenas quatro jogos, claro, mas o camisa 18 está acertando 75% de seus passes e caminha para terminar o ano com 5880 jardas e 64 TDs, ambos recordes absolutos da NFL. Além disso, também não teve nenhuma interceptação e lidera a liga com 11.8 jardas por passe. Se quer um retrato do que "dominante" significa, não precisa olhar mais longe.

Claro que esses números vem de uma amostra pequena e dificilmente se manterão por 16 jogos, mas servem para retratar em parte quão dominante o ataque do Broncos tem sido em 2013. O grande Bill Barnwell fez uma pesquisa sobre os ataques mais dominantes da história da NFL na era Super Bowl, e os resultados são bastante favoráveis: não só os 179 pontos anotados da equipe é a melhor marca desde a fusão entre NFL e AFL por uma grande margem (17 pontos para o segundo colocado), como mesmo ajustando de acordo com a pontuação média de cada ano (por causa das grandes diferenças de jogo e regras ao longo dos anos) o Broncos ainda é o líder em pontos anotados por uma grande margem (vocês podem ler o post completo aqui). Considerando o saldo de pontos e não apenas pontos anotados (desde 1970), o Broncos cai um pouco, mas ainda é excepcional: sexto melhor, e isso considerando que sua defesa que tomou mais de 20 pontos todos os jogos está sem seu melhor jogador em Von Miller.

Claro que isso não significa ou justifica um record 16-0, mas é uma forma de mostrar o quanto dominante está sendo esse time do Broncos nesse começo de temporada, e como eles parecem ser até o momento o time a ser batido na NFL. Até agora nenhum time conseguiu sequer desacelerar esse ataque do Broncos, e realmente fica difícil de ver como: é um dos ataques mais completos que eu já vi, com uma opção fisicamente dominante pelo fundo do campo em Demaryus Thomas, o melhor slot receiver da NFL em Wes Welker, e o extremamente versátil Eric Decker... e como se não fosse suficiente, agora o time achou um TE super atlético em Julius Thomas. Isso são QUATRO alvos que dificilmente podem ser marcados no mano a mano e, como se não fosse o bastante, lançando para eles está um jogador que é historicamente bom lendo e destrinchando defesas e soltando passes precisos e velozes quando o blitz chega. Como você marca esse tipo de ataque? A perda de Ryan Clady provavelmente vai convidar mais blitzes, e um bom time pode explorar a falta de um jogo terrestre da equipe, mas são tantas opções e tantos padrões diferentes para uma equipe se preparar que realmente é difícil ver esse time sendo parado no volume de ataque. Um ataque de elite também poderia tentar vencer controlando a bola e sendo eficiente, mas a defesa de Denver tem sido boa (não ótima, mas boa) mesmo sem Miller e tem sido muito boa contra o jogo terrestre em particular, o que torna ainda mais difícil para um adversário controlar o relógio. Até agora esse me parece de longe o time mais perigoso da NFL.

O único "problema" com esse inicio de temporada do Broncos tão dominante é que o time enfrentou um calendário extremamente favorável. Seus adversários nesses quatro primeiros jogos somam um record de 4-12, sendo eles o desastre que é o Giants, duas das piores defesas do mundo em Eagles e Raiders, e apenas o 2-2 Ravens como um adversário decente (e em Denver). Eles ainda não enfrentaram uma boa defesa em 2013 (Ravens é mediana, pelo menos até aqui) ou um time capaz de disputar no ataque. Naturalmente que isso não quer dizer que o Broncos só venceu porque seus adversários eram ruins, mas ainda não sabemos como se comportará esse time contra um adversário mais forte. Ainda assim, o calendário do time é favorável: os jogos mais difíceis da equipe (no papel) daqui para frente serão Cowboys fora de casa, Colts fora, Chargers fora, Chiefs fora, Patriots fora e Texans fora... e mesmo assim, Cowboys, Colts e Chargers são times medianos e o Texans até agora não tem se mostrado um time muito confiável. Tirando Patriots, Chiefs e TALVEZ Texans, o Broncos vai ser o claro favorito em todos os jogos até o final do ano, com esses três representando a principal ameaça ao sonho do ano perfeito. Imagina se o Broncos chegar na semana 12 com 10-0 para enfrentar o Patriots, fora de casa, com Tom Brady vs Manning E com o time de New England tendo a chance de evitar que seu maior rival (Manning, não o Broncos, que fique claro) repita seu feito de 16 vitórias? Estou tendo calafrios só de pensar nisso.

Então embora esteja muito longe do improvável 16-0, é uma história a se acompanhar durante a temporada. Se não quiser pelo 16-0, faça pelo prazer de acompanhar um dos ataques mais dominantes (em uma amostra pequena, mas whatever) da história da NFL.

Curiosidade histórica do dia: muita gente estava surtando ontem ao ver o Broncos ganhar de 52 a 20 de um time ruim em Setembro. O 49ers de Montana e Jerry Rice ganhou uma vez de 55 a 10... em pleno Super Bowl (ironicamente contra o Broncos de John Elway).


Jake Locker e o segredo do Titans


Essa semana, Jake Locker estava tendo o melhor jogo da sua jovem carreira contra o New York Jets: 18-24, 149 jardas e 3 TDs, fazendo todas as jogadas corretas e dominando a partida. Foi quando, durante uma jogada de pressão, Locker foi atingido duas vezes pelos defensores de verde e caiu de forma esquisita sobre seu quadril, imediatamente gerando grandes preocupações até sair imobilizado em uma maca. Os primeiros exames indicam que a lesão não foi tão séria como se temia e que Locker não deve perder a temporada inteira, mas ainda deve ficar de fora por pelo menos seis semanas (possivelmente mais), e isso levanta a questão do quanto isso vai afetar negativamente a surpreendente campanha de um surpreendentemente decente time do Titans. Para responder a essa pergunta, primeiro temos que perguntar outra coisa: o sucesso do Titans essa temporada está vindo de onde?

Nessa offseason, o Titans investiu pesadamente no seu ataque, trazendo um segundo RB, dois excelentes guards para ajudar o jogo terrestre, e mais dois bons alvos para seu QB-em-desenvolvimento Jake Locker. A expectativa era que o ataque desse um passo a frente e liderasse esse time, agora e no futuro. Então quando o Titans começou bem a temporada, muita gente atribuiu isso a esses gastos ofensivos da equipe que teriam dado ao time uma nova identidade.

Bom, olhando principalmente para os três primeiros jogos (já explicarei porque) que Locker teve inteiros, esse não foi o caso. Em primeiro lugar, o jogo terrestre que deveria explodir em 2013 não só não explodiu como ainda regrediu: depois de conseguir sólidas 4.5 jardas por corrida em 2012, o time viu seus números despencarem para 3.5 Y/C em 2013, um número horrível que é a sétima pior marca da NFL. Isso pode ser um efeito do calendário, que viu a equipe enfrentar algumas boas defesas terrestres (especialmente Jets), mas sozinho não serve para explicar porque esse ataque que no papel melhorou tanto seu jogo terrestre perdeu uma jarda inteira por corrida nesse começo de ano. Então não foi isso que motivou esse bom começo.

Os olhares então se voltam para Jake Locker, cuja narrativa no começo do ano era de que ele finalmente estava dando o "salto" nesse começo de ano. Eu odeio narrativas porque elas sempre envolvem distorcer os fatos para se encaixar na história pré-determinada, como "Joe Flacco se descobriu nos playoffs e agora é um QB de elite!" ou "Tony Romo não consegue ganhar jogos no final!", duas histórias que ganham força porque todo mundo atribuiu as vitórias do Ravens nos playoffs somente a excelente performance de Flacco (desconsiderando todo o resto que aconteceu para chegar no título) e as derrotas do Cowboys somente ao Romo passando por cima de todo o resto. E para variar, as notícias desse "salto" do Locker eram mais um caso de fatos distorcidos para entrar na narrativa pré-determinada. Olhem só esse dado do Barnwell:

2012 Jake Locker: 56.4%, 6.9 jardas por passe, 197.8 jardas por jogo, 0.9 TD por jogo, 26.5 jardas terrestres por jogo, 7.4% sack rate, 48.07 QBR
2013 Locker (três primeiros jogos): 58.3%, 6.9 Y/A, 190.6 YPG, 1 TD por jogo, 27.0 jardas terrestres, 7.4% sack rate, 52.3 QBR

Hmm... praticamente o mesmo jogador, certo? A grande diferença entre os dois são as interceptações, já que Locker não lançou nenhuma nesses três jogos, mas considerando que ele teve duas dropadas pela defesa (inclusive uma que iria perder o jogo contra o Chargers) não é muito exato atribuir isso a uma grande melhora do QB. Não que Locker não tenha melhorado, claro: ele se tornou um pouco mais eficiente com seus passes, mais cuidadoso com a bola e tem tido um aproveitamento um pouquinho melhor convertendo terceiras descidas, o tipo de evolução esperada de um cara jovem e cujo grupo ao seu redor evoluiu tanto em peças. Mas no fundo, o camisa 10 de Tennessee era o mesmo jogador que sempre foi produzindo como sempre produziu, mas dessa vez com todo mundo correndo para criar uma narrativa por trás porque seu time seguia ganhando. Então apesar dos investimentos no ataque, não foi ele que esteve por trás desse bom começo do time - o ataque não está sendo horrível, mas está sendo basicamente o mesmo grupo mediano que foi um ano antes.

Claro, no último jogo não foi bem assim, com Locker tendo seu melhor jogo como profissional contra uma boa defesa do Jets e passando para três TDs e 75% de aproveitamento (apesar das baixas 6.1 Y/A). Os números estão um pouco inflados - em especial o de TDs - por conta dos turnovers do ataque do Jets e Geno Smith que deram ao Titans grande posições de campo: os três TDs de Locker vieram em passes de 1, 4 e 16 jardas em campanhas de 18, 26 e 46 jardas, todas após turnovers do ataque. Então ainda que os números sejam um pouco enganosos e influenciado por fatores externos, eu assisti o jogo e posso falar que Locker jogou muito bem: calma no pocket, preciso nos passes curtos e sempre sabendo a quem achar nas horas certas. Depois do jogo, as pessoas se dividiram em definir se o jogo tinha sido o breakout do Locker como QB ou se tinha sido um outlier contra uma defesa que jogou muito mal. Como sempre, a verdade provavelmente está em algum lugar no meio: foi o melhor jogo que eu vi de Locker em termos de fundamentos e eficiência e que pode indicar uma evolução, mas é prematuro achar que isso representa um novo momento na carreira do garoto porque a defesa do Jets FOI muito mal na partida, de forma que seu reserva, Ryan Fitzpatrick, entrou e lançou para mais 100 jardas e um TD. Então ainda que esse jogo tenha mostrado uma evolução do Locker, levem com um grão de sal sobre o que isso significa para o futuro, tanto por conta da lesão que interrompe a sua sequência como pelo que ele mostrou nos três primeiros jogos.

E como já vimos antes, nos três primeiros jogos Locker foi basicamente o mesmo jogador de antes, e o ataque como um todo foi medíocre (não horrível, mas medíocre) como no ano passado. Então considerando que o segredo desse bom começo não foi o ataque, precisamos procurar em outros lugares as causas, e isso é ao mesmo tempo bom e ruim quando consideramos a lesão de Locker: bom porque, afinal de contas, não era o garoto que estava sendo a pedra fundamental desse começo de temporada e portanto seu substituto tem mais chances de sucesso, mas ruim porque além dos motivos óbvios (lesão grave em um QB jovem e talentoso que precisa de entrosamento com seu novo ataque em um bom momento no ano), alguns deles podem se voltar contra o time no futuro... mas chegaremos lá.

Primeiro, vamos olhar para a defesa. Depois de ser a terceira pior de 2012 e o time que mais cedeu pontos na temporada passada, a diretoria decidiu não investir muito nela nessa offseason, com Bernard Pollard sendo a principal aquisição. Com isso, muitos (eu incluso) esperavam mais uma temporada ruim defensivamente do time de Nashville, enquanto o ataque evoluiria com as contratações. No final, o ataque estagnou e continua praticamente igual, enquanto a defesa deu um salto enorme de produtividade. Nesse começo de ano, a defesa não tem sido elite, mas tem sido bastante sólida, o que já é um enorme avanço em relação ao "mais pontos cedidos" do ano passado. Mesmo considerando que enfrentou uma série de ataques ruins nesse começo de ano (Chargers sendo a exceção), os números são bastante sólidos: 11th em jardas cedidas, 7th em pontos, e oitavo em turnovers com nove. Os números ajustados não serão tão bons assim por conta dos adversários enfrentados, mas da para esperar algo como 12th melhor da NFL nesses quatro primeiros jogos... o que já está bom. A chave para isso veio de um surpreenendente desenvolvimento da jovem linha de frente da equipe: jogadores como Jurrell Casey (3 sacks), Zach Brown (3 sacks) e Ropati Pitoitua (2 sacks) evoluíram muito do ano passado para cá quando pouca gente esperava (Casey foi escolha de meio de terceira rodada, Pitoitua nem draftado foi)  e, junto de Derrick Morgan (1st round) e Brown (2nd round), acabaram montando uma linha de frente que tem sido espetacular atacando o QB adversário e gerando pressão, quinto em sacks na NFL. Essa dominação defensiva provavelmente vai sofrer uma redução quando enfrentar adversários com ataques e linhas ofensivas melhores, mas a evolução dos garotos é real e não vai a lugar nenhum. A defesa tem seus problemas contra a corrida e a secundária ainda pode ser explorada, mas essa linha de frente, em especial o pass rush, é para valer.

Mas agora chegamos ao grande segredo do sucesso do Titans: turnovers. Depois de quatro semanas, o Titans lidera a liga em saldo de turnovers com +9, sendo que seu ataque ainda não cometeu NENHUM em toda a temporada. Mais do que a esperada-que-não-aconteceu-ainda evolução do ataque e da considerável evolução da defesa, esse é o principal fator por trás desse começo 3-1 do Titans. E de certa forma, isso é um problema, porque é um fator altamente sujeito a regressão: para começar, o Titans lidera a NFL recuperando 89% (!!!) dos fumbles que acontecerem em seus jogos, uma marca absurdamente alta que impulsionou esse saldo de +9... e que vai regredir. Já bati nessa tecla 400 vezes aqui, mas recuperar fumbles não é uma habilidade, é pura sorte, e por isso gravita para 50% em uma amostra consideravelmente grande. 89%, eu não preciso dizer, é totalmente insustentável e vai regredir ao longo do ano. O ataque também não vai passar para zero interceptações o ano todo: ainda que Int% não seja uma estatística que converge para um número determinado, como por exemplo BABIP no baseball, ainda é possível identificar algumas aberrações sujeitas a regressões, e o 0% do Titans até agora é o maior candidato. Locker teve um Int% de quase 3.5% ano passado, e mesmo que uma evolução ou mais sorte reduza esse número, ainda é algo que vai piorar e vai afetar o saldo de turnovers da equipe.

Esse é meu maior problema com Locker sendo substituído por Fitzpatrick: o ex-aluno de Harvard é ainda mais sujeito a turnovers, e grande parte do mérito desse começo de temporada da equipe vem do seu bom trabalho (e imensa sorte) com turnovers. Isso não quer dizer que o Titans seja um time horrível que tem dado muita sorte e por isso está ganhando, o Titans tem uma boa defesa e tem feito um bom trabalho em 2013, mas o maior fator desse bom começo de ano é algo que é impossível de se sustentar e que vai regredir e afetar a equipe. Vale citar que o único time pós-fusão da NFL a começar a temporada com 0 turnovers em quatro jogos foi o Rams de 1995, que terminou com um saldo de -3 ao final do ano. Essa regressão provavelmente iria atingir o time mesmo com Locker de QB por conta dos fatores já discutidos, mas considerando que Fitzpatrick é mais descuidado com a bola, isso pode contribuir ainda mais para essa regressão. Mesmo considerando que Locker seja melhor que Fitz, se o time conseguisse hipoteticamente manter essa sorte milagrosa recuperando fumbles, o time teria pouco a perder da mudança de QB pois não estava se apoiando nisso para vencer jogos. Mas se a sorte começar a mudar, e ela vai, então precisamos ficar de olho em como o time vai lidar com isso. A tabela é fraca o suficiente para o Titans conseguir arrancar uma vaga nos playoffs, mas precisamos ver se conseguem fazê-lo quando seus turnovers normalizarem.

Viajando para Londres


Depois de ter aproveitado um jogo surpreendentemente bom em Wembley entre dois times 0-3, jogo esse que acabou com um fumble do Big Ben na linha de 7 jardas tentando o TD para empatar o jogo, as atenções logo se voltaram para o sucesso que tinha sido mais um jogo em Londres. A casa estava cheia, mais de 500 mil pessoas se juntaram antes do jogo, e para variar foi um grande sucesso de mídia e público. Até o jogo, que parecia um fiasco no papel entre dois dos piores times da NFL, foi extremamente divertido e disputado até a última jogada. Foi basicamente tudo que poderíamos esperar de bom, e estávamos prontos para ir para a próxima... quando alguém comentou que ainda tinha mais um jogo em Londres essa temporada, e eu fiquei surpreso com a quantidade de pessoas pegas de surpresa por isso.

Esse segundo jogo em Londres (primeira vez que isso acontece), bem como os times escolhidos para esses jogos, passam por um plano maior por parte da NFL. Não exatamente um plano concreto, mas uma idéia futura: colocar um time na Inglaterra.

Essa ainda é uma idéia em desenvolvimento, mas que já avançou um bocado desde a primeira vez que foi estudada. A idéia óbvia de colocar o time em Londres seria explorar um novo mercado, no caso o mercado europeu (e não apenas o londrino). A NFL tem se expandido consideravelmente fora dos Estados Unidos, mas ainda é um mercado pequeno ou inexplorado em contraste com, por exemplo, a NBA. O futebol americano como um todo, na verdade, tem crescido mas ainda não tem se concretizado com grandes ligas ao redor do mundo ou mesmo um torneio importante como o Mundial da FIBA. Colocar um time em Londres abriria uma nova fronteira para a NFL, não só pela cidade ser um mercado maior do que por exemplo Jacksonville ou Minneapolis como também como uma porta de entrada para todo o mercado europeu. Quem acompanhou a transmissão completa da NFL Network do jogo de Londres alguma vez na vida provavelmente viu que não são apenas os londrinos que lotam o estádio e ocupam a região externa de Wembley, são torcedores de toda a Inglaterra e toda a Europa que fazem a viagem pela oportunidade de acompanhar ou estar próximo do futebol americano. É nesse mercado que a NFL coloca seu olho quando pensa em mudar um time para Londres.

Foi provavelmente o sucesso dessas empreitadas fora dos EUA que levantaram a idéia de mudar uma franquia para lá. E obviamente, isso levanta algumas questões práticas e de logística. Vamos deixar a logística de mudar um time para Londres e se isso seria viável de lado por hoje, porque é uma outra questão muito mais extensa. Mas as questões práticas são mais simples: sim, 500 mil pessoas se mobilizam em toda a Europa para ir a um jogo de NFL e o estádio lota todo santo jogo é um número espetacular. Mas isso é o que acontece quando Londres recebe apenas um jogo por temporada. Todos os torcedores sabem que é a única chance de ver o futebol americano por lá, uma experiência única que acontece a cada ano. Será que seria assim caso tivessem oito? Será que ia ter tanta gente interessada em gastar tanto dinheiro para ir ver os jogos por lá? Será que o estádio ia encher e ia mobilizar tanta gente para compensar financeiramente?

Por isso que a NFL decidiu mudar um segundo jogo para Londres essa temporada: para ver como seria a reação do público ao segundo jogo. Não é mais o único jogo do ano, não é mais a novidade da temporada. Será que o estádio ainda vai lotar? É uma espécie de laboratório da NFL para ver como o público se comporta com esse segundo jogo. Claro que um jogo a mais é totalmente diferente de sete, mas é uma boa forma de ver se toda essa atenção é derivada da raridade de um jogo por lá ou se é uma base de fãs mais fiel e presencial do que isso. Fiquem de olho no segundo jogo, Jaguars e Niners na semana 8, para ver o efeito que a NFL vai analisar. O primeiro jogo foi o sucesso de sempre, mas o que importa é o próximo.

Os times escolhidos para esses jogos em Londres também não são coincidências. Desde que, alguns anos atrás, começaram conversas para sugerir que a NFL deveria mudar um time de volta a Los Angeles para explorar um dos maiores mercados dos EUA, os nomes que mais aparecem nas conversas são Jacksonville Jaguars e Minnesota Vikings... os dois times que estão mandando jogos em Londres. Esses times, em particular o Jaguars, não são times que oferecem opções muito atraentes para a NFL: ambos jogam em mercados pequenos, tem dificuldades para encher o estádio e não oferecem nenhum tipo de vantagem para a NFL atualmente. Não que a NFL tenha tanta necessidade de mercados grandes como a NBA ou a MLB, por exemplo, mas a questão é que Los Angeles e Londres oferecem algumas vantagens específicas (Los Angeles menos, para ser sincero, embora obviamente não ofereça as dificuldades logísticas da Inglaterra) que a NFL poderia tirar proveito, e para tal, Jags e Viks seriam os times que menos prejudicariam a NFL ou mesmo seus donos, que precisam querer a mudança para ela acontecer. Os times não enchem o estádio e não ganham muito dinheiro com venda de ingressos ou camisas para mercados pequenos, e não fariam falta para a liga caso sumissem... especialmente se trouxessem em troca um mercado grande e maior atenção da mídia.

Claro, um time em Londres ainda é improvável, na minha opinião. As dificuldades logísticas de um time tão longe e em um fuso tão diferente são enormes, e no final iria exigir um número enorme de ajustes que acabariam mais prejudicando a unidade da NFL do que ajudando. Ainda assim, considerando o enorme interesse de Roger Goodell em atingir esse objetivo, esses jogos em Londres se tornam mais interessantes a cada ano que passa.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Alguns pontos interessantes da NFL, Parte I - Questões de QB

Método Schiano de colocar jogadores no banco


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Essa terça feira, quando soltamos nosso tradicional "Pontos importantes da semana 3", eu me foquei em duas questões que vinham de fora dos gramados: a troca de Trent Richardson envolvendo Colts e Browns, e os problemas de Aldon Smith e Von Miller com a NFL. A idéia era incluir mais pontos, mas esses acabaram ganhando tanto destaque e ficando tão grandes que acabaram sendo os únicos da semana. Então agora, quinta feira - nosso dia de análises - vamos aproveitar para dar um giro por alguns times da NFL que estão atraindo algum interesse e que ainda não foram contemplados muito por aqui nas últimas semanas. Eu pedi aos meus seguidores no twitter (www.twitter.com/tmwarning, para quem tiver interesse) que comentassem quais times ou aspectos da NFL até o momento eles gostariam de uma análise mais aprofundada. E enquanto ainda é cedo demais na temporada para fazer qualquer tipo de análise profunda ou tirar grandes conclusões, achei que valia a pena dedicar algum espaço a esses cinco pontos de interesse que as pessoas levantaram. Os primeiros dois vem hoje, e os últimos dois amanhã junto dos palpites da rodada, e o quinto vai ficar para quinta que vem porque deve ganhar um post só dele. 

Uma coisa extremamente importante que tem que estar na cabeça de todo mundo, antes de começarmos, é que foram apenas três semanas de temporada. Três jogos é uma amostra ridícula que dificilmente tem um valor analítico muito grande, com viéses de todos os lados: alguns times enfrentaram uma tabela mais fácil que outros, enfrentaram matchups melhores ou piores, podem ter jogado mais jogos em casa ou fora, ou mesmo podem estar sendo alvo de um enorme azar que dificilmente se manterá durante mais 13 jogos (ou, da mesma forma, alvos de uma enorme sorte que também deve regredir para a média). O retrato que estamos vendo agora (e que vamos ajudar a pintar nessa coluna) não necessariamente vai representar a temporada inteira de um time, é apenas um olhar rápido no que aconteceu até aqui para chegarmos aonde estamos e o que é ou não sustentável indo para frente. Alguns times provavelmente se manterão em um nível ou padrão semelhante até o final do ano, mas muitos outros verão seus ritmos mudarem de acordo com tabelas mais ou menos fortes, alguns times resolverão problemas que estão lhes atrasando nesse começo de ano e outros terão novas questões a serem resolvidas. Então embora estejamos usando jogos para explicar o que já se passou, tenham em mente que essa é uma amostra pequena que vai mudar com mais jogos. Três jogos não pintam uma história completa, e se você não acredita, vamos voltar um ano no tempo e ver como as coisas estavam depois da terceira semana de temporada regular? Bom, o Cardinals estava 3-0 mesmo tendo sido superado em jardas nesses três jogos (assim como o 3-0 Dolphins desse ano, btw); Jets, Chargers e Eagles lideravam suas respectivas divisões com 2-1; e Patriots, Packers, Broncos, Redskins e Colts estavam 1-2 e enfrentando todo tipo de história clichê sobre decadência ou ainda não estar pronto. So there!

Trocando o quarterback


Eu já tinha escrito algumas vezes, em especial aqui, mas poucas novelas estão mais cansativas e prejudiciais ao seu próprio time quando aquela envolvendo Josh Freeman, QB de Tampa Bay, e Greg Schiano, o técnico da franquia e ganhador da votação de "Técnico para quem eu menos iria querer jogar" (não, sério). Não vou retomar os detalhes porque eles são repetitivos e já foram explorados aqui, mas basicamente, Schiano já tinha começado desde o ano passado uma campanha pela mídia para reclamar e criticar sempre que podia Freeman, vazando detalhes para a imprensa, reclamando publicamente de seu QB e simplesmente fazendo todo o possível para acabar com o moral e a confiança do jogador. E quando Freeman, no último ano de seu contrato, começou mal a temporada 2013, era apenas uma questão de tempo para o garoto ir parar no banco de reservas - o que finalmente aconteceu quarta de manhã. As mídias sociais logo se encheram de gente criticando ou apoiando Schiano, então antes de tirar alguma conclusão, vamos dar uma olhada na situação que o Bucs, Freeman e Schiano se encontravam.

Deixando de lado por um instante o óbvio problema pessoal de Schiano com o QB e os efeitos que isso pode ter tido sofre Freeman dentro de campo, o fato é que o camisa 5 não tem feito nada dentro de campo para justificar manter sua posição. Foram apenas três jogos e contra três defesas entre "decentes" e "boas" (Jets, Patriots e Saints), mas sua performance tem deixado a desejar: 45.7% de aproveitamento nos passes, 2 TDs e 3 interceptações, 6.1 jardas por passe e um QBR de 26.3. Para efeito de comparação, esses números são piores que os de Tim Tebow na sua carreira: em 16 jogos são 17 TDs, 9 interceptacões, 47.9% de aproveitamento nos passes e 6.9 jardas por passe (o QBR de Tebow é baixo porque a estatística é limitada e não considera suas intervenções sobrenaturais). Embora seja apenas três jogos, Freeman falhou ao liderar seu ataque a mais do que 20 pontos em um jogo sequer, e a porcentagem de campanhas ofensivas da equipe terminando em pontos (14.3%) é bem próxima das campanhas ofensivas terminadas em turnover (11.9%). Nesse momento, Freeman possui o quinto pior QBR entre os 34 quarterbacks qualificados. Então não é como se ele estivesse em uma sólida campanha e estivesse indo para o banco por conta de problemas com seu técnico, ele est á bem mal em campo também.

É possível identificar alguns aspectos além desses para justificar essa queda de rendimento em Freeman? Alguns. O jogo terrestre piorou em relação ao ano passado, caindo de 4.5 jardas por corrida para apenas 4.0 YPC, e a equipe não possui um bom alvo de checkdown com um tight end ou um bom slot receiver para aumentar a variedade de jogadas. Além disso, a equipe está sem seu melhor lineman em Carl Nicks, que perdeu os dois primeiros jogos com uma lesão no pé (e jogou limitado o outro), e Freeman sempre teve muitos problemas lidando com a pressão. Mas olhando mais de perto os dados, eles não justificam. Nicks faz muita falta, mas a linha ofensiva ainda tem sido acima da média (12th overall, per Football Outsiders) e os problemas de Freeman não estão acontecendo apenas quando pressionado. Ele tem tido um aproveitamento horrível em passes curtos, e embora essa nunca tenha sido realmente sua praia, dessa vez ele não tem sido capaz de compensar com suas bombas. Depois de completar 50% de seus passes acima de 15 jardas em 2012, esse ano ele completou apenas 2 de 14 dessas bolas, o que naturalmente destruiu seu aproveitamento e suas jardas por passe. E isso tendo uma dupla de WRs de extrema velocidade e que sempre foram muito proficientes nessas situacões em Vincent Jackson e Mike Williams, e vendo vídeos você acha diversas situações onde um deles esteve livre e o passe simplesmente não foi preciso o suficiente. Freeman nunca foi um QB muito preciso, completando menos de 60% dos seus passes na carreira, mas sempre compensou isso com longos ganhos e uma boa média de 7.8 e 7 jardas por passe nos seus dois melhores anos de titular (mais ou menos como Cam Newton, por exemplo), só que quando ele passa a errar os arremessos longos, ele perde a sua principal arma e fica apenas com suas fraquezas. E é isso que está acabando com seu 2013 até aqui. Claro, é possível que um QB com um bom histórico como o de Freeman possa estar sendo prejudicado pela situação com seu técnico e tudo mais, mas a evidência dentro de campo é mais do que suficiente para justificar a decisão do treinador.

Para o Bucs, a mudança de QB faz todo o sentido. Independente do quanto vocês creditem essa grande piora de Freeman nos problemas com Schiano, a franquia claramente não vê Freeman como o seu QB do futuro e pretende se livrar dele ao final do ano, quando acaba seu contrato. Considerando que da forma como está jogando Freeman não vai conseguir mudar o rumo do time para 2013 e recolocá-lo na briga por playoffs, e que ele deve sair do time até o final do ano, era a coisa lógica a ser feita. O Bucs é um time montado para ganhar o quanto antes e que investiu pesado na sua defesa com contratos milionários para Darrelle Revis e Dashon Goldson, então precisa urgente de um bom QB para isso. A entrada de Mike Glennon de quarterback da ao time a chance de avaliar o que possui atualmente no seu elenco por quase uma temporada inteira antes de tomar a decisão de como lidar com isso no futuro. A temporada ainda não está perdida mas está delicada, e Freeman não seria a solução, então Glennon era a última opção para tentar reverter o 0-3... e se isso não acontecer, pelo menos eles sabem se o garoto pode ser a solução para os próximos anos ou se precisam ir em busca de seu QB em outro lugar, seja no draft ou oferecendo um caminhão de dinheiro para o Jay Cutler na free agency. Era de fato a melhor solução nesse momento. Além disso, eu também gostei do timing da troca, uma semana antes do bye. Glennon vai ter um jogo de titular para mostrar como se comporta em campo, e depois a comissão técnica vai ter duas semanas para modificar o playbook, trabalhar suas forças e corrigir suas fraquezas dependendo do que ele mostrar nesse seu primeiro jogo, então isso foi inteligente. Se Mike Glennon vai funcionar ou não, eu não sei: essa era uma classe notavelmente fraca de QBs e Glennon caiu até a terceira rodada, o que quer dizer alguma coisa. A vantagem do garoto é que desde o colegial ele já jogava em esquemas ofensivos semelhantes aos profissionais, o que lhe da uma experiência, mas vendo vídeos dele na NCAA é fácil de ver porque muitos questionam sua capacidade de se adaptar a velocidade do jogo profissional. Mas pelo menos assim o time sabe o que tem em mãos e pode tomar sua decis ão para 2014.

Para Freeman, isso significa que seu último snap com o time provavelmente já aconteceu e que ele deve mudar de ares ano que vem, ou mesmo antes, via uma troca. O Bucs já deixou claro que está aberto a ouvir propostas de outros times, embora tenha dito que não iria aceitar "qualquer coisa" por ele. O argumento é que o time ainda iria receber uma escolha de draft compensatória caso perdesse seu QB na free agency, mas é um argumento fraco: a escolha deve ser de sexta ou sétima rodada e só viria em 2015, então não é como se precisasse de muito para oferecer uma recompensa maior. O problema mesmo é que são poucos os times que teriam interesse no jogador. Jaguars e Browns apareceram como possíveis nomes, mas nenhum dos dois faz sentido: Jags está um lixo e  vindo com força para conseguir a primeira escolha e Teddy Bridgewater, e a diretoria tem todos os motivos para querer uma solução definitiva para seu problema, não um remendo temporário, então não tem porque trocar por um QB de 25 anos; e o Browns seria uma opção viável uma semana atrás quando tinha um bom time e só precisava urgente de um QB, mas a troca de Richarson indica que a franquia claramente vai apostar no próximo draft para achar seu titular do futuro e nova cara do ataque e que está entregando essa temporada para Deus, então não tem porque trocar por um QB nesse momento. O que sobra além da free agency? Já chegaremos lá.

Em resumo, eu achei que a mudança de QB era o movimento lógico para o Bucs, que não tinha mais Freeman nos seus planos e precisava descobrir o que tinha em Glennon para decidir sua trajetória para 2014. O que eu não gostei foi a forma como Schiano conduziu todo esse carnaval, para a imprensa e seu próprio time, e que pode ou não ter afetado negativamente Freeman e levado a esse começo abismal e praticamente um ano jogado fora. Vale citar também que o time poderia estar tranquilamente 2-1 se não fossem duas jogadas, ambas não ofensivas e nas quais Freeman não teve qualquer impacto, e que mudaram resultados nos segundos finais dos dois primeiros jogos do time... e não tem a menor chance de Freeman ir para o banco se estivessem 2-1 e não 0-3. Então tem isso também.

Quando o melhor jogador da NFL não é o suficiente


O Vikings era um dos maiores candidatos possíveis a regressão em 2013, como eu escrevi no preview da equipe. O record de 10-6 de 2012 enganava um pouco, já que a equipe tinha ido 9-7 em sua Pythagorean Expectation e terminado o ano com um insustentável 5-1 em jogos decididos por uma posse de bola. Além disso, essa campanha tinha vindo nas costas de uma das melhores temporadas de um RB da história da NFL por Adrian Peterson, algo que era improvável que se repetisse. Por isso e mais a perda de Percy Harvin, eu esperava que Minnesota sofresse com a natural regressão de um time que chegou longe demais um ano antes, e por isso não foi nenhuma surpresa quando Lions e Bears (dois bons times) derrotaram Minnesota. Mas quando o Browns o fez, derrubando o Vikings a 0-3 e destruindo muitos dos survivals pelo caminho, todo mundo entrou em pânico.

As atenções logo caíram sobre o (muitas vezes merecidamente) criticado Christian Ponder, especialmente depois que seu reserva Matt Cassell treinou entre os titulares no começo da semana (supostamente por causa de uma lesão com Ponder). Ponder está começando muito mal a temporada, com 5 interceptações e dois fumbles (contra apenas dois TDs aéreos, embora tenha dois correndo) e um QBR de 43.2, e considerando todas as críticas (merecidas) que recebeu em 2012 como sendo o elo fraco desse ataque e um "limitador" do potencial do time com seu braço fraco, logo foi apontado como o principal causador desse começo ruim da equipe e a peça que deveria ser movida para o time engrenar. E embora o ataque tenha seus problemas, e Ponder esteja bem no meio deles, o fato é que o ataque não é o maior problema do time nesse começo de temporada. É a defesa.

Apesar da temporada estar apenas no começo, o ataque do Vikings tem desempenhado seu papel de anotar pontos. Passando por enquanto (chegaremos a eles) por cima dos problemas do Vikings ofensivamente essa temporada, o fato é que no futebol americano ganha quem anota mais pontos, e o ataque do Vikings tem feito seu papel: são 81 pontos em três jogos totais, sétima melhor marca da NFL, incluindo jogos de 30 pontos contra Bears e 27 contra Browns (duas boas defesas). No entanto, você também tem que impedir o adversários de anotar os pontos deles, o que é o problema para esse time: apenas Redskins e Giants cederam mais pontos que os 96 de Minnesota. Olhando mais fundo, os problemas continuam: o Vikings também foi o quarto time que mais cedeu jardas na temporada e o terceiro que mais cedeu 1st downs. Eles permitiram viradas na campanha final de dois jogos consecutivos contra Jay Cutler e Brian freaking Hoyer. Então sim, é importante ressaltar que a defesa do Vikings é um fator ainda mais importante que o ataque para esse começo.

Um dos motivos que causam esses problemas é a falta da defesa terrestre. Faz muito tempo que a linha defensiva do Vikings, a famosa Williams Wall, é uma força a ser reconhecida contra jogos terrestres. Não só isso tem um bom impacto contra as corridas adversárias, como permitia a defesa de Minnesota uma flexibilidade bem grande, usando mais LBs em blitz ou colocando mais DBs para proteger contra o passe e reforçando outros setores defensivos. Em 2012 essa defesa terrestre foi a sexta melhor da liga em jardas por corrida, cedendo apenas 4.0, e em 2011 foi a quinta melhor com 3.9. Esse começo de ano, Kevin Williams está lidando com lesões incorridas durante a pré-temporada e Shariff Floyd - que deveria funcionar como um jogador de rotação para dar descanso aos titulares - ainda não se achou dentro de campo, o que criou diversos problemas na linha defensiva da equipe, que viu as jardas terrestres por corrida subirem para 4.4, nona pior marca da NFL. Observando alguns vídeos dos últimos dois jogos pude notar também que isso levou a comissão técnica a usar formações mais conservadores contra o jogo terrestre, tirando a vantagem que a equipe usava de direcionar jogadores extras para a secundária... o que por sua vez resultou em um outro aumento nas jardas aéreas, de um nível top12 em 2012 para um oitavo-pior-da-NFL 6.8 jardas por jogada de passe. Então quando sua defesa terrestre E sua defesa aérea estão cedendo consideravelmente mais jardas do que antes, você tem um problema.

Talvez mais preocupante que isso seja a absoluta e total falta de pass rush por parte do time. Mesmo tendo jogos contra uma OL que sempre é fraca (Bears, embora esteja melhor esse ano) e uma que perdeu seus dois tackles titulares (Lions), a equipe gerou apenas quatro sacks nessa temporada, terceiro pior time depois dos também 0-3 Giants e Steelers. E não é como se estivessem compensando com outras pressões, ainda é o quarto pior time em hits (no QB adversário) e terceiro em knockdowns. Essa falta de pressão em parte acontece de um maior conservadorismo quanto ao jogo terrestre em termos de blitzes, como já foi dito, mas também vem de uma enorme incapacidade da defesa de ocupar bloqueadores e chegar aos QBs. Jared Allen está sofrendo as dobras de sempre, mas a defesa não consegue manter esses bloqueadores longe dele com seus DTs ou fazer as defesas pagarem, o que está dando aos adversários tempo de sobra para lançar contra uma secundária que já é suspeita.

Claro, isso não significa que a defesa do Vikings é uma atrocidade que está atrasando um ataque muito bom. Na verdade, o ataque tem uma boa parcela de culpa também: a defesa do Vikings tem começado suas campanhas defensivas nas PIORES posições de campo de toda a NFL, cortesia dos turnovers e dos 3-and-outs do ataque, começando defendendo em média na linha de 36 jardas. Também vale citar que a defesa do Vikings tem sido uma das melhores da NFL forçando turnovers com 10 (em parte por uma boa sorte recuperando fumbles), e mesmo assim a equipe tem um saldo de zero porque também entregou a bola 10 vezes no ataque (apesar do azar com fumbles).

Ofensivamente, antes de tirar conclusões, eu procurei alguns vídeos para ter alguma base para comparar com os números. E elas fazem todo o sentido do mundo. Por exemplo, a stat line do Christian Ponder está muito ruim esse ano: 59% de aproveitamento, 2TDs contra 5 INTs (2 TD terrestres, mas 2 fumbles), 10 sacks sofridos (em parte porque está tentando fazer mais jogadas com as pernas esse ano) e 43 QBR. Mas fiquei surpreso ao ver que mesmo com esse aproveitamento pífio, ele ainda tem 6.9 jardas por passe, o que é de longe a melhor marca da sua carreira. Da mesma forma, não é agradável ver Adrian Peterson com apenas 4.1 jardas por corrida (se desconsiderarmos aquela de 78 que abriu a temporada, são 3.0 YPC) depois de ter 6.0 em 2012. Observando os vídeos, a explicação salta aos olhos: as defesas estão direcionando todos seus esforços para a linha de scrimmage tentando parar Peterson, enfrentando sete, oito e até mesmo algumas vezes nove homens pelo meio tirando seus espaços. A consequência óbvia com isso é que ofereceria novos espaços na secundária, onde o QB seria capaz de explorar com seus passes. A questão é que ninguém realmente está preocupado com o braço de Ponder, que é fraco e não tem boa precisão em bolas que viajam mais tempo. As defesas tem pressionado os WRs para tirar os passes curtos e deixado muito espaço em jogadas mais intermediárias ou longas, confiando na incapacidade do QB de acertar essas bolas. E embora Ponder tenha acertado algumas delas para longos ganhos, tem errado muitas outras de forma que nenhuma defesa vai pensar duas vezes em continuar com essa estratégia desde que isso contenha o atual MVP da liga.

E embora o ataque tenha feito um trabalho decente marcando pontos, eles escondem outro problema. Esse bom número de pontos veio em parte de um alto número de posses de bola, especialmente gerados por turnovers em boas posições de campo pela defesa (que enfrentou admitidamente três ataques famosos por não cuidarem bem da bola). Na verdade, na hora de converter posses de bola em pontos, eles são medíocres, convertendo apenas 33.3% das suas campanhas, próximo da média da liga (32%). E enquanto isso acontece, eles são o terceiro time que mais cospe a posse de bola, cometendo turnovers em 23.4% das suas campanhas ofensivas, quase o dobro da média da NFL (12%) - o que obviamente é um grande problema, que gera péssimas posições de campo para a defesa. O Vikings também tem se mostrado muito dependente desses ganhos longos nessa temporada e muito sujeito a 3-and-outs: sua campanha média tem apenas 5.3 jogadas (5th pior da liga) e controla o relógio por apenas 2;09 segundos (também 5th pior).

Esse é o motivo pelo qual eu apoiava que o time trocasse uma escolha de sexta rodada por Josh Freeman - e, a esse ponto, é o único time que faria sentido trocar pelo futuro ex-QB do Bucs. O time e a mídia parece cada vez menos crente que Ponder é o QB para jogar nesse time, especialmente pois suas características não batem com as de Peterson e do recém-contratado Greg Jennings. Se Christian Ponder fosse um QB individualmente espetacular, eu não iria realmente sugerir que o trocassem por outro só por se adequar melhor as características da equipe - o ideal era achar uma harmonia entre ambos. Mas considerando que Ponder não é um grande QB de NFL e não tem nenhuma solução imediata que trouxesse um grande QB (Cassell não é um bom QB), porque não trazer Freeman? Não digo que ele seria um Franchise QB ou mesmo a solução a longo prazo da franquia, mas se você tem um once-in-a-generation RB em torno do qual você pode montar seu ataque, mas que não está conseguindo porque seu QB medíocre não tem as características necessárias, porque não apostar em um jogador que tem e que não oferece ao seu time um problema de longo prazo, já que ele é free agent ao final do ano?

Você trás um jogador que casaria melhor com Jennings e com a forma como as defesas estão se preparando para Adrian Peterson e faz o teste, ve se isso resolve os problemas ofensivos e solta melhor o time, e dai tira suas conclusões sobre quais as verdadeiras necessidades da equipe. Se concluírem que Freeman não serve e precisam de um Franchise QB nesse draft profundo, não é diferente da conclusão que tirariam com Ponder ou Cassell, e é só não renovar com Josh. E se a troca de cenário e a fuga de perto do Greg Schianno trouxer de volta o ótimo JAAAAAASH Freeman de 2010 e de 2012 pré-lesão do Carl Nicks, você pode conseguir um sólido QB que tome conta da bola, faça os arremessos longos para manter as defesas honestas, e de vários handoffs  para Peterson, fazendo seu esquema funcionar e podendo usar o draft para resolver sua defesa. Você pode vencer na NFL se tiver um QB competente e Adrian Peterson, e Freeman pode ser esse QB. Qual é a parte negativa dessa experiência? Se tem um time hoje montado e com a superestrela para fazer seu ataque funcionar com um QB com as características certas, hoje, é o Vikings. E Ponder não está ajudando. Qual o problema em rolar o dado com um novo jogador e ver no que da?

Claro, eles não vão fazer isso porque isso significa admitir o erro que todo mundo já sabe que foi pegar Christian Ponder com uma 12th pick. Ponder ainda tem mais um ano de contrato garantido que iria contar contra o teto salarial da equipe salvo em caso de troca, que dificilmente vai acontecer. Ainda assim, a equipe precisa ir atrás de Freeman para descobrir o quanto esse ataque pode render com um QB com as características certas, até para concluir se isso é suficiente ou se precisam mesmo de um cara em um nível acima. Mesmo com o lotado draft de 2014 vindo ai para oferecer quarterbacks como se fosse a Oprah, essa não deveria ser a prioridade para o Vikings por um simples motivo: você tem uma das maiores comodidades da história da NFL em Adrian Peterson, e RBs hoje em dia tem uma vida útil curta e que costuma apresentar uma decadência bem repentina. A não ser que seja um QB que esteja pronto como Andrew Luck ou RG3 de já entrar e liderar um ataque profissional por 16 jogos mais playoffs, a equipe precisa pensar em extrair o máximo possível enquanto podem do seu MVP antes que ele deixe de ser essa força da natureza. Por isso, antes de se comprometerem com um novo QB no draft, eles precisam tentar a outra alternativa que pode oferecer uma solução imediata, ir em busca de um quarterback mais adequado ao time como Freeman. Se existe um jogador na NFL hoje que precisa de um novo começo é Freeman. E se existe um jogador na NFL hoje que precisa de um bom QB para deix á-lo livre para fazer história, é Adrian Peterson.

Palpite para o jogo de quinta a noite


RAMS over Niners
Contra o spread: RAMS (+3) over Niners
O jogo contra o Packers foi muito bom, o jogo contra o Seattle foi ruim mas explicável (e não tão one-sided como o resultado indica)... mas o jogo contra o Colts, uma derrota por 20 pontos em casa contra um time sólido mas não tão bom assim, levanta questões sobre se esse time é realmente tão bom assim. A defesa foi bem quando esteve inteira, mas está lidando com lesões (Ian Williams fora da temporada, Pat Willis questionable para a partida de hoje, Aldon Smith na NFI), e o ataque está sendo explorado depois de ter pego o Packers desprevinido na primeira rodada, já que não tem nenhum WR capaz de criar separação além de Anquan Boldin (especialmente com Vernon Davis machucado). Então inteiro e antes da temporada, esse tinha tudo para ser um grande time, mas na prática, as lesões e a dificuldade para achar bons substitutos está cobrando um preço alto. Enquanto isso, o Rams tem sido um time bem medíocre dos dois lados da bola e vem de uma derrota bem forte para o Cowboys, mas pelo menos joga em casa, tem uma excelente linha defensiva e enfrenta um adversário com muito mais questões e menos inteiro. Fico com o time da casa nesse, e confesso que não entendi porque o spread era tão alto a favor do Niners... fora de casa.