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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Previsões embasadas para a temporada 2015 da NFL

"Que que esse cara ta falando de mim ai?"


Infelizmente, por motivos de "emprego novo", faltou o tempo e a disposição para fazer uma cobertura decente da offseason da NFL (a exceção fica por conta da minha coluna favorita, o Running Diary do Draft da NFL), e também para fazer um preview da temporada. Peço desculpas aos que perguntaram e/ou pediram, mas infelizmente, não foi possível esse ano.

O máximo que eu fiz foi um post especial no Spin Bet com minhas apostas para a temporada 2015 da NFL, então se quer ler o que eu penso de alguns times/jogadores e dar risada quando eu perder dinheiro em Janeiro, recomendo muito que leia. 

Mas, para não deixar passar em branco, coloco aqui alguns pensamentos sobre a temporada que se aproxima. Sem falar demais ou sobre todo mundo, vamos ver quais times esse ano parecem se encaixar em diferentes "moldes" para a temporada regular.

Vamos começar com um exemplo, para facilitar, e dai seguimos no ritmo.

(Inspirado nessa coluna do ótimo Bill Barnwell)


O Time Que É o Grande Candidato a Regressão
Em 2014 foi: Carolina Panthers
Em 2015 pode ser: Detroit Lions

Em termos de análise, a temporada regular da NFL tem um grande problema: a amostra de 16 jogos é pequena demais, e como toda amostra pequena, sofre de todo tipo de desvios e influências externas que dificultam nosso entendimento dos fatos. Então enquanto que o que importa ao final da temporada é a campanha de cada equipe (na hora de classificar para os playoffs), esse resultado final nem sempre faz jus ao verdadeiro nível de uma equipe. Muitas vezes, um time conta com ajuda de fatores externos - sob os quais não tem controle - para atingir um resultado melhor do que deveria, e portanto passa a ser um enorme candidato a regressão: quando esses fatores "normalizarem" -e, sendo externos e além do controle da equipe, a tendência é que não se repitam - esse time vai ficar exposto a uma queda normal. Você pode ler mais a respeito dos principais indicadores disso - como Pythagorean Expectations, jogos decididos por uma posse de bola, fumbles recuperados, etc - nessa coluna de 2013 que continua extremamente atual. Outros fatores - como por exemplo mudanças no elenco, perdas para a free agency, lesões - também afetam, obviamente, as chances de um time de regredir de uma temporada para a outra. (PS. Importar frisar que isso pode acontecer para os dois lados. É muito comum um time bom terminar o ano abaixo do esperado devido a fatores externos, sendo assim um candidato a regredir positivamente no ano seguinte).

Esse ano, o grande candidato a regressão é o Detroit Lions. Apesar de terminar o ano passado com 11-5 e uma vaga nos playoffs, tudo indica que o time do Lions não era tão bom assim: seu Pythagorean Expectation (Sério, clique no link acima) diz que o time foi muito mais próximo de um time 9-7, ou seja, quase duas vitórias acima da sua projeção graças em parte a uma campanha de 6-1 em jogos decididos por uma posse de bola ou menos. Ambos os números são insustentáveis, e indicam que Detroit teve ter muito mais dificuldade de ter uma boa campanha em 2015. Times que superam sua PE em 2 jogos perdem, em média, 2.4 jogos a mais no ano seguinte.

Só isso já indicaria uma regressão considerável para Detroit, mas infelizmente para meu amigo Jalisno, os problemas não acabam ai. Em 2014, a grande força do time foi sua dominante linha defensiva, mas nessa offseason o time teve que lidar com as perdas de dois dos seus principais defensores, Ndamukong Suh (Dolphins) e Nick Fairley (Rams). O time trouxe Haloti Ngata para tapar esse buraco, mas ainda é uma perda considerável que enfraquece o que era a grande força da franquia. Entre esses dois fatores - a regressão natural, e a perda de Suh e Farley - é difícil enxergar Detroit repetindo seu 2015, e é um forte candidato a cair de produção.

Menção honrosa: Arizona Cardinals


O Time Que Promete Explodir Mas Decepciona
Em 2014 foi: Cleveland Browns
Em 2015 pode ser: Miami Dolphins

Em 2014, o Browns parecia o time pronto dar um salto e se tornar competitivo: uma boa e jovem defesa cheia de talentos, um ataque com uma boa linha ofensiva e um novo quarterback, e um calendário favorável. O time até mesmo começou o ano 7-4 antes de tudo desandar. Mas o saldo acabou sendo um fiasco: a defesa não evoluiu tão bem como o esperado, Josh Gordon foi suspenso, Manziel e Gilbert não renderam e tiveram problemas extra-campo, Alex Mack machucou, e o Browns teve mais uma temporada de fracassos.

Em 2015, o Bills é óbvio demais, um queridinho da offseason que causou impacto ao contratar nomes como Shady McCoy e Percy Harvin, mas que ainda tem Tyrod Taylor de quarterback e uma péssima linha ofensiva. Então ao invés de falar do Bills, que vai ser grosseiramente movido para menção honrosa, vamos falar de outro popular candidato a dar um salto em 2015: o Miami Dolphins.

Para ficar claro, não estou dizendo que o Dolphins vai ser um time ruim. Mas depois de contratar Ndamukong Suh o Dolphins se tornou um time frequentemente citado na hora de apontar as "surpresas" de 2015 ou times que tendem a melhorar e brigar pelos playoffs. E embora isso não esteja fora do alcance de Miami, também me parece prematuro ficar animado demais.

Suh sem dúvida é um grande jogador, e próximo a Cameron Wake e Olivier Vernon, a expectativa é que Miami tenha uma das melhores linhas de frente da liga. E pode até ser que aconteça, mas ainda assim, a defesa preocupa. O enorme dinheiro dado a Suh significa que o Dolphins não teve como adereçar suas enormes falhas entre os linebackers e na secundária, e portanto vai depender demais  da sua linha de frente para aguentar a barra por 16 jogos. Apesar de ter uma ótima defesa no começo do ano, a secundária do time despencou para uma das piores da liga na reta final, e sem ter contratado bons reforços na offseason, é difícil imaginar muita mudança nesse sentido. Apostar em um time muito focado no topo, com algumas estrelas mas pouca profundidade, é sempre arriscado, e o Falcons está ai pra lembrar que nem sempre funciona.

Outro ponto que faz muitas pessoas terem otimismo com o Dolphins é o QB Ryan Tannehill, que aparentou uma evolução em 2014 depois de subir seu aproveitamento de 60% para 66.4%. Muitos encararam isso como um sinal de que o jovem QB estava prestes a explodir. Mas ai você começa a olhar mais de perto, e percebe que apesar dessa aparente evolução, suas jardas por passe subiram apenas de 6.7 para 6.9, números um pouco abaixo da média. O que aconteceu então? Tannehill simplesmente passou a fazer passes mais curtos, de maior aproveitamento (por isso o salto em %) mas de menos jardas. Não que não tenha acontecido alguma melhora do jogador, mas muito foi uma mudança de esquema tático, e não tem muito a indicar que Tannehill esteja para explodir.

Considerando tudo, Miami deve ser um time decente que pode muito bem beliscar uma vaga de wild card na AFC, mas considerando os buracos do elenco (especialmente na defesa), ainda acho que não é a hora do Dolphins dar um salto rumo a relevância nos playoffs.

Menção honrosa: Buffalo Bills


O Jogador Desconhecido Que Explode no Lugar Certo
Em 2014 foi: Justin Forsett
Em 2015 pode ser: Joseph Randle

Uma escolha de sétima rodada em 2008, Justin Forsett tinha apenas 347 corridas na carreira antes de ganhar por default a vaga de RB titular do Ravens em 2014... onde imediatamente explodiu para 1266 jardas e 5.4 jardas por corrida (melhor marca da NFL) no esquema de bloqueios por zona do coordenador ofensivo Gary Kubiak. Esse esquema é famoso por transformar RBs anônimos em estrelas (Arian Foster, alguém?), e Forsett aproveitou a oportunidade para transformar sua carreira.

O maior candidato para ser o jogador "Lugar certo, hora certa" de 2015 é Joseph Randle. Lembra ano passado quando DeMarco Murray explodiu para 1845 jardas? Esse total teve mais a ver com a linha ofensiva do que você imagina. Escrevi sobre isso na época (na parte de "Offensive Player of the Year), mas Murray teve 2.3 jardas por corrida ANTES de sofrer qualquer contato ano passado, e a linha ofensiva de Dallas foi a segunda melhor no jogo terrestre (per PFF). Não que Murray não tivesse tido um ótimo ano, mas também teve muita ajuda da sua linha ofensiva. E agora quem está jogando atrás dessa fantástica linha ofensiva é Joseph Randle... que aliás teve 6.7 jardas por corrida em 2014 atrás dessa mesma linha. Claro que manter esse número é impossível, com uma carga maior, mas da uma amostra de que Randle se sentiu bem confortável nesse esquema tático.

O Dallas ameaçou fazer uma rotação no backfield, o que naturalmente iria limitar os toques de Randle e portanto suas jardas, mas o camisa 21 ainda deve ser o principal jogador nessa rotação de Dallas, e com um ótimo combo QB/WR abrindo espaços e jogando atrás de uma dominante linha ofensiva, Randle tem tudo para explodir em 2015 e, no mínimo, ganhar algumas ligas de fantasy por conta própria.


Jogador Subvalorizado Que Estoura Na Situação Certa
Em 2014 foi: Golden Tate
Em 2015 pode ser: DeAndre Hopkins

Eu sou suspeito para falar, pois sou um grande fã de Golden Tate desde antes do Draft, ainda em seus dias em Notre Dame. Lembro especificamente de estar falando com meu amigo e colega Marcelo Ferrantini - hoje comentarista do Esporte Interativo - uma noite de NCAA quando Tate anotou um touchdown depois de driblar 24 jogadores (ok, foram uns 10, mas ainda assim) do time adversário que nos fez imediatamente parar a conversa e ficar meia hora no telefone trocando grunhidos como "Wow" e "Caaaara..." por causa do touchdown. Enfim, fato é que Tate se tornou o principal alvo do campeão Seattle antes de sair na offseason para Detroit... onde imediatamente teve uma temporada de 99 recepções, 1300 jardas e se estabeleceu como um dos melhores WRs da NFL. Não é que Tate tenha se tornado um bom WR em 2014 - ele já era ótimo em Seattle, mas era mais difícil de perceber isso em um ataque muito mais voltado para o jogo terrestre (Seattle foi o time que menos vezes passou a bola entre 2012 e 2013). Em 2014, em um ataque muito mais aéreo, Tate assumiu o papel de principal WR com a lesão de Megatron e mostrou todo seu arsenal, sua capacidade de quebrar tackles e seu incrível dinamismo após a recepção. Hoje, todo mundo reconhece Tate, mas ele precisou explodir na situação certa para isso.

Em 2015, meu candidato a isso é DeAndre Hopkins, o que de certa forma é trapacear, porque Hopkins já é um dos melhores WRs da NFL. Apesar de receber passes de Ryan Fitzpatrick, Case Keenum e Ryan MAllett e ser apenas a segunda opção de WRs do seu time, Hopkins terminou 2014 12h em jardas recebidas com 1220. Eu já citei que Hopkins estava no seu segundo ano na NFL? O camisa 10 já é um ótimo WR, falta o reconhecimento.

Esse reconhecimento deve enfim vir em 2015. Não é a toa que eu apostei em DeAndre Hopkins para liderar a liga em jardas recebidas essa temporada. Com Andre Johnson - que teve 147 passes lançados na sua direção - fora da cidade, o palco é todo de Hopkins para brilhar, algo que se torna ainda mais verdade considerando a lesão de Arian Foster e o tempo que o RB deve perder. Mesmo com QBs fracos (Brian Hoyer e Mallett), os passes ainda precisam ir na direção de alguém, e sem Johnson então Hopkins é o óbvio alvo de boa parte desses passes - ainda mais sem o RB que deveria ser o foco do time, forçando a equipe a passar ainda mais. Hopkins é um ótimo candidato a ter uma temporada incrível em 2015 que vai te deixar se questionando porque nunca tinha prestado mais atenção nele antes.

Menção honrosa: Davante Adams


A Grande Contratação Que Fracassa
Em 2014 foi: Michael Johnson
Em 2015 pode ser: Julius Thomas

Michael Johnson era um dos melhores DEs da NFL jogando em Cincinnati quando virou Free Agent e recebeu 43M de dólares do Tampa Bay Buccaneers em uma das grandes contratações da offseason. Foi um fracasso: Johnson teve apenas 4 sacks na temporada e, longe de Mike Zimmer e Geno Atkins, foi um dos piores jogadores da temporada 2014. Depois de apenas um ano na Flórida, o Bucs cortou Johnson, que voltou para o Bengals essa offseason.

O grande candidato a fracasso milionário dessa offseason tem que ser Julius Thomas, que recebeu um contrato de 5 anos, 46M do Jaguars. Deixando de lado os valores por um instante, primeiro tem uma pergunta a ser feita: nós temos certeza que Julius Thomas realmente é tão bom assim?

Um calouro da quarta rodada do Draft de 2011, Thomas teve uma recepção para 5 jardas nos seus dois primeiros anos de NFL antes de Peyton Manning fazer dele uma estrela, indo para dois Pro Bowls consecutivos com 24 touchdowns em dois anos. Mas Thomas é um jogador bastante limitado: um dos piores bloqueadores da NFL, Thomas também não é um bom jogador quando se trata de receber passes em espaço, sendo um corredor de rotas medíocre. O que Julius Thomas tem é um físico enorme, o que o torna um alvo fantástico na end zone, como atestam seus 24 touchdowns. Mas fora da end zone, não sei se Thomas realmente adiciona muito: nesses mesmos dois anos, o TE teve apenas 1277 jardas recebidas, uma marca medíocre, especialmente considerando que passou esse tempo em alguns dos ataques mais produtivos da história da NFL. E isso antes de lembrar que seu QB nesse tempo foi Peyton Manning, um mago que tem um longo histórico de transformar jogadores medianos e/ou unidimensionais em estrelas com esquemas inteligentes, audibles geniais e passes fora de série. Tire todos os fatores que não devem se repetir em Jacksonville, e a verdade é que Thomas é basicamente um humano muito grande, que pode causar estrago na end zone mas pouco mais faz pelo time. Não é exatamente o tipo de jogador que você quer essa bolada. É um erro clássico -e mortal - overpay um jogador mediano pela sua produção dentro de um sistema muito específico e esperar que ele produza igual em outra situação.

Eu entendo que Jacksonville - o segundo pior time na Red Zone em 2014 - queira um jogador para facilitar os touchdowns próximos para ajudar seu ataque e o desenvolvimento de Blake Bortles. Mas ao mesmo tempo, qual a vantagem de ter um ótimo alvo de end zone se, para começar, seu time não chega lá? O Jaguars foi o time com menos posses de bola na red zone da liga - 28 em 16 jogos - e, como foi dito, Thomas pouco vai ajudar nesse aspecto, já que sua maior força é converter os passes dentro da linha das 20 jardas. Da para entender buscar um jogador que pode corrigir uma fraqueza, mas não da para justificar pagar a esse jogador um excesso de dinheiro que poderia ser muito melhor empregado corrigindo outras áreas mais importantes do time.

Além do que, o Jaguars deveria ser o primeiro time a ficar esperto na hora de pagar TEs limitados que anotam toneladas de touchdowns. Em 2010, Marcedes Lewis teve a temporada da sua carreira, sendo um monstro na end zone e anotando 10 touchdowns na temporada, eventualmente ganhando uma vaga no Pro Bowl. Inspirados por esse sucesso, o Jags renovou seu TE por 35M de patacas ao final da temporada... só para ver Lewis anotar 10 touchdowns nos 4 anos desde então. Somados. A situação não é a mesma, claro, mas é o tipo de experiência que deveria fazer Jacksonville pensar duas vezes antes de overpay um jogador como Thomas.

Menção honrosa: Byron Maxwell


O Jovem Time Que Explode de Produção
Em 2013 foi: Carolina Panthers
Em 2014 foi: Ninguém
Em 2015 pode ser: Minnesota Vikings

Eu tenho estado na Vikings Bandwagon desde 2014e , com um ano de delay, digo que agora vai: ESSE É O ANO!

Times "jovens e promissores" sempre são perigosos, porque embora as vezes um time entregue o que prometeu e seja realmente divertido, também acontece muitas vezes de um time ficar preso tempo demais nesse "quase", sem nunca realmente dar o salto de produtividade que precisa para ser um contender. As vezes é porque o talento em mãos nunca se desenvolve como esperado; as vezes por puro azar, por estar no lugar errado na hora errada; e as vezes porque o time foi overrated desde o começo. É mais comum que times jovens e promissores decepcionem e continuem medianos do que realmente atingirem seu potencial.

Dito isso, eu estou bastante confiante no que tange ao Minnesota Vikings de 2015, porque embora tenha sido aos poucos e as vezes sem chamar a atenção, esse time está LOTADO de grandes talentos, do começo ao fim. Vocês já devem ter percebido isso pelas minhas apostas, mas eu estou esperando um grande salto de produção da equipe.

Antes de mais nada, Minnesota deve ter uma das melhores defesas da liga. Apesar da inconsistência em 2014, normal dada a pouca idade do time, o Vikings terminou o ano 9th em defesa pela PFF, e tem tudo para explodir. Para começar, Minnesota deve ter uma das melhores secundárias da NFL: Harrison Smith é o melhor safety da liga não chamado Etan Thomas (Smith nunca ter ido a um Pro Bowl é um crime), e seu parceiro na retaguarda Robert Blanton finalmente desabrochou em 2014, formando uma das melhores duplas de safeties da liga. Xavier Rhodes e Captain Munnerlyn formam uma sólida dupla de cornerbacks, e com a chegada de Trae Waynes (escolha de primeira rodada no Draft de 2015) Munnerlyn pode enfim dedicar a maioria do seu tempo ao slot, formando assim um ótimo trio de cornerbacks. Todo mundo sabe que Seattle usa Game Shark, mas entre as defesas normais, Minny tem tudo para ter a melhor secundária da liga.

Além disso, a linha de frente de Minny também é uma força a ser considerada. Sharif Floyd e Anthony Barr são duas jovens estrelas em ascenção, Everson Griffen explodiu em um papel mais integral depois de receber uma bela extensão, Gerald Hodges e Audie Cole tiveram ótimas temporadas, e o time enfim conseguiu solucionar seu maior problema (a falta de um bom MLB) selecionando o ótimo Eric Kendricks no Draft. É muito talento em uma defesa só, e com as importantes chegadas de Waynes e Kendricks, um ano a mais de evolução para os jovens talentos, e um ano a mais sob o comando do guru defensivo Mike Zimmer, essa é a aposta mais segura da temporada para dar um grande salto defensivo.

E do lado ofensivo, apesar de algumas falhas importantes, o Vikings também parece pronto para melhorar consideravelmente. Eu sou suspeito para falar por ser fã do cara desde o College (e um dos seus maiores defensores na época do Draft), mas Bridgewater foi de longe o melhor quarterback calouro de 2014 e um dos melhores da NFL, ponto, durante a reta final da temporada. Ter um bom QB é sempre ótimo na NFL, e um ótimo QB em um contrato de calouro é o tipo de ativo que pode mudar um time inteiro (ver: SEAHAWKS, Seattle). E agora Bridge terá ajuda de Adrian Peterson, que foi o melhor RB da liga não muito tempo atrás, e reforços no jogo aéreo com a chegada de Mike Wallace. A linha ofensiva - um dos maiores problemas em 2014 - ainda é ruim, e isso limita consideravelmente o potencial desse ataque, mas se conseguir evoluir o suficiente para ser sólido e a defesa der o salto esperado, já é o suficiente para fazer de Minnesota um time muito assustador. Não é o tipo de time que eu queria ver pela frente em 2015.

Por falar nisso, deixa eu ver contra quem meu time joga essa semana...

... fuck.

Menção honrosa: Saint Louis Rams


O Nome Grande Que Cai Em Um Time Novo
Em 2014 foi: Hakeem Nicks
Em 2015 pode ser: LeSean McCoy

LeSean McCoy ganhou muitas manchetes quando foi para Buffalo em troca de Kiko Alonso, e muito mais hype sobre como agora o Bills iria finalmente engrenar um bom ataque terrestre. Eu acho que não será o caso, e acho que McCoy vai ser uma frustração para o Bills e para quem pegou ele na primeira rodada do fantasy (algo que eu evitei como a praga). Me permita explicar.

Primeiro de tudo, embora McCoy seja um bom RB, eu acho que o camisa 25 acabou overrated por causa do seu ótimo 2013, onde acumulou números fantásticos dentro do esquema revolucionário e ultra-veloz de Chip Kelly: 1607 jardas corridas, 2146 jardas totais, 11 touchdowns. Esse é o tipo de outlier que você precisa tomar cuidado, especialmente se foi atingido dentro de um esquema extremamente favorável e diferente do novo.

Segundo, McCoy regrediu visivelmente em 2014. Sua relação de jardas por corrida caiu de 5.1 para 4.2, apenas a vigésima segunda melhor marca da NFL (min. 100 corridas), o que fica ainda mais medíocre quando lembramos que o Eagles não só tem um ótimo esquema ofensivo como também teve a melhor linha ofensiva no jogo terrestre de 2014. Para efeito de comparação, no mesmo esquema e com a mesma linha, Darren Sproles teve 5.8 jardas por corrida. Individualmente, McCoy não teve uma boa temporada - suas 1300 jardas são mais devido a sua ótima linha ofensiva e alto número de corridas, e o RB também teve as piores marcas da carreira em touchdowns (5), fumbles (4) e jardas recebidas (150). E embora seja normal esperar flutuações nas temporadas dos jogadores e um ano em queda não queira indicar uma tendência, vale citar que desde 2011 McCoy é o segundo jogador com mais corridas e o jogador com mais toques entre todos da NFL, só que não é um monstro físico como Lynch (primeiro no primeiro e segundo no segundo quesito. Sim, isso faz sentido. Releia). RB tendem a decair cedo, especialmente com uma carga grande. Não quer dizer que SEJA o caso, mas algo para ter em mente

Terceiro, muito se falou sobre o Bills finalmente ter um bom RB e escapar da ineficiência e improdutividade de jogadores como CJ Spiller (3.8 jardas por corrida em 2014) e Fred Jackson (3.7). No entanto, a poucas pessoas ocorreu que talvez essa falta de produção não seja exatamente um problema dos running backs - de fato, o site ProFootball Focus, que da notas baseado nos feitos individuais dos jogadores, colocou Fred Jackson como um RB acima da média em 2014. A verdade é que o Bills teve a PIOR linha ofensiva bloqueando para a corrida em 2014, e quando você não tem espaços, é bastante difícil correr mesmo, seja você Spiller, Jackson, McCoy ou Barry Sanders. Em 2014, Jackson teve 2.3 jardas por corrida DEPOIS do contato, marca igual a Le'Veon Bell, Mark Ingram, Frank Gore e Justin Forsett (líder da NFL em jardas por corrida, btw). E, claro, .2 melhor do que LeSean McCoy. Ele simplesmente não tinha para onde correr. O maior problema do time não foi o jogador, e sim sua horrível linha ofensiva.

Desses três pontos, é o terceiro que mais me faz temer por McCoy em 2015. McCoy está no seu melhor operando em espaço, quando pode usar sua absurda agilidade para desviar de marcadores e encontrar espaços para explodir, mas não é um jogador particularmente produtivo quando precisa operar nas trincheiras e fazer algo acontecer sem ajuda dos bloqueadores. Dos 18 RBs em 2014 que tiveram pelo menos metade das corridas do time, McCoy foi o segundo PIOR conseguindo jardas e quebrando tackles quando não estava sendo ajudado pelos bloqueadores, ganhando apenas de Andre Ellington. E acontece que, a não ser que algo mude drasticamente em Buffalo, é exatamente isso que McCoy vai ter que fazer em sua passagem por lá, tanto pela péssima ajuda que terá com bloqueios e espaços, tanto pela preferência do coordenador ofensivo Greg Roman de jogar um jogo fisico e de atrito pelo chão. Basicamente você está tirando McCoy da melhor situação possível (excelente e variado esquema ofensivo, ótima linha, muitos espaços e jogadas em campo aberto) para ele e colocando-o na pior (nenhuma ajuda dos bloqueios, poucas armas, pouca ajuda do jogo aéreo, poucas jogadas em espaço, muita necessidade de achar espaço na força), e isso indica um ano muito complicado para o ex-jogador do Eagles.

Menção honrosa: Brandon Marshall

Palpites oficiais para a temporada 2015 da NFL

AFC East: New England Patriots
AFC North: Baltimore Ravens
AFC South: Indianapolis Colts
AFC West: Denver Broncos
AFC Wild Card: Pittsburgh Steelers, San Diego Chargers

NFC East: Philadelphia Eagles
NFC North: Green Bay Packers
NFC South: New Orleans Saints
NFC West: Seattle Seahawks
NFC Wild Card: Minnesota Vikings, Saint Louis Rams


Podem começar a xingar!

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

30 perguntas sobre 30 times da NBA

"Calma gente, estão fazendo muitos pontos, tem que fazer menos!"


As primeiras duas semanas de NBA estão agora ano passado. Cada time jogou entre seis e nove jogos, e embora ainda esteja tudo muito longe de onde estará ao final do ano, é possível dizer que a temporada começa a tomar forma. Muita coisa ainda vai acontecer, e não podemos levar o que aprendemos nesses primeiros jogos como sendo definitivos para essas equipes... mas ao mesmo tempo, já vimos o suficiente para começar a questionar, analisar e especular.

Cada um dos 30 times da NBA entrou na temporada com um objetivo, uma situação previamente criada pelos seus investimentos e decisões. Ainda não é possível tirar nenhuma conclusão sobre se alcançarão ou não seus objetivos, mas podemos ver como o começo de temporada de cada time se adequava ou não ao que tinham em mente quinze dias atrás.

E é o que faremos. Uma pergunta para cada time, que mostre o momento atual da equipe. Pode ser uma dúvida legítima do que a equipe vai fazer, algo que mostre uma diferença entre o que está acontecendo e o que era previsto, uma pergunta retórica, ou só mais uma forma de zoar o Lakers. Em geral, tentarei fazer disso algo construtivo. Ainda assim, tenham em mente que a amostra é pequena ainda, e que é menos uma conclusão que estamos tirando e mais uma comparação entre o momento atual no começo de temporada e a expectativa um mês atrás.

Então sem mais de longas, vamos ver o que temos aqui: 30 perguntas para os 30 times da NBA.

(Notas: os times estão ordenados por ordem alfabética. As estatísticas abaixo vieram de Basketball-Reference, NBA Stats, ou Synergy Sports. Algumas das entradas foram escritas nos últimos dias e talvez não estejam totalmente atualizados alguns dados.).


Atlanta Hawks

Até quando Atlanta vai continuar se contentando com o meio da tabela?

Desde 2008, o Atlanta Hawks foi aos playoffs em cada temporada da NBA que disputou, nunca vencendo menos do que 37 jogos nesse período. Uma consistência impressionante. Por outro lado, o time só passou três vezes da primeira rodada, nunca chegou a uma final de conferência, e nunca venceu mais do que 53 jogos em uma dessas temporadas.

Essa tem sido a marca do Hawks nos últimos muito anos (especialmente desde que passou Chris Paul para pegar Marvin Williams - sou obrigado por contrato a lembrar disso): mediocridade consistente. Um time bom o suficiente para consistentemente chegar aos playoffs, mas nunca bom o suficiente para disputar títulos, nem ruim o suficiente para conseguir boas escolhas de Draft e reforçar a equipe para dar esse próximo passo. Para piorar, a folha salarial do time estava entupida demais, tirando toda flexibilidade. Em geral, essa é a pior situação para se encontrar na NBA, preso no meio da tabela, sem brigar pela parte de cima, nem ter oportunidades de dar o salto. Ainda assim, o Hawks era um time que parecia confortável nessa situação, se contentando com esses pequenos sucessos.

Mesmo com a chegada de Danny Ferry e uma mudança na diretriz do time - trocando o contrato caro de Joe Johnson e deixando Josh Smith ir embora, limpando assim boa parte da folha salarial - o resultado parece ser o mesmo. Um time um pouco acima da média, com uma identidade (no caso, muita movimentação de bola e 3pt shooting) definida e que está bem posicionado para vencer alguns jogos e ir aos playoffs, mas não para ameaçar um título. De novo o Hawks se encontra na mesma situação.

Até quando? Ninguém sabe. Depende do quanto a diretoria e os donos do time (agora provavelmente novos donos) estiverem satisfeitos com esse padrão. Também é difícil ver qual seria o caminho para o Hawks sair disso. O time não tem grandes ativos de troca para trazer uma estrela, e a folha salarial não está tão aberta assim - Atlanta está algo como 14M abaixo do cap em salários comprometidos para 2015/16, e isso envolveria perder DeMarre Carroll e Millsap, dois jogadores importantes na equipe. E mesmo se conseguissem o espaço salarial necessário, Atlanta não é um destino atraente para free agents - a história recente diz que jogadores não tem tanto interesse em jogar lá, que não gostam da torcida pouco vibrante e da cidade sem sal (o que não deve melhorar depois dos casos recentes de "racismo" dentro do Hawks, embora tenham sido em boa parte distorcidos e tirados de contexto). Não tem uma janela para o Hawks dar um salto para "competindo pelo título" tão cedo.

A alternativa seria trocar seus ativos e reconstruir, mas voltar a perder não parece ser uma opção que agrade a diretoria da franquia. Por enquanto, Atlanta parece que vai continuar insistindo na sua abordagem de meio de tabela. Até quando?


Boston Celtics

O que fazer com Rajon Rondo?

Ninguém sabe. A estrela de Boston começou bem a temporada (9-11-8 com excelente defesa) antes de se machucar de novo, sentindo os efeitos da cirurgia na mão. Não é como se seu valor de troca estivesse altíssimo, mas está bom o suficiente.

O problema é que tem muitos fatores influenciando nessa decisão. Rondo é um free agent ao final da temporada, então corre o risco dele sair de Boston por nada. Ao mesmo tempo, o Celtics tem o calouro Marcus Smart para assumir a posição de armador principal, sem falar no emergente Phil Pressey, e uma troca de Rondo abriria espaço para ambos. E, claro, trocar Rondo permitiria ao Celtics entrar um pouco mais forte em modo de tank nessa temporada em busca de outra boa escolha de Draft. 

Por outro lado, o Celtics não vai trocar Rondo só por trocar, se achar que o retorno não está a altura. A equipe não está tão interessada em uma reconstrução demorada, e os lineups com o trio Rondo-Bradley-Smart tem sido extremamente divertidos de assistir mesmo em uma amostra pequena (e colocando 118 pontos por 100 posses de bola. Isso também). Com Rondo, o Celtics sabe que pode brigar pelos playoffs no Leste, e é provável que a diretoria veja isso como uma opção melhor do que trocar Rondo por migalhas.

Então é uma decisão difícil. Eu acho que vai depender se o Celtics conseguir ou não uma boa oferta - talvez uma oferta McLemore + 1st round pick do Kings, ou um pacote envolvendo Shumpert, um expirante e escolhas de Draft do Knicks - porque a chance do time trocá-lo por 60 centavos no dólar é quase nula. Se essas ofertas se materializarão é outra história, e por enquanto, o Celtics vai mantendo sua estrela e sendo discretamente competitivo no fraco Leste. 


Brooklyn Nets

O que aconteceria se o time fosse realmente vendido?

Dentro de quadra, o Nets é um time que depende demais da saúde de jogadores frágeis como Brook Lopez e Deron Williams. Eles criaram uma identidade como um time de small ball desde o ano passado, e agora tem novos arremessadores para brincar com isso. É um time sólido o suficiente quando inteiro para causar problemas, mas acho que não tira o sono de ninguém no Leste.

A grande sombra pairando sobre o time no momento é uma possível troca de dono da franquia. O dono do Nets, Mikhael Prokhorov, aparentemente cansou de gastar milhões de dólares em um time que ele não se importa, e aparentemente colocou o time a venda. E caso a venda se concretize, isso provavelmente vai repercutir MUITO mal dentro de campo.

Por que, você pergunta? Porque o Nets de hoje é uma máquina de perder dinheiro. Esse ano o Nets está quase 20M acima da LUXURY TAX (não do salary cap - do luxury tax), o que significa que só de multa o Nets está pagando mais do que times da NBA pelo seu time inteiro em salários. Isso foi possível por Prokhorov não liga a mínima para pagar milhões, mas isso muito provavelmente vai mudar com seu próximo dono. Brooklyn é um mercado grande, mas existe uma diferença brutal entre pagar a luxury tax com parcimônia em casos específicos, e o que o Nets ta fazendo. Isso significa que uma troca de comando provavelmente significaria uma mudança brutal em quadra, provavelmente um corte desesperado de custos para tentar evitar perder essas somas impossíveis de dinheiro. O time se desmontaria, e sem boas perspectivas de futuro: Nets depende muito hoje de jogadores caros frágeis (Williams e Lopez) ou veteranos no final de suas carreiras (Garnett, Joe Johnson), e não tem escolhas de Draft interessantes graças aquela troca com Boston. A perspectiva de futuro não é das melhores a não ser que de alguma forma o novo dono consiga se livrar de Williams/Lopez em troca de bons ativos futuros (improvável).

É um peso complicado de se ter sobre sua cabeça. Esse provável (não certo, mas provável) cenário em caso da venda do time é suficiente para acabar com a competitividade do time no médio prazo, e é difícil dizer com que urgência isso tudo aconteceria (danificando o curto prazo). E no fundo, é a pergunta mais critica nesse momento para Brooklyn.


Charlotte Hornets

Lance Stephenson conseguirá acender o ataque do Hornets?

Ano passado, a principal força do Hornets foi sua defesa, que terminou o ano como a sexta que menos cedia pontos por posse de bola. O ataque, por outro lado, estava horrível, o sétimo pior do ano e sem dúvida o fator limitante da equipe. Mesmo considerando que alguma regressão defensiva era esperada para 2015 - em parte regressão natural, dada a falta de grandes defensores na equipe, e principalmente o fato de Marvin Williams ser o PF titular a equipe - a grande aquisição de Charlotte para a temporada foi uma destinada a acender seu dormente ataque: Lance Stephenson, um criativo jogador capaz de jogar em velocidade e a partir do drible.

Até agora... nada feito. A defesa caiu um pouco (a décima desse começo de temporada), mas o ataque conseguiu piorar ainda mais, sendo apenas o quinto até agora na liga, colocando 98 pontos por 100 posses de bola, uma marca que seria a segunda pior de 2014. Tem vários motivos para isso: Al Jefferson não começou tão bem a temporada, Marvin Williams tem sido um fracasso jogando de PF titular, o time sente falta dos passes de Josh McBob. Mas a verdade é que isso não era o que o Hornets tinha em mente quando trouxe Stephenson, que também está bastante mal no começo de temporada: 9 pontos, 5 assistências (e 11 rebotes, o que é bizarro) enquanto chuta 33% e 19% de três.

Quando Stephenson chegou, a expectativa de muitos (inclusive a minha) era de que ele teria um papel semelhante ao que fazia no Pacers, jogando muitos minutos comandando lineups com jogadores de banco, jogando com liberdade e puxando contra ataques. Isso não tem acontecido até aqui, o que me faz pensar que ele está sendo um pouco mal usado. Steve Clifford não é um técnico que goste muito de jogar em transição - Charlotte terminou 2014 como o sexto ataque que menos pontuava em transição, com 10.2 pontos por jogo. Mas é em transição que Stephenson era mais destrutivo, e eu imaginava que sua presença iria fazer Clifford soltar mais o time em velocidade para aproveitar essa característica. Até agora, não foi o caso: o Bobcats caiu para 8.4 pontos em transição por jogo, terceira pior marca da NBA. Não é a melhor forma de utilizar os talentos de sua nova contratação.

E também tem o seguinte: o trio Kemba-Lance-Al não tem funcionado até aqui. E faz sentido: Kemba e Stephenson não são bons chutadores de fora, o que dificulta as infiltrações e os post ups de Al, e tem bola de menos para os três jogarem juntos. Tanto Kemba como Stephenson gostam de jogar como ballhandlers dominantes, e Al é um jogador que também gosta de ocupar seu tempo de costas para a cesta. Com esses três juntos você acaba desperdiçando o lado bom dos três até certo ponto, não aproveitando cada um ao máximo. E os resultados tem sido desastrosos - com o trio em quadra junto, o Hornets tem saldo de -4.8 pontos por 100 posses de bola. Eu achei, antes da temporada, que a solução de Clifford seria usar Stephenson em lineups com muitos jogadores vindos do banco, onde ele poderia jogar com a bola nas mãos e correr em transição a vontade, mas também não tem acontecido: das seis lineups que o Bobcats mais usou até aqui das quais Stephenson fez parte, CINCO delas são junto de Kemba e Big Al. De novo, não a melhor forma de utilizar seus talentos.

O Bobcats parecia um candidato a dar um salto em 2015, mas até agora não aconteceu. Tem sido uma grande decepção, e o ataque e Stephenson são dois dos principais motivos.


Chicago Bulls

Existe alguma chance de Derrick Rose ficar saudável?

Eu sei, eu sei, é o "e se?" mais comentado da história recente da NBA. Mas não tem como escapar. Essa é a pedra sob a qual se sustenta toda a temporada do Bulls.

O Leste está mais aberto e vulnerável do que nunca em 2015. Os dois times que mais renderam nesse começo de ano fora Chicago são Raptors e Heat (#5 e #8 em rating), mas o Raptors ainda precisa se provar na NBA, e Miami ainda está tentando se achar depois de grandes mudanças no seu time. O Cavs, que deveria ser o grande juggernault do Leste, ainda está nas difíceis fases de aprendizado e não deu mostras de que pode vir a ser uma superpotência ainda. Washington ainda é um pouco incógnita. E o Bulls tem a chance de enfim voltar as Finais pela primeira vez desde Jordan em meio a um enorme buraco no Leste, atrás de um ataque surpreendentemente ativo e um banco reforçado, especialmente se a defesa voltar ao seu nível de sempre depois de um começo decepcionante.

O problema é que, não importa o quanto reforcem o banco e melhores o time, o Bulls não vai a lugar algum se Derrick Rose não estiver saudável. E claro, Rose já perdeu metade dos jogos da equipe por diferentes lesões. Nenhuma é séria, aparentemente, nem recorrente. Ainda assim, para um jogador que perdeu praticamente três anos da sua carreira para lesões e que precisa mostrar que é capaz de permanecer em quadra, esse não é o começo ideal. Não é possível contar com o Bulls como favoritos sem Derrick Rose, e infelizmente, nesse momento, o ex-MVP não está passando confiança. É verdade que o que importa é como chegará em Abril, mas primeiro ele precisa passar quatro jogos saudáveis jogando em alto nível. Ainda não fez isso.


Cleveland Cavaliers

É possível o Cavaliers montar uma defesa boa o suficiente para competir pelo título?

Eu já fiz um post inteiro dando exemplos para ilustrar alguns dos principais problemas da defesa de Cleveland nesse começo de ano, uma defesa que atualmente é a segunda pior da NBA cedendo 110.1 pontos a cada 100 posses de bola. Graças a isso, Cleveland tem um saldo de -3.6/100 posses que colocaria a equipe como a oitava pior da NBA. Então vocês podem ler essa coluna para alguns detalhes, embora tenha saído já faz algum tempo, ela continua bastante atual.

O Cavs tem um enorme potencial por causa do puro talento do time, especialmente no ataque, mas é dificilimo na NBA ser campeão sem uma defesa pelo menos decente. E o Cavs não tem isso agora, nem perto. E embora alguém possa dizer que isso virá com o tempo e com entrosamento, ainda existe um risco grande simplesmente porque o time não tem bons defensores! LeBron foi mal defensivamente em 2014 (e ganhou um All-NBA Defensive Team, porque claro que sim) e piorou em 2015, principalmente porque parece desinteressado; Kyrie Irving e Dion Waiters são dois dos piores defensores vivos; Kevin Love nunca foi um bom defensor e sempre pareceu mais interessado nos rebotes; Shawn Marion está velho; e Varejão é o único defensor acima da média, mas não é Apex Dwight Howard para sozinho ancorar uma defesa. A má defesa de Cleveland não é fruto de um sistema ruim ou de falta de entrosamento, até aqui ela parece ser um bando de maus defensores cometendo erros e não tendo ninguém para lhes cobrir as falhas. Isso é um problema.

Se o Cavs quer ser um candidato ao título, então ele precisa arrumar essa defesa para ser pelo menos decente. E eu tenho minhas dúvidas se isso será possível com o elenco atual, sem uma troca por um protetor de aro ou defensor de perímetro. 


Dallas Mavericks

Pode o Mavs voltar a jogar boa defesa ao redor de Tyson Chandler?

É, eu sei, é quase a mesma pergunta do Cavs. Mas a questão é que o Mavericks, hoje, é o Cavs mais avançado em seu processo de montagem. Eles tem hoje o que era o objetivo do Cavs, ou seja, o melhor ataque da NBA - 112.3 pontos por 100 posses de bola. E também tinham uma defesa bastante fraca, sétima pior da liga, o que despencava bastante seu saldo total - +4.9, apenas oitavo melhor da temporada (esses dois números já inflaram muito hoje por causa da ridícula vitória por 124 a 70 contra um patético time do Sixers, mas vamos fingir que esse jogo não existiu). Se você perguntasse pra alguem do Cavs se eles gostariam de ter o melhor ataque e a sétima pior defesa, todos eles responderiam "SIM!" antes que você terminasse de falar. Então hoje pra mim o Mavs é o Cavs Beta.

Eu estou convencido de que, desde que tenha Dirk Nowitzki, Rick Carlisle conseguiria montar um ataque Top5 comigo de PG, o Vinicius de SF e a Alinne Moraes de C. Ele é ridiculamente bom nisso, e Dallas terminou como o segundo melhor ataque de 2014, e o melhor pós-All Star Break. Com Dirk e Carlisle, Dallas terá um bom ataque sempre. A defesa? Esse é um problema maior. Assim como o Cavs, o time conta com muitos defensores individuais fracos, mas o "trunfo" do Mavs era a presença de Tyson Chandler. Ainda que agora mais velho, Apex Chandler era um dos melhores defensores da NBA e alguém capaz de ancorar sozinho uma boa defesa (ver: 2011), e a esperança do time era que Carlisle conseguiria usar sua presença para montar um grupo pelo menos respeitável.

Ainda não aconteceu. Dificilmente Dallas terá uma defesa Top5, mas com um ataque que coloca pontos no ritmo que o seu coloca, simplesmente uma defesa acima da média pode ser suficiente para colocar a equipe como uma concorrente ao título. Carlisle e Chandler já fizeram antes, e não tem técnico na NBA melhor que Rick fazendo pequenos ajustes. Mas é o obstáculo no caminho do time.


Denver Nuggets

O Nuggets conseguirá enfim boas trocas usando seus ativos?

O elenco do Nuggets não faz nenhum sentido faz dois anos. Ele tem bons jogadores, sem dúvida, mas que juntos não encaixam desde que George Karl e Masai Uriji saíram da cidade. Jogadores de perímetros de mais, nenhum bom defensor no time inteiro (tirando Afflalo), jogadores de garrafão que, a exceção talvez de Kennett Faried, não possuem nível para serem titulares na NBA. Ainda assim, lá está o Nuggets escalando um time com esses jogadores, um garrafão fraco sem ninguém que proteja o aro, jogue de costas para a cesta ou arremesse de fora, com vários jogadores de perímetros precisando de minutos, ninguém defendendo e em geral não se encaixando de nenhuma maneira. Não a toa o Nuggets esta 1-5 e começa o ano como um dos piores times da liga.

Eu não acho que Denver seja tão ruim assim, mas de todo modo, o que eles tem agora em quadra não é um time de basquete competente. Na verdade, o elenco do Nuggets me parece mais um mural de trocas, vários ativos de troca interessantes, mas que juntos não formam um bom time. O que é até estranho, considerando o quanto o Nuggets não tem feito muitas trocas ultimamente. Denver no momento não é um candidato a título nem um eterno candidato a playoffs como era com Karl, e tampouco tem um elenco jovem e promissor no curto prazo. O melhor que Denver tem a fazer é transformar o que tem nas mãos em jogadores jovens e escolhas de Draft e se preparar para o futuro.

Wilson Chandler, Aaron Afflalo, JJ Hickson, Timofey Mozgov, Randy Foye, Nate Robinson, todos fariam bons valores de troca, e poderiam conseguir ativos importantes em retorno. Tirando Lawson, Faried e os calouros Harris e Nurkic (e TALVEZ Galinari), o Nuggets não tem jogadores que deva segurar a todo custo. Afflalo, em especial, é um valor excelente - poderiam oferecê-lo ao Cavs por Dion Waiters, ou talvez um pacote Afflalo-Chandler possam tirar Harrison Barnes de Golden State. Opções não faltam, e provavelmente nem compradores, mas o Nuggets precisa começar a se mover para não acabar morrendo com todos os ativos na mão sem chegar a lugar nenhum. 


Detroit Pistons

Quem ficará no time para o futuro?

O Pistons tem um keeper e uma futura estrela em Andre Drummond. Ele é um monstro, de apenas 21 anos e que agora está jogando para um técnico que finalmente tem condições de fazer seu crescimento ir ainda mais rápido. Drummond é o tipo de jogador que pode constituir a espinha dorsal de uma franquia em alguns anos, e se oferecesse a alguém um jogador da NBA para começar uma franquia HOJE, não sei se 15 jogadores seriam citados antes de Drummond.

Mas o resto do time... é o problema. Greg Monroe é um free agent irrestrito ao final do ano, e depois dos problemas que time e jogador tiveram na hora de renovar o contrato, parece difícil que ele fique.  Brandon Jennings tem a habilidade, mas não é nem de longe o PG ideal para esse time. Josh Smith foi um dos piores contratos dos últimos tempos. Detroit tem tentado achar um equilíbrio entre brigar pelos playoffs enquanto monta um time de longo-prazo, mas não só o time tem sido um desastre por enquanto (2-6, sexto pior saldo da NBA) como o time parece desprovido de qualquer peça de valor para seu futuro tirando Drummond e TALVEZ Caldwell-Pope. Muito ruim para um time que tinha esperanças de mudança com a chegada de Van Gundy, mas os problemas da franquia são bem mais profundos. E Super Mario sabe disso, tanto que, até agora, sua prioridade no time parece ser desenvolver Drummond o melhor possível para o futuro.

Talvez Monroe fique com uma nova proposta. Talvez Smith possa ser trocado por algum jovem jogador (McLemore?). Mas por enquanto, o Pistons está tendo que apostar todas as suas fichas no jovem pivô.


Golden State Warriors

Conseguirá o time titular do Warriors ficar saudável?

Se sim, o Warriors é um candidato ao título. O problema é depender de jogadores como Stephen Curry e Andrew Bogut, que tem um histórico de lesões preocupante.

Acho que todo mundo sabe o papel de Stephen Curry na equipe e o quanto o time perde sem ele. Ele é o melhor arremessador do mundo, um jogador que sozinho é capaz de dobrar defesas e abrir todo o resto do jogo para seus companheiros. O seu pick and roll é uma das jogadas mais mortíferas da NBA e a base de todo o esquema ofensivo do Warriors. É fácil entender porque o Warriors precisa dele. Mas Bogut, por algum motivo, acaba sendo esquecido quando na verdade ele é talvez o segundo jogador mais importante do time. Ele é um excelente defensor de garrafão que ancorou uma excelente defesa em 2014 (e a terceira melhor de 2015 até aqui), e no ataque, apesar de não ter um jogo ofensivo refinado, é um exímio passador e screener, o tipo de jogador que pode não acumular grandes números mas faz uma diferença brutal quando está presente (pense Marc Gasol). Foi Bogut quem perdeu os playoffs ano passado e assim acabou com as chances do Warriors. O time precisa dele, e embora os tornozelos de Curry chamem mais a atenção, é Bogut o jogador mais frágil do time que pode acabar com suas chances.

Ano passado, o Warriors foi um time bastante dependente da sua lineup titular. O quinteto titular foi o melhor quinteto de TODA a NBA na temporada, mas sem Curry e Bogut, o time despencava. Esse ano, parece mais do mesmo: as duas lineups mais usadas pela equipe (Curry-Klay-Green-Bogut, e com Barnes ou Iguodala de SF) estão destruindo a oposição, mas ainda dependem muito de Curry, Klay e Bogut, jogadores sem os quais o time despenca.

O começo de temporada do Warriors tem sido promissor até aqui. A defesa continua sendo excelente, e Draymond Green de titular tem dado bons resultados (deveria ter sido ano passado também, by the way). O banco reforçado ainda não mostrou a que veio, mas isso deve melhorar com a volta de David Lee. O ataque de Steve Kerr ainda não é um upgrade em relação ao fraco de Mark Jackson, mas isso talvez venha com o tempo - o talento é grande demais para não evoluir conforme ficam mais confortáveis com o esquema. Mas no fim do dia, o que o Warriors mais tem que fazer é torcer para que Curry e Bogut cheguem aos playoffs saudáveis para ter uma chance.


Houston Rockets

Como o Rockets fará para defender os PFs do Oeste?

Para ser campeão no Oeste, você vai ter que enfrentar uma série de alas-pivô bem chata. Ir longe no Oeste significa que você terá que passar por cima de Dirk Nowitzki, Zach Randolph, Blake Griffin, LaMarcus Aldridge, Anthony Davis, Tim Duncan e/ou Serge Ibaka. Não é a seleção mais fácil do mundo, ainda mais considerando que muitos desses PFs ficam confortáveis jogando longe do garrafão. E para o Rockets, eles talvez sejam o principal obstáculo até uma eventual Final.

Ano passado, nos playoffs, o Rockets foi derrotado em 6 jogos para um inferior time do Blazers principalmente porque não tinha uma resposta a LaMarcus Aldridge, que anotou 124 pontos nas quatro vitórias de Portland. Esse era o grande ponto fraco do time, a falta de um bom PF ou SF capaz de marcar um jogador como Aldridge.

Esse problema ainda persiste em termos de montagem do elenco. Terrence Jones é o melhor PF da equipe, mas é baixo e tem dificuldade para conter PFs mais brutos no garrafão. Ariza é um bom defensor de perímetro que não tem o físico para aguentar Aldridge ou Griffin de costas para a cesta. Papanikolaus é um bom arremessador que não conseguiria conter esses jogadores a não ser que pudesse marcá-los com um taser. Dwight Howard poderia marcar alguns desses jogadores, mas assim como aconteceu ano passado, tudo que eles tem a fazer é se afastarem da cesta e atraírem Dwight com ele, roubando Houston de seu único defensor e shot blocker no garrafão e transformando a defesa de Houston em uma linha de bandejas.

A defesa de Houston tem sido a melhor da temporada até aqui, mas muito disso se deve a uma tabela ridícula de fácil, incluindo jogos contra Wolves, Sixers, Jazz, Lakers, Celtics e os reservas de San Antonio. Sua única vitória contra um time bom foi contra o Heat. Nas próximas semanas, jogos contra Memphis, Dallas e Los Angeles (Clippers) nos darão uma melhor chance de ver como o Houston se sai contra sua grande fraqueza de 2014. Se essa fraqueza for corrigida, então é hora de contar o Rockets como um dos favoritos ao título.


Indiana Pacers

O que o Pacers deveria fazer com 2014/15?

A temporada 2015 do Pacers acabou antes de começar. Um time que terminou muito mal 2014, o time perdeu Lance Stephenson - seu segundo melhor jogador ofensivo e melhor criador - na free agency sem achar um substituto real e depois viu Paul George ter uma lesão medonha jogando pela seleção americana, ficando fora para o ano. Em outras palavras, o Pacers perdeu os dois melhores jogadores ofensivos - e talvez os dois melhores jogadores, ponto - da equipe para a temporada 2014, depois de ter sido o segundo pior ataque pós-ASG temporada passada. Prenuncio do desastre.

E embora o Pacers tenha conseguido alguns jogos apertados com bastante correria, é óbvio que o time não vai a lugar nenhum tão cedo. Então fica a pergunta: o que o Pacers deveria fazer agora? Engolir uma temporada perdida e insistir nesse núcleo esperando a volta de Paul George para 2016 é uma opção, mas eu acho que o time precisa entender que a janela que eles tinham fechou, e que precisam pensar menos no curto prazo e mais em um projeto de continuidade. George deve ficar fora o resto do ano, então uma boa escolha de Draft é possível ou mesmo provável. O time também deveria trocar alguns veteranos enquanto pode, liberando sua folha salarial e abrindo espaços para jovens talentos.

A principal moeda de troca aqui seria David West, que já tem 34 anos, ganha dinheiro de sobra e está sendo desperdiçado em um time como Indiana caso volte de lesão. Um time jovem que aspira subir um degrau, como Charlotte ou Sacramento, pode morder a isca e oferecer um jogador jovem em troca. Indiana teve uma chance em 2013 e 2014, mas agora o Leste se reforçou, Stephenson saiu sem um substituto, e West envelhece. O melhor para Indiana seria compreender que no curto prazo suas chances são mínimas e que precisam apostar em montar um novo time para daqui a uns anos em torno de Paul George. Uma escolha alta de Draft (um draft muito profundo em PFs, vale citar), um novo talento e algum tempo é o que o Pacers precisa para voltar a disputar o Leste. 


Los Angeles Clippers

Porque as principais lineups do Clippers tem sido tão ruins?

Foram apenas sete jogos, então leve com um grão de sal. Mas o Clippers tem começado bem mal essa temporada para um time com tantas expectativas. A lineup titular do time tem sido um desastre (Paul-Redick-Barnes-Blake-DAJ), sendo dominada ao nível de -15.3 pontos por 100 posses de bola. A segunda lineup mais usada (essas são as dúas unicas a jogar mais de 25 minutos) tem Crawford no lugar de Barnes e tem sido um pouco melhor... perdendo dos adversários só por 12.4 pontos/100 posses. Não foi o começo ideal para um suposto favorito ao título.

O problema dessas lineups é bem diferente. No caso da primeira, o ataque despenca principalmente porque o espaçamento é horrível. Ninguém se importa em marcar Matt Barnes, e DeAndre Jordan regrediu essa temporada de forma que seu jogo voltou a ser apenas de enterradas em pontes aéreas. Isso significa que tem dois jogadores que não precisam ficar próximos de seus respectivos matchups e podem funcionar dobrando a marcação em Blake Griffin no garrafão ou atrapalhando o caminho de Chris Paul sem serem punidos. Essa lineup anota apenas 95.8 pontos por 100 posses de bola, inferior ao segundo pior ataque da NBA na temporada (Bucks, 96.1) e impensável para um time com Blake E CP3.

Quando Barnes sai e entra Crawford, o problema do ataque acaba: Crawford é um ótimo arremessador e criador, você impede que alguém abandone Barnes no perimetro, e ganha um segundo ballhandler capaz de criar a partir do drible e desmontar defesas. O ataque com ele no lugar de Barnes sobe de 95.8 para 106.1, uma marca Top10 na temporada. O problema é que o time despenca do outro lado da quadra, cedendo 118 pontos por 100 posses de bola, uma marca horrível. Crawford é um péssimo defensor, a defesa de DeAndre Jordan regrediu demais e está se resumindo a tocos novamente, e Redick e Blake não são bons o suficientes para compensarem. A defesa coletivamente fica péssima nessa situação.

Mas além da falta de opções de perímetro capazes de não comprometer dos dois lados da quadra, tem um outro problema nesse começo de ano das lineups do Clippers, que é a dupla Blake-DeAndre Jordan. Embora no papel os dois não se encaixem tão bem juntos, a dupla achou um ótimo equilíbrio em 2014 - com os dois juntos em quadra, o Clippers foi um time +9.7/100 posses. O time acelerou o ritmo para criar mais chances para ambos em transição sem congestionar o garrafão, e o jogo ofensivo de Jordan deu uma pequena evoluída para que ele não precisasse ficar sempre congestionando o garrafão. Esse ano, por outro lado, essa dupla tem sido um horror: com a dupla junta, o Clippers tem sido -8.3/100 posses.

Nada está funcionando para a dupla - Jordan voltou a se posicionar mal perto do aro, e isso tem atrapalhado bastante as infiltrações de Griffin. Ano passado, 56% de seus arremessos vieram próximos ao aro, e esse número agora caiu para 44%, incluindo um enorme aumento naquela região ao redor da região ao redor do aro (AKA aquele lugar da quadra que te obriga a lançar um floater ou arremesso torto quando você está atacando a cesta mas não tem espaço para chegar até o aro) porque seu caminho até o aro está sendo interrompido por Jordan e seu marcador. O Clippers também tem jogado em um ritmo muito mais lento com os dois em quadra, tirando aquelas cestas fáceis em transição e adicionando uma boa série de posses de bola esquisitas de meia quadra onde os dois batem cabeça. O Clippers tem muito talento para achar que o time ficará muito tempo nesse nível decepcionante, mas a falta de opções no perímetro é um problema, e muito da evolução de 2014 se deu por causa de DAJ e a boa dupla que ele passou a formar com Griffin. Se Jordan regrediu e essa dupla parar de ser uma força, então é hora de Doc começar a ficar mais criativo na hora de usar Spencer Hawes...


Los Angeles Lakers

Qual é a prioridade de Kobe Bryant?

Não importa o que os Buss tentem dizer essa temporada, o Lakers é um time simplesmente muito ruim que não tem qualquer chance de relevância por enquanto, e sendo sincero, até o contrato de Kobe expirar. O time vai perder, e se der sorte, vai perder o suficiente para ter uma escolha Top5 desse Draft, não tendo assim que oferecer uma valiosa escolha de loteria para o Suns de bandeja. Ah sim, o Lakers tentou, claro: eles trouxeram Lin, Boozer, Ed Davis e alguns veteranos em uma tentativa ridícula de montar um bom time. E, para completar o argumento do time, o Lakers teria de volta Kobe Bean Bryant de lesão, um cara ultra competitivo que nunca aceitaria fazer parte de um time que não estivesse competindo por vitórias.

A temporada começou, e francamente, está difícil dizer qual exatamente é a prioridade de Kobe nessa temporada. Ele quer realmente fazer o possível para seu time vencer, ou só está querendo jogar como quiser, arremessar o máximo possível e acumular estatísticas para eventualmente passar Jordan, Malone ou Kareem como o maior pontuador da história da NBA?

Até agora, parece ser o segundo. Kobe não tem tentado a mínima jogar para o time ou envolver seus companheiros, só arremessar o quanto quiser. Ele está tentando 24.5 arremessos por jogo, de LONGE a maior marca da liga (19.8 de Carmelo em segundo), e isso sem falar nas posses de bola que ele encerra com um turnover ou falta. Ele tem finalizado (via arremesso, falta ou TO) 38% das posses de bola do Lakers, de longe a maior marca da NBA também. E embora o argumento a favor dele seja "Mas se a alternativa é Lin ou Boozer, melhor que seja ele a arremessar!", é um argumento estúpido. Kobe está arremessando 39% apenas e forçando demais o jogo, de forma que isso acaba sendo muito mais prejudicial porque não trabalha a bola, não acha bons arremessos -  é só um jogador jogando 1 vs 1 quando toda a defesa sabe que ele fará isso. Sem falar na energia que ele poderia gastar na defesa - onde está TOTALMENTE desinteressado porque, afinal, você não tem estatísticas por defender bem. Não é a toa que o Lakers é um time -14.5 com Kobe em quadra e +3.6 com ele no banco (embora, para ser sincero, esses minutos sem Kobe são em sua maior parte garbage time). Kobe não quer saber de vencer, só quer saber de acumular pontos e continuar ganhando sua grana. Não que eu esteja criticando alguém por não ter vontade de jogar basquete quando seus companheiros são Xavier Henry e Boozer, mas é a verdade.

Para ilustrar esse ponto, uma coisa que eu fiz a pedido do Lucas Pastore. Algum tempo atrás, o Lakers perdeu um jogo apertado para o Suns no qual Kobe fez 39 pontos. A primeira vista, parece impressionante, mas começa a ficar ridículo quando você repara que Kobe também arremessou 37 vezes. Outras seis posses de bola de Kobe viraram faltas, e 3 turnovers. Ou seja, foram 39 pontos em 46 posses de bola, o que da a péssima marca de 0.85 pontos por posse de bola. Funhé. O que o Lucas me pediu para ver era quais jogadores do Lakers, usando suas médias, conseguiriam fazer 39 pontos se arremessassem tanto quanto Kobe naquele dia.

Desnecessário dizer, eu aceitei o desafio. Desconsiderando os turnovers, usei as marcas dos jogadores na temporada para ver quantos pontos cada jogador do Lakers faria se finalizasse 43 posses de bola em um jogo (minimo: jogadores com 30 minutos de quadra). O resultado abaixo.


Good God! Todos os jogadores que tiveram mais de 60 minutos de quadra essa temporada (todos menos os três últimos) teriam mais de 40 pontos por 43 posses de bola a exceção de Ronnie Price. Por motivos de "a amostra é muito pequena na jovem temporada", fiz o mesmo exercício para o Lakers de 2013/14, com jogadores que jogaram pelo menos 200 minutos:


Welp.

Claro, existe uma diferença grande em criar o seu arremesso como Kobe faz e simplesmente arremessar uma bola, e não quer dizer que todos esses jogadores acertariam os arremessos que Kobe acertou. Mas serve para ilustrar bem o quão ridículo é um jogador que faz 39 pontos arremessando tanto quanto ele fez aquele dia. Se ele arremessasse umas 12 bolas a menos (as piores), rodasse mais os passes, distribuísse o jogo e gastasse essa energia extra na defesa (onde ele tem sido atroz), isso não daria ao seu próprio time uma chance MUITO maior de vencer o jogo?! É claro que sim! Não tem a menor dúvida de que sim. Mas essa não parece ser a prioridade dele no momento. Não cabe a mim julgar, mas não tem a menor dúvida de que como ele tem jogado, ele está fazendo muito pelos seus recordes e muito pouco pelo time.

(De certa forma, talvez assim seja até melhor - o Lakers não ganharia anyway, sua lenda consegue alguns recordes, o time é pior e pega uma escolha Top5 para não perder sua escolha pro Suns. Kobe é um gênio do mal)


Memphis Grizzlies

Porque Tyshaun Prince ainda faz parte de um time de NBA?

O Grizzlies tem uma identidade bem determinada: muita defesa, e um ataque difícil, que depende demais do jogo de garrafão, com espaçamento de menos e bolas de três ainda mais raras. As chances do time vencer dependem diretamente do quanto seu ataque pode produzir pontos. Então a pergunta óbvia aqui seria "O Grizzlies pode anotar pontos o suficiente para competir pelo título?". Mas o problema é mais simples: Prince demais.

Piedosamente, Prince jogou apenas 5 dos 9 jogos do Memphis na temporada, mas quando jogou, esteve em quadra por um tempo ridiculamente grande, 21 minutos por jogo. Eu prefiro acreditar que isso se deve a Quincy Pondexter ainda estar voltando de lesão e aos jogos perdidos por Lee e Carter, mas o fato é que Prince é o grande problema do Grizzlies nesse começo de temporada. Com ele no banco, Memphis está pontuando a um sólido ritmo de 106.3 pontos por 100 posses, o equivalente ao ataque de Houston. Mas com Prince em quadra, esse número cai para 94.3, o equivalente a tortura testicular. Prince a esse ponto da carreira não consegue driblar, passar ou arremessar, e ninguém marca ele quando está na linha de três, permitindo ao adversário que entupa o garrafão e corte linhas de passe. Não existe nenhum motivo para ele estar com 21 minutos por jogo e atrasando um excelente time de Memphis no processo.

A verdade é que, se Z-Bo e Gasol ficarem saudáveis, esse é provavelmente o melhor time que Memphis já teve. Gasol está no auge de seus poderes, assim como Mike Conley, e o elenco de coadjuvantes é o melhor que o time já teve. Quincy Pondexter e Courtney Lee oferecem as bolas longas que o time precisa para abrir o garrafão, e Carter um pouco de criatividade a partir do drible que falta a equipe. O lineup titular do time (Conley, Allen, Lee, Zach e Gasol) está dominando oponentes com +10.1 de saldo... e a segunda lineup mais usada, que tem Prince no lugar de Lee, está sendo superada a -8.5 pontos por 100 posses. Enquanto Prince estiver do lado de fora, o time estará bem, especialmente com o trio Conley-Bo-Gasol em quadra (+12.4). Todas as lineups com dois dos três entre Lee, Pondexter e Carter anotam mais de 110 pontos por 100 posses de bola (ainda que em amostras, naturalmente, pequenas). As opções estão lá para tornar o time perigoso o suficiente no ataque, resta ver se Memphis vai conseguir usá-las e afundar Prince de uma vez por todas no banco.


Miami Heat

O mundo finalmente vai reconhecer Chris Bosh como uma estrela?

Nenhum jogador do Big Three recebeu mais críticas ao longo da Era LeBron em Miami - ganhando ou perdendo - do que Chris Bosh. Bosh era uma superestrela em Toronto antes de ir ganhar um anel em South Beach, e como ele passou a ser a terceira opção ofensiva e a jogar cada vez menos com a bola nas mãos, ele foi acusado de "aceitar" ser um role player ou jogador secundário, e até com o tempo de não ser bom suficiente. Por causa de seu papel aparentemente secundário, muitos especulavam se Miami não deveria trocar Bosh por um jogador inferior mas que fizesse o mesmo papel, liberando assim salário ou trazendo mais reservas.

Isso era ridículo porque, tirando LeBron, Bosh sempre foi o jogador mais importante daqueles times. Ele assumiu um papel menor com a bola nas mãos, é verdade, mas era a sua presença e as pequenas coisas que ele fazia que permitiam a Miami jogar como fazia: poucos jogadores de garrafão tem a velocidade, agilidade e técnica de Bosh para fazer aquelas blitz no pick and roll que era a espinha dorsal da defesa feroz de Miami, e pouquíssimos seriam capazes de recuperar com a mesma velocidade para não deixar a defesa desguarnecida. Ofensivamente ele era um jogador capaz de espaçar a quadra, atacar missmatches, jogar sem a bola nas mãos e manter o ataque rodando durante os 24 segundos. Nenhum outro jogador de garrafão na NBA inteira seria capaz de fazer o papel que Bosh assumiu dos dois lados da quadra por Miami, e ele foi uma importante força motriz por trás daquelas quatro finais: em 2014, Miami era +9.8 com Bosh em quadra e -0.4 com ele no banco; em 2013, eram +10.8 com ele e +8.4 sem ele; em 2012 era +10.8 com ele e +1.1 sem ele; e em 2011, +11.4 com ele e +1.6 sem ele. Vocês entenderam.

Bosh raramente recebeu crédito por isso durante a era Big Three, mas agora que LeBron saiu, ele finalmente está recebendo o reconhecimento que lhe deviam. Miami se manteve bem no Leste sem o King, e Bosh é um dos principais motivos disso: 22 pontos, 9 rebotes e 3 assistências enquanto ancora a defesa e é basicamente o ponto focal do ataque do time. Ele tem sido de longe o melhor jogador de um time que é o terceiro melhor do Leste e oitavo melhor da NBA com saldo de +4.0/100 posses, e é praticamente um susto quando ele erra um jumper sem marcação. Ele lidera Miami em pontos e rebotes, em PER, e é quarto (!!!) em assistências. Ele continua fazendo tudo de importante que fazia com LeBron, só que agora além disso tem jogado com a bola nas mãos mais que nunca. E agora está sendo reconhecido por isso.


Milwaukee Bucks

Brandon Knight é uma peça de longo prazo para o Bucks?

Ano passado, em um Draft bastante fraco, o Bucks saiu com o grande prêmio quando pegou Giannis Antetokounmpo com a escolha #16, um moleque de 2m10 de altura que domina a bola e se mexe como um guard, e tem um potencial imenso. Se o Draft fosse re-feito hoje, ele provavelmente seria a primeira escolha. Um ano depois, o Bucks teve a pior campanha da liga e ficou com a escolha #2, onde escolheu Jabari Parker, que apesar do começo decepcionante foi uma máquina de pontuar em Duke que tem grandes esperanças no profissional. Com Giannis e Jabari, de repente Milwaukee tem uma excelente dupla em torno da qual se construir, uma base muito promissora para seu futuro.

Ai entra Brandon Knight. Knight veio em uma troca de free agent restrito que levou Brandon Jennings a Detroit, e que o Bucks já venceu só por ter se livrado de Jennings e ter trazido Khris Middleton. Mas com o contrato de Knight a acabar, o Bucks precisa se perguntar se ele também faz parte do futuro da equipe.

Knight foi escolha #3 de um Draft fraco (2011), e nunca correspondeu em Detroit as expectativas. Ele nunca foi um PG natural, sempre alguém mais confortável jogando fora da bola e arremessando de longe. Mas ele tem só 23 anos e muito espaço pela frente, e Knight começou bem esse ano: 17 pontos, 6 rebotes, 7 assistências e chutando 40% de três. Isso tem vindo as custas de bastante tempo de bola e turnovers (lidera a liga com 32 junto de Tony Wroten, que tem um jogo a menos), mas pelo menos é algo que ele finalmente está mostrando dentro de quadra. Seu PER é o mais alto da carreira, e ele tem feito papel importante em uma defesa que é a segunda melhor desse começo de temporada.

Milwaukee tem que escolher se oferece uma extensão contratual ou não. E o valor desse contrato pode depender do quanto eles veem Knight como essa peça de longo prazo. Por um lado, ele está tendo a melhor temporada estatística de sua carreira e mostrando alguma promessa. Por outro, o ataque de Milwaukee DESPENCA com ele em quadra (88.5 com ele, 112.4 sem ele), um resultado de seu hábito de segurar demais a bola e criar a partir do drible, ao invés de rodá-la para o time. A próxima grande decisão que Milwaukee terá que tomar para seu futuro.


Minnesota Timberwolves

Porque o Timberwolves está tentando vencer?

Pode parecer uma pergunta estúpida, mas fato é que o Wolves atual não faz sentido. Depois de perceberem que não iriam a lugar nenhum no forte Oeste e que Kevin Love sairia por nada, o time trocou-o por dois jovens talentos (Wiggins e Bennett). Agora com Wiggins, Bennett e LaVine, três jovens talentos com muito potencial e que poderiam constituir a espinha-dorsal do próximo time de playoffs do Wolves em alguns anos... e ao invés de apostar nos jovens talentos, acumular escolhas de Draft e apostar nos próximos drafts para complementá-los (o de 2015, em particular, é ótimo para achar um pivô), eles gastaram uma escolha de primeira rodada para trazer Thad Young, Kevin Martin joga 33 minutos por jogo, Mo Williams 22, e Anthony Bennett tem apenas 12. Funhé.

Isso me deixa maluco. Porque não apostar nos seus jovens talentos e deixar que evoluam juntos, joguem juntos? Porque gastar ativos valiosos (como a 1st round pick que trocaram por Young) e dar amplos minutos a veteranos medíocres ao invés de deixar seus garotos se desenvolverem e aprenderem? Minnesota está sacrificando do seu futuro para isso, e os resultados que colherá no presente são pífios. Não existe nenhum motivo legitimo para o Wolves estar gastando tanto no momento que mais deveriam deixar os garotos evoluírem e apanharem um pouco, descobrindo o que tem e o que não tem nas mãos. Andrew Wiggins deveria jogar 34 minutos por jogo e dando 14 arremessos, Anthony Bennett precisava de amplos minutos em quadra e espaço para se recuperar, e Young e Martin não deveriam estar na equipe se a alternativa fossem escolhas de Draft. 

Eu entendo que o Wolves esteja cansado de perder e de reconstruir, entendo o quanto as derrotas podem acabar pesando para a franquia. Mas francamente, o Wolves não tem NADA a ganhar e tudo a perder. Ao invés de focar em uma escolha Top5 de draft, dar o comando da franquia a Rubio (de extensão nova) e Wiggins (que precisa de bastante repetições como astro do time), dar o espaço e os minutos para jovens como LaVine e Bennett precisam para virarem bons jogadores e acumular ativos, o time está gastando minutos e escolhas de Draft com veteranos medíocres, tirando minutos e repetições de seus jogadores jovens e atrasando seu desenvolvimento... para ganhar o que? O time não vai ser bom esse ano e muito menos brigar por playoffs, não importa o que façam. A melhora no curto prazo é mínima, e não trás NENHUM benefício. Esses jogadores não estarão no próximo bom time de Minny. Se é pra ser ruim, porque não fazer isso de forma construtiva a pensar no médio prazo, desenvolvendo seus jogadores e tendo boas escolhas de Draft? Se o Wolves continuar gastando recursos no presente e prejudicando seu futuro, Flip Saunders precisa ser preso por estragar o que poderia ser uma das franquias de maior futuro da NBA.


New Orleans Pelicans

Como um time com Asik e Anthony Davis pode ser tão ruim na defesa?

Omer Asik é um dos melhores defensores de garrafão da NBA, a contratação trunfo do Pelicans para formar uma destrutível dupla com Anthony Davis no garrafão. E Davis é uma força da natureza que da 4.4 tocos por jogo. É difícil encontrar dois jogadores tão temíveis defensivamente jogando juntos no garrafão na NBA de hoje.

É incrível que, para um time que possui tão formidável dupla de garrafão, a defesa do Pelicans seja tão ruim. New Orleans possui a oitava pior defesa da temporada até aqui, um ano depois de terminar com a sexta pior defesa. E o que é mais incrível, o Pelicans é particularmente vulnerável próximo a cesta: os adversários tentam 31.4 arremessos por jogo dentro da área restrita, e embora não os acertem a um nível dos melhores (59%, décima melhor marca da NBA), ainda é um número enorme de arremessos fáceis e de alto aproveitamento. Com uma muralha como Asik e um monstro que da mais de quatro tocos por jogo, é surpreendente a facilidade com que os adversários entrem no garrafão de New Orelans.

Olhando a fundo, a verdade é que a defesa de New Orelans é bastante forte quando Davis E Asik jogam juntos. Com seus dois homens de garrafão, New Orleans cedeu apenas 97.5 pontos por 100 posses de bola, uma marca que é melhor do que 29 times da NBA em 2014. A lineup titular do time - Holiday, Gordon, Evans, Davis e Asik - cede 99.4 pontos por 100 posses, uma ótima marca. Mas quando um dos dois senta... ai começam os problemas. A dupla Davis-Anderson junta em quadra cede 108 pontos por 100 posses, e a dupla Anderson-Asik cede... erm.. 113. As quatro lineups mais usadas pelo Pelicans na temporada que não tem Asik e Davis jogando juntas cedem 124, 128 206 e 120 pontos por 100 posses de bola. Muito ruim.

Em outras palavras, o Pelicans consegue uma boa defesa quando seus protetores de aro de elite estão jogando juntos, mas não separados. E isso é um grande problema. Entendo a limitação dos defensores de perímetro do time, mas com defensores como Asik e Davis, você deveria ser capaz pelo menos montar uma defesa decente, que proteja bem o aro, quando um deles está em quadra. O Pelicans investiu muito (Nerlens Noel, uma pick que virou Elfrid Payton/Dario Saric, mais uma escolha de primeira rodada de 2015, vários milhões em contratos e cap space) para montar um time vencedor para seu dono idoso, e o relógio do técnico Monty Williams está correndo.


New York Knicks

Como o triângulo tem se saído em New York?

Como todo torcedor do Knicks sabe, 2014/15 é uma pedra no caminho. A torcida de bom grado pularia esse ano se pudesse. O time é ruim e limitado, NY terá toneladas de cap space na próxima free agent, e todo mundo sabe que esse ano não vai chegar a lugar nenhum - no máximo vai disputar por uma das ultimas vagas aos playoffs, se tanto. 2015 é um ano para se beber, e muito.

Considerando que esse ano é um ano "perdido", o Knicks tem usado para fazer algumas experiências. Mais especificamente, implementar o triângulo como seu esquema padrão, agora que Phil Jax esta no comando. O triângulo é um esquema tático extremamente complexo (e que, precisa ser dito, nunca deu certo na NBA sem Jordan ou Kobe) e que demora para ser assimilado, então 2015 virou, por assim dizer, a fase de testes.

Se a pergunta é se está dando resultados... bom, não está. Ano passado, o Knicks terminou com um decente 105 pontos por 100 posses no ataque, 11th melhor marca da NBA. Esse ano o número caiu para 97.9, 9th pior da liga. Ainda assim, como eu já disse, esse não é o ano do resultado, é o ano do processo. E ele está acontecendo, e na direção certa. Ano passado, 52.4% das cestas do time vieram de assistências, a quarta pior marca da NBA e fruto de constantes isolações e jogadas mau trabalhadas. Esse ano, o número subiu para 61.7%, sexta melhor marca da liga e um resultado do triângulo, um esquema com mais passes e movimentação de bola. E assistindo ao Knicks jogar, isso realmente chama a atenção. O time parece estranhamente confortável passando a bola, rodando posições e trocando passes dentro do triângulo. Claro, muitas vezes isso acaba em um momento que o ataque não consegue mais continuar as ações, algum jogador tem uma pane mental ou em um arremesso ruim, mas isso é normal. A equipe começou recentemente a usar o triângulo, e francamente, os jogadores são muito fracos. Ainda assim, tem algo de encorajador em como a equipe parece ter incorporado bem o esquema tático mesmo sem Calderon.

O grande problema do triângulo até aqui - tirando a incapacidade de quem o tem executado - é que, por causa do constante fluxo, tem tirado um pouco demais a bola das mãos de Carmelo, o único bom jogador do time. Seus números de pontos caíram (em parte por arremessar menos, em parte por estar arremessando pior) e os de rebotes também (por jogar mais longe da cesta, de SF). Ainda assim, pensando no futuro, não é uma coisa ruim - Melo parece estar bem integrado ao triângulo em termos de passes, mostrando boa visão de jogo para achar seus companheiros. A volta de Bargnani, um PF capaz de acertar arremessos e abrir um pouco a quadra, provavelmente vai ajudar. Os resultados estão ruins, mas o processo parece ter começado bem.


Oklahoma City Thunder

Quantas vitórias OKC precisa antes da volta de Durant e Westbrook?

Sem Westbrook em boa parte do ano, Durant conseguiu levar muito bem OKC a 58 vitórias em 2014. Sem Durant para começar o ano, era esperado que Westbrook fizesse algo semelhante ao time nesse começo de temporada. Sem Durant E Westbrook? Ai as coisas começam a se complicar.

Durant e Westbrook devem perder entre quatro e seis semanas, o que da algo como 20 jogos, talvez um pouco mais. Enquanto isso, sem eles, OKC tem uma das piores lineups da NBA inteira: Reggie Jackson, Jeremy Lamb, Perry Jones, Serge Ibaka e Steven Adams. Desnecessário dizer, OKC tem sido um dos piores times desse começo, com apenas três vitórias e um saldo de -7.0 pontos por 100 posses de bola, quinta pior marca da liga. E esse é o grupo que tem que manter o time vivo até a volta de Durant e Westbrook se OKC não quer perder os playoffs, ainda mais com Kevin Durant tão próximo de virar Free agent. O que pede essa pergunta: qual tem que ser o record da equipe nesses primeiros jogos para que, com suas estrelas de volta, o time ainda tenha condições de ir aos playoffs?

O Oeste é uma conferência brutal, e ano passado a 8th seed (Dallas) precisou de 49 vitórias para chegar a pós-temporada. Com a conferência ainda bastante forte - e talvez até mais forte que antes - 50 vitórias me parece o ponto que OKC precisa cruzar para chegar aos playoffs com algum conforto. Digamos que Durant e Westbrook joguem os 60 jogos finais da temporada, sem perder mais tempo e sem nenhuma ferrugem de seu tempo parado. Nos últimos dois anos, OKC venceu 72% de seus jogos, o que daria 43 vitórias em 60 jogos. Digamos, entre 43 e 45 vitórias para um OKC completo. Então para chegar a 50 vitórias, o Thunder precisaria de entre 5 e 7 vitórias de seus reservas em 22 jogos. É possível, sem dúvida - já tem três - mas não será fácil. Ainda assim, o calendário pode ajudar - enfrentam Pistons 2x, mais 76ers, Knicks, Jazz e Nuggets antes da volta de suas estrelas. Mas o time atual é ruim, e ainda que 6-16 esteja dentro das possibilidades da equipe, também está 4-19. A equipe desfalcada terá que fazer o possível para sequer manter seu time vivo antes da chegada da cavalaria... e isso sem contar o quanto mando de campo pode importar em um disputado Oeste.


Orlando Magic

O Magic consegue arremessar consistentemente bem?

O problema com Orlando antes da temporada começar era que o time não apresentava em seu núcleo nenhum arremessador tirando o recém-contratado Channing Frye, e que isso prometia ser um problema em termos de espaçamento. Até aqui, foi metade verdade: o Magic está chutando um respeitável 39% da linha dos três pontos, mas por outro lado, a verdade é que ninguém se importa de marcar Orlando fora do garrafão. E isso tem sido um problema para Orlando.

Os números de Orlando de fora são bons graças a algumas boas seqüências (insustentáveis) de alguns jogadores como Evan Fournier e Aaron Gordon, mas basicamente são bolas de três livres porque ninguém se encarrega de marcar Orlando fora do garrafão. O Magic é o sexto time que menos arremessa de fora na NBA, e o oitavo que menos arremessa da zona morta, o melhor arremesso de três do jogo e o que mais abre espaços. Sem nenhum jogador além de Frye que exige atenção da defesa de fora, os adversários de Orlando ficam mais do que contentes em congestionar o garrafão e deixar que o time aproveite bolas livres da linha dos três pontos. E na NBA moderna, isso é morte. Sem abrir espaço no garrafão você tem muito mais dificuldade para atacar a cesta, driblar e fazer passes rápidos, e é isso que Orlando tem sofrido tanto - não é a toa o time aparece como o quarto que mais comete turnovers e o que mais tenta arremessos difíceis e de pouco aproveitamento da cabeça do garrafão (o tipo de floater difícil que você tenta em uma infiltração quando seu caminho até a cesta está interrompido). E como consequência, Orlando tem o quinto pior ataque da NBA e está 2-6 nesse começo de ano. 

Para mim sempre houve um problema na montagem de time em Orlando, e ainda que a equipe não tenha pressa, a essa altura já esperava um pouco mais de retorno no seu investimento dentro de quadra. Algo para se monitorar com o tempo. 


Philadelphia 76ers

O Sixers deveria ser rebaixado para a D-League?

Sim.

Ok, deixa eu tentar outra pergunta: será que é hora do Sixers começar a ouvir propostas de troca por seus jovens?

A verdade é que o Sixers deu azar no Draft de 2015. Esse Draft tem uma coisa em abundância - homens de garrafão. Tirando um PG (Mundiay), todos os principais prospectos são Cs ou PFs, e o Sixers com quase toda a certeza terá uma escolha Top4, onde nenhum jogador que não seja um PF, C ou Mundiay sairia de jeito nenhum. Mesmo ao longo da primeira rodada, predominam os homens de garrafão com poucas boas opções de perímetro... Só que o Sixers já tem Nerlens Noel, Joel Embiid e até Saric esperando na Europa. Não acho que tenha pressa, muita coisa pode acontecer entre hoje e o fim do ano, mas conforme o Draft e a temporada do Sixers for tomando forma, acho bem possível que a conclusão seja de que a melhor opção para a equipe seja draftar logo um PF ou C (para mim, Towns seria o complemento perfeito a Embiid ou Noel). 

Se for o caso, o Sixers vai ameaçar ficar com QUATRO jogadores de garrafão escolhidos alto no Draft, três deles nunca tendo jogado um minuto de basquete na NBA. É impossível dar minutos e espaço a todos esses jogadores e desenvolver todos ao mesmo tempo, então a conclusão óbvia é que alguém tem que ser trocado. Assim com Phily não tem pressa para vencer, não deve ter pressa para achar uma troca, mas ficaria muito surpreso se não estivessem começando pelo menos a escutar e procurar discretamente algumas ofertas por Noel, ainda mais se ele continuar jogando bem.


Phoenix Suns

Como o Suns dará o próximo passo?

Ano passado, o Suns trocou alguns jogadores, acumulou escolhas de Draft, e parecia pronto para fazer um projeto de reconstrução... até que de repente Goran Dragic explodiu, o time achou uma identidade, correu e arremessou muito de três, e quase foi aos playoffs no forte Oeste. Um ano depois, o Suns deixou de ser um time em tank para ser um competidor sério no Oeste, inclusive gastando dinheiro em free agents, como Isaiah Thomas.

O problema é que o Suns não é um candidato ao título ainda, então fica a dúvida de como podem dar o próximo passo para se tornar um. Eles não possuem uma grande estrela ou um jovem talento que possa se tornar uma. Eles possuem muitos bons jogadores, e uma identidade estabelecida, mas não é suficiente para que em alguns anos estejam disputando títulos.

A melhor solução para o Suns seria arrumar uma troca. O time tem um valioso ativo em uma escolha de Draft do Lakers (protegida Top5 para 2015), e vários jovens ativos que podem ser trocados, incluindo Bledsoe, Ennis, Warren, um Morris, e por ai vai. Dragic é um free agent, então se acharem que ele não voltará para o futuro, também podem trocá-lo em um pacote. Quem ir atrás é mais difícil. Al Horford dificilmente estaria disponível, e Rondo não faz tanto sentido em um time que já tem tantos armadores. As opções atuais não são das melhores, e a não ser que alguma oferta apareça no mercado, não vai ser fácil.

Outra opção seria manter o espaço salarial limpo para tentar trazer um free agent no futuro próximo. Phoenix é uma cidade quente e atrativa, o Suns joga em um ritmo veloz e divertido, e eles ganharam boa visibilidade no mercado quando pagaram o pouco a mais que Eric Bledsoe queria para reassinar o contrato - se conseguirem se manter relevantes no Oeste enquanto isso, pode facilmente se tornar  um destino muito atraente para jogadores sem contrato.

Vai ser interessante ver o que o Suns tenta fazer daqui, porque não existe um caminho claro a ser seguido.


Portland Trail Blazers

Chris Kaman era a peça que faltava para o Blazers competir por um título de verdade?

Ano passado, o time titular do Blazers foi muito bom, um grupo bem entrosado de bolas longas que rodava muito bem a bola, se movia bem e vivia de achar o companheiro livre. O quinteto titular terminou o ano com +8.3 de saldo por 100 posses jogando junto. O problema era que o time dependia um pouco DEMAIS desses titulares, e quando o banco entrava, começava a desgraça: com NENHUM jogador de banco do Blazers de 2014 (que jogou pelo menos 200 minutos) em quadra o time teve saldo acima de +1.2. Isso foi especialmente verdade no garrafão: quando Meyers Leonard (-12.1 em quadra) ou Thomas Robinson (-4.9) entravam no lugar de Aldridge e/ou Robin Lopez, o time despencava dos dois lados da quadra. A diferença do Blazers com e sem Aldridge era de 9.6 pontos por 100 posses (7.1 para -2.5), e para Lopez era de 6.5 (5.8 para -0.7). O time titular era muito bom, mas não aguentava o ritmo sem os reservas para ajudar.

Em 2015, o Blazers de novo começou muito bem. Como era de se esperar de um grupo que manteve a base, o entrosamento melhorou ainda mais e o time parece estar sempre na mesma página, mantendo o estilo de bolas longas e trocas de passe: é o segundo melhor ataque do ano até aqui (109.1), e não é difícil achar a causa. Portland atualmente é segundo na temporada em assistências por jogo, e terceiro em assistências por posse de bola, um time que sabe perfeitamente achar os espaços e dobrar defesas. Como consequência, é um time que sempre acha os arremessos que quer, em geral atrás do aro: é segundo em 3PT por jogo, segundo em porcentagem dos pontos vindo de 3PTs, e quinto em aproveitamento de três pontos.

O time titular tem sido ótimo, como esperado (+8.5), mas a grande diferença nesse ano para o Blazers é que agora o banco (até aqui) deixou de ser um grande ponto fraco. E isso se deve principalmente a chegada de alguém para tirar os minutos dos Freelands, Robinsons e Leonards da vida: Chris Kaman. Kaman imediatamente assumiu o papel de sexto homem para ancorar as lineups vindas do banco, e ele tem sido absolutamente dominante, com 10-7 e 1.6 tocos em apenas 19 minutos por jogo (isso da 19-12-3 por 36 minutos). Quando Aldridge ou Lopez saem, Kaman tem conseguido muito bem comandar as lineups dos dois lados da quadra, protegendo o aro de um lado (adversários estão chutando apenas 44% perto do aro contra Kaman) e rodando a bola e jogando bem de costas para a cesta do outro. Com Kaman em quadra, o Portland tem superado os adversários por 16.9 pontos (!!!) a cada 100 posses de bola, uma marca incrível. Ele é o principal motivo para o banco do Blazers estar sendo realmente um ativo e não mais uma fraqueza.

Não da para dizer se isso vai durar por muito tempo, especialmente dadas as lesões de Kaman ao longo da carreira, mas nesse começo de ano o pivô tem sido a grande diferença do Blazers. A lineup titular continua ótima, rodando a bola e chutando de três, mas agora eles possuem um jogador para fazer a diferença vindo do banco, alguém que permita ao técnico Terry Stotts tirar seus homens de garrafão sem destruir o funcionamento da equipe e usar mais o banco sem perder o ritmo. Essa pode ser a diferença para o Blazers entre uma surra na segunda rodada e uma vaga nas Finais do Oeste.


Sacramento Kings

Stauskas?!

Ok, ok, falando sério...

Boogie Cousins vai conseguir ficar em quadra o suficiente?

Em 2014/15, Cousins tem médias de 26.2 pontos, 13.2 rebotes e 1.7 tocos por 36 minutos. As três, se mantidas, seriam as melhores marcas da sua carreira.

O problema aqui é o "por 36 minutos", porque Cousins não está jogando tanto tempo assim. Seus 30.4 minutos por jogo em quadra são sua pior marca desde a temporada de calouro. E isso acontece porque Boogie Cousins lidera a NBA, com folga, em faltas - são 44 em 9 jogos. Em outras palavras, HOLY SHIT!!! Até agora, em 9 jogos, Boogie foi expulso de quadra duas vezes e terminou o jogo com cinco faltas em outras cinco ocasiões. Em quatro dessas, seus minutos foram limitados por causa das faltas, e ele ainda não jogou 35 minutos em nenhum jogo essa temporada. Ele falhou em atingir 30 minutos três vezes na temporada.

O Kings é um time que está cansado de perder e está investindo para tentar ser competitivo o quanto antes, e Boogie é o centro desse projeto, um dos mais destrutivos jogadores da NBA e que está evoluindo muito dos dois lados da quadra. Esse era para ser o ano que Boogie iria estourar, e em um nível por-minutos ele está realmente jogando seu melhor basquete. Mas ele precisa parar com tantas faltas e permanecer em quadra o máximo possível, porque sem ele, Sacramento despenca: com Boogie em quadra, Sacramento é um time +14.2 por 100 posses, mas com ele no banco, é um time -19.3. Essa é a diferença entre o melhor time da NBA e o time do meu condomínio.

Você pode procurar na NBA inteira que não vai achar um jogador que faz tanta diferença nesse sentido quanto Cousins, e se você está querendo vencer agora - como o Kings quer - então você precisa de Boogie em quadra, não no banco remoendo uma falta besta. Ele precisa evoluir nesse quesito se o Kings quer ser competitivo, porque talento para fazer a diferença ele tem.


San Antonio Spurs

Devemos nos preocupar com San Antonio?

Nope. Todo ano San Antonio começa o ano lento, lidando com lesões, Pop descansando seus jogadores e com o time ainda encontrando seu melhor ritmo. Enquanto isso, jogadores como Cory Joseph e Aaron Baynes vão ganhando minutos e experiência, se tornam armas legitimas da equipe, e eventualmente o time inteiro de San Antonio começa a encaixar, fica descansado para a reta final, e quando percebemos eles ainda tem 60 vitórias e o topo do Oeste. Muitas vezes vimos o Spurs começar o ano devagar, muitas delas nos perguntamos se deveriam nos preocupar, e sempre San Antonio nos fez comer nossas palavras, muitas vezes até com títulos. Não caiam nessa.


Toronto Raptors

O Raptors é um legítimo candidato ao título (do Leste)?

Em poucas palavras, sim, especialmente se Cleveland continuar sem engrenar na defesa. Ano passado, Toronto foi o terceiro melhor time do Leste em diferencial, terminando em nono na NBA inteira e atrás apenas de Pacers e Heat. Com Stephenson fora e George machucado, o Pacers fede, e o Heat não tem mais o melhor jogador do mundo. Toronto trouxe de volta todo mundo de 2014, então não só não perdeu como até evoluiu: James Johnson reforçou o banco e tem vindo bem do banco, e alguns jovens jogadores estão cada vez mais próximos de seu auge. Não é de surpreender que o Raptors entre em 2015 mais forte que terminou 2014.

Hoje, nessa temporada ainda jovem, Toronto é o quinto melhor time da NBA em saldo (+7.1/100) e o melhor do Leste. Seu ataque tem sido espetacular nesse começo de ano, terceiro melhor da liga. E talvez mais importante, o Raptors tem pouca concorrência no Leste no momento. Chicago não é ameaça enquanto Rose não ficar saudável. Cleveland tem muito chão para andar. Pacers não é mais competitivo. A temporada ainda é jovem demais e muito ainda vai acontecer, mas hoje, o Raptors parece ser o time mais bem posicionado para ir as Finais do que qualquer outro do Leste até que algo mude. E eles estão jogando para tanto.

Eu sei os problemas do time. Falta aquela superestrela, e é um time muito jovem, não testado nos playoffs. Chicago expôs alguns dos problemas ontem a noite. Ainda assim, em algum momento o talento começa a falar. Entre o que fez em 2014 e o que está fazendo em 2015, é hora de reconhecer Toronto como um legitimo contender. Por mais estranho que isso pareça de se ler.


Utah Jazz

Porque Dante Exum está jogando tão pouco?

Dante Exum era a grande jóia desconhecida do Draft de 2014, um jogador talentoso e com enorme potencial que ninguém sabia o que esperar, já que nunca tinha jogado acima do nível colegial na Austrália. Ninguém tinha visto Exum em ação além disso e da seleção Sub-19 da Austrália, e apesar de muito talentoso, ainda parecia bastante cru. 

E sim, eu entendo a idéia de não gastar seus calouros tão cedo. Entendo que o Jazz não queria expor tanto um jogador jovem e cru como Exum. Mas isso não quer dizer que o Jazz precisa fazer de tudo para evitar usá-lo, especialmente porque o australiano já se mostrou muito mais avançado do que todos esperavam: ele tem a paciência de um veterano e sabe muito bem encontrar os ângulos abertos ao invés de atacar a defesa sem pensar. Ele consegue ver o jogo muito melhor do que o esperado, e apesar das ocasionais besteiras de calouro, ele já está muito acima do que todos esperavam. Eu, pessoalmente, estou convencido que Exum vai ser uma estrela.

E ainda assim, o Jazz tem sido relutante em usá-lo. Quatro noites atrás, contra o Pistons, Exum estava sendo possivelmente o melhor jogador de Utah em quadra e acabou com um 9-5-3 em 20 minutos... e mesmo assim teve só 6 minutos no primeiro tempo, e só jogou no segundo porque Burke estava com problemas de faltas. Mesmo que os minutos de Exum tenha aumentado, seu papel continua baixo, muitas vezes ficando esperando de lado enquanto Burke, Burks ou Heyward driblam a bola e finalizam com arremessos ruins.

Sinceramente, não tem nenhum motivo para Exum ser tão pouco usado em Utah. Por um lado, ele precisa de experiência e rodagem para continuar desenvolvendo seu jogo. Por outro, ele tem jogado muito bem, e mesmo que Utah esteja começando a querer ganhar para dar o próximo passo em sua reconstrução, e o Jazz tem jogador melhor com o garoto em quadra - Utah é um time +2.3 por 100 posses com ele em quadra e -7.6 com ele no banco. Além disso, Trey Burke está horrível nesse começo de ano e tem um potencial bem menor. Usar Exum o máximo possível - e não só por tempo, como com a bola nas mãos e com mais responsabilidades - é melhor para Utah no curto E no médio prazo. Porque está demorando tanto?


Washington Wizards

Washington pode vencer um titulo com Beal e Wall?

Washington começou muito bem a temporada. Seu record 6-2 é o terceiro melhor do Leste, assim como seu diferencial é o quarto (+3.4, atrás de Raptors, Bulls e Heat). E fizeram tudo isso apesar de estarem sem o seu segundo melhor jovem jogador, Bradley Beal.

Beal, que ano passado teve média de 17-3-3 chutando 40% de três em sua segunda temporada apenas na NBA, vai perder as primeiras 8 semanas da temporada com uma mão quebrada. E não é difícil imaginar o impacto que ele teria quando voltasse - Washington tem uma forte defesa, mas o ataque tem sido apenas mediano. Isso acontece em grande parte porque o time não tem aproveitado os chutes de fora: só o Kings e o Wolves anotam uma porcentagem menor dos seus pontos em chutes de três, e só Wolves e Grizzlies tentam menos arremessos de fora. O arremesso de três não é importante só por valer mais, mas sim porque isso obriga a defesa a marcar jogadores mais longe do garrafão, abrindo assim espaços para o ataque. Digamos que ter de volta Bradley Beal - um exímio chutador de três que tem 40% de média na carreira em 4.5 arremessos por jogo - vai ajudar bastante esse ataque. Beal arremessou 42% ano passado do topo do arco, onde o Wizards é o time que menos tenta arremessos da NBA. A presença dele vai ajudar bastante esse ataque que precisa de reforços.

Se a defesa - atualmente no Top5 - conseguir se manter boa com a volta de Beal, os arremessos do terceiro-anista tem tudo para reforçar ainda mais esse ataque e tornar Washington um time realmente forte. Quando junto em quadra, o quarteto Beal-Wall-Gortat-Nene superou os adversários por quase 11 pontos por 100 posses em 2014, e o time atual é mais versátil e mais profundo do que o do ano passado, com um ano extra de entrosamento. Se isso acontecer, o Wizards entra naquele grupo de bons times do Leste que estão definitivamente brigando por uma vaga nas Finais enquanto um time dominante não se manifestar.

Mas a grande vantagem do Wizards é que, apesar de condições de brigar no Leste atualmente, a espinha dorsal da equipe consiste de dois jogos com menos de 24 anos, Wall e Beal. Mesmo que no curto prazo a janela se feche, a equipe ainda controlará esses dois por mais um bom tempo, com a perspectiva de um bom espaço salarial se abrindo em breve para tentar talvez a grande estrela (Durant, que é de Washington e supostamente estaria pensando em uma volta para casa) ou pelo menos algum bom jogador. No curto prazo, a janela do Wizards no Leste está aberta, mas ao contrário de outros times, o seu potencial no médio e longo prazo é ainda maior.