Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Pontos importantes da semana 10 da NFL

As coisas não estão boas para Cutler e o Bears...


Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem!

Para o resumo de meio de temporada sobre cada um dos times da AFCclique aqui

Para o resumo de meio de temporada sobre cada um dos times da NFCclique aqui

Também fizemos uma distribuição de prêmios com base na primeira metade da temporada, você pode conferir todos clicando aqui
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Faltam apenas 7 rodadas agora, e cada vez a situação dos playoffs vai ficando menos clara quando deveria ficar mais. Tennessee Titans parecia um candidato ao wild card até perder do Jaguars (!!) e ver Jake Locker sair machucado para o resto da temporada. San Francisco parecia um candidato forte ao título até ser humilhado em casa pela defesa de Carolina. O Colts era um dos melhores times da NFL até tomar de 38-8 em casa do Rams. Mesmo sem querer overreact a uma semana apenas de jogos, afinal todo tipo de bizarrice pode acontecer em um jogo só, é o tipo de coisa que só serve para destruir as poucas certezas que tínhamos na temporada até aqui. Quando parece que estamos chegando a alguma conclusão, a NFL muda tudo. A temporada está mais aberta do que nunca. Então vamos ver alguns dos pontos que chamaram a atenção ao longo dessa rodada, começando com um rápido Mailbag.

Mailbag de terça feira


A idéia dos mailbags não era juntar com o post de terça feira. Eu queria era fazer um post só dele se o número de emails fosse suficiente, ou então caso a quantidade não fosse tão grande juntar com os palpites da rodada de sexta feira. Mas basicamente tudo dependeria mesmo era da quantidade de perguntas disponíveis para serem respondidas.

Essa semana tinha um número razoável, então a idéia era responder junto dos palpites de sexta feira. Mas como fizemos o resumão de meio de temporada, os palpites acabaram ficando para o final de semana e faltou tempo para o mailbag. Então excepcionalmente dessa vez o mailbag foi encaixado aqui no post de terça, mas os futuros mailbags voltarão ao formato normal de um post próprio ou de acompanharem os palpites na sexta feira. Então continuem mandando as perguntas para tmwarning@hotmail.com que a gente vai responder sempre que der.

Por que a contagem de jardas de passes aéreos considera a distância percorrida pelo recebedor? (Isso não ajuda a supervalorizar o papel do quarterback, que já é o principal jogador da equipe, e desmerecer quem realmente, em grande parte das vezes, faz o trabalho pesado?) - Anderson Rodriguez

Acho que tem dois fatores agindo nesse caso. O primeiro é que nem toda YAC (Yards After Catch) é igual. Tem aquele caso que o QB faz um passe curto pro WR para ganhar cinco jardas, e o recebedor faz uma jogada fantástica ganhando mais 40 jardas, que deve ser o que você está pensando. Mas também tem muito time e muito esquema ofensivo que é baseado em abrir espaço pelo campo para que o QB possa achar um WR acelerando através do campo. Nesses casos, é crucial que o QB seja capaz de dar um passe muito preciso, de forma que o recebedor possa receber a bola sem perder velocidade e aproveitar o espaço aberto, e não é nem um pouco fácil fazer esse tipo de coisa: um pouco atrás e o jogador precisa desacelerar para conseguir a bola (perdendo o arranque inicial e a chance de explodir para jardas) e um passe mais forte pode obrigar o recebedor a ampliar a passada e perder estabilidade. Então tem muitos casos onde um passe preciso é um requisito fundamental para o jogador percorrer jardas depois da recepção.

Mas acho que talvez ainda mais importante seja a questão da padronização. A idéia de separar as jardas depois da recepção do QB seria uma forma de "separar" os méritos do QB e do WR na jogada, mas também tem jogadas onde o QB tem mérito e o WR estraga (por exemplo, um passe longo de 40 jardas no colo do recebedor que ele não segura) e ficaria difícil nesse caso você dar as jardas para o QB e não para o WR. Então é uma forma de dividir a diferença e deixar tudo padronizado. Mas algumas estatísticas avançadas - QBR, por exemplo - dão um peso diferente a jardas após a recepção, contando elas com um peso menor do que as jardas que a bola viaja pelo ar. Mas para a estatística básica acho que isso da mais trabalho do que ajuda, é uma forma de simplificar as coisas.


O que falta ao GB Packers (time que "adotei") pra ser realmente considerado ao Superbowl desta temporada (além de voltar todo mundo do DM) já que todo mundo o coloca numa segunda lista atrás de Broncos, Seahawks, 49ers, Colts, e até Chiefs? - Anderson Rodriguez

Bom, no momento o que realmente falta é um QB, porque o Aaron Rodgers está fora pelo menos mais duas semanas e alguns relatos dizem seis. Com uma NFC North muito competitiva e uma briga bem apertada pelo wild card, a situação de Green Bay não parece boa.

Mas o Anderson enviou esse email antes da lesão do Rodgers, então não era exatamente essa a questão. E a verdade é que eu não faço idéia de porque o Packers não era citado entre os melhores times da NFL. Eles possuíam basicamente a mesma coisa que o Broncos em termos de montagem de elenco: uma defesa vulnerável (mas com mais talento que a de Denver), um QB de elite, e um excelente corpo de recebedores, ainda que os de Green Bay estivessem sofrendo diversas lesões. Então realmente é um mistério para mim porque Green Bay estava recebendo tão pouca atenção e sendo considerado um contender inferior aos demais times quando tinha tudo que você precisa para ter sucesso na NFL.

Minha opinião particular: Green Bay não é um time tão interessante do ponto de vista midiático essa temporada. Eles não estão caminhando para um ano histórico como Denver, com uma história de volta por cima como Kansas. Eles não possuem histórias tão interessantes como Tom Brady jogando com um corpo bem ruim de recebedores, ou uma rivalidade para mantê-los relevantes como 49ers e Seattle, nem tiveram um grande jogo contra um bom time para chamar a atenção. Eles simplesmente fizeram o que sempre fazem: consistência, grandes atuações de Rodgers, mesmo um boost do jogo terrestre com Eddie Lacy, mas não foi suficiente para chamar a atenção da grande mídia. Por isso eles acabaram em segundo plano, mas em nenhum momento - ou pelo menos até a infeliz lesão de Rodgers - isso significava que eles fossem um time inferior aos que buscavam o Super Bowl. Pena que agora a temporada pode ter ido por água abaixo, adoro assistir o Packers jogar com Rodgers em campo.


Muito se fala de uma franquia em Londres, até dois jogos de temporada estão rolando por lá.  Mas Vitor quais seriam as chances na sua opinião de uma franquia se transferir para o Canada por exemplo, já que temos times canadenses nas outras três Majors Leagues? O Canada possui uma liga de futebol americano e geograficamente falando é muito mais viavel um time em Toronto, por exemplo, do que um time em Londres. - Fabantas

Eu acho que o principal interesse da NFL em criar um time de Londres é para explorar diretamente o mercado europeu através de um time local, já que existe um interesse disperso no esporte por lá mas que ainda não tem uma via de acesso direto. O problema, obviamente, é a questão da logística: as viagens para Londres são muito mais demoradas e cansativas do que as viagens dentro dos EUA, o que daria um problema de calendário (só times que estão na costa Leste poderiam ir jogar em Londres na semana seguinte), teria que ter possivelmente uma semana a mais de bye para os times que estão voltando de jogar lá, e por ai vai. 

O Canadá não apresenta essas dificuldades logísticas - o Bills até manda alguns dos seus jogos lá - mas também não apresenta as vantagens de mercado. O mercado canadense já é bastante ativo e bem explorado em termos de futebol americano por conta da sua proximidade, então acredito que não haja necessidade de um time localizado lá para efetivar o potencial desse mercado, ele já é bem realizado. Então se o Canadá não apresenta as dificuldades logísticas e geográficas de um time em Londres, ele também não trás os mesmos benefícios que um time inglês traria, e considerando o trabalho e o custo que é realocar um time de futebol americano, acho que a NFL não tem interesse em ter todo esse trabalho para colher um benefício que talvez não seja tão grande.

Então acho que a NFL tem pouco interesse em incentivar uma mudança para o Canadá. Se fosse para acontecer, a iniciativa teria que partir de algum time. Como o leitor "Ases" muito bem comentou, o Bills seria uma possibilidade interessante: eles já mandam alguns jogos além da fronteira, estão perto de Toronto, e poderiam querer um mercado maior do que Buffalo para explorar, e é possível que a cidade de Toronto também tenha interesse em atrair um time de NFL para lá. Então não é como se fosse uma idéia impossível ou mesmo distante, mas os interesses por trás de um time em Toronto e em Londres são bem diferentes.


sei que ainda é cedo pra falar de draft, mas quais times na sua opiniao tem grandes chances em drafitar um QB no 1rst round? minha duvida maior fica por conta dos vikings. Eles (muito provavelmente) terao uma escolha alta, mas a defesa ta uma mãe, sera que vao de qb ou buscarao outro caminho? - Lucas Maia

Bom, acho que depende da disponibilidade. Essa classe de QBs é extremamente profunda, então tem muitos QBs interessantes que devem cair para a segunda ou terceira rodada, então imagino que cada time vá adaptar sua busca por um QB ao que o draft oferecer. Dito isso, se todos os jogadores que podem entrar se declararem de fato para a NFL, a quantidade de talento nele vai ser ridícula, com uns cinco ou seis QBs cotados para sair na primeira rodada, com Teddy Bridgewater e possivelmente Marcus Mariota disputando as primeiras colocações. Entre os times que eu imagino que tenham interesse em pular cedo atrás de um QB, acho que nenhum é mais garantido que o Jaguars, que claramente precisa de um futuro para a franquia e vai ter uma escolha alta.

Depois do Jaguars, não sei se tem nenhum time 100% claro. Cleveland é um time que está a um bom QB de ir aos playoffs e que também seria um fortíssimo candidato a pular em um na primeira rodada. Para mim o Bucs deveria pegar um sem pensar duas vezes, mas como o Mike Glennon é calouro e está bem talvez deixem para a segunda rodada. O Raiders era outro no-brainer algumas semanas atrás, mas Terrelle Pryor tem jogado bem e talvez faça o time pensar duas vezes. O Rams tem a chance de mandar o Sam Bradford embora a metade do custo e tem duas escolhas de primeira rodada, seria um candidato muito forte a fazer uma troca para subir desde que tenham a coragem de realmente mandar o Bradford passear. Vikings, como você disse, é um dos mais fortes candidatos porque a situação de QB lá está ridícula e eles precisam de um reforço para a posição. E agora Bears e Pittsburgh aparecem como opções difíceis mas interessantes caso decidam partir caminhos com seus QBs atuais (Cutler é free agent) nas vésperas de um draft tão cheio de talento. Então a verdade é que tem mais times procurando por um QB do que quarterbacks cotados para sair na primeira rodada, então vai depender dos times que escolhem antes e dos times que seriam mais agressivos com trocas para subir na ordem. Diria que hoje, Jaguars, Raiders, Vikings e Browns seriam os principais candidatos a serem mais agressivos, até porque devem estar alto no draft, mas vai depender de muita coisa até lá.


O que é mais fácil: o time campeão da divisão NFC East acabar a regular season com record negativo ou KC Chiefs ter uma perfect season? - Tiago Rotava

De longe a pergunta mais difícil que eu já tive que responder nesse blog. Eu diria que o campeão da NFC East acabar com record negativo: Eagles e Cowboys estão 5-5 e ambos enfrentam uma tabela relativamente difícil. Eu não acho que vá acontecer, acho que o Cowboys consegue pelo menos ficar com 8-8 (sabendo que tem critério de desempate contra praticamente toda a NFC East garantido) ou 9-7, mas é uma possibilidade. E ainda assim, é mais provável do que o Chiefs vencendo seus últimos 7 jogos: se o calendário de Kansas City até aqui foi um dos mais fáceis da NFL, o resto dele é um dos mais difíceis, com dois jogos contra Chargers, dois contra Broncos, mais Oakland fora e Colts. Considerando que o ataque do Chiefs não tem sido realmente impressionante nesse começo de temporada, será que a defesa é suficiente para vencer TODOS esses jogos? Eles também estão 3-0 em jogos decididos por uma posse de bola, e não vão conseguir ganhar todos esses até o final do ano. Então é improvável que alguém ganhe a NFC East abaixo de 8-8, mas é ainda mais improvável que o Chiefs consiga vencer esses seis jogos sem que nada de errado para eles.


Ações em alta


Como um economista, uma coisa que eu aprendi a entender é o funcionamento das ações. Quando as coisas estão parecendo boas, todo mundo começa a comprar e o preço sobe. Quando estão indo mal, todo mundo vende, a demanda aumenta, e o valor delas cai. Acho que todo mundo aqui já se deparou com um índice como Bovespa ou Dow Jones e viu se estava em alta ou não.

Pensando nesse sentido, quais seriam as ações dentro da NFL que estariam em alta ou em baixa depois dessa última rodada? Quais conceitos, idéias ou afins estariam ganhando valor com o passar dessa rodada e quais estariam perdendo? Então vamos começar com aquelas que estão em alta no momento, primeiro com...


  • Carolina Panthers como Super Bowl contenders
Quer dizer, vocês viram essa defesa jogar recentemente?! Nos cinco últimos jogos da equipe - cinco vitórias - os adversários conseguiram anotar no máximo 15 pontos contra ela: 10, 15, 13, 10 e 9 pontos, na verdade. Enquanto isso, a defesa tem forçado um número excelente de turnovers, com 12 nessas cinco vitórias enquanto seu ataque produziu apenas 4 (na verdade 3, um dos turnovers veio nos special teams). E se você perdeu o duelo dessa semana contra o 49ers, perdeu um show da defesa: foram seis sacks, dois turnovers forçados e basicamente uma dominação incrível contra o que deveria ser um bom ataque. Eles controlaram o jogo inteiro na linha de scrimage, e dos três FGs do adversário, um veio depois da uma interceptação do Cam Newton retornada para a red zone e outra em um fumble maluco depois de um punt bloqueado. Chamar a performance da defesa do Panthers de dominante é pouco, eles engoliram um ataque que estava entre os 10 melhores da NFL em DVOA. A linha de frente em particular dessa equipe não tem igual na NFL, tanto contra a corrida como pressionando o QB, e é realmente um desafio enfrentar esse time.

Claro, o Panthers ainda tem alguns problemas. O ataque é muito inconsistente, e o time precisou de uma série de golpes de sorte em fumbles para vencer a partida, mas vindo de uma boa sequência de jogos contra uma tabela fácil, ir até a casa de um candidato ao título e dominar a partida dessa maneira com sua defesa é um excelente sinal. Apesar de seus problemas, ter uma defesa assim sempre é um sinal positivo, e agora que Ron Rivera bateu com a cabeça e decidiu ser o técnico mais agressivo do mundo em situações de 4th and short, essa vitória solidifica de vez o status do Panthers como candidato ao Super Bowl.

  • Nick Foles e Case Keenum como titulares na NFL
Keenum ainda não conseguiu vencer seu primeiro jogo na NFL e eu mal posso esperar para começarem a surgir as manchetes de que ele não consegue vencer jogos por isso ou aquilo ao melhor estilo Tony Romo. E ainda tem muitas coisas para não gostar do jogo de Keenum, especialmente seu descuido protegendo a bola (são três fumbles em três jogos, e todos foram importantes nas derrotas), mas considerando que o Texans tem até o final do ano para testar o garoto na posição de titular e decidir se segue com ele para seu futuro ou investe nesse draft profundo, o começo tem sido bem interessante: apesar dos 55% de aproveitamento nos passes, são 8.1 jardas por passe, 7 TDs contra nenhuma interceptação nesses três jogos, com um QBR de 55 apesar dos três fumbles. A amostra obviamente é pequena e é extremamente improvável que alguns desses números se sustentem, mas o garoto tem feito um caso bem interessante para convencer o Texans a lhe dar mais uma chance no futuro com suas habilidades para sair do pocket e escapar da pressão e seus passes longos e precisos. 

O jogo contra o Cardinals foi mais uma boa partida de Keenum, com 221 jardas e 3 TDs e quase conseguindo a virada contra uma das melhores defesas da NFL, e isso com Arian Foster machucado. Na verdade, duas das partidas de Keenum vieram contra excelentes defesas, tendo enfrentado Chiefs e Cardinals no processo. Claro, foram suas duas piores partidas, mas é um bom começo para a carreira do garoto. 

E se os números de Keenum parecem bons, que tal Nick Foles: são sete jogos para Foles (quatro como titular) e os seguintes números: 63.2% de aproveitamento, 9.2 jardas por passe, 16 TDs contra nenhuma interceptação, e um QBR de 79. Em outras palavras, HOLY SH--!!! Claro, esses números são tudos menos sustentáveis: seu 11.6 de TD% é o mais alto da NFL e totalmente fora do normal, suas zero interceptações também não vão se manter por muito tempo, e basicamente Foles é uma regressão ambulante esperando para acontecer - ajuda muito também que Foles tenha enfrentado uma tabela bastante fácil. Tendo isso em mente, a verdade é que Foles tem jogado muito bem. Ele tem sido particularmente letal em passes em pronfundidade (que viajam mais de 15 jardas no ar), com 7 passes para TDs nesse tipo de passes nas últimas três semanas (nenhum QB na NFL tem mais de 7 passes TOTAIS para TD nas últimas três semanas), algo importante para o sistema de Chip Kelly. Essa semana, Foles conduziu o Eagles a uma vitória importante sobre o Packers para empatar na liderança da NFC East, e 225 jardas e 3 TDs do seu QB foi tudo que o time precisou. Eu ainda acho que Foles não é a solução do Eagles a curto prazo, mas a cada rodada que passa ele parece se solidificar mais como o QB da equipe.

  • Disputa pelos playoffs na NFC

Com oito rodadas ainda por jogar na NFL, é claro que ainda tinha muita coisa em aberto para definir os playoffs da NFC e muita coisa poderia mudar. Mas essa rodada terminou de bagunçar as coisas de vez. As derrotas de 49ers, Cowboys e Green Bay terminaram de amontoar todos os concorrentes as quatro vagas restantes de playoffs (Saints e Seahawks parecem garantidos), e agora a briga está mais imprevisível do que nunca.

Para começar, três das quatro divisões ainda estão muito em aberto, com apenas o Seahawks parecendo ter um controle firme na sua por enquanto (ainda que sejam apenas 2.5 jogos de vantagem). Para começar, a vitória do Eagles e a derrota do Cowboys coloca os dois times empatados no topo da NFC East com 5-5 cada um deles. Giants e Redskins (3-6) ainda tem uma chance de brigar por esse título, considerando a quantidade de confrontos diretos ainda dentro da divisão, mas no momento me parece uma corrida de dois times. Vale lembrar que Cowboys e Eagles se enfrentam ainda em Dallas na última rodada, e o Cowboys tem a vantagem dos critérios de desempate por enquanto.

Uma outra divisão apertada, mas que agora tem um time a frente da concorrência, é a NFC North. A derrota de Green Bay e a vitória do Lions sobre Chicago colocou Detroit uma vitória a frente de seus dois rivais (6-3 contra 5-4). Com Aaron Rodgers fora por mais algum tempo ainda não determinado (entre duas e seis semanas, segundo constam os relatos) e com Detroit tendo a vantagem do desempate contra Chicago por ter vencido ambas as partidas, o Lions parece ter a dianteira na corrida. A NFC South também tem uma disputa interessante, com o Saints uma partida a frente do Panthers mas dois confrontos diretos pela frente.

Mas o que essa rodada realmente deixou interessante foi a briga pelo wild card. Se 49ers vence, a NFC South estaria quase garantida, uma vaga no WC já teria dono e ficaria por isso mesmo. Com a vitória do Panthers, a coisa embolou: Carolina e San Francisco são os dois classificados no momento com 6-3, mas são seguidos por uma legião de competidores: Bears, Packers e Cardinals estão logo atrás a 5-4 esperando um deslize, e mesmo o 5-5 Eagles pode sonhar com essa vaga. Então agora temos duas vagas no wild card totalmente abertas e seis times brigando por essas vagas, além de três disputas apertadas dentro das divisões. Poderia ficar melhor do que isso para as sete rodadas finais? 

*pensando*

Pensando melhor, meu time poderia não estar envolvido, provavelmente seria mais saudável.

Ações em baixa


  • O próximo contrato de Jay Cutler
Cutler é um free agent ao final da temporada, e Chicago já tem uma situação salarial bastante delicada, então precisa dar um jeito de encaixar o contrato grande que o QB deve pedir em sua folha salarial... ou então seguir em frente atrás de outro jogador e deixar Cutler se mandar. Era uma decisão difícil que acompanhou o time o ano todo, e assim como foi o caso de Joe Flacco ano passado, ele precisava de uma performance particularmente forte esse ano para assegurar um contrato gordo na offseason depois de uma estadia irregular com seu time (e todo mundo sabe como isso acabou para Flacco e sua conta bancária).

Apesar das boas atuações de Cutler, o fato é que esse ano não está indo muito bem para suas pretensões de conseguir renovar por uma boa grana essa offseason. Além do óbvio problema das suas lesões - Cutler perdeu dois jogos machucado e acabou de se lesionar de novo - tem uma outra questão que apareceu para Chicago, e que foi ampliada essa semana. Vejam os dois números abaixo:

Quarterback A: 381/605, 63%, 4361 jardas, 7.2 jardas por passe, 30 TDs, 18 INTs
Quarterback B: 336/560, 60%, 4304 jardas, 7.7 jardas por passe, 32 TDs, 0 INTs

Esses são os números, projetados para uma temporada inteira de 16 jogos, para os dois QBs que Chicago teve que usar essa temporada, Jay Cutler e Josh McCown. Mesmo considerando que a amostra de McCown é muito pequena (praticamente dois jogos) e que alguns fatores indicariam regressão, os números são muito parecidos, não? Deixando interceptações de lado pelos motivos óbvios, McCown até levaria uma certa vantagem. Meu ponto não é que o Bears deveria deixar Cutler de lado e ir com McCown para frente, meu ponto é que com essas constantes lesões o time teve que recorrer a um cara de 34 anos que nunca foi mais do que um reserva na NFL, e que esse cara entrou e manteve o ritmo. Então a conclusão que o Bears pode chegar é que Cutler estava jogando bem, mas talvez eles sejam capazes de substituir sua produção sem precisar pagar 100M, trazendo um outro journeyman ou mesmo um calouro nesse draft profundo para assumir um ataque muito bem montado. Não ajuda o fato de que Cutler saiu e McCown quem conseguiu anotar o TD que quase empatou o jogo para Chicago. Então a boa performance de McCown, um jogador mediano conseguindo replicar ou mesmo superar a performance de Cutler dentro desse bom ataque, pode ser o que faltava para convencer a diretoria do Chicago de que não vale a pena pagar o que Cutler vai pedir no mercado, e com esse draft tão bom chegando, é a oportunidade ideal para o time ir atrás de um substituto. 

  • O futuro (e o amor próprio) do Titans
Uma vez eu defendi a criação de uma "Regra da Vergonha" (Shame Rule no original), que diz que se um time foi derrotado pelo pior time da NFL em um dado ano, ele está automaticamente inelegível para ir aos playoffs não importa o que aconteça (apenas 60% brincando). Afinal de contas, se você quer disputar o título e o posto de "melhor da NFL em uma dada temporada", o mínimo que se espera de você é que vença o pior time da liga, especialmente um que estava a caminho de se tornar o pior time de todos os tempos, certo? 

Bom, o Titans não fez a lição de casa esse final de semana, perdendo em casa para o Jaguars - que inclusive estava sem seu melhor jogador ofensivo - por 29 a 27 em um jogo que não foi tão apertado quanto o placar sugere (Titans anotou esses 7 pontos em garbage time com o relógio zerando). Pela minha Shame Rule, essa derrota desclassificaria o Titans dos playoffs a não ser que algum time superasse o Jaguars até o fim do ano como o pior da NFL (a diferença do saldo de pontos do Jags para o segundo pior é de 100 pontos).

Mas não é esse o motivo pelo qual o futuro do Titans está em crise. O motivo disso (bom, além do fato de que eles perderam para o Jaguars em casa!) é que Jake Locker, com uma lesão no pé, está fora do resto da temporada, dando um golpe nas pretensões da equipe. O time não é tão dependente do seu QB como por exemplo Green Bay, tem uma defesa sólida, mas Locker vinha jogando bem e seu reserva, Ryan Fitzpatrick, não: Locker tinha um QBR de 58, e Fitzpatrick de 43. A principal diferença entre os dois vinha dos turnovers: ao longo da temporada (7 jogos), Locker tinha apenas seis turnovers (quatro interceptações e dois fumbles) e isso tinha sido um fator importante principalmente no bom começo de temporada da equipe. Fitzpatrick por outro lado, em apenas três jogos soma esses mesmos seis turnovers (e isso porque o time recuperou três dos seus cinco fumbles), com a sua média de 2 por jogo sendo bem superior a de menos de um por jogo de Locker, e isso antes de considerar suas diferenças como passadores (86.7 de rating contra 76) e o fato de que o camisa 8 é um dos melhores QBs correndo com a bola da NFL. Então o Titans não depende tanto do QB, mas não é um time bom o suficiente para conseguir continuar com o mesmo nível depois desse downgrade signficativo na posição, especialmente em uma situação com pouca margem para erro como é o caso. Com Locker, o Titans era meu candidato aos playoffs. Sem ele, pode acabar o ano como o único time a perder do Jaguars esse ano.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Pontos importantes da semana 4 da NFL

"Pre-para... Que é hora... "



Ainda não participou da nossa ultra nerd e ultra divertida promoção de NBA? Não sabe o que está perdendo! Clique aqui e tenha a chance de ganhar um livro massa de basquete - ou pelo menos ter o que fazer nessa offseason!!

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Mais uma semana na NFL chega ao fim, e mais uma vez uma semana interessante que gerou assunto para nosso recap semanal dos pontos importantes. Para os perdidos de plantão a idéia aqui é a seguinte: isso aqui NÃO é um recap da rodada, e o nosso intuito não é passar por todos os jogos ou falar de todos os jogadores, bons ou não. Outras pessoas podem fazer isso, mais rápido e melhor do que eu, e eu também não acho que isso se enquadre na proposta do blog. A proposta aqui é para dar uma olhada nos fatores, dentro de cada jogo, que são relevantes ao maior cenário da NFL. Vamos olhar a performances que foram importantes mas receberam pouco crédito, fatores pouco observados que estão influenciando alguns pontos importantes, e por ai vai. Então de novo, o objetivo não é passar por todos os jogos e falar alguma coisa relevante: muitas vezes teremos dois ou mais pontos sobre um mesmo jogo, e jogos sem comentário nenhum. 

Hoje vou aproveitar e cumprir minha promessa de falar mais sobre um time que deveria ter falado semana passada e não tive tempo, o Tennessee Titans, que ainda virou notícia graças a lesão do Jake Locker. Mas antes vamos começar por um time um pouco mais interessante...

Em busca da perfeição


Essa é uma pergunta honesta: quando vamos começar a falar sobre a possibilidade do Denver Broncos terminar a temporada com um perfeito 16-0?

Antes que pareça que eu estou colocando a carroça na frente dos bois e contrariando tudo que eu sempre prego por aqui sobre não overreact a amostras pequenas, deixe eu esclarecer: todo ano, eventualmente, as pessoas fazem  um farol sobre os times que permanecem invictos porque, no fundo, todos nós queremos ver um time terminando um ano sem perder um jogo sequer. Esse interesse se intensificou ainda mais depois de 2007, quando o Patriots conseguiu uma temporada perfeita e chegou no limite de fazer história antes de perder o Super Bowl para o Giants de forma dramática (eu assisti o jogo na casa de um amigo patriota. Digamos que eu aprendi muitos xingamentos novos naquele dia). Ver um time chegando t ão perto dessa marca pela primeira vez em 35 anos (o Dolphins de 1972 terminou a temporada invicto, mas em apenas 17 jogos não tão dominantes) reacendeu o interesse em ver alguém repetindo esse feito, e desde então, todo ano temos procurado alguma equipe que pudesse nos levar a terra prometida. E esse ano, o claro candidato a atingir essa marca não pode ser outro que não o Denver Broncos. Por isso estou estranhando que não tenhamos lido mais sobre o assunto.

Isso obviamente não quer dizer que o Denver vá, ou mesmo que tenha grandes chances, de atingir a marca de 16-0. Mesmo para um time tão dominante como Denver tem sido, terminar uma temporada sem uma derrota sequer envolve muito mais do que competência, também passa por sorte em fatores que já dissemos muitas vezes estar além do controle das equipes: os poderosos Patriots de 2007 terminaram o ano abaixo de 14-2 em Pythagorean Expectations e 4-0 em jogos decididos por uma posse de bola, inclusive um jogo contra o Ravens no qual o hail mary da equipe de Baltimore para ganhar o jogo parou na linha de uma jarda antes do TD. Mesmo o Colts de 2009, que começou o ano 14-0 antes de colocar Peyton Manning no banco e perder seus dois últimos jogos com Curtis Painter de titular, teve um Pythagorean Expectations abaixo de 11-5 e começou o ano 7-0 em jogos decididos por uma posse de bola. Então mesmo que eu possa provar empiricamente que o Broncos é um dos melhores times da história da NFL (não se preocupem, não irei por esse caminho) isso não garante que o Broncos já ficar invicto ou mesmo que vá brigar por isso até as últimas rodadas.

Ainda assim, se você quer sonhar com a marca, você precisa de um time dominante e, acima de tudo, de um grande QB. Não é uma coincidência que nos 40 anos antes das mudanças de regras favorecendo o jogo aéreo em meados de 2004 apenas um time conseguiu terminar a temporada invicto, e que desde então tivemos dois em três anos - e que ambos foram liderados por dois dos maiores QBs da história da NFL. O jogo hoje é mais direcionado para o passe do que nunca e um QB tem um impacto em campo maior do que nunca teve, e portanto ter um Peyton Manning ou um Tom Brady hoje em dia te da uma vantagem muito maior do que ter um John Elway ou Joe Montana nos anos 80. E não só o Broncos tem Manning, como tem o Peyton Manning mais dominante de sua carreira: em apenas quatro jogos, claro, mas o camisa 18 está acertando 75% de seus passes e caminha para terminar o ano com 5880 jardas e 64 TDs, ambos recordes absolutos da NFL. Além disso, também não teve nenhuma interceptação e lidera a liga com 11.8 jardas por passe. Se quer um retrato do que "dominante" significa, não precisa olhar mais longe.

Claro que esses números vem de uma amostra pequena e dificilmente se manterão por 16 jogos, mas servem para retratar em parte quão dominante o ataque do Broncos tem sido em 2013. O grande Bill Barnwell fez uma pesquisa sobre os ataques mais dominantes da história da NFL na era Super Bowl, e os resultados são bastante favoráveis: não só os 179 pontos anotados da equipe é a melhor marca desde a fusão entre NFL e AFL por uma grande margem (17 pontos para o segundo colocado), como mesmo ajustando de acordo com a pontuação média de cada ano (por causa das grandes diferenças de jogo e regras ao longo dos anos) o Broncos ainda é o líder em pontos anotados por uma grande margem (vocês podem ler o post completo aqui). Considerando o saldo de pontos e não apenas pontos anotados (desde 1970), o Broncos cai um pouco, mas ainda é excepcional: sexto melhor, e isso considerando que sua defesa que tomou mais de 20 pontos todos os jogos está sem seu melhor jogador em Von Miller.

Claro que isso não significa ou justifica um record 16-0, mas é uma forma de mostrar o quanto dominante está sendo esse time do Broncos nesse começo de temporada, e como eles parecem ser até o momento o time a ser batido na NFL. Até agora nenhum time conseguiu sequer desacelerar esse ataque do Broncos, e realmente fica difícil de ver como: é um dos ataques mais completos que eu já vi, com uma opção fisicamente dominante pelo fundo do campo em Demaryus Thomas, o melhor slot receiver da NFL em Wes Welker, e o extremamente versátil Eric Decker... e como se não fosse suficiente, agora o time achou um TE super atlético em Julius Thomas. Isso são QUATRO alvos que dificilmente podem ser marcados no mano a mano e, como se não fosse o bastante, lançando para eles está um jogador que é historicamente bom lendo e destrinchando defesas e soltando passes precisos e velozes quando o blitz chega. Como você marca esse tipo de ataque? A perda de Ryan Clady provavelmente vai convidar mais blitzes, e um bom time pode explorar a falta de um jogo terrestre da equipe, mas são tantas opções e tantos padrões diferentes para uma equipe se preparar que realmente é difícil ver esse time sendo parado no volume de ataque. Um ataque de elite também poderia tentar vencer controlando a bola e sendo eficiente, mas a defesa de Denver tem sido boa (não ótima, mas boa) mesmo sem Miller e tem sido muito boa contra o jogo terrestre em particular, o que torna ainda mais difícil para um adversário controlar o relógio. Até agora esse me parece de longe o time mais perigoso da NFL.

O único "problema" com esse inicio de temporada do Broncos tão dominante é que o time enfrentou um calendário extremamente favorável. Seus adversários nesses quatro primeiros jogos somam um record de 4-12, sendo eles o desastre que é o Giants, duas das piores defesas do mundo em Eagles e Raiders, e apenas o 2-2 Ravens como um adversário decente (e em Denver). Eles ainda não enfrentaram uma boa defesa em 2013 (Ravens é mediana, pelo menos até aqui) ou um time capaz de disputar no ataque. Naturalmente que isso não quer dizer que o Broncos só venceu porque seus adversários eram ruins, mas ainda não sabemos como se comportará esse time contra um adversário mais forte. Ainda assim, o calendário do time é favorável: os jogos mais difíceis da equipe (no papel) daqui para frente serão Cowboys fora de casa, Colts fora, Chargers fora, Chiefs fora, Patriots fora e Texans fora... e mesmo assim, Cowboys, Colts e Chargers são times medianos e o Texans até agora não tem se mostrado um time muito confiável. Tirando Patriots, Chiefs e TALVEZ Texans, o Broncos vai ser o claro favorito em todos os jogos até o final do ano, com esses três representando a principal ameaça ao sonho do ano perfeito. Imagina se o Broncos chegar na semana 12 com 10-0 para enfrentar o Patriots, fora de casa, com Tom Brady vs Manning E com o time de New England tendo a chance de evitar que seu maior rival (Manning, não o Broncos, que fique claro) repita seu feito de 16 vitórias? Estou tendo calafrios só de pensar nisso.

Então embora esteja muito longe do improvável 16-0, é uma história a se acompanhar durante a temporada. Se não quiser pelo 16-0, faça pelo prazer de acompanhar um dos ataques mais dominantes (em uma amostra pequena, mas whatever) da história da NFL.

Curiosidade histórica do dia: muita gente estava surtando ontem ao ver o Broncos ganhar de 52 a 20 de um time ruim em Setembro. O 49ers de Montana e Jerry Rice ganhou uma vez de 55 a 10... em pleno Super Bowl (ironicamente contra o Broncos de John Elway).


Jake Locker e o segredo do Titans


Essa semana, Jake Locker estava tendo o melhor jogo da sua jovem carreira contra o New York Jets: 18-24, 149 jardas e 3 TDs, fazendo todas as jogadas corretas e dominando a partida. Foi quando, durante uma jogada de pressão, Locker foi atingido duas vezes pelos defensores de verde e caiu de forma esquisita sobre seu quadril, imediatamente gerando grandes preocupações até sair imobilizado em uma maca. Os primeiros exames indicam que a lesão não foi tão séria como se temia e que Locker não deve perder a temporada inteira, mas ainda deve ficar de fora por pelo menos seis semanas (possivelmente mais), e isso levanta a questão do quanto isso vai afetar negativamente a surpreendente campanha de um surpreendentemente decente time do Titans. Para responder a essa pergunta, primeiro temos que perguntar outra coisa: o sucesso do Titans essa temporada está vindo de onde?

Nessa offseason, o Titans investiu pesadamente no seu ataque, trazendo um segundo RB, dois excelentes guards para ajudar o jogo terrestre, e mais dois bons alvos para seu QB-em-desenvolvimento Jake Locker. A expectativa era que o ataque desse um passo a frente e liderasse esse time, agora e no futuro. Então quando o Titans começou bem a temporada, muita gente atribuiu isso a esses gastos ofensivos da equipe que teriam dado ao time uma nova identidade.

Bom, olhando principalmente para os três primeiros jogos (já explicarei porque) que Locker teve inteiros, esse não foi o caso. Em primeiro lugar, o jogo terrestre que deveria explodir em 2013 não só não explodiu como ainda regrediu: depois de conseguir sólidas 4.5 jardas por corrida em 2012, o time viu seus números despencarem para 3.5 Y/C em 2013, um número horrível que é a sétima pior marca da NFL. Isso pode ser um efeito do calendário, que viu a equipe enfrentar algumas boas defesas terrestres (especialmente Jets), mas sozinho não serve para explicar porque esse ataque que no papel melhorou tanto seu jogo terrestre perdeu uma jarda inteira por corrida nesse começo de ano. Então não foi isso que motivou esse bom começo.

Os olhares então se voltam para Jake Locker, cuja narrativa no começo do ano era de que ele finalmente estava dando o "salto" nesse começo de ano. Eu odeio narrativas porque elas sempre envolvem distorcer os fatos para se encaixar na história pré-determinada, como "Joe Flacco se descobriu nos playoffs e agora é um QB de elite!" ou "Tony Romo não consegue ganhar jogos no final!", duas histórias que ganham força porque todo mundo atribuiu as vitórias do Ravens nos playoffs somente a excelente performance de Flacco (desconsiderando todo o resto que aconteceu para chegar no título) e as derrotas do Cowboys somente ao Romo passando por cima de todo o resto. E para variar, as notícias desse "salto" do Locker eram mais um caso de fatos distorcidos para entrar na narrativa pré-determinada. Olhem só esse dado do Barnwell:

2012 Jake Locker: 56.4%, 6.9 jardas por passe, 197.8 jardas por jogo, 0.9 TD por jogo, 26.5 jardas terrestres por jogo, 7.4% sack rate, 48.07 QBR
2013 Locker (três primeiros jogos): 58.3%, 6.9 Y/A, 190.6 YPG, 1 TD por jogo, 27.0 jardas terrestres, 7.4% sack rate, 52.3 QBR

Hmm... praticamente o mesmo jogador, certo? A grande diferença entre os dois são as interceptações, já que Locker não lançou nenhuma nesses três jogos, mas considerando que ele teve duas dropadas pela defesa (inclusive uma que iria perder o jogo contra o Chargers) não é muito exato atribuir isso a uma grande melhora do QB. Não que Locker não tenha melhorado, claro: ele se tornou um pouco mais eficiente com seus passes, mais cuidadoso com a bola e tem tido um aproveitamento um pouquinho melhor convertendo terceiras descidas, o tipo de evolução esperada de um cara jovem e cujo grupo ao seu redor evoluiu tanto em peças. Mas no fundo, o camisa 10 de Tennessee era o mesmo jogador que sempre foi produzindo como sempre produziu, mas dessa vez com todo mundo correndo para criar uma narrativa por trás porque seu time seguia ganhando. Então apesar dos investimentos no ataque, não foi ele que esteve por trás desse bom começo do time - o ataque não está sendo horrível, mas está sendo basicamente o mesmo grupo mediano que foi um ano antes.

Claro, no último jogo não foi bem assim, com Locker tendo seu melhor jogo como profissional contra uma boa defesa do Jets e passando para três TDs e 75% de aproveitamento (apesar das baixas 6.1 Y/A). Os números estão um pouco inflados - em especial o de TDs - por conta dos turnovers do ataque do Jets e Geno Smith que deram ao Titans grande posições de campo: os três TDs de Locker vieram em passes de 1, 4 e 16 jardas em campanhas de 18, 26 e 46 jardas, todas após turnovers do ataque. Então ainda que os números sejam um pouco enganosos e influenciado por fatores externos, eu assisti o jogo e posso falar que Locker jogou muito bem: calma no pocket, preciso nos passes curtos e sempre sabendo a quem achar nas horas certas. Depois do jogo, as pessoas se dividiram em definir se o jogo tinha sido o breakout do Locker como QB ou se tinha sido um outlier contra uma defesa que jogou muito mal. Como sempre, a verdade provavelmente está em algum lugar no meio: foi o melhor jogo que eu vi de Locker em termos de fundamentos e eficiência e que pode indicar uma evolução, mas é prematuro achar que isso representa um novo momento na carreira do garoto porque a defesa do Jets FOI muito mal na partida, de forma que seu reserva, Ryan Fitzpatrick, entrou e lançou para mais 100 jardas e um TD. Então ainda que esse jogo tenha mostrado uma evolução do Locker, levem com um grão de sal sobre o que isso significa para o futuro, tanto por conta da lesão que interrompe a sua sequência como pelo que ele mostrou nos três primeiros jogos.

E como já vimos antes, nos três primeiros jogos Locker foi basicamente o mesmo jogador de antes, e o ataque como um todo foi medíocre (não horrível, mas medíocre) como no ano passado. Então considerando que o segredo desse bom começo não foi o ataque, precisamos procurar em outros lugares as causas, e isso é ao mesmo tempo bom e ruim quando consideramos a lesão de Locker: bom porque, afinal de contas, não era o garoto que estava sendo a pedra fundamental desse começo de temporada e portanto seu substituto tem mais chances de sucesso, mas ruim porque além dos motivos óbvios (lesão grave em um QB jovem e talentoso que precisa de entrosamento com seu novo ataque em um bom momento no ano), alguns deles podem se voltar contra o time no futuro... mas chegaremos lá.

Primeiro, vamos olhar para a defesa. Depois de ser a terceira pior de 2012 e o time que mais cedeu pontos na temporada passada, a diretoria decidiu não investir muito nela nessa offseason, com Bernard Pollard sendo a principal aquisição. Com isso, muitos (eu incluso) esperavam mais uma temporada ruim defensivamente do time de Nashville, enquanto o ataque evoluiria com as contratações. No final, o ataque estagnou e continua praticamente igual, enquanto a defesa deu um salto enorme de produtividade. Nesse começo de ano, a defesa não tem sido elite, mas tem sido bastante sólida, o que já é um enorme avanço em relação ao "mais pontos cedidos" do ano passado. Mesmo considerando que enfrentou uma série de ataques ruins nesse começo de ano (Chargers sendo a exceção), os números são bastante sólidos: 11th em jardas cedidas, 7th em pontos, e oitavo em turnovers com nove. Os números ajustados não serão tão bons assim por conta dos adversários enfrentados, mas da para esperar algo como 12th melhor da NFL nesses quatro primeiros jogos... o que já está bom. A chave para isso veio de um surpreenendente desenvolvimento da jovem linha de frente da equipe: jogadores como Jurrell Casey (3 sacks), Zach Brown (3 sacks) e Ropati Pitoitua (2 sacks) evoluíram muito do ano passado para cá quando pouca gente esperava (Casey foi escolha de meio de terceira rodada, Pitoitua nem draftado foi)  e, junto de Derrick Morgan (1st round) e Brown (2nd round), acabaram montando uma linha de frente que tem sido espetacular atacando o QB adversário e gerando pressão, quinto em sacks na NFL. Essa dominação defensiva provavelmente vai sofrer uma redução quando enfrentar adversários com ataques e linhas ofensivas melhores, mas a evolução dos garotos é real e não vai a lugar nenhum. A defesa tem seus problemas contra a corrida e a secundária ainda pode ser explorada, mas essa linha de frente, em especial o pass rush, é para valer.

Mas agora chegamos ao grande segredo do sucesso do Titans: turnovers. Depois de quatro semanas, o Titans lidera a liga em saldo de turnovers com +9, sendo que seu ataque ainda não cometeu NENHUM em toda a temporada. Mais do que a esperada-que-não-aconteceu-ainda evolução do ataque e da considerável evolução da defesa, esse é o principal fator por trás desse começo 3-1 do Titans. E de certa forma, isso é um problema, porque é um fator altamente sujeito a regressão: para começar, o Titans lidera a NFL recuperando 89% (!!!) dos fumbles que acontecerem em seus jogos, uma marca absurdamente alta que impulsionou esse saldo de +9... e que vai regredir. Já bati nessa tecla 400 vezes aqui, mas recuperar fumbles não é uma habilidade, é pura sorte, e por isso gravita para 50% em uma amostra consideravelmente grande. 89%, eu não preciso dizer, é totalmente insustentável e vai regredir ao longo do ano. O ataque também não vai passar para zero interceptações o ano todo: ainda que Int% não seja uma estatística que converge para um número determinado, como por exemplo BABIP no baseball, ainda é possível identificar algumas aberrações sujeitas a regressões, e o 0% do Titans até agora é o maior candidato. Locker teve um Int% de quase 3.5% ano passado, e mesmo que uma evolução ou mais sorte reduza esse número, ainda é algo que vai piorar e vai afetar o saldo de turnovers da equipe.

Esse é meu maior problema com Locker sendo substituído por Fitzpatrick: o ex-aluno de Harvard é ainda mais sujeito a turnovers, e grande parte do mérito desse começo de temporada da equipe vem do seu bom trabalho (e imensa sorte) com turnovers. Isso não quer dizer que o Titans seja um time horrível que tem dado muita sorte e por isso está ganhando, o Titans tem uma boa defesa e tem feito um bom trabalho em 2013, mas o maior fator desse bom começo de ano é algo que é impossível de se sustentar e que vai regredir e afetar a equipe. Vale citar que o único time pós-fusão da NFL a começar a temporada com 0 turnovers em quatro jogos foi o Rams de 1995, que terminou com um saldo de -3 ao final do ano. Essa regressão provavelmente iria atingir o time mesmo com Locker de QB por conta dos fatores já discutidos, mas considerando que Fitzpatrick é mais descuidado com a bola, isso pode contribuir ainda mais para essa regressão. Mesmo considerando que Locker seja melhor que Fitz, se o time conseguisse hipoteticamente manter essa sorte milagrosa recuperando fumbles, o time teria pouco a perder da mudança de QB pois não estava se apoiando nisso para vencer jogos. Mas se a sorte começar a mudar, e ela vai, então precisamos ficar de olho em como o time vai lidar com isso. A tabela é fraca o suficiente para o Titans conseguir arrancar uma vaga nos playoffs, mas precisamos ver se conseguem fazê-lo quando seus turnovers normalizarem.

Viajando para Londres


Depois de ter aproveitado um jogo surpreendentemente bom em Wembley entre dois times 0-3, jogo esse que acabou com um fumble do Big Ben na linha de 7 jardas tentando o TD para empatar o jogo, as atenções logo se voltaram para o sucesso que tinha sido mais um jogo em Londres. A casa estava cheia, mais de 500 mil pessoas se juntaram antes do jogo, e para variar foi um grande sucesso de mídia e público. Até o jogo, que parecia um fiasco no papel entre dois dos piores times da NFL, foi extremamente divertido e disputado até a última jogada. Foi basicamente tudo que poderíamos esperar de bom, e estávamos prontos para ir para a próxima... quando alguém comentou que ainda tinha mais um jogo em Londres essa temporada, e eu fiquei surpreso com a quantidade de pessoas pegas de surpresa por isso.

Esse segundo jogo em Londres (primeira vez que isso acontece), bem como os times escolhidos para esses jogos, passam por um plano maior por parte da NFL. Não exatamente um plano concreto, mas uma idéia futura: colocar um time na Inglaterra.

Essa ainda é uma idéia em desenvolvimento, mas que já avançou um bocado desde a primeira vez que foi estudada. A idéia óbvia de colocar o time em Londres seria explorar um novo mercado, no caso o mercado europeu (e não apenas o londrino). A NFL tem se expandido consideravelmente fora dos Estados Unidos, mas ainda é um mercado pequeno ou inexplorado em contraste com, por exemplo, a NBA. O futebol americano como um todo, na verdade, tem crescido mas ainda não tem se concretizado com grandes ligas ao redor do mundo ou mesmo um torneio importante como o Mundial da FIBA. Colocar um time em Londres abriria uma nova fronteira para a NFL, não só pela cidade ser um mercado maior do que por exemplo Jacksonville ou Minneapolis como também como uma porta de entrada para todo o mercado europeu. Quem acompanhou a transmissão completa da NFL Network do jogo de Londres alguma vez na vida provavelmente viu que não são apenas os londrinos que lotam o estádio e ocupam a região externa de Wembley, são torcedores de toda a Inglaterra e toda a Europa que fazem a viagem pela oportunidade de acompanhar ou estar próximo do futebol americano. É nesse mercado que a NFL coloca seu olho quando pensa em mudar um time para Londres.

Foi provavelmente o sucesso dessas empreitadas fora dos EUA que levantaram a idéia de mudar uma franquia para lá. E obviamente, isso levanta algumas questões práticas e de logística. Vamos deixar a logística de mudar um time para Londres e se isso seria viável de lado por hoje, porque é uma outra questão muito mais extensa. Mas as questões práticas são mais simples: sim, 500 mil pessoas se mobilizam em toda a Europa para ir a um jogo de NFL e o estádio lota todo santo jogo é um número espetacular. Mas isso é o que acontece quando Londres recebe apenas um jogo por temporada. Todos os torcedores sabem que é a única chance de ver o futebol americano por lá, uma experiência única que acontece a cada ano. Será que seria assim caso tivessem oito? Será que ia ter tanta gente interessada em gastar tanto dinheiro para ir ver os jogos por lá? Será que o estádio ia encher e ia mobilizar tanta gente para compensar financeiramente?

Por isso que a NFL decidiu mudar um segundo jogo para Londres essa temporada: para ver como seria a reação do público ao segundo jogo. Não é mais o único jogo do ano, não é mais a novidade da temporada. Será que o estádio ainda vai lotar? É uma espécie de laboratório da NFL para ver como o público se comporta com esse segundo jogo. Claro que um jogo a mais é totalmente diferente de sete, mas é uma boa forma de ver se toda essa atenção é derivada da raridade de um jogo por lá ou se é uma base de fãs mais fiel e presencial do que isso. Fiquem de olho no segundo jogo, Jaguars e Niners na semana 8, para ver o efeito que a NFL vai analisar. O primeiro jogo foi o sucesso de sempre, mas o que importa é o próximo.

Os times escolhidos para esses jogos em Londres também não são coincidências. Desde que, alguns anos atrás, começaram conversas para sugerir que a NFL deveria mudar um time de volta a Los Angeles para explorar um dos maiores mercados dos EUA, os nomes que mais aparecem nas conversas são Jacksonville Jaguars e Minnesota Vikings... os dois times que estão mandando jogos em Londres. Esses times, em particular o Jaguars, não são times que oferecem opções muito atraentes para a NFL: ambos jogam em mercados pequenos, tem dificuldades para encher o estádio e não oferecem nenhum tipo de vantagem para a NFL atualmente. Não que a NFL tenha tanta necessidade de mercados grandes como a NBA ou a MLB, por exemplo, mas a questão é que Los Angeles e Londres oferecem algumas vantagens específicas (Los Angeles menos, para ser sincero, embora obviamente não ofereça as dificuldades logísticas da Inglaterra) que a NFL poderia tirar proveito, e para tal, Jags e Viks seriam os times que menos prejudicariam a NFL ou mesmo seus donos, que precisam querer a mudança para ela acontecer. Os times não enchem o estádio e não ganham muito dinheiro com venda de ingressos ou camisas para mercados pequenos, e não fariam falta para a liga caso sumissem... especialmente se trouxessem em troca um mercado grande e maior atenção da mídia.

Claro, um time em Londres ainda é improvável, na minha opinião. As dificuldades logísticas de um time tão longe e em um fuso tão diferente são enormes, e no final iria exigir um número enorme de ajustes que acabariam mais prejudicando a unidade da NFL do que ajudando. Ainda assim, considerando o enorme interesse de Roger Goodell em atingir esse objetivo, esses jogos em Londres se tornam mais interessantes a cada ano que passa.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Preview NFL 2013 - Tennessee Titans

Chris Johnson é a versão da NFL do Predador
(ou da Tia Dalma de Pirates do Caribe)



Para saber do que estamos falando aqui e dessas estatísticas, recomendo a leitura desse post antes
Se quiser opinioes e analises sobre o Draft, voces podem ler o Running Diary da primeira rodada ou o manual de como avaliar um Draft na NFL


Depois de terminar a série de previews da AFC East, os previews da NFC East, os previews da AFC North e os previews da NFC North, começamos a falar da AFC South pelo seu atual campeão, Houston Texans e depois pelo queridinho do pessoal, Indianapolis Colts. Hoje é a vez do Tennessee Titans. Se você não tem ideia do que estou falando, recomendo que leia esse post introdutório. Btw, a falta de crases nesse texto é porque esse teclado não tem crase, então não reparem, ok?

Tennessee Titans

2012 Record: 6-10
Ataque ajustado: 29th
Defesa ajustada: 25th


Sabe quando você vai draftar um time de Fantasy Football, e cria uma estratégia para evitar uma determinada posição (seja qual for) até mais tarde no Draft achando que tem opções suficientes, mas daí alguém se precipita e quer garantir a posição, todo mundo começa a escolher seus melhores jogadores muito mais cedo, você entra em pânico e quando chega sua vez acaba escolhendo também e jogando sua estratégia para o inferno? Foi o que aconteceu no draft de 2011, um dos mais interessantes olhando friamente dois anos depois, e a culpa foi toda do Tennessee Titans.

Em 2011, a NFL já tinha abraçado totalmente seu "a NFL é uma liga de passes e precisa de um grande QB para vencer", com QBs saindo 1st overall nos dois drafts anteriores (Matthew Stafford e Sam Bradford). Mas chegando nesse draft em particular, o problema é que não havia nenhum consenso entre os QBs para a 1st pick. Na verdade, era exatamente o contrário, o consenso era de que não tinha nenhum QB digno da primeira escolha e que o Panthers deveria escolher Marcell Dareus ou Von Miller. Entre os QBs daquele ano, você tinha dois cotados como de primeira rodada (Cam Newton e Blaine Gabbert), um de final de primeira/começo de segunda (Jake Locker), um de segunda rodada (Andy Dalton), dois entre segunda e terceira rodada (Christian Ponder e Colin Kaepernick) e um que ninguém fazia idéia (Ryan Mallett). Lembro especificamente de ter feito um Mock Draft com Newton e Gabbert saindo entre as seis primeiras escolhas, Locker saindo 25th para Seattle e nenhum outro QB entrando na primeira rodada.

(Reler avaliações daquele draft hoje em dia é bastante divertido, especialmente a do 49ers: a escolha de Kaepernick foi a mais criticada com alguns falando que "ele não ajuda o time no curto nem no longo prazo" ou que "um reach para um jogador que provavelmente nunca será titular na NFL". Ooops!) 

Chegando na noite do Draft, Newton saiu em primeiro para Carolina (uma boa escolha, em retrospecto), Cardinals e Bengals passaram a chance de pegar o QB que precisavam... e ai o Titans se precipitou e pegou Locker com a oitava escolha, e os outros times que precisavam de QB entraram em pânico. O Jaguars trocou para subir no Draft e pegar Gabbert, e por algum motivo que nem Freud explica, o Vikings usou sua 12th pick para pegar um QB que poderia cair até a terceira rodada. Dalton e Kaepernick caíram até as primeiras escolhas da segunda rodada (com o 49ers tirando o grande prêmio), e em um draft considerado sem bons QBs, acabaram saindo seis nas primeiras 37 escolhas. E isso tudo começou com o Titans entrando em pânico com sua necessidade de um QB e pulando em um que deveria cair mais 20 picks. A lição, como sempre: não entre em pânico na noite do draft. (Se você torce para o Vikings e quer culpar alguém pelo seu time ter pego Ponder e não JJ Watt, agora já sabe o responsável. De jeito nenhum Ponder deveria ter saído onde saiu, iria cair para o final da segunda rodada.)

Mas esse não é o grande problema do Titans no momento e nessa offseason, apesar do fato de que Locker ainda não rendeu perto do que se esperava dele (mais disso em alguns parágrafos). O problema no momento da equipe é de logística: apesar do time ser uma enorme droga dos dois lados da bola, só existe um número limitado de escolhas de draft disponíveis a cada ano para os times, bem como de free agents. O Titans tinha tantos problemas que não dava para adereçar todos eles de uma vez, então a decisão interessante do time foi de focar seus maiores esforços em um lado da bola e montar uma base para o futuro e deixar a outra para depois. Com seu Franchise QB (ou é o que eles esperam) precisando continuar seu desenvolvimento na liga, eles optaram por cercá-lo com um grupo melhor por enquanto e reforçar sua defesa depois. 

A primeira coisa que chama a atenção no ataque da equipe - tirando o fato de que ele é, bem... horrível (quarto pior da Liga atrás de Jets, Cardinals e Chiefs) - é que o time está pagando um contrato de 55M (com mais de 30M garantidos) para seu running back e em torno tem o 26th melhor ataque terrestre da NFL. Desde sua incrível temporada de 2000 jardas em 2009 quando bateu o recorde de jardas totais da NFL, Chris Johnson tem sido algo como uma decepção: três temporadas seguidas passando de 1000 jardas mas sem passar de 1300 em nenhuma delas, e em geral misturando jogos onde mal passa de 60 jardas em 25 tentativas com jogos onde corre para TDs de 75 jardas. Na verdade, a equipe teve o sexto pior ataque terrestre de 2010, o pior de 2011 e o sétimo pior em 2012 desde a temporada de 2000 jardas de CJ (quando foi a quinta melhor). Em partes, isso acontece porque CJ é muito bom quando tem espaço para usar sua velocidade mas muito ruim quando precisa trombar e quebrar tackles para ganhar esse espaço ou mesmo em conversões curtas - então não ajuda o fato de que a linha ofensiva do Titans é uma das piores (segunda pior, per Football Outsiders) em jogadas de corrida (embora valha destacar que elas são boas em jogadas de curta distância e CJ continua sendo horrível nelas).

Com essa grana absurda comprometida com seu recepcionante RB, era normal que o Titans fosse atrás de reforços para seu jogo terrestre. O primeiro e mais hilário foi ir pagar 11M (quase 5M garantidos) para Shoone Greene numa tentativa de conseguir um segundo RB para jogadas de força, um típico caso de "talento marginal" que comentamos ontem no preview do Colts: o time queria um RB para essas situações curtas onde CJ é menos útil do que Mark Sanchez (ok, pelo menos CJ não sofre fumbles batendo na bunda dos linemans), e foi atrás do primeiro que viu no mercado, pagando a ele uma grana muito maior do que se deveria pagar a um jogador situacional como esse num desespero para garantir o jogador que queria. Três meses depois, o Colts assinou com Ahmad Bradshaw (um jogador melhor que Greene) pelo mínimo de veterano. A lição, como sempre: nunca seja apressado na free agency.

Mas ainda assim, Greene vai ajudar o jogo terrestre da equipe oferecendo uma opção totalmente diversa do CJ, mas não é esse o grande motivo de festa em Nashville. O Titans também correu para reforçar sua fraca linha ofensiva, e o fez em grande estilo, trazendo dois novos guards. Um deles, Andy Levitre, foi importado de Buffalo e tem sido um dos melhores guards da NFL nos últimos anos, e agora ele vai fazer par com o calouro Chance Warmack, um excelente jogador vindo de Alabama. Para um time que tinha dificuldade em abrir espaço pelo meio e que precisava de mais proteção para seu QB - basicamente precisava reforçar a linha de maneira geral - a chegada de Warmack e Levitre é uma IMENSA evolução. CJ não tem mais a desculpa da linha agora, e o jogo terrestre de Tennessee pode finalmente sair do fundo do poço.

Mas proteger Locker (e oferecer um jogo terrestre melhor) não foi a única coisa que a equipe fez em relação ao jovem QB. A diretoria do Titans também se preocupou em aumentar as armas a sua disposição. A equipe já conta com o muito talentoso e problemático Kenny Britt, que é um dos melhores WRs da liga quando está saudável e focado, mas ele não tem ficado nenhuma das duas e Nate Washington é um bom role player mas não é solução. A equipe já conta com o segundo anista Kendall Wright, que deve teve evoluir depois de uma sólida temporada de calouro (64-624-4), mas trouxe dois outros alvos importantes: Delaine Walker, um excelente bloqueador que tem um atleticismo muito interessante para funcionar como recebedor, e o calouro WR Justin Hunter (segunda rodada). Basicamente o Tennessee se apressou para montar um ataque de verdade em torno de seu QB, com uma linha muito melhor (ainda vulnerável nas laterais... mas um passo de cada vez), um jogo terrestre mais sólido de suporto e principalmente mais alvos. Se Britt ficar saudável, um quarteto de Britt, Wright, Hunter e Washington (e mais Kevin Walter, que está na PUP) com Delanie Walker de TE é um excelente grupo, jovem e muito promissor. Não elite, mas um grupo muito bom para Locker desenvolver entrosamento para o futuro.

Claro, isso tudo ainda está atrelado ao desenvolvimento de Jake Locker. A diretoria fez o que pode nessa offseason (e tirando o contrato do Greene, fez bem feito) para colocar ao seu redor o melhor grupo de coadjuvantes que ele já teve. A proteção vai estar melhor, o jogo terrestre vai exigir mais atenção (e portanto o play action vai ter mais espaço), e ele terá alvos mais capazes para abrir mais espaços para seus passes. Se existe um momento para Locker dar um salto no seu desenvolvimento e se estabelecer como o QB da equipe, é esse. O problema é que até agora, ele não deu muitas mostras de que isso vai acontecer. Quando foi draftado, eu lembro que gostava dele, de seu atleticismo e capacidade fora do pocket, mas tinha meus problemas com sua precisão de dentro do pocket, dizendo que era o tipo de QB que seria ideal manter no banco por um ou dois anos arrumando sua mecânica e corrigindo falhas no seu jogo com calma ao invés de ser jogado no fogo e desenvolver maus hábitos. Era o plano do Titans no começo, quando trouxeram Matt Hasselback para ser titular na frente do calouro, mas quando Hasselback machucou colocaram Locker de titular, e tem sido desde então (quando não machuca). Locker teve uma temporada de calouro ruim (44.8 QBR, mas em apenas cinco jogos) e evoluiu um pouco temporada passada mas com um ainda ruim 48.1 QBR (em 11 jogos). Até agora seu maior problema tem sido exatamente sua precisão nos passes, completando apenas 55,5% na carreira. Em seu favor, posso falar que assisti a alguns jogos do Titans ano passado e ele teve que fazer uma grande variedade de jogadas saindo do pocket e sem tempo para pensar com calma por causa da pressão, mas mesmo assim Locker está longe de impressionar. 2013 não é uma temporada tudo ou nada para ele como é para, digamos, Josh Freeman, mas é o melhor ataque que vai ter nesses três anos é sua chance de mostrar serviço. É seu terceiro ano na liga e ele tem 25 anos, então não é como se estivesse atingindo seu limite agora, mas a falta de produção em um terceiro ano seguido no meio de um sólido grupo ofensivo vai começar a levantar questões.

O lado negativo é que montar essa boa, jovem e sólida base no ataque significa que o Titans passou essa offseason sem fazer nenhuma mudança significativa em uma defesa que terminou 25th overall na NFL e foi a mais vazada do campeonato. O time só trouxe reforços para a defesa na terceira rodada do Draft (um CB e um OLB que devem ter pouco impacto como calouros) e mais Bernard Pollard depois de ter sido chutado do Ravens, um bom role player que ajuda mas dificilmente vai ter um grande impacto numa defesa tão ruim (que ainda não enfrenta o Patriots). Embora essa defesa não tenha sido a pior ajustada, vale destacar que foi a unidade que mais cedeu pontos enfrentando um calendário bastante fácil (apesar do azar recuperando fumbles, 37.8%, uma das piores marcas da liga, ainda é bem ruim). Eles foram mal em 2012 e, apesar de uma certa melhora ao longo do ano, ainda é um enorme ponto fraco que um calendário consideravelmente mais forte em 2013 vai expor. A opção do Titans de focar os reforços no ataque foi inteligente considerando a necessidade de desenvolver Locker em um bom titular, mas o custo para isso foi mais um ano com uma defesa ruim.

Outro problema é que existem alguns fatores indicando que o Titans seja ainda pior. Tirando seu grande azar recuperando fumbles (38%, um ponto positivo pelo menos) Tennessee acabou superando boa parte dos indicadores de performance, terminando com uma Pythagorean Expectations de 5-11 e sendo um bom time em jogos decididos por uma posse de bola (4-3). Se quiserem ficar técnicos, o Titans teve a terceira pior eficiência ajustada da Liga (per Football Outsiders), então mesmo sendo um time ruim ano passado, eles foram ainda piores do que seu record indica, e isso sem levar em consideração um calendário bastante fácil que vai ficar mais difícil em 2013. 

Então sim, o Titans teve um plano inteligente nessa offseason de reforçar seu ataque para desenvolver o que esperam que seja o futuro da franquia. Conseguiram, e agora depende de Locker dar o seu salto de produção. O ataque vai ser melhor em 2013, mas eu não tenho certeza se o time vai ser melhor. A defesa continua muito fraca e o time tem um potencial natural de regressão, sem falar um calendário muito mais difícil que inclui jogos contra a NFC West. Simplesmente não vejo o Titans sendo um bom time em 2013, mantendo o 6-10 ou até caindo para 5-11 dependendo das circunstâncias. Mas tudo bem porque Tennessee está montando um time para depois disso, e esse foi um bom começo. E se conta como consolo, vai ser um dos times mais assistidos aqui no Brasil porque possuem (possivelmente) o primeiro brasileiro a jogar na NFL em Maikon Bonani.