Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Recolhendo os cacos: NFL Divisional Round

Super Kap dando o troco no Panthers


Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem! O tema do próximo será playoffs, então aproveitem para enviar seus emails!


No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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Semana passada, tivemos que correr um pouco para conseguir cobrir tudo que a NFL estava nos oferecendo. Então falamos rapidamente da rodada de Wild Card que tinha passado, e fizemos dois previews para os jogos do final de semana, para falar dos jogos de sábado e dos jogos de domingo. Ta tudo ai para você ler e pensar "o que, esse animal achou que o Colts ia ganhar?! No que ele estava pensando?!" (em minha defesa, foi a primeira vez em nove anos que a segunda rodada dos playoffs não teve uma zebra de pelo menos 4 pontos. Eu quis apostar em uma zebra, e apostei na que tinha Andrew Luck e enfrentava a pior defesa).

Mas deixando isso tudo no passado (btw, ainda estou 6-2 nos playoffs!), e deixando as duas finais de conferências que foram um presente dos céus ainda no futuro (sério, se um fã de NFL imparcial fosse escolher as Finais de Conferência ideais em Setembro, ele escolheria essas duas), vamos dar uma olhada em alguns fatores importantes ou interessantes que chamaram minha atenção nos jogos (um tanto decepcionantes) desse final de semana. Já aviso também que vou dar mais espaço aos times eliminados e ao que rolou de importante no jogo em si do que nas coisas que os times podem carregar para o futuro, porque essas últimas terão um espaço maior nos previews da rodada.

Em tempo: Somos um blog moderno que temos uma página no facebook agora! Entrem lá e curtam nossa página, vamos usá-la para informar de quaisquer novidades (bem como posts novos, promoções, avisos, etc) e postar coisas mais rápidas ou curtas que não teriam espaço aqui no blog.


New Orleans Saints 15 vs 23 Seattle Seahawks


Jogando como uma zebra

Quando seu time entra em uma partida com um spread de +8, isso é um sinal seguro de que poucas pessoas esperam que você ganhe. Na hora de criar um spread, os modelos de Vegas criam uma simulação de quantas vezes um time deve vencer uma dada partida, e quanto menor a chance de um "azarão" vencer um dado jogo, maior vai ser o seu spread. Um spread de +8 indica que os modelos de Vegas esperam que você vença seu jogo apenas 25.8% do tempo, e a realidade pode ser ainda mais complicada: na história da NFL, apenas 18.3% dos times que foram zebras por exatos 8 pontos conseguiram vencer suas partidas. Desde 2004 (quando as regras começaram a mudar e favorecer o jogo aéreo), as porcentagens tem sido mais favoráveis, mas ainda abaixo do esperado: apenas 12 dos 58 times desfavorecidos por oito pontos conseguiram vencer suas partidas, 20.7%.

Claro, você não precisa ser um especialista em estatística ou em Vegas para saber que o Saints era uma grande zebra nessa partida. O Seahawks foi provavelmente o melhor time da temporada regular, terminando #1 em DVOA por uma larga margem, 20 pontos percentuais na frente do Saints (um respeitável quarto lugar). Além disso, o Saints ainda tinha que jogar em Seattle, que possui a maior home-field advantage da NFL desde que abriu o Century Link Field, um lugar extremamente barulhento com uma torcida fanática. Considerando ainda que o Saints não terminou tão bem a temporada regular (caindo para 7th em DVOA ajustado), era claro que o Seahawks ia ser o franco favorito.

A questão é que quando você está em uma situação tão desfavorável, você tem que saber que sua margem de erro é muito menor. Você tem chance de vencer, sempre, mas para isso você não só precisa ter um bom plano de jogo e tudo mais, você também precisa executar isso de forma muito mais eficiente do que normalmente, evitando todo tipo de erros e dando a menor janela possível para seus adversários tirarem vantagem. Eles já estão em vantagem em relação a você, então você tem que fazer de tudo para evitar criar ainda mais.

E foi exatamente isso que o Saints não fez, e foi isso que custou ao time o jogo. O plano de jogo da equipe, quando começou a partida, era bem claro (e foi, inclusive, o que eu disse no preview): correr bastante com a bola para encurtar as descidas, controlar o relógio e não expor Drew Brees a excelente secundária de Seattle. Sean Payton até incluiu um truque interessante: alinhar seu ataque em muitas formações de apenas um WR (uma formação que o time quase nunca usa, mas que times como SF e Arizona tiveram muito sucesso contra Seattle) para neutralizar a secundária do adversário e forçar um CB (em geral Richard Sherman) e ficar marcando um TE próximo da linha. E na verdade o Saints executou muito bem seu plano de jogo, correndo para 106 jardas só no primeiro tempo, controlando o relógio e deixando Brees lançando pouco.

Mas não importa o quão bom for seu plano de jogo, você não vai conseguir vencer um time como o Seahawks em casa cometendo tantos erros e dando tanta margem para seu adversário aproveitar. A primeira campanha do Saints terminou com Mark Ingram soltando um screen pass que deveria ser para uma conversão de 3rd down tranquila, e em seguida, Thomas Morstead deu um punt de 16 (não, sério, 16) jardas que deu a Seattle a bola na linha de 40 jardas do campo de ataque, que rendeu ao Hawks um FG... depois que o safety de NO recebeu uma falta pessoal de 15 jardas em uma 3rd and 11. A campanha seguinte, New Orleans fez um bom trabalho movendo a bola e chegando no campo de ataque, mas o kicker Shayne Graham errou um FG de 45 jardas (mais sobre isso em um minuto). Depois de outro FG de Seattle, o Saints recuperou a bola... e duas jogadas depois, Mark Ingram sofreu um fumble recuperado por Seattle na linha de 24 jardas do campo de ataque, dando ao Seahawks uma ótima posição de campo mais uma vez. Dessa vez, Marshawn Lynch aproveitou e transformou isso em um touchdown para fazer 13-0 Seahawks. Algumas campanhas depois, New Orleans chegou na linha de 29 do campo de ataque... para tentar e falhar em converter uma quarta descida. Seattle aproveitou e anotou mais um FG para deixar em 16 pontos a diferença no intervalo, um buraco enorme para voltar fora de casa, em um tempo ruim, contra a melhor secundária da NFL.

No segundo tempo, New Orleans colocou a cabeça no lugar, parou de cometer erros e esse foi um dos motivos que levou o time a conseguir voltar para o jogo, mas o buraco que o time tinha cavado para si mesmo acabou sendo grande demais. Entre o FG errado, o punt e o fumble que renderam a Seattle ótima posição de campo, são 13 pontos que você deixa de ganhar ou dá de presente para seu adversário (e isso sem contar a boa posição de campo após errar o FG ou falhar na conversão de quarta descida). Em um jogo contra uma defesa tão boa, em que você sabe que precisa de cada ponto e oportunidade a seu favor, você não pode cometer tantos erros e esperar sair com a vitória. E mesmo depois que o time improvavelmente conseguiu reagir e recuperar a bola nos segundos finais, o jogo acabou, é claro, com um erro grosseiro do time: Drew Brees fez grande jogada para acertar um passe para Marques Colston faltando 5 segundos, o que significa que o time teria uma última chance de conseguir um Hail Mary da linha de 35 jardas do campo de ataque para tentar empatar o jogo. Só que Colston esqueceu de sair pela lateral para parar o relógio, e ao invés disso tentou um passe lateral horrível que acabou com as chances da equipe de vez. É o tipo de erro mental que destrói um time, e esse aconteceu logo no momento decisivo.

E a verdade é que esse festival de erros do Saints, que deram diversas oportunidades para Seattle, na verdade esconderam um jogo bem ruim do Seahawks (ofensivamente, pelo menos) que poderia ter levado a uma derrota. Russell Wilson teve apenas 9/18 passes para 108 jardas, números péssimos, e até a corrida final de Marshawn Lynch o ataque terrestre conseguiu apenas 4.2 jardas por corrida (não ruim, mas não ótimo). Era tudo que o Saints queria quando se preparou para essa partida, e poderia ter levado a um resultado diferente se o time visitante conseguisse se controlar e se ater a um jogo mais eficiente. Você pode cometer alguns erros quando é o favorito, mas é difícil demais ganhar um jogo tão desfavorável se você continua dando chances ao adversário. E foi por isso que o Saints perdeu.

Dificuldades técnicas

Um outro ponto que acabou muito custoso ao Saints nessa partida foi, bem, o trabalho do seu técnico.  Eu gosto muito do Sean Payton como técnico, acho ele um dos melhores da NFL e um dos grandes motivos pelos quais o Saints voltou aos playoffs em 2013, mas o trabalho dele nesses playoffs deixou muito a desejar. Ele quase custou ao seu time a partida contra o Eagles com algumas decisões incompreensíveis (a mais maluca talvez fosse correr com a bola em uma 3rd and 11 próximo de FG range quando ainda faltavam 13 minutos no relógio e o time estava apenas 6 pontos na frente. A corrida não chegou em FG range, o time foi para o punt, e o Eagles eventualmente viraria a partida aproveitando essa burrice), mas contra o Seattle a margem para erro era ainda menor e portanto suas decisões acabaram custando ainda mais caro.

Você poderia questionar também se foi uma boa idéia Payton segurar tanto o braço de Drew Brees até o jogo já estar 16-0 - ele não lançou uma bola que passou da linha de scrimmage até o segundo quarto, e só lançou uma bola para um não-RB na mesma altura - mas além desses detalhes, o que chamou minha atenção foi como ele lidou com situações complicadas de quarta descida.

A primeira foi o já mencionado FG errado por Graham. Na situação, o Saints estava enfrentando uma 4th and 4 na linha de 27 jardas do campo de ataque, o que nos da um FG de 45 jardas. Claro, em um vácuo, o FG era a decisão comum. É uma distância confiável para um bom kicker, e é difícil converter uma 4th and 4 contra uma defesa tão boa quanto a do Seahawks, então você pode garantir os pontos - ainda que a 4th Down Calculator indique que você tem mais a ganhar tentando a conversão. O problema é que o jogo não acontece em um vácuo, e sim em um estádio onde estava chovendo e ventando muito, e o pior, ventando contra o chute de Graham. Esse mesmo vento já tinha influenciado o punt de 16 jardas do Morstead, e portanto era claro que a chance de acertar um FG dessa distância era muito menor nessas condições, o que faria a tentativa de conversão ser a decisão lógica (ainda mais considerando que um FG errado da ao adversário uma posição de campo melhor). Mas Payton, normalmente muito agressivo, decidiu chutar, e o chute de Graham não tinha a menor chance de entrar desde o momento que saiu do chão.

Pouco depois, no segundo quarto, o Saints se viu em situação semelhante. 4th and 4 na linha de 29 jardas do campo do Seattle, um FG de 47 jardas. Dessa vez, Payton tentou a conversão e não o FG, e Michael Bennett (o melhor jogador em campo) pressionou um arremesso ruim de Brees que acabou incompleto. Eu realmente não tenho nenhum problema com essa conversão: o time perdia por 13 (então precisava do máximo de pontos possíveis contra uma ótima defesa), as condições não eram favoráveis a um chute, e o 4th Down Calculator indica que você tem mais a ganhar indo para a conversão (e isso antes de levar em conta o quão difícil seria tirar a vantagem no segundo tempo contra a defesa do Seahawks). Então foi uma boa decisão. A questão é que se você acha o FG vantajoso para 45 jardas contra o vento, porque você vai achar um FG de 47 jardas A FAVOR do vento pior? Claro, a situações eram diferentes, mas se tem uma que faz mais sentido ir para o chute é a segunda. As situações eram diferentes, por isso digo que ele fez certo em tentar a conversão, mas só torna a primeira ainda mais inexplicável (e custosa).

Por fim, Payton teve outra decisão em 4th down para tomar no final da partida. Faltando 4 minutos e perdendo por 8, o Saints teve uma 4th and 15 da linha de 30 jardas do campo do Seattle. O FG seria de 48 jardas e sem dúvida ajudaria o Saints em sua busca pela virada, e uma conversão de 15 jardas contra essa defesa sem dúvida tem uma chance de sucesso muito pequena, de forma que não era a melhor opção. O FG seria o mais simples... de novo, se não fosse o vento. O vento voltou muito forte no quarto período, e mais uma vez estava contrário ao chute de Graham. 48 jardas com vento é um chute extremamente difícil, e Graham já tinha errado um em condições pouco menos desfavoráveis. A chance do FG entrar, embora seja difícil precisar, com certeza era muito baixa - tanto que assim que o FG foi chutado, ele já desviou para muito longe do alvo e nunca sequer chegou perto do Y. Então considerando a baixíssima probabilidade de certo no FG e a ótima posição de campo que você da ao Seattle em caso de erro - Lynch anotou o TD quatro jogadas depois - porque você iria tentar o FG? Mesmo que achasse que uma 4th and 15 teria uma chance de insucesso semelhante, porque não ir para o punt e tentar colocar Seattle na sua linha de 10? Com vento forte é mais difícil passar a bola, e assim você aumenta suas chances de recuperar a posse com tempo no relógio e o placar inalterado. O FG errado deu a Seattle grande posição de campo, e sabemos como isso acabou. Se enfrentando um jogo tão difícil você tem que minimizar seus erros, então a atuação de Sean Payton não ajudou.

Indianapolis Colts 23 vs 43 New England Patriots


É fácil (e errado) colocar a culpa em Andrew Luck

Então o Colts tomou uma surra do Patriots e foi eliminado dos playoffs. E claro, como sempre acontece, todo mundo teve que correr para achar alguém em colocar a culpa. A simples lógica de "venceu o melhor time, que entrou com o melhor plano de jogo e executou esse plano melhor" parece não ser boa o bastante, então todo mundo precisa de um bode expiatório. E foi ai que muita gente se voltou contra Andrew Luck.

O QB do time perdedor sempre está sujeito a levar a culpa. E no caso de Luck, muita gente correu para apontar que ele tinha lançado quatro interceptações (sete em dois jogos) e que isso prejudicou sua equipe, e todo tipo de derivação dessa narrativa que vocês podem imaginar. Claro, sempre é ruim quando seu QB está lançando interceptações. Uma, logo na primeira campanha do jogo, deu a bola ao Patriots na linha de duas jardas e um TD na jogada seguinte. Outra (que não foi culpa sua e veio depois do fulback soltar um passe curto) evitou que o Colts aproveitasse um safety em um punt bizarro.

O problema desse raciocínio é colocar em um contexto de jogo como essas interceptações ocorreram. O Colts entrou em campo procurando explorar a grande fraqueza de New England, sua defesa terrestre, e para isso precisou correr muito com a bola, especialmente pelo meio da linha defensiva de seu adversário. Bom, não funcionou - os dois guards de Indianapolis tiveram péssimas atuações, Donald Brown foi mal com a bola nas mãos, e isso significou basicamente que o time não conseguiu encurtar as descidas e precisou que seu QB convertesse todo tipo de jogada longa a cada campanha. Não ajuda que a defesa de Indianapolis se tornou apenas a segunda da história da NFL a tomar jogos consecutivos de 40 pontos, o que diminuiu ainda mais a margem do Colts para gastar o relógio e fez  o time precisar ainda mais do jogo aéreo.

Em outras palavras, para o Colts se manter no jogo, eles precisaram que Andrew Luck os mantesse lá sem ajuda de um jogo terrestre. Para piorar, com Reggie Wayne machucado, o Colts só tinha um recebedor bom no seu time (TY Hilton), e a defesa do Pats fez seu plano de jogo exatamente para tirar Hilton do jogo, sabendo que Luck ficaria sem outras opções. Então o resultado não foi agradável para Andrew Luck, que teve que jogar praticamente sozinho, o dia todo, atrás no placar, precisando acertar passes para recebedores que não estavam muito livres ou com um bom espaço para poder avançar. A falta de separação que seus WRs e TEs conseguiam obrigava Luck a colocar cada bola em um espaço pequeno cercado de defensores. Então é claro que alguns arremessos de Luck foram ruins e acabaram nas mãos dos defensores, mas é isso que acontece quando você não tem alternativa senão ficar forçando esses passes o jogo todo. Pouquíssimas vezes Luck teve o luxo de lançar para um recebedor que tinha espaço, e na maioria das vezes era um WR com dois defensores em volta pegando uma bola colocada exatamente no alcance das suas mãos e fora do alcance do defensor. Como você pode culpar alguém por isso?

A verdade é que se não fosse Luck mantendo o Colts na partida com arremesso ridículo atrás de arremesso ridículo o jogo todo (alguns entre os mais bonitos que eu vi na temporada inteira), o jogo teria acabado muito antes e Indianapolis não estaria ainda com chances no meio do terceiro período. Como disse alguém no twitter, não teve nada mais emocionante nesses playoffs do que ver Luck lançando para algum jogador fora da tela da TV. Ganhou o melhor time, o mais bem preparado e o mais experiente, mas não tenham a menor dúvida: o Colts perdeu apesar de Andrew Luck, não por causa dele.

O lixo de um é o tesouro do outro

Só por diversão, temos dois RBs desse final de semana:

RB A - 24 corridas, 166 jardas, 4 TDs
RB B - 3 corridas, 1 jarda, 0 TDs

Os dois RBs foram trocados recentemente de seus times antigos para os atuais. Um custou uma escolha de primeira rodada. Outro custou uma escolha de sétima rodada. Tempo!!

Claro, todo mundo já deve saber a essa altura que o RB A, LeGarrette Blount, foi o que custou a escolha de sétima rodada e o RB B, Trent Richardson, foi o que custou uma escolha de primeira rodada. Esse é o parte de porque o Patriots tem um time tão bom e competitivo a tanto tempo: eles são excelentes achando talentos sub-valorizados a preços baixos (Blount ganha um salário mínimo, btw) e tirando o máximo deles colocando-os em um contexto favorável e um plano de jogo inteligente, e foi o mesmo com Blount, que foi chutado de Tampa Bay mesmo correndo para 1000 jardas como calouro para se tornar o RB #1 de um time como o Patriots. Enquanto isso, o Colts pagou um preço altíssimo em inflacionado por um jogador com mais "status" e que nunca tinha feito nada para mostrar que era um bom jogador.  Um foi uma operação de baixo risco que rendeu ótima recompensa, outro foi uma troca de altíssimo risco que até agora foi um fiasco homérico. O Patriots ri com seu sucesso, enquanto o Colts vai ter que montar um time ao redor do seu excelente QB sem poder contar com essa escolha valiosa. Esses erros e sucessos contam e muito para o sucesso de cada equipe na NFL.

San Francisco 49ers 23 vs 10 Carolina Panthers


A ascensão e queda de Riverboat Ron

Uma das histórias mais divertidas da temporada foi a transformação de Ron Rivera em Riverboat Ron. Ron Rivera era um dos técnicos mais conservadores da NFL, um cara que se recusava a pensar de forma alternativa e tentar conversões curtas mesmo tendo Cam Newton e três bons RBs a sua disposição. Esse pensamento retrógrado causou muitas derrotas aos seus times ao longo dos últimos anos, e também foi bastante prejudicial para Carolina no começo do ano, de forma que até escrevi sobre isso em uma coluna depois da semana 2. Mas em algum momento ao longo da temporada, inexplicavelmente (eu assumo que envolveu uma experiência de quase morte e sonhos com espíritos), Rivera entendeu que estava prejudicando seu time com isso, e decidiu que iria se tornar o técnico mais agressivo da NFL. De repente, o Panthers estava indo para todo tipo de 4th and 1 e 4th and 2 durante os jogos, convertendo um número ridículo dessas jogadas e tendo grande sucesso com essa agressividade. Rivera até se deu o apelido de Riverboat Ron para simbolizar sua transformação, e não tenho dúvida de que essa transformação teve papel importante na grande temporada do Panthers.

Domingo, no seu primeiro jogo de playoffs como técnico do Panthers, Riverboat Ron teve uma chance de mostrar seu novo e mais agressivo eu. Depois de uma 1st and goal da linha de 6 jardas e duas corridas de Mike Tolbert e Cam Newton, o Panthers se viu em uma situação de 3rd and 1 para anotar o TD. Tolbert correu com a bola e foi parado para nenhum ganho, criando uma 4th and 1 e uma clássica situação de Riverboat Ron.

A decisão de Rivera aqui deveria ser clara como água: ele tem que tentar o touchdown. Não tem nem muito o que discutir. Você tem um dos melhores ataques de curta distância da NFL e o melhor QB de curta distância da NFL, e anotar o TD te da quatro pontos a mais do que um FG. A 4th DQ diz que um time vai converter na média 68% dessas jogadas, o que dá ao time uma expectativa de anotar 4.8 pontos ao tentar a conversão, enquanto ganha apenas 3 chutando o FG. Além disso, existe um benefício oculto em tentar a conversão que muita gente ignora: mesmo em caso de falha, você ainda vai ter seu adversário preso na linha de meia jarda, uma situação muito difícil que pode render um safety para a defesa, ou pelo menos uma boa chance de recuperar a bola em grande posição de campo (especialmente em uma defesa tão boa como a de Carolina). Considerando ainda que esse era um jogo entre duas defesas muito fortes e que anotar TDs seria difícil, você tem ainda mais motivos para aproveitar essa chance que pode ser a única. Então Rivera estava 100% certo quando alinhou para tentar a conversão.

Apesar da boa chamada, Newton foi pego na linha de meia jarda e o Panthers saiu sem o TD. Mas tudo funcionou mesmo assim, porque como já disse é a vantagem de tentar a conversão: o 49ers não conseguiu nada da linha de meia jarda (quase sendo interceptado), na hora de ir para o punt o time alinhou em uma formação mais conservadora que o normal (por conta da falta de espaço para evitar um bloquei), o que deu bastante espaço para o retorno de Ted Ginn até a linha de 31 jardas. No lance seguinte, Cam Newton mandou uma bomba perfeita para Steve Smith anotar o TD, um TD que acabou sendo consequência direta da agressividade do time na 4th down.

No entanto, pouco depois, o Panthers se viu com uma decisão quase igual para Riverboat Ron. Depois de uma corrida de Newton, Carolina esteve em uma 2nd and goal da linha de 1 jarda. Newton tentou um scramble que não deu em nada na 2nd down, e Tolbert foi parado novamente na linha de uma jarda na terceira descida, criando mais um 4th and goal da linha de uma jarda. Mas dessa vez, provavelmente por conta dos seus insucessos nessas situações na partida, decidiu ir para o FG. O PAnthers anotou o FG para abrir 10-6 no placar, mas San Francisco logo recebeu a bola, gastou os 4 minutos restantes na partida para anotar o TD e virar 13-10, e o Niners dominou o resto do jogo a partir desse ponto sem dar chance ao rival.

É difícil dizer que um lance apenas como esse mudou todo o jogo e foi o responsável em transformar um primeiro tempo de total dominação de Carolina em um segundo tempo perfeito de San Francisco, mas é fácil ver que Ron Rivera errou feio ao chutar o FG e o quanto isso custou ao seu time. A lógica para tentar a conversão é a mesma de antes: você tem um bom ataque terrestre, o TD vale muito mais pontos que o FG, e você coloca o ataque adversário em péssima situação caso não funcione. E nesse caso ainda por cima tem a questão do tempo, já que você provavelmente recebe a bola em tempo de tentar uma última campanha sem deixar nada  para o adversário, mais um motivo para tentar o TD. Claro, muita gente vai apontar que foi bom porque o time não vinha conseguindo anotar o TD nessa situação, mas isso é overreact a uma amostra pequena: Carolina converteu 90% das situações semelhantes ao longo da temporada, e a defesa de SF permitiu TDs em 66% de jogadas na linha de uma jarda ao longo dos últimos dois anos. Além disso, tinha a questão da posição de campo e do relógio a serem considerados. Então tentar era uma decisão clara. Rivera ficou com medo e chutou o FG. Carolina anotou os três pontos, mas devolveu a bola para SF na linha de 20 jardas ao invés da de uma jarda, SF anotou o TD para virar o jogo faltando 5 segundos e foi para o vestiário na frente, 13-10, em um primeiro tempo dominado por Carolina, e o time nunca mais olhou para trás.

Os cenários que Rivera deixou de considerar são um bom exemplo de porque ele errou. Se o TD é anotado, o time abre 14-13 e iria para o vestiário em vantagem mesmo após o TD de San Francisco. Se a conversão é falha, San Francisco começa da linha de uma jarda, provavelmente vai para o punt, e Carolina ainda teria tempo de tentar um FG ou mesmo um TD, indo para o vestiário na frente 7-6 ou mesmo 10-6 ou 14-6. Ao invés disso, foram para o intervalo perdendo de 13-10, algo que poderia ser evitado se Riverboat Ron tivesse falado mais alto na lateral. Ao invés disso Rivera ficou com medo pelo seu insucesso anterior, esqueceu um fator importante que fez do seu time tão bem sucedido, e seu time pagou o preço.

A diferença que um treinador faz

A falha de Rivera em ser Riverboat Ron custou ao seu time no final do primeiro tempo, e coincidentemente ou não, foi o momento que o jogo mudou (SF iria ganhar o jogo por 17-3 a partir daquele ponto). Mas teve outro motivo para essa mudança drástica, e também teve a ver com técnicos. Dessa vez, com Jim Harbaugh e Vic Fangio.

Um dos motivos pelos quais o Panthers foi tão bom no primeiro tempo, especialmente no ataque, foi porque eles pegaram o Niners desprevenido em seu plano de jogo. Assim como ano passado SF pegou Green Bay de surpresa com o read option, Carolina também incluiu em seu plano de jogo uma série de pequenos ajustes e formações diferentes que tinha usado pouco durante a temporada regular e que, certamente, não estavam nos vídeos estudados pelo Niners. Ao invés do pacote pesado de corridas, o time usou muitos disfarces para deixar Cam Newton a vontade no pocket e pegando a defesa desprevenida nas laterais. O time também usou alguns read options para correr com a bola e também, menos comum neles, para fazer simples play actions e deixar seus WRs velozes no mano-a-mano contra a secundária desfalcada de SF. A defesa não estava esperando isso, e Carolina aproveitou para fazer seu ataque funcionar (menos na linha de uma jarda).

Mas no intervalo, especialmente com a vantagem proporcionada pelo erro de Riverboat Ron, o Niners fez seus ajustes. Ofensivamente, o time pouco fez de excepcional, alguns ajustes na proteção e mais lançamentos na direção de Anquan Boldin (especialmente explorando Dayton Florence). Mas defensivamente, o time voltou preparado para o novo plano de Carolina. Com a vantagem (que subiu para 20 na primeira campanha ofensiva do time) e maior confiança na sua defesa terrestre, o time começou a ser muito mais agressivo ofensivamente, mandando muitas blitzes de diferentes locais e pressionando os CBs na linha de scrimmage, tirando a opção dos passes curtos e rápidos e obrigando Cam Newton a fazer seus passes depois de algum tempo, em geral sem espaço no pocket ou fugindo de um sack. Newton não funciona tão bem nessas situações, ainda tem alguns hábitos ruins (especialmente lançar a partir do pé de trás) e não tem a criatividade e precisão de Wilson ou Aaron Rodgers. Muitas vezes ele tentou ganhar tempo no pocket esperando seus WRs ficarem livres para logo ser engolido pelo pass rush, e quando tentou sair pouco espaço teve para fazer qualquer coisa. O read option parou de funcionar e foi abandonado, e ai o Panthers teve que voltar para seu plano tradicional, que não teve sucesso contra uma fortíssima defesa. A maior diferença foi a pressão gerada, com cinco sacks só no segundo tempo em cima de Cam (contra apenas um no primeiro). O ataque de Carolina não iria mais ameaçar o resto do jogo, o ataque terrestre de SF começou a achar espaços, e o time carimbou sua viagem a Seattle. Então nunca subestimem a importância dos ajustes dentro de jogo dos técnicos. O 49ers ajustou brilhantemente, e Carolina não conseguiu responder.

Em tempo, já que o assunto é a importância de um técnico, San Francisco passou 8 anos sem sequer ir aos playoffs, ganhando 7, 2, 4, 7, 5, 7, 8 e 6 jogos entre 2003 e 2010. No ano seguinte chegou Jim Harbaugh, e San Francisco ganhou 13, 11.5 e 12 jogos nos três anos seguintes, chegando a três finais de conferência consecutivas. Um bom lembrete sobre o impacto que um bom técnico pode ter, para todos os times que estão mudando seus técnicos nessa offseason.

San Diego Chargers 17 vs 24 Denver Broncos


Quando tudo da certo, e você não aproveita

Um primo próximo do que falamos sobre o Saints, sobre como quando você enfrenta um adversário que é franco favorito você não pode continuar dando a ele presentes e oportunidades para causar estrago. A situação do Chargers, embora semelhante, não é a mesma. Se o Saints deu oportunidades ao adversário e não podia, o Chargers foi o time que recebeu diversas oportunidades (uma parte delas menos por causa de erros do Broncos e mais por pura sorte) para tentar a zebra, mas não conseguiu aproveitar. E as duas são mortais, lembrando que San Diego era +9.5 para esse jogo - isso significa que esperam que você vença 22.2% do tempo apenas (curiosamente, na história da NFL, times + 9.5 venceram 22.1% das vezes antes desse jogo).

Deixando de lado um instante a má atuação do Chargers durante os primeiros 40 minutos de jogo e a boa atuação da defesa do Broncos, a verdade é que o placar deveria ser muito mais elástico do que foi. O Broncos foi o time que vacilou ao longo da partida, as vezes por más jogadas, as vezes por puro azar. O que eu falei que o Saints não podia fazer com o Seattle, o Broncos fez um pouco aqui. A questão é que o Chargers não transformou isso em nada.

Logo na primeira campanha do Broncos (após uma boa campanha de SD terminar em um sack e um punt), Peyton Manning teve a bola na linha de 29 do campo de ataque e tentou achar um Wes Welker em velocidade na end zone. Mas o passe foi muito ruim e sem controle, e ficou pendurado tempo o suficiente para o CB Shareece Wright cortar a rota do passe e se colocar em posição para conseguir uma interceptação. A bola foi perfeito no meio do peito de Wright, que não conseguiu segurar e fazer a interceptação. Algumas jogadas depois, Manning transformou o erro de Wright em 7 pontos com um passe para Demaryius Thomas. Depois de outro punt, Chargers teve uma nova chance: em um passe esquisito para Julius Thomas, o TE de Denver não conseguiu controlar a bola direito, tomou um tackle e soltou a carne, que foi recuperada por San Diego. No replay é quase impossível ver com certeza se foi fumble, down by contact ou passe incompleto, então permaneceu a marcação original, para sorte do Chargers. De novo, o time não aproveitou a boa posição de campo (linha de 45): o time avançou 26 jardas antes de Philip Rivers tomar um sack, e Nick Novak errar o FG. Então San Diego poderia ter evitado os 7 pontos de Denver e/ou anotado mais pontos seus com esse fumble sortudo, mas ao final dessas campanhas, o placar ainda era 7-0 para Denver. Aproveitando a boa posição de campo do FG errado, Manning logo anotou outro TD para fazer 14-0, um 14-0 que o Chargers teve a chance de evitar ou fazer algo melhor e não aproveitou.

Mas espera, tem mais. Faltando 3 minutos para o fim do primeiro tempo, o Broncos recuperou a bola novamente e se lançou em uma campanha. O time chegou dentro da linha de 5 jardas, mas na terceira descida, um bom passe de Manning para Eric Decker não foi seguro pelo WR, pipocou no ar, e Donald Butler  fez ótima jogada na bola pendurada para conseguir com uma interceptação, salvando assim pelo menos três pontos. Com 30 segundos e dois tempos para pedir, San Diego preferiu ajoelhar na bola mesmo sabendo que ela começaria com Denver no segundo tempo. Logo no retorno, Eric Decker quebrou seis tackles e tinha caminho livre até a end zone, mas tropeçou sozinho e caiu na linha de 40 jardas. Logo depois, Manning fez passe lindo para um livre Wes Welker na end zone, que deixou a bola cair e forçou o FG de Denver. Então o que deveria ter sido 10 ou mesmo 14 pontos para Denver acabou resultado em apenas três, por pura sorte e pela boa jogada de Butler. Pouco depois, Matt Prater ainda erraria um FG de 47 jardas.

Eventualmente no quarto período, Philip Rivers e o ataque do Chargers acordou, anotou 14 pontos porque a defesa do Broncos inexplicavelmente decidiu que não precisava cobrir Keenan Allen e ainda recuperou um onside kick milagroso para trazer a diferença para sete pontos, antes de Manning tirar o jogo de alcance com dois passes cruciais em terceiras descidas (uma em 3rd and 18). O Chargers chegou perto de conseguir uma grande zebra, mas a verdade é que o jogo não foi nem tão apertado como pareceu pelo que os dois times jogaram, e também não é difícil ver aonde o Chargers não conseguiu. O Broncos e o acaso deram várias oportunidades para o Chargers, e eles não aproveitaram. Tiveram uma interceptação na mão para evitar 7 pontos do Broncos e não conseguiram. Recuperaram um fumble em grande posição de campo, não geraram pontos e ainda deram boa posição para o Broncos anotar mais sete. Conseguiram sair de alguma forma tomando só 3 pontos quando deveriam ter tomado 14, e mesmo assim só foram anotar um TD no quarto período.

Se o Saints nos ensinou que quando você quer superar um time superior você não pode continuar atirando no próprio pé e dando chances ao adversário, então o Chargers é um exemplo de como você também não pode deixar passar todas as chances que colocam nas suas mãos, senão o buraco fica grande demais para sair depois. O Chargers não conseguiu, e é por isso que a Bolo Tie não está indo para New England semana que vem.

domingo, 12 de janeiro de 2014

NFL Divisional Rounds, Parte II - Domingo

"É o poder da gravata, cara!"



Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem! O tema do próximo será playoffs, então aproveitem para enviar seus emails!


No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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Ontem, tivemos a Parte I falando dos jogos de sábado nos playoffs da NFL, Saints vs Seahawks e Colts vs Patriots. Hoje, sem delongas, vamos para a Parte II cobrindo os jogos de domingo.


San Francisco 49ers at Carolina Panthers (San Francisco favorito por 1 ponto)


Embora essa linha, favorecendo o time que joga fora de casa e que perdeu o duelo entre esses dois na temporada regular (mais disso em um minuto), gere alguma estranheza, é bom lembrar que a linha inicial de Vegas era -1 Panthers e que foi mudando conforme as apostas iam entrando. Então não tentem ler muito nisso.

Mas enfim, essa é a reedição da partida da semana 10 entre Niners e Panthers no Candlestick Park (SF), um dos jogos mais defensivos e físicos de toda a temporada. O resultado reflete exatamente o quão "feio" (não no sentido de mal jogado e falta de talento) e defensivo foi: 10-9 para Carolina, com Graham Gano errando um FG mais cedo no jogo, mas com o Panthers recuperando 4 de 5 fumbles, inclusive dois seguidos na sua campanha decisiva. Não fica mais apertado do que isso, uma excelente amostra do quanto esses dois times são extremamente parelhos. E, para ser sincero, extremamente parecidos.

Ambos os times seguiram o mesmo modelo de futebol americano rumo a um record 12-4. Para começar, ambos os times apresentam uma defesa fortíssima como seu ponto central. A defesa do Panthers cedeu 4.9 jardas por jogada (4th da NFL) e a do Niners 5.0 por jogada (8th melhor), com cada uma forçando 30 turnovers. As duas também contam com um excelente trabalho da sua linha de frente para parar a corrida (3.9 jardas por corrida contra a defesa de SF, 4.0 contra a de Carolina) e, principalmente no caso de Carolina, gerar pressão no QB adversário. São duas unidades extremamente físicas e agressivas que causavam pesadelos para os adversários, e é por ai que ambos os times começam vencendo seus jogos. A defesa do Panthers terminou a temporada #3 em DVOA e, embora a do Niners tenha terminado #13, isso se deveu ao fato de que o time esteve sem dois dos seus três melhores jogadores (Patrick Willis e Aldon Smith) durante boa parte do começo da temporada: Aldon perdeu cinco jogos e jogou tantos outros abaixo do seu normal, enquanto Willis perdeu dois e jogou vários outros no sacrifício (e ainda terminou como o segundo melhor MLB da NFL, per PFF. O melhor? Seu companheiro de time, NaVorro Bowman). Desde que Smith voltou ao time titular na semana 12, a defesa de SF cedeu 6, 13, 17, 14, 24, 20 e 20 pontos para seus adversários, forçando nove turnovers. Então são duas defesas de elite que vão tornar as vidas dos ataques extremamente difíceis.

Do outro lado, temos dois ataques muito explosivos... e extremamente inconsistentes. Ambos os times foram desenhados para correr muito com a bola, com o Panthers terminando o ano como o 11th time com mais jardas terrestres na temporada (a 4.2 por corrida) e San Fran como o 3rd (4.4). Em DVOA, levando em conta o nível dos adversários enfrentados, o Panthers também aparece como o quarto melhor ataque terrestre do ano. O problema é o ataque aéreo, onde Colin Kaepernick e Cam Newton, apesar de extremamente explosivos e talentosos, tem sido bastante inconsistentes. Ambos são extremamente móveis, grandes corredores capazes de escapar de sacks para grandes ganhos e com braços fortes que podem destruir uma defesa, mas também tiveram dificuldade ao longo da temporada mantendo o nível e a consistência, mesclando grandes performances dominantes com jogos extremamente apagados. Esse foi um problema para ambos, mas particularmente com o Panthers, que contra times bons com boas defesas anotou 6 pontos (Seattle), 7 pontos (Cardinals), 10 pontos (SF), 13 e 17 pontos (New Orleans), e embora SF tenha jogos de 32 e 23 contra Arizona e 33 contra Tampa Bay para mostrar, também tem jogos de 9 contra Carolina e 3 e 19 contra Seattle no seu resumo.

Então é assim, com times tão semelhantes e matchups muito iguais, que ambos os times fizeram um dos jogos mais equilibrados e parelhos da temporada na metade do ano.

Mas é ai que entra a GRANDE diferença desse jogo em relação aquele, e ao que conseguimos ver da temporada regular olhando essas estatísticas que abrangem o ano todo. Carolina foi um time que se manteve mais ou menos constante ao longo do ano, sem grandes mudanças: algumas lesões na secundária no começo do ano forçaram algumas mudanças, mas em geral, era um time montado de uma certa maneira que seguiu assim o ano inteiro, evoluindo e se entrosando cada vez mais. Foi, na falta de uma palavra melhor, um desenvolvimento quase linear, sem grandes desvios. Mas o do 49ers foi tudo MENOS linear, e o que mudou em relação da semana 10 é o que pode fazer a diferença. Em primeiro lugar, a defesa teve a volta de Aldon Smith. Smith jogou duas semanas antes de ser preso por dirigir embriagado e posse ilegal de algum tipo de substância (supostamente analgésicos) e ser internado em uma clínica de reabilitação. Smith só voltou a ser titular na semana 12, desde quando o 49ers não perdeu nenhum jogo. Mas mais importante do que isso, foi quando a defesa do Niners voltou a ser a unidade de elite que era, pressionando o QB sem precisar recorrer a muitas blitzes. A ausência do seu MVP do time de 2012 foi extremamente sentida, e não surpreende que o time tenha melhorado bastante com sua volta.

Além de Aldon Smith, outra figura do Niners esteve fora durante boa parte da temporada e voltou para a reta final. Melhor WR da segunda metade da temporada passada na NFL (estatisticamente, pelo menos), Michael Crabtree estava se recuperando de uma lesão no tendão de Achilles e não voltou para o Niners até a semana 12. Mesmo ainda estando claramente limitado e abaixo do que rendeu ano passado, a sua chegada já teve um impacto importante no jogo aéreo, fornecendo a Kaepernick seu alvo favorito, abrindo linhas de passe e tirando marcação de outros jogadores, e em geral sendo decisivo, especialmente na rodada de Wild Card (8 recepções, 125 jardas). A chegada de Crabtree foi o empurrão que o Niners precisava para seu anêmico ataque aéreo, que terminou com o quarto melhor aéreo (em DVOA) desde que ele voltou ao campo.

Então para mim, se ambos os times foram muito equilibrados na temporada regular, o que pode fazer a diferença aqui é o quanto eles mudaram em relação ao seu primeiro jogo. O Panthers está dessa vez sem Steve Smith, que mesmo não sendo o WR espetacular de outrora, ainda é um jogador muito físico que é o alvo de confiança do Cam Newton em terceiras descidas, e se ele não puder jogar (ou jogar limitado) isso vai ser um golpe duro em um ataque que já tinha problemas contra boas defesas. Do outro lado, o Niners é um time muito melhor hoje do que na semana 10. Aldon Smith trouxe o pass rush de volta a vida, e o ataque de San Fran é mil vezes mais perigoso com Crabtree (e Vernon Davis, que saiu no primeiro quarto do outro jogo com uma concussão) do que foi em qualquer outro momento da temporada. San Francisco, em termos de pessoal, é um time muito melhor do que no primeiro jogo entre os dois, e Carolina deve ser um pouco pior sem Steve Smith. Então daria uma leve vantagem ao 49ers. 49ers 19, Panthers 13.


San Diego Chargers at Denver Broncos (Denver favorito por 9.5 pontos)


Eu realmente não preciso falar muito do ataque de Denver, o ataque que bateu todos os recordes da NFL, incluindo dois por parte do seu QB. Todo mundo já sabe exatamente do que ele é capaz e de como ele é fantástico. Então ao invés disso, vamos falar do que pode ser um problema Denver: sua defesa.

Não que a defesa tenha sido horrível durante a temporada regular. Ela terminou com um sólido 16th em DVOA, basicamente uma unidade média. Mas acontece que ela chegou nesse patamar com duas tendências distintas: enquanto foi uma defesa Top10 contra a corrida, ela foi 21nd apenas contra o passe. E não só isso, mas times como Dallas (470 jardas aéreas) mostraram que essa é uma unidade que pode muito bem ser explorada, especialmente quando a pressão não está chegando e o QB adversário tem tempo no pocket. E em uma nota relacionada, o melhor jogador dessa defesa, Von Miller, está fora dos playoffs, um tremendo golpe para uma defesa que depende muito dele tanto para criar pressão (embora Shaun Philips esteja excelente) como para parar as corridas laterais. Então embora seja um enorme exagero falar que a defesa é uma fraqueza, o fato é que ela pode ser explorada por um ataque competente, e é muito mais fácil bater de frente com essa defesa do que tentar parar o ataque de Denver.

Então se o Chargers quiser sonhar em derrubar o fatorito Denver, é pela defesa que ele vai ter que começar a montar seu plano de jogo. E na verdade, foi por ai que derrubaram o Denver da primeira vez durante a temporada regular. Naquela partida, San Diego correu 44 vezes para 171 jardas, com Ryan Matthews sendo responsável por 124 dessas. Em consequência desse estilo de jogo de correr muito e controlar o jogo, o Chargers ficou com a bola por 38 minutos de jogo (contra menos de 22 do Broncos) e manteve o provável MVP da temporada muito tempo sentado no banco. O Chargers tem um time bom e underrated, mas se quiser ter chance de uma nova surpresa, vai ter que obrigar o Broncos a jogar o SEU jogo, não o que estão acostumados. 

Claro, o ataque não é exatamente o problema com o Chargers. Eles tiveram o terceiro melhor ataque da temporada regular, e o segundo melhor ataque aéreo da NFL. Ryan Matthews, enfim saudável, correu para 1255 jardas em 4.4 jardas por corrida durante a temporada regular. Então não é como se faltasse ao Chargers o pessoal para executar sua tarefa e abusar a vulnerável defesa de Denver. O problema é que para isso você também precisa evitar que o Broncos pontue absurdamente quando seu ataque entra em quadra, e ai que mora o problema: a defesa do Chargers foi a pior da NFL durante a temporada regular. E mesmo que seu ataque cumpra a risca o plano de correr com a bola e deixar o ataque do Broncos fora de campo, isso de nada não adianta se toda vez que Manning entrar ele anotar um TD.

Por isso a defesa do Chargers, e como ela vai se comportar, é a chave da partida. Olhando no agregado da temporada, o Chargers teve a pior defesa da NFL, mas isso se deveu principalmente a um começo de ano ABISMAL desse grupo, historicamente ruim entre as semanas 1 e 12. Mas no final da temporada, com algumas mudanças de pessoal e um Eric Weddle mais eficiente, a defesa conseguiu evoluir para praticamente um grupo na média, e fez um trabalho impressionante nos dois jogos mais importantes que teve, contra Denver e na primeira rodada dos playoffs contra Bengals. Então é fato que a defesa do Chargers vem melhor, mas ser apenas "média" não vai adiantar. Ela vai precisar fazer tudo que fez da primeira vez e que deu certo: pressionar o QB usando todo tipo de blitz stunt surpresa para confundir uma linha pouco experiente, e sinceramente, dar um pouco de sorte como foi o caso no primeiro jogo, com alguns drops e alguns passes ruins. Manter o ataque de Denver fora de campo e sem chance de entrar em ritmo - ainda mais se estiver frio - sem dúvida contribuiu para essa performance ofensiva pouco eficiente e aumentou as chances da sua defesa, então é claro que esse tipo de plano de jogo passa pelo outro lado da bola também. 

Em resumo, o Chargers vai ter que jogar uma partida quase perfeita dos dois lados da bola para ter sucesso. Vai precisar executar esse plano o melhor possível, jogar o melhor futebol americano possível, e incomodar o que puder do melhor ataque da NFL. Não é impossível - o Chargers já fez antes, inclusive - mas acho difícil que o time consiga fazer de novo da mesma forma e com o mesmo nível de eficiência, e em um adversário que não vai ser pego de surpresa. Então fico com a vitória de Denver. Broncos 34, Chargers 24.

Em tempo, sua melhor esperança para apostar no Chargers? Lembra que eu disse ontem que nos últimos oito anos, em sete deles tivemos um time favorito por pelo menos 8 pontos perdendo na rodada divisional dos playoffs? Bom, em três desses sete, o QB que perdeu a partida foi Peyton Manning. Então se quiser a história do seu lado... Só jogando aqui.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Pontos importantes da semana 10 da NFL

As coisas não estão boas para Cutler e o Bears...


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Para o resumo de meio de temporada sobre cada um dos times da AFCclique aqui

Para o resumo de meio de temporada sobre cada um dos times da NFCclique aqui

Também fizemos uma distribuição de prêmios com base na primeira metade da temporada, você pode conferir todos clicando aqui
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Faltam apenas 7 rodadas agora, e cada vez a situação dos playoffs vai ficando menos clara quando deveria ficar mais. Tennessee Titans parecia um candidato ao wild card até perder do Jaguars (!!) e ver Jake Locker sair machucado para o resto da temporada. San Francisco parecia um candidato forte ao título até ser humilhado em casa pela defesa de Carolina. O Colts era um dos melhores times da NFL até tomar de 38-8 em casa do Rams. Mesmo sem querer overreact a uma semana apenas de jogos, afinal todo tipo de bizarrice pode acontecer em um jogo só, é o tipo de coisa que só serve para destruir as poucas certezas que tínhamos na temporada até aqui. Quando parece que estamos chegando a alguma conclusão, a NFL muda tudo. A temporada está mais aberta do que nunca. Então vamos ver alguns dos pontos que chamaram a atenção ao longo dessa rodada, começando com um rápido Mailbag.

Mailbag de terça feira


A idéia dos mailbags não era juntar com o post de terça feira. Eu queria era fazer um post só dele se o número de emails fosse suficiente, ou então caso a quantidade não fosse tão grande juntar com os palpites da rodada de sexta feira. Mas basicamente tudo dependeria mesmo era da quantidade de perguntas disponíveis para serem respondidas.

Essa semana tinha um número razoável, então a idéia era responder junto dos palpites de sexta feira. Mas como fizemos o resumão de meio de temporada, os palpites acabaram ficando para o final de semana e faltou tempo para o mailbag. Então excepcionalmente dessa vez o mailbag foi encaixado aqui no post de terça, mas os futuros mailbags voltarão ao formato normal de um post próprio ou de acompanharem os palpites na sexta feira. Então continuem mandando as perguntas para tmwarning@hotmail.com que a gente vai responder sempre que der.

Por que a contagem de jardas de passes aéreos considera a distância percorrida pelo recebedor? (Isso não ajuda a supervalorizar o papel do quarterback, que já é o principal jogador da equipe, e desmerecer quem realmente, em grande parte das vezes, faz o trabalho pesado?) - Anderson Rodriguez

Acho que tem dois fatores agindo nesse caso. O primeiro é que nem toda YAC (Yards After Catch) é igual. Tem aquele caso que o QB faz um passe curto pro WR para ganhar cinco jardas, e o recebedor faz uma jogada fantástica ganhando mais 40 jardas, que deve ser o que você está pensando. Mas também tem muito time e muito esquema ofensivo que é baseado em abrir espaço pelo campo para que o QB possa achar um WR acelerando através do campo. Nesses casos, é crucial que o QB seja capaz de dar um passe muito preciso, de forma que o recebedor possa receber a bola sem perder velocidade e aproveitar o espaço aberto, e não é nem um pouco fácil fazer esse tipo de coisa: um pouco atrás e o jogador precisa desacelerar para conseguir a bola (perdendo o arranque inicial e a chance de explodir para jardas) e um passe mais forte pode obrigar o recebedor a ampliar a passada e perder estabilidade. Então tem muitos casos onde um passe preciso é um requisito fundamental para o jogador percorrer jardas depois da recepção.

Mas acho que talvez ainda mais importante seja a questão da padronização. A idéia de separar as jardas depois da recepção do QB seria uma forma de "separar" os méritos do QB e do WR na jogada, mas também tem jogadas onde o QB tem mérito e o WR estraga (por exemplo, um passe longo de 40 jardas no colo do recebedor que ele não segura) e ficaria difícil nesse caso você dar as jardas para o QB e não para o WR. Então é uma forma de dividir a diferença e deixar tudo padronizado. Mas algumas estatísticas avançadas - QBR, por exemplo - dão um peso diferente a jardas após a recepção, contando elas com um peso menor do que as jardas que a bola viaja pelo ar. Mas para a estatística básica acho que isso da mais trabalho do que ajuda, é uma forma de simplificar as coisas.


O que falta ao GB Packers (time que "adotei") pra ser realmente considerado ao Superbowl desta temporada (além de voltar todo mundo do DM) já que todo mundo o coloca numa segunda lista atrás de Broncos, Seahawks, 49ers, Colts, e até Chiefs? - Anderson Rodriguez

Bom, no momento o que realmente falta é um QB, porque o Aaron Rodgers está fora pelo menos mais duas semanas e alguns relatos dizem seis. Com uma NFC North muito competitiva e uma briga bem apertada pelo wild card, a situação de Green Bay não parece boa.

Mas o Anderson enviou esse email antes da lesão do Rodgers, então não era exatamente essa a questão. E a verdade é que eu não faço idéia de porque o Packers não era citado entre os melhores times da NFL. Eles possuíam basicamente a mesma coisa que o Broncos em termos de montagem de elenco: uma defesa vulnerável (mas com mais talento que a de Denver), um QB de elite, e um excelente corpo de recebedores, ainda que os de Green Bay estivessem sofrendo diversas lesões. Então realmente é um mistério para mim porque Green Bay estava recebendo tão pouca atenção e sendo considerado um contender inferior aos demais times quando tinha tudo que você precisa para ter sucesso na NFL.

Minha opinião particular: Green Bay não é um time tão interessante do ponto de vista midiático essa temporada. Eles não estão caminhando para um ano histórico como Denver, com uma história de volta por cima como Kansas. Eles não possuem histórias tão interessantes como Tom Brady jogando com um corpo bem ruim de recebedores, ou uma rivalidade para mantê-los relevantes como 49ers e Seattle, nem tiveram um grande jogo contra um bom time para chamar a atenção. Eles simplesmente fizeram o que sempre fazem: consistência, grandes atuações de Rodgers, mesmo um boost do jogo terrestre com Eddie Lacy, mas não foi suficiente para chamar a atenção da grande mídia. Por isso eles acabaram em segundo plano, mas em nenhum momento - ou pelo menos até a infeliz lesão de Rodgers - isso significava que eles fossem um time inferior aos que buscavam o Super Bowl. Pena que agora a temporada pode ter ido por água abaixo, adoro assistir o Packers jogar com Rodgers em campo.


Muito se fala de uma franquia em Londres, até dois jogos de temporada estão rolando por lá.  Mas Vitor quais seriam as chances na sua opinião de uma franquia se transferir para o Canada por exemplo, já que temos times canadenses nas outras três Majors Leagues? O Canada possui uma liga de futebol americano e geograficamente falando é muito mais viavel um time em Toronto, por exemplo, do que um time em Londres. - Fabantas

Eu acho que o principal interesse da NFL em criar um time de Londres é para explorar diretamente o mercado europeu através de um time local, já que existe um interesse disperso no esporte por lá mas que ainda não tem uma via de acesso direto. O problema, obviamente, é a questão da logística: as viagens para Londres são muito mais demoradas e cansativas do que as viagens dentro dos EUA, o que daria um problema de calendário (só times que estão na costa Leste poderiam ir jogar em Londres na semana seguinte), teria que ter possivelmente uma semana a mais de bye para os times que estão voltando de jogar lá, e por ai vai. 

O Canadá não apresenta essas dificuldades logísticas - o Bills até manda alguns dos seus jogos lá - mas também não apresenta as vantagens de mercado. O mercado canadense já é bastante ativo e bem explorado em termos de futebol americano por conta da sua proximidade, então acredito que não haja necessidade de um time localizado lá para efetivar o potencial desse mercado, ele já é bem realizado. Então se o Canadá não apresenta as dificuldades logísticas e geográficas de um time em Londres, ele também não trás os mesmos benefícios que um time inglês traria, e considerando o trabalho e o custo que é realocar um time de futebol americano, acho que a NFL não tem interesse em ter todo esse trabalho para colher um benefício que talvez não seja tão grande.

Então acho que a NFL tem pouco interesse em incentivar uma mudança para o Canadá. Se fosse para acontecer, a iniciativa teria que partir de algum time. Como o leitor "Ases" muito bem comentou, o Bills seria uma possibilidade interessante: eles já mandam alguns jogos além da fronteira, estão perto de Toronto, e poderiam querer um mercado maior do que Buffalo para explorar, e é possível que a cidade de Toronto também tenha interesse em atrair um time de NFL para lá. Então não é como se fosse uma idéia impossível ou mesmo distante, mas os interesses por trás de um time em Toronto e em Londres são bem diferentes.


sei que ainda é cedo pra falar de draft, mas quais times na sua opiniao tem grandes chances em drafitar um QB no 1rst round? minha duvida maior fica por conta dos vikings. Eles (muito provavelmente) terao uma escolha alta, mas a defesa ta uma mãe, sera que vao de qb ou buscarao outro caminho? - Lucas Maia

Bom, acho que depende da disponibilidade. Essa classe de QBs é extremamente profunda, então tem muitos QBs interessantes que devem cair para a segunda ou terceira rodada, então imagino que cada time vá adaptar sua busca por um QB ao que o draft oferecer. Dito isso, se todos os jogadores que podem entrar se declararem de fato para a NFL, a quantidade de talento nele vai ser ridícula, com uns cinco ou seis QBs cotados para sair na primeira rodada, com Teddy Bridgewater e possivelmente Marcus Mariota disputando as primeiras colocações. Entre os times que eu imagino que tenham interesse em pular cedo atrás de um QB, acho que nenhum é mais garantido que o Jaguars, que claramente precisa de um futuro para a franquia e vai ter uma escolha alta.

Depois do Jaguars, não sei se tem nenhum time 100% claro. Cleveland é um time que está a um bom QB de ir aos playoffs e que também seria um fortíssimo candidato a pular em um na primeira rodada. Para mim o Bucs deveria pegar um sem pensar duas vezes, mas como o Mike Glennon é calouro e está bem talvez deixem para a segunda rodada. O Raiders era outro no-brainer algumas semanas atrás, mas Terrelle Pryor tem jogado bem e talvez faça o time pensar duas vezes. O Rams tem a chance de mandar o Sam Bradford embora a metade do custo e tem duas escolhas de primeira rodada, seria um candidato muito forte a fazer uma troca para subir desde que tenham a coragem de realmente mandar o Bradford passear. Vikings, como você disse, é um dos mais fortes candidatos porque a situação de QB lá está ridícula e eles precisam de um reforço para a posição. E agora Bears e Pittsburgh aparecem como opções difíceis mas interessantes caso decidam partir caminhos com seus QBs atuais (Cutler é free agent) nas vésperas de um draft tão cheio de talento. Então a verdade é que tem mais times procurando por um QB do que quarterbacks cotados para sair na primeira rodada, então vai depender dos times que escolhem antes e dos times que seriam mais agressivos com trocas para subir na ordem. Diria que hoje, Jaguars, Raiders, Vikings e Browns seriam os principais candidatos a serem mais agressivos, até porque devem estar alto no draft, mas vai depender de muita coisa até lá.


O que é mais fácil: o time campeão da divisão NFC East acabar a regular season com record negativo ou KC Chiefs ter uma perfect season? - Tiago Rotava

De longe a pergunta mais difícil que eu já tive que responder nesse blog. Eu diria que o campeão da NFC East acabar com record negativo: Eagles e Cowboys estão 5-5 e ambos enfrentam uma tabela relativamente difícil. Eu não acho que vá acontecer, acho que o Cowboys consegue pelo menos ficar com 8-8 (sabendo que tem critério de desempate contra praticamente toda a NFC East garantido) ou 9-7, mas é uma possibilidade. E ainda assim, é mais provável do que o Chiefs vencendo seus últimos 7 jogos: se o calendário de Kansas City até aqui foi um dos mais fáceis da NFL, o resto dele é um dos mais difíceis, com dois jogos contra Chargers, dois contra Broncos, mais Oakland fora e Colts. Considerando que o ataque do Chiefs não tem sido realmente impressionante nesse começo de temporada, será que a defesa é suficiente para vencer TODOS esses jogos? Eles também estão 3-0 em jogos decididos por uma posse de bola, e não vão conseguir ganhar todos esses até o final do ano. Então é improvável que alguém ganhe a NFC East abaixo de 8-8, mas é ainda mais improvável que o Chiefs consiga vencer esses seis jogos sem que nada de errado para eles.


Ações em alta


Como um economista, uma coisa que eu aprendi a entender é o funcionamento das ações. Quando as coisas estão parecendo boas, todo mundo começa a comprar e o preço sobe. Quando estão indo mal, todo mundo vende, a demanda aumenta, e o valor delas cai. Acho que todo mundo aqui já se deparou com um índice como Bovespa ou Dow Jones e viu se estava em alta ou não.

Pensando nesse sentido, quais seriam as ações dentro da NFL que estariam em alta ou em baixa depois dessa última rodada? Quais conceitos, idéias ou afins estariam ganhando valor com o passar dessa rodada e quais estariam perdendo? Então vamos começar com aquelas que estão em alta no momento, primeiro com...


  • Carolina Panthers como Super Bowl contenders
Quer dizer, vocês viram essa defesa jogar recentemente?! Nos cinco últimos jogos da equipe - cinco vitórias - os adversários conseguiram anotar no máximo 15 pontos contra ela: 10, 15, 13, 10 e 9 pontos, na verdade. Enquanto isso, a defesa tem forçado um número excelente de turnovers, com 12 nessas cinco vitórias enquanto seu ataque produziu apenas 4 (na verdade 3, um dos turnovers veio nos special teams). E se você perdeu o duelo dessa semana contra o 49ers, perdeu um show da defesa: foram seis sacks, dois turnovers forçados e basicamente uma dominação incrível contra o que deveria ser um bom ataque. Eles controlaram o jogo inteiro na linha de scrimage, e dos três FGs do adversário, um veio depois da uma interceptação do Cam Newton retornada para a red zone e outra em um fumble maluco depois de um punt bloqueado. Chamar a performance da defesa do Panthers de dominante é pouco, eles engoliram um ataque que estava entre os 10 melhores da NFL em DVOA. A linha de frente em particular dessa equipe não tem igual na NFL, tanto contra a corrida como pressionando o QB, e é realmente um desafio enfrentar esse time.

Claro, o Panthers ainda tem alguns problemas. O ataque é muito inconsistente, e o time precisou de uma série de golpes de sorte em fumbles para vencer a partida, mas vindo de uma boa sequência de jogos contra uma tabela fácil, ir até a casa de um candidato ao título e dominar a partida dessa maneira com sua defesa é um excelente sinal. Apesar de seus problemas, ter uma defesa assim sempre é um sinal positivo, e agora que Ron Rivera bateu com a cabeça e decidiu ser o técnico mais agressivo do mundo em situações de 4th and short, essa vitória solidifica de vez o status do Panthers como candidato ao Super Bowl.

  • Nick Foles e Case Keenum como titulares na NFL
Keenum ainda não conseguiu vencer seu primeiro jogo na NFL e eu mal posso esperar para começarem a surgir as manchetes de que ele não consegue vencer jogos por isso ou aquilo ao melhor estilo Tony Romo. E ainda tem muitas coisas para não gostar do jogo de Keenum, especialmente seu descuido protegendo a bola (são três fumbles em três jogos, e todos foram importantes nas derrotas), mas considerando que o Texans tem até o final do ano para testar o garoto na posição de titular e decidir se segue com ele para seu futuro ou investe nesse draft profundo, o começo tem sido bem interessante: apesar dos 55% de aproveitamento nos passes, são 8.1 jardas por passe, 7 TDs contra nenhuma interceptação nesses três jogos, com um QBR de 55 apesar dos três fumbles. A amostra obviamente é pequena e é extremamente improvável que alguns desses números se sustentem, mas o garoto tem feito um caso bem interessante para convencer o Texans a lhe dar mais uma chance no futuro com suas habilidades para sair do pocket e escapar da pressão e seus passes longos e precisos. 

O jogo contra o Cardinals foi mais uma boa partida de Keenum, com 221 jardas e 3 TDs e quase conseguindo a virada contra uma das melhores defesas da NFL, e isso com Arian Foster machucado. Na verdade, duas das partidas de Keenum vieram contra excelentes defesas, tendo enfrentado Chiefs e Cardinals no processo. Claro, foram suas duas piores partidas, mas é um bom começo para a carreira do garoto. 

E se os números de Keenum parecem bons, que tal Nick Foles: são sete jogos para Foles (quatro como titular) e os seguintes números: 63.2% de aproveitamento, 9.2 jardas por passe, 16 TDs contra nenhuma interceptação, e um QBR de 79. Em outras palavras, HOLY SH--!!! Claro, esses números são tudos menos sustentáveis: seu 11.6 de TD% é o mais alto da NFL e totalmente fora do normal, suas zero interceptações também não vão se manter por muito tempo, e basicamente Foles é uma regressão ambulante esperando para acontecer - ajuda muito também que Foles tenha enfrentado uma tabela bastante fácil. Tendo isso em mente, a verdade é que Foles tem jogado muito bem. Ele tem sido particularmente letal em passes em pronfundidade (que viajam mais de 15 jardas no ar), com 7 passes para TDs nesse tipo de passes nas últimas três semanas (nenhum QB na NFL tem mais de 7 passes TOTAIS para TD nas últimas três semanas), algo importante para o sistema de Chip Kelly. Essa semana, Foles conduziu o Eagles a uma vitória importante sobre o Packers para empatar na liderança da NFC East, e 225 jardas e 3 TDs do seu QB foi tudo que o time precisou. Eu ainda acho que Foles não é a solução do Eagles a curto prazo, mas a cada rodada que passa ele parece se solidificar mais como o QB da equipe.

  • Disputa pelos playoffs na NFC

Com oito rodadas ainda por jogar na NFL, é claro que ainda tinha muita coisa em aberto para definir os playoffs da NFC e muita coisa poderia mudar. Mas essa rodada terminou de bagunçar as coisas de vez. As derrotas de 49ers, Cowboys e Green Bay terminaram de amontoar todos os concorrentes as quatro vagas restantes de playoffs (Saints e Seahawks parecem garantidos), e agora a briga está mais imprevisível do que nunca.

Para começar, três das quatro divisões ainda estão muito em aberto, com apenas o Seahawks parecendo ter um controle firme na sua por enquanto (ainda que sejam apenas 2.5 jogos de vantagem). Para começar, a vitória do Eagles e a derrota do Cowboys coloca os dois times empatados no topo da NFC East com 5-5 cada um deles. Giants e Redskins (3-6) ainda tem uma chance de brigar por esse título, considerando a quantidade de confrontos diretos ainda dentro da divisão, mas no momento me parece uma corrida de dois times. Vale lembrar que Cowboys e Eagles se enfrentam ainda em Dallas na última rodada, e o Cowboys tem a vantagem dos critérios de desempate por enquanto.

Uma outra divisão apertada, mas que agora tem um time a frente da concorrência, é a NFC North. A derrota de Green Bay e a vitória do Lions sobre Chicago colocou Detroit uma vitória a frente de seus dois rivais (6-3 contra 5-4). Com Aaron Rodgers fora por mais algum tempo ainda não determinado (entre duas e seis semanas, segundo constam os relatos) e com Detroit tendo a vantagem do desempate contra Chicago por ter vencido ambas as partidas, o Lions parece ter a dianteira na corrida. A NFC South também tem uma disputa interessante, com o Saints uma partida a frente do Panthers mas dois confrontos diretos pela frente.

Mas o que essa rodada realmente deixou interessante foi a briga pelo wild card. Se 49ers vence, a NFC South estaria quase garantida, uma vaga no WC já teria dono e ficaria por isso mesmo. Com a vitória do Panthers, a coisa embolou: Carolina e San Francisco são os dois classificados no momento com 6-3, mas são seguidos por uma legião de competidores: Bears, Packers e Cardinals estão logo atrás a 5-4 esperando um deslize, e mesmo o 5-5 Eagles pode sonhar com essa vaga. Então agora temos duas vagas no wild card totalmente abertas e seis times brigando por essas vagas, além de três disputas apertadas dentro das divisões. Poderia ficar melhor do que isso para as sete rodadas finais? 

*pensando*

Pensando melhor, meu time poderia não estar envolvido, provavelmente seria mais saudável.

Ações em baixa


  • O próximo contrato de Jay Cutler
Cutler é um free agent ao final da temporada, e Chicago já tem uma situação salarial bastante delicada, então precisa dar um jeito de encaixar o contrato grande que o QB deve pedir em sua folha salarial... ou então seguir em frente atrás de outro jogador e deixar Cutler se mandar. Era uma decisão difícil que acompanhou o time o ano todo, e assim como foi o caso de Joe Flacco ano passado, ele precisava de uma performance particularmente forte esse ano para assegurar um contrato gordo na offseason depois de uma estadia irregular com seu time (e todo mundo sabe como isso acabou para Flacco e sua conta bancária).

Apesar das boas atuações de Cutler, o fato é que esse ano não está indo muito bem para suas pretensões de conseguir renovar por uma boa grana essa offseason. Além do óbvio problema das suas lesões - Cutler perdeu dois jogos machucado e acabou de se lesionar de novo - tem uma outra questão que apareceu para Chicago, e que foi ampliada essa semana. Vejam os dois números abaixo:

Quarterback A: 381/605, 63%, 4361 jardas, 7.2 jardas por passe, 30 TDs, 18 INTs
Quarterback B: 336/560, 60%, 4304 jardas, 7.7 jardas por passe, 32 TDs, 0 INTs

Esses são os números, projetados para uma temporada inteira de 16 jogos, para os dois QBs que Chicago teve que usar essa temporada, Jay Cutler e Josh McCown. Mesmo considerando que a amostra de McCown é muito pequena (praticamente dois jogos) e que alguns fatores indicariam regressão, os números são muito parecidos, não? Deixando interceptações de lado pelos motivos óbvios, McCown até levaria uma certa vantagem. Meu ponto não é que o Bears deveria deixar Cutler de lado e ir com McCown para frente, meu ponto é que com essas constantes lesões o time teve que recorrer a um cara de 34 anos que nunca foi mais do que um reserva na NFL, e que esse cara entrou e manteve o ritmo. Então a conclusão que o Bears pode chegar é que Cutler estava jogando bem, mas talvez eles sejam capazes de substituir sua produção sem precisar pagar 100M, trazendo um outro journeyman ou mesmo um calouro nesse draft profundo para assumir um ataque muito bem montado. Não ajuda o fato de que Cutler saiu e McCown quem conseguiu anotar o TD que quase empatou o jogo para Chicago. Então a boa performance de McCown, um jogador mediano conseguindo replicar ou mesmo superar a performance de Cutler dentro desse bom ataque, pode ser o que faltava para convencer a diretoria do Chicago de que não vale a pena pagar o que Cutler vai pedir no mercado, e com esse draft tão bom chegando, é a oportunidade ideal para o time ir atrás de um substituto. 

  • O futuro (e o amor próprio) do Titans
Uma vez eu defendi a criação de uma "Regra da Vergonha" (Shame Rule no original), que diz que se um time foi derrotado pelo pior time da NFL em um dado ano, ele está automaticamente inelegível para ir aos playoffs não importa o que aconteça (apenas 60% brincando). Afinal de contas, se você quer disputar o título e o posto de "melhor da NFL em uma dada temporada", o mínimo que se espera de você é que vença o pior time da liga, especialmente um que estava a caminho de se tornar o pior time de todos os tempos, certo? 

Bom, o Titans não fez a lição de casa esse final de semana, perdendo em casa para o Jaguars - que inclusive estava sem seu melhor jogador ofensivo - por 29 a 27 em um jogo que não foi tão apertado quanto o placar sugere (Titans anotou esses 7 pontos em garbage time com o relógio zerando). Pela minha Shame Rule, essa derrota desclassificaria o Titans dos playoffs a não ser que algum time superasse o Jaguars até o fim do ano como o pior da NFL (a diferença do saldo de pontos do Jags para o segundo pior é de 100 pontos).

Mas não é esse o motivo pelo qual o futuro do Titans está em crise. O motivo disso (bom, além do fato de que eles perderam para o Jaguars em casa!) é que Jake Locker, com uma lesão no pé, está fora do resto da temporada, dando um golpe nas pretensões da equipe. O time não é tão dependente do seu QB como por exemplo Green Bay, tem uma defesa sólida, mas Locker vinha jogando bem e seu reserva, Ryan Fitzpatrick, não: Locker tinha um QBR de 58, e Fitzpatrick de 43. A principal diferença entre os dois vinha dos turnovers: ao longo da temporada (7 jogos), Locker tinha apenas seis turnovers (quatro interceptações e dois fumbles) e isso tinha sido um fator importante principalmente no bom começo de temporada da equipe. Fitzpatrick por outro lado, em apenas três jogos soma esses mesmos seis turnovers (e isso porque o time recuperou três dos seus cinco fumbles), com a sua média de 2 por jogo sendo bem superior a de menos de um por jogo de Locker, e isso antes de considerar suas diferenças como passadores (86.7 de rating contra 76) e o fato de que o camisa 8 é um dos melhores QBs correndo com a bola da NFL. Então o Titans não depende tanto do QB, mas não é um time bom o suficiente para conseguir continuar com o mesmo nível depois desse downgrade signficativo na posição, especialmente em uma situação com pouca margem para erro como é o caso. Com Locker, o Titans era meu candidato aos playoffs. Sem ele, pode acabar o ano como o único time a perder do Jaguars esse ano.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Os pontos importantes na semana da NFL - Week 2

Uma cena que tem se repetido bastante até aqui


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Bom, como recepção foi boa, vamos fazer novamente na Semana 2 da NFL nossos "Pontos Importantes da Semana". Para quem perdeu esse post da semana 1, a idéia aqui é a seguinte: isso aqui NÃO é um recap da rodada, e o nosso intuito não é passar por todos os jogos ou falar de todos os jogadores, bons ou não. Outras pessoas podem fazer isso, mais rápido e melhor do que eu, e eu também não acho que isso se enquadre na proposta do blog. A proposta aqui é para dar uma olhada nos fatores, dentro de cada jogo, que são relevantes ao maior cenário da NFL. Vamos olhar a performances que foram importantes mas receberam pouco crédito, fatores pouco observados que estão influenciando alguns pontos importantes, e por ai vai. Então de novo, o objetivo não é passar por todos os jogos e falar alguma coisa relevante: muitas vezes teremos dois ou mais pontos sobre um mesmo jogo, e jogos sem comentário nenhum.

Novamente, ainda estamos fazendo alguns testes com esse formado de coluna e tudo mais, então queria muito saber a opinião de vocês leitores sobre a coluna: se está funcionando, se não está, o que gostam e o que não gostam, como melhorar, etc.

Então dito isso, vamos começar.

Briga de cachorro grande


Se na primeira semana da NFL o jogo mais importante (do ponto de vista de rivalidade, confronto entre candidatos ao título e importância para o cenário geral da liga) foi entre San Francisco 49ers e Green Bay Packers, na semana 2 era claro qual duelo ocuparia seria o de maior destaque e importância: San Francisco 49ers e Seattle Seahawks, os dois melhores times da NFC e rivais de divisão se enfrentando no incrível Century Link Field. Além dos fatores óbvios que estavam em jogo nessa partida - orgulho, rivalidade, a chance de sair na frente na briga pelo título da NFC West e eventualmente por mando de quadra nos playoffs - esse jogo era a forma mais fácil e orgânica de responder a questão que todo mundo sempre se faz no começo de temporada: quem é o melhor time da NFC (normalmente eu diria NFL, mas o Denver Broncos pode ter algo a dizer a esse respeito)? Basicamente "coloque os dois num ringue e deixem os dois decidirem", versão NFL. 

(Ou, nas palavras do meu seriado favorito...
"Patos são melhores que coelhos!"
"Coelhos são melhores do que patos!"
"A gente devia colocar os dois numa caixa e deixar eles decidirem entre eles!"
"Isso é ilegal!!"
"Só se a gente apostar dinheiro!!")

Vocês sabem qual foi o resultado. O Seahawks dominou o jogo do começo ao fim, massacrou seus rivais com uma vitória por 29 a 3 e saiu de lá com o cinturão de "Melhor time da NFC". Foi realmente uma performance dominante, especialmente da sua defesa: segurou o forte ataque do 49ers a apenas 207 jardas totais, a pior performance ofensiva da equipe desde o duelo contra o Ravens no Thanksgiving de 2011 (179). Colin Kaepernick, depois de passar para mais de 400 jardas e 3 TDs contra uma boa defesa de Green Bay, foi limitado a apenas 127 jardas e 3 interceptações (apesar de 87 correndo). Para uma equipe cujo jogo se baseia tanto na sua atitude e jogo físico, Seattle provavelmente ficou muito satisfeito com o que conseguiu nessa partida: mais do que uma vitória contra um adversário direito, foi realmente um statement, uma mensagem que a equipe passou. Seu jogo físico dominou o adversário - um adversário cuja marca registrada é justamente esse tipo de jogo - e, no final, ainda aproveitou as chances para continuar judiando e provocando com cada jogada, cada TD e cada desafio. Foi realmente uma performance espetacular de futebol americano.

Claro que vocês provavelmente já imaginam o que isso significa: vamos ter que aguentar mais uma semana de overreactions - ou como eu disse no twitter e o pessoal gostou, de pessoas correndo para tirar as conclusões fáceis. Vocês vão ler bastante nos próximos dias coisas como "Seattle está um nível acima do resto da NFL!" ou coisas do tipo, simplesmente porque é mais fácil correr, olhar o resultado e colocar uma manchete bombástica do que peneirar tudo, olhar os momentos chaves e ver o que está nas entrelinhas.

Não existe para mim a menor dúvida de que o Seattle Seahawks foi um time muito superior durante a partida. A equipe executou seu plano de jogo muito bem, e sua defesa entregou uma das performances mais dominantes que eu lembro de ter assistido nos últimos anos, segurando um ataque muito bom a apenas três pontos e cinco turnovers. Mas olhando com cuidado, o placar final de 29-3 engana o que foi na verdade um jogo bem mais apertado decidido - ou pelo menos "expandido", em termos de placar - em alguns detalhes que poderiam facilmente ter sido diferentes.

Sabe quando você para e pensa "entre todas as coisas que poderiam ter dado errado, todas deram errado"? Foi basicamente o que aconteceu com o 49ers nessa partida. Enfrentando um adversário extremamente forte, fora de casa, no estádio mais difícil para um visitante jogar, e contra um time que é um matchup ruim desde o começo, eles ainda tiveram as seguintes coisas coisas contra eles: a equipe não recuperou nenhum dos quatro fumbles da partida, todos eles indo parar nas mãos do Seahawks (e como já dissertamos longamente por aqui, recuperação de fumbles é acaso e não competência); o Niners viu três jogadores seus (Ian Williams, Vernon Davis e Eric Reid) saíram da partida machucados, com o mais importante deles sendo Reid - o calouro saiu na última jogada antes do intervalo com o jogo 5-0, e o ataque de Seattle imediatamente começou a direcionar todo seu ataque (aéreo e terrestre) na direção do buraco deixado pelo camisa 35, um dos fatores que contribuiu para a evolução ofensiva da equipe no segundo tempo (para ser justo, Seattle também perdeu Russell Okung); Colin Kaepernick teve uma interceptação na red zone logo no começo da partida que veio em uma bola desviada e que espirrou nas mãos do defensor, uma jogada que pode ter alterado o curso do jogo.

Mas talvez mais importante, os dois primeiros TDs de Seattle - os dois TDs que explodiram a diferença e colocaram de vez o jogo fora do alcance, obrigando o ataque adversário a jogar em alta velocidade e de forma unidimensional, um suicídio contra essa defesa e nesse estádio - vieram como consequência de duas faltas que transformaram o que deveriam ter sido dois FGs (e portanto um placar de 11-3, não 19-3) em dois TDs e que tiveram absolutamente zero a ver com a performance do ataque (por exemplo, se um CB faz uma pass interference de 20 jardas porque era a forma de impedir um TD certeiro, é uma falta que é consequência direta da performance do ataque naquela jogada). No primeiro TD, Ahmad Brooks ia conseguindo o sack em cima de Russell Wilson para colocar o ataque adversário em uma 3rd and 20 (e provavelmente um FG), só que por puro azar, quando Wilson se jogou no chão para evitar a trombada a mão de Brooks se enroscou na facemask, totalmente sem querer, totalmente inútil para o resultado da jogada, mas ainda assim uma falta de 15 jardas e uma primeira descida automática. No segundo TD, depois de uma 3rd down que virou uma 4th and 15, a arbitragem ridiculamente marcou uma falta pessoal de 15 jardas (e uma primeira descida automática) de Aldon Smith por um encontrão em cima de um OL adversário, o tipo de coisa que acontece 3000 vezes em um jogo desses e deixaram para marcar logo em uma jogada tão crucial (de alguma forma, essa não foi nem a pior falta marcada no jogo: Sidney Rice recebeu uma de 15 jardas no final do primeiro tempo por RODAR a bola no chão depois de uma recepção. É sério. Tentem não rir). Não fossem essas duas faltas totalmente aleatórias, o placar teria ficado em apenas uma posse (e meia) de bola - 8 pontos - e o jogo poderia ser diferente, ou pelo menos não teria terminado em um placar tão elástico. O Seattle foi o melhor time em campo do começo ao fim, só um lunático iria dizer o contrário, mas não foi exatamente o abismo o que o placar final indica.

Para o 49ers, o problema é menos a derrota e o placar, e muito mais que o Seahawks expos sua grande fraqueza, e ainda levantou mais uma grande questão. No primeiro caso, foi simples: o 49ers não possui no momento bons WRs além de Anquan Boldin (Mario Manningham e Michael Crabtree estão machucados), e enquanto a defesa secundária muito profunda de Green Bay não era um bom matchup para enfrentar o jogo físico de Boldin, o jogo extremamente físico de Richard Sherman era o pior matchup possível para o camisa 81, que praticamente o tirou da partida e deixou Kaepernick sem nenhum bom alvo para receber passes (especialmente com Vernon Davis machucado), especialmente contra essa excelente secundária. Esse foi um problema que não apareceu na primeira semana, mas foi totalmente exposto contra Seattle, e levanta questões sobre o quão longe esse ataque aéreo pode ir nessa temporada. Mas talvez mais preocupante, é o que está acontecendo com o jogo terrestre de San Francisco: depois de ser a sua maior força em 2012, o jogo terrestre da equipe está totalmente sumido em 2013, com Frank Gore e Kendall Hunter combinando para apenas 77 jardas e 2.1 jardas por corrida. Contra Green Bay e sua defesa que sobrecarregou a linha de scrimmage, isso não foi exatamente uma surpresa, mas contra uma defesa como Seattle que não colocou nenhuma atenção extra no jogo terrestre, essa falta de produtividade é extremamente preocupante, especialmente considerando a necessidade disso para abrir o jogo aéreo com essa escassez de opções. Duas rodadas é uma amostra muito pequena e os adversários foram dois dos melhores times da NFL, então obviamente é cedo para qualquer pânico, mas é uma questão que pode fazer a diferença no resto da temporada.

Então sim, é um erro tirar conclusões tão cedo na temporada e com tão pouca amostra. Ambos os times ainda tem mais 14 jogos para jogar na temporada, incluindo uma revanche em San Francisco em Dezembro. Enquanto não tivermos mais para nos basearmos, não podemos concluir absolutamente nada. Mas pelo menos por enquanto, o Seahawks pode se gabar de ser o melhor time da NFC no momento depois de mais uma vitória contundente sobre seus maiores rivais.

(Quão impressionante foi essa vitória de Seattle? Hoje de manhã abriram os spreads de Vegas para o jogo de domingo, quando o Seahawks recebe o Jaguars. A linha abriu em -16.5 hoje cedo, e em algumas horas já chegou a -20 em algumas casas de aposta. Vai passar dos 24 até domingo, e eu AINDA apostaria em Seattle)

Quarterback a venda


Por algum motivo, ainda persiste o mito muito comum na NFL de que para ganhar na NFL de hoje (ou seja, após as mudanças de regra que favorecem em muito o jogo aéreo), você precisa de um QB de elite. Isso é um pouco irreal: o Ravens ganhou em 2012 com um QB acima da média mas não espetacular que pegou fogo na hora certa; o mesmo acontece com o Giants de 2007 e talvez com o Giants de 2011, um QB decente (em 2011 ele era melhor do que isso, mas enfim) amparado por uma grande defesa; o Steelers de 2005 tinha um Big Ben que ainda não era Big Ben no comando do ataque e venceu. Desde 2005, Joe Flacco e Jamarcus Russell tem tantos títulos quanto Peyton Manning e Tom Brady. Então de certa forma é um mito de que você PRECISA de um QB de elite para vencer um título.

A questão é que mesmo que você não precise de um Tom Brady ou de um Aaron Rodgers para ser campeão, você também não vai ser campeão se tiver um Brandon Weeden. E embora seja possível montar um campeão em torno de um QB apenas bom, é também um fato de que o caminho mais rápido para dar um salto na NFL é dar um upgrade no seu QB, seja de "atroz" para "bom" ou de "bom" para "ótimo", então a questão do QB virou quase sagrada na NFL. E embora isso signifique que sempre temos discussões sobre os jogadores que ocupam essa posição de destaque, eu não lembro uma temporada de NFL onde tantas polêmicas estavam rondando a liga tão cedo no ano!

A mais inexplicável e talvez mais importante de todas elas diz respeito ao Tampa Bay Bucs. Digo "importante" porque, entre todas as que estão acontecendo, ela é talvez a que mais pode afetar um time de playoffs - ou pelo menos que muita gente acreditava que poderia chegar lá se não tivesse perdido dois jogos seguidos por causa de faltas pessoais bestas. Mas por algum motivo, o técnico Greg Schianno parece determinado a fazer tudo que pode para criar problemas com seu QB, Josh Freeman. Freeman certamente não tem contribuído dentro de campo, começando o ano completando 45% dos seus passes (6.3 jardas por passe) com tantas interceptações como TDs, e jogando menos do que o esperado nas duas derrotas da equipe (embora as duas tenham sido decididas por fatores que pouco tiveram a ver com ele no final - embora claro, se Freeman tivesse sido melhor, provavelmente esses fatores não teriam importado). Eu entendo a frustração dos torcedores do Bucs e sua comissão técnica, mas eu acho incrível o quanto Schianno tem feito para piorar a situação. Ao invés de oferecer confiança e apoio ao seu QB e ao seu time, ou então desistir logo dele e ir para seu reserva Mike Glennon, Schianno manteve Freeman como seu QB enquanto o destruía na imprensa e durante os jogos, ao ponto de colocar Glennon para aquecer com os titulares antes da partida contra o Saints e Freeman para aquecer com os auxiliares. Qual exatamente é o benefício que ele espera tirar disso, destruíndo a confiança do jogador que ocupa a posição mais importante do jogo, e também destruíndo a confiança do resto da sua equipe nele? Se ele acha que Freeman não rende mais como titular e que a equipe precisa ir em outra direção (Freeman é free agent após a temporada, então não tem nenhuma questão salarial segurando a franquia), porque não simplesmente ir com Glennon ao invés de ficar criando esse caos todo? Vamos falar mais de Schianno na última seção do post, mas por enquanto ficamos nessa inexplicável situação Freeman-Schianno.

Freeman não é um QB brilhante e seus altos e baixos provavelmente incomodam demais os times que eventualmente queiram tê-lo. Mas ainda assim, ele teve alguns períodos excelentes em Tampa, em particular em 2010 e antes de Carl Nicks se machucar temporada passada. Em um ambiente totalmente disfuncional e com um técnico que claramente não gosta dele, Freeman provavelmente é meu candidato número 1 a "jogador talentoso que precisa urgente de uma mudança de ares", um cara que pode render na situação adequada e com um novo time. Para o Bucs, a troca faria sentido já que eu duvido demais que Freeman volte ao final do ano, e assim seria uma forma de conseguir algo em troca. O que me leva a perguntar: algum time teria interesse em eventualmente trocar uma escolha de draft (5th round?) por Josh Freeman para ser seu QB essa temporada - ou, eventualmente, para o futuro?

Eu consigo pensar em dois, duas equipes que possuem problemas com seu QB e que estão segurando uma equipe com potencial por esse motivo. As duas gastaram escolhas recentes de primeira rodada em um QB - estupidamente, devo acrescentar - e agora não conseguem se livrar desse problema. O primeiro e talvez mais óbvio seria o Cleveland Browns, seguido por um sleeper interessante no Minnesota Vikings. No caso do Browns, eu já disse isso e volto a repetir: é um time muito sólido que está a um bom quarterback de se tornar competitivo e quem sabe voltar aos playoffs. A defesa fez um bom trabalho nessas duas primeiras semanas, segurando bons times de Ravens e Miami a jogos de placares baixos mesmo com seu ataque incapaz de controlar o relógio, pontuar, ou garantir pelo menos boas posições de campo para a defesa. Esse jogo contra Baltimore, fora de casa, foi um muito interessante porque a defesa fez tudo que podia, manteve o jogo apertado esperando o ataque aparecer com alguma coisa... que nunca aconteceu. O jogo terrestre deveria ser bom com Trent Richardson, mas não se realiza porque todas as defesas dedicam uma atenção extra ao chão e obrigam Weeden a vencê-los com o braço, algo que ele se mostra absolutamente incapaz. Normalmente eles poderiam esperar mais um ano e draftar algum jogador (Manziel?) dessa boa classe, mas considerando que gastaram uma escolha de primeira rodada em um calouro de 28 anos, eles claramente estão preocupados em vencer imediatamente. Trocando uma escolha tardia de draft (e portanto de menor consequência) por Freeman da a equipe de testar com um QB decente por essa temporada junto de seu excelente grupo de apoio (especialmente na defesa, mas o ataque tem Josh Gordon, Davone Bess, Jordan Cameron, Joe Thomas e Trent Richardson). Se não funcionar, é só não renovar o contrato dele no final do ano (ou seja, nenhuma obrigação financeira a médio prazo) e ir atrás de outro QB. Para mim parece a melhor situação para ambos os casos. Isso deveria ocorrer e logo.

O Vikings é uma opção mais interessante e mais arriscada. Ao contrário de Weeden, o Viks não está preso a um QB que atrapalha todo o resto de um bom time. O problema de Christian Ponder é um pouco diferente: ele é o gargalo que limita esse que poderia ser um bom ataque de Minnesota. Depois do que Adrian Peterson fez ano passado, minha preocupação com o Viks era que os adversários iriam sobrecarregar a linha de scrimmage com sete ou oito jogadores para tirar o jogo terrestre, manter as descidas longas, e obrigar Ponder a vencê-los com seu braço de espaguetti. Depois de duas rodadas, esse parece ser exatamente o caso: Detroit foi um pouco mais radical, realmente colocando oito homens na linha em algumas jogadas e praticamente brincando de "derrube o MVP" o jogo todo, o que abriu o jogo aéreo e levou a alguns passes longos, mas também a muitos erros e basicamente ao plano de jogo do Lions ser um sucesso. A defesa do Bears, por outro lado, não sentiu tanta necessidade de sobrecarregar a linha com oito ou nove jogadores como fez Detroit, mas também em nenhum momento sentiu necessidade de modificar seu esquema 4-3 para se preparar contra o passe. Um lance que chamou minha atenção aconteceu no final do segundo quarto: jogo apertado, 3rd and 8 para o Vikings, uma situação clara de passe na qual a maior parte das defesas usaria uma defesa nickel como base (especialmente com o Viks usando três WRs). Nop. Mesma defesa 4-3 de sempre, nenhum defensor extra sequer, passe incompleto. Então a situação de QB em Minnesota obviamente não é desesperadora como a de Cleveland, Ponder tem seus benefícios e o time (com bastante sorte e um enorme outlier, mas enfim) conseguiu chegar aos playoffs com ele ano passado. Mas tendo em suas mãos o auge do melhor RB de sua geração e um dos melhores de todos os tempos, a equipe não consegue utilizar essa dádiva ao seu máximo potencial porque Ponder não consegue castigar as defesas que não o respeitarem. O QB do time poderia ser um Eli Manning da vida que o foco principal das defesas ainda ia ser o jogo terrestre de Peterson, mas elas pelo menos iriam ter que pensar duas vezes. E se Ponder não for capaz de abrir esse espaço para seu RB, o Vikings pode precisar de um jogador mais forte para a posição antes que a carreira de Peterson entre na sua fase de declínio.

Oh, você está se perguntando porque não falei do Jaguars entre os times que poderiam trocar por Freeman? Bom...

Teeeeeeebooooooow!


Por um simples motivo: tanto Vikings como Browns são dois bons, sólidos times que poderiam competir agora mesmo com um boost na posição de QB. O Jaguars não: depois de tantos anos de más decisões, trocas ruins e contratos ridículos, a equipe da Flórida precisa de mais uns dois anos só para conseguir se livrar de tudo isso e poder olhar em frente. Eles precisam urgente de um Franchise QB para ser a cara dessa reconstrução e dar esperança a torcida, não um upgrade imediato para competir por nada.

Vocês sabem qual é a solução para o Jaguars em termos de QB no momento, certo? Tim Tebow, é claro!! Eu não consigo pensar em um bom motivo para que essa contratação não ocorra.

Antes de todo mundo começar a dar risada e a reclamar indiscriminadamente do ex-QB da Flórida, que é o que todo mundo faz quando o nome aparece em uma conversa, vamos aos motivos.

Em primeiro lugar e mais importante, fica o que eu disse: o Jaguars não está perto de competir por nada nesse momento ou em um momento próximo. Eles ainda estão na fase da desintoxicação de tudo de ruim que a diretoria fez pelo time nos últimos anos, e não vai ser agora que conseguirão sair desse buraco só com uma adição interessante aqui ou ali. Como eu disse, a equipe precisa urgente achar um QB para seu futuro, para parar de gastar dinheiro e escolhas em jogadores para a posição que impedem o time de melhorar em outras áreas e ainda assim não dão resultados. O problema é que esse jogador não está no elenco atual: não é Blaine Gabbert, não é Chad Henne, não é ninguém que lá esteja no momento. Então não é como se a chegada de Tebow fosse tirar minutos de um jogador que seria o futuro do time. E já que Jacksonville tem tudo para ser um time bem ruim ou mesmo horrível essa temporada,  e com Teddy Bridgewater e Johnny Manziel (entre outros) esperando no próximo draft, adereçar esse problema de quarterback certamente não vai acontecer até o próximo verão. Então porque não trazer Tim Tebow para ser seu QB na temporada 2013 da NFL?? Claro, ele não consegue fazer bons passes, mas até ai ninguém no elenco do Jaguars consegue. O time seria ruim com ele, mas não é como se fossem bons sem ele. Não tem muito mais para onde cair quando se está no fundo do poço.

E ai que está a questão: o Jaguars vai ser ruim de qualquer forma, independente se o QB for Henne, Gabbert, Tebow ou eu. Mas enquanto isso, Jacksonville é um dos times de pior relação com sua torcida, uma torcida que não vai ao estádio, não se empolga com o time mais e está muito traumatizada de todos esses anos de pura incompetência. E Tim Tebow, com todas suas falhas como QB, é um jogador muito divertido de se assistir, que fez sua lendária carreira na NCAA na Flórida, e que é absolutamente IDOLATRADO por lá. Se seu time vai ser horrível, porque não fazer isso de uma forma que divirta a torcida, encha o estádio, venda camisas e melhore sua relação com a cidade? Você pode criticar o quanto quiser esse lado que não é futebol americano "puro", mas no mundo dos negócios, isso é tão importante quanto qualquer outra coisa, criar uma boa relação com seus consumidores. Ao invés de emissoras locais se desculpando por mostrarem seu jogo, todo mundo vai correr para assistir Tebow em provavelmente seu último ano como um QB da NFL. Gabbert provavelmente será dispensado ao final da temporada, Henne não é mais do que um reserva, e o Jags tem talvez a melhor chance de toda a NFL a ficar com Teddy Bridgewater nesse draft. Então se você vai ser horrível essa temporada e recomeçar ano que vem, a pergunta que fica é a seguinte: porque você vai ser uma droga e irritar a torcida se você pode ainda ser uma droga, mas pelo menos agradar a torcida, ganhar atenção na mídia nacional e ganhar dinheiro com isso? Me de o segundo cenário qualquer dia da semana e duas no domingo. Tebow não é melhor do que Gabbert ou Henne, mas ele atrai mais gente ao estádio, vende mais camisa e da um nome famoso a suas ações de marketing. E sinceramente, agora, é disso que o Jaguars precisa. It's Tebow Time.

Alterando suas chances de vitória


Vocês já provavelmente sabem, porque eu martelei isso durante 33 previews, mas jogos decididos por uma posse de bola são, em geral, aleatórios. Ou seja, tirando alguns casos especiais (alguns poucos QBs conseguem mudar um pouco isso), quando temos uma amostra grande o suficiente o número desses jogos vencidos por cada time tende a 50% do total. Não vou repetir isso aqui porque já passei muito tempo falando disso (se quiser relembrar esse é o post), mas esses jogos são aleatórios porque dependem demais de uma ou outra jogada além do controle dos times, e é um fato estatístico de que na "big picture", esses jogos estão sujeitos a todo tipo de acaso e por isso tendem a 50%.

Mas se isso é verdade (e é) num cenário maior, com uma amostra grande, ainda é interessante olhar os pequenos casos, ou seja, cada jogo separadamente e ver os fatores que levaram a essa derrota apertada. Embora em uma amostra significativa esses jogos tendam a ser 50-50, quando olhamos para cada jogo em particular podemos observar uma série de detalhes em ambos os times - detalhes não necessariamente técnicos - que me fazem perguntar se, naquela partida, um certo time maximizou suas chances de vitória.

Para ficar mais claro o que eu quero dizer, vamos pegar dois exemplos de times que começaram a temporada 0-2 em record e 0-2 em jogos decididos por uma posse de bola: o já mencionado Bucs, e o Carolina Panthers. A primeira vista, ambos os times tiveram azar nesse começo de jogo: o Tampa Bay perdeu dois jogos nos segundos finais para FGs, e o Panthers perdeu também com um TD nos segundos finais essa semana depois de uma derrota por apenas cinco pontos para Seattle. Mas quando esmiuçamos cada um desses jogos, observamos que muitos dos fatores que fizeram a diferença em decidir o resultado da partida - seja em uma jogada chave, seja no cumulativo ao longo da partida - muitas vezes não veio de coisas dentro de campo, e sim de decisões estúpidas dos jogadores ou da comissão técnica. Então embora exista um fator imenso de aleatoriedade nesses jogos, também é verdade que esses dois times não estão tomando decisões inteligentes que maximizem suas chances de vitória.

No caso do Panthers, eu não vou me estender demais nisso porque o Bill Barnwell, do Grantland, já fez um post sobre isso ontem bem melhor e mais detalhado que o meu (não tenho o link aqui, mas está na página principal do site), mas o problema é que a comissão técnica não tem metade de um cérebro quando se trata de ataque. Apesar de possuírem um bom grupo de RBs, e um QB que não tem muita precisão nos passes mas é um corredor destrutivo, o playbook ofensivo da equipe é extremamente conservador no que diz respeito a corridas, especialmente usando seu QB. Isso é algo que se nota principalmente em conversões curtas: ao invés de deixar seu QB correr pelo meio, ou mesmo soltar seus RBs no meio da linha de scrimmage, ele tem um preconceito esquisito com isso, preferindo o passe ou pelo menos segurar seu QB apesar do seu time ser muito eficiente pelo chão em conversões de 2 jardas ou menos.

Em particular, a falta de agressividade do time é o que mais lhe atrapalha. Mesmo possuindo Cam Newton e um forte jogo terrestre, Ron Rivera é extremamente conservador convertendo jogadas assim ou mesmo chamando jogadas de passe, algo que não maximiza as chances da equipe. Por exemplo, vamos olhar o jogo contra Seattle, um jogo no qual o Panthers enfrentava um time superior que era claramente favorito, e portanto faria sentido ser mais agressivo e aproveitar cada chance. Nesse jogo, Carolina enfrentou cinco (ou seis, já chegamos lá) situações diferentes de 3rd ou 4th descidas para 3 jardas ou menos:


  • A primeira aconteceu logo no primeiro quarto: em uma 3rd and 2 no campo adversário (Seattle 41), Rivera chamou uma jogada de passe ao invés de uma corrida na tentativa de conversão - o passe foi incompleto, e a equipe chutou a bola na quarta descida. A decisão foi duplamente burra de passar a bola: primeiro, porque com o estilo e os jogadores da equipe, eles possuem muito mais probabilidade de converter essas 2 jardas pelo chão que pelo ar, e segundo que mesmo caso a terceira descida corrida falhasse, ela ainda tinha uma boa chance de encurtar a jogada seguinte para uma 4th and 1 ou 4th and inches, situações onde o Panthers é extremamente eficiente, e considerando a posição de campo, era uma conversão que tinha grandes chances de render pontos se concretizada. Ao invés disso, a burrice em chamar o passe e a covardia em não tentar 4th down possivelmente custou ao time uma boa chance de anotar pontos, especialmente no que era, repito, um jogo onde eram as zebras e deveriam ser agressivos.
  • No terceiro quarto, o Panthers enfrentou uma 3rd-and-1 no seu próprio campo (Carolina 31). Era uma situação claríssima na qual Cam Newton deveria correr: ele está 16-18 na sua carreira convertendo situações de corrida de uma jarda. Ao invés disso, Rivera continua com seu preconceito de não querer seu melhor jogador correndo com a bola, bem, correndo com a bola! Ele chama uma corrida lateral do seu fullback que não consegue a conversão, e o time vai (dessa vez corretamente, dada a posição de campo) para o punt, matando a campanha.
  • Ainda no terceiro período, o Panthers se ve em uma situação de 2-and-3 no seu próprio campo (CAR 38). A primeira jogada chamada é um passe lateral, incompleto. Na segunda, pela única vez no jogo, o Panthers chama uma corrida pelo meio de seu QB: 4 jardas e a conversão da descida para o Panthers. Quem diria, não?
  • Na sequência dessa mesma campanha (agora no quarto período), a equipe enfrenta uma 4-and-2 do meio do campo. Rivera imediatamente vai para o punt. Não foi exatamente a pior decisão do mundo porque a equipe estava ganhando 7-6, mas ainda tinha 15 minutos no relógio e, novamente, eles eram os azarões e ser agressivo poderia ter colocado a equipe em uma posição melhor. Mas aqui foi até que justificável.
  • Ainda no quarto período, o Panthers novamente se coloca numa 3rd-and-1. Novamente, Newton não é chamado a correr, mas pelo menos a jogada chamada é uma corrida com Mike Tolbert, que converte a jogada.
Ou seja, se você está acompanhando, não houve uma jogada que foi um erro gritante que custou ao seu time o jogo por parte de Ron Rivera. Mas é uma série de tomadas de decisões que não levam em conta as condições da sua equipe e que deixam de maximizar as condições de vitória do time. Não estou falando que se tivesse tomado as decisões corretas nessas duas primeiras jogadas teriam vencido o jogo, mas teriam se colocado em uma situação mais favorável, com maiores chances. Mas calma, fica pior. Essa semana, a equipe vencia o Bills por três pontos quando enfrentou uma 4th and 1 na linha de 21 jardas do adversário. Era o quarto período, 1:47 no relógio e o adversário tinha queimado seus três tempos, e Rivera se viu diante da seguinte opção: chutar um FG, aumentar a diferença para seis, mas dar ao adversário tempo de sobra para um TD da virada contra sua fraca secundária, ou então tentar converter uma situação na qual seu time é excelente e selar de vez a vitória com três ajoelhadas. Rivera obviamente escolheu a mais conservadora, chutando o FG e dando ao Bills tempo para anotar um TD da vitória... que de fato aconteceu! Então Rivera novamente tomou a decisão conservadora e que não levou em considerações as forças (jogo terrestre, QB excelente corredor, muito bom convertendo jogadas curtas) e fraquezas (secundária) da equipe, e foi castigado para isso. Mas o pior é que essa mesma situação exata JÁ TINHA ACONTECIDO ANO PASSADO!! No jogo contra o Falcons fora de casa, a equipe vencia e teve uma 4th and 1 no campo de ataque dentro do two-minute warning e que teria selado o jogo com uma conversão e três ajoelhadas. Ao invés de usar as forças da sua equipe e conseguir a conversão, ele optou por ser conservador, chutar a bola, e viu o Falcons marcar para um TD da vitória! Então não é como se Rivera estivesse enfrentando uma situação nova: ele já tinha enfrentado uma igual antes, e já tinha tomado a decisão conservadora que não maximizava as chances de vitória do seu time... e pela segunda vez, ele foi queimado. 

No caso do Bucs, é ainda mais ridículo porque quando falamos do Ron Rivera, pelo menos temos que dar uma peneirada e achar um tipo de situação (recorrente) na qual ele não está tomando as decisões ótimas que maximizam as chances de vitória. Quando falamos de Tampa Bay não, são situações óbvias de descontrole e estupidez individual que comprometem o resultado da equipe: na primeira rodada, uma falta pessoal de 15 jardas por atingir o QB fora de campo transformou o que seria um FG de 63 jardas (ou um hail mary, mas de qualquer forma, baixa chance de sucesso) em um de 48 jardas que acabou dando a vitória ao Jets. A equipe não foi brilhante, mas tinha uma chance de sucesso enorme no final, e só precisava manter o controle para não deixar escapar, mas um lapso de concentração ou de julgamento ou o que quer que seja colocou tudo isso a perder. No jogo contra o Saints, outro jogo perdido nos segundos finais por um FG, a equipe não teve nenhuma falta óbvia que resultou num FG como no último jogo... mas a equipe ainda totalizou 10 faltas para 118 jardas, totalizando agora 16 faltas para 163 jardas em dois jogos. Considerando que essa partida foi decidida por um FG nos segundos finais, acho possível supor que todas essas faltas fizeram muito para diminuir a pontuação esperada das campanhas da equipe.

Enquanto isso não é exatamente resultado de uma má decisão ou de um processo equivocado como é o caso do Rivera, isso também tem a ver com o técnico e com a cultura criada na equipe. Assistir jogos do Tampa é como assistir um time nervoso, o que não é uma surpresa considerando todas as histórias sobre como Greg Schianno é o técnico da NFL para o qual você menos iria querer jogar. O clima no vestiário não é bom, o que não surpreende dada a mania de Schianno de reclamar publicamente de seus jogadores, e quando nem ele tem confiança no QB da equipe dessa maneira, como você espera que o resto da equipe confie? Times da NFL costumam assumir a personalidade de seus líderes e/ou seus técnicos, e quando seu técnico age dessa maneira, não passa confiança e deixa todo mundo desconfortável, como você pode esperar que eles mantenham o controle no meio de um jogo crítico? Como eu disse nos previews de sexta feira, Schianno não é o pior técnico da NFL em termos de Xs e Os, mas talvez nenhum outro técnico esteja sendo tão prejudicial a sua equipe nesse momento. Nem mesmo Ron Rivera.