Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - AFC (parte II)


Meu QB favorito da classe, Bridgewater interessa muito a 4 dos times de hoje


AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

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Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Agora, é hora de falar dos times da AFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Por conta de problemas com o blogger, esse post foi dividido em duas partes. A Parte I - falando de Dolphins, Jets, Ravens, Steelers e Bills - já está no ar desde quarta feira, e agora vamos para a Parte II.


Times da AFC fora dos playoffs (Parte I)


Cleveland Browns

Se tivessem me perguntado em Agosto do ano passado - ou mesmo lá para Outubro - qual era o time ruim que tinha o futuro mais promissor, eu teria dito Cleveland Browns. Jimmy Haslam, dono do time, finalmente tinha demitido sua incompetente e bagunçada gestão anterior e se comprometido com um projeto de gestão estável e moderna a longo prazo, contratando Joe Banner para CEO e Mike Lombardi para GM, duas figuras muito respeitadas ao redor da liga, para comandar essa reconstrução. De técnico novo, diretoria nova e rumos novos, o time ainda tinha uma boa base de talento na sua equipe, deveria ter uma escolha alta em um Draft profundo (check!) e ainda conseguiu assaltar o Colts conseguindo mais uma escolha de primeira rodada por Trent Richardson. Então a combinação de "nova e competente diretoria + escolha alta de draft + escolha extra de primeira rodada + base jovem e talentosa + toneladas de espaço salarial" parecia perfeito para um time que queria enfim sair do fundo do poço.

Bom, essa esperança durou menos de um ano. Hoje, oito meses depois, eu fico me perguntando se exista uma organização mais disfuncional que essa na NFL, decidindo enfim que fica entre Browns e Dolphins (com o Cowboys em terceiro). 

As cartas de "comprometimento a longo prazo", "paciência" e "continuidade" com o novo técnico Rod Chudzkinski foram para o saco antes até do final da temporada, com Chud sendo demitido na Semana 17 algumas horas antes do Sunday Night Football. Os motivos alegados não-oficialmente indicavam dois motivos para a separação: primeiro, que apesar da boa posição no Draft a diretoria esperava mais vitórias da equipe, e segundo que os jogadores não estariam satisfeitos ou não respeitariam Chud. Mas muitos concluíram que era uma tentativa desesperada de Banner e Lombardi para satisfazer Haslam, que não tinha gostado da temporada da equipe, e essa teoria ganhou força quando os próprios Banner e Lombardi foram demitidos pouco depois. E um abraço para o "projeto estável e paciente de longo prazo".

E claro, o time sofreu as consequências. Apesar de ser uma posição em teoria atraente, o Browns teve um trabalho imenso para achar gente que quisesse ocupar as vagas. Nenhum técnico bem cotado de College ou um bom coordenador na NFL vai querer deixar um cargo estável e bem sucedido para ir até um time onde ele não faz idéia do que esperar, sem estabilidade no emprego e a mercê de um dono incompetente. A dificuldade da equipe de repor essas vagas mostra o quão malvista é a organização nos círculos da NFL, e enquanto o Browns não parar de demitir pessoas a torto e a direito para satisfazer seu dono e se comprometer com algo sério e estável - a imagem que quiseram passar em 2013 e que agora ninguém mais está comprando - vai ser difícil a organização dar a volta por cima.

Mas ok, vamos falar do que acontece dentro de campo. Supondo que todos esses problemas de bastidores se resolvam, quem herdar as cadeiras de Lombardi e Chud vai ter uma situação promissora e um tanto desafiadora nas mãos. O Browns é um time recheado de talentos, especialmente na defesa: a linha defensiva com Phil Taylor, John Hughes e mesmo o especialista em corridas Ahtyba Rubin foi muito bem em 2013, Jabaal Sheard vem de um ótimo ano, e Joe Haden e TJ Ward (free agent, mas que deve ficar na equipe) estão entre os melhores CBs e safeties (respectivamente) da NFL. A defesa não foi tão bem assim em 2013, foi apenas um pouco acima da média, mas o talento está ai para fazer grandes coisas quando seus buracos forem tapados: o time não tem pass rush além de Sheard (embora a evolução de Barkevious Mingo e um ano a mais de Paul Kruger possam resolver a questão), a cobertura pelo meio (tanto passe contra corridas) foi muito ruim e vai ficar ainda pior sem o veterano D'Quell Jackson, e a secundária ainda depende demais de Haden e Ward resolverem tudo sozinhos pela falta de ajuda na cobertura. Mas com um cap space que chega a 62M e um caminhão de escolhas de draft - além de suas próprias escolhas, todas altas dentro da rodada (incluindo a 4th overall) o time ainda tem uma 1st round e uma 4th round extras do Colts, e uma 3rd round extra do Steelers - não faltam meios para reparar pelo menos parte desses problemas e tornar essa unidade em uma defesa muito boa.

Mas o problema (ok, um dos) dessa mudança repentina de diretoria é que não sabemos mais qual a direção que a franquia quer tomar. A gestão de Lombardi e Banner deixou claro seu objetivo primário: conseguir um Franchise QB para Cleveland, de preferência pelo profundo draft de 2014 (que ficou menos profundo desde então sem Marcus Mariota, mas enfim), e com a 4th pick e tantas escolhas extras, o time estava em uma ótima posição para realizar seu objetivo. Mas agora que mudou a diretoria, ninguém sabe o que esperar. Será que o time vai manter seu objetivo original, usando sua 4th pick em um dos três QBs mais bem cotados da classe (Bridgewater, Bortles ou Manziel) ou mesmo trocar para subir no draft e escolher o QB específico que eles querem? Será que usarão essa escolha em outra posição (Sammy Watkins?) e tentarão resolver o problema do QB em rodadas futuras? É difícil dizer. O que eu sei com certeza é que o time tem uma excelente linha ofensiva (especialmente se renovar com Alex Mack), dois alvos espetaculares em Jordan Cameron e Josh Gordon, mas precisa urgentemente de um quarterback que possa fazer uso de tudo isso. Um RB e mais alvos são importantes, mas o QB é a peça central que falta para esse ataque.

O problema é que, infelizmente, talvez tudo isso tão promissor dentro de campo signifique muito pouco se os problemas no topo da organização continuarem. Quando uma franquia é muito ruim por muito tempo, muitas vezes não é por acaso...


Tennessee Titans

Como eu sou um ser humano extremamente vingativo, me permitam um parágrafo antes de ir para o que interessa. Ano passado, no preview sobre o Titans, um leitor chamado Diego veio reclamar de forma muito pouco educada do que eu escrevi, ressaltando que "ainda bem que ninguém entra nesse blog". Ele reclamou da minha crítica a decisão do Titans de draftar o Jake Locker, ressaltando que era o QB do futuro do time, reclamou da minha crítica a contratação do Shonn Greene falando que foi uma boa contratação para decolar o ataque terrestre do Titans, e que o Titans ia ser um time bom que estava em ascensão. Depois de terminar 20th em DVOA, de ver a diretoria demitir o técnico, supostamente declinar a player option do contrato de Locker (ainda não oficialmente), Shonn Green não chegar a 300 jardas ou 3.8 YPC, o ataque terrestre continuar medíocre, Chris Johnson estar a beira de ser dispensado, e tudo mais... yeah. So there.

Enfim, Tennessee Titans. Apesar da temporada medíocre, a boa noticia é que o time tem uma base boa de talento em mãos. Depois de investir pesado no ataque nessa última offseason (com sucesso parcial), o time tem uma sólida linha ofensiva, ancorada por Andy Levitre e Michael Roos do lado esquerdo e, apesar da temporada ruim de novato de Chance Warmack (7 sacks e 26 hurries, números muito ruins para um Guard), ele é calouro e o Titans acha (eu concordo) que ele vai melhorar e se tornar um sólido jogador. Eles também tem um grupo de WRs interessante, com Kendall Wright e o promissor Justin Hunter, e Nate Washington saindo de um 2013 muito produtivo. Em outras palavras, parece o cenário ideal para um QB se desenvolver, especialmente considerando que o Titans focou seus esforços nos últimos anos para priorizar o ataque terrestre na força bruta, abrindo assim espaços para o QB. Só tem um problema.

Os RBs da equipe foram atrozes em 2013. Tanto Chris Johnson como Shonn Greene jogaram atrás de uma sólida linha ofensiva, mas ambos tiveram temporadas muito ruins, com ambos ficando abaixo das 4.0 jardas por corrida. Com Greene já tendo se provado ao longo da carreira um jogador mediano e Chris Johnson provavelmente sendo dispensado ainda essa offseason (o que abriria 6M na folha salarial da equipe), a busca do time por essa identidade ground-and-pound parece ter que começar de novo, em uma classe de RBs particularmente fraca no draft. 

E o Titans também tem uma decisão importante para fazer em relação a sua situação de QB. Jake Locker é o atual titular da equipe e foi (dependendo de para onde você olhar) um QB mediano ou um pouco acima da média em 2013, que jogou apenas 7 jogos por lesões e nunca jogou uma temporada inteira na carreira. Locker tem uma player option de 13M para 2015, e uma decisão precisa ser feita até Maio por parte do Titans, mas todos os sinais e reports indicam que o time vai recusar essa opção, e portanto Locker vai ter em 2014 seu último ano de contrato. Claro que nada impede que o time traga o QB de volta como free agent, mas não é exatamente um grande voto de confiança no garoto, e com um técnico novo e uma diretoria impaciente, é bem possível que 2014 seja sua última chance, e não estranhem se o Titans já começar a procurar um plano B nesse draft mesmo.

(Em tempo: porque diabos o Titans, que tem um grande ponto de interrogação na posição de QB, trouxe Ken Whisenhunt para ser técnico, um inteligente coordenador ofensivo que também é o pior técnico da história recente da NFL desenvolvendo jovens QBs?!)

O Titans também esbarra em outra questão, a salarial. O time tem apenas 13M de espaço salarial para 2014, e embora esse número possa chegar a 19M caso CJ seja mesmo dispensado, ainda é pouco considerando que um dos melhores defensores da equipe, Alterraun Verner, é um free agent que vai exigir muita grana no mercado. A defesa do Titans melhorou em 2013 mas ainda terminou 19th em DVOA e 22nd em DVOA ajustado, e agora pode perder dois dos seus melhores jogadores em Verner e Bernard Pollard - e se quiser mantê-los, vai ter que gastar grande parte desse espaço salarial escasso. Considerando que a defesa dependeu DEMAIS de Jurell Casey em 2013 e dificilmente ele vai manter o nível para 2014, o time precisa reforçar o resto das posições se quiser ter chances de continuar evoluindo, e perder seu melhor jovem CB em Verner não ajudaria. E mesmo assim, essa é só a segunda decisão mais importante do time em 2014.


Jacksonville Jaguars

Ah, a tristeza... Pelo segundo ano consecutivo, o Jaguars terminou como um dos dois piores times da NFL em DVOA, e sua Pythagorean Expectation de 3-13 é ainda pior do que seu pobre record de 4-12. E o Jaguars é mais um time preso em uma reconstrução que não acaba nunca.

Um bom exemplo do que faz o Jaguas tão ruim é esse: apesar da falta incrível de talento, o Jaguars tinha 42M do seu salary cap em 2013 comprometido com jogadores que sequer estavam na equipe, consequências de contratos péssimos e gestões incompetentes. Então se vamos começar as boas notícias, é por aqui: esse ano, todo esse dinheiro morto finalmente saiu da folha salarial, o que deixou o time com cap space de verdade, de quase 56M. O dinheiro morto do cap em 2014 é de apenas 6M, e embora esse número deva subir se o time dispensar Marcedes Lewis (3M de dinheiro morto, 5.5M de espaço) ou Uche Nwaneri (2M dinheiro morto, 4M espaço), o Jaguars agora vai ter legítimo espaço para contratar free agents e remontar sua equipe como se deve. Considere esse o primeiro passo, saindo do fundo do poço rumo a algo melhor.

Claro, dinheiro na free agency não é tudo - uma parte dos problemas do Jaguars e todo esse dinheiro morto no cap era justamente gastar dinheiro mal na FA - e o time tem buracos demais para resolver só com contratações, mas é um começo. A verdade é que o Jaguars não tem uma solução, é um time que tem talento de menos e bagagem demais, então precisa começar do zero, passo por passo. E flexibilidade salarial e a terceira escolha no draft não são lugares ruins para começar.

Ofensivamente nada no Jaguars se salva - os únicos jogadores acima da média no time em 2013 foram Cecil Shorts e Justin Blackmon, os dois WRs, e Blackmon foi suspenso pelo ano todo depois de falhar teste para drogas - mas pelo menos agora o time tem a chance de recomeçar, e recomeçar com um QB de verdade. Com a 3rd pick do Draft, o time tem a chance de escolher um dos três melhores QBs dessa classe, e talvez até mesmo ser a primeira equipe a escolher um QB caso Houston decida por Clowney. A busca por um Franchise QB tem sido um problema em Jacksonville, um problema que envolveu gastar uma escolha top10 em Blaine Gabbert (não que eu culpe o Jags por isso, ele era considerado o segundo melhor QB do draft e acharam ele um steal em 10th). E considerando que o time tem excelentes chances de sair dessa primeira rodada com Bridgewater ou Manziel (Bortles definitivamente está na conversa também, mas acho que ele parece demais o Gabbert para o Jags ficar confortável), acho que não vão deixar passar a chance. Para começar um capítulo novo (novo dono, novo GM e novo técnico), nada melhor do que um bom QB.

Fora isso, o Jags não tem muito que esperar em 2014 que não seja outra escolha alta de draft. O time até tem arrumado alguns jogadores interessantes nos drafts dos últimos anos - Shorts e Blackmon são bons jogadores, Luke Joeckel vai ter a chance de jogar na sua posição de origem em 2014, Dwayne Gratz teve ótima temporada de calouro e Johnathan Cypren mostrou algum potencial - e vai precisar continuar acertando e investindo no draft nos próximos anos se quiser montar um time vencedor. E acima de tudo, de paciência. De muuuuita paciência.


Houston Texans

A temporada do Texans em 2013 foi, para mim, a coisa mais inexplicável da temporada. Depois de dois ou três anos de candidato ao Super Bowl, o time chegou em 2013, ganhou dois jogos... e perdeu 14 seguidos, terminando com o terceiro pior DVOA e pior record da temporada. Seus QBs foram um problema magistral, tudo deu errado, e o Texans acabou aproveitando isso para garantir a 1st pick nesse draft extremamente interessante.

A pergunta que fica é essa: existe motivo para pânico no Texans? Para mim, não. Sim, a temporada 2013 foi um desastre, mas temos evidências de sobra de que anos outliers em que tudo acontece no pior cenário possível não necessariamente significam que seu time precise ser desconstruído (ver: Red Sox, Boston). Para mim esse foi o ano do Texans, e não só por ter terminado a temporada 2 vitórias baixo da sua Pythagorean Expectations e pelo óbvio potencial de regressão positiva desse time, eu estou otimista que podem dar a volta por cima em 2014.

Para começar, o time ainda tem uma sólida defesa que conta com o melhor defensor da NFL (JJ Watt) e diversos jogadores bons como Jonathan Joseph, Brian Cushing (quando saudável), e Antonio Smith (mais dele em um minuto), o que é um bom núcleo. A defesa caiu ao longo da temporada por conta de lesões, diversos jogadores jogando muito abaixo do que poderiam (principalmente Brooks Reed), falta de interesse e nenhuma contribuição dos LBs depois que Cushing machucou, mas com algum sangue novo, saúde e alguns reforços pontuais (mais regressão positiva) tem tudo para voltar a ser dominante. Ofensivamente o time se afundou na péssima atuação dos QBs e também em lesões, mas o time ainda conta com um fantástico núcleo da linha ofensiva (Duane Brown, Chris Myers e Brandon Brooks), uma boa dupla de WRs (DeAndre Hopkins e Andre Johnson) e, quando saudável, um bom TE em Owen Daniels. Então a base está em seu lugar, e esse foi um time extremamente sólido por dois ou três anos que manteve a maior parte do núcleo. Não vejo porque de repente todo mundo desaprenderia a jogar. É só encaixar novas peças aonde precisa.

Claro, isso também não significa que vai ser fácil. O principal obstáculo é a questão salarial: o Texans está apenas 9M acima do salary cap, e isso lembrando que Antonio Smith é um free agent e vai exigir um salário alto. O Texans já manifestou desejo de trazer Smith de volta, mas isso vai exigir todo tipo de mudanças no salary cap, e não está fácil criar espaço nessa folha salarial. Os maiores candidatos a dispensa não resolvem o problema porque são jogadores que ou carregam um cap hit alto em caso de dispensa (10.5M do Matt Schaub, 7.5M do Arian Foster, 3M do Whitney Mercillus) ou são jogadores cujo contrato é pequeno demais para ter grande impacto (TJ Yates 600 mil, Brian McCain 900 mil, Derek Newton 1.3M). O time sempre pode pedir para algum jogador como Andre Johnson (16M em 2014) reestruturar seu contrato ou dar a jogadores como Owen Daniels (6M, 4.5 de economia se for cortado), Danieal Manning (idem) ou Kareem Jackson (4.5M salário, 3M economia) um ultimato para aceitar uma redução salarial ou serem dispensados depois de temporadas decepcionantes. Mas entre tudo isso vai ser difícil imaginar o Texans liberando uma grande quantidade de espaço salarial, e o dinheiro (que da para chegar a uns 20M dispensado alguns titulares e mantendo outros) seria principalmente usado para reassinar com Smith e alguns outros FAs menores e garantir o dinheiro das escolhas de Draft. E considerando os buracos que a equipe tem hoje - faltam dois jogadores na linha ofensiva além de Brown/Myers/Brooks, o time pode precisar de um TE novo, o pass rush depende demais de Watt e precisa de mais um componente (especialmente porque Mercillus foi um tremendo bust), a secundária precisa de reforços, e os safeties foram uma desgraça desde que Glover Quin saiu - é difícil ver o time adereçando todos esses problemas de uma vez, seja internaemente ou não.

A vantagem para o Texans é ter a 1st pick do Draft, e com ela eles podem ir em duas direções diferentes. A primeira era resolver seu grande problema atual, e selecionar um QB, seja ele Manziel, Bortles ou Bridgewater. Matt Schaub vem piorando vertiginosamente desde sua lesão em 2011, e não parece ter condições de continuar jogando bem depois de um PÉSSIMO 2013, e Case Keenum não convenceu muito como a solução para a equipe, então substituir essa posição extremaemente carente por um sólido QB jovem pode ser o upgrade que colocará o time de volta na briga pelos playoffs e dar a perspectiva para o futuro que eles procuram. A outra direção é pegar a aberração Jadeveon Clowney, colocar ele do lado o posto a JJ Watt e ter a dupla defensiva mais dominante da NFL nos últimos anos, o que deve resolver boa parte dos problemas de pass rush da defesa e dar uma perspectiva muito melhor para esse grupo em 2014. O problema desse último caminho é que ele ainda deixa a incógnita na posição mais importante do jogo, então a não ser que o time esteja contando com Keenum ou Schaub para segurar a barra no curto prazo, eles terão que resolver esse problema ainda esse ano, talvez aproveitando a profundidade para pegar um jogador como Zach Mettenberger na segunda rodada. Não existe uma direção certa, mas a decisão de como usar essa 1st pick é o que vai determinar quando a equipe voltará a disputar vaga nos playoffs e qual a direção futura da franquia.


Oakland Raiders

Pense em um viciado em drogas pesadas. Ele passou um longo período escravo do vício, desperdiçando seus anos. Enfim ele percebe o problema, e passa por um difícil e sofrido processo de desintoxicação e reabilitação. Por fim, livre do seu problema, ele parte para novos horizontes e recuperar o tempo perdido.

Essa é basicamente a história do Oakland Raiders nos últimos anos. Um dono meio maluco e uma série de GMs incompetentes prenderam o time a uma série de contratos ruins e times medíocres da qual estavam impossibilitados de escapar e mantiveram o time por tanto tempo na mediocridade, só que ao invés de admitir o problema e procurar resolvê-lo, tentaram consertar com mais contratos e drafts ruins e decisões equivocadas, que se tornaram uma bola de neve e mantiveram o time refém dessa mania. Atualmente, o Raiders está passando pela fase de desintoxicação: eles ainda estão em processo de se libertar de todos os jogadores e contratos horríveis que sobraram e limpar seu salary cap. Por fim, concluído isso, o Raiders pode pensar em se reerguer como a franquia importante que é e tentar voltar a ser relevante.

E acho que nada ilustra melhor esse processo de "desintoxicação" do Raiders melhor do que o seguinte dado: ao final de 2013, o Raiders tinha 55.6M do seu salary cap destinado para jogadores ativos na sua equipe... e 56M para jogadores que não jogavam mais pelo Raiders (incluindo Carson Palmer, que não só ocupava 9M da sua folha salarial para jogar pelo Cardinals como custou uma escolha de primeira rodada e uma de segunda). Esse ano esse dinheiro morto cai para apenas 9M, e nenhum desse dinheiro será carregado para 2015 (por enquanto). Então literalmente, o Raiders está tentando se livrar ainda do desastre e das péssimas condições deixadas pelos anos anteriores da franquia.

Feito isso, o Raiders está basicamente na condição do Jaguars, problemas demais para resolver com pouco tempo, mas pelo menos uma escolha boa no draft, uma folha salarial limpa e a chance de um novo começo. Ao contrário dos Jaguars, no entanto, o Raiders não tem um caminho claro até um QB, que seria a primeira peça da reconstrução. Jaguars, Browns e Texans, os três escolhem antes do Raiders, e todos eles possuem necessidades na posição, e portanto o Big Three de QBs pode estar fora do draft antes de chegar a vez do Raiders. Se acontecer, é fácil: escolher o melhor jogador disponível (seja ele Sammy Watkins, Jadeveon Clowney ou Greg Robinson) e esperar o resto do time encaixar em torno disso nos próximos anos. Se algum dos três cair, acho possível que o Raiders se sinta tentado pela ideia de finalmente arrumar um bom QB (algo que o time não tem desde... Rich Gannon?), mas não acho que o time precise ter pressa. Não existe uma saída rápida do buraco para o Raiders mesmo com um bom QB, e é melhor pegar uma certeza do que arriscar em um QB que eles não tem tanta confiança. Eles também podem gastar algum dinheiro para manter alguns dos seus melhores free agents (em particular LaMarr Houston), embora não ache que isso vá acontecer - o caminho do Raiders para o sucesso não é tão curto assim, e acho que a diretoria já teve o suficiente de pagar demais para jogadores que não devia e sofrer com as consequências. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Palpites para a semana 13 da NFL - Parte I


Happy Thanksgiving! (Sim, é do ano passado, mas e dai?!)



Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem!


No próximo bimestre, começaremos uma série chamada Sports Mythbusters. A idéia é bem simples, pegar clichês, mitos ou lugares comuns dos esportes americanos e colocá-los a prova. Então estamos aceitando sugestões, e qualquer mito, frase comum, chavão ou coisa assim dos esportes que vocês querem ver testada e comprovada (ou ao contrário, que quer ver desmentida) podem mandar que vamos analisar os melhores. Mais uma chance de vocês sugerirem nossas pautas. Podem mandar emails com as sugestões para tmwarning@hotmail.com, para o twitter @tmwarning, ou simplesmente colocar nos comentários quando der na telha.
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Aproveitando que essa é uma rodada especial - três jogos nessa quinta feira de sol e alegria - vamos antecipar os palpites da semana um dia para cobrir todos os jogos em duas partes. Já falamos terça feira sobre a situação dos playoffs e quais os times que importam diretamente nessa rodada para isso, então agora é hora de colocar a mão na massa. Mas antes de soltar os palpites sobre os jogos de quinta feira (os dos jogos de domingo vem amanhã), queria aproveitar para atender a sugestão de um leitor chamado Lucas Pires. Com a AFC tão embolada, com tantos times empatados por uma vaga no Wild Card da AFC, ele queria saber mais sobre os critérios de desempate na NFL. Então achei uma boa deixa para mostrar um pouco como esse critério funcionaria, caso eventualmente essa igualdade se mantenha mais tempo. Olhe abaixo os times que disputam atualmente a segunda vaga do WC da AFC (fora de ordem):




Esses são os records, o record dentro da divisão, e o record dentro da conferência de cada um dos oito times que ainda disputam essa vaga nos playoffs, os principais fatores na hora de determinar os critérios de desempate. A tabela fica aqui como referência para quem quiser fazer as contas e acompanhar o vai-e-vem dessa vaga conforme as rodadas progridem.

Obviamente, classifica o time com melhor record ao final da temporada (considerando a outra vaga como já garantida por Broncos ou Chiefs). Então se um desses times que estão 5-6 simplesmente vencer um jogo a mais que seus adversários até o final do campeonato, ele vai se classificar. O problema começa se mais de um time terminar empatado com o mesmo record. E fica ainda maior quando o empate acontece entre mais de um time, quando tudo fica confuso de vez.

Em primeiro lugar, se o empate for apenas entre dois times, o critério de desempate funciona de forma um tanto quanto fácil. O primeiro critério, se possível, sempre será o confronto direto. Entre esses oito times, temos os seguintes confrontos diretos:

  • Ravens venceu Jets e Dolphins (portanto teria vantagem), perdeu para Bills (Bills tem a vantagem), dividiu a série com o Browns (nenhum tem vantagem) e perdeu o primeiro jogo contra o Steelers, com o segundo hoje a noite (se perder Steelers tem a vantagem, se vencer nenhum tem).
  • Steelers venceu Jets e Bills, mas perdeu de Titans e Raiders. Venceu o primeiro jogo das séries contra Browns e Ravens, mas tem mais um por acontecer (vitórias garantem o Steelers no confronto direto contra ambos). Ainda enfrenta Miami Dolphins.
  • Jets perdeu para Steelers, Ravens e Titans. Dividiu a série contra o Bills. Ainda enfrenta Raiders, Browns e Dolphins (duas vezes).
  • Dolphins venceu Browns e Chargers, e perdeu para Ravens. Perdeu para Bills mas ainda se enfrentam mais uma vez. Ainda enfrenta Steelers e Jets (duas vezes).
  • Titans venceu Steelers, Chargers, Jets e Raiders. 
  • Chargers perdeu para Titans e Dolphins. Perdeu o primeiro jogo para o Raiders mas ainda se enfrentam mais uma vez.
  • Browns venceu Bills, e perdeu para Dolphins. Dividiu a série com o Ravens. Perdeu o primeiro jogo para Steelers mas ainda se enfrentam mais uma vez. Ainda enfrenta Jets.
  • Bills venceu Ravens, e perdeu para Steelers e Browns. Dividiu a série contra o Jets. Venceu o primeiro jogo contra Miami mas ainda se enfrentam mais uma vez.
  • Raiders venceu Steelers e perdeu de Titans. Venceu o primeiro jogo contra o Chargers mas ainda se enfrentam de novo. Ainda enfrenta Jets.
Então basicamente essa é a situação atual dos confrontos diretos entre as equipes. Caso haja empate entre apenas dois deles pela vaga, o confronto direto será o primeiro e mais importante critério de desempate (por isso a lista). Mas caso haja empate entre os times em casos de dois jogos no confronto direto, ou então caso os dois times não tenham se enfrentado na temporada - ou seja, em casos onde o confronto direto não vai resolver - depende de outros fatores.

Se os times forem da mesma divisão, o próximo critério a ser resolvido é o record dentro da divisão, por isso essa estatística foi incluída na tabela. Se ambos os times estiverem empatado nesse quesito (e tiverem dividido os dois jogos entre si, senão isso teria sido resolvido no confronto direto), o próximo confronto de desempate é o record de ambos os times em jogos contra adversário comuns. Isso pode parecer estranho, mas não é: os times de uma dada divisão enfrentarão 12 jogos em comum, quatro contra os dois times restantes da divisão, quatro contra uma divisão da AFC e quatro contra uma da NFC (no caso, toda a divisão joga contra eles). Então o record de ambos os times nesses 12 jogos é que vai determinar quem tem vantagem. Se mesmo assim houver um empate entre os times, então o que vale é o record dentro da conferência (12 dos 16 jogos de cada time são dentro da conferência) - quem venceu mais desses, tem a vantagem. Se o empate persistir, o que vale então é o calendário enfrentado: primeiro, o record dos times derrotados pelas duas equipes (naturalmente, quanto maior, melhor porque quer dizer que venceu adversários mais fortes), e se ainda persistir o empate, então vale o record total dos adversários enfrentados (ou seja, quem teve o calendário mais difícil ao longo do ano). Acho que até aqui é o que acaba sendo de fato utilizado, e que podem servir para alguma coisa. 

Se AINDA ASSIM continuar o empate, entramos naquela série de detalhes improváveis de serem utilizados que duvido muito que sejam úteis, mas vou colcar aqui só por desencargo de consciência: primeiro, somando a colocação final, dentro da conferência, das equipes nos quesitos pontos cedidos e pontos anotados, e o menor número ganha (ou seja, se um time terminou o ano 6th em pontos anotados e 7th cedendo pontos, seu número será 6+7=13. Se você teve o 14th melhor ataque e a 3rd melhor defesa, 14+3=17. Ganha o menor, naturalmente). Se ainda assim der empate, repita o mesmo procedimento mas dessa vez usando a colocação final entre toda a NFL e não apenas sua conferência. Depois entram os que as pessoas já desistiram de ser criativas e só querem achar uma solução: saldo de pontos nos 12 jogos com adversários comuns entre as equipes; depois saldo de pontos total; depois, o saldo de touchdowns (anotados-sofridos) pela equipe... e se tudo isso não conseguir definir um desempate porque foram os dois times mais idênticos da história da NBA, então entrega para Deus e tira logo um cara ou coroa.

Se os dois times empatados NÃO forem da mesma divisão, os critérios usados são basicamente os mesmos (por isso não vou repetir todos em detalhes como antes), mas em outra ordem: record em jogos dentro da conferência (12 por time); depois o record contra adversários em comum, SE esse número for maior do que quatro (caso não for, ignore esse critério); e depois fica igual ao desempate dentro da divisão: record dos times vencidos, record total dos adversários, soma das colocações em pontos anotados e cedidos (primeiro dentro da conferência, depois na NFL inteira); saldo de pontos em vitórias; saldo de pontos; saldo de touchdowns; e enfim, cara ou coroa. 

No caso de um empate entre três ou mais times, como é o caso agora, é um pouco mais difícil. Primeiro, tenha em mente que o objetivo desses critérios para três times é simplificar: se você conseguir usá-los para chegar em um time superior, ótimo, mas se conseguir eliminar os outros times o suficiente até sobrarem só dois, já está ótimo porque dai você pode usar só os critérios anteriormente citados para desempates entre dois times para separar entre esses dois que restaram o que fica com a vaga. Então sempre pense em caso de eliminação: mesmo que um critério não possa eleger um time superior por persiste um empate entre dois ou mais times, ele pode mostrar um time abaixo dos demais, e você pode usar isso para eliminá-lo da disputa pela vaga.

A primeira coisa a fazer em um empate entre mais de dois times é eliminar times que sejam da mesma divisão. Cada divisão só pode ter um time nesse empate, e se você tiver dois times empatados por essa vaga que pertencem a mesma divisão, você primeiro vai usar os critérios de desempate entre dois times de uma mesma divisão (explicados anteriormente) para eliminar um deles (se o resultado desse primeiro passo for um empate entre dois times de divisões diferentes, aplique os critérios já citados). Se ainda sobraram três ou mais times, você vai olhar para os confrontos diretos, mas só em condições de varridas: se um dos times empatados tiver vencido todos os demais, ele fica com a vaga, e se um time tiver perdido para todos os demais, ele está eliminado da disputa. Caso seja, digamos, um empate entre quatro times e um time tenha vencido dois dos outros e não tenha jogado com o outro, então nada acontece nesse critério mesmo que aquele time tenha vencido dois jogos contra seus adversários. Se ainda assim continuar tudo empatado, prevalece o time com melhor record dentro da conferência, e se não houver nenhuma prevalência ou eliminação por esse critério, então utilizamos novamente a questão do record em jogos entre adversários comuns, com um mínimo de quatro jogos para valer (o que é mais difícil considerando que agora esses quatro jogos comuns tem que ser entre três ou mais times). Se mesmo assim não chegarmos a nenhum resultado final ou eliminação, aplicamos os já conhecidos: record dos adversários derrotados; record total dos adversários; saldo de pontos nas vitórias; saldo de pontos total; saldo de touchdowns... e enfim, cara ou coroa, que eu não faço idéia de como funcionaria se fossem três times empatados. 

Para ficar mais claro, vamos usar esses critérios para ver quem detém essa vaga atualmente. Primeiro, temos um empate entre seis times: Jets, Dolphins, Chargers, Titans Steelers e Ravens. Para determinar quem tem a vantagem, primeiro precisamos eliminar um time da AFC East e um time da AFC North. Considerando que o Steelers venceu seu único jogo até agora contra o Ravens, é ele quem tem a vantagem e portanto continua no empate, e ainda que Jets e Dolphins não tenham se enfrentado, o Jets está 2-2 dentro da divisão e Miami 0-2, então a vantagem é de New York. Então eliminamos Dolphins e Ravens e ficamos com Steelers, Chargers, Titans e Jets. Para a sorte do tamanho desse post, um desses times já enfrentou e venceu os três demais: o Titans, que conseguiu essa façanha contra os três adversários nas quatro primeiras semanas. Então no final só precisamos de dois passos para chegar a um resultado nesse empate maluco, e o Titans é o atual dono da vaga.

Espero que tenha ficado claro para todo mundo como funciona esse critério de desempate, e que isso sirva de "guia" para quem torce para um desses times ir acompanhar como os critérios de desempate estão se desenhando ao longo do ano.


Palpites para os jogos de quinta feira


LIONS over Packers
Contra o spread: Packers (+6.5) over LIONS
Existe algum time mais irritante de se escolher no pick'em do que o Lions? Eles são muito bons, tem muito talento e muitos jogadores especiais, um ataque explosivo e uma defesa que quando saudável é decente... mas eles continuam atirando no pé nos momentos decisivos! Ano passado eles disputavam esse título com o Panthers, mas agora que Ron Rivera teve uma epifania e virou Riverboat Ron o Panthers passou de ser um dos times que mais se matava no final para um dos que menos faz isso. Agora Jim Schwartz é o dono do time menos confiável da NFL. Hooray!!

Eu ainda acredito que o Lions vença o jogo. Aaron Rodgers continua fora (deve voltar semana que vem), o time quer vingança pelo primeiro jogo entre esses times (Megatron não jogou), e Detroit sabe que se quer vencer a divisão PRECISA ganhar esse jogo e se manter na frente de Green Bay antes que Rodgers volte. Então eu aposto no Lions, mas não consigo não achar que esse jogo vai ser desnecessariamente apertado, com Detroit fazendo o possível para entregar o jogo, e o Packers não aproveitando no final simplesmente porque seu QB é Matt Flynn.


COWBOYS over Raiders
Contra o spread: Raiders (+8.5) over COWBOYS
Uma mistura de "Eu estou louco ou Matt McGloin não é horrível?" com "a defesa do Cowboys é simplesmente horrível sem Sean Lee e eu não me sinto confortável apostando mais de um TD nela". A única coisa que me faria apostar em Dallas seria a idéia de Dez Bryant sendo coberto o jogo todo por Tracy Porter ou Charles Woodson, mas ainda assim, não consigo ficar confortável com 8.5 pontos com a defesa do Cowboys (ainda mais em um jogo de quinta feira a tarde). Nem que seja um TD em garbage time, acho que o Cowboys entrega o cover.


Steelers over RAVENS
Contra o spread: Steelers (+2.5) over RAVENS
Esse jogo é muito mais difícil do que parece a primeira vista, e como todo jogo de grande rivalidade e intensidade, nunca é bom tirar muitas conclusões porque na hora tudo acaba sendo inútil. O Steelers provavelmente é um time melhor a essa altura do campeonato (especialmente agora que Big Ben transformou Antonio Brown em um WR de elite), mas o jogo é em Baltimore, o Steelers perdeu 6 dos seus últimos 8 jogos fora de casa, e o Ravens sabe que precisa vencer esse jogo se quer ter chances de ir aos playoffs: se perder o Steelers tem vantagem no critério de desempate com uma vitória a mais, ainda mais que o Ravens enfrenta Pats, Bengals e Lions ainda e o Steelers enfrenta Dolphins e Browns em casa.

Mas o que torna esse jogo tão difícil de apostar qualquer coisa é esse dado que o Bill Simmons colocou na sua coluna: 9 dos últimos 12 jogos entre Ravens e Steelers foram decididos por três pontos ou menos, e 11 de 12 foram decididos por um TD ou menos. Considerando como jogos de uma posse de bola tendem a ter uma distribuição bem aleatória e ser influenciados por diversos fatores pequenos que determinam a vitória (Tony Carter, alguém?). Então basicamente, se seguir esse padrão, a chance de alguém vencer esse jogo é 50-50. Claro que não é assim tão simples, mas mesmo assim, é muito equilíbrio para dar um palpite consistente. Vou de Steelers porque ele possui o melhor QB e o melhor jogador ofensivo não-QB, mas por pouco.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Pontos importantes da semana 10 da NFL

As coisas não estão boas para Cutler e o Bears...


Para participar do nosso mailbag, ou seja, enviar uma pergunta/comentário/dúvida/tópico de debate para ser respondida aqui no blog e no Esporte Interativo, é só mandar um email para tmwarning@hotmail.com com o título "Mailbag" que ele pode aparecer por ai. Forma de tornar isso mais interativo e próximo dos leitores. Então participem!

Para o resumo de meio de temporada sobre cada um dos times da AFCclique aqui

Para o resumo de meio de temporada sobre cada um dos times da NFCclique aqui

Também fizemos uma distribuição de prêmios com base na primeira metade da temporada, você pode conferir todos clicando aqui
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Faltam apenas 7 rodadas agora, e cada vez a situação dos playoffs vai ficando menos clara quando deveria ficar mais. Tennessee Titans parecia um candidato ao wild card até perder do Jaguars (!!) e ver Jake Locker sair machucado para o resto da temporada. San Francisco parecia um candidato forte ao título até ser humilhado em casa pela defesa de Carolina. O Colts era um dos melhores times da NFL até tomar de 38-8 em casa do Rams. Mesmo sem querer overreact a uma semana apenas de jogos, afinal todo tipo de bizarrice pode acontecer em um jogo só, é o tipo de coisa que só serve para destruir as poucas certezas que tínhamos na temporada até aqui. Quando parece que estamos chegando a alguma conclusão, a NFL muda tudo. A temporada está mais aberta do que nunca. Então vamos ver alguns dos pontos que chamaram a atenção ao longo dessa rodada, começando com um rápido Mailbag.

Mailbag de terça feira


A idéia dos mailbags não era juntar com o post de terça feira. Eu queria era fazer um post só dele se o número de emails fosse suficiente, ou então caso a quantidade não fosse tão grande juntar com os palpites da rodada de sexta feira. Mas basicamente tudo dependeria mesmo era da quantidade de perguntas disponíveis para serem respondidas.

Essa semana tinha um número razoável, então a idéia era responder junto dos palpites de sexta feira. Mas como fizemos o resumão de meio de temporada, os palpites acabaram ficando para o final de semana e faltou tempo para o mailbag. Então excepcionalmente dessa vez o mailbag foi encaixado aqui no post de terça, mas os futuros mailbags voltarão ao formato normal de um post próprio ou de acompanharem os palpites na sexta feira. Então continuem mandando as perguntas para tmwarning@hotmail.com que a gente vai responder sempre que der.

Por que a contagem de jardas de passes aéreos considera a distância percorrida pelo recebedor? (Isso não ajuda a supervalorizar o papel do quarterback, que já é o principal jogador da equipe, e desmerecer quem realmente, em grande parte das vezes, faz o trabalho pesado?) - Anderson Rodriguez

Acho que tem dois fatores agindo nesse caso. O primeiro é que nem toda YAC (Yards After Catch) é igual. Tem aquele caso que o QB faz um passe curto pro WR para ganhar cinco jardas, e o recebedor faz uma jogada fantástica ganhando mais 40 jardas, que deve ser o que você está pensando. Mas também tem muito time e muito esquema ofensivo que é baseado em abrir espaço pelo campo para que o QB possa achar um WR acelerando através do campo. Nesses casos, é crucial que o QB seja capaz de dar um passe muito preciso, de forma que o recebedor possa receber a bola sem perder velocidade e aproveitar o espaço aberto, e não é nem um pouco fácil fazer esse tipo de coisa: um pouco atrás e o jogador precisa desacelerar para conseguir a bola (perdendo o arranque inicial e a chance de explodir para jardas) e um passe mais forte pode obrigar o recebedor a ampliar a passada e perder estabilidade. Então tem muitos casos onde um passe preciso é um requisito fundamental para o jogador percorrer jardas depois da recepção.

Mas acho que talvez ainda mais importante seja a questão da padronização. A idéia de separar as jardas depois da recepção do QB seria uma forma de "separar" os méritos do QB e do WR na jogada, mas também tem jogadas onde o QB tem mérito e o WR estraga (por exemplo, um passe longo de 40 jardas no colo do recebedor que ele não segura) e ficaria difícil nesse caso você dar as jardas para o QB e não para o WR. Então é uma forma de dividir a diferença e deixar tudo padronizado. Mas algumas estatísticas avançadas - QBR, por exemplo - dão um peso diferente a jardas após a recepção, contando elas com um peso menor do que as jardas que a bola viaja pelo ar. Mas para a estatística básica acho que isso da mais trabalho do que ajuda, é uma forma de simplificar as coisas.


O que falta ao GB Packers (time que "adotei") pra ser realmente considerado ao Superbowl desta temporada (além de voltar todo mundo do DM) já que todo mundo o coloca numa segunda lista atrás de Broncos, Seahawks, 49ers, Colts, e até Chiefs? - Anderson Rodriguez

Bom, no momento o que realmente falta é um QB, porque o Aaron Rodgers está fora pelo menos mais duas semanas e alguns relatos dizem seis. Com uma NFC North muito competitiva e uma briga bem apertada pelo wild card, a situação de Green Bay não parece boa.

Mas o Anderson enviou esse email antes da lesão do Rodgers, então não era exatamente essa a questão. E a verdade é que eu não faço idéia de porque o Packers não era citado entre os melhores times da NFL. Eles possuíam basicamente a mesma coisa que o Broncos em termos de montagem de elenco: uma defesa vulnerável (mas com mais talento que a de Denver), um QB de elite, e um excelente corpo de recebedores, ainda que os de Green Bay estivessem sofrendo diversas lesões. Então realmente é um mistério para mim porque Green Bay estava recebendo tão pouca atenção e sendo considerado um contender inferior aos demais times quando tinha tudo que você precisa para ter sucesso na NFL.

Minha opinião particular: Green Bay não é um time tão interessante do ponto de vista midiático essa temporada. Eles não estão caminhando para um ano histórico como Denver, com uma história de volta por cima como Kansas. Eles não possuem histórias tão interessantes como Tom Brady jogando com um corpo bem ruim de recebedores, ou uma rivalidade para mantê-los relevantes como 49ers e Seattle, nem tiveram um grande jogo contra um bom time para chamar a atenção. Eles simplesmente fizeram o que sempre fazem: consistência, grandes atuações de Rodgers, mesmo um boost do jogo terrestre com Eddie Lacy, mas não foi suficiente para chamar a atenção da grande mídia. Por isso eles acabaram em segundo plano, mas em nenhum momento - ou pelo menos até a infeliz lesão de Rodgers - isso significava que eles fossem um time inferior aos que buscavam o Super Bowl. Pena que agora a temporada pode ter ido por água abaixo, adoro assistir o Packers jogar com Rodgers em campo.


Muito se fala de uma franquia em Londres, até dois jogos de temporada estão rolando por lá.  Mas Vitor quais seriam as chances na sua opinião de uma franquia se transferir para o Canada por exemplo, já que temos times canadenses nas outras três Majors Leagues? O Canada possui uma liga de futebol americano e geograficamente falando é muito mais viavel um time em Toronto, por exemplo, do que um time em Londres. - Fabantas

Eu acho que o principal interesse da NFL em criar um time de Londres é para explorar diretamente o mercado europeu através de um time local, já que existe um interesse disperso no esporte por lá mas que ainda não tem uma via de acesso direto. O problema, obviamente, é a questão da logística: as viagens para Londres são muito mais demoradas e cansativas do que as viagens dentro dos EUA, o que daria um problema de calendário (só times que estão na costa Leste poderiam ir jogar em Londres na semana seguinte), teria que ter possivelmente uma semana a mais de bye para os times que estão voltando de jogar lá, e por ai vai. 

O Canadá não apresenta essas dificuldades logísticas - o Bills até manda alguns dos seus jogos lá - mas também não apresenta as vantagens de mercado. O mercado canadense já é bastante ativo e bem explorado em termos de futebol americano por conta da sua proximidade, então acredito que não haja necessidade de um time localizado lá para efetivar o potencial desse mercado, ele já é bem realizado. Então se o Canadá não apresenta as dificuldades logísticas e geográficas de um time em Londres, ele também não trás os mesmos benefícios que um time inglês traria, e considerando o trabalho e o custo que é realocar um time de futebol americano, acho que a NFL não tem interesse em ter todo esse trabalho para colher um benefício que talvez não seja tão grande.

Então acho que a NFL tem pouco interesse em incentivar uma mudança para o Canadá. Se fosse para acontecer, a iniciativa teria que partir de algum time. Como o leitor "Ases" muito bem comentou, o Bills seria uma possibilidade interessante: eles já mandam alguns jogos além da fronteira, estão perto de Toronto, e poderiam querer um mercado maior do que Buffalo para explorar, e é possível que a cidade de Toronto também tenha interesse em atrair um time de NFL para lá. Então não é como se fosse uma idéia impossível ou mesmo distante, mas os interesses por trás de um time em Toronto e em Londres são bem diferentes.


sei que ainda é cedo pra falar de draft, mas quais times na sua opiniao tem grandes chances em drafitar um QB no 1rst round? minha duvida maior fica por conta dos vikings. Eles (muito provavelmente) terao uma escolha alta, mas a defesa ta uma mãe, sera que vao de qb ou buscarao outro caminho? - Lucas Maia

Bom, acho que depende da disponibilidade. Essa classe de QBs é extremamente profunda, então tem muitos QBs interessantes que devem cair para a segunda ou terceira rodada, então imagino que cada time vá adaptar sua busca por um QB ao que o draft oferecer. Dito isso, se todos os jogadores que podem entrar se declararem de fato para a NFL, a quantidade de talento nele vai ser ridícula, com uns cinco ou seis QBs cotados para sair na primeira rodada, com Teddy Bridgewater e possivelmente Marcus Mariota disputando as primeiras colocações. Entre os times que eu imagino que tenham interesse em pular cedo atrás de um QB, acho que nenhum é mais garantido que o Jaguars, que claramente precisa de um futuro para a franquia e vai ter uma escolha alta.

Depois do Jaguars, não sei se tem nenhum time 100% claro. Cleveland é um time que está a um bom QB de ir aos playoffs e que também seria um fortíssimo candidato a pular em um na primeira rodada. Para mim o Bucs deveria pegar um sem pensar duas vezes, mas como o Mike Glennon é calouro e está bem talvez deixem para a segunda rodada. O Raiders era outro no-brainer algumas semanas atrás, mas Terrelle Pryor tem jogado bem e talvez faça o time pensar duas vezes. O Rams tem a chance de mandar o Sam Bradford embora a metade do custo e tem duas escolhas de primeira rodada, seria um candidato muito forte a fazer uma troca para subir desde que tenham a coragem de realmente mandar o Bradford passear. Vikings, como você disse, é um dos mais fortes candidatos porque a situação de QB lá está ridícula e eles precisam de um reforço para a posição. E agora Bears e Pittsburgh aparecem como opções difíceis mas interessantes caso decidam partir caminhos com seus QBs atuais (Cutler é free agent) nas vésperas de um draft tão cheio de talento. Então a verdade é que tem mais times procurando por um QB do que quarterbacks cotados para sair na primeira rodada, então vai depender dos times que escolhem antes e dos times que seriam mais agressivos com trocas para subir na ordem. Diria que hoje, Jaguars, Raiders, Vikings e Browns seriam os principais candidatos a serem mais agressivos, até porque devem estar alto no draft, mas vai depender de muita coisa até lá.


O que é mais fácil: o time campeão da divisão NFC East acabar a regular season com record negativo ou KC Chiefs ter uma perfect season? - Tiago Rotava

De longe a pergunta mais difícil que eu já tive que responder nesse blog. Eu diria que o campeão da NFC East acabar com record negativo: Eagles e Cowboys estão 5-5 e ambos enfrentam uma tabela relativamente difícil. Eu não acho que vá acontecer, acho que o Cowboys consegue pelo menos ficar com 8-8 (sabendo que tem critério de desempate contra praticamente toda a NFC East garantido) ou 9-7, mas é uma possibilidade. E ainda assim, é mais provável do que o Chiefs vencendo seus últimos 7 jogos: se o calendário de Kansas City até aqui foi um dos mais fáceis da NFL, o resto dele é um dos mais difíceis, com dois jogos contra Chargers, dois contra Broncos, mais Oakland fora e Colts. Considerando que o ataque do Chiefs não tem sido realmente impressionante nesse começo de temporada, será que a defesa é suficiente para vencer TODOS esses jogos? Eles também estão 3-0 em jogos decididos por uma posse de bola, e não vão conseguir ganhar todos esses até o final do ano. Então é improvável que alguém ganhe a NFC East abaixo de 8-8, mas é ainda mais improvável que o Chiefs consiga vencer esses seis jogos sem que nada de errado para eles.


Ações em alta


Como um economista, uma coisa que eu aprendi a entender é o funcionamento das ações. Quando as coisas estão parecendo boas, todo mundo começa a comprar e o preço sobe. Quando estão indo mal, todo mundo vende, a demanda aumenta, e o valor delas cai. Acho que todo mundo aqui já se deparou com um índice como Bovespa ou Dow Jones e viu se estava em alta ou não.

Pensando nesse sentido, quais seriam as ações dentro da NFL que estariam em alta ou em baixa depois dessa última rodada? Quais conceitos, idéias ou afins estariam ganhando valor com o passar dessa rodada e quais estariam perdendo? Então vamos começar com aquelas que estão em alta no momento, primeiro com...


  • Carolina Panthers como Super Bowl contenders
Quer dizer, vocês viram essa defesa jogar recentemente?! Nos cinco últimos jogos da equipe - cinco vitórias - os adversários conseguiram anotar no máximo 15 pontos contra ela: 10, 15, 13, 10 e 9 pontos, na verdade. Enquanto isso, a defesa tem forçado um número excelente de turnovers, com 12 nessas cinco vitórias enquanto seu ataque produziu apenas 4 (na verdade 3, um dos turnovers veio nos special teams). E se você perdeu o duelo dessa semana contra o 49ers, perdeu um show da defesa: foram seis sacks, dois turnovers forçados e basicamente uma dominação incrível contra o que deveria ser um bom ataque. Eles controlaram o jogo inteiro na linha de scrimage, e dos três FGs do adversário, um veio depois da uma interceptação do Cam Newton retornada para a red zone e outra em um fumble maluco depois de um punt bloqueado. Chamar a performance da defesa do Panthers de dominante é pouco, eles engoliram um ataque que estava entre os 10 melhores da NFL em DVOA. A linha de frente em particular dessa equipe não tem igual na NFL, tanto contra a corrida como pressionando o QB, e é realmente um desafio enfrentar esse time.

Claro, o Panthers ainda tem alguns problemas. O ataque é muito inconsistente, e o time precisou de uma série de golpes de sorte em fumbles para vencer a partida, mas vindo de uma boa sequência de jogos contra uma tabela fácil, ir até a casa de um candidato ao título e dominar a partida dessa maneira com sua defesa é um excelente sinal. Apesar de seus problemas, ter uma defesa assim sempre é um sinal positivo, e agora que Ron Rivera bateu com a cabeça e decidiu ser o técnico mais agressivo do mundo em situações de 4th and short, essa vitória solidifica de vez o status do Panthers como candidato ao Super Bowl.

  • Nick Foles e Case Keenum como titulares na NFL
Keenum ainda não conseguiu vencer seu primeiro jogo na NFL e eu mal posso esperar para começarem a surgir as manchetes de que ele não consegue vencer jogos por isso ou aquilo ao melhor estilo Tony Romo. E ainda tem muitas coisas para não gostar do jogo de Keenum, especialmente seu descuido protegendo a bola (são três fumbles em três jogos, e todos foram importantes nas derrotas), mas considerando que o Texans tem até o final do ano para testar o garoto na posição de titular e decidir se segue com ele para seu futuro ou investe nesse draft profundo, o começo tem sido bem interessante: apesar dos 55% de aproveitamento nos passes, são 8.1 jardas por passe, 7 TDs contra nenhuma interceptação nesses três jogos, com um QBR de 55 apesar dos três fumbles. A amostra obviamente é pequena e é extremamente improvável que alguns desses números se sustentem, mas o garoto tem feito um caso bem interessante para convencer o Texans a lhe dar mais uma chance no futuro com suas habilidades para sair do pocket e escapar da pressão e seus passes longos e precisos. 

O jogo contra o Cardinals foi mais uma boa partida de Keenum, com 221 jardas e 3 TDs e quase conseguindo a virada contra uma das melhores defesas da NFL, e isso com Arian Foster machucado. Na verdade, duas das partidas de Keenum vieram contra excelentes defesas, tendo enfrentado Chiefs e Cardinals no processo. Claro, foram suas duas piores partidas, mas é um bom começo para a carreira do garoto. 

E se os números de Keenum parecem bons, que tal Nick Foles: são sete jogos para Foles (quatro como titular) e os seguintes números: 63.2% de aproveitamento, 9.2 jardas por passe, 16 TDs contra nenhuma interceptação, e um QBR de 79. Em outras palavras, HOLY SH--!!! Claro, esses números são tudos menos sustentáveis: seu 11.6 de TD% é o mais alto da NFL e totalmente fora do normal, suas zero interceptações também não vão se manter por muito tempo, e basicamente Foles é uma regressão ambulante esperando para acontecer - ajuda muito também que Foles tenha enfrentado uma tabela bastante fácil. Tendo isso em mente, a verdade é que Foles tem jogado muito bem. Ele tem sido particularmente letal em passes em pronfundidade (que viajam mais de 15 jardas no ar), com 7 passes para TDs nesse tipo de passes nas últimas três semanas (nenhum QB na NFL tem mais de 7 passes TOTAIS para TD nas últimas três semanas), algo importante para o sistema de Chip Kelly. Essa semana, Foles conduziu o Eagles a uma vitória importante sobre o Packers para empatar na liderança da NFC East, e 225 jardas e 3 TDs do seu QB foi tudo que o time precisou. Eu ainda acho que Foles não é a solução do Eagles a curto prazo, mas a cada rodada que passa ele parece se solidificar mais como o QB da equipe.

  • Disputa pelos playoffs na NFC

Com oito rodadas ainda por jogar na NFL, é claro que ainda tinha muita coisa em aberto para definir os playoffs da NFC e muita coisa poderia mudar. Mas essa rodada terminou de bagunçar as coisas de vez. As derrotas de 49ers, Cowboys e Green Bay terminaram de amontoar todos os concorrentes as quatro vagas restantes de playoffs (Saints e Seahawks parecem garantidos), e agora a briga está mais imprevisível do que nunca.

Para começar, três das quatro divisões ainda estão muito em aberto, com apenas o Seahawks parecendo ter um controle firme na sua por enquanto (ainda que sejam apenas 2.5 jogos de vantagem). Para começar, a vitória do Eagles e a derrota do Cowboys coloca os dois times empatados no topo da NFC East com 5-5 cada um deles. Giants e Redskins (3-6) ainda tem uma chance de brigar por esse título, considerando a quantidade de confrontos diretos ainda dentro da divisão, mas no momento me parece uma corrida de dois times. Vale lembrar que Cowboys e Eagles se enfrentam ainda em Dallas na última rodada, e o Cowboys tem a vantagem dos critérios de desempate por enquanto.

Uma outra divisão apertada, mas que agora tem um time a frente da concorrência, é a NFC North. A derrota de Green Bay e a vitória do Lions sobre Chicago colocou Detroit uma vitória a frente de seus dois rivais (6-3 contra 5-4). Com Aaron Rodgers fora por mais algum tempo ainda não determinado (entre duas e seis semanas, segundo constam os relatos) e com Detroit tendo a vantagem do desempate contra Chicago por ter vencido ambas as partidas, o Lions parece ter a dianteira na corrida. A NFC South também tem uma disputa interessante, com o Saints uma partida a frente do Panthers mas dois confrontos diretos pela frente.

Mas o que essa rodada realmente deixou interessante foi a briga pelo wild card. Se 49ers vence, a NFC South estaria quase garantida, uma vaga no WC já teria dono e ficaria por isso mesmo. Com a vitória do Panthers, a coisa embolou: Carolina e San Francisco são os dois classificados no momento com 6-3, mas são seguidos por uma legião de competidores: Bears, Packers e Cardinals estão logo atrás a 5-4 esperando um deslize, e mesmo o 5-5 Eagles pode sonhar com essa vaga. Então agora temos duas vagas no wild card totalmente abertas e seis times brigando por essas vagas, além de três disputas apertadas dentro das divisões. Poderia ficar melhor do que isso para as sete rodadas finais? 

*pensando*

Pensando melhor, meu time poderia não estar envolvido, provavelmente seria mais saudável.

Ações em baixa


  • O próximo contrato de Jay Cutler
Cutler é um free agent ao final da temporada, e Chicago já tem uma situação salarial bastante delicada, então precisa dar um jeito de encaixar o contrato grande que o QB deve pedir em sua folha salarial... ou então seguir em frente atrás de outro jogador e deixar Cutler se mandar. Era uma decisão difícil que acompanhou o time o ano todo, e assim como foi o caso de Joe Flacco ano passado, ele precisava de uma performance particularmente forte esse ano para assegurar um contrato gordo na offseason depois de uma estadia irregular com seu time (e todo mundo sabe como isso acabou para Flacco e sua conta bancária).

Apesar das boas atuações de Cutler, o fato é que esse ano não está indo muito bem para suas pretensões de conseguir renovar por uma boa grana essa offseason. Além do óbvio problema das suas lesões - Cutler perdeu dois jogos machucado e acabou de se lesionar de novo - tem uma outra questão que apareceu para Chicago, e que foi ampliada essa semana. Vejam os dois números abaixo:

Quarterback A: 381/605, 63%, 4361 jardas, 7.2 jardas por passe, 30 TDs, 18 INTs
Quarterback B: 336/560, 60%, 4304 jardas, 7.7 jardas por passe, 32 TDs, 0 INTs

Esses são os números, projetados para uma temporada inteira de 16 jogos, para os dois QBs que Chicago teve que usar essa temporada, Jay Cutler e Josh McCown. Mesmo considerando que a amostra de McCown é muito pequena (praticamente dois jogos) e que alguns fatores indicariam regressão, os números são muito parecidos, não? Deixando interceptações de lado pelos motivos óbvios, McCown até levaria uma certa vantagem. Meu ponto não é que o Bears deveria deixar Cutler de lado e ir com McCown para frente, meu ponto é que com essas constantes lesões o time teve que recorrer a um cara de 34 anos que nunca foi mais do que um reserva na NFL, e que esse cara entrou e manteve o ritmo. Então a conclusão que o Bears pode chegar é que Cutler estava jogando bem, mas talvez eles sejam capazes de substituir sua produção sem precisar pagar 100M, trazendo um outro journeyman ou mesmo um calouro nesse draft profundo para assumir um ataque muito bem montado. Não ajuda o fato de que Cutler saiu e McCown quem conseguiu anotar o TD que quase empatou o jogo para Chicago. Então a boa performance de McCown, um jogador mediano conseguindo replicar ou mesmo superar a performance de Cutler dentro desse bom ataque, pode ser o que faltava para convencer a diretoria do Chicago de que não vale a pena pagar o que Cutler vai pedir no mercado, e com esse draft tão bom chegando, é a oportunidade ideal para o time ir atrás de um substituto. 

  • O futuro (e o amor próprio) do Titans
Uma vez eu defendi a criação de uma "Regra da Vergonha" (Shame Rule no original), que diz que se um time foi derrotado pelo pior time da NFL em um dado ano, ele está automaticamente inelegível para ir aos playoffs não importa o que aconteça (apenas 60% brincando). Afinal de contas, se você quer disputar o título e o posto de "melhor da NFL em uma dada temporada", o mínimo que se espera de você é que vença o pior time da liga, especialmente um que estava a caminho de se tornar o pior time de todos os tempos, certo? 

Bom, o Titans não fez a lição de casa esse final de semana, perdendo em casa para o Jaguars - que inclusive estava sem seu melhor jogador ofensivo - por 29 a 27 em um jogo que não foi tão apertado quanto o placar sugere (Titans anotou esses 7 pontos em garbage time com o relógio zerando). Pela minha Shame Rule, essa derrota desclassificaria o Titans dos playoffs a não ser que algum time superasse o Jaguars até o fim do ano como o pior da NFL (a diferença do saldo de pontos do Jags para o segundo pior é de 100 pontos).

Mas não é esse o motivo pelo qual o futuro do Titans está em crise. O motivo disso (bom, além do fato de que eles perderam para o Jaguars em casa!) é que Jake Locker, com uma lesão no pé, está fora do resto da temporada, dando um golpe nas pretensões da equipe. O time não é tão dependente do seu QB como por exemplo Green Bay, tem uma defesa sólida, mas Locker vinha jogando bem e seu reserva, Ryan Fitzpatrick, não: Locker tinha um QBR de 58, e Fitzpatrick de 43. A principal diferença entre os dois vinha dos turnovers: ao longo da temporada (7 jogos), Locker tinha apenas seis turnovers (quatro interceptações e dois fumbles) e isso tinha sido um fator importante principalmente no bom começo de temporada da equipe. Fitzpatrick por outro lado, em apenas três jogos soma esses mesmos seis turnovers (e isso porque o time recuperou três dos seus cinco fumbles), com a sua média de 2 por jogo sendo bem superior a de menos de um por jogo de Locker, e isso antes de considerar suas diferenças como passadores (86.7 de rating contra 76) e o fato de que o camisa 8 é um dos melhores QBs correndo com a bola da NFL. Então o Titans não depende tanto do QB, mas não é um time bom o suficiente para conseguir continuar com o mesmo nível depois desse downgrade signficativo na posição, especialmente em uma situação com pouca margem para erro como é o caso. Com Locker, o Titans era meu candidato aos playoffs. Sem ele, pode acabar o ano como o único time a perder do Jaguars esse ano.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A ressurreição do Kansas City Chiefs

"Um QB que sabe acertar passes? Tem certeza?"
"Ouvi boatos mas nunca tinha visto um ao vivo em KC"


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Para ver uma enorme análise sobre os principais prêmios da MLB (junto com minha escolha para cada), clique aqui

Para os pontos importantes da semana 4 da NFL, nossa coluna de terça feira, clique aqui

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Existem poucas coisas no mundo que mudam mais rápido do que a NFL. Muito poucas. A amostra é tão pequena e o jogo tão dependente de pequenos detalhes que jogadores explodem ou deixam de ser eficientes (o mesmo vale para times) sem que a gente perceba, e só perceba quando é tarde demais. Por exemplo, todos sabemos como a NFL está agora em termos de times bons e ruins, times que venceram e times que perderam, e tudo mais. Bom, então vamos dar uma rápida olhada em como a NFL estava um ano atrás, ao final da quarta rodada da temporada regular?

Bom, vejamos... O Saints perdia para o Packers e começava a temporada 0-4... O Titans era massacrado pelo Texans e caia para 1-3... o Cardinals ganhava sua sexta partida seguida (contando a temporada anterior) para começar o ano 4-0... Falcons arrancava uma vitória em casa contra o Panthers na incompetência do Ron Rivera (algumas coisas nunca mudam) para abrir o ano 4-0... o Browns perdia do Ravens para ficar 0-4... o Patriots ganhava do Bills para chegar a 2-2... Seattle perdia do Rams para começar 2-2 e a mídia pedia Matt Flynn de titular e Russell Wilson no banco... e claro, o Kansas City Chiefs perdia em casa para o Chargers e caia para 1-3.

Bom, todos nós sabemos como a temporada terminou para esses times e como a temporada 2013 começou, e é verdadeiramente fascinante imaginar que apenas um ano depois o Falcons estaria começando o ano 1-3, o Saints 4-0, e claro, o Chiefs 4-0 também. Como eu disse, faz parte da natureza da NFL, onde pequenas coisas - que muitas vezes só percebemos quando acontecem - acabam fazendo um mundo de diferença.

E entre todas as grandes mudanças de equipes de 2012 para 2013, nenhuma é mais incrível e ao mesmo tempo menos surpreendente do que a do Kansas City Chiefs, que terminou o ano 2-14 e com a primeira escolha do draft apenas oito meses atrás, e agora está invicto e forte candidato a uma vaga nos playoffs. Então o que exatamente aconteceu entre esses dois pontos para causar tamanha mudança?

Quando eu comecei minha série de previews, cujo foco era procurar em estatísticas diferentes eventuais indicadores de que o record final de uma equipe não refletia o seu verdadeiro nível de performance (usando por exemplo Pythagorean Expectations e jogos decididos por uma posse de bola), o Chiefs era um dos times que mais me interessava e um dos times que eu mais esperava que fosse encontrar um nível de produção que não fosse condizente com seu horrível record final de 2-14. Afinal, apesar da horrível situação de QBs da equipe, o Chiefs ainda contava com seis Pro Bowlers no seu elenco, uma defesa cheia de grandes talentos e um dos melhores RBs da NFL. Não fazia sentido nenhum que a equipe fosse tão ruim tendo tantos jogadores bons. Então eu estava crente que iria encontrar muitos indicadores aleatórios influenciando o record da equipe.

Não foi o caso. Por qualquer métrica usada, o Chiefs foi o time horroroso que pareceu ser: o ataque foi o segundo pior da liga, e a defesa a terceira pior. O time teve a pior eficiência ajustada, o pior saldo de pontos E o menor Pythagorean Wins (2.5) de toda a NFL. Tudo indicava que o time era simplesmente ruim. Mas eu não estava satisfeito com isso, não com tantos grandes talentos dos dois lados da bola na equipe e com o upgrade para Andy Reid e Alex Smith nas posições de HC e QB, respectivamente. Por isso que o preview do Chiefs foi o único que eu ignorei totalmente estatísticas e minhas métricas e fui de acordo com o meu feeling e minha experiência no assunto quando sugeri que seria um bom time e que brigava por uma vaga nos playoffs. Se toda regra tem uma exceção, nesse caso só podia ser o Chiefs.

Agora que a equipe começou o ano 4-0 e com o terceiro melhor saldo de pontos da NFL, posso falar que de fato eu acertei nessa. Ainda assim, é difícil explicar exatamente porque esse time, com apenas algumas poucas mudanças significativas, foi tão ruim em 2012 se o talento estava lá para gerar seis Pro Bowlers. A solução fácil seria atribuir isso ao péssimo desempenho dos QBs da equipe e do ataque que levou para o fundo do poço todo o time, e embora isso tenha uma grande parcela de culpa, não justifica porque a defesa também terminou o ano tão mal mesmo com quatro PBs. Talvez o péssimo desempenho ofensivo tenha desanimado e tirar o esforço dos demais jogadores. Talvez tenha sido apenas uma temporada onde tudo deu errado. Talvez um pouco de todos. Só sei que o talento estava lá, e com a mudança de comando e mesmo de ares lá em Kansas City, era de se esperar que esse talento aflorasse.

A mudança da água para o vinho nesse time começou com a chegada lá do grande (enorme!) Andy Reid. Reid claramente estava com a relação desgastada na Philadelphia, cometendo muitos erros e precisando urgente de uma mudança de ares. Mas ele é também um técnico experiente e inteligente, que sabe como tirar o máximo de seus jogadores. E Reid, desde o primeiro momento, soube exatamente o que ele tinha nas mãos e o que tinha que fazer para o time funcionar. Ele sabia que Alex Smith era um sólido quarterback com um conjunto específico de habilidades, mas que não conseguia desequilibrar jogos sozinho como Drew Brees ou Aaron Rodgers. MAs ele também sabia que, seguindo o manual do Jim Harbaugh em San Francisco, ele tinha as peças exatas para fazer Smith funcionar ao máximo de suas capacidades. Então Andy Reid prosseguiu para montar esse time como uma réplica muito boa do 49ers de 2011 que quase chegou ao Super Bowl.

Os paralelos são bastante precisos nesse aspecto, e é uma tática que tem sido bastante utilizada ultimamente. Alex Smith não tem um braço forte, não tem uma grande precisão nos passes longos e não é particularmente bom acertando passes em janelas apertadas, mas ele é muito bom tomando decisões, cuidando da bola e acertando passes curtos. Ele é um QB pouco explosivo, mas super eficiente. Então para aproveitar ao máximo o que ele sabe fazer e não colocá-lo em situações onde ele seja forçado a fazer o que não é tão bom, é simples: você foca no jogo terrestre e nos passes curtos, você controla o relógio, você move a bola lentamente, encurta as conversões e força a defesa a se preocupar com a corrida para abrir as linhas de passe. É uma forma de manter o ritmo do jogo sob seu controle, ainda que não resulte em muitos pontos.

Claro, a teoria é mais fácil que a prática e para isso você precisa de um conjunto de jogadores bem definidio. Mas a questão é que o Chiefs é um dos times que possuem esse tipo de característica: possuem um RB bom no Jamaal Charles capaz de encurtar as descidas e mover as correntes, e uma boa linha ofensiva. E mais do que isso, Andy Reid tem feito um excelente trabalho usando Alex Smith correndo com a bola tanto em conversões curtas como em jogadas de primeira ou segunda descida. Smith (contando três ajoelhadas) tem 151 jardas e 5 jardas por corrida, e o ataque terrestre como um todo ganha mais do que 4.3 por corrida (tirando ajoelhadas), uma boa marca considerando que o time enfrenta sete ou oito jogadores na linha adversária com frequência. Jamaal Charles já soma mais de 500 jardas (entre corridas e recepções) e 4 TDs, Alex Smith tem sete TDs e cometeu apenas dois turnovers, e o ataque do Chiefs em geral tem cumprido muito bem sua função de evitar turnovers (5.2% das posses terminando em turnovers, terceira melhor marca da NFL) e de aproveitar as suas boas oportunidades (9 TDs contra três turnovers) que eventualmente tiver. O DVOA do Football Outsiders coloca o Chiefs como o 11th melhor da temporada até aqui e ressalta que esse bom número vem justamente da sua capacidade de proteger a bola e converter oportunidades, ainda que tenha dificuldade em campanhas mais longas.

Mas quando você monta seu ataque dessa forma, para ser conservador, tomar conta da bola, evitar turnovers e basicamente converter oportunidades, você não pode esperar que seja seu ataque a vencer jogos para você. É basicamente admitir que seu ataque não conseguiria (ou não seria eficiente o suficiente) jogar em um esquema de profundidade e alto volume, e montar uma forma de esconder essa dificuldade para valorizar aspectos mais conservadores do jogo. Não tem nada errado com isso, é claro - na verdade, acho inteligente quando um técnico reconhece as limitações do seu time e consegue efetivamente esconder isso enquanto explora os seus pontos fortes, é o que faz de um bom técnico um bom técnico. Mas para isso funcionar, você vai precisar de uma outra força no seu time: uma defesa que consiga manter os jogos favoráveis aos placares baixos do ataque, que force turnovers e boas posições de campo para o ataque aproveitar, e que possa vencer jogos uma vez ou outra quando o ataque não funcionar. Ou seja, você precisa de uma defesa dominante que compense e complemente esse ataque conservador.

E nessas quatro semanas, é exatamente o que essa defesa tem sido. Além de ser rankeada como a terceira melhor defesa pelo Football Outsiders (ajustada), a defesa do Chiefs é a segunda que menos cedeu pontos na temporada, nona melhor cedendo jardas e terceira melhor forçando turnovers. Apenas 14.8% das posses de bola adversárisa resultam em turnovers contra essa defesa, a melhor marca da NFL por uma considerável margem, enquanto que ela força turnovers em 20.4% das posses - quinta melhor marca. A defesa tem sido surpreendentemente ruim contra corridas, cedendo 5.4 jardas por corrida (segunda pior marca da liga), mas apresenta a melhor secundária, segurando o adversário a apenas 4.5 jardas por jogada de passe (de longe a melhor marca). 

O segredo para essa defesa, pelo menos até aqui, tem sido seu pass rush: em quatro semanas, nenhuma defesa conseguiu anotar mais sacks (18) e teve mais situações de pressão ou hits do que a linha de frente de Kansas City. A dupla de OLBs do time, Tamba Hali e Justin Houston, em particular, tem sido letal: Hali sempre foi um grande rusher, com temporadas de 14.5 e 12.5 sacks na sua carreira, e esse ano teve mais um começo bom de temporada com 3 sacks nos primeiros quatro jogos, mas a grande surpresa do ano tem sido Houston, que já tinha sido bom em 2012 (10 sacks e uma vaga no Pro Bowl) mas que explodiu em 2013 com 7.5 (!!) sacks em quatro jogos, incluindo um fumble forçado e 9.5 tackles atrás da linha de scrimmage (contando sacks). Esses dois sozinhos somam mais sacks do que 15 times da NFL e mais sacks do que Bears e Giants SOMADOS. Esses números provavelmente não vão continuar assim um ano inteiro, mas é o suficiente para que esse pass rush seja reconhecido como uma força que desestabiliza quarterbacks e força times a ajustarem para sair da sua zona de conforto. Outro jogador que explodiu em 2013 e tem sido fundamental para esse bom começo é o NT Dontari Poe, uma escolha de primeira rodada que decepcionou em 2012 mas que já soma 3.5 sacks em 2013 como um NT de uma defesa 3-4!!! Poe tem sido uma das forças mais destrutivas da NFL pelo meio essa temporada, não só forçando sacks como obrigando ajudes e até mesmo marcações triplas em cima do gradalhão. Então a defesa do time já era boa, com a secundária trazendo Dunta Robinson e Sean Smith para reforçar um grupo já forte que contava com Eric Berry e Brandon Flowers e mais Derrick Johnson e Tamba Hali na frente, e só de se livrar do que quer que já estivesse a atrasando em 2012 já seria o suficiente para fazer dessa uma defesa muito sólida... mas dai Houston e Poe explodiram e colocaram esse grupo um patamar ou dois acima. Não é a toa que os adversários enfrentando o Chiefs tem apenas 53% de aproveitamento nos passes (terceira melhor marca da NFL), um NFL-worst 5.9 jardas por passe (não por jogadas de passe, note bem) e 4.8 jardas ajustadas por passe (segunda melhor). É um pesadelo ter que passar contra esse time.

Claro, não é apenas a questão do ataque mediano, mas eficiente, e da defesa destrutiva. Depende de diversos outros fatores que pouco são observados, mas estão diretamente ligado a capacidade do time de integrar essas duas coisas, funcionar como conjunto e executar seu plano de jogo. E a primeira e talvez mais importante dessas é a questão da posição de campo. Como um time de futebol americano, naturalmente, você quer que seu ataque comece suas campanhas o mais próximo possível da end zone adversária (menos caminho a percorrer para anotar pontos) e que as campanhas de seus adversários comecem o mais longe possível da sua. Isso pode parecer uma questão de special teams (capacidade de retornar chutes, bons punters, etc) e de certa forma é, mas não apenas: depende diretamente da estratégia e da forma como um time atua. Isso envolve tomada de decisões em diversas situações (por exemplo, o chiefs é mais provável que vá para o punt em uma 4th and 4 na linha de 38 do adversário do que o Packers ou Broncos) e também toda sua filosofia de jogo, já que evitar turnovers ofensivos e conseguir forçá-los na defesa é uma forma de conseguir uma vantagem no quesito. Em particular, para um time como o Chiefs que usa essa estratégia de um ataque eficiente mas com dificuldades para longas campanhas e uma defesa absurdamente dominante que é uma ameaça para forçar turnovers a todo instante, a posição de campo é crucial: você quer seu ataque tendo que andar o mínimo possível para anotar pontos já que ele não se da bem em longas campanhas, e você quer oferecer a sua defesa o maior espaço possível para fazer sua mágica e forçar os turnovers que, por sua vez, darão ao ataque boa posição de campo para anotar pontos. É por isso que o Chiefs é um time que não é tão agressivo ofensivamente e não se incomoda em chutar punts quando seu ataque estagna em uma campanha, porque assim eles oferecem boa posição de campo a defesa para conseguir uma eliminação rápida do ataque ou um turnover, e dai o ataque receberá novamente a bola em uma boa posição. Então posição de campo é um ingrediente crucial para o estilo de jogo de KC, e até agora, eles tem sido extremamente  eficientes com isso: as suas campanhas ofensivas começam em média na linha de 37.5 jardas do seu próprio campo, e as suas campanhas defensivas começam com o adversário em sua linha de 20.3 jardas... e ambas as marcas lideram a NFL por uma LARGA margem. Nunca neglicencie o efeito disso sobre uma partida e um time.

E por fim, temos uma questão mais complicada: turnovers. Quando eu escrevi terça sobre o Titans, eu disse que o segredo por trás do seu bom começo de temporada era seu saldo de turnovers de +9, algo que era absolutamente insustentável já que era motivado por uma taxa de recuperação de fumbles de 89% e pelo fato de que seu time ainda não tinha lançado uma interceptação, dois fatores extremamente prováveis a sofrerem regressão indo para frente. Bom, o  Chiefs também é um time que tem beneficiado demais dos turnovers: seu saldo de +9 lidera a NFL junto com o Titans, resultado de 12 takeaways da defesa contra apenas 3 turnovers do ataque. E como esperado, isso também envolve alguma sorte: o Chiefs tem recuperado 71% dos fumbles, terceira melhor marca da liga. Então o normal seria concluir que, assim como o Titans, o Chiefs está sujeito a uma regressão nesse quesito. E não deixa de ser verdade: é impossível que a equipe continue recuperando 71% de seus fumbles, e quando isso regredir, o total de turnovers da equipe também vai regredir. 

Mas a equipe de Kansas City tem uma chance melhor de continuar se dando bem no quesito do que a de Nashville por dois motivos. Primeiro, porque esse bom começo e esse saldo de +9 dependem muito menos de sorte e de fatores absurdos do que seus adversários da AFC. No caso do Titans, isso está vindo de dois fatores absolutamente insustentáveis: recuperação de 89% de seus fumbles e taxa de interceptações de 0% por parte de seus QBs (inclusive duas interceptações dropadas), dois dados que contrariam todas as evidências histórias e que estão sujeitos a violentas regressões que afetarão mais fortemente o seu time do que o Chiefs, que deve diminuir esse saldo mas de um patamar muito menor (entre 71% e 89% tem uma GRANDE diferença) e cujo QB não está tendo particular sorte ou um número estranho ou insustentável com interceptações - então a regressão tende a ser mais fraca em cima do Chiefs. E segundo, porque a batalha dos tunovers é uma consequência direta do plano de jogo da equipe: o ataque do Chiefs é FEITO para segurar a bola e evitar turnovers, composta de passes curtos e seguros que diminuem a chance de uma interceptação, e ainda por cima com o QB que melhor evita turnovers em toda a NFL desde que assumiu a titularidade em 2010. Da mesma forma, a defesa do Chiefs é uma das melhores da liga e extremamente agressiva em busca desses turnovers, então eles vão recuperar mais fumbles (mesmo quando o 71% nivelar) porque eles vão simplesmente forçar mais fumbles do que os outros times. Não que todos os times da liga não busquem também evitar turnovers e produzir os seus, mas no caso do Chiefs, todo o plano de jogo é voltado para essa finalidade, então me parece algo muito mais natural que KC tenha +9 de saldo do que um outro time que não coloque tanta ênfase nesse aspecto do jogo. Eles tem dado alguma sorte, mas também tem executado muito bem seu plano de jogo. E no fundo, é isso que tem feito a grande diferença na equipe, dos dois lados da bola. Não vejo motivo para que o Chiefs não continue sua temporada mágica rumo a uma vaga nos playoffs.


Palpite para o jogo de quinta a noite


BROWNS over Bills
Contra o spread: BROWNS (-3.5) over Bills
Então depois de começar o ano 0-2 e trocar seu (supostamente, porque ele tem sido medíocre a sua carreira inteira) melhor jogador ofensivo E colocar seu QB reserva para jogar, o time está 2-0, venceu supostamente o melhor time da sua divisão no Bengals, e agora lidera a AFC North (empatado, mas enfim). Alias, inesperadamente esse jogo que tinha tudo para ser um fiasco no papel acabou sendo uma disputa entre dois times 2-2 que de repente sonham com uma vaga nos playoffs! Quem teria imaginado no começo da temporada. Enfim, minha aposta vai para o Browns porque eles tem me impressionado bastante desde que trocaram Trent Richardson (a ponto de me fazer questionar se, no final das contas, ele era mais responsável por aquele ataque ruim do que imaginávamos), tem jogado com muita intensidade e jogam em frente a uma torcida que não comemora nada faz seis anos, e enfrentam um Bills que não tem jogado bem fora de casa, joga sem metade da secundária e que quase conseguiram perder do Ravens mesmo com Joe Flacco lançando cinco interceptações. A boa defesa do Browns me parece favorecida por esse jogo ser numa quinta a noite também. Agora se me dão licença, tenho que subir na Cleveland Browns Bandwagon. Volto amanhã.