Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.

Mostrando postagens com marcador quarterback. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador quarterback. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O caminho dos 32 times na offseason - AFC (parte II)


Meu QB favorito da classe, Bridgewater interessa muito a 4 dos times de hoje


AVISO IMPORTANTE: Para compensar a ausência no final da temporada, e colocar um ponto final decente na boa temporada 2013 da NFL, a idéia é fazer um mega-Mailbag daqui a uma semana. A semana que vem vai ser dedicada a olhar o caminho dos 32 times para o ano que vem, e a idéia então é que só na outra semana a gente faça o Mailbag mesmo. Qualquer tópico é válido, qualquer coisa sobre a temporada regular, playoffs, técnicos, jogadores, Free Agency e etc. Perguntas sobre o Draft também serão respondidas, mas terão menor preferência pois é um assunto que ainda vai ter sua cobertura. Então aproveitem para mandar suas perguntas/dúvidas/comentários finais da temporada para tmwarning@hotmail.com com o assunto "Mailbag", que você pode ver sua pergunta aqui e no Esporte Interativo (perguntas enviadas a Mailbags anteriores e não respondidas também serão respondidas, se ainda relevantes, btw). Então participem e vamos fazer desse último MB da temporada 2013 um sucesso.

-------------------------------------------------------------------------

Depois de olhar para o passado - mais especificamente, olhar para nossos palpites de antes da temporada começar e ver quais deram certo e quais foram fiascos homéricos - é hora de olhar um pouco para o futuro de cada uma das 32 franquias da NFL. A temporada 2013 agora é passado,  e estamos entrando na pior época do ano (o tempo entre o Super Bowl e o começo do Draft e da Free Agency, que é quando por bem ou por mal a NFL começa de novo). Então é hora de pegar todos os times da NFL e ver em que ponto exatamente cada um deles se encontra nesse momento da offseason, quando estamos todos recolhendo os cacos de 2013 e se preparando para 2014. Qual a direção que cada time deve tomar para 2014? Quais mudanças devem ser feitas? Quais as incógnitas e quais as certezas? É isso que vamos tentar achar nesses posts. Serão três: um para os times de playoffs, um pra os times que não foram aos playoffs na AFC, e um aos times que não foram aos playoffs na NFC.

Começamos semana passada pelo times que foram aos playoffs e agora tentam voltar a pós temporada. Agora, é hora de falar dos times da AFC que não tiveram a honra de jogar em Janeiro.

Por conta de problemas com o blogger, esse post foi dividido em duas partes. A Parte I - falando de Dolphins, Jets, Ravens, Steelers e Bills - já está no ar desde quarta feira, e agora vamos para a Parte II.


Times da AFC fora dos playoffs (Parte I)


Cleveland Browns

Se tivessem me perguntado em Agosto do ano passado - ou mesmo lá para Outubro - qual era o time ruim que tinha o futuro mais promissor, eu teria dito Cleveland Browns. Jimmy Haslam, dono do time, finalmente tinha demitido sua incompetente e bagunçada gestão anterior e se comprometido com um projeto de gestão estável e moderna a longo prazo, contratando Joe Banner para CEO e Mike Lombardi para GM, duas figuras muito respeitadas ao redor da liga, para comandar essa reconstrução. De técnico novo, diretoria nova e rumos novos, o time ainda tinha uma boa base de talento na sua equipe, deveria ter uma escolha alta em um Draft profundo (check!) e ainda conseguiu assaltar o Colts conseguindo mais uma escolha de primeira rodada por Trent Richardson. Então a combinação de "nova e competente diretoria + escolha alta de draft + escolha extra de primeira rodada + base jovem e talentosa + toneladas de espaço salarial" parecia perfeito para um time que queria enfim sair do fundo do poço.

Bom, essa esperança durou menos de um ano. Hoje, oito meses depois, eu fico me perguntando se exista uma organização mais disfuncional que essa na NFL, decidindo enfim que fica entre Browns e Dolphins (com o Cowboys em terceiro). 

As cartas de "comprometimento a longo prazo", "paciência" e "continuidade" com o novo técnico Rod Chudzkinski foram para o saco antes até do final da temporada, com Chud sendo demitido na Semana 17 algumas horas antes do Sunday Night Football. Os motivos alegados não-oficialmente indicavam dois motivos para a separação: primeiro, que apesar da boa posição no Draft a diretoria esperava mais vitórias da equipe, e segundo que os jogadores não estariam satisfeitos ou não respeitariam Chud. Mas muitos concluíram que era uma tentativa desesperada de Banner e Lombardi para satisfazer Haslam, que não tinha gostado da temporada da equipe, e essa teoria ganhou força quando os próprios Banner e Lombardi foram demitidos pouco depois. E um abraço para o "projeto estável e paciente de longo prazo".

E claro, o time sofreu as consequências. Apesar de ser uma posição em teoria atraente, o Browns teve um trabalho imenso para achar gente que quisesse ocupar as vagas. Nenhum técnico bem cotado de College ou um bom coordenador na NFL vai querer deixar um cargo estável e bem sucedido para ir até um time onde ele não faz idéia do que esperar, sem estabilidade no emprego e a mercê de um dono incompetente. A dificuldade da equipe de repor essas vagas mostra o quão malvista é a organização nos círculos da NFL, e enquanto o Browns não parar de demitir pessoas a torto e a direito para satisfazer seu dono e se comprometer com algo sério e estável - a imagem que quiseram passar em 2013 e que agora ninguém mais está comprando - vai ser difícil a organização dar a volta por cima.

Mas ok, vamos falar do que acontece dentro de campo. Supondo que todos esses problemas de bastidores se resolvam, quem herdar as cadeiras de Lombardi e Chud vai ter uma situação promissora e um tanto desafiadora nas mãos. O Browns é um time recheado de talentos, especialmente na defesa: a linha defensiva com Phil Taylor, John Hughes e mesmo o especialista em corridas Ahtyba Rubin foi muito bem em 2013, Jabaal Sheard vem de um ótimo ano, e Joe Haden e TJ Ward (free agent, mas que deve ficar na equipe) estão entre os melhores CBs e safeties (respectivamente) da NFL. A defesa não foi tão bem assim em 2013, foi apenas um pouco acima da média, mas o talento está ai para fazer grandes coisas quando seus buracos forem tapados: o time não tem pass rush além de Sheard (embora a evolução de Barkevious Mingo e um ano a mais de Paul Kruger possam resolver a questão), a cobertura pelo meio (tanto passe contra corridas) foi muito ruim e vai ficar ainda pior sem o veterano D'Quell Jackson, e a secundária ainda depende demais de Haden e Ward resolverem tudo sozinhos pela falta de ajuda na cobertura. Mas com um cap space que chega a 62M e um caminhão de escolhas de draft - além de suas próprias escolhas, todas altas dentro da rodada (incluindo a 4th overall) o time ainda tem uma 1st round e uma 4th round extras do Colts, e uma 3rd round extra do Steelers - não faltam meios para reparar pelo menos parte desses problemas e tornar essa unidade em uma defesa muito boa.

Mas o problema (ok, um dos) dessa mudança repentina de diretoria é que não sabemos mais qual a direção que a franquia quer tomar. A gestão de Lombardi e Banner deixou claro seu objetivo primário: conseguir um Franchise QB para Cleveland, de preferência pelo profundo draft de 2014 (que ficou menos profundo desde então sem Marcus Mariota, mas enfim), e com a 4th pick e tantas escolhas extras, o time estava em uma ótima posição para realizar seu objetivo. Mas agora que mudou a diretoria, ninguém sabe o que esperar. Será que o time vai manter seu objetivo original, usando sua 4th pick em um dos três QBs mais bem cotados da classe (Bridgewater, Bortles ou Manziel) ou mesmo trocar para subir no draft e escolher o QB específico que eles querem? Será que usarão essa escolha em outra posição (Sammy Watkins?) e tentarão resolver o problema do QB em rodadas futuras? É difícil dizer. O que eu sei com certeza é que o time tem uma excelente linha ofensiva (especialmente se renovar com Alex Mack), dois alvos espetaculares em Jordan Cameron e Josh Gordon, mas precisa urgentemente de um quarterback que possa fazer uso de tudo isso. Um RB e mais alvos são importantes, mas o QB é a peça central que falta para esse ataque.

O problema é que, infelizmente, talvez tudo isso tão promissor dentro de campo signifique muito pouco se os problemas no topo da organização continuarem. Quando uma franquia é muito ruim por muito tempo, muitas vezes não é por acaso...


Tennessee Titans

Como eu sou um ser humano extremamente vingativo, me permitam um parágrafo antes de ir para o que interessa. Ano passado, no preview sobre o Titans, um leitor chamado Diego veio reclamar de forma muito pouco educada do que eu escrevi, ressaltando que "ainda bem que ninguém entra nesse blog". Ele reclamou da minha crítica a decisão do Titans de draftar o Jake Locker, ressaltando que era o QB do futuro do time, reclamou da minha crítica a contratação do Shonn Greene falando que foi uma boa contratação para decolar o ataque terrestre do Titans, e que o Titans ia ser um time bom que estava em ascensão. Depois de terminar 20th em DVOA, de ver a diretoria demitir o técnico, supostamente declinar a player option do contrato de Locker (ainda não oficialmente), Shonn Green não chegar a 300 jardas ou 3.8 YPC, o ataque terrestre continuar medíocre, Chris Johnson estar a beira de ser dispensado, e tudo mais... yeah. So there.

Enfim, Tennessee Titans. Apesar da temporada medíocre, a boa noticia é que o time tem uma base boa de talento em mãos. Depois de investir pesado no ataque nessa última offseason (com sucesso parcial), o time tem uma sólida linha ofensiva, ancorada por Andy Levitre e Michael Roos do lado esquerdo e, apesar da temporada ruim de novato de Chance Warmack (7 sacks e 26 hurries, números muito ruins para um Guard), ele é calouro e o Titans acha (eu concordo) que ele vai melhorar e se tornar um sólido jogador. Eles também tem um grupo de WRs interessante, com Kendall Wright e o promissor Justin Hunter, e Nate Washington saindo de um 2013 muito produtivo. Em outras palavras, parece o cenário ideal para um QB se desenvolver, especialmente considerando que o Titans focou seus esforços nos últimos anos para priorizar o ataque terrestre na força bruta, abrindo assim espaços para o QB. Só tem um problema.

Os RBs da equipe foram atrozes em 2013. Tanto Chris Johnson como Shonn Greene jogaram atrás de uma sólida linha ofensiva, mas ambos tiveram temporadas muito ruins, com ambos ficando abaixo das 4.0 jardas por corrida. Com Greene já tendo se provado ao longo da carreira um jogador mediano e Chris Johnson provavelmente sendo dispensado ainda essa offseason (o que abriria 6M na folha salarial da equipe), a busca do time por essa identidade ground-and-pound parece ter que começar de novo, em uma classe de RBs particularmente fraca no draft. 

E o Titans também tem uma decisão importante para fazer em relação a sua situação de QB. Jake Locker é o atual titular da equipe e foi (dependendo de para onde você olhar) um QB mediano ou um pouco acima da média em 2013, que jogou apenas 7 jogos por lesões e nunca jogou uma temporada inteira na carreira. Locker tem uma player option de 13M para 2015, e uma decisão precisa ser feita até Maio por parte do Titans, mas todos os sinais e reports indicam que o time vai recusar essa opção, e portanto Locker vai ter em 2014 seu último ano de contrato. Claro que nada impede que o time traga o QB de volta como free agent, mas não é exatamente um grande voto de confiança no garoto, e com um técnico novo e uma diretoria impaciente, é bem possível que 2014 seja sua última chance, e não estranhem se o Titans já começar a procurar um plano B nesse draft mesmo.

(Em tempo: porque diabos o Titans, que tem um grande ponto de interrogação na posição de QB, trouxe Ken Whisenhunt para ser técnico, um inteligente coordenador ofensivo que também é o pior técnico da história recente da NFL desenvolvendo jovens QBs?!)

O Titans também esbarra em outra questão, a salarial. O time tem apenas 13M de espaço salarial para 2014, e embora esse número possa chegar a 19M caso CJ seja mesmo dispensado, ainda é pouco considerando que um dos melhores defensores da equipe, Alterraun Verner, é um free agent que vai exigir muita grana no mercado. A defesa do Titans melhorou em 2013 mas ainda terminou 19th em DVOA e 22nd em DVOA ajustado, e agora pode perder dois dos seus melhores jogadores em Verner e Bernard Pollard - e se quiser mantê-los, vai ter que gastar grande parte desse espaço salarial escasso. Considerando que a defesa dependeu DEMAIS de Jurell Casey em 2013 e dificilmente ele vai manter o nível para 2014, o time precisa reforçar o resto das posições se quiser ter chances de continuar evoluindo, e perder seu melhor jovem CB em Verner não ajudaria. E mesmo assim, essa é só a segunda decisão mais importante do time em 2014.


Jacksonville Jaguars

Ah, a tristeza... Pelo segundo ano consecutivo, o Jaguars terminou como um dos dois piores times da NFL em DVOA, e sua Pythagorean Expectation de 3-13 é ainda pior do que seu pobre record de 4-12. E o Jaguars é mais um time preso em uma reconstrução que não acaba nunca.

Um bom exemplo do que faz o Jaguas tão ruim é esse: apesar da falta incrível de talento, o Jaguars tinha 42M do seu salary cap em 2013 comprometido com jogadores que sequer estavam na equipe, consequências de contratos péssimos e gestões incompetentes. Então se vamos começar as boas notícias, é por aqui: esse ano, todo esse dinheiro morto finalmente saiu da folha salarial, o que deixou o time com cap space de verdade, de quase 56M. O dinheiro morto do cap em 2014 é de apenas 6M, e embora esse número deva subir se o time dispensar Marcedes Lewis (3M de dinheiro morto, 5.5M de espaço) ou Uche Nwaneri (2M dinheiro morto, 4M espaço), o Jaguars agora vai ter legítimo espaço para contratar free agents e remontar sua equipe como se deve. Considere esse o primeiro passo, saindo do fundo do poço rumo a algo melhor.

Claro, dinheiro na free agency não é tudo - uma parte dos problemas do Jaguars e todo esse dinheiro morto no cap era justamente gastar dinheiro mal na FA - e o time tem buracos demais para resolver só com contratações, mas é um começo. A verdade é que o Jaguars não tem uma solução, é um time que tem talento de menos e bagagem demais, então precisa começar do zero, passo por passo. E flexibilidade salarial e a terceira escolha no draft não são lugares ruins para começar.

Ofensivamente nada no Jaguars se salva - os únicos jogadores acima da média no time em 2013 foram Cecil Shorts e Justin Blackmon, os dois WRs, e Blackmon foi suspenso pelo ano todo depois de falhar teste para drogas - mas pelo menos agora o time tem a chance de recomeçar, e recomeçar com um QB de verdade. Com a 3rd pick do Draft, o time tem a chance de escolher um dos três melhores QBs dessa classe, e talvez até mesmo ser a primeira equipe a escolher um QB caso Houston decida por Clowney. A busca por um Franchise QB tem sido um problema em Jacksonville, um problema que envolveu gastar uma escolha top10 em Blaine Gabbert (não que eu culpe o Jags por isso, ele era considerado o segundo melhor QB do draft e acharam ele um steal em 10th). E considerando que o time tem excelentes chances de sair dessa primeira rodada com Bridgewater ou Manziel (Bortles definitivamente está na conversa também, mas acho que ele parece demais o Gabbert para o Jags ficar confortável), acho que não vão deixar passar a chance. Para começar um capítulo novo (novo dono, novo GM e novo técnico), nada melhor do que um bom QB.

Fora isso, o Jags não tem muito que esperar em 2014 que não seja outra escolha alta de draft. O time até tem arrumado alguns jogadores interessantes nos drafts dos últimos anos - Shorts e Blackmon são bons jogadores, Luke Joeckel vai ter a chance de jogar na sua posição de origem em 2014, Dwayne Gratz teve ótima temporada de calouro e Johnathan Cypren mostrou algum potencial - e vai precisar continuar acertando e investindo no draft nos próximos anos se quiser montar um time vencedor. E acima de tudo, de paciência. De muuuuita paciência.


Houston Texans

A temporada do Texans em 2013 foi, para mim, a coisa mais inexplicável da temporada. Depois de dois ou três anos de candidato ao Super Bowl, o time chegou em 2013, ganhou dois jogos... e perdeu 14 seguidos, terminando com o terceiro pior DVOA e pior record da temporada. Seus QBs foram um problema magistral, tudo deu errado, e o Texans acabou aproveitando isso para garantir a 1st pick nesse draft extremamente interessante.

A pergunta que fica é essa: existe motivo para pânico no Texans? Para mim, não. Sim, a temporada 2013 foi um desastre, mas temos evidências de sobra de que anos outliers em que tudo acontece no pior cenário possível não necessariamente significam que seu time precise ser desconstruído (ver: Red Sox, Boston). Para mim esse foi o ano do Texans, e não só por ter terminado a temporada 2 vitórias baixo da sua Pythagorean Expectations e pelo óbvio potencial de regressão positiva desse time, eu estou otimista que podem dar a volta por cima em 2014.

Para começar, o time ainda tem uma sólida defesa que conta com o melhor defensor da NFL (JJ Watt) e diversos jogadores bons como Jonathan Joseph, Brian Cushing (quando saudável), e Antonio Smith (mais dele em um minuto), o que é um bom núcleo. A defesa caiu ao longo da temporada por conta de lesões, diversos jogadores jogando muito abaixo do que poderiam (principalmente Brooks Reed), falta de interesse e nenhuma contribuição dos LBs depois que Cushing machucou, mas com algum sangue novo, saúde e alguns reforços pontuais (mais regressão positiva) tem tudo para voltar a ser dominante. Ofensivamente o time se afundou na péssima atuação dos QBs e também em lesões, mas o time ainda conta com um fantástico núcleo da linha ofensiva (Duane Brown, Chris Myers e Brandon Brooks), uma boa dupla de WRs (DeAndre Hopkins e Andre Johnson) e, quando saudável, um bom TE em Owen Daniels. Então a base está em seu lugar, e esse foi um time extremamente sólido por dois ou três anos que manteve a maior parte do núcleo. Não vejo porque de repente todo mundo desaprenderia a jogar. É só encaixar novas peças aonde precisa.

Claro, isso também não significa que vai ser fácil. O principal obstáculo é a questão salarial: o Texans está apenas 9M acima do salary cap, e isso lembrando que Antonio Smith é um free agent e vai exigir um salário alto. O Texans já manifestou desejo de trazer Smith de volta, mas isso vai exigir todo tipo de mudanças no salary cap, e não está fácil criar espaço nessa folha salarial. Os maiores candidatos a dispensa não resolvem o problema porque são jogadores que ou carregam um cap hit alto em caso de dispensa (10.5M do Matt Schaub, 7.5M do Arian Foster, 3M do Whitney Mercillus) ou são jogadores cujo contrato é pequeno demais para ter grande impacto (TJ Yates 600 mil, Brian McCain 900 mil, Derek Newton 1.3M). O time sempre pode pedir para algum jogador como Andre Johnson (16M em 2014) reestruturar seu contrato ou dar a jogadores como Owen Daniels (6M, 4.5 de economia se for cortado), Danieal Manning (idem) ou Kareem Jackson (4.5M salário, 3M economia) um ultimato para aceitar uma redução salarial ou serem dispensados depois de temporadas decepcionantes. Mas entre tudo isso vai ser difícil imaginar o Texans liberando uma grande quantidade de espaço salarial, e o dinheiro (que da para chegar a uns 20M dispensado alguns titulares e mantendo outros) seria principalmente usado para reassinar com Smith e alguns outros FAs menores e garantir o dinheiro das escolhas de Draft. E considerando os buracos que a equipe tem hoje - faltam dois jogadores na linha ofensiva além de Brown/Myers/Brooks, o time pode precisar de um TE novo, o pass rush depende demais de Watt e precisa de mais um componente (especialmente porque Mercillus foi um tremendo bust), a secundária precisa de reforços, e os safeties foram uma desgraça desde que Glover Quin saiu - é difícil ver o time adereçando todos esses problemas de uma vez, seja internaemente ou não.

A vantagem para o Texans é ter a 1st pick do Draft, e com ela eles podem ir em duas direções diferentes. A primeira era resolver seu grande problema atual, e selecionar um QB, seja ele Manziel, Bortles ou Bridgewater. Matt Schaub vem piorando vertiginosamente desde sua lesão em 2011, e não parece ter condições de continuar jogando bem depois de um PÉSSIMO 2013, e Case Keenum não convenceu muito como a solução para a equipe, então substituir essa posição extremaemente carente por um sólido QB jovem pode ser o upgrade que colocará o time de volta na briga pelos playoffs e dar a perspectiva para o futuro que eles procuram. A outra direção é pegar a aberração Jadeveon Clowney, colocar ele do lado o posto a JJ Watt e ter a dupla defensiva mais dominante da NFL nos últimos anos, o que deve resolver boa parte dos problemas de pass rush da defesa e dar uma perspectiva muito melhor para esse grupo em 2014. O problema desse último caminho é que ele ainda deixa a incógnita na posição mais importante do jogo, então a não ser que o time esteja contando com Keenum ou Schaub para segurar a barra no curto prazo, eles terão que resolver esse problema ainda esse ano, talvez aproveitando a profundidade para pegar um jogador como Zach Mettenberger na segunda rodada. Não existe uma direção certa, mas a decisão de como usar essa 1st pick é o que vai determinar quando a equipe voltará a disputar vaga nos playoffs e qual a direção futura da franquia.


Oakland Raiders

Pense em um viciado em drogas pesadas. Ele passou um longo período escravo do vício, desperdiçando seus anos. Enfim ele percebe o problema, e passa por um difícil e sofrido processo de desintoxicação e reabilitação. Por fim, livre do seu problema, ele parte para novos horizontes e recuperar o tempo perdido.

Essa é basicamente a história do Oakland Raiders nos últimos anos. Um dono meio maluco e uma série de GMs incompetentes prenderam o time a uma série de contratos ruins e times medíocres da qual estavam impossibilitados de escapar e mantiveram o time por tanto tempo na mediocridade, só que ao invés de admitir o problema e procurar resolvê-lo, tentaram consertar com mais contratos e drafts ruins e decisões equivocadas, que se tornaram uma bola de neve e mantiveram o time refém dessa mania. Atualmente, o Raiders está passando pela fase de desintoxicação: eles ainda estão em processo de se libertar de todos os jogadores e contratos horríveis que sobraram e limpar seu salary cap. Por fim, concluído isso, o Raiders pode pensar em se reerguer como a franquia importante que é e tentar voltar a ser relevante.

E acho que nada ilustra melhor esse processo de "desintoxicação" do Raiders melhor do que o seguinte dado: ao final de 2013, o Raiders tinha 55.6M do seu salary cap destinado para jogadores ativos na sua equipe... e 56M para jogadores que não jogavam mais pelo Raiders (incluindo Carson Palmer, que não só ocupava 9M da sua folha salarial para jogar pelo Cardinals como custou uma escolha de primeira rodada e uma de segunda). Esse ano esse dinheiro morto cai para apenas 9M, e nenhum desse dinheiro será carregado para 2015 (por enquanto). Então literalmente, o Raiders está tentando se livrar ainda do desastre e das péssimas condições deixadas pelos anos anteriores da franquia.

Feito isso, o Raiders está basicamente na condição do Jaguars, problemas demais para resolver com pouco tempo, mas pelo menos uma escolha boa no draft, uma folha salarial limpa e a chance de um novo começo. Ao contrário dos Jaguars, no entanto, o Raiders não tem um caminho claro até um QB, que seria a primeira peça da reconstrução. Jaguars, Browns e Texans, os três escolhem antes do Raiders, e todos eles possuem necessidades na posição, e portanto o Big Three de QBs pode estar fora do draft antes de chegar a vez do Raiders. Se acontecer, é fácil: escolher o melhor jogador disponível (seja ele Sammy Watkins, Jadeveon Clowney ou Greg Robinson) e esperar o resto do time encaixar em torno disso nos próximos anos. Se algum dos três cair, acho possível que o Raiders se sinta tentado pela ideia de finalmente arrumar um bom QB (algo que o time não tem desde... Rich Gannon?), mas não acho que o time precise ter pressa. Não existe uma saída rápida do buraco para o Raiders mesmo com um bom QB, e é melhor pegar uma certeza do que arriscar em um QB que eles não tem tanta confiança. Eles também podem gastar algum dinheiro para manter alguns dos seus melhores free agents (em particular LaMarr Houston), embora não ache que isso vá acontecer - o caminho do Raiders para o sucesso não é tão curto assim, e acho que a diretoria já teve o suficiente de pagar demais para jogadores que não devia e sofrer com as consequências. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A evolução (?) do jogo aéreo na NFL

Os números estão deixando cada vez mais difícil 
de lembrar de como esses caras eram bons...


Uma das histórias mais populares do começo da temporada era que essa temporada ia ser o "Ano do Quarterback". Mesmo agora, algumas pessoas ainda insistem que esse é o tal Ano do Quarterback. Eu ainda me pergunto como é possível alguém argumentar isso com seriedade quando tinhamos Mark Sanchez, Luke McClown, Tarvaris Jackson e Matt Moore como titulares na Liga. Tudo bem, eu entendo que depois da entresafra de talento na posição que tivemos no final dos anos 90 e começo dos anos 2000 realmente é muito bom ver tantos QBs talentosos na Liga ao mesmo tempo, mas não precisamos exagerar. Sempre que eu pergunto porque as pessoas acham isso, elas respondem duas coisas, sendo elas 

a) Quando foi a última vez que tivemos tantos Quarterbacks de alto nível na Liga ao mesmo tempo??

b) Nós temos cinco ou seis QBs que podem quebrar o recorde de jardas aéreas pra uma única temporada, temos batidos recordes de jardas aéreas e de recepções, TDs pelo ar, grandes times são determinados por grandes Quarterbacks, nunca a Liga registrou tantas viradas em quartos períodos, temos QB Ratings e aproveitamentos superiores a quase todas as outras temporadas da NFL, é claro que cada vez mais temos grandes Quarterbacks surgindo e preenchendo o espaço na Liga.

Passando pelo ponto a (Razoável depois da queda de talento do fim de 90-começo de 2000), chegamos ao ponto b. E o ponto b é exatamente o problema. Numa época onde temos tantas formas diferentes para medir os jogadores por números, métricas avançadas e estamos viciados em Fantasy Football, as estatísticas começam a ter um valor muito maior. Você pode não assistir a uma partida de alguém, mas se olhar suas estatísticas vai falar "Hmm, esse cara é bom" ou "Hmm, esse cara fede". Não tem nada de errado em se fazer isso, estatísticas estão aí justamente para isso, mas o que a gente tem que ter é critério pra saber usar essas estatísticas da maneira certa. O problema é que as estatísticas as vezes sofrem distorções por algum fator, um dos motivos pelos quais é tão difícil comparar jogadores de diferentes épocas. O jogo no qual Jim Brown reescreveu os recordes de corridas é diferente do jogo onde Emitt Smith fez o mesmo. Não devemos olhar simplesmente para os números, e sim para tudo que estava em volta deles. Por isso chegou a hora de fazer isso para Quarterbacks e resolver de uma vez por todas a questão.

A primeira e mais importante coisa que temos que lembrar é o seguinte: Um esporte não é algo parado no tempo. Ele evolui, se modifica, adiciona coisas novas e tira coisas antigas. O futebol americano não é excessão, ele está sempre se adaptando a novos tempos e novas situações. E cada vez mais, a NFL está se modificando na direção de uma Liga de ataques aéreos e de Quarterbacks. Está cada vez mais fácil para se jogar na posição e conseguir grandes números, e por isso as estatísticas dos QBs de hoje ficam tão mais inchadas. As 5000 jardas do Dan Marino foram um feito absurdo em 1984, mas em 2011, 2012 esse número pode ser facilmente atingido por uns quatro Quarterbacks diferentes. O que a gente tem que entender é que conseguir jardas e TDs pelo ar é muito mais fácil e portanto tem um peso muito menor hoje em dia. Mas mesmo assim, as pessoas olham os números como coisas absolutas independentemente da situação onde foram conseguidas.

Claro que essa mudança não aconteceu de uma hora pra outra. Elas foram graduais, com uma série de pequenas mudanças que foram acumulando. Em comparação com a década de 80/começo dos anos 90 (A Era de Ouro dos Quarterbacks da NFL), hoje em dia os Quarterbacks tem uma série de vantagens. Por exemplo:

a) Hoje em dia os defensores só podem encostar nos recebedores na linha de scrimmage, qualquer tipo de contato na secundária é falta. Isso limita enormemente o que os defensores podem fazer para evitar que os recebedores consigam as recepções, tudo que os DBs de antes podiam fazer para terem alguma vantagem agora é falta, o que naturalmente ajuda em muito o ataque aéreo. A única coisa que falta proibir são as interceptações - não duvidem, ainda podemos chegar lá, estamos no caminho.
b) Os QBs estão muito menos vulneráveis a pressões e ataques da defesa, eles não podem ser atingidos acima do pescoço ou abaixo da cintura, o que torna muito mais difícil para um defensor conseguir um sack, o que favorece todos os QBs mas especialmente os QBs que tem como característica sair do pocket.
c) A gota d'água, no final, foram as mudanças relativas a novas regras protegendo concussões. Agora você pode mandar seus WRs e TEs pelo meio trocentas vezes sabendo que eles não podem receber pancadas mais fortes com o capacete. Antes você tinha que tomar cuidado, mas agora os WRs podem receber 20 passes sem sofrerem nenhum tipo de punição física por isso. Por isso o Wes Welker está tendo uma temporada tão boa, por melhor que ele seja. Ele é um WR ágil que gosta de jogar em rotas curtas pelo meio, as rotas que mais levam trombadas. Antes ele estaria em coma depois de um jogo de 16 recepções (e 16 pancadas na cabeça), agora você pode fazer isso normalmente e ainda ver ele jogar a temporada toda. É como se fosse um jogador de videogame, mas isso só foi possível na vida real nessa temporada.

Existe mais vários outros exemplos, mas esses são os mais importantes. Nisso tudo vocês podem ver como ao longo do tempo o jogo foi cada vez mais se tornando atraente ao passe. Agora você não se machuca tanto porque leva pancadas mais fracas, pode se livrar mais rápido da bola sem se preocupar com defensores físicos,  sabe que seus recebedores tem muito mais condições de se livrarem da marcação, pode jogar com o mesmo Wide Receiver trocentas vezes sem se preocupar com ele se lesionando, e cada vez mais os ataques deixam de jogar pelo chão para se dedicarem ao jogo aéreo. Quem pode culpá-los, se é tão mais fácil passar do que correr?

Essas mudanças tiveram principalmente duas motivações, uma legítima e digna (proteger a saúde dos jogadores) e outra mais obscura (aumentar os pontos das partidas e torná-las mais ofensivas depois que defesas dominaram a NFL no começo da década), mas é inegável que elas tiveram o impacto de redirecionar o jogo para o ar. QBs agora se machucam menos, duram mais e jogam em ataques que rendem mais. Dos cinco maiores QBs dos anos 80/90 (Pra mim os cinco maiors de todos os tempos), Steve Young e Troy Aikman encerraram suas carreiras por conta de concussões (hoje em dia não podemos acertar a cabeça dos QBs, então a chance disso acontecer cai mais e mais, pra sorte do Aaron Rodgers), um por causa de lesões no joelho (Dan Marino, hoje em dia QBs não podem receber tackles abaixo da cintura), e Joe Montana teve sua carreira encerrada quando foi atingido por uma violenta capacetada no seu ombro, que hoje é proibida (Nota: Isso aconteceu em 1990. O 49ers de Montana tinha vencido a NFL em 88, 89 e estava ganhando por 10 pontos do Giants na final de conferência quando ele se lesionou e viu sua carreira acabar e o Giants virar a partida. Não fosse essa jogada, o Niners provavelmente seria campeão aquele ano e talvez nos seguintes, terminando a carreira com pelo menos cinco títulos. Sinto muito, você NUNCA vai conseguir argumentar decentemente que Joe Montana não é o maior QB de todos os tempos). O único que escapou foi John Elway.

Quando olhamos QBs pelo Rating  até o começo da temporada, tirando o primeiro lugar (Steve Young), temos Tony Romo, Phillip Rivers e Matt Schaub no top 10, na frente de dezenas de QBs muito melhores. Isso aconteceu porque eles jogam numa era onde números (afinal, os ratings são baseados neles e somente neles) para QBs são muito mais fáceis, se você for comparar o Rating em relação à época verá que a tendência tem sido o crescimento dos Ratings desde a década de 70. Uma parte disso pode ser explicada pelo boom de talento nos anos 80 e 90, mas no final dos anos 2000 esse crescimento está acontecendo de forma artificial. Não é uma coincidência que todos os Super Bowls pós-2004 foram vencidos por Tom Brady, Peyton e Eli Manning, Drew Brees, Big Ben Roethlisberger e Aaron Rodgers depois que Brad Johnson e Trent Dilfer foram os vencedores em 2000 e 2002. É verdade.

Isso nem de longe quer dizer que devemos deixar de lado nossa geração de grandes QBs (porque esse ponto é verdadeiro), ou que devemos idolatrar os QBs que já passaram e nos afogarmos num mar de nostalgia. Sempre é bom sentir saudade e valorizar o que passou, mas nós não podemos deixar isso impedir que vejamos o que temos de bom agora, e infelizmente é algo que acontece bastante quando temos saudosismo. Meu argumento não é esse. OS anos 80/90 foram incríveis do ponto de vista dos QBs, devemos sempre lembrar disso, mas isso não quer dizer que não tenhamos grandes coisas no momento. Temos grandes QBs da velha geração aproveitando sua longevidade (Brady, Manning, Drew Brees), temos QBs jovens que conquistaram seu espaço na Liga (Big Ben, Rivers, Rodgers) e temos QBs que estão chegando para disputar seu lugar (Cam Newton, Andy Dalton, Andrew Luck... não resisti). Temos mais é que valorizar o que temos nas mãos hoje, mas sem ficarmos comparando com os outros por causa de meras estatísticas. Podemos usar estatísticas para comparar QBs da mesma época, numa mesma temporada, mas usar essas mesmas estatísticas para comparar diferentes épocas é um absurdo. Se o Rodgers passar das 5000 jardas e quebrar o recorde do Marino, isso não quer dizer absolutamente NADA sobre Rodgers em relação a Marino, só quer dizer que ele foi o QB mais prolífico em jardas de 2011. Só.

Ao invés de ficarmos babando nas estatísticas dos QBs dessa temporada e falando como temos mais qualidade na posição do que nunca - o que é uma besteira sem tamanho - o que nós temos que fazer é aprender a olhar o que temos e o que tivemos, e especialmente saber avaliar tudo isso independente de estatísticas. Se Marino tivesse jogado na NFL hoje, talvez tivesse passado das 6 mil jardas, talvez não. São jogadores diferentes, jogando jogos diferentes que produzem números diferentes, e nosso desafio é olhar além desses números, e apreciarmos realmente o quão grandes esses jogadores foram sem ficar pensando que não produziram tantas jardas e ratings como os QBs de hoje. Apreciem pelo que eles foram de verdade, não pelo que fizeram em comparação com números que vemos agora. E nunca deixem a apreciação pelos QBs do passado evitar que vejamos o que temos de bom no momento. Mas vejam além dos números, com consciência crítica de que cada jogador está num contexto diferente, que a gente precisa avaliar o todo pros detalhes fazerem sentido. E por favor, parem de se basear em estatísticas para falar que 2011 é o Ano do Quarterback, que tal jogador é melhor que o outro porque teve mais jardas e tudo mais.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Especial NFL - Os jogadores de ataque

Essa é a terceira parte do nosso Especial NFL. Eu já expliquei o que exatamente é esse especial, um especial que vai explicar um pouco mais da NFL e do futebol americano para quem não conhece ou conhece pouco. Já pedi também ajuda para divulgação, pedi a todos que soubessem de alguém interessado para que espalhassem sobre o Especial. Nós começamos o Especial falando sobre a história do futebol americano e depois comentamos mais sobre o esporte e a Liga nos dias de hoje, junto com a estrutura financeira e administrativa da NFL. Agora que explicamos um pouco o que está por trás desse jogo, chegou a hora de explicar o que acontece dentro de campo. Mas antes de passarmos para o jogo em si, uma coisa que eu queria deixar bem clara é a questão das posições. Entender o funcionamento das muitas posições é fundamental para entender o que acontece com a bola rolando, fundamental a ponto de separarmos essa explicação em duas partes, ataque e defesa.

Nos próximos dias vamos continuar desenvolvendo o Especial com explicando especialmente as posições de defesa, especialistas e por fim o jogo em si, mas estamos abertos a sugestões e palpites, que vocês podem enviar para nosso email tmwarning@hotmail.com ou no nosso twitter, www.twitter.com/tmwarning. A ideia aqui é justamente apresentar e ensinar um pouco do esporte a quem não conhece, então podem mandar emails para perguntar o que tiverem interesse em saber. Espero que depois do nosso Especial as pessoas que antes não tinham muito contato com esse esporte tenham maior interesse em ir atrás e acompanhar a temporada, e por isso peço novamente ajuda para divulgar nosso projeto para o maior número de pessoas possível. Muito obrigado e espero que gostem.



Antes de falar sobre as posições de ataque em si, cada uma com sua função, eu queria esclarecer uma coisa acerca das posições em geral. No futebol americano, cada time se reveza entre ataque e defesa, ou seja, os jogadores que jogam quando o time tem a posse de bola não são os mesmos que jogam quando o time está na defesa. É um jogo muito especializado, onde cada jogador entra para realizar apenas uma função, e a intenção desse post e do próximo é justamente explicar qual é a função de cada um, para ver se quando o leitor desse post for assistir a um jogo de futebol americano ele consiga entender o que está acontecendo no meio de toda aquela movimentação. Outra coisa interessante que vale a pena citar é que cada time usa 11 jogadores em quadra, mas tem liberdade para trocá-los o quanto quiser. Isso quer dizer que uma jogada pode ter 11 jogadores e a jogada seguinte 11 jogadores totalmente diferentes, sem nenhum tipo de restrição ao número de mudanças.
Também queria deixar claro outra coisa aqui antes de continuar, que é a questão das formações. Antes de cada jogada, o técnico ou coordenador ofensivo/defensivo da equipe escolhe que formação a equipe vai usar para aquela jogada. Existem muitos tipos de formações, mas o importante é constatar que cada formação pode usar uma combinação diferente de jogadores, e não necessariamente uma formação vai usar todos os jogadores disponíveis. Como estamos falando de ataque, a formação de uma jogada de ataque precisa obrigatoriamente desses seis jogadores: Cinco jogadores de linha ofensiva (calma, já vamos explicar) e um jogador que fica atrás dela para receber a bola (95% das vezes é o Quarterback, exceto em casos de Tricky Plays, mas não vamos nos deter muito nisso por enquanto). Os outro cinco jogadores do ataque variam de acordo com a formação chamada, então acontece de termos jogadas que não utilize todas as posições que poderia. Para melhor entender o que vamos explicar, sempre tenham em mente que cada jogada é uma jogada específica e desenhada antes de começar, e que cada jogador vai executar sua função de acordo com a jogada chamada.
Por enquanto, como nosso objetivo é explicar as funções de cada posição, vamos usar como exemplo a chamada I Formation, que é a formação mais básica do futebol americano, porque ela usa todas as posições disponíveis. Vale lembrar também que os jogadores vão começar da posição indicada independentemente da função que terão que desempenhar na jogada.
Diagrama 1: I Formation

Linha Ofensiva
A linha ofensiva - que é obrigatória em qualquer jogada de ataque - é composta de cinco jogadores: Um Center, dois Guards (Left e Right) e dois Tackles (Left e Right). A função da linha ofensiva é simples. Uma vez feito o Snap (Quando o Center joga a bola pra trás entre as pernas, que é quando cada jogada começa) a linha pode ter duas funções, dependendo da jogada que o time vai executar. Se a jogada é uma jogada de corrida (ver HB logo abaixo), ou seja, se alguém vai pegar a bola e correr, a linha ofensiva tem como função abrir caminho para ele. Os jogadores de defesa, ao reconhecer a jogada de corrida, vão partir pra cima do jogador com a bola para derrubá-lo (lembrando que quando alguém vai correr, a jogada acaba quando ele for derrubado) e portanto a linha ofensiva da equipe tem que bloquear quem vier na direção do carregador da bola, abrindo espaço entre os jogadores da defesa para que o corredor tenha espaço para acelerar sem ser tocado (Vejam nessa jogada como a linha ofensiva faz um ótimo trabalho abrindo espaço para a corrida).
Se a jogada for de passe, o Quarterback vai receber o Snap e procurar um bom alvo para o passe, mas enquanto ele estiver segurando a bola a defesa vai tentar chegar até ele para derrubá-lo ou impedir o passe. Nesse caso, a linha ofensiva tem como função evitar que a defesa chege no QB, protegendo-o enquanto ele procura uma opção de passe (Vejam nessa jogada como o QB tem muito tempo para fazer o passe graças ao bom trabalho de bloqueios da sua linha ofensiva, e faz um dos passes mais lindos que eu já vi na vida). Vale destacar que quando eu digo que os jogadores da linha "bloqueiam" ou "seguram" os outros, eles não podem realmente segurar o adversário. Eu vou explicar isso com mais calma quando for falar do jogo, mas dentro de campo nenhum jogador pode segurar outro, a não ser que este esteja com a bola. Os jogadores de linha tem que fazer tudo apenas empurrando, sem nunca fecharem as mãos, senão é falta.
Para falar um pouco das especificidades das posições:
Center (C): O Center - que fica na posição central da linha - é o jogador que inicia todas as jogadas. Quando o ataque se monta para começar a jogada, o Center que segura a bola e a jogada começa quando ele a joga para atrás, ou seja, faz o chamado Snap. Pode parecer fácil, mas um Snap não é nada fácil. Dependendo da formação, o Center pode ter que fazer o Snap diretamente nas mãos do Quarterback (Como vocês podem ver aqui) ou então para um QB que se posiciona a alguma distância (Esse outro), e ambas exigem muita sincronia entre QB e Center porque são executadas em velocidade para começar a jogada em vantagem sobre a defesa. O Center também, por ficar no meio, é o líder tático da defesa. Ele que é responsável por ler e transmitir informações sobre o que ele identificar sobre a formação defensiva para seus companheiros, qualquer movimentação diferente, bem como indicar aos seus companheiros de linha que posição eles devem cobrir.
Left Guard (LG), Right Guard (RG): Os Guards, por jogarem por dentro da linha ofensiva, geralmente são jogadores com mais força física, assim como o Center. Eles tem como função, em caso de passe, impedir que os jogadores infiltrem em direção ao QB pelo meio da linha ofensiva, mas a sua principal função é ajudar no jogo terrestre. Como a maior parte das jogadas de corrida acontecem pelo meio do campo, eles tem que usar sua força física e seu tamanho pra abrirem o espaço na linha defensiva do adversário para que o corredor tenha espaços por onde correr.
Left Tackle (LT), Right Tackle (RT): Assim como o resto da linha ofensiva, os Tackles tem a dupla função de proteger o QB e abrir espaço contra a corrida. No entanto, a principal função deles é a de proteção. Claro que eles tem que abrir espaço e manter a defesa longe do corredor nas jogadas de corrida, mas eles tem principalmente que proteger o QB dos jogadores que tentam alcançá-lo dando a volta pela lateral da linha, que é a forma que a grande maioria das defesas usa para chegar no QB adversário. Um bom Tackle na lateral da sua linha ofensiva impede que seu QB sofra ataques por onde ele menos consegue ver, ou seja, pelos lados (Um dos motivos para o LT ser tão importante, já que ele protege o chamado "Ponto Cego" de um QB que segura a bola, que é o seu lado esquerdo. O mesmo vale para RTs no caso de um Quarterback canhoto).
Quarterback (QB)
O Quarterback é simplesmente a posição mais importante de um time de futebol americano. É por onde começa qualquer ataque, já que 98% das jogadas de ataque de um time passam pelas suas mãos. Eu disse que todas as jogadas do futebol americano começam com um Snap e que por regra todas precisam ter um jogador colocado atrás da linha ofensiva para recebê-lo, e tirando Tricky Plays, esse jogador será o QB. Seja para fazer o passe, correr ou entregar para outro jogador correr, é o QB que estará com a bola nas mãos quando a jogada começar. Não é a toa, portanto, que ele tenha uma função de liderança tão grande dentro do elenco, já que ele controla o ataque a cada jogada. Entre o final de uma jogada e o começo de outra, o time que está no ataque tem apenas 40 segundos para recolocar a bola em jogo, e portanto não da tempo para o time todo ir até a lateral ouvir a instrução do técnico. O técnico vai passar a jogada diretamente pelo QB através de um ponto eletrônico no capacete e o Quarterback que fica responsável por passar essa jogada para os companheiros de ataque. Muitas vezes o próprio QB é encarregado de chamar as jogadas e organizar o ataque. Ou seja, o QB tem que conhecer muito bem todas as jogadas de ataque do time, é uma função que geralmente é ocupada por um jogador inteligente que conhece tudo que o time pode fazer. Ele também é o técnico dentro de campo, ele que orienta os companheiros e ele que vai modificar as jogadas chamadas pelo técnico caso seja capaz de identificar algo na formação defensiva do adversário que possa atrapalhar a jogada chamada anteriormente - ou então caso veja algo na formação do adversário que ele possa tirar vantagem Quem ocupa a posição realmente precisa ser muito inteligente e ter uma liderança grande dentro do elenco, precisa que todos o respeitem e confiem no seu julgamento.
Mas além disso tudo, o QB tem a importante função de realizar passes. No futebol americano você pode avançar de duas formas, correndo ou passando, mas é passando que geralmente você vai conseguir percorrer distâncias maiores. Nas jogadas de passe, o QB tem que saber onde estão seus alvos e que rota eles vão percorrer (veja abaixo em WR/TE), tem que reconhecer os defensores que estão vindo na sua direção, tem que ler a cobertura que a defesa está fazendo nos seus alvos e tem que efetuar um passe preciso para que a bola não caia nas mãos da defesa. Acreditem, fácil não é, mas quando você faz tudo certo, o resultado será algo como isso.
Wide Receiver (WR)
O Wide Receiver é um jogador que tem uma função simples em campo: Receber passes. Eles vão ser na maior parte do tempo os alvos que o QB vai estar visando. Em uma jogada de passe, quando a jogada é escolhida, cada Wide Receiver recebe uma 'rota' para correr, ou seja, cada jogador tem como função realizar um certo caminho dentro de campo. Na grande maior parte das vezes, essa rota é estabelecida antes da jogada começar e a obrigação do WR é percorrê-la fielmente para que o QB já saiba de antemão o que ele irá fazer na jogada e portanto saiba onde seus jogadores estarão para efetuar o passe. Essas rotas podem ser coisas simples como a "Streak" (Quando o jogador simplesmente sai correndo em linha reta) ou então podem ser rotas elaboradas como uma "Zig Out" (quando o jogador ameaça um corte para dentro e em seguida corta para fora), mas a função delas é fazer com que o WR se desmarque para receber o passe. Em alguns casos o WR terá algo chamado "Option Route", ou seja, ele não recebe uma rota só, recebe duas ou três e ai ele na hora ele faz a leitura da defesa e escolhe qual delas é a melhor para correr. Isso exige não só um WR inteligente com boa leitura de jogo mas também uma ótima sincronia com o QB que lançará o passe, já que o QB não sabe de antemão qual rota será corrida e portanto precisará ler a defesa da mesma forma que o WR para poder lançar a bola.
O Wide Receiver também tem como função bloquear no caso de uma corrida, ou até mesmo depois que o Receiver recebeu um passe os outros Receivers do time vão bloquear os defensores para que esse jogador possa avançar o máximo possível com a bola, mas a principal função do Wide Receiver é receber passes mesmo. Aqui está um exemplo de um WR fazendo um Zig Out para se livrar da marcação.

Tight End (TE)
Eu disse anteriormente que o futebol americano é um jogo extremamente especializado, onde cada jogador tem uma função específica. Dentro dessa realidade, talvez a posição de Tight End seja a que mais foge à regra. A função do Tight End é justamente não ter uma função específica. Como vocês podem ver pelo Diagrama I, o Tight End se posiciona para começar a jogada junto da linha ofensiva (ele não faz parte da linha, vale lembrar), mas sua função vai depender não só do tipo de jogada chamada, corrida ou passe. Claro que numa jogada de corrida, quando todos no time se tornam bloqueadores para abrir espaço para o corredor, o Tight End também tem como função agir como um jogador de linha ofensiva e sair bloqueando todo mundo pela frente para abrir espaço, mas ao contrário dos Wide Receivers, ele vai enfrentar jogadores de linha defensiva que são muito mais pesados, portanto é necessário que ele tenha força física suficiente para bloquear jogadores grandalhões (observem o jogador highlighted nesse vídeo, por exemplo).
No entanto, numa jogada de passe, o Tight End também pode ser encarregado do bloqueio - agindo nesse caso novamente como um Tackle - mas também pode ter como função sair e receber um passe, correndo uma rota como se fosse um Wide Receiver, e portanto ele também precisa ter velocidade e mobilidade suficiente para se desmarcar com uma boa rota e receber um passe. Portanto o Tight End realmente precisa ser capaz de fazer tudo, de bloquear jogadores grandes e também correr rotas e vencer seus marcadores no mano a mano antes de receber um passe, é uma posição de grande versatilidade que muitas vezes usa essa característica para confundir a defesa. Hoje em dia, o Tight End vem sendo cada vez mais utilizado no jogo aéreo, como alvo de passes. Vejam como nesse vídeo o TE número 80, Zach Miller, sai para receber o passe sem marcação.
Half Back (HB)
Trocentas vezes acima eu citei a existência de jogadas de corrida e me referi a 'um corredor'. Na prática o corredor pode ser qualquer jogador do time que não seja da linha ofensiva, mas existe um jogador que está no time apenas para fazer isso, e é o Half Back, também conhecido como Running Back (RB). O Half Back geralmente é o jogador rápido do ataque, que vai ser encarregado da bola nas jogadas de corrida. Nesses casos o QB que receber o Snap vai colocar a bola nas mãos dele (como vocês podem ver naquele vídeo lá em cima sobre o bloqueio dos linemans) e como vocês podem ver pelo Diagrama 1 o HB começa a jogada atrás do QB para já pegar a bola em velocidade. Ele simplesmente tem que correr, e para isso ele depende do caminho aberto pelos companheiros, não é incomum vermos bons HBs sendo derrubados cedo porque a linha ofensiva não conseguiu bloquear a defesa. Os HBs também não tem que ser apenas rápidos para se livrarem dos marcadores, eles também tem que ter uma certa dose de força física para escaparem dos tackles dos defensores. Naturalmente existem jogadores diferentes com características diferentes para a posição.
Nas jogadas de passe, o HB pode ter duas funções. Ele pode sair para correr alguma rota (geralmente curta para dar opção de um passe rápido) ou então pode ser encarregado de ficar perto do QB para bloquear algum defensor que eventualmente passe pela proteção da linha ofensiva.
Fullback (FB)
O Fullback é a posição ofensiva menos utilizada nas formações de ataques e que menos aparece nas estatísticas. Isso porque ele tem uma função apenas em campo 90% do tempo, que é bloquear. Os Fullbacks geralmente são jogadores mais fortes que saem correndo na frente do HB nas jogadas de corrida (Vejam no Diagrama 1) para bloquear quem estiver pela frente, abrindo assim o espaço na frente do corredor. Pela sua força física os Fullbacks as vezes são usados em corridas de distâncias curtas (Que usam mais força do que velocidade) ou até recebendo passes em algumas jogadas, mas em geral eles só entram em campo para bloquearem, seja correndo na frente do HB, seja ficando na frente do QB.
Vale destacar uma pequena ambiguidade nos dias de hoje. O nome Running Back, na verdade, se refere tanto ao HB como ao FB, ele engloba as duas posições, enquanto HB e FB são as designações específicas de cada uma. No entanto, se usa muito a denominação Running Back para se referir ao carregador da bola, geralmente o Half Back, de forma que é quase a mesma coisa. Mas oficialmente o nome da posição é Half Back.
Algumas variações ofensivas
Eu disse lá em cima que os jogadores que participam de uma jogada dependem da formação utilizada nessa jogada em particular, e usei a I Formation pra exemplificar a função de cada posição. Mas para ilustrar melhor o que eu quis dizer, vou mostrar mais algumas formações diferentes da I.
Formação Singleback

Essa é a formação Singleback, porque só tem um "Back" em campo, no caso o Half Back (Apesar do nome, o Quarterback não é um "Back"). Reparem que no Singleback você tirou o seu Fullback para colocar mais um alvo para o jogo aéreo, no caso um Wide Receiver. Também existem formações Singleback onde se troca o FB por outro Tight End, que fica do lado do Left Tackle, ao invés de se colocar um terceiro WR, que pode ter tanto a função de receber passes como de bloquear.
Formação Shotgun com 3 WRs

Essa é uma das formações mais conhecidas do futebol americano, a Shotgun. Essa formação tem esse nome porque é uma formação desenhada para o jogo aéreo, e a movimentação dos recebedores seguindo o Snap parecem as balas de uma shotgun. Apesar dessa formação Shotgun com 3 WRs mostrada no Diagrama (A Shotgun pode vir com quatro ou até cinco WRs) possuir o mesmo número de jogadores por posição que a Singleback, o QB está recebendo o passe alguns metros atrás da linha ofensiva, e não colado a era como era o caso na I e na Singleback. Isso acontece para o QB não precisar perder tempo recuando após receber a bola, ele já recebe a bola pronto para soltar um passe rápido, que geralmente é o que acontece nos casos de formação shotgun.
Goal Line Formation

A Goal Line Formation, como o nome indica, é uma situação extrema para quando você está em cima da linha para marcar o touchdown. Você simplesmente junta todo mundo no meio pra forçar a bola correndo pelo meio (Aquele FB que está junto da linha ofensiva pode ser também um TE). Você pode até enganar todo mundo, fingir a corrida e ir para o passe, mas geralmente essa formação quer dizer que você vai correr com a bola pelo meio sem a menor vergonha na cara para ganhar poucas jardas - que é tudo que você precisa.

Espero que esse post tenha esclarecido pra vocês um pouco melhor sobre as posições ofensivas da NFL e como elas podem ser utilizadas para tornar um ataque mais completo e imprevisível. Acho que ainda está um pouco confuso, porque isso tudo que eu disse está acontecendo ao mesmo tempo, mas isso talvez fique mais claro quando eu for explicar o jogo em si, e talvez só fique realmente visível quando forem assistir a um jogo, mas de toda forma espero que pelo menos agora vocês consigam ter uma visão melhor do que acontece por dentro de uma jogada. Caso algo não tenha ficado claro ou tenha ficado mal esclarecido, por favor deixem um aviso nos comentários que eu esclareço assim que der. Se ainda tiverem dúvidas podem deixar por aqui mesmo ou mandar por email pra gente. Também aproveito para pedir desculpas, mas o post sobre as posições de defesa infelizmente não vai sair até quinta feira, eu tenho duas provas quinta e preciso estudar para elas, só terei tempo para fazer com calma o post quinta feira depois da aula. Espero que compreendam, e continuem acompanhando o nosso Especial NFL! Grande abraço a todos!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Culpado por ser um craque


Tebow provavelmente quebrou o recorde de jardas
para um QB sangrando. Tanto correndo como passando.


Enquanto esperamos o início do nosso "Especial: NFL", que começa amanhã e o qual eu já expliquei e pedi ajuda logo abaixo (por favor leiam!), vamos falar um pouco de um assunto que está chamando alguma atenção nessa pré-temporada de NFL, que é a situação do Tim Tebow e do Denver Broncos.

Se você pegar uma pessoa que só assista e acompanhe NCAA, que se trancou numa caixa de vidro ao final da temporada 2009 da NCAA e que não teve contato com ninguém nesse período e mencionar o nome do Tim Tebow, os olhos dela provavelmente vão se encher de lágrimas, e ele falará sobre como o Tebow é um dos melhores (Se não o melhor, um dos dez melhores) jogadores de College Football de todos os tempos, de como ele tem saudade de ve-lo jogar e vai ficar meia hora rasgando elogios ao moleque. Se você fizer o mesmo com alguém que só veja NFL e que nunca tenha lido ou escutado nada sobre NCAA, ele provavelmente vai perguntar o que o Tebow tem de demais, já que ele não sai da reserva do Denver Broncos. Porque por mais estranho que seja, um dos melhores jogadores da história da NCAA está atualmente encostado na NFL, sendo o terceiro QB de um dos times mais fracos da Liga e recebendo ataques e mais ataques da imprensa.

Quando jogava no Florida Gators, o Tebow chamou a atenção de todo o mundo pelo seu talento inquestionável. Ele era extremamente competitivo, muito bom se movimentando e saindo do pocket, tinha ótima habilidade pra fazer jogadas e foi a sensação da Liga por três anos, entre os quais conquistou um Heissman Trophy (Algo como o MVP da NCAA), um título do Sugar Bowl e dois títulos nacionais (BCS). Ele quebrou mais de 50 recordes diferentes (Ele CORREU para 23 Touchdowns em 2007, por exemplo) e teve alguns jogos que estão entre os grandes de todos os tempos, como as 533 jardas totais de ataque que ele teve no seu último jogo, o Sugar Bowl (Que é um recorde de jardas para um jogador em Bowls oficiais). Na NCAA, ele foi sem dúvida uma lenda, e não é exagero falar que ele é um dos 10 melhores QBs da história do College Football. Portanto também não é de se estranhar que sua ida para a NFL tenha sido tão comentada.

Essa foi também a primeira vez que o inquestionável Tim Tebow era questionado em suas habilidades. Muitos diziam que ele era perfeito para jogar a NCAA (que é um jogo totalmente diferente), mas que não poderia fazer essa transição para a NFL. Ele sempre tinha jogado na Florida num sistema shotgun, um sistema que privilegia passes rápidos e a mobilidade do QB, mas não necessita tanto de habilidades essenciais na NFL como a capacidade de jogar under center, jogo de pés na hora de recuar e, principalmente, precisão nos passes de dentro do pocket. A capacidade do Tebow de passar correndo era impressionante, mas na NFL ele não teria o mesmo tipo de vantagem física sobre os defensores que tinha no College. Além disso, a mecânica de arremessos do Tebow era muito ruim para a NFL, e depois de ser tão bom com a mecânica "errada" muitos duvidavam que ele fosse capaz de mudá-la de forma natural. Mas apesar disso, a pressão que se criou em torno do Tebow foi algo sobre humano, como se ele, por ter sido genial no College, também tivesse a obrigação de ser genial na NFL.

Nas semanas que antecederam o Draft, muita especulação foi feita em torno de em que rodada e para onde Tebow sairia. Apesar de ser quase consenso que o um QB com tantas "falhas" no seu jogo não valesse uma escolha de segunda rodada, a terceira rodada e até a segunda eram as opiniões mais frequentes. Todo mundo sabia do que ele era capaz, mas a sua capacidade de se adaptar à NFL era uma aposta.

No final, a gente sabe como a história acabou. O Denver Broncos trocou para entrar no final da primeira rodada do Draft e pegou o Tebow, numa decisão muito questionada por muitos. O Tebow foi reserva durante boa parte do ano, mas teve sua chance no final da temporada regular, quando foi titular em três jogos e teve boas atuações, com vários touchdowns terrestres e alguns aéreos. Foram bons jogos, mas parece que não convenceram os homens fortes de Denver, já que agora ele é o terceiro QB do time, atrás de Kyle Orton e Brady Quinn.

Agora, a pressão da imprensa sobre ele e sobre o time está maior do que nunca. Tebow foi draftado para ser a solução na posição a médio prazo pelo então técnico Josh McDaniels, que pretendia treiná-lo durante algum tempo antes de colocá-lo para jogar. Mas McDaniels foi mandado embora, e parece que o plano foi por água abaixo. O Broncos quis colocar o garoto pra ser a solução agora enquanto ficariam livres para trocar o Orton (Miami?), mas ele não está pronto para isso, e o Broncos não quer esperar. Existe uma certa má vontade com ele em Denver, talvez porque o Head Coach de lá (John Fox) vê o Tebow como uma 'herança' do antigo HC, e parece que o time não está mais disposto a apostar no futuro do garoto. A imprensa e a torcida continuam cobrando grandes coisas dele mesmo num ambiente totalmente impróprio para o cara, tudo isso porque ele foi bom demais no College pra ser um reserva na NFL, ou pelo menos para a imprensa ou a torcida.

A verdade é que, em esportes, a gente gosta de odiar alguns jogadores, mesmo que sem confessar. Nós odiamos o Lebron James porque ele é arrogante, gosta demais de aparecer, quebrou o coração de Cleveland em rede nacional, foi jogar com seu maior rival na Liga e, embora ninguém admita, simplesmente porque ele é bom demais e a imprensa encheu a bola dele desde que ele tinha 13 anos de forma que ninguém aguenta mais ouvir falar dele e muitas vezes gosta de ver ele se dando mal só pra ver todo aquele hype indo por água abaixo por meia hora. Eu já bati nessa tecla antes, que essa aura de grandeza em torno do Lebron não foi uma criação dele e sim da imprensa e de todo mundo que vivia ao redor nele, ele era bom demais e simplesmente aceitou essa criação dos outros como sendo a realidade. E uma boa parte das críticas que o Tebow hoje recebe é justamente por causa de uma imagem que se criou dele como um QB que tem que ser vitorioso em todos os lugares por onde passar, não pode nem perder no poker ou no truco que já é um tremendo fracasso.

O Tebow, ao contrário do Lebron, nunca gostou de chamar a atenção pra si, sempre foi um cara discreto, simpático, humilde e extremamente atencioso com os fãs. (Tem até uma história famosa sobre isso, quando um cara que estava andando na rua viu Tebow e mais dois amigos passeando. Fã do QB de Florida, pediu para tirar uma foto, mas sua câmera estava sem pilhas. O fã correu para comprar pilhas, não achou e teve que dar 400 voltas até achar uma compatível, o que demorou um tempão. Quando voltou, achou que Tebow já teria ido embora por causa da demora, mas encontrou o QB sentado lá esperando, sozinho. Seus amigos tinham ido embora mas ele esperou o fã para tirar aquela foto e autografar, sem esperar nada em troca, apenas porque o cara pediu.) Na NCAA ele não era apenas famoso, ele era simplesmente idolatrado. Sua camisa 15 de Denver quebrou recorde de vendas para o dia do Draft, e foi a camisa mais vendida em toda a NFL durante TODOS OS MESES após o Draft, sem pular nenhum. Muitos times cogitaram draftar o Tebow só para atrair a torcida para o estádio, tamanha era sua popularidade. Mas quando Tebow ficou no banco, começou a perder espaço no Broncos e parecia que estava condenado a ficar no banco pro resto da vida, muita gente começou a ficar irritada com ele, especialmente a imprensa. Muita gente condenava o Tebow simplesmente porque ele não era tão espetacular na NFL como na NCAA, como se isso fosse culpa dele ou do time. Cada vez mais parecia que ele estava perdendo espaço na NFL, mas que isso era um absurdo para alguém que tinha sido tão bom quanto ele.

Vale sempre lembrar que muito disso não é só talento. Grande parte do sucesso de jogadores recém draftados, especialmente QBs, depende demais do time que os drafta. Por exemplo, muita gente hoje ri, dizendo que se o 49ers tivesse draftado Aaron Rodgers com a primeira escolha do Draft ao invés do Alex Smith hoje seria um dos melhores times com um Franchise QB pelo resto da década, mas isso é uma enorme falácia. Talvez o Aaron Rodgers seja simplesmente melhor que ele desde o começo, mas não da pra negar que a situação na NFL dos dois jogadores fez uma diferença brutal na carreira. Os dois saíram um tanto crus, sem todas as habilidades exigidas na NFL, mais ou menos na situação do Tebow, mas o Alex Smith foi para um time que estava desesperado por uma solução na posição, teve que entrar e jogar desde o começo, jogou num time com péssimos alvos e uma horrorosa linha ofensiva, nunca teve ninguém para lhe ensinar os macetes da posição. Ele simplesmente teve que entrar e jogar, com uma pressão enorme para produzir, mudando de coordenador ofensivo a cada ano que passava (o que significava que ele tinha que aprender um ataque diferente a cada ano, e isso é algo que demora e essa mudança atrapalha demais). Ele disperdiçou os anos que ele usaria para desenvolver com calma suas habilidades, seu jogo under center, sua precisão no pocket correndo para fugir de sacks, tentando achar algum jogador livre e tendo que jogar sabendo que tinha um enorme peso nas costas. Enquanto isso Rodgers foi para Green Bay, onde encontrou um excelente time com excelentes recebedores já montados. Treinou durante anos sem nenhuma pressão, à sombra do grande Brett Favre, que pode lhe ensinar e guiá-lo por todo o processo de aprendizado, aprendendo apenas um esquema ofensivo que se manteve inalterado por anos a fio. Depois de quatro anos treinando nessa situação extremamente favorável, desenvolvendo suas habilidades com calma, tempo e sem nenhuma pressão, ele pode entrar, mostrar seu talento e liderar seu time ao título. Situações totalmente opostas que influenciaram imensamente a carreira dos dois QBs, talvez se Rodgers tivesse ido para o 49ers e Smith para o Packers hoje o camisa 12 seria um fracasso num time mediocre e o camisa 11 seria um sólido titular num ótimo time.

Por esse motivo eu achei a ida para Denver péssima para o Tebow. O ideal para ele era ir para algum lugar onde não precisasse jogar logo de cara, onde tivesse tempo para treinar e refinar seu jogo, corrigir as falhas com algum veterano lhe guiando e jogando, e um bom técnico lhe passando tudo sobre um esquema ofensivo que ele teria muito tempo para aprender e dominar. Por exemplo, o Patriots (que estava louco para pegá-lo na segunda rodada) teria sido o lugar ideal. Mas o Broncos não tinha um QB estável, não tinha um QB veterano para mentorá-lo, possivalmente teria que recorrer a ele como salvador da pátria e ele recebeu muita pressão da imprensa para ser um astro desde o começo. Até o técnico mudou, o que significa um novo esquema ofensivo para ele aprender e um técnico pouco disposto a lhe dar uma chance. Nada deu certo pra ele lá, e por isso eu torço para que Tebow saia de Denver o quanto antes. O Denver não enxerga mais o Tebow como um projeto a longo prazo (talvez nunca tenha enxergado assim realmente), estão querendo que ele seja titular desde já e isso ele não vai ser, o que só aumenta a pressão da imprensa. Espero que ele possa sair de lá e ir para um time que possa treiná-lo decentemente, dar a ele tranquilidade, estabilidade e um preparo ideal.

É nessa situação que o Tebow pode vir a ser um grande QB na Liga, porque ele tem muitos talentos. Se continuar como está, pode acabar disperdiçando os anos mais importantes do seu aprendizado em um time que não o quer e que é péssimo para ele. E infelizmente, ele vai continuar recebendo atenção e críticas da imprensa enquanto não for pra um time que mantenha o garoto na situação correta, ao invés de expô-lo querendo que ele seja uma coisa que ele não tem como ser no momento. Alguns dizem que o Broncos está querendo trocá-lo ou dispensá-lo, o que eu acho possível, mas isso vai ser muito melhor para o Tebow. Sair de Denver, recomeçar no time certo, que tenha condições de escondê-lo da pressão da imprensa com uma situação estável e um projeto adequado à longo prazo. Até lá, ele vai continuar sofrendo as consequencias do seu incrível talento no College.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Mock Draft 1.0

Finalmente chegou! O nosso tão esperado e comentado (pelo menos por mim) Mock Draft! Ta bom, o Mock Draft era pra ter saído ontem a tarde, mas fiquei sem luz em casa e não deu pra postar. Mas hoje ele ta aqui. Mas antes, alguns esclarecimentos:

O Mock Draft nada mais é do que nossos palpites pra escolhas do Draft com base na ordem inicial do Draft. Na hora do vamos ver, muita gente faz trocas pra subir de posição no Draft, muitos outros fazem trocas para aumentar o número de escolhas, e alguns até pra negociarem jogadores. Isso quer dizer que na hora vamos ver muitos times mudando sua posição através de trocas. Como isso é muito imprevisível, a gente não leva em conta essas mudanças, toma a ordem inicial como dada e trabalha com base nisso.

Segundo que, se você não costuma entrar no blog, a gente fez uma série de posts sobre o Draft que podem ajudar vocês a entenderem melhor essa bagunça. Eles são:


Eles explicam muitas coisas: Como funciona o Draft, como vai funcionar essa temporada, as posições com falta e excesso de bons jogadores, como funciona um Mock Draft, como são avaliados os jogadores que fazem o salto da NCAA pra NFL e por fim uma rápida passagem pelos principais QBs do Draft.

Bom, nada mais a acrecentar, vamos a isso. Se alguem discordar, concordar, quiser dar seu palpite ou algo assim, sinta-se a vontade, faz tempo que ninguém (nem minha mãe) comenta algo aqui. Lembrando que a escolha de cada time está em negrito, sublinhado e itálico, pra facilitar a identificação no meio de tanto. texto

Mock Draft 1.0

1ª escolha: Carolina Panthers
Essa é bem difícil. Já falei muitas vezes de que, pela falta de um Franchise QB disponível no Draft, essa escolha não é consensual. Muitas vezes, nessas situações, times desesperados pegam o QB que parece ser o melhor disponível mesmo que todo mundo saiba que ele não é uma escolha tão segura. O melhor exemplo recente é - como esquecer? - Jamarcus Russell, que na época era cotado junto com o Brady Quinn como os principais QBs mas nenhum deles era uma certeza.

Ainda assim, sem o Andrew Luck no Draft, acho que o Panthers não vai arriscar um QB sendo que os disponíveis não são confiáveis para se gastar uma primeira escolha e entregar nas mãos a Franquia. Além disso, Jimmy Clausen merece mais uma chance. Por isso, acredito que o Panthers vai reforçar a defesa que o novo técnico Ron Rivera tanto preza, começando pela linha defensiva. Assim, o Panthers escolhe o DT Marcell Dareus. Ele tem tamanho, boa coordenação motora e sabe forçar passagem pelo meio da linha adversária, e parece um ótimo pilar pra reconstrução da defesa do Panthers. Assim, o Panthers continua com um ataque horroroso (que ainda deve perder o RB DeAngelo Williams) e tem a chance de ter novamente a pior campanha da NFL e então, finalmente, draftar Andrew Luck. Mas, lógico, isso não é garantia de nada.

2ª escolha: Denver Broncos
Outro time que draftou um QB em 2010 (Tim Tebow) e que conta com um técnico novo. John Fox também é um técnico com uma mentalidade defensiva e a fragilidade da linha defensiva do Broncos em 2010 depois da lesão do Elvis Dumerville vai fazer com que outro DL saia nessa posição. A melhor escolha aqui seria, a meu ver, Dareus, mas como eu acho que ele vai estar enchendo a cueca de dinheiro no Panthers quando o Broncos for escolher, eles vão pegar o DL Da'Quan Bowers. Bowers teve algumas questões sobre lesões e sobre o fato de ter tido apenas uma temporada produtiva em três anos no College. Mas ela foi, de fato, muito produtiva, e o seu Pro Day, além de sólido, mostrou que seu joelho está saudável. Deve reforçar a defesa frágil de Denver. Alguns dizem que Denver estaria interessado num QB, mas ainda não vejo essa como a hora pra desistir do Tebow.

3ª escolha: Buffalo Bills
Acho que o Blaine Gabbert vai ser uma tentação pro Bills, não ficaria nada surpreso caso fosse a escolha deles, mas Ryan Fitzpatrick mostrou ano passado que pode tapar o buraco a curto prazo, e o OLB Von Miller é simplesmente bom demais pra deixar passar aqui. O Bills precisa urgentemente melhorar o pass rush da sua defesa 3-4 e Miller é um eicaixe perfeito pra situação. A meu ver, essa situação é mais urgente do que a do QB, que só deveria ser endereçada caso se tivesse um QB de elite disponível. O que não é, aparentemente, o caso.

4ª escolha: Cincinnati Bengals
Finalmente, um Quarterback. Carson Palmer já disse que quer ser trocado e que se continuar em Cincinnati ele vai se aposentar, e acreditem, ele não está brincando. A defesa do Bengals em 2010 não foi nem sombra da defesa de 2011, mas o maior problema do Bengals na temporada ainda foi a incapacidade do Palmer de jogar em... não digo nem 'alto nível', só jogar num 'nível' já estaria ótimo! Mas ele foi horroroso, o Bengals não tem ninguém no banco pra substitui-lo, e não vejo no time as condições ideais para draftar e evoluir um QB na segunda rodada, embora possa ser o caso. A questão aqui fica: Qual Quarterback? Eu acredito que o time vai pegar o Blaine Gabbert mesmo, embora eu realmente não tenha uma razão pra preferir o Gabbert ao Cam Newton aqui. Mas de qualquer forma, acho que o Gabbert, pelo estilo de jogo e por ser uma escolha menos arriscada, vai sair aqui.

5ª escolha: Arizona Cardinals
O Cardinals fez de tudo pra esconder ano passado, mas o fato é que o time não merece sequer ser chamado de time desde que o Kurt Warner se aposentou. Um time que foi ao Super Bowl em 2008 e chegou nas semifinais de conferência em 2009, com a saída de Warner, de repente caiu pra um time que venceu apenas cinco jogos. E o Cardinals tentou de tudo: Trocou pelo Derek Anderson, usou os calouros Max Hall e John Skelton, e só faltou colocar o Larry Fitzgerald pra lançar. Agora, a situação ta insustentável, eles precisam aproveitar o Fitz, e por isso Cam Newton vai para Phoenix. Com seu estilo atlético de sair do pocket e criar com as pernas, acho que pode ser um bom encaixe no esquema do Ken Whisenhunt. Se a Free Agency reabrir antes do Draft, acho bem possível imaginar o Cardinals fazendo uma troca pelo Kevin Kolb e pegando outro jogador aqui.

6ª escolha: Cleveland Browns
O WR AJ Green, cotado como o melhor jogador ofensivo do Draft, vai finalmente sair aqui. O Browns precisa de muitas coisas, mas a prioridade é dar um alvo de confiança pra continuar a evolução do Colt McCoy, que se já parecia bom lançando pro Mohamed Massaquoi e pro Ben Watson, imagina com o Green, que é um tremendo jogador e, ao contrário do Dez Bryant do ano passado, parece ter uma cabeça boa pra evitar disperdiçar seu talento.

7ª escolha: San Francisco 49ers
O time precisa desesperadamente de um QB, é de chorar seu único QB sob contrato ser o David Carr, mas aqui o time não pode pegar outro senão o CB Patrick Peterson, pra muitos o melhor jogador do Draft. Aliás, seria praticamente um natal antecipado para o novo técnico Jim Harbaugh se o Peterson realmente caísse pro Niners, mas é bem possível que aconteça. Assim, o Shawnte Spencer pode voltar pro Nickel, onde joga melhor, e o time consegue reforçar sua maior fraqueza na defesa, a secundária. Além disso, o 49ers é o time com mais escolhas (12) no Draft. É mais provável que o time use algumas delas pra subir sua escolha de segunda rodada e pegar Jake Locker, Ryan Mallet ou até o Colin Kaepernick.

8ª escolha: Tennessee Titans
Outro time que precisa desesperadamente de um QB pra recomeçar a vida depois da saída do Vince Young, mas a oitava escolha é uma escolha alta demais para isso se Gabbert e Newton já tiverem saído. É bem possível que o Titans troque essa escolha pra descer até o meio da primeira rodada e pegar Mallet ou Locker. Caso fique aqui, deve reforçar sua linha defensiva, e o melhor jogador disponível é o DT Nick Farley. Farley tem questões sobre sua ética de trabalho, que podem ser resolvidas no Titans já que vai trabalhar com seu ex-técnico do College Tracy Rocker, mas sem dúvida é um ótimo jogador. Lembra o antigo queridinho do time, Albert Haynesworth.

9ª escolha: Dallas Cowboys
O Dallas precisa reforçar sua secundária e sua linha ofensiva, mas talvez seja um pouco cedo para pegar qualquer um dos OLs disponíveis, por isso aqui a escolha vai ficar entre o CB Prince Amukamara e o DE JJ Watt. Embora eu ache que o Amukamara seja um encaixe melhor no time, o Watt é mais difícil de deixar passar, é um DE que joga seu melhor no esquema 3-4 do Dallas e que libera as grandes armas da defesa do time: Jay Ratliff e Demarcus Ware. O Bears de 2010 já provou que um bom pass rush pode melhorar em muito uma secundária, e o Cowboys pode tirar vantagem disso. E o potencial desse garoto parece ilimitado.

10ª escolha: Washington Redskins
O Redskins precisa urgentemente de um WR, mas os problemas com QB do time vão fazer com que o time não vá nessa direção nesse Draft, afinal de que vale um grande WR sem um QB decente? O time deve ficar mesmo com o DE Robert Quinn. A defesa do Redskins deu uma grande piorada em 2010 mas se reforçou com o OJ Atogwe e deve continuar se focando em melhorar novamente sua defesa. Quinn é bom demais pra ignorar a essa altura.

11ª escolha: Houston Texans
O Texans precisa de um CB desde que o Dunta Robinson saiu do time, e por isso chegou a vez do CB Prince Amukamara, a não ser que ele fique por Dallas, lógico. Os problemas do ataque parecem mais pontuais, Arian Foster emergiu como uma força dentro da Liga, e por isso a defesa do Texans deve ser realmente a prioridade, ainda mais quando o objetivo do time é desbancar o Peyton Manning. Além disso, Amukamara tem um nome legal demais pra simplesmente fazer vista grossa.

12ª escolha: Minnesota Vikings
Mais um time com problemas de Quarterbacks, o que parece ser uma constante nesse Draft. Sem chances ainda de draftar Mallet ou Locker, então o Vikings vai aproveitar a abundância de Defensive Linemans nesse Draft e achar no DE Cameron Jordan o substituto pro Ray Edwards, que deve estar de saída. Um WR também pode pesar aqui porque o Sidney Rice deve sair, mas sem um QB, não adianta ter um WR, assim como no Redskins.

13ª escolha: Detroit Lions
Um bom QB (que eles rezam pra que fique saudável), um RB promissor, um dos grandes WRs da Liga e o melhor DT da NFL. O Lions tem feito seu dever de casa direitinho no que diz respeito a reconstrução, e o próximo passo pro Lions é um offensive lineman, até pra tentar impedir que o ombro do Matthew Stafford esfarele pela milésima vez. Em uma classe pobre de OLs, o melhor parece ser o OT Tyron Smith, cujo valor tem subido absurdamente desde o combine e que parece estar um pouco acima do outro candidato a melhor OT do Draft, Anthony Castonzo.

14ª escolha: Saint Louis Rams
O Rams achou seu Franchise QB no último Draft, agora precisa dar a ele as condições para continuar evoluindo, e Sam Bradford precisa de duas coisas para isso: Um alvo e um protetor confiáveis. A primeira parece mais urgente e parece também oferecer a melhor possibilidade no WR Julio Jones, mas também parece mais improvável que ele caia até aqui depois de um combine brilhante. Como no meu Mock Draft ninguém pegou Jones, ele vai para o Rams.

15ª escolha: Miami Dolphins
Em 2009, o Miami Dolphins foi pra pós temporada com base em um QB que cometia poucos erros e um ataque terrestre incrível. Em 2010, eles foram um dos piores ataques terrestres da Liga. E em 2011, seus dois RBs viram Free Agents. Por isso, o time vai correr atrás do RB Mark Ingram, vencedor do Heissman Trophy e melhor RB disponível na noite, pra reforçar essa área do time, e também para dar um alvo de segurança em terceiras descidas pra quem quer que seja o QB do time.

16ª escolha: Jacksonville Jaguars
O time melhorou seu pash rush em 2010, mas não pode parar por aí. Com Jones e Green fora do Draft, um WR não deve sair aqui, então a escolha deve ser o DE Aldon Smith, pra fazer par com o Aaron Kampman. O Jaguars fez uma boa escolha com Tyson Alualu ano passado, e deve querer mais do mesmo, deixando passar Ryan Kerrigan pra pegar Smith.

17ª escolha: New England Patriots
O Patriots precisa de jogadores de defesa, mas o time sofreu muito com a pressão no seu QB nos playoffs e pode usar o OT Anthony Castonzo se ele cair até aqui. A linha ofensiva está ficando velha e o Patriots precisa de sangue novo por lá pra combinar com o resto do time. Além disso, com o novo estilo de jogo do Patriots, que usa e abusa do jogo terrestre, Castonzo e sua habilidade de bloquear vai ajudar, e muito.

18ª escolha: San Diego Chargers
O Chargers precisa melhorar sua linha defensiva, e o DE Ryan Kerrigan caindo até aqui é tudo que o Chargers queria. Ele também pode jogar de OLB em um esquema 3-4 ou em formações especiais, e isso também vai depender da forma com que o novo coordenador defensivo Greg Manusky vai comantar a defesa. Mas o talento de Kerrigan, principalmente para forçar fumbles, é o que o Chargers precisa agora.

19ª escolha: New York Giants
A linha ofensiva é a prioridade clara do Giants, maior do que o corpo de LBs. A dúvida pro Giants vai ser entre pegar um tackle ou um guard. Eu fico com o guard, o Mike Pouncey, irmão do Maurkice Pouncey do Steelers. O Eli Manning não é um dos QBs mais confiáveis da galáxia e pra ele trabalhar com espaço o jogo terrestre do Giants precisa funcionar como funcionou no começo da última temporada, e se o Pouncey jogar tão bem quanto o irmão gêmeo, o Giants achou um Guard de elite pelos próximos treze anos.

20ª escolha: Tampa Bay Buccaneers
O time mais legal da Liga solidificou o meio da sua defesa com suas escolhas de Draft do ano passado, e agora precisa de alguém capaz de colocar pressão no QB pelo lado de fora. O técnico Raheem Morris é muito criativo nos seus esquemas e precisa de alguém capaz de colocá-los em prática. E acho que aqui tem que ser o DE Adrian Clayborn. O Akeem Ayers é um ótimo OLB, mas ele funciona melhor em esquemas 3-4, enquanto o Clayborn parece ser o melhor pra jogar no 4-3 do Tampa Bays.

21ª escolha: Kansas City Chiefs
O Kansas tem um ataque bom, mas precisa de um WR e um OT pra evoluir pro próximo nível. Ainda assim, a maior necessidade do time é bife, e o DT Phil Taylor pode ser o melhor Nose Tackle desse Draft pra dar pra defesa do Chiefs - que já tem uma boa secundária e um dos melhores pass rushers da Liga de 2010 em Tamba Hali - a presença na linha defensiva que o GM Scott Pioli  tanto gosta.

22ª escolha: Indianapolis Colts
A linha ofensiva do Colts, que por tanto tempo foi uma das melhores da NFL protegendo o QB, está dando sinais de idade e na temporada passada o Manning só não virou paçoca porque ele é um monstro em ler e reagir à defesa adversária se livrando rapidamente da bola. O Colts precisa urgentemente de um jogador de linha ofensiva capaz de proteger seu QB logo que for draftado (não adianta nada draftar um cara cheio de potencial e esperar o Manning apodrecer), e por ísso o time vai atrás do OL Gabe Carimi. O Nate Soldier é bom e tem muito potencial, mas precisa de um tempo ainda e o Carimi é pra entrar e jogar 10 anos seguidos.

23ª escolha: Philadelphia Eagles
O Eagles tapou os buracos da linha ofensiva com as performances absurdas do Michael Vick saindo do pocket temporada passada, mas essa estratégia não funciona quando a linha ofensiva colapsa pra dentro e obriga o Vick a jogar de dentro do pocket, e por isso o Eagles vai buscar o Nate Soldier, afinal é um time que não tem a pressa do Colts.

24ª escolha: New Orleans Saints
O Saints está voltando para mais uma tentativa de chegar ao título, e por isso precisa de um jogador capaz de entrar e produzir imediatamente. Com a chegada do Shaun Rogers, o Saints passa a ter um OLB como prioridade defensiva sobre um DT, e por isso eles devme pegar o OLB Akeem Ayers, que tem a versatilidade que o Gregg Williams tanto gosta.

25ª escolha: Seattle Seahawks
Espero estar enganado nessa, porque quero muito ver esse jogador indo pro meu 49ers, mas acho que o Seahawks vai começar a puxar a segunda leva de Quarterbacks desse Draft com o Jake Locker. O time precisa de um QB pro futuro, e ainda pode reassinar por dois anos com o  Matt Hasselback e deixá-lo de titular enquanto espera o Locker desenvolver seu jogo de dentro do pocket. Como já disse, pode ser o steal dessa primeira rodada.

26ª escolha: Baltimore Ravens
O Ravens tem um ótimo corpo de WRs em termos de talento, mas ele ainda precisa de versatilidade. Seus WRs são ótimos quando tem espaço pra trabalhar pelo meio da defesa adversária, mas para isso o time precisa de um jogador rápido capaz de puxar a cobertura. No Draft, o melhor jogador com essas características disponível é o WR Torrey Smith, e se ele fizer seu trabalho direito o Ravens pode finalmente aproveitar ao máximo o talento do seu corpo de recebedores.

27ª escolha: Atlanta Falcons
O Falcons precisa de um WR, mas os três melhores já estão fora do Draft a essa altura, e essa necessidade deve ficar para a segunda rodada. O Falcons aqui deve se preocupar com a defesa, de preferência com a secundária. O Falcons pode pegar o Aaron Williams, que joga tanto de CB como Safety e não tem os problemas extra-campo do Jimmy Smith.

28ª escolha: New England Patriots
A escolha mais interessante do Draft, a meu ver. Na segunda rodada, temos Bills, Broncos, Titans, Redskins, Vikings e 49ers escolhendo com alguns intervalos entre eles, mas nessa ordem. Todos times que poderiam usar um QB, mas que correm o risco de ver tanto Locker como Mallet fora do Draft a essa altura. Some isso ao fato de que o Bill Belichick é viciado em negociar escolhas de Draft pra conseguir mais jogadores, e chegamos ao fato de que o Patriots tem uma posição que muita gente está louca pra conseguir e provavelmenta vai estar disposto a negociar. O resultado, a gente só imagina, mas eu realmente espero uma troca aqui. Se não ocorrer, o Patriots pode pegar o DT Muhammad Wilkerson, mas... acho que ninguém realmente considera isso.

29ª escolha: Chicago Bears
Caso o Patriots realmente troque a escolha acima - o que é tudo menos improvável - o Bears poderia tentar sua sorte com Wilkerson, mas com CB Jimmy Smith caindo até aqui, o Bears tem que aproveitar a chance de reforçar sua secundária esburacada.

30ª escolha: New York Jets
O Jets vive e morre com sua defesa, e sua defesa é especialista quando o assunto é colocar pressão no adversário. O LB Justin Houston é um jogador muito físico, que joga bem no esquema 3-4 e que pode trazer à mente doentia do Rex Ryan mais esquemas pra aproveitar sua defesa com o Houston do lado oposto ao Calvin Pace no que diz respeito a atacar o Quarterback.

31ª escolha: Pittsburgh Steelers
 Com uma escolha tão alta, o Steelers deve fazer juz ao seu histórico de pegar o melhor jogador disponível, e esse é o OL Derek Sherrod. A linha ofensiva do Steelers rendeu bem ano passado com a chegada do Pouncey, mas machucou demais e a falta de reservas pesou. O Sherrod pode não jogar de titular desde o começo, mas pode ser uma boa jogada de segurança.

32ª escolha: Green Bay Packers
O Johnny Jolly, depois de perder a temporada passada inteira por suspensão por posse de drogas, acabou de se envolver em mais problemas com a lei. A paciência do Packers, depois da pós-temporada sensacional do BJ Raji, deve estar se esgotando, e o DL Cam Heyward é um bom jogador, pode jogar de DT ou de DE e que se conseguir produzir com consistência vai ser um grande achado pra essa defesa.



Ufa, acabamos. Espero que vocÊs tenham gostado, deu um trabalho do cão fazer isso. Em breve também o post 'especial' sobre baseball que a gente prometeu. E por fim, queria agradecer a vocês, os leitores. O blog vem crescendo (Um pouco, mas é alguma coisa) recentemente e é muito bom poder compartilhar essas impressões com vocês. E, se puderem, ajudem a divulgar ainda mais o blog pra que a gente continue crescendo. Muito obrigado, e aproveitem!